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Cultura Brasileira

Material Teórico
Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. João Elias Nery

Revisão Técnica:
Profa. Dra. Vivian Fiori

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil
do Século XXI

• Introdução: Um País Surpreendente


• As Oposições Contemporâneas: As “Tribos” e o Ciberespaço
• As Culturas do Brasil: Um Futuro em Aberto

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Tratar do período da globalização, dos avanços técnicos e das
transformações socioculturais no Brasil.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI

Introdução: Um País Surpreendente


“A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” (Titãs).
“Diversão é solução sim, diversão é solução pra mim” (Titãs).

Nesta unidade, traremos questões do Brasil e de sua cultura no começo do sécu-


lo XXI, dando ênfase à cultura de massa e às transformações tecnológicas desse pe-
ríodo, ao atual momento do processo de globalização e à mundialização da cultura.
Um olhar retrospectivo sobre este imenso país com pouco mais de cinco séculos
de história revelaria o país surpreendente que cidadãos de todas as partes do mundo
construíram e continuam a construir.
Da colônia ao Império e deste à República, projetos para o Brasil foram colocados
em prática pelos vencedores, outros descartados por terem seus adeptos sido
derrotados; porém, mesmo nas rupturas, a tendência ao arranjo e à negociação,
naquilo que foi registrado como “jeitinho brasileiro”, predominou.
A cordialidade do povo brasileiro pode ser questionada em diversos aspectos.
Afinal, nós nos envolvemos em batalhas internas e externas nas quais muitas vidas
foram eliminadas.
Comandamos um verdadeiro genocídio na Guerra do Paraguai (durante século
XIX) e, desde as últimas décadas do século XX, as relações nas grandes metrópoles
do país são pautadas pela violência cotidiana e por inúmeras formas de violência
doméstica, fartamente exposta pela mídia, principalmente a televisão, transforman-
do tais situações em campeões de audiência e pauta essencial da vida das maiorias.
No Brasil contemporâneo, é impossível ficar alheio aos dramas de famílias que
passam por situações consideradas exceções, mas que, de tão expostas no cotidiano
televisivo, parecem norma e criam a sensação de que você pode ser a próxima vítima.
As culturas do Brasil acompanham a trajetória deste país continental e contem-
plam os séculos de exploração a que o povo foi submetido e à submissão das classes
dominantes aos países dos “outros” mundos neste sistema do qual o país faz parte
como fornecedor de riquezas naturais e folclore e consumidor de tecnologia e cultura.
As culturas populares refletem a realidade vivida pelo povo: entre a contestação e
a submissão, predomina a grande generosidade de um povo que aprendeu a aceitar a
diversidade que caracteriza as culturas do país. Enquanto isso, as classes dominantes
não cessam de exalar seus preconceitos, principalmente contra os pobres.
Um exemplo da diversidade à qual nos referimos é a cidade de São Paulo, na
qual mais de 10 milhões de pessoas vivem – moram, trabalham, estudam, divertem-
se e lutam. Em quais outras cidades há uma estação de metrô de nome Armênia?
O povo armênio luta há muito tempo por um território no qual possa estabelecer a
nação, como outros povos, etnias e grupos, sem um lugar no mundo globalizado.
Bairros para cidadãos de origem asiática, vários para europeus de diferentes partes
daquele continente, afro-brasileiros e seus descendentes por toda parte e até aldeias
indígenas compõem a metrópole paulistana.

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Figura 1 - Bairro da Liberdade - São Paulo/SP
Fonte: iStock/Getty Images

Manifestações religiosas de diferentes orientações, eventos da pauta internacio-


nal como a Fórmula 1 ou a Parada Gay e shows de bandas e artistas de diferentes
partes do mundo fazem o cotidiano da cidade um mosaico no qual os milhões de
paulistanos se confundem com turistas de negócios e outros visitantes que passam
pela cidade constantemente.

Figura 2 - Parada Gay - São Paulo/SP


Fonte: iStock/Getty Images

Mesmo com essas características, a cidade permite ao cidadão uma vida


perfeitamente adaptada ao “espírito” provinciano que caracteriza o povo paulistano;
grande parte dos moradores da cidade não se envolve com manifestações de
qualquer natureza: de casa para o trabalho e vice-versa, levam a vida “como ela
é” e acompanham as “outras vidas” pela TV e, mais recentemente, pela internet.

