Vous êtes sur la page 1sur 13

 A estudarmos a Doutrina do Pecado descobrimos que ninguém pode ser justificado pela justiça humana,

Entretanto, é na doutrina da justificação, que o pecador encontra o caminho da justificação, através da


obra expiatória de Cristo.
 Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda
culpa tendo cumprido todos os requisitos da lei.
 Justificação é um termo forense que denota um ato judicial da administração da lei. Esse ato judicial
legaliza a situação do transgressor perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação.
 Ele sofreu a pena contra o pecador, Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a justificação
do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que a justiça tenha sido adiada, ou que ela
não tenha sido cumprida.
 A justificação pela fé é a doutrina que marca o rompimento dos reformadores com a Igreja de Roma. A
justificação, de acordo com o ensino de Roma, era pelas obras. Esse ensino escravizava a mente e o
coração das pessoas, que nunca podiam descansar em Deus, tendo a necessidade de praticar
constantemente as obras recomendadas pela igreja.
 Como essas obras eram sempre imperfeitas e os pecados das pessoas estavam sempre em sua mente, o
papado instituiu a venda de indulgências, como uma forma de garantir perdão pelos pecados (havia
diferença de preço entre as indulgências que perdoavam apenas os pecados já cometidos e as
indulgências plenárias, que garantiam perdão para pecados passados e futuros).
 Justificação: Ato de declarar justo. Processo judicial que se dá junto ao Tribunal de Deus, através do
qual o pecador que aceita a Cristo é declarado justo (Rom. 5.1). Ou seja: passa a ser visto por Deus como
se jamais tivera pecado em toda a sua vida (Rom. 5.1). A justificação é mais que um mero perdão. O
criminoso perdoado, ou anistiado, continuará criminoso. Mas se Deus o justificar, torna-se ele justo
(Rom. 8.1).
 A linguagem judiciária da Justificação: Ser justificado por Deus é ser inocentado por Ele mesmo da
condição de culpado pelos atos. Ou seja, o indivíduo não tem quaisquer condições de se auto-declarar
inocente ou de aliviar a sua consciência, pois sabe que nada poderá apagar a sua culpa. Por isso, Deus, em
Cristo, na cruz do Calvário, nos reconciliou para sempre (II Cor 5.19).
 A linguagem sacrifical da Justificação: Trocar o culpado pelo inocente. O sangue de Jesus Cristo foi
derramado no lugar do sangue da humanidade. Foi a substituição vicária de Cristo Jesus por nós. Éramos
culpados, mas Cristo se tornou culpado por nós; éramos malditos, Cristo se tornou maldito por nós;
éramos dignos de morte, Cristo morreu em nosso lugar e por nós (Rom. 3.25).
 A justificação por méritos se baseia nas obras do homem para obter a sua salvação. A justificação por
graça baseia-se sobre o princípio da fé. Deus justifica o pecador pela fé. Ele imputa justiça ao que crê.
 Não é fácil abrirmos mão do nosso orgulho e deixarmos de nos vangloriarmos pelos nossos feitos.
Todavia, a doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a graça de Deus se
manifesta. A conclusão de Paulo é que "o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei" (Rom. 3.28).
 Segundo Martinho Lutero disse: “A Justificação pela Fé Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental.
Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E sem ela, a igreja de Deus
não poderia existir nem por uma única hora”.
 A justificação é um ato jurídico ou uma sentença divina na qual Ele declara perdoado todo pecador que
crer em Jesus.
 Louis Berkhof define: “A justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara baseado na justiça de
Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador”.
 Ela é um ato único e legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho de
Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres.
 A justificação não produz mudanças no seu caráter, mas no Tribunal de Deus. Justificação é uma
declaração e santificação é transformação. Mas, é a partir da justificação que o Espírito Santo inicia no
pecador todo o processo de santificação até a sua glorificação.
 A justificação possui cinco características básicas, segundo o ensino de Paulo em Romanos 3.21-31.
 Isto é Justificação Pela Fé
 Quando o pecador penitente, contrito diante de Deus, discerne a expiação de Cristo em seu favor e
aceita essa expiação como sua única esperança nesta vida ele é considerado justo.
 Pela fé, o crente passa da posição de rebelde, de filho do pecado e de Satanás, para a posição de súdito
leal de Cristo Jesus, não por causa de alguma bondade inerente, mas porque Cristo o recebe como Seu
filho, por adoção.
 Cristo tomou sobre si a nossa culpa e nos absolveu, imputando-nos Sua própria justiça. Seu sacrifício
satisfaz plenamente as reivindicações da justiça.
 Ele perdoa as transgressões e os pecados por amor de Jesus, o qual Se tornou a propiciação pelos nossos
pecados. Pela fé em Cristo, o transgressor culpado é conduzido ao favor de Deus e à forte esperança da
vida eterna.
 A justificação se origina em Deus:
 Ele é o autor da justificação, a qual não pode ser obtida pela obediência humana à lei de Deus (Gal
2.16,21). Ele é o Juiz Supremo que declara a absolvição do pecador.
 A justificação é pela fé:
 A justiça de Deus é recebida mediante a fé (Rom. 3.22). A justificação não acontece por causa da fé,
mas, por meio ou através da fé.
 A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (Rom. 3.28,30) ou mediante a fé (Rom. 5.1; Gal
2.16; Fil. 3.9), mostrando, assim, que existe uma estreita relação entre a justificação e a fé.
 A fé não tem nenhum merecimento, mas é o instrumento ou a mão que recebe o presente. Esta fé não
existe naturalmente no coração humano, mas é um presente de Deus.
 Os teólogos protestantes costumam dizer que a fé é o órgão de apropriação da justificação. Com isso,
querem dizer que, pela fé, o pecador se apropria da justiça de Cristo e estabelece uma união consciente
com Cristo. Pela fé o pecador se apropria da justiça do Mediador, já imputada a ele no momento de sua
salvação e, com base nesse ato de apropriação, ele é formalmente justificado diante de Deus.
 A fé é a condição sob a qual Deus promete perdão aos pecadores; não que exista na fé qualquer virtude
pela qual se mereça a salvação, mas porque a fé pode prevalecer-se dos méritos de Cristo.
 O pecador é justificado gratuitamente pela graça de Deus (Rom. 3.4) e não há nenhuma possibilidade de
justificação pelas obras da lei (Rom. 3.28; Gal 2.16; 3.11). A base da justificação só pode ser encontrada
na justiça perfeita de Cristo, imputada ao pecador na justificação e apropriada pela fé (Rom. 3.24;
5.9,19; 8.1; 10.4; 1 Cor. 1.30; 6.11; 2 Cor. 5.21; Fil. 3.9).
 Imputar algo a uma pessoa significa pôr esse algo em sua conta (creditar) ou contá-la entre as coisas que
lhe pertencem - ser-lhe creditado, e o que lhe é imputado passa a ser legalmente seu; é-lhe contado
como sua possessão. Imputar significa contar, creditar, atribuir.
 A única maneira em que se pode alcançar a justiça é pela fé. Pela fé, o pecador pode apresentar a Deus
os méritos de Cristo, então o Senhor lança sobre ele os créditos de obediência de Seu Filho. A justiça de
Cristo é aceita em lugar do fracasso do homem, e Deus recebe, perdoa, justifica a pessoa arrependida,
trata-a como se fosse justa, e ama-a tal qual ama Seu Filho (Tito 3:4-7). Assim é que a fé
é imputada como justiça.
 A Base da Justificação
 A dupla imputação de pecado e justiça (referidos a Cristo e ao crente) forma a base da justificação.
 1. Os pecados dos crentes foram imputados a Cristo - por isto Ele sofreu e morreu na cruz (1 Ped. 2.24;
II. Cor. 5.21). Cristo foi feito legalmente responsável pelos pecados do crente, e sofreu o justo castigo
que a este correspondia. Ao morrer no lugar do crente, Cristo satisfez as demandas da justiça e o
libertou para sempre de toda possibilidade de condenação ou castigo. Quando os pecados do crente
foram imputados a Cristo, o ato de imputação não fez a Cristo pecador ou contaminou Sua natureza -
tampouco, de modo algum afetou Seu caráter; este ato só tornou Cristo o responsável legal de tais
pecados. A imputação não troca a natureza de nada; somente afeta a posição legal da pessoa.
 Jesus Cristo viveu uma vida perfeita - guardou completamente a lei de Deus. A justiça pessoal que Cristo
obteve durante Sua vida na terra é imputada ao pecador no momento em que este crê. A justiça de
Cristo é outorgada ao crente; e Deus o vê como se ele mesmo houvesse feito todo o bem que Cristo fez.
A obediência de Cristo, Seus méritos, Sua justiça pessoal é imputada (atribuída) ao crente. Isto de modo
algum troca a natureza do crente (como também a imputação de pecados a Cristo não muda a Sua
natureza); somente muda a posição legal do crente diante de Deus.
 Ninguém pode ser justificado senão pela fé; no entanto, ninguém é justificado sobre a sua fé. A fé, em si
mesma, não salva o pecador; porém o leva a Cristo, o qual é quem, de fato, salva; portanto, a fé,
conquanto seja um meio necessário para a justificação, não é em si mesma a causa ou a base da
justificação.
 “Paulo disse que os crentes são justificados dia pisteos (Rom. 3.25), pistei (Rom. 3.28) e ekpisteos (Rom.
3.30). O dativo e a preposição dia representam a fé como meio instrumental pelos quais Cristo e Sua
justiça são imputados; a preposição ek mostra que a fé ocasiona, e logicamente precede nossa
justificação pessoal. Paulo nunca disse, e sem dúvida negaria, que os crentes são justificados dia pistin,
ou seja, por causa de sua fé. Se a fé fosse a base da justificação, a fé seria, com efeito, uma obra
meritória; e a mensagem do evangelho seria, depois de tudo, meramente uma nova versão da justificação
por obras, doutrina considerada por Paulo como irreconciliável com a graça, e destrutiva espiritualmente
(Compare Rom. 4.4; 11.6; Gal 4.21-5.1,2). Paulo considera a fé, não como a causa da justificação, mas como
a mão vazia, estendida, que recebe a justiça ao receber a Cristo”.


