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Equipe tlt uf.JW IHmumpo)

Ali.l n Jnncs. Ana Yu mi K.ijik1, Arrur Remo. llíb iJ na

1<1111 Do ri;l, Lcon:lrd o E• Lri. M:Hleni.: U.1p1h.t.l,

Leme. fJu,~f<, !Vforqucs El•me R.rno>. Gud le rorio. lvarn Olh'l:i r:i. M.111tício [}Jrhos.t . R~nam Soares . 11,~,is U:arros. 1\ 1l io C:mdiotto

Clr-BRi\SIL C

\TAl.OGAÇÃO

NA PUBLICAÇAO

SINDICATO NACIONAL DOS EDITO RES DE LIVROS. RJ

G29

Gtnc:ro e cnba lho no füJ.s1l e 11.l Fnn :ri: pcr>pauv~ im ct$Cctíon~i~I orb"a.nizaçio Ali«:

Rangel de Poív> Abreu . Hdeni Hirori . Mona Ro1.1 Lombordí : 1raduç:lo O.rol de rauli. • 1. cd. ·São P2ulo: Boi1cmpo. 2016.

(Mundo do mh;,Jho)

Inclui bibliografi1 Tu duç:lo de alguns orrigus

ISBN 978-85·7559-489-6

1. Sociologi2. 2. Sociologi• do cnbalhu. J. Compomm enro org•niucion>l.

1. Alice

 

Rangel de p.,;,

Abreu. li. H<l<n• Hima. li. M.ltfa Rou Lombudi. Ili. Série.

 

16-3235G

C J) D: 301

 

CDU: 31 6

 

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vcd2da a reprodução dr

qul.lqucr p•u~Jc,,tc liHo sem~<"XP~ :1u1oriução

d1 cdiror;a.

 

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tr.ldu ~ o d os t cxto.s origin:almtmc l"SCrh

o:!I cm fotnci~ e :i r cvis.J.o <lc C) lif o d o s caplt ulo> Jcst.1

obra for;im possfr d s guç.l '

ao

npoin recxbido da S«rc 1>rfa d e Polí 1i<a J>J ro as Mulher« d o Gove rno

Fe<kral (Convê n io S PM ·CEDRlll ' 0205 13/20 14)

J• <-<liçjo: junho d< Wl6

l!OITE:v!PO EDITO IUAL

Jinki nµs Ed itnr,•,, ,\$.$•Jd adus Lt dJ.

Ru :a Pcn:1r;J Leht"• .} 7]

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SUMÁRIO

PREFACIO

AGRADECIMEl'\TOS

JNT RODUÇÁO

9

11

13

PARTE!: ENTRECRUZAR

O

c uidado e a imbncaçao

·

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AS DESIG UALDAD ES

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as re açocs soc1

1

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2

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Danii!le Kergoat

Sociologia e nacurcza: casses. raças e sexos

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Amo11io Sérgio A. Guimarães

Transformações neoliberais do crabalho das mulheres: liberação o u n ovas fo rm as d e apropriação?

4

Jules Fa/quet

.

.

Carinho, limpaa e cuidado: e.xperiências de migranccs bras1lc1ras

Adrinnn Pisciulli

17

27

37

47

PARTE 11: MEDIR AS DES IGUALDADES

5

Como contar o trabalho das mulheres? França, 1901 -20 11

 

Margam Mnma11i e Monique Mero11

 

6

Merca ntili 7 .ação d o trabalho das

no fe minino: a visib ilidade mulhe res no Brasil

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·

Nad)·n Arartjo Guimnrdes

e M urillo Manch11er Alves de Briro

 

7

O salário das mulheres na França no século XXJ:

 

ainda um quarto a menos

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R11chrl Silvem

8

Assimetrias de gênero no mercado de trabalho no Br:isil:

 

rumos da formalização

··········································································

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Lmn Lnvinas, Ann Cnroli11n Cordilha e Gabriela Freiras dn Crnz

59 71 83 93 Lmn Lnvinas, Ann Cnroli11n Cordilha e Gabriela Freiras dn Crnz
20 POLÍTICA DA PRESENÇA As questões temporais e sexuadas do cuidado Mttrc Bessi11 1 i

20

POLÍTICA DA PRESENÇA

As questões temporais e sexuadas do cuidado

Mttrc Bessi11

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Este texco sugere que as abordagens do cuidado podem enriquecer as problemáticas

das polícicas sociais e da solidariedade. Esras se mantiveram bastante refratárias à questáo do gênero e são frequentemente aprcsenradas como inconciliáveis com a pro- blemácica do cuidado. Gosraria de moscrar que é urgente arricular cuidado e Esrado social. O conceico de presenças sociais propõe justamente politizar o cuidado para

·destacar os problemas polícicos esrreiramenre relacionados da sexuaçáo e da tempo- ralizaçáo. Recomando-se a clássica problematizaçiio das relações sociais de sexo sobre

a disponibilidade remporal, pode-se na verdade: dizer que as temporalidades estão

na base do gênero. Es renderei a afirmação para a questão da idade, que convém ser

pensada de forma mais sisremárica nos deb:ltes sob re a inrerseccionalidade das relações

sociais, sendo pertinenre integrá-la ranro quanro a classe social, o gênero ou a raça . A crajetória de vida, nesse conrexco, deve ser pensada como um processo de expecrativa

e circulação do cuidado. Desenvol verei, em seguida, o conceito de presenças sociais, definindo-o, mostrando seus aportes e o que ele induz como concepção da solidarie- dade, a fim de repensar o Esrado social, uma vez que continua urgente inscrever as críticas feminisras nas políticas públicas, com vistas~ renovação destas.

236 G(mero e (ra/Jnlllo 111.> Hrnsil f' rw Fra11co

A temporalidade na base do gênero

As qucs rôcs temporais são centrais paw a~obras que renovaram a sociologia d o uaba_-

lho por me io d as problemáticas d :is relaçõc. sociais de sexo. ~ livro Le fexe ~11tralldtl

p ro<l uçao/repro-

de 1980 fonaleceu e sistematizou as

afümaçóes fem inistas elaboradas na linhJ de Ch risc in c Delphy ( 1998; 20~1)sobre o traba1ho doméstico. No fundo, g rande pane dos csrudos sobre cuidado inscreve-se nesse ramo, estendendo e afinando as prob lemárir,is, especialmente sob re as questões morais, e a malizan do, com a ajuda de cada ve·1, mais es tudos empíricos , as afirmações

mu lheres . Desse modo.

(Barrerc-Maurisson e t ai., 1984) . escriro cm corno do conceiro d e

dução, ilu s tra isso. Essa conceiru:u;fo d.1década

sobre a in visibilização da atividade soc ialmente atr ibuída às

o cuidado reserva às temporalid ades um papel primordial .

O tempo dominante: c ronos

ar iv idade , duas d im en -

sões do tempo são mobili zada s . A pr im t'ira, dom inante , é a ~o tempo do r _elóg io

un iversal e material , raciona l, linear e quanritativo, que permite

gem comum, embo ra se rrate de uma fcrramema de n_1ediçáo que não é neuua. Essa dimensão cronol6gica remete a um tempo masc ulrno, pensado com base na experiê ncia dos dominanres . Ela co nrinua essencial para objetivar as desigualdades , 110 mínimo contabilizando o temp o de trabalho, doméstico ou pago. Sendo eficaz

Nessas mane i ras de abordar as temp or.1l idades se xu adas da

fa la r uma lingua-

em uma sociedad e marcada pelo espírito gestíonário (Ogien, 1995), ela oferece um quadro prático e universalizante da ati,•idadc, cada vez mais adaprado aos desafios

da globalização.

Kairós e a experiência temporal dm mulheres

Essa dimensão dominante do tempo não é sarisfatória, porém, para explica r e, prin - cipalmente, tomar inteligível a atividade, em parti cular a atividade do cuidad~:A

abordagem contábil do cronos

cia ordi n ária das mulheres e, mais amplamente, a dos subalternos. O argumento da disp o ni b ilidade cemporal (Ba rrer e-Ma u r i s son et al., 1984; Cha~a ~d -R ych te.r: Fo~­ geyrollas-Schwebel e Sonrhonnax, l 985) pcrmiriu mostrar se~st:1~1tes,e a u.t1l~zaçao d e pesquisas sobre uso do tempo ilustram isso. Embora seja uni para objetivar a atividade e sua distribuição diferenciada, o mérodo é inadequado para descrever a experiência da atividade, sobretudo a das m ulhe res, em s ua dimensão moral'-. El_e não

pode c on ceber a complexidad e do tra b a l h o , a interpene.rraçáo ~~ tempos pu~licos e

não é capaz de ap reender compleramenre a expenen-

privadcxs , a mobi1ização da s dim e n sões subjetivas e morais n~ a_n,v1d~dc profi ss 1on a1, a capac idade d e se e nvo l ver profissionalmente e ma nter uma v1g1la~c~apermanenre e_m

corno de si, garantindo a própria presença em ourras esferas de atividade, em espec ial

Para i.t 11 a crítica d e maior fôlego sobre os linmcs das pesquisas sobre o uso do rempo d iante das

arivid :dcs de cuidado, ver Lega rreta (2009}.

