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Coleção: O MUNDO, HOJE JAMES O'CONNOR

vol. I 3

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A Crise do Estado Capitalista
O'Connor, James.
am O18u USA: a crise do Estado capitalista; tradução de João
, rela
Maia. Rib de Janeiro, Paz e Terra, 1977.
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264 p. (O Mundo hoje, v .13)
dua Do original em inglês: The fiscal crisis of the Staie. Tradução de
de ·
sew Bibliografia João Maia
I A I. Estados Unidos- Condições econômicas I. Título 11.
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Título: A crise do Estado capitalista Ill. Série
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econômica real é a de ajudar o Tesouro a lançar novas emissões a preços rela-
tivamente elevados, enquanto emprega politicas seletivas para manter os pre-
ços das ações e não a de aliviar o fardo dos governos ou dos contribuintes lo-
cais. Por último, é desnecessário destacar que o preço do refinanciamento fe-
deral das dividas estaduais e locais corresponderá a maior controle federal
sobre os projetos locais e a mais planejamento regional de cima para baixo.

Capítulo 8

FINANCIAMENTO DO ORÇAMENTO:
O ESTADO TRIBUTÁRIO

iNTRODUÇÃO
As finanças tributárias (e isto vale para todas as épocas) são forma de ex-
ploração econômica e, portanto, um problema que requer análise de classe.
Não é menos verdadeiro hoje do que no passado que a "proteção e o poder ex-
ternos e o enriquecimento de algumas classes às expensas de outras (são) o pró-
pósito dos sistemas tributários" 1 e que "a luta tributária é a mais velha forma
de luta de classes"- como escreveu Marx há mais de uiTI século. Portanto, o
Estado deve tentar criar formas tributárias equitativas para esconder o con-
teúdo não equitativo da estrutura dos tributos e a natureza exploradora da es-
trutura classista. A história tem mostrado que quando o Estado não pode
mais dissimular a exploração tributária, ou justificá-la ideológicamente, corre
o risco de uma revolta tributária (e, portanto, de uma revolta classista) e de
uma intensificação dos problemas fiscais que já tem e dos conseqüentes
problemas políticos).

IDEOLOGIAS DA EXPLORAÇÃO TRIBUTÁRIA


Cada mudança importante no ~quilíbrio das forças políticas e classistas é
registrada pela estrutura tributária. Dizendo-o de outro modo, os sistemas
tributários são apenas formas particulares dos sistemas de classes. Quando o
capitalismo se desenvolvia na Europa, no seio da sociedade feudal, a burgue-
sia usava o sistema tributário para forçar a nobreza a adaptar o Estado aos re-
quisitos da acumulação privada de capital. Na sociedade capitalista pré-

I. Rudolf Goldscheid, "A Sociological Approach to thc Problcm of Public Finan-


ce", in Richard Musgravc c Alan Pcacock, editores, C/assics in the Theory of Public Fi·
nance (New York: 195M) p. 203. - ·

202 203
industrial norte-americana as tarifas cresceram firmemente até o fim do decê- A exploração tributária é também dissimulada nos países capitalistas
nio de 1920, mas os interesses classistas dos fazendeiros e plantadores sulistas, adiantados. E os impostos indiretos (de vendas, de consumo) continuam a ser
que entravam rudemente em conflito com tal mentalidade altista e protecio- as fontes importantes das receitas tributárias estaduais e locais. A Tax Foun-
nista da burguesia industrial, prevaleceram momentaneamente e as tarifas fo- dation calcula que, grosso modo, uns 150 tributos são "escondidos" no preço
ram reduzidas dramaticamente no início da década de 1830. Mais tarde, quan- de um pedaço de pão e que uns 600 se ocultam no preço de uma casa'. Entre-
do a Guerra Civil destruiu a classe dos plal)tadores sulistas, assim enfraque- tanto, muito mais importante é que a exploração tributária, normalmente, é
cendo politicamente os fazendeiros do Oeste e fortalecendo a burguesia indus- admitida porque a ideologia da classe capitalista monopolista dominante é
trial, esta pôde aumentar as tarifas. Em estágio mais tardio do desenvolvimen- adotada'. A justificativa da exploração baseia-se em três conceitos gerais- a
to capitalista, a estrutura tributária refletiu os imperativos da expansão impe- velha idéia do incentivo e as novas idéias da capacidade de pagar e do tratamen-
rialista. O exemplo clássico é a imposição de uma "poli tax" (*) sobre a mão-
to igual fJ(Jra iguais. Em resumo, incentivo é a afirmativa racionalizadora de
de-obra tribal e camponesa, visando a recrutar trabalhadores assalariados
para as plantações e minas de propriedade estrangeira. Através da história, os que, se forem tributados em demasia os lucros, diminuirão a acumulação de
sistemas tributários refletiam as rivalidades internacionais e registraram· os capital, o crescimento da produção e do emprego; e que reduzir os incentivos
despojos (que já foram fonte de receita respeitável e importante, embora instá- às famílias ricas, aos investidores e às suas instituições financeiras (monopoli-
vel) tomados aos vencidos ou as reparações deles exigidas. zadóres da oferta de capital) significaria estancar a oferta de fundos para in-
As classes dominantes, normalmente, ou tentam esconder ou justificar e vestir. Em suma, a ideologia tributária oficial assevera que os tributos não de-
racionalizar ideologicamente a exploração tributária. Novos tributos são vem diminuir os incentivos, quer da oferta de capital quer do dinheiro a inves-
acompanhados por "slogans"- por exemplo, "justiça ou eqüidade tributária" tir. Estas são, naturalmente, proposições verdadeiras dentro do esquema de
ou "incentivos ao progresso". E o Estado tem de "explicar" as crescentes ta- produção capitalista: aqueles que nela trabalham poderiam sabotar a produ-
xas tributárias e as bases fiscais ampliadas em termos assim, ou se verá a bra- ção se não recebessem o que considerassem ser aceitáveis margens de lucros e
ços com uma evasão tributária cada vez maior, uma fuga às atividades econô-
de rendas pessoais.
micas recém-tributadas ou uma oposição polftica organizada e outras formas
A doutrina da capacidade de pagar sustenta que cada membro do corpo
de revolta tributária.
social - trabalhador ou capitalista :... deve pagar impostos correspondentes à
Isto valia até para o período feudal, quando o domínio de uma classe era
sua renda pessoal. Nem é preciso dizer que este princípio não é aplicado toda
ostensivo e admitido como característica permanente da sociedade. Quando
v.ez que entra em conflito com a doutrina dos incentivos. Por exemplo, há de-
apareceram, pela primeira vez, nos orçamentos dos nobres feudais, os tributos
zenas de "furos" garantindo substancial isenção tributária à _renda provenien-
continham o critério da "eqüidade", baseado no princípio de que classes dife-
te da propriedade do capital. Ainda, o uso da renda - e não o da riqueza -
.rentes tinham direitos diferentes e deveres diferentes. Por exemplo: segundo
como medida da capacidade de pagar é gritantemente discriminatório contra
Louis Eisenstein.
os trabalhadores e a favor do capital. Em parte alguma no mundo capitalista
"os nobres franceses do século XVIII estavam tão serenamente certos de são tributados ganhos irrealizados de capital, mesmo que aumentem, visivel-
que davam uma contribuição especial à sociedade que reclamavam isen- mente, a capacidade de pagar impostos.