 A Origem da justificação- A justificação se origina diretamente em Deus, é só por sua graça que Ele
propicia esta bênção ao ser humano perdido (Rom. 5.8, 18-19).Tudo acontece pela iniciativa divina. Em sua
soberania Deus poderia deixar os pecadores mortos em seus pecados, mas pelo seu infinito amor
resolveu justifica-los (Tito. 2.11; 3.7). Nesta operação o pecador não entra com nada, o que conta é o
amor e graça de Deus manifestado em Jesus Cristo (João. 1.17).
 O significado da justificação- A justificação não significa, como alguns podem pensar, o ato de fazer
alguém justo. Mas sim, é o ato de declarar, considerar que o réu é inocente e justo, sem defeito ou
mácula. Tudo isto sem a presença de méritos ou favor por parte do réu. O Dr. William Barclay nos diz
que todos os verbos terminados em oô no idioma grego, não são verbos que fazem algo a alguém, mas
que consideram, tratam, alguém como algo.[1] E a palavra grega para justificar é dikaioô.
 Olhando Rom. 8.33-34, fica mais fácil para entender. Observe os meus destaques:
 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É
Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está a direita de Deus, e também
intercede por nós.
 Veja as palavras justificar e condenar contrastadas neste versículo. Assim,
 1. Quem condena não torna ninguém condenado, apenas declara que a pessoa está condenada.
 2. Quem justifica não torna ninguém justo, mas declara aquela pessoa justa.
 Isto porque a palavra justificar na Bíblia tem um sentido judicial. Sempre diz respeito as relações do ser
humano com as sagradas leis do código divino, perante as quais são declarados justos ou culpados. Assim,
o justificado não se transforma num justo, ele é declarado justo, pela justiça de Cristo que é imputada
(atribuída, aplicada) a ele.
 A justificação é uma necessidade:
 A justiça de Deus é para todos e sobre todos, judeus e gentios, porque todos erraram o alvo, deixando
de ser conforme o propósito de Deus. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rom. 3.23).
 A justificação é gratuita:
 A justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: sendo justificados gratuitamente,
por Sua graça (Rom. 3.24).
 A palavra gratuitamente significa “como um presente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por
um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada por méritos pessoais.
 A justificação se baseia em Jesus Cristo:
 A salvação é gratuita para o pecador, mas ela teve um alto custo para Deus. Para nós a salvação é grátis,
mas para Deus custou à vida de Seu Filho. (I Ped. 1.18-19).
 Um culpado que é inocentado:
 O termo justiça traduz a palavra grega δικαιοσύνη, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem
é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos.
 Um prisioneiro que é libertado:
 Em Romanos 3.24, Paulo usa o verbo grego ἀπολυτρώσεως para se referir à redenção efetuada por Jesus
Cristo. Essa palavra, conforme definem os léxicos da língua grega, tem o sentido de redenção, resgate ou
libertação. No contexto neo-testamentário tem o sentido de libertar mediante o preço de um resgate.
 No mundo antigo um escravo podia ser resgatado mediante o pagamento de um preço. É exatamente isso
que Deus fez.
 Em Romanos 3.25: A palavra grega ἱλαστήριον propiciação que está relacionada ao termo propiciatório é
uma terminologia muito utilizada no AT para se referir aos sacrifícios pelo pecado.
 Elementos da justificação:
 Depois de serem justificados, os crentes continuam sendo pecadores?
 Na verdade, na justificação, Deus realmente remove de nós a culpa pelo pecado, isto é, a sujeição do
pecador à punição eterna devida ao pecado (a morte eterna), mas não a culpabilidade inerente a qualquer
pecado que seja praticado.
 Essa culpabilidade permanece e sempre produz nos crentes um sentimento de culpa, de separação de
Deus, de tristeza, de arrependimento, de frustração e assim por diante.
 A consciência do perdão e de um renovado relacionamento filial com Deus muitas vezes é perturbada e
obscurecida pelo pecado, mas é novamente despertada e fortalecida pela confissão e pela oração.
 A Justificação pela fé da ICAR
 Na época da Reforma Protestante a Igreja Romana convocou um concilio para a cidade de Trento,
começando em 1545. Neste concilio, entre outras declarações, foi aprovado que não era somente pela
atribuição ou crédito da justiça de Cristo em favor do pecador, que ele poderia ser justificado. Observe
algumas decisões deste concílio obre o assunto:
 Cânon 9- Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, querendo dizer que nada
coopera com a fé para a obtenção da graça da justificação; e se alguém disser que as pessoas não são
preparadas e predispostas pela ação de sua própria vontade- que seja maldito.
 Cânon 11- Se alguém disser que os homens são justificados unicamente pela imputação da justiça de
Cristo ou unicamente pela remissão dos seus pecados, excluindo a graça e amor que são derramados em
seus corações pelo Espírito Santo, e que permanece neles; ou se alguém disser que a graça pela qual
somos justificados reflete a vontade de Deus- que seja maldito.
 Para a Igreja Romana, a justiça de Cristo tinha que ser de alguma forma, infundida para dentro do
cristão, de forma que o pecador se transformaria num justo. A consequência disso é que as pessoas
passaram a buscar se justificar com seus próprios méritos, suas obras, pela melhoria de caráter; e a
entender que são justificadas pela sua própria vontade. E este ainda é o ensino da Igreja romana hoje,
pois as decisões do Concílio de Trento não foram revogadas.
 Isto biblicamente é um erro, pois a justificação é um ato da livre graça de Deus, sem está atrelada a
nenhuma obra nossa, mas unicamente pela obra de Cristo na cruz a nós atribuída, creditada.
 Escreve C. H. Mackintosh:
 Nós estávamos sob a maldição, por que não tínhamos guardado a Lei; porém Cristo, o homem perfeito
engrandecendo a Lei e tornando-a honrosa, devido ao fato de haver cumprido perfeitamente, foi feito
maldição por nós sendo pendurado no madeiro. Assim, na sua vida ele engrandeceu a Lei de Deus; e na sua
morte levou a nossa maldição. Portanto, agora não há para o crente maldição, nem ira, nem condenação:
embora tenha de comparecer no Tribunal de Cristo, este tribunal ser-lhe-á tão favorável então como
agora o é o trono da graça. O tribunal manifestará a sua verdadeira condição, isto é, que nada existe
contra ele: o que ele é, foi Deus quem realizou. Ele é obra de Deus. Deus tomou-o no estado de morte e
