Vous êtes sur la page 1sur 128

illitini Cutrcr

W w l r. O T r fn fh ú m

Perguntas vás Sem sobre


Medicina
Alternativa
0 que é bom e o que não e
Perguntas básicas sobre medicina alternativa © 2004, Editora Cultura
Cristã. Publicado em inglês com o título Basic Questions on Alternative
Medicine: What Is Good and What Is Not? Copyright © 1998 by The
Center for Bioethics and Human Dignity. Todos os direitos são
reservados.
Ia edição em português — 2004
3.000 exemplares
Tradução
Suzana Klassen
Revisão
David Araújo
Rita de Cássia Pampado do Canto
Editoração
Maria Etema Gomes Malta Dedone
Rissato Editoração
Capa
Magno Paganelli

Publicação autorizada pelo Conselho Editorial: Cláudio Marra


(Presidente), Alex Barbosa Vieira, André Luís Ramos, Mauro
Fernando Meister, Otávio Henrique de Souza, Ricardo Agreste,
Sebastião Bueno Olinto, Valdeci da Silva Santos

CDITORA CULTURA CRISTÃ


Rua Miguel Teles Junior, 394 - Cambuci
01540-040 - São Paulo - SP - Brasil
C.Postal 15.136 - São Paulo - SP - 01599-970
Fone (0**11) 3207-7099 - Fax (0**11) 3209-1255
www.cep.org.br - cep@cep.org.br

Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas


Editor: Cláudio Antônio Batista Marra
Sumário
Colaboradores................................................. 06
Introdução........................................................ 07
Objetivo............................................................ 10
Saúde e Terapias Alternativas
1. O que é saúde?.......................................... 11
2. Quem é responsável por suasaúde?..... 14
3. O que é medicina alternativa?................. 17
4. O meu plano de saúde cobre terapias
alternativas?................................................ 21
Avaliando Terapias Alternativas
5. Quais são os princípios de orientação
mais importantes ao se escolher terapias
alternativas?................................................ 23
6. Como saber se as promessas das terapias
são verdadeiras e confiáveis?.................. 28
7. O que é pseudociência?............................ 31
8. Se funcionou para alguma outra pessoa,
eu devo tentar?........................................... 32
9. Existe uma questão de lucro relacionada à
aceitação ou rejeição de terapias
alternativas?................................................ 36
10. De que forma as terapias e os terapeutas
alternativos são regulamentados?......... 38
4 Coleção Bioética
11. Qual é o papel da Food and Drug
Administration (FDA) em relação às
terapias alternativas?.............................. 40
12. De que forma a liberdade de se escolher
uma terapia alternativa é protegida pela
lei?............................... 43
Terapias Alternativas Populares
13.0 que é saúde holística?......................... 47
14. O que é medicina de corpo e mente? ... 49
15. Por que a purificação é um princípio
comum de várias alternativas? ............. 52
16. O que é acupuntura? .............................. 54
17. O que é cinesiologia aplicada?.............. 57
18. O que é medicina Ayurvédica?............. 59
19. O que é terapia de quelaçâo?................ 61
20. O que é quiroprática?............................. 63
2 1 .0 que são remédios herbais?................. 66
22. O que é homeopatia?.............................. 69
23. O que é meditação?................................. 72
24. O que é naturopatia?.............................. 75
25. O que é osteopatia?................................. 78
26. O que é Reiki?.......................................... 80
27. O que é medicina xamânica?................. 83
28. O que é terapia com cartilagem de tubarão? 85
29. O que é o toque terapêutico?................. 87
30. O que são técnicas de visualização? .... 91
31. O que é ioga?............................................ 93
Espiritualidade e Terapias Alternativas
32. A atenção que as terapias alternativas dão
à espiritualidade é um aspecto positivo? 95
Medicina Alternativa n
33. Quão forte é a ligação entre terapias
alternativas e religiões orientais, crenças
da Nova Era e ocultism o?...................... 98
34. A medicina alternativa está em harmonia
com a tradição cristã? ............................ 101
35. Estou comprometendo minha fé usando
terapias alternativas?.............................. 104
36. O chi ou prana são o mesmo que o
Espírito Santo?......................................... 107
37. A oração é uma terapia alternativa?.... 110
38. O que pensar da cura pela fé?.............. 113
39. Toda a cura vem de Deus?.................... 116
Conclusão......................................................... 121
N otas................................................................. 123
Colaboradores
Linda K. Bevington, M .A., é administradora de projeto
do Center for Bioethics and Human Dignity,
Bannockburn, Illinois.
Paige C. C unningham , J.D ., escreveu vários artigos
sobre aborto e a lei. Ela é co-autora do artigo que a
juíza O’Connor citou em sua discussão sobre a
viabilidade de sobrevivência da criança fora do ventre
materno sem suporte artificial no caso Webster v.
Reproductive Health Services.
William R. Cutrer, M.D., trabalhou pormuitos anos como
obstetra e ginecologista, especializando-se no tratamento
da infertilidade. Atualmente ele é diretor da área Dallas/
Fort Worth para a Christian Medical and Dental Society.
Timothy J. Demy, Th.M , Th.D ., é capelão militar, co-
autor e autor de vários livros e artigos. Ele é membro
da Evangelical Theological Society.
John F. Kilner, Ph.D., é diretor do Center for Bioethics
and Human Dignity, Bannockburn, Illinois. Ele também
é professor de Bioética e Cultura Contemporânea na
Trinity International University, Deerfield, Illinois.
Dónal P. 0 ’M athúna, Ph.D., é professor associado de
Ética Médica e Química no Mount Carmel College of
Nursing, Columbus, Ohio.
Gary P. Stewart, Th.M ., D.M in., é capelão militar e co-
autor de vários artigos e livros. Ele é membro da
Evangelical Theological Society.
Introdução

T
erapias alternativas têm recebido bastante
atenção nos dias de hoje. Revistas com fre­
quência tratam desse assunto na reportagem de
capa. Livros sobre terapias alternativas escritos
por médicos como Andrew Weil, Deepak Chopra,
Herbert Benson e Larry Dossey muitas vezes es­
tão na lista dos best-sellers. Escolas de medicina
e enfermagem estão começando a ministrar cur­
sos sobre terapias alternativas. Hospitais têm con­
siderado a possibilidade de oferecê-las, empresas
de seguro e planos de saúde estão dando cobertu­
ra para esse tipo de tratamento e programas de
saúde do governo estão tornando obrigatória a co­
bertura de certas terapias. Nos Estados Unidos,
aproximadamente 40 bilhões de dólares são gas­
tos por ano com terapias alternativas.1
Não é difícil de compreender o crescente in­
teresse por terapias alternativas. As pessoas algu­
mas vezes voltam-se para as terapias alternativas
depois de passar por uma experiência negativa ou
insatisfatória com a forma como as terapias mo­
dernas convencionais oferecem “ajuda”. E comum
que médicos tenham pouco tempo para seus paci­
entes, sendo que muitos eles nem conhecem. Os
8 ( 'olcçãu Bioética
pacientes sentem-se empurrados de um consultó­
rio para outro, presos a vários tipos de equipamen­
tos, escrutinados e apalpados sem razão e, no fi­
nal, recebem uma conta enorme. Muitas vezes,
saem de um atendimento médico impessoal com a
impressão de que não foram ouvidos, sentindo-se
confusos e até mesmo assustados.
Mesmo sendo uma generalização, ela carac­
teriza a experiência de muitos. Os programas e
comerciais na TV mostram os hospitais e médicos
como se fossem capazes de curar quase tudo.
Enquanto isso, indivíduos vivem a realidade trági­
ca de que a assistência médica moderna tem limi­
tações e problemas. Sabemos que não podemos
viver para sempre, mas, de alguma forma, temos a
idéia de que, no final das contas, a medicina irá nos
salvar. Quando as pessoas percebem que isso não
vai acontecer, sentem-se abandonadas pelo siste­
ma que elas pensavam ser sua salvação.
E nesse meio que surge uma “alternativa” -
uma forma pessoal e cuidadosa de ver a saúde e a
cura. Aqueles que praticam as terapias alternati­
vas gastam bastante tempo falando de cada as­
pecto da vida do paciente. Eles não se apressam
passando logo para a consulta seguinte e parecem
estar verdadeiramente interessados em cada pa­
ciente. Pode ser que o plano de saúde não cubra
as despesas, mas as consultas têm preços razoá­
veis e elimina-se toda a burocracia! Ao contrário
da maior parte da medicina convencional, os tera-
pêutas alternativos não comparam seu trabalho com
Medicina Alternativa 9
uma guerra contra as doenças. Ao invés disso, con­
centram-se em fazer a pessoa fortalecer-se de
modo a poder livrar-se da doença. Ao pensar des­
ta forma, concentram-se na pessoa e não na do­
ença. Assim, essa maior busca pela medicina al­
ternativa é, em parte, uma reação a um sistema
visto como impessoal, movido pelo dinheiro e que
sofre de falta de humildade. Certamente muitos
daqueles dentro da medicina convencional são pro­
fissionais preocupados em fazer o melhor para seus
pacientes. Mas a confiança no sistema como um
todo tem diminuído e as pessoas estão tornando-
se mais abertas a considerar alternativas.
As pessoas devem, de fato, buscar as terapi­
as que são mais eficazes e financeiramente aces­
síveis. Elas não precisam pressupor que a medici­
na convencional é sempre a resposta mais segura
e eficaz para a cura das doenças humanas. Mas
também devem usar de discernimento. Este livro
irá dividir as terapias alternativas em cinco cate­
gorias para que cada uma possa ser avaliada den­
tro de seus próprios méritos. Tem como finalidade
servir de mapa para aqueles que estão caminhan­
do pelas montanhas e vales da medicina alternati­
va e querem fazê-lo de forma segura, tomando
decisões com confiança. Existem aspectos das te­
rapias alternativas que são bem-vindos e que po­
demos promover, sobre outros aspectos ainda es­
tamos incertos e, ainda em outros casos, há as­
pectos que rejeitamos por completo.
Objetivo

E
ste livro não tem o objetivo de reproduzir to­
das as informações disponíveis sobre o as­
sunto, mas sim, de simplificar, complementar e
suplementar outras fontes acessíveis, às quais os
leitores são encorajados a consultar. Alguns des­
ses materiais estão listados no final deste livro.
Esta obra não tem a intenção de tomar o lugar do
aconselhamento ou tratamento teológico, legal,
médico ou psicológico. Caso se faça necessária
a assistência em qualquer dessas áreas, por fa­
vor, busque o auxílio de um profissional especi­
alizado. Os pontos de vista expressos neste livro
são exclusivamente aqueles dos autores e não re­
presentam ou refletem qualquer posição ou en­
dosso de quaisquer agências ou departamentos
governamentais, militares ou outros.
Saúde e T erapias A lternativas

1. O que é saúde?
Alguns vêem a saúde como a ausência de
doenças ou dor. Esse ponto de vista é criticado
pelos proponentes da medicina alternativa como
sendo muito limitado. A OMS (Organização Mun­
dial de Saúde), por outro lado, oferece uma de­
finição bastante ampla de saúde. “Saúde é um
estado de completo bem-estar físico, mental e so­
cial e não apenas a ausência de doenças ou en­
fermidades. Gozar do melhor padrão atingível de
saúde é um dos direitos fundamentais de todo ser
humano sem distinção de raça, religião, crença
política ou condições econômicas e sociais”.2
Mesmo que essa definição tenha recebido críti­
cas por ser inatingível, ela mostra importantes
aspectos da saúde que também são declarados
na Bíblia. Uma visão bíblica de saúde inclui o bem-
estar físico, mental e social, mas também leva
em conta a dimensão espiritual. A vontade de Deus
é que as pessoas tenham “saúde bem como é
próspera a vossa alma” (3 João 2). Muitas tera­
pias alternativas concordam com a inclusão do
bem-estar espiritual. Entretanto, a Bíblia diz que
12 Coleção Bioética
o bem-estar espiritual, como ingrediente essencial
da “vida em abundância”, só pode ser alcançado
através de um relacionamento pessoal com Je­
sus Cristo (João 10.10).
O termo hebraico para cura, rapa \ era usa­
do para descrever o reparo de um jarro quebra­
do, a cura da pessoa e a restauração da nação de
Israel. O significado fundamental da palavra, por­
tanto, é restaurar algo à sua condição original, ou
fazê-lo inteiro novamenteC A ação de Deus como
aquele que cura não está separada em universo
físico e espiritual, mas, sim, refere-se à Sua obra
em cada aspecto da vida das pessoas. Essa visão
holística de saúde também está presente no Novo
Testamento, especialmente em palavras para cura
como sozo (“salvação”), significando a restaura­
ção completa ou cura do corpo, alma e espírito
daquele que crê (Marcos 10.52; Lucas 8.48).
Várias coisas contribuem para uma boa saú­
de: uma dieta correta, exercício, sono, redução
de estresse, bom relacionamento com outras pes­
soas e com Deus. O bom senso, juntamente com
um número cada vez maior de evidências resul­
tantes de pesquisas, mostra que estes fatores são
importantes para um estilo de vida mais saudável
e a prevenção de várias doenças. Muitas terapias
alternativas são atraentes porque cuidam justa­
mente dessas áreas da vida da pessoa. Mas es­
sas terapias não são necessariamente incompatí­
veis com a medicina convencional; aliás, uma di­
eta e comportamentos corretos são, tradicional­
Medicina Aher nativa 13
mente, vistos como parte das recomendações que
qualquer médico faria para seus pacientes.
Uma das imagens mais fortes de cura é aque­
la do bom samaritano (Lucas 10.30-37). O sa-
maritano desviou-se do seu caminho para ajudar
a suprir as necessidades, tanto físicas quanto de
outros tipos, de um completo estranho que en­
controu à beira da estrada. Aqueles que reco­
nhecem que todas as pessoas são criadas à ima­
gem de Deus têm, historicamente, oferecido e
continuarão a oferecer cuidado e compaixão para
os que estão precisando de cura nesse mundo de
sofrimento. Ajudar a preencher as necessidades
físicas, espirituais e de relacionamento das pes­
soas é parte central da missão da Igreja.
O mais importante, porém frequentemente
negligenciado, aspecto da boa saúde é o bem-
estar espiritual. As Escrituras, ao contrário da
medicina convencional ou alternativa, afirmam que
a boa saúde depende de lidar com as culpas mo­
rais (Salmo 32.3,4; 1 Coríntios 11.29,30). Por todo
o Velho Testamento, falta de saúde é associada
ao pecado (2 Crônicas 21.18,19; Salmo 41.4).
enquanto boa saúde é a manifestação da miseri­
córdia e amor de Deus (Gênesis 20.17). Jesus
deixa claro, entretanto, que certas doenças não
são sempre causadas pelo pecado de um indiví­
duo (Lucas 13.1; João 9.1-3). As doenças e saú­
de ruim são, sim, consequências de se viver em
um mundo caído (Gênesis 2.17; Jó 1-2, 42; Ro­
manos 5.12-21). Aceitar a verdade da morte, sepul-
Coleção Bioética
tamento e ressurreição de Jesus Cristo e viver uma
fé obediente produz uma cura espiritual que reduz
muitos dos comportamentos que causam doenças
e até mesmo a morte. Ele é a fonte primária de
cura (João 6.35-40). Ter um bom relacionamento
com os outros também faz diferença. Para uma
boa saúde é essencial não apenas uma vida de
relacionamento íntimo com Jesus Cristo, mas tam­
bém uma vida levada em comunhão com outros e
servindo aos outros (João 10.10; Atos 20.35).
2. Quem é responsável por sua saúde?
A sociedade ocidental dá grande ênfase à
liberdade pessoal - às vezes chamada também
de ‘'autonomia” (ou governo-próprio). O ideal é
que os pacientes tenham a palavra final sobre as
terapias e procedimentos que serão usados. En­
tretanto, há também uma longa tradição de pa­
ternalismo, ou seja, “o médico sabe o que é me­
lhor”. Os pacientes têm a tendência de confiar
em qualquer coisa que o médico lhes recomende
por causa da maior experiência e conhecimento
que o médico tem. Os desenvolvimentos científi­
cos do último século, inclusive os da medicina,
têm melhorado a saúde e o saneamento públicos.
Novas tecnologias e drogas têm levado a proce­
dimentos médicos complicados, que apenas mé­
dicos treinados são capazes de compreender.
Um efeito colateral negativo desses avan­
ços. porém, é a crença de que saúde e doenças
são de natureza puramente física. A importância
Medicina Alternativa 15
de outras influências à saúde como a dieta, exer­
cícios, emoções e espiritualidade tem sido negli­
genciada. Achamos que podemos viver a vida
como bem entendermos e que o médico irá conser­
tar qualquer problema resultante. Os avanços tec­
nológicos da intervenção médica e as habilidades
técnicas dos médicos distorceram o papel da me­
dicina. Alguns têm visto a medicina como a sal­
vadora da humanidade. Nesse processo, a res­
ponsabilidade individual pela saúde tem sido dei­
xada de lado.
Desde os anos 60, entretanto, as pessoas têm
se mostrado mais propensas a questionar a auto­
ridade daqueles que estão na profissão médica.
A liberdade pessoal tornou-se mais importante.
As pessoas querem assumir mais responsabilida­
de sobre sua saúde. Elas querem saber o que os
médicos estão fazendo com elas e por què a tec­
nologia parece causar problemas na mesma pro­
porção em que os resolve. No geral, a confiança
das pessoas em seus médicos está desgastada.
Porém, o pêndulo foi do extremo em que se
considerava o médico como deus para o extremo
de ver o paciente como deus. A medicina moder­
na agora é governada pela autonomia pessoal. O
aborto e a eutanásia são justificados por pessoas
que crêem ter o direito de fazer o que quiserem
com seu próprio corpo. Da mesma forma, aque­
les que querem terapias alternativas dizem ter o
direito de usar qualquer opção terapêutica que
esteja à sua disposição, mesmo que outros pen-
16 Coleção Bioética
sem que essa opção é estranha ou ineficaz. Des­
te modo, a responsabilidade pela saúde agora é
colocada exclusivamente sobre os ombros do pa­
ciente-os profissionais da saúde tornam-se pouco
mais que conselheiros e fornecedores dos servi­
ços que os pacientes desejam.
A visão bíblica da responsabilidade sobre
a saúde é centrada em Deus e não na própria
pessoa. Nossos corpos são dádivas (ou melhor,
empréstimos) de Deus pelos quais nós temos a
responsabilidade de zelar - afinal, foram com­
prados pelo sangue de Cristo. Não nos perten­
cem para que façamos o que bem entendermos.
Ao invés disso, pela fé, nós devemos procurar ter
boa saúde como forma de glorificar a Deus, ser­
vir a outros (Romanos 14.7,8; 1 Coríntios6.19,20;
2 Coríntios 5.15; Fi 1ipenses 1.20-26) e participar
de tudo aquilo que Deus tem nos dado para que
aproveitemos (1 Timóteo 6.17). É só nesse con­
texto que os cristãos poderão experimentar a vida
abundante oferecida por Cristo (João 10.10).
Mesmo que, essencialmente, a saúde perten­
ça a Deus (Salmo 103.1-5), cada indivíduo tem
uma grande responsabilidade por seu próprio cor­
po. (3 cuidado com a saúde, entretanto, deve ser
uma parceria entre o profissional da saúde, o pa­
ciente, a família ou amigos próximos e parentes.
A autonomia absoluta traz isolamento, enquanto
que a fé em Deus e a relação com outros ofere­
ce companheirismo, confiança e conforto. Ao
considerar a medicina alternativa, é prudente bus-
Medicina Alternativa
car não apenas a orientação do médico em quem
você confia, como também de membros da igreja
que tenham os dons de conhecimento, sabedoria,
discernimento e aconselhamento. A responsabili­
dade sobre a saúde pode ser dividida quando os
membros da igreja usam os seus dons para o be­
nefício de outros (Romanos 12.3-8; 1 Coríntios
12.7, 12-26; Efésios 4.11-16; 1 Pedro 4.7-11).
3. O que é medicina alternativa?
Um dos desafios iniciais de se compreender
a medicina ou terapias alternativas é definir o que
está em discussão. Muitos termos diferentes são
usados para descrever os tratamentos envolvi­
dos como sendo alternativos, complementares,
não-ortodoxos, não-convencionais, não-provados,
holísticos, suplementares, integrativos, naturais ou
terapias da Nova Era ou medicina. O termo tera­
pia alternativa será usado aqui por ser o termo
mais comum, apesar de o uso do termo terapia
complementar também estar crescendo em po­
pularidade. Em contraste com essas terapias,
há aquelas conhecidas como convencionais,
modernas, científicas, ortodoxas, alopatas, re-
ducionistas, bioquímicas ou fisicalistas. Os ter­
mos terapia convencional e medicina con­
vencional serão usados quando nos referirmos
a esse grupo de terapias.
As características que definem cada grupo
podem ser descritas de várias maneiras. E co­
mum defmir-se terapias convencionais como sen­
18 Coleção Rioéticu
do aquelas associadas a médicos. Essa definição
tem a vantagem de identificar quem oferece esse
tipo de terapia, mas as distinções estão longe de
ser tão claramente separadas como costumavam
ser. Hoje em dia, muitos centros médicos de pres­
tígio têm departamentos de medicina alternativa e,
principalmente as enfermeiras, estão cada vez mais
interessadas em oferecer terapias alternativas.
Uma outra diferenciação comum entre os dois
grupos é que as terapias alternativas têm pouca ou
nenhuma pesquisa clínica para apoiar sua segu­
rança ou eficiência, ao contrário das terapias da
medicina convencional. Entretanto, alguns prove­
dores de terapias alternativas observam que cer­
tas práticas da medicina convencional também não
foram rigorosamente testadas. Além disso, algu­
mas terapias alternativas têm sido testadas. Por­
tanto, mesmo que evidências quanto à segurança
e eficiência de qualquer terapia sejam vitais, essa
não parece ser uma característica distintiva.
Qualquer definição de terapia alternativa terá
a tendência de ser muito ampla ou muito restriti­
va. As definições amplas são as mais típicas. Por
exemplo, fisioterapia, aconselhamento, nutrição e
massagens são consideradas as terapias alterna­
tivas usadas com mais frequência em pessoas
com esclerose múltipla.4 Aquelas que mais rece­
bem cobertura dos planos de saúde são: quiro-
pr'ática, programas de redução de peso, acupun­
tura, terapia de relaxamento, mentalização, mas­
sagem e hipnose.5Outro estudo inclui as práticas
Medicina Alternativa 19
de ouvir e amparar os pacientes como sendo te­
rapias naturais.0 Poucos iriam negar a importân­
cia desses fatores na promoção e manutenção
da saúde; mas, ao relacioná-las como terapias
alternativas, a popularidade das medicinas alter­
nativas como um todo parece bem maior do que
realmente é o caso. Também é passada a im­
pressão de que a medicina convencional não va­
loriza certas questões como perda de peso e am­
paro ao paciente tanto quanto a medicina alter­
nativa - o que pode não ser verdade.
Ao invés de colocar todas as terapias alterna­
tivas em um único grupo, vamos dividi-las em cin­
co categorias.7Algumas dessas terapias têm mui­
to a oferecer aos pacientes e devem ser encoraja­
das, algumas devem ser completamente rejeitadas
e outras ficam entre esses dois extremos.
Terapias complementares - são terapias
como dietas, exercício e redução de estresse que
tratam de aspectos mais amplos do estilo de vida.
Terapias que não foram cientificamente
provadas - são terapias como o uso de ervas
medicinais, fundamentadas na medicinae princí­
pios científicos convencionais, mas para as quais
existem poucas evidências científicas.
Terapias cientificamente questionáveis —
são terapias como a homeopatia, baseadas em
princípios que contradizem outros princípios ci­
entíficos claramente determinados ou que não
podem ser facilmente verificados.
20 Coleção Bioética
Terapias de energia vital - são terapias -
como o toque terapêutico ou Reiki - que acredi­
tam na existência de uma “energia vital” que pode
ser manipulada através de diversas técnicas.
Charlatanismo e fraude - são as terapias
que não mostram nenhum benefício razoável, mas
que ainda assim são divulgadas por praticantes
fiéis. A fraude pode acontecer em qualquer tera­
pia, mas ocorre com mais freqüência nas terapi­
as alternativas, pois estas normalmente não têm
pesquisas adequadas nas quais se apoiar ou de­
poimentos de pacientes para validá-las.
Enquanto qualquer forma de classificação é
arbitrária - terapias podem deslocar-se de uma
categoria para outra se baseando em novas in­
formações -, fazê-lo tem suas vantagens. Não
precisamos aceitar ou rejeitar as terapias alter­
nativas como um todo, mas podemos avaliar cada
uma de acordo com a categoria ou categorias a
que pertence. Tem-se observado que as terapias
complementares possuem um importante papel
na promoção da saúde, enquanto o charlatanis­
mo deve ser sempre exposto e rejeitado. Basea­
dos em princípios teológicos, os cristãos devem
rejeitar terapias de energia vital. As decisões so­
bre terapias não comprovadas cientificamen­
te e cientificamente questionáveis devem ser
tomadas caso a caso, baseando-se nas melhores
evidências científicas disponíveis.
Medicina Alternativa 21
4. O meu plano tle saúde cobre terapias
alternativas?
Cada vez mais, as companhias de planos de
saúde estão pagando por terapias alternativas.
Uma pesquisa descobriu que, nos EUA, 58% das
organizações de planos e seguros de saúde esta­
vam planejando cobrir terapias alternativas já em
1998.8 A empresa Oxford Health Plans inaugu­
rou o primeiro programa de terapias alternativas
como um adendo ao plano de saúde em 1997.
Alguns estados obrigam os planos de saúde a
cobrirem determinadas terapias alternativas nos
programas mantidos pelo governo estadual. Isso
não significa, porém, que todas as terapias terão
cobertura. Uma pesquisa de 1995 descobriu que
86% dos planos cobria quiropráticos; 69%, pro­
gramas de redução de peso; 31%, acupuntura e
28%, terapia de relaxamento.n Essa pesquisa tam­
bém descobriu que 3 1% das empresas de saúde
desencorajavam o uso de remédios herbais, 24%
não recomendavam a acupuntura e hipnose e 14%
desencorajavam a terapia de mentalização. Se­
guros e planos de saúde cobrem terapias alterna­
tivas, mas normalmente só aquelas mais próxi­
mas das terapias convencionais.
O interesse dos planos de saúde nas terapias
alternativas é, em primeiro lugar, econômico. To­
das as partes envolvidas na indústria da saúde
estão buscando formas mais eficientes de usar
recursos limitados. As terapias alternativas con­
22 Coleção Bioética
centram-se na prevenção de doenças - o que é
visto como uma forma válida de reduzir custos (ape­
sar de ainda discutir-se quanto à eficácia das prá­
ticas profiláticas na redução dos custos). As tera­
pias alternativas normalmente são mais baratas do
que as terapias convencionais. Por exemplo, o tra­
tamento de uma próstata inchada pode custar em
torno de 8 dólares quando realizada com plantas
medicinais, mas pode chegar a U$ 50 ou até U$ 75
por mês com o uso do medicamento farmacêuti­
co10. Enquanto os esforços para reduzir custos po­
dem ser vál idos, deve-se fazer grande esforço para
que os resultados não sejam afetados. Um dos pe­
rigos é de que as pressões financeiras incentivem
o pagamento das terapias alternativas mais bara­
tas, porém ineficazes, ao invés de terapias con­
vencionais eficazes, porém mais caras.
As empresas de seguro e planos de saúde
estão cobrindo terapias alternativas por exigência
dos pacientes. Um porta-voz da Health Insuran­
ce Association of America declarou que "‘A deci­
são de cobertura é feita por quem está comprando
e não por quem está vendendo(...) Afinal de con­
tas, o negócio das empresas de seguro-saúde é
vender cobertura e isso é feito em resposta à de­
manda do mercado”.11 Mas, escolher terapias não
é como escolher modelos de roupa. As conseqüên-
cias são muito mais sérias e o nível de conheci­
mento necessário, muito mais alto. Por essa razão,
as decisões sobre terapias e sua cobertura devem
basear-se em sua eficácia e segurança, não em
Medicina Alternativa 23
sua popularidade. Mas, tendo em vista a adoração
à autonomia em nossa sociedade, é mais provável
que muitas empresas cubram terapias alternativas
mesmo quando sua eficácia ainda não estiver com­
pletamente documentada.