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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI

Figura 3
Fonte: iStock/Getty Images

A vida real tornou-se extremamente pobre diante de tantas opções que a mídia
expõem; mas, ao mesmo tempo, o consumo simbólico mostra os dramas dos
outros e revela que a vida pode ser muito pior.

As Oposições Contemporâneas:
As “Tribos” e o Ciberespaço
Já há algumas décadas as ciências humanas e sociais buscam adaptar metodo-
logias e instrumental teórico com o objetivo de analisar os fenômenos contempo-
râneos, muitos deles frutos do acelerado desenvolvimento tecnológico do nosso
tempo, que se tornam diferentes do modo tradicional de vida que ao longo da
história do mundo foi-se construindo.

As culturas tradicionais que orientaram a vida dos seres humanos durante séculos
não são mais suficientes para responder aos questionamentos do século XXI,
principalmente aos que vivem nas metrópoles, nas quais o processo de globalização
age de forma mais atuante.

Há muita diversidade de formas, sons, modas, maneiras de se manifestar


socioculturalmente no mundo de hoje.

Expressões como “aldeia global”, “tribos urbanas” e “glocal” foram criadas


para tentar explicar tais fenômenos socioculturais atuais. As ciências recorrem a
oposições aparentes para analisar o comportamento social de cidadãos que, nas
grandes cidades do mundo, vivem conectados às mesmas realidades, como nas
tribos do passado, porém sem a presença real.

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O que predomina agora é o convívio simbólico possibilitado pelas tecnologias
que virtualizam quase tudo, criando novos mundos nos quais podemos ser o que
somos e criar outros “eus”.

O mundo da cultura de massa organiza as agendas de grande parte dos cidadãos


do mundo, orientando o cotidiano real da sociedade. Não se trata apenas de consumir
notícias e entretenimento disseminados pelas mídias, mas viver no mundo “verdadeiro”
aquelas representações midiáticas. Das telas da TV para as ruas, “tribos urbanas” ou
entidades urbanas reproduzem a moda, objetos, comportamentos e ideologias.

A música, particularmente o rock, e o futebol são os segmentos que mais


oferecem ícones para grupos os quais a Antropologia contemporânea denominou
de tribos urbanas.

Tribos Urbanas: Alguns autores denominam de tribos urbanas – termo esse cunhado pelo
Explor

sociólogo francês Michel Maffesoli – os microgrupos que têm como premissa a interação
social entre amigos e/ou de grupos com o mesmo gosto musical, de pensamento, de formas
de se vestir, de preferência artística em comum, entre outros. Desse modo, teríamos como
exemplo os grupos de hip hop. Outros, definem que o termo tribo urbana não é adequado,
pois o conceito de tribo deve estar associado aos povos tradicionais que vivem de maneira
tribal, caso de alguns povos indígenas e de alguns nativos africanos, por exemplo. Para
o antropólogo Magnani (1996), o termo é uma metáfora e não um conceito porque,
emprestado das sociedades indígenas e de outras, não cabe usá-lo para as identidades
socioculturais existentes no espaço urbano.

A disseminação de formas e valores por integrantes dos espetáculos veiculados


em praticamente todas as partes do mundo e a necessidade de criar novas identi-
dades nas sociedades de massa levam à formação de grupos compostos, principal-
mente, por jovens, que criam práticas comuns por meio das quais se diferenciam
das massas e desenvolvem o sentimento de pertencimento.

Para o sistema, tais “tribos urbanas” ou “identidade urbanas” têm aspectos po-
sitivos – mesmo que algumas delas se envolvam, por vezes, em distúrbios e atos
de vandalismo –, pois canalizam as energias dos jovens para ações que não ques-
tionam os valores essenciais e ainda contribuem para a expansão do consumo de
moda e produtos culturais segmentados.

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Figura 4 - Punks e Skinheads


Fonte: iStock/Getty Images

A cultura descartável destes tempos assimila comportamentos sintonizados com


valores da sociedade de consumo e várias identidades urbanas vivem nas metrópoles
do mundo suas particularidades e reforçam o status quo da modernidade líquida à
qual se refere Baumann (1999), pois transformam-se rapidamente e não tem uma
forma duradoura – um bom exemplo disso são as pessoas tornadas celebridades
do dia para a noite.

