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Curso de Fitoterapia Médica

Farmácia da Natureza e Centro Médico de Ribeirão Preto

Capítulo 1
Introdução à Fitoterapia

Caso clínico
Mulher de 55 anos, história de leucemia submetida a transplante de medula
óssea há 10 anos; episódio de herpes zoster disseminado; evoluiu com neuralgia
pós-herpética. Já usou anti-inflamatórios, aciclovir, corticosteroides sistêmicos e
locais, analgésicos potentes, sem melhora do quadro.
Como você poderia ajudar essa paciente?

Histórico
Fitoterapia é o estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das
doenças (Ferro, 2008).
O uso de plantas medicinais e seus derivados para o tratamento das doenças
remonta às origens da humanidade. Há relatos do uso de plantas medicinais, na
Babilônia, por volta do ano 3000 a.C. Por volta de 2000 a.C. foi produzida a Matéria
Médica Chinesa.
Por volta de 500 a.C. viveu Hipócrates (460–377 a.C.). Considerado o “Pai
da Medicina,” conhecia profundamente a botânica e o uso medicinal de centenas de
espécies de plantas aromáticas. Cita, em suas obras, mais de 400 plantas, entre
elas: papoula, alecrim, sálvia e artemísia. Fundamentou a sua prática e a sua forma
de compreender o organismo humano, incluindo a personalidade, na teoria dos
quatro humores corporais (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra), e afirmava
que de acordo com os estados da mente, ou o ser entra em equilíbrio (eucrasia),
ou em doença e dor (discrasia).
Teofrasto, considerado “pai da botânica moderna” (370–285 a.C.), era grego
e estudou com Platão, em Atenas, e depois com Aristóteles. Escreveu Historia

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Plantarum, a obra de botânica mais antiga que se conhece. A sua influência sobre
os estudos das plantas se estendeu por 1800 anos. Historia Plantarum descreve um
grande número de plantas, incluindo uma descrição do local onde vegetavam,
germinação das sementes e respectivo uso na medicina e na preparação de
perfumes.
Galeno, (129–200 d.C.), foi um dos mais famosos médicos gregos. Ele
conhecia e estudava as plantas medicinais e seus poderes curativos. Em sua obra
De Simplicibus descrevia com detalhes cada planta medicinal.
A cultura, nos primeiros séculos da Alta Idade Média (V–X), sofreu um
retrocesso em termos civilizatórios. A produção intelectual foi cercada pela
ignorância e desprezo pela vida terrena. Durante este tempo, os indivíduos que
sabiam como usar as plantas medicinais começaram a ser perseguidos e acusados
de bruxaria e pacto com o demônio. O conhecimento sobre a utilização das plantas
medicinais só sobreviveu aos dias atuais dentro dos monastérios, onde os monges
copiavam à mão os livros da antiguidade. Os monastérios dos beneditinos
monopolizaram a cultura e distribuição de ervas aromáticas durante a Idade das
Trevas na Europa. Esta situação durou até o fim do século XIX. A partir do
Renascimento (1464–1534), novas luzes foram lançadas sobre a humanidade. Os
armazéns de especiarias passaram a ser conhecidos como boticas e, seus
proprietários, como boticários. Eram esses boticários que deram origem às
“matérias médicas.”
Carolus Linnaeus (1707–1778), naturalista sueco, “pai da taxonomia
botânica,” em suas obras Espécies Plantarum (1758) estabelece o ponto de partida
da nomenclatura moderna das plantas, baseado nos caracteres sexuais das flores; e
na obra Genera Plantarum (1764), amplia esse conhecimento.
No final do século XVIII e início do século XIX a química se estabelece como
uma disciplina científica e os químicos que estudavam as plantas medicinais, a partir
de recursos extremamente limitados, dedicaram-se a isolar compostos ativos de
plantas consagradas pelo uso medicinal. Princípios ativos começam a ser isolados a
partir de espécies vegetais. Em 1806, Serturner isola a morfina a partir da espécie
Papaver somniferum L. (papoula). Em 1818, Pelletier e Caventou isolam a
estricnina a partir da espécie Strychnos nux-vomica L. (noz-vômica). Já em 1831,

