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Metalurgia Mecânica

George E. Dieter
Professor of Engineering
Carnegie - Mellon University

Antonio Sergio de Sousa e Silva, M.Sc .


Luiz Henrique de Almeida, M.Sc.
Paulo Emílio Valadão de Miranda, M.Sc.
Professores do Programa de Engenhar ia Metalúrgica
e de Mat eriais da Coor denação dos Programas
de Pós -Graduação em Engenharia e da Escola
de Engen haria da Un iversidade Federal
do Rio de Janeiro
(COPPE/UFRJ-EE/UFRJ).

GUANABARA
DOIS
Prefácio à segunda edição

No"s doze anos que se sucederam à primeira edição de Mechanical Metallurgy


foram publicados pelo menos 25 liv ros-texto versando sobre os principa is tópicos
abordados neste liyro. Ao menos dez liv ros relacionados com a mecânica dos proces-
sos de conf ormação entraram no prelo durante este período, po r exemplo. Nenhum
deles, entretanto, cobriu todo o es pectro da metalurgia mecânica, desde a compreen-
são da descr ição contínua da tensão e da deformação através de mecanismos cristali-
nos e de fa lha de escoamen to e fratura até co nsiderações sobre os principais testes de
propriedades mecânicas e os processos básicos de conformação mecânica.
Neste período, desde a primeira edição, têm s urgido processos i mportantes no
que se refere à interpretação do comportamento mecânico dos sólidos. Excelentes
verificações experimentais conduziram à comprovação de gra nde parte da teoria das
discordâncias pa ra a deformação plástica, o que pro porciona um entendimento mel hor
dos mecanismos de endurecimento dos materiais cristalinos. Desenvolvimentos em
áreas como a frato mecânica alcançaram elevados níveis de sofisticação técnica,
revelando-se de grande utilidade para aplicações práticas na enge nharia. Uma realiza-
ção importante durante este pe ríodo foi o "movimento da ciência dos materiais", no
qual sólidos cristalinos, metais, cêrâmicos e polí meros são cons iderados como um
grupo cujas propriedades são controladas por defeitos estruturais bás icos, comuns a
todas as cl asses de sólidos cristalinos.
Nesta revisão mantiveram-se os objetivos que motivaram a primeira edição deste
livro, preparado de forma a at ender alunos já no início dos cursos de pós-graduação.
Foram feitas muitas modificações no sentido de atualizar, introduzir tópicos n ovos
sobre áreas importantes que surgiram e elucidar algumas seções que se mostraram
mais d ifíceis ao e ntendimento dos estudantes. Em algumas seções os ass untos de nível
mais elevado foram impressos em tip o menor, dirigidos especialmente aos est udantes
de pó s-graduação. Os problemas foram muito revisados e expandidos, tendo s ido pre -
parado um manual de soluções. Foram adicionados dois capítulos novos: um abran-
gendo propriedades mecânicas dos polímeros e o utro sobre usinagem dos metais. Os
capítulos sobre métodos estatísticos e tensões residuais foram eliminados. Na reali-
dade, mais da metade do livro foi completamente reescrita.
Préfácio à primeira edição

A metalurgia mecânica é a áre a do conhecimento que lida com o comp ortamento e


a resposta dos metais às forças aplicadas. Como n ão é uma área definida precisa-
mente, poderá ter signif icados diferentes para pessoas diferentes. Alguns podem
entendê-Ia como as propriedade s mecânicas dos metais ou testes mecânicos, outros
podem considerá-Ia como o camp o restrito ao trabalho plástico e conformação dos
metais, enquanto outros podem ainda relacioná-Ia de acor do com seus interesses aos
aspectos mais t eóricos do campo, como a fí sica dos m etais e a metalurgia fí sica. Outro
grupo pode ainda considerar a met alurgia mecânica ligada à matemática e à mecânica
aplicadas. Ao escrever este livro ten tou-se cobrir de alguma forma esta gr ande dive rsi-
dade de intere sses. O objetivo foi o de incluir todo o escopo da metalurgia mecânica
em um vol ume abrangente.
O livro foi dividido em quatro partes. A Par te Um, Fundamentos de Mecânica,
apresenta o tratamento matemático necessário à compreensão de muito s dos capítulos
que se sucedem. Os conceitos de ten são e de deformação combinados foram revistos e
expandidos à terceira dimensão. Foram também forneci das considerações detalhadas
sobre a teoria do escoam ento e sobre os con ceitos de plasticidade. Não se pretendeu,
porém, desenvolver os tópicos da Parte Um de form a completa, o que é necessár io
para a resolução de problemas originais. Em vez disto , o objetivo foi o de familiarizar
pessoas de form ação metalúrgica com a linguagem m atemática encontrada em algumas
áreas da metalurgia mecânica. A Parte Doi s, Fundamentos de Metalurgia, lida com os
aspectos estruturais da deformação plástica e da fratura. Dá-se ênfase à atomística do
escoamento e à fratura e à forma pela qual a estrutura metalúrgica afeta e sses proces-
sos. O conc eito de discordância é introduzido no início d a Parte Dois e utilizado sem-
pre a partir daí para fornecer explicações qualitativas para fenômenos tais como o
encruamento, o ponto limite de e scoamento, o endurecimento por fase di spersa e a
fratura. Um tr atamento mais matemático d as pr opriedades das discordâncias é dado
em um capítulo separado. Os tópicos abordados na Parte Dois ref erem-se mais à meta-
lurgia física. Entretanto, a maioria deles é di sc utida em maior detalhe e com uma
ênfase diferente do que quando são apresentados pela pri meira vez e m um curso nor-
mal de graduação sobre essa disciplina física. Alguns tópicos que são mais sobre meta -
lurgia física do que mec ânica são incluídos co m o intuito de fornecer uma contin uidade
e a base necessária para leit ores que não estudaram a metalurgia fí sica moderna.
A Parte Três, Aplicações em Ensaios de Mat eriais, aborda os as pectos de enge-
nharia das t écnicas comuns de testes da falha mecânica dos met ais. Alguns cap ítulos '
são dirigidos aos ensaios de tração, torção, dureza, fadiga, fluência e impacto. Outros
são compostos por assuntos importantes, tais como tensões residuais e análise esta tís-
tica dos dados de p ropriedades mecânicas. Na Pa rte Três dá -se ênfase à interpretação
dos testes e ao efeito de variáveis metalúrgicas no comportamento mec ânico, em vez
dos procedimentos para conduzir os testes. Admite-se que o desenvolvimento destes
testes será visto em um cur so de l aboratório concomitante ou em separado. A Part e
Quatro, Conformação Plástica dos Metais, aborda o s processos mecânicos comuns
para a produção de form as metálicas úteis. Dá-se pouca ênfase aos asp ectos descriti-
vos desta matéria, uma vez que isto pode ser me lhor visto através de vis itas a instala-
ções industriais e palestras ilustradas. Por outro lado , a atenção principal é dirigida aos
fatores mecânicos e metalúrgicos que c ontrolam cada processo, tal como forjamento,
laminação, extrusão, estampagem e conformação de chapas metálicas finas.
Este livro é escrito para o estudante de pós-graduação em engenh aria metalúrgica
ou mecânica, assim como para engenheiros envolvidos co m problemas práticos na
indústria. Embora a maioria das universidades tenha adotado cursos de metalurgia
mecânica ou propriedades mecânicas, há uma diversidade muito grande na m atéria
tratada e na formação básica dos alunos que fazem esses cursos. Assim, atualmente
não se pode definir algo como um livro-texto padrão em m etalurgia mecânica. Espera-
se que a amplitude e o escopo deste livro forneçam material suficiente para e stes requi-
sitos tão diversos. Espera-se, ainda, que a existência de um trat amento detalhado do
campo de m etalurgia mecânica estimule o d esenvolvimento de cursos que venham a
cobrir t oda a matéria.
Como este livro é d irigido a alunos de pós-graduação e a engenheiros práticos das
indústrias, espera-se que ele se torne parte de sua biblioteca profissional. Embora não
se tenh a objetivado fazer deste livro um man ual, pensou-se em fornecer de fo rm a
abundante referências para a literatura em metalurgia mecânica. Assim, foram incl uídas
mais referências do que o normal em um l ivro-texto comum, todas apresentadas com o
objetivo de r e ssaltar derivações ou a nálises além do e scopo do livro, para fornecer
informações adicionais a pontos detalhados ou em controvérsia, e para enfatizar tra-
balhos que mereçam ser m a is estudados. Além d isto, ao fim de cada capítul o
encontra-se uma bibliografia de referências gerais. No fim do vo l ume incluiu-se uma
coleção de pro blemas, principalmente para o uso do le itor que está envolvido com a
indústria e que deseja verificar sua compreensão da matéria.
O trabalho envolvido na confecção deste livro foi mais o de exa minar e classificar
fatos e informações da literatura e dos diversos excelentes livros-textos em aspectos
específicos da matéria. Para cobrir a amplitude do ma te rial encontrado neste livro
necessitar-se-ia de partes de ma is de 15 livros -texto padrões e um se m-número d e
artigos de re visão e contribuições individuais. Foi f eito um esforço consciencioso para
dar crédito às fontes originais. O autor se desc ulpa pelas omissões que ocas ionalmente
possam ter ocorrido e ag radece aos diversos autores e ed itores que con sentiram na
reprodução de ilustrações, todos mencionados nas respectivas legendas.
Finalmente, o autor gostaria de ag radecer aos dive rsos amigos que o or ientaram
na co nfecção deste trabalho. Em especial ao Professor A. W. Grosvenor, do Drexel
Institute of Tec hnology, ao Dr . G. T. Horne, do Car negie Institute of Tec hnology,
aos Drs. T. C. Chilton, J. H. Faupel, W. L . Phillips, W. I. Pallock e J. T. Ranson , da
Companhia du Pont , e ao Dr . A. S. Nemy, da Thompson-Ramo-Wooldridge Corpo
Índice

. Parte I Fundamentos de Mecânica


1 Introdução, 2
2 Relações entre Tensão e Deformação para o Comportamento Elástico, 14
3 Princípios da Teoria da Plasticidade, 62
Parte n Fundamentos de Metalurgia
4 Deformação Plástica de Monocristais, 92
5 Teoria das Discordâncias, 130
6 Mecanismos de Endurecimento, 166
7 Fratura, 213
8 Comportamento Mecânico de Materiais Poliméricos , 251
Parte lU Aplicações em Ensaios de Materiais
9 Testes de Tração, 282
10 Testes de Torção, 322
11 Teste de Dureza, 332
12 Fadiga dos Metais, 344
13 Fluência, 385
14 Fratura Frágil e Ensaio de Impacto , 419
Parte IV Conformação Plástica dos Metais
15 Fundamentos de Conformação, 452
16 Forjamento, 497
17 Laminação dos Metais, 518
18 Extrusão, 544
19 Trefilação de Vergalhões, Arames e Tubos, 561
20 Conformação de Chapas Metálicas Finas , 573\
21 Usinagem de Metais, 598 .
Apêndices A O sistema Internacional de Unidades, 623
B Problemas, 626
Índice Alfabético, 646
Lista de símbolos

A= Área, amplitude
a = Distância linear; comprimento de trinca
ao = Espaçamento interatômico
B= Constante; espessura do corpo de p rova
b = Largura ou amplitude
b= Vetor de B urgers de u ma discordância
c= Constante geral; calor espe cífico
uc = Coeficientes elásticos
c = Comprimento da trinca de Gri ffit h
D= Diâmetro de g rão
E= Módulo de elasticidade para carregamento axial (módu]o de Yo ung)
e = Deformação linear convencional ou de engenharia
exp = Base dos logaritmos neperianos (= 2,718)
F= Força por un idade de comprimento em uma l inha de discord ância
G= Módulo de ela sticidade em cizalhamento (módulo de r igidez)
Cf}= Força de extensão da trinca
H= Energia de ativ ação
h = Distância, geralmente na direção da espessura
(h,k,l)= Índices de Miller de um plano cr istalográfico
I = Momento de inércia
J = 1nvariante da te nsão desvio; momento de inércia polar
K= Coeficiente de resistência
Kf= Fator de entalhe de f adiga
t K = Fator de concentração de te nsôes teórico
K1c Tenacidade à fratura
k Tensão limite de es coamento em cizalhamento puro
L Comprimento
I , m, n Co-senos diretores da normal a um plano
ln = Logaritmo neperiano
log = Logaritmo na base 10
BM = Momento f1etor
Mr= Momento torsor, torque
m= Sensibilidade à taxa de deformação
N= Número de c iclos de tensão ou v ibração
M= Coeficiente de encruamento
M' = Constante geral em termo exponencial
p=
Carga ou força externa
Energia de ativação
Pressão
Redução em área; fator de constrição plástica; índice de sens ibilidade ao
entalhe em f adiga
Raio de curvatura; razão de t ensão em fadiga; co nstante dos gases
r = Distância radial
S = Tensão total em um plano antes do reba timento em componentes normal
e cizalhante
Sij = Compliância elástica
s = Tensão de en genharia

T= Temperatura
Tm = Ponto de fusão
I = Tempo; espessura
Ir = Tempo de ruptura

u= Energia de deformação elástica


o u = Energia de deformação el ástica por unidade de volume
U, V,
lV = Componentes de des locamento nas d ireções x, y e z
[uvw ] = Índices de Miller p ara uma direção cristalográfica
v= Volume
v Velocidade
w = Trabalho
z= Parâmetro de Ze ner-Halloman
a= Coeficiente linear de expa nsão térmica; ângulo de fase
a , f3 , O , e p = Ângulos em geral
f= Tensão de linha de uma disco rdância
y= Deformação cizalhante
. : l = Deformação volumétrica ou dil atação cúbica; variação f inita
0= Deformação em elongação; deflecção; decremento logarítmico; delta de
Kromeckes
E = Símbolo geral para deformação; def ormação natural ou verdadeira
€ = Deformação verdadeira significante ou efetiva
E = Taxa de deformação verdadeira
€ s = Taxa mínima de flu ência
71
= Eficiência; coeficiente de v iscosidade
0= Parâmetro de tempo-temperatura de Dorn
K= Módulo volumétrico de elasticidade
'11.=
Constante de La mé; espaço entre partículas
JL= Parâmetro de tensão de Lode; coeficiente de atrito
v= Coeficiente de Poisson; parâmetro de deformação de Lode
p = Densidade
(J"= Tensão normal; tensão verdadeira

(J" o = Tensão limite de escoa mento ou resistência ao escoamento


(J"~ = Tensão limite de escoa mento em deformação plana
(J"= Tensão verdadeira significante ou efetiva
(J"l, (J"2, (J"3 = Tensões principais
cr'
= Tensão desvio
=
(T" Componente hidrostático da tensão
(J" a = Tensão alternada ou variável
(J'm
= Tensão principal média; tensão média
(J"r = Faixa de ten sões .
ali = Tensão de resistência à tração
(J"w = Tensão de trabalho

T= Tensão cizalhante; tempo de relaxação


1>= Função de tensão de Airy
t / J= Capacidade de amortecimento específica
Parte I

Fundamentos de Mecânica
Introdução

A metalurgia mecânica é a área da metalurgia que tr ata principalmente da resposta do s


metais a forças ou cargas, que po dem se manifestar durante a utilização do metal como
um componente ou parte de um a estrutura ou equipamento. Nestas condições, há
necessidade de se conhecer os valores limites que podem ser suportados sem que
ocorra um colapso. O objetivo pode ser também o de converter um lingote fundido em
uma forma utilizável, tal como uma chapa plana, para o que devem ser determinadas
as condições de temperatura e variação de cargas que minimizem as forças necessárias
à realização do trabalho.
A metalurgia mecânica nâo é uma matéria que pode ser estudada isoladamente.
Na realidade, é uma combinação de diversas disciplinas e diferentes abordagens ao
problema da interpretação da resposta dos metais a f orças. É, de outra forma, a inicia-
tiva utilizada em res istência e plasticidade , onde um metal é considerado como um
material homogêneo, cujo co mportamento mecânico pode ser descrito de maneira pre-
cisa co m base apenas em poucas constantes características de cada metal. Esta abor-
dagem é a base para o projeto racional de componentes estruturais e peças de máqui-
nas. Na Parte I deste livro , a resistência dos materiais , a elasticidade e a plasticidade
são tr atadas sob um ponto de vi sta mais ge neralizado do que o usualmente apresentado
em um primeiro curso de resistência dos materiais. O assunto dos trê s primeiros capítu-
los pode ser considerado como o fundamento matemático do qual depende todo o resto
do livro. Os estudantes de en genharia que já tiveram um curso avançado em resistên-
cia dos ma teriais ou projetos de máquinas poderão possivelmente transpor com facili-
dade estes capítulos. No en tanto , para a maioria dos engenheiros metalúrgicos e enge-
nheiros atuantes na indústria , é interessante despender o tempo necessário para se
familiarizar com a matemática apresentada na Parte I.
Quando a estrutura do metal se torna uma variável importante e não pode mais ser
considerada um meio homogêneo , as teorias da resistência dos materiais, elasticidade e
plasticidade perdem consideravelmente seu poder. O comportamento dos metais a
altas temperaturas, onde a estrutura metalúrgica pode variar continuamente com o
tempo, ou a transição dúctil-frágil que ocorre nos aços-carbono exemplificam tal fato.
A principal incumbência do metalurgista mecânico consiste em determinar a relação
entre o comportamento mecânico e a estrutura dos metais , sendo esta última revelada
essencialmente por técnicas de mi croscopia e raios X. Geralmente as propriedades
mecânicas podem ser melhoradas ou ao menos controladas quando o comportamento
mecânico é interpretado em termos d a estrutura metalúrgica. A Parte 2 deste li vro
apresenta os fundamentos metalúrgicos do comportamento mecânico dos metais. Já
que a metalurgia mecânica é parte do espectro mais amplo que compreende a metalur-
gia física, os e st udantes de metalurgia. já tendo cursado esta mat éria anteriormente,
deverão te r um conhecimento bem sed imentado de a lguns dos assuntos dese nvolvidos
na Parte 2. Entretanto. estes tó picos mos tram-se be m mais detalhadamente d o que
num curso básico de metalurgia física. Os estudantes de o utras á reas, que não cursa-
ram est a cadeira, são auxiliados por tópicos adicionais que s e referem mais à metalur-
gia física do que à mecânica, introduzidos c om o intuito de p roporcionar também u ma
melhor continuidade.
Os três ú ltimos capítulos da P a rte 2 abrangem principalmente os co nceitos ato mís-
ticos do escoamento e da fratura dos met ais. O trabalho conjunto de f ísicos do estado
sólido e metalurgistas resulta em vários desenvolvimentos nesta área. que tem apre-
sentado enorme progresso. Um fa to de grande importância prática para a verifica-
ção da teoria e de um a análise direcionada foi a introdução do microscópio eletrônico
de transmissão. É feita uma apresentação d o conteúdo básico da teoria das discordân-
cias. o que é indispensável ao entendimento do comportamento mecânico dos só lidos
cristalinos.
Os dados referentes à resistência dos m etais e medidas para o controle rotineiro
das propriedades mecânicas são obtidos de um número relativamente pequeno de te s-

tes mecânicos radronizados. A Parte 3 desta obra considera cada um dos e nsaios
mecânicos mais comuns. cujo enfoque não é dirigido às t écnicas exrerimentais como é
usual. mas à consideração do que estes testes fornecem sobre o desempenho de metais
em serviço e como variáveis metalLlrgicas afetam seu s resultados. Grande parte do
material apresentado nas Partes I e 2 é utilizada na Parte 3. Admite-se neste ponto que
o leitor já possua um curso convencional sobre ensaios ,de materiais ou esteja parale-
lamente ass istindo a aulas de laboratório. onde roderá f amiliarizar-se co m as técnicas
de realização de te stes.
A Parte 4 tra ta dos fa tores metalúrgico.s e mecânicos envolvidos na conformação
de metais em formas utilizáveis. P retendia-se inicialmente apresentar as análises ma-
temáticas dos principais processos de conformação dos metais; entretanto, em certos
casos, isto não foi poss ível devido à nec essidade de um tratamento muito detalhado o u

por estarem estas análises fo ra dos o bjetivos reais deste livro. Não se procurou incluir
a extensa tecnologia especializada as sociada com cada processo de conformação em
particular, como laminadio ou extrusão, embora tenhamos nos esforçado no sentido
de fornecer uma impressão geral sobre os e quipamentos mecânicos necessários e fa mi-
liarizar o leitor com o voc abulário especializado des ta área. Uma ê nfase maior foi dada
na apresentação de ilustrações r azoavelmente simplificadas d as for ças envolvidas em
cada processo e co mo os fatores geométricos e metalúrgicos afe tam as ca rgas de t raba-
lho e o s ucesso dos processos de conformação.

A resistência
internas, dos materiais
a deformação e as écargas
parte ex
d aternas.
ciência O que lida com
primeiro passoa relação entre asdeforças
para o método aná-
lise mais comum utilizado em resistência dos materiais co nsiste em se admitir que o
elemento está em equilíbrio. As equações do equilíbrio estático são aplicadas às força s
que atuam em alguma parte do corpo para que se obtenha uma relação en tre as fo rça s
externas atuando no elemento e as forças internas que resistem à ação das ex ternas. É
necessário transformar as forças internas re sistentes e m externas, uma vez que as
equações de equ ilíbrio devem ser expi-essas em termos de fo rças atuando externa-
mente ao corpo. Isto pode ser conseguido passando-se um plano através do corpo.
pelo ponto de interesse. A parte do corpo situada em um d os lados do plano secante é
removida e s ubstituída pelas forças que ela exercia sobre a região seccionada d a outra
parte do co rpo. Já que as forças atuando n o "corpo livre" o mantêm em equilíbrio,
podem-se aplicar ao problema as equações d e equilíbrio.
As forças internas resistentes são geralmente expressas p ela tensôo atuante sobre I

uma certa área, de maneira qu e a força interna é a integral da tensão vezes a á rea
diferencial sobre a qual ela atua. Para que se possa calcular esta integral deve·se co-
nhecer a distribuição da tensão sobre a área do plano secante. A distribuição de tensão
é obtida observando-se e medindo-se a distribuição de deformação no elemento, visto
que a tensão não pode ser fisicamente medida. Entretanto, já que para pequenas de-
formações a tens ão é p ropo rcional às deformações envo lvidas na maioria dos traba-
lhos, a determinação da distribuição de deformação fornece a distribuição de tensão.
Substitui-se, então. a expressão para tensão nas equações de e quilíbrio e resolve-se
para tensão em termos das cargas e dimensões do elemento.
As hipóteses importantes em resistência dos materiais são que o corpo que está
sendo analisado é contínuo, homogêneo e isotrópico. Um corpo contínuo é aquele que
não possui cavidades ou espaços vazios de qu alquer espécie. Um corpo é homogêneo
se possui propriedades idênticas em todos os pontos. É considerado isotrópico com
relação a a lguma propriedade se esta não varia com a direção ou a orientação. Uma
propriedade que varia com a orientação com relação a algum sistema de e ixos é deno-
minada onisotrópica.
Enquanto materiais comuns na engenharia como aço , ferro fundido e alumínio
satisfazem aparentemente est as condições se observados macroscopicamente, não
apresentam qualquer homogeneidade ou características isotrópicas quando vistos atra-
vés de um m icroscópio. A maioria dos metais comuns na engenharia é co nstituída
de mais de uma fase com propriedades mecânicas variadas, apresentando-se heterogê-
neos numa microescala. Além disso, mesmo um metal monofásico possuirá geralmente
segregações químicas e, por conseguinte, as propriedades não serão idênticas a cad a
ponto. Os metais são constituídos de um agr egado de grãos cristalinos, possuindo pro-
priedades variadas em direções c ristalográficas diferentes. A razã o pela qual as equa-
ções da resistência dos materiais descrevem o comportamento de metais reais é que
geralmente os g rãos cristalinos são de tamanho tão reduzido que em uma amostra. com
um certo volume macroscópico, o material é estatisticamente homogêneo e i sotrópico.
As propriedades mecânicas podem, entretanto, tornar-se anisotrópicas e m uma ma-
croescala no caso de metais severamente deformados numa certa direção, como na
laminação o u no forjamento. Os materiais compostos reforçados co m fibras e os mo-
nocristais constituem outros e xemplos de propriedades anisotrópicas. U ma desconti-
nuidade (estrutural) pode ser encontrada em peças fundidas porosas ou naquelas pro-
duzidas por metalurgia do pó e, em nível atômico. em defeitos tais como vazios e
discordâncias.

A experiência mostra que todos os materiais sólidos podem ser def ormados quando
submetidos a uma carga externa e que. além disto. até um certo limite de carga s. o
sólido recuperará suas dimensões originais quando a ca rga for retirada. Esta recupera-

ção das dimensões


é denominada originais
comportalllento de I'um corp oAo
lástico. defvalor
ormado quando
limite se do
a partir retira
quala o
carga aplicada
material não
se comporta mais elasticamente de nomina-se limite elástico. Se exc edido o limite elás-
tico, o co rpo apresentará uma deformação permanente após a retirada da carga apli-
cada. Define-se, então, co mo dl'forllwçâo plástica aquela presente em um corpo que
está permanentemente defo rmado .
.Para a maioria dos materiais a deformação é proporcional à carga. se esta não

IPara as nossas finalidades. [<'lIsâ" é definida como força por unidade de área. A deformação é def inida como a
variação de comprimento por unidade de comprimento. Definições mais completas serão da das posteriormente.
excede o limite elástico. Esta relação, conhecida como Lei de Hooke, é mais fre-
qüentemente expressa em termos da tensúo proporcional à deformaçâo e define uma
dependência linear entre a carga e a deformação. Isto, no entanto, não implica que
todos os materiais que se comportam elasticamente d evem, necessariamente, possuir
uma relação linear entre a tensão e a deformação. A borracha é um exemplo de um
material que apesar de satisfazer as condições de um corpo elástico não apresenta
comportamento linear entre a tensão e a deformação.
As deformações elásticas são bastante pequenas e requerem instrumentos alta-
mente sensíveis para medi-Ias. A utilização de instrumentos u1tra-sensíveis tem reve-
lado serem os limites elásticos dos metais bem menores que os valores geralmente
medidos em ensaios de materiais na engenharia. À proporção que os equipamentos de
medida se tornam mais sensíveis, o limite elástico apresenta-se mais reduzido, de ma-
neira que para a maioria dos metais existe apenas um pequeno intervalo de c a rgas
onde a Lei de Hooke é rigorosamente v álida. Isto, porém, é um aspecto de importância
mais acadêmica. e a lei de Hooke continua caracterizando uma relação de grande
validade para projetos de engenharia.

