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JOGO DE BÚZIOS

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FUNDAMENTOS DE JOGO DE BÚZIOS

FINALIDADE:
O presente trabalho tem como objetivo, informar, esclarecer e orientar o olha-
dor, na pratica do jogo de búzios pelo método Merindinlogun. Saber decifrar e en-
tender as quedas dos kauri (búzios), qual orixá está respondendo, a fim de diagnos-
ticar as situações inerentes ao jogo do consulente.

METODOLOGIA:
- Seleção dos Kauri (búzios) 16 unidades.
- Seleção das ervas que serão usadas para a lavagem do jogo de búzios.
- Lavagem do jogo de búzios e das vistas do olhador.
- Comida para exu.
- Assistir as aulas para adquirir prática de jogo e se familiarizar com as que-
das, criando seu método próprio de olhar e entender o oráculo.
- Primeira jogada com o jogo de búzios após a lavagem com o eró das ervas.
- Dar comida do jogo de búzios (Oro).
- Arriar comidas seca para orumilá e oxalá.
- Suspender a comida, levantar o jogo, por para descanso por no mínimo 2
(duas) horas, após o descanso, fazer a primeira jogada oficial com o jogo de búzios.
- O método Alafia.

MATERIAL EMPREGADO:
- Kauri (búzios);
- Folhas litúrgicas;
- Bichos para sacrifícios;
- Waji, Osun, Efun, Aşe Ewe, Aşe Orişạ, Banha de Ori, Yorosun;
- Apostila;
- Caneta, lápis, borracha, caderno, peneira de palha.

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DESENVOLVIMENTO.
PRIMEIRO PASSO:
Seleção dos Kauri:

Precisamos em primeiro plano, saber escolher os kauri (búzios). Vamos esco-


lher 8 (oito) mais robustos que serão chamados de femininos e 8 (oito) mais alonga-
dos que serão chamados masculinos, só para efeito de identificação.
Após de escolhidos, faremos uma abertura no lado oposto ao da fenda natu-
ral, para criar uma estabilidade do mesmo na ora de jogá-los.
OBS: As mulheres que jogam pelo método merindinlogun irão fazer a leitura das
quedas do jogo pelo oposto ao da fenda natural, enquanto os homens farão a leitura
pela a fenda natural, obedecendo ao dono de seu eledá (orixá a qual é filho). Os de
santo masculinos lerão pela fenda natural e as de santo femininos, pela fenda criada.

SEGUNDO PASSO:
Seleção das ervas:
O principal do método colocado está, em lavar os búzios com misturas de er-
vas de Colônia (iperegun), Santa Luzia (oju oro), Saião (folha da costa), Oriri (rin
rin), Fortuna, Oripepê (agrião), Seivas de Alfazema (alfazema do campo), açúcar
com ebô de Oxalá (milho cozido) e Macassá. Deixe os búzios no sereno em noite de
lua cheia imerso na água do olho-d’agua, pela manhã, lave-os com as ervas, água
corrente e mel antes do sol nascer.
Permita o descanso dos búzios por algumas horas e estará pronta a leitura.

TERCEIRO PASSO:
Comida para Exú:
Após preparar os kauri (búzios), o próximo passo é dar comida a exu, pois
este orixá é o grande comunicador e transportador de ebó, sendo o primeiro, o início
de tudo e toda ritualística dentro da cultura Afro. No entanto se faz um sacrifício para
exu para apresentar o futuro olhador e reverenciá-lo.

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QUARTO PASSO:
Aulas de fixação, teoria e prática:
Serão ministradas aulas periódicas de aprendizagem e fixação, sobe o papel
odúnico no jogo de búzios, tendo como o orientador maior Orumilá e Ifá que é o
grande olhador, no processo marindilogun, fazendo uma leitura satisfatória, relacio-
nando odu (destino), orixá (divindade) e consulente (cliente), como parte de um con-
texto espiritual e filosófico.
Saber conceituar cada odu, fazendo uma sinopse sobre ele e quais orişas
respondem em cada um. Saber fazer conjugações, entendê-las e interpretá-las, lem-
brando que serão dados alguns exemplos de conjunções para explicar algumas situ-
ações do consulente. Este método será usado para casos específicos e situações
que requeiram esta prática. Fora esses casos, serão usados a configuração habitual
que será esplanada no decorrer do curso.

QUINTO PASSO:

Primeira jogada com o jogo de búzios após a lavagem com o eró das ervas.
Obedecendo ao cronograma do curso de marindilogun, neste passo iremos
conhecer a metodologia divinatória do jogo de búzios.
Faremos o primeiro jogo para a primeira leitura dos búzios após três dias da
lavagem do mesmo com as ervas saradas. Após o repouso dos kauri (búzios) que
deverá de ser de algumas horas, o olhador os pega nas mãos e faz a seguinte sau-
dação:
Deve saudar primeiro ao céu (Orun) Ago mojubá Orun;
Depois saudar a Terra (Ago mojuba Aye).
O “olhador deve saudar Orunmilá (ago mojuba Orunmila), o Deus supremo,
levando os búzios com as mãos fechadas, saudando primeiro seu lado esquerdo
(ago mojuba Ila Orun), que representa os espíritos femininos, depois o direito (ago
mojuba IWỌ ỌRUN), os espíritos masculinos, atrás e no alto da cabeça, saudando
os espíritos desencarnados (ago mojuba ARIWA), e, por fim, a sua fronte, represen-
tando a saudação à vida, ao nascimento, à transformação e à renovação (ago mo-
juba ORI).

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Depois o olhador faz a reza a seguir:

REZA DOS BÚZIOS PELA NAÇÃO KETÔ

“Aduduá , dadá Orunmilá


Babá mi alari ki Babá
Olodumarê Babá mi
Bakê Oshê
Bara lonan
Kou filé Babá mi
Emim lo shirê Babá
Ifá Bemim mojubaré
Ibá Orum mojubaré
Exu mujibá ( aqui bate o pé 3 vezes )
Okê Oxé
Ifá Agô
Ogum ê Patacori
Jassy , jassy”.

E joga os búzios em um pano virgem para fazer a primeira leitura de Ifa.

SÍNTESE
O jogo de búzios é considerado um oráculo de Ifá, que usa essas conchas
como instrumentos divinos da comunicação espiritual, “falada” pelos deuses africa-
nos e transmitidas aos homens pelos Babalaôs, Babalorixás e Yalorixás.
Ifá não é magia. É o transmissor, o sábio dos deuses. A sua arte é considera-
da esotérica com codificações da vida, do dia - a -dia.
Olorum criou os quatros elementos: a terra, a água, o fogo e o ar. Destes fo-
ram gerados os elementos, que geraram todas as coisas vivas sobre o planeta. Fo-
ram atribuídos a cada um destes elementos quatros Odus, ou seja, quatro signos
interligados dos destinos:

TERRA: Odus Irosun, Egi Laxeborá, Ika Ori e Obará, representam o caminho da
tranqüilidade à riqueza; ÁGUA: Odus Egi Okô, Ossá, Egi Ologbo e Oxé, representam

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o caminho da dúvida ao triunfo; AR: Odus Egi Onilé, Ofun, Obé Ogunda e Alafia, re-
presentam o caminho da indecisão até a paz; FOGO: Odus Okaran, Odi, Owarin e
Eta Ogundá, representam o caminho da insubordinação até à guerra.

QUALIFICAÇÕES PARA SE JOGAR OS BÚZIOS:

Existem dez princípios essenciais e necessários para um sacerdote exercer o jogo


de búzios:
1 - Ter a mediunidade desenvolvida e respeito ao consulente.
2 - Ter a “visão tratada”, que significa lavar os olhos antes de cada jogada e limpar a
mente de pensamentos que interfiram o jogo, levando a uma análise errônea
3 - Ter vidência auditiva.
4 - Ter o conhecimento das caídas dos búzios e todas as suas derivações.
5 - Ter o conhecimento intermediário de psicologia, acentuado pela pratica de acon-
selhar o consulente, analisando a situação como um todo.
6 - Saber usar a tática do jogo de búzios com astúcia e domínio da situação apresen-
tada.
7 - Saber usar o jogo de búzios com estratégia, a fim de possibilitar a solução dos
problemas do consulente.
8 - Saber usar a prática do jogo de búzios com influências e determinação sobre o
consulente, porém, com sabedoria e perspicácia.
9 - Saber usar a malícia que o jogo permite, a fim de desvendar os mistérios ocultos
nas próprias mensagens das caídas e do consulente.
10 - Saber, principalmente, utilizar - se bem da intuição, que é o fator imprescindível
para o crescimento do sacerdote.

SEXTO PASSO:
Dar comida do jogo de búzios (Oro).

Deve-se dar comida a eşu, pois ele é o princípio, o começo, o primeiro.


Temido por muitos, é peça indispensável para movimentar o que é terreno, a
matéria. Responsável pela a vida mudana e profana, quando bem cuidado e cultua-

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do, está sempre pronto para servir. Ele é o transportador do Ebọ, o dono do falo, o
intermediário. Por isso devemos dar comida a eşu para que ele possa nos servir em
benefício de Orumilạ.

SÉTIMO PASSO:
Arriar comidas seca para orumilá e oxalá.

Após dar comida ao jogo, se faz necessário arriar comidas secas para Ifá e
Orumilạ. São dezesseis bolas de inhame para Ifá e dezesseis akasạ e ebo para
Orumilạ.

OITÁVO PASSO:
Levantar o Jogo de búzios.
Levantaremos o jogo após três dias de arriado, lavaremos novamente o jogo
no erọ das ervas sagradas, colocaremos em repouso por 24 horas e após isso, fa-
remos a tomada de uma nova jogada para saber qual odu e qual orişạ estará res-
pondendo para que possamos ter um posicionamento de Ifá.

NONO PASSO:
MÉTODO ALAFIA
O método mais simples é o jogo com quatro ( 4 ) búzios, ficando separados
em grupos de ( 4 ) para que o jogo não fique viciado nas respostas, quando formos
executar o método aláfia, colocaremos quatro búzios situados ao norte, quatro ao
sul, quatro à esquerda e quatro à direita, assim, manusearemos os dezesseis búzios
de uma forma mais homogênea.

RESULTADOS:
ALAFIA:
Caída de 4 búzios abertos:
Significa “SIM”, positivo, confirmação, tudo bem. Não há nenhuma margem
de erro ou contrariedade para a pergunta em questão.

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ETAWA ou ORUSUN:
Caída de 3 búzios abertos e 1 fechado:
Significa “TALVEZ”, dúvidas, dificuldades para a realização e concretização,
momento de cautela, de conselhos e prudência.

EJI ALAKETO ou MEGE


Caída de 2 búzios abertos e 2 búzios fechados:
Significa “SIM”, tudo favorável, caminhos desobstruídos, tendências fortes ao
sucesso e progresso espiritual. Geralmente, confirma a pergunta anterior.

OKARAN ou TAUAR:
Caída de 1 búzio aberto e 3 fechados:
Significa “TALVEZ”, negativo, tendências fortes a inimizades, problemas pes-
soais que interferem atrapalhando a vida material, retrocesso espiritual.
No lado positivo, recebimento de notícia.

OYAKU ou AKU:
Caída de 4 búzios fechados:
Significa “NÃO”, com força de catástrofe, ruínas, separação, desastres, perdas
em todos os sentidos. Geralmente, denota a presença de transformações radicais,
como a morte.

DÉCIMO PASO:
CARACTERÍSTICAS DO ODU E SUA INFLUÊNCIA NOS ORŞẠ:

O JOGO DE ODU:

Este método é mais abrangente e leva no jogo os dezesseis ( 16 ) búzios.


1. Òkánràn 2. Éjìòkò

3. Étàògúndá 4. Iròsùn

5. Òsé 6. Òbàrà

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7. Òdí 8. Ejìoníle

9. Òsá 10. Òfún

11. Òwónrín 12. Ejílàsegbora

13. Ejíologbón 14. Iká

15. Ogbèògùndá 16. Aláfia

OBSERVAÇÕES:

PRESENTE

PRESENTE PRESENTE
POSITIVO NEGATIVO

FUTURO

A 1ª caída corresponde ao presente e nem sempre é negativa, isto é, quando o


mesmo também se apresenta à direita.

A 2ª caída corresponde ao futuro, e em alguns casos o mesmo age negativa-


mente com negativamente com o ODU da esquerda e até mesmo com o da 1ª caída.

A 3ª caída esta sim é a mais atuante negativamente, de todas as caídas, a qual


também corresponde o presente.

A 4ª caída é o presente e também o futuro positivamente, porém, impedido de


atuar a favor do consulente, devido à situação dos demais ODU. Este ODU se pro-
põe a ajudar o consulente mas, para tanto, tem que dar caminho aos problemas das
outras caídas.

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CARACTERÍSTICAS E SIGNIFICADO DIVINATÓRIO.


ODU: OKANRAN
Caída de 1 búzio aberto e 15 fechados.
Responde: Eşu, Şango, Oya, Odudua, Oşala e a Morte (perigo de vida).
Elemento: Fogo

Aqui, Eşu adverte que o consulente (cliente) deve ter cuidado com roubos,
brigas, envolvimento com drogas, fuxicos, inimizades, perda do emprego, intriga,
separação e muitos sustos, bem como problemas espirituais acentuados. Porém,
Eşu pode responder positivamente em questões com perguntas mais precisas, pois
simboliza que o orixá está presente e “de pé” ( OTUBI ).
As pessoas com este Odú são inteligentes, versáteis e passionais, com enor-
me potencial para a magia. O seu temperamento explosivo faz com que raras vezes
atuem com a razão. Têm sorte nos negócios. No amor, extremamente sedutoras,
são muito inconstantes e mentem com facilidade. As mulheres têm como ponto vul-
nerável o útero.
As pessoas deste Odu ou sob sua influência, tem sérios problemas para re-
solver seus problemas. São pessoas que gostam de fazer várias coisas ao mesmo
tempo e acaba sem concluir seus projetos. São pessoas de índole forte e tempera-
mento quase sempre volúvel. Gostam dos prazeres da carne, do sexo e da vida no-
turna e são comunicativas.
Quase sempre as pessoas regidas por esse Odu, se metem em encrenca ou
a encrenca vai até ela.
Deve-se orientar ao consulente, para que se faça agrados a Eşu para que ele
tire essa negatividade que odu traz.

Quando Okanran sair na 1ª jogada, o olha-


Significado divinatório: dor dever despachar a porta para afastar a
negatividade que possa estar com o con-
sulente. Se eşu estiver respondendo nega-
tivamente, deve-se fazer ebo para dar
1 caminho a negatividade.

Ebo de encruzilhada

Se Okanran sair no lado esquerdo do consulente,


deve-se agradar a eşu para acalmar a ira do mes-
mo.
Geralmente o consulente tem uma dívida com eşu.

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ODU: EGI OKÔ.


Caídas de 2 búzios abertos e 14 fechados.
Responde: Ogun, Ibeji, Osaniyn, Aje, Oşalufon e Orumila.
Elemento: Ar
As pessoas com esse Odú são intuitivas, joviais, sinceras e honestas. Reve-
lam grande combatividade, mas não sabem conviver com derrota. Apesar de volú-
veis no amor, são muito ciumentas. Devem controlar a obstinação e ter cuidado com
a vesícula e com o fígado, que são os seus pontos vulneráveis.
Este Odu, é o odu legítimo de Ibeji, mas Oşalufon também se apresenta. Es-
se Odu é responsável pelos gêmeos, daí, as pessoas deste odu geralmente terem
dupla personalidade. Quando este Odu sai no jogo, devemos ver se a pessoa é ca-
sada e se tem filhos gêmeos ou se existe casos de nascimento gêmeos na família.
Ogun sempre favorece as situações do cotidiano, contudo, com problemas a
serem resolvidos.
Ogun estabelece demandas, guerras, triunfos, porém, com inimigos ocultos.
Este resultado indica também a necessidade de perseverança, para que o
consulente sobreponha-se às provas, aos empecilhos iminentes para só depois obter
os resultados concretos e esperados.
Odu da cautela.

Significado divinatório:

Se em Egi Oko responder Ogun, o consulente tem ne-


gócios que pretende concluir, mas, encontra dificuldades
para obter êxito. Quase sempre fracassam ou não con-
2 cluem.
Tem que dar comida a Ogun para que ele possa ajudar
ao consulente a superar a dificuldade.

2
Se Ogun responder nesta posição, as
possibilidades do consulente obter êxito
Nesta posição, Ogun fala
sobre os obstáculos é fazendo uma obri-
de causas perdidas, de
gação na estrada. Passar um galo no
perdas. Fracasso total. consulente e soltá-lo na estrada e arriar
Requer fazer ebós no 2 um inhame assado com palitos, 7 velas
consulente para dar brancas e uma garrafa de vinho.
caminho às negativida-
des.

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ODU: ETA OGUNDÁ


Caída de 3 búzios abertos 13 fechados.
Responde : Obaluaiê, Ogun, Yemoja Ogunté, Uşu, Şango.
Elemento : Terra
As pessoas sobre a influência deste Odú, em geral, vêem seus esforços re-
compensados. Costumam vencer na política e conseguem obter grandes lucros nos
negócios, particularmente nas atividades agrícolas, mas podem sofrer desilusões no
amor e traições dos amigos. Emocionalmente inconstantes, são propensas a ter pro-
blemas espirituais e físicos, embora na maioria dos casos consigam recuperar-se
com facilidade de qualquer doença. Os seus pontos vulneráveis são os rins, as per-
nas e os braços.
OBALUAYÊ é forte e sempre responde com força e decisão para suplantar os
empecilhos do dia-a-dia. Está caída denota doenças, golpes, paixões impossíveis,
dinheiro ganho através de herança, possibilidades de suicídio de alguém próximo ao
consulente, tendências para obstáculos e inimigos contínuos, sugerindo, então, mais
cautela neste momento e uma atenção rigorosa à saúde.
Odu da saúde.

Significado divinatório:

Quando Eta Ogundá responde Obaluaye, é


prenúncio de aviso de doença com o consu-
Qualquer Orişa que 3 lente ou alguém ligado a família. Por se tratar
responder nesta posi- de um Odu que fala os caminhos de Ogun
ção, ele sempre será também, é necessário investigar se é Ogun
favorável e estará ou Obaluayê que está respondendo.
pronto a ajudar o con-
sulente.
3 3
Se Ogun responder nesta posição,
deve-se averiguar possível traição do
parceiro se tiver ou de algum amigo.
Deve-se ser sutil quando for indagar
do consulente sobre o assunto.
3 O olhador deve ter o olhar crítico mas
Se Obaluaye responder
nesta posição, confirma a com prudência.
suspeita de doença e deve-
se fazer ebó e dar caminho
no rio.

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ODU: YOROSUN
Caída de 4 búzios abertos e 14 fechados.
Responde: Yemojá, Oşóòsi, Oya, Şango, Egungun, Yewa, Ọlọkun, Eu e Oşalạ.
Elemento: Terra

As pessoas sob influência deste Odu são generosas, sinceras, sensíveis, in-
tuitivas e místicas. Têm grande habilidade manual e podem alcançar sucesso na
área de vendas. Entre os aspectos negativos estão a tendência a sofrer traições
amorosas e a propensão a acidentes. Muitas vezes são vítimas de calúnias e da
perseguição dos seus inimigos. Também precisam cuidar da alimentação, pois o seu
ponto vulnerável é o estômago.
Yemojạ, aqui, denota calúnia, falsidade e indecisão. Um indivíduo desconfia-
do e falso próximo ao consulente provoca surpresas desfavoráveis.
Indecisão e intrigas estão rodando-o, fazendo com perca oportunidades pessoais
quase concretizadas. Contudo, a força positiva de Yemojạ equilibra o lado profissio-
nal.
Odu da indecisão, da família.

