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cÂtv»too RANGEL DIIvAMARco

BRUNO VASCONCELOS CARRILHO LOPES

TEORIAGERALDO
NOVO
PROCESSO CUIL
, 3q edição,
revista e atualizada

I
I

_ =MALHEIROS
=.9=EDITORES

I
korin Geral do Novo Processo Civil
O Cândido Rangel Dinamarco
Bruno Vasconcelos Carrilho Lopes

]q ed., 0 I .20 I 6; 2a ed., 0 I :20 I 7.

Direitos reservados desta edição por


MALHEIROS EDITORES LTDA.
Rua Paes de Araújo 29 , conjunto I 7 I
"
CEP 0453 l-940 - São Paulo - SP
Tel.: (11) 3078-7205 - Fax: (ll) 3168-5495
URL : www.malheiroseditores.com.br
e-mail: malheiroseditores@terra.com.br

Composição: PC Editorial Ltda.


Capa: YàniaAmato

Impresso no Brasil
Printed in Brazil
02.2018

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Dinamarco, Cândido Rangel.


Teoria geral do novo processo civil / Cândido Rangel Dinamarco,
Bruno Vasconcelos Carrilho Lopes. - 3. ed. - São Paulo : Malheiros, 2018.
264 p. ;27 cm.

Inclui índice e apêndice.


ISBN 978-Bs-392-0406-9 Áos nossos colegas
do Departamento de Direito Processual
1. Processocivil - Brasil.2. Jurisdição.3. Ação judicial. L Lopes, Bruno
Vasconcelos Carrilho. II. Título. da Academia do Largo de São Francisco
e do Escritório de Advocacict
cDU 347.e1l.95(81)
Dinamarco, Ro,ssi, Beraldo e Bedaque.
cDD 347.8105
Tudo que pensamos, queremos efazemos
em direito processual
Índice para catálogo sistemático:
1. Processo civil : Brasil 347.911 .95(Bl)
éfruto desses nossos centros de convivênciq
(Bibliotecária responsável: Sabrina Leal Araujo - CRB 10i 1507) e do diálogo mantido petmtmentemente com esses colegas.
APRESENTAÇÃq À r notÇÃo
dos mais
Este livro e o resultado de uma parceria entre um
país e um joY"T
antigos e idosos processualistas em atividade no
constituir
intelrante de umá geração bem posterior' Ao contrário
de
entre as
umibarreira à harmonia e ao entendimento, essa distância
da com-
g".uçO"t foi para nós um estímulo à prática das virtudes
àa'humildade e da disposição a dialogar - e essa foi a
;;;;;, que, antes de agradar ou não
ffili; u.gu*urru de uma edificação para nós uma experiência ex-
aJpúblico leitor, representou
^i"d^r
tã-u-"nt" gratificante e mànifestaçãó da unidade das linhas gerais
Processual de
á" pàntu*"rito geradas e cultivadas em nossa Escola
São Paulo.
pensamentos
O resultado foi uma conjugação entre a solidez de
àe cinco décadas e a modemidade das
amadurecidos durante mais
na doutrina nacional e estrangeira em
desenvolvidas
I "ãrti*çO"t
tempos mais recentes. O diálogo aberto, as discordâncias' as res-

peitàrascríticas recíprocas e a busca de soluções ao mesmo E*pg


processual no Brasil
sólidas e coerentes com o estado atual da ciência
I e no mrrrdo foram, ao longo desses meses de preparo da nossa koria
inspirações e de- nossa
geral clo novo processo cívil,a fonte de nossas
transparecer ideias. e
il.iu. N"ttu obra deixamos intencionalmente
construções já presentes na produção literária
de cada um de nós'
notadamente nis Instituiçaei de direito processual civil e A instru-
Cândido Rangel Dinamarco' e nas teses
mentalidade do processo,de
da julgada' Honorários
ii*ir"t obietivis e eficacia preclusiva coisa
sancionatória' de
advocatícios no processo cívil e Tutela antecipada
Rruno Vasconcelos Carrilho Lopes'
ao exame das
Como uma teoria geral que é, esta obra limita-se
contido no novo Código
linhas mestras do sisteÃa do processo civil
a especificações próprias a
de Processo Civil brasileiro, sem descer
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

um compênclio ou tratado. Nossa linha estrutural caminhou sobre a base


que são
represeniada pelos i.nsÍitutos fundamentais do direito processual,
a convicção de que to-
ajurisdição, a ação, a defesa e o processo - com
todos os princípios norteadores dessa
dás as rlormas, todos os conceitos e
ciência estão contidos nesses quatro institutos de grande magnitude e

sempre se integram na arca representada por um deles' Essa é a linha


central ot a metodologia estrutural de nossa obra'
SUMARIO
CÂNotoo Rl.NceI- DtNa.u,tnco
BnuNo V,tscoNcBros C.a,nrulno Lopes
Apresentação ...........

CAPITULO I
TNTRODLTÇÃo

§ 14. ornmro E PRocESSo


1. dfueito e processo l5
16
2. teoria geral do ptocesso
3. o direito processual civil e sua teoria geral 17

4. as trêsfu,ses metodológicas da ciênciuprocessual civil """"""" 17


5. instrumentalidade e escopos do processo - o processo civil de
resultadaç 20

§ 2s. TUTELa Jr,.RrsDrcroNA


22
6. tutelajurisdicionat
7. as criies de direito maÍerial e as cliversus modalidades de tutela
24
.iurisdicionul
8. tutelaiurisclicional deJínitiva e a coisuiulgadu """"""" 26
as rutátas prctisórias - a gatantia constitucional da tempestivi-
9.
dade, as titelas de urgênciu e a tutela da evidência 26
10. ns tutelas tle urgência (cautelares ou antecipadas) ' "" ?1
11. a estabilizução dututelu antecipadu ......"""" 29
12. atutela da evidência 29
13, eÍetividade, segurança e técnicaprocessual
30
14. outros meios ãe solução de conJlitos (oz meios alternativos) "' 3l

§ 3o. o MoDELo PRocESSUAL BRASTLEIRo:


I{ISTóru4 E DIREITO COMPARADO
I hreve histórico do ptocesso civil brasileiro ' as fontes
5. 33

I breve histórico do processo civil brusileiro - a douttina """"""


6. 35

17. processo civil comparado ..-............. """""""""""' 36


I B. o atrrul ntoclelo processuttl civil brusileiro
38
13
SUMÁRIO
CTVIL
t2 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO
161
t16 106. ussistência simples oa litisconsotcial " " " " " " " "
t62
74. condfuões da ação - a carênciq' de açã'o 107. recarso de terceiro Preiudicado
'/). a teoria da asserção
118 t63
119 ru8. denunciação da lide r63
76. defesa ............. 109. chumamento ao Processo t64
110. sucessão do réu pela pufie legítima """"":':"':""'
da petsonalidade iurídics """""' 164
CAP|TULO V 111. i"Unnt" ite desionsideração
165
PROCESSO 112. amicus curire .-...'....
set parte' a
113. capacidade ptocessual - a cupacidnde de
íi@i""
§ 1s. PRocEsso E PRocEDrMENrro 165
o con- de eitar emiuím e a Postulatófia
processo, ptocedimento e a relução iurídica processual - par&s oa não " " " " " " " " " " " t67
'ceito r23 114. faculd.ades dus partes - facutdades
deprocesso e o contruditório """""""" 115. ônus das Partes
r67
e do ptocedi-
78. rà",n* figidez e initisponibilidade do ptocesso 116. deveres das Pattes
168
"mento 124 t69
.......... 117. o dever de leuldade
""""""' t27
79. diferentes tipos deptocesso e deprocedimento
80. o procedimento-padr áo pata a prestação da tutela iurisdicio-
§ 3e. FoRMAÇÃo, susrntsÃo
r rxrn'lçÃo Do PRocrsso
nal ...............
129
do ptocesso t7l
131 118. formação, suspensão e extinção tll
81. u fase Postulattíria t32 119. formação do Processo - a demanda
t72
82. afase otdinatória 134
"
ia"iaft"oçai ao demandu - se us elementos constitutivos " " " "'
120. -í"içí"t
continência e conexi-
83. afaseinstrutótia t34 121. intre demandas - litispendência'
t73
84. ufase decisória t34 dade .............
t75
85. ima possível fase ptévia, ou antecedente """"""""" 135
1 prej udicialidade - - -. - -....... "'
)''
eventualfase de liquidação " t71
tO. en*i atose ãe conhecimento e a 135 123. cumaloção de demandas 179
87. afase de cumprimento de sentençs """""""""'
-SA. t37 124. estahilização e alteração da demanda
ertrai udicial e o obieto do
rí""oçao poí título executivo 142 125. o mérin e a distinçã.o entre o obieto
do processo
179
89. o Processo monitório t43 conhecimento do iuiz
9 0. o-processo dos i uizad'os
especiais " " " " "' " " " "'
126. ír^t"irttAt de idmissibitidade doiulgammto do mérito """" 180
-
ou coletivo t45 -meios r82
91, risndado de segurança individuul 147 127. instrumentuis do processo civil """"""'
182
92. processo coletivo 149 128. püovüs (ônus, ohieto, meios, fontes e valoração)
184
93. ação PoPulur ....""""' d'us 129. ônus daprova
185
94. processo para o contttole abstrato da constituci'onulid'ade 150 130. atos processauis -............'
.

188
Ieis ......-........ 151 131. negticbs i urídicos ptocessuais """""""""
95. processo s.rhitral 132. formu dos atos ptocessaais
(modo, lugar e tempo) e q yldidy
';;;;r;* íriín"ipn d'a tibetdade dasformas pelo cóitigo de
§ 2o. os suJnrros
Do PRocESso 189
153 Processo Civil ...... -......
190
96. os suieitos do Processo 153 133. prazos
193
97. partes nu relação ptocessual -""""""";";"""""'
iuizi 134. preclusão
"' 154
puro de parte e o conceito puro de terceiro "" """
" dus formas 194
98. o ioni"ao 155 135. defeitos dos atos processuais e a instrumentalidad'e 196
99. pdrte e representante .""i""1"':"_"' " " ""',_; 136. suspensdo do Processo
-
ptocessual ts6 198
100. sucessão processual e s ubst'rtuição 137. exiinção do processo ou dafase cognitiva
156 t99
101. pturalidad.e de Pattes 157 138. julgamento do métito
199
102. liÍisconsórcio 160 139. custo do Ptoces§o ........""'
- a eiictÍcia pteclusiva da
103. intervençõ es de terceiros 161 r40. efrcd.cia da sentença e coisa iulgad'a 201
104. intervenção litisconsorcial voluntúria 161
coisaiulgad.a
105. iníewenção do litisconsofie necessário
14 TEORlA CERAL DO NOVO PROCESSO C]IVIL

§ 4Í1. RECURSos rr ourRos MEIos DE IMPUGNAÇÃo DAS DECrsõES JuDrcrars


141. meios cle impugnaçiio das decisões iutliciais ........ 205
142. recursos - conceiÍo, espécies e efeitos .......'..'........ 205
143. os prcssttposÍos rte admissibilidade dos rccursos e o seu mérito 209
144. legiÍimidutlerecursal .. 210
145. intcresserecursal ........ 210
146. atlequaçãotlorecursoinÍerposto .....210
147. tempestividade ............. 211 CAPITULO I
148. a regularidade formal da interposição e tlo ptocessamenío ..... 211 rNrRoDaÇÃo
119. preparo .. 212
150. .iuíz,o tte aclmissibilidade eiuízo de métiÍo tlos recursos ............. 212
151. apelação................... .... 213
152. agravo cle instrurnento .................. .... 215 § lq. nrRErro E PRocESso
I 53. o recurso especial e o recurso extraortlináritt ....... 215
I 54. o recurso eslteci.al e o recurso extraordinário repetitivos e o 1. direito e processo
incitlente de resoluçiio ele demuntlas tepetitivus ... 216
Chama-se direito material, ou substancial, o corpo de princípios
155. ugravo interno ............. 218
e regras referentes a fenômenos da vida ordinária de todo dia, como a
156. embargos de declaração ............... '... 2 I tt

157. recursoortlinário ........ 21tt união de duas pessoas para a vida em comum e constituição de fan-rília,
I 58. agravo em recurso especial e em recurso exttaordinútio .......... 218 como o crédito, os atos ilícitos causadores de dano a outreffI, as pres-
159. embaryos de divergência ................ .. 219 tações de seruiços, os cheques, as sociedades em geral, a relação do
t60. incidente de assunção cle competência ......................-.....'.'......... 219 homem com o meio ambiente, as relações econômicas de consumo e/c'
1 6 1. incidente de arguição de inconstitucio nalidade (reserva de Ple- O direito processual entra em cena quando algum sujeito, lamen-
nário).......... '................ 220 tando ao juiz urn estado de coisas que lhe desagrada e pedindo-lhe uma
162. o.iulgumentoestencliclo .......'............. 220
solução mediante invocação do direito material, provoca a instauração
163. tlevoluçtio oÍicial ......... 221
do processo.
164. suspensão da tutela provistíria ......... 221
I65. as demandas autônomas de impugnuçiio às decisões 221
iutliciais O processo e uma técnica para a solução im.perativct de conflitos,
166. ação rescisória ............ 222 criada a partir da experiência dos que operam nos juízos e tribunais.
167. ução unulutória de sentença arhitral -.................... 223 Seus institutos são modelados segundo conveniências do exercício de
168. ução anulatória de atos negociais homologatlos iudicialmente 223 Íunções e atividades muito específicas e reservadas a profissionais es-
1ó9. querelanullitatis ........ 223 pecializados - e que sáo ajurisdição, exercida pelos juízes, a ação e a
170. coisaiulgada
rel.otiviz,ação du .......... 224 clefesa,praticadas pelas pessoas em conflito através de seus advogados
l7l. reclamação ............... ... 224
bem como pelo Ministério Público e por outros entes representativos,
172. mantlado de segurança contra ato iadicial ........... 225
nos casos em que a lei lhes dá legitimidade para attar (infi'ct,n.92).
t73. habeascorpus ............. 225
O ordenamento jurídico divide-se podanto em dois planos distinÍos,
174. arguiçiio cle clescumprimento de preceito Juntlumental ............. 226
interagentes mas autônomos e cada qual com sua função específica. Às
Apêndice - Glossário Btisico cle Direito Prccessuul Civil ..........-......... 227 noflras substanciais compete definir modelos de Íàtos capazes de criar
Índice at/abético-remissivo .. 259 tlircitos, obrigações ou situações jurídicas novas na vida comum de
l)cssoas, alem de estabelecer as consequências especíhcas da ocorrência
tlcsscs Ítrtos. As nonnas processuais ditam criterios para a revelação da
INTI{ODUÇÀO 11

I6 TI]oRIA GERAL t)O NOVO PROCESSO CIVIL


reúne e
prá- que legitimamente realizam ou podem realízar' Por Í-lm' ela
noÍrna substancial concreta emergente deles, com vista à efetivação garantias' compondo assim
material' harmoniza os institutos, os princípios e as
tica das soluções ditadas pelo direito
o sistema Processual.
l-lá certos institutos processuais que guardarr urna proximidade
muito signiÍicativa com a situação de direito substancial em relação à 3. o direito processual civil e saa teoria geral
qual o processo atuou ou deve atuar' Esses institutos - ação' competên-
cia. Íbntes e ônus da prova, coisa julgada e responsabilidade
patrimonial O direito processual civll é responsável pelo exercício dajurisdição'
Íbra do processo e em normas de direi-
são responsáveis por situações que se configuram ação e defesa com referência a pretensões fundadas
em sociedade' em suas (administrativo, tributá-
to privado (civil, comercial) e tambem ptiblico
dizern respeito diretamente à vida das pessoas
rclações coln as outras ou com os bens que lhes são úteis ou desejados;
rio, constitucional). Excluem-se do âmbito do processo civil as causas
e só em um segund<l momento eles são objeto das técnicas
do processo' pe-
atividade.s de natureza penal e, em alguma medida. os processos que tramitam
ar sabcr, quando um processo se instaura e então se pensa nas
pontes de ranteaJustiçadoTrabalhoouaJustiçaEleitoral'poisdisciplinadospor
a serem desenvolvidas para a sua atuação' Essas verdadeiras supletiva e sub-
quc clenomina de norrnas próprias e sujeitos à lei processual civil apenas
pdssogem cntrc o direito c o proccsso compõem o se
costuma scr dito tambem
tl i re ilo prccess uul muleriul -
sidiariamenie (CPC, art' l5). Nesse contexto
destinado
que o direito processual civil é o ran'to clo direito processual
a essa delimitação
a dirimir conflitos ent matério não penal' Chega-se
2. teoriu geral do Processo
por exclusão, a futtu de algum outro critério mais direto para deÍinir
os

Tudo que se diz a respeito do processo comporta distinções e es- limites do direito processual civil.
Também o direito processual civil tem sua teoria geral,
a qlual,
pecificações confbrme a análise se dirija ao processo ci.vil, trabalhisÍa,
ffresmo não sendo dotada da mesma amplitude e
generalidade que a
eleitoral. crtlministrativo, penal, legislativo ou meslrlo não eslalal'
pela identiÍ'rcação e
Apesar dessas tlistinções, há pontos em comutrt que permitem integrar teoria geraltlo processo (,supra,n'2)'é responsável
de teoria geral
todos eles em url só quadro e inseri-los em um único universo
do direito. cooraenuçao de s'eus própriás institutos' Esta é uma obra
definida se etrdereçam aos institutos fun-
Como resultado tem-se a Í-ornração da leoria geral do proce.r.lo, tlo proc'e,ssrt t'ivil, em que as atenções
princípios elevqdols ao grqu mtiximo de damentais integrantes áa estrutura do sistema do processo civil' com as
como um sisÍemct de conc.eiÍos e
especificações próprias a
generalizetç'ão titil e contlensados inchttivamente u parÍir do confionto especificações que lhe são próprias mas serl as
se focalizam
dos dit,ersos ramos do direito processual' um compêndio em que o, po,,,"nt"es são estudados' Aqui
civil e o próprio
a jurisdição civil, a ação civll, a defesa no
processo
AteoriageraldoprocessopermiteidentiÍrcaraessênciadogmática
(urisdi- processo civil.
clo dircito processual, em seus qttaírrt institutos .fitndamenlais
e responsável pelo estabelecimento
ção, ação, defesa e processo). Ela
as trêsfases metodológicus da ciênciq processual
civil
do conceito de cada um e, acima disso, determina as funções que 4.
desempenham no sistema; o direito processual como um todo
e cada
particular compõem-se em torno da estrutura O processo civil moderno e o resultado de uma evolução desen-
um de seus ramos em processual era
in- volvida a partir de um longo período no qual o sistenra
rcpresentada pelo poder a ser exercido, pelas posições das pessoas passou
como esses complexos de situações jurídicas cncarado como mero capítulo do direito privado, sem autonomial
teressadas epelas.f'ormO§ bem
por uma fase de descobãrta de conceitos e construção de estruturas
subjetivas se exteriorizam em atos coordenados aos objetivos preesta- com
jurisdicional trr{enadas, mas ainda sem a consciência de um comprometimento
belácidos, sempre relacionados com a oÍ'erta de uma tutela
arrecessidadededirecionaroprocessoaresultadossubstancialmente
àquele que tiver razão. Alem disso, a teoria geral do processo tambem recentes, a partir de meados do século XX'
.iustos; e só em tempos muito
identifica e define os grandes princípios e garantias que coordenam e
a prevalecer a perspectiva teleológica do processo' superado
.',,,]',"ç,ru
tutelam as posições dos sujeitos do processo e o modo de ser dos atos
TNTRODUÇÃo 19
18 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

Os ale-
acima de tudo isso, fotmularam- se princípios (infra, nn' 27 ss')'
o tecnicismo reinante por um século. Falamos por isso em três fases objeto do
mães dedicaram-se com particular interesse ao árduo tema do
metodológicas na história da ciência processual civil: uma de sincretis-
processo, seja em obras gerais ou monografias, chegando a soluções
mo, vigente desde. as origens; üma qutonomista ou conceitual, que se
mais ou menos estabilizadas (infra,n.125)'
implantou em meados do século XIX; e, finalmente, uma teleológica ort
ins trument al is t a, que e a atual. Foi nessa segunda fase que os processualistas se aperceberam de
t no
Nafase sincretista os conhecimentos sobre o processo eram pura- que o procesro .táo e ummodo de exercício dos direitos, colocado
plano que os demais modos indicados pelo direito privado, mas
I

mente empíricos, sem qualquer consciência de princípios e sem concei- I


à"r-á
caminhó puru àbt", uma especial proteção por obra do
juiz - a tutela
tos próprios. O processo era concebido como um modo de exercício dos
í.1

direito processual não


direitos, sendo visto apenas em sua realidade fisica exterior perceptível I
jurisdiciàal
-são Qnfra,n. 6). O objeto das norÍnas de
(cuja perlinência, cujo uso, disponibilidade erc. o
aos sentidos; ou seja: era confundido com o mero procedimento quando
os bens dà vida
próprios fenômenos que na vida do proces-
o definiam como uma sucessão de atos e nada se dizia sobre a relação direito privado rege) mas os
processd
jurídica entre seus sujeitos (infra,n.77). so.têm ocorrência, a saber: aiurisdição, a ação, a defesa e o
mesmo.l
Essa primeira fase é qualiÍicada como sincrética porque, sem a Esse novo modo de encarar o processo, a partir de então cultivado,
pôs fim à fase sincrética do direito processual, em que prevalecia
a
consciência da autonomia do direito processual, os institutos processuais
e o processo mesmo eram tratados no mesmo plano dos institutos de como algo inerente ao próprio
clássica conceituação privatística daaçáo
direito material, como se dele fizessem parte. Essa ideia estava presente direito subjetivo material (daí também ser denominada de teoria imanen-
em famosa manifestação de um romanista do século XIX, segundo o tisÍa) ouo próprio direito subjetivo que, quando violado, adquire
forças
qual aquele que propõe a ação está a exercer o próprio direito, justamen-
para buscar sua restauração em viajudiciária'
te porque a defesa do direito é um elemento constitutivo dele próprio
(Vittorio Scialoja).
Dai hoje repudiada indicação da açã'o como um direito adjetivo'
a
pela ade-
dado que o, udl"tiuot não têm vida própria e só se explicam
A segunda dessas fases (autonomista, conceitual) teve origem na rênciaà algum iübstantivo. A alusão ao próprio direito processual como
famosa obra com que, em 1868, Oskar Von Bülow proclamou em ter- direito arlietivo era sinal da negação da autonomia deste'
mos sistemáticos a existôncia de uma relação jurídica toda especial entre
Depois, suplantada a fase sincrética pela autonomista' foi
preciso
os sujeitos principais do processo - juiz, autor e réu -, e que difere da
relação jurídico-material litigiosa por serls suieitos (a inclusão do juiz), qrrur" tr* séculã para que os estudiosos se apercebessem de que o sis-
tlma processual nao é aigo destituído de conotações éticas e objetivos a
por seu objeto (os provimentos jurisdicionais) e por seus pressupostos
,"r.* no plano social, no econômico e no político' Prepon-
(os pressupostos processuais). A sistematização de ideias em tomo da
"r-pridos tempo a crença de que ele fosse mero instrumento
relaçãojurídica processual conduziu às primeiras colocações do direito derou por todo esse
processual çomo ciência, afirmados seumétodo próprio (distinto do mé- up"ru. do direito material, sem a consciência de seus escopos metaju-
todo concernente ao direito privado) e seu próprio obieto. Essas ideias .ídi.o, e de suas responsabilidades perante a sociedade e seus valores'
jurídico foi
fundamentais abriram caminho a um fecundíssimo florescer de refle- Esse modo de encarar o processo por um prisma puramente
italianos
xões e obras científicas, especialmente da parte de alemães, austríacos superado a partír de quãndo alguns estudiosos, notadamente
Vittorio Denti), lançaram as bases de
e italianos, e inicialmente voltadas a um dos conceitos fundamentais da (dàstaque u-Muoro Cappelletti e
dos resultados da experiência
ciência processual: a ação. construíram-se ricas e variadas teorias, todas àm meioOo que privilágia a imporlância
processual nà vida dos consumidores do serviço
jurisdicional - que
convergindo à afirmação de sua autonomia em face do direito material. 9
abriu caminho para o realce hoje dado aos escopos sociais e políticos
Tomou-se consciência dos elementos identificadores da demanda (par- -do
da ordem procóssual, ao valor acesso à justiça e' numa palavra' à
tes, causa de pedir, pedido - infra, n. 120), elaboraram-se as teorias das
condições da ação e dos pressupostos processuais (infra,nn.74 e 126) e, i ns trumentalidade do Proces s o.

l
TEORIA GEITAL DO NOVO PROCESSO CIVIL INTRODUÇAO 21

Tal é o momento ciência do processo civil, nesta fase


atr-ral da cofpus, o mandado de segurança individual ou coletivo, o habeas data
instrumenlalisla ou teleológica, em que se tem por essencial definir os etc. (Const., afi. 5a, incs. LXVIII, LXIX, LXX, e ar1. 105' inc. [, letra
objetivos com os quais o Estado exerce a jurisdição, como premissa ne- b infra, nn. 91, 172 e 173).
cessária ao cstabelecimento de técnicas adequadas e convenientes. Finalmente, o escopoiarídico do processo e a atuação da vontade
concreta do direito. A definição desse escopo decorre de uma tomada
5. instrumentalidade e escopos do processo de posição pela teoria dualista do direito, que se contrapõe à unitária-
- 0 processo civil ele resultados O ordenamento jurídico seria unitário se processo e direito material se
fundissem em uma unidade só e a criação de direitos subjetivos, obriga-
E vaga e pouco acrescenta ao conhecimento do processo a usual ções e concretas relações jurídicas entre sujeitos fosse obra da decisão
afirmação de que ele é um instrumenÍo, enquanto não acompanhada da judicial e não da mera ocorrência de fatos previstos em noÍrnas gerais.
consciência dos objetivcts a serem alcançados mediante seu emprego - A corrente dttalista, bem ao contrário da unitária, afitma que a ordem
sabido que todo instrumento deve ser preordenado a um objetivo, como jurídica se divide em dois planos muito bem deÍlnidos, o substancial
todos os meios só têm significado e relevância quando predispostos a um e o processual, cada qual com funções distintas. O direito material é
fin-r. O raciocínio teleológico há de incluir então, necessariamente, a Íi- composto por noÍrnas gerais e abstratas, cada uma delas consistente em
xação dos escopos do processo, ou seja, dcts propósi.tos nofteadores da uma tipificação de Íàtos previstos pelo legislador (hipótese legal, ot /àr-
sua instituição e das condutas dos agentes jurisdicionais que o utilizam. Íispecie) e fixação da consequência jurídica desses faÍos (sanctio juris):
Os escopos do processo são de natureza social., política e.jurídica. sempre que ocoffe na vida concreta algum fato qLIe se enquadre no mo-
O primeiro escopo social, que é oprincipal entre todos eles, é apoc:di- delo definido naquela previsão legal, automaticamente se desencadeia
cação de pessoas medianíe a eliminação de conflitos com justiça. É essa a consequência estabelecida no segundo momento da norma abstrata.
em última análise a razão mais profunda pela qual o processo sxiste e se Direitos subjetivos, obrigações e relações jurídicas constituem criação
legitima na sociedade. Outro escopo social e o de educa;tio das pessoas imediaÍa da concreta ocorrência dos fatos previstos nas noÍrnas. O juiz
para o respeito a direitos alheios e para o exercício dos seus o que, não os cria nem concoÍre para a sua criação: limita-se a revelar a noÍrna
em última análise, é o que hoje se costuma indicar como exercício da concretamente destinada a reger os casos em julgamento, sem criá-la,
cidadania. porque ela já preexistia. Os direitos e obrigações existem antes do pro-
Entre os escopos políticos do processo está o dc dar amparo à esta- cesso e em sua itnensa maioria se extinguem pela satisfação voluntária,
bilidade das instituições políticas. Generalizar o respeito à lei mediante sem qualquer recurso a este ou aosjuízes.
a atuação do processo tem por decorrência o fortalecimento da autori-
dade do Estado, na mesma medida em que este se enfraquece quando É da experiência comum a constituição e a extinção de direitos em
se generaliza a transgressão à lei. Outro escopo político e o de exercício número indeÍinido de casos e corespondendo à normalidade da vida do
da cidctdania. Sendo a participação política um dos esteios do Estado direito, sem qualquer intervençãojurisdicional. Os direitos estão aí em
democrático, as nações modemas têm consciência da imporlância de plena vida, na complexidade do convívio social, a eles sobrepairando
o sistema processual do exercício dajurisdição, com visos de generali-
realçar os valores dct cidadania, premissa essa que repercute no sistema
dade, somente como fator de severtt adverÍência., ou seja, somente para
processual mediante a implantação e estímulo a certos remédios destina-
dissuadir tanto quanto possível eventuais recalcitrantes com propensão
dos à participação política, como é o caso da ação poputar (infra,n. 93).
a condutas divergentes do sistema jurídico. O que a decisão judicial
Tem-se ainda como escopo político a preservação do valor liberdade.
el-etivamente acrescenta à situação jurídico-material existente entre as
O processo é um meio de culto às liberdades públicas mediante defesa parles é a segurctnça jurídica, a qual não é algo de novo do ponto de
dos indivíduos e das entidades em que se agrupam contra os desman- vista substancial. Ela constitui fator social de eliminação de insatisfa-
dos do Estaclo. Entre os modos disponíveis para a reação aos abusos ções mas nãoÍraz alteração da situação de direito material, a qual lhe
de poder pelos agentes estatais e preservação dessas liberdades está a prccxistia e agora veio a adquirir uma clareza e uma estabilidade antes
prestação da tutela jurisdrcional mediante instrumentos como o habeas incxistcntes.
TEORIA (iEItAL DO NOVO PROCESSO CIVlL INTRODUÇAO 23

A definição dos escopos do processo e a consciência de que este é proteção. É jurisdicional a proteçáo outorgada mediante o exercício da
um instrumento a serviço de todos esses escopos permitem ao interprete jurisdição, para que o sujeito beneÍrciado por ela obtenha, na realidade
defrnir certas ideias, premissas e princípios que nortearão a concepção da vida e das relaçoes com as coisas ou conl outras pessoas" uma silua-
dos institutos processuais em sua aplicação a cada situação corcreta. ção mais favorável do que aquela em que antes se encontrava.
Assume particular relevância nesse contexto a ideia de proce,sso c.ivir de
Sabido que o escopo magno do processo civil é a pacificação de
resulÍodo.y, de íntima aderência à missão social do processo e à teoria
pessoas e a eliminação de conflitos segundo critérios de justiça (supra,
geral do processo civil.
n. 5), consistindo nisso a Íunção estatal a que tradicionalmente se chama
Consiste esse postulado na consciência de que o valor de toclo o jurisdição, segue-se que compete aos órgãosjurisdicionais outorgar essa
sisterna processual reside na capacidade, que tenha, de propiciar ao proteção àquele cuja pretensão seja merecedora dela. O exercício consu-
sujeito que tiver razão ur.na situação melhor do que aclucla em que se en- mado da jurisdição há de ter por resultado a prevalência efetiva de uma
contrava antes do processo. Não basta o belo enunciado de Lu'na sentença pretensão, para que o conflito se elimine e cada um obtenha o que lhe é
bern estruturada e porladora de alirmações inteirarnente Íàvoráveis ao devido segundo o direito (bens ou situaçõesjurídicas). Sem a efetividade
sr"rjeito quando o que ela dispõe não se projetar utilmente na vida deste, de resultados assim o processo civil careceria de legitirnidade.
elin-rinando a insatislàção que o levou a litigar ou a resistir a uma preten-
A definição de que a tutelajurisdicional é concedida àspessoas per-
são de outro sujeito e propiciando-lhe sensações Í'elizes pela obtenção
mite concluir que ela tanto pode ser concedida ao autor quanto ao réu,
da coisa ou da situação postulada. Na rncdicla do que for praticamente
conforme o caso. "Só tem direito à tutela jurisdicional aquele que tem
possível, o processo deve propiciar e qucnr tcrr Lrnr clireito tudo aquilo e
razão, não quem ostenta um direito inexistente" (Liebman). O autor re-
precisamente aquilo qr-re ele ten.r o direito de obler-, sob pena cle carecer
ceberá essa tutela quando ojuiz, entendendo que ele tem razão, ou seja.
de Lrtilidade e, portanto, de legitirridade social.
que tem direito ao bem ou à situação jurídica pretendida, itrlgar proce-
dente a sua demanda. Mas da bipolaridade do processo resulta que, não
§ 2o. rurour JURrsDrctoNAL tendo razão o autor ntas o réu, a este será concedida a tr"rtela jurisdicional
e rrão àquele e isso é Í-eito rnediante a sentença de improcedêncict da
6. tutelajurisdicional clernanda do autor. A declaração contida na sentença de improcedência e
uma tr.rtela concedida ao réu, com o mesmo peso que teria o acolhimento
Tempos houve ern que a ÍuÍelo de direilos era apontada como
cla pretensão do autor. Ao negar a existência do vínculo jurídico-n,aterial
escopo do processo, no sentido de que ajurisdição se exerceria e o pro-
af,umaclo pelo autor com fundamento nos fàtos trazidos em sua causa de
cesso se realizarj,a corn a flnalidade institucional de proteger direiÍos. O
pedir, a sentença de intprocedência liberta o reu da pretensão deste e,
processo seria um instrumento institucionalmente predisposto à tutela
cluando passada em jutgado, propicia-lhe uma segurança jurídic:a equi'
dos direitos do autor na mesma medida em que a ação seria o direito
valente à que o autor obteria em caso de procedência de sua demancla.
deste a obter en-r juízo o que lhe fbsse devido (fa,te si.ncreÍisra do direito
Considerar somente a tutela jurisdicional devida ao autor, sem estabe-
processual - suprct, n. 4).
leccr essa bipolaridade, é manter-se apegado aos velhos preconceitos
O que determinou o banimento da tuÍele de direiÍo,s do sistema e da inerentes ao repudiado nTétodo conhecido como proce,\so c:ivil do auÍor.
linguagem do processualista modemo Í'oi a óbvia descoberta de que o
A ltttela jurisdicional, assim enquadrada no sistelna de proteção
processo não é urr rnodo de e.xercício de direiÍo.s pelo autor, mas instru-
luo hornetn ern relação a ceftos valores, não se confunde com o próprio
mento público para o exercício dajurisdição e consecução de seus esco-
,\(,t-t,iç,o realizaclo pelos juízes no exercício cle uma Íirnção estatal. Não se
pos, particularmente o de pacificar os sujeitos e ofereccr-lhes o acesso à
crrrrÍr-rnde com a jurisdição (infra, n. 39). A tutela e o resultado do pro-
jr,tstil-tr (strpra, nn. 4 e 5).
(.csso cnl que essa função se exerce. Ela não reside na decisão judicial
Não sc 1àla hoje ern ÍuÍela de direitos mas em luÍela juri,sdicional ('n) si ntestra como ato processual, mas nos eí'eitos que ela eÍ-etivamente
às pes,soa.s', qualiÍicada couto o amparo que, por obra dos juízes, o Es- plrtlrrz ltlra do processo e Sobre as relações entre peSSoaS ou entre estas
tado oÍbrece a quem tem razão em Llma causa posta em juízo. Tutela e ,. os lrct)s cla vida. No processo ou na lase executiva tutela só haverá
TEORIA (iERAI- DO NOVO I)ROCESSo ('IVII INTRODUÇAO

quando o titular do direrto tiver obtido o bem desejado. No cognitivo o ceclência da demanda do autor, sem impoftar se o demandante pleiteou
momento tutelar depende da espécie de crise.jurídica a debelar e, por- tutela de outra natureza, pois a sentença de improcedência limita-se a
tanto, da natllreza e ef-icácia da sentença que acolher a pretensão daquele declarar que a tutela por ele pleiteada não e devida.
que tiver razão. As crises das situações jurídicas e as de cefieza são
A tutela constitutiva lida com a crise das situações iurídicas, para
desde logo debeladas pela própria sentença (constitutiva ou meramente
criar, reconsÍituir, modiJicar oLt extingttir uma situação iurídica. A sen-
declaratória, confome o caso), dando-se desde logo a tutela; mas as de
tença que presta tutela constitutiva sempre conterá uma declaração, na
adimplemenío perduram depois da sentença condenatória, e a tutela efe-
qual é reconhecido o direito à nova situação a ser criada, agregada a um
tiva só poderá advir como Íiuto da execução Íbrçada (in/ra, n. 7 ).
segundo momento lógico, no qual a nova situação é efetivamente criada.
Tuteltt jurisdicional não é son-rente a cmissão de provitnento juris- E o caso de demanda em que se pede a anulação de um casamento.
dicional em cumprirnento ao dever estatal que Íigura corno contraposto Em um prin-reiro muxento lógico cla declara que o autor tem direito à
do poder de açãct. A ação. como direito a obter uma l-esposta do juiz à dissolução do vínculo matrimonial, e no segundo realiza essa dissoluçâo
sua pretensão, em si considera-se satisf-eita e exaurida sempre que emiti_
- e é esse momento que distingue as sentenças constitutivas das demais.
do esse provimento, quer scja Íàvorável ou desfavorável. E portanto um
conccito indcsc'javclntcntc técnico e ent boa medida vazio para qucrn A tutela condenqtórie responde à demanda por uma pre,sÍação e
buscii resultaclos c o proccsso civil clc hoje é acirra cle tudo ufil pto- visa a debelar uma crise de adimplemento. En seu pritneiro momento
cesso t'iv'il cle res'ultudos (,str1».u, n. -5). A utilidaclc priilica clue se deseia lógico a sentenÇa que concede essa tutela contém a declaração de exis-
do processo é a el-etiva satislàção clc pretcnsõcs apoiadas pclo clircito.
tência do direito do demandante, e no segundo a imposição da sanção
executiva, que autoriza a execução para o caso de o direito reconhecido
7. us crises de direito materiul rrão ser satisfeito voluntariamente (cumprimento de sentença- infra.nn.
e as diversus modalidades de ÍuÍelu.iurisdicionul 80 e 87). A tutela exectrtiva (por alguns denominada executiva lato sen-
ser) constitui uma complementação da tutela condenatória, responsável
Corno referido, o sistema processual e estruturado para prestar pela efetivação prática do direito do demandante ao bem pretendido in-
dilerentes modalidades de tutela jurisdiciona[, cada urra apta a debelar
dependentemente de ser requerida a instauração da fase de cumprimento
urn tipo de crise de direito material. Em grandes linhas, são passíveis
de sentença. Finalmente, a tutela mandamenÍai, que também e espécie
de serenr prestadas as tutelas declaratórie, constitutivo e condenaÍrjria
de tutela condenatória, incotpora uma ordem do órgão jurisdicional para
(parte da doutrina subdivicle esta última em condenarória. exec,Íiva e
que o dernandado Íàça ou deixe de fazer algo.
mandantental).
A tutela declarotório visa a eliminar c.rises de certeza mediante uma O art. 515, inc. I, do novo Código de Processo Civil atribui eficácia
decisão sobre a existência, inexistência ou modo de ser de uma situação executiva às "decisões proferidas no processo civil que reconheçam a
jurídica. E aclmitida no ordenanrento juríclico brasileiro de forma bas- exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou
de entregar coisa" e não apenas à senÍença condenatót"ia, como era da
tante ampla, mas com a exclusão de declarações sobre a ocorrência de
tradição do direito brasileiro, o que põe em dúvida a diferença entre a
fuíos a tutela jurisdicional meramente 'declaratória pode ter por objeto tutela declaratória e a condenatória.
somente a existência, inexistência ou modo de ser de direitos, obrigações
As categorias das tutelas mandamen.Íois e executivas, que já eram
ou relações jurídicas (CPC, aú. 19, inc.I). altamente questionáveis na realidade do Código de Processo Civil de
1973, parecem ter perdido totalmente o sentido no direito vigente, na
Excepcionahnente, admite-se a prestação de tutela declaratória ru-redida em que são consagradas (a) a reunião em urr mesmo processo
referente à ocorrência de um fato quando estiver em jogo a ar.úenticidade das atividades de conhecimento e de execução (.infra, n.80), (b) a des-
ou a Íalsidade de documento (CPC, ar1. 19, inc. II). rrecessidade de nova citação para que se realize a execução (.infra, n. 8'7)
c (c) a atipicidade dos meios executivos para a efetivação de qualquer
Todas as sentenÇas prestam tutela dcclaratória, isolada or_r agregada nrotlalidade de tutela, inclusive a condenatória ao pagamento de dinheiro
a algum outro ef'eito. Tambem são declaratórias as sentenças de impro- (('P(1, aú. 139, inc. IV infra,n.88).
26 TtrOI{lA CER^I. Do NOVO PRO( Eslio C'lvll.
INTRODUÇÀO 27

a Íentpestit'iddrle da tutela jurisdicional um dos três prediczrdos sem


os
8. tutela.jurisdicional deJinitits ea coisaiulgadu
de aces-
quais não Se cumpre satisÍàtoriamente a garantia constitr.rcional
Das ÍLnções realizaclas pelo Estado (in/ro, r'r.39) a jurisdiçâo é a m à jnstiça (et'etividade-tempestiviclade-aclequação in/rtt' n' 28)' cuida
írnica dotada do preclicado de cle./initivitlcrde, caracterizado pela irnuni- o diieito infraconstitucional de predispor medidas tecnico-processuais
of'efta'
zaçào dos efeitos dos atos realizados. Os atos clos dcnlais Pocleres c1o destinadas a propiciar a aceleração clo processo e conscquente
exercíci9 da
Estado podern ser revistos pelos juízes no exercício da jurisdição corrl cont a menor demora possível. dos resultados csperados do
1r-rndarr-rcr.rto na ilegalidade do ato or.t inconrpctênoia do agente, mas o jurisdiçào. Tais são as tttÍelas pn»'isórios regidas pelos arts' 294 ss' do
contrirrio é absolutart-tcnte inadntissível. novo clótligo e que se clualificarn. cor]t'omre o caso. como luÍelus urgen-
O nrais elevado grau de imunidadc a firttrros rlucsliollalllelltos é /c,.r(arts.300-3 l0) outuÍelurlacviclênc,ia(art.3ll).Astutclasurgentes,
a aLrtnriclade da coi.so fulguclo ntulerittl. clue sc l-orma rro lllonlellto elll por sua vez, classiÍlcalll-se onl tutclas t'tnrÍeluras e tutelas untecipddds.
c1r,rctodos os recllrsos adrnissíveis no procc-sso hajaln sido csgtltaclos ott.
E'ssastr'ttelaslevanrontltnedepn»,i,sóriusjttstanlcnteptlrquetlàtl
pela não intcrposiçlto no prazo, hajalr sc tornado inaclmissívcis (itt/i'u.
são preriestinadas a sc pcrpetuar no tttuttdo iurídico. Por disposição
n. 140). A prripria Constituiçào Fccleral assegLll'a essa atttoritlltclc (art. clc Processo civil, tocla tutela provistiria "pode,
exprcssa clo c(rriigo
54. irrc. XXXVI). pritlc'iratncntc c()lllo alirtllaçâo tlo lxtLlt't'r',i/rrltrl, t.tittl
aqualqucrlonlpo,scrrevogatlaoumodillcadii'(art.29(l).Eelassão
aclnritinclo cptc os atos clc cxcrcício tlc rrrrr l.loilct'solrcrutto l)or t]tltLlrsra assiur suscetívcis cle rcvogação or,r mocliÍlcação porcluc sito conccdidas
possal.n scr clepois c;ttcstiottatltts por (lrtettt (ltlcr (lLlc sc'ilr.'lirl é o prirnei- rrecliante nn"ra in.:,Ínrçtio ;;Lrmút'iu. clrte ni'itl tlferece' ao
juiz a ct'rtt'tt tTtr
ro signilicacl o tkt itttuluhilitludc en tlrtc sc traclitz a auttlricladc cla coisa existôncia do clireito clo autor. nlas solncnte utrra iclôtleaTrrrthuhiliduda,tt
(trgitos cstatais,
.julgada material. Neltr as pltiprias partes, llclll oLltros qtte a tloutrilra clcrrortl ina./ttll us bt t n i .i rr t' i's'

nem o lcgislador ou mesrro ncrthtrtn.juiz. dc qLralquer grar"r de jLrrisdição;


poderão rever os elbitos cle urtta serttcnça cobcrta pcla coisa julgada e Todas as tutelas provisórias reltrciotrarn-se dc algunr t.tlodo com o
cor-n isso altcrar a situação coltcrctatllclltc declaracla ou dcterminada por clccurso c1o teurpo c visam a proporcionar à pafte algurn
grau de satis-
cla (ressalvadas as excepcionais hipóteses de ação rcscisória ou enl que làção em rclação ao bem ou situação pretendido, scm a inrposição clas

e possívef qucstionar a coisa julgada por outros meios - in/ro, nn. 166 inevitáveis longas esperas pcla solução flnal da causa' As utgentes sã<'t

ss.). Daí ser ela utra garantia cottstitttcional, estabelecida ern beneflcio destinadas tambem a ncutralizar os eÍ'eitos corrosivos do ternpo-inirnigo
de sua
da intangibilidade dos resultados do processo e consequenÍe seguranÇQ sclbre possíveis clireitos da parte, seja mediante colnprometimento
das relações j urídicas. fiuição, seja pela criação cle insuportáveis cliÍiculdades para isso - e essa
in n'tra. A ol'erla das tute-
A de/inilividctde caraclcriz,ada pela coisa julgada e ordinariamente situação dã ,.is.o conceitua-se corno pericnlum
Ias piovisórias eu-r nível inÍiaconstitucional pelo código de Processo civil
indicada corno característica da jurisdição só se impõe com relação às
decisões de meritct e a algumas especíticas decisões terminativas, indica- constitui obecliência ao ditame da "razoável duração do processo", impos-
to pela Constituição Federal em selr art. 54, inc' LXXVIII (iníia' n'
21)\'
das no § lo do art. 486 do CPC. Nos demais casos (as outras decisões ter-
minativas, tutelas provisórias elc.) náo se tenl verdadeira definitividade,
mas algum grau dc irnunidade - grau maior ou menor, conÍbnne o caso. 10. as tutelas cle urgência (cttutelares ou antecipadas)
Existem pois rnedidas jurisdicionais definitivas e outras não definitivas.
A concessão das tulelus cle urgênt:ia depende sempre da concomi-
9. us tuíelss provisórias garantia constitucional da tempestividade, tarlte presença dos requisitos da probabilidade da existência do direito
- a
rrllrrrraclo pelo autor (fumtts boni itrris) e do risco de seu perecimento
as tutelas de urgência e a tutelu ds evidênciu
lrelo clecurso clo tempo (perictrlum in mora
CPC' art' 300' caput)'
Entre as decisões judiciais que não contam com o atributo da defini- Itiante <la opção Í'eitapelo cócligo vigente ao bifurcar as tutelas de ur-
tividade ganharam destaque e nova sistematização no Código de Proces- gô,cia cntre as cautelai'es e as altecipadas. permanece relevante distil-
so Civil de 2015 aquelas que concedernaÍutela provisório. Constituindo rrrir os conceitos referentes a cada uma delas'
!
TNTRODUÇÃo
28 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

pela parle como pedido de me-


pirçiio tlc tutela equivocadamente tratado
Sáo cautelares as medidas com que a ordem jurídica visa a evitar de medida antecipatória'
tlitlrr ctutclar o juiz o pt*"t'u'á como pedido
que o passar do tempo prive o processo de algum meio exterior que
poderia ser útil ao correto exercício da jurisdição e consequente pro-
dução, no futuro, de resultados úteis e justos (fontes de prova ou bens t t. a estabilização da tutela antecipada
suscetíveis de constrições, como a peúora); e sào antecipações de Íutela
suscetíveis de revogaçâo
aquelas que vão diretamente à vida das pessoas e, antes do julgamento Ernbora todas as tutelas provisórias sejam
tooo 1"Àpà 1" pot isso.é.que sáo provisórlas -
C-PC'
final da causa, oferecem a algum dos sujeitos em litígio o próprio bem orr rnodificaçao , Pro-
pàculiar é disposta pelo Código de
pelo qual ele pugna ou algum beneficio que a obtenção do bem poderá ,,;r. ,óô, uma discipli,u
^uito
ãiuiáo itt""lu antecipada de urgência postulada
proporcionar-lhe. As primeiras são medidas de apoio ao processo, e as cosso Civil vigente
"-
segundas às pessoa,s. cnr caráter antecedente'
ela se
art. 304, caput, dispõe que' concedida a antecipação' res-
Seu
Pôr o bem sob constrição judicial mediante o awesto, que é uma a conceder não for interposto o
Lorna estavel..se da ãecisão-que do
medida cautelar (CPC, art. 301), não significa que a parte interessada já de acordo com o
ncctivo recurso". 0 processo slrá extinto mas'
§ .2q
poderá demandar a outra com o intuito
Íique desde logo satisfeita em sua pretensão ao bem da vida em disputa de
no processo porque o aresto não põe o bem à disposição do credor
ffi:ô;,:;;;ür;;i^;;". estabilizada"' A decisão
mas do.jttízo, ficando ern regime de depósito judicial, em princípio com
rever, reformu, o, inruiiáàr aiutela antecipada
"conservará seus eÍbitos enquanto não revista' reformada
pessoa diferente do possível credor. Meciidas como essa não são aptas antecipatória
proférida na ação de que trata o §
a produzir o menor grau de satisÍação, como as antecipatórias. Elas são ou invalidada po, decisil Je mérito
2o" @rt.304, § 3s) o-ãaittito
de réver' reÍbmar ou invalidar a tutela
cautelares. Diferentemente, entregar o bem ao autor mediante um inter-
" extingue-se após dois anos'
dito possessório (nas ações de reintegração ou manutenção de posse elc.) antecipada, previsto no § 2a deste artigo'
processo, n9s
ou mandar que a comissão de concurso admita o candidato a reabzar a ia- ciência da àecisão que extinguiu o feryros
"ã*uãor da estúilidade da decisão
prova enquanto a sentença final não vem é oÍbrecer provisoriamente a es- do §'1o" (art. 304, § 5q)' Sobre anatureza
ses sujeitos uma situação favorável e benéfrca em relação a algum bem que "a decisão que concede a
,:rràlpurOilu, o § 6a-do art' 304 esclarece
a que talvez tenham direito. Essas medidas sáo antecipatorias de tutela. dos respectivos efeitos
Íutela não .faro ,oxo iui['d', ^u" a estabilidade
p"t d;;itão
á"e a revir' reformar ou invalidar' proferida
só será afastada
O Código de Processo Civil optou por distinguir nitidamente o tra-
em ação aluizada por uma das parles"'
to de cada uma das tutelas de urgência (as cautelares e as antecipadas), que se estabiliza inde-
quando o muito que elas têm em comum aconselhava um trato unitário. Tem-se portanto uma decisão antecipatória
em decisão que julgue o mérito
E atribuída relevância à distinção entre essas duas tutelas urgentes ao pendenter-nente de confirmação ulterior
julgada M9sm9 após passa-
instituir procedimentos distintos para cada uma delas quando postula- ãu Ela se estabil izamasnáo fazcoisa
"uuru. da demanda destinada a rever'
das em carâÍer antecedente, ou seja, antes da propositura da demanda do o prazo de dois anos paÍa a propositura
não formará a coisa julga-
principal (ar1s. 303-310). Como está no par. de selr afi. 294, as tutelas reformar ou invalidar" ãàtitaà antecipatória'
não contará com atributos idênticos
de urgência tanto podem ser concedidas em caráter incidental quanto da. A estabilidade se forlalecerá mas
Jirnçao positiva da coisa julgada(infra,n.
140).
antecedente, ou seja, no curso do próprio processo da ação principal ou à eficácia preclusiva
"
antes de sua instauração (CPC, art.294, par.).