Para a discussão da tensão e deformação considera-se inicialmente um a barra cilín-


drica e unif orme que é submetida a uma carga de tração axial (Fig. 1.1) e que duas
marcas são colocadas na superfície da barra antes de deformada, sendo Lo o compri-
mento inicial entre estas marcas. Uma carga P é aplicada a uma das extremidades da
barra cujo comprimento inicial sofre um pequeno aumento e o diâmetro um decrés-
cimo. A distância entre marcas iniciais cresce de uma quantidade Ô, denominada elon-
gação. A razão da variação de comprimento com o comprimento inicial define a de-
formaçâo lincar média, c.
Assim,

8 ó-L L - Lo
e
= -=-
= -
- ( 1 .1 )
Lo Lo Lo

A deformação é uma quantidade adimensional já que tanto Ô quanto Lo são expressas


em unidades de comprimento.
A Fig. J.2 mostra o diagrama de cor po livre para a barra cilíndrica apresentada na
Fig. I. J . A carga externa. P. é equilibrada pela força interna resistente, f (J dA, onde (J
é a tensão normal ao plano secante e A a área da seção reta da barra. A equação de
equilíbrio é

P f
= (j dA ( 1.2)

Fig. 1.1 Barra cilíndrica sujeita a carga Fig. 1.2 Diagrama de corpo livre para a
axial. Fig. I.\.
P = (J f d A = (J A

P
(J=-
A

Geralmente, a lensào nào se distribui uniformemente sobre a área A. e a Eq. (1.3)


representa uma {i'I1SclO média. Para que a t e nsào fosse rigorosamente uniforme. todo
elemento longitudinal da barra teria que apresentar a mesma deformaçào e o limite de
proporcional idade entre a tensào e a deformação deveria ser idêntico para cada ele-
mento em particular. A possibilidade de se possuir uma uniformidade de te nsão total
em um corpo de d imensões macroscópicas é e liminada tanto pela anisotropia inerente
entre grãos em um metal policristalino quanto pela presença de mais de uma fase. se o
material é analisado em escala microscópica. Se a ba rra não for reta ou se a carga não
for aplicada em s e u centro geométrico. as deformações não serào as mesmas pa ra
alguns elementos longitudinais e. co nseqüentemente, a tensão não será uniforme. Uma
variação brusca da á rea da seção reta do material dete rmina um concentrado de ten-
sões (ver Seção 2.16), o que implica na obtenção de uma distribuição de tensões não
uniforme.
Nos projetos de engenharia a carga é geralmente medidq em libras e a á rea em
polegadas quadradas, logo, a tensão é expressa e m libras por polegada quadrada (psi)+.
Como é comum para os e ngenheiros lidarem com cargas na casa dos milhares, por
simplificação, trabalha-se com unidades de 1.000 Ib, denominadas kips. Assim. a tensão
pode também ser expressa e m unidades de kips por polegada quadrada (ksi). (I ksi =
1.000 psi). Em trabalhos científicos a tensão é f reqüentemente expressa e m quilogra-
mas por milímetro quadrado ou em dinas por centímetro quadrado (1 kg/mm2 = 9.81 x
7 2
1 0 dyn/cm ).
Entretanto, no Sistema Internacional de Unidades (S I), que é uma versão mo-
derna do sistema métrico, a unidade of icial de tensão é o newton por metro quadrado,
N/m2, que tem sido denominado pascal (Pa). Porém, a tensão e m newtons por metro
quaurauo representa valores mu ito pequenos (1 N/ m" = 0.000145 psi); assi m, a
tensão é mais comumente exrressa em meganewtolls por melro quadrado.
I MN/m2 = lati N/m2 = 145 rsi.1
A lei de H ooke pode ser considerada válida abaixo do limite elástico, onde a
tensão média é proporcional à deformação média,

(J
- = E = constante (1.4)
e

Os dados fundamentais à análise das propriedades mecãnicas de um metal dúctil são


obtidos de um ensaio de tr ação, realizado com um co rpo de prova com geometria
adequada, ao qual aplica-se uma carga ax ial crescente até que o material se rompa. A
carga e a elongação são registradas a cada peq ueno intervalo de te mpo durante o teste
e podem ser expressas em termos de tensão e defo rmação médias, de acordo com as

+N. do T. Estas unidades são utilizadas apenas nos países de língua inglesa; entretanto, atualmente estão
convergindo para O sistema métrico internacionaL Em outras partes do livro será utilizada a t erm inologia lbl
pol' em vez de psi.
equações da se ção anterior. (Maiores detalhes sobre o ensaio de tr ação são dados no
Capo 9.)
Os dados obtidos deste ensaio são geralmente apresentados em uma curva
tensào-deformação. A Fig. 1.3 mostra uma cu rva tensão-deformação típica para mate-
riais tais como alumínio e cobre. A porção linear inicial da curva , OA, é a região
elástica na qual a l ei de Hooke é o bedecida. O ponto A é o limite elástico , que é
definido como a tensão máxima que o material pode suportar sem que apresente de-
formação permanente após a retirada da carga. A determinação do limite elástico não é
um simples trabalho de ro tina, sendo , na realidade, bastante laboriosa e dependendo
grande mente do grau de se nsibilidade do ap arelho de medida. Sendo assim, ele é fre-
qüentemente substituído pelo limite de proporcionalidade , ponto A', que é a tensão
para a qual a curva tensão-deformação se desvia da li nearidade. O módulo de el astici-
dade é o coeficiente angular à curva tensão-deformação nesta região .
Em engenharia, o limite que descreve o comportamento elástico utilizável é o
/imite de I'S('O{//l1l'nto convencional, ponto B, definido como a tensão que produz uma
pequena quantidade de deformação permanente, geralmente igual a 0 ,002. Na Fig. 1 ,]
esta de formação permanente é oe. Quando o limite elástico é excedido, inicia-se a
deformação plástica. À medida que esta aumenta o me tal se torna mais resistente,
(encruameuto) e a t ensão necessária à eiongação do corpo de prova cresce com o
aumento de de formação, Eventualmente a carga atinge um valor máximo , sendo o
/imite de resistência à truçâo igual à carga máxima dividida pela área inicial do co rpo
de prova. Para um metal dúctil , o diâmetro do corpo de prova começa a decrescer
rapidamente ao se ultrapassar a carga máxima; assim, a carga necessária para conti-
nuar a deformação diminui até que o material se ro mpa. Como a tensão média se
baseia na ár ea inicial do corpo de prova , esta também decresce a partir da ca rga má-
xima até a fratura.

Os ma teriais submetidos a uma carga podem ser classificados quanto ao se u compor-


tamento mecânico em dúcteis ou frágeis , dependendo da sua ha bilidade de suportar ou
nào uma deformação plástica. A Fig. 1 .3 é uma ilustração da cu rva tensão-deforma ção
de uni material dúctil. Um material completamente frágil se romperia próximo ao li-
mite elástico (Fig. l.4a), ao passo que um llaterial frágil , como o ferro fundido branc o,
suportaria alguma deformação plástica (Fig . 1.4&). Uma ductilidade adequada é u m
fator de importância em engenharia , pois pe rmite ao material redistribuir tensõe s loca-
lizadas. Se as tensões localizadas em en talhes ou ou tros concentradores de te n são
acidentais não precisam ser considerados , pode-se projetar em t ermos de situações
estáticas com ba se em tensões médias. Entretanto, as tensões localizadas em m ateriais
frágeis continuam a aumentar se não exist e um escoamento localizado, até que e
desenvolvam trincas em um o u ma is pontos de concentraç ão de tens ão. qu e se propa-
Fig. 1.4 (a) Curva tensão-deformação para ma-
terial totalmente frágil (comportamento ideal); (b)
Deformação Deformação curva tensão-deformação para um metal com pe-
(a) (b) quena ductilidade.

gam rapidamente por toda a seção. Em um material frágil, mesmo não havendo con-
centradores de tensão, ainda assim a fratura ocorrerá inesperadamente, visto que a
tensão de e scoamento e o limite de resistência à tração são praticamente idênticos.
É importante ressaltar que a fragilidade não é uma propriedade ab soluta de um
metal. O tungstênio. por exemplo, é frág il à temperatura ambiente, porém se comporta
de maneira dúctil a temperaturas elevadas. Um metal fr ágil em tração pode apresentar-
se dúctil em compressão hidrostática. Alé m disto. um m etal que se ja dúctil em tração à
temperatura am biente poderá tornar-se frágil na eventualidade de possuir entalhes ou
elementos f ragilizantes tal como o hidrogênio ou Ser ensaiado a baixa temperatura ou a
altas taxas de carregamento.

Existem três maneiras ge néricas segundo as quais um componente estrutural, ou ele-


mento de u ma máquina. pode deixar de c umprir as funções para as quais foi pr oje tado:
I. Deformação elástica excessiva
2. Escoamento ou deformação plástica excessiva
3. Fratura
Para que se faça um bom projeto é importante ter-se co nhecimento do s tipos mais
comuns de falhas possíveis de ocorrer, porque é se mpre necessário relacionar as car-
gas e dimensões do componente co m alguns parâme~ros de significância para o mate-

rial, que limita a ca pacidade do componente de suportar uma carga. A cada tipo de
falha associam-se parâmetros específicos de ex pressiva imp ortância.
Em geral. dois tipos de deformação e lástica excessiva podem ocorrer:
I. detlexão demasiada sob condições de equilíbrio estável, como no caso de uma
viga sendo gradualmente carregada;
2. detlexão ouflalllbagelll repentinas. sob condições de equilíbrio estável.
A deformação elástica excessiva de um a peça em um equipamento pode significar
uma falha como se e s ta peça fosse completamente fraturada. Como exemplo. pode-se
citar o rápido desgaste de m ancais causado por eixos muito tlexíveis ou a intefierência
ou mesmo d ano causado às peças pela excessiva detlexão de partes acopladas em
contato íntimo entre si. O t ip o de falha que ocorre co mo uma tlambagem repentina
pode s e manifestar em uma coluna delgada quando o c arregamento axial excede a

carga crítica de Euler ou q u ando a pressão externa atuando em uma cápsula de pare- .
des finas ultrapassa um valor crítico. As falhas devido à def ormação elástica excessiva
são controladas nào pela resistência do material. mas pelo seu método de elasticidade.
Geralmente. pouco controle met alúrgico pode ser exercido sobre este parâmetro. A
maneira mais efetiva de se aumentar a rigidez de um componente é variando-se as
dimensões da sua seção ret a.
O escoamento ou def ormação plástica de um metal ocorre quando seu limite elás-
tico é ultrapassado. O escoamento causa uma mudança de forma permanente. fazendo
com que o elemento não funcione mais ade quadamente. O es coamento de um metal
dúctil sob condições de carregamento estático à temperatura ambiente raramente pro-
voca f ratura. porque à medida que o metal se deforma ele encrua. e uma tensão cad a
vez maior é necessária para pr oduzir po sterior d eformação. Para co ndições de c arre-
gamento uniaxial, a fa lha devido à deformação p lástica excessiva pode ser controlada
pelo -limite de escoa mento convencional do metal. Este continua a ser o p arâmetro
importante em condições mais complexas de carregamento; entretanto, deve-se ut ilizar
um critério de início de esco amento adequado (S eção 3 .4). Os metais nâo mais a pre-
sentam encruamento a temperaturas significantemente maiores que a temperatura am -
biente. Em lugar disto, podem-se deformar cont inuamente à tensão co nstante, apre-
sentando escoa mento dependente do tempo conhecido como fluência. Sob condições
de fluência, o crit ério de início de escoa mento tor na-se razoavelmente complicado pelo
fato da te nsâo não ser p roporcional à deformação e ta mbém por que as propriedades
mecânicas do materia l podem variar apreciavelmente quando em serv iço. Este fenô-
meno complexo ser á tratado com maior detalhe no Capo 13.
A formação de uma t rinca que pode ocas ionar o ro mpimento comp leto da conti-
nuidade do componente caracte riza a fratura . Uma peça feita com um meta l dúctil,
quando submetida a u m carregamento es tático, raramente se romperá por fr at ura como
um corpo de prova , pois primeiramente falhará por deformação plástica excessi va.
Entretanto, os metais falham por fratura de t rês maneiras: (I) fratura frágil re pentina;
(2) fadiga ou f ra tura progressiva; (3) fratura r etardada. Na seção a nterior mostrou-se
que um material frágil sob carregamento estático rompe-se se m grande evidência ex-
terna de escoa mento. Uma fratura frágil repentina pode também ocorrer em metais
dúcteis sob certas co ndições específicas. O aço-carbono estr utural é o exe mplo mai s
comum de um material que apresenta uma transição dúctil-frágil. A mudança do com-
portamento característico de fratura dúctil para o de fratura frági l é favorecida pe lo
decréscimo de temperatura, a umento da t axa de c ar regamento e pela presença de um
estado complexo de tensões causado por um entalhe. Este problema é conside rado no
Capo 14.
A maioria das fraturas em componentes de máquinas é d evida à fadiga . A fra tura
por fadiga oco rre em p artes submetidas a te nsôes a lternadas ou flutuantes. O compo-
nente é levado à fratura quando uma trinca diminuta pontualmente loca lizada, geral-
mente em um ent alhe ou concentrador de tensões, gradualmente se propaga p ela seção
reta do material. A falha por fadiga ocorre se m nenhum sinal visível de escoamento em

tensões médias ou nominais bem abaixo da resistência à tração do metal. Esta falha é
causada por u ma tensão crítica localizada de muito d ifícil avaliação. Desta forma, os
projetos que levam em conta a fa lha por fadiga baseiam-se pri ncipalmente em relaçôes
empíricas que utilizam tensões nominais. A fadiga dos metais é discutida em maior
detalhe no Capo 12.
Um tipo comum de fratura retardada é a fa lha de mptura soh tensâo, que oco rre
quando um metal é submetido a um carregamento estático a uma temperatura elevada
por um período de tempo longo. D ependendo da t ensão e da temperatura pode n ão
haver escoamento a ntes da fr a tura. Um tipo similar de fratura reta rdada, na qual não
existe uma advertência pelo escoamento a ntes da f ratura, ocorre à temperatura am-
biente quando um aço é ca rregado estaticamente em presença de h idrogênio.
Todos os materiais utilizados em engenharia apresentam uma c erta v ariabilidade

nas propriedades mecânicas que podem ser influenciadas pelos diversos tipos de tra- "
tamentos técnicos o u processos de fabricação. Além disto, em geral existem incertezas
quanto à magnitude das cargas aplicadas e n ecessitam-se usualmente de c ertas apro-
ximações para o cá lculo das te nsões e m todos os componentes, exceto os mais sim-
ples. Deve-se levar em conta a pos sibilidade de surgimento de carga s acidentais de alta
magnitude. Assim, para que se tenha uma margem de segurança e se e v item fa lhas
devido a causas imprevistas, é necessário que as t ensões p ermitidas s ejam menores d o
que aquelas que levarão a fa lhas. Denomina-se geralmente tensâo d e trabalho, (Til"' o

valor da te nsão pa ra um determinado material utilizado so b certas condições conside-


radas de segu rança. Para carregamentos está ticos. a tensão de trabalho de u m m etal
dúctil é geralmente base ada na tensão de escoamento, (To, e pa ra metais frág eis na
resistência máxima à tração. (Til' Os valores das tensões de trabalho são estabelecidos
por agências locais e federais e por organizações técnicas tais como a Sociedade A me-
ricana de Engenheiros Mecânicos (ASME). A tensão de trabalho pode ser considerada
como a razão ntre a tensão de escoamento ou limite de resistência à tração e um
númerodenominadofálor d I ' sl'gllrallÇ"a.

0"0
O" =
-
W No

onde a". = tensão de trabalho. kg/mm2


a o = tensão de escoamento, kg/mm2
a " = limite de resistência à tração, kg/mm2
N o =fator de segurança baseado na tensão de escoamento
N u = fator de segurança baseado no lim ite de resistência à tração

o valor conferido ao fator de segurança depende de uma estimativa de todos os


fatores discutidos acima. Uma c onsideração especial deve ser dada às co nseqüências
resultantes de uma falha. Para as f alhas que podem originar perigos de vida, utilizam-
se fatores de segurança maiores. O tipo de equipamento também influencia a determi-
nação do fator de segurança. Em equipamentos militares, onde pouco peso é geral-
mente almejado, o fator de segurança pode ser menor que em equipamentos comer-
ciais, e em qualquer caso dependerá do tipo de carregamento a que será submetido.
Para um carregamento estático. como em um edifício, o fator de segurança seria
menor do que numa máquina que está submetida a vibrações e tensões flutuantes.

A tensão é definida como força por unidade de área. Na Seçã o 1.4, considerou-se que
a tensão era uniformemente distribuída sobre a área da seção reta do componente,
entretanto, em geral isto não ocorre. A Fi g. 1.5a representa um corpo em equilíbrio
sob a ação das forças externas P" P 2 •... , P ". Existem dois tipos de forças externas

que podem atuar sobre um corpo: fo rças superficiais e forças de corpo. As forças
distribuídas sobre a supelfície do corpo. tais como a força hidrostática ou a pressão
exercida por um corpo sobre o outro, são d enominadas fiJrças slIpl'rficiais. As forças
distribuídas sobre o volume de um corpo, tais como forças gravitacional, magnética ou
de inércia (para um corpo em movimento). são denominadasforÇ"as d I' corpo. Os dois
tipos mais comuns de forças de corpo encontradas na engenharia são as forças centrí-

Fig. 1.5 (a) Corpo em equilíbrio sob a ação das forças externas PI' .... P 5 : (b) forças atuantes na
parte 2.
Fig. 1.6 Reb atimento da força to tal em suas
componentes.

fugas, devido a altas ve locidades de rotação. e fo rças devido a gradientes de tempera-


tura no material (tensão térmica).
Na realidade. a força não se distribui u niformemente sobre qualquer seção reta do
corpo ilustrado na Fig. 1 . 5 a . Para se o bter a tensão atuante em um ponto O do plano
11111 I. a parte I do corpo é removida e substituída pelo sistema de forças externas atuan-

tes sobre 111/11. permanecendo cada ponto da parte 2 do corpo na mesma posição que
ocupava antes da retirada da parte I. Esta situação é apresentada na Fig. 1 . 5 b , onde
podemos supor que uma f orça t :: ,p atua sobre uma área LiA em torno do ponto O. O
valor limite da razão t : :,p / LiA. à medida que a área LiA tende continuamente para zero, é
a tensão no ponto O do plano 111 11I da parte 2 do corpo.

. I 1P
ltm - = a (1.6)
âA~O I1 A

A tensão es tará na direção d a força resultante P. formando, em geral. um certo ângulo


de inclinação com a área LiA. A mesma t ensão atuante no ponto O do plano 11I11I seria
obtida se o corpo livre fosse construído através da remoção da parte 2 do corpo sólido.
Entretanto. esta tensão seria diferente para qualquer outro plano passando pelo ponto
O, como. por exemplo. o p lano 1111.
É inconveniente util izar uma tensão que seja inclinada a um ângulo arbitrário em
relação à área sobre a qual ela atua. A tensão total pode ser resolvida em duas compo-
nentes, uma tel1sâo l10rmal (0'), perpendicular à área LiA. e uma tel1sâo cisalhante (7),
localizada no plano mll1 da área. A Fig. 1.6 ilustra o rebatimento da fo rça P que forma
um ângulo e com a normal z ao plano da área A. A linha tracejada que faz um ângulo 4 >
com o eixo." é a interseção do plano qu e contém a normal e P com o plano A. A
tensão normal é dada por

P
a =- cos 8 ( 1.7)
A

P
r = -sen8 (1.8)
A

Esta tensão cisalhante pode ainda ser resolvida em componentes paralelas às direções
x e." do plano.

P
r = A sen e sen 4 >
P
T =- sen ecos 4J
A

Desta forma, um plano pode ter. em geral, uma tensão normal e duas tensões cisalhan-
tes atuando sobre ele.

Na Seção 1.4, a deformação linear média foi definida como a razão entre a variação de
comprimento de uma certa dimensão e o seu comprimento inicial.

fJ t:..L L - Lo
e
= -=-
= -
--
Lo Lo Lo

onde e = deformação linear média


8 = elongação

Por analogia com a definição de tensão em um p onto. a deformação em um ponto é a


razão entre a e longação e o co mprimento inicial, à medida que este último tende a

zero.
Em vez de se referir a variação de comprimento pelo comprimento original
costuma-se mais freqüentemente definir a deformação como a variação da dimensão
linear dividida pelo valor instantâneo desta dimensão.

A equação acima define a deJimllaçâo /lall/m/ ou I'erdadeim. A deformação v erda-


deira, que é útil na abordagem de problemas sobre plasticidade e conformação dos
metais, será discutida mais detalhadamente no Capo 3. P ara o momento deve-se ressal-
tar que as pequenas deformações. para as quais as equações de elasticidade são váli-
das, as duas definições de deformação f ornecem valores idênticos.
A def ormação elástica de um corpo ocasiona não apenas uma variação de com-
primento de um elemento linear do corpo, mas pode também resultar num a mudança
do ângulo inicial entre duas linhas. A variação angular em um ângulo reto é conhecida
como deformaçâo cisa/ha/lle. A Fig. 1.7 ilustra a deformação produzida por um cisa-
Ihamento puro de uma das faces de um cubo. Com a aplicação da tensão cisalhante o
ângulo em A, que era originalmente de 90°, decresce d e uma pequena quantidade e. A
deformação cisalhante y é igual ao deslocamento a dividido pela distância h entre os
planos. A razão a / h é também a tangente do ângulo através do qual o elemento sofreu
rotação. A tangente do ângulo e o próprio ângulo (em radianos) são iguais. para os

f
B k -,
I
f
I I
I I
pequenos ângulos geralmente envolvidos. Assim, as deformações cisalhantes são ge-
ralmente expressas como ângulos de rotação.

a
') I = - = tan ( J = ( J
h

Crandall, S. H., and N. C. Dahl (eds.): "An Introduction to th e Mechanics of Solids,"


McGraw-Hill Book Company, New Y ork, 1959.
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Relações entre Tensão e Deformação
para o Comportamento Elástico

o intuito deste capítulo é apresentar as relações matemáticas que d efinem a tensão e a


deformação em um po nto e as relações entre a tensão e a deformação em um sólido
que obedece à Lei de Ho oke. Embora parte dos assuntos tratados neste capítulo seja
uma revisão das informações a bordadas em resistência dos materiais, a matéria se
estende além deste ponto, considerando a te nsão e a deformação em três dimensões e
uma introdução à t eoria da elasticidade. A matéria incluída neste capítulo é importante
para a compreensãQ da maioria dos as pectos fenomenológicos da metalurgia mecânica,
merecendo especial atenção dos leitores não familiarizados co m a disciplina. Devido

às limitações
pudessem de espaço
resolver não foi mais
problemas possível desenvolverEste
amplamente. ". matéria
m aterial,até entretanto,
o ponto empropor-
que se
ciona uma base para melhor compreensão da literatura matemática da metalurgia me-
cânica.
Ressalta-se o fato de que as equações que descrevem o estado de tensões ou
deformações em um c orpo são a plicáveis a qualquer material contínuo, seja um sólido
elástico ou plástico, seja um flui do viscoso. Na realidade esta parte da ciência é deno-
minada mecânica do contínuo. As equações que relacionam tensão e deformação
denominam-se equações constitutivas porque dependem do comportamento do mate-
rial. Neste capítulo só consideraremos as e quações constitutivas para um sólido elás-
tico.

Como foi descrito na Seção 1.8, em geral é mais conveniente re solver as tensões
atuantes em um ponto em componente s normais e cisalhantes. Freqüentemente as
componentes das tensões cisalhantes formam ângulos arbitrários com o s eixos coorde-
nados, sendo conveniente, então, rebatê-Ias novamente em duas outras componentes.
O caso geral é mostrado na Fig . 2.1. As tensões atuando perpendicularmente às faces
do cubo elementar são identificadas pelo subíndice, que identifica também a direção na
qual a tensão atua. Isto é, (J é a tensão normal que at ua n a direção x. Por con venção,
x

tensões normais de tr ação são a quelas cujos valores são maiores que zero, sendo com-
pressivas as que possuem valores menores que zero. 1I0das as te nsões normais da Fig .
2. 1 são trativas.
Fig. 2.1 Tensões atuantes em um cubo
ay unitário elementar.

Para descrever as ten sões cisalhantes são necessários dois subíndices. O primeiro
indica o plano e o segundo a direção na qu al a tensão atua. Como um pl ano é mai s

facilmente
exemplo, Tyzdefinido pelacisalhante
é a tensão sua normal, o ano
no pl primeiro subíndice aoseeixo
perpendicular refere a esta
y, na normal.
dir eção Por
do eixo
Z, e TyX é a tensão cisalhante no plano perpendicular ao eixo y, na direção do eixo x.
Uma tensão cisalhante é positiva se é dirigida para o se ntido positivo na face
positiva de um cubo unitário. (E também positiva se aponta para o sentido negativo na
face negativa de um cubo unitário.) To das as tensões cisalhantes na Fig. 2.2a são
positivas independentemente do tipo de tensões normais presentes. Uma tensão cisa-
lhante é negativa se é dirigida para o sentido negativo de uma face positiva de um cubo
unitário, e vice-versa. As tensões cisalhantes mostradas na Fig. 2.2b são todas negati-
vas.
A notação para tensões acima apresentada é a utilizada por Timoshenko' e a
maioria dos autores americanos no campo da elasticidade. Entretanto várias outras
notações têm sido utilizadas, algumas das quais estão relacionadas abaixo.
~
(Jx (J 11 Xx XX Pxx

(Jy (J22 Yy yy Pyy

(Jz (J 33 Zz zz pzz

'xy (J 12 Xy xy Pxy

'yz (J 23 Yz yz Pyz

'zx (J 31 Zx fi pzx
+y +y

Fig. 2.2 Convenção de sinais para a


tensão c isalhante. (a) Positiva; (b)
negativa;
Pode ser visto, pela Fig. 2.1, que devem ser definidas nove quantidades para que
se estabeleça o estado de te nsões em um po nto. Elas são U'x, U'v, U'z, TXY' Txz, Tvx, TyZ'
Tzx e T 11' Entretanto, podem-se fazer algumas simplificações. Se admitirmos que as
Z

áreas das faces do cubo unitário são peq uenas o bastante para que a variação de ten-
sões seja desprezada, pode-se então mostrar que, tomando-se a soma dos momentos
das forças em rel ação ao ei xo z , TX))
= Tvx.

Assim, o estado de te nsões em um pon to é completamente descrito por seis co mpo-


nentes: três tensões normais e trê s tensões cisalhantes, U'x, U'v' U'z, Txv, Txz, Tyz'

Muitos problemas podem ser simplificados ao se co nsiderar um estado de tensões


bidimensional. Isto é feito freqüentemente na prática quando uma das dimensões do
corpo é pequena em rel ação às demais . Por exemplo, ao se ca rregar uma chapa fina,
no pl ano da chapa não existirá tensão atuando na direção p erpendicular à superfície da.
chapa. O sistema de tensões será constituído por duas tensões normais U'x e U'v e uma
tensão cisalhante Txv' Denomina-se tensão plana à condição de se po ssuir tensões
nulas em uma das direçõe s principais do material.
A Fig . 2.3 mostra uma placa fina cuj a espessura é normal ao plano do pap el. Para
que conheçamos o estado de te nsões no po nto O da placa , devemos ser capazes de
descrever as componentes de tensão em O para qualquer orientação dos eixos coorde-
nados passando através daquele ponto. Para tal, considera-se um pl ano oblíquo,
normal ao pl ano do pa pel , cuja normal faz um âng ulo e com o eixo do x. Seja x ' a dire-
ção normal a este plano e y' uma direção pertencente ao plano oblíquo. Admite-se que
o plano mostrado na Fig. 2.3 es tá a uma distância infinitesimal de O e que o elemento é
tão pequeno que se de sprezam as variações de tensões ao longo dos lados do c le-
mento. As tensões atuantes no plano oblíquo são a tensão norma l U' e a tensão cisa-
lhante T. O S co-senos diretores entre x' e x e x' e y são, respectivamente, I em. Pela
geometria da Fig. 2.3, I = cos e em = sen e . Se A é a área do pla no oblíquo, as áreas
dos lados do ele mento perpendiculares a x e y são AI e Am.
Sejam S x e S lj as componente na s direções x e y da tensão total atuando na fa ce
inclinada. Tomando-se o somatório das forças nas direções x e y, obtêm-se:

S" A = O " xA 1 + 'x yA rn


SyA = O "yA rn + 'xyAI
Sx = O "x cos () + 'x y sen ()

=
Sy O"ysen() + 'x y cos ()

O "x' = S x cos () + S y sen ()


2
O " x' = O "X cos () + O"ysen2 () + 2, x y sen () cos () (2.2)

'x 'Y ' = S y cos ()- S xsen ()


'x'Y' = 'xiCOS
2
() -sen 2
() + (O" y - O"Jsen ()co s () (2. 3)

A tensão (J!J' pode ser enc ontrada substituindo-se O + 71'/2 por O na Eq. (2.2), uma vez
que (J!J' é ort ogonal a (Jx'.

O " y' = O " X cos


2
(() + n / 2) +O" y sen2 (() + n /2 ) + 2 , x y sen (() + n / 2 ) cos (() + n / 2)

mas, sen (() + n / 2) = cos () ecos (() + n / 2) = -sen ()

As Eqs. (2.2) a (2.4) são as transformadas das equações de tensão que fornecem as
tensões no sistema coordenado x'y' se são conhecidas as tensões no sistema coorde-
nado xy e o ângulo O .
Para auxiliar nos cálculos é co nveniente expressar as equações de (2.2) a (2.4) em
termos do ângulo duplo 20. Isto pode ser feito através das seguintes identidades:

cos 2 () = c_o_s_2_{)_+_1
2

sen
2 () 1 - cos 2{)
= ------
2
2 sen ()cos () = sen 2{)
cos2 () - sen 2 () = cos 2{)
a,,+ay a,,-ay
a .
y
= --- 2
- --- 2
cos 28 - 't"
"y
sen 28 (2.6)

ay-a"
't"".y. = --2-sen 28 + 't""y cos28 (2 .7)

É importante notar-se que Ux' + uy• = Ux + Uy• Assim, a soma das tensões normais
em dois planos perpendiculares é uma quantidade invariante, isto é, ela é independente
da orientação ou do ângulo (J .
As Eqs. (2.2) e (2 .3) e s uas equivalentes, Eqs. (2.5) e (2 .7), descrevem as tensões
normal e cisalhante em qu alquer plano através de um ponto em um corpo sujeito a um
estado plano de tensões. A Fig. 2.4 apresenta a variação das tensões normal e cisa-
Ihante com ( J para o estado plano de tensões biaxial mostrado no topo da fig ura. Os
seguintes fatos importantes podem ser notados nesta figura:
I. Os valores máximo e mínimo da tensão normal no plano oblíquo através do
ponto O o co rrem quando a tensão cisalhante é nula.
2. Os valores máximo e mínimo para ambas as tensões normal e cisalhante ocor-
rem para ângulos defasados de 90°.
3. A tensão cisalhante máxima ocorre em um ângulo a m eio caminho entre as
tensões normais máxima e mínima.
4. A v ariação das tensões normal e cisalhante ocorre n a forma de uma onda
senoidal, com período (J = 180°. Estas relações são vá lidas para qualquer estado
de tensões.

t u, = 2.000 Ib/pol'

T P----!-
C 7j 1 ~t u,.: ~6000 Ib/poL'

I~ U";ru- 2.000

----r-- Ib/poL'

"12.000 tO)-

10.000

o
.e -
8.000
fl
,:
6.000
"
c.,
.t::
Oi 4.000
'"

" .. , o

~ I~- 2.000
Oi
E
o
c:
o
O H io
I :
'~

I
" ,::l.,
c:
-
o
: 0, graus

"o . r-45°----
+-45°--j
E
o
()

I_ 90° ·1
-6.000

- 8.000
Para qualquer estado de tensões é sempre possível definir um novo sistema coor-
denado cujos eixos são perpendiculares aos planos nos quais as tensões no rmais má-
ximas atuam e não existem tensões cisalhantes atuando. Estes planos são denomina-
dos planos prin cipais, e suas tensões normais tensões principais. Para a tensão plana
bidimensional existirão duas tensões principais, (T, e (T2, que ocorrem em ângulos defa-
sados de 90° (Fig. 2.4). Para o caso ma is geral de uma tensão tridimensional, exi stirão
três tensões principais, (T" (T2 e (T3. Por convenção, (T, é algebricamente a maior das
tensões p rincipais, enquanto que (T3 é o valor algebricamente men or. As direções das

tensões
pais 1, 2principais são os eixoscom
e 3 não coincidam principais
os eixos I,cartesianos,
2 e 3. Embora
parageralmente os eixos encon-
diversas situações princi-
tradas na prática esta coincidência pod e existir, devido à simetria de carga e deforma-
ção. A especificação das tensões principais e suas direções p roporciona uma maneira
conveniente de se descrever o estado de tensões em um p onto.
Uma vez que, por definição, um plano principal não contém tensão c isalhante,
suas relações angulares com res peito aos e ixos coordenados xy podem ser determina-
das en contrando-se os valores de 8 at ravés da Eq. (2.3), fazendo-se TX'y' =O.

