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FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

FACULDADE DE HUMANAS
CIÊNCIAS ECONÔMICAS

MARCELO SANTOS FERREIRA

A HISTORIA DO BANCO CENTRAL:

Da Origem a Autonomia

São Paulo
2010
FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS
FACULDADE DE HUMANAS
CIÊNCIAS ECONÔMICAS

MARCELO SANTOS FERREIRA

A HISTORIA DO BANCO CENTRAL:

Da Origem a Autonomia

Trabalho de Conclusão de Curso de


Ciências Econômicas para obtenção do
título de Bacharel ou Licenciatura em
Ciências Econômicas das Faculdades
Metropolitanas Unidas, orientada pela
Professora Lucilia de Miranda Gonçalves.

São Paulo
2010
3

Marcelo Santos Ferreira

A HISTORIA DO BANCO CENTRAL:


Da Origem a Autonomia

Objetivo: Subsidiar a discussão sobre a autonomia do Bacen, abordando sua historia, as


ferramentas de seu funcionamento, seus defensores e opositores e quais os maiores benefícios
e/ou prejuízos que a sua autonomia podem trazer.

FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS - FMU


Faculdade de Humanas, curso de Ciências Econômicas
COMISSÃO EXAMINADORA

_____________________________________
Profª. Lucilia de Miranda Gonçalves
Faculdades Metropolitanas Unidas

_____________________________________
Profª. Andressa Guimarães Rego
Faculdades Metropolitanas Unidas

_____________________________________
Profº. Edmilson da Silva Costa
Faculdades Metropolitanas Unidas

Data de aprovação: ____ de ____________ de 20____.


4

Dedico este trabalho aos meus pais e irmãos, que


sempre me apoiaram, aos meus amigos que me
ajudaram, a minha noiva Bruna e a minha grande
inspiração, minha Vó, Cecília Vieira.
5

AGRADECIMENTOS

A minha orientadora, Lucilia, pela paciência e perseverança, alto astral sempre e grandes
idéias que somaram a este trabalho.

Ao meu querido amigo, Jorge, que indicou-me muitos materiais utilizados neste trabalho.

Ao meu grande amigo, Marcelo Morata, que sempre indicou um caminho coerente a
seguir.

Ao meu Tio, Ricardo Oliveira, com ótimos conselhos e a idéia para a conclusão, somando
muito para a qualidade final deste trabalho.

A todos que me auxiliaram neste processo, me deram novas idéias ou corrigiram o que eu
não conseguia ver.
6

“Allow me to issue and control a nation’s currency, and I care not who makes its
laws.” (Mayer Amschel [Bauer] Rothschild, 1791)

“Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto
de toda a indústria e o comércio e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente
controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não
precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão”. (James
A. Garfield, 1881)
7

RESUMO

Este texto procura analisar os principais elementos e etapas da evolução histórica e do


aperfeiçoamento institucional do Banco Central do Brasil. É contada a origem dos Bancos
Centrais Mundiais, como o Banco da Inglaterra e Federal Reserve, depois é relatada a criação do
Banco Central, e as várias tentativas de criar um banco central na República Velha. Foi
descoberto que a história de nosso Banco Central passa por três momentos importantes: a criação
da Superintendência da Moeda e do Crédito, em 1945, a criação formal do Bacen, em 1964, e as
reformas institucionais da Constituinte de 1988. Trata-se de uma longa história marcada por
conflitos e resistências. Seus momentos decisivos aconteceram ou por força de regimes ditatoriais
ou durante uma Constituinte. Com as informações sobre o Banco Central e sua origem, no Brasil
e no mundo, é inserido um pouco do conceito de macroeconomia e após, é exposto os
argumentos a favor e contra a Independência do BaCen, com pensadores e economistas
renomados e contemporâneos. Na Conclusão, é definido um viés de pensamento do trabalho em
relação ao tema e fundamentado nas informações extraídas para o trabalho.

Palavras Chave: Origem. BaCen. Independência.

ABSTRACT

This article analyzes the main elements and stages of the historical evolution and institutional
improvement of the Central Bank of Brazil. The world Central Bank origin is told, like the
England Bank and Federal Reserve, then the Central Bank is related and de several attempts to
create a centralized federal bank during the period called Old Republic. During research, was
discovered that the history of our Central Bank has three important moments: the creation of the
Superintendence of Currency and Credit in 1945, the formal creation of the Central Bank in 1964
and the institutional reforms of the Constituent Assembly in 1988. It is a long history marked by
conflicts and resistance. Its decisive moments happened either because of dictatorial regimes or
during a Constituent Assembly. With the information about the Central Bank and his origin, in
Brazil and the world, it is inserted a little of the concept of macroeconomics and after that, it is
started show the arguments to favor and against the Bank Central Independence, with great
academic thinkers and contemporary and renowned economists. The Conclusion, it is defined a
bias of thought of the work regarding the subject and substantiated in the information extracted
for the work..

Key words: Central Bank, Origin. Independence.


8

LISTA DE ABREVIATURAS

1. ABC - Autonomia do BaCen

2. BACEN – Banco Central do Brasil

3. BB - Banco do Brasil

4. Cared - Carteira de Redesconto

5. CMN - Conselho Monetário Nacional

6. FED – Federal Reserve

7. IBC - Independência do BaCen

8. PROER - Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema

Financeiro Nacional.

9. EMM - Efeito Multiplicador da Moeda

10. SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito

11. SPC - Secretaria de Previdência Complementar

12. FHC – Fernando Henrique Cardoso


9

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO................................................................................................................10

2. REVISÃO DA LITERATURA.......................................................................................12

2.1. MACROECONOMIA E ECONOMIA MONETÁRIA: UM BREVE CONCEITO......12

2.1.1. Macroeconomia........................................................................................................12

2.1.2. Economia Monetária...............................................................................................13

2.1.2.1 Política econômica.....................................................................................................15

2.1.2.2 Política Monetária......................................................................................................16

2.1.2.3 Política Fiscal............................................................................................................17

2.1.2.4 Política Cambial........................................................................................................18

2.2. BANCO CENTRAL: ORIGEM E HISTÓRIA NO MUNDO..................................20

2.3. BANCO CENTRAL: ORIGEM E HISTÓRIA NO BRASIL...................................23

3. AUTONOMIA DO BACEN: IDEOLOGIA OU NECESSIDADE?............................26

3.1. TEORIAS A FAVOR DA IBC OU ABC.................................................................29

3.2. TEORIAS CONTRA A IBC OU ABC.....................................................................31

3.3. NO BRASIL: IDEOLOGIA OU NECESSIDADE?.................................................32

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................41

REFERÊNCIAS......................................................................................................................43
10

1. INTRODUÇÃO

Devido ao agravamento da crise de 2008, tornou-se necessário uma nova discussão a


respeito da autonomia do Bacen e quais as ferramentas que este órgão possui para regular
suas políticas e até que ponto é benéfico sua autonomia para a sociedade.
Na década de 1990, observou-se uma forte tendência mundial a respeito da autonomia
do Banco Central, no Brasil a discussão teve alguns momentos no final do período,
discutindo-se também a definição da regulamentação do sistema financeiro nacional.
Porém, com um sistema financeiro ainda desestruturado e castigado com as constantes
trocas de moedas e inovações na área financeira, algumas instituições financeiras
demonstraram despreparo para a nova fase na política econômica, chegando até a necessitar
de ajuda financeira do governo. Para regularizar o sistema e evitar uma crise institucional e
um colapso no sistema, foi criado em 3 de novembro de 1995, através da Resolução 2.208 do
Conselho Monetário Nacional (CMN) e das Circulares Bacen de nºs 2.636/95, 2.672/96,
2.681/96, 2.713/96, 2.369/97 e 2.748/97 o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao
Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER).
Era consenso, que para existir um banco central independente, sem intervenções
políticas para favorecer determinada política econômica e um banco central isento dos
interesses de grupos privados, financeiros ou não, primeiro seria necessário regularizar e
estabilizar todo o sistema. Foi com este intuito que o PROER foi criado.
Na década de 2000, iniciou-se academicamente, estudos que defendiam esta tese, como
a proposta para aperfeiçoar o regime de metas para a inflação. Em 2003, a alteração do art.
192 da Constituição Federal, permitindo a regulamentação “fatiada” do sistema financeiro,
trouxe o tema para a arena política. Evidenciou-se, então, a divergência ainda existente sobre
o tema que foi “congelado”, permanecendo, entretanto, latente na agenda do debate
econômico.
Para a elaboração deste estudo, primeiro iremos fazer uma breve discussão sobre
economia monetária e macroeconomia sem a pretensão de elucidar dúvidas profundas ou
discutir possíveis linhas de pensamento econômico, será apenas uma pequena introdução,
para ai então discorrer sobre a origem dos Bancos Centrais no mundo: como e por que
surgiram, qual o intuito inicial destas instituições e outras informações relevantes para o
desenvolvimento deste documento.
11

Após contada a história mundial, será possível elucidar a historia do Banco Central do
Brasil, passando pela criação do BB em 1808, quando em outubro daquele ano, quando D.
João VI criou “um banco estatal para emitir moeda” Gomes Laurentino (2007, p. 190), depois
sua recriação1 em 1853 e todas fases que levaram o Banco do Brasil a contribuir fortemente a
criação do Bacen, e os fatos que o trouxeram a condição que é observada hoje, para que em
posse destes dados, possa ser discutida a idéia de um Bacen independente, como é defendido
por Fernando Nogueira Costa, , Francisco Gross, José Serra e outros que serão citados
oportunamente durante o desenvolvimento do trabalho, como também, àqueles que defendem
um Bacen dependente ao governo, como Laura Sola, Eduardo Kugelmas e Lawrence
Whitehead.