A distinção entre tutela cautelar e tutela antecipada Íbi Íbnte de


t 2. a tutela cla evidêncis

inúmeros problemas nas últimas duas décadas de vigência do Código de Tutelaclaevidênci1tédenominaçãoequívocaqueabrangediferentes


1973, não sendo raras as decisões que negavam tutela antecipada apenas
situações em que a tutela pode ser
antecipada' todas com o ponto erl co-
por ter sido postulada a título de cautelar ou vice-versa - e seria salutaq uma situação de perig-o a debelar
mum consistente na desnàcessidade de
por isso, que o Código de 2015 evitasse por todos os modos que o juris- art' 311' caput)' Não é como nas
ão á" u- pericttlum in mora (CPC'
dicionado Íbsse exposto a risco semelhante. Seu art. 305, par., resolve concebidas como meio
em pafte esse problema ao estatuir que diante de um pedido de anteci- medidas urgentes ("ut't"tu"' àu uni""ipadas)'
32 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CNIL INTRODUÇÀO 33

Do ponto de vista puramente jurídico as diferenças são notáveis e Irirl'rio, a nrediação e outros métodos de solução consensual de conflitos
eliminariarr a ideia de que se equivalham, porque somente a jurisdição rlt'vtrritr scl' estirnulados por juízes, advogados, defensores públicos e
estatal tem entre seus objetivos o de dar efetividade ao ordenamento rrrcrnbros do Ministério Púrblico, inclusive no curso do processo judi-
jurídico substancial, o que está fora de cogitação nos chamados meios t'iirl" (art.3o, § 3n).No contexto dessa atitude de incentivo às soluções
conccrtadas entre as paftes, seu art. 139, inc. V, inclui entre os deveres
alterurativos. Mas o que há de substancialmente relevante no exercício
tlo.juiz o de "promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferen-
dajurisdição estatal, pelo aspecto social do proveito útil que é capaz de
c,ialtnente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais". Além
trazer aos membros da sociedade, está presente também nessas outras disso, a valorização desses meios altemativos na doutrina brasileira atual
atividades: é a busca de pacificação das pessoas e grupos mediante a Icvon o Conselho Nacional de Justiça a instituir uma "Política Judiciária
eliminação de conflitos que os envolvam. Tal é o escopo social magno Nacional de Tratamento dos Conflitos de lnteresses", com o objetivo de
da jurisdição, que atua ao mesmo tempo como elemento legitimador e "ussegllrar a todos o direito à solução dos conflitos por meios adequados
propulsor da atividade jurisdicional (s upra, n. 5). r\ sua natureza e peculiaridade" (res. CNJ n. 125, de 29.11.2010, aft. 14,
t'uput) estabelecendo que "aos órgãos judiciários incumbe oÍbrecer
-
O juízo arbitral, ot arbitragem, consiste no julgamento do litígio
rurecanismos de soluções de controvérsias, em especial os chamados
por pessoa escolhida consensualmente pelas parles (o árbitro), mediante
utcios consensuais, como a mediação e a conciliação, bem assim prestar
trâmites bastante simplificados e menor apego a parâmetros legais rígi- atendimento e orientação ao cidadão" (ar1. lq, par.).
dos (é inclusive possível o julgamento' por equidade - lei n. 9.307, de
23.9.96, al1,. 2a Lei de Arbitragem/LA). Exclui-se esse meio quanto a As vantagens dessas soluções altemativas consistem principalmente
direitos não disponíveis (art. la c/c art. 25), justamente porque resulta de crr evitar as dificuldades que empecem e dificultam a tutela jurisdicio-
uma convenção entre as parles (convenção de arbitragem - LA, art. 3a), nal, a saber: a) o custo financeiro do processo (taxas judiciárias, hono-
com renúncia à jurisdição estatal e o julgamento não é Íêito por um juiz rários de advogados, perícias etc.), que na conciliação ou na mediação
estatal, mas por árbitro, cidadão privado. Íicam signiÍicativamente reduzidos; b) a excessiva duração dos trâmites
processuais, que muitas vezes causa a diluição da utilidade do resultado
Depois de muita discussão uma alteração da Lei de Arbitragem lirral; c) o necessário cumprimento das í'ormas processuais.,com a ira-
veio a dispor que, em certas circunstâncias, tambem aAdministração Pú- cional tendência de muitos a favorecer o formalismo. lndicam-se tam-
blica pode, sob cerlos requisitos e algumas ressalvas, submeter-se ao.jul-
berr ern prol da arbitragem (d) o melhor conhecimento da matéria a ser
gamento por árbitros (LA, arl. ln, § ln, red. lei n. 13.129, de 26.5.2015).
julgada pelos árbitros especializados, além (e) do menor apego à rigidez
da lei na condução do procedimento, inclusive com a possibilidade de
Aconciliação consiste na intercessão cle um sujeito entre os litigan-
optarpelo juízo de equidade (CPC, ar1. 140, par., clçLA, art.2a) e (f)
tes com vista a persuadi-los à au.tocomposlçâo sugerindo-lhes soluções
da possibilidade de convencionar a confidencialidade, que favorece a
e induzindo-os a se comporem amigavelmente. Pode dar-se antes do
preservação da privacidade ou mesmo de segredos empresariais.
processo e com vista a evitá-lo, qualificando-se nesse caso como con-
ciliação extrctprocessuctl; qtando promovida no curso do processo é en -
pRocESsuÀL BRÁSILEIRo:
doprocessual.l\a mediação também se objetiva a autocomposição, mas § 3n. o MoDELo
sem que o mediador apresente propostas concretas de solução a serem UTS:TóNU E DIREITO COMPARADO
apreciadas pelos litigantes. Ele atua identificando as causas do conflito, \ 15. breve histórico do processo civil brusileiro - asfontes
buscando alternativas para sua superação e propiciando as condições
necessárias para as partes chegarem por si próprias a um acordo. Pelo aspecto de suas fontes legislativas o processo civil brasileiro
desenvolveu-se mediante oito.fases históricas mais ou menos delimi-
Em prestígio à solução dos conflitos por conciliação ou mediação, tadas entre si, começando pela aplicação das Ordenações do Reino e
o Código de Processo Civil vigente estabelece, com bastante amplitude, culminando, no presente, com o Código de Processo Civil de 2015.
que "o Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual Na primeira fase,logo em seguida à Independência brasileira, era
dos conflitos" (art. 30, § 2q) para logo em seguida dizer que "a conci- natural que, até que sobreviesse uma legislação nacional, prosseguissem


CNIL
INTRODUÇÃO fs
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO

cujo Livro III regia o pro- \tlros ( ilsrrrih clarneiro e sálvio de Figueiredo Teixeira), veio um surto
em vigor neste país as Ordenações Filipinas' nrurlo itttottso de novas leis responsáveis por uma significativa moder-
."*roiiril em todo o Reino Português' rr|/lrl.riü rlo processo civil brasileiro, inclusive mediante a implantação
pela chamada Consolidação Ribas'
A segundaJàse foi representada rlr. rilstt'rrrucntos de agtltzação da prestação jurisdicional (antecipação
brasileiro ao Cons' Antônio Joa-
elaborada por solicitaçãoão Co'"*à a volumosa
,[r lrrtelu.lurisdicional, execução das obrigações de fazer e de não fazer
na reunião em um só texto de toda ,'/,'). lrssits Íbram as chamadas Reformct do Código de Processo Civil
à",r" nrur't e consistente com alteração das disposi-
messe de leis que hauiam sido promulgadas a ter r lit,fitrmd da Reforma, seguidas da Leí do Cumprimento de Sentença,
A Consolidação passou
c-áã contidas nas Ordenações Filipinãs. r[, ](X)5, responsável pelo traçado de um novo perfil do processo civil
iorça de lei em dezembro de 1876' lr|rrsitcir0, um novo modelo. Das modificações que trouxe, a de maior
n' J3'7 editado pelo
A terceira Jase Íbi precedida pelo Regulamento ' IH!,r]itude sistemática foi a implantação de vm processo sincrético, que
no de 1850 e destinado inicialmente a
Goven'ro tmperial U,uti"ito uno rt.irnc cr.n um único processo as atividades que antes eramrealizadas em
comercial" - até que' nos
;;;; ;ô; "a ordem do juízo no processo mandando estender o dis-
rlois ltrocessos distintos e Separados - o de conhecimento e o executivo.
albores da República, sobi'eveio um
decreto
geral (dec' n' 763' de A oitava /bse é representada pela entrada em vigor do Código de
à' cíveis em
õJ;rq,r;ià'n.g,ráÃá'ià "uu'u' l'rlrccsso Civil brasileiro atualmente vigente, em março de 2016' O
lo.q.tsqo) e com isso consumando epsa fase' Arrtcprojeto desse Código foi elaborado por uma Comissão de onze
direito processual vigentes
AquartaJase da história das notmas de rrrcprbros, escolhidos entre conhecidos professores de direito processual
pela Constituição Re-
no Brasil foi a dos Códigos esÍacluais 'propiciada t.ivil e profissionais do direito, os quais traçaram desde logo as linhas
conconente
ao ás?ubele"er a competência legislativa
l89l lirnclamentais da nova reforma, com grande valorizaçào das garantias
;;úi;", de
o processo' Essa fase não
da União e dos EstadJs fara legislar 'àb" que r.orrstitucionais do processo, dos meios alternativos de solução de con-
a maioria dos Códigos estaduais.
durou muito nem foi ãt Uã- 'itãl nível so-
llitos, da cooperação entre os sujeitos processuais elc.
costuma realçar o bom
chegaram a ser editados - e a doutrina
Á.ít" aot Códigos da Bahia e de São Paulo' q 16. breve histórico do processo civil brasileiro - a doutrina
com a vigência do primeiro
A,quintaJàsecomeçou no ano de 1939
nacional' o que constitui A história do desenvolvimento da cultura processualística brasileira
Código de Processo ôi"iiú*ttf"iro de âmbito
legislar sobre o processo' das quais foi dos
au reunificação da competência para lrocle, logo de início, ser dividida em dua,s fases, uma
"fli,J Federal de 1934' primórdios do século XIX até ao ano de 1939 e a outra a parlir desse
ditada pela Constituição
com a vigência do Código Irrro, quando apofiou neste país o prof. Enrico Tullio Liebman. Sendo de
Asextafaseprincipiou no ano de 1974
de processo civil prãmulgado no
ano anterior. Esse diploma foi porta- origem judaica, Liebman refugiou-se no Brasil em fuga às perseguições
(efeito da revelia' julgamento lntissemitas então praticadas pelo govemo fascista de Benito Mussolini
dor de algumas ioo*çà"í O" substância
interlocutórias' trato cm Seu país, a ltália. Lecionou por Sete anos como professor contratado na
do mérito,'recorribilidade cle todas as
"ri."ú"aã
pormenorizado das em um livro específ,rco' ênfase à ética lfaculdacle de Direito do Largo de São Francisco, além de reunir e coorde-
"à"i"f"'"t formais' notadamente de nar os estudos de um grupo de jovens processualistas da época, entre os
processual etc.) e muitos aperfeiçoamentos
em 1961 por solicitação do cluais vieram a ter muito destaque os profs. Luís Eulálio de Bueno Vidigal,
linguagem. S"" nrt"ità;"to'úu elubo'udo
prof' Alfredo Btzaid' da Faculdade .losé Frederico Marques e Alfredo Buzaid. Com essa atividade e com a
então Presidente Jân-ã'(ouatot ao
de Direito de São Paulo' lrublicação de vários estudos sobre o processo civil brasileiro, Liebman
Código de Processo Ci- I0i o responsável pela implantação de um novo pensamento processualís-
A sétima fase foi afase das Refotmas do
antes mesmo de entrar em tico neste país, conhecido como Escola Processual de São Paulo'
vil de 1973. Ele principiou a ser refotmado
leis promulgadas no próprio
vigor a ln de janeiro--"d""tgl+, mediante Em sua bagagem cultural Liebman trouxe ao país o que havia de
C)utras leis reformadoras so-
ano de 1973, duranà sua vaclatio /egls' mais modemo e profundo na ciência processual europeia e pafiicular-
que nos anos 1994-1995 e2002'
brevieram no, uoo,-'uúsequentes' até lnente na italiana e na alemã. Tendo sido aluno de Giuseppe Chiovenda,
do Tribunal de Justiça (Mins.
por iniciativa a" ooi, úinirtros Superior
38 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO C]VL INTRODUÇÀO 39

c) a dualidade das técnicas de controle da constitucionalidade das


lei tem em seu sistema, conduzam a importar soluções incompatíveis
com o contexto sistemático da ordemjurídica nacional. Para evitar essas
leis ou atos normativos, o qual poderá ser feito em sede de controle
abstrato (Const., aÍt. 102, inc. I - infra, n. 94) ou incidentemente em
distorções, quatro ordens de fatores precisam ser considerados, a saber:
qualquer processo, por juízes ou tribunais de todos os níveis (controle
a) a diversidade das fontes do direito processual (infra, nn. 19 e 20), (b)
a estrutura do Poder Judiciário de cada pais (.infra,n.49), (c) o modelo
incidental);
processual vigente em cada país (.infra, n. 18) e (d) a diversidade de con- d) a oferta de um conjunto de garantias integrantes da tutela cons-
ceitos presentes nos ordenamentos jurídicos comparados. titucional, do processo, entre as quais a da inafastabilidade do controle
jurisdicional, a do contraditório, a da igualdade, a do juiz natural, a da
publicidade dos atos processuais, o severo veto às provas obtidas por
18. o atuul modelo processual civil brasileiro meios ilícitos, a exigência de motivação de todas as decisões judiciárias
Uma dada ordem processual, considerada pelo conteúdo específico etc. (ínJia, nn. 27 ss.).
das normas que contém, pela concreta confotmação dos órgãos que a O conjunto dessas disposições e garantias impostas pela ordem
operam e pelo modo de ser dos institutos encadeados em razão desse constitucional permite identificar o per,fil democrático do processo civil
objetivo, constitui um modelo processual. Tem-se por modelo proces- brasileiro, sendo essa a síntese de seu modelo constitucional.
sual cadaum dos sistemas processuaiS encontrados especificamente nos A diÍ'erenciação e identificação do modelo processual brasileiro
diversos lugares do mundo e em tempos diferentes. Falar em mode-lo no plano infraconstilucionctl deve ser buscada mediante a observação
processttal é considerar um dado sistetna processual pelos elementos de todo o conjunto da legislação vigente, inclusive em diversas leis ex-
que concretamente o identificam e diferenciam de outros no tempo e no travagantes, e não somente no Código de Processo Civil. Por sua vez,
Com essas premissas, sabemos que o modelo processual civil o Código vigente reproduz certas características da ordem processual
"rpuço.
bràsileiro é o resultado do que dispõem as norÍnas constitucionais e já implantadas na vigência do estatuto revogado e também indvou ao
infraconstitucionais deste país e neste momento com relação às técnicas impor outras, que de igual modo concorrem à identificação do modelo
e categorias jurídicas predispostas à solução de conflitos e às pessoas e brasileiro.
conjuntos de pessoas encarregadas de pôr em ação as técnicas proces- A primeira e mais ampla das constatações emergentes dessa obser-
suais. E, usual em doutrina a distinção entre o modelo constitucional do vação ó a da coleÍivização da tutela jurisdicional, ausente no Código
processo e seu modelo infraconstitucional. mas presente de modo muito especial na Lei da Ação Civil Pública e
O modelo consÍitucional do processo civil brasileiro da atualidade é no Código de Defesa do Consumidor (infra, n.92). Do confronto entre
composto pelas nomas, pelos princípios e garantias integrantes do direi- o Código de Processo Civil vigente e essas leis resulta a percepção de
to piocessual constitucional e particularmente por aquelas que oferecem que no modelo brasileiro convivem a tutela individual e a coletiva,
a tLúeld constitucional do processo (in/ra, nn.27 ss.). Considerados os cada qual com seu determinado campo de atuação. A implantação da
elementos estabelecidos nesse nível superior, chegamos a uma série de tutela coletiva foi um fator de primeira grandeza para a identificação do
características centrais do processo civil brasileiro, entre as quais se modelo processual civil atual, em confronto com a ordem vigente antes
destacam: daquelas leis.
a) a uniclade cla jurisdição estatal, a qual no Brasil é exercida exclu- No âmbito do Código de Processo Civil a mais ampla de todas as
sivamente por juízes do Poder Judiciário, inexistindo aqui o contencioso características do processo civil brasileiro é representada pela implanta-
administratiyo, que é um sistema de órgãos verdadeiramente jurisdicio- ção de uíflprocesso sincrético, com a instituição de um procedimento-
nais integrados na Administração Pública e encarregados dos processos -padrão no qual se decide sobre a concessão de eventual tutela provisó-
em que esta seja pafle: ria, se realizam as atividades de cognição, culminantes na sentença de
rrrérito, bem como se propicia efetividade aos efeitos desta mediante a
b) um Poder Judiciário separado e independenle dos demais Pode-
cxecução forçada (infra, n. 80). Essa construção diferencia o modelo de
res do Estado, aos quais não presta conta e dos quais não recebe controle
ou fiscalização alguma (infra, n.39);
lgora em relação ao vigente antes da lei que por primeiro implantou o
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CNIL OS PRINCIPIOS DO PROCESSO CIVL 65

revel. A lei manda que o juiz dê curador a esse demandado (CPC, art.72, nifica depurar o processo de imperfeições, pondo-o em condições de
inc. II), com o munus de oferecer obrigatoriamente a defesa, sob pena prosseguir sem questões técnicas a resolver - e em princípio o juiz não
de nulidade de todos os atos processuais subsequentes. Assim sucede, depende de pedido do réu para extinguir o processo, emyez de saneá-lo,
fazendo-se necessária uma reação que em casos noflnaiS seria somente quando deparar com cerlos fatores impeditivos do julgamento do mérito
possível, justamente porque a informação não foi feita de modo con- (CPC, art.485).
fiável. Não se sabe se o réu não respondeu à inicial porque não quis ou A efetiva direção do processo, pelo impulso e saneamento, constitui
porque não soube da sua propositura.
fator importantíssimo paru a celeridade da oferta de tutela jurisdicional,
A garantia constitucional do contraditório endereça-se tanbém ao evitando atividades inúteis e retrocessos indesejáveis.
iuiz, como imperativo de sua função no processo e não mera faculdade Ouko dever do juiz moderno, ligado à garantia constitucional do
(o juiz não temfaculdades no processo, senão deveres e poderes - infra,
contraditório, é o de tomar iniciaÍivas probatórias em certos casos. A vi-
n. 55). Essa é uma das principais tônicas dos dispositivos do Código de
são tradicionalista do processo, com exagerado apego àque1a ideia de um
Processo Civil que tratam do contraditório, ao disporem que compete jogo em que cada um esgrima com as arrnas que tiver, levava à crença de
"ao juiz zelar pelo efetivo contraditório" (art. 7o1 e que, salvo algumas que o juiz, ao tomar alguma iniciativa de prova. arriscar-se-ia temeraria-
exceções muito especíÍicas e justificadas pela necessidade de tutela a
mente a perder a imparcialidade para jtlgar depois (supra, n. 30). Tal era
outros princípios, o'não se proferirá decisão contra uma das partes sem
o fundamento do princípio dispositivo, naquela visão clássica segundo
Que ela seja previamente ouvida" (art. 94, caput). a qual só as partes provariam e o juiz permaneceria sempre au-dessus
Aparticipação que a garantia do contraditório impõe ao juiz consis- de la mêlée, simplesmente recebendo as provas que elas trouxessem,
te em atos de direção, de prova e de diálogo. para afrnal examiná-las e valorá-las. A vocação solidarista do Estado
Adireção do processo é feita em primeiro lugar mediante o impulso moderno, no entanto, que não perrnanece naquele laissez faire, laissez
do procedimento, do qual a lei expressamente encarrega o juiz (impulso passer, da filosofia política liberal, exige que o juiz seja um personagem
oficial - CPC, art.2e). Não obstante seja das partes o interesse primário participativo e responsável, não mero figurante de uma comédia. Afinal,
pela solução dos conflitos em que estão envolvidas, nem por isso se pode o processo é hoje encarado como um inshumento público que não pode
desconsiderar que o processo é o instrumento público de exercício de ser regido exclusivamente pelos interesses, condutas e omissões dos
uma função pública, a jurisdição (infra,n.39). Embora possam aquelas litigantes. Ele é uma instituição do Estado, não um negócio combinado
ter a disponibilidade das situações de direito material pelas quais litigam, emfamília, e daí o dever de exercer ativamente o contraditório, imposto
não pode o Estado-juiz perÍnanecer à disposição do que elas fizerem ou pela Constituição Federal e pela lei ao jú2.
omitirem no processo, sem condições de cumprir adequadamente sua Por isso, o princípio dispositivo vai sendo mitigado e a experiência
função. Por isso, em princípio as omissões dos litigantes não devem mostra que o juiz modemo, suprindo deÍiciências probatórias do proces-
conduzir à paralisação do processo, sendo dever do juiz encaminhá-lo so, não se desequilibra por isso nem se toma parcial. Isso não significa
adiante segundo as regras do procedimento, para com isso poder realizar que o juiz assuma patemalmente a tutela da parte negligente. O que
os objetivos da função jurisdicional mediante a ptâÍica do ato final de- a garantia constitucional do contraditório lhe exige é que saia de uma
sejável (decisão de mérito na fase de conhecimento, entrega do bem na postura de indiferença e, percebendo a possibilidade de alguma prova
execução forçada). A regra do impulso oficial, como desdobramento da relevante e peúinente que as partes não hajam requerido, tome a inicia-
participação que a garantia do contraditório impõe ao juí2, quer que ele tiva que elas não tomaram e mande que se produza. Exige-lhe também,
determine ou realize os atos necessários independentemente de requeri- para a efetividade da isonomia processual, que diligencie o que a parte
mento das parles. Só em casos extraordinários, que a lei indica, a omis- pobre não soube ou não pôde diligenciar (até porque muitas vezes patro-
são das partes conduzàparulisação ou mesmo à extinção do processo' cinada por advogados dativos, nem sempre empenhados em sua efetiva
O juiz exerce o poder-dever de direção do processo, também, defesa). O processo civil modemo repudia a ideia do juiz Pilatos, qu;e,
mediante a atividade de saneamento (infra, n. 82), que é por definição om fâce de uma instrução mal feita, resigna-se a fazer injustiça, "lavan-
inquisitiva e portanto independe de provocação das pafies. Sanear sig- do as mãos" e atribuindo a falha aos litigantes. O afi. 370 do Código

.iL-
76 TEORIA GERAI DO NOVO PROCESSO CTVIL

segundo os padrões democráticos da República brasileira. o poder es-


taá exercidt pelo juiz sofre todas as limitações inerentes ao Estado de
direito demociático, não podendo avançar sobre competências de outros
juízes e não podendo, ainda quando eventualmente lhe autorize a lei,
L^"r"". o poá., de modo capaz de comprimir as esferas jurídicas dos
jurisdicionados além do que a Constituição permite'
E óbvio que nenhuma das garantias constitucionais teria necessi-
dade de reafirmação ou suporte mediante a cláusula genérica do devido
CAPITULO III
pro cess o legal. Ela tem, cóntudo, uma função organiz atória, responsá- JUMSDIÇÃO
vel pelo traçado do perfil democrático do processo e por atrair à órbita
das medidaá de tuteia constitucional certas garantias náo çaracteizadas
como verdadeiros princípios ou lançadas de modo genérico em outros § 1s. JLRrsDrçÃo: coNcrrro, EspÉcrns E LTMITES
dispositivos constitucionais, mas que com ele guardem pertinência'
Diánte disso, consideram-se incluídas no quadro do devido processo rk 39. ujurisdição no quudro do poder estatul
legal as garantias do direito à prova, da inadmissibilidade da prova ob- A jurisdição costuma ser conceituada com a tríplice qualificação
fiãa por*meios ilícitos (aft. 54, inc. LV!, dainviolabilidade do domicílio como poder, como função e como atividade, mas essa assertiva merece
(art.-5s, inc. XI), do sigilo das comunicações e dados (art' 54, inc' XII)' uma retificação. Ela não é propriamente um poder, mas uma expressão
ào dever de motivação dos atos judiciários (art. 93, inc. IX) etc. - e se do poder estatal, o qual é uno e não comporta qualquer ramificação em
alguma disposição infraconstitucional for emitida ou alguma decisão uma pluralidade de poderes diversificados - o Estado não tem mais de
.1rrãlciaria ptofeiiaa sem infração
específica a qualquer dessas garantias uma capacidade de decidir imperativamente e impor decisões. Essa ca-
assim tipificadas mas violando as premissas do Estado liberal democrá- pacidade é uma só, e o que diferencia seu exercício em variados setores
tico ela será violadora da garantíaampla e vaga do due process of law, e
da atuação do Estado e afunção exercida em cada um deles.
por isso carecerâ de legitimidade constitucional' A função exercida na atividade legislativa é a de instituir normas de
çaritter geral e abstrato destinadas a reger no futuro a vida dos integran-
tes da sociedade (legislação). A função exercida na atividade adminis-
lrativa é a de promover o bem comum mediante a oferta de serviços e
§egurança à população (administração). E a função exercida na atividade
jurisdicional consiste na busca da pacificação de sujeitos ou grupos em
conflito. E mais correto, portanto, qualificar a jurisdição como uma eÍ-
pressão do poder estatal, exercida comafunção de pacificar e mediante
aç atividades disciplinadas pela Constituição e pela lei.

Com essas características a jurisdição estatal situa-se,.juntamente


com a legislação, entre as atividades jurídicas do Estado. E uma ativi-
dade ligada essencialmente à atuação jurídica, enquanto a legislação
se destina à produção jurídica. A jlt'rsdição identifica-se pela presença
de dois elementos essenciais, quais sejam: o caráter substitutivo e os
escopos a realizar.

Ora, assumido que o sistema processual é impulsionado por uma


rúrie de escopos e que o Estado chama a si a atribuição de propiciar a
R]
JURlsDlÇAO
I]6 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
entre competência intemacio-
pelo qual o legislador faz essa distinção
te traça também o desenho do âmbito dessa cooperação, a qual poderá con.c:orrente é o da maior ou
nal exclusiva e co*petê'cia internacíonal
ter por objeto os atos de comunicação processual (citação, intimação), a ao Estado brasileiro' ao seu
menor relevância das causas em relação
produção de prova, a homologação de decisão estrangeira etc' (art' 27)' território ou à sua PoPulação'
de Processo Civil' o juiz bra-
Pelo que dispõe o att' 23 do Código
AcooperaçãojurídicaintemacionalserãaÍiyaquandosolicitada com exclusividade' (a) para
passiva quando solicitada a esse juiz. obviamente sileiro J irrt"rnu.ionulmente competente,
pelo juiz brasileiro e no Brasil" (art' 23' inc' I)'
,*u.oop.'uçãoqueparaunrdospaísesenvolvidoseotivaserápctssivct as demandas "relativas a imóveis situados
hereditária' proceder à confirmação
para o outro e vice-versa. iül-prr", ';"- matéria à" "t""ao e à pàrtilha de ben's situados
de testamento particular e ao inventário judicial
no Brasil" (atÍ.23,*"i'li)
putu'-"em divórcio' separação
Nesse contexto têm muita irnportância as cartas rogatórias, que "-itf àpartilha de bens situados no
são uma solicitação de cooperação jurisdicional endereçada pelo
juiz ou dissolução de união "tíau"),'pto"eder
a ordem jurídica brasileira exclui
de um país ao de outro. Elas podem ter por objeto a "prática de ato de Brasil" (atÍ.23,i*' f fí' N"tttt "utot
os quais.aqui não produzirãoo efeito
a efrcácia dejulgados estrangeiros'
citação, intimação, notificação judicial, colheita de provas, obtenção de
de Íustiça não concederá ho-
que o ato desejado e aos quais À'fãti"t Tribunal
informações e cumprimento de decisão interlocutória, sempre " decisao estrangeira - CPC' arts' 960
ss')'
mologação(homologaçãoãe
estrangeiro constituir decisão a ser executada no Brasil" (CPC, arts. 35 intensa a relevância desses
e 237, inc. ll). Há outros casos em que, sendo menos
pontos de ligação u e a vida do país' a competência fixada
Também está disciplinado no código de Processo civil o chamado "nt" "u"tu e será' pofianto' c.oncorrente' E o
em atenção u .t"s nao "*"tui o"t'ut
auxílio direto,consistente na cooperaçãojurídica entre o Brasil e outros do juiz brasrieiro para julgar demandas
que ocorre com a
Estados soberanos, a ser prestada por órgão nãojurisdicional e, natural- "olrrpáiántiu a sua nacignalidade' estiver-domi-
em que (a) "o reu, qt'uiq'"'que seja
mente, fora do âmbito do exercício da jurisdição. "Cabe auxílio direto 1t) "'"'o Brasil tiver de ser
cumprida a
ciliado no Brasil" (art. it,i"ô' D,;o
quando a medida não decorrer diretamente de decisão de autoridade seja fato ocorrido ou ato
ãUngrçáo" (art.2l',1'"' ti), (c) fundamento
jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil" 2l ' inc' lll)' ) se.pleiteia
(d a.c.ondenação a pa-
"-
diz o art. 28 do código de Processo civil. os pedidos de auxílio direto
;;;;i.r;; no Brasil"' (afl' *tào' tiver domicííio ou residência no- Brasil"
gar alimento, quonao::o
passarão por uma qutorídade central, que no Brasil é o Ministério da "o réu mantiver rio""iàt no Brasil' tais como posse ou propriedade
ou
l'ustiça (CPC, arts. 26, § 44, e 29), e poderão ter por objeto a "obtenção e tle bens, recebimento à" ""do ou obtenção
de benefícios econômicos"
*de relações de consumo' quando
prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre proces-
l), \art. 22,inc. I), (.) " ;tdiá;-ã"to''" no Brasil" lart' 22' inc' ll)'
sos administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso" (ar1. 30, inc. o consttmidor tiver aJÃi"ifi" ou residência
a iniciativa de produção de provas (inc.Il) etc. se subnteterem à jurisdição
c (t) "as partes, expressa ou tacitamente'
como u.:o1np*:t-1i:::l*"'
rracional" @rt.22,inc. lll)' Nesses casos' poderá'
trho exclui a estrangeira, eventual
sentença proferida no exterior
48. a competência internucional do iuiz brusileiro pelo Superior tiiuunat de Justiça (ar1s' 960 ss')'
r:rn tese, ,",
Osarts.2la23doCódigodeProcessoCivilestabelecemacompe- ',o,rotog;àá
tência do juiz brasileiro no plano intemacional, fazendo-o com atenção § 2s. oRGANtztçío
luotcrÁm'L BRÂSILEIRA
às pessoas, bens e valores ligados ao Estado brasileiro (território,
popu-
taçao e instituições) e levando em conta o interesse deste na solução dos \ J9. organização.iudiciiiria - temus fundomentais
conflitos. Há casos em que a competência do juiz nacional é exclusivu -uttttelaconstitucionultlaorganiz,açíiojudiciária
e portanto se repudia a eficácia de sentenças ou decisões eventualmente tradicionaLnente conceituada como o
direito administra-
Ernbora
pronunciadas no exterior, e Casos de competência concorrente, cofi1 re- tivo dct Jttstiça a^ i^lit"ições iucliciárias' náo s.e confun0lf-::l
ibrência aos quais a lei brasileira tem como competente o juiz nacional ,, ,ti,"ito
"
processual nem se reputando integrante deste'
a
organlzaçao
mas aceita a eficácia do que em outro país haja sido decidido. O critério
l.t lr l'troRlA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
.ruRrsDrÇÀo
jLrcliciária constitui um tema tão vizinho
a ere, que aos poucos Íbi sendo
absorvido nas preocupações dos processualistur. T"*_r. e 104- I 05 - inf a, n. 65); e) a estrutura e a competência
no p.àr.nt" u de cacla uma das
c.rrsciê,cia de que, tanto quanto se dá nas ciências naturais, Justiças da União, nos diversos graus jurisclicionais (infra,
o conheci- n. Oàj, O ,
.'c'to do uma função há cle estar sempre ligado ao dos órgãos que a de- observância dos princípios-constitucionais peros Estados
na organíaçao
scrrpenhanr, sob pena de ser superficial ou àesvia«lo das respectivas Justiças, cabendo às constiiuições
Estaduai,, ãir.,pri*
au."Jtiauoà. Assim
se colocnndo, os estudos dos processuaristas da atuaridade da competência de seus tribunais (art. 125, capuÍ e
não mais se § 1o); g) a deterrnina-
li,iterm à Íbrmulação dos conceitos e deÍinição das estruturas ção de que as leis locais de organização jr-rdiciâria ,.;u,, nã..rrariamente
inerentes
ao exercício da jurisdição, da ação e da defesa da iniciativa do Tribunal de Justiça (art.125, caput e
mediante o emprego das § le).
tecrricas do processo, que são os temas funclamentais As normas sobre todos esses temas inerentes à organização judiciá_
do direià f-..r_
sual' Esses estudos vão também em busca cla adeqr-rada ria ou estão na própria constituição Federal ou dever.r ser
compreeàsão da fiéis às ri,has
constiÍuiÇã() orgânic'a do complexo de instituiçõer gerais integrantes da tutera constitucionar da organização judiciária,
1r,ri"iá.iur. inclusive sob
metliante a inserçào desse tcma no lbco dos princípio, pena de ilegitimidade. Elas regerr a Justiça e sua
guruntiu, in"_ autonomia, a estrutura
rentes a uma autêntica tutera con,sÍitt,tcionar da " jucticiária.
or§anizctçáo judiciária, a composição <1os juízos em toijos
os graus de jurisdição. o
É de grande relevância para o direito p.o"ersrul regime da Magistratura e os períodos de trabalho Í-orense.
o conhecimento não só
da estruturajLrdiciária do país e das rerações entre
os cliversos órgãos ou
organismos judiciários, mas ta.nbém dos fundamentos De envolta com a matéria puramente organizacional
político-"ãnrri,r- do poder
cionais dessa intrincada disciplina. Judiciário, entre essas normas acham-se algumas que ou
são preponde_
rantemente de direito processuar, e ,ão de organização.iucliciária.
. Pelo as:pecto porítico as mais ampras disposições constitucionais
atinentes à organizaçáo juclrciária brasileira são as que ,renos situa*-se e, ..la zona cirrzcnta e participam tll
ou ao
igual ,rocio cle
colocam o Ju- ambas as naturezas- As normas sobre compeÍêncict
diciário collo um poder entre os poderes do Estado, esÍã.,Éssa situação,
autônomo e em porque é natural que o mesmo p.cler legiferante (^o
hamoniosa convivência corn o Legisrativo e o Executivo caso, o Estado Í-e-
(const., arts. derado), ao instituir seus órgãos e organismos jr-rdiciários
2e e 92-126i1. A constituição Federar chama tambérn 1os juízos e os
a si o traçado das tribunais), delimite desile logo o canpo de aruação de cada
linhas mestras da organização judiciária brasileira, seja um, ou seja,
ditando direta- sua compeÍência. De outro rado, ao definir a cornpetência
do s,prerro
mente uma série de disposições destinadas a prevaleier Tribunal Federal e do Superior Tribunat de Justiça a Ctonstituição
em relação a (a)
todo o Poder Judiciário nacional, seja detenninando institui o recurso extraordinário, o recurso especiar c o recurso
a eraboração cle uma o.àinariá
lei complementar a ser observada pela Unrão e pelos Estadás constitucional, que só por essa via indireta estão deiinea«ros
em suas na ordem
legislações. Essa lei complementu., qu" será o Estatuto constitucional e são admissíveis nos limites da autorização
cra Magistratura constitucio-
e se pautará por certos parámetros enunciados nalmente deÍ'inida (aft. 102. incs. II-I[ arr. 105, incs.
no ar1. g3 da conitituição, ti_ttt); b) afinna
ainda não foi editada. Continua em vigor, por isso, o próprio princípio do_dyfto grau de juri,sclição, ao deÍinir ori
e na medicla em que prever
recepcionada pela ordem constitucional vigente, a competência recursal tribunais ern geral; c) idem, quanÍo à ação
a Lei orgânica da Ma- .dos
gistratura Nacional, que.é do ano de lWg ;,por1anto, rescisória de seus próprios jurgados, atribuída à cornpetência
de cacra um
anterior à vigente dos órgãos de superposiçâo e clos Tribunais Superiorrcs;
Constituição Federal (lei compl. n. 35, de 143.7g). cl) institui a ação
direta de inconstitucionarida«.le ou crecraratória cle constitucionalidátie
São de diversas ordens as disposições constitucionais (at' 102, ir.rc. I, letra a), bem corr'ro (c) a arguição de clescru.nprimenlo
atinentes
à organização judiciária, estaberecendo elas: a) o erenco de preceito fundamenral (aft. 102, § lq) e (0ã ação popular
Jêchado dos 1ari. 5o, i,rc.
gtqãg: judiciários do país, fora dos quais não se admite o exercício da LXXIII) etc.
jurisdição pelo Estado (arts. 92,9g, 125,
§ 3a, e I 26); b) garantia,s insti_
tucionais do Poder Judiciário e individuaii aos juízes (in/ía,
nn. s r . iz); t( 50. o elencofechado dos órgãos integrunÍes
c) a estruÍura.iudici*ia brasireira, constituiàa oe Àrgaos
airt itriáo, do Poder Judicidrio
entre as diversas Justiças e órgãos supelpostos a estas (infra,n.53);
d) a
composição e a competência dos órgãos cle superposição(aús.
101_102 o afi'. 92 da constituição Federal reraciona os órgãos jurisdicionais
do país, que são o supremo Tribunal Fe«rerar (inc. I), o
supárior Tribunal
90 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
JURISDIÇÀO 9I

de Justiça (inc. II), os Tribunais Regionais Federais, os juízos Íêderais de * 52, as garantias individuuis dos iuízes
primeira instância (inc. lll), os tribunais e juízes do trabalho (inc. IV), os - os impedimentos

tribunais e juízes eleitorais (inc. V), os tribunais e juízes militares (inc.


Sempre com vista a assegurar a independência e a imparcialidade
VI) e os tribunais e juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios
dos juízes, a Constituição Federal dedica a estes a clássica garantia
(inc. VII). Entre esses órgãos de diversos níveis e distribuído o exercício
Ír[pl ice da vitaliciedade-inamovibilidade-irreduditibilidade de venci-
da jurisdição estatal brasileira, não podendo ela ser exercida por qual-
rnentos (art. 95, incs. I-lll). A garantia da vitaliciedade significa que
quer outro órgão, organismo ou pessoa, sob pena de inÍiação à garantia
eles só poderão perder seu cargo por decisão tomada em processojuris-
constitucional do juiz natural.
dicional ou quando atingida a idade-linrite de setenta e cinco anos; a da
Tambérn o Conselho Nacional de Justiça está incluído na lista do
estabilidade, que cadajuiz só se transfere de um cargo a outro quando
art. 92 da Constituição Federal (inc. I-A), mas não exerce jttrisdição assim for sua vontade, salvo em caso de certas infrações funcionais; a
algunra. Suas funções são exclusivamente administrativas, cabendo- da irredutibilidctde de vencirnenlo§, que, salvo em situações especiais
-lhe atividades relacionadas coln a autonomia do Poder Judiciário, sua previstas na própria Constituição, os vencimentos dos magistrados não
organização, condutas dos juízes erc. (Const., art. 103-B, § 40 e seus podem sofrer reduções.
incisos) - e isso significa que o Conselho Nacional de Justiça é um A preocupação pela independência dos juízes leva a Constituição
órgão judiciário, porque está entre os órgãos judiciários indicados na
também a impor-lhes certos impedimenÍos ou a vedação de atividades
Constituição Federal, mas não e un.r órgãoTurisdicional, porque não
que possam comprometer sua imparcialidade. Pelo disposto no par. de
exerce a jurisdição.
seu art. 95, o juiz e irnpedido, p. ex., de "exerceç ainda que enr dispo-
t, nibilidadc, outro car€o ou função, salvo uma de rnagistério" (inc. I), de
'Í, 51. as garantias institucionais do Poder Judicidrio "dedicar-se à atividade político-partidária" (inc. III), de receber auxílios
ou contribuições de quetn quer que seja (inc. IV), de "exercer a advo-
Para a independência do Poder Judiciário como um todo em face
cacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorriclos três
dos demais Poderes do Estado a ordem constitucional oferece-lhe tra-
anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração" (inc.
dicionalmente certas garantias e oferece-as também aos juízes que o
Y) etc. Esse último impedimento, que leva no linguajar comum o nome
integram. No plano das garantias ao Poder Judiciário como um todo a
de quarenÍena, aplica-se somente, como se vê de sua redação, aos juízes
Constituição Federal demonstra muito zelo em assegurar seu autogover-
aposentados ou que de algum outro modo hajam deixado de peftencer
no (art.96, inc. I) e sua autonomia administrativa e.financeira (aft. 99),
à Magistratura. Aos juízes em exercício as atividades da advocacia são
i
l

a qual se desdobra em diversas outras garantias e premogativas, como a


proibidas pelo modo mais absoluto.
I
que têm os tribunais de elaborar suas próprias propostas orçamentárias
ll
rill (art. 99, § ln) e a de ter a exclusividade em projetos de lei relacionados
com eles próprios e seus serviços (art. 125, § la, 2L parte). ll 53. estruÍurajudicitÍria brusileirs

Ern cornplementação à fórmula autonomia administrativa e.finan- A Justiça brasileira é composta do Supremo Tribunal Federal, dos
ccira (art.99) e ao poder de elaborar o regimento intemo (art. 96, inc. Tribunais Superiores da União (entre os quais o Superior TribLrnal de
I), a Constituição dá a cada tribunal a competência para (a) eleger seus .lustiça), do Conselho Nacional de Justiça e dos inúmeros órgãos judi-
órgãos diretivos, (b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares, (c) ciários de mais de um grau de jurisdição distribuídos entre as diversas
prover os cargos dcjuiz de carreira no âmbito de sua atuação, (d) propor
,lusliças indicadas na Constituição Federal, a saber: Justiça Militar da
ao Legislativo a criação de novos cargos em primeiro grau dejurisdição,
LJnião, Justiça Eleitoral, Justiça do Trabalho, Justiça Federal, Justiças
(e) prover cargos adrninistrativos mediante concursos segundo a lei e a
dos Estados e Justiça do Distrito Federal e Territórios (Const., arts.92,
Constituição, (f) decidir sobre a vida funcional de juízes e servidores
(férias, licenças - afi. 96, inc. [, letras a a./). 9tl, 125, § 34, e 126).

5'/
'---

92 TEORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL


JURtsDrÇÀo e3
O Conselho Nacional de Justiça está incluído no rol
do art.92 da tribunal de segundo grau em cada uma das Regiões
Clonstituição Federal mas, embora seja um orgão.iudiciáno, em que o território
não é um nacional se divide (Tribunais Regionais F.ederais);
órgão.lrri,sdicionar, porque não exerce a
lurisàiçaÀ mas somente ativi-
dades e Íirnções administrativas. II cada uma das JusÍiças cros Estados e a do Distrito Feclerar e
Território,s têm suas varas em primeiro grau, localizadas
nas milhares de
As Justiças da chamadaTuriscrição especiar, todas elas comarccrs existentes em todo o país, e em segundo
da União grau o Tribunal de
(Militar, do Trabalho e Eleitoral), estruturam_se da Justiça. A divisão do Estado em comarcas (forãs)
seguinte forma: e a ãefinição das varas
a existir em cada uma delas (uízos) é feita por lei
1- JusÍiça do Trabalho compõe_se em primeiro grau de varas do
a estadual cle iniciativa
trabalho, cada uma ocupacla por um juiz do trabalho (Const., do Tribunal de Justiça (Const., art.96, inc. I[, letra
art. l l6). c).
Seus órgãos de segundo grau são os Tribunais Sobre as Justiças comuns (Federal e Estaduais) paira
Regionais do Trabarho, o Superior
cada um deles exercendo jurisdição sobre creterminàda Tribunal de Justiça, que é tambem um dos Tribunais
Regiao: manda a Superiores da união
Constituição que haja ao menos uma Região para cada mas não fazparte de qualquer delas. Tem competênciaàriginaria
Esiado da Fede- para as
ração, podendo haver Estado dividido causas indicadas na constituição (art. 105, inc. I)
-ui, de uma (como o de São
"- No ápice da Justiça clo
Paulo' onde se sr'tuam a 2a e a 15a Regiões).
e comp"etem-lhe tam-
bém os recttrsos eventuarmente cabíveis contra a única
Tra- ou última deci-
balho está o Tribunar Superior do Tratarho (art. Ll r), são de cada uma dessas Justiças em materia infraconstitucionar
cuja competência (decisôes
recursal, em princípio referente a matéria de direito (naã
de Justiça l...r.ro
de faàs e sua dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais
prova), diz respeito aos julgados dos Tribunais especial e recurso ordinário art. 105, incs. II_II).
Regionais do Trabalh';
lI - a Justiça Elei.torql é integrada em primeiro grau de jurisdição Questões constituciorais apreciadas pelas diversas Justiças ou pelo
pelos juízes eleitorais (que são os próprios juízes próprio Superior Tribunal de Justiça são suscetíveis
eshãuais acumulando de apreciação pelo
funções) e pelas Juntas.eleitorais (art. tZil. fm Supremo Tribunal Federal pela via do recurso extraorclinári..
segundo grau, pelos
Tribu,ais Regionais Eleitorais um na capital de caàa
Estaão
Distrito Federal (aú. r20). o rribunal Superior Eleitorar,
,- ,o
" órgão de cú-
pula dessa Justiça, é recursalmente competente para § 3s. nuNçõrs ESSENCTATS À l»mrNrsrRlçÃo nl JUSTrÇA
u, .urru, julgadas
pelos Tribunais Regionais Eleitorais Eleit art.22,inc. 'tr. 54. o juiz -
1COà. , IIj; sua posição instiÍucional
III aJustiçct Miritqr da união tem apenas os conselhos
de Justiça
Militar como órgãos de primeiro grau de jurisdição (conselros
nspe.iui, . Ressalvada a jurisdição praticada pelos árbitros, o exercício da
jurisdição é feito pelo Estado mediante
ou Permanentes) e o Superior Tribunal Miritar como a atuação dos juízes. só haverá
órgão de jurisdição
superior (Const., art. 122). Inexistem órgãos intermecliárioJ atividade verdadeiramente jurisdicionar quando os
atos de seu exercício
entre os fbrem realizados por pessoa invesÍicla na conclição
Conselhos e o Tribunal Superior. cle.juiz _ ou seja,
pessoa que, segundo as regras constitucionais
e legais vigentes, tenha
_ . Nas Justiças que exercem a chamada jtrriscliçtio comum (Justiça
Federal e Justiças Estacruais com.rns) cada Éstaclo
sido admitida à Magistratura, norneacla e elnpossada
no càrgo, estando
telx seu Tribunal de no exercício deste (Const.,art.92, incs. I, ll, III,Iy
Justiça e na Justiça Federar eristem tantos Tribunais V, VI e"VlI). Fora
Regionais Federais disso não se tem um jtriz, e portanto nào se trata de
quantas as Regiões em que o país está clividido um legítimo agente
-
dividido em cinco Regiões, mas a emenda constitucio
atuahnente o país está estatal exercente da jurisdição.
nal n. 73,de 6 de
junho de 20 13, atualmente suspensa por A abstração feita para entender que é o Estado quem exerce ju_
liminar concedida pelo supre- a
mo Tribunal Federal (ADl n 5.017), cria quatro novas risdição, embora os atos desse exercício sejarn materiarmente
Regiões. A esiru_ realizados
tura dessas Justiças está estabelectda da seguinte pelos juízes, tem por corolário imediato a
forma: conotação de itnpessoarida-
de que qualiÍica a atuação <iestes. O juiz não atua em furçao
I-aJusÍi.ça Federal tem varas emprimeiro grau de jurisdição de seus
(uí_ interesses ou de seus escopos pessoais, mas daqueres
zos Íbderais), localizadas em todas u, ,ru, sttbseções juàic_iárias, que motivarn o
e"um Estado a assumir a Íunção jurisdicionar (supra,n.
5) - e daí anecessária
e4 ]'t.tot{t,^ GIRAL DO NOVO pROC,L]SS0 (,tVtt,
JURISDTÇAO 95

intpax'ialiclade, quc oonstitr-ri a primeira de toclas as virtudcs exigiclas a como sLla eventual atuação no processo "corr dolo oLr Íl'aude" (inc. I) e
trrr juiz (,supro, n.30).
a recusa, retarclamento ou omissão injustiÍicada de providência que deva
ordenar (inc. Il). Tal responsabilidade nào exclui eventual responsabili-
55. o.iuiz -.funções, poderes, deveres e responsabilidade dade do juiz ncl plano ttclminisÍraíivo, a ser apurada pelo órgâo censório
cor.npctente, olr mcsno sua responsabílidadc pencrl, quando Íbr o caso.
Os poderes d. juiz no processo, que melhor se qualiÍicam co'uo
pocleres-deveres, são condensados na distinção entre os poderes relacio-
nados corn a condução e direçào do processo (atividades-rneio) e o poder -*' 56. o impedimento e a suspeição do juiz
de decisão (atividade-Íim).
Com vista a assegurar a lisura do juiz no exercício da jLrrisdição,
No processo ou Íàse de conhecimento os poderes cre corrdução e cli- ou a slra imparcialidude, alei processual enllÍnera situações em que ele
reção exercem-se rlediante atos de irrrpulso processual, de inioiativas ao dcvc alàstar-sc por iniciativa própria ou será aÍàstado pelo tribr"rr-ral com-
longo do procedimcnto (irrclusive rniciativa probatória, se Íirr o caso), de petente, por iniciativa de uma das parÍes - tais são, segundo r.rm linguajar
comando dos rur.r.ros deste c sancanrento de eventuais irregulariclacles e1c.. corrente, o clcver cle uh.sÍenção por pafte do juiz c o tlireiÍo de recusa,
Esse e o signiÍicado do art. 139 do código de proccsso civil ao clispor
outorgado pela lei às paftes.
que "o juiz dirigirá o proccsso conÍbrrre as disposições dcste cticligo".
Todas as hipóteses descritas pelo Código de Processo Civil (arts.
o ato-fim que o juiz tc'r'r <t claver de praticar no processo.u ràse 144-145) têm em comum a existência de algum envolvitnenlo do jui:
de conhecimento e o julganrcnto cla causa mediante un.ra sentença de com algunra das partes ou com a própria causa, o quc desaconselha sua
rnérito, sempre que preseutcs os requisitos para tanto e o Clódigo de permanência no processo. A lei as distingue em casos de impedimento
Processo civil estabelece que "o juiz não se exime de deciciir sob a e casos de suspeição do juiz, sendo aqueles suscetíveis de verificação
alegação de lacnna ou obscuridade do ordenarnentojurídico" (ar1. 140). objetiva, e estes de conotação mais subjetiva.
Essa exigência ou esse veto ao non liqueÍ liga-se inclusive à gara,tia
As causas de impedimento do juiz, enumeradas no art. 144 do Có-
constitucional da rnaÍastabiliclac'le do controle jurisdicional (const., art.
digo de Proccsso Civil, corrduzern a uma severa proibição de atuar no
5a, inc. XXXV - supra, n. 2tl).
processo, porque revclarn envolvimentos mais proÍundos e cornprome-
No quadro dos dcvcrcs do.juiz, o art. 139 do Cócligo clc proccsso tcdores da capaciclade de ser irnparcial. Por isso, eventual irnpedimento
civil inclui o de a assegu'a'iis partcs igualclacle de trata,rento (inc. I), do juiz pode ser alegado a clualquer tempo, e se urra sentença vier a ser
o de velar pela cluração raz.irvcl d. proccss<l (inc. III), o dc prcvonir proferida por juiz irnpedido, e apesar disso passar errr julgado, lresmo
oLr leprimir qualcluer ato contrhrio ii dignidacle da.justiça (inc. lll). o rrssim corrtinr-rará sujeita a desconstituição pela via da aç'ão rescisórict
dc doterrninar as rrcdidas ncccsshrias para assL-gurar o cunrprirucnt. (art. 966, inc. II) o que não acontece em casos de mera suspeição.
de ordem judicial (inc. IV), o clc prom.ver a autocomposição entrc as
partes (inc. v) elc. Dove ai,da julgar preíere.rcialmente as causas postas
A primeira das causas de irnpedirnento, e a mais grave entre todas,
sob sua responsabilidade de acordo c.m a ordem cronológica, a paltir corrsiste no Íàto de o próprio juizser parte na caLtsa (arl. 144, inc. IV). E
do momento em que estiverern crn condições cle julgarnento o.juiz se considera impedido, ou seja, proibido de participar do processo
1art. lZ;.
Tern o juiz o poder de exigir/r,rllttulitltrtlr, aos auxiliares da Justiça mas c proferir decisões, também na hipótese de haver atuado nesse mesrno
tarrbém o deyet.de ser ele próprio pontual (art. 226), podendo qualqucr l)rocesso como mandatário de uma das paftes, como promotor de jus-
clas parles representar aos tirgtios corrpetentes "contra.iuiz ou relàtorilue liça ou mesulo como.juiz crn outro grau de jurisdição, tendo proÍ'erido
injustiÍicadamente excecler os prazos prcvistos cm lei, regulamento ou tlccisão @rt. 144, incs. I-ll), rra de ser cônjuge, parente ou c«lrparrheiro
rcsintento interno" (art. 23-5).
tlc rlrlcm no proccsso cstcja na conclição de advogado, deÍ'ensor público
orr plor.notor de jLrstiça (inc. lll), na de ser parente próximo de unra das
o art. 143 do código de Proccsso civir estabelece tambenr a rc,r- prrltcs, ser cônjr,rge de urna delas or-r corr ela conviver em regirne de
pnsabiliclade <'ivil e regres,sitct clo.iLriz por certos atos ou omissões,
rrrriill cstável (inc. IV), na de ser sócio ou rnembro de direção ou cle
102 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL JURISDIÇÃO r03

O art. 129 da Constituição Federal enuncia as./unções institucionais dos diversos Estados, e em alguns lugares pelo Ministerio Público ou
do Ministério Público. Na área da jurisdição civil a rnais destacada entre por certas entidades privadas, como o Depaftar.nento .lurídico do Centro
elas é a legitimidade ativa para a ação civil ptiblica enclereçada à tutela Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo.
do patrimônio púhlico e social, do meio ambiente e de outros direitos Visando a institucionalizar sisternaticarnente tal Íünção em todo o
difusos e coleÍivos (art.l29, inc. III - infra,n.92). A Constituição Fe- país e dar-lhe dignidade especial, a Constituição Federal de 1988 incluiu
deral legitima ainda o Ministerio Público, no campo cível, a promover as Det'ensorias Públicas entre os organismos que exercem funções es-
judicialmente o respeito dos entes estatais aos direitos constitucional- senciais à justiça e atribuiu-lhes os encargos naturais a entidades dessa
mente assegurados (art. 129, inc. II), a ter a iniciativa da ação direta de ordem, ou seja, os de orientação e defesa gratuita dos necessitados pe-
inconstitucionalidade, da ação declaratória de constitucionalidade ou rante órgãosjudiciários de todos os graus dejurisdição (Const., art. 134).
da representação para fins interventivos (art. 129, inç. IV - v. tarnbém A emenda constitucional n. 80, de 4 de junho de2014, alterou a redação
art. 103, inc. VI - infra, n. 94) e a promover a proteção às populações do art. 134 da Constituição para deixar clara a legitimidade das Defenso-
indígenas (art. 129, inc. V). Ao enunciar tais fur,ções instituoionais a rias Públicas para postular direitos coletivos dos necessiÍados, seu dever
Constituição Federal apenas esboçou o quadro geral dzrs hipóteses do de prestar assistência jurídica no âmbito extrajudicial e enaltecer sua
interesse público cr"rjo zelo lhe qLris confiar. As disposições especíÍicas relevância para o regime democrático e a defesa dos direitos humanos.
contidas nos diversos ir.rcisos constituem mera exemplificação, porclue
o próprio art. 129 estabelece urna norma de encerramento mediante a Há urna Íbrte tendência a atribuir às Defensorias Públicas a legiti-
qual põem a cargo do Ministério Público outras funções que lhe Íbrerr midade para a deÍbsa de interesses coletivos mesmo quando não se trate
de benei'iciários necessitados, ou seja, carentes de recursos para sua pró-
conferidas, desde que cornpatívei,s cont stta Jinalidade (inc. IX). Abre,
pria defesa em juízo. Esse pensamento, no entanto, não é fiel à própria
com isso, caminho para que a lei conltra ao Ministério Público outras
justificativa política da implantação das Defensorias, que é o empenho
funções que, sendo endereçadas ao zelo do interesse público primário,
em igualar os desiguais, nem ao próprio art.134 da Constituição Fede-
não contrariern os objetivos da Instituição. ral, que em sua redação atual diz ser sua função "a orientação jurídica,
a promoção dos direitos hurnanos e a defesa, em todos os graus,judicial
O interesse público cr,rjo zelo a Constituição atribui ao Ministério e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de furma integral e
Púrblico não é o interesse do Estado ou de qualquer pessoa jurídioa de gratr.rita, aos necessitados". Não é legítimo ler o art. 134 sem ler essas
direito público. cujo patrocínio a própria Constituição lhe ploíbc (art. últimas palavras.
129, inc. IX). O intcressc púrblico clue lhc cunrpre tutelar e o intercssc
público primario, ou seja, o intcrcsse da sociedade em si uresnta, ou Há Defensorias Públicas atuando no âmbito da União, dos Esta-
do Estadopro populo,e não clo EstadoTrru domo sua. E uma clistorção tlos e do Distrito Federal; e uma lei complementar federal "organiza
institucional a deíàsa dos intcresscs patrimoniais dos cofres do llstado ru Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e
pelo Ministério Público, e Íbi por ter consciência dessa distinção que o
prescreve normas gerais para sua organização nos Estados" (lei compl.
Código de Processo Civil cstabeleceu que "a participação da Fazenda
n.80, de l2.l .94). Os membros de todas as Defensorias são integrados
Púrblica não configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério
urrr carreiras, com acesso mediante concurso público de provas e títulos,
Púrblico" (aft. 178, par.).
gozando da garantia da inarnovibilidade e ficando proibidos de exercer
ru atlvocacia fbra das atribuições institucionais (Const., ar1. 134, § la).

