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Que tem o poder de punir o sujeito?

Análise em Foucault e Dussel.

Os tempos em que o Estado mais violava a integridade física do reprimido,


sempre foram também aqueles de que mais nos envergonhamos como
sociedade, haja vista a idade média e seus métodos criativos de tortura,
passando pela ditadura brasileira com seus paus-de-arara e terminando nos
excessos contemporâneos da polícia militar. A habilidade do homem em
disciplinar próprio homem já é tema antigo da Filosofia, e a discussão já foi
tema de diversos estudiosos.

Em Vigiar e Punir, Foucault analisa o surgimento das instituições


disciplinares como escolas, prisões, hospitais, escolas, quartéis, pela
decadência da sociedade soberana, onde a figura do rei tinha total controle
sobre os indivíduos e as ferramentas de dominação do povo eram as ameaças
de morte e as punições de forma direta sobre seu corpo. A partir do XIX a
lógica do confinamento toma as instituições reguladoras sob o modelo
panóptico e centralizador do poder e da vigilância de um sobre todos,
descentralizando o poder de um rei e passando para grupos setoriais que
vigiam e controlam toda sociedade.

Na filosofia da libertação, Dussel nos diz que é o povo que dá poder as


instituições reguladoras para reprimi-la - potentia gera o poder da potestas-,
e o faz porque é necessária uma unificação dos pensamentos da sociedade.
Imaginem a ineficiência de que em cada pequena questão do cotidiano, como
uma transgressão de trânsito, fizéssemos uma votação a nível municipal afim
de avaliar como deferido ou não aquela multa de transito, ou por exemplo se
para definir que uma demissão por justa causa no trabalho foi ou não
realmente justa, tivéssemos que convocar uma assembleia e o
comparecimento de toda a cidade. Nós enquanto cidadãos, delegamos este
poder ao Estado e acatamos sua decisão seja ela qual for, mesmo que ela não
concorde ou não beneficie a maior parte de nossa comunidade. Resumindo
Dussel, quando aceitamos viver em sociedade, assinamos um contrato social
que diz: “Toma aqui policial, se VOCÊ achar coerente, pode me dar uma
cacetada”.

Como ninguém pode tomar o poder consensual que decorre da vontade de


um povo em viver politicamente ordenado, as instituições que concretizam
os desejos das pessoas que a compõem são, ou deveriam ser, um espelho de
seus indivíduos. Infelizmente a lógica da potestas é de se tornar autônoma
da fonte que a gerou e de se voltar contra a potentia.

Quando os detentores da nossa vontade unificada já as distorceram a ponto


de não mais nos reconhecermos nela, é indicador que a o modelo precisa ser
trocado, sempre lembrando que a história mostra que atos de violação
individual física do indivíduo contraventor como esse, nos afastam cada vez
mais de um país de primeiro mundo e nos aproximam mais e mais de um
subdesenvolvimento intelectual semelhante ao da Idade Média, uma era por
tida todos com um mínimo de conhecimento antropológico, como das trevas.