Txico S2 8 -sen2 8) + (< J y - o-x )s en 8 cos 8 = O


T xy sen 8 cos 8 ·!(sen 28) 1
----- = --- = - tan 28
< Jx - < Jy 2 2
cos 8 - sen 8 cos 28 2
tan28=~~
o-x-<J
y

Já que tan 28 = tan (7 1" + 28 ), a Eq. (2.8 ) tem duas raízes; 8, e 8 2 8,


= + 1171"/2 . Estas
raízes definem dois planos mutuament e perpendiculares onde não ocorre cisalha-
mento.
A Eq. (2.5) fornecerá as tensões princip ais qu ando os valores de cos 28 e sen 28
(da Eq. (2.8)) forem nela substituídos. Estes valores d e cos 28 e sen 20 são obtidos da
Eq. (2.8) através das relações de Pitágoras:

Substituindo-se estes valores na Eq. (2.5) , obtém-se a expr essão para as tensões prin-
cipais máxima e mínima , para um estado de tensões bidimensional (biaxial).
A direção dos planos principais é encontrada determinando-se o valor d e 8 na Eq.
(2.8). Deve-se tomar um cuidado especial para estabelecer se 28 está entre Oe 7T/2,7Te
37T/2,etc. A F ig. 2.5 mostra uma maneira simples de se es tabelecer a direção da maior
tensão principal, 0"1' Esta tensão deverá localizar-se entre a t ensão normal algebrica-
mente maior e a diagonal de cisa lhamento. Para perceber este fato intuitivamente con-
sidere que, se não existissem tensões cisalhantes, então, O"x 0"1' Se somente atuas- =

sem as te nsões cisalhantes, uma tensão normal (a tensão principal) existiria ao longo
da diagonal de cisalhamento. Se a mbas as te nsões, normal e cisalhante, atuam no
0"1
elemento, então se localiza entre as influências destes dois efe itos.
Para encontrar a tensão c isalhante máxima, re tomamos à Eq. (2.7),
diferenciando-a em relação à 8 e igualando a zero.

Comparando com o â ngulo para o qual ocorrem os planos principais, Eq. (2.8), ta1128 n

= 27xj(O"x - O"y), verificamos que a tan 28. é o recí proco da tan 28n com sinal nega-

n
tivo. Isto
por 45° . Asignifica que da
magnitude 28.tensão
e 28" são ortogonais
cisalhante e queé 8.
máxima e 8 estâo substituindo-se
encontrada separados n o espaço
a Eq.
(2.10) na Eq. (2.7).

Um método gráfico muito útil par a representar o estado de tensões em um p onto, num
plano oblíquo através do ponto, foi proposto por O. Mohr. A s transformadas das
equações de tensão, Eq. (2.5) e Eq. (2.7), podem sei" rearranjadas, fornecendo

(Jx + (Jy (Jx-(Jy


(Jx' - --2- = --2- cos 28+ 'xysen 28

(Jy-(Jx
'y'x' = --2- sen 28+ 'xy cos 28

Podemos resolver para O"x' em termos de 7X'y' elevando-se cada uma destas equações
ao quadrado e so mando-as,

(Jx + (Jy) 2 2 ((J x - (Jy) 2 2

( (Jx' - -
-2- + 'x'y' = -
- 2
- + 'xy

A Eq. (2.12) é a e quação de um círculo da fo rma (x - h)2 + y2 = r2 . Assim, o círculo


de Mohr é um círculo com coordenadas O"x', 7 'y' com raio igual a 7111ax e o ce ntro
X

deslocado para a direita da origem de (O"x + O"y)/2.


Para se trabalhar com o círculo de Mohr, existem apenas algumas poucas regras
básicas que devem ser lembradas. Um ângulo 8 no elemento físico é representado por
28 no círcu lo de Mo hr. O mesmo senso de rotação (a favor o u contra a dos ponteiros
do relógio) deve s er usado em cada caso. Uma out ra convenção pa ra expressar a
tensão cisalhante é utilizada ao se desenhar e interpretar o círc ulo de Mo hr. Esta
convenção d iz que uma tensão cisalhante que causa uma rotação no sentido horário
CT
y
t

~ jD r~ C T x
-- TyX= TXY

~t

Fig. 2.6 (a) Círculo de Mohr para um estado de tensões bidimensional; (b) círculo de Mohr
utilizando pólo das normais.

em relação a qualquer ponto no elemento físico é representada acima do eixo horizon-


tal do círculo de Mohr. Um ponto no círculo de Mohr fornece a direção e magnitude
das tensões normal e cisalhante em qu alquer plano do el emento físico.
A Fig. 2.60 ilustra o desenho e a ut iliz ação do cí rculo de Mohr para o estado de
tensões específico mostrado acima, à esquerda. As ten sões normais são r epresentadas
ao longo do eix o dos x e as tensões cisalhantes ao lon go do eix o dos y. As ten sões
contidas nos planos normais aos eixos x e y são representadas como pon tos A e B. A
interseção da linha AB com o eixo dos U' determina o centro do cír culo. Nos pontos D
e E a tensão cisalhante é nul a, assim, estes pontos representam o s valores das tensões
principais. O ângulo entre U' x e U'l no círculo de Mohr é 28 . Já que este ângulo é
medido
U
no sentido contrário ao da r otação dos ponteiros do r elógio, no elemento físico
', atua segundo uma direção que faz com o eixo dos x um ângulo 8 t ambém no sentido

anti-horário (ver esquema superior à direita). As tensões em qualquer outro plano cuja
normal faça um ângulo 8 com o e ixo dos x poderiam ser encontradas através do círcul o
de Mohr da mes ma maneira.
Um método' bastante simples de se determinar as tensões em qualquer p lano
através do círculo de Mohr consiste na d eterminação do ponto d enominado pólo das

'D. C. Drucker, lnlruduclion 10 Mcchanics of Dcfonnablc Solids, pp. 226-228, McGraw-Hill Book Company,
New York, 1967.
normais. As tensões nos planos x e y e no maior plano principal estão mostradas
novamente na Fig. 2.6b. O pólo é determinado pela linha que passa pelo ponto A,
paralela ao eixo dos x, e pela linha que passa por B, paralela ao eixo dos y do elemento
físico. Observe que agora uma linha paralela a (TI está inclinada de um ângulo () em
relação ao eixo dos x, em ve z de 2(). Isto se deve ao fato de que a rotação angular em
torno do pólo é a metade da rotação angular em torno do centro do círculo. Assim, a
rotação angular em torno do pólo das normais é exatamente a mesma do elemento fí-
sico. Por exemplo. se quisermos conhecer as tensões que atuam num pl ano cuja nor-
mal é de 30° com (TI no sentido contrário ao da rotaçâo dos ponteiros do relógio,
devemos simplesmente desenhar uma linha a partir do pólo de normais e obter as
tensões normal e cisalhante atuando naqu~le plano.

O estado de tensões tridimensional consiste em três tensões principais desiguais


atuando em um pont o. Este é um estado triaxial de tensões. 8'e duas das três tensões
principais são iguais, o estado de tensões é d enominado cilíndrico, enquanto que se
todas as três tensões principais são iguais, o estado de tensões é dito ser hidrostático
ou esférico.
A determinação das tensões principais para um e stado de tensões tridimensional
em termos das tensões atuando em um sistema de coordenadas cartesiano arbitrário é
uma extensão do método descrito na Seção 2.3 para o caso de duas dimensões. A Fig.
2.7 representa um corpo livre elementar, similar àquele mostrado na Fig. 2. I, com um
plano diagonal JKL de área A. Considera-se que o plano JKL é um pl ano principal que
corta o cubo unitário. A tensão principal que atua normal ao plano JKL é (T. Sejam I,
m e n os co-senos diretores de (T, isto é, os co-senos dos ângulos entre (T e os eixos x, y
e z. Já que o corpo livre da Fig. 2.7 deve estar em equilíbrio, as forças que atuam em
cada uma de suas fa ces devem-se equilibrar. As componentes de (T ao longo de cada
um dos eixos são S x , S y e S z.

Sx = aI S y = am
I I

Area KOL = AI Area JOK= Am


-'xvi + ((J - (Jv)m - 'zvn =O (2.13b )

- 'xz I- 'vz m + ((J - (Jz)n =O (2.13c)

As Eqs. (2.13) são três equações lineares homogêneas e m termos de 1,111 e n. A


única solução não-trivial pode ser obtida igualando-se a zero o determinante dos coefi-
cientes de I, 111 e 11, uma v ez que I, 11 1 e n não podem ser todos zero.

(J-(J
x -
t
-'vx zx

-'xv (J-(J
v -'zv =0
-T
xz -'vz (J - (J z

(J3 - ((Jx + (Jv + (Jz)(J2 + ((Jx(Jv + (Jv(Jz + (Jx(Jz - 'x/ - 'v/ - 'x/)(J

-(Jx(Jv(Jz + 2,xv'vz'xz - (Jx'v/ - (Jv'x/ - (Jz'x/) =O

As tr ês raízes da Eq. (2.14) são as tr ês tensões principais aI, a2 e a3' Para determinar
a dire ção, com rel ação aos eixos originais x, y e z, na qu al as tensões principais atuam
é necessário substituir a" a2 e a3, uma de cada vez, nas três equações da Eq. (2.13).
As equ ações resultantes deve m ser resolvidas simultaneamente p ara I, 111 e n, com a
ajuda da relação auxiliar 12 + 11 1 2 + n2= I.
Verifique que existem três combinações de componentes de tensão na Eq. (2.14)
que constituem os coeficientes da equação cúbica. Já que os va lores destes coeficien-
tes d eterminam as tensões principais, eles obviamente não variam com mudanças nos
eixos coordenados. Assim, eles s ão co eficientes invariantes.

(Jx + (Jv + (Jz = /1

(Jx(Jv + (Jv(Jz + (Jx(Jz - 'x/ - 'x/ - 'v/ = /2


(Jx(Jv(Jz+ 2 'xv'vz'xz-(Jx'vz 2
-(Jv'xz
2
-(Jz'xv
2
= /
3

o primeiro invariante de tensão, I" foi visto anteriormente para o estado bidimensio-
nal d e tensões. Fica, assim, proposta a relação bastante útil d e· que a so ma das tensões
normais para qualquer orientação n o sistema coordenado é igual à soma das tensões
normais para qualquer outra orientação. Por e xemplo,

Na discussão acima nós desenvolvemos uma equação para a tensãol num plano
oblíquo especial, um plan o principal no qual não ex iste tensão cisalhante. Desenvol-
vamos agora as equações para as tensões normal e cisalhante em qualquer plano oblí-
quo cuja normal tem co-senos dir etores I, m e n com os eixos x, y e z. Poderemos
utilizar a Fig. 2.7 uma vez mais se compreendermos que para esta situação geral a
tensão total no plano S não será coaxial com a te n são normal, e que S2 = (J" 2 + A r.
tensão total pode, mais uma vez, ser desmembrada nas componentes S x, S y e S z, de
maneira que

Fazendo-se o somatório das forças nas d ireções x, y e z, chegamos às expre ssões para
as componentes ortogonais da ten são total:

Sx =(Jxl
+ 'yxm + 'zxn (2.170)
Sy = 'xyl + (Jym + 'zyn (2.17b)

Sz = 'xzl + 'yzm + (Jzn (2.17c)

Para encontrar a tensã o normal (J" no plano oblíquo, é necessário determinar as


componentes de S x, S y e S z na direção da normal ao plano oblíquo.
Assim,

ou, após substituição das Eqs. (2.17) e simplificando com TXY = TyI, etc.,
2 2
(J (Jx12 (Jym (Jzn
= + + + 2'xylm + 2'yzmn + 2'zxnl
A magnitude da tensão cisalhante no plano oblíquo é da da por r = S 2 - (J"2. Para se
obter a magnitude e d ireção das d uas componentes d a tensão cisalhante no pla no oblí-
quo é necessário rebater as co mponentes de tensão S x, Sy e S z nas direções y' e z'
contidas no plano oblíquo!. Este desenvolvimento não será rea lizado aqui porque as
equações pertinentes podem ser mais facilmente derivadas pelos métodos apresenta-
dos na Seção 2.6.
Já que o escoa mento plástico envolve tensões cisalhantes, é importante identificar
os planos nos quais as tensões cisa/hantes máximas ou principais ocorrem. Na nossa
discussão do estado de tensões b idimensional vimos que Tmax ocorria num plano a
meio caminho entre os dois planos principais. Assim, é mais fácil definir os planos

principais
= S2 - u2,depode-se
cisa lhamento
mostrar em
quetermos dos três eixos principais 1, 2 e 3. A par tir de r

onde I, m e 11 são os co-senos diretores entre a normal ao plano oblíquo e os eixos


principais.
As tensões cisalhantes principais ocorrem para as seg uintes combinações de co-
senos diretores que dividem ao me io o â ngulo entre dois dos três eixos principais:

I m n
,
(J2 - (J 3

+ J I + J I
O - 2 - 2
'I = 2

+JI
- 2 +JI O
- 2
'2 =
---
(JI -

2
(J3
(2.20)

+ JI + JI
<.
(JI - (J2
O '3=
- 2 - 2 2
D a ordo com o que foi convencionado, <TI é algebricamente a maior tensão principal
normal. <T 3 é algebricamente a menor tensão principal normal e T2 possui o maior valor
d tensão cisalhante. sendo denominada te lls ão e isa/hallr e m á x ima . T IIUl.]'.

:\ tensão cisalhante m áxima é importante nas teo rias de iníc io de escoamento e nas
operações de conformação metálica. A Fig. 2.8 mostra os pl a nos das tensões cisalhan-
tes principais para um cubo cujas faces são o s planos principais. Observe que para
ada par de tensões principais existem dois planos de tensão cisalhante principal que
e localizam na bissetriz do ângulo formado entre as direções das te nsões principais.

(TI - (T2
T3 = -2--

Vários aspectos da análise da tensão, tais como as equações para transformação das
componentes de tensão de u m c onjunto de eixos coordenados para outro sistema de
coordenadas ou a existência de tensões principais, tornam-se mais simple( quando se
reconhece o fato de que a t ensão é um ten sor de segunda ordem. Diversas técnicas
para a man ipulação dos te n sores de segunda ordem não requerem um conhecimento
profundo de cálculo tensorial. Assim, torna-se vantajoso aprender alguma coisa sobre
propriedades dos tensores.
Começaremos considerando a transformação de um vetor (um ten sor de primeira
ordem) de um sistema de coo rdenadas para outro. Considere o v etar S =S/, + 52i 2 +
53 i3 , estando os v e tores unitários i" i2 , i3 nas direções Xj, X 2 e X 3 ' (De acordo com a
convenção e por conveniência, ao se trabalhar com quantidades tensoriais os e ixos
coordenados se rão designados x I, X 2 , etc., sendo x, equivalente a x, X2 a .y , etc.) S 10 S 2
e 53 s ão componentes de 5 em relação aos eixos X l, X2 e X 3 ' Desejamos agora encontrar
as componentes de S c om relação a os eixosx'"x'2,x'3, Fig. 2.9. A componenteS'1 é
obtida rebatendo-se S " S 2 e S 3 ao longo da nova direção x' I'

onde a'l é o co-seno di retor entr e X'I e XI> a' 2 é o co-seno diretor entre x'J e X2, etc.
Analogamente,

S~ = a21S 1 + a2 2 S2 + a2 3 S3 (2 .2 2 b)

S3 = a31S] + a3 2 S2 + a3 3 S3 (2.2 2 c )

Podemos not ar que o primeiro subíndice para cada co-seno dir etor em c ada uma das
Eqs. (2.22) é o mesmo; ass im, estas equações podem ser escritas como

3 3 3

s;
=;
j=1 L aljSj S~ =j=
L l a2 jSj S~ = j=
L l a3jS j

S; = LaijS/i = 1,2,3) = aj1Sl + aj2S 2 + ai3S 3


j=1

A Eq. (2.23) pode ser esc rita de m aneira ainda mais compacta, utilizando-se a notação
de subíndices de Einstein,

(2.24)

A notação d e subíndices é uma maneira muito útil de expressar os sistemas de eqoa-
ções de uma forma mais compacta, sendo geralmente utilizada na mecânica do contí-
nuo. A repetição de um subíndice em um m esmo termo, como na Eq. (2.24) (neste
caso o s ubíndicej). representa um somafório em relação àquele subíndice. Exceto com
indicação contrária, o somatório do outro índice é de I a 3.
No exemplo acima ié um subíndice livre e, na forma expandida, d iste uma equa-
ção para cada valor de i. O índice repetido é denominado subíndice de operação, e sua
única finalidade é indicar o somatório. As mesmas três equações se riam obtidas se
uma outra letra fosse utilizada como subíndice de o peração, por exemplo, S'j =airS,.
significaria a mesma coisa que a Eq. (2.24).
Nós vimos, na Seç ão 2.5, que a determinação completa do est ado de ten sões num
ponto em um sólido requer a especificação de nove componentes de tensão nas faces
ortogonais do elemento n o ponto. Uma quantidade vetorial requer apenas a e specifica-
ção de três componentes. Obviamente, a tensão é mais complicada que um vetor. As
quantidades físicas que se modificam com os eixos coordenados da maneira indicada
na Eq. (2.18) são denominadas te/1S0res de segunda o rdem. A tensão, deformação e
várias outras quantidades físicas são tensores de segunda ordem. Uma quantidade es-
calar, que não se modifica com a transformação dos eixos, requer somente um único
número para a sua especificação. Escalares são tensores de or dem zero. As quantida-
des vetoriais requerem três componentes para a sua especificação, sendo assim tenso-
res de pr imeira ordem. O número de c o mponentes necessárias para especificar uma
quantidade é d e 3", onde n é a ordem do tensor'. A constante elástica que relaciona a
tensão com a defo rmação num sólido elástico é um tensor de quarta ordem com 81
componentes no cas o mais geral.
O produto de dois vetores A e B c o m componentes (A" A2, A3) e (B I > B2, B3),
respectivamente. resulta num tensor de segunda ordem. Ti}. As componentes deste
tensor podem ser apresentadas numa matriz 3 x 3.

Tu TI2 TI3
Tij = T21 T22 T23
T31 T32 T33

Transformando-se os eixos, as componentes dos vetores se tornam (A' I, A' 2, A' 3) e


(B' I, B' 2, B' 3)' Nós desejamos encontrar a relação entre as nove componentes de Tu e
as nove componentes de Tu após a mudança de eixos.

A;B~ =(aij AJ(akIB[)


Ti~ =aij akl Tj[

Como a tensão é um tensor de seg unda ordem, as componentes do tensor-tensão


podem ser escritas como

(
)II ()12 () 13 ()x 'xy 'xz

()ij = () 21 ()22 () 23 'yx ()y 'yz

()31 ()32 () 33 'zx 'zy ()z

A transformação do tensor-tensão au do sistema de eixos x I, X2, X3 para os e ixos x' I,

-,'2, X'3 é dada por

onde ie j são subíndices de operação e k e I são subíndices livres. Para expandir a


equação tensorial fazemos primeiramente o somatório paraj = I, 2, 3:

IUma relação mais precisa é N = k". onde N é o número de componenles necessárias para a descrição de um
tensor da n-ésima ordem num espaço de dimensâo k. Para um es paço bidimensional, somenle quatro compo-
nentes sâonecessárias para descrever um tensor de segunda ordem.
(Jkl =aklal1(JU + ak1a12 (J12 + akla13 (J13
+ ak2al1(J21 + ak2aI2(J22 + ak2a13(J23
+ ak3al1(J31 + ak3aZ2(J32 + ak3aZ3(J33
Existirá uma equ ação similar à (2.27) para cada valor de k e I. Assim, para en contrar a
equação da tensão normal na direção X'I, seja k =1 e1 =1

(Ju =auau(Ju + aUa12 (J12 + aUa13 (J13


+ a12 au (J + a12 a12 (J + a12 a13 (J23
21 22

+ a13al1(J31 + a13a12(J32 + a13aI3(J33


Pode-se verificar que, escrevendo-se esta equa ção com a simbologia utilizada na Seção
2.5, ela se recluzirá à Eq. (2.18).
Analogamente, se desejarmos determinar a tensão cisalhante no plano x', na dire-
ção z', isto é, Tx,z', seja k =1 e 1 =3

(J13 =aUa31(Jll aUa32 (J12 aUa33 (J13


+ +
+ a12a31(J2
1 + a12a32(J22 + a12a33(J23
+a13a31(J31 + aI3a32(J32 + a13a33(J33

Talvez valha a pena enfatizar novamente que não importa que letras são utiliza-
das como subíndices na notação tensorial. Assim , a transformada de um tensor de
segunda ordem poderia muito bem ser escrita como T'sl = asr/ltqTpq, onde Tp! , são as
componentes nos eixos originais e T' si são as com ponentes referidas aos no vos eixos.
A lei de transformação para um tensor de terceira ordem é escrita como

A matéria apresentada até agora nesta seção é , na realidade, pouco mais do que
notação tensorial. Ainda assim, já gan hamos um poderoso método resumido para es-
crever as equações da mecânica do contínuo , que são f reqüentemente difíceis de serem
manejadas. (O estudante notará que isto fa cilitará bastante o problema de mem or izar
equações.) Aprendemos também uma técnica útil para transformar uma quantidade
tensorial de um co njunto de ei xos para outro. Existem apenas alguns fatos adicionais
sobre tensores que precisamos considerar. O estudante interessado em se aprofundar
um pouco mais nes te tópico pode consultar algumas obras de aplicações orienta das em
tensores cartesianos1•
Uma quantidade útil na teoria tensorial é o delta de Kro necker , ai}. O del ta de
Kronecker é um tensor isotrópico unitário de segunda ordem, ou seja , tem componen-
tes idênticas em qualquer sistem a de coordenadas.

I O
6 ij = O I ~= {I i=j
i#j
O O I O

A multiplicação de um tensor ou produtos de tensores por O u causa 'u ma redução de


dois na ordem do ten sor. Isto s e denomina contraçiío do tensor. A regra é apresent ada
aqui sem prova, porém, são fornecidos exemplos para que possamos fazer uso disto
em discussões posteriores. Consideremos o produto de dois tensores de segunda or-
dem, Apq B Esta multiplicação produziria um t ensor de quarta ordem, nove equa-
ulC'

ções cada, com nove termos. Se multiplicarmos o produto por a ,,, 1 " O este se reduzirá a
um tensor de segunda ordem.

A "regra" q e eliminar a q1c' O processo de contração pode


repetidoconsiste
diversasemvesubstituir
zes. Assim, por
ll'
ser na primeira contração, Apq BVlc a qlC a pv se reduz a
Ap" Bvq a pv e então a Apq Bpq, que é um tensor de ordem zero ( um escalar).
Se aplicarmos a contração ao v etor de tensão de seg unda ordem

obteremos o primeiro invariante do tensor (um escalar).


Os invariantes do tensor de tensão podem ser prontamente determinados a partir
da matriz de suas componentes. Uma vez que (T12 =(T21, etc., o te nsor áe tensão é um
rensor simérrico.

() 11 (}12 (}13
(}ij = (}12 (}22 (}23

()13 (}23 (}33

O primeiro invariante é o traço da matriz, isto é, a soma dos termos da diagonal


principal:

O segundo invariante é a soma dos secundários principais. O secundário de um ele-


mento de uma matriz é o determinante de or dem imediatamente mais baixa que per-
manece quando se suprimem a linha e a coluna do elemento em questão. Assim, to-
mando cada um dos termos principais (diagonal principal) em ordem e suprimin do
aquela linha e coluna, temos:

Finalmente, o terceiro invariante é o determinante da matriz inteira dos componentes


do tensor-tensão.
Como um exemplo das vantagens da contração e co nceitos fornecidos p ela nota-
ção tensorial derivaremos novamente as equações para a tensão principal, que foram
desenvolvidas na Seção 2.5. O leitor deve notar a facilidade com que se pode perder o
significado físico na manipulação matemática. Um teorema básico da teoria tensorial
afirma qu e existe uma certa orientação dos eixos coordenados tal que as componentes
de um tensor simétrico de segunda ordem serão todas nulas para i4 = .i. Isto equivale a
dizer que os conceitos d e tensão principal e eixos principais são inerentes à caracterís-
tica tensorial da tensão.
As três equações de somatório de forças, Eqs. (2.17), podem ser escritas na forma

onde o subíndice n é usado para denotar que estamos lidando com os ângulos à normal
de um plano oblíquo. Se fazemos com que o plano oblíquo seja um pl ano principal e a
Entretanto, uma vez que a tensão p rincipal está na direção da normal ao pla no oblí -
quo, alli = api, assim,

Já que ap1 = I, ap2 = /11, e O j i = O quando} f- i, a expansão da Eq. (2.32) fornecerá as


três Eqs. (2.13). Para que a Eq. (2.32) tenha uma solução não trivial em ap;, o determi-
nante dos coe ficientes deve desaparecer, o que resulta em

(Jx - (Jp 'xy 'xz


I (Jij - (Jp6jil =
'yx (Jy-(Jp 'yz =0

'zx 'zy (Jz-(Jp

que leva à e quação cúbica (2.14). Os coeficientes desta equação em notação ten sorial
são

/1 =(Jii
/2 =t(CTikCTki - CTii(Jkk)

/3 =i(2(JijCTjkCTki - 3(JijCTjiCTkk + CTiiCTjjCTkk)


O fato de aparecerem n estas equações apenas subíndices de ope ração indica a natu-
reza escalar dos invariantes do tensor-tensão.

A discussão sobre a re presentação de um estado de tensão b idimensional através do


círculo de Mohr apresentada na Seção 2.4 pode ser estendida a três dimensões. A Fig.
2.10 mostra como um est ado triaxial de tensões, definido pelas três tensões principais,
pode ser representado pelos círculos de Mo hr. Pode ser m ostrado! que todas as condi-
ções de tensão possíveis no co rpo encontram-se na área sombreada entre os círc ulos
na Fig. 2.10.
Embora O único significado físico do círculo de Mohr s eja o fato de fornecer uma
representação geométrica das equações que expressam a transformação das compo-
nentes de tensão em difer entes co njuntos de eixos, ele repr esenta uma maneira muito
conveniente de visualizar o estado de tensão. A Fig. 2.11 apresenta diversos estados
de tensão comuns, representados a través do círculo de Mohr. Verifique que, com a
aplicação de uma tensão de tração (T2, fazendo ângulo reto com uma tensão (TI já
existente (Fig. 2.llc), ocorre um decréscimo na tensão c isalhante principal em d ois

IA.Nadai, Theory of FlolV alld Fracture of Solids, 2" ed., pp. 96-98, McGraw-Hill Book Company, New
York, 1950.
dos três conjuntos de planos nos quais atua uma tensão cisalhante principal. Se tivés-
semos utilizado um círculo de Mohr bidimensional, não ficaria claro o fato de que a
tensão cisalhante máxima não decresce para valores inferiores ao que possuiria em
tração uniaxial. A tensão cisalhante máxima será reduzida apreciavelmente se uma
tensão de tração for aplicada na terceira direção principal (Fig. 2.lld). Para o caso
limite de tr ês tensões tri axiais iguais (tensão hidrostática), o círculo de Mohr se reduz
a um ponto e não existem tensões cisalhantes atuando em nenhum plano no corpo. A
eficácia das tensões de tração biaxiais e triaxiais em reduzir as tensões cisalhantes leva
a um decréscimo considerável na ductilidade do material, uma vez que a deformação
plástica é produzida por tensões cisalhantes. Ass im, a fratura frágil está invariavel-
mente associada com tensões tri axiais desenvolvidas em um entalhe ou concentrador
de tensão. E ntretanto, a Fig. 2.lle mostra que, se tensões compressivas forem aplica-
das lateralmente a uma tensão tr ativa, a tensão cisalhante máxima será maior do que
para o caso de uma tensão uniaxial em tração ou compressão. Devido ao elevado valor
da tensão cisalhante em relação à tensão de tração aplicada, o material tem uma exce-
lente oportunidade de se deformar plasticamente sem fraturar quando submetido a es te
estado de tensões. Na conformação plástica dos metais faz-se um importante uso deste
fato. Por exemplo, obtém-se maior ductilidade na trefilação de um arame através de
uma matriz do que em simples tração uniaxial, já que a reação do metal com a matriz
produz tensões compressivas laterais.

o deslocamento de pontos em um m eio contínuo pode ser resultado da translação;


rotação e deformação de um corpo lígido. A deformação de um sólido pode ser com-
posta de dilataçüo (variação de volume) ou distorçüo (variação de forma). As situa-
ções que envolvem translação e rotação são geralmente consideradas na seção de me-
cânica denominada dinâmica. As pequenas deformações encontram-se no campo da
teoria da elasticidade, enquanto que as deformações maiores são consideradas na plas-
ticidade e na hidrodinâmica. As equações desenvolvidas nesta seção são basicamente
geométricas, sendo, assim, aplicáveis a todos os tipos de meios contínuos.
Considere um corpo sólido em coordenadas fixas x, y, Z (Fig. 2.12) e qu e uma
combinação de deformação e movimento des loca o ponto Q para Q', cujas novas
coordenadas são x + li, Y + 1', Z + \I'. As componentes do deslocamento são 11, 1', \1',
6c.
?

