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O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

Para uma breve, porém informativa, discussão sobre o texto de Mateus, veja
Boring, “The Gospel o f M atthew”, p. 91.

1.7 8 ‫ ־‬Χσάφ, Xσάφ (Asafe, Asafe) {B}

Os nom es que aparecem na genealogia, do v. 6b ao v. 11, são tirados de ICr


3.5,10-17. Segundo ICr 3.10 (também IRs 15.9-24), o nom e do reí era Asa. No en-
tanto, está claro que a forma mais antiga de texto preservada nos manuscritos do
NT é “Asafe” (assim na FC). Isto porque manuscritos de diferentes fam ilias e tipos
de texto têm o m esm o texto, a saber, “Asafe” Além da evidência dos manuscritos,
há que considerar o seguinte: é bastante provável que os copistas se deram conta
de que “Asafe” era o nom e de um salm ista (confira os títulos de SI 50; 73— 83),
levando-os a alterar o nome para “Asa”, rei de Judá. Manuscritos mais recentes,
bem como o te x tu s recep tu s, têm Χσά (Asa) (veja tam bém a nota sobre o v. 10).
Alguns intérpretes entendem que é muito pouco provável que o autor desse
Evangelho tenha anotado essa lista de nom es sem consultar os nom es dos reis no
AT. Assim, pensam que o nome “Asafe” deve ser um antigo erro de cópia, feito por
um copista que colocou o nome “Asafe” em lugar de “Asa”. Mas é possível que o es-
critor do Evangelho tenha usado uma lista genealógica na qual já constava esse erro
de escrita. Em traduções m odernas, o nome “Asa” aparece em RSV, REB, NVI, NBJ,
TEB, ARC, ARA, CNBB, NTLH, BN e Seg. NTLH optou pelo nom e “Asa”, porque
segue o princípio de consistência entre o Antigo e Novo Testamento, quando se faz
referência à m esma pessoa. Tradutores que seguem esse m esm o princípio colocarão
no texto da língua receptora o nom e de “Asa”, m esm o que aceitem como original o
texto que traz o nome de Xoáqp.

1.10 Αμώς, Αμώς (Amós, Amós) {B}

O apoio textual para “A m ós” é praticam ente o m esm o que existe para “Asa-
fe”, nos vs. 7-8. Com base n esse m aciço apoio de m anuscritos, “A m ós” tem tudo
para ser o texto original. No entanto, “A m ós” é um erro, aparecendo em lugar de
“Am om ”, o nom e do rei de Judá. Em ICr 3.14, a m aioria dos m anuscritos gregos
traz o nom e correto: Χ μώ ν ou Άμμώ ν, embora Α μώ ς apareça em alguns poucos
m anuscritos. No relato sobre o rei Amom, em 2Rs 21.18-19,23-25; 2Cr 33.20-25 ,
vários m anuscritos gregos têm a forma incorreta, Αμώ ς. Assim , embora o texto
(hebraico) m assorético tenha sempre o nome “Amom”, nos manuscritos da Septua-
ginta existe uma alternância entre os nom es “Am om ” e “A m ós”.
S e g u n d o D a v ie s e A llis o n (A C r i t i c a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n t a r y o n
th e G o s p e l A c c o r d i n g to S a i n t M a t t h e w , v o l. I, p. 1 7 7 ), o n om e A m ós “p o d e
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representar um a corrupção tex tu a l presen te na fonte usada por M ateus ou na


tradição tex tu a l p osterior a M ateus. Ou, talvez, M ateus sim p lesm en te com eteu
um erro. N este caso, p od eria ser algo in ten cio n a l, um a m od ificação que tem
por objetivo inserir um e lem en to profético — da m esm a form a com o a altera-
ção de Asa para A safe p od eria dar a en ten d er um in teresse na esp eran ça do
sa lm ista ”.
Algum as traduções m odernas têm “Am os” (RSV, NRSV, NAB); outras, “Amom”
(REB, NVI, NBJ, TEB, FC, Seg, ARC, ARA, CNBB, NTLH, BN). NTLH optou pelo
nom e “Amom”, porque segue o princípio de consistência entre o Antigo e o Novo
Testamento, quando se faz referência à m esma pessoa. Tradutores que seguem esse
m esm o princípio colocarão no texto da língua receptora o nome de “Amom”, mesmo
que aceitem como original o texto que traz o nom e de Αμώς.

1.11 έγέννησεν (gerou [ou, foi pai de]) {A}

Segundo o texto, Josias foi pai de Jeconias (isto é, Joaquim). Mas, na verda-
de, Josias foi pai de Jeoaquim e avô de Jeconias. Para fazer com que o texto de
Mateus concorde com a genealogia de ICr 3.15-16, diversos manuscritos uncíais
mais recentes, bem como vários outros docum entos acrescentaram as palavras xòv
Ίωακίμ, Ίωακίμ όέ έγέννησεν (Joaquim, e Joaquim foi pai de). Embora não se
possa excluir a possibilidade de um copista ter, acidentalm ente, om itido essas pala-
vras, o testem unho dos manuscritos favorece o texto m ais breve. Além disso, caso
se acrescentar o nom e Ίωακίμ, o número de gerações desde o tem po de Davi até o
exílio sobe para quinze, em vez de ficar em catorze.

1.16 τον ανόρα Μ αρίας, έξ ής έγεννήθη ,Ιησούς ό λεγόμενος Χ ριστός


(ο marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se cham a Cristo) {A}

Existem três variantes principais: (1) “E Jacó gerou José, o marido de Maria,
da qual nasceu Jesus, que se cham a Cristo”; (2) “e Jacó gerou José, de quem sendo
noiva a virgem Maria deu à luz Jesus, que se chama Cristo”, e (3) “Jacó gerou José;
José, de quem Maria, a virgem , era noiva gerou Jesus, que é cham ado de Cristo”.
Das traduções m odernas, apenas a de Moffatt segue a terceira opção: “Jacó, o pai
de José, e José (de quem a virgem Maria era noiva), o pai de Jesus, que é cham ado
de ‘Cristo”’.
A prim eira opção tem um grande apoio dos m anuscritos. A segunda opção tal-
vez tenha surgido porque um copista pensou que a locução “o marido de Maria”
poderia levar o leitor a pensar, erroneam ente, que os pais hum anos ou físicos de
Jesus eram Maria e o marido dela, José. Diante disso, o texto foi alterado para
“sendo noiva”, em concordância com o verbo μνηστεύεσθαι (ser noivo), no v. 18.
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Quanto à opção três, aparece unicam ente num m anuscrito siríaco do quarto sé-
culo. Provavelm ente é resultado do fato de um copista ter, sem m aior cuidado,
seguido o padrão típico que aparece nas genealogias, em que os nom es são repe-
tidos.

1 .1 8 Ιη σού Χ ρίστου (de Jesus Cristo) {B}

A grande maioria dos manuscritos traz “Jesus Cristo”. Outras variantes são: (1)
“Cristo Jesus”; (2) “Jesus”; e (3) “Cristo”. É difícil decidir qual é o texto original. De
um lado, os manuscritos dão um expressivo apoio à leitura “Jesus Cristo”. Por outro
lado, no NT não é muito comum que o artigo definido του apareça diante do nome
“Jesus Cristo”, 0 que parece sugerir que “Jesus Cristo” não é o texto original. Além
do mais, os copistas muitas vezes ampliavam os nom es “Jesus” e “Cristo”, acrescen-
tando outras palavras. Aqui, entretanto, a leitura “Cristo”, em alguns manuscritos,
pode ter surgido por influência das palavras έως τού Χ ριστού (até Cristo), no v. 17.
E a leitura “Jesus” pode ter surgido por influência do v. 21, onde diz: “lhe porás o
nome de Jesus”.
Caso os tradutores queiram seguir um a das leituras que traz o nome Χ ριστού,
precisarão decidir se esse termo é usado, neste texto, como um nome próprio ou
um título. A presença do artigo definido τού, combinada com a ênfase de Mateus
sobre Jesus com o o Filho de Davi, faz com que alguns intérpretes entendam que,
neste caso, Χ ριστού faz a vez de um título. Confira a tradução da NRSV: “Ora, o
nascim ento de Jesus, o M essias, foi assim ”.

1.18 γένεσις (nascim ento) {B}

Tanto γενεσις quanto a leitura variante γέννησις significam “nascim ento”, mas
γένεσις pode tam bém significar “criação”, “geração”, e “genealogia” (confira o v. 1).
A palavra γέννησις significa “geração” ou “nascim ento”, e veio a ser a palavra que,
em escritos cristãos posteriores, foi usada para designar a Natividade. É fácil de
entender por que os copistas fizeram confusão entre essas duas palavras, pois são
sem elhantes na escrita e na pronúncia.
Aqui, no v. 18, m anuscritos antigos de vários tipos de texto apoiam a leitura
que aparece com o texto em O N o v o T e s ta m e n to G rego. Além disso, a tendência
dos copistas teria sido colocar a palavra γέννη σ ις, com seu sentido m ais espe-
cializado, em lugar de γένεσ ις, que havia sido em pregada em outro sentido, de
“gen ealogia” (ou “relato do nascim ento”), no v. 1. Uma vez que, neste versículo,
γένεσ ις deveria ser traduzido por “nascim ento” (diferentem ente do que acontece
no v. 1), tanto γένεσ ις com o γέννη σ ις terão, neste caso, tradução idêntica na
língua alvo.
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1.25 υ ιό ν (um filho) {A}

O te x tu s r e c e p tu s , seguindo vários m anuscritos uncíais e a maioria dos mi-


núsculos, insere o artigo τόν diante de υ ιό ν e acrescenta a locução αυτής τον
πρω τότοκον (seu filho prim ogênito), que foi extraída de Lc 2.7.

2.4 S e g m e n ta ç ã o

Caso se fizer uma pausa depois do pronom e αυτών, as quatro palavras seguin-
tes podem ser grafadas com o uma pergunta, a exem plo do que ocorre em TEV:
"... e perguntaram a eles: Onde vai nascer o M essias”?

2.18 κλαυθμός (choro) {B}

A leitura m ais longa, θρήνος καί κλαυθμός (uma canção de lam entação e
choro), parece ser o acréscim o de um copista, cuja finalidade é fazer com que as
palavras se aproxim em m ais do texto grego da Septuaginta em Jr 38.15 (que, no
texto hebraico, é Jr 31.15). O texto m ais longo está no te x tu s re c e p tu s e aparece na
tradução da King Jam es Version e tam bém em ARC: “lam entação, choro e grande
pranto”.

3.16 [αύτώ] ([para ele]) {C}

A leitura sem o pronom e αύτώ tem o apoio com binado de m anuscritos gre-
gos, versões antigas e Pais da Igreja, sendo, tam bém , adotada por RSV, NVI,
REB, NBJ, TEB, Seg, NTLH, BN, CNBB. Por outro lado, é possível que o prono-
me ten ha estad o no texto, mas foi om itido por copistas que pensaram que era
supérfluo. O pronom e αύτώ tanto pode enfatizar que apenas Jesus teve essa
visão, com o pod e enfatizar que a visão foi para o b en efício d ele. Para indicar
in certeza quanto ao caráter origin al d esse pronom e, ele aparece, no texto, en-
tre colch etes.

3.16 [καί] ερχόμ ενον ([e] vindo) {C}

A leitura que tem a conjunção καί é apoiada por diversos grupos ou tipos de
texto e, em razão disso, é colocada no texto. Mas, uma vez que καί não aparece
em m anuscritos antigos do tipo de texto alexandrino e do tipo de texto ocidental,
talvez não seja original. Para indicar essa incerteza, καί aparece entre colchetes.
O sentido é o m esm o, independentem ente da leitura adotada. Trata-se de uma
sim ples diferença de estilo.
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4.10 ύπαγε (Vai em bora) {A}

Se as p alav ras ό π ία ω μου (p a ra trá s de m im ) tivessem estad o o rig in alm en te no


texto, fica difícil e n co n trar u m a ju stificativ a plausível p a ra a sua om issão. Por o u tro
lado, se não co n stavam no texto original, é bem possível que foram acrescen tad as
p o r copistas que lem b raram as p alav ras que Jesus disse a Pedro, em Mt 16.23:
ύ πα γε ό π ίσ ω μου. Σ α τα νά (Vai p a ra trá s de m im , Satanás).

4.17 μετανοείτε, ήγγικεν γάρ (arrependei-vos, pois está próxim o) {A}

As p alav ras μετανοείτε (arrependei-vos) e γά ρ (pois) não ap arecem em um a


versão siríaca a n tig a e em um m an u scrito da A ntiga L atina. É possível que essas
p alav ras não fizessem p a rte do original, m as foram acrescen tad as p o r influência
de u m a form ulação sem elh an te em M t 3.2. E n tretan to , os m an u scrito s gregos, bem
com o a u n a n im id a d e das dem ais versões a n tig as e dos Pais d a Igreja indicam que o
tex to m ais longo tem tudo p a ra ser o original.

5 . 4 5 ‫ ־‬μ α κ ά ρ ιο ι,... πα ρα κλη θή σ οντα ι. (5) μ α κά ρ ιοι ... την γην.


(B em -aventurados ... serão consolados. [5] B em -aventurados ... a terra.) {B}

Se, originalm ente, o v. 5 tivesse vindo logo após o v. 3, estabelecendo um contras-


te en tre céu (v. 3) e te rra (v. 5), é pouco provável que um copista teria colocado o v. 4
en tre essas duas bem -aventuranças. Por outro lado, já no segundo século d.C. alguns
copistas in v erteram a ordem das bem -aventuranças nos vs. 4-5, p a ra criar o contraste
entre céu e te rra e p ara colocar lado a lado os π τω χο ί (pobres) e os π ρ α εΐς (m ansos).
Das traduções m odernas, a NJB, a TEB, e a NBJ invertem a ordem dos vs. 4-5.

5.11 [ψευόόμενοι] ([m entindo]) {C}

E difícil decidir se o participio ψ ευόόμ ενοι faz p a rte do tex to ou não. De um


lado, se fosse original, a ausência desse participio n a trad içã o ocidental p o d eria ser
explicada com o u m a alteração in ten cio n al dos copistas, p a ra fazer o texto concor-
d a r com a b e m -av en tu ran ça em Lc 6.22. Por o u tro lado, se o participio não fosse
orig in al, os copistas teriam sido ten tad o s a in serir ψ ευδόμ ενοι, p a ra re strin g ir um
pouco o alcance g en eralizad o das palav ras de Jesus, e p a ra d eix ar explícito o que
e ra visto com o im plícito no texto (confira lP e 4.15-16), a saber, que os cristãos não
são b em -av en tu rad o s q u an d o as pessoas têm bons m otivos p a ra falarem m al deles.
M orris (The Gospel According to M atthew , p. 102, n.36) com enta que ψ ευόόμ ενοι
fica im plícito, “pois o que o inim igo dissesse não seria, de fato, m au, caso fosse
v e rd a d eiro ”. P ara in d icar que não se sabe ao certo se copistas a c resce n tara m ou
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o m itiram o participio, o m esm o foi incluído e n tre colchetes. REB, Seg, NTLH e BN
ad o ta m o tex to m ais breve.

5.22 α υτού (dele/seu) {B}

E pouco provável que copistas te n h a m om itido a p alav ra είκή (sem motivo),


após αυτού, caso tivesse estad o no texto original. Por m ais que a leitu ra com είκή
te n h a am p la d istrib u ição geográfica e seja e n co n trad a a p a rtir do segundo século, é
m uito m ais provável que copistas te n h a m acrescen tad o essa p alav ra, p a ra a b ra n d a r
o rigor daquilo que Jesus está exigindo.

5.32 και ος εάν ά πολελυμ ένη ν γαμήση, μοιχ&ται (e qu alq u er que c asar
com u m a m u lh er rep u d ia d a divorciada, com ete adultério) {B}

O tex to que ap arece no m an u scrito B (o ... γαμήσας [aquele que c asar ...]) pare-
ce te r sido in tro d u zid o em lu g ar do texto aceito com o orig in al p a ra fazer com que o
m esm o se aproxim asse da co n stru ção g ram atical que ap arece no início do versículo,
a saber, ό ά π ο λ ΰ ω ν (aquele que re p u d ia r ...). O fato de καί ος εάν άπολελυμ ένη ν
γαμήση, μ ο ιχά τα ι não ap arec e r em alg u n s m an u scrito s pode ser explicado com o
om issão d e lib era d a de copistas que ju lg a ra m esse texto supérfluo ou desnecessário.
Em o u tras p alav ras, se “todo aquele que m a n d a r a sua esposa em bora, a não ser
em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se ad ú ltera [quando ela casar
de novo]”, e n tã o é óbvio que “q u alq u er u m que c a sa r com u m a m u lh er divorciada
[tam bém ] com ete a d u ltério ”.
A d iferen ça e n tre ος εάν γαμήση e ό γαμήσας é, b asicam ente, um a d iferença
de estilo, e não de significado (H agner, M atthew 1-13, p. 122, n.b.). Na tradu ção,
in d ep e n d en tem e n te do texto que se ado te, é preciso levar em conta a g ram ática e
o estilo na lín g u a alvo.

5.44 ά γα π α τε το ύ ς εχθρ ο ύ ς υ μ ώ ν καί προσεύχεσ θε υ π έρ τω ν όιω κόντιον υμάς


(am ai os vossos inim igos e orai p o r aqueles que vos perseguem ) {A}

M anuscritos copiados em d a ta m ais recente am pliam o texto, in serin d o expres-


sões tira d a s do relato p aralelo em Lc 6.27-28. Se expressões com o “bendizei os
que vos am aldiço am , fazei o bem aos que vos o d eiam ” tivessem estado, original-
m ente, no texto do S erm ão do M onte em M ateus, ficaria m uito difícil explicar por
que foram om itidos em antigos m an u scrito s das trad içõ es a le x an d rin a, ociden tal e
egípcia. Esses acréscim os ap arecem em d iferen tes lugares nos vários m anuscrito s
gregos e a form ulação não é sem pre a m esm a, 0 que sugere que se tra ta de acrésci-
mos po sterio res feitos p o r copistas.
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5.47 εθνικοί (g en tio s/p ag ão s) {Β}

Em m an u scrito s m ais recentes, bem com o no textus receptus, a p ala v ra τελώ να ι


(cobradores de im postos) parece te r sido colocada no lu g ar de εθνικοί, p a ra fazer
com que o tex to se aproxim e m ais do que é dito no v. 46. A versão a rm ê n ia ju n ta o
term o τελώ να ι à form a do texto que ap arece em Lc 6.32-34, re su lta n d o τελ ώ να ι καί
οί α μ α ρ τω λ ο ί (cobradores de im postos e pecadores).

6.4 σοι (te /a ti) {B}

A locução εν τώ (f ανερώ (em público) não ap arece nos m an u scrito s m ais antigos
dos tipos de texto a lex an d rin o , o cid en tal e egípcio. Tudo indica que se tra ta de um
acréscim o feito pelos copistas, com a fin alid ad e de c ria r um paralelism o com a 10-
cução anterior, έν τώ κρύπτω (em secreto). E n tretan to , o que se q uer e n fa tiz a r nes-
se tex to não é ta n to o c a rá te r público d a recom pensa do Pai, m as sua superiorid ade
em relação a um a sim ples aprovação h u m a n a (confira os vs. 6,18).

6.6 σοι (te /a ti) {B}

Veja a n o ta referen te ao v. 4.

6.8 ό π α τή ρ υ μ ώ ν (o vosso Pai) {A}

O tex to m ais longo ό θεός ό π α τή ρ υμ ώ ν (D eus, vosso Pai) não ocorre em ne-
n h u m a o u tra passagem em M ateus, e é um acréscim o que reflete a ju stap o sição de
“D eus” e “Pai” nas cartas de Paulo. A form a ό π α τή ρ υμ ώ ν ό ο υ ρ ά ν ιο ς (vosso Pai
celeste), que se e n co n tra em alg u n s m an u scrito s m ais recentes, é, com certeza, um
acréscim o que tem p o r objetivo fazer com que o texto concorde com a form ulação
e n co n trad a nos vs. 9,14. A o corrência do pronom e de p rim e ira pessoa ημώ ν (nosso)
em vários m anu scritos se deve a um e rro de copista, pois, a p a rtir de certo m om en-
to, não se fazia m ais d istinção de pro n ú n cia e n tre as vogais gregas η e υ. FC tem
“Deus, vosso Pai”, m as não fica claro se isso se deve a u m a decisão de ordem tex tu al
ou é ap en as d eco rrên cia dos princípios de trad u ç ão adotados pela com issão.

6.13 π ο νη ρ ο ύ , (do M aligno/do m al.) {A}

Segundo o testem unho de im portantes e antigos m anuscritos alexandrinos, oci-


dentais, etc., bem como de com entários sobre o Pai-Nosso escritos por Pais da Igreja
antiga, o Pai-Nosso term in a com a palavra π ονη ρ ού (v. 13). Para a d a p ta r essa oração
ao uso litúrgico na Igreja antiga, copistas acrescentaram vários finais diferentes, com
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destaque p ara os seguintes: (a) “pois teu é o reino, e o poder, e a glória p a ra sem pre.
Am ém ”; (b) “pois teu é o reino e a glória p a ra sem pre. A m ém ”; e (c) “pois teu é o
reino e o p o der e a glória do Pai e do Filho e do Espírito Santo p a ra sem pre. Am ém ”.

6.15 άνθροοποις (aos hom ens) {C}

Em m uitos m anuscritos, após a palavra ά ν θ ρ ώ π ο ις aparecem as palavras τά


π α ρ α π τώ μ α τα α υτώ ν (as ofensas deles), de sorte que resulta o seguinte texto: “per-
doardes aos hom ens as ofensas deles”. Essas palavras podem ser originais, m as fo-
ram om itidas por copistas que as ju lg a ram desnecessárias, já que ocorrem no v. 14.
Ou, τα π α ρ α π τώ μ α τα α υ τώ ν pode te r sido acrescentado por copistas, p a ra criar um
certo equilíbrio com o v. 14a. No Evangelho de M arcos, copistas acrescentaram um
versículo após Me 11.25, sob a influência desta passagem em M ateus; e, visto que as
p alavras τα π α ρ α π τώ μ α τα α υτώ ν não aparecem nesse acréscim o em M arcos, pro-
vavelm ente tam b ém não são originais em M ateus. Por m ais que se deveria a d o ta r o
texto breve, talvez seja necessário, em algum as traduções, explicitar o conteúdo de
τα π α ρ α π τώ μ α τα αυτών. No caso da NIV, não está claro se houve opção pelo texto
m ais longo ou se as palavras “os pecados deles” (their sins) foram incluídas por razões
ligadas a princípios de tradução.

