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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:

repercussão doutrinária e jurisprudencial

SIMETRIAS E ASSIMETRIAS ENTRE FATO E VÍCIO DO


PRODUTO/SERVIÇO: REPERCUSSÃO DOUTRINÁRIA E
JURISPRUDENCIAL

Symmetries and asymmetries between defective products/services and improper


products/services: doctrine and jurisprudence impact
Revista de Direito do Consumidor | vol. 109/2017 | p. 367 - 395 | Jan - Fev / 2017
DTR\2017\241
___________________________________________________________________________
Marcelo Tadeu de Assunção Sobrinho
Mestrando em Direito no UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. Associado ao
Brasilcon e ao Conpedi – O Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito e
CBEC – Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais. Juiz de Direito no Tribunal de Justiça
do Distrito Federal e dos Territórios. marcelotadeu1967@gmail.com

Héctor Valverde Santana


Doutor e Mestre em Direito pela PUC-SP. Professor do Programa de Pós-Graduação em
Direito do UniCEUB. Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do
Consumidor (Brasilcon). Juiz de Direito Substituto de Segundo Grau do Tribunal de Justiça
do Distrito Federal e Territórios. hectorvsantana@gmail.com

Área do Direito: Civil; Consumidor

Resumo: O presente artigo discorre acerca das simetrias e assimetrias entre o fato e o
vício do produto e do serviço. Inicialmente foram apontadas as característica de cada uma
destas categorias jurídicas, que constituem inovação do Código de Defesa do Consumidor.
Em seguida, destacaram-se os aspectos que aproximam e extremam estes institutos.
Deu-se especial ênfase ao estudo das assimetrias por ser este o objetivo deste artigo,
quais sejam: o bem jurídico tutelado; a extensão da responsabilidade; a questão relativa à
responsabilidade dos profissionais liberais; a solidariedade dos fornecedores; o ônus da
prova; a prescrição e a decadência.

Palavras-chave: Fato - Vício - Produto - Serviço - Características - Simetrias -


Assimetrias - Regime Jurídico.

Abstract: This article discusses the symmetries and asymmetries between defective
products/services and improper products/services. The characteristics of each of these
legal categories, which are an innovation of the Consumer Defence Code are at first pointed
out. Then we highlight the common aspects of such institutes. Special emphasis to the
study of asymmetries is given due to this article’s purpose, namely: the protected legal
right; the liability extent; the theme of autonomous professionals liability; provider’s joint
liability; the burden of proof; limitation and decay.

Keywords: Consumer Health and Safety - Product - Service - Characteristics -


Symmetries - Asymmetries - Legal regime.

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

Sumário:
1Introdução - 2Fato e Vício do produto ou do serviço: novas categorias jurídicas criadas
pelo Código de Defesa do Consumidor - 3Assimetrias entre o fato e vício do produto ou
serviço - 4Conclusão - 5Bibliografia

1 Introdução

O Código de Defesa do Consumidor disciplina de forma inédita as categorias jurídicas do


fato e do vício do produto ou do serviço no ordenamento jurídico brasileiro. Estes novos
institutos permitiram que se desse tratamento adequado ao defeito e ao vício de qualidade
ou quantidade dos produtos e dos serviços ocorridos nas relações de consumo. O legislador
conferiu tratamento distinto a cada um desses institutos e para tanto lhes deu regime
jurídico e consequências próprias. A especificidade de cada uma destas novas categorias
jurídicas implica em efeitos práticos e não meramente teóricos de modo que é relevante a
sua adequada identificação no caso concreto, não se tratando de mera formalidade.

O produto ou serviço defeituoso é aquele que não oferece ao consumidor a segurança por
este legitimamente esperada (arts. 12, § 1.º e 14, § 1.º, do CDC (LGL\1990\40),
respectivamente) e dá origem ao chamado acidente de consumo que lhe causa dano
material ou extrapatrimonial.1 O produto ou serviço é viciado quando este se torna
impróprio, inadequado ao consumo a que se destina ou lhe diminua o valor, bem como haja
disparidade com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem, oferta
ou mensagem publicitária (arts. 18, caput e 20, caput, do CDC (LGL\1990\40)).

A definição do correto regime jurídico a ser aplicado ao caso concreto depende do


adequado entendimento da anomalia constatada, vale dizer, se o produto ou serviço é
portador de defeito ou vício, ou seja, se o produto ou serviço deixou de observar a
segurança legitimamente esperada ou se se trata de mera impropriedade ou inadequação
ao fim a que se destinou quanto à qualidade ou quantidade.2

A despeito de o microssistema do Código de Defesa do Consumidor ter inaugurado estas


novas categorias jurídicas, ainda se observa em nível doutrinário e jurisprudencial a
utilização de um instituto pelo outro, nominando-se de fato o que se enquadraria no
conceito de vício e vice-versa, impondo-se consequências jurídicas impróprias para a
questão a ser resolvida por força do regime jurídico aplicado.3 Este estudo tem por objetivo
extremar os conceitos de fato e vício do produto ou serviço de modo a ressaltar a
importância de se conceituar adequadamente a anomalia constada para, desta forma, se
retirar as consequências jurídicas apropriadas.

2 Fato e Vício do produto ou do serviço: novas categorias jurídicas criadas pelo


Código de Defesa do Consumidor

O Código Civil (LGL\2002\400) tratou do chamado vício redibitório em seus arts. 441 a 446
no capítulo que trata das Disposições Gerais dos contratos. Embora o vício redibitório

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também tenha servido de baliza para a criação do fato e do vício do produto ou do serviço
no âmbito do Código de Defesa do Consumidor, com estes últimos não se confundem
porque têm regime jurídico próprio, a começar pela circunstância de não se prestarem a
simples garantia do contrato, mas precipuamente à responsabilização, posto que
topograficamente inserido em seções do Código de Defesa do Consumidor que tratam da
responsabilidade do fornecedor.4 A inspiração do instituto do fato do produto (product
liability) foi preponderantemente a Diretiva 374/85/CEE, que tratou da aproximação das
disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados-Membros da
Comunidade Econômica Europeia, hoje, União Europeia, em matéria de responsabilidade
decorrente dos produtos defeituosos.

O fato e o vício do produto ou do serviço viabilizaram a imputação de responsabilidade


objetiva ao fornecedor por danos contratuais, extracontratuais, materiais e morais, à
exceção do serviço prestado por profissional liberal e somente na ocorrência de acidente de
consumo (art. 14, § 4.º, do CDC (LGL\1990\40)).5

O vício redibitório regulado pelo Código Civil (LGL\2002\400) tem por fundamento tão
somente a impropriedade da coisa em si, ao passo que o fato e o vício previstos no Código
de Defesa do Consumidor têm por alicerce o princípio da confiança, cuja expectativa de
qualidade e segurança no produto ou serviço foi legitimamente suscitada pelos agentes
econômicos no consumidor, passando-se da responsabilidade fundada na culpa para a
responsabilidade objetiva como regra.6 A legítima confiança inspirada ao consumidor pelo
fornecedor acerca da qualidade do produto ou serviço tem como fundamento as práticas
que estão reconhecidas na consciência social acerca daquilo que legitimamente se espera
do comportamento da outra parte, na observação do seu comportamento e assimilação de
suas manifestações.7 Até o advento do Código de Defesa do Consumidor as questões
decorrentes do vício do serviço eram resolvidas no âmbito do Código Civil (LGL\2002\400),
mais especificamente no direito dos contratos, especialmente por intermédio do instituto
do inadimplemento.8

Parte da doutrina entende que o inadimplemento contratual convive com os institutos do


fato e vício do produto ou do serviço. A distinção entre as categorias do inadimplemento
contratual, o fato e o vício do produto ou serviço é efetivamente mais complexa, contudo
não é meramente semântica porque dela derivam consequências jurídicas distintas. 9
Cite-se como exemplo da referida diferença entre tais institutos o prazo de prescrição do
segurado contra o segurador que é de um ano e não de cinco anos, porque a hipótese cuida
de inadimplemento contratual e não de fato do serviço, aplicando-se o prazo prescricional
do Código Civil (LGL\2002\400) (art. 206, § 1.º, II) e não do Código de Defesa do
Consumidor (art. 27). A categoria do inadimplemento contratual também existe no âmbito
das relações de consumo de forma autônoma, contudo, não será objeto do presente estudo
que se limitará a apontar as simetrias e assimetrias entre o fato e o vício do produto ou do
serviço.10

Constata-se, ainda, que o Código Civil (LGL\2002\400) não tratou de forma diferente o
defeito e o vício, a teor do que dispõe o seu art. 441, posto que os equiparou, conforme se
extrai da redação do texto do aludido artigo. O Código de Defesa do Consumidor lhes deu
tratamentos e efeitos diversos, embora em alguns momentos padeça de uniformidade
semântica no tratamento dos institutos do defeito e do vício, a exemplo do que ocorre no

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art. 26, § 3.º, quando emprega um termo pelo outro.11

O vício redibitório regulado no âmbito do Código Civil (LGL\2002\400) prende-se à


inconformidade que gera impropriedade do uso a que é destinada a coisa ou lhe diminua o
valor (art. 441 do CC), facultando-se ao contratante a redibição (resolução) do contrato ou
o abatimento do preço (art. 442 do CC).

