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COLÉGIO PLANALTO

As orfãs d’el rei


O contributo das orfãs para a criação de
famílias portuguesas nos territórios de além
mar
AFONSO CORREIA | JOSÉ BORGES | PEDRO REIS
ORIENTADOR : PROFESSOR ANTÓNIO LOPES
2015/2016
Índice
Introdução ..................................................................................................................................... 2
Os Locais de Recolhimento ....................................................................................................... 3
O Recolhimeento do Castelo ............................................................................................ 3
O Recolhimento de Nossa senhora da Serra .................................................................... 3
O Recolhimento de Santa Casa da Misericórdia .............................................................. 3
Recompensas Imperiais: os dotes ................................................................................................. 5
A Viagem ....................................................................................................................................... 6
O quotidiano das mulheres em Goa ............................................................................................. 7
Conclusão ...................................................................................................................................... 8
Referências .................................................................................................................................... 9

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Íntrodução
Antes de começar a ler esta monografia, olhando apenas para o título, surge-nos uma
pergunta: o que são as “orfãs d’el rei ?”. As órfãs d´el Rei são mulheres, órfãs, filhas de nobres
que morreram ao serviço do rei, que depois eram enviadas para os territórios Ultramarinos: a
Índia e o Brasil, mas essencialmente na Índia, no âmbito de aumentar a população e as famílias
portuguesas nesses territórios, levando dotes para oferecer aos nobres, portugueses (cristãos)
com quem casassem. Essas órfãs eram educadas pela rainha, depois iam para o recolhimento
do castelo onde iriam (geralmente após algum tempo) embarcar para a Índia (com determinadas
condições a bordo); na Índia ficavam no recolhimento de Nossa Senhora da Serra ( no caso da
Índia) e onde permaneciam até ser feito o casamento com um nobre que receberia o dote
enviado pela rainha e casar com a órfã.

O sistema da orfãs d’el rei tinha como objetivo principal aumentar a população
portuguesa nos territórios de ultramar, enviando mulheres para essas províncias para formarem
família com nobres portugueses já presentes nas colónias. É neste contexto que o nosso
trabalho “encaixa” no tema das Jornadas deste ano: “A Família”, visto que as orfãs tiveram um
papel essencial na constituição desta instituição na Índia e no Brasil.

Ao longo do nosso trabalho tentaremos responder à nossa pergunta de investigação,


“Qual o contributo das orfãs d’el rei para a criação de famílias portuguesas nos territórios de
além mar?”, abordando vários temas como a sua preparação antes de irem para as colónias, ou
a sua viagem para o Estado da Índia ou até como estas orfãs viviam no Oriente. Escolhemos esta
pergunta de investigação, colocada num âmbito da disciplina de História, para aprofundar sobre
o tema das orfãs, que tiveram um papel fundamental na colonização por parte do povo
português das suas colónias ultramarinas e que muitas vezes é subestimado e dado com pouco
desenvolvimento no programa de ensino do sistema nacional.

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Os Locãis de Recolhimento
O Recolhimento Do Castelo
Querendo ajudar às orfãs a encontrar marido, o rei D. João III decidiu enviá-las para
casarem com os portugueses que se tinham instalado na Índia. Oferecia-lhes um dote e prometia
um bom cargo aos rapazes que as desposassem.

O recolhimento no castelo foi uma das organizações que arranjaram para as orfãs d’el
Rei serem enviadas aos territórios ultramarinos, com objectivo de constituir família com os
portugueses lá presentes.

O Recolhimento De Nossa Senhora Da Serra

O principal centro na política de colonização nas colónias orientais era o Recolhimento


de Nossa Senhora da Serra.

Foi também neste mesmo local que a política de colonização sofreu o seu maior
problema, quando o poder goês ordenou que não fossem enviadas mais orfãs, pois a cidade
tinha já as suas próprias jovens. Por
isso, o Brasil foi eleito o destino inicial
das orfãs.

O recolhimento de Nossa
Senhora da Serra inaugurou-se a 2 de
Julho de 1604, sendo o primeiro local
de recolhimento de orfãs nobres
portuguesas em território
ultramarino.

Após o regresso do arcebispo


fundador do recolhimento da Serra á
metrópole, entregou a administração
do local de recolhimento á irmandade
da Misericórdia, fornecendo-o com o
património necessário para a sua
sustentação.
Ilustração 1- Possível local de recolhimento
O Recolhimento De Santa Casa Da
Misericórdia

Foi em Dezembro de 1514 que Afonso de Albuquerque escreveu a D. Manuel I


sobre a conveniência da vinda das portuguesas para Goa, “a fim de constituírem lar e
família neste berço inicial do Império nascente”.

Coube, porém, a D. João III satisfazer o pedido formulado por Albuquerque - e,


assim principiou a lusa emigração para o Oriente enviando para cá numerosas órfãs
honradas, umas plebeias e outras nobres.

