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CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS

ENGENHARIA AMBIENTAL E SANITÁRIA

ISADORA ARAÚJO PIMENTEL CARVALHO

SELEÇÃO DE UMA FONTE DE ENERGIA RENOVÁVEL A SER INSTALADA EM


UM CONDOMÍNIO RESIDENCIAL UTILIZANDO O SOFTWARE MACBETH

Fortaleza
2016
ISADORA ARAÚJO PIMENTEL CARVALHO

SELEÇÃO DE UMA FONTE DE ENERGIA RENOVÁVEL A SER INSTALADA EM


UM CONDOMÍNIO RESIDENCIAL UTILIZANDO O SOFTWARE MACBETH

Monografia apresentada ao Curso de


Engenharia Ambiental e Sanitária da
Universidade de Fortaleza, como
requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Engenharia Ambiental e
Sanitária.

Orientador: Prof. Msc. Cristiano Régis Freitas de Brito

Fortaleza
2016
SELEÇÃO DE UMA FONTE DE ENERGIA RENOVÁVEL A SER INSTALADA EM
UM CONDOMÍNIO RESIDENCIAL UTILIZANDO O SOFTWARE MACBETH

Monografia apresentada ao Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da


Universidade de Fortaleza, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Ambiental e Sanitária

Aprovada em: __/__/___.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________
Prof. Msc. Cristiano Régis Freitas de Brito
Orientador - Universidade de Fortaleza

________________________________________
Prof. Dr. Adbeel Goes Filho
Examinador - Universidade de Fortaleza

________________________________________
Profa. Msc. Brigida Miola Rocha
Examinadora - Universidade de Fortaleza
AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer primeiramente à Deus, por ter permitido que eu chegasse até
aqui e por sempre ter me ajudado nas batalhas da minha vida, inclusive nessa.
À minha família, principalmente aos meus pais, Luiz Augusto e Antonete Pimentel,
por sempre acreditarem em mim e me incentivarem a ser uma pessoa melhor. Obrigada
demais por todos os socorros que me deram durante minha vida pessoal e acadêmica e por
sempre tentarem me fornecer o melhor que podem.
Ao meu orientador, Cristiano Régis, por ter sido uma peça fundamental e de suma
importância para a conclusão deste trabalho. Muito obrigada por toda a paciência e inúmeras
explicações, mesmo em momentos de desespero de minha parte. Torço muito por você e
sempre torcerei.
Agradeço especialmente ao Caio César, por todos os momentos que esteve me
ajudando, por sempre acreditar em mim, muitas vezes até bem mais do que eu mesma, por
todos os estímulos, consolos, momentos de alegria, de distrações, por sempre ser tão
compreensível e procurar se fazer presente, mesmo em momentos difíceis. Sei que seu futuro
será brilhante e sempre estarei torcendo por você.
Um agradecimento especial também às empresas que muito me ajudaram na
realização deste trabalho. Agradeço à BGS Equipamentos, à Conforto Térmico e à ECO
Soluções em Energia, em especial ao Guilherme Janiques, meu colega de curso que tanto me
ajudou com inúmeros dados e sempre muito atencioso. Desejo a todos muito sucesso.
Aos meus amigos que me acompanham desde o colégio até hoje, agradeço
principalmente à Sarah Monte, Lívia Freitas, Luan Pimentel, Isadora Queiroz, Ana Letícia,
Dávila Oliveira e Jéssica Sousa. Sou muito grata por ter vocês como amigos de velhos
tempos, muito obrigada por tudo. Cada um sabe da importância que tem para mim.
Aos meus amigos de faculdade, por se fazerem presente durante todos esses anos de
faculdade e por entenderem meus momentos de dificuldade e tentarem me ajudar a vencê-las.
Agradeço principalmente à Talita Saraiva, Amanda Serpa, Andressa Guimarães, Gabi Costa,
Jéssica Maria e Lívia Lucena.
À professora Lamarka e ao meu coordenador, Oyrton, por todos os encontros durante
esse semestre para orientações, sempre procurando aperfeiçoar nossos trabalhos, e por todos
os outros ensinamentos que nos proporcionaram.
À professora Denise, por ser essa pessoa tão boa e tão importante para mim. Com
certeza estarei sempre torcendo pelo seu sucesso e pela sua saúde.
Por fim, à Universidade de Fortaleza, por me proporcionar experiências de suma
importância para o meu pessoal e profissional.
“Quando você perceber que,
para produzir, precisa obter a
autorização de quem não produz nada;
Quando comprovar que o dinheiro flui
para quem negocia não com bens, mas
com favores; Quando perceber que
muitos ficam ricos pelo suborno e por
influência, mais que pelo trabalho, e
que as leis não nos protegem deles,
mas, pelo contrário, são eles que estão
protegidos de você; Quando perceber
que a corrupção é recompensada, e a
honestidade se converte em auto
sacrifício; Então poderá afirmar, sem
temor de errar, que sua sociedade está
condenada. ”

Ayn Rand
RESUMO

O cenário ambiental vem se inserindo gradativamente na sociedade, inclusive a questão da


produção energética de uma forma menos agressiva ao meio ambiente. A preocupação com as
questões ambientais inclui diversos fatores para a preservação do meio ambiente. Para isso, a
temática das energias alternativas se faz ainda pouco presente para que se atinja um
desenvolvimento mais sustentável. As construções sustentáveis já começaram a imergir no
Brasil, mas o fator econômico ainda é um empecilho para muitos. Com esse cenário, é
fundamental que existam mais políticas de incentivo ao uso de energias renováveis, um maior
acesso de informações para a sociedade e as barreiras às fontes renováveis de energia devem
ser superadas. Este trabalho fez a escolha de uma energia renovável a ser implementada em
um condomínio residencial localizado no município de Eusébio, Ceará, dentre os seguintes
tipos de energia: produzida pelo biodigestor, solar fotovoltaica, solar térmica e eólica. Trata-
se de um estudo quantitativo e esse estudo fez a escolha através do método MACBETH,
devido à multiplicidade de critérios e juízos de valores envolvidos no processo decisório. A
área comum do condomínio consome cerca de 1260 kWh/mês, o que equivale a um gasto
médio mensal de R$ 1043,5. Todos os sistemas possuíram sua potência limitada pela
quantidade de resíduos orgânicos, para que todos produzam a mesma quantidade de energia e
possam ser comparados de uma forma mais justa. Os critérios utilizados para essa análise
foram: Custos de Aquisição e Operação/Manutenção; Emissões por geração de resíduos;
Emissões por Construção/Operação do sistema; Tempo de retorno do investimento; Economia
total após Payback. Ao final, o trabalho aponta para a melhor opção de sistema a ser
implantada, o solar térmico, seguido pelo sistema solar fotovoltaico, eólico e, por último, o
sistema de biodigestão.

Palavras-chave: Sistema de apoio à decisão. Método MACBETH. LandGEM. Energias


renováveis. Sustentabilidade ambiental.
ABSTRACT

The environmental scenario has been gradually inserting into society, including the issue of
energy production in a less aggressive way to the environment. The concern with
environmental issues includes several factors for the preservation of the environment. For
this, the subject of alternative energy is still not so much covered for achieving a more
sustainable development. Sustainable buildings have started to emerge in Brazil, but the
economic factor is still a stumbling block for many. With this scenario, it is essential that
there are more policies to encourage the use of renewable energies, greater access to the
information and the barriers to renewable energy sources must be overcome. This work made
the choice of one renewable energy to be implemented in a residential condominium located
in the city of Eusébio, Ceará, between the following types of energy: produced by the
biodigester, solar photovoltaic, solar thermal and wind power. This is a quantitative study and
this study made the choice by the MACBETH method, due to the multiplicity of criteria and
value judgements in the decision-making process. The common area of the condominium
consumes 1260 kWh/month, which is equivalent to an average monthly expenditure of R$
1.043,5. All systems had their power limited by the amount of organic waste, so that all
produce the same amount of energy and can be compared in a fair way. The criteria used for
this analysis were: Acquisition Costs and Operation/Maintenance; Emissions from waste
generation; Emissions by Construction/System operation; Return time of investment; and
Total savings after Payback. At the end, the work points to the best system option to be
chosen, solar thermal, comparing it to the other options presented.

Keywords: Decision-making methods. MACBETH method. LandGEM. Renewable energy.


Environmental sustainability.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Diversificação da matriz energética do Brasil. ......................................................... 6


Figura 2 - Demanda energética mundial. .................................................................................. 7
Figura 3 - Matriz energética brasileira. ..................................................................................... 8
Figura 4 - Distribuição da capacidade instalada no mundo. .................................................... 13
Figura 5 - Tipos de rotores de eixo vertical. ...........................................................................14
Figura 6 - Turbina de eixo horizontal. ..................................................................................... 14
Figura 7 - Sistema isolado. ...................................................................................................... 14
Figura 8 - Sistema híbrido (eólica e solar). ............................................................................. 15
Figura 9 - Sistema interligado à rede de energia elétrica. ....................................................... 15
Figura 10 - Características gerais de um sistema de aquecimento solar. ................................ 17
Figura 11 - Módulo fotovoltaico. ............................................................................................ 19
Figura 12 - Sistema fotovoltaico autônomo. ........................................................................... 20
Figura 13 - Sistema fotovoltaico conectado à rede. ................................................................ 20
Figura 14 - Esquema simplificado de um biodigestor. ............................................................ 21
Figura 15 - Partes de um biodigestor tubular. ......................................................................... 22
Figura 16 - Biodigestor de cúpula fixa. ................................................................................... 23
Figura 17 - Biodigestor de cúpula móvel. ............................................................................... 23
Figura 18 - Fases do MACBETH. ........................................................................................... 27
Figura 19 - Elementos da hierarquia do método AHP. ........................................................... 29
Figura 20 - Delimitação do condomínio.................................................................................. 33
Figura 21 - Características do chuveiro elétrico analisado. ..................................................... 47
Figura 22 - Simulação das emissões de gás de aterro total (Total landfillgas),
metano(methane), CO2 (Carbondioxide) e outros compostos orgânicos não metânicos
(NMOC - nonmethaneorganiccompounds). ............................................................................. 53
Figura 23 - Árvore de critérios de avaliação da melhor energia renovável............................. 56
Figura 24 - Pontuação do solar fotovoltaico. ..........................................................................62
Figura 25 - Pontuação do solar térmico. .................................................................................. 62
Figura 26 - Pontuação do eólico. ............................................................................................63
Figura 27 - Pontuação do biodigestor. ..................................................................................... 63
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Relação entre o PIB, consumo de eletricidade e produção de energia primária. .... 5
Quadro 2 - Escala de pontos do método AHP......................................................................... 29
Quadro 3 - Consumo médio mensal do condomínio. .............................................................. 34
Quadro 4 - Características de restos de alimentos de acordo com a literatura. ....................... 35
Quadro 5 - Valores de irradiação solar diários de Fortaleza. .................................................. 38
Quadro 6 - Velocidade média mensal do vento em Fortaleza................................................. 40
Quadro 7 - Balanço de emissão gasosa. .................................................................................. 41
Quadro 8 - Médias diárias de resíduo orgânico gerado em 8 casas. ....................................... 43
Quadro 9 - Custos totais do sistema de biodigestão. ............................................................... 46
Quadro 10 - Custos totais do sistema solar térmico. ............................................................... 48
Quadro 11 - Custos totais do sistema fotovoltaico.................................................................. 49
Quadro 12 - Economia média mensal do sistema fotovoltaico. .............................................. 50
Quadro 13 - Visão geral das características da energia eólica. ............................................... 51
Quadro 14 - Custos totais do sistema eólico. .......................................................................... 51
Quadro 15 - Economia média mensal do sistema eólico. ....................................................... 52
Quadro 16 - Emissões totais dos demais sistemas de geração (fotovoltaico, eólico e térmico).
.................................................................................................................................................. 54
Quadro 17 - Emissões totais atmosféricas de todos os sistemas analisados. .......................... 54
Quadro 18 - Custos de todos os sistemas. ............................................................................... 55
Quadro 19 - Emissões de todos os sistemas. ........................................................................... 55
Quadro 20 - Tempo de retorno financeiro e economia total após Payback de todos os
sistemas..................................................................................................................................... 55
Quadro 21 - Características das energias. ............................................................................... 56
Quadro 22 - Ponderação entre critérios e pontuação na Escala. ............................................. 57
Quadro 23 - Escala para a ponderação entre os critérios. ....................................................... 57
Quadro 24 - Ponderação do Custo de aquisição e Escala atual. .............................................. 58
Quadro 25 - Ponderação do Custo de manutenção/operação e Escala atual. .......................... 59
Quadro 26 - Ponderação da Economia total após Payback e Escala atual. ............................. 59
Quadro 27 - Ponderação do Tempo de retorno financeiro e Escala atual. .............................. 60
Quadro 28 - Ponderação das Emissões por construção/operação e Escala atual. ................... 61
Quadro 29 - Ponderação das Emissões por geração de resíduos e Escala atual...................... 61
Quadro 30 - Limites inferiores e superiores de cada critério e a ordenação de cada energia. 61
Quadro 31 - Pontuação global das energias com relação a todos os critérios. ........................ 63
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AHP Analytic Hierarchy Process


AQD Água Quente Doméstica
ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica
BNDES Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social
CDE Conta de Desenvolvimento Energético
CNTP Condições Normais de Temperatura e Pressão
CTC Control Technology Center
EPA Environmental Protection Agency
EVA Acetato de Til Vinila
GEE Gás de Efeito Estufa
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
K-T Kepner-Tregoe
LandGEM Landfill Gas Emissions Model
MACBETH Measuring Attractiveness by a categorical based Evaluation Technique
MAUT Multi-Attribute Utility Theory Analysis
MME Ministério de Minas e Energia
OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
PCHs Pequenas Centrais Hidrelétricas
PCI Poder Calorífico Inferior
pH Potencial Hidrogeniônico
PIB Produto Interno Bruto
PPL Problemas de Programação Linear
PROINFA Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica
RGR Reserva Global de Reversão
SAD Sistema de Apoio à Decisão
SAS Sistema de Aquecimento Solar
SV Sólido Voláteis
TDH Tempo de Detenção Hidráulica
TISST Técnico Instalador de Sistemas Solares Térmicos
WNA World Nuclear Association
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................1
1.1 Objetivos............................................................................................................................3
1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................................... 3
1.1.2 Objetivos Específicos ................................................................................................... 3
1.2 Justificativa.......................................................................................................................3
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................. 5
2.1 Cenário de produção/consumo de energia do País ........................................................ 5
2.2 Panorama de energias renováveis ................................................................................... 7
2.3 Políticas de incentivo ao uso de energias renováveis no Brasil .................................... 9
2.3.1 Barreiras às fontes renováveis de energia ..................................................................... 9
2.3.2 Políticas de incentivo .................................................................................................. 10
2.4 Energia Eólica................................................................................................................. 12
2.5 Energia Solar .................................................................................................................. 16
2.5.1 Solar Térmica..............................................................................................................16
2.5.2 Solar Fotovoltaica.......................................................................................................19
2.6 Biomassa e Biodigestores ............................................................................................... 21
2.6.1 Fatores que influenciam o desempenho de biodigestores ........................................... 24
2.6.1.1 Temperatura........................................................................................................... 24
2.6.1.2 Potencial Hidrogeniônico (pH).............................................................................. 25
2.6.1.3 Tempo de Detenção Hidráulica (TDH) ................................................................. 25
2.7 Sistemas de Apoio à Decisão.......................................................................................... 25
2.8 Ferramentas....................................................................................................................26
2.8.1 MACBETH.................................................................................................................26
2.8.2 AHP.............................................................................................................................28
2.8.3 MAUT.........................................................................................................................30
2.8.4 K-T..............................................................................................................................30
3 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................................... 33
3.1 Dados do empreendimento.............................................................................................33
3.2 Dimensionamento básico dos sistemas de geração......................................................34
3.2.1 Sistema de geração energia elétrica através da biomassa ........................................... 34
3.2.1.1 Estimativa da quantidade de resíduos gerados ...................................................... 34
3.2.1.2 Dimensionamento do biodigestor .......................................................................... 34
3.2.1.3 Estimativa do potencial energético ........................................................................ 36
3.2.2 Sistema de geração fotovoltaica ................................................................................. 37
3.2.2.1 Dimensionamento do módulo fotovoltaico ........................................................... 37
3.2.3 Sistema solar térmico .................................................................................................. 38
3.2.3.1 Quantidade de coletores solares a serem instalados .............................................. 39
3.2.4 Sistema de geração eólica ........................................................................................... 39
3.3 Levantamento das emissões atmosféricas dos sistemas de geração...........................40
3.4 Estimativa do tempo de retorno do investimento........................................................41
3.5 Economia total após Payback.........................................................................................42
3.6 Seleção da fonte de energia mais favorável..................................................................42
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 43
4.1 Sistema de geração de energia através de biomassa: biodigestor..............................43
4.1.1 Estimativa da quantidade de resíduos orgânicos ........................................................ 43
4.1.2 Volume do biodigestor................................................................................................ 43
4.1.3 Estimativa do potencial energético ............................................................................. 44
4.1.4 Impactos econômicos .................................................................................................. 45
4.1.5 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback ........ 45
4.2 Sistema Solar Térmico...................................................................................................46
4.2.1 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback ........ 48
4.3 Sistema de geração de energia através da Solar Fotovoltaica....................................48
4.3.1 Dimensionamento do módulo fotovoltaico................................................................. 48
4.3.2 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback ........ 49
4.4 Sistema de geração de energia através da Eólica.........................................................50
4.4.1 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback ........ 51
4.5 Emissões atmosféricas dos sistemas de geração...........................................................52
4.5.1 Emissões atmosféricas do biodigestor ........................................................................ 52
4.5.2 Emissões atmosféricas dos outros sistemas de geração .............................................. 53
4.6 Seleção da fonte de energia mais favorável..................................................................55
5 CONCLUSÕES....................................................................................................................64
6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................................................. 65
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 66
ANEXOS ................................................................................................................................. 73
ANEXO A: Dados do kit básico da BGS Equipamentos. .......................................................73
ANEXO B: Datasheet do Módulo Fotovoltaico Canadian Solar 265 Wp. .............................75
ANEXO C: Proposta comercial para sistema de geração solar fotovoltaico da ECO Soluções
em Energia. ..............................................................................................................................77
ANEXO D: Orçamento da empresa Conforto Térmico para o sistema solar térmico. ...........83
1

