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Plano de Ensino: Trabalho com Grupos

MÓDULO: TRABALHO COM GRUPOS


Curso de Psicologia – 4º Termo – Prof. Mauricio L. Garcia

Carga Horária: 40 hs

JUSTIFICATIVA: O objeto “grupo” é datado e enquanto tal foi se tornando uma


instituição que como tal adquiriu (e vem adquirindo) um caráter universal e unificado
que impregnou um modo de pensar e ordenar o social, colocando-o como intermediário
de uma lógica dualista de se pensar a subjetividade, onde encontramos de um lado o
indivíduo e de outro a sociedade, fazendo, assim, do grupo o seu elemento mediador.

No que diz respeito ao tema dos grupos - tanto quanto ao das instituições -, estou
optando em abordar os temas não aprofundando ou demarcando precisamente as várias
teorias, mas indicar suas lacunas, suas brechas, suas “zonas de dispersão”, oferecendo
ao discente a possibilidade de que ele próprio possa encontrar sua caixa de ferramentas
para continuar problematizando o tema. Em outras palavras, para tratar das diferentes
abordagens de grupos, opto pelo sentido da palavra abordar que é o de beirar, chegar à
borda, percorrer as vizinhanças e habitar as zonas de passagem.

Isso justifica-se pelo fato de que as teorias e as práticas acerca dos grupos (e das
instituições) são pautadas por uma ausência de limites epistemológicos claros, essências
a serem desvendadas ou a verdadeira natureza dos fenômenos que se põem a estudar.
Por isso, toda referência a essa temática será realizada sob a perspectiva aqui
denominada grupalista, qual seja, um conjunto de teorias e práticas sem limites
epistemológicos, técnicos e metodológicos claros.

Nosso ponto de partida - considerado o que foi dito anteriormente -, é o de que toda
compreensão do que acontece num grupo requer a localização deste no tecido da
sociedade e uma articulação entre as estruturas desta e as instituições que a amalgama.
Em outras palavras, a premissa é de que “qualquer análise que se faça sobre um grupo,
seja este natural ou artificial, pedagógico ou experimental, deverá admitir, como
hipótese prévia, que o sentido do que ocorre aqui e agora nesse grupo tem direta relação
com o conjunto de instituições de nossa sociedade, que são o seu suporte” (Vida Raquel
Kamkhagi).

Observação Geral: as misturas e combinações entre as áreas, fontes epistemológicas e


tendências são tão grandes, que pode-se afirmar que não existe tendência alguma que
não tenha incorporado elementos teóricos ou técnicos das outras. Isso quer dizer, entre
outras coisas, que o grupalismo é uma prática transversal, heterogênea, diversificada e
não-totalizável.

No entanto, uma questão parece atravessar todos esses saberes e práticas sobre os
grupos: é o fato de seu ideário (do grupalismo) ser marcado desde suas origens pela
adesão a alguns valores do psicologismo: autonomia, liberação da palavra, desrepressão
das emoções, valorização da espontaneidade, exploração de vivências pessoais, etc.
Em outras palavras, tomam como sinônimo de sujeito humano, o indivíduo moderno e
sua consciência psicológica do eu  esse “modo-indivíduo” de subjetivar-se adquire
expressão mais evidente a partir do século XVIII  esse “modo-indivíduo” faz o grupo
- independentemente das tendências já apontadas – um dos polos das dicotomias que
mantêm indivíduo, grupo e sociedade como unidades separadas, quando não colocando-
o como intermediário da relação indivíduo/sociedade, obedecendo a lógica binária,
totalizadora e identitária desses dois termos.

No entanto, atualmente é possível vislumbrar um outro tipo de escolha ético-estético-


política acerca do tema da grupalidade, qual seja, um modo de produção de
subjetividade voltado não para modos-indivíduos-privatizantes-intimistas, mas para
modos-grupos-múltiplos-coletivos. Segundo Regina Benevides de Barros, o grupo pode
ser tomado como dispositivo, como aquilo que põe em funcionamento os modos de
expressão da subjetividade operando processos de des-individualização.

Isto posto, podemos iniciar circunscrevendo alguns elementos que - longe de exaurirem
suas possíveis definições - demarcam o campo problemático que não se define pela sua
interioridade, mas sim pelas porosidades que esse mesmo contorno produz.

Assim, sobre o “objeto-grupo”, é possível identificar três grandes áreas:

- Medicina: com finalidades psicoprofiláticas e psicoterapêuticas;


- Pedagogia: procedimentos grupais de ensino/aprendizagem, buscando a otimização do
processo educacional;
- Sociologia: psicossociologia dos pequenos grupos;

 fontes epistemológicas
- base psicanalítica;
- base fenomenológica-existencial;
- base psicodramática;
- base empirista-pragmatista;
- base gestáltica;

 escolas contemporâneas:
- linha inglesa: Bion, Balint;
- linha norte-americana: Taylor, Gibbs;
- linha francesa: Anzieu, Kaës, Lebovici;
- linha argentina: Pichón-Rivière, Rodrigué, Bauleo, Pavlovsky;

OBJETIVO GERAL: Propiciar a apreensão de recursos teórico-técnico-metodológicos


acerca das várias concepções grupalistas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Identificar contribuições de diferentes abordagens teóricas sobre os grupos,
capacitando o discente para intervenções grupais;
- Distinguir as principais diferenças entre as teorias de grupos e suas finalidades;
- Possibilitar instrumentação técnico-metodológica para intervenção em grupos;
- Identificar a indissociação entre grupos e instituições,
- Problematizar acerca das transformações grupais e institucionais, assim como as
questões ético-políticas inerentes ao tema da grupalidade.