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Mein isola a atropina a partir da Atropa belladona L. (beladona). Mas foi somente
em 1897 que o primeiro fármaco foi produzido. A partir da espécie Salix alba L.
(salgueiro), usada medicinalmente há mais de 6000 anos, a substância salicina é
convertida em ácido salicílico e depois em ácido acetil-salicílico (AAS) pela
empresa Bayer®, tornando-se sucesso de vendas no mundo todo (DerMarderosian
& Beutler, 2011).
Fleming, em 1928, isola a penicilina a partir de um micro-organismo, dando
início à era dos antibióticos, que vai do início do século XX até meados da década de
1970. Este período foi marcado pela síntese de medicamentos a partir de correlação
estrutura-atividade. A partir da espécie Erythroxylum coca Lam. (coca), foram
sintetizadas, em 1904–1905, os anestésicos locais derivados da cocaína.
Após a segunda guerra mundial, surgem os anti-histamínicos,
antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos e anti-inflamatórios sintéticos.
Assim consolida-se o paradigma ocidental da terapêutica: o fármaco é uma molécula
pura, geralmente oriunda de síntese, cujo modelo foi a aspirina. É o advento da
Indústria Farmacêutica, cujas consequências foram:
• Redução do uso de derivados vegetais como medicamentos;
• Monoterapia para o tratamento de doenças complexas;
• Desenvolvimento de drogas sintéticas;
• Quebra da conexão entre plantas e saúde humana.
Sem dúvida, os avanços na ciência proporcionaram aumento significativo da
saúde e longevidade da população e, como resultado, a Fitoterapia passou a ser
associada a curandeirismo, charlatanismo, práticas primitivas, engodo, misticismo, e
até mesmo uma “medicina para quem não tem acesso à ‘verdadeira Medicina.’ ”
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 70–95% da
população mundial faça uso de práticas de medicina tradicional, incluindo a
fitoterapia, como única forma de terapia (WHO, 2013). O conhecimento tradicional
sobreviveu através dos curandeiros e raizeiros que, com suas garrafadas, levaram
alívio a incontável número de pessoas desassistidas pela medicina moderna.
Por todas essas razões, há dificuldades de aceitação da fitoterapia pela
comunidade médica (Robinson & Zhang, 2011; Sardesai, 2002). De fato, desde a

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primeira edição da Farmacopeia Brasileira, o número de plantas medicinais foi


reduzido a quase zero (Figura 1), só voltando a crescer a partir deste século.

300
Número de plantas medicinais

250

200

150

100

50

0
1ª 2ª 3ª 4ª 5ª
Edição

Figura 1. Número de plantas medicinais descritas em todas as edições da


Farmacopeia Brasileira.

Reconhecendo a importância das práticas tradicionais na atenção à saúde


das pessoas, desde a Declaração de Alma-Ata, em 1978, a OMS tem destacado a
necessidade de se valorizar a utilização de plantas medicinais no âmbito terapêutico.
O uso de medicamentos fitoterápicos com finalidade profilática, curativa, paliativa ou
para fins de diagnóstico, passou a ser oficialmente reconhecido pela OMS, que
recomendou a difusão, em nível mundial, dos conhecimentos necessários para o seu
uso.
No Brasil, foi somente em 1981 que o Ministério da Saúde começou a adotar
as plantas medicinais como prioridade (Portaria Nº 212, de 11 de setembro de 1981).
Em 1982, algumas plantas medicinais foram incluídas na lista da Central de
Medicamentos (CEME), por intermédio do Programa de Pesquisa de Plantas

