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Cultura da Batata

Origem da batata
A batata ( Solanum tuberosum L. ) é originária dos Andes peruanos e bolivianos
onde é cultivada há mais de 7.000 anos. Recebe diferentes nomes conforme o local:
araucano ou Poni ( Chile ), Iomy ( Colômbia ), Papa ( Império Inca e Espanha ), Patata (
Itália ), Irish Potato ou White Potato ( Irlanda ).

Histórico da batata
A batata foi introduzida na Europa antes de 1520 sendo responsável pela primeira
revolução verde no velho continente: os ingleses incendiavam os trigais e matavam os
porcos criados pelos irlandeses, levando o povo à miséria, entretanto a batata resistia ao
pisoteamento das tropas, às geadas e ficavam armazenadas no solo.
Em 1845, a requeima, doença causada pelo fungo Phytophthora infestans ,
dizimou as lavouras, e matou por inanição um milhão de pessoas na Irlanda, e fez emigrar
outros dois milhões.
A Revolução Industrial do século XIX não teria sido possível sem o auxílio do bem-
estar alimentício proporcionado pela batata.
A difusão da batata em outros continentes ocorreu através da colonização
realizada pelos países europeus, inclusive no Brasil. Inicialmente era cultivada em
pequena escala em hortas familiares, sendo chamada de batatinha, assim como na
construção de ferrovias ganhou o nome de batata inglesa, por ser uma exigência nas
refeições dos técnicos vindos da Inglaterra.
Pesquisadores da história da alimentação apontam duas razões básicas para o
êxito e a disseminação da batata: o valor energético / ausência de colesterol e o fato de
possuir sabor e cheiro pouco acentuado, possibilitando centenas de combinações que
resultam em sabores diferentes.
Nutricionistas da FAO afirmam que uma dieta composta de batata e leite poderia
suprir, em caráter de emergência, todos os nutrientes de que o organismo humano
precisa para se manter.
Atualmente a batata é o 4º alimento mais consumido no mundo, após arroz, trigo e
milho.
A bataticultura no Brasil
Até a década de 40 despontava o Rio Grande do Sul como maior produtor. Com a
II Grande Guerra, a falta transporte por mar e terra desperta em São Paulo, Paraná e
Minas Gerais o interesse pela cultura. Atualmente o Brasil planta 182 mil ha, com uma
produção de 2,7 milhões de toneladas. E rendimento médio de 15 t/ha.
Produtividades dos estados
MG = 22 t/ha
SP = 20 t/ha
PR = 14 t/ha
SC = 10 t/ha
RS = 8 t/ha
Produção e área plantada no mundo e no Brasil
http://www.abbabatatabrasileira.com.br/mundo_area.htm

