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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

RELATÓRIO: CASO PRÁTICO 2

CECÍLIA LOPES GUIMARÃES PEREIRA


DANIEL NEIVA BACHA
DÉBORA SOUZA DE FARIA
JOÃO SILVA RODRIGUES ROSA
LARISSA DE SEIXAS FERREIRA ARAÚJO
LARISSA RODRIGUES DE SOUZA REIS
LUCAS MARTINS DA SILVA

Trabalho apresentado para avaliação na


disciplina de Direito Civil V, da Faculdade
de Direito da Universidade Federal de Minas
Gerais

Professor: Edson Kiyoshi Nacata Junior

Belo Horizonte
2017
1. CASO PRÁTICO

Há alguns anos, Caio e sua esposa, Semprônia, decidiram alienar o imóvel urbano em
que residiam a Tício, com o qual celebraram contrato de compra e venda por escritura
pública, devidamente registrada. Contemporaneamente a esse negócio, previu-se que os
alienantes permaneceriam no imóvel, gratuitamente, por prazo indeterminado. Passados 12
meses da aquisição, Tício resolve vender o imóvel a Públio, o que foi feito por instrumento
público, também regularmente registrado. Contudo, ao pretender tomar posse efetiva de sua
nova casa, Públio encontra resistência por parte de Caio e Semprônia, os quais foram por ele
notificados repetidas vezes para deixar o imóvel. Com efeito, o casal alega o desconhecimento
da alienação por parte de Tício e a ausência de notificação deste último para desocupação do
imóvel, razão pela qual sua recusa não seria ilegítima, cabendo-lhes, ademais, defesa
possessória caso sua situação viesse a ser novamente molestada por Públio.

2. QUESTÃO (A)

A pretensão de Públio de obtenção da posse efetiva da coisa adquirida poderia ser


corretamente veiculada por ação possessória? Em caso afirmativo, designe a ação cabível e
justifique com base na doutrina e legislação. Em caso negativo, indique a ação adequada.

2.1 Conceitos

2.1.2 Contrato de comodato

Caio e Semprônia celebraram um contrato de comodato com Tício, permanecendo no


imóvel mesmo após sua alienação. Observa-se, assim, o estabelecimento de uma relação
jurídica obrigacional nomeada como comodato, em que Tício realizou o empréstimo gratuito
de coisa não fungível1, concretizado pela tradição do bem e que não se reveste de solenidade,
sendo possível o ajuste verbal.
A tradição torna a obrigação um contrato real, uma vez que os comodatários, Caio e
Semprônia, passam a exercer um dos poderes inerentes à propriedade (CC, art. 1.196). Nessa
situação existem posses paralelas resultantes do desmembramento da posse. Caio e Semprônia

1
CC/2002, art. 579.
detêm a posse direta, por terem o exercício de fato do imóvel urbano (CC. art. 1.197),
enquanto Tício tem a posse indireta, por ser o proprietário e ter cedido temporariamente o uso
da coisa aos comodatários.
O comodato prevê ao comodatário o dever de restituição do bem findo o prazo
contratual definido. Contudo, no caso em questão, foi acordado que Caio e Semprônia
ficariam no imóvel por prazo indeterminado e, por isso, aplicar-se-ia o estabelecido no art.
397, parágrafo único, do Código Civil, em que, nos contratos sem termo final, o
inadimplemento se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.
Pela alienação do imóvel urbano, Públio subroga-se nas obrigações do comodante,
Tício e, assim, torna-se legitimado para findar o contrato de comodato mediante resilição
unilateral, a fim de possuir o imóvel adquirido. Realizadas as notificações extrajudiciais, o
casal não poderia, portanto, alegar o desconhecimento da alienação ou a ausência de
notificação para desocupar o imóvel, que passou a ser de dever do novo proprietário e não
mais de Tício.
Existe a aquisição derivada da posse (posse civil ou jurídica), em que a transmissão da
posse se dá por força da relação jurídica, sem que seja necessária a apreensão material da
coisa. Públio adquire a propriedade e os direitos decorrentes dela, no caso, a posse indireta
que era exercida por Tício.