1
“...Falida e sem chances de recuperação, a instituição teve de ser liquidada em 1829, sete anos depois da
Independência. Foi recriada duas décadas e meia mais tade, em 1853, já no governo do imperador Pedro II....”
12

2. REVISÃO DA LITERATURA:
2.1. MACROECONOMIA E ECONOMIA MONETÁRIA: UM BREVE CONCEITO.

Macroeconomia (do Grego: µακρύ-ς /ma΄kri-s/ grande, amplo, largo e οικονοµία


/ikono΄mia/ lei ou administração do lar) é uma das divisões da ciência Economia dedicada ao
estudo, medida e observação de uma economia regional ou nacional como um todo.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/)
Economia monetária é como é chamada o processo de troca da sociedade, podendo ser
produtos trocados por dinheiro ou dinheiro por dinheiro ou produto por produto. A economia
monetária corre em contraste com a economia de escambo, onde os produtos e ou serviços
são trocados por outros produtos e ou serviços e produzidos e consumidos pelas próprias
famílias. (http://pt.wikipedia.org/wiki/)

2.1.1. Macroeconomia

Em 1929, com a forte crise econômica agravada pela quebra da bolsa de New York, o
economista britânico John Maynard Keynes introduziu os primeiros estudos
macroeconômicos através do livro: Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda,
considerada a primeira grande obra literária macroeconômica.
Ainda segundo Keynes, uma das bases da economia e seu estudo é a Macroeconomia,
sendo a outra base a Microeconomia. A macroeconomia é estudada a partir de processos
microeconômicos da economia, a partir destes estudos busca-se seu objetivo, por exemplo:
produção e o seu crescimento; geração de renda a partir do consumo e do pleno emprego; uso
de recursos, naturais e bem finais; comportamento dos preços analisando controle
inflacionário e ao comércio exterior buscando balança comercial favorável.
A estrutura macroeconômica se compõe de cinco mercados
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia):
 Mercado de Bens e Serviços: determina o nível de produção agregada bem como
o nível de preços. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia)
 Mercado de Trabalho: admite a existência de um tipo de mão-de-obra
independente de características, determinando a taxa de salários e o nível de
emprego. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia)
13

 Mercado Monetário: analisa a demanda da moeda e a oferta da mesma pelo


Banco Central que determina a taxa de juros.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia)
 Mercado de Títulos: analisa os agentes econômicos superavitários que possuem
um nível de gastos inferior a sua renda e deficitários que possuem gastos
superiores ao seu nível de renda. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia)
 Mercado de Divisas: depende das exportações e de entradas de capitais
financeiros determinados pelo volume de importações e saída de capital
financeiro. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Macroeconomia)

2.1.2. Economia Monetária

Há três funções básicas da moeda: um intermediário de trocas, unidade de medida


(denominador comum de preços) e reserva de valor.
Sua oferta é pressionada conforme a disponibilidade de ativos financeiros de liquidez
imediata, os chamados meios de pagamento. Também conhecidos como papel-moeda, esses
ativos de liquidez imediata ficam em poder dos bancos comerciais, através dos depósitos à
vista (moeda escritural) e em poder do público em geral (moeda manual).
A partir dos depósitos à vista nos bancos comerciais, dá-se inicio ao processo chamado
de Efeito Multiplicador da Moeda (EMM). Onde os bancos, tendem a oferecer mais moeda
do que possuem em seu poder.
Vários agentes econômicos compram produtos e serviços com uma mesma quantidade
inicial de moeda, porém quando se lança mão da emissão de cheques, uso de cartões de
débito e crédito e empréstimos de curto e longo prazo, a moeda injetada tende a se
transformar em depósitos bancários. As parcelas de tais depósitos se tornam empréstimos dos
bancos a terceiros, que retornam tais recursos ao sistema bancário por meio de novos
depósitos, que se tornarão novos empréstimos. Este mecanismo é controlado pela autoridade
monetária. Uma das formas de controle é chamada de Depósito Compulsório.
Quando são feitos os depósitos a vista nos bancos comerciais, são divididos em duas
parcelas. Uma que deve satisfazer às operações diárias dos bancos, chamado de técnico ou
voluntário, e uma como forma de se controlar o efeito multiplicador, recolhido de forma
compulsória pelo Banco Central.
14

Os motivos mais básicos para geração da demanda da moeda são:


 Transação: representa a guarda de moeda para se fazer face a pagamentos, dado
que os pagamentos e recebimentos não são perfeitamente sincronizados
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Precaução: é a guarda de moeda para cobrir gastos imprevistos.


(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Especulação: a moeda é considerada também como reserva de valor e não


apenas meio de troca. Por isso, não seria estranho que os agentes econômicos
guardassem moeda ociosa, na expectativa de mudanças na taxa de juros de
mercado e, assim, aplicá-la melhor no futuro.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

Inflação é o contínuo, persistente e generalizado aumento de preços. Consideramos


quatro tipos principais (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-

monetaria-e-internacional/).

 De demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção


disponível de bens e serviços na economia. É causada pelo crescimento dos
meios de pagamento, que não é acompanhado pelo crescimento da produção.
Ocorre apenas quando a economia está próxima do pleno-emprego, ou seja, não
pode aumentar substancialmente a oferta de bens e serviços a curto prazo.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 De custos: tem suas causas nas condições de oferta de bens e serviços na


economia. O nível da demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos
fatores importantes aumentam, levando à retração da oferta e provocando um
aumento dos preços de mercado.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Inercial: é a aquela em que a inflação presente é uma função da inflação


passada. Deve-se à inércia inflacionária, que é a resistência que os preços de
uma economia oferecem às políticas de estabilização que atacam as causa
primárias da inflação. Seu grande vilão é a “indexação”, que é o reajuste do
valor das parcelas de contratos pela inflação do período passado.
15

(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Estrutural: a corrente estruturalista supunha que a inflação em países em vias de


desenvolvimento é essencialmente causada por pressões de custos, derivados de
questões estruturais como a agrícola e a de comércio internacional.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

2.1.2.1. Política econômica

A política econômica é o controle da economia através de medidas, micro ou


macroeconômicas, adotadas pela autoridade monetária de um país.
Podem afetar ou manipular as mais diversas áreas do governo, como a de planejamento
ou de orçamento, com foco macroeconômico; ou com interesse microeconômico, em um
setor específico, por exemplo, a indústria de sapatos. As políticas microeconômicas visam
várias áreas da atividade econômica e criam a base legal em que devem operar os diferentes
mercados, evitando que a competição gere injustiças sociais, podendo ser destinadas a um
setor, a uma indústria ou a um produto. O sistema econômico existente do país ou região, bem
como suas leis e suas instituições definem o alcance da política macroeconômica. Ainda não
existe um consenso quanto ao grau de intervenção do Governo na economia, existindo a
corrente que defende a política do laissez-faire, onde não existe intervenção alguma no
mercado. Em The End of Laissez-Faire, de 1926, portanto 3 anos antes da Crise de 1929,
Keynes critica fortemente este tipo de política e se torna o principal defensor da intervenção
do estado na economia, exercendo um papel fiscalizador, cobrindo possíveis deficiências do
mercado. A política econômica, neste caso, segundo Keynes, deve buscar a redução do nível
de desemprego, garantir condições de um rápido crescimento econômico, administrar as
flutuações existentes, melhorando a qualidade e o potencial produtivo, reduzindo o poder
monopolista das grandes empresas e protegendo o meio ambiente.
Se os diagnósticos dos problemas econômicos mostrarem-se equivocado, a política
econômica pode tornar-se contraproducente e suas diretrizes inadequadas ao problema que se
pretende resolver. A intervenção do Estado mostra-se maior e com políticas mais rígidas nas
economias planificadas ou centralizadas, principalmente em tempos de guerra. O sucesso de
16

uma política econômica pode ser medido a partir da reação dos agentes econômicos, da sua
execução e da confiança na administração.

2.1.2.2. Política Monetária

A Política Monetária representa a atuação das autoridades monetárias, por meio de


instrumentos de efeito direto ou induzido, com o propósito de se controlar a liquidez global
do sistema econômico. Para isso, o governo lança mão de dois tipos de política monetária:
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-internacional/)

A ) Política Monetária Restritiva: engloba um conjunto de medidas que tendem a


reduzir o crescimento da quantidade de moeda, e/ou a encarecer os empréstimos.
Instrumentos: (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-

internacional/).

 Recolhimento compulsório: consiste na custódia, pelo Banco Central, de parcela


dos depósitos recebidos do público pelos bancos comerciais. Esse instrumento é
ativo, pois atua diretamente sobre o nível de reservas bancárias, reduzindo o
efeito multiplicador e, conseqüentemente, a liquidez da economia.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Assistência Financeira de liquidez: o Banco Central empresta dinheiro aos


bancos comerciais, sob determinado prazo e taxa de pagamento. Quando esse
prazo é reduzido e a taxa de juros do empréstimo é aumentada, a taxa de juros da
própria economia aumenta, causando uma diminuição na liquidez.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Venda de Títulos públicos: quando o Banco Central vende títulos públicos ele
retira moeda da economia, que é trocada pelos títulos. Desta forma há uma
contração dos meios de pagamento e da liquidez da economia.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

B ) Política Monetária Expansiva: é formada por medidas que tendem a acelerar a


quantidade de moeda e/ou a baratear os empréstimos (baixar as taxas de juros). Incidirá
positivamente sobre a demanda agregada. Instrumentos:
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-internacional/).
17

 Diminuição do recolhimento compulsório: o Banco Central diminui os valores


que toma em custódia dos bancos comerciais, possibilitando um aumento do
efeito multiplicador, e da liquidez da economia como um todo.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/).

 Assistência Financeira de Liquidez: o Banco Central, ao emprestar dinheiro aos


bancos comerciais, aumenta o prazo do pagamento e diminui a taxa de juros.
Essas medidas ajudam a diminuir a taxa de juros da economia, e a aumentar a
liquidez. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-

monetaria-e-internacional/).

 Compra de títulos públicos: quando o Banco Central compra títulos públicos há


uma expansão dos meios de pagamento, que é a moeda dada em troca dos
títulos. Com isso, ocorre uma redução na taxa de juros e um aumento da
liquidez. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-

monetaria-e-internacional/).

2.1.2.3. Política Fiscal

Política Fiscal é a manipulação dos tributos e dos gastos do governo para regular a
atividade econômica. Ela é usada para neutralizar as tendências à depressão e à inflação e
também possuem dois tipos: (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-

monetaria-e-internacional/)

A ) Política Fiscal Expansiva: é usada quando há uma insuficiência de demanda


agregada em relação à produção de pleno - emprego. Isto acarretaria o chamado "hiato
deflacionário", onde estoques excessivos se formariam, levando empresas a reduzir a
produção e seus quadros de funcionários, aumentando o desemprego. As medidas nesse caso
seriam: (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-internacional/).
 Aumento dos gastos públicos; (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-

de-economia/economia-monetaria-e-internacional/)

 Diminuição da carga tributária, estimulando despesas de consumo e


investimentos; (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-

monetaria-e-internacional/)

 Estímulos às exportações, elevando a demanda externa dos produtos;


(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/)
18

 Tarifas e barreiras às importações, beneficiando a produção nacional.


