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LEITURA

E PRODUÇÃO
DE TEXTO

1
SOMESB
Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.

Leitura e
Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira
Produção de Vice-Presidente ♦ William Oliveira
Texto Superintendente Administrativo e Samuel Soares
Financeiro ♦ Germano Tabacof
Superintendente de Ensino, Pesquisa e
Extensão ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva

FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância

Diretor Geral ♦ Waldeck Ornelas


Diretor Acadêmico ♦ Roberto Frederico Merhy
Diretor de Tecnologia ♦ Reinaldo de Oliveira Borba
Gerente Acadêmico ♦ Ronaldo Costa
Gerente de Ensino ♦ Jane Freire
Gerente de Suporte Tecnológico ♦ Jean Carlo Nerone
Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Romulo Augusto Merhy
Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Osmane Chaves
Coord. de Produção de Material Didático ♦ João Jacomel

EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO:


♦ PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦
Gerente de Ensino ♦ Jane Freire
Coordenação de Curso ♦ Tatiana Lucena
Autor (a) ♦ Luciana Moreno
Supervisão ♦ Ana Paula Amorim

♦ PRODUÇÃO TÉCNICA ♦
Revisão Final ♦ Carlos Magno.
Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito,
Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior,
Israel Dantas, Lucas do Vale e Marcus Bacelar
Ilustração ♦ Francisco França Júnior

Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource

copyright © FTC EaD


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da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância.
www.ftc.br/ead

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Sumário

LEITURA, ORALIDADE E ESCRITA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07

LEITURA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07

Leitura: Novos Saberes, Novos Sabores ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07

A ESCRITA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15

A Escrita: Importância e Peculiaridade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15


O que dizem (e fazem) os Grandes Autores ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16
Oralidade e escrita: Diferentes mas não Dicotomicas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 18
Níveis de linguagem ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 21
O Texto Escrito ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23
Criando Estilos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 25

TEXTO: TIPOS E GÊNEROS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28

TECENDO PALAVRAS E SENTIDOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28

As Possibilidades Textuais:
Texto Literário e Texto Não-Literário
O Texto e o Texto Não-Verbal ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 30
O Texto e os Fatores de Contextualidade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 34
Coesão e Coerência: A Construção de
Sentidos e seus Mecanismos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35
Intertextualidade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38
Coesão e Coerência ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 41

TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 43

Conto: A poesia Inesperada do Cotidiano ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 47


Crônica: Uma Fotografia do Cotidiano ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 34
Atividade Orientada ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 57
Glossário○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 60
Referências Bibliográficas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 61

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Leitura e
Produção de
Texto

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Apresentação da disciplina

Caro Aluno!

Tenho um convite para fazer a você. Para isso, usarei as palavras do poeta
mineiro Carlos Drummond de Andrade, em “A Procura da Poesia”:

Chega mais perto e contempla as palavras.


Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Bem, o convite está feito. As palavras e os textos estarão por toda parte do
caminho que iremos trilhar. Precisamos olhá-las, contemplá-las, amá-las. Elas são
basilares para a nossa percepção do mundo, para o reconhecimento da história da o
humanidade (que é a nossa própria história), para a valorização e a interação com
outro. É também através dela que nos inserimos como sujeitos ativos, reflexivos e
transformadores na sociedade.
A palavra tem, sim, mil faces: ora nos faz perceber o outro, ora nos faz conhecer
a nós mesmos; ora é arma, ora é bálsamo; ora nos leva a reflexão e descoberta, ora
nos leva ao prazer e ao deleite. Todavia, muitas vezes, nossa relação com a palavra
é tímida, agressiva ou simplesmente limitada e nos impede de tornar cotidiano o
exercício de contemplação. Ou pior, não temos a chave, ou seja, desconhecemos as
múltiplas maneiras de compreendermos as palavras que estão no mundo para serem
lidas, descobertas e saboreadas. Por conseguinte, também não sabemos usar as
nossas próprias palavras, temos dificuldades em produzir os nossos próprios
discursos.

Em suma, a inconsciência da importância da palavra em nossas vidas nos


confina num mundo superficial, sem dores nem delícias, sem conhecimento nem
reconhecimento. A disciplina Leitura e Produção de Texto é mais que um convite a
uma relação amorosa e utilitária (salve-se a contradição) com a palavra. Ela também
é um momento ímpar para acharmos a chave e começarmos a abrir as portas que
nos conduzem aos infinitos reinos da palavra, pois nos subsidia com informações
relevantes para ampliarmos os nossos conhecimentos lingüísticos, nos adentrando-
nos no processo de constante formação como leitores e produtores de texto.
O convite está feito. Permita-me, mais uma vez, trazer Drummond a nossa
conversa: “penetra surdamente no reino” das palavras. E usufrua todos os poderes
que a linguagem proporciona.

Seja bem vindo!

Profa. Luciana Moreno

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Leitura e
Produção de
Texto

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LEITURA, ORALIDADE E ESCRITA

LEITURA

Leitura: Novos Saberes, Novos Sabores

Saber ler sempre foi confundido com a possibilidade de reconhecer e decodificar o


código escrito, todavia fazer isso é meramente decifrar. Ler envolve mais saberes e, como
diria Rolland Barthes, muito mais “sabores”.
Aprendemos alguns modos de ler que já não mais condizem às necessidades do
mundo atual. Desta forma, cada leitor precisa ‘esquecer’ algumas técnicas de ler adotadas
pelas instituições educacionais (que cada vez mais demonstram a sua ineficácia na formação
de sujeitos leitores) e construir seus próprios modos de ler. Contudo, antes deste processo
de construção que se faz e se refaz (mas nunca se esgota), torna-se necessário o
entendimento do que é leitura.
A leitura possui muitos sentidos. Tomar um em detrimento dos outros é uma forma
parcial e superficial de concebê-la. É impossível tomar um conceito sem prejuízo dos outros,
pois estes se complementam. O leitor é o responsável pelo controle deste processo, que
compreende algumas etapas; aí vão elas: a obtenção da informação; o uso consciente ou
inconsciente de estratégias de compreensão leitora; a avaliação da informação obtida e a
produção de um juízo de valor sobre o lido.

Define-se leitura como atribuição de sentido à escrita, ou seja, quando


lemos, estamos não só fazendo a versão oral do escrito, mas,
sobretudo, construindo sentido a partir do escrito,
questionando-o e explorando o que está nele e além dele.
O ato de ler é um processo não linear, pois o significado do
texto não está na soma das sucessivas palavras que o
compõem, por isso, o uso do dicionário para decifrar todas
as palavras desconhecidas é muitas vezes irrelevante. Até
porque, sem precisar consultá-lo, o leitor está sempre
inferindo, criando hipóteses...adivinhando sentidos.

Então
Então,, onde estará o sentido?

Ousar e brincar, produzindo sucessivas adivinhações é uma ótima maneira de obter


o acerto. O leitor, a todo momento, antecipa índices, a partir do que já conhece e faz
associações com aquilo que desconhece, atribuindo os significados possíveis ao ‘ex-ótico’,
isto é, achando significação para tudo que até o momento encontrava-se fora (ex) do seu
campo de visão (ótico). Ler é tratar com os olhos a linguagem feita para os olhos, afirma
Foucambert (1994), ou seja, a leitura da linguagem escrita exige o uso constante da memória
visual.
Neste emaranhado de definições, ou melhor, nesta trama (termo mais propício quando
se trata de texto), confunde-se a oralização e a leitura em voz alta com leitura propriamente

7
dita. A primeira refere-se ao reconhecimento dos símbolos do código escrito
e posterior construção dele, oralmente, a segunda é “a opção de traduzir
oralmente o que já foi compreendido na leitura”(Foucambert, 1994).
Leitura e
Produção de
Finalmente, a leitura é atribuição de sentido ao texto escrito,
Texto usando as informações visuais e as informações prévias do leitor;
envolve um leitor ativo que processa e examina o texto, guiado por um
objetivo. Vale ressaltar que a interpretação do texto variará de acordo
com o objetivo do leitor. O sentido do texto não é uma tradução do
leitor ao sentido que o autor quis dar a ele, portanto torna-se descabida
a pergunta: ‘o que o autor quis dizer?’, tão recorrente nos exercícios
escolares de interpretação, pois a aventura da construção do sentido
do texto desenvolvido pelo leitor envolve o texto per si, os conhecimentos
prévios do leitor e seus objetivos.

‘Esse negócio de criança ler por conta própria é muito recente na história do mundo,
afirma Ziraldo (2001).Sabemos que a formação do leitor de forma voluntária é um fenômeno
recente em nossa sociedade, as crianças se tornam leitoras devido ao estímulo dos pais,
professores, curiosidade ou vocação. Desta forma, se nós professores não formos leitores
vorazes como podemos estimular a criança a buscar o prazer através da leitura?

O que dizem os teóricos?

Para Negamine (2001),


o ato de ler é um processo abrangente e complexo; é um processo de compreensão,
de intelecção de mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem: a
sua capacidade simbólica e de interação com o outro pela mediação da palavra.

Para Paulo Freire (1981),


o ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem
escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede
a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade
da leitura daquele.

Para Marisa Lajolo (2001),


Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se ler livros
geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na
chamada escola da vida...

Para Isabel Sole (1998),


a leitura é um processo de interação entre o leitor e o texto; neste processo tenta-se
satisfazer [obter uma informação pertinente para] os objetivos que guiam sua leitura.

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Para refletir...
Doze maneiras simples de tornar difícil a aprendizagem
da leitura:
1. Estabeleça como meta o domínio precoce das regras de leitura;

2. Cuide bem para que a fonética seja aprendida e utilizada;

3. Ensine as letras ou as palavras, uma a uma, certificando-se de que cada letra ou palavra
foi assimilada antes de passar para a seguinte;

4. Defina como objetivo principal uma leitura palavra por palavra perfeita;

5. Não deixe as crianças adivinharem; pelo contrário, exija que elas leiam com atenção;

6. Procure evitar de todas as maneiras que as crianças errem;

7. Dê um feed-back imediato;

8. Detecte e corrija os movimentos incorretos dos olhos;

9. Identifique os eventuais disléxicos e trate-os mais cedo possível;

10. Esforce-se para que as crianças aprendam a importância da leitura e a gravidade


do fracasso;

11. Aproveite as aulas de leitura para melhorar a ortografia e a expressão escrita; insista
também em que os alunos falem a melhor língua possível;

12. Se o método utilizado não lhe satisfizer, tente outro. Esteja sempre alerta para achar
material novo e técnicas novas.

(Artigo publicado em L’Education, 22 de maio de 1980. In: FOUCAMBERT, Jean. A leitura em


questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994).

Esse texto dirige-se ao professor; todavia, bem que poderia se referir à forma com
que nós aprendemos a ler na escola. Faça uma breve ‘viagem’ pela sua história de leitura,
respondendo o questionário abaixo e tentando relacioná-lo com o texto Doze maneiras
simples de tornar difícil a aprendizagem da leitura. Depois, socialize com seus colegas e
professor as diversas respostas e construam a definição de vocês para a leitura.

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O que é ler para você??

Em sua casa havia livros, revistas e jornais?