Nos encontros “reais” ou no mundo virtual do ciberespaço, os grupos navegam e


interagem, jogam em rede seus esportes preferidos e conectam-se ao mundo pelas
redes sociais que se vão criando para dar vazão às intimidades. Mas em muitos
casos, como afirma Eric Hobsbawm (2003), há um individualismo exacerbado.
Como explica o autor sobre o atual processo de globalização:
A terceira transformação, em certos aspectos a mais perturbadora, é a
desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano, e
com ela, aliás, a quebra dos elos entre gerações, quer dizer entre passado
e presente. Isso ficou muito evidente nos países mais desenvolvidos da
versão ocidental de capitalismo, onde predominaram os valores de um
individualismo associal absoluto, tanto nas ideologias oficiais como nas
não oficiais, embora, muitas vezes aqueles que defendem esses valores
deplorem suas consequências sociais. Apesar disso, encontravam-se as
mesmas tendências em outras partes, reforçadas pela erosão das sociedades
e religiões tradicionais e também pela destruição ou autodestruição, das
sociedades do “socialismo real” (p. 17).

Esse movimento global é social e cultural ao mesmo tempo, e tem alterado os


modos de vida das pessoas – em alguns casos de forma positiva, pois as redes
sociais, por exemplo, permitem contatos entre pessoas de diferentes lugares, de
consumo de música, filmes pela internet.

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Por outro lado, os valores socioculturais que vêm permeando o mundo atual são
principalmente do individualismo no lugar das relações em prol da coletividade, da
comunidade. Apesar disso, há sempre exceções. Ainda existem comunidades e povos
tradicionais que buscam viver de uma maneira menos individualista, mais comunitária.

Comunidades Tradicionais no Brasil


Explor

No Brasil, esse público passou a integrar a agenda do governo federal em 2007, por meio
do Decreto 6040, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos
Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), sob a coordenação da Secretaria de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) da Presidência da República.
De acordo com o Decreto 6040, os povos e comunidades tradicionais são definidos como
“grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas
próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como
condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando
conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos por tradição”.
Entre os povos e comunidades tradicionais do Brasil estão quilombolas, ciganos, matriz
africana, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de
fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros,
caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, ciganos, açorianos, campeiros, varzanteiros,
pantaneiros, caatingueiros, entre outros.
Fonte: Texto literal extraído de SECRETARIA NACIONAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL. Comunidades Tradicionais –
O que são. Disponível em: http://www.seppir.gov.br/comunidades-tradicionais/o-que-sao-comunidades-tradicionais.

Logo, sempre há contra racionalidades, mesmo neste atual momento no qual o


processo global ganha mais força.

Técnica e Entretenimento no
Período da Globalização
Outro aspecto a se destacar no mundo atual é o fato de que as técnicas são cada
vez mais universais; basta para isso observar o cotidiano de uma grande cidade.

Por exemplo, se no passado as técnicas eram mais locais e cada povo tinha uma técnica
para se comunicar, que geralmente se relacionava com os materiais disponibilizados
no meio, hoje as técnicas são cada vez mais universais – caso da criação das formas
das cidades (com seus prédios cada vez mais altos) ou dos objetos usados no cotidiano
(como celulares, computadores e suas diversas inovações quase diárias).

Como Maria Laura Silveira destaca em seu texto:


[...] a possibilidade de produzir em todos os pontos do planeta e de criar
um produto global, a partir de um único sistema técnico – aquilo que
podemos chamar de unicidade da técnica. Hoje, a técnica da informação,
graças à convergência da informação, da eletrônica, da cibernética,
permite a inter-relação dos objetos, dos lugares, das atividades e das
pessoas (SILVEIRA, 2006, p. 86.).

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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI

Essas mudanças técnicas avançaram desde do final do século XX no Brasil,


disseminando-se em todas as classes sociais, sobretudo aquelas relativas aos meios
de informação – caso de computadores, celulares, mp4 (media player), televisões
com sinais digitais, entre outras tantas inovações.

Figura 5 - Inovações Tecnológicas


Fonte: iStock/Getty Images

Neste sentido, nossas culturas brasileiras também foram tomadas por estas no-
vidades, que se manifestaram mais claramente entre os jovens e criaram novos
hábitos e costumes.