Significado divinatório:

Se Yemojạ responder em Yorosun, deve-se investi-


gar se o consulente está com problemas de cabeça
ou com perturbações espirituais. Este Odu fala so-
bre calúnia se estiver conjugado com Şango.

Qualquer Orişa responde


positivo nesta posição.
4 4 Se Oşóòsi responder nesta posição, o
consulente está passando por necessi-
dade e/ou fome, pois crises financeiras
indicam prenúncio desta situação. Inves-
tigar melhor.
4
Se Oya responder nesta posição, o
consulente pode está com ma perse-
guição de Egun e deve fazer ebó para
tirar a negatividade de Egun.

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ODU: OŞE
Caída de 5 búzios abertos e 11 fechados.
Responde: Oşun, Yemọja, Oba, Oşóòsi, Olocun, Ajẹ Şalunga, Ilẹ, Odudua,
Ogun, Eşu, Yiami e Orumilạ.
Elemento: Água
As pessoas com este Odú têm mão de magia, força e proteção espirituais, re-
ligiosidade e uma inclinação especial para o misticismo e as ciências ocultas. São
ótimos professores e se destacam em qualquer atividade que exija liderança, mas
precisam aprender a controlar a sua vaidade e seu egocentrismo. Outro aspecto ne-
gativo é a tendência de se vingarem quando estão com raiva. Seus pontos vulnerá-
veis são o aparelho digestivo e o sistema hormonal.
OXUM sempre favorece as relações, mas somente depois de algum sofrimen-
to lágrimas e angústia. A abundância estará em tudo o que o consulente procurar
realizar, propiciando momentos bons para novos negócios, desde que corretos e jus-
tos. As ilusões podem ser constantes. Saúde instável e notícias inesperadas.

Odu da felicidade, da bênção e da fama.

Significado divinatório:

Quando sair este Odu na cabeça, nos pés e


a esquerda, terá que ser feito um grande Ebọ
grande, dando caminho em uma lixeira onde
5 tenha urubu, pois retrata nesta configuração
Quando este ou qualquer que o consulente é vítima de um grande
Odu sair nesta posição, feitiço.
sempre será na condição
de ajudar ao consulente.
5 5
Se sair este Odu BA cabeça e a
esquerda, deve-se fazer um
Ebọ de menor porte e entregue
em uma lixeira comum.
5 Lembrando que quase sempre
é Oşun quem avisa destas
situações e se Oşe sair na
Quando Oşe se configurar a esquer- cabeça, o olhador já deve fazer
da ou nos pés do consulente, não se averiguações quanto à possibi-
faz necessário fazer Ebọ e sim uma lidade de feitiço.
pequena oferenda as Iya Mi em uma
jaqueira dentro de um bosque. Isso é
feito para que este Orişa para que
ele possa livrar o consulente de
possível feitiço.

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JOGO DE BÚZIOS
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OBSERVAÇÕES SOBRE O ODU OŞE:

- Este Odu é o chamado dono das grandes causas, se propõe sempre a aju-
dar ao consulente nas questões espirituais.
- Odu de temperamento forte, quase sempre avisa que o consulente está pas-
sando por um período de dificuldades. Oşe avisa fim de sofrimento se sair à direita
do consulente.
- Esse Odu indica feitiço, pois ele sempre acompanha os feiticeiros.
- Se este Odu sair duas vezes, indica falsidade de uma mulher e o consulente
se encontrará ludibriado por promessas, bem como também haverá perseguição de
um homem.
No entanto, as pessoas sob a regência deste Odu, vencem sempre os obstá-
culos em pouco tempo e se equilibram, obtendo lucros e realizando seus desejos.

ODU: OBARÁ
Caída de 6 búzios abertos e 10 fechados.
Respondem: Oşóòsi, L’ogun Edé, Osayin, Şango, Oya, Eşu, Abiku, Oşalạ e
Orumilạ
Elemento: Fogo
As pessoas com este Odú têm grande proteção espiritual e costumam vencer
pela força de vontade, especialmente em profissões relacionadas com a Justiça. Mas
são com freqüência vítimas de calúnias e não têm sorte no amor. Devem aprender a
silenciar-se sobre os seus projetos e a determinar por onde começá-los. O seu ponto
vulnerável é o sistema linfático.
Oşóòsi e L’ogun Edé unidos, sempre indicam o caminho mais exato, o mais
direto, sem indecisões, indo à busca daquilo que deseja. Expressa o apoio de sua
força, colocando ao lado dos consulentes amigos ou parentes que possam auxiliá-lo
neste momento.
Odu da sorte e da riqueza.
Lado negativo deste Odu: as pessoas sob a influência deste Du, quase
sempre são vítimas de calúnias, fuxicos e questões com a justiça.

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JOGO DE BÚZIOS
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Significado divinatório:
6
Se em um jogo que o olhador estar fazendo para
um consulente apresentar Obarạ na cabea, Odi
nos pés e Osạ a esquerda têm-se aqui a confir-
mação de que o consulente está sendo vitima de
9 feitiço. Devendo o olhador investigar os arquéti-
pos destes Odu para fazer os Ebọ necessários.
Geralmente esta configuração tem enredo com
Egun e Eşu, com Oya na cabeça avisando da
situação.

Bem, se Obarạ se apresentar na cabeça, pés e es-


querda, consecutivamente, indica que o consulente
terá perda total de algum projeto de vida por forças
oculta. Deverá ser feita imediatamente banhos para
consulente e passar alguns elementos para amenizar
esta negatividade que o esta acompanhando e prepa-
rar uma lista para que o consulente providencie com
urgência para que seja feito o Ebọ definitivo. aconse-
6 lha-se dar um Obi frio.

6 6

Quando Obarạ se apresentar três ou quatro vezes, o olha-


dor dever investigar com profundidade, pois esta configu-
ração indica suspeita de haver envolvimento com ABIKU,
porém, esta situação não quer dizer que seja o consulente
ABIKU e sim, o mesmo poderá ligações com pessoas
ABUIKU, podendo ser o pai, a mãe ou algum parente
próximo (esposa, filhos etc.).
O olhador tem que ter cuidado ao fazer este tipo de inves-
tigação, pois aqui se trata do destino do consulente.
6

Nesta configuração existe também envolvimento


com feitiço. Desta vez o mandante é uma mulher.
Existem problemas com doenças e deve-se após
7 fazer os Ebọ necessários, que o consulente se dirija
a um médico para uma avaliação especializada
para cuidar da matéria uma vez que já fui cuidado o
espírito.

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JOGO DE BÚZIOS
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ODU: ODI
Caída de 7 búzios abertos e 9 fechados.
Responde: Eşu, Obaluaiyê (Omolu, Şopona), Oşun, Yemojạ, Abiku, Oxalufã,
Oxumaré e Orumilạ.
Elemento: Terra
As pessoas sob influência deste Odu são ambiciosas e costumam ser bem
sucedidas na sua profissão, mas a indecisão leva-as a não concluir muitos dos seus
projetos. Quando a fé as impulsiona, porém, ultrapassam todas as barreiras. So-
nham com o poder e adoram divertir-se, às vezes, provocam enormes confusões.
Não têm sorte no amor. Os seus pontos vulneráveis são os rins, a coluna e as per-
nas.
Representa os prazeres, as possibilidades de viagens, a ambição que desen-
volve a vida profissional, levando-a desfechos que elevarão a situação atual do con-
sulente. Deve controlar a ansiedade e ater-se a problemas de saúde que, aparente-
mente, pareçam banais.
Odu de maior força negativa acarreta misérias e infortúnios graves.

Significado divinatório:

Quando Odi se posiciona na cabeça e a esquerda ou


7 quando esta pessoa é de Odi Meji, corre constante-
mente perigo de morte, roubos, acidentes, prisões,
doenças graves e até impotência nos homens.

Quando Odi se apresenta 3 ou 4 vezes, há um forte


indício de que o consulente tem envolvimento com
ABIKU ou poderá ser ele mesmo o próprio ABIKU.
7 7 Como neste Odu responde o próprio ABIKU, tem-se
que olhar com bastante cuidado para não dar notí-
cias sem fundamento.
Lembrar que responde também neste Odu, Eşu que
é um grande provocador de enganos e gosta de
brincar no jogo se o olhador ou consulente estiver
7 devendo ao mesmo.

22
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Observações:

- Para que as pessoas que estão sob a influência ou são deste Odu tenham
uma direção adequada na vida se faz necessário que façam periodicamente Ebọ
(não muito grande) para se livrar da fase negativa que este Odu traz. Só se faz um
Ebọ grande uma vez por ano.
- Quando uma mulher é regida por este Odu, na maioria das vezes, perdem a
virgindade cedo e é muito difícil permanecer com uma só pessoa, não se prendem
ao lar nem aos filhos.
- Para as pessoas que já nascem com este Odu e com doença ou venham a
adoecer depois, correm sérios risco de morte.
- Grandes desfechos poderão ser contornados ou aliviados através de Ebọ,
rezas, banhos, agrados, obrigações e um bom comportamento para com os Orişa.
- No caso de clientes, este Odu trás muitas perturbações , fuxicos, brigas,
pancadarias, roubos e até perigo de prisão.

ODU: EJIONILÉ
Caída de 8 búzios abertos e 8 fechados.
Responde: Oşogion, Oşun, Aje, Oşóòsi e Eşu.
Elemento: Ar
As pessoas com este Odú são dedicadas e honestas e levam uma vida quase
sem sofrimentos. Mas estão sujeitas a acidentes graves. Amam com intensidade e
têm amizades sinceras. Quando são repudiadas ou sofrem uma traição, podem-se
tornar vingativas. Devem evitar o consumo de álcool e de carne vermelha e vestir-se
de branco nas sextas-feiras. O seu ponto vulnerável é o sistema nervoso central.
Proteção espiritual, força e honestidade são aspectos positivos desta caída,
que promove a construção e a elevação pessoal e profissional, harmonizando e
tranqüilizando. No sentido negativo, sugere ao consulente que refreie as suas pai-
xões, a voluptuosidade, ciúmes e o desejo de vingança.
Odu do engano, da traição e da mentira.
Quando este Odu sai, o olhador deve se levantar da cadeira três vezes em
sinal de reverência a este Odu.

23
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Este Odu é chamado de Odu das grandes decisões. As pessoas sob a in-
fluência deste Odu têm uma proteção espiritual muito grande.
Geralmente este Odu avisa possíveis riscos de acidentes, doenças graves,
traições, pequenos furtos e alguns mexericos.

Significado divinatório:

8 Se Ejonile sair duas vezes ao norte e ao sul, o consulen-


te poderá sofrer calúnias e até falsidade de pessoas
próxima. O olhador deve se atentar se o cliente não está
doente. Se sim orientá-lo para ir ao médico e fazer ebó
de saúde e dar no mínimo um obí d’agua.
8 8

Nesta configuração, Egionile a direita e a esquerda,


significa o equilíbrio, o peso e a medida.
O olhador deverá orientar ao consulente a tomar
8 banhos de folhas calmas, usar branco pelo menos 8
dias penitenciando-se pois este Odu é tão sagaz
que enganou até a morte.
Quando ele se posiciona a esquerda e a direita,
significa equilíbrio para o consulente.
Quando cair 4 vezes, indica que o consulente tem
cargo.

ODU: OSḀ
Caída de 9 búzios abertos e7 fechados.
Responde: Oya,Yemojḁ, Egun, Ṣango, Osayin, Oṣóòsi e Oṣalạ.
Elemento: Água

As pessoas com este Odu são líderes natos, mas o seu autoritarismo cria-lhes
sérios problemas, inclusive conjugais. O instinto protetor e a religiosidade também as
caracterizam. Os seus pontos vulneráveis são os conflitos psicológicos e, no caso
das mulheres, os problemas ginecológicos.
Está caída denota força de vontade para o consulente conseguir o que procu-
ra, pois, tem poder de ação pouco desenvolvida para continuar na estrada. É preciso
controlar o autoritarismo para não sofrer privações e desgostos por conseqüências

24
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

de seus atos. Relacionamentos frágeis, baseados na profissão em breve.


Odu do início e das viagens que propiciam as mudanças.

Significado divinatório:
9
Neste caso, OSA indica falsidade, per-
seguição de EGUNGUN e feitiçaria.

É aconselhado fazer ebọ para dar cami-


nho a egun e um obi d’agua no cliente.
9

Nesta situação onde Odi na 1ª posição (cabeça) e Osa


na 2ª posição (pé), indica que existe ou existirá pro-
blema de alcoolismo na família. É aconselhado um
aprofundamento, a fim de averiguar a causa do ébrio
se é de causa patológica ou espiritual.

9
Com esta configuração com Osa na 1ª posição
(ao norte) já é confirmado o caso de alcoolismo.
Só que desta vez é por cobrança do oriṣạ, pois
quem dá essa certeza e Egilaṣeborạ que está
posicionado ao sul.

12

25
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Quando Osa aparece posicionado à direita


do consulente, indica boas notícias.
9 Precisa ser feita oferendas ao oriṣạ que está
respondendo para que se consolide a notícia.

12 9

Quando Osa sai à esquerda com Ejilaṣeborạ à direita,


indica maus presságios, com melhoras apenas após obri-
gação aos Oriṣạ.
Geralmente isso acontece pois quem cobra as obrigações
é Ejilaṣeborạ. Este Odu também indica cargo em se tra-
tando de filho-de-santo.
Recomenda-se everiguar.

ODU: OFUN.
Caída de 10 búzios abertos e 6 fechados.
Responde: Oṣalufon, Odudua, Ilẹ, Egun, Eṣu e Oṣun.
Elemento: Ar

As pessoas regidas ou que são deste Odu são inteligentes, fiéis e honestas,
capazes de dedicar atenção total ao seu amor. Têm amigos sinceros e elevada espi-
ritualidade. Em contrapartida, mostram-se muito teimosas e tendem a sofrer perse-
guições e desilusões amorosas. Os seus pontos vulneráveis são o estômago, fígado
e a pressão arterial.

26
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Oṣalufon sempre permite a entrada da luz, da resolução dos problemas, da


bondade e de toda a realização que esteja em comum acordo com estes propósitos.
Não adianta querer enganar ou “montar” outro caminho. Sugere ao consulen-
te permanecer onde está. Sensibilidade na região do rosto, garganta, nariz e olhos
apesar dos já citados. Relacionamentos pessoais e profissionais tranqüilos e sem
interferências.
Odu da teimosia, porém, munida de sorte.

Observações:

Quando este Odu se apresenta, o olhador deve se levantar, colocar as mãos na


barriga e apresenta para o poente para tirar qualquer coisa ruim que haja (isso no
caso de sair só uma vez). Se sair 2 vezes, levantam-se o olhador e consulente e fa-
zem o mesmo ritual.
Quando este Odu cai para o consulente, será preciso que o mesmo seja bem ori-
entado, devido uma série de perturbações que virão em seguida, tanto no campo
material como espiritual, que abalará sua personalidade e paz.
Este Odu tem muito envolvimento com doenças, quse sempre levando oas pes-
soas a grandes cirurgias.
As mulheres que são deste Odu ou por ele influenciado, quase sempre perdem a
gravidez (abortam), ocasionando, na maioria das vezes, a histerectomia com sérios
riscos de vida.
Quando este Odu sai no jogo, independente de fazer ẹbọ, deve-se aconselhar o
consulente a procurar um médico ou, se for o caso, continuar o tratamento médico
que estiver fazendo. Quando este Odu sair três vezes seguida, indica
trabalhos feitos com Egun, trazendo também con-
seqüências desastrosas e prejuízos, tanto na parte
material como sentimental e, ainda casos de desonra
Significado divinatório: e perda da virgindade no caso de ser uma mulher.
10 Observação:
Ofun não tolera outra cor a não ser o branco. Se
houver a necessidade de fazer ẹbọ para o consulente
com problemas com Ofun no Igbo (mata) praia on
10 onde for determinado pelo jogo. O consulente deve ir
de branco, porque senão nada dará certo. O preceito
tem que ser de branco de 7 a 14 dias e dar no mínimo
um Obi com água, ou fazer algo mais sério.

10

27
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Quando Ofun sai em qualquer posição que não


seja à direita e cabeça, deve-se verificar se o con-
sulente tem perseguição de Egun e fazer ẹbọ
10 dando caminho à negatividade que estar com o
consulente.

10

10
Se Ofun sair na cabeça e à direita, o olhador deve-
rá perguntar a Ifá qual oriṣạ está respondendo e
fazer obrigações para presenteá-los.

10

10 Quando Ofun sai 4 vezes, não se deve colocar as


mãos no ẹbọ. Mas, se isso acontecer, deve-se
colocar o Oṣalạ mais velho da casa no chão,
deixá-lo passar 2 dias coberto com bastante Ebo
(canjica banca) e depois dar um bicho de 4 pés
para esse Oṣalạ.
10 10
De preferência não colocar as mãos nesse ẹbọ.

10

ODU: ỌWỌRIN
Caída de 11 búzios abertos e 5 fechados.
Responde: Oṣóòsi, Egun, Eṣu, Oṣun, Ogun,Yansan e Oṣalạ.
Elemento: Fogo

As pessoas são deste Odú ou sob sua influência, têm imaginação fértil, boa
saúde e vida longa, mas as más influências e a falta de fé levam-nas a enfrentar difi-
culdades materiais e a só alcançar o sucesso depois de grandes sacrifícios. São
muito volúveis no amor. As mulheres geralmente fracassam no primeiro casamento,

28
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

mas acabam por encontrar a felicidade. Devem evitar a bebida e outros vícios. Os
seus pontos vulneráveis são a garganta, o sistema reprodutor e o aparelho digestivo.
Yansan sempre responde positivamente, dando, neste caso, dubiedade às
questões. Para confundir o consulente, insinua desuniões, conflitos e inimigos gera-
dos, muitas vezes, por forças ocultas. Sensibilidade na saúde. A força de Yansan
interfere espiritualmente, protegendo o dia-a-dia do consulente e sugerindo perspec-
tivas de resultados favoráveis.
Este Odu é considerado muito perigoso, haja vista ele impor muitas influên-
cias negativas tanto para as pessoas que são deste Odu ou influenciado por ele, le-
vando o consulente à perturbações negativas e envolvimentos com p perigo.
Por arrecadar estas negatividades, atraindo o perigo para o consulente, deve
ser feito um ẹbọ muito grande afim de livrar o consulente do perigo ou até da morte.

Virtudes deste Odu: mediunidade, vidência, premunições, sorte no jogo, sor-


te no comércio e vitórias sobre inimigos, sorte no amor, só que de forma lenta e mui-
to sacrificada.
Este Odu tem uma particularidade, pois, quantas vezes ele se apresentar em
uma jogada, será o mesmo número de ebo obedecendo aos caminhos a serem da-
dos para ele.

Significado divinatório:
11 estrada

CERCADO POR PERIGOS.


O primeiro ẹbọ será feito na estrada,
11 mato o segundo no mato e o terceiro às
margens de um rio.

11 beira do rio

11

Quando Ọwọrin sai na cabeça, indica


caminhos perigosos, que poderá colo-
car em risco a vida do consulente.
Averiguar a origem do problema para
melhor diagnosticar.

29
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Nesta posição Ọwọrin indica que o peri-


go está a caminho e que o consulente
deve fazer as obrigações segundo orien-
tação e Ifa.