6.18 σοι (te /a ti) {A}

Veja a n o ta referen te ao v. 4.

6.25 [ή τί πίητε] ([ou o que bebereis]) {C}

De um lado, a leitura que não traz as palavras η τί πίητε pode ser original e essas
palav ras po dem te r sido acrescentadas p a ra fazer com que o texto concorde com o v.
31. TEB, NBJ, e Seg adotam o texto m ais breve. Por outro lado, essas palavras podem
ser originais, tendo sido om itidas acidentalm ente por um copista cujo olhar passou do
final do verbo φάγητε (comereis) p ara o final do verbo πίητε. Uma vez que existe equi-
líbrio, ou seja, am bas as leituras têm expressivo apoio, as palavras foram colocadas,
no texto, en tre colchetes, para indicar que se tem dúvidas quanto à sua originalidade.

6.28 α ύ ξά νο υ σ ιν ου κοπιώ σ ιν ουδέ νήθουσιν


(crescem ; não tra b a lh a m nem fiam ) {B}

A leitu ra o rigin al do Códice Sinaítico (‫ )א‬p arece ser “eles não card am (lã), nem
fiam , nem tra b a lh a m ”. (“C ardar lã” é p e n te a r ou d e sen re d ar a lã com um a car-
da.) A lguns in térp retes p en sam que este é o texto original, m as tu d o indica que se
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tra ta de um erro de copista (a colocação de ξένουσ ιν [= ξαινουσιν] em lugar de


αύξάνουσιν), que foi quase que im ed iatam en te corrigido. A lguns outros m anuscritos
invertem a ordem dos verbos “tra b a lh a r” e “fiar”.
E n tretan to , na m aioria dos m anuscritos, a diferença m ais sensível é en tre form as
do sin g u lar e do plural, no caso dos verbos “crescer”, “tra b a lh a r” e “fiar”. Os verbos
do texto estão no plural. O substantivo κρίνα (flores, em bora a trad u ção tradicional
seja “lírios”) é um n eu tro plural, e form as de neu tro plural, em grego, vêm acom pa-
n h a d as de verbos no singular. Assim, as form as de sin g u lar parecem ser um a corre-
ção por razões de n a tu re z a gram atical. T rata-se de um a diferença de estilo, não de
significado. Em razão disso, os trad u to res terão que u sa r a form a verbal apropriada
na lín gu a alvo.

6.33 την βα σ ιλείαν [τού θεόν] καί την δ ικ α ιο σ ύ ν η ν α ύτού


(ο rein o [de Deus] e a ju stiça dele) {C}

A lguns m anuscritos têm “o reino de Deus e a sua ju stiça”, ou “o reino dos céus
(των ουρανώ ν) e sua ju stiç a ”. O utros, “o reino e a sua ju stiça”. A leitu ra m ais breve,
“o reino e a sua ju stiç a ”, é a que m elhor explica o surgim ento das varian tes, pois os
copistas teriam a tendência de acrescen tar “de D eus” ou “dos céus”, e é pouco prová-
vel que om itiríam essas palavras, caso estivessem no texto original. E ntretan to , Ma-
teus rara m en te se refere ao “rein o ” sem qualificá-lo. Logo, a ausência de u m a quali-
ficação com o “de D eus” ou “dos céus” em vários m anuscritos pode ser resu lta n te de
u m a om issão acidental (veja Davies e Allison, A C ritic a l a n d E x eg e tic a l C o m m e n ta r y
on th e G o sp el A c c o r d in g to S a in t M a tth e w , vol. I, p. 660, n.25). P ara indicar que exis-
tem dúvidas qu anto ao texto original, as palavras τού θεού estão e n tre colchetes.
M esmo que, por razões de n a tu re z a crítico-textual, se prefira o texto m ais curto,
ain d a assim os trad u to res podem seg u ir o exem plo de NBJ, BN e NTLH e explicitar
que “o reino” é “o reino de D eus” ou, então, que se tra ta do “seu rein o ” (NJB e NIV).

7.11 S e g m e n ta ç ã o

Este versículo pode ser trad u zid o com o u m a exclam ação (a exem plo do que
o corre em m uitas trad u çõ es m odernas), com o u m a afirm ação (TEB, seguindo a
p o n tu ação de O N o v o T e s ta m e n to G reg o ), ou com o u m a p e rg u n ta (retórica). Veja
tam b ém Lc 11.13.

7.13 π λ α τεία ή πύλη (larg a [é] a p orta) {B}

As p alavras ή πύλη (a porta), no v. 13, não aparecem em vários m anuscritos e Pais


da Igreja. NBJ, seguindo a variante, trad u z por “entrai pela p o rta estreita, porque
10 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

largo e espaçoso é o cam inho que conduz à perdição” É possível que ή πύλη não seja
original, tend o sido introduzido no texto p a ra com pletar o paralelism o com o v. 14.
Mas a evidência externa que apoia o texto m ais longo é im pressionante. Provável-
m ente, as palavras ή πύλη, nos vs. 13-14, foram om itidas por alguns copistas que não
se d eram conta de que a im agem que se tem em v ista é a de u m a e strad a que leva
p ara um portão.

7.14 τι (como!) {B}

O pronom e interro g ativ o τι tem am plo apoio de m anuscritos. M uitas vezes é tra-
duzido por “q u a l”? ou “o quê”?, m as, neste caso, re p re se n ta a exclam ação sem ítica
‫“( מ ה‬com o!”). No e n tan to , copistas, não com p reen d en d o esse uso pouco com um ,
su b stitu íra m xí pela conjunção òxi (p orque/pois), que aparece no v. 13. A Bíblia da
CNBB exp ressa o sentido exclam ativo desse pronom e: “Como é e streita a p o rta e
a p e rta d o o cam in h o ...!”

7.14 ή πύλη (a p o rta) {A}

Veja o co m en tário sobre o v. 13.

7.24 όμοκοθήσεται (será to rn ad o igual a) {B}

A v a ria n te te x tu a l tem pouca im p o rtân cia p a ra a trad u ção , pois a d iferen ça é


m ais de estilo do que de significado. A form a do fu tu ro passivo tem o apoio de bons
m an u scrito s de d iferen tes tipos de texto. E provável que copistas se lem b rara m da
form a desse dito de Jesus em Lc 6.47 (“eu vos m ostrarei a quem é sem elh an te”) e tro-
c aram o fu tu ro passivo p e la p rim e ira pessoa do sin g u lar do fu tu ro ativo, ομ ο ιώ σ ω
α υ τό ν (vou com pará-lo).

8.7 Segmentação

A resp o sta de Jesu s ao c en tu riã o pode ser in te rp re ta d a com o u m a afirm ação


(“eu irei curá-lo ”), a exem plo de O Novo Testam ento Grego e a m aio ria das trad u-
ções m o d ern as. Visto com o afirm ação, o que Jesus disse e ra u m a prom essa de que
ele iria c u ra r o servo daquele hom em . M as a resp o sta de Jesu s tam b ém pode ser
p o n tu a d a com o u m a p e rg u n ta , em que o pronom e έγο) (eu) é enfático. TEB, por
exem plo, trad u z: “Irei eu curá-lo?” Como p e rg u n ta , as p alav ras de Jesu s são, ou um
desejo positivo de ajudar, ou u m a expressão de leve c o n tra rie d a d e ou resistência ao
p ed id o feito p o r um gentio. Seria sem elh an te ao que acontece n a h istó ria d a m u lh er
siro-fenícia (1 5 .2 1 2 8 ‫)־‬.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 11

8.10 π α ρ ' ούόενί τοσ α ύτην π ίσ τ ιν έν τ φ 'Ισραήλ εΰρον


(em [ju n to a] n in g u ém em Israel ta l fé eu en co n trei) {B}

A v a ria n te te x tu a l ουδέ έν τ φ 'Ισραήλ τοσ α ύτην π ίσ τιν εΰρον (nem m esm o em


Israel en co n trei tal fé) é m ais cla ra e m ais fácil do que a leitu ra que ap arece com o
tex to em O Novo Testamento Grego. A v a ria n te p arece u m a ten tativ a de m elh o rar
o estilo e fazer com que o tex to concorde com a form ulação no p aralelo em Lc 7.9.
A om issão de έν τφ 'Ισραήλ (em Israel), em alg u n s poucos m anuscritos, provável-
m en te se deve a falta de cuidado n a h o ra de copiar. A RSV e a Bíblia de A lm eida
trad u z em a v aria n te (“nem m esm o em Israel achei fé com o e sta ”). Já a NRSV e a
Bíblia da CNBB trad u z em o que aparece com o texto em O Novo Testamento Grego:
“em n in g u ém em Israel en co n trei ta n ta fé”. A d iferen ça de significado é m ínim a,
pois “ta n ta fé” sub en ten d e as p alav ras “em n in g u ém ”.

8.18 ο /λ ο ν (um a m ultidão) {C}

A leitu ra que ap arece com o texto tem pouco apoio de m anuscritos, m as as lei-
tu ra s “u m a g ran d e m u ltid ão ” (CNBB), “m u ltid õ es” e “g ran d es m u ltid õ es” (NRSV,
TEB, NBJ) podem todas ser explicadas com o acréscim os feitos por copistas, p a ra
e n fa tiz a r o ta m a n h o da m ultidão que estava ao red o r de Jesus.

8.21 τώ ν μαθητώ ν [α υ το ΰ ] (dos discípulos [dele]) {C}

O peso dos m an u scrito s sugere, de form a enfática, que se om ita o pronom e


αυτοί). No e n tan to , neste caso, tu d o indica que o pronom e seja original e que foi
om itido por copistas, p a ra que os leitores não fossem induzidos a p e n sa r que o es-
criba m encionado no v. 19 era um dos discípulos de Jesus. Como existem argu m en -
tos p a ra os dois lados, o pronom e α ΰτου aparece en tre colchetes, p a ra in d icar que
se tem dúvidas q u an to ao texto origin al. Visto que esse discípulo é, com certeza, um
discípulo de Jesus, o tra d u to r pode explicitar isso, m esm o que aceite com o original
o tex to m ais breve, sem o pronom e. Em alg u m as línguas, não h á com o não explici-
ta r ou incluir o pronom e possessivo n a tradução.

8.25 πρ ο σ ελθ ό ντες (indo e le s/a p ro x im a n d o ‫־‬se eles) {B}

A leitu ra que ap arece com o texto em O Novo Testamento Grego tem o apoio de
m an u scrito s do tipo de texto alex an d rin o e do tipo de texto ocidental. As leitu ras
m ais longas (“aproxim ando-se os discípulos”, “aproxim ando-se os seus discípulos”,
“ap rox im an d o-se dele os seus discípulos”) são acréscim os posteriores que expli-
citam o que o texto quer dizer. O significado é sem pre o m esm o no caso de todas
12 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

essas v arian tes. Na trad u ção , talvez seja necessário, d ad a a característica d a língua,
ex p licitar o sujeito do particip io προσ ελθόντες.

8.25 σώ σον (salva) {B}

O im perativo σώ σον não tem objeto d ireto especificado. Um a vez que o verbo
“sa lv ar” ra ra m e n te ap arece no NT sem um objeto, o pronom e ήμάς (“no s”) passou,
desde cedo, a ser acrescentado ao texto, n u m a g ran d e v aried ad e de m anuscritos.
Se esse p ronom e fosse original, dificilm ente teria sido om itido. Na h ora de trad u zir,
em m uitas lín g uas será b a sta n te n a tu ra l acresce n tar o pronom e “no s”.

8.28 Γ αδαρηνώ ν (dos gadarenos) {C}

A c u ra dos e n d em o n in h ad o s é re la ta d a nos três Evangelhos Sinópticos, e em


cada relato existem trê s v a ria n te s prin cipais relativas ao lu g ar onde o correu o mi-
lagre: Γαδαρηνώ ν, Γ ερασηνώ ν (dos gerasenos), e Γεργεσηνώ ν (dos gergasenos). A
leitu ra que tem m aior apoio de m anu scritos, aqui em M ateus, é Γαδαρηνώ ν. Gada-
ra e ra u m a cidade que ficava un s oito quilôm etros a sudeste do lago d a Galileia.
M esm o estan d o um pouco a fa sta d a do lago da G alileia, m oedas d aquele tem po que
tra z e m o nom e d a G adara têm , em m uitos casos, o d e sen h o de um barco im presso
nelas. Além disso, Josefo, o h isto ria d o r ju d e u do p rim eiro século, fez referência
ao fato de que o territó rio de G adara se e sten d ia até ao lago d a G alileia. A leitu ra
Γερασηνών, que ap arece som ente em versões antigas, é u m a alteração feita por
copistas p a ra h a rm o n iz a r o texto com Mc 5.1 e /o u Lc 8.26,37. O nom e Γεργεσηνώ ν
é u m a correção, possivelm ente b a sead a n u m a sugestão feita por O rígenes, no ter-
ceiro século d.C.

9.4 καί ίδ ώ ν (e vendo) {B}

Aqui existem dois problem as tex tuais: (1) se a conjunção orig in al é και ou δέ;
(2) se o p articipio orig in al é ίδ ώ ν (vendo) ou είδώ ς (sabendo). O testem u n h o dos
m an u scrito s favorece καί em d e trim e n to de δέ. Q uanto ao participio, tu d o indica
que os copistas e n te n d era m que “v e r” os p en sam en to s de alguém e ra algo m enos
ap ro p riad o do que “co n h ecer” esses p en sam en to s. Além disso, o uso do participio
επ ιγνο ύ ς (conhecendo), nos relato s p aralelo s de Mc 2.8 e Lc 5.22, pode te r levado
os copistas a su b stitu ir o verbo “v e r” p o r “co n h ec er”, aqui em M ateus.
P rovavelm ente, a diferen ça e n tre essas v a ria n te s não te n h a m aio r im p o rtân cia
p a ra os tra d u to re s do Novo T estam ento. O verbo grego que aparece n a form a do
particip io ίδ ώ ν (vendo) é m uitas vezes usado no sentido figurado de “dar-se conta
d e ”, “e n te n d e r”. Por isso, ta n to ίδ ώ ν com o είδώ ς serão, provavelm ente, trad u zid o s
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 13

p o r um verbo que significa “sa b e r” ou “dar-se conta d e” Q uanto à conjunção κα ί,


ela é, por vezes, u sad a p a ra e x p ressar contraste. P o rtan to , neste contexto será tra-
d uzid a de form a idêntica à conjunção όέ.

9.8 έφοβήθησαν (ficaram com m edo) {A}

O v erbo que está no texto tem o apoio de m anuscritos antigos e que re p re se n ta m


os tipos de texto a le x an d rin o e ocidental. M uitos m an u scrito s têm έθαύμ ασαν (eles
se a d m ira ra m /fic a ra m espantados), m as tu d o indica que copistas escrev eram este
verbo p o rq ue n ão e n te n d era m o v erd ad eiro sentido de έφοβήθησαν, no contexto
de Mt 9.8. O m edo, neste caso, se refere a espanto, um tipo de m edo e respeito que
resu lta de u m a d em o n stração de p o d e r e au to rid ad e. NRSV, NVI, CNBB dizem que
a m u ltid ão “ficou cheia de tem o r”. BN tem “o povo ... ficou im pressionado” Assim,
provavelm ente, o verbo έφοβήθησαν será trad u zid o , neste caso, com o se fora um
sinônim o de έθαύμασαν, em bora alg u m as trad u çõ es p refiram “ficaram com m ed o ”
(NBJ), “foram tom ados de tem o r” (TEB), e “ficou com m edo” (NTLH). TEV, FC e
Seg têm algo n essa m esm a linha.

9.14 νηστεύομ εν [πολλά] (jejuam os [m u ito /m u itas vezes]) {C}

A leitu ra νηστεύομ εν π υ κ νά (jejuam os m uitas vezes) é u m a m odificação in tro -


d uzid a p o r um copista, p a ra fazer o tex to concordar com a passagem p a ra lela em
Lc 5.33. O tex to m ais breve, sem πολλά , pode ser o riginal, pois alg u n s im p o rtan te s
m an u scrito s têm a p en as o verbo νηστεύομεν, sem a co m p an h a m e n to de advérbio.
Por o u tro lado, o adjetivo π ο λ λά (que aqui é usado com o um advérbio) não consta
do p aralelo em Mc 2.18, de sorte que M ateus n ão copiou π ο λ λ ά do Evangelho de
M arcos. Por m ais que não se saiba ao certo se M ateus acrescentou essa p alav ra, ou
se um copista trato u de acrescentá-la p o sterio rm en te, deveria ser d ad o p referên cia
à le itu ra que não tem p aralelo em M arcos. E n tretan to , visto que vários im portan-
tes m an u scrito s om item πολλά , esta p ala v ra aparece e n tre colchetes, p a ra m o strar
que existem dúvidas q u an to a seu c a rá te r original. As trad u çõ es m o d ern a s não são
u n ân im es. A lgum as seguem a leitu ra no texto (NRSV, TEV, FC, NTLH, BN); o utras,
a v a ria n te , isto é, o texto sem o advérbio (RSV, REB, NBJ, NVI, CNBB, TEB, Seg).

9.34 inclusão do versículo {B}

O teste m u n h o dos m anuscritos é altam e n te favorável à inclusão do v. 34. Esta


afirm ação p re p a ra o te rre n o p a ra 10.25, onde Jesus afirm a: “Se c h a m a ra m Belzebu
ao dono da casa ...” A penas un s poucos m an u scrito s o cidentais, seguidos p e la REB,
om item esse versículo. E n tretan to , visto que a acusação dos fariseus não é reto m ad a
14 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

n a co n tin u ação d a n a rra tiv a , alg u n s in té rp re te s e n te n d em que esse versículo foi


tira d o de Mt 12.24 ou Lc 11.15 e inserido neste lugar, em M t 9.34.

10.3 Θ α ό ό α ΐο ς (Tadeu) {B}

É difícil de saber se o texto orig in al é Θ α ό ό α ΐο ς ou Λ εββαΐος (Lebeu). Dá-se pre-


ferência ao nom e Θ α ό ό α ΐο ς, porque tem o apoio de m an u scrito s antigos dos tipos
de tex to alex an d rin o , ocidental e egípcio. As form as de texto m ais longas, “Tadeu,
ch am ad o L ebeu” e “Lebeu, ch am ad o T adeu”, são c laram en te leitu ras posteriores
que com binam as duas form as m ais breves. O nom e Θ α ό ό α ΐο ς não ap arece n a lista
de apóstolos em Lucas (Lc 6 .1 4 1 6 ‫ ;־‬At 1.13), que tem “Ju d as, filho de Tiago”. A leitu-
ra Judas, filh o de Tiago, que aparece em um m anuscrito da an tig a trad u ç ão siríaca,
p ode te r sido im p o rtad a do p aralelo em Lc 6. De m odo sem elh an te, o nom e Judas
Zelotes, que aparece em vários m an u scrito s da A ntiga L atina, pode te r sido criado a
p a rtir de “Simão, ch am ad o Z elote”, que ap arece n a lista de Lucas.
A lguns in té rp retes e n te n d em que Tadeu deveria ser identificado com Ju d as, fi-
lho de Tiago, e que, talvez, o nom e Tadeu foi d ad o “a fim de que houvesse ap enas
u m Ju d a s no g ru p o dos d oze” (H agner, M atthew 1-13, p. 266). M esm o que os tradu -
to res aceitem que Tadeu e Ju d as, filho de Tiago, são a m esm a pessoa, isso deveria
ser indicado com o u m a possibilidade, n u m a no ta, e não in corporado no texto.

10.23 έτέραν (outro) {C}

Aqui existem dois problem as tex tu ais distintos.


(1) Alguns m anuscritos têm o adjetivo έτέραν e outros têm o adjetivo άλλην (outro). A
leitu ra έτέραν se e n co n tra nos m an u scrito s a lex an d rin o s. E porque este tipo de tex-
to é em g eral su p erio r aos dem ais, é adotado, neste caso. A d istinção e n tre έτέραν
(outro de um tipo diferente) e άλλην (outro do m esm o tipo) nem sem pre é m an tid a
no NT. No contexto de M t 10.23, as duas form as do texto terão a m esm a trad u ção
em lín g u as m o d ernas.
(2) A lguns m an u scrito s têm o seg u in te acréscim o: “e se vos p erseg u irem na
o u tra [cidade], fugi p a ra um a o u tra [cidade]”. É possível que essas palav ras te n h a m
sido om itidas por acidente, q u an d o o copista saltou do prim eiro “o u tro ” p a ra o
seg u n d o “o u tro ” e om itiu as palav ras que ficavam no m eio. E n tretan to , é m ais pro-
vável que essas palav ras te n h a m sido acrescen tad as, p ara explicar a afirm ação que
segue: “n ão acab areis de p e rc o rrer as cidades de Israel”.
O sentido do tex to m ais breve não é que os discípulos deveríam fu g ir ap enas
p a ra u m a o u tra cidade. Ao co n trário, com o o texto m ais longo deixa bem claro, eles
d ev eríam fugir de to d a e qu alq u er cidade em que seriam perseguidos, indo para
o u tras cidades. A NBJ, que a d o ta a v a ria n te , expressa isso m uito bem : “Q uando
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 15

vos p erseg u irem n u m a cidade, fugí p a ra o u tra. E se vos p erseg u irem n esta, to rn ai
a fu g ir p a ra te rc e ira ”.

11.2 ò ià τω ν μαθητώ ν α ύτου (por in term éd io de seus discípulos) {B}

Em lu g ar de ò ià τω ν μαθη τώ ν αύτου, um a leitu ra que tem am plo apoio de


m an u scrito s antigos de d iferentes tipos de texto, a m aio ria dos m an u scrito s traz
δύο τώ ν μ αθη τώ ν α ύ του (dois dos seus discípulos). Esta v a ria n te resu lta de urna
m odificação feita p a ra h a rm o n iz a r o texto com o relato p aralelo em Le 7.18 (7.19 na
ARC), que tem “dois (δύο) dos seus discípulos”.
A e s tru tu ra de alg u m as línguas exige que os tra d u to re s indiquem se João enviou
todos os seus discípulos ou se enviou alguns, m as n ão todos. O sentido que se tem
em v ista é, provavelm ente, que ele m an d o u “alg u n s dos seus discípulos” (NTLH,
BN, FC). Em o u tras línguas talvez seja necessário indicar se João m an d o u “uns
poucos” ou “m u itos” discípulos. N essas línguas, pode-se seg u ir a v a ria n te com o
δύο (dois).

