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AS FONTES DO DIREITO DA EU

As fontes do direito da União Europeia são três:


as fontes primárias (originárias), as fontes derivadas e as
fontes de direito subsidiário.

i. As fontes primárias (originárias)


Resultam principalmente dos tratados “fundadores”, ou seja,
o Tratado da UE (TUE) e o Tratado sobre o Funcionamento da
UE (TFUE). Estes tratados enunciam a repartição de
competências entre a União e os Estados-Membros e estabelecem
os poderes das instituições europeias.
O direito primário inclui também:
➢ os tratados modificativos da UE;
➢ os protocolos anexados aos tratados fundadores e aos
tratados modificativos;
➢ os tratados de adesão dos Estados-Membros da UE.

Em suma, o direito primário constitui o direito supremo da


União Europeia, prevalecendo sobre qualquer outra fonte de
direito.

Âmbito de aplicação do direito primário


O direito da UE se aplica-se aos territórios metropolitanos
dos Estados-Membros e a certas ilhas e territórios
ultramarinos. Aplicando-se igualmente aos territórios cujas
relações externas sejam asseguradas por um Estado-Membro
como Gibraltar, e que não se apliquem a certos territórios
como as Ilhas Faroé, conforme o artigo 355.º do TFUE.

Aplica-se no momento da entrada em vigor do tratado, salvo


se houver um período transitório. Quanto ao período de
vigência, os textos que sejam da esfera do direito primário
têm em princípio vigência ilimitada, de acordo termos do
artigo 356ºdo TFUE.
ii. As fontes de direito derivado
Inclui os atos unilaterais e os atos convencionais.
Os atos unilaterais podem ser classificados em duas
categorias:
➢ Os atos que constam da nomenclatura do artigo 288.º do
TFUE: (regulamentos, diretivas, decisões, pareceres e
recomendações);
➢ Os atos que não constam da nomenclatura do artigo 288.º
do TFUE. (São atos ditos atípicos como as comunicações,
as recomendações, os Livros Brancos e os Livros Verdes.)

Os atos convencionais abrangem:


➢ Os acordos internacionais assinados entre a UE, por
um lado, e organizações ou países terceiros, por
outro;
➢ Os acordos entre Estados-Membros;
➢ Os acordos interinstitucionais.

iii. As fontes de direito subsidiário


Incluem a jurisprudência do Tribunal de Justiça, o direito
internacional e os princípios gerais de direito.
Estas fontes permitiram ao Tribunal de Justiça colmatar as
lacunas do direito primário e/ou do direito derivado.
Os princípios gerais de direito são fontes não escritas
resultantes da jurisprudência do Tribunal de Justiça. Estes
princípios permitiram que o Tribunal de Justiça fixasse
regras em diversos domínios relativamente aos quais os
tratados nada preveem.

Atos Jurídicos da União – artigo 288.º TFUE


Regulamentos
Um regulamento é um ato legislativo vinculativo,
aplicável em todos os seus elementos em todos os países da
UE. (Por exemplo, quando a UE quis garantir a aplicação
de medidas comuns de salvaguarda aos produtos importados de
fora da EU)
Diretivas
Uma diretiva é um ato legislativo que fixa um objetivo
geral que todos os países da UE devem alcançar. Contudo,
cabe a cada país elaborar a sua própria legislação para dar
cumprimento a esse objetivo.

Decisões
Uma decisão só é vinculativa para os seus destinatários
específicos (por exemplo, um país da UE ou uma empresa),
sendo-lhes diretamente aplicável.

Recomendações
Uma recomendação não é vinculativa. Assim, a adoção pela
Comissão de uma recomendação para que as autoridades
judiciais dos países da UE intensificassem o recurso
à videoconferência para reforçar a ação dos serviços
judiciais além-fronteiras, não teve qualquer consequência
jurídica.
Uma recomendação permite às instituições dar a conhecer
os seus pontos de vista e sugerir uma linha de conduta sem,
todavia, impor uma obrigação legal aos seus destinatários.

