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O Beijo Da Serpente

Entre névoas de sinistros contos


a lua cheia escurece a minha sombra.
Caminhando na noite de humanos sonos

eu e meu vulto flutuamos pelas ruas


nas fronteiras da luz e da escuridão
ouvindo as esquerdas preces suas.

Pela janela aberta do seu quarto de profetisa,


esperando pelo noturno ser maldito,
sinto o seu perfume trazido pela brisa

envolvendo a velocidade do meu sangue


em corredeiras de fogo
que ardem pelo meu corpo, antes tão exangue.

Espere pelo meu toque aterrador…


Te vendo, tão alheia ao desconhecido dormir assim
ante um mundo tão predador,

não consigo entender o clamor do seu ósculo


a um vil eremita da noite
acorrentado a um crepúsculo tão póstumo.

Não esperava tão bela luz


ainda brilhar nos meus cruéis olhos tão sem fim.
Minha pequena, acorde para o beijo que reluz

nas trevas do Pandemônio


Que navega pelo oceano dos seus seios,
entre as suas coxas, sorvendo em matrimônio

a sua mais intensa respiração desamparada.


Quero sentir a embriaguez
da sua pele tão suavemente almiscarada,

clamando loucura e êxtase delirantemente,


enquanto sorvo a sua luz.
Acorde meu bem, para o beijo da serpente.

Eu sou dor e prazer sem fim


E matarei o seu coração
A não ser que você mate a mim.
Clareses