11

Nesta caída, Ọwọrin indica que o perigo


já está em vigor. Cabe ao olhador fazer
uma análise para saber a origem do
problema e solucioná-los.
11

Nesta posição Ọwọrin absolve os perigos e


se pro põe a ajudar o consulente. Deverá
ser feito presentes para o oriṣạ que estiver
respondendo nesta posição.
11

Quando esta configuração se confirma, quer


11 dizer que existe a ultima oportunidade, que é a
ultima solução nascer para o oriṣạ.

OBS: Esta situação com outros Odu semelhante


ao exemplo ao lado, a solução será a mesma
citada acima.
11 11

11

Odu do progresso, porém, com grandes problemas iniciais.

30
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

ODU: EGI LAṢEBORẠ


Caída de 12 búzios abertos e 4 fechados.
Responde: Ṣàngó, Obạ, Ilẹ, Eṣu, Yemọjạ, Aje e Orumilá.
Elemento: Fogo
As pessoas com este Odu têm o dom de convencer os outros. Dotadas de
grandes qualidades espirituais, são bondosas, justas e prestáveis, embora às vezes
se mostrem arrogantes. Apaixonam-se com facilidade e são muito ciumentas. Devem
evitar bebida e podem ter problemas judiciais ou relacionados à perda de bens. O
seu ponto vulnerável é a circulação sanguínea.
A força da justiça de Ṣàngo favorece o consulente dando-lhe esclarecimentos
sobre negócios pendentes, facilitando os negócios ou as transações, desde que es-
tejam de acordo com a verdade e todos tirem proveito dos resultados. Emocional-
mente, não admite e nem favorece nenhum tipo de traição.
Odu dos problemas e discórdias que geram os atrasos pessoais e profissionais.
Quando este Odu sai, o olhador deve perguntar para Ifá se este Odu está ne-
gativo ou positivo. Esta pergunta deve ser feita para qualquer Odu que sair na pri-
meira queda. Em especial para este Odu, pois, no caso dele está negativo deve-se ir
até a porta esfriar a porta com água dizendo as seguintes palavras: Omi Tun, Onan
Tun, Pelé Tomo e retorna para o jogo.
Atenção: esta queda não fecha o jogo como algumas pessoas pensão.
Quando este Odu se apresenta, indica fortes indícios de que o consulente pa-
ra conseguir seus intentos, deverá dar obrigação ou até fazer o oriṣa, e no caso de
cargos como: Ogun e Ekeji teriam que serem confirmados nos referidos cargos.
Este Odu também fala sobre as questões de justiça, pois ele outorgou pode-
res aos 12 ministros de Ṣàngo com os 6 que condenam e os 6 que tem o poder de
absorver.
Significado divinatório:
Quando sair no jogo Osa e em seguida Ejilaṣeborạ, indica
que o consulente terá grandes dores de cabeça, podendo
9 se tornar ébrio ou até ficar débil mental. Esta indicação é
estendida aos familiares também.

12

31
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Neste exemplo: Ejilaṣeborạ à direita do consulente, indica


7 que deverá que ser feito ebós para dar caminho a negati-
vidade de Odi, Osa e a Iorosun, no caso do consulente se
encontrar muito doente.

Depois dos ebós feitos, espera-se quatro dias para voltar a


jogar, porém com quatro búzios perguntando a Orumlạ,
12 9 quais os tipos de obrigações que deverão ser feitas para o
consulente e para quais Oriṣa.

OBS: Quanto à situação Ejilaṣeborạ, o consulente não deverá sair da roça de santo
sem que pelo menos seja feito um pequeno ẹbọ.
A finalidade desse Odu, é avisar de perigos que poderão vir acontecer tais
como: prisões, brigas, misérias, sangue, ruínas, perda de tudo e desgraça total caso
seja afastado os fatores negativos através de ẹbọ e grandes obrigações aos Oriṣa.

ODU: EJIOLOGBON/PLOBON
Caída de 13 búzios abertos e 3 fechados.
Responde: Obaluaye, Nanan, Egun, Ogun e Orumilạ.
Elemento: Terra.

As pessoas com este Odu aceitam com resignação os sofrimentos físicos,


emocionais e espirituais, conscientes de que todas as situações da vida são transitó-
rias. Além disso, a sua profunda fé acaba por lhes assegurar vitória. Não têm muita
sorte no amor. Dotadas de mão de cura, destacam-se nos serviços médicos e de
assistência psicológica e nas terapias alternativas. Os seus pontos vulneráveis são o
baço e o pâncreas.
Superação de todas as dificuldades apresentadas. Sorte nas relações emoci-
onais e profissionais. Porém, está caída significa transformação com o poder de re-
novação, com mudanças radicais na vida do consulente. A saúde precisa ser mais
bem administrada, principalmente os cuidados diários que parecem insignificantes,
dando atenção especial ao desgaste desnecessário de energias vitais.
Odu das dificuldades, da presença da morte e das paixões obsessivas.
Como Odu que representa a morte, ocasionando acidentes, destruições, traições e

32
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

separações, pode de um momento para outro, haver o fim de um longo sofrimento e


surgir um novo horizonte cheio de surpresas.

OBS: para as pessoas que encontram-se doentes, qualquer posicionamento será


perigoso, com exceção se ele sair à direita do consulente e nada mais.

Significado divinatório:

Nesta caída, Ejiologbon se apresenta à direita sendo favorá-


vel e afirma a ausência de morte.

13

13
Neste momento o consulente está cercado pela morte,
porém, há uma pequena esperança de saída desta
situação.

13 13

13

A 13
Perigo de morte iminente.

33
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Notícia ou futuro perigo de morte.

13

C
Morte contando os poucos
dias para acontecer.

13

ODU: IKẠ
Caída de 14 búzios abertos e 2 fechados.
Responde: Oṣumaré, Yewa, Aje, Osayin, Oṣóòsi, Ogun, Egun, Oṣalạ e Orumilạ.
Elemento: Água

Belas e sensuais, as pessoas com este Odu têm aparência juvenil e forte po-
der de sedução. Vivem paixões arrebatadoras, mas, passageiras e estão sempre em
busca de novos amores. Possuem talento para a magia e enorme força espiritual,
que se manifesta através do olhar. Enriquecem com facilidade e destacam-se na vi-
da profissional e social, mas são desconfiadas e propensas a ter conflitos psíquicos.
Os seus pontos vulneráveis são as articulações que lhes podem causar pro-
blemas de locomoção.

Oṣumaré sempre responde com fertilidade e dubiamente: em negócios estará


favorecendo o consulente com a riqueza e a sorte; emocionalmente, representa uma
forte instabilidade nas relações, não conseguindo unificar a sua predisposição para
dois amores e duas situações simultâneas. Indica também traição emocional, deven-
do evitar, neste momento, qualquer tipo de união ou sociedade.
Odu que favorece um novo despertar, e determina um cargo importante, traz
muitas surpresas boas e poucas ruins.

34
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Todas as vezes que Ikạ aparece bem posicionado num jogo, significa possibi-
lidade boas tais como: cargo no santo, viagens, convites, heranças, nomeação, lu-
cros, presentes, reconciliação, compras de imóveis, mudanças de residência para
uma melhor, etc.

Significado divinatório:

14
Ikạ nesta posição indica aviso de alerta, e
que o consulente deve ter rudência e
sagacidade.

Nesta posição, Ikạ indica más notícias e


perigos futuros.

O consulente deve ser orientado a fazer


os ẹbọ necessários para dar caminhos a
esta fase negativa.
14

Quando Ikạ se apresenta a esquerda para o


consulente, indica maus presságios tasi como:
14 caminhos fechados, fracassos e perigos emi-
nentes.

35
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Ikạ se posicionando à direita do consulente,


se propõe a ajudar com prenúncios de vitó-
tias, progressos, boas surpresas e caminhos
abertos.
14

14
Nesta configuração, está caracterizado o
abandono total de proteção, o consulente
se encontra em apuros.
Ikạ Condena.
14

14

14
Ikạ cerca o consulente por todos os lados
falando que só existe uma única oportunida-
de, um único perdão e a sugestão para este
impasse é dar obrigações o quanto antes.
Oriṣạ cobra feitura.
14 14 O olhador deve averiguar qual santo pede as
obrigações.

14

Odu das vitórias sobre as demandas alheias.

36
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

ODU: ỌBẸ TE OGUNDA.


Caída de15 búzios abertos e 1 fechado
Responde: OBÁ e EWÁ .
Elemento: Água

As pessoas com este Odú são valorosas, combativas e imparciais, mas cos-
tumam sofrer desilusões amorosas, o que acentua a sua a agressividade e o seu
sentimento de rejeição. Têm saúde frágil: estão sujeitas a problemas nos olhos, ou-
vidos e pernas e a distúrbios do sistema neurovegetativo.
Existe uma grande probabilidade de conseguir o empreendido, pois YEWÁ re-
presenta a força, a determinação, a iniciativa e a coragem real, que detém todo o
poder para alcançar os objetivos. Tudo o que estiver no início terá perspectivas
grandes sucesso.
Contudo, a presença de OBÁ pode propiciar disputas e imprevistos com pou-
cas chances de êxito, caso o negócio em questão já esteja em andamento.
Aqui, simbolicamente, o orixá EṢU aparece solicitando oferendas (OBUKÓ).
Odu dos empecilhos confusos e das dificuldades de conclusão.
Este ODU possui uma função muito severa, que é indicar várias situações na-
da agradáveis para o consulente, ocasionando assim guerras, geralmente através de
intrigas, invejas e ambições.

Significado divinatório:
15

Quando Ọbẹ Te Ogunda se apresenta ao norte


do consulente, adverte sobre maus presságios.

Neste momento, o olhador deve aprofundar-se,


afim de saber as causas da advertência.

Nesta posição, o Odu fala de ameaças as


quais o consulente pode passar.
Confirmação da exposição da queda
anterior.

15

37
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Neste caso forças negativas ou o lado


negativo do santo que responde neste
Odu, com força que prejudiquem o
consulente.
15 Pode estar caracterizado a revolta do
oriṣạ. Averiguar.

Neste caso, Ọbẹ Te Ogunda à direita


se propõe a ajudar de todas as formas
o consulente, dando-lhe ganho de
causa.
15

15 Como em Ikạ, Ọbẹ Te Ogunda cercan-


do o consulente por todos os lados
falando que só existe uma única opor-
tunidade, um único perdão e a suges-
tão para este impasse é dar obrigações
o quanto antes.
15 15 Oriṣạ cobra feitura.
O olhador deve averiguar qual santo
pede as obrigações.

15

ODU: ALAFIA
Caídas de 16 búzios abertos
Responde: Ifá ou Orumila.
Elemento: Ar.

Calmas, racionais e espirituais, as pessoas deste Odú ou regido por ele, têm
domínio sobre as suas paixões. São excelentes nas áreas de vendas e de artesana-
to, mas desistem facilmente dos seus projetos e perdem o interesse por aquilo que já
conquistaram. Estão sujeitas a problemas cardiovasculares, psíquicos e de visão.
Significa a luz, a força e a verdade ao lado do consulente para todo e qualquer tipo

38
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

de resolução e decisão que precisa tomar. O cuidado, aqui, está apenas na orienta-
ção e apoio daqueles que estão ao seu redor saiba avaliar bem as intenções.
Odu da felicidade e da sorte pura, que gera somente triunfos. O consulente terá a
diante um novo início de vida nova. Necessita de orientações de Ifá e agrados as
Oriṣạ, devendo fazer resguardos nas terças-feiras à Orumilạ, usando branco até que
todos os propósitos sejam alcançados.
OBS: Tomar banhos de akasạ com mel e banhos de folhas calmas e doces, tais co-
mo:
Saião
Colônia rança
Manjericão
Poejo
Algodão
Alecrim
Alfazema
16 folhas de OBI (para pessoas de Ṣàngó terá que ser folhas de Orogbo).

ALAFIA

OBS: Esta caída significa Aláfia para quem é olhador masculino e Opirá para quem é
feminino.

QUEDA ESPECIAL: OPIRA


Caídas de 16 búzios fechados
Responde: Impedimento
Elemento: Fogo.

Esta caída é perigosa tanto para o olhador quanto para o consulente.

39
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

A indicação de OPIRA é desastrosa, terrível e apresenta perigo fatal. Mediante tal


situação, o olhador deve encerrar imediatamente o jogo não podendo jogar por de-
sesseis dias até que se completem todas as obrigações devidas para esse tipo de
situação.

OBS: O olhador deverá solicitar ajuda a algum amigo também olhador para
solucionar a situação desastrosa em que o consulente se encontra.

OPIRA
Da Mesma forma que a queda ALAFIA, OPIRA aqui está representado com a
abertura feita e não pela fenda natural. Isto para quem é masculino e ALAFIA, para
quem é feminino.

40
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

ORIKI

Oríkì fún Èsù


Èsù pèlé o, okanamaho, ayanrabata awo he oja oyinsese,
seguri alabaja, olofin apekayu, amonise gun mapo
Nko o
Èsù, ba nse ki imo
Èsù, keru o ba onimimi
Èsù, fun mi ofo ase mo pele Òrìsà
Èsù, alayiki a juba
Àse

Oríkì para Exú


Elogiado é o espírito do mensageiro divino
Mensageiro Divino, eu chamo a você por seus nomes de elogio
Mensageiro Divino, guia minha cabeça para minha rota com destino
Mensageiro Divino, eu honro a sabedoria infinita
Mensageiro Divino, ache lugar onde submergir meus sofrimentos
Mensageiro Divino, dê força para minhas palavras de forma que evoque as forças da
natureza fortemente.
Mensageiro Divino, nós pagamos nossos cumprimentos dançando em círculo
Axé

Oríkì fún Ògún


Ògún laka aye
Osinmole
Olomi nile fi eje we
Olaṣo ni le
Fi imo bora
La ka aye
Ma je ki nri ija re
Iba Ògún

41
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Iba re Olomi ni le fi eje we


Feje we. Eje ta sile. Ki ilero
Ase

Oríkì para Ògún


Ògún poderoso do mundo
O próximo a Deus
Aquele que tem água em casa, mas prefere banho com sangue
Aquele que tem roupa em casa
Mas prefere se cobrir de màrìwò
Poderoso do mundo
Eu o saúdo
Que eu não depare com sua ira
Eu saúdo Ògún
Eu o saúdo, aquele que tem água em casa, mas prefere banho de sangue
Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranqüilidade
Axé

Oríkì fún Ògún


Ògún awo, olumaki, alaṣe to juba
Ògún ni jo ti ma lana talí ode
Ògún onire, onile kangun dangun ode
Orún egbé iehin
Pá san ba pon ao lana to
Imo kimobora egbé lehin a nle a benge ologbe
Àse

Oríkì para Ògún


Elogiado é o espírito do aço
Espírito de mistério do aço, chefe da força, dono do poder, eu o elogio
Espírito do aço, abra os caminhos
Espírito do aço, dono da fortuna boa, dono de muitas coisas no céu, ajude em nossa
viagem

42
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Remove a obstrução de nossa estrada


Sabedoria do espírito em guerra, nos guie por nossa viagem espiritual com força
Axé

Oríkì fún Òṣòósì

Ìba Òṣòósì
Ìba Òṣòósì
Ìba ologarare
Ìba onibebe
Ìba oṣolikere
Ode ata mataṣe
Agbani nijo to buru
Oni Ode gan fidija
Mo jùbá
Àse

Oríkì para Òṣòósì

Elogio para o espírito do Caçador


Eu elogio ao espírito do Caçador
Eu elogio ao espírito do Caçador
Eu elogio o que tem domínio nele mesmo
Eu elogio o dono do banco do rio
Eu elogio o mágico da floresta
Caçador que nunca falhou
Espírito sábio que oferece muitas bênçãos
Dono do papagaio guia ele para conquistar ao medo
Eu o cumprimento
Àse

Oríkì fún Òsónyìn


Ìba Òṣónyìn

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Ìba oni èwé


kó si arun
Kó si akoba
Àse

Oríkì para Òsónyìn


Elogio para o espírito do medicamento das folhas
Eu elogio o dono do medicamento das folhas
Me livre de se adoecer
Me livre da coisa negativa
Eu dou graças ao dono do medicamento
Axé

Orìkí fún Oya

Ajalaiyé, ajalorin, fún mi ire


Ìba Oya
Ajalaiye ajalorun, fun mi gbogbo ire
IBA Yansan
Ajalaiye, ajalorun wi wini
Bem ma Yansan
Àṣe

Orìkí para Oya


Os ventos da terra e o céu me dão fortuna boa
Eu elogio o filho da mãe dos nove
Os ventos da terra e o céu me dão fortuna boa
Eu elogio o espírito do vento
Os ventos da terra e o céu são maravilhosos
Sempre haverá a mãe dos nove
Axé

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Orìkí fún Ṣóngò

Ka'wo ka'biyesile
Etala mo juba gadagba mi juba
Oluoyo
Etala mo juba gadagba mo juba
Oba ko so
Etala mo juba gadagba mo juba
Àṣe

Orìkí para Ṣóngò

Eu cumprimento o rei
13 vezes eu o cumprimento a você
Chefe do buraco (vulcão)
13 vezes eu o cumprimento a você
O chefe que não morreu
13 vezes eu o cumprimento a você
Axé

Orìkí fún Òṣun

Ìba Òṣun sekese


Ìba Òṣun olodi
Latojoki awede we’mo
Ìba Òṣun ibu kole
Yeye kari
Latokoko awede we’mo
Yeye opo
O san rere o
Àse

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Orìkí para Òṣun

Eu elogio a deusa do mistério, espírito que limpa de dentro para fora,


Eu elogio a deusa do rio
Espírito que limpa de dentro para fora
Eu elogio a deusa da sedução
Mãe do espelho
Espírito que limpa de dentro para fora
Mãe da abundância
Nós cantamos seus elogios
Axé

Orìkí fún Òṣun

Obìnrin bí Okùnrin ní Oṣun


A jí sèrí bí ègà.
Yèyé olomi tútú.
Opàrà òjò bíri kalee.
Agbà obìnrin tí gbogbo ayé n'pe sìn.
Ó bá Ṣònpònná jẹ pẹtẹkí.
O bá alágbára ranyanga dìde.

Orìkí para Òṣun


Oṣun é uma mulher com força masculina.
Sua voz é afinada como o canto do éga.
Graciosa mãe, senhora das águas frescas.
Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.
Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.
Que como pétékí com Xapanã.
Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Orìkí fún Olódùmarè


Ìba Olódùmarè
Ìba Òrúnmìlà
Ìba Ògún Òrìxá Ilé
Ìba Irúnmalè
Ìba Ile Ogeere afoko yeri
Ìba atiyo Ojo
Ìba atiwo Òrun
Ìba F'olojo oni
Ìba Éégun Ilé
Ìba Agba
Ìba Bàbálòrìsà
Ìba Omo Òrìxá
Ìba Omode
Awa Egbe Odo Òrúnmìlà juba O, Ki iba wa se
T'omode ba juba baba re, agbe'le aye pe
Ada se nii hun omo
Ìba kii hun omo eniyan
Akoogba kii hum oloko
Atipa kii hun oku
Aso funfun kii hun olorisa
Kaye o-ye wa o
Ka riba ti se
Ka, ma r'ija Omo araye O
Ka'ma r'ija eleye O
Ajuba O! A juba O!! A juba O!!!
Àxe

Orìkí para Olódùmarè


Eu saúdo Olódùmarè, Deus maior
Eu saúdo Òrúnmìlà
Eu saúdo Ògún, o dono da casa
Saúdo os Irúnmalè, os Òrìsàs
Saúdo a terra

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Saúdo o dia que amanhece


Saúdo a noite que vem
Saúdo o dono do dia
E saúdo o Égún da casa, nosso ancestral
Saúdo os velhos sábios
Saúdo o pai-de-santo
Saúdo os filhos-de-santo
Saúdo as crianças
Nós, que cremos em Òrúnmìlà, saudamos e esperamos que
Orúnmìlà ouça nossa saudação
O filho que reverencia seu pai tenha longa vida e por nada sofrerá
Que a nossa saudação a nós poupe sofrimentos
Que as plantas boas não falhem ao agricultor
Que aos mortos não falte sepultura
Que a Òrìsàlá não falte o pano branco
Para que o mundo nos seja bom
Que nossos caminhos se abram
Que não vejamos a discórdia dos povos sobre a terra
Nem a obra das feiticeiras
Nós saudamos, saudamos, saudamos
Axé

Oríkì fún Ọbàlúàiyé

Orìṣạ Jìngbìnì
Abàtà, Arú Bí Ewé Ajó.
Orìṣạ Tí Nmú Ọmọ Mú Ìyá
Bí Ọbàlúàiyé Bá Mú Won Tán
O Tún Lè Sáré Lọ Mú Bàbá
Orìṣạ Bí Àjẹ
Ọbàlúàiyé Mọ Ilé Oṣó, O Mọ Ilé Àjé
O Gbá Osó L’ójú
Oṣó Kún Fínrínfínrín.

