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Do Coração à Violência Doméstica

Relatório Final

Discentes:
026445 – Ana Daniela Oliveira Pereira
026612 – Ana Rita Rocha Gomes
026606 – Cláudia Filipa Cruz Santos
026600 – Jorge Miguel Antunes Ferreira

Área de Projecto
Docente: Marina Vasconcelos
Ano Lectivo: 2010/2011
Ano / Turma: 12º J
Do Coração à Violência Doméstica

Resumo:
Na actualidade, a „violência doméstica‟ tem-se revelado um problema social de
grandes dimensões. Tal facto levou a que nos interessássemos pelo tema, uma vez
que, somos jovens a iniciar uma vida activa na sociedade. Consideramos imperativo
dar a conhecer aos jovens a triste realidade resultante deste problema, para que, o
fenómeno conheça a sua extinção a curto prazo.
Através da recolha de „testemunhos‟ e dados obtidos de vários tipos de informação
chegamos à conclusão que o problema tem vindo a conhecer um aumento de
denúncias públicas. Todavia, e recorrendo ao que é dito pelos especialistas na
matéria, este problema não tem aumentado em números reais da violência, antes, as
denúncias é que têm conhecido um aumento extraordinário.

Palavras-chave: Violência Doméstica, Testemunhos, Questionários

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 2
ÍNDICE

Introdução 4
1. A Violência Doméstica – alguns 5
contributos para a sua compreensão
2. Mãos à Obra 9
2.1 Desenho de Projecto 9
2.2 Contextualização do estudo 10
2.3 Implementação do estudo 11
3. Vamos discutir 12
3.1. As instituições de Apoio à Vítima 12
3.2. A Justiça 12
3.3. Dados 13
3.3.1. O perfil da Vítima 13
3.3.2 O perfil do Agressor 14
3.3.3. O crime 16
3.4. O que pensam os jovens 18
Conclusões 55
Bibliografia 56
Anexos 57

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 3
Introdução

Este trabalho tem como principal finalidade reflectir e esclarecer alguns


conceitos sobre a problemática da violência doméstica no distrito de Braga. Para tal,
procedemos à análise de dados recolhidos pelas instituições de apoio à vítima e
autoridades oficiais de justiça. Inquirimos também os alunos da Escola Secundária
Alberto Sampaio e da Escola Secundária Carlos Amarante com o intuito de
percebemos a atitude dos jovens perante o problema estudado.
Sabe-se que o sexo feminino é o mais fustigado, registando-se, porém, um
aumento de casos de violência doméstica no sexo masculino. Esta última é, no
entanto, um tipo de violência mais dissimulado dado que ainda continua a ser tabu na
sociedade, a imagem de homem agredido. Numa sociedade como a portuguesa,
conservadora, o homem surge como expoente máximo de força o que faz com que
seja olhado com desconfiança quando é agredido numa situação de violência
doméstica.

Este projecto pretende encontrar respostas às seguintes perguntas:


- A que instituições de solidariedade social se pode dirigir quem é padecente,
em Braga, de violência doméstica?
- Que apoios conseguem prestar as associações de apoio à vítima?
- No campo da justiça, quais os programas que visam o apoio à vítima de
violência doméstica?
- O que pensam os jovens sobre a violência doméstica? Será que estão
despertos para o que os rodeia? Poderão eles tornar-se agressores?

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1. A violência doméstica – Alguns contributos para a sua
compreensão

A violência doméstica é a violência, explícita ou implícita, praticada dentro de


uma habitação ou no meio familiar, entre indivíduos unidos por parentesco natural
(pai, mãe, filho, irmãos, netos, etc.) ou parentesco civil (marido e mulher, sogro,
sogra, padrasto, madrasta). A violência e o abuso sexual de menores, os maus tratos a
idosos e as atitudes violentas contra o parceiro estão associados à violência
doméstica.
O termo doméstico no âmbito da “violência doméstica”, não se deve restringir
às quatro paredes do lar familiar, mas sim, salientar o tipo e a natureza das relações
que envolvem determinadas pessoas.
Podemos dividir a violência doméstica em três tipos, a violência física –
envolve a agressão directa contra pessoas queridas do agredido ou a destruição de
objectos e pertences do mesmo (dano patrimonial); a violência psicológica – envolve
a agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas, produzindo danos morais;
violência socioeconómica - associada ao controlo da vida social da vítima ou dos
seus recursos económicos. É considerado, ainda, violência doméstica o abandono e
negligência de crianças, parceiros ou idosos. O termo “violência doméstica” aparece,
geralmente, conotado à violência contra parceiros (esposa, marido e filhos) e
substituiu outras expressões como “violência no relacionamento”, “violência
conjugal” e “violência intra-familiar”.
A maioria dos casos registados de violência doméstica encontram-se
associados ao consumo de álcool e drogas, uma vez que o consumo destas
substâncias torna a pessoa mais irritável e agressiva, principalmente, nas crises de
abstinência.
Tanto as doenças transmissíveis como a violência são as principais causas de
morte prematura no mundo desde sempre.
A violência doméstica é um mal transversal, ocorrendo em diferentes
contextos sociais, económicos, culturais, etários.

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Ao recorrermos aos dados estatísticos, constatamos que a violência contra
elementos do sexo feminino é maior do que os casos registados de violência no sexo
masculino, da mesma forma a que se assistiu a um aumento de 120% entre 2000 e
2009 de violência doméstica contra idosos, afectando, ainda, crianças e pessoas com
deficiência física e mental.
A ideia de que entre marido e mulher não se mete a colher tem vindo a ser
alterada, apesar de ser feita de forma mais lenta.
Em Portugal tem-se assistido a um aumento das denúncias de casos de
violência doméstica tanto por parte das vítimas como por parte de terceiros, resultado
da maior visibilidade do fenómeno, de campanhas públicas de sensibilização, da
maior consciencialização das vítimas para os seus direitos e de uma maior exposição
mediática.
Embora a violência doméstica seja considerada crime público, as queixas
continuam a partir maioritariamente das vítimas. Segundo o relatório anual revelado
em Novembro transacto, na Presidência do Conselho de Ministros, em 2009 apenas
10.7% das denúncias eram feitas por terceiros, na maioria por familiares, seguindo-se
de vizinhos.

Este fenómeno tem uma caracterização específica de acordo com o olhar da


Justiça. A violência doméstica é, em Portugal, considerada crime público e, como
tal, está prevista no Código Penal, é punida nos termos do artigo 152º do Código
Penal e a tramitação (o processo) está prevista no Código de Processo Penal, mas
sendo um crime público, não necessita de queixa da vítima para iniciar o processo,
sendo que a competência para promover o processo cabe ao Ministério Público.

Outras instituições oficiais debruçam-se sobre a violência doméstica


adoptando programas de intervenção e de apoio, com o intuito garantir a segurança e
protecção das vítimas, o respeito e cumprimento da lei. As instituições policiais
como a PSP, a GNR e a PJ disponibilizam-se para tomar conta da ocorrência.
Com o objectivo de acolher de forma mais “simpática” as vítimas de crime
(interessando no nosso caso os crimes de violência doméstica), a PSP criou Salas de
Atendimento e Apoio às Vítimas (existindo, actualmente, cerca de 142 salas deste
tipo em todo o país) que pretendem garantir um atendimento mais especializado e

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adequado a cada tipo de vitimação, especialmente nos casos de crimes mais violentos
ou quando as vítimas se encontrem mais vulneráveis (crianças, idosos, deficientes,
etc.) e garantir um apoio mais eficaz à vítima, da mesma maneira que são garante da
protecção do queixoso. Mas como o prevenir é o melhor remédio, a PSP desenvolveu
e implementou o Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP) que
conduziu à criação de Equipas de Proximidade e de Apoio à Vítima (EPAV), todavia
estas equipas estão apenas a funcionar em 22 Subunidades que são parte integrante
de um projecto-piloto deste Programa para numa outra fase serem expandidas para as
outras subunidades da PSP.
A GNR criou também um gabinete de apoio à vítima de violência doméstica,
o IAVE (Investigação e Apoio à Vítima Especifica, outrora NMUME – Núcleo
Mulher e Menor). Concebido no âmbito da reorganização da investigação criminal,
este núcleo de investigação tem como objectivo geral qualificar o tratamento das
matérias relacionadas com as problemáticas das violências cometidas,
essencialmente, sobre as mulheres, as crianças e outros grupos específicos de
vítimas. O projecto pretende sensibilizar e vocacionar toda a estrutura da GNR e a
sociedade em geral para esta problemática, alterando mentalidades e qualificando a
resposta operacional da Guarda Nacional Republicana, tanto ao nível da prevenção
como da investigação criminal.