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A planta da batata

Classificação Botânica
Planta dicotiledônea da família Solanaceae, gênero Solanum. A mais produzida é
a Solanum tuberosum ssp. Tuberosum, (tetraplóide) cultivada em pelo menos 140 países.
Planta perene, habitualmente cultivada como bianual na Região Sul do Brasil. A parte
aérea é herbácea, com altura entre 50 e 70 cm ( até 1,5m na fase adulta). O ciclo pode
ser precoce (<90 dias), médio(90-110 dias) ou longo (>110 dias).
O caule da batata
Tem 2 partes distintas: uma aérea e outra subterrânea. Parte aérea: Caule é geralmente
angular, com seção transversal triangular ou quadrangular, ou circular em algumas
cultivares. A coloração é verde podendo ser arroxeada ou pigmentada.
O caule da batata ( parte aérea). O número de hastes ou “ramas” por planta varia
(de 2 a 5 por planta) conforme: A brotação ( qto > + hastes) e idade do tubérculo-
semente, da região produtora, das condições climáticas, do tamanho do tubérculo (>
tamanho + hastes). A haste principal é aquela que cresce diretamente do tubérculo. As
hastes secundárias são aquelas que se originam a partir da haste principal ( porém se sair
próximo do tubérculo-semente será considerada como haste principal).
O caule da batata ( parte subterrânea). É branca e portadora de gemas situadas
nas axilas de folhas rudimentares, que originam ramificações denominadas
estolões(rizomas). Os estolões terminam numa porção engrossada chamada tubérculo. A
batata é o resultado do intumescimento da extremidade dos estolões, que são caules
subterrâneos modificados, causado pelo acúmulo de reservas amiláceas nas células
parenquimatosas.
As raízes da batata
Quando a planta é oriunda de batata-semente, as raízes são adventícias e
crescem a partir dos nós dos caules subterrâneos, atingindo até 50 cm de profundidade.
Quando a origem é uma semente, a raíz é do tipo pivotante com ramificações laterais.
As folhas da batata
Alternadas no caule, são compostas, formadas por folíolos irregulares em número
e tamanho variáveis. Seu tamanho diminui da base ao ápice da planta. Os folíolos são de
2 a 4 pares, postos, com um folíolo terminal, geralmente maior que os laterais. A forma
dos folíolos varia de ovalada a ovalado-elíptica. Normalmente, outros menores ( folíolos
secundários) também em pares se intercalam na seqüência dos primários.
Inflorescência
É do tipo cimeira. As flores são hermafroditas e se localizam na extremidade
superior do caule. Podem ser branca, rosada ou arroxeada. O androceu e o gineceu
amadurecem ao mesmo tempo facilitando o processo normal de autofecundação.
O fruto da batata
É do tipo baga, bilocular, geralmente arredondado de cor verde ou parda, com
diâmetro de 1 e 3 cm, assemelhando-se a um pequeno tomate. Dependendo da fertilidade
da cultivar o fruto pode ter até 200 sementes.
Os Tubérculos da batata
É o órgão de maior interesse econômico. O formato varia de redondo a ovalado,
achatado ou alongado. Estresses sofridos podem ocasionar outras formas. Os chamados
“olhos” são gemas dormentes na superfície que ao se desenvolverem darão origem a um
novo sistema de hastes e estolões. Cada olho é formado por mais de uma gema. As
primeiras a emergir (as mais vigorosas) estão na extremidade oposta à do ponto de
inserção do estolão.

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Lenticelas: pequenos poros respiratórios, que comunicam o interior do tubérculo com o
exterior. Solos encharcados ou com pouca aeração tornam as lenticelas maiores e
depreciam o produto.
A medula é a parte mais interna e central e ocupa o maior volume. É um tecido de
reserva com células parenquimatosas, e é dividida em externa e interna. A medula
externa é mais densa e escurecida (> quantidade de amido e materiais sólidos). A medula
interna é menor e mais clara, com ramificações até os olhos do tubérculo. Qto > a medula
interna pior a qualidade do tubérculo (> água e < amido e sólidos).

Ecofisiologia da batata
Principais estádios de desenvolvimento: Desenvolvimento da brotação;
Crescimento vegetativo; Início da tuberização; Crescimento dos tubérculos; Maturação.

1-Desenvolvimento da brotação
Se inicia com a formação dos brotos nas gemas dos tubérculos. A única fonte de
energia provém do tubérculo-mãe, pois a fotossíntese ainda não se iniciou. Estádio muito
delicado para o crescimento e a produção da planta.

2-Crescimento vegetativo
As hastes e as folhas se desenvolvem sobre o solo. A fotossíntese é iniciada. As
reservas do tubérculo-mãe sustentam o crescimento por cerca de trinta dias. As reservas
são usadas até a exaustão.

3- Início da tuberização
Inicia-se de 2 a 4 semanas após a emergência, ou seja, cerca de 7 semanas após
plantio. Os produtos da fotossíntese são usados no crescimento dos estolões,
desenvolvimento da folhagem e início da formação dos tubérculos na extremidade dos
estolões. O açúcar produzido pela fotossíntese é convertido em amido e armazenado em
células que se expandem nos pequenos tubérculos formados.