CRONOGRAMA DE AULAS
DATA HORÁRIO CONTEÚDO
09/08 8 - 10 Apresentação do módulo
16/08 Não haverá aula
23/08 8 - 10 A proveniência do objeto “grupo” – (Texto base: 01)
30/08 8 - 10 Continuação da aula anterior
06/09 8 - 10 Sobre Grupos: linha gestáltica – Kurt Lewin (Texto base: 03)
13/09 8 - 10 Sobre Grupos: linha psicanalítica – contribuições de Freud
(Textos base: 05)
20/09 8 - 10 Sobre Grupos: linha psicanalítica – contribuições de Bion
(Texto base: 11)
27/09 SEMANA DE PSICOLOGIA
04/10 8 - 10 Continuação da aula anterior
11/10 8 - 10 Avaliação individual
18/10
25/10
01/11 8 - 10 Sobre Grupos: linha psicodramática – Jacob Levy Moreno
(Texto base: 12)
08/11 8 - 10 Grupos Operativos: Enrique Pichon-Rivière (Texto base: 15)
15/11 Não haverá aula
22/11 8 - 10 Continuação da aula anterior
29/11 8 - 10 “Grupo e Produção” e “Dispositivos em ação: o grupo” –
Regina Benevides de Barros (Textos base: 16 e 17)
06/12 8 - 10 Conceito de coletivo (Texto base : 18)
13/12 8 - 10 Avaliação
20/12 8 - 10 EXAME

METODOLOGIA DE ENSINO: As aulas serão expositivas dialogadas, baseadas nos


temas apresentados acima. Para cada aula, é esperado a leitura prévia dos textos, leitura
essa que subsidiará as discussões a serem realizadas.

AVALIAÇÃO:
Durante o semestre letivo, ocorrerão duas avaliações individuais a serem realizadas nas datas
indicadas no cronograma (a nota final será a média simples das duas avaliações)

BIBLIOGRAFIA BÁSICA e COMPLEMENTAR

- (01) BENEVIDES DE BARROS, R. – Grupo: a afirmação de um simulacro.


Porto Alegre: Sulina/Editora da UFRGS, 2007.
- (16 e 17) BENEVIDES DE BARROS, R. – Dispositivos em ação: o grupo. IN:
Saúde Loucura 6. São Paulo, Ed. Hucitec, 1997
- (16 e 17) BENEVIDES DE BARROS, R – Grupo e Produção. IN: Saúde
Loucura 4. São Paulo, Ed. Hucitec, s/d
- (11) ZIMERMAN, D. E – Bion: da teoria à prática. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1995.
- BAREMBLITT, G. - Grupos: teoria e técnica. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1986.
- _________ - Teoria de campo em ciência social. São Paulo: Livraria Pioneira Ed.
- (05) KAËS, R. - O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria
psicanalítica do grupo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
- MARTINS, R. B. – Contribuições de Freud à psicoterapia de grupos (s/d)
- BEZERRA Jr, B. - Grupos: cultura psicológica e psicanálise. In: LANCETTI, A.
(org.) SaúdeLoucura 4. São Paulo: Hucitec.
- (11) BION, W. R. – Experiências com grupos. Rio de Janeiro: Imago, 1970.
- BLEGER, J. – Psico-higiene e psicologia institucional. Porto Alegre: Ed. Artes
Médicas, 1984(1966).
- (12) BUSTOS, D. M. - O psicodrama – aplicações da técnica psicodramática. São
Paulo: Summus Ed., 1982
- COSTA, J. F. - Psicanálise e contexto cultural: imaginário psicanalítico, grupos e
psicoterapias. Rio de Janeiro: Ed. Campus.
- (12) PERAZZO, S. - O psicodrama no Brasil. In: CIORNAI, S. (org.) - Gestalt-
terapia, psicodrama e terapias neo-reichianas no Brasil. São Paulo: Ágora, 1995.
- GUATTARI, F. – Revolução Molecular – pulsações políticas do desejo. São Paulo:
Ed. Brasiliense, 1987 (coletânea de textos organizada, traduzida e prefaciada por
Suely Rolnik).
- (18) KASTRUP, V. e da ESCOSSIA, L. – O conceito de coletivo como superação
da dicotomia indivíduo-sociedade. Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10,
n. 2, p. 295-304, maio/agosto 2005.
- LAPASSADE, G. – Grupos, organizações e instituições. Rio de Janeiro: Francisco
Alves Ed., 1989.
- (03) LEWIN, K. – Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo: Cultrix, 1965.
- (15) PICHON-RIVIÈRE, E. – O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes,
1983.
- SAIDÓN, O et al – Práticas Grupais. Rio de Janeiro: Campus, 1983
- (15) SAIDÓN, O. Guia terminológico para a cosntrução de uma teoria crítica
dos grupos operativos. In: Baremblitt, G. (org.) Grupos: teoria e técnica. RJ:
Ed. Graal, 1986
- ANZIEU, D.; BÉJARANO, A ; KAËS, R.; MISSENARD, A. e PONTALIS, J. B.
- O trabalho psicanalítico nos grupos. Lisboa: Moraes Ed., 1978.
- NERI, C. - Grupo: manual de psicanálise de grupo. Rio de Janeiro: Imago, 1999.
- (03) TELLEGREN, T. A – Gestalt e grupos: uma perspectiva sistêmica. São
Paulo: 1984.
- ZIMERMAN, D. E – Grupoterapia Psicanalítica. In: Zimerman, D. E. e Osório, L.
C. (org) – Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997