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Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso Tribunal Regional Eleitoral de Mato

Grosso
O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0601616-19.2018.6.11.0000 em
29/09/2018 08:57:39 por ANDRE DE ALBUQUERQUE TEIXEIRA DA SILVA Documento
assinado por:
- ANDRE DE ALBUQUERQUE TEIXEIRA DA SILVA
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do documento: 84523
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO
ESTADO DE MATO GROSSO.
SEBASTIÃO CARLOS GOMES DE CARVALHO, brasileiro, casado, advogado,
portador da OAB/MT 2.428, CNPJ no. 31.234.293/0001-03, filiado à Rede
Sustentabilidade, candidato ao cargo de Senador da República, pela Coligação
Redefinindo Mato Grosso (REDE/PPL), residente e domiciliado na rua Cel Neto, 60.
Goiabeiras, Cuiabá/MT, vêm, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seu
advogado legalmente constituído, local onde recebe intimações cito no rodapé, com
fundamento nos artigos 22 e seguintes da Lei Complementar n° 64/90, propor

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL COM PEDIDO DE


TUTELA CAUTELAR DE BUSCA E APREENSÃO E QUEBRA DE
SIGILO BANCÁRIO
em face da candidata ao cargo de Senador da República, SELMA ROSANE DE
ARRUDA, brasileira, casada, juíza aposentada, portadora do CPF no 449.011.000-
68 e RG no 8022025244 SSP/RS, residente e domiciliada à Av. Senador Filinto
Muller, 2075, apto 1602 Quilombo, Cuiabá/MT - CEP 78.043.500, primeiro
suplente GILBERTO EGLAIR POSSAMAI, brasileiro, casado, agricultor,
portador do CPF no 487.073.091-04 e RG no 741722 SSP/MT, residente e
domiciliado à Rua Amazonas, 1501 em Sorriso/MT CEP 78.890-000, e segunda
suplente CLEIRE FABIANA MENDES, brasileira, divorciada, servidora
pública, portara do CPF no 531.728.841-04 e RG no 0827900-4 SSP/MT, residente
e domiciliada à Av. Nigéria, 333, Apto 1502 do Bloco A, Jardim Aclimação em
Cuiabá/MT CEP 78.050-268em razão dos fáticos e jurídicos fundamentos a

seguir expostos. LEGITIMIDADE ATIVA


O Autor possui legitimidade para figurar no polo ativo da ação,
conforme prevê o artigo 22 caput da LC 64/90, pois tem o interesse na garantia da
lisura e integridade do pleito.
A lei confere legitimidade aos personagens do
processo eleitoral para defesa do interesse público de
se coibir a prática de condutas tendentes a afetar a
integridade do pleito, não importando se haverá, ou
não, repercussão da decisão na esfera política do
candidato. (AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL No 25.912, REL. MIN.
CEZAR PELUSO, DE 14.2.2008).
A legitimidade ativa do Autor se aflora na medida em que concorre
diretamente com os Requeridos ao pleito, pois também está registrado como
candidatado ao cargo de Senador.