A palavra “hedonismo” é pouco conhecida e utilizada, inclusive na linguagem


científica; porém, é a que melhor caracteriza o pensamento de parte da sociedade
acerca do uso que fazemos da internet. Pesquisas mostram que cada vez mais
brasileiros se conectam à rede das redes e, em grande parte do tempo, fazem-no
em busca de diversão, o que em princípio não é um problema em si.

As redes sociais, o Youtube e diversos sites atraem principalmente jovens para a


diversão fácil e sem compromisso. Também adultos se deparam com possibilidades antes
inexistentes e hoje convivem com ofertas nem sempre lícitas de diversão, expondo-se
como parte de redes de crimes que ocorrem na internet, uma nova preocupação para
setores da sociedade, responsáveis pela manutenção da ordem pública.

Conectados em tempo integral, crianças, adolescentes e jovens vivem em seu


mundo virtual as possibilidades de diversão que não estão disponíveis no mundo
real das grandes cidades.

O entretenimento oferecido pela TV e pela internet oferece perigos, mas as ruas


das grandes metrópoles oferecem muitos mais. Entre o risco da rua e o da rede,
esse último parece mais controlável, mesmo que pais estejam sendo processados
por atitudes dos filhos na rede virtual.

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Manuel Castells dá ênfase ao sistema de comunicação propiciado pelas novas
redes sociais e os usos de diferentes tipos:
Além disso, um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais
uma língua universal digital tanto está promovendo a integração global
da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura
como personalizando-os ao gosto das entidades e humores dos indivíduos.
As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente,
criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao
mesmo tempo, sendo moldadas por ela (CASTELLS, 1999, p. 22).

Também a cultura do trabalho e do estudo foi alterada pela internet: do Ensino


Fundamental à pós-graduação, a rede oferece um mar sem fim de informações
e análises para pesquisa, ampliando infinitamente as possibilidades, o que pode
contribuir para o avanço e a melhoria dos processos educacionais e disseminação
do conhecimento.

É claro que, como em todas as áreas, há riscos; o maior até o momento, é a cul-
tura do “recorta e cola” ou “ctrl c / ctrl v”, muitas vezes identificada por docentes
de todos os níveis.

Como sabemos, informação não é conhecimento e, portanto, não basta


localizar algo que tenha sido produzido e esteja disponível, apresentando como
pesquisa própria; não é o que muitos estudantes pensam e fazem até o momento,
transformando a facilidade de pesquisa em mero ato de copiar.

Mas a diversão não ocorre apenas no espaço virtual da internet. A profissionaliza-


ção e expansão das indústrias culturais possibilitaram que o entretenimento se trans-
formasse em mercadoria em muitas das formas de criação cultural da humanidade.

A oferta de bens culturais só faz aumentar e, especialmente nos grandes centros


urbanos, pode-se passar toda a vida apenas consumindo produtos criados com o
objetivo de divertir.

A televisão, meio hegemônico no Brasil, desde os anos 1970, passa por um


processo de reestruturação que tende a ampliar ainda mais as alternativas; a
digitalização dos sinais, deve ser o mais importante elemento desse processo.

TV e internet prometem interagir cada vez mais, potencializando a produção de


ambos os meios e a digitalização tende a contribuir para que a convergência técni-
ca, tecnológica e de conteúdo ocorra sem grandes rupturas para os atuais “donos”
da mídia no Brasil e no mundo.

Tal convergência ocorre também com as mídias impressas e o rádio, que migram
parte de seus conteúdos para a internet ou criam produtos específicos para a rede,
ampliando o potencial dessa como espaço de informação, pesquisa e entretenimento.
Por meio de um smartphone, temos várias mídias em um só objeto.

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Figura 6 - Tecnologia
Fonte: iStock/Getty Images

Participando desse momento das indústrias culturais, o cinema, uma invenção


do século XIX, adapta-se aos novos tempos e circula nas salas especializadas em
diversas partes do mundo.

No Brasil, a retomada da produção e da crítica, desde os anos 1990, levou à


produção de filmes que retratam aspectos da realidade nacional. Um período muito
presente é o da Ditadura Militar (1964-1985), que é tema de vários filmes nacionais.

As novas tecnologias permitem filmes tecnicamente mais próximos daqueles


produzidos nos grandes centros – leia-se Hollywood.