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

O Pa Àjẹ Ku Ìkan Ṣoṣo


Orìṣạ Jìngbìnì
Ọbàlúàiyé A Mú Ni Toùn Toùn
Ọbàlúàiyé Ṣí Odù Rẹ Hàn Mí
Kí Ndi Olówó
Kí Ndi Olomo.
Àṣe

Oríkì para Obàlúàiyé

Orixá forte
Abàtà que floresce como as folhas de ajó.
Orìxá que pune a mãe junto com o filho
Depois que Ọbàlúàiyé acabar de pegá-los
Poderá ir pegar o Pai.
Orìxá igual ao feitiço.
Ọbàlúàiyé conhece tanto a casa do feiticeiro, quanto a casa da bruxa
Desafiou o feiticeiro
O feiticeiro correu desesperado.
Matou todas as bruxas e só permitiu que uma sobrevivesse
Orìxá forte
Ọbàlúàiyé que faz as pessoas perderem a voz
Ọbàlúàiyé abra seu odù para mim
para que eu tenha prosperidade
para que eu tenha muitos filhos.
Assim seja, assim seja, assim seja.

Orìkí fún Ibeji

B'eji B'eji're
B'eji B'eji'la
B'eji B'ejiwo

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JOGO DE BÚZIOS
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Ìba omo ire


Aṣe

Orìkí para Ibeji

Dar a luz aos gêmeos traz fortuna boa


Dar a luz aos gêmeos traz abundância
Dar a luz aos gêmeos traz dinheiro
Elogiar as crianças das coisas boas
Axé

Oríkì fún Yemonjá


Igberi de Ogun Asaba
Ogun yakun ela esan
Olimo
Ogun iya kere Oniro
Asesu
Ogun onyon de Ayifo
Opeki de Ofiki
Ibu gba nyanri
Alaro de Ibu
Olosun
Ogaga Yeye

Oríkì para Yemonjá


Ogun Asaba (rio)
Rio de Ogun em nove partes
Dono da folha de palma
Rio de Ogun, mãe pequena de Oniro,
Asesu
(Um caminho de Yemoja)
Ogun Ayifo Rio que tem peitos
Fluxo que leva areia

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JOGO DE BÚZIOS
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Fluxo índigo
Barcos fluem
Mãe Ogaga

Oríkì fún Nana

Okiti Kata, Ekùn A Pa Eran Má Ni Yan


Olu Gbongbo Ko Sun Ebi Eje
Gosungosun On Wo Ewu Eje
Ko Pá Eni Ko Je Oka Odun
A Ni Esin O Ni Kange
Odo Bara Otolu
Omi a Dake Je Pa Eni
Omo Opara Ogan Ndanu
Sese Iba O
Iba Iye Ni Mo Mo Je Ni Ko Je Ti Aruní
Emi Wa Foribale Fun Sese
Oluidu Pe O papa
Ele Adie Ko Tuka
Yeye Mi Ni Bariba Li Akoko
Emi Ako Ni Ala Mo Le Gbe Agada
Emi A Wa Kiyà Onile Ki Ile

Oríkì para Nana

Okiti Katala leopardo que mata um animal e o como sem assá-lo


Dono de uma bengala, não dorme e tem sede de sangue
Salpicado com Osun, seu traje parece coberto de sangue
Ele só poderá comer massa no dia da festa, se tiver matado algúem
Ele tem o cavalo, ele tem o quizo
Rio
Água adormecida que mata alguém sem preveni-lo
Filho de Opara

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JOGO DE BÚZIOS
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Orixá , respeito
Louvo a vida e não a cabeça
Venho prosternar-me diante do Orixá
Presto homenagem aos ancestrais
Aquele que tem frango, não depena vivo
Minha mãe estava primeiramente em Bariba
Eu o primeiro a poder usar a espada
Venho saudar o dono da terra para que ele me proteja

Oríkì fún Osàlà


Kí Òrìsà-nlá Olú àtélesé, a gbénon dídùn là.
Ní Ibodè Yìí, Kò Sí Òsán, Bèéni Kò Sí Òru.
Kò Sí Òtútù, Bèéni Kò Sí Ooru.
Ohun Àsírií Kan Kò Sí Ní Ibodè Yìí.
Ohun Gbogbo Dúró Kedere Nínu Ìmólè Olóòrun.
Àyànmó Kò Gbó Oògùn. Àkúnlèyàn Òun Ní Àdáyébá.
Àdáyébá Ni Àdáyé Se.

Oríkì para Osàlà


Que o Grande Òrìsà, Senhor da sola dos pés, guie-nos aos benefícios da riqueza!
Aqui é a porta do Céu, nela pode-se entrar de dia e de noite. Nela não há frio, e tam-
bém não há calor. Aqui, na porta do Céu, nada é segredo. E nela todas as coisas
permanecerão claras diante da luz de Deus. Que o destino não nos faça usar remé-
dios. Que as pessoas adorem de joelhos as coisas do Céu, para encontrar coisas
boas na Terra. Que as coisas boas sejam sempre encontradas na Terra.

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JOGO DE BÚZIOS
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LENDAS SOBRE OS ODU.

Nesta fase do aprendizado, explanaremos alguns pontos relacionados a lendas dos


ODU e lendas dos ORIṢẠ, a fim de informar e afirmar a relação entre estas energias
e os Oriṣa, traçando assim um paradoxo entre as duas forças divinas.

1. ÒKÀRÀN

“Era um pobre peregrino que vivia migrando. Permanecia em diversos lugares, mas,
depois de fazer as plantações, mandavam embora, ficando os donos das terras com
tudo o que ele tinha feito. Por conselho de alguém, esse homem foi um dia a casa de
um Oluwô, que lhe indicou um ebó (oferenda). Tendo tudo preparado, partiu o ho-
mem para a grande mata fronteiriça e, lá chegando deu início ao serviço. Mais tarde,
ouvindo um barulho naquele lugar tão impenetrável, assustou-se. Era Ogum, o dono
dessa mata misteriosa. Chegando perto, ficou Ogum espreitando o estranho, até que
este, muito amedrontado, implorou misericórdia, perguntando a Ogum se queria se
servir de alguma coisa servida no ebó. Que falasse sem cerimônia, pois estava tudo
a sua disposição. Ogum aceitou tudo o que havia ali e ficou satisfeito. Perguntou,
então, quem era tão perverso a ponto de mandar o peregrino para aquela paisagem
impenetrável. O homem contou todos os percalços de sua vida. Então, Ogum, trans-
figurado, aterrorizante, bradou que ele pegasse o mariô e fosse marcar as casas dos
seus amigos, pois ele, Ogum, iria aquela cidade à noite destruir tudo o que lá se
achasse. Iria arrasar todos os haveres lá existentes, até o solo. Dito e feito...Ogum
acabou com tudo, exceto as casas e os lugares que tinham sido demarcados pelo
homem com a colocação de mariô em cima das portas. Tudo o que havia de riqueza
ali Ogum deu para ele, tudo mesmo, conforme tinha prometido.

2. ÉJÌÒKÒ

“Dizem às histórias que havia diversos príncipes que disputavam o poder. Também
havia outros fidalgos oriundos de diversas cidades. Entre estes, havia Tela-okô, que
era desprovido de todos os meios de subsistência. E lá um dia, enquanto roçava,
bem no lugar onde havia colocado o ebó que ele tinha feito conforme a maneira de-
cretada, Tela-okô bateu com a enxada num forno enorme, que se abriu, causando-
lhe grande espanto. chamou os companheiros que estavam mais afastados, dizendo
que tinha afundado no buraco da riqueza. Mas, em seguida, tendo ele reconhecido
ser deveras um verdadeiro tesouro da fortuna o que encontrara, mudou repentina-
mente, dizendo que o que tinha encontrado era apenas um buraco cheio de orobôs,
e que estes eram tão alvos que parecia tratar-se de moedas. Claro que através deste
caminho de odú, entende-se que jamais devemos revelar de onde provem nossas

53
JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

riquezas e não o tanto o que temos, a fim de evitar invejosos, perseguidores e la-
drões.”

3. ÉTÀÒGÚNDÁ

“Dizem ter existido um senhor que, depois de ter estado muito bem, ficara num esta-
do tão precário que, devido à extrema miséria em que se achava, viu-se forçado a
procurar todos os meios para não pôr fim à própria existência. Mas, tendo feito o que
lhe determinaram fazer e tendo esperado a melhoria das suas coisas da vida sem ter
algum resultado benéfico, foi-se para o mato com uma corda, a fim de se enforcar.
Foi quando, de súbito, viu um pobre leproso que estava pelejando para botar a água
de um igbin (caramujo) na cabeça. O homem que estava preste a cometer a ação de
suicidar-se, com grande admiração e louvor, levantou as mãos para o céu, agrade-
cendo a Olorum (Deus Supremo). Ele, que se julgava muito melhor do que aquele
indigente leproso em semelhante estado de saúde, voltou para casa bastante satis-
feito e confortado com o que vira. Em pouco tempo, foi chamado para ocupar o trono
de seu pai, que falecera. Nessa ocasião, não se esqueceu daquele leproso que es-
tava ali abandonado”. Assim que foi levado ao trono, mandou buscar o seu compa-
nheiro de infortúnio naquele mau dia. Assim, ficaram ambos bem!”

4. IRÒSÙN

“Em um certo tempo um homem que se achava em situação tão precária e em tal
aperto, que não via de lado algum qualquer milagre que pudesse salvá-lo. Ele resol-
veu ir até a casa de um Oluwô fazer o ebó (oferenda) indicado. Feito tudo, lá se foi
ele para um lugar reservado, acendeu o fogo, em seguida colocou as pimentas ma-
duras no lume e pôs-se a receber fumaça nos olhos. Em um dado momento, ia pas-
sando um príncipe reinante e herdeiro do trono. Observando aquela cena de sofri-
mento espontâneo, admirou-se do tal sujeito, que, no dizer dele, estava procurando
o meio mais curto possível para pôr termo à existência. O príncipe, condoído com
aquilo, o fez chegar aos seus pés e indagou dele o que havia ou o que queria dizer
aquilo. Sem demora, o homem historiou a razão daquele ato de castigar a si próprio.
Tratava-se de compromissos inadiáveis, que ele não podia cumprir. Disse o príncipe
que, tendo pena dele, não consentiria tal cena. Também sem hesitação, o príncipe
mandou-lhe uma verdadeira fortuna, com o qual o homem poderia viver toda a sua
vida, sem o menor vexame.”

5. ÒṢÉ

“Conta-se que um filho de orixalá que se chamava dinheiro, que se dizia ser tão po-
deroso que poderia dominar até mesmo a morte. Este fez uma oferenda indicada
pelo Babalaô e saiu maquinando como poderia trazer preza a morte, conforme pro-
metera diante de todos. Deitou-se na encruzilhada e as pessoas que passavam na
estrada deparavam com um homem espichado no meio do caminho. Diziam uns: Xi!

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JOGO DE BÚZIOS
__________________________________________________________________BABALORIŞA FÁBIO DE ODẸ

Está este homem esticado com a cabeça para a casa da morte, e os pés para a
banda da moléstia e os lados do corpo para o lugar da desavença. Ouvindo tais pa-
lavras dos transeuntes, levantou-se o homem e disse, então, com ironia: já sei tudo o
que era preciso conhecer. Estou com os meus planos já feitos. E lá de foi ele direto
para a fazenda da morte. Chegando no local, começou a bater os tambores fúnebres
de que a dona da casa (Sra. morte) fazia uso quando queria matar as pessoas indi-
cadas para morrer. Ela tinha uma rede preparada e, quando a morte aproximou-se,
apressada, a fim de saber quem estava tocando os seus tambores, o homem envol-
veu-se na rede e levou logo ao maioral Orixalá. Dizendo-lhe estas palavras: Aqui
está à morte que eu lhe prometi trazer em pessoa à vossa presença. Orixalá, então
lhe disse essas palavras: Vai-te embora com a morte e tudo de melhor e de pior que
possa haver no mundo, pois tu és o causador de tudo o que há de bem e de mal.
Some-te daqui e a leva embora e, então, poderás possuir tudo e conquistar o univer-
so inteiro.”

6. ÒBÀRÀ

“Dizem que no principio do mundo, 15 dos 16 odus seguiram todos à casa do Oluwô,
a fim de procurar os meios que os fizessem mudar de sorte, mas nenhum deles fez o
que foi determinado pelo Oluwô. Obará um dos dezesseis odus existentes, não se
encontrava no grupo na ocasião em que os demais foram consultar o Oluwô. Sendo
ele, porém, sabedor do ocorrido, apressou-se em fazer o que o Oluwô determinara.
E que os demais odus não fizeram por simples capricho da sorte. Obará com afinco
fez o máximo que pode para conseguir seu desejo, dada a sua condição precária (de
pobreza). Como era de costume, os 15 odus de cinco em cinco dias iam à casa de
Olofim, e nunca convidavam Obará , por ser ele muito pobre, tanto que olhavam para
ele sempre com menosprezo. Pois, então, foram à casa de Olofim, jogaram e até
altas horas do dia não acertaram o que queriam que Olofim adivinhasse e, com isso,
acabou que todos eles se retiraram sem ter sido satisfeita sua curiosidade. Olofim,
com desprezo ofereceu uma abóbora a cada um deles, e eles, para não serem inde-
licados levaram consigo as abóboras ofertadas. No caminho, porém, alguém se lem-
brou apontando para a casa de obará, de fazer ali uma parada, embora alguns fos-
sem contra, dizendo que não adiantaria dar semelhante honra a obará, pois ele era
um homem simples que nunca influía em nada. Mas um deles, mais liberal, atreveu-
se a cumprimentar Obara-Meji com estas palavras: Obará, bom dia! Como vais de
saúde? Será que hás de comer com estes companheiros de viajem? Imediatamente
respondeu ele que entrassem e se servissem da comida que quisessem. Dito isso,
foram entrando todos, eles que já vinham com muita fome, pois estavam desde a
manhã sem comer nada na casa de Olofim. A dona da casa foi ao mercado comprar
carne para reforçar a comida que tinha em casa e, em poucas horas, todos almoça-
ram a vontade. Depois, Obará convidou todos para que se deitassem para uma ma-
dorna, pois estavam todos cansados e o sol estava ardente. Mais tarde, eles se des-
pediram do colega e lhe disseram: fica com estas abóboras para ti. E lá se foram
satisfeitos, com a gentileza e a delicadeza do colega pobre e, até então, sem valia.
Mais tarde, quando Obará procurou por comida, sua mulher o censurou por sua fra-
queza e liberalidade, dizendo que ele tinha querido mostrar ter o que não tinha,
agradando a eles que nunca olharam para ele, e nunca ligaram nem deram impor-
tância ao colega. Porém as palavras de Obará eram simples e decisivas: Eu não fa-

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JOGO DE BÚZIOS
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ço mais do que ser delicado aos meus pares. Estou cumprindo ordens e sei que fa-
zendo estes obséquios, virá à nossa casa prosperidade instantânea. Finda explica-
ção, Obará pegou uma faca e cortou uma abóbora, surpreendendo-se com a quanti-
dade de ouro e pedras preciosas que havia dentro dela. surpreso, e com muita felici-
dade, viu que em uma abóbora havia lhe dado o título de odu mais rico, porém logo
percebeu que havia mais outras 14 abóboras a serem abertas e em cada uma delas
havia outras riquezas em igual quantidade. Obará comprou tudo que precisava, pa-
lácio e até cavalos de várias cores. Daí que estava marcado o dia para todos os
odus irem novamente a conferencia no palácio de Olófim, como era de costume, já
muito cedo, achavam-se todos no palácio, cada um no seu posto junto a Olofim.
Quando Obará veio vindo de sua casa com uma multidão que o acompanhava, até
mesmo os músicos de uma enorme charanga. Enfim, todos numa alegria sem par.
De vez em quando, Obará mudava de um cavalo para outro em sinal à nobreza. Os
invejosos começaram a tremer e esbravejar, chamando a atenção de Olofim que in-
dagou o que era aquilo. Foi então que lhe informaram que era Obará. Então pergun-
tou Olofim aos demais odus o que tinham feito com as abóboras que presenteara a
eles. Responderam todos que haviam jogado no quintal de obará. Disse então Olo-
fim que a sorte estava destinada a ser do rico e próspero Obará. O mais rico de to-
dos os od

7. ÒDÍ

“Conta-se à história de um homem que era escravo e um dia se viu abraçado em um


eminente perigo. Este homem foi amarrado por dele terem dito que cometera um
crime. Segundo as leis daquela terra, botaram o homem num caixão grande todo
pregado e deitaram a caixa rio abaixo. por uma dessas coincidências que sempre
acontecem no destino das criaturas, a correnteza lançou o caixão na praia duma
cidade cujo rei estava morto e enterrado, e onde os súditos ainda estavam guardan-
do luto. Acontece que ali haviam muitos príncipes com direito a sucessão imediata,
mas sobre todos pesava alguma grave acusação, de forma que não se sabia como
haviam de decidir o complicadíssimo problema da sucessão do rei morto, como nun-
ca jamais acontecera na história do dito povo. Depois de muito cogitar do assunto, foi
decidido que marcassem um prazo para surgisse uma pessoa estranha àquela na-
ção que assumiria o governo e seria o rei daquela terra daí em diante. Dito e feito.
Esse homem, que tinha antes do cativeiro feito uma oferenda que o Babalaô deter-
minara, veio ele se esbarrar, dentro do caixão, na praia de Ibim, onde o acolheram e
imediatamente o elegeram rei daquele povo. Assim ficou ele sendo o venturoso rei
de uma nação, onde só o destino (odu) poderia dar tamanha sorte.”

8. EJÌONÍLE

“Naquele tempo, mandaram todas as árvores fazerem oferendas a Olorum (Deus


Supremo), mas nenhuma deu importância ao conselho. Somente a cajazeira fez a
oferenda. Daí por diante, todas as árvores morreram sem delongas quando estavam
deitadas, exceto a cajazeira, que mesmo deitada, caída ao chão, sempre grela e re-
nasce.”

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JOGO DE BÚZIOS
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9. ÒSÁ

“Conta-se que no princípio mandaram Orumilá fazer uma oferenda citada, porém, ele
não o fez. Orixalá, sim, fez tudo conforme havia sido determinado. Num certo dia,
veio muita gente que fugia apavorada, mas o chefe e maioral do lugar, como deveria
ser, recebeu todos e os salvou das perseguições e eles, em gratidão, entregaram-lhe
tudo de valor que cada um trazia consigo, assim Orixalá ficou muito próspero no de-
vido tempo. Ou quando chegara sua vez de ter tal fortuna.”