À 62. as Defensorius Pírblicas

Até à vigência da atual Constituição Federal o pouquíssimo que o § 4q. coMeerÊNcr.L


E,stado Íàzia em cumprimento da promessa constitncional de assislên-
cict judiciária restringia-se praticanrente à dispensa de custas e taxas
rf (t.i. competência - conceito e espécies
judiciárias, sendo insuÍlciente a oí'erta de serviços de patrocínio judicial ()ompetência é a quantidade de jurisdição cujo exercício a lei ou
gratuito. Esses serviços vinham sendo prestados pelas procuradorias rr ('onstituição atribui tr um órgão jurisdicional
- ou, colrlo se costuma
ruRISDIÇÃO los
CNIL
104 TEORIAGERALDONOVO PROCESSO

Federal ou Superior Tribunal de Justiça). Nas demais são temas inerentes


dizer, ela é a medida da jurisdição' Assumido que esta' como expressão à competência de jurisdição, à competência de foro, à competência de
quanto este' vê-se que somente
do poder estatal, é una á tão indivisível jtízo e à competência recursal.
á- ràu n*"r"írio é distribuído, e não ela
própria. Cada jttiz, de qualquer
o Poder Judi- Acompetência deiurisdição consiste na distribuição de causas en-
** "* qualquer das variadas Justiças à" q"" se compõe
qte os demais juízes do país tre as diversas Justiças que integram o Poder Judiciário do país, a saber:
ciário brasileiro, exerce a mesmaiurisdição Justiças dos Estados, Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Justiça
exercem,masofàznocampolimitadodadiitribuiçãodeseuexercício'a Federal, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e Justiça Militar. Essa
*, ..1u, nos limites dus caúas, incidentes ou recursos que the atribui distribuição é feita ordinariamente pela própria constituição Federal, a
Constituição Federal ou a lei' qual fixa a competência da Justiça Federal (art. 109) e das outras Justiças
o exercício da
Em cada país a distribuição da competêncíapara da União, recebendo as Justiças Estaduais uma competência residual,
geral e inafastável'
n nçío jurisdiúonal leva em conta, como premissa ou seja, para as causas não dedicadas pela Constituição a qualquer outra
Magistratura' No Brasil'
o modo como se estruturam os órgãos de iua delas (Const., art.25, § 1o).
emqueaConstituiçãoinstituiváriasJustiçasdiferentesereciprocamen-a
que não pertencem
te úônomas, sobreponclo a todas dois tribunais A rigor seria inadequado falar em competência de iurisdição, por-
em órgãos inferiores
nenhuma delas (o Stf' e o STJ) e estruturando-as que ou determinado tema diz respeito à jurisdição ou à competência' Por
que se distribuem as
ã ígao, superiores, é sobre esse pano de fundo falta de uma linguagem mais precisa, todavia, essa locução está consa-
causas de toda natueza. grada e não há por que buscar outra. Tenha-se presente, no entanto, que a
Para a determinação da competência
para dada causa ou recurso falta de competência de jurisdição para determinada causa não significa
de concretização da iuris- jurisdição.
é necessário percorrer toda uma Caminhada falta de
e genérico em.que se
aiçào,purtinào do plano extremamente abstrato
chegar ao conhecimento de foro, ou competên cia teruitorial, resolve-se na
situa esta e percorrendo diversas etapas até A competência
competente para deter- da competência em todo o território nacional, ou
ã" qr"f juiz ou qual órgão será concretamente distribuição geográfica
recurso' Colocam-se nesse iter diversos seja, distribuição entre os milhares de foros existentes no Brasil. Os fo-
minàdu Lurrru oo deterriinado
seguintes indagações de caráter bem ros das Justiças Estaduais chamam-se comarc\S, e os da Justiça Federal
problemas, que se expressam nas
prático: subseções. Em cada Estado existem inúmeros foros, ou comarcas, e em
a) É competenÍe o Supremo Tribunal Federal'
o Superior Tribunal cada Região da Justiça Federal uma pluralidade de subseções.
no pais?
de Justiça or, álgrr-u das Justiças existentes A competência de iuízo consiste na atribuição da competência, no
b) Não sendo competente o Suplemg Tribunal
Federal nem o Supe- seio de determinado foro, aos diversos órgãos jurisdicionais diferencia-
rior Tíibunal de Justiça, qual dessas Justiças será
competente? dos entre si ali porventura existentes - ou seja, a cadaum de seus juízos.
será de um órgão Há comarcas com juízos diferentes entre si (varas criminais, varas cíveis,
c) No seio da Justiça competente, a competência
varas da família e sucessões, varas da Fazenda Pública etc.) e também
inferior ou de um superior (tribunal)?
judiciário situado em qual lugar' ou há em muitas delas uma pluralidade de juízos da mesma competência -
d) A competência será do órgão
uma quantidade de varas cíveis ou de varas fazendatias etc. So se chega
em qualforo? à indagação sobre qual o juízo competente quando já se coúece o foro
e) No seio do foro competente, a qual iuízo caberá a competência'
competente paradadacausa, porque, como é óbvio, a causa que não per-
ou a órgãos de qual esPécie? tcnce a dado foro não pode ser ali distribuída entre seus diversosjuízos.
para eventual recurso intetposto
0 Qual será o órgão competente Acompetência recursal é a cornpetência de algum tribunal (órgão
nessa causa? superior da jurisdição). Ela é facilmente determinada pelo fato de uma
eventual compe-
Na primeira dessas indagações reside o tema da dada causa tramitar ou ter tramitado perante um órgão de primeiro grau
tência originária de,- duq"ãlós órgãos superiores (Supremo Tribunal

I.
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL ruRÍsDrÇÃo

indenização por danos decorrentes de acidente de veículos, para a qual


conflitos de competência entre juízes do Estado), como também (b) para
certas iniciativas envolvendo autoridades estatais de nível elevado é competente "o foro de domicílio do autor ou do local do Íàto" (ar1.
(como o mandado de segurança contra ato do Governador do Estado ou 53, inc. V). Há também um concurso eletivo de Íbros quando houver
na causa dois ou mais réus com domicílios em lugares diferentes: se a
do Prefeito da Capital etc.).Pafie dessa competência originária é ditada
causa não Íbr da competência de nenhum foro especial, devendo pois
pelas Constituições Estaduais.
prevalecer o comum (domicílio do réu), o autor optará livremente pelo
foro do domicílio de qualquer dos réus (art.46, § la). Haverá tambérn
68. competência territorial ou de foro um soncurso eletivo de fbros sempre que haja uma dupla incidência de
regras sobre a competência territorial, como no caso de obrigações a
A competência territorial é a que recebe do direito positivo uma
serem cumpridas indiferentemente em dois ou mais lugares ou de da-
disciplina mais detalhada. O primeiro dos critérios tradicionalmente aca-
nos que transcendam os limites de dois ou mais fbros. De modo muito
tados nos estatutos de direito processual civil leva em conta uma especial
circunstância relativa a uma das partes, a saber, o domicílio do deman- específico o Código de Processo Civil estabelece um concurso de foros
clatto (CPC, art. 46 - "a açáo fundada em direito pessoal ou em direito com relação às demandas envolvendo direitos reais sobre imóveis ao
real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do estabelecer que se o imóvel se achar situado em rnais cle uma comar-
reu"). Ser em regra competente signiÍica que esse foro é o que se chama ca ou subseção judiciária o autor moverá sua demanda no foro de sua
estabeleça para preferência, e a competência deste "estender-se-á sobre a totalidade do
.frtro comum, destinado a prevalecer sempre que a lei não
o caso algum foro especial. imóvel" (CPC. art. 60).
Há no código de Processo civil uma diversidade muito significa-
tiva de foros especiais, os quais se aplicam especificamente às causas 70. .foros subsiclidrios
ali indicadas, e com relação a estas prevalecem sobre o foro comum - e
Consideram-se subsidiários os foros que serão competentes quando
isso constitui uma aplicação da conhecida máxima lex specialis derogaÍ
não Íbr possível determinar o foro principal - quer seja esse o foro co-
lege generale. São Í-oros especiais, p. ex., (a) o do lugar em que se situa o
mum, quer algum especictt. É o caso do disposto no aft. 46, § 2o, do Có-
imóvelem disputa quando a causa tiver fundamento em direito real,res-
digo de Processo Civil, segundo o qual, "sendo incerto ou desconhecido
I salvadas as exceções ditadas pelo próprio Código (CPC' ar1. 47 - /brum
o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no
rei site), (b) o foro onde a obrigação deveria ter sido cumprida para as
Í'oro de domicílio do autor" (foros subsidiários do comum). Tem também
demandas propostas para obter seu cumprimenÍo (forum destinatce so-
: Itttionis - ar1. 53, inc. III, lettad), (c) o foro do lugar do ato ou fato para
esse significado o par. do ar1. 48 desse Código quando estabelece que "se
o autor da herança não possuía domicílio cerlo" será competente para o
a ação de reparação de dano (forum delicti art. 53, inc. IV), (d) o foro
inventário o foro da situação dos bens imóveis deixados pelo falecido
de domicílio ou residência do alimentando para a ação em que se pedem
ou outros que os incisos desse parágrafo indicam. Esses foros são sub-
alimentos (art. 53, inc. II), (e) "o lbro da residência do idoso, para a cau-
sidiários do "foro de domicílio do autor da herança, no Brasil" (art. 48,
sa que verse sobre direito previsto no respectivo Estatuto" (art' 53, inc'
t'uput), do qual em regra é a competência para os inventários.
lll, letra e) elc., etc., etc. (são nT uitas as outras hipóteses consideradas e
regidas pelo Código de Processo Civil).
71. moditicuções da competência
- competência ubsoluÍu e relutiva
69. concurso eletivo deJbros
Há tambem na disciplina da competência territorial casos em que Nem todas as competências são estabelecidas em lei de modo infle-
xível, imutável. Há casos em que algumas delas, em ceftas circunstân-
a lei of-erece ao autor dois ou mais foros igualmente competentes, para
t'irrs, podem ser modificadas ou, como se diz, proruogodas. O fenômeno
que este, segundo seu interesse e sua própria decisão, escolha o que mais
lhe convier. São os/oros concoffentes, como no caso de ação visando à
dt ltrorrogaçtio da compeÍênciq consiste em atribuir uma dada causa a
JURISDIÇÀO 1I3
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

quando presente Diante dessa graduação entre as causas de modificação, é lícito falar em
um órgão que de início seria incompetente mas, 3lg1ma uma relatividade da relatividade da competência.
deixando de sê-lo
dessas circunstâncias, poderá tornar-se competente'
Alarga-
que antes detin^ha a competência' Prorrogar é aLargar' É do entendimento geral que em princípio tambem pode ser prorro-
para
"qrr"l.
-.L u da competência ordinariamente atribuída a um órgão,
gada a competência quando o autor optapeloforo do domicílio do réu,
"rf".u
ali inserir uma causa ordinariamente não incluída' Isso
quer dizer que
áesprezando a competência decorrente de cláusrila de eleição de Íbro.
modiÍicação
ao lado das competências absolul'l'§, que não comportam Essà orientação legitima-se pela circu.stância de que, ao ir ao loro do
suscetíveis de modificação' Aquelas são regidas adversário, o autor está oferecenclo a este uma vantagem maior ou uma
alguma, há as relativas,
estas por noÍrnas di'spositivas' Apro- maior comodidade para exercer seu direito de defesa.
fo'. no*r, jurídicas cogentes, e para distinguir entre as
ximadamentl o critério ãdotudo pelo legislador
lompetências suscetíveis e as não suscetíveis de
prorrogaçáo-é o do inte- Toclas essas causas de modificação só podem incidir sobre as com-
,"rrà públiro. Quando uma competência é estabelecida na Constituição petências relaÍivas, como tais indicadas na lei. As absolutas, justamente
cerlas conveniências do próprio Estado ou porqo" absoluÍas, não comportam modificação alguma, ainda quando
ou na-lei em contemplação de
ào exercício dalurisdição pelo juiz ela e absoluta' Sáo relqtivas estabelecidas no plano infraconstitucional.
"o...to beneficio de uma das partes ou em
às competências estabelecidas em É absoluta a "competência determinada em ruzáo da matéria, da
sua (p. ex., a competência do foro do
atendimento a uma Çonveniência pessoa ou da função", a qual, segundo dispõe o art. 62 do Código de Pro-
As causas de modiÍicação da compe-
domicílio do réu - CPC, art. 46i)' cesso Civil, "é inderrogável por convenção das paftes". Na realidade, a
tência estão estabelecidas na lei, especialmente
no Código de Processo
competência por matéria, pessoa ou Íunção não se prorroga em situação
que a competência venha a ser
Ciuit, o qual em alguns casos permite alguma, ou seja, nem pela eleição de foro, nem pela omissão do réu nem
também pela vontacle das partes ou de uma delas'
modificaàa sequer pela conexidade ou continência. Essa conclusão também se infere
oprimeiroemaissólidoblocodascompetênciasabsolutaserepre- mediante uma intetpreÍaçào a contrario sensu do disposto no afi' 54 do
sentado por aquelas resultantes das disposições
com que a ConsÍituição código de Processo civil, segundo o qual "a competência relaÍiva pode-
originária ou recursal do Supremo rá n-rodiÍlcar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto
Federal esÍabelece a competência
ou a competência de cada nesta SeÇão,'- porque ao dizer somente que a competência relativa se
Tribunal Federal e dos Tritunais Superiores
Judiciário brasileiro (arts. 102, prorroga por conexidade ou continência o legislador deixou clara a in-
uma das Justiças integrantes do Poáer
em conveniências políticas do
iol, roq erc;. saodisposições calcadas não
tenção de não querer que também a absoluta se prorrogue'
de suas instituições' que o constituinte
prOp.io Estaáo brasileiro ou No sistema do Código de Processo Civil é relativa, em prirneiro
legislador
qu"i d.i^u. ao sabor da vontade das parles ou das opções do lugar, a competência de foro, ou íerritorial, que se considera vulnerável
não oferece abefiura alguma
infraconstitucional. A própria Constituição a qualquer daquelas três causas de modificação da competência - mas
e também não consente que o
para a modiÍicação dessas competências mesmo entre as competências territoriais em princípio lu-
é absoluta a do
viria contra o severo prin-
i"glrfua* venhá a flexibilizá-la', potqu" isso
gar de situação da coisa para as demandas fundadas em direito real sobre
cípio da supremacia da Consíituição' imóvel (forum rei sitceart.41). E, também é relativa a competência por
de.pror-
No plano infraconstitucional são três as possíveis causas valor, como resulta daqueles dispositivos do Código de Processo Civil.
pelo Código de Processo Civ.il: a) a
rogação àa competência, indicadas Pelo aspecto operacional do processo, por dois aspectos se mani-
entre duas ou mais demandas (in-
."iuçào de conexidade ou continência lcsta a diferença entre a competência absoluta e a reiativa. Ambas se
alegar em sua contestação a incom-
ir,'n 121), (b) a omissão do réu em o qual o autor ajuizou sua demanda
'f"íCr"iu alegam na contestação (cPC, art.33J , inc. II) mas somente a relativa de-
dí Àrgao judiciário perante pcnde estritamente dessa alegação nesse lugar e nesse momento, porque
a de maior poder modifrcador
ã i") u eleiçãoãe ioro. Entre essas causas? rrão sendo feito isso a competência se proroga (CPC, ar1. 65)' Ao juiz
e a conexidade ou a continência (cPc, art. 54), e a de menor poder ó a
c vedado conhecer de oficio da incompetência relativa (CPC, art' 331 ,
eleiçãorleforo(art.63).Emsituaçãointermediáriaestáocasodeomis- r\ 5a - Súmula n. 35-STJ), mas a incompetência absoluta, ao contrário,
são clo ,"i opottunamente a incompetência do juiz (art' 65)'
"-alegar

_ _-
114 TEORIAGERAIDONOVO PROCESSO CTVIL

preclusão
(a) pode e deve ser declarada de oficio e (b) não fica sujeita a
àiÁi*;, sendo lícito à parte alegá-la e ao juiz declatâ-la "em qualquer
teápo e grau de jurisdição" (art. 64, § 1o)'

# 72. prevenção

Prevenção é um critério de fixação da competência de


um entre
ter com-
CAPÍTULO IV
dois foros ou juízos igualmente competentes pelo qual passa a
AÇÃO E DEFESA
petência somente um áeles, excluindo-se os demais' Pre venire
significa
qntes, ejuiz prevento é aquele que por primeiro tiver tomado
"h"go, com a Causa ou com uma causa conexa a uma outra que venha a
cgntat6
de Processo Civil' 73. direito de ução - conceito
ser proposta depois. Como dispõe o art' 59 do Código
*o ,.girt o or, á dirt ibrição da petição inicial toma prevento o juízo"' e - a evolução histórica du teori'a da ução
não só pata a
isso slgnifica que esse juízo ou esse foro será competente Segrrndo o entendimento preponderante nos países de cultura pro-
a ser
ã ele disiribuíd a e paratodos os incidentes que nela venham cessual romano-gerÍn àníca, e especialmente no Brasil, a açáo é o direito
"uuru conexas a
instaurados (tr;revenção originária), mas também para outras' a obter do Estado-juiz um pronunciamento a respeito de uma pretensão
ela, que veúãm a ser propostas depois
(prevenção expansiva - CPC' art'
trazida a juizo (decisão de mérito), independentemente de esse pronun-
S8). ôom o registro ou distribuição da primeira causa chega-se à estabili-
ciamento ser favorável ou desfavorável àquele que o tiver pedido. Tal
daâe da compótência do primeiro juiz, consistente na chamadaperpetua-
é a teoria abstrata da ação, que surgiu na Alemanha e na Austria na
da competênciaestaLelecida n o art' 43 do Código de Processo Civil'
ção segunda metade do século XIX e sucedeu a teoria imanentista e a teoria
da ação como direito concreto (supra, n. 4).
O Código de Processo Civil brasileiro consagra a teoria abstrata da
ação, mas na formulação resultante de sua retificação, proposta por En-
rico Tullio Liebman em famosa aula inaugural proferida na universidade
de Turim no ano de 1949, quando combateu os exageros a que sua for-
mulação radical conduzia. Disse o Mestre que, embora a açáo prescinda
da existência do direito subjetivo material sustentado pelo autor - sendo
por isso abstrata -, sua existência depende do modo como em cada caso
õoncreto o direito à sentença de mérito se relaciona com a ordem jurí-
dica material e com a situação em que o autor se encontra em relação à
sua pretensão. Foi dada éntão muita ênfase às condições da ação como
requisitos para que, em cada situação concretamente considerada, o au-
tor tenha direito ao pronunciamento jurisdicional de mérito'

Em resumo.Na teoria de Liebman, que o Código de Processo Civil


vigente adota, o direito de ação é direito a obter o pronunciamento do
juiz sobre uma pretensão, ou sobre o mérito, ainda quando o autor não
tenha ruzào no plano do direito material. Estando presentes as duas
condições daaçáo (interesse de agir e legitimidade) o juiz pionuncia sim
I 16 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
AÇÃOEDEFESA II7

uma sentença de mérito mas julga a causa contrariamente aos interesses apenas o interesse de agir e a legitimidade ad causam (arts' 17, 330,
do autor (improcedência da demanda). Quando uma das condições faltar incs. II elIl,337, inc. IX , e 485, inc. VI).
o juiz nega-se a julgar a pretensão do autor, porque nesse caso ele não
terá o direito de ação. O interesse de agir e a legitimidade ad causam Em fase ulterior de sua produção o próprio Liebman veio a re-
incluem-se entre os pressupostos de admissibilidade do julgamento do pudiar a categoria jurídico-processual da possibilidade jurídica como
mérito (ínfra, n. 126). Segundo eslá no art. 485, inc. VI, do Código de condição da açáo no momento em que a legislação de seu país instituiu
Processo Civil, "o juiz não resolverá o mérito quando ('..) verificar a o divórcio - o pedido de dissolução do vínculo conjugal era, na lição do
ausência de legitimidade ou de interesse processual". Mestre, o principal exemplo ilustrativo da carência de ação por falta de
possibilidade j urídica.

Assim concebido, o direito de ação é mais que o mero direito de


O interesse de agir é o núcleo do direito de ação' Está presente
demandar, que não passa do direito de ingressar em juízo com uma
quando o provimento jurisdicional postulado for capaz de efetivamente
pretensão qualquer, ainda que em falta de uma das condições da ação'
ser útil ao demandante, operando uma melhora em sua situação na vida
Nesse caso o autor não terá direito à sentença de mérito, ou direito de
comum - ou seja, quando for capaz de trazer-lhe uma verdadeira tutela,
ação, mas direito de comparecer em juízo ele terá (direito de demandar),
a tutela jurisdicional. Por isso, só se legitima o acesso ao processo e só
porque esse direito não depende de condição alguma e constitui um
é licito exigir do Estado o pronunciamento de mérito pedido na medida
àos aspectos da garantia constitucional da ação, contida no art' 54, inc'
em que ele possa ter essa utilidade e essa aptidão. Interesse, em direito'
XXXV, da Constituição Federal (supra, n. 28). Verificando a falta de
é utilidade.
uma das condições da ação, ou de ambas , o juiz indeferirá a petição ini-
Há dois fatores sistemáticos muito úteis para a aferição do inte-
cial (CPC, art. 330, incs. II-III), impedindo que o processo siga avante,
resse de agir, como indicadores de sua presença em casos concretos:
porque de antemãojá saberá que não será factível qualquer decisão sobre
a necessidade darealização do processo e a adequação do provimento
o meritum can$@ - mas ele não pode negar-se a se manifestar sobre essa
jurisdicional postulado.
petição, mesmo que seja para indeferi-la (e essa é uma inerência da ga-
rantia constitucional do direito de demandar). Só há o interesse-necessidade quando sem o processo e sem o
exercício dajurisdição o sujeito seria incapaz de obter o bem desejado.
Um exemplo muito expressivo de falta do interesse-necessidade é a
74. condições da ação - a carência de ação
propositura de demanda com o pedido de condenação do devedor quejá
As condições da ação constituem requisitos sem os quais o direiÍo houver posto o valor do débito à disposição do credor.
de ação inexiste em dado caso concreto. A teoria das condições da ação O interesse-adequação liga-se à existência de múltiplas espécies de
foi debatida nas últimas décadas à luz dos referidos conceitos lançados provimentos e tutelas instituídos pela legislação do país, cada um deles
por Enrico Tullio Liebm an (supra, n.73), que em sua formulação origi- integrando uma técnica e sendo destinado à solução de certas situações
nal de 1949 enunciou como condições da ação a possibilidade jurídica da vida indicadas pelo legislador (infra,n.79). Em princípio não é fran-
do pedido, o interesse de agir e a legitimidade ad causan. Essa fórmula queada ao demandante a escolha do provimento e portanto da espécie de
foi integralmente acolhida no sistema do código de Processo civil de tutela a receber. A título de exemplo, o credor que não dispuser de um
1973. documento qualificado pela lei como título execuÍivo (CPC, art. 784)
não pode propor execução por título extrajudicial para a satisfação de
Mas apossiá ilidadeiurídica do pedido sempre foi alvo de inúmeras
seu crédito (infra, n. 88). Deve propor demanda condenatória e, após
críticas, dada a dificuldade de ser traçada uma distinção precisa entre a
imposta a condenação pelojuiz, buscar a satisfação do crédito em sede
decisão que extingue o processo por impossibilidade jurídica do pedido
de cumprimento de sentença (infra, n. 80).
e a decisão de mérito que julga a demanda improcedente. Essas críticas
foram acolhidas pelo código de Processo civil vigente, que não fazmais A legitimidade ad causam é a qualidade para estar em juízo como
referência à possibilidadejurídica entre as condições da ação, referindo demandante ou demandado em relação a determinado conflito trazido
-Y

TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO eçÀooornose ll9


CIVL

ao exalre do juiz. Ela depende sempre de uma concreta relação entre o (lue leva em conta o compofiamento do autor, de modo que poderia este'
sujeiÍo e o cctuso e se traduz na relevância que o resultado desta virá a ,iissimulando na petição inicial a verdadeira situação de fato, transfor-
nrar uma questão preliminar em uma questão de mérito, como eÍI
ter sobre a esfera de direitos do autor, seja para favorecê-la ou para res- uma
tringi-la. Tem pofianto legitimidade ativa para uma causa o sujeito que da água em vinho. Na realidade, não basta que
,rilagrosa iransformação
em tese poderá vir a se beneficiar juridicamente dos efeitos da tutela ju- o demandante descreva formalmente uma situação em que aparente-
risdicional pleiteada; e tem legitirnidade passiva aquele que também em mente estejam presentes as condições da ação' Por falta de uma delas
julgamento do
tese poderá sofrer algum impacto desÍàvorável em sua esÍbrajurídica. em qualquer momento o processo deve ser extinto sem
mérito, quer o autor já haja descrito uma situação em que ela falte' quer
Em Íalta de uma das condições da ação ou de ambas (interesse e juiz a realidade.
necessidade) diz-se que o autor e carecedor de ctçãr, ou seja, que ele não dissimule a situação e só mais tarde a prova revele ao
tem o direito de ação em dado caso concreto. carecer signiÍica não ter.
E proposta uma ação popular e o autor aÍlrma na petição inicial
E, por não ter o autor direito de ação, o mérito da causa não poderá ser que constitui
ser cidaàão brasileiro no gozo de seus direitos políticos, o
julgado (cPC, 485, i,c. vl) e o processo será extinto sem ãsse julga-
ar1. presslrposto de sua legitimidade ad cdltsam (iníia, n' 93)' No curso
mento, mediante uma sentença que não sera de mérito mas terminaÍiva. àa instrução, o réu comprova que os direitos políticos do autor foram
cassados antes de o processo ter início. A legitimidade será af-erida
a

partir do que foi ahrmado na inicial pelo autor or'r por aquilo que restou
75. u teoria da asserção
comprovado nos autos? Como julgar o mérito se, contrarianrente
ao
inicial, o autor não estava no gozo de seus direitos políticos
afirmado na
E, frequente e muito forte na doutrina a defêsa da denomina
da teoria ao propor a dernanda?
da asserçã.o, reÍbrente às condições da ação. segundo seus seguidores,
O impetrante afirma na inicial do mandado cle segurança que se
estas deveriam ser aferidas in staru a,ssertionis, ou seja, a partir das
purruru,, á"rros de cento e vinte dias desde a data em que tomou ciência
alegações apresentadas pelo autor errr sua petição inicial. Em outras na
do ato impugnado - requisito para a existência do interesse-adequação
palavras: pela teoria da asserção Llma mesma materia seria apreciada impetração do mandamus (LMS, art' 23
* infra, n' 93)' Ao prestar suas
como condição da o.ção se o autor, por seu advogado, houvesse descrito informações, a autoridade coatora demonstra que o impetrante.tomou
pres-
uma situação que já à leitura da petição inicial se percebesse que carac- ciência áo ato mais de cento e vinte dias antes da impetração, tendo
por sua
terizaria a Íàlta de uma das condições da ação; mas essa mesma questão taclo informações falsas na inicial. o irrpetrante s(rrá beneÍ'iciado
má_fe na desôrição dos Íatos, com o julgamento do mérito do mandado
deixaria cle ser ur.na condição da ação e passaria a ser um motivo para
de segurança, ou o processo será extinto sem o
julgamento do mérito?
-iulgar improc:etlente a demanda se o autor tivesse tido a habilidade ae
dissi.mular os tàtos vcrdacJeiros, clescrevcnclo unra situação em que ele
teria o direito de ação, rrzrs clepois a prova clemonstrasse que as coisas 76. defesa
se passararn de n'rodo dif'erente do descrito. Daí levar essa linha de
O direito de defesa, ottius exceptlonls, consiste em um conjunto
de
pensarnento o nolre de teoria da asserção, uma vez que, segurrdo seus pretensão do autor.
façuldades oferecidas ao reu para opor resistência à
inúmeros seguidores, o criterio para aferir a caracterização ou não ca- direito
Embora seja esse direito um verdadeiro contraposto negativo do
racterização da Íàlta de uma das condições da ação consistiria no modo de direito processual civil
de ação, é uma constante nas obras clássicas
como o autor assevera os fatos em sua petição inicial. do processo (ao lado
a inilusão da ação entre os institutos funda,rentais
Bem analisada, porem, essa teoria sustenta urna arbitrária transf-rlr- àdeíêsa'Apesar de ser
dajurisdição e do processo), sem igual referência
mação de algo que de i,ício seria uma condição para julgar o mérito e igualitário das partes,
coirente a afirmação da necessidade de tratamento
a partir de determinado momento seria motivo para julgar a clemanda todo um
com a garantia de plena defesa ao demandado, dedica-se à ação
improcedente - com o jr-rlgarnento do mérito, pois. Na realidade, porém, trato sistemático, com amplo estudo de seu conceito, de suas classifica-
umtr condiçtio da ação e sempre uma condição cla ação, ou seja, requi_ mas à defesa não' A referência a
ções e a enunciação cle suas condições,
sito para a existência do direito de ação, sendo arbitrária essa distinção esta e na maioria das vezes restrita à menção, no trato do procedimento
;ro*-
DEFESA I2I
AÇÃO E
I20 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

I exame deste para pedir que a demanda


judicial, das modalidades de defesas passíveis de serem apresentadas de, em prosseguimento, passar ao
plena se conceda a ele e não
inicial seja rejeitada u i"iú;"isdicional
l

alegadas
l
p"io A"-u"aado e à classificação das matérias que podem ser " permitido que ele desenvolva
ao autor. Também na defesa ie
(improce- merito e
iia deÍêsa, de acordo com a potencial repercussão da alegação
l

I de modo que o acolhimento de um dos


do processo sem o julgamento do mérito' uma argumentação
r
dência da demanda, extinção "'culo"adu, do subsequente e assim suces-
l
moclificaçãodacompetência)oucomreferênciaàpossibilidadedea fundamentos prejudique o conhecimento chamado
da defesa' assim
l

ser conhecid'a ex oficio pelo julgador (exceções e objeções)' sivamente. Esse e o .l'ttÃu Ju eventualidode
fr.r,ao sucessivos só serão conhecidos se ocorrer o
lil
Não é usual, no entanto, o exame do direito de defesa em si
mesmo ou p"rqr" os fundamentos e 337)'
de uma análise siste- eventode o precedente-ler atàstado pelo juiz (CPC' arts' 336
I dt: suas proieções constitucionais' Essa ausência
da ciência
mirtica da clLfesa tem por resultado a persistência nos estudos aderente a essas ideias enu-
,l
já superadas no trato do direito de Em uma formulação bem didática e pode
fr.,""rruul cle icleias ultrapassadas,
merâm-se do seguinte modo os Íirndamentos de clef'esa que o réu
entre as
ação, alcmcle contcr cmsi uma inconstitucional discriminação a laltã de utna das condições da ação
,l ou de qualquer outro
fàcLrldadcs dcl autor c as do róu no processo' "i.g*,
pressuposto sem o qual o merito nào
possa ser 'iulgado (pressupostos
a
tem contudo o mérito); b) especiticamente'
O necessário paralelismo entre a ação e a deÍbsa não de admissibilidade clo julgamento do pelo autor;
condãodesuperarumadiÍêrençafundamentalentreessesdoisinstitutos. *1o-p.ten"iu ao j"i'
pátuite o clual a demanda Í'oi proposta
alegados por este na petição
ímediante o exercício da ação que o processo tem início' sendo
desde c) a não ocorência Ao' iutot constitutivos
pedido deduzido d) a inehcáciajuridica desses tatos'
oll seja' a ausência'de tln-
logo delimitado o seu objeto, o objeto do processo' O inicial;
peio autor deÍlne o matériat sobre o qual juiz e pafies desenvolverão damentos.tedireitosunCicntesparaaacolhidadapretensàodoau.tor
influentes sobre
delimitando com isso os efeitos externos com fundamento neles;"e) a ocorrência de/àt.os rovos'
iuas atividades processuais,
,iaoio âireito deste (Íatos impeditivos, modif,rcativos
incluídos no dispositivo da sentença' Com a defesa' a existência ou u
suscetíveis de seiem
simplesmente resiste ou extintivos - CPC, att' 326)'
apesar do destaque que lhe deve ser atribuído, o réu
veicula um pedido próprio' senão o
ao pedido do demandante. O réu não pela ordem processual leva
não implica Essa variedade de det-esas admissíveis
de rejeição do pedido do autoq e pofianto sua manifestação à" alt'""os modos' como a seguir se sintetiza'
processo (tnfra,n' 125)' a doutrina a classificá--l* am-
a ampliaçao do objeto do esse vocábr-rlo em sentido bastante
Todas elas sáo exceções' tomado
direito de defesa)'
Essafundamentaldistinçãoentreosinstitutosrepercutenadimen- plo(como em jus excep'ti'onis,que e o próprio
são dos órurs impostos às partes para que os
possíveis interesses de uma As de natureza proces-
O.autor Defesas de mérito otr defbsas processuctis'
ou de outra possâm ser reconhecidos no julgamento da causa' o julgamento do mérito da
causa' As de
de pedir que sual visam a impedir ou retaráar
tem o ônus de alegar na petição inicial todas as causas de mérito favorável ao réu'
as materias mérito, à obtenção a" '*u sentença
p..*nau ver aprecladas no julgamento' São porém poucas de merito são diretas ou
que pre"isum ser necessariamente alegadas em contestação
para serem Defesas diretas ou intliretas' As det-esas
negar os na-demanda
conlrecidaspelojulgador,admitindoaleiemdiversassituaçõesqueo indiretas, cont'orme consistam em -fatos.alegadosou em lnvocar
pleiteadas pelo autor
no
réu apresenà depoii o argumento omitido ou seu exame ex fficio inicial ou as consequênciasjurídicas
ou vida do direito deste (fatos
soú'" u
fatos novos,ir',tf'"'"'t"'
julgamento da causa (CPC, arls' 334, § 5q, e 342)' "*ittencia processuais
i,"0.ár|""t. *"àir,ài"os ou extintivos)' Toclas as delesas
No que se refere aos possívei s conteúdos da defesa' esta pode poi. a impedir ou retardar a decisão de mérito'
para que o merito são indiretas,
consistir na alegação de preiiminare§, ou seja, razões '"ã"'tinam qu" fundamentam o pedido do
com o próprio mérito' não a questionar diretamente os futo'
não possa ser júgado, ou de pontos relacionados
de mérito no segundo - e autor.
Defesa process'aàl no primeiio caso, e defesa estrito' Chamam-se objeções
o réu tem ampla liberàade para estruturar sua defesa segundo
as estra- Obieções ott exceções em senticlo
conhecidos pelo juiz indepen-
tégiasdesuaescolha.elícitocumularlogonacontestaçãotodasas os fundamentos suscetíveis de serem
como a prescrição' a decadência' a
d.lf"su, que tiver, ainda que relativamente contraditórias entre si.
o rc. dentemente de alegação pelo réu'
Sáo exceções em sen'
julgamento do mérito' sem prejuíztr ir"ã,rp.tên"iaabsõluta ou a carência de ação etc'
slrscita p'reliminares, opondo-se ao

l
122 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIt,

tido estrito as deÍbsas que só podem ser levadas em consiclct'il\'l(' 1,,I

juiz quando expressamente suscitadas pelo réu, colllo a itlct)tlt1" l' "' "
relativa e a preliminar de arbitragem (CPC, atl. 337, § 5tr, c/c lrl I I I

parte Íinal). As exceções em sentido estrito podem seÍ cle mLtrito t' r,l
nailreza prctcessual .

CAPÍTULO V
PROCESSO

E PRocBDIMENTo
§ lq. PRocESSo

e a relaçíio 'iurítlica prttcessual


'7. '-processo, procedimento
o de processo e o contraditório
"rnrnito
responúvel pcla coordenação do
Processo e o tnetoclo de trabalho da
i
peio juiz' da oção pelo autor e
,.xcrcício clas aíividacletir riti,rrrruris da dis-
trabaithoo processo compõe-sc
,lclasapelo reu. Como titeÍ:otclo de
i

i
lirlites do exercício desses pocleres ou
,i r,iplina dos trodos, 'lo*ntot e
garantia clo contraditório e à cláusula
tlculdades. clevendo tt;;;';;;;; à
,-ti,io prorn'r, tí lat't',ambas
de assento constitucional'
prees-
mediante um pror:edinlenÍo
O pocler estatal exerce-se sempre o procedirnento
cle'sse exercício e
tlbelecido, sob pena a" iúgtt'"iaade
quando Íor.realizado cm conÍradiíorio
e
caracteriza-se coillo p*r,:ítt" sujeitos'
tà-cr'rldades e ôntts aos seus
com a outorgu a" poa"L'' á;';;;t'
rrrr seja, com a presença c1e
utna relt4:ào jttt'íclico proc'essuctl'
exercício do poder' A lei
O procedirnento resguarda alegcrliclatleno
processo' sutr sequência'.sett encadea]len-
traça o modelo dos atoúo
do poder e of-erecendo a todos
to. clisciplinanao to*'i"'* o t*""í"io
a ser realizadcl etn concreto terá
a garantia de que cada proccclimelrto
[ss. sig.ifica que, se, de
contbn,idade corrr o #à;;;""rrabelecitl0. legitirnante do exercício
é Íàtor
um lado. a observânci;'il;il"átÀento do moclo como a lei
legitirnidaãe
do poder, por outro, ";;;ff;;ebe proceiirnenlo condicione ou linrite
o disciplina. E 11'"d"';;;;; ;t"-"

r",i, u p crrr c i1 ) o ç ã o
i t*
oexercícioclopoders"gu'"ttloasgarantiasconstitucionaisel'avoreçaa
ü; * :
; t::::
:
^1::i,::i""ff1::",ffi
garantta con ;rffiT;
cipação é o n[tcleo essencial da
"
da democracia' o proces-
(supra,n. 33) e const;;i-;;stutaão t'l:f?:lil"' legí-
parlicipatrvo, Sob pena de não ser
so em si mesmo dcve ser selnpre
12s
PROCESSO
121 fEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

quais não podiam ser livremente


na definição dos procedimentos, os
tirro. É essa a razão para se concluir q\e processo e todo procedimento vontade destas' ainda
escolhidos pelas partes nem alterados por atos de
re u I i zado e m co ntrad itório.
quando de acordo.
A ideia de processo como procedimento em contraditório não deve pela implantação de
no entanto provocar o total abandono da teoria que a precedeu, que cons-
O Código de Processo Civil vigente optou às pafies'
do juiz ou permitidas.
trói o conceito de processo com a inclusão darelaçãojurídica prctcessual certas possibilidades, postas a cargo
como um de seus elementos essenciais (supra, n. 4). Dizer apenas que os dealteraremcasosconcretosasregrasproceclimentaiscontidasnalei'
princípro da
Jdtlá' próprias' Tal é o
sujeitos precisamparticipar, ou ao menos ter oportunidade de fazê-lo, é segundo as conveniên.lát ao "u'o décadas e
muitas
pennanecer no limiar do sistema processual, sem penetrar na sua dog- ,irirrt itiarde, alviÍtado na ciência do processo há
jamais fora adotado expres-
;;;ili;,;;a do direito positivo deste país
mática e nas tecnicas de que ele se vale. A efetivação do contraditório no
procedirncnto clá-se pela outorga de situações jurídicas aos litigantes: si- samente Pela lei.
e alterar
iuações .jLrríclicas rrli uas, cprc lhes pcrmitem atos de combate na defbsa dos Oiuizlem,p' ex', o poder de "dilatar os prazos processuais
de prova' adequando-os às-necessidades
scus interesscs (lhcLrliladcs or-r pocleres), e situações jurídicas passivas, a ordem de produção aÀ' m"ios
que lhes exigcrl a realização cle atos ou ir.npõer.t-t abstenções ou sujeição à do conflito «le modo maior efetiviOudt a tutela do direito"
' "onf*it a lei o auÍoriza também a
eflcácia cle atos alheios (deveres ou ônus). o conjunto dessas situaçõesju- (CPC, ar1. 139, inc. VI)' Especificamente'
a prova clocumental produzida'
rídicas processuais ativas e passivas (poderes, faculdades, deveres, ônus, "dilatar o prazo puru .uoift'iação sobre
e a cornplexidade da documenta-
sujeição) traduz-se eÍl um complexo e dinâmico vínculo entre os sujeitos levando em sonsideração a quantidade
do processo, definido como relaçãojurídica processual. Vê-se, pois, que ção" (art.437, § 2o).
definir o processo mediante associação do procedimento ao contraditóritl o ar1' 190 do Código de
Às partes,quando plenamente capaze3' para
ou inserir em seu conceito a relação jurídica processual são apenas dois p.o."r.á Civil permite que estipulem "mudanças no procedimento
modos diferentes de ver a mesma realidade. são perspectivas diferentes (art' 190)' autorizando-as tam-
;j*"i; às espàciÍiciduá"' du causa" etc' parlicipação do juiz' a ftxarem
que não distorcem essa realidade nem se excluem reciprocamente, antes acordo e com a
bém, quando de comum
se complementam - vmaperspectiva política representada pela exigência prática àos atos processuais (art' 191)'
üm celendario rirrutoii'opara a
do contraditório e uma perspectiva técnico-processual na qual se revelam
calni-
aquelas posições jurídicas ativas e passivas. Essas sào aberlttrasnruito lcgítimas para a busca tle lnelhores
à realidade' sem prejuízo
nhos para alcançar J"li'ot' iutt" e
aderentes
A síntese desse conjunto de posições consiste no binômio autorida- pro-
jurídica que do procedimento se destina a
a legalidade
tle-sujeição, entendendo-se qLre a auÍoridade exercida pelo Estado-juiz à segurança
uma ampla utilização pelas
no processo mediante o exercício do poder estatal tem por contraposto piciar, mas nu prati"u'utuul não " identifica
Para tanto seria indispensável
negativo a,sujeição clas partes a ele .conceituada esta como a impossibi- pades desses mecanistnos inovadores'
g'i'-'i' culttl'al não só dos advogados mas tarnbém
lidade de evitar os eÍbitos dos atos daquele que exerce a autoridade. Essa uma improváv
"l que neste país não são propensos a dialogar
conl
colocação constitui rcpúdio à velha teoria do processo como contrato, do, ,u1.ito. em liiígio,
os adversários.
banida há muito da ciência processual.
e ao da possível
MuÍalis mutandi.s, essa trama de situações jurídicas e passivas en- Tema correlato ao da rigidez dos procedirnentos éo
das situações concretas
volve tambén.r o árbitro e não somente o juiz, dado que também aquele adaptação do procedim""to aã pt"utiariáades
da espécie de processo que
exerce-iurisdição e, no processo, é detentor de potleres sohre a,s portes. da viabilidade da escolha, pelo demandante'
jurisdicional pretendida'
i"pri"-,rri, ua"quuau a f'"pu'uçao da tutela
78. u relativu rigidez e indisponibilidade do processo jurídico-processual está na estrita
Porque o uso do instrumental
cabíveis e do processo e
e do procedimento o"p"nàcn"lu das soluções de direito material
resultados postulados' a lei e
procedimento ud"qt'uào' a produzir os
A tradição do direito brasileiro que vigorou ate o Código de Pro- adequadamente a tutela a plei-
rigorosa quanto a necessidadà de escolher
cesso civil de 1973 impunha corn extremo rigor a estrita legalidade
127
PROCESSO
CIVIL
126 TEORIAGERALDONOVO PROCESSO de tutela
que ocoÍre com as modalidades
to comum' Ao contrário do opçao em benefício do de-
alguma ao demandante'
tear - seja nos casos em que não
deixa
Pargem jurisdicionai ãirü..Jàa", inrtitoiáur^"omo ditame
Exige também-a correta escolha da a' p"'"'limento i'**'10:':'?nstitui
seja mesmo quando ff'e ia alguma' a tutela' mandante, a determinaç a' vicia a proposttura
especie cle processo a" ií'*aime't"o pelo qual se pleiteia de ordem pública do
processo' cujo desatendimento
'" processo nao chegará a seu Íim normal upttttul'áo' À'*g'u é tlllT'lf indisponibi'
Feita uma escolha inadequada, o (supra' n' 74)' Eo da demanda e impede 'uu 't
e tutela alguma r".a *in1ti*au
u qt'"* a demandou liclcldedoprocetlimento'queemp'rincípioã"v"l"va,ojuizaindeferira
o exequente inadequado e não for possível
;;;;;,';g., ," fot p"didaruiela-executiva sem estar
petiÇão i'itúi '" escolhidà p'o""alÁ""|t comum
lôpc, un. 7g6) ou. se o autor
pedir tutela pela permissao de optar pelo procedimento
munido de títuro adaptar' E
"^""riiío
;i;;;;;;..rso monitãtio àt* "ttut amparado em documentos idôneos "'icJ;t;;;ia
comorequisitoparau"'*"luÇaod"-J"áunaàtt"gidutporprocedimen-
327' § 2a)'
e suflcientes (art. 700)' tos dif-erentes (CPC' ar1'
da inicial na hipótese de
es-
uma modalidade de tutela di-
Permite-se entretanto a escolha entre O que se disse sobre o indeferimento em
s virts ttrtJinarras dispostas pelo Código colha do p'"""ãi**to inud"q'uàã
ááu" no
ít,rt,ncittdct t ultivcl" ,r'.À",rra, :"'11":::'l'terpretado
â;'il;;;;t" Civil: ainda qua'«lo admissível o mandado
de segurança
face da atual tendênciu u
ut""uur os rigores das consequêlt*t'-d::::::
(iníru' n' 90) ou o indeferem pãtiço"t iniciais
t" exttnguem
(inlra, n.9I ), ou o p'o"""o dos juizados especiais thas inaaJ{o"àãt' io se :tóprocessada
t') ;; aindá a titut,11-t1j:11:r;] J t"ndo u
monitório (in/ra,
'lirfrr,". ,'o'""o"lJ;ll"t';;;'i" "a"pài"'à' :uT1''ido
" """uçáo.por
gà1, cabe ao áemandante a opção pelo procedimento-pdd-rao ãi"o
i"à"q'"d"'
por rito
resultado preiuizo
(a regra da instrumcn-

(inJi'a,n'80)' Nesses casos e nesses limites


ele poderá' 'iu"'
üá; pà,
"ár"r" pela espécie de tutela rqlidaLleclasformasCPC'^";1;*;;;rq'n'l3in-['a'n'135)'Alem
o'uiaá antes da eventual extinção
do
segundo seu próprio f iã
a" optar
"onveniência' disso, o autor deverá sempr? "t art' 104)'
jurisdicional que Prelerir' p'ot""u fo' esse motivo (CPC'

são relacionadas
As hipóteses de tutela jurisdicional diferenciada de processo e de procedimento
ou o legislador entendeu conve- 79' diferentes tipos
com direitos uo. q'ui' o constituinte
adequados para
nienteoÍ'erece.rr*urotrrçaomaisrápida,sendoporissoque-secontenta
delongas da Todo sistema processual
institui meios processuais
muitas vezes .o* *u nição s)tmaria, sem exigir as
(su-
cognição plena' A ú"tt""rg
ai tumpestivídatle da tutela iurisdicional darefetivasoluçãoàsvariadas.c.i'"14"á*i,omatedal,eessavariedade
instrumentos
;;;,;; is " zs) é i rlu'ao qt" l"'u a lei a instituir esses
ditadas ;:';;t'"* ;;L"ã"o"r
e da maior ou menor urgência
para
demeiosprocessuaisconstitui-veráãà"i'oespelhodasdiversassoluções a
e
maiscélereseindicarashipótesesemquecadaespéciedeprocessoé putu indispensável correspondência'
adequada. l,* ; àt"isáo produzida n"t*"' ptotttsos será autêntica obtenção dessas soluções' "ttu
'"g'* '' calrsa corn Íündamento t1"
clecisão de nterito,'dt;id*;" "Ti-p^l^":" valendo-sedaexperiênciamultisseculardoprocesso,olegisladorestabe-
parte Quando se torna lÍrecor-
lonr icçàu do juiz qtlanto ao direito da lecenãosóumavariedua"A"p'á'""o'*áttambémdeprocedimentos' fiéis ao
pela autoridade da r'otsa d"'["'"" O" soluções adequadas'
rivel, scus clêilos serào cln lcgrc ilnunizatlos em um quadro pragmático
qualquer outra decisào de merito prot'erida tempestivas'
lulgada material,como
os de
direito na mediou do possível'
de mérito e a fonnação da coisa 'lüt"*iãi "' em primeiro
em vias o.Aina,ia''iào h""tá d"citão material determina'
julgada nas tutelas diÀ'"""iua* ministradas pelo processo monitório A natureza da crise de clireito do provimento'
pela. tutela antecipada concedida em jurisdicional cabível' A natureza
não embargad o fintiu,-n-' SS) ou lugar, o provimento
(supra'n' 11)' po""í")'ai'uu'1op'o'"'-'o'falando-seentão'naprimeiraemals
carater orlu'"'l"ntn que se estabilize de em^processo executivo
entre tipos qrocesso'
relevante das distinções A definição sobre o
em contraposição ao p""""o"in
o autor optar pelo p'roce-
Não existe, contudo, a possibilidade de 'onhu'i*onto- por um crl-
jogo a aplicação de um ou rla executiva e paulada
dimento de sua p'"tJtên"iu q"u'do
em
estiver cabimento da tutela cognitiva processual' consistente na
S: pretende consignar uma puramente
proceclimento n,pn'i-'t àu do'comum' :^1** tério muito objetivo de natureza
o procedimento da ação de consigna-
quantia em pagamento, deve seguir propor uma existênciaouinexistênciuo"iit,toexecutivo(CPC,ar1.783).Processo
arts' S39-549)' sendo-lhe vedado
ção em pagamento 1CRC, deconhecimentoéaqueleinstauradopaÍaprocessarejulgarpretensões
ação de exigir contai('ci'c, arts
550-553) ou utilizar-se do procedimen-

t---
pROCESSO 129
128 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CTVIL

(ou por quantia certa)'


mediante uma decisão de mérito, ou seja, pretensões à tutela cognitiva - fazer e outro para as execuções por dinheiro
tada um dessás procedimentos executivos, ou cada uma dessas espécies
e por isso o direito alemão refere-se a processo de conhecimento como lei,
rle execução,tem sua ixea de aplicação rigorosamente delimitada em
processo de sentença (Urteilverfahren). O processo de execução destina- comum,
e não existe no sistema processual executivo tm procedimento
-se a veicular as pretensõe s à tutela executiva, consistente na oferta de
de aplicação geral.
satisfação prática a um direito.
Aoladodoprocessodeconhecimentoedoprocessodeexecução
O Código de Processo Civil vigente, dando curso a uma herança
há também o processo monitório (CPC, arts' 700-702 - infra, n' 89)'
em
da Lei do Cumprimento de Sentença (lei n. 11.232, de 22.12.2005), que julgamento do
que se cria oiítulo executivo e se executa o direito, sem
trouxera uma radical modificação do estatuto anterior, consagra a reu- dos processos
mérito (e por isso é que ele não se enquadra na categoria
nião em um só processo de todas as atividades relacionadas com a tutela
de conheóimento). Para postular a tutela monitória é indispensável
a
cognitiva, a provisória, a eventual liquidação de direito genérico que
exibição de documento idôneo, do qual se possa razoavelmente inferir
a
venha a ser reconhecido e a satisfação do direito, ot cumprimento de
existência do crédito (CPC, art. 700).
sentença (infra, n. 80). Esse é tmprocesso sincrético, dividido em me-
rasfases, o que significa que temos no Brasil um só processo com todas outra categoria de processo é a dos processos antecedentes, em
aquelas funções, em vez da distribuição destas em diversos processos que se pede nlela cautàlar ou antecipatória (infra, n' 85)' O Código
para esses
interligados mas autônomos. de processo Civil dita um sistema extremamente complexo
a hipótese de o processo antecedente de
processos, havendo inclusive
O conjunto formado pela sucessão dessas fases é em si mesmo um em processo de conhecimento (art' 308).
iaÍurezacautelar convefter-se
complexo procedimento-padrão a ser seguido em todos os casos em
Também o processo antecedente poÚador de uma pretensão à antecipa'
relação aos quais a lei não disponha de modo diferente. Esse procedi- por um emaranhado de normas muito
mento-padrão desenvolve-se em primeiro lugar mediante as formas de ção da tuteía jurisdicional é regido
minuciosus e complexas, permitindo inclusive, em certas circunstâncias,
um processo de conhecimento, para depois seguir as de um processo ali concedida venha a ser estabilizada (art.304
que a tutela antec-ipada
de liquidação e, finalmente, as de uma execução forçada - aplica-se em
- supra, n. 11).
toda sua plenitude quando a fase de conhecimento se desenvolve pelo
procedimento comum e também na maioria dos casos em que essa fase é Há também outros processos e procedimentos de extrema relevân-
como
regida pelas formas de um procedimento especial. cia política e muita utiliàade práúica disciplinados em outras leis,
civil pública, a ação po-
o piornrro dos iuizados especiais cíveis, a ação
Em relação à fase cognitiva, ou de conhecimento, o Código oferece de iniunção'
pilor,
-o
o mondàdo de segurança, o habeas dgta, o mandado
um procedimento destinado a prevalecer como regra geral, o qual leva a
habeqs corpus, O processo para o controle abstrato da constituciona-
denominação de procedimento comum (arts. 3 I 8 ss.). Com esse modelo
lidade das leis, o processo arbitral etc.
convivem alguns procedimentos especiais, como a ação de consignação
em pqgamento (arts.539-549), a ação de exigir contas (arts. 550-553) Dado o objetivo desta obra de traçar somente um panorama geral
etc., eom a finalidade de adequar às peculiaridades de certas situações sobre os institúos fundamentais do direito processual, sem descer
aos
regidas pelo direito material o iter a ser percorrido entre a demanda ini- porÍnenores de um tratado ou de um curso completo sobre o processo
cial e a decisão quejulga a causa. Cadaprocedimento especial aplíca-se .iril,.tão será feita aqui a análise de todos os processos e procedimen-
estritamente aos processos para os quais é indicado por disposições es- tos existentes .* noiro ordenamento jurídico. Serão trazidas breves
considerações a respeito daqueles processos e procedimentos de
maior
pecíficas contidas no Código e o procedimento comum aplica-se sempre
que não haja uma dessas disposições específicas. relevância na Priúica forense.