A v a lia n d o T erapias A lternativas

5. Quais são os princípios de orientação


mais importantes ao se escolher
terapias alternativas?
Escolher entre fazer uso ou não de uma te­
rapia alternativa pode ser uma tarefa complicada
e confusa. Nenhum livro sobre terapias alternati­
vas jamais vai estar completo porque novas tera­
pias são introduzidas a todo momento. Para aju­
dar a tomar uma decisão, colocamos os seguin­
tes princípios:
Realismo. A geração pós-guerra tem per­
seguido fervorosamente tudo ligado à boa for­
ma, à saúde e à beleza. Ainda assim, essa gera­
ção continua envelhecendo e adoecendo. A “saú­
de perfeita” e o corpo “sem efeitos da idade”
promovidos por um dos principais gurus da me­
dicina alternativa, Deepak Chopra, soam atra­
entes para aqueles que idolatram a saúde pes­
soal e a boa forma. W. Brugh Joy afirma em
seu livro sobre cura energética Joy’s Way, que.
24 Coleção Bioética
quando reconhecemos o poder da crença, Apo­
demos criar qualquer coisa que desejarmos"
inclusive uma boa saúde.
Mas algumas doenças crônicas não podem ser
curadas, apenas controladas. Mais cedo ou mais
tarde, todos que não morrerem por acidentes e fe­
rimentos acabarão um dia falecendo por causa de
doenças terminais. As terapias alternativas são mais
comuns no tratamento de doenças crônicas e ter­
minais, pelas quais a medicina convencional não
tem muito o que fazer. A busca persistente por uma
cura pode. algumas vezes, tornar-se uma forma
de negar o inevitável, Em algum momento, as pes­
soas têm que aceitar que não existe cura para sua
doença. Essa aceitação pode ser muito difícil para
aqueles que estão envolvidos e requer muita sen­
sibilidade. Entretanto, é importante que encaremos
a realidade de nossa mortalidade.
Como cristãos, também podemos acabar en­
volvidos na busca por saúde pessoal e conforto.
Não há nada de errado nisso, desde que escolha­
mos terapias que restaurem, melhorem ou man­
tenham nossa vida e saúde, ou seja. que tragam
benefícios verdadeiros. Mas a realidade é que
vivemos em corpos caídos, que com o passar do
tempo, gemem junto com o restante da criação
(Salmo 90.9,10; Romanos 8.18-23). Nossa espe­
rança presente e eterna deve ser a certeza do
amor de Deus para conosco (Romanos 8.35-39)
e suas promessas proféticas, não no que é anun­
ciado pelas curas fantásticas, remédios milagro­
Medicina Alternativa 25
sos e defensores do “corpo que não envelhece".
Ao escolher qualquer tratamento, devemos estar
certos de que nossos objetivos e as promessas
que qualquer terapia faz são realistas.
Administração. Em se tratando de questões
de saúde e cura, nós devemos administrar nossos
recursos. Nossa vida e nosso corpo são recursos
com os quais podemos servir e glorificar a Deus
(Romanos 14.7.8; 1 Coríntios 6.19,20). Podemos
usar esses recursos com sabedoria ao manter uma
dieta correta, exercício, momentos para relaxar,
ministério e nutrição espiritual. A oração e con­
selhos sábios nos ajudarão a manter o equilíbrio
de tudo isso. Assim como levamos em considera­
ção o quanto gastamos com casa e comida, de­
vemos nos perguntar se o dinheiro que estamos
gastando com nossa saúde, com terapias conven­
cionais ou alternativas, representa uma boa ad­
ministração dos recursos sociais e de nossos re­
cursos pessoais.
Essa administração requer que questionemos
o quão eficaz uma terapia pode ser. Estudos con­
trolados são a melhor forma de determinar a efi­
cácia de qualquer terapia. Fazer uso de terapias
que comprovadamente são ineficazes é um des­
perdício dos recursos monetários que Deus pede
que administremos com sabedoria e eficiência.
Quer a terapia seja uma cirurgia, um instrumento
de alta tecnologia, uma planta medicinal ou a ma­
nipulação de algum campo de energia, isso não
faz diferença. Nos dias de hoje, os recursos para
26 Coleção Bioélica
o tratamento da saúde são limitados e devemos
cuidar para não desperdiçá-los.
Prejuízo. Terapias podem, entretanto, ser pi­
ores do que apenas ineficazes - elas podem ser
prejudiciais. Supõe-se que muitas terapias alterna­
tivas são inofensivas porque são naturais, ao con­
trário do uso de drogas e cirurgia. Mas, muitas dro­
gas farmacêuticas originaram-se de plantas. Além
do mais, natural não quer dizer automaticamente
inofensivo. Um exemplo disso são os derivados
do tabaco. Mortes decorrentes de remédios her-
bais ocorrem todo ano e complicações causadas
pela interação entre remédios herbais e outros
medicamentos são um problema cada vez maior.
Outras terapias alternativas que não envol­
vem a ingestão de produtos também podem ser
prejudiciais. Há um número crescente de evidên­
cias que a meditação pode causar problemas
emocionais e psicológicos em muitos praticantes
(ver questão 23). Proponentes do toque terapêu­
tico admitem que essa terapia pode ser prejudici­
al quando há uma "‘sobrecarga de energia”, es­
pecialmente nos muito jovens, muito idosos ou em
pacientes debilitados (ver questão 29). Há tam­
bém o mal indireto causado por tratamentos ine­
ficazes quando se perdem os benefícios de ou­
tras terapias com resultados comprovados. Os
possíveis prejuízos e benefícios de qualquer tera­
pia alternativa devem ser investigados antes de
se tentá-la. Se não existe registro oficial, nor­
malmente é prudente evitar a terapia.
Medicina Alternativa 27
Questões espirituais. Tanto para cristãos
como para não-cristãos, o maior prejuízo que pode
ser causado por terapias alternativas é o espiritual.
Muitas formas de medicina alternativa afirmam que
a cura física está baseada na manipulação do campo
não-físico de energia da pessoa, campo este que
não pode ser determinado através de instrumentos
materiais. Essa energia é conhecida por vários no­
mes como energia vital, chi. prana ou Ki (ver
questão 36) e implica terapia de toque, cinesiologia
aplicada, reflexologia, diagnóstico de pulso e ou­
tros (ver questões 17 e 29). A crença em sua exis­
tência está baseada nas religiões místicas orientais
e nas tradições de ocultismo do ocidente. A cres­
cente aceitação da cura holística, demonstrada
nessa terapia, é a tendência cultural mais admira­
da pelo New Age Journal.
Infelizmente, alguns cristãos vêem essa ener­
gia vital como sendo o poder de Deus e mergu­
lham de cabeça em terapias que a utilizam. De­
vemos evitar chamar alguma coisa de “poder de
Deus” quando não estamos certos de sua origem.
Não podemos aceitar a crença de que Deus se
revela sob a forma de qualquer coisa que as pes­
soas querem que ele seja. A verdade sobre Deus
não é derivada da personalidade de pessoas nem
de alguma cultura, mas, sim, emana (flui) do ca­
ráter e da vontade do Deus soberano. Devemos
avaliar o que cada terapia propõe e ver se vem
mesmo de Deus (1 João 4.1-3). Proponentes de
algumas terapias alternativas, como Rei ki (ver
28 Coleção Bioética
questão 26) admitem abertamente que seus mé­
todos de energia vital são originados de práticas
do ocultismo. Outros são versões mal-disfarça­
das de rituais de cura do ocultismo. Mesmo que
essas terapias curem de fato, os cristãos devem
estar dispostos a abrir mão delas. A saúde física
não deve ser buscada às custas da saúde espiri­
tual (Marcos 9.43-48).
6. Como saber se as promessas cias
terapias são verdadeiras e confiáveis?
E muito difícil provar qualquer mudança num
estado de saúde (quer ela seja para melhor ou
para pior). Assim, uma nova droga deve passar
por testes extensos e dispendiosos antes de ser
liberada para o uso geral. As empresas farma­
cêuticas precisam demonstrar que novas drogas
são, ao mesmo tempo, eficazes e seguras. Os
produtos normalmente passam por testes in vilro
(feitos com células em laboratórios), teste em
animais e, finalmente, estudos clínicos. Estes últi­
mos envolvem humanos, começando com um pe­
queno número de voluntários saudáveis e, mais
tarde, se a droga provar ser segura, incluindo um
grande número de pacientes doentes.
Entretanto, sabe-se bem que muitas melho­
ras são resultantes de o paciente acreditar num
tratamento ou confiar na pessoa que o está admi­
nistrando, independente de sua etlcácia. Esse é o
chamado efeito placebo. Um placebo é um me­
dicamento ou terapia que não tem, em si, nenhum
Medicina A1ternativa 29
efeito fisiológico conhecido. Os placebos mais
conhecidos são os comprimidos de açúcar. Ao se
testar a eficiência de um novo instrumento, o pla­
cebo pode incluir o uso de um aparelho parecido
com o verdadeiro, mas que na verdade não faz
nada. Dessa forma, os pesquisadores podem
medir os efeitos do novo instrumento em pacien­
tes, comparando-os com os resultados do uso do
placebo em outros pacientes. Acredita-se que seja
comum acontecer de 30% dos pacientes mostra­
rem melhoras independente do tratamento que é
aplicado (devido ao efeito placebo). Estudos, po­
rém, têm mostrado que até 100% dos pacientes
que receberam determinados placebos «mostra­
ram sinais de melhora1-.
Na prática, o efeito placebo tem uma impor­
tante contribuição na cura. Os terapêutas, quer
convencionais ou alternativos, estão certos de que
ajudarão alguns pacientes, independente do que
derem a eles. Entretanto, na tentativa de deter­
minar se uma terapia funciona ou não (e, portan­
to. se é digna de investimento de tempo e dinhei­
ro), é preciso determinar o papel do efeito place­
bo. Os estudos clínicos fazem isso dando a al­
guns participantes do estudo a terapia em ques­
tão e a outros, o placebo. Os dois grupos de par­
ticipantes são, então, tratados da mesma forma.
Os que receberam o placebo formam o grupo de
controle e os que receberam o verdadeiro trata­
mento são o grupo de teste.
30 Coleção Rioética
Para ter certeza de que os grupos experi­
mentais são o mais parecidos o possível entre si,
são tomados dois passos importantes. Primeiro,
as pessoas são colocadas nos grupos de maneira
aleatória. Se os participantes pudessem escolher
o grupo em que gostariam de ficar, aqueles mais
confiantes na eficácia da maior parte das terapi­
as escolheria o grupo de teste, enquanto os mais
desconfiados poderiam escolher o grupo de con­
trole. Esse tipo de envolvimento dos participan­
tes iria causar desvios nos resultados do experi­
mento e, portanto, resultar numa apresentação in­
correta do valor terapêutico do tratamento que
está sendo testado. Em segundo lugar, os dois
grupos devem ser grandes o suficiente para as­
segurar que sejam o mais parecidos possível.
Métodos estatísticos ajudam a determinar o ta­
manho apropriado dos grupos.
Por fim, os pesquisadores devem certificar-
se de que não vão, mesmo sem intenção, influen­
ciar na recuperação das pessoas. Estudos mos­
tram que os pacientes têm índices mais elevados
de melhora quando os médicos acreditam na te­
rapia. Assim, procedimentos cuidadosos são se­
guidos para garantir que nem os participantes e
nem os médicos saibam quem está recebendo a
terapia de teste e quem está recebendo o place­
bo. Esse método de pesquisa protege a integrida­
de do estudo, ou seja, limita as influências desne­
cessárias para que o resultado do experimento
Medicina Alternativa 31
seja mais correto para ser associado à terapia
que está sendo testada.
Antes de chamar alguma coisa de cura (e
vendê-la como tal), ela precisa ser testada. Exa­
mine com atenção os estudos citados que apoi­
am a terapia. Métodos aleatórios como o expli­
cado acima oferecem dados mais confiáveis (po­
rém não infalíveis). Afirmações baseadas ape­
nas em pesquisas ou testemunhos devem ser
vistas de maneira crítica e cautelosa (ver tam­
bém questões 8 e 9).
7. O que é pseudociência?
O termo pseudociência é usado para des­
crever afirmações que dizem ter apoio científico,
mas que, se examinadas mais de perto, mostram
que isso não é verdade. Aqueles que usam a pseu­
dociência não mantêm os padrões científicos nor­
mais de evidência, interpretam incorretamente os
resultados ou são dogmáticos sobre questões con­
troversas dentro do mundo científico. Tendo em
vista que o termo é usado para desacreditar afir­
mações que parecem científicas, chamar algo de
pseudociência é controverso e, muitas vezes, con­
tencioso. O método científico é uma maneira ge­
ral de tratar problemas e não um processo passo
a passo unânime entre todos os cientistas. A ca­
racterística essencial que o distingue é a ênfase
em reproduzir experimentos para validar as afir­
mações que estão sendo feitas.
32 Coleção Bioéfica
Apesar da dificuldade em se determinar o
que constitui a verdadeira ciência, e, portanto, o
que constitui a pseudociência, algumas diretrizes
devem ser estabelecidas. As cortes de justiça dos
Estados Unidos, incluindo a Suprema Corte, têm
pedido diretrizes mais claras devido à crescente
importância do papel exercido pelas provas cien­
tíficas nos julgamentos em casos como aqueles
de doenças relacionadas ao tabagismo, perigos
ambientais e implantes nos seios. Os indivíduos
também precisam de diretrizes para determinar
se aquilo que uma terapia alternativa afirma rea­
lizar é baseado em pseudociência ou ciência ver­
dadeira. As decisões acerca da saúde devem ser
tomadas baseando-se em evidências que sejam
as mais confiáveis possíveis.
A tabela 7-1 (pág. ao lado) mostra algumas
características que se deve ter em mente ao exa­
minar promessas que se dizem baseadas em da­
dos científicos. As decisões finais devem base­
ar-se em certos critérios. Dê muito menos peso
às afirmações listadas nas categorias de pseu­
dociência do que àquelas apoiadas por verda­
deira ciência.
8. Se funcionou paru alguma outra
pessoa, eu devo tentar?
Com freqüência, nós experimentamos coisas
novas porque alguém nos falou delas. Quer seja
um restaurante, um mecânico ou um livro, esta­
mos dispostos a experimentar alguma coisa por
Medicina Alternativa 33
Tabela 7
P se u d o c iê n c ia C iê n c ia vci tla d c im
As afirm açõ es sào b aseadas A s afirm açõ es baseiam -se em
ap en as em te ste m u n h o s e estu d o s aleató rio s c o n tro la ­
endossos. d o s ( v e r q u e s t ã o 6).
O s estudos sào co n d u zid o s por O s e studos sào c o n d u zid o s por
p essoas co m c re d en ciais d e s­ p esso as com c red en ciais re­
c o n h e c id a s c m in stitu içõ es dc co n h e c ív e is (M éd ico s. D o u ­
q u e v o c ê n u n c a o u v i u falar. to res, P ro fe sso re s, v e n c e d o ­
re s d e P r é m i o N o b e l ) e m i n s ­
titu içõ es resp eitad as.
O s estudos sào p ublicado s cm O s estu d o s sào p u b licad o s
jo rn a is c i e n tíf ic o s d e q u e v o c c em jo rn a is co n h ecid o s, que
n u n c a o u v i u falar, m u i t a s v e ­ são a v a lia d o s por co le g a s
zes c o m n o m e s eso térico s. c ie n tista s.