(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/)

B ) Política Fiscal Restritiva: é usada quando a demanda agregada supera a capacidade


produtiva da economia, no chamado "hiato inflacionário", onde os estoques desaparecem e os
preços sobem. As medidas seriam: (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-

economia/economia-monetaria-e-internacional/)

 Diminuição dos gastos públicos;


(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/)

 Elevação da carga tributária sobre os bens de consumo, desencorajando esses


gastos; (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-

internacional/)

 Elevação das importações, por meio da redução de tarifas e barreiras.


(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-
internacional/)

2.1.2.4. Política Cambial

A política cambial é constituída pela administração das taxas (ou taxas múltiplas) de
câmbio, pelo controle das operações cambiais, tendo como objetivo central o mercado
externo, no sentido de manter equalizado o poder de compra do país em relação aos outros
com os quais este mantenha relações de troca. Da mesma forma que todo bem tem um valor,
as moedas nacionais também têm seu valor, seu preço - que é a taxa de câmbio - que expressa
o preço da moeda externa em relação à moeda nacional. Se a taxa de câmbio hoje é 2.34
R$/US$, significa dizer que o preço do dólar americano, em termos do real brasileiro, é de R$
2,34 para cada dólar. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-

e-internacional/)

Como todo preço, a taxa de câmbio é basicamente determinada pela “lei da oferta e da
procura”. Se a procura é maior que a oferta, o preço do dólar, em reais, sobe. Se a oferta é
maior que a procura, consequentemente, o preço cai. São vários os fatores que podem
influenciar a oferta/demanda por dólares, daí a dificuldade que os economistas têm em prever
o comportamento da taxa de câmbio. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-

economia/economia-monetaria-e-internacional/)
19

O Banco Central é quem define a política ou regime cambial. Existem duas políticas
cambiais extremas. Na primeira, chamada de política de câmbio fixo, que é uma taxa com que
os países se comprometem a manter o mesmo poder de paridade, comprometendo-se o Banco
Central a satisfazer qualquer oferta ou demanda por dólares que o mercado possa necessitar.
Isto é, o Banco Central entra no mercado de câmbio e diz que, para ele, o dólar vale dois reais
e trinta e quatro centavos (2.34 R$/US$), e garante a compra ou venda de qualquer
quantidade de dólares que o mercado ofertar a esse preço. Neste caso o dólar fica parado em
2.34 R$/US$, porque o Banco Central anula, comprando ou vendendo dólares, qualquer seja a
pressão de aumento ou queda de seu preço. A principal vantagem da taxa de câmbio fixo está
na integração dos mercados internacionais em uma rede de mercados conexos, que não têm
incerteza e nem são especulativos. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-

economia/economia-monetaria-e-internacional/)

O outro tipo de política cambial é definido pelo afastamento do Banco Central do


mercado de câmbio. As taxas flutuam livremente, respondendo aos efeitos da oferta e da
procura. Temos, neste caso, o regime de câmbio flutuante, que possibilita o equilíbrio
contínuo do balanço de pagamento. É importante salientar, que há apenas o afastamento como
instituição controladora, porém o BaCen continua operando no mercado de câmbio.
(http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-internacional/)

Existe, ainda, um outro tipo de política cambial, que seria intermediária entre o câmbio
fixo e o câmbio flutuante, que é a política de bandas câmbio, na qual o Banco Central não
define um preço único para o dólar, e sim um intervalo (banda), dentro do qual ele pode
flutuar livremente. Se a banda, por exemplo, for fixada entre 2.20 R$/2.50 R$, o Banco
Central só entra no mercado se o dólar cair a 2.20 R$, entra comprando dólares, ou subir a
2.50 R$, entra vendendo dólares. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-

economia/economia-monetaria-e-internacional/)

Quando um país, através do seu Banco Central, faz opção por um regime de câmbio
fixo ou flutuante, é de suma importância que se tenha uma noção abalizada do valor correto
do câmbio para a economia naquele momento. O conhecimento desse valor (que os
economistas chamam de câmbio de equilíbrio) é o referencial que pode definir o sucesso de
um regime de câmbio fixo, ou mesmo o bom funcionamento de um regime de câmbio
flutuante. (http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/about/aprendizado/topicos-de-economia/economia-monetaria-e-internacional/)
20

2.2. BANCO CENTRAL: ORIGEM E HISTÓRIA NO MUNDO

Para que os bancos centrais mundiais tivessem o aspecto de instituição segura e


inabalada, como vemos nos dias de hoje, foi necessário percorrer um longo caminho, com
características e atribuições relativamente similares na grande maioria das economias de
mercado mais complexas. Porém, no desenvolvimento histórico, cada país apresentou
processo próprio devido às demandas trazidas e as respectivas experiências de
desenvolvimento, moldando especialmente a relação entre estado e bancos. GOODHART
(1989) e TONIOLO (1991).
A partir da segunda metade do século XVII inicia-se a evolução bancária, com o estado
concedendo benefícios a bancos públicos ou privados em busca de facilidades para se
financiar. Em termos de historia, os Bancos Centrais não foram criados com a função de
estabilizar a moeda, nem mesmo naqueles países onde foram tornados independentes, com a
exceção da Alemanha do pós-guerra, por razões historicamente compreensíveis. Essas
instituições foram criadas para relaxar restrições sobre o crédito e a circulação monetária,
primeiramente regulada pelo padrão-ouro, vigente de 1870-1914, após o padrão ouro-dolar,
entre 1945 e 1971, e finalmente, a partir de 1971 o padrão-dólar, como conhecemos
atualmente. No hiato de 1914-1944, durante as duas grandes guerras, não houve nenhum
padrão monetário predominante na história da economia mundial.
As instituições mais antigas, das quais o Banco da Inglaterra, criado em 1694 é o
exemplo mais importante, mas cujas linhas gerais são válidas também para o Banco da
França, criado em 1800 pelo Império Francês, e os bancos centrais alemães do século XIX.
Todos surgiram com a função de aliviar as restrições sobre os gastos do setor publico. Em
troca desse serviço, esses bancos receberam privilégios de emissão que acabaram por tornar
suas notas um ativo de reserva para os outros bancos comerciais, evoluindo-se para uma
situação em que aquelas instituições se tornariam banco dos bancos.
Uma vez que um banco passou a ocupar posição central no sistema financeiro,
respaldado pelas relações especiais com o estado, assumiu naturalmente o papel de
emprestador de última instância das demais instituições financeiras, outra atribuição clássica
dos bancos centrais, ao lado do financiamento ao estado. A institucionalização dessa função
formalizou um dos papéis mais importantes dos bancos centrais modernos, ou seja, dar
21

segurança a operação de instituições bancárias, tornando a oferta de ativos monetários elástica


e não o seu contrário, como algumas teorias da criação dos Bacen´s afirmam.
Dar elasticidade a oferta de ativos monetários foi a função especifica de muitos dos
modernos bancos centrais. O Ato de criação do Federal Reserve System, em 1913, criado
formalmente independente do poder executivo, porém não na prática, estabelece seus poderes
como sendo o do esforço em gerar elasticidade na oferta de moeda através de commercial
paper, ser o maior e mais efetivo supervisor dos bancos nos USA, servindo de fiscalizador e
emprestador de última instância.2
A história do banco central brasileiro, não foi muito diferente de seus assemelhados
europeus, como será possível ver na seqüência deste texto. Quando D. João VI, decidiu pela
criação do Banco do Brasil, precursor do Banco Central, sua função principal era financiar os
luxos e necessidades da coroa, que se tornara corrupta e excessivamente cara. Gomes (2007,
p. 190).
A tabela abaixo mostra os maiores Bancos Centrais do mundo, suas principais
características e seu grau de autonomia e operação.
Este tipo de tabela, nos ajuda a entender o funcionamento de outros bancos ao redor do
mundo, inclusive os mais antigos, como Bank of Englad, Banque de France, os mais
independentes, como o FED e o Bundesbank, os mais novos, como o Banco Central do Brasil
e o Banco Central do Chile, entre vários outros bancos centrais ao redor do mundo.
A tabela é de apenas caráter informativo e comparativo, baseado nas informações
coletadas do estudo do Machado, R. M.A. B. (1993).

2
To provide for the establishment of Federal Reserve Banks, to furnish an elastic currency, to afford means of
rediscounting commercial paper, to establish a more effective supervision of banking in the United States, and for
other purposes. (citado em Eijffinger & Schalling, 1993, p.83. “grifo do autor”)
22
Quadro Comparativo (Bancos Centrais pelo mundo e BACEN x Aspectos Institucionais e Organizacionais da Independência).
BaCen Bundesbank FED Banque de France Bank of England Banco do Japão BNS B.C. do Chile B.C. do Brasil

Institucionais
+ + - - - + +- -
Estabilidade e valor Manutenção dos Objetivos amplos Objetivos amplos Objetivos amplos Estabilidade interna e Estabilidade da moeda e Objetivos amplos
Objetivos interno e externo da agregados monetários de externa da moeda o desenvolvimento
Estatutários moeda acordo com o produto normal dos pagamentos
potencial internos e externos