3- Início da tuberização
Este estádio dura de 10 a 15 dias, e o término coincide com o início do
florescimento. São formados os tubérculos que serão colhidos. É um estádio muito crítico
para a ocorrência de doenças, pragas, deficiências nutricionais, falta de água, danos por
geada ou granizo, que promovem perdas irreversíveis.

4-Crescimento dos tubérculos


O final do desenvolvimento da folhagem coincide com o início do intenso
crescimento dos tubérculos, pois os assimilados da fotossíntese são redirecionados. Os
tubérculos crescem bastante devido às expansões celulares que são predominantes, com
acúmulo de água, nutrientes e carboidratos. Divisões celulares se restringem às gemas.

5-Maturação
Todos os assimilados são direcionados para os tubérculos; O teor de matéria seca
atinge o máximo; A folhagem se torna amarelada, com redução gradual da fotossíntese e
do crescimento dos tubérculos, até o secamento completo da parte aérea. A periderme
(película) torna-se firme, as gemas ficam dormentes e o teor de açúcares é reduzido até
a maturação final.

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Influência da temperatura
Temperatura do solo:
Brota e germina a partir de 5º C a 8º C .
Emergência rápida: 22º C a 25º C.
Mais favorável à produção de tubérculos é de 15º C a 18º C.

Temperatura do ar:
> de 3º C a 4º C não bota.
Para início da tuberização é de 17º C ( abaixo de 6º C são raros os tubérculos formados
e acima de 28º C a 30º C não tuberiza).
Médias diárias mais favoráveis à cultura é de 15º C a 20º C.
Temp. noturnas acima de 20º C inibem a tuberização.

Influência do fotoperíodo
Fotoperíodos curtos: tuberização mais precoce, estolões curtos, hastes menores e
produção antecipada.
Fotoperíodos longos: tuberização é mais tarde, os estolões são mais compridos, a
folhagem é mais abundante, com maior número de hastes laterais, maior florescimento,
maior ciclo e produção mais tardia.

Influência da intensidade luminosa


Nos climas temperados, sob condições de dias longos, mais luz pode ser
interceptada do que em dias curtos e, consequentemente, a produção diária é maior.
Entretanto em baixas intensidades luminosas, o crescimento da folhagem é estimulado e
o dos tubérculos, retardado.

Idade fisiológica da batata-semente


As mudanças nas idades cronológicas resultam em diferentes idades fisiológicas.
Quando é plantada antes ou após a idade fisiológica mais apropriada, haverá perda
produtiva proporcional ao tempo. Depende da cultivar, condições de armazenamento,
pelas práticas culturais, época local de plantio ciclo vegetativo.
A idade ideal para o plantio normalmente se situa entre 4 a 6 meses após o
desligamento da planta mãe. Alguns autores sugerem que a melhor relação entre a idade
e o potencial produtivo seria expressa em graus/dia (Canadá, 1987).
Podemos estabelecer diferentes idades fisiológicas: Dormência; Dominância
apical; Pleno vigor de brotação; Brotações longas; Senescência.

Dormência
Tubérculo não brota mesmo que colocado em condições favoráveis.
Nesse período a atividade metabólica está reduzida a um mínimo e o balanço hormonal
interno está a favor dos inibidores do crescimento.
Dominância apical
Com condições favoráveis ocorre a emissão de um ou mais brotos a partir da gema
apical do tubérculo.
Neste período, as variações de temperatura e iluminação favorecem as mudanças no
equilíbrio hormonal, que conduz ao início das brotações.
Se o broto apical é removido há estimulação à brotação das demais gemas.
Pleno vigor de brotação
Ocorre o desenvolvimento simultâneo da maioria dos brotos.
Geralmente os tubérculos estão com turgescência normal ou com leve perda desta.
Idade fisiológica da batata-semente

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Brotações longas
As brotações já estão bastante desenvolvidas e com média a alta perda de
turgescência, porém com menor vigor para plantio.
Idade fisiológica da batata-semente
Senescência
A batata-semente já perdeu a capacidade de emitir brotação vigorosa, apresentando
aspecto murcho e esgotado.
Pode ocorrer a formação de pequenos tubérculos nos brotos.