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Política ela presença

237

a fu m ilia r e a dom ésdca 1 . M uiro mais que a "dupla jornada de trabalho", denunciada

movimentos fem inistas por meio dessa formulaçã o contábil, a expe riê nc ia tem-

poral das mulhe res no trabalho consiste em urna "v ida em duas", que se administra

uma "dupl a presença" ( Ba lbo, 1978) . A noção de presença

é aq ui part ic ularmente

responsab ilidad e temporais - as d uas princ ipais ca racterísticas das remporalidades da experiência das mu lh eres na d ivisão social e sexual do trabalho.

As mu lheres são responsáveis pela sincronização e pela gestão co tidi a na dos rir-

mos remporais de rodos os membros próx imos da fa m íl ia, co loca ndo -se assim cm uma disponibilidade temporal permane nte. É um a relação de rcmpo baseada na

a ntecip ação e na cons ideração do ourro (e de sua rempora lidade) que as consrró i

ass im. É possível expressar isso por meio de uma segunda d imensão de tempo: a da

inte ração, da antecipação e do julgamento, uma concepção kairológica que permite apreender a ação enquanto ela se passa, em rodas as suas d imensões qua lirarivas. O momento oporruno (kairós) para agir não é program ado com antecedência (auros-

sufic iente como cronos), m as

os p ro ragonisras, as normas e os valores nela envolvidos, a lém.das conseq uências q ue

a ação imp lica. Tal momemo está ligado à rel:içáo com o outro, à anrecipação da responsabilidade, semp re co nd icion ad o pela disponibilidade. Nesse sentido, alé m da proxi midade fo nét ica fortuita *, o cu id ado relacio na-se ao kairós, que se abre às

fr u to de um julgamento e m situação que leva em co 1Ha

aprop riada para se re fe rir ra nro à dispo nibilidade como à

pelos

( Haicaul t, 1984) como

d imensões morais do tempo . Mais próxim o da rárica q ue da estratégi a, do raro e da asrúcia que da programação e da imposição, esse tempo kairológico permite descrever melhor a ação, sobretudo dos dom inados: po is essa temporalidade afasta-se de uma

conce p ção d e

emp rego do

cempo na qual as ativi dades sáo di stribu ída s p ara en fatiza r

a

prática, que

é produrora

das relações

d e poder.

A relação social que hierarquiza os papéis sexuados por naturalização, invisi bili- zação e pela soc ialização q ue formara home ns e mu lhe res escá no âmbiro do siste m a de gênero baseado em uma construção de relação com o tempo. Uma temporalidade fundada na relação com o outro e no compromisso de longo prazo participa da na-

ruralizaçáo das compccências "femininas" mais conseq ue ncialisras, principalme nte as

. · da a ntecipação e da res pon sabilidade. Pode-se, ass im, afi rmar que as temporalidades

estão na base do gênero.

Idade, trajetória de vida e cuidado

Essa cons ideração rem implicações pa ra a idade e a trajetória de vida. Os debates fe - m inistas sobre a imbricação das relações sociais giram esse ncialmenre em rorno de três

Nesse sentido , fu lar da disp ersão e dos compromissos mú ltip los no trabalho se m destacar as caractC·

rísticas de gênero (Datc hary, 20 1 l}, ou

invisibilidade das presenças no tra balho, mesmo recusando-se explic itamente a crat:tr do gênero ( Bider

e Schoeni, 20 1 1) , cudo isso consti rui uma negação caraccerística de uma interpretação apolícica e

restrita do pragmatismo.

A proximidade fonética a que o a utor se refere perde-se em ponuguês - trata-se da proximidade cnt re

k11irós e rare, tenno do ing lês uriliwdo na lfngw frances.1 p ara d enom in ar

fa lar, d e ma 11cira jusra, so bre a p roblemática da visibi lidade/

a ativi d ade d o cuid ado. (N. T. )

2::38

Gênero e frc1balllo no Hm~il e nn F'mnçn

delas: class e s ocial, raça e gênero. As rel:H,.õ1.:~ d~ idade são muica s veze s negligencia das

su a dimensão remporal, evi-

n.b concribuiçõcs

de nte, refo rce sua percinência. A idade t uma caregoria imbricada ao gênero, devido

também às expccrativas

sobn: a incersrccionalidade \ embora

de cuidado qm: cs trururam :i rra jeró ria de

vida.

A dimensão sex1111rla dn id,;de

Nfo fàlcam enrradas empíricas para ilustrar e~>a quesráo . A~ políric:tS públicas costu - mam mobilizar uma idade cronológi ca idênrica pa ra todos e rodas, criré ri o un iversal considerado democráti co e igu alirário. O exemplo das aposenradorias mo~rra, no enranro, que seu uso só reforça as d esigualdades de gênero, ao se considerarem as carreiras profissionais fragmencadas das mulheres. A diferenciação sexuada dos calendários pr ivados rcmere a es~a problem <Íric:i remporal generificada . O avanço da idade e a experiên cia do envclhecimenco ~ão em inenremenre de gênero (d iz-se que os homens amadurecem c que as mulheres envelhecem) e, comando um aspec- ro ocu lrado pelas ciências sociais do cnvel hec imenco, o da sex ualidade, é fo rçoso consrarar a que ponro gênero e idade e~ráo imbricados (Bessin e Blidon, 2011). As regras de o rganização cruzada das idades e dos sexos lembram t ambé m que são as mulheres que ficam velhas e viúvas. O exemplo das idades-limice para consriruir

mostra a eficácia da namra lizaçáo das diferen-

ças sobre a q ua l repousa a ordem do gênero, e sua sociologia permice resci cuir as lógicas biográficas e sociais (Bcssin e Lcv ilain, 2012) . As pesquisas sobre o início

da sex ualid ad e co nfirm am que a idade não sig nifi ca nada sem a especificação do gênero e que a inculcação das relações de rempo é consriruriva dessas diferença s. As meninas são mais respo nsabi lizadas e inscrevem suas relações no longo prazo, ou pelo menos rêm uma relação mais temporalizada com o amor e a sexualidade,

que os men in os enquadram se us primeiros a mo res e "primeiras vezes"

ao passo

mais em urna lógica de prazer e consumo imediato (Bozon, 2009). Seria possível mulciplicar aqui as enrradas, mas, concrecamence, res ulca do siscema de gênero que uma mulher e um homem não renham as mesmas perspectivas na mesma idade. E

seria paradoxal levar a sério o argumenro fisiológico e universal do avanço da idade,

n aruralizaçáo d as ca regorias é polícica e que a biologia

em esrado puro não exisre. Os sexos são consrruídos pelo gênero, porranro, pelas remporalidades, aré em sua materialidade. A expecraciva de vida mais longa das mu- lheres rambém não está ligada à socialização diferenciada no que se refere ao risco, à prevenção, à responsabilidade, às consequéncias dos aros? Uma relação remporal baseada na conrinuidade, na anrecipaçáo, na disponib ilid ade, na ate nção ao lon -

q u a ndo já se sabe quanco a

família e da pa renralid ade rardia

go prazo e na relação com o outro contribui para prolongar o rempo de vida das mulheres.

' Em algumas sínteses reccnrcs em língua francesa sobre gcnero, embora a problcm:ídca da intersec- cionalidade entre diferentes relaç~ sociais Je poder (cl:isse. género, raç:a) seja 1mada - de maneira

cencral (Bcre ni cc ai., 2008; C lair, 20 12) ou ne m ranro (Pfefferkorn, 2012; Guionnet e Neveu. 2009)- ,

a :mieuiação das relações d e género

e idade nu 11c:a é mencionada.