É de realçar a existência de instituições privadas de natureza social que


também apresentam uma preocupação na luta contra este fenómeno.
Associações particulares de solidariedade social e de utilidade pública
reconhecida, associações como a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima),
a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e APMJ (Associação
Portuguesa de Mulheres Juristas) desempenham um importante papel no apoio às
vítimas de violência doméstica, uma vez que, prestam um apoio “mais humano” às
vítimas, concedem apoio psicológico, disponibilizam-se para ajudar as vítimas em
tudo o que necessitam, acompanham o desenrolar dos processos judiciais através de
assistência especializada e servem de espaço de aconselhamento.
Sem fins lucrativos e com aconselhamento gratuito, estas associações
dependem do voluntariado e prestam uma assistência individualizada, qualificada e
humanizada tentando minimizar os estragos causados pelo agressor.

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Por fim, e como afirmámos no resumo, a denúncia pública tem aumentado,
permitindo que a violência doméstica seja debatida, e mobilizado mais pessoas e
instituições para o seu desaparecimento. Assim, considerou-se importante, dedicar
um espaço aos modos como os Mass Media têm assumido essa denúncia pública.
Quase todos os dias somos invadidos por notícias sobre violência doméstica, “o
marido matou mulher e filhos”; “os números da violência doméstica em Portugal são
cada vez mais alarmantes”; “a violência doméstica vitimou mais de 40 pessoas nos
últimos meses”… A imprensa escrita é muitas vezes o espelho da realidade vivida
pelas vítimas deste fenómeno, as televisões são um instrumento de campanhas de
sensibilização, a rádio faz veicular a mensagem de que é urgente a condenação dos
agressores, figuras públicas dão a cara pelas organizações judiciais ou de carácter
social, tudo para que a população esteja desperta para as consequências da violência
doméstica. Esta visibilidade tem conduzido a um aumento das denúncias, tal como
refere numa entrevista ao jornal I, o investigador Manuel Lisboa (professor
universitário).
Os media assumem, assim, um papel primordial na divulgação do fenómeno.

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2. Mãos à obra

O nosso trabalho teve como objectivo perceber a dura realidade do fenómeno da


violência doméstica no nosso concelho, Braga. Para tal, necessitamos de colocar em prática
estratégias que nos permitissem recolher respostas às nossas perguntas de investigação (A
que instituições de solidariedade social se pode dirigir quem é padecente, em Braga,
de violência doméstica? Que apoios conseguem prestar as associações de apoio à
vítima? No campo da justiça, quais os programas que visam o apoio à vítima de
violência doméstica? O que pensam os jovens sobre a violência doméstica? Será que
estão despertos para o que os rodeia? Poderão eles tornar-se agressores?).

2.1. Desenho do projecto

Passos Perguntas Instrumentos de recolha de Tipo de informação obtida /produtos


dados

Identificar as instituições de apoio


à vitima (IAV‟S) em Braga.

Instituições de apoio à vítima:


1
Caracterizar os apoios prestados - O que fazem?
pelas IAV‟S à vitima de violência
-Quem são?
doméstica (quer sejam mulheres,
homens, crianças, idosos…)

Análise Documental
Identificar programas de apoio à O que faz a justiça para proteger as
vitima por parte da justiça. vítimas?

2 Identificar gabinetes de apoio Quanto tempo demora um processo


ligados ao poder judicial na judicial desta envergadura? Que
cidade de Braga aos quais as protecção é oferecida às vitimas
vítimas podem decorrer durante o processo judicial?

Principais vantagens/problemas do
processo judicial

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 9
Entrevistas/ Recolha de Exemplos: Positivos/Negativos
testemunhos a:
- Vitimas apoiadas pelas Reflexão sobre a violência

3 Recolha de testemunhos IAV‟S doméstica – Barbaridade? Porquê?

-Vitimas com processos


judiciais
pendentes/resolvidos

- Ponto de vista dos


agressores: - Testemunhos

Jovens atentos aos problemas sociais


ou fechados sobre si mesmos?
Recolha da opinião dos alunos do Inquéritos
ensino secundário do Concelho
4 Jovens têm opinião e informação
sobre Violência Doméstica Leitura dos inquéritos e
sobre a violência doméstica?
elaboração de gráficos

Será que esta geração é capaz de


molestar psicológica/fisicamente
alguém com quem possam vir a
“partilhar uma vida” ou casa?

Contextualização do estudo:

Num dos distritos mais fustigados pela violência doméstica consideramos


crucial desenvolver um trabalho que abordasse o tema.
Começamos por fazer uma análise mais abrangente, isto é, começamos por
dissecar os dados referentes ao território português e procedemos ao levantamento
das entidades e associações que se disponibilizam para ajudar e acompanhar as
vítimas (APAV, UMAR e APMJ).
Numa fase mais avançada do nosso projecto focamo-nos na análise dos dados
referentes ao distrito, e mais tarde concelho de Braga. Recorremos aos dados que nos
eram disponibilizados pelas autoridades judiciais locais e pelas associações de
solidariedade social (IPSS).

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Além de sentirmos a necessidade de recolher as estatísticas referentes aos casos
de violência, precisamos de conhecer a realidade no terreno. Para tal, recolhemos
testemunhos de vitimas deste tipo de violência e, ainda, analisamos o comportamento
dos jovens da nossa escola (ESAS) e da Escola Secundária Carlos Amarante através
de inquéritos por questionário, de forma a conhecermos os futuros adultos desta
sociedade.

Implementação do estudo:

Investigar, questionar e sensibilizar deram o mote para o nosso trabalho.


O nosso trabalho começou com a recolha de dados junto das entidades competentes e,
consequente análise destes. Sítios na internet tornaram-se a melhor ferramenta para a recolha
destes, sites como o da APAV revelaram-se excelentes meios de consulta, todos os dados,
todos os números do cenário negro português encontram-se na página da associação. No que
toca as entidades de justiça o acesso aos dados também é acessível e, como tal, também se
revelou um recurso útil.
A recolha de testemunhos das vítimas de violência doméstica revelou-se um
verdadeiro desafio, apenas uma vítima quis recordar o que sofreu nas mãos do agressor (em
anexo apresentaremos a entrevista que lhe fizemos). O contacto com agressores também nos
foi impossível, sabíamos à partida que seria complicado recolher os seus testemunhos, mas
tentamos, sem êxito.
Com o intuito de conhecermos os adultos de amanhã elaboramos um questionário
sobre violência doméstica e procedemos à recolha de possíveis respostas junto dos jovens
estudantes da Escola Secundária Alberto Sampaio e Carlos Amarante, possibilitando também
o debate sobre o tema junto dos alunos.
O nosso trabalho não se limitou apenas à leitura de dados, tomamos a iniciativa de
organizar uma Conferência sobre a Violência Doméstica com a gerente do GAV (Gabinete
de Apoio à Vítima), a jurista Teresa Sofia Silva, que teve como principal objectivo
sensibilizar os alunos do 12º ano da nossa escola para a problemática da Violência
Doméstica.

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3. Vamos discutir…

3.1. As instituições de Apoio à Vítima

Em Portugal, muitas são as instituições que apoiam as vítimas de violência


doméstica. Instituições como a APAV, a UMAR e a APMJ lutam pela extinção deste
fenómeno apoiando e auxiliando as vítimas.
Apoiar psicológica e juridicamente são as funções principais destas
organizações de solidariedade social. Tornando-se verdadeiros pontos de referência
para as vítimas, estas associações têm sido reconhecidas pela sociedade portuguesa
que as tem ajudado a ultrapassar diversos problemas, principalmente problemas de
ordem económica (consequência da falta de meios para conseguir obter lucro, estas
associações subsistem graças à generosidade da população e ao voluntariado), por
exemplo, no último Natal, a empresa Modalfa (grupo Sonae) associando-se à RTP
levaram a cabo uma campanha que visava recolher donativos para a APAV através
da venda de cachecóis.
Por terras brácaras, apenas existe uma associação de apoio à vítima, que
funciona na sede da Junta de Freguesia de S. Vítor, a APAV que tenta prestar apoio
às vítimas de todo o tipo de crime, todavia, a maioria dos utentes deste gabinete de
apoio à vítima são vítimas de violência doméstica.