2.1.3 Usufruto

Outra possibilidade de compreender a relação estabelecida entre Caio e Semprônia e


Tício seria caracterizar a permanência no imóvel como o usufruto. Segundo Nelson
Rosenvald e Cristiano Chaves de Faria o usufruto poderia ser conceituado como um direito
real temporário. Isso porque, por meio deste seria cedido a alguém o direito de uso e gozo de
um bem, sem que isso significasse alteração da substância do objeto. Nesse sentido, com o
usufruto o que ocorreria seria uma espécie de fracionamento do domínio, uma vez que o
usufrutuário faria jus ao recebimento dos frutos naturais, industriais e cíveis e retiraria
proveito econômico da coisa, conforme disposto pelo artigo 1.394 do Código Civil, esta
permaneceria em poder do proprietário, ou seja, este ainda poderia dispor da coisa.
É necessário ressaltar que uma das características principais do usufruto é o fato deste
ter caráter intuitu personae, ou seja, trata-se de um direito real intransmissível, não podendo
alienar o bem a terceiro, seja a título gratuito ou oneroso (artigo 1393 do CC). No entanto, a
doutrina entende, mesmo com a expressa proibição do artigo citado, a transferência realizada
ao nu-proprietário seria permitida. Isso porque, esta seria entendida como uma antecipação
dos efeitos decorrentes do princípio da elasticidade.
Ademais, para que seja admitido o usufruto é necessário que o bem não esteja sob
cláusula de inalienabilidade (art. 1911 do CC), não seja um bem de família, não seja um
direito intransmissível e, principalmente, que o titular do direito tenha a prerrogativa de usar e
fruir.
Isso posto, as formas de extinção do usufruto são dispostas no art. 1410 do CC, sendo
dispostas sete maneiras que esta pode ocorrer, quais sejam, pela morte ou renúncia do
usufrutuário, pelo termo de sua duração, pela extinção da pessoa jurídica em favor de quem o
usufruto foi constituído, ou pelo decurso de 30 anos da data em que se começou a exercer,
pela cessação dos motivos de que se origina, pela destruição da coisa, guardadas as
disposições, pela consolidação, por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa
arruinar os bens, não lhes acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufruto de
títulos de crédito, não dá às importâncias recebidas a aplicação prevista no parágrafo único e
pelo não uso, ou não fruição, da coisa em que o usufruto recai.
Portanto, se fosse caracterizado o usufruto, Semprônia e Caio teriam que sair do
imóvel uma vez cessado os motivos que originaram sua permanência (CC, art. 1410, IV) ou
devido ao fim do termo, inciso II do mesmo artigo, com a notificação extrajudicial.

2.1.3 Princípio do absolutismo e da publicidade

O princípio do absolutismo se caracteriza pelo fato de que no campo dos direitos reais
o poder de agir sobre a coisa é classificado como erga omnes, ou seja, é oponível a toda a
coletividade, que deve se abster de molestar o titular do bem. Tal característica se diferencia
fortemente do que acontece no direito das obrigações, em que não existe o poder jurídico
oponível a toda coletividade, apenas surgindo a faculdade jurídica ao credor de exigir uma
atuação positiva ou negativa de seu devedor.
Em decorrência do princípio do absolutismo, faz-se necessário o da publicidade para
os bens imóveis, uma vez que o direito erga omnes só se torna possível se a propriedade for
ostentada publicamente. Nesse sentido, o conhecimento de todas as informações que possam
produzir efeitos a terceiros faz com que os registros sejam cada vez mais valorizados como
fonte de publicidade e segurança jurídica, sendo resguardado pelo art. 1227 do CC.
Assim, vale ressaltar que no caso em questão o imóvel foi devidamente registrado
cumprindo a formalidade necessária para que se declare proprietário tanto Tício, no primeiro
momento, quanto Públio, o comprador final que deseja ter a posse do bem adquirido.

2.1.4 Ação de reintegração de posse

A ação de reintegração de posse é o correto instrumento processual quando da perda