______________________________________________________________________
Leitura e
Havia alguém em sua casa que o (a) estimulava a ler? Quem era essa
Produção de pessoa? Antes de entrar na escola, já tinha familiaridade com o mundo da
Texto leitura?
______________________________________________________________________
Você considera que suas experiências de leitura foram enriquecidas e estimuladas pela
escola? Fale sobre isso.
______________________________________________________________________
Como eram as atividades de leitura desenvolvidas pela escola?
_______________________________________________________________
Quais os livros lidos por você durante seu período escolar?
____________________________________________________________
Havia biblioteca na sua escola? Ela era freqüentada por você? Quais das ações
desenvolvidas pelo professor aconteciam no espaço biblioteca?
______________________________________________________________________
Você participa de atividades culturais, tais como teatro, cinema, concertos, festivais
de música, de dança, exposições? Quais e com que freqüência?
______________________________________________________________________
Você costuma comprar jornais, revistas, livros?
_______________________________________________________________________
Você tem o hábito de tomar livros emprestados? De quem?
______________________________________________________________________
Você costuma compartilhar suas leituras com alguém? Exatamente com quem?
______________________________________________________________________
Você costuma freqüentar bibliotecas? Qual (is) e com que freqüência?
______________________________________________________________________
O que é um clássico para você? Você já leu algum? Qual/quais?
______________________________________________________________________
Nesse momento, você está lendo o quê?
_______________________________________________________________________
Qual o livro que você indicaria para :

Seus amigos:___________________________________________________________
Seus professores:_______________________________________________________
Seus pais:_____________________________________________________________
Seus alunos:_____________________________________________________________
Seus filhos:_____________________________________________________________
Seu (sua) companheiro (a):_________________________________________________
Um estrangeiro:_________________________________________________________

Saiba mais...
O leitor traça planos, estratégias para obter, avaliar e utilizar
informação e, assim, construir significados, compreender o texto
lido. As estratégias de leitura se constroem e se modificam, pois
o leitor desenvolve seus modos de ler através da leitura. Nós

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utilizamos as estratégias abaixo ao mesmo tempo e, muitas
vezes, inconscientemente.
São quatro as estratégias de leitura.

a)Seleção: o leitor elege os índices mais relevantes e úteis


para não ficar sobrecarregado de informações desnecessárias;
b)Antecipação: capacidade de antecipar o texto com base
nas pistas do mesmo;o leitor prevê o que ainda não apareceu a
partir de índices como gênero do texto, autor, título, contexto
de produção. Por exemplo, o leitor, ao deparar-se com um texto
de Esopo, certamente antecipará que se trata de uma fábula,
há animais como personagens e uma moral ao término da
história.
c)Inferência: percepção do que não está dito no texto de
forma explícita, ou seja, deduções que podem ser confirmadas
ou não no decorrer do texto. O leitor tenta adivinhar as
informações das ‘entrelinhas’.Tais predições não são casuais;
elas se baseiam nas pistas dadas pelo próprio texto, pelo
conhecimento conceitual e lingüístico do leitor.
d)Verificação: o leitor é o responsável pelo controle de
sua própria leitura; é ele que pode confirmar se foi capaz de
compreender o texto, de construir sentido a partir dele, por
isso faz a análise da compreensão, permitindo confirmar ou
rejeitar as deduções realizadas durante a estratégia de
inferência, por exemplo.

Brincar de Ler...
No texto abaixo, diversas palavras foram
subtraídas. Faça a leitura do texto vazado e recoloque
os vocabulos que você acha que foram retirados.
Existem várias possibilidades de colocação de palavra.
Só não é permitido alterar o sentido do texto!

As * pulgas

Muitas * caíram e caem na armadilha das * drásticas de coisas que não precisam
de alteração, apenas de * . O que lembra a história de * pulgas.
Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos *. Daí nossa * de
sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é *. É por isso que existem muito
mais moscas do que *.
E elas contrataram uma * como consultora, entraram num programa de reengenharia
de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

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- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao *
do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da
* dele. Temos de aprender a fazer como as * , que sugam o néctar e levantam
vôo rapidamente.
Leitura e
E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes
Produção de ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A
Texto primeira pulga explicou o porquê:
- Nossa bolsa para armazenar * é pequena, por isso temos de ficar
muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos * direito. Temos
de aprender como os * fazem para se alimentar com aquela rapidez.
E um pernilongo lhes prestou uma * para incrementar o tamanho do abdômen.
Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado *, a aproximação delas era
facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi
aí que encontraram uma saltitante *:
- Ué, vocês estão *! Fizeram plástica?
- Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do **. Voamos,
picamos e podemos armazenar mais alimentos.
- E por que estão com cara de *?
- Isto é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um *, que vai nos ensinar
a técnica de radar. E você?
- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.
Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não
quiseram dar a pata a torcer.
- Mas você não está preocupada com o *? Não pensou em reengenharia?
- Quem disse que não? Contratei uma * como consultora.
- O que as lesmas têm a ver com pulgas?
- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a
lesma o que eu queria, deixei que ela * a situação e me sugerisse a melhor *. E ela
passou três dia ali, quietinha, só observando o * e então ela me deu *.
- E o que a lesma sugeriu fazer?
- “Não mude nada. Apenas sente no * do cachorro. É o único lugar que a * dele não
alcança”.

MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente.
Muitas vezes a grande * é uma simples questão de *.

Texto atribuído a Max Gehringer

Antes de ler o texto abaixo, tente descobrir, através das dicas fornecidas, o tema a
ser abordado no texto. Anote as
deduções e hipóteses construídas por você. A cada informação nova, você rejeitará
algumas ‘adivinhações’ e confirmará outras.

DICA A: é um texto extraído do livro ‘Companheira de Viagem’.


DICA B: o título do texto é ‘A Última Crônica’.
DICA C: o gênero do texto é crônica.
DICA D: o texto fala sobre a inquietação que o processo de escrita provoca no escritor.
DICA E: no texto aparecem três personagens compondo uma família.
DICA F: o autor do texto é Fernando Sabino.

Leia o texto com atenção e veja se suas predições e inferências foram acertadas.

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A Última Crônica
Fernando Sabino

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao
balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais
um ano esta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia
apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da
convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de
uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção
do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o
verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não
sou poeta e estou sem assunto. Lanço, então, um último olhar fora de mim, onde vivem
os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se numa das últimas
mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. À compostura da humildade, na
contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de
seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também
à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade
ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da
família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a
fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou
do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um
pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa,
como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem
e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-
se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do
freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho
- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho
que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai,
mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de
plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos,
e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na
fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas.
Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com
força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada,
cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns
pra você...” Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra
finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando
para ela com ternura, ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente
do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram,
ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando
o olhar e, enfim, se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

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SABINO, Fernando. A Última Crônica. In: ______. A companheira de
viagem.
Rio de Janeiro: Do Autor, 1965. p. 174.
Leitura e
Produção de
Texto
Indicações de leitura...
Depois de tantas informações sobre leitura, um bom caminho para
verificar se tudo o que foi dito e discutido pode ser ‘saboreado’ é passar
para a prática. Que tal ter acesso, através da leitura, a uma palestra sobre
o a importância do ato de ler no Congresso Brasileiro de Leitura (evento
que até hoje acontece a cada biênio na UNICAMP), ministrada nada mais
nada menos por Paulo Freire, nosso ‘educador universal’?

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39.ed.
– São Paulo, Cortez, 2000.

A arte, dentre elas, a literatura, acessível a tão poucos pode mudar a forma das
pessoas lerem o mundo.

Ficha Técnica:
Elenco Principal: José Dumont, Rodrigo Santoro, Rita Assemany e Ravi Ramos Lacerda
Direção: Walter Salles
Produção: Arthur Cohn
Brasil - Suíça - França 2001 1h39m Dolby SR/DTS e SRD
Uma co-produção VideoFilmes, Haut et Court, Bac Films e Dan Valley Film AG.
Abril Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail
Kadaré.
Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa
manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da
família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão
mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse
da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará
partida em dois : os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que
lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro
da família rival, como dita o código de vingança da região.
Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão
menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e
da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante
cruzam o seu caminho...

[ £ ]
Para saber mais acesse:

www.abrildespedacado.com.br/

14
A ESCRITA

A Escrita: : Importância e Peculiaridades

Duas concepções devem estar claras na


cabeça de quem almeja ampliar os conhecimentos
lingüísticos: a) a linguagem se aprende pelo uso; b)
existem vários usos de linguagem. O
aperfeiçoamento dos usos de linguagem provoca
o aperfeiçoamento do indivíduo, todavia, este ato
de aprimorar-se lingüisticamente não se refere
ao mero (e limitado) conhecimento da língua
padrão nem apenas ao conhecimento satisfatório
da linguagem oral, pois estas são algumas das
múltiplas possibilidades de uso da língua. É
também de enorme importância o conhecimento e domínio da modalidade
escrita da língua.
Escrever não é possível somente para os grandes autores; ‘é uma atividade social
indispensável (Câmara Jr. 1972) para qualquer pessoa. Alguns concebem que a escrita é
inerente a uns enquanto não é a outros, pois aqueles têm facilidades em redigir um texto.
Não é isto que ocorre de fato. Na verdade, apenas alguns se tornam grandes romancistas
ou escritores reconhecidos. Todavia, todos podem se comunicar de forma coerente e eficaz,
usando a escrita. Inicialmente, é preciso saber que não há modelo único para a redação,
não há sequer estrutura rígida. ‘Há apenas uma falta de preparação inicial que a prática e o
esforço vencem’ (Câmara Jr. 1972).
A fala é a primeira forma de expressão lingüística, todavia, a necessidade de fixá-la,
de levá-la para outros contextos, fomentou a busca pela possibilidade de uma representação
da mesma. Daí nasce a modalidade escrita da língua. A técnica da escrita consiste
simplesmente em usar sinais gráficos (que aprendemos por mera convenção por serem
tais sinais arbitrários) para simbolizar os signos da língua falada. Entretanto, diante das
múltiplas possibilidades oferecidas pela fala e pela inviabilidade de construir um sinal gráfico
para cada signo, a escrita é apenas uma tentativa de representação da fala, por ser um
suporte utilizado como recurso para não sobrecarregar a memória.
A comunicação oral é limitada quanto às distâncias e à fixação (mesmo que temporária
da mensagem), enquanto a comunicação escrita multiplica a mensagem, pois muitos podem
lê-la ao mesmo tempo e não precisam estar próximos ao emissor. Em contrapartida, a
escrita é uma técnica simples e barata, amplia os horizontes, aumenta as possibilidades de
comunicação, fixa a mensagem, aumenta a possibilidade de envio da mensagem em relação
a distância e número de receptores, exige do homem aprendizado, pois não é espontânea
nem natural como a fala, conferindo certo grau de poder a quem sabe utilizá-la.
Desta forma, como diz Gnerre (1987), devemos ‘ser poliglotas de uma mesma língua’.
Essa aparente contradição nos diz uma verdade incomensurável. Não nos bastar saber
apenas uma modalidade da língua ou somente a norma culta. Como existem diversos
contextos sociais, e para cada contexto exige-se um uso de linguagem, se quisermos transitar
em tais universos devemos também usar de forma competente a modalidade falada e escrita

15
da língua. Mais do que isso, devemos saber usar a linguagem adequada tanto
ao contexto sócio-comunicativo acadêmico, quanto ao bar, ao funeral, à festa
de carnaval.
Leitura e
Produção de
Texto

O que dizem (e fazem) os Grandes Autores

“Quando escrevo para mim mesmo, costumo ficar corrigindo dias


e dias”.
Paulo Mendes Campos

“Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de


corrigir e reescrever várias vezes”.
Fernando Sabino

Agora, leia os textos dos autores acima citados e veja se valeu a pena o esforço!

16
17
Oralidade e Escrita: Diferentes,
mas não Dicotomicas

Leitura e
Produção de Falamos uma língua e escrevemos outra, pois apesar da escrita ser
posterior a fala e uma tentativa de representação da mesma, ela é mais
Texto
conservadora. Pode-se afirmar que fala e escrita são diferentes, cada uma
possui as suas peculiaridades. Isto não quer dizer, entretanto, que tais
modalidades da língua se oponham. Pelo contrário, elas se complementam.

18
A língua não é uma uniformidade; ela é uma unidade composta pela diversidade, isto
é, pela variedade lingüística. Tais variedades podem ser de três tipos:

a) diatópicas; b) diafásicas; c) diastráticas1.

Dentre este corpus, temos a norma culta, também chamada de língua padrão. É
considerada geralmente como a única variedade correta da língua e associada tipicamente
aos conteúdos de prestígio. Segundo Maurizio Gnerre (1987), “uma variedade vale o que
valem na sociedade seus falantes”. Leia-se, as variedades que correspondem à língua não-
padrão são usadas por pessoas de baixa renda, de pouca ou nenhuma escolarização, de
meios rurais, de regiões distantes dos grandes centros econômicos.
Desta forma, tais variedades tendem a ser sempre consideradas inferiores a uma
outra de maior prestígio, ou pior, é muito comum serem consideradas erradas. Entretanto, a
noção de erro está atrelada sempre a uma impossibilidade quanto ao uso de determinada
coisa. Se a língua não-padrão é usada por tanta gente e comunica com coerência e eficiência
aos grupos que a utilizam e aos demais grupos, a noção de erro torna-se inadequada quando
a ela se refere.
O termo língua é comumente associado à escrita, todavia um não é sinônimo do
outro. Tal confusão é fruto das informações equivocadas passadas pela tradição escolar.
Por conseguinte, como no Brasil acesso à escola relaciona-se a poder econômico e político,
confere-se à escrita uma autoridade superior àquela que ela realmente tem. Historicamente,
a língua padrão é a língua dos vencedores, dos que mandam, sendo a escrita um registro
da fala.
Sendo assim, a elite escolhe conscientemente a língua merecedora de registro, que
é a norma culta, como paradigma para as demais. Por isso que ela é chamada de lingua
padrão. Diz-se que tal modelo é central na identidade nacional, enquanto portadora de uma
tradição e de uma cultura. Todavia, não será essa uma visão preconceituosa e
discriminatória, já que pressupõe que todo aquele que não usa a língua padrão não é
historicamente portador de tradição e cultura?
Nossa cultura é de caráter grafocêntrica, pois a nossa sociedade, em detrimento da
oralidade, supervaloriza o uso da escrita e aqueles que já se apropriaram deste conhecimento.
Entretanto, vale ressaltar que na maior parte dos povos modernos, somente uma parcela
(às vezes, mínima) da sociedade tem na escrita um elemento essencial da vida. Além disso,
há muitos povos que sequer utilizam tal modalidade da língua. Outro fator curioso é que até
mesmo as pessoas escolarizadas usam menos a escrita do que a oralidade em seu cotidiano.
Nos dois textos abaixo, perceba a diferença entre um texto oral e um texto escrito.

