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Faculdade Redentor

Curso de Graduação em Engenharia Mecânica

Ar Condicionado e
Ventilação
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 2
Cronograma da Disciplina

CARGA HORÁRIA TOTAL: 45h CRÉDITOS: 03

EMENTA:
Introdução: calor, primeira e segunda leis da termodinâmica, mistura ar-vapor d’água, carta
psicrométrica, umidificação e desumidificação. Dados para o projeto. Cálculo da carga
térmica. Meios de condução do ar. Ventilação e exaustão. Torres de arrefecimento e
condensadores evaporativos. Controles automáticos. Instalações típicas.

DISTRIBUIÇÃO DO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO, ATIVIDADES TEÓRICAS E AVALIAÇÕES.


Data Tipo Assunto
07/02 Teórica Capítulo 1 – Revisão de Transferência de Calor - Exercícios
14/02 Teórica Capítulo 2 – Noções Refrigeração - Exercícios
Capítulo 3 – Psicrometria – Parte I – Exercícios
21/02 Teórica
Trazer 5 cópias da carta psicrométrica – Anexo 3
Capítulo 3 – Psicrometria – Parte II – Exercícios
28/02 Teórica
Trazer 5 cópias da carta psicrométrica – Anexo 3
14/03 Teórica Capítulo 4 – Dados para o Projeto
Capítulo 5 – Cálculo da Carga Térmica – Parte I – Exercícios
21/03 Teórica
Trazer 3 cópias da planilha de Carga Térmica – Anexo 1
Capítulo 5 – Cálculo da Carga Térmica – Parte II - Exercícios
28/03 Teórica
Trazer 3 cópias da planilha de Carga Térmica – Anexo 1
Capítulo 5 – Cálculo da Carga Térmica – Parte III – Exercícios
04/04 Teórica
Revisão para a Avaliação // Resolução de Exercícios
1ª Verificação – V1 (Valor: 8,0 pontos)
11/04 Avaliação
Entrega do Projeto 1 (Valor: 2,0 pontos)
Vista de Prova
25/04 Teórica
Capítulo 6 – Meios de Condução do Ar - Exercícios
Capítulo 7 – Ventilação e Exaustão – Parte I – Exercícios
09/05 Teórica
Trazer 1 cópia de cada Ábaco – Anexo 4
16/05 Teórica Capítulo 7 – Ventilação e Exaustão – Parte II - Exercícios
23/05 Teórica Capítulo 8 – Torres de Arrefecimento e Condensadores Evaporativos
30/05 Teórica Capítulo 9 – Controle Automáticos
Capítulo 10 – Escopo de Projetos
06/05 Teórica
Revisão para a Avaliação // Resolução de Exercícios
2ª Verificação – V2 (Valor: 7,0 pontos)
13/06 Avaliação
Entrega do Projeto 2 (Valor: 3,0 pontos)
11/07 Avaliação 3ª Verificação – V3
Total 45 horas

Bibliografia Básica:
CREDER, Hélio; Instalações de ar condicionado; 6ª edição; Rio de Janeiro. Ed. LTC; 2003;
SILVA, J. de Castro, Refrigeração e Climatização para Técnicos e Engenheiros, Ed. Ciência
Moderna
COSTA, Ennio Cruz. Ventilação. 1ª edição. São Paulo. Ed. Edgard Blucher. 2005.

Bibliografia Complementar:
NBR 16401:2008 – Partes 1, 2 e 3. Instalações de ar-condicionado - Sistemas centrais e unitários.
Rio de Janeiro: ABNT.
DOSSAT, R. J. Princípios de Refrigeração. Ed. Hemus, 1980.
MILLER, M. R.; MILLER, R. Refrigeração e Ar Condicionado. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
SILVA, J. G. Introdução à Tecnologia da Refrigeração e Climatização. São Paulo: Ed. ArtLiber,
2004.
SILVA, R. B. Manual de Refrigeração e Ar Condicionado. São Paulo: FEI PUC, 1968.
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Índice

Capítulo 1 – Revisão de Transferência de Calor .....................................................................................6


1.1 Condução ..................................................................................................................................... 7
1.2 Convecção ................................................................................................................................... 8
1.3 Radiação ..................................................................................................................................... 10
1.4 Condução Unidimensional em regime estacionário ......................................................... 11
1.4.1 Distribuição de temperatura .................................................................................. 11
1.4.2 Resistência Térmica .................................................................................................. 12
1.4.3 A parede composta ................................................................................................. 13
Exercícios ......................................................................................................................................................... 14

Capítulo 2 – Noções de Refrigeração ...................................................................................................15


2.1 Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor ................................................ 16
2.2 Balanço de Energia para o ciclo de refrigeração por compressão de vapor ............ 18
2.2.1 Capacidade Frigorífica ........................................................................................... 18
2.2.2 Potência teórica de compressão .......................................................................... 18
2.2.3 Calor rejeitado no condensador ........................................................................... 19
2.2.4 Dispositivo de expansão .......................................................................................... 19
2.2.5 Coeficiente de performance do ciclo ................................................................. 20
2.3 Parâmetros que influenciam o COP do Ciclo de Refrigeração ...................................... 20
2.3.1 Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico ......... 20
2.3.2 Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico ....... 21
2.3.3 Influência do sub-resfriamento do líquido no COP do ciclo teórico .............. 22
2.3.4 Influência do superaquecimento útil no COP do ciclo teórico ...................... 23
2.4 Sistemas de Refrigeração ........................................................................................................ 24
2.4.1 Sistema de compressão de vapor ........................................................................ 25
2.4.2 Sistema de refrigeração por absorção de vapor .............................................. 26
2.4.3 Sistema por expansão de ar ................................................................................... 28
2.4.4 Refrigeração por efeito termelétrico .................................................................... 29
2.5 Fluidos Refrigerantes .................................................................................................................. 30
2.6 Aplicações da refrigeração e condicionamento de ar ................................................... 34
Exercícios .......................................................................................................................................................... 36

Capítulo 3 – Psicrometria ........................................................................................................................37


3.1 Definições Fundamentais ......................................................................................................... 37
3.1.1 Ar seco ........................................................................................................................ 37
3.1.2 Ar não saturado e ar saturado ............................................................................... 37
3.1.3 Umidade absoluta (UA) ........................................................................................... 38
3.1.4 Umidade Relativa (UR) ............................................................................................. 38
3.1.5 Temperatura de bulbo seco (TBS) ......................................................................... 38
3.1.6 Temperatura de bulbo úmido (TBU) ...................................................................... 38
3.1.7 Temperatura de orvalho .......................................................................................... 39
3.1.8 Carta Psicrométrica .................................................................................................. 39
3.2 Processos Psicrométricos .......................................................................................................... 42
3.2.1 Aquecimento sensível (Aquecimento seco) ....................................................... 42
3.2.2 Resfriamento sem desumidificação (Resfriamento seco) ................................ 43
3.2.3 Resfriamento com desumidificação ..................................................................... 43
3.2.4 Resfriamento e umidificação (Resfriamento evaporativo) .............................. 44
3.2.5 Aquecimento e Umidificação ................................................................................ 45
3.2.6 Mistura de ar .............................................................................................................. 46
3.3 Vazão necessária de ar ........................................................................................................... 47
3.4 Cálculo da absorção de umidade do ar de insuflamento .............................................. 48
3.5 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão direta ................................. 49
3.6 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão indireta .............................. 50
3.7 Resfriamento pela evaporação ............................................................................................. 51
Exercícios .......................................................................................................................................................... 52
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Capítulo 4 – Dados para o projeto ..........................................................................................................54
4.1 Conforto Térmico ....................................................................................................................... 54
4.1.1 Metabolismo .............................................................................................................. 54
4.2 Condições de Conforto ........................................................................................................... 55
4.3 Sistemas de Ar Condicionado ................................................................................................ 58
4.4 Tipos de Condensação ............................................................................................................ 59
4.5 Tipos de Instalações .................................................................................................................. 59
4.5.1 Condicionador de Ar do tipo Janela ................................................................... 60
4.5.2 Condicionador de Ar Split-System ......................................................................... 63
4.5.3 Condicionador de Ar Centrais ............................................................................... 68
4.5.4 Condicionador de Água Gelada (Water Chiller) .............................................. 70
4.6 Sugestões para a escolha do sistema de AC mais indicado ........................................... 72
4.6.1 Split-System ................................................................................................................. 72
4.6.2 Selfs a água gelada ................................................................................................. 72
4.6.3 Sistemas evaporativos .............................................................................................. 72
Exercícios .......................................................................................................................................................... 73

Capítulo 5 – Cálculo da Carga Térmica ................................................................................................74


5.1 Cálculo da carga térmica simplificada ................................................................................ 74
5.2 Cálculo da carga térmica sem simplificações ................................................................... 79
5.2.1 Carga de condução ................................................................................................ 79
5.2.2 Carga devida à insolação – Calor sensível ......................................................... 81
5.2.3 Carga devida aos dutos ......................................................................................... 84
5.2.4 Carga devida às pessoas ........................................................................................ 85
5.2.5 Carga devida aos equipamentos ......................................................................... 86
5.2.6 Carga devida à infiltração ..................................................................................... 89
5.2.6.1 Método da Troca de Ar ........................................................................... 90
5.2.6.2 Método das Frestas ................................................................................... 90
5.2.7 Carga devida à ventilação .................................................................................... 91
5.2.8 Carga Térmica total ................................................................................................. 93
5.2.9 Total de Ar insuflamento .......................................................................................... 93
5.2.10 Cálculo da absorção da umidade dos recintos .............................................. 94
5.2.11 Cálculo do calor latente ....................................................................................... 94
5.2.12 Cálculo do calor total usando a carta psicrométrica ..................................... 96
5.2.13 Determinação das condições do ar de insuflamento .................................... 96
5.2.14 Preenchimento da Planilha do Cálculo da Carga Térmica Sem
Simplificações (ANEXO 2) ............................................................................................................................ 97
Exercícios ........................................................................................................................................................ 101

Capítulo 6 – Meios de Condução do ar ...............................................................................................104


6.1 Dutos de chapas metálicas .................................................................................................. 104
6.2 Métodos de dimensionamento de dutos ........................................................................... 105
6.2.1 Método da velocidade ......................................................................................... 107
6.2.2 Método da igual perda da carga ...................................................................... 108
6.2.3 Método da recuperação estática ...................................................................... 110
6.3 Perdas de pressão em um sistema de dutos ..................................................................... 110
6.3.1 Perdas de pressão estática (Pe) ........................................................................... 111
6.3.2 Perdas de pressão dinâmica (PV) ........................................................................ 111
6.3.3 Perdas de carga acidentais ................................................................................. 112
6.3.4 Pressão de resistência de um sistema de dutos (Pr) ........................................ 113
6.4 Isolamento e junção dos dutos ............................................................................................ 114
6.5 Dados práticos para o dimensionamento de dutos ........................................................ 114
6.6 Distribuição de ar nos recintos .............................................................................................. 114
6.6.1 Grelhas simples e com registros ........................................................................... 114
6.6.2 Escolha da altura da grelha de insuflamento ................................................... 116
6.6.3 Distância entre as grelhas de insuflamento ....................................................... 117
6.6.4 Seleção e determinação da vazão de uma grelha ....................................... 117
6.6.5 Difusores de teto ou aerofuses ............................................................................. 118
Exercícios ........................................................................................................................................................ 118
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Capítulo 7 – Ventilação e Exaustão......................................................................................................119


7.1 Definições .................................................................................................................................. 119
7.1.1 Características de um ventilador ........................................................................ 119
7.2 Tipos de Ventiladores .............................................................................................................. 120
7.3 Trocas de ar nos recintos ........................................................................................................ 121
7.4 Velocidades recomendadas para o ar .............................................................................. 121
7.5 Ventilação geral ...................................................................................................................... 121
7.5.1 Volume de ar a insuflar .......................................................................................... 122
7.5.2 Tipos de ventilação ................................................................................................. 123
7.5.3 Projeto de uma instalação de ventilação geral .............................................. 123
7.5.4 Ventilação em residências ................................................................................... 125
7.6 Exaustão .................................................................................................................................... 126
7.6.1 Captor ....................................................................................................................... 126
7.6.2 Dutos de ar ............................................................................................................... 127
7.6.3 Ventilador ................................................................................................................. 129
7.6.4 Chaminés .................................................................................................................. 129
Exercícios ........................................................................................................................................................ 131

Capítulo 8 – Torres de Arrefecimento e Condensadores Evaporativos ...........................................132


8.1 Introdução ................................................................................................................................ 132
8.2 Torres de Arrefecimento ......................................................................................................... 132
8.2.1 Tabelas Climatológicas .......................................................................................... 135
8.2.2 Escolha de uma torre de arrefecimento ............................................................ 136
8.2.3 Perdas de água ....................................................................................................... 138
8.2.4 Quantidade de água de circulação ................................................................. 138
8.2.5 Escolha da Bomba d’água de circulação (BAC) ............................................ 138
8.2.6 Potência da Bomba d’água de circulação (BAC) ......................................... 139
8.3 Condensadores Evaporativos ............................................................................................... 140
8.3.1 Partes constituintes ................................................................................................. 140
8.3.2 Funcionamento ....................................................................................................... 140
8.3.3 Dados práticos gerais para os condensadores evaporativos ....................... 141
Exercícios ........................................................................................................................................................ 142

Capítulo 9 – Controles Automáticos .....................................................................................................144


9.1 Introdução ................................................................................................................................ 144
9.2 Sistemas de controles automáticos ..................................................................................... 144
9.3 Controles elétricos ................................................................................................................... 144
9.4 Diagramas de controle .......................................................................................................... 147

Capítulo 10 – Escopo de Projetos de Ar Condicionado e Ventilação .............................................151


10.1 Estudo preliminar .................................................................................................................... 151
10.2 Elaboração do anteprojeto ................................................................................................ 151
10.3 Projeto definitivo .................................................................................................................... 151
10.4 Localização do equipamento ............................................................................................ 152
10.5 PMOC ....................................................................................................................................... 153

Referências Bibliográficas .......................................................................................................................... 154

Anexo 1 – Planilha para Cálculo da Carga Térmica Simplificada .................................................... 155


Anexo 2 – Planilha de Cálculo estimado da carga térmica sem simplificações .......................... 156
Anexo 3 – Carta Psicrométrica ................................................................................................................. 159
Anexo 4 - Ábacos de Ventilação ............................................................................................................ 160
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Revisão de Transferência
de Calor
Uma simples definição, mas geral, fornece uma resposta satisfatória para a
perguntar: O que é transferência de calor?
Transferência de calor (ou calor) é energia térmica em trânsito devido a uma
diferença de temperaturas no espaço.
Sempre que houver uma diferença de temperatura em um meio ou entre meios,
haverá, necessariamente, transferência de calor [1]. Na figura 1.1 é apresenta os
diferentes tipos de processos de transferência de calor por modos.

Troca líquida de calor por


Condução através de um Convecção de uma superfície
radiação entre duas
sólido ou fluido estacionário para um fluido em movimento
superfícies

Figura 1.1: Modos de transferência de calor: condução, convecção e radiação [1].

O termo condução é utilizado quando existe um gradiente de temperatura em um


meio estacionário e sólido.
Já o termo convecção faz referência à transferência de calor que ocorrerá entre
uma superfície e um fluido em movimento quando eles estiverem a diferentes
temperaturas.
O terceiro modo, radiação térmica, consiste de ondas eletromagnéticas viajando
com a velocidade da luz. Como a radiação é a única que pode ocorrer no espaço
vazio, esta é a principal forma pela qual o sistema Terra-Atmosfera recebe energia do
Sol e libera energia para o espaço.
Na figura 1.2 é apresentada uma ilustração com os três modos de transferências
de calor agindo simultaneamente.

Figura 1.2: Mecanismos de transferência de calor. Fonte:


http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap2/cap2-9.html
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1.1 Condução
A condução está intimamente ligada aos conceitos de atividades atômicas e
moleculares, pois são processos nesses níveis que mantêm este modo de transferência
de calor [1].
Pode ser vista como a transferência de energia das partículas mais energéticas
para as menos energéticas de uma substância devido às interações entre partículas.
Considere que a figura 1.3, é um gás, no qual exista um gradiente de temperatura.

Figura 1.3: Associação da


transferência de calor por
condução à difusão de
energia devido à atividade
molecular [1].

Alguns exemplos de transferência de calor por condução: a extremidade exposta


de uma colher de metal subitamente imersa em uma xícara de café quente; No
inverno, um quarto aquecido, há perda significativa de energia para o exterior.
É possível quantificar processos de transferência de calor em termos de equações
de taxa apropriadas.
Para a condução térmica, a equação da taxa é conhecida como lei de Fourier.
Para uma parede plana unidimensional, mostrada na figura 1.4, a equação da taxa é
representada na forma:

𝑑𝑇
𝑞 𝑥 𝑘 (1.1)
𝑑𝑥

O fluxo térmico q‖x (W/m²) é a taxa de


transferência de calor na direção x por
unidade de área perpendicular à direção da
transferência e ele é proporcional ao
gradiente de temperatura, dT/dx, nesta
direção.
O sinal negativo é uma consequência do
Figura 1.4: Transferência de calor fato do calor ser transferido na direção da
unidimensional por condução [1]. temperatura decrescente.

Nas condições de estado estacionário mostrados na figura 1.3, com a distribuição


de temperaturas linear, o gradiente de temperatura pode ser representado como:
(1.2)

Com isso, o fluxo térmico pode ser escrito na forma:


(1.3)

A taxa de transferência de calor por condução, qx (W), é dada através da simples


multiplicação da área da parede plana pelo fluxo térmico por condução, ou seja:
(1.4)
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Exemplo 1.1: A parede de um forno industrial é construída em tijolo refratário com


0,15 m de espessura, cuja condutividade térmica é de 1,7 W/(mK). Medidas
efetuadas ao longo da operação em regime estacionário revelam temperaturas de
1400 e 1150 K nas paredes interna e externa, respectivamente. Qual é a taxa de
calor perdida através de uma parede que mede 0,5 m por 1,2 m?

1.2 Convecção
O modo de transferência de calor por convecção abrange dois mecanismos:
movimento molecular aleatório (difusão) e o movimento global do fluido. Este
movimento do fluido está associado ao fato de que, em um instante qualquer, um
grande número de moléculas está se movendo coletivamente ou como agregado.
Tal movimento, na presença de um gradiente de temperatura, contribui para a
transferência de calor.
Considere o escoamento de um fluido sobre a superfície aquecida da figura 1.5.

Distribuição da Distribuição da
velocidade temperatura
u(y) T(y)

Superfície
aquecida
Figura 1.5: Desenvolvimento da camada limite na transferência de calor por convecção [1].

Uma consequência da interação entre o fluido e a superfície é o desenvolvimento


de uma região no fluido através da qual a sua velocidade varia entre zero, no
contato com a superfície (y=0), e um valor infinito , associado ao escoamento do
fluido. Essa região do fluido é conhecida por camada limite hidrodinâmica ou de
velocidade.
Além disso, se as temperaturas da superfície e do fluido forem diferentes, existirá
uma região no fluido através da qual a temperatura variará de TS, em y=0, até T,
associada à região do escoamento afastada da superfície.
Se TS > T, transferência de calor por convecção se dará da superfície para o fluido
em escoamento.
A transferência de calor por convecção pode ser classificada de acordo com a
natureza do escoamento do fluido.

 Convecção forçada: quando o escoamento é causado por meios externos,


tais como: um ventilador, uma bomba, ou ventos atmosféricos;
 Convecção natural (livre): o escoamento é induzido por forças de empuxo,
que são originadas a partir de diferença de densidades (massas
especificas) causadas por variações de temperatura no fluido.
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A figura 1.6 ilustra esta classificação.
Escoamento devido
às forças de empuxo

Escoamento Componentes
forçado quentes sobre
placas de
circuitos
impressos

Figura 1.6: Processos de transferência de calor por convecção: (a) convecção forçada, (b)
convecção natural.

Foi descrito o modo de transferência de calor por convecção como a


transferência de energia ocorrendo no interior de um fluido devido aos efeitos
combinados da condução e do escoamento global do fluido. A energia que está
sendo transferida é a energia sensível, ou térmica interna, do fluido. Contudo, há
processos de convecção nos quais existe também a troca de calor latente. Essa troca
de calor latente é geralmente associada a uma mudança de fase entre os estados
líquidos e vapor do fluido. Dois casos particulares de interesse são a ebulição e a
condensação.
Por exemplo, na figura 1.7 (a) mostra a transferência de calor por convecção
resultante da movimentação do fluido induzida por bolhas de vapor geradas no fundo
de uma panela contendo água em ebulição. Outro exemplo, é a condensação de
vapor d’água na superfície externa de uma tubulação por onde escoa água fria,
figura 1.7 (b).

Ar úmido
Gotas de
água

Água
Fria
Bolhas
de vapor Água

Placa quente

Figura 1.7:(a) Ebulição e (b) Condensação [1].

Independemente da natureza específica do processo de transferência de calor


por convecção, a equação apropriada para a taxa de transferência possui a forma:
(1.5)
Onde q‖, o fluxo de calor por convecção (W/m²), é proporcional à diferença
entre as temperaturas da superfície e do fluido , TS e T, respectivamente. Essa
expressão é conhecida como a lei do resfriamento de Newton, e o parâmetro h
(W/(m².K)) é chamado de coeficiente de transferência de calor por convecção.
Quando a equação 1.5 é usada, o fluxo de calor por convecção é considerado
positivo se o calor é transferido a partir da superfície (TS > T) e negativo se o calor é
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transferido para a superfície (T>TS). Contudo, se T>TS, não existe nada que impeça a
representação da lei de resfriamento de Newton por:
(1.6)
A tabela 1.1 são apresentados alguns valores para o coeficiente de transferência
de calor por convecção.

Tabela 1.1: Valores típicos do coeficiente de transferência


de calor por convecção [1].
Processo h
(W/(m².K))
Convecção natural
Gases 2-25
Líquidos 50-1000
Convecção forçada
Gases 25-250
Líquidos 100-20.000
Convecção com mudança de fase
Ebulição e condensação 2500-100.000

1.3 Radiação
A radiação térmica é a energia emitida pela matéria que se encontra a uma
temperatura não-nula. A energia do campo de radiação é transportada por ondas
eletromagnéticas.
Considere os processos de transferência de
calor por radiação na superfície mostrados na figura
1.8. A radiação que é emitida pela superfície tem
sua origem na energia térmica da matéria
delimitada pela superfície e a taxa na qual a
energia é liberada por unidade de área (W/m²) é
conhecido como poder emissivo, E, da superfície. Figura 1.8: Troca por radiação
Há um limite superior para o poder emissivo, que em uma superfície [1].
é determinado pela lei de Stefan-Boltzmann
(1.7)
Onde TS é a temperatura absoluta (K) da superfície e  é a constante de Stefan-
Boltzmann (5,67 x 10-8 W/(m² . K4)). Tal superfície é chamada um radiador ideal ou
corpo negro.
O fluxo térmico emitido por uma superfície real é menor do que aquele emitido
por um corpo negro à mesma temperatura e é dado por:
(1.8)

Tabela 1.2: Resumo de processos de transferência de calor.


Propriedade de
Modo Mecanismo(s) Equação da taxa transporte ou
coeficiente
Difusão de energia devido ao k (W/(mK))
Condução
movimento molecular aleatório
Difusão de energia devido ao
movimento molecular aleatório
acrescido da transferência de
Convecção h (W/(m²K))
energia em função do
movimento macroscópico
(adevecção)
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Transferência de energia por 
Radiação ondas eletromagnéticas Ou hr (W/(m²K))

1.4 Condução Unidimensional em regime estacionário

Na condução de calor unidimensional em uma parede plana, a temperatura é


uma função somente da coordenada x e o calor é transferido exclusivamente nessa
direção.
Na figura 1.9, uma parede plana separa dois fluidos, que se encontram a
diferentes temperaturas.
A transferência de calor ocorre por convecção do fluido quente a , para
uma superfície da parede a , por condução através da parede e por convecção
da outra superfície da parede a para o fluido frio a .

Figura 1.9: Transferência de calor através de uma parede plana. (a) Distribuição de
temperaturas; e (b) Circuito térmico equivalente [1].

1.4.1 Distribuição de temperatura

A distribuição de temperaturas na parede pode ser determinada através da


solução da equação do calor com as condições de contorno pertinentes.
Nota-se que a condução unidimensional em regime estacionário em uma
parede plana sem geração de calor e com condutividade térmica constante, a
temperatura varia linearmente com x, ou seja, varia com de acordo com a espessura
da parede.
Aplicando a lei de Fourier para determinar a taxa de transferência de calor por
condução, tem-se:
(1.9)
( )
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Note que A é área da parede normal à direção da transferência de calor e, na
parede plana, ela é uma constante independente de x.

1.4.2 Resistência Térmica

Da mesma forma que uma resistência elétrica está associada à condução de


eletricidade, uma resistência térmica pode ser associada à condução de calor.
Definindo resistência como a razão entre um potencial motriz e a correspondente
taxa de transferência, através da equação 1.9 que a resistência térmica para a
condução em uma parede plana é:

(1.10)

Uma resistência térmica pode também ser associada à transferência de calor por
convecção em uma superfície. A partir da lei do resfriamento de Newton:

(1.11)

A resistência térmica para a convecção é, então,

(1.12)

O circuito térmico equivalente para a parede plana com condições de


convecção nas duas superfícies é mostrada na figura 1.9 (b).
A taxa de transferência de calor pode ser determinada pela consideração em
separado de cada elemento da rede. Uma vez que qX é constante ao longo da rede,
segue-se que:
(1.13)

Em termos de diferença de temperaturas global, , e da resistência


térmica total, , a taxa de transferência de calor pode também ser representada
por:
(1.14)

Como as resistências condutiva e convectiva estão em série e podem ser


somadas, tem-se que:
(1.15)

A troca radiante entre a superfície e a vizinhança pode, também, ser importante


se o coeficiente de transferência de calor por convecção for pequeno (como é
frequentemente na convecção natural em um gás).
Uma resistência térmica para a radiação pode ser definida tendo-se como
referência a equação:
(1.16)

(1.17)
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1.4.3 A Parede Composta

Circuitos térmicos equivalentes também podem ser usados em sistemas mais


complexos, como, por exemplo, paredes compostas. Tais paredes podem possuir uma
quantidade qualquer de resistências térmicas em série e em paralelo, devido à
presença de camadas diferentes materiais.
Seja a parede composta, em série, mostrada na figura 1.10, a taxa de
transferência de calor unidimensional para esse sistema pode ser representado por:
(1.19)

Onde é a diferença de temperatura global e o somatório inclui todas
as resistências térmicas. Logo:
(1.19)
[ ]

Figura 1.10: Circuito térmico equivalente para uma parede composta em série [1].

Em sistema compostos, é frequentemente conveniente o trabalho com um


coeficiente global de transferência de calor, U, que é definido por uma expressão
análoga à lei do resfriamento de Newton. Assim:

(1.20)
Onde é a diferença de temperatura global. O coeficiente global de
transferência de calor está relacionado à resistência térmica total e, a partir das
equações 1.19 e 1.20, verifica-se que UA=1/RTOT. Portanto, para a parede composto da
figura 1.10:
(1.21)
[ ]

Em geral, pode-se escrever:


(1.22)

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Exercícios
1.1 Informa-se que a condutividade térmica de uma folha de isolante extrudado rígido
é igual k=0,029 w/(mK). A diferença de temperaturas medida entre as superfícies de
uma folha com 20 mm de espessura deste material é T1 – T2 = 10 °C.
a) Qual é o fluxo térmico através de uma folha do isolante com 2,0 m x 2,0 m?
b) Qual é a taxa de transferência de calor através da folha de isolante?

1.2 O fluxo térmico através de uma lâmina de madeira, com espessura de 50 mm,
cujas temperaturas das superfícies sãod e 40 e 20°C, foi determinado como de a
40W/m². Qual é a condutividade térmica da madeira?

1.3 As temperaturas interna e externa de uma janela de vidro com 5 mm de espessura


são de 15 e 5°C. Qual é a perda de calor através de uma janela com dimensões de 1
m por 3 m? A condutividade térmica do vidro é de 1,4 W/(mK).

1.4 Uma câmara de congelador é um espaço cúbico de lado igual a 3 m. Considere


que a sua base seja perfeitamente isolada. Qual é a espessura mínima de um
isolamento à base de espuma de estireno (k=0,030 W/(mK)) que deve ser usada no
topo e nas paredes laterais para garantir uma carga térmica menor do que 500 W,
quando as superfícies interna e externa estiveram a -10°C e 35°C?

1.5 Um aquecedor elétrico encontra-se no interior de um longo cilindro de diâmetro


igual a 30 mm. Quando água, a uma temperatura de 25°C e velocidade 1 m/s, escoa
perpendicularmente ao cilindro, a potência por unidade de comprimento necessária
para manter a superfície do cilindro a uma temperatura uniforme de 90°C é de
28kW/m. Quando ar, também a 25°C, mas a uma velocidade de 10 m/s está
escoando, a potência por unidade de comprimento necessária para manter a mesma
temperatura superficial é de 400W/m. Calcule e compare os coeficientes de
transferência de calor por convecção para os escoamentos da água e do ar.

1.6 O vidro traseiro de um automóvel é desembaçado pela fixação de um aquecedor


em película, fino e transparente, sobre a sua superfície interna. Aquecendo
eletricamente este elemento, um fluxo térmico uniforme pode ser estabelecido na
superfície interna. Para um vidro com 4 mm de espessura, determine a potência
elétrica, por unidade de área do vidro, necessária para manter uma temperatura na
superfície interna em 15°C, quando a temperatura do ar no interior do carro e o
coeficiente convectivo são T,i= 25°C e hi = 10 W/(m²K), enquanto a temperatura e o
coeficiente convectivo no ar exterior (ambiente) são T,e = - 10°C e he = 65 W/(m²K).