11.7 S e g m e n ta ç ã o

Este versículo tem duas p e rg u n ta s. C onform e o texto, a p rim eira p e rg u n ta ter-


m in a com o verbo θεάσ ασθαι (ver): “Q ue fostes ver no d e se rto ”? T am bém é possível
fazer um corte an tes do verbo θεάσασθαι e e s tru tu ra r o texto assim : “Por que fostes
ao deserto? P ara ver ...”? A observação de Davies e A llison (A C r itic a l a n d E xege-
tic a l C o m m e n ta r y on th e G o sp el A c c o r d in g to S a in t M a tth e w , vol. II, p. 247, n.50) é
correta: “O sen tido não m u d a”.

11.8 S e g m e n ta ç ã o

A exem plo do que ocorre no versículo an terior, a p rim eira p e rg u n ta pode term i-
n a r com 0 verbo ίδεΐν (ver), com o está no texto: “Q ue saístes a v e r”? Mas tam b ém
é possível fazer um corte an tes do verbo ίδεΐν: “Sim, por que saístes? P ara ver ...”
(assim a RSV).

11.9 ίδεΐν; π ρ ο φ ή τη ν (a ver? Um profeta) {B}

Assim com o no versículo an terio r, a p rim eira p e rg u n ta pode te rm in a r com o


verbo ίδεΐν, com o consta do texto, ou, então, pode te rm in a r com o verbo έξήλθατε
(saístes). A coisa se com plica com o fato de alg u n s m an u scrito s tere m as palav ras
n u m a ordem d iferente, a saber, π ρ ο φ ή τη ν ίδεΐν, que só pode ser trad u zid o por “Por
que, então, saístes? P ara ver um p ro feta?” A leitu ra que ap arece com o texto em O
16 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

Novo Testamento Grego é am bígua e tem tu d o p a ra ser original, pois a v a ria n te tex-
tu a l elim in a a am biguidade.

11.15 ώ τα (ouvidos) {B}

A locução m ais longa, ώ τα άκούειν (ouvidos p a ra ouvir), ocorre com frequên-


cia em o u tras passagens do NT (Mc 4.9,23; 7.16; Lc 8.8; 14.35), de sorte que não
su rp re en d e que copistas te n h a m inserido o infinitivo άκούειν aqui, em Mt 11.15 (e
tam b ém em Mt 13.9,43). Se o infinitivo fizesse p a rte do texto original, fica difícil de
ex p licar p o r que teria sido om itido em im p o rtan te s m anuscritos. O significado das
d uas form as de texto é o m esm o.

11.17 έθρηνήσαμεν (entoam os lam entações/cantam os m úsicas de sepultam ento) {B}

Um g ran d e n ú m ero de m an u scrito s diz έθρηνήσαμεν ύμΐν (nós vos entoam os


lam entações). A v a ria n te não m uda o sentido, ap en as to rn a explícito o que está
im plícito n a leitu ra aceita com o texto. E possível que copistas acresce n tara m o pro-
nom e ύμΐν p a ra c ria r um p aralelo com ο ηύλήσαμεν ύμ ΐν (nós vos tocam os flauta),
d a lin h a an terior. Se o pronom e fosse original, é pouco provável que os copistas o
te ria m om itido. Além do m ais, o texto m ais curto, que aparece em quase tod as as
trad uções, é apoiado p o r re p re se n ta n te s de d iferentes tipos de texto.

11.19 ά π ό τω ν έργω ν (por suas obras) {B}

A leitu ra ά π ό τω ν τέκνω ν (por seus filhos), que tem apoio de um a gam a de m anus-
critos, provavelm ente foi criada por um copista sob a influência da passagem paralela
em Lc 7.35, que tem o substantivo τέκνων. Tam bém as leituras com o adjetivo π ά ντω ν
(todos) foram criadas sob a influência do texto de Lucas, que tem esse adjetivo.

11.23 μή έως ου ρ α νο ύ ύψωθήση (será que serás ex alta d a até ao céu) {B}

Os m ais antigos m anuscritos, que re p re se n ta m todos os tipos de texto pré-


-bizantinos, apoiam a leitu ra que é o tex to de O Novo Testamento Grego. E n tretan to ,
alg u n s m an u scrito s têm ή έως ούρανού ύψωθεΐσα (a que é elevada até ao céu), e
a in d a o utro s têm ή έως ουρανού ύψώθης (que foste elevada até ao céu). Depois de
tere m copiado o nom e Καφαρναούμ, os copistas, ao que parece, o m itiram a prim ei-
ra letra da p ala v ra μή, sendo que, a p a rtir daí, a letra h foi in te rp re ta d a com o sendo
o a rtig o definido fem inino ή ou, então, o pronom e relativo ή.
A opção aceita com o texto é, ao que tu d o indica, um a p e rg u n ta retórica. Em al-
gu m as línguas, é m elhor tran sfo rm a r essa p e rg u n ta n u m a afirm ação enfática, como
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 17

“Tu podes te e x a lta r até ao céu, m as . . Caso for aceita urna das v ariantes, com o
acontece n a KJV e ARC (“E tu, C afarnaum , que te ergues até aos céus ...”), as pala-
v ras de Jesus deveriam ser to m ad as com o irônicas, e não com o a afirm ação de um
fato real. Em razão disso, a leitu ra aceita com o texto e as duas v arian tes têm , essen-
cialm ente, o m esm o significado. Os trad u to res terão de levar em conta a form a que
m elhor com unica o sentido n a língua alvo.

11.23 καταβήση (tu [C afarnaum ] descerás) {C}

Não se tem certeza se o verbo deveria ser “descerás” (καταβήση) ou “serás rebai-
x ad a” (καταβιβασθήση). De um lado, o verbo καταβιβασθήση pode te r sido alterado
p ara καταβήσ η, p ara levar o texto a concordar com Is 14.15, que form a o paño de fun-
do das palavras de Jesus. Por outro lado, a leitura no texto é preferida, porque tem o
apoio de m anuscritos antigos tan to do tipo de texto alexandrino quanto do ocidental.
Q ualquer que seja a leitura adotada, talvez seja adequado trad u z ir assim : “Deus te re-
b aix a rá ” (N ew m an e Stine, A Translator's Handbook on the Gospel o f M atthew, p. 349).

11.27 τον υ ιό ν ... ό ν ιο ς (o filho ... o filho) {A}

O texto aceito como original diz: “e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e nin-
guém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho [o] quiser revelar”. Talvez
não seja de e stra n h a r que alguns copistas alteraram a ordem das palavras p ara “e nin-
guém conhece o Pai, senão o Filho; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai e aquele
a quem o Filho [o] revelar”. Essa alteração pode ter sido provocada pela presença da
palavra π α τρ ό ς (Pai) um pouco antes, no m esm o versículo. Essas duas versões do tex-
to ainda aparecem , em alguns m anuscritos, com pequenas variações de form ulação.

12.4 scf α γον (com eram ) {C}

A form a da terceira pessoa do plural tem o apoio de apenas un s poucos m anus-


critos, m as tu do indica que copistas tro c a ra m a form a do plural pelo sin g u lar εφαγεν
(ele [Davi] com eu), p a ra fazer o verbo concordar com a form a verbal no singular,
que aparece em Mc 2.26 e Lc 6.4. A lgum as traduções m o d ern as (NIV, TEV, NBJ,
TEB, FC, ARA, CNBB, BN) colocam o verbo no plural, en q u an to o u tras (RSV, NRSV,
REB, Seg, ARC, NVI) preferem o singular.

12.15 [οχλοι] πολλοί (g ran d es [m ultidões]) {C}

A lguns m an u scrito s têm “g ran d e s m u ltid õ e s”; o u tro s, sim plesm ente “m u ito s”
(πο λλο ί). A le itu ra m ais breve tem o apoio de a n tig o s m an u scrito s a le x a n d rin o s e
18 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

ocidentais. Provavelm ente, copistas, influenciados pela conhecida locução “gran-


des m ultidões” ou “num erosas m ultidões” (por exem plo, 4.25; 8.1; 13.2; 15.30;
19.2), acrescentaram a palavra δχλοι. É possível, embora pouco provável, que a
palavra οχλοι seja original, tendo sido om itida acidentalm ente, quando o copis-
ta com eteu um erro de observação, passando do final da palavra οχλοι para o
final sem elhante do adjetivo π ολλοί. Para indicar que não se tem certeza quanto
ao texto original, a palavra οχλοι foi colocada entre colchetes. Algum as tradu-
ções m odernas adotam a leitura m ais breve (RSV, NBJ, REB, ARA: “m uitos”),
enquanto outras preferem a leitura m ais longa, que está no texto (NRSV: “muitas
m ultidões”; ARC: “uma grande m ultidão de gente”). Em algum as línguas, inde-
pendentem ente do texto adotado, será necessário colocar um substantivo ao lado
do adjetivo “m uitos/m uitas”.

12.25 είδώς δέ (M as/e conhecendo) {C}

A grande maioria dos manuscritos diz είδώς δέ ó Ίησοΰς (Jesus, porém, co-
nhecendo), mas o nome “Jesus” não é original, neste versículo. Era até natural que
copistas acrescentassem ό ’Ιησούς, pensando que isso era necessário para deixar o
texto mais claro. Porém, se o nom e tivesse estado originalm ente no texto, ninguém
teria, de propósito, optado por sua om issão. Na tradução, é possível que se tenha de
explicitar o sujeito. NVI, TEV, NTLH, BN, CNBB, entre outras, trazem o nom e “Je-
sus”, talvez mais por causa dos princípios de tradução adotados do que por estarem
seguindo a variante textual. Quanto à outra variante, ίδών (vendo), que aparece em
alguns poucos manuscritos, veja o comentário a 9.4. Embora είδώς seja um partid ‫־‬
pio, várias traduções m odernas, além de explicitarem o sujeito, preferem um verbo
finito. E o caso de NTLH: “Mas Jesus conhecia os pensam entos deles”.

12.47 [in c lu sã o do versícu lo ] {C}

Ao que tudo indica, o texto do v. 47, que parece ser necessário para o sentido dos
versículos seguintes, foi om itido acidentalm ente quando o copista saltou do infini-
tivo λαλήσαι (falar), no final do v. 46, para o infinitivo λαλήσαι, no final do v. 47.
Por outro lado, manuscritos antigos de vários tipos de texto om item esse versículo.
O texto aparece entre colchetes, para indicar que se tem dúvidas quanto à sua ori-
ginalidade. Algum as traduções modernas (RSV, NJB, NBJ) om item esse versículo;
a maioria o inclui.

13.9 ώτα (ouvidos) {B}

Veja o comentário sobre a m esma variante textual em 11.15.


O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 19

13.11 Segmentação

A conjunção ό τι pode in tro d u z ir u m a frase que responde à questão p o r que


Jesu s fala por p aráb o las (v. 10), a saber, “Porque [οτι] a vós foi d ad o ...” (NBJ).
T am bém é possível to m a r οτι com o um a m an e ira de in tro d u z ir u m a citação ou dis-
curso d ireto (a exem plo de NRSV). N este caso, equivale a aspas e o tex to pode ser
trad u zid o assim : “A vós foi dado ...”

13.13 ο τι βλέπ ο ντες ο ν β λέπ ο νσ ιν καί ά κ ο νο ντες ονκ ά κ ο νο υ σ ιν ουδέ σ υ νίο υ σ ιν


(porque, vendo, não veem ; e, ouvindo, não ouvem , nem entendem ) {B}

Sob a in flu ên cia das passagens paralelas em Mc 4.12 e Lc 8.10, vários m anuscri-
tos do tipo de texto ocidental, ao lado de outros, tro c a ra m a p ala v ra ό τι (porque)
por iva (p ara que). Essa alteração exigiu, ain d a, que os verbos fossem passados do
m odo indicativo p a ra o m odo subjuntivo. Vários m an u scrito s ain d a a crescen tam , a
p a rtir de M arcos (ou Is 6.10), και μή σ ν νιώ σ ιν (e não entendam ).

13.35 δ ιά τον π ρ ο φ ή το υ (por in term éd io do profeta) {C}

Alguns m anuscritos trazem o nom e do profeta; outros, não. A evidência ex tern a


favorece a leitu ra sem 0 nom e. Além disso, se orig in alm en te não havia n en h u m
nom e no texto, vários copistas p o d eríam te r inserido o nom e de um profeta conhe-
cido. Foi o que, de fato, aconteceu em ou tras passagens (veja os com entários sobre
1.22; 2.5; 21.4; At 7.48). Tam bém é possível que um leitor, no tan d o que a citação
vem de SI 78.2, inseriu o nom e de Asafe (X oáq). O utros leitores, por nunca terem
ouvido falar de um profeta com esse nom e, teriam colocado um nom e m ais fam iliar,
como Isaías (Ή σ α ΐο ν). Em bora n en h u m dos m anuscritos disponíveis trag a o nom e
de Asafe, Jerónim o, 0 tra d u to r da V ulgata latina, conhecia alguns m anuscritos que
tin h a m esse nom e no texto.
Por outro lado, quanto ao texto m ais longo, é preciso n o ta r que alguns im portan-
tes m anuscritos têm δ ιά Ή α α ΐο ν τον προφ ή του (por interm édio de Isaías, o profeta).
Esta leitura é m ais difícil do que a leitura que aparece como texto em O Novo Testa-
mento Grego, e não é difícil de im aginar que um e rro tão evidente com o este (atribuir
um texto de SI 78.2 ao profeta Isaías) teria sido corrigido pelos copistas (confira 27.9;
Me 1.2). NEB trad uziu o texto m ais longo, m as a REB adota o texto m ais breve.

13.35 ά π ό καταβολής [κόσμον] (desde a fundação [do m undo]) {C}

Visto que só u n s poucos m an u scrito s om item o substantivo κόσμου (do m undo),


a p alav ra foi incluída no texto. Por o u tro lado, a favor do tex to m ais breve é preciso
20 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

d ize r que κόσμου não ap arece em m anuscritos que re p re se n ta m os tipos de texto


ale x an d rin o , o cid en tal e orien tal. Essa p alav ra pode ter sido incluída por copistas
que co n h eciam u m a form ulação sem elh an te (“a fundação do m u n d o ”), que apare-
ce em Mt 25.34. Como não se tem c erteza q u an to ao que é original, a p alav ra foi
colocada e n tre colchetes. E n tretan to , m esm o que κόσμου não seja p a rte do texto
o rig in al, e stá im plícito no sentido da passagem , com o observa M orris (The Gospel
According to M atthew , p. 355, n.90). Na m aio ria das línguas, não se pode d izer
a p en as “o cu ltas desde a fu n d ação ”; será necessário acrescen tar: “desde a fund ação
do m u n d o ” (TEB, NBJ), “desde a criação do m u n d o ” (FC, NTLH, NVI, CNBB), ou
“desde que o m u ndo foi feito” (REB).

13.43 ώ τα (ouvidos) {B}

Veja o co m en tário sobre a m esm a v aria n te te x tu a l em 11.15.

13.55 ,Ιω σήφ (José) {B}

A lgu n s m a n u sc rito s têm o nom e Ί ω σ ή ς (ou Ί ω σ ή ), q u e re p re s e n ta a pro-


n ú n c ia g a lile ia (‫ )יו סי‬d a fo rm a h e b ra ic a c o rre ta (‫)יו ס ף‬. Essa fo rm a do nom e
p a re c e te r sido in se rid a no te x to de M ateu s a p a r tir de Me 6.3. A su b stitu iç ã o
p o r Ι ω ά ν ν η ς (João) re su lto u de fa lta de c u id a d o d a p a rte dos e sc rib a s, lig ad a
às fre q u e n te s re fe rê n c ia s, em o u tra s p a ssa g e n s, a T iago e Jo ã o , os filh o s de
Z eb ed eu . A le itu ra Ι ω ά ν ν η ς καί Ί ω σ ή ς (João e Joses), que a p a re c e em a lg u n s
p o u co s m a n u sc rito s, é c la ra m e n te u m a c o m b in aç ão de d u a s le itu ra s d is tin ta s , e
n ã o é o rig in a l. C aso os tra d u to re s a d o ta re m o p rin cíp io de u s a r sem p re a m esm a
g ra fia q u a n d o se tr a ta do no m e da m esm a p e sso a , e n tã o , n e ste caso, a fo rm a
do n o m e se rá ig u al à de Mc 6.3, pou co im p o rta n d o que le itu ra é a c e ita com o
o rig in a l.

14.3 Φ ιλ ίπ π ο υ (de Filipe) {A}

M ateu s se g u iu o te x to o rig in a l de Mc 6.17, o n d e c o n sta q u e o n o m e do


p rim e iro m a rid o de H e ro d ia s e ra F ilipe. E n tre ta n to , em v á rio s m a n u s c rito s
o c id e n ta is, o n o m e Φ ιλ ίπ π ο υ é o m itid o aq u i em M ateu s, em c o n c o rd â n c ia com
o te x to de Lc 3.19, o n d e ta m b é m n ã o a p a re c e n o m e n e n h u m . A situ a ç ã o se
co m p lica a p a r tir de in fo rm a ç õ e s p re s ta d a s p elo h is to ria d o r ju d e u do p rim e iro
sé cu lo c h a m a d o Jo sefo , q u e diz q u e F ilipe e ra c a sa d o com S alom é, filh a de
H e ro d ia s. In d e p e n d e n te m e n te de com o se reso lv a esse p ro b le m a h istó ric o e
ex eg é tico , n ã o h á d ú v id a n e n h u m a de que o te x to o rig in a l, n e ste caso, in c lu i o
n o m e d e F ilipe.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 21

14.9 λυ πη θείς ό βα σ ιλεύς δ ιά (en tristec en d o ‫־‬se o rei por causa de) {B}

O texto, apoiado pelos principais m an u scrito s do tipo de texto alex an d rin o e do


tipo de texto o cidental, é este: “E, entristecido, o rei, por causa dos ju ra m e n to s e
dos que estav am sen tad o s à m esa com ele, o rdenou [que a cabeça] fosse d a d a ” Esse
tex to é am bíguo, pois p erm ite duas in terp retaçõ es: (1 ) por causa dos ju ram en to s,
o rei estav a entristecido; ou, (2) por causa dos ju ra m e n to s, o rei o rd en o u que a ca-
b eça de João fosse en treg u e. Os copistas resolveram isso, m u d an d o o texto p a ra o
seguinte: “E o rei ficou triste; m as (δε) por causa dos ju ra m e n to s e dos que estav am
sen tad o s à m esa com ele, o rd en o u ...” Assim, a am biguidade foi elim inada: o rei
o rden o u que a cabeça fosse e n tre g u e p o r causa do ju ra m e n to que havia feito. Q uase
tod as as trad u çõ es rep ro d u zem a seg u n d a in te rp retaç ã o (2 ), concordando com os
copistas antigos, que e lim in a ram a am biguidade.

14.24 σ τα δ ίο υ ς π ο λ λ ο ύ ς α π ό τής γης ά πεΐχεν


(m uitos estádios d a te rra [o barco] estav a afastado) {C}

A leitu ra aceita com o texto em O N o vo T e sta m e n to G rego é a que m elhor explica


o su rg im en to das v arian tes. Em alg u n s m anuscritos, o verbo ά π εΐχεν (estava afasta-
do) foi tro cad o de lugar, e, em outros m anuscritos, a p alav ra ικανούς (num erosos)
ap arece em lugar de πολλούς. Estas, no e n tan to , são diferen ças estilísticas, que
não afetam o significado. A lguns m an u scrito s traz em ήν τό π λ ο ΐο ν εν μέσο) τής
θαλάσσης (ο barco estava no m eio do lago), m as esta v a ria n te é sim plesm ente um a
ten tativ a de acom odar o texto de M ateus ao texto de Me 6.47.
Um estád io era urna m edida grega de d istân cia eq uivalente a 185 m etros. “Mui-
tos estád io s afastad o da te rra ” ou “no m eio do lago” estão longe de serem m edidas
exatas; ap en as indicam que o barco estava afastad o da m argem do lago. (A pala-
v ra “estád io ” deveria ser evitada, pois o leitor ignora seu valor.) Por isso, qu alq u er
locução que expresse esse significado de a fa sta m e n to d a m argem será u m a fiel
trad u ç ão do texto (N ew m an e Stine, A T ra n sla to r's H a n d b o o k on th e G o sp el o f M a t-
th e w y p. 481). A NRSV trad u z assim : “estava d ista n te da te rra ”. NVI tem “já estava
a considerável d istân cia da te rra ”. A Bíblia da CNBB tra d u z p o r “já longe da te rra ”.
A NTLH, por sua vez, tem “já estava no m eio do lago”, m as isto se deve m ais aos
princípios de trad u ç ão ad otados do que a um a p referên cia pela v a ria n te tex tu al.

14.29 καί ήλθεν (e foi) {B}

A leitu ra καί ήλθεν (P edro and o u p o r sobre as águas e f o i te r c o m J esu s ) parecia


e sta r d izen d o dem ais. Em razão disso, foi a ltera d a p a ra o infinitivo έλθεΐν (Pedro
an d o u por sobre as águas p a r a ir te r c o m J e su s). O uso de dois verbos p a ra e x p ressar
22 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

u m a só e a m esm a ação (“an d o u e foi te r com ”) é típico do grego sem itizado do NT.
A ên fase pode e sta r no com eço da ação e o texto pode ser trad u zid o p o r “com eçou a
a n d a r em cim a da ág u a, em direção a Je su s” (NTLH, NAB, FC). Sendo assim , existe
p ou ca d iferen ça de significado e n tre a le itu ra aceita com o texto e a v a ria n te te x tu a l
que está no ap arato crítico.

14.30 ά νεμ ον [ισ χυρόν] (vento [forte]) {C}

O conjunto dos m anuscritos que om item o adjetivo ισ χυ ρ ό ν (forte) é im pressio-


n an te. É possível que copistas ten h a m inserido ισ χυ ρ όν p a ra intensificar a dram a-
ticidade da história. A leitu ra “u m vento m uito forte”, que aparece no m anuscrito
W, reflete essa tend ên cia dos copistas. Mas, visto que os m anuscritos que om item
ισ χυ ρ ό ν são todos do m esm o tipo de texto (alexandrino), é m ais provável que o adje-
tivo seja original e te n h a sido om itido acid en talm en te no an cestral desse tipo de tex-
to. Além do m ais, o adjetivo ισ χυ ρ ό ν parece necessário p ara explicar por que Pedro
estava ficando com m ais m edo ainda. P ara indicar que não se tem certeza qu anto
ao texto original, a p alav ra ισ χυ ρ όν aparece en tre colchetes, no texto. A lgum as tra-
duções m o d ern as dizem apenas “o vento” (RSV, NVI, NBJ, TEB, FC, CNBB); ou tras
traz em “a força do v en to ” (ARA, NTLH) ou “que o vento e ra m uito forte” (BN).