1 INTRODUÇÃO

A busca pelo desenvolvimento sustentável, ambientalmente correto, socialmente justo,


economicamente viável e tecnologicamente adequado está cada vez mais visada. A
preocupação com as questões ambientais inclui diversos fatores, entre eles a redução dos
gases poluentes para a preservação do meio ambiente.
Neste contexto, a demanda por fontes alternativas de energia vem cada vez se
inserindo mais na mídia e na sociedade. As hidrelétricas são as principais fontes de energia do
Brasil, porém a atual crise hídrica exige que o país busque novas formas de produzir energia.
Tendo em vista o consumo energético descontrolado e impactos ambientais causados
por fontes tradicionais (combustíveis fósseis), a busca por energias alternativas como a solar,
eólica, biomassa, dentre outras, está nitidamente se tornando fundamental. Essas fontes de
energia alternativa produzem energia de uma maneira bem menos agressiva ao planeta Terra.
O Brasil possui um potencial muito grande para o aproveitamento de recursos
energéticos renováveis. A energia gerada por biomassa é um forte exemplo que, se bem
administrada, pode ser incluída facilmente na matriz energética brasileira. O potencial eólico
no País também é altíssimo, apesar de somente uma pequena parcela estar sendo utilizada
atualmente.
A energia solar é outra fonte de energia que está presente em abundância no Brasil. A
energia solar fotovoltaica ainda possui um custo elevado quando comparada com outras
fontes alternativas, porém já evoluiu bastante com relação a sua eficiência e rentabilidade. Já
pode-se ver no mercado diversos exemplos que utilizam este tipo de geração de energia, como
carros elétricos, notebooks com carregador elétrico, dentre outros. A energia solar térmica
também não fica atrás no mercado, já existem condomínios que utilizam esta energia para
diminuir o gasto com o consumo de energia elétrica.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro de
2016, o Brasil tinha aproximadamente 205 milhões de habitantes, com uma taxa de
crescimento populacional tendendo a diminuir 0,7% a.a, enquanto o número de domicílios
(relação habitante/domicílio) possui uma tendência a crescer em todo o País. De acordo com a
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), mais de 80% da demanda energética
brasileira é residencial.
Em 26 de abril de 2002, foi criado um programa para incentivar o uso de fontes
alternativas de energia, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica
(PROINFA).
2

Este programa foi revisado pela Lei nº 10.762, de 11 de novembro de 2003, que
assegurou uma maior participação dos estados, assim como o incentivo à indústria nacional e
a exclusão de consumidores de baixa renda do rateio da compra da nova energia. Esse projeto
tem o suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e
financia projetos de geração de energia eólica, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs),
biogás de aterro sanitário, dentre outros (BERMANN, 2008).
O presente trabalho apresenta um estudo sobre a escolha de uma fonte de energia
alternativa a ser instalada em um conjunto habitacional, de forma econômica e
ambientalmente mais benéfica. A escolha está sustentada na teoria dos sistemas de apoio à
decisão, que foram essenciais para ajudar na escolha da fonte de energia, tendo em vista que
avaliam os múltiplos critérios, suas ponderações e consequências para determinar qual a
decisão que melhor atende o objetivo geral.
Este estudo analisa alguns critérios para a seleção de uma energia renovável, dentre
biogás, energia solar térmica, energia solar fotovoltaica e energia eólica, a ser implementada
em um condomínio localizado no município de Eusébio, no estado do Ceará, através do
método MACBETH.
3

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo Geral

Selecionar, dentre solar térmica, solar fotovoltaica, eólica e biomassa, qual a melhor
energia renovável a ser implementada em um condomínio residencial localizado no município
de Eusébio, no estado do Ceará, utilizando o software MACBETH.

1.1.2 Objetivos Específicos

Em observância ao objetivo geral deste trabalho, foram traçados os seguintes objetivos


específicos:
- Realizar um levantamento do consumo médio mensal da área comum do
condomínio;
- Determinar critérios de avaliação para seleção da fonte de energia mais
favorável;
- Realizar o dimensionamento básico dos sistemas de geração de energia;
- Fazer levantamento dos custos de aquisição e manutenção/operação dos
respectivos sistemas de geração;
- Realizar um levantamento das emissões atmosféricas decorrentes da geração
de energia;
- Estimar o tempo de retorno financeiro dos investimentos para cada um dos
sistemas de geração;
- Selecionar a fonte de energia mais favorável utilizando a ferramenta
MACBETH;

1.2 Justificativa

Diante da dinâmica de desenvolvimento atual das engenharias, em que temos diversos


projetos que demandam inovações na hora do planejamento do projeto, principalmente no que
remete à economia e à sustentabilidade, o presente trabalho busca fazer uma síntese dos dados
necessários para a seleção de um determinado tipo de energia, dentre as várias possíveis, para
uma região ou para um empreendimento específico, fazendo uso de uma metodologia
adequada.
4

Com efeito, espera-se também fornecer um subsídio metodológico para incentivar o


uso de fontes de energia mais limpas dentro dos ambientes construídos, não só reduzindo os
impactos socioambientais gerados pelos recursos tradicionais, como também um retorno
econômico para os investidores através da redução considerável do uso de energia advindo da
concessionária.
A escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas no Brasil tem sobrecarregado as
usinas termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis para funcionamento. Assim sendo, o
Governo recorre à compra de energia de terceiros, encarecendo o valor para o consumidor,
além de apoiar o uso abusivo dos recursos não-renováveis.
Fazendo uma analogia com a sustentabilidade na construção civil, a abertura para
novas fontes tem se tornado uma saída bastante válida na hora de executar um projeto
energético residencial/comercial. Sistemas eólicos e solares têm sido instalados tanto em
condomínios residenciais, como em prédios comerciais, garantindo um suprimento energético
significativo, além de um consumo sem agressão considerável ao meio ambiente.
5

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Cenário de produção/consumo de energia do País

A energia é fundamental para a sociedade moderna, para a criação de bens a partir de


recursos naturais e para fornecer serviços variados que nos beneficiam. Como os
combustíveis fósseis representam 90% do consumo de recursos energéticos, a geração de
emissões de dióxido de carbono pode causar danos severos e irreversíveis ao meio ambiente
(HINRICHS; KLEINBACH, 2009).
O Brasil teve uma forte desaceleração da produção de energia primária (fontes que são
obtidas diretamente da natureza) e do consumo de energia após o "milagre econômico", época
em que o país passou por um crescimento econômico rápido e excepcional. O aumento da
produção de energia primária no Brasil, nos últimos 30 anos, tem acompanhado o crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto), porém o consumo de energia tem crescido de forma bem
mais intensa. Isso ocorre principalmente devido a demanda crescente do país e da instalação
de indústrias eletrointensivas (GOLDEMBERG; LUCON, 2007).
Para Bronzatti e Neto (2008), a produção e o consumo energético de um país estão
intrinsecamente ligado com a atividade econômica, ou seja, o PIB. O Quadro 1 mostra essa
relação entre o PIB, consumo de eletricidade e produção de energia primária do Brasil, do
mundo, de países não-OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico) e de países OCDE.

Quadro 1 - Relação entre o PIB, consumo de eletricidade e produção de energia primária.

Fonte: GOLDEMBERG; LUCON, 2007.

Em 1970, a principal matriz energética brasileira era a lenha, na qual representava


6

48% das necessidades brasileiras no uso final da energia, e o petróleo representava 36%.
Entre 1970 e 1990, esse consumo de lenha reduziu para apenar 2,9% ao ano. A crise
energética da década de 70 forçou o Brasil a investir em outras frontes de energia, como as
hidrelétricas e a de cana-de-açúcar. Atualmente é o petróleo que predomina na matriz
energética brasileira com 41% de participação, a eletricidade é a segunda forma mais
utilizada, com 19% (BRONZATTI; NETO, 2008). A Figura 1 mostra a diversificação da
matriz energética brasileira e uma projeção para 2030.

Figura 1 - Diversificação da matriz energética do Brasil.

Fonte: TOLMASQUIM; GUERREIRO; GORINI, 2007.

De acordo com Goldemberg (2000), o consumo de energia no mundo cresce


aproximadamente 2% ao ano de forma não uniforme. Nos países desenvolvidos, esse
percentual é de aproximadamente 1% ao ano, enquanto que nos países em desenvolvimento, é
de cerca de 4% ao ano. Se o crescimento continuar desta forma, a principal consequência será
o aumento do consumo de fontes de energia que utilizam combustíveis fósseis, trazendo uma
catastrófica poluição ambiental. Já existem soluções para evitar este problema ambiental,
como a melhoria da eficiência dos combustíveis fósseis, o que prolongaria a vida das reservas
e reduziria bastante as emissões de gases poluentes, e uma maior inclusão de fontes
renováveis de energia no setor energético brasileiro.
7

2.2 Panorama de energias renováveis

O ar, a água e a energia são bens fundamentais para a vida humana há muito tempo.
As sociedades primitivas obtinham energia através da lenha das florestas, para aquecimento e
atividades domésticas. Com o desenvolvimento das tecnologias esse consumo foi
aumentando. Durante a Idade Média, as energias de cursos de água e vento passaram a ser
utilizadas, porém ainda em quantidades pequenas. Com a Revolução Industrial, foi necessário
produzir mais carvão, petróleo e gás para poder suprir as necessidades energéticas da
população (GOLDEMBERG; LUCON, 2007).
Para Exxon Mobil (2014), energia, em geral, está intrinsecamente relacionada com as
pessoas. A sociedade utiliza combustíveis para transporte e outros tipos de energia para tornar
a vida mais fácil. Até 2040 a população deverá aumentar entre 7 bilhões e 9 bilhões, a
economia global vai dobrar e a eficiência energética deverá servir para compensar o
crescimento da demanda. Conforme vemos na Figura 2, a população e o PIB até 2040
poderiam levar a um aumento na demanda de energia global de mais de 100%, porém uma
boa parte desse aumento será evitado devido aos avanços que ocorrerão na eficiência
energética.

Figura 2 - Demanda energética mundial.

Fonte: EXXON MOBIL, 2014.

A utilização de combustíveis fósseis é o principal meio de produção de energia no


8

mundo atual, o que gera inúmeras variáveis negativas, como a produção de emissões gasosas
poluentes. Esses gases poluentes alteram a composição química da atmosfera e agravam o
efeito estufa, por consequência eles agravam também a situação do aquecimento global
(CUSTÓDIO, 2013). De acordo com a Figura 3, a fonte hídrica fica em primeiro lugar na
matriz energética do Brasil e a fóssil em segundo.

Figura 3 - Matriz energética brasileira.

Fonte: Adaptado de ANEEL, 2016.

A demanda por energia e a população mundial estão seguindo nos mesmos patamares
de crescimento, tanto em países desenvolvidos, como em países em desenvolvimento. A
questão do petróleo ocorrida na década de 70 fez com que o ser humano passasse a visualizar
a necessidade de uma mudança na matriz energética que predominava na maioria absoluta dos
países (BUTTERBY; FERREIRA, 2015).
O Protocolo de Quioto foi firmado em 1997, onde tinha como meta principal a
redução das emissões de gases de efeito estufa para valores 5% inferiores àqueles medidos em
1990, durante o período de 2008 a 2012, para países industrializados. Para países em
desenvolvimento, como o Brasil, não houve meta estabelecida de redução de emissão de
gases, porém era necessário que também diminuíssem suas emissões. Porém o Brasil ainda
vem aumentando suas emissões de CO2 através de centrais elétricas (SHAYANI;
OLIVEIRA; CAMARGO, 2006).
Com esse contexto, o aproveitamento de fontes alternativas de energia vem sendo cada
vez mais estudado, a fim de amenizar a agressão provocada ao meio ambiente em relação às
fontes advindas de combustíveis fósseis. Uma das grandes dificuldades enfrentadas
atualmente pela humanidade com relação a esta mudança é a questão econômica, já que a
diferença ainda é bastante perceptiva (SANTOS, 2013). Para Butterby e Ferreira (2015), o
Brasil, diante deste cenário, sai na frente diante do mundo, tendo em vista que sua matriz
9

energética detém mais de 40% em renováveis, enquanto os outros países possuem apenas
14%.
Energias alternativas e renováveis são comumente confundidas, porém existem
detalhes que as diferenciam muito. Energia alternativa é toda aquela que seja diferente da
energia gerada por combustíveis fósseis. Para uma fonte de energia ser considerada renovável,
ela precisa ser inesgotável ou que consiga se repor em um tempo pequeno. Dessa forma, toda
energia renovável é alternativa, mas nem toda energia alternativa é renovável. Fontes de
energia como a solar, eólica e biomassa são consideras renováveis, já a energia nuclear só é
considerada uma energia alternativa (BERMANN, 2002).
Segundo Sousa et al. (2005), um dos obstáculos ainda enfrentados durante a escolha
de uso de fontes de energia alternativas é o custo elevado. Porém representam, mesmo assim,
uma opção viável para a produção de energia, tendo em vista que os recursos energéticos
renováveis são fontes inesgotáveis. O aproveitamento desses recursos traz benefícios
ambientais com a redução das emissões de CO2 e outros poluentes, aumentam a segurança e
estabilidade no fornecimento de energia, reduzindo as importações, dentre outros fatores.
De acordo com Pacheco (2006), é a partir da diversificação de fontes alternativas de
energia que os países passarão a ter uma segurança maior com relação à oferta de energia.
Isso será realizado sem ter que se submeter a preços elevados de insumos ou adversidades
climáticas. Para que isso ocorra, é importante ter mais investimentos direcionados para a área
de geração de energia, tendo em vista que o governo não possui recursos suficientes para a
diversificação e ampliação da matriz energética.