1.7 Uma janela de vidro, com 1 m de largura e 2 m de altura, tem espessura de 5 mm e


uma condutividade térmica de kv= 1,4 W/(m.K). Se em um dia de inverno as
temperaturas das superfícies interna e externa do vidro são de 15°C e -20°C,
respectivamente, qual é a taxa de calor através da janela, é costume usar janelas de
vidro duplo nas quais as placas de vidro são separadas por uma camada de ar. Se o
afastamento entre as placas for de 10 mm e as temperaturas das superfícies do vidro
em contato com os ambientes estiverem nas temperaturas de 10°C e -15°C, qual é a
taxa de perda de calor em uma janela de 1m x 2m? A condutividade térmica do ar é
ka = 0,024 W/(m.K).
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Noções de Refrigeração
Uma simples definição, sobre refrigeração, é que seu objetivo é remover o calor
de um corpo. O calor é uma forma de energia que o homem não pode destruir. Por
isso, ao ser removido, o calor é transferido de um local onde não é desejado para
outro onde não incomoda.
O estudo apresentado aqui será dedicado ao condicionamento de ar para o
verão. Na figura 2.1 um recinto é condicionado cuja temperatura interna é TS, a
temperatura externa é TE, calor que entra no recinto representado por QE, o calor
gerado ou existente no recinto QG e calor total Q, uma vez que TE > TS.

TS
QE
Recinto Condicionado
TE
Q QG

Equipamento
frigorígeno
Figura 2.1 – Balanço térmico de um recinto. Adaptado: [2]

Realizando o balanço térmico do recinto mostrado na figura 2.1, tem-se a seguinte


equação:
(2.1)
Com isso, o equipamento de refrigeração deverá retirar o calor e mais o calor
devido às perdas no processo.
Refrigeração é o termo usado quando o sistema é mantido a uma temperatura
mais baixa que a vizinhança. Como a tendência do calor é penetrar no recinto, por
diferença de temperatura, a quantidade de calor deve ser retirada do sistema para
manter a sua temperatura TS.
Na figura 2.2 o diagrama de um ciclo de refrigeração a compressão de vapor.

Figura 2.2: Ciclo de refrigeração a compressão de vapor. [2]


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Também pode-se representar o ciclo de refrigeração num diagrama T-S,


conforme figura 2.3.

Figura 2.3: Diagrama T-S do ciclo de refrigeração. [3]

O efeito da retirada do calor do sistema é efetuado pelo evaporador entre os


pontos 2-3, pois para se efetuar a evaporação do fluido necessita-se do ―calor latente
de vaporização‖.
A quantidade de calor rejeitado e de calor absorvido é obtida através da área
correspondente no diagrama.

Exemplo 2.1: Em um ciclo Carnot, os processos ocorrem às seguintes temperaturas e


entropias:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de
refrigerante circulado no ciclo?

2.1 Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor

Um ciclo térmico real qualquer deveria ter para comparação o ciclo de


CARNOT, por ser este o ciclo de maior rendimento térmico possível. Entretanto, dado
as peculiaridades do ciclo de refrigeração por compressão de vapor, define-se um
outro ciclo que é chamado de ciclo teórico, no qual os processos são mais próximos
aos do ciclo real e, portanto, torna-se mais fácil comparar o ciclo real com este ciclo
teórico (existem vários ciclos termodinâmicos ideais, diferentes do ciclo de Carnot,
como o ciclo ideal de Rankine, dos sistemas de potência a vapor, o ciclo padrão ar
Otto, para os motores de combustão interna a gasolina e álcool, o ciclo padrão ar
Brayton, das turbinas a gás, etc). Este ciclo teórico ideal é aquele que terá melhor
performance operando nas mesmas condições do ciclo real.
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Figura 2.4: Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor. [5]

A Figura 2.4 mostra um esquema básico de um sistema de refrigeração por


compressão de vapor com seus principais componentes, e o seu respectivo ciclo
teórico construído sobre um diagrama de Mollier, no plano P-h. Os equipamentos
esquematizados na Figura 2,4 representam, genericamente, qualquer dispositivo
capaz de realizar os respectivos processos específicos indicados.
Os processos termodinâmicos que constituem o ciclo teórico em seus respectivos
equipamentos são:
a) Processo 1→2. Ocorre no compressor, sendo um processo adiabático reversível
e, portanto, isentrópico, como mostra a Figura 2,4. O refrigerante entra no compressor
à pressão do evaporador (Po) e com título igual a 1 (x =1). O refrigerante é então
comprimido até atingir a pressão de condensação (Pc) e, ao sair do compressor está
superaquecido à temperatura T2, que é maior que a temperatura de condensação TC.
b) Processo 2→3. Ocorre no condensador, sendo um processo de rejeição de
calor, do refrigerante para o meio de resfriamento, à pressão constante. Neste
processo o fluido frigorífico é resfriado da temperatura T2 até a temperatura de
condensação TC e, a seguir, condensado até se tornar líquido saturado na
temperatura T3, que é igual à temperatura TC.
c) Processo 3→4. Ocorre no dispositivo de expansão, sendo uma expansão
irreversível a entalpia constante (processo isentálpico), desde a pressão PC e líquido
saturado (x=0), até a pressão de vaporização (Po). Observe que o processo é
irreversível e, portanto, a entropia do refrigerante na saída do dispositivo de expansão
(s4) será maior que a entropia do refrigerante na sua entrada (s3).
d) Processo 4→1. Ocorre no evaporador, sendo um processo de transferência de
calor a pressão constante (Po), consequentemente a temperatura constante (To),
desde vapor úmido (estado 4), até atingir o estado de vapor saturado seco (x=1).
Observe que o calor transferido ao refrigerante no evaporador não modifica a
temperatura do refrigerante, mas somente muda sua qualidade (título).
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2.2 Balanço de Energia para o ciclo de refrigeração por Compressão de vapor

O balanço de energia do ciclo de refrigeração é feito considerando-se o sistema


operando em regime permanente nas condições de projeto, ou seja, à temperatura
de condensação (TC), e temperatura de vaporização (TO). Os sistemas reais e teóricos
têm comportamentos idênticos, tendo o ciclo real apenas um desempenho pior. A
análise do ciclo teórico permitirá, de forma simplificada, verificar quais parâmetros têm
influência no desempenho do ciclo.

2.2.1 Capacidade Frigorífica

A capacidade frigorífica ( ̇ ) é a quantidade de calor, por unidade de tempo,


retirada do meio que se quer resfriar (produto), através do evaporador do sistema
frigorífico. Este processo está indicado na Figura 2.5. Considerando-se que o sistema
opera em regime permanente e desprezando-se as variações de energia cinética e
potencial, pela primeira lei da termodinâmica, tem-se:

̇ ̇

Figura 2.5: Processo de transferência de calor no evaporador. [4]

Normalmente, se conhece a capacidade frigorífica deve do sistema de


refrigeração, a qual deve ser igual à carga térmica, para operação em regime
permanente. Se for estabelecido o ciclo e o fluido frigorífico com o qual o sistema
deve trabalhar, pode-se determinar o fluxo mássico que circula através dos
equipamentos, pois as entalpias h1 e h4 são conhecidas e, consequentemente o
compressor fica determinado.
A quantidade de calor por unidade de massa de refrigerante retirada no
evaporador é chamada de Efeito Frigorífico (EF), e é um dos parâmetros usados para
definir o fluido frigorífico que será utilizado em uma determinada instalação.

2.2.2 Potência teórica de compressão


Chama-se de potência teórica de compressão à quantidade de energia, por
unidade de tempo, que deve ser fornecida ao refrigerante, no compressor, para se
obter a elevação de pressão necessária ao do ciclo teórico. Neste ciclo o processo de
compressão é adiabático reversível (isentrópico), como indicado na Figura 2.6.
No sistema de refrigeração real o compressor perde calor para o meio ambiente,
entretanto, este calor é pequeno quando comparado à energia necessária para
realizar o processo de compressão. Aplicando-se a primeira lei da termodinâmica, em
regime permanente, no volume de controle da figura baixo e desprezando-se a
variação de energia cinética e potencial tem-se equação Abaixo:

̇ ̇
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Figura 2.6: Processo de compressão adiabática reversível no compressor. [4]

2.2.3 Calor rejeitado no condensador


Conforme mencionado, a função do condensador é transferir calor do fluido
frigorífico para o meio de resfriamento do condensador (água ou ar). Este fluxo de
calor pode ser determina através de um balanço de energia no volume de controle
da Figura 3.8. Assim, considerando o regime permanente, tem-se:

̇ ̇

Assim, o condensador a ser especificado para o sistema de refrigeração deve ser


capaz de rejeitar a taxa de calor calculada pela Eq. (3.4), a qual depende da carga
térmica do sistema e da potência de compressão.

Figura 2.7: Processo de transferência de calor no condensador. [4]

2.2.4 Dispositivo de expansão

No dispositivo de expansão, que pode ser de vários tipos, o processo teórico é


adiabático, como mostra a Figura 2.8, e, neste caso, aplicando-se a primeira lei da
termodinâmica, em regime permanente, desprezando-se as variações de energia
cinética e potencial, tem-se:

Figura 2.8: Processo no dispositivo de expansão. [4]


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2.2.5 Coeficiente de performance do ciclo

O coeficiente de performance, COP, é um parâmetro importante na análise das


instalações frigoríficas. Embora o COP do ciclo real seja sempre menor que o do ciclo
teórico, para as mesmas condições de operação, pode-se, com o ciclo teórico,
verificar que parâmetros influenciam no desempenho do sistema. Assim, o COP é
definido por:

̇
̇

Pode-se inferir da Eq. (3.6) que, para ciclo teórico, o COP é função somente das
propriedades do refrigerante, consequentemente, depende das temperaturas de
condensação e vaporização. Para o ciclo real, entretanto, o desempenho dependerá
em muito das propriedades na sucção do compressor, do próprio compressor e dos
demais equipamentos do sistema, como será visto adiante.
Outra forma de indicar eficiência de uma máquina frigorífica é a Razão de
Eficiência Energética (EER), cujo nome se deriva do inglês Energy Efficiency Rate,
sendo dada pela expressão abaixo:

[ ]

Uma forma bastante usual de indicar a eficiência de um equipamento frigorífico


é relacionar o seu consumo, em kW/TR, com a capacidade frigorífica, em TR, o que
resulta em:

̇
⁄ [ ]
̇

⁄ [ ]

2.3 Parâmetros que influenciam o COP do Ciclo de Refrigeração

Vários parâmetros influenciam o desempenho do ciclo de refrigeração por


compressão de vapor. A seguir será analisada a influência de cada um deles
separadamente.

2.3.1 Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico

Para ilustrar o efeito que a temperatura de evaporação tem sobre a eficiência


do ciclo será considerado um conjunto de ciclos em que somente a temperatura de
evaporação (TO), é alterada.
Estes ciclos estão mostrados na Figura 2.9. Nesta análise utilizou-se R22 como
refrigerante, o qual é típico de sistemas de ar condicionado. Como pode ser
observado, uma redução na temperatura de evaporação resulta em redução do
COP, isto é, o sistema se torna menos eficiente.
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Figura 2.9: Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.2 Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico

Como no caso da temperatura de vaporização, a influência da temperatura de


condensação é mostrada em um conjunto de ciclos onde apenas se altera a
temperatura de condensação (TC). Esta análise está mostrada na Figura 2.10. Observe
que uma variação de 15 °C na temperatura de condensação resultou em menor
variação do COP, se comparado com a mesma faixa de variação da temperatura de
evaporação.
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Figura 2.10: Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.3 Influência do sub-resfriamento do líquido no COP do ciclo teórico

De forma idêntica aos dois casos anteriores, a Figura 2.11 mostra a influência do
subresfriamento do líquido na saída do condensador sobre a eficiência do ciclo.
Embora haja um aumento no COP do ciclo com o aumento do sub-resfriamento, o
que é ótimo para o sistema, na prática se utiliza um sub-resfriamento para garantir que
se tenha somente líquido na entrada do dispositivo de expansão, o que mantém a
capacidade frigorífica do sistema, e não com o objetivo de se obter ganho de
eficiência.
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Figura 2.11: Influência sub-resfriamento no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.4 Influência do superaquecimento útil no COP do ciclo teórico

Quando o superaquecimento do refrigerante ocorre retirando calor do meio que


se quer resfriar, chama se a este superaquecimento de ―superaquecimento útil‖. Na
Figura 2.12 é mostrada a influência desse superaquecimento na performance do ciclo
de refrigeração. Como pode ser observado na última parte da figura 2.12, a variação
do COP com o superaquecimento depende do refrigerante. Nos casos mostrados,
para o R717 o COP sempre diminui, para R134a o COP sempre aumenta e para o R22,
o caso mais complexo, há um aumento inicial e depois uma diminuição. Para outras
condições do ciclo, isto é, To e Tc, poderá ocorrer comportamento diferente do aqui
mostrado. Mesmo para os casos em que o superaquecimento melhora o COP ele
diminui a capacidade frigorífica do sistema de refrigeração. Assim, só se justifica o
superaquecimento do fluido, por motivos de segurança, para evitar a entrada de
líquido no compressor.
Este aspecto da influência do superaquecimento na capacidade frigorífica do
sistema será estuda com mais detalhes quando da análise operacional dos
compressores alternativos e de sua eficiência volumétrica.
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Figura 2.12: Influência do superaquecimento no COP do ciclo teórico. [4]

2.4 Sistemas de refrigeração

Os meios artificiais reduzem a temperatura de uma substância mediante o


consumo de energia sob um princípio de funcionamento característico do tipo de
processo de refrigeração. A Tabela 1.1 apresenta um resumo dos processos mais
comuns, seus princípios de funcionamento e aplicações típicas. Inicialmente, a
refrigeração artificial foi usada para produzir gelo e reduzir a dependência das
condições climáticas. Embora os sistemas de expansão de ar, de absorção e de
compressão mecânica de vapor estivessem disponíveis, suas utilizações em instalações
comerciais e residenciais eram inviabilizadas pelos custos elevados e riscos que
representavam aos usuários.
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Tabela 2.1: Processos de refrigeração, princípios de funcionamento e aplicações típicas.
Processos Princípio de funcionamento Aplicações típicas
Aparelhos de ar
Um fluido volátil (refrigerante primário) condicionado de janela,
Compressão
recebe calor e evapora em baixa refrigeradores domésticos,
mecânica de vapor
pressão e temperatura. sistemas comerciais e
industriais de grande porte.
Em pequenos refrigeradores
O vapor de um fluido volátil,
domésticos e em instalações
absorvido por outro fluido em baixa
Absorção de vapor de refrigeração e ar
pressão e temperatura, é destilado da
condicionado de grande
solução sob alta pressão.
porte.
Pequenos instrumentos de
Uma corrente elétrica atravessa uma medição, como os existentes
Efeito termelétrico junção de dois metais diferentes para medir o ponto de
(efeito Peltier)e produz resfriamento. orvalho do ar, e
equipamentos eletrônicos.
O ar em alta pressão, sofre expansão
adiabática e realiza trabalho sobre
Expansão de ar Resfriamento de aeronaves.
um pistão, tem sua temperatura
reduzida.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) a indústria da refrigeração


consolidou-se. Dois fatores foram determinantes: primeiro, o desenvolvimento, em
1930, dos refrigerantes cloro-fluor-carbono (CFC’s) que apresentavam índices baixos
de toxicidade e periculosidade, adequados às instalações residenciais e comerciais;
segundo, o surgimento do sistema selado de pequeno porte, com baixos custos de
aquisição e operação, pois exigia pouca manutenção.

2.4.1 Sistema de compressão de vapor

A Figura 2.13 mostra o esquema do sistema de refrigeração por compressão


mecânica de vapor. Os componentes principais são: evaporador, compressor,
condensador e dispositivo de expansão. No evaporador, a mistura líquido-vapor em
baixa pressão remove calor da substância que se quer resfriar. Essa transferência de
calor faz com que o líquido evapore. O compressor aspira vapor formado no
evaporador, numa taxa suficiente para manter a pressão de evaporação, e o
comprime até que sua temperatura seja maior do que a do fluido de resfriamento que
escoa no condensador. No condensador, o vapor refrigerante rejeita calor para o
fluido de resfriamento e liquefaz na pressão de condensação correspondente. No
dispositivo de expansão, a pressão do líquido é reduzida até a pressão de evaporação
para que ele possa ser reaproveitado no ciclo. O dispositivo de expansão é um
controle de fluxo do refrigerante, que mantém a diferença de pressão entre o
condensador (lado de alta pressão) e o evaporador (lado de baixa pressão) do
sistema.
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Figura 2.13: Esquema do sistema de refrigeração por compressão mecânica de vapor. [6]

2.4.2 Sistema de refrigeração por absorção de vapor

Uma forma de remover o vapor da superfície de um líquido é absorvendo−o por


meio de uma substância com a qual ele reaja quimicamente e nela se dissolva
facilmente: o vapor d’água é absorvido rapidamente pelo ácido sulfúrico.
Este princípio foi usado em 1810 por John Leslie para produzir gelo artificialmente.
Ele usou dois vasos conectados por um tubo: um contendo água e o outro ácido
sulfúrico forte. Com o passar do tempo uma fina camada de gelo formava−se na
superfície da água: a água evaporava pela redução da pressão de vapor sobre ela,
que removia entalpia de vaporização do restante que permanecia líquido; a
temperatura caía e a água congelava. Uma bomba de vácuo podia ser usada para
remover o vapor formado e acelerar o processo.
O método de Leslie tornou–se a base de várias máquinas comerciais para
fabricação de pequenas quantidades de gelo. Entretanto, havia a necessidade de
recargas periódicas de ácido sulfúrico. Para operar ininterruptamente havia
necessidade de aspiração contínua de ácido sulfúrico do recipiente, de modo que a
solução fosse concentrada por ebulição.
Um equipamento desse tipo foi projetado por Windhausen em 1878 e obteve
algum sucesso comercial, porém, nunca foi muito popular. Era usado para fabricar
gelo e resfriar água. Neste sistema, a água atuava como refrigerante; o ácido sulfúrico
era denominado absorvente.
A Figura 2.14 mostra o esquema e os principais componentes do sistema de
absorção. Comparando as Figuras 2.13 e 2.14, verifica−se que o condensador, o
evaporador e a válvula de expansão existem em ambos os sistemas. Entretanto, o
compressor é substituído por um conjunto composto de absorvedor, bomba de
solução forte, trocador de calor e gerador.
Esse conjunto retira o vapor em baixa pressão do evaporador e o entrega em
alta pressão no condensador, tal qual faz o compressor. O absorvedor é alimentado
com a solução fraca de água–amônia que absorve o vapor de amônia. A absorção
da amônia pela água é um processo que libera grande quantidade de calor, e, se
nenhum resfriamento for providenciado, a temperatura aumenta e o processo de
absorção cessa. Geralmente, a mesma água usada para resfriar o condensador resfria
antes o absorvedor, vinda de uma torre de resfriamento. A solução forte, formada no
absorvedor, tem sua pressão elevada pela bomba e é descarregada no gerador
depois de passar no trocador de calor. No gerador, a solução forte é aquecida e o
vapor produzido é então retificado para que amônia quase pura seja descarregada
no condensador. A solução fraca que é formada está quente. Por isso, um trocador de
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calor é interposto entre o gerador e o absorvedor a fim de aquecer a solução forte
até a temperatura do gerador e resfriar a solução fraca até a temperatura do
absorvedor. Para manter a diferença de pressão entre o gerador e o absorvedor é
instalada uma válvula na tubulação da solução fraca um pouco antes da entrada do
líquido no absorvedor.

Figura 2.14: Principais componentes do sistema de refrigeração por absorção. [6]

A Figura 2.15 mostra o esquema da máquina de refrigeração por absorção de


vapor usando a solução de brometo de lítio−água. O brometo de lítio (Li-Br) puro é
sólido e se misturado adequadamente com água forma uma solução aquosa
homogênea. Nesse caso, a água é o refrigerante e a solução de brometo de lítio o
absorvente. O funcionamento é semelhante ao do sistema água−amônia. Entretanto,
como o brometo de lítio não é volátil, na saída do gerador forma–se somente vapor
d’água tornando dispensável o uso do retificador. Máquinas modernas, baseadas no
esquema da Figura 2.15, reúnem o gerador com o condensador e o evaporador com
o absorvedor, resultando em equipamentos compactos de custo reduzido e alta
eficiência. O sistema de brometo de lítio é indicado para obtenção de água gelada
em sistemas de ar condicionado de grande porte (100 a 1.200 TR).
Os primeiros sistemas por absorção de vapor usavam o carvão como combustível
para aquecimento do gerador; eventualmente, vapor quente proveniente de uma
caldeira era utilizado. Atualmente, esses sistemas queimam gás natural ou óleo
combustível para gerar calor. O aproveitamento de energia residual de outros sistemas
térmicos também está sendo muito difundido em sistemas de co-geração.

Figura 2.15: Esquema do sistema de absorção com solução de H2O-LiBr. [6]


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2.4.3 Sistema por expansão de ar

Quando o ar em alta pressão é expandido adiabaticamente, de modo que


realize trabalho sobre um pistão, sua temperatura é reduzida em decorrência da
redução de sua energia interna. Esse princípio, conhecido desde o século 18, foi usado
em 1828 por Richard Trevithick para descrever um processo de refrigeração. A Figura
2.16 mostra o princípio de funcionamento da máquina de refrigeração de expansão
de ar com ciclo aberto.
O ar da câmara fria é conduzido para o interior de um cilindro onde é
comprimido. Durante o processo a temperatura do ar aumenta com o aumento da
pressão. O ar quente passa então através de um trocador de calor onde sua
temperatura é reduzida pela água de resfriamento. O ar comprimido é expandido
dentro de um cilindro realizando trabalho sobre o pistão e tem sua temperatura
reduzida. O ar frio é descarregado na câmara onde resfria os produtos armazenados.
O trabalho realizado pelo ar sobre o cilindro de expansão é usado para fornecer parte
do trabalho necessário à movimentação do compressor. A máquina a vapor usada
para movimentar o compressor era montada geralmente na mesma base dos cilindros
de compressão e de expansão e estava diretamente acoplada neles. O sistema
aberto foi, por mais de 20 anos, o principal método de refrigeração do setor naval, e
durante esse tempo ele foi melhorado em diversos aspectos.

Figura 2.16: Esquema simplificado do ciclo aberto de refrigeração por expansão de ar.[6]

Atualmente, o sistema de expansão de ar com turbo-expansor é usado para


resfriar cabinas de aeronaves. Uma vantagem deste sistema é que ele não utiliza
partes móveis tipo cilindro−pistão para comprimir e expandir o ar.
A Figura 2.17 mostra seu esquema. No ponto 0, o ar ambiente em velocidade
subsônica, que circunda a aeronave em alta altitude, é forçado para dentro da
turbina e sua pressão aumenta do ponto 0 ao ponto 1. O ar é comprimido até o ponto
2, elevando sua temperatura. No trocador de calor, o ar aquecido do ponto 2 libera
calor para a corrente de ar extraída pelo ventilador, alcançando o ponto 3. Ao passar
pelo turbo–expansor tem sua temperatura reduzida até o ponto 4, e então é
descarregado na cabina para resfriar a aeronave. Depois de remover calor da cabina
o ar é descarregado na atmosfera. Isto caracteriza um ciclo aberto, visto que nenhum
ar é recirculado.
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Figura 2.17: Sistema de expansão de ar usado em resfriamento de cabines de aeronaves. [6]

2.4.4 Refrigeração por efeito termelétrico

Este método de refrigeração é baseado numa descoberta de Peltier em 1834:


quando uma corrente elétrica percorre um circuito composto de dois metais diferente
uma das junções é resfriada e a outra é aquecida. Com metais puros este efeito é
comparativamente pequeno e é em grande parte encoberto pelo aumento de
temperatura devida à resistência dos condutores e pela condução de calor entre a
junção quente e a fria. Apesar disso, usando bismuto e antimônio, Lenz fabricou uma
pequena quantidade de gelo em 1838.
Nos metais puros a condutibilidade térmica reduzida está relacionada com a
baixa condutibilidade elétrica, de modo que se metal puro for usado à condução de
calor de uma junção para outra é pequena, mas a perdas devido à resistência são
grandes. A efetividade depende principalmente da potência termelétrica, que nos
metais puros é muito pequena.
Em anos recentes alguns semicondutores com elevada potência termelétrica
foram desenvolvidos, tornando possível a construção de pequenos refrigeradores. Os
semicondutores podem ser de dois tipos: tipo-n se a corrente é conduzida pelos
elétrons e tipo-p se não o é. Estes são fabricados pela contaminação da substância
pura com pequenas quantidades de impurezas para fornecer os condutores de
corrente. O semicondutor mais usado atualmente para fins de refrigeração é bismuto-
telúrio (Bi2 Te3).
Um elemento de refrigeração é mostrado na Figura 2.18, composto de materiais
tipo-n e tipo-p. Os dois blocos são montados em um circuito usando elementos de
cobre como condutor. Aqui, o próprio cobre não toma parte no processo agindo
somente como um condutor. É necessária uma fonte de corrente contínua de baixa
voltagem. Visto que cada elemento utiliza somente uma fração de Volt, vários deles
são conectados em série para formar um módulo ficando as junções quentes de um
lado e as frias do outro.

Figura 2.18: Esquema do sistema de refrigeração usando o princípio termelétrico. [6]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 30

2.5 Fluidos Refrigerantes

Fluidos frigoríficos, fluídos refrigerantes, ou simplesmente refrigerantes, são as


substâncias empregadas como veículos térmicos na realização dos ciclos de
refrigeração. Inicialmente foram utilizadas, como refrigerantes, substâncias com NH 3,
CO2, SO2, CH3Cl entre outras, mais tarde, com a finalidade de atingir temperaturas em
torno de -75°C, substâncias com N2O, C2H6 e mesmo o propano, foram empregadas.
Com o desenvolvimento de novos equipamentos pelas indústrias frigoríficas, cresceu a
necessidade de novos refrigerantes.
O emprego da refrigeração mecânica nas residências e o uso de compressores
rotativos e centrífugos, determinaram a pesquisa de novos produtos, levando a
descoberta dos CFCs
(hidrocarbonetos à base de flúor e cloro). Os CFCs reúnem, numa combinação
única, várias propriedades desejáveis: não são inflamáveis, explosivos ou corrosivos;
são extremamente estáveis e muito pouco tóxicos.
Em 1974, foram detectados, pela primeira vez, os problemas com CFCs, tendo
sido demonstrado que compostos clorados poderiam migrar para a estratosfera e
destruir moléculas de ozônio. Por serem altamente estáveis, ao se liberarem na
superfície terrestre conseguem atingir a estratosfera antes de serem destruídos. Os
CFCs foram então condenados como os maiores responsáveis pelo aparecimento do
buraco na camada de ozônio sobre a Antártica.
A camada de ozônio tem uma função importantíssima na preservação da vida.
Ela é responsável pela filtragem dos raios ultravioleta que, em quantidades elevadas,
são prejudiciais ao meio ambiente. Ao ser humano podem causar doença da pele
como queimadura, câncer, envelhecimento precoce, etc.
Devido ao efeito dos CFCs sobre a camada de ozônio estratosférico, o Protocolo
de Montreal de 1986, determinou sua substituição, provocando uma verdadeira
revolução na indústria frigorífica.
A substituição dos CFCs, juntamente com o desenvolvimento de equipamentos
eficientes, constitui um verdadeiro desafio. Novos componentes e equipamentos têm
sido desenvolvidos, novas tecnologias tem sido introduzidas, especialmente aquelas
relacionadas à eletrônica e a informática.
Nos últimos dez anos têm surgido inúmeros substitutos dos CFCs, a maioria no
âmbito da família dos hidrocarbonetos halogenados, quer como substâncias puras,
quer como misturas binárias ou ternárias. Refrigerantes naturais como CO2, têm sido
seriamente cogitados pela comunidade científica e industrial.
A amônia tem sido adotada na maioria das instalações industriais de construção
recente, dominando o setor. Uma vasta gama de produtos alternativos aos CFCs têm
sido colocada no mercado pelos produtores de compostos halogenados, tornando
difícil ao projetista, decidir quanto ao refrigerante que melhor se ajuste à sua
instalação em particular. Determinados setores da indústria optaram por um substituto
em particular, como no caso do condicionamento de cabinas para aplicações
automotivas, onde o CFC-12 foi substituído pelo HCFC-134a.
O afinamento da camada de ozônio, segundo modelos das reações
fotoquímicas envolvendo a irradiação solar ultravioleta, resulta de um efeito em
cadeia promovido por átomos de cloro (e bromo), entre outros. Os átomos de cloro
são transportados por compostos clorados, emitidos na biosfera, atingindo a
estratosfera. Devido a sua estabilidade química, as moléculas desses compostos
mantêm sua integridade durante todo o período em que permanecem na atmosfera
até atingirem a estratosfera. Essa estabilidade química é justamente uma das
características que credenciou os CFCs como refrigerantes. Uma molécula de
refrigerante R12, que é um CFC, apresenta uma vida útil na atmosfera da ordem de
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 31
100 anos, tempo suficiente para que, eventualmente, atinja a estratosfera,
transportada por correntes atmosféricas.
De acordo com a resolução 267 de 14 de setembro de 2000, do Conselho
Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, ficou estabelecida a proibição, em todo
território nacional, da utilização do CFC-11, CFC-12, além de outras substâncias que
agridem a camada de ozônio, em instalações de ar condicionado central, instalações
frigoríficas com compressores de potência unitária superior a 100 HP e em sistemas de
ar condicionado automotivo. Tornou-se proibida, a partir de primeiro de janeiro de
2001, a utilização dessas substâncias em refrigeradores e congeladores domésticos, e
em todos os demais equipamentos e sistemas de refrigeração.
As importações de CFC-12 sofrerão reduções gradativas em peso, da seguinte
forma:
a) 15% no ano de 2001;
b) 30% no ano de 2002;
c) 55% no ano de 2003;
d) 75% no ano de 2004;
e) 85% no ano de 2005;
f) 95% no ano de 2006; e
g) 100% no ano de 2007.