ções especiais de impostos. Eles ... recebiam estímulos que deviam serres-
guardados para o bem dos demais"'. Outro elemento ideológico da tributação está nesta capacidade de pagar:
a premissa oculta do principio é a de que os beneficios das despesas estatais fa-
Em contraste, as classes dominantes do século XIX, na América, tenta- vorecem igualmente a todos os contribuintes. O argumento não é válido: as
ram (às vezes com algum êxito) dissimular a exploração tributária. A classe prioridades orçamentárias locais, estaduais e federais são determinadas pela
trabalhadora era pequena e pouco desenvolvida e, assim, não eram viáveis os necessidade de ampliar o capital social (consumo social e investimento social)
tributos sobre a renda pessoal; o único imposto a gravar a riqueza era o tribu- e as despesas sociais de produção (gastos previdenciários e militares)•. Portan-
to sobre a propriedade, tarifa que tornou-se a mais importante fonte de receita to, a doutrina da capacidade de pagar é ideológica, não por ser ilógica, mas
- além de ser relativamente "invisível", por incorporar-se aos preços mais ca- porque sua premissa é falsa.
ros das mercadorias. Ainda hoje as taxas de importação conservam-se como
modelos tributários dos países subdesenvolvidos, exatamente por serem de fá- 4. Citado por Sylvia Porter, San Francisco Chronicle, 29 de novembro de 1966.
cil dissimulação. Escreveu um economista sobre a "vantagem política" das ta- S. A situação nos países subdesenvolvidos é muito diferente porque a burguesia é
xas de exportação, que escondem o fardo que recai sobre os camponeses enga- pequena, débil e geralmente pouco efetiva como classe dirigente. Arrecadações força-
jados na produção para exportar -'. das, sob a forma de inflação, substituem os tributos voluntários na exploração tributá-
ria.
• Uma po/ltax é um imposto que recai de preferência sobre o indivíduo, não sobre 6. O mais divertido aspecto desta situação é que os economistas burgueses, real-
a propriedade, como uma condição eleitoral. Em estados do Sul, foi usado para reduzir mente, proclamam quo a distribuição dos beneficios das despesas estatais favore-
o eleitorado negro, após a guerra civil, norte-americana. (N.T.) ce a classe trabalhadora (especialmente os pobres) às expensas das classes proprie-
2. Louis Eisenstein, The ldeologies o/ Taxation ( New f_ork: 1961 ). pp. 222-223. tárias! Um economista escreve que "um sistema redistributivo é, naturalmente, o tipo
3. Frank A.Jackson."Political Aspects of Export Taxation", _Public Finance 12:4 'que caracterizava o estado moderno" (James B.uchanan, Fiscal Theory and Polili-
( 1957).291. - cal Economy (Chapel Hill, N.C.: 1960), pp. 18-19). Uma pesquisa do fim da década de
1950 indicou que mais de 40% de todos os contribuintes acreditavam
204
205
A justificação última da exploração tributária é a idéia de que "iguai s de- também recaem sobre os trabalhadores. E a estrutura do imposto de renda in-
vem ser tratados igualmente". Inatacável em princípio, é na prática uma dou- dividual dá muitas oportunidades para fugir às altas taxas marginais do tribu-
trina prejudicial à classe trabalhadora. A sociedade capitalista não é uma so- :o. Somente em ocasiões de crise nacional tem havido sérias tentativas de tri-
ciedade de iguais. Há proprietários e não-proprietários, capitalistas monopo- butar realmente o capital. Toda a renda, além de 8?;.; do capital investido, foi
listas e capitalistas competitivos, trabalhadores sindicalizados e trabalhadores apropriada durante a Primeira Guerra; o Congresso baixou legislação tribu-
não-sindicalizados, grupamentos sociais opressores e minorias oprimidas, ri- tando lucros não-distribuídos, pelo fim da depressão (1936-1939); um impos-
cos e pobres, e assim por diante. Portanto, um sistema tributário que trate "i- to de 95",; sobre lucros extraordinários foi estipulado na Segunda duerra, sen-
guais de modo igual" simplesmente reforçará as desigualdades existentes . do determinado que sua receita ·e a do impGsto de renda das empresas não de-
veria ultrapassar 80"~ da renda líquida das corporações (a verdadeira taxa do
TRIBUTAÇÃO DA CLASSE CAPITALISTA tributo foi obscurecida por um complicado sistema de créditos e concessões);
O governo federal usa as taxas tributárias e a estrutura tributária como e. por fim, durante a Guerra da Coréia foi imposto um tributo temporário de
instrumentos de estabilização e crescimento econômicos. Na década de 1960 e 30"., sobre os lucros extraordinários'.
no início da de 1970, as taxas e a estrutura foram alteradas num esforço para Historicamente, há conexão íntima entre o desenvolvimento do imposto
estimular as despesas de investimento e a acumulação de capital. Como políti- de renda das empresas e o imposto de renda individual. O primeiro imposto de
ca de dispêndios voltada para a socialização dos custos do capital constante e renda individual (1913) isentou a grande maioria dos trabalhadores e só se
variável, a política tributária visa, de um modo geral, ampliar os lucros priva- aplicava aos ricos. Os capitalistas responderam à ameaça do primeiro tributo
dos e as atividades econômicas particulares, o que significa que o Estado não de classe da América (primeiro, de vida curta e último) fazendo campanha
pode prejudicar os incentivos ao capital para poupar e investir. Portanto, teo- pelo tributo sobre a renda empresarial, como um substituto do imposto de
ricamente, a tributação da renda ou da riqueza da classe capitalista é, pelo me- renda individual. Nelson Aldrich liderou tal movimento no se·nado e, em
nos, pouco prática . 1909, o Congresso aprovou o primeiro imposto empresarial. No início, os líde-
Superficialmente parece cque a classe po capital monopolista é tributada res das empresas admitiram que fossem taxadas suas rendas empresariais, e
de vários modos. Nos Estados Unidos (e na maior parte das sociedades capita- não as pessoais, porque as corporações do setor monopolista controlavam os
listas adiantadas) há imposto de renda empresarial, impostos sobre doações e preços e, assim, podiam transferir o tributo ao consumidor. Em 1920, quando
heranças, impostos sobre a propriedade comercial, impostos sobre a folha de a taxa tributária era de 12,5"~, os ganhos depois de aplicada a taxa eram de
pagamento das empresas e imposto de renda individual. Mas, na realidade, a 12"., do valor líquido contábil* das grandes empresas fabris. Em 1955, com a
maior parte dos impostos sobre a renda das empresas é absorvida pelos consu- taxa tributária de 52"~. os ganhos após o imposto eram de· 13~;.;•. Embora o
midores (trabalhadores e pequenos empresários) e não pelos proprietários das problema seja acaloradamente debatido e altamente complexo, geralmente se
empresas tributadas. Os impostos sobre doações e heranças são mínimos e re- admite que
lativamente fáceis de evitar ou de sonegar. Os tributos sobre a propriedade co-
mercial são também transferidos principalmente aos inquilinos e consumido- "quando medida pelas mudanças na taxa de retorno (lucro) a transferên-
res (ou seja, aos trabalhadores). Os tributos sobre as folhas de pagamentos cia é de cerca de 100";;" '.