O fato ou vício do produto ou do serviço, por sua vez, tem variadas opções para o
consumidor que vão desde medidas que visam à conservação do contrato (reexecução do
serviço ou substituição do produto; abatimento proporcional do preço), até a sua rescisão,
sem prejuízo da reparação integral das eventuais perdas e danos experimentados (arts. 18
e 20, ambos do CDC (LGL\1990\40)).

O defeito no Código de Defesa do Consumidor aproxima-se do conceito de ato ilícito que dá


origem à responsabilidade extracontratual na forma do art. 186 do Código Civil
(LGL\2002\400), ao passo que o vício representa um novo modelo de vício redibitório. Em
verdade, o defeito e o vício se apresentam como novos institutos jurídicos forjados pelo
Código de Defesa do Consumidor (arts. 12, 14, 18 e 20) que diferem do vício redibitório
constantes do Código Civil (LGL\2002\400) (arts. 441 a 446) e que demandam exame
particularizado.

A responsabilidade pelo vício redibitório é subjetiva, ao passo que a responsabilidade pelo


fato ou vício do produto ou do serviço é objetiva, a exceção da responsabilidade pessoal
dos profissionais liberais quando incorrerem em fato do serviço (art. 14, § 4.º, do CDC
(LGL\1990\40)). Outra assimetria a ser destacada é que o vício redibitório constante do
Código Civil (LGL\2002\400) limita-se à invocação de anomalias existentes na coisa, ao
passo que o fato e o vício do produto ou do serviço além da invocação de anomalias no bem
e no serviço, também podem ter por objeto a disparidade de informação, constituindo isto
uma inovação.12 O Código Civil (LGL\2002\400) disciplina o vício do serviço como
inadimplemento contratual e não como vício redibitório, que só é invocado para a hipótese
de verificação da impropriedade da coisa.13

Portanto, o Código de Defesa do Consumidor inovou quando tratou dos institutos do fato e
vício do produto ou do serviço porque estes têm conteúdo e efeitos jurídicos distintos do
vício (ou defeito) constante do Código Civil (LGL\2002\400). Também é certo que o Código
Civil (LGL\2002\400) não tratou do vício do serviço, mas apenas do vício da coisa
(produto).

2.1 A superação da dicotomia direito contratual e direito extracontratual

O Código Civil (LGL\2002\400) tratou do vício (ou defeito) redibitório no âmbito do direito
contratual. O Código de Defesa do Consumidor superou esta dicotomia ao tratar do defeito
do produto ou do serviço (também chamado acidente de consumo), independentemente
da existência de prévia relação jurídica contratual entre as partes, porque o seu
fundamento passa a ser simplesmente a relação jurídica de consumo, o mero contato
social.14

No acidente de consumo (arts. 12 e 14, ambos do CDC (LGL\1990\40)), todas as vítimas

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do evento são equiparadas a consumidor (art. 17 do CDC (LGL\1990\40)). A imputação de


responsabilidade ao fornecedor independe da existência de relação jurídica contratual
entre as partes envolvidas no acidente de consumo de tal forma que até mesmo outro
fornecedor, em tese, pode vir a ser vítima do evento danoso. Portanto, o fato do produto ou
do serviço dispensa a existência de prévia relação contratual entre as partes, ampliando
consideravelmente o rol das pessoas que podem invocar a proteção do Código de Defesa
do Consumidor.

2.2 Fato e vício do produto ou do serviço: aspectos gerais

O conceito de fato e vício do produto ou do serviço não é aprioristicamente definido. O


legislador adotou a técnica legislativa das chamadas cláusulas gerais, que são fórmulas
semanticamente vagas, que conferem ao juiz o poder-dever de apontar a sua ocorrência
ao apreciar casuisticamente a questão posta em julgamento, tendo como eixo normativo a
ideia de segurança, no caso do fato, e de adequação no caso do vício. 15

A vagueza conceitual é ampliada na medida em que o legislador apenas enumerou


hipóteses meramente exemplificativas de ocorrência do fato do produto ou do serviço,
conforme arts. 12 e 14 do CDC (LGL\1990\40), sem, contudo, esgotá-las. Chega-se à
referida conclusão porque o legislador fez uso da expressão entre as quais na redação dos
apontados artigos do Código de Defesa do Consumidor, pressupondo a ocorrência de
outros casos em que poderia se configurar o fato do produto ou do serviço que não aqueles
expressamente consignados.

O conceito de fato do produto ou do serviço se relaciona com a ideia de segurança e o de


vício do produto ou serviço com a noção de adequação. Contudo, não é incomum
ocorrerem situações em que ambas as esferas de tutela jurídicas (segurança e adequação)
são atingidas por determinada conduta do fornecedor. O Código de Defesa do Consumidor
propõe a utilização do critério da preponderância para se definir qual o regime jurídico
aplicável no caso de dupla ofensa aos institutos em referência. 16 É o que se pode inferir, por
exemplo, na hipótese em que um menor vem a ser vitimado com a perda de dedos da mão
(fato do produto), em razão da anomalia do mecanismo de travamento do bagageiro do
veículo (vício do produto). Neste caso, o vício do produto é absorvido pelo fato do produto,
posto que houve violação do dever de segurança que legitimamente se esperava do
produto.17 Diferente seria a situação se da anomalia do mecanismo de travamento do
bagageiro nenhuma lesão física ocorresse, hipótese em que o caso seria tomado como vício
do produto porque a anomalia não teria extrapolado a própria esfera do produto.

É o que ocorre também quando depois de comprar veículo novo em concessionária o


consumidor constata que o sistema de frenagem não está funcionando adequadamente e
retorna à concessionária sem que ocorra qualquer outra consequência. Todavia, se o
consumidor vem a constatar que o sistema de freios não funciona adequadamente e, em
razão da anomalia, não consegue atender ao comando de pare do semáforo vermelho e se
envolve em colisão, restou caracterizado o fato do produto (acidente de consumo).

Portanto, a constatação da existência do fato e do vício do produto ou serviço somente


pode ser verificada no caso concreto. Contudo, esta dicotomia parece ainda não ter sido

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bem assimilada por parcela da jurisprudência18 que frequentemente utilizada um instituto


por outro, desconsiderando que, no entanto, têm matrizes e efeitos distintos. 19

Embora pareça intuitiva a diferença entre os conceitos de fato e vício do produto ou do


serviço em razão até mesmo da sua localização topográfica, dos seus regimes e efeitos
jurídicos peculiares, parte da doutrina entende que esta diferença conceitual não é
rigorosa20 porque o próprio Código de Defesa do Consumidor utiliza um conceito pelo
outro, a exemplo do que ocorre em seu art. 26, § 3.º, quando utiliza indiscriminadamente
uma palavra pela outra: tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no
momento em que ficar evidenciado o defeito.21 Não se pode negar que o próprio Código de
Defesa do Consumidor contribuiu para que se estabelecesse certa confusão no conceito e
aplicação de tais institutos que são essencialmente distintos.22 Para os que entendem não
haver distinção entre fato e vício as expressões se implicariam reciprocamente,
podendo-se aludir a vício de qualidade como um defeito do produto e vice-versa.23

Afirma-se que as modernas legislações praticamente tornaram indistintas as categorias do


fato e do vício do produto ou do serviço, contudo, este parece não ter sido o entendimento
adotado pelo Código de Defesa do Consumidor em face do tratamento específico que deu
a cada uma destas categorias jurídicas, conforme se extrai dos arts. 12, 14, 18 e 20.

O fato e o vício do produto ou do serviço, a despeito de distintos, possuem, no entanto,


simetrias que os aproximam. Estas novas categorias jurídicas, uma vez ocorridas, não
podem ter o valor da sua eventual indenização mitigada por ato do Juízo, conforme
possibilita o disposto no art. 944, parágrafo único do Código Civil (LGL\2002\400), que
autoriza a redução equitativa do valor da indenização se houver excessiva desproporção
entre a gravidade da culpa e o dano. Isto porque, não se discute a existência de culpa do
fornecedor, cuja responsabilidade civil, em regra, é imputada objetivamente, a exceção do
fato do serviço do profissional autônomo, bem como porque as disposições do Código de
Defesa do Consumidor são normas de ordem pública (art. 1.º, do CDC (LGL\1990\40)).
Portanto, ainda que do fato e do vício do produto ou do serviço decorram danos de pouca
gravidade não há espaço para mitigação do valor da sua indenização por ser norma de
ordem pública o direito à reparação integral do dano experimentado pelo consumidor (art.
6.º, VI, do CDC (LGL\1990\40)).