condenação e fê-lo exatamente como queria ele fosse. O próprio juiz apaga os seus pecados e é a sua
justiça de forma que o tribunal não deixará de lhe ser favorável; mais ainda, será a declaração pública,
autorizada e plena, feita ao céu, à terra e ao inferno, de que aquele que é lavado de seus pecados no
sangue do Cordeiro é tão limpo quanto Deus pode torna-lo (1 João. 5:24; Rom. 8:1; 2 Cor. 5:5, 10-11; Efe.
2:1-0). Tudo que era preciso fazer, o Próprio Deus fê-lo, e certamente ele não condenará a sua própria
obra. A justiça que era perdida, Deus a proveu; e, portanto, não achará nenhum defeito nesse
suprimento.
 Isto é a justificação pela fé, a declaração de que as exigências da Lei divina foram cumpridas e
satisfeitas, tudo isso em Cristo.
 Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda
culpa, tendo cumprido os requisitos da lei. Ou ainda, justificação é o ato pelo qual nos tornamos “justos”
perante Deus, mediante a aceitação do sacrifício de Cristo. Há uma verdade fantástica acerca da
justificação, que é a substituição. Sem a substituição não seria possível à justificação. Jesus se tornou
substituto do pecador para cumprir a exigência da lei que é a pena do pecado.
 Como e por que ela ocorre a Justificação?
 Quando transgredimos o mandamento (que não admite pecado contra a sua Lei), a justiça de Deus exige a
morte do pecador (“Aquele que pecar é que morrerá.” Ezeq. 18.4). Essa é uma exigência feita pela justiça
de Deus, uma vez que a santidade e a divindade do Todo-poderoso são afrontadas pelo pecado, pecado
que nada mais é do que rebelião contra ou rompimento da relação Criador x criatura.
 Como todos pecamos (“Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. Rom. 3.23 e 5.12), seria
necessária a extinção da raça.
 A alternativa foi a implantação do sacrifício, como vemos no AT. Um animal morre em lugar do
transgressor da Lei. Mas o problema maior permanecia lá, já que o sacrifício pelo pecado era uma ação
externa ao pecador, que raríssimas vezes atingia o âmago da questão: o seu coração.
 O sacrifício de Cristo é o que a Bíblia chama de sacrifício perfeito. Os atos realizados no AT eram
provisórios (“pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados”. Heb. 10.4), e apontavam (ou
aguardavam) o sacrifício perfeito.
 O sangue derramado do cordeiro no AT apenas “cobria” o pecado e “amenizava” a exigência pela justiça.
Mas a vinda do “Cordeiro de Deus” traz consigo não uma cobertura para o pecado, mas a remoção
definitiva.
 É por isso que João Batista diz: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29).
João não diz que Jesus “cobre”, mas que “tira” os pecados do mundo. O sangue de Jesus tem o poder de
atender às exigências feitas pela justiça santa de Deus.
 Assim, Jesus conquista o crédito (ou mérito), por assim dizer, de satisfazer a justiça da Lei de Deus e
pode compartilhar esse crédito com aqueles que depositam fé no seu sacrifício e em seu sangue.
 Em Romanos 3.21 lemos: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei
e dos profetas.” Essa “justiça de Deus” é Jesus Cristo, o justo, e quanto a nós, somos justificados se
tivermos fé em seu sangue. Com duas palavrinhas iniciais do versículo 21 “mas agora”, abriu-se um novo
caminho para o pecador andar. É o caminho da fé na pessoa de Jesus, o qual está aberto para todo aquele
que crê em Cristo.
 Os três elementos da Justificação:
 Os três elementos da justificação são: a graça, o sangue e a fé. Vejamos os versículos que casino online
dizem respeito.
 1. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça…” (Rom. 3.24a). A graça de Deus é o seu favor para
com o pecador, independente de merecimento. Por isso, o pecador é justificado “gratuitamente”. O
versículo ainda diz: “mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rom. 3.24b). O ato justificador pela
graça de Deus baseia-se na redenção efetuada por Jesus no Calvário.
 A palavra redenção na Bíblia tem dois significados no grego: agorazõ que significa “retirar do mercado”,
isto é, comprar e não deixar mais exposto a outras vendas (Gal. 3.13; 4.5; Efe. 5.16; Col. 4.5), uma vez
que o escravo era considerado uma mercadoria para compra e venda e o pecador é um escravo do Diabo e
do pecado. A outra palavra grega que élustroõ que significa “desamarrar” ou “soltar” (Luc. 24.21; Tito
2.14; 1 Ped. 1.18); portanto a obra redentora foi efetuada por Jesus, que “libertou” os pecadores.
 2. “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue…” (Rom. 3.25a). No sangue está a base e a
causa da justificação. Duas palavras se destacam no versículo de Romanos: sangue e propiciação. O
sangue derramado faz com que sejam removidos os pecados anteriormente cometidos, ou seja, ele faz a
propiciação, isto é, torna “favorável”, torna “propício” o relacionamento do homem com Deus
(relacionamento que tinha sido rompido pelo pecado). O escritor aos Hebreus observa que “sem
derramamento de sangue, não há remissão de pecados” (Heb. 9.22).
 O sangue de Cristo faz a propiciação, mediante a fé. O sangue de Cristo satisfaz as exigências divinas de
justiça, cumprindo as exigências da Lei. Jesus cumpriu toda a Lei derramando o seu próprio sangue. Deus
enviou seu Filho Jesus para morrer como sacrifício propiciatório.
 3. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da Lei” (Rm 3.28).
Com esse versículo fica claro que por recursos, méritos ou esforços próprios (o que algumas versões
chamam “jactância”) o homem não alcança a justificação, mas somente por meio da fé. Fé significa
aceitar com plena confiança o sacrifício justificador de Cristo.
 Que significa, então, ser justificado pela fé? (Rom. 3.28)
 Significa receber o reconhecimento divino de justiça a partir do que Cristo fez em nosso favor. A
palavra justificar, no grego da época, é dikaioo, e quer dizer “declarar justo”.
 Como o pecador é declarado justo diante de Deus?
 Visto que o pecador não tem condição nem méritos para ser justificado diante de Deus, então Cristo,
“que não conheceu pecado”, tomou os pecados sobre si e os cravou na sua cruz, fazendo-se “pecador por
nós”. Feito isto, Ele propiciou para nós a justificação. Nossa justificação baseia-se (por meio da fé) na
obra que Cristo fez por nós (2 Cor. 5.21; Tito 3.4,5).
 Quando o pecador penitente, contrito diante de Deus, discerne a expiação de Cristo em seu favor e
aceita essa expiação como sua única esperança nesta vida e na vida futura, seus pecados são perdoados.
Isso é justificação pela fé.
 Pela fé, o crente passa da posição de rebelde, de filho do pecado e de Satanás, para a posição de súdito