2.3 Políticas de incentivo ao uso de energias renováveis no Brasil

2.3.1 Barreiras às fontes renováveis de energia

São inúmeras as barreiras ao desenvolvimento das fontes renováveis de energia, tais


como as falhas de mercado, barreiras econômicas, barreiras de informação e conscientização,
barreiras socioculturais e barreiras institucionais e políticas (UZAI, 2012). Este tópico irá
enfatizar algumas dessas barreiras.
O desinteresse político para apoiar novas ideias no campo energético é um dos pontos
principais que bloqueia o desenvolvimento das renováveis no País. A falta de uma estrutura
legal apropriada para apoiar os incentivos à essas fontes estão relacionadas com os custos de
logística e conexão serem mais altos para produtores independentes (COSTA; PRATES,
10

2005).
A questão da falta de interesse de financiadores é outro ponto que merece ser
destacado. As energias renováveis ainda apresentam um custo elevado de produção, a
tecnologia não está alastrada e ainda precisa de desenvolvimentos e é um mercado que não
está totalmente consolidado, tudo isso dificulta o financiamento. Além disso, os
empreendedores preferem investir em projetos energéticos de grande escala, o que traz uma
maior dificuldade para os empreendedores de pequena escala (JANNUZI, 2000).
As barreiras de informação técnica dificultam a compreensão da população como um
todo com relação ao funcionamento dos sistemas renováveis, bem como operá-los e mantê-
los. Isso reflete também na aceitação da população para essas tecnologias novas. Obviamente
que essas barreiras só serão contornadas quando existir uma assistência prestativa, que oriente
com relação aos riscos e ações que devem ser tomadas, mas, infelizmente, o Brasil ainda tem
pouca mão de obra qualificada para essa área (SOUZA; DERZI; CORREIA, 2004).
Com relação as barreiras tecnológicas, algumas tecnologias trazem inconvenientes ao
usuário final, como a dificuldade de operação, intermitência do recurso, dentre outros. Tudo
isso reflete na hora da escolha de um sistema renovável, a tendência é que os usuários que
possuem pouca motivação e falta de conscientização descartem de imediato essas fontes
energéticas (WALTER, 2003).
É necessário que essas diversas barreiras sejam superadas para que a participação das
fontes renováveis de energia consiga evoluir no Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento
sustentável, segurança energética e combate às mudanças climáticas poderá ser alcançado
mais facilmente (UZAI, 2012).

2.3.2 Políticas de incentivo

As políticas de incentivo ao uso de energias renováveis são classificadas em três


categorias: Incentivos fiscais (correspondem à aplicação de recursos públicos que não serão
reembolsados); Mecanismos estatais de financiamento (aplicação de recursos públicos com
expectativa de retorno financeiro); Políticas regulatórias (estabelecimento de regras que
devem ser obedecidas pelos agentes regulados) (UZAI, 2012).
O Brasil já possui algumas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia que
promovem uma diversificação da matriz energética do País, através de alternativas que
aumentam a segurança no abastecimento de energia elétrica, além de permitir a valorização
das características e potencialidades regionais e locais (MME, 2016).
11

O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) é o


maior programa do mundo de incentivo às fontes alternativas de energia elétrica. Foi
instituído pela Lei nº 10.438/2002, revisado pela Lei nº 10.762/2003, e implantou, até 31 de
dezembro de 2011, um total de 119 empreendimentos, onde 41 foram de eólicas, 59 de
pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e 19 de térmicas a biomassa. Estima-se que o
programa possibilita a redução de emissões de gases de efeito estufa equivalentes a
aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de CO2eq/ano (ELETROBRAS, 2016).
O pagamento da eletricidade contratada pelo PROINFA é feito com recursos da CDE
(Conta de Desenvolvimento Energético). Essa Conta promove o desenvolvimento elétrico dos
estados, a universalização dos serviços de energia elétrica, o programa de subvenção para
consumidores de baixa renda, a expansão da malha de gás natural canalizado e o custo do
carvão mineral nacional utilizado em termelétricas (WWF BRASIL, 2012).
O PROINFA é um programa pioneiro que impulsionou especialmente a fonte de
energia eólica no País. O Brasil passou, em pouco mais de 3 anos, de apenas cerca de 22 MW
de energia eólica instalada, para 414 MW. O Ministério de Minas e Energia (MME) definiu as
diretrizes, elaborou o planejamento do Programa e definiu o valor econômico de cada fonte e
a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), foi a agente executora, que celebrou de
contratos de compra e venda de energia (MME, 2016).
Existem também outras ações que foram implementadas no mesmo período do
PROINFA, como o desconto de pelo menos 50% nas tarifas de uso dos sistemas de
transmissão e distribuição para empreendimentos eólicos, solares, hidrelétricos, de biomassa e
de cogeração que forneçam potência máxima de 30 MW ao sistema interligado. Há também
destinação de recursos da CDE para aumentar a competitividade da energia gerada a partir de
fontes alternativas, mas os valores não são divulgados pela Eletrobrás (WWF BRASIL,
2012).
A Reserva Global de Reversão (RGR) foi criada em 1957 pelo Decreto nº 41.019, cuja
finalidade inicial era constituir um fundo para cobertura de gastos da União com indenização
de eventuais reversões de concessões vinculadas ao serviço de energia elétrica. Com o passar
dos anos, foi preciso ampliar a abrangência da RGR e ela começou a ser utilizada também em
projetos de geração, transmissão, distribuição, eficiência energética, iluminação pública e
universalização do acesso à energia elétrica, em todo o Brasil (ELETROBRÁS, 2016).
Atualmente a RGR prevê a concessão de financiamentos para empreendimentos que
utilizam as seguintes fontes alternativas: eólica, solar, biomassa e PCH. Além disso, prevê
que recursos da RGR seriam utilizados em programa de fomento específico que deveria ser
12

instituído pela Eletrobrás para a utilização de equipamentos de uso individual e coletivo


destinados à transformação de energia solar em energia elétrica (WWF BRASIL, 2012).
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui várias
linhas de financiamento que são fundamentais para a expansão e para o apoio da
modernização do setor elétrico brasileiro, através da execução de projetos que exigem longo
prazo de maturação e elevados volumes de investimentos (BNDES, 2016).
O Banco faz o financiamento de alguns empreendimentos de geração de energia a
partir de fontes renováveis. Uma das linhas de financiamento relacionadas com essa área é a
de Geração de Vapor e de Energia Elétrica Renovável, que apoia hidrelétricas, geração de
vapor ou eletricidade a partir de biomassa, energia eólica, energia solar, pequenas centrais
hidrelétricas, dentre outras fontes de energia alternativas. Outra que segue esse ramo é a linha
de Eficiência Energética, que apoia os projetos de eficiência energética que contribuam para a
economia de energia, aumentem a eficiência global do sistema energético ou promovam a
substituição de combustíveis de origem fóssil por fontes renováveis (BNDES, 2016).

2.4 Energia Eólica

A extração de energia dos ventos já vem sendo utilizada pela humanidade há muito
tempo. As primeiras aplicações da energia eólica foram os moinhos de vento utilizados para
moagem de grãos e bombeamento de água em atividades agrícolas. Uma aplicação que vem
se destacando a cada dia é o aproveitamento da energia eólica como fonte alternativa de
energia para produção de energia (MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008). Existem
mais de 30.000 turbinas de vento no mundo, com uma capacidade de aproximadamente
13.000 MW (HINRICHS; KLEINBACH, 2009).
Com relação a uma visão global de energia eólica, a Alemanha, Estados Unidos,
Espanha e Dinamarca são responsáveis por quase 80% da capacidade instalada no mundo
(Figura 4).
13

Figura 4 - Distribuição da capacidade instalada no mundo.

Fonte: ANEEL, 2015.

Energia eólica é denominada como a energia cinética contida nas massas de ar em


movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética de
translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também
denominadas aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cata-ventos (e moinhos), para
trabalhos mecânicos como bombeamento d’água (ANEEL, 2015).
Existem três partes principais em uma turbina eólica para geração de eletricidade:
Rotor - componente que realiza a transformação da energia cinética dos ventos em energia
mecânica de rotação; Caixa de Multiplicação - aumenta a velocidade de rotação do eixo de
baixa velocidade; Hub - constitui elemento de conexão das pás com o eixo do rotor
transmitindo forças, conjugados e vibrações; Pás do rotor - utilizam energia do vento para
girar em torno do eixo de rotação da turbina; Sistema de Freios - reduz a rotação das pás;
Nacele - estrutura de proteção do conjunto contendo a engrenagem, eixos, gerador,
controlador e freio; Gerador - converte energia mecânica em energia elétrica; Torre - sustenta
a turbina com todos os seus componentes; Sistema de controle de guinada - orienta o rotor na
direção do vento (MACHADO, 2014).
A conversão de energia é realizada por sistemas eólicos, que são classificados em
dois tipos: os que utilizam a força de sustentação e os que utilizam a força de arrasto. As
turbinas modernas utilizam mais a de sustentação e nelas são usados aerofólios que interagem
com o vento. As que utilizam a força de sustentação podem ser turbinas de eixo vertical
(Figura 5) ou horizontal (Figura 6) (SILVA, 2006).
14

Figura 5 - Tipos de rotores de eixo vertical. Figura 6 - Turbina de eixo horizontal.

Fonte: QUASCHNING, 2005. Fonte: DUARTE, 2010.

Para Tolmasquim (2003), um sistema eólico pode ser dividido em três aplicações:
sistemas isolados, híbridos ou interligados à rede de energia elétrica. Os isolados (Figura 7)
são de pequeno porte, no geral, e usam alguma forma de armazenamento de energia, como
baterias ou energia gravitacional (armazenamento de água em reservatórios). Existem também
alguns exemplos que nem precisam de armazenamento de energia, como nos casos de
irrigação, em que a energia eólica é usada diretamente para o bombeamento da água.

Figura 7 - Sistema isolado.

Fonte: MARQUES et al., 2012.

Os sistemas híbridos (Figura 8) já apresentam outros tipos de energia além da eólica,


o que acarreta no aumento da complexidade do sistema como um todo. Normalmente são de
médio porte e atendem a um número maior de usuários que os sistemas isolados
15

(TOLMASQUIM, 2003). Nestes sistemas temos o mesmo funcionamento dos isolados, porém
o carregamento das baterias estacionárias é feito por mais de um gerador (MARQUES et al.,
2012).

Figura 8 - Sistema híbrido (eólica e solar).

Fonte: MARQUES et al., 2012.

Os sistemas interligados à rede de energia elétrica, como exemplifica a Figura 9,


fornecem energia de forma complementar ao sistema de grande porte ao qual estão
conectados. Nesse caso, não são necessários sistemas de armazenamento de energia
(TOLMASQUIM, 2003).

Figura 9 - Sistema interligado à rede de energia elétrica.

Fonte: Adaptado de MARQUES et al., 2012.


16

Desenvolvimentos tecnológicos (sistemas avançados de transmissão, melhor


aerodinâmica, estratégias de controle e operação das turbinas, etc) atuais vem reduzindo
custos e melhorando o desempenho e confiabilidade dos equipamentos. O custo dos
equipamentos reduziu-se significativamente nas últimas décadas (ANEEL, 2015).
Este tipo de energia possui variadas vantagens, como apresentar baixos impactos
socioambientais, ser uma fonte renovável abundante e limpa, e estar se tornando bastante
competitiva no mercado. A geração de energia através da eólica não apresenta emissões de
gases ou particulados, não há resíduos, não é necessário alagar áreas, cidades, sítios
arqueológicos, florestas, etc. E em geral não inviabiliza a área que será utilizada
(CUSTÓDIO, 2013).
Contudo, essa energia também apresenta algumas desvantagens. Possui elevados
custos de implantação. Existem vários impactos ambientais causados pelas turbinas eólicas,
como o ruído, danos à fauna, interferência eletromagnética, impacto visual, dentre outros. É
uma fonte intermitente, já que dependerá diretamente das condições atmosféricas, sendo
difícil então estabelecer previsões da quantidade exata de geração de energia, como a
hidráulica e a térmica (SANTOS, 2013).

2.5 Energia Solar

A energia solar possui sua origem no núcleo do Sol e é gerada através de reações de
fusão nuclear, que liberam uma quantidade massiva de energia. A radiação solar na superfície
terrestre não ocorre de forma homogênea. A irradiação irá variar de acordo com a latitude,
longitude e altura. Também varia de acordo com a região e época do ano, em função dos
movimentos de translação e rotação da Terra (SANTOS, 2013).
Os sistemas solares representam uma alternativa de geração de energia bastante
interessante, devido ao fato do País possuir um grande potencial de utilização do Sol, além de
ser uma fonte energética limpa, renovável, ilimitada e disponível em todo o território nacional
(LIMA, 2003).

2.5.1 Solar Térmica

O esquema da Figura 10 mostra um sistema de aquecimento de água que pode ser


subdividido em três fases principais: captação de energia solar, armazenamento de água
17

aquecida e consumo de água. Para a captação, é necessário ter coletores solares, reservatório e
tubulações que liguem os coletores com o reservatório. O reservatório térmico armazena a
água quente para ser utilizada no momento desejado. Para dias com baixa insolação, períodos
de chuva e com aumento da demanda, é fundamental que existam sistemas auxiliares, como a
utilização de gás ou outra forma de produção de energia. Em sistemas maiores, é interessante
a utilização de bombas hidráulicas para facilitar a circulação da água (SANTOS, 2013).

Figura 10 - Características gerais de um sistema de aquecimento solar.

Fonte: SOLETROL, 2016.

Os sistemas de água quente doméstica (AQD) podem ser de três tipos: sistemas ativos
que utilizam coletores de placas planas, aquecedores de água em lotes e sistemas de
termossifão. Os mais utilizados para AQD e aquecimento de piscinas são os realizados através
de um coletor de placa plana (CPP). O componente básico deste tipo de coletor é uma placa
de metal fina e plana que consegue absorver a radiação solar. A água nas tubulações entra em
contato com a placa absorvedora e é posta em circulação por uma bomba para que exista a
retirada do calor (HINRICHS; KLEINBACH, 2009).
Nos dias atuais, os setores comerciais e residenciais utilizam o aquecimento solar
18

principalmente em piscinas e para obtenção de AQD. O maior avanço da energia solar térmica
ocorreu no final da década de 70 e início da década de 80, devido ao embargo do petróleo em
1973 e aumentos nos preços do petróleo e, consequentemente, da eletricidade. Foi criado um
programa para incentivar o uso de sistemas de aquecimento solar (SAS), através de uma
oportunidade oferecida para a população deduzir diretamente dos impostos, até um limite
máximo, a quantia que fosse investida nesses sistemas solares. O programa foi encerrado em
1985, causando uma queda abrupta nesse ramo. Em 1987 o mercado de AQD solar diminuiu
cerca de 95% comparado ao que era no início da década de 70 (HINRICHS; KLEINBACH,
2009).
Siqueira (2009) diz que o Brasil recebe mais de 2200 horas de insolação, com um
potencial para a captação da energia equivalente a 15 milhões de MWh, correspondentes a 50
mil vezes o consumo nacional de eletricidade e, ainda assim, o aquecimento de água na
maioria dos condomínios residenciais é feito por chuveiros elétricos convencionais.
A utilização da água quente possui uma característica modular e descentralizada, o que
permite a instalação de pequenas unidades de aquecimento próximas ao consumo, diminuindo
as perdas no transporte da energia e possibilitando a instalação de sistemas dimensionados
para as atuais e reais necessidades locais. No caso de a demanda de água quente aumentar,
existe a possibilidade de melhorar a capacidade de aquecimento dos sistemas. Desta forma,
diminuem-se os investimentos iniciais na instalação (SOUZA, 2009).
O aquecimento solar de residências ou para a obtenção de água quente pode ser ativo
ou passivo. O sistema solar ativo é aquele no qual o fluido que o Sol aqueceu é circulado por
um ventilador ou bomba. Em um sistema passivo já não existe uma fonte externa de energia,
mas sim uma circulação do fluido por meios naturais. Esse segundo se destaca por ter
vantagens econômicas. Casas solares passivas podem ter uma economia de aproximadamente
50% dos custos de aquecimento com um aumento de apenas 1% a 5% nos custos de
construção (HINRICHS; KLEINBACH, 2009).
A utilização de SAS em unidades habitacionais está sendo um caminho claro e viável
para o alívio do sistema energético nacional, que se encontra numa situação bastante difícil
devido a falta de investimentos do Governo Federal para instalação de novos sistemas de
geração, transmissão e distribuição de energia elétrica pela fonte convencional, agravado pela
escassez dos recursos hídricos existentes (SOUZA; BEZERRA, 2000).
Uma forte desvantagem que a energia solar térmica apresenta quando comparada com
os outros tipos de energia apresentado neste trabalho é o fato de ser uma fonte que não irá
produzir energia, mas somente reduzir o gasto com a energia convencional.
19

2.5.2 Solar Fotovoltaica

A geração de energia através da conversão direta da luz solar em eletricidade por


sistemas fotovoltaicos está se espalhando cada vez mais no mundo. Essa mudança está
ocorrendo principalmente devido à redução de custos e ao incremento da eficiência de
conversão (ZILLES, 2003).
O efeito fotovoltaico ocorre através da conversão em eletricidade da energia produzida
através do Sol que incide sobre as placas solares. As células solares utilizam o silício como
material-base para sua fabricação. A aparência externa é a forma de uma lâmina circular ou
quadrada, com tonalidade escura. A parte superior da célula possui pequenas tiras de um
material condutor, para a extração da corrente elétrica gerada quando as placas são expostas à
luz solar. A proteção desse conjunto de células precisa ser bem resistente, com materiais que
protejam contra possíveis danos externos. A Figura 11 mostra a constituição completa de um
módulo fotovoltaico (vidro de alta transparência e temperado, acetato de til vinila - EVA,
células solares e filme de fluoreto de polivinila - Tedlar ou vidro). Por fim é colocado o marco
de alumínio para dar o acabamento final (ZILLES, 2003).