As importações de CFC-11 só são permitidas em situações especiais, descritas na


resolução, como por exemplo, suprir os consumos das empresas cadastradas junto ao
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e que
tenham projetos de conversão às tecnologias livres dessa substância. A Tabela 2.2
apresenta as datas previstas para a proibição dos CFCs.

Tabela 2.2: Resumo das datas previstas para a proibição dos CFCs
―Phase-Out‖ Refrigerante Ação
1996 R11, R12, R500 Extingue a produção dos refrigerantes.
Equipamentos não mais fabricados
2010 HCFC-22 Equipamentos não mais fabricados
2020 HCFC-22 Extingue a produção dos refrigerantes
2020 HCFC-123 Equipamentos não mais fabricados
2030 HCFC-123 Extingue a produção dos refrigerantes

Nos últimos anos o problema da camada de ozônio tem se composto com o


problema do efeito estufa. O efeito estufa consiste na retenção de parte da energia
solar incidente, devido à presença de certos gases na atmosfera que atuam de forma
semelhante a um vidro, sendo transparentes à irradiação solar na faixa de
comprimentos de onda que sensibilizam a retina, que a grosso modo varia entre 0,4 e
0,7μm, mas opacos a radiação infravermelha, caracterizada por comprimentos de
onda superiores a 0,7μm. Boa parte da energia solar se compõe de fótons na faixa
visível de comprimentos de onda, ao passo que a superfície terrestre emite energia
radiante na faixa de comprimentos de onda que correspondem a radiação
infravermelha. Dessa forma, parte da irradiação solar incidente vai sendo
progressivamente armazenada, provocando um aumento na temperatura da
superfície terrestre. Esse processo é semelhante ao ocorre numa estufa, daí o nome
―efeito estufa‖.
A maioria dos compostos halogenados utilizados em instalações frigoríficas,
inclusive os substitutos, podem provocar o efeito estufa. Entretanto, como suas
emissões são muito inferiores às do CO2, que é o principal responsável pelo efeito
estufa, sua ação não é tão significativa.
Para a caracterização do nível de ação sobre a camada de ozônio e do efeito
estufa, dois índices foram criados. O primeiro, referente a camada de ozônio,
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 32
quantifica o potencial de destruição dessa camada que o particular composto
apresenta em relação ao refrigerante R11, ao qual é atribuído o valor 1. Esse índice é
denominado de " Potencial de Destruição da Camada de Ozônio" designado pelas
iniciais ODP do inglês "Ozone Depleting Potential". O segundo índice refere-se ao efeito
estufa que é resultado de dois efeitos: o efeito direto, causado pela presença física do
composto na atmosfera e o efeito indireto, resultante da emissão de CO2 pela queima
de um combustível fóssil para produzir a energia elétrica necessária para acionar a
instalação frigorífica que opera com o particular refrigerante. O índice para o efeito
estufa é o GWP, do inglês "Global Warming Potential" , que é relativo ao efeito estufa
direto causado pelo refrigerante R11, ao qual é atribuído arbitrariamente o valor 1.
As características desejáveis de um refrigerante são:
• Pressão de vaporização não muito baixa
É desejável que o refrigerante apresente uma pressão correspondente à
temperatura de vaporização não muito baixa, para evitar vácuo elevado no
evaporador e também, um valor baixo da eficiência volumétrica do compressor
devido à grande relação de compressão.
• Pressão de condensação não muito elevada
Para uma dada temperatura de condensação, que é função da temperatura
da água ou do ar de resfriamento, quanto menor for a pressão de condensação do
refrigerante, menor será a relação de compressão e, portanto, melhor o desempenho
do compressor. Além disso, se a pressão no lado de alta pressão do ciclo de
refrigeração for relativamente baixa, esta característica favorece a segurança da
instalação.
• Calor latente de vaporização elevado
Se o refrigerante tiver um alto calor latente de vaporização, será necessário
menor vazão do refrigerante para uma dada capacidade de refrigeração.
• Volume específico reduzido (especialmente na fase vapor)
Se o refrigerante apresentar um alto valor do calor latente de vaporização e um
pequeno volume específico, na fase de vapor, a vazão em volume no compressor
será pequena e o tamanho da unidade de refrigeração será menor, para uma dada
capacidade de refrigeração.
Entretanto, em alguns casos de unidades pequenas de resfriamento de água
com compressor centrífugo, é às vezes preferível que o refrigerante apresente valores
elevados do volume específico, devido à necessidade de aumentar a vazão
volumétrica do vapor de refrigerante no compressor, tendo em vista impedir a
diminuição de eficiência do compressor centrífugo.
• Coeficiente de performance elevado
O refrigerante utilizado deve gerar um coeficiente de performance elevado pois
o custo de operação está essencialmente relacionado a este coeficiente.
• Condutibilidade térmica elevada
Um valor elevado da condutibilidade térmica do refrigerante é importante na
melhoria das propriedades de transferência de calor.
• Baixa viscosidade na fase líquida e gasosa
Devido ao pequeno atrito fluido dos refrigerantes pouco viscosos, as perdas de
carga serão menores.
• Baixa constante dielétrica, grande resistência elétrica e característica de não-
corrosão dos materiais isolantes elétricos. Estas características são especialmente
importantes para aqueles refrigerantes utilizados em ciclos de refrigeração com
compressores herméticos.
• Devem ser estáveis e inertes, ou seja, não devem reagir e corroer os materiais
metálicos da instalação de refrigeração.
• Não deve ser poluente
• Não devem ser tóxicos ou excessivamente estimulantes.
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Apesar dos circuitos frigoríficos se constituírem em sistemas fechados, a
possibilidade de vazamentos impõe que os compostos utilizados como refrigerantes
apresentem nível reduzido de toxicidade, o que é satisfeito pela maioria dos CFCs.
• Não devem ser inflamáveis ou explosivos.
A possibilidade de vazamentos também impõe que os refrigerantes não sejam
inflamáveis, devido ao risco de incêndio e explosão.
• Devem ser de detecção fácil quando houver vazamentos.

Os refrigerantes são designados de acordo com a norma ASHRAE 34-1992, por


números de, no máximo, quatro algarismos, de acordo com a seguinte regra:
• O primeiro algarismo da direita indica o número de átomos de flúor na
molécula;
• O segundo algarismo indica o número de átomos de hidrogênio mais 1;
• O terceiro algarismo indica o número de átomos de carbono menos 1;
• O quarto algarismo a partir da direita é utilizado para designar compostos
derivados de hidrocarbonetos não saturados
Uma forma simples da regra de numeração dos refrigerantes é a seguinte:
(C-1) (H+1) (F)
As valências não preenchidas correspondem aos átomos de cloro na molécula.
O primeiro algarismo nulo a partir da esquerda, por convenção, não é escrito.
Esse é o caso, por exemplo, do R12, cuja composição química é CCl2F2. Como esse
refrigerante apresenta apenas um átomo de carbono, e C-1 é nulo, então sua
designação é feita por um número de dois algarismos.
Os isômeros são designados pelos sufixos ―a‖, ―b‖, ―c‖, etc., em ordem crescente
de assimetria espacial. Esse é o caso, por exemplo, do R134a, que é um isômero
espacial do composto 134. As misturas não azeotrópicas são designadas pela série
400, em ordem crescente de cronologia de aparecimento. As misturas azeotrópicas
são designadas pela série 500, os compostos orgânicos, pela série 600 e os compostos
inorgânicos pela série 700, em ordem crescente, de acordo com a massa molecular. A
amônia, NH3, por exemplo, de massa molecular 17, é designada como refrigerante
717, a água, H2O, de massa molecular 18, é designada como refrigerante 718.
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Tabela 2.3: Relação de alguns refrigerantes, sua designação, nome e composição química.

2.6 Aplicações da refrigeração e condicionamento de ar

As áreas de refrigeração e ar condicionado são correlatas, e os seus campos de


atuação foram representados na figura 2.22. O ar condicionado de conforto pode ser
definido como o processo de condicionamento de ar objetivando o controle de sua
temperatura, umidade, pureza e distribuição de modo a proporcionar conforto aos
ocupantes do ambiente condicionado.
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Figura 2.22: Correlação entre os campos de atuação. Fonte: Stoeker e Jones

Os sistemas de ar condicionado são classificados de acordo com a finalidade


em sistemas para conforto e para processo. A Tabela 2.4 lista as aplicações típicas dos
sistemas de ar condicionado: os sistemas de conforto tratam o ar a fim de manter o
conforto térmico e preservar a saúde das pessoas durante suas atividades no
ambiente condicionado; os de processo tratam o ar para manter o controle de
condições adequadas aos processos de fabricação, armazenamento de produtos ou
quaisquer outros processos ligados à indústria.

Tabela 2.4: Aplicações típicas dos sistemas de ar condicionado.


CONFORTO
Prédios de escritórios, supermercados, lojas de
Setor comercial
departamentos, shopping-centers, restaurantes, etc.
Estádios, bibliotecas, museus, cinemas, igrejas, teatros,
Setor público
salas de concerto, centros de recreação e lazer, etc.
Hotéis, motéis, prédios de apartamentos, residências
Setor residencial e serviços
particulares, etc.
Hospitais, centros de recuperação, centros cirúrgicos,
Setor de saúde
unidades de terapia intensiva (UTI), etc.
Aeronaves, automóveis, transporte público (metrô),
Setor de transporte
ferroviário, etc.
PROCESSOS
Muitas fibras naturais e/ou manufaturadas são
higroscópicas (absorvem umidade). Por isso, nos
Indústria têxtil
processos de fabricação a umidade relativa do
ambiente deve ser rigorosamente controlada.
Fazem uso de salas-limpas onde a temperatura, a
Indústria de eletroeletrônicos umidade relativa, e a granulometria das partículas em
suspensão no ar são rigorosamente controladas.
A fabricação e a utilização de instrumentos de
Indústria de mecânica de precisão precisão, geralmente necessitam de controle rigoroso
de temperatura.
Geralmente os processos de fabricação necessitam de
Indústria química e farmacêutica controle de temperatura, umidade relativa e nível de
contaminação do ar.
A indústria de alimentos perecíveis congela os
alimentos para manter suas qualidades nutritivas.
Indústria de alimentação Entrepostos frigoríficos preservam essa qualidade
durante o transporte até os pontos de consumo. São
controladas a temperatura e a umidade relativa.
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Exercícios do Capítulo 2

2.1 Quando os CFC’s atingem altitudes onde a incidência de radiação ultravioleta é


muito intensa, suas moléculas são decompostas em formas químicas mais reativas,
liberando determinados átomos, que, ao reagirem com as moléculas de ozônio,
acabam destruindo-as.
Tais átomos prejudiciais são de:
(A) flúor
(B) enxofre
(C) carbono
(D) cloro
(E) hidrogênio

2.2 Explique como é o funcionamento do sistema de refrigeração por absorção de


vapor.

2.3 Em um ciclo de Carnot, os processos ocorrem às seguintes temperaturas e


entropias:
a) Situação I:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de
refrigerante circulado no ciclo e COP? Faça o gráfico T x s.
b) Situação II:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de
refrigerante circulado no ciclo e COP? Faça o gráfico T x s.

2.4 Explique detalhadamente o funcionamento do circuito Frigorígeno. Esquematize a


união entre todos os componentes.

2.5 Uma determinada empresa possui chillers em funcionamento à base de R-12. O


dono da empresa estuda a compra de novas unidades à base de R-22 ou de R410a.
Considerando os protocolos de Montreal e de Kyoto, apresente uma análise, de 20 até
30 linhas, indicando se o empresário deve manter o sistema como está ou se deve
efetuar uma troca, apontando, nesse caso, qual dos dois refrigerantes é o mais
adequado.
A análise deve contemplar
• os principais objetivos do protocolo de Montreal.
• os principais objetivos do protocolo de Kyoto.
• uma comparação entre os refrigerantes mencionados.
• uma conclusão com a indicação do refrigerante mais adequado,
especificando as vantagens envolvidas.
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Psicrometria
O estudo detalhado da mistura ar seco – vapor d’água e de tal importância que
constitui uma ciência à parte, a Psicrometria, dotada de todo um vocabulário próprio.
A Psicrometria é definida como o ramo da física relacionado com a medida ou
determinação das condições do ar atmosférico, particularmente com respeito à
mistura ar seco – vapor d’água, ou ainda, aquela parte da ciência que esta de certa
forma intimamente preocupada com as propriedades termodinâmicas do ar úmido,
dando atenção especial às necessidades ambientais, humanas e tecnológicas.
O conhecimento das condições de umidade e temperatura do ar é de grande
importância. Além do conforto térmico, que depende mais da quantidade de vapor
presente no ar do que propriamente da temperatura, também em muitos outros ramos
da atividade humana. A conservação de produtos como frutas, hortaliças, ovos e
carnes, em câmaras frigoríficas depende da manutenção da umidade relativa
adequada no ambiente. Por exemplo, a perda de peso depende da umidade do ar
na câmara de estocagem, se a umidade é baixa, a perda de peso é elevada e vice-
versa.

3.1 Definições Fundamentais

3.1.1 Ar Seco

É a mistura dos gases que constituem o ar atmosférico, com exceção do vapor


de água. A tabela 3.1 mostra a composição aproximada do ar seco ao nível do mar.

Tabela 3.1: Composição do ar seco ao nível do mar.


Componente % em volume % em peso
O2 20,99 23,19
N2 78,03 75,47
Ar (Argônio) 0,94 1,29
CO2 0,03 0,05
H2 0,01 0,00

3.1.2 Ar não saturado e ar saturado

Ar não saturado é a mistura de ar seco e vapor de água superaquecido, e ar


saturado é a mistura de ar seco e de vapor de água saturado. Mais precisamente é o
vapor de água que está saturado e não o ar.
A figura 3.1 mostra o esquema de uma carta psicrométrica, tendo como eixo das
abscissas a temperatura e como eixo das ordenadas a umidade absoluta, que será
definida no próximo item, onde somente aparece a linha de saturação. Quando o ar
está saturado, o estado do mesmo se dá sobre a linha de saturação da carta
psicrométrica, significando que uma redução de temperatura causará uma
condensação do vapor de água do ar.
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Figura 3.1: Esquema de uma carta psicrométrica para o ar saturado.

3.1.3 Umidade Absoluta (UA)

Umidade absoluta é a quantidade de vapor presente na mistura ar-vapor. A


umidade absoluta é expressa em kg de vapor d’água por m³ de ar.

3.1.4 Umidade Relativa (UR)

A umidade relativa (UR) é a relação entre a umidade absoluta existente e a


máxima umidade absoluta a uma dada temperatura, ou seja, quando o ar estiver
saturado de vapor. Ou seja:
( )
Onde:
UR = umidade relativa;
= massa de vapor d’água em 1 m³ de ar (umidade absoluta);
= massa de vapor d’água que teria se 1 m³ de ar estivesse saturado a uma dada
temperatura.

3.1.5 Temperatura de Bulbo seco

A temperatura de bulbo seco (TBS) é a temperatura indicada por um termômetro


comum, não exposto à radiação.

3.1.6 Temperatura de Bulbo úmido

Se o bulbo de um termômetro for coberto com uma mecha de algodão


saturado com água, a sua temperatura descerá, primeiro rapidamente e depois
lentamente até atingir um ponto estacionário. A leitura neste ponto é chamada de
temperatura de bulbo úmido (TBU) do ar (figura 3.2), sendo que esta temperatura é
aproximadamente a que seria indicada pelo saturador adiabático.
Para se obter valores corretos para a temperatura de bulbo úmido, a velocidade
do ar, que se deseja medir a temperatura deve ser de 5 m/s, com relação ao bulbo.

Figura 3.2: Termômetro de Bulbo Úmido e Bulbo Seco. [7]


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3.1.7 Temperatura de Orvalho

A temperatura de orvalho (T0) é a temperatura na qual o vapor de água se


condensa, ou solidifica, quando resfriado a pressão e umidade absoluta constante.
O diagrama T-S da figura 3.3 ilustra esta definição. Nesta figura, o ponto 1
representa um estado do ar úmido tal que o vapor de água presente na mistura se
encontra superaquecido. Quando resfriado à pressão constante, o vapor passa pelo
ponto 2, que corresponde ao ponto de orvalho, e onde tem início a condensação do
vapor.

Figura 3.3: Temperatura de orvalho (To)

Chama-se ponto de orvalho (dew point) a temperatura abaixo da qual se inicia


a condensação, à pressão constante, do vapor d’água contido no ar.
T
Temperatura de
bulbo úmido
Pressão
constante do
vapor

Linha de vapor
saturado
Ponto de
orvalho

s
Figura 3.4: Temperatura de bulbo seco e bulbo úmido.

3.1.8 Carta Psicrométrica

O uso das cartas psicrométricas permite a análise gráfica dos processos que
envolvem o ar úmido, facilitando assim a solução de muitos problemas típicos dos
sistemas de condicionamento de ar. A figura 3.5 apresenta a carta psicrométrica para
o nível do mar.
Essa carta contêm todas as propriedades do ar úmido discutidas anteriormente.
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Figura 3.5: Carta psicrométrica para o nível do mar.

Na Carta Psicrométrica:
Evaporação: consiste em percorrer uma linha de TBS igual ao acréscimo de
umidade do ar.
Condensação: é o contrário.
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Calor Sensível: é o calor que aumenta a temperatura do ar, sem alterar o
conteúdo de umidade do mesmo.
Na Carta Psicrométrica: uma alteração do Calor Sensível é representada por
uma linha de Umidade Absoluta constante (horizontal). Ocorrem variações de
entalpia e de TBU.
Na figura 3.6 é mostrada esquematicamente a divisão de todas as partes que
compõem a carta psicrométrica.

Figura 3.6: Partes da carta psicrométrica. [2]

Essa carta é constituída das seguintes partes:


1 - linha de temperatura do bulbo seco (BS), em °C;
2 - linha da umidade específica em kg de umidade p/kg de ar seco;
3 - linha da escala de umidade específica (UE);
4 - linha da temperatura de bulbo úmido (BU), em °C;
5 - linha do volume específico em m³ de mistura p/kg de ar seco;
6 - linha de escalas de entalpia (h) em kJ/kg de ar seco na saturação;
7 - linha da umidade relativa (UR) em %;
8 - linha da razão de calor sensível (RCS) igual ao Calor sensível/Carga térmica
9 - linha do desvio da entalpia em relação à entalpia específica na saturação.

Exemplo 3.1: Dados para um recinto condicionado: temperatura BS = 25°C e umidade


relativa 50%. Para a mistura ar-vapor achar:
(a) Temperatura de bulbo úmido (TBU);
(b) Umidade Específica (UE);
(c) Entalpia (h);
(d) Volume específico (VE);
(e) Umidade Percentual (UP)- definida como a relação entre a umidade específica
(item b) e a umidade específica para a mesma temperatura BS, na saturação.
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3.2 Processos Psicrométricos

Os processos com ar úmido podem ser representados graficamente em uma


carta psicrométrica, onde podem ser facilmente interpretadas. Da mesma forma a
carta pode ser utilizada na determinação da variação de propriedades tais como
temperatura, umidade absoluta e entalpia que ocorre em processos.
Na figura 3.7 têm-se os principais processos que podem ser obtidas com o uso da
carta psicrométrica.

Figura 3.7: Uso da carta psicrométrica. [2]

3.2.1 Aquecimento Sensível (Aquecimento Seco)

Quando se fornece energia ao ar, a temperatura aumenta, mas a razão de


umidade permanece constante, pois não há aumento nem diminuição na
quantidade de massa de mistura (ar seco-vapor d’água). Assim, o processo de
aquecimento sensível (aumento de temperatura somente) é representado no gráfico
por linhas horizontais, paralelas à abscissa, a partir do ponto de estado em que se
encontra o ar, como mostra a figura 3.8.

Figura 3.8: Processo de aquecimento seco.

Exemplo 3.2: Um ar à temperatura BS = 2°C e UR = 60% é aquecido através da


passagem em uma bobina para BS = 35°C. Achar: para BS = 35°C, a temperatura BU e
Umidade Relativa, bem como a quantidade de calor adicionada ao ar por kg de ar
fluente.
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3.2.2 Resfriamento sem Desumidificação (Resfriamento seco)

A figura 3.9 demonstra o processo de resfriamento seco na carta psicrométrica.

Figura 3.9: Processo de resfriamento seco.

O calor retirado do ar pelo processo pode ser calculado da mesma forma que o
caso anterior. Na figura 3.10 é apresentado um esquema básico do processo de
resfriamento seco, onde a água gelada com a temperatura superior, igual ou pouco
menor que a temperatura de orvalho do ar, passa por um circuito de tubos.

Figura 3.10: Esquema básico do processo de resfriamento seco.

Exemplo 3.3: Um ar à temperatura BS = 25°C e TBU = 20°C sofre um processo de


resfriamento para BS = 20°C. Achar: para BS = 20°C, a temperatura BU e Umidade
Relativa, bem como a quantidade de calor retirada ao ar por kg de ar fluente.

3.2.3 Resfriamento com Desumidificação

No resfriamento do ar, quando se atinge a curva de umidade relativa máxima


(UR=100%), tem-se o ponto de orvalho. O resfriamento desse ar moverá o ponto de
estado sobre a linha de saturação, ocorrendo condensação de parte do vapor
d’água presente no ar. Consequentemente, a razão de umidade diminuirá.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 44
Exemplo 3.4: Um ar à temperatura BS = 28°C e UR = 50% é resfriado até a temperatura
BS = 12°C e BU = 11°C. Achar: (a) o calor total removido; (b) a umidade total removida;
(c) a razão de calor sensível no processo (RCS).

3.2.4 Resfriamento e Umidificação (Resfriamento evaporativo)

A adição de umidade de ar sem que se acrescente energia faz com que o


ponto de estado se mova sobre uma linha de entalpia constante (transformação
isoentálpica). A transformação ocorre praticamente com temperatura de bulbo
úmido constante.
A figura 3.11 demonstra um método de se realizar essa transformação. Em A uma
vazão de ar não saturado é insuflado em uma cortina de água gelada, saindo mais
frio e com a mesma energia (entalpia) inicial.

Figura 3.11: Exemplo de processo de resfriamento e umidificação.

Figura 3.12: Processo de Resfriamento e Umidificação.

Define-se Eficiência de Saturação a relação:

Onde:
tA = temperatura de bulbo seco do ar na entrada do processo;
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tB = temperatura de bulbo seco do ar na saída do processo;
tC = temperatura de bulbo úmido do ar na entrada, a qual coincidiria com a
temperatura de bulbo seco da saída se o ar saturasse completamente.

Na prática, se o condicionador é suficientemente grande/potente e possua um


mínimo de duas linhas de pulverização, a eficiência da saturação pode alcançar e
até superar 92%.
Este processo foi um dos primeiros a ser empregados nas instalações de ar
condicionado e é ainda empregado nas indústrias têxteis e, em geral, naquelas que
necessitam para seus ciclos de produção uma massa de ar com umidade
relativamente elevada.

Exemplo 3.5: Um ar à temperatura de BS = 32°C e BU = 18°C passa através de um


―spray‖ de água que o deixa na umidade de 90%. A água está à temperatura de
18°C. Achar a temperatura BS do ar.

3.2.5 Aquecimento e Umidificação

O ar pode ser aquecido e umidificado simultaneamente se o fizermos passar por


um condicionador que contenha uma tubulação que pulverize água quente ou
simplesmente mediante uma injeção direta de vapor, como é ilustrado na figura 3.13.

Figura 3.13: Exemplo de processo de aquecimento e umidificação.

Esse processo é caracterizado por um aumento da entalpia e da razão de


umidade do ar tratado. Mas a temperatura de bulbo seco final pode ser menor, maior
ou igual a temperatura inicial, em função das temperaturas, o começo do
tratamento, do ar e da água e de suas respectivas vazões.

A) Se a vazão de água pulverizada é grande em comparação com a vazão de


ar.

O ar sai quase saturado e com temperatura próxima a da água. Na figura 3.14


estão representados os diversos casos possíveis.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 46

Figura 3.14: Processo de Aquecimento e Umidificação.

- AB representa a transformação sofrida pelo ar no caso da temperatura da água


pulverizada ser inferior à temperatura de bulbo seco do ar na entrada.
- AC e AD representam transformações análogas, onde a temperatura da água
pulverizada se encontra, na mesma temperatura de bulbo seco do ar de entrada
(AC) e acima desta última (AD).

Como no caso do processo de resfriamento e umidificação (resfriamento adiabático),


o ar sairá saturado do condicionador. A capacidade de saturação do ar pode ser
expressa da mesma forma que a Eficiência de Saturação.

B) Se a quantidade da água pulverizada é relativamente pequena em


comparação com a vazão de ar insuflado.

A água se esfriará notavelmente, em contato com o ar e o processo ocorrerá


como representado na figura 3.14, pelos pontos B’, C’ e D’. Observa-se que o ar
resultante não estará saturado, estando com uma umidade relativa próxima dos 90%,
dependendo das condições colocadas anteriormente (temperatura água, vazão da
água,...).
O processo pode ser também efetuado por uma injeção direta de vapor no ar
insuflado, fazendo este último passar sobre a uma superfície de água, que é mantida
quente por meio de serpentinas por onde circulam vapor de água a temperaturas
elevadas ou por meio de resistências elétricas.
Nesse caso, o ponto representativo do ar no diagrama pode ser calculado
fazendo-se um balanço de entalpias e razões de umidades.

3.2.6 Mistura de ar

Em instalações de ar condicionado é comum o ar de retorno do ambiente ser


misturado com o ar exterior, para recompletar as diferentes perdas de ar. Se, na carta
psicrométrica da figura 3.15, colocarmos o ponto A como relativo às condições
internas do recinto e o ponto E ás condições do ar exterior, em um ponto C da reta AE
teremos as condições da mistura.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 47

Figura 3.15: Na carta psicrométrica, a mistura de correntes de ar.

Exemplo 3.6: Em uma instalação de ar condicionado, temos as seguintes condições:


- Internas: TBS =25,5°C e UR =50%.
- Externas: TBS=34°C e TBU = 27,2°C.
A percentagem do ar exterior é de 20% do total. Quais as temperaturas BS e BU da
mistura?

3.3 Vazão necessária de ar

Qualquer ambiente de ar condicionado, para manter as condições desejadas,


necessita de uma determinada vazão constante de ar, insuflado pelo ventilador,
depois de passar pelo evaporador, umidificador ou desumidificador.
Essa vazão de ar frio ou quente é que, em mistura com o ar do ambiente, faz a
temperatura e a umidade permanecerem dentro das condições desejadas,
combatendo o fluxo de calor que entra no recinto (ou dele sai).
Como será visto em outro capítulo, a carga térmica do recinto é expressa em
kcal/h; é a soma do calor sensível e do calor latente.
Para o calor sensível, tem-se:

Onde:
= Calor sensível em kcal/h;
m = quantidade de ar em jogo em kg/h;
c = calor específico do ar = 0,24 kcal/kg°C para o ar padrão;
= temperaturas do ar na entrada e na saída em °C.

Sabe-se que o ar seco, nas condições normais de pressão e temperatura, tem o


volume específico = 0,833 m³/kg, então:
[ ] [ ]

Onde:
Q= vazão de ar em m³/h.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 48
Assim a expressão do calor sensível será:

Ou

Válida para o ar padrão ou:

3.4 Cálculo da Absorção de Umidade do Ar de Insuflamento

Como já foi visto, a absorção de umidade do ar de insuflamento pode ser feita


com o equipamento de refrigeração. O ar a ser insuflado no recinto passa através do
evaporador de equipamento e, se a temperatura do evaporador estiver abaixo do
ponto de orvalho do ar, haverá condensação do vapor d’água, que deve ser
eliminado para o exterior.
Para se saber a quantidade de vapor d’água que deve ser eliminada, é preciso
conhecer as umidades específicas que são fornecidas pela carta psicrométrica, mas
que também podem ser calculadas pelas equações já estudadas.
Como o nosso objetivo é o do projeto de instalações de ar condicionado,
usaremos a carta psicrométrica.
Na figura 3.16 vamos imaginar que no ponto E loquemos as condições do exterior
e, no ponto A, as condições a serem mantidas no recinto, através do exemplo
seguinte.

Figura 3.16: Carta psicrométrica e balanço energético. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 49

Exemplo 3.6: As condições do ar exterior são: BS = 34°C e umidade relativa 65%. As


condições a serem mantidas no recinto são: BS = 26°C e umidade relativa 45%. Se a
vazão de ar é de 125 m³/h, queremos saber a umidade que precisa ser eliminada pelo
equipamento de refrigeração e a capacidade desse equipamento.

3.5 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão Direta

Para se determinar a capacidade total dos equipamentos dos sistemas de


expansão direta, podemos agir de três maneiras:

I. Pelo cálculo do calor absorvido pelas serpentinas do evaporador, através


de equações que foram vistas anteriormente:

Onde:
= Calor total em kcal/h;
= Vazão de ar em m³/h;
= Entalpia do ar entrando e saindo em kcal/kg.

Sabendo-se que 1 kcal = 4.186 kJ.

Exemplo 3.7: Utilizando os dados do exemplo anterior, e desprezando a entalpia do


condensado, o calor total é:
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II. Pelo cálculo do calor transferido para a água do condensador:

Onde:
= Calor total em kcal/h;
= Vazão de água em litros por minuto;
= Diferença entre as temperaturas da água na saída e na entrada do
condensador.