Implantação e colheita da cultura da batata

Escolha e preparo da área


Deve-se evitar o replantio ou plantio em locais onde foram cultivadas solanáceas
em anos anteriores (fumo, pimentão, tomate etc.), ou em solos infestados com agentes de
doenças, tal como o que causa a murchadeira. Deve-se evitar, também, águas de chuva
ou de irrigação que provenham de terrenos suspeitos. Os solos, de preferência areno-
argilosos, devem ser profundos, leves e arejados. Os plantios de primavera podem ser
realizados em qualquer exposição, nos de outono deve-se dar preferência à exposição
leste-norte.
Preparo do solo
Um bom preparo do solo, além de facilitar o plantio, tem grande influência na
emergência das plantas, bem como na formação e produção de tubérculos. Para tanto,
são necessárias duas lavrações e gradagens. A profundidade de aração deve estar em
torno de 20 cm, a fim de permitir um melhor desenvolvimento das raízes.
Calagem
Apesar da batata ser considerada planta tolerante à acidez do solo, diversos
trabalhos mostram a existência de resposta positiva ao uso de calcário, provavelmente
associado à fatores indiretos, como a redução dos efeitos danosos de altas
concentrações de alumínio e de manganês trocáveis, bem como pelo aumento da
disponibilidade de fósforo. Com pH 6,0 em água do solo, há maior produtividade,
resultante da produção de tubérculos de maior tamanho e, também, de maior qualidade.
No entanto, com esse pH, dependendo do clima, observa-se maior incidência de sarna
comum nos tubérculos, principalmente quando ocorrem fortes estiagens. Em função
desses resultados, foi estabelecido que para a cultura da batata, no Rio Grande do Sul e
em Santa Catarina, o uso do calcário deve visar elevar o pH em água do solo a 5,5.
Adubação N
Da recomendação apresentada na Tabela 5 para o N, sugere-se que metade seja
aplicada no plantio e o restante, aproximadamente, 30 dias após a emergência, por
ocasião da amontoa.
Cultivares
O que mais importa na escolha de uma cultivar são as suas características de
mercado (mesa ou processamento) e o seu potencial de produção. Além disso, a
adaptação ecológica e tecnológica é importante para o custo, manejo e qualidade da
produção.
Cultivares de película vermelha: Asterix, Baronesa, Macaca.
Cultivares de película amarela : Ágata, Catucha, Cristal, Eliza, Monalisa.
Nota: Pode-se obter informações sobre a obtenção de sementes das cultivares nacionais
na Embrapa Transferência de Tecnologia, Escritório de Negócios de Canoinhas, SC
(Fone: 47 3624-0127) e na Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS (Fone: 53 3275-
8199).

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Sementeiro
É uma pequena lavoura de multiplicação de ”sementes” feita pelo produtor de
batata consumo, com o objetivo de reduzir o custo desse insumo e melhorar a sanidade
da lavoura. Para implantar o sementeiro o produtor deve adquirir cerca de 20% da
semente que planta habitualmente ou que pretende plantar no período seguinte. O
sementeiro deve se localizar em área distante de lavouras de produção de batata para
consumo, ou separado destas, por obstáculos naturais: matas, morros, etc; e em solo
ainda não cultivado com batata ou, sabidamente, não infestado por bactérias causadoras
de murchadeira.
Os principais cuidados com o sementeiro são:
Controle dos afídeos (pulgões), que são os principais vetores das viroses;

Erradicação das plantas anormais ou com sintomas de doenças, retirando do campo as

plantas juntamente com todos os tubérculos;


Controle das doenças fúngicas da parte aérea;

Colheita antecipada, antes da seca natural da rama.