da posse em razão de um esbulho, ou seja, é necessário que a parte proprietária tenha detido
posse da coisa em algum estante para que tal instrumento seja utilizado. Nesse sentido, para
que tal ação seja proposta é necessário que tenha havido não apenas um incômodo ou
perturbação do bem, mas que este tenha sido esbulhado, isto é, que o tenha havido a perda da
possibilidade de controle da coisa.
No entanto, é necessário ressaltar que tal esbulho não necessariamente precisa ocorrer
em sua totalidade, bastando que o possuidor seja privado de qualquer parte de seu poder de
fato, não importando qual a dimensão desta.
Isso posto, uma vez que a posse anterior do bem faz-se requisito essencial da ação de
reintegração de posse, um proprietário que demande por tal via sem demonstrar sua antiga
condição de possuidor não tem a legitimidade necessária para a propositura desta ação.
Entretanto, em certos casos tal instrumento é considerado legítimo mesmo quando o
proprietário nunca tenha exercido a posse física sobre o bem anteriormente. Isso porque, em
casos em que tenha havido a tradição ficta da posse por meio do negócio jurídico, como na
questão em discussão, a partir do momento em passe a existir a posse injusta, pela negativa de
devolução do bem, é possível que se ingresse com uma ação de reintegração de posse, uma
vez que o proprietário detinha a posse indireta do bem.

2.2 Solução da controvérsia

Nesse sentido, a partir do momento em que Públio notifica os comodatários para que
se retirem do bem e estes se negam a praticar tal ato, estes passam a deter uma posse injusta
do bem. Isso porque, ao agir desta maneira comportam-se em desconformidade aos seus
deveres como comodatários, esbulhando o bem de Públio.
Dessa maneira, a medida que praticam tal esbulho, caberia a Públio ingressar com a
ação possessória cabível, qual seja a de reintegração de posse, uma vez que este detinha a
posse indireta do bem e objetivava o restabelecimento de seu poder fático sobre este. Assim,
Públio passou a ser o titular do direito de propriedade e possuidor indireto, o que lhe confere
legitimidade para interpor ação possessória.

“A vende o imóvel a B, este terá ação possessória contra o comodatário C que se


recuse ao restituir o bem ao término da relação obrigacional originalmente avençada
com A”. (CHAVES e ROSENVALD, 2015, p. 106).

É como também tem entendido a jurisprudência:

PROCESSUAL CIVIL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE MOVIDA PELO


ADQUIRENTE DO IMÓVEL. COMODATO POR PRAZO INDETERMINADO.
REGISTRO DA ESCRITURA. NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL.
CABIMENTO. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA CASSADA. 1. O COMPRADOR
DE IMÓVEL TEM O DIREITO DE A JUIZAR AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE
POSSE CONTRA O COMODATÁRIO, NO CASO DE CONTRATO POR PRAZO
INDETERMINADO, HAJA VISTA QUE COM A AQUISIÇÃO DO IMÓVEL,
HOUVE A TRANSMISSÃO DA POSSE INDIRETA AO ADQUIRENTE,
MÁXIME SE HOUVE REGISTRO DA ESCRITURA DE COMPRA E VENDA E
SE O COMODATÁRIO FOI NOTIFICADO EXTRAJUDICIALMENTE A
DESOCUPAR O BEM, CONFORME OS ARTIGOS 1197, 1207, 1.245, DO CC E
ART. 926 DO CPC. 2. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJ-DF - AI:
42372820118070000 DF 0004237-28.2011.807.0000, Relator: SANDOVAL
OLIVEIRA, Data de Julgamento: 25/05/2011, 1ª Turma Cível, Data de Publicação:
02/06/2011, DJ-e Pág. 94)

AÇÃO DE REINTEGRACAO DE POSSE - E CABIVEL, APOS NOTIFICACAO


PREVIA, A PROPOSTA PELOS ADQUIRENTES DE BEM IMOVEL, OBJETO
DE COMODATO CONFERIDO PELOS PROPRIETARIOS ANTERIORES.
POSSUIDOR INDIRETO TAMBEM FAZ JUS AOS INTERDITOS CONTRA O
POSSUIDOR DIRETO, UMA VEZ EXTINTO O DIREITO DESTE. AQUISICAO
DA POSSE - POR QUALQUER DOS MODOS DE AQUISICAO EM GERAL
(ART-493, III, CC), FACULTANDO-SE AO SUCESSOR SINGULAR UNIR SUA
POSSE A DO ANTERIOR. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO PARA
QUE SE PROCESSE A AÇÃO POSSESSORIA COMO TAL. (Agravo de
Instrumento Nº 184030286, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Alçada do RS,
Relator: Ernani Graeff, Julgado em 09/08/1984) (TJ-RS - AG: 184030286 RS,
Relator: Ernani Graeff, Data de Julgamento: 09/08/1984, Terceira Câmara Cível)