3.2. A Justiça

Elemento fundamental como garante da ordem pública, a justiça nos casos de


violência doméstica apresenta um papel demasiado penoso e moroso e, nem sempre
eficaz, o que põe em causa a integridade da vítima.
Crime público ao abrigo do artigo 152º do Código Penal, os casos de violência
doméstica ainda apresentam uma taxa diminuta de êxito nas barras do tribunal.
Muitos dos processos-crime que chegam a tribunal acabam por não ter qualquer tipo
de condenação para o agressor.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 12
Se a acção da Casa da Justiça se tem revelado precária, a das autoridades
policiais também não tem conseguido atingir os êxitos desejados. Os inúmeros
planos de protecção à vítima têm contribuído para as autoridades conhecerem com
mais exactidão o flagelo que é a violência doméstica, não obstante não conseguem
ter efeitos práticos, a maioria dos casos de violência doméstica acabam arquivados
por falta de provas contra o agressor, a ausência de testemunhas é a principal razão!
Quando confrontados com a acusação de violência doméstica, os agressores negam
de forma convicta, passando a ser a palavra da vítima contra a do agressor.

3.3. Dados

3.3.1. O perfil da Vítima

Depois de termos analisado de forma aprofundada todos os dados que


recolhemos junto das entidades judiciais e das associações de apoio à vítima sobre o
crime de violência doméstica, tornou-se possível traçar o perfil da vítima de
violência doméstica.

Gráfico 1 - sexo da vítima 2010 (APAV)

Assim, é-nos possível afirmar que é nos elementos do sexo feminino casados,
com um curso de ensino superior e idades compreendidas entre os 26 e 45 anos que
há uma maior incidência do crime de violência doméstica.

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Tabela 2 - Habilitações literárias da Vítima
2010 (APAV)
Tabela 1 - Idade da Vítima (APAV)
2010

Gráfico 2 – Estado Civil da Vítima 2010 (APAV)

3.3.2. O perfil do Agressor


A análise cuidada dos dados disponibilizados pela APAV ajudam-nos a traçar,
também, o perfil do agressor.
Homem, casado, com 1º ciclo ou ensino secundário ou, até mesmo, com ensino
superior, de idade compreendida entre os 36 e os 55 anos, empregado e alcoólico.
Este é o possível perfil traçado do agressor.

Gráfico 3 – Sexo do Agressor 2010 (APAV)

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Gráfico 4 – Estado Civil do Agressor 2010 (APAV)

Tabela 3 – Habilitações literárias do Agressor


2010 (APAV) Tabela 4 – Idade do Agressor 2010 (APAV)

Gráfico 5 – Situação Profissional do Agressor 2010 (APAV)

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3.3.3 O Crime

Através da leitura dos dados estatísticos registados pela nos últimos 20 anos pela
APAV (organização criada em 1990) concluímos que todos estes anos têm sido marcados
por um aumento mais ou menos significativo dos processos de apoio às vítimas de crime.
Além de que, é possível afirmar que, quando feita a comparação entre 2009 e 2010, a
APAV registou um aumento de 2528 processos de apoio, o que significa um incremento de
25%.

Gráfico 6 – evolução processual APAV (totais nacionais 1990-2010)

Gráfico 7 - Categorias de Crime 2009 APAV

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Gráfico 8 - Categorias de Crime 2010 APAV

Os gráficos acima apresentados mostram as diversas categorias de processos de apoio


registados na APAV no ano de 2009 e 2010.
Como é possível verificar, na maioria dos casos a APAV recebe vítimas do crime de
violência doméstica.
Procedendo à análise cuidada dos gráficos referentes às categorias de crime
verificamos que se registou um ligeiro decréscimo dos processos de apoio nos casos de
violência doméstica. Se em 2009, os processos de apoio relativos ao crime de violência
doméstica significavam 90% dos casos de processos de apoio às vítimas de crime na APAV,
em 2010 estes processos significavam 80% de todos os processos.

3.3.3.1. Violência Doméstica em Braga

A APAV de Braga recebe por ano centenas de processos aos quais presta o
devido apoio, é o concelho de Braga que mais contribui para engrossar esses
números, o que pode ser justificado pelo elevado número de residentes, seguindo-se
Guimarães e Vila Nova de Famalicão.
Braga é o oitavo concelho com mais participações na APAV, cerca de 362,
tendo à sua frente concelhos como Lisboa (3776 pedidos), Porto com 1586, Cascais
(713), Coimbra (634), Vila Real (466), Setúbal (318), Ponta Delgada (298), Portimão
(278), Faro (232), Albufeira (203), Odivelas (155) e, por fim, Tavira com 100
participações.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 17
3.4. O que pensam os jovens

Entender o evoluir do fenómeno num futuro próximo tornou-se imperativo no


desenvolvimento deste projecto, como tal, procedemos à elaboração de um inquérito que
revelou a visão dos jovens da nossa instituição escolar.

Os jovens da Escola Secundária Alberto Sampaio apresentam-nos uma visão


animadora, revelam conhecer o fenómeno e ainda estar ao corrente das notícias que se
prendem com ele. Quanto aos comportamentos face ao parceiro os números dão-nos a
conhecer um lado menos bom desta juventude, pois admitem ser controladores e capazes de
agredir a cara-metade.

O número de inquiridos no 10º ano foi de 77, eis os dados que recolhemos:

Definição de Violência Doméstica


( N = 77)
Sexo Masculino
Física e/ou Psicológica na família Física e/ou Psicológica no casal
Física e/ou psicológica com os idosos Outras
Sem definição

11%
33%
20%

0%
36%

Os alunos do 10ºano da nossa escola consideram que a violência doméstica é um tipo


de violência física e/ou psicológica dentro do casal e na família.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 18
Definição de Violência Doméstica
( N = 77 )
Sexo Feminino
Física e/ou Psicológica na família Física e/ou Psicológica no casal
Física e/ou psicológica com os idosos Outras
Sem definição
5%

22% 34%

0%

39%

De forma errada, mas que pode ter as mais variadas explicações, os alunos de ambos
os sexos consideram que o grupo que sofreu um crescimento de ocorrências de 120% foi o
das mulheres, registando valores inequívocos desta ideia. Todavia, o grupo em questão é o
de idosos.

Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a


2009
( N = 77 )
Sexo Masculino
Mulheres Homens Idosos Mulheres e Idosos

0%

14%

19%

67%

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 19
Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a
2009
( N = 77 )
Sexo Feminino
Mulheres Homens Idosos Mulheres e Idosos

0%

22%

10%
68%

Conseguimos verificar através da leitura dos dados recolhidos que a maioria dos
alunos do 10º ano não conhece nenhum caso de violência doméstica.

Casos de Violência Doméstica Conhecidos


( N = 77)
Sexo Masculino
Sim Não Não Responde

3%

14%

83%

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 20
Casos de Violência Doméstica Conhecidos
(N = 77 )
Sexo Feminino
Sim Não Não Responde

0%

29%

71%

Nos casos conhecidos vemos o predomínio de alunos que conhecem mais de


dois casos de violência doméstica.