+ + - - +- + + +-
Responsabilid Responsabilidade Explicitamente Governo decide e o banco Formulação e execução Formalmente tem poderes Constitucionalmente Tem autoridade para Formula e com a
ade e estatutária pela condução independente do central implementa a da política monetária pelo de formular e independente do governo, determinar e implementar aprovação do governo
monitorament da política monetária, executivo, na política monetária governo implementar a política na determinação da a política monetária, executa a política
o das políticas apoiando a política determinação e monetária, porém política monetária levando em conta as monetária
monetárias econômica do governo, se implementação da trabalha em estreita diretrizes gerais da
compatível política monetária parceria com o governo política econômica do
+- +- +- - +- +- + +
Não tem responsabilidade Não pode financiar o Concede créditos ao Financia o governo É proibida a compra A legislação estabelece É proibido financiar, É vedado ao BACEN
Limites de de financiar o déficit tesouro diretamente, mas governo dentro de certos mediante aquisição de direta de novas emissões limites estritos p/ o direta ou indiretamente o conceder direta ou
financiamento público, mas concede pode adquirir títulos limites pré-determinados títulos e valores de longo prazo do crédito do banco central tesouro, mesmo através indiretamente
ao governo crédito ao governo dentro públicos no mercado governamentais, sem governo, porém no ao governo da aquisição de títulos da empréstimos ao tesouro
de limites estritos aberto limites específicos mercado secundário não dívida pública nacional
há limites p/ esta prática
Instrumentos + + +- +- +- +- + +
de política Utiliza-se dos Utiliza-se dos Utiliza-se dos Utiliza-se dos Utiliza-se dos Swaps de moeda, e em Utiliza-se dos Utiliza-se dos
monetária instrumentos monetários instrumentos monetários instrumentos clássicos. instrumentos clássicos. instrumentos clássicos. menor escala as instrumentos clássicos. instrumentos clássicos e
disponíveis e clássicos. Não há clássicos. Não há Porém, com restrições, Porém, com restrições Porém com restrições, operações de mercado Não há restrição ao uso da taxa de juros, não há
restrições ao restrição ao uso destes restrição ao uso destes acerca dos depósitos acerca dos depósitos acerca do depósito aberto. Porém, destes restrição ao uso dos
uso compulsórios. compulsórios compulsório requerimentos de reserva instrumentos monetários
são limitados em lei.
- - - - - - - -
O governo federal tem a O tesouro tem a O ministério das finanças O governo tem a O ministério das finanças É responsabilidade do Conselho de Conselho monetário
Determinantes responsabilidade última responsabilidade última tem a responsabilidade responsabilidade final, na tem a responsabilidade governo a política administração tem o nacional tem a
da política na determinação da pela política cambial pela política cambial que determinação da política final pela política cambial cambial poder decisório sobre a responsabilidade de
cambial política cambial é delegado ao banco cambial política cambial condução da política
central com poderes cambial
limitados
Organizacionais
Função, + + - + - + + Demissões – não existem
composição e Demissões – causas Demissão – justa causa Demissões – não existem Demissões – causas Demissões – razões de Demissões – justa causa Demissões – justa causa limites
designação técnicas Mandato – presidente – limites técnicas política econômica Mandato Presidente e Mandato Presidente – 05 Mandato Presidente –
das diretorias Mandato – presidente e 04 anos Mandato Presidente – Mandato Presidente – 05 Mandato Presidente – 05 diretoria – 06 anos anos indefinido
dos bancos diretoria – 08 anos Diretoria – 14 anos indefinido anos anos Diretores – 15 anos Diretores – Indefinido
centrais Diretoria – 06 anos Diretoria – 04 anos Diretoria – 04 anos

+ + - + - + + -
Financiament O banco central O banco central O orçamento é aprovado O banco determina seu O orçamento é aprovado Banco determina seu Banco determina seu O banco envia seu
o das determina seu orçamento determina seu orçamento pelo ministro das finanças orçamento independente pelo ministro das finanças orçamento independente orçamento independente orçamento para
atividades do independente do governo independente do governo. do governo do governo do governo apreciação pelo
Banco Central Congresso Nacional.

FONTE: Holanda, Marcos C. e Freire, Leonardo, (2002, p. 5)


23

2.3. BANCO CENTRAL: ORIGEM E HISTÓRIA NO BRASIL

Em 1945, foi criada a SUMOC com o objetivo de fixar a taxa dos depósitos
compulsórios, de redesconto e assistência financeira de liquidez, além de definir os juros
sobre depósitos bancários. Além disso, possuía outras funções, como a de papel fundamental
na supervisão dos bancos comerciais, orientação da política cambial nacional e representação
junto a organismos internacionais do País. Com isso preparava-se o País para a criação de um
Banco Central, fato que aconteceria 19 anos depois.
O Banco do Brasil, em sua primeira versão, criada em Outubro de 1808, tinha como
objetivo principal, servir ao interesses do governo, financiando o luxo e os vícios da corte
portuguesa recém instalada, sem responsabilidade monetária alguma. Tanto que em 1829, foi
liquidada e somente voltou a operar quase 30 anos depois. (Gomes, 1808). Após sua recriação
em 1853, O Banco do Brasil funcionou durante muito tempo como banco do governo, além
de seguir as definições da SUMOC e do Banco de Crédito Agrícola, Comercial e Industrial
para o recebimento dos depósitos compulsórios e voluntários, controle das operações de
comércio exterior, e execução de operações de câmbio em nome de empresas públicas e do
Tesouro Nacional, enquanto o Tesouro Nacional era o órgão emissor de papel-moeda.
Em 31 de dezembro de 1964 através da promulgação da Lei nº 4.595, estas três
instituições: a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), o Banco do Brasil (BB) e
o Tesouro Nacional, transferiram estas responsabilidades ao recém criado Banco Central do
Brasil (www.bcb.gov.br), vinculado-o ao Ministério da Fazenda do Brasil como autarquia
federal integrante do Sistema Financeiro Nacional, tornando-o assim a autoridade monetária
principal do país.
Após a criação do Bacen, em 1964 buscou-se preparar a autarquia com ferramentas
corretas para assumir seu papel de “banco dos bancos”. Porém este processo se arrastou por
anos e somente em 1985 foi promovido o reordenamento financeiro governamental com a
separação das contas e das funções do Banco Central, Banco do Brasil e Tesouro Nacional.
Em 1986 foi extinta a conta movimento e o fornecimento de recursos do Banco Central ao
Banco do Brasil passou a ser claramente identificado nos orçamentos das duas instituições,
eliminando-se os suprimentos automáticos que prejudicavam a atuação do Banco Central.
Este processo estendeu-se até 1988, quando as funções de autoridade monetária foram
24

transferidas progressivamente do Banco do Brasil para o Banco Central, enquanto as


atividades atípicas exercidas por esse último, como as relacionadas ao fomento e à
administração da dívida pública federal, foram transferidas para o Tesouro Nacional.
Em outros países, como Alemanha, Suíça e Itália, a centralização do sistema monetário
teve relação direta com a origem do banco central, tornando-o racional, mesmo que de forma
subjetiva, embora o financiamento do estado ficasse em segunda plano.
No Brasil, como se pode notar, esta transição prolongou-se por mais de 20 anos, dos
quais foram cenários de muitas disputas e reviravoltas nos bastidores do poder público
brasileiro. Mesmo após todos esses anos, em 1988, quando finalmente foi promulgado o
funcionamento e regras do Bacen, deixou-se ainda para posterior discussão, a questão sobre
sua independência. Souza Gomes (1967, p. 95) sugere que “[...] forças ocultas dificilmente
identificáveis vinham se opondo a que o Brasil possuísse o seu banco central” já segundo
Corazza Gentil (2005, p.3), “[...] essas forças não eram tão ocultas assim a ponto de não
poderem ser identificáveis. Elas se materializavam no Congresso e no Banco do Brasil, mas
apresentavam claramente os interesses de setores específicos do campo, do setor urbano
industrial e dos banqueiros”.
Contudo, em 1988, com a Constituição Federal, foi possível estabelecer dispositivos
importantes para sua atuação, como a emissão de moeda exclusivamente a cargo da União e
para os cargos de presidente e diretores da instituição, ficou definido que somente se houver a
aprovação prévia pelo Senado Federal em votação secreta dos nomes indicados pelo
Presidente da República. Outro fato importante foi a proibição, por parte do Banco Central,
de emprestar direta ou indireta recursos ao Tesouro Nacional. A Constituição de 1988 prevê
ainda, em seu artigo 192, a elaboração de Lei Complementar do Sistema Financeiro Nacional,
que substituiu a Lei 4.595/64 e redefiniu as atribuições e estrutura do Banco Central do
Brasil.
Para tornar o sistema mais seguro, foi incumbida ao Bacen a fiscalização e
regulamentação do sistema financeiro, paralelamente ao seu papel de banco dos bancos,
procurando evitar que o empréstimo de última instância resultasse em comportamento
imprudente por parte dos demais bancos, conhecido como risco moral. É válido notar também
que a incompatibilidade entre o papel assumido pelo banco central e a atividade comercial
propriamente dita que ainda mantinha foi decisiva para torná-lo público.
25

A gestão da política monetária pelo Bacen com certeza é o ponto de partida para a
defesa ou não da IBC ou ABC. O papel de gestor da política passou a ser relevante somente
no século XX e a com mais força, aqui no Brasil, mais próximo de seu final. No começo do
século XX o foco era o monopólio público da emissão de moeda e principalmente, nos outros
países, o grau de intervencionismo do estado na economia.
Não havia até 1914 motivos para se discutir a gestão da política monetária pelo
BACEN, uma vez que o padrão-ouro, que vigorou até este ano, e o sistema de paridade com o
dólar vigente no pós-guerra tornavam o espaço de atuação da política monetária limitado. No
primeiro caso, a quantidade de moeda da economia era dada pelo fluxo líquido de ouro para o
país; no segundo, o agregado monetário respondia à aquisição líquida de divisas requerida
para manter a paridade com a moeda americana. Neste último caso, havia mais espaço para a
atuação da política monetária, por causa da baixa mobilidade do capital.
No início dos anos 70 a economia mundial enfrentava a estagflação, apresentando um
desempenho fraco, uma vez que os desempregos estavam em baixa e o valor do dinheiro
estava cada vez menor. Nesta mesma época o fim da paridade entre o ouro e o dólar era
iminente e então a gestão da política monetária começa a destacar-se diante do maior espaço à
idéia dos limites da economia..Todo este cenário depunha contra o ativismo da política
econômica de inspiração keynesiana, em voga desde os anos trinta, particularmente nas
décadas de cinqüenta e sessenta.
Na Europa, Ásia e América do Sul, outros países desenvolvidos e em desenvolvimento
conferiram maior autonomia aos bancos centrais, modificando sua legislação ou
simplesmente ajustando os procedimentos operacionais da política. Através das teorias
econômicas, a gestão da política monetária utiliza como ferramenta a adoção de pressupostos,
tais como imposição de limites aos agregados monetários ou à evolução da taxa de câmbio. Já
no final dos anos oitenta e ao longo dos anos noventa, o destaque dirigiu-se à Independência
do BaCen (IBC), muitas vezes associada ao regime de metas para a inflação. Ainda que a
orientação da teoria econômica tenha sido importante, mais decisivas foram as modificações
institucionais verificadas em vários países, destacando-se as que visavam a criação do banco
central europeu, os acontecimentos no Reino Unido e a reforma neozelandesa, além dos
considerados bem sucedidos modelos alemão e americano.
26