SÍNTESE DOS FATOS


A Requerida filiou-se ao PSL no mês de abril de 2018, e desde que
aposentou-se da magistratura não escondeu dos meios de comunicação que se
lançaria ao pleito de 2018, concorrendo ao cargo de Senadora, coligada ou não,
sempre sendo apoiado pelo seu partido desde a sua filiação, como se observa nas
reportagens anexas.
Evidencia-se, portanto a pretensão da Requerida de a qualquer custo
concorrer ao Senado, tanto que como se verá, não mediu esforços para tanto,
mesmo sabendo que violava a legislação eleitoral ao praticar abuso de poder
econômico, contrariando sobretudo o artigo 30-A da Lei no. 9504/97.
Durante a pré campanha a Requerida não se limitou a expor suas
pretensões perante a imprensa e buscar apoiamento político, pois já no primeiro
mês da sua filiação partidária, ou seja, em abril/2018 começou a realizar gastos,
contrair e pagar despesas próprias de campanha eleitoral durante o período
vedado de contratação, arrecadação e quitação, conduta grave que
desequilibrou e vem desequilibrando o pleito.
Determina a Lei 9.504 e a Resolução 23.553/2017, que são
considerados gastos eleitorais sujeitos a registro e aos limites fixados, a
propaganda e publicidade direta ou indireta, por qualquer meio de divulgação,
destinada a conquistar votos, remuneração ou gratificação de qualquer espécie
paga a quem preste serviço a candidatos e a partidos políticos.
Além disso, determina a Resolução 23.553/2017, que a produção de
programas de rádio, televisão ou vídeo, custos com a criação e inclusão de páginas
na internet e com o impulsionamento de conteúdos contratados diretamente de
provedor da aplicação de internet com sede e foro no País e produção de jingles,
vinhetas e slogans para propaganda eleitoral, são considerados gastos eleitorais e
estão sujeitos aos limites fixados pela Resolução.
Isso por que, nos termos do artigo 3o da Res. 23.553 a arrecadação
de recursos para campanha eleitoral de qualquer natureza por candidatos deverá
ocorrer após o requerimento de registro de candidatura, a inscrição no CNPJ e
abertura de conta corrente, fatos que necessariamente sucedem após às convenções
partidárias, que no caso da Requerida foi realizada por seu partido em 04/08/2018.
Por outro lado, os gastos de campanha somente podem ser
efetivados a partir da data da realização da convenção partidária (04/08/2018),
consoante estabelece o artigo 38 da Res. 23.553, desde que obedecidos os preceitos
do seu artigo 3o retro mencionado.
Todavia, ao contrário do que determina a norma cogente, em
abril/2018 a Autora contratou os serviços de propaganda, marketing e
publicidade eleitoral, para sua candidatura ao Senado pelo estado de Mato Grosso
nas eleições de 2018 que foram prestados pela empresa GENIUS AT WORK
PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA.
É o que se denota da ação monitória no. 1032668-71.2018.8.11.0041
que tramita na Comarca de Cuiabá/MT, em que a empresa prestadora dos serviços
cobra o valor do contrato descontados os montantes quitados no período de pré-
campanha.
Nessa mesma demanda a empresa contratada afirma que os serviços
foram contratados para serem executados em duas fases, a primeira entre o período
de 09/04/2018 a 01/08/2018 sendo prestados os serviços de assessoria de imprensa,
serviço de fotógrafo, gestão de redes sociais, criação e conceito do conceito e da
logomarca, bem como jingle de campanha, e curso de mídia training com a
candidata majoritária. Segundo a ação ajuizada pelo prestador de serviços, a
segunda fase iniciou em 01/08/2018 e enceraria sua vigência em 04/10/2018 e
acobertaria todo o trabalho de marketing de campanha.
Consta naqueles autos que a primeira fase teve serviços acrescidos,
no caso foi necessário contemplar os serviços de contratação e análise de
pesquisas, e elaboração de estratégias e inclusive produção de programas que
foram veiculados nas redes sociais. Afirma o autor da ação monitória que todos
os serviços mencionados foram prestados. Além da contratação dos serviços, foi
necessário a contratação de profissionais e equipamentos.
Vejamos trecho daquela exordial:
Fechado o contrato, detalhes resolvidos, restando
apenas a assinatura, mediatamente o requerente iniciou
os preparativos para a prestação de serviços que
englobaram aquisição de equipamentos e contratação
de mão de obra especializada, sendo imediatamente
contratada jornalista para assessoria de imprensa
com acompanhamento diário da pré-candidata, à
época, sendo possível constatar em 28 (vinte e oito)
dias a veiculação de mais de 400 (quatrocentos)
matérias jornalísticas sobre a requerida, fruto do
trabalho já iniciado, conforme anexo (doc. 5). Ainda no período considerado pré-

