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Diagramação Grupo de Estudos Musicais – GEM/UFRGS.
Marcavisual

__________________________________________________________________________________________________________

E56p Encontro Brasileiro de Música Popular na Universidade (1. : 2015 : Porto Alegre, RS)

Anais ... / I Encontro Brasileiro de Música Popular na Universidade: o estado da arte do ensino de música popular nas
universidades brasileiras – I MusPopUni ; Organizadores : Marília Stein, Raimundo Rajobac [e] Luciana Prass. – Porto
Alegre: Marcavisual, 2015.

594 p. : il. ; 21x29,7cm

Inclui resumos e referências.

1. Música. 2. Música popular. 3. Música popular – Brasil. 4. Música popular – Universidade. 5. Música popular –
Repertórios – Práticas. 6. Música popular – Gênero – Identidades étnico-musicais. 7. Música popular – Ensino –
Aprendizagem. I. MusPopUni (1. : 2015: Porto Alegre, RS). II. Stein, Marília. III. Rajobac, Raimundo. IV. Prass, Luciana.
V. Título.

CDU 784.4(81):061.3

__________________________________________________________________________________________________________

CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.

(Jaqueline Trombin– Bibliotecária responsável CRB10/979)

ISBN 978-85-61965-37-2

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE


1.3 Formas de ensinar e aprender em Música Popular

Apreciação musical cotidiana: presença da música no dia-a-dia de


estudantes do Ensino Médio Integrado
BEZERRA, Italan Carneiro (IFPB / UFPB)
italancarneiro@gmail.com

Resumo: Neste artigo, discutimos a presença da música (apreciação musical) no


cotidiano dos estudantes do Curso Técnico Integrado ao Ensino Médio em Instrumento
Musical do IFPB, campus João Pessoa, tratando-se de jovens entre 13 e 20 anos de
idade. A partir da realização de um levantamento do tipo censo, por meio da aplicação
de questionários, constatamos a presença significativa da apreciação musical no
cotidiano dos estudantes, estando a música presente durante a realização de grande parte
das atividades diárias.

Palavras-chave: apreciação musical, escuta musical, adolescência.

Abstract: In this article, we discuss the presence of music (music appreciation) in


everyday life of IFPB Integrated Technical High School in Musical Instrument students,
campus João Pessoa, in the case of young people between 13 and 20 years old. From
conducting a census survey, by means of questionnaires, we note the significant
presence of music appreciation in the routine of students, being music during the
performance of most daily activities.
Keywords: music appreciation, music listening, adolescence.

1. Introdução
O presente trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa de doutorado
em andamento que tem como um de seus objetivos específicos traçar o perfil27 dos
estudantes do Curso Técnico Integrado ao Ensino Médio28 em Instrumento Musical29 do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), campus João
Pessoa. Para tanto, foi realizado um levantamento (survey) do tipo censo junto ao corpo
discente através da aplicação de questionários onde foram abordados 107 estudantes, o

27
Perfil traçado a partir dos seguintes eixos: condição socioeconômica; influências e atividades musicais
anteriores ao ingresso no curso; relação com a apreciação e gêneros musicais; relação com o instrumento
de estudo e a teoria musical; relações com o curso e a instituição: ingresso, permanência, expectativas,
atividades externas; perspectivas de futuro: inserção no mundo trabalho e ensino superior.
28
A educação profissional técnica de nível médio realizada de forma integrada com o Ensino Médio é
“oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a
conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino [onde
está sendo cursado o Ensino Médio], contando com matrícula única para cada aluno” (Brasil, 2004, p.
18). Para maiores informações sobre o ensino técnico integrado, consultar Pontes (2012).
29
O curso oferta a habilitação técnica em instrumentos “populares” (bateria, canto, contrabaixo elétrico,
guitarra elétrica, saxofone, teclado, trompete e violão); e oferta ainda a habilitação em instrumentos
“eruditos” (clarinete, contrabaixo acústico, saxofone, trompete, viola, violão e violino).