Fig. 2.11 Círculo de Mo hr (tridimensional) para vários estados de t ensões. (a) Tração uniaxiaJ;
(b) compressão uniaxial; (c) tração biaxial; (d) tração triaxial (desigual); (e) tração uniaxial mais
compressão b iaxial.

~ 'Y I
,
1
,
:

,
"" !
z + W""" iY + v
,,,,
--------------~
X+ U
sendo o vetor u(J = f( I I , \ ' , \I') o deslocamento de Q. Se o vetor-deslocamento for
constante para todas as partículas no corpo, então não haverá deformação. Entretanto,
11; é, em geral, diferente de pa rtícula para partícula, sendo o deslocamento uma função
da distância, 11; = }rXj) . Para sólidos e lásticos e pequenos deslocamentos, lI j é uma
função linear de X j (deslocamentos homogêneos) e as equações de deslocamento s ão
lineares. Porém, para outros materiais o deslocamento pode não ser linear com a dis-
tância, o que leva a relações matemáticas bastante incômodas.
Para iniciar a nossa disc ussão sobre deformação , consideremos um caso simples
unidimensional (Fig. 2.13). Antes da deformação os pontos A e B estão separados por
uma distância dx. Quando uma força é ap licada na direção x, A se move para A' e B
para B'. Uma vez que o de slocamento ti é uma função de x neste caso un idimensional,
B é deslocado um po uco mais que A, já que está mais longe da extremidade fixa. A
deformação normal é dada por

OU
dx + -d x - dx
!J.L A'B' - AB OX
e =-
= -
- -
--
x L AB OX

Para este caso unidimensional o deslocamento é dado por ti =e ~,r. Para que isto
seja generalizado para três dimensões, cada uma das componentes do deslocamento
deve ser relacionada linearmente com cada uma das três coordenadas iniciais do
ponto.

li = e xx x + exyY + exzz
v =ey x x + e yy Y + eyzz
w =e z xx + ezyY + ezzz (2.34)

(2.35)

Os coeficientes que re lacionam o deslocamento co m as coordenadas do po nto no


corpo são as componentes do tensor-deslocamento re lativo. Tr ês destes te rmos podem
ser prontamente identificados co mo as defo rmações normais.

ow
e =
-
zz

oz
Entretanto, os outros se is coeficientes n ecessitam de m aiores considerações.
Considere um elemento no plano xy que foi distorcido devido à atuação de tensõe s
isalhantes (Fig. 2.14). O e lemento sofreu uma distorção angu lar. O des locamento do s
pontos ao longo da linha AD é paralelo ao eixo dos x, entretanto esta componente do
deslocamento aumenta em proporção à distância a partir da or igem, ao longo do ei xo
_-,c '
-------- :
o 0'...._---- C !I
I I

,
lU I
I
ex y I
,
I
I
I
I I
I

!
I _--
----
---
- eyx a'
_---

DD' au
e =
--=-
xy DA ay

BB' av
eyx =
-AB
-= - OX

Estes deslocamentos cisalhantes são pO S ItIVOSquando provocam a rotação de u m a


linha, de um eixo positivo para um outro eixo positivo. Através de métodos análogos,
pode-se ver que as demais componentes do tensor-deslocamento são

au au ou
ax oy az
exx exy exz
ov av ov
eij eyx eyy eyz (2.39)
ox ay oz
=

ezx ezy ezz


aw aw o-w
ax oy oz
Em geral, as co mponentes do deslocamento, tais como eXY, eyX' etc., produzem
tanto deformação cisalhante quanto rotação do corpo rígido. A Fig. 2.15 ilustra diver-
sos casos. Já que precisamos ide ntificar aquela parcela do deslocamento que resulta
em deformação, devemos subdividir o tensor-deslocamento em uma contribuição da
deformação e outra da rotação. Felizmente, um po stulado básico da teoria tensorial
afirma que qualquer tensor de segunda ordem pode ser decomposto em um tensor
simétrico e o utro anti-simétrico.

(2.40)
(2.41 )

1 U i uJ
"C"J' = 2 ( a a x +. a a x ,
',)
e é denominado tensor-deformação
J

_1( a u ; _ a u j) e é denom inado tensor-rotação


wiJ. =
2 aXj OXi
y y y
e x y =e yx ex y =- eyx e xy =Y
eyx = O
---7
------ I
---7
I

,,
I I
I
I
-1 ,I

I
I
I

! ~ Y / '. . . .

"
I
I I

I
I
I
I
I
I
I I
,
I

"
I I
I I I
I I I

x --_J x x
{ai (bl " (c)

Fig. 2.15 Alguns exe mplos de deslocamento com cisalhamento e rotação. (a) Cisalhamento puro
sem rotação; (b) rotação pura sem cisalhamento; ( c ) cisalhamento simples.

au ~ e u + a v ) ~ (a u + a w )
ax 2 ay ax 2 az ax
e xy e xz
E xx

1 eu a v) av ~ eu + a w ) (2.42)
eij = e yx e yy e yz
2 ay + ax ay 2 az ay
e zx e zy e zz
~ eu + a w ) ~ ev + a w )
aw
2 az ax 2 az ay az
o ~eu _ a V ) ~ eu _ a w )
2 ay ax 2 az ax
Wxx w xy Wxz

wij= w yx w yz ~ ev _ a u ) o ~ ev _ a w ) (2.43)
2 ôz ay
Wyy
2 ax ay
w zx w zy Wzz

~ ew _ a u ) ~ ew _ a v) o
2 ax ôz 2 ay az
Pode-se notar que Sij é um tensor simétrico já que Sij = Sj;, isto é, SI!! = SIZ> etc. Wij é
um tensor anti-simétrico uma vez que Wij = -Wj;, isto é, W;r.v = -W,IJI' Se Wij = O , a de-
formação é denominada irrotacional.
Substitui ndo-se a Eq. (2.41) na Eq. (2.35), obtêm-se as equações genéricas do des-
locamento

Na Seção 1.9, a def ormação c isalhante )' foi definida como a variação a ngular ,
total de um ângulo reto. Referindo-se à Fig. 2.15a , )' = e I!! + eVI = SI!! + SYI = 2 SI!!'
Esta def inição de deformação cisalhante. )'ij 2 Sij, é denominada deformação cisa-
Ihanfe de engenharia. =

au au
Yxy = ay + ax
aw au
Y xz = ax + az
ôw av
Yyz = ôy + a z
Esta definição de deformação cisalhante é comu.mente utilizada na elasticidade de en-
genharia. Entretanto, a deformação cisalhante definida de acordo com~ a Eq. (2.45)
não é uma quantidade tensorial.
Devido às vantagens óbvias, obtidas nas transformações de tensores pelos méto-
dos discutidos na Seção 2.6, torna-se interessante utilizar o tensor-deformação con -
forme definido pela E q. (2.42). Uma vez que o tensor-deformação é um tensor de s e-
gunda ordem, ele apresenta tod as as propriedades a nteriormente descritas para a ten-
são. Assim, um tensor-deformação pode ser transformado de um conjunto de eixos

coordenados para um novo sistema de eixos por

Por simplicidade, as equações p ara deformação, análogas àquelas para tensão, podem
ser escritas diretamente, substituindo-se e por (J e y/2 por 'T. Assim, a deformação
normal em um pl ano oblíquo é d ada por

[Compare a equação acima com a Eq. (2.18).]


Por completa analogia com as tensões, é possível definir um sistema de eixos

coordenados
de deformaçãoaoprincipal.
longo d os Para
quaisum
não há deformações
corpo cisalhantes.
isotrópico, as E stes
direções das eixos são eixos
deformações prin-
cipais coincidem com as das tensões principais'. Um elemento orientado ao longo de
um dos eixos de deformação principal se submeterá a uma extensão ou contração pu-
ras, sem qualquer rotação ou deformação cisalhante. As três deformações cisalhantes
principais são as raízes da equação cúbica

/1 = Bx + By + Bz
/2 = BxBy
+ ByBz
+ BzBx -
t(yx / + Y z / + Yy/)
/ _BxByBz
3
-
+ l4YxyYzxYyz _ l(
4 BxYyz
2 + ByYzx 2 + BzYxy 2)

As direções das deformações principais são obtidas das três equações análogas às Eqs.
(2.13),

2l(Bx - + myxy + nyxz =O


B)

lyxy + 2m(By - B) + nyyz = O


lyxz + myyz + 2n(Bz - B) =O
Continuando com a analogia entre as equações de tensão e deformação, as equações
para as deformações cisalhantes principais podem ser obtidas da Eq. (2.20).

Ymax = Y2 = B1 - B3

Y 3 =B 1 - B2

IPara uma derivação deste ponto ver C. T. Wang, Applied Elaslicily, pp. 2f>.27, McGraw-Hill Book Company,
New York, 1953.
Geralmente, a deformação de um sólido envolve variação em volume e 11a forma.
Assim, precisamos determinar quanto desta deformação é devido a estas contribuições.
A deformação l'o/umétrica ou dilataç ão cúbica é a var iação em vo lume por unid ade de
volume. Considere um paralelepípedo retangular de arestas dx, dy e dz. O volum e na
condição deformada é (I + e x )( I + e y )( l + e z ) dx dy dz, uma vez que somente as de-
formações normais resultam em mudan ças volumétricas. A deformação volumétrica t . -
é

ó. =(_ 1_ _ + _ 8 x_ )_ (1_ _+ _ 8 y_)(.1_+ _8 z_) _dx_dy _dz__-d_ x_d _y_ dz


dx dy d z

a qual para pequenas deform ações, após desprezar os pr odutos de de formações, se


reduz a

Observe que a de formação volumétrica é ig u al ao primeiro invariante do t ensor-


deformação, t . - = e x + B v + e z = 10 1 + 102 + 103' Podemos também definir (e x + eJ l +
eJ/3 como a dejórmação média ou a com ponente hidrostática (esférica) da d eforma-
ção.

Aquela parte do tensor-deformação que é en volvida em v ariação de forma em ve z


de mudança volumétrica é denominada deformação-desvio e'u . Para se obter as
deformações-desvio, simplesmente subtraímos em de cada uma das componentes da
deformação normal. Assim,

8x - 8m 8xy 8xz

c ij = 8yx 8y - 8m 8yz

8zx 8zy Cz - em

A divisão do ten sor-deformação total em defo rmações-desvio e dilatacional é dada em


notação iensorial por

Por exemplo, quando EU são as d eformações principais, (i =j), as deformações-desvio


são 10' 11 = 1011 - e " " 10'22 = 1022 - em , 10'3 3 = 1033 - em ' Estas deformações apresentam
elongações ou contrações ao lo ngo dos eixos principai s que mudam a forma d o corpo a
volume constante.
Exceto em algun s casos que envolvem tensões de contato, não é possível medir dire-
tamente as tensões. Desta maneira, medidas ex perimentais de t ensão são, na reali-
dade, baseadas em deform ações medidas que são convertidas para tensões por meio d a
Lei de Hooke e das relações mais gerais que são dadas na Seção 2.11. O di spositivo
mais empregado para medidas de deformação é o e xte nsômetro SR-4, que opera por
medida de resistência elétrica de um minicir cuito co lado à amostra.' Estes extensôme-
tros (slrain gag es) são constituídos de vár ios enrolamentos de fios finos ou folhas finas
de composição especial, que são co lados à s uperfície do corpo a se r estudado. Quando
o corpo é deformado, os fios no extensômetro também se deformam, alternando, as-
sim, a sua resistência elétrica. A variação em resistência, que é proporcional à d efor-
mação, pode ser d eterminada com precisão através de um simples circuito de ponte de
Wheatstone. A alta sensibilidade, estabilidade, relativa resistência mecânica e facili-
dade de utilização tornam os extensômetros à resistência uma importante f erramenta
na determinação de deformações.
Em problemas práticos de a nálise experimental de tensões, é freqüentemente im-
portante determinar as tensões principais. Se as direções principais forem conhecidas,
os extensômetros poderão ser orientados nestas direções, determinando-se pronta-
mente as tensões principais. Em geral, não se conhecem as direções das deformações
principais, sendo então necessário determinar a orientação e magnitude d as deforma-
ções principais através de deformações medidas e m direções arbitrárias. Devido ao
fato de que n enhuma tensão age perpendicularmente a uma superfície livre, as medidas
por extensômetros e nvolvem um estado de tensões bidimensional. O estado de defor-
mações é c ompletamente deter minado s e CI' cye YIY podem ser medidos. Entretanto,
os exte nsômetros po dem registrar diretamente apenas deformações lineares, enquanto
que deformações c isalhantes devem ser determinadas indiretamente. Assim, utiliza-se
freqüentemente, para a determinação de esf orços triaxiais, três extensômetros separa-
dos por ângulos fixos, dispostos em r oseta, como mostra a Fig. 2.16. Leituras de ex-
tensômetros com três v alores de ( J diferentes fornecem três equações simultâneas, si-
milares à E q. (2.53), das quais se o btêm os valores de CI, Bve YIY' A versâo bidimen-
sional da Eq. (2.47) pode então ser utilizada para determinar as deformações princi-
paIs.

O círculo de Mohr é um método mais conveniente para determinar as deforma-


ções principais através de leituras de extensômetros d o que a utilização das três equa-
ções simultâneas a três variáveis. Pa ra a construção de um círculo de Mohr represen-

Fig. 2.16 Extensômetro roseta tí-


pico. (a) Retangular; (b) delta.

Para um tratamento de extensômetros e outras técnicas de análise de tensão experimental, ver J. W. Dally e
1

W. F. Riley, Experimental Stress Ana lysis, McGraw-Hill Book Company, New York, 1965.
tativo de deformação, valores da deformação linear e são representados em um gr áfico
ao longo do eixo dos x e a deformação cisalhante dividida por 2 ao longo do e ixo dos y.
A Fig. 2.17 mostra a construção' de um círculo de Mohr para a roseta de ex tensôme-
tros ilustrada na parte superior da figura. Três extensômetros, situados nas posições
definidas pelos ângulos arbitrários a e {3,fornecem leituras de ea, eb e eco O objetivo é
determinar a magnitude e a o rientação das deformações principais e] e e2'

I. Ao longo de um eixo arbitrário X'X' traçam-se linhas verticais aa, bb e cc,


correspondentes às defor mações ea, eb e eco
2. De qualquer ponto da linha bb (extensômetro do meio) traça-se uma linha DA
fazendo ângulo a com bb e interceptando aa no ponto A. Da mesma forma,
traça-se De interceptando cc no ponto e.
3. Constrói-se um círculo através de A, e e D. O ce ntro deste círculo é O, de-
terminado pela interseção do s bissetores perpendiculares a eD e AD.
4. Os pontos A, B e e no círculo fornecem os valores de e e y / 2 (medidas atra-
vés do novo eixo dos x que passa por O) para os três extensômetros.
5. Os va lores das deformações principais são determinados pela interseção do
círculo com o novo eixo dos x que passa por O. A relação angular de e] com o
extensômetro a é metade do ângulo AOP no círculo de Mohr (AOP = 20).

'G. Murphy. J. App/. Mech., vol. 12, p. A209. 1945: F. A. McClintock, Proc. Soco Exp . 5tress Ano/., vol. 9.
p. 209. 1951.
Após introduzido o conceito de que o te nso r de def ormação pode ser dividid o em uma
deformação hidrostática ou mé dia e uma de formação de desvio, torna-se imp ortante
considerar o significado físico de uma oper ação similar para o tensor de tensã o. Assim,
o tensor de te nsão total pode ser dividido em um tensor d e tensão hidrostático ou mé-
dia, (Til" que envolve somente t ração ou co mpressão pura, e um tensor-tensão des vio,
(T'ij, que representa a tensão cisalhante no estado de tensões t otal (Fig. 2.18). Por ana-
logia direta com a situação apresentad a para a deformação, a componente hidrostática
do tensor de tensão produz apenas variaçõ es volumétricas elásticas, não causando de-
formação plástica. Medidas experimentais mostram que a tensão de es coament o dos
metais é independente da tensão hidrostática, embora a deformação de f ratura seja for-
temente influenciada por esta componente de tensão. Devido ao fato da tensã o-desvio
envolver tensões cisalhantes. ela é im portante na geraç ão da de formação plá stica.
No Capo 3 veremos que a tensão-desvio é útil na formulação de teorias de e scoamento.

2 CTx - C Ty - C Tz

'xy 'xz
3

2 CTy - C Tz - C Tx
a~j = 'yx 'yz
3

2 CT z - CTx - CTy
'zx 'zy
3
Pode-se notar prontamente que a tensão-desvio envolve tensões cisalhantes. Por
exemplo, referindo-se a-'ij a um sistema de e ixos principais, tem-se

e< J! - <Jz) + e<J! - <J3)


3

onde 73 e 72 são tensões cisalhantes principais.


Já que a-'ij é um ten sor de segunda ordem, ele po ssui eixos principais. Os valores
principais da tensão-desvio s ão as raí zes da eq u ação cúbica'

onde J h J 2 e J 3 são os invariantes do ten sor d a tens ão-desvio. J 1 é a soma dos ter-
mos pri ncipais na dia gonal da matriz de componentes de a-'ij.

Até o momento a nossa discussão de tensão e deformação tem sido completamente


geral e a plicável a qualquer meio contínuo. Agora, se queremos relacionar o tensor de
tensão com o tensor de defo rmação, devemos introduzir as propriedades do material.
Equações deste tipo são denominadas equações cOl1sfifufivas. Neste capí tulo conside-
raremos apenas equações constitutivas para sólidos elásticos. Inicialmente, devemos
ainda considerar somente sólidos elásticos isotrópicos.
No Capo I vimos que a tensão elástica se relaciona linearmente com a deformação
elástica através do módulo de e lasticidade (Le i de Hooke).

onde E é o módulo de elasticidade e m tração ou compressão. Enquanto uma força de


tração na direção x produz uma extensão a o lon go daquele eixo, produz também uma
contração nas direções transversais y e z . Encontrou-se ex perimentalmente qu e a de -
formação transversal é uma fração constante da defor mação na direção longitudinal.
Esta constante, denotada pelo símbolo I', é conhecida como I11Ódlllo de PotsSOI/.
Para fins de cálculo utiliza-se somente o valor absoluto do módulo de Pois son que,
para um material elástico perfeitamente i sotrópico, é 0,25, mas para a maioria dos
metais seu valor! se aproxima de 0.33.
Consideremos um cubo unitário submetido a tensões normais U'x, U'y e U'z e ten-
sões cisalhantes TXY' TyZ e Tzx para desenvolvermos as relações tensão-deformação para
um estado de tensões tridimensional. Uma vez que as tensões elásticas são pequenas e
o material é isotrópico, podemos admitir que a t ensão normal U'x não produz deforma-

ção cisalhante z e que uma t ensão cisalhante TXY não produz defor-
normaisnos planos
mesmosouplanos.
x, y
mações nestes Podemos, então, aplicar o princípio da super-
posição2 para determinar a deformação produzida por mais de uma componente de
tensão. Por exemplo, a tensão U'x produz uma defomração normal Ex e duas deforma-
ções transversais Ey = -VEx e Ez = - ve xo Assim,

Dejimnaçâo Dejimnação Deformação


na na na
Tensão direção x direçâo ." direção z
ax vax vax
ax E,=-- E =--
EX=E E Z E

va, a, va,
a, Ex=
-7f E=-
' E Ez=
-E
vaz vaz az
az Ex= -7 E =
,--
E ê=
z
-
E

A constante de proporcional idade G é o l11ódulo de elasticidade cisalhante ou o I11Ó-


dulo de rigidez.Valores de G são geralmente determinados por ensaios de t orção.
Vimos que as equações tensão-deformação para um sólido elástico isotrópico en-
volvem três constantes, E, G e lJ. Valores típicos destas constantes para alguns metais
estão apresentados na Tabela 2. I.
Uma outra constante elástica é o l11ódulo de cOl11pressibilidade cúbica ou módulo
de elasticidade volumétrica, K, que é a razão da pressão hidrostática pela dilatação
que esta produz

(J -p 1
K=~
=-=-
~ ~ fi

'W. Koster e H. Franz, Metal/. Rev., vol. 6, pp. I-55, 1961.


'O princípio da superposição estabelece que duas deformações podem ser combinadas por superposição direta.
A ordem de aplicação não tem influência alguma na deformação final do corpo.
Tabela 2.1 Valores típicos das const an tes elásticas de
materiais isotrópicos à temperatura ambiente

Módlllo de Módulo d e Coeficiente


elasticidade cisalhamento de
kg/mm' (X 10-3) kg/mm' (XIO-3) Poisson

Ligas de alumínio 7,4 0,31


Cobre 1 1 ,2 0,33

Aço-carbono
liga baixa 20.4 0,33
Aço inoxidável
( 18-8) 19,7 6,7 0,28
Titânio 12,0 4,6 0,31
Tungstênio 40,8 16.0 0,27

onde -pé a pressão hidrostática e f 3 a compressibilidade.


Várias relações úteis podem ser deriv adas entre as constant es elásticas E, G, ve
K. Por exemplo, se adicionamos as três equações (2 .64),

1 - 2v
Li =-- 30"
E m

K= O "m = E
Li 3(1 - 2v)

Outra relação importante é a expressão que relaciona E, G e v. Esta equação é desen-


volvida geralmente em um cu rso básico sobre resistência dos materiais!.
E
G=--
2(1 + v)
Diversas outras relações podem ser desenvolvidas entre esta s quatro constantes elás-
ticas isotrópicas. Por exemplo ,

9K 1 - 2 G /3 K
E=--- v=
1 + 3 K /G 2 + 2 G /3 K
G _3(_I_-_2_v)_K
=
E
K= 9---- 3E/G
2(1
+ v)

IPara um desenvolvimento geométrico. ver D. C. Drucker , fnlroduclion 10 Mechanics of Deformable S olids,


pp. 64-65, McGraw-Hill Book Company, New Y ork, 1967 . Para um desenvolvimento baseado em isotropia e
transformação de eixos, ver Chou e Pagano, op. cil., pp. 58-59.
Yxy 1 +v v
e xy ="2 = ~ T xy - E C Ik k (O )

1 +v 1 1
Yxy = G T xy
E 2G

2.12 CÁLC ULO DE TENSÕ ES A PARTIR DE DE FOR MAÇÕES


ELÁSTICAS
Uma vez que para pequenas deformações elásticas não exi ste ligação entre as expres-
sões para tensão e deformação normais e as equações para tensão e deformação cisa-
Ihantes, é possível inverter as Eqs. 2.64 e 2.65 e resolvê-Ias para tensão em termos de
deformação. Da Eq. (2.64),

E
C Ix + C Iy + C Iz =-- (e x + e y + e z)
1 - 2v

J + \' v
ex = ~ C I x - E (C I x + C I y + C Iz)

E vE
C Iij= 1 + v e ij+ (1 + v)(I _ 2 v )e k k é 5 ij

A expansão da Eq. (2.73) fornece três equações para tensão normal e seis equações
para
mida, tensão cisalhante. A Eq. (2.72) é e scrita freqüentemente
tomando-se de maneira mais resu-

vE
--
---=)
(1 + v)(I - 2 v) .
hidrostática. A deformação-desvio (distorção) está relacionada com a tensão-desvio
por

, E, ,
(5 ..
IJ 1+v
= -- f;'·
IJ
= 2Ge·IJ

Para o caso de tensão plana (0"3 =O), duas equações simples e úteis relacionando
tensão com deformação podem ser obtidas, resolvendo-se simultaneamente duas das
Eqs. (2.64).

Uma situação típica de tensão plana existe em uma folha fina carregada no pl ano da
folha ou em um tub o de paredes finas carregado por pressão interna onde não ex iste
tensão normal a uma superfície li vre.
Outra situação importante é a de deformaçiio plana ( e3 O ) , cuja oco rrência típica
=

é o caso em que um a das dimensões é muito maior que as outras duas, como em uma
barra longa ou um cilindro com extremidades engastadas. É necessário existir algum
tipo de restrição física para limitar a deformação em uma direção, assim,

Portanto, existe um a tensão mesmo que a deformação seja zero. Substituindo este
valor na Eq. (2.64), obtemos

A energia elástica de deformaçclo U é a energia gasta para deformar um corpo elástico


sob a ação de forças externas. Tod o o trabalho efetuado durante a deformação elástica
é armazenado na forma de energia elástica, sendo esta energia recuperada quando se
retiram as forças aplicadas. E nergia (ou trabalho) é igual à força multiplicada pela
distância sobre a qual age. A força e a deformação crescem linearmente desde valores
iniciais nulos na defo rmação d e um corpo elástico. Assim, a energia média é igual à
metade do produto da força pela deformação, o que se iguala à área sob a curva
A energia de deformação elástica para um cubo elementar sujeito somente a uma ten-
são de tra ção ao longo d o eixo dos x é dada por

A Eq. (2.79) descreve a energia de de formação e lástica total absorvida pelo elemento.
Uma vez que Adx é o volume do e lemento, a energia de deformação por unidade de
volume ou densidade da e nergia de defor mação Uo é dada por

Observe que as deformações laterais que acompanham a deformação em tração sim-


ples não entram na expressão para energia de deformação porque não existem forças
na direção das deformações laterais.
Analogamente, a energia de deformação por unidade de volume de um elemento

sujeito a cisalhamento pur o é dada por

A energia de deformação elástica para uma distribuição de tensões tridimensional


genérica pode ser obtida por superposição.

Uma expressão para a energia de deformação por unidade de volume expressa so-
mente em termos da tensão e con stantes el ásticas pode ser obtida substituindo-se as
equações da Lei d e Hooke [Eqs. (2.64) e (2. 65)] pelas d eformações na Eq . ( 2.82).

Uo = 2 EI
(C 5x
2
+ C 5y
2
+ C 5z
2
) - Ev( C 5xC 5y + C 5yC 5z + C 5xC 5z
)

I
+ 2G + 'xz + 'yz
2 2 2
('xy )

A energia de deformação pode t ambém ser expressa em termos de deformações e


constantes elásticas, ao se substituir as Eqs. (2.74) na Eq. (2 .82), quando então as
tensões são eliminadas.

É interessante
observar que a derivada de Uo com relação a qualquer componente
de deformação fornece a correspondente comp onente de tensão. Por exemplo,

avo
-
a ex
= À~ + 2Ge x = C5 x
Da mesma forma, a u o /a cr.r = ê.r' Os métodos de cálculo que utilizam a energia de
deformação para atingir valores de tensões e deformações constituem ferramentas im-
portantes na análise da elasticidade. O teorema de Castigliano, o teorema do trabalho
mínimo e o princípio d o trabalho virtual são algumas das técnicas mais conhecidas.

Até o mom ento consideramos o comportamento elástico sob um ponto d e vista feno-
menológico simples, isto é, a Le i de Ho oke foi apresentada como uma lei empírica
bem estabelecida e nossa atenção se conc entrou no desenv olvimento de r elações úteis
entre tensão e deformação em um sólido elástico isotrópico. Nesta seção considerare-
mos o fato d e que as constantes elásticas de um cristal variam de maneira marcante
com a orientação. Entretanto, inicialmente é importante discutir de maneira breve a
natureza das forças elásticas entre os á tomos.
Quando uma força é a plicada a um sólido cristalino, ela ou separa os áto mos ou os
aglomera. Uma resistência à força aplicada é gerada pelas forças de atração ou repu 1-
são existentes entre os á tomos. O diagrama energia-distância (Fig. 2.19) é uma ma-
neira conveniente de se analisar estes fatos. Este gráfico representa a energia de inte-
ração (energia potencial) entre dois átomos à medida que a distância a entre estes
aumenta. Quando a força externa é zero, os áto mos estão separados por um a distância
igual ao esp açamento de equilíbrio, a ao. Se se a plicam f orças externas pequenas, os
=

átomos encontram um nov o espaçamento de equilíbrio a para o qual as f orças internas


e externas se equilibram. O deslocamento do átomo é li = a - ao. Já que a força é a
derivada da energia potencial com a distância [ver Eq. (2.86)], a força necessária para
produzir um d ado deslocamento de equilíbrio é

d 1 J (u )
p=- -
du
onde 1>(lI) é a energia de interação a uma distância li. Assim, a força em uma ligação
atõmica é função do deslocamento li e para cada deslocamento ex iste um valor carac-
terístico da força, P(u). Além disso, a deformação das ligações entre átomos é reversí-
vel, e quando o des locamento retoma a algum valor inicialul> após ter sido estendido a
U2, a força retoma ao seu v alor anterior, P(u,).