Exemplo 3.8: Utilizando novamente os dados do exemplo 3.6, e considerando que a


temperatura da água ao entrar no condensador é de 38°C e ao sair é de 46°C e a
vazão de água é de 6,25 m³/h. Calcular a capacidade de absorção de calor do
condensador.

III. Pela capacidade de retirada dos calores sensível e latente obtidos através
das temperaturas de entrada e saída das serpentinas do evaporador:

Exemplo 3.9: Calcular o calor total retirado do ar que entra no evaporador na


temperatura de 34°C e sai na temperatura de 13,2°C, a umidade é retirada na razão
de 12,6g por kg de ar seco e a vazão de ar é de 125 m³/h.

3.6 Capacidade dos Equipamentos no Sistema de Expansão Indireta

Para determinar a capacidade dos equipamentos do sistema de expansão


indireta, podemos calcular da seguinte maneira:

I. Pela vazão de água gelada necessárias na central:

Onde:
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= Vazão de água gelada em m³/h;
= Capacidade total em kcal/h;
= diferencial de temperatura em °C no resfriador de água.

II. Pela vazão de água necessária no condensador:

Onde:

= Vazão de água de condensação em m³/h;


= Capacidade total em kcal/h;
= diferencial de temperatura em °C no condensador.

3.7 Resfriamento pela Evaporação

A atmosfera é o absorvedor inesgotável de todo o calor emitido nas


transformações das máquinas térmicas. Nas grandes máquinas, como, por exemplo,
nas centrais termoelétricas, o vapor, depois de passar pelas turbinas, deve ser
condensado. A condensação do vapor exige grandes vazões de água, o que evita a
sua descarga direta na atmosfera. Há inúmeros tipos de máquinas, cuja condensação
exige água, que, após o processo, deve ser refrigerada. Usam-se, para o processo de
refrigeração de água de condensação, as torres de arrefecimento (ou de
resfriamento). No tipo mais comum de torre, o tipo úmido, a água quente é lançada,
sob a forma de gotículas, contra uma massa ascendente de ar; isso aumenta a área
de transferência de calor. Usam-se também ventiladores, normalmente na parte
superior para aumentar a corrente de ar circulante, como mostrado na figura 3.17.

Figura 3.17: Torre de Arrefecimento. [2]

Para que haja transferência de calor da água para o ar, é necessário que a
temperatura da água seja superior à do bulbo úmido do ar. Teoricamente a
temperatura limite com a qual a água pode ser refrigerada é a do bulbo úmido do ar
circulante. A diferença entre a temperatura da água na saída da torre e a
temperatura BU do ar é o approach.
O rendimento da torre é medido pela seguinte relação:
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Onde:
= Temperatura da água quente que entra;
= Temperatura da água fria que sai;
= Temperatura do bulbo úmido do ar;
= approach.

O ar em contato com a água eleva a temperatura do BU, o que significa


também que sai sob a forma saturada. Esse contato faz com que parte da água seja
evaporada e deve ser reposta para não haver deficiência (água de reposição ou
make-up). Essa reposição é pequena, da ordem de 2% da água de circulação, por
isso a torre deve ter uma ligação com a caixa-d’água de abastecimento do prédio,
que mantém o nível da bacia no fundo da torre, através de uma torneira-boia.

Exemplo 3.10: A temperatura da água ao entrar em uma torre é de 46°C, sua vazão é
de 6,25 m³/h e a pressão atmosférica é normal. O ar entra nas temperaturas BS =35°C
e BU = 25°C e deixa a torre na temperatura de 38°C, saturado. A temperatura da água
ao sair da torre é de 29,2°C. Calcular o rendimento da torre e o approach.

Exercícios do Capítulo 3

3.1. A parede externa de uma sala é composta das seguintes placas: 15 cm de


concreto, 10 cm de madeira e 20 cm de cortiça. A temperatura do ar exterior é de
34°C e no interior é de 25°C. Calcular o fluxo de calor por m² de superfície de parede
em kcal/h

3.2. Em um ambiente com ar condicionado desejamos que o fluxo máximo de calor


seja de 10 kcal/h por m², do exterior a 34°C para o interior a 25°C. Se a parede for
construída com espessura de concreto de 15 cm, revestida por 10 cm de madeira,
que espessura deverá ter a camada interior de cortiça?

3.3. Em um recinto com ar condicionado, tem-se as seguintes condições:


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 53
(a) Ambiente 1: TBS = 23°C e UR = 60%.
(b) Ambiente 2: TBS = 28°C e UR= 40%
(c) Ambiente 3: TBS = 26°C e TBU= 16°C
Determinar as propriedades do ar em cada ambiente.

3.4. Um ar na temperatura de 10°C e umidade relativa de 65% é aquecida por uma


resistência elétrica até a temperatura de 40°C. Calcular, usando a carta psicrométrica,
a umidade relativa no final do aquecimento.

3.5. Num ambiente com ar condicionado a temperatura do bulbo seco deve ser
mantida a 25°C e a umidade relativa 50%. Calcular a temperatura do BS em que o ar
deixa as serpentinas do evaporador, supondo-o saturado e usando a carta
psicrométrica.

3.6. Em uma instalação de ar condicionado, temos as seguintes condições:


- Internas: BS = 24°C e BU = 19°C
- Externas: BS = 32°C e BU = 26°C
A percentagem do ar exterior é de 10% do total.
Calcular as temperaturas BS e BU da mistura.

3.7. Um ar com UR=50% e BS = 14°C é aquecido através da passagem em uma bobina


para BS=38°C.

3.8. Em BS=38°C, achar BU, UR e a quantidade de calor adicionada ao ar por kg de ar


fluente.

3.9. Determinar, utilizando a carta psicrométrica, as propriedades termodinâmicas de


ar úmido a 29,4°C de temperatura de bulbo seco, e 21,1°C de temperatura de bulbo
úmido, e pressão barométrica de 1 atm.

3.10. Determinar a capacidade do equipamento de refrigeração em TR, supondo que


o ar, ao transpor o evaporador, teve uma queda de entalpia de 32,5 kcal/kg e a
vazão de ar é de 350 m³/h.

3.11. Calcular a vazão necessária de ar em m³/h para que o equipamento de


refrigeração elimine a carga térmica de calor sensível de 150.000 kcal/h para um
diferencial de temperatura no evaporador de 10°C.

3.12. Calcular a capacidade de um condensador de um equipamento de ar


condicionado que recebe a água da torre em 29°C e descarga em 34,5°C e a vazão
de água é de 20 l/minuto.

3.13. A temperatura da água ao entrar em uma torre de resfriamento é de 38°C e ao


sair 29°C. O ar entra na torre nas temperaturas BS = 35°C e BU =25°C. Calcular o
rendimento da torre.

3.14. Calcular a vazão de ar necessária, supondo-se que o ar deixa a torre na


temperatura de 39°C, saturado, e a vazão de água é de 20 l/minuto.
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Dados para o projeto


Os seguintes dados são indispensáveis ao projeto de instalação de ar
condicionado: plantas de arquitetura, cortes, vistas, número de ocupantes do recinto,
posição do Sol em face do prédio, fim a que se destina a instalação (conforto,
equipamento, industrial, etc), local para a casa de máquinas, tipo de insuflamento e
retorno, fontes de calor no recinto, iluminação, regime de ocupação, prédios vizinhos,
coordenadas geográficas do local, cores de paredes, telhados, janelas etc.
Em seguida, deverão ser fixados: temperatura, umidade relativa, temperatura
dos bulbos seco e úmido, ponto de orvalho para o ar exterior e interior.

4.1 Conforto Térmico

Condições ambientais de temperatura e umidade que proporcionam sensação


de bem-estar às pessoas que ali estão.

Figura 4.1: Fatores que afetam o conforto térmico. [8]

4.1.1 Metabolismo

Processo pelo qual o corpo converte a energia dos alimentos em calor e


trabalho. O calor que é gerado continuamente pelo corpo deve ser eliminado a fim
de que a temperatura interna se mantenha constante.
A energia total, M, produzida no interior do corpo é dissipada da seguinte
maneira:

M=E±R±C+B±S

Onde:
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M: metabolismo, W;
E: perda por evaporação, W;
R: transferência de calor por radiação, W;
C: transferência de calor por convecção, W;
B: perda de calor por respiração, W;
S: taxa de variação de energia armazenada no corpo, W.

4.2 Condições de Conforto

O simples conhecimento da temperatura do ar não é suficiente para determinar


se o ambiente é confortável ou não, como ilustra a figura 4.2, uma pessoa está em um
ambiente onde a temperatura encontra-se entre 23 a 27°C, que deveria proporcionar
conforto, no entanto se a umidade relativa for muito alta, a pessoas sente-se abafada
pelo excesso de água que a envolve.

Figura 4.2: Efeito da umidade relativa alta.

Sendo o conforto térmico humano, afetado por muitas variáveis já que ele é
função do metabolismo, não é possível estabelecer-se para as mesmas regras fixas.
Os melhores resultados são obtidos com condições aproximadas para as quais a
maioria dos ocupantes de um ambiente se sintam confortáveis.
Experiências foram realizadas com pessoas vestidas com roupa comum e
submetidas a várias condições de temperatura, umidade relativa e movimento do ar,
anotando-se as reações em face das diversas condições, donde surgiu um parâmetro
de conforto denominado temperatura efetiva que representa um índice que se
aplica ao corpo humano e diz respeito ao grau de calor ou de frio experimentado em
certas combinações das grandezas citadas.
A figura 4.3 mostra o ábaco de conforto para verão e inverno da ASHRAE para
ocupações contínuas durando mais que três horas e movimentação do ar de 0,08 a
0,13 m/s. A temperatura efetiva é sempre menor do que a lida no termômetro de
bulbo seco, somente na umidade relativa de 100% é que são iguais. Durante o verão,
a maioria das pessoas que tenham permanecido numa atmosfera condicionada
durante mais de 3 horas, sentir-se-á tão fria a 24°C de bulbo seco e 60% de umidade
como a 26°C de bulbo seco e 30% de uma idade, porque ambas as condições caem
na linha de 22°C de temperatura efetiva na figura 4.3. A curva na porção superior
esquerda da figura 4.3 indica a percentagem de pessoas que se sentem confortáveis
durante o tempo de verão para as condições entre 18°C e 26°C de temperatura
efetiva. Os estudos conduzidos pela American Society of Heating, Refrigerating and Air
Conditioning Engineers, ASHRAE com umidades relativas entre 30 e 40% indicam que
98% das pessoas se sentem confortáveis quando as temperaturas de bulbo seco e
úmido caem na linha de 22°C de temperatura efetiva.
A figura 4.3 foi preparada para aproximadamente 40 de latitude Norte e altitudes
inferiores a 300 m.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 56

Figura 4.3: Ábaco de Conforto da ASHRAE.

Em sistemas de ar condicionado para o conforto de pessoas, deve-se levar em


conta o tempo de permanência no recinto.
Assim, a tabela 4.1 mostra as indicações para as temperaturas e umidades
relativas em função da permanência.

Tabela 4.1: Temperaturas e umidades relativas em função da permanência. [2]

Temperaturas e Umidades Relativas em Função da Permanência

Temperatura Temperatura de
Permanência Umidade Relativa
Efetiva Bulbo Seco

Mais de 3 horas 22,7°C 25,5°C 55 %

Entre 45 minutos e
23,3°C 26,6°C 50 %
3 horas
Menos de 40
23,8°C 27,7°C 45 %
minutos

As temperaturas elevadas causam danos ao ser humano (exaustão térmica,


câimbras, insolação) e, em resumo: - prejudicam a saúde da pessoa, diminuem a
capacidade de trabalho e a resistência à infecção (pois o número de glóbulos
brancos do sangue diminui).
O controle da qualidade do ar interior importa na manutenção dos odores
abaixo da concentração limite de percepção e em manter a taxa compatível de
oxigênio. Estes objetivos são conseguidos conjuntamente com a renovação do ar por
ventilação. Os odores devem-se à matéria orgânica contida nos recintos, ao fumo dos
cigarros, a processos químicos, perfumes, etc., geralmente, o controle do odor, satisfaz
a taxa de oxigênio, pois a quantidade de ar a renovar para diluir o ar ambiente,
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 57
levando a taxa de concentração abaixo do limite de percepção, é bem maior que o
necessário à manutenção da taxa compatível de oxigênio. Os principais meios usados
para a recuperação do ar, separando-o dos odores são: - filtragem comum, lavagem
em água, filtragem eletrostática, tratamento com carvão reativado, uso de
substâncias absorvedoras, etc. Contaminantes externos também podem ser
responsáveis por problemas na qualidade do ar interior, como: CO, CO2, NO2,
chumbo, fumaça em geral, particulados, etc. e no sistema de ar condicionado
dependendo da manutenção pode haver a proliferação de algas, fungos, poeiras e
microrganismos. As soluções recomendadas são: - eliminação das fontes internas ou
exaustão localizada, ventilação em níveis adequados, correção no posicionamento
da captação de ar externo, filtragem adequada, adequação do projeto e
estabelecimento de rotina de manutenção, prevenindo-se contra o acúmulo de
poeira e umidade no sistema de climatização.
As condições de conforto para verão são dadas pela tabela 4.2, para indivíduos
em repouso ou em atividade moderada.

Tabela 4.2: Condições de conforto para verão. [2]


Recomendável Máxima
Finalidade Local
TBS (°C) UR(%) TBS (°C) UR(%)
Residências
Hotéis
Conforto 23 a 25 40 a 60 26,5 65
Escritórios
Escolas
Bancos
Lojas de
Barbearias
curto tempo
Cabeleireiros 24 a 26 40 a 60 27 65
de
Lojas
ocupação
Supermercados
Teatros
Ambientes Auditórios
com Templos
grandes Cinemas
cargas de Bares 24 a 26 40 a 65 27 65
calor Lanchonetes
latente e/ou Restaurantes
sensível Bibliotecas
Estúdios de TV
Locais de Boates
reuniões
24 a 26 40 a 65 27 65
com Salões de baile
movimento
Depósitos de
livros,
21 a 23* 40 a 50* - -
Ambiente manuscritos,
de arte obras raras
Museus e
21 a 23* 50 a 55* - -
galerias de arte
Halls de
Acesso - - 28 70
elevadores
* Condições constantes para o ano inteiro.
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4.3 Sistemas de Ar Condicionado

Essencialmente existem dois sistemas de ar condicionado:


 Expansão ou evaporação direta:
Quando o condicionador recebe diretamente do recinto ou através de dutos a
carga de ar frio ou quente. (ver figuras 4.4 e 4.5)
 Expansão indireta:
Quando o condicionador utiliza um meio intermediário (água ou salmoura) para
retirar a carga térmica que é transmitida pelo ar frio ou quente. (ver figura 4.6)
Cada um dos dois sistemas citados tem a sua aplicação específica:
 Expansão direta: para instalações pequenas e médias.
 Expansão indireta: para grandes instalações.

Figura 4.4: Sistema de ar condicionado de expansão direta (condensação a ar). [2]

Figura 4.5: Sistema de ar condicionado de expansão direta (condensação a água). [2]


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Figura 4.6: Sistema de ar condicionado de expansão indireta (água gelada com condensação
a ar). [2]

4.4 Tipos de Condensação

Nos equipamentos de refrigeração, há dois trocadores de calor: evaporador e


condensador.
No ciclo de refrigeração, o fluido refrigerante, ao passar, no condensador, do
estado de gás em alta pressão o líquido em alta pressão, necessita de um meio ao
qual transmita o calor recebido no evaporador.
Temos três tipos de condensação:
 Ar, em circulação natural ou forçada: nesse caso a temperatura admitida
para fluido deve ser superior à do bulbo seco do ar exterior considerado nos cálculos;
 Água, que pode ser sem retorno, suando água corrente, ou em circuito
fechado, utilizando uma torre de arrefecimento. Neste caso, a temperatura do bulbo
úmido do ar exterior deve ser inferior à temperatura da água de circulação, para que
haja transferência de calor da água para o ar exterior.
 Evaporativa, nesse caso também a temperatura de bulbo úmido do ar exterior
deve ser inferior á estabelecida para o fluido frigorígeno.

4.5 Tipos de instalações

Conforme as dimensões da carga térmica do recinto a condicionar, podemos ter


as seguintes instalações:
 Aparelhos individuais, normalmente com condensação a ar (Figura 4.7);
 Instalações centrais com condensação a ar (Figura 4.4);
 Instalações centrais com condensação a água em circuito aberto ou
fechado(Figura 4.5);
 Instalações centrais com condensação a vapor d’água;
 Instalações centrais com circulação de água gelada nas serpentinas (fan-
coils) (figura 4.8).
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 60

Figura 4.7: Aparelhos individuais.

Figura 4.8: Instalações centrais com circulação de água gelada nas serpentinas.

4.5.1 Condicionador de Ar do Tipo Janela

São os tipos de ar-condicionado mais utilizados por dois motivos: são facilmente
encontrados e são os mais baratos. Contudo, é bom lembrar o alto nível de consumo
de energia elétrica e também ruído.

Figura 4.9: Componentes de condicionador de ar do tipo janela.

 Posicionamento:
Sempre que possível posicionar o aparelho no centro da parede e de frente para
a maior dimensão do ambiente a ser refrigerado.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 61

Figura 4.10: Posicionamento do equipamento. [5]

 Instalação:
Para conseguir melhor rendimento do condicionador de ar evitar instalá-lo em
locais com incidência direta de raios solares ou próximo de fontes geradoras de calor.
Também deve ser evitado posicioná-lo em ambientes fechados onde a
movimentação de ar externo fique prejudicada.
Na impossibilidade de instalar o condicionador de ar à sombra, deve protegê-lo
da luz direta do sol, por meio de um toldo.

Figura 4.11: Incidência direta de raios solares.[5]

 Circuito frigorígeno do Condicionador de Ar

Figura 4.12: Detalhe dos componentes do circuito frigorígeno.[5]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 62
 Sistema de Ventilação
O sistema de ventilação dos condicionares de ar é realizado pelo motoventilador
que aciona duas hélices:
- Hélice axial (traseira): localizada na parte traseira do condicionador de ar.
Função: Refrigerar o condensador, aumentando também o resfriamento do
compressor e do motoventilador.

Figura 4.13: Localização da Hélice Axial.

- Hélice radial (dianteira): Localiza-se na parte dianteira.


Função: Recircular o ar do ambiente interno, fazendo-o passar pelo filtro e
evaporador.

Figura 4.14: Localização da Hélice Radial.

(b)
(a)

Figura 4.15: Em (a) detalhe do fluxo de ar através das aletas do evaporador e condensador e
em (b) detalhe do moto ventilador e das hélices. [5]
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 63
4.5.2 Condicionador de Ar Split-System
Split System significa sistema separado, onde uma unidade fica na parte interna
do recinto (Evaporador) e outra parte fica na parte externa (Unidade Condensadora).
Na figura 4.16 é apresentado um exemplo de instalação de um Split, a unidade interna
contém o evaporador e um moto ventilador, e a unidade externa que é a unidade
condensadora.

Figura 4.16: Exemplo de instalação de um Split.

O conceito de ―Unidade Condensadora‖ é um termo técnico para definir uma


unidade que contém juntos o Compressor e o Condensador.
O dispositivo de expansão pode ou não fazer parte da unidade condensadora,
isso depende do modelo.
A figura 4.17 apresenta alguns exemplos de unidades condensadoras.

Figura 4.17: Unidades condensadoras.

 Instalações - Sifão
Quando a unidade evaporadora está acima da unidade condensadora, deve-
se na linha de sucção colocar um sifão invertido.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 64
Função: Quando o motocompressor parar, o fluido refrigerante líquido do
evaporador não irá para a sucção do motocompressor evitando que o mesmo volte a
funcionar inundado de líquido.
Utilizado em desníveis superiores a 3 metros.
Possui o objetivo de auxiliar o arraste do óleo de volta ao motocrompressor.
O fluido refrigerante é o responsável pelo arraste do óleo.

Figura 4.18: Instalação das unidades Evaporadora e Condensadora. [5]

 Dispositivo de Expansão
 Utilizam tubo capilar equipamentos com capacidade de até 24000BTU/h;

 A partir de 30000BTU/h, utiliza-se um dispositivo chamado Pistão.

 Nos SPLITs de grande porte usa-se a VET (Válvula de expansão termostática).

(a) (b) (c)


Figura 4.19: Dispositivos de expansão. Em (a) tubo capilar; (b) Pistão e (c) Válvula de expansão
termostática.
 Válvula Inversora
Nas regiões onde a temperatura externa é muito baixa, os SPLITs são dotados de
circuito frigorígeno reverso, há uma válvula reversora que inverte o sentido do fluxo do
fluido refrigerante e o evaporador passa a ser o condensador e vice-versa.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 65

Figura 4.20: Válvula Inversora.

Ciclo Frio: Ciclo Quente:

Figura 4.21: Ciclo frio e ciclo quente.

Na figura 4.22 são apresentados os circuitos de um sistema Split com o ciclo


reverso e na figura 4.23 um sistema com ciclo frio.

Figura 4.22: Circuito de um Split com ciclo reverso.

Figura 4.23: Circuito de um Split com ciclo frio (sem a válvula reversora).[5]
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 66
 Instalação dos Equipamentos:
Para conseguir melhor rendimento do sistema é necessário seguir algumas regras
para instalação dos equipamentos. Na figura 4.24, é apresentado o espaçamento
mínimo recomendado para instalação do evaporador. Para cada modelo adquirido é
necessário uma consulta ao manual do fabricante para verificar suas recomendações.

Figura 4.24: Espaçamentos mínimos recomendados. [5]

Quando a unidade evaporadora ficar gotejando água durante seu


funcionamento, é sinal da má instalação dos drenos. Na figura 4.25 é mostrada a
forma mais indicada para a correta instalação dos drenos.

Figura 4.25: Exemplo de instalação dos drenos em unidades evaporativas. [5]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 67
Com relação a unidade condensadora, tem-se as seguintes recomendações:
evitar lugares com ventos predominantes ou expostos a poeira; Lugares sujeitos a
chuvas fortes; Umidade e lugares irregulares ou desnivelados; Não instalar a unidade
externa sobre a grama ou superfícies macias; Instalar as unidades condensadoras de
maneira que a descarga de ar de uma unidade não seja tomada de ar da outra
unidade.

Figura 4.26: Dicas do que se deve EVITAR na instalação da unidade condensadora.[5]

Na figura 4.27 é apresentado os espaçamentos mínimos recomendados para


instalação da unidade evaporadora.

Figura 4.27: Espaçamentos mínimos recomendados. [5]

Na figura 4.28 é mostrado o detalhe do furo para a passagem dos tubos cabos
que fazem a ligação entre as unidades.
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Figura 4.28: Detalhe do furo para passagem dos tubos e cabos. [5]

 Exemplo de Manutenção Preventiva:


A seguir é apresentada uma planilha de manutenção preventiva para o sistema
Split.

Tabela 4.2: Planilha de Manutenção Preventiva do sistema Split. [5]


Frequência
Itens DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS
A B C
Inspeção geral na instalação do equipamento, curto circuito de ar,
distribuição de insuflamento nas unidades, bloqueamento na entrada
1° *
e saída de ar do condensador, unidade condensadora exposta à
carga térmica.
2° Verificar instalação elétrica. * *
3° Lavar e secar o filtro de ar. *
Medir tensão e corrente de funcionamento e comparar com a
4° *
nominal.
Medir tensão com rotor travado e observar queda de tensão até que
5° *
o protetor desligue.
Verificar aperto de todos os terminais elétricos das unidades, evitar
6° *
possíveis maus contatos.
7° Verificar obstrução de sujeira e aletas amassadas *
Verificar possíveis entupimentos ou amassamentos na mangueira do
8° *
dreno.
9º Fazer limpeza dos gabinetes. *
10º Medir diferencial de temperatura. *
11° Verificar folga do eixo dos motores elétricos. *
Verificar posicionamento, fixação e balanceamento da hélice ou
12º *
turbina.
13º Verificar operação do termostato. *
14º Medir pressões de equilíbrio. *
15° Medir pressões de funcionamento. *
A – Semanal B – Mensal C – Trimestral

4.5.3 Condicionadores de Ar Centrais

Os condicionadores de gabinete são equipamentos unitários, pois constituem um


arranjo compacto de serpentinas de resfriamento, compressores, condensadores,
válvula de expansão termostática, filtros e outros dispositivos auxiliares montados em
fábrica.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 69
Na figura 4.29 um modelo de condicionador de Ar Central do tipo self contained
é mostrado. O mesmo possui uma Caixa Plenum que insufla o ar condicionado
diretamente no ambiente.

Figura 4.29: Condicionador de Ar Central Self Contained.

Algumas características desse sistema:


 Os compressores usados nos condicionadores de gabinete são herméticos:
alternativos, rotativos ou scroll.
 Se a troca de calor for com o ar o condensador é do tipo tubos aletados.
 Se for com a água o condensador pode ser de dois tipos: tubos concêntricos
(tube-in-tube) e casco–tubos (shell-and-tube).
 A serpentina de resfriamento (por expansão direta) é do tipo tubos aletados.

No arranjo mais comum o condicionador é instalado no próprio ambiente


condicionado, como mostrado na figura 4.30, com insuflação de ar através de caixa
plenum, que possui defletores de fluxo para distribuição do ar.

Figura 4.30: Instalação mais comum do Self Contained.

Os condicionares de ar tipo self contained podem ser fornecidos com


condensadores resfriados a ar ou com condensação à água:
- Condensação a ar: utiliza ventilador centrífugo para movimentar o ar entre as
aletas do condensador. O ar exterior do ambiente, ao passar entre as aletas do
condensador, retira o calor do fluido refrigerante no estado de vapor. Este se
condensa, passando do estado de vapor para o líquido.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 70
- Condensação a água: há a necessidade de uma torre para o resfriamento da
água. Essa água, ao passar pelo condensador, retira o calor do fluido refrigerante. O
fluido refrigerante, perdendo o calor para água, vai se condensando e mudando os
seu estado de vapor para estado líquido. Na figura 4.31 é mostrado um sistema de
condensação a água.

Figura 4.31: Sistema de condensação a água.

Figura 4.32: Rede de dutos para distribuição do ar condicionado nos ambientes.

4.5.4 Sistema de Água Gelada (Water Chiller)

O Water Chiller é um equipamento em que seu evaporador tem a função de


resfriar um fluido, esse fluido pode ser somente água ou uma mistura (água, salmoura,
etc).

Figura 4.33: Chiller com condensação a ar.


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 71
Nos sistemas de climatização (condicionamento de ar) de médio e grande porte,
em um shopping center e aeroportos, por exemplo, o Chiller faz o resfriamento da
água. Já em sistemas de refrigeração, o Chiller faz o resfriamento de uma mistura.

 Fan-Coil
O Fan-Coil é um condicionador de ar que recebe a água gelada produzida no
evaporador do Chiller. A palavra ―Fan‖ está relacionada a ―ventilação‖ e a palavra
―Coil‖ está relacionada a ―Serpentina‖, então a serpentina e o ventilador são os dois
componentes básicos que formam um Fan-Coil.
As figuras 4.34 e 4.35 mostram um circuito básico que ilustram a circulação da
água gelada entre o evaporador, fan-coil e a B.A.G. (Bomba de Água Gelada).

Figura 4.34: Detalhe da circulação da água gelada em um Chiller com condensação à Água.
[5]
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 72

Figura 4.35: Detalhe da circulação da água gelada em um Chiller com condensação a Ar.[5]

4.6 Sugestões para a escolha do sistema de AC mais indicado

O primeiro passo para a definição do sistema deve partir do cliente, em face do


que pode gastar. Em seguida, entra o projetista que, pela sua experiência, pode
definir o sistema mais indicado e tecnicamente possível. O projetista faz um esboço da
instalação com pré-orçamento.
4.6.1 Split-systems:

Para instalações de pequeno porte, de área inferior a 70 m² (escritórios e


residências), são mais indicados aparelhos de janela ou split-systems (expansão direta).
Vantagens:
 Pode ser instalado em tetos, paredes no interior, sem precisar utilizar as janelas;
 Na parte interna, só haverá um ventilador e o evaporador, ficando as partes
barulhentas (compressor e condensador).

4.6.2 Selfs a água gelada

Para locais de áreas superiores a 400 m², como nos shoppings, bancos e
indústrias, os sistemas self-containers são mais indicados (expansão direta ou indireta)
ou de água gelada. Para instalação até 14 TR, máquinas com condensadores a ar
podem ser usadas. Se for maior, a condensação a água deve ser usada, o que
implica a instalação de torres de arrefecimento, com bombas e tubulações hidráulicas
que oneram a instalação em aproximadamente 30%. É necessário ter água em
abundância e de boa qualidade.

4.6.3 Sistemas evaporativos

Para locais com grande número de pessoas, como restaurantes, casas de


espetáculos, aeroportos, academias de ginástica, indústrias de confecções,
supermercado.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 73
Exercícios do Capítulo 4

4.1 Considere o desenho em vista explodida de um condicionador de ar do tipo


janela. Para cada número indicado, diga o nome do componente e sua função.

4.2 Basicamente, os sistemas de ar-condicionado classificam-se em dois grandes


grupos: os de expansão direta e os de expansão indireta. Diferencie-os e depois faça
um sistema simples mostrando a diferença entre eles.

