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ORIENTAÇÕES para

PROFISSIONAIS

1
Sumário
Apresentação 3
Definição de Violência (OMS) 6
Definição de Criança e Adolescente (ECA) 7

1
TIPOS DE VIOLÊNCIA 7
Violência Física 9
Violência Sexual 9
Violência Psicológica 10
Negligência 10
Violência Doméstica 11

COMO IDENTIFICAR

2
SINAIS DE VIOLÊNCIA 13
Violência Física 15
Violência Sexual 15
Violência Psicológica 16
Negligência 17
O que fazer 19

3
O PAPEL DO PROFISSIONAL 19
O papel do profissional de saúde 21
O processo de notificação 22
Fluxo de Atendimento e rede de atenção intra e
intersetoriais 25
Rede Intrassetorial 28
Rede Intersetorial 30
Serviços Úteis no combate à violência contra
crianças e adolescentes 33
Onde Saber Mais 35

2
Apresentação
A violência contra crianças comportamentos inadequados.
e adolescentes é uma triste reali- A violência contra a criança
dade, responsável por altas taxas e o adolescente, portanto, é um
de mortalidade e de morbidade sério problema de saúde pública
no Brasil. O não reconhecimento com raízes históricas, culturais,
destas vítimas como sujeito de di- sociais e políticas. Esse tipo de
reitos contribui para essas taxas, violência se configura como uma
o que pode acarretar na naturali- violação dos direitos estabeleci-
zação de um padrão intrafamiliar dos pelo Estatuto da Criança e
violento. Os Serviços de Saúde, do Adolescente (ECA) que pre-
enquanto agentes de garantia e coniza que nenhuma criança ou
proteção de direitos, não podem adolescente poderá ser objeto de
deixar de conhecer e entender o qualquer forma de negligência,
fenômeno da violência a fim de discriminação, exploração, vio-
enfrentá-lo, ao lado de outros se- lência, crueldade e opressão.
tores governamentais e não go- Nesse contexto, toda a socie-
vernamentais. dade, as famílias e os profissionais
A devida intervenção é ne- de saúde e da educação têm um
cessária para a recuperação da papel fundamental no combate à
saúde das vítimas, assim como violência contra nossas crianças
para minimizar os riscos de a vio- e adolescentes. No caso específi-
lência se perpetuar por gerações co dos profissionais de saúde, es-
seguidas nas famílias, visto que tes têm um lugar privilegiado de
as experiências vividas na infân- observação e acompanhamento
cia e na adolescência se refletem da saúde das crianças e adoles-
na personalidade adulta. A vio- centes. Entretanto, é comum que
lência gera sentimentos como o os profissionais tenham dúvidas
desamparo, o medo, a culpa ou a em relação as suas atribuições e
raiva, dentre outros, que, não po- no manejo dos casos.
dendo ser manifestados ou tra- Pesquisa desenvolvida no
tados, podem se transformar em município de Belém-PA, no pe-
3
ríodo de 2011 a 2014 (Veloso, de educação permanente voltada
2015), revelou que cerca de 30% aos profissionais de saúde, para
dos profissionais de saúde disse- que os dispositivos legais possam
ram nunca ter identificado uma ser efetivados na prática cotidia-
criança ou adolescente vítima de na desses profissionais, garantin-
algum tipo de violência em sua do a proteção integral às crianças
rotina de trabalho, o que pode e adolescentes a partir de ações
estar relacionado às dificuldades intra e intersetoriais. Para contri-
em identificar os casos e realizar buir nessa direção, foi elaborada
os encaminhamentos necessá- esta cartilha que poderá ser utili-
rios. zada como suporte em ações de
As principais dúvidas des- educação permanente, bem como
critas por esses profissionais de por profissionais de saúde no seu
saúde foram: cotidiano de trabalho.
Acreditamos que a identi-
• Como identificar sinais e ficação, a prevenção primária e
sintomas de violência; o cuidado mais abrangente dos
casos de violência que chegam
• Como realizar o processo de ao serviço de saúde são ações
notificação e encaminhamen- possíveis, que demandam a sen-
to (preenchimento da ficha, sibilização profissional e o de-
fluxos, protocolos e a rede de senvolvimento de ações de for-
proteção); mação continuada, dando-lhes as
devidas condições instrumentais
• Como abordar as vítimas, em e esclarecendo as suas respon-
especial as famílias; sabilidades para com as crian-
ças e os adolescentes. Também
• A atribuição de cada profis- é importante estimular, além de
sional em casos de violência; uma atuação setorial específica, a
participação nas políticas, estra-
• As questões referentes à éti- tégias e ações intersetoriais que
ca profissional em casos de busquem fortalecer a participa-
violência. ção e a cidadania, consideran-
Os resultados demonstra- do que o conceito de saúde tem
ram a urgência de uma política como eixo central a qualidade de