Figura 11 - Módulo fotovoltaico.

Fonte: MOEHLECKE; ZANESCO, 2015.

O esquema de energia solar através de um sistema fotovoltaico autônomo é


relacionado com a proporção de energia para residências ou povoados em locais isolados. A
constituição desse sistema é basicamente de módulos fotovoltaicos e baterias recarregáveis
associadas a controladores de carga. Durante dias ensolarados, os módulos produzem a
energia elétrica, e durante a noite e dias nublados, a energia é fornecida pelas baterias. A
quantidade de energia que não é aproveitada pelos usuários também fica armazenada nas
baterias. A Figura 12 apresenta um modelo desse tipo de sistema. (MOEHLECKE;
ZANESCO, 2015.)
20

Figura 12 - Sistema fotovoltaico autônomo.

Fonte: MOEHLECKE; ZANESCO, 2015.

Além do sistema citado acima, existem também os sistemas que são conectados à
rede. Estes estão relacionados para a demanda da população usuária da rede elétrica
convencional. A Figura 13 apresenta um modelo de um esquema de sistema fotovoltaico que
injeta energia elétrica na rede, ou seja, existe a troca de energia deste tipo de sistema com a
rede. Quando a produção de energia é maior que a consumida, o sistema vende energia para a
companhia elétrica. (MOEHLECKE; ZANESCO, 2015).

Figura 13 - Sistema fotovoltaico conectado à rede.

Fonte: MOEHLECKE; ZANESCO, 2015.

A energia solar fotovoltaica não necessita ser extraída, refinada e nem transportada
para o local da geração, o qual pode ser próximo à carga, o que evita custos adicionais com a
transmissão em alta tensão. É um processo que utiliza células solares, responsáveis pela
geração de energia, e um inversor para transformar a tensão e frequência para os valores
nominais dos aparelhos, ou seja, é um processo simplificado, sem emissão de gases poluentes
ou ruídos e com necessidade mínima de manutenção. Como desvantagens podemos citar o
elevado custo inicial necessário, é uma fonte de energia que depende das condições
21

atmosféricas e o armazenamento é pouco eficiente se comparado ao de combustíveis fósseis


(SHAYANI; OLIVEIRA, CAMARGO, 2006).

2.6 Biomassa e Biodigestores

Muniz (2002) diz que a biomassa pode ser entendida como qualquer tipo de matéria
orgânica que possua origem vegetal ou animal. A energia da biomassa pode ser aproveitada
de várias formas, como na combustão direta (queima da biomassa para produzir calor), na
pirólise (decomposição térmica de resíduos em um gás ou em um líquido) ou no
aproveitamento bioquímico através da decomposição anaeróbica (biodigestores). Este
trabalho irá enfatizar o estudo na área de biodigestores.
Os biodigestores (Figura 14) vem se destacando nos últimos anos devido à redução
dos custos de implantação e manutenção, devido a disponibilidade de novos materiais e
equipamentos, e, principalmente, pela possibilidade de inserção no mercado de carbono
(VIVIAN et al., 2010).

Figura 14 - Esquema simplificado de um biodigestor.

Fonte: MASTER, 2016.

A digestão anaeróbica é um processo de decomposição, na qual bactérias irão


converter material orgânico em gases (metano e dióxido de carbono) na ausência de oxigênio.
Esse processo ocorre normalmente em digestores construídos para conter uma mistura pastosa
de resíduos e água. O biogás (produto resultante da fermentação de dejetos animais, lixo
orgânico e/ou resíduos vegetais) produzido pode ser utilizado em refrigeradores a gás, geração
de eletricidade, aquecimento, dentre outros (HINRICHS; KLEINBACH, 2009).
Esse tipo de digestão apresenta variadas vantagens, tais como a baixa produção de
lodo, baixo consumo de energia e baixos requerimentos nutricionais. A eficiência do processo
22

depende das interações positivas entre os diversos grupos de microrganismos, com


capacidades degradativas. Por exemplo, os intermediários metabólicos de um grupo podem
servir como nutrientes para o crescimento de outros grupos (KIPPER, 2013).
Para a obtenção do biogás, se faz necessário o uso de um biodigestor. Este
equipamento constitui-se de uma câmara fechada onde é alocado o material orgânico, em
solução aquosa, onde sofre decomposição, gerando o biogás que irá se acumular na parte
superior dessa câmara. A decomposição que esse material orgânico sofre no interior do
biodigestor é a digestão anaeróbica (KRUMMENAUER, 2009).
A utilização da biomassa como uma fonte energética pode ser um grande gerador de
empregos no Brasil e impõe a descentralização social e política, o que não se faz necessário
para as fontes convencionais ou outras fontes renováveis, como as hidrelétricas (BERMANN,
2002).
Existem vários tipos de biodigestores, com variações de preço, peso, eficiência,
tecnologias adotadas, dentre outros. O biodigestor tubular de plástico (modelo taiwanês)
consiste em um tipo de plástico de polietileno alongado de baixo custo. Neste tipo de
biodigestor (Figura 15), existem duas partes: uma para a fase líquida e outra para a fase
gasosa. O biogás fica armazenado na parte superior, denominada campana, e a mistura líquida
fica na parte inferior, denominada fossa (RIBEIRO, 2011).

Figura 15 - Partes de um biodigestor tubular.

Fonte: RIBEIRO, 2011.

O biodigestor de cúpula fixa (modelo chinês) (Figura 16), tem forma semelhante a
uma esfera, e o gás fica armazenado dentro da cúpula fixa em pressão variável, na qual é
obtido pelo deslocamento do líquido sob a digestão para uma câmara chamada câmara de
pressão hidráulica. Este modelo difere do citado acima por ficar quase totalmente enterrado
no solo, dessa forma, existe pouca variação de temperatura no seu interior. Este biodigestor
não é um modelo muito apropriado para acumular gás, devido a cúpula fixa apresentar muitas
23

vezes vazamento, ele é mais indicado para produzir biofertilizantes (CEPERO et al., 2012).

Figura 16 - Biodigestor de cúpula fixa.

Fonte: SAMPAIO, 2012.

O biodigestor de cúpula móvel (modelo indiano) (Figura 17) possui uma campânula
como gasômetro, a qual pode estar mergulhada sobre a biomassa em fermentação, ou um selo
d’água externo, e uma parede central que divide o tanque de fermentação em duas câmaras.
Quando construído, este modelo possui o formato de um poço, que é o local onde ocorre a
digestão da biomassa, coberto por uma tampa cônica, a campânula flutuante, que controla a
pressão do gás metano e permite a regulagem da emissão do mesmo (DEGANUTTI et al.,
2002).

Figura 17 - Biodigestor de cúpula móvel.

Fonte: SAMPAIO, 2012.


A justificativa para o incentivo do uso de biodigestores está intrinsecamente
24

relacionada com a sustentabilidade ambiental. Uma das preocupações atuais é a disposição de


resíduos sólidos em aterros sanitários que não possuem fiscalização ou lixões a céu aberto. A
quantidade de espaço disponível para aterros está decrescendo bastante e o volume de
resíduos sólidos gerados não para de aumentar (BECK; ARAÚJO; CÂNDIDO, 2009).
Analogicamente, existem algumas opções que podem solucionar esta problemática dos
resíduos sólidos: reduzir a quantidade de lixo produzido, instituir programas de reciclagem
mais vigorosos, incinerar o lixo em usinas, construir aterros sanitários mais seguros e
fiscalizados, e realizar a digestão anaeróbica. A dificuldade de implementar estas soluções
está na sociedade e na cultura do País. A população descarta os resíduos sem ter uma
preocupação com a coleta seletiva ou com outras formas de reaproveitamento do lixo
(HINRICHS; KLEINBACH, 2009).

2.6.1 Fatores que influenciam o desempenho de biodigestores

Existem variados fatores que interferem na eficiência e no desempenho dos


biodigestores, principalmente pelo fato de que a produção do biogás é realizada por bactérias.
A seguir são descritos alguns fatores.

2.6.1.1 Temperatura
A temperatura influencia diretamente a atividade microbiana e velocidades das reações
bioquímicas, sendo de suma importância nos sistemas biológicos. As bactérias podem ser
classificadas de acordo com a temperatura: mesófilas, psicrófilas, psicótrofas, termófilas e
hipertermófilas (CASTRO; GRAZIANO; GROSSI, 2006).
A faixa ideal para produzir biogás a partir de bactérias mesófilas é de 25º C a 45º C,
que é a faixa de temperatura mais comum na superfície da Terra. As psicrófilas requerem
temperaturas abaixo de 15º C graças a seu alto conteúdo de ácidos graxos para seu
crescimento. Já as psicótrofas possuem ótimo crescimento em temperaturas acima de 20º C,
também podem crescer em temperatura de refrigerador, porém lentamente. As termófilas e
hipertermófilas são as bactérias cujas taxas de crescimento ótimo são entre 50º C e 80º C, já
que suas enzimas termófilas apresentam propriedades de termo-estabilidade acima de 70º C
(CASTRO; GRAZIANO; GROSSI, 2006).
25

2.6.1.2 Potencial Hidrogeniônico (pH)


O valor de Potencial Hidrogeniônico (pH) é um importante indicador do
desenvolvimento metanogênico. A produção ótima de biogás é conseguida quando este valor
do conteúdo do biodigestor está entre 7,0 e 7,2 (MIRANDA, 2009). A maioria das bactérias
consegue e adaptar-se em meios com pH variando entre 5 e 9, para serem classificadas em
neutrófilas, acidófilas e alcalinófilas (CASTRO; GRAZIANO; GROSSI, 2006).
No começo da fermentação existe a produção de quantidades grandes de ácidos
orgânicos pelas bactérias formadoras de ácidos. Com essa produção, o pH no interior do
biodigestor pode ficar abaixo de 5, inibindo ou até mesmo paralisando o processo de
fermentação, tendo em vista que as bactérias metanogênicas não crescem em valores de pH
menores que 6,5. O valor de pH aumenta quando ocorre a digestão do nitrogênio, onde há um
aumento da concentração de amônia, a qual pode levar o pH a 8 (MIRANDA, 2009).

2.6.1.3 Tempo de Detenção Hidráulica (TDH)


O Tempo de Detenção Hidráulica (TDH) indica o intervalo de tempo necessário de
permanência do afluente no interior do biodigestor para que a degradação ocorra de maneira
adequada, definindo o ponto de melhor qualidade do biogás no processo de biodigestão
anaeróbia. Este tempo é determinado através da divisão do volume útil do digestor pelo
volume diário de carga introduzida. O pH varia em função do TDH no processo contínuo
(MIRANDA, 2009).

2.7 Sistemas de Apoio à Decisão

Para problemas cotidianos e mais comuns, as tomadas de decisão baseadas somente na


intuição podem trazer resultados aceitáveis porque envolvem poucos objetivos e normalmente
somente uma ou duas pessoas que devem tomar uma decisão. Quando o assunto é sobre a
energia, os problemas ficam mais complexos e é necessário usar um sistema de apoio à
decisão. A maioria das decisões envolvem múltiplos objetivos, vários tomadores de decisão e
que estão sujeitas a avaliação externa. Um sistema de apoio à decisão que utilize métodos de
avaliação confiáveis irá fornecer: estrutura adequada para solucionar difíceis problemas,
justificativa para as decisões, consistência no processo de decisão, objetividade, dentre outros.
A utilização de um sistema de apoio a decisão pode ajudar a evitar desentendimentos que
levem a dúvidas com relação a validade das análises realizadas (BAKER et al., 2001).
O Sistema de Apoio à Decisão (SAD) é um sistema específico para resolver problemas
26

organizacionais, através de informações e modelos especializados. Sua diferenciação está no


fato de que consegue apoiar tomadas de decisão em áreas de planejamento estratégico,
controle gerencial e operacional (LOUREIRO et al., 2016). Através desses modelos, é
possível identificar qual a melhor alternativa a ser escolhida em uma determinada área
analisada.
Os componentes básicos de um SAD são: interface com o usuário, banco de dados e
banco de modelos, onde visam fornecer apoio em decisões semi-estruturadas ou
desestruturadas, na qual o tomador de decisões estará sob o controle e disponibilizará de um
conjunto de ferramentas para conseguir estruturar essas decisões (JUNIOR; FERNANDES;
PEREIRA, 2006).
Em um sistema de apoio à decisão, é necessário inicialmente inserir os dados, para
depois ocorrer o processo e o armazenamento das informações em um banco de dados. Após
isso, o resultado é obtido na saída, na qual poderá ser a entrada para outras relações existentes
no mesmo sistema ou em outros (MASSUKADO, 2004).
Para Fortulan e Filho (2005), a função mais importante desses tipos de sistemas é
juntar variadas informações em um sistema único, para que o tomador de decisão possa
avaliar a situação geral em um único conjunto e evitar a inconsistência de dados redundantes
armazenados em mais de um sistema.
Existem diferentes métodos de apoio à decisão que podem ser indicados, variando de
acordo com as condições encontradas no ambiente da tomada de decisão (análise, do contexto
e estrutura de preferências associadas ao problema em questão). A pessoa que irá decidir qual
o método que melhor abrange e resolve o problema será o analista (CHAVES et al., 2010).

2.8 Ferramentas

2.8.1 MACBETH

O MACBETH (Measuring Attractivenessby a Categorical based Evaluation


Technique) é um método de apoio à decisão que permite avaliar opções levando em conta
vários critérios. Ele utiliza julgamentos qualitativos sobre diferenças de atratividades, na qual
essa diferença de atratividade pode ser muito fraca, fraca, moderada, forte, muito forte ou
extrema. Caso o julgamento esteja inconsistente, o MACBETH identifica a origem do
problema e também indica sugestões para resolver esse problema de inconsistência. As fases
do processo MACBETH podem ser vistas na Figura 18 (BANA E COSTA; ANGULO-
27

MEZA; OLIVEIRA, 2013).

Figura 18 - Fases do MACBETH.

Fonte: BANA E COSTA; ANGULO-MEZA; OLIVEIRA, 2013.