T erap ias e n d o s sa d a s p o r ar­ A s te ra p ia s são e n d o s sa d a s


tistas de c in e m a s on o u tras p o r c ie n tista s re sp eitad o s
celeb rid ad es. qu e trab a lh am n u m a área re ­
levante p ara aq u ilo qu e está
s e n d o afirm ad o .
As afirm ações ap elam p ara a As afirm ações b aseiam -sc em
v a i d a d e (V ocê sa b e o q u e é evidências.
m elh o r!) o u p a r a o m e d o {()
que p o d e a co tiíec e r se você
n u n c a e x p e r im e n ta r ? ).
A t e r a p i a c c h a m a d a d e cura A s afirm a ç õ es co n c e n tra m -se
m ila g ro sa o u d e ú ltim a d e s ­ n o s r e s u l t a d o s d a s e v id ê n c ia s .
co b e rta q ue va i rev o lu c io n a r
o m eio.
As a firm açõ es não são re a ­ A s a firm a ç õ es sào realistas,
lis ta s ( g a ra n te m t|tie a s c u r a s re c o n h ecen d o pro gressos
s e r v e m p a r a to d o s o s m a l e s . p o rc e n tu a is e lim itaçõ es
N e n h u m a a fir m a ç ã o é feita S à o feitas a firm a ç õ e s claras
(os re la tó rio s só a p re s e n ta m c esp ecíficas e sào o ferecid as
perg u n tas). evidencias.
As a firm a ç õ es süo sobre Leva em consideração e p ro ­
co n sp ira ç õ e s c p erseg u içõ es cu ra co rrig ir p ro b lem as co m
dos m eio s m éd ico s e fa rm a ­ estab elecim en to s m éd ico s e
cêu tico s. farm acêu tico s.
34 Coleção Bioética
causa da experiência positiva que alguém teve
com aquilo. Mas as decisões sobre tentar um tipo
de terapia não devem ser feitas da mesma forma
como escolhemos um restaurante. As consequ­
ências trazidas por erros em relação à terapia são
muito mais sérias do que no caso do restaurante.
O problema com as estórias e testemunhos
é que eles só descrevem como a pessoa se sen­
tiu após a terapia. Muita confusão poderia ser
evitada se os terapeutas alternativos fossem mais
claros em dizer se estavam apenas ajudando a
pessoa a sentir-se melhor ou se estavam, na ver­
dade, buscando a cura para a doença. Os médi­
cos convencionais, entretanto, têm muito o que
aprender com os terapeutas alternativos sobre
como ajudar as pessoas a se sentir melhor en­
quanto suas doenças são curadas.
Os cristãos também devem usar a Palavra
de Deus para avaliar aquilo que estão sendo con­
vidados a experimentar. Mesmo que a terapia
possa parecer inofensiva, ela pode não ser o ca­
minho apropriado. Eva teve uma experiência po­
sitiva com o fruto no Éden, mas Deus cobrou de
Adão o fato de ele não ter avaliado o convite da
mulher à luz das suas ordens (Gênesis 3.17). O
que poderia ser mais inofensivo para Saul do que
oferecer um sacrifício a Deus para diminuir o
medo que o povo estava sentindo dos filisteus
(1 Samuel 13.7-14)7 O problema era que Saul
não tinha autorização para oferecer sacrifícios;
isso era responsabilidade de Samuel, o sumo sa-
\ledicina AhenuUiva 35
cerdote (1 Samuel 10.8). Mesmo que seu ato ti­
vesse uma boa intenção, ele custou o trono de
Israel a seus descendentes (ver também quando
Saul consulta um espírito médium em 1 Samuel
28.1-25). A Bíblia também requer uma investiga­
ção cuidadosa sobre afirmações feitas por um in­
divíduo. Por exemplo, a mulher samaritana teve
uma experiência positiva com Jesus e convidou
outros a o ouvirem (João 4). Mas eles não aceita­
ram simplesmente a palavrada mulhere, sim, exa­
minaram o que Jesus tinha a dizer (versículo 42).
Os cristãos devem testar os fundamentos de
qualquer terapia alternativa baseada na espirituali­
dade antes de participarem dela (1 João 4.1-3).
Eles também devem examinar o sistema de cren­
ças do médico ou terapeuta. Mesmo que alguma
coisa funcione, pode não ser ideal que o cristão
faça uso dela. Grandes sinais e maravilhas po­
dem ser feitos através do poder de Satanás (Ma­
teus 24.24; 2 Tessalonicenses 2.7-12). Uma for­
ma sutil de levar as pessoas a procurar o espiri­
tismo e o oculto é falar da possibilidade de cura.
Esse é o caso de algumas, mas não de todas, te­
rapias alternativas.
Quando alguém lhe diz que determinada tera­
pia funcionou para ele ou ela, pode ser que você
fique curioso. Faça mais perguntas. Procure evi­
dências de alta qualidade que apoiem o que está
sendo prometido pela terapia em questão. Exami­
ne também as crenças e visão de inundo que são
promovidos por essa terapia e seus praticantes.
36 Coleção Bioética
Estórias podem nos encorajar a tomar decisões
baseadas somente na experiência em si, mas isso
não garante a eficácia nem determina se um trata­
mento é aceitável diante de Deus. Estórias e tes­
temunhos são leitura interessante, mas dizem respei­
to mais à versatilidade da mente humana e do corpo
do que sobre a segurança e eficácia da terapia.
9. Existe uma questão de lucro
relacionada à aceitação ou rejeição de
terapias alternativas?
Aqueles que promovem as terapias alterna­
tivas alegam com freqüência que suas terapias
sofrem a oposição de médicos e empresas far­
macêuticas pelo medo que estes têm de perder
dinheiro. Realmente, a medicina convencional tem
interesse em reter sua quota de lucro da indústria
da saúde. Entretanto, existem outras razões pe­
las quais as terapias convencionais são preferí­
veis às opções alternativas. Ao contrário de mui­
tas terapias alternativas, diversas terapias con­
vencionais têm demonstrado eficácia. E comum
que pacientes procurem um médico depois de te­
rem tentado terapias alternativas ineficazes e aca­
bem descobrindo que é tarde demais para um tra­
tamento convencional que, se usado mais cedo,
poderia ter ajudado significativamente. Os peri­
gos espirituais de algumas terapias alternativas
também explicam porque alguns médicos resis­
tem ao seu uso.
Medicina Alternativa 37
Alguns médicos e empresas farmacêuticas são
financeiramente motivados a defender seus méto­
dos. Da mesma forma, alguns negócios relaciona­
dos a terapias alternativas também o são, já que
essa é uma área que gera, só nos Estados Unidos,
em torno de 40 bilhões de dólares por ano.13 Os
americanos gastam 6 bilhões de dólares por ano
em suplementos nutricionais e o mercado está cres­
cendo 20% a cada ano.14 Produtos herbais e ho­
meopáticos não são testados nem regulamentados,
fazendo com que seja bem mais fácil vender pro­
dutos de baixa qualidade, aumentando assim os
lucros. As terapias convencionais devem provar
sua eficácia antes de serem vendidas (e, portanto,
antes que alguém possa lucrar com elas).
A popularidade das terapias alternativas tem
chamado a atenção das empresas de planos de
saúde. O gerente do primeiro programa de medi­
cina alternativa oferecido por um plano de saúde
(Oxford Health Plans) disse: ‘‘Creio que se os
concorrentes não derem ouvidos ao que seus cli­
entes estão dizendo e não entrarem nesse merca­
do (de medicina alternativa), eles vão perder mui­
tos negócios - e eu vou tomá-los deles”.15Alguns
médicos estão mesclando terapias alternativas e
convencionais (a chamada medicina integrada) para
desprenderem-se da dependência completa dos
planos de saúde. Um artigo numa importante re­
vista de medicina torna claro o motivo: “A ‘Medi­
cina Integrada’ pode aumentar sua renda”. 16
38 Coleção Bioética
Decisões sobre oferecer um tipo ou outro de
terapia devem ser motivadas pelo desejo de se
prover a melhor terapia possível com o mínimo
de riscos e a um custo razoável. Alguns profissi­
onais, porém, recomendarão terapias que poten­
cialmente lhes trarão lucro pessoal. Isso pode
acontecer tanto com as terapias convencionais
quanto com as alternativas. A busca pelo lucro
não está na natureza da terapia, mas sim na natu­
reza caída do homem (Romanos 3.10-18). Por
isso, devemos insistir em ter evidencias confiá­
veis da eficácia antes de gastarmos nossos re­
cursos com qualquer terapia.
10. De que forma as terapias e os
terapeutas alternativos são
regulamentados?
As leis e regulamentações são criadas com
o fim louvável de eliminar o charlatanismo e a
fraude. Nos EUA, por exemplo, três órgãos fe­
derais e o procurador geral de cada estado têm
autoridade para processar por charlatanismo e
fraude. Cada procurador do estado tem autorida­
de sobre a comercialização de produtos e servi­
ços dentro daquele estado. O United States Postal
Service faz cumprir a legislação que requer ve­
racidade na representação de produtos vendidos
ou distribuídos pelos correios. O Federal Trade
Comission regulamenta as práticas de publicida­
de, incluindo aquelas ligadas a produtos e servi­
ços pai a a saúde. O Food and Drug Adminis-
Medicina Alternai iva 39
Iration tem a regulamentação mais abrangente e
lida com a segurança, eficácia e rotulação de pro­
dutos e equipamentos ligados à saúde.
Os profissionais convencionais (como médi­
cos, enfermeiras e fisioterapeutas) devem pas­
sar por um exame para serem licenciados. Mui­
tos profissionais da medicina alternativa não são
licenciados. Ainda há muita discussão entre os
“■ terapeutas alternativos” sobre a importância da
licenciatura. Alguns a vêem como sendo restriti­
va e centrada no poder. Os defensores da licen­
ciatura, porém, a vêem como uma forma impor­
tante de proteger a sociedade de profissionais
inescrupulosos e mal preparados. A/imericanAs-
sociation o f Naturopathic Phy.siciuns, por
exemplo, regulamenta a naturopatia (ver questão
24) na crença de que “a licenciatura cria uma
infra-estrutura onde se deve prestar contas, sendo
que esse procedimento é apoiado por leis para o
benefício das pessoas, determinando que os pro­
fissionais licenciados estão sob o escrutínio de uma
junta de examinadores cujo propósito é proteger o
público e manter os padrões da profissão”. 17
Muitas terapias alternativas, entretanto, con­
tinuam sem regulamentação. Antes de consultar
um “terapeuta alternativo”, investigue o seu ba-
ckgrounü. Descubra quais regulamentações de
seu estado se aplicam àquele tipo de terapia e se
o profissional tem as qualificações necessárias e
é afiliado às organizações profissionais de sua
40 Coleção Bioética
área. Faça perguntas sobre o treinamento do tera­
peuta e onde esse treinamento foi feito. Assim
como você gostaria de ter certeza que um médico
fez a faculdade de medicina e que ele clinica den­
tro dos padrões profissionais, você deve certificar-
se de que o terapeuta tem treinamento adequado e
clinica dentro de práticas apropriadas.
11. Qual é o papel do Food and Drug
Administration (FDA) em relação às
terapias alternativas?
O FDA faz cumprir as leis criadas no Con­
gresso americano e que estão relacionadas à co­
mida e/ou drogas. Quando um fabricante afirma
que um produto tem propriedades terapêuticas,
curativas ou preventivas, esse produto é conside­
rado droga. Assim, a rotulação de drogas e pro­
dutos está sob a jurisdição do FDA. Nos Estados
Unidos, novos produtos devem alcançar os mais
exigentes padrões do mundo em relação à segu­
rança e eficácia. Há uma série de passos buro­
cráticos que precisam ser dados, tais como tes­
tes em animais e vários tipos de testes clínicos
em humanos para determinar se o produto está
dentro dos padrões e, caso esteja, para identifi­
car a dose ideal. Essas pesquisas e testes podem
levar até dez anos e custar U$ 300 milhões. Uma
vez completos, os resultados são entregues ao
FDA para serem revisados, o que normalmente
leva mais um ano.
M e d i c i n a AItei n a íiv a 41
Os padrões de segurança e eficácia do FDA
são extremamente difíceis de se alcançar e o fa­
bricante deve estar pronto para provar a presen­
ça desses dois elementos em seu produto. Uma
crítica a esse processo é de que apenas os pro­
dutos que são patenteados e possivelmente ren­
táveis fazem o processo de candidatura à apro­
vação do FDA valer a pena. Muitas vezes, só
este custo já impede que inovações criadas por
profissionais individuais recebam a avaliação e
aprovação do FDA. Consequentemente, só vale
a pena que drogas farmacêuticas ou processos
exclusivos desenvolvidos pelas maiores indústri­
as farmacêuticas submetam-se ao processo de
seleção do FDA.
Não podemos nos esquecer do exemplo da
talidomida, uma droga usada por gestantes na
Europa durante os anos 60 e que causou diversos
e sérios defeitos congênitos. As regulamentações
mais rígidas do FDA impediram que a talidomida
fosse comercializada nos Estados Unidos antes
que esses problemas fossem detectados. Ainda
assim, há uma luta para estabelecer um equilíbrio
entre as rígidas regulamentações e as necessida­
des dos pacientes, como vem acontecendo com
a rápida aprovação de drogas criadas para com­
bater doenças fatais - como no caso da AIDS.
Os diferentes processos de aprovação para tera­
pias pesquisadas em outros países têm levado al­
guns a questionar a lentidão dos processos regu-
42 Coleção Bioética
latórios do FDA e buscar uma reforma. Se a
União Européia unificar e harmonizar seus pa­
drões e práticas farmacêuticas, isso pode enco­
rajar o Congresso dos Estados Unidos e o FDA a
repensar as atuais políticas de revisão e aprova­
ção de novas drogas.
O FDA também regulamenta os suplementos
alimentares que não são vendidos sob prescrição
médica através do Dietary Supplenienl Health
and Edncation Act (DSFIEA), uma lei de 1994.
Os suplementos alimentares mais comuns são as
vitaminas, minerais, ervas e aminoácidos. Se os
rótulos não prometem nenhuma propriedade tera­
pêutica ou curativa, o produto não é considerado
uma droga. Os fabricantes não são obrigados a
mostrar que um suplemento alimentar é seguro ou
eficaz. Essas provas têm que ser fornecidas não
pelas indústrias, mas pelo FDA, que não pode opor-
se à venda de um suplemento alimentar a menos
que consiga determinar que aquele suplemento
constitui um risco significativo parao público. Essa
falta de regulamentação aumenta ainda mais o peso
sobre o consumidor, que deve ter conhecimentos
sobre os suplementos que compra.IS Portanto, a
DSFIEA estabeleceu três critérios para a venda
de suplementos alimentares no varejo: (1) as infor­
mações devem ser mostradas separadas do pro­
duto; (2) a informação não deve ser falsa ou enga­
nadora e (3) a informação não pode promover uma
determinada marca.
Ate dici na Alternativa 43
12. De que forma a liberdade de se
escolher uma terapia alternativa é
protegida pela lei?
O apoio do congresso americano à medicina
alternativa tem crescido. Em 1991, sob a lideran­
ça do Senador Tom Harkin (Democrata de lowa).
o Senado orientou o National Institute o f Heal­
th (NIH) a estabelecer o Office o f Alternative
Medicine (OAM). O propósito desse órgão é
facilitar e conduzir pesquisas sobre a eficácia de
terapias alternativas e disponibilizar para o públi­
co essas informações. Nem tudo, porém, tem
corrido tão bem no OAM. Seu primeiro diretor,
Joseph Jacobs, pediu demissão alegando que po­
líticos e defensores da medicina alternativa não
estavam dispostos a esperar pelos resultados das
pesquisas de alta qualidade sobre as terapias.
Estavam pressionando no sentido de criar um sis­
tema mais rápido e menos objetivo, o que preo­
cupava Jacobs: “Como cidadão comum, eu não
confiaria nos resultados que fossem divulgados
pelo meu departamento dentro de um sistema
como aquele'".10 Parte do problema vem da dife­
rença de prioridades de pesquisa entre os propo­
nentes da medicina alternativa e dos membros do
NIH. Jacobs crê que as terapias alternativas es­
tavam recebendo uma revisão “mais favorável e
inadequada, num órgão preocupado com a clíni­
ca e não com o laboratório de pesquisa.”20
A medicina convencional naturalmente pro­
cura minimizar a competição das terapias alter-
44 Coleção Bioélica
nativas que, para a prática tradicional, são consi­
deradas não-científicas. A aceitação e a legiti­
mação de algumas terapias alternativas nos últi­
mos anos têm ajudado a diminuir esse espírito
competitivo. Ainda assim, guerras entre a medi­
cina alternativa e a convencional por segmentos
de mercado ainda existem. Numa batalhajudicial
que durou quinze anos, a American Medical As­
sociation (AMA) foi considerada culpada de
“tentar eliminar a profissão de quiroprático.”:i Nos
dias de hoje, profissionais quiropráticos têm privi­
légios em muitos hospitais e planos de saúde que,
com freqüência, cobrem o tratamento quiropráti-
co. Porém, mesmo dentro da própria profissão
quiroprática, existem sérios desacordos sobre o
que pode ser considerado um bom tratamento qui-
roprático (ver questão 20).
Muitos americanos, tanto cidadãos comuns
quanto legisladores, estão fazendo campanhas em
favor de maior liberdade de escolha sobre trata­
mentos de saúde. Ainda nos Estados Unidos, pelo
menos cinco estados já aprovaram leis que pro­
tegem o direito do paciente em escolher terapias
não-convencionais e também protegem os pro­
fissionais que praticam esse tipo de terapia de
uma possível perseguição por “praticarem medi­
cina sem serem licenciados”. Logo. é possível que
os planos de saúde também tenham que cobrir
formas de tratamentos alternativos como a acu­
puntura ou a terapia de massagem.
Medicina .\ iternativa 45
Nos EUA, uma legislação extensa com a fi­
nalidade de proteger as terapias alternativas é o
Access to Medicai Treatment Act (H.R. 746).
Esse projeto de lei, que ainda não havia sido apro­
vado quando da elaboração deste texto, permiti­
ria que pacientes fossem tratados por todos os
profissionais da saúde que estivessem legalmen­
te autorizados a oferecer serviços de saúde em
seu estado. Algumas medidas seriam incluídas
para assegurar que os pacientes tivessem sem­
pre fácil acesso a informações, que produtos e
equipamentos não aprovados pelo FDA não po­
deriam ser anunciados e que os efeitos colaterais
dos produtos aprovados não poderiam ser mais
sérios do que aqueles do tratamento convencio­
nal. Isso exige que a segurança das terapias al­
ternativas seja claramente determinada e que to­
dos os profissionais desse tipo de terapia sejam
regulamentados e licenciados. A lei permitiria ao
indivíduo acesso a uma ampla gama de opções
que poderiam reduzir significativamente os cus­
tos com tratamentos de saúde. Da mesma forma
que muitos outros esforços para se expandir o
acesso a tratamentos de saúde, esse projeto de
lei tem apoio de ambos os principais partidos po­
líticos (Democrata e Republicano).
Enquanto muitos cristãos podem estar preo­
cupados com o acesso a uma ampla gama de
opções de tratamentos de saúde, outros podem
encontrar-se alarmados por serem forçados a
46 Coleção Bioética
participar de “treinamentos terapêuticos”. Algu­
mas empresas têm exigido que os empregados
participem de seminários baseados em técnicas
da Nova Era, tais como aulas com místicos e cu­
randeiros, meditação, mentalização guiada, auto-
hipnose, toque terapêutico, biofeedbuck, ioga, ca­
minhar sobre fogo e indução a estados alterados
de consciência. A lógica das empresas é de que
esses cursos melhoram a motivação dos funcio­
nários, aumentam a cooperação e a produtivida­
de. Entretanto, os meios usados para atingir es­
ses objetivos podem ser uma interferência não
permissível nas crenças religiosas do funcioná­
rio. Certas diretrizes federais deixam claro, sob o
Item VII, que uma empresa deve adaptar-se às
crenças religiosas de seus empregados. Uma em­
presa não pode exigir que os empregados partici­
pem de tais seminários se a objeção do funcioná­
rio é baseada em crenças religiosas sinceras.22
A liberdade de escolher entre as terapias al­
ternativas e convencionais requer o uso de infor­
mações precisas sobre a eficácia de cada uma.
Assim sendo, torna-se infundada a frase “exceto
pela medicina de emergência, 80% da eficácia
da medicina convencional nunca foi comprova­
da.”2’’ Essa é uma das “lendas” do mundo da
medicina alternativa, baseada num relatório do
Office q f Technology (OTA) em 1978, que cita­
va uma pesquisa britânica feita entre 1960e 1961
com 19 médicos.24 Recentemente, foi revelado
Medicina A her na! iva 47
que essa estatística veio de um comentário não-
olieiai leito por Kerr E. White, um dos membros
do painel do OTAA White fez esse comentário
como uma forma de desafio para que fossem
encontradas evidências mais sólidas sobre as for­
mas usadas pelos médicos para tomar decisões.
Apesar disso, o comentário de White ainda é fre­
quentemente mal usado em muitos artigos que
promovem a medicina alternativa. Mesmo que a
porcentagem citada por White fosse correta em
1960, estudos recentes descobriram que esse não
é mais o caso. Um estudo feito em 1995 desco­
briu que 82% das decisões tomadas por médicos
têm base em pesquisas científicas.26