leal de Cristo Jesus, não por causa de alguma bondade inerente, mas porque Cristo o recebe como Seu
filho, por adoção.
 A prerrogativa do Pai é perdoar nossas transgressões e pecados, porque Cristo tomou sobre Si a nossa
culpa e nos absolveu, imputando-nos Sua própria justiça. Seu sacrifício satisfaz plenamente as
reivindicações da justiça.
 Cristo tomou sobre si as nossas culpas. Sofreu, imerecidamente, em nosso lugar. Assim, estamos
reconciliados com Deus mediante o sangue de Cristo.
 EM QUE TERMOS OU COMO SÃO OS PECADORES JUSTIFICADOS?
 Sob uma condição o ser humano pecador é justificado: pela fé. Ele precisa crer naquele que justifica o
pecador.
 O arrependimento, que antecede a fé, é um profundo sentimento da ausência do bem e a consciência da
presença do mal.
 Nenhuma obra, de que excelência for, pode tirar os nossos pecados, nem suportar a retidão dos juizos
de Deus.
 No entanto, uma vez justificados, nossa fé em cristo é testemunhada em obras. Como parte do Corpo de
Cristo somos chamados e preparados para dar bons frutos. São estes que revelam a natureza, a
profundidade e a extensão da nossa fé.
 Jesus, nosso Substituto, consentiu em sofrer pelo homem a penalidade da lei transgredida. Ele revestiu
Sua divindade com a humanidade, tornando-Se assim o Filho do homem, o Salvador e Redentor.
 O próprio fato da morte do amado Filho de Deus para remir o homem revela a imutabilidade da lei divina.
Quão facilmente, do ponto de vista do transgressor, Deus poderia ter abolido Sua lei provendo assim um
meio pelo qual o homem pudesse ser salvo e Cristo permanecesse no Céu!
 A justificação é pela graça, sem qualquer mérito nosso. A graça é a atitude favorável de Deus para com o
pecador, e não a inserção de alguma qualidade em sua vida.
 A segunda parte da justificação é a imputação da justiça de Cristo para conosco. Deus, como reto Juiz,
exige a justiça naqueles que são aceitos e aprovados por Ele. Não temos em nos mesmos a capacidade
para oferecer a Deus tal justiça. O pecado considerado de um ponto de vista é como uma dívida enorme,
que não temos a mínima possibilidade de pagar, e até os respectivos juros estão fora do nosso alcance.
Deus, porém, aceita a justiça de Cristo como se fosse a nossa própria.
 A palavra imputar significa literalmente lançar em nossa conta credora, e mediante o ato gracioso na
Justificação, a Justiça de Cristo é computada em nosso crédito.
 Somente podemos recebê-la como dom de Deus; não há nenhuma outra maneira pela qual podemos
merecê-la.
 O próprio mérito do homem cabe, aliás, a Deus pois suas boas ações procedem, em Cristo, das
inspirações do auxilio do Espírito Santo.
 As obras não são a causa da justificação. Não é isso que ensina a teologia católica. Católicos e
protestantes concordam quando à necessidade das boas obras na vida do cristão, porém perde-se o foco
quanto à influência dessas obras na salvação do homem.
 Para Lutero o homem é um ser pecador, e necessariamente morrerá pecador. Nunca deixará de pecar,
então somente deve haver um único jeito desse homem ser salvo: se o pecado não influenciar na salvação.
 A justificação protestante é forense, ou imputada, porque Deus na verdade declara que o homem é justo.
 Nossa única contribuição para nossa salvação são os nossos pecados. A obediência à Lei por amor a Jesus
Cristo é fruto e evidência da justificação.
 A guarda da Lei não salva, mas sua transgressão traz condenação. A obediência à lei não é a fonte, nem a
base, e nem o meio pelo qual vem a justificação.
 A salvação é pela graça mediante a fé e não o resultado das obras nem mesmo da adição de fé mais
obras. A salvação não é uma conquista do homem, é um presente de Deus. Não é uma medalha de honra ao
mérito, mas uma manifestação do favor imerecido de Deus.
 Ellen White: “Quem procura alcançar O Céu por suas próprias obras, guardando a lei, tenta uma
impossibilidade”. Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 363 e 364.
 Os Adventistas do sétimo dia crêem que eles têm sido chamados para proclamar o evangelho
eterno para cada nação, tribo, povo, língua e povo no contexto das 3 mensagens angélicas de Apocalipse
14:6-12. Essas mensagens são o apelo final de Deus para a raça humana antes da segunda vinda de Jesus
Cristo (ver Apocalipse 14:14-20). A expressão “evangelho eterno” que ocorre apenas nessa passagem do
Novo Testamento, tem implicações importantes. Primeiro de tudo implica que o Evangelho era o propósito
de Deus desde a eternidade. Esse eterno e divino propósito está enraizado no amor eterno de Deus como
afirmado em Jeremias 31:3 e João 3:16. Em segundo lugar, implica que há somente um evangelho pelo
qual os caídos seres humanos podem ser salvos e que esse é o Evangelho de Jesus Cristo, como Paulo às
vezes se refere a ele (Romanos 15:9; 1 Cor 9:12; etc.). Em outras palavras, desde os dias de Adão e Eva
até o fim do mundo só houve e só haverá apenas um evangelho, uma maneira de salvação. Nas palavras do
apóstolo: “Pois sois salvos pela graça mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras
para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Pedro falando de salvação através de Jesus Cristo perante
os líderes religiosos de Israel foi bastante enfático: “Pois não há salvação em nenhum outro, não há
outro nome dado aos homens debaixo do céu pelo qual devem ser salvos” (Atos 4:12).
 Os adventistas sempre perceberam a si mesmos como herdeiros das grandes verdades
recuperadas e proclamadas pelos reformadores protestantes. Como afirmado no relatório de conclusão
de mais um diálogo bilateral: “Os adventistas têm uma elevada apreciação pela reforma. Eles vêem a si
mesmos como herdeiros de Lutero e dos reformadores, especialmente em seu adotar dos princípios de
“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solo Christo”.[i] Isso coloca o adventismo em harmonia com o
entendimento evangélico tradicional de Justificação pela fé, e também com a tradição dos pais da igreja,
pois, de acordo com Thomas Oden, “os principais reformadores que apelam para Sola Scriptura, Sola
Gratia, Sola Fide são encontradas abundantemente no interpretes patrísticos das Escrituras.” [ii] Nesse
documento nós intencionamos apresentar o entendimento adventista da unidade dos ensinamentos da
Escritura no tema da justificação pela fé somente em Cristo e somente pela Graça. Em seguida tratarei
do alegado conflito entre alguns ensinamentos específicos dos adventistas, como sua ênfase na
observância do sábado, e a visão protestante tradicional de justificação pela fé será considerada.