Chaves et al. (2010) observam que este método trabalha com um julgamento
semântico, onde as funções de valor são obtidas através desses julgamentos. O MACBETH
realiza a comparação das diferenças de atratividade entre duas linhas de ação, sempre aos
pares. Essa tática facilita muito a tomada de decisão, já que o conjunto de ações não precisa
ser analisado simultaneamente. Além disso, este método tem como premissa o decisor ser
coerente, o que se torna difícil quando o número de alternativas e critérios aumenta. O
programa contorna este problema através da análise da coerência cardinal e semântica,
sugerindo uma resolução do problema no caso desta análise estar incoerente. Isto é feito
através da resolução de quatro Problemas de Programação Linear (PPL).
Os critérios de decisão são determinados a partir de indicadores. Na fase de avaliação,
os julgamentos são realizados entre alternativas aos pares, através de matrizes. A validação
das escalas utilizadas nos julgamentos é obtida por meio da verificação da coerência teórica e
semântica, e da consistência. O programa mostra a verificação da consistência, uma vez que
na matriz de julgamentos os valores de diferença de atratividade devem, obrigatoriamente,
aumentar da esquerda para a direita e de baixo para cima, já que esta ordenação se faz
necessária antes dos julgamentos (SALOMON; MONTEVECHI; PAMPLONA, 1999).
O método MACBETH sugere um valor para cada peso dos critérios, porém permite ao
tomador de decisão que escolha dentro de uma faixa de variação. Este fator torna o programa
bastante útil no auxílio de técnicas que utilizam a programação linear na hora de determinar
os pesos (RANGEL et al., 2003).
Com este contexto, é perceptível que este método se distingue de outros métodos
multicritérios por basear a ponderação dos critérios e a avaliação das opções em julgamentos
28

qualitativos sobre diferenças de atratividade, o que torna mais simples a análise do facilitador
(BANA E COSTA; ANGULO-MEZA; OLIVEIRA, 2013).
Segundo Braz (2011), esta metodologia possui como principal desvantagem a
atribuição dos respectivos pesos relativos, tendo em vista que envolvem um certo grau de
subjetividade. Porém essa desvantagem pode ser mitigada com a contratação de especialistas
da área analisada. A opinião conjunta de vários especialistas poderá diminuir bastante essa
subjetividade.

2.8.2 AHP

O método AHP (Analytic Hierarchy Process) utiliza comparações quantitativas para


indicar qual a melhor alternativa a ser escolhida, comparando pares de alternativas com base
no desempenho relativo em função dos critérios. A ideia base deste método é a de que os
seres humanos possuem maior entendimento com julgamentos relativos do que com
julgamentos absolutos. O que ocorre é a organização hierárquica de algum problema, onde a
racionalidade básica é a quebra de um problema em pequenas partes constituintes e, em
seguida, orienta os tomadores de decisão através de uma série de julgamentos comparativos
emparelhados para expressar a força relativa ou intensidade do impacto desses elementos na
hierarquia. Depois estes julgamentos serão transformados em números (BAKER et al., 2001).
Para Costa (2002), este método possui três etapas: Construção de hierarquias - o
problema será avaliado a partir de níveis hierárquicos, na qual os critérios e alternativas
deverão ser estruturados desta forma; Definição de prioridades - está relacionado ao fato do
ser humano ter a capacidade de fazer comparações e julgamentos. Para esta etapa é necessário
fazer julgamentos paritários, que consiste na comparação par a par através de uma escala de
nove pontos (Quadro 2); e Consistência lógica - é possível avaliar se o modelo de priorização
está construído de uma maneira lógica.
29

Quadro 2 - Escala de pontos do método AHP.


ESCALA DE DEFINIÇÕES
PONTOS
1 Elementos possuem igual importância ou
preferência
3 Moderada importância ou preferência de um
elemento sobre o outro
5 Forte importância ou preferência de um
elemento sobre o outro
7 Importância ou preferência muito
forte de um elemento sobre o outro
9 Extrema importância ou preferência
de um elemento sobre o outro
2, 4, 6, 8 Valores intermediários entre os elementos
Fonte: Adaptado de BAKER et al., 2001.

Os elementos de uma hierarquia do método AHP são divididos em: Foco principal - é
o objetivo global; Conjunto de alternativas viáveis - é necessário determinar qual é este
conjunto para a tomada de decisão final; e Conjunto de critérios - é o conjunto na qual deve
ser feita a avaliação do desempenho das alternativas (COSTA, 2002). A Figura 19 mostra
esses elementos.

Figura 19 - Elementos da hierarquia do método AHP.

Fonte: MARINS; SOUZA; BARROS, 2009.

Este método possui como principais vantagens o fato de que o tomador de decisão
precisará pensar em uma solução de uma maneira hierárquica e verificar a inconsistência dos
30

julgamentos apresentados. Como desvantagem podemos citar a escala de pontos ser limitada
até o número 9, dificultando a análise (SALOMON; MONTEVECHI; PAMPLONA, 1999).

2.8.3 MAUT

O MAUT (Multi-Attribute Utility Theory Analysis) é um método de comparação


quantitativa, que é utilizado para combinar medidas diferentes de custos, juntamente com as
preferências individuais e preferências das partes interessadas. A base deste método é o uso de
funções de utilidade, na qual transformam diversos critérios em um comum, em uma escala
adimensional (0-1), conhecida como utilidade multi-atributo. As pontuações de utilidade são
ponderadas pela multiplicação da pontuação de utilidade pelo peso do critério de decisão. A
pontuação total indica a classificação ordenada das alternativas. Assim como nos métodos
citados acima, os critérios são ponderados de acordo com a importância de cada um (BAKER
et al., 2001).
A avaliação de uma função utilidade multi-atributo é dividida em cinco etapas:
Introdução da terminologia e ideia; Identificação das hipóteses relevantes de independência;
Análise da função utilidade condicional; Avaliação das constantes de escala; e Conferir a
consistência (KEENEY; RAIFFA, 1976).
Uma desvantagem deste método é a escolha realizada pelo tomador de decisão, ele
deve estar ciente de que a preferência por uma determinada solução do problema deve estar
baseada em um conjunto de consequências bem analisadas e estruturadas. Como as
preferências são ideias subjetivas do tomador de decisão, não existe exatamente uma escolha
completamente correta, mas sim uma retratação particular de preferências, na qual poderá
variar de pessoa para pessoa (GOMES; GOMES; ALMEIDA, 2006).
Este método funciona muito bem para decisões complexas com múltiplos critérios e
múltiplas alternativas. Alternativas adicionais podem ser facilmente adicionados a uma
análise MAUT, desde que possuam dados suficientes para determinar a utilidade dos gráficos
de utilidade. Uma vez que as funções utilitárias forem desenvolvidas, qualquer número de
alternativas pode ser pontuado (BAKER et al., 2001).

2.8.4 K-T

O método K-T (Kepner-Tregoe) compõe-se, basicamente, de três etapas: Análise do


Problema (identificação da causa do problema), Análise da Decisão (escolha de uma solução
31

para o problema) e Análise de Problema Potencial (planejamento da implantação da solução).


É um método que não parece ser de difícil assimilação, uma vez que a estrutura de
desenvolvimento do raciocínio é bastante linear e existem etapas definidas a serem seguidas, e
parece ser mais indicado para problemas simples, nos quais a suposição de uma única causa é
mais facilmente verificável (ALVAREZ, 1997).
Este método também está relacionado com a sistematização de um problema e com o
apoio ao tomador de decisão no processo de achar uma solução para o problema.
Primeiramente é necessário definir quais são os objetivos que deverão ser atingidos, depois
define-se onde quer chegar e qual o grau de importância de cada um dos objetivos ou de cada
sub-objetivo (critérios). Em seguida, algumas alternativas são desenvolvidas e avaliadas de
acordo com os critérios resultantes dos desdobramentos dos objetivos. Com todas essas
informações, escolhe-se qual a alternativa mais compatível e avalia quais serão os prováveis
impactos causados caso esta alternativa realmente seja a escolhida (SILVA; LESSA;
BELDERRAIN, 2005).
Cada critério de avaliação é primeiramente pontuado de acordo com sua importância
em relação aos outros critérios (1=menos; 10=mais). Estas pontuações tornam-se, então, os
pesos dos critérios. Uma vez que os objetivos forem identificados, cada um é ponderado de
acordo com sua importância relativa (BAKER et al., 2001).
A definição da importância desses critérios irá depender da relevância de cada um para
o objetivo. Para essa fase, é necessário primeiramente dividir os critérios em obrigatórios e
desejáveis. Os obrigatórios desqualificam qualquer alternativa avaliada caso não sejam
cumpridos, independente desta alternativa funcionar perfeitamente nos demais critérios,
evitando, então, que seja escolhida uma alternativa que não cumpra todos os objetivos
determinados inicialmente. Os desejáveis possuem importância menor que os obrigatórios,
mas isso não os torna desnecessários para a escolha de uma alternativa, eles devem ter sua
relevância ao cumprimento do objetivo principal baseada em pesos numéricos (SILVA;
LESSA; BELDERRAIN, 2005).
A pontuação total é determinada para cada alternativa através da multiplicação da sua
pontuação para cada critério pelos pesos dos critérios (fator de ponderação relativa de cada
critério) e, em seguida, somando todos os critérios. A alternativa preferencial terá a maior
pontuação total (BAKER et al., 2001).
Este método define um problema como um desvio entre o esperado e o que é
realmente verificado, cuja causa é desconhecida, e utiliza relações de causa e efeito diretas,
segundo as quais uma única causa específica leva a um efeito. Com relação a parte de
32

estruturação e extensão do método, este avança até o ponto de definição da solução e


planejamento da sua implantação, não prevendo procedimentos específicos para o
acompanhamento da implantação e posterior avaliação da solução. Na parte de organização
das informações, existe uma série de tabelas para estruturar as informações necessárias ao
longo de suas etapas, ou seja, uma organização das informações de forma que a elaboração de
comparações seja possível (ALVAREZ, 1997).
A análise de decisão K-T é adequada para decisões que são moderadamente
complexas e que envolvem poucos critérios, já que o método exige somente a aritmética
básica. Sua principal desvantagem é que ele pode não ser claro quanto a diferença de uma
pontuação "10" para uma pontuação de "8", por exemplo. Além disso, as pontuações totais
alternativas podem ter valores bem próximos, tornando, assim, uma clara escolha difícil
(BAKER et al., 2001).
33

3 MATERIAIS E MÉTODOS

A partir de pesquisas bibliográficas e matérias colecionadas de sites confiáveis, serão


colhidas algumas informações necessárias para a produção deste trabalho. As fontes
consultadas forneceram a base teórica para que os critérios possam ser escolhidos e avaliados,
considerando as múltiplas perspectivas que envolvem o assunto, além de possibilitar uma
avaliação mais criteriosa e próxima das condições reais.
Neste trabalho, serão comparadas as seguintes fontes de energia alternativa: biomassa,
solar fotovoltaica, solar térmica e eólica, com o objetivo de verificar qual delas é a mais
vantajosa para instalação em um condomínio residencial, localizado no município de
Eusébio/CE, para abastecimento parcial ou total da sua área comum. As características de
cada uma das energias alternativas serão escolhidas e os dados inseridos no software
MACBETH para que as ponderações e julgamentos sejam realizados, finalizando na escolha
da melhor alternativa.
Os critérios para a escolha da melhor energia alternativa a ser utilizada no condomínio
foram determinados: Custo de Aquisição; Custo de Operação/Manutenção; Emissões por
geração de resíduos; Emissões por Construção/Operação do sistema; Tempo de retorno do
investimento; Economia total após Payback.

3.1 Dados do empreendimento

O condomínio residencial de casas (Figura 20) escolhido para o estudo está localizado
no município de Eusébio, no estado do Ceará, ocupa uma área de aproximadamente
10.000m², possui 18 casas e cerca de 80 pessoas residem no mesmo.

Figura 20 - Delimitação do condomínio.

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.


34

O conjunto possui uma área comum que consome cerca de 1260kWh/mês, tendo um
gasto médio mensal de R$1043,5, como mostra o Quadro 3.

Quadro 3 - Consumo médio mensal do condomínio.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

3.2 Dimensionamento básico dos sistemas de geração

Como o objetivo se dá com a comparação de fontes de energia diferentes, é desejável


que todas, em primeira análise, possuam potências instaladas iguais, ou seja, produzam a
mesma quantidade de energia. Dentre todos os sistemas que serão analisados, o sistema de
geração de energia através de biomassa (biodigestor) possui potência limitada pela quantidade
de resíduos orgânicos gerados pelos moradores do condomínio, portanto, este foi o primeiro
sistema a ser dimensionado e os demais foram calculados de modo a possuir igual potência
instalada do biodigestor, ou pelo menos valores mais próximos possíveis.

3.2.1 Sistema de geração energia elétrica através da biomassa

Para este sistema de geração de energia elétrica, foi escolhido o biodigestor tubular de
polietileno, uma vez que este possui as vantagens de ter menores custos de instalação e
manutenção, de exigir pouca tecnologia, e ter fácil operação, excluindo a necessidade de mão-
de-obra qualificada para o trabalho.

3.2.1.1 Estimativa da quantidade de resíduos gerados


A estimativa da quantidade de resíduos gerados no conjunto habitacional foi realizada
durante sete dias, iniciada no dia 21 de março e finalizada no dia 27 de março do corrente ano,
através da pesagem diária dos resíduos orgânicos (restos de alimentos) de oito casas (35
moradores). A quantidade total de resíduos foi então extrapolada para os 80 moradores do
condomínio.

3.2.1.2 Dimensionamento do biodigestor


O dimensionamento do biodigestor tubular de polietileno foi realizado seguindo-se a
35

metodologia proposta por Carreas (2013). Em seu trabalho, o autor demonstra o


dimensionamento de um biodigestor voltado para a produção de biogás a partir de esterco
bovino.
O Quadro 4 mostra os dados característicos aos resíduos orgânicos utilizados neste
trabalho, de acordo com a literatura.

Quadro 4 - Características de restos de alimentos de acordo com a literatura.


RESTOS DE
FONTE
ALIMENTOS
Fernández; Pérez; Romero
6,51
pH (2008)
Fernández; Pérez; Romero
666
Densidade (g/L) (2008)
Fernández; Pérez; Romero
80%
Percentual de diluição (2008)
Sólidos voláteis (g/kg) 241 El-Mashad; Zhang (2010)
Sólidos totais (g/kg) 280 El-Mashad; Zhang (2010)
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Além dos dados mencionados no Quadro 4, outros parâmetros foram também


importantes para o dimensionamento do biodigestor, como o Tempo de Detenção Hidráulica
(TDH), que é entendido como o tempo médio em que a biomassa permanece em contato com
os microrganismos. Em geral, quanto mais tempo dentro do biodigestor, maior será o grau de
conversão da matéria orgânica em biogás, porém maiores TDH’s para uma mesma produção
diária de resíduos implica em biodigestores maiores, o que encarece tanto a instalação, quanto
a operação e manutenção do sistema. Matematicamente, o TDH de um biodigestor é descrito
como:
VL
TDH =
Q

Onde: VL = volume da fase líquida, em m³ (é comum em biodigestores deixar um


espaço de “vazio” para acomodar o biogás gerado, chamado de VG, volume da fase gasosa);
Q = Vazão de entrada do biodigestor, em m³/dia;

El-Mashad e Zhang (2010), em seus estudos para introduzir restos de alimentos em


biodigestores operando com esterco, chegaram a uma produção de 657Lbiogás/kgSV em 30
dias, porém os autores recomendam que seja usado TDH de 20 dias para reatores contínuos,
36

uma vez que quase 80% dessa quantidade de biogás foi produzida nos primeiros 20 dias. Vale
ressaltar que o TDH é dependente da temperatura e, neste trabalho, os autores utilizaram
digestão mesófila à temperatura de 35ºC, que é a faixa de temperatura mais próxima para o
local de instalação do sistema no condomínio, cerca de 28ºC (TAVARES; MAIA; ROCHA-
BARREIRA, 2011), em relação as faixas psicrófila (10-12ºC) e termófila (50-65ºC). Porém, o
menor tamanho de biodigestor encontrado no mercado, de acordo com a empresa BGS
Equipamentos, possui uma capacidade maior do que o volume total dimensionado do
biodigestor para o condomínio. Por esse motivo, para efeitos de dimensionamento, foi
utilizado um TDH de 30 dias para o biodigestor.