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 437


que totaliza 100% dos alunos matriculados no momento da coleta dos dados, realizada
entre fevereiro de 2012 e maio de 2013.
O questionário foi aplicado em dois momentos distintos: na segunda semana do
4º bimestre do ano letivo de 201230, quando foram abordadas as turmas do 1º, 2º, 3º e 4º
ano; e na quinta semana do 1º bimestre do ano letivo de 201331, quando respondeu ao
questionário apenas a turma recém chegada ao 1º ano. Em cada ocasião, foram
realizadas duas aplicações por turma, dispostas em semanas consecutivas.
Durante o período da pesquisa, o corpo discente do curso encontrava-se
composto por estudantes cuja idade variava entre 13 e 20 anos. A idade média do
ingressante no curso era de 15,2 anos32 e a idade média do egresso era de 18 anos,
conforme apresenta o gráfico abaixo:

Média de idade
18,0
17,1 17,2

15,9
15,2

1º ano1 1º ano2 2º ano 3º ano 4º ano

GRÁFICO 1 – Média de idade

O questionário aplicado com o corpo discente foi elaborado a partir de oito eixos
temáticos;33 porém neste texto discutiremos apenas o eixo que abordou a presença da
música (apreciação musical) no cotidiano dos estudantes.

30
Referente à segunda semana de fevereiro de 2012.
31
Referente à primeira semana de maio de 2013.
32
No período da pesquisa, a idade de ingresso no curso mostrou-se em consonância com a idade
estabelecida pelo MEC (15 anos) para ingresso no Ensino Médio (Brasil, 2009, p. 12).
33
Os eixos foram os seguintes: Influências musicais anteriores – pessoas e situações; Apreciação musical
– escuta cotidiana, gêneros favoritos; Atividades musicais anteriores ao ingresso no curso – práticas e
estudo musical; Relação com o instrumento e teoria musical – escolha do instrumento, local de estudo,
aproximação teoria-prática; Relação com o curso e a instituição – ingresso, permanência, expectativas,
atividades externas; Perspectivas de futuro – atividades musicais, atuação profissional, formação superior;
Perfil socioeconômico – idade, gênero, renda, escolaridade dos pais, etc.; Sugestões discentes – críticas e
comentários ao curso.

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 438


2. Adolescentes e música
A música é onipresente. Ela se encontra em locais públicos como supermercados
ou em encontros sociais como casamentos, e é o foco de muitas atividades, como idas a
shows ou discotecas, sendo uma das mais frequentes atividades de lazer, especialmente
entre os adolescentes34 (Schäfer, 2008, p. 1).
A presença da música e sua influência na vida dos adolescentes, sob as mais
diversas perspectivas, é tema recorrente na literatura da Educação Musical, e em outras
subáreas da música, como a Etnomusicologia, bem como nas áreas da Psicologia,
Sociologia e Educação. Refletindo acerca dessa influência, Schäfer e Sedlmeier (2009,
p. 489), afirmam que “especialmente para os adolescentes, a música serve como um
meio para definir sua identidade e expressá-la. E constitui ainda um meio para lidar com
as dificuldades diárias e os problemas que muitas vezes são refletidos e possivelmente
resolvidos na própria música”35. Corroborando com este entendimento, Águila, Barriga
e Hidalgo (2006, p. 45) reforçam que “na realidade dos adolescentes, a ação de escutar
música ocupa um lugar importante na distribuição do seu tempo livre”36.
Confirmando o acima exposto, 91% dos estudantes do curso técnico do IFPB
relataram que escutam música diariamente37 e apontaram as atividades listadas no
gráfico abaixo como sendo as que mais gostam de realizar enquanto ouvem música:

34
“Music is ubiquitous. It is present in public places such as supermarkets or in social gatherings such as
weddings, and it is in the focus of many activities such as visiting concerts or discotheques, and it is one
of the most frequent leisure time activities, especially among adolescents” (Schäfer, 2008, p. 1).
35
“Especially for adolescents, music serves as a means for defining their identity and expressing it
outwards. And music is a means to cope with one’s daily hassles and problems that are often mirrored and
possibly solved in the music” (Schäfer; Sedlmeier, 2009, p. 489).
36
“En la realidad de los adolescentes la acción de escuchar música ocupa un lugar importante dentro de la
distribución de su tiempo libre” (Águila; Barriga; Hidalgo, 2006, p. 45).
37
Acerca dos 9% restantes: 4% afirmaram que escutam música 3 vezes por semana, 3% afirmaram
escutar 4 vezes por semana e 2% afirmaram que escutam música 2 vezes durante a semana.