 O fundamento do ensino da justificação pela fé no Velho Testamento



 A unidade das Escrituras não significa uniformidade. Esperar afirmações teológicas muito explícitas
como as encontradas em Paulo no Velho Testamento mostra uma falta de apreciação da diversidade na
revelação de Deus para e em relação com os mensageiros inspirados. Ainda assim, o próprio Paulo apela
para o Velho Testamento para mostrar a unidade entre seu ensinamento de Justificação pela fé ou
justiça pela fé com os ensinamentos de Moisés e dos profetas. “Mas agora, sem lei, se manifestou a
justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;” (Romanos 3:21). É portanto essencial estudar
cuidadosamente o que o Velho testamento ensina sobre justiça e sobre justificação. Obviamente, aqui
vamos tratar apenas com alguns dos aspectos mais pertinentes do assunto em pauta.
 O Velho Testamento proclama a justiça de Deus em todo seu relacionamento com Israel. Na canção
majestosa, que Moisés ensinou, por ordem de Deus, os israelitas cantarem, Moisés proclama o nome do
Senhor nessas palavras: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo;
Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” (Deuteronômio 32:4). A justiça de Yahweh é
manifesta de acordo com as bênçãos e maldições do concerto de deuteronômio 38, em atos de
julgamento (ver por exemplo: 2 Crônicas 12:1-6; Daniel 9:3-14; Neemias 9:8) e em atos de salvação.
Esses últimos são referidos às vezes como a “tsidqot Yahweh”, que pode ser traduzido como a justiça ou
os atos justos do Senhor (ver por exemplo: Juízes 5:10; 1 Samuel 12:6-7; Miquéias 6:5). É importante
perceber que no Velho Testamento a justiça de Deus é às vezes equivalente à salvação de Deus como
pode ser observado no paralelismo hebraico (ver Isaías 51:6,8).
 Quando chega à justiça humana, o Velho Testamento apresenta-nos um aparente paradoxo. Há
persistentes e enfáticas afirmações de que ninguém é justo, que todos pecaram. Davi pleiteou com Deus
“Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente.” (Salmo 143:2).
Salomão reconheceu em sua oração para a dedicação do templo: “não há ninguém que não peque” (1
Crônicas 6:36). Ele repete esse pensamento em Eclesiastes 7:20 “Não há homem justo sobre a terra que
faça o bem e que não peque.” Moisés por três vezes disse para que os israelitas não pensassem que o
Senhor os estava dando a terra de Canaã por causa da justiça deles. Ele afirmou o contrário, “sois um
povo de dura cerviz” (Deut. 9:4-6). O paradoxo é que os mesmos escritores e o Velho Testamento como
um todo faz uma distinção da humanidade em duas classes: Os Justos e os Ímpios ou algumas distinções
similares a esta. Isso levanta a pergunta crucial: “Como pode qualquer ser humano ser chamado de Just
diante da afirmação que ninguém é justo e que todos pecaram?” A importância dessa questão é
intensificada quando encontramos pessoas designadas como justas, inculpáveis, ou coisas como: “amigo de
Deus” ou “mui amado” como nos casos de Noé, Jó, Abraão e Daniel (ver Gen. 7:1; Jó 1:1; Is. 41:8; Dan.
9:23), como pecadoras e confessando pecados. É evidente que a justiça dessas pessoas não é idêntica a
impecaminosidade. Como então eles podem ser chamados de justos ou inculpáveis. Edmund Clowney
acentua quão crucial é essa questão: “Como pode um homem ser justo com Deus? Toda a história do
Velho Testamento depende da resposta de Deus a essa questão.” [iii]
 A resposta óbvia é que Yahweh, o Deus do concerto, justifica aquele que nele crê, que confia em suas
promessas, que reconhece seu pecado, que se lançam sob a misericórdia de Deus, e se convertem de suas
injustiças. De Abraão nós lemos: “Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” (Gen. 15:6).
Jó, de quem o Senhor testificou que ele era: “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava
do mal.” Foi confrontado com uma pergunta vinda do Senhor: “Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo?
Ou me condenarás, para te justificares?” (Jó 40:8). Diante do Santo e justo Deus Jô reconheceu sua
pecaminosidade e respondeu: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me
abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jó 42:5-6. Davi, o ungido do Senhor, quando convicto de seu
pecado contra Deus por adultério e assassinato, confessou seu pecado e achou perdão (2 Samuel 12:13).
De acordo com os salmos 32 e 51 ele foi justificado diante de Deus e pôde cantar: “Alegrai-vos no
SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.” (Salmo 32:11). Isso é
justificação pela fé pela graça somente. A justiça dos justos no Velho Testamento é um dom concedido
pelo Deus justo. Essa é o porquê de Davi por todos os salmos exala a justiça de Deus. Paulo afirmou a
verdade quando ele disse que a Lei e os profetas testificaram da “justiça de Deus, separada da Lei”
(Romanos 3:21).
 Esses temas vetero-testamentários são mais plenamente desenvolvidos por Edmund Clowney em eu
capítulo: “A doutrina da justificação pela fé” no livro Justo com Deus: a justificação na Bíblia e o mundo,
publicado em 1992 por causa da “comunhão do mundo evangélico”. Os adventistas do sétimo dia, creio eu,
concordariam de todo o coração com muito, senão com toda a cuidadosa apresentação bíblica de Clowney.
Clowney seguindo McGrath, mostra que o verbo hebraico hasdiq “sempre significa [declarar estar
correto (justo)] e somente então absolver ou vindicar”. Com um apelo para Deuteronômio 25:1, onde os
juízes de Israel são mandados “justificar o justo e condenar o ímpio”, ele afirma ser claro que
“condenar” nesse caso significa “declarar ser ímpio”, não “tornar alguém ímpio”, e que “justificar” deve
significar “declarar ser justo” e não “tornar alguém justo”. Esse significado é consistente no Velho
Testamento. O Senhor admoesta os juízes a dar veredictos justos por que Deus é o supremo juiz, que
testifica de si mesmo: “Eu não vou absolver (ou justificar) o culpado” (Êxodo 23:7). Enquanto Deus está
aqui falando no contexto de tribunais de justiça terrenos, se torna aparente que quando percorremos as
Escrituras vemos que essas admoestações têm um significado soteriológico mais profundo. É necessário
sublinhar que o “justificar” é um termo legal, declarando que alguém não é culpado. O significado básico
de justificação como um veredicto judicial é mantido mesmo quando conduz a um significado mais amplo
na revelação progressiva de Deus e nas reflexões teológicas sobre essa revelação.