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Medicinais (PPPM), que objetivava o desenvolvimento de uma terapêutica


alternativa e complementar, com embasamento científico, através do
estabelecimento de medicamentos originados a partir de determinação do real valor
farmacológico de preparações de uso popular à base de plantas medicinais.
Em 1987, a Resolução 40.33 da 40ª Assembleia Mundial de Saúde, reiterou
os principais pontos das resoluções anteriores e das recomendações feitas pela
Conferência Internacional de Cuidados Primários em Saúde (Alma-Ata, 1978) e
recomendou enfaticamente aos Estados-membros:
1. Iniciar programas amplos, relativos à identificação, avaliação, preparo,
cultivo e conservação de plantas usadas em medicina tradicional;
2. Assegurar a qualidade das drogas derivadas de medicamentos
tradicionais, extraídas de plantas, pelo uso de técnicas modernas e
aplicações de padrões apropriados e de boas práticas de fabricação
(BPF).
Em 1988, a Resolução CIPLAN Nº 08/88 regulamenta a implantação da
fitoterapia nos Serviços de Saúde, nas Unidades Federadas. Já em 1991, o Parecer
Nº 06/91 do Conselho Federal de Medicina reconhece “a atividade de fitoterapia
desenvolvida sob a supervisão de profissional médico, é prática reconhecida pelo
Ministério da Saúde.”
O reconhecimento da fitoterapia como recurso terapêutico pelo Conselho
Federal de Medicina (CFM) só ocorreu mais tarde (PROCESSO-CONSULTA CFM
N.º 1301/91 – PC/CFM/Nº 04/1992). Naquele ano, o CFM reconhece a existência da
Acupuntura e da Fitoterapia como métodos terapêuticos, podendo ser usados por
diversas especialidades médicas. Necessitam de indicação médica por pressupor a
elaboração de diagnóstico e avaliação da indicação de técnicas convencionais,
podendo ser executadas por médicos ou técnicos habilitados sob prescrição e
supervisão médica. Além disso, como método terapêutico, deve ter a rigorosa
supervisão do Estado, por meio da Divisão de Vigilância Sanitária. Estabelecia ainda
que a formação de recursos humanos necessita de regulamentação, devendo seguir
os parâmetros éticos existentes.
Em 1998 é criada a Sub-Comissão Nacional de Assessoramento em
Fitoterápicos (CONAFIT), que teve como atribuições:

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1. Assessorar a Secretaria de Vigilância Sanitária – SVS, nos assuntos


científicos, técnicos e normativos envolvidos na apreciação da eficácia
e segurança do uso de produtos fitoterápicos;
2. Manifestar-se sobre questões relacionadas a farmacovigilância e ao
desenvolvimento de pesquisas clínicas na área de fitoterápicos;
3. Subsidiar a SVS na realização de eventos técnico-científicos, do
interesse dos trabalhos da Comissão e que concorram para a ampla
divulgação de conhecimentos e informações pertinentes ao controle
sanitário desses agentes.
Foi somente no século XXI que a legislação brasileira começou a avançar de
maneira significativa na área dos fitoterápicos. Em 2004, foram publicadas a RE nº
90 (Guia para a realização de estudos de toxicidade pré-clínica de fitoterápicos) e a
RDC nº 48 (Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos). Em 2006, foi
criada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)
(BRASIL, 2006b), que incluía a fitoterapia, e em 2008 foi criada a Política Nacional
de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) (BRASIL, 2006a), e publicada a
Instrução Normativa (IN) nº 5 (BRASIL, 2008), que regulamentava as 36 espécies
de plantas medicinais de registro simplificado junto à ANVISA. Em 2009, foi
publicada a RENISUS – Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao
SUS, que listava 71 espécies de especial interesse do SUS para uso medicinal. Em
2010, a ANVISA publicou a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 10
(BRASIL, 2010c), que regulamentava a comercialização de drogas vegetais de
venda isenta de prescrição médica destinados ao consumidor final. De acordo com
essa resolução, a droga vegetal seria destinada ao uso episódico, oral ou tópico,
para o alívio sintomático, devendo ser disponibilizadas exclusivamente na forma de
droga vegetal para o preparo de infusões, decocções e macerações (66 plantas). No
mesmo ano, a RDC nº 14 dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos, a
RDC nº 17 dispõe sobre as Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, e a
Portaria nº 886 (MS) institui a Farmácia Viva no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Paralelamente, a OMS lançava uma série de publicações que embasavam e
estimulavam a produção e utilização de fitoterápicos, como o WHO Traditional