que o governo levava mais em tributos do que dava em serviços. (Morris Janowitz e ou- 7. Reformadores progressistas, quer liberais quer conservadores, vêm concordan-
tros Public Administra/íon and the Public (Ann Arbor, Mich.: 1958). Cerca de 70% dos do em que a tributação dos lucros extraordinários deveria ficar limitada às crises de tem-
que integravam a amostragem da Opinion Research Corporation, no verão de 1972, dis- po de guerra. O motivo é que a tributação dos lucros extraordinários contribui para mu-
seram que pensavam estar pagando demasiado pelo que recebiam em serviços federais danças básicas na distribuição da renda e da riqueza e, pois, da estrutura classista. Por
(Business Week, 17 de junho de 1972, p. 102). O aspecto geral da despesa estatal sobre a isto, para tomar um exemplo que foi o primeiro da história norte-americana do século
distribuição da renda e da riqueza entre as classes econômicas ainda não foi analisado, XX, "progressistas ocasionais, eomo Woodrow Wilson e WiUiam G. McAdoo, apresen·
mas alguns pesquisadores dão notícia rlo efeito da despesa pública na distribuição da taram-se em frente única com os aue. se opunham aos imDostos sobre lucros extraordi-
renda pessoal. Um estudo das despesas de 1961 e 1965 conclui que "o esquema geral de nários (depois da Primeira G~erra)". (H. Larry Ingle,"Th" Dangers of Rcaction: Repeal of
distribuição de todos os principais gastos em benefícios é signif!camente "pró-pobre" the Revenue Act of 1918", The North Carolina Historica/ Review, 49:1 (janeiro de /967),
segundo qualquer consideração razoável sobre a incidência dos beneficios" (Tax F ounda- 72).
tion, Tax Burden and Benefits ofGovernment Expenditures, By lncome C/ass, /961 and * I:! percem o( net hook value. ( N. T.)
1965 (New Y ork: 1967) p. 28 . Este trabalho (.e estudos posteriores do Council o f Econo- 8. Jerôme R. Hellerstein, Taxes, Loopho/es, and Mora/s. (New York: 1%3) pp. 67-
mic Advisors e do Bureau of the Census) pressupõe que todos os benefícios originados 68.
nas despesas estatais fluem, diretamente, para as famílias e que as organizações empre- 9. Marian Krzyzaniak, editora, E[fects ofCorporation lncome Tax; Papers Presen-
sariais, em si, não recebem qualquer benefício e, portanto, que as classes proprietárias ted at the Symposium on Business Taxàtion (Detroit: 1966), p. 13. Conforme os pressupos-
não tiram vantagens indiretas das despesas públicas, que financiam suas empresas de vá- tos econômicos especiais, pode ser defendido que as empresas transferem o imposto de
rios modos. Em outras palavras, a Tax Foundation pressupõe que a sociedade norte- renda não -só para os consumidores como, também, para os próprios trabalhadores, na
americana não é uma sociedade de classes - o que dificilmente pode ser visto como uma forma de salários mais baixos e, também, aos investidores do setor não tributado. Neste
"consideração razoável" . último caso o fardo é transferido dentro da própria classe capitalista (ibid., p. 85).
206 207
Tanto no setor monopolista quanto no competitivo (que não pode absor- rostos de propriedade••. Em suma, não é de surpreender que os economistas
ver o tributo porque os lucros são por demais minguados), o tributo de renda concordem, em geral, com o caráter gritantemente retrógrado do tributo sobre
empresarial é semelhante a um imposto de vendas, geral, arrecadado a uma a propriedade 1'.
taxa proporcional à mar$em de lucros das empresas 10• Fora disto, os únicos impostos sobre a riqueza, nos EUA, são os quere-
Embora não haja tributos gerais sobre negócios nos Estados Unidos, os caem sobre doações e heranças, Tributos modestos foram determinados no
capitalistas estão nominalmente sujeitos a vários tributos sobre bens. O mais início do século, mas só após o New Deal os elementos populistas do Congres-
importante deles é o imposto sobre a propriedade que, de fato, recai principal- so tentaram (a prinCípio com o apoio de Roosevelt, que logo o retirou) elevar
mente sobre as classes trabalhadoras e dos pequenos empresários. Nos centros significativamente os tribntos sobre as doações e heranças. Foram elevados,
urbanos as propriedades residenciais são sobrecarregadas com o maior fardo mas Bernstein observa:
da tributação sobre os imóveis e as comerciais ficam com a menor partt: 11 • Os
valores da propriedade centro-urbana mostram relativo declínio devido à "in- "quando associada a arrecadações tão retrógradas quanto os impostos e
dústria da suburbanização" e à proliferação das auto-estradas, dos estaciona- as taxas de previdência social locais ... a Wealth Tax de 1935 não drenou a
riqueza dos grupos de mais altas rendas, e o grupo que está no topo de I%
mentos públicos e de outras instalações que tiram terras do rol dos impostos. até aumentou sua parcela nos anos do New Deal" 16
E a fuga dos relativamente melhor aquinhoados (trabalhadores, profissionais
liberais e pequenos empresários) para os subúrbios reduziu ainda mais as re- Desde 1942 os tributos sobre doações e heranças ficaram, basicamente,
ceitas de impostos sobre propriedades residenciais 12 •
intocados . Embora a taxa tributária nominal (fediral) sobre heranças vá de
Os estudos disponíveis indicam que os proprietários de prédios residen- 3"-{. (sobre 5 mil a 10 mil dólares) até 77% (sobre 10 milhões de dólares ou
ciais, normalmente, transferem os impostos de propriedade para os inquilinos
mais), a taxa média verdadeira é de pouco mais de 10%. A diferença pode ser
-cuja grande maioria é composta de trabalhadores. E tem sido calculado que
atribuída às isenções a transmissões inter vivos e a doações feitas mais de três
cerca de 75~~~ dos impostos sobre a propriedade da indústria local e dos estabe-
anos antes da morte".
lecimentos varejistas são transferidos para os consumidores 13 • Finalmente, um Em seu estudo sobre a tributação federal, conclui Joseph Pechman:
estudo federal recente demonstrou que mais de 3 milhões de lares, a grande
maioria de famílias de rendas baixas, pagam mais de 10% de sua renda em im- "Cerca de 3~io das heranças das pessoas falecidas na idade adulta e menos
de um quarto da riqueza possuída pelos que morrem com qualquer idade
10. Há também muitos "furos" no imposto de renda das empresas. O mais escanda- estão sujeitas a impostos de doação e herança" "
loso é a "oil depletion alowance"•. Em 1964 as 20 maiores refinarias de petróleo paga-
ram só 4% dos seus 5 bilhões de dólares de lucros brutos em imposto de renda. Em 1965 Assim, apesar do capital monopolista ter acumulado imenso patrimônio
e 1966 a percentagem subiu para 6,9% e 8,5% respectivamente. Quando a "depletion desde a Segunda Guerra, a receita tributária proveniente dos impostos sobre
alowance" foi politicamente muito atacada, em fins da década de 1960, a indústria pe- doações e heranças é inferior a 4 bilhões de dólares por ano- escassamente 2%
trolífera anunciou que qualquer corte em seus privilégios significaria maiores preços e
assim transferidos diretamente aos consumidores ( Wa/1 Street Journa/, 23 de julho de do total da receita federal (ou menos da metade de sua contribuição percen-
1969; e 5 de setembro de 1969). tual do início da década de 1940) ".