 Justificação pela fé em Cristo somente


 Os adventistas do sétimo dia acreditam firmemente e de todo o coração que a salvação é puramente um
dom de Deus em Jesus Cristo. Pecadores como somos, não podemos adicionar nada à perfeita justiça de
Cristo, que ele realizou em sua encarnação por sua perfeita obediência á lei de Deus e por sua morte na
cruz por nossos pecados. Nas palavras de uma das crenças fundamentais dos adventistas:

 Na vida de Cristo, de perfeita obediência à vontade de Deus, e em Seu sofrimento, morte e


ressurreição, Deus proveu o único meio de expiação do pecado humano, de modo que os que aceitam essa
expiação pela fé possam ter vida eterna, e toda a criação compreenda melhor o infinito e santo amor do
Criador. Esta expiação perfeita vindica a justiça da lei de Deus e a benignidade de Seu caráter; pois ela
não somente condena o nosso pecado, mas também provê o nosso perdão. – Crenças Fundamentais, 9

 “Salvação através de Cristo somente” é algo central para o entendimento adventista e experiência de
salvação. Apesar de que durante nossa história de mais de 160 anos ela nem sempre recebeu a ênfase
esperada, essa crença central pode ser traçada por todo esse período com acentuação e articulação
crescente nos livros, tratados e periódicos fluindo aos milhões a partir das casas publicadoras
adventistas por todo o mundo. O mesmo é verdade considerando-se o evangelismo adventista de uma
grande variedade de formas diferentes, desde pequenos grupos de estudo em casas particulares até aos
evangelismos com alta tecnologia por satélites e pela rede mundial de computadores. Aqui nós podemos
apenas pontuar evidências significativas dessa ênfase Cristocêntrica no entendimento adventista da
justificação pela fé.
 Nos escritos de Ellen White, a autora mais lida entre os adventistas, Cristo é consistentemente
apresentado como a única esperança e o único meio de salvação para os pecadores seres humanos. Ela
escreveu em 1891, “de todos os professos cristãos, os adventistas do sétimo dia deveriam ser os
primeiros a levar Cristo perante o mundo” [iv]Ela mesma fez exatamente o que seus escritos
testemunhavam.

 Relativamente à justificação pela fé, ela foi explícita. Note sua forte ênfase.

 “Não há um ponto que necessite ser realçado com mais diligência, repetido com mais freqüência ou
estabelecido com mais firmeza na mente de todos, do que a impossibilidade de o homem caído merecer
alguma coisa por suas próprias e melhores boas obras. A salvação é unicamente pela fé em Jesus Cristo”.
(fé e obras, 19)

 “O sangue de Cristo foi derramado para expiação e purificação do pecador. E nós devemos nos apegar
aos méritos do sangue de Cristo, e acreditar que temos vida em seu nome. Não permita que as falácias de
Satanás te enganem, você é justificado somente pela fé” (Signs of the Times, March 24, 1890)

 Não é surpreendente que Ellen White tinha uma grande consideração pela epístola aos Romanos de Paulo.
“Com grande clareza e poder a apóstolo apresentou a doutrina da justificação pela fé em Cristo.” Ela
comenta o fato de Paulo poder apenas prever diminutamente o longo alcance que suas palavras teriam.
“Por todas as eras a grande verdade da justificação pela fé tem se levantado como uma poderosa coluna
para guiar os pecadores ao arrependimento e ao caminho da vida”. Ela menciona a experiência de
Martinho Lutero e então conclui que pela “epístola para a igreja de Roma, todo cristão tem razão de
agradecer a Deus” (Atos dos apóstolos 373, 374). A importância da carta aos romanos e as outras cartas
de Paulo para o entendimento adventista do Evangelho é manifestado nas publicações acadêmicas assim
como nas publicações bíblicas e devocionais de forma geral. [v]
 Como afirmado anteriormente, os adventistas acreditam que há apenas uma forma de salvação de
Genesis ao Apocalipse e essa forma é a fé em Cristo e sua justiça. Essa crença central pode ser e tem
sido expressa em diferentes palavras, da mesma forma como as Escrituras não são monótonas, mas
apresentam a verdade do Evangelho eterno de diversas maneiras. Enquanto os eruditos adventistas
podem diferir de opinião a respeito de certos aspectos do evangelho, da mesma forma diferenças podem
ser encontradas entre os eruditos de outras denominações, há significativa unidade relativamente à
justificação pela fé somente. Nas palavras de teólogo adventista Hans LaRondelle:

 “Básico ao adventismo é o princípio do evangelho que a salvação humana não é pela lei e nem pelas obras
humanas, mas somente pela salvadora graça de Deus. ...a crença adventista aceita a Cristo como um
substituto e como um exemplo, nessa ordem irreversível. Fé em Cristo como nosso substituto diante de
Deus provê nossa justificação como um ato de declaração de Deus reputando como justo o pecador
arrependido. Justificação é vista como o oposto da condenação (ver Romanos 5:16; 8:1, 33, 34). A base
da justificação do crente não é sua observância da lei, mas a perfeita obediência de Cristo (Romanos
5:18,19).

 Indubitavelmente a justificação é primariamente uma declaração judicial de Deus de que o
pecador que crê em Cristo é justo. Isso é o oposto da condenação. Mas a fé pela qual somos justificados
não é meramente assentimento mental a uma determinada doutrina. É uma fé viva que se apropria de
Cristo e de seu sacrifício expiatório. Lutero diferenciou entre “fé adquirida” e “fé verdadeira”. Ele
escreveu: “Fé adquirida resulta de seu objetivo e uso da paixão de Cristo em mera especulação. A fé
verdadeira resulta de seu objetivo e uso da paixão em vida e salvação... A fé verdadeira abraça de
braços abertos o filho de Deus entregue por si e diz “eu sou do meu amado e o meu amado é meu” [vi]
 Ellen White de uma forma semelhante escreveu que “há milhares que crêem no evangelho e em
Jesus Cristo como redentor do mundo, mas eles não são salvos por essa fé. Isso é apenas um concordar
com o julgamento que virá em breve...” Ela chama isso de fé geral e a contrasta coma fé que se apega a
Cristo como o salvador que perdoa o pecado, uma fé que conduz ao arrependimento, “uma fé que faz uma
obra naquele que a recebe, uma fé no sacrifício expiatório, uma fé que atua pelo amor e que purifica a
alma” [vii] Ele clarifica adiante essa fé com as palavras: “o momento em que se exercita fé verdadeira na
expiação de Cristo, o aceitando como salvador pessoal é o momento no qual o pecador é justificado
perante Deus, pois é perdoado.” [viii]

 Algumas áreas alegadamente problemáticas no ensino adventista relacionado à justificação pela fé

 Os adventistas do sétimo dia não têm escapado de acusações de não crer no ensinamento bíblico
da justificação pela fé pela graça somente e através da fé. Anthony Hoekema em seu livro “As quatro
maiores seitas”, expressa sua convicção que os adventistas “apesar de dizerem ensinar a salvação
somente pela graça” eles são na verdade culpados de uma forma de legalismo misturado. [ix] Ele baseia
essa declaração no ensino adventista do juízo investigativo e em seu ensino a respeito da necessária
observância do sábado do sétimo dia, o verdadeiro dia do Senhor (especialmente na configuração
escatológica de Apocalipse 13:11-17). [x] Por essas e uma quantidade de outras razões ele classifica o
adventismo do sétimo dia como uma seita. Críticas similares têm sido levantadas por outras pessoas, e
não poucos são ex-adventistas. E nem todos concordam com os argumentos de Hoekema. É digno de nota
que o erudito evangélico Walter Martin em seu trabalho “o império das seitas” demonstra várias
inconsistências nas racionalizações de Hoekema. Apesar de o próprio Martin não concordar com certas
crenças dos adventistas, ele aceita como genuína a enfática afirmação deles: “a salvação vem tão
somente pela graça de Deus através da fé no sacrifício de Jesus Cristo sobre a cruz” [xi] É verdade que
os adventistas do sétimo dia acreditam que os 10 mandamentos, incluindo-se a santificação do sábado do
sétimo dia ainda estão vigentes sobre toda a humanidade, mas isso não significa que eles crêem em
qualquer sentido que pecadores possam ser justificados através da obediência aos mandamentos. Neste
aspecto a crença adventista concorda com a posição dos reformadores protestantes como afirmado, por
exemplo, na segunda confissão Helvética de 1566, que diz no capítulo 12, intitulado: A Lei de Deus

 Nós acreditamos que esta lei não foi dada aos homens que eles não podem ser justificados por guardá-la,
mas para que nos ensinasse qual (nossa) fraqueza, pecado e condenação, e, em desesperança diante de
nossa própria força, pudéssemos ser convertidos a Cristo em fé. Pois o apóstolo declara abertamente: "A
lei traz a ira", e "Pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm 4:15; 3:20), e "Se a lei tivesse sido dada e
pudesse justificar ou trazer vida, então a justiça seria de fato pela lei. Mas a Escritura (isto é, a lei)
encerrou todos sob o pecado, para que a promessa que era da fé em Jesus pudesse ser dada para aqueles
que acreditam .... Portanto, a lei nos serviu de aio para Cristo, para que pudéssemos ser justificados pela
fé "(Gal.3: 21 e ss.).