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Medicine Strategy (2002–2005) (WHO, 2002), o WHO Guidelines on good


agricultural and collection practices (GACP) for medicinal plants (2003) (WHO,
2003), as WHO Monographs on selected medicinal plants (4 volumes, 2004–2009)
(WHO, 1999a, 1999b, 2007c, 2009), o WHO Guidelines for assessing quality of
herbal medicines with reference to contaminants and residues (2007) (WHO, 2007a),
o WHO Guidelines on good manufacturing practices (GMP) for herbal medicines
(2007) (WHO, 2007b), entre outros.

Legislação brasileira atual


Em 2011, foi lançada a 5a edição da Farmacopeia Brasileira (BRASIL,
2010a, 2010b), que trazia descrição de 52 plantas medicinais, na forma de droga
vegetal. No ano seguinte, foi publicado a 1a edição do Formulário Fitoterápico da
Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2011), descrevendo 54 plantas medicinais, na
forma de droga vegetal, tintura, gel, pomada, creme, xarope e sabonete.
No ano de 2014, com a publicação da RDC Nº 26, de 13 de maio de 2014
(BRASIL, 2014c), e da IN Nº 4, de 18 de junho de 2014 (BRASIL, 2014b), o Brasil
passa a ter dois tipos de produtos com finalidade medicinal derivados de plantas: o
medicamento fitoterápico (MF) e o produto tradicional fitoterápico (PTF).
Medicamentos fitoterápicos (MF) são definidos na legislação brasileira atual
como medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais. Eles são obtidos
empregando-se exclusivamente derivados de droga vegetal (extrato, tintura, óleo,
cera, exsudato, suco, e outros). São considerados MF os obtidos com emprego
exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia sejam
baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de sua
qualidade (BRASIL, 2014c).
São considerados produtos tradicionais fitoterápicos (PTF) os obtidos com
emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e efetividade
sejam baseadas em dados de uso seguro e efetivo publicados na literatura técnico-
científica e que sejam concebidos para serem utilizados sem a vigilância de um
médico para fins de diagnóstico, de prescrição ou de monitorização. Os produtos
tradicionais fitoterápicos não podem se referir a doenças, distúrbios, condições ou
ações consideradas graves, não podem conter matérias-primas em concentração de

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risco tóxico conhecido e não devem ser administrados pelas vias injetável e
oftálmica (BRASIL, 2014c). De acordo com a RDC nº 13/2013 (BRASIL, 2013), o
PTF é “aquele obtido com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais,
cuja segurança seja baseada por meio da tradicionalidade de uso e que seja
caracterizado pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade.”
Não se considera MF ou PTF aquele que inclua na sua composição
substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas, sejam elas sintéticas,
semissintéticas ou naturais e nem as associações dessas com outros extratos,
sejam eles vegetais ou de outras fontes, como a animal.
As principais diferenças entre MF e PTF estão listadas na Tabela 1.

Tabela 1. Principais diferenças entre medicamento fitoterápico e produto tradicional


fitoterápico.
Medicamento Produto Tradicional
Fitoterápico (MF) Fitoterápico (PTF)
Segurança e eficácia Estudos clínicos Tradicionalidade de uso

Boas práticas de fabricação RDC 17/2010 RDC 13/2013

Informações ao consumidor Bula Folheto informativo


final
Autorização junto à ANVISA Registro e Registro Registro, Registro
simplificado simplificado e Notificação
Controle de qualidade SIM SIM

Controle do Insumo SIM SIM


Farmacêutico Ativo (IFA) de
origem vegetal

A principal característica dos MF e PTF é a presença do fitocomplexo.