A energia de ligação é uma função contínua do de slocamento em um sólido elás-


tico'. Podemos, assim, expressar q;(u) como uma série de Taylor.

1J)
1 J( u ) = 1Jo + ( d- u + -I(d 2 1 J )
-2 li
2 + ...
du o 2 d ll o

-s
0+
.'"
~ O
c" _

lEste desenvolvimento segue aquele dado por A. H. Cottrell. The Mechallical Properties of M alter. pp. 84-85.
John Wiley & Sons. Inc.. N ew York. 1964.
onde 1>0é a energia em 11 O e os = coeficientes d iferenciais são medido s em 11 O.
Uma vez que a força é zero q uando a =a o , d 1> / d l l = O

o coeficiente ( d 2 1>/ dIl Z )o é a curvatura da curva energia-distãncia em 11 = ao. Por ser


independente de 11, este coeficiente é uma constante e a Eq. (2.89) é equivalente a P =
kll, que é a Lei de Hooke na sua forma srci nal. Quando a Eq. (2.89) é e x pressa em
termos de tensão e deformação, o coeficiente é d iretamente proporcional à constante
elástica do material e po ssui o mesmo valor t anto para tração quanto p ara compressão,
já que é independente do sinal de 11. Mostramos, assim, que a constante elástica é
determinada pela agudeza da c urvatura do mínimo na curva e nergia-distãncia, sendo,
então, uma propriedade bás ica do material, não va riando co m tratamento térmico ou
defeito estrutural, embora se espere que diminua com o aumento d a temperatura.
Além disso, uma vez que as forç as de ligação são fo rtemente afe tadas pela distância
entre os áto mos, as constantes elásticas variam com a direção na malha cristalina.
A Lei de Hook e pode ser apresentada de uma maneira ger al! como

onde S;j/d é o tensor cOl l1pliância'* e CUkl é a rigidez elástica (fre qüentemente denomi-
nados apenas constantes elásticas). Tanto SUkl quanto C;jkl são quantidades te nsoriais
de quarta ordem. Se expandirmos a Eq. (2.90) ou (2.91), obteremos n ove e quações,
cada uma com nove termos, com um total de 81 constantes. Entretanto, sabemos que
ambos, eij e (Tu, são tensores s imétricos, isto é, eu eij, O que leva imediatamente
= a
simplificações apreciáveis. Assim, podemos escrever

eij =S;jkl (Jkl =ej; =Sjikl (Jkl

S;jkl =Sjikl

Desta forma, devido à simetri a dos t e nsores de tensão e deformação, somente 36 da s


componentes do tensor compliância são te rmos independentes e di stintos. O mesmo
acontece co m o tensor de rigidez elástica.

1 Um excelente livro que lida co m as propriedade anisotrópicas dos cr istais em notação tensorial é J. F. Nye,
Physical Properties of C ryslals. Oxford University Press, Londres, 1957. Para um tratamento de elasticidade
anisotrópica, ver R. F. S. Hearmon, Ali 11llroduerioll to Apllied Allisotropic Elastici/)', Oxford University
Press. Londres, 1961. Uma discussão razoavelmente concisa mas co mpleta sobre e lasticidade cristalina é dada
por S. M. Edelglass. EIIgilleerillg Materiais 5ciellce, pp. 277-301, The Rona1d Pre ss Co mpany, New York,
1966.
'N.T. Este é um neologismo. Do inglês "compliance".
Expandindo-se a Eq. (2.91) e levando-se em c o nta as relações a nteriores.
obtém-se
(Jll Cll1
= 1ell + Cl122e22 + C1l33e33 + C1l23(2e23) + Cl113(2e13) + Clll2(2eI2)

Estas equações mostram que, em contraste com a situação para um sólid o elástico
isotrópico, E q. (2.72), tanto as d eformações normais quanto as c isalhantes podem con-
tribuir para uma tensão normal, quando se trata de um sólido elástico anisotrópico.
Expandindo a Eq. (2 .90), podemos expressar as defo rmações cisalhantes pela de-
formação cisalhante de e ngenharia y = 2ê, que é ma is convencional.

Y23 =2e23 =252311(Jll


+ + ++ 42323
252322 (J22 252333 (J33 45 (J23

52313 (J13 + 452312 (J12

A convenção usual para designar as componentes da compliância elástica e r igidez


elástica utiliza apenas dois subíndices em vez de quatro e é denominada notaçüo redu-
zida. Os subíndices simplesmente d enotam a li nha e a colun a da matriz das co mponen-
tes a que eles pertencem.

Comparando-se os co eficientes das Eqs. (2.92) e (2.9 4), (2.93) e (2.95) , podemos notar
que

C2322 = C42 Cl122 = Cl2

51122 = C12 252311 =C41


Infelizmente medidas como esta são difíceis de sere m realizadas experimentalmente, já
que se deve restringir mecanicamente o corpo de prova em algumas direções para
evitar deformações tais com o 823' É muito mais fácil determinar experimentalmente os
coeficientes da compliância elástica através de equações do tipo

Se as co mponentes de S u forem determinadas experimentalmente, então as co mponen-


tes de C u poderão ser determinadas por inversão matricial.
Neste estágio possuímos 36 co nstantes independentes, porém, uma redução a di-
cional neste número é possível. Podemos mostrar que as co nstantes são s i métricas,
isto é, Cu =Cj;, se utilizamos a re lação dada na Eq. (2.86). Por exemplo,

Em geral, Cu = Cj; e Su = Sj;. Das 36 constantes Cu restam 30 onde i f. j, já que exis-


tem seis destas onde i = j, mas ape nas a metade destas são co nstantes independentes,
já que Cu = Cji• Assim, para o só lido elástico linear anisotrópico g eral, existem 30/2 +
6 = 21 constantes e lásticas independentes.

Uma simplificação ainda maior do número de c o nstantes elásticas independentes resulta da


consideração da s imetria das diferentes redes cristalinas. O caso mais simples e importante é o da

estruturauma
produz cristalina cúbica.
orientação A Fig.Os2. co-senos
original. 20 mostradiretores
que umapara
rotação
uma de 90° emdetorno
rotação d e torno
90° em um dodo
s eixos
eixo
dos z são:

x y z

x' ax•x =O ax'y =1 ax,z =O


y' ay,x= -1 ay,y =O ay,z =O
z' az,x =O aZ'y =O az,z =1
Utilizando-se estes co-senos diretores na equação para a transformação do ten sor-deforma ção,
Eq. (2.46), as componentes da deformação nos eixos x ', y' e z' são

A tensão normal na dir eção x' deve-se igualar à tensão normal na di reção original y. Da Eq.
(2.94),

ax'x' = C
"
Ex'x' + C'2 Ey'y' + C'3 E,'z' + C'4 ')Iy'" + C'5 ')Ix'" + CI6 ')Ix'Y'
=C11Eyy + CI2 Exx + C'3 Eu - ')Ixz + C'4 C'5 ')Iyz - C'6 ')IXy

ayy =C21 Exx + C22 Eyy + C23 Eu + C24 ')Iy, + C25 ')Ixz + C26 ')IXY

C,1Eyy+ Cl2Exx+ C,3Eu


- C'4')1xz+ C, 5')1y,- C,6 ')1xz

=C21Exx + C22 Eyy + C23 Eu + C24 ')Iyz + C25 ')IX' + C26 ')Ixy

Fazendo uma comparação desta equação termo a termo, podemos concluir que C ll =C,,; C,Z =
C21; C13 =C23;CI5 = C24 e CI4 = CI6 = C25 =CZ6 = Oum a vez que -C I4Y u = C25Y xZ , etc. Da re-
lação av,v, = axx, obtemos os resultados C ll = CZ2; C12 = C21; C23 = CI3 e CI4 = C25 = O(como
acima); C I5 = C24 = O; CI6 = C26 = O,já que ~C14Yxz = C25Yxz, etc.
Utilizando as relações entre tensões cisalhantes, podemos eliminar constantes adicionais.
Assim, Tv'z' = -Txz resulta em C41 = -C52 = O; C42 = -C51 = O; C43 = -C53 = O; C45 = -C5., = O;
C44 = C55; C46 = C56· De Tx,z, = TVz, obtemos que C46 = -C56 = O.
Assim, pela rotação de 90 ° em tor no do ei xo dos z, encontramos que C ll = C22; C12 =C21;
CI3 = = C55 e que as seguintes constantes são nulas: C14' C15, C16' C24' C25, C26, C41' C42'
C23; C44
C43, C51, C52' C53, C54, C56. Considerando agora rotações de 90° em torno dos eixosx ey,
C45, C46'
encontraremos que as con stantes elásticas para um cristal cúbico obedecem às relações

CIl =C22 =C33


Cl2 = C13 = C'3(=C2I = C31 = C32)
C 44 =C55 =C66

com todas as outras constantes iguais a zero. Desta forma , para a simetria cúbica, a matriz das 36
constantes elásticas se reduz a

CI2 C'2 o o

yr "
C'2 CIl Cl2 o o
o o

1]
c,,~ C'2 CIl
o o C44 o
o o o C44

o o o o

Para um cristal cúbico, as 21 constantes se re duzem a somente três constantes


elásticas independentes. Uma matriz de coeficientes similar é verdadeira para as com-
pliâncias elásticas de um me tal cúbico. A Tabela 2.2 apresenta alguns valores típicos
destas constantes para metais cúbicos. Observe que as constantes de rigidez elástica
Fig. 2.20 Rotação de simetria de um cristal cúbico em torno
do eixo dos z.

Metal CII C12 C •• SI' 5" S ••

Alumínio 10,82 6,13 2,85 1,57 -0,57 3,51


Cobre 16,84 12,14 7,54 1,49 -0,62 1,33
Ferro 23,70 14,10 11,60 0,80 -0,28 0,86
Tungstênio 50,10 19,80 15,14 0,26 -0,07 0,66

Constantes de rigidez em unidades de 10" dynlclI1'.


Compliância em unidades de 10" cm'/dyn.

Cu não são s implesmente as recíprocas de Su, mas devem ser d eterminadas pela inver-
são da matriz Su. Para uma estrutura cristalina cúbica,

-S12
Cl2 = ----------
(Sll - Sd(SIl + 2Sd

Equações análogas para a conversão de rigidezes em compliância podem ser o btidas


pela simples substituição de C por S e S po r C.
Já vimos que o número de constantes e lásticas independentes decresce com o au-
mento de simetria de estrutura cristalina:

N° de constantes
independentes

Triclínica
Monoclínica
Ortorrômbica
Tetragonal
Hexagonal
Cúbica
Isotrópica

Um sólido isotrópico possui somente duas constantes elásticas independentes. Se


nós trabalhamos com compliâncias elásticas e co nsideramos as constantes independen-
tes como sendo SI' e S 12. então podemos chegar a uma equivalência entre as com-
pliâncias e os módulos elásticos mais comuns.
Da Eq. (2.64),

1
ax = E [O "x - v (O "y + o " z )]

1
i' x z = G 1 :x z
1
i' x y = G 1 :x y

1 V 1
Sll =
- S12 = -- S44 =
-
E E G

Já que 511 e 512 são as duas constantes independentes, elas podem se relacionar com
544 através da Eq. (2.68)

E 1
G=
--=--
--
2(1 + v) 2(1 / E + v / E)
1 1
G
=-=----

S44 2(Sll - SI2)


S44 = 2(Sll - S12)

Equações comparáveis, relacionando as constantes elásticas de rigidez, podem ser de-


senvolvidas através das Eqs. (2.95) e (2.74).

C12 = À constante de Lamé


Cll = 2G +À
C44 =-!(C11 - Cd

Os módulos elásticos técnicos E, IJ e G são g eralmente determinados por medidas


estáticas diretas em testes de t ração ou torção. E ntretanto, quando se deseja faz er me-
didas mais prec isas ou quando estas medidas devem ser realizadas em pequenas amos-
tras de monocristais, cortadas ao lo ngo de d ireções específicas, empregam-se freqüen-
temente técnicas dinâmicas que utilizam medições de freqüência ou tempo decorrido.
As medidas dinâmicas e nvolvem deslocamentos atô micos mu ito pequenos e baixas
tensões em éomparação com medidas de módulos estáticos. A velocidade de propaga -
ção de um d eslocamento ao longo de um a amostra cristalina cilíndrica é dad a por

v
x
= W2nÀ J E x
p
onde w é a fre qüência natural de vib ração de um pulso de tensão de comprimento de
onda À em um cristal de densidade p. As técnicas dinâmicas consistem em medir a fre-
qüência de vibração ou tempo decorrido para um pul so ultra-sônico percorrer a a mos-
tra e retomar. Em virtude de os ciclos de defo rmação pro duzidos e m um teste dinâ-
mico o correrem a elevadas taxas, existe pouco tempo para que se processe transferên-
cia de ca lor. Assim, as medidas dinâmicas de co nstantes elásticas são o btidas em con-
dições adiabáticas, enquanto que medições elásticas estátic'as são realizadas em condi-
ções essencialmente isotérmicas. Ex iste uma pequena diferença entre módulos elásti-
1

cos adiabáticos e isotérmicos


Eiso
E isoT r x 2
9c

onde a é o coeficiente v olumétrico de expansão té rmica e c é o c alor específico. Uma


vez que o calor específico de um sólido é gra nde comparado com o de um gás, a dife-
rença entre os módulos adiabático e isotérmico não é gra nde e, para fins práticos, pode
ser desprezada.

Os materiais ortotrópicos são uma classe de materiais importantes na engenharia. Um mate-


rial ortotrópico possui três planos de simetria elástica mutuamente perpendiculares. Exemplos de
materiais ortotrópicos s ão madeira, compensado, compostos poliméricos reforçados com fibra de
vidro e c hapas metálicas laminadas a frio co m elevada textura. As e quações co nstitutivas para
um ma terial ortotrópico podem ser derivadas da Eq. (2.94) pelo procedimento anteriormente des-
crito para a s imetria cúbica. Se os eixos ortogonais x , y e z são os eixos de simetria ortotrópica,
então uma rotação de 1800 em torno do e ixo dos z, seguida por uma outra rotação de 1800em
torno do eixo dos x, reduz a matriz de rigidez elástica para

o o

c -
[eu
C12
C13
C1Z
Czz
CZ3
C13
CZ3
C33
o
o
o
o
/j
- o o o C44 o
o o (l o Css

J]
o o o o o
Existe uma mat riz análoga para as co mpliâncias elásticas. Assim, as equações tensão-deformação
para um material ortotrópico são dadas por

êx = S lla X+ S1 2 a y + S1 3a z
êy = S 12a x + S 22 a y + S 23 a z

êz = a x + S2 3 a y + S33 a z
S13

êyz = S44 'yz

êxz = S55 'xz

êxy = S66 'xy

Para relacionar a Eq. (2.101) com os módulos elásticos técnicos, consideremos a s ituação
onde a ú nica tensão é a plicada paralela ao e ixo de s imetria x.
Cy S11 Cy VYX
S12 =- =Cy - =- S11 =--
Ux êx êx Ex

Relações
bém análogas poderiam
ser mostrado' que vyxEx ser
= Vdesenvolvidas,
xuEy, etc. Des taaplicando-se tensões constitutivas
forma, as equações nos eixos y epara
z . Pode tam-
um mate-
rial ortotrópico envolvem nove constantes independentes,

1 ,1
Yxz = GTxz Yxy = GT xy
xz xy

A teoria matemática da elasticidade requer uma consideração mais detalhada das ten-
sões e deformações em um componente carregado do que é norm:\lmente admitido
pelos métodos comuns de análise de resistência dos materiais. As so luções atingidas
pela resistência dos materiais são gera lmente simplificadas matematicamente ao se
admitir uma distribuição de defor mação no componente carregado, o que satisfaz a s i-

tuaçãonão
dade física, porém,
se fazem pode nãosimplificadoras
suposições ser matematicamente
no que serigoroso. Na ribuição
refere à dist teoria dadeelastici-
defor-
mação.
Analogamente à resistência dos materiais, o primeiro requisito para uma solução é
satisfazer as condições de equilíbrio. A Fig. 2 .21 ilustra as fo rças atuantes e m um ele-
mento do cor po para uma situação de te nsão plana. Fazendo-se o so matório das forças
nas direções x e y, obtém-se:

8a x 8T xy
"LP =,-+ -=0
x 8x 8y

8a 8Tx
"L P = -
y + -
y + pg = O
y
8y 8x

o termo pg é proveniente da consideração do peso do corpo, sendo p a massa por


unidade de vo lume e g a ace leração da gravidade. As equações acima representam as
eC /uaç!ies d e eC /uilihrio para tensão plana. Para um sistema de tensões tridimensional
existirão três equações, cada uma contendo uma derivada parcial da tensão normal e
duas derivadas parciais das tensões cisalhantes.
As Eqs. (2.103) devem ser satisfeitas em todos os po ntos através do co rpo. Ob-
Fig. 2.21 Forças atuantes em um ele-
mento de volume.

serve que estas equações de equilíbrio não fornecem uma relação entre as tens ões e as
cargas externas aplicadas. Em vez d isto, elas fornecem a taxa de variação das tensões
em qualquer ponto no cor po. Entretanto, a relação entre t ensão e carga externa deve
ser de tal forma que nas fronteira s do corpo as tensões se tornem iguais às for ças
superficiais por unidade de área , isto é, d eve satisfazer as condições de con torno.
Um dos importantes requisitos da teoria d a elasticidade é que a def ormação em
cada elemento deve ser d e tal form a que a continuidade seja preservada. Fisicamente,

isto
sorte significa
que n ão que osmem
se for deslocamentos devemno var
espaços vazios in teiar
riorsuavemente
do material.através do as
Para tal, co rpo, de
compo-
nentes do deslocamento Ui devem ser funções contínuas de v alores únicos das coorde-
nadas Xi' Algumas relações entre as componentes de deformação devem ser satisfeitas
para que este requisito seja alcançado. Estas relações são as equaçôes de compatibili-
dade.
Para o caso bidimensio nal, por exemplo, temos

Ôu ÔV
8
=- 8=
-
x ÔX y ôy

Deve haver uma relação definida entre as três' componentes de deformação , já que

estas são expressas


duas vezes em ay,
em relação termos de (b)
a Eq. doisduas
deslocamen u e v. ax
tosr elação
vezes em Diferenciando-se a Eq. (a)a
e a Eq. (c) em relação
X e y, obtém-se:

Existeme ainda
(2.104) (2.105)duas outr
, que as equações
podem de compatibilid
ser obtidas ade dopermutando-se
mais facilmente tipo apresentado
os pelas Eqs.
subíndices
x, y e z.
Basicamente, a solução de um pro blema pela teoria da el asticidade envolve a de-
terminação dos deslocamentos U;, das deformações eu e das tensões (Tu através do
corpo submetido a um si stema de forças externas es pecífico. Existem então, em ger al,
15 incógnitas, mas, em contrapartida, 15 equações que relacionam esta s incógnitas no
sistema coordenado x; y, z. Estas equações s ão: as seis eq uações que r elacionam as
deformações com os desloc amentos, Eqs. (2.42); as seis equ ações con stitutivas rela-
cionando deformação com tensão , Eqs. (2.64) e (2.65); e a s três equações de equilíbrio
(2.103). Estas equações de ca mpo devem ser satisf eitas em todos os ponto s do sólido
elástico em equ ilíbrio. Assim que estas e quações forem satisfeitas, as equações de
compatibilidade estarão automaticamente satisfeitas. São rea lmente formidáveis os re-
quisitos matemáticos para uma solução geral de um problema tridimensional. Entre-
tanto, técnicas matemáticas para obter so luções têm sido estabelecidas, especialmente
para problemas bidimensionais. Técnicas de diferenças finitas e métodos de relaxação
são a bordagens úteis para os p roblemas co in geo metria e sis tema de c a rgas complica-
das.
Embora as e quações de eq uilíbrio e as de compatibilidade tenham sido apresenta-

das
são aqui dentrogerais
equações do c oaplicáveis
ntexto da ateoria da elasticidade,
qualquer deve ser
me io contínuo. e nfatizadoas que
Entretanto, estas
equações
constitutivas são mais co mplexas para um sólido plástico ou um m aterial viscoelástico
e as sol uções completas dos problemas são a inda mais d ifíceis.

Uma descontinuidade geo métrica em um corpo, como um furo ou' um entalhe, resulta
numa distribuição de t e nsões não uniforme nas proximidades da de sco ntinuidade.
Numa região próxima à descontinuidade a tensão será maior do que a tensão média em
pontos mais distantes da desco ntinuidade. Ass im. uma concentroçâo de tensão ocorre
na desco ntinuidade o u concentrador de tensôo. A Fig. 2.220 mostra uma chapa con-

tendo umestaria
a tensão furo circular, submetidodistribuída
uniformemente a um carregamento uniaxial.
sobre a seção Sechapa
reta da não e xistisse
e seria oigual
furo,à
carga dividida pela área da seção reta da c hapa. Com a presença do furo, a distribuição
é tal que a tensão axial alcança um elevado valor nas arestas do furo, caindo ra pida-
mente à medida que se di stancia destas.
A concentração de tensão é expressa por um fator de co ncentração de tensão
teórico K { . Geralmente, K ( é descrito como a razão da te nsão máxima pela tensão
nominal baseada na seção resistente líquida, embora alguns autores utilizem um valor
da tensão nominal baseada em tod a a seçã o reta do componente numa região onde não
exista um con centrador d e tensão.
K = (Jmax
I
(Jnominal

Além de produzir um a concentração de tensão, um entalhe também cria uma con-


dição de tensão localizada bi ou triaxial. Para o c aso do f uro circular num a placa
submetida a um carregamento uniaxial, por exe mplo, uma tensão radial e outra longi-
tudinal são produzidas. Da a nálise elástica', as tensões produzidas numa chapa de
largura infinita, contendo um furo e carregada axialmente, podem ser expressas por

2 4 2

= (J- ( 1 + a-2) + (J- (


1 + 3 a-r 4,.2- 4 - a )
cos 28
(Jr
2 r 2
2 4
a ) a )
(Jo = 2" 1 +
(J (
,.2 - 2" 1 + 3
(J (
,.4 cos 28

4 2
a
, =- -
- (J (

2
1- 3- + 2 -a )
,.4,.2
sen 28

Um exame destas equações mostra q ue a tensão máxima ocorre no ponto A quando ()


=7 T / 2 e r =o. Para est e caso,
onde o - é a tensão de tração uniforme aplicada às extremidade da placa. Assim, o fator
de co ncentração de te nsão teórico para uma chapa com um furo circular é igual a 3.
Um estudo mais ap urado destas equações mostra que 0-0 = -o- para r = a e () = O.
Desta forma, quando uma tensão de tr ação é aplicada à ch apa, existe uma for ça com-
pressiva de igual magnitude na aresta do furo, no ponto B, em uma direção perpendicu-
lar à do ei xo de ca rregamento no pla n o da chapa.

"- •..•..

0,2
-
0,4 0,6 0,8
d/w
1,0

,z
'mc: 3,4
Q)

.~ 3,0
o
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-E \
1!2,2
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o
~ 1 J8
'O

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LL

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0,04 0,08
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Fig. 2.23 Fatores de concentração de ten são teóricos para dif erentes formas geométricas. (Se-
gundo O.H. Neugebauer, Prado E ng. (NY ), vol. 14, pp . 82-87,1943.)
Um outro caso interessante pa ra o qual uma solução analítica da co ncentração de
tensão é v iável' é o de um pequeno furo elítico em uma chapa. A F ig. 2.22b mostra a
geometria deste furo. A tensão máxima nas extremidades do furo é dada por

amax = a (1 + 2 ~ )
Observe que para um fur o circular (a = b), a equação acima se reduz à Eq. (2.108). A
Eq. (2.109) mostra que a tensão aumenta com a razão a/b. Assim, um furo bem es-
treito, tal como uma trinca, normal à direção de tração resultará numa concentração de
tensão bastante elevada.
Dificuldades matemáticas impedem o cálculo dos fat ores de concentração de ten-
são elásticos em t odos os c asos geométricos, com exceção dos mais simples. Grande
parte deste trabalho tem sido desenvolvido por Neuber2 , que fez cá lculos para diver-
sos tipos de entalhes. Os fatores de concentração de tensão para problemas práticos
são geralmente determinados por métodos experimentais.:l A análise fotoelástica4 de
modelos é a técnica mais amplamente empregada. Este método é aplicável principal-
mente a problemas de tensão plana, embora seja possível fazer análises fotoelásticas
tridimensionais. A F ig. 2.23 mostra curvas típicas para o fator de concentração de
tensão teórico de cer tos elementos de máquina que foram obtidos por métodos fotoe-
lásticos. G rande parte das informações sobre concentração de ten sões em componen-
tes de máquinas foram apresentadas por Peterson.;'
O efeito de um concentrador de tensão se apresenta muito mais pronunciado em
um material frágil do que em um dúctil. Num material dúctil ocorre deformação plástica
quando a tensão de escoamento é ex cedida no ponto de tensão máxima. Um aumento
posterior na carga acarreta um aumento local em deformação na região criticamente
tensionada, com p equeno aumento na tensão. Dev ido ao e ncruamento, a tensão cresce
em regiões adjacentes ao concentrador de ten são, até que, se o material é suficiente-
mente dúctil, a distribuição de tensão se torna essencialmente unif orme. Assim, um
metal dúctil carregado estaticamente não desenvolverá totalmente o fator de con cen-
tração de tensão teórico. Entretanto, em um m aterial frágil nun ca ocorrerá redistribui-
ção de tensão, resultando, desta forma, em um fator de concentração de tensão com
valor próximo ao te ó rico. Embora concentradores de tensão geralmente não causem
perigo a um material dúctil submetido a um carregamento está tico, efeitos apreciáveis
de concentração de tensão ocorrerão neste mesmo material se solicitado em condições
de fadiga ou tensões alternadas. Os concentradores de tensão são muito importantes
na falha de metais por fadi ga e serão discutidos mais tarde no Capo 12.

Chou, P. C., and N. J. Pagano: ••Elasticity," D. Van Nostrand Company, Inc., Princeton,
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Princípios da Teoria da Plasticidade

A teo ria da plasticidade estuda o co mportamento dos materiais a níveis de de forma -


ções em que j á não se verifica a Lei de Hooke. A formulação matemática da teor ia da
plasticidade torna-se, devido a diversos a spectos da deformação plástica, mais difícil
do que a de scrição do comportamento de um só lido elásti co. A deformação plástica
não é , por exemplo, um processo reversível como a deform ação elástica. A deforma-
ção elástica depende apenas dos estados inicial e final de t ensão e deform ação, en-
quanto que a deformação pl ástica depende da man eira segundo a qu al é e xercida a
solicitação mecânica para se atingir o estado final. Além disso, não há n a deformação
plástica u ma constante facilmente mensurável relacionando tensão e deformação ,
como o módu lo de Y oung na deformação e lástica. O fenômeno de en cruamento é
dificilmente incorporado à teori a da plasticidade sem que h aja introdução de um con si-
derável grau de comp lexidade matemática. Da mesma forma, diversos aspectos do
comportamento real dos materiais, tais como anisotropia plástica, histerese e lástica e
efeito Bauschinger (ver Se ção 3.2), não podem ser facilmente tratados pela teoria da
plasticidade. Não ob stante, a teoria da plasticidade tem sid o uma das áreas ma is ativas da
mecânica do c ontínuo, e foram obtidos progressos consideráveis no desenvolvimento de
uma teoria capaz de resolver importantes problemas de engenharia.
A teoria da plasticidade está relacionada com diferentes tipos de problemas. Do
ponto de vi sta de projeto, a plasticidade é aplicada à previsão da carga máxima que
pode ser imposta a um corpo sem causar escoamento excessIvo. O critério de e sc oa-
mento deve ser expresso em t e rmos de ten são, de maneira que seja válido para todos
os estados de tensões. A def ormação plástica é também lev ada em conta pelo pro je-
tista em problemas nos quai s o corpo é pro positadamente tensionado além do limite de
escoamento, até a região plástica. A plasticidade deve ser c onsiderada, por exemplo,
em projetos de processos t ais como frenagem por atrito, assentamento a quente e na
limitação de vel ocidade de dis co s de roto r. A prev isão de p equenas deformações plás-
ticas permite, através do emprego da teoria do pr ojeto limite, que se o btenha economia
na construção civil.
A análise de grandes deformações plásticas é re querida no trata mento da confor-
mação plástica dos metais. Este aspecto da plasticidade será considerado na Parte 4. É
muito difícil descrever o comportamento d os metais sob estas condições, de uma m a-
neira rigorosamente analítica. Desta forma, são geralmente necessárias algumas 'supo-
sições simplificadoras para se obter uma sol uç ão matematicamente tratável.
Um outro aspecto da plasticidade diz respeito à obt enção de uma melhor com-
preensão do mecanismo de deformação plástica dos metais. Neste campo, o intere sse
é voltado para as imperfeições dos sólidos cristalinos. O efeito das variáveis metalúr-
gicas, estrutura cristalina e imperfeição da rede é de suma importância no comporta-
mento da deformação. Este aspecto da pl astiCidade é co nsiderado na Parte 2.