 O mesmo artigo, contudo, se inicia afirmando que “acreditamos que a vontade de Deus é explicada para
nós pela lei de Deus, o que Ele quer ou não o quer que nós façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e
injusto. Portanto, confessamos que a lei é boa e santa.” [xii] Os adventistas, aceitando tal ensinamento
como congruente com as Escrituras, crêem que a promessa da nova aliança do Senhor, como dada por
Jeremias e repetida em Hebreus 8:10 “... na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu
coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” Será cumprida na vida daqueles
que aceitam a Jesus como seu Senhor e Sumo sacerdote. Enquanto Paulo enfaticamente mantém “que o
homem é justificado pela fé separado das obras da lei” o que é verdade para judeus e para gentios, no
mesmo contexto afirma que através dessa fé nós não anulamos a lei, “antes confirmamos a lei” (Rom.
3:28 e 31). Em outro lugar ele coloca a afirma a mesma coisa com palavras diferentes: “circuncisão é
nada, e incircuncisão não é nada, guardar os mandamentos de Deus é o que conta” (1 Cor 7:19). Essa
obediência resulta da fé e amor de Cristo, implantado pelo Espírito Santo, “Pois em Cristo nem a
circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.” (Gál. 5:6). Jesus nas
palavras finais a seus discípulos antes d sua crucifixão, falou várias vezes sobre essa obediência nascida
do amor. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14:15). “Como o Pai me amou, também eu
vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor;
assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.” (Jo 15:9-
10). “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (Jo 15:14). Os adventistas crêem que é essa
obediência de amor a que Paulo se refere quando diz que “o cumprimento da lei é o amor” (Rom. 13:10).
 Enquanto os adventistas crêem que os cristãos são chamados “à obediência da fé” (Rom. 1:5) e
que nós fomos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, que preparou para nela andássemos” (Efésios
2:10). Eles rejeitam fortemente qualquer sugestão que tal obediência e tais boas obras sejam de
qualquer forma meritórias. O concílio de Trento em seu decreto sobre justificação diz que a justificação
aumenta “através da observância dos mandamentos de Deus e da igreja, com a fé cooperando com as
boas obras;” ensina também o mérito das boas obras como fruto da justificação.[xiii] Seu cânon sobre
justificação pronunciou essa condenação a qualquer um que dissesse que “a justiça recebida não é
preservada e também não é aumentada diante de Deus através das boas obras, mas que essas obras são
meramente os frutos e sinais da justificação, mas sua causa ou o aperfeiçoamento da justificação, que
seja anátema.” Outro anátema condenou qualquer pessoa que dissesse “que as boas obras daqueles que é
justificado são de tal forma um dom de Deus que elas não constituem méritos benignos pertencentes ao
justificado.” [xiv] Em outras palavras, a justificação é aumentada (aperfeiçoada) pela obediência e pelas
boas obras, as boas obras não são apenas dons da graça de Deus, mas méritos daqueles que foram
justificados. Essa crença foi confirmada no catecismo da igreja católica romana, publicado com a benção
papal de João Paulo Segundo. [xv] O catecismo também confirmou a posição do concílio de Trento que
“justificação não é apenas remissão de pecados, mas também santificação e renovação do homem
interior” [xvi] Essa visão de justificação foi e ainda é enfaticamente rejeitada por qualquer protestante
consistente, incluindo-se os adventistas do sétimo dia.
 Que esse tópico é relevante no século 21 tanto quanto foi no século 16 é evidente a partir do
fato que Francis Beckwith, que era o presidente da sociedade teológica evangélica, no último mês de
maio, rejeitou a presidência e qualquer participação como membro dessa sociedade depois que em abril
voltou ao catolicismo (a igreja na qual havia crescido). De acordo com a revista Christianity
Today Beckwith mudou sua visão sobre justificação por que achou que “a visão protestante, que afirma
que a santificação segue a justificação, é inadequada” [xvii] Beckwith se convenceu que a visão católica
de justificação “tem maior poder explanatório tanto para o texto bíblico assim como para o
entendimento histórico da salvação anterior a reforma, até à igreja do primeiro século”[xviii] Isso
enfatiza a importância máxima e a centralidade da doutrina da justificação pela fé para todos aqueles
que aceitam o princípio Sola Scriptura. De acordo com o editorial de Christianity Today os reformadores
“acertadamente ensinaram que somente os méritos de Jesus eram relevantes diante de Deus e que
apenas através da fé que esse mérito pode ser nosso” [xix]Os adventistas concordam com isso de todo o
coração.
 A partir da discussão precedente deveria estar claro os adventistas do sétimo dia acreditam que
guardar os mandamentos, inclusive o sábado do sétimo dia da semana, é visto como parte da obediência
da fé. É fruto da justificação, e nunca a raiz ou fonte da justificação. Cristo refere-se a si mesmo como
Senhor do Sábado (Mc 2:28), obviamente não ara abolir o sábado, mas para que todos que são
justificados pela fé sigam seu Senhor guardando o sábado como um memorial da criação assim como um
sinal de sua libertação da escravidão do pecado através de Cristo (Ex 20: 8-11; 31: 12-17; Dt 5: 12-15; Ez
20: 12, 20). Não há nenhum traço de legalismo em tal observância do sábado.
 Se nossa justificação é somente através da graça mediante a fé, a obediência da fé tem alguma
coisa que ver com nossa salvação? Ou para colocar a questão de forma diferente: Os nossos
pensamentos, palavras e ações tomam parte em determinar nosso destino eterno? Essas são questões
cruciais e que estão intimamente relacionadas à questão do juízo final. As Escrituras falam muita coisa a
respeito do juízo final, e se vê isso nos ensinamentos de nosso Senhor preservados nos Evangelhos.
Jesus disse: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do
Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” Mateus
12:36-37 Aqui nosso Senhor fala de justificação e condenação (as declarações judiciais de inocência ou
culpa) no contexto do dia do julgamento. Obviamente, há um aspecto escatológico na justificação. Os
adventistas acreditam baseados nas Escrituras que o dia do juízo é um conceito bastante compreensível
e muita literatura adventista a respeito desse tema já foi publicada. [xx] É suficiente dizer que eles
sustentam que o julgamento deve ser distinguido em investigativo e executivo. É a crença adventista em
um juízo investigativo que leva à acusação de que eles não acreditam realmente nos princípios da reforma
de Sola fide, Sola gratia (só fé e só graça). Em nossa conclusão vamos dar uma olhada nessa questão.
 Em Romanos 8:1 Paulo nos diz que “não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo
Jesus.” Anteriormente ele afirmou que “justificados pois pela fé, temos paz com Deus através de nosso
Senhor Jesus Cristo” (Rom. 5:1). Tudo isso são realidades presentes. Em outro lugar está escrito:
“Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe
pertencem.” (2 Tim. 2:19). Às vezes é argumentado que tais textos mostram que aqueles que estão em
Cristo não necessitam ser julgados e que o conceito de juízo investigativo não é bíblico, pois tira a
certeza da salvação aos crentes. Contudo esse tipo de racionalização ignora o claríssimo ensino das
Escrituras de que todos serão julgados. O apóstolo Paulo é muito enfático nessa questão: “Pois todos
compareceremos perante o tribunal de Deus... Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a
Deus.” (Romanos 14:14 e 12). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo,
para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” (2 Cor 5:10).
 Outras passagens das Escrituras poderiam ser acrescentadas. Salomão escreveu no fim de sua vida: “De
tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever
de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer
sejam boas, quer sejam más.” (Ecl. 12:13-14). O apóstolo Pedro nos informa que o julgamento começará
pela família de Deus. Todos que de alguma forma professaram fé em Deus e em Cristo serão julgados
antes ”daqueles que não obedecem o evangelho de Deus” (1 Pe 4:17). Essas afirmações destroem a
segurança da justificação?
 A resposta óbvia a essa questão é: “Não! Se permanecermos em Cristo” Na parábola da vinha e dos ramos
é sublinhado um fato de crucial importância sobre permanecer nele. “Eu sou a vinha, vós sois os ramos.
Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jô 15:5).
Ele acrescenta que se alguém não permanecer nele será semelhante a um ramo seco que será lançado
fora e queimado (verso 6). O julgamento final trará a luz àqueles que permaneceram em Cristo e aqueles
que não. Será manifesto se nossa fé em Cristo produziu fruto na obediência da fé ou se foi uma fé
estéril (Tiago 2:17, 26). Trará a luz à presença de todo universo quem manteve a fé em Cristo e quem se
perdeu diante do caminho, da verdade e da vida. A segurança de Paulo de ter vida eterna é enraizada no
fato de que ele “guardou a fé” (2 Tim.4:7). Sua fé em Cristo como seu Salvador e Senhor, o justo juiz de
quem ele receberia a coroa da justiça. LaRondelle destaca a relação entre a presente justificação dos
crentes e e sua justificação no juízo final.
 “Paulo baseou nossa certeza de salvação futura na realidade de nossa presente salvação. A certeza de
nossa futura justificação na realidade de nossa presente justificação. “Logo, muito mais agora, sendo
justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:9; ver também verso 17). Em
outras palavras, quando Jesus nos justifica, nós temos plena certeza de que seremos justificados no
julgamento final se permanecermos nele.” [xxi]
 De uma forma diferente, P. T. O’Brien, que contribuiu com o livro “Justo com Deus”, também destaca a
relação entre justificação pela fé e julgamento de acordo com as obras. Ele deixa claro, entretanto, que
“A base da justificação não está nas obras, nem na fé, mas na “revelação da graça de Deus abraçada pela
fé”. As obras são indispensáveis, pois demonstram a presença da verdadeira fé e são evidências de
alguém estar unido com Cristo em sua morte e ressurreição.” [xxii]
 Os adventistas concordam e acreditam que o julgamento, tanto investigativo quanto executivo, é uma boa
nova para todos que, como Paulo, pela graça de Deus mantém a fé, fé em Jesus.

