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Assembleia Municipal do Seixal

Recomendação

Pela defesa de uma Autarquia Local capaz de responder aos legítimos interesses dos
seus munícipes

A Constituição da República Portuguesa consagra, no primeiro número do seu artigo 6.º, que “o
Estado é unitário e respeita na sua organização e funcionamento (…) os princípios da
subsidiariedade, da autonomia das autarquias locais e da descentralização democrática da
administração pública.”

Neste sentido, o XXI Governo Constitucional, liderado pelo Partido Socialista, assumiu o
compromisso com os portugueses - através da estipulação no seu programa de governo – de
efetuar uma transformação do modelo de funcionamento do Estado, abrindo as portas à
desejada transferência de competências para os órgãos mais próximos das pessoas.

O objetivo principal é promover serviços públicos de proximidade, baseando-se no princípio da


subsidiariedade supramencionado e tendo sempre em conta o melhor interesse da comunidade,
a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e o reforço da coesão territorial, bem como, a
racionalidade, a eficiência e a eficácia da gestão pública.

É importante referir que Portugal é considerado um dos países da União Europeia com perfil
mais centralizador. O grau de centralização verifica-se quando muitas das decisões são tomadas
na parte superior da hierarquia administrativa; quanto mais importantes forem as decisões
tomadas pela administração central e quanto maior o número de funções atribuídas aos níveis
superiores da administração do Estado.

O processo de descentralização pretende inverter o perfil de Portugal como Estado


centralizador. A transferência de competências da administração central para as autarquias
locais – municípios e freguesias - e para as entidades intermunicipais permitirá aos serviços
públicos mais próximos das populações assumirem funções e decisões até então “centralizadas”
em níveis superiores da administração.

Assim, foi aprovada, em Assembleia da República, no passado dia 16 de agosto, a Lei n.º
50/2018, denominada Lei-Quadro da transferência de competências para as autarquias locais
e para as entidades intermunicipais. Esta pretende transferir competências nas áreas da
educação, ação social, saúde, proteção civil, cultura, património, habitação, áreas portuário-
marítimas, praias, informação cadastral, gestão florestal e áreas protegidas, transportes e vias
de comunicação, atendimento ao cidadão, policiamento, proteção e saúde animal, segurança
dos alimentos, segurança contra incêndios, estacionamento, jogos de fortuna e azar e
freguesias. A Lei-Quadro prevê ainda que o regime da organização dos serviços das autarquias
locais, tendo em atenção o exercício das novas competências, deve ser revisto após a publicação
dos diplomas sectoriais, para a necessária adequação da estrutura orgânica.

Tal ainda não se verificou, tendo em conta que esses mesmos diplomas setoriais ainda estão em
processo de discussão entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses
(ANMP), conforme decorre da Circular enviada pelo Secretário Geral da ANMP a todos os
Presidentes de Câmara, informando que o prazo para pronúncia pelos Municípios sobre se
pretendem desenvolver o processo de descentralização já em 2019 será prorrogado, pois esse
mesmo prazo “não é eficaz antes da aprovação e publicação dos respetivos diplomas setoriais,
não existindo presentemente qualquer matéria que possa ser objeto de deliberação dos órgãos
das autarquias locais” e conforme declarações públicas do Presidente da ANMP no mesmo
sentido.

Ora, considerando que: a descentralização está prevista na Constituição como a melhor forma
de assegurar que as políticas públicas são desenvolvidas pelo nível da administração mais
adequado e melhor posicionado para a resolução dos problemas; que esta descentralização foi
alvo de um processo participativo e articulado com os municípios e freguesias através da ANMP
e da Associação Nacional de Freguesias Portuguesas (ANAFRE); que é garantida a transferência
para as autarquias locais dos recursos financeiros, humanos e patrimoniais adequados ao
exercícios das competências descentralizadas, através dos diplomas setoriais que estão em
processo de discussão; que está consagrado o princípio do gradualismo para que todas as
autarquias locais assumam as novas competências até 1 de janeiro 2021; e sabendo esta
Assembleia Municipal que esta Lei-Quadro foi alvo de um amplo consenso político;

Assim, a Assembleia Municipal do Seixal, reunida a 10 de setembro, na sua 4.ª Sessão


Ordinária de 2018, recomenda:

• Apoiar este processo de descentralização de competências para as autarquias locais e


para as entidades intermunicipais;
• Criar um grupo de trabalho ou uma comissão de acompanhamento de implementação
da descentralização em sede de Assembleia Municipal com representação dos grupos
municipais, juntas de freguesia e câmara municipal.

Pelos Eleitos do PS,

Tomás Santos