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Rita Laura Segato

Es en Ia tensió n y m utua a lim e n ta c ió n e n tre dos ejes: el de los iguales

- a l ia d o s o c o m p e t id o r e s - y el de los d e s ig u a le s - d o m in a d o r e s y d o m i­
n a d o s - donde, s egún Ia a utora , p u e d e s e r investigad a Ia etiología de Ia
' Las estructuras elementales
v iolência, su usina de p ro ducc ión. Estructura c om ún a to dos los s is te ­

m as en que las m a r c a s de e statu s inflexionan Ia e xpa nsión m o d e rn a dei


de Ia violência
c o ntra to c iu d a d a n o , las re la c io n e s de g ê n e ro son, sin e m b a rg o , c o n s i­

d e ra d a s aqui su e s c e n a p a ra d ig m á tic a . Tal c o m o las c o n o c e m o s en Io


E n s a y o s s o b r e g ê n e r o e n t r e Ia a n t r o p o l o g i a ,
el p s i c o a n á l i s i s y los d e r e c h o s h u m a n o s

Las estructuras elementales de Ia violência


que Ia a utora llam a "Ia larga historia p a tria rc a l", son p re s e n ta d a s com o
Ia célula e le m e n ta l de to da violência.

C o m p re n d e r Ia e sfe ra de Ia intim idad es el apoyo que Ia antrop ologia y


el psicoanálisis p ro p o rc io n an al d e re c h o para auxiliar su ta re a de p a c ifi­

c a r Ia s o c ie d a d . Sólo m e d ia n te una re fo rm a de Ia intim idad será posible


d e s m o n ta r Ia e s c a la d a de Ia violê ncia s oc ie ta ria , d e s d e los niveles m i­

c ro s c ó p ic o s de las a g res io n e s d o m é s tic a s a los niveles m a c ro s c ó p ic o s

Prometes 13010 • Uníversidad Nacional de Quilmes


de las a g re s io n e s bélicas. Para ello ta m b ié n es im pre sc in dible Ia c o o p e -
ración entre el d e re c h o y Ia c o m u n ic a c ió n , pues el prim e ro tr a n s fo rm a Rita Laura Segato
las re la c io n e s s o cia le s m ás por su e fic a c ia sim bólica que por Ia e fic a c ia
de las s e n te n c ia s . Los D e re c h o s H u m a n o s e s ta b le c e n m e ta s y objetivos

para Ia s o c ie d a d , c re a n una nueva m ora lid ad y, por el h e c h o de dar

nom bre a las q u e jas y a los d e se o s colectivos, c u m p le n un papel p e ­


d a g ó g ico y transform ador.

Univorsií l.id ISBN Tfl7-SSfl-Dlfl-X


l Nacional
deüuilm es
Editorial

Prometeo 3010 9789875 580183


Rita Laura Segato

UNIVERSIDADNACIONAL DE QUILMES

Rector
LAS ESTRUCTURAS
M ario Ermácora
ELEMENTALES
Vicerrector
Roque D abat DE LA VIOLÊNCIA
Ensayos sobre gênero entre la antropologia,
el psicoanálisis y los derechos humanos

Universidad

®S S L ,
E d ito rial
Prometeo 3010
Colección: D erechos H um anos. Viejos problem as, nuevas m iradas ÍN D IC E
D irigida por B altasar G arzón

I n t r o d u c c ió n ......................'..................................................................................................................
Segato, R ita L aura
Las estructuras elem entales de la violência - Ia ed. - 1. L a e s t r u c t u r a d e g ê n e r o y el m a n d a to d e v io l a c ió n ............................
B ernal: U niversidad N acional de Q uilm es, 2003.
2. E l g ê n e r o e n l a a n t r o p o l o g ia y m á s a l l á d e e l l a .................................
2 64 p., 20x14 cm .
ISB N 987-558-01 8-X 3. L a c é l u l a v io l e n t a q u e L a c a n n o v io : u n d iá l o g o (ten so )
e n t r e l a a n t r o p o l o g ía y e l p s ic o a n á l is is .....................................................
1. A ntropologia Social. A ntropologia C ultural
I. H isto ria A rgentina 4. L a a rg a m a s a je r á r q u ic a : v io lê n c ia m o ra l,
CD D 306.1 REPR O DU C C IÓ N DEL M U N D O Y LA EFICA CIA SIM B Ó LIC A D EL D E R E C H O

5. L a s e s t r u c t u r a s e l e m e n t a l e s d e l a v io l ê n c ia :

CONTRATO Y ESTATUS EN LA ETIOLOG ÍA DE LA V IO L Ê N C IA ............................

6. L a e c o n o m ia d e l d e s e o e n e l e s p a c io v i r t u a l :

H ABLA N D O SO B RE R EL IG IÓ N POR IN T E R N E T .............................................................

7. L a in v e n c ió n d e l a n a t u r a l e z a : f a m íl ia , SEX O y G ÊN ERO
Editora: Maria Inés Silberberg EN LA TR A D IC IÓ N R EL IG IO SA A FR O B R A SILEN A ........................................................

8. G ênero , p o l ít ic a e h ib r id is m o e n l a t r a n s n a c io n a l iz a c ió n

DE LA CU LTU RA Y o R U B A ........................................................................................................
Diseno: Cutral
9. Los p r in c íp io s d e l a v io l ê n c ia ........................................................................................

© Universidad Nacional de Quilmes, 2003


Roque Sáenz Pena 180
(B1876BXD) Bemal
Buenos Aires

ISBN: 987-558-018-X
Queda heeho el depósito que marca la ley 11.723
Para Jocelina y Ernesto,
a la manera de un legado.

Para José Jorge de Carvalho,


en cuya compahía estudié, trabajé, luché
por la ju sticia y creci durante los últimos 28 anos.
A g r a d e c im ie n t o s

A gradezco a todos los que estuvieron ju n to a m í en el largo cam ino que desem ­
boca en las tesis de este libro, y m uy particularm ente a A gustín B onet por la
lectura rigurosa de todos los textos; a A licia N ovizki, C láudio S p ig u ely D iana
M ilstein por las generosas revisiones, traducciones y apoyo am igo en la recu-
peración dei lenguaje perdido después de tantos anos de exilio lingüístico; a
C arlos H enrique Siqueira, por la asistencia constante y su insistência para que
me decidiera, finalm ente, a recopilartextos dispersos; aN o em í Pérez A xilda por
el perm anente apoyo y estím ulo; a Tania M ara C am pos de A lm eida, O ndina
Pena P ereira, Tatiana G uedes, M ônica T hereza Soares Pechincha, A nand Da-
cier y E rnesto Ignacio de C arvalho por la lectura crítica de algunos trechos de
la obra; a M aria Lizete dos Santos Pereira, Rosinete Freire Souza Santos y Sonia
Regina Gonçalves, por ayudarm e en la tarea de cuidar a mi anciana m am á y a mi
fam ilia, especialm ente en m is frecuentes ausências de casa; a Luisa Fernanda
R ip aA lsin a p o rh ab e r sido, a tra v é s de su gestión com o d irecto rad ei C entro de
D erechos H um anos “ Em ilio M ignone” de la U niversidad N acional de Quilmes,
un eslabón central en la cadena de acontecim ientos que llevaron a esta publica-
ción; a Sara R odrigues da Silva y M aria Luisa da Silva por la lección de gênero;
aM arlen e y A lice Libardoni por la lu ch ay la am istad fem inista; a lju e z Baltasar
G arzón, por haberm e ayudado a realizar el sueno de publicar en mi país; al
licenciado M ario G reco y a todas las personas de la U niversidad N acional de
Q uilm es que hicieron posible la producción de esta obra.
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I n t r o d u c c ió n

Los nueve ensayos aqui reunidos analizan aspectos diferentes de la estructura


patriarcal que conocem os com o “relaciones de g ênero” y apuntan a un m odelo
de com prensión de la violência. D e to d a violência. A un adm itiendo que se trata
de un proyecto osado, no desisto de som eterlo al ju ic io dei lector, pues las tesis
que le dan unidad, y que acabo recogiendo sintéticam ente en el capítulo final,
son el resultado de cerca de dos décadas de elaboración y exposición, sobre
todo frente a la siem pre atenta e inteligente audiência estudiantil en m is clases
de la U niversidad de Brasilia.
La obra avanza a través de los siguientes pasos. En el capítulo 1 - “La
estructura de gênero y el m andato de violación”- , analizo las dinâmicas psíquicas,
sociales y culturales que se encuentran por detrás de la violación y sobre las
cuales ésta, abordada com o un enunciado, da testim onio. En la perspectiva que
defiendo, ese acto -q u e no todas las sociedades contem porâneas ni todas las
épocas de nuestra historia perciben o percibieron com o un crim en - no es sencilla-
m ente una consecuencia de patologias individuales ni, en el otro extremo, un
resultado autom ático de la dom inación m asculina ejercida por los hom bres, sino
un mandato. La idea de m andato hace referencia aqui al imperativo y a la condi-
ción necesaria para la reproducción dei gênero com o estructura de relaciones
entre posiciones marcadas por un diferencial jerárquico e instancia paradigm ática
de todos los otros órdenes de estatus -racial, de clase, entre naciones o reg io n es-
. Esto quiere decir que la violación, com o exacción forzada y naturalizada de un
tributo sexual, juega un papel necesario en la reproducción de la econom ia sim bó­
lica dei poder cuya m arca es el gênero —o la edad u otros sustitutos dei gênero en
condiciones que así lo inducen, como, por ejemplo, en instituciones to ta le s- Se
trata de un acto necesario en los ciclos regulares de restauración de ese poder.
E sta tesis surgió inicialm ente de una escucha prolongada de testim onios
de presos por este tipo de crim en y dei análisis de la m entalidad de ellos a partir
de su discurso. Tam bién pasa revista a las prácticas de violación en épocas
'h istó ric as y culturas diferentes, para concluir que existe un núcleo duro de
sentido de prolongada vigência, atribuible al larguísim o tiem po de la historia
dei gênero, que se confunde con la historia de la p ropia especie.
El análisis dei dispositivo de la violación identifica dos ejes que serán
nivel de los discursos o representaciones - l a ideologia de gênero vigente en
fundam entales para la form ulación de m is tesis finales, recogidas en el capítulo
una determ inada so c ie d a d -y el nivel de las prácticas. Y lo q u e se co m p ru eb aes
9 —“Los p rincípios de la v iolência”- . Ellos son el eje vertical, de la relación dei
que la fluidez, los trânsitos, las circulaciones, las am bivalencias y las form as de
violador con su víctim a - e n general hipervalorizado tanto en los análisis prece­
vivência de gênero que resisten a ser encuadradas en la m atriz heterosexual
dentes com o en los program as p reventivos-, y el eje horizontal -m u c h o más
hegem ônica están y siem pre estuvieron presentes en todos los contextos com o
relevante en mi a n á lis is- de la relación dei violador con sus pares -s u s sem e-
parte de la interacción social y sexual. Sin em bargo, el control dei patriarcado y
jan tes y socios en la fraternidad representada por los hom bres, en el orden de
su coacción se ejercen com o censura en el âm bito de la sim bolización de esa
estatus que es el g ên e ro -, La condición de iguales que hace posible las relacio ­
flu id e z -e l âm bito d iscu rsiv o -, en el cual los significantes son disciplinados y
nes de com petición y alianza entre pares resulta de su dem ostrada capacidad
organizados por categorias que correspontíen al régim en sim bólico patriarcal.
de dom inación sobre aquellos que ocupan la posición débil de la relación de
El discurso cultural sobre el gênero restringe, lim ita, encuadra las prácticas. Y,
estatus, y es esto lo que m e sugirió la utilización para el título de la obra de la
de hecho, este ensayo intenta m ostrar que, com parado con otros ejem plos
noción lévi-straussiana de “estructuras elem entales”, que reciclo aqui, no sin
etnográficos, la construcción O ccidental dei gênero es una de las m enos crea-
tom arm e todas las libertades que consideré necesarias. '
tivas, una de las m enos s o fis tic a d a s , pues enyesa la sexualidad, la personali-
En el capítulo 2 - “El gênero en la antropologia y más allá de ella”- , argu­
dad y los papeles sociales en el dim orfism o antóm ico de m anera m ucho más
m ento que es necesario diferenciar el ju eg o de las identidades dei cristal de
esquem ática que otras culturas no occidentales.
estatus que las constela y organiza. En otras palabras, que es necesario escu-
Para llegar a estos postulados, el texto aborda la ideologia de gênero y los
drinar a través de las representaciones, las ideologias, los discursos acunados
im passes y paradojas dei pensam iento fem inista y hace, tam bién, una crítica de
por las culturas y las prácticas de gênero para acceder a la econom ia sim bólica
cierto tipo de “observación” etnográfica com ún en la práctica de los antropólo­
que instala el régim en jerárq u ico y lo reproduce. El patriarcado, nom bre que
gos. A rgum enta que una observación sim ple, de corte puram ente etnográfico,
recibe el orden de estatus en el caso dei gênero, es, por Io tanto, una estructura
no alcanza para revelar la naturaleza je rárq u ica y la estructura de poder subya-
de relaciones entre posiciones jerárquicam ente ordenadas que tiene conse-
cente e inherente a las relaciones de gênero, que no son ni cuerpos de hom bres
cuencias en el nivel observable, etnografiable, pero que no se confunde con
ni cuerpos de m ujeres, sino posiciones en relación jerárquicam ente dispuestas.
ese nivel fáctico, ni las consecuencias son lineales, causalm ente determ inadas
La tram a de los afectos e investim entos libidinales sustentada por esa jerarq u ía
o siem pre previsibles. A unque los significantes con que se revisten esas p o si­
no es de fácil observación ni se revela a la m irada objetivadora de los etnógra-
ciones estructurales en la vida social son variables, y la fuerza conservadora
fos. El patriarcado es, así, no solam ente la organización de los estatus relativos
dei lenguaje hace que los confundam os con las posiciones de la estructura que
de los m iem bros dei grupo fam iliar de todas las culturas y de todas las épocas
representan (fenôm eno que, en inglês, las autoras denom inan conflatiori), el
docum entadas, sino la propia organización dei cam po sim bólico en esta larga
análisis debe exhibir la diferencia y m ostrar la m ovilidad de los significantes en
p reh isto riad e lah u m an id ad de la c u a l nuestro tiem po todavia form a parte. U na
relación con el plano estable de la estructura que los organiza y les da sentido
estructura que fija y retiene los sím bolos por detrás de la inm ensa variedad de
y valor relativo.
los tipos de organización fam iliar y de uniones conyugales.
El patriarcado es entendido, así, com o perteneciendo al estrato sim bólico
B asándose en evidencia etnográfica de una cultura particular, este ensa­
y, en lenguaje psicoanalítico, com o la estructura inconsciente que conduce los
yo propone una salida para la tram pa estática y ahistórica dei estructuralism o
afectos y d istnbuye valores entre los personajes dei escenario social. La posi-
-lac an ia n o o lév i-strau ssian o - para las relaciones de gênero y el bastidor sim ­
cion dei patriarca es, por lo tanto, una posición en el cam po sim bólico, que se
bólico que parece dom inarlas. La solución que postula es que estas posiciones
transpone en significantes variables en el curso de las interacciones sociales.
relativas, al liberarse paulatinam ente - a través de las luchas históricas dei mo-
P or esta razón, el patriarcado es al m ism o tiem po norm a y proyecto de autorre-
vim iento social y de los câm bios en las prácticas sociales y se x u ale s- de su
produción y, com o tal, su plan em erge de un escrutínio, de un a “escu ch a”
fijación ideológica en el dim orfism o anatôm ico serán cada vez m ás percibidas
etnográfica dem orada y sensible a las relaciones de p oder y su, a veces, inm en-
com o lugares de pasaje, abiertas al trânsito de los sujetos. Pero para que esto
sam ente sutil expresión discursiva. '
resulte en una transform ación efectiva dei m undo, será im portantísim o hacer
Es posible, de esta form a, separar el nivel dei patriarcado sim bólico, el
pro liferar form as de sim bolización para la realidad de estos trânsitos y de esta

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circulación, inscribirlos en el patrón discursivo de la cultura. C uanto m ás énfa- cierto tipo de tecnologias -ta n to de com unicación com o b é lic a s- que prom ue-
sis pongam os en los significantes expresivos dei trânsito y de la m ovilidad de ven o facilitan un posicionam iento tal de los sujetos que ellos pueden sim ular no
gênero, m ás próxim os estarem os de un m undo capaz de trascender la prehisto- sentir los lim ites im puestos por la m aterialidad de los cuerpos -p ro p io y a jen o s-
ria patriarcal. P osiblem ente esto tam bién traiga aparejadas soluciones para la E1 cuerpo es entendido aqui com o el prim er otro, la prim era experiencia dei limite,
violência inherente a la reproducción de todos los regím enes m arcados por el la prim era escena de la incom pletud y de la falta. C uando es forcluido - y esta
estatus. forclusión es potencializada por un dispositivo tecn o ló g ico -, todas las otras
E l capítulo 3 - “ La célula violenta que L acan no vio: un diálogo (tenso) form as de alteridad dejan de constituir el lim ite que el sujeto necesita para califi-
entre la antropologia y el psicoanálisis”- , trata de las posibilidades y las im po- carse, literalm ente, com o un sujeto social. Estam os frente a una realidad regresi-
sibilidades dei trabajo conjunto entre la antropologia y el psicoanálisis, ofrece va, consecuencia de la fantasia narcisista de com pletud y de la negativa a reco-
pautas para la colaboración posible entre am bas disciplinas y m onta un diálogo nocerse castrado, lim itado por la materialidad, índice m ism o de la finitud.
entre los hallazgos etnográficos de M aurice G odelier y uno de los enunciados En el capítulo 4 - “ La argam asa jerárquica: violência m oral, reproducción
nucleares dei edifício conceptual lacaniano. Los B aruya de N ueva G uinea, et- dei m undo y la eficacia sim bólica dei D erecho”- , la violência m oral -p sic o ló g i­
nografiados por G odelier durante aproxim adam ente 30 anos, nos ayudan a en­ c a - es colocada en el centro de la escena de la reproducción dei régim en de
ten der que la proposición lacaniana de que “ la m ujer es el falo m ientras que el estatus, tanto en el caso dei orden de gênero com o en dei orden racial. Se
hom bre tiene el falo” hace referencia a un acto de apropiación que, aunque enfatiza aqui el carácter “norm al” y “norm ativo” de este tipo de violência y su
instalado en la cultura de la especie a Io largo de un a historia que se confunde necesidad en un m undo jerárquico. La violência m oral no es vista com o un
con el tiem po filogenético, está lejos de ser pacífico, y que ese acto de apropia­ m ecanism o espúrio ni m ucho m enos dispensable o erradicable dei orden de
ción es com pelido a reproducirse por m edios violentos regular y cotidianam ente. gênero - o de cualquier orden de e s ta tu s- sino com o inherente y esencial. Por
Propongo, tam bién, en este ensayo, una “ antropologia dei sujeto” - d if e ­ lo tanto, no se p rioriza aqui -c o m o es habitual en otros an á lisis- su carácter de
renciada de una antropologia de la identidad, de la subjetividad o de la cons- p rim er m om ento en la escalada de la violência dom éstica, es decir, de paso
trucción de la persona, capítulos ya clásicos de la d iscip lin a-, que sea capaz de previo a la violência física, sino su papel com o usina que recicla diariam ente el
utilizar el lente relativista para observar cóm o posicionam ientos, distancias y orden de estatus y que, en condiciones “ norm ales” , se basta para hacerlo.
m utualidades entre interlocutores en el cam po de la interacción social varían, C om batir esas form as rutinarias de violência es posible, pero es im pres-
por el hecho de resultar de la orientación m oral de las diferentes culturas o cindible entender esa lucha com o parte de un trabajo de desestabilización y de
épocas y de responder con alto grado de autom atism o a lo que sus dispositi­ erosión dei propio orden de estatus, y no com o un paliativo -u n a sim ple co-
vos tecnológicos y sus protocolos de etiqueta propician. rrección de los excesos de v io lê n c ia - para que éste pueda seguir su m archa
El tem a encuentra continuación en el capítulo 6 - “La econom ia dei deseo autorrestauradora. El objetivo es la construcción de una so cied a d - p o r el m o­
en el espacio virtual: hablando sobre religión por Internet”- , que expone, a m ento y a falta de una perspectiva utópica m ás clara y co n v in ce n te- p o st-
partir dei registro y el análisis de varios casos de interacción virtual sobre p a tria rca l.
tem as de credo religioso, el carácter om nipotente dei sujeto contem porâneo En toda la obra se afirm a que la m oral y la costum bre son indisociables de
usuário de Internet y su “telescopia” . M uestra cóm o una relación que ap aren ­ la dim ensión violenta dei régim en jerárq u ico . Si bien la esfera de la ley es con­
tem ente reform ula las relaciones de gênero y parece trascender el determ inism o cebida com o regida por el orden dei contrato, m ientras la esfera de la costum bre
biológico, al hacer de cuenta que el cuerpo puede ser inventado discursiva- es entendida com o regida por el orden de estatus y, p o r lo tanto, en gran m edida
m ente en el am biente cibernético, da origen a un sentim iento de om nipotencia inm une a la presión dei contrato jurídico m oderno sobre ella, sin em bargo, tanto
y m ultiplica la agresividad de los sujetos. éste com o el capítulo siguiente -c a p ítu lo 5: “Las estructuras elem entales de la
Utilizando conceptos psicoanalíticos, el argum ento pretende m ostrar que violência: contrato y status en la etiología de la vio lên cia”- defienden la nece­
este “ sintom a” contem porâneo resulta de la pretensión de los interlocutores dei sidad de legislar en derechos hum anos. Esta posición se explica no tanto p or la
ciberespacio de dialogar com o si el cuerpo no existiera. Se trata, por lo tanto, de p ro d u ctiv id ad dei D erecho en el sentido de que orienta las sentencias de los
un ejercicio de la antropologia dei sujeto propuesta anteriorm ente, en el capítulo ju e ce s, sino por su capacidad de sim bolizar los elem entos de un proyecto de
3, pues m uestra la especificidad dei sujeto contem porâneo Occidental, afín a m undo, crear un sistem a de nom bres que perm ite constituir la ley com o un

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cam po en disputa, com o una arena política. La eficiencia sim bólica dei D erecho desventajas y las privaciones im puestas por la esclavitud, la capacidad de la
es entendida com o la eficiencia de un sistem a de nom inación que crea realidad civilización diaspórica yoruba para difundirse e iinponer sus sistem as de creen-
y perm ite com probar la naturaleza histórica, m utable, dei mundo. cia y convivência en sociedades distantes -c o m o C uba y el Brasil durante la
Es tam bién en este capítulo, hom ônim o dei título de la obra, donde apare­ colonia y, en una onda expansiva m ás reciente, los E stados U nidos y los países
ce una prim era síntesis de la tesis central, que hace residir en un procedim iento de la cuenca dei Rio de la P la ta - está estrecham ente vinculada con la m aleabi-
descripto com o exacción dei tributo de gênero la condición indispensable lidad, la an d ro g in iay la ausência de determ inism o biológico de su concepción
para el credenciam iento de los que aspiran al estatus m asculino y esperan de gênero. Tam bién m uestra que la m anera en que tres estudiosos distintos
poder com petir o aliarse entre sí, regidos por un sistem a contractual. - u n a yoruba radicada en los Estados U nidos de N orteam érica, un estadouni-
Si m e pareció ésta la ubicación adecuada para el capítulo 7 - “La inven- dense y la autora dei texto, latinoam ericana- form ulan y ecuacionan las particu­
ción de la naturaleza: fam ilia, sexo y gênero en latradición religiosa afrobrasile­ laridades de los patrones de gênero y oruba depende estrecham ente de sus
na”- dentro de la lógica de la obra, el lo no significa que tam bién lo sea en el intereses y de la inserción geopolítica de su tarea intelectual.
orden cronológico de mi trayecto hacia la com prensión de los tem as aqui trata­ Tres interpretaciones diferentes de la construcción de gênero en la tradi­
dos. Este ensayo etnográfico representa, de hecho, mi ingreso en el m undo de ción yoruba son analizadas en cuanto discursos posicionados e interesados de
la reflexión sobre el gênero, y creo no exagerar cuando afirm o que toda mi los respectivos autores para exponer la econom ia política dei discurso etnográfi­
p osterior com prensión dei tem a fue posible porque tuve la oportunidad de co. Sin em bargo, se com prueba que los tres autores, a pesar de sus diferencias,
abordarlo desde la perspectiva que adquiri durante mi prolongada inm ersión en apuntan de form a inconfundible para el carácter radicalm ente antiesencialista de
la trad ició n religiosa afrobrasilena de Recife, en el nordeste brasileno. El culto las concepciones de gênero en esa cultura, lo que pareceria indicar que esa
X angô de Recife fue mi gran escuela de análisis de gênero, lo que m e facilito, característica tan notable de la tradición en cuestión podría estar en la base de su
más tarde, la lectura de la com pleja producción intelectual de esta área de capacidad de crecim iento y su adaptación en el N uevo M undo, tanto en el perío­
estúdios y tam bién la lectura de la perspectiva psicoanalítica lacaniana. do postesclavitud com o en el nuevo período de expansión que viven actualm en-
En ese texto describo, a partir de los datos obtenidos durante un extenso te las religiones afrobrasilenas de origen yoruba. En el caso particular de la ver-
trabajo de cam po, una sociedad andrógina, donde en verdad no tiene sentido sión afrobrasilena, el uso híbrido de los térm inos propios de la fam ilia patriarcal,
h ab lar de heterosexualidad u hom osexualidad ya que se trata de un^ visión dei com o la posición dei padre, de la madre, dei hijo m ayor y la desconstrucción de
m undo que obedece a patrones de gênero distintos de los occidentales. V incu­ las ideas de conyugalidad, prim ogenitura, autoridad y herencia, acaba por deses-
lo esta otra m anera de “ inventar la n aturaleza” , radicalm ente antiesencialista y tabilizar la propia estructura y m inar las bases de la m atriz heterosexual propia dei
antideterm inista en lo biológico, con la experiencia de la esclavitud, que rom pió patriarcado. Es a través de un “mal uso”, de una “m ala práctica” dei patriarcado
el canon patriarcal africano y creó otro estatuto de la fam ilia, de la descenden- m itológicam ente fundam entada, que los m iem bros dei culto se ríen dei orden de
cia, de la sexualidad, de la personalidad y de la división sexual dei trabajo. estatus, dei Estado brasileno con su traición perm anente a los afrodescendientes
Fue, com o dije, de la m ano de los m iem bros dei culto X angô de R ecife que y dei patriarcado sim bólico cuyos m andatos son, en realidad, destinados al des­
inicié mi reflexión sobre gênero. A partir de esta tradición crítica, m arginal, que acato. Es por medio de esta desestabilización y una corrosión irreverente que el
con su práctica derivada de la experiencia de la esclavitud y con su condición orden cam bia dentro dei universo de las religiones afrobrasilenas.
inicial de ser o tropueblo, p u eb lo subalterno, en el interior de la nación, elab o ­ Finalm ente, dedico el capítulo 9 - “Los princípios de la violência”- a expo­
ro un conjunto de enunciados que operan, p o rm e d io de un discurso irônico y n er de form a sintética las tesis centrales que atraviesan toda la obra. Éstas se
críptico, nada m ás y nada m enos que la desconstrucción dei horizonte patriar­ refieren al papel de la violência en la reproducción dei orden de gênero y a la
cal hegem ônico en la sociedad circundante. A partir de esta iniciación descons- interdependencia entre violência y gênero, para afirm ar que la articulación vio­
tructiva e irônica a la ley dei gênero, m e resultó m ás sencillo atravesar con una lenta es paradigm ática de la econom ia sim bólica de todos los regím enes de
m irada crítica los efectos dei patriarcado sim bólico en la interacción social. estatus. Tam bién se indica, ejem plificando con el discurso híbrido, desestabili-
Es en el capítulo 8 - “G ênero, política e hibridism o en latransnacionaliza- zador e irônico dei códice religioso afrobrasileno, entendido com o una form a
ción de la cultura Y oruba”- , que lo aprendido en la etnografía dei X angô de efectiva de reflexividad, una posible salida de la hum anidad en dirección a una
R ecife alcanza su sentido pleno. Este ensayo m uestra cóm o, a pesar de las época pospatriarcal.

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1. L a e s t r u c tu r a de g ên ero
Y EL M ANDATO D E V IO L A C IÓ N *

El presente análisis se refiere a lo que llam aré aqui “violación cruenta” , a falta
de una expresión m ás adecuada. La violación cruenta es la com etida en el
anonim ato de las calles, por personas desconocidas, anônim as, y en la cual la
persuasión cum ple un papel m enor; el acto se realiza por m edio de la fuerza o la
am enaza de su uso. A los ojos dei ciudadano com ún y poco conocedor de las
cuestiones de gênero, éste es el tipo de violación que se enm arca con m ás
facilidad en la categoria de delito. A diferencia de otras form as de violência de
gênero, es m ínim a su am bigüedad com o acto cruento, posible gracias al poten­
cial de fuerza física y el poder de m uerte de un indivíduo sobre otro. Por eso
m ism o, una absoluta m ayoría de los detenidos por atentados contra la libertad
sexual está en cuad rad a en este tipo de delito, aunque éste rep resen ta una
porción insignificante de las form as de violência sexual e incluso, m uy proba-
blem ente, de las form as de sexo forzado. C om o se sabe, faltan las estadísticas y
los procesos son pocos cuando se trata de abuso incestuoso o acoso produci-
do en la privacidad de la vida dom éstica.
A p esar de sab er que las categ o rias ju ríd ic a s son b astante v ariab les de
un país a o tro ,1 no u tilizaré aqui la n o ción de violación en n inguna de sus

* Con excepción dei capítulo 2, la traducción es de Horacio Pons.


1 En el Brasil, el Código Penal define la violación como un delito de acción privada y
la encuadra en el artículo 213 (leyes 8069/90, 8072/90 y 8930/94); se la considera-de
manera muy significativa, como demostraré- un delito contra las costumbres y no contra
las personas. Está restringida al sexo vaginal entre un hombre y una mujer, contra la
voluntad de ésta, concretado debido al uso de la violência o una grave amenaza. En esta
legislación, por lo tanto, sólo hay violación cuando hay penetración dei pene en la vagina.
De acuerdo con la Guia dos Direitos da Mulher (1994, p. 92): “La violência puede ser:
física, cuando el violador emplea !a fuerza física para dominar a la mujer y someterla a una
relación sexual; psicológica, cuando el violador provoca miedo o pânico en la víctima y
ésta queda inerte, sin posibilidades de reaccionar, [oj con amenaza. cuando el violador
amenaza causar algún mal a la mujer o a otra persona de su interés”. Los actos libidinosos
distintos de ia conjunción carnal, como el hecho de obligar, mediante violência o grave
amenaza, a practicar sexo anal u oral, o imponer, a través de la coacción o el apremio, la

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acepciones legales sino en el sentido m ás corriente y, a mi entender, m ás “agresión por la agresión”, sin finalidad ulterior en térm inos pragm áticos. Y
adecuado, de cu alq u ier form a de sexo forzado im puesto por un indivíduo con aun cuando se disfrace con alguna supuesta finalidad, en últim a instancia se
poder de intim idación sobre otro. Prefiero referirm e a la violación com o el uso revela com o el surgim iento de una estructura sin sujeto, una estructura en la
y abuso dei cuerpo dei otro, sin que éste p a rtic ip e con intención o vo lu n ta d cual la posibilidad de consum ir el ser dei otro a través dei usufructo de su
com parables.
cuerpo es la caución o el horizonte que, en definitiva, posibilita todo valo r o
significación. D e im proviso, un acto violento sin sentido atraviesa a un sujeto
y sale a la superfície de la vida social com o revelación de una latencia, una
La signiíicación de Ia “violación cruenta” tensión que late en el sustrato de la ordenación jerá rq u ica de la sociedad.
D esde el inicio de la investigación tuve la certeza de que, si contáram os
La violación cruenta es el tipo de delito con m enor representación cuantitativa con la oportunidad y la disposición de escuchar atentam ente Io que pueden
entre las form as de violência sexual. C om o es sabido, la violência dom éstica y decirnos los hom bres que fueron capaces de com eter este delito, nos aproxim a­
los abusos com etidos en la intim idad dei hogar entre personas em parentadas ríam os al enigm a que representa, tanto para ellos com o para nosotros, el im pul­
son Ias foi m as m as com unes y frecuentes de esos delitos y constituyen, según so agresivo propio y característico dei su jeto m asculino hacia quien m uestra
las estadisticas conocidas en Ias m ás diversas localidades de Brasil y el exte­ los s ig n o s y gestos de la fem in eid a d . H ablar de ello, en estos párrafos iniciales,
rior aproxim adam ente el setenta po r ciento de los casos. A sí, Ia violación se no resulta sencillo: m e veo obligada, tan prem aturam ente, a hacer referencia a
p ierde en gran m edida, tanto en las estadísticas de los hechos com o en la un “sujeto m asculino” en contraste con “quien exhibe significantes fem eni-
literatura existente, dentro dei gran tem a de la violência dom éstica, m ucho más nos” , en lugar de utilizar los habituales “hom bre” y “m ujer” porque, a decir
corriente en Ia vida y abordado con m ás frecuencia por los estúdios de delitos verdad, la violación - e n cuanto uso y abuso dei cuerpo dei o tro - no es una
sexuales. A sim ism o, la literatura relativam ente escasa sobre la violación cruen­ p ráctica exclusiva de los hom bres ni son siem pre las m ujeres quienes la pade-
ta es en su casi totalidad de orden pragm ático, basada en estadísticas y consis­ cen. N o podem os conform am os ni por un instante con lo literal o lo que parece
tente en instrucciones destinadas al público fem enino sobre cóm o evitar el evidente por sí m ism o; si lo hiciéram os, nos alejaríam os cada vez m ás de las
delito o los pasos que debe seguir la víctim a luego de haberlo sufrido. estructuras subyacentes a los com portam ientos que observam os. Con todo,
Sin em bargo, a pesar de su incidência relativam ente baja, m e gustaría con- así com o un sujeto identificado con el registro afectivo m asculino suele ser un
centrarm e en ella con el interés de com prenderla, en Ia convicción de que no sólo hom bre, tam bién es estadísticam ente m ás probable que los significantes de la
nos proporciona una de las claves de la inteligibilidad de las agresiones de «éne- fem ineidad estén asociados a la mujer.
ro en térm inos globales y de la naturaleza estructuralm ente conflictiva de°esas Esta digresión cobra especial - p e r o no e x c lu siv a - pertinencia cuando
relaciones, sino que ofrece pistas valiosas para la com prensión dei fenôm eno de trabajam os, por ejem plo, en el am biente de la prisión, donde, pese a estar en un
la violência en general. Esto se debe a la destilada irracionalidad dei delito de m edio poblado por anatom ias de h o m b res, la estructura de gênero reaparece
vioiacion. C om o intentaré argumentar, ésta se presenta com o un acto violento com o estructura de p o d er, y con ella el uso y abuso dei cuerpo de unos por
casi en estado puro, vale decir, despojado de finalidades instrum entales otros.2 N o obstante lo dicho, y com o consecuencia de la inércia constitutiva
Tal com o se desprende de innum erables relatos de presos condenados dei lenguaje y la persuasión irresistible que los significantes ejercen sobre
por violadores, podríam os decir, para parafrasear aquella expresión clásica so­ nosotros, m i discurso sobre lo fem enino y lo m asculino se deslizará aqui una y
bre el significado de la obra de arte en la m odernidad cuando habla dei “arte por otra vez, y de m anera ineludible, hacia los significantes hom bre y m ujer. Por
el arte”, que en la sociedad contem porânea la violación es un fenôm eno de consiguiente, los dejo instalados desde ya, pero con reservas.
L a concepción de la violación p resentada a continuación se basa, de
form a bastante libre y especulativa, en análisis de prontuários y declaraciones
realizacion de otras formas de contacto de naturaleza sexual a quien no las quiere ni las
desea. se ineluyen en la categoria de "atentado violento al pudor", definido por el Código 2 En Schifter (1999) se encontrará un extraordinario y revelador análisis, apoyado por
sn70 oCn articulo
,It0,6,dey aCC‘Ón PÚb' iCa e" SU artíCUÍ0 214 <ley 8°69/90, artículo 263; ley el informe de numerosos casos rigurosamente documentados, de la vida sexual de los
8072/90, ley 8930/94).
sujetos encarcelados en prisiones de Costa Rica.

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de violadores.3 Se trata de testim onios de hom bres encarcelados que, aunque tuvieron noticias. P or debajo de este nivel m eram ente fáctico se esconden
tem erosos, están casi siem pre dispuestos a hablar y ansiosos por ser escucha- otros que es preciso considerar. Y ju stam en te para indicar esa m ultiplicidad de
dos. H om bres que, com o después com probaríam os, elaboran incansablem en- niveles de com prensión de este fenôm eno —que en cierto sentido lo hacen ser
te, a lo largo de sus anos de encierro, el hecho y las circunstancias de sus uno y el m ism o y, a la vez, lo transform an en una serie de fenôm enos d iv erso s-,
delitos, haciendo uso de los escasos recursos analíticos y expresivos con que habló aqui de una fenom enología.
cuentan en cada caso. Su reflexión sobre los actos com etidos es de gran valor En el plano étnico, las evidencias m uestran que no existe sociedad donde
y rara vez atraviesa los m uros de la cárcel. H urgar en sus m otivaciones, sus no exista el fenômeno de la violación. Sin embargo, la variabilidad de la incidência
estrategias de autojustificación y, por últim o, en su propia com prensión de los de esta práctica es notable; hay sociedades -tip icam en te Estados U n id o s- don­
actos perpetrados, es de m áxim a im portancia porque ellos son actores protagó- de esa incidência es m áxim a, y otras en las cuales se reduce a casos extrem ada-
nicos en la tragédia dei gênero y testigos dei carácter casi ineluctable dei des­ m ente esporádicos y singulares, según la cultura y, en particular, la form a asumi-
tino que esa estructura nos traza a todos. Por sus m anos se alcanza la evidencia da por las relaciones de gênero en unas y otras culturas. En un estúdio com para­
últim a de la índole de ese destino y gracias a sus confesiones podem os em pe- tivo de ciento cin cu en tay seis sociedades tribales, Peggy Sanday (1981) conclu-
zar a vislum brar el m andato que el gênero nos im pone. D e este m odo hacem os yó que existen sociedades “propensas a la violación y sociedades libres de la
un aporte a un cam po en el cual la literatura aún es relativam ente escasa, inclu­ violación” . N o obstante, entre estas últim as la autora incluye las sociedades
so en países com o E stados U nidos, donde la violación es un delito de m uy donde el acto es “raro”, y en un artículo más reciente senala lo siguiente:
elevada incidência.
Al hablar de sociedad libre de violación no pretendo decir que ésta esté
totalmente ausente. En Sumatra Occidental, por ejemplo, durante 1981,
La dim ensión sociológica de Ia violación dos informes policiales enumeraron veintiocho violaciones en una pobia-
ción de tres millones de habitantes. Esta cifra puede compararse con los
Tanto las pruebas históricas com o etnográficas m uestran la universalidad de la más de ochenta y dos mil casos “fundados” de violación registrados en los
experiencia de la violación. El acceso sexual al cuerpo de la m ujer sin su consen- informes de delitos habituales de Estados Unidos en 1982. Trabajos de
tim iento es un hecho sobre el cual todas las sociedades hum anas tienen o campo en ambas sociedades confirman la clasificación de Sumatra Occi­
dental como libre de violación con respecto a Estados Unidos, una socie­
dad propensa a cometeria (Sanday, 1992, p. 91).
3 Un grupo de estudiantes de antropologia bajo mi eoordinaeión leyó los prontuários
de los ochenta y dos internos confinados en abril de 1994 en la cárcel de Papuda, comple-
jo penitenciário dei Distrito Federal, Brasil, por delitos sancionados en los artículos 213 L as pru eb as etn og ráficas ponen de reliev e que en las sociedades trib ales, se
y 214 dei Código Penal, es decir, "delitos contra la libertad sexual”, aunque a veces trate de indios am erican o s o so cied ad es p o lin esias o africanas, la v iolación
combinados con otros como lesión corporal o delitos contra la propiedad (véase Almeida, tien d e a ser un acto p u n itiv o y d iscip lin ad o r de la m ujer, p racticado en grupo
França et al., 1995). En una segunda etapa, entre agosto de 1994 y abril de 1995, se co n tra un a v íctim a que se ha v u elto v u ln erab le por h aber p ro fan ad o secretos
procedió a realizar las entrevistas extensas, centradas en dieciséis internos y resultantes de la in iciació n m asculina, por no co n tar o h ab er p erd id o la p ro tecció n dei
en alrededor de cinco horas de grabación cada una, comodamente efectuadas a lo largo de pad re o los h erm anos o por no u sar una pren d a de la v estim en ta indicativa de
varias sesiones semanales. Los diálogos con los internos se realizaron cara a cara, en salas que tien e esa p rotección o acata su p erten en cia al grupo. En las sociedades
privadas, sin esposas, sin rejas ni vidrios que separaran a entrevistador y entrevistado y indígenas tam b ién existe la p ráctica de las guerras por m u jeres, vale decir, el
sin agentes penitenciários dentro dei recinto. Las entrevistas fueron abiertas y su princi­
secu estro de m u jeres de otros grupos para casarse con ellas, lo cual im plica
pal objetivo era permitir al sujeto reflexionar y explayarse sobre las circunstancias de los
cierto tip o de v io lació n p ara ap ro p iarse de su cap acid ad rep ro d u ctiv a (véase
delitos cometidos, así como rememorar el paisaje mental de esos momentos y los datos
L araia, s.f.). En este aspecto, podem os d ecir que en esas sociedades la v io la­
biográficos que creyese relacionados. Este primer análisis de esos materiales, aqui publi­
cado, puede considerarse todavia programático, porque no utilizo de manera exhaustiva ción es, en general, u na p ráctica reg lam en tad a, p rescrip ta dentro de determ i­
las entrevistas grabadas e intento, en cambio, hacer un primer esbozo de los temas n adas co n d icio n es, y no rev iste el carácter de desvio o delito que tiene para
centrales que surgieron en ellas a la luz de una perspectiva histórica y cultural abarcativa. nuestro sentido com ún.

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Con todo, tam bién en nuestras sociedades Ia violación puede practicarse condiciones de una m odernidad plena o avanzada, ella deja de ser una exten­
en bandas y, según revelan nuestros datos, con una intención punitiva. De sión dei derecho de otro hom bre y, por lo tanto, la violación pierde el carácter de
hecho, tanto en Ia dim ensión histórica com o en sus variantes culturales, es una agresión que, transitivam ente, afecta a otro hom bre a través dei cuerpo de
posible que las diferencias aparentes dei fenôm eno se deriven de variaciones la m ujer, para ser entendida com o un delito contra la p ersona de ésta. En rigor,
en la m anifestación de una m ism a estructura jerárquica, com o puede ser Ia podríam os decir que la violación sólo se convierte en un delito en el sentido
estructura de gênero. A decir verdad, es m enester preguntarse si Ia cuestión estricto dei térm ino con el advenim iento de la m odernidad. A ntes, puede consi-
territorial y de estado en la cual se inscribe la violación en las sociedades derársela com o un acto regulado por las relaciones sociales, cuya aparición se
prem odem as, o el carácter de dom esticación de Ia m ujer insubordinada que asocia a determ inadas circunstancias dei orden social.
asum e en las sociedades tribales, están m uy distantes de Ia experiencia urbana AI m antener la idea de “delito contra las costum bres” y no “contra la
contem porânea. A pesar de que, en este nuevo contexto, el acto com etido persona” , la ley brasilena prolonga la noción p rem oderna de una agresión que,
apunta ahora al disciplinam iento de una m ujer genérica y y a no concreta, o a través dei cuerpo de la m ujer, se dirige a otro y, en éste, am enaza la sociedad
im plica un desafio dirigido a otro hom bre tam bién sin identidad definida, ambos en su conjunto, al poner en riesgo derechos y prerrogativas de su padre y su
com ponentes resuenan, de algún m odo, en los relatos de los violadores entre­ m arido, tales com o, entre otros, el control de la herencia y la continuidad de la
vistados. D e tal m odo, podría tratarse de una conducta referida a una estru ctu ­ estirpe. A su vez, la figura legal de “ legítim a defensa de la honra” , habitualm en­
ra que, a despecho de la variación de sus m anifestaciones históricas, se repro- te invocada en los tribunales brasilenos, pone de m anifiesto el residuo de la
duce en un tiem po “m onum ental” (K risteva, 1981), filogenético. U na estructura sociedad de estatus, prem oderna, que antecede a la sociedad m oderna y con-
anclada en el terreno de Io sim bólico y cuyo epifenóm eno son Ias relaciones tractual constituída por sujetos sin m arca (de gênero o raza), que entran en el
sociales, las interacciones concretas entre hom bres y m ujeres históricos (Se«a- derecho en un pie de igualdad. El delito por honra indica que el hom bre es
to, 1998). alcanzado y afectado en su integridad m oral por los actos de las m ujeres vin cu ­
ladas a él.
En el plano histórico, la violación acom panó a las sociedades a través de las Leer la legislación brasilena en esta perspectiva es im portante, porque así
épocas y en los m ás diversos regím enes políticos y condiciones de existencia. se advierte que la ley contra la violación no pretende proteger a la víctim a en su
La m vestigación ya clásica de Susan B row nm iller (1975) acum ula pruebas de individualidad y su derecho ciudadano, sino el orden social, la “costum bre” . La
ello, que tam bién ha sido tem a de otros autores (Shorter, 1975, 1977). La gran exclusividad de la violación vaginal y la exclusión de la definición legal de otros
divisória de aguas, no obstante, es la existente entre sociedades prem odernas tipos posibles de violación subrayan este sentido, según el cual lo que interesa
y m odernas. En las prim eras, la violación tiende a ser una cuestión de estado resguardar es en prim er lugar la herencia y la continuidad de la estirpe. También
(Tomaselli, 1992, pp. 19-21), una extensión de la cuestión de la soberania territo­ se advierte la extraordinaria lentitud dei tiem po de gênero, el cristal casi inerte
rial, puesto que, com o territorio, la m ujer y, m ás exactam ente, el acceso sexual a de sus estructuras.
ella, es un patrim onio, un bien por el cual los hom bres com Pitcn entre sí En una En el m undo contem porâneo, adem ás, las situaciones de guerra transpa-
am pliación interesante de este aspecto, R ichard T rexler (1995) com prueba, por rentan el hecho de que el sojuzgam iento de la m ujer al estatus m asculino aún
ejem plo, que en Ia conquista de A m érica (así com o entre los pueblos autócto- está vigente. A sí lo dem ostraron recientem ente las violaciones m asivas de
nos y entre los europeos en Ias prácticas anteriores al encuentro de am bos) el m ujeres durante la guerra de Yugoslavia. Es interesante constatar, en el relato
lenguaje dei gênero estaba asociado al proceso de subordinación por la guerra de Bette D enich, el aspecto de ofensiva y conquista de territorios que la viola­
En la bibliografia brasilena (Baines, 1991; Ram os, 1995) hay asim ism o eviden­ ción volvió a asum ir en ese conflicto:
cias de la fem inización dei indio - o de su infantilización-, lo cual, una vez m ás,
plantea la equivalencia de los térm inos “conquistado”, “ dom inado” , “som eti- Perpetradores masculinos se apropiaron de las mujeres simultáneamente
do” y “fem enino” . ’ como objetos de violência sexual y símbolos en una contienda con hombres
E sta situación com ienza a m odificarse con el surgim iento de la m oderni- rivales que reprodujo las formas tradicionales dei patriarcado en los Balca-
dad y el individualism o que, poco a poco, extienden la ciudadanía a Ia m u jer y nes, donde la incapacidad de los hombres de proteger a “sus” mujeres y
la transform an así en sujeto de derecho a la par dei hom bre. De tal m odo, en controlar su sexualidad y poderes procreativos se percibe como un sintoma

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crítico de debilidad [...] El elemento adicional de ia fecundación forzada de su trab ajo , esas p ro stitu tas incluyen en la n o ción de v io lació n cu alq u ier fo r­
las mujeres cautivas reveló un componente ideológico intencional en la m a de ru p tu ra u n ilateral dei co n trato estab lecid o con el clien te por p arte de
violência sexual, ya que los soldados justificaban la violación como método éste. A sí, se consideran v iolación to d as las infraccio n es al acuerdo, com o la
para reproducir su propio grupo étnico (Denich, 1995, p. 68). falta de pago dei servicio, el pago con un cheque sin fondos, la no u tilizació n
o el abandono u n ilateral dei p reservativo, el intento de 1levar a cabo practicas
E ste resu rg im ien to o sim ultaneidad de lo p rem od ern o y lo m oderno nos re- sexuales no convenidas de an tem ano o el uso de la fu erza física. “ La ru p tu ra
cuerda Ia tesis de C arole Patem an que, en discrepancia con Freud, L évi-Strauss dei contrato se calif.ca de v iolación” (Day, 1994, p. 185). C reo que el uso de la
y L acan, no ve en el asesinato dei padre el acto v io len to que funda la v id a en categ o ria de “ v io lació n ” de esta m an era “ in clu y en te” , com o la describ e la
sociedad y da paso a un contrato entre iguales, y se sitúa en cam bio en un autora (ibid., p. 179), no es casual ni lim itada sino que pone de m anifiesto una
m om ento precedente que habla de Ia posibilidad de dom inación dei patriarca. teo ria p ro p ia de las p ro stitu tas, p erfectam en te co m p atib le con el m odelo de
En una se c u e n c ia a rg u m e n ta tiv a a la vez m ítica y lógica, Patem an ap u n ta a la P atem an y su scep tib le de ap licarse a la v io lació n en g eneral y no sólo al
v iolación, en el sentido de apropiación po r la fuerza de todas las hem bras de m arco p ro fesio n al de las trab ajad o ras dei sexo: la v io lació n es ju sta m e n te la
su h o rd a por parte dei m a ch o -p ad re-p atriarca prim itivo, com o el crim en que infracción que d em u estra la frag ilid ad y su p erficialid ad dei contrato cuando
da origen a la prim era Ley, la ley de! estatus: la ley dei gênero. El asesinato dei de relacio n es de gênero se trata, y es siem p re un a ru p tu ra contractual que
padre m arca el inicio de un contrato de m utuo reco n o cim ien to de derechos pone en evidencia, en cualquier contexto, el som etim iento de los indivíduos a
entre hom bres y, com o tal, es posterio r a la violació n o ap ro p iació n de las estru ctu ras jerá rq u ica m en te co n stitu íd as. En el p lano a la vez m ítico y lógico
m ujeres por la fuerza, que m arca el establecim iento de un sistem a de estatus. en que Patem an fo rm u la su m odelo, es ju stam e n te la v iolación - y no el asesi­
En verdad, para P atem an, la violación - y no el asesin ato dei padre que pone nato dei padre, com o en el m odelo freudiano de T ó te m y ta b ú - la que instaura
fin al incesto y perm ite la prom ulgación de la L ey que lo p ro h íb e - es el acto de la p rim era ley, el o rden dei estatus, y esa ley, por lo tanto, se restau ra y
fu erza o riginário, instituyente de la prim era Ley, dei fundam ento dei orden revitaliza ciclicam ente en ella.
social. En este contexto argum entativo, en el cual se senala el hecho de que las
Para esta autora, entonces, la ley dei estatus desigual de los gêneros es relaciones de gênero obedecen a estructuras de orden m uy arcaico y respon-
anterior al contrato entre hom bres derivado dei asesinato dei padre. La regula- den a un tiem po extraordinariam ente lento, yo agregaria la violación com o una
ción por m edio dei estatus precede la regulación contractual. En un com ienzo, situación en la que un contrato que debería regular las relaciones entre indiví­
Ia ley se form ula dentro de un sistem a ya existente de estatus y se refiere a la duos en la sociedad m oderna se d em uestra ineficaz para controlar el abuso de
protección y m antenim iento dei estatus m asculino. U na vez instaurado el siste­ un gênero por el otro, derivado de un pensam iento regido por el estatus.
m a de contrato entre pares (u hom bres), Ia m ujer queda protegida en cuanto En realidad, sólo en la sociedad contractual la m ujer queda protegida por
está puesta bajo el dom inio de un hom bre signatario de ese contrato; vale decir, la m ism a ley que rige las relaciones entre hom bres en tanto sujetos de derecho.
el sistem a de estatus se m antiene activo dentro dei sistem a de contrato. Si bien Sin em bargo, afirm a Patem an, la estructura de gênero nunca adquu re un carác­
con la m odernidad plena la m ujer pasa a ser parte dei sistem a contractual, para ter com pletam ente contractual, y su régim en perm anente es el estatus. En el
Patem an, el sistem a de estatus inherente al gênero sigue gesticulando y latien- caso particular de la violación com o agresión a otro hom bre a través de la
do detrás de la form alidad dei contrato; nunca desaparece dei todo y, en lo apropiación de un cuerpo fem enino, com o conquista territorial o com o delito
co ncem iente a las relaciones de gênero, hace que el sistem a contractual jam ás contra la sociedad y no contra la persona, com probam os, una vez m ás, el aflo ­
pu eda alcanzar una vigência plena. Las peculiaridades y contradicciones dei ram iento dei régim en de estatus característico de la estructura jerárq u ica de
contrato m atrim onial, así com o el acuerdo fugaz que se establece en la prostitu- gênero, a pesar dei contexto m oderno y supuestam ente contractual.
ción, m ostrarían para esta autora la fragilidad dei lenguaje contractual cuando E ste asp ecto es relev an te aqui porque sólo este tipo de consideración
se trata de gênero. ' p erm ite co m p ren d er la afirm ació n re p e tid i un a y o tra vez por los v ioladores
Los d escubrim ientos de S ophie D ay entre Ias p ro stitu tas londinenses, co ndenados, en el sentido de que no les resu ltab a dei todo claro que estaban
aunque no in terpretados de esta form a por la autora, parecen p ro p o rcio n ar co m etien d o un d elito en el m om ento de p erp etrarlo . Lejos de d esco n fiar de
u na ilustración de ese conflicto de estru ctu ras fundadoras. En el co n tex to de este tip o de afirm ació n o ignoraria, debem os en ten d er lo que significa, sobre

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Ititlu eu una ciudad com o B rasília: se trata dei lado perverso de la superviven- de estatus y su capacidad de regular el com portam iento social. Las consecuen-
u a de un sislem a prem oderno, ordenado p o re i régim en jerárq u ico de estatus, cias consisten tanto en las brechas de descontrol social abiertas por este pro­
paia el cual la apropiación dei cuerpo fem enino, en d eterm inadas co n d icio ­ ceso de im plantación de una m odernidad poco reflexiva, com o en la desregula-
nes, no constituye n ecesariam ente un delito. E sa apropiación, en el m edio ción dei sistem a de estatus tradicional, que deja expuesto su lado perverso, a
liadicional dei cual se liberaron en el escaso plazo de u n ag en eració n lam ay o - través dei cual resurge el derecho natural de apropiación dei cuerpo fem enino
ría de los violadores entrevistados, era regulada por la com unidad, que vigi- cuando se lo percibe en condiciones de desprotección, vale decir, el aflora-
laba con d ilig en cia la articulación dei estatus con el co n trato de no agresión m iento de un estado de naturaleza.
y respeto m utuo entre patriarcas. Y aun cuando la ap ropiación dei cuerpo
fem enino (o fem inizado por el acto m ism o de su subo rd in ació n ) se dé en un
m arco de supuesta m odernidad plena, com o no es infrecuente, se p roduce en El carácter responsivo dei acto y sus interpelaciones
la superposición de dos sistem as: uno que eleva a la m u jer a un estatus de
individualidad y ciudadanía igual al dei hom bre, y otro que Ie im pone su Justam ente aqui, en el contexto de esta evaluación de la relación siem pre tensa
tutela. Este últim o, com o com prueba LIoyd Vogelm an en su revelador estúdio entre estatus y contrato, por un lado, y dei suelo arcaico en el cual se anclan las
de la m entalidad de los violadores en Sudáfrica, sigue estab lecien d o que las relaciones de gênero, por otro, es posible entender una serie de tem as que
“m ujeres que no son p ropiedad de un hom bre (las que no están en u na rela­ recorren el discurso de los violadores y sugieren una triple referencia de este
ción sexual excluyente) son percibidas com o propiedad de todos los h om ­ delito:
bres. En esencia, pierden su autonom ia física y se x u al” (V ogelm an, 1991, p. 1. C om o castigo o venganza contra una m ujer genérica que salió de su
178). E sta norm a tien e su origen en un sistem a de estatus, que rige el gênero lugar, esto es, de su posición subordinada y ostensiblem ente tutelada en un
y sigue apareciendo y dem ostrando su vitalidad inalterada. sistem a de estatus. Y ese abandono de su lugar alude a m ostrar los signos de
Es necesario escuchar e intentar entender lo que se dice en las reiteradas una socialidad y una sexualidad gobernadas de m anera autônom a o bien, sim-
alegaciones de ignorancia previa de Ia ley por parte de los condenados de plem ente, a encontrarse fisicam ente lejos de la protección activa de otro hom ­
Brasilia. Sólo esa com prensión puede conducirnos a estrategias eficaces de bre. El m ero desplazam iento de la m ujer hacia una posición no destinada a ella
prevención. D ichas afirm aciones pueden indicar la existencia de un tipo de en la jerarq u ía dei m odelo tradicional pone en entredicho la posición dei h om ­
sujeto desorientado ante el enfrentam iento trágico y agonístico entre dos o rde­ bre en esa estructura, ya que el estatus es siem pre un valor en un sistem a de
nes norm ativos cuya com petencia no se resolvió en el trânsito abrupto y co n ­ relaciones. M ás aún, en relaciones m arcadas por el estatus, com o el gênero, el
fuso dei inundo tradicional a la m odernidad. Esto sugeriria que, en un contexto polo jerárq u ico se constituye y rea liza ju stam e n te a expensas de la subordina­
com o éste, el delito de violación se produce en el pasaje incierto dei sistem a de ción dei otro. Com o si dijéram os: el poder no existe sin la subordinación, am bos
estatus al sistem a de contrato pleno entre iguales, en el crepúsculo oscuro de son subproductos de un m ism o proceso, una m ism a estructura, posibilitada
la transición de un m undo a otro sin vínculo con una form ulación discursiva por la usurpación dei ser de uno por el otro. En un sentido m etafórico, pero a
satisfactoria y al alcance de todos. Sin duda, las características de la ciudad de veces tam bién literal, la violación es un acto canibalístico, en el cual lo fem eni­
B rasilia, con sus gigantescas extensiones vacías, el origen m igratorio de la no es obligado a ponerse en el lugar de dador: de fuerza, poder, virilidad.
m ayor parte de su población y la consiguiente ruptura con el régim en de com u­ En ese aspecto, la violación se percibe com o un acto disciplinador y
nidad, sus norm as tradicionales reguladoras dei estatus dentro dei contrato vengador contra una m ujer genéricam ente abordada. El m andato de castigaria
social y la v igilancía activa de su cum plim iento, tienen un papel im portante en y sacarle su vitalidad se siente com o una conm inación fuerte e ineludible. Por
la notable incidência relativa de la violación entre los delitos com etidos en ella. eso la violación es adem ás un castigo y el violador, en su concepción, un
La fórm ula de Brasilia: grandes distancias y poca com unidad, constituye ei m oralizador. “ Sólo la m ujer creyente es bu en a”, nos dice un interno, lo cual
caldo de cultivo ideal para ese delito. significa: “sólo ella no m erece ser violada” . Y esto, a su vez, quíere decir: “toda
Por lo antedicho, podría afirm arse que, cuanto más repentino y abarcati- m ujer que no sea rigidam ente m oral es susceptible de violación” . Pesa sobre la
vo es el proceso de m odernización y m ás brusca es la ruptura de los lazos m ujer una sospecha que el violador no logra soportar, pues se vuelve contra él,
com unitários, m enos discursivam ente elaborado será el retroceso dei sistem a contra su incapacidad de poseer el derecho viril y la capacidad de ejercer con-

30
trol sobre ella. C on la m odernidad y la consiguiente exacerbación de la autono­ cono cid o a hom bres que buscaron otras so lu cio n es y crearon otros d isp o si­
m ia de las m ujeres, esa tensión, naturalm ente, se agudiza. tiv o s fam iliares y so ciales g racias a los cuales la restau ració n dei estatus
A l destacar el carácter genérico de la m ujer abordada, indico ju stam en te m ediante la subordinación de la m ujer frente a otros hom bres no fuera im pres-
esto: que se trata de cualquier m ujer, y su sujeción resulta n ecesaria para la cindible. De este m odo, bell hooks desm onta lo que podríam os llam ar la hipó-
econom ia sim bólica dei violador com o índice de que el equilíbrio dei orden de tesis de la d eterm in ació n funcional y h o m eo stática (en el sen tid o de rep ara-
gênero se m antiene intacto o ha sido restablecido. E sto coincide con el planteo ción de un eq u ilíb rio p erdido) de la v iolación. En efecto, es necesario hacer
de Sharon M arcus cuando sefiala que la interacción de la violación responde a una crítica dei m andato de v iolación en un sistem a de estatus, y afirm ar con
una “hoja de ruta” , en el sentido de una interlocución fija estructurada por una ese fin la posib ilid ad de otras soluciones m ás felices para las relaciones de
“gram ática de violência m arcada por el gênero” ( “g en d e re d g ra m m a r o f vio- gênero. En otras palabras, con su lú c id ay y a clásica reflex ió n sobre Ia sexua-
le n c e ”, M arcus, 1992, p. 392). La m ujer g enérica a la cual hago referencia es la lidad dei hom bre negro, bell hooks nos sen ala que no debem os ver la repara-
m ujer sujeta al papel fem enino en este dram a, la m ujer con un itinerário fijo en ción dei estatus m ascu lin o m ediante la su b o rd in ació n v io len ta de la m u jer
esa estructura gram atical que opone sujetos y objetos de violência m arcados com o una salid a inevitable y p rev isib le al “ p ro b lem a” de Ia m asculinidad
por el gênero. Por eso, afirm a la autora, alterar esa hoja de ruta, rom per su m alograda, en contextos de extrem a d esig u ald ad en los cuales los hom bres
previsibilidad y la fijeza de sus roles puede ser una de las form as de “ asestar un excluídos ya no están en condiciones de ejercer la autoridad reservada a el los
golpe m ortal a la cultura de la v iolación” (ibid., p. 400). por el patriarcado.
2. C om o agresión o afrenta contra otro hom bre tam bién genérico, cuyo 3. C om o una dem ostración de fuerza y virilidad ante una com unidad de
p oder es desafiado y su patrim onio usurpado m ediante la apropiación de un pares, con el objetivo de garantizar o preservar un lugar entre ellos probándo-
cuerpo fem enino o en un m ovim iento de restauración de un poder perdido para les que uno tiene com petencia sexual y fuerza física. Esto es característico de
él. En su análisis de dos pinturas de R em brandt sobre la violación de Lucrecia, las violaciones com etidas por pandillas, por lo com ún de jó v en es y h ab itu al­
M ieke Bal sintetiza esta idea, bosquejando el legado de otros que pensaron y m ente las más crueles. Sin em bargo, en m uchos de los testim onios escuchados,
registraron esa percepción dei sentido dei delito: aunque se trate de un delito solitário, persiste la intención d eh a ce rlo con, pa ra
o ante una com unidad de interlocutores m asculinos capaces de otorgar un
“Los hombres violan lo que otros hombres poseen”, escribió Catherine estatus igual al perpetrador. A unque la pandilla no esté fisicam ente presente
Stimpson (1980, p. 58); “falso deseo” es la definieión de Shakespeare, durante la violación, form a parte dei horizonte m ental de! violador jo v en . Y el
propuestayaen el segundo verso de su Lucrecia. "Aimer selon l'autre“ es acto de agresión encuentra su sentido m ás pleno en estos interlocutores en la
laexpresión de René Girard (1961); Between Men es el título dei libro de Eve som bra y no, com o podría creerse, en un supuesto deseo de satisfacción sexual
Sedgwick (1985). Todas estas expresiones sugieren por qué los hombres o de robo de un servicio sexual que, de acuerdo con la norm a, debería contratar-
violan; también se refieren a qué es una violación: un acto semiótico público. se en la form a de una relación m atrim onial o en el m ercado de la prostitución. Se
Además de ser violência física y asesinato psicológico, la violación es tam­ trata m ás de la exhibición de la sexualidad com o capacidad viril y violenta que
bién un acto de lenguaje corporal manifestado a otros hombres a través de y de la búsqueda de placer sexual.
en el cuerpo de una mujer (Bal, 1991, p. 85). En este análisis, la violación aparece contenida en un tram a de racionalidad
que la hace inteligible en cuanto discurso para otros, o que encuentra su sentido
E sta situación es particu larm en te característica de so cied ad es de ap arth eid en los personajes presentes en el paisaje m ental dei violador, a quienes se d irg e
racial o social, en las cuales se hace sen tir la ex isten cia de fu ertes barreras de este tipo de acto violento. Los tres referentes m encionados no impiden, no obs­
exclusión y m arginación. Ya es clásico la violación dei h o m b re neg ro , tan tante, que las m aneras de practicarlo varíen am pliam ente entre extremos que
p resente en la literatu ra so cio ló g ica (véase, por ejem plo, V ogelm an, 1991, p. parecerían no tener relación entre sí. Los desem penos dei acto pueden variar
135). Pero no podem os dejar de recordar aqui la crítica de bell hooks (1992) a entre una búsqueda dei limite, en la cual la m uerte de la víctim a es la única
un tipo de interpretación que naturaliza y ju stific a la asp iració n dei hom bre resolución posible, y el m ontaje de una escena por parte dei violador, en que la
negro a acceder a las prerrogativas dei p atriarca blanco en el sistem a de víctim a es tratada con cuidado, com o ocurre en los casos en los cuales el victima-
estatus. La au to ra advierte que p o d ría no ser así y, de hech o , afirm a h aber rio cubre el suelo donde la obligará a tenderse o m odifica el tipo de relación sexual

33
dcspués cie cnterarse de que es virgen, am bos registrados en los prontuários y
los lestim onios recogidos. Estas m odalidades, estilos o escenas no cam bian la
teoria de la “subcultura” violenta en la cual la violación sea previsible, ya que
m cionalidad general dei acto ante otros. En su fa n ta sia -a q u i representada de
de ese m odo trasladaríam os la sospecha de un “tip o ” psicológico a un “ tipo”
m anera perform ativa-, el violador intenta presentarse com o más seductor o más
social, sin englobar en ella a las sociedades en su conjunto y valores vastam en­
violento, pero siem pre frente a otros, sean éstos sus com petidores y pares en la
te com partidos y difundidos.
escena bélica entre hom bres que es el horizonte de sentido de la violación, o la
El énfasis de mi análisis en este trabajo, a partir de una am plia escucha de
m ujer transgresora que lo em ascula y lo hace sufrir.
los testim onios recogidos en la cárcel, apunta a un violador a quien, aun cuan­
En 1971, en su estúdio estadístico detallado de los patrones de violación
do actúa solo, podríam os describir com o “acom panado” por su conciencia
en la ciudad de Filadélfia, M enachem A m ir pone por prim era vez de relieve dos
com o un paisaje m ental “ con otras presencias” , y a un acto intim am ente ligado
hechos cuya interrelación es relevante aqui: el prim ero es que no corresponde
al m andato de interlocutores presentes en el horizonte m ental, el âm bito discur­
la atribución de psicopatologías individuales a los violadores, ya que el v io la­
sivo en que se realiza. Por consiguiente, mi m odelo presupone una estructura
dor es sim plem ente un integrante m ás dentro de determ inados grupos sociales,
dialógica, en el sentido bajtiniano, entre el violador y otros genéricos, poblado-
con valores y norm as de conducta com partidos, lo que el autor denom ina “sub-
res dei imaginario, en la cual encuentra su sentido la violación, entendida com o
culturas” :
un acto expresivo revelador de significados.