4.3 Qual a função da válvula inversora?


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 74

Cálculo da Carga Térmica


Iniciando o estudo sobre ar condicionado, é apresentado de maneira simples,
rápida e interessante como calcular a carga térmica do ambiente. Este cálculo dará
segurança na compra ou sugestão de um aparelho com maior/menor capacidade
de condicionamento do ar.
Os condicionadores de ar comerciais possuem capacidades variadas de
refrigeração, expressas em kcal/h ou BTU/h (British Thermal Unit) que acham-se
especificadas na placa de Identificação do equipamento. Assim sendo, existe um
modelo ideal para cada ambiente e só há uma maneira para a escolha correta do
equipamento: o cálculo da carga térmica.
Chama-se a atenção para a importância de se observar criteriosamente estas
instruções, pois os aparelhos instalados com a carga térmica inadequada não terão
condições de oferecer todo o conforto esperado.
Os engenheiros das empresas fornecedoras de ar condicionado elaboraram
uma planilha simplificada (Anexo 1) que atende as especificações da NBR 16401:2008
e que agiliza o trabalho de levantamento e de cálculo da carga térmica.
Basicamente, o seu preenchimento consiste na elaboração de croqui (planta
baixa) do ambiente onde o aparelho será instalado, do registro das medidas tomadas
e dos dados obtidos através do cálculo.
No entanto, é necessário seguir as etapas seguintes, uma vez que, a cada uma
delas, correspondem observações e instruções importantes.

5.1 Cálculo da Carga Térmica Simplificada

 Croqui da instalação:
o Medir a sala: paredes e aberturas, em metros.
o Representar graficamente, os contornos (paredes) e as aberturas
(portas/janelas).
o Determinar a orientação solar, indicando o lado norte com uma seta.
 TIPO 1 - Janelas com Insolação: São as janelas que recebem calor pela
incidência direta dos raios solares.
o Determinar a área das janelas (m²) e sua orientação solar, posição em
relação aos pontos cardeais.
o A seguir, determina-se o tipo de proteção das janelas.

Figura 5.1: Janelas com proteção externa e interna.


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 75
o Somar as áreas das janelas de mesma orientação solar e mesmo tipo de
proteção (proteção interna, externa, s/proteção).

Sem Proteção Proteção Unidade x Necessidades de


Tipo 1 – Janelas com insolação proteção Interna Externa Fator Refrigeração (kcal/h)
1.1 – Norte 240 115 70
1.2 – Nordeste 240 95 70
1.3 – Leste 270 130 85
1.4 – Sudeste 200 85 70
1.5 – Sul 0 0 0
1.6 – Sudoeste 400 160 115
1.7 – Oeste 500 220 150
1.8 – Noroeste 350 150 95

o Multiplicar as áreas acima pelos respectivos coeficientes. (Fatores


constantes na planilha).
o Registrar os resultados na planilha, ―unidade x fator‖.
o Transportar o maior valor obtido para a coluna: ―necessidades de
refrigeração‖.

 TIPO 2 - Janelas de transmissão: É o calor ganho por condução/convecção


através de todas as janelas.

Tipo 2 – Janelas Transmissão Fator


2.1 – Vidro Comum 50
2.2 – Tijolo de Vidro/Vidro Duplo 25

o Determinar o tamanho e área de todas as janelas, multiplicar as áreas


pelos respectivos fatores (Vidro comum ou Vidro duplo).
o Somar os valores obtidos e registrar o resultado na planilha.

Figura 5.2: Diferença entre Janelas de Condução e Insolação.

 TIPO 3 - Paredes:

Construção Construção
Tipo 3 – Paredes
Leve Pesada
3.1 – Externas voltadas para o Sul 13 10
3.2 – Externas outras orientações 20 12
3.3 – Internas voltadas para
8
Ambientes não condicionados
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 76
o Determinar a área das paredes.
o Incluir as portas e excluir as janelas.
o Verificar se há paredes externas voltadas para o sul ou internas, que
recebam calor de áreas sem ar condicionado.
o Multiplicar a quantidade de m² de parede pelos respectivos fatores
(constantes na planilha).

Obs: Paredes constantemente sombreadas, considerar como orientação sul.

 TIPO 4 - Teto:

Figura 5.3: Teto sem isolamento e com isolamento.

o Determinar a área (m²) do teto;


o Multiplique a área pelo fator da planilha.

Tipo 4 – Teto Fator


4.1 – Em laje 75
4.2 – Laje com 2,5cm ou mais de
60
isolação
4.3 – Entre Andares 13
4.4 – Sob Telhado Isolado 18
4.5 – Sob Telhado sem isolação 40

 TIPO 5 - Piso:

o Determinar a área (m²) do piso;


o Multiplique a área pelo fator da planilha.

Tipo 5 – Piso Fator


5.1 Piso não colado diretamente 13
sobre o solo

Obs: Piso sobre o solo não deve ser considerado.


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 77

Figura 5.4: Piso não colado diretamente no solo.

 TIPO 6 - Pessoas:

o Determinar o número de pessoas que ocupam o ambiente.


o Multiplique esse número pelo fator correspondente da planilha.

Tipo 6 – Pessoas Fator


6.1 Número de pessoas 150

 TIPO 7 – Iluminação e Aparelhos:

o Determinar o número de watts das lâmpadas e dos aparelhos elétricos


em uso no ambiente e que permaneçam ligados durante o
funcionamento do aparelho condicionador de ar.
o Multiplique esse número pelo fator correspondente da planilha.

Tipo 7 – Iluminação e Aparelhos Fator


7.1 Lâmpadas ou Aparelhos 1
Elétricos

 TIPO 8 – Porta e Vãos:


o Considere as portas ou vãos constantemente abertos para ambientes
sem ar condicionado.
o Determine a área das portas ou vãos.
o Multiplique a área pelo fator correspondente da planilha.

Tipo 8 – Portas ou Vãos


8.1 Abertos constantemente para
150
áreas não condicionadas

Obs: havendo portas ou vãos com largura superior a 1,5m, considerar o ambiente
contíguo no cálculo da carga térmica.

 Fatores Climáticos das Regiões Brasileiras:

o Multiplique o valor do subtotal pelos Fatores Climáticos do mapa. O


resultado obtido exprime a Carga Térmica Total, expressa em kcal/h. Para
obtê-la em BTU/h, multiplique o resultado por (4) quatro.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 78

Capital Fator
Rio de Janeiro 1,0
São Paulo 0,85
Vitória 1,0
Belo Horizonte 0,85
Manaus 1,05
Porto Alegre 0,9
Goiânia 1,0
Fortaleza 0,95

Figura 5.5: Fatores climáticos das regiões brasileiras. [9]

Exemplo 5.1: Calcular a carga térmica da sala de reuniões mostrado a seguir.


 Pé direito: 2,8 m
 Janela voltada para o norte não possui proteção contra o sol.
 Janela voltada para o oeste possui proteção interna.
 Capacidade: 8 pessoas
 Localizado no Térreo em um prédio de 2 andares
 Teto sob telhado isolado
 Construção leve
 Ambientes Contíguos não refrigerados
 Equipamentos elétricos totalizam 50 watts.
 Iluminação: 2 lâmpadas de 40 watts.
• Janela voltada para o Oeste – 2,0 m x 1,5 m
• Janela voltada para o Norte – 2,5 m x 1,5 m
• Porta – 1,0 m x 2,5 m
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 79
5.2 Cálculo Estimado da Carga Térmica Sem Simplificações

Carga térmica é a quantidade de calor sensível e latente, geralmente expressa


em BTU/h, ou kcal/h, que deve ser retirada ou colocada no recinto a fim de
proporcionar as condições de conforto desejadas.
Essa carga térmica pode ser introduzida no recinto a condicionar por:
 Condução;
 Insolação;
 Dutos;
 Pessoas;
 Equipamentos;
 Infiltração;
 Ventilação.

5.2.1 Carga de condução


A expressão geral da transmissão de calor por condução e por hora ser expressa,
para materiais homogêneos, paredes planas e paralelas:

Onde:
Q = taxa de fluxo de calor transmitida em kcal/h
A = área da superfície normal ao fluxo em m²
x = espessura do material em metros;
K = condutividade térmica do material por unidade de comprimento e unidade
de área em kcal/h . m . °C
= diferença de temperatura entre as duas superfícies separadas pela
espessura x em °C

Quando o material não é homogêneo, como, por exemplo, uma parede


construída com tijolos, massa e isolamento, a equação toma a seguinte forma:

Onde:
Q = fluxo de calor em kcal/h;
A = área em m²;
C = condutância em kcal/h . m² . °C
= diferença de temperatura entre as superfícies em °C

A transferência de calor do ar a uma superfície, ou vice-versa, se processa por


meio da condutância da superfície de contato ou filme.
A condutância superficial é a quantidade de calor transferido, em kcal/h, do ar
para a superfície, ou vice-versa, por metro quadrado e por °C de diferença de
temperatura.
Se o fluxo for uniforme, esta transferência pode ser expressa pela fórmula:

Onde:
Q = fluxo de calor em kcal/h;
A = área em m²;
h = condutância superficial em kcal/h . m² . °C
= diferença de temperatura entre a superfície e o ar em contato em °C
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 80
Os valores de h dependem da cor e rugosidade da superfície, bem como da
velocidade do vento.
Os valores médios para h são:
• Ar parado = 7,13 a 7,96 kcal/h . m² . °C
• Ar a 12 km/h = 19,5 kcal/h . m² . °C
• Ar a 24 km/h = 29,3 kcal/h . m² . °C

Nos cálculos da carga térmica do ar condicionado, usa-se um coeficiente U,


mais fácil de ser obtido, medindo-se a temperatura do ar em ambos os lados da
superfície. Esse coeficiente é chamado coeficiente global de transmissão de calor.

Onde:
Q = fluxo de calor em kcal/h;
A = área em m²;
U = coeficiente global de transmissão de calor em kcal/h . m² . °C
= diferença de temperatura em °C

Quando se usam vários materiais nas pareces que separam os ambientes, para
cálculos mais precisos utilizam-se as resistências que cada material opõe ao fluxo.
Essas resistências são os inversos das condutividades e condutâncias e são
somadas do mesmo modo que resistência s em série de um circuito elétrico.

O quadro a seguir mostra a condutividade de condutância de materiais para


construção.

Tabela 5.1: Coeficientes de Transmissão de Calor dos Materiais de Construção.[2]


Material Condutividade Condutância

1. Acabamentos:
- cimento asbestos
- gesso ½”
- lambris
- lambris de ¾”
- fibra de madeira
- emboço ou reboco (2cm)
2. Alvenaria:
- lã mineral (vidro ou rocha)
- verniculite
- concreto simples
- massa de cimento com agregados
- concreto com areia e pedra
- estuque
- tijolo comum (meia-vez)
- tijolo comum (uma-vez)
- tijolo de concreto furado de
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 81

- tijolo de concreto furado de


- ladrilho ou cerâmica
- alvenaria de pedra
3. Isolamentos:
- fibras de lãs minerais (vidro ou rocha)
- fibra de madeira
- vidro celular
- cortiça
- fibra de vidro
- isoflex (Santa Marina)
4. Argamassas:
- nata de cimento com areia
- nata de gesso com areia
- agregado com verniculite
5. Cobertura:
- placa de agregado de asfalto
- teto com
6. Madeiras:
- de lei (cedro, canela etc.)
- pinho

Exemplo 5.2: Determine o coeficiente global de transmissão de calor para uma


parede composta das seguintes camadas:

1 – Emboço – 2 cm
2 – Tijolo comum de uma vez – 20 cm
3 – Madeira de lei – 2,54 cm
Velocidade do ar exterior: 24 km/h

5.2.2 Carga devida à insolação – Calor Sensível


A mais poderosa energia que a superfície da Terra recebe do universo é a
energia sola, que já está sendo aproveitada pelo homem como fonte térmica.
Essa energia é, quase sempre, a responsável pela maior parcela da carga
térmica nos cálculos do ar condicionado, em geral como radiação e convecção.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 82
Por absorção, a energia de radiação solar pode ser introduzida nos recintos tanto
em maior quantidade quanto menos brilhante for a superfície refletora.
Com isso temos a seguinte tabela, que dá uma ideia do percentual de energia
radiante em função da cor:

Tabela 5.2: Percentual de Energia Radiante em Função da Cor. [2]


Calor Refletido Calor Absorvido
Alumínio polido 72% 28%
Vermelho-claro 37% 63%
Preto 6% 94%

É evidente que este percentual é também uma função da rugosidade da


superfície. Assim, a temperatura dos tetos e paredes depende dos seguintes fatores:
• Coordenadas geográficas do local (latitude);
• Inclinação dos raios do Sol;
• Tipo de Construção
• Cor e rugosidade da superfície;
• Refletância da superfície.

Para estimativa de carga térmica, será importante saber o horário de utilização


da dependência e fazer o cálculo para a incidência máxima do Sol.
No Hemisfério Sul, como se pode ver na tabela 3.5, nos meses de verão, a parede
que recebe maior insolação é a voltada para oeste e entre 16 e 17 h, para as
claraboias (teto de vidro), ao meio-dia.
Embora se conheça com certa precisão a quantidade de calor por radiação e
convecção oriundos do Sol, a parcela que penetra nos recintos não é bem
conhecida.

 Transmissão de calor do Sol através de superfícies transparentes (vidro)


A energia radiante oriunda do Sol incidente em uma superfície transparente
subdivide-se em três partes:
• Uma que é refletida (q1);
• Uma que é absorvida pelo vidro (q2);
• Uma que atravessa o vidro (q3).

Q = q1 + q 2 + q 3

Figura 5.6: Transmissão do calor solar através do vidro.

A parcela q3, que penetra no recinto é a que vai nos interessar nos cálculos da
carga térmica.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 83
Na tabela 5.3, de origem americana, temos os valores do fator solar obtido por
ensaios para esta parcela em kcal/h por m² de área de vidro, ou W/m², supondo-se a
janela sem proteção.

Tabela 5.3: Percentual Coeficiente de Transmissão do Calor Solar Através de Vidros (Fator Solar).
[2]
22°54 ’Latitude Sul (Fator Solar) de Áreas de Vidro Valores Máximos em

Verão Cada orientação entre


Setembro e Março
Hora Local
Dia do Ano Face do Prédio
S
SE
L
20 FEVEREIRO
23 OUTUBRO

NE
N
NO
O
SO
CLARABÓIA

Caso seja protegida por toldos ou persianas, deve-se multiplicar os valores


obtidos, pelos seguintes coeficientes de redução:
• Toldos ou persisanas externas: 0,15 – 0,20
• Persianas internas e reflexoras: 0,50 – 0,66
• Cortinas internas brancas (opacas): 0,25 – 0,61

Obs.: Estes valores são para janelas com esquadrias de madeiras; para
esquadrias metálicas multiplicar por 1,15.

Exemplo 5.3: Determine a quantidade de calor solar transmitido através de uma janela
de vidro sem proteção, com os seguintes dados:
• Dimensões: 4,00 x 2,00 m;
• Local: Rio Janeiro;
• Hora: 16 h;
• Data: 20 de fevereiro;
• Janela voltada para oeste.

Transmissão de calor do Sol através de superfícies opacas



As paredes, lajes e telhados transmitem a energia solar para o interior dos recintos
por condução e convecção, segundo a fórmula:

[ ]
Onde:
Q = watts;
A = área em m²;
U = coeficiente global de transmissão de calor em kcal/h . m² . °C
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 84
Te = temperatura do exterior em °C;
Ti = temperatura do interior em °C;
t = acréscimo ao diferencial de temperatura dado pela tabela 5.4.

Tabela 5.4: Acréscimo ao Diferencial de Temperatura em °C. [2]


Cor Escura Cor Média Cor Clara
Superfície

Telhado 25,0 16,6 8,3


Parede L ou O 16,6 11,1 5,5
Parede N 8,3 5,5 2,7
Parede S 0 0 0

Exemplo 5.4: Determine o fluxo de calor solar através da parede, onde:


• A = 10,0 m x 3,0 m;
• U = 1,02 kcal/h . m² . °C;
• Te = 32°C;
• Ti = 25°C;
• Parede voltada para oeste e tem cor clara.

5.2.3 Carga devida aos dutos


O ar insuflado em um recinto condicionado retorna ao condicionador por meio
da diferença de pressão que lhes é fornecida pelo ventilador. O retorno do ar pode
ser feito de duas maneiras:
1. Sob a forma de plenum, ou seja, utilizando um ambiente como próprio recinto,
um corredor, o teto rebaixado etc., como se fosse um condutor de ar;
2. Utilizando dutos de retorno.

Em ambos os casos é adicionado calor ao ar de retorno, que deve ser retirado


pelas serpentinas do evaporador.
Normalmente, o projetista do ar condicionado determina a carga térmica
devida aos dutos sem que os mesmos estejam calculados.
Para calcular os dutos, precisa-se saber a quantidade de ar a ser insuflado no
recinto, e esta quantidade de ar depende da carga térmica.
O caminho mais prático para resolver o impasse é estimar o traçado e as
dimensões dos dutos, e, assim que se chegar à quantidade de ar a ser insuflado no
recinto, e tendo-se calculado o sistema de dutos, fazer uma verificação para
constatar se a estimativa da carga térmica devida aos dutos foi adequada.
Se estiver dentro da margem de 10% de erro, não há necessidade de se
recalcular a carga térmica.
A carga térmica devida aos dutos é:

Onde:
q = watts ou kcal/h;
A = área lateral do duto exposta ao calor, em m²;
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 85
U = coeficiente global de transmissão de calor dado pela tabela 5.5.
= diferencial de temperatura entre o ar exterior e o ar interior ao duto, em °C.

Tabela 5.5: Coeficiente Global de Transmissão de Calor U para os Dutos em BTU/h por Pé
Quadrado de Área Lateral e em kcal/h.m².ºC de Área Lateral. [2]
Tipo de Duto

Chapa metálico, não-isolada


Isolado com polegada
Isolado com polegada
Isolado com polegada
Isolada com polegadas

A determinação da área lateral, A, pode ser feita como indicado na figura


abaixo:

A = 2bc + 2ac = 2c (a + b)

Figura 5.7: Área lateral dos dutos.

Exemplo 5.5: Determine a carga térmica devida a um duto de retorno com as


seguintes condições:
• Comprimento do duto: 30 m;
• Dimensões do duto: 60 x 45 cm;
• Isolamento: isopor de 1 polegada (2,54 cm);
• Temperatura do ar retorno: 25°C;
• Temperatura do ar exterior: 32°C.
Depois compare o resultado encontrado com tubo nas mesmas condições mas sem
isolamento.

5.2.4 Carga devida às pessoas


Todo ser humano emite calor sensível e calor latente, que variam conforme
esteja o indivíduo em repouso ou em atividade.
Considerando-se que a temperatura média normal de uma pessoas é de 37°C,
verifica-se experimentalmente que quanto maior é a temperatura externa, maior é a
quantidade de calor latente emitida, e quanto menor esta temperatura, maior é o
calor sensível.
Se a temperatura exterior é superior a 37°C, o calor é transferido do exterior para
o corpo, e isso provoca a transpiração e em consequência a eliminação de vapor
d’água pela respiração, adicionando apenas calor latente ao ar.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 86
Se a temperatura exterior é inferior a 15,6°C, a transferência de calor se dá do
corpo para o ambiente, porém somente na forma de calor sensível.
Entre essas temperaturas externas, ou seja, entre 15,6 e 37°C, o corpo humano
emite calor sensível e calor latente ao ambiente, mantendo constante o calor total.
A tabela 5.6, baseada na NBR 16401, dá os valores do calor liberado pelas
pessoas em função da temperatura e da atividade.

Tabela 5.6: Calor liberado pelas pessoas. [2]

Temperatura Pessoa Sentada ou em Movimento Lento Pessoa em Exercício Físico Moderado

Ambiente Calor Sensível Calor Latente Calor Total Calor Sensível Calor Latente Calor Total

Exemplo 5.6: Um teatro com 500 lugares deverá ser mantido a 25°C. É previsto um
máximo de 20 artistas trabalhando ao mesmo tempo. Qual deverá ser a carga térmica
devida às pessoas?

5.2.5 Carga devida aos equipamentos

 Carga devida aos motores – Calor sensível

Os motores elétricos, quer dentro do recinto, em qualquer ponto do fluxo de ar,


quer mesmo nos ventiladores, adicionam carga térmica ao sistema devida às perdas
nos enrolamentos, e essa carga precisa ser retirada pelo equipamento Frigorígeno.
É preciso levar em conta se o motor está sempre em funcionamento ou se a sua
utilização é apenas esporádica.
Para os ventiladores, temos as seguintes fórmulas:
 Ventiladores dentro da corrente de ar: 𝜂 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 87

 Ventiladores fora da corrente de ar:

Exemplo 5.7: Um ventilador de insuflamento de ar em recinto a ser condicionado é do


tipo centrífugo (dentro da corrente de ar) e está acoplado a um motor de 7,5 cv. Pelo
catálogo do fabricante, está registrado um rendimento de 85%. Qual a carga térmica
adicionada ao ar circulante?

Para outros motores que porventura permaneçam no recinto condicionado


(elevadores, bombas, máquinas elétricas, perfuradoras, etc.), temos as fórmulas:
( ) ( )

𝜂 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟
Na tabela 5.7 tem-se o ganho de calor por HP para os motores elétricos, em
função da sua potência.

Tabela 5.7: Ganho de Calor em Watts por HP para Motores Elétricos


Potência Rendimento Ganho de Calor
Aproximado

Até

Maior que

• Carga devida à iluminação – Calor Sensível

Iluminação incandescente:
q = total em watts, em unidades SI;
q = watts x 3,4, quando q é dado em BTU/h

Iluminação fluorescente:
q = total de watts x fator devido ao reator.

Para se ter a carga térmica em kcal/h, usar a relação: 1 kWh = 860 kcal.
A iluminação fluorescente necessita de um equipamento adicional para prover a
tensão necessária à partida e, após esta, a limitação de corrente. Esse equipamento é
o reator, que adiciona cerca de 20% de carga.
Deve-se levar em conta, no cálculo da carga térmica, que nem sempre todas as
lâmpadas estão ligadas na hora que se tomou por base para o cálculo; geralmente
na hora em que a carga térmica de insolação é máxima muitas lâmpadas podem
estar desligadas.
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Exemplo 5.8: Um equipamento de ar atende ao restaurante, ao salão de estar e à
portaria de um hotel onde temos a seguinte iluminação:
- Restaurante: 50 aparelhos de luz fluorescente de 4 x 40W;
- Salão de estar: 20 lustres, cada qual com 8 lâmpadas incandescentes de 100W;
- Portaria: 10 lâmpadas de 150 W, incandescentes.
Deseja-se saber a carga térmica devido à iluminação.

• Carga devida aos equipamentos de gás – Calor Sensível e calor Latente

Em locais como cozinhas, laboratórios, restaurantes, cafeterias, etc., pode haver


equipamentos de gás, cuja queima pode adicionar à carga térmica do recinto mais
duas parcelas:
• Carga devido à queima direta do gás;
• Devido ao vapor formado.
A tabela 5.8 apresenta os valores aproximados para os diferentes tipos de
utilização do gás.

Tabela 5.8: Ganho de Calor Devido ao Gás. [2]


Máxima Carga Carga Estimada (sem Coifa) Carga Estimada (com
Aparelho Provável Sensível Latente Coifa) Só Sensível

Máquina de café
(por queimador)
Aquecedor de alimentos
(banho-maria) (por )
Fritadeira
(capac. )
Fogão
(por queimador)
Torradeira
(capac. )

Exemplo 5.9: Um restaurante possui os seguintes equipamentos instalados sem coifa:


• Três aquecedores de alimentos de 2,0 m x 1,0 m;
• Uma torradeira com capacidade de 360 fatias por hora;
• Uma máquinas de café de 12 litros de capacidade.
Calcular a carga térmica de calor sensível e calor latente.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 89

• Carga devida às Tubulações– Calor Sensível

Em casos raros, provavelmente instalações industriais, um recinto a ser


condicionado pode ser atravessado por tubulações de água quente ou vapor, o que
introduz mais uma parcela no cálculo da carga térmica.
A tabela 5.9 traz a carga térmica devida às tubulações quentes em W/m.

Tabela 5.9: Carga Térmica Devida às Tubulações Quentes (W/m). [2]


(Temperatura do Recinto: )

Água Quente a Vapor a


Isolamento Fibra de Isolamento
Fibra de Vidro
Sem com Asbestos Vidro Sem com Asbestos
Polegada
Polegada Isolamento Polegada Polegada Isolamento Polegada

Exemplo 5.10: Em uma instalação industrial, um recinto com ar condicionado a 26°C é


atravessado por uma tubulação de água quente a 80°C, cujo o diâmetro é de 75 mm
(3‖).
O comprimento total da tubulação é de 45 m.
Calcular a carga térmica introduzida no recinto por hora, se a tubulação não é
isolada.

5.2.6 Carga devida à infiltração

O movimento do ar exterior ao recinto possibilita a sua penetração através das


frestas nas portas, janelas ou outras aberturas.
Tal penetração adiciona carga térmica sensível ou latente. Embora essa carga
não possa ser calculada com precisão, há dois métodos que permitem a sua
estimativa:
• Método da Troca de Ar;
• Método das Frestas;
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 90
5.2.6.1 Método da Troca de Ar

Neste método se supõe a troca de ar por hora dos recintos, de acordo com o
número de janelas e com base na tabela 5.10, mostrada abaixo:

Tabela 5.10: Trocas de Ar por Hora nos Recintos. [2]


Janelas Existentes Trocas por Hora

Nenhuma janela ou porta para o exterior

Janelas ou portas em parede

Janelas ou portas em paredes

Janelas ou portas em paredes


Lojas

Troca o ar significa renovar todo ar contido no ambiente por hora. Com isso
teremos o calor do ar exterior aumentado o do ar do recinto.
Assim, se num quarto temos, por exemplo, três paredes com janelas em contato
com o exterior, o calor devido à infiltração é caliculado na vase de duas trocas por
hora.
O calor sensível adicionado no recinto é dado pela fórmula:

Onde:
[ ]

Exemplo 5.11: Determine a carga de calor sensível introduzida pelo ar em um recinto


com as seguintes características:
- Q = 169,8 MCM;
- te = 35°C;
- ti = 26,1 °C.

5.2.6.2 Método das Frestas;

A penetração do ar exterior no interior do recinto depende da velocidade do


vento. Estudos de laboratório consignados na tabela 5.11, multiplicados pelo
comprimento linear da fresta, dão a quantidade de calor que penetra no recinto.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 91
Tabela 5.11: Infiltração de Ar Exterior. [2]
Ar pelas Frestas
Tipo de Abertura Observação por Metro de Fresta
Janela
- comum 3,0
- basculante 3,0
- guilhotina c/ caixilho de madeira Mal ajustada 6,5
Bem ajustada 2,0
- guilhotina c/ caixilho metálico Sem vedação 4,5
Com vedação 1,8
Porta Mal ajustada 13,0
Bem ajustada 6,5

Ar pelas Portas
m³/h por pessoa presente no recinto condicionado
Local
Porta Giratória (1,80 m) Porta de Vaivém (0,90 m)
Bancos 11 14
Barbearias 7 9
Drogarias e farmácias 10 12
Escritórios em geral - 7
Lojas em geral 12 14
Quartos de hospitais - 7
Restaurantes 3 4
Salas de chá ou café 7 9

Ar pelas Portas Abertas


Porta de 90 cm – 1.350 m³/h
Porta de 180 cm – 2.000 m³/h
Para contrabalançar a infiltração com tomada de ar nos condicionadores:
Porta de 90 cm – 1.750 m³/h
Porta de 180 cm – 2.450 m³/h

Quando no recinto a pressão do ar é superior à do ar exterior, não há


penetração do ar de fora e essa parcela pode ser desprezada.
O ar introduzido aumenta a carga térmica em calor sensível e calor latente.
A carga de calor sensível é dada pela expressão:

Onde:

5.2.7 Carga devida à Ventilação

Já foi dito que o ar insuflado num recinto condicionado retorna ao equipamento


de refrigeração, impulsionado pelo ventilador que deve ser dimensionado de modo a
vencer todas as perdas de cargas estáticas e dinâmicas que são oferecidas em todo
o circuito do ar.
Parte desse ar é perdido pelas frestas, aberturas, exaustores etc. precisando ser
recompletada pelo ar exterior. Além desse ar que recompleta as perdas, há o ar
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 92
necessário às pessoas, em metro cúbicos por hora, dados esse fornecidos pela tabela
5.12, baseado na NBR 16401.
Este ar exterior introduz calor sensível e latente ao ser misturado com o ar de
retorno antes de passar pelo evaporador.

Tabela 5.12: Ar Exterior para Ventilação. [2]


Pessoa
Local
Preferível Mínima
Apartamentos
Bancos
Barbearias
Bar
Cassinos – grill – room
Escritório geral
Estúdios
Lojas
Quartos (hospitais)
Quartos (hotéis)
Residências
Restaurantes
Salas de diretoria
Salas de operação (hospitais)
Teatros – cinemas – auditórios
Salas de aula
Salas de reunião
Aplicações gerais
por pessoa (não fumando)
por pessoa (fumando)

Exemplo 5.12: Retomemos o exemplo da carga térmica de um teatro com 500 lugares.
Queremos saber qual a quantidade de ar que deve ser fornecida pelo exterior. Qual
será a carga térmica devida à ventilação, se a temperatura e a umidade do ar interior
e exterior são:
- Interior – 25°C e 0,011 kg/kg de ar seco;
- Exterior – 32°C e 0,021 kg/kg de ar seco.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 93
Exemplo 5.13: No recinto da figura mostrada, temos os seguintes dados:
- Ar de Insuflamento: 424,5 MCM;
- Ar de Retorno: 339,6 MCM;
- Perdas nas frestas: 17 MCM;
- Perdas por exaustão: 48,1 MCM.
Calcular a quantidade de ar exterior e ar de excesso.

5.2.8 Carga térmica total

Conhecida a carga térmica devida a condução, insolação, dutos, pessoas,


equipamentos, infiltração e ventilação, e adicionando-os, temos o somatório de calor
sensível e calor latente a retirar (ou introduzir) do recinto para obter as condições de
conforto desejadas.
Somando ambos, tem-se o calor total.
Como medida de segurança, para atender às infiltrações eventuais de calor no
recinto, acrescenta-se mais 10% aos cálculos.
Para calcular a TR, dividir por 3,024 kcal/h.