10. ÒFÚN

“Um dia foi marcado uma reunião entre todos os orixás, cada um tratou de realizar as
oferendas especificas afim que tudo transcorresse muito bem, Orixalá tratou logo de
preparar a sua. Findando a feitura da oferenda, entregaram a Orixalá panos brancos
para ele fazer um vestuário e penas de papagaio da costa para ele colocar em sua
cabeça. Assim feito tudo, chegou o dia da grande reunião em que todos os orixás se
apresentaram. Orixalá apareceu de uma forma tão maravilhosa em suas vestes no-
vas, como se fosse iluminado pelos raios do sol. Assim, todos foram se curvando
diante de tamanho brilho da aurora nascente, juraram fidelidade e lhe deram tudo o
que possuíam, com a palavra de o adorarem para sempre.”

11. ÒWÓRÍN

“Em certo dia, uma mulher muito fiel aos Orixás fora numa fonte lavar roupa levando
consigo sua criancinha. Lá havia outra mulher invejosa que, vendo que ela estava
distraída com a sua ocupação, tentou lançar a criancinha da outra numa bacia d'á-
gua. mas outra mulher ainda, ouvindo o chorinho da criança, correu para ali e a tirou
de dentro d'água, salvando-a do perigo, antes mesmo de sua mãe se dar conta do
horror que acontecia. Assim se vê o ponto onde uma pessoa má pode chegar, e
também o quanto podemos contar com a ajuda e proteção através de oferendas es-
pecíficas.”

12. EJÍLÀSEGBORA

“Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição
de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudes-
se assistir ao casamento. Xangô, muito esperto, prometeu que depois do casamento
carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram. Então,
Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez
um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: “- Ve-
ja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de
seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre.”

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JOGO DE BÚZIOS
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13. EJÍOLOGBÓN

“Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais
importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do ferro, que
deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos
instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual.
Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é tão importante assim, tor-
ceu com as próprias mãos os animais destinados ao sacrifício em seu ritual.”

14. IKÁ

“Oxumaré era o Babalawó da corte de um rei que, embora fosse rico e poderoso,
não pagava bem seu sacerdote, que vivia na pobreza. Certo dia, Oxumaré perguntou
a Ifá o que fazer para ter mais dinheiro; Ifá disse que, se ele lhe fizesse uma oferen-
da, ele o tornaria muito rico. Oxumaré preparou tudo como devia mas, no meio do
ritual, foi chamado ao palácio. Não podendo interromper o ritual, ele não foi; então, o
rei suspendeu seu pagamento. Quando Oxumaré pensava que ia morrer de fome, a
rainha do reino vizinho chamou-o para tratar seu filho doente e, como Oxumaré o
salvou, a rainha pagou-o muito bem. Com medo de perder o adivinho, o rei lhe deu
ainda mais riquezas, e assim se cumpriu a promessa de Ifá.”

15. OGBÈÒGÙNDÁ

“Obá era uma das mulheres de Xangô, mas ela não era nem aventureira como Ian-
sã, nem dengosa como Oxum; por isso, se sentia desprezada pelo marido. Perce-
bendo que Xangô gostava da comida feita por Oxum, pediu-lhe que a ensinasse a
cozinhar. Para enganá-la, Oxum cobriu a cabeça com um pano, fez uma sopa de
cogumelos e disse que era o prato preferido de Xangô, uma sopa com suas orelhas.
Obá fez uma sopa em que colocou uma de suas orelhas. Quando Xangô chegou, ela
o serviu toda contente, mas quando ele viu a orelha, ficou enojado e brigou com ela.
Nisso, Oxum tirou o pano da cabeça, mostrando as orelhas perfeitas, e começou a
rir. Furiosa, Obá se atirou sobre ela e as duas brigaram até que Xangô explodiu de
raiva, fazendo as duas fugirem e se transformarem em rios.”

16. ALÁFIA

Obs. Esses últimos quatro Odús são muito pesados quanto ao seu lado negativo de-
vendo-se sempre tomar muito cuidado na sua interpretação, e principalmente na cri-
ação e execução dos seus Ebós. Até mesmo o 16º Odú que normalmente traz notí-
cias esplêndidas e excelentes, ao aparecer num determinado jogo, numa situação
negativa, pode passar a trazer um recado muito perigoso ao consulente.

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JOGO DE BÚZIOS
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Estes quatro últimos Odús estão completamente ligados a feitiços, doenças, tragé-
dias, dramas, etc., porém os mesmos também se podem apresentar de maneira
completamente positiva, podendo depender também da combinação deles com os
demais e da sua colocação e situação no jogo em questão.

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JOGO DE BÚZIOS
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LENDAS DOS ORIṢA


EṢU

Mensageiro dos Oriṣa, ele é o primogênito do universo no


mito da gênesis dos elementos cósmicos. É o resultado da
integração água e terra, masculino e feminino, sendo o ter-
ceiro elemento. Cultuado entre os Oriṣa, apenas por seu in-
termédio é possivel adorar as Yabás-Mi (as feiticeiras). Tra-
çar e abrir caminhos é uma das suas principais atividades,
pois ele circula livremente entre todos os elementos do sis-
tema. É o princípio da comunicação. Esta fortemente repre-
sentado no Opon-Ifá (tábua adivinhatória de Ifá - Deus da
Adivinhação) pelos triângulos e losângulos. O sistema oracu-
lar funciona graças a ele. Está profundamente associado ao
segredo da transformação de materiais em indivíduos dife-
renciados. Eṣú é o alter ego de todos os indivíduos. É o prin-
cípio dinâmico da expansão (evolução), agente de ligação,
princípio do nascimento de seres humanos, princípio da re-
paração (causa/efeito). Exerce o papel de propulsor do de-
senvolvimento, de mobilizador, de fazer crescer, de ligar, de
unir o que está separado, de transformar, de comunicar e de
carregar. Todos os Oriṣa necessitam de suas forças, pois ele
está ligado à evolução e ao destino de cada um.
Eṣu é o primeiro que se serve e se cultua, é o Senhor, o decano de todos os elemen-
tos.
Como muitos não conhecem profundamente a religião iouobá, tiram conclusões
apressadas e erradas quando se referem a Eṣu, tornando-o uma entidade voltada
para o mal e apresenta nos círculos menos evoluídos como portadores de defeitos
físicos, confundido com os Kiumbas (entidades defeituosas).
Embora conhecido como um escravo, a grande realidade é que Eṣu também é um
Oriṣa, representando os santos como mensageiro, verdadeiro secretário, o cobrador
da lei causa/efeito. Não se pode ir a um Oriṣa sem antes tratar de Eṣu. Embora seus
toques sejam rápidos (ex. Bravum Adarrum), ele dança com satisfação qualquer to-
que aos Orixás quando ordenado. Exceto para Oṣalufon, com qual ele brigou por
desejar seu trono.
Eṣu é o detentor de aṣe e quem, junto com Olodumàre, criou o universo, ambos têm
o mesmo poder.
Alguns veneram-no como a um "Orṣa" (há controvérsias semânticas), considerando-
o irmão de Ogun e Oṣóòsi, filho de Yemonjạ.Seu ritual específico é o Ipade e a sua
oferenda o Ebọ. É costume dizer-se que existem 16 clãs desse Ara Orun Imole, e
várias qualidades, como: Ajikonoro (o compadre), Legba (de Omulu) Lalu (de Osala,
Iemoja e Osum), Bara ou do Corpo (o velho), Bori (de Sango), Afefe (de Iansan),
Ogum ou de Ferro (de Ogum), Alafia (da satisfação), Alaketu, Lon Bii, Elekenae, Aja-
lu, Tiriri, Vira (é feminino), Tamentau, Rum Danto, Aluvaia, Paraná, Marambo, Bom-
bom-Ngera, Sinza Muzila, Lonan, Gikete e Jubiabá. Conta a tradição: Olorum deu a
Oxalá o domínio da Ordem e a Ifá a comunicação entre os Homens e os Orixás,
através dos Odus Ifás transportados e vigiados por Eṣu, ligando assim os dois ex-
tremos das variações espirituais.

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JOGO DE BÚZIOS
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LENDA

... o grande golpe.

Òrìṣà Princípio de Movimento e Interligação. Certa vez, dois amigos de infância, que
jamais descutiam, esqueceram-se de fazer-lhe as oferendas devidas para Eṣù.
Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, sepa-
radas apenas por um estreito canteiro. Eṣù, zangado pela negligência dos dois ami-
gos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira: Ele colocou sobre a cabeça um
boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. Depois,
seguiu o canteiro, chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e, muito educa-
damente, cumprimentou-os:
"Bom trabalho, meus amigos!"
Estes, gentilmente, responderam-lhe:
"Bom passeio, nobre estrangeiro!"
Assim que Eṣù afastou-se, o homem que trabalhava no campo da direita, falou para
o seu companheiro:
"Quem pode ser este personagem de boné branco?"
"Seu chapeu era vermelho", respondeu o homem do campo a esquerda.
"Não, ele era branco, de um branco de alabastro, o mais belo branco que existe!"
'Ele era vermelho, de um vermelho escarlate, de fulgor insustentável!"
"Ele era branco, tratar-me de mentiroso?"
"Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?"
Cada um dos amigos tinha razão e ambos estavam furioso da desconfiança do outro.
Irritados, eles agarraram-se e começaram e bater-se até matarem-se a golpes de
enxada.
Eṣu estava vingado ! Isto não teria acontecido se as oferendas de Eṣu não tivessem
sido negligenciadas. Pois Eṣu pode ser o mais benevolente dos Òrìṣa se é tratado
com consideração e generosidade. Há uma maneira hábil de obter um favor de Eṣu.
É preperar-lhe um golpe mais astuto que aqueles que ele mesmo prepara.

OGUN

Ogun como personagem histórico, teria sido o filho mais


velho de Odùduà, o fundador de Ifé. Era um temível guerrei-
ro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Des-
sas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e nume-
rosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a des-
truiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apos-
sou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio
filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o
título de Oníìré, "Rei de Irê". Por razões que ignoramos,
Ogum nunca teve o direito a usar uma coroa (adé), feita
com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de mis-
sangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza para os

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JOGO DE BÚZIOS
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Yorubás. Foi autorizado a usar apenas um simples diadema, chamado àkòró, e isso
lhe valeu ser saudado, até hoje, sob os nome de Ògun Oníìré e Ògun Aláàkòró in-
clusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos Yo-
rubás trazidos para esses lugares. Ogun teria sido o mais enérgico dos filhos de
Odùduà e foi ele que se tornou o regente do reino de Ifé quando Odùduà ficou tem-
porariamente cego (informação pessoal do Óòni(rei) de Ifé em 1949).

Como Oriṣa, Ogun é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam
esse metal. Foi um temível guerreiro, que brigava sem cessar contra os reinos vizi-
nhos. Dessas guerras trazia sempre um rico espólio.

Os lugares consagrados a Ògun ficam ao ar livre na entrada dos palácios dos reis e
nos mercados. Estes lugares são geralmente pedras em forma de bigorna, coloca-
das perto de uma grande árvore: Àràbà. São protegidos por uma cerca de plantas
nativas, chamadas peregun ou akoko. Nestes locais periodicamente os sacerdotes
realizam suas oferendas.

É costume dizer-se que existem 7 (sete) clãs de Ogum, sendo as formas mais co-
nhecidas: Lebede ou Ogum-de-Le (o jovem), Meje (o sétimo e o velho), Obefaram,
Mika, Ogunfa (mora com Ososi e Esu), Xoroque (vive nos portões e nas estradas
com Esu).

LENDA

... a sua ira.

Ogun decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho
(informação pessoal do Oníìré em 1952). Infelizmente, as pessoas da cidade cele-
bravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam
falar sob nenhum pretexto. Ogun tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de
palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondi-
do às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente duran-
te muito tempo. Ogun, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral,
por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e,
logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais
próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas,
como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de
palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam
louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá
(Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de Ogúnjá. Satisfeito e acalmado,
Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a
ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma
barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas
palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamen-
te em socorro daquele que o evocou.

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JOGO DE BÚZIOS
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OṢÓÒSI

É chamado de Aláqueto, título oficial dos reis de Ketu, Rei da


caça, Senhor das veredas, sua história e culto são dos mais
ricos. Sua dança é o Aguerê e é também considerdo com
Ashéshé: a origem das origens, dos descendentes. Rege as
árvores, a fauna e a flora. Segundo algumas lendas, Oṣóòsi é
o filho de Yemanjá com Osalá e irmão mais novo de Ògún. Ele
não é o Deus da floresta, como muitos pensam, ele é o rei da
caça. Dada é a deusa da floresta. Está associado com a vida
ao ar livre e com os elementos da natureza. Como bom caça-
dor, é solitário e individualista. Mas não dispensa o contato
com pessoas no convívio social. E nunca vive sem um grande
amor.
É costume dizer-se que existe apenas uma qualidade desse Oriṣa, todavia pesqui-
samos várias outras: Ode, Otin, Inle, Ibualama e Logunede (filho de Inle e Osum).
Inlè-Ibualama ou Erinlè - Em Ijesá, onde passa o rio Erinlè, há um deus da caça com
o mesmo nome. Segundo Verger, seu templo principal é em Ilobu, onde dois cultos
teriam se misturado: o culto do rio e o do caçador de elefantes, que por diversas
ocasiões, viera ajudar os habitantes de Ilobu a combater seus adversários. O culto a
Erinlè realiza-se às margens de diversos lugares profundos (Ibu) do rio.
Cada um desses lugares recebe um nome, mas é sempre Erinlè que é adorado sob
todos esses nomes. Um desses lugares profundos de Erinlè é chamado de Ibùalamo
(Ibualama) nome pelo qual também é cultuado na Bahia, que durante sua dança traz
nas mãos o símbolo de Oṣóòsi, o arco e a flecha de ferro, e uma espécie de chicote
(bilala), com o qual ele se fustiga a si mesmo.

LENDA

... ele não morreu.

Diz uma das lendas que certo dia Oṣóòsi chegou a sua aldeia, quase arriando pelo
peso da capanga, das cabaças vazias e pelo cansaço de rastrear a caça rara. Oṣun,
sua mulher e mãe de seu filho, olhou para ele e pensou: ''só caçou desgraça". Pois a
desgraça para Oṣóòsi foi prevista por Ifá, que ele alertou Oṣun. Porém, quando ela
contou a Oṣóòsi sobre essa previsão, ele disse que a desgraça era a fome, a mulher
sem leite e a criança sem carinho. E que desgraça maior era o medo do homem.
Quando Oṣóòsi se aproximou de Oṣun, ela notou que ele trazia algo na capanga,
sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido e ela imaginou se seria um
bicho de pelo ou de pena. Ansiosa, perguntou a ele, que respondeu: "Trago a carne
que rasteja na terra e na água, na mata e no rio, o bicho que se enrosca em si mes-
mo''. Falando isto retirou da capanga os pedaços de uma grande Dan (cobra). O bi-
cho revirava a cabeça e os olhos, agitava a língua partida e cantava triste: "Não sou
bicho de pena para Oṣóòsi matar". A grande Dan pertencia a Ṣàngó e Oṣóòsi não
poderia matá-la. Oṣun fugiu temendo a vingança de Ṣàngó, indo até Ifá que disse: "A
justiça será feita, assim o corpo de Oṣóòsi irá desaparecer, desaparecerá da memó-
ria de Oṣumaré e a quizila desaparecerá da vingança de Ṣàngó".

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JOGO DE BÚZIOS
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Fazia também parte da punição que ele saísse da memória do povo de Ketu. Assim,
Oṣóssi ficou sete anos esquecido. No dia de Orunkó (o nome de santo de cada um),
ao ser dado os nomes aos Orixás, o povo de Ketu começou a chorar por não se
lembrar do nome de seu rei. Abaixaram os olhos e tentaram compreender por que
nunca se lembravam dele. Então, Ifá ensinou-lhes um orô (reza que se faz para o
sacrifício de animais):

Omo - Odé – Lailai


Omo - Odé – Kosajô
Abaderoco Koisô
Omo - Odé - Kosajô

Após o orô, o povo começou a se lembrar dele. Ifá disse que esse era o orô de
Oṣóòsi, o Oriṣa caçador, corajoso Rei de Ketu e rei da caça, que nada temia e pre-
servava a vida de seus filhos e dos filhos dos filhos de seus filhos.
OṢÓÒSI não morreu, ele encantou-se para sempre, pois tem medo de frio, por isso
não gosta de EKU, a morte.

OSAYIN

OSAYIN, O SENHOR DAS FOLHAS.

Originário de Iraô, atualmente na Nigéria, não fazia parte dos


16 companheiros de Odùdùwa quando na chegada de Ifá
(Orunmilá). Patrono da vegetação rasteira, das folhas e de
seus preparos, defensor da saúde, é a divindade das plantas
medicinais e litúrgicas. Cada Oriṣa tem a sua folha, mas só
Osayin detém seus segredos. E sem as folhas e seus segre-
dos não há aṣẹ, portanto sem ele nenhuma cerimônia é possí-
vel. Osayin usa uma cabaça chamada Igbá-Osanyin. Fuma e
bebe mel e pinga.
Osayin também é um feiticeiro, por isto é representado por um
pássaro chamado Eleyê, que reside na sua cabaça. As proprietárias do pássaro do
poder são as feiticeiras. Ele carrega também sete lanças com um pássaro em cima
da haste, o qual é seu mensageiro e voa para trazer-lhe notícias. Osayin está extre-
mamente ligado a Orunmilá, Senhor das Adivinhações. Estas relações, hoje cordial e
de franca colaboração, atravessaram no passado período de rivalidade.
Osayin receberá de Olodumaré o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas
traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria,
as doenças e os acidentes. Os outros oriṣa não tinham poder sobre nenhuma planta.
Eles dependiam de Osayin para manter sua saúde ou para o sucesso de suas inicia-
tivas.
As folhas de Osayin veiculam ao axé oculto, pois o verde é uma das qualidades do
preto. As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertili-
zada pela chuva. São como as escamas e as penas, que representam o procriado. O
sague das folhas é um dos aṣe mais poderosos, que traz em si o poder do que nas-
ce e do que advém.

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JOGO DE BÚZIOS
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OSAYIN existe em todas as folhas, por isso quando as queimam as matas ele fica
revoltado com o ser humano, que destrói a força da natureza, que é a cura de todas
as doenças que existem e que vão existir.

LENDA

... os segredos das folhas lhe pertence.

Ṣango, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por não de-
ter os conhecimentos secretos sobre a utilização das folhas, usou de um ardil para
tentar usurpar de Osayin a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa
Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Osayin pendurava,
num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. "Desenca-
deie uma tempestade bem forte num desses dias", disse-lhe Xangô.

Yansa aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou a grandes rajadas, levan-
do o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o
fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou
para longe e todas as folhas voaram. Os oriṣa se apoderaram de todas. Cada um
tornou-se dono de algumas delas, mas Osayin permaneceu senhor do segredo de
suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação.
E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto. Graças ao po-
der (aṣẹ) que possui sobre elas.

ÒṢÙMÀRÉ

O exótico e o mistério são os seus domínios. Tudo nele


é repetitivo, variando apenas as formas, como no ciclo
da chuva: a água que evapora, retorna como chuva. Ou
como no universo dos corpos celestes, onde a lua, o
sol, a terra e os demais astros e planetas executam os
seus movimentos com metodicidade harmoniosa. No
ciclo "vida e morte", ele também está presente; e seu
símbolo mais forte é o da cobra mordendo a própria
cauda, numa atitude que representa o ciclo vital: vida,
morte e renascimento. Enrola-se também em torno da
terra para impedi-la de se desagregar. Acredita-se que
se perdesse as forças seria o fim do mundo.