Este abordaje propone, entre otras cosas, explicar la distribución y los


El enunciado está lleno de ecos y recuerdos de otros enunciados [...] [y]
patrones diferenciales dei delito y de quienes lo cometen, no en términos
debe considerarse, sobre todo, como una respuesta a enunciados anteriores
de motivaciones individuales y procesos mentales no reproducibles que
, dentro de una esfera dada [...(: los refuta, los confirma, los completa, sebasa
puedan inducir a cometerlo, sino en términos de variaciones entre grupos
en el los [... j. Por esta razón, el enunciado está lleno de reacciones-respues-
y sus normas eulturales y condiciones sociales. Como los más altos índi­
tas a otros enunciados en una esfera dada de la comunieación verbal [ ...]. La
ces de las transgresiones estudiadas se dieron en grupos relativamente
expresividad de un enunciado siempre es, en mayor o menor medida, una
homogêneos, se supone, por lo tanto, que esos grupos se sitúan en una
respuesta-, en otras palabras: manifiesta no sólo su propia relación con el
subcultura (Amir, 1971, p. 319).
objeto dei enunciado, sino también la relación dei locutor con los enunciados
dei otro (Bajtin, 1992, pp. 316-317).
El segundo hecho es que las violaciones perpetradas en com panía, vale decir,
El enunciado siempre tiene un destinatario (con características varia­
por grupos de hom bres o pandillas, son prácticam ente tan com unes com o las
bles, puede ser más o menos próximo, concreto, pereibido con mayor o
com etidas en soledad (Amir, 1971, p. 337).
menor conciencia) de quien el autor de la producción verbal espera y pre­
En la o bra que inicia la discusión de la violación en la form a com o hoy la
sume una comprensión responsiva. Este destinatario es el segando |...|.
conocem os, Susan B row nm iller(1975) valora el descubrim iento estadístico de
No obstante, al margen de ese destinatario (o segundo), el autor dei enun­
A m ir y am plia sus conclusiones y consecuencias, destacando la im portancia
ciado, de modo más o menos consciente, presupone un superdestinatario
de la refutación dei m ito de que “el violador es un ofensor reservado y solitá­
superior (o tercero), cuya comprensión responsiva absolutamente exacta
rio”, am én de no tener “ ninguna patologia identificable al m argen de los des­
se sitúa sea en un espacio metafísico, sea en un tiempo histórico alejado
vios individuales y trastornos de la personalidad que pueden caracterizar a
[...]. Todo diálogo se desenvuelve como si fuera presenciado por un tercero
cualquier ofensor que com ete cualquier tipo de delito” (B row nm iller, 1975, pp.
invisible, dotado de una comprensión responsiva y situado por encima de
181-182). Esta autora tam bién atribuye la “ subcultura” de violadores de A m ir a
todos los participantes dei diálogo (los interlocutores) (ibid., p. 356).
distintas épocas, sociedades y grupos sociales, para lo cual reúne evidencias
en toda la extensión dei espectro histórico, cultural y social. C om o senalaré más
Esto no carece de consecuencias, pues si lo que hace significativo e inteligible
adelante, esa “ norm alidad” dei violador se am pliará aún más en la form ulación
el acto es la conm inación planteada por esos otros genéricos contenidos en el
de una tesis fem inista, en la huella de la com pilación de casos realizada por
horizonte m ental dei violador, tam bién es esa presencia, justam ente, la que
B row nm iller con un alcance universal. A sí se evitan tam bién los riesgos de una
deberá suspenderse, neutralizarse, elim inarse y sustituirse en cualquier p ro ce­
so de rehabilitación que p retenda resu ltar eficaz.
D ecir que la violación debe com prenderse com o un acto en com panía M odelos interp retativos: la p ersp ectiva m édico-legal,
im p lica h ac er hincapié en su dim ensión intersubjetiva. La galeria de “acom pa­ la perspectiva fem inista y la perspectiva dei m andato
hantes” o interlocutores en la som bra que participan de ese acto se incorpora a dei poder en la estructura de gênero
la vida dei sujeto desde un prim er m om ento y a partir de allí siem pre es confir­
m ada. Se trata de una aprehensión de los otros m arcada por una com prensión Lo que hem os senalado hasta aqui coincide en sugerir que la violación siem pre
de la centralidad y la estructura de la diferencia de gênero, así com o una hiper- apunta a una experiencia de m asculinidad fragilizada. Y éste seria el significado
sensibilidad, trabajada por la socialización, a las exigencias que esa diferencia últim o de la tan com entada violación com etida en el violador por sus com pane-
plantea al sujeto m asculino para que éste s e a y tenga identidad com o tal. Esas rós dei âm bito carcelario. “P resiones” es el nom bre dado a este tipo de m altrato
“com panías” silenciosas, que presionan, están incorporadas al sujeto y ya sexualizado infligido y padecido en la prisión. Y si bien el térm ino puede ser un
form an parte de él. Puede decirse, por lo tanto, que su acto, su delito, m ás que eufem ism o, es posible que tam bién sea la senal de una coacción para doblegar-
subjetivo, es intersubjetivo: participan otros im aginados. se y aceptar una posición afín con la propia naturaleza en la estructura de
D esde este punto de vista, es posible interpretar lo que ellos m ism os relaciones fuertem ente m arcada por una concepción de los lugares y atributos
intentan decir en las entrevistas realizadas cuando afirm an, reiteradas veces, de gênero. N o se trataria m eram ente de un “castigo” com o lo caracteriza popu­
que “no fui y o ” o “ fui yo, pero otro me lo hacia hacer” , “había algo, alguien larm ente el folclore de las cárceles, sino de algo m ás profundo: enunciado,
m ás”, cuya agencia cobra una indiscutible corporeidad y un poder determ inan­ hecho público y constatación de la escasa virilidad dei violador, de su m ascu ­
te: alcohol, droga, el diablo, un espiritu que “ cobró cuerpo” , un com panero e linidad frágil. Un ejem plo más de la sociologia profunda que suelen contener
incluso, en uno de los casos, un verdadero autor dei delito, con nom bre y las teorias locales.
apellido, que según el prontuário fue inventado por el reo. Con estas coartadas, “ M asculinidad” representa aqui una identidad dependiente de un esta­
el violador no trata sim plem ente de m entir o eludir su culpabilidad. Más exacta- tus que engloba, sintetiza y confunde p oder sexual, poder social y poder de
m ente, intenta describ iry exam inar la experiencia de una falta de autonom ia que m uerte. “ Los hom bres”, dice Ken P lum m er en un interesante análisis de las
lo deja perplejo; los otros, dentro de su conciencia, hablan a veces más alto que relaciones entre m asculinidad, poder y violación, “ se autodefinen a partir de su
su razón propiam ente subjetiva. Esta escucha rigurosa de las paiabras es fun­ cultura com o personas con necesidad de estar en control, un proceso que
dam ental para com prender un tipo de delito cuyo sentido escapa a la racionali- com ienzan a aprender en la prim era infancia. Si este núcleo de control desapa­
dad no sólo dei investigador sino tam bién de sus propios autores, ju stam en te rece o se pone en duda, puede producirse una reacción a esa vulnerabilidad.
porque su razón de ser no se agota en el individuo sino que procede de un [...] Esta crisis en el rol m asculino puede ser la dinâm ica central que es preciso
cam po intersubjetivo que debe tom arse en cuenta para hacer que su acto, su analizar para tener acceso a las distintas facetas de la violación [...] los m iem ­
“burrada” , com o dicen en algunas ocasiones, sea inteligible. bros de los grupos sociales m ás bajos parecen ser especialm ente vulnerables.
Sin em bargo, esa m ism a característica aqui m encionada puede allanar el En la clase trabajadora y las m inorias raciales esa crisis alcanza su m áxim a
cam ino para latransform ación dei sujeto y su rehabilitación, siem pre y cuando, m agnitud: en el fondo de la escala social, su sentido de la m asculinidad es
en una perspectiva m ás fenom enológica que estructuralista, aceptem os que absolutam ente fundam ental” (Plum m er, 1984, p. 49). Para este autor, “el proble­
“ esa experiencia de si m ism o, o de sí m ism o en relación con el otro, se ajusta m a de la violación se convierte, en gran m edida, en el problem a de la m asculini­
continuam ente a ciertos fines y es m odulada por las circunstancias” (Jackson, dad, y es éste el que debe investigarse si se pretende resolver algún dia el
1996, p. 27), y cream os que el violador puede verse libre de los “fantasm as” que prim ero” {ibid., p. 53). Lo cual significa, ju stam en te, com prender al hom bre a
lo acom panan y le hacen dem andas, para abrirse e incorporar un m undo de quien aludo en este trabajo, y las tram as de sentido en las que se entrelazan la
otros transform ados: una m ujer cuya libertad no lo am enace, unos com paneros m asculinidad y el fenôm eno de la violación.
que no le im pongan condiciones para pertenecer y unos antagonistas que no De tal modo, la violación puede com prenderse com o una form a de restau­
m uestren a sus m ujeres com o extensión de sus posesiones y su honra. rar el estatus m asculino danado, aflorando aqui la sospecha de una afrenta y la
ganancia (fácil) en un desafio a los otros hom bres y a la m ujer que cortó los
lazos de dependencia dei orden dei estatus, todos ellos genéricam ente entendi­
dos. En rigor de verdad, no se trata de que el hom bre p u ed e violar, sino de una

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lener una eficacia relativa y porosa, no puede p rescin d ir de la fuerza. Por lo
inversión de esta hipótesís: debe violar, si no por las vias dei hecho, sí al m enos tanto, esta form a de violência delata la im potência de quien alcanza la suprem a­
de m anera alegórica, m etafórica o en la fantasia. Este abuso estructuralm ente cia en ese juego, para m antener al otro bajo su dom inio absoluto” (1995, p. 218).
previsto, esta usurpación dei ser, acto vam pírico perpetrado p a ra ser hom bre, lis im portante senalar aqui, sin em bargo, una posición que se separa tanto de
rehacerse com o hom bre en detrim ento dei otro, a expensas de la mujer, en un un m odelo explicativo centrado en la patologia individual dei delincuente (en
horizonte de pares, tiene lugar dentro de un doble doble vínculo: el doble este caso, su fragilidad y em asculación) com o de la explicación por un supues-
vínculo de los m ensajes contradictorios dei orden dei estatus y el orden con­ lo poder que form aria parte de la naturaleza dei hom bre. No se trata de un
tractual, y el doble vínculo inherente a la naturaleza dei patriarca, que debe ser problem a lim itado a la esfera dei individuo ni es la consecuencia directa y
autoridad m oral y poder al m ism o tiem po. espontânea dei ejercicio dei poder dei hom bre sobre la mujer.
El estatus m asculino, com o lo dem uestran en un tiem po filogenético los D iana Scully, en un exhaustivo e inteligente análisis de un corpus de
rituales de iniciación de los hom bres y las form as tradicionales de acceso a él, entrevistas con ciento catorce violadores co ndenados, postula el antagonism o
debe conquistarse por m edio de pruebas y la superación de desafios que, de las dos tesis:
m uchas veces, exigen incluso contem plar la posibiiidad de la m uerte. Com o
este estatus se adquierc, se conquista, existe el riesgo constante de perderlo y, Ln contraste con el modelo psicopatológieo, este libro se basa en una
por lo tanto, es preciso asegurarlo y restaurado diariam ente. Si el lenguaje de la perspectiva feminista y en el supuesto previo de que la violência sexual
fem ineidad es un lenguaje perform ativo, dram ático, el de Ia m asculinidad es un tiene un origen sociocultural: los hombres aprenden a violar. Por consi-
lenguaje violento de conquista y preservación activa de un valor. La violación guiente, en vez de examinar las historias clínicas de hombres sexualmente
debe com prenderse en el m arco de esta diferencia y com o m ovim icnto de res­ violentos en busca de las pruebas de una patologia (en la literatura tradi­
tauración de un estatus siem pre a punto de perderse e instaurado, a su vez, a cional, a menudo aeusatoria de sus madres o esposas) o de motivos indi­
expensas y en desm edro de otro, fem enino, de cuya subordinación se vuelve viduales, utilicé coleetivamenle a los violadores condenados como exper­
dependiente. tos capacitados para informar sobre una cultura sexualmente violenta (Scu­
Com o coronación de sus investigaciones durante m ás de tres décadas lly, 1994, p. 162).
entre los baruyas de N ueva G uinea, G odelier cuenta que Ilegó a descubrir el
secreto más sorprendente y m ejor guardado dei grupo: la flauta ritual de Ia casa La autora expone de m anera convincente las razones que la apartan de las
de los hom bres, sím bolo y secreto de Ia m asculinidad, es, en verdad, de Ias explicaciones psicopatológicas, al senalar que éstas separan “ la violência sexual
m ujeres y fite ro hada p o r ellos, quienes, desde entonces, se benefician con su dei reino dei m undo ‘n o rm al’ o cotidiano y la sitúan en la categoria de com por-
u íilta ció n (Godelier, 1996, p. 182). La expoliación de lo femenino - p o r la fuerza, tam iento ‘especial’”, elim inando “cualquier concxión o am enaza a los hombres
por el ro b o - se expresa aqui de una m anera asom brosam ente cercana a,la m áxi­ ‘n o rm ales’” . De este m odo, el abordaje “ nunca va m ás al lá dei ofensor indivi­
m a lacaniana según la cual “ la m ujer es el falo'’, m ientras que “el hom bre tiene el dual” , “ unos pocos hom bres ‘e n ferm o s’ [...] A sí, el m odelo psicopatológieo o
falo” (Lacan, 1977, p. 289). De este m odo se senala tam bién lo que circula desde m édico legal de la violación prescinde de la neccsidad de indagar o m odificar
la m ujer hacia el hom bre com o exacción, condición sine qua m m de la m asculi­ los elem entos de una sociedad que pueden precipitar la violência sexual contra
nidad. Pero si esto form a parte de una estructura identificable en universos tan las m ujeres” (Scully, 1994, p. 46). Por otra parte, la tesis fem inista “ ve la viola­
distantes, significa que la “fragilidad” m asculina y su dependencia de una ción corno una extensión de la conducta norm ativa m asculina, el resultado de la
“sustancia” que chupa o roba lo fem enino no es una condición excepcional, la adaptación a los valores y prerrogativas que definen el rol m asculino en las
“enferm edad” de algunos indivíduos o de los integrantes m asculinos de algu- sociedades p atriarcales” (ibid., p. 49).
nas categorias sociales, sino parte constitutiva de la propia estructura y la A mi entender, el discurso de los violadores entrevistados indica una
naturaleza de sus posiciones. tercera posición, orientada hacia lo que podríam os d escrib irco m o un “m anda­
La atribución de un sentim iento de inferioridad y una “m asculinidad da­ to” de violación. Este m andato, planteado por la sociedad, rige en el horizonte
nada” com o fundam ento que da sentido a Ia violación es bastante recurrente m ental dei hom bre sexualm ente agresivo por la presencia de interlocutores en
en la literatura (véanse, entre otros, Brom berg, 1948, y West, Roy y N ichols, las som bras, a los cuales el delincuente dirige su acto y en quienes éste adquie-
1978). Com o afirm an H eleieth Saffioti y Suely de A lm eida: “ el poder [...] por
re su pleno sentido. Y el m andato expresa el precepto social de que ese hom bre
debe ser capaz de dem ostrar su virilidad, en cuanto com puesto indiscernible de una práctica habitual en 1996 y 1997 entre las bandas de ladrones de la ciudad
m asculinidad y subjetividad, m ediante la exacción de la dádiva de lo fem enino. de M éxico, que después de robarlas rapaban la cabeza de las m ujeres victim iza-
A nte la im posibihdad de obtenerla por conducto de procedim ientos am parados das, im poniéndoles lo que se entendió consensualm ente com o “v ejam en” o
por la ley, aquellas presencias fuerzan al hom bre a arrancaria por m édios violen­ “hum illación” y tam bién puede ser com prendido com o una violación m etafó ri­
tos. La entrega de Ia dádiva de lo fem enino es la condición que hace posible el ca, pues resultaba en un “castigo adicional” que debían sufrir las m ujeres - y no
surgim iento de Io m asculino y su reconocim iento com o sujeto así posicionado. los hom bres asa lta d o s- unicam ente a causa de su gênero.
En otras palabras, el sujeto no viola porque tiene poder o para dem ostrar que Io O tro ejem plo de una violación m ás sim bolizada que física es la definición
tiene, sino porque debe obtenerlo. “ incluyente” de ese acto utilizada por las prostitutas londinenses en el m arco de
su trabajo, Según la cual “ la violência física o la am enaza de violência se incluye
en la m ism a categoria que el incum plim iento dei contrato de servicio convenido”
La dim ensión sim bólica de la violación (Day, 1994, p. 179) por parte dei cliente; entre las infracciones se cuentan, por
ejem plo, sacarse el preservativo, no pagar lo acordado, dar un cheque sin fon-
Me parece posible, de hecho, afirm ar que la violación form a parte de una es­ dos u obligarlas a prácticas no convenidas durante la relación sexual. Todas
tructura de subordinación que es anterior a cualquier escena que la dram atice y estas y otras formas de ruptura dei contrato preestablecido entre la prostituta y
le de concreción. C om o senala K aja Silverm an (1992) con respecto a Ia estruc­ el cliente son denom inadas “violación” por las trabajadoras sexuales.
tura de genero, la violación participa dei horizonte de lo sim bólico, y sólo por N o obstante, la alegoria por ex celen ciaes, a mi juicio, la constituída por la
esa razon ciertas escenas no exaetam ente sexuales pueden ser leídas com o m ale gaze o m irada fija m asculina, en su depredación sim bólica dei cuerpo
em anaciones de ese terreno sim bólico y su ordenam iento. El uso y abuso dei fem enino fragm entado. La m irada fija, en oposición al m irar, fue teo rizad a por
cuerpo dei otro sin su consentim iento puede darse de diferentes form as no Lacan y exam inada de m anera esclarecedora en su m ecânica por Kaja Silverm an
todas igualm ente observables. * (1996). Este tipo de intervención visual procede al escrutínio de su objeto sin
Hablaría entonces, en prim er lugar, de Io que podríam os llam ar “violación que pueda deducirse la conm utabilidad de posiciones entre observador y ob­
alegórica , en la cual no se produce un contacto que pueda c a lifk arse de sexual servador, y en esta característica se diferen cia dei m irar: éste se intercam bia,
pero hay m tencion de abuso y m anipulación indeseada dei otro. Im aginem os la m ientras que la m irada fija es im perativa, sobrevuela la escena y captura a su
escena de una película en la cual un violador asuela un vecindario, aterrorizan­ presa. La câm ara fotográfica incorpora este tipo de intervención visual en el
do a las m ujeres que viven en él. El relato llega a su clím ax cuando, finalm ente m undo: “cuando sentim os la m irada de la sociedad fija en nosotros, nos senti­
el violador consigue irrum pir en la casa de la protagonista. U na vez frente à mos fotográficam ente ‘en cu ad rad o s’ [...] cuando una câm ara real se vuelve
esta, procede a com eter el tan tem ido acto. Pero ese acto, en este relato en hacia nosotros, nos sentim os constituídos subjetivam ente, com o si la fotogra­
particular, consiste en hacer arrodillar a la aterrada víctima, tras lo cual, al modo fia resultante pudiese de algún m odo determ inar «quiénes» som os” (S ilver­
de un bautism o perverso, el victim ario arroja agua sobre la cabeza de la m uier m an, 1996, p. 135). La m irada fija, com o la violación, captura y encierra a su
hum illada. Im aginem os que el traum a de lahum illació n se dram atiza com o de­ blanco, forzándolo a ubicarse en un lugar que se convierte en destino, un lugar
vastador pero al parecer no ha habido ningún contacto sexual. Éste es el eiem - dei cual no hay escapatória, una subjetividad obligatoria. R ecuerdo el com en­
P Parad 'g m atico de lo que denom ino violación alegórica, en la que un acto de tário de Frantz Fanon, en P iei negra, m áscaras blancas, sobre la alegoria dei
m anipulación forzada dei cuerpo dei otro desencadena un sentim iento de terror a m o y elesc lav o en Hegel: en lav ersió n colonial de esta dialéctica, dice Fanon,
y um illacion idêntico al causado p or una violación cruenta. Sólo laex isten cia el am o im perial niega al colonizado su necesidad, sofoca la relación. La gaze es
de una estructura profunda previa a ese acto de poder y som etim iento nos ese m irar abusivo, rapaz, que está al m argen dei deseo y, sobre todo, fuera dei
perm ite hacer esta lectura y, lo que es aún m ás im portante, perm ite a la víctim a alcance dei deseo dei otro. Com o tal, constituye la form a m ás despojada de
experim entar su terror. violación.
Existen adem ás otras form as de violación m etafórica, consistentes en P odríam os preguntarnos por qué son posibles estas form as alegóricas y
transform aciones m ás o m enos alejadas dei prototipo propiam ente sexual, como m etafóricas de la violación resultantes en actos de sentido y valor equivalen­
tes, y en qué estriba exaetam ente su equivalencia. En su interpretación de una
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como dijim os, de la exacción de lo fem enino en el ciclo confirm alorio de la
serie de representaciones pictóricas de la violación de L ucrecia, M ieke Bal, en m asculinidad. Y en las declaraciones reaparece la perplejidad por la irracionali-
la obra ya citada, afirm a que “ la violación no puede visualizarse porque la dad dei acto. Porque, en últim a instancia. con la violación no se gana nada. Es
experiencia, tanto en su dim ensión física com o psicológica, es interno. La v io­ pura pérdida, incluso desde el punto de vista dei violador.
lación ocurre adentro. En este sentido, es im aginada por definición y sólo Podríam os decir que es un acto ininteligible, percibido a posteriori com o
puede existir com o experiencia y m em ória, com o im agen traducida en signos, irracional, carente de sentido. Se pareceria, en principio, a lo que Jonathan
nunca adecuadam ente objetivable” (Bal, 1991, p. 68). Siendo así, una serie de I letcher, en su exégesis de la obra de N orbert Elias, llam a “violência expresiva”,
conductas que expresan transposiciones de una relación sim bólica de abuso y que constituye un “fin em ocionalm ente satisfactorio en sí m ism o” , en contras­
usurpación unilateral pueden entenderse com o equivalentes y poner en m ar­ te con la “ violência instrum ental”, com o “ m edio racionalm ente escogido para
cha un m ism o tipo de experiencia. alcanzar un objetivo determ inado” (Fletcher, 1997, p. 52). Sin em bargo, las co­
Por otro lado, seria posible afirm ar que la violación, aun cuando incluye sas no ocurren dei todo así, porque de hecho la violación responde dialógica-
sin lugar a dudas la conjunción carnal, nunca es en realidad un acto consum a­ mente a la interpelación de personajcs que pueblan el im aginario dei p erpetra­
do sino la escenificación de una consum ación, inevitablem ente atrapada en la dor, figuras genéricas-que lo aprem ian y exigen restaurar un orden danado. En
esfera de la fantasia. En otras palabras, si para la víctim a sólo se consum a com o últim a instancia, están en ju e g o la virilidad y el prestigio personal que la viola­
violación en su interioridad, para el violador es la irrupción de una fantasia. ción confiere com o valor. Podría decirse, por lo tanto, que se trata de una
Esto hace inteligible, en las em ociones que desata, la proxim idad entre sus violência instrum ental orientada hacia un valor, esto es, la reparación o adqui-
form as alegóricas y violentas. L a violación siem pre es una m etáfora, una repre- sición de un prestigio.
sentación de una escena anterior, ya producida y a la cual se intenta infructuo- Sin em bargo, me gustaría insistir en que su aparente falta de finalidad
sam ente regresar. Es una tentativa de retorno nunca consum ada. Fantasia de racional reaparece com o perplejidad en el discurso de los entrevistados. A los
consum ación que, en rigor, acaba en una consum ición. C onsum ición que pone ojos de éstos, el deseo o la intención que im pulsa al acto de violación cruenta,
en escena la saciedad pero no la alcanza. De al 1í su serialidad característica, su callejera, carece casi por com pleto de instrum entalidad. Si este delito, cuando
ciclo habitual de repeticiones. Y de allí, tam bién, su asociación preferencial con se com ete contra una persona conocida, puede pensarse com o un intento de
sociedades de gran inclinación consum ista com o Estados U nidos, donde la satisfacer el deseo sexual referido a una persona en particular, en el caso de la
escenificación fugaz, recurrente y serial de la saciedad es m ás típica. violación anônim a perpetrada en la calle la situación no parece darse de ese
modo. En el discurso de los violadores se reitera la idea de que se trata de
cualquier cuerpo y - lo cual es más so rp ren d en te- m uchas veces de un cuerpo
La racionalidad de la violación considerado abom inable o, por lo m enos, no especialm ente deseable. Por eso,
aunque la sexualidad proporcione el arm a o instrum ento para perpetrar la agre­
De los dichos de los violadores condenados surge de m anera reiterada la opa- sión, el ataque no es propiam ente dei orden de lo sexual. Para poder extender-
cidad dei acto para Ia conciencia de quien lo com etió. Así, cuando com param os nos sobre este aspecto, fundam ental pero evanescente, deberíam os consa­
la violación con otros delitos, com probam os que carece de la dim ensión instru­ gram os a la com pleja tarea de investigar las relaciones entre sexualidad y agre-
m ental piopia de éstos. LI robo es m otivado por el deseo de apropiarse de los sividad y preguntarnos si es posible, de hecho, separar estos dos cam pos. En
bienes de la víctim a. El hom icidio, por su parte, puede originarse en un deseo de otras palabras, deberíam os exam inar en detalle las posibilidades de d e f in ir- o
venganza, en el m iedo y para defenderse de una posible acusación o delación, n o - la sexualidad com o cam po perfectam ente aisiable de la experiencia hum a­
o en un encargo a cam bio de una sum a de dinero. A lgunos testim onios aluden na. Por el m om ento, sólo es posible atenerse, com o hem os hecho en este aná­
a la oportunidad brindada por un latrocínio exitoso para apoderarse de algo lisis, a las percepciones de los m ism os actores.
más, y dejan ver la violación com o un robo o com o parte de un robo. En un Esta am bigüedad de registros, esta superposición de los âm bitos de la
pi imer análisis, este tipo estaria, por ende, más cerca de una instrum entalidad: sexualidad y el poder, tiene com o consecuencia la apariencia opaca e irracional
la api opiación por la fuerza de un servicio sexual. En verdad, to d a violación es con que se presenta la práctica de la violación cruenta a los ojos de sus propios
un robo de algo, con la salvedad de que ese algo, com o se advierte posterior­ perpetradores. A decir verdad, en el caso de la violación cruenta entre personas
m ente, no puede robarse: es un bien huidizo, perecedero en alto grado. Se trata,

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conocidas tam bién term ina por prevalecer el aspecto irracional, pues la pregun- 1. El concepto de narcisism o es el que vincula con m ayor claridad las
ta reaparece con otra forma: ^cóm o se puede agredir y hasta elim inar a quien un exigencias dei m edio social que pesan sobre el violador, tal com o las describí
instante antes era objeto de deseo? Q uiero destacar que esta cuestión de difícil hasta aqui, y el estado interno en torno de su delito. N arcisism o m asculino, en
solución no constituye un problem a inquietante exclusivam ente para noso­ el sentido, elaborado por Kaja Silverm an (1992), de la escenificación, por parte
tros, sino que m uchas veces lo es para el propio violador. dei sujeto m asculino, de una no castración, la negación perform ativa de su
Con todo, es necesario senalar adem ás que ningún delito se agota en su falta. Se trata de un m ontaje en el cual el sujeto representa el papel de no
finalidad instrum ental. Todo delito es m ás grande que su objetivo: es una form a castrado, vale decir, alguien que no es vulnerable a la experiencia de la falta y
de habla, parte de un discurso que tuvo que proseguir por las vias dei hecho; para quien, por lo tanto, el acto sexual no v a a llen arese vacío. El sujeto está tan
es una rúbrica, un perfil. Y por esa razón es poco habitual el delito que utiliza la absorto en la representación de ese papel vital p ara su autoim agen que la
fuerza estrictam ente necesaria para alcanzar su meta. Siem pre hay un gesto de víctim a entra en escena com o m ero soporte de su rol. Por esa razón, ni el deseo
más, una m arca de más, un rasgo que excede su finalidad racional. Por lo tanto, ni el sufrim iento de la víctim a quedan registrados en la conciencia dei violador
casi todos los delitos se aproxim an en alguna m edida a la violación, por su durante el lapso en que éste está bajo los efectos de la escena narcisista,
naturaleza excesiva y arbitraria. Sin em bargo, si en los actos violentos en gene­ cautivo de su derrotero.
ral habla el sujeto, m e inclino a creer que, atrav és de ella, en la violación cruenta 2. U na de las tram as m ás frecuentes que pueden captarse en las palabras
habla más alto una estructura que lo disuelve y lo destruye en esa palabra com o de los violadores disena un tipo particular de self-fu lfillin g p ro p h ecy. En algu­
un ju g u e te perecedero de su lógica inexorable. A continuación intentaré de­ nos de ellos, la culpa parece preceder al acto y es parte de un aspecto co n stitu ­
m ostrar esta tesis. tivo de su persona. El acto de la violación sólo parece venir a confirm ar esa
cualidad m oral previa a él. El acto que espera e incluso busca un castigo está, al
parecer, dictado por una autoabom inación preexistente. D etrás de algunos tes-
La dim ensión psicoanalítica de la violación tim onios se advierte una curiosa inversión: “ el violador es antisocial, por eso
viola” , en vez de “ el violador viola, por eso es antisocial” . En este sentido,
Si hasta aqui hablé de una racionalidad social dei acto, que es preciso descubrir varios testim onios recuerdan la culpa previa y la búsqueda de castigo a causa
en nuestros interlocutores en la som bra a los cuales intenta dirigirse el discurso de una m asculinidad bajo sospecha que Freud leerá en la personalidad de
de la violación, los procesos que ahora exam inaré senalan una racionalidad que D ostoievski.
debem os ver en las tensiones intrapsíquicas capaces de explicar la com pulsión y En efecto, en “ D ostoievski y el parricídio” , Freud interpreta de esta form a
la repetición de un tipo de acto que, en últim a instancia, es autodestructivo y no la elección de sus protagonistas —violentos, hom icidas y eg o ísta s-, así com o
proporciona a su perpetrador ganancia o salida algunas al margen de un alivio su adicción al ju e g o y su posible coníesión de un ataque sexual a una chica: un
extrem adam ente fugaz dei sufrim iento psíquico. Trataré de identificar aqui breve­ padre punitivo y cruel (que en nuestro caso podem os reem plazar por un orden
mente, y de m anera program ática, los procesos y m ecanism os psicológicos de punitivo y cruel) que le inocula la duda sobre su propio valor y virilidad, y la
los cuales form a parte la violación y que hablan de la intrusión, en el universo vida bajo am enaza, instalan una culpa que sólo descansa brevem ente en el
inlrapsiquico dei sujeto, dei m andato social que p esa sobre lo masculino. No castigo. En sus crím enes, ficcionales o reales, sugiere Freud: “ En vez de auto-
obstante, quiero hacer notar que no se trata de encontrar una causalidad psico­ castigarse, logró hacerse castigar por el representante paterno. Tenem os aqui
lógica de la violación gracias a la identificación de psicopatologías específicas. un indicio de la justificación psicológica de las puniciones aplicadas por la
M enachem Amir, en la obra ya citada, probó exhaustivam ente lo infructuoso de la sociedad. Es sabido que grandes grupos de delincuentes desean ser castiga­
búsqueda de este tipo de causalidad en las psicopatologías individuales. N ues- dos. Su superyó lo exige; así se ahorran a sí m ism os la necesidad de infligirse el
tra tarea es m ostrar cóm o irrumpe el universo social en la dimensión intrapsíquica castigo” (Freud, 1980, p. 215). En la escucha de los testim onios adverti la p re­
para, a través de ella, encauzar las acciones individuales. sencia de este elem ento: la búsqueda de castigo desem pena un papel funda­
E num eraré rápidam ente algunos conceptos psicoanalíticos que pueden m ental en la práctica de la violación cruenta. Hay un odio previo que procui a su
servir para identificar ciertas estructuras presentes en las palabras de los con­ reconocim iento y su castigo. El reconocim iento de ese superyó autoritario y
denados: punitivo, que alcanza a otros para obtener la propia destrucción dei yo, se
ajusta m uy bien a la idea de que el violador se aferra a una norm a m oral extrema-
dam ente (yo diria: patologicam ente) rigurosa, com o ya senalam os. posesión violenta de la figura m aterna negada, una m adre genérica de quien no
3. M uchos de los dichos de los violadores revelan un notorio im pulso se necesita ni se pretende consentim iento. Un acto sólo de reconquista y cas­
autodestructivo asociado a la violación, una especie de suicidio consum ado en tigo, en el cual predom ina el aspecto punitivo en función de la pretensión de
el cuerpo dei otro. La violación surge com o agresión autorreferida a través dei que no hay falta y en concordancia con el protagonism o de un sujeto que se
otro, una agresión que vuelve al sujeto y lo degrada y devasta. El concepto de construye com o no castrado y, para ello, m onta la escena de la violación.
p a sa je al acto m e parece un instrum ento útil para describir un proceso cuya
m ención com pruebo en el habla de los violadores. Si la noción de acíing out,
planteada por Lacan en estrecha relación con aquel concepto en el sem inário Unas palabras sobre la prevención
sobre la angustia, puede definirse com o una acción ostentosa, dem ostrativa de
una intención de significar, en la cual el sujeto habla pero lo hace por m edio de C ualquier discurso sobre la prevención debe partir de la siguiente pregunta. si
un acto, el p a sa je al acto senala la irrupción de la estructura de lo sim bólico a el abuso y la exacción de lo fem enino son, com o dijim os, parte constitutiva de
través dei sujeto y a su costa. Al obrar, en esa explosión dram ática que es el la estructura de gênero, y la fantasia d ifusa dei abuso dei otro es om nipresente,
pasaje al acto, el sujeto “abandona la escena, por carecer ya de un elem ento de y a que supera el im aginario social y estructura las relaciones sociales, ^en que
m ostración para el otro” (Gaugain, 1987, p. 131). En el caso de la violación como m om ento y por m edio de qué proceso la apropiación dei otro que alim enta la
pasaje al acto, en y por la destrucción de la subjetividad de la víctim a, queda identidàd m asculina sale de su confinam iento en la im aginación colectiva y se
abolida de un solo golpe la subjetividad dei propio violador, ya que ésta está instala en las relaciones concretas entre las personas con la form a de acto
construída en estrecha dependencia de aquélla, y así cae por tierra en el instan­ violento? JE n qué circunstancias cae la barrera que contiene la fantasia y se
te m ism o de su surgim iento la orden regida por esta gram ática. desencadena el acto cruento? ^.Por qué y cuándo se abre la caja negra de la
Podríam os decirlo con otras palabras: en un gesto desesperado por res­ fantasia para que el acto violento se instale en las relaciones interpersonales?
ponder a un padre - o una o rd e n - abusivo, el sujeto m asculino se pone en su En parte, algunos de los elem entos p ara responder a esta pregunta y a fueron
lugar y, al incorporarlo - o incorporar la o rd en -, escenifica el abuso en un otro proporcionados a lo largo dei artículo. Pero corresponde destacar aqui la ím-
fem enino. Con la destrucción de su víctim a en cuanto sujeto, su propio poder portancia de la pregunta para la cuestión de la prevención.
de m uerte queda repentinam ente sin apoyo. A bolido el poder con la elim ina- Al exam inaria con m ayor detenim iento, advertim os que, de algún m odo, la
ción de su razón de s e r - l a víctim a en su subjetiv id ad -, queda abolido el sujeto prevención pragm ática de la violación cruenta podría significar, de m anera un
que se apoya en él y de él obtiene su identidad. Instantáneam ente, el m ism o tanto cínica, el respaldo dei régim en de expoliación que es la condición de
abuso que había desencadenado el proceso se destruye con la destrucción dei posibilidad y m antenim iento de la identidad m asculina (y, por otra parte, de
sujeto, aportándole un alivio fugaz. Si invertim os la lectura podem os decir, por to d a identidad arraigada en el poder) en la esfera de las relaciones im aginarias,
lo tanto, que el sujeto se autoelim ina en la violación para destruir el abuso com o preservación en el cam po de la fantasia de la realización de ese régim en
sufrido y, con él, al padre - o la o rd e n - en cuya imagen se apoyaba ese abuso. sim bólico y las relaciones que produce, pero poniendo lim ites precisos a su
La im plosión dei propio poder con la m uerte -im a g in aria o re a l- de su razón de expresión. . ,, ,
ser - la v íc tim a - eqüivale, por un m om ento, a la im plosión de la estructura De hecho, si el lugar de la usurpación de ser es indisociable de una estruc­
sim bólica, lo cual da un breve respiro al sujeto m asculino/violento preso de tura social jerárquica y habita el im aginario colectivo, se plantea aqui una cues­
ella. La com pulsión de repetición se debe a que la estructura aflora, a través dei tión muy debatida: ^,las representaciones de fantasias de violência y abuso son
sujeto, para ser desactivada únicam ente durante un instante con la neutraliza- propicias al desencadenam iento de la violência física o, al contrario, contribuyen
ción m ism a dei sujeto violento en la elim inación de su víctim a. El pasaje al acto a su prevención? ^Seria posible sugerir la inmersión en la fantasia para suspender
es el siguiente: la destrucción dei sujeto en su acto por su transm utación en el acto? ^Cuál es, entonces, el papel de la fantasia en la sociedad?
puro vacío. El vacío de lo abolido, donde ya no hay diferencia entre víctim a y A qui no puedo sino d ejar abierta la cuestión y proponer algunos elem en­
agresor. El vacío de la falta, dei “objeto a ” . tos que estim ulan la investigación. En “ La obra de arte en la época de la repro-
4. Por últim o, la violación se presenta en ocasiones com o un gesto de ductibilidad técn ica”, W alter B enjam in y a decía, al hablar dei “ inconsciente
óptico” :
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[...] esta misma tecnización abrió la posibilidad de una inmunización con­ temporal entre fantasia y realidad, como si la primera pudiera transmutarse
tra esas psicosis de masas a través de ciertas películas, capaces de impe­ de improviso en acción y ambas fueran en principio separables. Yo diria, no
dir, gracias al desarrollo artificial de fantasias sadomasoquistas, su madu- obstante, que la fantasia es una acción física, y lo que se invoca como
ración natural y peligrosa [...] La enorme cantidad de episodios grotescos “acción física” en esa formulación causai es precisamente la condensación y
actualmente consumidos en el cine constituyen un índice impresionante la forclusión de la fantasia [...] el punto de vista de que la fantasia motiva la
de los peligros que amcnazan a la humanidad, resultantes de las represio- acción elimina la posibilidad de que la primera sea la escena misma que
nes que la civilización acarrea consigo [...] los filmes grotescos producen suspende la segunda y, en su suspensión, propicia la indagación critica de lo

una explosión terapêutica dei inconsciente (Benjamin, 1987, p. 190). que constituye la acción (Butler, 1990, p. 113).

B enjam in parece sugerir aqui que el papel de la representación de la fantasia y A l continuar con su análisis, B utler concluye que “ las prohibiciones m varia-
su reproducción y difusión por m edios técnicos consistiria en servir de espejo b lem ent t p r o d u c e n y hacen p ro lifera r las representaciones que procuran con­
para que la sociedad pudiera reconocerse en sus tendencias y sus peligros. El trolar; por lo tanto, la tarea política consiste en prom over la prohferacion de las
cine y otros m edios m asivos serían productos de Ia transferencia de Ias imáge- representaciones, los espacios de producción de discursos que puedan a a
nes dei inconsciente social a un soporte proyectivo, en el cual adquirirían sazón cuestionar la producción autoritativa resultante de la prohibicion lega
visibilidad. C abe preguntarse, sin em bargo, cuándo funciona esta visibilidad ( ib id ' p 119) Para la autora, la prohibición produce pornografia, ya que la
com o reflexión para perm itirei reconocim iento y, con él, el autoconocim iento, y reconoce pero im pide la circulación de discursos y form as de representación
cuándo se procede a una identificación ciega, en Ia cual el sujeto queda preso que perm itan su superación reflexiva. Del m ism o modo, la verdadera causa de la
de Ia im agen y Ia fantasia asum e el papel dom inante, dejando el m undo sin lado violência seria entonces la que im pide y obstaculiza el m ovim .ento de los dis­
de afuera. <-,Dónde está ese lim ite, cuáles son las garantias necesarias para que cursos e im ágenes que hacen posible una reflexión sobre ella.
esa captura no se produzca? A mi ju ic io , lo fundam ental es advertir que el tiem po de reflexión y la
Judith B utler hace un análisis sim ilar al com parar resueltam ente la ley ab undancia de los recursos discursivos a su d isposición son inversam ente
H elm s, que im pide la financiación con fondos estatales de artistas com o Robert proporcionales al tiem po y los m edios de la violência. En una sociedad en a
M applethorpe, sobre Ia base de latran sg resió n de lam o ralid ad establecida que cual el tiem po de la reflexión y los m edios discursivos que la posibi itan dism i-
exhiben sus trabajos, con la ley M acK innon/D w orkin, resultante de las luchas nuyen dia a dia, la violência aum enta a un ritm o proporcional En la sociedad
fem inistas contra la pornografia. Para analizar los peligros de una convergencia m oderna, el problem a de la prevención de la violación es el problem a dei auto-
subrepticia entre la nueva derecha y el fem inism o en un m oralism o reacciona- conocim iento: poner al alcance de las personas un v o cab u lan o que perm ita un
rio, B utler d esg lo sad e form a deslum brante el papel am biguo de la fantasia en la cam ino de interiorización, exponer y hacer accesibles a la m irada y la com pren­
vida social: sión las estructuras que m ovilizan nuestro deseo y nos hacen actuar significa,
estoy segura, abrir y m antener en buen estado las vias de acceso al bien. N ada
La fantasia se postula como realidad, establece la realidad por medio de la m enos radical que esto podrá garantizar una prevención eficaz en térm inos
impostura repetida y persistente, pero también abarca la posibilidad de duraderos.
suspender e interrogar su propia pretensión ontológica, rever sus propias
producciones, por dccirlo así, e impugnar su pretensión de constituir Ia
realidad (Butler, 1990, p. 108).

A lo largo de una dém arche analítica que avanza a paso firm e, B utler m uestra
con claridad que la acción física constituye ju stam en te la forclusión de la fan­
tasia y no su consecuencia, com o podríam os suponer en un principio:

[...] se confunde la construcción fantasmática de lo real con un vínculo

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2. E l g ê n e r o en l a a n tr o p o lo g ía
Y M Á S A L L Á DE F I-L A *

“N in g u n a so c ied a d trata a su s m ujeres


lan bien com o a sus hom bres. ”* *

Introducción

Pretendo aqui hacer una evaluación sum aria y personal de la trayectoria


de los estúdios de gênero en el cam po de la antropología. Llam o a esa tray ecto ­
ria itinerário porque en mi opinión, y pese a que la disciplina antropológica está
atravesada enteram ente por la cuestión de gênero, este tem a no se agota en las
fronteras disciplinarias, y no podría hacerlo, debido a algunas de las razones
que intentaré exponer. Precisam ente, la apertura transdisciplinaria actual de-
m uestra el lim ite de la capacidad de un a única disciplina para dar cuenta de los
fenôm enos sociales y la teoria dei gênero se encuentra ju stam en te en el nudo
central de esa apertura.
Por otro lado, y de m anera correlativa, los debates fem inistas y la reflexión
sobre gênero prestan sus hallazgos a intereses m ás am plios. Es significativo
que la perspectiva interdisciplinaria de los estúdios postcoloniales, que tratan
sobre la subalternidad en el m undo contem porâneo, tom a la je rarq u ía de gêne­
ro, la subordinación fem enina, com o un prototipo a partir dei cual se puede
com prender m ejor el fenôm eno dei poder y de la sujeción en general. Por lo
tanto, es un rasgo dei m om ento presente, a partir de la década de 1990, que
tanto hom bres com o m ujeres en el cam po de la filosofia, en el cam po dei análisis
dei discurso, de la literatura com parada y de las ciências sociales, entre otros,
pasaron a ver en el gênero una escena cuyos personajes perm iten entender y
form ular los procesos inherentes a toda subordinación, a toda subalternidad.
C onfluyen en esa propuesta hallazgos de la antropología, dei psicoanálisis y
de la teo ria gram sciana de la hegem onia. A utoras que considero paradigm áti­
cas en la encrucijada de las áreas y de los abordajes son, entre otras, Gayatri
Spivak, principalm ente con su texto Can the Subaltern Speak? (1988) (véase

* Traducción de AliciaNovizki.
** pnud. Informe sobre el Desarrollo Humano de 1997.
siem pre acom pana al otro” (ibid., p. 104). D e esta m anera, la perspectiva cstruc-
tam bién 1985, entre una bibliografia extrem adam ente prolífica), y Judith Butler,
turalista, para la cual el gênero se constituye en un a categ o ria abstracta, perm i-
especialm ente con su obra The P sychic L ife o f P ow er (1997) (y véase tam bién te postular una “equidistancia valorativa entre las categorias” o “ acoplada a la
1992, sobre la contribución de la perspectiva de gênero a la elaboración.de una teoria de la jerarquía, la vigência de un principio onto-asim étrico (ibid., p. 105).
teoria dei p oder y de u n a p ostura crítica). A pesar de coincidir en el reconocim iento de la abstracción constitutiva
Pese a que tradicionalm ente la reflexión sobre gênero ha sido dejada a
dei gênero, ese abordaje diverge de mi análisis actual pues, invirtiendo los
cargo de las m ujeres, en verdad trata de una estructura de relaciones, por lo
térm inos de las autoras citadas, éste coloca el gênero com o un a experiencia
cual habla de todos, m ientras provee una gran m etáfora de todas las form as de
fundante que organiza el m undo, incluso el universo biológico. En verdad, los
subordinación voluntaria, adem ás de que nos perm ite referim os a otras dispo-
seres biológicos adquieren m ucho de su apariencia discontinua com o efecto
siciones jerárquicas en la sociedad, otras form as de sujeción, sean ellas étni­
de nuestra percepción, inform ada ya por la estructura jerárq u ica que organiza la
cas, raciales, regionales o las que se instalan entre los im périos y las naciones
realidad social y natural en térm inos de gênero, y no viceversa. Por otro lado, la
periféricas.
perspectiva estructuralista, tal com o fue form ulada por L évi-Strauss para la
Mi propósito no es resenar, ya que mi punto de vista es teórico. Tomo
a n tro p o lo g iay por Lacan para el psicoanálisis, es siem pre, en últim a instancia,
referencias básicas para abordar la tensa relación entre posturas universalistas
jerárquica. Puede contener la posibilidad de inversiones y perm utas pero nun­
y relativistas en los estúdios de gênero en la antropologia, y las dificultades
ca de sim etrias. O sea que el orden “de lo sim bólico —esto es, el orden de la
inherentes a la definición de la categoria “ m ujer” con que el m ovim iento social
estructura que organiza los significantes en la vida so c ia l- es de natuialeza
debe trabajar. R elaciono, a su vez, este dilem a con la cuestión de la universali-
p atriarcal” , y el orden patriarcal es, por definición, jerárq u ico y controlado por
dad de la je rarq u ía frente a la posibilidad de que, en algunas sociedades hu m a­
la p resen cia dei poder sim bolicam ente encarnado en la figura dei padre (Bren-
nas, exista igualdad en Ia diferencia. C on todo, intento dem ostrar que la res­
nan, 1997, p. 12).
puesta a la pregunta de si existen o no sociedades igualitarias no podría prove-
Por mi parte, afirm o que por m edio de su encarnación en actores sociales
nir, com o m uchas veces se cree, de una m era observación em pírica de los
o en personajes m íticos, los gêneros constituyen un a em anación de posiciones
hechos. Es decir que no será el registro etnográfico de los papeles sociales ni la
en una estructura abstracta de relaciones fijada por la experiencia hum ana acu­
distribución de derechos y deberes lo que podrá probar o no el carácter iguali-
m ulada en un tiem po m uy largo, que se confunde con el tiem po filogenético de
tario de los gêneros en una determ inada sociedad. Lo que es observable es el
la especie. E sta estructura im pone al m undo un a ordenación je rárq u ica y con-
m ayor o m enor grado de opresión de la m ujer, el m ayor o m enor grado de
tiene la sim iente de las relaciones de poder en la sociedad. Los gêneros consti-
sufrim iento, el m ayor o m enor grado de autodeterm inación, el m ayor o m enor
tuirían, desde este punto de vista, transposiciones dei orden cognitivo al orden
grado de oportunidades, de libertad, etc., m as no la igualdad, pues é sta p e rte -
em pírico. P odría decirse que la estructura, a partir de la prim era escena en que
nece al dom inio de la estructura, y la estructura que organiza los sím bolos,
participam os (la escena fa m ilia r-o su stitu ta - prim igenia, no im porta la cultura
confiriéndoles sentido, no es dei orden de lo perceptible a p rim era vista, sin el
de que se trate o el grado de desvio en relación con el patrón social vigente en
uso de las herram ientas de “ escucha” adecuadas que llam am os, en su varie-
una cultura particular), se reviste de gênero, em erge en caracterizaciones se­
dad, de “análisis dei discurso” . El p oder Se revela, a veces, con infinita su tilez a.'
cundarias con los rasgos dei hom bre y la m ujer o con los gestos de la ír.asculi-
En una erudita y esclarecedora resena, M aria L uisa H eilbom (1992, pp.
nidad y la fem ineidad en personajes dram áticos que representan sus papeles
98-106) se aproxim a a algunas cuestiones tam bién relevantes para mi argum en­
característicos. K aja Silverm an (1992) Uama a esta escena ficción dom inante
to. Ella opta por abordar el gênero com o un principio de clasificación abstracto
y con sid era los papeles de gênero en esta escena originaria com o un reflejo de
inspirado en la observación de otros âm bitos de la realidad y, especialm ente
lo que acontece, de hecho, en la estructura que organiza las relaciones de esta
(siguiendo a Françoise Heritier, 1979), en la discontinuidad presente en el m un­
escena y que se encuentra, al m ism o tiem po, oculta y revelada por ellas.
do biológico. El gênero seria, así, una categoria que -c u a lq u ie ra que venga a
Sólo cuando com prendem os esto podem os reform ar la m anera en que el
ser su im plem entación práctica en una cultura p articu la r- habla de relaciones
sentido com ún aprehende lo que es ser m u jer y ser hom bre, para poder captar,
de oposición y constituye “ la form a elem ental de alteridad” . A esto ella agrega
en nuestras representaciones, la capacidad de ellos de circular por las posicio­
la “posibilidad” de introducir la noción dum ontiana de jerarq u ía, que “organiza
nes que la estructura presupone. E sa circulación es, en verdad, com o argum en-
la estructura binaria de los m odelos clasificatorios, de m odo que un térm ino

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56
taré, un hecho usual en cualquier sociedad, pero un hecho enm ascarado por
una ideologia que p resenta los gêneros com o condenados a reproducir los a la concepción dei gênero en las religiones afrobrasilenas (véase capítulo 6). 1,1
papeles relativos previstos para ellos en la “ ficción dom inante”o escena origi­ estilo de sociabilidad que se form a en torno de las tradiciones afrobrasilenas es
nal, y fijados, adheridos, gram peados a Io que en verdad son nada m ás y nada -c o m o se sabe y com o consta en innum erables e tn o g ra fía s- uno de los más
m enos que posiciones y lugares en una estructu ra de relaciones abierta y igualitarios dei m undo en relación con el gênero (Landes, 1940; Silverstein,
disponible para ser ocupada por otros significantes. 1979). En el m undo afrobrasileno, la m ujer tiene un acceso inusual, y pocas
veces registrado en otras culturas o épocas históricas, a una posición de dom i-
C uando m e refiero al trânsito posible por esos lugares indicando que se trata de nio en su com unidad. Y es por eso que se constituye en un laboratorio fértil
no lugares m arcados para ser ocupados por anatom ias preestablecidas, no me para el análisis de la cuestión de la universalidad de la jerarq u ía. La filosofia
lefiero sim plem ente a lo que usualm ente se com prende, en el plano em pírico y religiosa que se encuentra en la base de estos cultos provee un esquem a que
observable, com o atribuciones, derechos, deberes, profesiones. O bservam os inscribe en el plano de las representaciones el hecho de los trânsitos de gênero,
en los últim os anos un avance en lo que podríam os llam ar “dim ensión funcio­ y garantiza a un m ism o sujeto social la posibilidad de circular por los registros
nal dei g ênero”, o sea que la m ujer accedió y hasta sustituyó al hom bre en afectivos dei m asculino y el fem enino. Se desconstruye, así, por m edio de una
papeles que im plican el ejercicio dei poder, pese a lo cual esto no garantizó una utilización muy com pleja y sofisticada de las categorias de génei o, la atad u ia o
reform a de los afectos. D e hecho, com o m uchos han senalado, el ingreso de la fijación de esos registros a anatom ias particulares, tan fuerte en las concepcio-
m ujer en el registro de las interacciones afectivas, calcada aún en la experiencia nes de g ên ero dei m u n d o Occidental (esa “ p ro p u e s ta ” ha sido u no de los atrac-
de su entrada en Ia escena original, se ha m odificado poco. La salida que tivos de esas tradiciones para su expansión en la A rgentina y el Uruguay, com o
apunto para el im passe je rá rq u ico instituído por la estructura que rige las rela­ afirm o en el últim o ensayo de este volum en).
ciones de gênero es lo que llam aré, al final, de circulación entre posiciones. Se En la exposición siguiente me apoyo en la literatura en lengua inglesa
trata de un trânsito que im plica no una androginia com o situación de indiferen- inicialm ente bien delim itada dentro de las fronteras disciplinarias de las ciên­
ciación de gêneros o de su neutralización en un nuevo inundo form ado por cias sociales, especialm ente la antropología, pero que fue abriéndose, a partir
seres híbridos, com o Elizabeth B adinter sugiere para la sociedad futura ( 1988), del estructuralism o de L évi-Strauss, a un diálogo con el psicoanálisis lacania-
sino de una androginia com o posibilidad abierta de perm uta de posiciones en el no. El artículo de G ayle Rubin que cito m ás abajo se sitúa precisam ente en el
registro afectivo. Esto es así porque, aun en un m undo de significantes indife- punto de m utación de ese pasaje, a pesar de que el psicoanálisis ha estado ya
renciados desde el punto de vista dei gênero, com o m arca anatôm ica y socioló­ presente en el abordaje de N ancy C hodorow y el estructuralism o en el de
gica, Ia estructura de la cual los gêneros no constituyen sino un reflejo o Sherry O rtner, a los que tam bién me referiré brevem ente. Esta apertura a Lacan
personificación continuaria pulsando. tam bién se encuentra inevitablem ente presente en el pensam iento fem inista
Es por esto m ism o que afirm o que los gêneros no son precisam ente ob- francês, que parte de él para intentar rechazar o ultrapasar su m odelo, pero sin
servables ni siquiera en el orden em pírico, pues ellos son, en últim a instancia, el conseguir evitar m antenerse tributário y derivado dei m ism o. De este proceso
registro en el cual nos instalam os al ingresar en una escena, en una tram a de de crecientes intercâm bios entre la contribución anglófona y la francófona es
íelaciones. En esta tesis m asculino y fem enino son posiciones relativas, que se representativo un núm ero de la revista Signs dedicado a la “Teoria fem inista
encuentran más o m enos establem ente representadas por las anatom ias de francesa” , representada en él por artículos de Julia K risteva (1981), H eléne
h om bies y m ujeres en la vida social en cuanto signos de esa diferencia estruc- Cixous (1981), Luce Irigaray (1981) y C hristine Fauré (1981). Es a partir dei
turada. Pero no necesaiiam ente. De hecho, en el seno de las instituciones diálogo con el fem inism o francês que la antigua perspectiva m eram ente antro­
totales, com o cárceles y conventos, estas posiciones relativas resurgen —y no pológica se abre al psicoanálisis y al estructuralism o, incluso para debatir con
m e refiero solam ente a su reedición en el cam po de la sexualidad sino que él, y esto es lo que perm itirá, en un m om ento todavia posterior, que el gênero se
tam bién apunto al universo m ás am plio de las relaciones afectiv as-, ahora m uestre apto para pensar, com o ya m encioné, el poder y la sujeción en otras
reencarnadas en anatom ias uniform es (véase, porejem p lo , Schifter, 1999). trincheras de la v id a social.
Un ejem plo etnográfico que ilustra la posibilidad de un tipo de circulación
com o el que aqui propongo es lo que llam é “m ovilidad de gênero” al referirm e

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L os dos cam inos contradictorios dei gênero en la antropologia: bre son categ o rias asociadas con conten id o s d iferen tes en trad icio n es d ile-
^relativism o o u niversalism o? rentes y hasta en épocas d iferen tes de la m ism a h isto ria O ccidental. Por olro
lado el descubrim iento, a trav és y a pesar de las d iferen cias cu lturales, de una
La noción de gênero transita p or la antropologia revitalizando Ia tensión básica ten d en cia a la u n iv ersalid ad de la je ra rq u ía dei gênero, o sea, de la um versa-
entre la relatividad y la universalidad de las experiencias hum anas inherente a la lidad dei gênero com o una estru ctu ra de su b o rd in ació n , dio origen a una
disciplina. Cuando, en la década de 1930, M argaret M ead publico S e x o y tem ­ serie de trab ajo s hoy clásicos. G ayle Rubin, S herry O rtner, N ancy Chodorow ,
p era m en to en tres sociedades m elanesias (M ead, 1935), inauguro una de las L ouise Lam phere, M ichelle Rosaldo, R ayna R eiter son autoras que instalaron
dos vertientes que, con sus propias características y a pesar de haber sufrido esa cuestión, y con ello institu y ero n la an tro p o lo g ia dei gênero com o un área
transform aciones, se m antiene hasta el presente. Se trata dei conjunto de asun- de estúdios específica. Ellas h ab laron de esa te n d en cia je rá rq u ic a u n iv ersal,
tos que habitualm ente llam am os “construcción cultural dei gênero” y que tiene e intentaron, cada una a p artir de un ab o rd aje propio, aun q u e relacio n an d o
su punto de p artida en la com probación inicial de que “m ujer” y “hom b re” son sus p ersp ectiv as, ex p licar por qué, a pesar de las d iferen cias cu ltu iales, a
entidades diferentes, asociadas con contenidos variables a través de las socie­ p esar dei p rin cip io relativista, se da esa ten d en cia g eneral a la subordinacion
dades. Se introduce así el “gênero” com o una cuestión antropológica, etnográ- de la m ujer. Tres obras co lectiv as fu n d am en tales m arcan esa época y esa
ficam ente docum entable. persp ectiv a, estab lecien d o las bases de los estúdios de gênero en la an tro p o ­
H asta el dia de hoy se producen innum erables tesis en program as acad ê­ logia: Woman, C ulture a n d Sociely, de 1974, Tow ard an A n tro p o lo g y o f Wo-
m icos en antropologia que tratan de esa variación entre lo que es un hom bre y m en, de 1975, y, m ás tarde, S ex u a l M eanings. The C u ltu ra l C onstruction o f
lo que es una m ujer en las diversas tradiciones hum anas y con ello contribu- G ender a n d S exu a lity, de 1981. _
yen, a partir dei conocim iento sobre casos particulares, a disenar un m apa M ichelle Rosaldo (1974) sitúa la jerarq u ía com o oriunda de la separación
general de las m aneras con que los gêneros tom an form a en los diversos gru­ de los trabajos de la m ujer y dei hom bre en las esferas dom éstica y pública,
pos hum anos. Ese prim er m om ento se caracterizo por la propuesta de relativizar respectivam ente, teniendo en cuenta que la esfera p ública tiene la característi­
el gênero, colocarlo dentro de una perspectiva constructivista, y las centenas ca de tener m ás prestigio, de ser m ás valorizada, en la gran m ayoría, si no en la
de tesis escritas dentro de este gran capítulo tuvieron com o título y tem a “la totalidad, de las sociedades conocidas (si bien su prestigio se acentua en las
construcción dei g ênero” en una sociedad particular. Con todo, ese carnino sociedades m odernas). En opinión de Rosaldo, sociedades com o los Illongot
viene perdiendo aliento ultim am ente, consum ido lentam ente por la irrupción de de las Filipinas, donde los hom bres circulan por las esferas pública y dom ésti­
tem as y perspectivas nuevos. Estos nuevos análisis tienden a ser cada vez m ás ca, alternándose con las m ujeres en sus tareas, perm iten una igualdad m ayor
transdisciplinarios y a ultrapasar la m irada tipicam ente relativista y etnográfica entre los gêneros. .
de la antropologia. El m odelo de N ancy C hodorow (1974; 1978), que hace converger el psi-
La contrapartida de aquella prim era contribución, de aquel prim er punto coanálisis con la antropologia, explica la subordinación fem enina en las más
de vista, em inentem ente antropológico y relativista, fue, a partir de la década de diversas sociedades por el fenôm eno de la socialización en proxim idad con la
1970, el énfasis colocado por un conjunto de autoras en la cuestión de la m adre, por el cual la m ujer em erge com o un ser social sin llegar a quebrar
universalidad de la je rarq u ía de gênero, seguida por una tentativa de generar com pletam ente esa identificación prim aria y, por esto mismo, sin transform arse
m odelos para dar cuenta de la tendencia universal de la subordinación de la jam ás en un ser autônom o. Si en el hom bre el proceso de identificación secun­
m ujer en las representaciones culturales. E sta com probación, naturalm ente, no daria se da por m edio de la ruptura -m u c h a s veces abrupta y bastante c ru e l- de
negó las estrategias singulares de las m ujeres para participar dei poder o situar- la identificación prim aria con la m adre, C hodorow afirm a que en el caso de la
se en posiciones de autoridad, pero afirm ó que, en las m ás diversas socieda­ m ujer no hay un corte claro entre la identificación prim aria con la m adre y la
des, la ideologia de gênero, aun presentando diferencias, tiende a representar identificación secundaria que da origen a la identidad de gênero, pues am bas
el lugar de la m ujer com o un lugar subordinado. tienen un m ism o referente; se trata, por lo tanto, de dos m om entos sin solución
A p artir de esa generación de estúdios hoy clásicos, se co m p ru eb a el de continuidad. La m adre percibe la hija, a su vez, com o una continuación de si.
p rim er gran dilem a o contradicción que los estúdios de g ênero en fren tan en Sobre ella pesa la autoim agen m aterna, que le im pide em erger com o un sei
antropologia. Por un lado, el relativism o de las construcciones: m u jer y hom - plenam ente separado. H ereda así, tam bién, la desvalorización que pesa sobre la

