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PSICOPATOLOGIA NO IDOSO

Ana Paula Amaral


Psicóloga Clínica
PSICOPATOLOGIA NO IDOSO

III - Depressão, suicídio e violência


IV - Perturbações de ansiedade
V - Perturbações obsessivo - compulsivas e relacionadas
VI - Perturbações do sono

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

Percentagem de indivíduos com mais de 65 anos (Portugal):

2005 ----------------------------17,2%
2020 ----------------------------19,50%
2050 ----------------------------32%.
(Fonte: Instituto Nacional de Estatística)

A prevalência de depressão e transtornos depressivos nos idosos, de um modo


geral, oscila desde 10 até 20-27%.

Idosos institucionalizados: 25 a 80%.

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

• Critérios de diagnóstico Depressão Major – DSM V

• Principais sintomas Depressão

Ana Paula Amaral


Principais sintomas Depressão
1. Alterações no estado de ânimo;

2. Deficiências específicas de comportamento;

3. Excessos específicos de comportamento;

4. Queixas somáticas;

5. Manifestações de natureza cognitiva.


Principais sintomas Depressão

1 - Alterações no estado de ânimo

• tristeza
• perda de interesse
• incapacidade de mostrar alegria
• aborrecimento
• ausência da “capacidade de sentir” (por vezes)
Principais sintomas Depressão

2 - Deficiências específicas de comportamento

• deixa de conviver;
• deixa de se rir;
• isola-se;
• deixa de cuidar do seu aspecto geral;
• diminui a sua capacidade para o trabalho;
• diminui o interesse sexual;
• lentificação.
Principais sintomas Depressão

3 - Excessos específicos de comportamento

• choro fácil (gritos, gemidos);

• culpa por actos insignificantes;

• queixas desproporcionadas;

• hipersensibilidade ao comportamento dos outros;

• ideias e tentativas de suicídio.


Principais sintomas Depressão

4 - Queixas somáticas

• disfunções dos ritmos biológicos (sono, apetite, peso, libido e


humor);

• sintomas vegetativos próprios da angústia (taquicardia, secura


de boca, transtornos gastro-intestinais, cefaleias, tonturas);

• fadiga, mesmo depois do sono nocturno ou descanso


diurno.
Principais sintomas Depressão

5 - Manifestações de natureza cognitiva

• recriminação;

• sentimentos de inadequação, incapacidade e fracasso;

• espera que tudo lhe corra sempre mal;

• sente-se interiormente desprezível;

• visão negativa de si, do seu mundo e do seu futuro.


Principais sintomas Depressão

• A variabilidade das manifestações clínicas

Consoante a cultura, a educação e outros factores, assim podemos


encontrar sintomas predominantemente:

– cognitivos;
– somáticos....
Ou
– relação perturbada consigo próprio;
– relação perturbada com os outros.
Principais sintomas Depressão

• Desvio Funcional Depressivo


As manifestações biológicas podem ser consideradas o elemento unificador
das várias manifestações clínicas.
Pollitt mencionou, desde 1960, os seguintes transtornos:
– sono;
– apetite;
– peso;
– líbido;
– variação diurna do humor.
(particularmente resistentes a fenómenos de natureza cultural)
Principais modelos explicativos

• Modelos biológicos
– factores genéticos
– factores neuroquímicos
– factores endócrinos

• Modelos psicossociais
– teorias psicanalíticas
– teorias comportamentais
– teorias cognitivas
– teorias construtivistas
III - Depressão, suicídio e violência

A Depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida, no idoso é


habitualmente subdiagnosticada:
• Sintomas são considerados “normais”
• O diagnóstico torna-se difícil no idoso, uma vez que é, na maioria das vezes,
atípica e coexiste com a doença física.

O idoso tem, habitualmente menos motivação e menos apoio social e familiar,


essenciais na recuperação de um processo depressivo.

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

A Depressão (típica) no idoso apresenta alguns aspetos peculiares:

• Ansiedade mais intensa;


• Preocupação com a saúde e/ou com a segurança material;
• Hipocondria;
• Queixas de memória (….)