T erapias A lternativas P opulares

13. O que é saúde liolistica?


Saúde holística é um assunto complexo e con­
troverso. Esse termo, muitas vezes, tem sido usa­
do como sinônimo de cura da Nova Eira (ver
questão 33). Em linhas gerais, é a idéia de que a
saúde depende de um equilíbrio correto entre cor­
po, mente e espírito. Concentra-se mais em pro­
mover a saúde e o bem-estar do indivíduo do que
em curar doenças. Seus proponentes enfatizam
a capacidade que o corpo tem de curar a si mes­
mo, ao invés da necessidade de ajuda de inter­
venções médicas externas.
48 Coleção Bioética
A saúde holística é, de várias maneiras, com­
patível com a visão bíblica de saúde. Certamente
está mais próxima do que a idéia de que a saúde
depende apenas do corpo físico. A visão bíblica
da criação humana ensina que as pessoas são
seres espirituais, emocionais e relacionais que
também têm um corpo (1 Tessalonicenses 5.23;
Hebreus 4.12). As dimensões física, emocional,
relacional e espiritual de cada pessoa estão in­
trincadamente entretecidas para formar quem ela
é. Por essa razão, qualquer forma de medicina
que negligencie as emoções, o estilo de vida ou
os relacionamentos (tanto com outros como com
Deus) do paciente irá falhar em tratar a pessoa
como um todo. A boa saúde envolve a mente e o
espírito: “O coração alegre é bom remédio, mas
0 espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios
17.22; 2 Samuel 13.2 e Provérbios 3.8).
Uma diferença importante entre a saúde ho­
lística da Nova Era e a visão cristã está no âmbito
moral. A Nova Era afirma que a saúde espiritual
vem do esclarecimento (como uma compreensão
especial) e de tomar-se consciência de que somos
todos deuses. Desta forma, a culpa é apenas uma
ilusão da qual precisamos nos libertar. O cristianis­
mo, entretanto, afirma que a culpa é um aspecto
importante da saúde. A culpa ajuda o crente a
manter uma consciência moral e evitar práticas
insalubres. A libertação da culpa só vem quando
admitimos pensamentos e ações erradas e então
pedimos o perdão de Deus, um perdão que está
i ledicina Alternativa 49
disponível, pois a morte de Jesus Cristo já pagou a
pena eterna por nosso peeado. A saúde holística
da Nova Era simplesmente dispensa o conceito de
culpa, enquanto o cristianismo a resolve.
Num contexto de Nova Era, o holismo inclui
a unidade das pessoas umas com as outras e com
o Universo. Diz-se que todos os seres vivos es­
tão unidos por uma energia universal, impessoal
e espiritual, conhecida nas religiões orientais como
preina, chi ou Ki. No Ocidente também já loi
chamada de orpone, energia inata ou bioenergia.
Mesmo que, às vezes, seja comparada com ele­
tricidade ou magnetismo, ela é completamente
diferente. Por não ser física, ela não pode ser
detectada por instrumentos. Seus proponentes ad-
mitem que não há provas científicas de sua exis­
tência. Apesar disto, ela é um fundamento para
muitas terapias alternativas que dizem promover
a saúde equilibrando o fluxo dessa energia pelo
corpo das pessoas.
Os métodos utilizados para aproveitar essa
energia são os mesmos usados por praticantes
do ocultismo para entrar no reino demoníaco.
Abrir-se para essas forças é como brincar de roleta
russa com uma arma carregada. Os cristãos não
devem envolver-se em qualquer terapia que afir­
me manipular a energia vital (ver questão 36).
14. O que é medicina de corpo e mente?
A medicina de corpo e mente explora a in­
fluência dos pensamentos e emoções das pesso-
50 Coleção Bioélica
as sobre a saúde física. A maioria dos sistemas
de cura da Antigüidade funcionava através desse
mecanismo. A medida que a ciência moderna
revelou as causas de várias doenças como sendo
de natureza física (bactérias, vírus, genes e as­
sim por diante), o papel da mente foi minimizado.
Até mesmo as úlceras gástricas que antes se
acreditava serem causadas exclusivamente por
estresse, são agora ligadas a certas bactérias e,
portanto, podem ser tratadas com antibióticos. Só
quando uma causa física para uma doença não é
encontrada é que se passa a considerar a mente
e as emoções como tendo um papel - as chama­
das doenças psicossomáticas.
Entretanto, esse não é o único exemplo con­
temporâneo da ligação entre mente e corpo. O
efeito placebo continua sendo uma forte evidên­
cia da importância da interatividade entre mente
e corpo (ver questão 6). Além disso, o aumento
no estresse contribui significativamente para o
desenvolvimento de algumas doenças, especial­
mente aquelas do coração, porém não outras, como
o câncer. Os sistemas hormonal e imunológico do
corpo também são afetados pelo estresse.
Diversas formas de aliviar o estresse que tra­
zem à tona o relaxamento foram examinadas por
Herbert Benson da Escola de Medicina de Har-
vard. Algumas das terapias de mente e corpo mais
comuns são o biofeedbuck, hipnose, meditação,
visualização, ioga e exercícios de respiração
(ver questões 23, 30 e 3 1). Nessas terapias, acre-
M edicina . Illern a lira 51
dita-se que de várias maneiras o corpo beneficia-
se do treinamento ou manipulação da mente. As
empresas de planos de saúde estão promovendo
ativamente as terapias de corpo e mente como
sendo formas seguras e economicamente viáveis
de se reduzir o estresse. Enquanto muitas dessas
terapias causam o relaxamento, o grau com que
elas melhoram a saúde ou previnem doenças só
está começando a ser explorado.
As promessas feitas pela medicina de corpo
e mente muitas vezes confundem causa com co-
relação. Muitos pacientes com uma determinada
doença, por exemplo, podem mostrar altos níveis
de estresse. O estresse e essa doença estão co-
relacionados, mas isso não significa necessaria­
mente que foi o estresse que causou a doença.
Aliviar o estresse pode ajudar o paciente, mas
também é possível que não mude o curso da do­
ença física. Um perigo muito sério é o de que os
pacientes beneficiados pela redução de estresse
acabem concluindo que sua doença também está
sendo curada e, portanto, tornem-se menos pro­
pensos a procurar tratamento para a doença físi­
ca. As terapias de corpo e mente enfatizam a res­
ponsabilidade das pessoas sobre a saúde, algumas
vezes até o ponto de culpar os pacientes por suas
doenças. Muitos podem concluir que, se a mente é
crucial para a cura da doença, ela também pode,
da mesma forma, causar a doença. O criador do
método Simonton de visualização (ver questão 30)
observa que “se vamos crer que dentro de nosso
52 Coleção fíioélica
próprio corpo temos o poder de superar o câncer,
então precisamos admitir que temos o poder de
causar a doença".- Essa perspectiva pode levar
a fortes e desnecessários sentimentos de culpa
que não estão baseados na realidade.
Pode ser que as terapias dc corpo e mente
atenuem alguns estresses da vida e tragam certo
alívio durante a doença. É possível que elas até
previnam o começo de uma doença. Porém, seu
papel potencialmente reconfortante e preventivo
não significa automaticamente que elas tenham
um papel curativo. Assim, procure maneiras ade­
quadas dc reduzir o estresse inevitável da vida
diária - evitando sempre, porém, influência do
ocultismo ou de outras filosofias e práticas não-
cristãs. Entretanto, sempre que uma doença se
desenvolver, cuide para que as terapias de mente
e corpo não tomem o lugar de terapias convenci­
onais eficazes.
15. Por que a purificação é um
princípio comum tle várias terapias
alternativas?
Diversas terapias alternativas incorporam
maneiras de purificar o corpo de várias toxinas
(venenos). No caso de algumas terapias, isso pode
significar apenas mudar-se para um lugar com ar
mais puro e água mais limpa. As terapias de die­
tas que se baseiam em alimentos orgânicos suge­
rem problemas com a agricultura e embalagem
modernas. Os proponentes afirmam que os ali-
Medicina . ílternalira
mentos comerciais contém pesticidas, herbicidas
e outros produtos químicos que causam doenças,
dizendo que uma volta a dietas mais naturais pode
melhorar a saúde.
Essas chamadas terapias naturais normalmen­
te baseiam-sc em princípios autênticos, mas não
devem ser levadas ao extremo. Nos países desen­
volvidos, as dietas são desequilibradas e as pesso­
as fariam bem em incluir mais frutas e legumes na
alimentação. Mas essas mudanças por si só pro­
vavelmente teriam efeitos limitados sobre a saú­
de. Muitas culturas que vivem “mais próximas à
natureza” tem uma expectativa de vida mais curta
do que aquela dos países desenvolvidos. Seu estilo
de vida “mais natural” não as protege das doenças
que continuam a assolar alguns países.
Algumas terapias alternativas pregam outras
formas de purificação que, supostamente, remo­
vem as toxinas causadoras das doenças. As toxi­
nas são vistas como resíduos químicos da alimen­
tação. elementos químicos que se acumulam cm
decorrência do estresse ou energias negativas no
campo energético ou aura da pessoa. A Ayurve­
da (ver questão 18) tradicional, por exemplo, afir­
ma que pensamentos, comidas e hábitos negati­
vos levam ao acúmulo de ama. Isso deve ser eli­
minado do corpo usando-se sangria, vômito, la­
xantes. limpeza das cavidades faciais ou ene­
mas.'8A interpretação moderna de Ayurveda ofe­
recida por Deepak Chopra substituiu os dois pri­
meiros métodos por massagens com óleo de ger-
54 Coleção Bioélica
gelim, que antes era reservado apenas para o
“prazer de reis” mas que parece mais atraente
para os clientes ocidentais.
Nas terapias de energia vital, a purificação é
uma forma de remover a energia negativa. Essa
energia negativa acumula-se durante a doença e
deve ser eliminada. Os praticantes do toque tera­
pêutico (ver questão 20) advertem que ela pode
ser transferida de pacientes doentes, causando
efeitos nocivos sobre qnem está realizando a te­
rapia. y> Essa forma de purificação desenvolveu-
se da crença de que os demônios eram os causa­
dores das doenças. Poucas terapias alternativas
ainda associam a purificação com demônios, sen­
do que a medicina shaman é uma exceção. A
prática de técnicas de purificação traz as mes­
mas preocupações que qualquer outro envolvi­
mento com a energia vital (ver questões 33 e 36).
Uma dieta mais saudável pode melhorar a
sensação de bem-estar, seja provendo os nutri­
entes necessários ou limitando o uso desneces­
sário de aditivos químicos. O uso de purgantes,
laxantes e enemas também pode ser receitado
por um médico. Eintretanto, seu uso como um
auxílio à dieta pode levar a problemas de saúde
físicos e psicológicos, especialmente quando a
pessoa já está doente ou deprimida.
16. O que é acupuntura?
Acupuntura é uma terapia alternativa que tem
crescido em popularidade e aceitação. As pessoas
Medicina Alternativa aã
a procuram, na maior parte das vezes, para redu­
zir dores, náusea e vômitos. Essa técnica é parte
da medicina tradicional chinesa e baseia-se na
crença de que a doença ocorre quando há um
desequilíbrio no chi ou Qi (energia vital). Esse
conceito desenvolveu-se a partir da idéia antiga
de que as doenças seriam causadas por demôni­
os, cuja intenção satânica pode ser encontrada
nos ventos que residem nas cavernas ou túneis.
Apesar do chi mais tarde passar a ser visto como
um fenômeno natural, o termo chinês para ca­
vernas (hsueh) ainda é usado por praticantes da
acupuntura para designar os buracos na pele atra­
vés dos quais o chi flui para fora do corpo.
Várias terapias afirmam restaurar o equilí­
brio do chi. Na acupuntura, isso normalmente é
feito usando-se agulhas fluas para estimular vári­
os pontos localizados em diferentes partes do
corpo. As agulhas são inseridas na pele o sufici­
ente para que não caiam - um procedimento que
normalmente é indolor. Elas são então giradas c
podem ser deixadas na pele por um período curto
de tempo. As agulhas são inseridas nos orifícios
de chi, conhecidos nos dias de hoje como pontos
de acupuntura, que são conectados por '"meridia­
nos”. A literatura antiga associava os meridianos
com os vasos sanguíneos, mas a literatura mo­
derna os considera como caminhos de fluxo da
energia. Não existe um consenso sobre a locali­
zação ou número de caminhos e nem há evidên­
cias científicas de sua existência.
56 Colcçdo Bioéncu
Uma revisão feita pelo National Institute of
Health (NIH) encontrou poucas pesquisas res-
peiláveis sobre acupuntura.’" Muitos estudos con­
trolados descobriram que ela não é mais eficien­
te que um placebo no processo de restauração
da saúde. O painel de revisão, entretanto, con­
cluiu que há evidências de que a acupuntura re­
duziu as náuseas e vômitos após quimioterapia
ou cirurgia e foi etlcaz na redução de dor de den­
tes. Muitas outras afirmações ainda não têm pes­
quisas que as apoiem, 'lambem já foram propos­
tas diferentes pesquisas sobre a eficácia da acu­
puntura. A acupuntura causa diversas mudanças
biológicas significativas, sendo que a liberação de
endorfinas é a mais significativa. Esses compos­
tos são parte da maneira natural do corpo de alivi­
ar a dor. A dor em uma determinada região do
corpo também pode sei' aliviada ao causar-se irri­
tação em outra área. o que pode explicar porque
as agulhas funcionam. Outros, entretanto, acredi­
tam que a acupuntura não passa de um placebo.
A acupuntura não deve ser usada na espe­
rança de se curar uma doença e nunca deve subs­
tituir as terapias eficazes. Ela tem baixo custo, é
relativamente segura e, sua eficácia limitada pode
torná-la uma opção viável para certos casos como
o alívio de dor conforme especificado pelo NIH:
deve-se, entretanto, tomar cuidado na hora da es­
colha do profissional. Aqueles que são adeptos da
acupuntura e da religião tradicional chinesa podem
Medicina Alternativa
invocar poderes espirituais para auxiliar no trata­
mento. expondo o paciente a influências do ocul­
tismo ( I Timóteo 4 .1: 2 Timóteo 3 .13-1 5; 4.3.4).
17. O que é cinesiologia aplicada?
A cinesiologia aplicada c um sistema de di­
agnóstico e tratamento baseado nos músculos da
pessoa. Um quiroprático chamado George Goo-
dheart desenvolveu a cinesiologia em 1964 usan­
do métodos comuns para testar a Ibrça dos mús­
culos. A cinesiologia aplicada concentra-se na li­
gação dos grupos de músculos com os órgãos e
sistemas vitais do corpo. O teste da Ibrça desses
músculos revela o estado de saúde do sistema.
Diz-se que fraquezas nesses músculos são cau­
sadas por desequilíbrios da energia vital, proble­
mas físicos, deficiências nutricionais ou alergias.
O aspecto mais distintivo da cinesiologia apli­
cada é seu método de teste dos músculos. Por
exemplo: o paciente levanta os braços, manten­
do-os retos. O terapeuta coloca seus dedos so­
bre o braço do paciente, aplicando pressão firme,
porém suave. Se o paciente consegue resistir a
esse tipo de pressão e ela parece normal para o
terapeuta, então os sistemas relacionados àquele
músculo estão saudáveis. Se o paciente não con­
segue resistir à pressão do terapeuta, então há
um problema. Testes com outros músculos aju­
dam a localizar o problema e o terapeuta então
massageia suavemente certos “pontos de pres­
são” localizados no escalpo ou em outras partes
58 ( 'altiçõtj fíioólica
do corpo. A maior parte dos pontos de pressão
está localizada longe dos músculos afetados.
Acredita-se que a massagem melhora o fluxo de
sangue, linfa e energia vital. As ligações de ener­
gia vital da cinesiologia são semelhantes aos me­
ridianos da acupuntura.
Os testes para detectar alergia são feitos de
maneira parecida. Uma vez que um músculo do
braço é testado conforme o procedimento acima,
um pouco de comida à qual o paciente suspeita
ser alérgico é colocado em seus lábios ou língua.
O músculo do braço é testado novamente e se o
paciente resistir à mesma pressão, não há aler­
gia. Se o braço parecer mais fraco enquanto a
comida estiver em contato com a boca, o pacien­
te é alérgico àquele alimento. Diz-se que defici­
ências de nutrientes, vitaminas ou minerais tam­
bém podem ser detectadas de maneira semelhante
através dos músculos.
Um problema significativo com a cinesiolo­
gia aplicada é que os resultados do teste depen­
dem de observar que é o primeiro (paciente ou o
terapeuta) a fazer pressão, a quantidade de pres­
são exercida e o ângulo no qual ela é aplicada.
Seria útil ter-se um instrumento para padronizar
esses testes, mas ainda não foi desenvolvido nada
nesse sentido. Uma versão popularizada da cine­
siologia aplicada, o chamado Toque paru a Saú­
de. tem causado ainda mais variações na prática
dessa terapia e é fortemente influenciada por fi­
losofias da Nova Era (ver questão 33).
\ledicina Alternativa 59
Não há provas de que a cinesiologia aplica­
da funcione nem no diagnóstico e nem no trata­
mento de problemas de saúde. Mesmo que ela
não seja perigosa por si só, pode adiar um diag­
nóstico convencional mais confiável. Os cristãos
também devem ter cuidado com as crenças que
acompanham essa prática. Terapeutas que defen­
dem a energia vital dentro da cinesiologia aplicada
podem tentar envolver os pacientes de maneira
mais profunda na visão de mundo da Nova Era.
18. O que é medicina Ayurvédica?
Ayurveda é a medicina tradicional da índia.
A palavra significa literalmente “ciência da vida”
e envolve aspectos médicos, filosóficos e religio­
sos. Ela enfatiza o equilíbrio entre os elementos
físicos, mentais, espirituais e ambientais. O pro­
ponente mais conhecido da medicina ayurvédica
nos Estados Unidos é Deepak Chopra, apesar de
alguns afirmarem que ele interpreta incorretamen­
te a ayurveda tradicional. Entre seus vários livros
estão hesl-sellers como Quantum Healing
(Cura Quântica). Perfect Health (Saúde Perfei­
ta) e Ayeless Bocly, Timeless Mirtd (Corpo e
Mente Imortais). Chopra era praticante da medi­
cina ocidental moderna até que ficou desiludido
com suas limitações. Ele voltou para a índia, afim
de aprender Ayurveda com Maharishi Mahesh
Yogi, que introduziu a meditação transcendental no
Ocidente. Maharishi conferiu a Chopra o título de
"Dhunvanlari (Senhor da Imortalidade), guardião
60 Coleção Bioética
da saúde perfeita para o mundo”, mas revogou o
título quando, em 1993, os dois separaram-se e
passaram a trilhar caminhos diferentes.-1
Em sua forma tradicional, a Ayurveda ensi­
na que a vida é sustentada por uma forma de
energia não-física conhecida como prema. Essa
energia Hui através de tudo e de todos, animando
e sustentando o Universo. A verdadeira saúde é
resultante de um fluxo equilibrado deprana por
todo o corpo. Os desequilíbrios levam a sintomas
físicos reconhecidos como doenças, envelheci­
mento e morte. O tipo de personalidade também
é importante para a boa saúde e o tratamento de
desordens. Cada pessoa tem uma combinação de
três tipos básicos de personalidade chamados de
doshus, mas um é sempre predominante. Os
doshas são importantes para a manutenção do
equilíbrio entre os órgãos do corpo, já que os de­
sequilíbrios causam as doenças.
Várias práticas equilibram prana e doshas.
A meditação é muito importante para reduzir o
estresse, trazer o relaxamento e guiar a pessoa a
um estado de consciência alterado para obter vi­
sões sobre sua própria saúde e espiritualidade.
Os terapeutas Ayurvédieos usam diversos pro­
dutos e práticas para melhorar a saúde da pes­
soa. Entre eles estão os rasayanas (suplemen­
tos herbais), pedras preciosas, panchakarmas
(procedimentos de purificação), diagnósticos de
doenças através da monitoração do pulso, tipo de
\tedicina Alternativa 61
personalidade e yayvit.s (cerimônias religiosas
nara pedir a ajuda de divindades Hindus).” A re­
moção de toxinas venenosas do corpo também é
importante e é feita através de métodos como o
sangria, vômito e purgação dos intestinos.
Muitas fórmulas Ayurvédicas já foram sub­
metidas a pesquisas, mas não há nenhuma evi­
dência que apoie a afirmação de que elas podem
curar doenças, especialmente as mais sérias. Ali­
as. hoje em dia, os terapeutas Ayurvédicos na índia
usam fórmulas farmacêuticas modernas. As mu­
danças de estilo de vida recomendadas podem
sei' benéficas se as decisões forem tomadas com
base numa alimentação correta, redução do es­
tresse e princípios relacionais. A associação pró­
xima da medicina Ayurvédica com o movimento
de meditação transcendental nos Estados Unidos
faz com que se deva tomar as mesmas precau­
ções recomendadas em relação à meditação (ver
questão 23). Pelo fato de muitos princípios Hindus
ou de Nova Fira estarem por trás da medicina Ayur­
védica, os Cristãos devem considerá-la com cau­
tela e com uma mentalidade crítica (ver questão
33). 'lendo em vista que os Cristãos podem alcan­
çar os benefícios anteriormente citados sem as prá­
ticas Ayurvédicas, é recomendado buscar-se uma
forma dc tratamento mais comprovada.
19. O que é terapia de qaelação?
A terapia de quelação utiliza o EDTA. uma
droga aprovada pelo PDA, para fins que não Ib-
62 Coleção Bioética
ram aprovados. O EDTA há muito tempo foi apro­
vado para uso em tratamentos de envenenamen­
to por metais pesados (como chumbo ou mercú­
rio). O termo quelaçuu vem da palavra grega
“garra’’. A molécula da droga EDTA tem o for­
mato de uma garra, o que ajuda essa molécula a
segurar substâncias. Quando injetada no sangue,
ela prende certos minerais como ferro, cálcio ou
chumbo. O EDTA é removido do corpo pelos rins,
junto com as substâncias apreendidas. O proce­
dimento é perigoso, pois o EDTA pode causar
danos aos rins enquanto está sendo removido, mas
o risco é menor do que os perigos do envenena­
mento por metais pesados.
Como terapia alternativa, o EDTA é usado
para tratar de doenças cardíacas coronárias.
Quando placas acumulam-se nas artérias causam
um bloqueio que reduz a circulação sanguínea e,
portanto, causam angina, morte dos tecidos e au­
mento da pressão. Diz-sc que a terapia de quela-
ção remove alguns dos materiais que constituem
as placas e, portanto, serve como alternativa a
cirurgias de ponte de safena e angioplastia. Os
adeptos afirmam que a terapia de quelação re­
move o cálcio das placas e alivia outras doenças
ao retirar metais tóxicos e neutralizar os “radi­
cais livres” (fragmentos de moléculas que facil­
mente causam reações indesejadas no organis­
mo). Essas afirmações, entretanto, são apoiadas
apenas por alguns relatos de casos individuais e
não por estudos científicos. Um mês de terapia
1ledicina AItenialiva 63
de quelação pode remover no máximo de 0,2% a
0.3% do cálcio nas placas, dependendo da quan­
tidade de EDTA utilizada. ’" Além disso, o cálcio
constitui apenas uma pequena fração da placa
arterial, sendo que o colesterol e os tecidos fibro­
sos são muito mais abundantes. Mais do que isso:
qualquer cálcio removido é rapidamente substitu­
ído por mais cálcio liberado dos ossos. Qualquer
impacto que a terapia de quelação pudesse ter
sobre os radicais livres também não seria signifi­
cativo na redução da concentração desses frag­
mentos moleculares.
A terapia de quelação deve ser usada apenas
de acordo com a aprovação do PDA, ou seja, para
a remoção de metais pesados. A American Heart
Associalion e organizações médicas têm relatado
muitos efeitos negativos decorrentes deste tipo de
terapia. Na terapia alternativa, os riscos são redu­
zidos ao usar-se uma quantidade menor de EDTA.
Entretanto, as infusões intravenosas levam de três
a quatro horas, normalmente requerendo quarenta
ou mais tratamentos num período de dois meses.
O tratamento completo custa em torno de U$ 3000
a U$ 4000. Os gastos e os riscos não valem a
pena tendo em vista as poucas provas de eficácia
dessa terapia em outras doenças além do envene­
namento por metais pesados.
20. O que ó quiroprática?
A quiroprática começou por volta de I 890,
com D.D. Palmer, dono de uma mercearia e curan­
64 ('oleção Bioética
deiro. A quiroprática concentra-se na espinha e
nos problemas resultantes do desalinhamento da
mesma e que interferem nas funções nervosas.
Essa terapia vê o sistema nervoso como sendo
de importância primordial para o funcionamento
normal do restante do corpo. Irregularidades da
espinha podem interferir na capacidade natural do
corpo de curar-se a si mesmo e, portanto, devem
ser corrigidas através da manipulação espinhal.
Desde seu início, porém, os quiropráticos
estão divididos sobre quais problemas podem ser
aliviados e quais as causas desse alívio. Palmer
afirmava que a manipulação da espinha corrigia
o que ele chamava de “subiuxações". Estas são
vistas como bloqueios que interferem na transmis­
são nervosa normal; entretanto, a natureza, locali­
zação e até mesmo a existência de subiuxações é
algo discutível mesmo entre os quiropráticos.
B.J. Palmer, filho do fundador, afirmou, por
sua vez, que as subiuxações são a causa de todas
as doenças. Isso levou a uma separação de qui­
ropráticos que buscavam uma base mais científi­
ca para a quiroprática. Essas diferentes visões
ainda existem atualmente na quiroprática. Alguns
grupos afirmam que a quiroprática pode curar
quase qualquer doença e. portanto, buscam prati­
cá-la como equivalentes aos médicos convencio­
nais, Outros usam os procedimentos da quiroprá­
tica para, de forma mais limitada, resolver pro­
blemas nos quais a quiroprática têm benefícios
Medicina Alternativa 65
comprovados por estudos rigorosos, A maior parte
fica num meio-termo, especialmente quando a
esfera de sua prát ica inclui o diagnóstico dos males
mais comuns. Muitos quiroprátieos também tra­
balham como naturopalas - profissionais que se
opõem ao uso de drogas farmacêuticas e ao con­
sumo de qualquer alimento que não seja natural
(ver questão 24).
O que dificilmente pode ser discutido é que a
manipulação espinhal alivia problemas associa­
dos a várias formas de dores na parte inferior
das costas. Os resultados IVeqüentemente são
melhores e mais seguros do que aqueles obtidos
através do uso de analgésicos ou cirurgia. Os
quiroprátieos usam radiografias e as mãos para
determinar onde a manipulação é necessária. A
manipulação é feita rapidamente, com leves
compressões. O reajuste com frequência produz
um estalo. O alívio pode scr imediato, pode preci­
sar de um número maior de consultas ou pode vir
depois de um período inicial de maior desconforto.
Quiroprátieos diferem entre si em seus fun-
damcníos científicos e suas crenças espirituais.
Alguns quiroprátieos defendem aberlamentc a
Nova tira e curas xamânioas (ver questões 27 e
33). Alguns incorporam em sua prática várias
outras terapias alternativas. A Nova fira e outras
crenças e práticas podem ser separadas das téc­
nicas quiropráticas benéficas - e é isso que a
Christian Chiropraclic Association procura
66 Coleção Bioúticu
fazer. A quiroprática pode ser uma intervenção
autêntica trazendo desejável alívio para certos
males dos músculos e ossos. Ao consultar um qui-
roprático, deve-se considerar quaisquer outras prá­
ticas e crenças que ele possa estar promovendo.
21. O que são remédios herbais?
Remédios herbais incluem uma variedade de
produtos derivados de plantas que são vendidos
por suas propriedades benéficas à saúde. Cerca
de 1.400 diferentes plantas são usadas nesses
produtos, das quais poucas foram testadas cienti­
ficamente. Por serem naturais, diz-se que os re­
médios herbais são menos nocivos que as drogas
farmacêuticas. Eles também são mais baratos,
pois não passaram por muito processamento ou
testes. Para determinar quais remédios herbais
são seguros e eficazes, consulte a obra de Varro
Tyler, intitulada The Honest Herbal: A Seusible
Guide for lhe Use o f Herbs and Related Re-
medies, 3d ed. (New York: Pharmaceutieal Pro­
ducts Press, 1993).
Muitas drogas farmacêuticas foram desenvol­
vidas a partir de produtos naturais, através de uma
área da ciência chamada furmacognose ou fito-
química. A aspirina, por exemplo, é a versão
modificada de um composto encontrado na cas­
ca do chorão. A penicilina ainda é produzida a
partir de um fungo. As empresas farmacêuticas
usam com freqüência os remédios herbais, iso­
lando neles o elemento químico que causa o efeito
Medicina Alternativa 67
desejado, testam a droga em termos de eficácia e
segurança e, então, passam a comercializá-la numa
forma purificada. A droga pura pode ser extraída
direto de sua fonte original (penicilina) ou pode ser
produzida sinteticamente (como normalmente é o
caso da aspirina). Os remédios herbais. por outro
lado, são comercializados como o material original
da planta, sem purificação. Eles normalmente con­
tém uma concentração menor dos ingredientes ati­
vos do que as formulações das drogas.
Nos Estados Unidos, devido à legislação fe­
deral de 1994, a segurança e eficácia dos remé­
dios herbais não é mais controlada pelo Food and
Dri/a Adminislration (EDA) (ver questão 1I).
Eles são regulamentados como suplementos nu­
tricionais, mesmo que, com freqiiência, sejam
usados como drogas. Essa falta de regulamenta­
ção tem criado vários problemas. Não há nada
que assegure que um remédio herbal funcione e
nem mesmo que ele contenha o que é apresenta­
do no rótulo. Ocasionalmente, são encontradas
outras substâncias em remédios herbais, inclusi­
ve ingredientes farmacêuticos ativos para lhes dar
efeito. Até mesmo a quantidade de material hcr-
bal e de ingrediente ativo em cada lote pode vari­
ar bastante. As plantas que produzem substânci­
as medicinais passam por ciclos e as concentra­
ções do ingredientes ativo variam dependendo de
como a planta é armazenada. Sem um teste pa­
dronizado, lotes de remédios herbais podem vari­
ar grandemente em eficácia.
68 Coleção Bioéticü
Enquanto se diz que os remédios herbais são
menos nocivos que as drogas farmacêuticas, mui­
tos são tóxicos. Todo ano, pessoas sofrem de over­
doses, às vezes causadas por variações na po­
tência do ingrediente ativo. Como todas as dro­
gas. os remédios herbais podem interagir com
outros medicamentos, o que pode causai' efeitos
colaterais perigosos. Enquanto aqueles que pro­
movem os remédios herbais criticam a mentali­
dade comercial da medicina convencional, os re­
médios herbais também são um grande negócio.
Estima-se que, em 1995, as vendas superaram os
U$ 2 bilhões nos Estados Unidos.’"1Os grandes
lucros são, possivelmente, um forte incentivo para
promover as vendas e evitar a regulamentação.
Acredita-se que alguns remédios herbais fun­
cionam porque são "espiritualmente vitalizados”
(como no caso dos Florais de Bach). Ervas, es­
pecialmente as alucinógenas, têm sido usadas em
bruxaria e xamanismo como forma de acesso ao
mundo dos espíritos (ver questão 27). Nesse con­
texto, os remédios herbais são ferramentas para
promovei' atividades de ocultismo. Assim, é pre­
ciso discernimento e deve-se investigar a origem,
onde o produto é manufaturado e de que forma
cie é promovido.
De modo geral, os remédios herbais têm mos­
trado que podem ser de ajuda. Mas muitos outros
produzem efeitos desconhecidos, não são efica­
zes ou têm efeitos prejudiciais. Pode ser difícil
Medicin a . I lle r iia liv a 69