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establecido por las representaciones dom inantes, es la recolección de frutos y
m adre y sobre el trabajo m aterno, contam inado por el m enor valor de las tareas tubérculos -re a liz a d a por las m u je re s- lo que proporciona el sustento básico y
de la esfera dom éstica. diario de esos pueblos (Slocum , 1975).
O tro texto fundam ental para la disciplina desde esta perspectiva univer- En otro artículo ya clásico, R ayna R eiter (1975) procuro m ostrar cóm o y
salista es el artículo “ Is Fem ale to M ale as N ature is to C ulture?”, de Sherry por quê en sociedades tradicionales y prem odernas la esfera dom éstica tiene
O rtner (1974), que exam ina el gênero a partir dei presupuesto estructuralista de m ás im portancia que la que se le adjudica en el m undo m oderno, donde la esfera
la oposición entre cultura y naturaleza. La autora propone com o centro de su pública concentro el control total de la sociedad. A partir de esta com proba-
m odelo la oposición lévi-straussiana entre cultura y naturaleza y la asociación ción, la autora afirm a que, contrariam ente a lo que aparece en nuestra percep-
entre m ujer y naturaleza, por un lado, y hom bre y cultura, por el otro. De esa ción y a lo que nuestros estereotipos nos llevarían a pensar, la m u jer tendría
ideologia de oposiciones derivaria la tendencia bastante generalizada en las m ás poder y m ás prestigio social en las sociedades prem odernas. D ada la im ­
sociedades hum anas de representar a la m ujer asociada con la naturaleza/obje- portancia y la autonom ia de la esfera dom éstica en estas sociedades, y dada la
to y al hom bre com o parte de la cultura/acción transform adora, par de asocia- asociación de la m ujer con la esfera dom éstica, ella contaria con un espacio
ciones que configuraria una jerarquía. p ara el ejercicio dei poder y tendría garantizado un âm bito de prestigio, que a
Ese trabajo suscito posteriorm ente una gran polêm ica originada en la partir dei dom inio de ese espacio le perm ite com petir con la jerarquía masculina.
crítica dei supuesto de universalidad de la representación de n aturaleza y cul­ D ebido al fuerte im pacto que las decisiones de la esfera dom éstica tienen en
tura com o una oposición. En otras palabras, no toda sociedad hum ana cons­ esas sociedades ellas podrían ser consideradas sociedades más igualitarias.
truiria su noción de cultura en oposición a una naturaleza que debe ser dom ina­ Con el advenim iento de las sociedades regidas por un Estado m oderno y
da, dom esticada. Se puso en duda, por lo tanto, la validez de la tesis de O rtner la em ergencia de la esfera pública com o u na esfera totalm ente separada, espe­
sobre la subordinación universal de la mujer, sustentada a p artir de la asocia­ cializada en la adm inistración de la sociedad, su tradicional control por los
ción de ésta con una n aturaleza objeto dei trabajo transform ador de la cultura, hom bres desem bocaria en la concentración dei dom inio de todos los âm bitos
propio dei hom bre. A pesar de sus posibles invalidaciones a partir de trabajos de la vida social en m anos de éstos. A nálisis m ás recientes m uestran que la
etnográficos en sociedades donde la oposición cultura/naturaleza no parece esfera p ública m oderna no sólo se constituye com o un territorio exclusivam en­
ten er Ia centralidad en las representaciones y en los m itos que el estructuralis­ te m asculino y no neutro, sino tam bién com o un dom inio dei hom bre blanco,
m o sugiere, vale Ia pena volver constantem ente a este texto histórico porque con poses y “m oral”, o sea “norm al” desde el punto de vista de su sexualidad
contiene, si no afirm aciones y proposiciones perennes, por lo m enos una for- (Warner, 1990,1992).
m ulación constantem ente abierta al debate y a las nuevas reflexiones. Sin em bargo, considero que el texto teórico de m ayor vigência entre los
En la colección de estúdios organizada m ás tarde por Sherry O rtner y publicados en ese período es el de G ayle Rubin (1975), ya que hizo converger la
Harry W hitehead (1981), las autoras sustentan una variación de las tesis m en ­ perspectiva antropológica estructuralista con la psicoanalítica de form a sofis­
cionadas hasta aqui y afirm an que la tendencia universal es asociar la m asculi- ticada, conjugando el constructivism o relativista y la universalidad de la es­
nidad y sus tareas propias con el prestigio social, y no necesariam ente con el tructura. Rubin enuncia la conocida “ m atriz sexo-género”, com o una m atriz
poder, econôm ico o político. Así, de acuerdo con esta perspectiva el hom bre se heterosexual dei pensam iento universal. Con todo, a pesar de su universalidad,
constituye, a lo largo de un tiem po de escala filogenética, com o el locus o en prim er lugar ella separa la dim ensión biológica dei “sexo” orgânico, anatôm i­
significante dei prestigio, capaz de contam inar con su estatus todas las tareas co, de la dim ensión “ sim bólica” , en que los térm inos tom an su valor dei lugar
y los cam pos de actuación que se encuentren a su cargo - a pesar dei carácter que ocupan en una estructura de relaciones en la cual, generalm ente, m as no
cam biante de esas tareas a lo largo de la historia y a través de las so c ied ad es- siem pre, los significantes anatôm icos representan las posiciones, que sin em ­
Por lo tanto, en este m odelo se aprecia una inversión: no serían los trabajos bargo no pueden ser consideradas fijas o adheridas a ellos. En segundo lugar,
bajo la responsabilidad dei hom bre los que le conferirían su im portancia, sino tam bién separa el plano biológico de la dim ensión cultural, agregada, dei “g ê­
que él contam inaria con el prestigio inherente a la m asculinidad las tareas que n ero”, dada por los contenidos relativos a cada tradición.
realiza. M asculinidad y estatus serían, en este sofisticado m odelo, cualidades A qui es im portante com prender la separación, pero tam bién las asocia-
íntercam biables, y sólo eso podría explicar, por ejem plo, el prestigio y Ia im por­ ciones, entre el sexo biológico, en cuanto lectura de la naturaleza, por un lado,
tancia atribuida a la caza en sociedades sim ples donde, contrariam ente a lo
y la posición senalada a cada uno de ellos en una estructura de sentido em inen­
sobre las sexualidades nôm ades que m odifican el paisaje de gênero en el m un­
tem ente abstracta, que se encuentra por detrás de toda organización social, por
do contem porâneo, con lo cual se intenta rom per, por otro cam ino, con la inér­
otro; y, aun, la construcción variable, cultural e histórica, dei conjunto de com -
cia inherente a la form ulación lacaniana de la estructuración sim bólica y pensar
portam ientos y predisposiciones ideologicam ente asociados con la dualidad
el gênero de una form a m ás p luralista y dinâm ica. Con “nom adism o” los au to ­
de gêneros por las representaciones dom inantes. A cada uno de los térm inos
res que han intentado la crítica p o r esta vía sugieren que lo que se da es una
de la clasificación dim órfíca dei m undo biológico m acho-hem bra se agrega un
m ultiplicidad de prácticas sexuales para los m ism os sujetos y un desdobla-
conjunto de significados distribuídos en la m atriz binaria m asculino-fem enino,
m iento de las identidades de gênero. Pero el problem a de este m odelo reside en
que configura la dualidad de los gêneros en la cultura y en la historia. Esta
que en general dichos com portam ientos se arm an en nuevas identidades, sus-
dualidad sim ultáneam ente encubre y traduce una estructura que, más que em ­
tituyendo el dim orfism o anatôm ico por un polim orfism o de m arcas corporales,
pírica, es cognitiva -d e n o m in a d a “ m atriz heterosexual” por autoras com o Ru-
gestuales y de vestuário, es decir que los sig n ifican tes acaban en general
bin y, m ás recientem ente, por Judith B utler (1990 )-.
fijándose en identidades -a u n q u e m ú ltip le s- de la m ism a m anera que en el
La m atriz heterosexual es, ante todo, la m atriz prim igenia dei poder, el
m odelo que com baten. Un ejem plo y a clásico que no consigue superar este
prim er registro o inscripción de la relación poder/sujeción en la experiencia
problem a es la obra de N éstor Perlongher (1987). El mismo énfasis se ha coloca­
social y en la vida dei sujeto: cristal o im printing inoculado a partir de la
do en la existencia de identidades m asculinas en plural, donde la articulación de
entrada en la vida social a través de una “prim era escena”, fam iliar y patriarcal,
gênero, raza y clase resulta en una gran variedad de identidades y en una m ayor
que tam bién obedece a esta estructura, independientem ente dei aspecto anatô­
com plejidad de las relaciones de poder que las previstas p o re i esquem a básico
m ico que tengan los personajes que la representan en cada una de sus versio-
dei gênero (Connel, 1995; Cornw all y Lindisfarne, 1994). Pero todas estas críti­
nes (Silverm an, op. cit.). El patriarcado es una gram ática; las com binaciones de
cas, por cierto pertinentes, se centran en la dim ensión em pírica, sociológica y
elem entos léxicos que organiza son ilim itadas. C ualquiera que sea el conjunto
observable de la constitución de identidades y de las relaciones entre Ias m is-
de trazos que vengan a encarnar cultural y socialm ente la im agen de lo fem eni­
m as, y no en la m ecânica que organiza las relaciones de poder entre ellas. E sta
n o - o fem enino.s-y de lo m a s c u lin o -o m a sc u lin o s-e n una cultura particular,
m ecânica es la transposición, siem pre renovada, de la escena original, m odela­
la estructura básica que articula el par de térm inos m asculino/fem enino, donde
da por Ia “ m atriz heterosexual” , independientem ente de las anatom ias que la
el prim ero se com porta com o sujeto de habla y entra activam ente en el âm bito
representen, a no ser que exista un a desconstrucción esclarecida, activa y
público de los trueques de signos y objetos, y el segundo p articip a com o
deliberada de su estructura -c o m o la que analizo en el últim o capítulo de esta
objeto/signo, perm anece en el nudo central de la ideologia que organiza las
o b ra - y, aun así, la tentativa de desconstrucción puede fallar.
relaciones de gênero com o relaciones de poder. En este m odelo lévi-straussia-
El artículo de Rubin, que y a anticipaba los elem entos de este tipo de
no la mujer, com o significante habitual de la posición fem enina, tiene la particu-
argum ento, vincula de m anera definitiva el tem a antropológico dei parentesco
laridad de com portarse am biguam ente, participando de la estructura com o un
con los trabajos que introducen el m odelo de Lacan en la discusión dei gênero.
verdadero anfibio: parte sujeto, parte objeto; parte hablante, parte signo. Y ello
La autora citada apunta al preciso núcleo donde las teorias de L évi-Strauss y
es así aun cuando, en la práctica, las posiciones fem enina y m asculina experi-
Lacan, antropologia y psicoanálisis, se encuentran y se tornan im posibles de
m enten Ia inflexión de la convergencia de otras dim ensiones sociales, com o
disociar: lafu n ció n central de la prohibición dei incesto que impone un régim en
clase, raza o nacionalidad.
de circulación y trueques, en que se divorcian los térm inos de quien troca y
M ucho se ha insistido en hacer notar que no se trata de una única iden­
quien es trocado, el m asculino y lo fem enino, calcados (pero no inseparables)
tidad fem enina, sino de una m ultiplicidad de entradas de la fem ineidad en el
en los significantes dei cuerpo dei hom bre y de la mujer. Q ueda, dei lado dei
m undo y de tipos diversificados de inserción en las interacciones sociales
prim ero de estos térm inos, el sujeto hum ano en la plenitud de su agencia, en
- “Lo que está surgiendo en la literatura fem inista es, por el contrario, el co n ­
cuanto el otro térm ino oscila entre la actuación dei sujeto y la pasividad dei
cepto de una identidad m últiple, cam biante y a m enudo autocontradictoria [...]
objeto y accede, por tanto, a una am plitud existencial mayor, que puede ser la
form ada por la convergencia de representaciones de gênero, raza y clase hete­
base dei “otro goce”, no fálico, el “goce m ás allá dei falo” que Lacan le atribuye.
rogêneas y heterónom as” (D e Lauretis, 1986, p. 9, mi trad u cció n )-. Tam bién
C on la regia dei incesto, la sociedad irrum pe en la tram a familiar y, con ella,
-ap lican d o el m odelo de inspiración d eleu z ian a - se ha llam ado la atención
el régim en de la ley que separa lo que por naturaleza perm aneceria unido. Esta

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ley rige la em ergencia de cada nuevo sujeto, de cada criatura hum ana, en el contribución diferenciada a los fem inism os: a) la generación de estúdios que
seno de una escena donde los papeles m asculino y fem enino se encuentran acabo de m encionar y que, pese a afirm ar la variabilidad de las lecturas cultura-
prefigurados por el régim en de trueque (ver un esclarecedor análisis dei encuen- les dei dim orfism o biológico de los sexos identifica com o una tendencia univer­
tro de los m odelos de Lacan y Lévi-Strauss sobre el incesto en Tavares, n/d). sal la ordenación de los gêneros en una estructura je rá rq u ica reflejada por una
Del psicoanálisis, autoras com o Juliet M itchell y Jacqueline Rose (1974) y ideologia patriarcal; b) la m encionada anteriorm ente, que surge con M argaret
M itchell y Rose (1982), y de la filosofia, autoras com o Ragland-Sullivan (1986) Mead y encuentra continuidad en las investigaciones sobre la “construcción
y Judith B utler(1990, 1993), entre m uchas otras en un cam po de estúdios extre- cultural” de los gêneros. Precisam ente, los trabajos etnográficos que en la
m adam ente desarrollado, convergen para encontrase en este punto, donde la actualidad intentan discutir la tesis de la universalidad de la jerarquía son los
cuestión de gênero ya no puede ser abordada exclusivam ente a partir dei regis­ exponentes m ás rccientes de esta vertiente. Ella dio su contribución fundam en­
tro de las variaciones etnográficas y nos vem os obligados a interrogaria con un tal al colocar y dem ostrar, con evidencia etnográfica, la dim ensión constructi-
instrum ental teórico que perm ita u n a “ escucha” más sensible, donde el modelo vista, relativa, de los gêneros, derribando la prem isa dei determ inism o natural y,
psicoanalítico, particularm ente el estructuralism o lacaniano, hace un aporte con ella, la dei esencialism o biológico. El apuntar hacia la relatividad y la varia­
que ya no puede ser ignorado. bilidad de los contenidos asociados con las categorias “ m ujer” y “hom bre” a
Con todo, trabajos com o los de H enrietta M oore (1994 a y b) y sus ten ta­ través de los tiem pos y de Ias culturas, probó que el las son productos históri-
tivas de com binar antropología y psicoanálisis dejan a la vista las dificultades co-culturales y no hechos de la naturaleza. De esta m anera, instalo las bases dei
que obstaculizan un cruzam iento satisfactorio entre el abordaje em pírico habi­ discurso crítico contra el sexism o, es decir, contra las form as de discrim inación
tual dei etnógrafo, que coloca su foco en las relaciones observables entre que encuentran su soporte en la afirm ación de las determ inaciones biológicas
sujetos sociales y registra sus discursos, y el abordaje en últim a instancia sexuales sobre nuestras facultades y com portam ientos.
estructural dei psicoanálisis, para el cual las relaciones qlie cuentan son de un N o obstante, siguiendo a rajatabla el program a propuesto por esta visión
orden abstracto, y se encuentran m ás acá y por debajo dei plano que las des- constructivista de los gêneros llegaríam os, com o en algunos casos se llegó,
cripciones que el etnógrafo capta. prácticam ente a desm ontar la categoria m u jer y, con eso, a invalidar las pro-
puestas fem inistas que cortan a través de naciones y grupos hum anos particu­
La generación de estúdios que desem boca en este diálogo con el psicoanálisis lares. Paradójicam ente, por otro lado, se invalidan tam bién las luchas fem inis­
es respondida hoy por un conjunto de autoras que, a partir de etnografías tas si no afirm am os la libertad de optar y construir la propia historia, libertad
particulares, intentan desm ontar la tesis de la universalidad de la estructura fundam entada en el principio de la indeterm inación biológica dei destino hum a­
jerárquica dei gênero. Con todo, es habitual encontrar afirm aciones de que no. Se establece ahí una paradoja porque el fem inism o, com o m ovim iento social
existen, según cuál sea la sociedad, form as de com pensación dei dom inio m as­ de alcance universal en su reivindicación de los derechos hum anos de Ias
culino por algún tipo de ejercicio de poder fem enino, y se habla, así, de socie­ m ujeres, necesita afirm ar la existencia de alguna entidad o categoria social, una
dades más igualitarias o m enos jerárquicas; no obstante, no se habla de socie­ form a estable de “ m ujer” y de lo fem enino que atraviese las sociedades, un
dades totalm ente igualitarias. Un rarísim o ejem plo de una afirm ación de este conjunto de experiencias específicas expresadas en el significante anatôm ico
tipo puede encontrarse en la obra de M aria Lepow esky sobre los Vanatinai de dei cuerpo fem enino. Esta vertiente, que se constituye en la prim era generación
N ueva G uinea (1993). Ya clásicos, dentro de esta perspectiva, son los textos de de las investigaciones antropológicas de gênero en tiem pos de M argaret Mead,
Eleanor Leacock, que, a partir de un enfoque m arxista y de una lectura renovada en verdad dificulta la posibilidad de hablar de “ la m ujer” , porque afirm a la
de la obra de Engels, fue una de las autoras precursoras de esta discusión, absoluta relatividad de las construcciones de gênero.
vinculando la subordinación fem enina con la evolución de la idea de propie- El dilem a de los aportes de la antropología al fem inism o reside en el hecho
dad. Según Leacock, sociedades sim ples, igualitarias desde el punto de vista de que si por un lado el fem inism o necesita de la prem isa desencializadora de
de la econom ia y de la propiedad, tenderfan tam bién a serio en el cam po de las esa vertiente para poder dem ostrar que no existe un determ inism o biológico
relaciones de gênero (Leacock, 1981). por detrás de ese papei subordinado que nos está destinado, por otro lado,
De esta form a, es im portante subrayar que en los trabajos antropológicos dicha prem isa tam bién desestabiliza la consolidación de una “ plataform a m u­
sobre gênero se conform aron dos vertientes, cada una de las cuales hizo una je r” para una política capaz de unir a las m ujeres a través de las naciones y de

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los grupos étnicos. C om o dije, se configura entonces una paradoja de difícil uno de los m om entos m ás fértiles de esa discusión, pues deja al descubierlo su
resolución que pulsa en el centro de nuestras cuestiones, incom odándonos. d ificu ltad y lan ecesid ad de esclarecer m ejor los parâm etros que puedan perm i­
Irem os hasta las últim as consecuencias en el análisis desencializador, erradica- tir su dilucidación. La autora aplica la cuestión de la je ra rq u ía a un grupo indí­
dor de todo determ inism o, para poder decir que, com o m ujeres, podem os exhi- gena de V enezuela - lo s P ia ro a - para, a p artir de un m ito, intentar probar que sc
bir todo y cualquier com portam iento y tenem os apertura a todas las capacida­ trata de u na sociedad igualitaria.
des m entales y físicas. Sin em bargo, al m ism o tiem po necesitam os esencializar Con todo, m e parece que el artículo de O vering acaba ju stam en te por
para dar unidad al m ovim iento social en torno de los problem as de “ la m ujer” . m ostrar la casi im posibilidad de llegar a una conclusión sobre la base de m ate-
Q ueda así configurado, por lo tanto, el impasse, al que llega la relación entre el riales etnográficos, dejando al descubierto la dificultad de observar el gênero.
fem inism o y la antropologia. Surgen entonces las siguientes preguntas: <^el gênero es observable? ^D ónde
se observa? ^Cuáles son los critérios para avalar el carácter igualitario o je rá r­
Es, de hecho, la segunda generación la que, cuando cuestiona el determ inism o quico que él asum e en una sociedad determ inada? Esta cuestión no com porta
biológico pero tam bién cuando apunta a la experiencia universal de la subordi­ una pregunta de respuesta sim ple. M ás aún, creo actualm ente que el gênero no
nación fem enina, consigue finalm ente dar sustento a las plataform as fem inistas es exaetam ente observable, pues se trata de una estructura de relaciones y,
vinculando la experiencia de las m ujeres a través de las sociedades sin caer en com o tal, tiene un carácter em inentem ente abstracto, que se reviste de signifi­
el esencialism o. D el descubrim iento inicial de la variabilidad de las form as de cantes perceptibles, pero que no se reduce ni se fija a éstos.
ser hom bre y m ujer y de las m últiples disposiciones de la form ación sexo- A ctualm ente la gran cuestión de la d isciplina es la siguiente: si desencia-
género esta postura hereda la prem isa de que el pasaje de la biologia a la cultura lizam os el gênero, retirando a la b io lo g ia de su lugar d eterm inante -q u e es la
no es dei orden dei instinto, o sea, no es dei orden de las determ inaciones contribución an tropológica por e x c e le n c ia - pero continuam os constatando la
ineludibles. P erm anece por lo tanto aqui la paradoja frente a la cual hasta hoy je rarq u ía dei gênero, sólo nos queda la alternativa de intentar identificar m ode­
nos rendim os: si el pasaje dei dato biológico a los com portam ientos sociales los explicativos que sustituyan a la b iologia en la determ inación de la u niver­
depende de una lectura m ediatizada por la cultura, ^cóm o se explica la ten d en ­ salidad de esa jerarq u ía. Por ese cam ino podem os llegar a la conclusión de que
cia universal a la subordinación, aun cuando considerem os variaciones de esa je ra rq u ía depende de un orden o estru ctu ra abstracta bastante estable.
grado, m atices en la je rarq u ía? ^C om o conciliar la relatividad de las construc- U na estru ctu ra que es m ás dei âm bito de las instituciones que de los sujetos
ciones culturales con la tendencia universal a la representación dei gênero sociales que transitan por ellas, y que form a parte dei m apa cognitivo con que
com o jerarq u ía? A esa pregunta sigue otra, necesariam ente, que ja q u ea el pro­ esos sujetos operan antes que de una identidad estable supuestam ente inhe­
gram a reform ista de los fem inism os: si hay, de hecho, una estructura profunda rente a su constitución. L ejos de ser inherente y determ inada de antem ano,
que rige esa universalidad, <^,es posible pensar un a sociedad que finalm ente esa identidad se va im prim iendo en el sujeto com o parte dei proceso por el cual
erradique, disuelva, esa estructura que probó ser tan extendida y persistente em erge com o un ser social a partir de las identificaciones en que se involucra.
hasta el m om ento, a lo largo dei tiem po y a través culturas hum anas? En este proceso, la lectura que él realiza de sus propios signos anatôm icos lo
co n d u cirá a su construcción de una identidad, pero esa lectura o interpreta-
ción de esos signos o inscripciones anatôm icas, pese a estar inform ada p o r la
La Ley: el m asculino invisible cultura, es siem pre en últim a instancia individual y puede ser bastante aleató ­
ria y accidentada.
Com o m encioné, en tensión con la segunda de esas líneas de pensam iento, E ntonces, <-,dónde observarem os aquello que es, en últim a instancia, lo
cuyo foco se encuentra en la jerarq u ía, existen tentativas etnográficas de des­ m asculino y lo fem enino, si ellos constituyen sólo un ancla ideal de sustenta-
m ontar el supuesto de la subordinación universal por parte de autoras que ción a partir de la cual los sujetos sostienen sus identidades, y nunca son
colocan en el lugar central la pregunta por la existencia de sociedades realm en­ realidades sociales concretas y plenam ente estables, nunca están totalm ente
te igualitarias com o una pregunta aún no respondida de form a definitiva. Un encarnados, nunca se reducen a una realidad física? Si es verdad que los perso­
artículo publicado por la antropóloga inglesa Joana O vering, “ M an control najes de la “escena o riginaria” (Silverm an, op. cit.), usualm ente una escena
w om en? ‘The catch 2 2 ’ in analysis o f gender” (1986), representa en m i opinión fam iliar, constituyen la referencia inicial para la aprehensión de lo que son Ias

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posiciones relativas y los rasgos de los gêneros, ellos no son más que repre­ hecho de que el resto, hasta el propio ejercicio de la sexualidad, se presenla
sentaciones ejem plares, significantes finalm ente transitorios en una cadena de com o secundário en la narrativa: en determ inado m om ento Wahari se d islra /a
sustituciones a las que el sujeto será expuesto a lo largo de su vida. C onsidero, de m ujer para aproxim arse a su herm ano y poder castrarlo, pero esa fluctuación
en oposición a la propia autora, que el texto de Joana O vering da las pautas de los significantes no perjudica su posición m asculina en la estructura de
para entender esta cuestión a partir de un m ito que resum iré en seguida. A partir relaciones. Tam bién es su herm ano, y no él, quien exhibe la sexualidad m ás
de este m ito y de su contexto, el artículo citado propone una conclusión, mien- activa. Pero ninguno de estos aspectos aparentes que asum e im portan, pues el
tras yo Ilego a la conclusión opuesta. C onsidero que, aun cuando perm ita esta papel de instituir la ley, distribuir identidades y definir responsabilidades en la
discordancia, el artículo es dei m ayor interés para m ostrar lo que estoy descri- vida social no es cedido a nadie y perm anece fuertem ente asociado con la
biendo com o la dificultad de observar el gênero. virilidad ideológica y trascendente dei dios. La autoridad, por lo tanto, no es
El m ito Piaroa relatado por la autora habla de un dios llam ado Wahari, de neutra, no está encarnada en una figura andrógina, sino radicada en una divini-
sus varias m ujeres y de su herm ano llam ado B uok ’a, que tiene acceso sexual dad que exhibe los atributos de la m asculinidad. De este m odo, esa figura, esa
ilim itado a las m ujeres dei grupo a las que satisface por m edio de un pene muy posición en el discurso, aunque no actuante ni observable en el contexto so­
largo que carga enrollado en su cuello. Se trata de un estado paradisíaco de cial, constituye, de hecho, la llave de laco m p ren sió n de lo que es la m asculini­
satisfacción irrestricta, interrum pida finalm ente cuando Wahari decide poner dad. El portador de la ley, el juez, com o fuente dei sentido y de las regias para la
lim ite a la relación entre su herm ano y sus m ujeres. Vestido de mujer, sorprende organización de la vida social —tanto en ésta com o en otras sociedades—tiene
a su herm ano y le corta el pene, dejándolo de dim ensiones norm ales. A partir de rostro m asculino. Se trata, una vez más, de la ley fálica de la interdicción, de la
ese acto de castración B uok’a sangra y dice que m enstrua. Las m ujeres Io separación, dei lim ite y dei orden.
visitan una últim a vez y de esa m anera adquieren, por contagio, su m enstrua- En el ejem plo paradigm ático de este m ito y de su relación con una so cie­
ción, con todas las restriccciones y la reclusión obligatoria asociadas con ella. dad que la etnógrafa describe com o igualitaria es posible com probar lo que en
A partir de ese m om ento, se instituyen en la sociedad Piaroa los lim ites de Ia este ensayo he llam ado la “ no observabilidad dei gênero” . A los ojos dei antro­
actuación de hom bres y m ujeres. El hom bre pasa a tener lim itado el ejercicio de pólogo en el trabajo de cam po, las interacciones sociales y la distribución de
su sexualidad y la m ujer se som ete, desde entonces, a las im posiciones deriva­ derechos y deberes se presentan com o equivalentes, pero el soporte ideológi­
das de su período m enstruai. co que sustenta la je rarq u ía de prestigio de las tareas y la estructura que se
En su interpretación, Joana O vering identifica varios princípios de igual- trasunta en la narrativa m ítica son claram ente patriarcales. En este sentido,
dad vigentes en el contexto de las sociedad Piaroa: el hom bre y la m ujer sufren podem os afirm ar que el patriarcado es sim bólico y sus huellas sólo pueden ser
prohibiciones sim étricas y equivalentes, originadas en un m ism o acto. Am bos, identificadas m ediante una “escu ch a” adecuada y advertida. Lo que hace pen­
descriptos com o seres que aspiran al placer sexual de la m ism a form a y en la sar que si querem os erradicar la orientación patriarcal de nuestra afectividad y
m ism a m edida, acaban castrados, som etidos a regias, tam bién en la m ism a m e­ de acuerdo con Io que sugeri anteriorm ente al seíialar el carácter superficial e
dida. Para Ia autora, el m ito describe una sociedad relativam ente igualitaria inocuo de una transform ación que se restrinja exclusivam ente a la “dim ensión
porque los derechos y deberes de los hom bres y de Ias m ujeres dei grupo funcional dei gênero” , no se trata sim plem ente de m odificar los com portam ien-
tam bién se le presentan al etnógrafo com o bastante equilibrados en la práctica. tos y los roles en la división sexual dei trabajo, sino de minar, desgastar y
O curre que, en ese análisis, en su conjunto muy inform ado por el conoci- desestabilizar sus cim ientos y la ideologia que de ellos em ana.
m iento profundo que la autora tiene de la vida social y de la cultura dei grupo, El paralelo con el proceso de la em ergencia dei sujeto en el m odelo laca-
queda afuera un elem ento de Ia narrativa que m e parece esencial. M e refiero a niano es claro. A partir de una situación de indiferenciación original, en que la
ese ser trascendente que viene a separar los derechos y las obligaciones de los criatura hum ana se percibe en contigiiidad indisoluble con el cuerpo de la
m iem bros dei grupo, que asigna sus roles, distribuye identidades y coloca m adre - q u e representa la función o p o sició n m aterna, la función de lo fem eni­
limites. El portador de Ia norma. El gran legislador. Ese agente regulador, norma- no, cualquiera sea la persona que venga a cum plir esta posición y cualquiera
lizador y disciplinador, pese a ser trascendente, no es una entidad neutra sino sea su s e x o - y en que los ojos de la m adre otorgan al nino la certeza de su
un ser m asculino, encarnado en el dios Wahari com o em blem ático dei papel existencia, la función fálica dei padre - o fu n ció n o posición p a te rn a , de lo
m asculino en la sociedad. Es particularm ente interesante y revelador aqui el m asculino, cualquiera sea la persona o el sexo de quien venga a ocupar este

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lu g a r- es ju stam en te la de hacerse presente capturando una parte dei deseo vand {op. c i t y él tenderá a usar su anatom ia (aunque no necesariam enle)
m aterno y sustrayéndolo, por lo tanto, de la criatura. La función fálica, por lo com o referencia para identificarse y revestirse de la apariencia dei principio
tanto, intercepta e interdicta la fusión original entre el sujeto, que así se ve fem enino, que lo contenía, o dei principio m asculino, que lo separó, translor-
exigido de em erger a la vida social, y el personaje que, en esta escena, represen­ m ándose, así, en una m ujer o en un hom bre, es decir, en alguien que expone su
ta la función m aterna. N o im porta, com o y a dije, quién sea, de hecho, o cuál sea castración, haciendo de ella un signo —la puesta en escena de lo que le falta—,
la anatom ia dei que venga a ocupar estas posiciones en la escena inicial. La o en alguien que oculta su castración, fantasiándose com o com pleto y exhi-
escena siem pre incluirá estos papeles. Lo m aterno, lo fem enino, m arcado por la biéndose p otente (Silverm an, op. cit.).
participación en la satisfacción irrestricta, y la fusión a ser desarm ada, abolida; El carácter construído, artificioso, inherente a la fem ineidad, que y a fuera
lo paterno, o fálico, por la apropiación dei falo al captar para sí un a parcela dei apuntado por Sim one de B eauvoir en aquel fam oso enunciado de la m ujer que
deseo m aterno, com o un poderoso interceptador de ese deseo y, de esta form a, “ se h ace” (1949), resulta de su teatralidad, de su escenificación com o m ascara­
instaurador de la ley o lim ite y de la separación de la cual dependerá la p osibi­ da, para u tilizar el térm ino de Joan R ivière (1929). Según Judith Butler, en el
lidad de convivir dentro de una norm a social. Lacan llam a a ésta ley de “castra- caso que ella (Joan Rivière) exam ina, que algunos consideran autobiográfico, la
ción” o interdicción de la fusión originaria, y ella representa latran sp o sició n en rivalidad con el padre no reside en el deseo por la m adre, com o uno esperaria,
el cam po psicoanalítico de la prohibición dei incesto en el cam po antropológico sino en el deseo por el lugar dei padre en el discurso público, com o hablante,
dei parentesco, que tam bién determ ina la instalación de la vida social en un profesor, escritor, esto es, com o un utilizador de signos m ás que com o un
tiem po de escala filogenética. objeto-signo, un item de intercâm bio” (aludiendo a la posición de no hablante,
En síntesis, a partir de la figura m aterna lo fem enino es aquello que se de “ otro” dei sujeto o dei “falo” que ella es pero el hom bre tien e, atribuída a la
sustrae, la falta, el otro, lo que se sum erge en el inconsciente, form ándolo. Por m ujer en e l estructuralism o lacaniano-lévi-straussiano -B u tler, 1990, p. 51-). Es
su parte, lo m asculino, la figura paterna, fálica y poderosa porque capturo una en este sentido que, aun cuando exhibe activam ente los signos asociados con
parte dei deseo de la m adre, perm ite la satisfacción pero tam bién sabe cortaria, la fem ineidad, la m ujer lo hace com o m ascarada, es decir, com o sujeto activo,
interdictarla, en nom bre de la ley que instaura: es el legislador, el discernidor, y enunciador de signos, y, por lo tanto, m ascarada de sujeto y dentro dei registro
tam bién el teórico, el filosofo y el ideólogo, por ser capaz de otorgar los nom - de la m asculinidad. Son clarificadoras las palabras de Lacan al contraponer la
bres, lugares y papeles, creando el m undo con sus objetos y personas im buí­ m ascarada inherente a la actuación fem enina en la escena social —su perfoi-
dos de valor y de sentido. m ance com o sujeto d ram á tic o - a la posición de la m ujer en la econom ia dei
El nino, el sujeto que em erge para la vida en sociedad, que viene a insta- deseo: “ Por paradójica que esta form ulación pueda parecer, estoy diciendo que
larse en el terreno de lo sim bólico, que se torna hum ano, debe aprender a para ser el falo, es decir, el significante dei deseo dei Otro, la m ujer va a rechazar
p rescindir de la fusión originaria, a curvarse a la ley dei padre que lo separa, a un a parte esencial de su fem ineidad, esto es, todos sus atributos en la m asca­
introyectar los lim ites, a acatar la castración (Lacan, 1977). “El sujeto -d ic e rada” (Lacan, 1977, pp. 289-290).
Judith B u tle r- se constituye por m edio de operaciones de exclusión” (Butler, En co n trap artid a, la co n strucción de lo m ascu lin o com o obliteración de
1992, p. 14), em ergiendo de un m ar de negaciones. En su proceso constante y la m adre -c o n d ic ió n n ecesaria p ara la o cultación de la castración y la dram a-
reiterado de em ergencia y de instalación en cada escena social, y cualquiera tizació n n arc isista de un n ad a-falta— im plica la co n q u ista de ese estatus a
sea su anatom ia, el sujeto se encuentra, por lo tanto, siem pre dei lado de la trav és de pru eb as de coraje y co m p letu d que le im ponen al aspirante (a h o m ­
acción, de la ley, dei ejercicio dei poder. Al constituirse por la ley dei padre, él es bre) el d esafio de confrontarse con la posibilidad de la m uerte. Esto en cu en tia
siem pre fálico, siem pre m asculino. Fem enino será el exceso en él, el otro de él ecos en las m ás d iv ersas fuentes, desde La d ia léctica dei am o y el esclavo
que, sin em bargo, perm anece en él y que él debe negar y expurgar de por vida en H egel, a los n ativos de N u ev a G u in ea (H erdt, 1982, 1987; H erdt y Stollcr.
p ara diferenciarse. A quello que él viene a silenciar de sí. Pero fem enino es, 1990). E sta p ro liferació n de la escen a inicial, tra n sp u e sta y am pliada a d in fi-
tam bién, su origen, el universo com pleto, enteram ente placentero y satisfacto- nitum en la ex p erien cia acu m u lativ a dei sujeto a trav és de los cânones que la
rio dei cual él proviene. cu ltu ra p rescrib e, es nada m ás y n ad a m enos que la constante profundización
Inm ediatam ente después de su aparición, en un proceso de segundo de su p ro ceso de id en tificació n secundaria, la reafirm ació n , a lo largo de la
grado -ta m b ié n llam ado “ identificación secundaria” por E llie R agland-Sulli- vida, de cóm o debe calcarse y fijarse siem pre de fo rm a renovada en un a de las

72
p o siciones de ia estru ctu ra relacionai de los gêneros (extiendo este arg u m en ­ lérm inos abstractos, que daria origen a la categoria “ m ujer” o a lo q u e y o llame
to en el capítulo 3).
“ lo fem enino” en una estructura relacionai, sino de la crítica a la observabilidad
Por lo tanto, contrarian d o el análisis de Joana O vering, considero que y com parabilidad de la situación de las m ujeres en su concreción, sin problem a-
seria p osible trae r el psico an álisis lacaniano (no ex actam ente com o se aplica lizarel pasaje de la M ujer genérica, de la posición de lo fem enino com o catego­
en la clínica, sino com o es reciclado en los estúdios sobre subaltern id ad ) para ria, a las entidades concretas que representan el gênero m ujer a través de las
co m prender los elem entos de esa escena fundadora, na rra tiva -m a estra d o n ­ culturas y a partir dei principio de una anatom ia com ún. De acuerdo con M o­
de la figura instau rad o ra de la ley es sim ultáneam en te abstracta y m asculina. hanty, que se inspira, a su vez, en un artículo de Beverley Brow n (1983):
L legam os, así, a la form ulación de la pregunta que m e parece central sobre lo
que es el gênero: ^una dualidad em pírica, observable, de papeles, atribucio- |...) algunos autores conlundcn cl uso dei gênero como categoria supraor-
nes, derechos y deberes. o una estru ctu ra de relaciones cuyos térm in o s se denada de análisis organizacional con una prueba e instanciación universa-
revisten dei ropaje de los actores de cada escena social, pero donde, en ei lista de esta categoria.
fondo, la relación entre actores y papeles dram áticos es siem pre fluida y En otras palabras, conlundcn los estúdios empíricos dc las diferencias
hasta cierto punto aleató ria? ^Es el gênero un conju n to de co m p o rtam ien to s de gênero con la organizaeión analítica dei trabajo de comparación trans-
d o cum entables que consiste en lo que los hom bres y las m ujeres hacen en cultural. La resena que Beverley Brown dedico al libro N a tw e , C ulture
u na determ in ad a so ciedad? ^O Io observable es nada m ás y nada m enos que a n d G e n d er (1980) ilustra bien este punto. Brown sugiere que los pares
una transposición, para un cuadro de v erosim ilitu d es, de una escena-m aes- relacionales natu ra leza : c u ltu ra y m ujer: hom bre son categorias supraor-
tra, prim aria, original, m ítica, m uy próxim a a la estru ctu ra dei sim bólico, la denadas que organizan y localizan categorias subordinadas (como sa lva je
“ ficción d o m in an te” form ulada por K aja S ilverm an? (op. cit.). Si los gêneros / d o m éstico y b io lo g ia / te c n o lo g ia ) dentro dc su lógica. Jistas categorias
fuesen sim plem ente lo que los hom bres y las m ujeres hacen de form a d iferen ­ son universalcs en el sentido de que organizan cl universo de un sistema de
ciada, ^ cóm opodríam os explicar, p o rejem p lo , el resurgim iento de la estructu­ representaciones. Esta relación cs totalmente independiente dc las formas
ra dei gênero en el interior de instituciones totales com o cárceles y co n v en ­ dc sustanciación universal de cualquier categoria particular. Su crítica apun-
tos, pero escen ificad a al 1í por actores de anatom ias idênticas? ta al hecho de que [...] la obra en cuestión construyc la universalidad de
esta ecuación como reposando en el nivel de la verdad empírica, que puede
scr investigada por medio dc trabajo de campo [...]. Aqui se asume un
C rítica dei patriarcado e im perialism o moral universalismo metodológico sobre la base de la reducción de las categorias
analíticas n a tu ra leza : c id tu ra :: m a scu lin o : fe m e n in o a la demanda por
En un texto brillante, C handra M ohanty expone las falacias teóricas y la m anio- pruebas empíricas de su exislencia en culturas dilerentes. Discursos de
bra político-ideológica que se esconde detrás de la universalización de la cate­ represcntación son confundidos con realidades empíricas, y la distinción
goria social que llam am os “m ujer” por parte de observadoras occidentales entre "M ujer” y "mujer” se pierde (Mohanty, 1994, p. 211).
(fem inistas y acadêm icas). Al establecer esa equivalencia universal de las m u­
jeres, se establece, tam bién, su com parabilidad fáctica y, pese a que no es el En m is propios térm inos, entonces, lo que nuestras etnografías pueden obser­
caso dei texto de O vering, esa com paración lleva, casi indefectiblem ente, a la var es cóm o lo fem enino y lo m asculino, en cuanto posiciones en una estructu­
confirm ación de la superioridad de la m ujer Occidental -e s ta “constatación por ra relacionai, se instancian en cada interacción social, vivida o relatada, de lo
los hechos es, adem ás, el presupuesto dei m ovim iento supuestam ente hum a- cotidiano o dei mito. inicialm ente esa estructura se revela (y se oculta), com o ya
nitario en dirección al O tro, configurándose, entonces, un clásico pensam iento dije, por verosim ilitud, en las relaciones entre los actores de la escena original.
circ u la r- En verdad, aun cuando otra sociedad em erja de este ejercicio com o E sta escena, a pesar de ser constituída por los papeles prescritos por la estruc­
una sociedad igualitaria, com o quiere O vering, los parâm etros y los valores tura, es siem pre diferente y peculiar para cada nuevo ser que em erge a la vida en
im plícitos en Ia com paración estarán fijados por el patrón Occidental. sociedad. Por lo tanto, seria posible afirm ar que si el gênero, en cuanto catego­
C uriosam ente, en el análisis de M ohanty el universalism o se alinea con el ria, form a parte de un modelo estable, es extrem adam ente inestable y h u id i/o en
em pirism o: no se trata de la crítica a la universalidad de la estructura, de los sus procesos de instanciación.

74 M
Solam ente de esta m anera podrían explicarse los rígidos m ecanism os de estructura relacionai se introduce y articula p o r debajo de los universos de
coacción social que rigen la identificación secundaria a través de diversas interacción.
culturas co n stn n en d o a los sujetos a encuadrarse y a fijarse de form a estable El prim ero de esos aspectos devela el hecho de que el gênero se iranspo-
y previsible a personajes donde siem pre acaba por reconocerse la escena o rig i­ ne, tornándose concreto, en estratos varios de la experiencia dei sujelo. De
nal. N uestra política, sin em bargo, debe dirigirse a develar los p ro ceso s de m anera que éste tiene, usualm ente desde el punto de vista dei gênero, una
tra n s ito y de circulación que ocurren constantem ente, p ero p erm a n ec en ocul­ com posición m ixta, plural, en la variedad de los âm bitos de experiencia que
tos p o r el p e s o de las represen ta cio n es q u e p rescrib en y p re sio n a n p a ra constituyen su interiorídad. Se constituye, así, lo que podríam os considerar
reproducir la adhesion de los sujetos a posiciones establecidas com o deter­ com o un com puesto de gênero y no el ser m onolítico, unisém ico, que las repre­
m inantes y originarias. E sto no significa, d e fo rm a alguna, p a tru lla r las fa n ­ sentaciones im ponen, sobre todo en O ccidente. Los estratos que intento defi­
tasias que, m uchas veces, p o r la búsqueda dei p la c e r que es inherente a la nir a continuación fueron inspirados en mi etnografía de la tradición religiosa
econom ia lib id m a l dei sujeto nos condenan, sino indagar lo que las sustenta. afrobrasilena de Recife, ya citada (véase su descripción detallada en el capítulo
6). E sta influencia local en la producción teórica no debería causar espanto,
pues no es otro el papel dei antropólogo sino el de tratar de exceder las catego­
A ndrogm ia com o circulación por los registros dei gênero rias occidentales, incluyendo las científicas, cuando las ilum ina a partir de las
categorias de sus nativos y les revela así dim ensiones no discursivas de la
Si el patriarcado pertenece, com o afirm o, al terreno de lo sim bólico, y los he- experiencia a las que, por sí solas, no podrían acceder. En verdad, categorias
chos son un epifenóm eno de aquella otra inscripción fundante, ;q u é se le com o “fetiche” , “tab ú ” o “m ana” , hoy transform adas en herram ientas analíti­
podra oponer? ^Cóm o es posible actuar? N ada más y nada m enos que to rn an ­ cas de gran alcance para m ostrar prácticas y experiencias occidentales, son
do representables y representadas, en un plano ideológico, las constantes originarias de etnografías localizadas. Es éste un ejercicio m etodológico dei
experiencias de circulación de los sujetos-actores por los registros dei gênero tipo que y a denom iné “ exégesis recíp ro ca” y “diálogo intercultural” (Segato,
es decir, la androgm ia y la fluidez inherente a la vida hum ana que, con to d o ’ 1995) o que B oaventura de Souza Santos h a descripto, más recientem ente,
raram ente obtiene visibilidad y perm anece enm ascarada por la inércia conser­ com o “herm enêutica diatópica” (Santos, 2002).
vadora dei lenguaje y otras form as de coerción oriundas dei cam po ideológico 1) El cuerpo, la anatom ia propiam ente dicha, es la m anera en que el gênero
u-iv, í ? nd° ’ de,ntr° de Un pro§ ram a crítico y transform ador, apunto a la posi- se inscribe en la autopercepción. D e hecho, la anatom ia propiam ente dicha, el
bilidad de una política de circulación, com o dije, lo que pretendo es sim plem en- nivel biológico, constitucional, la naturaleza orgânica dei m acho y de la hem bra
te dejar a la vista elem entos que se encuentran y a presentes en los procesos de la especie, debería entrar en esta secuencia com o el nivel 0, porque es
propios dei sujeto pero que son entnascarados por las representaciones (ideo- inalcanzable en sí m ism o y ja m á s accedem os a él en estado puro, ni siquiera con
logicas) dom inantes dei gênero. Estas tienden a fijar y adherir los significantes los instrum entos de la propia ciência, libres de las inversiones afectivas, valo-
a significados perm anentes, especialm ente en Ia cultura Occidental, pero tam - rativas y cognitivas propias que la cultura induce. El nivel 1, a su vez, está
b.en en otras sociedades. Identifico dos aspectos com o capaces de com portar representado por las categorias de “hom bre “y “ m ujer” acatadas e introyecta-
los trânsitos conten.dos e, im plicitam ente, ya previstos en la com posición de das por el sujeto a partir de la percepción que él tiene de su propio cuerpo y de
genero de los sujetos. El prim ero de ellos se tornó perceptible para m í a partir de las relaciones de identidad y diferencia que establece entre las características
m is hallazgos etnográficos sobre los m odos de sociabilidad y de sexualidad de su cuerpo y los personajes de la “ ficción dom inante” o prim era escena.
propios de las tradiciones religiosas afrobrasilenas. C reo posible a firm a r-c o n A qui, los estúdios pioneros de Robert Stoller sobre transexualism o (1964,1968,
los nativos de esa tra d ic ió n - que to d a persona tiene la posibilidad ab ierta de 1975, 1985, entre otras obras de su autoria) m uestran la im presionante m aleabi-
ser una criatura m ixta con respecto a su com posición de gênero, y que circular lidad de la inserción dei cuerpo en la experiencia dei sujeto, y las vicisitudes de
en sus vivências, por registros diferentes (y no siem pre com patibles) de gênero la autopercepción - y es interesante notar que S toller inició sus pesquisas en el
hace parte de sus hábitos -a u n q u e se trate de hábitos im perceptibles y caren­ cam po de la psiquiatria para, m ás recientem ente, sum ar esfuerzos con la antro­
tes de un vocabulario específico en O ccid en te-. El segundo aspecto que ga- pologia (H erdt y Stoller, op. cit.)-. Por otro lado, com o dije, a partir de M argaret
rantiza la fluidez dei gênero resulta de la form a, siem pre m utante, en que su M ead las categorias a las que el cuerpo, en cuanto significante, da lugar, esto

76
ro estará som etida a un m ayor o m enor grado de v igilância y coerción. Con
es, las categorias de “hom bre” y “m ujer” , obtienen contenidos variados a tra­ lodo el psicoanálisis tiene dificultades en concebir com o d esvinculadas estas
vés dei estúdio etnográfico de las diferentes culturas. a n i ue com ponen la experiencia de gênero dei sujeto. E fect,vãm ente, el
2) En esta tentativa de discrim inar las m aneras variadas en que cada suje­ psicoanálisis m aniata en un chaleco de fuerza la or.entacion sexua , la disposi
to se inscribe en el com plejo m apa dei gênero, un segundo estrato podría ctón sex u S y la disposición afectiva o personalidad a cada uno de los térm inos
denom inarse el “gênero de la personalidad” . Esta denom inación sigue de cerca dei dim orfism o anatôm ico -c o m o la m ism a N ancy C hodorow lega ^ e c ° n°c '
la noción de “santo” u “orixa de la cabeza” de los cultos afrobrasilenos, donde i pesar de la deuda que su propio m odelo m antiene con esa disciplina ( 1978, p.
el gênero dei santo atribuído a la persona com o su entidad tutelar (“ santo- 13 9 )- Por otro lado, aun en un sistem a que tiene un discurso m uy elabora
hom bre” o “santo-m ujer”) habla dei gênero de su personalidad, de su gênero sobre la independencia respectiva de los niveles anatôm ico, ps.cologico, sexual
psíquico, no necesariam ente vinculado con el cuerpo, el papel social, ni tam po- s o c ill d " l a U p o s i c i J d e gên ero ocurren d eslices c o n s .a n .e s «
co con la orientación sexual o la disposición sexual. Se habla aqui de la fem inei­ nes de un estrato en otro, com o consecuencia de la inércia - y el consecue
dad y de la m asculinidad tal com o se expresan en las actitudes y en el tem pera­ co n serv ad o rism o - inherente a las representaciones hegem ônicas o n u n d as e
m ento de la persona; pero tam bién de su disposición afectiva, dei m odo en que sistem a Occidental y al lenguaje en general. C om o Jane G allop dem ostro, hasta
el sujeto se posiciona frente al otro en Ias interacciones de su vida afectiva. el m ás prevenido, aquel que desencializó la propia idea de falo sepaiandolo d
3) A su vez, la orientación sexual habla respecto dei objeto preferencial de s u s o p o r t e o significante anatôm ico y sentó, con esto, las bases de una n o c o n

la inversión libidinal, advirtiendo, sin em bargo, que las categorias de hom ose- de patriarcado antes sim bólico que fáctico - e l mismisim oj iaJ p
xualidad y heterosexualidad sirven sólo m uy esquem áticam ente para ver las prosa caer, eventualm ente, en la tram pa de esta m e rc a (G allop, 1992, espec.
alternativas involucradas en esta dim ensión dei gênero. H ablar exlusivam ente
de hom osexualidad y de heterosexualidad reduce el am plio cam po de las orien- ” entóEt o 7 o X ° d e r e c o n o c e r , es la p ropiacircnlación dei
taciones y disposiciones afectivo-sexuales. Es im portante resaltar que la orien­ sujeto a lo largo dei tiem po y de las relaciones afectivas en que se involucia
tación sexual debe ser discrim inada dei gênero de la personalidad, y textos entre disposictones o registros diferentes de gênero frente a sus otros. De
com o los de M ichael Pollak (1986) y Philippe Aries (1986) sobre la historia de la hecho a pesar de la inércia propia de los procesos de construccion de iden i
hom osexualidad en O ccidente aportan evidencias a este respecto. La o rienta­ dad este trânsito ocurre, y la m adurez, así com o las pos.ciones m stitucionalcs
ción sexual está usualm ente indicada por un repertorio de signos m ás o m enos que ocupam os, tienen incidência en este fenôm eno de transform ac.on de
estereotipados, verdaderos gestos codificados, que los incautos confunden m anera en que nos posicionam os frente a los otros en las relaciones de que
m uchas veces con indicadores de aquello que llam o personalidad o “ disposi­ narticipam os A qui tam bién podem os aprender dei m aterial etnogiafico, > o-
ción afectiva” m asculina o fem enina. m ar prestado por ejem plo, dei vocabulario de diversas sociedades africanas.
4) D ebem os separar aún la disposición sexual de Ia persona, o sea, lo que Z o los Igbo de N igéria, la categoria de r m .je r - ta b r e co ,„o a m n.er
dice respecto de su com portam iento sexual propiam ente dicho, y su tendencia alcanza la senioridad, traducida com o estatus m asculino, con la vejez.
a asum ir papeles sexuales activos o pasivos en su interacción sexual. Este
estrato no necesariam ente guarda una relación lineal con la orientación sexual.
5) Finalm ente, el âm bito más reconocido de los papeles sociales resultan­
Bibliografia
tes de la división sexual dei trabajo a los cuales, durante m ucho tiem po, los
análisis sociológicos y antropológicos redujeron Ia categoria de gênero. Esta
es, com o intenté mostrar, m ucho m ás am plia, e incluye dim ensiones sociales, A riès Philippe ( 1986), “ R eflexões sobre a H istória da H om ossexualidade” , en
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Es necesario decir, todavia, que cuando hablam os habitualm ente de gênero B adinter, E lisabeth (1988), Um é o outro, Rio de Janeiro, N ova Fronteira.
abarcam os de form a im precisa todos estos niveles. Pese a todo, y según cuál Beauvoir, Sim one de (1970) [1949], O Segundo Sexo, San Pablo, D ifusão Euro­
sea la cultura de que se trate, ellos serán representados com o m ás o m enos
fijam ente vinculados entre sí, y su articulación en una única identidad de géne- péia do Livro.

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H aberm as a n d the P ublic Sphere, C am bridge, M ass., The m i t Press. y, por m om entos, pagando un alto precio p o r hacerlo, la necesidad de bajar los
parapetos disciplinares, cruzar áreas, leer extensam ente lo que se escribe en los
otros cam pos.
N o será con facilidad que vam os a conseguirlo, porque abrir la ciudad
am urallada de esos cam pos es quebrar con la arquitectura de un sistem a de
autoridad que se reserva el derecho de establecer, internam ente para cada área,
los parâm etros para ju z g ar lo que sirve y lo que no sirve y, sobre todo, distribuir
los fondos de investigación, dar em pleo en las universidades y todas las dem ás
prerrogativas que de esto dependen.
Sin em bargo, cuando nos detenem os a pensar en los grandes autores de
nuestro tiem po, los form uladores de m odelos de gran im pacto en las hum anida­
des en general y, por lo tanto, reform adores de la historia, vem os que ninguno
de ellos, absolutam ente ninguno, dejó de circular entre una variedad de disci­
plinas com o las ciências sociales, la historia, la lingüística, la filosofia y el
psicoanálisis, y algunos de ellos son, inclusive, m uy difíciles de situar. De
Foucault, por ejem plo, quien ha afectado definitivam ente los paradigm as de
todas nuestras ciências, m uy pocos estudiantes son capaces de decir cuál fue
su form ación básica, en qué área se graduó, lo que dem uestra que de la m utua
fertilización de los cam pos nace la teoria y es en latran sg resió n de las fronteras
disciplinares que nos encontram os con las nuevas ideas.

1 Conferencia leída en el Congreso Internacional “^Nuevos paradigmas transdis-


ciplinarios en Ias Ciências Humanas?”, el 9 de abril de 2003 en la Universidad Nacional,
Bogotá, Colombia.

85
el coinplejo de E dipo es universal, y respondió con lo que creyó que era otra
D eliberadam ente voy a tom ar el tem a a partir de la antropologia porque Iriangulación, en lugar de padre/m adre/nino, com o en el triângulo freudiano,
esta disciplina, entre todas Ias ciências hum anas, ha sufrido recientem ente, en apuntó el triánííulo m adre/herm ano de la m adre/hijo, para la sociedad de avun-
sus cátedras y en su orientación acadêm ica en general, el m ayor repliegue hacia n ú a d o que estaba describiendo. En ésta, com o es sabido, se separan la pater-
Io que ya oí describir com o una vuelta virtuosa a un “fundam entalism o discipli­ uidad biológica de la paternidad ju ríd ica, el padre d e ip a te r, el afecto dei linaje.
nar” . A cadêm icos m uy serios y superciliosos fruncen el ceno y sacuden la Pero hoy se nos dice que no, que recorrer estos cam pos inciertos envuel-
cabeza, en actitud condenatoria, al com entarei desvio peligroso de Ia disciplina ve peligros innom brables para la salud disciplinar. La sobrevivencia de la pro­
en Ia década de 1980, afirm ando Ia necesidad de re-discipl inarla. Estos verdade- pia profesión puede estar im plicada, después dei gran susto de la critica p o s­
ros restauradores de la disciplina intentan expurgar Ia contam inación introduci- m oderna a la representación etnográfica, que am enazó con inviabilizar la fe en
da por Ia así llam ada antropologia posm oderna e intentan retom ar sus orígenes nuestros bien intencionados “hallazg o s” en el cam po. Era necesario devolver
conservadores. Para velar por la identidad d isc ip lin a r-q u e tem eu severam ente el crédito a las genealogias, los m apas de aldea, los gráficos de parentesco y
am en a za d a- son obligados a volverse reaccionarios, en el sentido estricto de otras categorias nativas anotadas por el antropólogo en su calidad de conoci-
reaccionar contra cualquier infiItración de otros cam pos. Su lema, francam ente m iento contundente sobre la realidad.
fundam entalista en espíritu por los enganos que contiene, es la vuelta al su- Sin em bargo, si este conocim iento contundente, si estos datos duros no
puesto legado de los padres fundadores de la disciplina, copiando su m étodo, responden a preguntas epocales, no dialogan con las grandes cuestiones abiei-
que de esta form a se vuelve más ahistórico de lo que ya fue. tas y en circulación por el m undo actual, ocurre lo que nos está suced.endo
Este “ retorno” no considera, en prim er lugar, que el objeto ha cam biado, com o disciplina: escribim os y publicam os para especialistas, índependiente-
que no existen sociedades no expuestas a la adm inistración actuantc de esta­ m ente de que puedan entrevistam os los m edios con cierta asiduidad trayendo-
dos nacionales m odernos y no atravesadas por la globalización y que, en mu- nos a la presencia dei gran público. Pero las otras disciplinas nos leen poco,
chos casos, no desean ni necesitan m ás portavoces, analistas, representantes tenem os p o c o t r â n s i t o transdisciplinar: basta entrar en las grandes hbrerías dei
eruditos para dar al m undo una versión siem pre parcial de Io que son. Ya que su m undo, Barnes and N oble, B orders, Fenac, y verem os en crecim iento perm a­
interés particular no reside en que se entienda cóm o son, sino en pasar el nente los estantes de filosofia, historia, psicoanálisis, estúdios culturales y
recado de lo que quieren y dejar claro lo que no quieren - e n este últim o poscoloniales, com unicación, estúdios de gênero, y m uy reducidos los estan­
aspecto de procurar entender y representar lo que las sociedades desean p a ra tes de antropologia, que nunca fue un cam po m asivo pero cuyo público de
sí, los antropólogos, por lo m enos en el B rasil, liemos contribuído p o co -, lectores extradisciplinares - y éste es un critério muy im portante de evaluación
En segundo lugar, en su reacción defensiva y purista de los supuestos dei im pacto de una ciência en el m u n d o - es cada vez menor. La verdad es que
“pilares” de la profesión de etnógrafo, los antropólogos olvidan que la antro­ nuestra producción para el público de las hum anidades en general se ha redu-
pologia clásica sentó sus bases con obras que respondían a preguntas form u­ cido peligrosam ente. Y éste es el verdadero riesgo - y no, com o se insiste, la
ladas por otras disciplinas en la época. El encapsulam iento fundam entalista pérdida dei rigor que significaria para el antropólogo acercarse al estilo de la
que algunos hoy recom iendan nunca existió y m ucho m enos en el período com unicación o al así considerado diletantism o de los estúdios culturales que,
fundacional. La lectura de filósofos, teólogos, lingüistas y psicoanalistas fue según se com enta en los círculos antropológicos, carecen de m étodo o identi-
parte dei proceso creativo de M alinow ski, Leenhardt, E vans-Pritchard, M auss, d a d -. M alas prácticas interpretativas han existido siem pre, en terrenos discipli-
Lévi-Strauss y m uchos otros. Freud y D urkheim publicaron solam ente con un nares abiertos o cerrados.
ano de diferencia sus m odelos teóricos - T ó te m y tabú y Las fo rm a s elem enta­ Es por mi profundo desagrado con este repliegue m edroso y conservador
les de la vida re lig io sa -, am bos utilizando las sociedades totém icas com o de los últim os tiem pos, por mi profundo desagrado con una antropologia que
clave para conjeturar acerca de las bases que hacen posible la convivência se quiere técnica, que quiero referirm e hoy a un diálogo difícil y especifico entre
hum ana y la organización societaria. Esto no puede haber sido casualidad, sino dos disciplinas que han m antenido una relación muy tensa pero tam bién muy
una consecuencia de que eran autores de su tiem po, inm ersos en las preguntas prolífica desde sus orígenes: la antropologia y el psicoanalisis.
de la época, en la que los conocim ientos etnográficos existentes circulaban entre La relación es tensa por varias razones prácticas y teóricas. Todos cuan-
áreas y la exposición de unos discursos acadêm icos a los otros era intensa. tos nos hem os form ado en ciências sociales escucham os alguna vez de boca
M alinow ski se preguntó e indagó en su m aterial de las islas T robriands si