15.4 ο γά ρ θεός εΐπ εν (pois D eus disse) {B}

A p resen ça d a locução την εντολήν του θεού (ο m an d a m e n to de Deus), no v. 3,


provavelm ente levou copistas a tro c a re m “pois D eus disse” p o r “pois Deus ordenou,
d ize n d o ’’ (ο γά ρ θεός ένετειλα το λέγω ν). Se ένετειλατο λεγιυν (ordenou, dizendo)
tivesse estad o no texto original, fica difícil de explicar p o r que teria sido alterad o
p a ra εΐπ εν (disse), que é u m a form a bem m enos expressiva. No p aralelo em Mc 7.10,
o sujeito de εΐπ εν é M oisés. Em alg u m as línguas, a trad u ç ão m ais n a tu ra l desse tex-
to, em seu contexto, é “o rd en o u ”, m esm o que, p a ra tan to , não se necessite aceitar
a v a ria n te com o orig in al (N ew m an e Stine, A Translator's H andbook on the Gospel
o f M atthew , p. 495).

15.6 το ν π α τέ ρ α α ύ τοΰ (o seu pai) {C}

M uitos m an u scrito s acrescen tam as palav ras “ou a sua m ãe ”. As d iferenças e n tre
το ν π α τέρ α α ύτοΰ ή την μητέρα (ο seu pai ou a m ãe), το ν π α τέρ α ή την μητέρα
α ύ τοΰ (ο pai ou a m ãe dele), e το ν π α τέρ α α ύ τοΰ ή την μητέρα α ύτοΰ (ο pai dele ou
a m ãe dele) são ap en as d iferenças estilísticas que não afetam o significado.
De um lado, pode-se a rg u m e n ta r que copistas a c resce n tara m a locução “ou a
sua m ãe ”, pois nos versículos a n te rio re s são m encionados o pai e a m ãe. Por o u tro
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 23

lado, copistas po dem te r om itido as p alav ras “ou a sua m ãe ” por engano. Tam bém
p o d e ría m tê-las om itido in ten cio n alm en te, por en te n d ere m que se tra ta de u m a
rep etição d esn ecessária. Preferiu-se o texto m ais breve p o r ser apoiado pelos me-
lhores m anuscritos. A rigor, não existe d iferen ça de significado e n tre o texto e as
v aria n te s (veja v. 4a e H agner, M a tth e w 1 4 - 2 8 , p. 428). T raduções em linguagem
com um , com o a GNB em alem ão e a NTLH em p o rtu g u ês, tra d u z e m p o r “os seus
p ais”. Não está claro se o texto que ap arece na NBJ, “não está obrigado a h o n ra r pai
ou m ãe ”, se b aseia n a v a ria n te te x tu a l ou ap en as rep ro d u z o sentido do texto, como
acontece em trad u çõ es em lin g u ag em com um .

15.6 τον λό γο ν (a palavra) {B}

E evidente que a locução την εντολήν (o m an d am en to ) foi in serid a p a ra que


o tex to concordasse com o v. 3, m as é m ais difícil decid ir se a leitu ra orig in al era
το ν λό γο ν ou τον ν ό μ ο ν (a lei), το ν λό γο ν tem um apoio m ais consistente dos m a-
nuscritos. Além do m ais, o fato de e sta r sendo citad o um m an d a m e n to específico
p o d e ria te r levado os copistas a colocar την εντολήν ou τον νό μ ο ν em lu g ar de τον
λόγον. É possível, em b o ra pouco provável, que copistas te n h a m colocado λόγον em
lu g ar de νόμον, p a ra fazer o texto concordar com Mc 7.13. Nesse contexto, ta n to
“p a la v ra ” com o “lei” servem com o sinônim os de “m a n d a m e n to ” (N ew m an e Stine,
A T r a n s la to r ’s H a n d b o o k o n th e G o sp el o f M a tth e w , p. 497), e o texto pode ser tradu -
zido p o r “o m a n d a m e n to de D eus” (TEV, CNBB) ou “a m ensagem de D eus” (NTLH).

15.14 τυ φ λο ί eioiv οδηγοί [τυφλών] (cegos são guias [de cegos]) {C}

Em alg u n s m anuscritos, as p alav ras “eles são guias cegos” vêm aco m p an h ad as
pela p ala v ra τυ φ λώ ν (de cegos). Existe tam b ém v ariação n a ordem das p alav ras
em vários m an uscritos, m as essas são diferenças de estilo, não de significado (veja
M orris, The G o sp el A c c o r d in g to M a tth e w , p. 397, n.27). As leitu ras que m elhor ex-
plicam a origem das dem ais são τυ φ λο ί είσιν οδηγοί τυ φ λ ώ ν e οδηγοί είσιν τυ φ λο ί
τυφ λώ ν. Por o u tro lado, ο fato de ta n to o m an u scrito B q u an to o D ap o iarem a lei-
tu ra sem o τυ φ λώ ν d á um considerável peso ao texto m ais breve (adotado em REB,
NIV, NVI, NTLH, FC). P ara in d icar in certeza q u an to ao tex to original, a p alav ra
τυ φ λ ώ ν ap arece, no texto, e n tre colchetes.

15.15 την πα ρ α β ολή ν [ταυτην] ([esta] parábola) {C}

O tex to ad o tad o em O N o v o T e s ta m e n to G rego, que inclui a p ala v ra ταυτην, tem


o apoio de u m a am pla gam a de m anuscritos. P rovavelm ente, copistas o m itiram
τα υτη ν por ju lg a re m in ap ro p riad o u sa r essa p alav ra, visto que a p a ráb o la não é o
24 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

co nteúdo dos vs. 12-14, e sim o que ap arece no v. 11. Por o u tro lado, é im pressionan-
te a com binação de m an u scrito s que dão su p o rte ao texto m ais breve, sem ο ταυτην.
P ara in d icar in certeza qu an to ao texto original, a p alav ra τα υτη ν foi colocada, no
texto, e n tre colchetes.
A lgum as traduções m o d ern as ad o tam a v arian te, trad u zin d o por “a p a ráb o la”
(NBJ). A m aioria das trad u çõ es não deixa claro que “essa p aráb o la” ou “a p a ráb o la”
se refere ao dito do v. 11, como fica claro pela explicação nos vs. 1 7 2 0 ‫־‬. Ao contrário,
dão a im pressão de que “essa p aráb o la” se refere ao conteúdo do v. 14. Por esta razão,
o texto pode ser trad u zid o assim : “Explique p ara nós aquilo que o senhor disse ao
povo” (N ew m an e Stine, A Translator's H andbook on the Gospel o f M atthew, p. 503).

15.31 κ ω φ ούς λ α λ ο ΰ ν τα ς, κυλλούς υ γιείς


(m udos falando, aleijados sendo curados) {C}

A leitu ra que consta do texto é ap o iad a por u m a am pla gam a de m anuscritos.


O utros m an u scrito s têm d iferenças consideráveis q u an to à ordem dos grupos que
fo ram cu rado s, bem com o os gru pos que estão incluídos. No e n ta n to , a m aio r di-
ferença é que alg u n s m an u scrito s om item as palav ras κυλλούς υ γιείς (aleijados
sen d o curados). É possível que as p alav ras κυλλούς υ γιείς não façam p a rte do ori-
ginal, ten d o sido acrescen tad as p a ra co m p letar a série de q u atro grupos m encio-
nad o s no v. 30. E n tretan to , é m ais provável que essas p alav ras fizessem p a rte do
o rig in al, m as foram om itidas p o r copistas que ju lg a ra m d esnecessário d izer que
ta n to “aleijados estav am sendo c u ra d o s” q u an to “coxos estavam a n d a n d o ” (χω λο ύς
π ε ρ ιπ α τ ο ΰ ν τα ς). A p ala v ra grega κω φ ός pode significar ta n to “incapaz de fa la r”
q u an to “incapaz de o u v ir”, e isto explica a variação, nos m anuscritos, e n tre os par-
ticípios λ α λ ο ΰ ν τα ς (falando) e α κ ο ύ ο ντα ς (ouvindo).

15.39 Μ αγαδάν (M agadã) {C}

Os m elhores m an u scrito s apoiam o topónim o Μ αγαδάν. M as não se sabe ao cer-


to onde ficava esse lugar, e até se duvida que te n h a existido. A passagem p aralela
em Mc 8.10 tra z “as regiões de D a lm a n u ta ”, que tam b ém é um nom e e u m lugar
desconhecido. M uitos m an u scrito s traz em , em lu g ar de Μ αγαδάν ou Δ α λμ α νουθά
(D alm anuta), a p ala v ra Μ αγδαλά[ν], que é u m a tran slitera çã o p a ra o grego da bem
co n h ecid a p alav ra sem ítica p a ra “to rre ”. Veja tam b ém o co m en tário sobre Mc 8.10.

1 6 .2 3 ‫[ ־‬όψ ίας γενομ ένη ς ... ού δύνασθε;] [a ta rd e chegando ... não podeis?] {C}

Im pressiona o teste m u n h o dos m an u scrito s que não tra z e m esse texto. E pos-
sível que copistas te n h a m acrescen tad o essas p alav ras, que foram tira d a s de um a
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 25

fonte sem elh an te a Lc 1 2 .5 4 5 6 ‫־‬, ou da pró p ria passagem de Lucas, com algu n s
pequenos ajustes. Por o u tro lado, é possível a rg u m e n ta r que essas p alav ras eram
o rig in ais e foram om itidas p o r copistas que viviam em regiões com o o Egito onde
um céu m a tin a l de coloração v e rm elh a não significa a ch egada de chuva. Como
existem a rg u m e n to s p a ra os dois lados, esses versículos foram incluídos no texto,
m as os colchetes indicam que não se tem certeza q u an to à sua orig in alid ad e. A REB
om ite os vs. 2-3.

16.3 S e g m e n ta ç ã o

No texto, a ú ltim a frase do v. 3 ap arece n a form a de u m a p e rg u n ta . Tam bém


se pode e n te n d e r esse texto com o u m a afirm ação, a exem plo do que faz a NRSV:
“Vocês sabem com o in te rp re ta r a a p arên cia do céu, m as não conseguem in te rp re ta r
os sinais dos tem p o s”. O u tras trad u çõ es, com o BN, NBJ e CNBB colocam isso na
form a de u m a exclam ação. Caso se o p ta r pela p o n tu ação no texto, isto é, a form a
de p e rg u n ta , será preciso lem b rar que se tra ta de u m a p e rg u n ta retórica.

16.7 S e g m e n ta ç ã o

A conjunção ο τι po d e in tro d u z ir u m a citação d ire ta , com o no tex to , sendo que,


nesse caso, não é trad u z id a . É o que acontece, p o r exem plo, n a RSV: “E eles dis-
c u tiam o assu n to e n tre si, dizendo: 1Não tro u x em o s p ão ’”. Ou, ο τι pode in tro d u z ir
u m a cláu su la causal, com o n a NTLH: “os discípulos co m eçaram a d iz e r u n s aos ou-
tros: Ele está d izendo isso p orque [οτι] não tro u x em o s p ã o ”. Se õ n for visto com o
causai, “os discípulos p ressu p õ em que a ad v ertên c ia do S en h o r c o n tra o ferm en to
dos fariseu s tem algo a v er com o fato de eles não tere m com ida suficiente, com o
se ele estivesse a co n selh an d o a que tivessem cuidado p a ra não co m p rarem pão
e n v e n e n ad o ” (Allen, A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y o n th e G o sp e l A c c o r d in g
to S t. M a tth e w , p. 174).

16.12 τω ν ά ρ τω ν (de pães) {C}

E xiste, a q u i, u m a v a rie d a d e de v a ria n te s te x tu a is , m as a le itu ra que a p a re c e


com o te x to é a que te m bom apoio de m a n u sc rito s. A lguns m a n u sc rito s d ize m
“o fe rm e n to de p ã e s ” (τω ν ά ρ τω ν ). O u tro s tra z e m “o fe rm e n to do p ã o ” (του
ά ρ το υ ), “o fe rm e n to dos fa rise u s e sa d u c e u s”, “o fe rm e n to dos fa ris e u s ”, e “o
fe rm e n to ”. É c o m p re en sív e l que a lg u n s c o p ista s, in flu e n c ia d o s pelo te x to nos
vs. 6, 1 1 , te n h a m a lte ra d o “o fe rm e n to do p ã o ” p a ra “o fe rm e n to dos fa rise u s
e sa d u c e u s”. É p ossível que a le itu ra m ais b rev e, “o fe rm e n to ”, seja o rig in a l, e
to d a s as d e m a is re s u lta ra m de a c réscim o s feitos p o r c o p istas. M as ta m b é m é
26 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

p o ssív el que co p ista s o m itira m as lo cu çõ es ιώ ν ά ρ τω ν ou του ά ρ το υ , p o r en-


te n d e re m q u e n a d a a c re sc e n ta v a m ao se n tid o . O p lu ra l “de p ã e s ” faz p a ra le lo
com o p lu ra l “dos fa rise u s e sa d u c e u s”, que a p a re c e no fin a l do v ersícu lo , m as
n ão ex iste , n e ste caso, d ife re n ç a de sig n ific a d o e n tre as fo rm as do sin g u la r e do
p lu ra l de ά ρ τ ο ς (pão), com o ta m b é m n ão e x iste d ife re n ç a e n tre “o fe rm e n to do
p ã o ” e “o fe rm e n to ”.

16.13 Τίνα λέγουσιν οί ά ν θ ρ ω π ο ι είναι τον υ ιό ν του ά νθρ ιυπ ου (Q uem dizem os
hom ens ser o Filho do H om em ?) {B}

Dois fatores indicam que as leituras que trazem o pronom e με (m e/a mim) não
são originais: (1 ) O pronom e με aparece em diferentes lugares nos m anuscritos que o
incluem , o que sugere que vários copistas acrescentaram με a um texto que não tin h a
esse pronom e; (2) o pronom e aparece nos relatos paralelos em Mc 8.27 e Lc 9.18, de
m odo que, provavelm ente, copistas o te n h a m inserido aqui sob a in flu ên cia daque-
les textos. Seg ad o ta a v a ria n te com ο με e tra d u z assim : “Q uem os hom ens dizem
que eu [με], o Filho do H om em , sou?”

16.20 ό Χ ρ ισ τό ς (o Cristo) {B}

A lguns m an u scrito s inserem o nom e 'Ιη σούς (Jesus) d ian te de ό Χ ρ ισ τός, en-
q u a n to o utro s colocam esse nom e após ό Χ ρ ισ τός. E n tretan to , a leitu ra m ais breve,
que aparece no texto, tem o apoio de m an u scrito s de vários tipos de texto. Além
disso, o que estava em discussão não e ra se as pessoas reco n h eciam o nom e de Je-
sus, m as se reco n h eciam que ele e ra o M essias (ό Χ ρισ τός).

16.27 την π ρ ά ξ ιν (o procedim ento) {B}

A leitu ra την π ρ ά ξ ιν tem ο apoio de u m a v aried ad e de m an u scrito s e v isu aliza a


ob ra de u m a pessoa ou o p ro ced im en to dela com o um todo, razão por que se u sa o
sin g u la r π ρ ά ξ ιν em lu g ar do p lu ral (veja M orris [The Gospel According to M atthew ,
p. 434, η .65], que afirm a que, com την π ρ ά ξιν, “não se tem em m ente n e n h u m a
o bra em p a rticu la r, m as a som a final de to d as as obras de u m a pessoa”). E n tretan to ,
os copistas de vários m an u scrito s gregos e de v árias trad u çõ es a n tig as p refe rira m
a ex pressão m ais conhecida τά έργα (as obras), que e n tro u , tam b ém , no textu s re-
ceptus. E m bora, em alg u n s contextos, possa haver u m a p e q u en a d iferen ça de pers-
pectiva e n tre esses dois substantivos, neste caso eles p arecem ser sinônim os, e a
trad u ç ão re su lta n te será a m esm a. A NBJ diz: “re trib u irá a cada um de acordo com
o seu co m p o rtam e n to ”, e a NVI traz: “e e n tão reco m p en sará a cada um de acordo
com o que te n h a feito”.
0 EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 27

17.2 το φ ω ς (a luz) {A}

A leitu ra τό φ ώ ς tem sólido apoio de m an u scrito s que re p re se n ta m todos os


tipos de texto. E n tretan to , v ário s m an u scrito s ocidentais divergem disso, e com pa-
ram as vestes de Jesu s com a neve (χιώ ν), a exem plo de Mt 28.3. A lgum as trad u çõ es
m o d ern as e lim in am essa com paração com a luz, p referin d o d izer que “as roupas
dele ficaram de um branco b rilh a n te ” (NRSV e tam b ém TEV).

17.4 ποιήσ ω (06ε (farei aqui) {B}

Em lu g ar da leitu ra que ap re se n ta Pedro se dispondo a fazer trê s ten d as, os co-


pistas da m aioria dos m an u scrito s colocaram o verbo n a p rim eira pessoa do plural,
πο ιήσ ω μ εν (façam os), h a rm o n iza n d o o texto com os p aralelo s de Mc 9.5 e Lc 9.33.
A lguns m an u scrito s têm o fu tu ro do indicativo ποιήσ ομ εν ώόε (farem os aqui), e
alg u n s m an u scrito s a in d a om item o advérbio ώόε (aqui).

17.11 Segmentação

C onform e a p o n tu ação no texto, a resp o sta de Jesus é u m a afirm ação de que


Elias de fato havería de v ir e re s ta u ra r to d as as coisas. No ap arato crítico da vigési-
m a sétim a edição de N estle-A land, ap arece u m a o u tra possibilidade de p o ntuação ,
em que a resp o sta de Jesus to m a a form a de u m a p erg u n ta.

17.20 ό λ ιγ ο π ισ τία ν (p eq u en a fé) {A}

A p alav ra ό λ ιγο π ισ τία ν ap arece som ente aqui, em todo o Novo T estam ento (em-
bora o adjetivo ο λ ιγό π ισ το ς o co rra q u atro vezes em M ateus), m as tem excelente
apoio de m an uscritos. Visto que ά π ισ το ς (sem fé/in créd u lo ) ocorre no v. 17, é m ais
provável que copistas tro c a ra m ό λ ιγο π ισ τία ν p o r α π ισ τ ία ν (que ocorre 1 1 vezes, no
NT). Supor que te n h a ocorrido o processo inverso é m enos provável.

17.21 omissão do versículo {A}

Não existe razão suficiente que p o d e ria te r levado copistas a o m itir esse versí-
culo n u m a v a rie d ad e tã o g ran d e de m an u scrito s, caso fosse, o rig in a lm e n te , p a rte
do texto de M ateus. Com freq u ên cia, copistas in se ria m num E vangelho m ateria l
que se e n c o n tra em outro. N este caso, p arece que o acréscim o de “M as esse tipo
n ão sai senão p o r m eio de oração e je ju m ”, que ap arece n a m aio ria dos m anu scri-
tos, foi tira d o do p a ra lelo em Mc 9.29 (veja c o m en tário ali). TEB inclui o v. 21 no
texto.
28 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

17.22 σ υσ τρ εφ ό μ ενω ν (reunidos eles) {B}

E provável que copistas e stra n h a ra m a p resen ça do participio σ υσ τρ εφ όμ ενω ν


e, p o r isso, a lte ra ra m o m esm o p a ra o participio ά να σ τρ εφ ομ ένω ν (estando e le s/
ach an d o -se eles), que parecia m ais ap ropriado nesse contexto. O verbo συστρέφειν,
que, aqui, p o d e te r o significado de “en q u an to eles estav am se a g ru p a n d o (ao red o r
de Jesu s)”, ou “Eles estavam a n d a n d o ju n to s ” (REB e Seg), ocorre som ente duas ve-
zes n a m aio ria dos m an u scrito s do NT (aqui e em At 28.3). A m aioria das trad u çõ es
tem “en q u an to eles se re u n ia m ” (NRSV, NAB) ou algo assim . Não está claro quem é
o sujeito do participio. P oderíam ser os doze, os doze m ais os outros discípulos, ou
os discípulos ju n ta m e n te com os de fora. A lgum as trad u çõ es dizem “os discípulos”
(TEV, FC, NTLH, CNBB), m as a m aio ria retém a am biguidade, com o, p o r exem plo,
a NRSV e a TEB.

17.26 ε ίπ ό ν το ς δε (m as ele disse) {B}

A le itu ra que a p arec e com o tex to em O Novo Testam ento Grego é a que m elh o r
explica o su rg im en to d as v a ria n te s. D iante do fato de que o p articip io ε ίπ ό ν τ ο ς
não tem sujeito, a lg u n s copistas a c re sc e n ta ra m o nom e “P e d ro ”. Em a lg u n s m a-
n u scrito s, o p a rticip io foi a lte ra d o p a ra o verbo finito λέγει (diz). T odas as v a ría n -
tes são m eras d ifere n ça s de estilo, que n ão a fe ta m o significado. Na trad u ç ão ,
talv ez a m elh o r opção seja e x p licitar o sujeito, com o em ARA: “R espondend o
P ed ro ...”

18.11 omissão do versículo {B}

As p alav ras “pois o Filho do H om em veio (p ara b u scar e) p a ra salvar o p erd id o ”


não co n stam dos m ais antigos m an u scrito s que re p re se n ta m diferen tes tipos de
tex to (alexand rino, egípcio, an tioq ueno) e foram ex tra íd a s de Lc 19.10. A parente-
m en te, essas p alav ras foram acrescen tad as p a ra fazer a conexão e n tre o v. 10 e os
vs. 12-14.

