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FACULDADE CEARENSE

LÍNGUA PORTUGUESA
PROFA. ARIANE QUEIROZ

NOTA DE AULA 1

1 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

Comunicação, etimologicamente, provém do verbo latino communicare, que


significa pôr em comum. A finalidade da comunicação é pôr em comum não apenas idéias,
sentimentos, pensamentos, desejos, mas também compartilhar formas de comportamento,
modos de vida, determinados por regras de caráter social. Desse ponto de vista,
comunicação é também convivência, que traz implícita a noção de comunidade, vida em
comum, agrupamento solidário, baseado no consenso espontâneo dos indivíduos. Em
última análise, o objetivo da comunicação é este: o entendimento entre os homens.
A comunicação implica fundamentalmente a utilização de uma linguagem, de um
sistema de símbolos, seja ele uma língua ou um dialeto falado ou escrito, gestos, batidas,
cores, uma inscrição em pedra, sinais luminosos ou sinais sonoros, como os do código
Morse, ou, ainda, uma série de pulsos de número binário em um computador.
A linguagem, então, é o meio pelo qual a expressão de sentimentos, idéias,
desejos e pensamentos se concretiza, podendo ser verbal e não-verbal.

A linguagem verbal é uma habilidade


aprendida pelos homens. Trata-se de uma lenta
invenção coletiva, que se foi aprimorando com o
decorrer dos séculos. É fruto de aprendizagem
social, ou de grupo, espelho da cultura de uma
comunidade, constituindo-se em processo social
de inserção do indivíduo em dada sociedade.

Quanto à linguagem não verbal, são exemplos de comunicação pela imagem os


sinais de trânsito, os cartazes indicativos das áreas de turismo e lazer, dos aeroportos e
estações rodo e ferroviárias, as placas de proibição de estacionamento, de ruído próximo a
escolas e hospitais, de fumar em determinado local, por meio de cartazes, sinais de
televisão, cinema. A comunicação sonora formal exemplifica-se pelos apitos dos guardas de
trânsito, sirenes de ambulância, de bombeiros, de veículos policiais, de fábricas. A
comunicação gestual codificada tem como exemplo a linguagem dos surdos-mudos e a
mímica formal e informal.
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EXERCÍCIO:
Transforme de Linguagem Não-Verbal para Linguagem Verbal.

2 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Para que haja comunicação, alguns elementos são essenciais. São eles:

 Emissor: chamado também de locutor


ou falante, o emissor é aquele que emite a mensagem
para um ou mais receptores, por exemplo, uma
pessoa, um grupo de indivíduos, uma empresa, dentre
outros.
 Receptor: denominado de interlocutor
ou ouvinte, o receptor é quem recebe a mensagem
emitida pelo emissor.
 Mensagem: é o objeto utilizado na
comunicação, de forma que representa o conteúdo, o
conjunto de informações transmitidas pelo locutor, por
isso.
 Código: representa o conjunto de signos que serão utilizados na mensagem
 Canal de Comunicação: corresponde ao local (meio) onde a mensagem
será transmitida, por exemplo, jornal, livro, revista, televisão, telefone, dentre outros.
 Contexto: Também chamado de referente, trata-se da situação comunicativa
em que estão inseridos o emissor e receptor.

Há, ainda, dois conceitos importantes: o ruído (quando a comunicação é perturbada ou


interrompida por algum fator - tudo aquilo que distorce a qualidade de um sinal) e a
redundância (repetição intencional de um recurso - maneira de eliminar os ruídos na
comunicação)

Exemplo:
Pense, por exemplo, na situação comunicativa na sala de aula. O professor é
o emissor quando está explicando o conteúdo, os alunos são os receptores dessa
mensagem, isto é, da matéria explicada. O código utilizado é a língua escrita, a
falada e a não verbal, pois o professor pode escrever, falar e usar gestos e imagens
para discutir os conceitos, e o canal pode ser o ar, o quadro, os slides. O referente é
a situação: alunos e professor na sala de aula.
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EXERCÍCIO 1: Identifique cada um dos elementos nas situações seguintes: leitura de uma
revista ou jornal; b) conversa com um amigo; c) ouvir uma música no rádio.

EXERCÍCIO 2: Qual a importância de saber os elementos envolvidos na comunicação?

3 FUNÇÕES DA LINGUAGEM

As funções da linguagem relacionam-se com os elementos da comunicação,


como demonstra o gráfico abaixo:

Função referencial ou de comunicação.