Também em relação ao processo autônomo de execução, fundado


jarisdicional
em título extrajudicial (arts771ss.), existe uma variedade de procedi- 80. o procedimento-padrío pura a prestuçdo da tutela
mentos, cada um deles adequado à satisfação de direitos de determinada
Na versão original do código de Processo civil de 1973, que nesse
natureza (infra, n. 8B). Existe um procedimento executivo para a entrego
passo seguia ,*ulorgu tradição brasileira e intemacional, o reconhe-
de coisa certa, üm para a satisfação de obrigações de fazer ou de não
CIVL PRocESSo 131
130 TEORIA GE.RAL DO NOVO PROCESSO

No sistema do Código de Processo Civil de 1973 falava-se em fase


cimento e a satisfação de um direito poderiam passar por até cinco postulatória, tàse ordinatÓria, Íase instrutória e Íase decisória, sendo
processos distintos - o de conhecimento, o de liquidação, o executivo' essas as./àses de um processo, o processo de coúecimento' Agora,
po-
à dos embargos à execução e o cautelar, cada um com seu modelo pro- rém, que todas as atividades relacionadas com o conhecimento não são
cedimentzí próprio. A classificação que identificava esses diferentes mais que unra das./àse.r daquele procedirnento sincrético e único, é por
processos aludia à natureza do provimentojurisdicional a que tende cada isso que a rigor a postulação, a ordenação, a iustrução e a decisão não
jurídica mais podem ser consitleradas Íàses, mas [leras subfases Mesmo assim,
um deles, com a constituição em cada um de uma nova relação
processual. todavia. a doutrina continua a tratálas como./àses, e esse senão temino-
lógico não prejudica etn nada a boa compreensão do sistema'
por considerar que esse modelo não era hábil à adequada e tempes-
A identiÍicação e a delimitação dessas cluatro subÍàses (postulató-
tiva oferla da tutela jurisdicional, o legislador brasileiro passou a mutilá-
ria. ordi[atória, instrutória e decisória) são corriqueiramente construídas
-lo. O primeiro passo veio com uma das leis da Reforma do Código de sobre a esttutura do procedimento comum, mas e|Tt algLrma medida
Processo Civit (lei n. 8.952, <le 13.12.94), que alterou o art' 461
pata
aplicarn-se a muitos dos especiais até porque vários deles se conveftem
detenninar clue a ef-etivação da tutela reÍ-erente às obrigações de fazer ao rito comum a paúir de um cefio momento.
ou «le não Íàzer fosse realtzada no próprio processo onde houvesse a

condenação. Ulteriormente uma outra lei reformista (lei n' 10'444, de


81. afasepostulatória
.5.2002') estendeu tal disciplina às obrigações de entrega de coisa com
a
1

criação do ar1. 461-4, e, ao introduzir um § 7a ao art. 213, inseriu a tutela


Fa.se postulatória é aquela em que as pafies posttiam. ou seja' em
cautelar incidental no bojo do processo de conhecimento. A.desconstru- que elas apresentam suas pretensões contrapostas. -E nessa fàse que se
de sentença (lei n. ftrmulam-demctnclas, fazem-se as citações, há a tentativa de concilia-
çiio fnaldo sistema veio com a Lei do cumprimento
"de conheci- contestação, que e o
11.232,de22.12.2005), que introduziu no seio do processo
ção e tem o réu a oporlunidade para oferecet sua
pagamento de quantia uma fase prirneiro de seus atós de def'esa a serem praticados no processo. O pri-
mento" em que se pede a condenação ao
qualquer procedimento é sempre uma demanda - ou
para liquidar eventuais condenações ilíquidas e outra para executar even- meiro ato de todo e
seja, o ato com que um sujeito apresenta sua pretensão ao Estado-juiz
iual condenação, além de uma impugnação que substituiu os embargos à
judicial. Ou proro"u a instauração de um processo com o objetivo de obter sua
execução antes admissíveis também na execução por título "satisfação (infra, n. I 1 9). A demanda é corporiÍica da na petição inicial,
seja: em um só processo passou-se afazet tudo que fbsse necessário ao
que deve preencher uma série de requisitos para que o processo possa
reconhecimento, resguardo e à satisfação de um direito, não imporlando
riesenvolrer-se regularmente (CPC, aús. 319 e 320). Além de veriltcar a
a natureza da tutela jurisdicional postulada.
presença desses réquisitos ao despachar a inicial, indeferindo-a e extin-
de 2015, que contém vn1 proce-
foi mantido no código
Esse sistema guindo o processo sem o julgamento do mérito sempre que identificada
climento-padrão, de aplicabilidade geral a todas as causas para as quais ãtgu-u iriegularidade insanável ou não sanada (CPC, art. 330 - infra,
não seja determinada a aplicação de algum outro (CPC, ar1' 318) e que é n. 126), cabe ao juiz proferir julgamento l.iminar de improcedência da
apto a proporcionar o recon hecimento, o dimen s io namento, a p res e rv a- clemanda nas hipóteses descritas nos incisos e no § la do art. 332, em
que

ç-ão e a satisfação de uma


pretensão. Esse procedimento e dividido em cssa improcedência seja manifesta.
a seguir descritas' Admitido o processamento da petição inicial, o reu seIá citado para
fases, quepodem comportar a divisão em subfase's,
A primeira fase desse procedimento complexo e sincrético e a.làse Lromparecer a uma audiência de conciliação ou de mediação (cPC, aft.
rle conhecimento, que 1em por objetivo preparar e produzir
julgamentos 334, caput).Também está disposto que "o conciliador ou mediador, onde
nas quais o le- Irouver, atuará necessariamente na audiência de conciliação ou de media-
cle mérito e é a que mais se presta à divisão em subfàses,
as disposições da
gislador procura, na medida do possível, agrupar os atos que compõem çiio, obseruando o disposto neste Código, bem como
í"i áe organizaçãojudiciária" (ar1. 334, § la)
donde se infere que onde
o procedimento. Essas subfases sáo a postulatórict, a ordinatória, a
ins-
trio houver um conciliador ou mediador o próprio juiz conduzirá essa
trutória e a decisória.
I
133
PROCESSO
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CNIL
132
exercendo-a' o l-l''
matéria em litígio rr:r" rrrr lru/irrrr siio preponderantemente inquisitivas' de que está revestido
audiência. Esta só não será tealizada quando a zunàut"nto no poà"' estatal
t,r I rk' rrlit'io, (b) com
comportar autocomposição ou quando as partes manifestat'errr
lTbT no processo e dar-lhe impulso
Se somerrlt' r.{r )('()trl os tlbjetivos de evitar defeitos
seu desinteresse em realizívla(art'334' § 4a)' julgamento do mérito' Cabendo-lhe adireçãodopl::^":to'
"^pri.tu-."te pretende,realizltt .nr rlr('çào
que comece a produção dos meios
declarar rr de-
uma delas assim se manifestar e a outra ",,
rl ,r('il (lt. vcl-cvitar clue este vá avante'
ordem ou reunlr
audiênciaousimplesmentesilenciararespeito,aaudiênciaserádesigrrrr pl r r\ ir (' clrcgtte o momento de
sentenciar sem estar em
será considerado um ult, contr'a'-
da e o não compárecimento de uma ou de outra rrrrrrltçircs para tanto'
p*u i"o deve o juiz dar efetividade ao corrlglr
da Justiça, com imposição de multa ao ausent(
aientatório à dignidade corrigir ou fazer
,llrirIttt. suprir ou mandar suprir orrissões,
audiência for realizada e ali se obtiver a autocomptr estando o processo em boas
t'\'t'nttuti't.falhor, o'goni)*;-;;;"e
@rt.334,5 So). Se a afinal'
pelo juiz (att do mérito' A grande diferença
,içao du, parles, esta será reduzida a termo e homologada *r rt l iç(ir:s, .n"u*lnna-iã'uo iotgu-"'to.
correrá da drttrr os
334, § 11). Em caso contrário o prazo para a contestação rrrrrcr.rral cntre essa f"* ;;
pãrturutóriu é que nesta preponderam
335' inc' I)'
os do juiz'
mediação (aÚ'
Áu i"âliruçao da audiência de cônciliação ou
,,t,rn ,1. 1lafte, e na ordinatória
de-
a postulatória termina' ou seJa'
Diante da falta de infraestrutura do Poder Judiciário
paru a tealiza- A lase ordinatória principia onde e ofere-
tentada a conciliação
todos os processos que as exigiriam e da tlc lbitas todas u' dlrrrurlàu' e citações'
ção dessa audiência inicial
em I,,rs se defen-
percepção pelos juízes de que na grande maioria dos casos a realização r rrLrs tl1-lortunidades p"t"'*" " a"mandado ou os demandadosdeterminadas
ou
àu urràierr.iu seria infrutífeia e serviria apenas
para protelar o desfecho rlrrttr. As proviclências preliminares a serem realizadas
Civil vem sendo autor a oportunidade de manifestar-se
do processo, o art.344 do novo Código de Processo prhr.ittiz consistem 1aj em darao
,,olrt'r-: tlçlêsas processuais ou fatos novos
eventualmente alegados pelo
interpretadopelaJustiçaemafrontaàsualiteralidade,nosentidodeser ut
audiência' Em regra' vem sendo adotado o ,',i,, t,,,tr. 350-à51), (b) em
manclar que. as partes e-specifiquem
Torultotiro a designação da o
9,l:uut
suprrmen-
procedimento que era seguido na vigência do Código
de 1973' com a p.áaoát 348-34e) e (c) em diligenciar
:;,,-';;;;;",, larts' tomadas
citação do réu Para contestar' Irr rlc, omissões ou a
At nulidades (art' 352)' Depois de
'á^àt" proferirá um iurgamento conforme
o
rrrtlirs cssas p.oriacr.iuJ o lrro
transigirem ou se o caso não compotlar a realização
Se as pafies não processo (afis' 354 ss')'
r'.tltrdtt tlo
dessa audência, será aberÍa a oportunidade para o
réu apresentar sua seia o
as circunstâncias' ConJ'orme
jurisdicional ou opondo-se à l',sse julgamento varia segundo
contestação, postulando para si a tutela preliminares 1ou.se elas não
ausência de algum dos r'tlttdrt elo processtt,a"pfit i"'ptovidências úteis) o
continuação do processo mediante a alegação da tiverem prtduzido resultados
tivcrct.u sido necessáriu' ot' tráo
p..tt"potto, de admissibilidade do julgamento do mérito (incompetên- , p,'';;;;(*' 354)'iulgira antecipadamente ct mérito'
a improcedêncir 1ti'r, t'xtinguiri,
cia, carência de ação etc.). Ou seja: ele pode postular proferirá
fu'* 1;:::t-u - infraii' n' 138) ou o juiz
prolação de sentença reconhecendo sua ,lr',f itrmct integral "i""'t ú cle saneamento
do pedido do autor e portanto a
ou simplesmente postular uma tutela menos intensa' rlct:isão saneando
" í;;;;"'('n ' 3571' \o pendentes'-se
.urào pelo merito; processuais
julgamento (infra' n' 126)' 'iii, (a) "resolver
tlcvr:rá as questões P::::llf"
as quals recarra a
mediante a extinção do processo sem esse
novcts, (a) quando formula re-conven- ,à.i), (b) "clelimiiar as questões de.fatodesobreprova admitidos" (inc'
Pode também deduzir demandas os meios
jurisdicional fora do obieto do rrtiviclade probatória, especificándo
çãr, peairrOo para si uma outra tutela da prova' observado o art'373"
inicial (CPC' art' 343)' ou ll), (c) "deÍinir " di';ií;iç'o áo 0""
i.oá".to instaurado mediante a demanda direito relevantes para a decisão
terceiro, como oÇorre na denun- (irtc. ltl), (d) "delimitar""tã"tJott de instrução
iúi q"unOo propõe demanda em face de se necessário' audiência de
tlo t.nórito" (inc' IV) e (e) "designar'
ciaç'ão da licte(cnc, arts.125-129 - infra, n' 108)' quc as partes apresentem proposta
r'.irrlgamento" (inc. Vi'E 'ailitido direito relevantes
t.n.iunta para a delimit;Çà; à" quesiões d" Fato e de
juiz (ar1' 357' § 2a)' e' quando se
82. afase ordinatória iro.iulgamento, ,
'"'nàããilg"a;pt1" o saneamento deverá ser feito
Itirtnr de causa de t;"'dt;il;ú*idudt'
Fase ortJinatória, Íambém dita saneadora ot de saneamento' enÍreo Julz e as pafies (art' 357' §
é 3a)'
que a ca- urrt audiência , em cooperação
aquela em que o jutz põe ordem no processo' As atividades
134 TEORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVII, 135
PROCESSO

83. a.fuse instruÍóriu ela houver sido postulada em caráter antecedente. O pedido dessa tutela
,,
A fase instrutória principia quando o processo e saneado e consiste err caráter incidental não dá ensejo à instauração de uma diferente fase
narealizaçã,o de provas e oferecimento das alegações Ílnais pelas partes. no procedimento, mas à formação de um mero incidente no curso deste.
Muito ernbora a instrução probaÍória não preencha toda a fase initrutó-
ria, é nela que se concentram as maiores atenções e as atividades mais 86. entre a fase de conhecimento e a evenÍuul J'ase de liquidação
intensas do juiz e dos litigantes. Quando arealização da prova começa,
O julgamento da causa e o dos recursos eventualmente interpostos
na realidade o procedimento probatório já estará iniciado, porque as
partes já requereram a realização dos meios de prova de seu interêsse e (inJia,nn.142 ss.) põe fim à fase de conhecimento do processo, abrindo
o juiz já terá deferido ou indeferido os meios requeridos. Durante a fase
caminho paraaJase cte liquidação de sentença na hipótese de ter sido
instrutória procede-se à realtzaçáo da prova, ou sua produção, mediante proferida decisão que reconheça a existência de uma obrigação ilíquida,
as perícias que o juiz houver deferido, inquirição de testemuúas, depoi- ou seja, de uma obrigação cujo valor (.quantum debeatur) ainda não
mento pessoal das paftes eÍc. Ao menos em pafie a prova clocumental já esteja determinado (CPC, arts. 491 e 509). A liquidação fàr-se-á pelo
terá sido produzida antes, seja na inicial, na contestação (arts. 320 e 434) procedimento comum "quando houver a necessidade de alegar e provar
ou em algum outro momento, quando admissível (art. 435 etc.). iato novo" e por arbitran, nÍo nos demais casos (CPC, art. 509, incs'
I e Ii). A primeira delas levava a denominaçáo liquidação por artigos,
tradicional no direito brasileiro e desnecessariamente suprimida pelo
84. afase decisória novo Código.
Realizacla a prova e apresentadas as alegações finais pelas partes,
tem início a /itse decisória, com a prolação da sentença. pàde também 87. afase de cumprimento de sentenÇa
l
acontecer que, por não se julgar suficientemente instruído, o jLriz peça
ainda alguns esclarecimentos às partes, mande intimar novas testému- Finda a liquidação ou no caso de ela ser desnecessária, se não
nhas ou mesmo determine a realizaçáo de segunda perícia (arl. 4s0). houver o adimplemento voluntário da obrigação reconhecida na decisão
Essa iniciativa leva o nome de conversão do julgamenÍo em cliligência, condenatória terá início a fase de cumprimento de sentença. Trata-se
a signiÍicar que o juiz transíbrma aquele momento, que era o de julgar, de mera fase do procedimento sincrético principiado com o pedido de
em nromento para realizar mais provas ou seja, esse é na prática um tutela cognitiva, com exceção dos casos em que é executada sentença
retomo à fase instrutória. com esse conteúdo, a chamada fàse decisória penal condenatória, sentença arbitral ou sentença estrangeira homo'
'logatla,
é rnais um momento que wna fase do procedimento. Um ponto no tempcr porque nessas hipóteses, não havendo um processo no qual o
e não uma linha. cumprimento de sentença pudesse ter prosseguimento como umafase,
há nécessidade de constituição de uma nova relação jurídica processual
(CPC, art. 515, § la).
85. uma possível Juse prévia, ou unÍecedente
O cumprimento da sentença e conceitualmente uma execução por
Em alguns casos o procedimento poderá ter início com uma.fàse título judicial e tem sempre por ÍundarTrento um título executivo consis-
antecedente para a apreciação de um pedido de Íutela de urgência (cau- tente em urm pronunciamento emitido em um processo jurisdicional, ou
telar ou antecipada), que compofta a prática dos atos necessários'para seja, um título executivo judicial (cPC, art. 515). são títulos executivos
apreciar esse pedido e efetivar a tutela concedida (cpc, arts. 303-310). judiciais a decisão condenatória proÍêrida em um processo civil (ou de-
Finda essa fase antecedente, o procedimento prosseguirá e terá início cisão que reconhece o direito a uma prestação) e essas outras proferidas
a fase postulatória (CPC, arts. 303, inc. I, e 308 supra, n. gl), a não em outro processo (sentença penal condenatória, sentenÇa Qrbitral ou
-
ser que nessa fase antecedente haja a estabilizaçáo de tutela antecipada, s ent e nÇ a es t r ange ir a homol o gad a).

hipótese em que o processo será extinto (CpC, art. 304, la sup'rq, n.


§ O Código de Processo Civil disciplina o cumprimento de sentença
I l). Somente haverá uma fase para a concessão da tutela proviúria se
mediante a imposição de regras gerazs, aplicáveis a todas as modalidades
IÔ TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO C]VIL
PROCESSO 137

que não demande a


lc:ssa cxecução por título executiro judicial (ar1s. 513-5 19), e regras independentemente de impugnação, de alegação
,l;1t1,<'íficas, de acordo com a natureza da obrigação a ser cumprida (ar1s. reallzaçáo de qualquer atividade instrutória'
disser respeito a obrigação.de
;20-538). Essa disciplina não traz no entanto um tratamento exaustivo Quando o cumprimento de sentença
pÍazo para o executado pagar e reduzido a três
dias
lc tocJo o procedimento a ser seguido até à satisfàção da obrigação. Há pagqr alimenÍos o
apresentada
r rcgramento da fase inicial do procedimento de cumprimento de sen- (C"pC, art. 528). Não havendo o pagamento e não sendo
cnça, aplicando-se às fases seguintes as noÍrnas pertinentes ao processo l.ustincativacapazdedemonstraraimpossibilidadeabsolutadepagar (CPC' arts'
lc cxecução por título executivo extrajudicial (aft. 513, caput - infra. iôpC, art. 528, § 2o) a clecisão judicial será levada aprotesto
preso pelo prazo de urn a.três
r. t38). 517 e 528, § lu) e o executadopoderá ser

meses (cpô, art.52g,§§ 3o_3o1- Se este for Íüncionário público, militar,


Seja qual for a natureza da obrigação a ser satisÍ-eita, o cumprimento à legislação
sujeito
lc sentença só poderá ter início a pedido do exequente, sendo vedado o àir"ro. o, gerente de empresa ou mesmo empregado
o desconto da pres-
nício dessa fase por determinação tomada ex qfficio pelo juiz (CPC, ar1. áo ruUutrlJe possível que a execução se dê mediante
(CPC' art' 529)'
; I 3, § l,). O executado será intimado para cumprir a obrigação na pes- tação alimenticia em folha de pagamento
no cumprimento de
;oa de seu advogado (CPC, art. 513, § 20, inc. l), somente sendo exigida Figurando a Fazenda Públic'a como executada
trinta dias' apresentar even-
sentenç-a, ela será intimada para, no prazo
iLra intimação pessoal nas hipóteses excepcionais referidas no art. 513, de
não oposta a impugnação'
i§ 24, incs. II-lV, ltt e 4a, do Código de Processo Civil. tual impugnação (CPC, art. 535). Rejeitacla ou
de precaÍório (CPC'
Se o cumprimento de sentença tiver por objeto o pagamento de haverá a expedição, confonne o valor da obrigação '
valor (CPC' art' 535'
luuntia o executado terá o prazo de quinze dias a partir de sua intimação art. 535, 5 io, inc. I) ou de recltrisiçtio de peEteno
executado eÍ'etue o pagamento'
rara cumprir a obrigação. Não haver-rdo o pagamento o debito será acres- § 3a, inc. II) para que o ente
;iclo de rnulta de dez por cerrto do valor da obrigação e de honorários ad- relativo a obrigctção de de
No cumprimento de sentença 'fozer.ou
,ocqlícios no valor de outros dez por cento (CPC, art. 523, r'aprl e § la). pedido de cumpritnento
não.fazer,upà, u iniciativet do exequente com o
ou por provocação da
Transcorrido esse prazo começa a correr um novo prazo de quinze da obrigaçao, o juiz poderá determinar, de oÍicio
a cumprir
lias para que o executado eventualmente apresente sua defesa mediante p"n., serie de medidas destinadas a induzir o obrigado
r impugnação ao cumprimento de senÍenÇa. Nessa irnpugnação terá ele "",",
voluntariamenteaobrigaçãoot.taproduzirumresultadopráticoequi-
de multa' a-busca e
r oportunidade de trazer argumentos para que não seja satisfeita a pre- valente (CPC, ar1. 536, caput), conto "a imposição
cnsão do exequente ou de questionar a regularidade da penhora ou da desfazimento de obras e o
apreensão, a remoção de pessoas c coisas,-o
rvaliação do bem penhorado (CPC, art. 525, § Ia). Salvo nas hipóteses impedirnento de atividade nociva" (ar1' 536' §
la)'
lo § 10. inc. I, e do § l2 do art. 525, é inadmissível trazer na impugnação obrigação.de enlre-
Se o cumprimento de sentença tiver por objeto
.lucstionamentos que foram ou poderiam ter sido apresentados na fase ou de imissão
ga de coisaserá expedi<Jo mandado de busca e apreensão
lc conhecirnento do processo, impedimento que decorre da coisa julgada no mais as regras relativas ao
: do sua eÍrcácia preclusiva (inJra,n. 140). A impugnação não irnpede iu porr. (CPC, ar1. 538), aplicando-se
de obrigaçáo de Íàzer ou de não fazer
(CPC' art' 538' § 3a)'
r prosseguimento da execução, que somente podeú ser suspensa se o .uápl*"nto
trízo estiver garantido, os Íundamentos da impugnação forem relevantes
: o prosseguimento da execução puder causar grave dano de diÍicil ou 88. execução por títalo executivo extraiudicial
rlocrta reparação ao executado (CPC, art. 525, § 6a). por algum dos
Se aquele que se afitma credor estiver amparado
Se a defesa do executaclo disser respeito à "validade do cumpri- aft' 784 do Código de Pro-
títulos executivos extrajudiciais arrolados no
rrcnto cle sentença e dos atos executivos subsequentes" ela poderá ser qual seja possível aferir a cerleza'
cesso Civil ou em alguma outra lei do
rprcscntada no próprio cumprimento de sentença, independentemente (art' 783)' ele Íicará dispensado
a liquidez e a exigibílidade da obrigação
lc irrpugnação (CPC, art. 518). Trata-se de mecanismo que a prática em relação aos casos
rrdiciária consagrou com o nome de exceção de pré-execulividade, que, á" ,.grri. o prorádi*"nto-padrão imposto pela lei
ordinários (supra, nn. 80 is.) e pode propor desde logo uma execução
u intcrpretação conferida pela jurisprudência, pennite o conhecimento,
139
PROCESSO
t38 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVI
procedimentos paÍa o cumprimento
por título executivo extrajudiciql, pleiteando a imediata satisfação de sua Em simetria com os diferentes conta com proce-
a exe"uçao por título exirajudiciahambém
pretensão. tlo sentença,
,.rãtiro, para a entrega de coisa (cPc,
à execução
tlinrentos especíticos (ul.s'
Título executivo é um ato lançado em um documento escrito no
arts. 806-813 1, a
iái'ig'iaes'de fazer ou de não fazer
qual se reconhece a existência de uma obrigação. Há os títulos executi- "*n"çi) ã'ío @*s',824-909)' à execução contra
l{ 14-823), à execução p:o'-qu'ontio (arts' 911-913)'
vos judiciais, dos quais os mais notórios e frequentes são "as decisões
u Fazendct Púbtica("*;Íó;;;'"xn'ução de alimentos
proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obriga- a defesa do executado é tealizada
Em todos esses procedimentos
'do"
ção de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa" (CPC, n*bo'gos à execução' 1'ro pÍazo
A3 O')tl'"
aú. 515, inc. I). Eles se qualihcam comoiudiciars porque são produzidos mediante a oposição citaçâo (CPC'
documento que cefiifica a
emjuízo, mediante arealizaçào de um processo. E há também os títulos dias da juntada aos autos do
dos embargos à execução instaura-se
executivos extrajudiciais, assim chamados porque não são constituídos arts.23le 915)' Co"t' ãp*ição destinado a
à execução'
em juízo. Em sua grande maioria esses títulos são atos da vontade do uínprocesso d" nudoJ'lio-gni'i'o'incidená1 nelo executado' Como a
apreciar as materias ã;-it"f;t;
apresentadas
próprio devedor mediante os quais ele reconhece uma obrigação e se judicial
nào está amparada em decisào
t^t'*Jit*'
cxecuçào por título a
compromete a satisfazê-la. Os de maior frequência são a nota promissó- a pretensão-do exequente e imposta
*iaJiffia'
em que houvesse
ria, o cheque, a duplicata, o documento parlicular assinado pelo obrigado é facuftado ao executado
e duas testemunhas, a "escritura pública ou outro documento público condenação .- pôr
restriçães' e podendo inclusive
"^"tJç'ullná'*"''t''uure3s
**
assinado pelo devedor" etc. (art.784, incs. I-XID.
defender-se a" to'*u*áãiü' o qual não
do crédito exequendo' sobre
em questão u p.Op'iu inc' VI)'
"*i'i#ia anterior (CPC' aú' 917'
Uma obrigaçáo é certa quando perfeitamente iclentificada e in- há qualquer r.on"t"àil"ãã:trJ"r"r suspenslvo' mas o
à execução não têm efeito
dividualizada em seus elementos constitutivos subjetivos e objetivos, Em princípio o, excepcionais' sempre
"tnU*go' casos
ou seja, (a) quanto aos sujeitos ativos e passivos da relação jurídico- juiz poderá u".",""t-1i-'ã"*p""1'ioude^em
il;xecução (CPC' arl' 919)' Tal como ocoffe
-material, (b) quanto à naítreza de seu objeto e (c) quanto à identificação mediante prévia g"tutti' por título extrajudicial o
e individualização deste, quando for o caso. no cumprimento de sentença' na execução
mediante a oposição da exceção de
É tíquida quando se conhece a quantidade de bens devidos ao cre- executado tambem p"a"'à"rã"â"r-se
dor, o que ocorre quando essa quantidade já está perfeitamente determi- (brC, ar1' 803' par' - suprcl' n' 87)'
ü7-*ã.**rdade citado o executado terá o
nada ou quando é determinável mediante arealização de meros cálculos
Na execução por quantia certa'
apos ser
serem
aritméticos (CPC, aú. 786, par.). pena de' transcorrido esse prazo'
prazo detrês dias p*u$ugu''sob crédito (CPC' aft'
É exigível quando não houver qualquer impedimento jurídico para Uàt*- à satisfação do
penhorados tu,'to' u"iJ[iu"ot extremamente
que o devedor satisfaça a pretensão do credor - ou seja, são exigíveis as p:I:"untiu certa é
obrigações já vencidas e não sujeitas a qualquer condição e não o são
829). A'/àse instrutória-da execução a captar um bem que res-
todos os atos necessários
aquelas sujeitas a alguma condição ou temo. complexa, incluindo porque o'que deve
E uma grande impropriedade atribuir ao título executivo os pre- ponderá pela obrigaç aJ"""'"i"y' !1?:.dinheiro' em o
é uma importância {in}eiltnao
dicados da certeza, da liquidez e da exigibilidade. Esses são atributos ser entregue afi"ut uo "*tqu"nt" satisfação mediante
q'" pt"ntu próprio a
bem penhorad" -
próprios às obrigações, não a eles. ";;;';;
a acliudicaçã, o"t'"1""*iópc'
afis'
"re
876-878)' Essas complexas attvt-
*T bem' Áeguida do depósito deste
Embora o processo executivo seja destinado a execuÍor e pofianto a dades principi'- t;;;;;;i;;'d"
se respúsabitiza (depositário)'
satisfazer um direito do credor (não ajulgar), nem todos os atos que nele em poder a" ag** p;í;; 9"" P9'.:1" ao exequente'
de sua avaliação", 'ã'*t'uau
uiipót"" de adjudicação
se realizam são atos de execução - havendo lugar para attêrrticas deci- antQ' Afase satisfativa consiste
da alienaçãou qt'"* *ui'
der (arrómat
sões a serem proferidas em diversos momentos de seu procedimento, do juiz (CPC'
exequente' por determinação
como aquelas em que ojuiz aprecia a exceção de pré-executividade (sz- na entrega do dinheiro ao (concur-
um incidente entre credores
pro,n.87), decide sobre o pedido de adjudicação de bens ao exequente, ar1. 905). N.,'u tu*ã'p"oi*a ."t!rt postulando para si
determina o reforço ou a redução da penhora etc. so de preferê""i"'jí"ã'áã;1gí,l' deles comparecer
140 JEORIA GERAL DO NOVO pRocESSO CrvIL PROCESSO

o dinheiro arecadado.ou parte dele (CpC, arts. quando


90g_909). Entregue o tlil na satisfação da execução. Isso se obtém com muita facilidade
drnheiro, o juiz proferirá sentença, exiinguindo cuida de fazer o
o pro."rrâ ftpõi rr próprio exácutado, atendendo ao chamamento inicial,
924, inc.1I, e 925). "rt.. ele traz o bem a título de entregq,
tlcpósito ou a entrega da coisa. Quando
. ,]ão d" depósito, há a satisfação do direito do credor, extinguindo-se
De entremeio a esse complexo conjunto mero depó-
<Je operações podem ocor_
rer outros atos que tomem a execução por quantia com isso o processo executivo (CPC, art' 807)' Se houver o
airáu _ui. .o_ft.*u execução, é necessário aguardar ojulga-
e denrorada, como a impugnaçào ao rlsultado sitcl e a oporiçao de embargos à
da avaliaçao (C;ê'; extinto. Providências judiciais são
873), pedido de adjudicação do bem por terceiro rrrento destes antes de o processo ser
(CpC, art. S'ZO,í 5r), pelo executado. Nesses
pedido de substituição, reforço ou reáução
da penhora iCpC, *.'SZ+l nccessárias para captar as coisas não apresentadas
sendà *or"ll u coisa ou coisas devidas proceder-se-á à sua
erc' Tudo isso é possíver, ernbora tome tempo busca
e retarde a efetividade da
"i,sos, imóvel imitir-se-á desde
tutela executiva, justamente porque a
por quantia oaminha para c apreensão, com entrega ao exequente; sendg
a "^".rião
e'rpropriação do bern, e a experiência n.rilenar do lãgisrador acor..ilru_ krgo o exequente na ,rrá port" definitiva (CPC, art' 806, § 2o)' O objeto
-o a cercá-ra de nruitos cuidados antes de privar
o executado de seu lÃu.lguçío de entregar coisa só se converte em dinheiro quando houver
direib de propriedade. podem també,r o.o..". Íâtos impossibilidade jurídica ou ./ísica suficiente para
ou circunstâncias sobrevúdo alguma
cluc abrcviem a produção desse resultado,
dinheiro devido, substituição do bem penhora<lo
corrlo a penhora do próprio impedir a execução específica ou quando, diante de alguma dificuldade
po. dinh.i.o fCpC,."rr. ,oàárel, assim preferi. o nesses casos apura-se o valor das
tt47), adjudicação ao próprio exequeúe (CpC, "*"q.r.nte;
de avaliação de bens cotados em bolsa (CpC,
arts. U76-g7g), dl#;; ooisas devidas mediante tma liquidação tealizada incidentemente
ao pro-
art. g7l, inc. tÍ.y, remiçáo o valor' se possa
da execução pelo executaclo (CpC, urt. àZA1 cesso executivo, suspendendo-se este até que, apurado
itr.
Em paralelo com os mecanisrnos típicos previstos prosseguir como execução por quantia certa (CPC, art' 809)'
em lei para a ex_
propriação de bens do executado e a satisiàção Na execuçiio pot obrigaçõe,s Jàzer ou de não Jàzer o executado
cle
do crédito é;;;;çá;,
o aú. I39, inc. IV do Código de processo iivit
aispOe "*
i,r";ri;;;;;; c chamado a a obrigação, fazendo ou deixando de fàzer o que
"deteminar todas as rnedidas i,dutivas, "rr-p.ir pedido em
coercitivás, -ardu,rr"ntai. áJ ostiver indicado no título executivo e o exequente houver
sub-rogatórias necessárias para assegurar o
cumprimentu a" orJ.À.;u_ sua demanda inicial. Ao despachar a inicial o
juiz fixará o ptazo para o
dicial' inclusive nas ações que tenhaà por objeto prestação no título
Diante do que consta desse dispositivo,'pu,t"
pecuniária,,. cumprimento da obrigação, se outro não estiver determinado
ãu dàutrina u", .ogitunão
da trtilização de medicras coeiciti.vrs ni4riro, exe;ltivo, além de multa periódica para o caso de não cumprimento
para induzir o executaclo (CPC, arls. 8.l4, 8l 5 e822)- Se o executado cumprir extingue-se o
pro-
a pagar, quando as típicas restarem inÍiutíÍêras.
clernulta periódica, na apreensão cle documenl
Fala_se nu irrposiçào
cesso executivo (CPC, arts. 818 e 924, ínc' II)' Pode no entanto surgir
saporte ou a carteira cle rr.rotorista, ,u p.oiuiçall?'iiilii;i3Tl controvérsia entre as partes a respeito do cumprimento da obrigação'
de crédito eÍc. É no entauto necessáriá ,-ruito -,11I Por isso a lei manda que- quando o executado comunicar
que cumpriu'
cuida<io ,u i,rporlçao ãã
rncclidas como essas, para que, em nome o exequente seja chamado a manifestar-se, se ele impugnar' alegando
da efbtividade .il'"_;;;ã",
não l.raja o sacrifício do conteúdo essencial que os atos realizados foram inadequados
dc prinreira grandeza.
de garantias constitucio,ais lr" náau foi cumprido ou for o caso os
ou insatisfatórios, à juiz decidirá o incidente, colhendo se
(CPC, ar1. 81 8). Se a impugnação for
clementos instrutórios necessários
. N1 execução para enlrega de coisa, com a citação o executado e
chanrado para, em quinze dias, entregar a
rcjeitada a obrigação dar-se-á por cumprida e o processo extinguir-se-á
com
coisa crevida ou as coisas indi- pãr sentença; t" .iu for acolhida o processo executivo prosseguirá'
cadas pelo exequente na inicial (CpC, art. g06). para da obriga-
to dessa obrigação pode o juiz, logo ao despaóhar
Ã.*;;;;;il, a imposiçáo das medidas necessárias à adequada satisfação
a iniciar pelo executado mesmo após o eventual
citação, impor multa periódica puiu o
e determinar a ção. Não'cumprida a obrigação
optar
de o executado atrasar em seu agravamento âa multa inicialmente arbitrada, caberá ao exequente
"uro
cLrmprinrento (cpc, art. g06, § la). sendo custa do executado'
cerÍaa coisa devida ou tornada
tal mediante a escolha feita por quem tinha o
eltre (a) a realizaçáo da obrigação por outrem, à
danos (CPC'
direito çre fazê-rarcpõ, ,,tr. quundà irso fo, possível, e @j sua conversão em perdas e
8l l-813), sempre é preciso pô_la à disposição do juízo
p"." ;"r;;É;;"_ art.816).Nadisciplinadedicadaespecificamenteàexecuçãoporobri-

l,lll
r /

142 TEORIA CER-AL DO NOVO PROCESSO


CIVII, PROCESSO 147

gações de não fazer limita-se


o código de processo civil a cuidar das com a propositura da demanda e tetmina com a citação do demandado,
obrigações -iá consumadamente. desctinpridas,
para ,""na* q,i."u rucompanhada da intimação a pagar o dinheiro, entregar a coisa devida
cução se faça como nos. casos de obrigações "r"_
originariam"rt" fãritirur, ou exeoutar a obrigação de fazer ou de não fazer. A segunda é a fase
convefiendo-se em pecúnia na hipótese
ato (CPC, arts.822 e g23).
de não ser possíver desÍàzer o cxecutiva, que ocorerá se o réu não opuser embargos, já que estes têm
cÍêito suspensivo (CPC, aft.702, § 4o), ou se estes terminarem coln sen-
A disciplina da execução por título extrajudicial
- contra a Fazenda tença que não os acolha, se a sentença proferida nos embargos concluir
Pública (cpc, ar. 9r0) ou por-arime,tos (cp-c, urts.
semelhante à do cumprimento de sentença
sr-sli)'- / e*n-,uito
-' pela inexistência do direito ou falta de pressupostos para executar, a fase
(se.ip ra, n. g7). cxecutiva sequer terá início. os embargos não são uma Íàse do processo
O Código de processo Civil vigente dirimiu monitório, mas um processo incidente a ele, e, como se vê, inserido entre
exp.ressamente uma
velha questão a cujo respeito a doutÃa
divergia e os tribunais não ha_ as duas fases de seu procedimento.
viam chegado a um consenso firme. E
a questao de ter ou não o credol
quando munido de título. executivo
extrajudicial, a facurdade á"'op,u. 90. o processo dosiuizados especiais
entre propor uma demanda cognitiva,
com vista a obter ,- tiirto Lr""u-
tivo judicial (senlenÇa condenirória). Os juizados especiais cíveis (lei n. 9.099, de 26.9.95 Lei dos
e ir Jiretarnente às vias execurivas,
sem passar pelo processo de conhecimento. prevarece .luizados Especiais/LJE) e os da Fazenda PÚrblica (leis nn. 10.259, de
a"
extrajudicial ,ao"ú-,,ãr*
que "a existência de título executivo 12.7.2001, e 12.153, de 22.12.2009) foram instrtuídos com o objetivo
pelo processo de conheciÍnento, u
i.p.J. u-pa,t.
$e.9Rtar iin-, d. obter títuro executivo explícito de criar meios para diminuir a litigiosidade contida, concor-
judicial" (CpC, art. 785). rendo para a redução dos conflitos que não chegavam ao Poder Judi-
oiário em razâo do valor envolvido e que por isso constituíam fatores
89. o processo monitório de crescente insatisÍação das pessoas. Foi intuito do legislador oferecer
uma justiça bem mais informal, pela simplicidade dos atos do processo,
Processo monitório e um processo eminentemenÍe participaÍiva, pela presença de conciliadores em diálogo
destinaclo a oltrecer a satisfàção
de.direitos não amparados pár ríruto com os litigantes, muito mais célere e. portanto, acessível a um número
se,t que seja necessário
o julgamento do r,érito. o títuro
pu.u "*nruriro
u .*"", ção rea,zad,ano processo rnaior de cidadãos.
n'ronitório é produzido nele próprio,
va escrita de seu direiro, desprovida
bastando que o autor apresente pro- A sumariedade da cogniçâo, primeira responsável pela diferen-
de eficácia de tíruro *"iri-" ciação de uma tutela e de un processo (supra, n. 78), no processo dos
art. 700). convencido por essa prova lêpc,
da evidência do direito do autor,
o .jr.rizados manifesta-se mediante alguma limitação
no plano vertical e
juiz expedirá de imcdiat. u ,rondodo
d" pugr,rento. de entrega de coisa n.ruita no horizontal. Por vários modos limita-se a profundidade da cog-
ou para execução de obrigação de fazer
ou àe não Íàzer (cpcl iorl. nição nesse processo especialíssimo. A prova pericial é substituída nos
Como processo diferenciado que é, ^lr. de testemunhas técnicas (LJE, at1.
e não mero procedimento espe_ -juizados cíveis pelo depoimento oral
cial (supra, n. 78), o monitório o instttítao
u u".,jr..i".l;;;;""lu.u 35); nos iuizados da Fazenda Pública há uma perícia a ser realizada uni-
benefício de pessoas titurares de direito;; juízo (lei n. 10.259 de 12.7 .2001,
serem satisfeitos em viajudi_ camente por técnico da confiança do
'
ciária' Por isso, a oferta dessa via diferenciada
não e trazida co, a marca u\. 12 lei n. 12.153 , de 22.12.2009, art. 104). Admitem-se apenas três
da exclusividade, sendo pe,nitida uo
urtà. u escorha entre o processo tcstemuuhas a serem ouvidas por iniciativa de cada uma das partes,
monitório e as vias ordinárias do processo
de conhecimento. clualquer que seja o número de pontos faticos a provar (LJE, ar1. 34). No
O procedimento do processo monitório plano horizontal há limitações mais significativas, excluída a admissibi-
brasileiro reparte_se em
duas fuses bem distinta, ê à, u.r",
lidacle da reconvenção e de qualquer intervenção de terceiro, inclusive
l
."pu,ráà, por um outro processo,
que é o dos embargos ao mandado
mànitório, onde, tal como ocorre assistência (LJE, afi. 10a).
nos ernbargos à execuç.ão gg), o demandado
\supra, n. Mas a individualidade do processo dos juizados especiais é acima
defesa (CPC, ar-. 702). Aprimài.a ";;";;r;;;r"
dersusãr"r, ai,u *onitíio,"priir;iiu tlisso determinada por suas proclamadas características de oralidade,
-r

144 TEORIA GERAL Do NoVo PRoCESSo


CI,i{II, t45
PROCESSO
s imp lic idade, informalidade,
economia proces s ual e ce lericlade,
como pela busca incessante.da- bem também os colégíos recursaís encarregados de julgar os recursos inter-
conciliução o.u Íransação(LJE,
Em modelo que certamente inspirou aú. 2o). postos contra as sentenÇas dos juizados e compostos por três juízes toga-
u àir"iprmu estaberecida no q
dos, em exercício no prin-reiro grau de jurisdição (LJ E, art. 41, § I - lei
do código de Processo ciy.l! (s!,ry",; art.334
inclui uma sessão de conciliaçâá ô, o,procedimento dos juizados n. 12.153, de22.12.2009, art. 17).
r"g" conduzida por juízes ou
por conciliado..r,al-! a1
z!): rJr."á^ír,cro,
purru à insrruçào da causa São atribuídas aos juizados especiais cíveis as causas que se en-
julgamento se a conciliaçào e ao
nào prodrrir. cÍêitos (afl. 24l.Nos cluadrem nos criterios dispostos nos arts. 3e e 8a cla Lei dos Juizados
da Fazenda púbrica juizados
é permitida ,';u,* ;.;.stemunhas
para o melhor encaminhamento pelo conciliacror Ilspeciais. O fato de poderem ser propostas perante osjuizados não sig-
da composiçào amigável, em prova que rrifica que elas sejam excluídas da competência dos órgãos ordinários da
não se renovará perante o juiz
não se opuserem (rei ,. 12'r53, "1"
se .ri*..,
desnecessária e as paftes jLrrisdição; cabe ao auÍor a faculdcrde de optar entre uns e outros. Trata-
de 22.t2-.iôog, urt. r6). o proceclimenro -se de competências eletivamente concorrentes e não de uma suposta
e superlativa,ente oral, descle
a p."p";;;;" cla demanda (não oor-r.rpetência exclusiva dos juizados (supra, n. 78).
riamente por escrito), a contestaiá"ã" necessa_
,raiercia e proração irnediata Ao dizerem que e absolula a competência dos juizados da Fazenda
de sentença pero juiz. os juízes
estabelecer um intenso aiapsct.o,,
.
*'""r.,iadores são concitados a I'}ública para as causas que se enquadrem nos criterios estabelecidos nos
palavra e ouvi-las para melhãr
ur;;;"r, seJa ao lhes franquear a arts. 30e 6adalei n. 10.259, de 12 dejulho dc 2001, ou nos afts. 20e 50 da
entender''s-ua;;*.,íHl,':"r:H::,
"it"f.,:Íil"r,*
n o d e senro a. au, tãn
trt ras c on c i i atãrà; lei n. 12.153,de22 de dezembro dc 2009, arnbas as leis pretendem clara-
r
r

cias e simptificada. ,i.,,rri"..


r

," q;.;;;;rp.iro
;"';I
X ; :,"1: nrente afirmar que essa competência é exclusitta e não eletiva, a juízo do
Além disso, o processo é inteiramente oo, cÍepoimenros orais. autor; mas essa disposição não se propaga aosjuizados especiais cíveis.
jurisdição, só se graÍuito em primeiro grau de
exigindo preparo
e 42, § la). Nos juizados óirÉi,
,r-ãÃára de reco,er (LJE, arts.
54
ua",*rã" ru" pode ultrapassar o valor 91. mundado de segurunçs individual ou coletivo
de quarenta salários_n .
paft esporadvogado4liff.X;lX;"H,-,",:,i:ffi Entre as vias processuais alinhadas ao conceito de tutela.furisdicio-
an' 9";' Nos juizacros da Fazenda prúri., ::_tfl]fl
tlmite e de sessenra sarários_
lli|Íil nal diJ'erenciada ocupa lugar de muito destaque o mandado de seguran-
-rnínimos e a dispensa do a<lvogado
p"ã " ça, que tem staÍus de garantia constitucional (Const., art. 54, inc. LXIX)
e geral (rei
n. 10.25g,
"'"*.. ruro, de barateamento
de i2.7.2001, art. 10), o que ,ã-ueilàrriirri o está disciplinado na lei n. 12.016, de 7 de agosto de 2009 (Lei do Man-
tla busca da rutera jurisdicionar clado de Segurança/LMs). E cabível contra atos estalais que lesarem ou
devidos em primeira instância;
H;;;;;;
da sucumbôncia não são
., ameaça-rem direitos líquidos e cerlos não amparados por habects corpus
é irnprovido e, poftanro, confirmada
;g;;à;, somenre quan<Jo o recurso
(Const., ar1. 5-a, inc. LXVIII inJra, n. 173) ou habects datct (ConsÍ., art.
(LJE, arr. 55). o agravo
cle instrumento é cabívcr "'r;;;;ç"
excrusivarne;;;;;;", as decisões interrocu- -54, inc. LXXII; lei n. 9.507/97). O direito é líquido e certo quando a de-
tórias relerentes a medidar rnonstração de sua existência independa de dilações probatórias no curso
u.g"n,", 1"ur-,.rã."r, antecipatórias)
indefiram o processamento dolec_u^à ou que do processo (LMS, art. la).
;ri..p"rro contra a sentença (lei
\"'!i,i,';'f"::::::l'arts n i2'r53. de ,r ,i ioó,õ, à,
40 e so- rei Essa tatela jurisdicionql di.ferencioda conta com uma diferenciação
cm grau elevadíssimo, quer mediante a exclusão de certas matérias a
reridapáros;;ã";:fi j"*:"T:T,:::,iT1,,"o'1"."J:,§,:lJil:1,fl cliscutir, quer pela inadmissibilidade de qualquer prova além da docu-
só podendo o juiz agregar_the
,

esr"
:l rlental, quer pela grande concentração do procedimento. O autor tem,
sentença puder trazer risco "feJã"[rãra" a pronta execução da
de dano irreparáuãi por esse motivo, a faculdade de maniÍ-estar sua pretensão pelas vias
1r_ln, art. B).
ordinárias ainda quando presentes os rcquisitos para o rnandado de se-
Todo juizado é presidido por
utn juiz togado e conta com gurança (;upra, n. 78).
l

jll:r-^1r-,,,ures paraJurisdici"rui, o, jrri;;.";r" qualiÍi_


sào os iuizes teisos,
orht/ros e conciliodoras. cujas Será negado o mandado de segurança quando faltar clareza ou pro-
tunçôes a lei cspecíl,ica. O
L
sistema inclui va conclusiva quanto aos Íàtos: na linguagem da lei, quando o possível
I

ll
I
I
116 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO t4t

direito do impetrante não for ríqtticro e certct. Essa sentença não impetrado
rrcará dessa obrigação - mas o ente (estatal ou não) a que peftence o
coberta pela autoridade da coisa julgada e o pedido pode preparos feitos'
ser reiterado é condenado a resÍituir ao impetrante o valor dos
depois (seja mediante outra impetração, sejà pelas vias ordinárias
LMS, arts. 60, § 64, e l9).
-
Aolongodesrrahistórianodireitobrasileiroomandadodesegu-
rança foi acl[uirindo dimensões mais amplas que de início'
quanclo se
O mandado de segurança somente é admissível quando impetrado
no prazo de cento e vinte dias da data da ciência do ato a ser entándia que seria ad,rissível somente em Íàce de atos da Administração
impugnado
(LMS, art.23) Se o prazo passar sem que o interessaclo haja impJtrado Pública, ou seja, de atos de funcionários das pessoasjurídicas de direito
o mandado de segurança, nem por isso se reputa extinto ieu eventual público. Nessa evolução passott a ser admitido também em relação às
particu-
direito ao resultado desejado. o que deixa àe existir e a adequctçã, sociedades de economia mista, a diretores de estabelecimentos
(mandado de
lares de ensino e mesmo a integrantes do Poder Judiciário
dessa tutela diÍbrenciada, carecendo o impetrante de ação po,
interesse-adequação (supra, n. 74): o
áltu do seguÍança contra atojurisdicional - infro,n' 172)'
-ondudo de segurança deixa de
ser o remédio adequado para a clefesa de seu possíveidireiío,
ficando- A Constituição Federal e a Lei do Mandado de Segurança ofere-
-lhe à disposição as via,v orcrinárias oferecicras pero direito pro."rrrul
cem também o remedio consistente no mandado cle segurança coletivo
comum.
(Const., art. 5e, inc. LXX LMS, arts. 21-22), modalidade de processo
Devem figurar no polo passivo do mandado de segurança o
agente )obtivo (infra, n.92') pela qual se admite a iniciativa de entidades re-
que realizou o ato impugnado pero i,rpetrante (auÍorídode'coatira) presentativas de categoria em defesa clos direitos e interesses coletivos
e
e
a pessoa jurídica que ele integra, à qual se acha vinculado individuais homogêneos de seus integrantes'
ou da qual
exerce atribuiçôes (LMS, ar1. 6o, caput). No processo especialíssimo
do
mandado de segurança não podem ter lugar ôertas espécies
de resposta,
como a reconvenção e as provocações da intervenção de terceiros, 92. processo coletivo
sendo
também rigorosamente excluídas a prova orar e a técnica.
o procedi- Aolongodadécadadosanosoitentateveiníciointensamovimen-
mento do mandado de segurança passa pofianto diretamente valores
da resposta tação doutrúária e legislativa inÍiaconstitucio,al de apoio aos
do impetrado e da pessoa jurídica uo pà.ec". do Ministério público
do meio ambiente, da cultura e da história, da moraliclade pública,
de

sentença de mérito, sem saneamento, sem fase instrutória interesses
e sem audiên_ proteção aos consumidores colxo grupo em que se concentram
cia (LMS, art.12). Tal resposta, à qual a Lei do Mandado
d" S"grrarçu iromogêneos e1c. - tudo se reconduzindo ao conceito amplo de direitos
cláo nome de inJõrmações (art.7a, inc. I), na prática é uma verãadeira jurisdicional
e inteiesses transindiviú,tals e tudo se coordenando à tutela
c:oníestação, ainda que não portadora de todo o conteúdo uma
<1a contestação a ser prestada a classes, categorias ou grupos de pessoas mediante
regida pelo Código de processo Civil (ar1. 337).
nova modalidade de processo, o processo coletivo'
A sentença condenatória concessiva d,e mancrctcro de ,segurança
tem lsso se vê de modo bastante enfático na Lei da Ação civil Pública,
eficácia imediata e
que é do ano de 1985, e no Código de Defesa do Consumidor' de
é retarcrada pela interposição de ..Jurro átgr-, 1990'
^ãoao
lpesar
de estar sLr.yeita duplo grau de jurisd(ão obrigatório (LMSI art. Éssa inovadora legislação instituiu as ações civis pública,r, notoriamente
14, §_§ la e 3a). A opelação interposta contra a sentença pelas quais o
conces,sivu do inspiradas nu, .á, qictions do direito norte-americano'
mandado de segurança só tcm efeito suspensivo nos casos
especiÍicaclos Itlinistério Público, certas associações e mesmo algumas entidades ou
em lei (LMS, ar1s. Je. § 24, e 14, 3u). juízo a lutela
s órgãos públicos ou privados são legitimados a postular em
No mandado de segurança há isenção do impetrante e do impetrado de classes, categorias ou grupos de pessoas'
por honorários (LMS, art.25). mas sujeita_se aquele a todos
os ôn,rs de Comoreferido,aáreadeatuaçãodasfutelascoletivasérepresentada
adiantamento de despesas. se a decisão lhe for desfàvoráver
responderá pela categoria dos direitos e interesses sttpraindividuais ot transindivi-
por elas a Íinal, sendo condenado a recolher o que faltar.
Ao impetrado tluais. Aãefinição desse ârnbito de atuação projeta-se na ciência proces-
rara'nente são impostas as custas e,,l caso de sucumbência (;upra, n' 74)' só se
poiqLre na sual mediante a configuração do interesse-adequação
rnaioria dos casos ele e um agente estatar e a Fazenda púbrica tetmos dos art' 81, par'' incs' I-III'
é isenta admitindo as ações civis públicas, nos
'"1

I48 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL


PROCESSO 149

do código de Defesa do consumidor, quando se tratar


de direitos crifusos significativa, o valor da indenização reverterá a um fundo dedicado à
(p' ex', propaganda enganosa dirigida a um público indeterminado
)i ,ot"- proteção da massa de consumidores (CDC, art. 100, par.).
tivos (p. ex.,
dos consumidores de determinádo produto, como os
#i"on_
cepcionais) ou individuais homogêneos (p. ex., massa de O art. 103 do Código de DeÍbsa do Consurnidor incorre em uÍla
consumidores
lesados individualmente por determinado produto
ou serviço). impropriedade conceitual ao afirmar qlue a coisa julgada será erga
omnes eÍÍr caso de tutela referente a direitos ou interesses difisos; tiltra
são direitos individuais homogêneos, otr acidentarmente partes quando forem tratados direitos ou interesses coletivos; e também
coretiyos,
aqueles que têm por titulares p"r.oà. que poderão ser erga omnes na hipótese de reconhecimento de direitos individuais homo-
individuarizadas]
mas, sendo todos eles oriundoi d,o mnsmofrto e sendo gêneos. Na realidade, o que tem essas possíveis dimensões subjetivas é a
significativameni
te numerosos os indivíduos lesados, o ímpacto dn massá
decorrente da eJicácia sub s ta n cial de tai s sentenças, não a coisa jul gada (infra, n' I 40)'
lesão levou o legislador.a dar_lhes trato processual coletivo.
Seus pos_
síveis direitos individuais recebem um tiatamento processuar
coletivo, 93. ução popular
sem deixarem de ser individuais.

