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Resenha para a cadeira “Análise de Política Externa”

Prof. Dr. Osmany Porto de Oliveira

Ahmet Sehne
Bruno M. Falcetti
Ivo Ferreira
Lucas Espindola
Milena Cunha

GOLDSTEIN, J; KEOHANE, R. O. (Org.) Ideas and Foreign Policy: An


Analytical Framework. In: GOLDSTEIN, J; KEOHANE, R. O. (Org.) Ideas and
Foreign Policy: Beliefs, Institutions and Political Change. Ithaca e Londres:
Cornell University Press, 1993, Cap. 1, p. 3-30).

O capítulo Ideas and Foreign Policy: An Analytical Framework, dos


professores e cientistas políticos Judith Goldstein e Robert Keohane, é texto
introdutório do livro Ideas and Foreign Policy: Beliefs, Institutions and Political
Change (1993) – cujo objetivo é debater como as ideias ajudam a explicar
resultados políticos, utilizando-se de estudos empíricos para validar a hipótese
de que as ideias tem peso de importância na política, ajudando a fornecer
caminhos políticos e com maior clareza acerca dos objetivos de um determinado
ator. Portanto, sua tese central é de que “as ideias, assim como os interesses,
têm peso causal nas explicações da ação humana”1 (p. 3-4).

Portanto, num primeiro momento, os autores discutem o estado da arte


teórico e o problema acerca da (des)consideração do elemento “ideal” entre as
diversas abordagens. Na segunda seção, Goldstein e Keohane (1993)
apresentam aquilo que chamam de “três tipos de crença”2 – a importância e
formação das visões de mundo, das crenças em princípios e de “causas”. No
terceiro momento do texto, os autores apresentam três formas em que as ideias
podem provocar efeitos nas políticas, fazendo uso da seção seguinte para

1
Tradução livre para “ideas as well as interests have causal weight in explanations of human action” (p.
4).
2
Tradução livre para “three types of beliefs”.
apresentar dados que relacionam os tipos de crenças àquelas formas [da seção
anterior]. Os autores dedicam a última parte do texto para discutir os métodos
pelos quais é possível estudar os impactos das crenças nas políticas.

Goldstein e Keohane (1993) levantam uma discussão inicial sobre em


qual grau as abordagens “racionalistas” e “reflexivistas” lançam mão das ideias
enquanto categoria/variável analítica. Concebe-se que, a despeito da pouca
aderência à categoria de rational choice3, os reflexivistas fazem o emprego
unânime das ideias como categoria enquanto que, por outro lado, os
racionalistas apresentam baixa aderência à mesma.

Os autores consideram problemática a baixa aderência à categoria das


ideias por uma parte dos racionalistas uma vez que consideram como elemento
causal de peso, capaz de oferecer uma visão mais robusta sobre como as
preferências e identidades são formadas e moldadas – ainda argumentam que
o problema não pode ser tratado sob o eixo de “o quanto as ideias importam”
mas “como as ideias importam”.

As ideias, segundo Goldstein e Keohane (1993), definem um universo de


possibilidades para a agência humana. Para os autores, o tipo de ideias que
produz impacto de maneira mais ampla são as visões de mundo que, muitas
vezes, operam em direções opostas – a critério de exemplo, os autores
mencionam o impacto das maiores religiões do mundo sobre a vida social ou,
nas Relações Internacionais, as diversas visões sobre a Soberania que
impactam na compreensão entre os atores. O segundo conjunto de ideias, de
acordo com os autores, são as crenças sobre princípios e são compostos
basicamente de normas e critérios de distinção, como entre “certo ou errado” e
“justo ou injusto” (p. 9) – este conjunto tende a ser um forte orientador das
políticas, sobretudo quando há consenso acerca de certas de dicotomias.

O conjunto de crenças causais, última seleção dos autores, são definidos


como concepções acerca das relações de causa-efeito – geralmente, segundo
Goldstein e Keohane (1993), são crenças derivadas de um consenso

3
Categoria oriunda do Behaviorismo, na Ciência Política, preponderantemente estadunidense.
compartilhado entre elites reconhecidas (como os cientistas e as comunidades
epistêmicas).

