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Anais “XIII Semana do Contador de Maringá” (UEM/DCC), p.

10-18, Agosto/2001 – ISSN 1676-0557

ANÁLISE DA UTILIZAÇÃO DA
CONTABILIDADE GERENCIAL NO
SEGMENTO DE CONFECÇÕES DA
CIDADE DE CIANORTE-PR

Ezequiel Meneguele*
Suely da Silva Carreira**

Resumo

O artigo é resultado de um levantamento realizado com empresários do ramo de


confecções na cidade de Cianorte-Pr, visando a verificar se a contabilidade gerencial é
utilizada como ferramenta de decisão pelos empresários. Para a elaboração do levantamento
de dados foi aplicado um questionário utilizando como amostra, pequenos empresários, ou
seja, aqueles com menos de 60 funcionários. Constatou-se que os empresários não tinham
contabilidade gerencial. Desta forma, procurou-se verificar quais os controles gerenciais que
as empresas possuíam, se utilizavam planilhas de custos para formação do preço de venda e
qual a relação desses controles com o grau de escolaridade dos empresários.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Em face do desenvolvimento e crescimento das entidades como decorrência do


desenvolvimento da própria sociedade e com a crescente globalização da informação e a
internacionalização dos mercados, as necessidades do homem cresceram e a contabilidade
precisou estruturar-se para responder a essas exigências.

A contabilidade gerencial é um instrumento de máxima importância para o perfeito


gerenciamento da empresa, pois transforma os recursos disponíveis em receitas dentro de um
plano estratégico, garantindo segurança e desenvolvimento nos negócios. Com a
contabilidade gerencial, as empresas têm maiores chances de competitividade e é possível
mensurar os riscos decorrentes da atividade operacional. Isto proporciona ao administrador,
condições para a tomada de decisão de forma rápida e segura.

O processo decisorial está impregnado no dia-a-dia de qualquer empresário, então, ao


decidir, ele precisa ter conhecimentos e informações sobre sua empresa e seu ramo. Não há

*
Aluno de Graduação da UEM
**
Professora do Departamento de Ciências Contábeis da UEM
Anais “XIII Semana do Contador de Maringá” – Maringá - 2001 11

como decidir com qualidade sem ao menos possuir informações sobre os números da
empresa. Quanto mais detalhadas forem essas informações, maior qualidade estarão dando ao
processo decisório e, consequentemente, maior probabilidade de acerto haverá.

Objetiva-se, neste estudo, analisar os dados levantados e verificar o número de


empresas que não utilizam a Contabilidade Gerencial. E procurou-se também verificar quais e
quantos controles as empresas utilizam para tomar decisões.

A Evolução da Contabilidade

Não se sabe quem inventou a contabilidade; sabe-se, porém, que ela floresceu através
da aprendizagem e comércio do Oriente com o Ocidente. Invenções tais como a imprensa
impulsionaram o seu surgimento. Em grande parte, esses avanços foram levados à Europa da
China e da Índia por estudiosos árabes e que se desenvolveram num cenário social,
institucional e econômico primitivo.

Segundo HENDRIKSEN (1997), a contabilidade é um produto do Renascimento


Italiano, e começou a dar seus primeiros passos com o surgimento gradativo dos sistemas de
escrituração por partidas dobradas a partir dos séculos XIII e XIV em diversos centros de
comércio no Norte da Itália.

LOPES DE SÁ (1998), referindo-se aos registros encontrados em pedaços de argila,


feitos pelos sumero-babilônios por volta de 4.000 anos antes de Cristo, diz que o nascimento
da Contabilidade é o da inscrição dos elementos da riqueza patrimonial, passando, aos
poucos, a registros de melhor qualidade.

Para IUDÍCIBUS (1997), a noção de conta e, portanto, de contabilidade, talvez seja


tão antiga quanto a origem do homo sapiens.

A evolução da contabilidade sempre esteve associada ao desenvolvimento da


sociedade. O grande marco da ciência contábil, no entanto foi o surgimento da primeira
literatura contábil, produzida por Frei Luca Pacioli, em 1494 o qual descreveu em sua obra o
método das partidas dobradas (utilizado na mensuração da evolução patrimonial, por meio de
débitos e créditos).