A marca mais evidente de oxumaré é o arco-íris, de


quem é senhor.
Sendo ao mesmo tempo macho e fêmea, esta natureza aparece nas cores vermelha
e azul que cercam o arco-íris. Ele representa também o bem, a riqueza e os benefí-
cios mais apreciados no mundo dos Yorubás.
Ele se paramenta de búzios como o bradjá (longos colares enfiados de maneira a
aparecer escamas de serpentes) e com colar de lagdbá (relação com a terra e os
ancestrais). Representa a sabedoria, o equilíbrio ecológico e a evolução. Patrono, do

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JOGO DE BÚZIOS
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arco-íris e outros fenômenos da atmosfera estão relacionados com o conceito de


terra e infinito. Símbolo da fecundidade e da eternidade.

Ele é a morbilidade e a atividade, pois uma de suas obrigações é a de dirigir as for-


ças que produzem o movimento. Ele é o Senhor de tudo que é alongado: como o
cordão umbilical. Este está sob seu controle e é enterrado sob uma palmeira, que se
torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação
dessa árvore.

Os Eleguns de Òṣùmàré trazem na mão um Eberi (espécie de vassoura feita com


nervuras das folhas das palmeiras), outras vezes seguram também uma serpente de
ferro forjado.

O lugar de origem deste Oriṣạ seria Mahi, no ex-Daomé. Òṣùmàré é Oriṣạ da rique-
za e é chamado de Rei na religião de Ifé, onde dizem que chegaram os 16 compa-
nheiros de Odùdùwa.

Ele é simbolizado por uma grande concha. Registram-se 4 qualidades sendo a de


Besen - a Cobra Sagrada - a mais conhecida.

LENDA

... a prosperidade.

" Òṣùmàré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni. Sua úni-
ca ocupação era ir ao palácio real no dia do segredo; dia que dá início à semana, de
quatro dias, dos Yorubás. O rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a
cada semana, uma quantia irrisória a Òṣùmàré que, por essa razão vivia na miséria
com sua família. O pai de Òṣùmàré tinha um belo apelido. Chamavam-no "o proprie-
tário do chalé de cores brilhantes". Mas tal como seu filho, ele não tinha poder. As
pessoas da cidade não o respeitavam. Òṣùmàré, magoado por esta triste situação,
consultou Ifá. "Como tornar-me rico, respeitado, conhecido e admirado por todos? Ifá
o aconselhou a fazer oferendas. Disse-lhe "que oferecesse uma faca de bronze, qua-
tro pombos e quatro sacos de búzios da costa."

No momento que Òṣùmàré fazia estas oferendas, o rei mandou chamá-lo. Òṣùmàré
respondeu: "Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia." O rei, irritado
pela espera, humilhou Òṣùmàré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de
seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à sua casa, Òṣùmàré recebeu um
recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu
filho que estava doente. Ele não podia manter-se de pé. Caía, rolava no chão e
queimava-se nas cinzas do fogareiro. Òṣùmàré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e
consultou Ifá para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encan-
tada por este resultado, recompensou Òṣùmàré. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul,
feita de rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, sobre o qual
Òṣùmàré retornou à sua casa em grande estilo.

Um escravo fazia rodopiar um guarda sol sobre sua cabeça e músicos cantavam
seus louvores. Òṣùmàré foi, assim, saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe:

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JOGO DE BÚZIOS
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"Oh! De onde vieste? De onde sairam todas estas riquezas?" Òṣùmàré respondeu-
lhe que a rainha Olokum o havia consultado. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto
por você!" Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Òṣùmàré uma roupa do
mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros presentes. Òṣùmàré tornou-se,
assim, rico e respeitado. Òṣùmàré, entretanto, não era amigo de Chuva. Quando
Chuva reunia as nuvens, Òṣùmàré agitava sua faca de bronze e a apontava em dire-
ção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia.
Todos gritavam: " Òṣùmàré apareceu!" Òṣùmàré tornou-se, assim, muito célebre.

Nesta época, Olodumaré, o Deus supremo, aquele que estende a esteira real em
casa e caminha na chuva, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele
mandou chamar Òṣùmàré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disso, Olo-
dumaré não deixou mais que Òṣùmàré retornasse a Terra. Desde esse dia, é no céu
que ele mora e só tem permissão para visitar a Terra a cada três anos. “É, portanto,
durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.”

OBALÚAIYÈ/OMULU

Obalúaiyê quer dizer "rei e dono da terra" sua veste é palha e es-
conde o segredo da vida e da morte. Está relacionado à terra
quente e seca, como o calor do fogo e do sol - calor que lembra a
febre das doenças infecto-contagiosas. O lugar de origem de Oba-
lúayé é incerto, há grandes possibilidades que tenha sido em terri-
tório Tapá (ou Nupê) e se esta é ou não sua origem seria pelo
menos um ponto de divisão dessa crença. Conta-se em Ibadã (ver
mapa), que Obalúayé teria sido antigamente o Rei dos Tapás.

Uma lenda de Ifá confirma esta última suposição. Obalúayé era


originário em Empê (Tapá) e havia levado seus guerreiros em ex-
pedição aos quatros cantos da terra. Uma ferida feita por suas
flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas.

OBALÚAYÉ representa a terra e o sol, aliás, ele é o próprio sol, por isso usa uma
coroa de palha (AZÊ) que tampa seu rosto, porque sem ela as pessoas não poderi-
am olhar para ele. Ninguém pode olhar o sol diretamente. Está fortemente relaciona-
do os troncos e os ramos das árvores e transporta o axé preto, vermelho e branco.
Sua matéria de origem é a terra e, como tal, ele é o resultado de um processo ante-
rior. Relaciona-se também com os espíritos contidos na terra. O colar que o simboli-
za é o ladgiba, cujas contas são feitas da semente existente dentro da fruta do Igi-
Opê ou Ogi-Opê, palmeiras pretas. Usa também bradja, um colar grande de kauris
(búzios). OBALÚAYÉ é o patrono dos kauris e do conjunto dos 16 búzios, que reina
do instrumento ao sistema oracular: o brendilogun, que lhe pertence. Seu poder está
extraordinariamente ligado a morte. OBA significa Rei (Oni), ILU espíritos e AIYÊ
significa terra, ou seja, Rei de Todos os Espíritos do Mundo. Ele lidera e detém o
poder dos espíritos e dos ancestrais, os quais o seguem. Oculta sob o saiote o mis-
tério da morte e do renascimento (o mistério do gênesis). Ele é a própria terra que
recebe nossos corpos para que vire pó.

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JOGO DE BÚZIOS
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OBALÚAYÉ mede a riqueza com cântaros, mas o povo esqueceu-se de sua riqueza
e só se lembra dele como o Orixá da moléstia.

Afirmam-se em registros bibliográficos ser Omolu e Obaluaiye um só Orixá em dois


estágios: Obaluaiye (o Moço), significa o "Dono da Terra da Vida"; Omolu (o Velho)
significa o "Filho-da-Terra". É o médico dos pobres; o senhor dos cemitérios. Usa o
aze (capacete de pele da Costa) ou o fila (capuz de palha da Costa) e carrega na
mão o ṣaṣara (feixe de fibra de palmeira, enfeitado com búzios) Seu dia é a segun-
da-feira. Sua comida forte é o doburu (pipocas sem sal, coco fatiado e regado com
mel). Registram-se 12 qualidades atribuídas a esse Orixá, que também é considera-
do o mais antigo do Panteão Afro, sendo as mais conhecidas: Sapata, Ṣapanan,
Ṣankpanan, Babalu, Azoane, Ajagum, Ajunsun e Avimage.

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JOGO DE BÚZIOS
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LENDA

... tranquilizando o guerreiro.

Era um guerreiro terrível que, seguido de suas tropas, percorria o


céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade
aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos
combates mutilados ou morriam de peste. Assim, chegou Ṣapanã
em território Mahí, no Daomé. A terra dos Mahis abrangia as ci-
dades de Savalú e Dassa Zumê. Quando souberam da chegada
iminente de Xapanã, os habitantes desta região, apavorados, con-
sultaram um adivinho. E assim ele falou: "Ah! O Grande Guerrei-
ro chegou de Empê! Aquele que se tornará o senhor do país!
Aquele que tornará esta terra rica e próspera, chegou! Se o povo
não o aceitar, ele o destruirá! É necessário que supliquem a Ṣapa-
nã que os poupe. Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele
goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê,
picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca! Será necessá-
rio também que todos se prosternem diante dele, que o respeitem
e o sirvam. Logo que o povo o reconheça como pai, Ṣapanã não o combaterá, mas protegerá a
todos!"

Quando Ṣapanã chegou, conduziu seus ferozes guerreiros, os habitantes de Savalú


e Dassa Zumê reverenciaram-no, encostando suas testas no chão, e saudaram-no:
"Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!" "Respeito e Submissão!" Ṣapanã aceitou os pre-
sentes e as homenagens, dizendo: "Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas via-
gens, desde Empê, minha terra natal, sempre encontrei desconfiança e hostilidade.
Construam para mim um palácio. É aqui que viverei a partir de agora!" Ṣapanã insta-
lou-se assim entre os Mahis. O país prosperou e enriqueceu e o Grande Guerreiro
não voltou mais a Empê, no território Tapá, também chamado Nupê.

ṢÁNGÓ

Deus do trovão, da justiça e do fogo. Sàngó é símbolo


do rei Deus em Benin. É o Deus do trovão.
Contrariamente a Ògún (Deus dos Ferreiros) que em-
prega o fogo artificial, Sàngó manipula o fogo em esta-
do selvagem, o fogo que os homens não sabem utili-
zar.
É um oriṣạ temido e respeitado, é viril e violento, po-
rém justiceiro. Costuma-se dizer que Ṣàngó castiga os
mentirosos, os ladrões e malfeitores. Seu símbolo prin-
cipal é o machado de dois gumes e a balança, símbolo
da justiça. Deus do fogo, que pune aos que lhe querem
mal com febres e ervas que lhe são atribuídas. Joga
sobre os inimigos sua bola de fogo através dos raios,
chamadas Edun Ara (pedra de raio que representa o

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JOGO DE BÚZIOS
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corpo de SÀNGÓ, seu símbolo por excelência, pela mitologia do elemento procriado
por um lado e que irmana SÀNGÓ a Eṣú por outro lado).
SÀNGÓ é o antisímbolo da morte, ele não fica aonde há mortes. Sua dança preferida
é o Alujá, apresentado com toques diferentes, a dança do machado, a dança da
guerra. Branda orgulhosamente o seu Oṣé (uma de suas armas) e assim, na cadên-
cia, faz o gesto de que vai pegar as pedras de raio e lançá-las sobre a terra, de-
monstrando seu lado atrevido. Em certas festas traz sobre a cabeça uma gamela de
madeira, que contém fogo que começa a engolir, revelando a origem de seu funda-
mento.

Ṣàngó, no seu aspecto divino.

Permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yamase como mãe e três di-
vindades como esposas: Oya, Oxum e Obá. Xangô é viril e atrevido, violento e justi-
ceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte
pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio
é uma casa marcada pela cólera de xangô. O proprietário deve pagar pesadas mul-
tas aos sacerdotes do orixá que vêm procurar nos escombros os èdùn àrá (pedra de
raio) lançados por Xangô e profundamente enterrados no local onde o solo foi atingi-
do. Esses èdùn àrá (na realidade, machado neolíticos) são colocados sobre um pilão
de madeira esculpida (odó), consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas
emanações de Ṣàngó e contém o seu àṣe (axé), o seu poder. O sangue dos animais
sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhes a
força e o poder. O Agutan (carneiro), cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal
cujo sacrifício mais lhe convém.

Fazendo-lhe também oferendas de amalá, iguaria preparada com farinha de inhame


regada com um molho feito com quiabos. É, no entanto, formalmente proibido ofere-
cer-lhe feijões brancos da espécie sèsé. Todas as pessoas que lhe são consagradas
estão sujeitas à mesma proibição. Na Bahia, diz-se que exitem doze Ṣàngó: Dadá;
Oba Afonjá; Obalubé; Ogodô; Oba Kossô; Jakutá; Aganju; Baru; Oranian; Airá Intilé;
Airá Igbonam, e Airá Adjaosi. Reina uma certa confusão nessa lista, pois Dadá é ir-
mão de Ṣàngó; Oranian é seu pai, e Aganju, um de seus sucessores. Também na
Bahia acredita-se que Ogodô é originário do território Tapá, e que segura dois "oṣés"
quando dança, sendo o seu èdùn àrá composto de dois gumes. Os Airá seriam
Ṣàngó muito velhos, sempre vestidos de branco e usando contas azuis (segi) em
lugar de corais vermelhos, como os outros Ṣàngó. Ao que parece, teriam vindo da
região de Savê (ver mapa).

O que notamos nesse primeiro período Yorubano, é que na realidade, o que se fala
de Sàngó, e a sua história nos Candomblés do Brasil, e de outros acima descritos, é
incorreto, levando os fiéis a crer em fatos irreais.

Inicialmente, averiguamos que Odùduwà é um Òrìsà funfun masculino e único, é o


pai do povo Yorubano e não uma simples "qualidade" de Òrìsànlá ou seja, são divin-
dades totalmente distintas, inclusive, não se suportavam, pelos fatos vistos; e que
também Ìyá Olóòkun, é um Òrìṣạ feminino e a Dona do Mar, portanto da água salga-
da, é quem governa os oceanos e não o Òrìṣạ Yemojá, "Senhora do rio Yemojá e do
rio Ògùn", divindade de água doce, e muito menos mãe de Ògún e de outros filhos

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JOGO DE BÚZIOS
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Òrìṣạ à ela atribuídos. Notar a acentuação diferente no nome do Òrìṣạ Ògún e do rio,
pois são palavras distintas.

Quanto a Ṣàngó, demonstramos que foi um mortal em sua vida no Àiyé, portanto
quando morreu, tornou-se um Egún, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em
sua vida foi que, uma de suas esposas, e a única que o acompanhou em sua fuga
de Oyó, era a divindade Oya, loucamente apaixonada por ele, e no instante de sua
morte ela o pega com o seu poder de Òrìṣạ e o conduz diretamente a Olódùmarè, e
por insistência de Oya, Ele o "ressuscita" como uma divindade, já que em vida, Oya,
perdida de amores, ensina-lhe vários segredos dos Òrìṣạ, principalmente o segredo
do fogo que pertencia somente a Oya, que ela lhe ensina e lhe dá este poder e ou-
tros, por paixão.

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JOGO DE BÚZIOS
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LENDA

... arrependido Ṣango retorna a orun

Ṣàngó era rei de oyó, terra de seu pai; já sua mãe era da cidade de Empê, no territó-
rio de tapa. Por isso, ele não era considerado filho legítimo da cidade. A cada co-
mentário maldoso Ṣàngó cuspia fogo e soltava faíscas pelo nariz. Andava pelas ruas
da cidade com seu oxé, um machado de duas pontas, que o tornava cada vez mais
forte e astuto onde havia um roubo, o rei era chamado e, com seu olhar certeiro, en-
contrava o ladrão onde quer que esteja.

Para continuar reinando Ṣàngó defendia com bravura sua cidade; chegou até a des-
tronar o próprio irmão, dadá, de uma cidade vizinha para ampliar seu reino. Com o
prestigio conquistado, Ṣàngó ergueu um palácio com cem colunas de bronze, no alto
da cidade de kossô, para viver com suas três esposas: Oyá (yansã) amiga e guerrei-
ra; Oṣun, coquete e faceira e Obá, amorosa e prestativa.

Para prosseguir com suas conquistas, Ṣàngó pediu ao babalaô de oyó uma fórmula
para aumentar seus poderes; este entregou-lhe uma caixinha de bronze, recomen-
dando que só fosse aberta em caso de extrema necessidade de defesa. Curioso,
Ṣàngó contou a yansã o ocorrido e ambos, não se contendo, abriram a caixa antes
do tempo. Imediatamente começou a relampejar e trovejar; os raios destruíram o
palácio e a cidade, matando toda a população. Não suportando tanta tristeza, Ṣàngó
afundou terra adentro, retornando ao orun.

IROKO

Òrìṣạ representado pela mais suntuosa árvore das casas de


candomblé e o guardião das matas. Representa à dinastia
dos orixás e ancestrais, seus filhos são raríssimos na religião,
porém, não há nada mais bonito de se ver do que uma grande
árvore de Iroko, é protetor das variações climática. Tem liga-
ção com o Òrìṣạ Aira e Oṣalạ. Poderosa árvore da floresta,
em cujos galhos se abrigam divindades e ancestrais aos pés
da qual são depositadas as oferendas para as Ìyàmi Ajè.

Poderosa árvore da floresta, cujas raízes alcançam o Òrún


ancestral e o tronco majestoso serve como apoio ao próprio
Olòfín.

Iroko é partícipe do culto ancestral feito às árvores sagradas (Iroko, Apaoka, Akoko
etc).

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JOGO DE BÚZIOS
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No Brasil é considerado o protetor de todas as árvores, sendo associado particular-


mente à gameleira branca. Seu culto está intimamente associado ao de Osànyín, a
Divindade das Folhas litúrgicas e medicinais.

É o Òrìṣạ da floresta, das árvores, do espaço aberto; por extensão governa o tempo
em seus múltiplos aspectos, função que o equipara a Airá (divindade da família de
Sangò).

É cultuado pelas nações de origem Daomeana (Mina-Gêge, Gêge-Mahi) com o no-


me de Lokó e pelos Banto-sudaneses pelo nome de Zaratembo (a divindade Tempo
da nação de Angola).

É referido como " Òrìṣạ do grande pano branco que envolve o mundo", numa alusão
clara às nuvens do Céu.

As árvores nas quais Iroko é cultuado normalmente são de grande porte; são enfei-
tadas com grandes laços de pano alvo (oja fúnfún) e ao pé dessas árvores são colo-
cadas suas oferendas, notadamente nas casas de origem Ketu, onde recebe lugar
de destaque. Jamais uma dessas árvores pode ser derrubada sem trazer sérias con-
sequências para a comunidade.

No culto aos Vodún, Loko ocupa lugar destacado, comparado somente à Lisa
(Oṣalạ) e Dan (Oṣùmarè).

Iroko é invocado em questões difíceis, tais como desaparecimento de pessoas ou


problemas de saúde, inclusive a mental. Seus filhos são altivos e generosos, robus-
tos na constituição, extremamente atentos a tudo o que ocorre a sua volta.

LENDA

Iroco ajuda a feiticeira a vingar o filho morto...

Iroco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajé, a feiticei-
ra, a outra era Ogboí, que era uma mulher normal. Ajé era feiticeira, Ogboí, não. Iro-
co e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Ayê. Iroco foi morar numa
frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajé teve só
um, um passarinho.

Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de
Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajé teve
também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de
Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma ga-
linha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Gritavam de fome, queriam comer,
mas tinha que ser um pássaro. A mãe foi então foi a floresta caçar passarinhos, que
seus filhos insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram,
cozinharam e comeram o filho de Ajé. Quando Ajé voltou e se deu por conta da tra-
gédia, partiu desesperada a procura de Iroco. Iroco a recebeu em sua árvore, onde
mora até hoje. E de lá, Iroco vingou Ajé, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí.
Desesperada com a perda de metade de seus filhos e para evitar a morte dos de-

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mais, Ogoí ofereceu sacrifícios para o irmão Iroco. Deu-lhe um cabrito e outras coi-
sas e mais um cabrito para Eṣu. Iroco aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos.
Ogboí é a mãe de todas as mulheres comuns, mulheres que não são feiticeiras, mu-
lheres que sempre perdem filhos para aplacar a cólera de Ajé e de suas filhas feiti-
ceiras. Iroco mora na gameleira branca e trata de oferecer e a sua justiça na disputa
entre as feiticeiras e as mulheres comuns.