Admite-se, por outro lado, conforme evolução jurisprudencial já assimilada, a redução do


valor da indenização na hipótese em que se verificar a concorrência culposa do consumidor
para o evento danoso na forma do art. 945 do CC. Foi o que ocorreu na falta de observância
do dever de informação de hotel acerca da profundidade de piscina de acesso livre,
paralelamente à conduta de seu hóspede que, sem a cautela medianamente esperada,
nela se atirou resultando em sua tetraplegia.24 Embora o art. 945 do CC utilize o léxico
culpa, em regra não se discute a culpa do fornecedor nas relações de consumo, a exceção
do profissional liberal, motivo pelo qual melhor se traduziria o termo culpa por concorrência
de causas, quais sejam, a do fornecedor e a do consumidor, que resulta na mitigação do
valor da indenização.25

Outra simetria que pode ser apontada é que tanto no fato quanto no vício do produto ou do
serviço a responsabilidade do fornecedor é imputada objetivamente, a despeito de não
haver expressa menção legal acerca da responsabilidade objetiva do fornecedor nas

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hipóteses de vício. A jurisprudência, contudo, já sedimentou a orientação de que também


no vício do produto ou serviço a responsabilidade do fornecedor é imputada objetivamente
por analogia ao fato do produto ou serviço, a teor do que disposto nos arts. 12 e 14 do CDC
(LGL\1990\40).26

Aplicam-se ao vício do produto ou serviço as mesmas causas de exclusão de


responsabilidade aplicadas ao fato do produto ou serviço, constantes dos arts. 12, § 3.º e
14, § 3.º do CDC (LGL\1990\40), pois são causas gerais de isenção de responsabilidade
aplicáveis a qualquer dos institutos. O Código de Defesa do Consumidor deu tratamento e
efeitos jurídicos diversos ao fato e ao vício do produto ou serviço, cujas assimetrias serão
objeto de consideração nos tópicos que se seguem.

2.3 Fato do produto ou serviço

O Código de Defesa do Consumidor determina que o produto ou serviço ofertado no


mercado seja seguro, até porque se trata de direito básico do consumidor (arts. 6.º, I; 8.º,
9.º e 10, do CDC (LGL\1990\40)). Não se exige segurança absoluta, mas somente aquela
legitimamente esperada. Todo produto ou serviço tem certo grau de insegurança que lhe é
imanente. Somente quando esta insegurança ultrapassa a normalidade e a previsibilidade
é que se rompe a expectativa de conformidade legitimamente esperada pelo consumidor.
Esta expectativa é tomada em sentido coletivo e não pessoal, a fim de que a avaliação
acerca da periculosidade não esteja sujeita a vicissitudes ou idiossincrasias de cada
consumidor tomado individualmente.27

Os produtos ou serviços podem apresentar nocividade inerente ou adquirida. Não é pelo


simples fato de que determinados produtos apresentaram nocividade inerente que a
comercialização é vedada, a exemplo de uma faca ou de um pesticida que são
naturalmente perigosos. Contudo estes produtos devem ser fornecidos de forma adequada
e o consumidor devidamente informado acerca da sua periculosidade intrínseca. A maior
parte dos acidentes de consumo ocorre com os produtos ou serviços que possuem
periculosidade adquirida, que é aquela que ocorre no processo produtivo ou pela violação
do dever de informação do fornecedor acerca do uso adequado dos mesmos.

Regra geral, o fato do produto ou do serviço está associado à violação do dever de


segurança legitimamente esperada pelo consumidor, causando-lhe dano pessoal (arts. 12,
§ 1.º e 14, § 1.º, ambos do CDC (LGL\1990\40)). Não se pode deixar de destacar que para
parte da doutrina o dano alcançado no fato do produto pode alcançar tanto a incolumidade
física do consumidor, quanto seu patrimônio. Vale dizer, a responsabilidade pelo fato do
produto ou do serviço, segundo esta corrente, atinge tanto os interesses patrimoniais,
relativos ao objeto imediato do contrato (o produto ou serviço) ou quaisquer outros danos
economicamente apreciáveis, bem como os interesses extrapatrimoniais (direito de
integridade física ou psíquica do consumidor).28

Sustenta-se que a violação do dever de segurança se daria com a simples exposição do


consumidor ao risco no caso específico dos alimentos, não havendo necessidade de sua
ingestão, a exemplo de quando encontrado preservativo no interior de lata de extrato de
tomate por força do mero achado.29 Neste sentido é que o art. 8.º do Código de Defesa do

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Consumidor sanciona o perigo, ou seja, o simples risco, independentemente da efetiva


ocorrência do dano, a exemplo da tipificação dos crimes de perigo nos quais o resultado é
normativamente antecipado pelo legislador, não havendo a necessidade de produção do
resultado.30 Há precedente recente do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a
presença de corpo estranho em alimento expõe o consumidor a risco de lesão à sua saúde
e segurança, bens juridicamente tutelados pelo Código de Defesa do Consumidor.31

Não há classificação doutrinária ou jurisprudencial unânime quanto aos tipos de defeitos


que ocorrem na cadeia produtiva. Os defeitos podem se apresentar em diferentes
momentos da prestação do serviço, podendo ser classificados, regra geral, em defeitos na:
a) prestação; b) concepção e, c) comercialização.32 Os defeitos do produto, em resumo,
podem ser de: a) concepção; b) produção e, c) comercialização. 33

Em síntese, a questão em torno da qual se discute o fato do produto ou do serviço é


correspondente à noção de defeito. O produto ou serviço é defeituoso quando não oferece
a segurança que o consumidor deste legitimamente espera. O defeito pode se manifestar
no nível informacional do produto ou serviço, uma vez que é dever do fornecedor informar
adequadamente sobre os possíveis riscos à saúde e segurança do consumidor quanto a
determinado produto. O dever informacional funciona não somente na fase contratual ou
pós-contratual, mas também em nível de prevenção a eventuais acidentes de consumo. 34

O fato do produto ou serviço é caracterizado pela infringência do dever básico de segurança


e cuidados constantes dos arts. 8 a 17 do CDC (LGL\1990\40), a exemplo do que ocorre na
falta segurança nas retiradas de valores em instituições bancária, bem como a recusa de
autorização de procedimentos e de consultas por planos de saúde. 35 Tocante a este
derradeiro exemplo, alguns entendem que o caso trata de mero inadimplemento
contratual, todavia, sujeito à compensação do dano moral em virtude da
hipervulnerabilidade do consumidor.36 Isto porque a obrigação é de fazer que não foi
prestado (autorização para o procedimento ou qualquer ação de saúde), logo, não haveria
fato do serviço na conduta de quem se abstém de cumprir obrigação porque o vício
pressupõe um agir.

2.4 Vício do produto ou serviço

Serviço é atividade que decorre de uma ação humana37 prestada no mercado de consumo,
mediante remuneração.38 O vício diz respeito às características inerentes da coisa que
afetam a sua prestabilidade ou diminuem o seu valor e quantidade (arts. 18 e 20 do CDC
(LGL\1990\40)).39 Isto leva à afirmação de que o vício é uma anomalia intrínseca à coisa,
que pode ser oculta ou aparente (in re ipsa).40

Sustenta-se que o vício atinge somente o produto ou serviço, jamais o consumidor ou o seu
patrimônio,41 vale dizer, o aspecto patrimonial do preço pago pelo produto ou serviço. 42 O
vício, portanto, impede ou reduz a função ou o fim a que se destina o produto ou serviço,
afetando a utilidade que o consumidor dele espera. 43 O Código de Defesa do Consumidor
enumerou os vícios de qualidade ou quantidade do produto ou serviço como aqueles: a)
impróprios ao consumo; b) que lhes diminuam o valor e, c) em que há disparidades entre
as suas características na oferta e publicidade. Em resumo, o vício decorre da violação dos

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deveres de qualidade, quantidade e informação. 44

O vício do serviço constituiu inovação do Código de Defesa do Consumidor. Não foi previsto
na Diretiva 374/85/CEE dada à dificuldade de se elaborar uma doutrina que o
contemplasse, motivo pelo qual o legislador comunitário originalmente se limitou a regular
apenas o fato do produto.45

No Código Civil (LGL\2002\400), o vício do serviço é tratado como inadimplemento e não


como vício redibitório.46 O vício do serviço no Código de Defesa do Consumidor não se
confunde com a noção de inadimplemento absoluto da obrigação, mas a cumprimento
parcial ou imperfeito do contrato. Deste modo, a prestação imperfeita do serviço constitui
vício e o seu não cumprimento constitui inadimplemento. É o que pode ser inferido da não
prestação do serviço de turismo ou da recusa de cobertura em contrato de seguro-saúde.47

Este entendimento não é compartilhado pela unanimidade da doutrina porque parte dela
entende que o vício não se confunde com o inadimplemento contratual, mesmo parcial,
tampouco configura deficiência do negócio jurídico ou vício de vontade. O vício constitui
uma espécie própria que tem por objetivo tutelar a função do objeto do contrato, que serve
como garantia legal implícita de funcionalidade ou de adequação, que não pode ser
afastada por vontade das partes.48

Citem-se como vícios do serviço a atividade de fornecimento de luz, gás, telefonia, serviços
bancários, financeiros, securitários, médico-hospitalares, transportes, estacionamentos,
dentre outros, a depender do caso concreto, posto que se o fornecimento destes serviços
resultar na ocorrência de dano à incolumidade física do consumidor por força da ausência
da segurança que dele se espera ocorrerá fato do serviço e não vício.