Mais recentemente, a evolução dos métodos contábeis tem sido influenciada, ao longo
dos últimos séculos, basicamente por duas razões: desenvolvimento do mercado de capitais e
criação dos impostos sobre a renda, que acabaram por interferir na prática contábil, uma vez
que grande parte das entidades passou a fazer sua contabilidade baseada nos preceitos e
formas da legislação fiscal. Essa prática, apesar de ter trazido algumas contribuições
importantes para o desenvolvimento da contabilidade, acabou por dificultar a adoção de
critérios contábeis corretos, fazendo prevalecer o enforque fiscal em detrimento da melhor
técnica.
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A contabilidade

A contabilidade caracteriza-se por registrar todas as transações de uma organização,


constituindo-se num grande banco de dados. Os dados contábeis são matérias-primas de
informações; portanto, não basta possuí-los, é necessário que estes sejam bem tratados, para
que gerem informações úteis e representem um instrumento gerencial para o processo
decisório.

Segundo FAVERO (1997 p.13)

São as informações que deverão ser geradas para que diversos usuários possam
tomar conhecimentos da situação da organização em dado momento, com a finalidade
de tomar as decisões que considerarem necessárias.

Contabilidade significa interpretação, classificação e registro dos fatos econômico-


financeiros de uma empresa comercial ou industrial, de modo a proporcionar maior eficiência
administrativa e informações mais precisas a investidores, credores e ao público em geral.
Explica como as coisas se passam no mundo dos negócios e informa o cômputo numérico das
transações que se realizaram. Envolve praticamente todos os aspectos de uma empresa
susceptíveis de serem expressos em termos monetários: os ativos, os passivos, as receitas e as
despesas.

Com esse conjunto de informações o empresário dispõe de um quadro da situação


econômica e financeira da sua empresa, com informações precisas que permitem ao
empresário tomar decisões mais acertadas as quais lhe proporcionarão melhores resultados.

Sua Obrigatoriedade

A contabilidade deverá ser elaborada seguindo as normas e princípios contábeis


ditados pelo Conselho Federal de Contabilidade, e atender a legislação pertinente de acordo
com a Lei no 6.404/76. As grandes empresas são obrigadas a manter equipes, contando com
hábeis profissionais, em processos informatizados e de alta tecnologia, para atender às
necessidades e exigências dos diversos usuários internos e externos, sendo os usuários
internos (empregados, administradores e acionistas) e externos (bancos, fornecedores,
governo).

Já as pequenas empresas não mantêm uma estrutura interna administrativa e acabam


utilizando os serviços terceirizados de contabilidade, que são os escritórios de contabilidade
que atendem a um grande número de empresas, dado o alto custo de manutenção de um
contador exclusivo para a empresa.

A Contabilidade gerencial

IUDÍCIBUS (1998, p.21), referindo-se à contabilidade gerencial, afirma:

A contabilidade gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque


especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e
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tratados na contabilidade financeira, (...), colocados numa perspectiva diferente, num


grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação
diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo
decisório.”

A contabilidade gerencial é uma variação da contabilidade financeira, e tem como


usuários apenas os empresários, gerentes e administradores, podendo assim utilizar
ferramentas e regras não aceitas pelo fisco. Na contabilidade gerencial é o usuário quem
define quais informações necessárias os relatórios devem fornecer, para a tomada de decisão,
podendo escolher qual a moeda que melhor representa os valores a serem analisados. Por sua
vez a contabilidade financeira utiliza a moeda oficial como medida de padrão e fornece dados
ao Governo, com o objetivo único de recolher impostos aos cofres públicos.

A contabilidade financeira registra apenas fatos contábeis ocorridos dentro da


legalidade, sob a ótica do fisco; ou seja, não são aceitos documentos fora das especificações.
Seus usuários estão interessados nas informações por ela geradas para recolher impostos,
controlar evasão de receitas e sonegação de impostos.

Já a contabilidade gerencial é um o sistema de informações cujo objetivo é prover a


administração com informações que não podem estar inseridas na Contabilidade Geral por
divergirem dela quanto à classificação, ao critério de avaliação ou a outra razão, apesar de
poderem ser classificadas como contábeis.

O Institute of Management Accounting (Instituto de Contabilistas Gerenciais) a


definiu como: “O processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação,
interpretação e comunicação de informações financeiras usadas pela administração para
planejar, avaliar e controlar dentro de uma Entidade e assegurar uso apropriado e responsável
de seus recursos”.