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Po/Wca da w esença

239

A idade na imbricação dtu relações socinis

Os rrabalhos sobre gênero e envclhecimenco (Arber e Ginn

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199)-)

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esna-

r~ira_rzar a 1 a e, co mo se des narural iza o sexo, fragme nrand o a idade em muiros significados q~e_dev~ms_er concebidos à luz das diferenciações sexuadas. Convém, ~~lolme~os,d1snngu1r a idade cronológica - rradicionalmenre considerada uma va- nave urnversal, :1eurra e d~mocrárica- das posições relacionais na t rajerória de vida

que respondem as _expecrar~vas~ancecipações, forremence sexuadas . Excluir a idade

do s debates so bre 111rersecc1onalidade por causa do carárer

- P~~ u~ nao sen~_neg 1genc1ar a d111amic a do mundo social,

fix1sra. !"s mobilidade~d e c~asseou sexo colocam sob ouc ra lu z as rel ações de poder

produzidas po: :ssas m~aço~s.A experiência biográfica, que permire experimenrar

o le~uede pos1~oesrelanvas a relação socia l de idade, escla rece 0 modo como esra se realiza em funçao de ourras relações sociais.

sugerem

móvel d

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,

as c asses que e a resignando-se à sua visão

A tmjetória de vida: um sistema de expecratit1m e nmecipnçóes de cuidndo

A_ craj e córi_a de vida é sexuada porque se trata rambém de expeccarivas e ancecipa- ç°-es d_e cUJdado . ~ormaradapor p rocessos biológicos fo rremenrc adaprados _ para ·

- por lo' g· 1cas sociais, · · e 1 a consr1tu1-se · de fases mais ou me- ·

os a

cn~nças,1 osos, d~cnresou deficienres envolvem atividades sob uma remporalidade s_oc'.almence assoc iada ao femi ni no. Mas essa co nsrrução sexu ada das idades não se lim 1ra a algumas erapas críricas, pois a inrerdependência enrre as pessoas, desracada pela~ ~bo rdage_n~ do cui dad o, propaga por roda a exiscência as impl i cações morai s ~ pra~t~as ~e a~1v1dades ~ara os outros. Esp era-se da s mulh eres essas presenças inter e 111cra0 crac1ona1s em demmenro de suas carreiras profissionais.

nao dn:er construidos

.

nos caracrenzadas pe la necessidade imperi osa de cuidados Aq

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ue [ es a d m1111srra ·

d

As presenças sociai s: eleme ntos

O co nceito d e prese nça nas abordagens do cuid ado desr·aca d " s 'd

de definição

e a1 a, essa coco ns-

o genero e das temporalidades na preocupação com 0 outro e nas arividades

_Mas cal conceico não press upõ e a cemporalizaçáo si ste márica nas

~n~1dadesde cuidado : algumas resposras dadas às necessidades dos ourros podem lmmar-se_ao presente, enqu~nc.oo~crasvão além. Desse modo, ele abre a possibilidade

~e ~m C~1~ado p~csrado a d1:'.ancia, de um a presença d e ausenres: as pre se nças não se l1.m1c,am a tnreraç_ao, e as polmcas sociais podcm delas parcicipar. O conceiro cambém

naz a luz as censoes do cuid ado enrrc benevolência e vig ilância.

-

rruç_ao

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d~d~cadasa ele.

As dinâmicas tempomis do cuidado

O

~u.idad~ é um ~roc:sso remporal. A trajerória de vida é uma sucessão de períodos

m~unç~o e o~ngaçao, d e ex p eccarivas por c uidad o e d e atr ibuiç ão de c uidado s, de -

cons1 eraçao os dispositivos culturais e políricos

e

de

anrec1paçoes e a1usramcnros das necessidades e das resposcas ' a elas · Nessa

d"

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d

marrnca

os

d·~

1 erenres proragoniscas do cu idado,

para encarrega r-se das rarcfas rém seu luc:rar tanro em rermos de d"

o

·

1reiros · como

d

240 Gênero e trabalho 1to

Bru s tr e nn f')«111rr.

atos práticos administrados por p rohs\lon,1b do cu idad o. Assim, enconrra-se nes~c~

Polílica ela presença

241

Os usos profi ssionais e incclecruais rambe m iluminam o potencial heu ríscico dessa

diferences níveis uma lógica

de n:ci pro <

id.1de

,10 longo do cempo. de acord o com o

noção . ma.rcad~ pe~a :e nom enologia. A presença é uma no ção-chave de alguns es por -

princípio de que roda pessoa

é

vulnerável : rodo mundo

teve urna necessidade impera-

tes (capoei ra, a1qu 1do) e profissões (osceopa ra, psicomocricisra) relacionados com a

tiva de cuidado na infância e

a

ela voltar:\

11a d o ença ou

na velhice. A obr igação m oral

h

a rmon ia do co rpo. A e n fe rmagem, e m sua re ncativa de co nstru ir um conheci m ento

daí res ulcante desenha os compromissos pessoais para o apoio e para os cuidados do oucro, atribuídos às mulheres . O pa1adi g 111a elo dom subja1. às implicações cemporai s

acadêmico p róprio, remessa noção como um d e seus conce it os centrais~.As c iê n cias da informação e da co municação desenvolveram uma "teo ria da presença social"

1

do cu idado, sendo cemrais a c ircul ação e .i reciprocidade adiada. Mas essas croca~ crabalhadas pelo rempo forcalecem .1s rd.i.;õc~~ociais.As presenças inrergeracionais :idvêm desse sistema de deveres e obrigaçócs induzidos pelas lógicas filiais, com um

em in e nte ca ráter de

(Weber; Gojard e Gramain. 2003; Naroc,ky, 2004). Encontra-se esse inegável carárer cemporal do cuidado nos movimentos m1gracó- rios indU1.idos por de. A cadeia do cuidado globalizado revela as relações sociais de

raça implicadas n a ci r culaçfo de afcro~ q ue .1

movimenrações do cuidado susciram inúmeros regiscros de compromenmenco aferivo e a poio emre as famílias rransnacionai s fratu radas que gerenciam a ~usênciade amb~s os la d os (Baldassar e Me rla, 2013). Quaisquer que sejam as modal idades desse rcg1s- rro (e nvio d e dinh eiro, telefonemas, co nve rsas via Sk·ype, evenrna is reco rnos etc.), as mu l heres pobres que migram para cuidar de crianças ou idosos mais r icos, em vez de sofrer uma dupla ausência (Sayad, 1999), mantêm assim um a oucra dupla presença. Joan Tronro (1993) descreveu magiscralmenre o caráter processual do cuidad~com suas diferences fases, morais e práticas, partindo do reconhecimenco de uma necessidade, passando pelas soluções implemenradas - sua execução prácica - e chega.:1do à sua re- cepção . O r empo do c u i d ado não é um rccipience abscraro, mas um conceu~o conc~e~o que inclui as a ce n ções,'as a nc ecipações, o caco, ram o q u a n co se u s aspec cos mai s ma ce~1~1s, a ré mesmo no crabalho sujo. Sempre discrero e invisibi lizado , ele vincula-se ao kfllros.

el a subjaz ( Hochschild'. 1983 ) . Es_sas

g~nero, corno m o~ cr.1m r r abalhos

de an tropologia econômica

.

.

Os 11.sos da presença

No senso comum, a noção de presença expr<!ssa-se em cermos práticos e morais, daí

sua pertinên cia para tratar do cuidado. Mas não se especifica o ceor ou a imensidade

d o e nvolvime nto

comrá rio, u m forte envolvime nto . Ass im, necessidades das pessoas q ue estão sendo

ajudadas ou cuidadas, seja por meio de uma ajuda muico concrera ou de um conforto

moral . Essa noção pode dcscaca r uma autori d a de ( um acor que

no palco) . Também pode descrever um escado de espíri~o,uma acmosfera (sen~ir uma presença) na q ual intervêm entidades protetoras ou as vezes a~eaçadoras,nao

misté rio mu itas vezes rem ece ao reg1sc ro d as crenças

claramente ide nti fica d as . Esse

m e cimem o (fin g i r u ma presença) ou. ao "garantir uma p resença" é responde r às

na a tividade mencionada. Ela pode sugerir um relativo descompro -

cem uma presen ~a

ou , m ais clarameme, à rel igiáo 4 . A presença de Deus, que escá cm roda parce, mesmo que nun ca visível, ao mesmo tempo coage e prorege os crentes.