Pareceres
Um parecer é um instrumento que permite às instituições
fazer uma declaração de forma não vinculativa, ou seja, sem
impor qualquer obrigação legal aos seus destinatários. Um
parecer não é vinculativo. Pode ser emitido pelas principais
instituições da UE (Comissão, Conselho, Parlamento), pelo
Comité das Regiões ou pelo Comité Económico e Social Europeu.
REENVIO PREJUDICIAL
O reenvio prejudicial é um processo exercido perante o
TJUE. Este processo permite a uma jurisdição nacional
interrogar o Tribunal de Justiça sobre a interpretação ou a
validade do direito europeu – regulamento, diretiva,
decisão, etc.
Ao contrário dos outros processos jurisdicionais, o reenvio
prejudicial não é um recurso formado contra um ato europeu
ou nacional, mas sim uma pergunta relativa à aplicação do
direito europeu.
Auxilia a cooperação ativa entre as jurisdições nacionais e
o Tribunal de Justiça e a aplicação uniforme do direito
europeu em toda a EU (artigo 267º TFUE).

i. Funções do reenvio prejudicial


1ª - assegura a primazia do direito europeu, permitindo a
articulação entre este e o direito nacional;
2ª - contribui para a realização da unidade do sistema
jurídico europeu;
3ª - permite um desenvolvimento do direito europeu, testando
as respetivas disposições caso a caso e
permite a densificação e concretização dos valores,
princípios e regras do direito europeu.
4ª - exprime e reforça a autonomia imperativa e conceitual
do direito da EU, no confronto com os
direitos nacionais dos EM’S
5ª - concretiza a cidadania europeia e o principio da
proteção jurídica efetiva de direitos e interesses
dos particulares.
6ª - permite o controlo da execução indireta das normas de
direito da EU.
iv. Objeto do reenvio prejudicial
Qualquer jurisdição nacional, que deva dirimir um litígio no
qual a aplicação de uma norma jurídica europeia suscite
dúvidas, pode decidir dirigir-se ao Tribunal de Justiça para
resolver estas dúvidas.
Existem, então, dois tipos de reenvio prejudicial:
➢ o reenvio para interpretação da norma europeia: o juiz
nacional solicita ao Tribunal de Justiça que
especifique um ponto de interpretação do direito
europeu para o poder aplicar corretamente. Refere-se à
interpretação dos Tratados – TUE, TFUE, CDFUE, os atos
e protocolos, ou seja, interpretação do bloco de
constitucionalidade europeia. Assume grande relevo para
garantir a interpretação do direito nacional em
conformidade com o direito da UE e a inexistência de
contradições entre eles;
➢ o reenvio para apreciação da validade da norma europeia:
o juiz nacional solicita ao Tribunal de Justiça que
controle a validade de um ato jurídico europeu. Apura
apenas se a norma europeia ainda é válida na sua
plenitude e efetividade, isto para garantir o respeito
pelo principio da legalidade dos atos da UE.