A curva tensão-deformação obtida por carregamento uniaxial, como no ensaio simples


de tração, é de in teresse fundamental n a plasticidade quando apresentada em termos
de tensão verdadeira (I e deformação verdadeira 8, entidades que são discutidas na
próxima seção. O objetivo desta seção I é descrever curvas tensão-deformação típicas
para metais reais e compará-Ias com as curvas de escoamento teóricas para materiais
ideais.
A curva tensão-deformação verdadeira para um metal tipicamente dúctil, como o
alumínio, está ilustrada na Fig. 3.la. A Lei de Hooke é obedecida até uma determi-
nada tensão (Io. (O valor de (Io dependerá da precisão com que é medida a deform a-
ção.) Além de (Io, o metal se deform a plasticamente. A maioria dos metais encrua.
nesta região, assim sendo, maiores deformações necessitam valores mais altos de ten-
são do que (Io, a tensão inicial de escoamento. No ent anto, de maneira diversa da
situação na região elástica, tensão e defo rmação não se relacionam através de uma
simples constante de proporcional idade . Se o metal for def ormado até o ponto A,
quando a ca rga é reti rada a deformação total decrescerá imediatamente de um valor
(I/ E , de 8, para 82, O decréscimo de de formaç ão 81 - 82 é a deformação elástica

I
I
I
~
I
I
I
~
I
I
I
r

recuperál'el. No enta nto, a deformação remanescente não é toda ela defo rmação plás-
tica permanente. Dependendo do metal e da temperatura, desaparecerá c om o tempo
uma pequena quantidade da deformação plástica "2 - "3' Isto é con hecido como com-
portamento aI/elástico. A deformação anelástica é geral mente des prezada nas teorias
matemáticas da plasticidade.
Normalmente a c urva tensão-deformação, no descarregamento a pa rtir de uma
deformação p lástica, não será e xatamente linear e paralela à porção e lástica da cu rva
(Fig. 3.lh). Além disso, ao s e recarregar, a curva geralmente irá dobrar-se à medida
que a te nsão se aproximar do valor original no qual ocorreu o descarrega mento. Após
uma pequena deformação plástica adicional, a curva tensão-deformação se torna uma
continuação daquela que seria obtida c aso não houvesse ocorrido d escarregamento. O
comportamento de histerese r esultante do d escarregamento e carre gamento de um
metal em defo rmação plástica é geralmente desprezado nas teorias d e plasticidade.
Se um corpo de p rova for deformado p lasticamente além do l imite de es coamento
segundo uma direção em tração, e dep ois descarregado até a te nsão zero e então recar -
regado na direção oposta em compressão, o limite de escoamento em compressão será
inferior ao de tração. Referindo·se à Fi g. 3.1c, U"b < U" a' Esta dependência da tensão de
escoamento quanto ao caminho e direção do carregamento é cha mada efeito Baus-
chinger. O efeito Bauschinger é normalmente .ignorado na teo ria d a plasticidade, e
usualmente se considera que o limite de escoamento em tração e compressão seja o
mesmo.
A curva tensão-deformação ver dadeira é c ha mada f reqüentemente de curva de
escoamento, porque ela fornece a tens ão necessária para causar o es coamento plástico
do metal a qualquer nível de deformação. Várias tentativas têm sido fe itas no sentido
de se ajustar equ ações matemáticas a esta curva. A mais comum é u m a expressão
potencial da forma

onde K é a tensão para 6 = 1,0, e n, denominado coeficiente de encruamento, é a


inclinação do gráfico log-Iog da Eq. (3.1). Esta equação só pode ser válida do começ o
do escoamento plástico até a carga máxima, na qual o corpo de pro va inicia a forma-
ção d o "pescoço" 1 .

Fig. 3.2 Curvas de escoamento idealizadas. (a) Material plástico rígido ideal; (b) material plás-
tico ideal com região elástica; (c) material apresentando encruamento linear.

Mesmo a simples equação matemática dada pela Eq. (3.1), para a curva de es-
coamento, pode resultar numa con sideravel complexidade matemática quando u sada
com as equações da teoria da plasticidade. Desta forma, é prática co mum n este as-
sunto empregarem-se curvas de escoamento idealizadas que simplifiquem o tratamento
matemático, não se desviando muito da re alidade física. A Fig. 3.2a apresenta a curva
de escoamento c aracterística de um m etal rígido, perfeitamente plástico. Para este
material idealizado, um corpo d e prova de tração é completamente rígido (deformação
elástica nula) até que a tensão uniaxial atinja u " o . Daí por diante o material escoa plas-
ticamente a uma ten são constante (encruamento nulo). Este tipo de com portamento se
aproxi maria ao de um metal dúctil em éon dições de elevada deformação afr io. A Fig. 3.2h
ilustra a curva de escoamento, com um a região elástica, característica de um materi al per-
feitamente plástico. Este comportamento é ap roximado ao de um material tal como

'N. do T. "Pescoço" é a tra dução literal do inglês Ileckillg, comumente utilizado na linguagem técnica brasi-
leira; indica a região onde ocorre a localização da deformação plástica.
aço-carbono, o qual apresenta uma elongação bem definida em relação ao limite de
escoamento (ver Se ção 6.5). U ma abordagem mais realística é a proximar a curva plás-
tica através de d uas li nhas re tas co rrespondentes às re giões elástica e p lástica (Fig.
3.2c). Este tipo de c urva implica um tratamento matemático um tanto quanto compli-
cado.

A curva te nsão-deformação de e ngenharia não ap resenta uma informação real das carac-
terísticas de deformação do mater ial. Isto porque ela se baseia inteiramente nas di men-
sões srci nais do cor po de pr ova, as quais são continua mente alteradas durante o ensaio.
Em processos de co nformação, tais como a trefilação, a peça também experimenta
variações sensíveis na área de seção transversal. Assim sendo, são necessárias medidas
de tensão e deformação que se baseiem nas dimensões a cada instante. Na deformação
elástica, as variações dimensionais são pe quenas, o que t ornou desnecessárias, no capí-
tulo anterior, estas considerações.
A Eq. (l.l) descreve o conceito convencional de defo rmação linear unitária, que
significa a variação em comprimento em relação ao c omprimento unitário original.

I:i.L 1 L

f
e
= -=- dL
Lo Lo Lo

Esta definição de deformação é satisfatória para deformações elásticas onde M . . , é


muito pequeno. Todavia, as deformações associadas à deformação plástica podem ser
muito grandes, ocasionando variações consideráveis no comprimento do co rpo de
prova durante o ensa io mec ânico. Ludwik' foi o primeiro a propor a definição de
deformação verdadeira, ou deformação natural c, na qual se evita esta dificuldade. A
variação no comprimento é relacionada ao comprimento instantâneo do c orpo de
prova em vez do comprimento original.

e = L
"L,
I---+
-Lo -
L2
--
-LI L
+
-3
- -L
-+2
.. 0

Lo LI L2

dL L
f
L

e = L ln = Lo
LO

A relação entre deformação verdadeira e de formação linear convencionaF vem da EC"j.


(l.l ).

l:i.L L-Lo L
e=-
= ---=--
Lo Lo Lo

L
e = ln - = In (e + 1)
Lo

'P. Ludwik, Elemente der technologischen Mechanik, Springer-Verlag OHG, Berlim, 1909.
'O leitor deve se precaver contra a confusáo entre as diversas medidas de deformação. Em geral, usaremos e
para deformação. A náo ser quando especificado, estará implícita a deformação verdadeira. Para deformações
elásticas (e < 0,01) os valores numéricos de e e e sáo idênticos e, ocasionalmente, poderemos usar e para
deformação linear, especialmente onde quisermos definir uma pequena deformação elástica. Em outros livros a
deformação verdadeira é algumas vezes representada por Õ ou e.
A título de comparação são fo rnecidos valores de defo rmação verdadeira e defor-
mação linear convencional:

Deformação verdadeira E 0,01 0,10 0,20 0,50 1,0 4,0

Deformação convencional e 0,01 0,105 0, 22 0,65 1,72 53,6

Nota-se que as duas medidas de deformação fornecem valores idênticos até uma de-
formação de O ,I.
A vantagem de se us ar deformação verdadeira torna-se clara a part ir do seguinte
exemplo: considere um ci lindro uniforme que é tracionado ao dob ro do s e u compri-
mento original. A deformação linear seria de e = (2 L o - Lo)/ L o = 1,0, o que corres-
ponde a 100 % de deformação: Para atingir a mesma quantidade de deformação linear
negativa, em compressão , o cilindro teria que ser comprim ido até a espessura de ze ro.
No entanto, intuitivamente, é de se espera r que a deformação produzida ao s e c om-
primir o cilindro à metade do seu compr imento inicial seja a mesma, com sinal contrá-
rio, necessária para tracioná-lo ao dobro do seu valor . Esta equivalência para os d ois
casos é obtida com o emprego da deformação verdadeira. Para extensão ao dobro do
comprimento inicial, temos € = 1n (2 L o /L o ) = ln 2 . Para compressão à m etade do
comprimento inicial, € 1n [(Lo /2)/Lo J
=
1n Yz -In 2.
= =

Uma outra vantagem de trabalha r com deformações verdadeiras reside no fato de


que a deformação verdadeira total é igua l à soma das deformações verdade iras incre-
mentais. Isto pod e se r visto no exemplo seguinte: considere que uma barra de 2 cm de
comprimento seja el ongada em trê s inc rementos, cada qual igual a uma deformação
convencional e =0,1.

2,00
eO _ 1 = 0,2/2,0 = 0,1
2,20
2,42 e, _ 2 = 0,22/2,20 = 0,1
2,662 0,242/2,42 0,1
= =
e,. _ 3

Podemos notar que a deformação convencional total eO-3 = 0,662/2,0 = 0,331 não é
igual aeo - 1 + e , - 2 + e2 _ 3' Contudo, se nós usarmos tensão verdadeira, a soma dos
incrementos se igualará à deformação total .

2,2 2,42 2,662 2,662


80-1 + 81-2 + 82-3= In - + In -- + In-- = In -- =80-3
2,0 2,2 2 ,42 2,0

U ma das car acterísticas básicas da deformação plástica é o fato de um me tal ser


essencialmente incompressível. As va riações de densidade, medidas em met ais após
terem sido submetidos a grandes deformações plásticas, são inferiores a 0,1 por cento .
Desta maneira podemos considerar, como uma boa ap roximação de engenharia, que ó
volume de um só lido perma nece constante durante a deformação plástica.
Na Seç ão 2.8, determinamos a deformação volumétrica considerando um cubo d e
volume inicial dx dy dz, o qual após deformado apresentava um volume dx (I + ex) dy
(I + e,J dz (I + e z). A deformação volumétrica ~ é dada por

~=~ V = (I + ex)(1 + ey)(1 + ez) dx dy dz - dx dy dz


V dxdydz
Quando determinamos, previamente, Ô para peq uenas deformações elás ticas, era per-
mitido desprezar produtos de de formação quando comparados com a p rópria deforma-
ção. No entanto, isto não é possível quando são consideradas grandes deformações
plásticas. Uma vez que a varia ção de volume na deformação plástica é zero, temos
que:

Ô+ 1 = O+ 1 = (1 + e x)( 1 + e y )( 1 + e z)

ln 1 = O = ln (1 + e x) + ln (1 + e y ) + ln (1 + e z)

A Eq. (3.5) representa o primeiro invariante do tensor-deformação, quando a deforma-


ção é expressa em ter mos de deformação ve rdadeira. É uma re lação muito empregada
em problemas de p lasticidade. Deve-se notar, particularmente, que a Eq. (3 .5) não é
válida para deformações elásticas, uma vez que existe uma apreciável variação de
volume relativa à grandeza das deformações elásticas. Assim sendo, se nós so marmos
as três equações para a Le i de Hooke (2.64),

veremos que Ô será zero apenas para v = Vz. Segundo este re sultado, para um material
plástico para o qual Ô = O, o coeficie nte de Poi sson é igual a Vz.
Em virt ude de se r o volume constante, temos que AoLo = AL, e a Eq . (3.3) pode ser
escrita tanto em termos de defor mação como de á rea .

L Ao
B=ln-=ln- (3.6)
Lo A

A tensão verdadeira é a carga a cada i nstante, dividida pela área da seção trans-
versal sobre a qual ela é apl icada. A tensão d e engenharia, ou tensão convencional, é
a carga dividida pela área i nicial. Em se tratando de comportamento elástico, não foi
necessário fazer distinções. No entanto, em certos problemas de plas ticidade, particu-
larmente quando envolvem o s aspectos matemáticos do e n saio de tração (Cap. 9 ),
torna-se necessária a separação entre estas duas definições de tensão. A tensão verda-
deira será representada pelo símbolo familiar (T, enquanto que a tensão de engenharia
será representada por s.
p
(
1 =-
A

p
s=-
Ao

A tensão verdadeira p ode ser determinada a partir da tensão de engenharia da


seguinte maneira:

P P Ao
(1=-=--
A Ao A
Ao L
-= -= e+l
A Lo

p
••• (J = Ao (e + 1) = s(e + 1) (3.9)

A dedução de relaç ões matemáticas capazes de pre dizer as co ndições em q ue se i nicia


o escoamento, quando um material é sub metido a uma combinação de tensões qual-
quer, é um importante problema no campo da p lasticidade. Sob condições de ca rrega-
mento uniaxial, como no ensaio de tração, o escoamento plástico macroscópico co-
meça quando é ati ngida a te nsão de escoamento (To. É de se espe rar que o escoamento
em casos de atuação de tensões combinadas possa s er relacionado a uma dada co mbi-
nação particular das tensões principais. Não existe, no momento atual, uma maneira
teórica de calcular a relação entre as co mponentes de te nsão, capaz de correlacionar o
escoamento para um est ado tridimensional de tensã o com o es coamento no ensa io de
tração uniaxial.
Os critérios de escoamento são relações essencialmente empíricas; todavia, um
critério de escoamento deve ser consistente com certas observações exp erimentais.
Dentre estas, a mais importante é o fato de não haver escoamento num sólido co ntínuo
quando submetido simplesmente à pressão hidrostática1• Como conseqüência, a co m-
ponente hidrostática de um estado complexo de te nsões não influencia a tensão na qual
ocorre o escoame nto. Desta forma procuramos a tensão -desvio a ser associa da ao
escoamento. Além disso, para um material isotrópico, o critério de escoamento deve
independer da esco lha dos eixos, is to é, de ve ser u ma função invariante. Estas consi-
derações levam à conclusão de qu e o critério de es coamento deve ser um a função dos
invariantes da tensão-desvio. At ualmente ex istem dois critérios geralmente aceitos
para a previsão do início d e escoamento nos metais dúcteis.

Von Mises (1913) propôs que o escoamento se d aria quando o s egundo invariante da
tensão-desvio, J 2, excedesse u m determinado valor crítico.

Para avaliar a constante k e relacioná-Ia ao e s coamento num ensaio de t ração,


constatamos que no escoamento em tra ção uniaxial (TI (To, (T2 (T3 O,= = =

IFoi observada uma significante influência da tensão hidrostãtica no escoamento de polímeros vitrificados
como PM MA. S. S. St e rnstein e L. Ongchin, Polym. Pr epr. Am. Chel11. Soe. Div. PolYI11. Chel11., setembro,
1969.
Substituindo a Eq . (3.11) na Eq. (3.10), ob temos a for ma usual do cr itério de escoa -
mento de v o n Mises

A Eq. (3.12) ou (3.13) prevê a ocorrência do escoamento qu ando as d iferenças de tensões


no lado direito da equação excedem o limite de es coamento em tra cão uniaxial (J'o.
Para determinar a cons tante k na Eq. (3.10), considere o es tado de t ensão em
cisalhamento puro, como produzido num ensaio de to rção

0'1=-0'3=' 0'2=0

0'/ + 0'/ + 40'/ = 6k


2

0'1 k
=

Assim, k representa o limite de escoamento para cisalhamento puro (torção). Desta


forma, o cri tério d e von Mises prediz que o li mi te de escoamento em torção s erá
menor que em tração uniaxial porque

1
k = J3 ao 0 , 5 7 7 ( J 'o
=

Em resumo, é importante notar que segundo o critério d e von Mises o es coa-


mento não depende de um a tensão normal ou cisalhante particular, mas sim de uma
função dos valores das três tensões cisalhantes principais. Uma vez que o critério de
escoamento é baseado em difer enças de tensões normais, (J', - (J'z, etc., ele ind epende
da componente de tensões hidrostática. Em virtude de en volver termos quadrados, o
critério de v on Mises apresenta um resultado que independe do s sinais d e cada tensão.
Esta é uma vantagem imp ortante, uma vez que não é necessário que se s aiba qual a
maior ou menor tensão principal para que se possa aplicar este critério.
Von Mises propôs, originalmente, este critério por ca usa de sua simplicidade ma-
temática. Mais tarde, outros autores se preocuparam em dar seu significado fís ico.
Hencky (1924) m ostrou que aplicar a E q. (3.12) ser ia equivalente a adm itir que o es -
coamento ocorre quando a energia de distorção atinge um valor crítico. A energia de
distorção é a parcela da energia total d e deformação por unidade de volume que é
envolvida na variação da forma que ocorre como oposição a uma variação do vo lume.

o fato de a energi a total de d eformação poder ser separada em um termo dependente da


variação de volume e outro dependente da distorção pode ser visto expressando-se a Eq. (2.84)
em fu nção das tensões principais.
1
Uo = 2E [/ 1
2
- 2/ 2(1 + v ) ]

Esta equação será mais signif icativa se a ex pressarmos em termos d o módulo de elasticidade
volumétrica (variação do volume) e do módul o de cisalhamento (distorção). Da Seção 2 .11,

E= 9GK 3K-2G
V=---
3K+G 6K+2G

U
o
=!L
18K
~
+ 6G (/ 1
2
- 3/2)

A Eq. (3.17) é importante porque evidencia que a energia total de deformação pode ser desmem-
brada em um ter mo que depende da variação do volume e um termo dependente da distorção .

Outra interpretação física dada para o critério de e scoamento de von Mises é que
ele representa o v alor crítico da ten são octaédrica cisalhante ( ver Seção 3.6). Esta é a
tensão de ci salhamento nos planos octaédricos, os quais formam ângulos iguais com o s
eixos principais. Uma outra interpretação do critério é que ele representa a média
quadrática da tensão cisalhante média para todas as orientações do sólido!.

Este critério de escoamento admite que O escoamento ocorre quando a tensão de c isa-
Ihamento máxima atinge o valor da tensão de ci s alhamento no ensaio uniaxial de tr a-
ção. A ten são cisalhante máxima é dada pela Eq. (2.21),

onde !T1 e !T3 são, respectivamente, as te nsões principais algebricamente maior e me -


nor.
Para tração uniaxial, C T 1 = C To , CT2 = CT3 = O, e a te nsão cisalhante de esc oamento TO

é igual a C T o /2 . Substituindo na Eq. (3 . 2 0 ),

Para um estado de cisalhamento puro, CT 1 = -CT3 = k , CT2 = O, o critério da tensão


cisalhante máxima prediz que o escoamento ocorrerá quando
(Tl - (T3 = 2k = (To
k =(To
2
Assim, o critério da tensão cisalhante máxima pode ser escr ito
(T 1 - (T 3 =(T~ - (T; =2k

Podemos notar que, matematicamente, este último critério é menos complicado


do que o critério de von Mises, e por esta razão é muito utilizado em projetos de
engenharia. Todavia, ele não leva em consideração a te nsão principal intermediária;
logo, sua maior difi culdade está no fat o de se ter que saber, a princípio, quais são as
tensões principais máxima e mín ima. Além disso, a forma geral do cri tério da tensão
cisalhante máxima, Eq. (3 . 23), é muito mais complicada do qu e a do critério de von
Mises, Eq. (3.10); por esta razão, o critério de von Mises é preferido na maioria dos
trabalhos teóricos.

As co ndições para escoamento em estados de tensões diferentes dos de carregamento


uniaxial e t orção podem ser con venientemente es tudadas com tub os de paredes finas
Tensão axial e torção podem ser aliadas para p roduzir várias combinações de tensão
cisalhante e ten são normal, intermediárias entre os valores obtidos, separadamente,
em tração e tor ção. Por outro l ado, uma pressão hidrostática pode s er introduzida, a
fim de pr oduzir no tubo um anel circunferencial de ten são l
.

Para as tensões mostradas na Fig. 3.3 , têm-se, da Eq. (2. 9), as seguintes tensões
principais:

IVeja. por exemplo. S. S. Hecker. Metal/. Trans" vol. 2. pp. 2077-2086. 1971. Um método singular para
determinação do map a de escoamentot de uma placa plana foi apresentado por D. Lee e W. A. Backofen,
Trans. Metal/. Soe. A/ME. vol. 236, pp. 1077-1084, 1%6. Este método é bem apropriado para o estudo d a
anisotropia de placas laminadas.
t N. do T. Um ma pa de escoamento consiste no traçado de uma superfície que corresponde ao lugar geométrico
dos limites de escoame nto ao longo da placa.
Ambas as equ ações definem uma elipse. A Fig. 3.4 mostra que os resu ltados experi-
mentais! concordam melhor com a t eoria de von Mises.

I§' 0,4 Fig. 3.4 Comparação entre as teorias


';::, 0,3 da tensão cisalhante máxima e v on Mi-
••'< ses.

°° 0,1 0,2 0,3 0,4 0 ,5


ax /ITo
0.6

Para a condição de t ensão plana, a teoria de esc oamento de energia de distorção


pode ser mat ematicamente expressa por

Esta é a equação de uma elipse cujo semi-eixo maior é V f (T ; ; e cujo semi-eixo menor é
Y213a o.
Um modo conveniente de s e comparar critérios de escoamento para um estado
bidimensional de te nsões é com o traçado de mapas de escoamento como indicado n a
Fig. 3.5. Deve-se notar que a teoria da tensão cisalhante máxima e a teoria da energia
de distorção predizem o me smo li mite de e scoamento para as cond ições de tensão
uniaxial e tensão biaxial balanceada (u = (2)'A maior divergência e ntre as duas
1

teorias ocorre para um estado de c isalhamento puro (u = -(2)' Já vimos que, para
I

cisalhamento puro, o cr itério de esc oamento de von Mis es prevê k = uo/0 , enquanto
que o critério de Tresca fornece k = uo/2 . O crité rio de von M ises fo rnece um limite
de
peloescoamento em cisalhamento
critério da tensão puro, 2/0
cisalhante máxima. Esta=d if1,155,
erençamaior do que
de cerca aquele
de 15 previsto
por cen to é a
maior divergência entre os dois cri térios de escoamento.
Um método muito sensível de di ferenciação entre os do is cr itérios de escoamento foi ado -
tado por Lode, que determina o efeito da tensão princ ipal intermediária no escoamento. De
acordo com a lei da te nsão máxima cisalhante, não deveria haver influência do valor da te nsão
intermediária (h Então, (< T I - < T 3 )/ < T O = I. Para que a teoria da energia de distorção levasse em
consideração a i nfluência da te nsão principal intermediária, Lode introduziu o parâmetro IJ-,cha-
mado parâmetro de tensão d e Lode.

Fig. 3.5 Comparação dos critérios d e


escoamento para tensão plana.

Os dados experimentais se ajustam muito m elhor à Eq. (3.29) do que à equação do c ritério de
tensão cisalhante máxima, indicando que a ten são principal intermediária exerce influência no
escoamento.
Outra contribuição de Lode foi a introdução de um parâmetro de deformação 1/.

onde !:ie é um in cremento finito de defo rmação. Lançados em gráfico, IJ-e devem fornecer uma
1/

linha reta a 45° co m os eixos, caso o metal se comporte de ac ordo com as equações de plastici-
dade de L evy-von Mises (ver Se ção 3.9). A maioria dos metais apresentam um pequeno , porém
sistemático, desvio da rela ção de Lode , /.L = 11.

Os critérios de escoamento até agora con siderados admitem que o material seja
isotrópico. Embora es'te possa ser o c aso no início da deformação plástica, certamente
não o será após o metal ter sido submetido a uma deformação plástica considerável.
Além disso, a maioria das formas de peças metálicas fabricadas possuem propriedades
anisotrópicas. Assim sendo, é provável que as am ostras tubulares usadas nos est udos
básicos dos critérios de escoamento apresentem um certo gr au de anisotropia. Certa-
mente o c ritério de von Mises, como formulado na Eq. (3.12), não se ria válido para
uma chapa laminada a frio altamente orientada ou para um material composto refor-
çado com fibra.
HilP formulou o critério de von Mises par a um material a nisotrópico apresentando
simetria o rtotrópica.

F«(Jy - (J,)2 + G«(J, - (J~? + H (ox - (J,)2 + 2L!y/ + 2M!,}


+ 2N!x/ =1

onde F, G, ... , N são co nstantes que defi nem o grau de anisotropia. Para os eixos
principais de simetria,

Se X é a tensão d e escoamento na direç ão I, Y é a tensão de e scoamento na direção 2 ,


Z é a t e nsão de e scoamento na direção 3, então, substituindo na Eq . (3.31), podemos
avaliar as constantes por:

1 1 1
G+H= X2 H + F= y2 F+G=-
Z2

cr
x

200

Fig. 3.6 Mapa de escoamento para


chapa de liga de t itânio com textura.
Tensão em 10' psi
(Retirado de D. Lee e W . A. Backo-
fen, Trans. Metal/. Soco AlME, vol.
• = 0,002
Ti - 4AI - ' / . O,
236, p. 1083, 1966. Com permissão
dos editores.)
Lubahn e Felgar' apresentaram cálculos de plasticidade detalhados para o comp orta-
mento a nisotrópico.
Num mapa de escoamento p ara tensão plana, como o da Fig. 3 .5, o escoamento
anisotrópico acarreta a distorção da elipse de escoamento. A Fig. 3.6 a presenta o
mapa de escoamento para uma chapa de um a liga de titânio com alta textura.2 Deve-se
notar que a curva determinada experimentalmente é ass imétrica, quando comparada à
curva ideal isotrópica.
Um aspecto importante do escoamento anisotrópico é o endurecimento por tex-
tura. Considere uma placa com alto grau de t extura com a qual se fabrique um vaso
3

de pressão de parede fina, de maneira que a ten são (T3, ao longo da espessura, seja
desprezível. Da Eq. (3.31), te mos:

Fa/ + Ga/ + H(a/ - 2a1a2 + a/) =1

(G + H)a/ + (F + H)a/ - 2Ha 1a2 =1

( aX1 )2 + (a y2 ) 2
- 2H XY
(aXi Y( 2 ) =1

Para simplificar, admitiremos que os limites de escoamento n o plano da placa são


iguais, isto é, X = Y. Assim,

1
G=F=-
2Z2

Contudo, o limite de esco amento Z na di reção da espessura da chapa é uma pr oprie-


dade difí cil de se medir. Este problema pode ser contornado medindo-se o valor R, que
é a razão entre a deformação ao longo d a largura e a deformação na espessura.

R =In (w olw)
In (to lt)

Desde que ( Z )2 = Y 2( I + R). a equação do mapa de escoa mento pode ser escrita
Y
da seguinte for ma:

Um alto valor do limite d e escoamento Z, ao longo de toda a es pessura, dá srce m a


um baixo valor da deformação na espessura e um alt o valor de R. A influência do
ef
esfeito
éricode textura
(TI = (T2; noentão,
endurecimento
traçando-sepode
umaserlinha
vistainnclinada
a Fig. 3.6.
de 45Paranaum
Fig.vaso
3. 6,depodemos
pressão
0

observar que a res istência ao escoamento aumenta de maneira marcante com valores
crescentes de R.
As relações que foram desenvolvidas para os critérios de escoa mento, Eqs. (3.12)
e (3.21), podem ser re presentadas geometricamente por um cilindro igualmente orien-

IJ. D. Lubahn e R. P. Fe lgar, Plasticity and C reep o[ Metais. Capo 13, John Wiley & Sons, lnc., New York,
1%1.
'Estas cu rvas fo ram obtidas co m o método de D. Lee e W. A. B ackofen, anteriormente citado .
3W. A. Backofen, W. F. Hosford, Jr. e 1. J. Burke, ASM T rans Q., vol. 55, p. 264, 1962.
tado com os ei xos (T" (T2 e (T3 (Fig. 3 .7). Um estado de tensões que dê um pon to dentro
do cilindro representa comportamento elástico. O escoamento começa quando o es -
tado de ten sões atinge a supe rfície do c ilindro, a qual é cham ada superfície de escoa-
mento. O raio MN do cilindro é a tensão-desvio. De sde que o eixo do cilindro OM
faça ângulos iguais com os ei xos da s tensões principais, I = m = n = l/vI3, e da Eq.
(2.18), (T = « T I + (T2 + (T3)/3 = (Tm' Desta forma, o eixo do cilindro é a componente
hidrostática da tensão. Uma vez que a deformação plástica não é influenciada pela
tensão hidrostática, a ger atriz da superfície de escoamento é uma linha reta paralela a

ocorre.e assim sendoconsiderar


o raio do que
cilindro é constante. À medida que
se exapande
deformação plástica
OM,
podemos a superf ície de escoamento mantendo sua
mesma forma geo métrica.