OYA/YANSAN

Filha de Nanã. Ela é a deusa dos ventos, das tempestades,


dos tufões, dos elementos aéreos ligados ao relâmpago (ar
+ movimento = ao fogo). É a deusa do rio Níger da África
que em Yorubá, chama-se Odò Oya. Comanda os eguns
(os mortos). Extrovertida e sensual como poucas. Foi a
primeira esposa de Ṣàngó. Tinha um temperamento arden-
te e impetuoso. Destemida, justiceira e guerreira, não teme
a nada.

Registram-se, em literatura, 17 qualidades sendo as mais


conhecidas: Oya, Onyra, Bagam, Egunita, Benek, Cenou,
Bomini e Muriai, a Iansã-do-Bale que preside a festa dos
Egun).

LENDA

... a ira da mulher búfalo

Ogun foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em
sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogun
tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e
despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Yansan, coberta por be-
los panos coloridos e braceletes de cobre. Yansan fez da pele uma trouxa, colocou
os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem
perceber que ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogun se apoderou da trou-
xa, guardando-a em seu celeiro.

Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a
cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte. Quando anoiteceu ela
voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e
encontrou Ogun, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu se-
gredo (pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal), Yansan foi obrigada
a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta,
dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.

Chegando em casa, Ogun explicou suas outras esposas que Yansan iria morar com

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JOGO DE BÚZIOS
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ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogun
saía para trabalhar, Yansan passava o dia procurando sua trouxa.

Desse casamento nasceram nove filhos, o que despertou ciúmes das outras espo-
sas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogun e ele
acabou relatando o mistério que envolvia Yansan. Logo que o marido se ausentou,
elas começaram a cantar: "Você pode beber, comer e exibir sua beleza, mas a sua
pele está no depósito, você é um animal." Yansan compreendeu a alusão. Depois
que Yansan encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e
partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos.

Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem,
porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em
caso de perigo deveriam bater os chifres um contra o outro; com esse
sinal ela iria socorrê-los imediatamente. É por esse motivo que os chifres estão pre-
sentes nos assentamentos de yansan/oya.

OṢUN

Dona das águas. Na África, mora no rio oxum. Senhora da fertili-


dade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavan-
do-os com suas águas e folhas refrescantes. Jovem e bela mãe
mantém suas características de adolescente.
Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer. Coquete e vai-
dosa é a mais bela das divindades e a própria malícia da
mulher-menina. É sensual, exibicionista, consciente de sua rara
beleza.
Utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pes-
soas e conseguir seus objetivos.
Oṣun é chamada de Yalodê, título conferido à pessoa que ocupa
o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade, além
disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre as águas doces, sem
a qual a vida na terra seria impossível. Dança de preferência sob o ritmo de sua ter-
ra: Igeṣá. Sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora.

Ela faz a qualquer um o que o médico não faz, é a Orixá que cura o doente com a
água fria. Se, cura a criança, não apresenta honorários ao pai. É a Orô, um pássaro
que tem uma pena brilhante na cabeça, e a Yalodê, que ajuda as crianças a terem
uma mãe. Manda a cabeça má ficar boa. Oṣun é doce e poderosa como Oni. Oṣun
não concede as más coisas do mundo. Ela tem remédios gratuitos e faz as crianças
tomarem mel. Sua palavra é meiga e deixa a criança abraçar seu corpo com as
mãos. A mão da criança é suave, Oṣun é afável. É cliente dos vendedores de cobre.
Agita sua pulseira para ir dançar. Ela é elegante e tem muito dinheiro para divertir-se.
Suas jóias são de cobre e é proprietária do pente de cobre e de muitas penas de pe-
riquito. Não há lugar onde não se conhece Oṣun, poderosa como um rei.
Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oṣun para ser a protetora das
crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda
no ventre materno, até que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum

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JOGO DE BÚZIOS
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idioma. Por isso, Oṣun é considerada o oriṣa da fertilidade e da maternidade.

Por sua beleza, Oṣun também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como
uma oriṣa jovem e bonita, mirando-se em seus espelhos e abanando-se com seu
leque (abebê).

A deusa das águas doces, símbolo da riqueza, do charme, da elegância, foi a se-
gunda esposa de Ṣàngó, antes, porém, esposa de Oṣóòsì, sua grande paixão. Pa-
trona do ventre. Governa as ervas antissépticas e desinflamatórias. Seu domínio é
subsolo do universo, suas características são: a vaidade e a faceirice. Divindade úni-
ca, genitora, ligada à procriação, patrona da gravidez, do desenvolvimento do feto,
coloca o bebê sob sua proteção até que adquira o conhecimento da linguagem. Foi a
primeira Iyami encarregada de ser Olotoju Anon Omi (aquela que vela pelas crianças
e cura). O seu aṣẹ principal é a atividade que rege esse conhecimento. Mãe ances-
tral suprema, Oṣun é considerada a patrona dos peixes, mas é também representa-
da pelos pássaros. O ovo é um dos seus símbolos.

Orê Yeyê ô! Oxum era muito bonita, dengosa e vaidosa. Como o são, geralmente, as
belas mulheres. Ela gostava de tecidos vistosos, marrafas de tartaruga e tinha, so-
bretudo, uma grande paixão pelas jóias de cobre. Este metal era muito precioso, an-
tigamente, na terra dos Yorubás. Se uma mulher elegante possuía jóias de cobre
pesadas. OVṣun era cliente dos comerciantes de cobre. Omiro wanran wanran wan-
ran omi ro! "A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!" Oxum lavava
suas jóias, antes mesmo de lavar suas crianças. Mas tem, entretanto, a reputação de
ser uma boa mãe e atende às súplicas das mulheres que desejam ter filhos.
(1)
(1) OXUN (Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé
- Editora Currupio).

Registram-se 16 qualidades, sendo as mais conhecidas: Yaba-Omi (Mãe d'Água),


Abae, Ioni, Acare, Bauira, Timi, Aquida, Ninsim, Oponda (a mais nova), Loba (a mais
velha), Abote, Apara (usa espada e vive nas estradas com Ogum) e Abalo (muito
vaidosa e usa leques).

LENDA

... arte da adivinhação.

Conta-nos uma lenda, que Òṣùn queria muito aprender os segredos e mistérios da
arte da adivinhação, para tanto, foi procurar Èṣù, para aprender os princípios de tal
dom.
Èṣù, muito matreiro, falou à Òṣùn que lhe ensinaria os segredos da adivinhação,
mas para tanto, ficaria Òṣùn sobre os domínios de Èṣù durante sete anos, passando,
lavando e arrumando a casa do mesmo, em troca ele a ensinaria. E, assim foi feito,
durante sete anos Òṣùn foi aprendendo a arte da adivinhação que Èṣù lhe ensinará
e consequentemente, cumprindo seu acordo de ajudar nos afazeres domésticos na
casa de Èṣù. Findando os sete anos, Òṣùn e Èṣù, tinham se apegado bastante pela
convivência em comum, e Òṣùn resolveu ficar em companhia desse Òrìṣà.

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JOGO DE BÚZIOS
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Em um belo dia, Ṣàngó que passava pelas propriedades de Èṣù, avistou aquela lin-
da donzela que penteava seus lindos cabelos a margem de um rio e de pronto agra-
do, foi declarar sua grande admiração para com Òṣùn. Foi-se a tal ponto que Ṣàngó,
viu-se completamente apaixonado por aquela linda mulher, e perguntou se não gos-
taria de morar em sua companhia em seu lindo castelo na cidade de Oyó. Òṣùn rejei-
tou o convite, pois lhe fazia muito bem a companhia de Èṣù.

Ṣàngó então irado e contradito, sequestrou Òṣùn


e levou-a em sua companhia, aprisionando-a na
masmorra de seu castelo. Èṣù, logo de imediato
sentiu a falta de sua companheira e saiu a procu-
rar, por todas as regiões, pelos quatro cantos do
mundo sua doce pupila de anos de convivência.
Chegando nas terras de Ṣàngó, Èṣù foi surpre-
endido por um canto triste e melancólico que vi-
nha da direção do palácio do Rei de Oyó, da
mais alta torre. Lá estava Òṣùn, triste e a chorar
por sua prisão e permanencia na cidade do Rei

Èṣù, esperto e matreiro, procurou a ajuda de


Òrùnmílá, que de pronto agrado lhe sedeu uma
poção de transformação para Òṣùn desvencilhar-
se dos dominíos de Sàngó.

Èsù, atravez da magia pode fazer chegar as mãos de sua companheira a tal poção.
Òṣùn tomou de um só gole a poção mágica e transformou-se em uma linda pomba
dourada, que voôu e pode então retornar a casa de Eṣù.

OBA

É a princesa guerreira, Oriṣạ feminino de Nagô (Yorubá), nas-


cida de Orungá e do ventre de Yemojạ, depois de um incesto
de Orugan. Em toda a África Obá era cultuada como a grande
deusa protetora do poder feminino, por isso também é sauda-
da como Iyá Agbá, e mantém estreitas relações com as Iya Mi.
Era uma mulher forte, que comandava as demais e desafiava o
poder masculino. Terceira mulher de Ṣàngó, depois de Oya e
Oṣun. Considerada por alguns como a irmã de Yansan. Ela
desafiou e venceu as lutas, sucessivamente contra Oṣalá,
Ṣàngó e Orunmilá. Obá era uma mulher vigorosa e cheia de
coragem. Faltava-lhe, talvez, um pouco de charme e refina-
mento. Mas ela não temia ninguém no mundo. Seu maior pra-
zer era lutar. Seu vigor era tal que ela escolheu a luta e o pugi-
lato como profissão. Obá saiu vencedora de todas as disputas
que foram organizadas entre ela e diversos orixás. Ela derrotou Obatalá, tirou
Oṣóòssi de combate, deixou no chão Orunmilá. Oṣumaré não resistiu à sua força.
Ela desafiou Obaluayê e botou Eṣu prá correr. Guerreira veste vermelha e branco
usa escudo e lança. Altiva, sombria e muito respeitada.

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JOGO DE BÚZIOS
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Obá é a representação dos ancestrais femininos, anciã e guardiã da sociedade


Eléèkó. Está associada à água e à cor vermelha. Representa o mais antigo e arcai-
co. Símbolo genitor, capaz de grandes sacrifícios próprios, lutadora, guerreira e
companheira inseparável de L'Oya.

- Obasy, rio revolto


- Obasy, mística e idosa, com bons costumes, porém, grosseira.
- Obasy, mulher valente, orixá de uma orelha só.
- Obasy, quando em fúria transborda, agita-se.

Obasy é a senhora da sociedade Eléèkó, porém no Brasil esta sociedade está muito
restrita, sendo assim, esta sociedade passou a cultuar Egungun. Deste modo, Obasy
é a senhora da sociedade lesse-oriṣạ.
Tudo relacionado a Obasy é envolto em um clima de mistérios, e poucos são os que
entendem seus atos aqui no Brasil. Certas pessoas a cultuam como se fosse da fa-
mília ji, ao passo que outras a cultuam como se fosse um Ṣàngó fêmea. Obasy e
Ewa são semelhante, são primas e ambas possuem oro omi Oṣun. Ela usa ofá (arco
e flecha) assim como Ewa e ambas são identificadas também com Odé. Obasy usa a
festa da fogueira de Ṣàngó para poder levar suas brasas para seu reino, desta forma
é considerada uma das esposas de Ṣángó mais fieis a ele.
OBA é ORIXÁ ligado a água, guerreira e pouco feminina. Suas roupas são verme-
lhas e brancas, leva um escudo, uma espada, uma coroa de cobre. Usa um pano na
cabeça para esconder a orelha cortada. Conta e lenda que OBA, repudiada por
ṢÁNGÓ. vivia sempre rondando o palácio para voltar.

LENDA

... Obá versus Ogun.

Seu maior prazer era lutar. Seu vigor era tal que ela escolheu a luta e o pugilato co-
mo profissão. Obá saiu vencedora de todas as disputas que foram organizadas entre
ela e diversos oriṣạ. Ela derrotou Obatalá, tirou Oxossi de combate, deixou no chão
Orunmilá. Oṣumaré não resistiu à sua força. Ela desafiou Obaluayê e botou Eṣu prá
correr. Chegou a vez de Ogun! Ogun teve o cuidado de consultar Ifá, antes da luta.
Os adivinhos lhe disseram para fazer oferendas, compostas de duzentas espigas de
milho e muitos quiabos. Tudo pisado num pilão para se obter uma massa viscosa e
escorregadia. Esta substância deveria ser depositada num canto do terreno onde
eles lutariam. Ogun seguiu, fielmente, estas instruções. Na hora da luta, Obá chegou
dizendo: "O dia do encontro é chegado". Ogun confirmou: "Nós lutaremos, então, um
contra o outro". A luta começou. No início, Obá parecia dominar a situação. Ogun
recuou em direção ao lugar onde ele derramara a oferenda. Obá pisou na pasta vis-
cosa e escorregou. Ogun aproveitou para derrubá-la. Rapidamente, libertou-se do
seu pano e a possuiu ali mesmo, tornou-se, dessa maneira, seu primeiro marido.

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JOGO DE BÚZIOS
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YEWA

Yewa é a divindade do rio Yewa. Na Bahia é cultuada somente


em três casas antigas, devido à complexidade de seu ritual. As
gerações mais novas não captaram conhecimentos necessá-
rios para a realização do seu ritual, daí se ver, constantemen-
te, alguém dizer que fez uma obrigação para Yewa, quando na
realidade o que foi feito é o que se faz normalmente para Oṣun
ou Oya. O desconhecimento começa com as coisas mais sim-
ples como a roupa que veste, as armas e insígnias que segura
e os cânticos e danças, isso quando não diz que Yewa é a
mesma coisa que Oṣun, Oya e Yemoja. Yewa usa ofa que uti-
liza na guerra ou na caça. No seu ritual é imprescindível, den-
tre outras coisas, o iko (palha da costa), existe mesmo um ese
Ifa do odu Otuamosun, que fala de Yewa saindo de uma flo-
resta de iko (22).

O seu grande ewo (coisa proibida) é a galinha.


Na África, o rio Yewá é a morada dessa deusa, mas sua orígem gera polêmicas. A
quem diga que, a exemplo de Oṣumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Yewá era cultuada
inicialmente entre os Mahi e foi assimilada pelos Yorubás e inserida em seu panteão.
Havia um Oriṣạfeminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força
desse Oriṣạ estava concentrada em uma cobra que engolia a própria cauda, o que
denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina.
Yewá seria a ressignificação de Dan ou uma de suas metades --A outra seria Oṣu-
maré. Existem, porém, os que defendem que Ywá já pertencia à mitologia Nagô,
sendo originária na cidde de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o pan-
teão Jeje --No qual o Vodun Eowa, da família Danbirá, seria o correspondente da
Yewá dos Nagô, --Confundem Yewá com uma qualidade de Yemonjá. Erram porque
Yewá é um Oriṣạ independente, mas sua origem não se esclarece sequer entre os
Jeje, pois em respeitados templos de Voduns afirma-se que Eowa é Nagô.
Yewa é simbolizada pelos raios brancos do sol, da neve, o sumo branco das folhas,
o branco do arco-íris, os espermatozóides, a saliva e, ainda, o rio Yewa e a lagoa do
mesmo nome. Oriṣạ dos astros, guerreira valente, é também a Oriṣạ das florestas. É
uma Santa muito difícil de aparecer no Brasil, ela requer muita consciência. Não roda
na cabeça de homem.
Yewá é uma bela virgem que entregou seu corpo jovem a Ṣàngó, marido de Oya,
despertando a ira da rainha dos raios. Yewá refugiou-se nas matas inalcançáveis,
sob a proteção de Oṣóòssi, e tornou-se guerreira valente e caçadora abilidosa.
Conseguiu frustrar a vingança de Oyá, afastou de si a morte certa.
As virgens contam com a proteção de Yewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta
com a sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se po-
de nadar ou navegar. A própria Yewá acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mu-
lheres vírgens, pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lá-
bios de mel.
Yewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe
concedeu.
Yewá foi uma cobra muito má e por isso foi mandada embora. Acabou encontrando
abrigo entre os Yorubás, que a transformaram em uma cobra boa e bela, --A metade

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JOGO DE BÚZIOS
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feminina de Oṣumaré. Por esse motivo, Oṣumaré e Yewá, em qualquer ocasião,


dançam juntos.

LENDA

... a Vingança

Era mais que o medo... era o medo...


Era a noite, na noite do medo...
Era o vento, era a chuva, era o céu, era o mar...
Era a vingança de Iansã... Eparrei!
Assustava o escuro da noite e assustava a luz azulada dos raios...
O silêncio se ouvia da noite nos pés medrosos que corriam sobre as poças de água
na areia batida.
Até o silêncio fugia do rugido do trovão...
Era o medo, era mais do que medo de Yewa correndo com os pés descalços sobre
as poças de areia batida.
O mar lambia seus pés, querendo tragá-la por sua boca faminta de coisas vivas,
A noite engolia em sua goela escura e a vomitava no clarão dos raios...
A luz azulada de raios brilhando no corpo nu e úmido de Yewa...
Era mais do que medo.. era o medo...
Era Yansã que vingava seu amor traído...
Era a senhora dos ventos que zuniam nas cabeleiras histéricas das palmeiras...
Era o céu que arregalava os olhos de fogo, procurava a fugitiva que corria sem onde
se esconder...
As risadas do trovão divertiam-se com o medo de YEWA... Ai YEWA...
Por que cedeste este corpo moço e belo ao seu rei Sàngó?... Ai YEWA...
Por que entregaste a maciez de teus seios e o mel de teu sexo ao esposo de Yan-
sã?...
Ai YEWA...
Não sabias que a ira de Iansã é maior do que o desejo de Ṣàngó?
Ai YEWA... Não sabias que a vingança de Iansã é a morte?...
Era o canto de morte que o vento cantava entre as cabeleiras histéricas das palmei-
ras... Corre YEWA... corre YEWA...
Fujas das praias que não podem te abrigar...
Fujas para as matas que talvez possam te abrigar...
Era a morte na espada de Iansã brilhando na luz dos raios
Era o raio... era a vingança... era a morte...
Mais se na mata consegue se esconder..
Pede ao rei de Keto, sua proteção... da fúria de Iansã... amparar...
Pede a Dada, a Deusa do sexo, sua ajuda... Ri Ro YEWA! Ai YEWA
Provaste que nem mesmo a Yansã consegui a sua vingança de morte...
Ri, da risada histérica da Iansã na garganta do céu...
No rugido do trovão... do lamento da Yansã...
A vingança não consumada... Eparrei! Ri Ro YEWA!!!