O processo decisório

Decisão é o processo de análise e escolha que as pessoas fazem para enfrentar


problemas e aproveitar oportunidades, dentro dos objetivos de sua empresa. Um problema é
uma situação que provoca frustração, irritação, interesse ou desafio. Uma oportunidade pode
ser vista da mesma maneira; é uma situação que cria interesse e sensação de desafio por causa
da expectativa de recompensas. “Uma decisão errada representa uma oportunidade que se
deixou de aproveitar, uma ameaça que não se conseguiu enfrentar ou um objetivo que não se
conseguiu atingir. Significa também que comprometeram recursos de difícil recuperação.”
(MAXIMIANO, 2000, p.154).

Todas as pessoas de uma empresa estão continuamente escolhendo e decidindo entre


alternativas mais ou menos racionais que se lhes apresentam pela frente. Essas alternativas
são problemas ou oportunidades que ocorrem no dia-a-dia de qualquer empresa. Não há como
administrar uma empresa sem estar constantemente decidindo. “O administrador que não
toma decisão não está administrando.”(CULLIGAN, 1983, p. 22).

O executivo ou empresário, na atualidade, é essencialmente um tomador de decisões.


Após ter fixado as políticas e diretrizes, a ferramenta que mais utiliza no seu cotidiano
profissional é o processo decisório.
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Essas decisões são tomadas de acordo a personalidade, motivações e atitudes do


indivíduo; em outras palavras, a pessoa decide em função de sua percepção das situações.
Quando decidimos, estamos sempre querendo criar uma situação futura melhor que a atual.
JONES (1973, p. 442), afirma que: “a maior parte de nossas decisões pessoais ou
empresariais se relaciona aos meios de alcançar as coisas materiais que visualizamos ao
idealizarmos nosso mundo perfeito.(...) então decidimos tomar certas medidas que nos
ajudarão a chegar mais perto do mundo perfeito.” SIMON (1979, p.8), por seu turno afirma
que: “as decisões devem ser tomadas à luz dos conhecimentos práticos e científicos.”
Cientificamente, existem dois modelos de decisão os quais estão fundamentados na
quantidade de informação disponível para subsidiar a decisão: o modelo racional, que baseia
se -unicamente na informação para decisão; e o modelo intuitivo baseado na emoção, nos
sentimentos, nas crenças e na opinião pessoal, sem nenhum embasamento teórico ou
conceitual. Ambos os extremos são maléficos, o ideal seria a decisão racional com uma pitada
de intuição. Quanto maior a base de informações, mais racional o processo; quanto menor,
mais intuitivo ele se torna.

A Pesquisa
Para que a amostra fosse selecionada primeiramente utilizou-se o cadastro das
empresas de confecção pertencentes ao sindicato da categoria. Posteriormente foram
selecionadas 40 empresas para aplicar o questionário, das quais apenas 30 responderam. A
amostra pesquisada representa cerca de 2,5% das empresas do ramo, o que consideramos ideal
para nossos propósitos.
As questões foram direcionadas de forma a atingir o segmento das empresas de
confecções com menos de 60 funcionários. A tabela 01 a seguir representa o perfil das
empresas investigadas.
Tabela 01 – Perfil das Empresas Pesquisadas

QUESITO %
Tempo de vida (fundação e/ou atividades)
Mais de 10 anos 7
Menos de 10 anos 93
Sede da Empresa
Cianorte 80
Outras cidades 20
Número de funcionários
Menos de 60 100
Mais de 60 0
Já ouviram falar da contabilidade gerencial
Sim 73
Não 27

Fonte: Pesquisa “In loco”


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Coleta e Análise dos Dados

Das empresas investigadas, apenas 21% afirmaram utilizar as informações da


contabilidade para realizar investimentos, mesmo não tendo a contabilidade gerencial
implantada na empresa.

Pesquisou-se também o número de controles financeiros utilizados pelas empresas


investigadas e o nível de escolaridade dos empresários, na tentativa de que, mesmo não
utilizando a contabilidade gerencial, pudessem utilizar outros tipos de controle que
alternativamente pudessem fornecer informações ao processo de tomada de decisões.