3 Assimetrias entre o fato e vício do produto ou serviço

O fato e o vício no âmbito do Código de Defesa do Consumidor apresentam pontos de


contato, mas também se diferenciam enormemente, no que tange ao regime jurídico
adotado e seus efeitos. A teoria do defeito visa proteger a vida e a segurança do
consumidor, relacionando-se ao acidente de consumo, ao passo que a teoria do vício tem
por objeto a legítima expectativa do consumidor de receber um produto adequado. O
núcleo de distinção entre um e outro, portanto, é o bem jurídico tutelado. 49

Conforme já visto, parte da doutrina entende que essa diferença não seria absoluta porque
um produto ou serviço pode ser ao mesmo tempo inseguro e inadequado, a exemplo do
automóvel que apresenta anomalias em seu sistema de freios que, em razão deste vício,
causa lesão em seus ocupantes,50 caracterizando o produto como defeituoso. Verifica-se
que pelo critério da preponderância,51 a questão pode ser doutrinariamente dirimida,
resolvendo a adequação da questão ao fato do produto. Porém, as assimetrias não param
nesse ponto e o operador do direito deve se atentar para outras diferenças ao realizar a
adequação do fato à norma.

Ainda que não se utilize o critério da preponderância para dirimir a questão, é intuitivo que
na ocorrência de vício do produto ou serviço que dê origem a um acidente de consumo,
propõe a absorção do vício pelo defeito porque o defeito é vício acrescido de um dano à

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incolumidade física do consumidor: há vício sem defeito, mas não há defeito sem vício. O
vício é uma característica inerente, intrínseca do produto ou serviço em si.

O defeito, por sua vez, é o vício acrescido de um problema extra, alguma coisa extrínseca
ao produto ou serviço, que causa um dano maior que afeta mais do que a qualidade ou
quantidade do produto ou serviços. Portanto, o defeito causa, além do dano decorrente do
próprio vício, dano à incolumidade física ou patrimonial extrínseca do consumidor.
Entende-se a metáfora da absorção do vício pelo fato e se afirma que o vício é um defeito.
Mas nem todo defeito é vício, porque este se configura quando a função do produto ou do
serviço, natural ou atribuída, não realiza plenamente em prejuízo do destinatário.52

Observam-se as seguintes assimetrias entre o fato e o vício do produto ou do serviço: a) o


bem jurídico tutelado; b) a necessidade de prévio contrato de consumo para a
responsabilização do fornecedor; c) o tipo de responsabilidade (objetiva ou subjetiva) e a
sua extensão; d) a responsabilidade dos profissionais liberais e as obrigações de meio e de
resultado; e) a existência de solidariedade; f) a questão relativa ao ônus da prova e, g) o
limite temporal da responsabilidade civil ao se aplicar o instituto da decadência ou da
prescrição. As assimetrias entre o fato e o vício do produto justificam a necessidade do
adequado e diferenciado tratamento a estes institutos por força dos diferentes regimes e
efeitos jurídicos a que estão submetidos.

3.1 Bem jurídico tutelado

O bem jurídico tutelado quanto ao defeito é a segurança, ao passo que no vício é a


adequação do produto ou serviço em razão da quantidade ou qualidade. 53 O vício é
anomalia menos grave que fica circunscrito ao produto ou serviço em si mesmo, causando
o seu mau funcionamento. No defeito, por outro lado, há uma repercussão externa que
atinge a incolumidade física do consumidor. Vale dizer, o vício atinge somente o produto ou
serviço, jamais a própria pessoa do consumidor, enquanto o defeito vai além do produto ou
serviço e alcança a incolumidade física do consumidor.

Não basta que determinado produto ou serviço seja perigoso em si mesmo para causar
acidente de consumo. É necessário que o dano (patrimonial ou extrapatrimonial)
efetivamente ocorra, a exemplo da venda de veículo novo pela concessionária com
problema no sistema de freios, que logo após a sua retirada da loja seja constatado o vício
pelo consumidor, sem que este se envolva em qualquer acidente. 54 Entretanto, por outro
lado, se a anomalia nos freios der causa a colisão ou lesão pessoal, a anomalia é
caracterizada como defeito.55

Exemplo similar é o da aquisição de pesticida. Caso o pesticida adquirido se revele ineficaz


para a finalidade a que se destina, qual seja, combater determinada praga, apresenta vício
de qualidade, mas se provocar intoxicação de pessoas, mostrar-se-á defeituoso.56 Deste
modo, somente no caso concreto será possível determinar se uma anomalia do produto ou
serviço constitui fato ou vício.

3.2 Prévia existência de contrato

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

O fato do produto ou serviço pode ocorrer não somente nas relações de consumo em que
as partes estejam ligadas entre si por um contrato. Qualquer pessoa, ainda que não esteja
unida por relação contratual a um fornecedor, pode ser vítima em acidente de consumo.
Neste aspecto o Código de Defesa do Consumidor acabou com a distinção entre relação
jurídica contratual e extracontratual (aquiliana) para fim de responsabilização civil. No
acidente de consumo, portanto, adota-se o conceito mais alargado de consumidor
constante do art. 17 do CDC (LGL\1990\40). Deste modo, em tese, até mesmo outro
fornecedor pode ser vítima de acidente de consumo.

O art. 29 do CDC (LGL\1990\40) equiparou a consumidor todas as pessoas, determináveis


ou não, que sejam expostas a práticas comerciais. Vale dizer, não há necessidade de
vínculo contratual para se sofrer os efeitos de um determinado defeito do produto ou
serviço,57 ao passo que o vício demanda a prévia existência de relação contratual e adota
conceito mais estrito de consumidor (art. 2º., do CDC (LGL\1990\40)).58

3.3 Extensão da responsabilidade

O fornecedor responde de forma objetiva por fato do produto ou do serviço (arts. 12 e 14,
do CDC (LGL\1990\40)). Embora não haja expressa previsão legal no Código de Defesa do
Consumidor, os fornecedores também respondem objetivamente quando o produto ou
serviço apresente vício, via interpretação extensiva, conforme já consolidada interpretação
jurisprudencial.

A assimetria no que se refere à responsabilidade civil entre o fato e o vício do produto ou


serviço reside na sua extensão. Na hipótese de ocorrência de vício de qualidade do produto
o consumidor pode exigir, alternativamente e a seu critério, não ocorrendo a substituição
das partes viciadas no prazo máximo de 30 dias: a) a sua substituição, b) a restituição da
quantia paga, sem prejuízo de eventuais perdas e danos e, c) o abatimento proporcional do
preço (art. 18, § 1.º, do CDC (LGL\1990\40)).

O consumidor pode exigir, alternativamente e à sua escolha, na hipótese de vício do


serviço: a) a sua reexecução, sem custo adicional e quando cabível; b) a restituição
imediata da quantia paga e, c) o abatimento proporcional do preço (art. 20, do CDC
(LGL\1990\40)). O Código de Defesa do Consumidor prevê para a hipótese de ocorrência
do fato do produto ou do serviço, a rescisão do contrato (arts. 12 e 14, do CDC
(LGL\1990\40)), e a reparação integral dos danos experimentados pelo consumidor,
conforme redação do art. 6.º, VI do mesmo Código.59 Portanto, no acidente de consumo, a
tutela conferida ao consumidor é mais ampla porque lhe autoriza a reparação integral do
dano.

A responsabilização do fornecedor nas hipóteses de vício do produto ou do serviço é mais


limitada, apesar de casuística, porque o legislador primeiramente se inclinou pela tentativa
de saneamento do produto ou serviço viciado, ressalvada a hipótese em que o vício tenha
comprometido a sua qualidade, característica, diminuição de valor, bem como quando se
tratar de bem essencial, hipótese em que o consumidor pode desde logo requerer optar por
substituição do produto, rescisão do contrato ou abatimento proporcional do preço (art. 18,

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§ 3.º, do CDC (LGL\1990\40)). Constata-se que o legislador, ao tratar do vício primou pela
preservação do contrato e, somente na impossibilidade de manutenção do vínculo,
autorizou a sua rescisão.

No vício não constitui regra a responsabilização do fornecedor por outros danos, conforme
previsto nos arts. 18, § 1.º, II e 20, II, ambos do CDC (LGL\1990\40). Isto porque no vício
geralmente o dano fica circunscrito ao próprio produto ou serviço. Os eventuais danos
decorrentes do vício do produto ou serviço, denominados de extra rem, são apenas
indiretamente ligados ao vício, ou seja, dele decorre, mas de forma relativamente
independente, que por si só produziria o resultado. O dano resultante do vício é, portanto,
contingente, vale dizer, pode ou não ocorrer, e não algo que necessariamente decorre do
vício constatado.60

O dano circa rem, por ser imanente ao vício do produto ou serviço, não gera pretensão
autônoma. Neste caso, todas as consequências resultantes do vício estão previstas no arts.
18 a 20 do CDC (LGL\1990\40). Os eventuais danos não constituem pretensão autônoma.
Logo, a menção nos arts. 18, § 1.º, II; 19, IV e 20, II, todos do CDC (LGL\1990\40), se
refere ao dano extra rem (sem prejuízo de eventuais perdas e danos).61 Deste modo, não
existe dano na hipótese de responsabilidade por vício, senão aquele intrínseco ao próprio
produto ou serviço porque não constitui consequência obrigatória da sua ocorrência,
apesar de poder decorrer dele de forma indireta.62

3.4 Responsabilidade dos profissionais liberais e as obrigações de meio e de


resultado

Os profissionais liberais respondem mediante verificação de culpa nas hipóteses de


acidente de consumo, conforme art. 14, § 4.º do CDC (LGL\1990\40). O legislador, ao
mesmo tempo em que favoreceu o profissional liberal na hipótese de acidente de consumo,
aplicando-lhe o regime da imputação subjetiva de responsabilidade, na qual o consumidor
em princípio deve provar além do dano e do nexo de causalidade, também a sua culpa, não
lhe deu o mesmo tratamento quando se trata de vício do serviço.