3.2.1.3 Estimativa do potencial energético


A estimativa do potencial energético do biogás foi realizada a partir da quantidade de
resíduos gerados pelos moradores do condomínio e da produção esperada de biogás a partir de
dados da literatura.
El-Mashad e Zhang (2010) conseguiram produzir 657Lbiogás/kgSV com conteúdo de
54% de metano, com TDH de 30 dias. Como a quantidade de sólidos voláteis dos restos de
alimentos é cerca de 0,241kgSV/Kg de resíduo (Quadro 4), consegue-se obter cerca de
158,3Lbiogás/kg de resíduos ou 85,48LCH4/kg de resíduo. Este dado será utilizado como
referência para determinação da quantidade de biogás.
Outro dado importante na estimativa do potencial energético do biogás gerado é o
poder calorífico do mesmo. Mitzlaff (1988) esboça algumas equações para a determinação do
poder calorífico inferior de biogás com diferentes concentrações de metano:

P TCNTP
ρCH4 = ρCH4,CNTP x x
PCNTP T

Onde: ρCH4 = densidade do metano nas condições de operação (kg/m³);


ρCH4,CNTP = densidade do metano nas Condições Normais de Temperatura e
Pressão, igual a 0,72 kg/m³;
P = Pressão de operação (kPa);
PCNTP = Pressão nas CNTP, igual a 101,33kPa;
T = Temperatura de operação (K);
TCNTP = Temperatura nas CNTP, igual a 273,15K;
37

PCI = %CH4 x ρCH4 x PCICNTP

Onde: PCI = Poder calorífico inferior do biogás(kJ/m³);


ρCH4 = densidade do metano nas condições de operação (kg/m³);
PCICNTP = Poder calorífico inferior do metano nas CNTP, igual a 50.000kJ/kg;

3.2.2 Sistema de geração fotovoltaica

Como o condomínio em questão possui energia elétrica gerada pela rede, o sistema de
geração fotovoltaica adotado será o conectado à rede. De acordo com Alonso, García e Silva
(2013), para realizar a instalação de um sistema solar fotovoltaico conectado à rede, é
necessário primeiramente fazer os cálculos das dimensões de seus componentes. Os principais
componentes existentes são: gerador fotovoltaico (módulos ou painéis solares), inversor,
cabeamento e proteções. Se forem corretamente dimensionados, a instalação apresentará um
funcionamento eficiente e um adequado nível de segurança.

3.2.2.1 Dimensionamento do módulo fotovoltaico


Para realizar o dimensionamento do módulo solar, é necessário primeiramente fazer o
cálculo da área necessária para a instalação do módulo fotovoltaico. Para isso, é preciso saber
qual o mês que possui o menor valor de irradiação solar mensal. Uma vez que o sistema for
dimensionado para conseguir atender com o menor valor de irradiação solar, o mesmo poderá
atender também nos meses que essa irradiação possuir valores maiores. Dessa forma, a área
útil pode ser calculada através da divisão da potência gerada pelo biodigestor pela irradiação
solar:

PB
AU =
IR

Onde: AU = área útil (m²);


PB = potência gerada pelo biodigestor (kWh/mês);
IR = irradiação solar (Kwh/m² x mês);

Conforme vemos no Quadro 5, o mês que possui menor valor é o de dezembro, com
irradiação de 4,64 kWh/m² por dia, ou seja, 139,2 kWh/m² por mês.
38

Quadro 5 - Valores de irradiação solar diários de Fortaleza.

Fonte: Adaptado de PVWATTS, 2016.

Com a área útil calculada, pode-se saber qual o número de placas necessário para o
sistema:
AU
Nº de placas =
AP x E

Onde: AP = área da placa do fabricante (m²);


E = eficiência da placa do fabricante (%);

A área, a eficiência e demais características do módulo fotovoltaico (Módulo


Fotovoltaico Canadian Solar 265 Wp) que foram utilizados estão descritos no Anexo B, dados
fornecidos pela empresa ECO Soluções em Energia.

3.2.3 Sistema solar térmico

Este tipo de sistema irá possuir uma diferença quando comparado com os outros,
porque não irá produzir energia elétrica, mas sim uma economia no gasto com energia. O
cálculo do dimensionamento do sistema solar térmico depende muito das necessidades e
características de aplicação.
O fator que mais gasta energia quando se trata de água é o chuveiro elétrico, segundo
SOLETROL (2016), por isso o sistema será dimensionado para o consumo de água quente
somente em chuveiros elétricos. Como todos os outros sistemas irão atender a área comum do
39

condomínio, este será dimensionado para o banheiro da portaria do conjunto habitacional,


onde a energia utilizada terá o mesmo valor da que foi dimensionada através dos resíduos
orgânicos para o biodigestor.

3.2.3.1 Quantidade de coletores solares a serem instalados


SOLETROL (2016) diz que este cálculo irá variar de acordo com a tecnologia e
materiais empregados na fabricação de cada coletor e com a região da instalação. A
quantidade de coletores solares segue uma proporção de 100 L para 1 coletor solar.
A fórmula para o cálculo da quantidade de energia necessária para o aquecimento de
1L de água é:

Pot
Consumo =
nº banhos x Q x Tbanho x 30dias/mês

Onde: Pot = potência do chuveiro elétrico adotado (kWh/mês);


nº banhos = número de banhos por dia;
Q = vazão do chuveiro adotado (L/min);
Tbanho = tempo de duração de um banho (min);

Deste modo, o volume a ser aquecido, que é igual ao volume mínimo do reservatório,
foi determinado pela divisão entre a potência do biodigestor pela multiplicação do número de
duchas pelo consumo médio:

PB
Volume a ser aquecido =
Consumox30dias/mês

Após esse cálculo, aplicou-se a relação de 1 coletor solar para cada 100 litros diários
(SOLETROL, 2016) para a determinação da quantidade de placas solares necessárias.

3.2.4 Sistema de geração eólica

Com a potência necessária do sistema eólico já definida (biodigestor) foi escolhida


uma turbina eólica que gerasse uma quantidade de energia o mais próxima possível à do
biodigestor (para fins de comparação). A partir da turbina eólica escolhida e com base em
40

pesquisas bibliográficas, foram estimados os custos de aquisição e operação/manutenção. A


velocidade média anual do vento, em Fortaleza, é de 5,66 m/s, conforme podemos observar
no Quadro 6. Para este estudo, foi escolhida uma turbina eólica com velocidade bem próxima
à do local de instalação.

Quadro 6 - Velocidade média mensal do vento em Fortaleza.

Fonte: Adaptado de WINDFINDER, 2016.

3.3 Levantamento das emissões atmosféricas dos sistemas de geração

Os impactos ambientais causados pelas fontes alternativas analisadas neste trabalho


não são inexistentes, são apenas mais amenos do que os causados por combustíveis fósseis,
conforme foi descrito na revisão bibliográfica. Este passo é fundamental para a seleção da
fonte de energia mais favorável, tendo em vista que uma das prioridades para a obtenção de
um desenvolvimento sustentável é uma alternativa que impacte o mínimo possível.
Para a realização do cálculo das emissões atmosféricas do biodigestor, serão
analisadas a quantidade e composição do biogás gerado, o tempo de vida útil do sistema e a
estequiometria da reação de combustão completa do metano:
CH4 + 2O2 CO2 + 2H2O
A estimativa das emissões atmosféricas dos outros sistemas de geração ocorrerá por
dois fatores: emissões ocasionadas pela geração dos resíduos orgânicos que vão para os
aterros (estas para comparar com o sistema de biodigestão) e emissões oriundas da produção
dos equipamentos utilizados na geração de energia.
41

Para a emissão dos resíduos que vão para o aterro (energias solar térmica, solar
fotovoltaica e eólica), a estimativa será realizada através do programa Landfill Gas Emissions
Model (LandGEM), desenvolvido pelo Control Technology Center (CTC), da Environmental
Protection Agency (EPA). De acordo com Kalantarifard e Yang (2012), LandGEM é um
modelo matemático que calcula o volume e a composição de gases gerados ao longo do
tempo como uma consequência da degradação da matéria orgânica em aterros.
As emissões individuais da produção dos equipamentos utilizados na geração de
energia foram estimadas com base em pesquisas bibliográficas.
Vale ressaltar que, em todos os sistemas, com exceção do biodigestor, haverá um
balanço com relação a emissão gerada pelos resíduos enviados aos aterros, uma vez que os
sistemas de geração elétrica não impedem a geração de resíduos orgânicos. O Quadro 7
mostra um esquema do balanço.

Quadro 7 - Balanço de emissão gasosa.

TIPOS DE GERAÇÃO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS P/


ENERGIA ELETRICIDADE ATERRO
Energia solar térmica Evita a emissão Emite gases
Energia solar fotovoltaica Evita a emissão Emite gases
Energia eólica Evita a emissão Emite gases
Biodigestor Evita a emissão Não emite gases
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

No caso do biodigestor, o fato de não existir emissão oriunda dos resíduos sólidos
orgânicos para o aterro reside no fato de que estes resíduos é que serão utilizados para a
geração de biogás e energia.
Por fim, será realizado um somatório das emissões (devido à produção de energia e
devido à geração de resíduos sólidos) para cada um dos sistemas e uma comparação da
emissão total de CO2

3.4 Estimativa do tempo de retorno do investimento

O retorno financeiro para o consumidor é outro critério de suma importância para esta
análise. Como o investimento inicial será alto, a estimativa do tempo de retorno do
investimento é uma questão bastante frequente pelas pessoas que optam pelo uso de fontes
42

alternativas de energia.
A estimativa do tempo de retorno foi realizada através da somatória dos custos de
aquisição e manutenção/operação de cada um dos sistemas, dividido pela economia mensal
relativo ao consumo de energia oriunda da concessionária:

∑custos (R$)
Tempo de retorno =
economia mensal (R$)

3.5 Economia total após Payback

O tempo de retorno financeiro, ou Payback, não leva em conta a economia que os


sistemas terão após o mesmo acabar. Por isso, os autores resolveram adotar como critério a
economia total após Payback, que irá depender da vida útil (em anos) e da economia anual
(R$) de cada uma das energias avaliadas:

Economia total = economia mensal x 12 meses x (vida útil − tempo de retorno)

3.6 Seleção da fonte de energia mais favorável

A seleção da fonte de energia mais favorável foi realizada através da ferramenta


MACBETH. Após pesquisas e estudos, percebeu-se que este método é o melhor para este
caso, tendo em vista que ele consegue simplificar o processo da tomada de decisão ao
comparar apenas duas opções por vez, na qual só é preciso ter um entendimento sobre a
diferença de atratividade entre essas duas opções. Outra facilidade é o fato de que, caso exista
alguma inconsistência no julgamento, o software MACBETH identifica a origem do problema
e também indica sugestões para resolver esse problema de inconsistência. Ele também
identifica quando o julgamento está consistente.
O estabelecimento de limites mínimos e máximos para cada critério delimita os
parâmetros de aceitação de cada quesito, o que é de fundamental importância para este
trabalho.
43

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Sistema de geração de energia através de biomassa: biodigestor

4.1.1 Estimativa da quantidade de resíduos orgânicos

O Quadro 8 mostra os resultados obtidos durante o levantamento da quantidade de


resíduos que são gerados pelo conjunto habitacional, através da pesagem dos resíduos de 8
casas residenciais durante os 7 dias.

Quadro 8 - Médias diárias de resíduo orgânico gerado em 8 casas.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Observando o Quadro 8, percebemos que a média de geração de resíduo por pessoa


por dia é de 0,368kg/hab.dia. Dessa forma, como o condomínio possui aproximadamente 80
moradores, a quantidade total aproximada de resíduos será de:

0,368kg 29kg
Produção diária = 80hab x =
hab. dia dia

4.1.2 Volume do biodigestor

Seguindo a metodologia proposta por Carreas (2013), a vazão diária de resíduos que
entrará no biodigestor será:

Produção diária 29kg m³ 0,043m3


Vazão = = =
Densidade dia 666kg dia

Vale ressaltar que esta vazão representa apenas a vazão de resíduos, sem levar em
conta a diluição de 80%, recomendada por Fernández, Pérez e Romero (2008), ou seja, quatro
partes de água para uma de resto de alimento. Assim a vazão total, Q, que adentrará o
44

biodigestor será de:


0,215m3
Q = 0,043 + 0,043x4 =
dia

Ou seja, com uma vazão de restos de comida é de 0,043m³/dia, deve-se usar 0,172m³
de água, de modo que adentram no biodigestor, todos os dias, 0,215m³ de mescla (mistura
restos de comida e água).
Deste modo, o volume estimado da fase líquida do biodigestor foi de:

0,215m3
VL = TDH x Q = 30 dias x = 6,45m³
dia

Neste tipo de biodigestor, Carreas (2013) recomenda reservar 25% do espaço total
disponível para acomodar o gás que será gerado durante o processo, assim, o volume da fase
líquida é 3 vezes maior que o volume da fase gasosa. Logo:

1 1
VG = VL = x6,45 m3 = 2,15 m³
3 3

O volume total do biodigestor é, portanto, a soma do volume da fase líquida e com o


volume da fase gasosa:

Vbiodigestor = VL + VG = 6,45m3 + 2,15m3 = 8,6m³

4.1.3 Estimativa do potencial energético

Como, segundo El-Mashad e Zhang (2010), consegue-se obter cerca de 158,3Lbiogás/kg


de resíduos, com 54% de metano, e no condomínio são produzidos 29kg de resíduo por dia,
espera-se que o sistema consiga produzir o equivalente a 4,59m³ de biogás diários com
2,48m³ de metano.
Para o cálculo do potencial energético do sistema, utilizou-se as correlações
termodinâmicas relatadas em Mitzlaff (1988), utilizando como dados de entrada a temperatura
média do ambienta onde o biodigestor será instalado, de 28ºC, a pressão de trabalho do
sistema de 100mmH2O, acima da pressão atmosférica (~102,3kPa),

102,3 273,15 0,66kg


ρCH4 = 0,72 x x =
101,33 301 m3
45

0,66kg 50000kJ 16.820kJ


PCI = 0,54 x x =
m3 kg m³

Portanto, a produção esperada de energia será de:

16.820kJ 4,59m³ 81,8MJ 22,7kWh


Energia = PCI x Qbiogás = 3
x = =
m dia dia dia

Com este potencial diário, o sistema irá produzir cerca de 682kWh/mês.

4.1.4 Impactos econômicos

Considerando que a eficiência do gerador de 1200 W é de 25%, como mostra o Anexo


A, a potência de energia elétrica gerada é de 170,5kWh/mês, suprindo pouco mais de 13,5%
do consumo mensal da área comum do condomínio, o que representa uma economia de R$
141,00/mês.
No processo final de todo biodigestor é produzido gás, efluente e lodo. O gás será
utilizado para a produção de energia, o lodo digerido possui propriedades fertilizantes
(BARBOSA et al., 2007), podendo ser vendido para este fim. Já o efluente líquido, que
também possui propriedades fertilizantes (embora menos que o lodo digerido), será utilizado
na irrigação (BERNARDI, 2003) da área verde do condomínio de aproximadamente 300 m².
O biodigestor dimensionado produzirá, diariamente, 4,6kg de biogás, cerca de 172L de
efluente líquido e 24kg de lodo. O lodo possui preço de mercado que varia entre R$70,00 a
R$120,00 por tonelada, e o mesmo será retirado a cada 3 meses para evitar o entupimento do
biodigestor. Dessa forma, a cada manutenção (retirada do lodo) serão removidas 2,16
toneladas de lodo, que poderão ser vendidas ao valor aproximado de R$200,00.

4.1.5 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback

O custo do sistema de biodigestão foi orçado por volta de R$14.850,00, pela empresa
BGS Equipamentos, especializada na produção de energia através de biogás, e está
apresentado no Anexo A, com garantia de 5 anos. Segundo Cirino e Faria (2013), o tempo de
vida útil deste tipo de biodigestor é de aproximadamente 15 anos.
46

O sistema precisará de uma bomba de sucção de esgoto para realizar a dragagem do


sistema (retirada de lodo). Para isto foi escolhida uma moto bomba Vulcan Modelo B2T 701,
estimada em R$ 900,00 e vida útil estimada em 5 anos. Além disso, o purificador de gases,
que acompanha o sistema de biodigestão, necessita ser trocado a cada 1 ano no valor de
R$374,00.
Assim, o custo mensal do sistema será composto por: custo dos equipamentos (sistema
de biodigestor e da moto bomba) mais o custo da manutenção (troca do purificador) divido
por 180 meses. O Quadro 9 mostra os custos totais do sistema:

Quadro 9 - Custos totais do sistema de biodigestão.