campanha foi disponibilizado equipe para


acompanhamento 24 (vinte e quatro)
horas, em todos os deslocamentos no
estado, compreendendo motorista,
cinegrafista, auxiliar e repórter,
devidamente nominados na lista de
profissionais contratados em anexo (doc.
06).”
Vale que mesmo no período de pré-campanha foi disponibilizado à
Representada pelo contratado deslocamentos da Representada no estado,
compreendendo motorista, cinegrafista, auxiliar e repórter, conforme devidamente
comprovado pelos documentos em anexo.
Todo o resumo do trabalho realizado, sobretudo no período de pré
campanha está detalhado na inicial e anexos à presente demanda.
Um dado que evidencia o proveito dos serviços contratados em favor
da candidata e que desequilibrou o pleito pela antecipação a destempo dos
trabalhos realizados (pré campanha) está indicado no material apresentado pela
sas no G
Requerida, onde em 01/05/2018 apresentava 781.000 e passou em 04/09/2018 para
2.130.000, e aumento de seguidores no Instagam, passando de 1.243 em
16/04/2018 para 8.537 em 04/09/2018.
A prestação de serviços no período vedado também fica evidente na
lista de notícias veiculadas na imprensa com trabalho de assessoria prestado pela
empresa, com destaque para as aparições da candidata já no mês de abril/2018.
A contratação global foi acertada no valor de R$ 1.882.000,00, sendo
uma entrada na assinatura do contrato no valor de R$ 450.000,00, dividida em 3
parcelas de R$ 150.000,00 cada, com vencimentos em 10/04/2018, 05/05/2018 e
20/05/2018, uma segunda parcela de R$ 432.000,00 para 10/06/2018, a terceira de
R$ 350.000,00 para 01/07/2018, a quarta para 20/07/2018 no valor de R$
350.000,00 e a quinta e última de R$ 300.000,00 para 15/08/2018.
Se não bastasse a contratação dos serviços com a realização de gastos
de forma antecipada e ilegal, foram realizados pagamentos para a referida
empresa por meio de 4 (quatro) cheques da CEF originários da ag. 1695, conta
corrente no. 01001935-7, de titularidade da candidata SELMA ROSANE
SANTOS ARRUDA e de NORBERTO CARLOS OLIVEIRA DE ARRUDA,
durante o período vedado que antecedeu as convenções partidárias.
O primeiro cheque de no 900769 foi emitido em 10/04/2018 no valor
de R$ 150.000,00:
O segundo cheque de no. 900779 foi emitido em 04 de maio de 2018
no valor de R$ 150.000,00:
O terceiro cheque de no. 900781 foi emitido em 21/05/2018 no valor
de R$ 150.000,00:
O quarto cheque de no. 900791 foi emitido em 16/07/2018 no valor
de R$ 100.000,00:
Todos compensados, microfilmados e anexos à ação de monitória
citada e nesses autos.
Ainda foi quitada uma quinta parcela no valor de R$ 150.000,00, por
meio de cheque do Banco do Brasil originários da Ag. 1492, conta corrente no.
109294-4, de titularidade do suplente da Requerida e também Requerido
GILBERTO EGLAIR POSSAMAI, emitido em 07/08/2018, pré-datado para
07/09/2018, contudo, com sua autorização foi descontado antes do prazo .
Vejamos trecho daquela inicial em que se resume os valores quitados e em aberto:
Estes pagamentos totalizaram o valor de R$
700.000,00 (setecentos mil reais).
Também foram pagos R$ 230.000,00 (duzentos e trinta
mil reais) através de transferência eletrônica, neste
caso, já feita pela conta da campanha eleitoral CNPJ n.o
31.214.244 0001-09 documento n.o 94002591 (anexo
doc. 12).
Com os valores acima foi totalizado então R$
930.000.00 (novecentos e trinta mil reais), Sendo que
R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) durante a pré-
campanha e R$ 230.000,00 (Duzentos e trinta mil
reais), já com Nota Fiscal emitida (NF 1461) ao CNPJ
da campanha (doc. 13).
A totalidade quitada durante o período de pré-campanha soma o
importe de R$ 700.000,00, ou seja, 23,33% do total de gastos permitidos
durante o pedido de campanha, entretanto, é possível que outras despesas de
campanhas possam ter sido contratadas no período vedado o que impor à
concessão de medidas cautelares, sobretudo a busca e apreensão.
Nobre Excelência é PUBLICO E NOTÓRIO que a prestação de
contas dos candidatos, está disponível no site do www.tremt.jus.br, desta forma os
eleitores podem ter acesso aos gastos realizados pelos seus candidatos, bem como
fiscalizar ilícitos, como o caso da Representada.
O represente ao acessar o site da Representada constatou
veementemente a veracidade de suas alegações.
A Representada teve despesas eleitorais declaradas no montante
de R$413.164,39 (quatrocentos e treze mil, cento e sessenta e quatro reais e
dezenove centavos), conforme comprova-se pelos relatórios financeiros em
anexo.
Desta forma Excelência está comprovado que a Representada
REALIZOU A PRATICA ILICITA DE CAIXA DOIS EM SUA CAMPANHA
ELEITORAL, UTILIZANDO RECURSOS INDEVIDOS PARA A SUA
CAMPANHA ELEITORAL.