Não há previsão legal de que o profissional liberal responda de forma subjetiva quando
incorre em vício na prestação de serviço. Portanto, neste caso, a sua responsabilidade é
objetiva (art. 20 do CDC (LGL\1990\40)), invertendo-se o ônus da prova em favor do
consumidor, porque não houve exceção legal, pois se trata de princípio geral de
hermenêutica aquele que as normas de exceção devem ser interpretadas
restritivamente.63

A despeito da polêmica estabelecida em torno do tema, também há necessidade de se


estabelecer quanto aos profissionais liberais a distinção acolhida na doutrina e
jurisprudência entre obrigação de meio e de resultado. Na obrigação de meio, o profissional
não se obriga a atingir o resultado pretendido pelo contratante do serviço, mas o emprego
da máxima diligência, ao passo que na obrigação de resultado é da própria essência do
contrato que o próprio resultado seja atingido.

Na obrigação de resultado o profissional liberal se obriga a atingir o resultado, porém, o

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próprio profissional provar que não agiu com culpa (imprudência, imperícia ou
negligência), invertendo-se o ônus da prova em favor do consumidor, a exemplo de
procedimentos ortodônticos em que a meta perseguida é a obtenção de resultado
satisfatório, quando não há questão funcional envolvida.64

3.5 Solidariedade

No acidente de consumo todos os agentes que compõe a cadeia de fornecimento do


produto (fabricante, produtor, construtor e importador) ou prestação do serviço
respondem solidariamente pelo eventual dano imputado ao consumidor (arts. 12 e 14,
ambos do CDC (LGL\1990\40)). O Código de Defesa do Consumidor excepcionou apenas a
pessoa do comerciante, contudo, este também responderá subsidiariamente quando o
fornecedor não puder ser identificado (art. 13, I, do CDC (LGL\1990\40)); quando o
produto não puder ser identificado (art. 13, II, do CDC (LGL\1990\40)) e, por fim,
responderá diretamente quando o produto não for adequadamente conservado (art. 13,
III, do CDC (LGL\1990\40)).

Nos vícios de qualidade, por outro lado, todos os agentes que compõem a cadeia de
fornecimento respondem solidariamente, sem exceção, pela inadequação do produto ou
serviço (arts. 7.º, parágrafo único e 25, § 1.º, ambos do CDC (LGL\1990\40)). Portanto, o
rol de responsáveis pelo vício é maior do que o dos fornecedores que respondem pelo
acidente de consumo.

3.6 Ônus da prova

O ônus da prova no acidente de consumo é carreado ao fornecedor por força da própria lei
(ope legis), conforme arts. 12, § 3.º e 14, § 3.º, ambos do CDC (LGL\1990\40), ao
disporem que o fornecedor só não será responsabilizado quando provar no caso de
produtos: a) que não o colocou no mercado; b) que o defeito inexiste ou, c) a culpa
exclusiva do consumidor ou de terceiro (art. 12, § 3.º, I a III, do CDC (LGL\1990\40)); ou
quando provar no caso de serviços: a) que este não é defeituoso e, b) a culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiro (art. 14, § 3.º, I e II, do CDC (LGL\1990\40)). Embora não
expressamente consignado, também exclui a responsabilidade do fornecedor a prova da
ocorrência de caso fortuito ou força maior, por serem causas gerais de exclusão da
responsabilidade.

Não se exige da vítima a prova do defeito do produto ou do serviço, apenas a prova do


acidente de consumo, a chamada prova de primeira aparência (verossimilhança),
decorrente das regras de experiência comum, do juízo de probabilidade. O Código de
Defesa do Consumidor presume o defeito do produto ou serviço, devendo o próprio
fornecedor afastar a presunção legal (art. 12, § 3.º, II, do CDC (LGL\1990\40)).65

Ressalte-se, no entanto, a exceção legal conferida aos profissionais liberais no acidente de


consumo, posto que estes respondem por eventual dano mediante a verificação da sua
culpa (art. 14, § 4.º, do CDC (LGL\1990\40)). Entretanto, a despeito de haver necessidade
de comprovação da culpa do profissional liberal, os demais benefícios conferidos ao

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consumidor não foram afastados pelo Código de Defesa do Consumidor em relação a esta
categoria profissional, razão pela qual o juiz inverterá o ônus da prova (art. 6.º, VIII, do
CDC (LGL\1990\40)), imputando-lhe o ônus de provar a inexistência do defeito do serviço,
a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, dentre outros, quando presentes os
requisitos para inversão judicial (ope judicis), quais sejam, verossimilhança do que
alegado pelo consumidor ou sua hipossuficiência.

Portanto, o ônus da prova nas hipóteses de ocorrência do vício do produto ou serviço não
é invertido por força da lei, ou seja, ope legis. Aplica-se ao caso, num primeiro momento,
a regra geral de que cabe ao autor provar o fato constitutivo do seu direito e ao réu o fato
desconstitutivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 373, I e II, do CPC
(LGL\2015\1656)). Porém, acaso o juiz verifique estarem presentes os requisitos da
verossimilhança e da hipossuficiência do consumidor, inverterá o ônus da produção da
prova (ope judicis).66

3.7 Limite temporal da responsabilidade civil: decadência e prescrição

Outra importante assimetria ente o fato e o vício consiste em que o acidente de consumo
gera pretensão de indenização que está sujeita a prazo prescricional de cinco (05) anos
iniciando-se a contagem do conhecimento do dano e de sua autoria (art. 27 do CDC
(LGL\1990\40)). A seu turno, o vício do produto ou serviço gera direito à reclamação por
parte do consumidor, sujeito a prazo decadencial de 30 (trinta) dias para a hipótese de
fornecimento de produto ou serviço não durável e de 90 (noventa) dias em se tratando de
produtos ou serviços duráveis, iniciando-se a contagem do prazo a contar da entrega do
produto ou término da execução do serviço. Tratando-se de vício oculto, o prazo
decadencial tem início no momento em que este ficar evidenciado (art. 26, § 3.º, do CDC
(LGL\1990\40)).

Esta assimetria entre o fato e o vício do produto ou do serviço traz implicação prática
relevante quando da identificação de tais institutos em face do exíguo prazo decadencial de
reclamação comparado ao prazo prescricional para reaver perdas e danos.

3.8 Garantia versus Responsabilidade

O defeito implica, segundo se pode inferir da redação dos arts. 12 e 14 do Código de Defesa
do Consumidor, a assunção de responsabilidade por parte do fornecedor por força da
necessária lesão à incolumidade física que a anomalia do produto ou serviço impõe ao
consumidor. Há constatação da alteração no plano natural da higidez física do consumidor
que teve como causa um produto ou serviço defeituoso, violando, assim as regras de
segurança legitimamente esperada, seja em razão da não observância de alguns modais,
quais sejam, (a) sua apresentação; (b) seus usos e riscos razoavelmente esperados e, (c)
em decorrência da época em que posto em circulação. Portanto, o fornecedor tem fixada
previamente a sua responsabilidade na hipótese de ocorrência do fato do produto ou
serviço.67

Quanto ao vício do produto ou serviço, a técnica adotada pelo Código de Defesa do

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Consumidor parece ter sido o de lhe emprestar a natureza de garantia e não de


responsabilidade, na medida em que o legislador primeiramente outorgou ao consumidor
alternativas prévias ao pedido de reparação do dano (arts. 18 e 20, ambos do CDC
(LGL\1990\40)).68 Isto não significa que da ocorrência do vício não possa resultar dano ao
consumidor a ser reparado pelo fornecedor, todavia, em caráter eventual, a teor do que
disposto no art. 18, III, do CDC (LGL\1990\40).

4 Conclusão

Os institutos do fato e do vício do produto e serviço são categorias jurídicas criadas pelo
Código de Defesa do Consumidor, que possuem simetrias entre si, dentre estas: (a) a
imputação de responsabilidade objetiva ao fornecedor, a exceção dos profissionais liberais
(arts. 12, 14, 18, 20, do CDC (LGL\1990\40)); (b) a tutela dos direitos e interesses dos
consumidores quanto aos produtos e serviços disponibilizados no mercado (arts. 1.º, 4.º,
6.º, 8.º, 9.º e 10, do CDC (LGL\1990\40)); (c) a solidariedade, como regra, entre os
fornecedores que compõem a cadeia de fornecimento do produto ou do serviço (arts. 7.º,
parágrafo único e 25, § 1.º, do CDC (LGL\1990\40)); (d) a reparação integral dos danos
resultantes do fato e do vício do produto e do serviço (art. 6.º, VIII, do CDC
(LGL\1990\40)).