Quantos casos conhecidos


( N = 17 )
Sexo Masculino
1 2 Mais de 2 Não Responde

0%

20%

40%

40%

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 21
Quantos casos conhecidos
( N = 17 )
Sexo Feminino
1 2 Mais de 2 Não Responde

0%

16%

42%

42%

Tal como já tínhamos referido, os jovens da nossa escola estão atentos às


notícias e sabiam que a violência doméstica é considerada crime público.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 22
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 23
Há uma realidade nestes dados que nos assusta, a existência de muitos jovens
que assumem ter uma posição controladora face ao seu parceiro, sendo que é no sexo
feminino que verificamos que o controlo poderá ser maior. A questão que se coloca é
a da postura que estes jovens terão num futuro próximo perante o parceiro. Não
conseguimos, no entanto, ter a resposta a esta dúvida.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 24
Podemos verificar que a maioria dos jovens do 10º, de ambos os sexos, não
seria capaz de agredir.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 25
Os alunos do 10º respondem que a violência existe apenas nos casais
heterossexuais.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 26
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 27
Com a leitura destes dados, percebemos que os alunos do 10º indicam que a
principal causa para existir violência doméstica são os Valores/Mentalidades.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 28
A maioria dos alunos inquiridos revela não conhecer nenhuma associação de
apoio à vítima.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 29
Dos respondentes há pergunta supra citada, a maioria indicou o nome de uma
ou mais associações de apoio à vítima.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 30
E agora os gráficos onde estão impressas as ideias dos alunos do 11º ano sobre
o tema. O número de respondentes é de 79.

Definição de Violência Doméstica


( N = 79 )
Sexo Masculino
Física e/ou psicológica na família Física e/ou psicológica no casal
Física e/ou psicológica com os idosos Outras
Sem definição

7%

17% 29%
2%

45%

Tal como o registado no 10º ano, os alunos do 11º apresentam respostas


muito diversificadas à tentativa de definição de Violência Doméstica. Sendo que
predominam as definições referentes à violência física ou psicológica no casal.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 31
Os alunos afirmam que o aumento registado ocorreu no grupo feminino, nada
mais errado, dado que o aumento se verificou no grupo dos idosos.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 32
Muitos afirmam não conhecer nenhum caso de violência doméstica.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 33
Dos respondentes que dizem conhecer casos de violência doméstica, a
maioria revela conhecer apenas 1 caso de violência.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 34
Os alunos do 11º ano, na sua maioria, afirmam que a violência doméstica é
um crime público.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 35
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 36
Dos alunos que dizem namorar, 33% afirmam ser controladores.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 37
Uma grande fatia dos respondentes do 11º ano, diz não ser capaz de agredir.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 38
A violência doméstica, segundo dos alunos do 11º ano, não ocorre apenas nos
casais heterossexuais.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 39
As razões para haver agressão, segundo os alunos do 11º ano, prendem-se
com valores e mentalidades.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 40
Uma grande fatia dos alunos do 11º ano revela não conhecer nenhuma
associação de apoio à vítima.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 41
Os respondentes do 11º ano apontam, na sua maioria, o nome de uma
associação de apoio à vítima.

Por fim, os gráficos referentes às respostas do 12ºano da ESAS. Recolhemos


cerca de 111 inquéritos.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 42
Definição de Violência Doméstica
(N=111)
Sexo Masculino
Física e/ou psicológica na família Física e/ou psicológica no casal
Física e/ou psicológica com os idosos Outras
Sem definição

12%

14% 42%
0%

32%

Como podemos analisar nos gráficos acima apresentados, os alunos do 12º


ano consideram, na sua maioria, que a violência doméstica é a violência física e
psicológica no casal e na família.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 43
Grupo em que cresceu a violência doméstica de 2000 a
2009
( N = 111 )
Sexo Masculino
Mulheres Homens Idosos

22%

15%
63%

A maioria dos alunos do 12º ano considera que o grupo que assistiu a um
aumento de 120% de 2000 a 2009 foi o das mulheres.

Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a


2009
( N = 111 )
Sexo Feminino
Mulheres Homens Idosos

35%
47%

18%

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 44
Casos de Violência Doéstica Conhecidos
(N= 111)
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

0%

15%

85%

Casos de Violência Doméstica Conhecidos


( N= 111)
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

6%
27%

67%

Os alunos do 12º ano da nossa escola afirmam, na sua maioria, não conhecer
nenhum caso de violência doméstica. No entanto cerca de 27% dos elementos do
sexto feminino diz conhecer casos de violência doméstica.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 45
Quantos casos conhecidos
( N= 23 )
Sexo Masculino
1 2 mais de 2

22%

45%

33%

Quantos casos conhecidos


( N= 23 )
Sexo Feminino
1 2 mais de 2

0%

21%

79%

De todos os que dizem conhecer casos de violência doméstica, a maioria


conclui que conhece, apenas 1 caso de violência doméstica.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 46
Violência Doméstica - Crime Público
( N = 111 )
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

0%

7%

93%

Violência Doméstica - Crime Público


( N = 111 )
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

6%
6%

88%

Os alunos do 12º ano revelam saber da existência da violência doméstica como


crime público. Apenas 13% dos estudantes diz não saber que a violência doméstica é um
crime público.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 47
Namoro
( N = 111 )
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

2%

24%

74%

Namoro
( N = 111 )
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

6%

45%

49%

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 48
Namoro Controlado
( N = 37 )
Sexo Masculino
Sim Não

21%

79%

Namoro Controlado
( N = 37 )
Sexo Feminino
Sim Não

17%

83%

Muitos dos alunos que afirmam estar a viver no namoro revelam não ser
controladores.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 49
Capaz de agredir
( N = 111 )
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

2%

5%

93%

Capaz de agredir
( N = 111 )
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

4%

6%

90%

Apesar de uma maioria maciça admitir que não era capaz de agredir, há uma
fatia dos inquiridos que confessa ser capaz de agredir, dado que se revela
preocupante.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 50
Violência apenas nos casais heterossexuais
( N = 111 )
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

3%

5%

92%

Violência apenas nos casais heterossexuais


( N = 111 )
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

4%

6%

90%

Numa altura em que o casamento homossexual é permitido por lei, achamos


conveniente perguntar aos alunos, se apenas existia violência doméstica nos casais
heterossexuais. A esta questão a uma maioria esmagadora respondeu que não.

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 51
Razões para a violência
( N = 111 )
Sexo Masculino
Problemas mentais Vícios Problemas sociais Valores / Mentalidades Nenhuma

2%

14%
28%

22%

34%

Razões para a violência


( N = 111 )
Sexo Feminino
Problemas mentais Vícios Problemas sociais Valores / Mentalidades Nenhuma

1%

29% 30%

13%
27%

Por uma questão de conveniência para a organização dos dados em gráficos,


tomamos a liberdade de agrupar as mais variadas respostas em categorias. Assim,
consideramos problemas mentais todas as respostas que englobavam distúrbios
mentais, vícios todas as respostas que incluíam drogas e álcool, problema sociais as
respostas referentes ao desemprego, nos valores/ mentalidades incluímos as
mentalidades retrógradas e os ciúmes.
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 52
A maioria dos alunos considera que as causas justificativas para a violência
doméstica são do foro social e da mentalidade.

Associações de apoio à vítima


( N = 111 )
Sexo Masculino
Sim Não Não responde

0%

25%

75%

Associações de apoio à vítima


( N = 111 )
Sexo Feminino
Sim Não Não responde

4%

37%

59%

Muitos dos inquiridos diz não conhecer qualquer associação de apoio à


vítima.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 53
Nomes de associações
( N = 34 )
Sexo Masculino
Apresenta nome Não apresenta nome Não se lembra

0%

13%

87%

Nomes de associações
( N = 34 )
Sexo Feminino
Apresenta nome Não apresenta nome Não se lembra

0%
11%

89%

Dos respondentes a maioria apresenta o nome de, pelo menos, uma


associação de apoio à vítima, sendo o nome mais recorrente o da APAV.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 54
Conclusões