encontrar informações precisas sobre remédios


herbais, mas você deve procurar obtê-las antes
de usar esse tipo de remédio.
22. O que é homeopatia?
Os remédios homeopáticos usam soluções
vegetais, animais, minerais ou produtos químicos
extremamente diluídos em água ou álcool. Na
Europa, é grande o interesse nesse tipo de trata­
mento, especialmente na Grã-Bretanha, onde a
família real utiliza os serviços da homeopatia.
Pode-se notar o aumento da popularidade da ho­
meopatia nos Estados Unidos através das ven­
das que vêm subindo 25% anualmente desde o
final da década de 80 e, agora, excedem os 165
milhões dc dólares por ano% A maioria das ven­
das c feita diretamente ao consumidor através
dos correios ou em lojas de produtos naturais e
não através de terapeutas. Essas fórmulas não
são regulamentadas de nenhum modo pelo EDA
devido á isenção recebida através de uma lei de
1983. Eim resposta a essa popularidade, algumas
empresas de planos de saúde já estão dando co­
bertura para tratamentos homeopáticos.
A homeopatia moderna foi fundada por um
médico alemão chamado Samuel Hahnemann
(1755-1843). Insatisfeito com as práticas médi­
cas de seu tempo, como a sangria, formação de
pústulas e purgação, ele desenvolveu seu próprio
sistema médico. Em experiências chamadas de
"provas", ele testou muitas substancias em si
70 Coleção Bioélicu
mesmo e em seus assistentes. Os sintomas cau­
sados pelas substâncias eram meticulosamente
anotados e essas informações ainda são consul­
tadas nos dias de hoje.
Depois de observar os sintomas produzidos
por diversas substâncias, Hahnemann propôs a
Lei dos Similares. De acordo com essa lei, se
uma substância produz sintomas em uma pessoa
saudável, ela irá curar a pessoa que está doente
e com aqueles mesmos sintomas. Em outras pa­
lavras, a homeopatia acredita que “doenças po­
dem ser curadas ao administrar-se doses minús­
culas de drogas que, em grandes quantidades,
causariam os mesmos sintomas da doença que
está sendo tratada.”3*' Por exemplo, pessoas sau­
dáveis que tomam extrato de beladona, desen­
volvem febres, rubores e outros sintomas seme­
lhantes aos da gripe. A Lei de Similares sugere
que esse extrato diluído seja usado para tratar de
febres e gripes. Homeopatas entrevistam seus
pacientes detalhadamente de maneira a determi­
nar qual fórmula apròxima-se mais da combina­
ção de sintomas apresentados.
A fórmula escolhida é então diluída várias
vezes e agitada vigorosamente a cada passo. Os
homeopatas crêem que a diluição aumenta a po­
tência, indo contra a observação comum de que
tuna quantidade maior de uma substância causa
mais efeito. Esse é o aspecto cientificamente mais
problemático da homeopatia. Os homeopatas ad­
Medicina . ille n ia liv a

mitem que muitos extratos são tão diluídos que


pratieamente não há mais nada do extrato no pro­
duto final.
Estudos elínicos têm mostrado seguidamen­
te que as preparações homeopáticas não são mais
eficazes que placebos. Alguns estudos mostram
melhoras significativas, mas esses estudos foram
criticados por não assegurarem adequadamente
que outros fatores não causaram essas melho­
ras. Alguns homeopatas acreditam que o extrato
deixa uma marca nas moléculas de água através
de algum tipo de força eletromagnética. Não existe
nenhuma prova disso. Se tal forma de marcação
realmente ocorresse, seria de se esperar que a água
carregasse a memória de todas as substâncias que
um dia tivessem sido nela dissolvidas - causando
muito mais efeitos do que os observados.
A explicação de Hahnemann para. o efeito
homeopático era dc que a agitação, que é parte
do processo de diluição, liberaria “a força vital
espiritual” da substância curativa. Assim, mais
agitação libera mais energia e causa efeitos mais
fortes. De acordo com Dana Ullman, presidente
do Foundation for Homeopathic Educaiion and
Research, essa energia é parecida com o prema,
“um processo de cura própria inerente, básico e
interconectivo do organismo”.’’7 Desta forma, al­
guns proponentes da homeopatia introduzem os
pacientes ao vitalismo e a idéias ligadas à energia
vital (ver questão 36).
"2 C o le ç ã o f íio é lic d

Outros afirmam que as soluções homeopáti­


cas extremamente diluídas funcionam porque as
pessoas acreditam nisso ou porque os pacienles
têm um relacionamento positivo com o terapeu­
ta. Entretanto, os pacientes devem cuidar para
que não negligenciem o diagnóstico e o tratamento
de doenças que a medicina convencional pode
curar ou aliviar.
23. O que é meditação?
Dependendo do contexto, o termo medita­
ção pode significar várias coisas. As formas mais
comuns de meditação associadas a terapias al­
ternativas têm suas origens nas religiões orien­
tais e em práticas do ocultismo. Seu objetivo é
silenciar ou limpar a mente racional para que a
pessoa possa tornar-se mais consciente do “eu”
interno. Isso normalmente inclui algum estado de
consciência alterada que, supostamente, leva ao
verdadeiro esclarecimento espiritual.
Na prática, a pessoa que está meditando re­
laxa em um ambiente tranqiiilo. A atenção men­
tal concentra-se em algum objeto, ação ou pen­
samento, como por exemplo um munira (uma
palavra ou frase sagrada repetida várias vexes)
ou a própria respiração da pessoa. O objetivo é
manter-se alerta, porém relaxado. Acredita-se que
c esse estado de relaxamento que traz os benefí­
cios para a saúde. As pesquisas mostram que
muitas doenças são causadas ou exacerbadas
pelo estresse. É de se entender que as pessoas
Medicina Allcrnaliva
estejam procurando maneiras de relaxar. Tendo
em vista que pessoas que meditam há muito tem­
po são capazes de controlar várias funções do
corpo, a meditação é vista como uma forma de
aumentar o controle sobre o corpo e, dessa forma,
ser capaz de relaxá-lo. Estudos clínicos sobre a
meditação confirmam vários efeitos benéficos à
saúde como a redução do estresse, controle de
dores crônicas e redução da pressão arterial.
Entretanto, há registros de que a meditação
também já causou problemas. A meditação trans­
cendental, promovida por Maharishi Mahesh Yogi
foi muito popular nos anos 60 e contribui em mui­
to paia aumentar a familiarização dos america­
nos com a meditação e o Hinduísmo. Um estudo
constatou que 48% dos praticantes de meditação
transcendental mostraram efeitos adversos, sen­
do os mais comuns a ansiedade, depressão, con­
fusão. frustração, tensão física e mental e explo­
sões inexplicáveis de comportamento anti-soci-
aPE Esses efeitos foram relatados por instruto­
res de meditação transcendental que continua­
ram a usar o método e não por aqueles que para­
ram. Outros estudos documentaram efeitos ad­
versos sérios como tentativa de suicídio e a hos­
pitalização psiquiátrica. •w
O propósito maior de grande parte das for­
mas de meditação usadas com as terapias alterna­
tivas é ganhar um insight espiritual e o acesso a
informações relacionadas à cura. E dada muita
74 Coleção Bioéfica
ênfase à intuição e ao insight alcançado durante a
meditação, bem como aos estados alterados de
consciência. Os terapeutas freqüentemente enco­
rajam seus pacientes a confiar em sua intuição
ao invés de dar ouvidos às idéias racionais de ou­
tros. Esse conselho pouco sábio reflete a tendência
contemporânea de ver o conteúdo da espiritualida­
de como uma questão de preferência pessoal.
A Bíblia aconselha o contrário. Em várias pas­
sagens, ela nos ensina que seguir nossa própria
intuição pode levar à falsidade e ao engano. Deus
reprova seu povo repetidamente por que acredi­
tavam saber o que era melhor para eles e para o
mundo (Números 15.39; Deuteronômio 12.8; Jui­
zes 17.6). Os insighís recebidos durante estados
alterados de consciência são especialmente pro­
blemáticos. Os falsos profetas do Antigo Testa­
mento baseavam-se em adivinhações e visões,
revelando apenas a futilidade e engano de suas
próprias mentes (Jeremias 14.14; 23.16,17, 25-
32; Ezequiel 13.6-8). Deus, ao contrário, nos cha­
ma para fazer o que é certo aos seus olhos (Êxo­
do 15.26). Seus propósitos e direções são revela­
dos pelo trabalho do Espírito Santo através de
várias formas, incluindo o conselho sábio de cris­
tãos maduros. Enquanto Deus pode nos dar insi-
ghts e orientação de várias maneiras, aquilo que
recebemos dele está sempre em harmonia com o
que está escrito em sua Palavra (1 Coríntios 14.29-
33; Ciálatas 1.8; 1 João 4.1,2). Em outras pala­
Medicina . tllernaliva
vras, a Bíblia nos oferece a base com a qual po­
demos julgar se uma mensagem que pensamos
ter recebido de Deus. realmente vêm dele.
Os cristãos devem sempre ter controle so­
bre suas mentes e pensamentos (2 Coríntios 10.5).
Estados alterados dão abertura para a sugestão
espiritual, tornando as pessoas vulneráveis a in­
fluências demoníacas e outras de caráter negati­
vo. A meditação é mencionada com frequência
na Bíblia (Josué 1.7-9; Salmos 1; 2-3; 19.14; 49.3;
104.34; 119.97,99). A meditação bíblica desafia a
pessoa a refletir diariamente na Palavra de Deus,
de forma pensativa e relevante. Ela implica ha­
ver conformidade com os propósitos e direções
de Deus. Ao contrário da meditação transcen­
dental e outras formas de meditação, a medita­
ção cristã não é um esvaziamento da mente ou
uma concentração no “eu’" interior; é, sim, en­
cher a mente com a verdade, concentrando-se
no Deus de toda a verdade.
24. O que é naturopatiu?
A naturopatia é praticada pelo médico natu-
ropata que usa somente os meios considerados
naturais para prevenir e curar doenças. As cha­
madas drogas farmacêuticas artificiais e as ci­
rurgias são sempre evitadas. A naturopatia ba-
seia-se na mesma ciência médica da medicina
convencional e usa muitas das mesmas ferramen­
tas de diagnóstico. As diferenças, entretanto, ocor­
rem nos tratamentos mais comumente usados. Os
7 f> Coleção Bioética
terapeutas recomendam práticas como a homeo­
patia. remédios herbais, acupuntura, bioléedba-
ck, aconselhamento, dietas e manipulação física
(ver questões 16, 2 1,22). Os médicos naturopa-
tas vêem a longa tradição desse tipo de trata­
mento como evidência de sua eficácia.
Escolas de medicina naturopática eram po­
pulares nos Estados Unidos no começo do século
20, mas entraram em declínio no meio do século
e têm experimentado uma renovação de interes­
se mais recentemente. Nos dois primeiros anos,
o currículo dessas escolas c semelhante ao de
outras escolas de medicina. Os próximos dois
anos concentram-se em tratamentos usados pe­
los médicos naturopatas. sendo claramente dife­
rentes do conteúdo ensinado no restante das es­
colas de medicina. Quando da elaboração deste
texto, a maioria dos estados não licenciava e nem
regulamentava os médicos naturopatas e dois
estados (South Carolina e Tennessee) proibiam
explicitamente a prática desse tipo de terapia. En­
tretanto. em doze estados (Aiaska, Arizona, Con-
ncclicut. Florida. Havvaii, New I lampshire, Mai-
ne, Montana, Oregon, IJtah, Vermont e Washing­
ton) e em District of Columbia, o médico naturo-
pata tem licença para praticar todas as terapias
relacionadas à naturopatia. desde que passe num
exame de certificação depois dos quatro anos de
estudo numa escola de naturopatia.4" Um médi­
co convencional, entretanto, deve antes comple­
Medicina .illernnliva
tar mais três anos de residência para praticar a
medicina geral e deve passar por mais treinamento
se deseja exercer uma especialidade, como on­
cologia ou pediatria. Os naturopatas afirmam que
podem tratar a maior parte das doenças e que
indicam um médico convencional quando estão
diante de um caso que exija cirurgias complica­
das ou tratamento de alta tecnologia. Kles enfati­
zam a importância da medicina preventiva, estilo
de vida saudável e buscam desenvolver o poten­
cial de cura natural do próprio corpo. Alguns pla­
nos dc saúde cobrem os serviços naturopáticos
por causa de seus custos mais baixos e por terem
menos efeitos colaterais se comparados à medi­
cina convencional.
A naturopatia enfatiza o aspecto liolí.stico do
tratamento de saúde, o que, às vezes, é compatí­
vel com a visão bíblica, mas que também pode
incluir espiritualidade da Nova Era e vitalismo (ver
questão 33). Alguns neuropatas também afirmam
que muitas doenças surgem do acúmulo de toxi­
nas no organismo. Esses terapeutas recomendam
purificação, algumas vezes.através de dietas ou
exercícios, mas também através de métodos pur­
gativos. sendo alguns deles bastante severos (ver
questão 15). Os clientes também (.levem estar
conscientes dc que alguns naturopatas trabalham
em cooperação com médicos convencionais e
outros são antagônicos a eles. Esse antagonismo,
juntamente com o treinamento menos extenso que
/8 Coleção Bioél/cíi
os naturopatas recebem, poderia levar a uma de­
mora em se tratar alguns casos mais sérios de
forma eficaz. Tendo em vista que alguns dos tra­
tamentos não demonstraram eficácia clínica, eles
não devem substituir as terapias que têm sua efi­
cácia comprovada.
25. O que é osteopatia?
A osteopatia é um bom exemplo das dificul­
dades associadas a se classificar determinadas
terapias em convencionais ou alternativas. Nos
dias de hoje, quase não há diferença entre um
médico osteopata c um médico convencional. Os
dois recebem treinamento muito parecido em es­
colas e hospitais. Mas nem sempre foi assim.
Andrew Taylor Still deu início a osteopatia em
1874, depois de ficar desiludido com a medicina
convencional quando seus filhos morreram de me­
ningite. Ele veio a crer que todas as doenças têm
origem num desalinhamento dos ossos - daí o
nome da terapia: asleo (que significa osso) e poliu
(que significa doença).
No começo do século 20, houve grandes con­
flitos entre os médicos convencionais e os osteo-
patas, sendo que a osteopatia era vista como não-
convencional. Porém, sua aceitação pela medici­
na convencional cresceu de tal forma que nos anos
60 os médicos osteopatas dos Estados Unidos pas­
saram a ser aceitos como equivalentes a médicos
convencionais. Um marco nesse processo de acei­
tação ocorreu cm 1958, quando o American Os-
Medicina Alternativa 7i)
teoputhic Association rejeitou algumas das cren­
ças mais excêntricas de Andrew Still c passou a
aceitar princípios científicos para fundamentar a
osteopatia. Hoje em dia, as características dilê-
renciadoras da osteopatia quase não são visíveis,
como lamentam certos médicos osteopatas. Alguns
retêm uma visão mais holística ao tratamento de
saúde do que o típico médico convencional e in­
corporam a suas práticas a manipulação manual.
A osteopatia não é tão amplamente aceita em ou­
tros países como Austrália e Grã-Bretanha, onde é
vista como uma terapia complementar.
O princípio básico da osteopatia c de que
muitas doenças surgem quando a estrutura física
do corpo está desalinhada. A manipulação manu­
al ajuda a restabelecer o equilíbrio do corpo e cura
a doença. As terapias incluem massagens e ma­
nipulação das juntas, semelhante àquela dos qui-
ropráticos (ver questão 20). Também podem ser
sugeridos planos de exercícios, conselhos sobre
postura e técnicas de relaxamento. A osteopatia
allrma ter uma visão mais holística da saúde do
que a medicina convencional, apesar de que até
mesmo certos osteopatas discutem se esse é re­
almente o caso."
Para o tratamento de dores nas costas e ou­
tras dores associadas ao movimento, a osteopa­
tia tem o apoio de pesquisas. Mais controversa,
entretanto, é uma prática chamada de terapia cra-
niossacral. Alguns osteopatas e quiropráticos afir-
HO ( ' o l e ç à o B i n ó í i i it

marn que esse procedimento manipula os ossos


da cabeça, espinha e pélvis para permitir o livre
fluxo do fluído cérebro-espinhal ou. como alguns
preferem chamar, um fluxo de energia vital. Eles
acreditam que os ossos de algumas crianças po­
dem não ter voltado à sua posição ideal após o
parto e, portanto, precisam ser suavemente reco­
locados em seu lugar (algumas vezes através da
terapia de toque - ver questão 29). Porém, de
acordo com o admitido pela ciência anatômica
aceita, os ossos do crânio colocam-se em sua
posição definitiva até os dois anos de idade e não
podem mais ser movidos. E, portanto, compreen­
sível que haja controvérsia sobre se mover os
ossos do crânio de uma criança. Observe que não
há nenhuma prova documentada de que essa te­
rapia funciona e não é prejudicial.
26. O que é Reiki?
Reiki significa a energia universal de força
vital. Diz-se que é a prática de cura da Antigui­
dade que Buda (e Jesus) usavam, apesar de to­
dos os relatos sobre ela terem sc perdido.4’ Mi-
kao Usui, um monge zcn-budista, redescobriu o
Reiki na metade do século 19 durante uma ex­
periência psíquica depois de três semanas dc
meditação, jejum e oração no Monte Koriyama,
no Japão. Os detalhes perdidos sobre a prática
foram supostamente revelados através da cana­
lização. o termo da Nova Era para a consulta dc
espíritos-guias (ver questão 33).
Medicina Alternativa 81
O Reiki é praticado e ensinado de várias
formas diferentes, mas os métodos básicos são
semelhantes. Até recentemente, o treinamento
Reiki cra realizado em cerimônias secretas que
os terapeutas eram proibidos de revelar. O Rei­
ki agora está sendo promovido em revistas “res­
peitáveis”. Os terapeutas de Reiki devem pas­
sar por três estágios de treinamento. Para tor-
nar-se um terapeuta do primeiro grau, o apren­
diz deve passar por quatro “sintonizações”. Du­
rante essas cerimônias iniciais, o mestre Reiki
abre os canais curativos (ou chakras) de den­
tro do aprendiz para enchê-los com a energia de
vida chamada de Ki, que é o mesmo que prema
ou chi (ver questão 36). Os aprendizes sentem
o Ki fluir através deles, resultando, normalmen­
te, num aquecimento das mãos. Eles também
recebem uma série de símbolos especiais que,
mais tarde, tornam-se parte indispensável dos
rituais de cura. Os mestres Reiki pedem a ajuda
dos espíritos-guias durante essas sintonizações.
Os terapeutas de primeiro grau são capa­
zes de detectar e mover a energia vital. Ao tor-
nar-se um Reiki do segundo grau, o terapeuta
aprende como usar os símbolos recebidos na sin­
tonização e como mandar Ki a distâncias mais
longas. Ele aprende sobre os espíritos-guias e
como contatá-los e usá-los nas sessões de cura.
Um Reiki de segundo grau pode atingir o tercei­
ro grau, ou grau de mestre Reiki, só a convite de
82 Coleção llioélico
um mestre Reiki. Durante essa fase, o terapeuta
entrega sua vida ao Reiki, incorpora a energia
vital e dá aos espíritos-guias controle total sobre
as sessões de cura.
Nas sessões de cura, os terapeutas colocam
ambas as mãos estendidas, com as palmas viradas
para baixo em contato ou acima do corpo da pes­
soa. Quando o terapeuta tem a intenção de curar,
a energia vital flui através de suas mãos, trazendo
sensações de calor, frio, formigamento, rubor ou
dor. Depois de cinco minutos, esses sinais desapa­
recem e o terapeuta move-se para outra área. Uma
sessão de cura completa pode levar uma hora ou
mais. O terapeuta desenha ou visualiza os símbo­
los especiais para aumentar o poder da energia
que está sendo direcionada. Reikis de segundo e
terceiro grau não precisam estar presentes junto a
seus pacientes, pois eles são capazes de mandar o
Ki através de longas distâncias.
O Reiki é antagônico ao cristianismo bíblico.
A canalização é uma forma de comunicação com
espíritos para obter informações que, de outra
forma, não seriam acessíveis. Esse comportamen­
to é denunciado na Bíblia como feitiçaria, mediu-
nidade e espiritismo (Levítíco 19.26,31; 20.6;
Deuteronômio 18.9-14; Atos 19.19; Gálatas 5.20;
Apocalipse 2 1.8). Contatar espíritos-guias é espi­
ritual, física e emocionalmente perigoso (1 Pedro
5.8). Os praticantes do Reiki buseam aquilo que
chamam de a experiência KundaHni (ver ques­
\íedlcma Aheniativu 83
tão 31). Esse ápice de experiência psíquica é co­
nhecido por trazer sérios distúrbios psicológicos.
27. O que é a medicina xamânica?
A medicina xamânica ou xamanística é um
grupo de práticas através das quais um xamã pro­
cura trazer a cura. Xamãs são sacerdotes ou lí­
deres religiosos em diversas culturas tribais. En­
tre os índios americanos, eles são chamado de
curandeiros. Os xamãs passam por um treina­
mento extensivo para tornarem-se membros de
um grupo que é capaz de contatar o espírito dos
ancestrais, de animais ou de demônios. Para co­
municar-se com os espíritos, o xamã entra num
transe que pode ser induzido por jejum, ervas alu­
cinógenas ou rituais que envolvem danças, tam­
bores e cânticos. Uma vez contatados, os espíri­
tos guiam o xamã para as informações necessá­
rias para realizar curas, entre outras coisas. Os
xamãs podem evitar acontecimentos adversos se
encontrarem uma forma de apaziguar os espíri­
tos ou demônios ofendidos. O xamã, então, retor­
na a um estado normal de consciência trazendo
consigo as informações.
Os xamãs praticam atividades ocultas e má­
gicas que são claramente proibidas na Bíblia (Le-
vítico 19.26. 31; 20.6; Atos 19.19; Gálatas 5.20;
Apocalipse 21.8). O fato de o rei Saul ter conta­
tado o espírito do falecido Samuel demonstra que
as pessoas podem contatar espíritos (1 Samuel
28). Mas Saul foi condenado por Deus por ter
84 Colaçãi) fíioélicii
usado tal meio. Ao invés disso, ele deveria ter
buscado a orientação do Senhor (1 Crônicas
10.13-14). Os praticantes do ocultismo, como por
exemplo, os adivinhadores e suas atividades (como
feitiços, encantos e astrologia) trabalham no sen­
tido de desviar as pessoas em seus momentos de
maior necessidade (Isaías 47.9-13). A fonte que
as pessoas procuram para dar as respostas que
tanto precisam afeta não apenas o seu bem-estar
físico, mas também influencia no seu destino eter­
no (Jeremias 27.9-10).
Deus condena as práticas de ocultismo (Deu-
teronômio 18.9-14), mas ele reconhece que pre­
cisamos de orientação espiritual. Deus mandou
profetas escolhidos especificamente para reve­
lar as verdades que nós precisamos saber sobre
ele e sobre seu mundo. Esses profetas eram iden­
tificados pela exatidão de sua mensagem (Deu-
teronômío 18.15-22). A mensagem desses profe­
tas e dos apóstolos de Cristo foram compiladas,
dando-nos a Bíblia, para que todos possam ter
acesso à orientação espiritual (2 Pedro 1.20-21)
e, portanto, distinguir a verdade do erro. Entre­
tanto, devemos aceitar o fato de que Deus só re­
velou aquilo de que precisamos saber (Deutero-
nômio 29.29). Os xamãs usam práticas ocultas
na tentativa de descobrir coisas que não precisa­
mos ou não devemos saber, pois tal conhecimen­
to poderia nos fazer mal.
Durante seu treinamento, os xamãs são pos­
suídos por seus espíritos-guias ou pelo espírito de
Medicina Alternativa 85
seu “animal do poder” (um espírito com a forma
de um animal). Qualquer cura realizada pelos
xamãs é devido aos espíritos que também podem
possuir ou entrar na pessoa que está precisando
da cura. A possessão não é perigosa apenas do
ponto de vista espiritual, como também pode le­
var a doenças mentais e ao sofrimento físico. Os
xamãs culpam os espíritos maus por muitas do­
enças; as cerimônias de cura, portanto, são com
frequência conflitos entre espíritos. Os xamãs tam­
bém incluem remédios herbais, meditação e visua­
lização (ver questões 21, 23 e 30) em suas práti­
cas. Pessoas têm feito uso das práticas xamãs sem
seguirem o xamanismo, mas estas práticas intro­
duzem essas pessoas a um sistema de crenças e,
portanto, pode expô-las a opressão demoníaca —
ou à possessão, no caso de não-cristãos.
28. O que é terapia com cartilagem
de tubarão?
A cartilagem de tubarão é um tratamento
para o câncer promovido com grande vigor pelo
Dr. William Lane, que escreveu Sharks Don't
Gel Cancer (Tubarões não Ficam com Câncer)
em 1992 e Sharks St ill Don ’t Gel Cancer (Tu­
barões Continuam Não Ficando com Câncer)
em 1996. Apesar dos tubarões ficarem com cân­
cer, a terapia de um modo gera! baseia-se em
idéias cientificamente plausíveis.4’ A cartilagem
não contém vasos sanguíneos, enquanto o cân­
cer precisa de grande suprimento de sangue para
86 Coleção Bioélica
crescer. Se a cartilagem inibe a formação de
vasos sanguíneos, então ela poderia também ini­
bir o crescimento do câncer. Os primeiros es­
tudos mostraram que a cartilagem de vacas e
um extrato dessa cartilagem desaceleravam o
crescimento de vasos sanguíneos em animais
de laboratório,
Esses estudos e outros feitos mais tarde e
que discutiam o uso da cartilagem de tubarão
levaram William Lane a realizar mais estudos.
Os tubarões não têm ossos, portanto, as cartila­
gens são o composto mais abundante em seu
sistema esquelético. Lane extraiu cartilagem de
tubarões e testou o produto em seres humanos
em clínicas de câncer em Cuba e no México.
Estes testes o levaram a três publicações que
são usadas para apoiar a eficácia da cartilagem
de tubarão contra o câncer. Um estudo era com­
posto de oito pacientes e não tinha um grupo de
controle. O segundo estudo relatava apenas di­
ferenças nas lâminas microscópicas feitas com
os tumores em animais tratados e não-tratados.
() terceiro estudo relatava entrevistas com vin­
te e um pacientes que contataram Lane para
expressar a satisfação com seu produto. Jun­
tando esses três estudos, há provas pouco subs­
tanciais sobre a eficácia desse tratamento.
Na terapia com cartilagem de tubarão, deve-
se tomar cerca de sessenta a noventa gramas de
cartilagem por dia. O extrato consiste, em gran­
Medicina Alternativa 87