18.14 υ μ ώ ν (vosso) {C}

E difícil d ecidir se o orig in al é “vosso Pai” (NRSV e a m aio ria das traduções)
ou “m eu Pai” (RSV). “M eu P ai” tem a seu favor um bom apoio dos m anuscritos,
m as provavelm ente reflete a influ ên cia de του π α τρ ό ς μου (de m eu Pai), no v. 10
(confira tam b ém o v. 35). A le itu ra ημώ ν (nosso), em alg u n s poucos m anuscrito s,
provavelm ente resu lto u da confusão e n tre as letras υ (ípsilon) e η (eta), que, no
grego m ais recen te, p a ssa ram a te r p ro n ú n cia sem elhante.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 29

18.15 άμαρτήση [εις σέ] (p ecar [contra ti]) {C}

É possível que as p alav ras εις οέ (contra ti) sejam u m acréscim o que desde cedo
e n tro u no tex to original, talvez tira d o do uso de εις εμέ (contra m im ) no v. 21.
E n tretan to , tam b ém é possível que essas p alav ras sejam originais e foram om itidas
p o sterio rm en te. A om issão p o d e ría ser in tencional, p a ra fazer com que a passagem
se aplique a pecados em geral, com o p o d eria tam b ém ser acidental, re su lta n te do
fato de, em grego m ais recente, η, η e 81 tere m pro n ú n cia m uito parecid a. P ara indi-
c ar que não se tem c erteza q u an to à form a do texto original, as p ala v ras “co n tra ti”
aparecem , no texto, e n tre colchetes. A leitu ra m ais breve é ad o ta d a por REB, NBJ,
TEB e Seg.

18.19 π ά λ ιν [αμήν] λέγω (novam ente [em verdade] digo) {C}

E difícil sab er se a p resen ça das p alav ras αμήν λέγω, no versículo an terio r, levou
copistas a acresce n tar um άμήν d ian te de λέγω, no com eço deste versículo, ou fez
com que om itissem a p alav ra άμήν, p o r ju lg a re m que a m esm a e ra desnecessária.
P ara in d icar que existe in certeza q u an to ao tex to orig in al, a p ala v ra άμήν ap arece
e n tre colchetes. A lgum as trad u çõ es seguem o tex to m ais breve, sem ο άμήν (RSV,
REB, BN, CNBB), ao passo que o u tras seguem o texto m ais longo (NRSV, “verdadei-
ra m e n te ”; ARA, “Em v e rd a d e ”).

18.26 λέγω ν (dizendo) {A}

A m aio ria dos m an u scrito s acrescen ta a p ala v ra κύριε (Senhor) após o participio
λέγων. A RSV faz o m esm o. E n tre ta n to , im pressiona a com binação de m anuscritos
que dão apoio à le itu ra m ais breve. É provável que copistas in se rira m a p alav ra
‫ ״‬S en h o r”, p a ra d a r ao tex to u m a in te rp retaç ã o cristológica. T am bém é possível,
em bora m enos provável, que κύριε fizesse p a rte do original, m as foi om itido p ara
fazer com que o tex to concordasse com a form ulação do v. 29.

19.4 0 κτίσα ς (o que c rio u /o C riador) {B}

E m ais fácil supor que copistas m u d ara m o participio κτίσας, que tem o apoio de
vários m an u scrito s de excelente qualidade, p a ra o participio π ο ιή σ α ς (o que fez), do
que supor o processo inverso. É provável que os copistas in tro d u z ira m essa altera-
ção p a ra fazer o texto co n co rd ar com Gn 1.27, que tem a p ala v ra ποιήσ ας. É m enos
provável que os copistas ten h a m tro cad o π ο ιή σ α ς por κτίσας, p a ra fazer o texto
co n co rd ar com o verbo hebraico usado em Gn 1.27 (‫ ב ר א‬, que significa “criou”).
Q u alqu er que seja o texto adotado, o sentido é o m esm o.
30 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

19.7 ά π ο λΰ σ α ι [αυτήν] (rep u d ia r [a ela]) {C}

Não é fácil d ecidir se o pronom e α υτή ν foi acrescen tad o p a ra d e ix a r claro qual
é o objeto que está im plícito ou se o pronom e foi om itido p a ra fazer a passagem
co n co rd ar com o p aralelo de Mc 10.4, onde não ap arece n en h u m objeto direto após
o verbo. As p alav ras την γυ να ίκ α (a m u lh e r/su a m ulher), que ap arecem em alg un s
m an u scrito s, são u m esclarecim ento acrescen tad o por copistas. P ara in d icar a in-
certeza, o p ronom e foi colocado e n tre colchetes. Q ualquer que seja o texto adotado,
em m uitas lín g u as será necessário explicitar o objeto do verbo no tex to da tradução.

19.9 μή επ ί π ο ρ ν ε ία και γαμήοη άλλην μ οιχά τα ι (não sendo por causa de relações
sexuais ilícitas, e c asar com o u tra m ulher, com ete adultério) {B}

No relato do ensino de Jesus sobre o divórcio, em M ateus, a “cláusula de exce-


ção” ou “cláu sula restritiv a ” ap arece em duas form as: π α ρ εκ τός λόγου π ο ρ ν ε ία ς
(exceto p o r m otivo de relações sexuais ilícitas) e μή επί π ο ρ ν ε ία (não sendo por
cau sa de relações sexuais ilícitas). E ntre os m an u scrito s que têm a p rim eira form a
de tex to se en co n tram bons rep re se n ta n te s de vários tipos de texto, m as é provável
que essa form a de tex to te n h a sido criad a p o r in flu ên cia do texto sem elh an te que
se e n co n tra em Mt 5.32. A rigor, não existe diferença de significado e n tre essas
duas v a ria n te s te x tu a is (H agner, M atthew 14-28, p. 549). Além disso, em vários
m an u scrito s ap arecem as palav ras π ο ιε ί αυτήν μ οιχευθή να ι (a expõe a tornar-se
ad ú ltera [isto é, caso ela c asar de novo]), tira d a s de Mt 5.32, em lugar da expressão
καί γαμήση άλλην μ οιχά τα ι.
E m bora o significado das d u as form as de tex to seja o m esm o, os in té rp retes
não são u n â n im es q u a n to ao que seja esse significado, com o m o stram as seguintes
traduções: “não sendo p o r causa de p ro stitu iç ão ” (ARC), “não sendo p o r causa de
relações sexuais ilícitas” (ARA; veja tam b ém RSV, NRSV, REB, NVI), “exceto em
caso de in fidelidade conjugal” (NIV; veja tam b ém TEV, NTLH, FC, Seg), “exceto em
caso de u n ião ilegal” (NAB, TEB), “fora o caso de u n ião ilícita” (CNBB), “exceto por
m otivo de 1fornicação”’ (NBJ).

19.9 μ οιχά τα ι (com ete adultério) {B}

Após o verbo μ οιχά τα ι, vários m anuscritos acrescen tam καί ό ά πολελυμ ένη ν
γα μ ώ ν (ou γαμήσας) μ οιχά τα ι (e aquele que casa com u m a m u lh e r divorciada co-
m ete adultério). E possível que essas p alav ras te n h a m sido om itidas p o r acidente,
ou seja, a du pla oco rrên cia do verbo μ οιχά τα ι fez com que um copista om itisse o
m aterial que fica e n tre essas duas palavras. E n tre ta n to , é m ais provável que se tra te
de u m acréscim o posterior, p a ra ap ro x im ar o texto d a form ulação em Mt 5.32.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 31

19.10 μ αθηταί [αυτού] ([seus] discípulos) {C}

C ham a a atenção o conjunto de m an u scrito s que não tem o pronom e αύτου. Por
o u tro lado, é possível que copistas o m itiram ο αυτού, p o r ju lg arem -n o desnecessá-
rio, u m a vez que o pronom e α ύ τφ (a e le /lh e ) ap arece no contexto im ed iatam en te
anterior. P ara indicar in certeza q u an to ao texto original, o pronom e α υτού aparece
e n tre colchetes. Q u alq u er que seja o tex to escolhido, em m uitas línguas será neces-
sário d izer “seus discípulos”. O utro m otivo p a ra d izer “seus discípulos” é e v ita r a
im pressão e rrô n ea de que os fariseus (v. 3) foram cham ados de discípulos.

19.11 το ν λόγον [τούτον] ([esta] palavra) {C}

Visto que copistas g eralm en te tin h a m a ten d ên cia de acresce n tar palavras, p ara
to rn a r o tex to m ais explícito — p o r exem plo, a crescen tan d o pronom es d e m o n stra ti‫־‬
vos com o το ύ το ν — o texto m ais breve, sem o τούτον, pode ser original. Além disso,
o tex to m ais c u rto tem bom apoio de m anuscritos. E n tretan to , alg u n s copistas po-
dem te r om itido o pronom e το ύ το ν p o r ser am bíguo, pois pode se refe rir ao ensino
de Jesu s sobre o casam ento, nos vs. 3 9 ‫־‬, esp ecialm en te o v. 6, com o tam b ém pode se
referir à observação dos discípulos no v. 10. P ara in d icar in certeza q u an to ao texto
orig in al, το ύ το ν ap arece, no texto, e n tre colchetes.
A lgum as trad uções, p a rtin d o do pressuposto de que “e s ta /e s te ” se refere ao
ensino de Jesu s e não à observação feita pelos discípulos, deixam isso explícito no
texto. É o caso da NTLH: “Este en sin am en to não é p a ra to d o s” (tam bém TEV e FC).

19.16 διδάσ καλε (M estre) {A}

A p a la v ra α γα θέ (bom ), que não ap arec e em a n tig o s e bons re p re se n ta n te s


dos tex to s a le x a n d rin o e o c id en tal, foi in se rid a no te x to a p a rtir dos p ara lelo s
em Mc 10.17 e Lc 18.18. “A m odificação de M ateus [em relação a M arcos] ... desvia
a ‘atenção da b o n d ad e de Jesus p a ra o q u an to é bom ob ed ecer à lei (Davies
e Allison, A C ritica l a n d E x eg etica l C o m m e n ta r y o n th e G ospel A c c o rd in g to S a in t
M a tth e w , vol. Ill, p. 42, citan d o R obert H. G undry, M a tth e w : A C o m m e n ta r y o n his
L ite ra r y a n d T h eo lo g ica l A r t [1982], p. 385) (veja tam b ém o co m en tário sobre a
próxim a variante).

19.17 τί με έρ ω τα ς π ερ ί τού α γαθού; εις έστιν ό α γα θό ς (Por que m e p e rg u n ta s


acerca do que é bom ? Um só existe que é bom .) {A}

M uitos dos m a n u scrito s que a c re sc e n ta m αγαθέ (bom ), no v. 16, ta m b é m apre-


se n ta m a ltera çõ e s no v. 17, su b stitu in d o o relato c a ra c te rístic o de M ateus pelas
32 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

se g u in te s p a la v ras, tira d a s dos relato s p a ra lelo s em Mc 10.18 e Lc 18.19: τι με


λ έγεις α γα θ ό ν: ο υ ό είς α γα θ ό ς εί μή εις 6 θεός (Por que m e c h am as bom ? Nin-
g u ém é bom senão um só, que é Deus). Se essa form a de tex to tivesse estad o ,
o rig in a lm e n te , em M ateus, n ão h a v e ria com o ex p licar por que copistas a te ria m
a lte ra d o , c ria n d o um tex to m ais difícil. Além disso, é preciso dizer, a favor da
le itu ra esco lh id a com o tex to , que os copistas com freq u ê n cia a ltera v am a fo rm u ‫־‬
lação n u m dos E vangelhos p a ra faz er com que ela co n co rd asse com o que ap arec e
nos d em ais E vangelhos Sinóticos.

19 .2 0 έψ ύλαξα (tenho o b se rv a d o /te n h o obedecido) {A}

M ateus identifica o in terlo cu to r de Jesus com o um νεα νίσ κος (jovem ou m oço),
nos vs. 20,22. A pesar disso, em alg u n s m anuscritos o texto foi alterad o pelo acrésci-
m o das p alav ras έκ νεότη τός μου (desde a m in h a ju v en tu d e) ou έκ νεότη τος (desde
a ju v en tu d e) após o verbo έφ υλα ξα , p a ra h a rm o n iz a r o texto com os p aralelo s em
Mc 10.20 e L c 18.21.

19 .2 4 κάμηλον (cam elo) {A}

Em lu g ar de κάμηλον, alg u n s poucos m anuscritos gregos m ais recentes trazem


κάμιλον, que significa “co rd a”, “cabo de um barco”. As duas p alav ras ch eg aram a ter
a m esm a p ron úncia, n a h istó ria m ais recente da língua grega.

19.29 π α τέρ α η μητέρα (pai ou m ãe) {C}

A p resen ça do substantivo γυ να ίκ α (m ulher) depois de π α τέρ α ή μητέρα em


m uitos m an u scrito s (um a leitu ra a d o ta d a em Seg) p arece re su lta r da ação de copis-
tas que h a rm o n iz a ra m o texto com Lc 18.29. A su bstituição de π α τέρ α η μητέρα por
γ ο ν είς (pais), que ap arece em outros m anuscritos, pode ser resu ltad o da influên-
cia da m esm a passagem em Lucas ou, então, trata-se de u m a alteração feita por
copistas p a ra sim plificar a red ação do texto. A ausência das palav ras π α τέρ α ή em
D e em vários m an u scrito s da A ntiga L atina p arece re su lta r do fato de um copista
ter, por acidente, passado por cim a de palav ras que te rm in a m com letras ou sílabas
sem elh an tes (hem eoteleuto).

19.29 έκ α το ντα π λ α σ ίο να (cem vezes m ais) {B}

A leitu ra a d o ta d a com o texto tem sólido apoio de m anuscritos. Além do m ais,


concorda com o texto de Mc 10.30. E, com o M ateus seguiu M arcos, é provável que
M ateus te n h a escrito έκ α το ντα π λα σ ίο να . A leitu ra π ο λ λ α π λ α σ ίο να (m uitas vezes
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 33

mais) provavelm ente se deriva da passagem p a ra le la em Lc 18.30. Esta v a ria n te foi


ad o ta d a em TEB: “receb erá m uito m ais‫( ״‬tam bém em REB e ARA).

2 0 .1 0 [rò] à v u ό η νύ ρ ιο ν καί α υτοί ([o] d en ário cada um tam b ém eles) {C}

P ara d a r m aior ênfase, copistas d eslo caram a locução καί α υτοί (tam bém eles)
p a ra im ed iatam en te após o verbo ελαβον (receberam ). O artig o definido τό pode
te r sido orig in al, ten d o sido om itido por copistas que ju lg a ra m sua p resen ça des-
n ecessária. Por outro lado, o fato de não e sta r nos m an u scrito s B e D sugere que
pode não ser original. Esse a rtig o ap arece e n tre colchetes, p a ra in d icar que se tem
dúvidas q u an to à sua originalidade.
As v aria n te s tex tu ais refletem diferenças de estilo, e não a ltera m o significado
do texto. M uitas trad u çõ es m o d ern as não tra n slite ra m δη νά ρ ίον, p referin d o trad u-
zir por “cada um deles tam b ém recebeu ap en as a d iá ria ” (CNBB; confira NRSV),
“receb eram o m esm o pag am en to dos d em ais” (REB), “receb eram u m a m oed a de
p rata cada u m ” (NTLH, TEB, BN, TEV, FC).

20 .1 5 [ή] ([ou]) {C}

E xiste e q u ilíb rio no que diz respeito à evidência e x te rn a favorável à p resen ça


ou ausência da p a rtíc u la disjuntiva fj, no com eço do v. 15, pois m an u scrito s que
rep re se n ta m os tipos de tex to ale x an d rin o , ocid en tal, etc. se en co n tram dos dois
lados. Visto que, em grego m ais recen te, ο η e o oi tin h a m p ro n ú n cia idêntica, é
provável que copistas te n h a m , de form a não in ten cio n al, om itido a p a rtíc u la ή de-
pois do p ronom e ooi (a ti), no final do v. 14. P a ra in d ic ar in ce rte za q u an to ao tex to
orig in al, η foi colocado e n tre colchetes.
V árias tra d u ç õ e s m o d e rn a s n ão re p ro d u z e m essa p a rtíc u la . NBJ, p o r exem -
pio, diz “N ão te n h o o d ire ito de faz er o que q u ero com o que é m eu ? ” (tam b ém
NRSV e TEB). N ão fica c la ro se essas tra d u ç õ e s d eix a m de tra d u z ir a p a rtíc u la
ή p o r e sta re m se g u in d o a v a ria n te ou se o fazem p o r ra z õ es de e stilo d a lín g u a
alvo.

20.16 έσχατοι, (últim os.) {A}

As p ala v ras π ο λ λ ο ί γά ρ είσιν κλητοί, ολίγο ι δέ εκλεκτοί (porque m uitos são


ch am ado s, m as poucos escolhidos) foram , pro v av elm en te, adicio n ad as ao final
desse versículo p o r copistas que se lem b rara m de o u tra p a rá b o la que te rm in a com
as m esm as p ala v ras (veja 22.14). E possível, m as pouco provável, que essas pala-
v ras sejam p a rte do o rig in al e foram om itid as a cid e n ta lm e n te p o r um copista que
foi e n g a n a d o pelo fin al idêntico das p ala v ras έσχατοι e εκλεκτοί.
34 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

20 .1 7 το ύ ς δώ δεκα [μαθητάς] (os doze [discípulos]) {C}

O substantivo μαθητάς (discípulos) aparece e n tre colchetes p a ra indicar que se


tem dúvidas q uanto à sua originalidade. Por um lado, copistas m uitas vezes acres-
centavam a p alavra “discípulos” à locução oi δίόδεκα (os doze), como em 26.20,
e este p o d eria ser o caso aqui tam bém . Por outro lado, é possível que a palavra
μαθητάς fizesse p a rte do original, m as foi om itida p a ra h a rm o n iza r o texto com os
paralelos em Mc 10.32 e Lc 18.31, onde se lê apenas “os doze”. A leitu ra que traz
α ύτού (seus) e que aparece em vários m anuscritos m inúsculos e em versões antigas
é claram en te u m a adição posterior ao texto.
P ara m o strar que “os doze” se refere a um grupo específico de hom ens, algum as
traduções dizem “os Doze” (NBJ e REB). Mas o uso de um a inicial m aiúscula não
ajuda em n ad a aqueles que apenas ouvem o texto ser lido. Por isso, p a ra efeitos de tra-
dução, a m elhor opção talvez seja dizer “os doze discípulos”, m esm o que, por razões
de crítica tex tual, se adote o texto m ais breve.

2 0 .2 2 πίνειν. (beber.) {A}

A frase ή το βά πτισ μ α ... β α π τισ θ ή να ι (ou ser batizados com o batism o com que
eu sou batizado) não aparece em im p o rtan tes m anuscritos antigos que rep resen tam
vário s tipos de texto. Essas palavras foram acrescentadas por copistas que tra ta ra m
de h a rm o n iz a r o texto com a passagem paralela em Mc 1 0 .3 8 3 9 ‫־‬.

2 0 .2 3 ovk έστιν έμόν [τούτο] δ ο ύ να ι (não m e com pete [isto] conceder) {C}

O objeto direto τούτο (isto) aparece en tre colchetes, p a ra indicar que não se tem
certeza se é p arte do texto original ou se é um acréscim o posterior. Por um lado, essa
palav ra não consta de bons m anuscritos am igos. Além do m ais, aparece em diferen-
tes lugares em alguns m anuscritos, o que parece indicar que não fazia p a rte do origi-
nal, m as teria sido acrescentada em diferentes lugares no texto, por diferentes copis-
tas. Por ou tro lado, visto que τούτο não faz p arte do relato paralelo em M arcos, não
se tem , aqui, u m caso de harm onização. Logo, τούτο poderia ser original. Q ualquer
que seja o texto aceito como original, considerações de ordem gram atical e estilística
podem levar os trad u to res a in serir um objeto direto p ara o verbo “conceder”. É o que
acontece, por exem plo, em ARA, NBJ e TEB.

2 0 .2 6 εσται (será) {B}

A evidência ex tern a claram ente favorece a form a verbal fu tu ra εσται. Mas έστιν,
que é a form a do presente, tem o significativo apoio dos m anuscritos B e D. A m esm a
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 35

variação ocorre tam bém no paralelo de Mc 10.43. Em bora o tem po fu tu ro te n h a tudo


p a ra ser o original, não se tra ta sim plesm ente de u m a referência ao que vai acontecer
no futuro. Segundo Blass, D ebrunner, Funk, A Greek G ram m ar o f the New Testament
(1961) § 362, o fu tu ro do indicativo é usado, por vezes, em ordens categóricas, e
“M ateus faz uso m ais frequente desse fu tu ro do que os outros evangelistas”. A m elhor
m an eira de expressar isso é dizer: “Entre vós isso não deve oco rrer” ou “Entre vós não
deverá ser assim ” (NBJ).

2 0 .3 0 Έ λ εη σ ο ν ημάς, [κύριε,] (Tem com paixão de nós, [Senhor,]) {C}

O substantivo κύριε (Senhor/senhor) foi colocado en tre colchetes p ara indicar que
não se sabe ao certo se essa palavra é p a rte do original ou foi acrescentada poste-
n ó rm en te por escribas. Um a vez que as passagens paralelas em Mc 10.47 e Lc 18.38
trazem o nom e Ιησού (Jesus), é provável que as leituras que incluem esse nom e,
aqui em M ateus, sejam acréscim os posteriores. Tam bém se p oderia a rg u m e n ta r que
o texto m ais curto, sem ο κύριε, é original (assim na REB), e que as leituras m ais
longas são acréscim os feitos por copistas. Além do m ais, o fato de κύριε ap arecer em
diferentes posições em alguns m anuscritos p oderia sugerir que não fazia p arte do
original, m as foi acrescentado em diferentes lugares do texto por diferentes copistas.
E ntretanto, é m ais provável que κύριε seja original e que foi om itido por copistas que
tra ta ra m de criar um paralelo exato com a passagem sem elhante em Mt 9.27, onde se
lê ap en as Έλε'ησον ήμας.

2 0 .3 1 Έ λ εη σ ο ν ημάς, κύριε (Tem com paixão de nós, Senhor) {C}

Alguns m anuscritos trazem a palavra κύριε depois da locução “Tem com paixão de
nós” (como aparece no texto), ao passo que outros trazem κύριε antes dessa locução. O
testem unho dos m anuscritos favorece m ais a segunda form a do texto. No entanto, a lei-
tu ra que aparece como texto tem m ais chances de ser original. Isto porque, ao que tudo
indica, copistas teriam alterado a ordem das palavras para “Senhor, tem m isericórdia
de nós”, fazendo com que o texto concordasse com a form a de texto conhecida e usada
no culto da Igreja. Um bom núm ero de traduções m odernas adota a ordem das palavras
que aparece na v ariante, mas não fica claro se isso se deve a razões de natureza crítico-
-textual ou por questão de estilo da língua alvo. Recom enda-se aos tradutores que ado-
tem a ordem de palavras que fique m ais n atu ral na língua para a qual estão traduzindo.