Cumpre acrescentar que os governos estaduais têm tributos de vários tipos sobre
empresas e bancos. Na Califórnia, por exemplo, cerca de um terço da receita do estado
vem de tais impostos. Até que ponto estes impostos são transferidos adiante para os 14. Wa/1 Street Journa/, !5 de janeiro de 1971.
consumidores, atrás para os trabalhadores e lateralmente para outras empresas não se 15. Dick Netzer, Economics ofthe Property Tax (Washington:\966) pp. 40-62. Um
sabe, porque a maioria das grandes empresas vende para fora do estado. economista escreveu: "A iniqüidade de suas bases, a ampla variação nas taxas, as im-
li. Um motivo para as propriedades industriais e comerciais (diferentemente das perfeições de sua administração provavelmente causam (aos tributos imobiliários) um tal
residenciais) não serem vendidas e compradas com maior freqüência é que seu "valor impacto que afastam o sistema tributário global da capacidade de pagar(não o aproxi·
justo de mercado" é impossível de ser adequadamente estimado. Os capitalistas conse- mam dela)". (Jesse Burkhead, Public Schoo/ Financé (Syracuse: 1964), p. 185). Também
guem portanto desvaloFilar à vontade suas propriedades, o que os particulares não po- consultar a revisão de Gerhard Rostvol do trabalho Financing State and Local <Jovern·
dem. Outra razão é que em algumas cidades (como em Houston) as indústrias principais ment.< de James Maxwell (Washington, D.C.: 1965) American Economic Review, 56 (se-
tham, elas mesmas, os valores de suas propriedades para fins tributários. tembro de 1966), 947.
12. Mordccai S. Feinberg, "The lmplications ofthe Core-city Decline for the Fiscal 16. Barton J. Bernstein, Toward A New Past: Dissenting Essays in American Histo-
Structure of the Core-city", National Tax Journal, 17 (setembro de 1964), 217. A receita rr (N.York: 1968) p. 175. .
de tributos sobre a propriedade aumentou, anualmente, nas dez maiores cidades dos Es- 17 . State lnheritance Tax Rates and Exemptions {New York: 1966) p. 165.
tados Unidos, entre 1950 e 1960. Porém, se as taxas de avaliação e os preços não tives- IX . Joseph Pechman, Federal Tax Palie,)' (Washington, D.C.: 1966) p.l82.
sem mudado as receitas teriam caldo em quatro delas. 19. Lillian Doris, The American Way ofTaxation: Interna/ Revenue, /862·1963 (En-
13. Trabalho de Richard Musgrave sobre os impostos imobiliários de Michigan, ci- !! lewood Cliffs, N.J.: 1963) pp. 181·182. Somente na Europa, logo após a Primeira Guer-
tado pela Comissão de Receita e Tributação da Assembléia da Califórnia, Taxation of ra. a trihutação do capital foi remotamente possível; havia grande descontentamento
Property in Ca/ifornia, dezembro de 1964, p.30. Pequena ou nenhuma transferência se popular com os que lucraram com a guerra e com a conscrição compulsória da mão-de-
verifica quando há controle de aluguéis, arrendamentos a longo prazo ou concorrência ohra. O artigo clássico sobre a economia política da tributação da riqueza, neste perío-
verdadeira entre os proprietários na disputa do inquilino. do, é "The Capital Levy after World War I", de Manuel Oottlieb, em Public Finance,
• Em tradução fiteral, desconto de depleção petrolífera. (N•. T.) 7:4 ( 1952).
208 209
Os capitalistas monopolistas não pagam imposto geral de negócios~ e tos. que é usado para custear os auxílios à velhice e aos desempregados (despe-
seus ganhos de capital irrealizado estão isentos. Na verdade, os ricos que rece- sas de consumo social), é regressivo, recaindo mais pesadamente sobre o
bem dividendos e rendas de juros são tributados a altas taxas marginais, no trabalhador mal remunerado, porque uma taxa única é aplicada aos ganhos
imposto individual de renda, mas os donos das empresas e seus executivos tributúveis, sem levar em consideração os níveis de rendas''. 1: especialmente
principais recebem a maior parte de suas rendas sob a forma de juros de títulos regressivo porque os trabalhadores não permanecem na força de trabalho o
municipais - isentos - e de ganhos de capital realizado, que são tributados a tempo suficiente para acumular créditos de emprego que os habilitem a rece-
taxas relativamente baixas. Por exemplo, menos de 2"~, das famílias de maiores ber os benefícios primários 2• . Embora trabalhadores e patrões contribuam
fortunas possuem cerca de 87" ~ dos títulos municipais escolares'". O tratamen- ig ualmente para o tributo sobre a folha de pagamentos,
to favorável aos ganhos de capital, juntamente com os imensos benefícios à di-
"a maior parte dos economistas concorda em que todo o imposto sobre a
visão da renda nos altos níveis de rendimentos, reduz a tributação dos ricos folha recai, de fato, sobre os salários, que deveriam ser mais elevados, so-
em cerca da metade e as deduções pessoais diminuem-na ainda mais - para mando a própria contribuição do empregador. caso esta não fosse feita
cerca de um terço dos níveis potenciais da estrutura nominal da taxa tributá- sob esta forma" "·
ria.
Em resumo, a taxa tributária média no cimo da escala de rendimentos Impostos de consumo são recolhidos tanto pelo governo federal quanto
não ultrapassa, provavelmente, uns 20"{, 21 • Devido à classe capitalista mono- pelos estaduais e muitos dos governos locais impõem tributos às vendas. Par-
polista ter sido capaz de criar "furos" no sistema tributário (o que os trabalha- cial ou totalmente regressivos, tais impostos são especialmente onerosos para
dores não conseguiram) os trabalhadores de baixos salários 2•. Os impostos estaduais de vendas foram
implantados na década de !930 para reduzir a carga que recaía sobre os pro-
"o imposto de renda individual mal chega a morder esta maciça concen- .
tração de riqueza, apesar da fachada das taxas progressivas" " . prietúrios de imóveis residenciais, comerciais e industriais. Por volta de 1967
os governos estaduais aumentavam em cerca de dois terços suas arrecadações
A EXPLORAÇÃO TRIBUTÁRIA DA tributárias originadas nos impostos de vendas e receita bruta, enquanto o im-
CLASSE TRABALHADORA posto individual de renda contribuía somente com 16%".
Com o crescimento das novas classes sociais e a formação de outras, mu-
As modificações nas taxas dos tributos e na estrutura tributária, as princi- dou a forma da espoliação tributária. Durante o século XIX um tributo indi-
pais formas da moderna política fiscal, sempre favoreceram os lucros e o cres- reto- a tarifa- era a maior fonte de receita federal. Hoje o imposto individual
cimento empresarial. E, com os "refúgios" e "furos" tributários à disposição
do capitalista monopolista, todo o sistema fica baseado, realmente, na explo-
ração da classe trabalhadora e do pequeno empresário, especialmente a dos
23. "Os que ganham menos do que o teto tributável pagam 10,4% e não 5.2~. do
trabalhadores do próprio setor monopolista, cujas rendas tributáveis são rela- que.ganh am em tributos de folhas de pagamentos, e estas taxas deverão subir, conforme
tivamente elevadas. foi projetado. Uma família de quatro pessoas com renda inferior a 8.700 dólares paga
Além da transferência dos tributos de propriedade e renda empresarial, mais em imposto de folha de pagamento do que em imposto de renda"(Selling National
os impostos de vendas e de consumo, os de previdência social e o de renda in- Priorities, op. cit.).
dividual silo espoliativos. O imposto previdenciário sobre a folha de pagamen- 24. Ernest C. Harvey, "Social Security Taxes- Regressive or Progressive?" National
Tax Journal 18 (dezembro de 1965), 408.