v. Os tipos do reenvio prejudicial


Reenvio facultativo: um tribunal do EM que não decida em
última instância, pode pedir ao TJUE que se pronuncie sobre
uma questão de interpretação e validade, se considerar que
a mesma é necessária ao julgamento da causa.
Contudo a decisão discricionária de reenvio deve ponderar
fatores como o atraso no processo, os custos envolvidos, a
sobrecarga do TJUE e a vontade das partes.
Reenvio obrigatório: Se a decisão a proferir não admitir
recurso judicial no respetivo direito nacional (e a questão
for necessária e pertinente para a solução do caso concreto),
então o órgão jurisdicional nacional é obrigado a submeter
a questão prejudicial ao TJUE.
A violação do dever de reenvio tem sansões comunitárias,
constitucionais e internacionais. Sendo que do ponto de vista
do direito da EU ela configura uma situação de incumprimento
do direito da UE, podendo revelar para efeitos da ação
prevista no artigo 258º TFUE e da responsabilidade
extracontratual dos EM’s, por violação do DUE.
vi. Competência do TJUE para apreciação do reenvio
O órgão competente para apreciar questões prejudiciais é o
TJUE.
Desde que as questões suscitadas digam respeito à validade
ou interpretação do direito europeu, o TJUE é obrigado a
pronunciar-se. o TJUE competência exclusiva no domínio do
reenvio.
No âmbito da sua jurisdição o TJUE responde apenas
relativamente a questões de direito sobre a validade e
interpretação. A sua jurisdição não pode extravasar desse
âmbito.
O reenvio assenta em alguns pressupostos relevantes, sendo
o de maior importância apurar a relevância da questão,
independentemente de se tratar de reenvio facultativo ou
obrigatório.
Compete ao juiz nacional, a quem o litigio haja sido
submetido, apreciar a necessidade de uma decisão prejudicial
para a pronúncia da decisão final.
O TJUE só se pronuncia sobre questões relevantes, afastando
qualquer apreciação abstrata de questões teóricas,
hipotéticas ou impertinentes, eventualmente suscitadas como
manobra dilatória de litigância de má-fé.

vii. Processo de reenvio


A decisão de reenvio é da responsabilidade do órgão
jurisdicional de reenvio. Este deve fornecer ao TJUE todos
os elementos completos do litigio do processo principal e
responder aos pedidos de esclarecimento que lhe sejam
dirigidos pelo TJUE.
O tribunal nacional deve explicar as razões da pertinência
da questão à resolução do litigio. O que significa que em
muitos casos o reenvio deve ser feito após a fixação da
matéria de facto, posteriormente à instrução e antes do
julgamento, preferencialmente depois de um debate
contraditório. O processo de reenvio é admissível em qualquer
fase do processo, cabe exclusivamente ao tribunal nacional
decidir quando o acha oportuno.
O não fornecimento do enquadramento dos factos da questão em
causa pode levar à improcedência do reenvio.
O reenvio deve ser notificado às partes do processo, apesar
destas não ter legitimidade processual ativa para suscitar
a questão prejudicial a titulo incidental.
No entanto, as mesmas têm legitimidade para interpor recurso
da decisão de reenvio, para um tribunal nacional superior.

viii. A sentença do TJUE


O artigo 267º TFUE não faz qualquer menção ao conteúdo e
efeitos da decisão do TJUE no âmbito do reenvio.
➢ Sentença de interpretação: a sentença do TJUE, tanto no
reenvio interpretativo como no de validade, faz caso
julgado no processo, devendo ser aplicada pelo tribunal
nacional ao caso concreto.
➢ Sentença de invalidade: quando um ato de direito da UE
está contra o direito primário da União, ou seja, está
contra os Tratados. A mesma pode declarar a nulidade
total ou parcial do ato, devendo optar pela parcial,
sempre que isso seja suficiente para restaurar a
legalidade.

AÇÃO POR INCUMPRIMENTO


Quando um determinado país da UE não está a cumprir as
obrigações que lhe incumbem por força dos Tratados.
Previsto nos artigos 258º a 260º TFUE.
O incumprimento das obrigações da UE pode resultar de:
➢ decisões ou práticas legislativas ou administrativas;
➢ ação positiva - adoção de medidas contrárias ao direito
da UE ou recusa em revogar tais medidas;
➢ ação negativa - atrasos na aplicação do direito da UE
ou falta de informação da Comissão sobre os progressos
realizados.
i. Como se interpõe?
➢ As ações judiciais são intentadas pela Comissão,
podendo também ser intentadas por outro país da UE;
➢ Dirigidas ao país da UE, mesmo que os incumprimentos
detetados sejam da responsabilidade do governo, do
parlamento ou de órgãos ao nível federal ou subnacional.
➢ A Comissão começa por pedir ao país da UE em questão
que responda às acusações de que está a violar o direito
da UE. Com base na sua resposta, a Comissão formula um
parecer que encerra o processo ou estipula as mudanças
que o país deve realizar. Este processo também pode ser
desencadeado por um outro país da UE, que remete o
assunto para a Comissão.
➢ Se o país em questão não cumprir o estipulado no parecer
da Comissão dentro do prazo fixado, a Comissão ou outro
país da UE que tenha iniciado o processo pode submeter
o caso ao TJUE.
➢ Quando propõe uma ação ao Tribunal por considerar que
um país da UE não comunicou as medidas nacionais de
transposição do direito da UE, a Comissão também pode
pedir ao Tribunal que imponha sanções financeiras.
➢ O Tribunal de Justiça pode condenar um país da UE a
tomar determinadas medidas, caso considere que este
violou o direito da UE. Se a Comissão considerar que o
país não está a cumprir o acórdão do Tribunal, pode
remeter o caso uma segunda vez para o Tribunal,
recomendando o montante da sanção que considera que
deve ser paga.
➢ Se o Tribunal considerar que o acórdão continua a não
ser respeitado, pode impor uma quantia fixa e/ou uma
sanção pecuniária compulsória.