 Notas

 [i] Lutherans & Adventists in Conversation: Report and Papers Presented 1994-1998 (Silver Springs,
Maryland: General Conference of Seventh-day Adventists; Geneva, Switzerland: The Lutheran World
Federation, 2000), 8.
 [ii] Thomas C. Oden, The Justification Reader (Grand Rapids, Michigan; Cambridge, United Kingdom:
William B. Eerdmans Publishing Co., 2002), 162.
 [iii] Edmund P. Clowney, “The Biblical Doctrine of Justification by Faith,” in Right With God:
Justification in the Bible and the World, ed. D.A. Carson, Published on behalf of the World Evangelical
Fellowship (Paternoster Press; Baker Book House, 1992), 24; cf. page 23, “Indeed, it is the great
question for the whole Old Testament.”
 [iv] Ellen G. White, Gospel Workers (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Assn., 1915), 156;
Idem, Manuscript Releases,Volume 9 (Silver Springs, Maryland: E.G. White Estate, 1990), 294.
 [v] George R. Knight, Walking With Paul Through the Book of Romans(Hagerstown, Maryland: Review and
Herald Publishing Assn., 2002).
 [vi] Luther on Justification (St. Louis, Missouri: Concordia Publishing House, 1975), 30.
 [vii] Ellen G. White, “Justified by Faith,” in Manuscript Releases, Volume 8 (Silver Springs, Maryland:
E.G. White Estate, 1990), 356.
 [viii] Ibid., 357.
 [ix] Anthony A. Hoekema, The Four Major Cults (Exeter, United Kingdom: Paternoster Press, 1969), 126.
 [x] Ibid., 126-128.
 [xi] Walter Martin, The Kingdom of the Cults (Minneapolis, Minnesota: Bethany House Publishers, 1985),
435.
 [xii] Arthur C. Cochrane, ed., Reformed Confessions of the 16th Century (Philadelphia: Westminster
Press, 1966), 247.
 [xiii] H. J. Schroeder, trans., Canons and Decrees of the Council of Trent (Rockford, Illinois: Tan Books
and Publishers, 1978), 36 and 40-42.
 [xiv] Ibid., 45 (Canon 24) and 46 (Canon 32).
 [xv] Catechism of the Catholic Church (Mahwah, New Jersey: Paulist Press, 1994), 487, paragraph 2010.
 [xvi] Catechism of the Catholic Church, 482, paragraph 1989.
 [xvii] Editorial, “Virtue That Counts: Why Justification by Faith Alone Is Still Our Defining
Doctrine,” Christianity Today, July 2007, 20.
 [xviii] Collin Hansen, “Leaving for Rome,” Christianity Today, July 2007, 14.
 [xix] Editorial, “Virtue That Counts,” Christianity Today, July 2007, 20.
 [xx] See for instance Roy Gane, Who’s Afraid of the Judgment?(Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing
Association, 2006); Gerhard F. Hasel, “Divine Judgment” in Handbook of Seventh-day Adventist
Theology, Commentary Reference Series, Vol. 12, ed. Raoul Dederen (Hagerstown, Maryland: Review and
Herald Publishing Association, 2000), 815-856; Frank B. Holbrook, The Atoning Priesthood of Jesus
Christ (Berrien Springs, Michigan: Adventist Theological Society Publications, 1996).
 [xxi] Hans K. LaRondelle, Assurance of Salvation (Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association,
1999), 99. Herman Ridderbos succinctly discusses the subject, “Judgment According to Works,” in his
excellent book Paul: An Outline of His Theology, trans. John Richard De Witt (Grand Rapids, Michigan:
William B. Eerdmans Publishing Company, 1975), 178-181.
 [xxii] P. T. O’Brien, “Justification in Paul and Some Crucial Issues of the Last Two Decades,” in Right
With God: Justification in the Bible and the World, ed. D. A. Carson, Published on behalf of the World
Evangelical Fellowship (Paternoster Press; Baker Book House, 1992), 94. The quotation within the
quotation is taken from Paul: An Outline of His Theology, 180.