5.2.9 Total de Ar insuflamento

Conhecida a carga térmica de calor sensível a ser retirada do recinto e as


condições do ar interior e de insuflamento, podemos conhecer a quantidade total de
ar, usando a mesma expressão:

Ou

Onde:
Q= vazão de ar em m³/h.
ti e te = temperaturas em °C.
qS = kcal/h.

Exemplo 5.14: O total de ganho de calor sensível em um recinto é de 120.000 kcal/h. A


temperatura de bulbo seco do interior é de 25°c e a do ar de insuflamento é de 18°C.
Calcular a quantidade de ar a ser insuflado pelo ventilador.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 94
Exemplo 5.15: A quantidade total de ar a ser insuflado em um recinto é de 5.500 m³/h.
O interior deve ser mantido a 26°C e o ar infiltra no interior com a temperatura de 19°C.
Qual a quantidade de calor sensível que pode ser absorvida pela circulação do ar?

5.2.10 Cálculo da absorção da umidade dos recintos

Para manter o ar do recinto dentro das condições de conforto desejadas para


verão, temos que remover a sua umidade.
O ar lançado no recinto absorve essa umidade, e a temperatura de seu ponto
de orvalho cresce. Desse modo, a temperatura do ponto de orvalho do ar de
insuflamento deve ser inferior à do ar do recinto.
Também a temperatura de bulbo seco do ar de insuflamento cresce quando
este fica em contato com ar do ambiente condicionado.
A umidade absorvida pode ser expressa do seguinte modo:

Onde:
Pv = massa total do vapor d’água absorvido em kg/h;
m = massa do ar em kg/h;
Dg = variação da umidade do ar de insuflamento em kg/kg.

Ou também:

Onde:
Q = vazão de ar em m³/h;
UE2 = umidade específica na entrada em kg/kg de ar seco;
UE1 = umidade específica na saída em kg/kg de ar seco.

Exemplo 5.16: A umidade específica de um recinto condicionado deve ser mantida a


0,010 kg/kg. O ar de insuflamento tem a vazão de 1.500 metros cúbicos por hora e sua
umidade específica é de 0,025 kg/kg.
Qual a quantidade de umidade absorvida por hora no recinto?

5.2.11 Cálculo do calor latente

Para dimensionar o equipamento de desumidificação do ar para as condições


desejadas, é preciso saber a carga de calor latente. Desse modo, este equipamento
proporcionará a condensação da umidade adicionada ao ar circulante no ambiente
condicionado.
Conforme visto anteriormente, o calor latente liberado pela condensação do
vapor d’água é de 583 kcal/h por kg de vapor condensado. Assim:
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 95

Onde:

m = massa do vapor d’água condensado em kg/h.

Para se poder avaliar o valor do condensado, utiliza-se a diferença de entalpias


entre o ar de suprimento e o ar na temperatura do ambiente.
Assim, tem-se:

Onde:
Q = vazão de ar em m³/h;
DL = variação de entalpia do calor latente em kcal/kg.

Para o ar padrão, tem-se: = 1,2 kg/m³.


Então:

Na tabela 5.13 é apresentado os valores para entalpia de vapor saturado para


misturas com o ar à pressão atmosférica normal (76 cm de mercúrio).

Tabela 5.13: Propriedades das Misturas do ar do ar e vapor de água saturado à pressão


atmosférica normal. [2]
Massa do vapor saturado por
Temp. Entalpia do vapor saturado
massa de ar seco
°C kJ/kg
g/kg
4,44 5,21 13,16
5,0 5,42 13,60
6,67 6,09 15,30
7,78 6,58 16,54
8,89 7,10 17,86
10,0 7,66 19,28
12,22 8,89 22,43
15,0 10,69 27,0
18,33 13,26 33,60
20,0 14,75 37,42
23,33 18,19 46,23
25,0 20,16 51,33
27,77 23,89 60,93
30,0 27,31 69,77
32,22 31,18 79,80
34,44 35,56 91,12
35,0 36,73 94,17
38,33 44,60 114,62
40,0 49,11 126,34
43,33 59,40 153,30
45,0 65,40 168,74

Exemplo 5.17: Um recinto deve ser mantido à temperatura de bulbo seco de 25°C. O
ar de insuflamento é lançado pelo ventilador com vazão de 150 m³/h e na
temperatura de bulbo seco de 10°C. Qual a carga de calor latente que deve ser
retirada pelo equipamento de desumidificação?
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 96

5.2.12 Cálculo do calor total usando a carta psicrométrica

Expressões semelhantes às anteriores podem ser usadas para calcular o calor


total a ser retirado do recinto, conhecendo-se as condições do recinto e do ar a ser
insuflado:

Ou

Onde:
= calor total em kcal/h;
Q = vazão de ar em m³/h;
m = massa de ar circulante em kg/h;
Dh = variação de entalpia do ar do insuflamento em kcal/kg.

5.2.13 Determinação das condições do ar de insuflamento


O cálculo da carga térmica de um recinto conduz o calculista ao total de
calores sensível e latente, cuja soma fornece o calor total (qT).

Dividindo-as, tem-se:

A relação qs/qT é chamada de razão de calor sensível (RCS), ou seja, o


percentual do calor sensível para o calor total. Conhecida como RCS, através da
carta psicrométrica, pode-se obter as condições do ar ao entrar no recinto, desde
que se conheçam as condições a serem mantidas no ambiente condicionado.
O projetista de ar condicionado deve escolher as condições do ar de
insuflamento – em um ponto da reta RCS. Essas condições serão as fornecidas pelo
equipamento de refrigeração e devem obedecer às especificações do fabricante.
Em resumo, o equipamento de refrigeração selecionado deve ser capaz de
reduzir as temperaturas de bulbo seco e bulbo úmido do ar circulante para um ponto
que caia sobre a reta RCS. Essa reta traduz a quantidade de calor sensível e latente a
ser retirada do ambiente condicionado.
Normalmente, o ar, ao atravessar as serpentinas do evaporador ou outro
trocador de calor, tem alta umidade relativa. Em nosso estudo do uso da carta
psicrométrica e cálculo da carga térmica, tomaremos esta umidade como de 90%,
porém, para um caso real é necessário conhecer as características do equipamento.
 Ar de exterior ―by-passado‖
Há casos em que o exterior não passa pelas bobinas de esfriamento, porém se
mistura com o ar de suprimento para ser insuflado novamente no recinto. Isto não
afeta a temperatura do BS nem a umidade relativa do ambiente, conforme se pode
constatar no exemplo a seguir.

Exemplo 5.18: Um ambiente tem as seguintes características:


- TBS = 26°C
- UR = 50%
- Ganho de calor sensível = 10.000 kcal/h
- Ganho de calor latente = 2.000 kcal/h
- Total de ar de insuflamento = 4.000 m³/h
- Umidade relativa do ar ao passar pelas bobinas = 90%
- Temperatura BS do ar exterior = 32°C.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 97
Deseja-se saber:
(a) Condições do ar deixar as bobinas (ponto B);
(b) Quantidade de ar a ser esfriado e desumidificado;
(c) Quantidade de ar a ser ―by-passado‖;
(d) Condições da mistura (ponto D).

5.2.14 Preenchimento da Planilha do Calculo de Carga Térmica Sem


Simplificações (ANEXO 2)

Item A: deve ser preenchido de acordo com os dados disponibilizados pelo cliente;

A. CLIENTE
Endereço:
Pavimento:
Dependência:
Latitude: Hora:

Item B: as características do verão local deverão obedecer à norma NBR-16401:2008,


quanto às condições externas e internas, ou dados relativos ao conforto contidos nas
tabelas específicas para cada caso.

B. CARACTERÍSTICAS DO VERÃO LOCAL


B.1 Temperatura ( ºC) Interior Exterior
Bulbo seco
Bulbo úmido
Ponto de orvalho
B.2 Umidade relativa (%)
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 98
Item C: Preencher a tabela de acordo com as dimensões das paredes externas,
incluindo janelas; dimensões das janelas com vidro; dimensões das paredes externas
excluindo as janelas para o cálculo de U.

C. GANHO POR CONDUÇÃO – CALOR SENSÍVEL


Dimensões Área Calor sensível
U DT
(m) (m²) Kcal/h
C.1 Parede
externa
(Total)
C.2 Janelas
com vidro
C.3 Paredes
excluindo
janelas
C.4 Paredes
divisórias
C.5 Vidros nas
divisórias
C.6 Teto ou
telhado
C.7 Total de condução

Item D: Preencher a tabela de acordo com as dimensões das janelas e paredes de


acordo com sua posição. Dimensões do telhado e claraboias.

D. GANHO POR INSOLAÇÃO – CALOR SENSÍVEL

Calor
Dimensões Área Fator
U DT sensível
(m m) (m²) Solar
Kcal/h
D.1 Janelas com
vidros
voltados p/
oeste
D.2 Janelas com
vidros
voltados p/ sul
D.3 Paredes
Voltadas p/
oeste
D.4 Telhados
D.5 Claraboias
D.6 Total de insolação

Item E: Preencher a tabela de acordo com as dimensões dos dutos: altura, espessura,
comprimento.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 99
E. GANHO NOS DUTOS – CALOR SENSÍVEL
Calor sensível
Dimensões (m) Área (m²)
U DT Kcal/h
a b c 2c ( a + b )
E.1Total nos
dutos

Item F: Preencher a tabela de acordo com o tipo de atividade que as pessoas


exercem no local.

F. GANHO DEVIDO ÀS PESSOAS – CALOR SENSÍVEL E LATENTE

Fator Fator Calor Sensível Calor Latente


Pessoas N.º
Sensível Latente Kcal/h Kcal/h
F.1 Sentados
F.2 Em exercício
moderado
F.3 Em
movimento
brusco
F.4 Total devidoàs pessoas

Item G: Preencher a tabelas de acordo com a potência dos equipamentos e modelos.

G. GANHO DEVIDO AOS EQUIPAMENTOS – CALOR SENSÍVEL E LATENTE

Calor
Calor Sensível
Watts HP Fator Latente
Kcal/h Kcal/h
G.1Pequenos motores
elétricos ( 2 HP ) ou
menores
G.2Pequenos motores
elétricos ( 3 HP ) ou
maiores
G.3Luz incandescente
G.4Luz fluorescente
G.5Equipamentos a gás
G.6Tubulações
G.7Diversos
G.8 Total devido aos equipamentos

Item H: Preencher a tabelas de acordo com frestas existentes no local; Janelas, portas,
e etc.

H. GANHO DEVIDO AS INFILTRAÇÕES – CALOR SENSÍVEL E LATENTE

Calor Sensível Calor Latente


Kcal/h Kcal/h
H.1 Infiltração pelas janelas
H.2 Infiltração pelas portas
H.3 infiltrações diversas
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 100
H.4 Total de infiltrações

Item I: Preencher a tabela com o total do calor sensível e latente de cada item
calculado nas tabelas acima.

I. RESUMO

Calor Sensível Calor Latente


kcal/h kcal/h
C.8 Condução
D.7 Insolação
E.1Dutos
F. 4 Pessoas
G.8 Equipamentos
H.4 Infiltração
I.1 Total sensível
I.2 Total latente
I.3 Calor total

Item J: Preencher lacunas de ganho de calor sensível e latente devido à ventilação


exterior, pelo número de pessoas que entra e sai do local.

J. GANHO DE CALOR DEVIDO À VELTILAÇÃO – CALOR SENSÍVEL E LATENTE

J.1 N.º de pessoas ___________ ___________ m³/h/pessoa ___________ m³/h


J.2 m³/h de ar exterior __________ ___________ ___________ kcal/h – sensível
J.3 m³/h de ar exterior ___________ ___________ ___________ kcal/h – latente

Item K: Preencher lacunas devido o calor latente, sensível, o calor total, de acordo
com os itens acima. Calcular a quantidade de refrigeração necessária e a média.

K CARGA TÉRMICA TOTAL

K.1 Sensível
Item I.1 _______________ kcal/h
Item J.2 _______________ kcal/h
Subtotal _______________ kcal/h
K.2 Latente
Item I.2 _______________ kcal/h
Item J.3 _______________ kcal/h
Subtotal _______________ kcal/h
K.3 Calor total
Item K.1 _______________ kcal/h
Item K.2 _______________ kcal/h
Subtotal _______________ kcal/h
Segurança 10% _______________ kcal/h
Total _______________ kcal/h
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 101

Toneladas de refrigeração: _______________ TR
Média _______________ m²/TR

Item L: Calcular a porcentagem de insuflamento, devido à porcentagem de calor,


temperatura de bulbo seco do ar, bulbo úmido do ar, e a diferença entre eles.

L. TOTAL DE AR INSULFLADO

L.1 Percentagem de calor sensível: 100 _______________ %


L.2 Temperatura de bulbo seco do ar de insuflamento _______________ºC
L.3 Temperatura de bulbo úmido do ar de insuflamento _______________ºC
L.4 Diferencial de temperatura do ar de insuflamento:
Bulbo seco do recinto _______________ºC Item 13.2 _______________ºC
L.5 Total de insuflamento _______________m³/h

5.2.15 Notações e Conversões mais utilizadas

CFM – pés cúbicos por minuto


MCM – metros cúbicos por minuto
MCH – metros cúbicos por hora
FPM – pés por minuto
MPM – metros por minuto
GPM – galões por minuto
TR – tonelada de refrigeração
C.A. – coluna d’água
1 BTU = 1055,4 J
1 BTU/h = 0,2931 W
1 kcal = 3,968 BTU
1 TR = 12000 BTU/h
1 TR = 3024 kcal/h

Exercícios do Capítulo 5

5.1 A fachada sudeste da Biblioteca Municipal tem uma área de 12m x 5m. Calcule
qual a redução de carga térmica prevista se for utilizada uma película reflexiva (30%
de redução de carga térmica). Avalie qual será a redução se a instalação possui um
custo mensal de R$ 600,00/TR. Faça esta avaliação considerando um período de 10
anos.

5.2. Calcular o coeficiente global de transmissão de calor para uma parede composta
das seguintes camadas:
- Emboço de 2 cm;
- Concreto com areia e pedra – 25 cm;
- Ladrilho de 2 cm;
- Velocidade do ar exterior 12 km/h.

5.3. Calcular o coeficiente global de transmissão de calor para uma parede de


alvenaria de pedra de 30 cm de espessura.
- Velocidade do ar exterior: 24 km/h
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 102

5.4. Calcular a quantidade de calor solar transmitido através de uma janela de vidro
com os seguintes dados:
- Dimensões: 8,00 x 2,50 m
- Local: Região Sudeste;
- Hora: 17 h;
- Data: 22 de Dezembro;
- Face da janela voltada para o sul;
- Condições: sem proteção.

5.5. Se a janela do exercício anterior tiver a sua face voltada para oeste, qual a
quantidade de calor solar transmitida?

5.6. Calcular o fluxo de calor solar através da parede considerada no Exercício 1,


onde:
- Área = 20 x 4 m;
- te = 35°C
- ti = 24°C
- Parede voltada para o norte, cor escura.

5.7. Calcular a quantidade de calor transmitida através dos dutos de insuflamento de


ar de uma instalação com os seguintes dados:
- Seção do duto: 0,50 x 0,40 m;
- Comprimento do duto: 25 m;
- Isolamento em lã de vidro: ½ polegada (13mm);
- Temperatura do ar de insuflamento: 15°C;
- Temperatura do ar exterior: 32°C.

5.8. Calcular a carga térmica devida às pessoas em um salão de danças com os


seguintes dados:
- Número de pessoas: 300.
- Temperatura do ambiente: 26°C.
Usar unidades em SI, e em toneladas de refrigeração.

5.9. Calcular a carga térmica devida à iluminação em um escritório com os seguintes


dados:
- 20 aparelhos de luz fluorescente de 4 x 40W;
- 10 spots de luz incandescente de 150 W;

5.10. Calcular a carga de calor sensível introduzida em um recinto com as seguintes


características:
- Vazão de ar: 200 m³ por minuto (MCM)
- Temperatura do ar exterior: 32°C – umidade 60%;
- Temperatura do ar interior: 24°C – umidade 50%.

5.11. Calcular a carga de calor latente introduzida no recinto, com os dados do


Exercício 5.9. Usar unidades inglesas (BTU/h) e também em kcal/h.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 103

5.12. Calcular a quantidade de ar que deve ser insuflada em um recinto, para manter
as seguintes características internas:
- ti = 25°C
- qs = 45 kW (carga de calor sensível).
- Temperatura do ar de insuflamento de 19°C.

5.13. Um recinto deve ser mantido à temperatura de bulbo seco de 26,4°C. O ar de


insuflamento é lançado na vazão de 300 MCM e com a temperatura de 15,4°C.
Calcular a carga de calor latente que deve ser retirada pelo equipamento de
desumidificação.

5.14. Utilizando a carta psicrométrica, determinar as condições do ar de insuflamento


para os seguintes dados:
- Calor total: 10.000 kcal/h;
- RCS = 0,80;
- Condições internas: BS= 25°C ; UR =55%; Vazão de ar: 60 MCM.

5.15. Usando os mesmos dados do Exercício 5.13, calcular a umidade específica do ar


ao passar pelas bobinas de esfriamento e após ficar dentro das condições interiores
(BS=26°C e UR = 55%).

5.16. Calcular a quantidade de ar que deve ser insuflada em um recinto, para manter
as seguintes características internas:
- ti = 25°C;
- qS = 45 kW (carga de calor sensível).
- Temperatura do ar de insuflamento de 19°C.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 104

Meios de Condução do ar
6.1 Dutos de chapas Metálicas

Dutos são condutores de ar que permitem sua circulação desde o ventilador até
os pontos de insuflamento, bem como o retorno.
O normal é a existência de recirculação do ar, isto é, uma vez circulando no
ambiente, o ar retorna à máquina: isso representa economia na instalação.
Em casos especiais, como salas de operações dos hospitais, locais de
emanações poluidoras etc., não será conveniente o retorno do ar à máquina; isso
onera a instalação.
Os dutos representam em custo médio cerca de 25% de toda instalação.
Para o dimensionamento dos dutos, precisamos levar em conta os seguintes
fatores:
 Volume de ar a ser circulado;
 Velocidade de ar através dos dutos;
 Resistência a ser vencida no duto.
As partes componentes de um sistema de dutos são:
 Dutos retos;
 Curvas;
 Desvios;
 Peças de transição;
 Registros divisórios e quadrantes;
 Registros de volume e quadrantes;
 Palhetas para as curvas;
 Entre outros.

Figura 6.1: Ligação entre o equipamento e os dutos. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 105

Figura 6.2: Indicação detalhada de vários elementos do sistema de dutos. [2]

Figura 6.3: Como são empregados os registros nos dutos de condicionamento de ar. [2]

6.2 Métodos de dimensionamento de dutos

Existem três métodos usados no dimensionamento dos dutos de um sistema de ar


condicionado:
 Método da velocidade;
 Método de igual perda de carga ou resistência;
 Método da recuperação estática.

O fluxo de qualquer fluido se verifica por diferença de pressão. No caso do ar,


essa diferença de pressão é proporcionada pelo ventilador.
Se considerarmos desprezível o atrito, podemos utilizar as mesmas leis da queda
dos corpos:

Onde:
v = velocidade em m/s (MPS)
g = aceleração da gravidade = 9,81 m/s²
h = diferença da gravidade em metros

Para o ar padrão, a fórmula para cálculo da velocidade é:



Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 106
v = velocidade em metro por minuto
hv = diferença de pressão em mm de coluna d’água

Exemplo 6.1: Qual a diferença de pressão correspondente à velocidade do ar de


853,4 MPM?

As resistências opostas ao fluxo de ar resultam em perda de pressão, e são de


dois tipos:
 Perdas de atrito: devidas ao contato com as superfícies
 Perdas dinâmicas: devidas a mudança de direção, turbulência e mudanças
de velocidade.
A equação geral para o dimensionamento dos dutos é a mesma equação geral
usada para o fluxo de qualquer fluido:

Onde:
Q = vazão em m³/min (MCM);
A = área em m² (seção reta);
V = velocidade em m/min (MPM).

Exemplo 6.2: Quais as dimensões de um duto pelo qual passam 600 m³ de ar por
minuto, na velocidade de 450 metros por minuto?

A exemplo do que ocorre em outros fluidos, no deslocamento do ar a energia


total permanece constante ao longo do fluxo, como se pode ver na figura:
Pressão estática – corresponde à energia
• Na seção 1 do duto, temos:
potencial do ar.
-baixa pressão estática;
Pressão dinâmica – corresponde à energia
-alta velocidade;
cinética do ar.
-alta pressão dinâmica.
• Na seção 2, temos:
-alta pressão estática;
-baixa velocidade;
-baixa pressão dinâmica.
• Na seção 3, temos:
-baixa pressão estática;
-alta velocidade;
-alta pressão dinâmica.

Figura 6.4: Pressões e velocidades ao longo dos dutos de ar.

A energia total nas três seções é constante, descontando-se as perdas, ou, em


outras palavras:

O que se ganha em energia cinética perde-se em energia potencial, e vice-versa.


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 107
O ventilador do sistema deve vencer a pressão total oposta pelo sistema de
dutos.

Vazão necessária de ar (Q):

Já sabemos também que a vazão necessária é obtida pela expressão:

Onde:
Q = vazão em m³/min
Qs = calor sensível
t2 = temperatura na entrada do evaporador
t1 = temperatura na saída do evaporador

6.2.1 Método da velocidade

Este método deve ser usado para pequenos sistemas ou em grandes sistemas
com poucos dutos, no máximo cinco ou seis bocas.
É um método empírico no qual é a velocidade arbitrariamente fixada no
ventilador e, com base na experiência, reduzida em sucessivas etapas.

Exemplo 6.3: Dimensione um sistema de duto cujas vazões de três das bocas são de 10
MCM ( m³/min) e duas de 30 MCM .
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6.2.2 Método da igual perda de carga

Este método se baseia na circulação de ar e perdas em dutos de seção


circulares; para dutos retangulares, será necessária a conversão da bitola do duto
circular em duto retangular (equivalente) com a mesma quantidade de ar circulante
e as mesmas perdas.
No ábaco 1, é apresentado as perdas de carga ou resistências em milímetros
de coluna d’água por metro de comprimento (superior).

Figura 6.5: Ábaco 1 – Perda por Atrito nos dutos retos. [2]

No eixo das ordenadas (vertical), temos as vazões em metros cúbicos por


minuto (MCM)(lado direito) ou pés cúbicos por minuto (lado esquerdo).
Nas diagonais da direita inferior para a esquerda superior, temos o diâmetro dos
dutos em polegadas.
No ábaco 2, temos os dutos retangulares equivalentes aos circulares para igual
perda de carga.
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Figura 6.6: Ábaco 2 – Dutos retangulares equivalentes a dutos circulares. [2]

Exemplo 6.4: Em uma instalação temos os seguintes dados:


- Vazão de ar = 85 MCM;
- Resistência ou perda de carga = 0,05 mm de água por metro.
Calcular a velocidade, o diâmetro do duto redondo e o duto retangular equivalente.

Exemplo 6.5: Utilizando os dados do problema anterior, calcule as dimensões dos dutos
pelo método da igual perda de carga para os trechos E, D e C e bocas 1 e 2, cuja
vazão é 30 MCM em cada, e na boca 3, que possui vazão de 10 MCM,
estabelecendo uma resistência ou perda de carga de 0,084 mm/m nessas bocas.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 110

Resolução do exemplo 6.5

6.2.3 Método da recuperação estática

Este método é bem mais complexo que os dois anteriores, e sua aplicação só se
justifica em casos especiais.
Baseia-se no princípio de que, num sistema de dutos sob a ação do ar em
determinadas vazão e velocidade, temos as seguintes pressões em jogo:
 Pressão estática (Pe): que pode ser medida aplicando-se o manômetro de
coluna d’água na extremidade do duto;
 Pressão total (Pt): medida aplicando-se o manômetro no meio do duto;
 Pressão devida à velocidade (Pv), que resulta da equação:

Pt = Pv + Pe

6.3 Perdas de pressão em um sistema de dutos

No deslocamento do ar através de um sistema de dutos, devem ser consideradas


as seguintes pressões:
 Pressão estática – Pe
 Pressão dinâmica – Pv
 Pressão Total – Pt

Figura 6.7: Medidas da pressão estática e pressão total em um tubo. [2]

Já sabemos que:
Pt = Pv + Pe

A pressão total representa a pressão de resistência que o sistema ventilador-


motor deve vencer para manter o fluxo de ar na vazão e velocidade desejadas.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 111
6.3.1 Perdas de pressão estática (Pe)

O ar deslocando-se em um duto perde pressão estática por atrito com a


superfície interna. À semelhança do que ocorre com a água, quanto maior a vazão
de ar, maiores serão as perdas por atrito.
Se o ar estivesse parado, teríamos somente pressão estática no interior dos
dutos, porém, como há deslocamento, temos pressão estática e dinâmica.

6.3.2 Perdas de pressão dinâmica (Pv)

Para determinada velocidade, há uma pressão dinâmica, e quanto mais alta


for a velocidade, maior será a pressão dinâmica.
O ábaco 3, fornece a pressão dinâmica em milímetros de coluna d’água em
função da velocidade.

Figura 6.8: Ábaco 3 – Perda por pressão dinâmica. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 112
Exemplo 6.6: Ache a pressão dinâmica de acordo com a velocidade:
a) 400 m/min;
b) 700 MPM;
c) 5 m/s.

6.3.3 Perdas de carga acidentais

Como é fácil de se concluir, quando se trata de um trecho reto de um sistema


de dutos ou uma curva, joelho, tê e etc., as perdas são diferentes.
A Tabela a seguir fornece valores das perdas de carga em função da pressão
dinâmica para os diferentes componentes encontrados nos dutos.

Figura 6.9: Perda de carga em várias partes de um sistema de dutos. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 113
Exemplo 6.7: Ache a perda de carga localizada, de acordo com a velocidade dada:
a) Joelho em ângulo reto. Velocidade: 200 m/min;
b) Curva de 90°, com relação R/l de 1,2. Velocidade: 15 m/s.

6.3.4 Pressão de resistência de um sistema de dutos (Pr)

É a pressão total que o ventilador precisa vencer para insuflar o ar nos recintos
condicionados.
A pressão total representa as perdas por atrito nos trechos retos e as perdas
localizadas nas derivações, curvas, joelhos e etc.
Não se considera as perdas nos ventiladores, pois já são consideradas pelos
fabricantes.
Os dutos de insuflamento, de retorno e o de ar exterior são considerados
separadamente no cálculo: o de insuflamento é sempre computado, e, para os de
retorno e exterior, toma-se o que conduz as maiores perdas.

Exemplo 6.8: Calcule a pressão de resistência do sistema de dutos mostrado abaixo:


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 114
6.4 Isolamento e junção dos dutos

Para melhor eficiência do sistema, os dutos de insuflamento de ar devem ser


isolados, pois a diferença de temperatura entre o ar interior do duto e o ar exterior
provoca aumento da carga térmica.
Na figura a seguir vemos alguns detalhes de isolamento de dutos com Isoflex, um
isolante próprio para dutos, constituído de fibras de vidro, aglomeradas por resinas
sintéticas, e revestido em uma das faces por alumínio.

Figura 6.10: Isolamento de dutos – Isoflex. [2]

6.5 Dados Práticos para o dimensionamento de dutos

 Para instalações usuais, tomar a perda de carga 0,1 polegada de coluna


d’água/100 pés lineares de duto ou 0,084 mm/m de duto.
 Para instalações que exijam silêncio, como residências, igrejas, estações de
rádio ou TV, tomar a perda de carga 0,045 polegada de C.A/100 pés lineares de
dutos.
 Para instalações industriais, em que o silêncio não é tão importante, usar a
perda de carga de 0,1 a 0,15 polegada de C.A/100 pés.
 A menor dimensão dos dutos não deve ser inferior a 4 polegadas (10 cm).
 Para residências, a dimensão mínima dos dutos pode ser de 3 3/4‖ (9,5 cm).
 Nas diversas seções contínuas de dutos, deve-se sempre manter uma mesma
dimensão.
 As grelhas de insuflamento devem ter as dimensões de 2x1 entre a largura e a
altura, podendo chegar ao máximo de6x1.
 O projeto dos dutos deve ser o mais simples e retilíneo possível.

6.6 Distribuição de ar nos recintos

O ar, depois de impulsionado pelo ventilador através do sistema de dutos,


deverá ser distribuído no ambiente condicionado por meio de grelhas ou difusores de
teto.

6.6.1 Grelhas simples e com registros

As grelhas podem ser simples, quanto não têm meios de controle de ar, ou com
registro, quando existem réguas móveis que permitem o controle da vazão de ar.
Ambas as grelhas podem ser usadas para o insuflamento ou retorno do ar ao
recinto.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 115

Figura 6.11: Tipos usuais de grelhas simples e com registro.

Figura 6.12: Tipos usuais de grelhas simples e com registro. [2]

A forma normal das grelhas é retangular e é importante conhecer a área livre,


ou seja, a área disponível (largura x altura) menos a área ocupada pelas réguas.
A área livre das grelhas normalmente encontradas em insuflamentos do ar varia
de 75% a 85% da área total.
Para o retorno poderá haver grelhas com áreas livres de 60% a 90%.

Exemplo 6.9: Especificar uma grelha para insuflamento de ar com as seguintes


características:
- Vazão: 16,9 MCM
- Velocidade: 243,8 MPM
- Área livre de 80%.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 116
6.6.2 Escolha da altura da grelha de insuflamento
Na figura 6.13, é apresentado como o ar insuflado pela grelha se distribui pelo
recinto. O jato de ar deve cobrir toda a distância entre a parede da grelha e a
parede oposta, mas de tal maneira a ficar cerca de 30 cm acima da linha de
respiração, que é de 1,50 m acima do piso.