A violência doméstica é um flagelo que assola todo o país. Não sendo o concelho de
Braga um dos mais fustigados foi interessante perceber o que acontecia dentro da outrora
Brácara Augusta e conseguir perspectivar o futuro da próxima geração.
A existência de associações que a troco de nada assumem um papel preponderante na
vida de homens e mulheres vítimas de violência doméstica, que chegam a fazer mais do que
a própria justiça que parece facilitar a vida ao infractor torna este fenómeno que parece não
conhecer o fim da linha mais humano. Permite conhecer a existência de gente que se dispõe
a ajudar de forma voluntária e sem cobrar.
A justiça continua e continuará a ter uma postura passiva perante o fenómeno, apesar
de inscrita na lei a condenação de qualquer acto de violência doméstica, os agressores
continuarão impunes, a conviver com as vítimas sem que a sua protecção seja assegurada.
Os mass media têm e terão um papel fundamental na divulgação e sensibilização da
sociedade para este fenómeno.
Os futuros adultos revelam conhecer o fenómeno, no entanto ainda admitem ter
atitudes controladoras e agressivas para com o companheiro.
Sabemos que a violência doméstica não conhecerá um fim tão próximo, não obstante
tentamos sensibilizar os jovens para esse problema.
A elaboração do trabalho revelou-se complicada, para a realização dos inquéritos nas
outras escolas tornou-se difícil, conseguimos a autorização para levar a cabo os inquéritos
nas turmas da Escola Secundária Carlos Amarante (devido à reduzida amostra que
obtivemos, não consideramos relevante introduzir os resultados no relatório final), já no
Liceu de Sá de Miranda e, após muita insistência não “conquistamos” qualquer tipo de
resposta.
O contacto com as vítimas também foi um entrave, depois de falarmos com algumas
vítimas de violência doméstica e de nos termos sentido tocados pelas suas “HISTÓRIAS”
não conseguimos que elas nos concedessem uma entrevista, daí que apenas tenhamos
depoimentos recolhidos no site da APAV e o testemunho de uma vítima que acedeu a dar-
nos uma entrevista.

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 55
Bibliografia

APAV totais nacionais 2009. http://www.apav.pt/totais_nacionais_2009


(Acessível a 5 de Março de 2010)
APAV totais nacionais 2010. http://www.apav.pt/totais_nacionais_2010
CUNHA, Rita. (2011). Voluntariado garante bom funcionamento da
Associação de Apoio à Vítima. Diário do Minho, 10-12
Desequilíbrio de poderes entre homens e mulheres é uma das causas de
violência doméstica. Jornal I, http://www.ionline.pt (Acessível a 5 de Novembro de
2010)
Direcção Geral de Justiça. Estatísticas de Justiça Condenação Violência
Doméstica. http://www.dgpj.mj.pt (Acessível a 17 de Março de 2011)
Há pelo menos 18 mulheres vitimas de violência doméstica por dia. Jornal I,
http://www.ionline.pt (Acessível a 5 de Novembro de 2010)
Programa de apoio às vítimas de Crime. http://www.gnr.pt/programas
(Acessível a 17 de Março de 2011)
Programas especiais – Violência Doméstica.
http://www.psp.pt/violência_domestica (Acessível a 5 de Novembro de 2010)
Quem somos. http://www.apav.pt/quem_somos (Acessível a 5 de Novembro
de 2010)
Testemunhos de Vítimas. http://www.apav.pt/testemunhos (Acessível a 5 de
Novembro de 2010)
VALENTE, Liliana. (2010). Violência Doméstica. Casos de homicídio
aumentam e são cada vez mais violentos. Jornal I, http://www.ionline.pt (Acessível a
5 de Novembro de 2010)
Violência Doméstica: 40 pessoas morreram em 2008, 10 já se tinham queixado
às autoridades. Jornal I, http://www.ionline.pt (Acessível a 5 de Novembro de 2010)
Violência Doméstica: meios para proteger vítimas não foram usados. Jornal I,
http://www.ionline.pt (Acessível a 5 de Novembro de 2010)
Violência Doméstica, os maiores mitos. Revista Activa, 240, 58 – 60
Voluntariado APAV. http://www.apav.pt/voluntariado (Acessível a 5 de
Novembro de 2010)

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 56
ANEXOS

Anexo 1
Artigo 152º do Código Penal Português
Artigo 152º

(Violência Doméstica)

1- Quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos,


incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais:

a - ao cônjuge ou ex – cônjuge;

b- A pessoa de outro ou do mesmo sexto com quem o agente mantenha ou


tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação;

c- A progenitor de descendente comum em 1.º lugar;

d –A pessoa particularmente indefesa, em razão da idade, deficiência,


doença, gravidez ou dependência económica, que com ele coabite;

É punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não
couber por força de outra disposição legal.

2- No caso previsto no número anterior, se o agente praticar o facto contra


menor, na presença de menor, no domicílio comum ou no domicílio da vítima é
punido com pena de prisão de dois a cinco anos.

3- Se dos factos previstos no n.º 1 resultar:

a- Ofensa à integridade física grave, o agente é punido com pena de prisão


de dois a oito anos;

b - A morte, o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos.

4- Nos casos previstos nos números anteriores, podem ser aplicadas ao


arguido as penas acessórias de proibição de contacto com a vítima e de proibição de
uso e porte de armas, pelo período de seis meses a cinco anos, e de obrigação de
frequência de programas específicos de prevenção da violência doméstica.

5- A pena acessória de proibição de contacto com a vítima pode incluir o


afastamento da residência ou do local de trabalho desta e o seu cumprimento pode
ser fiscalizado por meios técnicos de controlo à distância.

6- Quem for condenado por crime previsto neste artigo pode, atenta a
concreta gravidade do facto e a sua conexão com a função exercida pelo agente, ser

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 57
inibido do exercício do poder paternal, da tutela ou da curatela por um período de
um a dez anos.”

Anexo 2

Testemunhos da APAV

"Sou educadora de infância e acho que, nós, os educadores, temos a


obrigação de estar muito atentos às crianças e ao ambiente familiar em que vivem.
Uma das meninas da minha sala sofria de frequentes infecções urinárias e os pais não
manifestavam grande interesse. Para ser mais precisa, quem parecia para falar
comigo era a avó.
Às infecções urinárias seguiram-se algumas queixas de dores abdominais e
alguns relatos bastante estranhos. A menina fazia alguns comentários que levaram
suspeitas quanto a um possível abuso sexual por parte do próprio pai. Reuni com a
minha directora e com a psicóloga do Jardim; e decidimos agir rapidamente.
Telefonámos para o Gabinete de Apoio à Vítima e a psicóloga de lá fez um
atendimento com a menina. Havia indícios fortes de que realmente se tratava de um
abuso. A APAV fez a denúncia da situação e informou também a Comissão de
Protecção de Crianças.
Depois de uma intervenção que eu considero rápida e eficiente, a situação foi
resolvida, para já, com uma decisão da mãe da criança que a pôs a salvo: separar-se
do marido, indo morar com a avó da criança. O mais importante era o superior
interesse da criança, como muitas vezes se falou nestes atendimentos e reuniões, nos
quais várias instituições se juntaram para impedir que o crime prosseguisse. A
menina está psicologicamente bem. Tudo foi resolvido com calma e discrição."
Sónia, 37 anos

"O meu marido sempre me bateu, desde o namoro. Há um dia em que a gente não
aguenta mais e decide mudar de vida, sair, ter liberdade para ser feliz. Não foi fácil,
tive se sair para uma cidade que não conhecia, ter um emprego que não era o meu
(trabalho numa pastelaria); e agora já tenho uma casinha que é arrendada. É muito
pequenina, mas tenho comigo a minha filha, que está na escola. A única coisa que eu
lamento é não ter as coisas todas resolvidas no tribunal. Assim uma pessoa fica
sempre presa a um passado que quer esquecer. Não me arrependo de ter deixado tudo
para trás. Quando temos um problema destes, acho que temos de aceitar a ideia de
perder algumas coisas para podermos ser livres. Eu perdi o meu emprego, algumas
amizades, o convívio com os familiares, a minha casa e até algumas coisas sem
valor, mas que eram recordações da minha mãe e que muito estimava. Tenho ainda
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 58
muita amargura no coração, mas até a amargura eu hei-de vencer. É preciso dar
tempo ao tempo e não esperar milagres. O que eu quero dizer é que é preciso ter
esperança, mas não ficar quieta à espera que ele mude ou que venha alguém resolver
um problema que nunca mudou, desde novos.”
Gertrudes Maria, 45 anos