1
1º) diferenças no espaço geográfico, ou VARIAÇÕES DIATÓPICAS (falares locais, variantes regionais e,
até, intercontinentais).
2º) diferenças entre camadas socioculturais, ou VARIAÇÕES DIASTRÁTICAS (nível culto, língua padrão,
nível popular, etc.);
3º) diferenças entre os tipos de modalidade expressiva, ou VARIAÇÕES DIAFÁSICAS (língua falada, língua
escrita, língua literária, linguagens especiais, linguagem dos homens, linguagem das mulheres, etc.).
CUNHA, Celso; CINTA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporânea. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1999.

19
TEXTO 1 – Oral

Projeto NURC - Rio de Janeiro


Inquérito 261 - Bobina 85 - Duração 45 minutos
Leitura e
Data do registro: 22/11/74
Produção de Tema: Instituições: ensino e igreja.
Texto Dados do informante: sexo masculino, 29 anos, carioca, pais cariocas.
Área residencial: zona suburbana.
Formação universitária: Direito.

Entende? hoje eu vejo... depois de (que) M.L.... quando eu tive M.L. e vejo agora
M.L. estudando... preparando a... o material da escola... eu lamento não ter nascido nessa
época... acho muito mais interessante o estudo... a coisa é... é muito... muito mais
espontaneidade... a gente tinha Medo da professora... hoje a professora é uma amiga...
chama de você... de titia... não é? a gente tinha medo da professora... até aconteceu um
caso... um caso muito engraçado comigo... dia primeiro de de abril... eu era... primeiro de
abril... aí... dia dos tolos... né? eu estava com a minha prima... que é da minha idade...
então eu tive aquela idéia... né... eu era muito tímida mas tinha as minhas idéias...
naturalmente ( ) dona Vera Viana... dona Vera ( ) Viana... uma grande professora... diz
assim... dona Vera... seu vestido está rasgado... eu disse pra minha prima... quando ela
olhar... você diz... caiu... primeiro de abril...(risos)... ela fez... né... aí a dona Vera disse
assim ... você vê... primeiro de abril é um dia ... era na hora do recreio... ela já... mais que
depressa... foi T. que mandou... (risos) então nós passamos a... o tempo todo da aula
chorando, porque tínhamos ficado de castigo... né?

TEXTO 2 – Escrito

Recado ao senhor 903


Rubem Braga

Vizinho –
Quem fala aqui é o homem do1003. Recebi, outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu
apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua
veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso e lhe dou
inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria
ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e
é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é
impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o
senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005; a Oeste pelo 1001; ao Sul pelo
Oceano Atlântico; ao Norte pelo1004; ao alto pelo 1103 e, embaixo, pelo 903 – que é o
senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano
Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas
nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo, sinceramente,
adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul.
Prometo. Quem vier a minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar
às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7, pois às 8:15 deve deixar o 783
para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.

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Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando
um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de
seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um
homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três da manhã e ouvi música
em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e
bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é
curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas
do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio
da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Para Gostar de ler. São Paulo: Ática, 1979, p. 74-75.

Níveis de Linguagem
“Entendem-se por ‘variação lingüística” pelo menos três fenômenos distintos (1) o
fato de que em uma sociedade complexa como a brasileira convivem variedades lingüísticas
diferentes, utilizadas por grupos sociais que são expostos em graus diferentes à educação
formal; (2) o fato de que pessoas de um mesmo grupo lingüístico usam, para expressar-se,
palavras, expressões diferentes de acordo com o caráter mais ou menos informal da situação
da fala; (3) o fato de que, o Português do Brasil, como toda língua de cultura, inclui falares
que são usados por alguns grupos específicos: os jovens, os malandros, os drogados, os
economistas etc. Além de todos esses tipos de variação, o Português do Brasil foi marcado,
ainda, pela variação histórica e pela variação regional”.
ILARI, Rodolfo. Introdução ao estudo do léxico: brincando com palavras. São Paulo:
Contexto, 2002.
As variações de registro podem ser de três tipos diferentes: grau de formalismo,
modo e sintonia.
O grau de formalismo refere-se ao maior ou menor cuidado do emissor no uso dos
recursos lingüísticos. O modo relaciona-se às possibilidades faladas ou escritas do uso da
língua. A sintonia é a adequação do texto que o emissor constrói a partir do conhecimento
que tem sobre o receptor ( seu status, as informações prévias, a cortesia, a variedade
lingüística que emprega).
No quadro abaixo, pode-se perceber as possibilidades de produção textual de
acordo com o modo e o grau de formalismo.

21
Leia os textos abaixo e veja como a diversidade é a maior riqueza de uma
língua.

Leitura e
Produção de
Texto

22
O Texto Escrito

A luta que os alunos enfrentam com relação à produção de textos escritos é muito
especial. Em geral, eles não apresentam dificuldades em se expressar através da fala
coloquial. Os problemas começam a surgir quando esse aluno tem necessidade de se
expressar formalmente, e se agravam no momento de produzir um texto escrito. Nesta última
situação, ele deve ter claro que há marcantes entre falar e escrever.
Na linguagem oral, o falante tem claro com quem fala e em que contexto. O
conhecimento da situação facilita a produção oral. Nela, o interlocutor, presente fisicamente,
é ativo, tendo possibilidade de intervir, de pedir esclarecimentos, ou até de mudar o curso
da conversação. O falante pode ainda recorrer a recursos que não são propriamente
lingüísticos, como gestos ou expressões faciais. Na linguagem escrita, a falta desses
elementos extratextuais precisa ser suprimida pelo texto, que se deve organizar de forma a
garantir a sua inteligibilidade.
Escrever não é apenas traduzir a fala em sinais gráficos. O fato de um texto escrito
não ser satisfatório não significa que seu produtor tenha dificuldades quanto ao manejo da
linguagens cotidiana, e sim que ele não domina os recursos específicos da modalidade
escrita.
A escrita tem normas próprias, tais como regras de ortografia - que, evidentemente,
não é marcada na fala - , de pontuação, de concordância, de uso de tempos verbais.
Entretanto, a simples utilização de tais regras e de outros recursos da norma culta não
garante o sucesso de um texto escrito. Não basta, também, saber que escrever é diferente
de falar. É necessário preocupar-se com a constituição de um discurso, entendido aqui
como um ato de linguagem que representa uma interação entre o produtor do texto e o seu
receptor; além disso, é preciso ter em mente a figura do interlocutor e a finalidade para a
qual o texto foi produzido.
Para que esse discurso seja bem-sucedido deve constituir um todo significativo e
não fragmentos isolados justapostos. No interior de um texto devem existir elementos que
estabeleçam uma ligação entre as partes, isto é, elos significativos que confiram coesão ao
discurso. Considera-se coeso o texto em que as partes referem-se mutuamente, só fazendo
sentido quando consideradas em relação umas com as outras.

Durigan, Regina H. de Almeida et alli. A dissertação no vestibular.In: A magia da mudança – vestibular


Unicamp:Língua e literatura. Campinas, Unicamp, 1987.p.13-4.

Estudo de Texto
1. O Primeiro parágrafo nos fala da capacidade de expressão
dos alunos. Qual o contraste apontado?

2. Quais as diferenças entre o falar e o escrever levantados


no segundo parágrafo?

3. Um texto escrito mal formulado não representa


necessariamente falta de domínio da linguagem cotidiana.
Justifique essa afirmação com base no terceiro parágrafo.

23
4. No seu trabalho de produtor de textos, você tem
levado em conta a figura do receptor e a finalidade a que se
propõe seu texto? Qual a importância desses elementos para
a confecção do seu trabalho?
Leitura e
Produção de 5. Releia atentamente o último parágrafo e responda:
Texto a) O que um texto não deve ser?
b) O que é um texto coeso?

6. Você, ao escrever, fiscaliza seu trabalho, procurando


construir textos coesos? Como?

RED AÇÃO CRIA


REDAÇÃO TIV
CRIATIV
TIVAA

Leia (e se puder também ouça) a música abaixo de Chico Buarque, Bom Conselho:

Ouça um bom conselho


Que eu lhe dou de graça.

Inútil dormir
que a dor não passa.
Espere sentado
Ou você se cansa.

Está provado,
quem espera nunca alcança.
Venha, meu amigo,
Deixe esse regaço.

Brinque com meu fogo


Venha se queimar.
Faça como eu digo
Faça como eu faço.

Aja duas vezes,


antes de pensar.
Corro atrás do tempo,
Vim de não sei onde.

Devagar é que não se vai longe


Eu semeio o vento,
Na minha cidade.
Vou pra rua e bebo a tempestade!

Tente reconhecer a versão original dos provérbios usados por Chico como intertexto
na música.

24
De acordo com o que fez Chico Buarque, recrie os provérbios a fim de que o sentido
veiculado seja contrário ao que diz o provérbio.

a) Quem ama o feio, bonito lhe parece.


b) Dia de muito, véspera de pouco.
c) Quem dá aos pobres, empresta a Deus.
d) Quem não vive para servir, não serve para viver.
e) Deus dá nozes a quem não tem dente.
f) Deus dá o frio conforme o cobertor.
g) É melhor um passarinho na mão do que dois voando.
h) Nada melhor do que um dia após o outro.
i) Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
j) Casa de ferreiro, espeto de pau.
k) Pirão pouco, o meu primeiro.
l) Pense duas vezes antes de agir.
m) Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
n) Rapadura é doce, mas não é mole.
o) Se casamento fosse bom não precisaria de testemunha.
p) Quando casar, a dor passa.
q) Quem espera sempre alcança.
r) Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça.
s) Deus não dá asa a cobra.

Criando Estilos

Leia o texto abaixo:

OS DIFERENTES ESTILOS

... Narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca,
a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada
pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais
de morte violenta.
ESTILO INTERJETIVO – Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno
bairro de Ipanema! Coitado! Um homem desconhecido! Menos de quarenta anos! Um que
morreu quando a cidade acordava! Que pena!
ESTILO COLORIDO – Na hora cor de rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa
Rodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou um cadáver de um homem branco,
cabelos louros, olhos azuis, trajando uma calça amarela, casaco pardo, sapato marrom,
gravata branca com bolinhas azuis. Para este, o destino foi negro.
ESTILO ANTIMUNICIPALISTA – Quando mais um dia de sofrimento e desmandos
nasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas, esburacadas e fétidas
da Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores falta água há vários meses, sem falar
nas freqüentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção ( já permitiram,
por debaixo do pano, a ignominiosa elevação de gabarito em Ipanema ) encontrou o cadáver
de um desgraçado morador dessa cidade sem policiamento. Como não podia deixar de

25
ser, o corpo ficou ali entregue às moscas que pulam naquele perigoso foco de
epidemias. Até quando?
ESTILO REACIONÁRIO – Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas
tiveram na manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver
Leitura e
de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) dos bairros
Produção de mais elegantes desta cidade, como se já não bastasse para enfeiar aquele
Texto local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que
nos visitam ou que nos dão a honra de residir no Rio.
ESTILO ENTÃO – Então, um vigia de uma construção em Ipanema, não tendo sono,
saiu, então, para um passeio de madrugada. Encontrou, então, o cadáver de um homem.
Resolveu, então, procurar um guarda. Então, o guarda veio e tomou, então, as providências
necessárias. Aí, então, eu resolvi te contar isso.
ESTILO ÁULICO – À sobremesa, alguém falou ao Presidente que na manhã de hoje
o cadáver de um homem havia sido encontrado na Lagoa Rodrigo de Freitas. O presidente
exigiu imediatamente que um dos seus auxiliares telegrafasse em seu nome à família
enlutada. Como lhe informassem que a vítima ainda não fora identificada, Sua Excelência,
com o seu estimulante bom humor, alegrou os presentes com uma das suas apreciadas
blagues.
ESTILO COMPLEXO DE ÉDIPO – Onde andará a mãezinha do homem encontrado
morto na Lagoa Rodrigo de Freitas? Ela que amamentou, ela que o embalou em seus
braços carinhosos?
ESTILO PRECIOSISTA – No crepúsculo matutino de hoje, quando fugia solitária e
longínqua a Estrela D’alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela
orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a lúrida visão de um ignoto
e gélido ser humano, já eternamente sem o austro que o vivifica.
ESTILO NELSON RODRIGUES – Usava gravata de bolinhas azuis e morreu!
ESTILO SEM JEITO – Eu queria ter o dom da palavra, o gênio de um Ruy ou o estro
de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever,
porque nem todas as pessoas que têm sentimento são capazes de expressar esse
sentimento. Mas eu gostaria de deixar ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti.
Não sei se cabe a palavra sensibilidade. Talvez não caiba.Talvez seja tragédia. Não sei
escrever, mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste. Ah,
se eu soubesse escrever.
ESTILO FEMININO – Imagine você, Tutsi, que ontem que eu fui ao Sacha’s,
legalíssimo, e dormir tarde. Com o Toni. Pois logo hoje, minha filha, que eu estava exausta e
tinha hora marcada no cabeleireiro e estava querendo dar uma passada na costureira, acho
mesmo que vou fazer aquele plissadinho, como o da Teresa, o Roberto resolveu me telefonar
quando eu estava no melhor do sono. Mas o que era mesmo que eu queria te contar? Ah,
menina, quando eu olhei da janela vi uma coisa horrível, um homem morto lá na beira da
Lagoa. Estou tão nervosa! Logo eu que tenho horror de gente morta!
ESTILO DIDÁTICO – Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto
à margem da Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial: o homem
em sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Polícia em
homem: fenômeno; alma a Deus: epifenômeno. Muito simples como os senhores vêem.