A superfície de escoa mento mostrada na Fig. 3.7 é um cilindro circular, caso ela
represente o critério de von Mises. Se for passado através desta superfície um pl ano
paralelo ao eixo (T3, a interseção no plano (T1(T2 será uma elipse (ve r Fig. 3.5). A super-
fície de escoamento relativa ao cr itério da tensão máxima cisalhante é um cilindro
hexagonal. Deve ser notado que, apesar da superfície de escoamento ser um impo r-
tante co nceito na
experimentais teoria da plasticidade,
concernentes nãosuperfície.
à fo rma desta há uma quantidade
Existe umsignif icativa que
trabalho de da dos
indica l

não ser a superfície de escoa mento um cilindro de raio uniforme.


3. 6 TENSÃO DE CISALHAMENTO OCTAÉDRICA E DEFORMAÇÃO DE
CISALHAMENTO
As te nsões octaédricas são um conjunto particular de funções de tensões, que são
importantes na teoria da plasticidade. Elas são as tensões que atua m nas faces de um
octaedro tridimensional que apresenta a propriedade geométrica de ter os planos das
faces formando ângulos iguais co m cada uma das três direções principais de tensão.
Para este só lido geométrico, o ângulo entre a normal e uma das faces e o e ixo principal
0
mais próximo
lente aos planosé de 54 44', e o c o -seno deste ângulo é 1/0. É uma situação equiva-
{I li} numa rede cris talina C.F.C.
A tens ão atuante em cada face de oc taedro pode ser resolvida2 em uma tensão
octaédrica no rmal (ToeI e uma tensão octaédrica cisalhante ToeI' A tensão oc taédrica
normal é igual à componente hidrostática da tensão total.
0'1 +0'2 + 0'3
O'ocl = 3 = O'm

IL. W. Hu, J. MarkowilZ e T. A . Bartush, Exp. Mech., vaI. 6, pp. 58-65, 1966.

'A. Nadai, Theory of FlolV and Fraclllre of Solids. 2· ed., vol. I, pp. 99-105, McGraw-Hill Book Company,
New Y ork, 1950.
Uma vez que a tensão octaédrica normal é uma tensão hidrostática, ela n ão pode
produzir escoamento nos materiais sólidos. Desta forma, a componente de tensão res -
ponsável pela defor mação plástica é a tensão octaédrica ci salhante. Sob este aspecto,
ela é a náloga à te nsão-desvio.
Se é a dmitido que o e scoamento é determinado por uma tensão octaédrica de
cisalhamento crítica, um critério de escoamento pode ser escrito na seguinte forma:

Em virtude de a Eq. (3.34) ser idêntica à equação derivada para a teoria de energia de
distorção, os dois c ritérios de escoamento fornecem os mesmos resultados. De certa
forma, a teoria octaédrica pode ser considerada o equivalente de tensão da teoria da
energia de distorção. De acordo com esta teoria, a tensão octaédrica cisalhante, cor-
respondente ao escoa mento em tensão uniaxial, é dada por
)2-
Toei = 3 "" (Jo = O , 4 7 1 < T o

Deformações octaédricas são referidas ao mesmo octaedro tridimensional com o


as tensões octaédricas. A def ormação octaédrica linear é dada por

A deformação octaédrica de cisa lhamento é dada por


Yoel =t(81 - 82)2 + (82 - 83)2 + (83 - 8 1 )2] \ 1; ,

Muitas vezes é de g rande utilidade a substituição de um estado complexo de tensões


ou deformações através de f unções invariantes da tensão e da defor mação. Se co ns-
truímos a curva p lástica de te nsão-deformação (a curva de e scoamento) em termos dos
invariantes de tensão e deformação, será obtida aproximadamente a mesma curva,
independentemente do estado de ten sões. Por exemplo, as curvas de escoamento obti-
das num ensaio de tração uniaxial de um tub o de parede s finas com p ressão interna
serão idênticas àquelas obtidas através de um ensaio de torção b iaxial, caso sejam
plotadas em term os de fun ções invariantes de tensão e deformação.
Nadai' mostrou que a tensão octaédrica cisalhante e a deformação cisalhante são
funções invariantes que descrevem a curva de escoa mento, independentemente do tipo
de en saio realizado. Outras f unções invariantes freqüentemente utilizadas são a te nsão
e deformação efetivas, também chamadas signijical1tes. Quando os eixos coorde nados
coincidem com a s direções principais, es tas funções são definidas pelas seguintes
equações:
Tensão efetiva ou significante:

Deve-se notar que a tensão efetiva e a deformação efetiva são ambas reduzidas, num
ensaio de tração, às componentes normais axiais de tr ação e deformação, respectiva-
mente. Estes valores estão também relacionados co m a tensão e a deformação octaé-
drica cisa lhantes, como pode ser visto se co mparamos as e quações acima com as Eqs.
(3.33) e (3.37).

~-fi-(J
'OCI - -

3
Drucker verificou qu e exis te um grande número de diferentes f unções de tensão e
1

deformação que podem servir como parâmetros invariantes de tensão e deformação.


Ele mostrou, por exemplo, que dados experimentais obtidos para tubos de liga d e
alumínio, ensaiados com tensão combinada, apresentavam melhor ajuste quando a ten-
são cisalhante equivalente definida abaixo, era plotada contra a deformação octaé-
Teq,

drica cisalhante, do que qu ando plotado Toet contra Yoet.

J:
J 2 ) Y.
'teq ='toct ( 1-2.25 3

onde J 2 e J 3 são i nvariantes da tensão-desvio. Não parece haver qu alquer justificativa


teórica ou exp erimental para que se es colham parâmetros invariantes de tensão e de-
formação, a não ser o m elhor ajuste com os dados experimentais e a conveni ência
matemática.

Após termos discutido as re lações entre o estado de tensões e o esc oamento plástico,
torna-se necessário considerar as relações entre tensão e deformação durante a defor-
mação plástica. Na região elástica as deformações são determinadas, através da Lei d e
Hooke, unicamente pelas te nsões, sem no ent anto se lev ar em cont a como foi atingido
aquele estado de não
as deformações tensões. Isto não ocorreunicamente
são determinadas para a deformação plástica,pois
pelas tensões, poisdependem
ne sta região
de
toda a história do carregamento mecânico. Desta forma, é necessário na pl asticidade
que se determinem as diferenciais ou incrementos de deformação p Lástica através de
cada instante do carregamento, para então se obter através de integração ou somatório
a deformação total. Como um simples ex emplo, considere uma barra de I cm de com-
primento, a qual é estendida em tração até 1 1/4 cm e depo is comprimida até o compri-
mento original de 1 cm.
f l'.4dL
-L + f 1'.4 - -dL
1
e = = 2 ln 1 1: = 0,445
1 L

Para o caso pa rticular de carregamento, no qual todas as tensões aumentam na


mesma razão, carregamento proporcional, isto é,

as defo rmações plásticas são independentes da história do carr egamento, o u seja, de-
pendem apenas
Existem do escategorias
duas tado de tensão
gerais fde
inal.relações plásticas entre tensão e deformação.
As teorias de escoamento ou incrementais são aquelas que relacionam as tensões aos
incrementos de defor mação plástica. As teorias da def ormação total são aq uelas que
relacionam as tensões à deformação plástica total. A aplicação deste último tipo de
teoria facilita a solução dos problemas de plasticidade, mas em geral as deformações
plásticas não podem ser consideradas independentes da história do carregamento 1

Levy (\871) e, posteriormente, von Mises (1913) propuseram que os incrementos de


deformação plástica estão re lacionados com as tensões-desvio por

-de- - , -
(1x
x
-----;
_de
-d ez _--
y _

(1y
de
-;-
(1%
---
'u--
d eu _ d e
'y%
y% _

'xy
xy
-d À
_

onde dÁ . é uma constante positiva que pode variar durante o "caminho" do carrega-
mento. Estas equações se ba seiam na hipótese de que os eixos principais dos incre-
mentos de deformação coi ncidem com os eixos das tensões principais. Uma vez que
não são co nsideradas as deformações elásticas na Eq. (3.42), elas só se aplicam para
um sólido plástico ideal (rígido) no qual a deformação e lástica é pequena comparada
com a deformação plástica. Muitas vezes as Eqs. (3.42) são escr itas com02

~-~=~-~=~-~=~=~=
~=~

(T~ - a; a; - a~ a~ - q~ yZ
't 'txz ' t" xY

IForam apresentados argumentos mostrando qu e as teorias da deformação total poderiam ser válidas para
histórias de calTegamento diferentes do carregamento proporcional por B. Budiansky, J. Appl. Mech., vol. 26,
n.o 2, pp. 259-264, 1959.
'Estas equ ações podem t amb!m ser desenvolvidas admitindo-se que os parâmetros de tensão e deformação de
Lode sejam IguaIs. A condlçao para que ISto ocorra. J 1 . = v. é chamada cO/1diçüo de 1'0/1 Mises.
de x =!d À[O "x - t(o "y + 0" .)]
de y =!d À[O "y - te o ". + O" x)]

de . =!dÀ [O" . - t( o" x + O " y)]

Para se avaliar a contante dÀ, utilizamos a deformação plástica invariante, ou sej a,


a deformação efetiva, s.

de = \2 [(de x - de y)2 + (de y - de .)2 + (de. - d e,l + 6(de xy )2


+ 6(d e yz)2 + 6(d e .)2fh
x
Substituindo as Eqs. (3.44) na Eq. (3.45), temos:

de =~dÀ { fi [(O " x - O " y)2 + (o" y - 0" .)2 + (O " . - O "Y + 6(rx/ + ry/ + rx/)]lt,}

2
de =" jd Àã

de
a
deY =-[0" Y
-~(o"
Z z
+0")]
x

o termo d 8/ ã - pode ser calculado a partir da curva-tensão efetiva - deformação ef e-


tiva. As Eqs. (3.46) apresentam forte semelhança com as equações da Lei de Hook e,
Eqs. (2.64) e (2.65). Em vez de um módu lo de Young fixo, as equações da plasticidade
têm um m ódulo plástico variável iT /d e , e o coeficiente de Poisson para estas equaçõe
é 112.

As equações de Levy-Mises, e m virtude de desprezarem as deformações elásticas, só


podem ser aplicadas a problemas de grandes deformações plásticas. Para tratar dos
importantes, porém difíceis, problemas na região elastoplástica, é necessário conside-
rar as componentes elásticas e plásticas da deformação. Estas equações foram propos-
tas por Prandtl (1925) e Reu ss (1930.
O incremento de deformação total é a soma de um incremento de de formação
elástica deE e um incremento de deformação plástica dff.

O incremento de deformação plástica é dado pelas equações de Levy-Mises, que pode


ser escrito como

p 3 de ,
de·· =--u
··
'J 2 ii IJ

1 +v , 1 + 2v dUkk 3 de ,
deij = EdUjj + ~ -3- bij + 2 ii Uij

As equações de Levy-Mises e Prandtl-Reuss apresentam relações entre os incremen-


tos de deformação plástica e as tensões. O problema básico consiste em se calcular
para um dado estado de tensões qual o próximo i ncremento de deformação plástica
associado a um aumento incremental das cargas. ·Se são conhecidos todos os incre-
mentos de deformação, então, simplesmente através do somatório será conhecida a

def ormação
relações pl ástica
plásticas de total. Paraormação,
tensão-def que isto dadas
seja possível, dispomos
pelas Eqs. de (3.50),
(3.46) ou um c ondejunto de
um cri-
tério de e scoamento e de um a relação básica em termos da c urva i T versus e , para o
comportamento do material no escoamento. Além disso, uma solução completa deve
também satisfazer as condições de equilíbrio, as relações deformação-deslocamento e
as condições de contorno. No fim deste capítulo, são indicados ao leitor vários textos
de exce lente qualidade referentes à plasticidade, para exemplos de soluções detalha-
das'. Apesar da natureza incremental das soluções dos problemas de plasticidade re-

'Vários problemas de plasticidade são a presentados em grande detalhe por Lub ahn e Felgar nos Ca ps. 8 e 9 da
referência anteriormente citada.
sultar em grande trabalho e, como conseqüência, pouca aplicação das técnicas dispo-
níveis no passado, o atual emprego de computadores digitais torna a análise da plasti-
cidade um pr oblema comum da engenharia. Uma técnica numérica envolvendo apro-
ximações sucessivas! é de grande utilidade na solução de problemas elastoplásticos, nos
quais é co nsiderado o encruamento.

3.9 ESCOAMENTO PLÁSTICO BIDI MENSIONAL. A TEORIA DO


CAMPO DE LINHA DE DESLIZAMENTO

Em muitos problemas práticos, como a laminação ou es tiramento de f itas, podem-se


considerar os deslocamentos limitados ao plano xy e, desta forma, desprezar na análise
as deformações na direção z. Isto é c o nhecido como uma condição de deformação
plana. Quando um problema requer uma solução tridimensional exata muito difícil,
pode-se muitas vezes o bter uma boa indicação das tensões ao se co nsiderar o pro-
blema a nálogo para deformação plana.

r:'
y

Metal ~
} ; . : : ! i~ P " 1 a" s"c" " t i c•.•• o~• i I ' d
~_ . _0

~~PI~áS%ti~CO%~

Matriz

Fig. 3.8 Métodos de produzir


restrição plástica.

U ma vez
necessário q ue que um material
se impeça plástico em
o escoamento tendeumaa se de formar
direção a fi mem
de todas as direções,
se desenvolver umaé
condição de deformação plana. Este impedimento pode ser produzido por uma barreira
externa lubrificada, como a parede de uma matriz, ou pode surgir de Uma situação em
que apenas parte do material é deformada, sendo impedido o ava nço da deformação
por um material elástico (rígido) que limite a região plástica (Fig. 3.8b).
Se a deformação plana ocorre em planos paralelos a xy, então,

Uma vez que Tde


Das equações
xz
= TyZ = 0, temos
Levy-Mises, Eq. como
(3.44), conseqüência
temos que U"z
é uma tensão principal.

'A. Mendelson e S . S. M a nson, NASA Tech. Rept. R.28, 1959. Veja também A. Mendelson, Plasticidade:
Teoria e aplicação, Capo 9, Companhia Macmillan, New York, 1968.
Deve-se notar que apesar da deforma ção na direção z ser zero, existe uma tensão de
restrição atuando nesta direção.
A Eq. (3.51) poderia perfeitamente ser escrita em termos das tensões principais < T 3
= (< T I + < T2)/2 .
Esta tensão principal será intermediária entre < T I e < T 2 ; desta forma o crit ério de
escoamento da máxima tensão cisalhante é dado por

onde k é a tensão-limite de escoamento em cisalhamento puro.


Se o valor da tensão p rincipal intermediária < T 3 for substituído no cri t ério d e es-
coamento de vo n Mise s, Eq. (3.12), este se reduzirá a

o O

P { í_ P 0 + , , 0 - °+ , .
t

P+ O
-2-
tOIPI>IOI O+k t
O
(o) (O+k)-k (bl
t .

~fi-
10 "'" '0"'"
O+k t
(O+k)-k
( c)

Fig. 3.9 Demonstração de que um e stado de tensõ es de deformação pl ana pode ser expre sso pela
soma de um a tensão hidr ostática com cisalhamento puro.
Assim sendo, os critérios da ten são máxima de cis alhamento e de von Mises são equi-
valentes quando se trata do e stado de deformação plana. Pode -se con siderar que o
escoamento plástico bidimensional começará quando a tensão de cisalhamento atingir
um valor crítico igual a k.
A teoria do campo de linha de deslizamento está baseada no fato de que qualquer
estado genérico de tensões em deformação plana consiste em um cisalhamento puro
mais uma pressão hidrostática. Isto poderia ser mo strado se a plicássemos as equações
de transformação de tensões de um conjunto de eixos para outro; no entanto, talvez

seja mais
estado de instrutivo ver istoemem(TI forma
tensões consista = -Q,de(T3diagramas.
= -P, e (T2Na Fig. 3.9,
=(-P - Q)suponhamos que o
/2. A tensão máxi-
ma de cisalhamento é dada po r

'max = 0"1 - 0"3 = 2k


-Q+P=2k
P= Q+2k

Mas podemos escrever o e stado de tensões na Fig. 3.9b como representado na Fig .
3.9c, que por sua ve z pode s er escrito como a soma de um a pressão hidrostática e um
estado de ten sões biaxial, Fig. 3.9d. Este último é o est ado de ten sões em torç ão pura,

o qual,
forma, para estado
um planos geral
com de
rotação de 45
t ensões em°, deformação
consiste em plana
tensõespode
cisalhantes puras. Desta
ser decomposto num
estado de tensões hidrostáticas p (neste caso em comp ressão) e um estado de cisalha-
mento puro k. Os componentes do tensor de tensões p ara deformação plan a são

p k O
O"ij = k p O
O O p

A representação em círculo de Mohr do estado de ten sões dado na Fig. 3.9 é


mostrada na Fig. 3.10. Se (TI = - Q e (T3 =- P , então (T2 =(- Q - P)/2 = - p. Isto

ocorre porque
0"1+0"2+0"3 I( Q P )
P =O "m -
-
=3-
- =- 3 Q + "2 + " 2 + P
. Q+P
.. P=-2-=-0"2

Também o raio do círculo de Mohr é Tmax =k , onde k é a tensão-limite de escoamento


em cisalhamento puro. Então, usando a Fi g. 3.10, podemos expressar as tensões prin-
cipais

O"I=-p+k
0"2 = -p

0"3=-p-k

A teoria do campo de linha de de slizamento para def ormação plana permite a


determinação das t e nsões num corpo deformado plasticamente, mesmo quando a de-
formação a o longo deste co rpo não é uniforme. Além de exigir condições de
deformação plana, esta teoria admite um m aterial plástico id eal rígido, isotrópico e
homogêneo. Para tal material, não susceptível a encruamento, k é constante a cada
Fig. 3.10 Círculo de Mohr relativo às tensões na Fig.
3.9a.

ponto mas p pode variar. O est ado de ten sões a cada ponto poderá ser caracterizado se
soubermos o módulo de p e a direção de k. As linhas de ten são cisalhante máxima
situam-se em duas direções ortog onais a e (3, e apresentam como propriedade a defor-
mação cisalhante máxima e adeform ação linear nula nas t angentes às suas direções. As
linhas de deslizamento indicam a direção de p a cada ponto e, através da rotação da
linha de deslizamento entre um ponto e outr o do campo, podem-se deduzir as varia-
ções no módulo de p. Deve-se notar que as linhas de deslizamento a que nos referimos
são a penas construções geométricas que definem as direções c aracterísticas das equa-
ções 'diferenciais parciais hiperb ólicas para a tensão, sob condições de deformação
plana. Estas linhas de deslizamento não apresentam qualquer relação com as linhas de
deslizamento observadas num microscópio sobre a superfície de um metal deformado
plasticamente.
Para determinar as equações utilizadas na determinação de tensões através dos
campos de linhas de de slizamento, devemos relacionar ap e k as tensões atuantes num
corpo físico segundo o sis tema de coo rdenadas xy. A Fig. 3. llb mostra a re presenta-
ção do estado de tensões dado na Fig. 3.lla, através de um círculo de Mohr. As
tensões podem ser expressas como:

I1x = -p- ksen 2cP


l1y = -p- (- k sen2cP) = -p+ ksen 2cP
11 % = -p

'Xy = k cos 2 c P

onde 2 c f> é um ângulo do círculo de Mohr medido no sentido anti-horário desde o plano
x até o primeiro plano de tensão cisalhante máxima. Este plano é conhecido como uma
linha de deslizamento a. Na Fig. 3.llc é apresentada a re lação entre o e stado de
tensões no corpo e as li nhas de de slizamento a e (3"
A variação p
zamento é dada da pressão
pelas hidro dstática
equações e Hencky.com mudança de direç ão das linhas de desli-

p + 2 k c f > = constante ao long o de uma linha a


p - 2 k c f> = constante ao longo de um a linha (3

Estas equações são -desenvolvidas! a par tir das equações de equilíbrio em deformação
plana. O emprego das equações de Hencky será ilustrado com o exemplo da c ompres-

'Veja, por exemplo, W. Johnson e P. B. Mellor, Plasticity for Mechallical Ellgilleers, pp. 263-265, D. Van
Noslrand Company, Inc., Princelon, N. J., 1962.
Fig. 3.11 (a) Estado de tensões no c orpo; (b) círculo de Mohr para (a); (c) relação entre o corpo
e as linhas de deslizamento a e {3.

são de um bl oco espesso com um pu nç ão plano sem atrito. O campo de linhas de

deslizamento
linhas mostrado encontram
de deslizamento na Fig . 3.12a foi
450sugerido a princípio
a superfície livre dapor Pr andtl',isenta
int erface em de
1920. As
atrito
entre o punção e o bl oco ( ver Probo 3.14). Poderíamos construir o ca mpo linha de
deslizamento partindo do tr i ângulo AFB, mas logo veríamos que toda a deformação
plástica estaria res tringida a esta região, e o metal não seria capaz de se mover pois
estaria envolvido por um m aterial rígido (elástico). Desta maneira, a zo na plástica
descrita pelo campo linha d e deslizamento deve ser estendida ao longo da superfície
livre de AH e BD.
Para se determinar as tensões partindo do ca mpo de linhas de deslizamento, po-
demos começar com um simples ponto como D. Uma vez que D está sobre uma super-
fície livre, não existe uma tensão normal a esta , logo,

(1y =0= -p + ksen2tjJ

(1" = -p - k sen2tjJ = -p -p = -2p

~x
z

'Um outro campo de linha de deslizamento foi sugerido posteriormente por R. Hill. Este estudo leva a valores
idênticos da pressão de compressão, o que ilustra o fato de não serem necessariamente únicas as soluções de
campo de linhas de deslizamento.
"y =0= "\
I
I

As tensões no ponto D são mostradas na Fig. 3.13. Através do círculo de Mohr,


sabemos que p = k. A fim d e usarmos as e quações de Hencky, precisamos sa ber se a
linha de deslizamento através de D é uma linha a ou {3.I sto é feito de maneira mais
simples através da seguinte convenção de sinais:
Seja uma rotação em tor no do ponto de interseção de du as linhas de desliza-
mento realizada no sentido anti-horário.
Se partirmos de uma linh a a, a direção da tensão principal algebricamente maior,
(TI, será cruzada antes de que o seja uma linha {3.
Aplicando esta convenção, vemos que a linha de deslizamento de D a E é uma linha a.
DestÇlforma, aplica-se a primeira equação de Hencky,

A tangente à linha a entre E e F sofre uma rotação de 7 T / 2 rad. Como esta tangente
realiza uma rotação no sentido horário, d1J = -7 T / 2. Se escrevemos a e quação de
Hencky na forma diferencial, temos

dp + 2kd4> =0

(PF - PE ) + 2k (4) F - 4> E) =O

PF -k+2k(-~ -O ) = 0
PF = k(n + 1)

Deve-se notar que em F' a pressão é a m esma que em F em virtude de se r reta a linha
de de slizamento. Além disso, o valor da pressão p também é o mesmo sob a face do
punção em G. (Evitamos os pontos A e B, nas bo rdas do punção, por se tratarem de
pontos de de scontinuidade da pre ssão.) Para calcular a pressão do p unção requerida
para comprimir o bloco, é necessário converter a pressão hidrostática na interface do
punção na tensoo vertical G"y.

PF =PF' Po
= = k(n + 1)

uy = -Po + ksen2<jJ

Voltando à Fig. 3.llc, vemos que o ângulo 1 > é medido no sentido anti-horário, a partir
do eixo x até a linha 0'.

Uy = -k(n + I) + ksen2C:)

Se traçarmos outras linhas de d eslizamento, encontraremos da mesma maneira que a


tensão normal" de compressão sob o punção vale 2k (1 + 'T T /2 ) , e que a pressão é uni-
forme.
Como k = G"o/y I3,

Isto mostra que a pressão-limite de escoamento, para se r ealizar a compressão de um


bloco espesso com um p un ção estreito, vale aproximadamente três vezes a tensão
requerida para causar o escoamento de um cilindro através de compressão sem atrito.
Este aumento na ten são de escoamento é uma restrição geométrica resultante da de-
formação localizada sob o punção.
O exemplo acima descrito retrata uma das mais ~imples aplicações de campos de
linhas de deslizamento. No caso mais geral, a escolha do campo de linha d e desliza-
mento deve também satisfazer certas condições de velocidade para se assegurar o
equilíbrio. Prager1 e Thomsen2 formularam procedimentos gera is para a construção
dos campos de linhas de de slizamento. To davia não e xiste um método simples para se
verificar a validade de um a solução. Através do emprego de técnicas metalográficas3
capazes de delinear as regiões deformadas plasticamente, foram parcialmente verifica-
dos de maneira experimental, em aço doce, campos de lin has de deslizamento deter-
minados teoricamente. Regiões plásticas a ltamente localizadas podem também ser de-
lineadas por técnica de ataque no aço Fe -3%Si4.

CalIadine, C. R.: "Engin eering Plasticity," Pergamon Press Inc., New York, 1969 .
Hill, R.: "The Mathematical Theory of Plasticity ," Oxford University Press, New York,
1950.
Johnson, W., and P. B. MelIor: "Engineering Plasticity," Van Nostrand Reinhold

'w. Prager, Tra/ls. R. [/1St. Tech/lol. Stockholm, nO 65, 1953.


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Prager, W., and P. G. Hodge : "Theory of Perfec tIy Plastic Solids," John Wiley & Sons,
New York, 1951.
11

Teste de Dureza

A dureza de um material é um termo deficient emente definido que po de te r muitos


significados, dependendo da experiência de q u em o i nt erpreta. Em geral, a dureza
implica uma resistência à deformação, e para o s metais é uma medida da su a resistên-
cia à deformação plástica ou permanente. Para quem está envolvido com testes mecâ-
nicos de materi ais a dureza significa a resistência à penetração de um mat erial duro em
outro, e para o engenheiro projetist a ela representa uma quantid ade específica facil-
mente medida que fornece alguma informação sobre a r esistência de um met al ou o seu
tratamento térmico. Existem três tip o s gerais de medidas de dureza dependendo da
maneira em que o teste é realizado: (1) dureza ao risco, (2) dureza à penetração e (3)
dureza dinâmica ou de re bote. Apen as a dureza à penetração é de grande interesse
para os metais usados em engenharia.
A dureza ao risco é de utilid ade para o s mineralogistas. Com essa medida de
dureza, vários minerais podem ser relacionado s com outros m ateriais na sua capaci-
dade de riscar uns aos outros. A dure za ao ri sco é medid a de aco rdo com a escala de
Mohs. Essa escal a consiste na padronização de 10 miner ais arrumados n a ordem da
capacidade de serem riscados. O min eral mais macio nessa escala é o tal co (dureza a o
risco 1), enquanto que o di amante tem uma dure za 10. Uma unha humana tem o valor
aproximado de 2 , o cobre recozido t em um valor 3, enquanto que a martensita tem
uma dureza 7 . A escala de Mohs não é muito adequada para os m et ais uma vez que o s
intervalos não são suficientemente espaçados na escala de durezas altas. A maioria

dos m etais
de teste duros a seaoenrisco
de durez ca ixam na afaix
mede proafundidade
de 4 a 8 daou
escal a de de
a l argura Mohs.
um Um
risco,tipo diferente!
feito por um
instrumento de di amante, numa superfície sob uma carg a definida. Essa é u m a ferra-
menta ú til para a medida da dureza relativa de microconstituintes, mas não permite
uma alta reprodutibilidade ou uma extrema precisão.
Nas medidas de dureza dinâmica, uma bilha é lançada numa superfície metálica e
a d ureza é e xpressa como a energia de imp acto. O escleroscápio de Shore, que é o
exemplo mais comum de um "testador" de dureza din âmica, mede a dureza em ter -
mos d a altura do rebote da bi lha .
o primeiro teste de dureza à penetração padronizado e amplamente aceito foi proposto
por J. A. Brinell, em 1900. O test e de dureza Brinell consiste na impressão de um a
superfície metálica com uma bilha de aço de 10 mm d e diãmetro com uma carga de
3.000 kg. Pa ra metais macios a carga é reduzida para 500 kg a fim d e se evitar uma
impressão muito prof unda, e para metais muito duros é usada uma esfera de car boneto
de tungstênio para minimizar a distorção do penetrador (bilha). A carga é a plicada por
um tempo padrão, normalmente 30 segundos, e o diâmetro da impressão é medido por
um microscópio de baixa potência após a c arga ter sido removida. Deve ser efetuada a
média dos diâmetros da imp ressão de duas leituras feitas perpendicularmente entre si.
A superfície na qual a impressão é f eita deve estar relativamente lisa e isenta de sujeira
ou película de óxido. O núm ero da du reza Brinell (BHN)t é expr esso como a carga P
dividida pela área superficial da impressão e é indicado pela fórmula 1.

onde P = carga aplicada, kg


D = diâmetro do penetrador, mm
d = diâmetro da impressão, mm
t = profundidade da i mpressão, mm

Nota-se que as unidades do BHN são quilogramas por milímetro quadrado. Porém, o
BHN não é um co nceito físico sa tisfatório uma vez que a Eq. (l1.1) não significa a
pressão média sobre a s uperfície da impressão.
Da Fi g. 1 1 .1 pode-se ver que d = D sen c jJ. Substituindo na Eq. (11.1), tem-se uma
expressão a lternativa para o número da d ureza de Br inell.