Na seção The Impact of Ideas on Policy, Goldstein e Keohane (1993)


lançam mão das três formas de ideias enquanto categorias de análise para
discutir seus efeitos nos resultados políticos. Os autores argumentam que, a
despeito de sua importância, as ideias não têm um fim em si mesmas, porém,
representam fator de peso decisivo nas escolhas políticas: not ideas, but material
and ideal interests, directly govern men’s conduct4 (WEBER apud GOLDSTEIN;
KEOHANE, 1993, p. 11).

As ideias, por exemplo, (I) produzem visões de mundo e que, por sua vez
e segundo os autores, determinam os trajetos pelos quais a ação é impulsionada
pela dinâmica de interesses vigente ou (II) elas afetam também as interações
estratégicas entre os atores, visando resultados mais eficientes, derivando do
conjunto de valores e princípios que guiam os determinados agentes.

De acordo com Goldstein e Keohane (1993), uma vez que as ideias são
institucionalizadas (tomam forma de regras ou normas), passam elas a
constranger as políticas públicas – que são, por sua vez, influenciadas por
caminhos idealizados e materializados anteriormente –, contudo, a maneira com
que essas políticas são afetadas varia, tanto das condições materiais, quanto da
natureza das ideias com as quais trabalha-se (p. 12-24).

Após apresentar os traços gerais sobre como as diversas maneiras que


as três categorias de ideias são colocadas, Goldstein e Keohane (1993)
avançam para a discussão metodológica. O argumento central, desta seção, de
que as “ideias” podem ser analisadas de forma separada dos “interesses” – uma
vez que interessa não apenas saber as variações de crenças mas também
“como são institucionalizadas”, ou seja, como produzem normas, regras e,
sobretudo, como constrangem políticas – vem acompanhada da crítica aos
“reflexivistas”, visto que [eles] concebem ideais e interesses a partir de uma
relação de inerência (segundo os autores, este é o detalhe que mais os afastam
do materialismo e do racionalismo). Para Goldstein e Keohane (1993), é preciso

4
“Não [apenas] ideias, mas interesses materiais e ideais conduzem, diretamente, a conduta humana”.
(Tradução livre).
conciliar o objeto abstrato com avaliações empíricas sérias e um estudo
exploratório sobre a categoria das ideias, como foi feito, é capaz, segundo eles,
de fornecer resultados preliminares para a hipótese central do livro.

Para os autores, a melhor forma de realizar estudos a partir da categoria


das ideias é a absorção de um método de pesquisa que envolva uma atenção
cuidadosa entre descrição e a inferência causal, falando, num primeiro momento,
sobre o levantamento e tratamento das evidências – é preciso estabelecer
critérios rigorosos para a seleção dos dados e, sobretudo, sua confrontação com
outras perspectivas – e, posteriormente, a redução dos dados para uma
inferência descritiva. Em um momento seguinte, é preciso correlacionar as
observações obtidas em termos de análise das ideias e análise dos
comportamentos (p. 28) e, por fim, através desse material, estabelecer as
relações entre causa-efeito do objeto estudado. Os autores argumentam que não
se trata, ainda assim, de uma guinada ou demanda em razão da perfeição
metodológica, contudo, é preciso estabelecer vias mais rigorosas e que
permitam maior precisão para compreender o peso determinante das ideias face
ao objeto.

Goldstein e Keohane (1993) concluem o texto fazendo um balanço


sintético sobre as diversas categorias de ideias e as formas pelas quais se
apresentam empiricamente apenas recapitulando algumas discussões
empreitadas ao longo do texto. Os autores ainda realizam um breve movimento
de orientação para guiar a compreensão do leitor sobre como os argumentos
apresentados são suficientes para corroborar com a hipótese: as mudanças
políticas podem ser fortemente influenciadas pelas ideias – ainda segundo os
autores, apresentando uma concepção ontológica mais flexível, as ideias
podem, além de impactar na agência, podem sofrer influência das próprias
instituições nas quais elas são materializadas. Portanto, as ideias são capazes
de afetar as estruturas de agência, enquanto as estruturas vigentes e disponíveis
podem moldar ou conduzir certas concepções e visões. Entender a função das
ideias é, portanto e segundo os autores, compreender o nosso próprio papel.