3. QUESTÃO (B)

Considere-se, ainda, outra situação: Caio e Semprônia eram proprietários de um imóvel em


regime de comunhão de bens. Com a dissolução da sociedade conjugal, e a partilha dos bens
por homologação, coube o imóvel a Semprônia, que consentiu a permanência de Caio, a título
gratuito e por quarenta meses, no salão frontal do imóvel, onde mantinha seu escritório há
vários anos. Findo o prazo, Caio nega-se a desocupá-lo, seguro de que Semprônia careceria de
proteção possessória contra ele, devido à permanência da condição de compossuidores.
Explique, à luz do direito brasileiro, e detalhadamente, se assiste ou não razão a Caio.
3.1 Conceitos

3.1.1 Composse

O art. 1.199 do Código Civil vigente, correspondente ao art. 488 do Código Civil de
1916, prevê a possibilidade de duas ou mais pessoas possuírem coisa que se encontra em
estado de indivisão, podendo cada uma delas exercer sobre o bem atos possessórios, desde
que estes não excluam os dos outros compossuidores - ou seja, há simultaneidade de atos de
domínio sobre a coisa, exprimidos pelo exercício da posse de cada um de seus titulares.
Entende Savigny que “a composse, como domínio, se desfaz com a divisão do imóvel,
e essa divisão, na composse, pode ocorrer pela ocupação consentida entre os compossuidores.
Assim, desde que não tire a possibilidade de outro possuidor praticar ato de posse na coisa
comum, pode o compossuidor localizar-se em área certa delimitada, passando de
compossuidor a possuidor. Desde que seja possível a cada um possuir em exclusividade, sem
ofensa a posse, outrossim, em exclusividade, de outro, ou mesmo a posse indiscriminada dos
outros sobre o restante do imóvel, ela pode existir legitimamente. Para tanto se exige a divisão
física do bem em comum e a concordância das partes”.
Da mesma forma que a posse exclusiva pode ser classificada como justa ou injusta, de
boa ou má fé, nova ou velha, a posse exercida conjuntamente também pode ser rotulada
segundo esses critérios, de modo que cada um dos compossuidores poderá, frente aos demais
e a terceiros, propor ação para defender o que lhe é de direito, tendo em vista a natureza de
sua posse sobre o bem, e a natureza da posse dos demais. Neste sentido já decidiu, inclusive, o
Tribunal de Justiça de São Paulo, em apelação cível de n.º 50.960, ao tratar de ação de
manutenção de posse nos casos de posse exercida simultaneamente por marido e mulher:

“Tanto a doutrina como a jurisprudência reconhecem a viabilidade do


remédio possessório entre compossuidores, quando um pratica ato de
violência contra o outro. Compete ação de manutenção de posse ao
marido que, após retirar-se do lar, é obstado por sua mulher, de ter
acesso ao cofre no qual guardava documentos pessoais”.

3.1.2 Esbulho

O esbulho se caracteriza pela perda injusta do poder fático sobre a coisa por aquele
que a possuía. Não decorrerá, necessariamente, de violência, podendo se dar por qualquer um
dos vícios objetivos enumerados no art. 1.200 do Código Civil, quais sejam, violência,
clandestinidade e precariedade. Ocorre esbulho, por exemplo, quando, findo o contrato de
empréstimo, o bem dado em comodato não é devolvido pelo comodatário. Diferencia-se da
turbação na medida em que esta apenas prejudica o exercício da posse, não a suprimindo de
todo. Isso, no entanto, não implica dizer que para que se verifique o esbulho é preciso que o
proprietário ou o possuidor fique privado do uso da totalidade do bem, mas sim que fique
totalmente impedido do uso de parte dele, visto que o esbulho pode ser tanto total quanto
parcial - o que ocorre quando o possuidor é excluído de qualquer parcela de seu poder de fato
sobre a coisa, mesmo que reste intacta a disponibilidade sobre vultuosa fração do bem, nas
palavras do doutrinador Nelson Rosenvald.
As ações que se destinam a cessar a turbação e o esbulho são, respectivamente, no
campo das ações possessórias, as de manutenção e reintegração de posse (art. 560, CPC),
devendo o esbulhado, no caso da reintegração, comprovar a atualidade da posse ao tempo do
esbulho.