3. AUTONOMIA DO BACEN: IDEOLOGIA OU NECESSIDADE?

Em 1930, com a criação da Carteira de Redesconto (Cared) do Banco do Brasil, órgão


este, segundo Bulhões (1990), embrião do Bacen, desenha-se o banco central da forma como
o conhecemos hoje, porém ainda na sua forma mais simples de instituição.
Toda política monetária da época, era conduzida diretamente pelo Banco do Brasil e
Tesouro Nacional, que tomavam suas decisões de acordo com o apelo popular, e decisões
governamentais, deixando decisões técnicas de lado, ignorando as filosofias e escolas
econômicas como a conhecemos.
Neste momento, o “BACEN” da época, era completamente dependente de seus
governantes, fato este que ia contra os princípios de seus fundadores, que queriam separar a
autoridade monetária não apenas do Tesouro, mas principalmente do Banco do Brasil, pois ali
se misturavam não só os interesses monetários e fiscais do governo, mas também os
interesses da classe rural, da indústria e dos banqueiros privados. Nogueira (1994) deixa claro
por que todos esses interesses, aninhados no Banco do Brasil, eram contra a criação do Banco
Central. O sentido original da independência da autoridade monetária, então, dizia respeito
não só ao Governo, mas a todos aqueles interesses que se valiam do uso fácil da emissão para
financiar seus negócios. Já em 1931, o Relatório da Missão Niemeyer apontava que a
expansão dos meios de pagamento não decorria só dos déficits fiscais, mas era provocada,
também, pelo descontrole do crédito, através da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil.
Em 1964, no ato da criação do Bacen, houve a formalização da idéia de um Banco
Central independente. Esta formalização baseava-se, assim como o projeto do Ministro
Correia e Castro apresentado em 1947, no mandato de seus dirigentes, fixado em cinco anos.
Com isso, esperava-se conter o descontrole do crédito e déficits fiscais. Mas, conforme relata
Dênio Nogueira (ver: Bulhões, 1990, p. 267), foi Castello Branco quem definiu que o
mandato dos diretores do Bacen fosse maior que os dos Presidentes da Republica, na época
de 5 anos, Definiu-se então um mandato de 6 anos, preservando desta forma a instituição de
interferências eleitorais. Apesar de limitada, a independência do Bacen teve vida curta, uma
vez que Dênio Nogueira, primeiro presidente da instituição, não pôde cumprir seu mandato
inteiro e acabou renunciando por pressão do presidente Costa e Silva, que tinha outros
interesses para a direção do banco. Foi ministro Simonsen, no entanto, que propôs a
revogação formal da independência.
27

Dentre os textos que defendem posições contrárias à IBC é necessário destacar os de


Ferreira e Silva (s/d), Ferreira e Freitas (1990 e 1991), Sola Laura, Kugelmas Eduardo e
Whitehead Lawrence; (2002) seus principais argumentos são os da inoportunidade,
inutilidade e ilegitimidade da independência. Menciona-se ainda o fato de que a
independência seria um obstáculo à coordenação da política macroeconômica.
Estes autores defendem que o Brasil não possui maturidade econômica suficiente para
operar sua política monetária através de um banco central independente e que decisões apenas
técnicas na condução dessas políticas, sem considerar variáveis políticas, poderiam ser
desastrosas no curto, médio e longo prazo para a sociedade como um todo. Ainda segundo
eles, um banco central independente estaria sujeito a interesses privados, uma vez que este
poderia ser financiado, talvez não em sua totalidade, mas de alguma forma que os ligaria a
interesses que não estariam de acordo com os interesses da nação.
Para Ferreira e Silva (s/d), as condições peculiares da situação brasileira e, em especial,
das finanças públicas e do sistema financeiro “impedem uma gestão monetária
independente”. O motivo principal pelo qual a independência não é desejada é a
“impossibilidade conjuntural e estrutural de eliminar-se o financiamento indireto”. Porém, os
autores não definem por que a independência impede “mudanças mais profundas, como a
redefinição do padrão de financiamento do setor público”Segundo esta teoria ainda, uma vez
superados estes obstáculos conjunturais, a idéia de independência ganharia sentido, pois uma
coisa é afirmar que a idéia de independência não tem sentido em si mesma, e outra, diferente,
é considerá-la apenas “inoportuna”, devido a problemas conjunturais.
Segundo Walsh (1995a, p. 237): “O desafio do arranjo do banco central é equilibrar a
necessidade de limitar a inflação média com a necessidade de manter suficiente flexibilidade
para o banco central responder aos distúrbios econômicos.”
Braga (1993), defende a independência do banco central e uma total reorganização no
sistema financeiro e monetário, com criação de comissões no intuito de fiscalizar as políticas
e as tomadas de decisões deste órgão independente, como segue: “Comissão Mista
Permanente do Congresso Nacional” com funções regulatórias e o objetivo de definir as
diretrizes gerais das políticas; uma “Comissão de Coordenação da Política Monetária e
Financeira” com o objetivo de “orientar e compatibilizar” as políticas executadas pelo Banco
Central com a política macroeconômica; o Banco Central executaria as políticas monetárias,
28

creditícia e cambial em consonância com as diretrizes e parâmetros legais fixados pela


Comissão Mista do Congresso e de acordo com a orientação macroeconômica oriunda da
Comissão de Coordenação.
Desta forma, após fixadas as regras, o Bacen conduziria as políticas com uma
autonomia relativa, com a execução consistente ficando sob a única responsabilidade da
Direção do Banco, sem que sejam admitidas mudanças abruptas por parte do governo central.
Ao mesmo tempo evita-se o paroxismo monetarista embutido na idéia de “independência” do
banco central pela qual este, supostamente, asseguraria, pela pura gestão monetária, a
estabilidade econômica. (BRAGA, 1993p. 32).
Já para Fisher (1995a, 1995b) existem dois tipos de autonomia: de objetivos, onde o
banco central decide seus objetivos e utiliza os instrumentos de modo a alcançá-los e
instrumental (ou operacional), onde os objetivos são dados pelo governo, e a autonomia do
banco central se restringe ao uso dos instrumentos para alcançar as determinações.
Para Serra (1991), o banco central pode ser independente sem perder sua subordinação
ao ministério da fazenda, “tornar o Bacen independente não significa, necessariamente,
querer transformá-lo no quarto poder da República, nem colocá-lo acima da lei”, pois ele
pode ser independente “[...] somente se for dependente da lei, que deve fixar com clareza o
que essa instituição pode e o que não pode fazer.” (Serra, 1991, p. 43). Não deve haver
dúvida sobre isso, pois o banco central é uma instituição vinculada e subordinada ao Poder
Executivo: “Não representa um novo poder, nem é órgão auxiliar do Congresso Nacional [...]
Se o Banco Central merece tratamento especial, cabe prever na lei quais suas particularidades
em relação aos demais órgãos do Executivo, mas não excluí-lo das normas gerais da
administração pública federal.” (Serra, 1991, p. 44). Franco (1991) considera a subordinação
do Bacen a outro órgão, que não o ministério da fazenda, somando ainda a criação de uma
junta econômica que decidiria as políticas monetárias, idéia esta que vai completamente
contra a definição de que o comandante da política monetária de um país seja o Bacen.
Com um breve relato, referenciando economistas das mais variadas escolas, defendendo
e reprovando a idéia da IBC, chega-se ao ponto, que se faz necessário, explicitar um pouco
mais as vertentes referentes ao tema abordado, utilizando para isso, os mais variados
pensadores, clássicos ou contemporâneos, abordando então os prós e os contras da IBC:
29

3.1. TEORIAS A FAVOR DA IBC OU ABC

Existem pelo menos duas interpretações do conceito de IBC, não excludentes entre si,
ao contrário, complementares. A mais influente, conceituada como não-conexidade, baseia-se
no viés inflacionário decorrente da falta de credibilidade da política monetária para perseguir
a estabilidade de preços. A falta de credibilidade, por sua vez, deriva da busca discricionária
de inúmeros objetivos, muitas vezes conflitantes com a estabilidade de preços. Ou seja, este
conceito defende que um banco central independente buscará um objetivo de estabilidade de
preços, mesmo que para isso, vá contra objetivos de curto prazo, muitas vezes conflitantes,
como o emprego ou consumo, objetivos estes, responsabilidade da autoridade fiscal, o
Governo no caso.
Partindo deste conceito, um banco central independente ou autônomo, responsável pela
política monetária, busca a construção da credibilidade, o que requer um grande esforço na
procura da estabilidade de preços, somada a manutenção da flexibilidade necessária para
manter o produto e a taxa de desemprego próximos da tendência de longo prazo.
O outro conceito, chamado de não-subordinação, onde o ciclo econômico político pode
causar flutuação econômica e política. Os incentivos trazidos pela democracia representativa
são tais que resultam numa política monetária do tipo stop and go, com seus efeitos sobre o
desempenho da inflação, produto e taxa de desemprego. Nesta situação, um banco central
independente ou autônomo, possui uma certa habilidade em reduzir a influência
governamental, tanto política quanto financeira, garantindo assim a estabilidade na política
monetária e em sua gestão de processos e políticas internos.
Estudo publicado em 1993, realizado por Alberto Alesina e Laurence H. Summers,
considerou dezessete países industrializados, correlacionando a taxa média de inflação e sua
economia no período 1973 a 1986, choque do petróleo, e o grau de independência de seus
bancos centrais (A origem dos bancos centrais, os arranjos formais para financiamento do
déficit público por meio da emissão de moeda e a forma de escolha de seus dirigentes foram
fatores determinantes para a definição do fator de independência) concluiu que países com
bancos centrais mais dependentes apresentavam maiores taxas médias de inflação se
comparado a países com bancos centrais mais independentes. Espanha e Itália, países com
bancos centrais menos independentes, apresentaram taxas médias de inflação equivalentes a
30