CAMPOS, Paulo Mendes. Para gostar de ler, vol IV. São Paulo: Ed àtica, 1979.

A notícia é uma só: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado


de madrugada pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não

26
existindo sinais de morte violenta. As variedades lingüísticas e de registro é que variam.
Utilize a mesma notícia dada em vários estilos e a reescreva conforme os estilos abaixo:
a) Seu próprio estilo;
b) Estilo patricinha;
c) Estilo Luís Inácio Lula da Silva;
d) Estilo rapper;
e) Estilo adolescente vidrado em internet;
f) Estilo Gilberto Gil;

Indicações de leitura...
Preconceito Lingüístico

“Diz-se que o “brasileiro não sabe Português” e que


“Português é muito difícil”; estes são alguns dos mitos que compõem
um preconceito muito presente na cultura brasileira: o lingüístico.
Tudo por causa da confusão que se faz entre língua e
gramática normativa ( que não é a língua, mas só uma
descrição parcial dela). Separe uma coisa da outra com
este livro, que é um achado”.
Revista Nova Escola, maio de 1999.

O livro a que a revista Nova Escola se refere é


Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz, Marcos
Bagno. Uma boa leitura para fazer uma auto-análise de
quantos preconceitos lingüísticos nós possuímos por mero
desconhecimento do que realmente é a língua.

Narradores de Javé

Ficha Técnica
Ano de Lançamento (Brasil): 2003
Direção: Eliane Caffé
Roteiro: Luiz Alberto de Abreu e Eliane Caffé
Elenco
José Dumont (Antônio Biá)
Matheus Nachtergaele
Gero Camilo

Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos


habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com o
anúncio de que a cidade pode desaparecer sob as águas de uma enorme usina
hidrelétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adota uma
ousada estratégia: decide preparar um documento contando todos os grandes
acontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar da
destruição. Como a maioria dos moradores é analfabeta, a primeira tarefa é
encontrar alguém que possa escrever as histórias

27
TEXTOS: TIPOS E GÊNEROS
Leitura e
Produção de
Texto
TECENDO PALAVRAS E SENTIDOS

“A palavra texto provém do latim textum,


que significa “tecido, entrelaçamento”. Há,
portanto, uma razão etimológica para nunca
esquecermos que o texto resulta da ação de
tecer, de entrelaçar unidades e partes a fim
de formarmos um todo inter-relacionado.
Daí podermos falar em textura ou
tessitura de um texto: é a rede de
relações que garantem sua coesão, sua
unidade”.
Segundo Fiorin (2003), “não é
amontoando os ingredientes que se prepara
uma receita; assim também não é superpondo frases que se constrói um texto”.Utilizando
ainda a origem etimológica do termo, percebemos que um fio nem milhares deles compõem
um tecido. Para existir tecido é preciso que os fios, mesmo os mais diferentes entre si,
formem uma unidade, uma teia. Assim, também é com o bolo, pois colocar leite, ovos,
manteiga, açúcar e farinha de trigo num recipiente não resulta em bolo. Para que estes
ingredientes se transformem em bolo, é preciso que passem por vários processos, ou seja,
acontece uma metamorfose daqueles ingredientes que compunham meras individualidades
e agora passam a ser uma unidade composta pela diversidade. Num texto , as partes não
possuem significados independentes, mas cada sentido se relaciona com o outro a fim de
construir um sentido global. Entretanto, este não é dado pela soma das partes, mas sim por
uma combinação geradora de sentidos.
Todo texto possui algumas propriedades,O texto possui algumas pou seja, algumas
especificidades básicas que o tornam texto. São elas: a coerência de sentido, a delimitação
por dois brancos e o fato de ser produzido por um determinado sujeito num certo espaço e
tempo.
Possuir coerência de sentido significa que os símbolos constituintes do texto não
estão jogados no papel. Eles se inter-relacionam. Por isso, é perigoso ler as partes do
texto, juntá-las e conferir a elas um sentido global, pois o contexto em que se insere é
determinante para a compreensão do sentido. O contexto, declara Fiorin (2003), “é a unidade
maior em que uma unidade menor está inserida. Assim a frase (unidade maior) serve de
contexto para a palavra; o texto, para a frase etc”.
“Poder-se-ia, assim, conceituar o TEXTO como uma manifestação verbal, constituída
de elementos lingüísticos selecionados e ordenados pelos co-enunciadores, durante a
atividade verbal, de modo a permitir-lhes, na interação, não apenas a depreensão de
conteúdos semânticos, em decorrência da ativação de processos e estratégias de ordem
cognitiva, como também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais”
(Koch, 1992).

28
Ao observarmos os dois exemplos abaixo, quais deles chamaríamos de texto?

Das falsas posições


Mário Quintana

Com a pele do leão vestiu-se o burro um dia.


Porém, no seu encalço, acad instante e hora,
“Olha o burro! Fiau! Fiau!”, gritava a bicharia...
Tinha o parvo esquecido as orelhas de fora!

Geralmente, associamos somente texto ao que está escrito. Todavia, se pensarmos


na primeira propriedade, coerência de sentido, perceberemos que os três exemplos acima
possuem coerência, apesar de os dois primeiros serem constituídos de imagens, figuras
geométricas, forma; e o terceiro, de palavras. Podemos perceber que os exemplos acima
não são um ‘amontoado’ de signos; eles formam um todo significativo.
Além disso, possuem um contexto ora explícito, ora implícito, mas determinantes na
compreensão textual.
A segunda propriedade parece irrelevante, para nós que temos contatos cotidianos
com os textos. É possível dizer que em nossa sociedade somos ‘bombardeados’ por textos
o tempo inteiro. Entretanto, de fato todo texto é delimitado por dois espaços vazios, isto é,
por dois espaços de não-sentido. Um antes dele, outro depois. E eles, por incrível que
pareça, têm uma função ímpar: sinalizar onde começa e onde termina o texto. Vejamos uma
fotografia do francês, radicado na Bahia, Pierre Verger. Tal imagem chama-se ‘O olhar
enigmático de Pierre Verger” que pode ser encontrada no site “http://www2.petrobras.com.br/
CulturaEsporte/ingles/cultura/ArtesVisuais/PierreFatumbi.htm”.

29
É fácil identificar onde começa a fotografia e onde termina. Assim, o
leitor percebe que só o que interessa para conferir sentido à imagem é o que
está dentro do espaço delimitado pelos dois brancos.
Leitura e Por último, todo texto é produzido por um sujeito, e este, por estar
atrelado ao seu tempo e ao seu espaço, sempre constrói sua produção,
Produção de
revelando os ideais e concepções de um tempo e de um espaço. Por isso, um
Texto leitor competente não faz a pergunta superficial: o que o autor quis dizer? Mas
no lugar dela, procura saber: quem foi o autor? Onde e quando ele produziu tal
texto? Tais elementos, sim, serão de suma importância para o entendimento do texto. Se,
ao lermos um texto de Machado de Assis, quisermos saber o que ele quis dizer, teremos
que perguntar a ele, e como o referido autor está morto, só temos duas saídas: ou ir até lá
ou fazermos uma sessão espírita. Todas as duas alternativas podem configurar-se como
esforços desnecessários, já que como leitores competentes nós mesmos podemos
apreender o sentido do texto.

No primeiro anúncio publicitário, a fotografia da mulher, seu penteado e vestuário


nos remetem à década de 50 do século XX, assim como a embalagem do produto. Quanto
à linguagem, encontramos o uso do termo dentifrício no lugar do mais moderno pasta de
dente. Já no segundo, a mulher, sua roupa e postura já denunciam um outro tempo. Além
disso, temos um bem tecnológico que sequer existia na época da veiculação da primeira
propaganda.

As Possibilidades Textuais:
Texto Literário e o Texto Não-Literário
O Texto Verbal e o Texto Não-Verbal

O texto pode ser literário ou não. O literário possui, como marca de sua produção, a
informação estética; já no não literário, a informação é semântica. O quadro abaixo, construído
pelo professor baiano, Jayme Barros, em seu livro Encontro de redação, é bastante
elucidativo para compreendermos as diferenças entre estes dois formatos textuais.

30
INFORMAÇÃO SEMÂNTICA
(texto não-literário)

1. A informação tem um sentido unívoco e exige do receptor uma percepção racional,


uma compreensão lógica. O receptor é atingido em sua inteligência: ou a mensagem é
compreendida ou deixará de ter sentido.
2. A essência é, portanto, a verdade. A beleza torna-se acidental, pois não se busca,
em essência, atingir a sensibilidade do receptor.
3. Os signos têm um valor denotativo, por isso são traduzíveis.
4. O conhecimento prévio da mensagem provoca uma saturação; esgota a
mensagem,

INFORMAÇÃO ESTÉTICA
(texto literário)

1. A informação tem um significado plurívoco, busca atingir a sensibilidade do receptor.


Exige dele uma percepção sensorial. Mesmo sem a compreensão lógica da mensagem,
ela tem um sentido estético: toca a sensibilidade do receptor.
2. A essência é, portanto, a beleza, o prazer estético provocado pela obra, que poderá
ter ou não um sentido lógico. A obra referir-se ou não a uma verdade ou fato cientificamente
comprovado torna-se secundário.
3. Os signos têm um valor conotativo, por isso não são traduzíveis.
4. O conhecimento prévio da mensagem não provoca um esgotamento. Ao contrário,
a depender da percepção sensorial do receptor, do gostar ou não gostar da obra, o
conhecimento prévio da mensagem poderá provocar a busca de novos contatos com a
obra.

Leia os dois textos abaixo:

TEXTO 1
Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia, num
barracão sem número
Um noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira

TEXTO 2
Garçom morre após briga de bar

Por volta de 2h40min da madrugada de sábado, depois de ter se envolvido numa


briga iniciada por um amigo, num bar na Rua Direta do Canal do Bate Estaca, o garçom
Roberto Moreira da Cruz, 26 anos, saiu do estabelecimento de motocicleta. Uma das
pessoas com quem ele tinha brigado disparou com arma de fogo e o matou com um tiro nas
costas. As informações são da irmã dele, a ambulante Roberta Aparecida Santos da Cruz,

31
22 anos, que prestou depoimento na 3ª Delegacia de Polícia. O garçom era
pai de duas crianças, de 2 e 4 anos, mas não era casado. A investigação está
sendo conduzida pela delegada Sônia M. Reis Paiva.
Jornal A Tarde, 02 de outubro de 2005.
Leitura e
Produção de No texto 2 é explícito o compromisso com o relato do fato da forma
Texto mais próxima daquela em que ele ocorreu, por isso há tantos detalhes e
informações relevantes para a compreensão do contexto. O leitor, para
compreendê-lo, usará aspectos racionais. Já no texto 1, não há uma preocupação do autor
em descrever o fato, em dar detalhes do acontecimento, não se sabe a razão do suicídio. A
intenção do autor é atingir a emoção do leitor ao colocá-lo frente à morte, seja trágica ou
não, pois sempre nos desestabiliza e assusta. Por fim, o leitor do texto 1 poderá não ter
uma compreensão lógica do acontecimento, mas certamente se permitirá a diversas
interpretações. Já no texto 2, só há uma possibilidade de compreensão do texto, caso o
leitor não a capte, estará demontrando que não o compreendeu.