4
vida. As dificuldades inevitáveis
se tornam mais brandas quando
enfrentadas com afeto e solida-
“A violência
riedade. contra a crian-
ça e o adoles-
cente, portanto,
é um sério
problema de
saúde pública
com raízes
históricas, cul-
turais, sociais e
políticas.”

5
DEFINIÇÃO DEFINIÇÃO
DE VIOLÊNCIA DE CRIANÇA E
(OMS) ADOLESCENTE
De acordo com a Organiza- (ECA)
ção Mundial da Saúde (OMS), a
violência é o uso de força física Os profissionais de saúde de-
ou poder, em ameaça ou na prá- vem considerar as definições de
tica, contra si próprio, outra pes- criança e adolescente estabeleci-
soa ou contra um grupo ou co- das pelo Estatuto da Criança e do
munidade que resulte ou possa Adolescente (ECA), Lei nº 8.069,
resultar em sofrimento, morte, Art. 2º. Para o ECA, considera-se
dano psicológico, desenvolvi- criança a pessoa até doze anos de
mento prejudicado ou privação idade e adolescente aquela entre
(KRUG et al., 2002). doze e dezoito anos de idade.

6
1
01 Violência Física
02 Violência Sexual
03 Violência Psicológica
04 Negligência
05 Violência Doméstica

TIPOs
de
violência
7
8
VIOLÊNCIA VIOLÊNCIA
Física SEXUAL
Qualquer ação, única ou re- O abuso sexual intrafami-
petida, não acidental (ou inten- liar é um fenômeno universal
cional) cometida por um agente que ocorre em todas as idades,
agressor adulto, ou mais velho etnias, classes sociais, religiões
que a criança e adolescente, que e culturas, principalmente o in-
lhes provoque consequências cestuoso, praticado por alguém
leves ou extremas como a mor- que a criança conhece, ama e
te. Também identificada como em quem confia. Ocorre abuso
maus-tratos físicos, se constitui sexual quando a criança é usa-
pelo emprego de força física in- da para satisfação sexual de um
tencional por parte de familiares, adulto ou adolescente mais ve-
responsáveis e pessoas próximas lho, membro do grupo familiar
à criança e ao adolescente que ou não, incluindo desde a prática
em geral deixa marcas visíveis no de carícias, manipulação de geni-
corpo. A violência física tem sido tálias, mama ou ânus, exploração
empregada como justificativa sexual, voyeurismo, pornografia,
para “disciplinar e educar” crian- exibicionismo, até o ato sexual,
ças e adolescentes” mas sua apli- com ou sem penetração, sendo
cação precisa ser problematizada a violência sexual sempre pre-
junto aos familiares, que devem sumida em menores de 14 anos.
ser orientados a utilizar formas O abuso acontece em segredo,
não violentas na educação de imposto por violência, ameaças
seus filhos (BRASIL, 2010). ou mesmo sem palavras, segre-
do que tem como função manter
uma coesão familiar e proteger
a família do julgamento de seu
meio social (BRASIL, 2010; FUR-
NISS, 1993; GABEL, 1997).