Forçamento da brotação
Para a produção de batata para consumo, a maioria das cultivares nacionais,
quando manejadas adequadamente, dispensam o forçamento químico da brotação. Para
produção de batata-semente da maioria das cultivares, especialmente na implantação do
sementeiro, é importante o forçamento da brotação, pois aumenta o número de hastes por
caseira e, conseqüentemente, o número de tubérculos produzidos.
Dentre os tratamentos recomendados cita-se: o ácido giberélico, na concentração
de 5 a 10 partes por milhão (ppm) (1g para 100 a 200 L de água), aplicado por imersão ou
em pulverização; o bissulfureto de carbono, na dosagem de 15 a 25 cm3 por m3 de
câmara hermética. Ambos aplicados cerca de duas semanas antes do plantio.
Plantio
Época: há duas épocas principais de plantio para a maioria das regiões do Rio Grande do
Sul; o plantio de fim de inverno (15 de agosto a 15 de setembro) e o de fim de verão (15
de fevereiro a 15 de março). O cultivo de verão (terceira época) tem aumentado no
Campos de Cima da Serra .
Profundidade: deve-se plantar em sulcos de 5 a 10cm de profundidade, onde já foi
misturado o adubo. Tapa-se o tubérculo-semente com 10 a 15cm de terra.
Espaçamento: conforme o equipamento utilizado para o plantio e tratos culturais, adapta-
se o espaçamento entre linhas, que é em média de 0,75 m. Dependendo do tamanho do
tubérculo-semente e do destino da produção (consumo ou semente), o espaçamento na
linha vai de 0,25 a 0,35 m.
O número de tubérculos por caixa ou saco varia de acordo com o tipo de semente (Tabela
7). O número de tubérculos necessário para o plantio de um hectare varia de acordo com
o espaçamento entre e dentro da linha (Tabela 8).

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Tratos culturais
Capina: deve ser feita após 20-30 dias da emergência da batata ou quando as plantas
atingirem 20-30 cm de altura. Em áreas muito infestadas por invasoras deve-se realizar o
controle químico.
Amontoa: é feita pouco depois da capina, com equipamento conveniente e disponível na
propriedade, numa altura média de 15 cm. Em geral, cumpre três funções:
capina mecânica,
incorporação de fertilizantes de cobertura
formação do camalhão.

Colheita
A colheita deve ser efetuada em condições de baixa umidade, deixando-se os
tubérculos de 2 a 3 hs, no máximo, expostos ao sol. Nesse momento deve-se eliminar os
tubérculos podres, defeituosos ou muito lesionados. É importante que os tubérculos
cheguem bem secos ao local de armazenamento. Evitar causar danos excessivos nos
tubérculos, que ocorrem no processo de colheita mecânica e no manuseio da catação, e
que resultam em perdas por aprodrecimento no armazenamento, principalmente quando o
objetivo é a produção de tubérculo-semente. Acostumar-se com o hábito de lavar e
higienizar os equipamentos de colheita e a caixaria/sacos de catação, para minimizar os
efeitos nocivos de podridões.
Ponto de colheita
A colheita deve ser feita após as plantas secarem naturalmente ou duas semanas
depois de tratadas com dessecantes (herbicidas) de modo que os tubérculos apresentem
a película bem firme.
Classificação e armazenamento
Para a classificação de tubérculos-semente usar peneiras apropriadas (Tabela 7).
Antes do armazenamento, deve ser feita uma desinfestação prévia do armazém, caixas,
sacos, equipamentos, meios de transporte etc., com formol a 3%. O armazém deve ter
boa ventilação e o tubérculo não pode receber luz direta se for para o consumo, pois
provoca o esverdeamento. Quando os tubérculos-semente estiverem prontos para plantio,
em espera no barracão, ficar atento para a infestação de pulgões que chegam aos brotos
através de lufadas de vento, abrindo a possibilidade de infecção do lote com viroses.