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 439


Atividades que os estudantes gostam de realizar escutando
música

atividades domésticas 44
exercícios físicos 39
atividades escolares 21
tomar banho 15
utilizar o computador 12
fazer refeições 12
ir dormir 11
ler 8
andar de ônibus 7

Valores em %

GRÁFICO 2 – Atividades que os estudantes gostam de realizar enquanto escutam música

As categorias acima destacadas tratam-se de agrupamentos realizados de acordo


com a natureza das atividades espontaneamente mencionadas pelos estudantes38, de
modo que dentro da categoria “atividades domésticas” estão agrupadas tarefas como:
“arrumar a casa”, “arrumar o quarto”, “lavar a louça”, “cozinhar”, etc. Do mesmo
modo, a categoria “exercícios físicos” engloba diversas atividades, como: caminhar,
correr e malhar39. Foram mencionadas ainda outras 15 atividades40. Desse modo, os
estudantes confirmam a presença praticamente irrestrita da música em seu cotidiano.
Refletindo sobre essa inserção da música nos mais diversos espaços, Iazzeta (2001b, p.
3) destaca que “não precisamos mais ir até ela41, pois ela nos circunda enquanto
fazemos compras no supermercado, quando ligamos o rádio no carro, ou no momento
em que estamos ocupados em alguma tarefa doméstica e ouvimos um disco de modo
casual”.

38
A questão que abordou tais atividades tratava-se de uma questão do tipo aberta.
39
Martins e Duarte (1997) e Nascimento e Souza (2013) realizaram estudo sobre os efeitos da música na
atividade física e constataram uma relação significativamente positiva no desempenho do pesquisado
quando na presença das suas músicas favoritas.
40
Sendo estas: todas as atividades que realizo 7%; quase todas as atividades que realizo 6%; tudo que
posso realizar ouvindo música 5%; descansar 5%; dirigir 4%; desenhar 3%; escrever 3%; viajar 3%;
esperar 2%; jogar 2%; lavar o carro 1%; sexo 1%; chorar 1%; ocupar o tempo livre 1%; ver o mar 1%.
41
“Até o início do século XX, a projeção da performance se dava no mesmo patamar das transmissões de
conhecimento da cultura oral da Idade Média em que para se conhecer algo era necessário estar presente,
estar diante do fato ou da obra de arte, cujo único registro que se mantinha após sua apreciação era o da
memória.” (Iazzeta, 2001a, p. 202).

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 440


É importante lembrar que a atual onipresença da música, destacada por Schäfer
(2008) e Iazzeta (2001), refere-se a um processo relativamente recente, iniciado a partir
da invenção do fonógrafo por Thomas Edison, em 1877, quando “finalmente pôde-se
registrar a música num suporte físico o qual podia ser copiado e reproduzido.” (Iazzeta,
2001a, p. 202).
A fonografia é para a escuta, antes de tudo, uma ferramenta do tempo. Antes
dela a música tinha uma condição efêmera, era um fluxo que se dissolvia à medida que
ia acontecendo. Os meios de gravação e reprodução permitiram o controle total do fluxo
musical no tempo (Iazzeta, 2012, p. 13-14).
Portanto, apenas há pouco mais de 100 anos, o advento da fonografia permitiu
que se instaurasse uma escuta totalmente diversa daquela realizada em todos os tipos de
apresentações musicais, onde o caráter efêmero da música, destacado por Iazzeta, exigia
bastante da nossa atenção e memória. Sobre este percurso no qual a música,
especialmente a música popular, ganhou circulação praticamente irrestrita, Arroyo
(2013, p. 23) destaca que “[a música popular] se firma nos centros urbanos de fins do
século XIX e ganha paulatinamente alcance mundial com as novas mídias e indústria
cultural já nas primeiras décadas do século XX – fonógrafo e indústria fonográfica,
rádio, cinema, televisão – e, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial”.
Contrariando a tendência contemporânea de realizar grande parte das atividades
cotidianas ao som da música favorita42, apenas dois estudantes do curso afirmaram que
não gostam de realizar nenhuma atividade enquanto escutam música. Um deles afirmou
que “não gosto pois não consigo conciliar os 2 [duas atividades] ao mesmo tempo” (
016, 1o ano1, masc., 16 anos)43, enquanto o outro destacou que: “pra mim, ouvir música
requer atenção, concentração” ( 214, 2o ano, masc., 16 anos).
Apresentamos no gráfico a seguir um maior detalhamento sobre a escuta musical
dos estudantes, onde está indicada a frequência semanal com que os mesmos afirmaram
reservar um momento apenas para a realização da apreciação musical:

42
Gohn (2007, p. 17), refletindo sobre a presença da música nas atividades casuais, destaca que “o rádio,
por exemplo, disponibilizou a música como pano de fundo para atividades domésticas, não exigindo a
total concentração do ouvinte e acostumando-o a deixá-la em segundo plano”.
43
Durante a realização da análise dos questionários, estes foram numerados aleatoriamente, seguindo
apenas o padrão de separação por turma. Desse modo, os questionários da turma ingressante na instituição
(1o ano1) iniciam sua numeração pelo número 0 (ex.: Q [abreviação de questionário] 001); os
questionários da turma do 1o ano, abordada no final do ano letivo (1o ano2) são iniciados com pelo
número 1 (ex.: Q 101); a turma do 2o ano pelo número 2 (ex.: Q 201); o 3o ano com o número 3 (ex.: Q
301) e os questionários da turma do 4o ano iniciam-se pelo número 4 (ex.: Q 401).

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 441


"Com que frequência você pára apenas para escutar música?"

diariamente 59

quatro vezes por semana 6

três vezes por semana 4

duas vezes por semana 9

apenas no final de semana 9

outra 9

em branco 2

Valores em %
GRÁFICO 3 – Frequência de momentos semanais destinados exclusivamente à apreciação musical

O gráfico acima destacou a parcela dos estudantes que afirmam ter em sua rotina
semanal momentos destinados apenas à apreciação musical, ou seja, aqueles que, além
de escutar música durante a realização de outras atividades, listadas no Gráfico 2,
destinam uma parcela do seu tempo exclusivamente para ouvir música. Destacamos a
importância dessa atividade a partir das palavras de França e Swanwick (2002, p. 12),
quando argumentam que “a apreciação é uma forma legítima e imprescindível de
engajamento com a música. Através dela podemos expandir nossos horizontes musicais
e nossa compreensão”.
O próximo gráfico destaca, ao longo das cinco turmas pesquisadas, o percentual
dos alunos que afirmaram realizar diariamente a apreciação musical, onde foi
encontrado um valor bastante aproximado em quatro das cinco turmas:

Alunos que diariamente destinam uma parcela de tempo


apenas para a apreciação musical
70 69,5
62 62

16,5

1º ano1 1º ano2 2º ano 3º ano 4º ano

Valores em %

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 442


GRÁFICO 4 – Alunos que diariamente destinam uma parcela de tempo exclusivamente para a
apreciação musical nas 5 turmas

O significativo declínio encontrado na turma do 4o ano pode estar associado à


grande carga de atividades realizadas no último período do curso, onde se destacam o
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – que atualmente pode ser realizado sob três
formatos: Recital de Conclusão, Monografia ou Relatório de Estágio – e a preparação
para a realização do vestibular ou prova do ENEM.

3. Considerações finais
Os dados coletados confirmam a presença extremamente significativa da música
no cotidiano dos estudantes do curso técnico do IFPB, estando esta presente tanto
durante a realização de grande parte das atividades diárias, quanto durante momentos
diários reservados exclusivamente para a escuta musical, momentos estes que podemos
relacionar com os tipos de escuta propostos por Green (2002): a “escuta atenta”, a
“escuta intencional” e o “simples ouvir”44 .
Partindo do entendimento de que a música ocupa um expressivo espaço na vida
dos adolescentes fora da sala de aula, faz-se necessário que os educadores musicais –
englobando desde aqueles que atuam na educação básica até os que trabalham em
escolas especializadas – estabeleçam um diálogo permanente em sala de aula com os
elementos musicais que são significativos para os estudantes, visto que a “educação
musical deve ser muito mais do que aquisição de competência técnica; ela deve ser
considerada como prática cultural que cria e recria significados que conferem sentido à
realidade” (Arroyo, 2000, p. 19). Corroborando com esta visão ampliada das práticas
em sala de aula, onde as referências culturais dos alunos fazem parte, sob diversas
perspectivas, do processo de ensino e aprendizagem musical, destacamos a reflexão dos
autores Herrera, Cremades e Lorenzo (2010), quando estes afirmam que:

44
“[…] a escuta intencional tem como objetivo específico, aprender algo fim de colocá-lo para usar de
alguma forma após a experiência de ouvir. É o tipo de escuta que qualquer músico iria empregar quando,
por exemplo, aprendendo a tocar uma cópia exata ou cover de uma canção, fazendo uma nota mental ou
escrita das harmonias, as propriedades a forma ou outros aspectos da música, a fim de ser capaz de usá-
los em outro contexto, realizando um exercício analítico e assim por diante. Em segundo lugar, a escuta
atenta pode envolver a audição no mesmo nível de detalhe como na escuta intencional, mas sem nenhum
objetivo específico de aprender algo para tocar, lembrar, comparar ou descrevê-lo depois. Em terceiro
lugar, podemos dizer que o ouvir é simplesmente uma escuta distraída, sem qualquer objetivo que não
seja prazer ou entretenimento. Um ouvinte pode facilmente passar de um para o outro, ou mesmo
vivenciar todos os tipos ouvindo uma música” (Green, 2002, p. 23-24).