Denomina-se fitocomplexo ao conjunto de substâncias originadas no metabolismo
primário e/ou secundário responsáveis em conjunto, pelos efeitos biológicos de uma
planta medicinal ou de seus derivados (BRASIL, 2010d).

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Conforme previsto no Art. 22 do Decreto no 8.077, de 14 de agosto de


2013, as plantas medicinais sob a forma de droga vegetal, doravante denominadas
chás medicinais, serão dispensadas de registro, devendo ser notificadas na
categoria de PTF. Os chás medicinais notificados não podem conter excipientes em
suas formulações, sendo constituídos apenas de drogas vegetais.
Por fim, a IN Nº 2, de 13 de maio de 2014 (BRASIL, 2014a), substitui a IN
nº 5 de 2008, e publica nova lista de plantas medicinais de registro simplificado,
tanto na forma de MF quando de PTF. Assim, o Brasil termina o ano de 2014 com
uma das mais modernas legislações sobre fitoterapia do mundo.

Nomenclatura botânica
Nomenclatura botânica é a nominação científica e formal das plantas. Tem
uma longa história, com início no período em que o latim era a língua científica da
Europa, ou quiçá até ao tempo de Teofrasto. O evento-chave foi a adoção dos
nomes binários para as espécies de plantas por Lineu na sua obra Species
Plantarum (1753). Ele deu a cada espécie de planta um nome que permanecia igual
independentemente de quais outras espécies fossem colocadas no gênero,
separando assim a taxonomia da nomenclatura. Estes nomes de espécies de Lineu
em conjunto com nomes de outros táxons de ordem superior, particularmente os das
famílias (não utilizados por Lineu), podem servir para exprimir uma grande
diversidade de pontos de vista taxonômicos.
Os nomes formais da maioria destes organismos são governados pelo Código
Internacional de Nomenclatura Botânica, ainda hoje. Um código separado foi
adotado para governar a nomenclatura das bactérias, o ICNB.
Os nomes são dados em latim para que haja mínima variação com o passar
do tempo. Os nomes são compostos pelo nome do gênero (com inicial maiúscula,
em itálico), seguido da espécie (em itálico), seguidos pela variedade (se houver),
seguidos pelo nome da autoridade classificadora, ou seja, da pessoa que nomeou a
espécie. Exemplos encontram-se na Tabela 2.

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Tabela 2. Exemplos de nomenclatura botânica.


Nomenclatura Nome Gênero Espécie Classificador
popular
Curcuma longa L. Açafrão- Curcuma C. longa Linnaeus, Carl (1707-
da-terra 1778)
Pyrostegia Flor-de- Pyrostegia P. venusta Miers, John (1789-
venusta Miers São-João 1879)
Achyrocline Macela Achyrocline A. Candolle, Augustin
satureioides DC. satureioides Pyramus de (1778-
1841)

Metabolismo vegetal
Os compostos químicos presentes nas plantas podem ser derivados do
metabolismo primário ou secundário.
Metabolismo vegetal primário. Conjunto de processos metabólicos que
desempenham uma função essencial no vegetal (fotossíntese, a respiração e o
transporte de solutos). Possui distribuição universal e engloba proteínas,
carboidratos, lipídeos e ácidos nucleicos.
Metabolismo vegetal secundário. Conjunto de processos metabólicos que
desempenham funções específicas em cada espécie ou conjunto de espécies
vegetais (defesa, competição, comunicação, reprodução). Não possui distribuição
universal, podendo ser distinto entre as espécies. Desempenha papel importante na
interação das plantas com o meio ambiente e engloba compostos fenólicos, ácidos
orgânicos, terpenos, alcaloides, entre outros (Figura 2, Tabela 3). O metabolismo
vegetal secundário é extremamente influenciado por fatores externos como
mudanças de temperatura, conteúdo de água, níveis de luz, exposição a UV e
deficiência de nutrientes minerais.