três vezes a taxa média de inflação verificada em Suíça e Alemanha, os dois países cujos
bancos centrais eram os mais independentes. ALESINA e SUMMERS(1993, p.154-159).
Também, segundo estudos econométricos de Sylvia Maxfield, é possível relacionar os
níveis de independência do banco central e de investimento privado nos países em
desenvolvimento.Segundo estes estudos, quanto maior a IBC, mais alto será o investimento
privado nesta economia. Ainda segundo Maxfield, isso acontece porque os investidores
consideram ser maior a sua capacidade de influenciar a política quanto mais independente o
banco central for do Governo e acreditam na discrição e autoridade da IBC para manter a
estabilidade da política econômica nacional. MAXFIELD (1997, p. 120-127).
Em economias, onde o controle da inflação, é o norte forte da política, um banco central
independente é crucial no sucesso da condução deste tipo de regime. No Brasil, estudos de
Albuquerque (1991), consideram a independência como “uma forma de impor disciplina
fiscal aos governantes”. Para ele, um país com tradição inflacionária como o Brasil, que
nunca se impôs restrições sérias ao uso inflacionário da emissão monetária, o arcabouço legal
tornaria mais transparentes as relações e as responsabilidades entre a política fiscal e a
monetária. A existência de “regras claras”, que definam as relações do Bacen com o Governo,
certamente contribuiria para a solução do problema fiscal. Embora a independência não seja
uma solução mágica, é uma medida que se impõe, “em virtude da fragilidade dos atuais
mecanismos de decisão”.
Considerando Keynes, que defendia a intervenção do estado na economia, para mantê-la
em produção constante e geração de capital e trabalho, é necessária a fiscalização do estado
nas decisões do banco central, tendo como mecanismos de proteção, uma possível
intervenção. Porém admitir que este órgão deva ser totalmente subordinado ao estado e
conseqüentemente a sua política social, já aparenta ser um erro, do qual o Brasil já aprendeu
sua lição, onde com decisões populistas que tinham resultado imediato e efeito de curto
prazo, acabavam deixando uma herança de dívidas e políticas monetárias mal conduzidas e
mal executadas.
31

3.2. TEORIAS CONTRA A IBC OU ABC

Contra as idéias da IBC, recentes pesquisas econômicas têm posto cada vez mais em
cheque a IBC e seus benefícios, assim como a primazia da defesa da moeda. Segundo estudo
elaborado para o Bank of England, apresentado por Robert J. Barro, professor da Harvard
University, comparou-se, por mais de 30 anos, índices de inflação e crescimento de 100
países. Este estudo constatou que a relação não é significativa para taxas de inflação abaixo
de 10%. e que a inflação somente afeta o crescimento no caso de taxas muito altas. Em um
outro estudo, realizado por Pr. Manfred Gärtner (St. Gallen, Suíça) descobriu-se que os custos
do combate à inflação, correlacionando renda e redução do PIB, mostraram-se menores em
países onde o banco central é dependente, se comparado com países onde é independente.
Utilizando a Suíça como exemplo, segundo ainda Pr. Gärtner, uma redução de 1% na inflação
acarretaria uma redução de 2% no PIB, o que representaria 1000 Francos Suíços per
capita/ano. Portanto, para economias com taxas de inflação inferiores a 10%ªª, o debate a
respeito da IBC ou ABC, seria minimizados devido as conseqüências de uma política
monetarista serem economicamente negativas.
De acordo com William Roberts Clark, professor da New York University, as “políticas
macroeconômicas feitas sob influência eleitoral tendem a gerar mais crescimento e menos
desemprego, apesar de parecerem ser mais inflacionárias do que políticas feitas por
formuladores imunes a essas pressões”, ou seja, segundo Clark (2000), o fator influenciável
nas políticas econômicas e monetárias, ao contrário do que se pode pensar, pode ser benéfico
à economia nacional, no curto e no longo prazo.
Deixar que a opinião pública participe da formulação de políticas, e até se deixar
influenciar por ela, pode não ser tão destrutivo para o interesse público quanto alguns
economistas acreditam. Ao se quebrar este paradigma, o maior desafio, seria permanecer uma
questão política, mais do que tecnocrática na formulação destas políticas, uma vez que,
segundo estes estudos, bancos centrais independentes não podem garantir baixos níveis de
inflação sem sacrifício de crescimento, emprego ou equidade.
Tal discussão tem origem nos diversos grupos setoriais, com força política e tendência a
privilegiar a estabilidade de preços ou emprego, segundo Maxfield (1997). Para ele, a força
do primeiro grupo esta diretamente conectada a capacidade de medidas para conferir
32

independência ao banco central, assim considerada a sua capacidade de decidir sobre as metas
e as ferramentas de política monetária. Caso contrário, quando privilegiado o nível de
emprego, prefere-se o "controle político do banco" apontado por William R. Clark. Também
são relevantes para definir o nível de autonomia ou independência a natureza das instituições
políticas e o sistema partidário, e as necessidades de financiamento do governo. A correlação
de forças atual, onde ainda é sensível o avanço do neoliberalismo e políticas de ajuste
econômico, justificaria o avanço das medidas tendentes à concessão de autonomia aos bancos
centrais.
E por fim, a maior defesa em relação ao IBC esta sempre relacionada a credibilidade da
economia e da política econômica adotada. Porém, este conceito, segundo Marco Grocco e
Frederico G. Jayme Jr está equivocado.
Para eles, o conceito de política econômica de credibilidade incorre em um problema de
circularidade, ou seja, a política econômica gera credibilidade se eficaz e a credibilidade gera
a política econômica confiável e eficaz. (Grocco e Jayme. 2003.p. 13). De acordo com seu
ponto de vista, este ciclo é maléfico ao sistema, tornando este sistema anti-democrático à
condução da economia, excluindo outras possibilidades de políticas econômicas, talvez até
mais eficazes e populares do que as já adotadas, como aconteceu no governo FHC.
(GROCCO e JAYME. 2003.p. 13).
Em outro ponto do trabalho, esses mesmos autores citam que“a credibilidade de uma
política econômica é determinada por fatores endógenos à sociedade onde é implementada, e
não determinada exogenamente, por um manual de economia qualquer”, onde acreditam que
estas políticas são influenciadas por interesses privados, de outros players do mercado, que se
interessam por um cenário de altas taxas de juros, ou prazos maiores de pagamento, e que
neste momento o critério de credibilidade não é econômico, e sim político. (GROCCO e
JAYME. 2003.p. 14.).

3.3. NO BRASIL: IDEOLOGIA OU NECESSIDADE?

A discussão sobre a IBC, sua necessidade ou não, ainda mostra-se muito limitada. Por
um lado, uma reforma fiscal desconectada da reestruturação dos mecanismos de
financiamento da economia pode ser insuficiente para equilibrar as contas públicas, pois não
equaciona as demais necessidades de financiamento da economia. Por outro, é difícil
33

imaginar como um maior grau de independência, por si mesmo, possa conter as pressões
sobre o Bacen e o Tesouro. “Desta forma torna-se inatingível a estabilização, entendida como
a ausência de pressões monetárias sobre o banco central, permitindo a manutenção do valor
da moeda.” (BRAGA, 1993, p 4).
Apesar de vários pensadores e estudiosos a respeito desse tema, não é possível, de
forma simplória estabelecer uma fórmula de atuação do Bacen no Brasil, visto que após
tantos anos de dependência deste órgão ao governo, com a confusão das políticas fiscais,
monetárias e sociais, seu papel ficou distorcido diante de sua real função. A idéia deste
trabalho é, através dos conceitos econômicos estabelecermos uma linha de pensamento que
aborde e atuação do Bacen e a importância de sua autonomia ou não, em cenários adversos.
Com a introdução do Plano Real, 1994, iniciou-se um processo no Bacen de autonomia,
que se não legal, na prática já esta acontecendo. Torna-se necessário então discutir a
autonomia do banco central e qual seu papel na condução da política monetária e econômica.
Sempre que crises como a 2008, iniciada nos EUA, devido a hipotecas mobiliarias, ganham a
luz dos acontecimentos, pensadores, economistas e filósofos vêm a público para defender ou
crucificar a IBC.
Observando o comportamento de todas as economias na mais recente crise que
enfrentaram, apesar de ser muito cedo para dizer o melhor modelo utilizado na condução da
política, percebeu-se que onde existe a autonomia de processos e ferramentas do Bacen e um
controle por parte de órgãos governamentais, estas economias mostraram-se mais preparadas
e ágeis para o enfrentamento da crise. Como se pôde observar, todas as economias que
seguiram este modelo, inclusive a brasileira, obtiveram sucesso perante a crise de 2008 e
acabaram saindo mais fortalecidas de um cenário adverso, enquanto que economias que
possuíam bancos centrais muito fortes e também independentes, passaram e passam ainda por
grandes turbulências econômicas.
Nesse contexto, vêm-se construindo um modelo de autonomia parcial dos bancos
centrais em relação ao Poder Executivo na condução da política monetária. Valores como
controle da inflação e a garantia da estabilidade de preços se tornariam predominantes sobre
os demais, especialmente em países que superaram, em períodos recentes, os seus processos
inflacionários.
34