O primeiro passo desse monarca povoador do Ultramar consistiu na instalação em


Portugal de recolhimentos de órfãs honradas, tanto plebeias como nobres, dos quais os

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mais importantes eram o do Castelo e o do Mosteiro de Alcobaça em Lisboa,
administrados pela Confraria da Paixão de Cristo, e o Recolhimento de donzelas do Porto.

Essas órfãs, desde os primeiros tempos do seu desembarque na Índia, foram,


sempre alojadas, sustentadas e dotadas pela Santa Casa da Misericórdia de Goa,
instituição de assistência social, sob a superintendência do próprio Vice-rei, ajudado pelo
Arcebispo e pelo Senado de Goa.
Muitas outras portuguesas vieram depois, em levas progressivamente crescentes.
Chegaram a embarcar para Goa inteiras famílias metropolitanas.

No decurso do século XVI, o número de orfãs desembarcadas foram cerca de oito


mil.

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Recompensãs Ímperiãis: os dotes
Para incentivar o casamento de portugueses em Goa com as órfãs d’el rei, o monarca
dava recompensas a quem com elas contraísse matrimónio, nomeadamente, dotes. Os dotes
concedidos às órfãs d’el rei consistiam na atribuição de cargos menores de administração local
para os portugueses que com elas casassem.
Os detalhes referentes aos dotes eram normalmente deixados ao critério do Vice-Rei ou
Governador, apesar de algumas órfãs d’el rei saírem do seu recolhimento com um certificado
prometendo ao seu futuro marido certos dotes. Foram aceites, no século XVII, 111 concessões
de cargos estatais no Estado da Índia e em Angola. No início, estes dotes eram concedidos a
órfãs idas de Lisboa, do Recolhimento do Castelo, mas com o passar do tempo, foram
concedidos cada vez mais dotes às órfãs nascidas em Goa, quer do Recolhimento de Nossa
Senhora da Serra, quer do de Maria Magdalena.
No entanto, verificou-se mesmo assim a tendência do crescente declínio do valor dos
dotes. Daí que, em 1619, o Vice-Rei Conde de Redondo tenha decidido acrescentar ao dote uma
quantia em dinheiro, iniciativa repetida pelo seu sucessor e confirmada por decreto real em
1647. Mas, passado algum tempo, o Estado deixou de ser capaz de financiar estes casamentos
e passou a usar-se outra estratégia: o dinheiro
foi, então, substituído por um segundo cargo,
também ele de menor
importância, no funcionalismo local.
Por fim, os dotes puderam também
corresponder à entrega de direitos sobre
terras e sobre o rendimento de aldeias na
“Província do Norte”. A “Província do Norte”
constituía uma província no Estado da Índia,
que incluía territórios que se estendiam entre
Damão e Bombaím e que foi considerada a
área mais produtiva sob domínio português
(Ramerini, 2015).
Ilustração 2 - Das principais fortalezas da Província do Norte -
Concluímos então que os dotes, essas Chaúl - que por ser uma região bastante produtiva precisava de
recompensas para aqueles que casassem com ser protegida
as órfãs, tiveram algum impacto na
colonização e na formação de famílias no Estado da Índia, sobretudo entre membros da baixa
nobreza.

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A Viãgem
De Portugal ao Estado da Índia era preciso percorrer uma longa distância por mar, numa
rota que ficou conhecida como “a carreira da Índia”. As órfãs d’el rei fizeram muitas vezes essa
viagem, normalmente acompanhadas de missionários.
Todas as órfãs tinham um espaço próprio, num camarote da nau, geralmente à popa e
uma zona no tombadilho para poderem apanhar ar
(Anjos, 2006). O acesso a essa zona era fortemente
vigiado e só era permitido às órfãs falarem com o
marido e com o padre que ia a bordo. Mesmo assim,
os missionários embarcados consideravam-nas muitas
vezes um “estorvo” e incomodavam-se com esta
presença feminina nos navios, por serem um perigo
para a moral num ambiente predominantemente
masculino e fechado. Demorando a viagem, em
média, seis meses, a presença de mulheres, podia ser
geradora de problemas, sobretudo quando viajavam
sozinhas. As órfãs d’el rei faziam parte desse grupo
restrito de passageiras do sexo feminino. Para além
delas, podiam ir embarcadas nas naus da Carreira da Ilustração - Nau dos séculos XVI e XVII, as mais
Índia filhas ou mulheres de nobres que partiam para o usadas para fazer a carreira das Índias e onde
Oriente no desempenho de cargos militares e eram geralmente transportadas as orfãs
administrativos, ou mulheres que faziam a viagem
como clandestinas. Estas últimas, quando eram descobertas, eram desembarcadas no primeiro
porto em que o navio parasse, sendo abandonadas à sua sorte.