86
de nuestros m aestros la advertencia, un tanto am edrentadora, de que nunca
Sus cam inos se cruzan cuando, m ientras el paciente av anza en la via del
d eb enam os transponer el lim ite entre las disciplinas que piensan los fenôm e­
autoconocim iento a través del proceso denom inado “tran sferen cia” , el an tro ­
nos relativos al indivíduo, o ciências psicológicas, y las que piensan la socie­
pólogo “conoce” por la v ía de la contratransferencia. O sea, el paciente se
dad, las ciências sociales. Parecia incuestionable lo que, dicho así sentaba las
conoce a través de la catexia que realiza sobre el analista, invistiéndolo afecti-
bases claras de los ejidos disciplinares, con sus poderes propios N os hacía
vam ente y actualizando, con él, un pasado, para, paulatinam ente, acceder a una
olvidar que, m uchas veces, esos m ism os profesores, intentando ir m ás alia e
percepción de su propia proyección, que le sirve de espejo al devolverle una
las ideas de una superorganicidad de la cultura, com o en el culturalism o norte-
im agen que le advierte sobre la n aturaleza de su deseo. M ientras que el an tro ­
am encano, o de la sociedad, com o en el estructural-funcionalism o b r t ó n Í o
pólogo invierte el rum bo en la relación etnográfica, donde podría decirse que
au e s T T m reH0rdaí S a 6503 mÍSm° S alum nos’ en relectura de W eber’ recorre su périplo herm enêutico por un proceso de contratransferencia en el
que solo el alb ed n o individual y m illares de decisiones cotidianas de sus m iem -
nativo: la proyección de expectativas del observador en su observado seguida
ros reproducen - o n o - el estilo de vida de una colectividad determ inada O
de procedim ientos de autocorrección y reencam inam iento de sus presupues-
sea que es en procesos indiv.duales donde es posible observar la reproduc-
tos o preconocim ientos, hasta llegar a una reflexión sobre los presupuestos de
c o n de la vida colectiva regida por patrones culturales considerados estables
su propio suelo cultural.
por los antropologos en sociedades descriptas com o agregados articulados de
V incent C rapanzano, en su ensayo “Text, transference, and Indexicality”
personas que com parten esa cultura m inim am ente estable e identificable. Y que
(1992b), enfatiza que tanto el encuentro etnográfico com o el analítico son trans-
s. esta reproduccion es m ecânica, se debe a la repetición procesada por las
ferenciales, en el sentido de que tanto las narrativas del paciente com o las del
e n s u S l o “C u T ^ ^ ya 6n 1951 M elford SPiro senalaba nativo indexan y presentifican la posición que ocuparon en experiencias pasa-
, „ , . a y Personalidad. La historia natural de una falsa dicoto-
das y, por eso, son dram as de autoconstitución. El deíctico se hace pleno de
m .a , donde Spiro argum enta que la llave de conversión o pasaje entre lo colec
sentido a partir de las evocaciones que el interlocutor le su scita y dependiendo
t.vo y o individual se sitúa e„ el dispositivo que Freud Í J , J p J ê T l
de lo que en él quiere depositar. Esto nos lleva a una serie de críticas a la
onde la voz dei padre, o de los deberes colectivam enle sancionados, es im er-
n alizada com o m andato propio y personal por el hijo. entrevista -a b ie rta o cerrada, form al o in fo rm al- com o m étodo de extracción de
inform aciones ya que, com o he argum entado en otro lugar con el auxilio de la
noción de dialogía en B ajtin, todo enunciado es responsivo y no existe neutra-
A ntropología y psicoanálisis: lidad alguna en las inform aciones que recogem os en cam po: son dadas indéxi-
lo que pueden y no pueden hacer juntas cam ente a nosotros por alguien indéxicam ente posicionado; tanto el an tropó­
logo com o su nativo son indexes de lugares sociales relativos cuyo registro
queda im preso en las narrativas recogidas. L a m utualidad de am bos aparecerá
Sin em bargo, a pesar de ese p rim e rp u e n te de traducibilidad de los len<niaies
sin duda im presa en el relato anotado (Segato, 1996).
d isa p lm a re s y de las negociaciones de sentido posibles entre las categ o n as de
am bas disciplinas, varias otras dificultades perm anecerían Pero la com paración que intento articular es, en realidad, bastante más
com pleja de lo que aparenta ser, e interesa recordar aqui que, al m ism o tiem po
D icho de una m anera un poco torpe y desde la perspectiva dei psicoana-
que existen antropólogos que, pese a no ser etnógrafos, trabajan interpretan­
hsta y no dei paciente, la clínica es el trabajo de encuentro y extracción de
do, contextualizando o haciendo epistem ología de la o bra antropológica, exis­
ínform acion que aquel (el ps.coanalista) realiza “escuchando” a su paciente v
ten autores que trabajan con el psicoanálisis privilegiando exclusivam ente la
que se p o d n a decir equivalente y conm ensurable al dei antropólogo con sl
indagación filosófica derivada de su discurso sobre el sujeto y no se interesan
nativo. Sin em bargo, dif.eren en lo que respecta al proyecto terap êu tico dei
en su papel de cura (Juranville, 1984; G allop, 1985; R agland-Sullivan, 1986;
n lisis, que es solicitado por el paciente y en el cual, por así decir el objeto de
G oux, 1993;A lem ány Larriera, 1996; Pena Pereira, 1999, entre otros).
estucho es tam bién el beneficiário supuesto dei proceso de indagàción M ien­
Todavia, en la práctica clínica, com o dije, el psicoanalista es buscado por
tras que en el proyecto antropológico es el antropólogo quien tom a la iniciativa
el paciente. En el cam po, es el antropólogo quien sale en busca de su nativo, si
L t o n 1V0 n° P art'CiPa m COm° beneflciari0 del conocim iento obtenido por el bien esto está cam biando en los tiem pos que corren y muy posiblem ente el
antropologo ni com o aprendiz de su ciência.
concepto de “ cam po” tenga, en los dias de hoy, una configuración muy dife-
88
por un cuerpo ideal, virtualm ente construído a través de una narrativa (no m e
refiero aqui a aquellos casos en que el cuerpo interviene, film ado y proyectado
a la superfície bidim ensional de la pantalla, lo que haría necesario introducir localiza frente a otros. o^Hal m ediante el instrum ental
otro tipo de análisis de la reducción de la m aterialidad a la imagen virtual). Este Otro ejercicio de interreligioso,
actuar com o si el cuerpo no existiese forclusa la m aterialidad com o el prim er p sicoanalítico es el que rea m undo co n tem p o rân eo con v o ca
limite dei que el sujeto tiene noticia, la prim era evidencia d e la ley. La prim era ley cuya p ráctica cada v ez m ás frecu en te en <
* En lugar de
y la m aterialidad se encuentran profundam ente vinculadas, pues es en la au­ actualm ente a tan to s sociologos y an r p bl que e i d iseno de lo
sência de lo que es sentido com o un fragm ento propio que se le escinde al atenerme al paradigma
infante cuando el cuerpo m aterno se le aparta, que se introduce el lim ite y la sagrado reproduce, m etaforiza, e e scena. Al h acerlo , sustituí
carência. M aterialidad y experiencia originaria de la falta y de la ley que la to religioso, al sujeto creyente, en e cen á ljs js sim bólicos de corte
im pone son un proceso único e indisociable. Por lo tanto, la obliteración de la el p rocedim iento de la m etáfora, que
m aterialidad dei cuerpo en Internet le perm ite al sujeto hablar com o si estuviese sociológico habituales, y pro p u se e p jf sig n ifican te, a tra v é s
entero, sim ulando, para todos los efectos, su propia com pletud. Con esto, p lic a tra z a re l itinerário de este ^ ascensÍ0nal a lo
inevitablem ente, él cae prisionero de su propia fantasia, que lo totaliza. Y con de u n a cad en a tia n sc u ltu ra qu óxim a a [a dei deseo am oroso,
esto, tam bién, el otro en la pantalla es percibido com o un mufieco, un dummy, a sagrado, inspirado p o r un a aspirac g n jflcantes com o referencia p ara la
quien se puede seducir, vencer o anular. La pantalla funciona aqui com o un Así, utilizando l a c a d e n a a la ex p e rie n -
espejo donde Ia alteridad es sólo un espejism o. A partir de la forclusión de la ley
dei cuerpo com o lim ite, todo índice de alteridad o resistencia dei m undo es S T ™
elim inado, y el otro d eja de ser percibido en su radicalidad e irreductibilidad.
N os encontram os en un m undo de gente sola que, ante la m enor contrariedad
dei interlocutor virtual, puede el im inarlo, anularlo, abandonando la escena con compatibles (S eg a to , 2003). coniunción prolífica de la
un sim ple clic de m ouse. E stos ejem p los nos perm iten al sujeto,
Este tipo de análisis de! sujeto contem porâneo com o sujeto om nipoten- antropologia y el p sicoan álisis, surges unaip ,f ni la identidad, ni
te p arad ig m atizad o en el usu ário de In ternet es próxim o y co m p lem en tario al o sea, no colocar en el fo c o de nuestros subjetividad en tanto
que, según Judith B utler, em erge con la p rim era invasión de Irak. Según B u t­ la construcción c u t a r a W i dent i dad dei sujeto y son
ler, desde el m om ento en que el telesp ectad o r n orteam ericano puede ob serv ar
la m uerte dei enem igo en la p antalla de televisión, desde el sofá de su casa, d e ^ r d e n d e T o im aginario (Lacan, 1977a), qU6 PronunCiam° S’
de fo n n a t á c ila o e x p líc i^ la p r im e r a pereon 193g la categoría
sin estar él en la m ir a n i de las arm as ni dei lente de la câm ara dei otro, se puede
C lásicam en te, desde que M arce 1 M aM sm ttoflU j g ^ ^ re,a.
h ab lar de un “sujeto te lescó p ic o ” . E ste sujeto norteam erican o o cu p a una
posición que no es ni sim étrica ni conm utable con la de su otro, en este caso p erso n a com o tem a interesante para s hem os pensado en la noción
el sujeto iraquí y es, en m is p ropios térm inos, un sujeto o m n ip o ten te y solip- tivista, es decir, antropológica, .os es inten c io n a l-
sista en cuya fan ta sia el otro deja de co n stitu ir un riesgo (B utler, 1992). El de persona com o la arquitectura y aq d iseno de la persona hum ana
su jeto telescó p ico y el de Internet, p osiblem ente el m ism o, forcluyen su p ro ­ con que ias diversas culturas dan form a a su M auss
pia finitud, y a que, m ientras elim inan al otro, perm anecen fuera dei alcance dei (M auss, 1985). E n su ensayo sem ina ^ ^ ^ prim era persona dei
poder de m uerte dei otro. E ste sujeto b elicista es particular, civ ilizacio n al, afirm aba que, en o p o sio ó n a la m ism a , ^ ^ ,£nguas humanaS y, por lo
histó rica y sociolo g icam en te situado, y escolarizado . De lo que es p osible singular, era una categoria pr histam ente la universalidad de
d ed u c ir que, si existe una form a cu ltu ralizad a de ser sujeto, en d ep en d en cia tanío, universal. Lo q « sugiero es fom la e„ que
dei am biente o, en otras palabras, dei orden d iscursivo que lo articu le y atra- esta experiencia de la primera person , ^ ^ e| mund0i teniendo en
viese (F oucault, 1971), es p osible la p roducción o em erg en cia de un sujeto
o m nipotente, com o éste, o de sujetos d ialógicos capaces de ad m itir la con-

92
ml cr locutores y los co n stru y e en su d isc u rso , p rese n ten reg u la rid ad e s a
r :* ::* : 1 r „ s r ° un suje,° de pari ir de afinidades con los m odos esp ecífico s en que cad a socied ad o época

=5=S S S H =S S
ilisefía al “ o tro ” en su oposición al “ n o so tro s” . C om o m uchos han notado, si
liicn la op o sició n individuo-sociedad no tiene la univ ersalid ad que D urkheim
lc alribuyó, los d isen os relativos del n osotros y los otros existen y o rien tan la
interacción en todas las sociedades hum anas, y la m anera en que el su jeto se
e ia cual m e lanzo a la conversación, desde la que hago mi entrada en ia
opone a sus otros depende de este diseno fundante. B oaventura de S ouza
aslc r C
eMn ' y ,U e í " 018 mÍ mi disP“ “ " afectiv” h a d l í s Santos, en una p ro p u esta que m e p arece que resig n ifica y relanza el proyecto
antropológico de la com unicación intercultural a una tarea de gran relevancia
en el m undo contem porâneo, propone la reform a de la concepción im perialis­
ta y Occidental de d erechos hum anos a trav és de lo que define com o h erm e­
n êutica dia tó p ica —un m étodo próxim o al que he llam ado de exégesis re c í­
p ro ca (véase n o ta 2 )-. Por este p ro ced im ien to , se hacen d ialo g ar diversas
visiones del m undo y sus respectivos m odelos del bien v iv ir y del deber ser,
para “am pliar al m áxim o la conciencia de la incom pletud m utua por intennedio
étnicas de que nos habla Barth • i a es de las fronteias de un diálo g o que se d esarrolla... con un pie en una cultura y el otro en o tra”
(Santos, 2002, p. 48, mi traducción). Al aplicar este ejercicio a los universos de
los derechos hum anos en O ccidente, el D harm a en la Índia y la U m rna en el
m undo islâm ico, B oaventura de S ouza identifica, b asándose en analistas n a­
tivos de las resp ectivas civ ilizacio n es, que si la n oción Occidental de d ere­
chos hum anos falia por su individualism o, \a S h a ria islâm ica, p o re i contrario,
cierra la noción de fraternidad en la co lectiv id ad religiosa, ex cluyendo a los

W ^Ê M m ã
no islâm icos y resultando en una co n stru cció n restrictiv a del “O tro ” , m ien ­
tras que en los “d ha rm a s esp eciales” vig en tes en la Índia, la idea del “ n o so ­
tro s” se restrin g e a p artir del critério de casta. La refo rm a de estos tres m o d e­

s :r^ “a?„'r„;:;Tenios ~
los civ ilizato rio s inspirada en una h erm en êu tica d iató p ica co rreg iria ju s ta ­
m ente los excesos de cada uno que em ergen cuando son abordados desde la
p ersp ectiv a de los otros. M iradas a p artir de la m anera que propongo, me

p lis liill
telescopico de la invasión de Irak descripto por Judith B utler se vn^i
parece que cada un a de el las form a un ho rizo n te que im pulsa al sujeto a
posicionarse frente a otros de una m anera esp ecífica y que la afirm ación de su
contem poraneidad p o r el m odelo diatópico así com o el énfasis en el intercâm ­
bio de las m irad as propuesto por B oav en tu ra de S ouza apunta p recisam ente
a la p o sib ilid ad de una refo rm a del sujeto, en sus hábitos interlocucionarios.

co™c„,,urasqueorieman„maneraenqueést:Lsr e„,:;::z™":ss
EI m ito lacaniano en perspectiva transcultural: una exégesis igualdad aparente de las relaciones de gênero confunde a su etnógrafa, Joanna
recíproca2 del m aterial etnográfico y el psicoanalítico <Jvering (1986), que reporta cóm o, inclusive en el m ito originário, las m ujeres
del dios W ahari y el herm ano de éste gozaban por igual de irrestricta libertad
Y llegam os, así, después de este largo périplo de negociaciones en to m o de lo sexual hasta que incurrieron en excesos, entregándose abusivam ente al sexo
posible y de lo im posible en la colaboración entre la antropología y el psicoaná­ y aun en esto, transgredieron en la m ism a m e d id a - W ahari, alarm ado y des­
lisis a la piedra angular de la asum ida incom patibilidad entre los dos cam pos: el agradado frente a esta conducta desreglada, los castiga, cortando el larguísim o
postulado psicoanalítico de la universalidad del com plejo de Edipo y su carác- pene de su herm ano y dándoles lam en stru ació n a sus m ujeres, lo que las obliga
ter central com o m odelo para form ular la em ergencia del sujeto al m undo regla- a un resguardo de un núm ero de dias cada m es. La etnógrafa, entonces, senala
do de la cultura y al m undo culturalm ente regido de la sociedad. A ntes de la esta igualdad tam bién en la distribución de puniciones -a m b o s pierden en
em ergencia del sujeto de la usina edípica, m ediada por la prohibición del inces­ función de la m ism a ley, am bos se benefician con el nuevo orden en la m ism a
to, tanto en la escala filogenética de la historia de la especie com o en la escala medida, sobre am bos pesa la m ism a obediencia y los m ism os lim ites, am bos
ontogenética de la histo ria individual, la criatura hum ana es regida por su pro­ pasan a contam inar o poluir el m undo y deben guardar resguardos eq uivalen­
gram a biológico y, p o r lo tanto, no es todavia hum ana. Sólo la prim era ley no te s -c o m o u n a p ru e b a más de un régim en de gênero no jerárquico. Pero olvida
biológica, nos dice persuasivam ente Lévi-Strauss, puede ser una ley hum ana, el aspecto m asculino, viril, del gran legislador originário, lo que en el plano de
puede ser una ley en sociedad, y esta ley es la m ism a ley del padre en el la ideologia introduce, de form a fundacional, el sim bólico de corte patriarcal.
vocabulario lacaniano: la prohibición del incesto. Las dos teorias rem iten a un Encontram os, tam bién, esta narrativa de un crim en prim igenio y la conse-
m ism o m odelo de origen para la sociedad, la cultura y la hum anidad. La prim era cuente expulsión del paraíso originário por obra y gracia de un interventor viril -
ley no biológica es, por tanto, en am bas, la que expulsa al sujeto de su nido benigno o rig u ro so - investido de la autoridad instauradora de la ley grupai en
biológico y lo propulsa haciéndolo em erger hum ano, reglado, entre hum anos. otros num erosos casos provenientes, p o r ejemplo, de sociedades australianas,
Los m itos de creación del inundo replican esta tesis en las m ás diversas como los A randa o los M urimbata, anaiizados por L. R. Hiatt (1994). Y no necesi-
culturas, hablando de otra form a de una triangulación en la cual el sujeto es tam os recurrir a los m itos de creación de los así llam ados “prim itivos”, pues
expulsado o, alternativam ente, secuestrado de un estado paradisíaco y fusio- tenem os en el G ênesis bíblico una narrativa de estructura sem ejante - la satisfac­
nal de satisfacción originaria por un gran legislador om nipotente que, con su ción ilim itada del cotidiano en el Edén es interrum pida por el castigo de un legis­
p oder ilim itado para fundar la ley que inaugura el m undo, corta la satisfacción lador viril, que da inicio así al cam ino hum ano de las restricciones y la le y -
irrestricta, introduce interdicciones y divide entre todos los papeles, valores y H ans Baldung, pintor y g rab ad o ralem án de inspiración religiosa del siglo
atribuciones. El sím bolo prim ário de la caída o expulsión del paraíso, universal xvi, ha representado esta dim ensión erótica del estado de plenitud, fusión e
según Paul R icoeur (1969), es una alegoria general de la satisfacción y el estado indiferenciación inherente al sim bolism o adánico. Uno de sus xilograbados
de plenitud perdidos después de que una infracción hum ana ocasiona el regla- m uestra “ una naturaleza exuberante que estalla por todas partes. Los cabellos
m iento del m undo y la restricción de la felicidad. de Eva se enredan y m ezclan con las ram as de los árboles y las hojas m ientras
Lo vem os, p or ejem plo, paradigm áticam ente, en el gran m ito Piaroa, don­ los rulos de A dán se entrelazan con los suyos [...] el cuerpo de A dán aparece
de, a pesar del régim en m arcadam ente igualitario de derechos, deberes, liberta- m odelado p o r m úsculos sinuosos replicados por las curvas del tronco de un
des sexuales y atribuciones que caracteriza sus relaciones de gênero, es una árbol. Eva, [...] plenam ente carnal, le extiende una m anzana [...] a A dán. [...]
figura anatom icam ente m asculina la que representa el prim er legislador. A sí, la A dán, en un gesto que reproduce el de Eva ofreciendo la fruta, ofrece el pecho
izquierdo de E va al espectador [...] [y] [...] alcanza, con su m ano derecha, por
detrás de Eva, una m anzana del árbol” (M iles, 1991, p. 129). Traza, así, laeq u i-
2 Utilizo aqui el método de “exégesis recíproca” o “diálogo intercultural” que formule
valencia entre el pecho fem enino y la m anzana com o duplicación erótica prohi-
en mi libro Santos e Daimones (Segato, 1995). El procedimiento consiste en producir e
intermediar un diálogo, casi una confrontación, entre dos textos culturales oriundos de bida de la fuente originaria de nutrición y placer. Esta equivalencia irá en breve,
tradiciones diferentes y, haciéndolos hablar el uno al otro, identificar a través de qué instantes después de la escena retratada por B aldung, a rom perse y quedará
afinidades conversan y qué los distancia. El antropólogo cumple aqui un papel de media­ im pedida de entrar en la conciencia, perm aneciendo com o una m em ória inapre-
dor entre dos mundos que se encuentran y dialogan gracias a su intervención. hensible, vaga. Ésa es la equivalencia e indefinición que será la interdicción

96 97
im puesta por el ju e z legislador, que vendrá a quebrar en la escena siguiente, de norm ativa acatada por al m enos uno de los elem entos de la fusión, expulsión
la cual la representación de B aldung no es más que el sub-texto o, m ejor aún, el dei sujeto de su paraíso originário. D esde esa perspectiva, p o d em o s entender
pre-texto. la narrativa freu d ia n o -la ca n ia n a com o un m ito más, que culluraliza con las
La em erg en cia dei sujeto es tam bién dram atizad a por los rituales de narrativas p a rticu la res de la f am ilia nuclear Occidental aquella escena ori­
iniciación m asculina a través dei m undo, com o m uestran num erosos ejem plos ginaria, e s q u e m a -o estru c tu ra- últim o de lo que llam am os “ sim bólico” , una
d o cum entados po r los etnógrafos. Los pueblos originários de Á frica, Suda- relación entre posiciones: lo m a te rn o -n o im porta quién lo en carn e-, lo fiiial
m érica y N u ev a G u in ea aportan ejem plos espectaculares de procesos de ini­ -ap e g ad o a este estado edênico y que solam ente acatará su autonom ia y las
ciación de jó v e n e s d onde pueden id entificarse los m otivos de la expulsión regias de la vida en sociedad a partir de la entrada siem pre cruenta e interven-
dei m undo m aterno, dei útero dom éstico, y la entrada reglada en el m undo tora de un agente legislador m asculinam ente representado, Io p a te rn o - este
reg id o por las norm as de la m asculinidad. Un ejem plo im presionante es el legislador que irrum pe para retirarle lo que consideraba una parte de sí. de su
relatado por G ilb ert H erdt (1987) en The G ardians o f lhe flu te s , que describe propio cuerpo; función m aterna, función paterna y función filial, en su relación
el proceso de acceso a la m asculinidad adulta de los jó v e n es de este pueblo jerárquica, que irá a repetirse más tarde en las relaciones raciales, coloniales, de
de g uerreros de N ueva G uinea por m edio de la ingestión progresiva de sem en gênero y todas las dem ás que replican la estructura desigual dei patriarcado
de los hom bres m ás viejos en la práctica de fe la tio , en un claro destierro dei sim bólico, con su pedagogia dei deseo.
m undo m aterno, donde el alim ento m aterial es totalm en te su stitu id o p o r el La pregunta es: ^pero dónde queda entonces la historia? ^D ónde se intro-
alim ento viril, con sus regias je rá rq u ica s y su estructu ra de autoridad. Este duce la libertad indisociable dei am biente hum ano e inherente a su m archa
d estierro m asculino es tam bién descripto de form a in equívoca por Suzette transform adora?
H eald (1994) para el m undo africano en su etnografía de la iniciación m ascu ­ En su libro de la década de 1990, E l enigm a dei Don, M aurice G odelier
lina entre los G isu de U ganda. expone una de las reservas clásicas de los etnógrafos al estrueturalism o de
Se trata de verdaderas escenificaciones colectivas dei dram a sim bólico L évi-Strauss y de Lacan: tanto Lacan com o L évi-Strauss afirm an q.ue “ entre lo
en el que el proceso edípico y la em ergencia dei sujeto en el m undo hum ano de im aginario y lo sim bólico (que no pueden existir por separado), es lo sim bólico
la Ley es replicado por la com unidad. El reingreso en la vida social de los lo que dom ina y lo que debe constituirse por tal razón en punto de partida de
adolescentes duplica y am plifica, ahora transpuesta en sím bolos de la cultura to d o sJo s análisis” (cita Lacan, Écrits: “ lo que denom inam os sim bólico dom ina
colectivam ente com partidos, su prim era em ergencia infantil de la fase edípica. a lo im aginario”) (G odelier, 1998, pp. 43-44). Pero G odelier se resiste a aceptar
Es el cam ino guerrero de la reem ergencia en el m undo com o sujeto m asculino, esta idea: “ no com partim os esa idea” , afirm a.
la duplicación de la em ergencia dei ciclo edípico para dar lugar al segundo
nacim iento de ur, sujeto ahora inequivocam ente m arcado com o sujeto m ascu­ Tales fórmulas, a pesar de su poder de lascinación (o más bien a causa de
lino. Su m arca es el estatus adquirido com o resultado de haber sobres ivido al éste), constituyen verdaderos abusos teóricos que arrojan al pensamiento a
riesgo de vida y al dolor característico de todos estos procesos paradigm áticos callcjones sin salida en los que queda preso. La fórmula de Lévi-Strauss hace
de iniciación m asculina dispersos en el m undo, aunque puedan estar más for­ desaparecer el papel activo dei contenido de las relaciones históricas espe­
m alizados en las sociedades sim ples o m enos ritualizados, com o actualm ente cíficas en la producción dei pensamiento mitológico (op. cit., p. 45).
en el O ccidente. “ D esensitización” y lo que estoy llam ando aqui “segunda La historia pues, no es únicamente el despliegue inconsciente y pura­
em ergencia” dei hom bre en el m undo son procesos concom itantes, ya que para mente contingente de algunos de los posibles "ietargos" en las estructuras
adquirir el estatus m asculino es necesario expurgar la sensibilidad y el acom o­ profundas dei espíritu humano, es decir, finalmente, de nuestro cerebro
dam iento al bienestar dei contacto m aterno. Ser hom bre, a la m anera en que (ibid., p. 46).
estos procesos y procedim ientos de producción de m asculinidad lo narran, es
siem pre un poco ser soldado: duro ante el dolor propio o ajeno, poco sensible Y m uestra brillantem ente, a lo largo de la obra, cóm o un ser humano al que llama
ante la pérdida. “ im aginario” (m odificando considerablem ente la idea de lo “ im aginario” en
M itos de creación y rituales de iniciación m asculina narran y dram atizan Lacan, que cree equivocadam ente com entar, lo que no debería im portam os
una y otra vez la escena prim ordial: fusión, intervención de una fuerza externa dem asiado pues es am pliam ente com pensado por el interés de su argum ento).

98 99
SO, AUNQUF. NO FUERA M ÁS QUE POR UN S O LO DÍA, UN SO LO MES 0 UN S O LO AN O, Y a pesar de que, aqui, G odelier parece recaer en D urkheim , en el m odelo de la
EN EL EJE R CI CI O DE ESA V I O L Ê N C IA , DE ESA PRES1ÓN QU E EJER CEN SO BR E LAS sociedad hipostasiada que sale de la m anga com o deus ex m achina para ex p li­
M U J ER ES , ESOS PO DE R ES R E T OR NA R ÍA N A LAS MU JE R ES Y EL, DE SO RD EN SUR GIRIA car la inércia cultural de la historia, lo retom am os para senalar con él que si el
NUEVA M EN T E. SIJHVIRTIENDO LA SO CI ED A D Y EL C O SM OS (ibid., p. 190. El SU pei' mito baruya y el freudiano-lacaniano tienen por tem a perm anente el arrojar la
énfasis es mio). subordinación fem enina hacia fuera de las negociaciones y decisiones h istóri­
cas, estam os, entonces, frente a otra estructura perm anente, tan dura y crista­
Sobre todo porque, com o el m ism o G odelier registra de boca de sus inform an­ lina com o el patriarcalism o simbólico: la evacuación, la expulsión de la potência
tes baruya, si “ la hum anidad debe a las m ujeres el haber salido del estado hum ana al espacio y al tiem po del mito. E stam os así frente a otra estructura
salvaje” , si es verdad que las m ujeres inventaron no sólo las flautas sino tam ­ estable, intocable, ahistórica, atravesando las culturas y las épocas: la estru c­
bién el arco y las flechas, pesa sobre ellas la acusación de no haber sabido tura del espiritu hum ano cuya dóm arche crea, inevitablem ente, m itos para ins­
u tilizar correctam ente los productos de su extraordinaria creatividad: ‘ el reco- tituir el orden y la ley. O tra abstracción, otra geom etria, otro sim bólico que nos
nocim iento en los m itos de la superioridad originaria de las m ujeres -a le g a relaciona con la Ley de form a inescapable, pues la hace em anar del terreno del
G o d elier- constituye tam bién un pretexto, una ‘artim an a’, [...] un pretexto para mito. De esta form a, el autor, que inicia su argum ento con la queja habitual del
la violência” . Si no fuese así, com o podría legitim arse “su subordinación en el etnógrafo contra el dom inio psicoanalítico de lo sim bólico, acaba sustituyendo
ejercicio del poder político [...]?” (ibid., pp. 184-185). Así, “ esta violência imagi­ un problem a por otro, una estructura por otra, una ahistoricidad por otra, una
naria, ideal, es la que legitim a en prim era instancia todas las violências reales inescapabilidad por otra.
que se ejercen sobre las m ujeres” (ibid., p. 182).
Finalm ente, recordem os la advertencia de G odelier ya citada sobre el pa­
pel de la religión y de los mitos: L a c é lu la v io le n t a q u e L a c a n n o v io

[,..J lo esencial estriba en el hecho de que los mitos eonstituyen una Para concluir, quiero enfatizar que, a pesar de sus coincidências, la narrativa
explicación del origen de las cosas que legitima el orden del universo y de baruya y la psicoanalítica no son idênticas en lo que afirm an sobre la escena
la sociedad, al sustituir a los hombres3reales que domesticaron a las plan­ fundacional del sim bólico. Me parece que contradice a G odelier el hecho de
tas y a los animales e inventaron las herramientas y las armas, etc., por que esto perm ite, ju stam en te, hacer p ie en Ia historia, independientem ente de
hombres imaginarios que no lo hicieron pero recibieron esos favores de que am bas apunten a una estructura de corte jerárq u ico patriarcal.
manos de los dioses o de héroes fundadores. [...] como si la sociedad En síntesis: en el m ito lacaniano, tanto la transgresión o crim en m ascu­
humana no pudiese existir sin hacer desaparecer de la conciencia \a p re ­ lino que da inicio al tiem po actual, com o el acto violento fu n d a cio n a l v la
sencia activa del hombre en el origen de sí mismo [...] sin arrojar ai violência p erm a n en te requerida p a ra reproducir la ley, asi como, sobre todo,
inconsciente eoiectivo e individual a un espacio mas alláde la conciencia, la su p erio rid a d originaria de las m ujeres en su ca pacidad crcativu se en­
la acción del hombre en el origen de sí mismo. [...] Si lodo esto tiene cuentran fo rc lu id o s hasta, incluso, com o m era posibilidad. Por lo tanto es
sentido, la cuestión del inconsciente puede plantearse entonces en otros factible decir que la narrativa lacaniana, Occidental, nos engana más. es más
términos. No es el espiritu humano cl que, por el juego de sus estructuras neurótica. Inclusive, porque los Baruya guardan esas verdades en secreto , lo
inconscientes, universales y ahistóricas, estaria en el origen de esa des- que vale decir que pesa una censura y una represión grupai sobre la enuncia-
aparición del hombre real y de su sustitución por seres imaginarios [...] ción de esas verdades que son, sin embargo, admitidas y hasta relatadas al
seria la sociedad (ibid., pp. 246-247). etnógrafo, después de décadas de su presencia en campo, en la intimidad del
grupo masculino. Pero no hay enunciación equivalente en el corpus lacaniano,
ni siquiera como secreto bien guardado. C om o tam poco Lacan nos habla de Ia
reproducción violenta del poder, ni sobre su reedición activa v constante.
3Aqui. Godelier, para ser fiel a su propio discurso, dcbería decir "seres humanos" y La exégesis recíproca de estos textos m uestra, sí, la historicidad de la
no "hombres". Considcrémoslo un desliz de lengua. im aginación hum ana, pero revela que el terreno de lo sim bólico es, si no defini­

102 103
tivo, el producto de un tiem po m onum ental y civilizatorio en la escala dei tiem ­ Goux, Jean-Joseph (1993), Oedipus, P hilosopher, Stanford, C alifórnia, Stan-
po de la especie. Un tiem po histórico tan largo que no nos es posible todavia ford U niversity Press.
vislum brar ni su principio ni su fin, aunque éste, creo yo, se encuentre próxim o.
Es solam ente al ultrapasar Ia estructura sim bólica p a tria rca l qu e la hum ani- Hiatt, L. R. (1994), “ In d u lg en tfath ers and collective m ale violence” , en H eald,
d a d saldrá, fin a lm e n te , de su prehistoria. Suzette y A riane D eluz (eds.), A n thropology a n d Psychoanalysis. A n encoun-
El poder, cuya célula es ésta, es el gran paradigm a que ni la antropologia, ter through culture, L ondon y N u ev a York, R outledge.
ni el psicoanálisis ni ninguna de las hum anidades puede descuidar. El parad ig ­
H all, Stuart (1996), “Introduction: W ho needs ‘Id en tity ’?”, en Hall, Stuart y
m a de la fuerza, definitivam ente postw eberiano, donde es im perativo recordar,
Paul du G ay (eds.), Q uestions o f C ultural Identity, Londres, Sage Publications,
m uy especialm ente en los tiem pos que corren, el papel de la deshonestidad y
1996.
de la astúcia en la institución violenta de la Ley. Este paradigm a de la fuerza
bruta, que estoy denom inando postw eberiano, deja atrás nuestra ilusión de H allowel, A. Irving (1955), “The S elf and Its Behavioral E nvironm ent”, en C ul­
casi treinta anos respecto de que la negociación de sentido y la elección entre ture a n d E xp erien ce, Philadelphia, U niversity o f Pennsylvania Press.
opciones sea la prerrogativa perm anente de un actor social racional, de una
audiência de receptores libres. H eald, Suzette (1994), “ Every man a hero. O edipal them es in G isu circum ci-
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vol. 16 (4). que instaura su ley. Esta ilegitim idad originaria produce que, inevitablem ente,
los votos de obediencia a esa ley y al orden que ella establece deban renovarse
— (2003), “R eligions In Transition: C hanging Religious A dhesions In a Mer- diariam ente. Ya sea que la ley surja de una usurpación com o en la narrativa
ging World. An Introduction”, en A lvarsson, Jan-A ke y Rita Laura Segato secreta de los Baruya o, com o en la variante del m ito lacaniano, el orden social
(eds.), R eligions In Transition: M obility, M erging a n d G lobalization In Con- dependa de que quien no tiene, en principio, el precioso órgano sim bólico pase
tem porary R eligious A dhesions, U ppsala, U niversity o f U ppsala Press (en sin em bargo a usufructuarlo (dejando aqui im plícitas todas las narrativas sobre
prensa). lo cotidiano que vendrían en nuestro auxilio para ilustrar este traspaso de
poder de un gênero al otro, de un térm ino al otro), en todos los casos el m ante-
Spiro, M elford E. (1951), “Culture and Personality. The natural history o f a false nim iento de esa ley dependerá de la repetición diaria, velada o m anifiesta, de
dichotom y”, P sychiatry 14. dosis hom eopáticas pero reconocibles de la violência instauradora. Cuanto
más disim ulada y sutil sea esta violência, m ayor será su eficiencia para m ante-
ner d esp iertay clara la m em ória de la regia im puestay, al m ism o tiem po, podrá
preservar en el olvido el carácter arbitrario y poco elegante de la violência
fundadora así com o los placeres propios del m undo que ella negó.
Se disena así el universo am plio y difuso de la v iolência psicológica, que
preferiré llam ar aqui “violência m oral” , y que denom ina el conjunto de m ecanis­
mos legitim ados por la costum bre para garantizar el m antenim iento de los esta­
tus relativos entre los térm inos de gênero. Estos m ecanism os de preservación
de sistem as de estatus operan tam bién en el control de la perm anencia de
jerarq u ías en otros ordenes, com o el racial, el étnico, el de clase, el regional y el
nacional.

106
B reve h istoria de un concepto L a h isto ria de la extensión dei territo rio de la v io lên cia para incluir en él
“una b ru talid ad no directam ente física” (ibid., p. 137) avanzó lentam ente con
G eorges V igarello, en su historia dei crim en de violación en la ju risp ru d ên cia las leyes de N áp o les pub licad as en 1819 y las francesas a p artir de 1832. Las
europea entre los siglos xvi y xx, m uestra cóm o, a partir dei siglo xix, muy prim eras crim inalizaron la violación aun sin violência física cuando era perpe­
lentam ente, se fue delineando de un m odo progresivo la figura ju ríd ica de trad a co n tra m enores de 12 anos, y las segundas, co n tra m epores de 11 anos.
“vio lência m oral” . Sin em bargo, desde el principio y hasta m uchos anos m ás En 1863, la e d a d de 11 anos fue aum entada a 13, con lo q u e se vio am pliado el
tarde su definición era m ás restringida que en la actualidad. concepto de m inoridad. Y, com o co m enta V igarello, “ revaluando el poder m o ­
En un com ienzo, según el reporte histórico de V igarello, ella entró en ral p aren tal”, puesto que la crim in alizació n se ex ten d ió en los casos en que la
escena cuando ya no fue posible m antener la crim inalización de la violación víctim a tu v iera m ás de 13 anos (siem p re que no se en co n trase em ancipada
basada exclusivam ente en el critério de la violência física ejercida sobre la por el casam ien to ) p ara situ acio n es en que el abuso fu era p erpetrado por un
víctim a. H asta bien entrado el siglo xix, el violador sólo era condenado si se ascendiente. V iolência m oral y abuso de au to rid ad se v in cu lan aqui y dan
verificaban senales de violência física en la víctim a, pues solam ente éstas pro- testim o n io de un desarro llo sig n ificativ o de los co n cep to s y de la sensibili-
baban, desde la perspectiva de la época, su no connivencia o participación dad ju ríd ico s. “El tem a p sicológico de la coacción se profundizó, el campo de
voluntaria en el acto. “P resiones m orales, am enazas, influencias físicas sobre la violência m oral se extendió [...]. El libre albedrío es analizado de otraform a,
los estados de conciencia continúan sin ser asim ilados a la violência, errores o la coacción p asa a ser en ten d id a de form a d istin ta” (ibid., p. 139).
debilidades por parte de la víctim a continúan sin ser disculpados” , y el autor L a ex tensión de esta noción de m in o rid ad v u ln erab le a la coacción m o ­
cita, en nota, un tratado de m edicina legal e higiene de 1813, en el que se afirm a ral en el caso dei nino y de la m u jer se p rodujo, según el au to r que com ento,
que “el gozo sexual pacífico de una persona después de un casam iento sim ula­ aún m ás tarde. Un caso de 1857 p arece h ab er sido p aradigm ático: una jo v en
do sólo es una violación [...] si es em pleada la fuerza [...]. M as esa especie de “M m e. L au ren t” , de co n d u cta p erfecta, es ab u sad a a o scuras, en su alcoba,
vio len cia n o es de la com petencia de los m édicos” (Foderé, 1813, t. iv, p. 350, en por un tal “ D ubas” , que se h ace p asar por su m arido. D espués de ceder, la
V igarello, op. cit., p. 274). Por lo tanto, jo v e n d escu b re el engano y lo repele con un grito. P or ser adulta y no haber
sufrido v io lên cia física, la corte de N ancy d escalifica la violación, pero la
[...] el horizonte dei rapto de violência designaba inmediatamente gestos corte de apelación la acepta, y red efin e el crim en p ara co n sid erar la posibili-
materiales: obligar era imponer fisicamente [...] coaccionar era asaltar. Pero dad de que “ la falta de consentim iento resulte de una vio lên cia física o m oral”
esa certeza vacila en las primeras décadas dei siglo, aunque el Código Penal (ibid., p. 140).
no diga nada sobre eso. Un lento trabajo jurídico explora diferentes perfiles
decoerción” (Vigarello, op. cit., p. 133). La autoridad sobre la mujer continua inevitablemcnte reafirmada. Pero es la
conciencia individual y sus fallas, el “ abuso contra la voluntad que, en
T res casos en las cortes fran cesas parecen h ab e r sido h ito s sig n ificativ o s en compensación, son considerados de otra íorma: el principio de un sujeto de
la tran sfo rm ac ió n de los concep to s Iegales: el episo d io en el cual un tal derecho descripto por el Código Penal de 1791 [...]. Es a partir de ese sujeto
“G aum e” “ se apro v ech ó ” dei sueno de una m ujer de nom bre “ F allard ” , lleva- de derecho, de sus fallas, de sus errores posibles, que comienzan a enunciar-
do a la corte de B esançon en 1828, y dos casos de abuso p erp etrad o s en 1827 se los umbrales de la brutalidad (Vigarello, op. cit., p. 140).
co n tra n inos por un soldado de C h â te llera u lt y por un cu ra alsacian o , re s­
pectiv am en te. En todos ellos, los ab ogados alegaron “v io lê n cia m o ral” p ero Estos avances se am pliaron en las concepciones de violência dei siglo xx, bajo
no “ v io lên cia físic a” . Si bien los p erp retrad o res fueron d eclarad o s in o c en ­ la influencia de una sensibilidad trabajada por los derechos hum anos y por el
tes, com enzó allí a con sid erarse el argum ento de la v io lên cia m oral com o fem inism o. En este contexto, las nociones de presión m oral y de coacción
fo rm a de presión, d en tro de un régim en de estatus. Es decir, en un co n tex to p sicológica se liberaron de su vinculación con la obtención de la violación,
en el que la víctim a o cu p ab a una posició n su b o rd in ad a n atu ra liz ad a p o r la para pasar a referirse a la pérdida de la autonom ia en un sentido más amplio. En
trad ició n surgió, en tonces, “Gfra v io lê n cia que seria n ec esario d efin ir y es­ otras palabras, la vulnerabilidad a la violência m oral y al m âltrato psicológico
tig m atizar” (ib id , p. 136). p o r parte de los subordinados en un sistem a de estatus - la s m ujeres y los

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n in o s - pasó a ser asociada con el m enoscabo del ejercicio independiente de la encontraba en “ situación objetiva de violência en el entorno fam iliar” cuando
voluntad y con la libertad de elección. Si reflexionam os, percibim os que el sufrir se les preguntó en relación con indicadores precisos. Sin em bargo, nos dice la
abuso sexual es sólo un caso particular del tem a m ás general de la autonom ia autora: “ llam a la atención que tras preguntarles sobre si habían sufrido m aios
del individuo para elegir librem ente su sexualidad y decidir sin coerción su tratos en el últim o ano, sólo la tercera parte de ellas se consideraba a sí m ism a
com portam iento y sus interacciones sexuales. víctim a de m altrato. Estas diferencias entre los casos detectados a través de
Vemos, así, surgir la figura de la “violência psicológica”, “m oral” o “em o­ indicadores y la percep ció n su b jetiva de violência dom éstica refleja la 'tole-
cional” de los m inorizados por el sistem a de estatus y, en especial, de la mujer, r a n c ia ’ ante las situaciones de m altrato p o r p a rte de Ia m ujer en las rela cio ­
en docum entos y resoluciones de las N aciones U nidas y en los códigos ju ríd i­ nes d e p a r e ja ”, interpreta la autora, apuntando hacia la dim ensión “ invisible” o
cos nacionales. Por ejem plo, en la M inuta de declaración so b re la elim inación n aturalizada del fenôm eno.
de Ia violência contra Ia m ujer aprobada por la 4 3 a reunión plenaria del Conse- El texto citado divulga, tam bién, datos sobre otros países: en Francia, una
jo Econôm ico y Social de las N aciones Unidas (1993/10) del 27 de ju lio de 1993, encuesta reciente revela que 10% de las m ujeres sufrían violência en el m om en­
se m enciona la “violência psicológica” cinco veces, aunque en ningún m om en­ to de la encuesta. En los Estados U nidos, las cifras son m uy variables, pero un
to queda definido su significado: ' análisis epidem iológico del problem a acusó que 32,7% de las m ujeres sufren
violência dom éstica en algún m om ento de su vida (M c C auley et al., en Fernán­
Para el propósito de esta Declaración, el termino ‘"violência contra la dez A lonso, p. 5); en C anadá, se estim a que una de cada siete; en A m érica
mujer’ signilica cualquier acto de violência basada en el gênero que resul­ L atina (C hile, Colom bia, N icaragua, C osta Rica y M éxico), entre el 30% y el
te en, o pueda resultar en, dano físico, sexual o psicológico o sulrimiento 60% ; en el Reino U nido y en Irlanda, 41% y 39% respectivam ente; y en países
de mujeres, incluyendo amenazas de este tipo de actos, coerción o priva- donde “conductas objetivam ente m altratantes son aceptadas culturalm ente”
ción arbitraria de la libertad, sea en la vida pública como cn la vida los índices son todavia m ás altos.
privada. En C hina, “aproxim adam ente la m itad de las m ujeres que mueren por ho­
m icídio son asesinadas por sus m aridos o novios actuales o anteriores” ; la
Sociedad Jurídica C hina (C hina Law Society) publico recientem ente una en ­
L a v io lê n c ia in v is ib le cuesta nacional que m uestra que “ la violência dom éstica se ha transform ado en
un problem a social significativo en China, con un tercio de los 270 m illones de
El registro de la violência física practicada contra la m ujer en el âm bito de las hogares del país enfrentando violência dom éstica -fís ic a o esp iritualm ente-,
relaciones dom ésticas ha ido aum entando en la últim a década. Los especialis­ m ientras un prom edio de 100.000 hogares se rom pen por causa de la violência
tas afirm an de m anera unânim e que el aum ento de las denuncias registradas no dom éstica cada ano (Tang M in, 2002).
responde al aum ento del fenôm eno en sí sino a la expansión de la conciencia de En Ia índia, de acuerdo con la O ficina de Registro de C rím enes del M inis­
sus víctim as respecto de sus derechos. Los índices reportados en los más tério del Interior (C rim e R ecords Bureau o f the Union H ome M inistry), “casi
variados países son altos, pero se calcula que representan no m ás que el 5 o el 37% de los crím cnes com etidos contra m ujeres cada ano son casos de violência
10% de la incidência real, que se encuentra, aún hoy, lejos de ser conocida dom éstica. Esto significa que 50.000 m ujeres son abusadas p o ru n m iem bro de
(F ernándezA lonso,2001). la fam ilia cada ano. Y éstos son solam ente los casos denunciados” . El Centro
Los datos que correlacionan los porcentajes de violência dom éstica con para la Protección y Auxilio Legal de Ia Com isión de Delhi para la M ujer (Helpli-
la totalidad de m ujeres en diversos contextos nacionales son interesantes, ness and Legal A id Centre o f the D elhi C om m ission for W omen) registra un
pues perm iten evaluar la generalización del fenôm eno. Según un revelador prom edio de 222 casos de violência dom éstica cada seis m eses y el núm ero de
artículo publicado por M aria del C arm en F ernández (2001), los organism os problem as encam inados al servicio de apoyo psicológico (counseU ing) fue de
internacionales consideran la violência dom éstica un problem a de salud públi­ 2.273 en el m ism o período. En M um bai, la oficina de Servicio Social creada por
ca m undial de prim er orden. En Espana, en una m acroencuesta realizada por el la policia en 1984 para p ro teg e ra las m ujeres contra atrocidades listó 121 casos
Instituto de la M ujer en el ano 2000 a partir de una m uestra de 20.552 m ujeres de abuso m ental y físico relacionado con el pago de la dote entre el Io octubre
m ayores de 18 anos, se encontro que 12,4% de las m ism as reporto que se y el 31 de diciem bre de 2001 (Iyer, Lalita, H yderabady N istula Hebbar, 2002). Se

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puede advertir que las estadísticas dispersas y los parâm etros escasam ente progresivo dei fenôm eno y m anifiesta el estado de alarm a por la irreversibilidad
com patibles no crean condiciones para construir un m apa m undial, aunque de los últim os escalones de esta progresión, con la m uerte o la invalidez de la
todo indica que el fenôm eno tiene visos de universal. mujer. El tem a de la violência psicológica o m oral es, por lo tanto, o m encionado
P roducido con 18 anos de atraso, en 2002, el prim er R elatório N acional superficialm ente, o introducido com o un com plem ento de la violência física, o
B rasileiro para la c e d a w (C onvención de todas las Form as de D iscrim inación asociado a los prim eros m om entos de esta escalada.
contra la M ujer, ratificada p o re i Brasil eu 1984) publica que, “ en el m undo, de A contram ano dei reclam o de autoras com o M usum eci y G regory de que
cada cinco dias que la m ujer falta al trabajo, uno es consecuencia de la violência el m odelo fem inista, por su grado de generalización, no reconoce y hasta en-
sufrida en el hogar. En A m érica L atina y en el C aribe, la violência dom éstica m ascara la participación individual de las m ujeres com o sujetos activos en el
incide sobre 25% a 50% de las m ujeres y com prom ete el 14,6% dei Producto proceso de la violência, y fiel a mi acatam iento de los m itos de la usurpación
Interno Bruto. En el Brasil, cada 15 segundos una m ujer es golpeada (Funda- prim igenia, entiendo los procesos de violência, a p esar de su variedad, com o
ción Perseu A bram o). D atos de la o n u , dei Instituto de D erechos H um anos, estrategias de reproducción dei sistem a, m ediante su refundación perm anente,
afirm an que el Brasil deja de aum entar un 10% su Producto Interno Bruto com o Ia renovación de los votos de subordinación de los m inorizados en el orden de
consecuencia de la violência contra la m ujer. Las estadísticas disponibles y los estatus, y el perm anente ocultam iento dei acto instaurador. Sólo así es posible
registros en las com isarías especializadas en crím enes contra la m ujer dem ues- advertir que estam os en una historia, Ia profundísim a historia de la erección dei
tran que 70% de los incidentes acontecen dentro dei hogar, y que el agresor es orden dei gênero y de su conservación por m edio de una m ecânica que rehace
el propio m arido o com panero” . En la parte final, dedicada al D iagnóstico, se y revive su m ito fundador todos los dias. Por m ás que la idea de colocar a la
senala que el “ B rasil carece de datos nacionales respecto de la incidência de la m ujer en el eje de reproducción dei fenôm eno y percibirla com o sujeto activo de
violência contra m ujeres y ninas” . Un docum ento elaborado por especialistas sus relaciones, com o parece sugerir M usum eci, sea una propuesta tentadora,
de las áreas de derecho y sociologia, A d vo c a cia p ro bono em defesa da m ulher el fenôm eno parece asem ejarse m ás a una situación de violência estructura/,
vítim a de violência (Q uartim de M oraes e N aves, 2002) divulga que una entre que se reproduce con cierto autom atism o, con invisibilidad y con inércia du­
cuatro m ujeres es víctim a de violência dom éstica en el B rasil, pero que sólo el rante un largo período luego de su instauración, tanto en la escala tem poral
2% de estas denuncias acaba con la punición de los agresores. Y la investiga- o ntogenética de la historia personal a partir de su fundación dom éstica en la
ción antes m encionada de la Fundação Perseu A bram o tam bién revela que prim era escena, com o en la escala filogenética, es decir, dei tiem po de la espe­
m ien tras cada 15 segundos una m ujer es golpeada, cada 12 segundos una cie, a p artir de su fundación m ítica secreta.
m ujer es víctim a de am enazas. Sin em bargo, sólo un pequeno porcentaje de Lourdes B andeira y T ânia M ara Cam pos de A lm eida (1999) analizaron un
estos incidentes son denunciados a la policia. caso paradigm ático de violência intrafam iliar útil para ilustrar el anclaje de la
U na tradición im portante de estúdios publicados en el B rasil sobre el violência d ia ria -q u e , en el caso particular exam inado por las autoras, lle g a a se r
tem a acom pana el debate m undial. T res ejem plos son representativos: los estú­ francam ente d elictiv a-p recisam e n te en las “buenas conciencias” y en la m oral
dios de H eleieth Saffioti y Suely Souza de A lm eida (1995), quienes adoptan la “ relig io sa” de una fam ilia. Se trata de una serie de actos incestuosos perpetra­
posición clásica fem inista en el sentido de abordar la violência dom éstica com o dos por un pastor evangélico sobre sus tres hijas m enores, que culm ino en el
reflejo y em ergencia, en las interacciones dom ésticas, dei orden patriarcal do­ nacim iento de su h ijo -n ie to y en Ia condena dei pastor, en Brasilia, en 1996. De
m inante, F ilom ena de G regori (1993), que enfatiza el papel realim entador de la acuerdo con el análisis de las autoras citadas, las relaciones incestuosas se
m u jer en la escalada en espiral de las agresiones, y B árbara M usum eci (1999), dieron en el am biente religioso de la casa dei pastor, entrelazadas en una tram a
que resena exhaustivam ente la literatura estadounidense y las form as de apoyo cotidiana, afectiva, religiosa y dom éstica, que tuvo por efecto exim ir de respon-
im plem entadas en aquel país, para concluir con una crítica al m odelo fem inista sabilidad a sus protagonistas frente a sí m ism os.
porque, según la autora, oscurece la individualidad fem enina y la singularidad
de la inserción de cada m ujer en el fenôm eno. [...] él tiene en la religión el horizonte organizador y clasificador de su
En general, sin em bargo, el foco de todos estos análisis recae nuevam en- propio mundo. Antes de la denuncia, se orientaba y apoyaba en ella para
te en la violência física, lo que es hasta cierto punto com prensible pues el actuar tanto en el medio familiar como en el público. En la primera esfera,
pensam iento sobre violência dom éstica registra siem pre el carácter cíclico y por ejemplo, se basaba en preceptos religiosos al exigir la obediencia servil
de la esposa y de las hijas. En la segunda, desempenaba cotidianamente cl m ás m aquinai, rutinaria e irreflex iv ay , sin em bargo, constituye el m étodo más
rol de pastor evangélico para su comunidad. [...] En el discurso del pastor, eficiente de subordinación e intim idación.
el ‘‘mal” tiene el poder de contaminación y está vinculado a todo lo que La eficiencia de la violência psicológica en la reproducción de la desigual-
representa el “ lado de afuera” o “ lo profano". [...] En contraposición, el dad de gênero resulta de tres aspectos que la caracterizan: 1) su disem inación
“ bien" se encuentra en lo que está asoeiado con el núcleo “ de dentro” , o m asiva en la sociedad, que garantiza su “ naturaiización” com o parte de com -
con lo “ sagrado” , o, aun, con la propia familia. Por consiguiente, ese grupo p ortam ientos considerados “ norm ales” y banales; 2) su arraigo en valores
de personas y de cosas le pertenecen. Son su extensión y es natural que m orales religiosos y fam iliares, lo que perm ite su ju stificació n y 3) la falta de
detente el derecho de usufructuarlo como quiera, o como sus premisas nom bres u otras form as de designación e identificación de la conducta, que
religiosas le indiquen, una vez que ocupa la misma posición mítica y santa resulta en la casi im posibilidad de senalarla y denunciaria e im pide así a sus
del Padre cristiano: padre-pastor, padrc-creador, padre-proveedor y pa- v íctim as defenderse y buscar ayuda.
dre-abuelo (Bandeira y Campos de Almeida, 1999, pp. 167-169). M ientras las consecuencias de la violência física son generalm ente evi­
dentes y denunciables, las consecuencias de la violência m oral no lo son. Es
En ese episodio, los argum entos del pastor-padre-abusador se am pararon fuer- por esto que, a pesar del sufrim iento y del dano evidente que la violência física
tem ente en la idea religiosa del poder m oral del padre sobre Ia fam ilia. El texto causa a sus víctim as, ella no constituye Ia form a más eficiente ni la más habitual
bíblico constituyó el m aterial básico del discurso paterno, dando form a y expli­ de reducir Ia autoestim a, m inar la autoconfianza y desestabilizar la autonom ia
cando los deseos, las responsabilidades y los conflictos interiores vividos por de las mujeres. La violência moral, por su invisibilidad y capilaridad, es la form a
el autor del crim en en su perspectiva netam ente cristiana, que nunca necesitó corriente y eficaz de subordinación y opresión fem enina, socialm ente aceptada
abandonar. Este ejem plo im presionante revela com o el abuso no es necesaria- y validada. De difícil percepción y representación por m anifestarse casi siem ­
m ente ajeno a los discursos norm ativos del m undo familiar. pre solapadam ente, confundida en el contexto de relaciones aparentem ente
Creo, p o r lo tanto, n ecesa rio se p a ra r a n a líticam en te la vio lên c ia m o ­ afectuosas, se reproduce al m argen de todas los intentos de librar a Ia m ujer de
ra l de Ia fís ic a , p u e s la m ás nota b le de sus ca racterística s no m e p a re c e ser su situación de opresión histórica.
at/u ella p o r la que se continua y am plia en la vio lên cia físic a , sin o ju s ta ­ En m atéria de definiciones, violência m oral es todo aquello que envuelve
m en te la otra, a quella p o r Ia que se d isem ina difusam ente e im prim e un agresión em ocional, aunque no sea ni consciente ni deliberada. Entran aqui la
ca rá cter je rá rq u ic o a los m enores e im perceptibles g esto s de Ias ru tin a s ridiculización, la coacción m oral, la sospecha, la intim idación, la condenación
d o m ésticas - I a m ayor p a rte de Ias veces Io hace sin necesita r de acciones de la sexualidad, Ia desvalorización cotidiana de la m ujer com o persona, de su
rudas o agresiones delictivas, y es entonces cuando m u estra su m a yo r efi- p erso n alid ad y sus trazos psicológicos, de su cuerpo, de sus capacidades
c ie n c ia - Los aspecto s ca si legítim os, casi m orales y ca si leg a les de la intelectuales, de su trabajo, de su valor m oral. Y es im portante enfatizar que
vio lên c ia p sic o ló g ic a so n los que en m i opinión revisten el m a yo r interés, este tipo de violência puede m uchas veces ocurrir sin ninguna agresión verbal,
p u e s so n ellos los que p re sta n la argam asa p a ra la susten ta ció n je rá rq u ic a m anifestándose exclusivam ente con gestos, actitudes, m iradas. La conducta
del sistem a. Si la violência física tiene una incidência incierta del 10, 20, 50 o opresiva es perpetrada en general por m aridos, padres, herm anos, m édicos,
60% , la v iolência m oral se infiltra y cubre con su som bra las relaciones de las profesores, je fe s o colegas de trabajo.
fam ilias m ás norm ales, co n struyendo el sistem a de estatus com o o rganiza- Por todas esas características, a pesar del peso y de la presencia de la
ción n atural de la v ida social. violência m oral com o instrum ento de alienación de los derechos de las mujeres.
L a violência moral es el más eficiente de los m ecanism os de control social se trata del aspecto m enos trabajado por los program as de prom oción de los
y de reproducción de las desigualdades. La coacción de orden psicológico se derechos hum anos de la m ujer y m enos focalizado por Ias cam panas publicita-
constituye en el horizonte constante de las escenas cotidianas de sociabilidad rias de concientización y prevención de la violência contra la mujer. De hecho,
y es la principal form a de control y de opresión social en todos los casos de prácticam ente no existen cam panas que pongan en circulación, entre el gran
dom inación. Por su sutileza, su carácter difuso y su om nipresencia, su eficacia público, una term inologia o un conjunto de representaciones para facilitar su
es m áxim a en el control de las categorias sociales subordinadas. En el universo percepción y su reconocim iento específicos; que generen com portam ientos
de las relaciones de gênero, Ia violência psicológica es la form a de violência críticos y de resistencia a esas conductas, que inoculen, tanto en hom bres
com o en m ujeres, una sensibilidad de baja tolerancia a esas form as m uy sutiles 8. D escalificación profesional: atribución explícita de capacidad inferior
de intim idación y de coacción, así com o el pudor de reproducir incautam ente y falta de confiabilidad.
ese tip o de conductas, y que divulguen nociones capaces de p ro m o v er el
respeto a la diferencia de la experiencia fem enina, com prendida en su especifi- U na encuesta que realicé por internet en redes de m ujeres vinculadas por am is-
cidad. tad solicitando anécdotas y com entários sobre instancias de violência moral
A p esar de que en la a c tu a lid a d casi todos los d o cu m en to s que se experim entadas personalm ente por las m ujeres destinatarias, presenciadas por
refieren a la vio lên cia dom éstica hacen m ención de este tip o esp ecífico de éstas o escuchadas en confidencia, se am plió y alcanzó una extensión sorpren-
v io lên cia, no se ab orda su prevención de una form a sistem ática y particu lari- dente, debido a que un núm ero creciente de m ujeres deseaban inform ar y p res­
zada. De lo contrario, esto sig n ific aria colo car en circu lació n , p o r m edios tar testim onio sobre ofensas recibidas o conocidas a través de relatos de se­
publicitários, un léxico m ínim o, un elenco básico de im ágenes y palabras para gunda m ano. El resultado de la consulta fue im presionante, y se extendió a
el reco nocim iento de la ex p erien cia po r parte de sus víctim as, así com o el todas las clases sociales y a todos los niveles de instrucción.
v o cab u lario para d en u n c ia ria y co m b atirla especialm ente. E stas estrateg ias
d eb erían se n sib ilizar a la población y to rn aria conscien te de que la v io lên cia
no es exclusivam ente física, llevando al sentido com ún dei ciudadano o rd in á­ “ Sexism o au tom ático” y “ racism o autom ático”
rio la n ovedad que la ju risp ru d ê n c ia y a había com enzad o a incorporar en el
siglo xix. Los m edios m asivos de inform ación deberían colocar en circulación E sta violência estructural que sustenta el paisaje moral de las fam ilias se asem e-
im ágenes y discursos íntim os pasibles de ser apropiados en la form ulación ja a lo que los que m ilitam os activam ente en la crítica dei orden racial llam am os
de quejas y búsqueda de apoyo solidário o terapêutico . Las d iversas situa- “racism o autom ático” . Tanto el sexism o com o el racism o autom áticos no de-
ciones p rivadas de vio lên cia p sico ló g ica vividas por las m ujeres y que u su al­ penden de Ia intervención de la co nciencia discursiva de sus actores y respon-
m ente pasan desap ercib id as deben ser ad ecuadam ente rep resen tad as y d i­ den a la reproducción m aquinai de la costum bre, am parada en una m oral que ya
fundidas para estim u lar la reflexión y la discusión, prom oviendo un sentido no se revisa. A m bos form an parte de una tragédia que opera com o un texto de
m ayor de responsabilidad en los hom bres y una co n cien cia de su propio e larguísim a vigência en la cultura - e n el caso dei sexism o, la vigência tem poral
indebido su frim iento en las m ujeres. tiene la m ism a profundidad y se confunde con la historia de la especie; en el
En A m érica Latina, las form as m ás corrientes de la violência m oral son: caso dei racism o, la historia es m uchísim o m ás corta y su fecha de origen
1. C ontrol econôm ico: la coacción y el cercenam iento de la libertad por coincide rigurosam ente con el fin de la conquista y la colonización dei Á frica y
la dependencia econôm ica. el som etim iento de sus habitantes a las leyes esclav istas-,
2. C ontrol de la sociabilidad: cercenam iento de las relaciones personales La com paración con el racism o autom ático puede ilum inar y exponer con
por m edio de chantaje afectivo com o, por ejem plo, obstaculizar rela­ m ás claridad las com plejidades de la violência m oral que opera com o expresión
ciones con am igos y fam iliares. cotidiana y com ún dei sexism o autom ático. De la m ism a m anera en que la cate­
3. C ontrol de la m ovilidad: cercenam iento de la libertad de circular, salir goria “racism o autom ático” trae consigo el im perativo de sospechar de la clari­
de casa o frecuentar determ inados espacios. dad de nuestra co n c ie n cia y nos induce ineludiblem ente a un escrutinio cuida­
4. M enosprecio m oral: utilización de térm inos de acusación o sospecha, doso de nuestros sentim ientos, convicciones y hábitos m ás arraigados y m e­
velados o explícitos, que im plican la atribución de intención inm oral nos conscientes respecto de las personas negras, la noción de “ sexism o au to ­
por m edio de insultos o de bromas, así com o exigencias que inhiben la m ático ”, un a vez aceptada com o categoria válida, conlleva el m ism o tipo de
libertad de elegir vestuário o m aquillaje. exigencia pero en relación no sólo con la m ujer sino con toda m anifestación de
5. M enosprecio estético: hum illación por la ap a rie n cia física. . lo fem enino en la sociedad.
6. M enosprecio sexual: rechazo o actitud irrespetuosa hacia el deseo
fem enino o, alternativam ente, acusación de frigidez o ineptitud sexual. Me parece importante destacar la importancia de considerar el sexismo
7. D escalificación intelectual: depreciación de la capacidad intelectual como una mentalidad discriminadora no sólo en relación con la mujer sino.
de la m ujer m ediante la im posición de restricciones a su discurso. sobre todo, en relación con lo femenino. Es en el universo de la cultura