A linguagem tem função referencial quando o objetivo é traduzir a realidade,


informando ao receptor, com clareza, aquilo que se quer transmitir. Ocorre toda vez que a
mensagem faz referência a acontecimentos, fatos, pessoas, animais ou coisas, com o
objetivo de transmitir informações.
A função referencial é marcada pelo uso da terceira pessoa(ele/ela/eles/elas).,
pela ausência de valoração (portanto, adjetivação comedida) e pela pontuação racional,
evitando, assim, reticências, aspas, interrogações e exclamações. A linguagem é exata,
clara e denotativa.
Essa função é utilizada para produzir textos impessoais, objetivos, que têm
exclusivamente o propósito de levar ao conhecimento dos leitores informações úteis.

Exemplos:
O tempo amanhã será nublado/ Ela abriu a porta, entrou, sentou-se na poltrona e
sorriu.
Numa cesta de vime temos um cacho de uvas, duas laranjas, dois limões, uma maçã
verde, uma maçã vermelha e uma pêra.

Função expressiva ou emotiva.

A linguagem tem função emotiva quando o emissor quer expressar suas


emoções, seu estado de espírito. Expressa os sentimentos de quem fala em relação àquilo
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de que está falando, revelando a personalidade do emissor.


A função emotiva é escrita em primeira pessoa (eu/nós) e recheada com
exclamações, reticências e interjeições marcada por interjeições, pontuação (exclamação,
reticência, interrogação, aspas), manifestações de alegria, medo, dor, por adjetivos que
revelam o ponto de vista do emissor, por advérbios.

Exemplos:
Estou muito feliz.
Nós o amamos muito, Romário!!

Função metalinguística

A linguagem tem função metalinguística quando o objetivo é o uso do código


para explicar o próprio código. Metalinguagem é, portanto, a linguagem sobre a linguagem,
a utilização da linguagem em referência ao próprio código, para esclarecê-lo ou ensiná-lo a
alguém. O dicionário é um bom exemplo dessa função, pois o significado de uma palavra é
explicado usando as próprias palavras.

Exemplos:
Verbetes de dicionário.
Escrevo porque gosto de escrever. Ao passar as idéias para o papel, sinto-me
realizada...

Função fática.

O objetivo da função fática é estabelecer a comunicação, com sua eficácia,


prender a atenção do receptor, ou cortar a comunicação. Está centrada no contato físico ou
psicológico, aproximando receptor e emissor.
Esta função proporciona unidade a um grupo social. A troca palavras serve
sobretudo para criar laços. A palavra é utilizada não para transmitir mas como meio para
curtir uma companhia, assim os cumprimentos e as palavras de cortesia são importantes.
As expressões usadas nos cumprimentos (Bom dia!, Oi!), ao telefone (Pronto!,
Alo!) e em outras situações em que se testa o canal de comunicação (Está me ouvindo?.
Atenção!) apresentam esse tipo de função.
Nas mensagens escritas, o uso da função fática tem em vista facilitar a
comunicação, com técnicas utilizadas que possibilitam maior legibilidade ao texto, como uso
de itálico, sublinhado, negrito, caracteres maiúsculos, aspas, disposição do texto na folha de
papel.

Função conativa

A linguagem apresenta função conativa quando a intenção é convencer o


receptor a ter determinado comportamento. É dirigida ao receptor com o objetivo de
influenciá-lo a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa.
É representada gramaticalmente pela segunda pessoa verbal(tu/vós), pelo
imperativo e vocativo, o pronome de tratamento você. Quando a situação exige objetividade,
atenção rigorosa do receptor e o emissor sente que é necessário influenciá-lo a tomar uma
decisão, a função de linguagem mais indicada é a conativa. Atualmente, é a função por
excelência das mensagens publicitárias, já que é utilizada para produzir textos impressivos,
persuasivos, sedutores.

Exemplos:
Pedrinho, vá para casa/ Não deixe de ver aquele filme.
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Função poética ou estética.


A linguagem tem função poética quando o objetivo é dar ênfase à elaboração da
mensagem. O emissor constrói seu texto de maneira especial, realizando um trabalho de
seleção e combinação de palavras, com criatividade da linguagem. Percebe-se um cuidado
especial na organização da mensagem através da exploração das figuras de linguagem, do
ritmo, das sonoridades e da polissemia (variação de significados) das palavras.
A função poética é muito comum nos poemas, mas ocorre também na prosa e
em anúncios publicitários.

Exemplo:
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

EXERCÍCIO: Identifique as funções da linguagem presentes em cada item, justificando sua


resposta.