25. Charles L. Schultze e outros, Setting NatiofUJl Priorities: The /972 Budget
• Cieneral hu.vine.,..,. tax. (N. T.) (Washington, D.C.: The Brookings lnstitution, 1971) p. 212. Os autores prosseguem:
20. Phillip M . Stren, The Great Treasury Raid (New York: 1964) p. 191. "Um trabalho de John A. Brittain do Brookings lnstitution, ainda inédito, defende;
21 . John G. Gurley, "Federal Tax Policy", National Tax Journal, 20:3 (setembro de esta contenção e apresenta grande número de evidências teóricas e empíricas que a
1967), 320. Este artigo é uma brilhante revisão da obra citada de Joseph Pechman, Fede- apóiam". Entretanto, um estudo anterior indica que dois terços das grandes empresas
ral Tax Policv. norte-americanas somam os tributos de folha de pagamento aos preços (isto é, transfe-
22. lbid.; p.321. A estimativa pode ser comparada com o cálculo padronizado se- rem os impostos aos conswnidores). Lewis H. Kimmel, Taxes and Economic · lncenJives
gundo o qual o imposto de renda individual torna todo o sistema tributário levemente (New York: 1950) p. 182. Seja como for, o efeito é geralmente o mesmo: a classe traba-
progressivo entre rendas de 10 mil a 15 mil dólares e ainda mais progressivo acima do lhadora paga.
nível de 15 mil dólares (ver, por exemplo, a estimativa feita por uma das instit-uições do 26. Tax Foundation Inc., . Retail Sales and Individual lncome Taxes in State Tax
próprio capital monopolista, a Tax Foundation Inc. em Tax Burden and Benefits ... , Structures (New York: 1962) pp. 29-30. A lei federal tributária de 1965 reflete, chlra-
op.cit., p. i 3, quadro 1.). mente, a estrutura regressiva destes impostos: esperava-se reduzir a receita do imposto
Con.sultar lndividuallncome Tax Erosion by lncome ÇJa.di>,'r (Washington D.C.: The J c consumo em cerca de 5 bilhões de dólares, num período de quatro anos. Este imposto
Brookings lnstitution, 1972), de autoria de Joseph Pechm.an e Benjamin Okner, que é o sobre o fumo, a gasolina, o álcool e outras mercadorias populares foi mantido, mas uma
mais moderno trabalho sobre a medida em que os "furos" desgastam o imposto de ren- ampla gama de produtos de luxo ou quase de luxo foram isentos. (T.W. Calmus - "Bur-
da.. Pechmim escreve que "a estrutura do imposto de renda permaneceu notavelmente dcn of Federal Excise Taxes by lncome Classes", Quater/y Review of Economics and Bu-
.. eslávei... a despeitO' de tudo o que foi dito sobre fechar os 'furos"' (Joseph A . Pechman, sines.,·, lO: I (primavera de 1970).
"The Rich, the Poor and the Taxes They Pay", The Public lnterest, 17 (outono de 1969), 27. Escritório do Censo, State Govemment Finances in /967 (Washington, D.C.,
26). 1'16H) p.7, quadro I.

210 211
de renda eleva-se, aproximadamente, a um terço da receita de todos os níveis A taxa tributária média, efetiva, das rendas mais altas não excede os 25%
governamentais. Brevemente testado durante a Guerra Civil, o primeiro im- (está a menos de 5% das famílias de rendas mais baixas) principalmente por
posto de renda verdadeiro foi aprovado pelo Congresso em 1894 depois de haver l!m tratamento especial para as rendas de ganhos de capital, exclusões
uma campanha dos agricultores e pequenos empresários. agitando as classes de rendas (juros de títulos locais), deduções (especialmente importantes para
trabalhadoras, durante uns dez anos, contra o "big business". A taxa tributá- as famílias 111ais altamente situadas) 29 , isenções e desdobramento de renda (que
ria era única, de 2"{,, e como já mencionamos seria paga apenas por pequeno beneficiam relativamente mais as famílias de rendimentos elevados). Segundo
grupo de ricos. Em 1894 o imposto foi considerado inconstitucional pela Su- tudo indica, ninguém - salvo os profissionais liberais, os trabalhadores espe-
prema Corte. cializados e os pequenos e médios empresários- paga mais do que 15 a 20%,
No século XIX (especialmente na primeira metade), os fazendeiros, as devido às facilidades para canalizar as rendas por vias não tributáveis (como
classes empresariais e os agricultores recebiam a grande maioria da renda na- contas de despesas), sendo grande a sonegação entre os fazendeiros e os que
cional e, naturalmente, não queriam tributar a si mesmos. Somente com a recebem rendas de juros e dividendos.
criação de uma grande classe trabalhadora, que não tem propriedades, o im- Nos últimos anos o Estado fracassou até em tentar que a sobrecarga do
posto de renda tornou-se politicamente viável - um tributo com grandes "fu- imposto de guerra de 10% fosse progressiva. E a redução de impostos de 1965
ros" para que as famílias ricas pudessem escapar às suas elevadas taxas margi- beneficiou muito mais aos ricos do que aos pobres -para os primeiros a dimi-
nais. nuição nas taxas tributárias é permanente, mas para os últimos (cuja renda
Com o desenvolvimento do moderno proletaria,do, o imposto individual monetária está subindo e, portanto, sujeita a maiores taxas marginais) a redu-
de renda tornou-se idealmente adaptado às necessidades do capital monopo- ção é apenas temporária 30 •
lista. Por um lado o imposto de renda não pode ser transferido aos lucros; por Para resumir, o sistema tributário cumpre duas funções principais: pri-
outro, o imposto é progressivo na forma, embora regressivo ou proporcional meiro, permite que o capital monopolista aumente seus ganhos e bens, assim
no conteúdo. Assim, o mito da "eqUidade tributária" poderia ser preservado. jogando importante papel no fortalecimento da classe dominante. Apesar de
Os "furos", geralmente vistos como aberrações em um sistema equitativo de tais despesas serem nominalmente cobertas por taxas sobre lucros, as crescen-
outra natureza (os políticos liberais estão sempre buscando "fechar os furos"), tes despesas estatais aumentam os lucros e pesam sobre o salário real, porque
são, na realidade, partes normais e necessárias da estrutura do imposto de ren- os tributos das empresas são transferidos para os consumidores sob a forma
da. de preços mais elevados. Segundo, para cobrir os custos das despesas de capi-
Não é de surpreender que o imposto de renda venha pesando cada vez tal de caráter social e das despesas correntes de cunho social o sistema toma
mais sobre a renda salarial, desde sua implantação. O Estado nacional redu- recursos das pequenas empresas e da classe trabalhadora.
ziu, sistematicamente, as isenções pessoais e as deduções por dependentes- de Portanto, ao limitar sua capacidade de acumular poupanças líquidas, o
4 mil dólares (para uma família de quatro pessoas), em 1913-1916, para 2 400 sistema tributário força os trabalhadores a continuarem a ser trabalhadores-
dólares em 1970. Em 1913-1916 uma pessoa solteira tinha direito à dedução de
3 mil dólares, em 1970 a somente 600 dólares. E, até 1943, a renda do traba-
lho era tributada a uma taxa 10% mais baixa do que a renda de lucro, devido à 29. Estudos conhecidos também indicam que a tributação, em geral, está propor-
inexistência de um tratamento de despesas pessoais comparável ao dos gastos cionalmente a algo melhor e pior regressivamente, em relação à renda, embora alguns
com "business purposes", como as deduções pessoais e de despesas de educa- trabalhos indiquem um grau de progressividade nas faixas de rendas mais altas. Veja-se.
