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O papel do professor de educacao artistica Tamara da Silveira Valente” Refletir sobre o papel do professor de Educagao Artistica é funda- mental quando se procura conhecer essa prética dentro das escolas. O comportamento do professor dessa disciplina atém-se a, pelo menos, duas questes determinantes. Uma refere-se & formagao desse professor e outra refere-se ao conceito que esse professor tem de arte e a acepgio que ele tem do homem. A formagio do professor de Educagao Artistica esté vinculado a historia da implantacdo desse saber a nivel de formacdo universitdria e das determinagées hist6ricas e politicas que, junto com as significagdes imagindrias sociais, deram os contornos dessa pritica. A partir de um es- tudo, Barbosa (1986) descobriu a auséncia da dimensao sé ist6rica na pratica do professor de Educagdo Artistica. Essa descoberta é significa~ tiva quando se sabe que a Histéria é importante instrumento de auto-iden- tificagdo. Assim, é preciso que o professor de arte conhega a histéria da sua pritica, para que ele se perceba inserido no proceso sécio-histérico- cultural, que o permita construir a sua identidade funcional. A hist6ria da Arte-Educacdo no Brasil acompanha a histéria da edu- cago nacional, embora apresente caracteristicas particulares. Nesse es- tudo ela sera apresentada de forma resumida, pois o objetivo é situar a atuagdo do professor de arte nesse contexto. jo. Professora Assitente de Psicologia da Educagao. Depar- tamento de Teoria ¢ Fundamentos da Educagao, Setor de Educagio -DIFE/UFPR Educar, Curitiba, n.9, p59-68.1993. Faltora da UFPR 9 MALENTE, T. da S. O papel do professor Segundo Duarte Jtinior (1981), desde 0 inicio da colonizagio do Brasil, a educacio se caracterizou pela absorgéo dos valores culturais europeus, impostos pelos colonizadores portugueses. Esse fato impediu que fosse desenvolvido no pais uma cultura prépria da realidade da vida sociocultural dos que aqui viviam. Com a chegada de D. Joio VI, am- pliou-se e modernizou-se a cultura nacional dando-se infcio ao ensino ofi- cial das artes, influenciado pelo que se fazia, enti, na Franca. Até a Proclamagao da Republica, em 1889, o ensino das artes concentrou-se nas escolas oficiais, onde as atividades previam a produgao de bens, processo de industrializag&o europeu que alcancou o pais foi um marco na Arte-Educagio no Brasil, que esteve sempre ligada aos movimentos sociopolitico-econémico da conjuntura nacional e interna cional. O surto industrial do fim do século passado, com as conseqiientes mudangas no plano politico e social que resultaram na substituicio do Im- pério pela Republica ¢ na abolicéo da escravatura, motivou o trabalho como objetivo da educagao do pais (BARBOSA, s/d). O ensino da arte foi direcionado para a formacao profissional, sendo que os "métodos da Wal- ter Smith se tornaram a base para o ensino do desenho na escola priméria e secundaria no Brasil, por quase trinta anos". (BARBOSA, s/d:13). A proposta renovadora da Semana de Arte Moderna em 1922, que foi um marco na vida artistica cultural brasileira, trouxe novas maneiras de se entender a expressao artistica e foi o inicio da contestagao do ensino de arte que nao permitisse a "expressio auténtica, espontanea e desinte- ressada da crianca" (BARBOSA, s/d:14, grifo da autora). O movimento da Escola Nova, advindo da crise politico-social que previa a mudanga da oligarquia para a democracia na década de 30, afirmava a importincia da arte na educacio para o desenvolvimento da imaginagao, intuigdo e in- teligéncia da crianga e preconizava a livre expressio infantil. Esse movimento foi fortemente influenciado por Dewey, Claparéde e Decroly. Algumas experiéncias importantes sobre 0 desenvolvimento da crianca através da arte foram feitas pelo professor Nereu Sampaio, na Escola Normal do Distrito Federal, entio Rio de Janeiro. Segundo Barbosa (s/d:14) “quando o movimento para incluir arte como livre expressio nas escolas primérias estava no auge, 0 Estado Novo iniciou a repressio no campo educacional, com a perseguigao e demissio de professores asso- ciados ao movimento do escolanovismo. Depois da queda de Vargas foram renovados os esforgos para a redemocratizagao ea educacdo viu nascer as campanhas pela recuperac&o dos prineipios da Escola Nova. A onda de redemocratizagao nacional alcangou a Arte-Educagio na inicia- tiva de Augusto Rodrigues, artista que criou a Escolinha de Arte do 0 Educar, Curitiba, n.9, p.59-68.1993, Editora da UFPR VALENTE, T. da 8. O papel do professor Brasil em 1948, na cidade do Rio de Janeiro, A iniciativa foi recebida com entusiasmo por educadores e artistas da época, como Anfsio Teixeira e Helena Antipoff (BARBOSA, s/d). Para Varela (1986: 16): "desde 0 inicio a Escolinha - corpo e alma do artista Augusto Ro- drigues -atuou em proceso criativo, intuigao, fluéncia e flexibilidade na descoberta da melhor forma de motivar e trabalhar a crianga, foram seus primeiros passos e continuam caracterizando toda a sua aco educativa." Outro principio que caracterizou a Escolinha de Arte no Brasil do Rio de Janeiro, que influenciou as Escolinhas de Arte de outras cidades no Brasil, foi "a idgia de trabalhar fora do sistema educacional ptiblico tentando ao mesmo tempo influéncid-lo". (BARBOSA, s/d:15) No Espirito Santo, uma experiéncia neste sentido foi desenvolvida na cidade de Cachoeiro do Itapemirim pela Professora Izabel da Rocha Braga. A professora fundou o Clube de Arte Recreativo de Cachoeiro de Itapemirim em 1950, que recebeu o nome de Escolinha de Arte de Cachoeiro, em 1952. Com a supervisio e o incentivo constantes de Augusto Rodrigues & de Liicia Alencastro, e com a ajuda financeira do Ministério da Edu- cago, da Associagiio de Protegfio & Maternidade e Infancia e da Prefei- tura de Cachoeiro do Itapemirim, a professora Isabel desenvolveu um trabalho que envolveu o aprendizado de virias linguagens plisticas por criangas que tinham a liberdade para criar. ‘A Escolinha de Arte da professora Izabel foi bem recebida pela comunidade ¢ pela imprensa local e devolvia para a comunidade a pro- dugo que fazia anualmente, durante as comemoragdes do dia da cidade. A Escolinha funcionou até 1955, quando por motivos de falta de verba dificuldade de ordem pessoal da professora Izabel, a experigncia foi encerrada, embora nio sem ter marcado a vida artistico-cultural da ci- dade de Cachoeiro do Itapemirim, a partir da iniciativa herdica e solitéria de alguém que acreditava na expresso da crianca por meio da linguagem plistica. No Rio de Janeiro, a Escolinha de Arte do Brasil mantinha atelié, onde eriangas, adolescentes e adultos podiam desenhar e pintar livre- mente, © con também, em centro para treinamento de professores de arte. A influéncia da Escolinha no ensino de artes na escola priméria e secundaria comegou a se fazer presente através das classes experimentais criadas depois de 1958. Convénios foram estabelecidos para o treina- mento de professores de Arte-Educagio até 1973, quando foram criados Elucar, Curitiba, n.9, p.59-68.1993. Editora da UFPR 61