NO MÉRITO
O ABUSO DE PODER ECONOMICO É EVIDENTE – CONDUTA
PRATICADA DIRETAMENTE PELA BENEFICIADA - FRAGILIDADE
DA HIGIDEZ DO PLEITO – DESEQUILIBIO ENTRE CANDIDATOS –
UTILIZAÇÃO DE “ CAIXA DOIS”.
Pelo que se evidencia, a Requerida em conjunto com seu suplente
praticaram realizaram gastos e quitaram despesas em período vedado, obtendo
vantagem no pleito perante os demais concorrentes, afetando assim a lisura e
equilíbrio nas eleições, na medida em que foi beneficiada com serviços de
campanha eleitoral muito antes dos demais candidatos, o que lhe oportunizou se
preparar e atingir a psique dos eleitores com seu nome e sua marca muito antes dos
demais.
O impacto negativo à higidez da competição fica evidente quando se
analisa que a candidata, então desconhecida do público já apareceu à frente nas
primeiras pesquisas.
O abuso de poder econômico é evidente, eis que a conduta ilícita é
suficiente para comprometer a normalidade e a legitimidade das eleições, por
violação literal da própria norma, bem como retirando a lisura e isonomia entre os
player, na medida em que a Requerida iniciou sua campanha efetiva, influenciando
eleitores muito antes dos demais concorrentes, sendo suficientes para atrair ao caso
a incidência do que estabelece o artigo 30-A da Lei no. 9504/97 e artigo 22 da LC
64/90.
A bem da verdade, para configurar o abuso de poder econômico basta
a gravidade da conduta, consoante estabelece o artigo 22, XVI da LC 64/90.
No caso, a gravidade das circunstâncias que caracterizam o abuso de
poder econômico salta aos olhos, pois ficou evidente a prática do caixa dois que
tomou conta dos noticiários do país nos últimos anos e que deterioram a imagem
das instituições.
A antecipação dos gastos leva a massificação do nome da
concorrente a destempo, prejudicando aqueles que seguindo a norma, não lhes foi
oportunizado se imiscuir na vida e na consciência dos eleitores a tanto tempo como
fez a Requerida. Sem sombra de dúvidas o tempo de exposição e a sua preparação
de forma antecipada confere a ela uma largada para o período antes dos demais,
violando o princípio da isonomia.
Infere-se desse modo, que a higidez e a lisura do pleito restou
prejudica.
Além da realização de gastos de campanha e quitação em
período vedado, referido recurso por certo não pode e não foi contabilizado
na prestação de contas da candidata, caracterizando a utilização de “ caixa 2”,
o que ainda traz dúvidas acerca da origem desses recursos que transitaram
pela conta da pessoa física da candidata ora Requerida, podendo ser de fonte
vedada consoante prevê o artigo 33 da Res. 23553.
A violação da norma nesses aspectos, somado ao fato de que há
fortes indícios de utilização de recursos advindos de fonte vedada são elementos
necessários para se autorizar a quebra do sigilo bancário da Requerida.
Os fatos alhures declinados deixam evidente que os Requeridos
praticaram atos com abuso de poder econômico, que lhe beneficiou diretamente,
contudo, maculou o pleito, impondo assim às sanções previstas na norma.
Por óbvio, que a conduta ao que tudo indica foram praticadas pela
titular e primeiro suplente, contudo, todos foram diretamente beneficiados,
inclusive a segunda suplente, também requerida.
Decerto que o principal objetivo da reforma eleitoral promovida pela
Lei no 11.300/2006 foi mitigar a ocorrência de um mal gravíssimo que arruína a
lisura do processo eleitoral no país: as práticas de corrupção e os abusos de poder.
Sabe-se que tais práticas e seus agentes atuam das mais diversas
formas e modos, com o propósito de obter qualquer vantagem, seja financeira ou
não, para si ou para outrem, na tentativa de conquistar o voto do eleitorado.
Em virtude desse quadro alarmante, formando por diversos
escândalos políticos relacionados com os financiamentos de campanha e compra
de votos, emerge a ação por captação ou gato ilícito de recursos para fins eleitorais
na Lei no 9504/1997, que instituiu a representação eleitoral com base na captação
e nos gastos ilícitos de recursos, conforme se transcreve abaixo:
Art. 30-A. Qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça

Eleitoral, no prazo de 15 (quinze) dias da diplomação, relatando fatos e

indicando provas, e pedir a abertura de investigação judicial para apurar

condutas em desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e

gastos de recursos. § 1o Na apuração de que trata este artigo, aplicar-se-á o

procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio

de 1990, no que couber. § 2o Comprovados captação ou gastos ilícitos de


recursos, para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se

já houver sido outorgado. § 3o O prazo de recurso contra decisões proferidas

em representações propostas com base neste artigo será de 3 (três) dias, a

contar da data da publicação do julgamento no Diário Oficial.

Pode-se entender captação ilícita como toda forma irregular de


obtenção de recursos, seja relacionado à uma fonte irregular (ilícita ou vedada),
seja relacionado com o modo de obtenção de tal recurso, onde a fonte não é vedada
ou ilícita, mas sua obtenção se deu em desrespeito ao sistema legal. Já os gastos
ilícitos de recursos são todos aqueles efetuados em desatendimento às normas da
Lei das Eleições.
Com o advento da Resolução 23.553/2017 ficou determinado o teto
de gastos para as campanhas eleitorais de 2018.
Na mesma resolução ficou determinado quais gastos eleitorais que
estão sujeitos ao registro bem como aos limites fixados na Resolução, vejamos:
Art. 37. São gastos eleitorais, sujeitos ao registro e aos limites fixados nesta

resolução:

[...]

II - propaganda e publicidade direta ou indireta, por qualquer meio de

divulgação;

[...]

II - propaganda e publicidade direta ou indireta, por qualquer meio de

divulgação;

[...]

VI - despesas de instalação, organização e funcionamento de comitês de

campanha e serviços necessários às eleições, observadas as exceções previstas

no § 5o do art. 63 desta resolução;

VII - remuneração ou gratificação de qualquer espécie paga a quem preste

serviço a candidatos e a partidos políticos;

[...]

X - produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, inclusive os

destinados à propaganda gratuita;

[...]
XII - custos com a criação e inclusão de páginas na internet e com o

impulsionamento de conteúdos contratados diretamente de provedor da

aplicação de internet com sede e foro no País;

[...]

XV - produção de jingles, vinhetas e slogans para propaganda eleitoral.

Esta fardamente comprovado nos autos que a Representada realizou


todos os gastos acima mencionados no montante de R$700.000,00 (setecentos mil
DOIS
pessoa física, e em PERÍODO NÃO AUTORIZADO PELA LEGISLAÇÃO
ELEITORAL, CONFORME DESCREVE-SE:
Art. 38. Os gastos de campanha por partido político ou candidato somente

poderão ser efetivados a partir da data da realização da respectiva

convenção partidária, observado o preenchimento dos pré-requisitos de que

tratam os incisos I, II e III do caput do art. 3o desta resolução.

§ 1o Os gastos eleitorais efetivam-se na data da sua contratação,

independentemente da realização do seu pagamento, e devem ser

registrados na prestação de contas no ato da sua contratação.

§ 2o Os gastos destinados à preparação da campanha e à instalação física

ou de página de internet de comitês de campanha de candidatos e de

partidos políticos poderão ser contratados a partir da data efetiva da

realização da respectiva convenção partidária, desde que,

cumulativamente:

I - sejam devidamente formalizados; e

II - o desembolso financeiro ocorra apenas após a obtenção do número de

inscrição no CNPJ, a abertura de conta bancária específica para a

movimentação financeira de campanha e a emissão de recibos eleitorais,

na forma do art. 9o desta resolução. (grifo nosso)