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III - Depressão, suicídio e violência

Na idade avançada podem surgir formas clínicas atípicas:


• Depressão somatizada (predomínio de queixas somáticas, sintomatologia
digestiva, fadiga crónica);
• Depressão agitada (angustia incessante, move-se constantemente, suplica ajuda,
dificuldade em adormecer);
• Depressão psicótica (ideias delirantes mais comuns: a) teor melancólico: está na
miséria, tem doença incurável, é indigno e está condenado ao inferno; b) teor
paranóide: têm-lhe aversão, acusam-no, querem maltratá-lo);
• Depressão com défice cognitivo (confunde as recordações, não consegue fazer
uma compra ou dar um recado, troca o nome das pessoas, pode não ser capaz de
escolher a roupa ou orientar-se no tempo e no espaço - difícil de distinguir da
demência; na depressão instala-se mais rapidamente, episódios análogos no
passado, melhoria com antidepressivos;
• Alcoolismo secundário (que pode ter como causa uma depressão).

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

• Um dos diagnósticos mais


prevalentes
Depressão
• Com mais custos sociais

• 2º diagnóstico mais frequente


• Subvalorizada no contexto do
Depressão envelhecimento
Idoso • Alguns sintomas são desvalorizados:
isolamento social, debilidade física,
< atividade no dia-a-dia

(Brown, Lapane, & Luisi, 2002; Leon et al., 2003; Vaz Serra & Gaspar, 2011)

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III - Depressão, suicídio e violência

Múltiplas
perdas
Isolamento
Sensação de
socioafetivo e
familiar inutilidade

Depressão
no idoso Perdas
Ausência de
funcionais e
confidente incapacidades

(Blazer, 2003)
Reduzida Doenças
auto-estima crónicas
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III - Depressão, suicídio e violência

NÃO
↑Idade

Fraco apoio Deterioração


social
↑Depressão da saúde

Austrália – Henderson et al. (1997);


Hong-Kong – Chi et al. (2005)
Deterioração das
atividades diárias

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III - Depressão, suicídio e violência

Etiologia:
Fatores biológicos:
Predisposição genética;
Episódios anteriores de depressão;
Modificações a nível hormonal e a nível do sistema nervoso central (por
exemplo, a doença de Alzheimer).

Fatores relacionados com a doença física:


Patologias específicas (como o cancro, a artrite, a incontinência…);
Doenças crónicas com dor e perda de função;
Uso de medicamentos, polimedicação;
Privação sensorial (sobretudo a visão).

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III - Depressão, suicídio e violência

No idoso é importante, também, considerar:

• Depressão e doenças cardiovascular


• Depressão e doença cerebrovascular (ex: demência vascular, AVC –
predispõe à depressão)
• Depressão Vascular

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III - Depressão, suicídio e violência

Perda de auto-estima

Sentimento de inutilidade

Sensação de que é um peso para a


sociedade e para a família

Perda do sentido da vida

Isolamento

Depressão

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

O luto
Após os 65 anos, há um aumento significativo de perdas de
familiares e amigos.

A não aceitação da partida do ente querido;


A dificuldade em lidar com os novos
sentimentos surgidos com a perda;
A sensação de abandono e de solidão.

Podem desencadear:

• Depressão;
• Períodos de ansiedade;
• Perturbações obsessivo-compulsivas.
Ana Paula Amaral
III - Depressão, suicídio e violência

O abuso e a negligência
A nível mundial, prevê-se que 6 a 10% dos
idosos sofram algum tipo de abuso.

Tipos de Abuso:
DEPRESSÃO
Abuso físico;
Agressores mais comuns:
Abuso sexual;
 a família directa (filhos,
Abuso emocional ou psicológico; cônjuges, netos);
 Exploração material ou financeira;  prestadores de cuidados.