O processo está estruturado em duas fases (pré-contenciosa


e contenciosa):

A fase pré-contenciosa é desdobrável em duas subfases:


➢ Na primeira fase, a Comissão, no uso das suas
prerrogativas, investiga o alegado incumprimento,
interpelando o Estado e convidando-o a pronunciar-se;
neste estádio, a Comissão, em diálogo com as autoridades
nacionais, procura levar o Estado-Membro em causa a
corrigir a alegada infração sem recurso aos mecanismos
contenciosos;
➢ Na segunda fase, caso o Estado não atue no sentido de
conformar o seu comportamento com o exigido pela
Comissão, a Instituição emite um parecer fundamentado,
que dirige ao EM, especificando os comportamentos
imputáveis às autoridades nacionais que qualifica como
infração, identificado as normas comunitárias cuja
violação está em causa, e fixando um prazo para que o
Estado corrija a situação. Caso o Estado não adote
medidas no prazo fixado no parecer fundamentado, a
Comissão tem então a faculdade de passar à fase
contenciosa, levando o processo à apreciação do
Tribunal de Justiça.

Fase contenciosa:
O Tribunal Justiça examina a admissibilidade do pedido,
assim como as alegadas violações do Direito da União.
Note-se que a Comissão não pode suscitar perante o TJUE
questões que não tenham sido abordadas na fase pré-
contenciosa e, em especial, que não tenham sido objeto
do parecer fundamentado.

• Argumentos improcedentes empregues pelos EM’s


perante o TJUE:

➢ Dificuldades no processo legislativo nacional


referente à abolição de um imposto incompatível
com as normas comunitárias;
➢ Dificuldades na aprovação ou alteração de um
diploma legislativo;
➢ Contrariedades na efetiva implementação de uma
diretiva devido à mudança de Governo;
➢ Alegado incumprimento de outro Estado-membro como
causa justificativa do incumprimento do Estado
demandado;
➢ Alegada ilegalidade da medida comunitária cuja
violação está em causa, quando a mesma não foi
tempestivamente impugnada pelo EM que invoca a
ilegalidade.
O EM faltoso fica constituído na obrigação de executar a
decisão judicial que tenha constatado o incumprimento com
diligência e prontidão.
O processo pode ser “arquivado” na fase pré-contenciosa
através da negociação e apresentação de compromissos pelo EM
junto da Comissão Europeia.
AÇÃO DE ANULAÇÃO
O recurso de anulação faz parte dos recursos que podem ser
interpostos perante o TJUE.
O recorrente solicita a anulação de um ato adotado por uma
instituição, um órgão ou um organismo da União Europeia.
Deste modo, o Tribunal determina a anulação do ato em questão
se este for julgado contrário ao direito da União Europeia.

i. Natureza do recurso
O recurso de anulação consiste numa fiscalização da
legalidade dos atos europeus que pode conduzir à anulação do
ato em questão. Este recurso pode ser interposto contra:
➢ Todos os atos legislativos;
➢ Atos adotados pelo Conselho, a Comissão, o Banco Central
Europeu, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu, se
esses atos forem destinados a produzir efeitos
jurídicos em relação a terceiros;
➢ Atos adotados por órgãos ou organismos europeus, se
esses atos forem destinados a produzir efeitos
jurídicos em relação a terceiros;
➢ Deliberações do Conselho de Governadores ou do Conselho
de Administração do Banco Europeu de Investimento, nos
termos do artigo 271.º do TFUE.