As obras franccs:u cm c ujo cimlo cnconirn-~eo term o "pn:sença" pertencem majoric:iriamenic ao

campo espiritual ou religioso.

e comunicação que

ci_rculam nas interações a disrância (ser mai s ou menos presente nos conracos relefõ- nicos)6. O desen.volvimenro das recnol ogias da com unicação oferece muiras oporruni- dades para mod ificar a relação na disrãncia e na ausência. A domócica, a relemedicina

e o ensino a di stância desenvolvem prese nças a

d istância, mo d a lidades di versi fi ca d as

(~hort;\X/illi~mse Ch riscie, 1976) com indicadores de emoção

de

rrans m issáo moderna de c uidado qu e susc itam im porra n tes conrrovérsias écicas.

O

t el efonema fre~ u~ ntc pa r a saber de um ido so solitário pode ser subsriwído por

1

l

um bracelete elerron1co que rranquilize a família e permita, ao mesmo tempo, evitar essa atenção cotidiana?

.A ambivalência dessa noção, semclhanre à do cuidado, pode ser ilustrada nos

dois se rores profiss ion a is que mais a mobi liza m. O p ri m eiro deles, o trabalho social, desen volve "profissões de p rese nça socia l", para q ue a lg uns ba irros, po r exem pl o, possam co nta~ com atores d isponíve i s e pronros a i nrerv ir. O seg un do, 0 seror de segurança, .n:a1s amplan:ente os de vigilância e policiamenro, multiplica a presença hum_ªºª. (v1?1as) o u técnica (câmeras) . A eficácia da rerórica da presença joga com 3

a mbtvalenc1a do termo, emre proceção e repressão. ?\la ve rdade, os dois secores são

atravessados por essa rensão própria das atividades de moniroramenro, entre "velar" e

"v.igi~ r", e ntr e ~enevolência e a b uso, enrre proc eçã o e p u n i ção ? . Em cermos de políri ca

p ublica, as reo n as de controle social in sisc ira m nessa re n sáo consrance das interve n ções do Escado. O conceito de econom ias morais (Fassin e t ai., 20 13) destaca essas ambi- val~ncias~ m as encontra seus limices , afastando-se das reorias do cuidado e negando

a d1mensao forrem e nce gen e rificada da tensão enrre

ordem do gênero (se vo lca rmos às lógicas remporais que contribuem para erigi - las).

proreger e punir, conscirutiva da

ElementoJ de definição da.s presença' sociais

O c.on ceito de p resenças socia is a limenra os esrud os d o cu idado

q uestões de sex uaçáo

da rensão das políricas públicas. Desse modo, ele ajudou a preencher uma lacuna

Assim, complemenra o das economias mora is, insisrindo nas

pela a nálise temp ora l.

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' Os conceitos de pmmu, rari11g pmmce, n1111i11g prrsmu c!C. s:ío centrai s em d ive rsos en saios reórico nas revistas de ciências d.1 enfermagem anglófo1us (Hcssel, 2009).

(o Essa mes m a prco c up.1ç,io po d e ser ob se r vada e m la prim1cr de.r abmus, de Lu c 13o h a n ski (2 00 7 ) , que CSluda as emoçóc~ 1ran sm ilidas a pris ioneiros em um corp111 de men sage n s difundidas p or rá d io em urna transmissão especializada.

Essas tensões de prescn_ças sociais l~mbram as ad~crténcias sobre o cuidado. que n:io tem ape n as um lado bom protetor, pois pode mu11as vezes dcsl1iar parn tiranias de dependência e até maus-tratos (Molinier, 2004).

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242 Gênero e trabalho 110 Brosil (' 110 Frn11("n

d as pesqu isas sob re o tr.1balho ~OLial. quc,liona ndo a ncg:i çáo do gê nero no secor

( Bessin. 2 00 8) . Uma so cio logia das presença~soc ia is pode, porta m o, ser de fini da

pe la de.rcririio e a nálise dns tnrl'jiis e prtit icr1.1 rlt· t1pYio e cuidado, sendo essas atividades

profis;io11ais ou leigas vistas como procesws (,1re11ção e esmu1, elnbomçáo e coordmnçáo, emoções e n(óes concrett1s, percepçúo e rercprtto .) e comiderad1u em suas dimensões ao

prouçáo e opressão, a pnrtir de seus

d1•safios de tn npomliznrão e s1•x11nrrio.

mesmo tempo morais e p rríticas, em ma temt10 entre

 

Co mo

a semiórica,

que q uesrio na o \cmi<lo c mergenre das simações ou experiê n-

cias

co m o

co n ceito de

presença. essa ~o.:iologi:i. por meio de u m a ab o rdage m cem po-

ra!, coloc.1 para os protagonistas das prc:.cn it.is a quescáo dos senri<los d as experiências

q ue- eles p ro po rcionam ou dos quais se bendiciam.

Os

en igmas fenomenológiro s das p resmça.1

qu e recebem ("ass um o

de mulh er"), são objeto de um a fo n e crítica de esquerda. Em essência, o cuidado não

se ria polírico: o cuidado seria pri vado , enquan to a polícica rracaria da coisa pública; o cuidado seria pessoal, ao passo que o político apreenderia o coletivo; o cuidado seria localizado, ao passo que o polírico adviria de considerações universais; o cuidado seria limirado ao presenre, ao passo que o polírico esrari a in sc rito na densidade do

rempo his rórico e uma dimensão ao

esses argumentos. Em primeiro lugar, a presença não se limita à inre raçáo e não remere apenas ao

privado. A circulação das emoções não es tá co ndicionada à proximidade. Existem

q ue se traduzem em ações a di stância,

outras formas de atenção, inclusi ve aquel as

como o trabalho de coordenação de cuidados a uma pessoa dependente. Além disso,

no longo prazo. Fala r d e presenças sociais - e, assim , conta r com mesmo rempo fe nome nológica e femini sra - permire res ponder a

As

a b orda g en s do cuid a do , para além das críticas ma c hi s ras

as presenças sociais são múltiplas e variad as , fo rnecidas por leigos ou profissionais, além de entidades não humanas. Pode-se considerar rambém, por extensão, que pre- sencas da sociedade (Pierre, 2009) sob a fo rma de d i reitos, garantias ou políticas pú-

bli~rêm re percussões subj e civas qu e d ão es re io às pes so as. É a ideia - desenvolvida

por Roberr Casrel (2003) - dos s uporres soc ia is, que fornecem a garanria de srarus

e a manurénçáo das identidades. É nesse sentido que o Estado social porta-se como

presença, por uma lógica de assis tên cia que redu z. as in certezas e a insegurança social

dos indivíduos, permitindo que eles se projetem ou se remporalizem.

Em segundo lugar, a presença não se limita ao presente. Ela não ilustra necessa- riameme o presenreismo e a sagração d a im edi a cic idade, caracteríscicas da crise con - temporânea do político (Harrog, 2003). Observar a presença consisre precisamente

cm analisar sua capacidade de a rricular "horizonres de cxpectariva" e "campos de

experiência" (Kosseleck, 1990). Essa é uma das principais preocupações dos feno-

menólogos: os aros da presença limicam-se ao p resence? Ou vão imediacamence para

o passado? Ou rêm a capacidade de que essa presença n o

presenre esteja no fururo?

Jacques Derrida, sobretudo, concede à presença um lugar imponanre em roda a sua obra, arriculando-a à ausência e recusando-se a limirá-la ao prcsence. Elaborando um

Política ela prt>sença

pensamento do rraço e d a csc rira, ele q uestio na a ide ia d essa presença pl e na, fundada n:i dete rm in ação do se r como prese nça . De aco rdo co m ele, é preci so. ao conrrário,

busca r a

uma es rruw ra de referê ncia gene rali zada". A

presença é sem pre tra balhada aquém e além do presem e; ela permanece na ausência ou na fa lra. In versamente, a p ró pria ausência é a travessada pela presençaK. Essa última c o n tribui ção do co ncei to mos tra s ua im portância do pomo de visca

concebe ndo-o como "uma fu

arriculaçáo biná ria presença/:iuséncia e d esconstruir a auwrid:ide do presenre,

nção em

das polícicas soc ia is e dos debates para renovar as sol idariedades. A caracterização

rempo ral do

argu menro que o opori a ao Esrado social, cujo objetivo consiste em preservar os ind ivíd uos d e um "viver dia a di a" (Cas rcl, 2003 ).