"Encontro-me numa situação difícil. Na minha idade e com os problemas de saúde


que tenho é natural que esteja nesta situação. Nunca me dei bem com a minha filha,
sobretudo porque nunca concordei com o casamento dela. Não sei se interferi
demais, não sei se fiz algum mal. Passaram os anos, os problemas sucederam-se.
Criei-a sozinha, com um ordenado baixo e muitas agruras. Eram outros tempos, tive
de manter o respeito, porque não queria que ela fosse uma leviana. O casamento dela
não deu resultado. Nunca poderia dar, eu vi logo. Culpa-me a todo o instante de ser
uma frustrada. Eu continuo a achar que se ela tivesse trabalhado mais, como eu fiz,
hoje não era uma mulher frustrada só porque o marido a trocou por outra.
Estou numa situação de quase miséria, porque todo o dinheiro que tenho é
para ajudar a pagar o empréstimo do apartamento da minha filha, que, para além
disso, me vendeu o ouro e um relógio que tinha sido do meu pai. Algumas pratas
também já foram à vida. Vão-se os anéis e ficam os dedos, diz o povo. Mas, no meu
caso, não sei se, um dia destes, os próprios dedos me ficam. Já não é a primeira vez
que me bate… E também me fecha no quarto quando não lhe convém que eu esteja à
vista quando leva os namorados lá a casa.
O problema é que eu amo a minha filha, como uma mãe ama um filho. Mas
não consigo perceber onde errei na educação dela para merecer isto… Pedi apoio
recentemente e ainda não decidi o que quero fazer. Mas já sei que posso fazer
alguma coisa, que ainda sou senhora da minha vontade e das minhas coisas. A minha
filha não pode fazer-me isto só porque estou velha."
Deolinda, 75 anos

Anexo 3

À conversa com uma vítima de Violência Doméstica

Pergunta: No inicio da relação com o agressor, conseguia vislumbrar as


características violentas deste?

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Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 59
Vítima: Agora que olho friamente para toda a situação vejo que já poderia
haver indícios de violência, mas como estava cega não consegui aperceber-me a
tempo.

P: Quando viveu a primeira situação repressiva por parte do agressor?


V: Não consigo precisar, gestos violentos propriamente ditos foi à cerca de
1ano e meio, isso não se esquece, no entanto a pressão económica já é anterior.

P: Quando o agressor a agrediu pela primeira vez (quer tenha sido uma
agressão verbal, psicológica, física ou apenas através do controlo económico) com
que sensação ficou? Julgou ser um acto isolado? Imaginava que o agressor podia
repetir tal acção?
V: Quando se é vítima de violência doméstica o terror é muito, não sabemos
como vai o outro reagir sempre que fazemos alguma coisa. Claro que, quando se é
jovem e se está apaixonado e, acrescento, vislumbrado achamos sempre que foi só
naquele momento.

P: Quando a agressão se tornou mais frequente, que ideia lhe pairava na


cabeça?
V: Não consigo explicar, ainda estou aterrorizada.

P: Considera existirem motivos para a agressão?


V: Não consigo encontrar motivos, a pessoa em causa não tem vícios alguns,
está empregada…

P: O que mais lhe custou? A agressão em si ou saber que amava o agressor


verdadeiramente?
V: Saber que amava o agressor, definitivamente, pois tinha consciência que
não o iria conseguir abandonar.

P: Depois da agressão, a maioria dos agressores assume uma postura de


arrependimento, tentando mimar a sua vítima. Depois de desculpar o agressor, o que
mais se receia? O saber que poderá vir a ser agredida novamente?
V: O agressor assume sempre uma atitude de arrependimento e nós deixamo-
nos ir, claro que o poder ser agredida novamente é terrível, podemos estar bem e de
um momento para o outro levar um estalo.

P: Após as diversas agressões (quer controlo económico, quer agressão física)


a quem recorreu? Sentiu o apoio da família? Teve medo de lhes revelar o que
vivenciara? Depois de perdoar o agressor, sentiu uma quebra na sua relação de
proximidade com os outros vértices da família?
V: A família nestes processos torna-se essencial, é o nosso maior apoio, mais
do que qualquer outra coisa, o saber que temos pais, irmãos ali ao lado para nos

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 60
amparar é indescritível, por isso contei sempre o que vivi, não muna primeira fase,
porque receava a atitude deles, mas depois contei tudo. Julgo que tal facto foi
espelho do medo!

P:Chegou a pedir auxilio das instituições oficiais de justiça. Como classifica o


apoio por estas prestado?
V: Sim, recorri à PSP e fui bem recebida quando apresentei a queixa.

P: E o apoio prestado pela APAV? Foi essencial?


V: Sim, apesar de bem acolhida pela PSP, na APAV o apoio é mais humano,
sabem pelo que passamos e dispõe-se a ajudar.

P: Arrepende-se de ter recorrido a essas instituições?


V: Não, de todo. Não me arrependo disso, posso arrepender-me de outras
coisas, mas disso não!

P: E de ter deixado chegar a sua relação a este ponto?


V: Sim, isso sim. Arrependo-me, não estive atenta aos primeiros sinais e
quando eles começaram a ser mais evidentes neguei-os até ter levado o estalo.

P: Continua a conviver diariamente com a coação imposta pelo agressor?


V: Coacção propriamente dita não, mas receio que ele torne ao mesmo, isso
não será coacção? É, essencialmente, pela minha filha que mantenho este casamento,
no entanto as coisas já não são as mesmas!

Anexo 4

Violência Doméstica no Jornal I

Desequilíbrio de poderes entre homens e mulheres é uma das causas da violência


doméstica

Publicado em 03 de Abril de 2010

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) considerou hoje que "o


desequilíbrio de poderes entre homens e mulheres é uma das causas fundamentais" da
violência doméstica, ao comentar a morte de uma família na sexta feira, em Albergaria-
a-Velha.

Apesar das medidas e campanhas de prevenção, tanto a nível governamental, como


por iniciativa das associações que apoiam as vítimas, a UMAR sente que a violência
conjugal é "uma realidade muito presente na sociedade portuguesa, com muito peso",
sendo um flagelo social em Portugal.
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 61
"Ainda há cerca de um mês, uma mulher foi assassinada, em Almada, à frente dos
filhos por um indivíduo que depois também tentou suicidar-se", recordou à agência
Lusa Manuela Tavares, da UMAR.

Na noite passada, dois adultos e uma criança foram encontrados mortos em casa e
as autoridades suspeitam de duplo homicídio, seguido de suicídio.

"Estas situações mostram como é que o desequilíbrio de poderes existente na


sociedade entre homens e mulheres é uma das causas fundamentais" deste tipo de
violência, considera Manuela Tavares.

Segundo a GNR, as vítimas da mais recente tragédia são um homem e uma mulher
na casa dos 40 anos e um menino de três anos, filho do casal.

De acordo com Manuela Tavares, a maioria destes casos ocorre quando a mulher
quer pôr termo à relação e o homem não aceita, como terá sucedido em Almada.

"O poder parece que ainda está todo do outro lado e isto requer campanhas de
alteração de mentalidades", defendeu, sublinhando que, apesar do esforço feito em
termos de poder governamental, as campanhas na televisão deveriam ser "mais
acutilantes".

"Segundo a União Europeia, há mais mulheres a morrer por violência doméstica do


que por cancro ou acidentes na estrada", sustentou.

O homem e a mulher encontrados mortos numa habitação em Espinheira, freguesia


da Branca, em Albergaria-a-Velha, apresentavam ferimentos de arma branca, enquanto a
criança não tinha feridas visíveis.

"É preciso trabalhar mais, é preciso prevenção logo nas escolas. Sabemos que a
violência no namoro neste momento é também algo preocupante", alertou Manuela
Tavares, acrescentando que a UMAR tem feito várias sessões em estabelecimentos de
ensino.

Por outro lado, adverte, as mulheres devem estar atentas aos indícios, porque "eles
existem" e elas não devem confiar que o agressor nunca será capaz de chegar a extremos.