ção etc. Além disto, em termos de poder aquisitivo real, as deduções efetivas por exemplo, Mabel Newcomer, "Estimates of the Tax Burden on Different Income
caíram muito. Finalmente, a consciência popular do peso tributário foi aneste- Classes", em Studies in Current Tax Problems (Nova York: Twentieth Century Fund.
siada pela retenção do imposto - a mais sutil das formas de exploração tribu- 1937): Gerhard Colme Helen Tarasov Who Pays the Taxes? Temporary National Eco-
nomic Comission, monografia n9 3 (Washington, D. C.: 1941); Richard Musgrave e ou-
tária (antes da retenção na fonte ter sido implantada, em 1940, era possível
tros, "Distribution ofTax Payments by lncome Groups: A Case Study for 1948", Natio-
ampla sonegação de imposto pelas familias de baixas rendas). Presentemente, nal Tax Joumal (março de 1951): Richard Musgrave, "lncidence of the Tax Structure
cerca de 85% do imposto de renda são recolhidos à taxa básica de 20%, aplicá- and lts Effects on Consumption", Federal Tax Policyfor Economic Grm•·th and Stabili-
vel a dois terços de todas as retribuições 2'. t_r. trabalho apresentado à Comissão Conjunta do Relatório Econômico, Congresso dos
Estados Unidos, 1955; Richard Goode, The Individuallncome Tax (Washington, D.C.:
28, Em 1916 somente 400 mil retribuições eram realmente tributáveis; o total subiu 1964), p. 263: "Who Really Gets Hurt by Taxes" V. S. NeK:J and World Report. 9 de de-
para 2,5 milhões em 1925, para 4 milhões em 1939, para mais de 32 milhões em 1950 e zembro de 1968. Ross Abinati do San Jose State College calculou que a efetiva taxa mé-
para mais de 55 milhões hoje. Em 1913 a taxa era de 1% sobre os primeiros 20 mil dóla- dia dos impostos de todas as camadas da classe trabalhadora e dos administradores,
res de renda tributável (após deduzidas as isenções pessoais). Hoje em dia, já chegamos funcionários, proprietários e agricultores anda perto de 30 a 32,5 por cento. Há poucos
a 20% sobre os primeiros 20 mil dólares. Em 1913 o imposto de renda das empresas e o anos Herman P. Miller, chefe da Divisão de População do Escritório do Censo calculou
individual, juntos, renderam pouco mais de 35 milhões de dólares. Hoje o imposto indi- que a taxa média de impostos de todas as arrecadações (a todos os níveis de governo) é:
vidual de renda rende, sozinho, 85 bilhões. Os países capitalistas mais adiantados mos- 34.6" .. de 2 mil a 4 mil dólares; 31 "~de 4 mil a 6 mil dólares: 30,1 "·.,de 6 mil a 8 mil dóla--
tram a mesma tendência. No Japão, por exemplo, o número de contribuintes do impos- res: 29,2",; de 8 mil a lO mil dólares; 30"{, de 15 mil a 25 mil dólares: e 32,8'\, de 25 mil a
to de renda saltou de um milhão para 19 milhões entre 1935 e 1945 e a contribuição do 50 mil dólares.
imposto de renda para a renda nacional passou de menos de 1% para 10,2% (Sei Fujita, 30. S. D. Hermamsen, "An Analysis ofthe Recent Tax Cut", National Tax Joumal
"Political Ceiling on Income Taxation", Public Finance, 16:2 (1961 ). .(dezembro de 1965), 425. ~
212 213
nio de 1950 o governo federal tem tido de canalizar mais receita tributária
e, a longo prazo, obriga a classe trabalhadora a ficar cada vez mais dependente
para os estados e os governos estaduais têm tido de alocar mais fundos para.
do capital e, em última instância, do Estado. Esta é uma interessante contradi-
os governos locaisn . Entre 1955 e 1968, a ajuda federal aos governos estaduais
ção do sistema tributário: por um lado o fardo dos impostos recai sobre a clas-
c locais cresceu de uns 3 bilhões de dólares para mais de 17 bilhões de dólares
se trabalhadora; por outro lado, a classe trabalhadora exige cada vez mais des-
por ano e o número de programas básicos de doações aumentou de 44 para 95
pesas (de consumo social e correntes de caráter social) exatamente porque tem
(em 1968 havia mais de 400 programas e autorizações específicas de doações,
o status de classe trabalhadora. Pode ser fato qu:e quanto maior for o nível de
sendo 128 no campo da educação) ll . Já em 1960, cerca de 40% da receita das
exploração tributária mais elevado será o nível de despesas governamentais e,
cidades provinham de doações governamentais (estaduais e federais). Por volta
pois, a necessidade de mais exploração tributária.
de 1966 chegava a 15,8% a parcela da receita dos governos estaduais e locais
originada a nível federal. Em geral, a ajuda federal aos governos locais e esta-
DISTRIBUIÇÃO DA RECEITA duais cresceu de menos de 10 bilhões de dólares (1962) para mais de 27 bilhões
E CRISE DO FEDERALISMO (1970)"'.
A despeito de tais subsídios, os governos locais e estaduais têm de inten-
O governo federal se apropria da parte do leão das receitas tributárias ge- sificar a busca de novas fontes tributárias e de outras receitas. Pelo fim da dé-
radas pela acumulação de capital e pelo crescimento econômico. Na medida çada de 60 a crise fiscal local estava totalmente fora de controle. Os políticos
em que aumentam o emprego e a renda, o imposto de renda progressivo "apa- locais, as juntas escolares e os distritos especiais reclamavam novos auxílios
nha" maior parte do aumento do que os impostos regressivos estaduais e lo- dos governos estaduais e estes apelavam para Washington . Os denominados
cais sobre vendas e propriedades" . "grupos de pressão dos prefeitos" - a Comissão de Ação Legislativa e a Con-
De qualquer modo, os governos locais e estaduais são forçados a gastar ferência Norte-americana de Prefeitos - faziam clamorosos e diretos apelos
crescentes quantias em projetos de capital e em programas de despesas corren- ao governo federal no sentido de que desse ajuda às grandes cidades (e em
tes de caráter social. Além de forçar os governos locais a aumentarem os im- 1971, de fato, forçaram a liberação de 700 milhões de dólares em fundos para
postos que pesam sobre trabalhadores e pequenos empresários o capital mo- cidades autorizados pelo Congresso, porém contidos pelo presidente).