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Figura 2. Metabolismo secundário dos vegetais. (Fonte:


http://www.geocities.ws/plantastoxicas/rota-metabolica.html).

Tabela 3. Principais classes de moléculas presentes no metabolismo vegetal


secundário.
• Ácidos orgânicos • Óleos essenciais
• Alcaloides • Saponinas
• Compostos fenólicos • Taninos
• Compostos inorgânicos • Substâncias amargas
• Cumarinas • Compostos sulfurados
• Flavonoides • Lignanas
• Glicosídeos cardiotônicos • Gomas
• Antraquinonas • Glucoquininas
• Mucilagens

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Compostos isolados versus extratos vegetais


Geralmente plantas medicinais são pesquisadas com o intuito de identificar
uma substância química responsável pela atividade terapêutica (Williamson, 2001).
Entretanto, esta atividade pode ser resultante da combinação de vários compostos, e
o processo de isolamento ou purificação leva a redução ou perda da efetividade
(Raskin & Ripoll, 2004). De fato, já é sabido que ocasionalmente esta mistura de
compostos de uma planta medicinal, chamado de fitocomplexo, possui atividade
mais intensa ou importante do que compostos isolados (Cravotto, Boffa, Genzini, &
Garella, 2010; Gomez Castellanos, Prieto, & Heinrich, 2009; Schmidt et al., 2008). As
possíveis explicações para este fato incluem sinergismo, melhor biodisponibilidade,
efeitos cumulativos, ou simplesmente as propriedades somadas dos constituintes
(Williamson, 2001). Podem ocorrer exointerações (interações com substâncias não
presentes no extrato vegetal) ou endointerações (interações entre substâncias
presentes no extrato vegetal). De fato, endointerações já foram demonstradas em
tomates, β-caroteno, brócolis, soja (Glycine max), flor-de-São-João (Hypericum
perforatum) e cranberries (Vaccinium macrocarpon) (Lila & Raskin, 2005). Um bom
exemplo encontra-se no estudo de Capasso et al, que mostra que um extrato
padronizado de Cannabis sativa (maconha) é superior ao canabidiol, seu principal
constituinte, na inibição da contratilidade vesical em ratos e seres humanos
(Capasso et al., 2011).

Fitocomplexo: uma abordagem em múltiplos alvos


A medicina moderna advoga que o medicamento ideal deve agir em um alvo
específico e único, como uma enzima ou um receptor. Estudantes de medicina são
ensinados a usar esta “abordagem com bala de prata” (Williamson, 2001), pois seria
mais elegante e correta. Esta abordagem tem sido encorajada pela indústria
farmacêutica porque é muito mais simples estudar a farmacocinética, a
farmacodinâmica, os mecanismos de ação, as interações e os efeitos adversos de
uma molécula isolada. Além disto, a probabilidade de uma reação alérgica é
potencialmente menor.
A abordagem fitoterápica tem sido descrita como uma “metralhadora,” em
virtude do grande número de compostos químicos presentes nos extratos vegetais

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Farmácia da Natureza

(Williamson, 2001). Em nossa opinião, esta é a grande vantagem dos fitoterápicos.


Doenças complexas, com etiologia multifatorial, ou com elevados índices de
resistência ou falha terapêutica, ou ainda com respostas variáveis ao tratamento,
são geralmente tratadas usando combinações de diferentes drogas. Exemplos
incluem a hipertensão arterial sistêmica, aterosclerose, diabetes mellitus tipo 2,
tuberculose, câncer, infecções por micro-organismos multirresistentes, insuficiência
cardíaca e choque séptico. Seria então razoável supor que uma mistura de
compostos químicos teria maior atividade biológica do que uma molécula única, pois
poderia atingir múltiplos alvos (Schmidt et al., 2008).
Outra vantagem do fitocomplexo é que cada um dos compostos está em
concentração muito menor do que seria necessário se a substância fosse isolada.
Isto contribui para menor risco de toxicidade (Figura 3).

da de
i
T oxic
Potência

Isolamento e purificação

Figura 3. Aumento da toxicidade e redução da potencia em função do isolamento e


purificação dos compostos. Adaptado de (Cravotto et al., 2010; Gomez Castellanos
et al., 2009; Raskin & Ripoll, 2004).