ITEM 1:
As microondas se distribuem no interior do forno de várias maneiras. Alguns modelos
possuem um difusor de ondas e um prato giratório; em certos fornos, o prato giratório
pode ser desligado ou até removido para limpeza. Os modelos dotados de painel
digital, com teclas de controle eletrônico, são mais precisos do que os que possuem
controle mecânico, do tipo botão giratório.

ITEM 2:
Desarmonia [de dês + harmonia]
s.f. l. Falta de harmonia; 2. Fig. Discordância. 3. Desproporção ou má disposição das
partes de um todo.

ITEM 3:
"Alo, quem está falando?"
"Boa tarde!"
"Olá, como vai? Tudo bem?"
"Ah, é, é!"
"Olha, seria bom se..."
"Não diga!..."
"Hum... num..."

ITEM 4:
“ Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
Como a palmeira confia no vento,
Como o vento confia no ar. Como o ar confia no campo azul do céu.
O homem confiará no homem
Como um menino confia em outro menino.”
(Artigo 4 – Estatutos do Homem – Thiago de Mello)
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4 MODALIDADES: FALA E ESCRITA

No processo de comunicação, produz-se uma mensagem, para que ela seja recebida (lida
ou ouvida) por alguém. Na fala, o texto é recebido pelo outro, enquanto vai sendo produzido;
na escrita, a recepção ocorre depois da produção. Naquela, o interlocutor vai ouvindo o
texto, à medida que ele é composto. Nesta, o texto é lido depois que está pronto. Dai
decorrem as seguintes diferenças:

 A língua falada se concretiza por meio da emissão dos sons da língua, os fonemas.
Na escrita, utilizam-se as letras, que não mantêm uma correspondência exata com os
fonemas: há letras que representam fonemas diferentes (a letra x, por exemplo, em exame,
xadrez e sintaxe); há fonemas representados por mais de uma letra (/J/em chave, por
exemplo); há até casos em que a letra não representa nenhum fonema (h em homem, por
exemplo).

 O código oral conta com elementos de expressividade que o código escrito não
consegue reproduzir com muita eficiência. Destaca-se a acentuação e a entonação,
capazes de modificar completamente o significado de certas frases e que só são
parcialmente recuperáveis por certas construções da língua escrita.

 A fala se dá dentro de uma dada situação de interlocução; a escrita ocorre fora dela.
Na fala, quando se diz eu, aqui, agora, por exemplo, o ouvinte sabe quem está falando, que
lugar é aqui ou quando é agora. Além disso, entende as frases que se referem à situação.
Se alguém está jantando e diz que a cozinheira está sem paladar, seu interlocutor
compreende que ele quer dizer que falta tempero ou que há tempero em excesso na
comida. Na escrita, é preciso explicar a situação, para que o leitor saiba, por exemplo, quem
está falando, que dia é, quando alguém diz hoje, e para que compreenda os sentidos
relacionados à situação (assim, no caso da frase acima é preciso explicar que os
interlocutores estavam jantando e que um, quando pôs uma colher de sopa na boca, disse
que a cozinheira estava sem paladar).

 Na fala, o planejamento e a execução do texto são simultâneos. Por isso, o texto


falado é cheio de pausas, frases truncadas, repetições, correções, períodos começados e
abandonados para começar um outro, desvios e voltas, acelerações. O texto escrito não
contém marcas de planejamento e de execução. Elas são retiradas dele. Apresenta-se o
produto pronto e não em elaboração como na fala.

 Na fala, alternam-se os papéis do falante e do ouvinte. Por isso, o ouvinte pode


interromper o falante e tomar a palavra, o falante pode usar estratégias para segurar a
palavra, precisa buscar a anuência do ouvinte (dizendo, por exemplo, né?, certo?, cê não
acha?), solicitar sua colaboração (dizendo, por exemplo, como é mesmo que se diz?). Na
escrita, não há essa possibilidade de alternância, pois, mesmo que se crie um diálogo, ele
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será uma simulação de conversa e não um diálogo real.

 Na fala, os períodos são mais curtos e simples. Na escrita, mais longos e complexos.
O texto escrito divide-se em parágrafos, capítulos etc., que contêm unidades de sentido. O
texto falado é recortado em turnos, isto é, cada intervenção de cada interlocutor, e em tó-
picos, ou seja, assuntos de que se fala.