VIDA ÚTIL
ITENS CUSTO CUSTO FINAL
(ANOS)
Kit Biodigestor R$ 14.850,00 15 R$ 14.850,00
Moto bomba R$ 900,00 5 R$ 2.700,00
Purificador R$ 374,00 1 R$ 5.610,00
CUSTO TOTAL R$ 23.160,00

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Como a moto bomba possui vida útil estimada em 5 anos e o sistema de biodigestão
dura 15 anos, o cálculo do custo final da moto bomba foi o resultado da multiplicação do seu
custo (R$ 900,00) por 3. Já para o purificador, que precisa ser trocado a cada 1 ano, foi
multiplicado por 15.
Com base nestes resultados, na economia mensal da energia de R$ 141,00 e na venda
de biofertilizante de R$ 200,00 a cada 3 meses (R$ 66,67/mês) o tempo de retorno do
investimento do sistema de biodigestor é de cerca de 9 anos e 3 meses.
A economia total após Payback é demonstrada na fórmula abaixo:

Economia total = 141 x 12 x (15 − 9,3) = R$ 9.644,40

4.2 Sistema Solar Térmico

Inicialmente foi calculado a quantidade de energia necessária para o aquecimento de


1L de água. Para tanto, foi adotado, como base de cálculo, o chuveiro elétrico (marca:
Corona; modelo: Banhão) com potência nominal de 6400W, 250V (220V), com eficiência
energética superior a 95%, vazão de 3,0 L/min, conforme mostra a Figura 21.
47

Figura 21 - Características do chuveiro elétrico analisado.

Fonte: LEROY MERLIN, 2016.

Para o cálculo da quantidade de energia para aquecimento foi adotado o valor mensal
máximo (aumento de 27,5ºC na temperatura), uma vez que o chuveiro deverá trabalhar mais
em períodos mais frios (sem sol) para aquecimento da água, que é de 27,2kWh/mês, para
banhos diários de 8min, com vazão de 3L/min, segundo a Figura 21. Assim, chega-se a um
valor de:

27,2kWh 1dia 1mês 1banho 1min


Consumo = x x x x = 0,0378kWh/L
mês 1banho 30dias 8min 3L

Dessa forma, tem-se que o volume diário que se pode aquecer, com a mesma energia
gerada pelo biodigestor (limitante) é de:

170,5kWh/mês
Volume a ser aquecido = = 150L/dia
0,0378kWh/Lx30dias/mês

Como SOLETROL (2016) recomenda o uso de 1 placa de aquecimento solar para


cada 100L diários de aquecimento, conclui-se que o sistema necessita de 2 placas de
aquecimento solar, tendo um reservatório de volume mínimo de 150L.
48

4.2.1 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback

O custo do sistema solar térmico foi orçado no valor de R$ 5.807,75 pela empresa
Conforto Térmico, especializada em aquecedores solares, e está apresentado no Anexo D,
com garantia de 2 anos. Segundo o sítio eletrônico Técnico Instalador de Sistemas Solares
Térmicos (TISST), os sistemas solares térmicos possuem tempo de vida útil de
aproximadamente 20 anos.
Com relação aos gastos com manutenção e operação, é recomendado pelo fornecedor
o gasto aproximado de R$ 200,00 por ano com a troca do ânodo, totalizando R$ 4.000,00
durante sua vida útil. Dessa forma, o custo final do sistema será R$ 9.807,75, conforme
Quadro 10.

Quadro 10 - Custos totais do sistema solar térmico.

VIDA ÚTIL
ITENS CUSTO CUSTO FINAL
(ANOS)
Solar Térmico R$ 5.807,75 20 R$ 5.807,75
Custos de operação
R$ 200,00 1 R$ 4.000,00
e manutenção
CUSTO TOTAL R$ 9.807,75
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Considerando que o valor da economia mensal seja igual ao do biodigestor, ou seja, de


R$ 141,00 e o custo final de R$ 9.807,75, o tempo de retorno financeiro do sistema é de
aproximadamente 5 anos e 8 meses. Tendo em vista os valores acima mencionados e uma
vida útil de 20 anos, a economia total após Payback será de R$24.026,40.

4.3 Sistema de geração de energia através da Solar Fotovoltaica

4.3.1 Dimensionamento do módulo fotovoltaico

Conforme descrito anteriormente, a potência total das outras fontes de energia deve
possuir igual potência instalada do biodigestor. O Módulo Fotovoltaico Canadian Solar 265
Wp é policristalino, possui aproximadamente 16% de eficiência e área de 1,6 m². Assim
sendo, o cálculo da área útil é descrito abaixo:
49

kWh
PB 170,5 mês
Área = = = 1,22 m²
IR 139,2 kWh x mês
m2

Logo:

1,22 m²
Nº de placas = m2
= 4,76 = 5 módulos
1,6 x 0,16
placa

4.3.2 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback

O custo deste sistema foi orçado (Anexo C) no valor de R$ 19.071,00, pela empresa
ECO Soluções em Energia, especializada na produção de energia através de recursos naturais
renováveis, com garantia de 25 anos para os módulos fotovoltaicos, 5 anos para o inversor de
frequência e 20 anos para as estruturas de fixação. Ainda segundo a fornecedora, os gastos
com manutenção e operação são praticamente nulos, portanto não foram computados neste
trabalho.
Segundo Shayani, Oliveira e Camargo (2006), o tempo de vida útil de módulos
fotovoltaicos é de aproximadamente 30 anos. Para o inversor de frequência e para as
estruturas de fixação foram estimados os tempos de vida útil de, respectivamente, 10 e 30
anos. Dessa forma, podemos ver no Quadro 11 os valores dos custos totais deste sistema
durante todo seu tempo de operação.

Quadro 11 - Custos totais do sistema fotovoltaico.

VIDA ÚTIL
ITENS CUSTO CUSTO FINAL
(ANOS)
Módulos
R$ 6.903,00 30 R$ 6.903,00
fotovoltaicos (6)
Inversor de
R$ 9.146,00 10 R$ 27.438,00
frequência
Estruturas de
R$ 1.692,00 30 R$ 1.692,00
fixação
CUSTO TOTAL R$ 36.033,00

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Como o inversor possui vida útil estimada em 10 anos e o sistema fotovoltaico dura 30
50

anos, o cálculo do custo final do inversor foi o resultado da multiplicação do seu custo (R$
9.146,00) por 3.
O Quadro 12 mostra a produção de energia média para o sistema fotovoltaico
contando com 5 módulos e tomando como base a irradiação média em cada mês. Pode-se
observar que economia média mensal gerada pelo sistema será de cerca de R$ 205,94. Assim,
estima-se que o tempo de retorno do investimento será por volta de 14 anos e 7 meses.

Quadro 12 - Economia média mensal do sistema fotovoltaico.

IRRADIAÇÃO MÉDIA PRODUÇÃO DE ECONOMIA


MÊS
(kWh/m².dia) ENERGIA (kWh) (R$)
Janeiro 4,81 221,64 183,30
Fevereiro 4,95 228,10 188,63
Março 4,87 224,41 185,58
Abril 4,89 225,33 186,34
Maio 5,63 259,43 214,54
Junho 5,6 258,05 213,40
Julho 5,81 267,72 221,40
Agosto 6,43 296,29 245,03
Setembro 6,31 290,76 240,46
Outubro 5,75 264,96 219,12
Novembro 5,16 237,77 196,63
Dezembro 4,64 213,81 176,82
MÉDIAS MENSAIS 249,02 205,94

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Considerando a economia mensal de R$205,94, uma vida útil do sistema de 30 anos e


um tempo de retorno do investimento de 14 anos e 7 meses, a economia total após Payback
será de R$37.810,58.

4.4 Sistema de geração de energia através da Eólica

Para este trabalho foi escolhida uma turbina eólica de eixo horizontal Modelo
WHISPER 200, com uma potência nominal de 1000 W, peso de 30 kg, diâmetro do rotor de
2,7m, 200 kWh/mês a 5,4 m/s, velocidade bem próxima à do local de instalação.
51

4.4.1 Custo do sistema, tempo de retorno financeiro e economia total após Payback

O aerogerador escolhido possui valor de R$ 11.190, segundo Almeida e Silva (2011).


Além disso, este sistema necessita de um inversor e o escolhido foi o mesmo do sistema
fotovoltaico (Anexo C), no valor de R$ 9.146,00. No Quadro 13 podemos analisar uma visão
geral da energia eólica, inclusive os custos de instalação/investimento (aquisição) e
manutenção e operação.

Quadro 13 - Visão geral das características da energia eólica.

Fonte: Adaptado de BELLO, 2009.

Como a cotação do euro está em aproximadamente R$ 4,00 (cotação do euro referente


ao dia 27 de maio de 2016, às 19h), os custos de aquisição e operação/manutenção totalizaram
em R$ 4.000,00. O custo total deste sistema pode ser analisado no Quadro 14.

Quadro 14 - Custos totais do sistema eólico.

VIDA ÚTIL
ITENS CUSTO CUSTO FINAL
(ANOS)
Turbina Eólica R$ 11.190,00 20 R$ 11.190,00
Inversor de
R$ 9.146,00 10 R$ 18.292,00
frequência
Custos de aquisição e
R$ 4.000,00 20 R$ 4.000,00
operação/manutenção
CUSTO TOTAL R$ 33.482,00

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

A economia mensal foi calculada em R$ 296,49 (Quadro 15) e o custo total resultou
em R$ 33.482,00. Assim, o tempo de retorno financeiro do sistema é de cerca de 9 anos e 5
meses.
52

Quadro 15 - Economia média mensal do sistema eólico.


VELOCIDADE MÉDIA PRODUÇÃO DE ENERGIA ECONOMIA
MÊS
(kWh/m².dia) (kWh) (R$)
Janeiro 5,66 302,14 249,86
Fevereiro 5,14 203,59 168,37
Março 4,63 106,94 88,44
Abril 4,63 106,94 88,44
Maio 5,14 203,59 168,37
Junho 5,66 302,14 249,86
Julho 6,17 398,79 329,79
Agosto 6,69 497,33 411,28
Setembro 7,2 593,98 491,21
Outubro 7,2 593,98 491,21
Novembro 7,2 593,98 491,21
Dezembro 6,17 398,79 329,79
MÉDIAS MENSAIS 358,52 296,49

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Considerando uma economia mensal de R$296,49, uma vida útil do sistema de 20


anos e um tempo de retorno financeiro de 9 anos e 5 meses, a economia total após Payback
será de R$37.357,74.

4.5 Emissões atmosféricas dos sistemas de geração

4.5.1 Emissões atmosféricas do biodigestor

As emissões atmosféricas do biodigestor foram calculadas com base na quantidade e


composição do biogás gerado, tempo de vida útil do sistema (15 anos) e na estequiometria da
reação de combustão completa do metano:

CH4 + 2O2 CO2 + 2H2O

O biogás gerado por biodigestão de restos de alimentos, com TDH de 30 dias, tem
composição estimada de 54% de metano e 48% de CO2 (El-Mashad e Zhang, 2010), e a
produção do sistema é de 2,48m³CH4/dia (1,64kgCH4/dia) e 2,11m³CO2/dia (3,82kgCO2/dia).
Foram estimadas, então, a emissão de 8,33kgCO2/dia, das quais 4,51kgCO2/dia é devido a
queima do metano para gerar a energia e 3,82kgCO2/dia é devido ao gás carbônico presente
53

no biogás. Este resultado leva a conclusão de que o sistema liberará, ao longo dos seus 15
anos de operação, 45,6 toneladas de gás carbônico.

4.5.2 Emissões atmosféricas dos outros sistemas de geração

A emissão de gás carbônico dos demais sistemas de geração se dá de duas maneiras:


emissões atmosféricas devido à produção dos equipamentos utilizados na geração de energia e
através da geração de resíduos orgânicos que vão para os aterros (para termos de comparação
com o sistema de biodigestão).
A estimativa das emissões via resíduos enviados ao aterro sanitário foram realizadas
através do software LandGEM. A Figura 22 mostra os resultados das simulações do software,
considerando a emissão diária de 29kg de restos de alimentos (10,585 toneladas por ano).

Figura 22 - Simulação das emissões de gás de aterro total (Total landfillgas), metano (methane), CO2
(Carbondioxide) e outros compostos orgânicos não metânicos (NMOC - nonmethaneorganiccompounds).

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

A simulação do LandGEM mostrou que os resíduos sólidos enviados para o aterro


deverão emitir cerca de 52,96 toneladas de biogás, das quais 14,14 toneladas são de metano e
38,81 toneladas são de CO2. Como a produção de gases em aterro não é garantia de queima
do gás metano, este pode ser emitido in natura para a atmosfera, sendo seu efeito cerca de 21
vezes maior do que o gás carbônico em relação ao efeito estufa (UNFCCC, 2016), essa
quantidade de gás metano equivale a aproximadamente 297tCO2eq, perfazendo uma emissão
total de 335tCO2eq. Ou seja, em comparação com o sistema de biodigestão, os outros sistemas
54

emitem mais de 7 vezes mais gases de efeito estufa (GEE’s).


As emissões individuais de cada um dos sistemas de geração foram estimadas com
base no Relatório da World Nuclear Association (WNA), de 2011, e são mostradas no Quadro
16.

Quadro 16 - Emissões totais dos demais sistemas de geração (fotovoltaico, eólico e térmico).
TEMPO DE EMISSÃO
EMISSÃO GERAÇÃO
FONTE OPERAÇÃO TOTAL
(tCO2eq/GWh) (kWh/mês)
(anos) (tCO2eq)
FV 85 170,5 25 43,47
Eólica 26 170,5 20 10,63
Térmica ND 170,5 20 ND*
*ND = Não determinado
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Em termos de comparação, durante a construção e operação dos sistemas, a energia


eólica possui emissão (10,6tCO2eq) 4 vezes menor que o sistema de geração fotovoltaica
(43,47tCO2eq).
O Quadro 17 mostra um resumo das estimativas das emissões atmosféricas de todos os
sistemas de geração comparados.

Quadro 17 - Emissões totais atmosféricas de todos os sistemas analisados.


EMISSÃODEVIDO EMISSÃO DEVIDO A GERAÇÃO EMISSÃO
FONTE APRODUÇÃO DE ENERGIA DE RESÍDUOS SÓLIDOS TOTAL
(tCO2eq) (tCO2eq) (tCO2eq)
Biodigestor 45,6 - 45,6
FV 43,5 335 378,5
Eólica 10,6 335 345,6
Térmica ND* 335 335,0
*ND = Não determinado
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Podemos perceber no Quadro 17 que a diferença da emissão total do biodigestor para


as outras é muito grande, devido ao fato de ser a única fonte de energia que aproveita os
resíduos sólidos no processo de geração de energia. A ordem de emissão total, do que emite
menos para o que emite mais, resultou em: biodigestor em primeiro lugar, solar térmica em
segundo, eólica em terceiro e solar fotovoltaica em quarto.
55

4.6 Seleção da fonte de energia mais favorável

Para facilitar a atividade de inserir o dados no MACBETH, foram feitos três Quadros
(18, 19 e 20) com os dados compilados das energias renováveis analisadas.

Quadro 18 - Custos de todos os sistemas.

CUSTO DE CUSTO DE CUSTO


ENERGIAS
AQUISIÇÃO MANUTENÇÃO TOTAL
RENOVÁVEIS
(R$) (R$) (R$)
Biodigestor 17.550,00 5.610,00 23.160,00
Solar térmica 5.807,00 4.000,00 9.807,00
Solar Fotovoltaica 36.033,00 0 36.033,00
Eólica 29.482,00 4.000,00 33.482,00
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Quadro 19 - Emissões de todos os sistemas.

EMISSÃO
EMISSÃO POR EMISSÃO
ENERGIAS POR
CONSTRUÇÃO/OPERAÇÃO TOTAL
RENOVÁVEIS RESÍDUO
(tCO2eq) (tCO2eq)
(tCO2eq)
Biodigestor 45,6 0 45,6
Solar térmica ND* 335 335
Solar Fotovoltaica 43,47 335 378,47
Eólica 10,63 335 345,63
*ND =Não determinado
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Quadro 20 - Tempo de retorno financeiro e economia total após Payback de todos os sistemas.