c uid ad o precisada pelas p rese nças socia is permirc, porra nro, refur a r o

Política da presença: repensar o Estado social

Rob err Castel , embora pouco receptivo ao gênero e um ramo avesso ao cuidado (Bessin , 2012), fo i um companhei ro do Mercado de Trabalho e Gênero (Marché du Travai! er Genre - Mage). Em nossos debares 9 , nos quais convergiam sob muiros po nros de vista sua noção de suporre social e a de presenças sociai s, sugeri-lhe que suas c ríricas do cu idad o (a da privatização em rorno da relação diádica e a do presenreis- mo) eram infundadas quando se inregra melhor as ques tões temporais e sexuadas do cuidado. Compartilho de seus receios quanro a uma responsabilização individual cada vez mais sinônima d e redução das proteções e exposições à precariedade, dianre das evoluções acuais das políticas sociais, sob o disfarce da ativação. Mas falar apenas em direitos e proteção não basta. Seria necessário observar presenças sociais inscritas cm um dispositivo que re nra articular essas garanrias com uma lógica de necessidade. As p resenças individuais não são superiores nessa conceituação. Elas ajustam-se a falcas , cada vez maiores di anre da crise das pro reções. M as a ideia durkheimian a de presença sicuada da sociedade'º evira uma concepção infernal de uma presença que tornaria cada um moralmente responsável pelo inforrúnio das pessoas, aceitando no âmbiro dos indivíduos, apesar das atrocidades que nos cercam, uma espécie de direito à ausên- cia permirido pelos sistemas sociais de proteção e assistência. De resto, quando esses sistem as falham , multiplicam-se os dilemas morais sobre nossas prese nças a garanrir. Nega-se frequencem ence ao cuidado a capacidade de produzir polícica, rão enraizada

Es;c movi mento p rod ut o r d e difc rcnÇJ> co1 resp onde à fa m osa pabvra diffenw re·. cnquanr o differrr signifia tanto "não ser idêntico" como "deixar para lll3iS tarde·. o substamh·o differmre esquece 3

tcmporalizaçáo, o prno, o deixar para depois. essa pe rda d e sentido" . "vi nd o im ed iatamen te

Para Derrida. diffemnu, ao cont rário, "viria J o pJrticípio prese nt e (differa 111) e t rata ndo

co m pensar da ação em

curso de differrr, ant es lllC>mO que e h ten ha produ ,,id o u m efe ito co nstimído cm d iforcnc e 0 11 cm diferença" (Derrida, 1972, p. 8·9).

Prepara mos, co m D enis Mcrklen e Robcn Castd - na. ú lt imo, anos de sua vida - um liv ro sob re as polltic:is do individ uo.

••

"Assi m . a sociedade existe em s ituação, com modos de pn::ocnçl especificas q ue não sio nem 3 qudcs

d os. humanos, nem

sncocdadc fo1 po uco explo rada empirica mente" ( Piem:, 2009, p . 1OS).

o das divindades . Cu riosam ente, a ideia

du rkhci miana da prcscnç 1 s itu ada ela

24-l

Genero e trabalho no 8rc1sll 1' 11(1 Frart('u

a ideia de que a politica so é conccb 1"C'i O•I .1bord.1gem universal do direiro . 1 esses mom e nto s d e p e rp é rua rcsrr iç:ío de dirc 1tos, (: lerr:imcn te fun da m e n ral de fe n dê-los e reforç:ir :is bases e os su po rces sociai~ parn apoiar-se no d ire iro e pro teger as rra jetó ri as sociais e p rofiss iona is. Enrrcramo, ~ igu.ilmcnre ncces~árioobservar a incapacidade d esse bem apree nde r as s ing ula ridades e:, sob t'l'tudo, :iclmi ü r que ele rambém r roduz desigualdade.~,espc:cialm enrc: de gênero. Os te mp os s exua d os d o c11i d ado ~.fo hastamc reH:l.1dorcs do d esafio la nçado às sociedades d c mo cráricas aceitando o princípio de uma polírica realizada pel o privad o.

é

As

análises re m porais do cuidado scrfo ineviraveis nas discussões sobre a renovaçáo

do

Esrado social, rornando- o capaz de i:star aremo às des ig ua ldades q ue ele refo rça ao

apoiar-se cm cacegorias abscr:uas e uni\'crsais 11 Porque. se o cuidado e o Estado social

não são inco mparíveis, as presenças que esct dcvena garanri r devem adapca r-se melhor

a Si ru aç óe s fr e quenre m c nc e in éd i[ :lS. Ü~ p rnlOcO IOS sub ja c ent es dos reg imes d e ass is-

nro não represencam mais

conre mporflneas .

Ncsrc capírulo cenrei dizer que é hora de .:onccber polícicas soci ais q ue fun cio nem em modalidad es mais kairo lógicas.

CÍ:llCÍa elabo rados em um período Je c

neccssariam e nre as modalidades para :icompanha r as necessid ad es

cabilidade

e crc

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11 Podemos recorrer no va mente ao exemplo das categorias de idade. Elas são mobili udas nas políricas sociais com a preocupação de pro1cç:io dos indivíduos, mas esse uso suposramenre democr.irico reforça as desig ualdades, cspecialmeme en crc homens e mul heres .

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Política da presença

245

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23

ECONOMIA DO CUIDADO E SOCIEDADES DO BEM VIVER

Revis itar nossos modelos

Florence }any-Cntrice

lntrodução 1

Nas sociedades ocidentais, os "serviços à pessoa" são cada vez mais considerados sob o ponto de vista de sua capacidade de produzir empregos: t rara-se de desenvolver arividadcs econômicas mercantis e remáveis pela criação de empregos cm uma ampla bateria de serviços, permitindo principalmcme liberar os domicílios de seu tempo restrico (tempo doméstico, cuidado das crianças, limpeza e arrumação, compras, assis tência de informática etc.). Essas políticas ditas "sociais" ou de "conciliação dos rempos" são muitas vezes implemencadas por meio de dispositivos que limitam seu custo real para o beneficiário ou usuário, sobretudo pelo viés das políricas sociofiscais2. Esse reducionismo na reprcsenração e no d esenvolvimenro do cuidado cem dois problemas. Em primeiro lugar, transforma a questão das "necessidades colerivas"

Este ccxto baseia-se cm quinze anos de reflexões, que ger:iram m:s livros e diversos artigos. Entre des, Gadrey e Jany-Cmicc (2006), Dcveuer, Jany-Catricc e Ribault (20 12) e Jany-Catricc (20 12).

Ve r os trabalhos do Laboratório Int erdisciplinar de Aval i.1ç:io de Poli1icas Públicas (Laboraroirc Jn - tcrdisciplinairc cl'l1valuation dcs Politiques Publiques - Licpp) a esse respeito, principalmente Morei (2012), Carbonnicr. Palier e Zemmour (2014). Ver rambém Devcncr e Jany-Catricc (20 l O).

268 Gênero e lraba/110 n o Brasil e 110 rrcm('a

(cuid:i r) cm uma qucs ráo cconóm1c.1 de "con:.umo". AJém disso, veicula uma visão hegemónica do "valor", privilegiando o v:ilor económico das atividades produtiva~.

Mas a érica do cuidado conviàa-nos a re<letlnir o que importa, o que cem valor, e a identifica r os be ns co muns que ~:ioimpon:1nces e dos quais que remos cu idar. É isl>O

um convite

mais geral para renovar nossos quadro> d e representação e inrerpreraçáo do mundo. É o q ue apresentamos cm um segundo momc:nco, a panir de uma c rítica ao produto inrcrno bruto (PIB), convenção coletiva muiro fone: nas nossas represencaçóes da r iq u eza, que se cornou o objeti\'O de: nossas rnciedades (1\i{éda, 2008) . Por fim, na rerceir::i pane , é o mom ento de rcco1hidcrar a ri q uc 7~1. te ndo c omo eixo a ut ilid ade social do trabalho e a éric.1. d o cuid:ido. Evidenrcmenre, mdo isso é um convite tam- bém para renovar profundamenrc nossas tinalidades e, portamo, nossos modelos de

desenvolvimenro.

que esrud ::unos na primeira

parre <lesre rexlO. E!>Sa

cons raraçáo é também

Uma sociedade de serviços à pessoa é sustentável?