Figura 6.13: Percurso do ar em um recinto com grelha de insuflamento em uma parede lateral.
[2]

Figura 6.14: Alcance (throw) do ar em função da altura e da velocidade. [2]

Exemplo 6.10. Determinar a altura em relação ao piso deve ser instalada uma grelha
unidirecional, de modo que o jato seja de 12,2m e a velocidade de 30,5 por minuto.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 117

6.6.3 Distância entre as grelhas de insuflamento

A distância entre as grelhas de insuflamento é um fator importante para se


conseguir uniformidade na distribuição do ar.
Essa distância é função do jato e do número de direções da grelha e pode ser
tanto maior quanto maior for o número de direções.
A tabela a seguir traz a distância entre as grelhas em função do jato e do tipo.

Figura 6.15: Distância entre grelhas, em metros, em função do jato. [2]

6.6.4 Seleção e determinação da vazão de uma grelha

Para facilitar a difusão do ar no recinto, será sempre preferível a utilização de


grelhas com registros, que permitem regulagens de modo a não haver correntes de ar
em nenhum ponto.

Figura 6.16: Detalhes de grelhas simples ou com registro. [2]

Há grelhas de até sete direções, cada uma escolhida de acordo com a


velocidade do ar, pois quanto maior o número de direções, menor será o alcance do
jato de ar.

Figura 6.17: Detalhe da deflexão angular aproximada do ar ao sair de vários tipos de grelhas.
[2]
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 118

A escolha da grelha está condicionada também à forma do recinto.


Sugestões para a seleção das grelhas em diferentes recintos.

Figura 6.18: Sugestões para a seleção das grelhas em diferentes recintos. [2]

6.5.5 Difusores de teto ou aerofuses

Os difusores são colocados no teto e podem ser usados para o


insuflamento e retorno do ar. Existem difusores de forma quadrada, retangular,
circular.

Figura 6.19: Tipos de difusores de teto de alta velocidade.

Exercício do Capítulo 6
6.1 Dimensione o sistema de dutos pelo método da velocidade, cujas vazões são
mostradas na tabela abaixo.
Boca 1 12 MCM
Boca 2 30 MCM
Boca 3 18 MCM
Boca 4 25 MCM
Boca 5 15 MCM

Retorno 85 MCM
Ar Exterior 15 MCM
Velocidade do
12 m/s
Ventilador
Velocidade na
7 m/s
Boca 1
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 119

Ventilação e Exaustão
7.1 Definições

Em todo sistema de ar condicionado a circulação do ar através do recinto e o


retorno ao condicionador são feitos por meio de ventiladores. O ventilador pode ser
considerado como uma bomba de ar funcionando para vencer as pressões impostas
pelo sistema de dutos e demais equipamentos. A energia mecânica do ventilador é
fornecida pelo motor elétrico que deve ser dimensionado para imprimir ao ventilador
a rotação e potência necessárias para atingir a vazão de ar adequada e vencer as
pressões de resistência.
A potência necessária do motor elétrico é cerca de 20% maior do que a
potência do ventilador. De um modo geral, pode-se dizer que:
• A capacidade do ventilador é proporcional à sua rotação;
• A pressão do ventilador é proporcional ao quadrado de sua rotação;
• A potência do ventilador é proporcional ao cubo de sua rotação.
Se, em uma instalação de ar condicionado, o compressor for desligado,
teremos uma instalação de ventilação simples, onde são controladas apenas a vazão
e a pureza do ar. Os ventiladores podem fazer parte integrante do equipamento de ar
condicionado, como nos self-contained, ou aparelhos individuais, ou são fornecidos
independentemente, como no caso das grandes instalações (fan-coils).

7.1.1 Características de um ventilador

- Vazão do ventilador: é o volume de ar em metros cúbicos por minuto ou em pés


cúbicos por minuto (CFM) que passa pela saída do ventilador. Normalmente, o volume
de ar que sai do ventilador é igual ao que entra, desde que se despreze a mudança
do volume específico do ar na entrada para a saída.
- Velocidade de saída do ventilador: obtém-se dividindo a vazão de ar na saída
pela sua área. É uma velocidade teórica, pois a vazão não é uniforme.
- Pressão devida à velocidade de saída: Pv(S) - é a pressão correspondente à
velocidade do ar na saída ou pressão dinâmica.
- Pressão total do ventilador: Pt - é a diferença entre a pressão total do ar na
saída do ventilador e a pressão total do ar na entrada. A pressão total do ventilador é
a medida da energia mecânica total adicionada ao ar pelo ventilador.
- Pressão estática do ventilador: Pe é a diferença entre a pressão total e a pressão
devida à velocidade. Pode ser calculada subtraindo-se a pressão total na entrada do
ventilador da pressão estática na saída do ventilador.
Por definição:

Como: , subtraindo, tem-se:

Onde:
= Pressão estática do ventilador;
= Pressão total na saída;
= Pressão total na entrada;
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 120
= Pressão devida à velocidade na saída;
= Pressão estática na saída.

7.2 Tipos de Ventiladores

O motor e o ventilador podem ser ligados diretamente, ou seja, montados no


mesmo eixo, como no caso de pequenas instalações, ou por meio de correias nas
instalações de maior porte.
Assim, temos dois tipos de ventiladores nas instalações:
• Ventilador centrífugo (figura 7.1);
• Ventilador axial ou tipo hélice (figura 7.2).

Figura 7.1: Ventilador Centrífugo. (Ventisilva – Exaustores industriais)


http://www.exaustoresventisilva.com.br/exaustor-industrial-centrifugo-ventisilva-ec3-n-siroco/

Os ventiladores centrífugos são empregados em sistemas cuja pressão de


resistência varie de 12 mm (1/2‖) até 76 mm (3‖) de coluna d’água, ou seja, o caso
normal de instalações de ar condicionado.

Figura 7.2: Ventilador Axial. (Power – processos e equipamentos)


http://www.powder.com.br/equipamentos/ventiladores/axiais/axiais-desenhos.htm
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 121

Os ventiladores axiais são usados em pequenas instalações de ar condicionado


ou de exaustão mecânica, resistência até cerca de 6,4 mm (1/4‖).

7.3 Trocas de ar nos recintos

Para se calcular a quantidade de ar que deve ser introduzida nos recintos para
fins de ventilação, pode-se tomar como base a Tabela 7.1, extraída de publicações
estrangeiras, que estabelece tempo (minuto), em diversos ambientes, para uma troca
de ar.

Tabela 7.1: Tempo para a Troca de Ar. (CREDER)


Tempo em Minutos Renovações por Hora
Ambiente
Local Alto Padrão Baixo Padrão Alto Padrão Baixo Padrão
Escritórios 2 6 30 10
Lojas 3 10 20 6
Cozinhas 2 4 30 15
Fábricas 3 12 15 5
Garagens 2 10 30 6
Salas de reuniões 2 6 30 10
Igrejas 2 4 30 15
Teatros 4 15 15 4
Lavanderias 1 6 60 10

7.4 Velocidades recomendadas para o ar

A NBR- 16410:2008 prescreve as velocidades em m/min recomendadas para o ar,


de acordo com o tipo de ocupação, veja a tabela 7.2.

Tabela 7.2: Velocidades Recomendadas para o Ar. (CREDER)


Preferíveis – Máximas (m/min)
Designação Residências Edifícios Públicos Edifícios Industriais
Tomada de ar 150-240 150-270 150-360
Filtros 80-90 90-110 110-110
Serpentinas 135-135 150-150 180-216
Lavador de ar 150-210 150-210 150-210
Aspiração do
110-280 250-300 300-430
ventilador
Descarga do
480-510 600-660 720-840
ventilador
Dutos principais 270-360 390-480 540-600
Ramais horizontais 180-300 270-390 180-540
Ramais verticais 150-240 210-360 240-480

7.5 Ventilação Geral

É um processo de circulação de ar usado quando não é possível a captação do


contaminante antes que se espalhe pelo recinto. É o caso dos grandes aglomerados
humanos (cinemas, teatros, salas de reuniões), onde os odores resultantes da
transpiração e respiração devem ser eliminados por meio da penetração de ar puro,
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 122
que deve ser misturado com o ar impuro e lançado para o exterior. Assim, temos três
tipos de ventilação:
• Por insuflamento;
• Por exaustão;
• Mista.
Na ventilação por insuflamento, um ventilador lança o ar no recinto que fica com
pressão maior que o exterior. Desse modo o ar viciado é retirado do ambiente por
meio de uma abertura.
Na ventilação por exaustão, um ventilador retira o ar que penetra no recinto por
meio de aberturas. Há uma pressão negativa no recinto em relação ao exterior, por
isso o ar viciado é retirado.
Na ventilação mista, há, ao mesmo tempo, um ventilador que insufla o ar no
recinto e outro que retira o ar viciado, devendo ficar em extremidades opostas para
evitar o curto-circuito de ar e melhorar a diluição.

a) Por exaustão b) Natural com dutos

c) Por exaustão (exaustor no teto) d) Por insuflamento

e) Mista

Figura 7.3: Exemplos de ventilação geral. [2]

7.5.1 Volume de ar a insuflar

O volume de ar a ser introduzido no ambiente para dissipar a quantidade de


calor, (Q) pode ser obtido da expressão:

Onde:
= quantidade de calor sensível em kcal/h;
m = massa de ar em kg/h;
c = 0,24 kcal/kg°C;
= diferencial de temperatura em °C entre o recinto e o exterior.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 123
Em unidades SI, já vimos que da expressão da quantidade de calor em kcal a ser
retirada por hora, pode-se calcular a vazão de ar:

Onde:
Q = vazão de ar em m³/h;
= quantidade de calor sensível em kcal/h;
= temperatura do ar exterior em °C;
= temperatura do ar interior em °C.

Para os ambientes normais ocupados por pessoas, podem-se tomar os seguintes


valores para o calor produzido:
 Pessoas: 150 kcal/pessoa por hora;
 Iluminação: carga em W;
 Motores: carga em W;
 Tomando-se para a transformação a relação: 1 kWh = 860 kcal.

7.5.2 Tipos de ventilação

Uma instalação de ventilação pode ser classificada em natural ou forçada.


É natural quando o ar viciado é retirado sem meios mecânicos, apenas utilizando
a diferença de temperatura (caso das chaminés) ou o efeito de sucção da ventilação
externa (tiragem induzida). A ventilação natural tem o inconveniente de depender
das condições atmosféricas externas.
A ventilação é forçada quando usa meios mecânicos (ventiladores ou
exaustores) para a retirada do ar viciado e o consequente recomplemento do vazio
que se forma.
Numa instalação de ventilação forçada, podem-se utilizar dutos, que melhoram
a distribuição, e filtros, que melhoram a qualidade do ar. Em ambos oneram a
instalação.

7.5.3 Projeto de uma instalação de ventilação geral

Para o projeto de uma instalação, devemos ter disponíveis:


 Plantas e cortes do local;
 Número de pessoas;
 Local para os dutos e difusores;
 Local para a casa de máquinas (ventiladores e filtros);
 Tomada de ar novo.

Exemplo 7.1: Projetar a ventilação de um escritório com os seguintes dados:


- Dimensões: 24 x 10 x 3 m;
- Número de pessoas: 50;
- Condições: Normal, sem outras fontes de calor ou poluidoras;
- Difusão do ar: por dutos e grelhas.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 124
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 125
7.5.4 Ventilação em residências

Como já foi visto no cálculo de carga térmica, a insolação é a parcela que mais
pesa na escolha do equipamento. Na figura 7.4 vemos um exemplo de uma casa de
dois pavimentos onde, abaixo do telhado, temos o ar parado à temperatura de 60°C,
e nos ambientes habitáveis o ar condicionado mantém as temperaturas de 27°C e
26°C.

Figura 7.4: Ação do calor solar em residência. [2]

Se utilizarmos um exaustor para fazer circular o ar parado, conseguiremos uma


economia acentuada no equipamento de ar condicionado, como pode ser visto na
figura 7.5.

Figura 7.5: Residência com ar condicionado – exaustão no sótão. [2]

Na figura 7.6, tem-se um outro exemplo de ventilação de uma residência onde o


exaustor, colocado no centro do teto, possibilita uma circulação do ar através das
janelas e saindo pelas aberturas no sótão. É um tipo de instalação de baixo custo e
que proporciona certas condições de conforto, dependendo da temperatura e
umidade do ar exterior.

Figura 7.6: Residência sem ar condicionado – Ventilação Geral. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 126
Para se calcular a vazão de ar objetivando a especificação dos ventiladores, é
preciso calcular o volume do recinto e aplicar o método das trocas de ar (tabela 7.1).

Exemplo 7.2: Calcule a área da janela de entrada de ar do recinto mostrado abaixo:

7.6 Exaustão

É um tipo de ventilação em que se procura evitar que as partículas que irão


contaminar o recinto se espalhem, por isso procura-se captá-las nos locais de origem e
lança-las ao exterior. O princípio que se utiliza é o de criar uma corrente de ar de
modo a provocar o arrastamento das partículas e, em consequência, surgirão
correntes de ar no recinto, melhorando a ventilação geral.
Um sistema de exaustão compõe-se das seguintes partes:
 Captor, onde são coletados os contaminantes:
 Dutos de ar;
 Ventilador:
 Chaminé.

7.6.1 Captor

O captor cria junto à partícula uma corrente de ar, cuja velocidade deve ser
suficiente para sua captura e arrastamento.
Publicações americanas (GuideI) dão indicação das velocidades mínimas
necessárias (Tabela 7.3) à captação.

Tabela 7.3: Velocidades mínimas para captação de partículas em MPM. [2]


Velocidade
Velocidade do
Instalação Típica Mínima do
Contaminante
Ar (MPM)
Nula Tanques de evaporação, cozinhas 15 – 30
Baixa Cabines de pintura, misturadores 30 – 60
Alta Separação de peças fundidas, britadores, peneiras 60 – 150
Muito alta Esmerilhamento, jato abrasivo 150 - 600
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 127
A forma dos captores depende do tipo de poluente, sendo o mais comum a
coifa, que deve obedecer à indicação da figura 7.7.

Figura 7.7: Dados práticos para a construção de coifas. [2]

O volume de poluente aspirado pode ser obtido da fórmula:

Q=KxVxPxH
Onde:
Q = Vazão em MCM;
V = Velocidade de captação em MPM (tabela 7.3);
K = constante que depende da forma da boca (1,25 a 1,4);
H = altura acima da fonte poluidora, em m;
P = perímetro da abertura, em m.

Observação: Se a fonte poluidora for colocada encostada na parede, o


perímetro P, de abertura do captor, é reduzido do trecho que ficar encostado.

7.6.2 Dutos de ar

Conforme visto no capítulo anterior, a equação para o dimensionamento dos


dutos é:

Ou seja:

Onde:
A = Área, em m²;
Q = Vazão, em MCM;
V = Velocidade, em MPM.

Pode-se usar qualquer dos métodos de dimensionamento indicados, sendo o


mais comum o de igual perda de carga.
De acordo com o material transportado, as velocidades recomendadas para o
ar devem satisfazer a tabela 7.4.

Tabela 7.4: Velocidades Recomendadas para o ar em m/min nos dutos de exaustores. [2]
Material Transportado Velocidade em MPM
Vapores, gases, fumos, poeira muito fina 600
Poeiras secas e finas 900
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Poeiras industriais médias 1.050
Partículas grosseiras 1.050 – 1.350
Partículas grandes, materiais úmidos. Maior que 1.350

Pode-se diminuir a seção do duto aumentando a velocidade, o que resulta em


aumento de ruído e de perda de carga. As perdas de pressão nos sistemas de dutos já
foram estudadas no capítulo anterior.

 Material dos dutos


Os materiais para dutos podem ser madeira, alvenaria, chapas de aço inoxidável
ou galvanizado, alumínio etc., sendo mais usual o aço galvanizado. As espessuras das
chapas dos dutos podem ser as mesmas indicadas na tabela 7.5, aumentando-se
conforme o tipo de material a ser conduzido (tabela 7.6).

Tabela 7.5: Bitolas de chapas recomendadas na fabricação dos dutos nos sistemas de baixa
pressão. [9]
Espessuras Circular
Retangular
Alumínio Aço Galvanizado Calandrado com
Lado Maior
Helicoidal (mm) Costura
Bitola mm Bitola mm (mm)
Longitudinal (mm)
24 0,64 26 0,50 Até 225 Até 450 Até 300
22 0,79 24 0,64 250 a 600 460 a 750 310 a 750
20 0,95 22 0,79 650 a 900 760 a 1.150 760 a 1.400
18 1,27 20 0,95 950 a 1.250 1.160 a 1.500 1.410 a 2.100
16 1,59 18 1,27 1.300 a 1.500 1.510 a 2.300 2.110 a 3.000

A seção de dutos mais aconselhável é a circular, para evitar acúmulo do


material captado nas arestas dos dutos de outras seções.
Observação: Se o duto for de alumínio, aumentar dois pontos. Exemplo: tipo 1;
espessura 0,80 m, chapa galvanizada n°20; alumínio nº16.

Tipo do material arrastado pelo duto:


- Tipo 1: Material não-abrasivo (tinta, serragem vapores);
- Tipo 2: Pouco material abrasivo (moagem de combustível), muito material não-
abrasivo;
- Tipo 3: Muito material abrasivo (britadores, chaminés).

Tabela 7.6: Bitolas das chapas galvanizadas usadas na fabricação de dutos de exaustores
(espessura das chapas de aço). [2]
Bitola da Chapa
Diâmetro do Duto (cm)
Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3
Até 45 22 20 18
Até 100 20 18 16
Maior que 100 18 16 14

Observações:
- Usar curvas de raio longo (mínimo 2 diâmetros);
- Usar portas de inspeção a cada 3 metros;
- Prever registros de vazão de ar (dampers).
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 129
7.6.3 Ventilador

Os ventiladores dos exaustores também podem ser centrífugos ou axiais. São


normalmente fabricados em chapa de aço preto, galvanizadas ou inoxidáveis. Em
casos especiais, para exaustão de elementos corrosivos, as chapas podem ser
revestidas de chumbo e os motores podem ser à prova de explosão.

7.6.4 Chaminés

A função da chaminé é a de lançar na atmosfera os poluentes captados no


ambiente e conduzidos através dos dutos pela pressão que é provocada pelo
ventilador.
Na figura 7.8 é apresentado uma indicação para projetar uma chaminé, e na
tabela 7.7 temos as perdas de carga em função da altura H entre o chapéu e a
tubulação. A altura H deve variar de 0,45 a 1 diâmetro, e quanto menor o seu valor,
maiores são as perdas de carga.

Figura 7.8: Indicações para a construção de uma chaminé. [2]

A pressão dinâmica pode ser tirada da fórmula:



Onde:
V = velocidade em m/min;
Pv = pressão dinâmica em mm de coluna d’água (figura 6.8).

Tabela 7.7: Perda de carga em função de H. [2]


H Perda de Carga = n Pv
0,45 D n =1,0
0,50 D n = 0,73
0,55 D n = 0,56
0,60 D n = 0,41
0,65 D n = 0,30
0,70 D n = 0,22
0,75 D n = 0,18
1,0 D n = 0,10
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 130
Exemplo 7.1: Dimensione o sistema de exaustão para a cozinha mostrada na figura
abaixo. Dados:
- Dimensões do fogão: 1,50 x 2,0 x 0,75 m;
- Pé-direito: 4 m.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 131
Exercícios do Capítulo 7

7.1 Se o captor do exemplo da figura 7.8 se destinasse a uma cabine de pintura, qual
deveria ser a vazão de ar necessária á exaustão? Considerar como valor médio para
a velocidade mínima de captação o da tabela 7.3.

7.2 Qual a área do duto de exaustão para uma fábrica de cimento (poeira seca e
fina), se a vazão de ar necessária é de 1000 MCM?

7.3 Se o duto do exercício anterior for fabricado em alumínio, qual deverá ser a bitola
da chapa, considerando-se que o cimento contém pouco material abrasivo.

7.4 Calcular a perda de carga, em mm de C.A., na chaminé de um exaustor sabendo-


se que a altura H é 0,5 do diâmetro, a vazão é de 800 MCM e a área da tubulação é
igual a 0,20 m².

7.5 Calcular a potência, em kW, do ventilador de um exaustor para uma vazão de ar


de 800 MCM, com perdas totais de 50 mm de C. A. e rendimento do ventilador de
0,75%.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 132

Torres de Arrefecimento e
Condensadores Evaporativos
8.1 Introdução

Já sabemos que em instalações frigoríficas e de ar condicionado o fluido


refrigerante sob a forma gasosa é comprimido no compressor e, sob a forma de gás
em alta pressão, é lançado no condensador. O modo pelo qual se dá a condensação
define dois tipos de equipamentos:
— unidade de condensação a ar; e
— unidade de condensação a água.
As unidades de condensação a ar são usadas para pequenas unidades (em
geral até 15 toneladas de refrigeração). As unidades de condensação a água são
indicadas para quaisquer potências.
Ao projetista do ar condicionado compete a escolha do tipo de condensação,
devendo levar em conta razões de espaço disponível, confiabilidade exigida,
quantidade de água disponível, bem como o seu custo e qualidade.
Por exemplo, se em uma instalação a carga térmica exigir 40 TR, ao projetista
compete decidir se será mais econômica a instalação de quatro máquinas de 10 TR
com condensação a ar, ou duas máquinas de 20 TR com condensação a água.
Deverá levar em conta o investimento inicial em ambos os casos e o custo
operacional em que pesará o custo do kWh de toda a instalação, o custo da água
em função das perdas e do número de horas diárias de operação.
Os equipamentos mais usados em instalações frigoríficas e de ar condicionado
são as torres de arrefecimento e os condensadores evaporativos.
Quando usamos as torres de arrefecimento, os condensadores do equipamento
de refrigeração são do tipo ―shell and tube‖, ou seja, uma carcaça de ferro fundido
que possui em seu interior uma tubulação de cobre. Através dessa tubulação circula o
fluido frigorígeno (freon-12, 22 ou HFC 134), que passa do estado gasoso ao líquido em
alta pressão, cedendo calor à água de circulação, com a qual é mantido em contato
dentro do condensador.
Os condensadores evaporativos também economizam água e são ao mesmo
tempo condensador e torre. Nesses condensadores, o gás quente vindo do
compressor (gás em alta pressão) circula em uma serpentina que recebe água dos
borrifadores, transforma-se em líquido, que é armazenado no receptor de refrigerante
líquido.

8.2 Torres de Arrefecimento

As torres de arrefecimento mais usuais são trocadores de calor de tiragem mecânica


de ar forçado ou por indução com o fluxo de ar em contracorrente ou corrente mista
ou, ainda, torres atmosféricas.
A água quente oriunda do condensador circula pela torre; entrando pela parte
superior, é distribuída pelos canais abertos e, por gravidade, desce ao tanque coletor,
de onde é sugada por uma bomba. O nível d’água do tanque coletor é mantido por
meio de torneira de bóia. Assim, a água resfriada volta ao condensador de modo
contínuo e uniforme, de tal forma que o calor cedido pelo fluido refrigerante à água
de circulação é lançado ao ar, com o qual entra em contato na torre,
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 133
• Há três tipos de torre, conforme a maneira pela qual a corrente de ar entra em
contato com a água (figura 8.1):
atmosférica;
corrente de ar forçado; e
corrente de ar induzido.

Figura 8.1: Tipos de Torre de arrefecimento:(a) atmosférica; (b) corrente de ar forçado; (c)
corrente de ar induzido. [2]

A torre atmosférica é geralmente colocada na cobertura do prédio e deve ficar


localizada de modo a receber a incidência direta dos ventos dominantes, pois não
possui ventiladores.

Figura 8.2: Torre atmosférica. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 134
A torre de corrente de ar forçado pode ser colocada em qualquer ponto do
prédio em contato com o exterior. Possui um ventilador lateral na parte inferior.

Figura 8.3: Torre de corrente de ar forçado, totalmente em PRF (Plástico Reforçado com Fibra
de Vidro). Fonte: http://www.alpinaequipamentos.com.br/torres-de-resfriamento/2/torre-de-
resfriamento-alpina-modelo-4-a-32ins#photo-22.

A torre de corrente de ar induzido deve ficar instalada de preferência na


cobertura do prédio. O ventilador fica localizado acima dos borrifadores.

Figura 8.4: Torre de Corrente de ar induzido. Fornecimento padrão com entrada de ar por
quarto lados. Fonte: http://www.alpinaequipamentos.com.br/torres-de-resfriamento/3/torre-de-
resfriamento-alpina-modelos-25-a-80-aspiracao#photo-8.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 135
No contato entre ar e água, esta cede calor ao ar ascendente por evaporação
ou convecção. A quantidade de calor dQ cedida ao ar por uma partícula de água
com uma superfície dS é:

Onde:
dQ = quantidade de calor em kcal/h;
h - h0 = diferença de entalpia entre o ar saturado (após o contato com a
partícula) e o ar não-saturado em kcal/kg
= coeficiente de evaporação que depende das condições de escoamento na
superfície-limite ar/água em kg/m²xh
dS = superfície da partícula em m².

Os fatores e dS são dependentes das dimensões físicas do resfriador, portanto a


capacidade de resfriamento Q de uma determinada unidade é função das
condições atmosféricas e da transferência de calor expressas por h – h0. O resfriador
ideal seria aquele que lançasse na atmosfera o ar com temperatura igual à da água
quente e completamente saturado, ou seja, o fator h - h0 sendo um máximo.
A diferença entre as entalpias do ar na entrada e na saída depende da queda
de temperatura da água na entrada e na saída e da relação dos volumes de água e
do ar em jogo no sistema, ou seja:

Onde:
h2 – h1= diferença entre as entalpias do ar na entrada e na saída;
Vw = volume de água pulverizada ou gotejada;
Va = volume do ar;
tw1= temperatura da água na entrada;
tw2= temperatura da água na saída;

A temperatura de bulbo úmido do ar do ambiente é o limite físico mínimo ao


qual pode ser resfriada a água em circulação no resfriador, por evaporação. Assim,
temos a definição de approach (aproximação), ―a diferença entre a temperatura da
água resfriada tw2 e a temperatura de bulbo úmido do ar do ambiente tu‖:

Quanto menor o approach (a), tanto menor pode ser o resfriador, pois maior será
a diferença de entalpias, h - h0, do ar. A escolha correta do resfriador vai depender
desse approach e da temperatura de bulbo úmido do ar.

8.2.1 Tabelas Climatológicas

Baseadas em dados fornecidos pela Diretoria de Rotas Aéreas do Ministério da


Aeronáutica, tem-se as tabelas climatológicas da figura 8.5 para algumas cidades
brasileiras. Observando-se a tabela relativa a um lugar específico, poder-se-á optar
pela escolha econômica de um resfriador.
Para um local em que o pico de calor se verifique em apenas um mês do ano,
será mais econômico escolher um resfriador menor, porém com ventilador de duas
velocidades, por exemplo, cuja comutação da rotação seja comandada por um
termostato na bacia da água resfriada. Para a variação da rotação, pode-se usar
uma chave elétrica que faz a ligação de 8 polos (900 RPM) ou 4 polos (1.800 (RPM).
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 136

Figura 8.5: Curvas Climatológicas de algumas cidades brasileiras. [2]

8.2.2 Escolha de uma torre de arrefecimento


Para a escolha correta de uma torre, devemos saber a carga térmica Q, a
temperatura da água quente em graus Celsius (tw1) e a temperatura de bulbo úmido
do ar ambiente (tu) (podem-se usar os gráficos de temperatura do local, ver figura
8.5).
De acordo com a experiência, nas instalações de ar condicionado ou frio
industrial devem-se usar os seguintes valores:
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 137
— para o approach, a = tw2 - tu, de 3 a 5,5°C;
— para tw2 = 29,5°C;
— para o Z = tw2 – tw1, de 4 a 5,5°C.

Onde:
tw2 = temperatura da água resfriada em °C;
tw1 = temperatura da água na entrada do resfriador em °C;
tu = temperatura de bulbo úmido em °C.

Figura 8.6: Exemplo de seleção deum resfriador de água. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 138

Exemplo 8.1: Numa instalação de ar condicionado para verão, o projeto fixou os


seguintes elementos:
 Carga térmica: 70 TR;
 Temperatura de água quente tw1 = 34,5°C;
 Temperatura de bulbo úmido do ar exterior tu = 24°C. Escolher o resfriador de
água utilizando os gráficos do fabricante, a Alpina.

8.2.3 Perdas de água

As perdas de água de um resfriador do tipo compacto não ultrapassam 2% da


vazão de agua de circulação. As perdas devem-se à evaporação de água,
arrastamento das gotículas finíssimas pelo ventilador e ainda à purga de
desconcentração.

8.2.4 Quantidade de água de circulação

A quantidade de água recomendada para circulação para os condensadores


deve ser de 3 GPM por TR para um diferencial de temperatura aproximado de 5,6 ºC
(10°F), ou, em dados práticos, toma-se de 3 a 6 GPM por TR, ou seja,: 11,4 a 22,8 litros
por minuto por tonelada de refrigeração (TR). Em outras unidades: 0,68 a 1,36 m³/h.