O fato e o vício do produto e do serviço, contudo, possuem assimetrias, dentre outras: (a)
o fato caracteriza-se pela insegurança do produto ou serviço (arts. 12 e 14, do CDC
(LGL\1990\40)) e o vício pela sua inadequação (arts. 18 e 20, do CDC (LGL\1990\40)); (b)
o fato gera o dever de indenizar, ao passo que o vício faculta ao consumidor as opções de
dar continuidade ao contrato, mediante saneamento do vício, substituição do produto ou
reexecução do serviço, restituição da quantia paga ou abatimento proporcional do preço,
sem prejuízo de postular eventuais perdas e danos (arts. 18 e 20, do CDC (LGL\1990\40));
(c) o fato alcança o consumidor e pode até mesmo atingir terceiro estranho ao contrato
(arts. 12, 14, 17 e 29, do CDC (LGL\1990\40)) enquanto o vício se aplica estritamente ao
consumidor contratante (arts. 18 e 20, do CDC (LGL\1990\40)); (d) o fato é mais grave do
que o vício porque atinge a incolumidade física do consumidor e, reflexamente, lhe inflige
lesão a direito da personalidade que, é todavia, espécie de dano autônomo. O dano
decorrente do vício fica circunscrito ao próprio produto ou serviço e a eventual lesão a
direito da personalidade, caso ocorra, tem causa independente do vício; (e) o fato está
sujeito à prescrição (art. 27 do CDC (LGL\1990\40)) e o vício a prazo decadencial (art. 26
do CDC (LGL\1990\40)); (f) no fato o comerciante somente responde solidariamente com
os demais fornecedores que compõe a cadeia de fornecimento do produto ou serviço nas
hipóteses de anonimato dos demais integrante da cadeia de fornecimento ou quando não
conserva adequadamente o produto (art. 13 do CDC (LGL\1990\40)). No vício todos os
fornecedores respondem solidariamente pela anomalia do produto ou serviço (art. 18, 20,
do CDC (LGL\1990\40)); (g) No fato o ônus da prova é do fornecedor (arts. 12, § 3.º e 14,
§ 3.º, do CDC (LGL\1990\40)). No vício o ônus da prova é, regra geral, do consumidor, a
menos que invertido pelo juízo presente os requisitos legais da verossimilhança ou
hipossuficiência (art. 6.º do CDC (LGL\1990\40)).

O Código de Defesa do Consumidor não deu ao fato e ao vício tratamento diferenciado por

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mero diletantismo, mas porque são ontologicamente distintos e quando tratados de forma
atécnica, tomando-se um pelo outro, pode-se chegar a resultado diverso do que
pretendido pela própria legislação. Portanto, a correta identificação e aplicação de tais
institutos não é questão meramente semântica porque tem consequência prática para as
partes envolvidas no litígio, em especial, para o consumidor. Dúvidas podem surgir quanto
à correta aplicação do instituto, mas os critérios apontados, colhidos da legislação,
doutrina e jurisprudência, se mostram eficientes para nortear a sua classificação.

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2 TARTUCE, Flávio e NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito do consumidor.


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3 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


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4 SILVA, Jorge Alberto Quadros de Carvalho. Responsabilidade objetiva: o código civil de


2002 e o código de defesa do consumidor. Revista de Direito do Consumidor. São Paulo, v.
14, n. 53, p. 71, jan.-mar. 2005.

5 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 7. ed. São Paulo:
Ed. RT, 2013. p. 1.218.

6 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 7. ed. São Paulo:
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7 WERNER José Guilherme Vasi. Vícios e defeitos no produto e no serviço. Revista de


Direito do Consumidor. São Paulo, v. 15, n. 58, p. 105, abr.-jun. 2006.

8 BENJAMIN, Antônio Herman V.; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.
Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 206.

9 BESSA, Leonardo Roscoe. Responsabilidade pelo fato do produto: questões polêmica.


Revista de Direito do Consumidor. São Paulo, v. 22, n. 89, p. 150, set.-out. 2013.

10 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2011. p. 358.

11 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 163.

12 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 7. ed. São


Paulo: Ed. RT, 2013. p. 1.307.

13 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 7. ed. São


Paulo: Ed. RT, 2013. p. 1.130.

14 BENJAMIN, Antônio Herman V. ; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.


Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 153.

15 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 124.

16 BENJAMIN, Antônio Herman V.; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.
Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 140.

17 Agravo regimental. Agravo de instrumento. Recurso especial. Fundamento inatacado.


Súmula 283 (MIX\2010\2008)/STF. Sumula 7/STJ. Reexame de provas. Dano moral.
Acidente provocado por veículo com defeito na porta do bagageiro. Quantum indenizatório
fixado com razoabilidade. 1.- Mantém-se inalterada a conclusão do acórdão recorrido, se o
especial não impugna o fundamento nele adotado (Súmula 283 (MIX\2010\2008)/STF).
2.- Em âmbito de recurso especial não há campo para se revisar entendimento assentado
em provas, conforme está sedimentado no enunciado 7 da Súmula desta Corte. 3.- A
intervenção do STJ, Corte de caráter nacional, destinada a firmar interpretação geral do
Direito Federal para todo o país e não para a revisão de questões de interesse individual, no
caso de questionamento do valor fixado para o dano moral, somente é admissível quando
o valor fixado pelo Tribunal de origem, cumprindo o duplo grau de jurisdição, se mostre
teratológico, por irrisório ou abusivo. 4.- Inocorrência de teratologia no caso concreto, em
que, para o dano decorrente de acidente provocado por veículo que apresentava defeito na
porta do bagageiro, que vitimou um transeunte menor, foi fixado o valor de indenização de
R$ 76.000,00 (setenta e seis mil reais) a título de dano moral, consideradas as forças
econômicas do autor da lesão. 5.- Agravo Regimental improvido. (STJ, AgRg no AREsp
57.017/MA, rel. Ministro Sidnei Beneti, 3.ª Turma, j. 27.03.2012, DJe 10.04.2012).

18 Agravo regimental no agravo em recurso especial. Direito do consumidor. Defeito em


motor de automóvel. Vício oculto. Ausência de reclamação no prazo legal. Decadência
configurada. Revisão. Súmula 7 (MIX\2010\1261)/STJ. Responsabilidade objetiva da
revendedora de veículos. Questão não examinada nas instâncias ordinárias. Ausência de
prequestionamento. Súmula 356 (MIX\2010\2)/STF. Agravo regimental desprovido. 1. A
revisão do julgado, para afastar a incidência da decadência, conforme postulado pela
agravante, demandaria o reexame dos elementos fático-probatórios dos autos, atraindo a
incidência da Súmula 7 desta Corte. Precedentes. 2. O tema acerca da responsabilidade
objetiva da revendedora de veículos em razão dos vícios ocultos no automóvel adquirido
não foi examinado pelo Tribunal a quo, de modo que ausente o requisito do
prequestionamento (Súmulas 282 (MIX\2010\2007) e 356 (MIX\2010\2)/STF). 3. Agravo

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

regimental a que se nega provimento.(STJ, AgRg no AREsp 413.571/MG, Rel. Ministro Raul
Araújo, 4.ª Turma, j. 12.08.2014, DJe 01.09.2014). Ação de indenização. Compra e venda
de veículo usado. Vício de qualidade do produto. Artigo 18, § 1º, do Código de Defesa do
Consumidor. Danos materiais. Responsabilidade objetiva do fornecedor. Cálculo dos juros
de mora. I - Restando comprovado que a extensão dos danos materiais sofridos pelo autor,
ora recorrido, não se restringiu à peça danificada no motor do veículo fornecida pela ré, ora
recorrente, tendo alcançado também as despesas efetuadas na realização do serviço,
mostra-se insubsistente a alegação recursal de que, com a reposição da referida peça, teria
desaparecido o ato ilícito. II - Não havendo nos autos prova de que o defeito foi ocasionado
por culpa do consumidor, subsume-se o caso vertente na regra contida no caput do artigo
18 da Lei n. 8.078/90, o qual consagra a responsabilidade objetiva dos fornecedores de
bens de consumo duráveis pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, impondo-se o
ressarcimento integral dos prejuízos sofridos.

III - Tratando-se de responsabilidade contratual, a mora constitui-se a partir da citação, e


os juros respectivos devem ser regulados, até a entrada em vigor do novo Código, pelo
artigo 1.062 do diploma de 1916, e, depois dessa data, pelo artigo 406 do atual Código
Civil (LGL\2002\400). Recurso não conhecido. (STJ, REsp 760.262/DF, rel. Ministro Sidnei
Beneti, 3.ª Turma, j. 03.04.2008, DJe 15.04.2008).

19 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 170.

20 LÔBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 193.

21 BESSA, Leonardo Roscoe. Responsabilidade pelo fato do produto: questões polêmicas.


Revista de Direito do Consumidor. São Paulo, v. 22, n. 89, p. 149, set.-out. 2013.