O artigo 263.º do TFUE exclui as recomendações e os


pareceres do âmbito de competência do TJUE.

Depois de lhe ser apresentado um recurso de anulação, o


Tribunal de Justiça analisa a conformidade do ato com o
direito da UE e pode determinar a anulação do ato com base
em quatro fundamentos: - Art. 263.º, n.º 2 TFUE.

• Por incompetência;
• Por violação de formalidades essenciais;
• Por violação dos Tratados ou de qualquer norma jurídica
relativa à sua aplicação;
• Por desvio de poder.
ii. Recorrentes

As várias categorias de recorrentes estão distinguidas no


artigo 263.º do TFUE.

Considera, os recorrentes privilegiados. Trata-se dos


Estados-Membros, da Comissão, do Parlamento Europeu e do
Conselho. São considerados privilegiados na medida em que
podem interpor um recurso de anulação perante o TJUE sem
terem de demonstrar um interesse em agir.

As condições relativas aos requerentes: art. 263º, n.º 2


TFUE.

Os particulares também podem recorrer ao TJUE. Constituem a


categoria dos recorrentes não privilegiados. Estes devem
demonstrar um interesse em agir para solicitar a anulação de
um ato europeu. Assim, o ato impugnado deve ter incidência
na situação pessoal do recorrente ou afetá-lo direta e
individualmente.
As condições relativas aos requerentes: art. 263º, nº3 do
TFUE. Admissibilidade: art. 263º, nº4 do TFUE.

Determinados recorrentes podem interpor recursos


específicos.

• O Tribunal de Contas, o Banco Central Europeu e o Comité


das Regiões podem interpor recursos de anulação contra
os atos europeus que atentem contra as suas
prerrogativas.
• O Conselho de Administração do Banco Europeu de
Investimento pode contestar as deliberações do Conselho
de Governadores do Banco.
• O Tratado de Lisboa criou um novo tipo de recurso: os
parlamentos nacionais e o Comité das Regiões podem agora
interpor recursos de anulação contra os atos que
considerem contrários ao princípio da subsidiariedade.
Além disso, os recorrentes dispõem de um prazo de dois meses
para interpor o recurso de anulação. Este prazo começa a
contar a partir da data da publicação do ato em causa, da
data da sua notificação ao recorrente ou da data em que o
recorrente teve conhecimento do ato. - Art. 260º, nº 6 do
TFUE.
iii. Anulação do ato
Se o recurso tiver fundamento, o TJUE pode anular a
totalidade do ato ou apenas determinadas disposições. Estes
deixam de ter efeito jurídico. - Art. 263º, n.º 2 do TFUE.
Tem efeitos erga omnes, isto é, tem validade para todos.
A anulação produz efeitos ex tunc. Todavia, o Tribunal
indica, caso o considere necessário, os efeitos do ato
anulado que devem ser considerados como definitivos - Art.
264º do TFUE.

iv. Exceção de Ilegalidade


O objeto da exceção de ilegalidade - Art. 277.º TFUE
Mesmo depois de decorrido o prazo previsto no sexto parágrafo
do artigo 263º, qualquer parte pode, em caso de litígio que
ponha em causa um ato de alcance geral adotado por uma
instituição, órgão ou organismo da União, recorrer aos meios
previstos no segundo parágrafo do artigo 263º para arguir,
no Tribunal, a inaplicabilidade desse ato.

A natureza da exceção de ilegalidade


A exceção de ilegalidade é uma via de recurso acessória, que
permite um controlo incidental da legalidade comunitária.