21.3 Segmentação

N este versículo aparece um a citação em butida, isto é, um a citação d en tro de


o u tra citação, e não se sabe ao certo onde term in a essa citação em butida. As quatro
36 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

últimas palavras deste versículo podem ser entendidas de duas maneiras diferentes:
(1) Podem ser vistas como parte da citação embutida, ou seja, são palavras que os
dois discípulos deveríam dizer a alguém da aldeia à qual Jesus os estava enviando.
Neste caso, o sujeito do verbo άποστελεΐ (enviará ou devolverá) é ό κύριος (o Se-
nhor, isto é, Jesus). Esta é a opção da NBJ: “E se alguém vos disser alguma coisa,
respondereis que o Senhor precisa deles, mas logo os devolverá”.
(2) Por outro lado, a citação embutida pode ser encerrada com o verbo έχει
(precisa), fazendo com que as quatro últimas palavras desse versículo passem a ser
palavras que Jesus dirigiu aos discípulos. Caso se entender que a citação embutida
termina com o verbo έχει, o sujeito do verbo άποστελεΐ passará a ser o dono dos
anim ais. Esta é a opção da RSV, TEV, NTLH, e a maioria das outras traduções. A
NRSV, por exemplo, traduz mais ou menos assim: “Se alguém lhes disser algum a
coisa, sim plesm ente digam isto: Ό Senhor precisa deles’. E ele logo os enviará”.

21.12 ιερόν (templo) {B}

Em muitos manuscritos, as palavras του θεοΰ (de Deus) aparecem depois de


ιερόν. A leitura mais breve tem apoio maciço dos manuscritos e, além disso, os co-
pistas não teriam omitido τού θεού, caso tivesse estado no original. Tal acréscimo
da parte dos copistas era algo bastante natural, e visava dar ênfase ao fato de que
se estava profanando um lugar sagrado. Por outro lado, uma vez que os relatos pa-
ralelos em Mc 11.15 e Lc 19.45 (veja tam bém Jo 2.14) não têm as palavras τού θεού,
seria possível argumentar que essas palavras são originais em Mateus e que foram
om itidas por copistas, com a intenção de harmonizar o texto de Mateus com o texto
dos outros Evangelhos.

2 1 . 2 9 3 1 ‫ ־‬ου θέλω, ύστερον όέ μεταμεληθείς άπήλθεν ... έτέρω


... εγώ, κύριε* καί ούκ άπήλθεν ... ό πρώ τος
(não quero; depois, arrependido, foi ...
ao outro ... Sim, senhor; porém não foi ... o primeiro) {C}

Nesses três versículos, há muitas diferenças entre os manuscritos, sendo que as


principais delas são as seguintes:
(1) Em alguns manuscritos, o primeiro filho diz “Não”, mas depois se arrepen-
de e vai trabalhar na vinha. O segundo filho diz “Sim”, mas não vai trabalhar. A
pergunta que é feita é esta: “Qual dos dois fez a vontade do pai”? A resposta é: “o
prim eiro”. Esta leitura, adotada por quase todas as traduções, tem tudo para ser
original, pelas seguintes razões: (a) Faz sentido que, no momento em que o primei-
ro filho disse “não”, o pai tenho pedido ao segundo filho para que fosse, (b) Essa
leitura tem um apoio de manuscritos levem ente superior ao das outras variantes.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 37

(2) Em alguns outros m anuscritos, o prim eiro filho diz “sim ”, m as depois se re-
cusa a ir tra b a lh a r na v inha. O segundo filho diz “n ã o ”, m as p o sterio rm en te se arre-
pen d e e vai trab a lh a r. "Q ual dos dois fez a vontade do p a i”? Esses m an u scrito s têm
as seguintes respostas diferentes: “O ú ltim o ” (ó ύστερος), “O ú ltim o ” (ο έσχατος),
“O seg u n d o ” (ô δεύτερ ος), e “O p rim e iro ‫( ״‬ó π ρ ώ το ς). E n tretan to , esta le itu ra não
faz ta n to sentido q u an to a anterior, a p re se n tad a acim a (1). Se o prim eiro filho dis-
se “sim ”, não h avería por que o pai solicitar ao segundo filho que fosse trab a lh a r.
P rovavelm ente, esta leitu ra reflete o esforço dos copistas p a ra fazer com que a or-
dem cronológica, no texto, coincidisse com os acontecim entos históricos. Em o u tras
palavras, o prim eiro filho é visto com o re p re se n ta n te dos ju d eu s em geral, ou, m ais
d iretam e n te , dos principais sacerdotes e anciãos (v. 23) e o segundo filho é visto
com o sendo os gentios ou os cobradores de im postos e as p ro stitu ta s (v. 31). REB,
M offatt, G oodspeed e ARA seguem esta v arian te.
(3) Em alguns outros m anuscritos, o prim eiro filho diz “n ã o ”, m as depois se ar-
rep en d e e vai tra b a lh a r na v inha. O segundo filho diz “sim ”, m as não vai trab a lh a r.
“Q ual dos dois fez a vontade do p a i”? A resp o sta é: “o ú ltim o ”. A lguns in té rp retes
e n ten d em que, por ser a m ais difícil, esta leitu ra é a original, e que os copistas te-
riam alterad o o texto p a ra as form ulações que ap arecem em (1) e (2). E n tretan to ,
esta leitu ra é tão difícil que, no contexto, não faz sentido n en h u m .

2 1 .3 9 α ντό ν έςεβαλον ε'ςεο τον ά μ π ελ ώ νο ς και ά πέκτεινα ν


(a ele, lan çaram -n o fora da v in h a e o m ataram ) {A}

M anuscritos que re p re se n ta m o tipo de texto ocidental deste versículo concor-


d am com a ordem dos acontecim entos em Mc 12.8, onde o filho é m orto e só en tão
lan çad o fora da v in h a. Em M ateus e Lucas (20.15), o filho é lançado fora da v in h a
an tes de ser m orto, u m a ordem que, talvez, reflita o fato de que Jesus foi crucifica-
do fora da cidade (Jo 19.17,20; Hb 13.12-13).

2 1 .4 4 [Κ αί ... αντόν.] ([E ... a ele.]) {C}

M uitos eruditos de nossos dias en ten d em que este versículo, que ap arece na
m aio ria dos m anuscritos gregos de M ateus, seja um acréscim o b asead o em Lc 20.18
e que teria sido inserido no texto de M ateus bem no início da tran sm issão do texto.
Esse versículo é om itido em REB, TEV e na New Je ru sa le m Bible (em bora conste da
NBJ). E n tretan to , este versículo pode ser original, pois as p alav ras em M ateus não
são as m esm as que ap arecem em Lucas. Além disso, se tivessem sido acrescentad as,
um lugar m ais adequado teria sido após o v. 42. Sendo p a rte do original, essas pala-
v ras po d em te r sido om itidas quan do o copista foi e n g an ad o pela sem elh an ça en tre
ο α ντής, no final do v. 43, e ο αύτόν, no final do v. 44. E m bora, provavelm ente, esse
38 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

versículo seja u m acréscim o p o sterio r ao texto de M ateus, é m an tid o no texto, ain d a


que e n tre colchetes, devido à sua a n tig u id ad e e im p o rtân cia n a trad ição tex tu al.

22.10 ό γά μ ο ς (o salão de festas) {B}

A le itu ra ό ν υ μ φ ώ ν (que aqui significa “a sala n u p cial”) parece ser u m a cor-


reção, in tro d u z id a nos m an u scrito s do tipo de tex to a lex an d rin o , que resu lto u do
fato de os copistas en te n d ere m que e ra um ta n to in ad eq u ad o u sa r o term o ό γά μ ος
(casam ento, festa de casam ento) em conexão com o verbo “ficou cheio” (έπλήσθη).
A trad u ç ão do texto será sem pre a m esm a, pouco im p o rtan d o que v a ria n te é con-
sid erad a o rig in al, porque, neste caso, ό γά μ ο ς é usado no sentido m etafórico de “o
salão de festas” (veja Davies e Allison, A C ritic a l a n d E x eg etica l C o m m e n ta r y o n th e
G ospel A c c o rd in g to S a in t M a tth e w , vol. Ill, p. 203; e BD AG, pp. 188-189).

22.23 Σ α δ δ ο υ κ α ιο ι, λέγοντες (saduceus, dizendo) {B}

S egundo as palavras que ap arecem no texto, os saduceus, no início de seu diá-


logo com Jesus, afirm am sua descrença na ressurreição dos m ortos. No entanto,
alg u n s m an uscritos têm o artig o definido oi dian te do participio λέγοντες, o que
significa que essas palav ras co n statam aquilo que os saduceus acred itam (ou não
acreditam ), a saber, “saduceus, que dizem não haver ressu rreição ”. É possível que
o artig o definido seja original e que foi acidentalm ente om itido por copistas que o
co n fu n d iram com o final da p ala v ra Σ α δ δο υκ α ΐο ι, que tem as m esm as vogais do
artig o definido. No en tan to , é m ais provável que os copistas ten h a m acrescentado o
artigo, com o intuito de h a rm o n iz a r o texto com os paralelos em Mc 12.18 e Lc 20.27.
Além disso, n a m edida em que M ateus não costum a fornecer esse tipo de inform ação
a respeito de coisas relacionadas com o judaísm o, é pouco provável que, neste caso,
ele esteja explicando que os saduceus são aqueles que não a cred itam na ressurreição
dos m ortos.
As trad u çõ es m o d ern a s não são u n ân im es. Seguindo a leitu ra aceita com o texto,
a NTLH tradu z: “N aquele m esm o d ia ch eg aram p e rto de Jesus alg u n s saduceus,
a firm an d o que n in g u ém ressu scita” (tradução sem elh an te ap arece em NRSV, NAB
e TEV). S eguindo a v a ria n te , CNBB traduz: “N aquele dia, aproxim aram -se dele uns
saduceus, os quais a firm am que não h á ressu rre iç ão ”. Um tex to sem elh an te aparece
em REB, RSV, ARA, NVI, NBJ, TEB, FC, Seg.

22.30 ά γγελοι (anjos) {B}

A m aio ria dos m anuscritos, seguidos por Seg, tem o acréscim o de θεού ou του
θεού (de Deus) depois do su bstantivo άγγελοι. E m bora poucos m an u scrito s ten h a m
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 39

essa form a de texto m ais breve, ela tem o apoio de im p o rtan te s m an u scrito s que
re p re se n ta m os tipos de texto a le x an d rin o e o cidental. A crescentar a locução του
θεοΰ era algo bem n a tu ra l p a ra os copistas, ao passo que a sua om issão é difícil de
explicar, caso tivesse estad o o rig in alm en te no texto. Em alg u m as línguas, talvez os
trad u to res te n h a m que u sa r um term o p a ra “an jo ” que já c o n te n h a a noção de que
se tra ta de anjos “de D eus”. Por exem plo, “anjo” pode ser trad u z id o p o r “m ensag eiro
de D eus”. Em situações com o essa, não haverá diferen ça e n tre a trad u ç ão d a leitu ra
aceita com o texto e a da v a rian te.

2 2 .3 2 εστιν [ό] θεός (ele é [o] Deus) {C}

A leitu ra que aparece com o texto diz: “Ele não é o Deus dos m ortos, m as dos
vivos”. C ontudo, p a ra d eix a r o texto m ais exato, copistas a c resce n tara m um según-
do θεός (Pois Deus não é um Deus dos m ortos, m as dos vivos), que ap arece n u m a
form a m ais recente do texto. Q uanto ao artig o definido 0, não se sabe com certeza
se copistas o d eix aram fora em an alo g ia ao texto p aralelo em Mc 12.27, ou se copis-
tas in se rira m o artig o no texto, influenciados pelas q u atro o corrências de ό θεός no
contexto im e d iatam en te an terio r. No texto, o artig o ap arece e n tre colchetes, p a ra
sin alizar que não se tem c erteza q u an to ao texto original.
A p aren tem en te, a NTLH tra d u z a v arian te: “Deus não é Deus dos m ortos e sim
dos vivos”. O m esm o acontece n a REB. Na v erdade, não existe real d iferen ça de sig-
nificado e n tre a leitu ra que está no tex to e a le itu ra que tem a repetição do θεός. Em
m uitas lín guas, a p resença ou ausência do artig o definido será d e te rm in a d a pelas
exigências ou características d a língua p a ra a qual se está trad u zin d o .

2 2 .3 5 [νομικός] ([um in té rp re te da lei]) {C}

Por um lado, a inclusão ou p resença da palav ra νο μ ικ ό ς tem um im pression ante


apoio da p a rte dos m anuscritos, o que sugere que ela estava o rig in alm en te no texto.
Por o u tro lado, νο μ ικ ό ς não ap arece nos m an u scrito s da fam ília 1 ( / 1), tam pouco
em versões an tig as e em textos de Pais da Igreja de u m a g ran d e v a rie d ad e de luga-
res. Essa om issão é significativa, pois em n e n h u m a o u tra passagem de M ateus se
usa a p alav ra νομικός. Assim sendo, é possível que copistas in se rira m essa palav ra
no tex to a p a rtir da passagem p a ra lela em Lc 10.25. P ara sin a liza r que existem dú-
vidas q u an to à form a do tex to o riginal, νο μ ικ ό ς aparece, no texto, e n tre colchetes.
A TEB (bem com o a ARA, NTLH, NRSV, NIV, TEV, TEB, FC, Seg) segue o texto
m ais longo: “E um deles, um legista, p erg u n to u -lh e p a ra o p ô r à p rova”. O utras
trad u çõ es de νομικός são “p erito na lei” (NVI), “m estre d a Lei” (NTLH), e “dou to r
d a Lei” (BN). A NBJ a d o ta o tex to m ais breve: “e um deles — a fim de pô-lo à prova
— p e rg u n to u -lh e ” (a REB faz de m odo sem elhante).
40 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

2 3 .4 βαρέα [καί δυσβάστακτα] (pesados [e difíceis de carreg ar]) {C}

A lguns poucos m anuscritos, bem como REB, NVI, NBJ, TEB, NTLH, FC e Seg,
om item as palavras καί δυσβάσ τακτα (e difíceis de carregar), m as a leitu ra m ais lon-
ga, ad o tad a por RSV, NRSV, TEV, CNBB, tem sólido apoio dos m anuscritos. Se essas
p alav ras estavam no texto original, é possível que copistas as om itiram de form a
acidental, p assan d o do και que aparece depois de βαρέα p a ra ο καί que vem depois
de δυσβάστακτα. T am bém é possível que copistas ten h a m om itido essas palavras
p o r razões de estilo. Por o u tro lado, existe a possibilidade de essa locução não ser
original, tend o sido in tro d u zid a em M ateus a p a rtir do p aralelo em Lc 11.46. Para
in d icar que existem dúvidas a respeito da form a exata do original, a locução καί
δυσβάσ τακτα foi colocada entre colchetes.

2 3 .9 π α τέρ α μή καλέσητε υ μ ώ ν (não cham eis vosso pai) {B}

Em lugar do prim eiro υμ ώ ν (vosso) que aparece neste versículo, vários m anuscri-
tos do tipo ocidental colocam o pronom e ύμΐν (p ara vós), e alguns m anuscritos gregos
m ais recentes om item o pronom e, p o r considerá-lo desnecessário. As diferenças en tre
essas v arian tes são apenas questão de estilo e não de significado. Mais do que as
questões de n a tu re za crítico-textual, o que os tradutores terão de levar em conta ao
trad u zirem esse texto são as características da língua p ara a qual estão traduzindo.

2 3 .1 4 omissão do versículo {A}

O v. 14 não faz p a rte do texto nos m ais antigos e m elhores m an u scrito s dos
tipos de texto a le x an d rin o e ocidental. Não h á dúvida de que copistas e x tra íra m
esse tex to de Mc 12.40 ou Lc 20.47 e o in se rira m aqui, em M ateus. E sta conclusão
é co n firm ad a pelo fato de que alg u n s copistas colocaram esse texto an tes do v. 13,
ao passo que ou tros o colocaram após o v. 13.

23 .1 9 τυ φ λ ο ί (cegos) {B}

A p aren tem en te, as p alav ras μ ω ροί καί (tolos e), que ap arecem no v. 17, foram
in serid as p o r a lg u n s copistas neste lugar. Isto porque não existe um a razão que pu-
desse ju stific a r a om issão dessas p alavras, caso elas tivessem feito p a rte do original.

2 3 .2 3 ά φ ιέ ν α ι (om itir) {C}

O infinitivo aoristo άφεΐναι, que se encontra em alguns textos alexandrinos em


lugar do infinitivo presente άφιέναι, é um a pequena correção de natureza gram atical.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 41

Se houver algum a diferença de significado em vista, poderia ser a seguinte: o infinitivo


presente enfatiza um pouco m ais o caráter contínuo da ação que está sendo descrita.

2 3 .2 5 ά κ ρ α σ ία ς (falta de dom ínio próprio) {A}

A p alav ra ά κ ρα σ ία ς tem sólido apoio de m anuscritos antigos e de boa qualidade.


No e n ta n to , seu uso ao lado de α ρ π α γή ς (rapina) deve te r sido visto como inapro-
priado, o que levou vários copistas a su b stitu ir ά κ ρ α σ ία ς por outros substantivos,
como ά δ ικ ία ς (injustiça), ά κ α θα ρ σ ία ς (im pureza), ou π ο ν η ρ ιά ς (m aldade).

2 3 .2 6 του π ο τη ρ ιο ύ ... xò εκτός α υ το ί1 (do copo ... o e x terio r dele) (D)

A leitura aceita como texto cita apenas o copo (του ποτηριού), por m ais que exista
um bom testem u nho de m anuscritos que favorecem o texto m ais longo, que inclui a
locução καί τής π α ρ ο ψ ίδ ο ς (e do prato). Esse texto m ais longo é adotado por RSV,
NIV, NVI, NBJ, e Seg. A m aioria dos m anuscritos tem o seguinte texto: “Lim pa pri-
m eiro o in terior do copo e do prato, p a ra que tam bém o exterior deles (αύτών) fique
lim po”. Mas o fato de alguns m anuscritos terem o pronom e singular, “Limpa prim eiro
o interior do copo e do prato, p a ra que tam bém o exterior dele (αύτου) fique lim po”,
dá a en ten d er que no texto original não constavam as palavras καί τής πα ρ ο ψ ίδ ο ς.
Se estas palavras não faziam p arte do original, foram acrescentadas por copistas,
provavelm ente a p a rtir do v. 25. Alguns m anuscritos trazem έξιυθεν em lugar de
έκτος, m as essas duas palavras são sinônim as neste contexto e serão traduzidas de
form a idêntica.

2 3 .3 1 S e g m e n ta ç ã o

S egundo a po n tu ação que se e n co n tra no texto, existe u m a p au sa m aior no final


do v. 31, e as p alav ras καί υ μ είς (e vós), que ap arecem no início do v. 32, form am
u m a u n id ad e com o que se segue no v. 32. E n tretan to , a vigésim a sétim a edição de
N estle-A land dá conta, no ap arato crítico, de que existe u m a p o n tu ação a ltern ati-
va em alg u n s m an u scrito s antigos, a saber, o p onto final é colocado depois de καί
υ μ είς e não no final do v. 31. S egundo essa p o n tu ação a ltern a tiv a , as palav ras καί
υ μ είς são enfáticas, e a tra d u ç ão do texto passa a ser a seguinte: “Vocês testificam
co n tra si m esm os que são os filhos dos que m a ta ra m os profetas, 32 tam b ém vocês”.

2 3 .3 7 S e g m e n ta ç ã o

Este versículo pode ser e n ten d id o com o u m a afirm ação, a exem plo do que é feito
n esta edição do tex to grego e n a quase to talid ad e das trad u çõ es m o d ern as. Pode
42 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

tam b ém ser escrito na form a de u m a p e rg u n ta , com o em TR e WH. O utra opção,


seguida por m uitas trad u çõ es m o d ern as, é ver aí u m a exclam ação. Caso se ju lg a r
que se tra ta de u m a p e rg u n ta , essa p e rg u n ta deveria ser e n te n d id a com o retórica.

23.38 έρημος (deserta) {B}

O a d je tiv o έ ρ η μ ο ς e s tá a u se n te em a lg u n s m a n u s c rito s , m as a q u e le s que


o in clu em d ão c o n sid e rá v e l ap o io p a ra q u e se c o n sid e re o m esm o com o sen-
d o o rig in a l. E p ro v áv e l que a lg u n s c o p ista s o m itira m e sse a d je tiv o , p o rq u e o
c o n s id e ra ra m re d u n d a n te logo ap ó s o v e rb o άηΤ εται (é a b a n d o n a d a ). E m en o s
p ro v áv e l que o te x to m ais b rev e seja o rig in a l. Em o u tra s p a la v ra s , é p o u co
p ro v áv e l q u e c o p ista s te n h a m in se rid o o te rm o έρ η μ ο ς sob in flu ê n c ia do te x to
g reg o de J r 2 2 .5 (onde a p a la v ra a p a re c e n a fo rm a de u m v erb o ), ao q u a l Je su s
e s tá fa z e n d o a lu são .
A le itu ra a c e ita com o tex to p o d e ser tra d u z id a p o r “D eus deixou o Tem plo de
vocês, e ele ficou v a zio ” (p a rtin d o do p re ssu p o sto de que ό ο ίκ ο ς é o Tem plo, e
n ã o Je ru sa lé m ; p a ra u m a d iscu ssão em to rn o do sig n ificad o de ό ο ίκ ο ς n e sta pas-
sag em , veja D avies e A llison, A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y on th e G ospel
A c c o r d in g to S a i n t M a tth e w , vol. Ill, p. 322). P a ra efeitos de tra d u ç ã o , talv ez a
m e lh o r opção, em a lg u m a s lín g u a s, seja c o m b in ar as n o çõ es de “a b a n d o n a d o ” e
“d e s e rto ”, a exem plo do que aco n tece n a CEV: “E ag o ra o tem p lo de vocês fica rá
d e s e rto ”.