nopolista tem conseguido concessões sob a forma de reduções de impostos de Para os políticos e empresários locais o problema é que tais verbas não es-
propriedades industriais, de instalações industriais gratuitas etc. Existe, pois, tão disponíveis em quantidades suficientes, quando e onde necessitadas pelo
uma contradição entre o fardo fiscal ampliado que se acumula sobre os esta- governo e pelo caoital locais. Até bem pouco. os programas federais de doa-
dos e municipalidades e sua capacidade de suportá-lo. Esta contradição reflete ções, efetivamente, distribuíram receitas dos estados industriais para os não
o conflito que há no seio da atual estrutura de poder- o capital monopolista é industriais, dos grandes estados (em que é menos severa a crise fiscal) para os
relativamente forte a nível federal enquanto o capital competitivo tem sua for- pequenos". Entretanto, para o capital monopolista e para o Executivo federal,
ça a nível local e estadual. Realmente, o capital monopolista obriga os traba- o problema é que demasiados projetos, concebidos sob os auspícios de dema-
lhadores e pequenos empresários a financiarem sua expansão, mas não amplia siados governos e distritos especiais, recebem demasiados fundos . Menos
a capacidade deles para suportar as despesas de capital e as despesas correntes preocupados com a crise fiscal em determinados estados ou cidades e mais
de cunho social. atentos à crise fiscal como um todo, os planejadores empresariais e o governo
Conseqüentemente os governos estaduais e locais têm de aumentar seus federal estão apreensivos com as muitas "dificuldades administrativas de
tributos e de implantar novos (entre 1957 e 1970 os tributos locais e estaduais
aumentaram em mais de 100% na grande maioria dos estados). Presentemen-
te, 45 estados têm impostos de vendas e 37 têm impostos de renda*. E o Con- 32. :Entretanto, de 1950 a 1962 a parcela das despesas governamentais locais pagas
gresso esforça-se mediante o uso de artifícios creditício-tributários para forçar por subsídios .federais [lermaneceu imutável, em cerca de I ,5 por cento. O conceito de
outros estados a introduzirem impostos de renda*. Ainda mais, desde o decê- doações federais aos estados tem, de fato, longa história. A idéia nasceu sugerida por
Thomas Jefferson em 1805. Uma porção de propostas feitas no curso do século XIX fo-
rain derrotadas no Congresso ou vetadas pelos presidentes e não antes de 1887 a primei-
Jl . 0:; excedentes tributáveis locais e estaduais são baixos porque o governo federal ra doação foi feita a estações experimentais agrícolas, relacionando-se com doações de
se apropria da maior parte do .1urplus tributável (tema examinado no Capítulo 9) e por-
que o efeito de um aumento das despesas estaduais e locais sobre o produto local (e a terras para ensino. A primeira doação rodoviária teve lugar em 1916.
33. H;my L. Johnson, ed., State and Local Tax Problems (Knoxville, Tenn.: 1969)
base tribotúvel). através do crescimento da demanda, é relativamente pequeno devido
ao "dcsborde" das despesas para outras cidades e estados. Outro fator limitante da ·ca- pp. IOJ-104. .
34. Bu.•·i11e.u Week , 17 de outubro de 1970. Lado a lado com a expansão das doa-
pacidade tributúria local é a liberdade que os indivíduos têm de viver e trabalhar em ou-
tras localidades, se os impostos subirem muito na sua, as próprias empresas podendo ções federais veio o controle federal. "Com muita freqüência funcionários federais e ór-
g;ios com grandes doações a distribuir negociam diretamente com os funcionários e of-
mudar-se para "paraísos tributários" próximos.
g;ios correspondentes dos governos locais e estaduais, abalando a autoridade de prefei-
• A idéia de imposto de renda estadual choc&-se com a sistemática a que estamos ha- tos e governadores e reduzindo seu controle sobre o próprio orçamento" (Setting Natio-
bituados, soando à bitributação. E nos capítulos seguintes o autor fará referência a im- llal P-rioritie.f. op. cit .. p. 159).
posto de renda municipal. O nível técnico do presente trabalho e a clareza dos textos e da- 35. Esta conclusão se baseia nas relações entre os pagamentos de impostos e as re-
dos não deixam margem a dúvidas: provavelmente é problema de nomenclatura- tam- ceitas federais recolhic;las (Tax Foundation, Inc., Allocating the Federal Tax Burden hy
bém aqui temos o ISS (estadual) cobrado sobre a renda auferida, mas sem ser considera- Statt'. Rese;irch.Aid n~ 3 (Nova York : 1964) p. 31, quadro 7). ·
do imposto de renda ... (N.T.)
215
214
proposta especial de partilha de receitas do Presidente Nixon que o novo siste-
monta" criadas pela "rápida expansão, descoorde nada e parcelada , do siste-
ma de doações consoiida das pretende eliminar a duplicaçã o e o desperdíci o a
ma federal de doações"' •.
nível local (i.e, "acabar com o poder do pequeno capital e dos governos lo-
Em resumo, os planejado res nacionais estão preocupad os, principalm en-
cais"). Segundo o plano Nixon, 130 dos 500 programa s específico s seriam con-
te, com os aspectos da eficiência, enfim; a lucrativid ade e a acumulaç ão em-
solidados em seis principais campos subsidiado s - desenvolv imento comuni-
presariais. Esta, conforme expressou a CED, é a sua "regra interna para os
tário urbano, transporte s, desenvolv imento comunitár io rural, educação, trei-
que podem ajustar-se a ela". Isto significa que
namento de mão-de-o bra, transporte s, e aplicação da lei* -todos eles campos
"as grandes empresa!> cerram fileiras atrás de planos que organizem go- importante s das despesas de capital social e das despesas correntes de cunho so-
vernos administrativos regionais, que usurpem os atuais poderes governa- cial. O plano especial de partilha de receitas é descrito pelo próprio governo
mentais locais (de tributar, de zonear, de policiar, de desapropriar) para como sendo capaz de proporcio nar
tornar a expansão econômica doméstica mais eficiente e centralmente pla-
nejada"". "pleno arbítrio estadual e local sobre a implementação dos amplos objeti-
vos nacionais estabelecidos pelo Congresso""'.
Outros órgãos capitalista s como a National Industrial Conferenc e Board
Em outras palavras, o governo federal define as políticas e os planos; e os
cultivam idéias de planejame nto fiscal regional'" que, por sua vez, vão reque-
governos locais os executam. A primeira lei de distribuiç ão da receita, aprova-
rer, enfim, o governo regional - novas estruturas políticas através das quais ca-
nalizar os fundos federais. Em suma, os programa s de partilha de receitas de- da em setembro de 1972 (que distribuirá 20 bilhões de dólares aos governos lo-
cais e 10 bilhões aos estaduais, em cinco anos), permite que as autoridade s
senvolvid as pelo "big business" cozinham novas políticas que reduzam ou eli-
locais empregue m os fundos só em transporte público, em segurança pública e
minem os poderes dos governos locais e os substituam por planejame nto e go-
em proteção ao ambiente.
vernos regionais organizad os pelo capital monopoli sta. Intimame nte relacionad os aos planos de regionaliz ação são os programa s
Um grande passo nesta direção do planejame nto e do governo regionais
projetado s para forçar os governos locais e estaduais a levarem sua capacidad e
verificou-se em 1966, quando o Congresso aprovou o Comprehe nsive Health
tributária ao limite. As partilhas de receitas deverão prover o nevoeiro político
Care Planning and Servioes Act (Lei de Planejamento e Serviços Abrangentes de e financeiro para o planejame nto e o governo regionais, não solucionar , dire-
Assistênci a à Saúde). A lei eliminou uma série de categorias de doações para
. tamente, as crises fiscais. As evidências , tanto nos Estados Unidos quanto no
~~p~~e
Canadá, sugerem uma tendência para que o "esforço tributário " local (pro-
"substituiu-as por uma doação única para serviços abrangentes de assis- vincial no Canadá) se reduza enquanto cresce a ajuda federal". Os que querem
tência à saúde ... E a dimensão desta 'experiência' especial com a aborda- "moderni zar" a partilha de rendas buscam evitar este perigo. Nas palavras da
gem de doação consolidada foi dada pela condição de que cada estado administr ação Nixon sobre as propostas de partilha geral de receitas, os fun-
criasse ou indicasse um órgão que se responsabilizasse pelo desenvolvi- dos federais doados a um estado,
mento de planos abrangentes de saúde pública. Tais planos deverão pro-
porcionar uma cuidadosa distribuição dos fundos federais e estaduais en- "serão ajustados conforme suas tentativas de bem atender às necessidades
tre os vários serviços, constituindo-se em bases bases da revisão federal do de seu povo com sêu próprio poder de levantar receitas. Um estado que
planejamento estadual de saúde. Dois outros aspectos desta lei merecem realize seu trabalho acima da média, neste particular, terá sua parcela
atenção. Primeiro, há um proclamado intento administrativo de entregar as ajustada para mais. Esta decisão destina-se a proporcionar incentivo para
tomadas de decisões importante s aos órgãos regionais... Como declarou re- que os estados e as localidades mantenham e até ampliem seu atual esji>rço
centemente o funcionário federal responsável pela administração deste tributário, quando for o caso"".
programa: 'O Orgão Regional estará onde estiver a ação'. Segundo, junto
com o novo plano de doação única há um programa de projeto de doa-
ção de apoio a planejamentos de saúde de amplitude geográfica" ". * Law enforcement. (N .T .)