Também a ação popular se enquadra na categoria dos processos


Aquele que vem a juízo postulando uma tutera jurisdicionar
coletiva coletivos e segue princípios e regras muito semelhantes aos da ação civil
estará Íbrmalmente no processo na condição de àunr
mas nada pede pública. A Constituição Federal a inclui no rol das garantias fundamen-
para si, senão para alguma coletividade. pede em nome
próprio -á, no iais do cidadão e em nível infiaconstitucional ela é disciplinada pela lei
interesse alheio, sendo esses os erementos caracterizad,oies
da legitimi- n. 4.117 , de 29 de juúo de I 965 (Lei da Ação Popular/LAP). Qualquer
dade extraordinária, ou substituição processual (CpC,
ar1. lS _ iíja, n. cidadão (LAP, art. 1n, § 3n) tem legitimidade para propô-la, para "anular
100). Ao outorgar essa regitimidade ao Ministério púbrico,
assoc"iações ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado parli-
e ceftos órgãos públicos (LACP, art. gr) o legislador manifestou
o en- cipe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
tendimento de que essas entidades reúnem condições de
idoneidade e histórico e cultural" (Const., afi. 5q, inc. LXXIII).
habilitação suficientes para funcionarem como autoras nas
ações civis
públicas - ou seja, que elas são dotadas de uma regitrmidade Reputa-se cidadão para esse eÍêito todo brasileiro nato ou natu-
ádequada,
l
ou legitimacy o/'representation. como em todos os casos
de substituição raizado que esteja em pleno gozo de seus direitos políticos, isto é, que
il
processual, o resultado substancial dos processos
coletivos, ou seja, a tenha a cápacidade política 6e eleger e de ser eleito. Na prática, cidadão
tutela jurisdicional concedida, projetar-se-á sobre a e o eleiÍor. Pessoa.s jurí.dicas nào têm legitimidade para a ação popular,
esfera de diráitos
i
das pessoas ou coletividades substituícras no processo, seqLrer os p.Trtidos políticos, como há muito declarou o Supremo Tribu-
e não da entidade
autora. nal Federal.
rl
sentença que julga uma demanda de tutela referente
a direitos e O cidadão age na ação popular como substituto processual do ente
interesses difusos tem eficácia erga om.nes, ou seja,
impõe_se a todos público alegadamente lesado (irtfra, n. 100). E, legitimado à ação popu-
til com intenso caráter de universalidade. A que deôide sàbre iu., ..- ter poderes de representação para estar em juízo em nome do
direitos e
interesses coletivos impõe-se urtra partes, aiingindo
lr todos os membros Estado ou da coletividade, porque o regime democrático quer a partici-
do grupo, associação, óntidade etc.-a queremontarem tais pação e a frscalização dos membros do povo em relação ao patrimônio
direitos (v.g.,
os frequentadores de um cinema no qual a sentença mandou àrtutul, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
que se
instalassem equipamentos de seguranç i). A sentença histórico e cultural.
gen.éricctque reco_
nhece a existência de direitos individuais homogêneos
it favorecá a bdos Devem figurar como réus a entidade que o autor-cidadão afitma
os possíveis lesados - a quem compete Çomparecer depois
em juízo, ter sido lesada mais todos os agentes que hajam participado do ato e os
individualmente, com a demonstração do dano concretamente
sofrido benet'iciários deste (LAP, ar1. 60). O ente citado como réu pode manter-
e o pedido de liquidação e execução da sentença proferida
no processo -se nessa condição e defender o ato intpugnado pelo autor, mas tambem
de conhecimento (cDC, ar1. 9g). A falta de interessados
em quantidade lhe é lícito optar por transferir-se ao polo ativo da relação processual,
J 'l
150 IEORIAGERAL DONOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO 151

passando a ser autor, em ritisconsórcio corn o autor iniciar


(LAp, art. 6a, da demanda (LADI, ar1s. 50, l2-D e 16), (d) na ampla admissibilidade
da intervençã o de amici curice (L,\DI, art.7e, § 2e - infra. n' 1 12),
§ 3o). Daí por diante como autor ere será tratado pero juiz e (e) no
os efeitos da
sertença de mérito o atingirão nessa quaridade, quer em caso
de proce- alcance da tutela jurisdicional prestada em caso de procedência ou im-
clência ou improcedência da demanda inicial. procedência da demanda - "proclamar-se-á a constitucionalidade ou a
-inconstitucionalidade
A sentença que aprecia o mérito da ação popular tem efic(rcia erga da disposição ou da norma impugnada se num ou
omnes. Aleitraz uma pecuriaridade no regime dá coisa jurgada
na hipó- noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis ministros, quer
tese de a ação popular serjulgada improcedente por ausência
de prova se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória
l das alegações do autor. Nessa hipótei", uo .onúrio do que
o"oà" nu de constitucionalidade" (LADI, art.23, caput) - e (t) na eltcacia erga
generalidade dos casos, a coisa julgada não obstará à piopositura omnes (em face de todos) da decisão e em seu efeito vinculante em
«re
nova ação popular, fundada etn nova prova (LAp, art. I gj. relação ao Poder Judiciário e à Administração Pública (const., art. 102,
li,lr
, art.28, par. - LADPF, ar1. l0e, § 3a)'
§ 2a - LADI
l 94. processo p&ra o controle abstrato
Algumasdessasespecilrcidadesforamincotporadasàtécnicamais
du constitucionatidude das leis
recente do recurso extraordincírio e do e.special repetitivtts e dos inciden-
rl tes de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas,
o controle abstrato da constitucionalidade das leis é disciplinado nos
arts. 102 e I03 da constituição Federar, na rein. 9.g6g, de l0 justamente porque nesses incidentes, apesar da origelr-r em Llln processo
de novem- que trata de um caso conoreto, prepondera a análise do direito em abs-
i
bro de 1999, que trata da ação direta de inconsÍiÍucionaridadee
da ação tiato, com a prolação de decisão que tartbém atinge a todos e tem eÍêito
declaratória de constitucionaliclade,e na lei n. 9.gg2, de 3 de
dezembro de vinculante (supra, n. 20 infra, n. 154).
1999, que trata da arguição de descumprimento de preceiÍo
Juncramentctl.
A orguição de descttmprimento cle preceito.funclamental é da
com_
l
petência exclusiva do Supremo Tribunal Federàl e tem 95. processo arbitral
a finalidade de
"evitar ou reparar lesão a preceito fundamentar, resultante cre
ato do o chamado juízo arbitral e um processo e nesse processo está
Poder Público", ou "quando for relevante o fundamento
da controversia presente o exercício da iurisdição pelos árbitros, da ação pelo autor
constitucional sobre lei ou ato normativo t'ecreral, estaduar ou
l, municipal, (ou ."qr"."nte) e da defesa pelo réu (requerido)' Tanto quanto o pro-
incluídos os anteriores à Constituição,' (LADpF, ar1. la, capuÍ
epr.., in.. cesso estatal, tudo quanto no arbitral se faz visa à oÍ-er1a de uma Íutela
| - in/ra, n. 174). A ação direta de inconstitucionaridade
. u uça'o dáclu- .juriscliciona./ ou, por outras palavras, de acesso a justiça' E, por ser um
ratória de constitucionalidade são da exclusiva competência 'processo
do Supremo e nele se exercer a jurisdição, a arbitragem está sujeita aos
Tribunal Federal quando cstiver ern jogo o confionto entre tu,a
jurídica e a constituição Federar. A coinpetência
no.-u supe.iores ditames do dtreito processual constitucionql, sem cuja obser-
será dos tribunais cros vância nenhuma decisão arbitral seria legítima, nem a própria inclusão
Fstados para as ações diretas que envolvam normas
estaduais ou muni- da arbitragem entre os meios de solução de conflitos (supra' nn' 27 ss')'
cipais e as respectivas Constituições Estaduais.
A Lei de Ãrbitragem/LA é exptícrta a esse propósito ao estabelecer que
As peculiaridades de todos esses processos decorrem do fato de .,serão sempre réspeitados no procedimento arbitral os princípios do
terem por objeto a analise do direiÍo em Íe,\e, desvinculacla
de um caso contraditório, da igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de
concreto, bem como do escopo ínsito a todos eles, de conÍbrir
a maximq. seu livre convencimento" (ar1. 21, § 20) - e tambem se impõe, embora
e/ e I iv i dade às no rm as c o ns Í i Íuc i o nazr . Essas especi fi ci dades repercutem a lei não o diga, a garantia do devido processo legctl, que constitui um
ir
(a) ,a definição dos e,tes legitimados à proposiiura da demandà (const., polo de conveigência de to<los os princípios e garantias constitucionais
art. 103 - LADI, arts. 2e, l2-A e l3 _ LADPF, aft. 2o, inc. I), (bj
na não ào pro""rro e tàmbém do exercício do poder em geral (supra, n' 38)'
l
vinculação dosjulgadores à causa de pedir apresentada pelo
autor, sen_ um dos mais imporlantes traços distintivos do processo e da jurisdi-
do admissível o julgamento com fundamentà em norna constitucional poder decisório do árbitro, o qual não
ção arbitrais consiste na origem do
I

diversa da i,vocada na inicial, (c) na impossibilidade de


I
o autor desistir oonstitui projeção de um imperium estatal mas simplesmente da vontade

iil
i-

t52 TEORIA GERAL DO NOVO PROCDSSO CTVIL PROCESSC) 153

constituição positiva ou negativa, mera declaração) e


Çonjunta das pafies. E,ssa vontade deve
vir expressa em uma convenção valendo como
dt urltitrogem. caracterizada por unra cláuiula inserida em contrato título executivo judicial para Llm futuro cumprimento de sentença a ser
escrito celebrado entre as partes (cláusula compromissória) ou por uma realizado pelos juízos estatais (LA, arl' 3 I supra, n' 87)' Além disso' o
ulterior manifestação das partes, que e o compromisso arbitral celebrado fazet a censura das sentenças
Poder iudiciário não tem poder algum de
depois de já eclodido o conflito (LA, aft. 3a). Sem essa opção formal não regida pelos arts. 32 e 33 da Lei
arbitrais pelo mérito. A aç'ão ar.mlitória
se admite a arbitragem nem se exclui a jurisdição estatal. regu laridade pro,cessuttl
de Arbitragem llmita-se a permitir o oontrole da
ir do exame de even-
Optando as paúes pela arbitragem, fica excluída a jurisdição dos juí- dessas ,"n1"nçur, não podendo ojuiz estatal além
que vem postular sua desconstitui-
zes estatais para aquele caso especíÍico - e eventual processo que venha tnats nulidadás alegadas por aquele
a ser instaurado perante tais juízes por iniciativa de uma das partes será çáo (infra, n. 167).
extinto sem julgamento do mérito sempre que a outra parte suscite, logo ao
contestar a inicial, wna prelitni,nttr de arbitragem (CPC, art.33l , inc. X).
§ 2s. os suJEITos Do PRocESSo
E,ssa prelirrinar é uma e,rceç.ão em senÍido esÍrito, ou seja, uma 96. os suieitos do Processo
deÍêsa da qual o juiz estatal só podc tornar conhecirnento quando for ale-
cottto-Íitr'r-
gada pela parte interessada, não podendo pronunciar-se ex officio a esse Sujeitos processuais sào todas as pessoas quc.figtrram
respeito e ocorrendo uma preclusãct quando tal preliminar nâo for levan- lares clas sitiações .itu'ídicas ativos e passivas inÍegrantes da relação
tada logo naquela oportunidade (CPC, art. 337, §§ 5e e 6e - supra, n. 7 6). irt,,r:ídiro proceisttal"(supra,
n. 77). Ser sujeilo do processo e ser titular
d"r.u, fáculdades, ônus, poderes, deveres, autoridade ou sujeição'

Outra característica fundamental da jLrrisdição arbitral consiste em ás sujeitos processuais, o, quais o juiz, as paftes e os a.uxiliares
sua limitação às atividades cognitivct,s, jamais tendo o árbitro o poder de
"ntr"
legitimados a realizar os atos do processo' ao longo clo
áu frr,içu, sao
reafizar qualquer ato de constrição sobre pessoas ou coisas (execução procedimento.
fbrçada, efetivação de medidas coercitivas etc.). busca
Há sujeitos processuais parciois, que no processo estão em
que são juízes
da satisfaçáo de uma pretensào; e sujeitos imparciais'
Caracteriza-se ainda o processo arbitral por um menor Jbrmalismo os
terceiros alheios
em relação ao estatal e pela possibilidade de definição de seu procedi- oa arbitu;s no exercício da jurisdição, na qualidade de
do Justiça' que
mento por ato de vontade das partes, preponderando pois o princípio da ao conÍ-lito de interesses, bem como todos os auxiliares
liberdqde das .f'ormas sobre o da legalidade. No direito positivo atual mediante atividades complementares lhes dão o apoio indispensável
porém essa diferença entre o processo arbitral e o estatal está em alguma para que a jurisdição porrá ,". exercida' O
juiz, o autor e o réu dizem-se
medida atenuada porque o próprio processo civil comum comporta cefta pessoas envolvidas nos
su.leitàs piincipais,porque são e§14§ últimas as
quem dirige o proces-
dose de flexibilizaçãct do procedimento, especialmente à vista do que .onRltoi de interesse trazidos à Justiça e e aqttele
dispõe o arl. 190 do Código de Processo Civil (supra, n. 78). soedecidearespeitodoconÍ]ito.Sãosujeitossecundáriosoadvogado,
e os auxiliares da Justiça, subordinados ao
jutz'
Manifestada a opção das partes pela arbitragem e provocada a ins- que representa as parles,
tauração desta, o árbitro ou árbitros nomeados por elas poderão aceitar iuÍnUÉ* o Ministàrio público considera-se parÍe em todos os processos
ou não a nomeação, e quando a aceitam estão a celebrar com elas um em que oficia.
contrato de arbiÍragem, que é a fonte do poder que virão a exercer ao
instruir a causa e proferir o sel:- laudo ou sentença arbitral. Essa sentença
97. juiz e purtes nu relação processual
não é sujeita a recurso algum, ressalvado o pedido de esclarecimento,
que exerce a função de verdadeiros embargos de declaraçãct (LA, art. Constitui postulado clássico da teoria do processo a conÍormação
30 in/ia,n.156). lríplíc'e da relaçao jurídica processual' F' absolutamente
excluída a pos-
próprias forças e
No direito brasileiro atual a sentença arbitral não depende de ho- slúilidade de que as paftes litiguem por si sós, com suas
mologação pelo Poder Ju.diciario (LA, art. l8) produzindo ela, por ou deixem de
segundo as regras que elas próprias estabeleçam, cumpram
si própria, os lnesrlos efeitos de uma sentença judicial (condenação, -.uúdu sem um diretor que comande e discipline esse comba-
",,'mpri.
155
PROCESSO
154 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVL
jurídicas ativas ou
parte, figuram como tihrlares das diversas situações
te. Não é admissível pensar na relação jurídica processual somente entre
ilJ;;Jil;;i;;; ii"a'"i"" da relação jurídica processual (roderes'
autor e réu, sem o juZ. ""
ônus, deveres, sujeição)'
iaculdades,
Nas décadas que se seguiram à formulação da teoria do processo parte exclus.ivamente p"t'.ó{lt^1^*:
Esse conceito, que define a
como relação jurídica (segunda metade do século XIX e início do século é o único iapaz de explicar sistematicamente
a contraposlçao
pro""ú ligações
XX - supra, n. 4) ocorreu aos juristas a ideia de valer-se de elementos u' àitátçO"t próprias das inconvenientes
oarte-terceiro, sem do processo.
da geometria como expediente didático destinado a figurar sua confor- O"-ãi*iro substáncial ou com o objeto
mação subjetiva. Ela foi de início descrita como uma linha reta, tendo
:H;;ffi;* defini-
Essa contraposição conduz aw
conceito negativo de terceiros'
em uma das pontas o autor e na outra o réu, sem qualquer menção ao q""'-"áo são partes' Enquanto terceiro' a pessoa não
dos como aqueles
juiz. Outros aidealizaramÇomo um triângulo,que é uma figura fechada dós poderes' faculdades' ônus
real\zaatos no p.o""r.o'" nào'é titular
e composta de três linhas e três ângulos - figurando o juiz no vértice, e qne çaraçlerizam;;"1'n*
porque não participam da
processual'.E'
etc.
nos ângulos inferiores o autor e o réu. Outros, ainda, expressaram a re- do julgamJnt;õ nao e lícito estender-lhes os efeitos
lação processual mediante duas linhas retas convergindo a um ápice, ou
DreoaraÇão 'i'a'
diretos da sentença (CPC, art' 506)'
seja, formando um ângulo - e esse ponto de convergência seria o juiz e
na extremidade oposta de cada uma das linhas estaria um dos litigantes. parte permite também
A boa compreensão do conceito puro de
parte e de parte legítima'
Ateoria linear estítdefinitivamente afastada, porque desconsidera a pre- distinguir .o* toOu o' tonttitos de

sença do juiz na relação processual. Atriangular tem por fundamento a


"i*t'u processual como parte poderá ser
Aquele que está instalado na relação
o caso (sobre a legitimidade
uma parte legítima áo it"giti*u'
confôrme
existência de vínculos processuais entre cadaum dos litigantes e ojuiz e
aparte legítima pode estar na
também de vínculos que ligam cada um deles ao outro' A angular nega de parte v. suprtt,n' 74)' Inversamente'
Pensar' p' ex'' em uma ação de divórcio
a existência dessa ligação direta entre as partes e sustenta que cada uma relação processual ou não estar'
movida por sujeito q"t t":' ligado Á outra parte por uma relação de
delas está comprometida exclusivamente perante o juiz. Prepondera na 'ã" üÍÍa parte ilegítima, mas no processo
doutrina brasileira a teoria angular, constituindo essa configuração geo- matrimônio. EIe serà nitidamente
juiz the indeferirá a petição
será uma oo,,n [uílq"er outra' o
métrica um elemento válido para airfierpreÍaçáo do disposto no art. 60 do p"un", pâàttá recorrer' A ele' como
"oÃo- parte vencida'
inicial e
código de Processo civil, segundo o qual "todos os sujeitos do processo "r., ""-o consistentes nas despesas
serão imposto* o' da sucumbência
devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoixel, deci- "ltutgoi da parte adversa'
;;;;"d-" e nos honorãrios do advogado
são de mérito justa e efetiva".
tomados
O caráter tríplice da relação jurídica processual (angular ou trian- puros de parte e de terceiro devem ser
Esses conceitos
chave mestra de grande
gular) corresponde, porém, apenas à sua estrutura subietiva mínima' como seguros pontos de apoio ou
como uma
ou práticos com
Não pode existir um processo sem o juiz, sem um demandante ou sem utilidade puru u sol,çao á" àt'itot
problemas conceituais
um demandado, mas no entanto pode havê-los em número superior. São estudiosos e os operadores do direito'
que a todo *o*"rro JJi.pá.Àãà
comuns em direito processual os casos de pluralidade de partes, que se
configuram no litisconsórcio ativo, no passivo ou no bilateral, ott misto
(mais de um sujeito no polo ativo, ou no passivo, ou em ambos), ou nas 99. Parte e rePresentante

diversas modalidades de intervenção de terceiro (assistência, denuncia-


O representante não é parte' Ele não atua no processo em nome
ção da lide etc. - infra, nn. 101 ss.). parte será este e não
próprio, mas em ào representado' e portanto a
"oÃ" das
dar-seà representação de alguma
aquele. Em várias ,lúõo"t p"aerá
98. o conceito puro de p*te puro de terceiro outo:g^a de poderes de representação
e o conceito partes no processo,'"j'r* iorçu da
ipt"*ào* - CPL' a1t' 104)' seja por força da
por um sujeito u o"iiJ
Partes são os sujeitos do contraditório instituído perante o júz' üercidas por uma dada pessoa natural
em uma
posição e das funções VI[)'
São todos aqueles que, tendo proposto uma demanda em juízo, tendo jurídi"u tOit"ãto, r-epresentantes legais - CPC' art' 75' inc'
pessoa
sido citados, sucedendo à parte primitiva ou ingressando em auxílio da
PROCESSO t57
156 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CI\IL

seja por imposição legal (incapazes de mais de um autor ou mais de um réu chama-se
litisconsórcio (infra,
- CPC, art. 7l).
Os resultados do
processo não atingirão o representante mas somente o representado n. 102). O litisconsórcio pode ser formado logo no início do processo'
- mais de um réu na petição
seja para beneficiá-lo com uma sentença favorável, seja para atingilo com a indicação de maisàe um autor ou de
na
com uma desfavorável. Quando vencido as despesas do processo e os inicial(litisconsórc io inicial) ou mediante o ingresso de um terceiro
de terceiro
honorários da sucumbência incidirão sobre o representado, que é parte, pendênàia do processo, fenômeno denominado intervenção
e intervenção de
e não sobre o representante, que não o é. io ulterior infra, n. 1 03)' Litisconsórcio
ilitiscorsó.c - pluralidade
ierceiro são as duas categórias integrantes do conceito de
Se o representante agir com excesso de poderes ao propor a de- de partes.
manda ou na realidade não existir representação, a causa do processo
deve ser atribuída ao falso representante, que será responsabilizado por
despesas e honorários (infra, n. 139). 102. litisconsórcio
posição de
Litisconsórcio é a presença de duas ou mais pessoas na
100. sucessão processual e sabstituição processual demandantes ou de demandados. Os sujeitos que se
agrupam em um dos
polos da relação processual são, entre si, litisconsorles' Todos são partes
Na sucessão processual ocoÍre a alteração de uma das partes de um posição relativamente ao objeto do
processo já formado. A sucessão a título universal manifesta-se nas hi- irir"ipuls, guardando sempre certa porque em relação
pro"^ro- *.1u po.q.r" propuseram uma demanda, seja
póteses de morte daparte pessoafisica ou de fusão, cisão ou extinção de ser citados ou porque o
a eles umu dàmànaà foi proposta e eles vieram a
pessoas jurídicas (CPC, art. I 10). Já a sucessão atítulo particular decor-
juiz mandou citar algumàelês como parte indispensável' ou ainda porque
re da alienação da coisa litigiosa ou do direito litigioso (CPC, art. 109). A plurali-
o réu chamou ao processo algum deÉs (CPC, arts' 130 ss) etc'
Em todas essas situações há sempre um surjeito que se exclui da relação
dadedeautoresqualifica-secomolitisconsórcioatiyo.Deteus,passivo.
processual (o sucedido) e um outro que passa aintegrá-la (o sucessor). (ou misto).
Nos dois polos dá relação processual, litisconsórcio bilateral
A partir do momento em que se dá a sucessão processual será parte no logo
processo somente o sucessor, e não mais o sucedido. O litisconsórcio diz-se inicial (ott originário) quando formado
a petição inicial indicado dois ou mais
ao início do processo, havendo
Não se confunde a sucessão com a substituição processual. Esta ulterior quando re-
autores ou dois ou mais réus; e será um litisconsórcio
consiste na legitimidade de um sujeito para agir em nome próprio mas
sultantedoingressodeumoutrosujeitonarelaçãoprocessualpendente
no interesse alheio (CPC, art. 18, parte final). É como o cidadão agindo
(intervenção de terceiro).
em juízo mediante uma ação popular, PaÍe no processo será ele mas que con-
os interesses que defende não são seus, senão do ente público alegada- Em sentido bem amplo, é aconexidade enlre as pretensões
como a relação
mente prejudicado. O cidadão será um substituto processual, e esse ente, duz à admissibilidade do litisconsórcio - conceituada ela
duas ou várias demandas que tenham um ou mais
substituído (supra, n. 93). A sentença de mérito que julgar procedente a de semelhança entre
elementos cánstitutivos em comum, sem terem todos
(infra' n' 121)'
ação do substituto incidirá sobre a esfera de direitos do substituído e não
daquele. Há na doutrina a aftmaçáo de que, diante disso, o substituído é Essarelaçãoentredemandas,querefleteacomplexidadelegitimadora
sistemático, é
t;;rna parte substancial, enquanto o substituto é mera parte formal. ãã proplà instituto do litisconsórcio e é seu fundamento
to*uoà pelo Código de processo civil, nos três incisos de seu art.
113,
que o litisconsórcio se admite' Esses
101. plaralidade de purtes luru u definição ão, .urot em
àispositivos sâo bastante minuciosos ao distinguir entre comunhão em
pela causa de
Quando se diz que os sujeitos processuais sào três, ou seja, o juiz, diràitos e obrigações (inc. I), conexidade pelo objeto ou
de questões por um ponto comum de fato ou
o autor e o réu, tem-se em vista somente a estrutura subjetiva mínima da p"ai, tir". 11é áTniaaae
àe Airàito (inc. ti!. Como lei
facilmente se percebe, a descreve nesses
relação juridica processual (supra, n. 96). Tal relação poderá, porém, ser
subjetivamente mais ampla, o que acontece quando mais de um sujeito incisosumaescaladecrescentedeligaçõesentreasCausas,caminhando
figura em seu polo ativo, no passivo ou em ambos. O conglomerado àa hipótese de maior intensidade (comunhão) à de
ligação mais tênue
159
I58 TEORIAGERALDONOVO PROCESSOC]VIL
PROCESSO
ao processo dos litisconsoftes
(mero aJinídctde). Arigor, no entanto, todas elas revelam algum grau de poderá ser reconhecida, com a integração
pãÀuàu a coila julgada, no enta,to, a nulidade tlca
necessários faltantes.
conexidade entre as causas.
o litisconsórcio' é Íàctível q* u
superada. Por não ser unitário :*l:1ç1
São de diversos graus e naturezas os modos como as situações quem foi pafie no.processo e é exatamente lsso o
seja eí'rcaz apenas para
.jLrrídicas de uma pluralidade de sujertos se entrelaçam, dando azo à é atingido pela eÍicácia da sentença
q,i" Quem não foi parte não
admissibilidade do litisconsórcio. Esses variáveis graus de intensidade ".".r.ra. tut corro se nenhum vício a inquinasse'
e quem 1bi parte deverá re'pàita-to
manifbstam-se na diferença de tratamentos que a lei endereça ao litiscon-
o julgamento da causa puder'
em
sórcio. conÍbrme o caso. O litisconsór cio e comumquando
sendo na prática exequíveis
As principais classiÍicações das especies de litisconsórcio, que ser- tese, ser heterogêneo para os litisconsortes'
venr corlo referência para a definição do regime a que os litisconsorles contraditórios' Se um dos autores
eventuais julgamentos logioamente
o reconhecirncnto da culpa do reu
Ílcarãro sujeitos, são as que diferem o litisconsórcio /'acultativo do neces- pro\a ter solrido Ou,,o, "'ão'tro nào'
em relação ao que provou os danos
.ttirio e o comum do unitário. conduzirá à procedêncru au at*unaa
ao que não os houver provado; se
Há litisconsrircio nec:cssário c1lrando for indispensável a presença de soÍiidos e à improcedência em relação os autores em
duas ou rnais pessoas no polo ativo or-r no passivo da relação processual. á.Ã-a" foijulgada improcedente em relação a todos por um deles
Isso ocorre selxpre que "pela natureza cla relação jurídica controvertida, "um caso como esse, o rec;rso interposto exclusivamente
amargará em deÍrnitivo a sentença
a eÍ'icácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litis- Jã uá .".o,r.nte beneficiará e o outro
unitário' em con-
consortes" ou quando a lei impõe o litisconsórcio (CPC, art. 114). Em ã"Ját".at"f (coisa julgad a) etc' Havetá litisconsórcio em defesa de uma só
estiverem
contraposição, o litisconsorcio seráJàcttltaÍi.vo quando sua formação não trapartida, quando toOo"s os titisconsoltes
possível endereçar a
seja obrigatória e decorrer da opção do autor pela instauração do proces- ,.ü;üià:,ru inrinaiul, não sendo praticamente diferente' Não podendo cami-
cada um deles um j,l;;;;;;
so litisconsorcial em vez de propor demandas isoladas. Nos termos do ãt
qLre dispõe o art. 115 do Código de Processo Civil, na hipótese de o caso
'etito
uqu"les que devem necessariamente
chegar
nhar por caminhos
ser jufgado sem a integração de um litisconsorte necessari.o a sentença
"pãtiát
aumdestinocomum,duranteoprocessooslitisconsorlesunitáriossão
um-dos litiscon-
será "nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que isso' a contestação de
tratados de modo no*o[anno'Poi
deveriam ter integrado o processo" (inc. l), e"ineficaz,nos outros casos, ainda quando reveis (CPC' art' 345 '
sortes aproveita a toaoi os demais'
que o outro requereu
apenas para os que não foram citados" (inc. ll). i".. tl,'ira" um participa da produção das provas
quesitos' Íbrmulando perguntas
(indicando assistente iecnl"o, t"Oigindo
No caso do inc. I do art. 1 15, que trata do litisconsón:io necessari.ct ou clecisão interlocutória des-
às testemunhas); se for proferida sentença
ttniÍtirio, há cÍbtivarnente uma nulidade. mas não só. A nulidacle se con-
favorável, o recurso ;J'p"J" por um «leles aproveita a todos os 'demais
valida corn a Íbrr.nação da coisa julgada (iníra., nn. i35 e 140) e não se
(CPC, art. I .005).
poro'ito fuao' os atos realizados po.t uT dos littsgol-
pode conceber, à luz clas garantias constitucionais do contraditório e da
a totlos quando destinados a restrlnglr
arnpl:r deÍbsa (Const., ar1. 5q, inc. LV), que a solução ditada na sentença sofles serão ineJicaze:s em relação
puderem enÍiaquecer
seja imposta a cluen"l deveria ter sido pafte no processo e sequer Íbi oita- ü;;;;" fuculdades ou de algum outro modo
do
de litisconsortes (reconhecimento
clo erl caso de litisconsórcio necessário unitário, não há corno impor a a posição pro""r,uul ão t"t;*'á
decisão a apenas um dos litisconsortes. Além de nula, por afrontar a re- p"dido, renúncia ao recurso elc')'
gra que impõe o litisconsórcio, essa sentença e inefi.coz tanto para qriem
foi quanto para quem não Í-oi pafie no processo. A irreÍicácia não é supe- Olitisconsórcittnece'ssário1:torincintli,bilicJctcleéirm'aogêrneodo
que_ambos decorrem da impossibi-
rada pela coisajulgada e poderá, em decorrência disso, ser reconhecida litisconsórcio ,ritá;,';; ;riii" a" tanrbém
de um dos sujeitos sem decidir
em qualquer sede, como a impugnação ao cumprirlento de sentença, a lidade de decidir t"tt" ' tiit"çao as de-
e sem que sejam hotnogtrneas
demanda declaratória da ineÍicácia da sentença, os embargos de terceiro, sobre a do outro lnecessariedade) Público move
Se o Ministério
a ação rescisória e/c. cisões reÍêrenttt uo'-Joi* (unitariedade)' permitidos pelo
em um dos casos
No caso do inc. It do art. 115, que trata do litisconsltrcb necessarí.o uma ação de ctnulação cle casantenÍo porque é
que a m:Ya aambos os oônjuges'
comum, em realidade a sentença será nula, por aÍronta à exigência do Cóc1igo Civil é indispensável de solteiro
de volta ao estado
litisconsórcio e, enquanto não sobrevier a coisajulgada, essa nulidade .iuridicarnente i''pàJ'i'"i ou'á'u"-' deles
I60 TEOzuA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO

deixando o outro casado casudo com queil./l Pela mesma razão, rnovicla 104. intervenção litisconsorcial voluntdris
essaaçãoaambosóindispensávelqueajulgrreojuizdomesmomodo
para o marido e para a mulher, porque a decisão que pusesse os dois em
Na intervençã.o litisconsorcial voluntária um terceiro intervém no
estados diÍêrentes seria tão absurda quanto aquela outra. Esse exemplo processo para figurar como litisconsorte do demandante, ao apresentar
Corriqueiro,quechegaasercaricato,édosquemaistêmsidoutilizados demanda conexa à do autor, de mesma natürezae em face do mesmo reu.
pela áoutrini na demonstração da necessariedade-unitariedade, embora O Código de Processo Civil não collsigna essa espécie de intervenção de
sc saiba tarnbém que o litisconsórcio necessário não é invariavelmente terceiro e por isso houve e ainda há muita resistência em relação a ela,
unitário e que o unitário pode ser talrbém Íàcultativo. Ordinariamente seja na dor.ttrina ou entre os tribunais. Com o passar dos anos progride
o litisconsórcio necessário em razão da incindibilidade das situações é no entanto a tendência a aceitá-la, desde que a interuenção seja realizada
tarnbém unitário (como o do exemplo acima), lnas isso não acontece
antes «Je o juiz despachar a petição inicial, quando houver pedido de
cluatrdo a necessaricdade decorre apenas de uma disposição legal; nessa
(não tutela provisória, ou até o saneamento do processo (;upra. n. 82), se não
seguncla hipótcse telx-se o litisconsórcio necessário mas comum
unitário). lnvcrsamcnte, o litisconsórcio unitário será em princípio tatn- houver. Essa tendência de aceitação do instituto fez com que ele fosse
bern nece.s,sárlo, tnas llelx selxpre: é o clue ocorre. p ex', nas caLlsâs
para consagrado na Lei do Mandado de Segurança (supra, n. 9l), estabele-
as quais a lei estabelece ttma legiÍimidade ext.raordinária concorrente cendo esta que "o ingresso de litisconsorte ativo não será admitido após
-- mais cle um sujeito é autorizado a atuar em.iuízo, cada um
deles em o despacho da petição inicial" (LMS, art. 10, § 2a).
nome próprio mas toclos no interesse de um só e mesfilo terceiro. A lei
não exige que atuem em conjunto, o que signilica q]uie não é necessárkt
o litisconsórcio entre eles: só proporão a demanda em conjunto se assim
105. intervenção do litisconsorte necessdrio
preferirern. Mas ó absolutamente úníco o objeto da demancla de cada um n' 102) não imple-
Em caso de litiscons(trcio necessário (supra,
àeles, sendo u,r só o substituído: todos são substitutos processuais de pode
mentado pelo autor logo ao propor sua demanda ser determinado
un] substituído só. Por isso, se optarem pof atuar conjutltamente, esse jurídica pro-
o ingresso de um terceiro em algum dos polos da relação
litisconsórcio será unitário, não obstante Íacultativo'
cessual. -Esse ingresso pode ser voluntário, provocado pelo autor ou pelo
réu. Essa hipótese é ao mesmo tempo ligada à teoria do litisconsórcio
103. intervenções de terceiros
e também à da intervenção de terceiro. O ingresso do litisconsofie ne-
lntervenção de terceiros e o ingresso de um suieilo em processo cessário na relação processual pendente entre outros é serl dúvida uma
pendeníe enÍre outros, como parte. Dadas a proximidade entre peSSoaS inÍervenção, e essa intervenção é destinada a dar eÍêtividade às regras
que são partes e pessoas que não o são bem como a situaÇão de direito inerentes ao litisconsórcio necessário.
material em discttssão no processo, elas podem ficar sujeitas a algun'l
efeito indireto sobre sua eslera de direitos. E o caso do terceiro que quei- 106. ussistêncis simples ou litisconsorciul
ra evitar que o julgarnento de uma causa crie um precedente desÍàvorá-
vel no tocante a Lllna concreta relação jLrrídica sua com uma das paftes, Na asslslárcla um terceiro com interesse jurídico rra prolação de
situação em que intervirá como a.!.§1,§lerle. Assim e tambem quando uma sentença Íàvorável a uma das paftes ingressa voluntariamente no processo
das partes pretende haver uma decisão qlte a favoreça na hipótese de com o objetivo de auxiliá-la (intervenção ad coaditntandum - CPC, aÚ.
sair-se vencida na causa pendente: denunciação da lide on o
fará então a 119). A assistência tem por limites temporais o início do processo e o
chctmamento oo ptocesso elc. (a extensão subjetiva dos efeitos direÍos da mornento em que ele se extingue definitivamente. Enquanto não extinto
sentença é excepcionalíssima no sistema e sua generalização chocar-se- a assistência será admissível qr-nndo presentes os demais requisitos, e a
-ia frontalmente com as garantias do contraditório e do devido processo passagem da fase de conhecimento para a de cumprimento de sentença
legal - suprct, nn. 33 e 38 - infra, n. 140). seja para benefício do terceiro não restringe nem limita sua admissibilidade. Por isso o assistente recebe
qri. int".uér, ou da parte que provocou a intervenção, são esses eÍ-eitos o processo no estado em que se encontra (CPC, ar1. I 19, par.), ou seja, sua
indiretos que justif,rcam a intervenção. Adiante serão analisadas breve- interuenção não acarreta retrocessos no procedimento ou repetição de atos,
mente as dilerentes especies de intervenção de terceiros' devendo ser respeitadas todas as preclusões eventualmente já consumadas.
163
I
PROCESSO
I
CWIL
162 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO
(CPC'
eventual decisão que the haja causado algum prejuízo iurídico
O as- ,-a de tercei.ro' mediante
a' a simples e a litisconsorcial' art.996)- e essa e -odãlidade de intervenção
Há duas espécies de assistênci que a sentença in[1uir pafte no processo' Exige a lei que'
a qual á terceiro recorrente se toma
sistente e litisconsorciui' à'
rI q'uf incado'.'"sempre
uáu"ttatio dã assistido"' devendo--ser "a possibilidade de a decisão sobre a
na relação jurídica ."t;;;;";;
uo'.."or."., o terceiro demonstre
l
da pafie prm- judicial atingir direito de que se
o assistente e "litisconsotte .etuçao submetida à apreciação
l
considerado nesta hipótes. lu" possibilidades de atuação
3uriaica
juízo como substituto processual"
que as afirme titular ou que possa discutir ern
cipal" (CPC , an. 124)' tsso significa p-rincipal' ou sela' terá a indispensável legitimidade
serão i""l"t qti'-"' u' d"
uma parte (CPC, art. 996, pár.),iem o quê ele não
desse assistente
signihca' todavta' que
tantas quanto as de um litisconsorte -ry11ão uo pto""tto demanda
recursal.
pois náo traz
ele seja um verdadeiro litisconsorte'
julgada n"* * iut" aàte rol pÍoposta qualquer demanda
algr-nr-ra a ser da 108. denunciução da lide
tnerito (suprLt'll' 102)' A procedência
a scr julgadu,,o,"n'""çu de conde-
bem algum-nem ele sofrerá uma A denunciação cta tide é uma demanda dependente da principal
clemanda inicial não f ft"ãttiUu;ta da qual sela qual se postula
rracão ou alteração í*iaico-substancial proposta por aLltor ou réu em face de terceiro na -um
"'";i;;;'^;ú"ia"
dominante na doutrina a opinião de
que
direito de regresso (CPC, ar1. 125). A utilização da denunciação da lide
ilffi;"ü r" .,r,;*" frrga"mente
;;rJ" Áeiro t i t i s,' o n s o r t e. Há assistência
o ass i srenre t i t ir.onrorÍl l ;
;; é uma faculãade do clenunciante e, se não hottver
a denunciação' será
prcsente interesse jurídico porrir"f exercer o direito de regresso em autônoma (CPC' afi'
simples nas demais ttiiott"'
em que clemanda
"ttr;::
inte.nso' L'oniorme consta do
art' l2l' terceiro passará a ser.réu nessa
na intervençào porem nào tào atuará como
iil" S 1o). Realizada a denunciação, o litisconsorte
caput, doCódigo Ot
pÀ""t'o Civil' "o assistente simples
d"-unda- subsidiária e ao mesmo tempo figurará como
poderes e sujeitar-se-á (CPC' arls' 127 e 128)' Em tese'
auxiliar da parte pt'n"ipul' exercerá
os mesmos r1o denunciante na demanda principal
q" o assistido"' O assistente litisconsor- julgada procedente a denunciação feita pelo réu deveria ser imposta
a
aos mesmos 0,,' p'o""ã*'"i;
podendo inclusive em favor do denunciante'
uma parle principal' do denunciado exclusivamente
cial tem os mesmos poderes dá assistid: o que essa conde-
contrariar a orientação tomada
no processo pelo
"tl':-'jt: No entanto, por razões de ordem prática, impõe a lei
"oãO"nrçao
não pode contrarlar o principal' de modo a que
simples, apesar at t""Uá-
ter poder de atuação' ,ruçao lur"Uem benef-rcie o autor da demanda
pelo cumprimento da
assiitido (CPC, arl' 122)' o ié, o denunciado respondam solidariamente
que seja a classe em que se "
obrigação (CPC, arl- 128, par')' Dada a relação de dependência entre a
Julgada a causa' o assistente'.qualquer vencedor
à' decisão' nos termos do J"lnãnàu principal u,u6riaiâ.ia, se o denunciante sagrar-se
enquadre, Íicará sujeiio à chamadá7uitiço irnpedido' " pois carecerá o
de Processo Civil' E'le estará na principal o mérito da subsidiária não será apreciado'
que dispõe o art' tZj áo Código pafie' de repor em julgamento (CPC' art' 129'pat')'
o-uã ve't'u a
figurar como rlcnunciante de interesse erl seu
em alguma como
j.,rg"*"itJ 'u
"*ià atuado
discussão o
"u,rru p'"}ãtia" naquela-em que houver
assistente. 109. chumamento ao Processo
é a prevista no art' 5q da lei
n' como
Hipótese peculiar de assistência UIi:-f* No chamamento ao proces'\o, o reu, quando trazido a este
a intervenção'd" devedor solidário
9.469, dero at r*rf'Jà" lsgz'
qu" aclmite rlçvedor de uma obrigação solidária, pede que outro
"nas causas em que Íigurarem' como autoras ou rés' autarqulas' polJ pussivo da relação- processual' objetivando que a
deral públicas ,"1o ir'rt"grrao ao
de economia mista e empresas do instituto
.,,ndenaf,ão tambérn o atinja (cpc, art. 130). A utilidade
é
fundações p"tricaisociedaíes requisito do interesse
na dispensa do
federais". A pt"di;;à;à;;siste pcrmitir ao rétt originário exercer o seu direito de regresso
sem a neces-
bastando o interesse econô-
jurídico para que ü; *bí;;i;
intervençáo'
,i,lu.l" d" propositura de uma demanda autônoma' pois "a sentença de
mico (art' 5q, Par')'
título executivo em favor do réu que satisfizer
1,r',,cedência valerá como
do devedor principal'
rr tlivi«la. a fim de que possa exigi-la, por inteiro'
107. recurso de terceiro preiadicado t,rr. tlc cada um dos códevedores, a sua quota' na proporção que lhes
prejudiccdo um sujeito ate então lrrcrrr" (CPC, art. 132).
Mediante o recurso de terceiro imesignação contra
não figurant" ,ru ..jãnãl f.*.ruur *unif"rtu sua
PROCESSO t65
164 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CNIL

110. sucessão do réu pela purte legítima de eventual instrução probatória o incidente será decidido por decisão
interlocutória (at. 136).
A sucessão clo réu pela parte legítima é modalidade de intervenção
de terçeiro prevista no código de Processo civil vigente que substitui a
ll2. amicus curire
antiga nomeação à autoria. Seu ar1. 338 dispõe que, "alegando o réu,-na
contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo A figura do amicus curire, que também é um terceiro interveniente,
invocado, ojuiz facultará ao autor, em quinze dias, a alteração da petição ingressou no direito positivo brasileiro através do art. 7o, § 2n, da Lei
inicial para substituição do réu". Caso o autor aceite a indicação da parte da Ação Direta de Inconstitucionalidade (,tupra, n. 94). Pelo que ali se
legítima, ele "procede ra, no prazo de quinze dias, à alteração da petição dispõe, tratanclo-se de matéria relevante o relator poderá admitir, no
inicial para a substituição do réu" (art. 339, § ln) - ou poderá ta,rbém, processo de ações dessa ordem, a manifestação de entidade ou órgão
se assirn preferir, "optar por alterar a petição inicial para incluir, como representativo que se proponha a atuar como amicus curice. Agora veio
litisconsorle passivo, o sujeito indicado pelo réu" (art' 339, § 2o)' O o art. 138 do Código de Processo Civil autorizando de forma generica
Cócligo nada àiz sobre a possibilidade de o autor recusar a indicação do o juiz de primeiro grau ou o relator, em qualquer tribunal, a convocar
terceiro legitimado feita pelo réu ao afirmar-se Lll1.a parle ilegítifira, mas por iniciativa própria tais entes representativos a se manifestarem no
tal possibiLidade deve ser admitida sem qualquer sombra de dúvida, dada processo ou deferir evetrtual pedido de ingresso no feito sempre
a a-mpla liberdade que todos têm cle demandar quando quiserem, não "considerando a relevância da matéria, a especificiclade do tema objeto
demandar se assim preferirem ou demandar contÍa o sujcito que esco- cla demanda ou a reperÇussão social da controversia". Claramente teve
therem (supra, n.34:). Mas, seja ao aceitar ou ao recusar tal indicação, o o legislador a sadia intenção de ampliar e enriquecer as discussões das
autor cleverá estar consciente do risco que corre, de ao fim o sujeito que causas mediante a participação de entes especializados e representativos
figurar rro polo passivo da relação processual vir a ser considerado parte supostamente aptos a auxiliar os juízes na boa compreensão das questões
tegitima e, então, ser ele havido por carecedor de ução com a extinção o das pretensões sobre as quais deverá pronunciar-se.
do processo sem julgamento do mérito (CPC, art.485, inc. VI)' "O amicus c:uriae pode recorrer da decisão que julgar o incidente
tle resolução de demandas repetitivas" (ar1. 138, § 3') e opor embargos
llt. inciclente de desconsiderução du personalidacleiutídict dc declaração contra as decisões proferidas no processo em que intervier
(rrt. I 38, § I q). Não pode interpor outros tipos
de recurso (art. 138' § la)
uma das grancles novidades do código de Processo civil de 2015 c os demais aspectos de sua atuação processual serão definidos em cada
foi a criação de uma nova modalidade de intervenção de terceiros, o r.:aso concreto pelo juiz da causa (aú. 138, § 2a).
incidente cle clest.onsideração dct personalidade iurídicct. o objetivo foi
elirninar a extrema insegttrança que vigia no sistema anterior em clecor- I t -1. a tríplice cupacitlade processual
rência de desordenados redirecionamenÍos de execuções e arbitrárias ex- a capacidutle de ser purte' u de estar em.iuíz'o e a postulattíria
tensões da responsabilidade executiva a sujeitos diferentes do obrigado.
-
Pelo que dispõe o Código, extensões dessa ordem só serão admissíveis O tema da capacidade das partes é subdividido em três aspectos
quando houver um prévio pronunciamento judicial a respeito' tlistintos: o da capacidade de ,ser p(trte, o da capacidade de estLr em
1rrí:tt e o da capacidade postula.tória. -Essas três capocidades constituem
incidente poderá ser instaurado "em todas as Íàses do processo
o
rt'r;rrisitos sem os quais as manifestações das partes são ineficazes e,
de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada
porlanto, a prestação da tutela jurisdicional é inadmissível.
em tílulo executivo extrajudicial" (ar1. 134) e e dispensado quando a
'|ôn capacidade de ser parle todos os entes que, segundo a lei, pos-
desconsideração da personalidade for requerida na inicial (art. 134,
apreciado ',irr) scr titulares dos poderes, deveres, faculdades e ônus que integram
§ 2n) - hipótese em que o pediclo de desconsideração será
incidente provoca ,r r.clirção jurídica processual. Em regra essa capacidade seria atribuída
quando do julgamento da causa. A instauração desse
'.rrnrt:ntc às pessoas físicas e às pessoas jurídicas, ou seja, a quem tem
a suspensão do processo @rt. 134, § 3n), e após a citação da pessoa que
1,,'r',s',trtttliclade jurídica (CC, ar1s. l! e 40 ss.). No entanto,
por razões cie
pocleia vir a ser atingida pela desconsideração (ar1. 1 35) e a realizaçào
16ó TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO tío/

ordem prática a lei atribui capacidade de ser parle também a cedos entes (CPC, ar1. 103 - supra, n. 60). Não se incluem entre os atos postulatórios
que nãá têm personalidade jurídica plena perante a ordem jurídico-subs- e são realizados pela própria pade o depoimento pessoal e outros atos
tancial. Diz-se nessas hipóteses que há merT personalidade processtral. persorralíssimos.
É o caso da massa falida (CPC, att.75, inc. V)' da herança jacente ou
vacante (CPC, art. 75, inc. Vl), do espólio (CPC, art' 75, inc' Vll)' rla Em algurnas situações excepcionais, como ocorre no sistema dos
jr.rizados especiais, a paúe pode praticar atos postulatórios diretamente,
sociedade e da associação irregulares e de outros entes ol:ganizados sem
independenternente da representação por advogado (sttpra, n.90).
personalidade jurídica (CPC, art. 75, inc. IX)' do condomínio (CPC, art'
75, inc. V), do nascituro (CC, ar1. 2a), das câmaras de vereadores, sempre
que atuarem na defesa de suas prerrogativas institucionais, relacionadas ll1. .fhculdades das partes -faculdudes puras ou não
com o seu luncionamento, sua autonomia e independência, etc'
As parles têm em princípio a liberdade de agir no processo segundo
Não basta a copcrc'idcrde de scr paríe pata que a parte possa atuar
suas próprias vontades e escolhas (strpra, n. 34). Essa liberdade para o
em juízo ern deÍêsa de seus interesses. E,la deve aclicionalmente ter a
exercício das faculdades processuais encontra limites quando atinge a
capaciclatle cle estar emiuízo (tambem denominada de capacidade pro-
esÍ-era de direitos cle outra pessoa, e e por isso que na vida do processo
cessual ot legitimatio ad processum), que e a capaciclade de atuaçã.o
existem normas impostas especificamente para limitar sua extensão.
processual por si mesma,rnediante a outorga de procuração a advogado
e a prática dos atos que podem ou devem ser realizados diretamente Não estão sujeitas a limites as faculdades processuais puras. que
pela-par1e. As pessoas físicas lêm essa capacidade quando se acham no são muito poucas e revelam-se em atos de menor importância. As partes
plená exercício de seus direitos (CPC, ar1. 70). Não têr-n capacidade de têm a faculdade de se fazerem representar por um advogado só, ou mais;
podem optar por apresentar sua defesa no primeiro dia do prazo ou no
estar em juízo os absolutamenÍe incapazes e os relalivqmente incapa-
zes. Aqueles, que são os menores com idade inf-erior a dezesseis anos último eÍc. Fora de hipóteses Çomo essas o exercício de uma faculdade
(CC, ar1. 3a), serão representados pelos pais ou tutot (supra, n' 99); traz vantagens ao sujeito que a exerce, ou deveres para o Poder Judiciá-
esses incapazes, que são os menores entre dezesseis e dezoito anos, os
rio ou desvantagens para a parte adversa, ainda que indiretas. Quando
isso acontece a lei delimita o exercício das Íaculdades processuais, e de
ebrios habituais, toxicômanos, pródigos etc., serão assl,sliclos (CC, art.
parte entremeio a elas existem ônus e deveres.
4a - CPC, art. 71). A representação imporla realização dos atos de
exclusivamente pelo representante; a assistência consiste em realização
conjunta do ato, com a coparticipação do relativamente incapaz e o ge- Il5. ônus das purles
nitor ou curaclor (CC, ar1s. l.741,tnc'1.1.114,1.781 etc:')'
Segundo clássica definição, ônus é um imperativo do próprio inte-
resse (James Goldschmidt). Consiste no encargo de assumir determinada
A capacidade de estar em juízo deve ser alerida em concreto'
conduta comissiva ou omissiva, confonne o caso, como condição para
com reÍêrência a uma causa especíÍica. A perda de capacidade para o
exercício de direitos que não tenham relação coill a causa é irrelevante obter cefta vantagem ou para não supofiar cefia desvantagem. Dif-erente-
para a aferição da capacidacle de estar em juízo' A título de exemplo, a rlente do cumprimento das obrigações e dos deveres, que se realiza em
incapacidade para o exercício do poder Íàmiliar, da tutela ou da curatela beneficio de outro sujeito, o cumprimento dos ônus traz um benefício
decoffente de condenação criminal (CP, art. 92,inc' II) não toma o con- àcluele que os cumpre, sempre em seu próprio interesse. Por isso o cum-
<lenado incapazpara propor emjuízo demanda de cobrança fundada em primento dos ônus não pode ser exigido por quem quer que seja e seu
contrato de mútuo. tlescumprimento não é um ilícito, porque a ninguém prejudica, senão ao
pr(rprio sujeito que não os cumpre. A parte que não cumpÍe o ônus de pro-
o último aspecto da capacidade das pades e a capacidade postula' vrrr o que alegou prejudica a si própria e não ao adversário. I{inguém pode
Íório.. Para aprática de atos postulatórios a parte deve ser representacla tt,r' compelido ct cumprir um ônus e não há meios preordenados ao curl-
no processo por um aclvogado, sob pena de seus atos serem ineficazes plimento de qualqr,rer deles por algum terceiro, em substituição ao titular.
PRocESSo 169