Podemos listar alguns exemplos de situações em que o uso do fitocomplexo é


superior ao uso das substâncias isoladas:

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• Tomate x licopeno. Diversos estudos comprovam que ingerir tomates


frescos e seus derivados (como molho de tomate) traz reduz mais o
risco de câncer de próstata do que ingerir o licopeno isoladamente (Lila
& Raskin, 2005).
• Cannabis sativa x canabidiol. A ingestão de extratos derivados da
maconha (Cannabis sativa) é superior à ingestão de canabidiol em
vários modelos animais e em humanos (Williamson, 2001).
• Hypericum perforatum x hipericina. A ingestão de extratos
padronizados de Hypericum perforatum (flor-de-São-João) é superior à
ingestão de hipericina no tratamento da depressão em humanos
(Williamson, 2001).

Sinergismo natural
Os vegetais possuem combinações de moléculas que foram aperfeiçoadas
por milhares de anos para desempenharem determinadas funções biológicas. Essas
combinações contêm moléculas com diversas atividades biológicas que
desempenham funções complementares (Koehn & Carter, 2005; Lila & Raskin,
2005). Os produtos naturais diferem significativamente das drogas sintéticas na
frequência de diferentes átomos, radicais e configurações espaciais (Koehn &
Carter, 2005). Elas contêm menos nitrogênio, fósforo, enxofre e halogênios, e
possuem maior complexidade molecular, riqueza estereoquímica, diversidade de
anéis e carboidratos (Schmidt et al., 2008). Além disto, derivados vegetais têm a
capacidade de modular ou inibir interações proteína-proteína, podendo modular
processos celulares como a resposta imune, sinalizações, mitose e apoptose (Koehn
& Carter, 2005).

Aceitação da fitoterapia pela comunidade médica e científica


A fitoterapia não tem sido bem aceita pela comunidade médica em geral e
pela indústria farmacêutica porque existe uma crença de que não são eficazes nem
seguros (Carmona & Pereira, 2013). Além disso, existe preocupação em relação a
legislação, padronização e controle de qualidade, identificação correta das espécies,
entre outros (Houghton, 1998; Raskin & Ripoll, 2004).

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Falta de efeito
Existe uma crença comum de que, nos medicamentos fitoterápicos, a
quantidade de constituintes com atividade biológica seja muito pequena para que
haja efeito terapêutico. É por isto que muitos céticos afirmam que fitoterápicos não
passam de placebo. Felizmente isto não é verdadeiro (Williamson, 2001). Em um
relatório recente da American Association of Poison Control Center (AAPCC), com
dados de 1983 a 2009, nos EUA, mais de dois milhões de ingestões acidentais de
plantas foram relatados, e somente 18,5% desses episódios puderam ser
categorizados como não tóxicos. A maioria dos casos apresentava efeito irritante
gastrointestinal ou da pele, anticolinérgico, alucinógeno, depressor ou estimulante.
Além disso, esses episódios resultaram em 45 mortes (Krenzelok & Mrvos, 2011).
Estes achados demonstram que a ingestão de plantas ou extratos vegetais pode
resultar em efeito terapêutico.