O texto pode ser verbal ou não-verbal. Isto quer dizer que podemos construir um texto
somente com imagens, figuras, cores. A este tipo de texto, chamamos de texto não-verbal.
Caso o texto seja composto por palavras faladas ou escritas, teremos um texto verbal. É
possível haver textos constituídos tanto por palavras quanto por imagens, estes serão
considerados como textos mistos.

A tela de Candido Portinari denominada “Os retirantes” é um texto não-verbal, e o


trecho da obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto é verbal. Note que
ambos discorrem sobre o mesmo tema; a forma como organizam a mensagem é que é
diferente. O primeiro só se utiliza de imagens, cores e formas, enquanto o segundo usa
palavras.

Os Retirantes. Candido Portinari

32
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR
QUEM É, E A QUE VAI

- O meu nome é Severino, iguais em tudo na vida:

como não tenho outro de pia. na mesma cabeça grande

Como há muitos Severinos, que a custo é que se equilibra,

que é santo de romaria, no mesmo ventre crescido

deram então de me chamar sobre as mesmas pernas finas

Severino de Maria; e iguais também porque o sangue,

como há muitos Severinos que usamos tem pouca tinta.

com mães chamadas Maria, E se somos Severinos

fiquei sendo o da Maria iguais em tudo na vida,

do finado Zacarias. morremos de morte igual,

Mais isso ainda diz pouco: mesma morte severina:

há muitos na freguesia, que é a morte de que se morre

por causa de um coronel de velhice antes dos trinta,

que se chamou Zacarias de emboscada antes dos vinte

e que foi o mais antigo de fome um pouco por dia

senhor desta sesmaria. (de fraqueza e de doença

Como então dizer quem falo é que a morte severina

ora a Vossas Senhorias? ataca em qualquer idade,

Vejamos: é o Severino e até gente não nascida).

da Maria do Zacarias, Somos muitos Severinos

lá da serra da Costela, iguais em tudo e na sina:

limites da Paraíba. a de abrandar estas pedras

(...) suando-se muito em cima,

Somos muitos Severinos a de tentar despertar

33
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
Leitura e
alguns roçado da cinza.
Produção de
Texto Mas, para que me conheçam

melhor Vossas Senhorias

e melhor possam seguir

a história de minha vida,

passo a ser o Severino

que em vossa presença emigra.

O Texto e os Fatores de Contextualidade

Em 1983, Beaugrande e Dessler selecionaram sete características que conferem a


alguma coisa o caráter de texto. Ao considerarmos algo como texto, perceberemos que
nele aparecem os fatores abaixo:

1. Coesão
2. Coerência
3. Intencionalidade
4. Aceitabilidade
5. Situacionalidade
6. Informatividade
7. Intertextualidade

Coesão e Coerência serão temas discutidos no próximo tópico devido a enorme


relevância que possuem no processo de construção textual. Além disso, são nesses aspectos
que os produtores de texto mais cometem falhas.
Todo produtor tem uma intenção na produção textual; planeja o texto e o produz na
tentativa de satisfazer sua meta. A este fator denominamos intencionalidade.
Por outro lado, o receptor, ao se mobilizar para ler um texto, gera uma gama de
expectativas e pré-concepções em torno dele. Saber quem é o autor e a época o fará inferir,
por exemplo, sobre o tema do texto. Seus repertório de leitura e arcabouço de conhecimentos
o possibilitarão compreender o texto de forma parcial, ampla ou superficial. A este fator
denominamos aceitabilidade.
No mundo em que vivemos, em nosso cotidiano, circulam diversos tipos de texto.
Entretanto, eles são diferentes entre si. Uma palestra sobre a importância da leitura será
muito diferente de uma conversa num bar entre dois amigos. A linguagem usada em uma
situação será muito diferente da outra, assim como o grau de intimidade entre emissor e

34
receptor. Sendo assim, cada contexto sócio-comunicativo requer uma produção de texto
mais pertinente a si mesmo. A esse fator denominamos situacionalidade.
Todo texto tem como característica peculiar a função referencial da linguagem, ou
seja, ele informa sobre algo. Por isso, o autor deve fornecer ao leitor uma suficiência de
dados necessários à compreensão do texto. A esse fator denominamos informatividade.
A lingüista Júlia Kristeva declara que o texto é um mosaico de citações. Isto significa
que não produzimos um texto do nada; todo texto é fruto das informações e conhecimentos
prévios que possuímos. Sendo assim, a leitura de mundo e de palavra escrita é determinante
para a produção textual. Por isso, os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, que traçam
diretrizes para o ensino das escolas brasileiras, informam a ineficácia do estudo da gramática
normativa para formar leitores e produtores de texto. Segundo os PCN, é a leitura que subsidia
o produtor de textos no exercício da criação. Desta forma, não há como não aparecerem
implicitamente ou explicitamente – por meio de citações, paródias ou pastiches - outros
textos em um texto. A esse fator denominamos intertextualidade.

Coesão e Coerência: A Construção de Sentidos e seus


Mecanismos

A coerência é o fator responsável pelo estabelecimento do sentido no texto, pois a


partir dela ocorre o acerto das partes com relação ao todo. Um texto sem coerência perde
o princípio da interpretabilidade textual, ou seja, torna-se não-inteligível em relação a situação
comunicativa. Como afirmado anteriormente, o texto é como um mosaico, pois se constitui
de elementos diversos e diferentes entre si; todavia,z o entrelaçamento destas partes forma
uma unidade. A coerência é estabelecida nas relações entre os usuários do texto.

Tipos de coerência:

a) Semântica: relação entre os significados.


“Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos”.
O significado do termo egoísta refere-se ao indivíduo pensar e agir apenas em prol
de si mesmo, se o autor propõe que não se pense em si mesmo somente, como ele pode
conclamar a “pensarmos mais em nós mesmo” que é a mesma coisa?
Forma coerente: Vamos deixar de ser egoístas e pensar mais nos outros.

b) Sintática: uso de recursos sintáticos.


“O Renato é meu filho, mas ele se parece comigo”.
Muitas vezes, não sabemos usar os recursos lingüísticos, pois desconhecemos os
significados das preposições, conjunções, etc. Por exemplo, a conjunção “mas” dá a idéia
de oposição. Assim, espera-se encontrá-la entre duas orações que se oponham ou se
contradigam. Se Renato é filho de alguém, espera-se que ele se pareça com alguém, não
há nenhuma contradição nisso. Haveria se Renato não se parecesse.
Forma coerente: O Renato é meu filho, por isso ele se parece comigo.

c) Estilística: adequação do texto ao estilo ou registro pertinente.


“Prezado Antônio, neste momento quero expressar meus sentimentos por seu pai ter
vestido o paletó de madeira, ter ido comer capim pela raiz....”.

35
Como dito anteriormente, cada texto possui um contexto e deve
adequar-se a ele. Numa situação de morte, geralmente delicada para a nossa
formação cultural, a maneira mais adequada de agir é sendo solidário e
acolhedor com a pessoa que receberá a notícia do infortúnio. Atitudes
Leitura e
grosseiras não condizem com este tipo de contexto. A expressão popular “ir
Produção de comer capim pela raiz” não se adequa ao uso de linguagem requerido para
Texto este tipo de situação.

d) Pragmática: atos de fala próprios de uma determinada situação comunicativa.


“ – Você sabe onde é a biblioteca?
- O dia está lindo hoje!”.

Ao observarmos a pergunta acima, perceberemos que existe uma incoerência no


diálogo. Há um número mínimo de respostas possíveis à pergunta feita: quem responde
pode dizer que não sabe ou que sabe. No entanto, a resposta dada não se relaciona em
nada com a pergunta.
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Fatores:
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Para um texto manter-se coerente é preciso que haja um elo conceitual entre
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seus diversos argumentos. Os substantivos e os verbos devem estar interligados não
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apenas para acrescentar informações, mas também para alicerçar o sentido do texto
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(KOCH, 2003). Os fatores que conferem coerência ao texto são os elementos
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lingüísticos, o conhecimento de mundo (frames, esquemas, planos, scripts e esquemas
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textuais), o conhecimento partilhado, inferências, a contextualização, a constância e
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relevância, além do outros cinco fatores de textualidade.
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Para Koch (2003, p. 33), a coesão refere-se ao “modo como os elementos
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lingüísticos presentes na superfície textual encontram-se interligados entre si, por meio
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de recursos também lingüísticos, formando seqüências veiculadoras de sentido”.
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Algumas marcas lingüísticas são responsáveis por dar coerência ao texto, tais recursos
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são chamados de elementos coesivos.
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Mecanismos de coesão:

REFERENCIAÇÃO: retoma ou antecipa elementos do texto através de duas


maneiras de reativação de referentes:

* Anáfora (remissão para trás): retoma o termo explicitado anteriormente através de


recursos gramaticais como pronomes, numerais, advérbios pronominais, artigos indefinidos,
elementos de ordem lexical.
Exemplo: Glauber Rocha foi um grande cineasta baiano, pena que ele tenha morrido
tão precocemente.
Outros exemplos:
- Dizem que a situação do Brasil vai mudar, mas não consigo crer nisso.
- O concurso selecionará os melhores candidatos. Apenas a terça parte deles será
aprovada.
- O juiz olhou para o auditório. Alí estavam presentes parentes e amigos do réu.

36
- Um estranho foi atropelado na Av. Paralela. O acidentado tinha aparência jovial.
- Os quadros de Van Gogh não tinham nenhum valor em sua época. Houve telas que
serviram até de porta de galinheiro.

* Catáfora (remissão para frente): antecipa o termo que aparecerá posteriormente


através de pronomes demonstrativos, indefinidos neutros e nomes genéricos.
Exemplo: Eles discutiam agressivamente. Marido e mulher gritavam, gesticulavam e
batiam um no outro.
Outros exemplos:
- Quero apenas isto: um milhão de reais depositado em minha conta corrente.
- O incêndio destruiu tudo: casas, móveis, plantações.
- O enfermo esperava uma coisa: o alívio de seus sofrimentos.

SEQÜENCIAÇÃO: procedimentos lingüísticos através dos quais se estabelecem os


elos que permitem ao texto desenvolver-se em progressão.

a) Paralelismo: veiculação de informações novas através da repetição de determinada


estrutura sintática.
Falava-se da chamada dos conservadores ao poder e falava-se da dissolução da
Câmara. (= Falava-se da chamada dos conservadores ao poder e da dissolução da
Câmara.)

b) Elipse: supressão de termos.


O ministro foi o primeiro a chegar. ( )Abriu a sessão às oito em ponto e ( )fez então
seu discurso.
Os jogadores do Brasil fizeram bonito: ( )correram muito, lutaram bravamente e
venceram o jogo.

c) Paráfrase: explicação de termo antecedente ou precedente.


O Brasil é um país capitalista, ou seja, aqui os trabalhadores livres vendem sua
força de trabalho aos donos do capital.

d)Tempo verbal: ajustamento dos tempos verbais.


Vim, vi e venci!

ESQUEMA-SÍNTESE

37
Atividades
Complementares
Leitura e
Produção de
Texto COESÃO E COERÊNCIA

DESVENDANDO O TEXTO

Identifique nos três exemplos abaixo o que é texto. Classifique também o que for
texto como literário ou não-literário e verbal e não-verbal:

a)

Autor: Caulos

b) “Entende-se por corrupção o uso de bens públicos para fins privados e perversão
ou deterioração dos princípios éticos e morais. No entanto, não são apenas os membros
do governo que fazem prática destas ações; a sociedade civil, em todas as suas áreas,
desenvolve atividades de caráter corrupto também. O Brasil, país com uma herança histórica
marcada pela corrupção, luta para combater este mal, estando completamente enraizado
não somente nas elites, dominadoras de poder, mas também na grande massa de dominados
que, ao praticar pequenas ações, como suborno e propina, desenvolve o mesmo crime,
porém em menores proporções, assim recebendo quase nenhuma repercussão e
importância”. Autor: Verena Paranhos Batista

c) XIDSA caiu? A vaca supra vivo Pedro É!!!


Autor: Luciana Moreno

Intertextualidade

Leia os textos abaixo. O primeiro é a música Águas de Março de Tom Jobim. O


segundo é uma paródia do texto de Tom, ou seja, uma imitação ora ridícula e grosseira, ora
iconoclasta de uma composição literária.

Águas De Março
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho


É um resto de toco, é um pouco sozinho

38
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

E se o Tom Jobim usasse o Windows?