CIVIL
168 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO
A parle que não comparece para prestar depoimento impõe-se a conse-
Diferentesdosônussáoost]eyeres,queseconceituamcomo qrrànciu desfavorávei consistente na (mal) chamada pena de confesso
cumpri-los é prejudicar a um
ímperativos do in.teresse alheio. Não (ar1s. 139, inc. ViIi, e 385, § 1o).
pafie que' mentindo em juízo' está
terceiro e não a si próprio - como a
Os poucos deveres processuais impostos às partes são instltuídos
prócessual ou a testemunha que' não
a descumprir o dever ãe tealaaae os ônus Dara a defesa do interesse pirblico no corueto e eficiente
exercício da
po.u dtpot, descumpre o dever de comparecer' ordem juridica' com a
justificativ a para a reação da
""*p".."ird"
hmbém não se conÍLnà.* asàLtrigações, que constituem situações .iurisdiçâo. E essa a
"o* formas de sanção' O mais amplo e expressivo dos
vantagem A" o*u p"s'ou sobre outra
com relação a determinado'bem' i-posiçao de diversas
de exigência de que as
uma obrigação por não dar efetivida- deveres das parles e o de lealclade' com a expressa
O deveclor que não pugu ã"t"u-pre
paftes devem "comporlar-se de acordo com a boa-fe" (art' 5o1
solra eln dinheiro que a lei atribuía e a repres-
de à situação de vantalem sobre «iada
o descumprimento U": ,ao a titigarcia de má-fé e aos atos atentatórios à dignidade da Justiça
a outro sujeito. Por islso é que' enquanto 91:^U
ou obrigações lesa a tercetro' infra,n.llT). O Código de Processo.Civil
p,"irài"i"i ao próprio sujeito' o de àeveres (arts. 77,J 2e,7g-81e174 -
a todos os
ànuncia também e dá realce ao dever de cooperação, imposto
Assimcorrceituarlos,osônusconstituenraprincipalmolap.ropulso- sujeitos processuais (art. 6a).
as pafies a participar ativamente
ra rlo processo, responsável por induzir
situações processuais desfavoráveis' Noarl.78doCódigodeProcessoCiviltambérnéimpostoatodos
sãü Ér; de serem degradadas a os sujeitos processuais o clever (negativo) cle não
"empregar expressões
contestar oferece ao autor a vantagem
O réu que não cumpte"o ônus de ofensivas nos escritos apresentaclos,'. Há tanrbém os deveres do perito,
das alegações de fato contidas na
consistente na presunção de veracidade como o de pontualidade na prestação de seus sewiços (art' 157)' Ao con-
que alegou determinado's fatos'
p"iiçà" iri"ial (CPC, arl' 344)' A parte prová-los' sob
ciliador e ao mediador sãolmpostos vários deveres, entre os quais o de

sendo estes negados pàtá uo'á*arlo' incumbe o ônus de crnftriencialirlocte (art. 166, § lq)' Também está disposto
que "ninguém
por inexistentes (CPC' att' 373)' etc' seeximedotleverrJecolaborarcomoPoderJudiciárioparaodescobri-
;;;;l;-t"."ml',avidás mento da verdade" (afi. 378).
ônus processual é o de
O primeiro, mais a-mplo e mais.significativo
dos órgãos jurisdicio-
demandar,"orr.rpord*t! ao princíp iá da inercia ('inJra' 117. o dever de lealdade
nais e sem ..r*p''*tnto '"quti se instaura processo algum a elas
"r;o as demandas' o de responder
n. 1 l9). Há o ônus de fundameniar Ain-rposiçãododeverdelealdadenoprocessoconstjtr"tiumaCons-
de aíirmaÇão)' o de adiantar tante nas tegislações modernas, amplamente acolhida no Código
de Pro-
sob pena de revelia (projeções do ônus
despesas do pro.",'o,'o á"'p'o'u''
o de-recnrrer etc' etc' É tão intenso cesso Civilligente. Esse dever decorre, em primeiro lugar' de normas
obter
o ônr.ts de participar' ;'"; imperativo do interesse de cada um a geraiscomooart.5qdoCódigodeProcessoCivil,nosentidodeque
garantia do contraditório pode ser ;uqrel" que de qualquer forma participa do processo deve compofiar-se
a tutela jurisdicional, que a piOprla dos
colrlo o espelho o padrão de con-
considerada, qrundo
pelo avesso' de àcordó com a boa-Íé". Na sequência, deixando claro
"*u''inàda'assià n' 33)' do ar1' 6a que "todos
ônus impostos às partes no processo (supra' àuta que se espera dos sujeitos processuais, consta
os sujeitos do processo cooperar entre si para que se obtenha'
à.u"*
em tempo razoàvel, decisão de mér:ito justa e efetiva". o
ar1. 7a impõe o
116. devetes das Partes
tratamento paritário das patles em relação aos deveres e à aplicação das
às. parles no curso do' processo sanções processuais e, nó art. 139, inc' III, ao serem fixadas as diretrizes
Não são muitos os deveres impostos.
de interes- juiz, é estabelecido que lhe incumbe
de condutas comissivas ou omissivas paru adireção do processo pelo
- ou seja, as exigências proprio Estado-juiz no exercício dajurisdição. P. lpr"ueni. ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça e
se do adversárlo o, áo
c.on.testar e a parte não tem sequer
ndeferir postulações meramente protelatórias"'
ex., não existe um suposto clever de i

o çlçver dn ,o*po'n-"imnnto quando intimada a vir prestar O-"1:P*t" Dessas noÍrnas gerais, em especial a que impõe o dever de
boa-fé'
ônus' cujo descumprimento previstos em lei de tbrma explí-
pessoal (CPC, art. 385)' Quáse tudo são decorrem diversos dáveres, alguns não
em nol-Ínas portadoras de regras específicas de
podeproduzirdesvantagen'*u'nãoconstituiilícitoprocessual'Oréu cita e outros indicados
344)'
o efeito da revelia @rt'
que não cumpre o ônus ãe contestar supofia
n0 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO t7l

conduta e das respectivas sanções para o caso de descumprimento. O nú- salutar impedir que a parte se compofte agueridamente na defesa de
cleo central desse regramento encontra-se nos arts.77 a 81 do CPC, que seus interesses. Esse aspecto demanda muito cuidado na disciplina dos
tratam dos deveres e da responsabilidade das partes por dano processual. deveres éticos. É necessário encontrar o equilíbrio e a proporção ideal
Em geral, o descumprimento do dever de lealdade ocorre mediante cntre o direito à ampla defesa e a repressão à deslealdade, pois uma dis-
a utllizaçáo abusiva do processo ou de um instrumento processual. O ciplina muito rigorosa poderia causar embaraços à parte inocente, com
abuso do processo está estreitamente relacionado com situações jurídicas rcstrição de seu legítimo direito de defesa. Daí a necessidade de ponderar
ativas assumidas pelas partes no desenvolvimento da relação jurídica Os valores envolvidos e encontrar uma solução conciliadora, filas scm
processual (poderes e faculdades). Pode partir tanto do demandante tolerar abusos que possam comprometer a efetividade, adequação e
quanto do demandado. Autilização abusiva do direito de ação pode cau- tempestividade da tutela jurisdicional (supra, n. 28).
sar tantos males quanto o abuso da defesa.
"O processo civil, com sua estruhra contraditória em que a cada uma
O processo é uma arma poderosíssima e sua mera instauração,
das partes seatribui atarefade sustentar suas próprias razões, é essencial-
quando traz tma pretensão inÍundada, já constitui um peso a ser injus-
mente refratário a uma rigorosa disciplina moralista do comporlamento
tamente suportado pelo demandado. E no entanto mais frequente na daquelas. Se cada litigante pode contar, para vencer, apenas com a própria
prática que o demandado uÍllize abusivamente de seu direito de defesa, e capacidade de explorar os elementos e os argumentos favoráveis, não se
isso geralmente ocome com a utilização de expedientes empregados com pode pretender que fomeça tambem os que lhe são desfavoráveis e pode-
o objetivo de procrastinar o desfecho do processo. riam favorecer o adversário. Um dever nesse sentido não teria qualquer
probabilidade de ser observado e seu único resultado seria o de pôr em
Nesse contexto situam-se as condenáveis condutas do Poder Públi- dihculdades e em situação embaraçosa a parte mais honesta" (Liebrnan).
co nas demandas em que figura como réu. Com o objetivo de protelar
ao máximo a satisfação dos direitos dos advcrsários, ele constantemente
utiliza expedientes menos compatíveis com a ética do processo, em cer- § 3q. ronMlçÃo, susrnNsÃo n nxrnçÃo oo PRocESSo
tos casos com a defesa até ao último grau dejurisdição e insistência em
118. formução, suspensão e extinção do processo
teses já pacificamente rechaçadas pelos tribunais.

O processo se desenvolve mediante uma cadeia fechada de atos,


O dever de lealdade impõe-se também aos patronos das partes. que é o procedimento iniciado pela propositura da demanda inicial e
O advogado é o representante da pafie no processo e é por seu inter- encerrado pela prolação da sentença, que o extingue (infra, n. 130).
médio que ela manifesta sua vontade, inclusive na maioria dos casos Entre seu início e seu fim podem ocoÍrer fatos que lhe determinem a
de abuso do processo. Cabe-lhe pois agir com lisura na condução do suspensão, uma parada momentânea finda a qual o processo retoma o
processo, não abusar de seus mecanismos e colaborar com as pades e seu transcurso. A parlir de quando formado e enquanto não vier a ser
ojuiz para o seu rápido desfecho (CPC, art. 6a). O Código de Processo extinto o proçesso considera-se pendente, e essa pendência do progesso
Civil contém inclusive todo um capítulo com a rubrica "dos deveres das chama-se litispendência (infra, n. 121).
pafies e de seus procuradores" (arts. 77 ss.).
Forrnação, suspensão e extinção do processo são os acontecimen-
Em regra, a conduta abusiva do advogado não pode ser sancionada tos magnos da vida deste, regidos.por norrnas que definem o modo como
diretamente pelo juiz mecliante medidas repressivas incidentes sobre o processo seforma (infra,n. 119), as hipóteses em que se suspende
ele, cabendo ao juiz oficiar à Ordem dos Advogados do Brasil para que (tifra, n. 136) e as causas de sua extinção, com ou sem julgamento do
1á se instaure um processo disciplinar (CPC, art. 77, § 6a). No entanto, rnérito (infra, n. 137).
em algumas hipóteses o juiz poderá sancionar diretamente o advogado
(CPC, arts. 107, § 4s, e234).
119. formação do processo - u demunda

É certo que, diante do prestígio que o sistema processual confere à Ao levar ao Poder Judiciário uma pretensão em busca de reconhe-
garantia do contraditório (supra, n. 33), é pouco provável e até pouco cimento ou satisfação o demandante dá causa àimediata.formação do
172 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO tli

proce,\so. o processo reputa-se formado, e portanto pendente, a partir do , l('nlcntos constitutivos da demanda deve ser exposto em sua apresenta-
momento em que essa iniciativa é to,rada mediante a entrega da petição ,, ;r,, ao juiz está indicado no dispositivo que rege a petição inicial (CPC,
inicial ao Poder Judiciário, com a qual o autor ou o exequente taz a esÍe .rrl. .ll9) e ali reside, antes e acima de tudo, aprópria exigência de que
a sua demctnda - e essa demanda, como ato de pedir tutera jurisdicional,
totll clemanda explicite paftes, causa de pedir e pedido.
tem por conteúdo uma preÍensão de quem o realiza, ou seja, uma exigên_
cia de subrtrdinação de ,m intere,s,se alheio ao interesse próprio. Embora a lei se refira à causa de pedir como "os Íàtos e os funda-
Pelo disposto no aft. 312 do código de processo civil, "considera- mentos do pedido" (CPC, art. 319, inc. lll), é mínima a relevância dos
-se proposta a ação quando a petição inicial for protocorada, todavia, .filndtrmentos jurídicc.ts como fator de identificação das demandas.
Pela
a
propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no pcrspectiva «la causa de pediq e nos.fatos alegados que reside o grande
art. 240 depoi,s que J'or validctmenÍe citado" . rsso não signiÍica que antes poder de identificação. É essa narativa que vincula ojuiz, não podendo
da citação do demandado o processo ainda não esteja formado. Ele está cle decidir com apoio em fatos não narrados e tal é o conteúdo da teoria
da subsÍanciaçâo, de prevalente aceitação na doutrina brasileira. Enquan-
fomado sim, e já existe, so não sendo permitido nesse período alcançar
to os fundamentos jurídicos se situam no plano abstrato da ordem jurí-
o den-randado ou seu patrimônio mediante imposição àaqueles efeitos
dica, os fatos narrados são algo de concreto que se associa às realidades
(litispendência, litigiosidade da coisa, constituição em moia). E tanto
o de relações jurídicas materiais entrelaçadas na vida comum das pessoas'
processo já existe, e portanto está formado, que antes mesmo da citação
será lícito ao juiz impor ao demandaclo alguma medida urgente eventual-
mente necessária (afi.300, § 2a) e, sem dúvida alguma, essas lirninares
- l2l. relações enÍre demandas
concedidas inqudiÍa alÍera parte são atos de um processo. - litispendência, continênciq e conexidade

Quando duas ou mais relações jurídicas entre si entrelaçadas se


120. identiJicação dq demundu - seas elementos constitutivos tomam objeto de duas ou mais demandas judiciais surge o problema
das relações enlre demandas. São figuras das relações entre demandas a
cada demanda tem sua própria individualidade, determinada pelos
litispendência, a continência, a conexidade (ou conexão de causas) e a
elementos que a compõem e a distinguem das outras. Esses elementos
prei udi c i al i dade (inf ra, n. 122).
I são (a) as partes, ou seja, os sujeitos que figurarão no processo na quali_
dade de autor e de réu ou de exequente e executaclo, (b) a causa de pedir, Dessas relações a de maior intensidade e a de litispendência. Em
que a lei indica como osfatos e os.fundatnentus jurícricos do pedido, si mesma a litispendência é conceituada como a mera pendência de um
I (.c) o pedido de urn prorrnnciamento judicial em
reração a dadà bem da
e
processo. É o estado de um processo vluo, ou seja, quejá existe porque
já foi formado e ai.n.da. existe porque ainda não Íbi extinto. Segundo
vida, n-rais a iclenti Íicaçâo dcsse benr.
antigo e consolidado uso, porém, esse vocábulo é mais frequentemente
A idcnti Íi«:ação dc cacla cle,randa r.recliante a explicitação desses
empregado para indicar o impedimento para a realizaçáo de um processo
elerrentos constitr-rtiv«rs c cxigicla ao autor ou ao exequente, que deve
e consecução de seus resultados em razão da pendência de um outro
indicá-los na petição i,icial sob pcna clc incpcia (cpc, àrt. 319, incs. lI-
processo. E tal é a exceção de litispendêncfuz, consistente em uma defesa
-lv), porque será de Lrtilidaclc e p.rrt. cle para diversos efeitos, processual tipificada em lei e voltada à extinção do processo em razão de
corno o da determinação da r:omltctê,t'iu 'ef'erência
para o processo que se inicia, o estar pendente um primeiro, pela mesma demanda extinção que se jus-
da' correlação entre a sentença e a crc,ancra, nãopodendo
àquela decidir titlca na necessidade de evitar dois processos instaurados com o fim de
sem obseruância dos limites desta (ar1. 4t)2), o àa delimitação dos irr-
produzir o mesmo resultado prático e com o risco de chegarem a resul-
pedintentos decorrentes da litispenclência ou da coisa julgadâ, que
só se tados opostos ou incompatíveis (CPC, ar1s. 337, inc. VI, e 485, inc. V)'
impõem quando volta a serproposta u,ra clsrtarrda ,igo,ãsamente igual
a urna anterior (ar1. 337, §§ 1a-4o), o das reluq.õc,s entre demanclas,-que
Proibir a duplicidade de processos que visem ao mesmo resultado
podem ser de mera semelhança, de conexidacre, prejudiciaridade ou até
prático consiste, em última análise, em afastar o risco de que no futuro
mesmo de total identidade (in/ra, n. 12l). o modo como cada um dos
venha a ser proferida uma sentença de merito quando já houver outra
175
PROCESSO
174 TEOzuAGERAL DONOVO PROCESSO CIVIL
do Có-
A, túinidatle de qttestões e referida em um único dispositivo
coberta pela coisajulgada(iníra, n. 140). Litispendência e coisajulgada que
,lrIo rle Processo civil, onde se diz (na disciplina do litisconsórcio)
associam-se assim, intimamente, como fatores destinados a irnpedir a em conjunto'
tlrurs ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo'
duplicação de julgados sobre a mesma demanda ou sobre a mesma causa. questões por
.rlivir ou passivamente, quando (.") ocorrer afinidade de
porrto coÀum de fato ou àe direito" (at1' 113, inc' III)' Para
que duas de-
Há uma relaÇão de continência entre duas demandas quando uma na
,,,,,,,,las sejamafins é suficiente que tenham em comum o fundamento
delas abrange a outra, por conter urn pedido mais extenso (CPC, afi. 56). ou a alegação de um
rrosrl.ra disposiiao de lei (ponto comum de direito)
Trata-se poúanto de uma litispendência parcial, ou seja, litispendência juridicas para mais de
lirt.-base do qual haja'l àLcorrido consequê,cias
na parte em que a demanda de maior extensão inclui a demanda me11os a única relevância
unlir pessoa (ponto comum de Íato). A aflnidade tem
ampla. Na hipótese de a demanda con.tida ser proposta após a continente por ser ela uma
,lc arúorizar a formação do litisconsórcio facultativo - e,
o Código de Processo Civrl irnpõe a extinção daquela sem o julgamento jurídica
rclação entre causas mais tênue do que a conexidade' a ordem
do rrérito do processo. Se a demanda contida houver sido proposta em da competência e
rrtio lhe confere o poder de determinar a prorrogação
primeiro lugar a solução será a necessárta reunião das causas para jul-
gamento conjunto (CPC, art. 57). l reunião das causas propostas em separado, parajulgamento conjunto'
( ) litisconsórcio com funáamento na mera aÍrnidade entre duas demandas
Duas ou várias demandas são conexas sempre que houver entre elas competente para ambas'
s(r pode ser admitido quando o mesmo foro lbr
um ou mais elementos constitutivos em cofiIum, sem que todos o sejam.
Na def,rnição do art. 55 do Código de Processo Civil, há conexão quando
I 22. preiuiliciulidude
lhes .for comum o pedido ou a causo de pedir. Diante das dificuldades
práticas para a conf-rguração da coincidência entre callsas de pedir em A prejudicialidade consiste em um liame de dependência entre
de modo que o
casos concretos, é extremamente útil a ideia de que ern realidade a cone- duas ca'usas, entre duas questões oll entre dois pontos'
xidade se manifesta sempre que o contexto de fatos trazidos ao juiz em julgamento da causa (ou questão, ou ponto) prejudicial influirá no teor
uma demanda e na outra exiia deste a formação de uma convicção itnica iolutgu*.nto das demais. por isso e que uma se chama prejudicial' e
ao julgar as duas - convicção única quanto aos fatos que são os mesmos t',uira,"preiudicada. l)ma causa, questão ou ponto é
prejudicial quando'
mas sen/em de supofie a duas ou mais demandas. O que impofia nos no ptano lógico e no jurídico, a solução a ser dada a ela detetmina ou
institutos regidos pela conexidade é a utilidade desta como critério su- limita o modo colno será julgada outra causa, questão ou ponto' Há
Íiciente para impor ou autorizar ceftas consequências práticas, como a ou pontos quando a
prejuclicictliclatle lógica entre duas causas, questões
prorrogação da competência (ar1. 54), a reunião de processos (afi. 55, § çoerênçiaexigequeopronunciamentosobreumdelessejatornadocomo
le), litisconsórcio (aú. I I 3, inc. Il) elc. utilidade essa que estará pre- preoedente para o p.on.rrr"iumento sobre o outro; e a
prejudicialidade
sente sernprc clue eventuais protrunciamentos diferentes, feitos por dois torna-se relevante para o direito quando a isso se acresce
a prejudiciali'
ou mais juízes, ou mesmo pelo mesmo juiz em processos distintos, pos- rladeiurídica,representadapelaigualnaturezadojuízorelativoaesses
sam produzir resultados jurisdicionais discrepantes e incoerentes entre dois pontos, quesÍões ou causas'
si. O § 3q do art. 55 do Código de Processo Civil consagra essa ideia ao no
dispor que "serão reunidos para julgamento conjunto os processos que Causa, questtio e potlÍo são três conceitos bastante manipulados
trato da prejuàicialidade. Deles, o mais sirlples é o de ponto' conceituado
possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraclitórias da de-
como./irctà*erúo e caraçterizado em cada unr dos Íündamentos
caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles". julgamento' é o ponto oon-
mandà e da defesa relcvantes para o Questão
ponto sobre o qual houver sido
trovertido de Íàto ou de direito, ou seja, o
Essa nonna encerra, no entanto, um equívoco conceitual. Não há lançada dúvida por uma das paltes' O ponto. incontroverso' ou seja' o fun-
propriarnente uma reunião de demandas apesar da inexi.cÍência de cone- damento trazido por uma das partes e não impugnado' mantém-se como
,rão. A existêrrcia de "risco de prolação de decisões conflitantes ou con- ponto mesmo e não se erige em cluesÍtto com a consequência
prática de
traditórias" caraçteriza a própria conexidade, e ó cm razão desse vínculo inc' lll)' Causa é o próprio litígio
nãu n"c"rsito. de prova 1õfC, art 334,
que as causas devem ser reunidas parajulgamento conjunto.
1, PROCESSO
CNIL
116 TEORIAGERAL DONOVO PROCESSO
123. cumulação de demandus
1l
do demandante (autor' opoente
e/' )
trazido ao processo por iniciativa fotmule em sua peti-
t"ttü j*"aitional' é julgar a demanda'
Julgar a causa Em cefias situações a lei permite que o autor
il(L em busca de uma
de demànclas' com dois ou vários pedidos ou cau-
çao inlciat um cúmuío
prejudicialidade jurídica temos a petlidos' o processo deverá dar
i1l Como exemplo emblemático de Ir, á. p"ait. Ocorrendo a cumulação de
1l q"e é àependente da relação de filiação ;;;p*à ;;"da um deles (especialmente nos.casos de cúmulo
simples e
rl obrigação de prestar "riãt'i"t'
prestá-los; corlsequentemen- otott"t no ato fomal de uma única decisão ou em
;t[õ; os postula uqt'"t" qu" deverá ,u""rriro),o que pode
1l " de paternidade e uma de -
do mérito infra' n'
te, sendo movidas .,-; ;á; de'investigação
parcial
decisõcs distintas fiulgamento antecipado
il em reúEão a esta' a qual se considera cumulaclos estrutura-
alimentos, aquela t*a p*:-ái"ial que pronuncia sobre os pedidos
só 138). A decisão se
obv.iamente' a ação de alimentos da demanda
clepenclenteou prejudiádã -lotq'"' ela -* á* capíttilos distintos, tão distintos quanto os capítulos
poderá ser julgada pt""ãã*Jte à
investigatória tambem o for' sendo n'
assim em julgamento (infra, 130)'
làtalmente rejeitada t;;t; de improcàência desta' Em casos pedirlos são apresentadas pretensões autô-
e adrnissível' podendo-se pensar No cúmulo simples cle
uma série cle combinaçá"' a" nipOtties nomas entre si, que bem poie'iu- ser
deduzidas em processos distintos
improcedente apesar
p. ,tao de alirncntos (prejtrdicada)juluada ;;t ;-., po, opçao do auior e expressa autorização legal' vên-r
a compor
"-.-r, sucederá se o juiz
o qtre
I de ser proced"n,. u Código de Processo Civil
'nui"i*'iãtãinttltrcli'-'iali
dos recursos f,tnanceiros que o objeto de um processo só' O art' 321 do
reconhecer que está ;;;;" u (sup1a'n'
não haja conexão"
"tÉttiauae
lho ele seja' Podem também ser ambas admite esse cúmulo "ainda que entre eles
o autor veio a postul;;;;";" /' sejam rigorosamente os mesmos (autor
iI acolhidas ou rejeitadas p"f" rrrÉtit"
ou dadas por inadmissíveis' O
que 121), mas desde que os sujeiios
reunidas em cúmulo simples autoriza
prejudicialidade' é o convívio entre à rJíl a autonomia das demandas
não se admite, mercê da relação de todas ou alguma delas ou-a rejeitar todas'
sem que o
a improcedên.iu au uçáã àã
inu"rtigàçãã de paternidade (prejudicial)
ea á:í) É precisamente essa
^acolher
julgamento de uma ."1u ftt3íaitial.ao das demais'
(prejudicada)'
pto"'"aê,l"io da ação de alimentos simples que leva a lei
a relação se estabelece no seio autonomia entre os p.àidori"arzidos em cúmulo
A prejudicialidade é internaquando (aft' 32'7 $ la'.inc' l)' o
o requisito da compatibilidacle entre eles
se a questão p*jiliti"l u '
de um único proces É
'i-' "*rc'no e essa mesma questão surgir
ligi:T:"*"
como fun-
"*lgi. inadmissíve.l
;;fu, de forma simples o pedido de abatimen-
objeto de um processo autônomo ",À'lut extinção do contrato com- o de
em outro processo. A preitrdicialidade to no preço com a resrlição contratual' de
damento de pretensão deduzida do
da causa prejudicada' à espera settcumprimenÍoetc.Tambémconstituemreqtrisitosparaacumulação
externaconstitui fat* ãt t.tpensão pressupostos do a competêncla do mesmo juizo pataconhecer
os
de ambos ou de todos
def,rnarn os
julgamento da prejudicial até que' nesta' se haja am procedimento
cumulados (art' 3b7, ç in, inc' II)
pode perder e que
ffi julgamento daquela iõpc, "t'l:i:' in"'.v'
a)' Mas não se ;J*t (att' 327 § la' inc' lll) - ou
a prejudicialidade é uma autêntica mo- adequctdopara processá-los cãnjuntamente '
ile vista que no pfuno'p'o*tsual o mesmo proce-
que em úhima análise serepoda
ao ."ju, a"ta" que por lei ambas as demandas compofiem
dalidade de relação entre demandas' E portanto que' sendo diferentes os procedimentos
(supra, n. 121)- climento (comum ou especial) ou
conceito muito mais ampto o" conexicrade previstos'nos ar1' para cada uma d.tus, o autor opte pelo comum
(art' 327' § 2e)'
preenchidos os requisitos legais
conveniente qrr", ,"-p'" que cumuladas' e por isso
54 e 55 do Código OJptol"tào
Civil' sejam os proce-s:o-1:.t-T:O::O*" O vínculo é mais estreito entre as demandas
hipó1eses em que a reunião nfo
for coerentes quando entre
julgamento conjunroi Àot"nt" nas *l,.g" u neccssidade de julgamentos estritamente
do cútttu-
oossível é que deve ser determinada
a suspensão da causa prejudicada'
olas houver n"*o d" p,,i'''ti'i'lidodn (supra.' n' 122)' Trata-se
a outro quando para sua
pãru uguuraur o julgamento da prejudicial' Io sucessivo de pedidoi' Um deles é sucessivo
outro seja acolhido - sen-
conÍunde com o das prelimi- procedência é indispensável que também esse
O tema da prejudicialidade não se que e dependenle' quando o
a um processo cuja solução poderá Li,, i.po.rir"l acolüer o pedido sucessivo'
nares. Estassão questões internas (o dominante)'
contiicionart ptó;;;;;itsão do
julgamento do mérito ou talvez excluí- lrrimeiro houver sido rejeitado
o caso das oreliminares de carência
dois ou mais
-lo, mas nào inlltrir em seu t'o'' E No cúmulo alternativo de pectidos são apresentados
os demais'
todas com o eleito de' quando acolhidas' pcdidos para que up""" um s"jà acolhido'
ficando excluídos
dc açào. cle coisajulgada ctc"
tnértto'
impcdir ou retardar o julgamento do
178 TF,ORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CiVIL PROCESSO t19

sendo indiferente para o autor qual dos pedidos terá sucesso (CPC, art. 124. estubilização e alterução da demands
325 e 326, par.). Pode ele postular a rescisão do contrato por adimple-
Superada a fase de saneamento do processo (;upra, n. 82) a de-
rnento oz a condenação do adversário a pagar as prestações em atraso;
manda se estabiliza. Permaneçerá imutável até ao fim do processo e a
pode pedir a declaração de nulidade do contrato ou sua anulação; pode
sentença não poderá extrapolar seus limites (CPC, art. 329). Essa é uma
querer a nulidade de um contrato oa de outro, porque incompatíveis
consequência da rigidez do procedimento no processo civil brasileiro
crrtre si; etc. Como os pedidos sáo alternativos e não serão acolhidos
(,supra, n. 78), que não compofta os inevitáveis retrocessos que ocorre-
sirnultaneamente, não há em tal hipótese a exigência de compatibilidade
riam se novos fatos, novos pedidos e novos sujeitos pudessem a qualquer
errtre eles (CPC, art. 327, § 3a). Acolhido um dos pedidos, a demanda e
tempo ser inseridos no processo pendente.
julgada integralmenÍe procedente, ncio apenas parcialmente, pois a pre-
Antes da citação o autor pode livremente promover as modificações
tensão maniÍ'estada pelo autor na inicial era justamente a de acolhimento
que pretenda introduzir quanto ao pedido, à causa de pedir e às parles do
de uln dos pedidos, r-rão de todos.
processo, independentemente da anuência do réu @rt.329, inc. I). Após,
A situação e distinta na hipótese de o autor apresentar um peclido no período que vai da citação ao saneamento do processo, a anuência do
principal e urn mais pedidos subsidiários, em ulrl cúruulo alternativo
oLl reu e indispensável (art.329, inc. II). Depois do saneamento nada mais
eventtral de pedidos. Como o autor manit-esta a preÍbrência por um deles, se modiÍica, ainda que concorde o reu.
o que é autorizado pelo ar1. 326, caput, do Código de Processo Civil,
Como regra de caráter bem amplo, o ar1. 493 do Código de Proces-
deve o.juiz apreciar primeiramente o pedido prioritário. Se for acolhido,
so Civil, ao tratar dos fatos supervenientes à propositura da demanda,
os demais ficarão prejudicados. Se não for, serão em seguida apreciados
interÍbre na interpretação do veto às alterações da causa petendl contido
na ordem defrnida pelo autor. Diante da preferência manifestada por no art.329. Dizendo que no momento de proferir a decisão o juiz levará
este, na hipótese de rejeição do pedido prioritário e acolhimento do sub- em conta fàtos supervenientes constitutivos, modificativos ou extintivos
sidiário a demanda será julgada parcialmente procedente e o autor terá do direito do autor, há quem deÍ-enda na doutrina e najurisprudência que
interesse em recoffer na tentativa de que seja acolhido o pedido de sua estariam incluídos nessa autorização também os fatos supervenientes
preferência (inJrct, n. 145). que alterem a causa de pedir.

O demandante pode também cumular causas de pedir com o obje-


125. o mérito e a distinção enlre o obieto do processo
tivo de ver acolhido um único pedido. É o caso do pedido de declaração
e o obieto clo conhecimento do juiz
de inexistência de dada exigência tributária em que o autor alega que o
tributo exigido e inconstitucional porque carece de fàto gerador legíti- Todo processo tem seu objeto, que e a pretensão a uma tutelajuris-
mo e tanrbem porque sua exigência no caso está a infringir o princípio di.cional, formulada com a demanda que lhe dá início (supra, n. 119) e
constitucional da anualidade; ou quando o autor pede a anulação de um r cujo respeito o juiz emitirá seu provimento - pretensão de obter uma
contraÍo por erro e alinha fatos acontecidos separadamente, cada ut"t-t r:oisa ou os resultados de um fazer ou não fazer, pretensão à constitui-
deles capaz de caracterizar esse vício do consentimento, etc'. Acolhido ção de uma situação jurídico-substancial nova, a meras declarações etc.
r.rmdos Í-undamentos cumulados a demanda será.iulgada integralmente
'lhl é o obieto do processo, que se coloca diante do juiz, à espera do
Ttrocedente, pois basta para tanto que o pedido seja integralmente acolhi- ;rrovimento que ele proferirá a final. E, em outras palavras, o mérito da
do, sem imporlar o fundamento que o amparou. (dusa. Sobre ele o juiz se considera autorizado e obrigado a pronunciar-
-se e sua identificação mostra-se relevante não só para a delimitação do
A cumulação de pedidos ou de causas de pedir dá origem a um cú- provimento, como também em relação a outros institutos processuais,
mvlo objetivo de demandas. Há também o cúmulo subietívo de deman- Çomo a litispendênci a (;upra, n. 12 I ), a coisa julgada (infra, n. 1 40), a
dtrs, que ocorre quando dois ou mais sujeitos deduzern uma só demanda lrrejudicialid ade (supra, n. 122), a alteração da demanda (snpra, n. 124)
ou na declução de uma só demanda em lace de dois ou majs sujeitos, ou c o cúmulo de demandas (supra,n. 123).
ainda na dedução de uma demanda por vários em Íàce de vários. Esse Para que o mérito do processo seja apreciado é necessária a con-
lcn'ra é tratado na disoiplina do litisc:onsórcio (supra, n. 102). crcta presença dos pressupostos de admissibilidade do julgamento do
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
pROCESSO 181

merito (infra, n. 126), e para que o provimento Íinal seja favorável ao ção dos herdeiros do autor falecido,() a perempção, (k) a litispendência,
autor é também indispensável que, além de estarem presentes todos coisajulgada, (m) a convenção de arbitragem e (n) a nTorte da parte
(1) a
em caso de direitos personalíssimos.
esses pressupostos, a pretensão deste esteja amparada pelo direito ma-
terial e por fatos e provas capazes de convencer o juiz de que o direito
Essa premissa sistemática legitima a exigência de uma demanda
cstá a seu lado. Questões podem surgir no processo em qualquer dessas
regularmente deduzida como elemento indispensável à constituição
sccles, ou seja, tanto pode ser duvidoso algum ponto relativo ao mérito
de um processo viável. Essa exigência, qualiÍrcada como pressuposto
cluanto outro perlinente aos pressupostos de admissibilidade da própria
processual, inclui a própria apresentação de uma demanda e a presença
cmissão de urn provimento relativo à pretensão deduzida. Disso pode-
de certos requisitos nela, tal como a narração de fatos que em tese sejam
-se desde logo inferir uma realidade e uma distinção: enquanto o objeto
suftcientes para a outorga da tutelajurisdicional.
do processo é colocado estritamente pelo pedido contido na demanda e
relevância alguma tem a nraneira como se comporte o demandado de- O Código de Processo Civil não é rígido ou inflexível na fixação
do momento em que esses pressupostos devem ser verificados pelo
juiz'
pois - ressalvado o caso cxcepcional da reconvenção, que expressa uma
Ele quer quejá despachar a petição iniciat ojuiz faça a verificação in-
outra pretensão e propõe-se mecliante nova demanda (CPC, art.343) , ao
quisiiiva àor pr"srpostos de adrnissibilidade do julgamento do mérito,
constitui objeto do conhecimento dojuiz toda a massa de questões que
no processo surgirem, venham de onde vierem. O reu suscita questões Competindo-lhe até indeferi-la se for o caso (CPC, arts. 3 I9-321 e 801) -
ao responder, o autor na réplica ou depois, ambos a todo momento no rras esse controle pode e deve ser feito também durante todo o processo,
contraditório do processo, dúvidas são levantadas de ofício pelo juiz etc. sem sujeitar-se a preclusão alguma, pois seria indesejável e contrário à
- e de todas essas questões o juiz conhece e sobre elas se pronuncia no lei permitir que o processo seguisse avante e atingisse seu objetivo final
momento procedimental adequado. sem que tais pressupostos estivessem implementados (CPC, arls' 139,
inc. lX, e 485, inc. IV).
126. pressupostos de qdmissibilidade do julgamento do mérito
Assim como deve estar atento para não deixar ir avante um pro-
A ordem processual só outorga o efetivo direito ao julgamenÍo de cesso inviável, precisa também o juiz saber distinguir com clareza as
meritct a quem esteja amparado pelas condições da ação (,sttpra, n. 74) e exigências que a lei enclereça às partes, para qualif,rcá-las como pressu-
postos de a«Imissibilidade do julgarnento do mérito ou mero ônus a cargo
tarnbém seja capaz e se apresente adequadamente representado, dirija-se
de quem quer obter a tutelajurisdicional' Não se confundam os pressu-
a juiz legitimamente investido e realize todos os atos processuais aptos
postos sem os qttais o mér:ito não será julgado com os pressupostos sem
a conduzir ao dever judicial de prover sobre a demanda inicial. Estamos
os quais o mérito será julgado mas o autoÍ poderá perecer no julgatnento
diante de um conceito dinômico da ação, como unr poder que só é uma rie meritis. Exemplo: o recolhimento dos honorários provisórios do peri-
realidacle efetiva e útil quando concretamente estiverem presentes todos to, por este exigidos para comeÇar seus serviços.
os chamados pressupostos de admissibilidade do julgamento de mériÍo.
Mesmo aquele que tenha ctção so terá o efetivo poder de exigir o pro- Identificada a ausência de algum desses pressupostos, deve o juiz
vimento de rnérito (e o juiz só terá o dever de pronunciá-lo) quando sa- promover o debate entre as parles a esse respeito, dando a oporlunidade
tisÍêitos todos esses requisitos (sobre a ação exercida e o direito à tutela para que regularizem a situação e assim possaln afastar o vício antes
jurisdicional, Y. slq)ra, n.73). de seio processo extinto sem o julgamento do mérito. A lei é explícita
quanto ao contraditório nos casos em que o réu pede a extinção do pro-
Pelo disposto nos incisos do art. 485 do Código de Processo Civil c:esso (CpC, ar1. 351 e 352) e idêntica providência deve ser adotada pelo
são causas de extinção do processo por ausência de pressupostos de ad- juiz quando iclentihcar o vício ex ofiicio, em atenção à garantia constitu-
rnissibilidade do provimento de rnérito as seguintes: a) a falta de interes- cional do contraditório (CPC, ar1. 10q supra, n. 33).
sc de agir, (b) a ilegitimidade ad causom ativa ou passiva, (c) a inépcia
da pctição inicial, (d) a incapacidade do autor, (e) a irregularidade de sua Dada a oportunidade para as pafies se manifestarem a respeito da
procuração ao advogado, (Í) a falta de personalidade judiciária do réu, cluestão, se o pressuposto de admissibilidade não tbr satisfeito e a causa
(g) a desistência da ação, (h) o abandono da causa, (i) a falta de habilita- cstiver madura para julgamento, caberá ao julgador avaliar o pressu-
PROCESSO r83

TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVI


to a ela no sistema processual, definido também como o coniunlo
de
por lei
posto de admissibilidade faltante e qual das partes seria beneficiada oportunidades of-ereciclas às partes pela Constituição e pela para
julgamento de merito e ele o faz ao dispor que "desde que
I

eventual - qu" poaru* demonstrar no processo a veracidade do qtte afirmam


em
possível,'o jiiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável
à nortnativo'
àtuçao aos fatos relevantes para o julgamento' Esse sistema
i
parle a q.,r, uprou"itaria eventual pronunciamento nos termos do ar1'
prova ao definir os seus contomos'
que de um lado delimita o direito à
485" (CPC, art. 488). Trata-se de manifestaçáo do princípio da primazia de outro reafirma-o e municia os litigantes com o poder de exigir sua
Có-
tlo riecisão tle mérito,previsto de Íbrma generica nos ads' 4a e 60 do juiz
I

que denega à parte a produ-


como efetivação. São itícitos os atos com o
cligo de Processo civil e que inspira outras notmas desse estatuto, em si mesmo, que haja sido requerido
I ção de um meio de prova lícito
os afis. 282, § 2e.939 e 1.029, § 3a. iempestivamente, que se refira a fatos possíveis, que seja adequado
a
I

mé-
Na hipótese de a causa não estar madura para a apreciação do em su1ra, e ilegal a tlenegação de uma prova admissível
e
insuperável ou
prorá-los -
rito, cle estàr enr.jogo urn pressuposto de admissibilidade re gul armente requer ida.
i desfavorável
cle a sol.rção identilicacla-para o julgamento da causa ser
à partc em beneÍlcio clc c1r-rerr o pressr-rposto faltante foi instituído, o Não dependem de prova as alegações feitas por uma pafte
e não
arl' 485)' estabelecidas em lei' o
processo deverá ser extinto sem o julgamento do mérito (CPC, impugnadas por outra: excetuadas as ressalvas
fato incontroverso ou conÍàssado deve ser aceito pelojuiz
para o pro- col11o existen-
o que deixará intacta a situação de direito material trazida
de pro-
algum sobre a pretensão te (CPC, arts. 341, 344 e374, incs' Il-lll)' Também independem
cesso. Como consequência de não conterjuízo notóríos (ar1 374' inc' l)'
geral, chamados
do autor, a decisão extintiva do processo sem julgamento do mérito
va os Íatos de conhecimento

não o impede de voltar a juízo, mediante outra iniciativa processual,


isso ins- Uma severíssima limitação ao direito à prova, prevista em sede
apresentando outra vez uquêlu mesma pretensão e fazendo conr de provas
que fica extinto é somente constitucional (Const., aft' 5a, inc' LVI), é o veto à utilização
taurar um novo processo (CPC, art. 486)' O
o o direito de ação, e muito menos o direito material que
processo,não obtidaspor-"iorilícitos.Aprovaseráilícita-ouseja,antijurídica'e
I

everrtualmente o autor tivesse.


portantoineficazadetnonstraçãofeitamediantesuautilização-quando
(p' ex'' inter-
à u".rro à fonte probatória tiver sido obtido de modo ilegai
judicial) ou quando a
ceptações telefônicas realizadas sem autorização
il

127. meios instrumentais do processo civil (p' ex', tortura do réu para
utilizáçao da fbnte se Ílzer por modos ilegais
A prestação efetiva e adequada da tutela jurisdicional depende de obter uma conÍ1ssão).
alguns àlementos externos ao processo, que propiciam o conh^ecimento odireitoprobatóriotemporconteúdoaidentificaçãodasalegações
dos
dJ realidades relacionadu, .o,r1 o conflito e a efetiva satis.fação passíveis de demonstração por via da prova (objeto da prova)'
a distri-
reconhecidos. Trata-se dos rrelos processuais da Íàlta de prova
direitos que venharr a ser iluiçao do encargo de realizá-la e as consequências
no
instrumenÍais, que são as.f'ontes cle prova, com função preponderante suficiente (ônus cla protta), a definição dos elementos exteriores sobre
processo rle conhecimento, e os bens, na execução forçada' A utilização prova)' as atividades
os quais a atividade probatória incidirá (fontes de
das.f'ontes rle prr»ta é o meio pelo qual se reconstituem
no processo as rea- prova) e
proà"sruai, destinadâs à comprovação das alegações (meios de
passadas e piesentes que fundamentarão o julgamento da ser apreciadas
lidades externas a disciplina do valor das provas e clo modo cotno dc-vem
causa pelo ju iz. õs bens são objeto das constrições destinadas à produção da provct). Entre esses ternas, o que suscita mais interesse
e
patrimônio' Qabàçcb
li,, de resultados extemos úteis às pessoas e relevantes para seu maiores controvérsias e o clo ônus da prova, que será abordado
em maio-
res detalhes no Próximo item.
128. provas (ônus, obieto' meios,fontes e valoração)
Integram o ctbieto tla prot'tt as alegoções de fatos relevantes feitas
Em uma primeira acepção, prova e um conjunto de atividades pelas pates, e não os fatos em si mesmos' Estes não sáo Jàlso's
ou ver-
dc t,,eriÍicaÇãi e clernonstração realizadas com o objetivo de apurar 'cladeiros.
Serão existentes ou inexistentes. Aquelas qualiticações dizem
julgamento' Do
a verclacle quanto às questões de fato relevantes ao respeito às alegações e não a eles'
direi-
conccito cle prova e de sua função é fácil inferir a relevância do
185
I8It TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROCESSO

de
Fontes de prova são os elementos extemos ao processo' represen- rejeitará sua pretensão. Tambem e o interesse no reconhecimento
tadospelaspessoasoLtcolçasdasquaissejapossívelextrairademons- dos capazes de impedir o surgimento do direito do autor (impeditivos)'
traçãodaocorrênciaouinocorrênciadealgurrrfatorelevanteouda alterá-ló (modificativos) ou pôr-lhe fim (extintivos) que rnldg atribuir
ao réu o ônus de demonstrar que ocorreram (art' 373, inc' II)' E' sempre
presente.
existência ou inexistência de uma situaçãojurídioa pretérita ou
prova, porque participam com atos
As testernunhas são fontes ativas de
do interesse de cada uma clas paftes a denronstração de veracidade das
das atividades de busca da verdade que alega'
seus (declarações de conhecimento)
alegações Íàctuais que Íàz e da concreta ocorrência dos fatos
dos fatos. As coisas são fontes pa"rsivas' por!"" ao fundo da disciptina tegal da distribuição do ônus probatório
Meiosdeprclvasãoasatividaclesrealizadasnoplocessocomoob- ,ig. u regra segundo a qual alegação não comprovada equivale a- fato
infonnes que cada uma delas seja
de prova os non allegatict. Tal é a
jetivo de extraii das fontes
apta a Íbmece r. As testemunhas sáo uma.fonte tle prova e o conjunlo das
inãxistente - itlegatio it ,un probatio quosi casos de dúvida' se Íàz
com vista à captação desses inÍbrmes impoftantíssi ,igro cte jtrlgamenlo, que, nos
titititlctdes reaiizadas no processo ^u
responsável pelos rumos a tomar no julgamento do mérito'
crtmmeiocleprrlva(provatcstemunhal).Noplocessocivilbrasileiro
szionteiostleprovaatkrctttrctltal.atestellunhal,odcpoimentopessoal' o cócligo de Processo civil de 1 973 determinaya a aplicação dessas
a prova pericial, a inspcção.iudicial eÍc" regras sobre"a distribuição dos ônus probatórios d.e f.on1a bastanterígida'
So"mente em situações especíÍicas, colrlo a disciplinada no
ar1' 6a'.tnc'
A vctktraçãtt do prcva cotlsiste no juízo da capaoiclade de demons-
se adrnitia a inversão clo ontrs
tração dos latos realizaclo pelo juiz com reÍ r'êrrcia a todos os meios
de VIII, do Código ds Defesá do Consr.ur-ridor,
d.a py,,, pol. o'tn do juiz, quando presentes os requisitos da hipossuficiên-
provaconcretameÍlteeÍ-etivadosnoprocessoeacadaumaClasfontesde
tle
provatrazidasaeste,E,ssejuízodeveserÍêitoexclusivamenteàluzdo do .onrr-idor á da verossimilhança de suas alegações - o Código
"iu
1973 somente admitia essa inversão por ato consensual das pafies' não
queconstadosautos(quoclnonestintlctisnonesti'nmundoi),sendoojuiz
rigorosamenteproibidodedecidirComapoionoconhecimentoqueeven. por imposição judicial (ar1' 333, par.). o Código de Processo Civil vigente
juclicial do
túlrnente lhe haja chegado por outÍo meio (é a chamada ciêncict pessool). i,roroo na materia ao generalizár a possibilidade de inversão
Nesseslirnitesojuizforrnalivrementeseuconvencimentoarespeitodos ônus da prova, com a ádoção do siste,ra da distribuição dinâmi'co desse
fatos e alegações láticas contidos no processo, com o severo dever
de "diante de peculiaridades da causa relacionadas à irn-
ônus, admissível
quais haja
expor, na motivação de todas as suas clecisões, as razões pelas possibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos tennos
concluído pela ocorrência ou não ocorrência de dado fato e tal é a regra 'do
caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do lato contrário"'
clo livre convencimerútt motivado (CPC, at 37 | - suprtt' n' 37)'
Nessás situações "poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso,
desde que o Íàça por decisão fundan-rentada, caso em que devení
dar à
provu (aft.
129. ônas da pafte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído"
pelo
Na dialética do processo civil preponderantemente dispositivo, no 373, § 1ó). As peculiaridacles da causa alireÍ'eridas serão apreciadas
clual a cada uma clas partes compete esgrimir com as armas
que a. lei juiz em ca<la caso segunclo sua sensibilidade às realidades do processo.
"serào econômico-
legitimamente lhe oferece, cada uma delas tern interesse em que o Julz /àtores strbjerivos, como a própria hipossuficiência
mendacidade das -financeira de uma das partes, seu despreparo ou inexperiência e/c'' ou
relonheça a veracidade de suas alegações de fato e a
diliculdades para a
mola vida e efetiva- Íàtores ob.jetivos relacionados com a própria causa,
alegaçOés adversárias. O interesse é a principal da
essas.alterações
obtenção áe certos documentos elc. Em qualquer hipótese
por isso a distribuição dos ônus probatórios e feita pelo
ção-dàs direitos. podem "gerar
das regras legais sobre a distribuiçào do ônus da prova não
,irt"*u processual com base no criterio do ilÍeresse - e a mais ampla encargo pela parte seja impossível
clas regràs integrantes dessa disciplina é a de que compete
a cada um dos situação
"- !r. a desincumbência do
a inversão consen-
possa ou excessivamente dificil", tanto quanto não o pode
sLrjeità litiganies a comprovação dos fatos cujo reconhecimento
sual do ônus tla. prova, pactuada pelas próprias parles (aÚ' 373' § 3a)'
conduzir ao julgamento favorável à sua pretensão'
O princípio do inleresse é que leva a lei a outorgar ao autor o ônus 130. atos processuuis
[)'
cl, prova dos fatos constitutivos de seu direito (CPC, ar1' 373' inc'
porque esses Íàtos são sua causa de pedir, e sem que hajam acontecido Todo procedimento constitui uma cadeia fechada de atos' dos quais
juiz. Nesse in-
c u iuiz o reconheça seu direito será dado por inexistente e a sentença o prirr"reiro é a demanda de parle e o último a sentença do
186 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CNIL
PROCESSO 187

teffegno os sujeitos processuais realizam atos processuaz's intermediários, sentença não decide sobre o mérito, ou seja, sobre a pretensão do autor,
cada qual condicionado pelo antecedente e preparador dos subsequentes. limitando-se a declarar que, por falta de algum pressuposto, o mérito não
Os atos processuais podem ser classificados segundo quem os reahza, pode serjulgado.
tendo-se pois atos (a) dojuiz, (b) dos auxiliares da Justiça, (c) das parles A sentença poderá conter um ou rnais capítulos. São capítulos de
e (d) dos advogados (sendo que os atos destes são atos de parte). sentenÇa as unidodes auÍônomas contidas no decisório da sentença, ou
Atos processuais das partes (por s i ou por advogado) . Dos atos das seja, os diversos preceitos imperativos que com extrema frequência se
partes alguns são realizados pessoalmente e outros através de advogado. veem incluídos no invólucro de uma sentença só. Muito dificilmente
São realizados necessariamente pelo profissional os atos postulatórios uma sentença contém o julgamento de uma só pretensão, ou seja, uma
(supra, n. 60), consistentes em demandar ou em instruir. As demandas só decisão. Basta pensar na condenação do vencido pelo custo financeil'o
que as paftes endereçam aojuiz são de duas ordens: a) pedidos, quando do processo (inJi'a, n. 139), a qual se resolve em um preceito, contido
se postula a própria tutela jurisdicional (demanda inicial, contestação, no dispositivo da sentença, que não se confunde com o julgamento do
reconvenção, recllrso etc.);b) requerimentos, destinados à obtenção de próprio conflito que motivou o demandante a valer-se dos serviços do
alguma medida preparatória (requerimentos relativos à prova, à intima- Po<ler Judiciário; no mesmo ato o juiz julga a causa e também dispõe
sobre o modo como se regerá a responsabilidade por esse custo, ainda
ção de alguma pessoa erc.). Todos os atos postulatórios sáo declarações
de vontade, e sempre terá o juiz o dever de apreciá-los, favorável ou quando o faça para dispensar o vencido de arcar com ele. São tarrbém
desfavoravelmente. Os alos instrutórios das partes abrangem todas as corriqueiros os casos de cúmulo de pedidos (supra, n. 123), em que a

atividades destas relativas à provct em geral bem como tudo que for dito pafie final da sentença cinde-se em duas ou mais disposições (capítu-
pelo advogado com o objetivo de convencer o juiz (alegações em geral, los), cada uma distinta da outra e destinada ao julgamento de uma das
inclusive as finais). A parte rcaliza também cttos materials, que não são pretensões cumuladas.
expressões de uma vontade ou pretensão mas meras condutas destinadas Decisão interlocutória. O Código de Processo Civil não dá uma
ao cumprimento da lei ou de exigências f'eitas pelo juiz. Tais são a pres- conceituação direta das decisões interlocutórias, preferindo fazê-lo pela
tação de depoimento, a entrega de bens na execuçào etc. negativa, a sabeq dizendo que "decisão interlocutória é todo pronuncia-
Atos processuais do juiz (atos judiciaz9. Os principais atos proces- mentoiudicial de natureza decisória que não se enquadre no § lq" (CPC,
suais do juiz sáo osprovimentos judiciais oupronunciamentos judiciais, ar1.203, § 2q). Ao falar em pronunciamenÍo não enquadrado nesse pará-
que é como se expressa o Código de Processo Civil - declarações de grdo esta distinguindo as decisões interlocutórias da sentença, ou seja.
vontade do Estado-juiz, às vezes acompanhadas de alguma determinação está a afirmar que só são interlocutórias as decisões qtte não põem fim à
no sentido de mandar realizar ou omitir uma conduta. Os provimentos fase cognitiva do processo ou à execução. Nessa linha, oiulgamenlo an'
judiciais são classificados em sentenÇa, decisão interlocutória e despa- tecipado parcial de mérito, regido pelo aft. 356 do Código de Processo
cho de mero expediente. Além disso, o juiz realtza certos a/o^r materiais, Cívtl (inJra, n. 138), e realizado mediante decisão interlocutória deci-
que não se confundem com os provimentos, como o comparecimento são de mérito, mas interlocutória. Ao aludir à sua natureza decisória, o
em audiência, a direção desta e até mesmo, embora isso não seja usual, art.203, § 24, distingue as decisões interlocutórias dos meros despachos,
a verificação pessoal do estado de pessoas ou coisas (inspeçãct.judiciol que nada decidem.