3.2 Solução da controvérsia

Primeiramente, cumpre esclarecer que após a homologação da partilha dos bens


decorrente da dissolução do casamento de Caio e Semprônia esta passou a deter com
exclusividade a propriedade do imóvel que antes pertencia ao casal, deixando Caio de ter
qualquer direito real sobre ele.
Foi celebrado entre as partes, ao que tudo indica, oralmente, um contrato de comodato,
caracterizado pelo empréstimo gratuito de coisa não fungível (art. 579, Código Civil).
Acordou-se que o comodato duraria quarenta meses - ou seja, havia termo final certo. A
posse, antes exercida apenas por Semprônia, a partir da celebração do contrato passou a ser
operada legitimamente por Caio e Semprônia, de maneira simultânea. Como se verifica na
explicação acima apresentada, a composse se dá pela posse comum sobre a mesma coisa, que
se encontra em estado de indivisão, como é o caso do imóvel em questão. No entanto, com o
advento do termo final do comodato, cessa a legitimidade da posse de Caio, devendo ele
restituir à Semprônia, comodante, o bem, desocupando-o e tornando a posse exclusiva
novamente, como se depreende do art. 582 do Código Civil. A recusa de Caio em restituir o
bem, agindo como se dele fosse dono, caracteriza o esbulho, em razão de transmutar-se a
posse que até então era justa, pautada em negócio jurídico válido, em posse precária, marcada
pelo abuso de confiança.
Como já explicitado, cabe, nos casos de esbulho (que se verifica na lide em análise
pela privação da posse de parte do bem imóvel que pertence à Semprônia), ação de
reintegração de posse, em que seria Semprônia parte legítima no polo ativo por deter a posse
do bem imóvel, inclusive a fração de que Caio era comodatário.
Assim, em resposta à questão, cabe ação possessória para restituir a coisa esbulhada
parcialmente, vez que a situação de composse vigente ao tempo do comodato deixa de existir,
em razão do término deste, e a posse exercida por Caio passa a ser injusta.
Há composse, pois Caio, conjuntamente com Semprônia, exercem simultaneamente o
domínio sobre a coisa, entretanto, em diferentes espaços do mesmo imóvel. Verifica-se,
porém, que não se trata de um bem divisível, uma vez que, caso seja efetivada essa ação,
haveria muitos transtornos e, mesmo assim, ocorreria uma desvalorização do bem.
A questão é que, seria possível uma ação possessória contra um indivíduo que possui
uma composse com outro? A resposta é sim. (Possibilidade de ação possessória na composse).

COMPOSSE. AREA COMUM PRO INDIVISO. TURBAÇÃO. E CABIVEL


AÇÃO POSSESSORIA INTENTADA POR COMPOSSUIDORES PARA
COMBATER TURBAÇÃO OU ESBULHO PRATICADO POR UM DELES,
CERCANDO FRAÇÃO DA GLEBA COMUM. ADVOGADO. REGULARIDADE
DA REPRESENTAÇÃO JULGADA A VISTA DA LEGISLAÇÃO ESTADUAL.
RECURSO NÃO CONHECIDO.(STJ - REsp: 136922 TO 1997/0042313-1, Relator:
Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, Data de Julgamento: 18/12/1997, T4 -
QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJ 16.03.1998 p. 145)

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE -


COMPOSSE - TURBAÇÃO POR UM DOS COMPOSSUIDORES -
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. - A ação de reintegração de posse é a via
utilizada por quem foi privado da posse por outrem, constituindo ônus do autor
provar o exercício de posse anterior, bem como do esbulho sofrido, nos termos do
artigo 927 do CPC/73. - Aos co-possuidores a lei assegura a utilização da coisa
comum, contanto que não interfiram no exercício dos demais (TJ-MG - AC:
10713130000332002 MG, Relator: Alexandre Santiago, Data de Julgamento:
11/07/0016, Câmaras Cíveis / 11ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
20/07/2016)
4. BIBLIOGRAFIA

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, v. 3, Contratos e atos unilaterais. 9ª


ed. São Paulo 2012

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, v. 5, Direito das coisas. 12ª ed. São
Paulo 2017

CHAVES, Cristiano; e ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil – Reais. v. 5, 11ª ed.,
Salvador: Jus Podium, 2015.

GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. A proteção possessória na composse (art.


500 do CC/1916 e art. 1.211, do CC/2002). Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862,
Teresina, ano 8, n. 61, 1 jan. 2003. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/3577/a-
protecao-possessoria-na-composse-art-500-do-cc-1916-e-art-1-211-do-cc-2002/>. Acesso em:
17 set. 2017.