Seria um Bacen subordinado ao Poder Executivo, e com ferramentas que legitimam sua
autonomia, como a função de implementar e executar as políticas por ele definidas, podendo
participar de sua definição, mas sem poder de veto. Da mesma forma, a responsabilidade
política pelo êxito ou fracasso não é da instituição, mas do Governo. Um Banco central
independente, é o que tem total liberdade na elaboração e condução da política monetária,
cabendo-lhe escolher livremente os instrumentos a serem utilizados. A independência inclui o
poder de definir a sua própria estrutura interna, assim como a supervisão e controle do
sistema financeiro. A autonomia seria a confluência destes dois modelos.
Conforme Serra (1991) e Saddi (1997), não é possível tornar o banco central um quarto
poder, fato que aconteceria caso fosse definido um banco central independente, porém torna-
se muito arriscado, também, deixá-lo a mercê das políticas fiscais e sociais do governo, logo,
um banco central autônomo estaria dotado de uma "liberdade relativa". Dessa forma, ao passo
que o Poder Executivo formule as diretrizes a serem seguidas é papel do bacen implementá-
las de modo a atingir "o objetivo da estabilidade monetária, na qual foi concedida a
autonomia". O Bacen define os instrumentos para a condução da política monetária em
sintonia com as diretrizes mais gerais da política econômica estatal e sua autonomia deve ser
“dirigida ao coletivo e ao interesse público.3 (Saddi, 1997: 56).
A autonomia de um Bacen pode ser medida se características econômicas forem
identificadas, sendo as principais (Saddi, 1997: 73-76):
• Estabilidade macroeconômica;
• Uma política fiscal adequada, reduzindo a necessidade de financiamento ao Tesouro
por parte do banco central;
• Reconhecimento por parte da classe política da legitimidade da autonomia e as
limitações ao papel do governo;
• Consciência Nacional;
Já para ROLL (1993: 56), a autonomia pode ser caracterizada se for identificado cinco
condições, a saber:

3
“o órgão de disciplina monetária deve ser autônomo para tomar decisões racionais e técnicas sobre moeda, sem as
ingerências alheias com fins políticos que tanto caracterizam as atividades dos mandatários do Estado moderno. Para
tanto, não deve estar subordinado hierárquica ou funcionalmente a nenhum órgão ou cargo do Poder Executivo. Por
ser autônomo, segundo esta proposição, ainda que deva satisfações a respeito de suas ações ao Poder Legislativo e,
em alguns casos, ao Poder Judiciário, o banco central zelaria apenas pela estabilidade da moeda, acomodando tão-
somente as demandas sociais que não causassem a sua desestabilização. (SADDI, 1997: 56)”
35

1. A limitação de objetivos e funções, com a definição clara de sua área de


atuação e poderes;
2. Precisão e Especificação das metas a serem atingidas pela política monetária;
3. Base estatutária para autonomia: pode-se ser feito através de lei ou
assembléia, com ata constituída. Na falta de estatuto o Governo poderia
interferir nos processos a qualquer momento. Deve-se deixar claro quando o
BACEN perde sua autonomia perante o Executivo assim como as formas de
prestação de contas da instituição.
4. Garantias institucionais do Executivo: definido na base estatutária;
5. Nomeação da diretoria do bacen: com regras claras para sua nomeação e
destituição, e duração do mandato, de preferência que não seja coincidente
com o Presidente ou Chefe do Executivo.
Os pontos negativos da autonomia são: necessidade de definir o responsável político
pelo manejo da economia; Ausência de legitimidade da diretoria do banco central, que sem
ser eleita para um mandato, exerce-o em sua plenitude; Eventual conflito que pode vir a
surgir, no âmbito da coordenação das políticas econômicas, em função do duplo comando
(Governo e banco central); E por fim, a concentração de poderes, o conflito de competências
e a "personificação do dirigente do banco central", que concentra no seu principal dirigente o
ônus ou o bônus do sucesso ou fracasso na condição da política monetária. Em face dessas
contradições, não existe um modelo único de banco central autônomo.
Exemplos, como Chile, onde o banco central é considerado um dos mais independentes,
um grupo multidisciplinar é o responsável pela coordenação da política econômica. Este
grupo é subordinado ao Presidente da República e estão nele o Presidente do Banco Central
do Chile, que também se reporta diretamente ao Presidente da Repúplica, o Ministro da
Fazenda, entre outros. No Japão, modelo parecido ao do Brasil, o Banco do Japão tem um
objetivo claro contra a inflação, e é vinculado formal e hierarquicamente ao Ministério da
Fazenda, e seus dirigentes não têm um mandato legal. Esse fato revela a existência, em alguns
casos, de autonomia não-formal, mas legitimada pelos resultados alcançados pela instituição
no alcance de metas de controle da inflação.
Nas páginas 10, 11 e 19 deste documento foram abordadas algumas condições, na
ocasião da constituição de 1988, que facilitariam a autonomia do BACEN.
36

Apesar de existirem condições para o Bacen trabalhar com certa autonomia, não há
proteção que evite torná-lo instrumento de financiamento do governo vulnerável às pressões
do Tesouro. Além disso, o parágrafo 3º do art. 164 da CF determina que "as disponibilidades
de caixa da União serão depositadas no banco central", atribuindo-se, portanto, ao Bacen uma
função de “banco” do governo.
Segundo Saddi, Jairo, quando o Bacen no Brasil foi criado, a questão da autonomia ou
Sujeição ao Poder Executivo não ficou esclarecida.4. Ainda segundo Saddi,, para exercer com
maior autonomia suas funções o bacen deve reduzir as suas funções não-regulares, como, nos
setores legislativos ou normatização, executivo, tributação, fiscalização e diplomacia, dentre
outras que com o tempo lhe foram sendo.
Seguindo esse pensamento, o bacen deve concentrar-se nas atividades monetárias, uma
vez que defender a moeda, para Saddi, é o papel principal do Banco Central, (SADDI,
1997:212). As funções de supervisão ou ordenamento do mercado financeiro seriam
transferidas, para um órgão de controle como a CVM e Susep.
Quanto a esse ponto, uma das propostas em discussão junto ao Governo Federal,
apresentada por Henrique Meirelles, atual presidente do BACEN, é no sentido de que seja
criada uma superagência para todo o sistema financeiro brasileiro. Essa agência reuniria
atribuições de supervisão e regulação, hoje a cargo do BACEN, da CVM e da Secretaria de
Previdência Complementar (SPC), relativamente aos fundos de pensão.
O The Bank of England, autônomo desde 1997, implementou recentemente proposta
semelhante a apresentada por Meirelles. No Reino Unido houve a transferência de funções de
fiscalização e regulação para uma nova agência, que veio a reunir competências de nove
agências pré-existentes, indo das áreas imobiliária e habitacional e de seguros, de
investimentos e mercado futuro à fiscalização bancária.
Embora ainda seja um embrião, caso se concretize, surgirá uma entidade extremamente
poderosa, e que, dotada de autonomia, constituir-se-ia efetivamente num Quarto Poder. Em
qualquer situação, essa entidade jamais poderia estar totalmente imune ao controle social ou
ao controle do Congresso Nacional.

4
“a disciplina constitucional do Banco Central, em resumo, é omissa nos detalhes da estabilidade de seus
mandatários, não restringe de forma completa a vedação de empréstimos ao Tesouro e remete a uma futura lei
complementar, até hoje não emanada, a disciplina do sistema financeiro nacional. Optando apenas pelos parâmetros
37

Segundo Saddi(1997: 217) para que esse objetivo seja atingido, devem ser atendidos
sete princípios básicos:
I. Proibição de financiamento ao Tesouro;
Os bancos centrais autônomos podem atuar comprando títulos de seus governos, porém
não pode haver pressões políticas para financiar o Tesouro.
II. Garantia de mandato dos dirigentes;
Como já fora dito neste trabalho, mandato fixo aos dirigentes, isolando-os de toda e
qualquer influência política na gestão e garantindo que as decisões sejam tomadas da forma
mais técnica e adequada a cada situação particular. No Brasil a discussão ainda é recente,
porém em alguns órgãos definiu-se um mandato de 2 anos, sempre renováveis, como no caso
da Procuradoria Geral da Republica e das Agências Reguladoras5. Na Europa, os presidentes
dos bancos centrais dos países membros da União Européia possuem mandato fixo de, no
mínimo, cinco anos.
III. Próprio regime jurídico, ou estatuto do Banco Central;
Para Saddi, o Banco Central deve permanecer como autarquia federal, de tipo especial,
regida por lei própria – a Lei Complementar de que trata o art. 192 –assegurando aos seus
servidores, por conseqüência, estatuto que garanta proteção a perda do cargo, repercutindo,
em toda a sua estrutura, as garantias asseguradas aos seus dirigentes.
IV. Regime cambial a ser adotado;
V. Regulamentação da transferência de lucros do Banco para o Tesouro;
A questão da definição do regime cambial e a transferência dos lucros do Banco Central
para o Tesouro conectam-se a política monetária adotada.
Antes de 1988, os lucros do BACEN eram acumulados no próprio Banco. Com a nova
constituição, definiu-se que os lucros passariam a ser transferidos para o Tesouro, sob a forma
de receita, por outro lado, possíveis prejuízos seriam compensados pelos resultados de
exercícios seguintes. A partir do 3T94, passaram a ocorrer prejuízos não compensados. Em
1994, esse prejuízo foi de R$ 14,4 bilhões, devido a política cambial adotada na época..

gerais, a constituinte acabou não indicando o modelo de autoridade monetária para o Brasil: autônomo ou
dependente do Poder Executivo" SADDI (1997, p.197).
5
A exceção é a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL. A Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997 previu,
em seu artigo 8°, que a sua autonomia, vinculada à “natureza de autarquia especial” que lhe foi conferida é
caracterizada por “independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade
38