22 NUNES, Rizzatto. Comentários ao código de defesa do consumidor. 6. ed. São Paulo:


Saraiva, 2011. p. 248.

23 DENARI, Zelmo. In: GRINOVER, Ada Pellegrini [et al]. Código brasileiro de defesa do
consumidor. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1998. p. 139.

24 Código de Defesa do Consumidor. Responsabilidade do fornecedor. Culpa concorrente


da vítima. Hotel. Piscina. Agência de viagens. Responsabilidade do hotel, que não sinaliza
convenientemente a profundidade da piscina, de acesso livre aos hóspedes. Art. 14 do CDC
(LGL\1990\40). A culpa concorrente da vítima permite a redução da condenação imposta
ao fornecedor. Art. 12, § 2º, III, do CDC (LGL\1990\40). A agência de viagens responde
pelo dano pessoal que decorreu do mau serviço do hotel contratado por ela para a
hospedagem durante o pacote de turismo. Recursos conhecidos e providos em parte. (STJ,
REsp 287.849/SP, 4.ª Turma, rel. Min. Rui Rosado de Aguiar, DJU 13.08.2001, p. 165).

25 TADEU, Silneu Alves. Responsabilidade civil: nexo causal, causas de exoneração, culpa

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

da vítima, força maior e concorrência de culpas. Revista de Direito do Consumidor. São


Paulo, v. 16, n. 64, p. 134-165, out.-dez. 2007, p. 163-164.

26 Ação de indenização. Compra e venda de veículo usado. Vício de qualidade do produto.


Artigo 18, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor. Danos materiais. Responsabilidade
objetiva do fornecedor. Cálculo dos juros de mora. I - Restando comprovado que a
extensão dos danos materiais sofridos pelo autor, ora recorrido, não se restringiu à peça
danificada no motor do veículo fornecida pela ré, ora recorrente, tendo alcançado também
as despesas efetuadas na realização do serviço, mostra-se insubsistente a alegação
recursal de que, com a reposição da referida peça, teria desaparecido o ato ilícito. II - Não
havendo nos autos prova de que o defeito foi ocasionado por culpa do consumidor,
subsume-se o caso vertente na regra contida no caput do artigo 18 da Lei n. 8.078/90, o
qual consagra a responsabilidade objetiva dos fornecedores de bens de consumo duráveis
pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se
destinam ou lhes diminuam o valor, impondo-se o ressarcimento integral dos prejuízos
sofridos. III - Tratando-se de responsabilidade contratual, a mora constitui-se a partir da
citação, e os juros respectivos devem ser regulados, até a entrada em vigor do novo
Código, pelo artigo 1.062 do diploma de 1916, e, depois dessa data, pelo artigo 406 do
atual Código Civil (LGL\2002\400). Recurso não conhecido. (STJ, REsp 760.262/DF, rel.
Ministro Sidnei Beneti, 3.ª Turma, j. 03.04.2008, DJe 15.04.2008).

27 FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2011. p. 292.

28 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 4. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p.
507.

29 Direito civil. Dano moral. Preservativo encontrado em lata de extrato de tomate. Prova.
Responsabilidade objetiva. Perícia requerida pelo fornecedor indeferida. Preclusão. Dano
moral. Existência. Entrevista posterior. Irrelevância. 1. A ausência de impugnação
oportuna da decisão que indeferiu o pedido de produção de prova pericial pelo fornecedor
justifica a negativa de anulação da sentença, pelo Tribunal. Se esse fundamento foi alçado
a razão de decidir no acórdão recorrido, a falta de impugnação do ponto impede do
conhecimento da matéria, no recurso especial. 2. O fato de a consumidora ter dado
entrevista divulgando sua vitória na ação de indenização não é indicativo de inexistência do
dano moral. Ao contrário, divulgar o fato e a obtenção da indenização, demonstrando a
justiça feita, faz parte do processo de reparação do mal causado. 3. O montante da
indenização não comporta revisão na hipótese em que, em processo semelhante, no qual
consumidor encontra inseto dentro de lata de leite condensado, esta Corte manteve
indenização fixada em valor semelhante. 4. Recurso especial conhecido e improvido. (STJ,
REsp 1317611/RS, rel. Ministra Nancy Andrighi, 3.ª Turma, j. 12.06.2012, REPDJe
27.08.2012, DJe 19.06.2012).

30 PEREIRA, Agostinho Oli Kope; PEREIRA, Henrique Mioranza e CALAGARO, Cleide. A


prevenção como elemento de proteção ao consumidor: a saúde e segurança do consumidor
no Código de Proteção e Defesa do Consumidor brasileiro. Revista de Direito do
Consumidor. São Paulo, v. 16, n. 63, p. 13, jul.-set. 2007.

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

31 Agravo regimental. Recurso especial. Código de Defesa do Consumidor.


Responsabilidade civil. Presença de corpo estranho em alimento. Exposição do consumidor
a risco de lesão à sua saúde e segurança. Dano moral existente. 1. A disponibilização de
produto considerado impróprio para consumo em virtude da presença de objeto estranho
no seu interior afeta a segurança que rege as relações consumeristas na medida que expõe
o consumidor a risco de lesão à sua saúde e segurança e, portanto, dá direito à
compensação por dano moral. 2. Agravo regimental provido. (STJ, AgRg no REsp
1.380.270/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 3.ª Turma, j. 10.05.2016, DJe
19.05.2016).

32 BENJAMIN, Antônio Herman V.; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.
Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 180.

33 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2011. p. 290.

34 PEREIRA, Agostinho Oli Kope; PEREIRA, Henrique Mioranza e CALAGARO, Cleide. A


prevenção como elemento de proteção ao consumidor: a saúde e segurança do consumidor
no Código de Proteção e Defesa do Consumidor brasileiro. Revista de Direito do
Consumidor. São Paulo, v. 16, n. 63, p. 19, jul.-set. 2007.

35 Recurso especial - Plano de saúde - Negativa de cobertura - Defeito do produto -


Legitimidade passiva ad causam - UNIMED da federação originalmente contratada pelo
segurado - Recurso provido. 1. As Operadoras de Planos de Assistência à Saúde
ofereceram um Plano Privado de Assistência à Saúde (produto), que será prestado por
profissionais ou serviços de saúde, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou
referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica (prestação de
serviço). 2. A não autorização para a realização do exame laboratorial caracteriza o fato do
produto, pois, além do vício (não autorização para a realização do exame laboratorial), nos
termos do entendimento uníssono desta Corte, o comportamento abusivo por parte da
operadora de Plano de Saúde, extrapolando o simples descumprimento de cláusula
contratual ou a esfera do mero aborrecimento, é ensejador do dano moral. 3. Defeituoso o
Plano Privado de Assistência à Saúde (produto), a responsabilidade-legitimidade é da
Operadora de Planos de Assistência à Saúde com quem o Segurado o adquiriu (artigo 12 do
CDC (LGL\1990\40)). 4. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1140107/PR, rel. Ministro
Massami Uyeda, 3.ª Turma, j. 22.03.2011, DJe 04.04.2011).

36 Direito civil e processual civil. Recurso especial. Ação de indenização por danos
materiais e compensação por danos morais. Plano de saúde. Exclusão de cobertura relativa
à prótese. Abusividade. Dano moral. 1. Recurso especial, concluso ao Gabinete em
06.12.2013, no qual discute o cabimento de compensação por danos morais decorrente de
negativa de fornecimento de prótese ortopédica por plano de saúde. Ação de cobrança
ajuizada em 06.01.2011. 2. É nula a cláusula contratual que exclua da cobertura órteses,
próteses e materiais diretamente ligados ao procedimento cirúrgico a que se submete o
consumidor. 3. Embora o mero inadimplemento contratual não seja causa para ocorrência
de danos morais, é reconhecido o direito à compensação dos danos morais advindos da

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

injusta recusa de cobertura de seguro saúde, pois tal fato agrava a situação de aflição
psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir a autorização da
seguradora, já se encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde
debilitada. 4. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1421512/MG, rel. Ministra Nancy
Andrighi, 3.ª Turma, j. 11.02.2014, DJe 30.05.2014).

37 SIMÃO, José Fernando. Vícios do produto no novo código civil e no código de defesa do
consumidor. São Paulo: Atlas, 2003. p. 40.

38 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 163.

39 SIMÃO, José Fernando. Vícios do produto no novo código civil e no código de defesa do
consumidor. São Paulo: Atlas, 2003. p. 56.

40 QUEIROZ, Odete Novais Carneiro. Da responsabilidade por vício do produto e do


serviço. São Paulo: Ed. RT, 1998. p. 114.

41 NUNES, Rizzatto. Comentários ao código de defesa do consumidor. 6. ed. São Paulo:


Saraiva, 2011. p. 249.

42 NUNES, Rizzatto. Comentários ao código de defesa do consumidor. 6. ed. São Paulo:


Saraiva, 2011. p. 250.

43 LOBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 52.

44 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 4. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p.
588.

45 BENJAMIN, Antônio Herman V. ; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.


Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 179.