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homosexual que se puede ver con claridad lo que esto significa, pues es función de su color. En este caso, com o vem os, la actitud racista alcanza una
uno de los médios donde es posible encontrar este tipo de prejuicio y las form ulación discursiva, es m ás fácil de identificar, pues excede el gesto autom á­
violências que lo acompaiian. Un caso revelador al respecto es el de algu- tico, repetitivo y de fondo racista inadvertido.
nas tradiciones brasilenas de homosexualidad, muy femeninas y deslum­ En la com paración entre el racism o autom ático y el axiológico queda ex-
bradas por lagestualidad estereotipada de las mujeres, ricas en dramatici- puesto el carácter escurridizo del prim ero y de los episodios de violência moral
dad e imaginativas en el cultivo de un estilo de parodia benigna y bienhu- que lo expresan en la vida cotidiana. Tal com o ocurre con el sexism o autom áti­
morada, que pasaron en los últimos anos a ser patrulladas y expurgadas co, pese a que se presenta com o la más inocente de las form as de discrim ina-
por la entrada al Brasil de una cultura gay global, calcada en la misoginia ción, está m uy lejos de ser la más inocua. M uy por el contrario, es la que más
del movimiento gay anglosajón. Muchos hombres homosexuales brasile- víctim as provoca en la convivência fam iliar, co m u n itariay escolar, y es aquella
nos sufren, por lo tanto, en la actualidad, la doble violência moral de las de la cual es más difícil defenderse, pues opera sin nombrar. La acción silencio­
manifestaciones de desprecio de la sociedad nacional que circunda su cír­ sa del racism o autom ático que actúa por detrás de las m odalidades rutinarias de
culo íntimo de relaciones y dc los estándares de la identidad política discrim inación hacen del racism o -ta n to com o del se x ism o - un paisaje m oral
globalizada, que universaiizan estéticas fijas y una fuerte aversión a los natural, costum brista y dificilm ente detectable. Sólo en el otro extrem o de la
patrones femeninos del estilo homosexual local. La presión sexista y su línea, en el polo distante y m acroscópico de las estadísticas, se to rn a visible el
agregado imperial (véase mi crítica a los efcctos perversos de las identida­ resultado social de los incontables gestos m icroscópios y rutinarios de d iscri­
des políticas globales sobre las formas de alteridad históricamente consti­ m inación y m altrato moral.
tuídas en Segato, 2002a). Este racism o considerado ingênuo, y sin em bargo letal para los negros,
es el racism o diario y difuso del ciudadano cuyo único crim en es estar desinfor-
En el caso del racismo, la falta de esclarecim iento lleva a que, en muchas ocasio­ m ado sobre el asunto; es el racism o de m uchos bienintencionados. Y es el
nes y en escenarios m uy variados, a veces discrim inem os, excluyam os o hasta racism o que nos ayuda a acercam os más lúcidam ente a los aspectos de la
m altratem os por m otivos raciales sin ninguna percepción de que estam os per­ violência m oral de corte sexista que estoy intentando exponer, pero que entra­
petrando un acto de racism o. Si existen por lo m enos cuatro tipo de acciones ria la dificultad de distanciarse de las m odalidades de violência dom éstica,
discrim inadoras de cuno racista, las m ás conscientes y deliberadas no son las física o psicológica, m ás fácilm ente encuadrables en los códigos jurídicos. Mi
m ás frecuentes. Esto lleva a que m uchos no tengan clara conciencia de la intención al introducir la com paración con el racism o autom ático y las prácticas
necesidad de crear m ecanism os de corrección en las leyes para contraponerlos de violência m oral que él ocasiona es apuntar, ju stam en te, a las form as de
a la tendencia espontânea de beneficiar al individuo de raza blanca en todos los m altrato que se encuentran en el punto ciego de las sensibilidades ju ríd icas y
âm bitos de la vida social. de los discursos de prevención y a las form as m enos audibles de padecim iento
Existe, así, en países de gran aporte poblacional de origen africano, com o psíquico e inseguridad im puestos a los m inorizados.
el Brasil, un racismo práctico, automático, irreflexivo, naturalizado, culturalm en­ Un caso entre m uchos otros m e p arece p articu larm en te p aradigm ático
te establecido y que no llega a ser reconocido o explicado com o atribución de del carácter inasible con que alg u n as veces se presen ta la crueldad p sico ló g i­
valor o conjunto de representaciones ideológicas (en el sentido de ideas for- ca. Su v íctim a fue un a nina negra de 4 anos, alum na del ja rd ín de infantes de
m ulables sobre el m undo). El profesor de escuela que sim plem ente no cree que una escu ela católica, frecu en tad a por ninos de clase m edia, com o tam bién lo
su alum no negro pueda ser inteligente, que no consigue prestarle atención es ella. Ju lian a está en can tad a con la nu ev a profesora. Todos los dias, al
cuando habla o que, sim plem ente, no registra su presencia en el aula. El portero v o lv er de la escuela, h ab la incan sab lem en te de ella y describ e sus cualida-
del edifício de clase m edia que no puede concebir que uno de sus propietarios des. R espondiendo a mi solicitud, su m adre relata el caso com o parte de los
tenga los rasgos raciales de la etnia subalterna. La fam ilia que apuesta sin m ateriales de análisis de la d isertación de m aestria que p rep ara sobre racism o
dudar a las virtudes y m éritos de su hijo de piei m ás clara. en la escu e la brasilena:
Este tipo de racism o se distingue de lo que he llam ado de racism o axioló-
gico (Segato, 2002b), que se expresa a través de un conjunto de valores y La mamá de Juliana siempre que la dejaba en la escuela permanecia por
creencias que atribuyen predicados negativos o positivos a las personas en algunos minutos mirando a través de la cerca [...], esperando la oración
ser N osotros en la caricia incluidora. Él no se encuentra en un ju e g o de interlo-
matinal [...]. Lam aestra llega, [...] se inclina para conversar con losninosy cuciones válidas, ni com o prójim o ni com o otro, no hace su entrada en el
le hace un carifío en la cabeza a una companerita blanca. La madre de Juliana discurso, no tiene registro en el texto social. La vio lên cia contra él es m difica-
percibe la ansiedad y la esperanza de su hija de recibir también la misma dora, fo rclu id o ra , fuertem ente patogênica para todos los m volucrados en este
demostración de afecto. Ve que estira la cabeza intentando acercarse y ciclo de interacciones. É sta es la alegoria contenida en la respuesta de la escue­
colocarse al alcance de la mano de la maestra. Su gesto de expectativa es
la: la m aestra “no la vio” .
claro y evidente. La profesora se levanta y ni siquiera le dirige la palabra. Es por la inefabilidad de este tipo de violência siem pre presente en la
Juliana se da vuelta con los ojos llenos de lágrimas buscando a la madre, que m anutención de las relaciones de estatus que, aunque am bos térm inos pueden
observa desde la reja. La madre de Juliana levanta la mano en senal de
ser utilizados de form a intercam biable sin perjuicio para el concepto, preferi
despedida, le sonríe, le manda un beso para darle fuerzas y se aparta para llam arla “violência m oral” en lugar de “violência psicológica” . La noción de
ocultarle que ella también llora. Al dia siguiente lleva lo ocurrido a conoci-
violência m oral apunta al oxim oron que se constituye cuando la continuidad
miento de la coordinadora psicopedagógica de la escuela, que se justifica de la com unidad m oral, de la m oral tradicional, reposa sobre la violência rutim -
afirmando que se trata, ciertamente, de una distracción de la profesora
zada. A firm o, así, que la norm alidad dei sistem a es una norm alidad violenta, que
(Gentil dos Santos, 2001, p. 43). depende de la desm oralización cotidiana de los m inorizados. Con esto, tam ­
bién, alejo el concepto de la acepción m ás fácilm ente crim inalizable dei acto
El relato im presiona por el carácter trivial de la escena que narra, por la sospe- denom inada, juridicam ente, “dano m oral” o “ abuso m oral” . Sin em bargo, hasta
cha de que se repite diariam ente haciendo estragos en el alm a infantil, por la
en el caso de “ dano m oral” en casos de racism o com o categoria ju ríd ica, auto­
resistencia que ofrece a ser representada discursivam ente, por las dificultades
ras com o M aria de Jesús M oura y L uciana de A raújo C osta (2001) enfatizan los
que com portaria intentar quejarse o denunciaria, por el grado de sufrim iento
aspectos evanescentes, inconscientes - “ una repetición sin reflexión (ibid., p.
que produce a alguien que no tiene la capacidad de defenderse ni tam poco de
1 8 8 )- y de gran arraigo en prácticas históricas que dificultan, pero no im piden,
d etectar de form a consciente el m otivo de su victim ización, y por la m arca
según las autoras, la acción de la ju sticia.
indeleble de am argura e inseguridad que inscribe en la m em ória de la criatura
El paralelism o entre el racism o autom ático y el sexism o autom ático, am ­
que la sufre. Estas características perm iten tipificar el acto perpetrado com o un
bos sustentados por la rutinización de procedim ientos de crueldad m oral, que
caso de violência psicológica, debido al dano m oral que o casio n ay sim ultánea-
trabajan sin descanso la vulnerabilidad de los sujetos subalternos, im pidiendo
m ente a la dificultad de encuadrarlo en la ley. A lo sum o, se p odría exigir algún
que se afirm en con seguridad frente al m undo y corroyendo cotidianam ente los
dia de los m aestros de escuela que fueran capaces de reconocer las vulnerabi-
cim ientos de su autoestim a, nos devuelve al tem a dei patriarcado sim bólico que
lidades específicas y las expectativas de afecto de los alum nos que pasan por
acecha por detrás de toda estructura jerárq u ica, articulando todas las relacio ­
sus m anos, trabajando su sensibilidad ética a partir de la p erspectiva de las
nes de poder y de subordinación. La violência m oral es la em ergencia constan­
víctimas.
te, al plano de las relaciones observables de la escena fundadora dei régim en de
Incluso en el nivel distanciado de la m eta-narrativa, com o narrativa de las
estatus, esto es, dei sim bólico patriarcal.
narrativas, la historia nos captura porque alegoriza a la perfección la relación
Sin em bargo, no basta decir que la estructura je rárq u ica originaria se
com pleja dei estado de derecho con el com ponente negro de la nación: el
reinstala y organiza en cada uno de los escenarios de la vida social, el de
reconocim iento no concedido, el acto que, por constituirse com o un no-acon-
gênero, el racial, el regional, el colonial, el de clase. Es necesario percibir que
tecim iento, tam poco es susceptible de reclam o, la im posibilidad dei negro de
todos estos cam pos se encuentran enhebrados por un hilo único que los atra-
inscribir el signo de su presencia singular, m arcada por una h isto ria de sufri­
viesa y los vincula en una única escala articulada com o un sistem a integrado de
m iento, en el texto oficial de la nación y en los ojos de la m aestra, la ceguera de
poderes, donde gênero, raza, etnia, región, nación, clase se interpenetran en
la nación frente a su dolor específico y a su dilem a. A l ignorar la queja, tam bién
una com posición social de extrem a com plejidad. De arriba abajo, la lengua
se le niega reconocim iento a la existencia dei sujeto discursivo de la queja. Esta
franca que m antiene el edifício en pie es el sutil dialecto de la violência m oral.
n eg ativ a duplica el gesto negador de Ia caricia, que sólo se dirige a los otros
E sto se m anifiesta claram ente, por ejem plo, en los fem inism os así llatna-
ninos y no a él. El negro es im pedido de ser O tro, contendiente legítim o por
dos “ étn ico s” , es decir, en los dilem as de los fem inism os de las m ujeres negras
recursos y derechos en un inundo en disputa, así com o tam bién es im pedido de
y de las m ujeres indígenas. Su dilem a político es la tensión existente entre sus un m ecanism o solidam ente entrelazado en la econom ia pati iarcal y capitalista
reivindicaciones com o m ujeres y Io que podríam os Ilamar “ frente étnico inter­ del sistem a?
no” , es decir, la conflictiva lealtad al grupo y a los hom bres del grupo para Tocam os aqui, ineludiblem ente, la cuestión de la legitim idad de la cos-
im pedir la fractura y Ia consecuente fragilización de la colectividad. Este com - tum bre. R ecientem ente, en una consulta que realicé ju n to a un grupo de 41
plejo conflicto de conciencia de las m ujeres de los pueblos dom inados entre m ujeres representantes de diferentes sociedades indígenas del Brasil, una de
sus reivindicaciones de gênero y la lealtad debida a los hom bres del grupo, las poquísim as abogadas indias del país y ciertam ente la única entre los Cain-
quienes, com o el Ias m ism as, sufren las consecuencias de la subalternización, gang, de Rio G rande do Sul, presentó al grupo su idea de que la costum bre es
las coloca en tensión con la posibilidad de la alianza con las m ujeres blancas de la ley de la sociedad indígena, es decir, que las norm as tradicionales son para el
las naciones dom inantes (sobre diversos aspectos de este com plejo dilem a pueblo indígena com o las leyes para la nación. Ésta, que debería ser una propo-
véase Segato, 2002c; P iercey W illiams, 1996;Pierce, 1996; Spivak, 1987 y 1999, sición sim ple y bastante trabajada por nosotros, los antropólogos, de hecho no
pp. 277 y ss.). Por las venas de esas disyuntivas corre, claram ente, la articula- lo es.
ción jerárq u ica, que no sólo subordina las m ujeres a los hom bres, o las colecti- M i respuesta a las interlocutoras indias en esa ocasión fue negativa: Ia
vidades indígenas y negras a la colectividad blanca, sino tam bién las m ujeres costum bre nativa no eqüivale a la ley m oderna (Segato, 2002c). En todos los
indígenas y negras a las m ujeres blancas y los hom bres pobres a los hom bres contextos culturales la ley se encuentra - o debería e n c o n trarse- en tensión
ricos. De la m ism a form a, una articulación jerárq u ica equivalente vincula en con la costum bre cuando cualquiera de los dom inios del sistem a de estatus se
relación de desigualdad a los m iem bros de los m ovim ientos negro e indígena encuentra en cuestión. Incluso porque el estatus debería, por definición, ser
norteam ericanos con los m iem bros de los m ovim ientos negro e indígena de extrano al idiom a m oderno e igualitario de la ley y considerarse una infiltración
A m érica Latina. de un régim en previo, bastante indeleble por cierto y resistente al cam bio y a la
Este andam iaje de m últiples entradas obedece todo él a un sim bólico de m odernización, pero extrano al fin a los códigos m odernos que rigen el discuiso
corte patriarcal que organiza relaciones tensas e inevitablem ente crueles. En la ju ríd ico (véase, sobre la persistencia del gênero com o sistem a de estatus den­
casi totalidad de estas interacciones, la crueldad es de orden sutil, m oral. Y tro del régim en contractual m oderno, el sem inal análisis de Carole Patem an,
cuando la crueldad es física, no puede prescindir del correlato m oral: sin des- 1993). D e hecho, en el O ccidente m oderno, patria de la legislación estatal. Ia ley
m oralización no hay subordinación posible. Y si fuera posible una crueldad se vuelve tam bién contra la costum bre.
puram ente física, sus consecuencias serían inevitablem ente tam bién m orales D rucilla Cornell ofrece una solución posible para este problem a de lo que
(sobie Ia im prescindibilidad de la crueldad psicológica y m oral com o com ple­ la ley puede o no puede reglam entar o, en otras palabras, de la eficacia o
m ento del tratam iento físico cruel, véanse los clásicos de la literatura sobre ineficacia de la ley para incidir en el âm bito de la m oral. Para esto, intioduce la
cam pos de concentración nazis, com o Bettelheim , 1989, p. 78, entre otras; Levi, idea de un “fem inism o ético” :
1990, especialm ente cap. v: “ V iolência inútil” ; Todorov, 1993, especialm ente
cap. 9: “D espersonalización” ; y tam bién C alveiro, 2001, pp. 59 y ss.). Demandamos que los danos que eran tradicionalmente entendidos como
parte del comportamiento inevitable que hacía que “los muchachos tienen
que ser muchachos”, tales como la violación en una cita amorosa o el acoso
L egislación, costum bres y Ia eficacia sim bólica del D erecho sexual, sean reconoeidos como serios actos lesivos contra la mujer. Para
hacer que estos comportamientos parezcan actos lesivos, las leministas
Llegam os así al problem a de la legitim idad de la violência m oral de sjénero. luchan para que “veamos” el mundo de forma diferente. El debate sobre qué
6C óm o seria posible encuadrar en la ilegalidad un conjunto de com portam ien- tipo de comportamiento constituye acoso sexual se vuelve sobre cómo el
tos que son el pan de cada dia, la argam asa que sustenta la estructura je rá rq u i­ sistema legal “ve " a las mujeres y a los hombres. Debido a que el fem inis­
ca del m undo? <^Cuán eficaces son o conseguirán ser las leyes que crim inalizan mo convoca a que re-im aginem os nuestra form a de vida de manera que
actitudes fuertem ente sustentadas por la m oral dom inante? ^Córno seria posi­ podam os "ver" de otra form a, él neeesariam ente involucra apelar a la
ble perseguir legalm ente formas de violência psicológica que responden y acom- ética, incluyendo el llamado para que m odifiquemos nuestra sensibilidad
panan el racism o estructural y el sexism o estructural, reproducidos am bos por m oral (Cornell, 1995, p. 79, traducción y cursivas mias).

122
En la propuesta de esta autora, no es un sistem a legal lo que va a g arantizar la ciones prim ordialistas de la nación (cuyo m apa construye, entre otros, B reui-
igualdad y el bienestar de las m ujeres. Lo que garantiza la reform a m oral y legal lly, 1996), de las cuales se desprenderia algún tipo de continuidad entre la ley y
es un m ovim iento que se origina en la aspiración ética. La noción de ética se la costum bre, entre el sistem a legal y el sistem a m oral y, por lo tanto, entre el
distancia y se opone, así, al cam po de la m oral. La sensibilidad ética es definida régim en de contrato y el régim en de estatus. E ndoso la crítica a este tipo de
com o sensibilidad al “otro”, a Io ajeno, y transform ada en pivote dei m ovim ien­ concepción, y opto por una visión contractualista de la nación, donde la ley
to transform ador. debe m ediar y adm inistrar la convivência de costum bres diferentes, es decii, de
m oralidades diferentes. A pesar de originarse en un acto de fuerza por el cual la
[...] ética, tal como la defino, no es un sistema de regias de comportamien- etnia usurpadora im pone su código a las etnias dom inadas y expropiadas, la ley
to, ni un sistema de estándares positivos a partir de los cuales es posible así im puesta pasa a com portarse, a partir dei m om ento m ism o de su prom ulga-
justificar la desaprobación de los otros. Es, más que nada, una actitud ción, en una arena de contiendas m últiples e interlocuciones tensas. La ley es
hacia lo que es ajeno para uno [...] (ibid., pp. 78-79, mi traducción). un cam po de lucha. Su legitim idad depende estrictam ente de que contem ple
desde su estrado un paisaje diverso.
D e m anera sem ejante pero no idêntica a C ornell, E nrique D ussell tam bién C uando la ley adhiere a uno de los códigos m orales particulares que
co loca en el O tro - e n su caso, en el otro v ic tim iz a d o - el ancla de una p erspec­ conviven bajo la adm inistración de un Estado nacional y se autorrepresenta
tiv a ética tran sfo rm ad o ra (D ussell, 1998). Pero m ientras Cornei! se am para, com o indiferenciada dei m ism o, estam os frente a un caso de localism o n a cio­
para d efin ir ese O tro cap az de o rien tar Ia actitud ética, en las n o ciones de nalizado, aplicando al universo de la nación la m ism a crítica que llevó a Boaven-
fa lib ilid a d y asom bro dei filó so fo pragm atista norteam erican o C harles Peir- tu ra de Souza Santos a form ular la categoria localism o globalizado para des-
ce, que im plican una apertura, una exposición voluntaria al desafio y a la cribir los valores locales que arbitrariam ente se globalizan (Santos, 2002). E sta­
p erp lejidad que el m undo de los O tros im pone a nuestras certezas, el O tro en m os prisioneros de un colonialism o m oral intranacional, aplicando a la nación
D usell no viene a sig n ific ar el lim ite im puesto po r los O tros - l o “ ajen o ”- a la crítica al im perialism o m oral de los derechos hum anos form ulada por H er-
n uestro deseo, a nuestros valores y a las categorias que org an izan nuestra nández-T ruyol(2002). . . .
realid ad , p ero es un O tro com o n egatividad sustantivad a, en su m aterialid ad Por lo tanto, desde esta perspectiva, ley y m oral, lejos de coincidir, se
co n tin g en te tran sfo rm ad a en trascen d en te en el argum en to d usselliano. Este desconocen. La C onvención p a r a la E lim in a ció n de todas las Form as de
O tro pu ede verse contenido en una lista de categorias co n stitu íd a p o r “ el D iscrim inación contra la M ujer de las N aciones U nidas ( c e d a w ) es clara a este
o b rero, el indio, el esclavo africano o el explotado asiático dei m undo co lo ­ respecto:
nial, la m ujer, las razas no-blancas, las generaciones futu ras” (ibid., parágrafo
210), en tendiéndose que deben pasar a ser acogidos en un “n o so tro s” ta m ­ Artículo 5o.
bién sustantivo. El argum ento de D ussell se centra en este acto de inclusión Los Estados-Parte tomarán todas las medidas apropiadas para:
de Ia p ersp ectiv a de las v íctim as en “ n u estra” perspectiv a, y no en la dispo- a) modificar los patrones socioculturales de conducta de hombres y muje­
nib ilid ad existencial para un O tro que cum ple el papel h u m an izad o r de resis- res, con vistas a alcanzar la eliminación de los prejuicios y prácticas consue-
tirse a confirm ar “n uestro” m undo, com o en el m odelo de la ética fem inista de tudinarias, y de cualquier otra índole que estén basadas en la idea de la
C ornell. El O tro d u sselliano es m uy próxim o al “otro ” ju d io alem án, al otro inferioridad o superioridad de cualquiera de los sexos o en funciones este­
berlinés, al otro p alestino, al otro iraquí de “w e are ali B erlin citizen s”, “ nous reotipadas de hombres y mujeres; [...] (Protocolo da c e d a w . citado de a g e n ­
som ines tous ju ifs allem an d s” , “nous som m es tous p alestin ien s” , de K enne- de 2002, p. 29).
dy frente al m uro de B erlin en 1962, dei ‘68 francês y de las m archas parisinas
dei 2002. A un así, aceptando este argum ento en favor dei papel reform ador de la ley, la
Por mi parte, si bien creo sin restricciones que un trabajo sobre la sensibi­ pregunta perm anece: ^cuál es el papel específico de la legislación en el control
lidad ética es la condición única para desarticular la m oralidad patriarcal y de la inasible violência m oral? ^Cuál es su capacidad de impacto sobre el arrai­
violenta en vigor, atribuyo al D erecho un papel fundam ental en ese proceso de go de la vio lên cia m oral en la costum bre? M e parece que aqui es posible com ­
transform ación. C oloco m i respuesta en el contexto de la crítica a Ias concep- plem entar la tesis de C ornell, pues no solam ente la ley y la m oral, com o conjun­
to de norm as discursivas debidam ente elencadas, pueden ser im pulsadas por argum ento p ara en fatizar el papel de su eficacia sim b ó lica com o instrum ento
el sentim iento ético en la dirección de un bien m ayor entendido desde la pers­ de agitación; el p o d er y la legitim idad inherentes al sistem a de nom bres que
pectiva dei otro m inorizado y victim izado, sino que la ley tam bién puede im pul­ cila instaura p ara hacer púb licas las p o sib ilid ad es de asp irar a derechos, g a­
sar, inform ar, sensibilizar ese sentim iento ético y transform ar la moral que sus­ rantias, protecciones. P odría sim plem ente decirse que se trata de los nom bres
tenta las costum bres y el esquem a jerárq u ico de la sociedad. de un m undo m ejor, y de la efic ac ia sim b ó lica de esos nom bres. Las d en u n ­
E ncontram os una contribución im portante para un proyecto de este tipo cias y las aspiraciones que el d iscurso legal p u b lica hacen p osible que las
en la obra L a eficacia sim bólica dei D erecho, de M auricio G arcia Villegas personas identifiquen sus problem as y sus asp iracio n es. Al reflejarse en el
(1995), siem pre y cuando introduzcam os una torsión en la tesis dei autor. A espejo en el discurso dei D erecho, pueden reco n o cerse y, reconociéndose,
partii de un análisis exhaustivo de los aspectos perform áticos, ilocucionarios y acceder a la com prensión p recisa de sus in satisfaccio n es y de sus pleitos.
p roductores de realidad de todo discurso, y luego de hacer notar el carácter D esde la p ersp ectiv a de los m in o rizad o s, el d iscurso dei D erecho, siem pre
discursivo de toda legislación, G arcia Villegas concluye que, com o todo discur­ entendido com o un eficaz sistem a de nom bres en p erm a n en te expansión,
so, la ley tiene el poder sim bólico de dar form a a la realidad social, un poder que tiene el p oder de agitación, el carácter de p ropaganda, aun apuntando en la
reside en su legitim idad para dar nom bres: “ eficacia sim bólica en sentido gene­ d irección de lo que to d av ia no existe, que no es aún p osible adquirir, en la
ral [...] es propia de toda norm a ju ríd ic a en cuanto discurso institucional depo­ v id a social.
sitário dei poder de nom inación [...]” (op. cit., p. 91). Exam ina, entonces, m inu­ Con esto tam bién se derrum ba la visión burocrática y conform ista según
ciosam ente, Io que propone com o “ la eficacia sim bólica” dei Derecho, en opo- la cual la ley sólo puede poner lim ite a las prácticas discrim inadoras pero no a
sición a su “eficacia instrum ental”. En otras palabras, la verdadera eficacia de la las convicciones profundas o a los prejuicios. Si percibim os el poder de propa­
ley residiria en su poder de representar la sociedad y dei carácter persuasivo de ganda y el potencial persuasivo de la dim ensión sim bólica de la ley, com pren-
Ias representaciones que ella em ite. dem os que ella incide, de m anera lenta y por m om entos indirecta, en la moi al, en
las costum bres y en el sustrato prejuicioso dei que em anan las violências. Es
La fuerza social dei Dcrecho, entonces, no sc limita a la imposición do un por eso que la reform a de la ley y la expansión perm anente de su sistem a de
comportamienlo o a la creación instrumental de 1111 cierto eslado de cosas. nom bres es un proceso im prescindible y fundam ental.
La fuerza dei Derecho tambicn se encuentra en su carácter de discurso legal
y de discurso legítimo; en su capacidad para crear representaciones de las
cuales se derive un respaldo político; en su aptitud para movilizar a los B ib lio g r a fia
indivíduos en beneficio de una idea 0 de una imagen [...] (ibid., p. 87).
agende, “A ções em G ênero C idadania e D esenvolvim ento” , 2002, en D ireitos
H um anos das M ulheres... Em outras palavras. Subsídios p a ra capacitação
Sin em bargo, es necesario o b servar que en la tesis de G arcia V illegas el énfa-
legal de m ulheres e organizações, B rasília, a g e n d e / s e d i m / u n i f e m .
sis está colocado en la persp ectiv a de los sectores m ejo r rep resen tad o s en un
E stado nacional y que detentan, entre sus capacidad es, la p o sib ilid ad de B andeira, Lourdes y T ânia M ara C am pos de A lm eida (1999), “O pai e Avô: 0
u tilizar la ley pedagó g icam en te o com o estrateg ia para co n seg u ir o refo rzar caso de estupro incestuoso do p asto r” , en Suarez, M ireya y Lourdes B andeiia
determ inadas prácticas y una com prensión particu lar de la nación. E sta co m ­ (oras.). Violência, G ênero e C rim e no D istrito F ederal, B rasília, Paralelo 15/
prensión de la nación será afín con Ia p erspectiva de Ia clase y de los sectores EdUnB.
que ocupan m ay o ritariam en te las posiciones estratégicas en las in stitu cio -
nes; en este caso, en especial, el Poder L egislativo y el Poder Judicial. A sí, en B ettelheim , Bruno (1989), Sobrevivência e Outros Estudos, Porto Alegre, Artes
el texto de V illegas la eficacia sim bólica dei D erecho es an alizad a d esde la M édicas.
p ersp ectiv a de los intereses de los legisladores, p rom ulg ad o res y ejecu to res
Breuilly, John (1996), “A pproaches to N atio n alism ” , en Balakrishnan, Gopal
de Ia ju stic ia m ás que desde una p erspectiva de “ los o tro s” , en el sentido de
C ornell y de D ussell. (ed.), M a p p in g the N ation, Londres, Verso.
Seria, po r lo tanto, posible una inversión en este asp ecto p articu la r dei

127
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h ing Present, C am bridge, M ass., H arvard U niversity Press. Cuando recibí la invitación para dar esta conferencia se m e plantearon grandes
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im aginé form ada m ayoritariam ente por personas cuyas profesiones priorizan la
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Tang M in (2002), “D om estic V iolence T ackled”, C hina D aily, noviem bre 26,h lisis em inentem ente im prácticos y m inuciosos. Pues es eso Io que hacem os:
http://w w w .unifem .undp.org/new sroom /clippings/021126_chinadaily.htm l. som eter a escrutínio el universo de la sociabilidad en busca dei sentido que
atribuyen a sus propios actos los actores sociales situados, interesados, invo-
Todorov, Tzvetan (1993), F rente al lim ite, M éxico, Siglo xxi. lucrados en sus fantasias individuales y en deseos colectivam ente instigados,
orientados por la cultura de su lugar y de su época.
Efectivam ente, la antropologia afirm a que hasta las prácticas más irracio-
nales tienen sentido para sus agentes, obedecen a lógicas situadas que deben
ser entendidas a partir dei punto de vista de los actores sociales que las ejecu-
tan, y es mi convicción que sólo m ediante la identificación de ese núcleo de
sentido —siem pre, en algún punto, colectivo, siem pre anclado en un horizonte
com ún de ideas socialm ente com partidas, co m u n ita ria s- podem os actuar so­
bre estos actores y sus prácticas, aplicar con éxito nuestras acciones tran sfo r­
m adoras, sean ellas ju ríd ico -p o liciales, pedagógicas, publicitarias o de cual­
quier otro tipo. Entonces, si, por ejem plo, el trabajo herm enêutico de com pren­
der los significados de la violência de gênero parece un trabajo perdido, dem o­
rado, bizantino, im práctico, creo yo que el reiterado fracaso de m étodos su-
puestos com o más eficientes y pragm áticos que la com prensión dem orada de
los hechos prueba lo contrario.
E stam os todos inform ados sobre los datos —que no pueden dejar de ser

Conferencia leída el 30 de junio de 2003 en la apertura dei Curso de Verano sobre


Violência de gênero dirigido por el magistrado Baltasar Garzón de la Audiência Nacional
de Espana en la sede de San Lorenzo dei Escoriai de la Universidad Complutense de
Madrid.
im precisos y dudosos por el tipo de realidad que in d a g an - y los relatos de do Sul, una y otra vez los m aestros reportaron que cuando los m aridos se
casos: contam os con estadísticas m undiales y nacionales de violência de g ê­ encontraban presentes en la m ism a sala de aula, las m ujeres m ostraban un
nero, conocem os los tipos -v io lê n c ia física, psicológica y sexual, adem ás de la rendim iento m enor en el aprendizaje que cuando ellos no estaban p resen tes.1
violência estructural reproducida por las vias de la discrim inación en los cam ­ Este ejem plo puntual habla de la dim ensión violenta inherente en la propia
pos econôm ico y s o c ia l-y sabem os de sus variantes idiosincráticas locales, de dinâm ica tradicional de gênero, prácticam ente inseparable de la estructura m is­
la im posibilidad de confiar en los núm eros cuando el escenario es el am biente ma, jerárquica, de esa relación. Y es ahí donde reside, precisam ente, la dificultad
d om éstico, de los problem as para denunciar, procesar y punir en esos casos y, de erradicaria.
sobre todo, de las dificultades que tienen los actores sociales para reconocer y Tenemos, entonces, com o y a he dicho, datos cuantitativos en expansión y
reconocerse y, en especial, para nom inar este tipo de violência, articulada de un universo de leyes tam bién en expansión bajo la presión de los organism os
una form a casi im posible de desentranar en los hábitos m ás arraigados de la internacionales, pero necesitam os acom panar esos datos y esas leyes de un
vida com unitaria y fam iliar de todos los p aeb lo s del mundo. “N in g u n a socie­ m arco de sentido que oriente la conciencia y la práctica de todos aquellos que
dad trata a sus m ujeres tan bien com o a sus hom bres”, dice el Inform e sobre trabajan por este objetivo. Es necesario que éstos perciban claram ente que erra­
D esarrollo H um ano del pnud de 1997 y, al decir eso, no está hablando de la dicar Ia violência de gênero es inseparable de la reform a m ism a de los afectos
anorm alidad o de la excepcionalidad de las fam ilias con hom bres violentos constitutivos de las relaciones de gênero tal como las conocem os y en su aspec­
sino, m uy por el contrario, de Ias rutinas, de la costum bre, de la m oral, de la to percibido com o “n o rm a l”. Y esto, desgraciadam ente, no puede m odificarse
normalidad. por decreto, con un golpe de tinta, suscribiendo el contrato de la ley.
A esta afirm ación le agregaria yo la siguiente: que no existe sociedad que N o es por decreto, infelizm ente, que se puede deponer el universo de las
no endose algún tipo de m istificación de la m ujer y de lo fem enino, que no fantasias culturalm ente prom ovidas que finalm ente conducen al resultado per­
ten g a algún tipo de culto a lo m aterno, o a lo fem enino virginal, sagrado, deifi- verso de la violência, ni es por decreto que podem os transform ar las form as de
cado, que no lo tem a en alguna de las variantes del m otivo universal de la desear y de alcanzar satisfacción constitutivas de un determ inado orden socio-
va gina dentata o que no cultive alguna de las form as del m ito del m atriarcado cultural, aunque al final se revelen enganosas para m uchos.2A qui el trabajo de
originário. Por lo tanto, la universalidad de esa fe en una m ística fem enina es un Ia co nciencia es lento pero indispensable. Es necesario rom overlo, instigarlo,
correlato indisociable del m altrato inscripto en las estadísticas del p n u d , pues trab ajar por un a reform a de los afectos y de las sensibilidades, por una ética
se trata, sin duda alguna, de dos caras de la m ism a m oneda. fem inista para to d a la sociedad. Los m edios m asivos de com unicación, la p ro ­
El grado de naturalización de ese m altrato se evidencia, por ejem plo, en p ag an d a -in c lu y o aqui la pro p ag an d a de la propia le y - deben ser en esto
un com portam iento reportado una y otra v ez por todas las encuestas sobre aliados indispensables. Y el trabajo de investigación y de form ulación de m o­
v iolência de gênero en el âm bito dom éstico: cuando la pregunta es colocada en delos teóricos para la com prensión de las dim ensiones violentas de las relacio­
térm inos genéricos: “ ^U sted sufre o ha sufrido violência dom éstica?” , la m ayor nes de gênero aun en las fam ilias m ás norm ales y legales debe ser constante.
parte de Ias entrevistadas responden negativam ente. Pero cuando se cam bian C om o se ha dicho: “hacer teo ria sin acción es sonar despiertos, pero la acción
los térm inos de la pregunta nom brando tipos específicos de m altrato, el univer­ sin teoria am enaza con producir una p esadilla” .3
so de las víctim as se duplica o triplica. Eso m uestra claram ente el carácter
digerible del fenôm eno, percibido y asim ilado com o parte de la “ norm alidad” o,
lo que seria peor, com o un fenôm eno “ norm ativo” , es decir, que participaria del
conjunto de las regias que crean y recrean esa norm alidad. 1Comunicación oral de Marlene Libardoni, activista y presidenta de la o n g a g e n d f .
(Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento).
C onvencida com o estoy de que es en la descripción de algunos ejem plos
2Puede encontrarse un argumento crítico que nos advierte sobre los problemas y las
paradigm áticos que la intim idad de los fenôm enos se revela, se m e ocurre que
consecuencias de legislar sobre sexo y sobre fantasias de orden sexual en un bello libro ya
el carácter coercitivo e intim idador de las relaciones de gênero “n o rm ales”se
clásico y olvidado que relata las interfaces entre el socialismo y el feminismo britânico en
m uestra claram ente en una situación exenta por com pleto de cualquier gesto la década de 1970 (Phillips, 1983).
violento observable, explícito: en Ia cam pana de alfabetización para adultos 3 Paula Trichler, Conferencia de Durban de 2001, extraído de Ana Luisa Liguori:
coordenada por la pedagoga brasilena E sther G rossi en el estado de Rio G rande “ Ciências Sociales” , en la página www.sidalac.org.mx
L os avances de la legislación: el caso brasileno4 entre otros, estupro, violación, m aios tratos y abuso sexual; en el âm bito de la
com unidad, entre otros, violación, abuso sexual, tortura, m aios tratos, tráfico de
En el Brasil, para considerar este país com o ejemplo ilustrativo de lo que estoy mujeres, prostitución forzada, secuestro y asedio sexual en el lugar de trabajo, así
intentando decir, el panoram a de las leyes relativas al gênero se encuentra hoy com o en instituciones educacionales, establecim ientos de salud o cualquier otro
casi completo. En 1984, el gobierno brasileno ratifico la Convención sobre la Elimi­ lugar. Según la “Convención de Belém de Pará”, com pete al Estado “m odificar los
nación de todas las formas de D iscrim inación contra la M ujer ( c e d a w ) , adoptada patrones socioculturales de conducta de hom bres y m ujeres, incluyendo la cons­
por la A sam blea General de las Naciones Unidas en 1979. Este tratado considera la trucción de program as de educación form ales y no form ales apropiados a todo
violência contra las m ujeres com o parte dei conjunto de formas de discriminación nivel dei proceso educativo, para contrabalancear preconceptos y costum bres y
que pesan sobre ella y se pronuncia explicitam ente en favor de m odificar los todo otro tipo de prácticas que se basen en la prem isa de la inferioridad o la
com portam ientos tradicionales de hom bres y mujeres. Es importante aqui notar la superioridad de cualquiera de los dos gêneros o en los papeles estereotipados
contradicción m anifiesta en la Convención entre la ley y la moral tradicional. dei hom bre y de la m ujer o que exacerban la violência contra la m ujer” . A qui
L a C onstitución Federal de 1988, a su vez, m odifico profundam ente la tam bién la ley se enfrenta y desafia la m oral y la costum bre.
concepción sobre los derechos de fam ilia y estos câm bios fueron consolida­ En 2002, a diferencia de países com o la A rgentina, Chile, Colom bia, Cuba
dos en el nuevo C ódigo Civil, que entró en vigência en enero dei ano 2003. En y El Salvador, el Brasil ratifico el Protocolo Facultativo a la C onvención sobre la
conform idad con el espíritu de la C onstitución de 1988, el Código Civil garanti- Elim inación de todas las Formas de D iscrim inación contra la M u je r-e l Protoco­
za que no existe ya en la ley la figura dei je fe dei hogar y que m arido y m ujer lo a la c e d a w - , adoptado por la o n u en 1999. Es decir que m ientras todos los
com parten la patria potestad y deben responsabilizarse conjuntam ente por estados de la región de A m érica Latina y el C aribe ratificaron la Convención,
todas las obligaciones relativas al cuidado de los hijos, incluso las tareas do­ sólo una parte de ellos ratifico el P rotocolo a la c e d a w , que perm ite a la víctim a
m ésticas; da a la unión estable garantias iguales a las que goza el m atrim onio o a su representante Uevar las causas de las m ujeres al C om itê de la c e d a w , y
civil y abole la diferencia entre hijos legítimos e ilegítimos. En fin, prácticam ente tam bién a la Com isión C onsultiva y a la C orte Interam ericana de D erechos
todas las form as de desigualdad que la costum bre instaura y reproduce se H um anos desde la ratificación de la C onvención de Belém de Pará, siem pre que
ausentan de la ley, apagándose su inscripción en los códigos que orientan los se hayan agotado todas las instancias en los fueros nacionales.
fallos de los jueces. O tras figuras antiguas que habían perdido vigência en ia Finalm ente, este ano de 2003, precisam ente por estos m ism os dias (entre
práctica, com o la posibilidad de anular el m atrim onio en los casos en que la el 30 d e ju n io y el 18 d eju lio ), serán llevados al Com itê de la c e d a w , durante su
m ujer no llega virgen al casam iento o el derecho de desheredar a la hija de 29a sesión en N ueva York, un inform e oficial dei gobierno brasileno y un infor­
conducta m oral “ deshonesta” , tam bién son excluidas dei texto de la ley en el m e alternativo elaborado con inform aciones recogidas por trece Redes y A rti-
nuevo Código Civil, en consonancia con el espíritu de la C onstitución de 1988. culaciones N acionales de M ujeres, bajo la coordinación de la O rganización no
En 1995, el Brasil acató tam bién la Convención Interam ericana para Preve­ G ubernam ental a g e n d e .
nir, Punir y Erradicar la Violência contra la Mujer, conocida como “Convención de Los sistem as de m onitoreo son, en efecto, cada vez más eficientes en el
Belém de Pará”, aprobada por la A sam blea G eneral de la Organización de los control de si los com prom isos asum idos por el país se traducen en leyes; si, a
Estados A m ericanos en 1994. Esta Convención, en su artículo I o, define la violên­ su vez, éstas se traducen en políticas públicas; si se encuentran previstas en el
cia contra la m ujer com o “cualquier acto o conducta basada en el gênero, que p resupuesto para la nación votado por el C ongreso N acional; si gozan dei
cause m uerte, dano o sufrim iento físico, sexual o psicológico a la mujer, tanto en reconocim iento efectivo por parte de los integrantes dei Poder Judicial; si lle-
la esfera pública com o en la esfera privada” . En el âm bito dom éstico com prende, gan al conocim iento y m odifican las prácticas de los ciudadanos; y, finalm ente,
si tienen im pacto sobre los índices captados por las estadísticas. Se com prue-
4 Las informaciones sobre legislación brasilena fueron extraídas de las compilaciones ■ ba, de hecho, el aum ento de actores sociales que están cada vez más conscien­
organizadas por la o n g a g e n d e 2002, 2003a boletines electrónicos de la organización tes de que la ley y su ejecución y v igilancia por parte de los ju eces y las fuerzas
2003b y 2003c e informe de evaluación det relatorio oficial de la c e d a w 2003d. Así como policiales se han orientado durante dem asiado tiem po casi exclusivam ente ha­
también dei informe sobre la violência contra la mujer de la Fundación Perseu Abramo y cia la protección dei patrim onio y descuidado la protección y prom oción de los
dei Proyectodel Plan de Seguridad Pública dei Gobierno dei Partido de losTrabajadores. derechos hum anos de los ciudadanos, lo que tam bién les com pete.
Coronando esta proliferación de leyes y procedim ientos posibles, el actual m ujeres (la m itad de las m ujeres asesinadas en el B rasil m ueren a m anos de su
secretario nacional de Seguridad Pública y tam bién antropólogo L uiz Eduardo cónyuge actual o anterior, acom panando con esto la ten d en cia general de los
Soares suscribió el prim er Plan N acional de Seguridad Pública, que dedica un índices m undiales) no m uestran indicios de ceder ante la an danada legislativa.
capítulo, el 7, a la “V iolência dom éstica y de gênero” . El Plan N acional açepta la L a ley se quiere igualitaria, una ley para ciudadanos iguales, pero percibim os la
ausência o falta de confiabilidad de los datos respecto de este tipo de violência: estructura jerárq u ica del gênero tom ándola por asalto en sus fisuras. Por detrás
“no hay inform aciones confiables sobre el im pacto de ninguna de las iniciativas del contrato igualitario transparece, vital, el sistem a de estatus que ordena el
em prendidas hasta hoy” , y se inclina frente al hecho de que “ la violência que en m undo en gêneros desiguales, así com o en razas, m inorias étnicas y naciones
el pasado fue legitim ada continúa siendo form adora de la gram ática en que se d esiguales.
form a la subjetividad m asculina” . Senalando el carácter de escalada, es decir, la A pesar de estar ausente en el texto ju ríd ico , la figura de la “ legítim a
tendencia a escalar propia de todos los ciclos violentos, reconoce que “víctim as defensa de la h onra” continúa siendo invocada por abogados defensores de
y agresores se encuentran inm ersos en un proceso de sufrim iento, en la m edida m aridos agresores; el nuevo C ódigo C ivil de este ano, en lo relativo a los
en que están aprisionados, sea por razones culturales, sociales o psicológicas, argum entos para los pedidos de separación, todavia se expresa en térm inos de
en el lenguaje de la violência. A postar sim plem ente a la crim inalización y a el “conducta deshonrosa”, la cual, aunque form alm ente podría cualificar la con­
encarcelam iento, sobre todo si éste no es acom panado por procesos reeducati- ducta del m arido o de la esposa, en su uso habitual se aplica a la sexualidad de
vos, significa investir en la m isma lógica de que se alimenta la violência” . Y afirma las m ujeres. Las puniciones contem pladas en el C ódigo Penal de 1940 todavia
que la adopción de m edidas capaces de com batir la violência de gênero depende vigente para crím enes sexuales contra la m ujer Uamada “honesta” son más
de la existencia de un m ayor núm ero de investigaciones que perm itan alcanzar severas que las contem pladas para la m ujer no considerada honesta. Los crím e­
diagnósticos m ás precisos. Entre las propuestas contenidas en el Plan que me nes de violência dom éstica contra la mujer, aun en casos graves, son, a partir de
parecen m ás oportunas, vale la pena citar la que prevé la incorporación de la la aprobación de la ley 9.099/95, en su casi totalidad, encam inados a los Juzga-
“participación activa de m ujeres sobrevivientes de situación de violência en el dos E speciales C rim inales (.lE c rim s ) por tratarse de “ lesión corporal” , conside­
Program a de Prevención y Reducción de la Violência D om éstica y de G ênero, rada una infracción menor. Las penas alternativas dispensadas a ellos acaban
para estimular, con eso, la identificación de las víctim as de la violência que toda­ en un acatam iento form ular, com o, por ejem plo, la entrega de un núm ero de
via sufren en el aislam iento, por m edio de m odelos positivos de superación del cestas básicas de alim entos a la víctim a.
problem a”, así com o “el desarrollo de program as com unitários para alcanzar a las Pero quizás el verdadero term ôm etro de la am bivalência de la ley, que se
fam ilias aisladas por las barreras del silencio y del m iedo” . El entrenam iento del quiere m oderna, contractual, igualitaria, m as perm anece con los pies de barro
personal policial y m édico tam bién está contem plado, y se enfatiza la constante profu n d am en te hincados en el sistem a de estatus que es el gênero, sea el
retroalim entación entre la experiencia en el m ostrador de atención al público y las tratam iento ju ríd ico dado al crim en de violación en el Brasil. De hecho, si la
bases de datos, para perfeccionar cada vez m ás la percepción que se tiene de las violación cruenta, anônim a, callejera, es un crim en de baja incidência cuando se
dem andas y necesidades tanto de las víctim as com o de los profesionales a cargo lo com para con los núm eros relativos de los crím enes de gênero que tienen
de esa atención. En todo el sistem a, q..e tam bién prevé la atención a hom bres lugar en el âm bito dom éstico entre personas que m antienen lazos de fam ilia
agresores, el factor inform ación es considerado central. -estim ad o s en aproxim adam ente 70% del total de los crím enes de gênero en las
proyecciones m undiales y tam bién en las b rasilen as-, por varias razones y en
relación con varios tem as este tipo de violación m ás espectacular y más próxi­
M oralidad y legalidad: una relación contradictoria m a a la concepción de lo que es un crim en desde la perspectiva del sentido
com ún revela, cuando es exam inada de cerca, m uchos de los elem entos consti­
Sin em bargo, y a pesar de todas estas m edidas, lo que vem os es una ley, un tutivos de la econom ia violenta propia de la estructura de gênero.
contrato jurídico que, inexorablem ente, se deja infiltrar por el código de estatus L a ley brasilena considera form alm ente crim en de violación - e n portu­
de la m oral, una m odernidad vulnerable a la tradición patriarcal sobre cuyo guês: estupro- a la conjunción carnal con penetración vaginal, e incorpora
suelo se asienta y con la cual perm anece en tensión. todas las otras form as de violación no genitales, com o el coito oral o anal
El turism o sexual, la explotación sexual de m enores, los asesinatos de forzado, a la fig u ra ju ríd ic a de a tentado violento al pu d o r. Al optar por este
foco en su acto de nom inación, la ley revela, una vez m ás, que vela por el En este sentido, para m uchos, en lugar de un crim en, la violación consti­
patrim onio y la herencia fam iliar, que pasan a través dei cuerpo fem enino, y no tuye una punición, y el violador, en lugar de un crim inal, m uchas veces se
p o r la persona de la m ujer agredida. En consonancia con esto, en el Código percibe a sí m ism o com o un m oralizador o un vengador de la m oral. Un entrevis­
Penal brasileno la violación y el atentado violento al pudor son crím enes con­ tado nos dijo, de form a paradigm ática: “ solam ente la m ujer creyente (aqui en el
tra las costum bres y no crím enes contra la persona. Se com prueba aqui, en el sentido de evangélica) es decente” , queriendo decir, en el contexto en el que
discurso legal, la condición de la m ujer com o estatus-objeto, estatus-instru- hablaba, que “ solam ente es crim en violar una m ujer ev an g élica” . Lejos de ser
m ento dei linaje y de la herencia, estatus-dependiente y vinculado a la honra una anom alia, este ejem plo nos hace una revelación paradigm ática que contra-
m asculina. La ley tradicional dei estatus se infiltra en la ley m oderna dei contra­ dice frontalm ente lo que pensam os que, a partir de una m irada de sentido
to jurídico. com ún, es la relación entre la m oral y la ley. A lguien cuyo ju ic io m oral recae
Sólo para m ostrar que esta tensión entre el sistem a de estatus y el de sobre la m ujer con total severidad es el m ism o que com ete lo que, en el lenguaje
contrato está inscripta tam bién en los discursos de otras latitudes sobre la ju ríd ico dei Brasil, es un crim en hediondo.
violación, vale la pena recordar la definición am pliada, inclusiva, que utilizan en La m oral tradicional recubre a la m ujer de una sospecha que el violador no
sus acusaciones de violación las prostitutas de Londres. R elata Sophie D ay en consigue soportar, pues esa sospecha revierte sobre él y sobre su incapacidad
su artículo sobre el tem a que la violência física o la am enaza de violência es de gozar dei derecho viril de ejercer el control m oral sobre una m ujer genérica
clasificada ju n to con la infracción dei contrato de servicio acordado (Day, 1994). - n o precisam ente aquella que tiene m aterialm ente al alcance de la m ano a la
Así, si el cliente retira el preservativo sin consentim iento previo, no paga lo hora de su c rim e n - que se m anifiesta cada dia m ás autônom a y m ás irreverente
convenido, paga con un cheque sin fondo o im pone prácticas no acordadas con relación al sistem a de estatus en cu y o nom bre m uchos violadores raciona-
previam ente en el m om ento de contratar el servicio, todas estas form as de lizan su acto. El desacato de esa m ujer genérica, indivíduo m oderno, ciudadana
ruptura dei contrato son clasificadas com o rape -v io la c ió n - por las trabajado- autônom a, castra al violador, que restaura el poder m asculino y su moral viril en
ras sexuales londinenses. Se senala, así, la ruptura dei contrato por la reem er- el sistem a colocándola en su lugar relativo m ediante el acto crim inal que com e­
gencia de una ley previa, de un derecho que se presenta com o preexistente y te. Ésa es la econom ia sim bólica de la violación com o crim en m oralizador,
que autoriza la dom inación m asculina, anclada en la relación de estatus consti­ aunque ilegal.
tutiva dei gênero tal com o la m oral y Ia costum bre lo reconocen. E sta relación
entre posiciones jerárq u icam en te ordenadas desconoce - y p o sib lem en te siem ­
p r e d esco n o c erá - la ley igualitaria dei contrato, en cualquiera de sus form as, D erechos hum anos de las m ujeres y derechos hum anos
sea la de com pra-venta de un servicio sexual o la de un acuerdo de m utuo de los pueblos: una relación tensa
respeto entre los ciudadanos de una nación m oderna. Se trata, com o Carole
Patem an argum enta en su sem inal obra E l contrato sexual, de dos regím enes Esto nos lleva al últim o tem a que m e pareció oportuno traer aqui, com o parte de
irreductibles, en que uno se perpetua a la som bra y en las grietas dei otro este esbozo m uy sucinto de m is ideas. A unque pueda parecer contradictorio, y
(Pateman, 1988). es ju stam en te ese efecto de perplejidad lo que deseo producir, la posición de la
Es nuevam ente el crim en de violación o, m ás exaetam ente, la figura dei mujer, o, m ás exaetam ente, su sum isión, es y siem pre lo ha sido el índice por
violador la que introduce la m ayor perplejidad cuando en sus enunciados com - excelencia de la dignidad de un pueblo.
probam os la extrana contradicción entre m oralidad y legalidad. En el discurso Para ilustrar esta com pleja form ulación recurro a una frase dei gran inte­
de los violadores, tal com o Io recogim os con un equipo de estudiantes de la lectual negro estadounidense W. E. B. Du Bois que m e parece paradigm ática
U niversidad de B rasilia, m uchos de ellos se revelaron com o los m ás m oralistas dei callejón sin salida que se instala entre la aspiración libertaria de las m ujeres
de los hom bres. En sus relatos, la violación em erge com o un acto disciplinadòr y la m oralidad de los pueblos: “Le perdonaré m uchas cosas al Sur blanco en el
y vengador contra una m ujer genéricam ente abordada. Un acto que se am para dia dei ju icio final: le perdonaré su esclavitud, porque la esclavitud es un viejo
en el m andato de punir y retirarle su vitalidad a una m ujer percibida com o hábito dei m undo; le perdonaré su lucha por una bien perdida causa, y por
desacatando y abandonando la posición a ella destinada en el sistem a de esta­ recordar esa lucha con tiernas lágrim as; le perdonaré lo que llam an ‘orgullo de
tus de la m oral tradicional. la ra z a ’, la pasión por su sangre caliente, y hasta su querido, viejo y risible
esnobism o y pose; pero una cosa no les perdonaré nunca, ni en este m undo ni contem plasen por prim era vez acciones afirm ativas para las m ujeres indígenas,
en el que viene: su insulto lascivo, continuado y persistente a las m ujeres en todo m om ento las vi hesitar, deliberar, retroceder y sacrificar denuncias y
negras, a quienes buscó y busca prostituir para su lujuria” (D ubois, 1969, p. reivindicaciones posibles por tem or a fragilizar la unidad de las sociedades de
172). E ncontré esta reveladora sentencia revisitada en un texto reciente de las que form an p a rte -la s m ujeres se m ostraron divididas entre dos lealtades: la
Paulette P ierce y B rackette W illiam s, cuyo com entário senala la m anera en que lealtad de gênero y la lealtad al grupo étn ico -, Y este tipo de lógica se repitió
el autor entiende que la “civilización depende de la cualidad de las m ujeres de con regularidad, haciendo posible concluir una lección im portante, que aqui
una nación o raza” (Pierce y W illiam s, 1996, pp. 194-195) y, por lo tanto, sólo la apunto m uy sucintam ente: que los conjuntos de derechos, desafortunadam en­
refo rm a y la dom esticación de las m ujeres puede redim ir a to d a la raza. Es por te, no se sum an, sino que se encuentran en tensión, y que esta tensión es
eso que en la refundación contem porânea de la nación de Islam en los Estados irreductible.
U nidos po r parte del poderoso líder negro Farrakhan la redom esticación de Ia El derecho de las m ujeres de los pueblos indígenas es un paradigm a de
m ujer negra, su sum isión y su internación com pulsiva en las tareas específicas estas dificultades m últiples. D espués de iniciado el período de contacto inten­
del papel fem enino tradicional es un trazo dom inante de la com unidad. so con la sociedad nacional, la m ujer indígena pasa a padecer todos los pro b le­
Es en el cuerpo fem enino y en su control por parte de la com unidad que mas y desventajas de la m ujer Occidental, m ás uno: el im perativo inapelable e
los grupos étnicos inscriben su m arca de cohesión. H ay un equilíbrio y una innegociable de lealtad al pueblo al que pertenece por el carácter vulnerable de
proporcionalidad entre la dignidad, la consistência y la fuerza del grupo y la ese pueblo. La m ujer blanca, Occidental, puede em bestir con las consignas
subordinación fem enina. A utoras negras norteam ericanas com o bell hooks y la fem inistas contra el hom bre blanco, que se encuentra en la cúspide d e la pirâm i­
antes citada B rackette W illiam s han sido pioneras en la denuncia de esta es­ de social, pero la m ujer indígena no puede hacerlo, a riesgo de fragm entar el
tructura: la m oral del grupo es severam ente dependiente de la sujeción de la frente de lucha que considera principal: la lucha por la defensa de los derechos
m ujer, y es aqui donde reside uno de los obstáculos m ás difíciles para la ley étnicos. Si reclam an sus derechos basados en el orden individualista, parecen
m od erna en su intento por garantizar la autonom ia fem enina y la igualdad. La am enazar la perm anencia de los derechos colectivos en los cuales se asienta el
liberalidad de la m ujer en el sistem a m oral tradicional basado en el estatus derecho com unitário a la tierra y una econom ia de base dom éstica que depende
castra al hom bre y provoca la fragilidad del grupo. C om probam os esa m ecânica de la contraprestación de gênero, en una división sexual del trabajo de corte
u n a y otra vez. tradicional. Eso tam bién fragiliza las reivindicaciones de las m ujeres indígenas
U na autora norteam ericana de la década de 1940, Ruth Landes, percibía y y la legitim idad de sus reclam os por derechos individuales, que son, por defini-
senalaba ya entonces este curioso im passe, absurdo cuando es pensado desde ción y por naturaleza, “universales”, y cuyos pleitos se dirigen a los fueros de
la p erspectiva de la legalidad m oderna, pero verosím il cuando es abordado a derecho estatal y de derecho internacional, yendo más allá de la ju risp ru d ên cia
partir de una em otividad con raíces todavia profundas en la m oralidad tradicio­ tradicional del grupo étnico.
nal. Ruth L andes decía que en un régim en com o la esclavitud, así com o en todo Un caso clásico de repercusión m undial que puede ser citado para ilustrar
sistem a resultante de una confrontación bélica, son los hom bres del pueblo el im passe entre los derechos hum anos de las m ujeres y el derecho consuetudi-
vencido los grandes perdedores, m ientras que las m ujeres se liberan con la nario de los pueblos es el de la escisión genital fem enina —tam bién llam ada
ru p tu ra de los vínculos patriarcales tradicionales (Landes, 1953). “m utilación genital”-p ra c tic a d a en los países del Á frica islam izada. Se percibe
^.Cuál es la consecuencia de todo esto en nuestros dias, en que lucham os allí claram ente la tensión entre una práctica que victim iza y perjudica la salud de
por la igualdad de los gêneros y la erradicación de la violência que desde la m u jer pero que, por otro lado, da origen a una m arca corporal diacrítica
siem pre organiza el sistem a de estatus? La consecuencia es que, cuando llega fundam ental de la pertenencia al grupo. E sta tensión paradójica entre lo que es
con la cartilla de los derechos hum anos a los grupos étnicos, sea el m ovim iento bueno para el grupo y lo que es bueno para la m ujer y sus consecuencias fue
negro o las sociedades indígenas, el m ovim iento fem inista Occidental se en­ explorada en la novela P o ssessin g the Secret o fJ o y , de la escritora negra esta-
cuentra con una frontera intransponible. Tuve esa experiencia m ás de un a vez. dounidense A lice W alker (1992). M ucho se ha escrito sobre la paradoja de
R ecientem ente, a fines de 2002, po r ejem plo, en ocasión de ser invitada por la derechos que el caso de la escisión genital fem enina representa (véase, por
Fundación N acional del In d io p a ra tra b a ja rju n to a 4 1 líderes indígenas fem eni- ejem plo, el exam en de la tensión entre los intereses del grupo y los intereses de
nas de todo el Brasil en la form ulación de una serie de políticas públicas que la m u jer en Babatunde, 1998, y D iniz, 2001), y es tam bién digno de nota y de

140 141
reflexión la utilización subrepticia que se le da en E uropa para, a través de la guerrero y territorial. El cuerpo de las m ujeres, en el sistem a de estatus, com o
dem onización de su práctica, consolidar los estereotipos “alterofóbicos” con m uestran las violaciones que acom panan la ocupación de un territorio en las
respecto a los inm igrantes africanos y a los m usulm anes (Á lvarez D egregori guerras p rem odem as y tam bién en las m odernas, es parte indisociable de una
2002 ). ’ noción ancestral de territorio, que vuelve, una y otra vez, a infiltrarse intrusiva-
La solución habitual de los antropólogos, que recurrim os frecuentem ente m ente en el texto y en la p ráctica de la ley.
al relativism o de form a un tanto im pensada y sim plista, no es suficiente. En
nu estra práctica, en general, no vam os m ás allá dei relativism o aplicado a los
pueblos, colocando en foco la diferencia de las visiones dei m undo de cada D erechos, publicidad e historia
cultura. Con lo cual no divisam os lap arcia lid a d de puntos de vista y de grupos
de interés en el interior de esos pueblos, lo que caracteriza sin excepción Sin em bargo, es necesario introducir aqui una últim a torsión en el argum ento
relatividades internas que introducen fisuras en el consenso m onolítico de para que se advierta que, a pesar de los aspectos negativos anotados respecto
valores que a m enudo atribuím os a las sociedades sim ples. Por pequena que la de la ineptitud de la esfera dei contrato - q u e se concretiza en la le y - para aranar
aldea sea, siem pre habrá en ella disensión y grupos de interés. Sin em bargo, la la esfera dei estatus -q u e se realiza en la trad ició n -, legislar es sin em bargo
contrarregla aqui reside en que enfatizar estos relativism os internos y enfatizar necesario si tom am os en cuenta otras form as de eficacia de la ley, subproduc-
las perspectivas y las voluntades diversas dentro dei m ism o lleva, peligrosa- tos m ás interesantes quizá que su productividad estricta de cláusulas destina­
m ente —com o fue dei conocim iento de los colonizadores britânicos y saben das a orientar positivam ente las sentencias de los jueces.
todos los im p ério s-, a su debilitam iento, provocando la fragilidad de sus inte- L a ley contribuye de otras form as a la transform ación de las posiciones y
reses com unes y de su unidad en la resistencia y en la lucha política. D ecidir subjetividades de gênero. Podem os entender la cultura com o un conjunto de
entre esas alternativas no es una cuestión sim ple, y todas las consecuencias chips que nos program an, pero no de form a autom ática y necesaria, ya que así
deben ser ponderadas y sopesadas detalladam ente para cada coyuntura h istó ­ com o fueron instalados - p o r la costum bre, por la exposición a las prim eras
rica. A qui no hay lugar para una ciência que dé la espalda a la política dei escenas de la vida fa m ilia r-ta m b ié n pueden, por lo m enos teoricam ente, ser
bienestar general y a la ética de la beneficencia, ni para decisiones que pongan desinstalados. E sto se debe a que el ser hum ano posee la característica de la
en riesgo la sobrevivencia a largo plazo de la m ayor variedad posible de solu­ reflexividad: puede identificar sus propios chips y puede evaluarlos, juzg arlo s
ciones societarias. A m bos deseos, sin em bargo, se encuentran frecuentem ente éticam ente y desaprobarlos. Le ley contribuye a ese largo y esforzado propósi­
en tensión. to de la reflexividad, e instala un a nueva, distinta, referencia m oral, y quién
L legam os, por lo tanto, a la com probación de que, desgraciadam ente y al sabe, un dia, ella pueda representar la m oralidad dom inante. Si ese dia aún no
contrario de lo que podría pensarse, los derechos no se sum an ni se com pletan ha llegado es porque depende no solam ente de la dem ocratización dei acceso a
en un repertorio pacífico de norm as acum ulativas. M uy por el contrario, se los recursos -m ateriales y ju ríd ic o s - y a las profesiones, sino de una reform a
encuentran en una articulación tensa y contradictoria. La pregunta que surge p rofunda de los afectos. Por eso, el efecto dei derecho no es lineal ni causai,
es: ic o m o las m ujeres de los otros pueblos pueden luchar por sus derechos sin pero depende de su capacidad de ir form ando y consolidando un nuevo e
que eso perjudique su lucha por los derechos colectivos de sus grupos -y , en igualitario am biente moral.
algunos casos, incluso, por los intereses dei conjunto de una nación en una Es posible identificar algunos de los procesos a través de los cuales
lucha antiim perialista—sin que esto sea lesivo para la cohesión de los m ism os? consigue ese im pacto y esa eficacia. En prim er lugar, la ley nom ina, da nom bres
a las prácticas y a Ias experiencias deseables y no deseables para una sociedad.
En síntesis, así com o los derechos de los pueblos (o grupos étnicos) están en En ese sentido, el aspecto m ás interesante de la ley es que constituye un
tensión con los derechos de la nación respecto de su soberania y de su unidad, sistem a de nom bres. Los nom bres, una vez conocidos, pueden ser acatados o
los derechos hum anos de las m ujeres son percibidos desde la perspectiva de la debatidos. Sin sim bolización no hay reflexión, y sin reflexión no hay transfor­
m oral tradicional y dei sistem a de estatus com o hallándose en contradicción y m ación: el sujeto no puede trabajar sobre su subjetividad sino a partir de una
en tensión irresoluble con los derechos étnicos dei pueblo, en su unidad y su im agen que obtiene de sí m ism o. El discurso de la ley es uno de estos sistem as
soberania, casi siem pre em blem atizados en la figura de un derecho m asculino, de representación que describen el m undo tal com o es y prescriben cóm o debe-

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ría ser, por lo m enos desde el punto de vista de los legisladores electos. BI mesticidad, m oralidad y honor que reproduce el orden de estatus, en el cual el
sujeto tiene la oportunidad de reconocerse e identificar aspectos de su m undo hom bre debe ejercer su dom inio y lucir su prestigio ante sus pares. Ser capaz de
en los nom bres que la ley le coloca a disposición, puede acatar lo que ella indica realizar esa exacción de tributo es el prerrequisito im prescindible para participar
com o fallas y convenir en sus propósitos, o puede rebatirlos en el cam po de la com petición entre iguales con que se disena el m undo de la m asculinidad.
político a partir de un sentim iento ético disidente y hasta desobediente. Pero se Es en la capacidad de dom inar y de exhibir prestigio donde se asienta la subjeti-
establece así una dinâm ica de producción de m oralidad y de desestabilización vidad de los hom bres y es en esa posición jerárquica, que llam am os “ m asculini­
del m undo com o paisaje natural. dad”, donde su sentido de identidad y hum anidad se encuentran entram ados. La
La form ulación de la ley previene el anclaje de los sujetos sociales en prác- estructura de los rituales de iniciación m asculina y los m itos de creación hablan
ticas prescriptas com o inm utables. A través de la producción de leyes y de la universalm ente de esta econom ia de poder basada en la conquista del estatus
conciencia p or parte de los ciudadanos de que las leyes se originan en un m ovi­ m asculino m ediante la expurgación de la mujer, su contención en el nicho restric-
m iento constante de creación y form ulación, la historia deja de ser un escenario to de la posición que la m oral tradicional le destina y el exorcism o de lo fem enino
fijo y preestablecido, un dato de la naturaleza, y el m undo pasa a ser reconocido en la vida política del grupo y dentro m ism o de la psique de los hombres.
com o un cam po en disputa, una realidad relativa, mutable, plenam ente histórica. E ntre tanto, la posición am bivalente de la m ujer com o un térm ino que
É ste es el verdadero golpe en el orden de estatus. Esa conciencia desnaturaliza- participa de ese ciclo, de esa econom ia sim bólica, p ero que tam bién se rehace
dora del orden vigente es la única fuerza que lo desestabiliza. Los protagonistas constantem ente com o sujeto social y psíquico diferenciado capaz de autono­
del dram a del gênero dejan de verse com o sujetos inertes en un paisaje inerte, m ia, hacen con que un a parte de ella se adapte a la posición que le es atribuida,
com o sujetos fuera de la historia. Sujetos a quienes el tiem po no implica en la m ientras perm anece un resto que no cabe enteram ente en su papel en el orden
responsabilidad de la transform ación y cuya conciencia excluye ia posibilidad de de estatus, un algq a m ás, una agencia libre, un deseo otro que no es el de la
decidir y optar entre alternativas, prisionera de u n a “ naturaleza-esencia-otro” , de sum isión. L a m ujer es, en este sentido, una posición híbrida, un anfíbio del
un program a inexorable percibido com o biológico y, por tanto, inevitable. “This orden de estatus y del orden del contrato, con una inserción doble en el sistem a
is the sound o f inevitability” - éste es el sonido de la inevitabilidad- le dice uno total de relaciones.
de los carceleros de la M atrix a N eo, el héroe desestabilizador de la poderosa L a falta de correspondencia entre las posiciones y las subjetividades den­
virtualidad percibida com o realidad para el beneficio de las m áquinas. Lo que tro de ese sistem a articulado pero no enteram ente consistente produce y repro­
tenem os que producir, sin descanso, son las senales de la evitabilidad. duce un m undo violento. Ese efecto violento resulta del m andato moral y morali-
P ara ello hay una condición indispensable: la m ediatización de los dere­ zador de reducir y aprisionar a la m ujer en su posición subordinada,por todos los
chos. La visibilidad de los derechos construye, persuasivam ente, la ju risd ic- m ediosposibles, recurriendo a la violência sexual, psicológica y física, o mante-
ción. El derecho es retórico por naturaleza, pero la retórica depende de los niendo la violência estructural del orden social y econôm ico en lo que hoy los
canales de difusión, necesita de publicidad. Es necesario que la propaganda y especialistas ya están describiendo com o la “ fem inización de la pobreza” .5
los m edios de com unicación en general trabajen en favor de la evitabilidad, y É sta es tam bién la célula violenta que se adivina en el fondo de to d a
no en su contra. relación de p o d er entre térm inos clasificados com o estatus diferentes, sea por

U na palabra sobre estructuras 5 “ [...] ocurre hoy un fenômeno mundial denominado internacionalmente de
feminización de la pobreza. Eso quiere decir que, en el con junto de un millón y quinientas
mil (1.500.000) personas que viven con un dólar o menos por dia, la mayoría está
De form a m uy sucinta, mi apuesta es que u na de las estructuras elem entales de
constituída por mujeres. En todo el mundo, según datos de la o n u divulgados en el
la vio lência reside en la tensión constitutiva e irreductible entre el sistem a de encuentro mundial Pequín +5, de evaluación de los cinco anos del iv Congreso Mundial
estatus y el sistem a de contrato. A m bos correlativos y coetáneos en el últim o sobre la Mujer, las mujeres ganan poco más de la mitad de lo que reciben los hombres. O
tram o de la larga prehistoria patriarcal de la hum anidad. sea, la pobreza, en el mundo, afectamás a las mujeres, y los efectos negativos del proceso
El sistem a de estatus se basa en la usurpación o exacción del poder fem eni­ de globalización de la economia repercuten desproporcionalmente sobre ellas” ( a g e n d e .
no por parte de los hom bres. Esa exacción garantiza el tributo de sum isión, do- 2002, p. 53).