Doenças da Batata
Causadas por bactérias
Murchadeira: causada por Ralstonia solanacearum, é a principal doença bacteriana da
batata e o maior problema para os produtores de batata-semente. Os principais sintomas
são o murchamento e o secamento de uma ou mais hastes, com posterior morte da

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planta. Os tubérculos infectados, ao serem cortados, exsudam pus bacteriano, uma
excreção de coloração creme. O controle da murchadeira deve ser feito preventivamente,
plantando-se batata-semente livre do patógeno, em áreas também livres. A rotação com
gramíneas (aveia, milho, sorgo etc.), reduz a população do patógeno no solo.

Canela Preta, Talo Oco ou Podridão Mole: causadas por Erwinia spp. É uma doença
que ocorre freqüentemente, sendo muito dependente das condições ambientais
favoráveis (calor e umidade). O principal sintoma é o apodrecimento da haste, com
característica coloração negra, e posterior murchamento e morte da planta.
Os tubérculos infectados desenvolvem, uma podridão mole característica, exalando um
odor fétido e, quando colhidos úmidos e armazenados em más condições, podem sofrer
grandes perdas no depósito. Para o controle deve-se usar sementes sadias, evitar o
plantio em solos mal drenados (acabar com o ‘’pé-de-arado”), fazer rotação de culturas
com gramíneas, realizar a colheita em dias secos e armazenar a batata em locais bem
ventilados. Evitar excesso de machucaduras dos tubérculos na colheita e transporte e
usar sacaria nova e caixaria devidamente sanitizada com formol a 3%.

Sarna Comum: causada por Streptomyces scabies, também altamente disseminada nos
solos cultiváveis. Os sintomas observados nos tubérculos são lesões pequenas e
superficiais, ou de reentrâncias profundas e suberificadas. A elevação do pH do solo, bem
como a ocorrência de períodos secos durante o ciclo da cultura, especialmente no estádio
de tuberização, favorecem a ocorrência. Cultivares mais suscetíveis devem ser plantadas
em solos com pH baixo (cerca de 5) e, também, devem receber irrigação em períodos de
seca.

Causadas por fungos


Requeima ou Preteadeira: causada por Phytophthora infestans, é a principal doença
fúngica da batata. Em condições de temperatura amena e muita umidade, pode destruir
completamente uma lavoura em poucos dias. Os sintomas consistem em lesões pardas
escuras nas folhas, de tamanho e forma irregulares, que progridem para os pecíolos e
hastes, podendo atingir, inclusive, os tubérculos. O fungo pode ser visto na parte inferior
das folhas, na forma de um mofo cinza esbranquiçado e sobrevive somente em tubérculos
e em plantas vivas (soqueira). Para o controle da doença, além do uso de cultivares
resistentes, eliminação de plantas voluntárias em outras lavouras e amontoados de
descartes e tubérculos-semente sadios, deve-se iniciar aplicações com fungicidas quando
as plantas atingirem 10 a 15 cm de altura e sempre que as condições climáticas
favorecerem o desenvolvimento do patógeno.

Pinta Preta ou Alternaria: causada por Alternaria solani, é uma doença que ocorre,
geralmente, em plantas maduras. Controle: rotação de culturas com gramíneas e
utilização de tubérculo-semente livre da enfermidade e com brotação uniforme e vigorosa.
Evitar o plantio muito fundo e em terrenos muito frios (temperatura do solo abaixo de
18oC) para que os brotos tenham rápida emergência e escapem do ataque do fungo.

Enrolamento da Folha: causada pelo vírus do enrolamento da folha da batata (Potato


leafroll virus - PLRV), é a principal virose da batata no Brasil. O principal sintoma é o
enrolamento das margens dos lóbulos foliares para cima, no sentido da nervura principal.
Além disso, ocorre, quase sempre, uma clorose generalizada da planta e uma acentuada
redução do crescimento Esta doença se dissemina através dos tubérculos-semente
infectados e dos pulgões. O controle é feito através do plantio de tubérculos sadios,

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erradicação das plantas infectadas, combate aos pulgões, isolamento das lavouras e
destruição de soqueiras (plantas espontâneas) de batata.