46 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 7. ed. São


Paulo: Ed. RT, 2013. p. 1.130.

47 Recurso Especial. Civil. "Pacote turístico". Inexecução dos serviços contratados. Danos
materiais e morais. Indenização. Art. 26, I, do CDC (LGL\1990\40). Direto à reclamação.
Decadência. O prazo estatuído no art. 26, I, do CDC (LGL\1990\40), é inaplicável à
espécie, porquanto a pretensão indenizatória não está fundada na responsabilidade por
vícios de qualidade do serviço prestado, mas na responsabilidade contratual decorrente de
inadimplemento absoluto, evidenciado pela não-prestação do serviço que fora avençado
no "pacote turístico". (REsp 278.893/DF, rel. Ministra Nancy Andrighi, 3.ª Turma, j.
13.08.2002, DJ 04.11.2002, p. 197). No mesmo sentido: Indenização. Seguro saúde.
Despesas hospitalares. Cobertura recusada pela seguradora. Prescrição ânua. Em caso de
recusa da seguradora ao pagamento da indenização contratada, o prazo prescricional da
ação que a reclama é de um ano, nos termos do art. 178, § 6º, II, do Código Civil de 1916.

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

Inaplicável o lapso prescricional de cinco anos, por não se enquadrar a espécie no conceito
de “danos causados por fato do produto ou serviço” (acidente de consumo). Precedentes
do STJ. Recurso especial conhecido, em parte, e provido. (STJ, REsp 738.460/RJ, Rel.
Ministro Barros Monteiro, 4.ª Turma, j. 11.10.2005, DJ 05.06.2006, p. 292).

48 LOBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 69.

49 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 165.

50 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 169.

51 BENJAMIN, Antônio Herman V. ; MARQUES, Cláudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.


Manual de direito do consumidor. 5. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p. 140.

52 LOBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 52.

53 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 168.

54 LOBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 45.

55 Embargos de declaração no recurso especial. Consumidor. Veículo novo. Problemas no


sistema de freios. Ação de restituição do valor do bem cumulada com indenização por
perdas e danos. CDC (LGL\1990\40), arts. 18 e 26. Vício do produto. Prazo decadencial.
Rediscussão do julgado para novo enquadramento fático-probatório. Impossibilidade.
Omissão. Inexistência. Embargos declaratórios rejeitados. 1. Os embargos de declaração
têm como objetivo sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão existentes na
decisão recorrida (CPC (LGL\2015\1656), art. 535), sendo, portanto, inadmissível a sua
oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão
recorrida, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. A questão
referente a eventuais danos ao consumidor por defeito do produto (fato do produto, CDC
(LGL\1990\40), art. 12), decorrentes do problema no sistema de freio do automóvel, não
foi analisada, pois a autora nunca argumentou sobre tal fato, delimitando seu pedido na
restituição de valores pagos pelo bem e por consertos deste, ou seja, por danos
patrimoniais devidos à inadequação do produto, na forma do art. 18 do CDC
(LGL\1990\40) (vício do produto). 3. Embora o defeito no sistema de freio de um
automóvel configure defeito de segurança, com potencial para acarretar dano ao
consumidor, isto é, acidente de consumo, conforme previsto no art. 12 do Código, quando
inexistir alegação de tal dano ao consumidor, ter-se-á a responsabilidade do fornecedor
por mero vício do produto, por inadequação deste, de acordo com o art. 18 do CDC
(LGL\1990\40), e não por fato do produto. 4. Embargos declaratórios rejeitados. (STJ,
EDcl no REsp 567.333/RN, rel. Ministro Raul Araújo, 4.ª Turma, j. 20.06.2013, DJe

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

28.06.2013).

56 DA ROCHA, Sílvio Luis Ferreira da Rocha. Responsabilidade civil do fornecedor pelo fato
do produto no direito brasileiro. 2. ed. São Paulo: Ed. RT, 2000. p. 165.

57 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 4. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p.
514.

58 SIMÃO, José Fernando. Vícios do produto no novo código civil e no código de defesa do
consumidor. São Paulo: Atlas, 2003. p. 60-61.

59 SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade civil no código do consumidor e


a defesa do fornecedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 168.

60 “A rigor, não é o vício do produto ou do serviço que causa o dano extra rem – dano
material ou moral –, mas a conduta do fornecedor, posterior ao vício, por não dar ao caso
a atenção e solução devidas. O dano moral, o desgosto íntimo, repita-se, decorre de causa
superveniente (o não-atendimento pronto e eficiente ao consumidor, a demora
injustificável na reparação do vício). Tem caráter autônomo”. Confira-se em CAVALIERI
FILHO, Sérgio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011. p. 325.

61 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2011. p. 325.

62 LÔBO, Paulo Luiz Netto. Responsabilidade por vício do produto ou do serviço. Brasília:
Brasília Jurídica, 1996. p. 93.

63 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 4. ed. São Paulo: Ed. RT, 2013. p.
588.

64 Responsabilidade civil. Recurso especial. Tratamento odontológico. Apreciação de


matéria constitucional. Inviabilidade. Tratamento ortodôntico. Em regra, obrigação
contratual de resultado. Reexame de provas. Inadmissibilidade. 1. As obrigações
contratuais dos profissionais liberais, no mais das vezes, são consideradas como "de
meio", sendo suficiente que o profissional atue com a diligência e técnica necessárias,
buscando a obtenção do resultado esperado. Contudo, há hipóteses em que o
compromisso é com o "resultado", tornando-se necessário o alcance do objetivo almejado
para que se possa considerar cumprido o contrato. 2. Nos procedimentos odontológicos,
mormente os ortodônticos, os profissionais da saúde especializados nessa ciência, em
regra, comprometem-se pelo resultado, visto que os objetivos relativos aos tratamentos,
de cunho estético e funcional, podem ser atingidos com previsibilidade. 3. O acórdão
recorrido registra que, além de o tratamento não ter obtido os resultados esperados, "foi
equivocado e causou danos à autora, tanto é que os dentes extraídos terão que ser
recolocados". Com efeito, em sendo obrigação "de resultado", tendo a autora demonstrado
não ter sido atingida a meta avençada, há presunção de culpa do profissional, com a
consequente inversão do ônus da prova, cabendo ao réu demonstrar que não agiu com
negligência, imprudência ou imperícia, ou mesmo que o insucesso se deu em decorrência

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Simetrias e assimetrias entre fato e vício do prouto/serviço:
repercussão doutrinária e jurisprudencial

de culpa exclusiva da autora.4. A par disso, as instâncias ordinárias salientam também


que, mesmo que se tratasse de obrigação "de meio", o réu teria "faltado com o dever de
cuidado e de emprego da técnica adequada", impondo igualmente a sua responsabilidade.
5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1238746/MS, Rel. Ministro Luis Felipe
Salomão, 4.ª Turma, j. 18.10.2011, DJe 04.11.2011).

65 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2011. p. 293.

66 Recurso especial. Consumidor. Responsabilidade por vício no produto (art. 18 do CDC


(LGL\1990\40)). Ônus da prova. Inversão 'ope judicis' (ART. 6º, VIII, do CDC
(LGL\1990\40)). Momento da inversão. Preferencialmente na fase de saneamento do
processo. A inversão do ônus da prova pode decorrer da lei ('ope legis'), como na
responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço (arts. 12 e 14 do CDC (LGL\1990\40)),
ou por determinação judicial ('ope judicis'), como no caso dos autos, versando acerca da
responsabilidade por vício no produto (art. 18 do CDC (LGL\1990\40)). Inteligência das
regras dos arts. 12, § 3º, II, e 14, § 3º, I, e 6º, VIII, do CDC (LGL\1990\40). A distribuição
do ônus da prova, além de constituir regra de julgamento dirigida ao juiz (aspecto
objetivo), apresenta-se também como norma de conduta para as partes, pautando,
conforme o ônus atribuído a cada uma delas, o seu comportamento processual (aspecto
subjetivo). Doutrina. Se o modo como distribuído o ônus da prova influi no comportamento
processual das partes (aspecto subjetivo), não pode a inversão 'ope judicis' ocorrer quando
do julgamento da causa pelo juiz (sentença) ou pelo tribunal (acórdão). Previsão nesse
sentido do art. 262, §1º, do Projeto de Código de Processo Civil. A inversão 'ope judicis' do
ônus probatório deve ocorrer preferencialmente na fase de saneamento do processo ou,
pelo menos, assegurando-se à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo, a
reabertura de oportunidade para apresentação de provas. Divergência jurisprudencial
entre a Terceira e a Quarta Turma desta Corte. Recurso especial desprovido. (STJ, REsp
802.832/MG, rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, j. 13.04.2011, DJe
21.09.2011).

67 WERNER José Guilherme Vasi. Vícios e defeitos no produto e no serviço. Revista de


Direito do Consumidor. São Paulo, v. 15, n. 58, p. 101-102, abr.-jun. 2006.

68 WERNER José Guilherme Vasi. Vícios e defeitos no produto e no serviço. Revista de


Direito do Consumidor. São Paulo, v. 15, n. 58, p. 101-102, abr.-jun. 2006.

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