144 145
la m arca de raza, etnicidad, nacionalidad, región o cualquier inscripción que Bibliografia
opere en el tipo de estructura de relaciones que llam am os hoy de colonialidad.
agende (A ções em G ênero, C idadania e D esenvolvim ento) (2002), D ereitos
Es esta célula de usurpación y resistencia basada en una costum bre que llam a­
H um anos das M ulheres... em outras palavras. Su b síd io s p a r a capacitação
m os de “m o ral”, con raíces y dinâm icas patriarcales, la que se reproduce y
legal de m ulheres e organizações, B rasilia, a g e n d e , s e d i m (Secretaria de E sta­
p ro lifera en las econom ias de poder donde el estatus se infiltra en el contrato y
do dos D ireitos da M ulher), u n i f e m (Fundo de D esenvolvim ento das N ações
en la ley ciudadana.
U nidas para a M ulher).
Por lo tanto, es posible afirm ar que el sistem a no se reproduce autom áti-
cam ente ni está predeterm inado a reproducirse com o consecuencia de una ley — (A ções em G ênero, C idadania e D esenvolvim ento) (2003a), O B rasil e a
natural, sino que lo hace m ediante un repetitivo ciclo de violência, en su esfuer- C onvenção sobre a E lim inação de Todas as Form as de D iscrim inação contra
zo por la restauración constante de la econom ia sim bólica que estructuralm ente a Mulher. D ocum ento do M ovim ento de M ulheres p a ra o cum prim ento da
o rganiza la relación entre los estatus relativos de poder y subordinación rep re­ C onvenção sobre a E lim inação de Todas as F orm as de D iscrim inação contra
sentados por el hom bre y la m ujer com o iconos de las posiciones m asculina y a M ulher — c e d a w p e lo E stado Brasileiro: P ropostas e R ecom endações, Bra­
fem enina así com o de todas sus transposiciones en el espacio jerárquico global. silia, a g e n d e , Fundação Ford, u n i f e m .

— (Ações em Gênero, C idadania e D esenvolvim ento) (2003b), “Lançam ento do


E ncom io de los hom bres en la lucha antisexista R elatório do M ovim ento de M ulheres sobre a c e d a w ” , B oletim E letrônico No
y de los blancos en la lucha antirracista 3/2003, Os D ireitos das M ulheres N ão São F a cu lta tivo s, B rasilia, a g i - n m 10
de junio.
Confieso que m e sorprendí cuando supe que el ju e z B altasar G arzón, un inter-
— (Ações em Gênero, Cidadania e D esenvolvim ento) (2003 c), “ M onitorando a
nacio nalista que transita el espacio público m undial a tiem po com pleto por
2 9 a. Sessão do C om itê c e d a w (parte i). A reunião do Com itê da c e d a w com as
vocación, se ocupaba tam bién de la violência de gênero. N unca había escucha-
o n g s brasileiras”, B oletim E letrônico N° 05/2003, Os D ireitos das M ulheres
do sobre un caso así, el de un hom bre que se preocupase por lo que sucede en
N ão S ã o F acultativos (edição especial), B rasilia, a g e n d e , 4 d eju lio .
la intim idad de las poco prestigiosas relaciones de gênero aun cuando sus
ocupaciones habituales se encuentran tan distantes en el prestigioso m undo — (A ções em G ênero, C idadania e D esenvolvim ento) (2003d), “Avaliação do
dei internacionalism o. El tiene mi adm iración por esto. T ienen, en Espana, un Relatório O ficial Brasileiro para a c e d a w ” , Brasilia, a g e n d e .
m agistrado con una ética fem inista, una ética sensible al “ otro” , que se deja
to car por su diferencia y po r su sufrim iento. Á lvarez D egregori, M aria C ristina (2002), Sobre la m utilación g en ita lfe m en i­
C reo que ése es el cam ino: que el tem a salga de las m anos exclusivas de na y otros dem onios, Barcelona, U niversitat A utônom a de Barcelona, Publica-
las m ujeres, ya que así com o el racism o debe ser com prendido com o un proble­ cions d ’A n tropologia Cultural.
m a tam bién de los blancos, cuya hum anidad se deteriora y se degrada ante
cada acto racista, el sexism o debe ser reconocido com o un problem a de los B abatunde, E m m anuel (1998), Women s Rights versus Women s Rites: a stitd v o f
hom bres, cuya hum anidad se deteriora y se degrada al ser presionados por la circum cision am ong the K etu Yoruba o f S outh W estern N igéria, N ew Jersey,
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nal de Segurança P ública, cap. 7.
[...] “ No hace lo que yo quiero'’, dijo Laurita sobre su perro, insistiendo
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Entre julio y septiem bre de 1995, acom pané varios debates y conversaciones
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sobre cristianism o y tem as bíblicos en puntos de encuentro de personas intere-
Press.
sadas en debatir el tem a religioso en Internet. Era mi intención utilizar este tem a
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Wishart. cómo una dada tecnologia se imprim e y modifica laexpresión y el carácter mismo
de Ias adhesiones de fe y del enfrentam iento entre credos distintos. Era claro que
Pierce, P aulette y B rackette F. W illiam s (1996), “ ‘A nd Your Prayers Shall Be el tem a de las articulaciones entre relaciones sociales y opciones religiosas se
A nsw ered T hrough the W omb o f a W om an’ Insurgent M asculine R edem ption encontraba aqui en un nuevo am biente, diseílado por una nueva tecnologia. Una
and the N ación o f Islam ” , en W illiam s, B rackette F. (ed.), Women out ofP lace. tecnologia que perm ite la em ergencia o el afíanzam iento de una nueva form a de
The G ender o f A g en cy a n d the R ace o f N ationality, N ueva York y Londres, sociabilidad, de un patrón de intercâm bios que podrá generalizarse y dom inar las
R outledge. relaciones sociales en general, sirviéndoles de modelo.
P ara este análisis de cóm o el m edio construye los sujetos e im pone la
Segato, R ita L aura (2002), Uma A genda de A ções A firm ativas p a ra as m ulheres form a de las relaciones y éstas, a su vez, acaban m odificando el propio univer­
indígenas do Brasil, Série A ntropologia 326, B rasilia, D epartam ento de A ntro­ so tem ático del cual form an parte - e n este caso, Ia re lig ió n - infrinjo, bajo la
pologia da U niversidade de Brasilia/FUNAi/GTZ. influencia del pensam iento teórico contem porâneo y la abertura transdiscipli-
Walker, A lice (1992), P ossessing the Secret o fJ o y , N ueva York, P ocket Books.
* Algunos anos después de publicar la primera versión, en inglês, de este artículo (“ The
economies of desire in virtual space: talking Christianity in the net” , Série A ntropologia
193, Brasilia, Departamento de Antropologia, Universidad de Brasilia, 1995) y un afio más
tarde de que el mismo apareciese en espanol (“ La economía del deseo en el espacio virtual:
conversando sobre cristianismo en el Internet” , en Masferrer Kan. Elio (comp.), iS e c ta s o
iglesias? Viejos o nuevos m ovim ientos religiosos, México, d f , Plaza y Valdez/uNAM. 1998),
Slavoj Zizek (1999) publico, por primera vez, un análisis del papel de la fantasia en el
C yberspace que lo lleva a formulaciones muy semejantes a las mias en este trabajo. En él,
Zizek también hace referencia a la pasividad del Tamagochi, motivo de mi epígrafe, y, al
igual que yo, se pregunta sobre el impacto de las conversaciones por Internet en la forma-
ción edípica del sujeto. Zizek se interroga, de la misma manera en que lo hago yo. sobre si
esta nueva tecnologia tendrá efectos transformadores y nos permitirá superar el impasse
edípico, resultando en nuevas formas de emergencia del sujeto. Las conclusiones de Zizek
en la época de la primera edición de su análisis son un poco más optimistas que las mias.

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n ar que propone, lo que ha sido posiblem ente uno de los tabúes m ás consis­ E xam ino aqui una estructura donde la exhortación al com prom iso con la
tentes y arraigados de las ciências sociales: m e sirvo de conceptos psicoanalí- fe cristiana en general es el centro de la com unicación entre interlocutores
ticos. El psicoanálisis perm ite dejar expuestas algunas de las características aparentem ente m arcados por una relación de alteridad, pero donde la relación
que m e parecen determ inantes dei funcionam iento dei sistem a de relaciones entre las partes se da dentro de u na estructura estrictam ente no jerárq u ica,
que llam am os Internet. Q uiero enfatizar que no hay m étodo sim ple o estructura com o es sabidam ente el caso de Internet. En este m edio, es posible h allar una
transparente a la conciencia. Si deseam os escu d rin ary dejar expuestas caracte­ cantidad de sítios en creciente expansión donde, com o se sabe, encuentros
rísticas insospechadas de los procesos y las transform aciones introducidas m utuam ente consentidos ocurren, im pulsados por la iniciativa individual, deri­
por las nuevas tecnologias en cam pos tan tradicionales com o el de la religión, vada de voluntades y esfuerzos equivalentes, por parte de todos los que parti­
entre otros, debem os arriesgarnos a usar un instrum ental de análisis tan radical cipan. Todos ellos se encuentran a la m ism a “d istancia” (virtual) dei chatting
en su capacidad reveladora y en su potencial crítico cuanto desconcertantes room donde convergen para “conversar” , lo que im plica que la inversión dei
nos parecen las nuevas form as de sociabilidad que com probam os. esfuerzo dem andado de todas y cada una de las partes es prácticam ente idên­
tica. Esto establece, desde el com ienzo, una base igualitaria para el intercâm bio.
Un dato curioso puede servir de guia para la reflexión sobre este univer­
Sites cristian os en el cyberspace so. Existían, en los orígenes dei b ro a d e a stin g virtual, en ju lio de 1995, dos sites
gem elos en la World Wide Web (WWW), em itidos desde el m ism o piso dei mismo
C om o ya argum enté en otra ocasión, considero que es posible acceder a edifício (la oficina dei piso 17 dei G rupo de Ingeniería E lectrónica de la U niver­
una nueva com prensión de lo que son los credos y las adhesiones religiosas en sidad Tecnológica da Delft, H olanda). Podían ser localizados en las direcciones
g eneral ya no desde el punto de vista de su contenido —elhos, preceptos, ele c tró n ic a s: h ttp i/o lt.e t.tu d e lft.n l/fu n /b ib le .h tm l y h ttp :/o lt.e t.tu d e lft.n l/
v a lo re s- en contextos históricos particulares, sino abordándolos en la ruta que fun.picturesZporno.htm l. V ariando solam ente dos palabras en su identificación
recorren dentro de un circuito de trueques. En el caso particular dei cristian is­ (nótese que am bas direcciones se leen igual hasta el térm ino “fim " ), el prim ero
m o, com o en otras religiones expansionistas, esto se torna posible cuando de ellos em itia textos bíblicos y el segundo fotografias pornográficas. A m bos
advertim os que el texto cristiano puede introducirse, com o otros textos, dentro eran organizados por la m ism a persona, que adm inistraba conjuntam ente, des­
de un sistem a de relaciones, independientem ente de las cuestiones doctrina- de el m ism o lugar, “el vil archivo de imágenes digitales dei piso 17” que, citando
rias particulares que le son propias. A dhesiones a uno u otro conjunto de sus propias palabras, “hasta recientem ente, [...] era uno de los sitios m ás con-
ideas, o sea, credos propiam ente dichos, pueden servir com o m oneda circu lan ­ curridos dei m undo”, y tam bién difundia online el texto entero de la Biblia,
te en un sistem a de com unicación. En este sentido, el análisis de la m anera en indexado por tem as. Tam bién divulgaba diariam ente un “tem a bíblico dei dia” .
que circula un determ inado conjunto de creencias puede interesarnos no sólo A unque éstos no eran chat room s sino sitios divulgados a través de la
- ta l com o lo ha hecho h ab itu alm en te- desde el punto de vista de la cosm ología www, m enciono aqui su existencia paralela com o ejemplar, paradigm ática y pre-
o dei sistem a de creencias, sino que, tam bién, puede dejar expuestas e identifi­ m onitoria dei hecho de que am bos ítem s, aunque aparentem ente tan distintos,
cadas m odalidades de relación entre partes, sean éstas personas, com unidades pudieron funcionar com o m oneda circulante de Ia m ism a econom ia, atravesan-
o pueblos enteros. Es éste el tipo de conocim iento o, más exaetam ente, de do circuitos de la m ism a naturaleza, con idêntica “ función” en este sistem a de
desenm ascaram iento de u nam odalidad de relación el que aqui m e interesa. Por trueques. C om o respuesta a un m ensaje que le envié, pidiéndole inform ación
lo tanto, caracterizar la fe o el cosm os que circula entre las partes que dialogan sobre la creación de esos dos sites, Patrick G roeneveld, superando mis expec­
por Internet pierde aqui su acostum brada centralidad en el an álisis.1 tativas m ás fantasiosas, escribió:

1 En otro ensayo analizo la entrada de la Biblia a través dei contacto misionero en


América Latina desde este punto de vista, sugiriendo que, en ese encuentro y como parle tecnológicos dei mundo originário de los misioneros, transformándose a los ojos de sus
dei sistema de trueques que él instaura, la Biblia es transformada en un significante que receptores en un tipo particular de “ cargo" no muy distante al cultivado por los nativos
fetichísticamente remite al paquete completo de las riquezas materiales y los adelantos de las islas dei Pacífico (Segato, 1995).

150 151
Éramos unos pocos entusiastas de la computación explorando nuevas dentemente, pensamos que podemos. Por una razón: los millones de per­
posibilidades de Internet (esto era en 1990, cuando todo era todavia muy sonas online divergen de muchas otras maneras que no en raza, sexo y
nuevo). Tener la Biblia online nos pareció una buena idea (no soy en nacionalidad. No hay unanimidad aqui [...] [pero] unanotable variedad de
absoluto religioso), como también colocar las fotografias (personalmente, culturas online (W olf y Stein, op. cit.).
tampoco me intereso por esas imágenes). Técnicamente no es gran cosa
[en inglês, incurriendo en un lapsus, escribió: “ Technically, it is no big E ncontram os, aqui, indicada, la utopia peculiar de la sociedad voluntaria, en
dear ”, un error significativo que sustituye “ tfea/” por “ dear” , como suge­ lugar del, tam bién peculiar, concepto alternativo de “v illa g lo b al”, usual para
riria Jane Gallop, 1985], y fue increíble ver el “ poder” de Internet con definir este m edio. Tal com o E sther D yson sugirió:
centenares de miles de personas visitándonos (patrick@
moldau.et.tudelft.nl), [...] en el cyberspace, las comunidades son escogidas por los usuários, no
irhpuestas sobre ellos por accidentes de la geografia [...]. La mayor parte
O bservé, entonces, durante tres m eses, los intercâm bios sobre cristianism o de las personas se encuentran presas al país de su nacimiento, mas si a uno
que se dieron en new sgroups, o áreas para m ensajes de la red usenet, d edica­ no le gustan las regias de una comunidad del cyberspace, puede simple­
dos a este tem a. Los new sgroups son organizados por tem a de interés y acce- mente retirarse. Amelo o déjelo. [...] En el cyberspace, podrá ocurrir que
sibles a través del netscape, generalm ente gratis o de bajo precio. A qui, gente se formen nuevas comunidades, libres de las coerciones que causan los
generalm ente afiliada a universidades se encuentra para exponer, de form a con- conflictos en el mundo (1995, p. 27).
siderablem ente exhaustiva, aspectos de su creencia o descreencia. Los n ew s­
g ro u p s perm iten tam bién el acceso a asociados de las redes com erciales, com o En verd ad , lo que se percibe es que el ideal de igualdad radical y de hom oge-
A m erican O nline o Prodigy. Los intercâm bios que prom ueven im plican partici- neid ad in co n tam in ad a d entro de fro n teras estab lecid as p ara cada grupo o
pación dentro de un régim en de diferencia de puntos de vista, y el discurso de so cied ad v o lu n ta ria co n stitu y e, aqui, el horizonte ax iom ático. A lgo no muy
los participantes es m ás extenso y sustantivo que en otros chatroom s, por lo d istan te del ideal de pu reza étnica: quien no sea igual, quien no se sien ta a
que sus posiciones quedan m ás expuestas. Por esta razón, elegi ese tipo de site gusto, puede retirarse, d esafiliarse. El ap aren tem en te sed u cto r y co n vincente
para obtener m aterial para m i análisis. “ám elo o d éjelo ” h ab la de un m undo sin persu asió n y sin rendiciones, un
A parentem ente, “ com o m ás del 85% de la gente o nline son hom bres [...] m undo de b elig eran tes iguales, un a escena de co n flag racio n es entre egos
(y), a pesar de la expansión global de esta tecnologia, la población del aether es todos igualm ente “em p o d erad o s” , todos ig u alm en te con v icto s de sus per-
todavia relativam ente hom ogênea, por lo m enos en térm inos de gênero y raza”, su asio n es, libres en sus cap rich o s de p erm an ecer o partir. Pero tam bién habla
según afirm an G ary W olf y M ichael Stein (1995, pp. 18-20), sobre la base de de un a realid ad estanada, en la que nada, o casi nada, co loca un desafio a la
datos regulares provistos por los editores de la revista B oardw atch.1 La parti- arb itraried ad de sus voluntades.
cipación de las m inorias se restringe a los grupos especializados en cuestiones F recuenté una variedad de n ew sg ro u p s, la m ayoría de ellos correspon-
relativas a m inorias. Tam bién, “no hay duda de que los norteam ericanos predo- diente a las categorias soc. y alt., donde el credo cristiano y la lectura e interpre-
m inan en las áreas que visitam os [...] [en Internet], los norteam ericanos ultrapa- tación de la B iblia era la “m oneda” corriente de los encuentros. H abía, en ese
san m uchas veces el núm ero de las otras nacionalidades” . m o m e n to , tr e s n e w s g r o u p s s o b r e c r is tia n id a d en la je r a r q u í a s o c .:
so c .re lig ió n . ch ristia n , soc. religión. c h ristia n .b ib le -stu d y , y soc. religión.
Una vez precisadas estas demografías online -mayormente masculinas, christian.youth-w ork. El prefijo soc. alude al hecho de que estos grupos se
mayormente norteamericanas, mayormente blancas- ^es posible todavia co ncentran en tem as culturales y de sociabilidad, y la apertura de nuevos
argumentar que se trata de una población diversa? Quién sabe, sorpren- grupos depende de la aceptación y es m ás restrictiva qu e la apertura de nuevos
alt. new sgroups. La conversación en los grupos alt. perm ite un poco m ás de
2 Uno no puede dejar de preguntarse y comentar aqui por qué la “ expansión global” espacio p ara intercam biar inform aciones -c o m p a rtir de form a más concreta
seria el factor que incidiria en la variedad de “gênero y raza” . No son, acaso, también datos sobre las Escrituras, datos históricos o in stitu cio n ales-. Por lo m enos,
norteamericanos los otros en términos de gênero y raza? esto es lo que los autores de A eth er M adness, un m anual técnico de divulga-

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ción sobre Internet, dicen sobre los U senet new sgroups, particularm ente los de H ablando de creencia en el aether space
la categoria s o c .: “Los grupos de la U senet orientados hacia tem as cristianos
ejercen una cierta fascinación, derivada parcialm ente dei hecho de que uno R etratar cóm o el discurso se desarrolla en este m edio no es sencillo. D espués
nunca sabe quién aparecerá po r ellos dejando sus pensam ientos. Los tópicos de descartar varias estrategias etnográficas acabé por creer que es una tarea
abordados en so c.religion.christian y soc.religion.christian.bible-study osci- im posible. Los intercâm bios llenan docenas de hojas im presas de la com puta-
lan entre si los ángeles pueden ser perfectos o si Jesús sufría de em isiones dora, donde laarg u m en tació n a veces es extrem adam ente d etallad a y m inucio­
no ctu rnas” (p. 129). sa y, otras veces, inconexa y entrecortada por extrapolaciones inconsistentes.
Los new sgroups de la je ra rq u ía alt., donde alt. significa “alternativa” , Las extravagancias abundan y m arcan fuertem ente el estilo general de los d iá­
son todavia m ás dinâm icos y generan un tráfico m ás intenso en la U senet logos. Por lo tanto, m e decidi por elaborar un inform e de lo que ocurre y entendi
(aproxim adam ente la m itad, de acuerdo con W olf y Stein, op. cit., p. 248). U na que mi contribución podrá ser evaluar lacalid ad dei diálogo en el “éter” . R eco­
lista incom pleta de los new sgroups para los que los m ensajes argum entativos rro la frontera sutil donde la reflexión es apenas capaz de to car lo em pírico,
son enviados da una idea inicial dei carácter anárquico de este universo- consciente de la im posibilidad de este contacto. Es una experiencia fam iliar
a lt.re lig io n .c h ristia n ; a lt.fa n .je s u s-c h rist; a lt.b ib le .p r o fe c y ; alt.relig io n . para los antropólogos: la percepción va, dolorosam ente, m ucho m ás allá que su
sexuality; y el grupo entero de los grupos alt.chrisnets.*: .a theism ; second- habilidad para inscribir un m undo. Sin em bargo, antes de este intento, no había
com ing.real-soon-now ; .bible; .christianlife; .christnew s; .e th ic s; .philoso- percibido cuánto de una dim ensión com unicativa no-verbal viene en nuestra
p h y ; .prayer; .h yp o crisy;.n u d ism ; .s e x ; .sex.fetish.fat.furry.asian.w atersports; ayuda en las descripciones etnográficas norm ales. En el am biente exclusiva­
.c ry b a b y .m in e .m in e .m in e ; .d in o sa u r; d in o sa u r.b a rn ey; .b ib le -th u m p e rs. m ente verbal dei universo de las relaciones en el usenet, es realm ente difícil
convert.convert.convert;.eucharist.eat-m e.eat-m e.eat-m e; etc. jAlguien incluso describir, relatar con vo z propia. D e cualquier form a, hay, sí, por lo m enos una
introdujo la posibilidad de crear un alt.fuck.the s k u ll.o f je su s\ ventaja en el trabajo dentro de este cam po peculiar: usando las direcciones
A dem ás de esto, frecuentem ente el m ism o m ensaje es sim ultáneam ente electrónicas que m enciono, el lector puede visitar los sites por sus propios
enviado a un conjunto de otros new sgroups y, por lo tanto, el m ism o debate medios.
corta a través de redes dedicadas a discutir tanto fe religiosa y diversidad A lgunos ejem plos de los tópicos m ás populares que surgieron y fueron
cultural com o sexualidad. En estos entrecruzam ientos, las com binaciones van tratados durante el período que acom pané estos sites son: “D id A d a m a n d E v e
desde vincular, reenviándoles el m ism o m ensaje, grupos no tan rem otos com o: have n a ve ls?” [^Tenían om bligo A dán y Eva]; “p ro ve to m e that G o d exists”
talk. origins; alt.blasphem y; alt atheism ; alt.satanism ; alt.pagan con grupos [pruébenm e que D ios existe]; “do atheists exist?" [^existen los ateos?]; ‘f i n d
soc.culture.*, com o .african.am erican; .arabic; .asian.am erican; .jewish; etc.; errors in the B ible” [encuentren errores en la B iblia]; “R om e is afilthy, drunken
y alt.sex.* grupos com o: .sw ingers; .wizards; etc. U n ejem plo típico de este w h o re” [Rom a es una prostituta sucia y borracha]; “catholic bashing" [insul­
caso extrem o fue un m ensaje que encontré ya com o respuesta a un tem a de tando católicos]; “the truth about R om an C atholicism " [la verdad sobre el
conversación iniciado con anterioridad bajo el encabezam iento: “getting fuc- catolocism o rom ano]; “w here does the B ible condem n hom osexuality?” [^dónde
ked in the ass by a germ an shepard”, que atravesó, el 31 de ju lio de 1995, los condena la B iblia Ia hom osexualidad?] y variaciones sobre este asunto; y “ are
n ew sg roups: alt.religion. christian, alt.atheism , alt.sex, alt.sex.m asturbation, w e a li co n tro lled by the rep tilia n sectio n o f our b r a i n . [^estam os todos
alt.tv.mtv, alt.sex.stories.d, alt.sex.sounds, alt.sex.prom, alt.sex.piclures.fem ale, controlados por la cuestión reptil de nuestro cerebro?]. La cuestión sobre los
a lt.se x .b re a st, a lt.se x .sto rie s, a lt.s e x .fe tis h .w a ifs , a lt.s e x .tra n s, alt.sex. om bligos de A dán y Eva, seguida a veces por un escandalizado “ out o f Who ’s
e x h ib itio n ism , a lt.b in a rie s.p ic tu re s. erótica, b e s tia lity , a lt.se x .w a n te d , y b ellies? ” [^.salimos de la panza de quién?], y la m anera en que es tratada me
alt.binaries.pictures.tasteless. O bviam ente, se trata de un caso entre m uchos parece paradigm ática de los intercâm bios propios dei m edio Internet:
de hum or ju v e n il y, por supuesto, m uchos debates que aqui se dan tienen un
carácter m ás formal. -It is written in the christian bible that Adam was the first created man.
Since Adam carne from the christian god, and not from the womb. I am led
to wonder. Did Adam have a navel? And what about Eve, who reportedly
came from Adam’s rib? Get a (new) life. (Signed: Swami Go Beyonda Be-

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yondAnanda.) [- Está escrito en la Biblia cristiana que Adán fue el primer ned meaning that it’s the category and not the individuais that is at risk.
hombre creado. El hecho de que Adán proviene del dios cristíano, y no de un For those who trouble themselves to investigate ali of this, it’s not that
útero, me induce a preguntar: ^Adán tenía ombligo? Eva, quien, según big of a mystery; even the major elements of Christian doctrine become
informan, vino de unacostillade Adán? Consígueteuna (nueva) vida. (Fir­ accessible.
mado: Swami Va Más Allá Más AIlAnanda.)] [ [...] si prestan atención a la lógica del relato, no es realmente tan
difícil de entender. En esa época había solamente dos seres humanos en
Idealm ente, en este tipo de asunto la im aginación corre sin ataduras, y los todo el planeta, lo que significa, naturalmente, que la especie Homo Sa­
contendientes, liberados por com pleto de la obligación de recu rrir a cualquier piens consistia en sólo dos indivíduos. Cualquier cosa que estos dos indi­
evidencia que sustente sus puntos de vista, pueden desplegar todo su poder y víduos hicieran lo hacían en su calidad de especie. El juicio afectaría a
su creatividad argum entativa. U na grandeza para nada, es posible afirm ar, por­ todas las generaciones siguientes, ya que era un juicio sobre toda la espe­
que, aunque el discurso parece dirigido a un “ otro” , ningún grado de hesita- cie -en ese tiempo-. Toda la categoria de los seres humanos fue condena­
ción es ja m á s inoculado en el oponente. Esto, de hecho -m e co rrijo -, no eqüi­ da, lo que implica que es la categoria y no los indivíduos los que corren
vale a la ausência de objetivos del diálogo, no se trata de un “ para nada” , com o riesgo. Para todos aquellos que se preocupan por investigar todo esto no
acabo de afirm ar, m as ju stific a plantearnos la cuestión de a q u ié n se dirige este es un mistério tan grande, hasta los mayores elementos de la doctrina
discurso, a quién desea alcanzar. cristiana se vuelven accesibles.]
En otras palabras, ^se encuentra algún “otro” im aginado en el horizonte
del sujeto que habla? A dem ás, a pesar del hecho que, por m om entos, el texto Las intervenciones son, n atu ralm en te, siem pre abiertam ente form uladas den ­
bíblico parece ju g a r un papel de “ food fo rth o u g h t”, y el discurso se aproxim a tro de la m odalidad de la opinión p ersonal, o esa, del tipo: “yo creo q u e...” ,
al gênero de las teologías populares, lo que resulta es, de cualquier form a y por “ yo sien to ...” , “yo p ien so ...” , “ no puedo acep tar q u e...” . Inev itab lem en te.
las razones que inm ediatam ente analizaré, una situación estancada, inmóvil. N o todo tip o de confro n tació n in g en io sa te rm in a ab ru p tam en te con un colapso
hay m ovim iento ascendente dirigido al esclarecim iento, com o en el diálogo tem p o rário de la com unicación, p ara recom enzar, poco d espués, con ím petu
socrático o en la indagación filosófica autêntica. renovado. A los ojos del o b serv ad o r aten to , nadie se inclina, no hay v en ci­
N o faltan cuestiones im aginativas interrogando la d o ctrina, elab o rad as dos. A sus propios ojos, cad a in telo cu to r deja la aren a victorioso. El largo
p o r los particip an tes con un detalle increíble. Pero, com o se trata de una en fren tam ien to de las alm as b elig eran tes es usu alm en te desm an telad o con
atm osfera radicalm ente no je rá rq u ica , no existe en ella autoridad; p o r lo tanto, frases com o:
tem as que fueron d iscutidos h asta el h artazgo por acad êm ico s y teólogos,
com o, tipicam ente, las polêm icas entre creación y evolución, libre alb ed río y -Oh, so you are not willing to examine the evidence because of some su-
elección divina; la natu raleza del bien y del m al, el carácter ju sto o injusto del perstitious claptrap written some 2500 years ago, and even then it was
pecado o riginal, las pruebas de la ex jstencia de D ios, etc., son revisitados cribbed from even older sources ...!
in g en u am ente y sin respeto a la h isto ria de los argum en to s y a tran sitad o s por [-Oh! Así que ustedes no desean examinar la evidencia por causa de una
esto s d eb a te s. superstición escrita unos 2500 anos atrás y aun acunada en fuentes todavia
más antiguas...!].
[...] if you pay attention to the logic of the account, it’s really not so hard
to grasp. At the time there were only two human beings on the entire -What evidence am I supposed to have that demonstrates that any portion
planet, vvhich means, of course, that the whole species of Homo Sapiens of the Bible is allegorical?
consisted of just two individuais. Whatever these two individuais did was [-^Que evidencia se supone que existe capaz de demostrarme que alguna
as done as a species. It follows, then, that whatever judgement affected parte de la Biblia es alegórica?]
these two-necessarily-included the entire species. The judgement would
affect ali succeeding generations since it was a judgement on the entire
species -at that time-, The whole category of human beings was condem- -This what you have called my beloved savior is biesphemy (sic). and I

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Wish I can stone you to death like what the ancient Jews did. However god
Sa Vengeance is mine!” I ’ll leave it to God to deal with you. O, sobre el carácter arbitrario del pecado original: ",
[ Esto que ustedes llaman mi amado salvador es una blesfemia (sic) yme
gustana lapidarlos hasta la muerte como hacían los antiguos judios Sin - If someone stole a fruit from your tree, you might forgive him. Being
human, you just might get mad as shit and kill him. But, being human, I
u^edT p d'J0 ^ Veng3nZa 68 mía!” Y deJ° ^ Dios ^ encargue de
seriously doubt that you would punish his inocent d e s c e n d a n t s for that
transgression. ...the, humans are more humane than God.
-First of ali, how about wishing you could spell ‘blasphemy’? And please [—Si alguien roba una fruta de tu árbol, podrías perdonarlo. Siendo huma­
do leave it to god. We don’t need any stonings from a True Believer like’ no, podrías simplemente descontrolarte y matarlo. Pero, siendo humano
you.
dudo seriaraente de que fueras capaz de castigar a sus inocentes d e s c e n -
[-En pnmer lugar, qué tal desearte que consigas deletrear ‘blasfêmia’? Y d i e n t e s por esa transgresión... jLos humanos son más humanitarios que

por avor, dejaselo a Dios. No necesitamos ser lapidados por un Verdadero Dios!]
Creyente como vos.]
- Man, however, is quite unlike God. The American Whites, for example,
O,
after chasing the American Reds from their gardens, give neither they nor
-And you are willing to discount the Bible even though it has more “ evi­ their descendants recompense nor recourse, now and for the foreseeable
dence toward authenticity than most of the historical “ discoveries” future.
[-Y estas quenendo descartar la Biblia a pesar de que contienen más “ evi­ [-E1 hombre es, sin embargo, bastante diferente de Dios. Los Blancos Ame­
dencia que apunta a la autenticidad que muchos de los “ descubrimientos” ricanos, por ejemplo, después de expulsar a los Americanos Rojos de sus
historicos.]
jardines, no les dieron recompensa ni derechos, ni a ellos ni a sus descen-
dientes, ni ahora ni en el futuro cercano.]
-Show me one bit of evidence for anything theological in the bible Don’t
come back with historical events. Myths are always based on historical Sobre el m ism o tem a, escuchem os esta queja conclusiva:
accounts to some degree - - but they are still myths because they interject
fantasy alongside the history. SO? I ’m waiting. -Anyhow, you completely ignored my point:
[-Lo que quiero es que me muestren un poco de evidencia relativa a cual- I.AM.NOT.THE.ONE.WHO.ATE.THE.FUCKING.FRUrr!! ! ! ! ! ! !
quier tema teológico en la Biblia. No me vengas con acontecimientos histó­ You say maybe 1would be bad and eat it. b u t t h e f a c t is, i d i d n ’ t ! !!!!
ricos. Los mitos se basan siempre en relatos históricos hasta cierto punto Is God so $#%#$ stupid He can’t tell me from Adam???
pero siguen siendo mitos, porque junto con la historia introducen la fanta­ [- De cualquier forma, no respondiste mi punto:
sia. £Y? Estoy esperando.] y o .n o . s o y . e l . q u e . c o m i ó . l a . f r u t a . d e .m i e r d a ! !!!!

Decís que quien sabe fui maio y la comi. p e r o l a c o s a e s q u e n o l o h i c e ! !!!


- 1see. Your requirement is not for evidence that makes the Bible valid but for ^Acaso Dios es $#%#$ tan estúpido que no puede diferenciar entre mí y
evidence that makes it invalid. You don’t need me for that. Adán???]
[ Ya veo. Lo que pedis no es evidencia que permita validar la Biblia sino
evidencia que la invalide. No creo que me necesites a mí para eso.] O sobre si la hom osexualidad es pecado:

-Ever wonder why it’s so easy for Christians to find new scripture every
3El hecho de que la palabra “ god” o “ dios” , así como otros términos aparezcan a time (condemning homosexual behavior)...while you’r still re-hashing the
fue hecha Y ° traS COn " ^ ^ u l a se debe a que la transcripción dè los diálogos same few lines (absolving it)? It’s because scripture is permeated with
tue hecha tal como aparecen en los chatrooms. usuwiogos
God’s disgust toward homosexuality.

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[òAlguna vez te preguntaste por qué es tan fácil para los cristianos encon­ “Once upon a time there was a police detective who was á Scientific Crea-
trar cada vez más escrituras (que condenen el comportamiento homosexual)... tionist. He used to solve his cases very quickly -b y looking around for a
mientras vos estás todavia recortando las mismas pocas líneas (absolvién- few seconds and saying: T don’t understand this. God must have done it.
dola)? És porque las escrituras están impregnadas dei desagrado de Dios Case closed”
por la homosexualidad.] [“Había una vez un detective de la policia que era un Creacionista Científi­
co. Él solía resolver sus casos muy rápidamente; después de mirar alrededor
- lt’s because scripture is permeated with God’s disgust, period. durante algunos segundos, decía: ‘No entiendo esto. Lo debe haber hecho
To the pure, ali things are pure; to the disgusting, ali things are disgusting. Dios. Caso encerrado’.”]
The God of the Christian scriptures is among the most disgusting of ali
humanity’s creations -John 3.3: “1 tell you the truth, no one can see the kingdom of God unless
[-Es porque las escrituras están impregnadas dei desagrado de Dios, y he is born again”
punto. [-Juan 3.3: “Les digo la verdad, nadie puede ver el reino de Dios a menos
Para los puros, todas las cosas son puras; para los desagradables, todas las que nazca de nuevo”.]
cosas causan desagrado. El Dios de las escrituras cristianas es una de las
invenciones más desagradables de la humanidad.] ‘-You see, the logic goes like this: you, for fun, rip down everything in
which we bigfooters believe. Sort of a trashing of icons."
O sobre las pruebas de la existencia de D ios: [-“Vean, la lógica es la siguiente: ustedes, pordiversión, rasgan todo aquello
en lo que nosotros, los afortunados, creemos. Algo así como la destrucción
- ...my answer to the 'prove to me that God exists’: Do 1 exist? You don’t de los iconos.”]
see me, you don’t hear me, you only have my words...
[-.. .mí respuesta a “probáme que Dios existe”: ^Yo existo? Vos no me ves, Las conversaciones en estos new sgroups reproducen, de form a bastante sim i­
no me escuchás, solamente tenés mis palabras...] lar y repetitiva, los conocidos conflictos entre conjuntos de creencias com unes
en el m undo Occidental. D esde este punto de vista, la com unicación virtual no
-W e have direct evidence that someone vvrote these words and yes you introduce n in g u n a novedad en la escena de las ideas religiosas. Sin em bargo,
could be writing under a false name and technically not exist. This is what ^qué es lo que que lleva a los interlocutores a volver aqui, a este m edio, incan-
happened in the Bible. Men vvrote it and used the pseudonym Moses or sablem ente, con una persistencia tan desproporcionada en relación con los
vvhoever... resultados que obtienen? En otras palabras, si, com o m ostré, las charlas con-
[-Tenemos evidencia directa de que alguien escribió estas palabras y po- ducen ineludiblem ente a im passes irreductibles, un observador no involucra-
drías estar escribiendo con un nombre falso y técnicamente no existir. Eso es do, desinteresado en este tipo de relación, puede legitim am ente preguntarse:
lo que pasó con la Biblia. Los hombres la escribiêron y usaron el seudónimo <-,de dónde se deriva la gratificación, en este ejercicio que consum e tanto tiem po
Moisés o cualquier otro...] y energia? Porque, si por un lado es verdad que lo que presenciam os aqui es ei
usual callejón sin salida a que llegan los puntos de vista en conflicto, perm ane­
Y la siguiente cita final de algunos ejem plos de signatures4 sintetiza el conoci- ce el problem a de por qué el derroche de energias, el esfuerzo renovado de
do im passe sobre el que giran todos los encuentros: volver y volver a un cam po de batalla sin vencedores ni vencidos. ^Qué persi-
guen los oponentes al repetir la experiencia de la cual parecen em erger siem pre
con las m anos vacías?
Seria posible aun preguntarse si estam os frente a algún tipo de juego.
P ero seria un ju e g o sin ganadores m perdedores, cuyo fin es siem pre una
4 Un motto, epígrafe o frase fija de identificación que algunos usuários escriben situación sin salida, la inm ovilidad de las posiciones en conflicto. Un juego
después de su firma, al concluir sus mensajes. donde cada uno de los participantes es un gladiador, un cam peón que exhibe

160
su destreza única y exclusivam ente frente a sus propios ojos, sin jam ás som e-
ble. En la com unicación espontânea cara-a-cara, los individuos raram ente levan-
terla a prueba. De hecho, esta experiencia de im passe, estancam iento, es el tem a
tan cuestiones de fe en am bientes donde puedan ser confrontadas, en contextos
últim o de esta etnografía.
donde una alteridad contundente pueda ser expuesta y sin un árbitro o ju e z
autorizado para m e d iar-en com portam ientosm asivos, com o en m anifestaciones
- To study early Church history... is to cease to be Protestant (Cardinal
o grandes actos públicos, por ejemplo, la m ultitud oblitera la presencia del “otro”-
John Henry Neuman).
. En Internet, aunque el indivíduo está solo y no hay arbitraje,5 el “otro” es un
[Estudiar la historia de la Iglesia de los primeros tiempos... es dejar de ser
“otro” inocuo, inofensivo. Este “otro” que no desafia realm ente, que no ofrece
protestante (cardenal John Henry Neuman).]
riesgo real - y es por eso que se Io puede m altratar al extrem o com o interlocutor-
lleva a sospechar que la alteridad puede ser ilusória y el diálogo inauténtico, y
-T o be regenerated by a sovereign act of the spirit of God is to cease being
que podríam os estar frente a un gênero de discurso autodirigido, circular.
a Roman Catholic.
H asta en los casos en que se llega a un cierto acuerdo, este acuerdo es
[Ser regenerado por un acto soberano del espiritu de Dios es dejar de ser
alcanzado sin que realm ente se avance en los puntos de vista, sin transform a-
católico romano.]
ciones de las respectivas posiciones. En estos casos, los oponentes exhiben,
con orgullo, su habilidad para identificar, form ular y p erm anecer en dolorosas
-You are hostile, and very stupid. Not to mention narrow-minded, you take
paradojas:
everything you read and interpret in word for word. Use your brain if it
isn’t flooded with hatred.
-F o r that matter, I have tried asking several people who believe in “Hell”
[-Sos hostil, y muy estúpido. Por no decir obtuso, entendes todo lo que
exactly who it is that determines that you go there. They seem to hold two
Icés e interpretás palabra por palabra. Usá el cerebro, si no ha sido inundado
contradictory beliefs, but will neither defend nor relinquish either one: 1.
por el odio.]
Satan wants you to go to “Hell” to be his subject. 2. God decides to send
you there as a punishment. Scripture seems to be silent on this one, but
-[and the opponent speaks back with exactly the same words:] -You are
people still like to believe in this combination. Like maybe Satan and Jeho-
hostile, and very stupid. Not to mention narrow-minded, you take everything
va are in some Conspiracy against us.
you rcad and interpret it word for word. Use your brain if it isn’t comple-
[-Sobre ese asunto intente preguntar a varias personas que creen en el
tely flooded with hatred
“Infierno” exaetamente quién es el que determina que uno vaya para allá. Y
[ [y el oponente responde exaetamente con las misinas palabras:] -Sos
ellos parecen tener dos creencias contradictorias, pero ni defienden ni aban-
hostil, y muy estúpido. Por 110 decir obtuso, entendes todo lo que leés e
donan ninguna de las dos: 1. Satán quiere que vayas al "Infierno" para ser su
interpretás palabra por palabra. Usá el cerebro, si no ha sido inundado por
súbdito. 2. Dios decide enviarte allá para que seas castigado. Las escrituras
el odio.]
parecen silenciar esto, pero a las personas les gusta creer en esta combina-
ción. Como que Satán y Jehová están en algún tipo de Conspiración contra
-G od doesn’t hate anyone...you do... proof right there!
nosotros.]
[-Dios no odia a nadie... vos sí... la prueba está ahí.]

-First bubble: Satan and Jehova are the *same being*. They have to be.
- “God” doesn’t hate anyone. Because until you can show, it is anything
Jehovah is supposed to be all-powerful, but he cannot defeat Satan. Con-
more than some character in an old book...
[-“Dios” no odia a nadie. Porque hasta que puedas demostrar lo contrario,
no es más que un personaje en un libro viejo.] 5 En los newsgroups 0 salas de conversación que cuentan con un moderador (en la
mayoría de los que observe, por el hecho de que se trataba de grupos alt., no había
moderador 0 supervisor), el papel de éste consiste simplemente en impedir la entrada de
El cam po religioso surge com o particularm ente adecuado para este tipo de em -
cualquier intruso que no cumpla con la orientación temática del grupo o cuyas expresio-
prendim iento, porque se trata del dom inio prototipico de la creencia incontesta-
nes violen el código de buenas maneras.

162
163
clusion: if he is omnipotent, the only being he can be fighting is himself. [-jM uy conveniente!]
Satan is just a pseudonym that Jehovah takes when he’s feeling his mean
streak. -How Typical!
[-Primera burbuja: Satán y Jehová son el mismo ser. Tienen que serio. Se [-jM uy típico!]
supone que Jehová es todopoderoso, pero no puede vencer a Satán. Con­
clusión: si es omnipotente, el único ser contra quien él puede estar peleando -A s to my claim, I have made some, with explanations that you seem
es él mismo. Satán es sólo un seudónimo que Jehováh usa cuando muestra unwilling to accept because of your bias against theism.
su lado malvado.] [-Sobre mi alegato, he hecho algunos, son explicaciones que vos no querés
aceptar a causa de tus prejuicios contra el teísmo.]
-G od could simple give Me free will, let Me sin ali day and fornicate My
eyes out. And He could s t i l l give Me Heaven and spare Me Hell. You are -N o, it is because you are a deranged raving imbecile.
deceitful when You pretend that He HAS to stick Us in Hell if We screw up. [-No, es por causa de que sos un exaltado imbécil decadente.]
w h y should He h a v e to do that? -Soyou, and others have said. How nice ofyou to notice though.
[-Dios podría simplemente darMe libre albedrío, dejarMe pecar todo el dia [-Así han dicho vos y otros. Qué amables han sido al darse cuenta, sin
y fornicar hasta que se Me salgan los ojos. Y Él podría a ú n a s í darMe el embargo.]
Cielo y evitarMe el Infierno. Vos mentís cuando sugerís que é l t i e n e que
arrojarNos al Infierno si Nosotros jodemos. p o r q u é tendría Él que h a c e r ^Un torneo de chistes? A un aceptando esta posibilidad, seria necesario reco-
eso?] nocer, prim ero, que hay m om entos que no son côm icos en absoluto sino ten ta­
tivas serias de argum entar y, segundo, que la disputa nunca se resuelve. Por lo
N o se trata sim plem ente de un m undo de alm as en desacuerdo, dei tipo que tanto, com o y a cuestioné, ^,por qué el interés reincidente en un ejercicio donde
constituye y configura Ia existencia de una sociedad plural. Es un m undo de no hay progreso? Porque, a p e s a r de la beligerancia, tam poco hay jam ás ex p e­
alm as beligerantes, en conflagración, fijas en victorias ilusórias, ansiosas por rien cia de frustración. El intento, por esto m ism o, no parece fracasar sino ju s ta ­
colocarse unas contra las otras: dom inando, superando, ironizando, destru- m ente alcanzar su objetivo, y a que renovadam ente conduce a nuevos em pren-
yendo al “ otro” , en un proceso sin arbitraje y sin resultados -p arad ó jicam en te, dim ientos dei m ism o tipo. La pregunta cabe: <^qué tipo de ganancia, de gratifica-
en un m undo despojado de pluralidad, donde la m ism a fantasia de dom inación ción, de provecho rinde, que com pense el esfuerzo? Es ju stam en te el hecho de
es com partida por to d o s - que estam os frente a un instrum ento creado de m anera de eludir la experiencia
dei fracaso lo que m e parece que debe ser analizado, y a que no hay realm ente
-D oes being an idiot hurt, boof? I mean. it obviously hurts others; does it experiencia de alteridad sin desafio a nuestras certezas. Es el factor dei “ otro” lo
hurt <you>? que introduce la posibilidad de una derrota y, con ella, de un m ovim iento, de
[_^Ser un idiota hace sufrir, eh? Quiero decir, obviamente hace sufrir a los una historia. iQ u é tipo de retórica es ésta donde no hay un otro que auténtica-
otros; ^.te hace sufrir a <vos>?] m ente m e interpela, donde la posibilidad de la derrota no es contem plada?
A rgum entaré que se trata de la retórica retroalim entadora de la fantasia - la
-A s to whether it hurts to be an idiot, not being one, I vvould have no idea. intocable, sagrada y solipsista fan ta sia -.
I know whom to ask, however: Ted, does it hurt to be an idiot? And likewise,
does it hurt to be a fool?
[-Si hace sufrir ser un idiota, no siendo uno, no tengo la menor idea. Pero <,Hay alguien ahí?
tengo alguien a quien preguntarle: Ted, ^hace sufrir ser un idiota? Y también,
^hace sufrir ser un tonto?] D ado el repertorio estable de contenidos y el perfil previsible, recurrente, de
cada conversación hasta el m om ento en que se interrum pe en un impasse, es
-How convenient! posible interrogarse sobre la estructura existente detrás de los discursos. Se

164 165
trata de una pregunta sobre la econom ía que canaliza estos intercâm bios, inde- es una prótesis, una extensión del cuerpo (cuyo toque produce un p lacer eró­
pendientem ente de la m oneda que circula por ellos. Los artículos del pensa- tico en el usuário), el “otro” del otro lado de la línea es, por definición, la
m iento bíblico son tragados por una ruta a través de la cual otros bienes tam ­ prolongación de un axón y no un ser autônom o - e l “ám elo o d éjelo ” y a citado,
bién circulan y son intercam biados. En otras palabras, la m oneda, aqui y en com binado con el personaje coyuntural y deliberadam ente creado del “otro”,
otros circuitos (véase Segato, op. cit.), es convertible, tiene equivalencias y, hace que éste perezca tan luego ego abandona la escen a-, ’
sobre todo, su v alor de cam bio supera y se sobrepone a su valo r de uso. A dem ás, debido a que la p erso n a del otro lado de la línea se encuentra
También, cuando hablo de econom ía, me refiero particularm ente a cóm o el otro absorbida exaetam ente por el m ism o ju e g o desde una perspectiva idêntica,
ingresa y qué lugar ocupa en el circuito por donde fluyen estos intercâm bios, y tam poco ella puede verdaderam ente relacionarse. C uando lo hace, el cam ino
cóm o el sujeto es construído por estos flujos. que le queda es transform arse en la fantasia ideal de ego, o sea, de su “ otro” .
U n inventario de las estrategias conversacionales registradas en las sa ­ ajustándose y m im etizando lo que ella va percibiendo de esa fantasia. Sin im ­
las de conversación puede servir de guia: los participantes oscilan entre sedu- p o rta re i tem a de que se trate - e n el caso que analizo los tem as bíblicos ocupan
cir y m aravillar a sus interlocutores con cuestiones espirituosas inspiradas en ese lu g a r-, su com portam iento es del m ism o tipo que el de las especialistas en
las ensenanzas bíblicas, por un lado, y dom inarlos por m edio de un despliegue los servicios de sexo p o rteléfo n o (Stone, op. cit., p. 94), y sem ejante tam bién al
de superioridad m oral o argum entativa, por el otro. Todos los participantes, conocido caso del psiquiatra de m ediana edad que fue llevado a transform arse
aunque usando tácticas diferentes según cuál sea la circunstancia, acaban en en una sim pática anciana en silla de ruedas, capaz de dar valiosos consejos “de
un desfile o alarde de su propia im portancia, una especie de exhibicionism o m ujer a m u jer”, después de tran sitar por un grupo fem enino de la red (ibid.,
ostensivo para el cual Internet m uestra ser un m edio fértil. Pero, pase lo que pp. 70 y ss.).
pase, el encantam iento del otro y la conquista siem pre obtienen éxito, lo que El hecho de que el sujeto puede inventar su p ropia im agen en Internet
nos lleva a pensar que se trata de un m edio donde todos y cada uno pueden viene siendo objeto de innum erables com entários y análisis, tanto en textos
protagonizar su sueno de poder - p o d e r argum entativo, p oder hum orístico, acadêm icos com o en revistas de entretenim iento dirigidas al público fem enino.
poder de agresión, da lo m ism o -. G raficam ente, parece com o si el discurso N o se trata sim plem ente de la p osibilidad de vivir una vida plural, de construir
fuera lanzado por el sujeto hacia el “otro” , golpeara en una superfície siem pre una subjetividad plural, m últiples personalidades, en oposición a la concep-
disponible y vacía, y regresara com o una confirm ación. Para el sujeto involu- ción unitaria de la subjetividad que se inscribió con la invención de la im prenta
crado, la superfície ciega y sorda se com porta com o una pantalla donde el al com ienzo de la era m oderna (com o sostiene, por ejem plo, Sherry Turkle,
discurso rebota, regresándose al punto de origen sin sufrir transform aciones; y 1995). M ás que eso, se trata de poder encarnar un cuerpo im aginario cuya única
para el observador, la escena es una B abel -a u n q u e , yo diria, u na Babel de lo m aterialidad es la m aterialidad del texto digitado. Dan testim onio de esto ciertos
mismo: el m ism o discurso, la m ism a ilusión—.A sí, en últim a instancia, se trata de casos, com o aquellos en que el intercâm bio por Internet da lugar a una pasión
un discurso autodirigido, y no de un discurso para otro. am orosa que cu lm in a—y term ina—, al llegar finalm ente el m om ento del encuen­
Por otro lado, no hay aqui un “tú” sino un “ cualquiera que esté ahí” , para tro en un rem oto cuarto de hotel, con el desenm ascaram iento y consecuente
quien ego, libre de constrenim ientos, puede encarnar el personaje que escoge fia s c o por parte de uno de los dos interlocutores de que el otro, a pesar de
para sí mismo. Esto no es nuevo, y fue muy com entado, por ejemplo, en relación haber sim ulado una relación heterosexual, porta, de hecho, una anatom ia igual
con los num erosos casos de personificación de papeles de gênero cruzados o a la suya.
travestism o en Internet, que dieron origen a episodios y m alentendidos bas­ Lo visual -fo rm a , gesto o postura c o rp o ra l- y Io táctil son realizados
tante divulgados por los m edios m asivos de inform ación y analizados por textualm ente. U na guia para principiantes que pretenden experim entar el cyber-
A llucquere Stone (1992,1995). Pero no m e refiero aqui m eram ente a la “m asca­ love nos dice:
rada” o representación de personajes - q u e ocurre tanto en la vida virtual com o
en otros terrenos ordinários o, m ejor, cuya práctica deja al descubierto, en En la vida real, nuestro sentido táctil es extremadamente importante. Es­
todas partes, la virtualidad inherente a toda re a lid a d - Lo que estoy diciendo es timula y aviva todos nuestros otros sentidos. Por lo tanto [...] trae el
que el interlocutor aqui es solam ente una posición, un sitio, la prolongación de toque a tu descripción. Lamer crema chantilly en tus dedos después de
la pantalla. Si el com putador, com o afirm a la autora citada, entre m uchos otros, comprar un sundae para tu cita o pasar una toalla tibia por la cara en un

166 167
restaurante japonês virtual puede ser muy sensual para tu interlocutor on
line. [...]. Experiencias on-line maravillosas pueden resultar de una des- de la form a aparente de los intercâm bios que allí se dan, en este caso particular
cripción detallada de banar a alguien o masajearle la espalda. Y no te teniendo com o m oneda los artículos bíblicos.
olvides de pintarte las unas de los pies y dar una caminata juntos. En N o pasa inadvertido, en m i crítica, el axiom a lacaniano de que nada puede
suma, detente y piensa en los placeres sensuales que experimentas cada ser concebido donde la fantasia no se inscriba (1982, p. 153). Pero Lacan, a
dia [...] y ponlos en palabras en la pantalla de tu computador. Y a medida pesar de su afirm ación de la naturaleza fantasm ática de toda habla, tam bién nos
que conduces a tu amigo on line através de fantasias sensuales maravillo­ dice dei “progreso” dei discurso en el cam ino h acia la verdad:
sas [...] no te olvides de los otros sentidos: olfato, oído y gusto (Warren,
1996, pp. 61-62). [...] el arte dei analista debe ser el de suspender las certezas dei sujeto hasta
que los últimos espejismos se hayan consumido. Y es en el discurso que el
A sí, el “otro” participante puede entrar en la escena no solam ente textualizan- progreso de su resolución debe ser marcada (Lacan, 1977, p. 43).
do su fantasia sino tam bién, y esto es m ás interesante todavia, haciendo ajus­
tes para adaptarse a lo que va percibiendo dei paisaje y a definido de la fantasia Y Freud insistió en la capacidad dei ego para poner la realidad a prueba: “E sta
dei sujeto que se encuentra dei otro lado de la línea. Pasa a inscribirse, m ás y función que orienta al indivíduo en el m undo discrim inando entre lo interior y Io
m ás, en concordancia con esa fantasia, para no detonar el “déjelo” de la ya ex terio r” (Freud, 1963b, p. 161). E sta condición contradictoria dei e g o - q u e es
m encionada regia dem ocrática dei “ ám elo o déjelo” que rige Internet. En los tam bién Ia condición dei psicoanálisis m is m o - es bien caracterizada por Eliza-
ejem plos que proporcioné, independientem ente de lo que hagan, ninguna de beth G rosz (1990). E lla identifica y a en Freud dos concepciones dei ego, que
las fantasias de los interlocutores es jam ás desafiada, y todos los contendien- describe com o un a visión “realista” y otra “n arcisista” de esta agencia (G rosz,
tes dejan el cam po de batalla ilesos. La figura dei “ otro” no excede ja m ás el 1990, p. 24). Lacan, com o G rosz indica, enfatizo m ás la segunda.
estatus de m ero p rerrequisito form al para el funcionam iento dei sistem a, lo que En otras palabras, el fantasm a, aunque teorizado por Lacan com o el nú­
nos perm ite dudar, una vez m ás, de si la célebre m áxim a pragm ática de “to keep cleo histórico de la fantasia o la m atriz fundacional sobre la cual las relaciones
the conversation going” constituye u n a garantia suficiente para la dialogía que le siguen son ineludiblem ente acunadas, es tam bién concebido com o una
autêntica. form ación que debe ser encarada, que es bueno encarar, y cuya percepción
P odría decirse, tam bién, que, de la m ism a m anera que el m onitor de la m arca el fin de la técnica p royectiva que llam am os psicoanálisis. Pero hay más
com putadora sirve com o una pantalla proyectiva para el sujeto, el otro entra en todavia: el proceso de aproxim ación a este vislum bre es constitutivo de un
escena com o el soporte para el espejism o m ediante el cual el deseo dei sujeto desarrollo gradual y progresivo de todas las relaciones auténticam ente dialógi-
puede ser oído. A través de su entrada virtual, ego es autorizado a vivir su cas. Q uizá nadie ha dicho esto m ejor que R icoeur (1974), describiendo el papel
quim era en un proceso m uy sim ilar al de la transferencia psicoanalítica. El ano­ dei “otro” en el diálogo terapêutico com o una barrera sobre la cual el discurso
nim ato dei otro y su presencia en som bras cooperan para disenar un am biente debe reb o tar y retornar a nosotros, procesado por nuestra percepción y nues­
analítico. Pero, y esto es lo fundam ental, que carece de dirección y donde no tra sensibilidad a la escucha dei otro, transform ándose en este proceso. De
hay progreso hacia la elucidación de estas circunstancias. C uando el principio m anera tal que som os esclarecidos p o r nu estra apertura a la recepción de nues­
de realidad m antiene un perfil tan bajo, un im pacto tan reducido que nunca tro discurso por el otro o, m ás exaetam ente, por nuestra disposición a percibir
coloca constrenim iento o presión alguna sobre el principio de placer, que dom i­ la percepción dei otro. Un otro, com o u na alteridad contundente, tiene que ser
na absoluto, estam os en el reino de la fantasia. p resupuesto allí, para que nos distanciem os de nuestras afirm aciones y p o d a­
D e cualquier forma, no es m i intención aqui introducir la voz de la censura m os expandir, incesantem ente, nu estra conciencia. Un desplazam iento de la
y mi discurso no es un discurso m oral. M uy por el contrario, aprecio la existen- subjetividad es un prerrequisito de la verdad.
cia de espacios para la fantasia, y creo que lo que ocurre dentro de los lim ites de P or lo tanto, la dialogía autêntica em erge en este decurso com o un térm i­
su confinam iento, cualquiera que sea su naturaleza, puede estar contribuyen- no m edio de negociación entre la im pregnación dei “ otro” con fantasias pro-
do a garantizar la m oralidad fuera de esos lim ites. Lo que intento aqui es desen- y ectivas y su consecuente engolfam iento com o una entidad interna de ego,
m ascarar y explorar la estructura de la econom ia libidinal en Internet por debajo por un lado, y la rendición, de parte dei sujeto, a la persistencia dei interlocutor
com o un a agencia autônom a que no siem pre cum ple con los proyectos que ego

168
169
los intercâm bios cara a cara, lo que im plica que resulta m ás econôm ico acabar
entretiene para ella. Con esto en m ente, el hilo conductor de mi análisis es: <^qué
prescindiendo dei interlocutor com o una realidad separada, externa. A sí, éste
es excepcional y característico en el diálogo que se da en el espacio virtual, aun
pasa a ser sustituido por una im agen enteram ente interna, un doble, un autóm a-
cuando se trate de una tem ática religiosa? Es mi apuesta aqui que, en las char­
ta, a quien puedo seducir, maravillar, destruir intelectualm ente o derrotar m oral­
las anônim as por Internet, el interlocutor es sólo una excusa para representar
m ente según mi deseo. El m onitor es, así, un espejo donde Ia alteridad es sólo
un deseo que se retroalim enta, autosatisfactorio, un ju g u e te protético en las
un espejism o. Se trata de una escena netam ente narcisista.
m anos dei sujeto.
Pero hay m ucho m ás que esto. Stone sugiere correctam ente que se trata
de una transgresión técnicam ente instituída -y , yo agregaria, esperada hace
tie m p o -d e i “envoltorio físico dei cuerpo” (ibid., p. 16), pero quiero llam ar la
El cu erpo ausente
atención hacia otra dim ensión dei cuerpo: su bulto. El m ero bulto, el obstáculo
físico que éste interpone, com o un índice de la alteridad. Tiene que ser un
B iblia o sexo, el tem a tratado es incidental. La econom ia dei m edio im pone su
cuerpo. El, por sí m ism o, es el significante de la otredad por excelencia. Por su
orden. P ara entender esto tenem os que exam inar las consecuencias de la au­
m era p resencia contigua ya im pone un desafio, una incom odidad, un esfuerzo
sência de cuerpo en las relaciones virtuales de la red. Es evidente en Freud la
p ara el sujeto. Su opacidad inm ediata indica, en la com unicación, la posibilidad
im portancia dei ojo en la organización dei deseo. El ojo es la base de todas las
m ism a de la alteridad. El cuerpo dei otro es la encarnación dei principio de
identificaciones (véase, por ejem plo, Freud, 1963a). Lo m ism o es posible decir
realidad, el ancla que to m a la dialogía posible. Es, al m ism o tiem po, un texto,
de la idea lacaniana de lo im aginario com o constituído por objetos im pregna­
pero tam bién una resistencia a ser texto.
dos por fantasias. L a dim ensión visual dei reconocim iento dei otro com o so-
En su libro B odies that Matter, Judith B utler (1993) intenta trascender la
porte para la fantasia es fuerte. La sem ejanza es crucial para actualizar la fanta­
tram pa m etafísica de la separación entre cuerpo y form aciones psíquicas (que
sia en el curso de la interacción social. Sin em bargo, com o A llucquere Stone
incorpora tam bién la oposición naturaleza/cultura) a la cual parece conducir su
bien senala, presenciam os, en este m edio, lo que el pensam iento teórico en el
obra anterior (Butler, 1990), así com o todo el pensam iento fem inista, que es
cam po de la antropologia de gênero ya había, de cierta form a, anticipado: el
em inentem ente antiesencialista. Su búsqueda de un argum ento capaz de dar
carácter incidental de Ia asociación entre la form a dei cuerpo y el conjunto de
cuenta de la presencia dei cuerpo m aterial en la significación es un esfuerzo por
significados a él asignados. En la com unicación virtual, se da una exacerbación
dejar atrás el m arco idealista de las concepciones constructivistas y voluntaris-
de la conciencia de que el cuerpo es construible y constituye, en últim a instan­
tas dei gênero y la itnaginación en general, que tienden a sustentar lo que más
cia, un texto a ser leído. Es verdad, com o esta autora afirm a (1995, pp. 88 y ss.),
arriba describí com o la relación incidental dei cuerpo con su conjunto de signi­
que, en Internet, el desacoplam iento entre cuerpo y persona es finalm ente
ficados. La cuestión es: ^si el cuerpo es solam ente presentificable en la con­
alcanzado, y es tam bién cierto que, com o en otros m edios de estrecha am plitud
ciencia en y a través de la im aginación, en qué consiste y sobre qué tiene
de b a n d a -c ita , com o ejem plos, la radio y los servicios eróticos p o rte lé fo n o - la
incidência su m aterialidad? ^Sobre qué bases continúa siendo "el lugar sin el
im agen visible es sustituida por una im agen verbalm ente descripta. El texto
cual n inguna operación psíquica puede darse” ? ^C óm o es posible que consista
tiene que valer com o sustituto de la presencia corporal.
no m eram ente en "la superfície en blanco o el m edio pasivo sobre el cual la
En el caso particular de las conversaciones sobre tem as bíblicos, el otr.o
p sique actúa, sino, más bien, la dem anda constitutiva que pone en m ovim iento
se form a dei sujeto una im agen concordante con las posiciones que defiende,
la actividad psíquica”? (Butler, 1993, p. 67). Y en el curso de su indagación
basada en experiencias pasadas. Lo que, objetivam ente, le llega al sujeto no
sobre cóm o el cuerpo existe en el lenguaje, cuál es su lugar y papel, B utler nos
m ás que com o puntos de vista y form as de expresarlos pasa a ser personifica­
da una iiave para com prender el fenôm eno de la red:
do, transform ado en un “otro” encarnado m ediante la actualización de expe­
riencias de interlocución pasadas. Pero hay dos im pedim entos para alcanzar el
Las categorias lingüísticas destinadas a "denotar" la materialidad dei cuerpo
establecim iento de una relación auténticam ente dialógica en estas circu n stan ­
son ellas mismas perturbadas por un referente que nunca puede ser resuello
cias: el prim ero, porque las form aciones im aginarias son, por definición, no
o contenido completa o permanentemente por ningún significante. De he­
pasibles de ser som etidas a prueba, desde que el otro lado no ofrece resisten-
cho, ese referente persiste sólo como un tipo dc ausência o perdida, aquello
cia. S egundo, porque requieren de un tiem po m ás largo de procesam iento que