 Na modalidade falada, há um envolvimento maior de um interlocutor no texto do


outro. Eles colaboram, envolvem-se no processo de elaboração do texto, dizem que
compreenderam, concordam com a continuação da fala etc. Usamos, por exemplo, hum,
hum; certo; é claro; ah, sim. O falante, por sua vez, monitora nosso acompanhamento (por
exemplo, você tá me entendendo?). Se numa conversa telefónica ficamos só ouvindo, sem
manifestar nenhum acordo, o outro logo nos pergunta: Você está ouvindo? Faz isso, porque
é da natureza da fala a participação, o envolvimento. Na escrita, isso não ocorre.

Exemplo:
— Onde ele caiu?
— Ele caiu aqui.

O rapaz que testemunhou o acidente, em que Carlos foi morto, acompanhou o


delegado até o local da tragédia. Lá o delegado perguntou-lhe onde Carlos tinha
caído antes de ser atingido pelas rodas do caminhão que o matou. O rapaz foi até a
faixa de pedestres da rua Bernardo Alvares, esquina com a avenida Afonso Pena,
indicou o local exato da queda, dizendo:
— Ele caiu aqui.

5 NÍVEIS DA LINGUAGEM

Para que se efetue a comunicação, é necessário haver um código comum. Diz-se que é
preciso "falar a mesma língua": o português, por exemplo, que é a língua que utilizamos.
Mas trata-se de uma língua portuguesa ou de várias línguas portuguesas? O português da
Bahia é o mesmo português do Rio Grande do Sul? Não está cada um deles sujeito a
influências diferentes - linguísticas, climáticas, ambientais? O português de um médico é
igual ao de seu cliente? O ambiente social e o cultural não determinam a língua? Estas
questões levam à constatação de que existem níveis de linguagem. O vocabulário, a sintaxe
e mesmo a pronúncia variam segundo esses níveis.

De acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas, a língua sofre


variações que melhor se adaptam às necessidades de determinado grupo. Entre os tipos,
estão os dialetos e registros:

É chamada de dialeto a variedade de uma língua própria de uma região ou território. Devem
ser consideradas também as diferenças linguísticas originadas em virtude da idade dos
falantes, sexo, classes ou grupos sociais e da própria evolução histórica da língua.

As diferenças regionais (diatópicas ou geográficas) são variações que ocorrem de acordo


com o local onde vivem os falantes, sofrendo sua influência. Este tipo de variação ocorre
porque diferentes regiões têm diferentes culturas, com diferentes hábitos, modos e
tradições, estabelecendo assim diferentes estruturas linguísticas. Como exemplo: as
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variações entre o português do Brasil e de Portugal. a palavra mandioca, que em certas


regiões é tratada por macaxeira ou aipim; e abóbora, que é conhecida como jerimum.
Variações históricas (diacrônicas) São variações que ocorrem de acordo com as diferentes
épocas vividas pelos falantes, sendo possível distinguir o português arcaico do português
moderno, bem como diversas palavras que ficam em desuso. Como por exemplo, a palavra
“Você”, que antes era vosmecê e que agora, diante da linguagem reduzida no meio
eletrônico, é apenas VC. O mesmo acontece com as palavras escritas com PH, como era o
caso de pharmácia

Variações sociais (diastráticas) são as que ocorrem de acordo com os hábitos e cultura de
diferentes grupos sociais. Este tipo de variação ocorre porque diferentes grupos sociais
possuem diferentes conhecimentos, modos de atuação e sistemas de comunicação.
Exemplos de variações sociais: Gírias próprias de um grupo com interesse comum, como
os skatistas; Jargões próprios de um grupo profissional, como os policiais, médicos,
profissionais da informática, dentre outros; um orador jurídico e um morador de rua.

Chamamos de registros as variações que ocorrem de acordo com o grau de formalismo


existente em uma determinada situação: há situações em que a variedade padrão, ou norma
culta, é a melhor opção, aquela que estabelecerá uma maior sintonia entre os interlocutores.
Nas entrevistas de emprego, em redações para concursos e vestibulares e em exposições
públicas, por exemplo, a variedade linguística exigida, na maioria das vezes, é a padrão. Em
contrapartida, há situações de uso em que a variedade não padrão (gírias, regionalismos,
jargões) é aquela que melhor se encaixa no contexto comunicacional.

O registro culto, chamado de norma culta, linguagem formal e registro formal, é usado na
linguagem escrita, na escola e no trabalho, na comunicação social, em situações que
requerem uma maior seriedade, quando não há familiaridade entre os interlocutores da
comunicação.