de parte, de proteínas, que provavelmente são


destruídas durante a digestão. Apesar de não ha­
ver provas de que a cartilagem é nociva (exceto
pela náusea causada pelo gosto e pela ingestão
em grandes quantidades), também há pouquíssi­
mas ou nenhuma evidência de que ela iniba o cres­
cimento do câncer. Porém, o tempo gasto com
essa terapia faz com que o paciente adie trata­
mentos mais eficazes, diminuindo a probabilidade
de cura ou remissão. A cartilagem de tubarão
custa em torno de U$ 700 por mês. Esse é um
preço alto a se pagar por uma terapia que de­
monstra pouca evidência de sucesso, especial­
mente quando outras terapias possivelmente mais
eficazes estão disponíveis.
29. O que é o toque terapêutico?
O toque terapêutico é uma terapia dissemi­
nada em meio à enfermagem, sendo que muitas
escolas de enfermagem a estão ensinando e de­
zenas de milhares de enfermeiras estão receben­
do treinamento nesse tipo de terapia. Ela foi de­
senvolvida nos anos 70 por uma professora de
enfermagem, Dolores Krieger, juntamente com
Dora Kanz, que se autodenominava uma clarivi­
dente e presidente do Theosophicul Socielv iu
America. A teosofia é uma mistura de diferentes
filosofias antigas, religiões orientais e práticas
ocultas. Ela teve um papel importante no desen­
volvimento das crenças fundamentais do movi­
mento Nova Era.
88 Coleção Bioética
Os praticantes afirmam que o toque terapêu­
tico é uma versão moderna da imposição de mãos
da Bíblia. Os escritos judeus da antiguidade, entre­
tanto, não associavam a imposição de mãos com
curas. Na verdade, a imposição de mãos era usa­
da como forma de dar bênção ou comissionamen­
to (como em Números 27.18,19). O Novo Testa­
mento descreve a imposição de mãos de maneira
semelhante (Mateus 19.13-15; Atos 6.6; 1 Timó­
teo 4.14) e também como parte de curas (Marcos
5.23). A cura, porém, não era atribuída à pratica
de impor as mãos, mas sim ao poder de Deus.
A imposição de mãos tem sido descrita como
um elemento característico do ministério de cura
de Jesus. Deve ter sido mesmo uma experiência
forte para uma pessoa seriamente enferma ser
tocada pela mão do Messias (Mateus 8.3). O to­
que físico é reconfortante e tranqüilizador, espe­
cialmente quando alguém está doente ou ansio­
so. As instituições modernas de tratamento de
saúde muitas vezes são negligentes nesse aspec­
to e os praticantes do toque terapêutico dizem
estar trazendo essa ênfase de volta ao tratamen­
to. Entretanto, essas afirmações ignoram o fato
importante de que o toque terapêutico não en­
volve o toque físico. Ao invés disso, os propo­
nentes do toque terapêutico acreditam que a ener­
gia vital, manifestada expressa na forma da aura
da pessoa, estende-se alguns centímetros acima
da pele. Essa é a mesma energia conhecida como
Medicina . Ihernativa m

prema na medicina Hindu e chi na medicina Chi­


nesa (ver questão 36).
Apesar de Kunz afirmar que consegue ver
esses campos de energia, Krieger e a maioria dos
outros praticantes não conseguem vê-los. Ao in­
vés disso, eles devem entrar num estado de me­
ditação chamado de “centralização”. Esse esta­
do alterado de consciência permite que a pessoa
silencie sua mente e contate o "eu” interior. Nes­
se estado, o praticante do toque terapêutico re­
cebe orientação sobre os campos de energia da
pessoa que ele deseja tratar. Enquanto permane­
ce nesse estado, o terapeuta passa suas mãos
alguns centímetros acima do corpo do paciente.
Apesar de alguns terapeutas tocarem os pacien­
tes, os professores enfatizam que esse contato
físico não é necessário.
Os praticantes do toque terapêutico acredi­
tam que a boa saúde requer o equilíbrio do cam­
po de energia. Os problemas são detectados atra­
vés de "impressões vagas, pressentimentos pas­
sageiros ou. em momentos preciosos, através de
visões e intuições”.44 Desequilíbrios e bloqueios
podem ser eliminados se o campo de energia é
alisado pelo passar das mãos sobre a aura, junta-
mente com a intenção do terapeuta em ajudar e
curar. Diz-se que o toque terapêutico também
reduz a ansiedade, alivia a dor e acelera o pro­
cesso de cicatrização de ferimentos, mas muitos
estudos descobriram que seu efeito não é maior
90 Coleção Bioética
do que o de um placebo. Os estudos com resulta­
dos positivos foram comprovadamente mal ela­
borados e interpretados de maneira incorreta.
As crenças e práticas promovidas pelo to­
que terapêutico são encontradas em religiões ori­
entais, na teosolla e nos escritos da Nova Era
(ver questão 33). Krieger, que é budista, admite
que o toque terapêutico baseia-se nos mesmos
princípios que o budismo. Os escritos teosófíeos
e ocultos já descreviam há muito tempo uma prá­
tica chamada de cura prânica (ou áurica).
Esta é semelhante ao toque terapêutico e inclui
a ausência de contato físico, ênfase nos campos
dc energia, importância da meditação e até mes­
mo como um aperto de mão pode remover
”energias negativas”.45
Os praticantes mais proeminentes do toque
terapêutico advertem que a prática pode trazer
efeitos nocivos como depressão, irritabilidade,
aumento da dor física, inquietação, náusea, ton­
tura e desorientação, especialmente em crian­
ças pequenas, idosos e nos mais fragilizados.4*’
Esses efeitos não foram verificados através de
estudos, mas parecem possíveis devido ao esta­
do alterado de consciência ao qual os pacientes
são induzidos. Tendo em vista esses avisos, a
falta de evidência em relação a sua eficácia e
sua ligação com crenças e práticas do ocultis­
mo, os cristãos devem evitar por completo o to­
que terapêutico.
Medicina Allcnialiva 91
dl). O t/iw são técnicas de visualização?
As técnicas de visualização são maneiras de
fazer uso do poder da imaginação e da mente para
influenciar processos físicos. Na maior parte das
vezes, pede-se que a pessoa sente-se ou deite-se
confortavelmente, feche os olhos e imagine uma
cena ou imagem relaxante. Pode ser um lugar que
a pessoa visitou um dia, ou uma cor que é relaxan­
te para ela. A visualização guiada acontece quan­
do uma outra pessoa descreve uma cena enquan­
to o paciente a visualiza em sua mente. E comum
acrescentar música para dar mais ambiente.
Diz-se que a visualização traz os mesmos be­
nefícios que a meditação e outras terapias de re­
laxamento. Muitas das mesmas reações psicoló­
gicas ocorrem durante a visualização. Visualizar
comida pode desencadear a produção de saliva:
afirma-se que a visualização de células lutando
contra uma doença estimula o sistema imunológi-
co. O método Simonton de visualização guiada
foi desenvolvido por um oncologista e sua esposa
nos anos 70. Nesse método, os pacientes visuali­
zam suas células lutando e consumindo as célu­
las cancerosas. Estudos bem elaborados não en­
contraram evidências de que a visualização dimi­
nui qualquer doença ou complementa outros tra­
tamentos, apesar do relaxamento resultante.
Outras terapias alternativas incorporam vá­
rias formas de visualização. Algumas são formas
de encontrar a orientação do "eu" interior ou de
92 Coleção tíioélica
contatar espíritos-guias. O livro de Krieger sobre
toque terapêutico (ver questão 29) usa a visuali­
zação guiada para contatar e receber os insights
de uma “criança luminosa” (uma imagem criada
conscientemente que aparece quando se está
centrado ou num estado meditativo) na qual deve
se confiar e com a qual deve se identificar.47 A
essa altura, a visualização deixa de ser simples­
mente a lembrança inocente de experiências
agradáveis e torna-se uma atividade de ocultismo.
A filosofia da Nova Era promove a visuali­
zação por causa da crença em criar a realidade
através do pensamento (ver questão 33). São dois
estados proponentes: “Os pensamentos e as ima­
gens que trazemos em nossas mentes não são
apenas abstratos, idéias não eficazes ou neurô­
nios queimando em nossos cérebros. Eles mol­
dam ativamente a realidade.“44 Mas, ir fundo den­
tro da mente de cada um pode ser seriamente
perigoso, como o é na meditação (ver questão
23). Os mesmos autores alegam: “Naturalmente,
adotando certas práticas de visualização, nós po­
demos comprometer tanto a nossa saúde mental
quanto física não somente nesta vida mas tam­
bém em futuras encarnações... Mesmo se a
pessoa não sofrer nenhum efeito adverso agora,
a conexão com domínios inferiores está sendo feita
e terá efeito no futuro “ênfase no original).
Algumas formas de visualização de imagens
neutras podem ajudar a relaxar. Algumas vezes
Medicina Alternativa 93
são usadas em sessões de aconselhamento. Ou­
tras formas são maneiras de contatar nosso ínti­
mo ou o reino espiritual. Se a visualização for re­
comendada, peça uma descrição completa do que
estará envolvido antes de participar. Se pratica­
da no contexto de outras terapias da Nova Era,
ou como um modo de contatar espíritos-guias,
deve ser completamente evitada.
31. O que é ioga?
Ioga significa, literalmente, “união” e está re­
lacionada à religião Hindu. Ela envolve uma vari­
edade de caminhos pelos quais as pessoas bus­
cam obter a união do corpo, da mente e do espí­
rito além da união com a realidade derradeira ou
espírito divino. Ainda que, geralmente vista pelo
Ocidente como uma série de exercícios que pro­
movem a flexibilidade, a força e o relaxamento,
ela é uma prática profundamente religiosa no Ori­
ente. A ioga envolve, basicamente, a respiração
e exercícios posturais. Respirar não é importante
somente para o relaxamento mas, também, para a
conexão com o prana, ou energia vital (ver ques­
tão 36). Aperfeiçoar o fluxo do prana na ioga é, no
mínimo, tão importante quanto os benefícios físi­
cos. Como estudiosos promovem na ioga, mudan­
ças morais e de caráter são esperadas tendo como
objetivo final a realização de sua natureza divina.
Pesquisas clínicas mostram que os exercíci­
os da ioga podem melhorar o condicionamento
físico, reduzir o estresse e aliviar as dores crôni-
94 Coleção Bioélica
cas. Seus benefícios vêm, somente, com a práti­
ca regular e sustentada que envolve várias horas
por semana. De qualquer modo, ela não cura do­
enças, e as posturas e esforços físicos podem
causar problemas. Como qualquer programa de
exercícios, as pessoas devem se certificar que
elas não têm qualquer alteração ou problema de
saúde e começar devagar.
Enquanto a ioga pode ser, simplesmente, uma
forma de exercício, sua proposta básica é espiri­
tual. Pessoas que iniciam a ioga como uma for­
ma de exercícios, brevemente encontrarão, a si
mesmas expostas aos seus ensinamentos religio­
sos. Gradual mente, as pessoas podem se encon­
trar a procura de um esclarecimento espiritual, o
qual a ioga foi, originalmente, desenhada para
produzir. O auge desse esclarecimento é chama­
do de despertar keendalini. Na mitologia Hindu,
keendalini é uma deusa em forma de serpente
que descansa na base da espinha. Quando acor­
dada, move-se pela espinha, ativando o pruria da
pessoa e limpando seus chakrus. Essa limpeza
dos chakrus ativa diversas habilidades psíquicas,
incluindo os poderes de cura. O ponto máximo de
Kundalini é quando ela atinge o chakra da cabe­
ça, abrindo-o praticante para o esclarecimento que
vem das fontes ocultas (como ao receber os sím­
bolos Reiki - ver questão 26).
A ioga é uma terapia alternativa difícil de ser
completamente aceita ou rejeitada. Como um eon-
Medicina Alternativa 9.5
junto de exercícios físicos e de respiração, ela
pode melhorar o bem-estar geral. Como uma pro­
funda prática religiosa que tem por objetivo a união
com o divino, ela é antagônica ao cristianismo bí­
blico. Apesar de sua reputação como um simples
programa de exercícios, continuam a aparecer de­
poimentos de danos físicos c espirituais.
Mesmo que não haja motivos claros para que
os cristãos condenem todas as formas de ioga,
Paulo nos dá um conselho útil: “todas as coisas
me são lícitas, mas nem todas convêm” (1 Corín-
tios 6.12). Dada sua origem e seus riscos, cabe
aos defensores da ioga mostrar porque essa for­
ma de exercício e relaxamento deve ser escolhi­
da quando há tantas outras formas que não têm
conotação espiritual.

Ia S P IR I T U A L ID A D K K
T k R. \ P IA S A L T E R N A T I V A S

32. A atenção que as terapias


alternativas dão à espiritualidade
é um aspecto positivo?
Muitas terapias alternativas são parte de um
movimento de saúde holística que enfatiza a im­
portância do tratamento de corpo, mente e espíri­
to. O reconhecimento do papel e da importância
da espiritualidade na vida das pessoas é uma
melhora significativa em relação à forma como
96 Coleção fíioé/ica
essa espiritualidade tem sido negligenciada du­
rante o último século. Com os rápidos avanços
tecnológicos, a ciência tornou-se uma filosofia de
vida e não apenas uma ferramenta para compre­
ender o mundo criado. Para muitas pessoas, qual­
quer coisa que não pode sei' cientificamente pro­
vada ou não existe ou não é importante. As ques­
tões espirituais acabam encaixando-se nessa ca­
tegoria e, portanto, o seu papel na saúde e na
cura é desprezado.
As tentativas de se usar a idéia de evolução
humana para criar significado e propósito para
uma vida puramente física têm-se mostrado su­
perficiais. É deixado a cargo de cada um encon­
trar maneiras de entender e dar sentido à vida, à
morte c ao sofrimento. E nesse vazio que tem
surgido uma infinidade de idéias agrupadas sob o
termo espiritual idade. Os proponentes das te­
rapias alternativas vêem a espiritualidade como
sinônimo de dar atenção ao ser interior e procu­
rar significado. Eles criticam aqueles que procu­
ram ganhos materiais, seja para o seu corpo, seja
através de posses. Do ponto de vista bíblico, essa
é uma resposta apropriada à vida, tendo em vista
a revelação de si próprio que Deus oferece a to­
das as pessoas (Romanos 1.18-20). Os cristãos
devem acolher a oportunidade de dialogar com
outros sobre o significado espiritual. Podemos
receber bem a abertura para se discutir a fé e
valores espirituais que, até pouco tempo, eram
considerados “não-científicos”.
Medicina Alternativa 97
Porém, os cristãos devem se opor à idéia de
que o conteúdo da espiritualidade de uma pessoa
é qualquer coisa que a pessoa deseje ou acredite
que ele seja. Na cultura pós-moderna de hoje, a
espiritualidade é vista de forma pragmática, como
sendo um meio de alcançar saúde e não como
uma busca pela verdade e pelo reino espiritual
(como a natureza caída da humanidade e sua
necessidade de Deus). Hoje, para muitos, não
importa se a espiritualidade é vista como paz psi­
cológica, harmonia com a natureza, contato com
os espíritos-guias ou um relacionamento com o
Deus Criador da Bíblia. Os promotores das tera­
pias alternativas normalmente acreditam que as
pessoas devem estar abertas para experimentar
qualquer coisa que possa levar ao esclarecimen­
to espiritual. Seja através do contato com espíri­
tos-guias ou estados alterados de consciência, as
pessoas são encorajadas a experimentar novas
práticas e terapias.
Os cristãos devem rejeitar esse tipo de visão
da espiritualidade. A Bíblia declara que há ape­
nas um Deus verdadeiro e que ele estabeleceu
um único caminho para a saúde espiritual (Êxodo
20.2-5; João 14.6). Mas há uma realidade espiri­
tual que busca enganar as pessoas e lhes causar
mal (João 8.44; 1 Pedro 5.8). O maligno seduzas
pessoas para longe de Deus, convencendo-as de
que todas as formas de espiritualidade são igual­
mente válidas. Ele pode até mesmo permitir que
c)8 Coleção Hioclica
elas tenham experiências positivas a fim cie atraí-
las ainda mais para dentro das atividades ocultas
(2 Tessalonicenses 2.7-12). Por isso, os cristãos
devem testar todas as formas de espiritualidade
para ver se elas são de Deus (1 João 4.1-3).
33. Quão forte é a ligação entre
terapias alternativas e religiões
orientais, crenças da Nova Era e
ocultismo?
Algumas terapias alternativas não têm ne­
nhuma ligação religiosa. E o caso de muitas er­
vas, dietas e instrumentos que são promovidos
simplesmente como alternativos às drogas e à
tecnologia convencional. Entretanto, há uma for­
te tendência de ligar-se a idéias religiosas em al­
gumas terapias alternativas. O New Age Jour­
nal observa que um interesse crescente na saú­
de holística é a mudança mais significativa que
tem contribuído para a redefinição da cultura ame­
ricana, sendo que essa redefinição está suposta­
mente de acordo com as crenças da Nova Eira.4'’
Parte do atrativo das terapias alternativas é a sua
forma de espiritualidade.
Um grande número de terapias alternativas
baseia-se na energia vital (ver questão 36). A
existência e as propriedades dessa energia estão
entretecidas com as religiões místicas orientais, a
filosofia da Nova Era, o ocultismo e os sistemas
de crença do vitalismo. Prana, por exemplo, é o
nome do deus supremo na religião védica hindu
Medicina Alternativa 99
que afirma que o mundo foi criado através desse
“único deus sobre todos os deuses” e “senhor de
todas as coisas criadas”.30
A cura tem um papel importante nas ativida­
des do ocultismo. “Nos livros de ocultismo diz-
se(...) que todos os iniciados devem ser curan­
deiros"5' A magia branca é parecida: “A cura
tem sido a parte central das atividades das bru­
xas desde tempos imemoriais e continua sendo
nos dias de hoje.”5- Muitas das curas do ocultis­
mo fazem uso da energia vital ou prana. “O sim­
ples aumento na circulação do prana é suficien­
te para curar diversas doenças menos graves.”5’
Escritos do ocultismo descrevem terapias para
manipular o prana (como as curas prânicas ou
áuricas) que são idênticas ao toque terapêutico
(ver questão 29).54
Muitas terapias de energia vital estão liga­
das ao ocultismo. Uma enciclopédia de medicina
alternativa afirma que a força vital ou prana
“pode ser controlada pelo indivíduo que é sensibi­
lizado através de certas práticas ocultas,” inclu­
indo meditação, respiração profunda, repetição de
mantras, visualização avançada e “rituais secre­
tos que têm sido o segredo bem guardado das
mais altas escolas de mistério do mundo... e do
além”.55 Dolores Krieger, co-fundadora do toque
terapêutico, admite que há um forte elemento
oculto na maneira como o toque terapêutico fun­
ciona.31’ Ela recomenda a divinação como forma
100 Coleção Bioélica
de obter insights sobre essa prática.57 Ela ob­
servou que, à medida que seus alunos apren­
dem a usar o toque terapêutico, “a sensibilidade
para com os outros bem como para com o con­
teúdo psíquico próprio torna-se mais profun­
dai...) muitos dos que passam por essa mudan­
ça de percepção sentem que também podem
entender e comunicar-se com outros seres sen-
tientes como árvores, pássaros, animais, bem
como seres humanos”.58
Algumas terapias alternativas como o Reiki
e a medicina xamânica (ver questões 26 e 27), re­
comendam abertamente o uso de espíritos-guias.
Praticantes de outras terapias negam qualquer
dimensão religiosa ligada ao tratamento, mas
ainda assim promovem crenças orientais, da
Nova Era e de ocultismo sob o pretexto de me­
lhorar a saúde. Esses praticantes são proseiitis-
tas e não verdadeiros profissionais da saúde.
Deus quer que as pessoas sejam saudáveis. Mas
Ele também se preocupa com as formas atra­
vés das quais elas tornam-se saudáveis. Ao con­
trário do que afirma a Nova Era, há dois tipos
de espíritos: bons e maus. As Escrituras ensi­
nam que as forças espirituais do mal podem ser
muito poderosas. Os cristãos devem cuidar para
evitar envolver-se com esses espíritos e pode­
res ocultos (Levítico 19.26, 3 1; 20.6, 27: Deute-
ronômio 18.9-14; Isaías 8.19; Jeremias 14.14;
Atos 19.18-19; Gálatas 5.19-20).
.Aledicina .1/lernativa
34. A medicina alternativa está em
harmonia com a tradição cristã?
A tradição cristã sempre enfatizou a impor­
tância de levar a cura aos que estão doentes.
Deus declarou ser ele próprio aquele que sara
Israel (Êxodo 15.26), e parte do ministério de Je­
sus foi curar os enfermos. A igreja primitiva con­
tinuou essa tradição de envolvimento com a cura.
Historiadores da medicina concluíram que o im­
pacto da igreja primitiva sobre as doenças e os
tratamentos de saúde foi profundo. Esse impacto
continuou através dos séculos.
A cura que o cristianismo apóia é holística,
num sentido mais amplo, e inclui a cura física,
emocional, espiritual, moral e relacional. O cuida­
do cheio de compaixão oferecido pelos cristãos em
todos esses séculos é muito diferente da forma fria
e impessoal com que os pacientes algumas vezes
são tratados em instituições da medicina moderna.
Aliás, tanto o cristianismo quanto a terapia alter­
nativa moderna reagem de forma negativa a qual­
quer prática de medicina que se concentre apenas
nas necessidades físicas e psicológicas, às custas
da exclusão do aspecto espiritual.
A tradição cristã, porém, vai contra o tipo de
espiritualidade promovido pelas terapias alterna­
tivas. Os pais da igreja primitiva falavam com fre-
qüência sobre os meios mágicos e ilegítimos de
cura que eram populares, especialmente entre os
praticantes do culto à Asclepius, o deus grego e
102 C o le çã o R io élica