 Abandono;
 Negligência;
 Auto-negligência.
Ana Paula Amaral
III - Depressão, suicídio e violência

Sintomas:
Os sintomas característicos de depressão nem sempre estão presentes ou
aparentes nos idosos, o que muitas vezes torna difícil o diagnóstico desta condição.
A hipocondria é o sinal mais revelador da depressão nas pessoas idosas.
 Perda de interesse e prazer;
 Irritabilidade;  Palpitações;
 Crises de choro;  Dores no peito;
 Baixa auto-estima;  Cólicas abdominais;
 Pessimismo;  Distúrbios intestinais;
 Dificuldade de concentração;  Formigueiro;
 Sentimento de culpa;  Cefaleias;
 Ideias de suicídio;  Zumbidos;
 Retardo ou agitação psicomotora;  Falta de ar;
 Alterações de sono;  Sensação de bola na garganta;
 Perda do apetite;  Lombalgia.
 Fadiga;
 Lentificação.
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III - Depressão, suicídio e violência

Repercussões:

A depressão pode ter consequências profundas não só para a pessoa afectada,


como também para a sua família, podendo levar a:

 Incapacidade;
 Dependência (álcool, tabaco e outras drogas);
 Suicídio;

Podendo ser devastadora para as relações familiares, de amizade e laborais.

A grande maioria (70%) das pessoas que cometem suicídio têm diagnóstico de
depressão

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

Intervenção:
1) Farmacológica
• Atitude de compreensão e ajuda;
2) Psicoterapêutica
• Estabelecer uma relação de confiança e de amizade;
3) “Psicossocial”
• Aumentar a proximidade e a cumplicidade;
• Estimulá-los em diferentes dimensões.
• jogos de memória
(auditiva, visual,
táctil…)
• passeios • aumentar a sua auto-estima,
• debates
• leitura • ajudar a organizar a sua vida,
• conversas • resgatar os seus afectos positivos,
• descobrir actividades prazerosas,
• recuperar e desenvolver novos
relacionamentos.
Ana Paula Amaral
III - Depressão, suicídio e violência

Na abordagem do idoso com depressão é fundamental:

• Saber escutar;
• Aceitar;
• Reconhecer o seu valor, contribuindo para
que se sinta mais humano, mais digno e
respeitado.

• Encorajar;
• Respeitar o seu ritmo de evolução,
valorizando-o e felicitando-o pelo
que consegue realizar.

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

Programas de intervenção no idoso com depressão:

Por ex: na Califórnia


Nogh, Lewis e Connolly (2005) – idosos com depressão internados

Sessões de educação para a saúde


Terapia ocupacional
Exercício físico em grupo
Dramatização (…)

Com pré e pós teste, os resultados sugeriram melhorias significativas.

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

Programas de intervenção no idoso com depressão:


Por exemplo, em Portugal:

PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL EM IDOSOS


PROGRAMA DE INTERVENÇÃO NA DEPRESSÃO. Patrícia Costa; Ana Paula Amaral

Objetivos:

1. Elaborar um programa de intervenção de simples aplicação baseado em


atividades de animação sociocultural que visassem as relações interpessoais, a
melhoria da auto-estima e a promoção do humor positivo.

2. Implementar e validar o referido programa – avaliar se o programa seria eficaz na


diminuição dos níveis de depressão dos idosos.

Ana Paula Amaral


III - Depressão, suicídio e violência

PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL EM IDOSOS


PROGRAMA DE INTERVENÇÃO NA DEPRESSÃO
Patrícia Costa; Ana Paula Amaral

Participantes

Critérios de inclusão: idades >65 e depressão (EDG)

Dois grupos: Grupo de Intervenção (GI) – N=21


Grupo de Comparação (GC) – N=21

Idosos institucionalizados – Lares e residências do distrito de Viseu

Ana Paula Amaral


MÉTODO
• Participantes

Características Gerais da Amostra


Grupos GI(N) GI(%) GC(N) GC(%)
Feminino 11 52,4 18 85,7
Sexo
Masculino 10 47,6 3 14,3
65-74 3 14,3 4 19
Idade 75-84 7 33,3 10 47,6
85-94 11 52,4 7 33,3
Solteiro 4 19 4 19
Casado 1 4,8 1 4,8
Estado civil
Divorciado 1 4,8 1 4,8
Viúvo 15 71,4 15 71,4
S/ habilitações 2 9,5 10 47,6
Habilitações Ensino Primário 8 38,1 11 52,4
literárias Ensino Básico 7 33,3 0 0
Ensino Secundário 4 19 0 0
• Material
MÉTODO