Anexo 5

O Diário do Minho fala sobre Violência Doméstica

Psicólogos e advogados ajudam os outros gratuitamente


Voluntariado garante bom funcionamento da Associação de Apoio à Vítima

O voluntariado é um dos pilares do bom funcionamento da Associação


Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), instituição que, em traços gerais, visa
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 62
apoiar e proteger aqueles que ficaram perturbados após uma situação de
violência. O gabinete de Braga não é excepção. Ali trabalham gratuitamente
pessoas das áreas de Psicologia e Direito, que dão apoio a todos os que
necessitem.
Em entrevista ao Diário do Minho (DM), a gestora do Gabinete de Apoio à
Vítima (GAV) de Braga, Teresa Sofia Silva, explicou que, a par do voluntariado,
também acolhem estágios, recaindo a preferência sobre as áreas anteriormente
referidas, assim como serviço
Social. Contudo, este é um tipo de formação que não tem tanta oferta.
Para a responsável, além de ajudarem o próximo, os voluntários têm uma
oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso, sendo que a procura
aumenta com a subida do desemprego.
Embora a finalidade comum seja a de apoiar as vítimas de qualquer tipo de
violência, na APAV o voluntariado pode ser exercido de duas formas distintas.
De um lado, temos o voluntariado social para o atendimento à vítima – no
qual os voluntários atendem directamente os utentes – e, por outro, o voluntariado
social para outros serviços, que abrange voluntários com ou sem formação
académica superior. Neste caso, não estão no atendimento às vítimas mas colaboram
noutras áreas, como é o caso de secretários, relações públicas, enfermeiros, médicos
ou designers,
entre outros.
Outro tipo de voluntários é o designado “amigos pró bono”, isto é, pessoas
que
exercem o voluntariado a partir do seu local de trabalho. No gabinete de Braga
existem duas pessoas que trabalham desta forma, um advogado e uma psicóloga.
«São pessoas que querem ajudar mas, como não podem estar aqui, atendem
as vítimas que nós encaminhamos para o seu local de trabalho», explicou Teresa
Sofia Silva.
Para a gestora, este tipo de voluntariado acaba por ser positivo uma vez que
muitas
das vítimas, «por uma razão ou por outra», preferem ser atendidas num outro local
que não as instalações da APAV.
«Não é que não tenham consciência de que são vítimas, porque isso elas têm,
mas há sempre aquele estigma e, nesses casos, é bom que possam ser atendidas
noutros gabinetes», referiu.
Para além dos “amigos pró bono” existem também os Técnicos de Apoio às
Vítimas Voluntários (TAVV) que estabelecem um vínculo de compromisso à
associação. Trata-se de um acordo que envolve a prestação de voluntariado pelo
menos durante uma manhã ou uma tarde por semana, pelo período de quatro horas,
de acordo com a disponibilidade do voluntário e das necessidades do gabinete no
qual desenvolve o seu trabalho.

Anexo 6

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 63
Inquérito sobre Violência Doméstica aplicado aos alunos da Escola Secundária
Alberto Sampaio e Escola Secundária Carlos Amarante

Ano: _______
Idade: ______
Sexo: M __ F __

Este inquérito é anónimo e tem como objectivo dar-nos a conhecer o que os jovens
da nossa escola pensam sobre a violência doméstica.

1. O que entendes por Violência Doméstica? ____________________________


__________________________________________________________________
2. De 2000 a 2009 assistimos ao crescimento do fenómeno da violência doméstica
(cerca de 120% - dados recolhidos pela APAV) num determinado grupo de vítimas. Na
tua opinião, qual dos seguintes grupos registou tal aumento? Mulheres __
Homens __ Idosos __
3. Conheces algum caso de violência doméstica? Sim __ Não___
Se sim, quantos ___
4. Sabias que a violência doméstica é um crime público? Sim__ Não__
5. Namoras? Sim__ Não__
Se sim, és um(a) namorado(a) controlador(a)? Sim__ Não__
6. Eras capaz de agredir, quer física ou psicologicamente, o teu companheiro(a)?
Sim__ Não__
7. Achas que a violência doméstica apenas se regista nos casais heterossexuais?
Sim __ Não __
8. Na tua opinião, quais são as razões para haver violência doméstica?
________________________________________________________________________
______________________________________________________________
9. Conheces alguma associação de apoio à vítima? Sim ___ Não ___
Se sim, dá exemplos de associações que conheças. _____________________

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 64
Anexo 7

Respostas 10º ano

Escola Secundária Alberto Sampaio

Quadro 1: Definição de Violência Doméstica (N=77)

Frequências %
Categorias
M F M F
(36) (41) (36) (41)
Física e/ou Psicológica na 12 14 33.3 34
família

Física e/ou Psicológica no 13 16 36 39


casal

Física e/ou psicológica 0 0 0 0


com os idosos

Outras 7 9 19.5 22

Sem definição 4 2 11.2 5

Quadro2 : Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a 2009 (N=77)

Frequências %
Categorias M F M F
(36) (41) (36) (41)
Mulheres 24 28 67 68

Homens 7 4 19 10

Idosos 5 9 14 22

Mulheres e Idosos 0 0 0 0

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 65
Quadro 3: Casos de Violência Doméstica Conhecidos (N=77)

Frequências %
Categorias
M F M F
(36) (41) (36) (41)
Sim 5 12 14 29

Não 30 29 83 71

Não Responde 1 0 3 0

Quadro 4: Quantos casos conhecidos (N=17)

Categorias Frequências %

M F M F
(5) (12) (5) (12)
1 1 5 20 42

2 2 5 40 42

+2 2 2 40 16

Não responde 0 0 0 0

Quadro 5: Violência Doméstica – Crime Público (N=77)

Frequências %

Categorias M(36) F(41) M(36) F(41)

Sim 30 38 83 93

Não 6 1 17 2

Não responde 0 2 0 5

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 66
Quadro 6: Namoro (N=77)

Frequências %

Categorias M(36) F(41) M(36) F(41)

Sim 13 18 36 44

Não 21 23 58 56

Não responde 2 0 6 0

Quadro 7: Namoro controlado (N=31)

Frequências %

Categorias M(13) F(18) M(13) F(18)

Sim 4 9 31 50

Não 9 8 69 62

Não responde 0 1 0 6

Quadro 8: Capaz de agredir (N=77)

Frequências %

Categorias M(36) F(41) M(36) F(41)

Sim 4 3 11 7.3

Não 32 38 89 92.7

Não responde 0 0 0 0

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 67
Quadro 9: Violência apenas nos casais heterossexuais (N=77)

Frequências %

Categorias M(36) F(41) M(36) F(41)

Sim 3 2 8 5

Não 32 39 89 95

Não responde 1 0 3 0

Quadro 10: Razões para a violência (N=77)

Frequências %

Categorias M(68) F(75) M(68) F(75)

Problemas mentais 3 17 5 23

Vícios 13 9 19 12

Problemas sociais 13 4 19 5

Valores/Mentalidades 32 41 47 55

Nenhuma 7 4 10 5

Quadro 11: associação de apoio à vítima (N=77)

Frequências %

Categorias M(36) F(41) M(36) F(41)

Sim 3 11 8 27

Não 33 28 92 68

Não responde 0 2 0 5

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 68
Quadro 12: nomes de associações (N=14)

Frequências %

Categorias M(3) F(11) M(3) F(11)

Apresenta nome 2 8 67 73

Não apresenta nome 1 1 33 9

Não se lembra 0 2 0 18

Anexo 8

Respostas dos inquéritos 11ºano

Escola Secundária Alberto Sampaio

Quadro 13: Definição de Violência Doméstica (N=79)

Frequências %
Categorias
M F M F
(42) (37) (42) (37)
Física e/ou Psicológica na 12 11 29 30
familia

Física e/ou Psicológica no 19 4 45 11


casal

Física e/ou psicológica 1 0 2 0


com os idosos

Outras 7 19 17 51

Sem definição 3 3 7 8

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 69
Quadro 14: Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a 2009 (N=79)

Frequências %
Categorias M F M F
(42) (37) (42) (37)
Mulheres 29 23 69 62

Homens 4 1 10 3

Idosos 6 3 14 8

Mulheres e Idosos 3 10 7 27

Quadro 15: Casos de Violência Doméstica Conhecidos (N=79)

Frequências %
Categorias
M F M F
(42) (37) (42) (37)
Sim 8 7 19 19

Não 33 30 79 81

Não Responde 1 0 2 0

Quadro 16: Quantos casos conhecidos (N=15)

Categorias Frequências %

M F M F
(8) (7) (8) (7)
1 4 4 50 57.1

2 2 1 25 14.3

+2 1 1 12.5 14.3

Não responde 1 1 12.5 14.3

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 70
Quadro 17: Violência Doméstica – Crime Público (N=79)