TEMPO DE
ECONOMIA
ENERGIAS RETORNO
TOTAL APÓS
RENOVÁVEIS FINANCEIRO
PAYBACK (R$)
(anos)
Biodigestor 9,3 9.644,40
Solar térmica 5,8 24.026,40
Solar Fotovoltaica 14,7 37.810,58
Eólica 9,5 37.357,74
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Na fase de estruturação, foram definidos os critérios a serem avaliados como


56

importantes, visando chegar à melhor escolha da energia renovável. Esses aspectos foram
avaliados e estruturados, tendo como premissas os seguintes critérios: Custo de Aquisição;
Custo de Operação/Manutenção; Emissões por geração de resíduos; Emissões por
Construção/Operação do sistema; Tempo de retorno do investimento; Economia total após
Payback, mostrados a seguir (Figura 23). Dentre os critérios, três foram avaliados de forma
qualitativa (Custo de Aquisição, Custo de Operação/Manutenção e Economia total após
Payback), enquanto que os outros foram de forma quantitativa.

Figura 23 - Árvore de critérios de avaliação da melhor energia renovável.

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

Todos os critérios escolhidos foram inseridos no MACBETH como "nós-critérios"


com base de comparação indireta. Os níveis qualitativos foram definidos, segundo a ordem
gradativa, em: "Excelente", "Muito Bom", "Bom", "Médio" e "Fraco". O Quadro 21 mostra as
características de cada energia avaliada.

Quadro 21 - Características das energias.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Na ponderação entre os critérios (Quadro 22), estes foram ordenados, da esquerda para
57

a direita, de acordo com a ordem de prioridade e importância estabelecida pelos autores para a
escolha da energia. Dessa forma, o critério de custo de aquisição foi escolhido dentre todos
como o mais importante, ficando o custo de manutenção/operação em segundo, economia
após Payback em terceiro, e assim por diante. As emissões por construção/operação foram
avaliadas como o critério de menor prioridade.

Quadro 22 - Ponderação entre critérios e pontuação na Escala.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

A escala estabelecida pelo próprio programa vai de 29.03 a 3.23, sendo a pontuação
atribuída a cada um dos critérios de acordo com seu grau de prioridade para a escolha.
Observa-se no Quadro 23, portanto, que para custo de aquisição foi atribuído o maior valor da
escala, 29.03, decrescendo, gradativamente, para os demais critérios.

Quadro 23 - Escala para a ponderação entre os critérios.


58

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

O custo de aquisição foi julgado como o critério mais importante na análise da decisão
para a escolha da energia. A ponderação foi feita com níveis qualitativos, variando de
"Excelente" a "Fraco", sendo esses os limites superiores e inferiores, respectivamente,
conforme demonstrado no Quadro 24. O nível qualitativo "Excelente" possui como
característica um custo de R$0,00 a 7.400,00, já o "Muito bom" de R$7.400,01 a
R$14.800,00, seguindo esta ordem, até chegar no nível "Fraco", com um custo de
R$29.600,01 a R$37.000,00. A solar térmica possui um custo de aquisição de R$5.807,00,
ficando no nível "Excelente" para este critério. Já a solar fotovoltaica possui um custo de
aquisição bastante elevado, mais especificamente no valor de R$36.033,00, dessa forma foi
alocada no pior nível deste critério.

Quadro 24 - Ponderação do Custo de aquisição e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

O custo de manutenção/operação foi classificado como o segundo critério mais


importante e sua ponderação também foi realizada no nível qualitativo, variando de
"Excelente" a "Fraco" (Quadro 25). Os níveis possuem variação de R$1.200,00, onde o
melhor nível inicia em R$0,00 e vai até R$ 1.200,00 e o pior nível inicia em R$4.800,01 e vai
até R$6.000,00. Diferente do Custo de aquisição, a solar fotovoltaica praticamente não possui
custos de manutenção/operação, por isso foi classificada com um nível "Excelente" para este
critério, enquanto que a solar térmica e eólica foram classificadas como "Médio" e o
biodigestor foi o pior para este critério, ficando classificado como "Fraco".
59

Quadro 25 - Ponderação do Custo de manutenção/operação e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

A economia total após Payback possuiu julgamento qualitativo (Quadro 26), seguindo
uma ordem decrescente na variação dos valores, tendo em vista que quanto maior for a
economia, mais vantajosa será a energia. Para o nível "Excelente", considerado como o
melhor, a variação é de R$32.000,01a R$40.000,00 e para o pior nível ("Fraca"), a variação é
de R$0,00 a R$8.000,00. Os sistemas solares fotovoltaico e eólico possuem uma economia
total após Payback de R$37.810, 58 e R$37.357,74, respectivamente. Por isso, ambos foram
classificados como "Excelente" para este critério.

Quadro 26 - Ponderação da Economia total após Payback e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

O tempo de retorno financeiro também possui fundamental importância para este


trabalho. Quanto menor for este tempo, mais pontos a energia irá ganhar. Para este
julgamento, foi adotado um número inicial de 3 anos como sendo o limite superior e 15 anos
como sendo o limite inferior. As diferenças de julgamento também foram ponderadas e
60

podem ser vistas no Quadro 27. A medida que as ordens de prioridade vão se afastando, as
diferenças de julgamento tornam-se mais agudas. Por exemplo, um tempo de retorno de 3
anos é extremamente superior a um tempo de retorno de 15 anos. A energia solar fotovoltaica
possui o pior tempo de retorno financeiro de todos os sistemas avaliados neste trabalho, 14
anos e 7 meses, enquanto que a solar térmica possui o melhor, 5 anos e 8 meses.

Quadro 27 - Ponderação do Tempo de retorno financeiro e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

A ponderação das emissões por construção/operação e por geração de resíduos


compara os níveis de performance quantitativos escolhidos, variando de 0tCO2eq a 45,6 tCO2eq
e 0tCO2eq a 335tCO2eq, respectivamente. Apesar de estarem em últimos lugares na ordem de
relevância entre os critérios avaliados, continuam sendo de grande importância para a escolha
da energia renovável a ser implementada em um condomínio. Os limites superiores e
inferiores são destacados em verde e azul, conforme demonstrado nos Quadros 28 e 29.
O biodigestor é o único sistema que não possui emissões por geração de resíduos.
Como o valor para emissões por construção/operação do sistema solar térmico não foi
determinado, foi adotado o valor de 0tCO2eq, o que lhe garantiu muitos pontos positivos com
relação aos outros sistemas.
61

Quadro 28 - Ponderação das Emissões por construção/operação e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Quadro 29 - Ponderação das Emissões por geração de resíduos e Escala atual.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Outra etapa importante do trabalho foi o estabelecimento de limites mínimos e


máximos para cada critério, a fim de delimitar os parâmetros de aceitação de cada quesito. O
Quadro 30 apresenta todos limites e a ordem das energias para todos os critérios analisados.

Quadro 30 - Limites inferiores e superiores de cada critério e a ordenação de cada energia.

Fonte: Elaborado pela autora, 2016.


62

A pontuação individual de cada modelo para cada critério pode ser melhor observada
nos gráficos em coluna apresentados nas Figuras 24 a 27. A energia solar fotovoltaica atingiu
pontuação máxima nos critérios de custo de manutenção/operação (segundo critério mais
importante) e economia total após Payback (terceiro critério mais importante), porém possui
um custo de aquisição muito elevado, considerado como o critério mais importante. A solar
térmica possuiu pontuações muito altas em praticamente todos os critérios, vale ressaltar que
ela só atingiu o limite superior de emissões por construção/operação devido ao fato de não ter
sido determinado este valor, por isso foi computado no software o valor de 0tCO2eq, sendo
considerado o limite superior do critério.
A energia eólica também atingiu o nível "Excelente" no critério de economia total
após Payback, mas teve pontuações bem baixas nos critérios considerados como principais
para este trabalho, os custos de aquisição e manutenção/operação. O biodigestor foi o único
sistema que atingiu o limite superior de emissões por resíduos, tendo em vista que emite
0tCO2eq, porém possuiu a pior pontuação nos custos de manutenção/operação, julgado como o
segundo critério mais importante. Além disso, este sistema apresentou a menor economia total
após Payback, sendo classificado no nível "Médio".

Figura 24 - Pontuação do solar fotovoltaico. Figura 25 - Pontuação do solar térmico.

Fonte: Elaborada pela autora, 2016. Fonte: Elaborada pela autora, 2016.
63

Figura 26 - Pontuação do eólico. Figura 27 - Pontuação do biodigestor.

Fonte: Elaborada pela autora, 2016. Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

Conforme pode ser analisado a partir do quadro geral abaixo (Quadro 31), os
resultados apresentam de forma ordenada a relação dos critérios e suas pontuações, bem como
aponta como resultado final o sistema solar térmico como a melhor opção, com uma
pontuação de 65.11. A solar fotovoltaica ficou em segundo lugar, com 45.65, seguida da
eólica com 41.59, e, por fim, o biodigestor com 38.27.

Quadro 31 - Pontuação global das energias com relação a todos os critérios.

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

Observa-se, também, que não há uma opção perfeita que atenda 100% a todos os
critérios, inclusive alguns sistemas obtiveram pontuação zero em alguns critérios, como a
energia solar fotovoltaica em custos de aquisição e como o biodigestor em custos de
manutenção/operação.
64

5 CONCLUSÕES

Conforme o estudo realizado, a área comum do condomínio consome cerca de 1260


kWh/mês, o que equivale a um gasto médio mensal de R$ 1043,5.
A potência de todos os sistemas foi limitada pela quantidade de resíduos orgânicos
gerados pelos moradores do condomínio, padronizando-se então, em um consumo mensal de
170,5 kWh/mês. Esta limitação foi para que todos os sistemas analisados produzam a mesma
quantidade de energia e possam ser comparados de forma mais justa.
O levantamento de todos os custos de aquisição e manutenção/operação foi realizado
com base em pesquisas bibliográficas e/ou consultas com empresas especializadas em cada
área específica. Os custos dos sistemas totalizaram em: biodigestor R$ 23.160,00, solar
fotovoltaico R$ 36.033,00, solar térmico R$ 9.807,75 e eólico R$ 33.482,00, onde o sistema
solar térmico apresentou o menor custo total e o solar fotovoltaico o maior.
Considerando o somatório das emissões do resíduo e da produção dos sistemas de
geração de energia, chegou-se aos seguintes valores aos valores de emissão total de cada um
dos sistemas: 378,5 tCO2eq para o sistema solar fotovoltaico, 345,6 tCO2eq para o eólico, 335,0
tCO2eq para o solar térmico e 45,6 tCO2eq para o biodigestor. Podemos observar que o
biodigestor apresentou, em disparidade, o menor valor de emissões totais e o sistema solar
fotovoltaico o maior.
O tempo de retorno financeiro foi calculado através da divisão dos custos totais de
cada um dos sistemas, pela economia mensal relativa ao consumo de energia oriundo da
concessionária. Para o biodigestor o tempo de retorno financeiro foi calculado em 9 anos e 3
meses, para a solar fotovoltaica em 14 anos e 7 meses, para a solar térmica em 5 anos e 8
meses e para a eólica em 9 anos e 5 meses. O sistema solar térmico apresentou o menor tempo
e a solar fotovoltaica o maior.
O sistema solar térmico foi selecionado como o mais favorável para o conjunto
habitacional avaliado através do software MACBETH, tendo em vista que possui o menor
custo de aquisição, o menor tempo de retorno financeiro, uma economia total após Payback
elevada (R$24.026,40) e por possuir emissões por construção/operação computados como 0
tCO2eq, tendo em vista que não foram determinados. Os critérios de avaliação determinados
para este estudo foram os seguintes: Custo de Aquisição; Custo de Operação/Manutenção;
Emissões por geração de resíduos; Emissões por Construção/Operação do sistema; Tempo de
retorno do investimento; Economia total após Payback.
65

6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Conforme informado nos resultados e discussões a pesquisa acerca da irradiação


média e velocidade média dos ventos foi realizada segundo informações colhidas de sites
confiáveis. Para resultados mais fidedignos, sugerimos que esses dados sejam colhidos
durante uma pesquisa de campo.
Utilizamos para esse trabalho os resultados referentes a quatro tipos de energias
renováveis: eólica, solar fotovoltaica, solar térmica e biodigestor. Existem muitos outros tipos
de energias renováveis, como a geotérmica e a hídrica. Para ampliar ainda mais este estudo,
podemos realizar análises comparando com outros tipos de energia, o que irá enriquecer a
pesquisa e ampliar o leque de possibilidades de escolha de melhores resultados. Além disso, o
aprofundamento em pesquisas de sistemas híbridos também iria enriquecer bastante este
trabalho.
Os dimensionamentos dos sistemas foram realizados com cálculos simplificados. Para
um resultado mais fidedigno, vale-se considerar uma base de cálculos mais complexa e com
fórmulas mais detalhadas.
Diante do exposto, percebemos que essa pesquisa ainda pode ser mais explorada com
a utilização de programas que apresentem tecnologias mais modernas que possibilitem
análises mais sofisticadas dos dados coletados e com menor interferência da subjetividade do
pesquisador.
66

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ZILLES, R. Energia Solar Fotovoltaica. Instituto de Energia e Eletrotécnica/USP, 2003.


73

ANEXOS

ANEXO A: Dados do kit básico da BGS Equipamentos.

O kit básico é composto de:

-Biodigestor 10 m³: Pronto para instalar, com entrada e saída de matéria orgânica com
diâmetro de 150 mm para conexão com cano de PVC e saída de biogás com 9 mm de
diâmetro.

-Kit de instalação: 15 metros de tubo flexível para canalização do biogás até o ponto de
consumo, mais conexões, abraçadeiras etc.

-Purificador 4 L: Composto químico acondicionado em material plástico utilizado para a


retirada, tratamento ou purificação do componente corrosivo do biogás visando a proteção dos
equipamentos que utilizaram o biogás.

-Medidor de vazão para biogás: Equipamento específico para gases com baixa pressão como o
biogás.

-Balão de Armazenamento de 2 m³: Para o armazenamento do biogás e uso do mesmo em


hora e local desejado.

-Bomba de biogás de 15 W: Utilizado para pressurizar o biogás na rede

-Gerador 1200 W: Utilizado para gerar energia.

Entregamos instalados em qualquer lugar do Brasil, mas o próprio cliente/produtor pode


instalar. Veja!

Para você instalar precisa de uma vala/buraca de 2 metros de largura por 3,7 metros de
comprimento e 1 metro de profundidade. O kit é enviado commanual de instalação e vídeo
passo a passo. O tempo de instalação é de 1dia.
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Para a operação do sistema são necessários cerca de 100 a 150 kg de dejetos (matéria
orgânica) mais 150 litros de água. Isto equivale aos dejetos de 50 suínos ou ainda cerca
dejetos de 20 bovinos em lactação.

Em termos de retorno, com a instalação do kit de básico, será produzido em média o


equivalente a 5 botijões de GLP por mês mais o equivalente a 1 saco de uréia, 1 de super
triplo e ½ de potássio também por mês.

Financeiramente falando são certa de R$ 250,00 de GLP por mês e R$ 250,00 de


biofertilizante.

O investimento no kit básico é de R$ 14.850,00 (frete não


incluso/instalação por conta do cliente). Veja fotos e vídeos do produto no site da BGS
Equipamentos.

Considerando os dados acima, o tempo de amortização do investimento é de nomáximo 5


anos, já que o sistema só irá trabalhar com restos de alimento.

O kit pode ser pago em até 6x no cartão de crédito ou ser financiado porlinhas como o
PRONAF ECO e PROGRAMA ABC.

Observação: O frete não está incluso no preço.

Além disso,você terá duas manutenções desse kit, um é a troca do purificador a cada 1 ano
que está no valor de R$ 374,00. O outro é a limpeza do biodigestor a cada 6 meses. Para isso,
pode ser contratada uma empresa de limpa fossa ou o produtor pode comprar uma bomba de
sucção para ele mesmo retirar o material do fundo do biodigestor.

BGS Equipamentos
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ANEXO B: Datasheet do Módulo Fotovoltaico Canadian Solar 265 Wp.


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ANEXO C: Proposta comercial para sistema de geração solar fotovoltaico da ECO Soluções
em Energia.
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ANEXO D: Orçamento da empresa Conforto Térmico para o sistema solar térmico.


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