Uma cttpaciclade de criaçâo de empregos

Na França, o desen volvimenro do setor dos serviços à pessoa tem sido visco, desde o

in ício da década de 1990, e sob rcrud o de 2005 em diante, a panir de uma capacidade

quase intrínseca de criação de empregos : trata-se de "exrernalizar" um cerro núme ro

de trabalhos domésticos realizados na esfera do domicílio. Essa rendência de recom-

posição do tempo doméstico em tempo assalariado CTany-Carrice, 2014) relaciona-se com dois fatores tradicionalmenre explicarivos . Primeiro, o seror de serviços à pessoa

é frequentemente considerado uma resposta às mudanças sociodemográficas, em par- ticular o envelhecimento da população e o aumento da atividade feminina. Porém,

o envelhecimento da população não tem um efeito claro nem sobre a magnitude da

futura população "dependente", nem sobre a demanda por novos serviços. As proje- ções mais recentes do número de idosos dependentes ao longo das crês próximas dé-

cadas variam de 1,7 a 2,2 milhões, dependendo da escimaci,·a (Marbot e Roy, 2013).

O oucro fator comumente evocado para apoiar a tese da dinàmica dos empregos do

cuidado é o aumento do emprego feminino . Mas as transformações dos padrões na relação das mulheres com o trabalho e o emprego não são, contudo, recentes: desde

os anos 1960, as mu lheres passaram a e ntrar em massa no mercado de rrabalho, rendendo a permanecer ativas após a maternidade (Maruani, 20 l l ). A alca caxa de atividade das mulheres reria a virtude de permitir a emancipação feminina por meio

do assalariamento, sendo a cencralidade do trabalho impregnada no imaginário social

dominante (Sobe!, 20 12; Méda, 1995). Em segu ida, a progressão do emprego das mu - lheres furia surgir novas necess idades de conciliação do rempo, levando os domicílios

a prepararem-se para a compra de serviços a fim de liberá-los, assim, de um rempo doméstico que se tornou restrito (cuidar das crianças, da limpeza, das compras etc.). O exposto acima não é coralmenre falso. O problema é que, apresenradas dessa maneira, cais dinâmicas aparecem como justificativa para o desenvolvimento dos serviços à pessoa. Mas elas se baseiam c m um equívoco, já que o referido seror ele

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Economia do cuidado e :;ociedades do bem uiuer

269

se rviços à pessoa, segundo a ideia de "desenvo lvimeruo" dos serviços, consiste no agrupamento de arividades com trajeróri:is i11sri111cionais e hisróricas muito diferences e finalida~escambém ~uitodiversas. Uma dessa~aril'idadcs - os serviços de limpeza~ arrumaçao - remece d1rcramcnce ao doméstico, e a manutenção de sua dinâmica económica assenra-se ineviravelmenre sobre o aumento das desigualdades económicas:

para_recorrer ao pessoal de serviço, é necessá rio que as desigualdades encre as pessoas servidas e aquel:15 que as servem sejam suficicncemenre grandes para fazer com que u~a~ recorram :15 ou~.ras(Gorz, 1989). A outra - os serviços de ajuda em domicílio,

o

ou vu lneráveis - resulta, na França, de uma

longa tradição de ação social, fundada na resposta . por meio de um sisrema reoulado e que mobiliza operadores sem fins lucrativos, às necessidades sociais muica; vezes n~ofornecidas pel? aror público (Escado ou colerividades locais). Os serviços à pessoa nao podem ser univocamente considerados co mo uma jazida de empreoos (Deverre r· Jany-Carrice e Ribau lr, 2015 ).

nu cleo do cUJdado

para pesso,1s fr.ígei s

b

'

Uma atividade econômica como qualquer outra?

(domesti-

cid ade x ação social), produz-se um curro-circu ito implícito entre o eco nômico e o mercado ao identificar-se no cuidado uma "atividade econômica" e mercanril. O Plano de ~e~envolvimentodos Serviços à Pc:ssoa, elaborado pela França em 2005,

Uma vez idenrificadas, pelo menos no nível an:ilíti co, as duas dinâmicas

d_efen~ea :d;1a de que para haver reconhecimenro - e rambém "valorização" e "profis- s1onahzaç,ª? , sendo ~ss:s~ermosfreq uenremenre mobilizados na linguagem pública e tecnocr~ncacomo smonimos - das atividades de serviços à pessoa, é necessário que elas transite~pelo econômico (ou seja, que se recorra :io emprego "produtivo") e pelo mercado. Diversos fundamenros doutrinários dominantes da economia orienram essa

idei_ª: e parece~e~raizadosno imaginário polírico que presidiu a elaboração dessa

polmca: em pnme1ro lugar, as necessidades seriam forçosamenrc transformadas e transformáveis em demanda efetiva; em segundo lugar, a coordenação mais eficaz seria

a da concorrência no mercado 3 Princípios de écica liberal também formam a base do

conjunto dessa política: a liberdade democrárica do consumidor bem informado é sua base insuperável, mesmo que rais "consumidores" sejam pessoas idosas dependentes e em alguns casos de capacidade cognitiva :ilterada.

Uma visão hegemônica do va/o,:

e do que é importante

Identificam-se oucros pressupostos do que Funda e cria o valor. A análise da sociedade de serviços à pessoa é muiro heurística para arualizar esses elemenros mais indizíveis.

Na ver~ade,o desen~olvimenro<los serviços à pessoa pode ser considerado so b 0 pon-

ro de. vista da capacidade de as economias, em períodos de grande crise econômica,

amp liar:m a esfera da produção, o pedmccro do PIB, e a da mercanrilizaçáo. ~recr~amente,as jazidas de atividade eco nômica (portanco, de empregos) nos serviços a pessoa foram consideradas por meio de duas alavancas: a externaliz.açáo

Para uma crítica desse pressuposto, ver Bcrthon net (20 14).

270 Gênero<' tmbalho no Brosil 1• na Fron('<l

dos serviços domésticos; a valori1açáo (k· uma visiio "h ipcrprodutiva" dos cuidados.

ou seja, si cuaçõcs em que cuid ar dos ourro~ só pode da r-se de maneira eficaz recor-

dcssingu lari-wdo e co ncor rencial• . fund a r uma arividaclc em va lo r se m quesrionar seu sen cido, a

destaqu e,

nas rcprescncações domin a nces e nos disposirivos que as m arerial izam , é a capac ida-

ou :i capacidade de o orga nismo gerar lucro. Isso significa

confiscar as fin:tlidades da arividadc. remetendo-a ao critério único do mercado e do

lucro. No setor do cuidado. quais são os ob jetivos , :is fina lidades e as m issões? É o número de ações realizadas? A manutenção da auronomia das pessoas? O crescimento da arividade? O aumcnro da faria de mercado? O cu idado dos idosos e das pessoas

idosa e m um amb iente g lo bal

{família, amigos, inscirui ções públicas erc.)? A c riação da riqueza econôm ica baseia-se

na confus ão permanenr e c nrrc o que é fome de riqueza para as organizações e as fina- lidades das socit:dades. Nas organizações públicas e da economia social, ta is qu estões estão obviamente no centro do projero Uany-Ca trice, 20 12): deve-se arribuir valor (e

à escura, ao que são cão

necessárias para "manrer" a sociedade, elementos que se cornariam incomornáveis no

s istema e conômico, o qu a l só pode ser um s istema a serviço da sociedade?

Nos serviços à pessoa , essas qu es cões convidam-nos a refleci r sobre as modalidades

de realização e distribuição das a ti vid ades d e cu idado e

sobre a avaliação do desempenho das políticas do cuidado: podemos, na medida do

d esempenho, ignorar as desiguald ades de acesso? Se as desigualdades de acesso aos

serviços fossem, por exemplo, tomadas como "indicadores" de incoesão social, as polí-

especifico à dependência, e em seguida a ajuda

personalizada para a autonomia) poderiam ser consideradas de baixo desempenho, por conduzir gradualmente a um aumento dos resíd uos de que a família deve se encarregar (ver Varan, 2014). Para levar em coma de maneira integrada essas questões essenciais,

é necessário passar - e aqui co rroboramos o pomo de vista de Dominiquc Méda -

a uma sociedade cujo objetivo é o cuidado {ou seja, a produção e a manutenção) do nosso patrimônio comum. Este é composro por nosso parrimônio ecológico no sentido mais amplo, ou seja, cm suas interações com o patrimôn io humano e social.

cicas do cuidado {como o acend imen ro

produção de laços, bem co mo

qual va lor atribuir?) à relação de serviço, ,10 relaci onal am pl o, à empatia, acompa nhamento? Como fazer dessas virrudes de rr:iba lho do cu idado,

rendo -se ao mercado Mas não se pode

finalidade da ação : quan do

de mercantil da atividade

se :mib11i um val or eco nômico, o que fica em

frágei s e;:m sua glo balidade? A am o nomia da pessoa

A p erspectiva dos indicadores de bem -estar para renovar os modelos

Como pensar as condições macroeconôm icas desse c uidado do parrimônio? É possível considerar sustentável um projeto de sociedade que continue a buscar crescimento (econômico) ilimitado, ao mesmo rempo que roma consciência de sua finirude e desqualifica - por seus indicadores de valor e desempenho - a.s a.rivida.dcs centrais do cuidado? A críric.1 ao entusiasm o sem limites pelo crescimento, hoje imposta como

Temos divcrs:u crí1icas sohrc a mc<lid.1 do dc:scmpcnho e seus usos. Ver, cspccialmcntc, Jany-C:atricc

(2012).