A relevância da exceção de ilegalidade para os


particulares
• Controlo dos atos de alcance geral.
• O destinatário de uma decisão que não atacou o ato no prazo
previsto no artigo 230º do TFUE, quinta alínea - Art. 263º,
nº 6 do TFUE, não pode invocar a exceção de ilegalidade.
AÇÃO POR OMISSÃO
i. As condições de admissibilidade
O recurso por omissão constitui a via de recurso adequada
para se constatar a abstenção ilegal de uma instituição. -
Arts. 265º e 266º do TFUE.

ii. As condições relativas aos requerentes


Todas as instituições e Estados-membros são requerentes
privilegiados. - Art. 265.º TFUE
Requerentes não privilegiados, qualquer pessoa singular ou
coletiva pode recorrer ao Tribunal para acusar uma das
instituições, órgãos ou organismos da União de não lhe ter
dirigido um ato que não seja recomendação ou parecer.

iii. As condições relativas ao processo judicial


Art. 265º, nº 2 do TFUE
O recurso não é admissível se a instituição, órgão ou
organismo em causa não tiver sido previamente convidado a
agir.

Fase pré-contenciosa

Se, decorrido um prazo de dois meses a contar da data do


convite, a instituição não tiver tomado posição, o recurso
pode ser introduzido dentro de novo prazo de dois meses:

Fase contenciosa
O requerente pode demandar a instituição junto do Tribunal.
O recurso pode ser apresentado dentro de um novo prazo de
dois meses.
Quando o ato cuja omissão é objeto do litígio tiver sido
adotado após a apresentação da ação, mas antes da pronúncia
do acórdão, a declaração do Tribunal que constate a
ilegalidade da abstenção inicial deixa de poder conduzir às
consequências previstas no art. 266.º TFUE.
Daí resulta que, nesse caso, tal como no caso de a
instituição demandada ter reagido ao convite para agir no
prazo de dois meses, o objeto da ação desaparece, pelo que
deixa de haver lugar a decisão.

AÇÃO DE INDEMNIZAÇÃO
Faz parte dos recursos que podem ser interpostos perante o
Tribunal de Justiça da União Europeia.
Permite aos particulares ou aos Estados-Membros que sofreram
um dano obterem reparação por parte da instituição que está
na origem do dano.
Existem dois tipos de recursos:
➢ os recursos que põem em causa a responsabilidade
contratual da União quando esta faz parte de um
contrato;
➢ os recursos que põem em causa a responsabilidade
extracontratual da União devido a um dano provocado
pelos seus órgãos ou pelos seus agentes no exercício
das suas funções.
Podem igualmente resultar da atividade normativa das

i. Repartição de Competências Entre o Tribunal De


Justiça e o Tribunal Geral
O Tribunal Geral é competente para conhecer em primeira
instância os recursos interpostos por particulares.
O Tribunal de Justiça, por sua vez, é competente para
conhecer os recursos interpostos pelos Estados-Membros.
Pode igualmente analisar recursos interpostos contra os
acórdãos do Tribunal Geral, em primeira instância. Neste
caso, o Tribunal de Justiça delibera apenas sobre questões
de direito e não julga novamente os factos.
ii. Nexo de causalidade
A responsabilidade da União tem como pressuposto a existência
de um nexo de causalidade entre o ato ilícito e o dano, ou
seja, existe uma conduta adequada a produzir um dano.
Exige-se, um nexo suficientemente direto e provável de causa
e efeito, passível de comprovação pelas leis. A ilegalidade
da conduta tem que ser a causa próxima ou direta do dano,
não bastando que seja a causa remota, ou indireta. Ou seja,
para haver nexo de causalidade, a cadeia de causalidade não
pode ser interrompida.