Exemplo 8.2: Vamos supor uma instalação cuja carga térmica seja de 100 TR. A
quantidade de água de circulação a passar pelo condensador, bomba e torre na
base de 0,68 m³/h por TR será:

8.2.5 Escolha da Bomba d’água de circulação (BAC)

Para a escolha de uma bomba-d’água, devemos conhecer os seguintes


parâmetros:
- Altura manométrica em metros – Hm;
- Vazão em m³/h – Q.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 139
A altura manométrica Hm é a altura representativa das perdas de carga a vencer
mais a altura estática:
Hm = Hest + Hperd
As perdas de carga de um sistema de água de circulação podem ser divididos
em três parcelas:
- perda de carga através do condensador, em metros, obtida pelos dados do
fabricante;
- perda de carga através da torre, em metros, obtida pelos dados do fabricante;
- perda de carga através das tubulações, conexões, registros etc., em metros,
obtida pelos cálculos hidráulicos.
Para conhecer as perdas no sistema hidráulico, precisa-se saber o diâmetro das
tubulações. Os diâmetros podem ser fixados conhecendo-se a vazão em m³/h ou l/2 e
a velocidade em m/s.
De acordo com a NBR-16401:2008, a velocidade máxima nas tubulações deve
ser de 2,5 m/s e a indicação dos diâmetros recomendados em função da vazão, o que
deve ser usado pelo projetista da instalação, é mostrado na tabela 8.1.

Tabela 8.1: Diâmetros Recomendados e Velocidades Máximas nas Tubulações de Água. [9]
Diâmetro do tubo Sistema Fechado Sistema Aberto
Vazão Velocidade Vazão Velocidade
mm pol Perda % Perda %
m³/h m/s m³/h m/s
19 3/4 1,5 1,2 10 1,0 0,8 10
25 1 3 1,5 10 2,2 1,1 10
32 1 1/4 6 1,7 10 4 1,2 10
38 1 1/2 9 1,9 10 6 1,3 10
50 2 17 2,2 10 12 1,6 10
65 2 1/2 28 2,5 10 23 2,1 10
75 3 48 2,8 10 36 2,1 10
100 4 90 3,1 9 75 2,5 10
125 5 143 3,1 7 136 2,9 10
150 6 215 3,2 5,5 204 3,1 9

8.2.6 Potência da bomba da água de circulação (BAC)

A potência da BAC pode ser obtida através da seguinte expressão:

Onde:
P = potência em cv;
Q = vazão em m³/h;
Hm = altura manométrica em m;
= rendimento do conjunto motor-bomba (da ordem de 40 ou 50%).

Exemplo 8.3: Calcule a potência da bomba de circulação, sabendo que a vazão é


igual 60 m³/h e a altura manométrica igual a 15m.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 140
8.3 Condensadores Evaporativos

Uma instalação que usa um condensador evaporativo dispensa o condensador


normal; esse equipamento é uma composição de condensador e torre numa só peça.
Os condensadores evaporativos podem ser colocados acima ou abaixo dos
evaporadores, sendo melhor acima; podem ser usados para instalações que utilizam
mais de um compressor.

8.3.1 Partes Constituintes

A figura 8.7 apresenta um esquema típico de um condensador evaporativo que


é composto das seguintes partes:

Figura 8.7: Condensador evaporativo – partes constituintes. [2]

8.3.2 Funcionamento

As figuras 8.7 e 8.8 tem-se o conjunto montado para operação. O gás quente
oriundo do compressor passa pelas serpentinas de condensação, onde recebe a
água borrifada; nessa região, o gás cede calor à água e ao ar e se condensa, sendo
depositado no receptor do líquido sob a forma de líquido em alta pressão. Do
receptor, o fluido frigorígeno se desloca para a válvula de expansão e daí ás
serpentinas de expansão direta (evaporador), onde circula o ar que é resfriado. No
evaporador, o fluido se torna gasoso e novamente é aspirado pelo compressor pela
linha de sucção.
A bomba d’água recebe a água depositada na bandeja e pressiona-a no
distribuidor de água e borrifadores. A água espargida é lançada sobre as serpentinas
de condensação, provoca troca de calor com o fluido quente e se evapora (calor
latente de vaporização). O ar circulando sob a ação do ventilador mantém contato
com as serpentinas e a água que lhe cede calor, é lançado ao exterior sob a forma
quente e úmida, ou seja, praticamente saturado. À semelhança da torre, a
temperatura de bulbo úmido do ar nunca é atingida pela água de retorno situada na
bandeja. Haverá sempre um approach (a = tw2 - tu) da ordem de 5°C.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 141
- tw2 = temperatura da água de retorno em °C;
- tu = temperatura de bulbo úmido do ar em °C.

Figura 8.8: Condensador evaporativo – Instalação. [2]

8.3.3 Dados práticos gerais para os condensadores evaporativos

(A) Vazão de ar dos ventiladores – deve ser em torno de 7,07 MCM por TR.
(B) Água de circulação – a quantidade de água de circulação deve ser de 3,78
litros/minuto por TR.
(C) Perdas de água – a quantidade de água perdida por evaporação é da
ordem de 0,126 litros/minuto por TR, ou seja, cerca de 3,3% de perda.
Na tabela 8.1 é apresentado alguns dados para os condensadores evaporativos
baseados nos dados práticos acima descritos.

Tabela 8.1: Dados Recomendados para escolha de condensadores evaporativos. [2]


Capacidade (TR) 5 10 15 20 25 30 40 50
Vazão do ventilador (MCM) 36 71 106 141 177 212 283 354
Motor do ventilador (HP) 1/2 1 1 1/2 2 3 3 5 5
Entrada de água (Litros) 1/2 1/2 3/4 3/4 3/4 1 1 1
Vazão da bomba-d’água (litros/min) 19 38 57 76 95 113 151 189
Motor da bomba-d’água (HP) 1/4 1/4 1/3 1/3 1/2 1/2 1/2 3/4
Perdas por evaporação (litros/min) 0,65 1,26 1,89 2,52 3,15 3,78 5,04 6,3
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 142
Exercícios do Capítulo 8

8.1 Cite três razões pela quais é imposta a instalação de unidades com condensação
a ar.

8.2 Em uma instalação de funcionamento diurno na cidade de Porto Alegre, a


temperatura da água de saída da torre é de 29,5°C. Calcule o menor approach
anual, utilizando as curvas climatológicas da figura 8.5.

8.3 Selecionar um resfriador de água para uma instalação com os seguintes dados:
- Carga térmica: 60 TR
- Temperatura da água quente: 33,5°C
- Temperatura de bulbo do ar exterior: 25°C
- Vazão da bomba: 3 GPM por TR
Usar o gráfico da figura 8.6 e tomar o Z=4.

8.4 Calcular as perdas de água de um resfriador para uma instalação de 80 TR e o


custo mensal dessas perdas, supondo a instalação funcionando 24 horas por dia
durante os 30 dias.
- Base: 3 GPM/TR
- Custo da água: R$ 2,00/m³

8.5 Considerando os dados do exercício anterior, calcular o diâmetro recomendado


para a tubulação de água da torre de resfriamento.

8.6 Calcular a potência de uma bomba d’água de circulação (BAC) para uma
instalação em que a altura manométrica é 10 m e a carga térmica, 50 TR. Tomar o
rendimento de 40% e a vazão de 6 GPM/TR. Resposta em kW.

8.7 Calcular a altura manométrica do sistema mostrado na figura a seguir, onde tem-
se os seguinte dados:
- Distância entre a entrada e saída de água na torre: 2,5m
- Perda de carga no condensador: 8 m de C.A.
- Perda de carga na torre: 6 m de C.A.
- Perda de carga na tubulação: 0,5 m/min.
- Comprimento da tubulação: 20 m.
- Comprimento devido aos acidentes: 40 m.

8.8 Qual deve ser a vazão de ar do ventilador de um condensador evaporativo para


uma instalação de 25 TR? Dar a resposta em MCM.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 143

8.9 Qual deve ser a quantidade de água de circulação para a instalação do exercício
anterior?

8.10 Qual será a quantidade perdida por evaporação, em litros/minuto, para a


instalação do exercício 8.8?
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 144

Controles Automáticos

9.1 Introdução

Há três objetivos principais ao se projetar um sistema de controle numa instalação


de ar condicionado:
• Conforto;
• Economia;
• Segurança.
O conforto consegue-se mantendo a temperatura e a umidade relativa do
ambiente dentro dos limites desejáveis; a economia é obtida fazendo-se com que
certos equipamentos sejam desligados nos momentos de menor carga térmica; a
segurança é obtida acionando-se certos dispositivos toda vez que há alguma
anormalidade no funcionamento da instalação.
Os dispositivos de controle podem ser de dois tipos:
• Liga-desliga (on-off);
• Gradual.
Como exemplo de controle liga-desliga, pode-se citar os termostatos e
pressostatos; como exemplo de controle gradual, temos a válvula de expansão
termostática.

9.2 Sistemas de controles automáticos

Os sistemas de controle mais usados em ar condicionado são:


• Elétricos;
• Pneumáticos;
• Autônomos.
Os sistemas elétricos são os mais usuais e se baseiam no princípio de que
pequenas correntes podem controlar grandes cargas. Há dois circuitos básicos no
controle elétrico:
• Circuito de força, que aciona a máquina operatriz;
• Circuito de controle, que uma vez fechado possibilita o fechamento da chave
do circuito de força.
Os sistemas pneumáticos são acionados por ar comprimido, normalmente a
baixa pressão (até 1,05 kg/cm²), e servem para abrir ou fechar válvulas ou registros.
Os controles autônomos são assim chamados porque não precisam de fonte
externa para agir; utilizam o princípio da dilatação de um líquido volátil, normalmente
o mercúrio para fazer abrir ou fechar uma válvula.

9.3 Controles elétricos

Os controles elétricos podem ser: de acionamento ou de operação do sistema.


O controle de acionamento é conseguido por meio de chaves, relés,
contactores, lâmpadas sinalizadoras, botoeiras liga-desliga etc. dispostos de maneira
adequada a dar partida, proteger e intertravar os diversos equipamentos que devem
entrar em operação segundo uma seqüência apropriada. O controle de operação do
sistema é conseguido por meio de termostatos, umidistatos, pressostatos, válvulas
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 145
solenóides etc., cuja função é manter o recinto dentro das condições de conforto
desejadas. Antes de estudarmos o funcionamento de um sistema elétrico de controle
e acionamento, vejamos algumas definições:
• Chaves elétricas — são dispositivos destinados a ligar-desligar e proteger os
circuitos, com comando local;
• Contactores — equipamentos destinados a ligar-desligar e proteger, com
comando a distância ou local, possuem internamente o circuito de controle e o
circuito de força;
• Relé auxiliar — equipamentos que permitem ligar-desligar outros circuitos
auxiliares, não possuindo circuito de força;
• Relé de sobrecarga — equipamentos de proteção que se abrem quando a
corrente ultrapassa certos limites;
• Botoeira liga-desliga — dispositivos para ligar e desligar os circuitos;
• Lâmpadas sinalizadoras — servem para mostrar se um circuito está ligado ou
desligado;
• Termostatos — equipamentos que permitem a regulação de temperatura
através de contatos que se abrem no limite máximo e se fecham no limite mínimo;
• Pressostatos — equipamentos que operam por pressão máxima (desligam o
circuito) ou por pressão mínima (ligam o circuito);
• Umidistatos — aparelhos que regulam a umidade relativa do ambiente,
abrindo ou fechando o circuito conforme os limites desejáveis;
• Válvulas solenóides — válvulas que abrem ou fecham o fluxo de um fluido
qualquer (água, fréon, vapor etc.) mediante a atuação de uma bobina elétrica
comandada por um outro equipamento controlador.

A seguir são apresentados alguns tipos de aparelhos controladores da operação


do sistema.

(a) (b) (c) (d)


Figura 9.1: (a) Termostato; (b) Pressostato; (c) Medidor de Umidade e (d) Medidor de Vazão.

Agora que já temos noção da função de cada peça, vejamos como será o
desempenho de um conjunto.
• Suponhamos os diagramas das figuras 9.2 e 9.3, correspondentes ao
funcionamento do condicionador de ar 10T-VA da Coldex-Trane, do tipo self-
contained (compacto).
• No circuito de força, vemos como as diversas máquinas do condicionador se
ligam às fases R, S, T de uma rede elétrica trifásica. Uma chave geral liga,
protege e secciona o condicionador na rede (poderia ser um disjuntor); cada
ramal é protegido por fusíveis (F1, F2, F3). Cada máquina é ligada e desligada
pelos contactores C1, C2, C3, que são acionados pelas bobinas a-b, que estão
no circuito de controle.
• No circuito de controle, vemos os diversos componentes destinados a acionar
os equipamentos e a manter as condições necessárias ao conforto no recinto.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 146

Figura 9.2: Circuito de força de um condicionador do tipo self-contained- Condensação a


água. [2]

Figura 9.3: Circuito de controle de um condicionador do tipo self-contained – Condensação a


água. [2]
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 147
9.4 Diagramas de controle

O controle mais simples é o de um único termostato de ambiente controlando a


chave de partida do compressor figura 9.4. Nessa figura vemos uma instalação de
conforto para verão em que o termostato de ambiente é regulado para uma única
temperatura; quando é atingida essa temperatura, o compressor desliga, e quando a
temperatura ultrapassa o ponto fixado, o compressor parte até ser restabelecida a
temperatura. Nesse tipo de controle há o inconveniente das ligações e paradas do
compressor muito frequentes. Para evitar esse problema, no diagrama da figura 9.5 é
indicado o controle por válvula solenóide comandada pelo termostato de ambiente.
O papel dessa válvula é fechar o fluxo de refrigerante toda vez que o termostato de
ambiente completar o circuito elétrico (quando é atingida a temperatura de corte). O
compressor continua funcionando até parar por ação do pressostato de alta.

Figura 9.4: Controle da partida do compressor por termostato de ambiente. [2]

Figura 9.5: Controle da válvula solenóide. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 148
No diagrama da figura 9.6 vemos uma instalação para verão em que a
serpentina de esfriamento (evaporador) é subdividida de modo a atender a duas
temperaturas diferentes. O termostato de dois estágios é uma caixa onde se pode
registrar duas temperaturas diferentes. Se, por exemplo, registramos a serpentina
menor para que sua válvula solenóide feche a uma temperatura de 80°F (26,7°C) e a
serpentina maior é regulada para 78°F (25,6°C), temos o seguinte: se a temperatura
ambiente for caindo até 26,7°C, fecha-se a entrada de refrigerante na serpentina
menor, mas continua o fluxo de refrigerante pela serpentina maior até ser atingida a
temperatura de 25,6°C. Nesse ponto, deixa de entrar refrigerante em ambas as
serpentinas. Inversamente, quando a temperatura atingir 25.6°C, abre-se a serpentina
maior, e, se a temperatura continuar subindo, a 26,7°C abre-se a válvula da serpentina
menor.

Figura 9.6: Diagrama de controle utilizando termostato de dois estágios. [2]

Na figura 9.7 vemos uma instalação em que a temperatura ambiente deve ter
controle rigoroso, O termostato de ambiente é do tipo modulador, sendo capaz de
comandar um controlador de seqüência abrindo cada serpentina por meio da
válvula solenóide respectiva, de modo que a temperatura ambiente seja controlada
em degraus.

Figura 9.7: Controle de quatro serpentinas. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 149
Na figura 9.8 vemos uma instalação utilizada em localidades em que há grande
variação de temperatura no verão e no inverno.

Figura 9.8: Controle do aquecimento de ambientes. [2]

Em muitos sistemas de ar condicionado há necessidade de controle da umidade,


em especial aqueles em localidades frias ou onde a umidade é normalmente baixa.
Na figura 9.9 vemos uma instalação capaz de controlar a umidade: um umidistato
manual é colocado ou no ambiente ou na tubulação de retorno (preferível). Esse
umidistato HI age diretamente na válvula solenóide SW que controla o fluxo d’água
nos borrifadores. Eles são colocados entre as serpentinas de esfriamento e de
aquecimento, e de tal maneira a borrifar água em contracorrente com o ar; desse
modo haverá melhor contato e, em conseqüência, melhor umidificação. A umidade
desejada é registrada no umidistato HI e, caso o ar de retorno esteja com menor
umidade, a válvula solenóide SW é aberta e a água, sob pressão, é espargida pelos
borrifadores, aumentando a umidade do ar. Quando atingido o valor desejado,
fecha-se a válvula solenóide, cessando a borrifação de água, e a umidade do ar
permanece, por algum tempo, no limite desejado.

Figura 9.9: Controle do aquecimento e da umidade do ambiente. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 150

Em algumas instalações pode haver necessidade do controle da pressão


estática do ar. Na figura 9.10 vemos um arranjo em que um aparelho sensível à
pressão estática do ar é colocado na descarga do ventilador e com comando sobre
um motor elétrico que abre ou fecha um registro tipo veneziana.

Figura 9.10: Controle da pressão do ar. [2]

Em um sistema de água gelada (figura 9.11), sabemos que a água gelada é


produzida no refrigerador de água e impulsionada pela bomba de água gelada a
todos os fan-coils espalhados no recinto a condicionar. A temperatura mais comum
nesses sistemas é de 45°F (7,2°C) controlada por meio de um termostato na sucção da
bomba.

Figura 9.11: Controle da temperatura de um resfriador de água. [2]


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 151

Escopo de Projetos de Ar
Condicionado e Ventilação
10.1 Estudo Preliminar

No estudo preliminar, o projetista deve dispor da plantas de arquitetura do prédio


e, se possível, das plantas de forma, para saber a localização das vigas e pilares.
Deve saber as condições a serem estabelecidas no recinto: temperatura de
bulbo seco, umidade relativa do ar, movimentação do ar, grau de pureza, nível de
ruído e porcentagem de renovação.
Depois de conhecidos estes parâmetros, estará em condições de calcular a
carga térmica e para tal, precisa das seguintes informações:
 Condições do ar exterior (TBS e TBU);
 Natureza da construção das paredes, pisos e tetos;
 Tipos das Janelas e sua proteção; temperatura dos recintos contíguos;
 Orientação das dependências em relação ao sol;
 Possibilidade de infiltração do ar exterior pelas portas e janelas;
 Número de pessoas no recinto;
 Carga elétrica total no recinto;
 Outras fontes de calor, etc.

10.2 Elaboração do Anteprojeto

Nesta fase deve ser feita a escolha do sistema de condicionamento de ar,


ventilação ou exaustão, depois de uma comparação técnica e econômica com o s
demais sistemas.
Em seguida é feito o cálculo da carga térmica que nos conduz à potência
frigorífica dos equipamentos.
Nesta fase devem ser feitos desenhos preliminares de caminhamento das redes
de dutos, dos arranjos preliminares das unidades condicionadoras, ventiladora e
exaustoras.

10.3 Projeto Definitivo

Nesta fase deve ser elaborada a memória de cálculo e o memorial descritivo,


onde são especificados os equipamentos e materiais, e também normas de serviço
que serão utilizados no projeto.
Em seguida devem ser apresentados os desenhos definitivos, com cortes e
dimensionamentos dos dutos.
Também devem ser apresentados layouts dos posicionamentos dos
equipamentos em cada ambiente.
No projeto definitivo também deve ser apresentado o orçamento,
Os honorários para elaboração do projeto, dependendo do tamanho e da
complexidade da instalação, pode variar ao redor de 3% a 10% do seu custo, valor
certamente muito menor que o prejuízo que uma instalação inadequada poderá
causar, seja pelo alto custo de operação e manutenção, seja pelas reformas que
serão necessárias para que ela passe a atender às necessidades do edifício.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 152
10.4 Localização do Equipamento

Se pudermos escolher, deveríamos instalar o nosso ar refrigerado em paredes


voltadas para leste ou sul, onde a incidência solar não é tão forte.
Escolher uma parede onde a parte externa (traseira) do aparelho, receba o
mínimo possível de raios solares. Mas isto nem sempre é possível, então instale um
anteparo para evitar que os raios solares incidam diretamente no aparelho.
É muito importante também evitar que a parte externa do aparelho esteja
voltada para locais fechados tais como cômodos internos, corredores, garagens,
forros, etc.
Quanto mais livre correr o ar mais leve trabalhara o compressor, e isto serve para
os dois lados (externo e interno).
Sempre que possível, instale o produto nas paredes que possuem maior distância
entre si. Esse cuidado torna a distribuição do ar mais eficiente.

Figura 10.1:

Havendo mais de um Condicionador de Ar no ambiente, para melhor


desempenho, evite fluxo de ar cruzados.

Figura 10.2:

Evite locais onde a circulação do ar possa ser obstruída ou dificultada por


cortinas, móveis ou divisórias.

Figura10.3:
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 153

Figura 10.4:

10.5 PMOC

A Portaria nº 3523, de 28/08/1998 do Ministério da Saúde, tornou obrigatório


implementar e manter disponível no imóvel um PMOC (Plano de Manutenção,
Operação e controle) para os sistemas de climatização com capacidade acima de
5TR ou 60.000 BTU/h.
Os requisitos para cumprir as exigências são:
 Elaborar e manter o PMOC: Dados sobre os sistemas a serem mantidos com o
detalhamento das atividades a serem realizadas pela equipe de manutenção e os
respectivos registros comprovando a execução das mesmas.
 Responsabilidade técnica: O plano deve ser supervisionado por profissional
habilitado (engenheiro mecânico ou técnico em refrigeração e ar condicionado).
Esse profissional deve emitir de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) dos
serviços realizados.
 Análises microbiológicas semestrais: Devem ser realizadas por laboratórios
especializados. Na ocorrência de análises fora de parâmetros devem ser adotadas
ações corretivas.
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 154
Referências Bibliográficas

[1] INCROPERA, F.; DEWITT, D. P.; BERGMAN, T. L.; LAVINE, A. S. Fundamentos de


Transferência de Calor e Massa. 6ª edição. Editora: LTC. Rio de Janeiro, 2008.

[2] CREDER, H. Instalações de Ar Condicionado. 6ª edição. Editora: LTC. Rio de Janeiro


2004.

[3] JABARDO, J. M. S.; STOECKER, W.F. Refrigeração Industrial. 2ª edição. Editora:


Blucher. Rio de Janeiro, 2002.

[4] PIRANI, M. J. Apostila de Ar Condicionado. DEM – UFBA. S/ ano.

[5] SILVA, J. C.; SILVA, A. C. G. C. Refrigeração para Técnicos e Engenheiros. 1ª edição.


Editora: Ciência Moderna. Rio de Janeiro, 2007.

[6] CORRÊA, J. Refrigeração e Climatização. LABCLIMA – Laboratório de Climatização.


S/ ano.

[7] MARTINELLI, L. C. Refrigeração e Ar Condicionado: Psicrometria. S/ ano.

[8] STOECKER, W. F.; JONES, J. W. Refrigeração e Ar Condicionado. 2ª edição. Editora:


McGraw-Hill, 1985.

[9] ABNT - NBR 16401 – Instalações de Ar Condicionado. 2008.

[10] ABNT - NBR 15220 – Desempenho térmico de edificações. 2003.

[11] SILVA, J. C. Refrigeração Comercial e Climatização Industrial. 1ª edição. Editora:


Hemus. Rio de Janeiro, 2006.

[12] DOSSAT, R. J. Princípios de Refrigeração. 1ª edição. Editora: Hemus. Rio de Janeiro,


reimpressão 2004.
Anexo 1 – Planilha para Cálculo da Carga Térmica Simplificada

Faculdade Redentor – Curso de Graduação em Engenharia Mecânica


Aluno: Data:
Ar Condicionado e Ventilação Prof.: Juvenil Nunes de Oliveira Jr.
CÁLCULO DE CARGA TÉRMICA SIMPLIFICADA
Unidades Unidade x Necessidades de
Procedências do Calor FATORES
m² Watts Fator Refrigeração (kcal/h)
Sem Proteção Proteção
Tipo 1 – Janelas com insolação proteção Interna Externa
1.1 – Norte 240 115 70
1.2 – Nordeste 240 95 70
1.3 – Leste 270 130 85
1.4 – Sudeste 200 85 70
1.5 – Sul 0 0 0
1.6 – Sudoeste 400 160 115
1.7 – Oeste 500 220 150
1.8 – Noroeste 350 150 95
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 2 – Janelas Transmissão
2.1 – Vidro Comum 50
2.2 – Tijolo de Vidro/Vidro Duplo 25
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Construção Construção
Tipo 3 – Paredes
Leve Pesada
3.1 – Externas voltadas para o 13 10
Sul
3.2 – Externas outras orientações 20 12
3.3 – Internas voltadas para
8
Ambientes não condicionados
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 4 – Teto
4.1 – Em laje 75
4.2 – Laje com 2,5cm ou mais de
60
isolação
4.3 – Entre Andares 13
4.4 – Sob Telhado Isolado 18
4.5 – Sob Telhado sem isolação 40
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 5 – Piso
5.1 Piso não colado diretamente 13
sobre o solo
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 6 – Pessoas
6.1 Número de pessoas 150
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 7 – Iluminação e Aparelhos
7.1 Lâmpadas ou Aparelhos 1
Elétricos
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tipo 8 – Portas ou Vãos
8.1 Abertos constantemente para
150
áreas não condicionadas
Subtotal
Fator climático da Região
(Para o cálculo em BTU/h) CTT x4 Carga
Térmica Total (kcal/h)
Carga Térmica Total (BTU/h)
Anexo 2 – Planilha de cálculo estimado da carga térmica sem simplificações

1. CLIENTE
Endereço:________________________________________________________________________________________
Pavimento: ________________

2. CARACTERÍSTICA DO VERÃO LOCAL


2.1 Temperatura Interior Exterior
Bulbo Seco 25°C 36°C
Bulbo Úmido 26°C
2.2 Umidade Relativa 50%

3. CARACTERÍSTICAS DA CONSTRUÇÃO
3.1 Telhado ( ) Claro ( ) Médio ( ) Escuro

3.2 Paredes Externas ( ) Clara ( ) Média ( ) Escura


3.3 Janelas ( ) Com toldo ( ) Na Sombra ( ) Sem proteção

4. GANHOS POR CONDUÇÃO – CALOR SENSÍVEL


Dimensões Área Calor Sensível
U T
(m x m) (m²) Kcal/h W
4.1 Parede Externa (Total)
4.2 Janelas com Vidro
4.3 Parede excluindo janela
4.4 Paredes divisórias
4.5 Vidros nas divisórias
4.6 Teto ou telhado
4.7 Diversos
4.8 Total de Condução

5. GANHOS POR INSOLAÇÃO – CALOR SENSÍVEL


Dimensões Área Fator Calor Sensível
Solar U T
(m x m) (m²) Kcal/h W
5.1 Janelas com vidro voltadas
p/oeste
5.2 Janelas com vidro voltadas
p/ sul
5.3 Paredes voltadas p/ oeste
5.4 Telhados
5.5 Claraboias
5.6 Diversos
5.7 Total de insolação
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 157
6. GANHOS NOS DUTOS – CALOR SENSÍVEL
Dimensões
Área (m²) Calor Sensível
(m x m)
U T
A B C
2c (a + b) Kcal/h W
(larg.) (altura) (Comp.)
6.1 Total nos dutos

7. GANHOS DEVIDO ÀS PESSOAS – CALOR SENSÍVEL E LATENTE


Fator Fator Calor Sensível Calor Latente
Pessoas Nº
Sensível latente Kcal/h W Kcal/h W
7.1 Sentadas
7.2 Em Exercício moderado
7.3 Em movimento brusco
7.4 Total devido às pessoas

8. GANHO DEVIDO AOS EQUIPAMENTOS – CALOR SENSÍVEL E LATENTE


Calor Sensível Calor Latente
Watts HP Fator
Kcal/h W Kcal/h W
8.1 Pequenos motores
elétricos (2 HP) ou
menores
8.2 Pequenos motores
elétricos (3 HP) ou
maiores
8.3 Luz Incandescente
8.4 Luz fluorescente
8.5 Equipamentos a gás
8.6 Tubulações
8.7 Diversos
8.8 Total devido aos equipamentos

9. GANHO DEVIDO À INFILTRAÇÃO – CALOR SENSÍVEL E LATENTE


Calor Sensível Calor Latente
Kcal/h W Kcal/h W
9.1 Infiltração pelas janelas
9.2 Infiltração pelas portas
9.3 Infiltração diversas
9.4 Total de infiltrações
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 158
10. RESUMO
Calor Sensível Calor Latente
Kcal/h W Kcal/h W
4.8 Condução

5.7 Insolação
6.1 Dutos
7.4 Pessoas
8.8 Equipamentos
9.4 Infiltração
10.1 Total sensível
10.2 Total latente
10.3 Calor Total

11. GANHO DE CALOR DEVIDO À VENTILAÇÃO – CALOR SENSÍVEL E LATENTE


11.1 Nº de pessoas _____ x ______ m³/h/pessoas = _______________m³/h
11.2 m³/h de ar exterior = _____________x 0,29 (te – ti) = ________________kcal/h-sensível
11.3 m³/h de ar exterior = _____________x 1,2 (UE2 – UE1) x 583 = _______________kcal/h – latente

12. CARGA TÉRMICA TOTAL


12.1 Sensível
Item 10.1 = kcal/h
Item 11.2 = kcal/h
Subtotal= kcal/h

12.2 Latente
Item 10.2 = kcal/h
Item 11.3 = kcal/h
Subtotal= kcal/h

12.3 Latente
Item 12.1 = kcal/h
Item 12.2 = kcal/h
Subtotal= kcal/h
Segurança 10% = kcal/h
Total = kcal/h

13. TOTAL DE AR DE INSUFLAMENTO


13.1 Percentagem de calor sensível:

13.2 Temperatura de bulbo seco do ar de insuflamento = ______°C


13.3 Temperatura de bulbo úmido do ar de insuflamento = ______°C
13.4 Diferencial de temperatura do ar de insuflamento:
Bulbo seco do recinto = ______°C – Item 13.2 = _______°C

13.5 Total de Insuflamento =


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 159
Anexo 3 – Carta Psicrométrica
Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 160
Anexo 4 – Ábacos de Ventilação – Parte I

Ábaco 1 – Perda por Atrito nos dutos retos


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Anexo 4 – Ábacos de Ventilação – Parte II

Ábaco 2 – Dutos retangulares equivalentes a dutos circulares


Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 162
Anexo 4 – Ábacos de Ventilação – Parte III

Ábaco 3 – Perda por Pressão Dinâmica