Falta de legislação
As indicações e a posologia de produtos de origem vegetal varia entre as
nações e continentes, de acordo com aspectos culturais e socioeconômicos. Desde
2004, medicamentos fitoterápicos são regulados pelo FDA nos EUA, e são definidos
como “extratos complexos de uma planta para ser usado no tratamento de doenças.”
Foi só recentemente que o Brasil começou a avançar com a legislação sobre
fitoterápicos.
Hoje, um medicamento fitoterápico pode ser aprovado pela ANVISA para uma
determinada indicação, em determinada forma farmacêutica, em determinada
dosagem e posologia, para determinada faixa etária. Entretanto, muitas vezes
fazemos uso “off-label” desses medicamentos, usando-os nas situações abaixo:
• Medicamentos aprovados, porém para outras indicações
• Medicamentos aprovados, porém em outras formas farmacêuticas
• Medicamentos aprovados, porém em dosagens diferentes
• Medicamentos aprovados, porém para outras faixas etárias
• Medicamentos sem aprovação na ANVISA
Ainda não existe mecanismo legal que regule a prescrição “off-label” de
fitoterápicos.

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Farmácia da Natureza

Falta de evidências científicas


Uma pesquisa recente envolvendo aproximadamente 1000 medicamentos
fitoterápicos, somente 156 deles possuíam estudos clínicos de alta qualidade
embasando sua utilização em seres humanos. Nesse estudo, cerca de 500
fitoterápicos possuíam somente estudos in vitro ou in vivo em animais. Em cerca de
200 produtos, somente estudos fitoquímicos foram encontrados. Entre os
medicamentos fitoterápicos atualmente comercializados no Ocidente, 12% não são
embasados por estudos clínicos. Surpreendentemente, havia evidências na literatura
de que um em cada 200 plantas era tóxica ou alergênica (Cravotto et al., 2010).
Em outro estudo recente, uma revisão sobre medicamentos fitoterápicos para
o tratamento da artrite, de aproximadamente 2500 citações, somente 35 (1,4%)
possuía condições de ser incluídas em virtude de problemas metodológicos
(Cameron et al., 2009).
Esses dados mostram o quanto há escassez de estudos bem desenhados e
conduzidos sobre os medicamentos fitoterápicos. Para orientar os pesquisadores,
muitos esforços tem sido feitos, como a declaração Consolidated Standards of
Reporting Trials (CONSORT), que propõe uma lista com itens que devem ser
contemplados durante o desenho e a publicação de estudos clínicos com
fitoterápicos (Gagnier et al., 2006a, 2006b).

Falta de padronização
Outro fator que contribui para a falta de aceitação da fitoterapia pela
comunidade médica e científica, além de resultados inconsistentes em estudos pré-
clínicos e clínicos está relacionada à padronização dos extratos vegetais. Sabemos
que diversos fatores podem influenciar a concentração de compostos secundários
em uma determinada planta. Portanto, pode haver variação na atividade biológica de
plantas de diferentes lotes, que foram cultivadas em diferentes condições de solo e
clima, que foram submetidos a diferentes métodos de extração, etc (Raskin & Ripoll,
2004).
É possível que, no futuro, tenhamos áreas específicas para a produção de
determinadas plantas medicinais, da mesma maneira que hoje determinadas

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Farmácia da Natureza

variedades de uva são cultivadas nesta ou naquela região, resultando em diferentes


tipos de vinho.

Quem pode prescrever fitoterápicos no Brasil?


Os profissionais que podem prescrever fitoterápicos no Brasil estão listados
na Tabela 4.

Tabela 4. Profissionais que podem prescrever medicamentos fitoterápicos no Brasil,


e legislação específica.
Profissionais Legislação
Médicos Não há legislação que regule a prescrição de medicamentos
fitoterápicos por médicos.
Dentistas Lei nº 5081/1966
Portaria SVS/MS nº 344/98
Nutricionistas Resolução CFN 402/2007
Resolução CFN 525/2013
Farmacêuticos Resolução CFF 546/2011
Resolução CFF 586/2013

Conclusão
A fitoterapia é utilizada pela humanidade desde sua origem. Durante séculos
foi abandonada, mas sua importância tem sido recuperada nas últimas décadas. O
Brasil possui uma legislação moderna para os fitoterápicos, porém ainda há
dificuldades de aceitação desta modalidade terapêutica por parte da comunidade
científica.

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