Frequências %

Categorias M(42) F(37) M(42) F(37)

Sim 39 34 93 92

Não 1 1 2 3

Não responde 2 2 5 5

Quadro 18: Namoro (N=79)

Frequências %

Categorias M(42) F(37) M(42) F(37)

Sim 15 13 36 35

Não 26 23 62 62

Não responde 1 1 2 3

Quadro 19: Namoro controlado (N=28)

Frequências %

Categorias M(15) F(13) M(15) F(13)

Sim 5 3 33 23

Não 10 10 67 77

Quadro 20: Capaz de agredir (N=79)

Frequências %

Categorias M(42) F(37) M(42) F(37)

Sim 2 1 5 3

Não 40 36 95 97

Não responde 0 0 0 0

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 71
Quadro 21: Violência apenas nos casais heterossexuais (N=79)

Frequências %

Categorias M(42) F(37) M(42) F(37)

Sim 5 2 12 5

Não 37 35 88 95

Não responde 0 0 0 0

Quadro 22: Razões para a violência (N=79)

Frequências %

Categorias M(52) F(54) M(52) F(54)

Problemas mentais 17 8 33 15

Vícios 8 12 15 22

Problemas sociais 2 12 4 22

Valores/Mentalidades 17 17 33 32

Nenhuma 8 5 15 9

Quadro 23: associação de apoio à vítima (N=79)

Frequências %

Categorias M(42) F(37) M(42) F(37)

Sim 8 11 19 30

Não 34 26 81 70

Não responde 0 0 0 0

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 72
Quadro 24: nomes de associações (N=19)

Frequências %

Categorias M(8) F(11) M(8) F(11)

Apresenta nome 7 8 88 73

Não apresenta nome 1 3 12 27

Não se lembra 0 0 0 0

Anexo 9

Respostas alunos 12ºano

Escola Secundária Alberto Sampaio

Quadro 25: Definição de Violência Doméstica (N=111)

Frequências %
Categorias
M F M F
(59) (51) (59) (51)
Física e/ou Psicológica na 25 20 42 39
familia

Física e/ou Psicológica no 19 13 32 25


casal

Física e/ou psicológica 0 0 0 0


com os idosos

Outras 8 14 14 28

Sem definição 7 4 12 8

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 73
Quadro 26: Grupo em que cresceu a Violência Doméstica de 2000 a 2009
(N=111)

Frequências %
Categorias M F M F
(59) (51) (59) (51)
Mulheres 37 24 63 47

Homens 9 9 15 18

Idosos 13 18 22 35

Quadro 27: Casos de Violência Doméstica Conhecidos (N=111)

Frequências %
Categorias
M F M F
(59) (51) (59) (51)
Sim 9 14 15 27

Não 50 34 85 67

Não Responde 0 3 0 6

Quadro 28: Quantos casos conhecidos (N=23)

Categorias Frequências %

M F M F
(9) (14) (9) (14)
1 4 11 45 79

2 3 3 33 21

+2 2 0 22 0

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 74
Quadro 29: Violência Doméstica – Crime Público (N=111)

Frequências %

Categorias M(59) F(51) M(59) F(51)

Sim 55 45 93 88

Não 4 3 7 6

Não responde 0 3 0 6

Quadro 30: Namoro (N=111)

Frequências %

Categorias M(59) F(51) M(59) F(51)

Sim 14 23 24 45

Não 44 25 74 49

Não responde 1 3 2 6

Quadro 31: Namoro controlado (N=37)

Frequências %

Categorias M(14) F(23) M(14) F(23)

Sim 3 4 21 17

Não 11 19 79 83

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 75
Quadro 32: Capaz de agredir (N=111)

Frequências %

Categorias M(59) F(51) M(59) F(51)

Sim 3 2 5 4

Não 55 46 93 90

Não responde 1 3 2 6

Quadro 33: Violência apenas nos casais heterossexuais (N=111)

Frequências %

Categorias M(59) F(51) M(59) F(51)

Sim 3 3 5 6

Não 54 46 92 90

Não responde 2 2 3 4

Quadro 34: Razões para a violência (N=111)

Frequências %

Categorias M(96) F(91) M(96) F(91)

Problemas mentais 13 27 14 30

Vícios 21 25 22 27

Problemas sociais 33 12 34 13

Valores/Mentalidades 27 26 28 29

Nenhuma 2 1 2 1

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 76
Quadro 35: associação de apoio à vítima (N=111)

Frequências %

Categorias M(59) F(51) M(59) F(51)

Sim 15 19 25 37

Não 44 30 75 59

Não responde 0 2 0 4

Quadro 36: nomes de associações (N=34)

Frequências %

Categorias M(15) F(19) M(15) F(19)

Apresenta nome 13 17 87 89

Não apresenta nome 2 0 13 0

Não se lembra 0 2 0 11

Anexo 10

Uma possível notícia feita pela Ana Daniela sobre a nossa Conferência

APAV vai à ESAS

O Auditório Álvaro Carneiro (Escola


Secundária Alberto Sampaio) assistiu, na
passada sexta-feira (11 de Março), a uma
sessão de esclarecimento sobre violência
doméstica que contou com a presença da
gestora do Gabinete de Apoio à Vítima (GAV)
de Braga, Teresa Sofia Silva, e organizada por
um grupo de alunos do 12º J, que têm vindo a
desenvolver um projecto intitulado “Do
Coração à Violência Doméstica” no âmbito da
disciplina de Área de Projecto. Teresa Sofia Silva e Grupo de Alunos do 12º J
que tem desenvolvido o projecto “Do Coração à
A responsável do GAV frisou, durante a Violência Doméstica”
palestra, que a maioria das vítimas de violência
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 77
doméstica é do sexo feminino. No entanto, não deixou de referir que os casos de
violência doméstica no sexo masculino, apesar de serem uma pequena percentagem
de todos os casos registados pela associação e, até, autoridades têm vindo a
aumentar. A juntar às vítimas do sexo feminino, a APAV tem assistido a um
aumento substancial de padecentes de violência doméstica nas faixas etárias mais
elevadas, todavia um dos grandes entraves à acção da associação e das autoridades
neste tipo de casos é «a relação existente entre o agressor e o agredido, muitas das
vezes o agressor é o próprio filho ou neto, o que faz com que seja complicado a
vítima denunciar o agressor», explicou Teresa Sofia Silva.

Além de abordar a violência conjugal e a violência contra idosos, a violência


no namoro também teve uma abordagem especial durante a conversa com os alunos
da Escola Secundária Alberto Sampaio. Apesar de se registarem casos de violência
no namoro, estes não são tão vulgares.

Não obstante, muitas das situações de violência doméstica que chegam à


APAV são a continuidade de um namoro recheado de violência. «Há pessoas que nos
contam que já eram vítimas de violência doméstica durante o namoro, mas que
casaram na expectativa da relação melhorar e de deixar de ser violenta. Contudo, as
expectativas saem fracassadas, o agressor não o deixa de ser depois do casamento.»,
afirma Teresa Sofia Silva.

Outra das visões defendidas nesta conferência prendeu-se com a roda-viva


que está associada à violência doméstica «existe um período de tensão que conduz à
agressão, após a agressão o agressor demonstra arrependimento levando a que a
vítima perdoe, segue-se um período de lua-de-mel, em que tudo é às 5 maravilhas,
depois desta acalmia surge novamente um momento de tensão e tudo se repete.
Quando a violência persiste, chega a deixar de existir períodos de lua-de-mel que dão
origem a um pesadelo sem fim, chegando este a durar décadas a fio», confidenciou a
gestora do GAV.

Em jeito de conclusão, Teresa Sofia Silva denotou que «alguém que agride
uma vez continuará a fazê-lo se não sofrer as devidas consequências».

No final da conferência, os alunos presentes salientaram a importância destas


acções de sensibilização como forma de alertar a juventude para uma realidade que
era evitável.

Ana Daniela Pereira

Anexo 11

Cartaz da nossa Conferência sobre a Violência Doméstica

Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira


Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 78
Ana Pereira, Ana Gomes, Cláudia Santos, Jorge Ferreira
Escola Secundária Alberto Sampaio, 12ºJ Página 79