171
170
que el lenguaje no captura pero que, en cambio, impulsa al lenguaje repeti­ irrestaurable, nos rem ite a esa ley o prohibición o rig in a ria - es negada, elim ina­
damente a intentar su captura, su circunscripción -y a fracasar en este da J b r c lu id a . Y la ley m is m a - la propia interdicción que origina y se perpetúa
intento-. Esta perdida toma su lugar en el lenguaje como una llamada o con la fa lta - sufre la m ism a suerte, la m ism a obliteración. Entonces, mi tesis es
demanda insistente que, mientas está en el lenguaje, nunca es completamen­ aqui que, una vez que se asum e com o posible p rescindir de la m aterialidad del
te del lenguaje (ibid.). cuerpo, el sujeto se arriesga a quedar atrapado en su fantasia, a volverse inca­
paz de relacionarse, prisionero de una ficción de com pletud.
La autora nos advierte que, aunque los significantes son m ateriales, la m ateria­ Pero, nuevam ente, no es un discurso m oral lo que pretendo, y necesito
lidad m ism a, el horizonte referencial del habla, no puede ser “colapsado sum a­ enfatizar que, de la m anera que lo entiendo, el déficit dialógico que identifico en
riam ente a una identidad con el lenguaje” y que el horizonte m aterial es lo que Internet no puede ser atribuido a que prescinde de los significados que el
“coloca esta dem anda en y al lenguaje” (ibid., pp. 68-69). Y (.cómo y cuándo el sentido com ún asocia con la form a del cuerpo de m anera indeleble sino con la
establecim iento de esta contigüidad, transm utación e im pregnación de psique necesid ad de un horizonte referencial que se encuentre fuera del lenguaje,
y cuerpo tiene lugar? La clave de esta relación entre fantasia y cuerpo es ju stam en te para senalar los lim ites del lenguaje, y con esto los lim ites del poder
claram ente la pérdida original del cuerpo m aterno, que inaugura el habla: “el del sujeto.
lenguaje [...] carga la huella de esta pérdida [...], es la m aterialidad de ese (otro) Tres consecuencias interconectadas pueden ser identificadas a p artir de
cuerpo que es fantasm áticam ente re-invocada en la m aterialidad de los sonidos la abolición del obstáculo del cuerpo en la com unicación virtual. T rataré de
significantes” . ex am inadas brevem ente: la anulación de la división interna del sujeto, la anula-
D esarroilando el argum ento, es posible decir que la pérdida del cuerpo ción del Tercero o principio de la ley social, y la anulación de los otros. R esulta
m aterno es una experiencia fundacional y, sim ultáneam ente, una experiencia con esto el agrandam iento p atológico del ego.
constantem ente presente. L a f a lta - la cual, com o vim os, fue sentida com o falta
del (propio) c u e rp o - es lo que está estructuralm ente allí, en el núcleo de la A rgum enté que la presencia del cuerpo com o m atéria irreductiblem ente exterior
experiencia de sí, no solam ente por la pérdida originaria sino tam bién por ser al lenguaje actúa com o un recordatorio de la falta inscripta en el sujeto, de su
constantem ente revivida, im puesta una y otra vez sobre el sujeto. La búsqueda falia interior, y actualiza, en la interacción social, la división del sujeto en una
constante por colm ar la falta y la consecuente renovación de la pérdida es un parte que puede inscribirse en el discurso y otra parte que quedó para siem pre
acontecim iento diario, perennem ente reeditado. En este sentido, no es sufi­ ausente de éste. L a obliteración de la m aterialidad del cuerpo en el m edio de
ciente decir que “ la m aterialidad del significante es por lo tanto la repetición Internet perm ite al sujeto hablar com o si estuviera lleno de sí, sim ulando, para
desplazada del cuerpo m aternal perdido” y que “el im pulso referencial del len­ todo propósito, su propia com pletud. Por lo tanto, una “ form a postorgánica de
guaje es retornar a la presencia originaria perdida, el cuerpo m aterno”, el cual se antropología” com o la propuesta p or D avid T hom as para com prender la socie­
transform a así en “el paradigm a o figura de todo referente subsecuente” (ibid., dad del cyberspace (B enedikt, 1992, p. 33) no puede dejar de considerar la
p. 70). em ergencia de este sujeto agrandado, inflado y totalizador, para el cual ya no se
De hecho, para com prender las relaciones en Internet, esa diferencia se aplica la m áxim a lacaniana, y tam bién bajtiniana, de que el ser hum ano nunca
to rna crucia!. E sto es así porque, en la vida cotidiana posedípica, el horizonte coincide consigo m ism o.
de la m aterialidad irrecuperable instalada por la pérdida original continúa estan­ D os opacidades faltan aqui: la opacidad del cuerpo del sujeto y la opaci-
do allí com o referente para ser incesantem ente transm utada en un índice y una dad del cuerpo del otro. N ad a opone resistencia a la aprehensión com pleta y al
actualización de la incom pletud del sujeto. Y solam ente después de este reco- en g o lfam ien to en el lenguaje. N o hay m ás d olor p o r “ la indiferencia del
nocim iento estam os preparados para finalm ente desenm ascarar la anom alia de m undo”en el sentido de K olakow ski. L a larga búsqueda por parte de O ccidente
este últim o de los m edios de com unicación de estrecha am plitud de banda: de una v id a desencarnada y de una sustitución del cuerpo m ediante una próte-
funciona com o si no hubiese cuerpo. Prescinde de la m aterialidad del referente, sis parece haber llegado a su fin. N ada perm anece fuera, nada reedita la expe­
que es tratado com o si pudiese ser colapsado com pletam ente en el lenguaje. La riencia de la falta, todo cabe en el texto. Prescindiendo del cuerpo m aterial,
m aterialidad -c o m o aquello que es prohibido po r la ley del padre, por la ley del Internet prescinde de la expresión m ás radical del dram a hum ano de la separa-
lenguaje, com o aquello que, por su propia naturaleza irrecuperable, inaccesible, ción. La porción de narcisism o inherente en todo discurso, con su retorno

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parcial al sujeto en una vuelta retroalim entadora, autorreferente, dom ina aqui y m anera tal que “ el y o vuelve h acia sí m ism o a través dei o tro” (Patterson, 1988,
devora todo el sentido dei discurso. p. 69). M ientras “ la tarea principal dei n ovelista es transform arse en otro de sí
Esto se torna posible porque en el espacio virtual esta tendencia ya pre­ m ism o” (op. cit., p. 20, hablando sobre la teoria de la novela en B ajtin), la tarea
sente en el sujeto encuentra su m edio ideal. Con su obliteración dei cuerpo y la principal de nuestro sujeto de Internet es h acer desfilar frente a sí m ism o su
textualización total y sin residuos dei sujeto en el discurso, el sujeto hablante y propia fusión y su com pletud en el texto, lo cual, en un doble m ovim iento, anula
su posibilidad entera de ser se funden y confunden, y ésta queda fija y reduci- su falta y anula al otro. La natu raleza m o n ológica de este procedim iento es
da a aquél. El “yo creo” se transform a en un absoluto “no hay nada fuera de la evidente p o r el hecho de que el sujeto sale de escen a siem pre satisfecho,
agencia que cree, fuera dei sujeto hablante” . La coincidência dei sujeto con una retornando un a y otra vez a su conjunto de creencias preconcebidas, a sus
textualidad circunstancial es total. Y, com o no hay falia, no hay tam poco movi- palabras de orden preestablecidas. Él y sus creencias textualizadas se confun­
m iento resultante de la aspiración a la com pletud que sea capaz de propiciar den en un a realidad única, una identidad fija e inseparable.
una apertura hacia el m undo de afuera. Por lo tanto, no hay “ otro” . Si el ím petu A trav és dei p ro ceso que V incent C rapanzano llam ó de “ reflex iv id ad
p ara llegar al otro em ana de una ausência interior, en Internet el otro y los p o se siv a” (1992, p. 89), es en el tex to que el “y o ” se vuelve accesib le p ara sí
adem anes para alcanzarlo tienen un carácter de sim ulacro. El sujeto se encuen­ m ism o en cuanto otro, así com o es en el tex to donde se b u sca a sí m ism o. Sin
tra fundido, colado, en un y o preconcebido, enteram ente textualizado. N o hay em bargo, com o dije, n in g u n a de estas id en tificacio n es y búsquedas llegan a
opacidad ni resistencia de una realidad m aterial que pueda defender al sujeto ser ja m á s com pletas, p orque en este m o v im ien to hay un residuo dejado de
de ser enteram ente tragado por su congelado, repetitivo, texto de dom inio. Es lado, no ab arcad o y no ab arcab le. L a dim ensión m aterial dei cuerpo es ju s ta ­
un ritual de com pletud titánica. m en te em b lem ática de este resid u o y de esta in ab arcab ilid ad , lo que nos
E ste sujeto recuerda al cyborg m ítico de D onna H araw ay (1991, pp. 149 y perm ite trascender lao p o sició n entre idealism o y m aterialism o . Por lo tanto, el
ss.). A m bos son guerreros, am bos viven en un paisaje estrictam ente no je rá r­ sujeto siem p re en tra sólo p arcialm en te en su d iscu rso , es sólo p arcialm ente
quico, ninguno tiene origen. Pero no puedo com partir el optim ism o de H a­ textualizado.
raway. N o puedo entender cóm o es posible afirm ar que esta subjetividad, for­ O p u esta a lo que C rap an zan o llam a de “reflex iv id ad m ecân ica” , la “ re­
m ada por el injerto apendicular de la m áquina en el ser hum ano, haya “ saltado flex iv id ad p o sesiv a” es “m ed iad a p o r el d eseo” y exp an d e “ el m ovim iento de
el paso de la unidad original” (op. cit., p. 151). M uy p o re i contrario, m e parece u na rela ció n dual entre el su jeto y su otro a una relació n triá d ica que es
que es una representación o regresión a esa unidad original, donde lo ajeno, la alca n za d a m ed ian te el len g u aje” . N o hay em erg en cia dei sujeto com o texto
“otredad” , no es aceptado, no tiene lugar. La com pletud de estos seres es un sin in terp elació n , sin la p rese n cia co n tu n d en te de un otro h acia el cual el
sim ulacro, sim ulan una existencia fálica, llena de sí misma. Su actividad m astur- d eseo se dirige, m otivado p o r la falta que le es co n stitu tiv a: “ P ara v olverse
b ato riaes ineludiblem ente fálica. Son verdaderam ente prim itivos, en el sentido un su jeto , el in d ividuo debe b u scar reco n o cim ien to d em andando al otro que
exacto de esta palabra - s o n p re-o rig in ario s- Ser originado significa acceder a lo re c o n o zca o reco n o zca su d eseo ” . E sta estru c tu ra dep en d e de la caución
una subjetivación que viene de otros, a una capacidad para relacionarse. Ser im p u esta p o r un T ercero sobre la relació n y o-tú - u n a caución o cu sto d ia
originado significa ser em pujado y expulsado de un estado de fusión indiferen- bajo la fo rm a de un “m arco, co n v en ció n , ley, y au to rid ad ” (ibid, p. 88) que
ciada hacia Ia vida en relación, hacia la diversidad. Estos seres, por prescindir y rec u b re en teram en te y o rg an iza la re la c ió n -, A éstos ag reg aria aqui la m en-
negar su origen, están condenados a perm anecer en un estádio pre-género, no ción a la m aterialidad irreductible dei cuerpo, con el im perativo de la deficien-
p o st-género. cia dei lenguaje que im pone. El cuerpo tiene un lugar dentro de la función dei
Este m odo de subjetivación pudo darse aqui com o en ningún otro siste­ T ercero porque, y a lo he afirm ado, p o r el hecho de senalar los lim ites dei texto
m a hubiese podido debido a la introducción de un falso “otro”, de un sim ulacro y su inadecuación p ara cap tu rar la p le n itu d dei sujeto le im pone un lim ite a su
de alteridad. U na operación com pletam ente diferente de la que ocurre cuando sen tid o de lib ertad y p o tên cia. El T ercero ejerce su au to rid ad porque su
un escritor crea su obra - o incluso alguien redacta una ca rta-. C om parando a in terv en ció n está v in cu lad a al o rig en dei exilio dei cuerpo en relación con el
Bajtin y a Lacan, D avid Patterson explica que el prim ero se aproxim a al segundo lenguaje.
en su visión dei héroe com o “una relación dei sujeto consigo m ism o m ediado
por el otro” , donde lo que ocurre es un “encontrarse a sí m ism o afuera” de

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D el cuerpo cam uflado del sujeto “público” al cuerpo que tienen acceso a esa posición; pero yo diria que lo que hay es una fraterni-
abolido de Internet: un trayecto Occidental dad de cuerpos corporativos cam uflada, y son ellos los que im prim en sus
inclinaciones al interés “público” , o sea, de to d o s-, Lo que ocurre es que el
Es posible trazar un cierto paralelo entre mi análisis y el estúdio de M ichael nom bre del p a d re o portador de la ley y el orden (com o seria su representación
W arner sobre los orígenes del sujeto de los textos “públicos” (1990), tal com o m ás fam iliar en los m itos de creación de las sociedades sim ples o de las religio-
surgió en la prensa im presa durante el siglo x v ii i en las colonias britânicas en nes universales) se funde, adhiere o colapsa aqui en una corporificación parti­
A m érica. El texto “publicado” que analiza W arner ya en la prim era prensa “ no cular de esta función. En el segundo caso, por supuesto, hay cuerpos, pero
se dirige a nadie en particular” , y el “rol personificado” (W arner, 1992, p. 380) están neg ad o s,fo r c lu id o s, im pedidos de ser reconocidos com o inaprehensi-
que le habla al público a través del m edio im preso es tam bién anônim o, d esen­ bles por el discurso - l a tecnologia trab aja para hacer de cuenta que no existe
carnado, proteico (ibid., p. 381); una persona im aginada rem ovida de su ser falta y, p o r lo tanto, que no hay le y -. Si, en un caso el Tercero es secuestrado.
individual, ordinário, situado. Hay, en ese discurso público, una “retórica de la en el otro el Tercero es elim inado.
d esincorporación” , una pretensión de “no tener ninguna relación con la ima- ^Q ué significa esto p ara el avance de la dem ocracia? ^.Qué novedades
gen del cuerpo” . D e cualquier form a, tal com o W arner m uy bien senala, sólo un hay aqui para la aspiración de la libertad? Sintetizando mi análisis, yo diria que
sujeto social situado y corporificado se calificaría para dom inar este lenguaje y si el p rim er caso es un texto m arcado que se presenta com o no m arcado, el
acceder al control de esta nueva tecnologia im presa: el hom bre blanco, propie- segundo es un texto no m arcado que se presenta com o m arcado. El discurso
tario, virtuoso y norm al. M ás aún, “L a esfera pública b urguesa fue estructura- público de los orígenes de la rep ública se presenta com o general, a pesar de ser
da, desde el principio, por una lógica de la abstracción que privilegia las iden­ p articular y situado. H ablando en Internet los sujetos se representan a sí mis-
tidades sin m arca: el hom bre, blanco, clase m edia, norm al” (ibid., p. 383); por lo m os en posiciones m arcadas, abogan por su parcialidad negando una autori­
tanto, de hecho, privilegiando a los hom bres, para quienes la autoabstracción dad general y presentando a la sociedad com o u na conflagración de volunta-
en relación con el cuerpo es una operación fam iliar, prototípicam ente m asculi­ des personales. Los sujetos, “egócratas” (W arner, 1992, p. 395) teatralm ente
na, im puesta a los hom bres por instituciones a lo largo de las m ás variadas “corporificados” en texto, actúan de form a to talitaria y om nipotente. M ientras
culturas y épocas. que la u to p ia del sujeto público es realm ente una utopia de autoabstracción
C om parar el efecto de estas dos tecnologias no es un a tarea sim ple. Qui- (ibid., p. 379), la utopia de Internet es un a utopia de autoinscripción. Pero su
zá, no son m ás que dos m om entos en una secuencia continua y progresiva, cam ino h acia la libertad es defectuoso, porque am bas proceden por im postura,
uno la exacerbación del otro, donde la tendencia a desencarnarse y al anonim a­ y a sea ocultando los cuerpos que ejercen la autoridad y personifican al Terce­
to em ergen com o características del discurso Occidental m oderno - n o o lv id e­
ro, o negando la m aterialidad de los cuerpos que recuerdan la existencia m ism a
mos que hablar en nom bre de una categoria, com o m ujeres, negros, hom o- de la autoridad y la intervención originaria del Tercero.
sexuales, puede tam bién corresponder a una form a particular de desencarnarse O cu rre, quizás, en Internet, un a subversión sin em ancipación. H ay una
para sustentar el “ cuerpo” hiperreal de la identidad p olitizada (pienso que esto su b v ersió n contra la Ley del P adre pero no un a em ancipación real de ésta. De
es lo que Julia K risteva, 1986, trató de advertim os, llam ando nuestra atención hecho, to d o s las h u ellas de la L ey son rem ovidas con la rem oción de los
sobre el derecho de ser únicos, singulares)-. cuerpos, y un m undo d esco rp o rificad o es d ram atizad o estrictam en te dentro
A m bos m om entos se pretenden, cuando surgen, com o avances d em ocrá­ de las fro n teras estrechas de la red que la tecn o lo g ia p erm ite. Sin em bargo, el
ticos. En el prim ero, la ideologia de la descorporificación im plica h ab lar para m odo de so ciab ilid ad que surge p arece d em asiado viru len to y b eligerante
todos desde un cuerpo neutro, representando al “ púb lico ” . En el segundo com o p ara convencerm e de que la u to p ia está en cam ino. A dem ás, la estrate-
caso, significa ser libre de cualquier cuerpo particular y de sus im posiciones gia o p eracio n al de au to ab straerse del cuerpo y el estado de conflagración
para poder inventarse a uno m ism o. De cualquier form a, dos aspectos surgen gen eralizad a m e recuerda m uy vívidam ente los códigos de la fraternidad m as­
com o diferencias principales entre los dos m om entos: en el prim ero, un cuerpo culina de pares que conocem os tan bien. La p rincipal d iferen cia es que a
particular, el cuerpo de los hom bres blancos, se apropia del lugar del sujeto trav és de la d esco rp o rificació n , este m odo societal se vuelve a ccesible p a ra
público, legitim ando y afirm ando su autoridad ahora en la escena m oderna del todos y, m ás aún, es p ro p u e sto com o el m odelo de co m p o rta m ien to deseable
derecho público -a s í, de hecho, com o W arner senala, hay cuerpos particulares p a r a todos. C om o puede d ifu n d irse desde su cam po tecn o ló g icam en te co n ­

176 177
tro la d o h a c ia la so cied ad entera, refo rzan d o ciertas ten d en cias que y a se
Bibliografia
en cu en tran presen tes en ella, tenem os que estar atentos y p erm an ecer capa-
ces de ju z g a r si éste es el tipo de so ciab ilid ad al cual aspiram os, y al que
Butler, Judith (1990), G ender Trouble: F em inism a n d the Subversion o f Identi­
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Para concluir y L ondres, Routledge.

C uando digo que en las conversaciones en Internet sobre tem as religiosos - o Crapanzano, V incent (1992), H e rm e s ’D ilem m a a n d H a m le t’s Desire. On the
quizá sobre cualquier c o s a - estam os en el m ás privado reino de la fantasia, E pistem ology o fln terp reta tio n , C am bridge, M ass., H arvard U niversity Press.
digo que no hay aqui “reflexividad posesiva” en el sentido de C rapanzano,
D yson, E sther (1995), “I f You D o n ’t Love It, Leave It” , The N ew York Times
dialogía autêntica, ojos dei otro sobre uno, m undo exterior, extranam iento bajti-
M agazine, 16 de julio.
niano o lacaniano ya sea desde el exterior en relación con un “otro” o desde el
interior en relación con una irrecuperable sección de nuestro ser indicada por el Freud, Sigm und (1972a) [1963], “ Instincts and T heir V icissitudes” (1915). en
cuerpo. E stam os en un terreno preedípico, donde el com putador es la prótesis Freud: G en era lP sych o lo g ica l Theory, N ueva York, C ollier Books.
fálica con la cual el sujeto se m asturba sim ulando la presencia de la m adre,
sim ulando su propia com pletud. En este sentido, el “o tro” em ana enteram ente — (1972b) [1963], “ M etapsychological S u p p lem en tto the T heory o f D ream s”
dei sujeto m ism o, y su percepción por parte de éste no es controlada porque no (1916), en Freud: G eneral P sychological Theory, N ueva York, C ollier Books.
hay Tercero com o garantia de la verdad, com o restricción, com o árbitro y m e­
G allop, Jane (1985), R ea d in g L a ca n , Ithaca, Cornell U niversity Press.
diador de las interpelaciones, para que cada uno guarde su lugar en relación
con los otros. E stam os frente a un aglom erado de m undos solipsistas, iguales, G rosz, E lizabeth (1990), Jacques Lacan: A F em inist Introduction, Londres y
donde no hay rendición. C om o se pretende que nada falta, la m áquina de la cual N ueva York, Routledge.
em ana el dinam ism o dei sujeto en su biografia y en la h isto ria se encuentra
ausente, por lo que ninguna creencia o adhesión ja m ás es m odificada, nada Haraway, D onna (1991), Sim ians, C yborgs a n d W omen: the R einvention o f
cam bia nunca y la realidad queda estancada m ientras se charla. El discurso se N ature, Londres, Free A ssociation Books.
vuelve om nipotente. Un repertorio de opiniones, todas en su derecho, todas
aprisionadas en el m ism o sueno totalizador y totalitario. N ingún espacio inte­ K risteva, Julia (1986), “ W om en’s T im e” , en Toril M oi (org.), The K risteva Rea-
rior para que los daim ones inoculen la duda, ningún m ovim iento ascencional, der, Oxford, Basil Blackwell.
ninguna lección socrática. N i dialogía ni tragédia. N i trascendencia ni sublim a-
Lacan, Jacques (1977), “The function and field o f speech and language in
ción. Sólo el tem a religioso en una econom ia de consum o, com o parte de una
p sych o an aly sis” , en Écrits. A Selection, N ueva York, Tavistock Publications.
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p a ce: F irst Steps, C am bridge, M assachusetts, The m i t Press. ocupaciones o tem as alrededor de los cuales se construyen aspectos im por­
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T urkle, Sherry (1995), L ife on th e S cre en , Cam bridge, M ass., the m i t Press.
consiste en detectarlos, exponer analíticam ente su tratam iento en la cultura en
W arner, M ichael (1990), The Letters o f the R epublic: P ublication a n d the P u­ cuestión y arrojar luz sobre el m odo com o orientan la interacción social. Según
blic Sphere in E ighteenth-C entury A m erica, C am bridge, M ass., H arvard U ni­ intentaré dem ostrar, en los cultos xangô de la tradición nagô, uno de los m oti­
versity Press. vos recurrentes en las representaciones y la organización social de sus m iem ­
bros es un esfuerzo sistem ático por liberar las categorias de parentesco, perso-
— (1992), “The M ass Public and the M ass Subject” , en C alhoun, C raig (ed.), nalidad, gênero y sexualidad de las determ inaciones biológicas y biogenéticas
H aberm as a n d the P ublic Sphere, C am bridge, M ass., The m i t Press. con las cuales están ligadas en la ideologia dom inante de la sociedad brasilena,
así com o desplazar a la institución del m atrim onio de la posición central que
Zizek, Slavoj (1991) “ Is it possible to Traverse the Fantasy in C yberspace?” , en
ocupa en la estructura social, de acuerdo con esa ideologia. A mi entender,
Wright, Elizabeth and Edmond Wright (eds.), The Zizek Reader, Oxford, Blackwell.
estas dos características de la visión del m undo del xangô pueden relacionarse
con la experiencia histórica de la sociedad esclavista en el Brasil, ya que de ella
Libros técnicos de divulgación consultados sobre Internet surgió el grupo hum ano creador del culto.
E sta te m ática suscito mi aten ció n d ebido al énfasis espontâneo puesto
Levine, John R. y Carol Baroudi (1994), The Internet fo r D um mies, 2a ed., Foster p o r algunos m iem bros con q uienes m e v inculé en ciertos aspectos de su vida
City, ca , id g Books. social y de la m ito lo g ia del xan g ô , así com o por los asuntos que m encionan
con m ay o r frecu en cia en sus co n v ersacio n es. C om o trataré de dem ostrar,
M aloni, Kelly, N athaniel W ice y Ben G reenm an (1994), N etchat, N u ev a York, tan to el p rin cip io de indeterm in ació n b io g en ética com o la concepción del
Random H ouse E lectronic Publishing. m atrim onio y la fam iliap ro p io s del xangô pueden identificarse en: 1) la p rá c -
tic a de atrib u ir “ santos h o m b res” y “santos m u jeres” a hom bres y m ujeres,
W arren, D eanna (1996), A sk D elilah... about Cyberlove, N ueva York, Times
in d istin tam en te, com o tipo de p erso n alid ad ; 2) el tratam ien to dado por los
Books, Random House.
m itos a los roles fem eninos y m ascu lin o s de los orixás que com ponen el
Wolf, G ary y M ichael Stein (1995), A ether M adness. A n O ffbeat G uide to the pan teó n y a las relacio n es de éstos entre sí; 3) la visión crítica de los m iem ­
O nline World, Berkeley, Peachpit Press. bros con resp ecto a los d erech o s d educidos de la m aternidad de sangre o

* Este texto se publico originalmente en el Anuário Antropológico/85, Rio de Janeiro,


Tempo Brasileiro, 1986. La presente versión de este texto incorpora algunas modifica-
ciones.

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biogen ética; 4) la im po rtan cia asignada a la fam ilia ficticia co n stitu íd a por la g ran m ay o ría de las h ijas de santo de las casas en las cu ales trab ajé. En líneas
“ fam ilia de san to ” y a la adopción de “ hijos de crian za” , en desm edro dei generales, estas m ujeres son b isex u ales; los casos de h o m o sex u alid ad ex clu ­
p arentesco basado en lazos de sangre; 5) la definición de los roles m ascu li­ siva son escasos. La h o m o sex u alid ad fem en in a co n stitu y e una trad ició n , una
nos y fem eninos den tro de la fam ilia de santo, y 6) la b isex u alid ad de la costum bre tran sm itid a de g en eració n en g eneración y, de acu erd o con m is
m ay o ría de los integrantes m asculinos y fem eninos dei culto, así com o las ob serv acio n es, las m adres no la o cultan a sus h ijos y aun sus com paneros
n ociones relativas a la sexualidad que se revelan en el d iscurso y la práctica. m ascu lin o s la conocen. Su n egación, p o r parte de algunos padres o m adres
En las siguientes secciones m e referiré a cada una de estas cu estiones, sena- de santo interesados en gan ar b u en a rep u tació n fren te a los legos que se
lando lo que tienen en com ún, y las vincu laré a las v icisitu d es de la fam ilia acercan al culto, se debe a que con o cen la co n trad icció n ex isten te entre este
n egra durante y tras el régim en de la esclavitud, con el propósito de id en tifi­ asp ecto de la trad ició n dei x angô y el sistem a de v alo res d o m in an tes en la
car un contexto histó rico que p erm ita com prender esta visión dei m undo. P or socied ad brasilena.
o tra p arte, es im portante d estacar que los aspectos m encionados describen Es p o sib le que las p ecu liarid ad es dei cu lto a las cu ales aludo, tales
nociones y co m portam ientos de los m iem bros iniciados o iniciantes y no de com o la aversión a lem an já y la acep tació n de la h o m o sex u alid ad , sólo estén
las p ersonas que se acercan al culto com o clientes esp o rád ico s, en b u sca de p resen tes en R ecife. En realid ad , com o es sabido, ex isten d iferen cias que
so luciones para problem as específico s o con el fin de p ed ir una lectu ra dei caracterizan el culto de los orixás en cad a un a de las ciudades donde éste se
oráculo de cauris (caracoles). m an ifiesta. P o r ejem plo, algunos orixás que son m uy im portantes y suelen
A ntes de continuar, q u erría ad v e rtir que p arte de m is datos podrán m an ifestarse en posesio n es en otras p artes dei país, com o O dé (O xóssi),
so rp re n d er a los estu d io so s dei tem a; así sucederá, p o r ejem plo, con las O baluiê, N anã, O xum aré y Exu, tienen pocos o ningún adepto exclusivam ente
referen cias a la aversión que m uchos de m is inform antes expresaron por el co n sag rad o s a su culto en la tra d ic ió n n agô de R ecife. Tam bién difieren los
carácter de lem anjá, y con mi énfasis en la hom osexualidad, sobre todo fem e­ rep erto rio s m usicales y los tam b o res utilizados. P ero las p rácticas fundam en-
nina, com o un aspecto estructural y no accidental o su p érflu o para co m p ren ­ tales, com o la atribución de un o rixá a cada m iem bro com o patrono de su
d er la visión dei m undo dei culto. Con respecto a lem anjá, la literatura siem pre id en tid ad p erso n al y clasificad o r de la p erso n alid ad (el d o n o -d o -o ri o “ due-
la describe com o la v en erad a orixá m adre, en cuyo honor se d epositan con n o d e la c ab eza” ; véanse B astide, 1973a, p. 4 2 ,1 9 7 8 , pp. 257 y 280; R ibeiro,
d evoción esplêndidas ofrendas florales en todas las playas de B rasil. De 1978, pp. 126-129; M otta, 1977, p. 17; B in o n -C o ssard , 1981; L épine, 1981;
acuerdo con m is inform antes, ésta es apenas la faceta estereo tip ad a y fo lcló ­ A ugras, 1983; Verger, 1981; S egato, 1984), así com o el estilo de vida de los
rica dei o rix á , cuyas cualidades negativas se ocultan a las m iradas dei gran in teg ran tes dei culto, p arecen no m o strar variacio n es d ram áticas en lugares
público. En cuanto a la hom o sex u alid ad fem enina, las m ujeres de los cultos distantes. Las diferencias m en cio n ad as por los m iem bros que suelen viajar se
afro brasilenos han sido caracterizad as reiteradas veces com o p oderosas e refieren, sobre todo, al código de etiq u eta, los co m p o rtam ien to s obligatorios
independientes (L andes, 1953, 1967; B astide, 1978a; S ilverstein, 1979, entre durante los ritu ales y, com o y a dije, los orixás que descienden en las p o sesio ­
otros), pero poco se habló de su sexualidad. De hecho, la alta in cid ên cia de nes y se u tilizan n o rm alm en te com o m odelos de id entificación; tam bién se
h om osexuales m asculinos entre los integrantes dei culto y a es bien co n o cid a alude a algunos de los m itos que hab lan de la v id a de los santos. Sin em b ar­
y fue seíialada y an alizad a en m uchos trabajos an tro p o ló g ico s realizados en go, a p esar de los câm bios en algunas cu estio n es de credo, los v alores, las
varias ciudades dei Brasil (Landes, 1940,1967; Bastide, 1945, pp. 93-94; Ribei­ co n cep cio n es y el estilo de vida que los viajero s de R ecife dicen en co n trar en
ro, 1969; L eacock y L eacock, 1975; Fry, 1977, entre otros), m ien tras que Ia casas de culto v isitad as en otras ciudades p arecen p erfectam en te com pati-
p resen cia dei co m portam iento h o m osexual entre las m u jeres fue ob jeto de bles co n los suyos propios y les p erm iten una ráp id a fam iliaridad.
m enor d ivulgació n y no ha m erecido m ás de tres líneas en total dentro de la
vasta literatura sobre las religiones afrobrasilenas (R ibeiro, 1970, p. 129; Fry,
1977, p. 121). Sin em bargo, durante mi tercer perío d o de trab ajo de cam po en
R ecife, luego de haber vivido algunos m eses en u n a casa de culto, y com o
resultado de m i creciente intim idad con el pueblo dei santo, llegué a interiori-
zarm e de la práctica trad icio n al y m uy g eneralizad a de am or sáfico entre la

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2. L os orixás com o d escrip tores fem eninos y m asculinos das por otros. D ebido a las ventajas y desventajas de cada uno de los grupos, el
de la personalidad pueblo siem pre considera m ejor tener una com binación de un santo m asculino y
un santo fem enino com o “dueno de la cabeza” y ayuntó, respectivam ente, o a la
inversa.1Sea com o fuere, se estim a que todo m iem bro tiene siem pre una persona­
U no de los aspectos fundam entales del culto es la relación de equivalencia que
lidad predom inantem ente m asculina o fem enina; la fisonom ía de la prim era es
se establece entre sus m iem bros y los orixás del panteón sobre la base de las
“ áspera”, en tanto la segunda m uestra rasgos faciales m ás delicados.
sim ilitudes de com portam iento entre unos y otros. A sí, los orixás hacen las
D entro de cada categoria se hab la asim ism o de grados relativos de fem i-
veces de una tipologia para clasificar a los indivíduos según su personalidad.
neidad y m asculinidad. Entre los orixás m ujeres, O xum , la últim a hija, es consi­
En R ecife son seis los orixás entre los cuales suele escogerse al santo
que será adscripto m ediante el proceso de iniciación que vincula, de m anera derada com o el epítom e de lo fem enino: sensual, ingênua, dócil e infantil, de-
ritual y definitiva, a cada nuevo m iem bro y su “dueno de la cabeza” . En la seosa de curar, ayudar y cuidar a los débiles. lem an já parece un poco m enos
m ayoría de los casos tam bién se designa, entre esos seis, a un segundo orixá fem enina porque es la m adre de los orixás y, por esa razón, más vieja e inhibida.
o ayuntó (adjunto) para com pletar el cuadro de las afinidades espirituales del A pesar de sus gestos carinosos, se m uestra m enos interesada en darse a los
nuevo hijo de santo. D e los seis, tres son m asculinos y tres fem eninos; ,1a otros o prestarles atención. En general, es m ás distante y su afabilidad se
clasificación rem ite a su psicologia, con prescindencia del sexo. interpreta sim plem ente com o “buenos m odales” o “ cortesia” en el trato. En el
En general, cuando una persona se acerca por prim era vez a una casa de otro extrem o, se describe a lan sã com o un a m ujer m asculina, con una p erso n a­
lidad casi andrógina. N o ahorra esfuerzos para alcanzar sus objetivos y, en el
culto, los m iem bros de ésta observan su com portam iento e intentan darle el santo
“con la cabeza”, es decir, intuir cuál es su santo sin apelar al oráculo o juego de papel de esposa de X angô, es su com panera y colaboradora en la guerra pero
cauris. Tanto el padre com o la m adre de santo de la casa, al igual que otros m iem ­ no acepta cohabitar con él. A un así, si bien lan sã difiere de los otros orixás
bros, se em penan en esa búsqueda de sim ilitudes entre el recién llegado y uno de fem eninos p o r su tem peram ento agresivo y la voluntad de vencer, com parte
los orixás del panteón. En m uchas ocasiones, cuando es difícil definir al santo con ellos la disposición de acom panar a X angô y cooperar con él en la em presa
desde el com ienzo, se intenta ver si la persona en cuestión tiene un “santo hom ­ de conquistar la tierra de los M ales (un célebre m ito de X angô), así com o un
bre” o un “ santo m ujer” . Con ese fin se tienen en cuenta especialm ente ciertos sentido de identidad definido com o fem enino.
aspectos, com o la expresión facial y la actitud de la persona al tom ar decisiones. P or otra parte, entre los santos hom bres, O gum es considerado com o el
A sí, es posible decir que los orixás, en su prim era subdivisión en m asculi­ epítom e de la m asculinidad, el senor del trabajo y la guerra, un hom bre solitário
nos y fem eninos, constituyen estereotipos de gênero. La posición entre am bos de la selva que no se relaciona hum anam ente con nadie; es tenso, sesudo, serio
estereotipos se basa en unos pocos rasgos que cada grupo posee con exclusivi- y objetivo. A X angô se lo ve com o algo m enos m asculino que Ogum , por su
dad. Los “santos hom bres” -y , por lo tanto, sus hijos e h ija s - se caracterizan carácter m ás em ocional y afectivo. Tam bién tuvo que apelar algunas veces a la
com o “autônom os” en la m anera de actuar, m ientras que los “ santos m ujeres” protección de su padre, O rixalá, y su m adre, lem anjá. Por últim o, O rixalá, el
son “dependientes” . La “autonom ia” se senala com o una característica de los
santos m asculinos, aun en el caso de O rixaolufã, el viejo O rixalá, que es sum a­ 1 Una mujer del culto que tenía dos santos femeninos -Oxum y lansã- como dueno de
m ente paciente y calmo; su opuesto, la “dependencia”, caracteriza a los santos lu cabeza y ayuntó, respectivamente, se quejaba de no tener un santo hombre, diciendo:
fem eninos, incluida lansã, que tiene un tem peram ento “caliente” y es voluntario­
Me sentiria mucho más segura si tuviese aXangô [su tercer santo] en segundo lugar
sa, luchadora y agresiva. A unque la autonom ia, entendida com o la capacidad de
y no a lansS; así tendría un hombre a quien recurrir: un [santo] hombre siempre es
tom ar decisiones y resolver problem as sin necesidad de orientación o estím ulo un brazo fucrte para apoyarse. lansã es una santa muy fuerte, muy decidida, pero
externo, sea vista com o un rasgo ventajoso, se dice que convierte a las persona­ ^no necesita a un hombre [Xangô] para ir a la guerra? [...] Con dos santas mujeres
lidades m asculinas en m uy inflexibles y refractarias a las críticas. Por otro lado, siempre siento dentro de mí un vacío que no consigo explicar. Entonces, cuando
los hijos e hijas de santos fem eninos tienen la debilidad de depender de la apro- quiero resolver un problema difícil, fijo los pensamientos en mi tercer santo. Xangô,
bación o la dirección de los otros, y en m uchos casos esa aprobación constituye y parece que estoy con él, actúo como él. Xangô es masculino, y quien es masculino
el objetivo m ism o de sus actos, pero se dice que esto no sólo les perm ite conse­ siempre es más autônomo, más capaz de tomar una decisión rápida y arreglárselas
guir ayuda y consejo sino tam bién cooperar y participar en iniciativas conduci- solo en cualquier situación.

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padre de todos, a p esar de describírselo com o m uy m asculino por su grado de Para term inar, conviene advertir que no existe una preferencia generaliza­
au tonom ia y la inflexibilidad de sus opiniones, m uestra igualm ente algunos da por santos fem eninos o m asculinos. C ada uno de ellos tiene ventajas y
rasgos com unes a lem anjá y O xum , entre ellos la suavidad y la ternura; es m ás desventajas, virtudes y defectos, y m uestra asim ism o un tipo de talento espe­
paciente y tolerante que O gum y X angô. E n resum en, aunque O rixalá tenga cífico que le perm ite ejercer un estilo propio de liderazgo. En este sentido, el
grandes d iferencias tem peram entales con respecto a O gum y X angô, se asem e- culto difiere de lo que Jean M iller (1979) caracteriza com o una desvalorización
j a a ellos en la percepción de su propia persona com o un agente fundam ental­ sufrida por los atributos dei carácter fem enino en la cultura Occidental.
m ente autônom o. Por consiguiente, la cu a lid a d ese n cial para definir el gênero
de la personalidad, esto es, el gênero dei santo, no es el tem peram ento sino su
sentido com o agente autônom o o dependiente. Sólo esta últim a cualidad se 3. R oles m asculinos y fem eninos en las relaciones
interpreta com o un com ponente relevante de la identidad de gênero dei sujeto, entre los m iem bros de la fam ilia m ítica
indicada por el santo que se le asigna.
En realidad, las cualidades clasificadas en esta cosm ovisión com o fem eni- L a fam ilia m ítica de los orixás com bina elem entos típicos de la fam ilia patriarcal
nas y m asculinas no difieren en exceso de los estereotipos occidentales de com- característica de la clase dom inante brasilena con concepciones claram ente no
portam iento m asculino y fem enino, tal com o se presentan en la literatura psicoló­ patriarcales. Por su edad y posición, O rixalá, el padre, tiene una autoridad po­
gica (véanse, por ejem plo, W illiam s y Bennett, 1975, y una síntesis en A rcher y tencial sobre las otras deidades, pero debido a su tem peram ento pasivo, casi
Lloyd, 1982). El abordaje dei xangô tam bién se aproxim a a la psicologia Occidental fem enino, sólo la ejerce en contadas ocasiones. De hecho, con frecuencia sufre
en su reconocim iento de la existencia de com ponentes m asculinos y fem eninos abusos de su nuera, Iansã,2y de su propia m ujer, lem anjá, que lo “ enganó” con
en la psique de hom bres y m ujeres (Freud, 1962; en M itchell, 1982, se encontrará un orixá de estatus superior, O rum ilá, con quien tuvo una hija, O xum .3 Pero
un análisis actualizado de la teoria freudiana sobre la constitución bisexual con­ O rixalá, lejos de rechazarla, adoptó a Oxum y la crió con los m ayores cuidados.
gênita de la psique hum ana). La m ism a preferencia dei pueblo dei xangô por una E sta hija de crianza se convirtió entonces en ia favorita y protegida dei padre de
com binación de un santo m asculino y uno fem enino en “ la cabeza” de cada hijo los orixás, a quien retribuyó con m ucha devoción, cocinando y lavando para él
o hija de santo tam bién parece coincidir con descubrim ientos recientes de la y atendiendo solicitam ente todas sus necesidades. P or eso am bos m uestran
psicologia Occidental, relacionadas con las ventajas presentadas por los indiví­ tanto afecto m utuo.4
duos de personalidad “andrógina” con respecto a quienes exhiben atributos A lem anjá, la m adre, se le reconoce la segunda posición de autoridad,
exclusivamente masculinos o femeninos (Lipsitz Bem, 1974,1975; Williams, 1979). pero se la concibe com o apática, falsa y poco dispuesta a velar por las nece-
A pesar de estas sem ejanzas, no obstante, el culto destaca la peculiaridad
de poner al alcance de sus m iem bros un sistem a de clasificación de las p ersona­ 2 Dos episodios relatan abusos infligidos por Iansã a Orixalá. En uno de ellos. la
lidades com o predom inantem ente fem eninas o m asculinas, en el cual se distin­ primera tomó una moringa perteneciente al segundo (un recipiente de barro, elemento dei
complejo ritual de este orixá) y lo arrojó al mar (ningún elemento de Orixalá puede entrar
gue con claridad este aspecto psicológico de otros com ponentes de la identi­
en contacto con la sal o tocar el agua marina). En otra oportunidad. Iansã vio que Orixalá
dad de gênero de la persona. D e hecho, el santo de ésta es independiente no
se quejaba de una herida en la pierna y, diciendo que lo curaria, le puso sal y pimienta y
sólo de su sexo anatôm ico sino tam bién de su m odo predilecto de expresar la
cubrió la lesión con una venda. En ambos casos dejó a Orixalá llorando de dolor, por lo
sexualidad, vale decir, de su preferencia por com paneros hom osexuales o hete-
cual Oxum tuvo que acudir a socorrerlo.
rosexuales (rasgo bien senalado po r B inon-C ossard, 1981, p. 132). Yo m ism a 3 Se dice que lemanjá fue una esposa falsa y fria con Orixalá; no lo cuidaba m se
escuché a varios padres y m adres de santo com en tar el d eseo de algunas encargaba de la casa y los hijos. También se comenta que “ enganó al viejo con Orumilá”
m ujeres y hom osexuales m asculinos de ser iniciados com o hijos de O xum , y (un orixá de “ títulos” superiores a los de aquél) y tuvo con él a Oxum, que no es hija
criticar esa preferencia com o una m uestra de ignorancia de los “fundam entos” “ legítima” (en el sentido “ de sangre” ) de Orixalá, sino hija de crianza.
dei culto; a su ju icio , O xum describiría la personalidad y no la sexualidad dei 4 Se habla además de otro caso de adopción paterna: Idoú, un hijo de Oxum, habría
hijo. Por otro lado, hay hom bres de definida orientación heterosexual que son sido criado en la selva por Obaluaiê. Un dia, al ver que Idoú se había convertido en un
hijos de O xum , así com o no es infrecuente que un hom osexual tenga a O gum joven fuerte y apuesto, Oxum pretendió que volviera con ella, pero él se negó y prelirió
com o dueno de la cabeza. permanecer con Obaluaiê.

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sidades de los demás. P or lo tanto, la autoridad de que disfruta com o m adre de los asocia a la m aternidad “legítim a” de lem anjá, en oposición a la m aternidad
orixás es vista por los m iem bros com o un privilegio inmerecido. Oxum, por el “verdadera” de Oxum.
contrario, representa a la m adre de crianza que se ocupa de los hijos de los otros O gum , el hijo mayor, es senalado com o la deidad que goza del derecho de
orixás. Se dice que es “proveedora”, atiende las necesidades de los otros y, en prim ogenitura y, por lo tanto, puede llevar la corona. E xhibe las m aneras, el
consecuencia, m erece el reconocim iento dado a una madre. M ientras que lem an­ porte y la responsabilidad de un rey.6 Sin em bargo, X angô, gracias a su astúcia
já se hace acreedora a obediencia y respeto, los sentim ientos despertados por y por m edio de un ardid, se apoderó de la corona de O gum ,7 a pesar de no
O xum son el carino y la gratitud. De hecho, los adeptos del culto cuestionan en poseer ninguna de las tres cualidades de su herm ano. U na vez m ás se pone en
innum erables conversaciones la m aternidad “de sangre” com o fuente de legitim i­ duda el principio del nacim iento y la sangre.
dad para la autoridad de lem anjá. E sta legitim idad y los derechos derivados de Según el m ito, lansã fue hom bre en un pasado rem oto y se convirtió en
ella son objeto de intensas críticas porque, según se argum enta, se fundan en su m ujer en tiem pos m ás recientes. Pero, com o m ujer, rech aza la m aternidad y
papel m eram ente biogenético de procreadora. Sólo los m iem bros iniciados como algunos la califican de estéril; otros, en cam bio, dicen que dio a luz hijos que
hijos o hijas de lem anjá discrepan con este punto de vista y, en la tradición nagô entrego a O xum para que los criara (la entrega de hijos p ara que otro los crie es
de Recife, suelen ser vistos con cierta antipatia. De acuerdo con los testim onios, m encionada com o un a práctica habitual entre los orixás). A dem ás, lansã co­
se parecen a lem anjá por apelar con frecuencia a privilégios y prerrogativas, así m anda a los espíritus de los m uertos o eguns, lo cual es visto com o la más
com o por su apego a las nonnas y form alidades.5Este tipo de com portam iento se m asculina de todas las actividades posibles (sólo los hom bres pueden oficiar y

5 A continuación transcribo algunos de los testimonios que recogí sobre lemanjá y sus Lu (hijade lemanjá): lemanjá es melancólica pero también feroz. [...] Es una sirena, un ser
hijos: mixto, con dos cualidades: mujer y pez. Si sobrevivió tanto tiempo en el fondo del mar
C.: No me gusta hablar de esto y, la verdad, pocas veces conté lo que pienso sobre es porque, a pesar de ser mujer, tiene autoridad. En este sentido, tiene belleza por un lado
lemanjá, pero ya escuché a más de mil personas decir las mismas cosas: fui a San y domina por otro. Es la reina del mar, domina sobre los peces. Tiene una personalidad
Pablo, fui a Rio, y en todas partes veo que Ia gente tiene la misma opinión. Frente fuerte, autoritaria, pero mantiene los buenos modales, la afabilidad. El pueblo dice que
a un hijo de lemanjá me inhibo completamente y no soy capaz de actuar con los hijos de lemanjá son falsos, pero eso es porque tienen una apariencia tranqüila
espontaneidad, no siento ninguna vibración. jEs que son tan educados! Usted sabe aunque en el fondo sean toscos, mal humorados. En este sentido, pueden enganar'’.
qué quiere decir la palabra “ madre” [“mãe"]: elladaesaprotección, esecobijo, y el 6Sobre Ogum, un miembro me dice lo siguiente:
hijo se siente engreído, dueno de la verdad. Por un lado, parecen muy tranqüilos, lemanjá iba a dar la corona a Ogum, pero Xangô hizo una artimana y se quedó con
muy afables y tienen esa humildad, pero en el fondo son muy arrogantes y uno ella. Ogum es muy conservador; Xangô es extrovertido, encantador, y llegó a ser
nunca sabe qué están pensando. Jamás revelan lo que piensan de uno. Tienen rey. Pero Ogum tiene esa apariencia de rey, y Xangô no. Ogum nunca perdió la
buenos modales, pero no son sinceros. Esto es exaetamente lo que significa ser compostura, la seriedad, la apariencia solemne de un rey, porque tiene nobleza.
madre, la mentalidad de madre: se sienten superiores a todo el mundo. Xangô es exaetamente lo contrario: es rey pero no tiene nada de rey. Uno ve que los
J.: Cuando estoy frente a un hijo de lemanjá nunca me siento cômoda. Parece que hijos de Ogum son sesudos, serios” .
siempre están juzgando a la gente. Es como si hablaran con una por cortesia, por 7 El mito cuenta que Xangô, ávido de apoderarse de la corona de Ogum, puso un
obligación. Nunca son capaces de ayudar incondicionalmente a otra persona. No son somnífero en el café dc éste y se apresuró a ir al lugar donde iba a realizarse la ceremonia.
abiertos. Cuando dan un golpe, es como el golpe del mar: nunca se sabe de dónde ni Allí, lemanjá ordenó apagar la luz para comenzar y Xangô, al abrigo de la oscuridad, sc
cuándo viene. Pero los hijos de lemanjá nunca desordenan, nunca discuten o se divierten cubrió con una picl de oveja y se sentó en el trono. La piei del animal le servia para hacerse
libremente. No les gusta la anarquia. Todos los orixás deben rendir homenaje a lemanjá, pasar por Ogum en el momento en que la madre lo tocara, porque este último, por ser el
aunque no les guste, porque es madre. Tiene influencia y autoridad porque es madre. primogênito, es considerado un hombre prehistórico cubierto de pelos. Una vez puesta la
L.: Un hijo de lemanjá jamás habla verdaderamente bien de nadie. Parece que se corona sobre su cabeza y vuelta la luz, todo el mundo vio que se trataba de Xangô, pero
compadecen de sus problemas, pero por atrás a lo mejor se ríen de uno. No se puede ya era tarde para desandar el camino. Los miembros del culto muestran la imagen de san
leer la mente de un hijo de lemanjá: son falsos. Muchos de ellos no pueden tener Juan nino cubierto con una piei de oveja como representación sincrética de Xangô. Un
sentimientos verdaderos. Son cuadrados, conformistas, mezquinos, escrupulosos, aspecto digno de senalarse es que quien entrega la corona, como legitimación de la inves­
pero no dudarían en traicionar para conseguir algo. tidura de rey, es lemanjá y no Orixalá.

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modo, se relativizan los derechos “de sangre” de lem anjá y O gum , la prim era en
ayudar en los rituales dedicados a los espíritus de los m uertos). Se la describe
posición de m adre y el segundo en posición de heredero. P or otra parte, en la
com o un orixá guerrero, que lleva una espada y m uestra un tem peram ento
incom patibilidad sim bólica de las parejas m íticas se expresan conceptos rela­
agresivo. En el extrem o opuesto, com o ya lo senalé, O rixalá es visto com o un
padre con tem peram ento fem enino. cionados con el m atrim onio que caracterizan la visión dei m undo dei culto.
En las próxim as secciones intentaré m ostrar la reaparición de estos m is-
Por últim o, es interesante analizar el com portam iento de las dos parejas
constituídas: la de los progenitores, form ada por Orixalá y lemanjá, y la compues- mos tem as en la organización social. Q uiero aclarar que no pretendo haber
ta por X angô y Iansã. Según dem ostrará, en am bas una incom patibilidad esencial agotado el contenido de los m itos dei xangô; sólo extraje los fragm entos que
separa a los esposos. De acuerdo con los m itos, la pareja progenitora es incom- suelen invocarse en el transcurso de la interacción social, a m odo de com entá­
patible debido a sus diferencias en tom o dei uso de la sal. M ientras que lem anjá rio por parte de los m iem bros.
es en el Brasil la senora dei m a ry dei agua salada, O rixalá abom ina de la sal, el mar
y la com ida salada. Las com idas para las ofrendas de O rixalá se preparan sin sal y
se dice que un hijo o hija de este santo puede llegar a m orir si acude a la playa o 4. M atrim onio, fam ilia y fam ilia de santo
algún elem ento ritual de ese orixá entra en contacto con el agua de mar. De entre los m iem bros dei culto
m anera similar, Iansã y X angô, a pesar de ser los únicos form alm ente casados,
discrepan con ferocidad en relación con el carnero y tam bién son incom patibles M ientras que la fam ilia patriarcal siem pre fue característica de las clases altas
en lo tocante al m undo de los muertos. Por un lado, Iansã aceptó casarse legal­ brasilenas, entre las clases bajas y sobre todo en la población negra y m ulata se
m ente con X angô pero nunca aceptó cohabitar con él, porque éste com e carnero encuentran formas de organización fam iliar sim ilares a las consideradas típicas
y ella detesta la m era m ención de ese animal. Por otro, X angô es el único orixá dei parentesco afroamericano. El pueblo dei culto refleja esta tendencia y muchos
que no puede entrar a la habitación de Igbalé (donde, después de la muerte, m iem bros pertenecen a fam ílias dei tipo descripto en la literatura com o “matrifo-
residen los eguns o espíritus de los antepasados) y tiene aversión a la m uerte y cal” (Sm ith, 1956), “fam ilia m aterna negra” (King, 1945) o “unidad dom éstica
los eguns, espíritus sobre los cuales reina justam ente Iansã. consanguínea” (en oposición a la “unidad dom éstica fam iliar”, Clarke, 1957). De
Todas las otras parejas m encionadas p or los m itos, sean heterosexuales u todas m aneras, la organización de las unidades dom ésticas exhibe una enorme
hom osexuales, son inestables. X angô seduce a O xum , a quien rapta dei palacio variedad de formas. La m ayor parte de las casas son habitadas por una m ezcla de
de su padre, según unos, o bien se la saca a O gum , según otros, pero am bos personas relacionadas por parentesco consanguíneo, llam ado “ legítim o” por los
m antendrán una relación esporádica com o am antes. Iansã fue m ujer de O gum integrantes dei culto, y personas no relacionadas por ese parentesco de sangre.
pero “estuvo, no obstante, con X angô” . O xun sedujo a Iansã pero luego la U n patrón com ún es, por ejem plo, una unidad dom éstica liderada por una
abandono; por últim o, algunas versiones hablan de una relación entre O gum y m adre de santo, que podrá vivir con hijos de crianza pertenecientes a m ás de
O dé, quienes, a pesar de ello, siguieron con su vida solitaria en la selva. una generación y/o algunos hijos “ legítim os” . En general, algunos de los hijos
Todas esas relaciones entre los orixás expresan un a negación coherente de crianza tam bién serán sus hijos de santo; es posible que otros hijos de santo
de los princípios sobre los cuales la ideologia dom inante en la sociedad brasi­ vivan igualm ente en la casa. La m adre de santo podrá ten er o no un com panero
lena basa la constitución de la fam ilia. El m atrim onio y el parentesco de sangre sexual m asculino que viva con ella o la visite, y m antener al m ism o tiem po una
son desplazados de la posición central que ocupan en el m arco de esa ideolo­ com panera fem enina. C om o alternativa, quizá sólo viva en com panía de otra
gia. En la sección anterior pusim os de m anifiesto que la atribución de un orixá m ujer, que podrá actuar com o “m adre peq u en a” o segunda persona a cargo de
a la “cabeza” de la persona subvierte el determ inante natural dei sexo biológico la casa; este últim o es un patrón m uy com ún. Puede haber tam bién otros resi­
en la definición dei gênero de la personalidad. En esta sección verem os que la dentes: am igos, parientes de sangre o parientes “de santo” , que Ia ayudarán en
determ inación biológica de los roles fam iliares presupuesta p o r la ideologia las tareas necesarias.
patriarcal es sistem áticam ente transgredida por el aspecto andrógino de Iansã O tras unidades son encabezadas por padres de santo, aunque esta situa­
y la pasividad dei padre; esa transgresión tam bién se pone de relieve en la ción es m enos frecuente porque el culto cuenta con m ás m ujeres que hom bres.
existencia de un caso de adopción paterna por parte de O rixalá y en la im portan- En este caso, el je fe de la casa podrá ten er hijos “ legítim os” y/o de crianza,
cia asum ida por la relación entre éste y su hija de crianza, Oxum . D el m ism o m uchas veces de distintas generaciones, adem ás de una m ujer o un com panero

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sexual m asculino y, durante algunos períodos, los dos al m ism o tiem po. A lgu­ O tro aspecto fundam ental para la com prensión del tem a en cuestión es la idea de
nos de sus hijos de crianza podrán ser hijos de santo. Es igualm ente posible los m iem bros de que la vida del culto es virtualm ente incom patible con el matri-
que vivan en la casa y colaboren con él algunos am igos y parientes de sangre monio, tal com o éste es definido por la sociedad en general. Por otra parte, habida
y/o de santo, pero es im portante advertir que en todos los casos la com posi- cuenta de que la ideologia dom inante de la sociedad brasilena ve a la m ujer como
ción de las unidades dom ésticas es m uy inestable, a causa de la gran m ovilidad subordinada al marido, esa incom patibilidad se destaca particularm ente con res-
de los m iem bros. Tam bién quiero destacar que todas las variantes m enciona­ pecto a las m ujeres y se expresa de distintas m aneras. En prim er lugar, la m ayor
das se constataron en casos concretos. parte de ias m ujeres que tenían una relación estable con un hom bre en el m om en­
Las casas de m adres de santo y la m ayoría de las casas donde viven hijas to de acercarse al culto contaron que sus com paneros m ostrai on una term inante
de santo son encabezadas por m ujeres, incluso cuando tienen m arido. En gene­ oposición a ese acercam iento. En estos casos, sólo cuando el santo, en su insis­
ral, los esposos de las m ujeres del culto, cuando viven con ellas, no ejercen tência en “ hacerse”, llega a arriesgar Ia vida de la hija con enferm edades, desm a-
autoridad alguna en el hogar ni tom an decisiones. Entre los m iem bros del culto yos repentinos o pruebas de desequilíbrio m ental inm inente, los maridos, pre­
predom inan las uniones consensuales, p o rlo co m ú n d e breve duración (llam a-' ocupados por la opinión pública, se som eten a su deseo y aceptan la iniciacíón
das relaciones de concubinato en B ahia y analizadas en Frazier, 1942; H ersko- de la mujer. De todos modos, en m uchos de los casos registrados esas uniones
vits, 1943,1966, y Ribeiro, 1945). Los padres de santo de orientación preponde­ term inan poco después de la entrada de la m ujer al culto. Padres y m adres de
rantem ente heterosexual y que tienen esposa suelen visitar alguna otra casa o santo advierten antes y a veces consagran una breve charla inaugural, durante el
“filial” en la cual tienen otra m ujer. C om o ya dije, los parientes ficticios, sean prim er ritual de la iniciación, a recordar que las responsabilidades y la dedicación
hijos de crianza o m iem bros de la fam ilia de santo del je fe de la casa, en general exigidas por el culto están en abierto conflicto con las expectativas de obediencia
form an parte de la unidad dom éstica; tam bién es frecuente la presencia de y devoción relacionadas con la vida de casada de acuerdo con los valores vigen­
residentes tem porários. El cuadro se com plica, adem ás, por la costum bre m uy tes. Com o suelen decir, las periódicas salidas del hogar durante varios dias para
habitual de dar y recibir hijos de crianza, con carácter tem poral o perm anente, y ayudar en los rituales de la casa de santo, así com o la frecuente dem anda de
la presencia frecuente de com paneros hom osexuales de los líderes de las casas. abstinência sexual requerida tanto para entrar al cuarto del santo (donde se guar-
L a adopción (no legal) de ninos es una actitud sum am ente valorizada por m a­ dan las piedras de basam ento y los sím bolos rituales) com o para que éste pueda
dres y padres de santo; las parejas hom osexuales acostum bran colaborar en la bajar en posesión, y los largos períodos de reclusión durante la iniciación y los
crianza de los hijos, situación m ás com ún entre las m ujeres pero en m odo rituales de su renovación, exigen un grado de libertad no perm itida por un m atri­
alguna desconocida entre los hom bres. m onio ortodoxo. Los dirigentes del culto reiteran hasta el can san d o la prioridad
A la luz de m is observaciones y de los testim onios recogidos, llegué a la del santo sobre el marido y esperan que éste acepte perder una parte significativa
conclusión de que, en el m edio social del culto, las uniones consensuales de la influencia que tenía sobre la mujer.
pueden defínirse sim plem ente com o acuerdos m ás o m enos estables entre dos A dem ás, el desaliento activo de la institución del m atrim onio por parte
indivíduos cualesquiera que deciden convivir, cooperar y m antener una in- del culto se indica en la ausência de to d a form a de ritual para la legitim ación
teracción sexual. En síntesis, la bisexualidad es a mi ju icio la orientación predo­ religiosa de ese vínculo. Por otra parte, se p roclam a con insistência que, una
m inante entre los m iem bros del culto, im presión reiteradam ente confirm ada en vez que una persona (sobre todo una m ujer) entra en el culto, sólo el santo
los testim onios de m is inform antes y que encuentra eco en las inform aciones gobern ará su vida y a él, antes que a nadie, se debe lealtad y obediencia.8 En
obtenidas por P eter Fry en B elém de Pará:
8 El siguiente testimonio ilustra con claridad esta situación. Habla una íamosa y
Un padre de santo fue más explícito: en todo el Brasil y especialmente en
cxitosa madre de santo de Recife:
Pará y Maranhão, si uno observa con cuidado, se verá en dificultades para T.: Una vez vivi con un hombre que ya murió. Ese hombre me había dicho que si no
encontrar un padre de santo o una madre de santo totalmente ortodoxos en aceptaba vivir con él, me iba a matar. Pero Orixalá, mi santo, ya había dicho que no
matéria de sexo. Todos tienen alguna falia. El candomblé nació, en parte, en debía quedarme con él dentro de la casa porque no la pasaría bien. Pero el hombie
provecho de la homosexualidad (1977, p. 121). insistió. Era un hijo de Xangô. Un dia, yo estaba con él y Orixalá -'me pegó” [tomo
posesión de mí] y dijo: “ hijo de Xangô: soy Orixaogiã Bomim [se da a entender la