- CPC, afts. 481-484). Despachos. Também os despachos são conceituados pelo Código de
Sentença. Nos termos do art. 203, § 14, do Código de Processo Processo Civil por um modo indireto, ao estabelecer que "são despachos
Civil, sentença é o pronunciamento por rueio do qual o juiz põe./im à todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofí-
cogniÍiva do processo ou extingue a execução. Essa sentença será cio ou a requerimento da pafie" (art. 162, § 3a). Demais pronuncianten-
./à,se
de mérito se estiver fundada em uma das hipóteses do art. 487, quando los são todos os provimentos do juiz não caracterizados como sentença
então o juiz declara quem tem razão e quem não a tem, segundo o direito nem como decisão interlocutória. Mas essa flÓnnula é completamente
rnaterial e as provas dos autos; ou terminetiva, quando seu fundamento vazia de conteúdo e não oferece a quem a leia a noção do que significa
Íbr r-un daqueles indicados no arl. 485 do Código de Processo Civil; essa despacho no contexto dos pronunciamentos judiciais. Sabe-se porém
I 88 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
pROCESSO 189

que os despachos, ou despachos de mero expediente, são pronuncia- se realizará. afastando-se dos standards gerais e abstratos da lei e con-
figurando um novo regramento concreto ditado pelas vontades conver-
mentos judiciais sem qualquer conteúdo decisório e destinados à boa
gentes de ambas. Assim é seu art. 190, portador de certas alterações tanto
organização do processo, com seu encaminhamento rumo ao ato final
Áo procedimento a ser concretarnente adotado no caso "para ajustá-lo às
que será a sentença.
especificidades da causa" quanto na concreta configuração da própria
A classiÍicação tríplice dos pronunciamentos judiciais é elemento relação processual mediante modificações "sobre os seus ônus, poderes,
de imensa valia prática na determinação do recurso admissível contra faculdades e deveres processuais, antes ou durade o processo". E dispõe
atos do juiz de primeiro grau de jurisdiçdo. Asentença, quer de mérito ou também o art. 191 do Código de Processo Civil que, "de comum acordo,
terminativa, colnpofia apehção (CPC, ar1. 1 .009, caput infra, n. 151). o juiz e as pafies podem fixar um calendario para a prática dos atos
pro-
As decísões interlocutórias recorríveis comportam recurso de agravo de cessuais, quando for o caso".
instrttmenÍo (CPC, art. 1.015 - inJra,n. 152). Os despachos, jtstamente
Esses ajustes concertados entre os litigantes caracterizam-se como
porque não têm qualquer conteúrdo decisório, não comportaÍ11 recurso
autênticos atos de auÍorregulação dos próprios interesses, o que é da
algum (CPC, ar1. 1.00 I ).
essência dos negócios jurídicos. Os efeitos jurídicos que produzem
Todos os provimentos colegiados dos tribunais chamam-se indis-
são aqueles determinados pela vontade dos próprios participantes, os
tintamente acórdãos (CPC, ar1. 204). Os acórdãos constituem projeção
quais àstabelecem, por decisão própria, o conteúdo substancial dessas
nos graus superiores da jurisdição do que são as diversas espécies de
declarações. As limitações a que essa liberdade das partes se sujeita e a
decisões do juiz inferior (ir.rterlocutórias ou sentenças).
necessária aprovação do ajuste pelo jtriz (cPC, ar1. 190, par.) não inÍlr-
Atos dos auxiliares da Jtrstiça. Os auxiliares da Justiça exercem mam sua qualificação cotno negócios jurídicos, porque nenhum destes
é totalmente livre, estando todos eles sujeitos à compatibilidade com
variadíssimas Íunções complementares à jurisdição, que é privativa do
juiz. Os auxiliares permanenÍes da Justiça, que integram o esquetxa flxo superiores regras de direito, inclusive constitucional, quando for o caso.
Essas aberturas para o reconhecimento da configurabilidade de
dos órgãosjudiciários (supra, n. 58), exercem atividades relacionadas
com o dia a dia do processo e consistentes na guarda e conservação de negócios jurídicos processuais segundo o vigente direito positivo brasi-
autos, movimentação destes entre os diversos sujeitos processuais, do- leiro não chegam ao ponto de desnaturar a visão geral do processo como
cumentação dos atos orais e de acontecimentos ocorridos em caúório, categoria luríaica dé direito público (supro, n. 22,). As faculdades de
efetivação de ordens judiciárias mediante diligências extelxas (citação, autor."gulução 4os próprios interesses pelas partes são pontuais e limi-
intimação, penhora, busca e apreensão) etc. Tais são principalmente o tadas e seu exercício é sempre fiscalizado pelo juiz, ao qual cabe evitar
cláusulas contratuais abusivqs ou em detrimento de parle que se encontre
escrivão ou cheÍ-e de secretaria, seus auxiliares (os escreventes) e o ofi-
"em manifesta situação de vulnerabilidade" (CPC, ar1' 190, par')'
cial de justiça, mas outros auxiliares permanentes também realizam atos
relativos à distribuição de Í-eitos, contas, partilhas, depósito de bens e/c.
Os quxilíares eventuqis da Justíça (supra, n. 59) realizam atos próprios 132. J'orma dos alos ptocessaais (modo, lugur e tempo)
de sua condição, como perícias, administração do espólio ou da massa e s medida da adoção do princípio da liberdude
falida (inventariante, administrador judicial) elc. das.formus pelo Código de Processo Civil

Fctrma dos atos processLtais é o conjunto dos aspectos externos do


1 31. negócios jurídicos processuuis ato. A lei impõe certas exigências de forma reÍ-erentes ao modo, lugar e
Dois dispositivos de expressiva relevância metodológica contidos tempo de realizaçáo de cada ato do processo, sem cujo atendimento o ato
padecerá de uma desconformidade com o modelo legal e por isso poderá
no Código de Processo Civil tornaram viável no direito brasileiro a
realizaçáo de negócios jurídicos processuais de forma genérica e desvin-
vir a ser cotrsiderado inexistente, nulo ou ineftçaz (in/ra, n' 135)'
culada de hipóteses específicas. Tais dispositivos oferecem significativas como se dá com as declarações de vontade em geral, inclusive na
abefiuras para que as pafles ajustem entre si os modos como o processo seara do direito privado, os atos processuais portadores de uma decla-
le0 I'l()ltlA ( itrttAL Do NOVO prr(X,ESSO (.tVIl. pRO( ESSO I9l

raçaro (lc vontaclc sâo sujcitos a certos reqLlisitos Íilrrnais irr/rín,s.et,o,s c procedinrcnto para a ltentc
eles tôm o eíàito de lirlitar as espcras peler
orrtrrrs r'.r'/r'ir,\c(o,t. os rcclr-risitos intrínsecos rnanilcstarn-sc na correta
tl escollur cntrc a lirrura cscrita ou ornl de cluo o ato sc conlp(-xl ou cia lín-
real izaçiro clos atos proccssttais.

eLra pcla clual a vontadc sc rrarriÍ'estn, r.ros clcrrrentos concrelos cle quc se Os chamaclos l)rqzo,\' nínimos têrn a llnalidade optlsta. C'tltrsistetl.t
crrrrrlrÔc internaurente r,/r'. e tais sào 0s rcclrisitos dç rnockt a clue o ato rra intposição de urna espera pela rcalização clc ccrto akl, cott-tt'l condiçãtl
sc srrlrrncte, sobrc como o trto dcvc ser em si mesr]]o, cnr seLls clcr.nerrlos pr,ru.1r'," possa ser realizado o ato sLrbscquentc. É o clLlc se vê. p. cx., na
exigênr,:ia de corrparecintento inrposta pelo jLriz a clctcnrinacla pessoa.
;
c cnr suil própria configuração. os demais requisitos são extcriores aos
irtirs c ilizenr respeito às circunstâncias dc lLrgctr e cle tentlto nas quais Esse contparecil-uetrto sti scrá exigível a partir de quarenta e oit6 horas
clcs sc r-calizanr. Esses stio requisitos exrrínsecos clos atos processuais. depois da intintação dessa pessoa (art.218. S\ lo). C)s prazos ttlíninlos
( ) ('«idigo clc Proccss.r
civil faz uma solene procrarnação cla libercla- oonsicleraln-se, por isso, tlilctÍórios ()u seja. sua intposição visa a it.t-rpe-
rlc rlas lirrrras rl«rs atos proccssuais ao estatLrir clue cles ncio t.lt,ytcnde tn t/t, clir quc o processo vá avaltte antes clc detertllirrado t.lltlt.ttenttl.
.fitt'rtttr tlcl<'t'ntitttttltr ,sc'tttio tltrttntlo tt lci t.t:1tt.c,t,tutn(.tl/(,tt c.rigit. (art. l3tt) São gcralll]cnle prcclrt.s'ir'o,! os prazos nliixitl-los ilnpostos i\s parlcs
Iltits dcl.ltlis irllllilc tatttas cxigôncias Íirnnais rcÍcrclttos a tankls atgs 4o para a rcalização clos at0s cle sert intcresse. Não ctrtrrprido o ato no tell'l-
llrttcctlirtlcrrttr. clttc lica scrialtrctttc abalaclo cssc ul)(tranÍe çgntptprui,s.s,tt po prccstabeleciclo, o lcnôrreno dt prac:ltr,rãrt lemlxtrtrl impcclc clue clas
crtttt tt liltcttltrtlt'tlo.s.fitt'tttrn. Os tnais intlturtantcs rlos atos possanr realizh-lo depois c oLrter os re sLtltaclos desc.iatlos (itt/i'tr, n. ll34).
ltrocessLrrris
são sovcrar.ncrrte submoticlos tr cxigôncias cspecíllcas relativas a,L) rttotht
Mas ncnt todos os prazos llxados ltara as partes sàtl preclLtsivos. Nlirl
conro clever.n scr realizaclos, qlranclo não tarnberl à sua situaçàr) t1o Íatnl)o
o são, t'rr primciro lugur, aqu.-lcs dcstinacltls ao «;tttrlpritrcnto de utr
e no c,\tl)0ç'o.
tlet,er, ctu seja, clc um intperativtl de condttta no intcrcsse da.ltrstiça oLr
Nesse ctlntcxto de convívio entre exigências lornrais r.nais or-r lrclos da parte contrária (supru, n. 1 16). O aclvogado que rlão restituir l1o prazo
estrilas e regras de tolerância inercntes à insít"urncnlatidcttle tlos
.fbrtttus os autos retiracios de cartório continua obrigado a Íàzê-lo, indcpendente-
(supru, n. l3 infi.a, n. l3_5), o sistema vigente no C,ódigo de proccsso
rnente clas sanções qne pcssoalmente podcrá Suportar como consequên-
Civil pode scrconsidcraclo conro Lrn.r sístcrra de ecluilíbri. cntre a libcr--
cia clo retardantento (CPC, art. 234. ccrpu/ c §§ 1tr-401. Tarnbém não sãtl
daclc c a legaliclade das Í'ormas.
preclusivos certos prazcls quandtl clo atraso não resulte retarclal.uenttl tla
lxarcha do procc<limento rrem prcjuízo ao aclversário: olr princípio a par-
133. prs«ts te c1r.re n0s quinzc dias lrxados pelo art.437 do Ctidigo cle Proccsso Civil
[)r'azo ó r tli,s'rtirtt'itt remlt.t'ul cntrc clois atos. cstabelcciila na lu-i não sc ntaniÍcstar sobrc os doclttncntcls trazidos pclo advclsário aincla
distância nt(trint(t na nraioria ckls casos. clistância ntínimct cnr outros. [:rn poclerir Íazê-lo dcpois, atc quando clas alegações llnais (ar1. 3(r4) - salvo
lircc ilisso a inrl.losição clo prazos pela lci proccssual consiclera-sc urn as hip(rteses de utna possível nrir-Íé (art. 436, inc. IV).
aspccto da disciplina tkl proccsso no tenrpo e, portanto, urr clos aspcctos Dizem-sc 1trópritt,t os prazos precltlsivos. lntpróprio's, os não prc-
das cxigências lbrntais do proccsso (.strpt.u,n. 132).- clusivos.
os prazos consisterrtes err Lrma clistância ,ráxima, d,it<ts pru:.,s natural que sejarll itnpróprios rts 1tt'tr:os.fi-tttclos Ttttt'tt o iui: por-
Er
ntít.rimo,s, corrsister.r.r na exigência de clue os atos sejam realizados atc a
que cle não clel'ende inte|esSes pcssoais n(r l)l'ocesso, t'nas cltt]lpre r/cve-
urn certo r.norrer.rto e clepois nâo possam nrais ser rcalizados ehcazrncnte .
res. O juiz clue excedc prazos sorr llotivo justtl dcve sttl-rot'ttrr sançõcs
E o caso <lo prazo para a conra,s'rução clo reu, a clual cleve ser entrcgue
aclministrativas oLl ntcsl]lo pecultiárias (CPC, art. 143. inc. Il), tnas cn]
dcntro de cluirrzc dias a partir cla ar-rdiência de conciliação ou cle nr"Jio-
relirção a elc inexisto a sanção ltroce.s,ttrul das prcclusÔcs. Se elc rrão
çào (cPC, art. 335, inc. I), sendo ineÍlc.z a cor.rtcstação cntrcgue dep.is
prol'Crc O clcspacho clcntro dc cilrco dias cln cotrclttsão cltls itt'ttos. tltt a
c anrarganckl o réu a corrdiçã0 dc revcl c os r.nalcs clo el'cito da rcvelia jecisilo intcrlocutória cn.r dez. oLl a sentcnÇa en1 trillta dias (art. 226' irrcs'
(rrrl. 344); <'tu tltr opelr4'âr.r, quc sc não lilr protocoracla no priizo de cluinze
l-ll-lll, e arl.3(16), ncut por isso Ílcarir tlispetrsaclo clo clcvcr cle lirzê-lo.
I

clias ,ão inrpcclirá quc a senlonça passc crr julgailo. Enr virtLrde clisso.
Tirl s a não prcclusiviclaclc dos prazos llxados pl|rr o.iuiz. ()u scu cltritter
os plazos nri'rxirnos sào ucelcroÍrjrio.r', isto e. visarl a ir.npulsionar o
dc lrrazos i tn 1ttó1trirt.s.

J]
PROC]ESSO 193
192 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

134. preclusão
Na grande maioria os prazos estabelecidos pela lei processual
sào endoprocessuais, ou seja, eles são prazos internos ao processo. Preclusão é a perda de uma faculdade processual imposta pela
Referem-se a fatos componentes de um só e mesmo processo e ditam lei em determinados casos. Ela será uma preclusão temporal quando
distâncias temporais entre atos de um só procedimento (prazo para imposta como consequência do não exercício de urna faculdade, ou não
contestar, para arrolar testemunhas erc.). Mas há tambem prazos que, realização do ato esperado, no prazo Ílxado em lei. ConsurnaÍivq, quan-
embora digam respeito ao sistema processual e estejam disciplinados do decorrer do já exaurido exercício da Íaculdade, não sendo admitida a
na lei do processo, fluem Íbra deste e às vezes até antes que algum pro- repetição do ato pela pafie. Lógica, em razão da incornpatibilidade entre
cesso se instaure. E extraprocessual o prazo de dois anos para propor determinada fàculdade, ou seu exercício, com uma conduta já posta em
a ação resci.sória, contado da "última decisão proferida no processo" prática pela parte. Mistct, quando for efeito do decurso do tempo em
(CPC, ar. 975 - infra, n. 166); esse prazo flui entre dois processos, associação com o prosseguimento do processo sem que o ato haja sido
e não no interior de um deles. Também é extraprocessual o prazo de realizado.
cento e vinte dias para impelração de mandado de segurança (LMS, afi.
O instituto da preclusão temporal tem imensa relevância no sisterra
23 suprl, n. 91 ). brasileiro de procedimento rígido, qr-re não admite retrocessos nem tolera
esperas além do tempo determinado em lei (supra, n. 78) - ao contrário
Em resumo: a) os prazos consideram-se m.áxi.mos quando impõem
a realização do ato ate dado rnornento, não podendo ser realizado depois;
do que se dá em outras ordens processuais, nas qrLais certos retrocessos
b) mínímos, quando impõem uma espera; c) os prazos máxitnos sào ace- são admitidos em alguma medida. Com isso, ela é um dos grandes res-
leratórios do processo; d) os mínirnos , dilatóríos; e) os prazos sáo pró- ponsáveis pela aceleraçiio processual.
prios ou preclzrsivos quando de sua inobservância resultar uma preclusão
imposta ao sujeito que não os houver observado; I impróprios, ot nãrt Exemplos clássicos e manifestos de preclusão temporal'. o réu que
precltsivos,quanclo a inobservância não tem esse eÍêito. não contesta no prazo fica revel, não podendo mais oferecer sua contes-
tação e tendo contra si a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo
E tradicional no direito processual brasileiro a regra de que, "sal- autor na petição inicial (CPC, art. 344); a paÍe vencida que no prazo
não apela não mais poderá recorrer, suportando com isso o trânsito en.r
vo disposição ern contrário, os prazos serão contados exclr-rindo o dia
julgado da sentença. Exemplo de preclusão lógica'. o reconhecimento
do começo e incluindo o dia do vencimento" (CPC, art.224, capuÍ).
do direito do autor subtrai ao rér"r a fàculdade de contestar para resistir à
Dispõe também o Código de Processo Civil que "a contagem do prazo
demanda inicial (CPC, art. 335, clc art. 487 , inc. III, letra a). Exemplo de
terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicaçáo" (art.224, preclusão consumativa'. oÍêrecido recurso contra uma decisão, não será
§ 3o). Não se computa o dies a quo, oLt seja, o dia do inicio do prazo admissível intetpor outro contra a mesma decisão (princípio da unirre-
(intimação elc.), tnas se computa aquele elx que se completa o número corribilidade). Exemplo de preclusão tnista: a faculdade de nranifestar-se
de dias estabelecido para determinado prazo. No último momento útil sobre os fatos lrovos ou documentos exibidos pelo réu em contestação
desse dia o prazo terminará e, Çonsequentemente, não havendo a pafte (CPC, ats. 350 e 35l) não se extingue pclo simples decorrer do prazo
praticado o ato sujeito ao prazo, "extingue-se o direito de praticar ou de mas somente se, clecorrido este, ur-n ato subsequente vier a ser realizado
emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial" (saneamento do processo elc.).
(art.223).
Ao contrário do que tradicionalmente ocoria no sistema processual O Código de Processo Civil vigente procurou atenuar o caráter
preclusivo do processo civil brasileiro ao limitar os casos de adnrissibili-
brasileiro, em que os prazos eram contínuo.r, contando-se em dias cor-
dade do recurso de agravo de instnrmento contra decisões interlocutórias
ridos,no Código de Processo Civil vigente a regência da contagem dos
dos juízes de primeiro grau de jurisdição (infra,n. 152) -porque, como
prazos é outra, porque, como detemina seu art.219, "na contagem de
é natural, não seria legítimo castigar com a preclusão a parte que não
prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-áo somenÍe
tivesse corno rebelar-se contra uma decisão proferida em seu desfavor.
os dias úteis". Ou seja: os dias não úteis não se computam no começo,
Seu ar1. 1.009, § 14, aliás, atua nesse sentido ao proclamar que "as ques-
no meio nem no fim dos prazos.
PROCESSO I95
1g4 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

a falar'
tões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu
respeito não proposto, precisamente como algo que não existisse' Estamos
pela preclusão", etc. e não fática' ou histórica'
con-rportar agravo de instrumento, não são cobertas foriurto,'de uma inexistênciajurídica
compofiam esse
Mas tantas são as hipóteses nas quais as interlocutórias Em situação intermediária entre indiferença e a inexistên:il :tlão
a
I-X[l), parece, o legislador não ato judicial' Há
os casos em que a imperÍ-eição conduz à nulidade do
recurso (art. 1.015, incs. que, ao que
logrou sÀu intuito antipreclusivo, deixando pois as coisas praticamente nulidades cominatlas (p."*., aquela reÍbrida no ar1' 280 do CPC -"as
t-eitas sem observância clas
como eram antes. citações e as intin-rações serão nulas cluando
não cominada'r' que resultam
pr"r"riç0", legais") e há também nulidades
com o mo-
135. defeitos dos atos processuais à. lr-u análise do ato concretamente realizado em confronto
e a instrumentulidude dus formas delodefinidoemlei,paradepoisverificarseoeventualdefeitofoiounão
capaz de inabilitá-lo a produzir o efeito desejado'
Em uma ordem processual regida pela garantia do devido
processo
processo deve ser celebrado segundo regras seguras osistemaprocessualtambémdistingueasnulidadesemabsolutas
legal, em que todo
(,supra, n. 38), é natural que se questione a eÍ]cácia erelativas,endereçandoàquelasumtratamentomaissevero'eaestas
e [re,estabelecidas
menos. constituem causas de nulidade absoluta as
infrações a exigências
de atos processuais destoantes dos moclelos e exigências
legais. Isso não
preservar o correto funcionamento dos
processuaisp erfeitos tenham aptidão a rea- estabelecidas com o objetivo de
significà que somente os atos por estando em jogo o interesse
jamais a tendo nenhum dos imperfeilo§ - ou órgãos e seruiços judiciários - e, isso,
lizar o escopo programado, juiz dever fazer a verificação ex olJicio
seja, aqueles a que faltem requisitos. O sistema processual procura ser ;;ú;;, aa ninçà, o tem o rJe
jurisdição' independentemente de
dos c em qualquer tempo ou grau de
muito racional e é extremamente flexível no trato das imperfeições decisão pro-
provocaçãopela parle (CPÓ, ar1' 218, pat)' É o caso da
atos processuais. Nenhum ato processual se anula quando seu
escopo público nos casos em que
formal não haja cau- i-"ridu ,"_ a prévia intimação do Ministério
tenhá sido alcançado e sua eventual irregularidade (CPC, art' 219)' lnversamente' por não
princípio sua intervenção seja necesiária
saclo prejuízo às partes ou ao correto exercício dajurisdição - relativas somente podem ser
n' aIàtarem o interesse público, as nulidades
da instrumentaliclade das formas (;upra, 13)'
parte na primeira oportunidade que
declaradas mediante iniciativa da
preclusão (CPC' art'
Aconsequênciadaimperfeiçãodoatoguardacorrespondênciacom tcnha para se manifestar no processo, sob pena de
a naturezae à gravidade do defeito e com a nabrÍeza do próprio ato' út, iopriS, com a demonstração do prejuízo que a nulidade the haja
o tratamento dado aos «liversos possíveis defeitos dos atos processuais pLrte inocente pode pleitear
ou'poderia lhe causar' Somente a
vai da pura e simples indiferença (uso de algumas poucas palavras.
em "ouruaó de legitimidade pata
o reconheciàento da nulidade relativa, carecendo
judicial, em afronta ao disposto no art' 192' (CPC, art' 276)' ExempliÍicando:
língua estrangeira na decisão
jurídico
pJi f" a pafte que lhe haja dado causa
c,alut,doCóãigo de processo civil) à radical inexistência do ato ,lin pod"'r""1amar da falia de inquirição de uma testemunha a pafte que
equivocado para
imperfeito. haja dado causa a isso mediante indicação de endereço
E juriclicamenÍe inexistettÍe oúto processual quando lhe falta algum lu intitnação, não sendo ela intimada'

dos requisitos mínimos caracterizadores do llpo legal (fotna, sujeito' ob-


atos'
jeto) que ele aparenta reproduzir - ou seja, muÍatis mutandis, e para usar a A nulidade de um ato processual pode propagar-se a outros
mediante um processo de conÍaminttção capaz
imguág"- dos civilistas, quando ele for deftciente quanto aos essenÍialia cnr si mesmos sadios,
cle comprometer até mesmo o procedimento
inteiro' conibrme o caso'
negotii.Umasentençanãoassinadaouprofericlapornãojuizéalgoque bastante
bem' o {) Código de Processo Civil esiatui, mediante uma disposição
em si mesmo tem realidade material e histórica, porque, mal ou de nenhutl eÍêito todos os
relatório, motivação ,,.,.,pla, !r", "anulado o ato, consideram-se
ato aconteceu: alguem a escreveu e a compôs com No entanto' o mesmo dispositivo
sut',sequàntes que dele depenclam"'
e conclusão (CPC, art. 489), como se.fosse uma sentenÇa'
Mas' porque o
,"ssulru que "á nulidadc de uma parte do ato não prejudicará
as-outras
investido do poder jurisdicional ou.por- a correta identiÍicação
sujeito que a produziu não está quc dela sejam independentes" (art' 281)'.Para
vincula à vontade de quem poderia um ato anterior' o art'
qu" ,n', às"titô sem assinatura não se .i,rs atos qrrà fi.u,, cántaminaclos pela nulidade de
a nulidade'
procluzi-lo, essa falsa sentença é, perante o direito e em face do resultado Civil àispõe que' "ao pronunciar
:x2 do Càdigo de Processo
I96 TEORIA GERAL DO NOVO PROC]ESSO CIVIL
PROCESSO 191

ojuiz declarará que atos são atingidos e ordenará as providêrrcias neces- avante, e em princípio nenhum ato processual pode ser realizado durante
sárias a firn de que sejam repeticlos ou retiiicados',.
esse período. Estar suspen:io o processo signiÍica substancialmente que
em princípio serão ineficazes os atos que nesse período eventualmente
A consciência de que as exigências fonnais do processo não passam
se realizem (cPC, art. 314). A suspensão processual é a consequência
de técnicas destinadas a ir,rpedir abusos e conferir certeza aos lijigantes
(due process of law) manda porém que elas não sejam tratadas
de ceftos atos or-r Íatos indicados pela lei. Estar suspenso o pio""rro
conio frns signiÍica tambérn que é temporariamente defesa o sucr crntinuação, r-rão
em si mesmas, senão como instrumentos a serviço de um fim. cada ato
se podendo praticar os atos que normahnente se praticariam se ele não
processual tem um fim próprio, ou escopo especíÍico, e toclos eles err.r
estivesse suspenso - de modo qLre o primeiro ato que se praticaria na
conjunto têm o escopo de produzir uma tutela jurisdicional justa, me-
ordem do procedimento só vai ser praticado após cessado o estado de
diante um processo seguro. o ato não será nulo só porque formalmente
suspensão.
cleÍ-eitr"roso. ltlulo é o ato qne, cunrulativamente, se aáste do figurino
Iegal, deixe de realizar o escopo ao qual se destina e, por esse Ãtiun,
Apenas eventuais ntedidas urgentes nccessárias em cada caso é
cause prqjuízo a uma das partes (CpC, art. 2jl e2g2,
§s lne 2o1. Ain_ que, por expressa disposição da própria lei, poderão ser eÍ'icazlente
vtrlidade clo ato, ou seja, o seu defbito, é indispensável paraque ele seja realizadas (art.3l4,2a pafte) -.p. ex., a produção antecipada de uma
nulo, mas não é suficiente nem se confunde com sua nulidacle. prova testemunhal estando a testerrunha em perigo de virJa ou em via de
Tâl e a ideia da i.nsÍrumentalidade das transfêrir-se dehnitivarnente a outro pais.
/itrmas, presente to aú.2JJ do
código de Processo civil, segundo o qual, "quando a lei prescrever deter-
A disciplina da suspensão do processo está contida e pormenoriza-
minada fonna, o juiz considerará válido o ato se, rearizado de outro moclo,
damente desenvolvida nos afts. 313 a 3 r5 do código de piocesso civil,
Ihe alcançar a trnalidade". Na interpretação desse clisposrtivo entende-se
onde reside inclusive o rol das cottscts gerais de suspensão, entre elas a
que o preceito ali contido aplica-se tanto aos casos eÍl qLre a lei comine a
,rorte de uma das paftes e a necessidade de habilitar sucessores (cpc,
sanção de nulidade (nulidades cominadas) quanto àqueles para os quais
arts. 313, inc. I, e 687 ss.), a força-maior (art. 313, inc. VI), a convenção
não haja na lei comi,ação algu,ra (nulidades não cominaduiy. o coàigo
das paúes (art. 3 13, inc. II) erc., e também a relação de casos específicos
vigente não faz distinção alguma em relação a umas e outras, como Íàzia o
de suspensão do proces,so de conhecimento (prejLrdicialicladá externa
de 1973 (aft.214). Nesse contexto e com esse conteúdo, seu afi. 277 atua
como uma autêntica nonra de stryerdireilo responsável pela coordenação
etc. aft. 313, inc. V, letra a). A suspensão do proc,esso de execução e
regida no capítulo referente a esta (inexistência de bens penhoráveis,
de todo o sistema de nulidades contido no código cre proàesso civil.
Tbda e qualcluer nulidode fica afastada, mesmo as absolutas e ainda
impugnação ou embargos do executado em alguns casos elc. afts.526,
§ 64,919,§ lo, e 921, inc. Itt).
quando se trate de ,ulidade da senrença (falta de motivação eÍc.), quan-
do ocorre o trânsito em julgado senclo a coisa julgada uma,sanakh-ict Não se conflrntlem com a suspensão as abomináveis nteros parali_
geral da.s nulidades (infra, n. 140). Alguns vícios reputados excepcio- sações do processo, tlcando ele inerte por-ornissão ilas partes, dojuiz ou
nalmente graves pela lei poderão aincla ser alegados pela via da'açã, do cartório, r'nas não estando legalmcnte irnpeclido cle prosseguir. A falta
rescisória, mas, não proposta esta no biênio (CpC , art. 975) ou julgada de impulso pelo sqjeito qlle tem o dever ou o ônus de Íazer o procedi_
inadmissível ou improcedente, o convalescimento é clefinitivo. mento caminhar avante acarreta iudesejáveis denroras, rnas o processo
isso desaparece a possibilidade de impugnar o ato, airda que viciado " "u-
de
considera-se, ainda qLre paralisado, enr vida plena e não suspensô. Assim
é, p. ex., quando o juiz despach a agttctrde-se no cnquivo ou quando man_
nulidade absoluta (infra, n. 166).
da esperar pelo cur,pri,ento de algurn ato ou diligência (perícias elc"
).
E assim é também cluando o carlório demora mescs e mais ,reses para
136. suspensão do processo sirlplesrncnte lcvar os autos à conclusão - o que acontece com constran-
gedora Íiequêrrcia nos cartórios do foro central cla capital cie são paulo.
suspensão é uma situação jurídico-processual provisória e tempo-
Existe tanrbém o péssimo costume de mandar que o processo aguarde o
rária durante a qual o processo, embora pendente, sem deixar de existir,
.iulga,rento do recurso extraordinário ou especial interposto, quando a lei
cletén-r scu curso e entra em vida latente. o procedimento deixa
de seguir c rnuito clara ao estabelecer que tais recursos não têm eÍbito sr-rspensivo
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL PROC'tsSSO t99
l9ti

(CPC, art. 995 - infra,n. 142). Nesses casos o processo Ílca somente 138. .ialgumenÍo do mérito
puru l. i,s o d rt. irrTo susPeuso.
O julgamento do mérito ocoÍre ao Í-rm da fase de conhecimento do
processo, após as partes apresentarem os seus pleitos e o processo ser
t -J7. extinção do processo ou da.fase cognitiva
saneado e devidamente instruído (supra, n. 84).
 lase cognitiva do processo é encerrada por sentenÇa, quet de mé- Mas se os pontos de fato relaciotlados colll o mérito estiverem
t.ito tt't.1tin;tiva lsultra. n. 130.1. Nenhuma delas provoca necessaria-
r..ttr maduros para o julgamento antecipa-se este, sem o desenvolvimento de
nlrnte ll cxtinçào do proCessO eln Si tneSmO lnas Somente de sua fase cog- uma fase instrutória ou com o sen abreviamento. Trata-se do julgamento
rritiva, corno de ntoclo expresso dtz alei (CPC, art. 203, § 1a). Ordinaria- antecipado clo rnerito, de aplicação restrita às hipóteses de clesnece,ssi-
prcntc o avançÍ,t depois desse julgamento, ingressan do na.fase de
/)/-o('(',r,ro dacle cle provas (CPC, at. 355), que se conÍiguram (a) quando incon-
c.tlnprinlcn!(t de scnlcnç'rl il() nlcn()s para a satisfação da condenação em troversos os fatos, inclusive por efêito da revelia ou de contestação sem
cllstas prooessuais c elr honorários advocatícios (na hipótese de não ter impugnação especílica de fatos (CPC, ar1s. 341,344 e374,inc- IV), (b)
si<1o imposta na sentença Llma condenação reÍêrente ao próprio objeto
do
quando os làtos alegaclos na inicial fbrem imperlinentes ou irrelevantes,
processo). O prccesso somente será extinto com a sentença que põe fim a (c) quando já estiverem suflcientemente provados ou ainda (d) quando
essa nova fase (supra,n. 80). Nas poucas hipóteses em que a sentença
não
inadmissível a prova pretendida.
in-rpõe condenação alguma, sequer pelo custo do processo, a sentença que
Em uma das grandes inovações trazidas pelo Código de Processo
põe f,un à fase de conhecimento extingue também o processo'
Civil vigente, seu art. 356 instituiu na ordem processual civil brasileira
A extinção da lase de cumprimento de sentença ou do processo a figura do julgamento antecipado parcial do mérito, admissível sempre
autônomo de execução tbrçada operar-se-á selnpre por força de uma clue parte do pedido ou um dos pedidos cumulados reunir condições para
sentenÇo, a qual, sem nada decidir sobre as pretensões contrapostas dos esse julgamento e o outro, ou outros, não. O Código autoriza esse jul-
litigantes, dá por satisÍêita a obrigação ou, mais amplamente, pela im- gamento antecipado parcial quando parle do pedido ou ulrl dos pedidos
porrfuitiau,l. ou desnecessidade de prosseguir na execução (CPC, aÚs. rnostrar-se incontrover,so (art. 356, inc. l) ou se estiver em condições
924. incs. I-Y e 925, c/c art. 203, § 1q). cle imediato julgamento (ar1. 356, inc. II)' No tocante ao que não fbi
clecidido prosseguirá o processo mediante a instrução probatória e tudo
Em realidade, classificar as sentenças que extinguem a fàse cogni-
rllais quanto for necessário ao j ulgamento Íi-ral. Esse julgamento parcial,
tiva do processo em sentenças de méri.to ou teüninativas é insuficiente
clue é um autêntico julgamento de mérito, será suscetível à autoridade da
para a adequada identificação das espécies de sentenças existentes no
coisa jttlgada material, mas o Código o trata corno decisão e nã0 como
or«lenamenio jurídico brasileiro, que são quatro: a) as que, examinando
par- ,\'antenÇa,pondo-o sob o crivo clo recurso de agravo de instrumento e não
a causa, concluetr pela proceclência, improcedência ou procedência
de mérito (CPC, aft' cla apelação (CPC, art. 356, § 2a in{ra,n. 152).
cial da demanda, sendo pois autênÍicas ,sentenÇas
487 , it'rc.I); b) as que se pronunciam sobre a prescrição ou a decadênc io ,

que, rnal ou bem, o Código quis colocar como tema de mérito (CPC, l-19. casÍo d0 processo
àrt. qV,inc. ll); c) as que se limitam a homologar o recoúecimento
do
O funcionamento do prooesso demanda ulrl cLtsto, desde antes cle a
pedido, a transação ou a renúncia ao direito (CPC, art' 487, inç' III); d)
rlomanda ser proposta ate a efetiva prestação da tutela jurisdicional. Esse
julgamento do mérito (CPC, ar1' 485)' As
as termincttivrTs', que negam o e rrsto pode ser encarado efit um sentido estrito e em unl amplo. o
primei-
três primeiras hipóteses são reunidas pelo Código de Processo Civil em l1r deles abarca apenas os gastos que guardam relação direta e imediata
uma só categoria (sentenças de merito). r.onr o clesenrolar do procedimento. O segundo, todo e qualquer gasto ou
processo o senti-
Essa variedacle de espécies de sentenças conduz a várias e slgni- Pcrcla decorentes do processo. Imporla à disciplina do
do L',s'trito. Como não há condenação ao ressarcimento das despesas que
llcativas peculiaridades no trato de cada uma delas, seja no tocante ao
ili)0 scjam decorrência direta e imediata da prática de um ato processual.
co[rteúclo, ao morlento em que são prol-eridas, ao modo cle desoonstituí-
-las irp(ts o trânsito em julgado etc. ( iu'L:Lrc de interesse prático a análise do sentido amplo da expressão.
201
PROCESSO
CIV]L
2OO TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO
que' por
na Justiça àqueles
Processo Civil, visa a assegurar o ingresso ou
os honorarios não teriam como propor demandas
Incluem-se no conceito estrito de custo do processo razões financeiras, de outro modo
( honorários da s,u-
devidos pela parte vencida ao advogado da vencedora
defender-se. A, ,or-uJteferidas também ofertam de forma ampla os
O eni i olm ais todas as chamadai
des p e s as p ro c es s ua i s representadas o exercício do direito ao proces-
"u*
p"fr. .*t"., taxas judiciárias em geral, pela remuneração de
peritos elc' ;;i;;;;" acesso à jusriça mediante para o cor.reto e eÍ-etivo exercício dos
por todas palte veácida será ordinariamente condenada. so (assistência judiciária) e apoio
essas verbas a orientação em contratos, providên-
Não será condenada, p. .*', pot eventuais despesas do vencedor para a direitos fora da esteraluiisaiáiooui-
obtenção ile documento* u utilizados no processo' diligências em cias extrajud içiais etc'
'át"t
busca de testemunhas elc' no art' 5q' inc' LXXI'
Mas a assistência jurídica integral garantida
a assistência judiciária'
em duas cate- da Constituiçã" F"d;;i:;ttu toJpttÃdida
Em seu sentido estrito o custo do processo divide-se na realidade do Brasil con-
ainda constitui uma romântica promessa
gorias,asdespesasprocessuaiseoshonorariosadvocatíclos(CPC'arts' Defensorias Piblicas são material e numericamente
custo do processo ;;;;À";" As
ã+ AS;. Sáo despesas processuais todos os itens do insuficientes; up"nu' no' t""tros dotados
de Faculdades de Direito há
ttl " a" âtgr- rnádo Lm algum momento serão devidos aos agentes (como é o caso dos abnegados estu-
[r. " o custo de voluntários habilitados e dispostos
estatais, rios quais se inserern as custcts, os emolumentos' dantes do Largo de õào f'u"tit"o'
reunidos no Departamento Jurídico
ou citações e a remuneÍação Estado pouco-ou- quase nada
realizaçáode àiligências como intimações do centro Acadêmico XI de Agosto); o
tl1

os quadros do Poder auxiliares da Justiça estra-


dos auxiliares eventuais da Justiça que não integrem os atos dos
investe em assistênciajudiciária;
tiri de adiantamento de remu-
Judiciário. úos aos quadros judiciários ainda dependem
por Íàzer e aquela promessa
Ao falar em honorários advocatíclos é necessário diferenciar
os neração donde se vê que ainda há muito
promessâ'
por força da relação consiitucional ainda pouco passa de uma
honorários devidos pela parle ao seu próprio patrono
iiii

contrat,alcom ele â3ustàdu, daqueles devidos pelo vencido ao advogado


os da suutmbência mas 140. eii,cdcia cla sentença e coisaiulgada
do vencedor. Estes são denominados de honorári
na realidade responde pelos honorários do
advogado do advetsario aque- - a ertcácia preclusiva da coisu 'iulgadu
t" qru houver àodo ,ou,o ao processo' Ordinariamente foi
o vencido que^a recobre
uma demanda A eficácia da sentença distingue-se da coisajulgada'
qué- deu causa à necessidade deste, seja porque propôs e a toma imutável. A da õntença de mérito varia conforme seja

ter razáo, seja porque não tinha razáo e obrigou o adversário a "i*à"i" declaratória (supra' n' 7)'
sem
que o próprio ven- ela constitutiva, condenatória ou meramente
'li acioná-lo em juízo rrrui ha casos excepcionais em Algumas sentenças enquadram-se
quase perfeitamente nessas catego-
cedor foi quem deu causa ao processo, como'
p' ex'' ao promoverüma judicial pode assumir
do provimento
rias, mas em cefios
clemanda quando o outro sujeito
já se manifestara disposto a satisfazer "át""-' categorias
"ntacia dô sentenças com eÍ-rcácia bastante
sua pretenião. São esses os honorários
que integram o custo do processo ;;à" ;;plexidade-â"Háà"tp"iã, q": tlT os efeitos cumulados de des-
ii,i
pelojuiz dl:1Ytu segundo complexa, como as
no sentido estrito e que devem ser arbitiados constituir a relação j,'iai"o' áui"iiul d"
locaçâo e condenar
",1:-:?lT:
Processo Civil'
os critérios dispostos no afi. 85 do Código de -J, u coisa certa. Há ainda sentenças que'
apreclando-relaÇoes

uriAl"u, da"s quai s .*"tg"* direitos : obtigl:õ::.i:'::t":,.1"i-:*Oo


um sistema
No que se refere às despesas processuais a lei institui "ntr"gar
e da projetam ao futuro os seus eteitos'
1
momentos do processo
que impõà o adiantamento destas em cefios (relações jurídicas
àiriiààarde pagá-las a final(CPC, art'82)' Quando o proÇesso termina' 'o''tií'oti'os)' e obrigações'
àestinados que são a regular os direitos
u pirtà venciàQ-- em realidade , a
parie que houver dado causa ao pro- julgada material' recobrindo a efi-
algum valor ainda não Isso não quer dizer que a coisa
cesso - deve pagar ao Estado ou áot auxiliares por ser diferente.lá e cá' ou
pelo que ele tiver adiantado' cácia de cada uma desrus seoterrçur,-u"áb"
recolhido rinibolrrrá o vencedor scja, em cada uma das espécies daquelas'
Varia a eficácia da sentença
" ma1 se
oonforme o caso e confonne a causa concretamente.julgada'
i
Estãodispensadosdeadiantarasdespesasosbeneficiáriosdagra- 11da
na condição de demandan- "a que toma imutável
altera na coisa julga-dl ãtf-ia" como
turidade da justiça,quer quando comparecem autoridade
dispensa, assegurada pelo ar1' 5a' inc' LXXI'
tes ou de dámandados. Eisa cindiscutíveladecisãodeméritonãomaissujeitaarecurso"(CPC'afi'
cla Constitttição Federal e disciplinada nos alts' 98 a 102 do Código de
pROCESSO 203
202 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO C1VIL

Lie- epofiantodeterminantesdoresultadoasquestõesdecididasdesfavo.
502). Esse conceito remete a uma lição lançada por Enrico Tullio
ravelmente ao vencedor, pois nesse caso a decisão não interferirá
na
bmán no longínquo ano de lg35 (Efficacia ed autorità della sentenza),
conclusão pela procedência ou improcedência da demanda'
ao esclarecer que a coisa julgada não é um efeito ou uma
eficacia da
imutabilidade Um exemplo facilitará a compreensão' Em demanda condenató-
sentença, mas uma rru p."rliá. autoridade, consistente
na
ria o réu contesta a validade do contrato que deu origem à prestação
julgada
da eficácia da sentença. e afirma que o crédito demandado já Íbi pago' A demanda é
Essaimutabilidadeédenominadacoisajulgadamalerial,emcon. improcedente, constando cla lundamentação da sentenÇa que o negócio e
de qual- para
traposição à coisaiulgacla.formal,que consiste no impedimento válido e o reconhecimento da quitação da dívida. Foi determinante
destinado a impugná-la' de modo a rejeição dessa demanda a quitação da dívida e sequer
era necessário
luãt r..utro o, etpeãieotã processual
que naquele processo nenhum outro jtúgamento se fará' que"o julgador enfrentasse a questão referente à validade do contrato.
com
Não há poftanto como garantir a presença de cognição compatível
A imutabilidade «lecorrente da formação da coisa julgada tem por julgada material quanto à parte da motivação.que
a formação da coisa
consequência o impedinrento à propositura de demanda com
I
objeto
reconheóeu a validade do contrato - e essa é arazdo para o art. 503, §
14,

idêntico (unção negativa clct coisaiulgacta-CPC,arts'337 '


inc' VII e § julgada' Pelo aspecto
inc. I, afastar em tal hipótese a formação da coisa
a tomar
49, e 485, inc. V) e a vinculação clos juízes de processos
futuros
prático a limitação da coisa julgada às questões decididas Íàvoravelmen-
em jul-
como premissa a situação jurídica deflnida na decisão transitada t" ao uen"edor evita uma indesejável proliferação de recursos' pois a ine-
gado sempre que ela Íigurar como questão prejudicial (/unção positiva
xistência de coisajulgada quanto aos motivos que lhe são desfavoráveis
da coisa iulgada - CPC, art. 503). exclui o interesse do vencedor em recorrer (ínfra,r 145)'
dessas funções da coisa julgada (positiva e
A deflnição do alcance
negativa) remete ao tema dos limites objetivos da coisa
julgada. No sis- A coisa julgada tem tambem sets limites subjetivos, que coincidem
teÃa do Código de processo Civil de 1973 somente o preceito concreto com os limiiesiubjetivos da eficácia da sentença ou seja, dos efeitos
contido nu purt. dispositiva das sentenças de mérito ficava
protegido que esta projeta sobre as esferas de direitos das pessoas' Essa é uma
próprios,
pela autoridade da coisa julgada material, nào os fundamentos em que natural consequência de não ter a coisajulgada os seus limites
468 e 469)' Em uma das grandes inovações determinando-r" ,uu dimensão subjetiva segundo os limites da sentença
el" s" apoiu (CPC-73, arts. tradição todavia o
trazidas pelo novo código essa regra foi substancialmente alterada. sobre cuja eÍicácia incide sua autoridade. Por longa
limites subjetivos da coisa
Atualmente o preceito concreto contido fia parte dispositiva da sentença direito positivo brasileiro trata diretamente dos
julgada aft' de Processo Civil, segundo o
será sempre, como sempre foi, alcançado pela coisa (CPC' .julgadà, como está no aft. 506 do Código
503, caput)- mas, adiciônalmente, essa autoridade estender-se-á à ques- quãl "a.sentençafaz coisa julgacla às partes entre as quais é dada' não
que a
tão prejudicial expressamente apreciada na motivação da sentença e que prejudicando terceiros". Entenda-se, em um primeiro momento'
quem haja
seja deierminante para o resultado do julgamento sempre que preenchi- ,",-,i",-,çu só pode projetar efeitos sobre as esferas de direitos de
em um momento
dos os pressupostos previstos no § la do ar1' 503' Petmanecem excluídos sido parle no processo em que houver sido proferida - e,
julgada'
do alcánce da coisajulgada os motivos que não se qualifiquem como ulterior, que ú as pafies ficam sujeitas à autoridade da coisa
;ainda que importantes para detetminar o alcance
{rl. questão prejudicial, Arazáo fundamental pela qual a efrcácia da sentença e a autorida-
da parte-clispositiva da sentença" (CPC, ar1' 504, inc' i)' bem como a
de da coisa julgada somente podem prevalecer em relação aos sujeitos
"veidade dos fatos" (CPC" ar1. 504, inc' II)' processuais é a garantia conititucional do contraditório. Esta ficaria
proces-
maculada se algum sujeito, sem ter gozado das oporhrnidades
I
Um relevante requisito para que a coisa julgada se estenda às suais inerentes á condiçao de parte, ficasse depois atingido por eventuais
questões prejudiciais é o exigiào no art' 503, § 1q, inc' l' do Código de o
I

que da solução da questão prejudicial deve cleitos desfavoráveis da sentença e impeclido de repor em discussão
Éro"...o Civil, ao dispor
preceito sentencial (supra, n. 33).
I

,.clepender o julgamento do mérito". E,sse requisito restringe a extensão


julgadã às questões preiudiciais,limitando-a somente às que
1

cla coisa
na motiva.çào como premissa necessária e determinante do
Ao dizer somente que a sentença e a coisa julgada não podem
lt figr,rrem
'àruhodo
rlo.jtilgamento. Não podemser qualificadas como necessárias prejudicarterceiros,semdizerquetambémeventuaisefeiÍosfavoriiveis
I
PRoCESSO 20s
20.1 TF,ORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
por completo o
to sr-rbietivo distinto, mas, colllo sua procedência tolheria
t-tãoosatingcm,oart.506donovoCódigodeProcessoCivilafasta-se vida assegurado pela sentença transitada em julgado' a eÍlcácia
bem da
clo que tradicionalmente se dizia no anterioq segundo o qual "a sentença preclusiva impede a apreciação de seu rTrérito'
nem
Íàz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não benefioiando
prejudicanclo terceirós,, (cpc_73, art. 472). Essas ou eventuais outras
§ 4q. Rxcunsos E ourRos
do MEIos DE IMPUGNAÇAo
lxtinsões de efeitos e autoridacle Íàvoráveis prestigiam a efetividade
processo e não colidem com a garantia do contrttditório' DAS DECISõES JUDICIÀIS

Em algumas situações muito específlcas um terceiro pode ficar


I4t. meios de impugnação dus tlecisões iucliciais

atingido pJos el-eitos da sentença e vinculado à coisa


julgada formada O sistema processual ol-erece Lnna série de meios para a impugna-
quer eÍêitos e essa dàs decisOesjudiciais, seja para afastar a et'icácia de um
atoiudicial
i,, pio".rro do qual não haja participado, esses
çao
da conveniên-
",r.,
autoriclade sejam favõráveis ou clesÍàvorãveis. É o caso do sucessor da viciado, retificar o ato ou parâ confonná-lo aos requisitos
por aquele que esteve impugnação proporciollam a cassação
parte e do su.leito prutce,sstralntente substitttído cia ou da justiça. Esses meios de
(supro, n' 100)' Não há aqui do ato impugnado e sua sttb,sÍitttiçiio por outro, com o resultado con-
irr jLrízo purã u défesu de seu interesse
limitação subjetiva da
sistente em manter o conteúdo substancial desse ato' convalidando-o'
qruiqu", mitigação ou rlesmo ressalva à regra da
ar-rtoridade do julgado às partes, mas mera especiÍicação'
As razões que
ã, i*por uma decisão diÍ-erente. Cttssttr o ato signiÍica retirá-lo do
impedem , daqueles efeitos e dessa.autoridade a terceiros não
"-
n-,rrdo.1rridico. Sttb,stituí-lo, signiÍica pôr cm seu lugar uma
decisão do
"*i",rrão
preralecem quanto uo ,.,."rro, e ao substituído, porque deles é o
inte- órgao que decide sobre a impugnação lançada- contra
ele e sempre o ato

resse substancial emjogo e porque, por modos que a lei reputa idôneos' qu".lulgu um recurso ou algum outro meio de impugnação de decisões
SeuS interesses estiveram defendidos no processo - os do sucessor, por j"aióla.iu, tenr o eltito de substituí_lo ainda quando repete o mesnlo
qr"- titular do direito ao tempo, e os do substiíuído, pelo sujeito a decisório nele contido (CPC, aú' l'008)'
qr". o".udireito outorga a legitimidade ctd cattsam' Acategoriadosmeiosdeir-npugnaçãocontememsiadosrecurso's'
l'Iaque-
A coisa julgada é dotada também de uma especíÍica eficácia pre- que é menoi ampla e poflanto figura como uma espécie integrada
tendo por impugnação
clusiva, imposta pelo art. 508 do Código de Processo Civil e tf gênero próximo (iifra,nn.l42 ss')' Os demais meios de
demandas au-
significado'o impedimento à propositura de demandas incompatíveis àsãecisões, que não se qualificam como rccursos' são as
.o], u situação jurídica def,nicla na sentença transitada em julgado, na tônomas de impugnação às decisões judiciais (infra' nn' 165 ss')'
rnedicla cla incompatibilidacle. A eficácia preclusiva atua
no sistema
protetivo da própria coisa julgada e reforça espécies e eJ'eitos
como um autêntico escuclo 142. recursos - conceito,
a estabilidade jLrrídica proporcionada por essa autoridade'
impedindo a
parle pede
propositura pelo reu de demandas que venham a contornar ou trllnllnlzar Recurso c um ctto cle inc:ctnfonnlsmo mecliante o qual a
poftadoras de alegações que Íbram ou poderiam novadecisãodiferentedaquelaqrrelhedesagradaouprejrrdica'Econatu-
sua derrota clemandas nct mesmo
ter sido deduzidas no processo anterior e pedido incompatível com a ral ao conceito de recurso no direito brasileiro o seu cabimento
julgada' processo oll meslra relação processual eln que houver
sido proferida a
situação substancial in-runizada pela coisa
ou rejeita alguma
clecisão impugnada. Reoorre-se da clecisão que acolhe
do processo sem lhe pôr fim (decisões
Exernplo em que a eÍrcácia preclusiva st: maniÍ'esta é o de demanda ft"t.ntao no".r.ro de uma Íàse
cognitiva do
condenatór'ia julgada procedente' coln a condenaçào do rótr
r curnprir interlocutórias), recorre-se de decisões que põen:r firn à Íàse
que jâfizera o pagamento antes da sen- procedimentoColnUmollextil]guelnaexccuçào(Selltellças).recorrc-Se
a obrigação. Haja ele alegado
re-
ile decisões tomadas pelos tribunais (acórdãos)' Só não compoftam
Í'eito
tença,"sendo essa deÍêsa rejeitada na sentença, ou não haja sequer
possível propor
tal alegação, em qualquer dessas hipóteses não lhe ourso oS rle,lpachos de mero expediente, que não contêrl
será decisão algur-rra,
pedindo a
na sequência uma outia demanda' contra o autor da primeira' lirnitando-sé a dispor sobre o in-rpulso do processo e a ordenação
dos atos
primeiro pagamento com Ír_rndamento na
dcvolirção do valor referente ao atos sem qual-
Essa dernanda processuais; nao tta como pedir rova decisão em fàce cle
jurídica para adimplir em duplicidade.
quer conteúdo decisório (CPC. art' l'001 - '\uprq, n' 130)'
aLrsência cle causa
édistintaclaquelaaqueacoisajulgadaserefere,dizrespeitoarrmdirei.
20]
PROCESSO
ir 206 TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL
todo Íecurso
ll Para delimitar o âmbito horizontal da devolução'
A interposição de um recurso instaura no processo um novo pro-
-o deveconteropedidoclenovaclecisão,comaimpugnaçãodadecisão
cedimento, procedimento recursal, destinado à produção de novo
recorridanotodooo"*pun.(CPC'art.1.002).SeorecursoÍorparcial
julgamento ,ob." u matéria impugnada. o processo não se duplica nem será devolvido á apreciação do tribunal
o capítulo efetivamente
.á-"n*
," iria uma nova relação processual. Novo czrso se instaura, ou nova impugnado.
caminhada, em prolongamento à relação jurídica processual pendente,
I

e daí falar-se em re-curso. o procedimento dos recursos compõe-se


de decisório de uma sentença
Sempre que apenas parte do conteúdo
I

atos ordenados segundo determinados criterios e em vista do objetivo de ao tribunal pelo recurso interposto não incide
ou decisão é devolvida
reali- que se collsume a pteclu'
cada espécie recuÃal, sendo que cada um dos atos sucessivamente quanto à outra, ou outras, o efeito de impedir
capítulo sentencial que houver
,ados áesse procedimento vai produzindo seus efeitos e impulsionando sâo. Essa eÍicácia reputa-se confinada ao
de modo que quanto aos demais
a demanda do recorente ao julgamento pelo órgão destinatário. As es- cánstituído objeto àa impugnação'
contiverem uma clecisão de mérito'
pécies recursais admitidas no sistema do Código de Processo Civil são forma-se a coisa julgada q"uído "1"s
I
à apelação, o agravo de instrr-tmento, os agravos internos, os embargos questões a sereffI conlre-
I
de àeclaração, o recurso ordinário, o recurso especial, o recurso extraor- No plano vertical, ou seja, no tocante às
ou menor conforme a especie
dinário, o agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do cidas pelo tribunal, a extensãó será maior
da admissibilidade do recurso
tribunal reconido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso espe- '"ti"rr"i"Dadas as precisas delimitações
recursal.
Federal' somente
cial e os embargos de divergência (art. 994, incs' I-IX)' d" extraàrdinárlo, ditadas pela Constituição
questões de direito nacional podt* objeto de devolução a estes (art'
Todo recurso produz seus efeitos desde quando é interposto e ate que 'àt a
l
102, inc. III, letras ,',, urt' 105, inc'.IlI' .letras a-c) - excluindo-se
venha a ser julgadã. Os efeitos mais relevantes dos recursos sáo o devo- " direito locaf intetpretação de
lutivo, o suspensivo e os de ca.ssação e substituição da decisão recorrida. )rirri, lrn^"to, qualquer apreciação de nn' 219 e 454-STF; Súmulas nn'
contrato ou exame de prova(Súmulas
Efeito devolutivo. Devolyer significa, no glossário da técnic.a recur- elevado grau de devo-
julgamento da causa i Z-Sf». Os demais recLrtsos pennitem o maispelas
sal, tiansJêrir: quando um recurso é interposto, o " u"ríi"ul, devolvendo as quãstões propostas partes (recorrente
órgão superior, ou trans- t.riao
ou de uma demanda incidente é devolvido ao não susciiadas' qLle sejam pertinentes à
ou recorrido;, e tamUám outras,
julgar. A interposição recursal tem podanto a efi- (CPC' arts' 278' par'' e
.fericlo a ele o poder de
'cácia não Áajam sido coberlas por preclusão
de incluir concretamente na competência do tribunal a causa ou o "u,rru "3a).
485, §
incidente em que o recurso houver sido interposto. o tribunal reputa-se do efeito devolutivo' em
Como decorrência da dimensão subjetivct
investido do poder de decidir novamente, por força da devolução que os ou passivos a interposição
recursos operarl, nos limites da lei e da vontade expressa pela parte
que caso de processo com litisconsofies ativos
a pretensão da parte.que
recorre. Todo recurso é limitado por uma precisa dimensão horizontal, àn u* ,)rurro devolve qo tribunol somente
é interposÍo' Esse
estabelecida pela matéria em relação à qual nova decisão é pedida;
por ,nrorr" e emJàce da parte em relação à qual o recurso
de Processo Civil' constitui
uma dimensã o vertical,representada pelo conjunto de questões suscetí- enunciado, contido no art' 1'005 áo Código
auton.omia dos litisconsortes' que o
veis de serem apreciadas; e por ufira dimensão subjetiva, representativa O*Oá" do chamado princípio da é unitário' porém' é impossí-
art. lll proclama. Q*u,tJo o litisconsórcio
dos sujeitos a serem possivelmente beneficiados ou prejudicados pelo dos litisconsortes sem revefiê-
novo julgamento. vel reverler o iutgu*"nto em relação a um
barreira da
-lo quanto ao outro, fo'q" a isso. se opõe a intransponível
clue e a razáo de ser e o
osrecursosdevolvemaostribunaisSomenteoscapítulosdesen. incindibilidade das ,ituuiO"t.l"idico-materiais'
(up'o, n' 102)' Por essa razào o afi' 1'005
Íençct em relação aos quais o recorrente haja sido vencido. Aqueles em fundamento da unitaÀda de
recurso intetposto por um dos
quá foi vitorioso não podem ser examinados e muito menos reformados do Código de Processo Civil cánfere ao
em face de algum deles' o
pelo tribunal, do qual o recoffente só pode esperar uma solução melhor litisconsortes ligados pela unitariedade' ou
que a concedida pelo juízo inÍbrior, jamais uma pior' Um agravamento Por força do disposto
O" operar"a dwàluçao em relação a todos'
cie sua situação pelo tribunal, a que se dá o nome de reformatio in
pejtts, "i*i"pur. do art. 1.005, idêntica discipiina se aplica à hipótese de haver
no
e rigorosamente proibido aos tribunais.
pROCESSO 209
2OII TEORIAGERAL DONOVO PROCESSO CIVIL

solicfutriedade pa,ssiva e apenas um dos devedores solidários recorrer, julgado, ainda quando o recurso seja improvido e, porlanto' con;firmadct
a sãntença ou decisão: a parlir da publicação do acórdão
este se reputa o
alcgando defesa que aproveite aos demais devedores.
ato jLrlgador da causa ou incidente e a responsabilidade
por ele é do órgão
E/êito suspenslvo. O efeito suspensivo consiste cm impedir a pron- juiz ainda for admissível
julgadór do recurso, e não do a quo' Por isso, se
ta consumaÇão dos efeitos de uma decisão interlocutória, sentença ou será um recurso contra
âtgu* recurso subsequente ao que Íbijulgado ele
acórdão até que sejajulgado o recurso interposto. Esse efeito não incide (ou o ato superior e não
oàcórclão e não contra a sentença seja, contra
sobre a decisãojudicial recorrida, cotro ato processual sujeito a ser cas- o acórdãct virá a ser
contra o inÍ'erior). Se nenhum recurso se interpuser
sado e substituído por outro, mas propriamente sobre os eJêiÍos que se julgada-rnaterial
destina a produzir. Quer se trate de sentença de merito ou terminativa, imunizado pela preclusão e eventualmente até pela coisa
(se houver pronlnciado sobre o merittun causce) - e não o ato decisório
ou mesrro de decisão interlocutória, o efeito suspensivo dos recursos só jurídico pelo jLrlgamento su-
inferior, já previamente retirado do mundo
existe quando assim determina a lei, sendo natural a expansão de eÍêitos
quando ela silencia (CPC, art. 995, caput). Tratando-se de decisão con-
perior'AextinçãodoprocessooudaÍàsecognitivaseránessecasoobra
,doacrSrdãoenãodasentençafecorrida(ar1.203,§1a).Eventualoç,ão
denatória, se o recurso não tiver e[eito suspensivo a decisão compodará contando-
rescisórie.poderá ser admitida contra aquele e não colltra esta'
execução desde logo, seguindo as regras dtt cumprimento provisório cle para propô-la' elc'
-se depois da prolação do acórdão o prazo
sentenÇa (CPC, arts. 520-522).