1. Escala de Depressão Geriátrica (EDG; Yesevage et al., 1983)

• 0 - 10 : ausência de depressão
• 11 – 20 : depressão ligeira
• 21 – 30 : depressão grave

2. Questionário sociodemográfico
3. Questionário de avaliação do programa
MÉTODO
• Procedimentos

1ª fase: Procedimentos formais e aspetos éticos

2ª fase: Pré-teste (T1) – EDG aos 42 idosos (GI + GC)

3ª fase: Implementação do Programa de Intervenção

4ª fase: Pós-teste (T2) - EDG aos 42 idosos (GI + GC)


MÉTODO
Programa de Intervenção
• Decorreu durante 12 semanas
• Sessões grupais 3X semana
• Cada sessão com a duração de 1 hora

As sessões estiveram centradas


• Promoção das relações interpessoais
• Promoção da auto-estima
• Promoção de humor positivo
MÉTODO
Programa de Intervenção
• Relacionamento interpessoal
– Dinâmicas de grupo direccionadas para o conhecimento do
grupo – facilitar a integração, a confiança, a escuta,
promovendo a proximidade relacional.
MÉTODO
Programa de Intervenção
• Auto-estima
– Dinâmicas de grupo centradas nas qualidades de
cada um e no elogio – partilha de elogios, contar
histórias de vida relembrando competências,
qualidades, valorizar-se a si e aos outros.
MÉTODO
Programa de Intervenção

• Humor positivo
Visualização de filmes de comédia, desenhos coletivos,
rimas, entre outras atividades que envolviam
criatividade, imagens e música.
Estas actividades desencadeavam risos, comentários
animadores criando um ambiente descontraído.
RESULTADOS
• Evolução de T1 para T2
Evolução dos grupos relativamente aos valores de depressão (EDG)

Grupos M e DP - T1 M e DP - T2 p

GI 16,29 (4,06) 12,24 (3,63) 0,002

GC 16,90 (3,36) 18,38 (4,39) 0,059

M= Média; DP= Desvio padrão


EVOLUÇÃO DE T1 PARA T2
T1
20
18
16 Grupo de Intervenção
14
12 Grupo de Comparação
10
8
6
4
2
0
Ausência de Depressão Depressão
Depressão Ligeira Grave

T2
20
18
16
14
12
10 Grupo de Intervenção
8
6 Grupo de Comparação
4
2
0
Ausência de Depressão Depressão
Depressão Ligeira Grave
DISCUSSÃO
Relativamente às
características sociodemográficas da amostra

• média de idades situada nos 81.6 anos;


• na sua maioria do sexo feminino (69%);
• viúvos (71%);
• baixas habilitações literárias.

Estes dados vão ao encontro do perfil traçado por Samuelsson et al.


(2005), que sublinha que a viuvez constitui um dos fatores
desencadeadores da depressão, associado a esta média de idades.

De acordo com Blazer (2003) a escolaridade é uma das variáveis que,


também, influencia o aparecimento da depressão no idoso.
DISCUSSÃO
• As atividades desenvolvidas promoveram o relacionamento
interpessoal. Os idosos mostraram-se satisfeitos com os elementos
que constituíam o grupo, tendo-se verificado um aumento da
formação de relações de amizade (a proximidade e a entreajuda
aumentaram).

• Vários estudos têm demonstrado que, quando a relação com os outros


é percepcionada de forma positiva constitui uma experiência
enriquecedora que minimiza o estado depressivo.
(Nogh, Lewis & Connolly, 2005; Greenfield & Marks, 2007; Heyl & Schmitt, 2007; Bishop,
2008; Teixeira, 2010; Lucca & Rabelo, 2011)
DISCUSSÃO
• Os resultados sugerem um aumento da auto-estima. Um maior
número de idosos revela sentir-se útil, reconhecendo mais as suas
capacidades.