O EFEITO DIRETO DO DE
O princípio do efeito direto (ou aplicabilidade direta)
permite aos particulares invocarem diretamente uma norma
europeia perante uma jurisdição nacional ou europeia.
O efeito direto do direito europeu foi consagrado pelo
Tribunal de Justiça no acórdão Van Gend en Loos. Neste
acórdão, o Tribunal afirma que o direito europeu acarreta
obrigações para os Estados-Membros, mas também direitos para
os particulares.
Os particulares podem assim prevalecer-se destes direitos e
invocar diretamente normas europeias perante jurisdições
nacionais e europeias.

i. Efeito direto horizontal e vertical


O efeito direto assume dois aspetos: um efeito vertical e um
efeito horizontal.
O efeito direto vertical exerce-se nas relações entre os
particulares e o Estado, o que significa que os particulares
podem invocar uma norma europeia em relação ao Estado.
O efeito direto horizontal exerce-se nas relações entre os
particulares, o que significa que um particular pode invocar
uma norma europeia em relação a outro particular.
O princípio do efeito direto diz também respeito aos atos
provenientes do direito derivado, ou seja, adotados pelas
instituições com base nos tratados fundadores.
No entanto, o alcance do efeito direto depende do tipo de
ato:
➢ Regulamento: os regulamentos têm sempre um efeito
direto. O artigo 288º do TFUE precisa que os
regulamentos são diretamente aplicáveis nos Estados-
Membros.
➢ Diretiva: a diretiva é um ato destinado aos Estados-
Membros, devendo ser transposta por estes últimos para
os seus direitos nacionais.
No entanto, o Tribunal de Justiça reconhece-lhes, em
determinadas situações, um efeito direto para proteger os
direitos dos particulares, assim, estabeleceu que na sua
jurisprudência que uma diretiva tem um efeito direto quando
as suas disposições são incondicionais e suficientemente
claras e precisas.

O PRIMADO DO DIREITO DA EU
Segundo o princípio do primado, o direito europeu tem um
valor superior ao dos direitos nacionais dos Estados-
Membros.
O princípio do primado aplica-se a todos os atos europeus
com força vinculativa. Assim, os Estados-Membros não podem
aplicar uma regra nacional contrária ao direito europeu.
É um princípio fundamental do direito europeu. Não está
consignado nos Tratados, tendo sido consagrado pelo Tribunal
de Justiça da União Europeia nos seus acórdãos.
Perceba-se que se uma regra nacional for contrária a uma
disposição europeia, as autoridades dos Estados-Membros
devem aplicar a disposição europeia. O direito nacional não
é nem anulado nem alterado, mas a sua força vinculativa é
suspensa. Todos os atos nacionais estão sujeitos a este
princípio, seja qual for a sua natureza: lei, regulamento,
portaria, despacho, circular, etc., independentemente de se
tratar de diplomas emitidos pelo poder executivo ou
legislativo dos Estados-Membros. O Tribunal de Justiça
considerou que as constituições nacionais estão também
sujeitas ao princípio do primado.
i. Responsáveis pelo cumprimento do princípio
O Tribunal de Justiça condena os Estados-Membros que não
respeitam estes princípios, através das suas decisões
decorrentes dos fundamentos das diferentes ações judiciais
previstas pelos tratados fundadores, designadamente as ações
por incumprimento.

DIREITOS DE CIDADANIA EUROPEIA


A cidadania Europeia encontra-se consagrada na Parte II do
TFUE nos artigos 18º a 25º, encontrando-se ainda nis artigos
39º a 46º da CDFUE. No artigo 20º nº2 do TFUE encontram-se
os limites definidos pelos Tratados e pelas medidas para a
sua aplicação.
(Ver Anexos)

i. Os cidadãos de Estados terceiros e a liberdade de


circulação.
Entrada e permanência no território da UE
As normas sobre a liberdade de circulação no seio da UE
repercutem-se no estatuto dos cidadãos de fora da EU em face
do respetivo direito. O mesmo depende largamente das
políticas desenvolvidas em matéria de controlo nas
fronteiras, asilo e imigração - (Art. 77º a 80º do TFUE). A
entrada, permanência e circulação no território da UE está
sujeita ao sistema Schengen. Este contém regras comuns de
permanência temporária (Visto Schengen), regras comuns de
controlo de fronteiras externas (Frontex) e regula a
liberdade de circulação para titulares de autorização de
permanência temporária.