Causadas por vírus


Mosaico: diversos vírus da batata podem causar o Mosaico. O mais comum e importante
é o vírus Y da batata (Potato virus Y - PVY). Sintoma: áreas de coloração mais clara ou
amarelada nas folhas, intercaladas com a coloração verde normal. O vírus também pode
induzir nas folhas rugosidade, encarquilhamento, necrose das nervuras e queda, além de
clorose generalizada e redução do crescimento das plantas. O controle é semelhante ao
utilizado para o PLRV, diferindo em relação ao combate aos pulgões, que não funciona,
por ser este um vírus de relação não persistente com os vetores.

Pragas da Batata
Burrinho (Epicauta atomaria): é um besouro de corpo alongado, cor cinza opaca, com
manchas cinza escuras na superfície do corpo. Encontra-se em qualquer parte da
folhagem. Os adultos comem as folhas e ramos finos. Normalmente atacam a lavoura em
grande número, em reboleira, requerendo controle imediato, ou podem abandoná-la de
modo repentino.

Vaquinha (Diabrotica speciosa): é um besouro de corpo oval, cor verde escura, com três
manchas amarelas em cada asa. Encontra-se em qualquer parte da folhagem. Os adultos
comem as folhas. As larvas vivem no solo e atacam e danificam os tubérculos. Têm
coloração branca e uma placa escura na extremidade do abdome. Para a proteção dos
tubérculos, é necessário o uso de inseticidas no sulco de plantio. Na parte aérea o
controle é recomendado quando houver severo desfolhamento.

Bicho arame (Conodorus spp.): é um besouro de corpo alongado, cor marrom escura
avermelhada, com pontuações pretas. Pode saltar e voltar à posição normal, quando
colocado de costas. Os besouros não causam nenhum dano. As larvas têm o corpo
achatado, cor marrom clara, brilhante, aparência vitrificada. Vivem no solo, causando
danos aos tubérculos. A ocorrência é freqüente, especialmente em locais já plantados
com batata. As larvas, também, exigem controle preventivo, com aplicação de inseticidas
no sulco de plantio.

Mosca minadora (Liriomyza huidobrensis): é pequena, de cor marrom acinzentada ou


preta, com manchas amarelas. A mosca perfura as folhas para ovopositar ou obter
alimento, abrindo caminho para doenças fúngicas, especialmente à Alternaria. As larvas
fazem galerias nas folhas, em forma de espiral. O ataque tem aumentado de freqüência e
de intensidade nas lavouras do RS. O controle através de inseticidas sistêmicos,
aplicados no sulco de plantio ou quando da amontoa, propicia bons resultados por cerca
de 30-40 dias. A aplicação na folhagem deve ser feita com pulverizadores de bico fino,
dando-se alta pressão para obter boa cobertura.

Pulgões: são pequenos, de corpo mole. Myzus tem cor variando do verde ao rosado,
formando colônias nas folhas baixeiras das plantas. Macrosiphum tem cor verde a rosada,
preferindo formar colônias nas folhas superiores. Formam colônias na parte inferior das
folhas. Por si, não causam sérios danos, a não ser quando em grandes quantidades
(cerca de 10% das plantas infestadas com colônias). O dano maior refere-se à
transmissão de viroses.

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Pulga-do-fumo (Epitrix spp.): é um pequeno besouro de corpo oval, cor variando de preta
brilhante a marrom escura, que salta rapidamente quando molestado. Encontram-se em
qualquer parte da folhagem. Os adultos comem as folhas, causando pequenos furos e
tornando-as rendilhadas. As larvas atacam os tubérculos, causando pequenos furos. O
ataque da pulga é esporádico, sendo maior em períodos de seca.

Traça (Phthorimaea operculella): a lagarta é verde esbranquiçada a verde rosada. Ataca


as folhas e caules, produzindo galerias. Também ataca os tubérculos. Sua ocorrência, no
RS, não é comum. É praga de infestação cruzada, podendo ocorrer tanto nas lavouras,
quanto nos armazéns.

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