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O quotidiãno dãs mulheres em goã
A vida das orfãs d’el rei, depois de chegarem ao Estado da Índia e depois de se casarem,
não era muito movimentada. A causa da vida ociosa que as mulheres dos nobres portugueses
em Goa levavam eram os ciúmes dos maridos. Como nos conta John Albert Mandelslo (duque
de Holstein),no seu livro Travels, “os homens têm tantos ciúmes das suas mulheres que não
permitem, nem aos parentes mais próximos, que
as vejam…”
As saídas de casa das portuguesas em Goa
limitavam-se às Igrejas ou a algum sítio em que a
sua presença era necessária; e mesmo nessas
ocasiões, estas eram transportadas em
palanquins fechados e/ou acompanhadas e
vigiadas por tal número de escravos que falar com
elas tornava-se quase impossível. Então, que
faziam as mulheres casadas em casa nos seus
longos e bastantes regulares tempos livres?
Conta-nos um francês, François Pyrard de Laval,
no seu livro Voyages que “ o passatempo mais Ilustração -Mulher portuguesa a ser transportada
comum é ficar todo o dia por detrás das janelas… num palanquin acompanhada de escravos
de maneira a poderem ver sem serem vistas.
Apesar de ociosas, as mulheres portuguesas chegaram a contribuir para as despesas do Estado
da Índia. Em 1546, por exemplo, as mulheres de Goa e Chaúl doaram as suas joias para ajudar
na defesa de Diu. Houve quem dissesse que as portuguesas tinham em posse joias suficientes
para permitir o prosseguimento da guerra por dez anos.

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Conclusão
Com este trabalho concluímos que o sistema usado para a evolução de famílias
portuguesas nos territórios de além mar, apesar de ter contribuído para aumento da população
e famílias portuguesas na Índia e noutras províncias ultramarinas do reino, não ajudou muito o
país, porque o Estado tinha muitas despesas, desde os dotes até ás despesas relacionadas com
o transporte de mulheres nas viagens (recolhimento do Castelo) e a sua sustentação nos
territórios de além mar (recolhimento de Nossa Senhora da Serra e a Santa casa da
Misericórdia).

Como já referimos anteriormente nesta monografia, a “estratégia” de colonização de


territórios ultramar não foi usada apenas no Estado da Índia. Este sistema também foi utilizado
no Brasil, mas não com tanta dimensão, nem importância no desenvolvimento da pulação
portuguesa nesse território, visto que foram utilizados outros sistemas para aumentar a
população.

Até chegarmos à conclusão que as orfãs d’el rei contribuíram para o aumento de
população portuguesa no Oriente e durante o desenvolvimento desta monografia surgiram-nos
mais questões sobre o funcionamento deste sistema/estratégia como por exemplo:

-Haveria outro sistema melhor e que fosse menos dispendioso?

-Esta foi a melhor solução, não se poderia inventar outra maneira d povoar a índia?

-Era assim tão importante ter a Índia povoada por muitos portugueses?

-Não podíamos, simplesmente fazer comércio, e assim ter menos gastos em recursos humanos,
embora tendo menos receita?

-O projecto da Índia foi bem concebido e realizado, ou não o deveríamos ter feito?

… mas a resposta para estas perguntas ficará para um próximo trabalho que vá um bocadinho
mais afundo nesta matéria que mudou o curso de Portugal só por ter sido posta em prática.

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Referenciãs
Anjos, J. T. (26 de Julho de 2006). Mulheres na Historia de Portugal - Heroínas. Fonte: História
de Portugal: http://historia-portugal.blogspot.pt/2014/03/mulheres-na-historia-de-
portugal.html

Burke, J. (25 de Julho de 2014). Quando Goa era uma colónia portuguesa. Fonte:
Desenvolturas e Desacatos:
http://desenvolturasedesacatos.blogspot.pt/2014/07/quando-goa-era-uma-colonia-
portuguesa.html

Menezes, R. (8 de Dezembro de 2015). Colonização. Fonte: coladaweb:


http://www.coladaweb.com/historia/colonizacao

Portuguesa, Í. (8 de Dezembro de 2015). Chaul. Fonte: Índia Portuguesa:


http://www.indiaportuguesa.com/chaul.html

Ramerini, M. (8 de Dezembro de 2015). Os Portugueses em Baçaim (Bassein, Vasai): as ruínas


de uma cidade Portuguesa na Índia. Fonte: Colonial Voyage:
http://www.colonialvoyage.com/pt-pt/os-portugueses-em-bacaim/#

Xavier, Â. B. (14 de Março de 2014). “Parecem indianos na cor e na feição”: a “lenda negra” e a
indianização dos portugueses. Fonte: Etnografica: http://etnografica.revues.org/3372

Texto: os dois livros