A política de priorização do capital financeiro, adotada desde 1995, acarretou graves


prejuízos ao BACEN e, por conseqüência, ao Tesouro Nacional. Segundo o Bacen, de 1994
até 1T00, o banco teve prejuízo acumulado de R$ 34,15 bilhões (em valores de dez/1999).
Somente em 1999, devido a atuação do Bancen no mercado cambial e de perdas com o
PROER, foi de R$ 13 bilhões (www.bacen.gov.br). Desde dezembro de 1998, a Medida
Provisória n° 1.789, definiu que, a partir de 1994, os prejuízos do BACEN seriam assumidos
pelo Tesouro Nacional.
Com a proteção destas regras, o bacen pode gerar déficits ou prejuízos, e estará
amparado pela sua “autonomia”, sem prejuízo público direto para a sociedade. Haverá, é
claro, uma distribuição dos prejuízos pela sociedade, porém não será sacrificada despesas de
caráter social, ou de investimentos públicos.
VI. Estabelecimento de mecanismos de prestação de contas (accountability);
Do ponto de vista de prestação de contas, o Bacen deveria mostrar seus resultados e
objetivos atingidos, como forma de avaliação da política e estratégia adotada. Com o
entendimento da criação de uma “agência” para regular o Bacen, esta prestação de contas
seria avaliada por esta agência periodicamente.
Esta idéia nos direciona à necessidade de que sejam assegurados mecanismos de
accountability eficazes, porém sem interferir na capacidade operacional da instituição, e
impeçam que a luta em defesa da moeda, sacrifique interesses da sociedade que tenham
importância tão relevante ou mesmo maiores.
VII. Coordenação macroeconômica.
Na busca da estabilidade monetária, deve-se criar um órgão hierarquicamente superior
ao próprio Bacen, livre de representação corporativa. Também deve existir um comitê misto,
com representantes do Executivo e do Banco, no intuito de coordenar todas as políticas
macroeconômicas, dando ao Poder Executivo a prerrogativa de vetar qualquer decisão.
Respeitado estes princípios, ao invés de “independência”, deve ser estabelecida a
autonomia do Banco Central, mas por meio de sua submissão a “Super Agência”, a qual
caberia definir, em concordância com o Bacen as políticas monetária, cambial e creditória,
definindo os marcos para sua ação autônoma. A “agência” também ficaria responsável em

de seus dirigentes e autonomia financeira”,, enquanto o art. 9º estabelece que a agência “atuará como autoridade
administrativa independente”. No caso da ANATEL, os mandatos dos dirigentes são de 5 anos.
39

impedir as relações promíscuas entre o Bacen e o setor privado, fixando limites para o
financiamento à instituições financeiras privadas e instituindo um regime de "quarentena"
para sua diretoria, fortalecendo o seu quadro de pessoal e sua capacidade operacional.
O Bacen deve dispor de várias “autonomias” para garantir seu correto funcionamento,
como a autonomia operacional, instrumental, patrimonial e administrativa. A operacional
considera a condução prática da política monetária, garantindo flexibilidade para sua
implementação nos termos definidos pelo Executivo;. A autonomia instrumental, garante de
acordo com a política monetária, instrumentos a serem utilizados da melhor forma, incluindo
recursos técnicos objetivando determinado resultado; A autonomia patrimonial implica na
liberdade, do Banco Central dispor de seus bens materiais e financeiros que são suscetíveis de
apreciação econômica, respeitando os limite da lei;. E a autonomia administrativa, limitada
pelo princípio da legalidade (art. 37, “caput” da CF). A esse respeito, o Banco Mundial
recomenda que se deve dispor de suficientes recursos humanos e financeiros, garantindo
autonomia orçamentária gerando capacidade para atrair e reter profissionais de alta qualidade
através de políticas salariais adequadas e planos de carreira baseadas no mérito.
Porém, é necessário resolver primeiro a vulnerabilidade do Bacen à facilitação de
interesses privados nos interesses públicos. A falta de separação clara entre público e privado
é claramente notada, faltando ao BACEN não só independência em relação aos políticos do
momento, como também em relação aos interesses financeiros internos e externos.
Dessa forma, a concessão da autonomia do Banco Central em relação ao governo só
deve ser considerada, se o relacionamento com o sistema privado, externo e interno estiver
bem fundamentado, bem como a definição de uma diretoria com isenção de interesses e
pressões políticas, algo ainda improvável no Brasil.
Para que o Brasil possa realmente ter um sistema central autônomo e o utilize em sua
plenitude de direito e dever, é mandatária uma mudança completa nas relações com o setor
privado, além de uma reformulação nos critérios de seleção de seus dirigentes e o principal, a
alteração da Constituição, ou o Estatuto do Banco Central e ainda reformulação de processos
administrativos internos, afim de blindar e dar mais segurança ao sistema. Desta forma, o
sistema fica imune a oscilações políticas, evitando escândalos que possam afetar a
credibilidade perante os agentes econômicos e incentivando uma mudança na cultura
econômica brasileira.
40

Feito isso, o relacionamento do Bacen com o Executivo deverá ser de uma cordial
autonomia, zelando pela ordem monetária da sociedade, mesmo que isso contrarie os anseios
políticos, especialmente em períodos pré-eleitorais. Neste cenário, é importantíssimo um
banco central saber dizer não quando identifica risco de qualquer natureza, tomando como
missão principal a estabilidade de preços e de sua moeda.
É necessário também que o bacen utilize suas ferramentas para manter a estabilidade e
legitimidade de operações no Sistema Financeiro Nacional, porém ao identificar qualquer
situação que possa apresentar risco ou falta de transparência e credibilidade, reportar
imediatamente a “superagência” a ser criada, trabalhando em parceria, evitando assim
relações promíscuas e possíveis crises de confiança.
A autonomia do bacen, seria para o sistema político no Brasil um espécie de contrapeso.
Segundo Saddi:
“...no regime democrático é necessário que ‘o poder controle o poder’. O
melhor controle, nesse caso, é outorgar uma parcela deste poder -- o poder
monetário -- a uma instituição que, fazendo parte do Poder Executivo e a ele se
reportando, tenha um mandato fixo, com condições para seu exercício e parâmetros
para o seu desempenho. A lei outorga este mandato, garantindo a autonomia apenas
para que o banco central vele pela estabilidade da moeda. Desta forma, o banco
central deve ser autônomo do poder Executivo, das pressões da sociedade civil e das
instituições financeiras...”

O sistema político brasileiro, para ratificar a autonomia do Bacen, precisa passar por um
processo de absoluta mudança em relação ao entendimento de autonomia. Se for observado o
sistema como funciona, até órgãos que foram concebidos como autônomos, hoje têm um
grande grau de dependência do poder executivo.
Pode-se observar como exemplo, as agências executivas ou agências reguladoras, que
por lei foram concebidas com autonomia administrativa e financeira, e portanto uma maior
capacidade de gestão, mas que, na prática, atendem a vontade do Poder Executivo,
sujeitando-se a manipulações políticas e subordinadas ao núcleo estratégico do governo.
Portanto, para o crescimento e fortalecimento da economia, o Brasil deve providenciar
que os conceitos de autonomia que já existem realmente sejam postos em prática, em
agências e órgão criados já com esta idéia e posteriormente, iniciar o processo de um Bacen
autônomo.
41

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisando toda a estrutura econômica mundial, as correntes que a cercam e todas as


suas vertentes, os efeitos que um banco central tem dentro de uma sociedade, é possível
concluir que a Autonomia do Banco Central e principalmente a idéia de Independência deste
órgão, só pode ser concebida se, e somente se, a sociedade estiver suficientemente madura
para trabalhar com um banco central autônomo.
Seguindo esta idéia, e procurando exemplos práticos, no Brasil e no mundo, percebemos
que determinados comportamentos ou atitudes, só foi possível realmente, devido a alta
maturidade da sociedade participante.
No Brasil, podemos utilizar casos recentes, que exemplificam este pensamento. Durante
toda a década de 1980, quando houve trocas de planos econômicos, este tipo de manobra só
mostrou-se possível devido ao pequeno grau de maturidade que existia na sociedade brasileira
nesta década. Uma sociedade ainda constrangida e traumatizada pelos regimes ditatoriais e
militares que governaram o país, acostumada ao papel de telespectadora diante das manobras
políticas e econômicas dos governantes. Desta forma, quem estava no poder, sentia-se no
direito de seguir suas idéias próprias e tomava atitudes que visavam seu próprio beneficio ou
de determinado setor da sociedade, não governando da forma como deveriam, para todos,
sem exceções ou descriminações. O Bacen, era um agente coadjuvante neste momento e
trabalhava de forma totalmente dependente de ações políticas, que buscavam estratégias
muitas vezes contraditórias aos interesses do país.
Porém em 1988 com a constituinte, este cenário lentamente começa a sofrer alterações e
a sociedade brasileira começa a se conscientizar de seu papel, a imprensa assume seu papel
fiscalizador e informativo. O Bacen começa então, a tornar-se um órgão mais respeitado e
conceituado. Em 1994, com a implantação do Plano Real, percebe-se a importância de uma
moeda estável para a economia e a sociedade. Apesar de uma política restritiva, com juros
altos e impostos sufocantes, há uma percepção geral, dos políticos e sociedade, que estas
medidas são necessárias para a estabilização da moeda e melhora das condições econômicas
do país. Neste contexto, o Bacen teve um papel fundamental como agente coordenador desta
política e começou a tornar-se autônomo de pressões políticas, podendo assim adotar
42

medidas, que em muitos casos, contrariavam estes interesses no curto prazo, em beneficio de
uma melhora no longo prazo.
A grande confirmação do papel autônomo do Bacen foi em 2002, quando da eleição do
Presidente Luis Inácio Lula da Silva, o Lula. Apesar do temor geral de que a política
econômica não seria seguida, devido a toda história de Lula, como sindicalista e correntes
socialistas presentes em seu partido político, os políticos e a sociedade mostraram-se maduras
em seus conceitos, de forma que os políticos entenderam qual era a necessidade do pais
naquele momento, e a sociedade, mostrou por sua vez, que apesar de descontente em relação
a política adotada, entendia que para alcançar a estabilidade de preços e uma renda melhor,
com igualdade de condições, era necessário manter a política e não aceitaria regredir depois
de tanto já conquistado.
Neste momento, o Bacen tornou-se autônomo, não formalmente como já explicado
neste trabalho, mas em seus processos e ferramentas, definindo as políticas a que lhe
conferem, de forma isenta e autônoma das pressões que por ventura sofra.
Em países, onde a maturidade das instituições é muito maior, como USA, Alemanha,
Japão, os bancos centrais podem atuar de forma independente em sua plenitude, de direito e
de fato, pois a sociedade e a classe política, já entende e exerce pressão fiscalizatória nas
instituições, como o banco central e agencias reguladoras.
Porém, em países onde a população ainda é refém das vontades dos políticos, como
Venezuela e Cuba, este comportamento é impensável, por hora, devido a falta de
transparência e maturidade da sociedade e da classe política.
Portanto, ratificando a conclusão, a autonomia do bacen, apesar de todos os benefícios
que proporciona, só é possível a partir do momento que a sociedade se torna o
suficientemente madura para entender a importância da política monetária adotada em cada
momento que for apresentado. Sem esta maturidade, não é possível se desenvolver um
dialogo construtivo a respeito da IBC ou ABC. Seria necessário primeiramente, fortalecer as
instituições, investir em educação e contar com leis transparentes que sejam válidas a todos
integrantes do país. Feito isso, a ABC pode ser uma realidade, adaptada a esta sociedade.
43

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