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I
m uchos casos, la autoridad dei santo llega a actuar com o una protección para m uchos hom osexuales en las casas de culto de Belém , un líder que carece de
ella frente al m arido, y no es infrecuente que el santo dc una m ujer poseída fam ilia dispone con m ayor libertad de sus ganancias y puede reinvertirlas cons­
am enace con gravedad o dé consejos im perativos al m arido, lo cual genera tantem ente en el culto (Fry, 1977, p. 118).
situaciones que serían im pensables en el contexto íuertcm enle patriarcal de la Las polêm icas sobre el carácter sistem ático o asistem ático dei parentesco
sociedad nordestina en su conjunto. afroam ericano com enzaron a princípios de la década de 1940. En esos prim eros
E ntre los hom bres tam bién son notorias algunas regularidades. Todos anos, Franklin F razier caracterizo las clases pobres de B ahia que se agrupaban
los padres de santos que conocí m antenían o habían m antenido más de una en torno de los candom blés com o carentes de una base fam iliar consistente y
com panía sexual sim ultáneam ente, lo cual solía ser de conocim iento público. reconocible (Frazier, 1942, pp. 470-478), y considero el casam iento y los arre-
Los m iem bros dei xangô consideran que ese tipo de prom iscuidnd (que no glos de com panías sexuales com o prácticas fortuitas. Por ejem plo, decía lo
inciuye el incesto) tiene el m ism o papel que el celibato de los sacerdotes entre siguiente sobre un im portante padre de santo dei candom blé bahiano: “ el com -
los católicos. D e hecho, la libertad sexual de los padres de santo, sólo vedada portam iento sexual de mi informante era notoriamente prom iscuo” (Frazier, 1943,
con respecto a las relaciones con sus propios hijos e hijas de santo, asegura p. 403). H erskovits pretendió contradecir las apreciaciones de Frazier e intento
que su disponibilidad no sea inhibida por las exigencias de vínculos fam iliares atribuir lo que parece casual o desorganizado en el parentesco afroam ericano a
intentos y excluyentes. C om o argum enta Fry, al intentar explicar la presencia de lap ersisten cia de concepciones africanas sobre la organización fam iliar en un
nuevo m edio social; la fam ilia poligínica africana habría sido “reinterpretada en
térm inos de com panías sexuales m últiples sucesivas y y a no sim ultâneas” (H er­
iiutoridnd pnterna de Orixalá sobre Xangô], el dono-do-ori de mi hija [la mujer poseí- skovits, 1966, p. 58). En el caso de las poblaciones negras dei Caribe y Estados
da y ahoni nnrrndora de la historia], ^Qué dia es hoy?”. U nidos, la variabilidad e inestabilidad de los arreglos dom ésticos se vieron en
"Miércoles." general com o una consecuencia negativa de factores econôm icos (Sm ith, 1956;
"Hueno, no verás otro d In como éste con ella.” Había mucha gente presente que lo vio
C larke, 1957), históricos (K ing, 1945) o dem ográficos (O tterbein, 1965). Las
y todavia hoy se ncuerdnn, peroyo no lo crcí. Al domingo siguiente, estabacomiendo
unidades dom ésticas m atrifocales fueron ju zg ad as com o defectuosas y el pa­
con él cumulo perdi I» voz, las piernas se me quedaron como muertas y me empeza-
ron a brotar lágrimns. LI me preguntó qué pasaba. No pude hablar. Tenía un dinero rentesco, com o una consecuencia dei derrum be social.
para darlc y i|iic se liieni, pero me dalin lástima echarlo. Me quedé sin poder decir Más recientem ente, R aym ond Sm ith, quien en la década de 1950 acunó el
nada durante un tiempo y me llevnron a In cama. Un poco después consegui hablar térm ino “m atrifocal”, reaccionó contra ese enfoque y volvió a destacar el carác­
otra vez y dije que no eni nmlii serio y que le tlarln algo de dinero para que se fuera; que ter sistem ático dei parentesco afronorteam ericano. Según este autor, las clases
estaba muy triste por tener que celini io. pero el snuto no queria vemos juntos, así que bajas en general y las poblaciones afroam ericanas en particular no hacen hin-
debía irse. Inmedialamente me iigimó aquello y me quedé sin voz. Ahí habló él: capié, com o las clases m edias, en la fam ilia nuclear, sino en la solidaridad entre
“ jNo, no, si es asi yo mismo me minuto n mudar!”. Cmindo dieron las seis junté las m adre e hijo (Sm ith, 1970, p. 67), lo cual no debe interpretarse com o una falta de
cosas de él y tiré lodo lo que puilieni neeesitnr. Y endn vez que la fuerza de Orixalá me sistem a sino com o una form a de organización alternativa.
dejaba por un momento, llornbn, Kl ilijo: "IVroT., si es para vivir conmigo, vives, y si En esta m ism a línea de pensam iento, autoras com o S tack (1 9 7 4 ) y Tanner
no, no vives. iQuédate tninquil», deja de suti ir!". Se fue a las cuatro de la manana. Lo
(1974) procuraron encontrar un m odelo para dem ostrar que las relaciones de
acompaflé hasta el porlón sin llornr nl ileeir unn pnlabra. Yo no estaba en mí. Cuando
parentesco entre los negros norteam ericanos de clase baja son sistem áticas y
volvi, lloré tnnto que eiel que me ihu n dnr un ntaque. Todo el mundo lloró. Dos dias
después ()gum hujó |en posesióu | y d(jo: "No quiero ver a mi hija derramar lágrimas por no desorganizadas. Según Stack, la coherencia de este sistem a de parentesco
ningún hombre. Mi hijti no debe pensnr ni preoeupar.se por causa de ningún hombre”. puede com probarse si se tom an en cuenta las estrategias articuladas en él para
[Ogum es el eimrlo santo de In cnheza de T.| línlonces lodo se terminó y no lloré más. expandir y fortalecer los lazos de afinidad y, de ese modo, am pliar la red de
Knseguida hi\j<%Orixnlá en un loque y me ilijo que de ahí en adelante podría gustarme relaciones con las cuales podrá contarse en caso de necesidad. En los térm inos
cunlquier otro hombre porque yo ern de enrne, era matéria, pero que ningún hombre utilizados p o r Tanner, “el sistem a de parentesco afro(norte)am ericano prioriza
podrln enlnir n mi ensn pnrn ser ilueflo: los iluetlos de mi cása eran sólo ellos, mis santos. la flexibilidad” y depende de redes extensas y relaciones “ que pueden ponerse
1’oilrin snlir con un hombre, un hombre podrln visitarme, me iba a poder “gustar” alguno en ju e g o según las necesid ad es” ; “m uchas veces, parientes (consanguíneos)
|...| pero ningún hombre podrln quednrse pnrn ser el jele, el dueno de lacasa. v iv e n ju n to s y unos se ocupan de los hijos de otros” (1974, p. 153). U na de esas

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estratégias reeonocibles consiste en la existencia de “ unidades dom ésticas vertical existente entre el líder de la casa de santo y sus hijos de santo. La
con fronteras elásticas” (Stack, 1974, p. 128), vale decir, mliipluhlcs a câm bios relación entre herm anos de santo ocupa el segundo lugar en im portancia. A un­
freeuentes en su com posición y abiertas para dar cabidn n Innlos parientes que toda iniciación requiere la participación ritual de un padre y una m adre de
com o .sen necesíiiio, al extrem o dc que a veces es difícil decir en qué casa vive santo del nuevo hijo, éste sólo se considerará m iem bro de la casa de uno de
un im lividuo determ inado (ihicl., p. 116). O tra estratugia obsetvm la es la de ellos: en general, la casa donde se celebro la cerem onia. Por consiguiente,
lim ilar de m anera sistem ática las posibi 1idades de éxito de las uniones eonyuga- puede decirse que hay fam ilias de santo encabezadas por hom bres y otras
les, ya que lodo m atrim onio estuble y que constituya una lamilin nuclear impli- encabezadas por m ujeres, sin que esto im plique diferencia alguna en su estruc­
en la pérdida de un purienle puni la red de parentesco consangulneo dc la cual tura. Si el líder de la casa es hom bre, él o el iniciante designará una m adre de
proviene uno de los lónyuncs, Sin em bargo, y a pesar de que lus relaciones santo para coofíciar en el ritual de la “hechura” ; si el líder es una mujer, se
verlicales enlre nnulre e hijos y Ins ivIucloncN hori/o n ln les enlrc herim inos son invitará a un padre de santo.
los ejes del sistem a y despln/im nl m ulrim onio de In posición tle pivole, lo* D espués de la iniciación, padre, madre, herm anos y herm anas “ legítim os”
vínculos de alinidad con la red cousaiinulnea del iónyu)j,r si^uen disponibles - d e sangre, según el vocabulario de los m ie m b ro s- del nuevo hijo de santo, si
y pueden aclivarse. los hay, quedan relegados a una posición secundaria, y los nuevos parientes
Un KecMe, esa sistem alicidud allora y asunie características sim ilares a las ficticios com ienzan a ser designados con esos térm inos y sustituyen a aquéllos
m encionadas por Slack y Tanner en la lam ilia de sanlo y la im portancia atribuí­ en todas las prerrogativas que tengan: lazos de solidaridad, obediencia, respe-
da a las lorm as de parentesco ficlicio. La gran diferencia entre el parentesco to, etc. U na vez m ás, las norm as del culto relativizan los factores biológicos. No
descriplo por estas autoras y el que m e interesa aqui es que el prim ero todavia puede haber -y , curiosam ente, nu n ca h a y - superposición entre el parentesco
se apoya en la consanguinidad com o fundam ento de los vínculos fam iliares, religioso y el parentesco “legítim o” . E sa superposición se considera com o una
m ientras que el segundo no atribuye a la sangre ese significado relevante. especie de incesto, aunque no se em plee este térm ino ni otro equivalente. Una
Intentaré m ostrar dos puntos im portantes en relación con la fam ilia de santo. El persona no puede ser m adre o padre de santo de sus hijos legítim os, ni de su
prim ero retom a la cuestión de la negación del m atrim onio com o institución padre o m adre legítim os, ni de su cónyuge o com panero sexual actual o anterior.
central de la organización social, una cuestión que, com o quedó claro, adem ás U n padre o m adre de santo no puede convertirse en com panero sexual de uno
de ser im portante para entender el com portam iento social de los m iem bros del de sus hijos de santo, y cuando esto ocurre, la situación term ina en general con
culto, está senalada por la incom patibilidad sim bólica de Ias parejas m íticas y el alejam iento voluntário del hijo o la hija.
tam bién es designada por Stack y Tanner com o una de las estrategias cruciales D ebe senalarse una omisión significativa: no hay nada prescripto en cuanto
para com prender el parentesco de los negros de clase baja de A m érica del a la superposición entre parentesco de santo y p arentesco legítim o en las
N orte. C om o tiataré de dem ostrar, este tem a está igualm ente presente en la personas que actúan ju n tas com o padre y m adre de santo en una iniciación. En
estructura de la fam ilia de santo. El segundo punto consistirá en exponer la realidad, no existe regia alguna, sea para prescribir o prohibir cualquier tipo de
irrelevancia de las determ inaciones biológicas en la defm ición de los roles relación entre un padre y un a m adre de santo que ofician ju n to s en una o más
sociales dentro de la fam ilia de santo, en contraste con el intenso determ inism o iniciaciones: podrán ser herm ano y herm ana legítim os, padre e hija, cónyuges o
biológico que gobierna la defm ición de los papeles rituales. com paneros sexuales o, sim plem ente, am igos y colegas. A pesar de existir un
La fam ilia de santo representa la cristalización de un sistem a de norm as concepto para cada uno de los roles sociales dentro de la fam ilia de santo
básicas de interacción expresadas en térm inos de parentesco. El núcleo de esta -m a d re , padre, hijo, hija, herm ano y herm ana de san to -, no existe noción alg u ­
fam ilia religiosa ficticia está com puesto por una “m adre” o un “padre de santo” n a de m arido y m ujer dentro del parentesco religioso, y ningún térm ino indica la
y sus “hijos de santo” ; su lugar es la “casa de santo”, donde vive el padre o la existencia de un rol social relacionai entre estas dos personas dentro de la
madre, aunque no es necesario que en ella residan todos los hijos. Lo que fam ilia de santo. A dem ás, cada uno de los integrantes del par cooficiante en
etinielcrizu este lugar es que en él se guardan las piedras de basam ento y los uno o m ás rituales de “hechura de santo” puede p articipar individualm ente en
NlmhnloN mnlcriules portcnecientes al orixá del líder de la casa -m adre o padre otras iniciaciones, en las cuales cooficiará con distintos com paneros rituales
ile Ktllllo , hnI c o m o los pertenecientes a algunos de sus hijos de sanlo (véase sin lim itación de núm ero. En otras palabras, el padre y la m adre de santo de un
1'HfVnllui, I ), lil e |e de estn estructura de parentesco lleticio es la relación m iem bro no son concebidos com o u n ap a reja desde el punto de vista del paren­

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tesco fictício. La fragilidad de la relación conyugal dentro de la fam ilia de santo, Por últim o, es im portante destacar que la casa de santo es, al m ism o
en contraste con la im portancia de la relación vertical entre la m adre o el padre tiem po, un centro de culto en el cual se celebran varios tipos de rituales, y el
de santo y sus hijos de santo, se asem eja al principio de organización y a iden­ locus de una unidad social, la fam ilia de santo. Estos dos aspectos no deben
tificado por Stack y Tanner en el parentesco afronorteam ericano. confundirse. Por lo dem ás, es necesario distinguir los roles sociales de los roles
C om o una unidad social, la fam ilia de santo pone al alcance de sus m iem ­ rituales atribuídos a los m iem bros de la fam ilia de santo. N o obstante, com o
bros un sistem a de parentesco alternativo que es organizado y estable, a pesar m ostraré, estos últim os se asignan estrictam ente de conform idad con el sexo
de ser bastante esquem ático, y que libera a las personas de la incertidum bre de b iológico de la persona; no sucede así con los prim eros. De hecho, aunque
tener que contar únicam ente con la cooperación y la solidaridad de las relacio ­ durante un ritual una m adre y un padre de santo tengan bajo su responsabili-
nes de parentesco legítim o, en general frágiles y poco articuladas. En este dad la realización de actividades específicas, en la esfera propiam ente social
sentido, la fam ilia de santo im ita a una fam ilia afroam ericana simple y com pleta­ cualquiera de ellos, com o ya dije, puede ser de m anera indistinta el líder de una
m ente confiable, dado que se apoya en sanciones sobrenaturales y se legitim a casa y, en ese carácter, tener a su cargo las m ism as obligaciones y disfrutar de
ritualm ente. En algunos casos, cuando el m iem bro proviene de una fam ilia bien los m ism os derechos, así com o satisfacer el m ism o tipo de necesidades de sus
constituída en térm inos de la ideologia dom inante de la sociedad brasilería, la hijos de santo. U na de las debilidades de los estúdios afrobrasilenos ha sido la
fam ilia de santo funciona com o una extensión de e lia y am plia la red de perso­ dificultad p ara diferenciar entre roles sociales y roles rituales dentro de la fam i­
nas a quienes puede acudirse en busca de ayuda en caso de necesidad. Este lia de santo.
sistem a tiene la peculiaridad de no excluir a las m ujeres del liderazgo fam iliar, Si consideram os la fam ilia de santo com o una unidad social, los roles m as­
com o sucede en la fam ilia patriarcal, ni a los hom bres, com o en la fam ilia matri- culinos y fem eninos no están diferenciados. De acuerdo con m is informantes, las
focal, ya que cualquier hom bre o m ujer iniciados dentro del culto tienen la funciones de m adre y padre de santo son roles sociales equivalentes y no es
posibilidad de convertirse en je fe s de una fam ilia de santo. posible sefíalar ninguna atribución que distinga el desem peno social de cada uno
Las estrategias que, de acuerdo con Stack y Tanner, dan consistência y de ellos. N inguno de mis inform antes aceptó jam ás la sugerencia de que la madre
regularidad al parentesco afronorteam ericano, tam bién pueden identificarse en y el padre de santo, en cuanto dirigentes de una com unidad, actuaran de m aneras
el sistem a norm ativo de la fam ilia de santo, aunque expresadas en térm inos específicas, y toda variación de conducta se atribuyó siem pre a idiosincrasias
religiosos y rituales. El parentesco ficticio religioso se extiende flexiblem ente a personales o a los santos (personalidad) del líder. A unque se diferencien y se
lo largo de una am plia red de casas em parentadas, cuyos m iem bros pueden ser opongan en m atéria de atribuciones rituales, socialm ente sus responsabilidades
llam ados a colaborar. A pesar de la insistência en las relaciones verticales entre son idênticas: am bos dan orientación y consejo a los hijos, hacen de interm ediá­
m adre o padre de santo e hijos de santo, en desm edro de la relación entre m adre rios entre los orixás y los hijos o clientes a través de la consulta del oráculo de
y padre de santo, un hijo puede contar con la ayuda y la solidaridad de cual­ cauris y recogen y redistribuyen los recursos disponibles en la red de relaciones
quiera de los dos lados (de cualquiera de sus fam ilias fictícias de orientación). religiosas (Silverstein, 1979, describe adecuadam ente esta función con referencia
A sí, por ejem plo, un hijo iniciado por un padre de santo en colaboración con a las m adres de santo de Bahia). D el m ism o modo, se espera que hijas e hijos de
una m adre de santo en una casa determ inada podrá disponer, a veces, de la santo, indistintam ente, obedezcan las directivas del líder y com parezcan cuando
ayuda de otro hijo de santo “hech o ” en otra casa por el m ism o padre, en son llamados a cooperar. En realidad, tanto los roles sociales de conducción
colaboración con otra m adre. U na serie de estrategias que, en general, invocan com o los de subordinación pueden describirse com o papeles andróginos y hom ­
la voluntad de los orixás y sus poderes para castigar la desobediencia, suelen bres y m ujeres pueden desem penarlos con m ás com odidad si muestran en su
im plem entarse com únm ente para reclutar nuevos m iem bros y evitar el aleja- com portam iento una com binación de actitudes y habilidades m asculinas y feme-
m iento de los m ás veteranos. El objetivo es la preservación y la expansión ninas. En otras palabras, se estim a que los hom bres que presentan facetas feme-
constante de la red de relaciones ficticias com o recurso de supervivencia. D en­ ninas y las m ujeres con facetas m asculinas acum ulan una gam a más am plia de
tro de esas redes, los líderes de las casas de santo, com o sucede con los experiencias y son capaces de com prender las necesidades espirituales de una
afronorteam ericanos, se consideran obligados a brindara alojam iento y servi- m ayor cantidad de hijos y clientes. D e allí, tam bién, la preferencia antes m encio­
cios -in c lu íd a la aceptación de hijos para c r ia r - a cualquier m iem bro relaciona­ nada por una com binación de un santo m asculino y un santo fem enino en la
do, si éste lo solicita. cabeza de los m iem bros.

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P or otra parte, y en franco contraste con todo lo expuesto hasta aqui, berán resp etar las personas que tom en parte en los rituales indica, asim ism o,
todas las actividades ejecutadas en los rituales se distribuyen estrictam ente de que la esfera ritual está al m argen de la esfera de la sexualidad, con su relativi-
acuerdo con el sexo de la persona. Tuve repetidas m uestras de que en la esfera zación dei sexo biológico.
ritual las categorias naturales de m acho y hem bra adquieren una significación El ritual apunta a la naturaleza com o un horizonte de referencia inm utable,
de )a cual carecen en todas las dem ás esferas de interacción. Si hacem os una pero lo hace p ara contrastaria con la fluidez de las opciones hum anas: m acho y
rápida revista de !a distribución de roles en la organización de los rituales, hem bra son datos de la naturaleza y com o tales cuentan en el ritual, pero son
com probarem os que sólo los hom bres pueden sacrificar los anim ales ofrenda- irrelevantes en el m undo hum ano de la cultura, vale decir, en los roles sociales,
dos a los orixás, hacer los oberés (incisiones en la piei) y rapar la cabeza de los la personalidad y las preferencias sexuales. Todos estos niveles aparecen v in ­
iniciantes, entrar en la “habitación de Igbalé” , donde habitan los espíritus de culados en la ideologia dom inante, que los fuerza a ajustarse a equivalencias
los m uertos, y oficiar para ellos, tocar los tam bores, cantar para Lxu y abrir y convencionales; pero, a través de la visión dei m undo característica dei xangô,
cerrar los “toques” o rituales públicos, si bien fui testigo de ocasiones en las resulta evidente el carácter arbitrario de esas eq uivalencias.9
cuales las tres últim as prohibiciones no fueron respetadas, lo cual hace pensar
que son m enos rigurosas que las cuatro prim eras, siem pre observadas. A su
vez, los roles rituales fem eninos se consideran indispensables y com plem enta­ 5. La sexualidad y los conceptos que expresan
d o s de los m asculinos, pero las responsabilidades asociadas a ellos consisten la identidad sexual
en la ejecución ritualizada de tareas dom ésticas. Las iabás (ayudantes rituales)
asisten al oficiante en lo que sea necesario, cuidan a las personas en estado de En sus m uchos anos de investigación en las casas de culto de Recife, Ribeiro
posesión y preparan las com idas que se ofrecerán a los santos. Las m adres de com probó que un gran porcentaje de los hom bres experim entan lo que descri-
santo supervisan todas estas actividades y ayudan al padre de santo y a su ben de m anera valorativa com o “dificultad en la identidad sexual” (Ribeiro,
acipu (su ayudante) en la m anipulación de los m ateriales necesarios para la 1969, p. 8) y que la hom osexualidad entre m ujeres dei culto no es infrecuente
ofrenda. La prohibición que im pide a las m ujeres con m enstruación recibir al (Ribeiro, 1970). Por mi parte, escuché reiteradas veces a m is inform antes opinar
santo en posesión o entrar a la “habitación de santo” (donde se guardan las que la hom osexualidad “es un a costum bre” en el “pueblo dei santo”, sobre
piedras de los santos y sus sím bolos rituales) parece confirm ar los fundam en­ todo entre las m ujeres. E sto se considera a tal punto un hecho cierto que,
tos “ naturales” de las categorias destacadas por el orden ritual. A dem ás, en los cuando dos m ujeres viven ju n tas y se ayudan una a otra, se presum e autom á-
toques, la distribución espacial de los danzantes se organiza de acuerdo con el
sexo: los hom bres bailan en el círculo interior y las m ujeres, en el círculo exte­ 9 A título de ciiriosidad, recuerdo aqui que Lévi-Strauss indica una oposición entre
rior. U na persona sólo puede dejar esta fonnación e ir a bailar frente a los ritual y mito, en la cual el primero es visto como una reacción al modo como el hombre
tam bores cuando es poseída por su santo. De hecho, con la posesión, el sexo piensa el mundo. Con la salvedad de que en el texto de Lévi-Strauss, el rito, por su
biológico vuelve a ser irrelevante y sólo el sexo dei santo se expresa en los sintaxis, corresponde a la fluidez dei vivir, mientras que el mito refleja las unidades
gestos, los sím bolos m ateriales y la ropa exhibidos en la danza dei orixá que discontinuas dei pensar (Lévi-Strauss, 1983, p. 615). En los términos de Leach:
“ha bajado” . “ Ritual, according to Lévi-Strauss, is a procedure we adopt to overcome the anxieties
El énfasis dei ritual en categorias basadas en el sexo biológico se opone which are generated by this lack of fit between how things really are and how we
a la falta de una división sexual dei trabajo en la fam ilia de santo com o unidad would like to think about them. (1976, p. 13).” [El ritual, según Lévi-Strauss, es un
procedimiento que adoptamos para superar las angustias generadas por esa falta de
social y a la irrelevancia de ese sexo para la definición de la personalidad indi­
correspondencia entre las cosas tal como son en la realidad y el modo como nos
vidual y la sexualidad. Volverc a referirm e a la sexualidad en la próxim a sección
gustaría pensarlas.]
y las conclusiones, pero es im portante senalar que en los rituales, los hom bres
Desde mi punto de vista, esta oposición existe en el xangô, pero invertida: en él. el
exclusivam ente hom osexuales asum en papeles m asculinos y actúan com o pa­ ritual enfatiza la discontinuidad de ciertas categorias recortadas sobre la base de las
dres de santo o acipas. De este modo, el ritual pone de m anifiesto que la esfera discontinuidades dei mundo de la naturaleza, mientras que el pensamiento mítico refleja
de la sexualidad se concibe com o integram ente separada de las categorias Ia versatilidad de las combinaciones posibles en el mundo humano dei pensam iento y la
naturales de m acho y hem bra. A dem ás, ia rigurosa abstinência sexual que de- cultura.

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ticam ente que tam bién son com paneras sexuales; así sucedia, al m enos, con se había casado legalm ente pero estaba separada y era m adre de un nino y de
todas las parejas de am igas que conocí. una hija de crianza. La gente solía com entar que “nu n ca le gustó ninguna
N o obstante, es habitual que estas m ism as personas declaren que la ho- m ujer” y hacían brom as entre sí y delante de ella, en las cuales expresaban la
m osexualidad es una costum bre indecente y acusen a otras de practicarla, convicción de que tarde o tem prano eso iba a suceder. Este caso es u na buena
haciéndolas objeto de sus burlas. C om o ya dije, a lo largo de m uchos m eses, ilustración de que, al m enos en lo concerniente a las m ujeres, la hom osexuali­
durante mi tercer período de trabajo de cam po, las afírm aciones de m is infor­ dad no es considerada en sí m ism a com o una cuestión de identidad separada,
m antes parecieron ajustarse a la ideologia dom inante de la sociedad brasilena y sino en relación con la gam a de experiencias susceptibles de vivirse. A dem ás,
estar en franca contradicción con su propio estilo de vida. Esto m e ensenó a no la norm a p ara las m ujeres es m ás la b isexualidad que la hom osexualidad o la
lim itarm e nunca al nivel del discurso enunciado o suponer que éste representa heterosexualidad exclusivas, y m uchas de ellas viven en com panía de un hom ­
de m anera lineal la ideologia del grupo; aprendi tam bién la im portancia de dife­ bre y una m ujer sim ultáneam ente.
renciar la conciencia discursiva de la conciencia práctica (G iddens, 1979, pp. 5 t Existe, es cierto, la idea de que algunas m ujeres son más m asculinas que
y 208). Luego adverti que, sin conflicto aparente, las personas reconocen y otras, pero esto surge de una evaluación global de su identidad de gênero y no
aceptan los m éritos y ventajas de los valores im perantes pero, de algún modo, de su m era sexualidad. Por ejem plo, conocí a una m adre de santo a quien algunas
no se consideran alcanzadas por ellos. A sí, no surge culpa, aflicción o resenti- personas califícaban de “m ujer hom bre” , y argum entaban que su santo dueno de
m iento por la certeza de “estar errado” . H ay apenas la precaución y la p rudên­ la cabeza, su ayuntó y un tercer orixá que tenía eran “santos hom bres” ; agrega-
cia de aclarar que se conocen las regias (aunque no se ju e g u e con ellas). ban que nunca había tenido relaciones sexuales con hom bres y ya no m enstrua-
Por m uchas razones, en su m ayor parte concem ientes a la asim etría de los ba. Pero también existen mujeres que declaran preferir las relaciones hom osexua­
roles fem eninos y m asculinos tal com o los concibe la ideologia dom inante, la les, aunque sean consideradas m uy fem eninas en función de sus santos.
hom osexualidad no es en hom bres y m ujeres un fenôm eno totalm ente equiva­ El caso de los hom bres es diferente: en ellos, la p referen cia sexual se
lente. Esto se advierte con claridad, por ejem plo, en el hecho de que para los trad u ce en térm inos que expresan identidad. Si bien no existe un a p alab ra
hom bres existen algunos térm inos que reifícan la preferencia sexual en una eq u iv alen te al térm in o inglês stra ig h t, en contraste se u tilizan apelativos
identidad, es decir, hay ciertos conceptos indicativos de la identidad en rela­ com o “m ariq u ita” [“bicha"], “p o llo ”, “ a d éfero ” o “akuko a d ie”; estas dos
ción con la preferencia sexual, m ientras que en las m ujeres no se aplica ninguna últim as son palab ras de la len g u a y o ru b a .10 Los a d éfero s son hom bres que
noción de este tipo. tien en p referen c ia por las relacio n es h o m o sex u ales y, en gerferal, expresan
N o se utilizan las expresiones “am or” o “estar enam orado”, y al describir esa orien tació n p o r m edio de g esto s diacríticos de fácil reconocim iento. Sin
sus relaciones am orosas, sean de corta o larga duración, la gente habla de em bargo, esos gestos no se co n sideran indicadores de la p ersonalidad sino
“gustar de alguien” . Las m ujeres, sobre todo, cuando no m encionan el nom bre
de la persona que les gusta o les gustó en otro tiem po, sustituyen ese nom bre
por el térm ino “criatura” . A sí, por ejem plo: “en esa época m e gustaba una 10M i colega yoruba Yemi Olaniyan me ensenó la ortografia y traducción de las
criatura de la casa de la m adre” , para senalar así, con una pizca de humor, la palabras adéfero y akuko adie. Olaniyan también dice estar convencido de que entre
los yorubas de Nigéria no existe la homosexualidad y jamás conoció ningún caso. Más
irrelevancia del sexo de la persona aludida. La palabra “ lesbiana” , aunque co-
aún, dice no conocer término alguno en la lengua yoruba que sirva para designar ese tipo
nocida, no se em plea jam ás y, de hecho, no existe térm ino alguno que denote
de comportamiento. Informaciones recogidas por Ribeiro (1969, p. 118) parecen con­
una idea de oposición entre una m ujer que tenga relaciones hom osexuales y
firmar esa afirmación. Akuko adie significa “ pollo” y es, por lo tanto, la traducción
otra que no las tenga, o que indique la pertenencia de am bas a distintas catego­ literal del término vulgarmente empleado en Recife para denominar a los hombres con
rias. El siguiente ejem plo m uestra con claridad el punto de v ista del pueblo del preferencia por las relaciones homosexuales. Adéfero tiene dos traducciones posibles,
santo: en una casa de santo que estudié, había una hija de santo cuya m adre según la entonación original de la palabra, perdida con su paso al contexto português.
había sido una fam osa hija de X angô, conocida en todo Recife. L a m adre m an- Ambas traducciones son nombres personales. La palabra puede significar “ la corona se
tuvo una relación con otra hija de santo de la casa durante m uchos anos y extiende hasta la corte” o “ el hombre que lleva la corona se convirtió en parte de la
am bas criaron a una nina que, en la época de m i investigación, y a tenía unos corte” , y en general indica que la persona así llamada pertenece a una familia cuya
treinta y cinco anos y había sido iniciada dos décadas antes. E sta últim a m ujer posición se elevó gracias a un miembro de la corte. Por otro lado, puede tratarse de la

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de la p referen c ia sexual dei hom bre y, de hecho, existen m uchos adéferos en çu b ierta p o r la su p erp o sició n de categ o rias p ro ced en tes de la id eo lo g ia
cuyo dueno de la cabeza es un o rix á m asculino. D el m ism o m odo, com o y a d o m in an te que congelan la p referen c ia sexual en una id en tid ad que p o d ría­
dije, los adéferos ofician en roles rituales m asculinos y tienen m ucho éxito en m os ca lifícar de p seu d o so cial, porque se trad u ce en térm in o s de un a categ o ­
el papel andrógino de líderes de casas de santo. C on sus exp licacio n es, el ria social. ,
p ersonal dei santo deja en claro que los adéferos no son tran sex u ales. En D e esta m anera, la co m p leja com posición de la identidad de un indivíduo
rigor de verdad, la tran sex u alid ad sólo puede existir en el seno de u n a cosm o- resulta de su desem peno en cuatro niveles o esferas que, aunque vinculados
visión en la cual los atrib u to s dei gênero fem enino, así com o los dei gênero p o r equivalencias forzosas en la visión dei m undo dom inante, se m uestran
m asculino, se conciben en bloque; vale decir, u n a visión dei m undo en la cual independientes en la experiencia de los m iem bros dei xangô; se trata de los
la personalidad, el rol social y la sexualidad están in d iso lu b lem en te v in c u la­ niveles biológico, psicológico, social y sexual. Con referencia a la identidad de
dos a uno u otro gênero. gênero, el individuo se sitúa en algún punto de un contim ium que va de lo
Si pro fu n d izam o s un poco m ás, es im portante aclarar que, aunque la m asculino a lo fem enino, de conform idad con un a com binación de rasgos que
identidad dei adéfero se defin a por la p referen cia p o r las relacio n es h o m o ­ le es peculiar; alguien con una anatom ia m asculina, que tiene dos santos h om ­
sexuales, m uchos de ellos m antienen, po r lo m enos, una relación heterosexual bres y sólo se relaciona com o okó con sus com paneros sexuales, estará cerca
durante una etapa de su vida, y otros - e n tr e ellos, algunos fam osos padres dei polo m asculino, m ientras que otra persona con una anatom ia fem enina, dos
de santo de R e c ife - tienen m ujer e hijos. La m ayor parte tiene o p rocura ten er santos fem eninos y que sólo “g usta” de hom bres, se encontrará próxim a al
un okó (p ala b ra y o ru b a que sig n ifica “m a rid o ”). Es p reciso sen alar que okó polo fem enino. A dem ás, si la prim era de estas personas tiene a O gum com o
no d esig n a un estatus sino un tip o de relación; esto es, nadie es okó de por prim er santo, estará aún m ás cercana al polo correspondiente, y si la segunda
sí sino en rela ció n con otra persona, sea ésta un adéfero o una ob in rin (“ m u­ tiene a O xum com o duena de la cabeza, quedará más próxim a al extrem o fem eni­
je r ” en yoruba). P or lo dem ás, puede decirse que en estas categorias existe un no. En el caso de las m ujeres tam bién se to m a en cuenta un cuarto factor: com o
m argen de m ovilidad; conocí por lo m enos un caso de un hom b re que había sucede en m uchas sociedades africanas, una m ujer que y a ha atravesado la
sido un n o torio adéfero y se convirtió en okó de u na m ujer, ab andonando m enopausia se sitúa en una posición m ás cercana al polo m asculino que otra
aquella identidad. D e hecho, en el tran scu rso de m i in v estig ació n llegó un que todavia m enstrua.
m om ento en que tu v e la n ítid a im presión de que la sexualidad, vale decir, las L a relevancia de este sistem a com plejo de com posición de la identidad de
p referen cias sexuales de los m iem bros dei culto, no tien en su fund am en to en gênero rad ica en que un a persona situada en la parte central dei espectro, com o
el sexo biológico, ni en la personalidad, ni en el rol social, y que la activ id ad puede ser el caso de quien com bina un santo hom bre y un santo m ujer y tiene
sexual es, en últim a instancia, un tipo específico de in teracció n estab lecid a una orientación hom osexual, p o d rá invocar los com ponentes m asculinos y
entre dos indivíduos, con p rescin d en cia de sus atrib u to s g enéricos, b io ló g i­ fem eninos de su identidad, de acuerdo con la situación y com o parte de estra-
cos, caractero ló g ico s o sociológicos. En el caso de las m ujeres, esta flu id ez tegias de acum ulación de roles sociales y rituales. Este tipo de personas, por
en las opciones sexuales se expresa con claridad en las o piniones de los consiguiente, adem ás de ser m ás num erosas en el culto, tam bién tienen más
m iem bros dei culto, pero en lo concerniente a los hom bres, corno y a dije, está éxito com o líderes dentro dei parentesco religioso. Un buen ejem plo de ello es
el caso antes m encionado de la m u jer considerada por algunos com o “m ujer
h o m bre” : ella invocaba su p roxim idad al polo m asculino para legitim arse en la
ejecución de algunos roles reservados a los hom bres en el ritual, aunque nunca
contracción de la expresión “a d e fe o ro ” , que significa “ la corona se extiende hasta el
lograra sustituir por com pleto al varón en tareas m ás “ pesadas”, com o la m ani­
culto de Oró” o “ el hombre que lleva la corona ama el culto de Oró” . El culto de Oró es
p ulación de los espíritus de los m uertos o eguns.
un ritual de enmascarados consagrado al espíritu de los muertos, en el cual sólo parti­
cipan los hombres, quienes asustan a las mujeres utilizando una matraca. De hecho, es
el único culto yoruba bajo la exclusiva responsabilidad de los hombres, ya que aun en
el Egungun, también çon la presencia de enmascarados y dedicado a los muertos, las
mujeres pueden tener alguna participación. En la época de mi investigación, ningún
miembro sabia la traducción literal de estas palabras ni conocía el culto de Oró.

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6. L os p osib les efectos de Ia esclavitud incluso casos en los cuales los p ro p ietario s v en dieron a sus pro p io s hijos
en Ias categorias de hom bre y m ujer ten id o s con m u jeres esclavas (D egler, 1971, p. 38). D u ran te un largo período
histórico, la g ran m ay o ría de los esclavos no form ó uniones estables ni fam i­
En esta sección se analizan las posibles consecuencias de la esclavitud en lias. L a falta de interés de los esclav istas en la pro d u cció n de esclavos fue
el Brasil, con su ruptura de los patrones de com portam iento tradicionales y de las otro facto r fundam ental. M ientras en E stados U nidos p rev aleció una preocu-
concepciones relativas al casam iento, el vínculo de sangre y los roles sexuales. pación p o r m an ten er el equilíbrio entre la cantidad de m u jeres y hom bres, así
En una revisión crítica del concepto de casam iento, Rivière concluye que com o el reco n o cim ien to y la ex p ectativ a de que la form ació n de parejas d eri­
varia, n atu ralm en te, en la p ro creació n de h ijos (ib id ., p. 63) y, por lo tanto, en
[...] las funciones del matrimonio, así como el matrimonio mismo, son la rep ro d u cció n de la fuerza de trab ajo , en el B rasil esto no se considero
simplemente una expresión, una consecuencia de una estructura subya-
eco n o m icam en te ventajoso y se o ptó por la co m p ra de esclavos adultos yu
cente más profunda. A mi juicio, el principio ordenador de esta estructura
capaces de trabajar, en vez de inclinarse p o r su rep ro d u cció n local, m ás on e­
profunda [...] es la distinción universal entre macho y hembra, y el matri­
rosa a corto plazo. La co n secu en cia de esta p o lítica m ás o m enos g en e raliz a­
monio es un aspecto de la relación consiguiente entre estas dos categorias
da en el país fue que
(1971, p. 70).
[...] de hecho, aun las horas durante las cuales hombres y mujeres podían
S egún este autor, tam bién las parejas hom osexuales serían una expresión de la
permanecer juntos [...] eran deliberadamente limitadas. Algunos propieta­
relación estructural entre los “roles conceptuales de m acho y hem bra” (ibid., p.
rios restringieron exprofeso la posibilidad de que los esclavos se reprodu-
68). Por mi parte, m e valgo del argum ento de que la experiencia de la esclavitud jeran, encerrándolos en compartimientos separados durante la noche (De­
puede haber alterado la oposición estructural entre los conceptos de m asculi­ gler, 1971, p. 64).
no y fem enino que servia de base a l a institución de la fam ilia en las sociedades
africana y portuguesa, una oposición que luego parece haber sido reinterpreta-
O tra característica de esta estrategia fue un enorm e desequilíbrio en la propor-
da por algunos grupos de descendientes de esclavos en el Brasil, al m ism o
ción de hom bres y m ujeres, a tal punto que
tiem po que desalojaban al casam iento de su posición central en la estructura
social. D e hecho, la fam ilia negra se deshizo con la esclavitud, lo cual puede
En algunas plantaciones nunca llegó a haber mujeres esclavas y, en la mayo­
haber resultado en una transform ación del significado y los valores tradicional­
ría de los casos, los hombres fueron, con rnucho, más numerosos que ellas
m ente asociados a la oposición entre estas categorias.
(Degler, 1971, p. 66).
D egler, en su bien docum entada com paración de la esclavitud en el Brasil
y los Estados U nidos, saca a la luz algunas evidencias sobre el probable desa-
En el Brasil, ese desequilíbrio acarreó otras dos consecuencias. U na de ellas
rrollo de este proceso. Según este autor, los propietarios de esclavos no sólo
fue una m ayor cantidad de esclavos fugitivos, lo cual incidió en la ya vasta
podían vender -y , sin duda, v en d ía n - separadam ente a los cónyuges (D egler,
m o vilidad horizontal (geográfica) de la población negra en este país, m ientras
1971, p. 37) sino que, adem ás, la m ayor parte de la población esclava jam ás se
que en los Estados U nidos,
casó ni vivió en uniones consensuales estables:
[...] al estar los esclavos más o menos distribuídos en unidades familiares,
Antes de 1869 [...] la ley no daba protección alguna a la familia esclava en el
huir signifícaba para uno de ellos una gran pérdida personal, ya que debía
Brasil [...] un vigoroso comercio interno de esclavos deshizo muchas fami­
dejar atrás a mujer e hijos (Degler, 1971, p. 67).
lias, se tratara de uniones legitimadas por la Iglesia o no. El comercio interno
de esclavos fue especialmente activo después de 1850, cuando el tráfico
La o tra co n secu en cia pro b ab le fue tal v ez la cu rio sa dism inución, tantas v e­
externo quedó interrompido (Degler, 1971, pp. 37-38).
ces m en cio n ad a en la literatura, de la p o b lació n n eg ra del Brasil (Fernandes,
1969; S aunders, 1958; B astide, 1974b; en H utchinson, 1965, se en contrará
Por o tra parte, el tráfico tam bién sep arab a a los ninos de sus m adres, y hubo
una visión crítica). El d eseq u ilíb rio alu d id o pu ed e h ab er influido sobre las

206
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concepciones trad icio n a les de los esclavos acerca de la o p o sició n de los Por últim o, las condiciones de la esclavitud y de los períodos ulteriores
sexos. liberaron a la m ujer esclava y sus descendientes de una relación de subordina­
O tro aspecto que quizás ocasionó una transform ación de las nociones ción con respecto a sus pares, a la cual habrían sido relegadas en sus socieda­
que rigen las relaciones entre los sexos es lo que podem os calificar de enem is- des de origen. Ellas tenían m ás p osibilidades de em plearse en el servicio do­
tad o antagonism o generalizado entre ellos. G ilberto Freyre, en su clásico libro m éstico o de ser tom adas com o concubinas por sus am os y, por esa razón,
sobre la fam ilia esclavista (1973), aporta pruebas suficientes de las tensiones disfrutaron en general de un contacto m ás cercano que los hom bres con el
que caracterizaban las relaciones entre hom bres y m ujeres de las dos razas estilo de vida de las clases altas. A sí, pudieron adquirir ciertas habilidades y
enfrentadas por la esclavitud. O tros autores com o B astide (1972b, 1974a), F er­ conocim ientos que les perm itieron tratar m ejor con los poderosos. Siguieron
nandes (1969), S oeiro(1974), Russell-W ood (1 9 7 7 )y el propio D egler analiza- d isponiendo de estos recursos p ara su supervivencia, incluída la posibilidad
ron diferentes facetas de este aspecto característico de la h isto ria brasilena (la de apelar al com ercio ocasional dei sexo en situ atio n es de necesidad, aun
sociedad norteam ericana lo experim ento en m ucho m enor m agnitud; el C aribe( después de term in ad a la esclavitud, m ientras que los hom bres fueron m asiva-
en cam bio, tiene ciertas sem ejanzas con el caso brasileno, según lo m uestran, m ente condenados a la desocupación y, en m uchos casos, h asta expulsados de
por ejem plo, Patterson, 1967, y M .G . Smith, 1953). los trabajos en los cuales habían servido durante tres siglos, para ser sustitui-
En prim er lugar, la explotación de las m ujeres negras por sus am os es bien dos por inm igrantes europeos. Al respecto, L andes llegó a sugerir lo siguiente:
conocida y abundan en la literatura detalles de sus aspectos aberrantes e inhu-
m anos. En segundo lugar, las relaciones entre los blancos esclavistas y sus Debido a que sigue modelándose sobre la base de las necesidades prima­
m ujeres tam bién se caracterizaban por la tensión y, en m uchos casos, por un rias de la familia y los hijos, la personalidad femenina tal vez sufra menos
odio m anifiesto. Las m ujeres de estas fam ilias eran obligadas a llevar una vida o quede menos expuesta que la de los hombres cuando se derrumba el
de reclusión que ya fue com parada con el pu rd a h de las sociedades islâm icas, orden social, mientras que la destrucción social desarraiga violentamente a
lo cual aseguraba la pureza de raza de los descendientes y garantizaba, por la personalidad masculina de las empresas dei gobierno. la propiedad y la
ende, la concentración de la riqueza en el grupo de los blancos (Russell-W ood, guerra, prestigiosas e intrincadas aunque socialmente secundarias. Bajo el
1977). Ellas estaban exclusivam ente destinadas al papel rep roductor y en m u­ régimen de la esclavitud, entonces, los hombres negros experimentan una
chas circunstancias observaban con im potência y resentim iento a sus m aridos humillación probablemente iriás profunda e inconsolable que las mujeres
buscar placer en la com panía de esclavas (la obra de G ilberto F reyre m enciona (Landes, 1953, p. 56).11
crueles casos de venganza por este m otivo).
En tercer lugar, las relaciones entre las m ujeres y los hom bres de raza En realidad, las leyes de la esclavitud socavaron en el Brasil el poder y la
negra tam bién eran tensas y a la escasez num érica de las p rim eras se sum aban autoridad que los hom bres podían ejercer tradicionalm ente sobre sus m ujeres y
otros inconvenientes. P or un lado, los hom bres no podían brindar protección descendientes, incluso en las sociedades africanas en las cuales ellas tenían un
ni ningún otro beneficio a sus posibles m ujeres; al contrario, m uy probable- m ayor acceso a la independencia econôm ica y las posiciones de alto estatus.
m ente éstas podían transform arse en una responsabilidad y u na carga para E sos hom bres, en consecuencia, perdieron todo tip o de control sobre esposas
ellos. A sí, m uchas m ujeres negras se negaban a casarse o intentar cualquier
tipo de unión con esclavos o sus descendientes. Por otro lado, cuando los
11 En este punto, una digresión. Siento la tentación de relacionar esta cita de Ruth
hom bres negros adquirían m edios econôm icos y podían escoger a sus cónyu-
Landes, por un lado, con su caracterización dei candomblé de Bahia como un ejemplo de
ges, se negaban de m anera sistem ática a casarse, unirse consensualm ente o
matriarcado (1940) y, por otro, con su sensibilidad ante la cuestión femenina y una
tener hijos con m ujeres de su color, fenôm eno que y a fue senalado en la litera­ postura de vida que la llevó a sufrir enemistades e incomprensión entre los antropólogos
tura com o una “desventaja” de las m ujeres negras en la búsqueda de com pane- de la época, no sólo brasilenos sino también norteamericanos. En Landes, 1970. se
ros. E ste últim o es un factor frecuentem ente invocado por los autores p ara encontrará una descripción de las dificultades que debió superar, como etnógrafa y como
intentar explicar el llam ado “blanqueam iento” de la p oblación brasilena, vale autora (véase también Carneiro, 1964, pp. 223-231). Resonancias de la animosidad con­
decir, la declinación relativa de la población neg ra dei país (Fernandes, 1969; tra ella también pueden advertirse en la resena de Herskovits (1948) de su libro ^4 Cidade
Saunders, 1958; Bastide, 1974b). das Mulheres.

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e hijos y fueron desalojados de los roles sociales que siem pre habían desem pe- Tal vez el cam bio del com portam iento sexual de los afro b rasilen o s en co m p a­
nado. En lo que se refiere a las relaciones fam iliares, no se dejó a su alcance ración con sus an tepasados african o s y, en p articu lar, la frecu en cia de las
ninguna identidad alternativa. El m odelo del p a te r fa m ilia s blanco tam bién conductas hom o sex u ales ca racterística de algunos g rupos, com o es el caso
quedó fuera de sus posibilidades. Con ello, uno de los productos sociales de la del xangô, p uedan atrib u irse a la ig u ald ad im p u esta a to d o s los esclavos,
esclavitud fue, probablem ente, no sólo la transform ación de los patrones de hom bres y m ujeres, por el sistem a esclav ista y la co n secu en te pérdida de
com portam iento sino, sobre todo, una m odificación de la conciencia de las poder de los prim ero s. E sta ig u ald ad fue la resu ltan te de la virtual erradica-
personas, en particular en lo concerniente a las concepciones de la actuación ción de la fam ilia, y a que cada in d iv id u o era p ro p ied ad de un am o. E sta suje-
de hom bres y m ujeres en el plano cultural y las expectativas sobre su papel en ción directa al p ropietario y el d esaliento sistem ático de la procreación anula-
el plano social. E sta situación se prolongo tras el fin de la esclavitud com o ron legalm ente cualquier form a de organización je rá rq u ic a tradicional basada
consecuencia de la m argifialidad econôm ica a la cual quedaron condenados los en el paren tesco entre esclavos o, al m enos, rep resen taro n un serio o b stácu ­
afrobrasilenos. . lo a su co ntinuidad. Es probable, en to n ces, que los esclavos y sus descen-
Com o parte de este proceso, la m ism a sexualidad parece haber adquirido dientes se hayan transform ado, com o grupo, en la m ás elem ental y m enos
un n uevo significado. F lorestam Fernandes atribuyó el llam ado “ erotism o” del so cializad a de todas las sociedades posibles: un a so cied ad en la cual tanto
negro brasileno a la desorganización social resultante de su condición; si bien las viejas instituciones african as com o las nuevas in stitu cio n es lusobrasile-
discrepo con el tono valorativo de sus expresiones, vale la pena citarlas: n as sólo p u d iero n dejar h u ellas su p erficiales. Si a sí fue, seria com prensible
que la v erd ad era n atu raleza in d iferen ciad a de la pulsión sexual se liberara de
[...] había relaciones heterosexuales entre hermanos y hermanas y entre la rep resió n im p u esta por la cu ltu ra para traslu cirse en las prácticas de los
primos y también se formaban parejas y grupos homosexuales de los m iem b ro s de esos grupos.
cuales podían participar amigos del vecindario [...] Privados de las garan­ A l resenar criticam ente el tratam iento reservado por L évi-Strauss (1971,
tias sociales que merecían y necesitaban con urgência, y separados de los p. 348) a la m u jer en sus trabajos sobre parentesco, Rubin analiza la afirm ación
centros de interés vitales para el crecimiento econômico y el desarrollo de este autor en el sentido de que la división sexual del trabajo no es sino un
sociocultural, descubrieron en el cuerpo humano una fuente indestructible artificio para instituir un estado de dependencia recíproca entre los sexos (y, de
de autoafirmación, resarcimiento del prestigio y autorrealización [...] Nin­ tal m odo, garantizar la procreación), y hace el siguiente com entário:
guna disciplina interna o externa sublimó la naturaleza emocional o el
significado psicológico del placer sexual [...] la esclavitud derribó esas [Al decir que] los indivíduos son encerrados en categorias de gênero para
barreras [...] al impedir la elección de companeros y hasta los momentos garantizar el coito, Lévi-Strauss se acerca peligrosamente a afirmar que la
de encuentros amorosos, forzar a una mujer a servir a varios hombres y heterosexualidad es un proceso instituído. Si los imperativos biológicos y
alentar el coito como un mero medio de aliviar la carne [...] El hecho de que hormonales fuesen tan determinantes como los supone la mitologia popu­
el sexo se convirtiera en el tópico central de interés de la gente y dominara lar, no seria necesario promover uniones heterosexuales por medio de la
sus relaciones sociales, transformándose en una esfera de expresión artís­ interdependencia econômica (Rubin, 1975, p. 180).
tica, competencia por el prestigio y confraternización (y, por lo tanto, de
asociación comunitaria), indica con claridad la falta de ciertas influencias D e esta m anera, para Rubin, la oposición entre hom bres y m ujeres, lejos de ser
socializadoras originadas y controladas por la familia [...]; pero la familia un a expresión de las diferencias naturales [...], es la supresión de sim ilitudes
no consiguió establecerse y no tuvo un efecto sociopsicológico y socio­ n aturales” y “ exige en los hom bres la represión de todos los rasgos caracteriza­
cultural sobre el desarrollo de la personalidad básica, el control del com­ dos com o ‘fem en in o s’ en la versión local y, en las m ujeres, de los rasgos local­
portamiento egocêntrico y antisocial y el despliegue de los lazos de soli­ m ente definidos com o ‘m ascu lin o s’, con la fm alidad cultural de oponer unos a
daridad. Esto puede confirmarse historicamente con una simple referencia otros. E ste p roceso desem boca en un “ sistem a sexo/género que la autora
a la principal política de Ia sociedad propietaria y esclavista del Brasil, describe com o “el conjunto de dispositivos por m edio de los cuales una socie­
que siempre procuro impedir la vida social organizada de la familia entre dad transform a la sexualidad biológica en un producto de la actividad hum ana
los esclavos (Fernandes, 1969, pp. 82-85). y se satisfacen las necesidades sexuales” (R ubin, 1971, p. 159). Según Rubin,

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en todas las sociedades la personalidad individual y los atributos sexuales “ se nes entre hom bres y m ujeres esclavos haya tenido un efecto liberador sobre su
generalizan , vale decir, la cultura los obliga a adecuarse a la “cam isa de fuerza erotism o. El hecho de que los esclavos, en especial los hom bres, tuvieran poco
dei g ênero” (ibid., p. 200). E sos sistem as sexo/gênero “no son em anaciones acceso a las estructuras de prestigio vigentes, m otivó quizá que el erotism o
ahistóricas de la m ente hum ana” sino “productos de la actividad hum ana, que p erdiera entre ellos la orientación jerárquica.
es histó rica” (ibid., p. 204). Entonces, el com ponente hom osexual de la sexua­ P or otra parte, no debe olvidarse que, a pesar de ser frecuentes las rela­
lidad hum ana se suprim e historicam ente com o parte dei proceso de im posición ciones sexiiales entre blancos y negras o m ulatas, los casam ientos racialm ente
dei gênero sobre los indivíduos, con el objeto de garantizar la existencia y la m ixtos fueron y siguen siendo m uy raros; podem os d ecir que la m ezcla de las
continuidad de la institución m atrim onial. De acuerdo con este punto de vista, dos sociedades nunca fue efectiva en el plano institucional y los negros, com o
es com prensible que, a p esar de que m uchas sociedades hum anas aceptaron la grupo social, fueron m antenidos m asivam ente al m argen de las estructuras de
existencia de hom osexuales (en Fry y M acRae, 1985, pp. 33-45, se encontrará la prestigio existentes y de las fam ilias de la sociedad blanca brasilena (véase, por
resena dei registro an tropológico sobre los casos m ás conocidos) y otras, ejemplo, Ianni, 1972,pp. 123-129,137). Por lo dem ás, co m o y a se dijo, la fam ilia
incluso el casam iento entre personas dei m ism o sexo (es clásico el ejem plo negra no logró abrirse cam ino durante los anos de esclavitud ni después. Por
relatado en la literatura por E vans-P ritchard, en 1945 y 1951; véase la resena ello, es posible qife la sexualidad y sus form as prescriptas de expresión se
sobre el tem a en O Brien, 1977), esto no altere el proceso m ism o de “generaliza- hayan liberado dei filtro ideológico que transform a el erotism o en m edio apto
ción ya que, para existir, estas parejas deben, otra vez, transform arse en equi­ para la negociación de prestigio.
valentes sociales de las parejas heterosexuales, es decir, trad u cir su relación en P o r lo tanto, si no d esap areció , el énfasis en la h etero sex u alid ad proba-
térm inos de gênero. Sus m iem bros son vistos, entonces, com o hom bres y m u­ blem en te se d ebilito y, tal com o se d esp ren d e dei an álisis de R ubin, cuando
je re s sociales: “ una unión de sexos opuestos socialm ente definidos” (Rubin, los m ecan ism o s de la cu ltu ra dejaron de p ro m o v eria activ am en te, p ersistió
1975, p. 181) o un casam iento “entre los roles conceptuales de hom bre y m uier” apen as com o u na de las o p ciones p o sib les y y a no com o la p ráctica ex clu siv a
(Rivière, 1971, p. 68). y “n atu ra l” .
Sin em bargo, en el caso brasileno, los factores que acabo de v in cu lar al H ay escasos datos históricos sobre la sexualidad durante la esclavitud.
régim en esclav ista p ueden h ab e r d eterm inado un relajam ien to de los im pera­ En su intento de abordaje psicoanalítico dei cafurié,n B astide sugiere que cons-
tivos que, trad icio n alm en te, rigieron la constru cció n dei g ênero y la consi- tituyó un a sublim ación de la inclinación hom osexual entre las m ujeres y m en ­
guiente determ in ació n g en é rica de la sexualidad. E sto no sig n ifica que la ciona la presentación de abundantes denuncias de lesbianism o entre m ucha-
hom osexualidad h aya sido pro m o v id a directam ente, sino que la h etero sex u a­ chas y m ujeres de diferentes clases sociales ante los tribunales de la Inquisi-
lidad, conform e a lo senalado por R ubin, perdió q u izá su papel cen tral y dejó ción en B ahia y Pernam buco (B astide, 1959). E n otro texto, el m ism o autor
a b ierta la elección de altern ativ as individuales. pro cu ra d ar una explicación a la gran cantidad de hom bres hom osexuales dei
D esde otra perspectiva, O rtner y W hitehead sugieren que “en sí m ism o, culto y p ara ello alude a la p resencia de esclavos islam izados entre los cuales la
un sistem a de gênero es, en prim er lugar y sobre todo, u na estructura de pres­ h om osexualidad habría sido frecuente, así com o a la práctica de encerrar sepa­
tigio [...] Y los hom bres, en cuanto tales, son superiores [...] en toda sociedad rad am en te a hom bres y m ujeres durante las horas de descanso (B astide, 1945,
conocida” (O rtner y W hitehead, 1981, p. 16). De acuerdo con estas autoras, las pp. 93-94). Y agrega que la p ráctica contem porânea de atribuir santos fem eni­
estructuras de prestigio son tan relevantes para “generizar” la sociedad que la nos a hom bres puede refo rzar esa propensión a la hom osexualidad, y a que
form a m ism a adoptada por la sexualidad depende de ellas. A sí, el erotism o está induce a los varones dei culto a desarro llar los aspectos fem eninos de su
tan condicionado por preocupaciones de orden social que, al investigar las personalidad. M ás recientem ente, M ott (1982a, 1982b) hizo un relevam iento de
estructuras subyacentes de la fantasia en diferentes sociedades, los estudio­ los casos de hom osexualidad en el B rasil colonial y esclavista. João Silvério
sos encuentran “un universo de psiques inquietas por el estatus, donde p o r un T revisan tam bién brin d a abundantes ejem plos de las acusaciones de sodom ía
lado se insiste en una dirección en la cual lo erótico am enaza el acceso a las y ho m o sex u alid ad en los tribunales coloniales de la Inquisición y sostiene la
posiciones sociales anheladas y, po r otro, se intenta descubrir de qué m anera
puede evitarse esto últim o” (ibid., p. 24). Si fuera así, es posible que el derrum - 12 Cosquiílas placenteras que las esclavas hacían a sus amas en la cabeza, originadas
be de la estructura jerárquica fam iliar y la consiguiente nivelación de las relacio­ en el movimiento de los dedos para despiojarlas.

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tesis de que el vigor de un “ deseo indóm ito” (1986, p. 34) seria una caracterís­ A ún resta analizar de qué m anera ciertos factores co m o los que pretendi
tica de la experiencia histórica brasileira. dilucidar pueden haber afectado esas m ism as categorias y lo s com portam ien­
M ás allá de las explicaciones de índole histórica proporcionadas por Bas- tos ordenados por ellas entre clases que no sufrieron la ex p erien cia directa del
tide, otros autores intentaron entender la im portancia num érica de los hom o­ som etim iento en el régim en esclavista, así com o evaluar el im pacto de dicha
sexuales apoyándose en aspectos contem porâneos de los cultos afrobrasile­ experiencia sobre la visión del m undo y el com portam iento d e esos otros secto-
nos en B ahia (Landes, 1940), R ecife (Ribeir, 1969) y Belém (Fry, 1977). E n e l res de la sociedad brasilena.
prim er caso, Landes supone que, po r ser el culto un “m atriarcado” (las m ujeres A l parecer, el colapso social causado p o r la escla v itu d no sólo m odifico
son poderosas en su papel de m adres de santo), “el candom blé brinda am plias los p atro n es trad icio n ales de casam ien to y sex u alid ad , sin o tam bién la n o ­
o portunidades” a los hom bres que “quieren ser m ujeres” (1940, p. 394). En el ción de vínculo “ de san g re” o su stan ciab io g e n ética . D e h ec h o , com o ya dije,
segundo caso, se argum enta que el culto recibe la adhesión de hom osexuales u no sólo com probé la d ifu sió n de la costum bre de la h o m o se x u alid ad y una
hom bres “con problem as de adaptación sexual” porque satisface su necesidad , actitud m ilitan te contra el m atrim onio, sino tam bién un a p referen c ia explícita
de estar en com panía de m ujeres y “exhibir sus m anierism os o identificarse con p o r las relacio n es de p aren tesco ficticio, fueran las de m a d re o padre de
deidades fem eninas” y es un m odo de resarcirse de Ias frustraciones que su- crian za con sus hijos de crianza, fueran las co n stitu íd as por la fam ilia de
fren en la sociedad en general. A sí, nos dice Ribeiro, el culto “no puede ser santo. De m an era consecuente, la ideologia, las norm as y Ias prácticas de los
considerado com o responsable de sus desvios sexuales” (1969, p. 119); la m iem bros del culto relativ izan los datos b io ló g ico s re la cio n a d o s con el sexo
visión prejuiciosa del autor resulta evidente en los térm inos de su argum enta- y el n acim ien to . L os rasg o s de la p erso n alid ad in d iv id u al, expresad o s a tra ­
ción. Por últim o, Fry, inspirado en M ary D ouglas, Peter Brow n e Ioan Lewis, vés de la atribución de un santo, tien en p reem in en cia so b re los atributos
sugiere que, a causa de la relación de los poderes m ágicos con la periferia de la b io ló g ico s del sexo, así com o los p arien tes “ de san to ” p rev alecen sobre los
sociedad, no sorprende que éstos tam bién se asocien a personas definidas p arien tes “de san g re” . C om o vim os al p rin cip io de este trab a jo , todas estas
com o m arginales (1977, pp. 120-121). Todos estos autores senalan, en algún no cio n es y valores están rep resen tad o s en las d escrip cio n es de los orixás
punto de sus argum entos, que los hom bres pueden bailar poseídos por espíri- con ten id as en los m itos.
tus fem eninos e identificarse con ellos, y que el culto les brinda la posibilidad Las raíces del énfasis en el parentesco ficticio p u ed en buscarse en el
de destacarse en el desem peno de tareas dom ésticas, reservadas para las m uje­ proceso histórico de la esclavitud. En una tentativa co n ju n ta de aplicar el an á­
res en la sociedad m ás am plia. N inguno de ellos se ocupa de la fuerte presencia lisis antropológico al pasado afronorteam ericano, M intz y P rice verifican que
de Ia hom osexualidad fem enina. los esclavos,
Por mi parte, veo la hom osexualidad m asculina y fem enina com o parte de
la gam a de com portam ientos norm ales de los com ponentes de las casas estu- [...] enfrentados a la ausência de parientes verdaderos [...], modelaron de
diadas y, por ello, me parece apropiado buscar la raiz de esta peculiaridad en la todos modos sus nuevos vínculos sociales de acuerdo con los lazos de!
historia del grupo. Q uiero advertir que esto no significa procurar una explica- parentesco, tomando prestados con frecuencia los términos utilizados por
ción para la hom osexualidad en sí m ism a, que form a parte de la n aturaleza del sus amos para designar su relación con personas de la misma edad y otras
hom bre, sino tratar de entender por qué lo que contraviene las norm as de la más viejas: bro, uncle, auntie, gran, etc. (Mintz y Price. 1976, p. 35).
sociedad brasilena no transgrede las norm as del xangô. Si lo que propongo
aqui es correcto, el traum a im puesto por la esclavitud a los viejos sistem as de E n realidad, esas personas, que a veces tenían que so p o rtar “ im posiciones
parentesco perm itió el surgim iento de las form as de sexualidad que éstos repri- terribles y en general inevitables”, así com o “el poder total” de los am os, nece-
mían. Esas form as, entonces, se tradicionalizaron y m uchos de m is inform antes sitaron “engendrar form as sociales que perm itieran su adaptación, aunque en
las describieron com o una costum bre” entre el pueblo del culto. M ás que un estas difíciles condiciones” (M in tz y Price, 1976, p. 35). E ste m ism o tipo de
cam bio aparente de com portam iento, intento senalar lo que considero un a re- form as de parentesco ficticio, a m enudo transitorio, acaso fu e tam bién el ante­
form ulación de Ias categorias cognitivas relativas al gênero y la sexualidad y, cedente de la fam ilia de santo en el Brasil. Por otra p arte, la separación de
por lo tanto, a la concepción del yo y la identidad entre los m iem bros del culto m adres e hijos, de acuerdo con los intereses del tráfico, o la im posibilidad de
xangô de la tradición nagô de Recife. aquéllas de criarlos debido al duro régim en de trabajo, las enferm edades y la

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m uerte prem atura, pueden haber originado el valor positivo atribuido al paren­ eliminados los imperativos artificiales dei gênero sobre lacombinación sin­
tesco de crianza por encim a de lo que ellos califican de parentesco “ legítim o”, gular de temperamento y conducta propia de cada indivíduo (Lipsitz Bem,
esto es, biogenético. El hecho de que m uchas veces las m ujeres negras tuvie- 1981, p. 363).
ran que desem penarse com o nineras de los ninos blancos, a qu ienes dedicaban
largos anos de su vida, puede ser asim ism o uno de los orígenes de esa prefe­ C om o dem ostré, el desaliento de la reproducción propiciado por la política
rencia. esclavista en el B rasil, ju n to con u n a serie de factores conexos, parece haber
liberado las prácticas sexuales, al m enos en algunos m edios, dei interés funcio­
nal en la heterosexualidad. A m i ju icio , con ello surgió una sociedad en la cual la
7. M ovilidad (o transitividad) de gênero: la relativización opción por la heterosexualidad y la opción por la h om osexualidad quedaron
de lo biológico en el com plejo sim bólico dei xangô igualm ente abiertas a la preferencia individual y h asta circunstancial, y se ge-
neró así u na nu ev a m anera de actuar con la oposición fem enino-m asculino. De
C om o espero haber aclarado en las anteriores secciones, a pesar de que hecho, los m iem bros dei culto xangô p ueden ser considerados un ejem plo de la
los lazos de sangre son considerados de im portancia secundaria, se utilizan “sociedad andrógina” postulada p o r L ip sitz Bem . Sin em bargo, invalidando la
em pero los térm inos de parentesco y las relaciones fam iliares sirven de m odelo predicción de la autora, el esquem a cognitivo de gênero no desapareció pero sí
para la red de relaciones llam ada “fam ilia de santo” . D el m ism o m odo, tam bién se liberó, en efecto, de la cam isa de fuerza de las asociaciones obligatorias entre
se usan las nociones de m asculino y fem enino, tal com o las define la ideologia datos de la n aturaleza -rep re sen tad o s en la distribución de los papeles ritua­
de las instituciones brasilenas, pese a que su significado es subvertido por su le s -, roles sociales -d esem p efíad o s en la fam ilia de sa n to -, personalidad
aplícación a indivíduos particulares para clasifícarlos. D ebido a este últim o -e x p re sa d a en el santo de la p e r s o n a -y sexualidad. Por consiguiente, entre los
aspecto, el culto xangô es un caso útil para verificar si el “gênero com o esque­ m iem bros dei xangô la identidad personal se caracteriza por cierto grado de lo
m a cognitivo” (LipsitzB em , 1979, p. 1052) tiene carácter histórico o es inmanen- que podríam os denom inar “m ovilidad de gênero” - e n lugar de lo que L ipsitz
te a la naturaleza hum ana. Bem llam a androginia-, lo cual significa que los individuos pueden, en m om en­
M ediante el em pleo dei m odelo de Bateson, A rcher y Lloyd sostienen que tos diferentes y de acuerdo con la situación, invocar distintos com ponentes de
“el potencial para c la sific a ry actuar sobre la base de categorias com o m acho y gênero que form an parte de su identidad y, de ese m odo, pasar fluidam ente de
hem bra” es innato (A rcher y L loyd, 1982, pp. 211-212), aunque el contenido la identificación con u n a categori