(Autor desconhecido)

É pau
É vírus
É o fim do programa
É um erro fatal
O começo do drama.
É o turbo Pascal
Diz que falta um login
Não me mostra onde é
E já trava no fim.
É dois, é três, é um 486
É comando ilegal

39
Essa merda bloqueia
É um erro e trava
É um disco mordido
HD estragado
Leitura e
Ai, meu Deus, tô perdido
Produção de São as barras de espaço
Texto Exibindo um borrão
É a promessa de vídeo
Escondendo um trojan
É o computador
Me fazendo de otário
Não compila o programa
Salva só o comentário.
É ping, é pong
O meu micro me chuta
O scan não retira
O vírus filho da puta
O Windows não entra
E nem volta pro DOS
Não funciona o reset
Me detona a voz
É abort, é retray
Disco mal formatado
PCTools não resolve
Norton trava o teclado
É impressora sem tinta
Engolindo o papel
Meu trabalho de dias
Foi cuspido pro céu

Escolha uma música, selecione o tema e produza a sua paródia.


Veja abaixo outra possibilidade de intertextualidade

40
Agora observe o quadro abaixo. Faça uma propaganda, usando o quadro como
intertexto.

Coesão e Coerência

1. A partir da junção das informações abaixo, construa textos coesos e coerentes:

a)
- A atriz Arlete Sales é sucesso no palco e na televisão.
- A atriz Arlete Sales interpreta agora a perversa e divertida Augusta Eugênia na
novela global Porto dos Milagres.
- A personagem Augusta Eugênia tem agradado em cheio ao público.
- A atriz Arlete Sales deu cor e humor à personagem.
- Arlete Sales diz que Augusta Eugênia é uma louca, exacerbada, delirante.
- Arlete Sales é o oposto da personagem que interpreta na novela das oito.
- Arlete Sales é delicada e sorridente.
- Arlete Sales destacou-se em vários papéis inesquecíveis.
- Arlete Sales coleciona, em sua galeria, personagens como Carmosina, de Tieta do
Agreste.
- Outra personagem inesquecível de Arlete Sales foi a cubana Anabel, de Salsa e
Merengue.

b)
- O presidente havia assinado o decreto na véspera.
- Ninguém sábia o que de fato tinha acontecido na reunião.
- A mulher tinha perdido todas as chaves do prédio.
- O técnico havia constatado todas as falhas do projeto.
- O fato é que ele tinha tido todas as chances de aprovação.
- Não tinha sido ele o responsável.

41
- O promotor tinha saído naquele momento.
- O policial havia contido os mais exaltados.
- O delegado tinha detido o suspeito.
- Tinha certeza de que ele tinha posto o documento na gaveta.
Leitura e
Produção de
Texto 2. Reescreva as sentenças abaixo, substituindo as palavras e
expressões destacadas por palavras e expressões sinônimas.
a) O vendedor de rádio era um emissário do progresso.
b) Se a família mostrasse interesse, podia ficar com o rádio a título experimental.
c) Um dos rádios permaneceu esquecido em minha casa durante dois anos.
d) Moço que tinha rádio ganhava a chance de casar com a beldade do quarteirão.
e) Diziam que a televisão liquidaria o próprio rádio.
f) Mas entrar para o rádio era muito difícil, devido, afirmavam, ao nepotismo.

Indicações de leitura...
BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA

A história de BALZAC E A COSTUREIRINHA


CHINESA se passa no fim da década de 60, quando
o líder chinês Mao Tse-Tung lança uma campanha
que mudaria radicalmente a vida do país: a
Revolução Cultural. Entre outras medidas
drásticas, o governo expurga das bibliotecas obras
consideradas como símbolo da decadência
ocidental. Mas, mesmo sob a opressão do Exército
Vermelho, uma outra revolução explode na vida
de três adolescentes chineses quando, ao abrirem
uma velha e empoeirada mala, eles têm as suas
vidas invadidas por Balzac, Dumas, Flaubert,
Baudelaire, Rousseau, Dostoievski, Dickens...Os
proibidos!
BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA é
uma crônica da vida na China durante a revolução de 68. Um romance
sobre a felicidade da descoberta da literatura, a liberdade adquirida
através dos livros e a fome insaciável pela leitura, numa época em que
as universidades foram fechadas e os jovens intelectuais mandados ao
campo para serem “reeducados por camponeses pobres.
Para obter mais informações acesse o site: http://
www.objetiva.com.br.
SIJIE, Daí. Balzac e a costureirinha chinesa. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2001.

42
COLCHA DE RETALHOS

Ficha Técnica
Ano de Lançamento (EUA): 1995
Estúdio: Amblin Entertainment / Universal
Pictures
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Jocelyn Moorhouse
Elenco:Wynona Ryder (Finn Dodd); Anne
Bancroft (Glady Joe leary); Ellen Burstyn (Hy Dodd)
Resumo: Enquanto elabora sua tese e se
prepara para se casar Finn Dodd (Wynona Ryder),
uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó
(Ellen Burstyn). Lá estão várias amigas da família,
que preparam uma elaborada colcha de retalhos
como presente de casamento. Enquanto o trabalho
é feito, ela ouve o relato de paixões e
envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis, mas repletos de
sentimentos, que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo ela se sente
atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam
ser esclarecidas.

(Disponível em: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/colcha de retalhos.


Acesso em: 14 out. 2005.)

TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS


Marcuschi (2003, p.16) declara que:

os gêneros são fenômenos históricos, profundamente vinculados à


vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem
para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. [...]
Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos
e plásticos.

O que são gêneros?


gêneros?

A palavra gênero sempre foi bastante utilizada pela retórica e pela literatura com um
sentido especificamente literário, identificando os gêneros clássicos – o lírico, o épico, o
dramático – e os gêneros modernos, como o romance, a novela, o conto, o drama,- etc.

Mikhail Bakhtin – pesquisador russo que, no início do século XX, se dedicou aos
estudos da linguagem e da literatura – foi o primeiro a empregar a palavra gênero com um
sentido mais amplo, referindo-se também aos tipos textuais que empregamos nas situações
cotidianas de comunicação.
Segundo Bakhtin, todos os textos que produzimos, orais ou escritos, apresentam um
conjunto de características relativamente estáveis, tenhamos ou não consciência delas. Essas
características configuram diferentes tipos ou gêneros textuais, que podem ser identificados

43
por três aspectos básicos coexistentes: o assunto, a estrutura e o estilo
(procedimentos recorrentes da linguagem).

A escolha do gênero não é completamente espontânea, pois leva em


Leitura e
conta um conjunto de parâmetros essenciais, como quem está falando, para
Produção de quem está falando, qual é a sua finalidade e qual é o assunto do texto. Por
Texto exemplo, ao desejarmos contar como ocorreu um conjunto de fatos, reais ou
fictícios, fazemos uso de um texto narrativo; para instruirmos alguém, fazemos
uso dos textos argumentativos, e assim por diante.

CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens.


São Paulo: Atual, 1999.

Tipo e gênero possuem definições diferentes que muitas vezes confundem o estudante
desta área. Para sabermos as peculiaridade de cada uma, usaremos o quadro sinóptico
elaborado por Marcuschi (2003, p.22):

OUTRA PROPOSTA DE TIPOLOGIA TEXTUAL

44
FORMATOS TEXTUAIS OU GÊNEROS REDACIONAIS

Há três formatos textuais presentes no cotidiano escolar no que se refere à prática


de produção do texto escrito. Estes textos são apresentados sob a designação de redações
por isso são chamados de gêneros redacionais ou gêneros escolares. São eles a narração,
a descrição e a dissertação.
A narração é um relato de fatos, acontecimentos. Apresenta fatos vivenciados por
personagens, organizados numa determinada seqüência temporal. Por isso, a presença
de elementos como narrador, personagem, enredo, cenário, tempo, espaço é fundamental
para a constituição deste tipo de texto.
A narração organiza-se geralmente a partir da apresentação de um conflito, do uso
de verbos de ação e da freqüência do diálogo direto e o indireto. Geralmente, é mesclada
de descrições.
O texto de Manuel Bandeira é uma narração, pois possui todos os elementos
constituintes do texto narrativo; é um relato de evento.

Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia


num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. In: YOUSSEF, Samira Campedelli . Gramática do
texto, texto da gramática. São Paulo: Saraiva, 1999, p.270.

A descrição é um retrato de pessoas, ambientes e objetos. Neste formato textual


ocorre a predominância de adjetivos e dos verbos de ligação. Freqüente faz-se o emprego
de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem com a finalidade de caracterizar
de forma profunda o objeto, coisa ou ser descrito.
Um auto-retrato é uma descrição de si mesmo. Perceba a presença de vários
adjetivos no texto de Juca Chaves, além do uso de figuras de linguagem como a antítese
‘milionário em senso de humorista x duro sem dinheiro’.

Auto-retrato

Simpático, romântico, solteiro,


autodidata, poeta, socialista.
Da classe 38, reservista,
de outubro, 22, Rio de Janeiro.
Com bossa de qualquer bom brasileiro,
possuo o sangue quente de um artista.
Sou milionário em senso de humorista,
mas juro que estou duro sem dinheiro.

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Há quem me julgue um poeta irreverente,
mentira, é reação da burguesia,
que não vive, vegeta falsamente,
num mundo de doente hipocrisia.
Leitura e
Mas o meu mundo é belo e diferente:
Produção de vivo do amor ou vivo de poesia...
Texto E assim eu viverei eternamente,
se não morrer por outra Ana Maria.

(História da música popular brasileira – Juca Chaves)

Na dissertação, o autor faz uma explanação de idéias sobre determinado assunto.


Para isso, ele precisa ler, analisar dados da realidade a fim de subsidiar seu texto com
informações e argumentos possíveis. Produzir um texto dissertativo é discorrer sobre um
assunto e, ao mesmo tempo, convencer/persuadir o leitor da credibilidade do ponto de
vista do autor. Neste formato textual prevalece a linguagem objetiva e denotativa.

20 de novembro:
Dia Nacional da Consciência Negra ou de combate a dengue?

Em pleno sistema escravocrata - ao contrário do que pensa a maioria de estudantes


de instituições de nível superior no Brasil - as diversas etnias africanas que vieram para o
cá com o objetivo de sustentar monopólios latifundiários, como os das usinas da cana-
de-açucar, faziam rebeliões, matavam seus senhores e fugiam para quilombos escondidos
militarmente, embrenhados em matas, vales e sertões. Todavia, no imaginário dos
brasileiros que têm acesso às escolas e ao nível superior, ainda persiste a falsa idéia de
que os negros não criaram estratégias de luta e resistência contra o sistema escravista.
Mal sabem eles que a História com H maiúsculo que aprendemos na escola é uma pseudo-
história, denominada de história oficial, isto é, a versão contada pelas elites. Mal sabem
eles que nos documentos escondidos nos Arquivos Públicos brasileiros, documentos da
época, retratos mais fiéis do que os livros didáticos, estão relatadas diversas rebeliões,
fugas e criação de quilombos, que eram tão ou mais organizados social e politicamente
do que as vilas onde viviam as elites e as “sub-elites”. A falta de informação que paira na
casta mais privilegiada da sociedade brasileira – os que tiveram acesso à escola – é
assustadora, mas confirma a eficácia do poder político e econômico no Brasil: alienar
pessoas. Portanto, mesmo depois do movimento negro menosprezar o 13 de maio, por
ser este o dia em que uma não-negra assinou o fim da escravidão apenas no papel, e no
lugar desta data eleger o dia da morte de Zumbi como o dia em que o próprio negro
conquistou sua consciência étnica e libertária, para estas pessoas ainda paira uma dúvida
cruel: 20 de novembro: Dia Nacional da Consciência Negra ou de Combate a dengue?

Luciana Moreno

46
Conto: a Poesia inesperada do Cotidiano

Leia o texto abaixo da renomada autora brasileira Marina Colasanti.

A moça tecelã
Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da
noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ia passando entre
os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois, lãs mais vivas. Quentes lãs iam tecendo hora a hora, um longo tapete que
nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na
lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida
pelas nuvens, escolhia um fio de prata que em pontos longos rebordava sobre o tecido.
Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam
os pássaros, bastava à moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse
a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes
do tear para frente e para a trás, a moça passava seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado, de escamas.
E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã
cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão,
dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e
pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca
conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia.
E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo
aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da
ponta dos sapatos quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma,
e foi entrando na sua vida.
Aquela noite deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que
teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os
esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas
todas que ele poderia lhe dar.
-Uma casa melhor é necessária – disse para a mulher. E parecia justo, agora que
eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os
batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. – Por que ter casa se podemos
ter palácio? – perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de
pedra com arremates de prata. Dias e dias, semanas e meses, trabalhou a moça tecendo
tetos e porta, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora e ela não tinha tempo

47
para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o
dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando
o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tanto cômodos, o marido escolheu
Leitura e
para ela e seu tear, o mais alto quarto da mais alta torre.
Produção de -É para que ninguém saiba do tapete – disse. E antes de trancar a
Texto porta a chave advertiu: - Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso, tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o
palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo que fazia.
Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o
palácio com todos os seus tesouros. E, pela primeira vez, pensou como seria bom estar
sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas
exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se
ao tear.
Desta vez, não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário
e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu
seus cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o
palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e
sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado
olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos
sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-
lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara e foi
passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do
horizonte.
(Doze reis e a moça no labirinto do vento. 2.ed. Rio de Janeiro: Nórdica,1985.)