Economia do cuidado e sociedades do /Jem uluer

21:

evidência e prova ao conjunto dos

cuidado É

.d

d -

1

c1 a aos, e uma questão séria que atravessa a de

,

· o q ue exp oramos nesra seção.

Osfondamentos contdbei.s do valor da riquezn

Principal medida na avaliação coleti va da riqueza o PIB b

contas fruto de um

.

.

aseia-se cm um sistema de

sucessivas . mu - C

omo

. ai 1qucz;~- •. p~raa ~1a1oriado s cconomi sras entram no c onceito

nros d quam1;1cnve1s, assrm emergindo um J·usro espanco· "como ~ eram acen ar que sua riqueza fosse redu zida un icamen te à troca de

as nos-

cspreza ndo rodas as ourras ativid ades, as ourras formas de conexão

1

I .

·

'

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a d onga · i1s tona que prooressivamenrc defin ·

,

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e o que e

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danças 0 que é"

des

eco nomia

de riqueza ~leme

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sas soc1e ades p

ben

as

iu, por

pro

riqueza". Falemos primeiro d

.

'

d

racou clara menrc Méda (2 008) - cujo trabalho (, .

01

. a riqu eza .

olírica d

um gran e avanço no campo d:i

·

No s~culo xX

d• p.

13)

.

.

.

se ser;,1ços,

urras ormas de progresso ou de va lorização do mund o?" (Méda 2008

o

Falemo s ago ra da defini ç:io do que é produtivo

s isrcmas concemporáneos d e c onrab i lidade ·

dis osiriv

.1

.

.

nacrona

V<::nro do s

e, com e es, a consrrução de -

1'

' o a

·

·

.

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os soc 1.otec n1co s p:1ra a comparação internaciona l da ri

ucza das na

i usu ficaram, mu1ras vezes de maneira hesiranre, a inclusão das ativ~adeºde se '

º- ras o

sao :io mesmo rempo um

~oes

nas contas da "

b b

e

d

orno

rv1ços

escreve minuciosamenrc François Fourquct em sua

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uqueza:

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re a ge nealo g ia das comas nacion ais (198 1) . essas

M

b

a

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6

ria ·

d

e po

d

e r,

co mas na c ionai s e o PIB

urna história industrial e uma ' história

mas~u i.~ª· J

as essa. ase co'.1sritu i um a referência

um

onzonrc quase msupera vel.

in s r iru c ionalizada , que ~e r~rno~

. As P_rime~rascrírica~~obreo PIB são amigas, e aferram para o fato de ue muira s dunens~es .nao mo neranas e não m e rc antis não são consideradas f>elas do

mas h ma- cgam a

croeconomicas {vol

ser prod

b

untana · lºd d o, d anv1

·

d

a d es domésticas) . AJgumas ar· ºd d

1v1

a

d

d ut~rad~ .ed ex l tcrna '

es c

a es negativa s (e m particular eco l óg ica s) pr eJ · udi ciais ao

e uma d consciência cada vez · mais forre das

aré

. eguelfa, que opera pela c rença nas virrudes

, o credscunenro econom1co, e coletiva: ela torna impossível apreender as ini-

cm-estar 111 1v1 ua

d

a me

d.d 1 a

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o

.

infinitas d

ciarivas

que se de dese n ºd

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.

e co leti vo . A pesar PIB a bus

• •

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.

aporias .

Cl mcessa nre reccnce menre, m u1 ro predommanre A c

e crescimenro pelo crescimenro foi

esenvolvem no mundo inteiro quando elas ·

I

'

'

- nao entram nos registros

o econom rco ta como indi cado p elas ci ices e pelo pod er. Desse modo

o cu1 a o, como trabalho e como érica (Paperman e L1ugicr 2005· Molinier 2014) •

qu e

s_e gue um caminho específico, muitas vezes afa s tado d~ proj:co do '

e estru tural e COntabilmenre desqualificado d

rodur·

.

IVIS-

,

1,d

o atua

mo,

, serv 1.ços para ro os, sua qualidade e sua utilidade social não são n o estad . '

que tmporra, levadas em coma.

·

C

p aracrensr1cas como 0 acesso aos

o

,

Quem qualifica?

que, no enramo, sao - essenciais para "fazer

~:~:·:q~il: cva~ ta qu~ro~~· E l a é res ul rado d e u ma imporr â ncia ca da vez maior

odcm

cmrar na riqueza e em sua expansão elementos qunntijicdveü. Nessa :erspe~iv:J,a

Essa desqualificação estrutural de arividades

.

d

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" 1

-

. que e conta

o, J3 que para os economistas, lembremos, a enas

2 72

Género e lrabalho 110 Brasil e 11a FTtmçu

quanrofrt:nia (doe n ça come mpo rdnc.1 que de~eja cudo d iscur ir, rudo enrende r e rud o o rie nrar com base e m nú meros) remie a desqualificar mais aqui lo que é mais difi cil-

m ente ca b ível no quadro do q ua n tificado (ver Ja ny-C:mice, 201 2). "Que m" qualifi ca rom a-se:, nessas condições, um:i q uc:51áo ccmrnl: sendo a qualificação um processo po- líri co n a medida e m q ue fornece v.llo rc:s. e~'ªq uestão re me te à de mocracia, e nrend id a

e a j u s 1iç a , m as

rambém e mais concre13me111e a d ign iJ ade da' pessoas. a cransparência da ação pública, o

fim d a impunidad e do s líd e r es e do~ privilé g i os exorb i tant es . a g a r:inti a d e um ní vel d e viela

educ.1ção. a independ ência da infor maçáo e da pesqu isa, o

não ma i s so m c 111 c [ co mo ] um r eg im e q ue rc~p cirn a lib e rda de , a ig ualdade

d eccnrc para codos, o acesso à

plu ralismo de posições.

(Ogien e L'lui;ier, 2014)

pro cesso mais enrni 7. a clo c on s i s r e e m rec or r er à p e ríci a ex -

seu

valo res, inre rvém para dar legitimidade "cien cífica"

às operações políricas. Em maréria de indicadores de riqueza, o relatório da Comi ssão

Sriglirz-S en (2009) é um exe mplo inccressantc: parricularme nce do ponro de vista d e

seu processo de elaboração (fruro dt: wn t rabalho d e gabinete). Ourros se baseiam no pomo de vista dos cidadãos, a parcir da ideia de que os co n-

ceitos que se aspira medir são por essência m uito subjetivos para serem objetivados.

Apoiadas e m

baseiam suas medidas cm dados subjetivos gerados por questionários aplicados aos indivíduos, utilizando m étodos diversos, que vão de simples questões sobre o nível

de "feli cidade" aré a elabo raçáo de ín dices de satisfação com a vida, cuja e volução é relacionada com a de oucras variáveis, de modo a revelar ou não correlações. Nessas

posições, o bem-es rar é aci ma d e rud o um co nceito subjetivo de comum (Dardot e Lavai, 20 14) é esvaziada c m favo r de um

cujos agentes devem ser maximizados . Há g randes riscos de que o uso exclusivo desse

ripo de exploração subjetivista ignore responsabilidades que, no encanro, são consti- turivas de um viver bem em co njunro e d e u m bem-es tar col etivo.

oriundos das diversas ciências sociais: socio-

logia, c iência política, filosofi a, economia instirucional e tc. Nesse ramo d e reRexõcs,

desenvolveu-se o conceito de bem -estar c ol e ti vo, qu e não se reduz a um a som a dos

uma concepção relativa às preferê ncias individuais, essas abord agens

rerna, co nduzida p or espccialisras, sobrerudo em economia, que, equipados com

refere nc ial teóri co e seu sis te ma d e

D e mane ir a ge ral5 , o

e individua l; a noção bem-esta r individ ual,

A terceira via vem de pesqu isadores

bem-estares

individuais, e

o reconh ecimenro de que ex iste um patrimônio comum

(patrimô nio

natural e patrimô nio social) recebido por cada

geração, o qual deve se r in-

vemariado e acompanhado em suas transformações (M éda, 2008) . Mas o inccresse des-

se tipo de pesquisa está em não des vincular as questões de o rd em interna e concciru al

daquelas mais externas: privilegiam -se espaços aberros de debate e discussão , nos quais

especialistas ficam lado a lado co m a sociedade civil , os processos delibe rativos são

inreligência coletiva e produzem formas a serem to madas" (Bruneriere, 201 4).

cu idados, as

de compromisso sobre "o sentido das ações

discordâncias fazem ava nçar a

Com larga inspir~ç:io e m J any-C,: uri ce e M ar l i cr (20 13) .