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 443


Não é possível continuar a construir o corpo conceitual e prático da
educação musical formal apenas a partir de pressupostos presos em
um passado que encontra seu valor na oficialidade dos livros
didáticos, mas que não se relaciona com a escola paralela fora das
estruturas formais da educação musical na qual os alunos diariamente
desenham seu verdadeiro mapa de preferências musicais.45 (Herrera;
Cremades; Lorenzo, 2010, p. 48)

Concordando com o autores, entendemos que, de fato, a aproximação com os


sujeitos envolvidos em qualquer processo educativo configura-se como a base de toda
proposta educacional que busque uma formação significativa. Desse modo, afirmamos
que compreender as diversas inter-relações dos estudantes com a “sua” música pode
contribuir para que as propostas de formação dos Curso Técnicos em Instrumento
Musical adquiram abordagens mais contextualizadas e significativas para os sujeitos em
formação.

Referências
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Sentido y significado de la música en adolescentes varones de un establecimiento de
enseñanza media particular subvencionada de concepción, Chile. Theoria, v. 15, n. 1, p.
45-56, 2006. Disponível em: <http://www.ubiobio.cl/theoria/v/v15-1/a4.pdf>. Acesso
em: 22 set. 2013.
ARROYO, Margarete. Um olhar antropológico sobre práticas de ensino e aprendizagem
musical. Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 5, p. 13-20, set. 2000. Disponível em:
<http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/revista5/revista5_artigo2.pdf>.
Acesso em: 01 out. 2013.
____. (org.). Jovens e músicas: um guia bibliográfico. São Paulo: Editora Unesp, 2013.
Disponível em:
<http://aci.reitoria.unesp.br/Pen%20Drive%202/Jovens_e_musica_WEB.pdf>. Acesso
em: 18 out. 2013.
BRASIL. Leis, Decretos. Decreto nº 5.154, de 23 de Julho de 2004. Regulamenta o § 2º
do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional, e dá outras providências. In: Diário Oficial
da União - Seção 1 - 26/7/2004, p. 18 (Publicação Original). 2004. Disponível em:
<http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2004/decreto-5154-23-julho-2004-533121-
publicacaooriginal-16200-pe.html>. Acesso em: 01 ago. 2013.
____. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Ensino fundamental de
nove anos: passo a passo do processo de implantação. Brasília: MEC/SEB, 2009.
Disponível em:

45
“No es posible seguir construyendo el cuerpo conceptual y práctico de la educación musical formal
sólo desde presupuestos anclados en un pasado que encuentra su valor en la oficialidad de los libros de
texto, pero que no guarda relación con esa escuela paralela ajena a las estructuras formales de la
educación musical y en la que el alumnado dibuja a diário su verdadero mapa de preferencias musicales”
(Herrera; Cremades; Lorenzo, 2010, p. 48).

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 444


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GOHN, Daniel Marcondes. Aspectos tecnológicos da experiência musical. Música
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como horizonte? 2012. 260f. Tese (Doutorado em Educação), Programa de Pós-

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 445


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Disponível em: <https://www.scribd.com/doc/208917243/ANA-PAULA-FURTADO-
SOARES-PONTES-Tese-de-Doutorado-Sobre-Ensino-Integrado>. Acesso em: 12 dez.
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SCHÄFER, Thomas. Determinants of music preference. 2008. 130f. Dissertação
(Mestrado em Psicologia). Technischen Universität Chemnitz. Chemnitz (Alemanha),
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<http://www.qucosa.de/fileadmin/data/qucosa/documents/5749/data/DissertationThoma
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SCHÄFER, Thomas; SEDLMEIER, Peter. Whatmakesuslikemusic? In: TRIENNIAL
CONFERENCE OF EUROPEAN SOCIETY FOR THE COGNITIVE SCIENCES OF
MUSIC, 7., 2009, Jyväskylä (Finlândia). Anais... Jyväskylä: ESCOM, 2009, p. 487-490.
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2009411319.pdf?sequence=1>. Acesso em: 05 out. 2013.

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MÚSICA POPULAR NA UNIVERSIDADE 446