O registro coloquial, também chamado de linguagem coloquial, linguagem informal e


linguagem popular, é a linguagem falada em situações cotidianas de comunicação e em
conversas descontraídas entre familiares, amigos, conhecidos, vizinhos,...,
Exemplo: são percebidas segundo os grupos (ou classes) sociais envolvidos, por exemplo,
um orador jurídico e um morador de rua

Exemplo:
Um homem magro, de bigodinho e cabelo glostorado, apareceu:
"Ah, comissário Pádua... Que prazer! Que alegria!"
"Não quero papo-furado, Almeidinha. Quero falar com dona Laura."
"Ela no momento está muito ocupada. Não pode ser comigo?"
"Não, não pode ser com você. Dá o fora e chama logo a Laura."
"Vou mandar servir um uisquinho."
"Não queremos nenhum uisquinho. Chama a dona.”
Rubem Fonseca. Acorro. São Paulo. Companhia da Letras 1990. p 64

Um falante que saiba adaptar o seu discurso às diferentes situações comunicativas e aos
diferentes interlocutores irá usar, necessariamente, a linguagem culta e a linguagem
coloquial no seu dia a dia, como linguagens complementares. Este é um exemplo de
variação situacional, ou seja, uma variação linguística em função do contexto.

Os diferentes dialetos e registros comprovam que a língua é um conjunto de variedades, ou


seja, há diversas maneiras de falar ou escrever. A língua portuguesa encontra-se em
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constante alteração, evolução e atualização, não sendo um sistema estático e fechado. O


uso faz a regra e os falantes usam a língua de modo a suprir suas necessidades
comunicativas, adaptando-a conforme suas intenções e necessidades.
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ANEXO 1: TEXTO Antigamente

ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito


prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas,
mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam
longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva
e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai
da forca e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e
sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entrementes,
esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passasse a
manta e azulava, dando às de vila-diogo. Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo,
saindo para tomar fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais
jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de
altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa
de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.

HAVIA OS QUE tomaram chá em criança, e, ao visitarem família da maior consideração,


sabiam cuspir dentro da escarradeira. Se mandavam seus respeitos a alguém, o portador
garantia-lhes: “Farei presente.” Outros, ao cruzarem com um sacerdote, tiravam o chapéu,
exclamando: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, ao que o Reverendíssimo
correspondia: “Para sempre seja louvado.” E os eruditos, se alguém espirrava — sinal de
defluxo — eram impelidos a exortar: “Dominus tecum”. Embora sem saber da missa a
metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso metiam a mão
em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de
melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam, quando, por exemplo, insinuavam
que seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados;
chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas
tetéias.

ANTIGAMENTE, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados
com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo
amassou, lá onde Judas perdeu as botas. Uns raros amarravam cachorro com lingüiça. E
alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde. As famílias faziam sortimento na venda,
tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta, desde
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que o moleque do tabuleiro, quase sempre um cabrito, não tivesse catinga. Acolhiam com
satisfação a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, trazia novidades de baixo, ou
seja, da Corte do Rio de Janeiro. Ele vinha dar dois dedos de prosa e deixar de presente ao
dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam à sacada para
vê-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais do que velhacos: eram
grandessíssimos tratantes.

ACONTECIA o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio


chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas.
Doença nefasta era a phtysica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham
assombrações, os meninos lombrigas, asthma os gatos, os homens portavam ceroulas,
botinas e capa-de-goma, a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London, não
havia fotógrafos, mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam.

MAS TUDO ISSO era antigamente, isto é, outrora.

FONTE: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond07.htm

ANEXO 2: TEXTO Como ser brasileiro em Lisboa sem dar (muito) na vista

Sim, eu sei que não será culpa sua, mas, se você desembarcar em Lisboa sem um bom
domínio do idioma, poderá ver-se de repente em terríveis águas de bacalhau. Está vendo?
Você já começou a não entender. O fato é que como dizia Mark Twain a respeito da
Inglaterra e os Estados Unidos, também Portugal e Brasil são dois países separados pela
mesma língua. Se não acredita, vejá só esses exemplos. (...)