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JOGO DE BÚZIOS
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LOGUN EDÉ

"Erinlè teria tido, com Oxum Ipondá, um filho cha-


mado Lógunède (Logun Edé), cujo culto se faz ain-
da, mas raramente, em Ilexá, onde parece estar
em vias de extinção."
Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora
Corrupio"

"No Brasil, tanto na Bahia como no Rio de Janeiro,


Logun Edé tem, entretanto, numerosos adeptos.
Esse deus tem por particularidade viver seis meses
do ano sobre a terra, comendo caça, e os outros
seis meses, sob as águas de um rio, comendo peixe. Esse Deus, segundo se conta
na África, tem aversão por roupas vermelhas ou marrons. Nenhum dos seus adeptos
ousaria utilizar essas cores no seu vestuário. O azul-turquesa, entretanto, parece ter
sua aprovação. É sincretizado na Bahia com São Expedito."
"PAI CIDO DE ÒSUN EYIN(CANDOMBLÉ -A PANELA DO SEGREDO)"

Hoje, na Nigéria, a mais rica cidade chama-se Ilesa, e é a cidade de Logun Ede, que
para muitos é metade homem e metade mulher, o que não é verdade. Logun Ede é
um santo único, um Orixá rico que herdou tanto a beleza e agilidade do pai quanto a
beleza e riqueza da mãe. Em Ilesa, uma das cidades mais prósperas da África, en-
contra-se o palácio de Logun Ede.

LENDA

... o belo

Logun-Edé era filho de Oṣun e Oṣóòsi. Sem poder viver no palácio de Oṣun, foi cria-
do por Oyá na beira do rio. Oṣóòsi seu pai, era demasiado rude e não conseguia
conviver com o filho, sumindo por longo tempo em suas caçadas. Logun, afeiçoado
pela mãe, vez por outra ia ao palácio de Ṣàngó, onde Oṣun vivia. Logun vestia-se de
mulher pois, Ṣàngó era ciumento e não permitia a entrada de homens em sua mora-
da. Assim, Logun passava dias e dias vestido de mulher mas, na companhia de sua
mãe e das outras rainhas.

Um dia houve uma grande festa no Orun à qual todos os Oriṣa compareceram com
seus melhores trajes. Logun Edé, que vivia na beira do rio a caçar e pescar não pos-
suía trajes belos. Foi então que, vestiu-se com as roupas que Oṣun lhe dera para
disfarçar-se e com elas foi à grande recepção. Ao chegar, todos ficaram admirados
com a beleza de Logun Edé, e perguntavam: "Quem é esta formosura tão parecida
com Oṣun?". Ifá, muito curioso, chegou perto do rapaz e levantou o filá que cobria
seu rosto. Logun Edé ficou desesperado e saiu da festa correndo, com medo que
todos descobrissem sua farsa. Entrou na floresta correndo e foi avistado por Oṣóòsi
que o seguiu, sem reconhecê-lo, encantado com sua beleza. Logun Edé, de tanto

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JOGO DE BÚZIOS
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correr fugindo à perseguição do caçador, caiu cansado. Oṣóòsi então atirou-se sobre
ele e possuiu-o ali mesmo.

... amado por Oṣóòsi e Óṣum.

Estava Oṣóòsì o rei da caça a caminhar por um lindo bosque em companhia de sua
amada esposa Oṣun, dona da beleza da riqueza e portadora dos segredos da ma-
ternidade. Quando de seu passeio, foi avistado por Oṣun um lindo menino que esta-
va a beira do caminho a chorar, encontrando-se perdido, Oṣun de pronto agrado,
acolheu e amparou o garoto, onde surgiu nesse exato momento uma grande identifi-
cação, entre ele, Oṣun e Oṣóòsì.

Durante muitos anos Oṣun e Oṣóòsì, cuidaram e protegeram-lhe, sendo que, Oṣun
procurou durante todo esse tempo a mãe do menino, porém sem sucesso, resolveu
te-lo como próprio filho. O tempo foi passando e Oṣóòsì, vestiu o menino com roupas
de caça e ornamentou-o com pele de animais, proveniente de suas caçadas.

Ensinou a arte da caça, de como manejar e empunhar o arco e a flecha, ensinou os


princípios da confraternidade para com as pessoas e o dom do plantio e da colheita,
ensinou a ser audaz e a ter paciência, a arte e a leveza, a astúcia e a destreza, pro-
venientes de um verdadeiro caçador. Oṣun por sua vez, ensinou ao garoto o dom da
beleza, o dom da elegância e da vaidade, ensinou a arte da feitiçaria, o poder da se-
dução, a viver e sobreviver sobre o mundo das águas doces, ensinou seus segredos
e mistérios.

Foi batizado por sua mãe e por seu pai de Logun Edé, o príncipe das matas e o ca-
çador sobre as águas. Viveu durante anos sobre a proteção de pai e mãe, tornando-
se um só, aprendendo a ser homem justo e bondoso, herdando a riqueza de Oṣun e
a fartura de Oṣóòsì, adquirindo princípios de um e princípios de outro, tornando-se
herdeiro até nos dias de hoje de tudo que seu pai Oṣóòsì carrega e sua mãe Oṣun
leva.

YEMỌJA

Yemọja na Africa Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé ọmọ ejạ


("Mãe cujos filhos são peixes"), é o orixá dos Egbá, uma nação
Yorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde
existe ainda o rio Yemọja. As guerras entre nações Yoruba
levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá,
no início do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível
levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os
objetos sagrados e os suportes do aṣe da divindade Ogun rio
Ògùn, (ver mapa abaixo) que atravessa a região, tornou-se, a
partir de então, a nova morada de Yemọja. Este rio Ogun não
deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o deus do ferro e
dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos que es-
creveram sobre o assunto no fim do século passado.

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JOGO DE BÚZIOS
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O principal templo de Yemọja está localizado


em Ibará, um bairro de Abeokutá (ver mapa a
baixo). Os fiéis desta divindade vão todos os
anos buscar a água sagrada para lavar os aṣe,
não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos
seus afluentes, o rio Lakaxa. Essa água é reco-
lhida em jarras, transportada numa procissão
seguida por pessoas que carregam esculturas
de madeira (ère) e um conjunto de tambores. O
cortejo na volta vai saudar as pessoas importan-
tes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.

Yemọja seria a filha de Olokun, Deus em Benin, ou deusa, em Ifé, do mar. Numa das
histórias ela aparece casada pela primira vez com Orumilá, o Senhor das Adivinha-
ções, depois com Olofin, o Rei de Ifé. Com este último teve dez filhos, cujos nomes
enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Oriṣa.

Deusa das águas, mares e oceanos, esposa de Oṣalạ e mãe de todos os Oriṣa, é a
manifestação da procriação, da restauração, das emoções e símbolo da fecundida-
de. Yemọja: Ye-Omo-Yá_mãe de todos os peixes, que são seus filhos e estão conti-
dos em suas estranhas de água. Está associada ao poder genitor, a interioridade,
aos filhos contidos em si mesma.

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JOGO DE BÚZIOS
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Seu adedé (leque) simboliza a cabeça mestra. Ela


é muito bonita, vaidosa e dança com o obebé (es-
pelhinho) e pulseiras. Em alguns mitos ela é con-
siderada como sendo mulher de Oranyan, des-
cendente de Odùdùwa, fundador místico de Oyo,
de quem ela concebeu Ṣàngó (o Orixá patrono do
trovão e ancestral divino da dinastia dos Alafins,
reis de Oyo). Desta forma ela se vincula ao fogo, o
fogo aparece como uma interação de água e ar.
Na Nigéria ela é patrona da sociedade Geledes,
sociedade feminina ligada ao culto das Yamis, as
feiticeiras. No Rio de Janeiro, Santos e Porto Ale-
gre, o culto a Yemọja é muito intenso durante a
última noite do ano, quando centenas de milhares
de adeptos vão, cerca de meia noite, acender ve-
las ao longo das praias e jogar flores e presente
no mar.

Localização do Templo de Yemọja.

No Novo Mundo Yemọja é uma divindade mui-


to popular. Principalmente no Brasil e em Cu-
ba. Seu aṣẹ é assentado sobre pedras mari-
nhas e conchas, guardadas numa porcelana
azul.

O sábado é o dia da semana que lhe é consa-


grado, juntamente com outras divindades femi-
ninas. Seus adeptos usam colares de contas
de vidro transparentes e
vestem-se, de preferência, de azul-claro.

Diz-se na Bahia que há sete Iemanjás: Ie-


mowô, que na África é a mulher de Oxalá; Ia-
massê, mãe de Xangô; Euá (Yewa), rio que na
África corre paralelo ao rio Ògùn e que fre-
quentemente é confundido com Iemanjá em
certas lendas; Olossá, a lagoa africana na qual
deságuam os rios. Yemọja Ogunté, casada
com Ogum Alagbedé. Yemọja Assabá, ela é
manca e está sempre fiando algodão. Yemọja
Assessu, muito voluntariosa e respeitável,
mensageira de olokun.

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JOGO DE BÚZIOS
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Em Cuba, Lydia Cabrera dá sete nomes igualmente, especificando bem que apenas
uma Yemọja existe, à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar
onde ela se encontra.

LENDA

... indo para perto de seu pai.

Yemọja, conta uma das lendas, era "casada pela primeira vez com Orumilá, senhor
das adivinhações, depois com Olofin, rei de Ifé", cansada de sua permanência em
Ifé, fugiu em direção ao oeste. Outrora, Olokun lhe havia dado, por medida de pre-
caução, uma garrafa contendo um preparo, pois não se sabia o que poderia aconte-
cer amanhã, com a recomendação de quebrá-lo no chão em caso de extremo perigo.
E assim Yemọja foi instalar-se no entardecer da terra oeste. Olofin, Rei de Ifé, lançou
seu exército à procura de sua mulher. Cercada, Yemọja ao invés de se deixar pren-
der e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebi-
das. O criou-se o rio na mesma hora levando-a para Okun (o oceano), lugar de resi-
dência de Olokun, seu pai.

... simbolo de maternidade fecunda.

Ela é representada nas imagens com o aspecto de uma matrona, de seios volumo-
sos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir
seios mais que majestosos - ou somente um deles, segundo outra lenda - foi origem
de desentendimentos com seu marido, embora ela já o houvesse honestamente pre-
venido antes do casamento que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irô-
nica a esse respeito. Tudo ia muito bem e o casal vivia feliz. Uma noite, porém, o
marido havia se embriagado com vinho de palma e, não mais podendo controlar as
suas palavras, fez comentários sobre seu seio volumoso. Tomada de cólera, Iemanjá
bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olóòdun, co-
mo na lenda precedente.

NANÁ

"Esta é uma figura muito controvertida do panteão africa-


no.
Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de
seus maiores poderes, relegada a um segundo plano
amargo e sofrido, principalmente ressentido, Naná possui
não dois lados, como tantos Oriṣạ, mas sim um Oriṣạ
dentro do outro, um conceito que foi sendo gradativamen-
te substituído por outro, dando margem a muita confusão
e contestação no jeito de se defini-la.

Nanã, é um Oriṣạ feminino de origem daomeana, que foi


incorporado há séculos pela mitologia Yoruba, quando o

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povo nagô conquistou o povo do Daomé (atual República do Benin) , assimilando


sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabele-
cida.

Resumindo esse processo cultural, Oṣalạ (mito Yoruba ou nagô) continua sendo o
pai e quase todos os Oriṣạ. Yemọja (mito igualmente Yoruba) é a mãe de seus filhos
(nagô) e Naná (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se
questionando a paternidade de Oṣalạ sobre estes também, paternidade essa que
não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oṣalạ obviamente
não existia. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma
cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). “Tentou-se então
acertar essa cronologia com a colocação de Naná e o nascimento de seus filhos,
como fatos anteriores ao encontro de Oṣalạ e Yemọja."

Do livro Os Orixás, publicado pela Editora Três.

Registram-se 31 qualidades desta Yami Nla (Grande Mãe), sendo as mais conheci-
das: Nene Adjaosi, Sussure e Buruku.

LENDA

... praga ao velho rei.

Naná era considerada como a grande justiceira. Qualquer problema que ocorria em
seu reino, os habitantes a procuravam para ser a juíza das causas. No entanto, Naná
era conhecida como aquela que sempre castigava mais os homens, perdoando as
mulheres.

Naná possuía um jardim em seu palácio onde havia um quarto para o eguns, que
eram comandados por ela. Se alguma mulher reclamava do marido, Naná mandava
prendê-lo chamando os eguns para assustá-lo, libertando o faltoso em seguida.
Oṣalufon sabedor das atitudes da velha Naná resolveu visitá-la. Chegou a seu palá-
cio faminto e pediu a Naná que lhe preparasse um suco com igbins. Oṣalufon muito
sabido fez Naná beber dele, acalmando-a e a cada dia que passava ela gostava
mais do velho rei.

Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos do velho, até que um dia levou-o a
seu jardim secreto, mostrando-lhe como controlava os eguns. Na ausência de Naná,
Oṣalufon vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns, chamando-os exatamente co-
mo Naná fazia, ordenando-lhes que deveriam obedecer a partir dali somente ao ho-
mem que vivia na casa da rainha. Em seu retorno Naná tomou conhecimento do fato
ficando zangada com o velho rei. Foi então que rogou uma praga no velho rei que a
partir dali nunca mais usaria vestes masculinas. Por isso até hoje Oṣalufon veste-se
com saia cumprida e cobre o rosto como as deusas rainhas.

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JOGO DE BÚZIOS
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OṢOGUIAN

É o filho de Oṣàlufan, considerado o Oṣalá novo, aquele que


carrega a espada e o escudo e é muito confundido com Ògún
e não perde uma oportunidade de lutar contra OMOLÚ ou
SÀNGÓ. Por ser um Oriṣạ Fun Fun (branco), ele é muito
guerreiro. É o único que tem autorização de enfeitar seus co-
lares brancos com as pedras azuis, chamadas de SEGUY, e
suas roupas brancas podem, às vezes, levar uma franja ver-
melha. Está ligado ao culto de ÌRÓKÒ e dos espíritos, assim
como a fertilidade e o culto dos inhames. É pai de ÒṢÓÒSÌ
INLÉ, come com ÒGÚN JÀ, ÒṢÓÒSÌ INLÉ, AIRÀ, ÈṢÙ, OYA
e ONÌRA. Tem muito fundamento com OYA, pois é o dono do
ATORI, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual
as pessoas de GUIAN devem agradar muito a OYA. Vem pe-
los caminhos de ONIRA. Tem ligação com ÈṢÙ. Seus filhos devem evitar brigas,
confusões e mentiras, principalmente, não devem enganar ÒGÚN ou aos seus filhos,
pois será castigado sem dó. Não devem comer ôvo frito para não esquentar o Òrìṣạ,
cachaça, sal e dendê. É um Òrìṣạ muito perigoso.

É também um Òrìṣạ enganador, porque sempre mostra as duas faces: a guerra e a


paz. Oṣoguian é considerado um Oriṣạ de alimentos branco (inhame-inṣu), mas ele
também esconde o lado vermelho da espiritualidade. É muito arteiro, muito teimoso,
engana até a morte. Traz no seu bojo um grande carrego espiritual e os bạbàloriṣạ
têm que ter bastante cuidado para cultivá-lo, justamente pelas duas faces que tem.

É considerado o Santo das derrotas, das lutas, das batalhas, das guerras, mas tam-
bém considerado um Oriṣạ que trás muita vitória quando resolve vencer sua deman-
da.

Qualidades: ORANDIAN, OṢANDIAN, OṢANDIN, OṢANIN e OṢAMIN.

LENDA

... comedor-de-inhame-pilado.

Òṣoguian não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí se tor-
nou Elejigbô (Rei de Ejigbô). Òṣoguian tinha uma grande paixão por inhame pilado,
comida que os Yorubạ chamam Iyan. Elejigbô comia deste Iyan a todo o momento;
comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo duran-
te a noite, se sentisse vazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida, era
sempre Iyan que devia ser-lhe servido. Chegou ao ponto de inventar o pilão para que
fosse preparado seu prato predileto!

Impressionados pela sua mania, os outros oriṣạ deram-lhe um cognome: Oṣoguian,


que significa "Oriṣạ-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado.

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JOGO DE BÚZIOS
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Awoledjê, seu companheiro, era babạlaô, um grande adivinho, que o aconselhava no


que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oṣoguian oferecer:
dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas
galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante;
duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele se-
guisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta,
tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos
habitantes. Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-
se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era rodeada de muralhas com
fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e
saídas. Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe,
compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa
entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores.

Quando se falava dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito.
Era a expressão Kabiyesi, isto é, Sua Majestade, que deveria ser empregada. Ao
cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de
seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu,
familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do
forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que
impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cru-
elmente jogaram-no na cadeia.

Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Du-
rante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, às mulheres não tiveram mais filhos e
os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babạlaô
para remediar esta triste situação. "Kabiyesi, toda esta infelicidade é conseqüência
da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo, Kabiyesi! É preciso
obter o seu perdão!" Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no
fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que
esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse. "Muito bem! - respondeu-lhe. Eu
permito que a chuva caísse de novo, Oṣoguian, mas tem uma condição: Cada ano,
por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cor-
tar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos,
deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou que-
brem-se". Desde então, todos os anos, no fim da seca, os habitantes de dois bairros
de Ejigbô, aqueles de Iṣạlê Oṣolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia,
em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair. A lem-
brança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva, tanbém,
na Bahia. Por ocasião das cerimônias em louvor a Oṣoguian, as pessoas batem-se
umas nas outras, com leves golpes de vareta... e recebem, em seguida, uma porção
de inhame pilado, enquanto Oṣoguian vem dançar com energia, trazendo uma mão
de pilão, símbolo das preferências gastronômicas do Oriṣạ "Comedor-de-inhame-
pilado." Eṣê ê! Babạ Eṣê ê!

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JOGO DE BÚZIOS
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OṢALUFON

Este episódio da vida de Oṣalufon é comemorado, a cada


ano, em todos os terreiros de candomblé da Bahia, no dia
da "Água de Oṣalạ" - quando todo mundo veste-se de bran-
co e vai buscar água em silêncio, para lavar os axés, obje-
tos sagrados de Oṣalạ.

LENDA

... Oṣalạ e Eṣu.

Certa vez, quando os Oriṣạ estavam reunidos, Oṣalạ deu um tapa em Eṣu e o jogou
no chão todo machucado; mas no mesmo instante Eṣu se levantou, já curado. Então
Oṣalạ bateu em sua cabeça e Eṣu ficou anão; mas se sacudiu e voltou ao normal.
Depois Oṣalạ sacudiu a cabeça de Eṣu e ela ficou enorme; mas Eṣu esfregou a ca-
beça com as mãos e ela ficou normal. A luta continuou, até que Eṣu tirou da própria
cabeça uma cabacinha; dela saiu uma fumaça branca que tirou as cores de Oṣalạ.
Oṣalạ se esfregou, como Eṣu fizera, mas não voltou ao normal; então, tirou da cabe-
ça o próprio aṣẹ e soprou-o sobre Eṣu, que ficou dócil e lhe entregou a cabaça, que
Oṣalạ usa para fazer os brancos.

... Yemọnja sua esposa.

Yemọnja, a filha de Olokun, foi escolhida por Olorum para ser a mãe dos Oriṣạ. Co-
mo ela era muito bonita, todos a queriam para esposa; então, o pai foi perguntar a
Orunmilá com quem ela deveria casar. Orunmilá mandou que ele entregasse um ca-
jado de madeira a cada pretendente; depois, eles deveriam passar a noite dormindo
sobre uma pedra, segurando o cajado para que ninguém pudesse pegá-lo.

Na manhã seguinte, o homem cujo cajado estivesse florido seria o escolhido por
Orunmilá para marido de Yemọnja. Os candidatos assim fizeram; no dia seguinte, o
cajado de Oṣalạ estava coberto de flores brancas, e assim ele se tornou pai dos
Oriṣạ.

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JOGO DE BÚZIOS
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BLIBLIOGRAFIA.

http://www.lendas.orixas.nom.br/

http://ocandomble.wordpress.com/2008/05/06/odus-mensagens-dos-orixas/

http://www.candomble.i8.com/Odus.htm

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