A Constituição e a legislação que rege o processo eleitoral não


possuem um preceito normativo que conceitue in abstracto condutas que
caracterizem abuso de poder econômico ou político. Não obstante, a Constituição,
no art. 14, §§ 9o e 10, e a LC n. 64/90, nos seus arts. 19 e 22, estabelecem que a
coibição destas formas de abuso deverão observar as seguintes finalidades: (a) a
proteção da normalidade e legitimidade das eleições, (b) da liberdade do voto, (c)
da probidade administrativa e (d) da moralidade para o exercício do mandato.
O abuso de poder na seara eleitoral pode, a princípio, apresentar-se
de duas formas: (a) ele pode consistir no uso indevido ou exorbitante de um direito
que é conferido ao candidato; ou então (b) apresentar-se sob a forma de atos que,
desde a origem, estão em desconformidade com o ordenamento jurídico.
A potencialidade da conduta influir no resultado do pleito. Um dos
elementos para a caracterização do abuso de poder econômico é a potencialidade
do ilícito afetar a normalidade e legitimidade das eleições. Não se trata de nexo de
causalidade a exigir a demonstração de causa e efeito entre a ação e o resultado
das urnas. Basta que o ato, tomando-se em consideração as circunstâncias e a
conjuntura em que foi praticado, seja apto a influir sobre a livre vontade popular.
Daí falar-se em potencialidade e não em nexo de causalidade.
Desta forma pelo conjunto probatório dos autos, as irregularidades
apresentadas demonstram o abuso de poder econômico e como poderá afetar a
lisura do resultado do pleito eleitoral de 2018.
Ao julgar a Representação 4759/2006, que tinha como base o art. 30-
A da Lei no 9.504/97, em decisão que culminou com a cassação do diploma
conferido ao Deputado Federal Juvenil Alves nas Eleições Gerais de 2006, o TRE-
MG assim se pronunciou:
Mérito. Arrecadação irregular de receitas e gastos ilícitos. Existência de

"Caixa 2". Receitas não contabilizadas. Abuso de poder econômico na

arrecadação e gastos irregulares de campanha eleitoral. Doações recebidas

e pagamentos efetuados em desacordo com o declarado pelo candidato na

prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Valores declarados

inferiores ao efetivamente gasto. Comprovação. Uso de recursos financeiros

não transitados pela conta bancária específica. Arrecadação anterior ao período

de campanha eleitoral. Despesas de campanha iniciadas antes do período

oficial e estendidas até após as eleições.


[...]

Subsunção dos fatos à norma do art. 30-A da Lei n. 9.504/97. Desnecessidade

da aferição da potencialidade lesiva para a configuração do ilícito descrito no

referido artigo. Caracterização de abuso de poder econômico com força para

influenciar ilicitamente o resultado das eleições, comprometendo a

normalidade da disputa e sua legitimidade. Representação julgada

parcialmente procedente para cassar o diploma conferido ao representado.

Impossibilidade de aplicação da pena de multa. Falta de previsão legal.

Execução imediata da decisão. Determinação. (Destaque Nosso) (RP

4759/2006 TRE-MG Rel. Tiago Pinto DJ-MG 19/04/2008). Sobre o tema, ensina Emerson Garcia que:

“(...) aos candidatos não é permitida a utilização de seus recursos


financeiros em detrimento da igualdade que deve existir entre os

concorrentes ao pleito. Essa igualdade, no entanto, sequer é integralmente

respeitada pelo próprio ordenamento jurídico, isto porque a própria lei que

disciplina a arrecadação e a aplicação dos recursos nas campanhas eleitorais

prevê que os candidatos poderão utilizar recursos próprios para a campanha e

os partidos, ressalvadas algumas exceções legais, poderão captar toda a ordem

de recursos. (...) Como formas mais comuns de prática do abuso do poder

econômico, a depender da potencialidade do ato, podem ser elencados: a)

utilização indevida de transportes nas eleições; b) recebimento e utilização de

doações oriundas das entidades mencionadas no art. 24 da Lei n. 9.504/97; c)

realização de gastos eleitorais em montante superior ao declarado; d)

utilização de numerário e serviços (v.g. serviços gráficos) do próprio

candidato, sem incluí-

nas Eleições Meios de Coibição. 3a ed., Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris,

2006, p. 35/36). (grifo nosso)