Este texto é um conto. Para Massaud Moisés (1995, p.54), “o conto desenvolve
sutilezas que, acentuando-lhe a fisionomia estética, o aproximam de uma cena do cotidiano
poeticamente surpreendida”.

Características do conto:

a) Contém um só drama, um só conflito;


b) O espaço da ação é limitado, dentro deste espaço pode-se percorrer vários
pontos, mas só em um ocorrerá a essência do conflito;
c) Ocorre num lapso de tempo, não interessando nem passado nem futuro dos
personagens;
d) Há poucos personagens no conto;
e) A linguagem do conto é concisa e sem efeitos de dispersão;
f) O foco narrativo pode ser em primeira ou terceira pessoa;
g) No conto, o desfecho guarda um enigma, por isso ele é sempre surpreendente
para o leitor; todavia, desde o começo, sugere-se o desenlace;
h) Por ser uma narrativa curta, não há espaço para análise detalhistas de personagens
e espaço.

48
Crônica: uma Fotografia do Cotidiano

Acompanhe o texto de Danusa Leão sobre a adequação do indivíduo, seu


comportamento e linguagem no tempo.

Como dá trabalho ser (parecer) jovem

Quem não for jovem, nos dias de hoje, não é ninguém. E se tiver chegado a uma
idade que não dê mais para disfarçar, então vai ter que apelar, despudoradamente, e usar
de todos os meios para poder entrar na onda, gostou do termo?
As roupas, por exemplo, têm que ser ousadas e modernas e, mesmo que o corpo
não suporte mais um jeans 38, é muito melhor parecer maluca do que uma senhora
distinta. Em primeiro lugar, várias peças de oncinha têm que fazer parte de sua vida: um
lencinho, um legging, uma blusa, um blazer – e cabelo grisalho, nem pensar. Use uma
cor bem extravagante (...).
Sua cabeça – por dentro – também tem que mudar completamente. Esteja sempre
a favor de todas as loucuras que seus netos fizerem (...); seu cartaz vai subir às alturas, e
ninguém - ninguém mesmo – vai nem de longe ficar fazendo aqueles cálculos horrendos
para saber quantos anos você tem.
Vai ser precisos decorar algumas expressões e palavras novas; nada evidencia
mais a idade de uma pessoa do que termos do passado. Exemplos: não diga jamais a
palavra vitrola – diga som; nem fale em disco – só em CD. Se disser anúncio ou reclame,
é uma condenação à morte; a palavra certa é publicidade, sacou? (sacou, sim – morou,
nem pensar).
É necessário estar muito por dentro de todos os movimentos musicais, e aí é
preciso muita cautela: não se diz piano, se diz cordas, não se diz conjunto nem orquestra,
se diz banda – e pode falar em bateria, mas não se esqueça jamais da percussão. Deu
para entender? Então, agora, decore. Também nunca diga que foi ver uma fita de cinema
– é sempre um filme. E também é proibido dizer que foi ver uma peça de teatro – se diz o
espetáculo. É a vida é difícil, mas não existe outra solução para quem quer permanecer
eternamente jovem. Nunca fale de retratos, só de fotos, e de preferência não mostre
nenhuma, jamais. E, quando pretender expor uma idéia no seu trabalho, não se esqueça
de dizer que vai apresentar um projeto, para ser respeitada pelos colegas e pelo chefe.
Se te propuserem um trabalho novo que você não tem a menor idéia do que se
trata e está morrendo de medo de aceitar, não confesse isso nem ao travesseiro: diga que
considera um desafio, e que você – claro – adora desafios. E esse novo trabalho, seja ele
qual for, deve ser considerado um presente – a palavra da moda hoje em dia quando não
se sabe o que dizer. Se você aluga uma sala para criar – criar é ótimo – um novo projeto,
diga que agora tem um espaço só seu; vai ser muito respeitada por isso.
E, quando começarem a falar sobre o passado, amnésia total. Tem gente que
adora falar da Grapete, do cuba-libre, da voz do Orlando Silva, das garotas do Alceu, da
Revista do Rádio, dos tempos dos bondes, dos cinemas Metro e Rian e de quando Mario
Lanza destruía corações. Se você perceber que está entrando na onda nostálgica e prestes
a contribuir com a conversa lembrando dos filmes de Maria Antonieta Pons, que ia ver
escondido, e do corpo espetacular que tinha Elvira Pagã, o melhor que tem a fazer é dizer
que combinou de ver o show de Paralamas e que depois vai a uma festa organizada pelo
Valdemente – ou sua reputação estará destruída para sempre.
Um grande problema esta história de querer ser jovem para sempre.

LEÃO, Danusa. O Estado de S. Paulo. 10 out.1997, Caderno Cidades, p.7.

49
O texto que você acabou de ler é uma Crônica, um breve registro de
eventos cotidianos. Esses textos comentam, de forma crítica, acontecimentos
que ocorreram durante a semana. Têm, portanto, um sentido histórico e servem,
assim como outros textos do jornal, para informar o leitor.
Leitura e
Produção de Características:
Texto
a) Textos publicados em jornais, revistas e sites. Portanto, por serem
textos de periódicos são efêmeros, pois aqueles publicados ONTEM não receberão a mesma
atenção por parte do leitor AMANHÃ, nem daqui há dez anos;
b) O cronista se alimenta dos acontecimentos diários;
c) A crônica situa-se entre o JORNALISMO (por ser texto informativo) e a LITERATURA
(por possuir um ‘toque próprio do autor’ que inclui em seu texto elementos como ficção,
fantasia, crítica).
d) Geralmente, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio
escritor está “dialogando” com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão
totalmente pessoal de um determinado assunto;
e) O autor expõe sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o
cercam;
f) Apresenta linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e literária.

Atividades
Complementares

GÊNEROS TEXTUAIS

1. Faça um levantamento dos aspectos que definem os textos abaixo. Considere:

- Vocabulário. Existe no seu texto palavras novas, estrangeiras, gírias, técnicas?


- Grafia. Como é a ortografia do seu texto? De acordo com o padrão ou contém
“erros”?
- Estrutura da oração. As frases do seu texto são curtas ou longas? A extensão das
frases é indiferente para o significado do texto ou modifica de algum modo a compreensão?
- Concordância. Existem as formas consideradas “erradas” de concordância verbal
e nominal?
- Destinatário. Para quem se dirige o texto? Qual o perfil social e cultural do leitor?
Rico, pobre, mulher, homem, criança, adulto, idoso? Ou o texto se dirige a todo mundo
indiscriminadamente? Como você sabe?
- Aspecto gráfico. Como está a disposição em parágrafos, a disposição das linhas?
Há palavras em itálico, em negrito, caixa alta, sublinhadas, com iniciais maiúsculas? O
aspecto gráfico tem alguma função?
- Origem. Onde é mais provável encontrar este texto? Jornal, revista, anúncio, livro,
livro didático?

50
- Intenção. Com que intenção o texto foi escrito?
- Idade. No texto que você analisa, é possível identificar a época a que ele pertence?

(Adaptado da obra de FARACO, Carlos Alberto. Prática de textos: para estudantes universitários.
São Paulo: Ed. Vozes, 1992).

- Xis veiz treis é iguar a nove! Qual é o valor di xis?


- Ei, Chico! Vamo pescá?
- Hum... Só se ocê disse quar qui é o valor de xis!
(...)
- Oi, seu Joaquim! Tem xis?
- Oia, Zé! Eu num vendo dessas coisas aqui na venda. Pru que ocê num vai numa
bibrioteca? Ele lá é qui intende di letra!
(...)
- A letra xis fica daquele lado!
- I quanto qui é o valor dela?
- Olha, nenhum dos nossos títulos está a venda. Por que você não vai a uma livraria?
(...)
- Xis!? Nunca ouvi falar disso! Por que não vai a uma lanchonete? Lá tem muitos Xis!
X-salada, X-burguer...
(...)
- Chico, ocê só me fez andá feito loco. Num discubri o valor do danado do xis.
- Num carece mais. A mãe me ajudô a resorvê o pobrema!
- Quar que é o valor do Xis, afinar?
- É treis! Pruque xis veiz treis é iguar a nove!
- Bão... Agora qui ocê resorveu seu pobrema, vamo pescá. O rio deve di ta cheio di
pexe!
- Aliás, Zé, pexe é cum xis ô cum ceagá?
- Como ocê é chato... ô xato?

LIBRA

23 de setembro/22 de outubro

A busca da beleza e do equilíbrio é marcante na personalidade das librianas.


Agradáveis e charmosas, elas sempre conseguem seu intento. São ambiciosas e nunca
desistem. Neste mês, o Sol em conjunção astral com Netuno vai iluminar todas as ações
das nascidas neste signo, ajudando-as no auto-conhecimento e a tomar decisões mais
corretas. Uma alerta: a posição lunar na primeira semana sugere que você não gaste à toa,
economize e abra uma poupança.

51
S.Carlos

Favor de comprar cera, lustra move, ajaque, e foco para a porta da sala
que está queimado.
Leitura e
A bassora de barre carçada quebrou o cabo. Na Samtana tem umas
Produção de boa que eu já vi. A mais simpre atura mais tempo. Tem vitamina das pranta.
Texto
Tião Marta.

CHUVA NO BREJO

Olha como a chuva cai


E molha a folha aqui na telha
Faz um som assim
Um barulhinho bom
Faz um som assim
Um barulhinho bom
Água nova
Vida veio ver-te
Voa passarinho
No teu canto canta
Antiga cantiga
No teu canto canta
Antiga cantiga.

NASCI ANTES DO TEMPO

Tudo que criei e defendi


nunca deu certo.
Nem foi aceito.
E eu perguntava a mim mesma
Por quê?

Quando menina,
ouvia dizer sem entender

quando coisa boa ou ruim


acontecia a alguém:
Fulano nasceu antes do tempo,
Guardei.

Tudo que criei, imaginei e defendi


nunca foi feito.

E eu dizia como ouvia

a moda de consolo:
Nasci antes do tempo.

52
Alguém me retrucou.
Você nasceria sempre
antes do seu tempo.
Não entendi e disse Amém.

ADMINISTRAR: V.t> 1. Exercer a administração de (negócios públicos ou


particulares). 2. Dar a tomar, ministrar (sacramento, remédio). 3. Aplicar, conferir V. int. 4.
Exercer as funções de administrador. * administrador adj. e s.m.

CONTINHO

Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho do sertão de Pernambuco.


Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho imaginando
bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:
- Você aí, menino, para onde vai essa estrada?
- Ela não vai não: nos é que vamos nela.
- Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.

CONTO

1. O texto abaixo é um conto ou uma crônica?

2. Retire dele os elementos da narrativa: espaço, tempo, personagens, foco narrativo


e temática.

3. Escolha uma passagem do texto que mais lhe mobilizou, comente-a e justifique
sua escolha.

TEXTO 1

A partida
Osman Lins

Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante.
Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em
minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava
farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido.
Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como
um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.Ela vivia a comprar-
me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já
sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.Na véspera da
viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia

53
seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-
me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres
nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as
horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos
Leitura e
esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem! Percebi
Produção de que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse
Texto isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que
incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália,
fui para a cama. Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto,
em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-
me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção. Minha
avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer
arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos
ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de
gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras. Por fim, ela veio ao meu
quarto, curvou-se. Acordado? Apanhou o lençol e ia cobrir-me (gostava disto, ainda hoje
o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela
saísse, dei-lhe as costas. Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E
quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos,
opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir-me, persistente, desagradável — imagens
de febre. Sentei-me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma
alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam
grilos, minha avó tossia e voltava-se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu
corpo. A tosse passou,emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei-
me. Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu
de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé
junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me
conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava
olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me
parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia
morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na
sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto. Afinal, ela beijou-
me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da
cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci. Acordei pela madrugada. A
princípio com tranqüilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono
esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me,
portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de
não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes
minhas cadeias de disciplina e de amor. Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha,
lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos,
sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou
falar com ela? Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus? Ela
estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei-lhe no ombro, ela se
moveu, descobriu-se. Quis levantar-se e eu procurei detê-la. Não era preciso, eu tomaria
um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não
houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou-se. Ralhava comigo por não tê-la despertado
antes, acusava-se de ter dormido muito. Tentava sorrir. Não sei por que motivo, retardei
ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto
ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a
mim, e à simples idéia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela

54
chorasse? Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe
surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-
me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente
posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada,
que só se usava em nossos aniversários.