Com os dados foram realizadas tabelas dinâmicas (confrontando os dados sobre o


nível de escolaridade e o número de controle possuídos), e gráficos. Também foi perguntado
aos empresários qual método eles utilizavam para a formação do preço de venda (se por
experiência no ramo ou por planilha de custos) e obtivemos o resultado demonstrado a seguir:

Figura 01 - Número de controles existentes nas empresas investigadas

16

14

12
QTDE. EMPRESAS

10

0
1 2 3 4 5 6 7 8
NR. DE CONTROLES

A figura 01 demonstra que 50% das empresas das investigadas utilizam em média sete
tipos de controles que servem para fornecer os dados para a tomada de decisão na empresa.
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Figura 02 - Nível de escolaridade dos empresários investigados

NÍVEL DE ESCOLARIDADE DOS EMPRESÁRIOS INVESTIGADOS


7%

47%
não informou
segundo grau
Superior
46%

A figura 02 representa que 47% dos empresários que participaram da pesquisa tem
curso superior.

Figura 03 - Método de formação de preço de vendas


MÉTODO DE FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDAS

40%
pela experiência no
ramo
por planilha de
60%
custos

A figura 03 representa que 60% do entrevistados formam o preço de venda de seus


produtos, através da experiência no ramo e o restante 40% utilizam-se de planilha de custos.

A formação do preço de vendas por experiência no ramo, indica que a empresa está
desprovida de instrumentos que dêem suporte necessário para a tomada de decisões.
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Figura 04 - Método de formação de preço de vendas x grau de escolaridade

MÉTODO DE FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDAS X ESCOLARIDADE

10 9
8
8
6
pela experiência no
6 5 ramo
por planilha de
4 custos
2 1 1

0
não informou segundo grau Superior

A figura 04 apresenta a relação do grau de escolaridade dos empresários com a


metodologia da formação do preço de vendas. Percebe-se que quando o empresário possui
apenas o segundo grau as decisões quanto a formação do preço de venda são feitas mais por
experiência no ramo que por planilhas de custo. Quando o empresário tem curso superior esta
diferença diminui significativamente. Isto leva-nos a concluir que com o grau de escolaridade
maior os empresários tendem a valorizar mais os relatórios para a tomada de decisão.

Conclusão

Pôde-se constatar que dentre as empresas analisadas, que a contabilidade gerencial


ainda não é utilizada como ferramenta para a tomada de decisão, por pequenos empresários do
segmento de confecções da cidade de Cianorte-Pr.

Verificou-se que as empresas utilizam alguns controles gerenciais, como instrumento


alternativo para a tomada de decisões.

Cabe-nos esclarecer a esses pequenos empresários que a contabilidade gerencial e o


processo decisório são ferramentas indispensáveis para que o empresário possa melhor
administrar seus negócios.

É necessário que busquem conhecimentos e informações sobre esses instrumentos para


poder se utilizar com eficácia as informações disponíveis na contabilidade gerencial, melhor
gerir seus negócios e fugir da entropia1, que ronda as empresas.

Concluindo, os dados disponíveis na contabilidade gerencial, contêm informações, de


que o empresário necessita e que devem ser comparados com padrões preexistentes e
preestabelecidos disponíveis na biblioteca especializada do ramo. Essas informações
produzem o conhecimento. O Conhecimento, por sua vez, gera a capacidade.

1
Entropia é “um processo pelo qual todas as formas organizadas tendem à homogeneização e, finalmente, à
morte”. (MOTTA, 1985, p. 93).
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Referências

ATKINSON, Anthonya et all. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Atlas, 2000.

CULLIGAN, Matthew J. et al. Administração, de volta às origens. N.Y.: Facts On File, 1983.
Exame, edição especial. jul. 1987.

FAVERO, Hamilton Luiz et al. Contabilidade, teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, v. 1,
1997.

HENDRIKSEN, Eldon S.; BREDA, Michael Van. Teoria da Contabilidade. 5o ed. São Paulo;
Atlas, 1997.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1997.

IUDÍCIBUS, Sérgio de, Contabilidade Gerencial. 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998.

JONES, Manley Howe. Tomada de decisões pelo Executivo. 1.ed. São Paulo: Atlas, v. 2.
1973.

JUNIOR, José Hernandez Perez. Conversão de Demonstrações Contábeis para Moeda


Estrangeira. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Introdução à Administração. 5.ed. São Paulo: Atlas,
2000.

MOTTA, Fernando D. Prestes. Teoria Geral da Administração. 12.ed. São Paulo: Pioneira,
1985.

SÁ, Antonio Lopes de. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 1998.

SIMON, Herbert Alexander, Comportamento Administrativo. 3.ed. Rio de Janeiro: FGV,


1979.