Um casal brasileiro, amigo meu, alugou um carro e seguia tranqüilamente pela estrada
Lisboa–Porto, quando deu de cara com um aviso: "Cuidado com as bermas". Eles ficaram
assustados — que diabo seria uma berma? Alguns metros à frente, outro aviso: "Cuidado
com as bermas". Não resistiram: pararam no primeiro posto de gasolina, perguntaram o que
era uma berma e só respiraram tranqüilos quando souberam que berma era o acostamento.
Você poderá ter alguns probleminhas se entrar numa loja de roupas desconhecendo certas
sutilezas da língua. Por exemplo, não adianta pedir para ver os ternos — peça para ver os
fatos. Paletó é casaco. Meias são peúgas. Suéter é camisol — mas não se assuste, porque
calcinhas femininas são cuecas. (Não é uma delícia?) Pelo mesmo motivo, as fraldas de
crianças são chamadas cuequinhas de bebê. Atenção também para os nomes de certas
utilidades caseiras. Não adianta falar em esparadrapo — deve-se dizer pensos. Pasta de
dente é dentifrício. Ventilador é ventoinha. E no caso (gravíssimo) de você ter de tomar
injeção na nádega, desculpe, mas eu não posso dizer porque é feio.

As maiores gafes de brasileiros em Lisboa acontecem (onde mais?) nos restaurantes, claro.
Não adianta perguntar ao gerente do hotel onde se pode beliscar alguma coisa, porque ele
achará que você está a fim de sair aplicando beliscões pela rua. Pergunto-lhe onde se pode
petiscar.
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Os sanduíches são particularmente enganadores: um sanduíche de filé é chamado de


prego; cachorros-quentes são simplesmente cachorros. E não se esqueça: um cafezinho é
uma bica; uma média é um galão; e um chope é um imperial. E, pelo amor de Deus, não vá
se chocar quando você tentar furar uma fila e alguém gritar lá de trás: "O gajo está a furar a
bicha!" Você não sabia, mas em Portugal, chama-se fila de bicha. E não ria.

Ah, que maravilha o futebol em Portugal! Um goleiro é um guarda-redes. Só isso e mais


nada. Os jogadores do Benfica usam camisola encarnada — ou seja, camisa vermelha. Gol
é golo. Bola é esférico. Pênalti é penálti. Se um jogador se contunde em campo, o locutor
diz que ele se aleijou, mesmo que se recupere com simples massagem. Gramado é relvado,
muito mais poético, não é? (...)

Para se entender as crianças em Portugal, pedagogia não basta. É preciso traçar também
uma outra lingüística. Para começar, não se diz criança mas miúdos. (Não confundir com
miúdos de galinha, que lá são chamados de miudezas. Os miúdos das galinhas portuguesas
são os pintos.) Quando o guri inferniza a vida do pai, este não o ameaça com o tradicional:
"Dou-te uma coça" mas com "Dou-te uma tareia", ou então com o violentíssimo: "Eu chego-
te a roupa à pele".

Um sujeito preguiçoso é um mandrião. Um indivíduo truculento é um matulão. Um tipo


cabeludo é um gadelhudo. Quando não se gosta de alguém, diz-se: "Não gramo aquele
gajo". Quando alguém fala mal de você e você não liga, deve dizer: "Estou-me nas tintas" ou
então: "Estou-me marimbando". (...) Um homem bonito, que as brasileiras chamam de pão,
é chamado pelas portuguesas de pessegão. E uma garota de fechar o comércio é, não sei
por quê, um borrachinho.

Mas o pior equívoco em Portugal foi quando pifou a descarga da privada do meu quarto de
hotel e eu telefonei para a portaria: "Podem me mandar um bombeiro para consertar a
descarga da privada?" O homem não entendeu uma única palavra. Eu devia ter dito: "Ó pá,
manda um canalizador para reparar o autoclisma da retrete."

CASTRO, Ruy. Viaje bem. Revista de bordo da Varig. Ano VIII o 3/78

FONTE: http://www.ensjo.net/etc/brasileiro-lisboa.html

MATERIAL ADAPTADO PARA USO EM SALA DE AULA


Andrade, Maria Margarida de & Medeiros, João Bosco. Comunicação em Língua Portuguesa para os cursos de Jornalismo,
Propaganda e Letras. São Paulo: Atlas, 2001.pp 15-22
INFANTE, ULISSES. DO TEXTO A TEXTO: CURSO PRÁTICO DE LEITURA E REDAÇÃO.SÃO PAULO, SCIPIONE, 1991.
PLATÃO & FIORIN. LIÇÕES DE TEXTO: LEITURA E REDAÇÀO. SÃO PAULO, ÁTICA, 1998.
VANOYE, FRANCIS. USOS DA LINGUAGEM: PROBLEMAS E TÉCNICAS NA PRODUÇÃO ORAL E ESCRITA. SÃO
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PROFA. ARIANE QUEIROZ

PAULO, MARTINS FONTES, 1991