24.6 γενέσ θα ι (ser/acontecer) {B}

A le itu ra que ap arece com o tex to é ap o iad a p o r u m a g ra n d e v a rie d a d e de ma-


n u scrito s an tigo s. E n tre ta n to , copistas tra ta ra m de fazer acréscim os, b a sta n te na-
tu rá is, ao texto: “to d as as coisas [πάντα] precisam a co n tec er”, “essas coisas [ταΰτα]
p recisam a c o n te c e r”, ou “to d as essas coisas [πά ντα ταΰτα] precisam a co n tec er”. Se
q u alq u e r u m a dessa p ala v ras tivesse constado do o riginal, não e x istiria n e n h u m
m otivo satisfatório que pudesse te r levado os copistas a om iti-la.
O in finitivo γενέσ θα ι não tem um sujeito explícito, m as fica im plícito que o que
p recisa aco n tecer são g u e rra s e ru m o res de g u e rra . Por isso, m esm o sem e n tra r na
q u e stão c rític o -tex tu al, talvez em alg u m as lín g u as seja n ecessário ou conveniente
in se rir u m a locução com o “essas coisas”, “esses a co n tecim en to s” ou “essas guer-
ra s”, p a ra se rv ir de sujeito do verbo acontecer. As d iferen ças e n tre essas v a ria n te s
são e stilísticas e não chegam a a lte ra r o significado. C onfira, p o r exem plo, as se-
g u in te s trad u çõ es: “Essas coisas têm de a co n tec er” (BN e REB), “É n ecessário que
tais coisas a co n teç am ” (NVI), “Tudo isso vai a co n te c e r” (NTLH), e “é preciso que
essas coisas a co n teç am ” (NBJ e CNBB).
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 43

2 4 .7 λιμ οί καί σεισμοί (fom es e terrem otos) {Β}

E m bora seja possível que a locução καί λοιμ οί (e epidem ias) te n h a sido om itida
a cid en talm en te, por te r um final idêntico ao das p alav ras λιμ οί e σεισμοί, é m ais
provável que essa locução te n h a sido acrescen tad a em d iferen tes lugares p o r co-
pistas que conheciam o texto de Lc 21.11, onde se fala sobre fom es, terre m o to s e
epidem ias.

2 4 .3 1 σ ά λ π ιγγο ς (tro m b e ta /to q u e de tro m b eta) {B}

A exp ressão σ ά λπ ιγξ μεγάλη (um a g ran d e tro m b e ta = um som forte de trom be-
ta) ocorre som ente aqui em todo o NT, em bora a expressão φ ω νή μεγάλη (um som
ou u m a voz forte) o co rra diversas vezes. Ao que parece, copistas a c resce n tara m a
p alav ra φ ω νή ς ou a locução καί φ ω νή ς ao texto de Mt 24.31, talvez influenciados
pelo relato de Ex 19.16. E m enos provável que φ ω νή ς seja original e que te n h a sido
om itido porque os copistas ju lg a ra m essa p ala v ra desnecessária.
Visto que, neste contexto, σ ά λ π ιγγο ς se refere não à tro m b e ta em si, m as ao som
d a tro m b e ta , não existe real d iferen ça de significado e n tre a v a ria n te e a leitu ra
aceita com o texto. Não existe diferen ça m aior e n tre a trad u ç ão “Ele en v iará seus
anjos com um a g ran d e tro m b e ta ” (CNBB) e a trad u ção “E ele en v ia rá os seus anjos,
com g ran d e clan gor de tro m b e ta ” (ARA; tam b ém KJV e NVI), que parece b asead a
n a v a ria n te textual.

2 4 .3 6 ουδέ ό υ ιό ς (nem o Filho) {B}

Os m elh ores re p re se n ta n tes dos tipos de texto a le x an d rin o e ocidental contêm


as p alav ras ουδέ ό υ ιός, e a sintaxe do texto sugere que essas três p alav ras sejam
originais. M as elas não ap arecem na m aio ria dos m anuscritos de M ateus, incluindo
o tex to b izantin o, de origem m ais recente. C opistas o m itiram essas p alav ras por
causa da dificuldade d o u trin á ria envolvida n a afirm ação de que o Filho não sabia
q u an d o o Filho do H om em viria. É m uito pouco provável a hip ó tese de que o texto
m ais breve seja o rig in al e que as palav ras ουδέ ό υ ιό ς te n h a m sido in serid as a par-
tir de Mc 13.32.

2 4 .3 8 [έκείναίς] ([naqueles]) {C}

Existe sólido apoio de m an u scrito s p a ra a le itu ra “Pois assim com o naqueles


(έκείναίς) dias a n tes do dilúvio”. É possível que a p ala v ra έκείναίς te n h a sido omi-
tida, a cid en talm en te, porque as palav ras ή μ έραις, έκείναίς, e τα ΐς te rm in a m todas
com as m esm as letras. Mas, com o existe tam b ém bom apoio de m an u scrito s p a ra a
44 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

leitu ra m ais breve, sem ο έκείναις, esta p ala v ra aparece, no texto, e n tre colchetes,
p a ra in d icar que se tem dúvidas q u an to à sua orig in alid ad e. A rigor, não existe dife-
ren ça de significado e n tre “Pois assim como, naqueles dias an tes do dilúvio” (TEB,
NRSV, NBJ, BN) e “Nos dias a n tes do dilúvio” (REB, ARA, NTLH, CNBB).

2 4 .4 2 ήμερα (dia) {B}

Em lugar de ήμερα, que tem excelente apoio em m anuscritos, o textus receptus e


a m aioria dos m anuscritos trazem topa (hora), um term o extraído do v. 44. Q ualquer
que seja a leitu ra escolhida, o significado é o m esm o e o texto pode ser traduzido por
“não sabeis qu an d o ” ou “não sabeis em que m om ento”.

25.1 τού ν υ μ φ ίο υ (o noivo) {B}

Alguns m anuscritos antigos têm του νυ μ φ ίο υ καί τής νύμ φ ης (ο noivo e a noiva).
No en tanto, tud o indica que as palavras καί τής νύμ φ ης não sejam originais. Devem
te r sido acrescentadas por copistas, pois a prática usual e ra que 0 noivo viesse p ara
a casa dele acom panhado da noiva, p ara o casam ento. Além disso, a favor do texto
m ais breve está a constatação de que, nos versículos seguintes, se fala unicam ente a
respeito do noivo. Por outro lado, se as palavras καί τής νύμ φ ης faziam p arte do origi-
nal, podem te r sido om itidas p o r copistas que se d eram conta de que tais palavras não
se encaixavam no quadro em que se ap resen ta Cristo, o noivo, voltando para buscar
a sua noiva, a igreja. Em outras palavras, se Cristo vem p a ra buscar a noiva dele, a
noiva não p o d eria e star vindo em sua com panhia.

2 5 .1 3 ώ ρ α ν (hora) {A}

A leitura que aparece como texto tem sólido apoio de m anuscritos. A frase έν ή ό
υ ιό ς του ά νθρώ που έρχεται (em que ο Filho do Hom em virá) foi acrescentada, ao final
desse versículo, por copistas que se lem braram de um a afirm ação sem elhante em Mt
24.44. O sentido das palavras “porque não sabeis o dia nem a hora” fica claro a p artir do
que é dito em Mt 24.36— 25.12. E ntretanto, deixando de lado a questão crítico-textual,
um trad utor pode m uito bem optar por deixar isso bem claro, acrescentando algo como
“em que o Filho do H om em virá” ou “quando o reino de Deus será estabelecido”. A CEV
traduz assim: “Vocês não sabem o dia nem a hora em que tudo isso vai acontecer”.

2 5 . 1 5 1 6 ‫ ־‬άπεόήμησεν. ευθέω ς π ο ρ ευ θ είς (ele p a rtiu . Im ed iatam en te saindo) {B}

São po ucos os m a n u sc rito s que a p o ia m a le itu ra que a p a re c e com o tex to ,


m as eles são de b o a q u a lid a d e . M ais im p o rta n te do que isto é o fato de que essa
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 45

é a le itu ra que ex p lica o su rg im e n to d a s d e m a is. N ão fica c la ro se o ad v érb io


ευ θ έω ς (im e d ia ta m e n te ) se liga ao que vem a n te s ou ao que vem d ep o is. Ou
seja, o te x to ta n to p o d e sig n ific a r que o se n h o r p a rtiu im e d ia ta m e n te q u a n to
p o d e sig n ific a r que o servo que re c e b e u cinco ta le n to s saiu im e d ia ta m e n te . P a ra
e lim in a r essa a m b ig u id a d e , c o p ista s in tro d u z ira m a p a la v ra όέ em d ife re n te s
lu g a re s do tex to . V isto que όέ a p a re c e q u a se sem p re com o a se g u n d a p a la v ra de
u m a fra se , isto é, n u n c a a p a re c e no início d e la , a p o sição desse όέ d e te rm in a
ou e sta b e le c e o sig n ificad o . (1) ά πεόήμ ησ εν. ευ θ έω ς όέ π ο ρ ε υ θ ε ίς (ele p a rtiu .
E sa in d o im e d ia ta m e n te ) sig n ifica que o que serv o saiu logo. (2) ά πεόή μ η σ εν
ευ θέω ς, π ο ρ ε υ θ ε ίς όέ (ele p a rtiu im e d ia ta m e n te . E sain d o ) sig n ifica que o se ‫־‬
n h o r p a rtiu im e d ia ta m e n te .
Um a vez que, em outros contextos de M ateus, as palav ras ευθέω ς ou ευθύς sem-
pre se ligam ao que segue, o texto foi im presso com um ponto final após o verbo
άπεόήμησεν. Convém n o ta r que o participio aoristo do verbo π ο ρ εύ ο μ α ι é usado,
m uitas vezes, p a ra d in a m iz a r a n a rra tiv a , sem que se esteja d an d o ênfase à ideia de
a n d a r ou viajar. Assim sendo, o texto pode ser trad u z id o p o r “A quele que recebeu
os cinco talen to s logo se pôs a neg o ciar com eles”.
Ig u alm en te se deveria n o ta r que, visto um participio aoristo m uitas vezes de-
n o ta r um a ação a n te rio r à do verbo principal, o significado p o d ería ser o seguinte:
o servo p a rtiu e, depois disso, com eçou a negociar com os talentos. A CEV, por sua
vez, segue a p o n tu ação do texto, m as en ten d e que o sujeito de π ο ρ ευ θ είς é o senhor,
e não o servo. Disso resu lta a seguinte tradução: “ ... E ntão ele deixou o país. 16
Tão logo o hom em tin h a ido em bora, o servo com as cinco m il m oedas usou esse
d in h eiro p a ra g a n h a r ou tras cinco m il m o ed a s”.

2 5 .2 6 S e g m e n ta ç ã o

As p alav ras que o sen h o r dirige ao servo po d em ser in te rp re ta d a s e p o n tu ad a s


com o u m a p e rg u n ta , a exem plo do que é feito no texto, ou, então, podem ser tom a-
das com o u m a afirm ação. Caso forem en ten d id as com o u m a p e rg u n ta , devem ser
vistas com o u m a p e rg u n ta retórica. Em alg u m as línguas, a m elhor opção é ree stru -
tu r a r o tex to na form a de u m a afirm ação.

2 6 .2 0 μετά τω ν όώόεκα (com os doze) {C}

A lguns m an u scrito s tra z e m μετά τω ν όώ όεκα μαθητώ ν (com os doze discípu-


los); outros, μετά τω ν μ αθη τώ ν (com os discípulos). A exem plo de Mt 20.17, não se
tem certeza se μ αθηταί faz p a rte do texto, co m plem entando a locução ο ί όώ όεκα
(os doze). N este versículo, a evidência e x te rn a , isto é, o teste m u n h o dos m anuscri-
tos, p arece favorecer a leitu ra m ais breve.
46 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

A lg u m a s tra d u ç õ e s , com o a NBJ, TEB, NVI, e CNBB, g ra fa m a p a la v ra


D oze com u m a in ic ia l m a iú s c u la , p a ra s in a liz a r q u e se t r a t a de um g ru p o es-
p e c ífic o d e h o m e n s. E n tre ta n to , e ssa in ic ia l m a iú s c u la d e n a d a a d ia n ta p a ra
q u e m a p e n a s ouve o te x to se n d o lido. P o r e ssa ra z ã o , ta lv e z se ja m e lh o r tra -
d u z ir o te x to p o r “os d o z e d is c íp u lo s ”, com o a c o n te c e n a NTLH. ARA e REB,
ao tr a d u z ir e m p o r “os d o z e d is c íp u lo s ”, a p a re n te m e n te e s tã o s e g u in d o a va-
r ia n te te x tu a l.

2 6 .2 7 π ο τ ή ρ ιο ν (um cálice) {B}

M uitos m a n u sc rito s têm o a rtig o d e fin id o d ia n te do su b sta n tiv o , ou seja, “o


c álic e ”. E n tre ta n to , a te n d ê n c ia dos co p ista s e ra , p ro v a v e lm e n te , a c re s c e n ta r
o a rtig o ao invés de om iti-lo, p a ra fa z e r re fe rê n c ia esp ec ífic a à q u e le cálice, a
sab er, o cálice d a ú ltim a ceia. A lém de d e cisõ e s que d izem re sp e ito ao te x to
o rig in a l, tra d u to re s p re c isa m le v a r em c o n ta ta m b é m o que fica m ais n a tu ra l na
lín g u a p a ra a q u a l e stã o tra d u z in d o .

2 6 .2 8 διαθήκης (aliança) {B}

A p a re n te m e n te , a p a la v ra κ α ινή ς (nova) foi in tro d u z id a a p a r tir d a p a ssa g em


p a ra le la em Lc 2 2 .2 0 . Se κ α ινή ς tiv e sse c o n sta d o do te x to o rig in a l, n ã o h a v e ria
ra z ã o que ju s tific a s s e su a o m issão p o r p a rte de co p istas.

2 6 .4 1 S e g m e n ta ç ã o

C aso se fiz e r um c o rte , ou seja, in s e rir u m a v írg u la ap ó s o v erb o π ρ ο σ εύ χεσ θ ε


(o rai), a c o n ju n ç ão iv a p o d e e x p re s s a r o p ro p ó sito ou o b jetiv o do v ig ia r e o ra r:
p a ra q u e os d isc íp u lo s n ã o e n tre m em te n ta ç ã o (veja D avies e A lliso n , A C r itic a i
a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y o n th e G o sp e l A c c o r d in g to S a i n t M a tth e w , vol. Ill,
p. 4 9 9 ). C aso, p o ré m , n ã o se fiz e r n e n h u m c o rte ap ó s o v e rb o , iv a p o d e in tro -
d u z ir o c o n te ú d o d a o ra ç ã o , a sab er, “v ig ia i, e o ra i p a ra q u e n ã o e n tre is em
te n ta ç ã o ” (N ew J e ru s a le m Bible).

2 6 . 4 4 S e g m e n ta ç ã o

C aso se fiz e r u m c o rte , em fo rm a d e v ír g u la , a p ó s a p r im e ir a o c o rrê n -


c ia d a p a la v r a π ά λ ιν (n o v a m e n te ), a tr a d u ç ã o s e rá s e m e lh a n te à d e ARA:
“D e ix a n d o -o s n o v a m e n te , foi o r a r ”. C aso, p o ré m , se fiz e r u m a p a u s a a n te s
de π ά λ ιν , a tr a d u ç ã o s e rá s e m e lh a n te à TEB: “Ele os d e ix o u , a fa s to u -s e de
n o v o , e o ro u ”.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 47

No fin a l do v e rsícu lo , o te x to de O N o v o T e s ta m e n to G rego faz um c o rte ap ó s a


se g u n d a o c o rrê n c ia de π ά λ ιν. C o n fira a NBJ: e o ro u p e la te rc e ira vez, d izen -
do de novo as m esm as p a la v ra s ”. Caso, p o rém , se fiz e r um c o rte a n te s do π ά λ ιν,
e n tã o o ad v erb io π ά λ ιν se liga ao que se g u e, no v. 45, e o se n tid o p a ssa a se r o
se g u in te : E n tão, volto u o u tra vez p a ra os d isc íp u lo s”.

2 6 . 4 5 S e g m e n ta ç ã o

As p a la v ra s Κ α θενόετε [τό] λ ο ιπ ό ν καί ά ν α π α ύ ε σ θ ε (ain d a e sta is d o rm in d o


e d e sc a n sa n d o ) p o d e m se r in te rp re ta d a s com o u m a a firm a ç ã o (a exem p lo de
Seg), u m a o rd em (assim n a TEB e N B J), ou u m a p e rg u n ta (com o em RSV, ARA
e CNBB). C aso se e n te n d e r essas p a la v ra s com o u m a a firm a ç ã o ou u m a o rd em ,
fica im p lícito que Je su s a c e ito u o fato de seus d iscíp u lo s n ão te re m p o d id o v ig ia r
e o rar. N este caso, as p a la v ra s de Je su s “p o d e m a p o n ta r sim p le sm e n te p a ra a
re a lid a d e d a re sig n a ç ã o fin a l de Je su s e sua a c e ita ç ã o d a q u ilo q u e a in d a e stav a
p o r v ir” (H a g n er, M a tth e w 1 4 -2 8 , p. 784). V istas com o u m a p e rg u n ta , as p ala-
v ra s de Je su s p o d e m su g e rir u m a c e rta su rp re s a e d e sap ro v ação .

2 6 . 5 0 S e g m e n ta ç ã o

O sig n ificad o e a p o n tu a ç ã o das p a la v ra s de Je su s 'Ε τα ίρ ε, é q ’ ô π ά ρ ε ι são


a ssu n to de c o n tro v é rsia (veja D avies e A llison, A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n -
ta r y o n th e G ospel A c c o r d in g to S a in t M a tth e w , vol. Ill, pp. 509-10). P odem ser
p o n tu a d a s com o u m a a firm a ç ã o ou u m a o rd em , a exem plo d e sta e d iç ão do tex to
grego. N esse caso, talv ez se te n h a de in s e rir u m a fo rm a im p e ra tiv a do verbo
“fa z e r”: “A m igo, o que você vai faz er faça a g o ra ” (NTLH; ta m b é m NRSV, REB e
TEB: “M eu am igo, faze a tu a o b ra !”). T am bém p o d e m se r p o n tu a d a s com o um a
p e rg u n ta . C o n fira a ARA: “A m igo, p a ra que v ie s te ”? M esm o que essas p a la v ra s
sejam to m a d a s com o u m a p e rg u n ta , e sta p a re c e ser u m a p e rg u n ta u m ta n to
re tó ric a . Em o u tra s p a la v ra s, Je su s n ão e sta v a p e d in d o n e n h u m a in fo rm ação ,
pois ele sab ia com que fin a lid a d e Ju d a s tin h a v in d o (H ag n er, M a tth e w 1 4 — 2 8 ,
p. 789).

2 6 . 5 5 S e g m e n ta ç ã o

As p a la v ra s de Je su s, “S aístes com e sp a d a s e p o rre te s p a ra p re n d e r-m e , com o


a um la d rã o ”, a p a re c e m , no te x to grego, em fo rm a de p e rg u n ta . T am bém é
possível v e r n esse te x to u m a a firm a ç ã o , que e x p re ssa c e n su ra . C aso se to m a r
o te x to com o u m a p e rg u n ta , essa p e rg u n ta p re c isa se r v ista com o re tó ric a . Em
a lg u m a s lín g u a s, a m e lh o r o p ç ão é tra d u z ir o te x to com o u m a a firm a ç ã o .
48 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

2 6 .6 4 S e g m e n ta ç ã o

A m aio ria dos in té rp retes en ten d e que as p alav ras de Jesus, Σύ εΐπ α ς, devem
ser vistas com o u m a afirm ação: “Tu o d isseste” (ARA e NRSV). Mas essas duas pa-
lavras gregas tam b ém podem ser in te rp re ta d a s com o um a p e rg u n ta , a exem plo do
que ocorre em alg u n s m an u scrito s antigos, conform e u m a n o ta de p o n tu ação alter-
n ativ a n a vigésim a sétim a edição de N estle-A land. Davies e A llison (A C ritica l a n d
E x eg etica l C o m m e n ta r y on th e G ospel A c c o rd in g to S a in t M a tth e w , vol. III, p. 528),
que d efend em o sentido afirm ativo, escrevem : “Aqueles que defendem o p onto de
v ista co n trário g eralm en te p en sam no Jesus histórico, não em M ateus”.

2 6 .7 1 ο ΰ το ς (este) {B}

A leitu ra και ο υ το ς (este tam bém ) p arece te r sido in tro d u zid a no texto de Ma-
teu s a p a rtir do paralelo em Lc 22.59. A leitu ra que aparece no texto tem sólido
apoio dos m elhores m an u scrito s a lex an d rin o s, ocidentais, e siríacos antigos.

2 7 .2 ΓΙιλάτω (Pilatos) {B}

M uitos m an u scrito s tra z e m o nom e Π ο ν τίφ Π ιλά τψ (Pôncio Pilatos). E n tretan -


to, se o rig in a lm e n te Π ο ν τίφ tivesse e stad o no tex to , não h av eria razão suficiente
que ju stific asse sua om issão. Por o u tro lado, te ria sido algo n a tu ra l p a ra os copistas
a c re sc e n ta r “Pôncio” ao nom e do g o v ern ad o r n a p rim e ira p assagem em que esse
nom e o co rre nos E vangelhos. O nom e com pleto ap arece tam b ém em Lc 3.1; At
4.27; lT m 6.13. Na Igreja, depois do tem po dos apóstolos, e ra com um u sa r o nom e
com pleto: “Pôncio P ilato s”. Talvez n e sta passagem os tra d u to re s q u e ira m colocar o
nom e com pleto, “Pôncio P ilato s”, p a ra id en tificar o g o v ern ad o r ro m an o a trav és de
seu nom e com pleto, n a p rim e ira vez que o m esm o ap arece no NT. M uitas trad u çõ es
em lin g u ag em com um to rn a m explícito, neste caso, que Pilatos e ra um g o vernad o r
ro m an o (TEV, FC, GNB, TILH).