BHN
=--
--P--
2
(n/2)D (1 - cos c P )

tN. do T. BHN - abreviação de Brinell hardness number, muitas vezes simbolizado por HB. .
'Tabelas onde o BH N é uma fun ção de d para cargas padrões podem ser achadas na maioria das refer ências da
bibliografia no fim deste capí tulo. Ver ASTM Standard EIO-66.
A fim de se obter o mesmo BHN com uma carga o u um di âmetro da esfera não-
padronizados é necessário produzir impressões geometricamente similares. A s e me-
lhança geométrica é mantida desde que se ma ntenha o â ngulo interno 2 e p constante. A
Eq. (11.2) mostra que para se manter e p e BHN constantes a ca rga e o diâmetro da
esfera devem variar mantendo a razão

Se não forem tomadas precauções para manter P/D 2 constante, o que pode ser
experimentalmente inconveniente, o BH N variará com a c arga. N uma faixa de ca rgas
o BHN atinge o valo r máximo em a lguma carga intermediária. Além disso, não é pos-
sível co brir com u ma simples carga a fa ixa total de d urezas encontradas nos metais
comerciais. O tamanho relativamente grande da impressão de Br i nell pode ser uma
vantagem para a ava liação de dureza com heterogeneidades locais. Além do mais, o
teste de Brinell é me nos intluenciado pela rug osidade da s uperfície metálica do q ue os
outros testes. Por outro lado, o grande tamanho da impressão de Brinell pode impedir
o uso desse teste com pequenos objetos ou e m partes criticamente tensionadas, onde a
impressão pode ser um lo cal prefe rencial p~ra a fa lha mecânica da peça .

Meyer1 sugeriu que uma definição mais racional da dureza, do que a proposta por
Brinell, poderia ser baseada na projeção da área da impressão, em vez de na área
superficial. A pressão média entre a s uperfície da bilha e a impressão é igual à carga
dividida pela á rea da i mpressão projetada.

P
Pm =
-2
nr

Meyer propôs que essa pressão média poderia ser tomada como uma medida de du-
reza, a qual se conhece como a dureza Meyer.

4P
Dureza Meyer = -2
nd

Como a dureza Brineli, a dureza Meyer tem unidades de quilogramas por milímetro
quadrado. A dureza Meyer é men os sensível à c arga aplicada do que a dureza Brinell.
Para um material trabalhado a frio a dureza Meyer é essencialmente constante e inde-
pendente da carga, enquanto a dureza Brinell diminui co nforme a ca rga aumenta. Para
um metal recozido, a dureza Meyer aumenta continuamente com a carga devido ao
encruamento-. produzido pela impressão. A dureza Brinell, entretanto, primeiramente
.aumenta com a carg a e depois decresce para cargas continuadamente maiores. A du-
reza Meyer é uma medida mais fundamental da dureza à impressão, ainda que seja
raramente usada para medidas práticas de dur eza.
Meyer propôs uma relação empírica entre a carga e o tamanho da impressão. Essa
relação é normalmente cha mada Lei de Meyer.
onde P = carga aplicada, kg
d = diâmetro da impressão, mm
n' uma constante do material relacionado ao encruamento do metal
=

k = uma constante do material expressando a resis tência do metal à penetração

o parâmetro n' é a inclinação da linha reta que é obtida no gráfico log P contra log d, e
k é o valor de P para d = 1. Me tais totalmente recozidos têm um valor de n' de cerca
de 2,5 enquanto n' é aproximadamente 2 para metais totalmente encru.ados. Esse
parâmetro está aproximadamente relacionado ao c oefic iente de encruamento na
equação exponencial para a c urva te nsão verdadeira-deformação ve rdadeira. O ex-
poente na Lei de Meyer é aproximadamente igual ao coef iciente de encruamento mais
2.
Existe um valor limite da carga abaixo do qual a Lei de Meyer não é mais vá lida.
Se a ca rga é muito pequena, a deformação em to rno da impressão não é to talmente
plástica e a E q. (11.5) não é obedecida. A carga depe nderá do e ncruamento do metal.
Para uma esfera de 1 0 mm d e diâmetro a carga deverá exceder a 50 k gf para o co bre
com um BHN de 100, e para o aço co m um BHN de 400 a carga deverá passar de 1.500
kgL Para esferas de diâmetros diferentes a carga crítica será proporcional ao quadrado
do diâmetro.

A zona plástica abaixo da impressão de dureza é envolvida por um m aterial elástico


que desempenha uma re st rição ao e scoamento p lástico de maneira se melhante às for-
ças de conf inamento numa matriz fechada para fo rjamento. Por esta razão, a tensão
compressiva média necessária par a causar o escoamento plástico no teste de d ureza é
maior que no caso da compressão simples, devido a e ssa restrição. A pre cisão da
carga necessária para cr iar uma mossa num sólido é um do s problemas clássicos da
plasticidade. Prandtl aplicou a teo ria do campo de linhas de de slizamento para mo str ar
que o fa tor de rest rição para a co mpressão no estado plano era 2,57 (ve r Seco 3.9 e Fig.
3.12).

I 2 57
Pom = + !:
2' =
Nesse modelo idealizado o meio que envolve a zo na def ormada é rígido e o escoa -
mento do material para c ima, na direção oposta ao pen etrado, compensa o materi al
deslocado pe la punção. Porém, a geometria do teste de Br inell é simétrica em relação
a um eixo, ao co ntrário do estado p lano de def ormação. Shaw e DeSa lvo mostraram l

que a região plástica so b essa massa feita p elo penetrador apresenta pouca semelhança
com o campo de linha de de s lizamento, sendo, ao contrário, muito similar a um con -
torno elástico-plástico, assemelhando-se à linha de tensão c isalhante máxima constante
abaixo da e sfera prensada contra uma superfície plana (Fig. 11 .2). E ssa curva pode ser
obtida pela aplicação da te ori a de Hertz das tensões de contacto.2 Usando-se esse
modelo elástico-plástico, o material deslocado pelo penetrador é completamente com -

pensado
material pela dim inuição
em torno no volume
do penetrador escdo
oarmapara
terialcima
elástico. Isso oposto
(sentido elimina ao
a necessidade do
mo vimento do
penetrador), o que está de acordo com as observações que mostram apenas uma pe-
quena quantidade de t al escoamento. A análise elástico-plástica fornece' um fator d e
restrição de C = 3,0 para uma p enetração co m uma bilha esférica.

1M. C. Shaw e G. J. DeSalvo, Trans. ASME, Ser. B.; J. Eng. Ind .• v-oI. 92, pp. 469-479, '970; M. C. Shawe
G. J. DeSalvo, Mel. Eng. Q .• voI. 12, pp. 1-7. maio de 1972.
'Ver como exemplo S. Timoshenko e J. N. Goodier, Theory of Elaslicily. 2· ed ., pp. 372·382, McGraw-HiIJ
Book Company, New York, 1951.
Fig. 11.2 Zon a plástica sob um pe netrador Brinell. (Segundo
Shaw e DeSalvo.)

Tabor1 sugeriu um método no q ual a região plástica da curva tensão verd adeira-
deformação verdadeira pode ser determinada a partir de medidas de dure za. O método
se ba seia no fato de qu e existe uma semelhança na forma da curva de es coamento com
a curva obtida quando se mede a dureza Meyer e m várias amostras com crescentes
graus de deformação plástica. O mé todo é es sencialmente empírico, uma vez que a
complexa distribuição de ten sões na impressão da du reza impede uma rela ção direta
com a di stribuição de tensõe s num te ste de tração ou compressão. Entretanto, o mé-
todo tem se mos trado correto para muitos metais e, portanto, é de in teresse na obten-
ção de valores do esc oa mento, embora, em cert as situações, seja impossível medir as
propriedades trativas do material. A tensão verdadeira de escoamento é obtida da Eq.
(I 1.6), onde ( J " o é considerado a tensão de e scoamento para um dado valor da deforma-
ção ve rdadeira. A part ir de um est udo da deformação nas impressões de d ureza, Tabor
concluiu que a deformação verdadeira era proporcional ao raio d / D e poderi a ser ex-
pressa como
d
8=02-
'D

Portanto, se a dureza Me yer for medida s ob condições t ais que d / D varie do menor
valor onde oco rra deformação plástica até gr andes v alores e as Eqs . (11.6) e (I 1.7)
forem usadas, será possível pelo men os se ap roximar da c urva de escoamento trativo.
A Fig. 11.3 mostra a concordância que foi obtid a por Tabor entre a curva de escoa-
mento e a curva durez a versus d / D para o aço doc e e o cobre recozido . Os resultados
de Tabor foram verificados por Lenhart2 para o duro alumínio e uma liga de cobre.
Porém, a análise de Tabor não prediz a curva de escoamento para o magnésio, o que
foi a tribuído por Lenhart à alta anisotropia de defor mação desse metal. Esse trabalho
não deve depreciar a validade dessa correlação, mas, sim, serve para enfatizar que as
suas limitações devem ser investigadas para novas aplicações.
A tensão limite de esc oamento a 0,2 por ce nto de deformação po de ser de termi-
nada3 com boa precisão por medidas de du reza Vickers (ver Seco 1 1.6) de acordo com
a relação

ao = D~H (0,1)"'-2 (11-8)

ID. Tabor, The Hardn ess af Me tais, pp. 67-76, Oxf ord University Press, New York, 1951; J.lnst. Met., vol.
79, p. I, 1951.
'R. E. Len hard, WADC Tech. Rept .. pp. 55-114. junho de 1955.
3J. B. Cahoon, W. H. Broughton e A. R. Kutzak, Metal/. Trans., vol. 2, pp. 1979-1983, 1971.
Fig. 11.3 Comparação da curva de escoamento d e-
terminada a partir de medidas de dureza (círculos e
cruzes) com a curva de escoamento determinada a
partir de ensaio de compressão (linhas contínuas).
(De D. Tabor, The Hardlless af Me tais, p. 74, Ox-
-.-n - ford University Press, New York , 1951.)
Cobre ~

~~o,%
O/ 5 1 0 15

O 0,4 0, 6
d /O

onde = tensão limite de esc oamento a 0 ,2 por cento, kg/mm2


(J'o

DPH = número da dureza Vickers


11
n' = +2 = o expo ente na L ei de Meyer

Existe uma relação muito ú til em engenharia entre a dureza BrineU e a re sistência
máxima à tração de aço-carbono comum te rmicamente tratado e a ços de médi a liga':

Uma breve consideração ir á mostrar que esta re lação está de ac ordo com os resul tados I

de Tabor. Se fizermos a s uposição simplificadora de que essa c lasse de materiais não


encrua, então a re sistência à tração será ig ual à tensão de e scoamento, e aplicaremos a
Eq. (11.6).

A dureza de Brinell será apenas alguns porcentos menor que o v alor da dureza de
Meyer p "'. Convertendo-se para unidades de engenharia a expressão se torna

Deve estar claro agora porque a mesma relação não se aplica para outros metais. Por
exemplo, para o cobre reco zido, a suposição de que o en cr uamento pode ser despre-
zado acarretaria um grande erro. Para um metal com grande capacidade de encruar, a
"constante" de propo rcionalidade será maior do q ue a usada para o aço termicamente
tratado.

o teste de dureza Vickers usa como penetrador um di amante de forma piramidal de


base quadrada. O âng ulo interno entre as faces opostas da p irâmide é de 136° . Esse
ângulo foi escolhido porque se aproxima da relação mais desejável do diâmetro da
penetração com o diâmetro d a esfera no te ste de dure za BrinelP. Devido à forma do
penetrador, esse teste é freqüentemente chamado teste de dur eza de pirâmide de dia-
mante. O nú mero da du reza de pir âmide de di amante (DPH), ou número de dure za
Vickers (VHN ou VPH), é definido como a c a rga dividida pela área superficial da
.penetração. Na prática, essa área é calculada a partir de med idas microscópicas do
comprimento das diagonais da impressão. O DPH pode ser d eterminado pela seguinte
equação:

onde P = carga aplicada, kg


L comprimento médio da s diagonais, mm
=

()=ângulo entre as faces opostas do diamante =1360

O teste de dur eza Vickers tem uma larga aceitação para trabalhos científicos por-
que fornece uma escala de dureza contínua para uma dada carga, desde materiais
muito macios com um DPH de 5 até materiais extremamente dur os com um DPH de
1.500. Com o teste de dureza R ockwell, descrito na Seção 11.7, ou o teste de dureza

Brinell, deé dureza,


escala necessáriode mudar
maneirat anto
que amedidas
carga quanto o penetrador
num extremo em alnão
da escala gum podem
p onto ser
da
rigorosamente comparadas com as obtidas no outro extremo. As impressões feitas por
um penetrador pir amidal são geometricamente similares, não importa qual o seu tama-
nho, e por isso o DPH deve ser independente da ca rga. Isso é normalmente obedecido,
exceto para cargas muito pequenas. As cargas comumente usadas nesse teste e stão na
faixa de I a 120 kg, dependendo da dureza do metal a ser testado. Apesar dessas
vantagens, o teste de dureza Vickers não é amplamente aceito como um teste de rotina
porque é lento e r equer uma cu idadosa preparação do corpo de prova, e além disso
acarreta grandes possibilidades para erros pessoais na determinação do comprimento
da diagonal.
Uma impressão correta feita por um pen etrador de diamante deveria ser qua-

drada. Entretanto.
pressão anomalias
de Brinell são correspondentes
freqüentemente às anteriormente
observadas co m um penetdescritas
rador de para a im-
di amiinte'
(Fig. lIA). A penetração em forma abaulada na Fig. IIAb é o resultado da expansão
do metal em to rno da s faces planas da pi râmide. Essa c ondição é observada com me-
tais recozidos e acarreta a superestimação do comprimento d as diagonais. A impressão
com a forma de um b arril na Fig. 11.4c é observada em metais trabalhados a frio,
resultando d a aderência ou expansão do metal em torno d as faces do penetrador.
Neste caso, a medida das diagonais produz um valor baixo para a área de contato, de
maneira que o número da dureza é erroneamente mais alto. Correções empíricas para
esse efêito têm sido propostas.2

Fig. 11.4 Tipos de impressões feitas com penetrado-


res de diamante. (a) Impressão perfeita; (b) impressão
abaulada devida a "expansão"; (c) impressão em
forma de barril devida a "aderência".

'Na maioria dos testes Brinell. dlD está entre 0.25 e 0, 50. Para o penetrador de diam<mte, um valor de d
=

O,375D foi usado. o qual resulta num ângulo de cone de 1360 Com o resultado, DPH e BHN sâo aproximada-
mente idênticos.
'T. B. Crowe e J. F. Hinsely, J. Inst. Met" vaI. 72. p. 14 , 1946.
o teste de dureza mais amplamente utilizado nos Estados U nidos é a dureza Rock -
well. A sua aceitação ge ral é dev ida a sua velocidade, impôssibilidade de e rro do
operador, capacidade de distinguir pequenas diferenças de dureza em aços duros, e o
pequeno tamanho da i mpressão, de maneira que componentes aca bados termicamente
tratados podem ser testados se m danos. Esse teste usa como medida de dureza a
profundidade da penetração sob carga constante. U ma pequena carga de 10 kg é apl i -
cada antes do ensaio para ajustar o co rpo de prova, minimizando a ne cessidade de
preparação da superfície e r eduzindo a te ndência para a aderência do metal no pene-
trador. A carga principal é então aplicada e a profundidade da penetração é a utomati-
camente registrada num mostrador traduzido p ara o n úmero de dureza arbitrário. O
mostrador contém 100 divisões, e cad a divisão representa uma penetração de 0,00008
polegadas. O mostrador é i nvertido, de maneira que uma dureza alta, que corresponde
a uma pequena penetração, resulta num número de dureza grande. Isso está de acordo
com os outros números de dureza descritos anteriormente, mas, ao contrário da des ig-
nação de dureza Brinell e Vickers que têm unidades de quilogramas por milímetro
quadrado, o núm ero de dureza Rockwell é puramente arb itrário.
Uma combinação de carga e penetrador poderá produzir resultados insatisfatórios
para materiais com uma certa faixa de dureza. U m diamante cânico de 1200 com a
ponta levemente arredondada, chamado penetrado,. de Brale, e esferas de aço com
1/16 ou 1/8 de polegada são normalmente u sados co mo penetradores para a dureza
Rockwell. As ca rgas principais usadas são de 6 0, 100 e 150 kg. Já que a dureza Roc k-
well é dependente da carga e do penetrador torna-se necessário especificar a co mbina-
ção que é usada. Isso é fe ito pela caracterização do número de dureza com uma letra
indicativa da combinação particular para a escala de dureza empregada. Uma dureza
Rockwell sem a letra de pr efixo não tem significado. Aços endurecidos são testados na
escala C com o pe netrador de diamante e a c a rga principal de 150 kg. A faixa ade-
quada para essa escala fica entre Rc 20 e R(. 70. Materiais mais macios são normal-
mente testados na escala B com uma esfera de 1/16 da polegada de diâmetro e co m q
carga principal de 100 k g. A faixa dessa escala vai de RB O até RB 100. A escala A
(penetrador de diamante, e carga de 60 kg) fornece a esca la Rockwell m ais extensa que
é utilizável para materiais que vão des de o latão recozido até os aços ce mentados.
Muitas outras escalas são disponíveis para propósitos especiais. I

O teste de dureza Rockwell é muito proveitoso e reprodutivo uma v ez que sejam


observadas algumas precauções simples. A maioria das recomendações alistadas
abaixo aplicam-se igualmente bem para os o utros testes de dur eza:

1. O penetrador e o suporte devem estar limpos e be m assentados.


2. A superfície a ser testada deve estar limpa e seca, lisa e livre de óxidos. Uma
superfície com baixo índice de polimento é ainda adequada ao teste Rockwell.
3. A superfície deve estar plana e perpendicular ao penetrador.
4. Medidas em superfícies cilíndricas darão leituras menores; o erro depende da
curvatura, carga, penetrador e d ureza do material. Correções teóricas" e e mpí-
3

5. ricas para esse


A espessura do efeito têm
corpo sido publicadas.
de prova deve ser tal que não seja produzida na superfí-
cie reversa uma marca da impressão. É recomendado qu e a es pessura seja pelo
menos 10 vezes a profundidade da impressão. Os testes devem ser feitos em
apenas uma amostra do material sem a utilização do artifício de sup erposição.
6. O espaçamento entre a s impressões deve ser três a cinco vezes o di âmetro d a
penetração.

'Ver ASTM Standard EI8-67.


'W. E. Ingerson, Am. Soe. Test. Mater. Prac., vol. 39, pp. 1281-1291, 1939.
aR. S. Sutton e R. H. Heyer, ASTM Buli. 193, pp. 4 ()..41, outubro de 1953.
7. A velocid ade de aplicação da carga deve ser p adronizada. Isso é fe ito p elo
ajuste de um amortecedor n a máquina de medir dureza Rockwell. Podem s er
encontradas variações consideráveis na dureza de materiais muito mole s a
menos que a velocidade de aplicação seja cuidadosamente aplicada. Para tais
materiais a alavanca de operação da máquina de dureza deve ser liberada tão
logo a carga principal tenha sido totalmente aplicada.

Muitos problemas metalúrgicos requerem a d eterminação da dureza em pequenas


áreas.! A medida do gradiente de dure za em superfícies carbonizadas, a determinação
da dureza individual dos constituintes de uma mi croestrutura, ou a verificação da du-
reza de delicadas engrenagens de relógio podem ser pr oblemas típicos. O uso da du-
reza do ri sco já foi mencionado anteriormente p ara esse fim, mas a dureza num teste à
penetração tem se mostrado mais útil. 2 O desenvolvimento do penetrador de Kn o op
pelo National Bureau of Standards - U .S.A. e a introdução do dinamômetro de Tukon
para o controle da aplicação de cargas menores de 25 g tornaram os testes de mi crodu-
reza um pr o cedimento de rotin a de laboratório.
O penetrador de Kn oop é um di amante com o feitio de um a p irâmide que produz
uma impressão na forma de um lo sango c om as diagonais longa e curta numa relação
aproximada de 7: I. O n úmero de dureza Knoop (KHN) é a carga aplicada pela área
projetada da impressão.

onde P = carga aplicada, kg


AJ>= área projetada da impr essão, mm2
L comprimento da diagonal maior, mm

C = uma constante para cada penetrador fo rnecido pelo fabricante


A forma especial do p enetrador de Knoop torna possível a realização de impressões
muito mais próximas do que com o penetrador quadrado Vick ers, o que significa a
possibilidade de medir gradientes de dureza de forma mais acurada. A o utra vantagem
é que, para um dado comprimento da diagonal mais longa, a profundidade e a área da
impressão de Knoop são a penas 15 por cento do que seria para uma impressão Vickers
com o mesmo comprimento d a diagonal. Esse fato é pa rticularmente útil qu ando se
mede á dureza de uma camada fina (tal como numa camada de revestimento galvâ-
nico), ou quando se testa a dureza em materiais frágeis onde a te ndência para a f ra tura
é proporcional ao volume de material tensionado.
A baixa carga usada nos testes de microdureza requer um cuidado extremo em
todos os es tágios do ensaio. A superfície deve ser cuidadosamente preparada, sendo
normalmente necessário o polimento metalográfico. O encruamento da superfície du-
rante o po limento po de influenciar os r e sultados. A diagonal maior da impressão d e
Knoop é pra ticamente insensível à recuperação elástica para cargas maiores que cerca
de 300 g . Entretanto, para pequenas cargas, a qua ntidade de recuperação elástica se
torna apreciável. Além do m ais, com as pe quenas impressões produzidas com as pe-
quenas cargas, o erro na localização do fin al real da imp ressão se torna maior. Esses
dois fatores influem na l eitura da dureza, de maneira que o número de dureza Knoop

'Ver ASTM Standard E334-69.


'Para uma revisão do s testes de microdureza, ver H. Bückle, Metal/. Rev., vaI. 4, no. 3, pp. 49-100, 1959.
~umenta co nforme a carga diminui abaixo de 300 g. Tarasov e Thibault1 mostraram
que, se foss em feitas correções para a recuperação elástica e par a a acuidade visual, o
número de dureza Knoop permaneceria constante co m cargas de até 100 g.

Do ponto de vista prático, é importante converter o re sultado de um t ipo d e teste de

dureza para um
reza tenham sidooutro diferente. Não
desenvolvidas, uma évez
s urpresa
que umque
testeas de
relações
dureza de conversão
não mede umade pro-
du-
priedade bem definida de um material e os testes comuns não são b aseados no m e smo
tipo de medida. É importante lembrar que a s convenções de durez a são relações empí-
ricas. Os dados m ais confiáveis de conversão de dure za ex istem para os aços mais
duros que 240 Brin ell. A A5TM, A5M e 5AE concordam numa t abela2 de conversão,
entre as durezas Rockwell, Brinell e Vickers, que é aplicável par a os aços-carbono e
aços ligados termicamente tra tados e para a ma io ria dos aços es truturais forjados] re-
cozidos, normalizados e temperados. Po rém, são necessárias diferentes tabelas de
conversão para materiais com módulo elástico muito diferente, tais como carboneto de
tungstênio ou materiais com grande capacidade de encruar. Heyer3 mostrou que a
impressão de dur eza em materiais macios depende do encruamento do material du-

rante
antes o dot este,
teste. que porum
Como suaexemplo
vez depende do grau
marcante do enc ruamento
do cuidado prévio pdo
que é necessário aramaplicar
aterial
as tabelas de conv ersão para materiais macios, vemos que o ferro Armco e o alurninio
larninado a frio, que têm uma dureza Brinell 66, apresentam dureza Rockwell B de 3 1 e
7, respectivamente. Por outro lado, metais como o latão e aço baixo carbono têm
relações de conversão de dur eza Brinell-Rockwe1l4 que d ão res ultados reais para qual-
quer grau de encruamento. Tabelas especiais de conversão para o alumínio trabalhado
a fri o, cobre e aço inoxidável 18.8 estão apresentadas no Metais Handbook.

O interesse
ao de med
esforço que tem irsido
a dureza de desenvolvimento
feito no metais a altas temp
deen~turas tem se ace
ligas resistentes e mlerado devido
altas tempe-
raturas. A d ureza a quente dá uma boa indicação do potencial de utilidade de uma liga
para aplicações em altas temperaturas. Te m-se obtido algum sucesso na correlação da
dureza a quente com as pr opriedades de r esistência em altas temperaturas. Isso será
bem discutido no Capo 13. Têm-se desenvolvido máquinas" para medir a dureza a
quente com um p enetrador Vickers feito de safira e com dispositivos para executar o
teste a vácuo ou em atmosfera inerte, e também já foi apresentado um teste de micro-
dureza a altas temperaturas."
Numa revisão extensa dos dados de dureza em dif erentes tem peraturas, West-
brook7 mostrou que a dependência da dureza com a temperatura pode se r ex pressa por

'L. P. Tarasov e N. w. Thibault, Trans. Am. Soco Mel ., vol. 38, pp. 331-353,1947.
'Essa t abela pode ser encontrada na ASTM Standard E- 14D-67, SAE Handbook, ASM M etais Handbook, e
muitas ouiras referências.
'R. H. Heyer,Am. Soe. Tesr. Maler. Proe .. vol. 44. p. 1027. 1944.
'A Tabela 38 da Wilson Mechamical Inst rument Co. para metais com durezas menores que BHN 240 ( ver
ASM Handbook, 1948 ed .. p. 101) está baseada em testes realizados nesses metais.
'F. Garofalo. P. R. Malenock e G. Y. Smith. Trans. Am. Soco Mel., vol. 45, pp. 377-396,1953; M. Semchys-
hen e C. S. To rgerson. Trans. Am Soe. Mel .. vol. 50. pp. 830-837, 1958.
tiJ. H. Westbrook. Am. Soco Tesl. Maler. Proc., vol. 57, pp. 873-897, 1957; ASTM BulI. 246, pp. 53 -58, 1960.
7J . H. Westbraak, Trans. Am. Soe. Mel .. va I. 45. pp. 221-248. 1953.
onde H =dureza, kg/mm2
T = temperatura de teste
A, B = constantes
Gráficos de log H versus" temperatura para metais puros geralmente produzem dua s
linhas retas de diferentes inclinações. A mudança de inclinação ocorre numa tempera-
tura que corresponde à metade da temperatura absoluta de fusão. Um comportamento
similar é observado em gr áficos do log da tensão limite de resistência verslls tempera-
tura. A Fig. I 1.5 mo stra esse comportamento para o co bre. É provável que essa mu-
dança seja devida a uma alteração no mecanismo de deformação a a ltas temperaturas.
A constante A, obtida do r amo de baixas temperaturas da curva, pode ser co nsiderada
como a dureza intrínseca do metal que é H a O O K . Esse valor seria uma medida da
resistência inerente das fo rças de ligação da rede cristalina. Westbrook correlacionou
os va lores de A para dif erentes metais com a entalpia do metal líquido no ponto de
fusão e com o ponto de f u são. Essa cor relação era sensível à est rutura cristalina. A
constante B, obtida da inclinação da c urva, é o c oe ficiente de temperatura da dureza.
Essa constante estava relacionada de uma maneira complexa com a taxa de variação
da entalpia com o aumen to da temperatura. Com essas correlações é possível
calcular-se razoavelmente bem a dureza de u m metal puro em função da temperatura
até cerca da metade do s eu ponto de f usão.
As medidas de du reza em função da temperatura mostram uma mudança abrupta

na temperatura
quente em Ti,
no Co, "Fe, q ue Uocorre umatraram!
e Zr mos transformação alotrópica.
que a rede Testes
c úbica de corpodecentrado
dureza aé
normalmente a estrutura mais macia quando está envolvida com uma transformação
alotrópica, As redes cúbicas de faces centradas e hexagonal compacta têm aproxima-
damente a mesma resistência, enquanto cr istais com estruturas complexas apresentam
durezas maiores. Estes resultados' estão de acordo com o fato de que ligas de ferro
austeníticas têm melhor r esistência a altas temperaturas do q ue ligas ferríticas.
00 40

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30 g
o

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11.5 8
Fig. Dependência
com a temperatura da dure
do cobre za
. (Ex- Cobre
Dados de dureza - Ludwik
Q;
"C

trãído de J. H. Westbrook, Trans. Dados de t ração - Nadai '"E


e Manjoine =>
Am. Soco Met., vol. 45, p. 233, c:
6 o
1953.) .c:' "
"'
5 "
f-

4
Hardness Tests, "MetaIs Handbook ," pp. 93-105, American Society for Metais, MetaIs
Park, Ohio, 1948.
Mott, B. W.: "Micro-indentation Hardness Testing," Butterworth & Ca. (Publishers),
Ltd., London, 1956.
O'Neil, H.: " Hardness Measurement of Metais and AlIoys ," Chapman and Hall, London,
1967.
Tabor, D.: "The Hardness of Met aIs," Oxford University Pr ess, New York, 1951.
Symposium on the Significance af the Hardness Test of MetaIs in Re lation to De sign,
Am. Soe. Test. Mater. Prac., vaI. 43, pp. 803-856, 1943.