Economia do cuidado e sociedades do bem uluer

273

Reco~sider~ ~ riqueza, a .democracia e a utilidade soc ial de um territóri o :

questoes pohocas da medição

D:fi nir a

u.rili~adcsoda~~oc uid ado é q uestio nar os be nefíci os colerivos d e s uas

aço es -:: quais sao os beneflc1os colerivos da

~~ razo~s de u~ co nv i te par a d e finir essa

aj uda cm d o mi cíli o utilid a d e s o c i al são

e d o seto r d o c

·d

d

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mú l rip l as e ilu~~i~a~;

ormas

e

entusias mo e ao mesmo tempo de resistê ncia

c m relação a essas questões.

Riqueza e utilidtule social

Hd um problema de avaliação externa. E m tempos de escassez pu' bti·c· e

o

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õcr~ncia.rnenr~ as ?e~~es~~ p . ú .bli ca s , a

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rac ionalidade

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conrabtl

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p ar a s 1, p a r a o s us u ários , para o s o urr os , p a r a a soc i e d a d e.

v ez m_ ais , m os trar qu e se é " m ais " út il ques tao de regulação ex terna.

q

u e o ur ro s

E

uçao - ou

alocaç.io de r ec ur sos é fe it a se u n do urn a

urdaarisra": é cada vez mais necessário rno:rrar de que

P o d e rí a mos c h a m a r is so d; um :

ca d

. Há, ao 11'.esmo tempo, um problema de regulação interna: os a tores sociais e ccon õ -

m i co. s do c uidado r e fl e tem ~~bre s ua utilid a d e soci al , poi s essa é urn a form a qu e pod e

p:u ecer adequada t·d para

pos1c1onar-se em uma "abordagem progresso"

1

. p~ra c ons .o 1 a r um pr o1 eco a fi m de d ese n v ol ve r ca p a cid a d es reRexi vas s obr e as mi s -

, por exemp o,

socs: 1Y!u1ros a~~rcsda ec.on o mia

a va l1açao de uctl1<lade . soc ial n essa persp cc riva ' p o nderaiid · o os bc

social e do c uidado dese nvolvem ferrarn encas d e

fi' ·

·

nc 1c1os e impactos

COI

d

en vos

e suas açoes.

Os problemas políticos da medição

É P.Os sí v el , s~b cerr~ co ndiç ões , mun i r a reR exá o e o a rgum e nto de in dic ador es aJ r e r -

d n:mvos: ~orem,~?1ficulda~ee, si~ulrancamence,a ambição das dinâmicas em torno

a m ed1çao da uulidade social advem de os indicado res de medi.da

cpen enrcrnence

e s e u orrn a ro , s ere m _cons rrur os socia is, co n ven ç ões s o cio p o l í ti cas . El es sã o fr u ro d e

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1 ·nd

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6

escolh.a, de represencaçoes do que é bom, do que é cerro, do que é um " benefício" do

que é 11nporca nrc: com o, cnráo, explicar essa utilidade social aval iá-l a isco é

u m re fi erenc 1a, · l re1erc n c 1as cog n itivas e opera t ó ri as e

, pro uz1r uir · um va l o r e

~m Ju ~n:iento a essas ações? Vi s to que ess a opera ç ão de avalia ç ão não pode se r n c urra

d'

·

e

.

'

no 1 cundo

1

,

arri ·b

·

1

, cem do ponro de vista daqueles qu e sáo o bj e to

o, o encorno

e:c·, , . e seus be nefic1anos e de se us p a rceiros - especialme nrc os fin a nciadores As d'.na~ucas de coc onstru çá o de i~dicadores de ucilidad e soci a l p e las parr es intere ssa d a s , expe111nencaclas em algumas reg1óes 7 , permitem aos poderes públicos passar do papel de

can d o-se '

e

d

necessano e nconrrar d as modalid ades d e e q ue .ra1: m o alidad cs sejam legítimas

·

.

da aval1açao

d

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produ do d esse ,· 11 tgamenro

r

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os bcndicr·a·r· 105 do c ·d d

·

u1

a

·fi

(os fornecedores . , . d esse cuidado

'

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Ou sej a, ind icado res co mpos ios, monccári os , su bje civos ccc .

'

V~r,por exemp lo, o projc10 C o nheci m ento e Rcco nhecim cnco J e Eco no mi a Social e S J'd • · (C

n~1ssanccc1 Rcco nn aissa ncc d e l'&on omie Socialc e1 Solida ire - Corus-ESS coordcn~~oar: Won-

mquc Br a n gcr, Lau r e m Ga r di n , F lorcn c c J a n y-C 11rice e Sam u el Pi na ulc ) , p;o j ct o de pcsq~ i:a-ae:.:

274 Gênero e rraballio 110 Brasil e nu Franca

conrrolador ao de coconsrruror. lgualmenn.:. permicem à., associações de provedores de cuidado assumir rambém o papel de cocomtruror, em Vt.'2 de remarem encaixar-se na régua do s critérios que lhes sfo imposrns, 1)~quais, embora um dia lhes tenham pcrmirido ex istir, sempre acabam SC'ndo mais 011 menos morrn is pa r.i rodas.

AIJf1Íit1ções gerenciai! da democrnci11

Hoje. as formas de ava liação

~ao -::id:i vez mai~ padronizadas, mobi l iza ndo disposi

tivos de inspiração gerencial, e muir.1~ vez.e~ as associações não saem ilesas. No nível

macroeconómico, a obsessão pelo uescimemo e pela abundância no consumo tende

a desq uali ficar as associações que se e ncarreg,un do c11idado, visras

ângulo de quanto "cusram". Em termos de avaliação das a rividades, ex istem muitos métodos, e desenvolve-se uma multiplicidade de indicadores. Encre esses métodos, os mais em voga são os do ripo custo/benefício, cencrados em uma simples ideia: a relação entre o que uma ação cusra cm cermos de recursos e aquilo que ela oferece à sociedade. Mas os mérodos de cusro/benefício que medem o impacto social exigem uma calibragem em termos de "preço" de impacros que:, justamente, muitas vezes não têm preço. Então se recorre à fabricação de:: preços Ítctícios, o que não é novo,

a partir d e construções baseadas em elaborações técnicas, às vezes duvidosas, mas

no mínimo heroicas. Mas parecem s urgir al ternativas. Trata-se de fazer da avaliação

sob retudo pelo

uma produção conjunca (o que define ' :.i utilidade social em um território é fruto de escolhas coletivas): é preciso, portan to, inovar, coconstruir. experimenta r - cm um sentido artesanal. Sendo a utilidade social um dos componenres dessa produção conjunta, pode-se imaginar que a construção de um a convenção compartilhada provém de debates

concradiró rios co m o conju nto

parres interessadas, sem excluir os assala riados do

trabalho do cuidado, e que é desses debates que podem emanar pistas para identificar os benefícios coletivos das ações do cuidado e o car:lter socialmente úril das atividades .

das

Conclusão

As sucessivas crises convidam-nos a fuzer uma outra economia. Caberá certamente aos atores que promovem o c uidado, àqueles que são sua espin ha dorsal, ser a ponta de lança dessa dinâmica. Não faremos uma outra economia sem reAecir sobre o laço encre economia e democracia. Desse ponco de visca, o setor do cuidado e o cuidado como ética devem continuar tendo uma palavra central, original e inovado ra. A questão da medida da utilidade social do cu idado é ocasião para isso. Não faremos uma ouera economia sem refletir sobre nossas sociedades de abundância: o cuidado põe em relevo

a abundância de laços, de qualidade e de solidariedade. Sob essas condições, med ir,

pelo menos consolidar,

os argumentos para a renovação dos modelos econômicos e sociais.

de cerca man e ira, ganha se ntido e permite dar mu ni ção, o u

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