Com efeito, a partir da entrada em vigor da LC 135/2010, que inseriu


o inciso XVI no art. 22 da LC 64/901, não mais se exige o requisito da
potencialidade de a conduta afetar o resultado das eleições para que se caracterize
oa
suma, basta que a conduta abusiva seja grave (não seja insignificante) para que se
configure o ilícito eleitoral
Posição nesse mesmo sentido é defendida por Thales Tácito
Cerqueira (2008, p. 839), ao afirmar que a incidência do art. 30-A "não exige
potencialidade do dano, pois o art. 30-A, não protege a eleição primariamente e
sim a campanha eleitoral, logo, basta um único fato, ainda que tentado".
Diante dos fatos expostos, ficando clarividente que a Requerida
cometeu atos caracterizados do abuso de poder econômico por violação às normas
atinentes à arrecadação e gastos ilícitos de recursos para fins eleitorais, requer que
seja julgada procedente a presente demanda, cassando-se o registro da candidata,
ou negando-se diploma caso a candidata seja eleita, e se já estiver sido lhe
outorgado, pugna-se pela sua cassação, consoante estabelece o artigo 30-A, § 2o
da Lei das Eleições. Outrossim, requer a procedência da ação para imputar à
Requerida a sanção de inelegibilidade para as eleições que se realizarem nos 8
(oito) anos subsequentes às Eleições 2018.

CAUTELAR
Evidencia-se pelos fatos alhures narrados, que a realização de
gastos e a utilização de recurso em período vedado é patente, o que viola a
legislação regente, não havendo empecilhos, portanto, que os Requeridos tenha
utilizado desse artifícios para contratação e pagamento de outros serviços.
Dessa forma, resta necessário o deferimento de medida cautelar de
busca e apreensão, a fim de se averiguar possíveis condutas que possam comprovar
a utilização de caixa dois.

PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer que essa Corte se digne a:
a) Conceder a medida cautelar consistente na realização de busca e
apreensão na:
i) Residência/domicílio indicados no preambulo, dos Requeridos
SELMA ROSANE DE ARRUDA, GILBERTO EGLAIR
POSSAMAI, CLEIRE FABIANA MENDES;
ii) Comitê de campanha da candidata SELMA ROSANE DE
ARRUDA, na Rua Santiago, 106, Jardim das Américas,
Cuiabá/MT.
b) Determinar a citação dos Requeridos para em querendo apresentar defesa
no prazo legal.
c) Deferir a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial o
depoimento pessoal dos requeridos sob pena de confissão, assim como a
oitiva das testemunhas abaixo arroladas, bem como a quebra do sigilo
bancário dos Requeridos, a fim de se evidenciar a origem dos recursos
utilizados para quitar os cheques emitidos, bem como a comprovação da
quitação das cártulas acima declinadas.
Rol de testemunhas:
LUIZ GONZAGA RODRIGUES JUNIOR, brasileiro, publicitário, portador
do RG n° 285.976 SSP/MT e CPF no 384.369.731-00, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
DANIEL SILVA SOUZA, editor de vídeo, domiciliado na Rua Polônia, 660
Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
DENIZE NIDERAUER DA SILVEIRA, jornalista, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
JAIME AMARAL CADERMARTORI, diretor de criação, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
LEDA PEDROSA DE OLIVEIRA, coordenadora de mídia, domiciliado na
Rua Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
REGINALDO DA SILVA COSTA, diretor de fotografia, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
MATHEUS LUIS FERNANDO MACEDO, redator de redes sociais,
domiciliado na Rua Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
LUMARA DALVA DE OLIVEIRA VITOR, social mídia, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
LEONARDO MENDES SANTANA, diretor de cena, domiciliado na Rua
Polônia, 660 Santa Rosa, Cuiabá MT cep: 78040-290.
d) No mérito, requer que essa Corte se digne a julgar totalmente procedente a
presente demanda, culminando por:
i) cassar o registro da candidata e de seus suplentes;
ii) negar o diploma caso a candidata e suplentes sejam eleitos, e se já
estiver sido lhes outorgado, pugna-se pela sua cassação, consoante
estabelece o artigo 30-A, § 2o da Lei das Eleições.
iii) Outrossim, requer a procedência da ação para imputar aos
Requeridos a sanção de inelegibilidade para as eleições que se
realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes às Eleições 2018.
Nesses termos,
Pede deferimento.
Cuiabá/MT, 29 de setembro de 2018.
ANDRE DE ALBUQUERQUE TEIXEIRA DA SILVA
OAB/MT 14054