• De acordo com Zimerman (2000), o resgatar dos aspetos positivos


e a estimulação do idoso são aspetos essenciais, visto que a
depressão se relaciona com o pouco reconhecimento das
capacidades, autoverbalizações negativas, baixa auto-estima e
fraco relacionamento interpares.
DISCUSSÃO
No que diz respeito ao principal objectivo deste estudo, diminuir os
sintomas de depressão, os resultados sugerem que ocorreu uma
diminuição no índices de depressão nos idosos que participaram no
programa de intervenção.

• Estes resultados vão ao encontro de estudos anteriores que


constataram que as atividades socioeducativas, lúdicas e recreativas,
desenvolvidas com idosos, contribuem para a redução dos sintomas de
depressão.
(Loures & Gomes, 2006; Lucca & Rabelo, 2011)

• A prevalência da depressão está intimamente relacionada com baixos


níveis de atividade e pouco apoio social. A participação em novas
atividades, criando rotinas e relações sociais, são essenciais para o
bem-estar dos idosos e aumentam os índices de satisfação com a vida.
Os laços sociais promovem a auto-estima e melhoram o estado de
humor, promovendo a saúde mental.
(Henderson et al., 1997; Andrews, 2001; Hansen-Kyle, 2005; Pereira, 2010; Yassuda & Silva,
2010)
CONCLUSÃO
• Podemos concluir que o programa delineado atingiu o
seu principal objetivo, ou seja, diminuiu de forma
significativa os níveis de depressão no idoso.

• Limitações:
– diferenças entre o GI e o GC, relativamente à distribuição por
sexo e por idade.
– duração do programa, uma vez que três meses de intervenção
pode ser considerado um curto período para um estudo na
área da saúde mental. No entanto, salientamos que é um
estudo piloto e que o tempo de intervenção poderá ser
alargado em programas futuros.
CONCLUSÃO

• No futuro, apesar da literatura referir que os grupos onde


ocorre a intervenção devem ser pequenos (12 a 20 indivíduos)

Seria importante criar uma rede de intervenção a nível


nacional com vários grupos em simultâneo, alargando
significativamente o número de idosos com depressão
abrangidos.
“O idoso conserva suas faculdades se
mantiver vivos os seus interesses”

Cícero
PSICOPATOLOGIA NO IDOSO

III - Depressão, suicídio e violência


IV - Perturbações de ansiedade
V - Perturbações obsessivo - compulsivas e relacionadas
VI - Perturbações do sono

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Arquitetura do Sono

Existe uma variação cíclica entre o sono NREM


e o REM, ao longo da noite , com duração de
cerca de 90 a 100 minutos por ciclo
(predomínio das fases 3 e 4 no início da noite e
do sono REM no final).

Sono Não-REM: (Fase1» Fase2» Fase3» Fase4 )


Períodos de sono, em que há diminuição da FC (frequência cardíaca); FR
(frequência respiratória) e TA (tensão arterial) » essencial à recuperação física do
organismo.

Sono REM:
Intensa actividade cerebral, FR e FC e TA semelhantes aos períodos de vigília. É
durante o sono REM que sonhamos.
Ana Paula Amaral
Perturbações do sono

Como varia a arquitectura do sono ao longo da vida?

• A frequência e a duração dos períodos de sono profundo (não-REM) diminui


(fases 3 e 4 desaparecem aos 90 anos ) e aumentam os períodos de sono REM.
• Diminuição, com a idade,
do número de horas de sono necessárias.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Como varia a arquitectura do sono ao longo da vida?

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Como varia a arquitectura do sono ao longo da vida?

• Recém Nascido: Sono polifásico (vários sonos diários) 18h

• Infância: Sono bifásico (Sono da noite + sesta)

• Idade escolar e adulto: Sono monofásico (Sono da noite)

• Idoso: Sono polifásico (vários sonos diários) 7h

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Perturbações do sono

Alterações do sono normais no idoso

• Diminuição da quantidade de sono nocturno;


• Aumento do nº de despertares nocturnos;
• Maior permanência na cama;
• Redução do tempo total de sono;
• Maior dificuldade em adormecer;
• Maior insatisfação com o sono;
• Cansaço, sonolência diurna e necessidade de sestas.