CRÔNICA

Leia o texto abaixo:


Crônica publicada no jornal Folha de S. Paulo, em 28 de julho de 1991.

É de puxar os olhos

E o camarão se mexeu. O danado estava vivo! Posso parecer um pouco caipira, já


tinha comido peixe cru em restaurante japonês, mas cru e vivo, nunca! Foi só pegar no
bicho com os tais pauzinhos e vuupt, o camarão deu um salto de samurai de volta para o
prato. E assim progredia a visita ao Japão... Descer no aeroporto de Narita leva à reflexão
sobre o que incentiva milhares de nisseis a abandonarem o Brasil à procura de uma
oportunidade no Japão. Logicamente, ganhar dinheiro verdadeiro é uma razão. Em vez
de trocarem o seu esforço por uma moeda-piada do tipo cruzeiro, cruzado ou cruz-credo,
o conforto de botar alguns iens no banco e saber que ainda estará lá quando for verificar
o extrato. Até aí tudo bem. Mas fico pensando se o desespero é parte vital da decisão e se
os nossos nisseis sabem em que estão se metendo.
Esta semana foi interessante aqui. A primeira-ministra da França, Edith “menina-
veneno” Cresson, disse que os japoneses não sabem viver, que mais parecem umas
formigas. O pessoalzinho daqui ficou uma vara. Passados alguns dias, bomba em cima
de bomba com casos magistrais de corrupção nos mais altos níveis (ao leitor distraído
reafirmo que estou em Tóquio e não em Brasília). Começou com o Marubeni, acusado de
desvios de propinas para políticos. Aí, foi a vez da Nomura, a maior corretora de bolsa de
valores do mundo, que andou desviando dinheiro e dando propina para políticos. E, para
finalizar a novela da semana, a Itoman vê os seus executivos saírem algemados por
envolvimento em - pasmem! - desvio de fundos e propinas para políticos. E foram três
casos totalmente independentes um do outro...
Rumar para o Japão à procura do pote de ouro do fim do arco-íris é uma ingenuidade.
O Japão é moderno, mas as suas tradições milenares desafiam qualquer análise ou
compreensão superficial. É a meca da inovação, mas é também o país que mais copiou
produtos na história industrial. Tem ares de liberdade de mercado, mas é uma das nações
mais protecionistas e paternais do globo. É líder em tecnologia em diversas áreas, mas
só deixa japoneses legítimos assumirem qualquer cargo de importância nas empresas.
Fã do capitalismo livre, é mestre inigualável de intervenção estatal e poupança forçada.
É nação orgulhosa de sua raça, mas os seus ídolos de comerciais não têm nem mesmo
os olhos puxados, a exemplo de um comercial muito popular por aqui com o nosso “acerera
A-i-roton”! Aos nisseis que pensam em vir para cá, cabe a mesma reflexão que vale para
Nova Jersey ou Lisboa. Todas as nações têm muito a ensinar, mas também muito a
aprender. Nivelar as expectativas com os pés no chão fará com que nossos imigrantes
voltem algum dia ao Brasil para ajudar a desatolar o nosso país com o que vivenciaram
fora. É bom colocar tudo no prato para evitar, como no caso do meu camarão rebelde, que
se acabe comendo cru...

55
Texto extraído do livro de SEMLER, Ricardo. Embrulhando o Peixe -
crônicas de um empresário do sanatório Brasil. 2. ed. São Paulo: Best Seller,
1992. p. 58 - 59.
Leitura e
Produção de
Texto Com base na crônica e na manchete do jornal acima, tente realizar as
atividades a seguir:

1. Quais são as idéias defendidas pelo autor ao longo do texto? Tente fazer uma
lista com essas idéias.

2. Será que você tem a mesma opinião sobre esse assunto? Faça uma lista com
as suas idéias.

3. Em que parte do texto de Semler é mencionado o acontecimento que dá origem


à sua crônica? No início? Ao longo do texto?

4. Como o autor encerra sua crônica? Há alguma ligação entre a frase que encerra
e a que inicia a crônica?

5. O escritor estabeleceu alguma relação entre o Brasil e o fato ocorrido no Japão?

6. Qual o “recado” central que o autor do texto dá? Existe, na crônica, alguma frase
que sintetize essa idéia?

Indicações de leitura...

Lygia Fagundes Telles é a maior contista


brasileira viva. Desta vez, a indicação de leitura é
ampla: vale a pena ler qualquer obra desta autora.
Especial destaque para Antes do Baile Verde.
Dezoito dos melhores contos de Lygia se encontram
neste volume. Estes textos evocam um clima de
desencanto e dissipação. Quando tudo parece
correr bem, detalhes agudos e sutis desmentem
tal ilusão.

56
Atividade
Orientada
Leia o texto abaixo referenciado:

Gravidez na adolescência
Dr. Nelson Vitiello

A gravidez da mulher jovem não é um problema exclusivo de nossos dias; ao analisar


a história familiar, a maioria de nós poderá constatar que até 2 ou 3 gerações os casamentos
e gestações precoces eram comuns. Nossas avós casavam-se aos 15 ou 16 anos e
começavam a procriar, nunca ocorrendo a ninguém daquela época que isso pudesse ser
um problema, pois essas gestações eram desejadas. O que se tem constituído em
preocupação, nos dias atuais, é o crescente número de gestações indesejáveis e indesejadas
(ou talvez melhor dito “inoportunas”), surgidas como um “efeito colateral” do exercício mais
ou menos desorientado da sexualidade entre as adolescentes atuais que, pelas suas próprias
características, na maioria das vezes ainda não são capazes de avaliar e de assumir os
riscos e as conseqüências dessa vida sexual ativa.
O problema da gestação indesejada entre adolescentes passou a se tornar importante
a partir da década de 60. Nessa época, como resultado da revolução de costumes então
ocorrida, houve maior liberalização do exercício da sexualidade, que resultou em aumento
da freqüência de gestações indesejáveis entre adolescentes.

Dentre os inúmeros fatores que contribuíram para essa situação, os mais importantes
sem dúvida têm sido o uso e abuso da sensualidade nos meios de comunicação de massa
e as visíveis mudanças nos costumes e na constituição das famílias, conseqüentes à
acelerada urbanização. Além disso, ocorreu também uma perda da capacidade de controle
sobre a sexualidade das jovens, pois o ambiente das grandes cidades não mais permite
que nelas funcionem os tradicionais meios sociais e familiares de controle.
Tivemos assim nas últimas décadas um meio social que estimula os jovens
(especialmente as mulheres adolescentes) ao início da vida sexual ativa, sem, no entanto
prepará-los para o exercício consciente dessa sexualidade. Como seria de se esperar,
essa situação resultou num grande aumento da freqüência de doenças sexualmente
transmissíveis e de gestações indesejadas.
No Brasil, embora não existam estatísticas globais, dados do IBGE nos dão conta
que ocorrem cerca de 600 mil partos adolescentes por ano, aos quais devemos acrescentar
no mínimo outras 500 mil gestações que terminam em abortamento provocado.
Outra cruel faceta do problema é a do filho socialmente indesejado. A inadequação
social dessas crianças, muitas vezes abandonadas e mal amadas, é importante causa de
mortalidade infantil e de delinqüência juvenil.
Do ponto de vista orgânico, as pesquisas mais recentes vêm mostrando que as
complicações não são importantes, sendo os riscos, na verdade, muito mais psicológicos
e sociais do que propriamente físicos. Tanto é assim que a gestação transcorre praticamente
sem problemas, quando desejada e em situação socialmente favorável. Gestantes
adolescentes têm, por exemplo, maior freqüência de elevação da pressão arterial; esse
quadro, no entanto, se adequadamente assistido não leva a conseqüências sérias. Outros

57
problemas, como as anemias, surgem basicamente por ser mais difícil o
acesso à assistência pré-natal. Essa mesma dificuldade contribui para que
sejam mais freqüentes entre mães adolescentes os partos prematuros.
Lembremos que uma vez instalada uma gestação indesejada, a
Leitura e
adolescente só tem três soluções possíveis, nenhuma delas satisfatória em
Produção de todos os sentidos; abortamento, casamento de conveniência ou, se as
Texto anteriores não forem as eleitas, ser mãe solteira adolescente.
O abortamento provocado, pelos riscos que traz, não é evidentemente
uma opção desejável; o casamento por conveniência, leva a freqüentes separações e,
quando não, a um convívio infeliz; finalmente, ser mãe solteira adolescente tem imenso peso,
num meio preconceituoso como é o nosso. Assim, nenhuma dessas três soluções é a ideal,
cada uma delas criando novos problemas.
A solução, evidentemente, não está em reprimir a sexualidade dos adolescentes,
mas sim em prepará-los para o seu exercício, introduzindo o uso de metodologia
anticoncepcional em seus hábitos de comportamento. Em outras palavras, a solução só
será possível com a instalação de programas coerentes e duradouros de educação sexual.

Referência:
VITELLO, Nelson. Gravidez na adolescência. Pais & Teens, fev/mar/abr.1997. p.16.

Etapa 1
Após a leitura e interpretação do texto Gravidez na adolescência, de Nelson Vitello,
responda as seguintes questões:

1. Quais as comparações feitas pelo autor entre a adolescente do passado e da


contemporaneidade?

2. Segundo o autor, quais as causas da gestação indesejada?

3. O autor utiliza dados do IBGE para argumentar através de dados objetivos. Identifique
o ponto de vista do autor sobre o tema: Gravidez na adolescência, e liste os argumentos
usados por ele para sustentar tal posicionamento.

4. O autor aponta três possíveis soluções para o problema. Reescreva-as e posicione-


se em relação a elas, ou seja, informe e justifique se você é a favor ou contra a cada uma
delas.

58
Etapa 2
Elabore um resumo do texto, utilizando as idéias centrais de cada parágrafo. Para
isso, você deve fazer primeiro uma leitura atenciosa.

Etapa 3
Produza uma crônica, conforme o tema indicado e as orientações abaixo:

“ TEMA: Gravidez na adolescência: aborto, casamento


por conveniência, mãe solteira. O que fazer quando nenhuma
das soluções possíveis é a desejada?

informações obtidas por você:

- Qual o tema a ser discutido?



a) Responda as seguintes questões sobre a manchete, a fim de demonstrar as

- Em que momento tal assunto acontece na sociedade ou na vida das pessoas?


- Onde este tipo de problema acontece?
- Como acontece?
- Quem se envolve neste tipo de acontecimento? Faça descrição física e psicológica.
- Por que acontece?
- Você lembra de algum outro fato ocorrido com você ou com qualquer outra pessoa
possível de ser relacionado com o fato da manchete?

b) Complete as frases abaixo, para que você reflita e exponha seu ponto de vista
sobre a manchete:

“Quando penso nesse fato, a primeira idéia que me vem à mente...”;


“Na minha opinião esse fato é...”;
“Se eu estivesse nessa situação, eu...”;
“Ao saber desse fato eu me senti...”;
“Sobre esse fato, as pessoas estão dizendo que...”;
“A solução para isso...”;
“Esse fato está relacionado com a minha realidade, pois...”.

c) Organize suas idéias. Agora que você já formou opiniões sobre o acontecimento
escolhido, é hora de escrever sua crônica.

59
Glossário
Leitura e
LÍNGUA: sistema gramatical composto por estruturas mínimas
Produção de denominadas signos lingüísticos, pertencente a um grupo de indivíduos. Criação
Texto da sociedade que sofre evolução contínua

LINGUAGEM: todo sistema de sinais que serve de meio a comunicação entre os


indivíduos. É uma atividade psíquica e social;

IDIOMA: língua de um povo;

VARIEDADE LINGÜÍSTICA: como a língua é um fenômeno social, não existe a língua


unitária, mas uma diversidade de línguas que compõem a língua, desta forma a variedade é
inerente a língua.

GRAMÁTICA: estudo ou tratado dos fatos da linguagem falada e escrita e das leis
que a regulam; livro que contém as regras e os princípios que regem o funcionamento de
uma língua;

TEXTO:ocorrência lingüística falada ou escrita; unidade de linguagem em uso;


constrói-se na interação verbal; é uma unidade significativa constituída de estrutura
formal.

DISCURSO: a língua na execução individual.


no ato da interação sócio-comunicativa.

PALAVRA: som ou conjunto de sons articulados com uma significação;


termo;vocábulo.

LINGÜÍSTICA: ciência criada no século XX por Ferdinand de Saussure com o intuito


de estudar a linguagem verbal humana, os signos lingüísticos e a estrutura da língua.

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Referências
Bibliográficas

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Anotações
Leitura e
Produção de
Texto

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Anotações

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Leitura e
Produção de
Texto

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Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância
Democratizando a Educação.
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