romano da cura. Agostinho, por exemplo, apro­


vava a ingestão de ervas para combater dores de
estômago, mas condenava o uso das mesmas
como amuleto contra esse mal.59
A igreja primitiva também reagia de forma
negativa em relação a médicos que, além de cu­
rar, promoviam filosofias que iam contra o cristi­
anismo. Os primeiros líderes cristãos eram co­
nhecidos por desencorajar que seus discípulos sc
consultassem com “médicos-filósofos”. No sé­
culo 3, Orígenes reclamou que os médicos mui­
tas vezes usavam sua influência e posição para
ensinar filosofias que contradiziam o cristianis­
mo.60 Ele estava se referindo a ensinamentos
sobre a reenearnação e a idéia de que todos os
seres humanos e outras formas de vida teriam o
mesmo tipo de espírito - idéias essas que são
comuns entre promotores de terapias alternati­
vas de hoje.
Ao contrário do poder mágico ou energético
de cura, o poder de Deus não é uma força sobre­
natural inanimada. Deus é um ser pessoal e com­
passivo que é companhia daqueles que estão so­
frendo e para quem nós podemos trazer todas as
nossas preocupações, incluindo aquelas com nossa
saúde (Tiago 5.14-16).
Quando nossa saúde física e nosso bem-es­
tar são ameaçados, nos voltamos para ele em
oração, dependentes dele, mesmo que ele não nos
cure. Enquanto procuramos ativamente medica-
Medicina Alternativa 103
mentos e terapias que foram graciosamente con­
cedidos por Deus para este mundo, jamais deve­
mos nos submeter a forças espirituais - não im­
portando o que elas prometam - que vão contra
as diretrizes que Deus nos deu em sua Palavra
Sagrada. No século 4, João Crisóstomo elogiou
uma mulher que se recusou a recitar encantos
mágicos e colocar amuletos na sua criança en­
ferma. Por não querer desobedecer a Deus, “eia
preferiu ver sua criança morrer a aceitar a idola­
tria"/’1 Ela sabia que se voltar para a magia ao
invés de Deus iria comprometer seu testemunho
sobre a importância de se confiar em Deus - e
que também talvez tivesse conseqüências eter­
nas para ela no céu.
O fato de vivermos nesse mundo caído é uma
garantia de que cada um de nós irá morrer de
algum tipo de ferimento ou doença. Como deve­
mos viver com tal realidade? Os cristãos devem
viver pela fé. Devemos confiar no Criador, cujo
amor pelo mundo ofereceu a cura completa para
a morte física e espiritual na pessoa de seu único
Filho, nosso Salvador Jesus Cristo. Posto que to­
dos nós vamos morrer nesse mundo, aqueles que
confiam Nele não vão morrer novamente, mas
sim, viver eternamente com Deus. Porém, mes­
mo neste mundo, nossa fé em Deus irá nos forta­
lecer e sustentar.
Jerônimo, um conhecido líder da igreja no sé­
culo 4, descreveu em suas Carlas (39.2) como
104 Coleção Bioélica
os cristãos poderiam lidar de maneira eficaz com
as doenças: "‘Estou com boa saúde? Então agra­
deço ao meu Criador. Estou doente? Também por
isso eu louvo a vontade de Deus. Pois, ‘quando
estou fraco é que sou forte' e a força do espírito
é aperfeiçoada na fraqueza da carne'? Essa vi­
são fiel foi expressa em tempos em que havia
pouco tratamento que ajudasse a superar as en­
fermidades. Que nós, que fomos abençoados com
os melhores tratamentos de saúde e recursos ja­
mais disponíveis, possamos expressar tanta fé in­
falível independentemente dos problemas de saú­
de que possamos vir a ter. Não devemos abando­
nar aquele que prometeu nunca nos deixar (João
14.15-18,27-28; Hebreus 13.5).
35. Estou comprometendo minha fé
usando terapias alternativas?
Para responder a essa pergunta, é preciso
haver uma terminologia clara. Na questão 3 des­
crevemos cinco categorias de terapias alternati­
vas. Não é possível traçar uma divisão clara en­
tre elas, mas elas sugerem diretrizes que ajuda­
rão a responder esta questão. A fé cristã pode
ser fortalecida por alguns aspectos das terapias
alternativas, não ser afetada por outras e pode
ainda ser comprometida por outras.
As terapias complementares incluem inter­
venções como dietas corretas, exercícios, oração
e uma visão bíblica da espiritualidade (ver ques­
tão 37). O uso dessas terapias de forma devida­
Medicina Alternativa 105
mente equilibrada pode fortalecera saúde. Como
administradores do nosso corpo e vida, devemos
manter uma boa saúde para poder servir aos ou­
tros c glorificar a Deus. Entretanto, qualquer coi­
sa boa pode ser buscada com exagero. Quando a
boa saúde e o conforto pessoal são freqüente-
mente colocados antes das necessidades dos ou­
tros ou são buscados de maneiras que são con­
trárias a Deus, podemos ser arrastados para lon­
ge da vida de abundância que Deus oferece.
As terapias sem comprovação científica
incluem a cartilagem de tubarão, queiação e mui­
tos remédios herbais (ver questões 19, 21 e 28).
Em sua maior parte, essas terapias não levantam
questões espirituais, desde que sejam buscadas
com moderação. As questões, quanto ao custo e
aos seus efeitos nocivos, são mais importantes já
que a ênfase bíblica é para que usemos nosso
dinheiro com sabedoria.
As terapias cientificamente questionáveis
incluem a homeopatia e muitas outras terapias
na categoria de terapias da energia vital (ver
questão 22). A boa administração de recursos
deve nos levar a usar estas terapias com cuida­
do extremo. Se as explicações sobre seu funci­
onamento vão contra pesquisas confiáveis, é
pouco provável que essas terapias sejam de aju­
da. Os cristãos devem preocupar-se ainda mais
com as terapias que também se encaixam na
próxima categoria.
106 Coleção Bioófica
Terapias de energia vila/ podem ser dividi­
das em dois subgrupos. Algumas não podem ser
separadas de suas raízes espirituais, tais como o
toque terapêutico, o Rciki e a medicina xamânica
(ver questões 26, 27 e 29). Outras, como a acu­
puntura, visualização e ioga (ver questões 16, 30
e 31), para alguns, fazem uso da energia vital,
mas, para outros, funcionam apenas através de
mecanismos naturais. O primeiro subgrupo está
claramente ligado ao contato com forças espiri­
tuais que não são de Deus e, portanto, deve ser
sempre evitado. O segundo subgrupo pode ter
algum valor sc forem excluídos complctamentc
dos terapeutas que usam a energia vital e de ou­
tras filosofias. Tendo em vista os sérios riscos de
envolvimento com energia vital, é prudente evitar
esses tipos de terapia. Essa categoria é a que
pode levar a se fazer mais concessões sobre a
fé. E preciso que estejamos cientes também que
certos terapeutas incorporam técnicas de ener­
gia vital mesmo em terapias que se encontram
em outras categorias.
Charlatanismo e fraude podem ocorrer tan­
to na medicina convencional quanto na alternati­
va e violam claramente a vontade de Deus (Eze-
quiel 22.27-29). O charlatanismo cresce quando
as pessoas aceitam terapias sem entendê-las ou
analisá-las com um espírito crítico. Conforme o
ditado: “o caminho para o inferno é pavimentado
de boas intenções”. Deus espera que protejamos
M e d icin a . llle r m ilira

os doentes e fracos que estão perto do seu cora­


ção (Jeremias 22.16,17; 1 João 3.17). Permitir
que outros tirem vantagem deles, seja por fraude
ou por terapias bem-intencionadas, porém inefi­
cazes, é uma forma de violação da justiça bíblica.
36. O chi ou prana são o mesmo que o
Espírito Santo?
Diversas terapias alternativas são baseadas
numa energia vital ou força vital conhecida como
chi ou Qi na tradição chinesa, prana na ín­
dia e Ki no Japão. De acordo com esses' siste­
mas de crenças, a substância básica do universo,
incluindo o corpo humano, não é matéria, mas sim
energia e informação. Essas mesmas crenças
existem nas tradições da cultura ocidental con­
forme se pode notar em comentários sobre feiti­
çaria: ’"o controle correto do prana envolve um
reconhecimento de que a energia é a soma total
da existência e de suas manifestações.”1’2
Sob esse ponto de vista, a energia vital não é
física, é universal e anima e sustenta todos os
seres vivos. A verdadeira saúde é resultante de
um fluxo equilibrado dessa energia através do
corpo e do intercâmbio sem bloqueios com o
meio-ambiente através de canais chamados de
chakras. Esses são os meios essenciais através
dos quais a energia vital é transformada em ma­
téria física e energia. Porém, as terapias diferem
sobre quantos chakras existem e onde estão
localizados. Independente disso, os desequilíbrios
108 Coleção Bioética
ou bloqueios no fluxo de energia vital levam aos
sintomas físicos conhecidos como doenças, en­
velhecimento e morte.
A crença nessa força vital prevalece nas te­
rapias alternativas como o toque terapêutico, ci-
nesiologiaaplicada, medicina Ayurvédica, Reiki e
centenas de outras terapias (ver questões 17, 18,
26 e 29). Alguns acupunturistas acreditam que
suas agulhas são inseridas em canais através dos
quais flui a energia vital (ver questão 16). Alguns
crêem que a quiroprátiea, a medicina herba! c a
homeopatia funcionam por influenciar essa ener­
gia, mesmo que os praticantes dessas terapias des­
crevam-nas em termos puramente científicos (ver
questões 20, 21 e 22). Um terapeuta alternativo
afirma que: "‘não importa de quais terapias o cu­
randeiro tradicional depende, ele está essencial­
mente tratando a força vital em srV”
Por ser uma energia não-física, não há ins­
trumentos que possam medi-la. Alguns afirmam
que as imagens produzidas por fotografas kirli-
tin mostram o campo de energia, mas foi prova­
do que estas são de origem puramente física.^
Através de treinamento e meditação, as pessoas
tornam-se mais sensíveis à energia vital. Uma vez
em estado alterado de consciência, essas pesso­
as podem começar a detectar a energia. Prati­
cantes treinados dizem poder sentir o campo de
energia, ou aura, ao redor de uma pessoa, apesar
dc alguns afirmarem que o vêem em várias cores
Medicina Alternativa 109
e formas. As diferentes terapias curam através
da remoção de desequilíbrios ou bloqueios no flu­
xo da energia vital.
Alguns cristãos sugerem que energia vital é
apenas um outro nome para Deus ou para o Es­
pírito Santo. A partir desse pressuposto, eles afir­
mam que os cristãos devem praticar terapias de
energia vital enquanto clamam para que o Espíri­
to Santo traga a cura. Entretanto, esse não pode
ser o caso. Deus é um ser pessoal com pensa­
mentos, emoções e vontade própria. A energia
vital é uma força impessoal a qual os terapeutas
procuram manipular e usar para o bem estar dos
seres humanos. Nós podemos (e devemos) orai'
a Deus pedindo cura (Tiago 5.14-16), mas não
devemos esperar controlar o poder de Deus como
se fosse um campo de energia (Lucas 4.22-27;
Atos 8.1 8-23). E é exatamente isso que todas as
terapias de energia vital procuram fazer.
O problema do mundo não é o bloqueio da
energia vital, mas sim, o pecado humano que cor­
rompeu e destruiu a criação. Assim, a solução
para o mundo não é ajudar a Deus, na forma de
energia, a fluir livremente pelo universo materi­
al. A solução vem quando as pessoas, individu­
almente, respondem à influência convincente do
Espírito Santo através do arrependimento. Mes­
mo que não-cristãos possam falar sobre uma
energia ou força, essa energia não pode ser equi­
parada ao Espírito Santo. O Espírito Santo da
1 10 Coleção Bioétieo
Bíblia vive dentro apenas daqueles que crêem
(Efésios 1.13).
37. A oração é uma terapia alternativa?
A oração pode ter várias formas e diferen­
tes significados, dependendo das tradições den­
tro das quais é praticada. Sua eficácia em pro­
mover a saúde e a cura tem chamado a atenção
de muitos. O proponente mais conhecido da ora­
ção de cura é Larry Dossey, autor dos livros
Healing Words (Palavras que Curam), Prayer
is Good Medicine (A Oração é Medicina Efi­
caz) e Be Carefitl What Ymt Pr ay For (Cuidado
com o que Você Pede em Oração).
Dossey afirma que a mente de todas as pes­
soas faz parte de uma consciência unificada.
Assim, os pensamentos de uma pessoa podem
afetar a saúde da outra da mesma forma que
nossa mente afeta o corpo. Ele afirma que aqui­
lo que é dito na oração é irrelevante. O aspecto
mais importante é a atitude de oração. Esse é
“um sentimento de estar simplesmente sintoni­
zado ou alinhado com “algo superior." Ao invés
de tentar determinar o que vai acontecer atra­
vés da nossa oração, a melhor atitude é aceitar
que “o resultado será sempre no sentido de pro­
ver “o que é melhor para o organismo." Ou seja.
precisamos nos preocupar com o bem geral des­
sa consciência unificada.
Medicina . lllernaliva 111
Dossey não aceita a visão bíblica da oração
por achá-la “antiquada e incompleta”. Ainda as­
sim, o único estudo que ele cita para apoiar suas
afirmações sobre os benefícios curativos da ora­
ção envolveu cristãos autênticos (participantes
ativos da oração e comunhão) orando e pedindo
para o Deus da Bíblia uma convalescença rápida
e a prevenção de complicações em pacientes.”5
Apesar de que não seria surpreendente encon­
trar os efeitos positivos do relaxamento e da re­
dução de estresse sobre a saúde como resultado
da oração (Fi 1ipenses 4.6-7) - ou mesmo de pes­
soas estarem orando umas pelas outras (ver Tia­
go 5.14-16) - esse nem sempre será o caso. O
aspecto mais estranho do estudo sobre a oração
é que se parte do pressuposto de que seu efeito
sobre as doenças pode ser medido através da
observação empírica, como se todos aqueles que
pedem de maneira parecida em circunstâncias
semelhantes fossem necessariamente obter o
mesmo resultado. O erro aqui é que, enquanto os
estudos clínicos devem controlar o maior número
possível de variáveis, é impossível controlar a
Deus. Se a oração fosse uma energia ou uma
técnica, poderia estar mais sujeita a esse tipo de
estudo, lintretanto. a oração cristã é oferecida a
um Deus pessoal que tem a última palavra, res­
pondendo ou não aquela oração. A Bíblia é clara
ao dizer que Deus não promete conceder tudo o
que pedimos em nossas orações —só aquilo que
1 12 Coleção liioélica
está de acordo com sim vontade (Mateus 7.11:
I João 5.14). Por mais difícil que seja aceitar, a
cura física pode nem sempre ser a vontade de
Deus para nós (ver questão 39). Diversos ho­
mens do Novo Testamento que oraram sobre suas
doenças, não receberam a cura imediatamente:
Timóteo (1 Timóteo 5.23), Trófimo (2 Timóteo
4.20) e Epafrodito (Filipenses 2.30). Paulo tam­
bém orou pedindo que um espinho em sua carne
(muitos acreditam que era uma doença) fosse
removido, mas não foi (2 Coríntios 12.7-10). En­
quanto a oração expressa o desejo sincero de nos­
sos corações, a profundidade de nossa fé nos ajuda
a viver com a resposta que receberemos dele (ver
questão 38).
Logo, a oração não é tanto uma terapia al­
ternativa, mas sim uma parte importante de qual­
quer terapia que procurarmos. Mesmo que pos­
samos orar pedindo a cura e que Deus possa nos
curar - muitas vezes através de alguma forma
de tratamento de saúde - também precisamos
aprender a orar para estarmos satisfeitos em meio
a qualquer circunstância (Filipenses 4.11-13).
Deus promete estar conosco e nos confortar em
nossa dor e sofrimento (Romanos 8.35-39). A dis­
posição de orar mostra nossa dependência e con­
fiança em Deus. A oração é o clamor à Deus cm
meio à nossa dor e a aceitação humilde de sua
vontade para nossa vida. Aliás, a oração é uma
atividade para os cristãos exercerem em conjun­
Medicina Allernaliva 113
to, colocando diante de Deus as preocupações
uns dos outros e louvando-o pelas bênçãos dele
recebidas. A oração também é uma oportunidade
de agradecer a Deus pela força e pela visão que
adquirimos ao confiarmos nele enquanto supor­
tamos as dificuldades.
38. O que pensar da cura pela fé?
A cura pela fé normalmente está associada
a pessoas que dizem ter o dom divino da cura ou
a orações com maior poder. A cura pela fé foi
parte importante tanto do ministério de Jesus
quanto da igreja primitiva. Para Jesus, normal­
mente a fé precedia a cura (Mateus 13.58; Mar­
cos 6.5,6); entretanto, às vezes ele realizava cu­
ras para mostrar sua autoridade e poder sobre a
criação, sendo o Filho de Deus (Mateus 8.28-34;
João 9.35-41; 11.45). Jesus comissionou seus dis­
cípulos para participarem de seu ministério de cura
(Mateus 10.1-5; Lucas 10.9), um papel que con­
tinuou durante os primeiros anos da igreja (Atos
3.1-11; 5.15-16; 9.33,34; 14.8-10). Afabilidade
de realizar curas e milagres é mencionada por
Paulo na sua lista de dons(l Coríntios 12.9,10),
mas a prática parece diminuir à medida que a
igreja amadurece. Na época em que Tiago es­
creveu, os cristãos eram aconselhados a orar pela
cura (Tiago 5.13-18).
Há algumas discussões entre os cristãos
quanto à cura miraculosa pela fé ainda ocorrer
nos dias de hoje. Todos concordam que Deus ainda
114 Coleção Bioélica
cura pessoas, sendo a dádiva da salvação a for­
ma mais profunda de cura que uma pessoa pode
experimentar. Porque a salvação vem pela fé na
obra redentora de Cristo (Efésios 2.8,9), ela pode
ser considerada uma forma de cura pela fé, po­
rém uma cura de natureza espiritual. A medida
que os cristãos crescem em seu relacionamento
com Deus, eles mudam das maneiras que trazem
saúde espiritual, emocional e relacional (Colos-
senses 3.9-17). Esses fatores por si só podem
levar à cura física, mas, é claro que não há ne­
nhuma garantia. Portais mudanças serem resul­
tantes da fé (Gálatas 3.1 -5), elas também podem
ser consideradas uma forma de cura pela fé.
Porém, ainda é motivo de discussão se Deus
continua a conceder as curas físicas milagrosas
do tipo das que são encontradas na Bíblia. Al­
guns grupos afirmam que, assim como a salva­
ção vem pela fé e traz cura espiritual, a cura físi­
ca também vem pela fé em Jesus Cristo. Essas
pessoas crêem que todos os males podem ser
curados se a pessoa tiver fé suficiente. A passa­
gem usada para argumentar a favor dessa posi­
ção é Mateus 8.16,17 juntamente com outras pas­
sagens sobre oração (Mateus 7.7,8; Tiago 5.13-
18). Essas idéias tornaram-se parte do chamado
Evangelho da saúde e riqueza.
Mas, uma compreensão mais completa dos
ensinamentos bíblicos mostra que o próprio Deus
pode curar pessoas miraculosamente, mesmo que
Medicina Allernaliva 115
os motivos para as curas no Novo Testamento
dificilmente se apliquem aos dias de hoje. No tem­
po do Novo Testamento, os milagres tinham um
propósito importante que era autenticai' a mensa­
gem daqueles que os realizavam. Assim, os mila­
gres de Jesus testemunhavam que Jesus era de
fato quem dizia ser: o Filho de Deus. Eles não
eram simplesmente demonstrações de poder. Da
mesma forma, os milagres realizados na igreja pri­
mitiva autenticavam a mensagem dos apóstolos ao
associá-la à mensagem e ministério de Jesus. Tendo
em vista que o evangelho já não precisa desse tipo
de autenticação, os milagres de cura não são mais
necessários (exceto, talvez, nos casos raros em
que o Evangelho chega a uma comunidade que
nunca antes foi exposta ao cristianismo).
Mesmo assim, a intervenção miraculosa de
Deus é possível. Conforme ilustrado no ministé­
rio de Jesus, certos critérios típicos estão presen­
tes. Os milagres de Jesus eram completos, dura­
douros, instantâneos e facilmente verificáveis,
como quando um coxo e um cego conhecidos
foram curados (João 5.5-9; 9.8). Esses milagres
eram bem diferentes do que hoje é chamado de
cura divina e milagrosa, realizada em cultos es­
peciais. Nem os enfermos e nem Deus são servi­
dos quando as pessoas envolvem-se numa eufo­
ria da esperança mal guiada e nas afirmações
incorretas de que um milagre foi realizado. Ja­
mes Randi (autor de Fuith Healers - Curandei­
116 Coleção Bioética
ros pela Fé), nos mostra que a suspeita em rela­
ção àqueles que dizem curar pela fé nos dias de
hoje tem fundamento. Com frequência, não há
nenhuma evidência clara de que a doença estava
presente quando a cura aconteceu e de que ela
desapareceu depois da cura. A maior parte do
trabalho daqueles que dizem curar pela fé nos
dias de hoje pode ser rejeitada, pois não satisfaz
os critérios da cura bíblica e falha em dirigir a
lealdade somente a Deus.
Ao mesmo tempo, os cristãos não devem des­
prezar a idéia de que, mesmo nos dias de hoje,
se Deus escolher fazê-lo, ele pode curar mila­
grosamente uma pessoa. Seja através da ora­
ção ou da intervenção médica, no fim das contas,
a cura está na mãos de Deus. A despeito das do­
enças, deficiências ou circunstâncias ruins, o amor
de Deus nunca falha (Romanos 8.35-39). Com fre­
quência, o sofrimento é como um tutor que nos
ensina sobre sua presença e seu conforto para que
possamos ser capazes de confortar a outros
(2 Coríntios 1.3-7). A confiança em Deus nos en­
sina a estar contentes em todas as circunstâncias
(Filipenses 4.11-13). Somente ele será capaz de
ajudar a nós que o amamos a encontrar sentido
nos altos e baixos da vida em um mundo caído.
39. Toda a cura vem de Deus?
Alguns cristãos afirmam que devemos estar
abertos para terapias alternativas, porque toda a
cura vem de Deus. Nada poderia estar mais lon-
Medicina Alternativa 117
ge da verdade. Deus quer oferecer cura física.
Jesus é o Médico dos Médicos e o Senhor é o
Deus único que sarou Israel (Êxodo 15.26). Mas
os meios para alcançar esse fim são muito im­
portantes para Deus. A Bíblia descreve diversos
conflitos entre visões corretas e distorcidas de
cura. O rei Acazias, quando tinha sido gravemente
ferido, buscou o deus Baal e foi condenado por
fazê-lo (2 Reis 1.2-4). Quando o rei Asa ficou
seriamente enfermo, ele foi condenado por de­
pender dos médicos ao invés de depender de Deus
(2 Crônicas 16.12).
Alguns autores de comentários concluíram
que, por causa desse episódio com Asa, a Bíblia
defende que se deve buscar apenas a cura divi­
na. No contexto, porém, fica claro que o proble­
ma principal de Asa foi sua recusa em voltar-se
para Deus e pedir ajuda. Aliás, os médicos men­
cionados no texto provavelmente eram gentios que
praticavam curas ligadas à magia pagã, já que
esse era o único tipo de médico que existia na­
quela época.“’ Diversas passagens bíblicas su­
gerem que o uso de terapias médicas eficazes é
completamente apropriado. Algumas das terapi­
as mencionadas são a limpeza de ferimentos, uso
de bandagens e óleo (Isaías 1.5,6) ou bálsamo
(Jeremias 8.22; 46.11; 51.8) e tratamento de fra­
turas (Ezequiel 30.21). Os médicos nem sempre
são vistos de modo negativo (Jeremias 8.22; Lu­
cas 5.3 1; Colossenses 4.14).
118 Coleção Bioélicu
Entretanto, Deus nem sempre vai permitir
que tais meios sejam eficazes. Enquanto que a
promessa de cura completa cumprir-se-á na eter­
nidade. Deus escolhe não curar agora algumas
pessoas. Uma boa saúde não significa automati­
camente a bênção de Deus, assim como doenças
e infortúnios não indicam necessariamente o jul­
gamento de Deus (Lucas 13.1-5; João 9.1-3).
Deus pode decidir que curar uma pessoa não seja
o melhor em determinada situação. Jó é o exem­
plo mais claro de um servo de Deus que sofreu
muito. Dorcas era uma discípula “notável pelas
boas obras”, mas ela adoeceu e morreu (Atos
9.36,37). Timóteo parece não ter gozado de boa
saúde (1 Timóteo 5.23). Epafrodito ficou doente
enquanto trabalhava no ministério (Filipenses 2.25-
30). Tiago já prediz que mesmo os fiéis ficarão
doentes (Tiago 5.14-16). Como no caso de Jó,
Satanás pode ser a origem da doença. Outras
vezes, ele pode disfarçar-se de anjo de luz na ten­
tativa de enganar ou guiar pelo caminho errado
(Mateus 24.24; 2 Corindos 11.14,15; Apocalipse
13.14). Pode ser que Deus permita que aprenda­
mos lições importantes através das limitações im­
postas por uma doença. Quantos poderiam nun­
ca aprender a depender corretamente do Senhor
e dos outros a menos que tivessem que lutar con­
tra uma doença ou deficiência?
Quer a boa saúde ou a doença sejam de Deus
ou obra de Satanás, como cristãos nós sabemos
Medicina Alternativa 11»
que, no fim das contas, Deus está cuidando de
cada detalhe de nossas vidas, moldando-nos e
formando-nos à imagem de seu filho. Devemos
depositar nossa confiança na intervenção de um
Deus soberano, não nas incertezas da interven­
ção convencional ou alternativa. Mesmo que Deus
queira que todos gozem de boa saúde, os meios
através dos quais obtém-se essa saúde são im­
portantes para ele. Será que nossas decisões re­
fletem sua soberania e nossa confiança pessoal
em sua vontade, ou será que refletem medo e
desespero? Nosso relacionamento com Deus é
importante, pois, através dele é que ganhamos
confiança e uma fé que não pode ser movida e
que servirá tanto para nós quanto para outros até
nossa morte ou a volta de Cristo. Por mais difícil
que pareça, Deus está mais preocupado com nos­
sa obediência e fidelidade para com ele do que
com nosso bem-estar físico (Mateus 18.7-9).
Não podemos presumir que todos os méto­
dos de cura agradem a Deus. Grandes sinais e
maravilhas serão feitos por Satanás e a besta,
incluindo a cura de um ferimento fatal (Apocalip­
se 13). Com esses poderes à disposição do ma­
ligno. nós devemos ser cautelosos com a afirma­
ção de que toda cura vem de Deus. Ao contrário,
algumas vezes pode ser a vontade de Deus que
nós nos coloquemos sob o risco de doenças, feri­
mentos ou até mesmo a morte por amor de ou­
tros e por nosso relacionamento com o Pai
120 Coleção Bioética
(Mateus 16.24-26; Atos 5.27-32, 40-42). Nossa
tarefa é confiar em Deus e servir apenas a ele.
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, ina­
baláveis e sempre abundantes na obra do Senhor,
sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é
vão” (1 Coríntios 15.58).
Conclusão