As decisõcs judiciárias têm seus efeitos obstados desde o tnomenttr 143. os pressaposÍos de admissibilidade dos recursos e o seu mérito
da prolação sempre que o recurso r:abível seja poftador de efeito suspen-
sivo: proÍêrida a decisão interlocutória, a sentença ou o acórdão, laz-se Assim como a demanda inicial, tan-rbém os recursos (que contêm
pressupostos ou
uma pro,\pecÇdo sobre o recurso que em tese poderá ser validamente uma demcmda dirigida ao tribunal) são sujeitos a certos
requisibs sem os quais não poderão ser julgados pelo mérito' Mérilo
interposto, e se essa prospecção apontar a um recurso que tenha tal efi-
do
a Llma
cácia o ato.ludicial reputa-se desde logo impedido de produzir os el'eitos ,urr,rro é a pretensão a Llma decisão favorável, em substituição
com
programados. Seria um rernatado contrassenso aÍinnar que a sentença desfavorávei, dirigida ao tribunal. O mérito recursal pode coincidir
suscetível de recurso col-n efeito suspensivo produz efeitos antes da o mérito da própria causa, o que acontece quando o recurso e
interposto
interposição deste mas esses eÍ-eitos sc estancâlr depois que ele vier a que haja julgaclo este rnas pode também não coin-
contra uma decisão
ser interposto. Mais indesejável ainda seria adiar a efetivação do eÍ-eito qlle se peça
cidir, como se dá, p. ex., nos agravos de instrumetlto elTl
suspensivo ao momento da clecisão que recebe o recurso nesse efeito: o
juiz não tem o poder de subtrair o efeito suspensivo que o recurso telrl novadecisãosobrealgumaquestãoincidenteenãosobreessemérito.
muÍatis,mtr-
segun«1o a lei, e a sua decisão, nesse momento, é meramente declaratória Os pressupostos de admissibilidade dos recttrsos equivalem'
qr" condicionam o julgamento de merito de toda e qualquer
de uura situação auterior e, por isso, pofladora de eficácia ex tut1c. tan'dis.uoi
não terá
demanda (,sipro,n. 126) - e quando um deles Íàltar o recorrente
inadmis'sí'
Efeiros cle cassctçirct e substitttição cla tlecisão recorriela. E usual em direito ao juigamento do mérito recursal, sendo o seu rectlrso
(se fbr o
doutrina a alusão a urn binômio representativo dos efeitos do julgamento vel e por issJmerecedor cle indeferimento pelo órgão recorrido
dos recursos e composto pela cassctçCio e substituiçâo. Esses ef-eitos, caso) ou de não conhecitnento pelo tribunal destinatário'
porém, abrangem somente as hipóteses em que o recurso e cctnhecido,
Aplica-seaosreCLlrSoStu<loquetbiditoarespeitcltloprincípio
ou seja, as hipóteses em que o tribunal destinatário aprecia o seu mérito, arts' 939
tla priàazia tia clecisão tle mérito, com realce ao disposto nos
seja para dar-lhe provimento, seja para negá-lo. Não conhecido o recurso, i.CtZS, § 3a do Código cle Processo Civil Preenchidos os reqLrisitos
o ato jurídico fica intacto, sem cassação e muito menos substituição. Ao "impostosncssesdispositivos,oumesmoaquelesindicadosnoaú'488'
conhecer do recurso, seja para provê-lo ou para irnprovê-lo, o tribunal devesersttperadaaausênciadorequisitodeadrr-rissibilidadecolnérito
('Lt,\.\o a sentença ou decisão porque a retira do mundo jurídico, para que do recurso devc ser conhecido'
nixr rnzris produza efêitos; e também a substitui por outra decisão, clue é
cssa cpre elc próprio está a proÍêrir (CPC, arl. 1.008). Essa substituição Sáopressupt'lstosgeraisclosrecursos,oupressupostosdosrecursos
clo ato irrÍ'crior pelo superior se dá sempre que o mérito recursal seja ge.ul, a tegit int idaie para recorrer, o inÍeres se recu,sol, a adequaçãtt
".
zt1
PROCESSO

TEORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL


instânciaenvolvendoquestõesdedireitoconstitucional(Const.,afi.102'
é competente o Superior
do recurso interposto à espécie de decisão recorrida, a tempestividade' inc. III), (d) o recursi;;;;;:;t,0"': " :*l Justiça coÍIum
da intelposição e do processamenÍo e o preparo'
a regtrluritlocte J'ormal Tribunal de Justiça, iuâ" d" átti'0"' dos tribunais da
(Tribunais Regionais
"*
pla"t'it Tribunais de justiça) envolvendo ques-
"'(Const'' ar1' 105' inc' llf'
(e) os em'
114. Iegitimidade recursal tões de direito inf.u.onJlt'cional juízo ou tribunal' que
de qualquer
que Íigurem bargos de declaraçã", ;;;;;àttisàes
As primeiras pessoas legitimadas a recoÍrer são aquelas são admissíveis em á" obscuridade' contradição ou.omissão ":l,tidu
çot11o pdrtes no processo, porque e a elas
que se retêre a decisão recor- "u'à
na decisão recorrida tõpt,
l'022) ek Em princípio a interposição
ritla e é pri,cipalmente a ólas que poderão ser Íàvoráveis os resultados "t'
;; ';'do adequaáo torna inadmissível
o
concede de um recurso inuatq-o'Jo
tlo recurso qrá int",pu."rem (CÉC, art. 966)' Mas a lei também recurso interPosto.
Íerceiro
legitimidtrde ,"".,.rui, e.n ceftos casos, ao Ministério Público e ao
quanto a das
l píejt«ticcrdo_ legitimiclacle cssa sempre condicionada, tanto
pr(iprias partcs, à pr"r",1çu cle utrl interesse mais Favorável aos direitos ou 147. temPestividade
'interesses n' na observância do prazo
de quc sejarl titulares (art' 966, par' - '\ttpra' 107)' A tentpestividade do recurso consiste
condicionado' Recurso intempestivo
ao qual cada um ao'"t"*'*' é
rejeição pelo órgão .t""::ti.do o"
145. inÍeresse recutsul é recurso inadmissivel . ""ú"n*á
I
no art' t'OO:' ç 5a' do Código de
pelo órgão clestinatári'o' Pelo iisposto
(supra' n' 74)' tem de declaração' o prazo para in-
i

Sabendo-se que em direto interesse e utilidade Processo Civil, "excetit'áã' ot "*u-gos


interesse elrl recorrer o sujeito (par1e, Ministerio Público' terceiro pre- putu é.de quinze dias"' O prazo para
terpor os recllrsos '"'ponder-lhés 1'023)'
"
jtrdicado)aoqualonovojulgamentoaserproferidopelotribunalpossa
'sef àfã, embargos e de cinco dias (art'
que aquela
çapaz de àferecer uma úlução jurídica mais Íàvorável "rr",
no possível resultado clo Tribunal de Justiça
I
Aa quát recorre. Faz-se uma prospecção focada O Supremo 'l'ribunal Federal e o Superior
l
,""u.ro, e se dessa prorp""ção resultar a possibilidade de uma solução adotavamumaestranhíssimaorientaçãonosentidodequeumrecurso
a intenção do imorel;a o acórdão contra o qual se
mais favorável o sujeitoterá interesse erl recoÍrer' É "tsu interposto unt"' ot i'üiàdo pela
ou seja' impunham ao
Ir ar1. gg6 do código àe
processo civil ao atribuir à porte vencida o direito recorre seria intempestivo por prenruturitlale - qlle seu
pr'rblicação corno requisito para
l1 de recorrer. recoffente u a,ptto do ato de
p*s" muf iài debelado pelo ar1 218' § 4s' do Código
recurso torse ttlco'' o ato
qual "será-considerado tempestivo
Falta interesse rccursal, p. cx , ao réu que se saiu venc'edor
porque de Processo Ci''l, t"g""aà o
prazo"'
perante o credorjamais existiu' mas p.uti"oao antes do termo iniciai do
li o juiz reconheceu quc sua obrigação
op"lu .oln ., p.àidn cle reconhecin.rento clc tma pre'scriçãr.r que havia
"i.
utegaao. Cc,mc, a solução peilicla não é nada mais favor:ável
que aquela interposição e do processamento
148. a regularidade formal da
da qual recorre, esse rétt carece de interesse eln relação a ela - e assimjá
se pronunciou a Justiça paulista em uÍl caso concreto' A regulariclade formal do recurso interposto'está 11 ^o^b-YlUotiu
dos requisito, i,,poáto' pela
lei em relação às diversas especres re-
as peças cle i'terposição, ou razões
146. adequação do recurso interposÍo cursais. corno regra geral, todas crítica
as paÍes' desenvolver uma
recursais, devem no-ãu' e qualifrcar pedido de nova
Cada um dos recursos incluídos na lei e por ela regidos
destina- um concreto
obietiva à decisão ""o"iau' Íbrmular de instrumento
Assim' (a) a r.016 etc.). os agravos
decisão etc. (cpc,"nr. r.oró,
-se a uma especie de decisão a ser objeto de in-rpugnação'
upclttção é admissível contra asentenÇa proferida em primeiro
grau cle
deverão tambem ser instruídos' logo ao serem interpostos' com cefias
limi-
(CPC, art. 1.009), (b) o agravo,de instrumenlo' contra certas
peças reputad", i'il;;;i'"it'p"iír"i' Pena de indef-erimento
"itrrisdição 1ob recursos devem passar
clccisõós inierlocutórias desse mesrno nível (ar1. 1.015, incs. I-XIII), (c) o nar pelo relator' Depois ile interpostos'
todos os
a de rnaior
t.((,ttt:\o artrcrorclincirlo, ila competência do Supremo Tribunal
Federai'
,.ri. 'n,ioIJu"';;";;;J p'oviclências' entre as quais
por urna
ou última
contra clccisetes tomadas por qualquer outro tribunal em única
PROCESSO 213
212 |EORIA GERAt, DO NOVO PROCESSO CIVI L

signilrcado é a oÍ-erta de opoftunidade para que o recorrido ofereça sua serânegativo, ou seja, o recurso será indeÍ-erido pelo órgão a quo ou nã'o
respo,sla porque, não tendo este a opotlunidade para responder, violada conhecido pelo tribunal ad quem, conÍbrme o caso'
estaria a garantia constitucional do contraditorio (supra, n. 33). Pordisposiçãocontidanoaú.1.010,§3a,doCódigodeProcesso
Civil, os autos em que houver sido interposto um recurso de apelação
A admissibilidade do recurso extraordinário e do especial é con- serão remetidos ao órgão destinatário após o cumprimento das formali-
dicionada também ao requisito do prequestionontenÍo, consistente na
dades exigidas, "independentemente de juízo de admissibilidade". lsso
lbrmr-rlação de argumentos constitucionais ou inÍiaconstitucionais, con-
forme o caso, rultes do julgarnento pelo tribr-rnal a qrro. Omissa a parte signiÍica qr,", .o-p"ndo com urna tradição brasileira de muitas décadas,
o COaigo iig.nt" àeixou somente aos tribunais responsáveis pela apela-
quanto a essa alegação prévia ou on.risso o tribunal em apreciá-la, falta
ao recLlrso extraordinário ou ao especial o indispensável requisito do pre- ção o juízo ãe admissibilidade desta (Tribunais de Justiça ou Regionais
questionamento a não scr clue a parte. tendo suscitado aquelas questões Ê"ae.áir1 suprimido esse poder de modo absoluto aos juízos de primei-
r,u-rtcs desse julgaurento, vcnha depois a opor eurbargos de, declaração ro graujurisdicional.
cortra a onrissão do tribunal (CPCl, art. 1.025). uma outra disposição do código de 20l5 suprimia o primeiro juízo
O recursct exÍruordinario está sujeito tambér-r-r, além desses requisi- de admissibilidade tambem do recurso extraordinário e do especial,
tos gcrais e especiais, ao da reperat-s'stio gerdl, incluído pela Constitui- tradicionalmente realizado pelo presidente ou vice-presidente do tribunal
ção Federal entre seus pressupostos dc admissibilidade (art. l02, § 30) prolator do acórdão recorrido flazendo-o ao dispor c1ue, após cumpri-
e assim também considerado pelo Código de Processo Civil (aú. 1.035
l das as Íbrmatidades perante o tribunal de origem, far-se-á a rertessa ao
ín/ra, n. 153).
Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de .lustiça, "inde-
pendentemente de juízo de adrnissibilidade" (art. l'030, par')' A esses
149. prepuro Tribunais seriam com isso remetidos os autos de todos os recursos espe-
l
Preparo, na linguagem de direito processual, é o adiantamento do ciais ou extraordinários interpostos no país inteiro, sem qualquer triagem
valor de despesas processuais, exigido pela lei eln cedos casos. Todos os prévia, o que causou aos seLls integrantes enotme preocupação, pelo
recursos são sujeitos a preparo, como pressuposto de sua admissibilidade, previsível agravamento da atual situação de congestionamento que os
exceto os embargos de declaração (CPC, ar1s. 1.007 e 1.023). Com essa ànlge. SoUráveio porém urra nova lei federal (lei n. 13.256, de 4.2.2016)
i ressalva o Código de Processo Civil dispõe que, "no ato de interposição qu"l uo modificai a redação do art. 1.030 do Código clc Processo Civil,
ri
clo recurscl. o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação .ievolre aos tribunais prolatores a competôncia para o primeiro juízo de
pertinentc, o rcspectivo preparo, inclusive pofie de rerressa e de retorno, admissibilidade daqueles recursos, podendo inclusive negar-lhes segui-
sob pena de deserção" - ou seja, sob pena de seu recurso ser indefbrido mento, como sempre Íbi (CPC, art. 1.030, inc. I)'
l

I
ou não scr conheciclo. O preparo inclui, corrÍbflle as leis de organização
Nessa sistemática traclicional, que a nova lei não pern-ritiu que losse
jLrdiciária, as custas ou taxasjudioiárias clevidas ao Estado e essas despesas
eliminada da orderr processual brasileira, o juízo positivo de adrnissibi
1l

de porte e relorno, relativas ao transporte dos autos para o tribunal desti- tidade realizado no tiibunal a quo náo vinoulará o tribunal destinatário,
natário e devolução ao juízo de origem a não ser, por razões para lá de oncle logo de início pode o relator negar-lhe seguimento, inclusive por
inadrnissibiliclade. E pode tarnbélr.r eveutttaltnente o colcgiado
julgador
óbvias, quando a causa se processar ern atÍos eletrôn icos (aú. I .007, § 3!).
(Tnrrna, seção) prol.erir tm juízo neg1tit,o apesar clc ter sido posiÍívo o
ào relator. isso iigniÍica que ün reclrrso espccial ou extraorclinário só
ii 150. .juízo de admissihilidade e juíz,o de mérito dos recursos chegará a obterjulgamento pelo mérito quando houver superado vito-
I

O juízo de adnti.v,sibilidade dos recursos é uma apreciação f'eita pelo riosãrr.rente os trés juízos de admissibilidade a que pode ser submetido,
sendo todos eles no sentido positivo.
órgão prolator da decisão recorrida ou pelo tribunal destinatário quanto
à observância ou inobservância dos pressupostos de admissibilidade
claclueles. Se presentes todos, o recurso vai avante e poderá receberjul-
l5l. upelação
garrcnto pelo mérito, sendo entãopositivo esse juízo de admissibilidade. é o recurso cabível contra a senÍenÇq (CPC, ar1' l '009)'
A apelação
Sc auscnte algurn deles, um somente que seja, o juízo de admissibilidade Ela se distingue de outros recursos, especialmente por Ser um recLil'so
PROCESSO 215
TEORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

pleno, capaz de devolver ao tribunal todo o objeto do processo em que de Justiça, confonxe o caso). Cabe exclusivamente ao tribunal o juízo
lbi proferida a sentença (todos os pedidos), todas as questões suscitadas sobre a admissibilidade e o mérito do recurso (CPC, art. I .010, § 3a).
em primeira instância, ainda quando não integralmente decididas, e,
ainda, toda a matéria de ordem pública pertinente, mesmo quando não 152. agravo de instrumento
suscitada (CPC, ar1. 1.013). Daí dizer-se também que ela é um "recurso
de livre crítica, ou de livre Jitndamentação". Está sujeita, como todos os Agravo de instrumento é o recurso adequado contra as decisôes
recursos, aos pressupostos gerais de adrnissibilidade irnpostos pela lei interlocutórias proferidas na fàse de conhecimento que versarem sobre
processual (legitimidade, interesse, tempestividade etc.). mas somente a as matérias indicadas nos incisos do art. 1.015 do Código de Processo
eles. Inexistem pressupostos recursais especiais para a admissibilidade Civil bem como contra as proferidas na Íàse de liquidação de sentença
da apelação. Pelo disposto no aft. 1.012, caput, do Código de Processo ou de cumprimento de sentença no processo autônomo de execução por
Civil, "a apelação terá efeito suspensivo", salvo nas hipóteses relaciona- título extrajudicial ou no inventário (CPC, aú. 1.015, par.). Nas hipóteses
das em seu § le. inclicadas nos incs. I-XIII do ar1. 1 .0 15 do Código de Processo Civil tem
Apelação e admissível tanto em relação às sentenças de mérito a pafte o ônus de interpor tempestivamente esse recurso, sob pena de
(CPC, ar1. 487) quanto às terminativa,r, que não decidem sobre mérito preclusão o que não acontece quando se tratar de uma interlocutória
(ad. 485). Basta que seja uma sentenÇa (ato com o qual o juiz põe fim irrecorível (aft. 1.009, § la).
à fase cognitiva do processo aft. 203, § 1a). Não compofia apelação a Esse recurso é interposto diretamente no tribunal competente (CPC,
decisão com a qual o juiz profere um.julgamenÍo antecipado parcia.l do ar1. 1.016, caput), instruído com os documentos e cópias necessários à
mérito, pois essa decisão, mesmo sendo de mérito, é uma interlocutória comprovação da admissibilidade do recurso e à adequada compreensão
e comporta agravo de instrumento (ar1s.356, § 54, e 1.015, inc. II infra, da controversia (CPC, ar1. I .01 7). Não tem efeito suspensivo (ad. 995).
n.152).
Conforme o caso, o objeto da apelação pode incluir também a 153. o recurso especiul e o recurso extruordindrio
impugnação de cefias decisões interlocutórias proÍbridas ao longo do
processo. Quando se tratar de interlocutória sujeita ao recurso de agravo O recurso extraordinário e o recurso especial têrn admissibilidade
de instrumento tem a parte contrariada o ônus de interpor esse recurso restrita no sistema processual-constitr-rcional brasileiro, sendo sujeitos a
no prazo legal, sob pena de preclusão e tais são aquelas indicadas nos severos pressupostos especiais de adrr,issibilidade, aos quais os demais
doze incisos do ar1. 1.015 do Código de Processo Civil. Quanto às de- recursos não são. Ar-nbos têm por objetivo proporcionar aos Tribunais de
rnais, não incluídas nesse nutnerus clausus, não ocorre tal preclusão jus- superposição (Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça)
tarrente porque são iruecorríuelt e poftanto a pade não teria como ma- a apreciação de quesÍões /ederais, a interpretação do direito federal e a
niÍ'estar irresignação. De n-rodo expresso diz o § la do art. 1.009 que "as imposição da efetividade das normas federais tendo a Corte Suprema a
questões resolvidas na Íàse de conhecimento, se a decisão a seu respeito competência para o recurso extraordinarlo lundado em alegação de trans-
não compoúar agravo de jnstrumento, não são coberta.s pela preclusão". gressão à Constituição Federal (Const., aú.102, inc. III) e sendo o Supe-
São essas as decisões que compoftam impugnação mediante o recurso de rior Tribunal de Justiça competente para o reaffs o e,specia l, que desempe-
apelação, juntamente com a senÍença. Eventuais decisões interlocutórias nha análoga função em relação ao clireito ltderal infioconslitttcional (aft.
não agraváveis proferidas ao longo do processo em desfavor da parle que 105, inc. III). Ambos são admissíveis contra decisões tomadas por outros
veio a sair-se vitoriosa na sentença poderão ser por ela impugnadas em tribunais em única ou últirua instância - e é por isso que desses Tribunais
suas contrarrazões de apelação (ar1. 1.015, § la, palavras finais). Superiores costuma ser dito que exercem ama insÍância de superytosição
(strpra, n. 65). Nenhum deles tem efeito suspensivo (afi. 99-5).
A apelação é interposta perante o juízo de primeiro grau no prazo
de quinze dias (CPC, ar1s. 1.003, § la, e 1.010 , caput), devendo aquele,
O juízo de constitucionalidade realizado no julgamento do recurso
depois de receber aresposÍa do apelado, encaminhar os autos ao tribunal
extraordinário é sirnplesn.rente incidental (incidenÍer tanlutn), ou seja,
competente parajulgar o recurso (Tribunal Regional Federal ou Tribunal
2t9
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO C]VIL PROCESSO

suscetível de ser
ciais repetitivos, no entanto, a reclamação somente é cabível após o es- rnissibilidade em um primeiro juízo de admissibilidade
gotamento das instâncias ordinárias (ar1. 988, § 50, inc. Il infra,n.171). r e visto pelo Tribunal iornpetente
para apreciar o mérito se o recurso for
adn-ritidà (STF ou STJ - CPC, art' 1'030 - supra)
n' 150)' Contra a de-
155. sgrsvo interno em recurso
cisão que não admitir um desses recllrsos é cabível o agravo
Sempre que o relator de algum recurso ou de demanda da compe- aspecialeemrecursoextraordinárlo,aserjulgadorespectivamentepelo
tência originária do tribunal proferir decisãct monocratica, em aplicação iíf".io. Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal (cPC,
do disposto no afi. 932, incs. II-VI, do Código de Processo Civil ou em art. 1.042, § 4a).
qualquer outra hipótese, contra essa decisão caberá agravo intemo, diri-
gido ao colegiado competente para o julgamento do recurso ou da causa 159. embargos de ilivergênciu
(CPC, aft. 1.021).
Tribu-
Admitem-se os embargos de divergência perante o Supremo
de divergên-
156. embargos de declarução nal Federal ou o Superior tiibunal de Justiça nas hipóteses
nos incisos do ar1' l '043 do Código de Pro-
ciajurisprudencial àescritas
Os embargos de declaração são dirigidos ao próprio órgão julgador cesso Civil. Trata-se de recurso destinado a uniformizar
a interpretação
que houver proferido a decisão irnpugnada e cabíveis contra qualquer Tribunais de superposição, e sua existência na
do direito no seio desses
decisão judicial, para "esclarecer obscuridade ou eliminar contradição" áraàn-., .luriOica brasileira constitui uma
natural decorrência da repartição
(CPC, aft. 1.022,inç. I), "suprir omissão de ponto ou questão sobre a dos intãgrantes dessas Corles em Turmas (e o STJ tambem em Seções),
qual devia se pronunciar o juiz de oficio ou a requerimento" (CPC, aft. ;;; pãssibilidade de chegarem estas a interpretações destoantes das
1.022,inc.II) ou "corrigir erro material" (CPC, ar1. 1.022,tnc.III). A "
assumiàas por outros órgãos internos do tnestto
Tribunal'
oposição desses embargos intemompe o prazo para a interposição dos
demais recursos cabíveis contra a decisão embargada (CPC, art. 1.026,
160. incirlente cle assunçiitt de competência
caput). Eles não estão sujeitos a preparo (at. 1 .023).
não
O incidente de assunção de competência - que e um incidente'
colegiado de maior enver-
I 57. recurso ordinário um recurso - torna possível a remessa a um
de processo de
gadura o julgamentó de recurso, de clevolução oÍ-rcial ou
O recurso ordinário é regido por regras muitos semelhantes às da de "relevante questão de
apelação (CPC, arts. 1.027, § 2o, e 1.028). E cabível nas hipóteses des-
ãã-p.teti"iioriginária do tribunal que tratem
g.und" repercussão social, sem repetição em múltiplos pro-
critas no aú.. 1 .021 , incs. I e II, do Código cle Processo Civil, que tratam direito,
"o-
(CPõ, art. 94i, caput).Admite-se esse incidente sempre que Íbr
de causas julgadas originariamente por um tribunal (competência origi- ""rrori'
"conveniente aprevenção ou a composição de divergência entre câmaras
nária), entre as quais Íigr-rranr com grande destaque e interesse prático as questão é relevanÍe'
decisões denegatórias de mandado de segurança (não as que conceclem ou turmas clo tiibunal'; (CPC, afi' 947, § 4a)' Utna
a ordem supra, n. 91). Esse recurso é da competência do Supremo nessecontexto,quanclosuasoluçãopudertranscenderosinteressesdos
sociedade como urll
Tribunal Federal quando intetposto contra acórdão de um dos Tribunais sujeitos em litigio, projetando influência sobre a
notadamente aqueles
Superiores (inclusive do STJ) e do Superior Tribunal de Justiça, quando toáo ott sobre ú ,ulo.", inerentes à vida social'
A ressalva de que o caso
in-rpugna acórdão de algum dos tribunais de segundo grau (Tribunais de que a Constituição Federal abriga e resguarda'
tratar de questão repetida em múl-
Justiça ou Regionais Federais). a ser submetido ao incidente nãJpode
aplicação quando
tiplos processos serve para demarcar o espaço de sua
de demandas repetitivas ou
cànfrontado com o incitlenÍe de resolução
I 58. ogruvo em recurso especial e em recarso extruordindrio
cofiroprocedimentoparaojulgamentoderecursosexÍrarlrdináriose
para o enfrenta-
O recurso extraordinário e o especial devem ser intetpostos perante especiais repetiÍivtts,que sao ôs instrurnentos adequados
A decisão prof-erida no julgarnen-
a presidência ou a vice-presidência do tribunal onde proferido o acórdão mento dessás questõei (supra,n' 154)'
juízes submetidos
recorrido (CPC, ar1. 1.029, capui), que decidirão a respeito de sua ad- to do inoidente de assunçãt de competência vincula os
221
PROCESSO
TEORIA GERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

1 63. devttlução oiicial


ao tribunal que a proferiu e os órgãos liacionários do tribunal (CPC, arts.
a devolução oJicial'
921 , inc. ltl, e 941 , § 3a), sendo cabível a reclamação contra a decisão O ar1. 496 do Código de Processo Civil impõe
que clecidir sobre idêntica questão de fotma distinta (CPC, aft. 988, inc. tambérn denominada ,in*o*n necessltrio ot duplo grau de 'iurisdição
o ficar vencido (excepcionadas
l
IV infra, n. 171). obrigatorio,nas causas em que Estado.
tem a mesma
1

as síuações previstas nos §§ 3q e 4t)' A devolução oficial


up"táçao. Ordenada a remessa ao tribunal' operar-
li l6t. incidente de arguição de inconstitucionalidade ãn.a"iu'a"rolutiva da
Pública
(reserva de Plenário) -s"-á u devolução du à ele ainda quando a Administração
o "uu,a
recurso cle apelação' Nos casos em que se itnpõe
não haja interposto
O incidente de arguição de inconstitucionalidade deve ser instaura- prazo para
ã-ã"rirçao ofl"iul, após prof-erida a sentença e escoado o
do sempre que perante algum órgão liacionário de um tribunal (câmara, competente (TJ ou
ii
recorrer às autos devem àr remetidos ao tribunal
turma, seção) venlra a ser suscitada a inconstitucionalidade de lei ou ato poder de decidir no-
inf;, o qual Íicará automaticamente investido do apelação interposta
norr.nativo do Poder Público. Nesse caso o relator subr-neterá a questão vamente a causa, tanto quanto no julgamento de
uma
ao órgão Íiacionário do qual laz parte, o qual poderá rejeitar desde pontos da sentença que
p"i" Ét,"a" em que Íbssem impugnados todos os
logo a questão constitucional suscitada, inclusive por imperlinência ao lhe são desfavoráveis.
recurso ou ação originária em julgamento - ou poderá tambetn, em um
juízo meramenÍe delihtrtório, açeitat a questão e, nesse caso, remetê-la
161. suspensão du tuÍela provisória
ao Plenário ou Orgão Especial do tribunal sendo deste a competência
exclusiva para decidir sobre a questão constitucional (Const., att.97). A suspensão de tutela provisória pelo presidente do^trib-unal
n' 8'437' de
Decidida em abstrato essa questão, os autos retornarão à turma, câmara .o*p",.ni" para o julgamentà dol r1yrs91 cabíveis (leié um inc:idente
30.6'.92,aú.'4e lei'n.-8.038, de 28'5'90 LMS' ar1'
15)
ou seção competente para o julgamento da causa ou recurso, a qual apli- legitimidade
processo novo' Tem
cará ao caso concreto a conclusão dellnida nesse incidente e prosseguirá do processo e não un recurso ou um
função pública
no julgamento do caso concreto. faá postulá-la o ente público ou privaào no exercício de
houver sido concedida'
envolvitlo no p.o."rrà onde a tuiela provisória
Segundo está na súurula vincttlatlte n. 10 do Suprcmo Tribunal Esseincidenteefündadoemrazõesdeordenrpirblicaenãonas'razões
Federal. "viola a cláusula de reserva de Plenário a decisão de órgão o ente legitimado resiste à pretensão que lh9 Íoi
dirigida' Não
p"iÀ àr"lt
l'racionário de tribunal que, embora não declare e\pressclncllte a in- coincidêncla entre os Íundamentos do pedido de suspensão
e
il,;"i;,
t constitucionaliclade de lei ou ato normativo do Poder Pirblico' afasta sua
incidôncia, no todo ou etl parte".
ár'aà ugiuuo, apelação ou recurso especial ou extraordinário -
se debale em torno dos fatos constitutivos
nos quais
do direito alegado pelo._autor
e das negativas postas pelo reu' E por isso
que a presidência do tribunal
I 162. o.julgamenlo estentliclo
não casía a tutôla provisória impr-rgnada' Menos que isso:
prática
limita-se a
da medida
O Código cle Processo Civil vigente não incluiu os tradicionais *"p;;;;, ,,uo eíicércu,, ou seja, á lÃry1^".]lanidade
fortnar a respeito'
embargos infringenÍes no rol dos recursos admissíveis no processo enquanto asslm convler e outra convicção uão se
civil brasileiro, substituindo-os por uma tecnica n.ruito mais simples.
Agora, sempre que haja divergência de votos entre os integrantes de t65. as dem(tndas autônomus cle imltugnação às
decisões'iudiciais
uma câmara ou tutma no julgamento de apelações, ações rescisórias ou destinados
Como já referido, recLtrsos são remédios processuais
certos agravos de instrumento a sessão de j ulgamento prosseguirá para a ql:
ri impugnaçáo de decisões judiciais iro mesmo
p,rocess,o
tomada de votos de outros jr-rlgadores, em número suficiente para possi- "'" l-"111]
melosilctma
velmente reveder o j ulgarnento (atl. 942, caput e § § la ss.). Tudo ocorre *lao'põferidas (supra, n- 142)' Além deles e dos,outros
cle Íbrma muito mais simples do que era na vigência do Código de 1973,
corlsiderados,osistemaoÍ-ereceaindaoutrosremédiosprocessualScom
de ttm nov.o pro-
csse objetivo, a serem atuados mediante a instauração
sent a necessidade de lavrar e publicar acórdãos referentes ao primeiro no procedimento
julganrento, sem prazo para recorrer e para responder, sem tramitação r.c,rso. Não são recursos nem incirlenles enquadrados
na própria relação
oude houver sido proferida a decisão atacada, ou seja,
clos crnbatgos infringentes, sem nova inclusão em pauta.
PROCESSO 223
222 TEORTA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

pendente, mas verdadeiras demandas autônomas que darão origem a um 167. ução anulatóriu (le sentença arbitrul
novo proces.ro, uma nova relação processual distinta - são demandas
A ação anulatória de sentença arbitral exerce muÍatis mulandis a
autônomas de impugnação às decisões judiciais. oll
mesma finção que a ação rescisóricr exerce em relação a sentenças
Trata-se da ação rescisória, da ação anulatória de sentença arbitral, (a) a ação resci-
acórdãos do poáer Judiciário, conr a diferença de que
da ação anulatória dos negócios jurídicos homologados judicialmente, em alguma medida o reexame do mérito e a anulatória
,ãrà
da querela nullitatis, das ações destinadas à relativização da coisa jul- "o*porta arbitrais,
limita_se áo controle da regulariclade processual das sentenças
gada, da reclamação, do mandado de segurança contra ato judicial, do
,aà poO"rrdo o juiz estatãl ir alem do e^u-" de eventuais nulidade,s
habeas corpus e da arguição de descumprimento de direito fundamental.
ut"gâaut por aquele que vem postular sua desconstituição
(LA' afis'
ZZ-"ZI -CpC, art. 966 supra,nn. 40 e 95), e
(b) a ação rescisória pode
166. ação rescisória emjulgado da sentença ou
ser proposta ate dois anos depois do trânsito
dias (LA, afi.
Depois de passada er-r-r julgado a decisão de mérito e fonnada a coi- ucOiaaà rescindendo e a anulatória em somente noventa
sa julgada material (supra, n. 140), nos casos especilicados nos incisos
33, § la - CPC, art.97 5).
do art. 966 do Código de Processo Civil a correção de possíveis vícios
ainda pode ser provocada mediante propositura da ação rescisória, no 168.açãoanulatóriudeutosnegociaishomologados.iudiciulmente
prazo de dois anos (CPC, aft. 975) quer hajam ou não sido esgotados EmboraoCódigodeProcessoCivilincluaentreasdecisõespofia-
todos os recursos possíveis. Esse prazo é contado "do trânsito em julga- a homologar
doras de um.ittlgamento clo mérito aquelas que se limitam
reconheci-
do da última decisão proferida no processo" (art. 975). Também pode cerlos atos negãciais celebrados entre as parles (transação'
ser impugnada em ação rescisória a decisão que, "embora não seja de mento do pedúo, renúncia ao direito CPC, art' 487 , inç' Ill)' na reali-
mérito", impeça a "nova propositura de demanda" ou a "admissibilidade porque o conteúdo substancial
dade essas sàofalsas decisões cle mérito,
jutz (supra' n'
do recurso coffespondente" (CPC, art. 966, § 2u). A propositura da ação que apresentaÁ e dado pelas próprias- partes, não pelo
rescisória não su,spende a eficácia da decisão impugnada, salvo se for com a qual empresta ao
i:7). bo juiz é apenas a própria homologação,
concedida tutela provisória com esse objetivo (CPC, afi. 969). ato áas p*t", u autoridade do Estado e o habilita a servir de título para o
Ao julgar a ação rescisória, se o tribunal competente concluir pela procedimento de cumpritnento de sentença (CPC, art' 515' inc' II)'
presença de algum dos vícios alegados pelo autor, a decisão impugnada Da estrutura dúplice de tais clecisões decorre a importantíssima
pela via da
deverá ser rescindida Çuízo rescindente) e, conforme o caso, no mesmo consequência de que ô ato homologador comporta o controle
julgamento deverá ser novamente decidida a causa onde Íbra profbrida a e sttscetível de controle por
ação iescisóriru, enquanto o ato homologado
decisão rescindenda (fuízo rescis(trio CPC, art.974). a própria transação' o
outras vias. Quando se trata de pôr em discussão
direito, a via adequada será'
reconhecimento do pedido ou a ienúncia ao
O Círdigo de Proccsso Civil instituiu nos arts.525, §§ l2 a 15, e Civil' a
segundo o disposto no art. 966, § 4o' do Código de Processo
535, §§ 5q a 80, unra inusitada disciplina para a ação rescisória Íundada ação rescisória disciplinada por seu aft.
chãmada ação anulatória, náo a
em decisão do Supremo Tribunal Federal ulterior ao trânsito em julgado, processo de conheci-
485. Essa ação anulatória é representada por um
acerca da inconstitucionalidade de noma jurídica ou de sua interpreta- jurisdição' tal.como
ção conforme à Constituição Federal. Se a decisão do Supremo, profe-
mento da competência do juízo de primeiro grau de
se dá sempre para o pleitá de anuiação ou declaração de nulidade dos
rida em sede de controle de constitucionalidade incidental ou abstrato
(sttpra, n. 94), houver sido contrária ao que consta da decisão transitada atos negociais em geral (CC, art. 849)'
emjulgado será cabível a propositura de ação rescisória contra esta, con-
tado o prazo de dois anos da data ern que transitar ern julgado a dccisão 169. querela nullitatis
do Supremo. Essas nomas são clararnente inconstitucionais. pois, em
alionta ao mínimo de segurança jurídica necessário à vida em socieda- Aquerelanullitatisatuanosistemacomoumsucedâneodaaçãores.
a
de, dão ensejo à impugnação da decisão muitos anos após o trânsito ern cisória, do qual notmalmente se cogita quando o prazo decadencial.para
Daí ser legítimo dizer que ela aca-
.jirlgado, sem limitar o cabimento da ação rescisória à aÍionta a valores propositu.a'desta se encontra escoado'
constittrcionais de extrema relevância (iníra, n. 170). [u ,. up..r.ntando como uma verdade ira ação rescisória exÍraordinária.
PRO(]ESSO 225
TEORIA (;ERAI- I)O NOVO PROCESSO CIVIT-

a qualquer tribunal em caso de (a)


I-lá intensa controversia sobre as hipóteses em que a querela nullita- ção corno remedio a ser enclereçado
tomadas
/ll e admissível, sempre sob a justificativa de que a decisão transitada em usurpação de sua cornpetência, (b) desrespeito a suas decisões
em um dado caso concreto e (c) inobservância de decisões tomadas en-t
-iLrlgado padece de urn vício insanável, não superável sequer
pela coisa
rescisória. julgamento de casos repetitivos, em incidente cle assunção de ool.npe-
.julgada e pelo transcurso do prazo para a propositura de ação
A hipótese mais aceita de cabimento desse instrurnento excepcional e a iOniiu ou de decisão do Supremo Tribunal Federal à qr'ral tenha si6o
já da Cons-
da inrpugnação de decisão de mérito proferida etn processo que correu reconhecida repercussão geral alérn clas hipóteses em que
tituição Federal vem a admissibilidade das reclamações. A reclamação
à rcvelia e no qual a citação do réu é inexistente ou nula situação enl
julga«jo da decisão qlre se pretende im-
quc, inclusive, a lei expressamente oferece a possibilidade de a decisão não é cabível após o trânsito em
pugnar 1CeC, ar-t. 988, § 5'!, inc. I), e tratando-se de decisão que aÍionta
pclsta em execução ser questionada ern impugnação ao cr"lmprimento de
sentenÇa (CPCl, art. 525, § lo, inc. I). prJ"",i"nt" proÍêrido em sede de recursos extraordinário ou especial
sido
repetitivos ou de clecisão do Suprerno Tribunal Federal à quai tenha
cabível após esgotadas as ins-
reconhecida repcrcussão geral sonrente e
I 70. relutivizctção da coisa.iulgadu
tâncias ordinánas (ar1. 988, § 50, inc. ll)' Com essa conÍbnração
e essa

Err casos de extrema gravidade, tendo a sentença ou acórdão sido o Írnalidacle, a reclamação, que não é un1 rectrso, insere-sc na categoria
resultado det'rma.fraude muito grave ou transgredido direitos ou valores genérica dos meios de impugnação das decisões judiciárias'
de clcvado nível político, social ou humano, pafie da doutrina e da juris-
prudência aceita que a autoriclade da coisajulgada seja desconsiderada, 172. manilstlo cle segurança contrs ato iudiciul
com a possibilidade de propositura de uma demanda destinada a obter
um resultado dilerente do resultado ditado nessa sentença ou actirdão Comoreferido.omandadodesegr-rrançaéumremedioadrr,rissível
(relativizctção da coisa .julguda). Em outras palavras: nessas hipóteses contra olos esÍaÍcris que lesarem ou ameaÇaren, direitos líquidos e Certos
extremamente extraordinárias os tribunais preÍêrem dar preponderância (LMS,art.lasupro,n.gl).Porseradecisãojudicialulnatoestatal
a esses valores consagrados na Constituição, penr, itindo que eles neutra- irupro.n. 39), ó em tese possível clue cotrtra ela seja irnpetrado manda-
lizern a coisa julgada e com isst'r ponham em segundo plano a segurança ào'de segurança. A Lei do Manclado de Segurança clisciplina de forma
"de-
jLrrídica fomecida por esta (supra, n. 140). explicitÃssa hipótese, dispondo clue não cabe a impetração contra
ciào juclicial trànsitada em julgado,, (LMS, art. 5e, inc. I1) e "decisão
judiciál da qual caiba recurso com eÍ'eito suspensivo" (LMS, art. 50, inc.
I 7l . reclumação ju entendêndo_s e, a contrario ser,§il, que o legislador pretendeu deixar
Dc acordo com a Constitr-rição Fedcral, rnediante a reclamação porlas abe(as ao manclado de segurança contra ato
judicial semprc que
a parte leva ao Sr.tprerno Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de irão se conÍigtrre neln uma nem outra dessas hipóteses'
.lustiça a notícia da usurpação de sua cornpetência ou desobediência a O can-rpo fertit para a r"rtilização do mandado de segurança contra
às quais já
-julgaclo que trate de utn caso concreto, a decisões proferidas em sede de ato judicial é portanto o das decisões rect»rívei,s em relação
controle abstrato de constituoionalidade das leis e às surnulas vinculan- se ha.1am exauriclo todas as oportunidades recursais c o das
irrec'orrít'cis
tes, cometidas por juiz ou tribunal inferior (Const., arts. I 02, it'tc. I, letra gl.nl, como as interlocuúrias insuscetíveis de impugnação pela via
/, e § 2q, 103-A, § 3u, e 105, inc. I, letrafl. Os regimentos internos de ",n
tlo alrauo de instrumento (CPC, art' I '01 5 strpro. n' I 52)'
alguns tribunais locais tambem consagram esse instittrto, mas o Código
de Processo Civil de 1 973 não consagrava e por isso vinha o Supremo
I 73. habeas corpus
Tribunal Federal maniÍ'estando-se no senticlo de que, alén-r dele própno e
do Superior Tribunal de Justiça, só poderiam conhecer de tais reclama- ()habeascorpusétrrr,rremedioclestinadoaassegllraraliberdade
crrrporal da pessoa, ou sua liberdade de ir e vlr' Em razão de sua
des-
çilcs os tribunais dos Estados cuja Constituição as autorizasse.
tirração, é uiilizado mais frequetrtemente no âmbito penal e e cabível
Tal cliscussão Íicou superada com o disposto no art. 988 do Código
'.sctnpre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de soÍier violência
clc Processo Civil vigente, que ittova no sistema ao admitir a reclama-
2?6 TEORIA CERAL DO NOVO PROCESSO CIVIL

ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidades ou abuso de


LXVIIf, mas ele pode ser utilizado também
poder" (Const., art. 5a, inc.
no processo civil, nas hipóteses em que se admite a prisão civil (const.,
art. 5q, LXVII).
o ato com que o juiz defere ou indefere o pedido de prisão civil é
uma decisão interlocutória profbrida em sede de execução, àd-itindo-re
contra ela o recurso de agravo de instrumento (CpC, art. 1.015, par.).
Apesar de existir um .recurso cabível contra uma decisão como essa, é APÊI'{DICE
admissível a impetração do habeas corpus com o fim de afastar a prisão GLOSSÁMO BÁSICO
civil porque, sendo ele urn remédio constitucionalmente instituídà para
o resguardo de unr valor de tão grande magnitude como a liberáade DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL
corporal, não pode o sistema de direito inÍiaconstitucional impedir sua
apreciação pelo órgão competente. O que se compreende é qr-re, dada a
sumariedctde da instrução no processo do habects corpus, a ordem só seja oferecemosaoleitorumapanhadocleconceitosbásicosdedrreito
deferida quando estiverem presentes todos os elementos indispensáveis, processual civil reunidos no presente glossário e distribuídos em sinté-
iicos verbetes destinados não só a uma consulta rápida como tambem
à
sem .restarem dúvidas de fato que só mediante uma instrução mais pro-
estudioso do
funda possam ser dirimidas. fixação de certas ideias indispensáveis ao profissional e ao
so-
processo. Muitos desses verbetes guardam relação com a exposição
da obra' Não são mais
174. urguição de descamprimento de preceito JunilamenÍal bre cada um dos conceitos apresentados ao longo
que meras chamada,s a propósito do tema-a que se referem, obviamente
A arguição de descumprimento de preceito fundamental está pre_ insuficientes para o pleno conhecimento de cada um desses temas'
vista no art. 102, § lo, da constituição Federal e disciplinada pela lêi n.
poder de exi-
9.882, de 3 de dezembro de 1999. Na prática, é ordinariamente utilizada Ação. Direito de obter um provimento juris«licional de rnérito, ot
como instrumento para o controle abstrato da constitucionalidade de gi-lo. Esse provimento ser favorável ou desfavorável (teoria abstrata
ioderá
normas municipais ou de normas federais e estacluais editadas antes da Ação não se contunde com demandct e muito lnenos com Pt oce"iso'
ãa ação).
vigência da constituição Federal, contra as quais os demais instrumentos
Açãocoletiva.Açãodeinteressecletodaumasociedade,deunraclasse,cate-
de controle abstrato de constitucionalidade não são cabíveis. No entanto,
goria ou mesmo um gnrpo de pessoas razoavelmente expressivo' Tey 9or
esse instrunrento está disciplinado no ar1. la da lei referida de Íbrma mais Égitimado ativo o Ministério Público, certos entes estatals ou assoclaçoes
direitos
arnpla, tendo por objeto "evitar ou reparar Iesão a preceito Íundarnental, dúadas de represenÍatividctcle tttlequcttla segundo a lei. versa sobre
resultante de ato do Poder Público". como toda decisão judicial é urn diÍlsos, coletivos ou individuais homogêneos e tem por hc-
ou interesses
aÍo do Poder Público (supra, n. 39), não se pode descartar que uma rref,rciáriostodaumasocie<lade,urrraciasseoucategoriabemdeterminadas
decisão judicial ofensiva a um preceito fundamental da constituição ou mesmo um grupo de indivíduos razoavclmente expressivo'
A ação civil
seja suscetível de impugnação mediante a arguição de descumprimento pítblica é urna especie de ação coletiva
de preceito fundamcntal, a ser proposta por um dos legitimados para a pctsiÍi&