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Perturbações do sono

A insónia no idoso
• Aumento da sonolência diurna (acréscimo na dificuldade de desempenho das
actividades da vida diária);
• Diminuição da qualidade de vida;
• Maior tendência para abuso de álcool ou drogas;
• Aumento do uso de hipnóticos;
• Aumento do sofrimento do cuidador;
• Aumento do risco de quedas (sobretudo em idoso institucionalizados);
• Potenciação dos sintomas de demência (ex. défices cognitivos, agressividade e
agitação);
• Aumento do risco de doenças coronárias;
• Aumento do risco de quadros depressivos e ansiosos.

Nota: Alterações nos resultados quando se avalia a função cognitiva (dificuldades


mnésicas e da atenção, aumento da latência do tempo de resposta, diminuição das
capacidades executivas ...)
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Perturbações do sono

As perturbações do sono no idoso


• Afetam 30-40% dos idosos.
• São causa frequente de pedido de consulta no Centro de Saúde (70-75%
fármacos prescritos para a insónia são prescritos pelo Clínico Geral).
• Constituem um problema de saúde pública.

As mais comuns:
• Insónia;
• Apneia Obstrutiva do Sono.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Causas:

1) Má higiene do sono
Horários desregulados, trabalho por turnos, exercício físico em horário
desapropriado, maus hábitos alimentares, tabagismo.

2) Causas médicas, medicamentosas e quadros dolorosos.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Insónia Secundária - causas

Ansiedade e depressão

 A insónia pode ser inicial (mais frequente nas perturbações de


ansiedade), intermédia ou terminal (mais frequente nas depressões).
 A depressão e a insónia estão muito associadas e potenciam-se
mutuamente.
 A insónia é, por vezes, o único sintoma de depressão.
 Insónia, cefaleias, queixas gastrointestinais, queixas dolorosas variadas,
podem ser os sintomas de uma Depressão Mascarada.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Insónia Secundária - causas


Apneia Obstrutiva do Sono
Hipersónia diurna

- Alterações anatómicas (estreitamento das vias


respiratórias superiores : ex. Obesidade, pólipos
nasais) e/ou diminuição da atividade dos
músculos dilatadores da faringe;
- História de roncopatia (confirmada pelo
cônjuge);
- Paragens respiratórias durante o sono –
apneias;
- Hipersónia diurna.
Ana Paula Amaral
Perturbações do sono

Apneia Obstrutiva do Sono

- Outras causas de apneia do sono: pulmonares, cardiovasculares, neurológicas....


- É fundamental um estudo rigoroso em laboratório de sono de forma a avaliar o
doente e orientar o tratamento e acompanhamento clínico adequados.

Estes doentes apresentam:

- Elevado risco de AVC e EM;


- Sonolência diurna;
- Irritabilidade marcada;
- Depressão e ansiedade.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Insónia Terminal

Ocorre principalmente nos idosos institucionalizados que apresentam:


• Menor tempo de exposição à luz solar;
• Mais tempo na cama;
• Inactividade;
• Mais sestas ao longo do dia, com redução do tempo de sono nocturno.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Outras causas de insónia no idoso

• Patologia médica: angina do peito e insuficiência cardíaca; asma e DPOC;


refluxo gastroesofágico; incontinência urinária; hipertrofia benigna da
próstata., doenças que evoluem com dor aguda ou crónica (artrite
reumatóide, doenças oncológicas);

• Patologia psiquiátrica: por exemplo, depressão e ansiedade;

• Medicação crónica.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Insónia iatrogénica por fármacos

Perturbações Depressivas: bupropriona, fluoxetina, paroxetina, sertralina,


velafaxina, imipramina, nortriptilina;

Doenças cardiovasculares: betabloqueantes, metildopa, hidroclorotiazida,


furosemida e quinidina;

Doenças respiratórias; pseudoefedrina, agonistas α2, descongestionantes,


teofilina e corticóides;

Ingestão regular de estimulantes (modafinil, metilfenidato), cimetidina,


fenitoína, hormonas tiroideias, cafeína e nicotina.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Outras causas frequentes:

• Alteração do ritmo circadiano;


• Má higiene do sono;
• Perturbação primária do sono;
• Demência, Síndrome das pernas inquietas, D. Parkinson.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Diagnóstico
• História Clínica
Avaliação da existência de patologia médica ou psiquiátrica associada ou
desencadeante; Iatrogenia?! Rever medicação crónica; Avaliar a existência de
factores externos que podem concorrer (contexto psicossocial).
• Diário de Sono
• Polissonografia
•EEG
•Actividade muscular
•Movimentos oculares
•Parâmetros vasculares
•Parâmetros respiratórios
•Vídeo (se necessário)
Ana Paula Amaral
Perturbações do sono

Intervenção

1. Medidas de higiene do sono – ADAPTAR ÀS CARACTERÍSTICAS DE SONO DO


IDOSO E AOS SEUS HÁBITOS;
2. Usar estratégias individuais de tranquilização;
3. Avaliar o meio ambiente e as necessidades da vida diária e se necessário
alterá-lo de forma segura;
4. Manter apoio frequente ao cuidador com educação deste;
5. Reduzir a polimedicação e reavaliar a situação regularmente.

Ana Paula Amaral


MEDIDAS DE HIGIENE DO SONO – GERAIS – necessário adaptar!!!!

1. Praticar regularmente exercício físico durante o dia, mas evitando a


sua prática três ou quatro horas antes da hora de ir para a cama.
Evitar as sestas (Nos idosos uma pequena sesta no fim de almoço é
aceitável)

2. Criar alguma rotina nos hábitos de sono, adoptando um horário regular para
ir dormir e para acordar no dia seguinte (incluindo fins de semana).

3. Evitar a ingestão de excitantes como álcool, cafeína e nicotina ao longo


do dia e, particularmente, nas últimas horas antes de ir para a cama.
Devemos ter presente que a cafeína não existe apenas no café, mas também
no chá, em certos refrigerantes, chocolates, etc.
MEDIDAS DE HIGIENE DO SONO

4. Evitar refeições pesadas e ricas em gordura no período da noite, pois são mais
difíceis de digerir e perturbam o sono. Pelo contrário, uma ceia leve, constituída
por um copo de leite morno e duas ou três bolachas, pode facilitar o adormecer.

5. Criar um ambiente calmo e propício ao repouso no quarto de dormir, com pouca


luz e ruído e com uma temperatura amena. Cama confortável e quente.

6. Procurar ir para a cama apenas quando se tem sono; se demorar mais de vinte
minutos a adormecer deve levantar-se e realizar qualquer tarefa relaxante até
sentir sono e voltar para a cama. Mesmo que adormeça tarde procure levantar-se
à mesma hora no dia seguinte para não alterar os seus hábitos de sono.
MEDIDAS DE HIGIENE DO SONO

7. Não procure resolver


problemas pensando neles
quando vai para a cama. Anote-
os antes de se deitar e resolva-os
pela manhã.

8. Se julga que dorme pouco,


muito ou ”mal” faça um diário
do sono.

(Não aplicável para a maior


parte dos idosos)
Perturbações do sono

Intervenção Farmacológica

1. Não medicar se o idoso dormir mais de 6 horas por noite;

2. Evitar a polimedicação;

3. Prescrever cerca de metade da dose usada no adulto;

4. Os hipnóticos: só se a insónia for primária, o funcionamento diurno for


incapacitante, existir prejuízo para a saúde física e mental e/ou se as
intervenções não farmacológicas falharem.

Ana Paula Amaral


Perturbações do sono

Outros tratamentos
•Nos movimentos periódicos do sono e no síndrome das pernas inquietas:
tratamento farmacológico: antiparkinsónicos, clonazepam;

•Na SAOS: CPAP [Continuous positive airway pressure] - dispositivo adaptado aos
dentes e nariz para minimizar o ressonar e a obstrução das vias aéreas superiores,
cirurgia (eventualmente)

•No Atraso e Avanço de Fase:


Fototerapia;

•Técnicas cognitivo-
comportamentais.
Ana Paula Amaral