2 7 .4 ά θ ώ ο ν (inocente) {A}

Na S ep tu ag in ta, α ΐμ α ά θώ ο ν (sangue inocente) ap arece quinze vezes; α ίμ α


δ ίκ α ιο ν (sangue justo), q u atro vezes; e α ΐμ α ά ν α ίτιο ν (sangue sem culpa), q u atro
vezes. Visto que α ΐμ α δ ίκ α ιο ν e ra um a expressão rara , em com paração com α ΐμ α
άθώ ον, seria possível a rg u m e n ta r que α ΐμ α δ ίκ α ιο ν é original, m as foi alterad o
p a ra α ΐμ α άθώ ον, que é u m a expressão m ais com um . Por o u tro lado, os m anuscri-
tos dão m ais su sten tação à leitu ra α ΐμ α άθώ ον, e o adjetivo δ ίκ α ιο ν pode te r sido
in tro d u zid o p o r copistas a p a rtir de 23.35.
0 EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 49

Em m u itas lín g u as, talvez seja m elhor não tra d u z ir essa expressão h eb raica ao
pé da letra. T am bém as locuções “um hom em ju sto ” “um hom em in o cen te” e “ um
hom em sem culpa” talvez te n h a m a m esm a tra d u ç ão em alg u m as línguas. Assim,
in d ep en d en tem en te da decisão crítico -tex tu al que se tom ar, a trad u ção pode depen-
d er daquilo que soa ou fica m ais n a tu ra l n a lín g u a p a ra a qual se e stá trad u zin d o .

2 7 .9 Ίερ εμ ίο υ (Jerem ias) {A}

O nom e Ίερ εμ ίο υ tem a seu favor o te ste m u n h o de bons m an u scrito s de um a


v aried ad e de tipos de texto. E n tre ta n to , o fato de a passagem citada não se encon-
tr a r em Jerem ias, m as p arece te r sido tira d a de Zc 1 1 .1 2 1 3 ‫־‬, explica por que em
vários m an u scrito s foi inserido o nom e Ζ α χα ρίου , ao passo que outros m anuscrito s
om item o nom e p o r com pleto. Dois m an u scrito s tra z e m “Isaías”, talvez por ser ele
o pro feta que m ais vezes é citado no NT (veja o co m en tário sobre õ iá , em 13.35).
P ara possíveis razões que te ria m levado M ateus a escrever “Je re m ia s” em lu g ar de
“Z acarias”, veja Davies e Allison, A C ritic a l a n d E x eg etica l C o m m e n ta r y on th e Gos-
p e l A c c o rd in g to S a in t M a tth e w , vol. Ill, pp. 568-569.

2 7 .1 0 εόω καν (deram ) {B}

Em lu g ar do verbo plural έόιυκαν, que tem a seu favor o peso dos m anuscritos,
alg un s m an u scrito s têm a p rim eira pessoa do sin g u lar εδω κα (dei). E difícil d izer
se o v (ni) final e n tro u no texto porque a p ala v ra seguinte (αυτά) com eça com u m a
vogal, ou se aq uela letra foi e lim in ad a p a ra que a p ala v ra passasse a se r u m a form a
de p rim e ira pessoa. Essa m odificação p o d ería te r sido cau sad a pela p resen ça do
pronom e μοι (me) m ais p a ra o final do v. 10.

2 7 .1 1 S e g m e n ta ç ã o

A respo sta de Jesus, Σύ λέγεις (tu dizes), é, g eralm en te, escrita com o u m a afir-
m ação, a exem plo do que é feito n e sta edição do texto grego, m as tam b ém se pode-
ria in te rp retá-la com o um a p e rg u n ta (veja o c o m en tário sobre 26.64).

2 7 .1 6 [Ίησ οΰν] Β α ραββαν ([Jesus] B arrabás) (C)

2 7 .1 7 [Ίη σ ο ΰ ν τον] Β α ρ α ββ ά ν ([Jesus] B arrabás) {C}

O a p o io d e m a n u s c rito s p a ra o n o m e “J e s u s B a r ra b á s ” n ã o é e x p re ss iv o .
E n tr e ta n to , é p ro v á v e l q u e o n o m e se ja p a r te d o te x to o rig in a l. A m a io ria
50 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

dos co p ista s d ecid iu om itir e sse nom e, para ev ita r que um c rim in o so fo sse
cham ad o de “J e su s”. No terceiro sé cu lo , O rígen es escrev eu em seu com en tá-
rio: “Em m u itas cóp ias não diz que Barrabás era tam bém cham ad o de Jesus,
e ta lv ez [a om issão] seja a coisa certa a se fa ze r ”. Ele tam b ém escrev eu que
o nom e m ais lon go, in clu in d o Jesu s, não p od eria estar correto, porque “no
âm bito de tod as as E scrituras não aparece n in gu ém que, sen d o pecador, é
ch am ad o de J e su s”.
No v. 17, é possível que o acréscim o ou a om issão do nom e Ίησονν (Jesus) se
ten ha dado de form a acidental, uma vez que o nom e Ίησονν era abreviado para
FÑ e, neste caso, vinh a im ed iatam ente após o pronom e νμ ΐν (a vós): (‫ן‬ μιν Γν ).

Em algun s m anuscritos, no v. 17, aparece o artigo definido τόν antes do nom e


Β αραββαν, o que dá su stentação à tese de que, originalm en te, o texto continha
o nom e Ίησοϋν, ou seja, “Jesus, o [que se cham a] Barrabás”. Uma vez que o
apoio de m anuscritos para o texto m ais longo não é expressivo, o nom e Ίησονν
aparece, no texto, entre colch etes, para indicar que se tem dúvidas quanto à sua
originalidade. A lgum as traduções m odernas adotam o texto com o nom e “Je-
su s” (NRSV, REB, TEV, TEB, FC, NTLH, BN), enquanto outras om item o “Jesu s”
(RSV, ARA, NIV, NVI, NBJ, CNBB, Seg).

2 7 ,2 4 του α ίμ ατος τού τον (deste san gue, o u do san gue deste hom em ) {B}

Os m elhores m anuscritos dos textos alexandrino e ocid en tal não trazem o


adjetivo “ju sto”, que aparece em m uitos m anuscritos. A locução του δίκαιου
(justo) se encontra em diferentes lugares num a série de m anuscritos, o que
sugere que se trata de acréscim os feitos por copistas piedosos de um a época
posterior, na intenção de enfatizar que Pilatos reconheceu que Jesus era ino-
cente. Confira a variante textu al em Mt 27.4. No entanto, Davies e A llison (A
C r i t i c a l a n d E x e g e t í c a l C o m m e n t a r y o n th e G o s p e l A c c o r d i n g to S a i n t M a t t h e w ,
vol. Ill, p. 590, n. 52) optam pelo texto m ais longo, pois “é possível que se trate
de om issão resultante de um salto dos cop istas”, isto é, saltaram do τον para o
final do adjetivo δικαίου. Caso se preferir o texto m ais longo, o sentido será um
dos seguintes: “este san gue ju sto ” ou “o san gue d este ju sto ” (Seg).

2 7 ,2 8 έκδύσαντες α υ τόν (tendo-o despido) {B}

Em vez de dizerem que os soldados tiraram a roupa de Jesus, alguns m anus-


critos dizem que eles o vestiram (ένδυσα ντες). A parentem ente, um copista alte-
rou εκδύσαντες para a variante textu al ένδυ σ α ντες, porque deduziu, de forma
incorreta, que Jesus havia sido despido no v. 26, ao ser açoitado, e que, agora,
os soldados puseram em Jesus (ένδυσα ντες) o m anto escarlate.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 5‫ו‬

2 7 .2 9 έ ν έ π α ιξ α ν (e s c a rn e c e ra m /c a ç o a ra m ) {B}

A c o m b in aç ão de m a n u sc rito s que tra z e m o a o risto έ ν έ π α ιξ α ν d á sólido


ap o io à le itu ra e sc o lh id a com o tex to . E n tre ta n to , a m a io ria dos m a n u sc rito s tem
o im p e rfe ito έ ν έ π α ιζ ο ν (estav a m e sc a rn e c e n d o /e s ta v a m caço an d o ). O im p erfei-
to p o d e se r fru to d a ação de um co p ista que a lte ro u a fo rm a do a o risto p a ra o
im p e rfeito , com o p ro p ó sito de fa z e r essa fo rm a v e rb a l c o n c o rd a r com o tem p o
im p e rfe ito de ε τ υ π τ ο ν (estav a m b a te n d o ), que a p a re c e no v. 30.
M uitas v e rsõ es in g le sa s tra d u z e m ta n to o a o risto do v. 29 q u a n to o im per-
feito do v. 30 p o r u m a fo rm a de p re té rito p erfeito : “z o m b a ra m d e le ” e “b a te ra m
n e le ”. Na m a io ria d as tra d u ç õ e s p o rtu g u e s a s , p o r su a vez, a p a re c e u m te x to
que p a re c e se r a tra d u ç ã o do im p e rfeito : “e s c a rn e c ia m ” (ARA), “c o m e ç a ra m ...
a c a ç o a r” (N TLH ), “d iz ia m -lh e , c a ç o a n d o ” (N B J), “z o m b a v a m ” (N V I). N ão fica
c la ro se isso se deve a u m a p re fe rê n c ia p e la v a ria n te έ ν έ π α ιζ ο ν ou se é a p e n a s
u m a e s tra té g ia de tra d u ç ã o , in flu e n c ia d a , talv ez , p e la p re s e n ç a do im p e rfeito
ε τ υ π τ ο ν no v e rsícu lo se g u in te .

2 7 .3 5 κλή ρον (a so rte ) {A}

Logo ap ó s as p a la v ra s “tira n d o a s o rte ”, o tex tu s receptus, se g u in d o os m a-


n u sc rito s lista d o s no a p a ra to crítico , a c re s c e n ta o se g u in te tex to : ΐν α πλ η ρ ω θή
το ρη θέν υ π ό του προφ ή του* Δ ιε μ ε ρ ίσ α ν τ ο τά ίμ ά τ ιά μου έ α υ τ ο ις καί ε π ί το ν
ιμ α τισ μ ό ν μου έβ α λ ο ν κλή ρον (p a ra q u e se c u m p risse o que foi d ito p elo pro-
feta: R e p a rtira m e n tre si as m in h a s v e stes, e sobre a m in h a tú n ic a la n ç a ra m
so rtes), que é tira d o de SI 22.18. E xiste a p o ssib ilid a d e de q u e esse te x to seja
o rig in a l, te n d o sido o m itid o p o r a c id e n te , q u a n d o o c o p ista , sem q u e re r, p asso u
do p rim e iro κλήρον p a ra o se g u n d o κλή ρον e d eix o u de c o p ia r o te x to que fica-
v a n o m eio. E n tre ta n to , v isto que e ssas p a la v ra s n ão a p a re c e m em m a n u sc rito s
a n tig o s dos tip o s de te x to a le x a n d rin o e o c id e n ta l, é m ais p ro v áv el que c o p istas,
in flu e n c ia d o s p e la p a ssa g em p a ra le la em Jo 19.24, in s e rira m a c itaç ão do AT no
te x to de M ateus. A lém disso, a lte ra ra m a in tro d u ç ã o p a ra τό ρη θέν υ π ό (ou ò ià)
του π ρ ο φ ή το υ (o que foi e sc rito pelo p ro feta ), que é a fo rm a n o rm a l u sa d a p o r
M ateus p a ra in tro d u z ir u m a c itaç ão b íb lica.

2 7 .4 0 [καί] ([e]) {C}

De u m lad o , a te rc e ira o c o rrê n c ia de καί n e ste v ersícu lo p o d e te r sido om i-


tid a a c id e n ta lm e n te p o rq u e o o lh a r do c o p ista p a sso u do com eço d e ssa p a la v ra
p a ra o com eço d a p a la v ra se g u in te , κ α τά β η θι (desce). De o u tro lado, um co p ista
p o d e te r in se rid o a p a la v ra και, su p o n d o que as p a la v ra s ει υ ιό ς ει του θεού (se
52 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

és o Filho de Deus) se ligam ao que vem antes, e não ao que vem depois, ou seja,
que o tex to deveria ser e n ten d id o com o “salva-te a ti m esm o, se és Filho de D eus” e
não com o “se és Filho de Deus, desce da c ru z ”. Se καί foi acrescentado ao texto, isso
foi feito p a ra estab elecer um paralelo e n tre os verbos “salva-te” e “d esce” A p ala v ra
καί ap arece, no texto, e n tre colchetes, p a ra in d icar que se tem dúvidas q u an to à sua
o rig inalidade.
A le itu ra ad o ta d a com o texto é rep ro d u zid a pela REB (tam bém pela ARA, NBJ,
TEV, TEB), que trad u z assim : “E ntão você é aquele que iria d e stru ir o tem plo e
reconstrui-lo em trê s dias! Se você é de fato o Filho de Deus, salve-se a si m esm o e
[καί] desça da c ru z ”. T raduções com o a NVI (tam bém a RSV, NRSV, NIV, BN e Seg)
seguem a v a ria n te tex tu al: “Você que destrói o tem plo e o reidifica em trê s dias,
salve-se! D esça da cruz, se é Filho de Deus!”

27.42 S e g m e n ta ç ã o

No tex to e na m aioria das traduções, aquilo que povo diz, “salvou os outros, m as
a si m esm o não pode salv ar”, é in te rp retad o com o u m a afirm ação. No en tan to , tam -
bém se pode e n te n d er isso como um a p erg u n ta, conform e sugestão que aparece em
n o ta de rodapé n a NRSV: “Ele salvou os outros; será que ele não pode salvar a si mes-
m o?” Se essas p alavras forem en ten d id as com o um a p erg u n ta, trata-se de um a per-
g u n ta feita p a ra zom bar de Jesus, e não de um a p e rg u n ta que esp era u m a resposta.

27.42 βα σ ιλεύς (rei) {B}

Q u and o as pessoas d isseram a respeito de Jesus, “Ele é o Rei de Israel; desça da


cru z agora m esm o”, estavam zom bando dele, e não dizendo que ele era, de fato, o
rei de Israel. No e n tan to , alguns copistas não p erceb eram a ironia dessas palav ras
e a c resce n tara m a p ala v ra ei (se), influenciados pela p resen ça da m esm a no v. 40,
onde se lê: “se és o Filho de D eus”. Se εί tivesse estado, o rig in alm en te, no texto, fica
difícil ex plicar p o r que algum copista teria ju lg ad o necessário om itir essa palavra.
Os trad u to res precisam v erificar se essas p alav ras serão e n te n d id a s com o irô-
nicas n a lín g u a p a ra a qual estão trad u zin d o . Do co ntrário, talvez seja necessário
tra d u z ir p o r algo assim : “Se de fato é o rei de Israel, ele que desça da cruz!” C onfira
a NTLH (tam bém FC): “Ele salvou os outros, m as não pode salvar a si m esmo! Ele é
o rei de Israel, não é? Se d escer agora m esm o da cru z, nós crerem os nele!”

27.49 αυτόν, (a ele.) {B}

Ao fin a l desse versículo, a lg u n s im p o rta n te s m an u scrito s a c re sc e n ta m as se-


g u in te s p a la v ras: “E o u tro , p e g an d o u m a lan ça, lhe a b riu o lado, e logo saiu ág u a
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 53

e sa n g u e ”. M as estas p a la v ra s p rec isa m ser co n sid era d as u m acréscim o feito bem


no início d a tra n sm issã o do tex to , a p a rtir de u m rela to se m e lh a n te em Jo 19.34. É
provável que um leito r se lem b ro u de p a la v ras se m e lh a n te s no E vangelho de João
e a n o to u o que se lem b rav a à m arg e m do tex to de M ateus. M ais ta rd e , um copista
in seriu essas p a la v ras no p ró p rio texto. D iversas tra d u ç õ e s m o d ern a s, com o RSV
e NRSV, re g is tra m essa v a ria n te em n o ta de ro d ap é , e M offatt incluiu a m esm a
no tex to da sua trad u ç ão . D avies e A llison (A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y
on th e G ospel A c c o r d in g to S a in t M a tth e w , vol. Ill, p. 627, n. 81) o b se rv am que a
inclusão dessas p a la v ras no te x to de M ateus “fa ria com que Jesu s desse um grito
(v. 50) p o r cau sa do fe rim en to d a lan ça, o que p o d e ria re p re s e n ta r u m a p e d ra
de tro p eço . E stam os quase in clin ad o s a p e n sa r que essas p a la v ra s são o rig in a is”.

2 8 .1 S e g m e n ta ç ã o

Q u a se to d a s as tra d u ç õ e s lig a m as p a la v ra s Ό ψ έ δέ σ α β β ά τω ν (d ep o is do
sáb ad o ) às p a la v ra s q u e se g u e m , no v. 1, re s u lta n d o u m a tra d u ç ã o se m e lh a n te
à d a NRSV: “D epois do sá b ad o , q u a n d o o p rim e iro d ia d a s e m a n a e sta v a des-
p o n ta n d o ”. O a d v érb io όψ έ sig n ific a “ta r d e ”, e o te x to p a re c e e s ta r d izen d o :
“T ard e no sá b a d o , q u a n d o o p rim e iro d ia d a se m a n a e sta v a d e s p o n ta n d o ”. No
e n ta n to , com o o sá b a d o te rm in a v a ao p ô r do sol do p ró p rio sá b a d o , e n ã o ao
a m a n h e c e r do d o m in g o , q u a se to d a s as tra d u ç õ e s e n te n d e m que, n e ste caso ,
q u e é ra ro , όψ έ faz a vez de u m a p re p o siç ã o , sig n ific a n d o “d e p o is d e ”. No en-
ta n to , a v ig é sim a sé tim a e d iç ã o de N e stle-A la n d re g is tra u m a p o n tu a ç ã o a lter-
n a tiv a , que se e n c o n tra em a lg u n s m a n u s c rito s a n tig o s, em q u e e ssa lo cu ç ão é
lig a d a ao fin al d e 27.66. E ssa m a n e ira de g ra fa r o te x to re s u lta n a s e g u in te tra -
dução: “2 7 .6 6 A ssim , eles fo ram com a e sc o lta e p u s e ra m um selo de se g u ra n ç a
n a p e d ra ta rd e [όψέ] no sá b a d o 2 8 .1 Q u a n d o o p rim e iro d ia d a s e m a n a e sta v a
d e s p o n ta n d o ...” (P a ra m ais d e ta lh e s a re s p e ito d e sse te x to co m p licad o , veja
D avies e A lliso n , A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y o n th e G o sp el A c c o r d in g
to S a i n t M a tth e w , vol. Ill, pp. 6 6 3 -6 6 4 ).

2 8 .7 S e g m e n ta ç ã o

Este versículo contém um a citação d e n tro de o u tra citação, ou seja, as palav ras
do anjo ap arecem nos vs. 5-7, m as no v. 7 se e n co n tra a m ensagem do anjo que as
m u lh eres deveriam tra n sm itir aos discípulos. S egundo a m aioria das traduções, as
m u lh eres devem d a r o seguinte recado: “Ele foi ressuscitado dos m ortos e, de fato,
vai a d ia n te de vós p a ra a G alileia; ali o v ereis” (assim a NRSV). Com esta segm en-
tação, o p ronom e “vós” não inclui as m ulheres. M as tam b ém é possível e n c e rra r a
citação e m b u tid a com as palav ras τω ν νεκρ ώ ν (dos m ortos). E o que acontece na
54 VARIANTES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO

TEB, que tra d u z com o segue: “ide dep ressa d izer a seus discípulos: ‘Ele ressuscitou
dos m o rto s’, e eis que vos precede n a G alileia; lá é que o v ereis”. S egundo esta pon-
tu ação, o p ronom e “vos” inclui as m ulheres.

2 8 .8 ά π ελ θ ο ΰ σ α ι (retiran d o -se elas) {B}

O p articipio ά π ελθο ΰ σ α ι tem sólido apoio de u m a am pla gam a de m anuscritos.


C opistas, po rém , su b stitu íra m essa p ala v ra pelo participio έξελθοΰσαι, harm oni-
zan d o o texto com Mc 16.8. A v a ria n te pode ser trad u z id a por “afastan d o -se d e”
ou, então , “sain d o d e” No con tex to de Mt 28.8, a v a ria n te tem , provavelm ente, o
m esm o significado de ά πελθοΰσ α ι.

2 8 .9 και ίόοΰ (e eis) {A}

M uitos m an u scrito s traz em a le itu ra m ais longa ώ ς δέ έπ ο ρ εΰ ο ν το ά π α γ γ ε ιλ α ι


το ΐς μ α θη τα ις α ύτοΰ καί ίόοΰ (quando estav am saindo p a ra d a r a noticia aos dis-
cípulos dele e eis). No e n ta n to , os m ais antigos e m elhores m an u scrito s dos textos
alex an d rin o e o cidental não têm essas p alav ras adicionais. São u m a am pliação na-
tu ra l do tex to a p a rtir do que é dito no versículo an terior. E possível, em b o ra pouco
provável, que o texto m ais longo seja original, e que essas palav ras foram om itidas
a cid en talm en te quan d o o copista saltou das p alav ras το ΐς μ α θη τα ις α ΰτοΰ (aos
discípulos dele), no final do v. 8, p a ra as m esm as palav ras no v. 9, om itindo tu d o
que ficava no m eio.

28.11 ά π ή γγειλ α ν (contaram ) {B}

O verbo α π ή γγ ειλ α ν tem bom apoio de m an u scrito s e suas chances de ser origi-
n al são m aiores do que as do verbo α νή γγειλ α ν (relataram ), que não é usado n enh u-
m a vez no tex to de M ateus. T rata-se de u m a diferença e n tre sinônim os (veja BDAG,
p. 59). Em versão p a ra lín g u as m o d ern as, os dois verbos podem ser trad u zid o s de
fo rm a idêntica.

2 8 .1 5 [ημέρας] ([dia]) {C}

De um lado, existem bons m an u scrito s de d iferen tes tipos de tex to que apoiam
a inclusão do su bstantivo ημέρας. Por o u tro lado, em form ulações sem elh an tes em
o u tras passagens de M ateus (11.23; 27.8), σήμερον (hoje) aparece sem o acréscim o
de ημέρας. P ara in d icar que existem dúvidas q u an to à form a do texto orig in al,
ημέρας ap arece, no texto, e n tre colchetes. Q u alq u er que seja o texto adotado , o
significado não m uda.
O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 55

28.20 α ίώ ν ο ς. (século.) {A}

No te x tu s recep tu s, que segue a m aio ria dos m anuscritos, o E vangelho te rm in a


com um αμήν (am ém ) depois de α ίώ ν ο ς. Este acréscim o reflete o uso do texto no
culto da Igreja. Se αμήν tivesse constado do texto o rig in alm en te, fica difícil de ex-
plicar sua ausência dos m an u scrito s de m elh o r qualidade que re p re se n ta m os tipos
de tex to a le x an d rin o e ocidental.

OBRAS CITADAS

Allen, W illoughby C. A C ritical a n d E xegetical C o m m e n ta ry o n th e G ospel A cco rd in g


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