40. Thc Dom estie CounciL Executive Office o f the i>resident . 1/igh/ighrs of Rerenue
De modo semelhant e, o governo federal exige que os fundos rodoviário s e Slwring: Refimn mui Renell'fll/á r the /970.1· (Washington. D. C., 1971) p. 13.
os fundos para linhas de transporte s urbanos locais sejam aplicados em proje- 41. N. ;\. Michas, "Variations in the Levei o f Provinciai-M unicipal Expenditures
tos integrado s a planos de transporte s regionais. Foi evidencia do pela própria "' Cmada: An Econometric Analysis" , Puhlic Finull<'<'. 24:4 ( 1969). Algumas cidades
norte-americanas n:cchcm montantes rdativamente grandes de doações federais c gas-
36. SUtle and Local Ta:r Problems, op. cit., pp. 103-104. Em 1970 havia 1019 pro- lam relativamente mais " per capita" do que outras que recebem , comparativamente.
gramas que implicavam algum tipo de ajuda federal (8u.1·iness Week, 17 de outubro de illCnos doações federais. Porém, poucos economistas querem concluir daí que os ami·
1970, op. cit.). Iins por meio de doaçôes tenham estimulado o crescimento das despesas (Sral<' mui /.o-
m/ Tax l'rohlt•flis. op. cit.). Lln estados que impõem mecanismos de fundos
paralelos. ;"
37. fred Cohen e Marc Weiss, "Big Business and Urban Stagnation", Pacijic Re-
ajudas em doaç;io dos estados ús comunidades sem dúvida somaram-se aos gastos glo-
search and World Empire Te/egram, 1:2 (setembro de 1969), 7.
38. Por exemplo, consultar Michael E. Levy e Juan Torres, Federal Revenue Sharing bais.
42. 1/ig!tl~-<hts of Re•·enue Shari1ig ... . op. cit., p. 13. Mais especificamente, a fórmub
ll'ith the States: Prohlem1· and Promises (Nova York : National Industrial Conference se esforça
de N ixon não se haseia em quão rica é uma comunidade, mas no quanto ela
Board, 1970)•p. 114.
39. State and Local Ta:r Problems, op. cit., pp. 64-65 (grifo adicionado). parn atender suas necessidades com recursos tributários próprios. O programa aloca di-
217
216
Sem surpreender, a lei de distribuição de receitas de 1972 deu proporcio- beldes, as organizações do funcionalismo público, os órgãos pró-direitos pre-
nalmente mais fundos aos estados que se empenham em violentos "esforços videnciários e as secções do trabalho sindicalizado - que são tão influentes na
tributários". política local - vão permitir a imposição de supergovernos por um complexo
sócio-industrial federalmente subsidiado é algo imprevisível. Porém, esta não
Em suma, o propósito dos programas de distribuição de receita do gover- é só uma questão de análise econômica. O objetivo e os limites da reforma ca-
no Nix.on (oomo o de qualquer governo 'concebível) implica, primeiro, econo-
pitalista exigem análise política e a avàliação da mesma natureza. E a isto nos
mizar dinheiro consolidando projetos específicos, custeados pelo orçamento
federal, em projetos gerais de áreas; segundo, criar órgãos regionais (e por fim dedicaremos no capital final
governos regionais) que permitam que o capital monopolista e o complexo só-
cio-industrial passem por cima dos governos locais; terceiro, forçar os gover-
nos Iocàis e estaduais a apertarem ainda mais os contribuintes. Porém, esta es-
tratégia funda-se, desconfortavelmente, em duas premissas: primeiro, que os
recursos federais estarão disponíveis, em quantidade suf1ciente, para financiar
os complexos sócio-industriais regionalmente baseados e, segundo, que as
grandes empresas e o governo federal poderão reduzir ou eliminar a força do
pequeno capital (e do setor competitivo) nos governos locais e estaduais e,
além disto, a dos movimentos de controle comunitário, a dos grupos trabalhis-
tas, a das organizações radicais e revolucionárias e as demais forças sociais
que têm tudo a perder e nada a ganhar se não puderem conter o planejamento
(de cima para baixo) e o governo regionais.
O primeiro pressuposto é, de certo modo, frágil. Êmbora o Tesouro nor-
te-americano se aproprie da maior parcela das receitas tributárias geradas pela
acumulação do capital e pelo crescimento econômico, e se tenha comprometi-
do a partilhar 30 bilhões de dólares, suas enormes e crescentes obrigações fis-
.cais vão ficando cada vez mais dificejs de ser cumpridas. Em maio de 1972 a
Brookings lnstitution anunciou que o Tesouro precisaria de toda a receita tri-
butária maior, nos seguintes dois anos, para pagar despesas correntes e pro-
gramas já autorizados e que maiores gastos exigiriam maiores impostos (o go-
verno Nixon respondeu, imediatamente, que o orçamento seria cortado aqui e
ali e que haveria fundos disponíveis para novos programas). Mais ainda , de-
pois de "subtrair" o orçamento do Departamento de Defesa (quase sacrossan-
to), os pagameptos a vários "trust funds", juros da dívida pública e outras des-
pesas fixas ou quase-fixas, menos de um terço das receitas federais ficam dis-
poníveis para a partilha de receitas (não mais de 5% do PNB)".
Porém, o segundo pressuposto é muito mais duvidoso. Se o setor do capi-
tal competitivo, as classes profissionais liberais, os grupos comunitários e re-

nheiro aos estados a uma hase "per capita" e com uma adequação ao "esforço tributú-
rio". Quantias são distrihuídàs às localidades com fundamento nas parcelas da receita
levantadas lm:almente. Os estados e localidades incapazes de levantar fundos tributá-
rios s<io. desta forma, punidos (The Domestic Council, Office of the President. Rne-
nue-Sharing Chart Book Washington, D.C .. , 1971). Nixon propôs S bilhões de dólares
de partilha de receita. em geral. e 11.4 bilhões em fundos especiais de distribuição dare-
ceita. Que Nixon falava sério fez-se muito claro quando o governo publicou sua lei de
educação em 1970. A medid a não proporcionou qualquer novo fundo aos estados; foi
descrita pelo The Sew York Time.1· como economizadora de recursos e não como uma lei
de distrihuiçiio de receitas (buscava poupar dinheiro. consolidando vários programas fe-
derais de educação).
43. "Despesas orçamentárias sobre as quais o Congresso não tem controle anual
suhiram 51""· entre 1967 e 1971 . Estas chamadas despesas incontroláveis representam
mais de dois terços da despesa federal..." (Fortune, março de 1972. p. 2).
218 219