Figura 7 - Fime: Cidade de Deus


Fonte: cineplayers.com

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A participação do Estado no financiamento da produção cinematográfica via
leis de incentivo contribuiu para a expansão da oferta da produção nacional, com
destaque para documentários que têm como tema a trajetória de personagens ou
analisam fatos da história do país.

Sem qualquer pretensão de criar uma lista de filmes desse gênero, indicamos
alguns que são representativos: Edifício Master; Vlado; Notícias de uma guerra
particular; Peões; Entreatos; O Filho do Brasil; Ônibus 174; Paulinho da Viola;
Vinícius de Moraes; Wilson Simonal.

Em todos eles, a realidade do Brasil, entrelaçada à vida de alguns de seus


personagens, apresenta ao público parte da história recente do país.

As Culturas do Brasil: Um Futuro em Aberto


Percorremos um caminho no qual procuramos descrever e avaliar as culturas
brasileiras e suas relações com os diferentes contextos do Brasil, com ênfase no
período republicano. Essa opção possibilitou acompanharmos as transformações
no campo das culturas no ambiente de modernização que caracterizou o país.

As contradições entre o tradicional e o moderno, o urbano e o rural, o nacional


e o estrangeiro deram a tônica em diversas áreas da sociedade, e a cultura foi
influenciada e influenciou tais processos, por vezes caracterizando-se como
vanguarda, participando ativamente em favor da modernização social, política e
cultural, ou se mantendo na defesa de valores tradicionais.

Esse processo não se encerrou e os diversos segmentos que compõem a socie-


dade permanecem defendendo propostas por vezes antagônicas, organizadas a
partir de diferentes concepções de cultura e de sua relação com a realidade.

Entre apocalípticos e integrados, todos reconhecem que a industrialização da


informação e da cultura é uma realidade irreversível e que é preciso construir novos
instrumentos para a análise das culturas no contexto da sociedade globalizada do
século XXI, caracterizada pelo fim da Guerra Fria e a hegemonia do modelo de
sociedade de consumo ocidental, capitalista e cristã.

Se a globalização possibilitou a produção e circulação das mercadorias e serviços


em âmbito planetário, mantendo ou ampliando a exploração de trabalhadores
de países incorporados ao sistema em condições subalternas, a mundialização,
conceito que se refere à difusão de uma cultura produzida para ser consumida
por cidadãos de todo o mundo, reproduz tal situação, mantendo países centrais
como produtores de cultura e informação e países da periferia do sistema como
consumidores de produtos padronizados estética, ética e ideologicamente de acordo
com valores definidos por seus produtores.

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Figura 8 - Exploração
Fonte: iStock/Getty Images

O processo de globalização e mundialização da cultura vem promovendo


inúmeras e rápidas transformações técnicas e que acabam mudando as maneiras
pelas as quais são produzidas, difundidas e consumidas as formas de cultura e
informação num mundo cada vez mais global.

Apesar disso, nesses tempos neoliberais em que “tudo o que é sólido desmancha
no ar”, as culturas brasileiras resistem ou tentam resistir à estandardização e mantêm
vivas algumas utopias humanísticas.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
A Globalização Ocidental: Controvérsia sobre a Cultura Planetária
JUVIN, Hervé; LIPOVETSKY, Gilles. A globalização ocidental: controvérsia sobre a cultura
planetária. Tradução Armando Braio Ara. Barueri, SP: Manole, 2012. (e-book-biblioteca virtual).

Mundialização e Cultura
ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1996.

Globalização, Cultura e Identidade


SALAINI, Cristian Jobi et al. Globalização, cultura e identidade. Curitiba: Intersaberes, 2012 (e-
-book-biblioteca virtual).

Vídeos
Cultura do Cinema Brasileiro
UNIVESP TV. Cultura brasileira. Cultura do cinema brasileiro. Aula 12, 28min18. São Paulo, 2014.
https://youtu.be/3WFIo0mq0oY

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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI

Referências
BAUMANN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 1999.

BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo:
Cia das Letras, 2003.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. Tribos urbanas: metáfora ou categoria? Cad-


ernos de Campo, v. 2, n. 2, p. 48-51. 1996. Disponível em: <http://www.revis-
tas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/40303>.

ORTIZ, R. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1996.

SILVEIRA, Maria Laura. Por uma teoria do espaço latino-americano. In: LEMOS,
Amália Inês Geraiges de. Questões territoriais na América Latina. Buenos Aires:
Clacso; São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006. p. 85-100.

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