D
emos uma visão superficial de algumas das
mais populares terapias alternativas dispo­
níveis. Deve ter tlcado mais claro porque é tão
arriscado fazer afirmações que generalizem as
terapias alternativas como se fossem um único
grupo e sugiram que elas sejam aceitas ou rejei­
tadas. Ao invés disso, cada terapia deve ser in­
vestigada com cuidado e atenção tanto em rela­
ção às evidências científicas quanto às crenças
religiosas que estão por trás delas. Precisamos
estar precavidos especialmente quando faltarem
provas científicas e quando a terapia envolver es­
píritos. A sociedade deve continuar a buscar al­
ternativas e formas de melhorar a medicina con­
vencional, mas, como qualquer outra terapia, es­
sas alternativas têm que passar por escrutínio ri­
goroso a fim de que estejamos certos de que são
seguras e eficazes.
Ao mesmo tempo em que as terapias alter­
nativas oferecem ajuda àqueles que estão neces­
sitados, elas também oferecem respostas para
questões espirituais. Nas palavras de um pacien­
te: “Eu recebi mais da terapia de corpo e mente
do que eu havia esperado. Eu recebi uma reli­
122 Coleção Bioélica
gião.”'1' Quando essa religião não é o cristianis­
mo, o “bônus” que vem com a satisfação física
tem um custo bem maior do que poderíamos ima­
ginar. De que me vale ganhar todo o mundo e
perder minha alma (ver Lucas 17.33)? Assim, de­
vemos ter discernimento para analisar os ensina­
mentos alternativos. É preciso que estejamos mo­
tivados a aprender mais sobre eles para que pos­
samos avaliá-los de forma justa e inteligente. Te­
mos que discuti-los com sensatez, sabendo que
as pessoas freqüentemente voltam-se para tera­
pias alternativas num momento de dor e frustra­
ção. Mas também precisamos estar dispostos a
sacrificar nosso conforto e, algumas vezes, nos­
sa saúde por amor ao Evangelho. B necessário
confiar que Jesus Cristo é a fonte da verdadeira
saúde e conforto que todos nós buscamos. Ele é
a verdadeira alternativa para as dores e sofrimen­
to desse mundo.
Notas
1. M i c h e l e B l e c h e r , " G o l d in G o l d e n s e a l ” , a n H o s p i t a l s &
H e a l t h N e t w o r k s 71- n " 2 0 ( o u t u b r o / 19 0 7 . p p 5 0 - 5 2 )
2 C o n s t i t u i ç ã o d a O r g a n i z a ç ã o M u n d i a l d e S a ú d e : h t t p : //
\vho-hq-poliey.uho.eh/cgi-bin/Tolioisa.dll/basicdoc/doc
3 M i c h a e l I.. B r o w n . I s r a e l ' s D i v i n e H e a l e r ( G r a n d R a p i d s .
Z o n d c rv a n . 1095).
4 Jacqueline Faw cett e outros. "U se of Alternative Health
T h e r a p i e s b y P e o p l e w i t h M u l t i p l e S c l e r o s i s ” , llo tis i N u r ­
se P ra c tic e 8 ( 1 9 9 4 , p p . 3 6 - 4 2 ) .
5. R e l a t ó r i o d e a p o i o a D e c i s õ e s , ' ' S e l l ' T r e a t m e n t in M a n a ­
g e d C a r e : H M O I n v o l v e m e n t in O T C a n d A l t e r n a t i v e
T h e ra p ie s” , citado c m Jan G o o d w in , "A Health In surance
R e v o l u t i o n ” , N ew ,-lge J o u r n a l ( M a r ç o / A b r i l . 1 9 9 7 . p p
95-99).
6. G a r e t h .1. D a n i e l s e P a u l i n e M c C a b e , '‘N u r s i n g D i a g n o s i s
a n d natural Therapies: A S y m b i o t i c R e la tio n s h ip ” . J o urn al
o f H o l i s t i c N u r s i n g 12 ( J u n h o / 1 9 9 4 , p p . 1 8 4 - 9 2 )
7 D ó n a l If O ' M a t h i i n a . " F . m e r g i n g A l t e r n a t i v e T h e r a p i e s ” ,
e n i The C h a n g in g F a c e o f H e a lth C are: .1 C h r is tia n A p ­
p r a is a l, J o h n I vi l n e r. R o b e r t O r r e J u d y S h e l l y ( e d i t o r e s )
(G ra n d R apids, lierd m ans, 1998)
8 B l e c h e r . " G o l d in G o l d e n s e a l ” . 5 0 - 5 2 .
9. R e l a t ó r i o d e a p o i o a D e c i s õ e s . 9 7 .
10 D a v i d O. W e b e r . " The M a i n s t r e a m i n g o f A l t e r n a t i v e
M e d i c i n e ” . H e a l t h c a r e F o r u m J o u r n a l 3 9 , n" 6 ( N o v c m -
b ro /D e z e n ib ro 1996. pp, 16-27)
11 G o o d w i n . ” A H e a l t h I n s u r a n c e R e v o l u t i o n ” . 9 9
12 W a l l e r A B r o w n . "'Fi le p l a c e b o e f f e c t ” , S c i e n t i f i c A m e ­
rican (J ane i r o / 1 9 8 8 ) 9 0 - 9 5 .
13 B l e c h e r . " G o l d in G o l d e n s e a l ” , 5 0 - 5 2 .
14. G e o f f r e y C r o w l e y , ' ‘H e r b a l W a r n i n g : H e a l t h - F o o d S t o r e s
H a v e B uilt a N e w N atural D ru g Culture. H o w Safe Are
Their W ares?” N ew sw eek, 6/05 /1996, pp 60-68.
124 Coleção Bioética
15. H a s s a n R i f ' a a t , “ I n t e g r a t i n g A l t e r n a t i v e M e d i c i n e a n d
M an ag ed C a re “ , National M an ag ed Health Care C o n fe ­
ren ce, 4 / 4 / 1 9 9 7 , A u d i o c a s s e t c n" 3 2 0 - S 3 B .
16 D e b o r a h A. G r a n d i n c t t i , ' ' I n t e g r a t e d M e d i c i n e ' C o u l d
B o o s t Y o u r I n c o m e ' ' , M e d i c a l E c o n o m i c s 7 4 , r f 18 (.Se­
t e m b r o d e 1 9 97 . pp. 7 3 - 9 9 )
17 h t t p . / / w w r v . n a t u r o p a t l n c . o r g / c e n s i n g q u e s l i o n . h t m l . a c e s ­
sado cm 22/05.1998.
1 8 . “ H e r b a l R o u l e t t e " , C o n s u m e r R e p o r ts . N o v e m b r o d e
1995. pp. 698-705.
19. J o s e p h J a c o b s , c i t a d o p o r E l i o t M a r s h a l l . “ T h e P o l i t i c s
o f A l t e r n a t i v e M e d i c i n e ” . S c i e n c e 2 6 5 ( 3 0 / 1 1 / 1 9 9 5 . pp.
698-705).
20. Ibid., 2 0 0 2 .
2 1 . J o h n R o b b i n s . Re*. h u n tin g O u r H e a lth : H x p lo d in g th e
M e d ic a l \l\a h a n d / o ; .. m e th e S o u r c e o f T ru e
H eu ling C l i b u r o n . C a l i f o r n i a II 1 K r a m e r 1 9 9 6 . p. 19 3 )
22 E E O C C o m p lian ce M a n u a l section o28 Poller guid an c e
o n “ n e w a g e t r a i n i n g p r o g i a n o t ha t e o n l l i c t w i t h e m ­
p l o y e e s ' r e l i g i o u s b e l i e f s . N" -9 1 5 . 0 2 2 . d a i u d o d e 0 2 / 0 9 /
1 9 8 8 C u r i o s a m e n t e , foi a s s i n a d o p o r C l a i c u c c T h o m a s
antes de sua indicação para a S u p re m a Corte
2 3 J o h n R o b b i n s , R e c la im in g O u r H ea lth , p. 192.
24. C o n g resso A m ericano, Escritório de Tecnologia. A sses­
sin g the E ffic a c y a n d Safety' o f m e d ic a l 'T e ch n o lo g ie s
(W ashingto n, D.C. 1978)
2 5 . K e r r 1. W h i t e . ' ‘E v i d e n c e - b a s e d m e d i c i n e " . L a n c e t 3 4 6 .
s e te m b ro de 1995, pp. 837-8.
2 6 J o n a t h a n E l l i s . I a n M u l l i g a n . J a m e s R o w e e D a v i d I.
S a c k e t t , “ I n p a t i e n t g e n e r a l M e d i c i n e is e v i d e n c e - b a s e d " .
L a n c e t 3-16, a g o s t o d e 1 9 9 5 . p p , 4 0 7 - 1 0 .
27. R ussel C h a n d le r .U n d e r s ta n d in g the N e w A g efD alas.
W ord. 1988).
-38. E l i s e P c t l u s , “ The M i n d - B o d y P r o b l e m s " . N o v a York .
14/0 8 /1 9 9 5 . pp. 28 -3 1 ,9 5 .
2 9 . D ó n a ! P. O ' M a t l u m a , ' ' T h e r a p e u t i c T o u c h : W h a t C o u l d
B e t h e H a r m ? ” , S c ie n tific R e v ie w o f A lte rn a tiv e M e d icin e
/, n” 2 (1998).
3 0 . D i c k ' T h o m p s o n , " A c u p u n c t u r e W o r k s " . T im e , 1 7 / 1 1 /
1 9 9 7 ; N 1 11 C o n s e n s u s S t a t e m e n t (. i nline: A c u p u n c t u r e . 3 -
5 / 1 1 / 1 9 9 7 : 1 5 . n “ 5. D i s p o n í v e l c m h t t p : / / o d p . o d . n i h . g o v /
c o n s e n s u s / s t a t e m e n t s / c d c / 10 7 / 1 0 7 s t m t h t m I
Medicina Alternativa 125
31 A n d r e w A. S k o l n i c k , " M a h a r a s h i A y u r - V c ü a : G u r u ' s M a ­
rketing S c h e m e P rom ises the W orld Lternal Perfect H e ­
a l t h " ' , J o u r n a l o f the A m e ric a n M e d ic a l A sso c ia tio n 266
(o u tu b ro de 1991), pp. 1742,
3 2 , Fl ari M . S h a r m a , B r i h a s p a t i D e v T r i g u n a e D e e p a l C h o ­
pra, "M ah arishi A yur-V eda: M o d e r n insights Into A n c i ­
e n t M e d i c i n e " , J o u r n a l o f th e A m e ric a n M e d ic a l A s s o c i­
a tio n 2 6 5 ( m a i o d c 1 9 9 1 ) , p p . 2 6 3 3 - 5 .
3 3 W a l l a c e S a m p s o n . •‘T h e P h a r m a c o l o g y o f C h e l a t i o n f h e -
r a p h y " . S c ie n tific R e v ie w o f A lte rn a tiv e M e d icin e / , n° I,
(O u t o n o /in v e r n o de 1997, pp. 23-2 5
34. J o s e p h W e b e r c S a n d r a D allas. ''C u r e 9 Well . Profit?
S u r e . " , B u s in e s s W eek. 2 3 / 1 0 / 1 9 9 5 , p p . 5 8 - 5 9 .
3 5 . W e n d y C o l e e D. B l a k e H a l l a n a n , " I s H o m e o p a t h y G o o d
M e d i c i n e 9 " , lim e . 2 5 / 0 9 / 1 9 9 5 , p p , 4 7 - 4 8
3 6 . J o h n W a l t o n , J e r e m i a h A. B a r o n d e s s e S t e p h e n L o c k ( e d i ­
t o r e s ) . “ H o m e o p a t h y " , in T he O x fo r d M e d ic a l C o m p a n i­
on ( N e w Y o r k : O x f o r d U n i v e r s i t y P r e s s . 1 9 9 4 , p. 3 7 5 )
37. D ana U llm an, D iscovering H o m eo p ath , edição revisada
( B e r k l e y ( C a l i f ó r n i a ) . I 9 9 1 , p. 15).
3 8 I . e o n S. O t i s . " A d v e r s e H f l e e t s o f T r a n e c d e i U a l M e d i t a ­
t i o n " ill M e d ita tio n C la ssic a n d C o n te m p o ru y T e rsp e c -
lives. Deabe II S h a p i r o Jr. li R o g e r N. W a l s h ( l i d i l o r e s )
(N ew York: A ld o n c. 1984. pp. 201-0 7 ).
3 9 . D e a n e I f S h a p i r o Jr.. " A d v e r s e e f f e c t s o f M e d i t a t i o n : A
Prelim inary Investigation o f L on g -T erm M e d ita to rs". In­
tern ational Journal o f P s y c h o sso m a tic s 2 9 (19 92, pp.62 -
6 ); F r e d e r i c k .1 H e i d e , " R e l a t i o n : T h e S t o r m B e f o r e T h e
C a l m ” , P s y c o l o g v t o d a y (Ab ri l d e 1985. pp. 18-19).
40. Para m aiores inform ações, contate a a ssociação a m e ric a ­
na dc m é d ic o s naturopatas: A m e ric a n A ssociation o f
N a t u r e p a t h i c P h y s i c i a n s 6 01 V a l l e y S t r e e t S e a t t l e . W A
9 8 1091 ( 2 0 6 ) 2 9 8 0 1 2 6 .
4 1 . J o h n L. P e p p i n . " T h e O s t e o p a t h i c D i s t i n c t i o n : f a c t o r
F i c t i o n ? " . J o u r n a l o f M e d ic a l H u m a n itie s 14. i f 4 ( 1 9 9 3 ,
pp. 2 0 3 -2 ).
4 2 D i a n e S t e i n . T s s e n tia l R eik i ( F r e e d o m . C a l i f o r n i a : C r o s ­
sing Press. 1995).
43. Lynn M c C u tc h c o n . "'fakin g a Bite out o f S h ark C a rtila ­
g e " , S k e p tic a l I n q u ir e r 2 1 . il” 5 ( S e t c m b r o / O u t u b r o d e
1997. pp. 4 4 -4 8 ).
126 Coleção Bioó/ica
4 4 . D o l o r e s K r i e g e r . A c c e p tin g Your P o w e r to I le a l ( S a n t a
be, N .M ., B e ar & C o m p a n y . 1993, p.29).
4 5 D ó n a l I3 O M a t h i m a , " T h e S u b t l e A l l u r e o ! T h e r a p e u t i c
T o u c h ’'. J o u r n a l o b C h r i s t i a n N u r s i n g 15 ( I n v e r n o d e I 9 9 S .
pp 4-13).
4 6 . D ó n a l P. O M a t h i m a . “ T h e r a p e u t i c T o u c h ' W h a t C o u l d
H e llie H a r m ' 1’’
4 7 . D o l o r e s K r i e g e r , A c c e p t i n g Y o u r P o w e r to H e a l.
pp. 20-22.
48. S h aky a Z an g p o and G eorge Feuerstein, “T he Risks of
V i s u a l i z a t i o n : G r o w i n g R o o t s C a n B e D a n g e r o u s " . The
Q u e st ( V e r ä o d e 1 9 9 5 , p p . 2 6 - 3 1 , 8 4 ) .
4 9 . J o n a t h a n A d o l p h . “ T h e N e w A g e Is N o w : T v s e n t K C u l t u ­
re", Aenr A ge J o u rn a l ( s u p l e m e n t o d e 19 95. pp. 2 7 - 4 0 )
5 0 . A . A . M a c D o n n c l í , “ V e d i c R e l i g i o n " . E n c y c lo p e d ia o f R e ­
lig io n a n d E th ic s ( K d i n B u r g h : T & 'I C l a r k . 1 9 5 5 . 1 2 : 6 0 2 )
5 1 . A l i c e A. B a d k e y . A T rea tise on W h ite M agic., 6 ' 1 F d i g à o
( N o v a York: F u c i s. 1 9 6 3 ). 57 8.
5 2 . J a n e t F a r r a r e S t e w a r t F a r r a r . A W itch es B ib le C o in p le a t:
V o lu m e 2: T he R itu a ls ( N o v a Y o r k : M a g i c k a l C h i l d e .
1981. pp. 2 2 0 )
53. A .F . P o w e l l . T h e F.theric D o u b l e : T h e H e a lth A u r a o f
M a n ( 1 9 2 5 . r e i m p r e s s ã o : W h e a t o n . Illinois: T h e o s o p h i -
c a l P u b l i s h i n g H o u s e . 1 9 6 9 . p. 74) .
54. O ' M a t l u m a , 'T h e S u b t l e A l l u r e ” , pp. 4 -1 3 .
5 5 . M a l c o l m P i u lk c ( e d i t o r ) . “ S p i r i t u a l H e a l i n g " , in The E n ­
c y c lo p e d ia o f A lte r n a tiv e M e d ic in e a n d S e lf-H e lp ( N o \ a
Y o r k : S c h o c k e n B o o k s . 1 9 7 9 . p. 1 7 8 ) .
5 6 . R o b e r t C a l v e r t . ‘D o l o r e s K r i e g e r . P h . D .And T h e r a p e u ­
tic T o u c h " . M a ssa g e 4 7 ( J a u c i r o / F c v e r c i r o d e 1 9 9 4 . pp.
56-60).
5 7 . D o l o r e s K r i e g e r . The T h e ra p e u tic T ouch ( F n g l e w o o d C l i ­
f t s, N o v a J e r s e y : P r e n t i c e - H a l l . 1 9 7 9 . p. 8 0 ) .
58. D o l o r e s K n e g e r . la v in g The T h e ra p e u tic Touch ( N e w Y o r k '
D o d d , M e a d & C o m p a n y , 1 9 8 7 , p. 5 3 ) .
5 9 . O n C h ristia n D o c trin e , 2 . 4 5 .
6 0 . C o n tr a C e ls u m , 3 . 7 5 5 5 .
6 1 . H o m ily S o n C o lo ssia n s.
6 2 . A l i c e A. B a i l e y, A T reatise on W hite M a g ic , 5 70 .
63. D e b o r a h C o w e n s . A Gift for H ealin g: I low You C a n Use
'T herapeutic 'Touch ( N o v a York: C r o w n 'H a d e p a p e r b a ­
c k s . 1 9 9 6 . p. 2 0 . )
Medicina Alternative! 127
6 4 . A . J W a t k i n s c W. S. B t c k e l , “ A S t u d y o f t h e K i l l i a n
K i T e e t ' k S k e p tic a l I n q u ir e r 10 ( 1 9 8 6 ) : 2 4 4 - 6 7 .
6 5 . R a n d o l p h C. B y r d , " P o s i t i v e T h e r a p e u t i c Li f l ee ts o f I n t e r ­
c e s s o r y P r a y e r in a C o r o n a r y U n i t P o p u l a t i o n " , S o u th e rn
M e d ic a l J o u r n a l 81.. n° 7 ( J u l h o d e 1 9 8 8 , p p . 8 2 6 - 2 9 ) .
6 6 . D a r r e l W. A m u n d s e n e G a r y B. F e r n g r c n . " M e d i c i n e a n d
R e l i g i o n : P r e - C h r i s t i a n A n t i q u i t y ” , in H e a lth . M e d ic in e
a n d th e F a ith T r a d itio n s , M a r t i n T. M a l y c K e n e t h L.
V a u x ( l /d it o r c s ) (F il adelfi a: F o rtress . 19 82. pp. 53- 9 2 ).
6 7 . M a r t y K a p l a n , “ A m b u s h e d b y S p i r i t u a l i t y " , Tim e. 2 4 / 0 6 /
1 9 9 6 . p. 6 2 .
Muitas vezes as pessoas se voltam para tera­
pias alternativas após frustrações com o moder­
no sistema de saúde. Este livreto examina vá­
rias terapias e tratamentos e os avalia profis­
sional e biblicamente, Algumas das práticas
examinadas aqui são:
• Homeopatia • Cinesiologia aplicada
• Medicina de corpo • Terapia de quelação
e mente • Meditação
• Ioga • Osteopatia
•Acupuntura • Quiroprática
• Medicina holística