9
VIOLÊNCIA te. Configura-se quando os pais
ou responsáveis cometem falhas
PSICOLÓGICA sistemáticas com as responsabi-
lidades básicas como alimentar,
Também designada como vestir adequadamente seus fi-
“Tortura Psicológica”, ocorre lhos, realizar acompanhamento
quando um adulto constante- médico, dentre outras necessida-
mente deprecia uma criança ou des, desde que essas falhas não
adolescente, seja por meio de sejam o resultado das condições
punições exageradas ou para sa- socioeconômicas das famílias.
tisfazer necessidades psíquicas Neste caso as famílias precisam
próprias, bloqueando na crian- de acompanhamento e encami-
ça e adolescente seus esforços nhamento para rede assistencial
de autoaceitação, causando-lhe (BRASIL, 2010).
grande sofrimento mental e pre-
judicando o seu desenvolvimen-
to biopsicossocial. Este tipo As formas de violência descri-
de violência está, muitas vezes, tas a seguir são caracterizadas
associado aos demais, e é de di- como violência interpessoal,
fícil identificação pois não deixa pois ocorrem na interação entre
marcas evidentes no corpo. Sua pessoas. Além delas, existe a
identificação requer acompanha- violência autoprovocada, que
mento da criança e do adolescen- diz respeito ao comportamento
te e deve ser associada a uma es- suicida de inferir danos con-
cuta qualificada do profissional e tra si. Para fins de notificação,
da equipe responsável. a violência só é considerada
autoprovocada entre adolescen-
tes maiores de 10 anos. Antes
NEGLIGÊNCIA disso, toda violência da criança
contra si própria é considerada
Representa uma omissão na negligência por parte dos res-
provisão das necessidades bási- ponsáveis.
cas físicas e emocionais para que
uma criança ou adolescente pos-
sa se desenvolver adequadamen-

10
VIOLÊNCIA materializada em abuso físico,
sexual, psicológico, abandono e
DOMÉSTICA negligência.
A violência doméstica é
Segundo Azevedo e Guerra aquela que ocorre no território
(2005), violência doméstica con- do lar, o qual pode ser entendido
tra crianças e adolescentes é todo não apenas como espaço físico,
ato ou omissão praticada por mas como local relacional onde
pais, parentes ou responsáveis tal violência se faz presente.
contra crianças e/ou adolescen- Além disso, a violência domés-
tes que, sendo capaz de causar tica não é praticada apenas por
danos físico, sexual e/ou psico- pais, tios ou avós, mas ainda por
lógico à vítima, implica, de um babás, padrastos, madrastas, en-
lado, uma transgressão do poder/ tre outros componentes do espa-
dever de proteção do adulto e, de ço relacional familiar da criança
outro, uma coisificação da infân- ou adolescente
cia, isto é, uma negação do direi-
to que crianças e adolescentes Violência de gênero:
têm de ser tratados como sujeitos Formas de opressão estruturalmente
e pessoas em condição peculiar construídas nas relações homem-mulher,
vitimizando de forma mais contundente
de desenvolvimento. as mulheres.
Constitui-se como um abu-
so de poder de um agente mais Violência intrageracional:
forte sobre um mais vulnerável, Constituição de relações de poder abusi-
vas e assimétricas entre crianças e adul-
seja por meio da violência de tos, em que as primeiras são vitimizadas
gênero, ou intergeracional, po- por sua vulnerabilidade.
dendo ser observada em todas
as classes sociais. Se entendida
como sinônimo de violência fa-
miliar ou intrafamiliar, inclui não
somente a violência contra crian-
ças e adolescentes, mas também
a violência conjugal. Trata-se da
violação dos direitos fundamen-
tais da criança e do adolescente

11
12
2
01 Violência Física
02 Violência Sexual
03 Violência Psicológica
04 Negligência

como
identificar
sinais de
violência
13
14
VIOLÊNCIA FÍSICA VIOLÊNCIA SEXUAL
Lesões de pele, como lacerações, Dor de cabeça frequente, inespe-
eritemas, hematomas ou queima- cífica;
duras que reproduzem o instru-
mento agressor (marcas de fios, Erupções na pele;
cinto, mãos, cigarro);
Vômitos, dificuldades digestivas,
Lesões circulares, como em pul- que têm, na realidade, fundo psi-
seira, tornozeleira ou colar, indi- cológico e emocional;
cando possíveis amarras;
Laceração do freio dos lábios e/
Queimaduras por líquidos quen- ou do hímen;
tes cuja distribuição na pele não
respeita a ação da gravidade; Doenças Sexualmente Transmis-
queimaduras em forma de luvas síveis (DST), principalmente em
(nas mãos) ou meias (nos pés), ou crianças
em região de nádegas ou períneo;
Infecções urinárias, odor vaginal,
Fraturas gerais; corrimento ou outras secreções
vaginais e penianas e cólicas in-
Lesões crânio-encefálicas e le- testinais;
sões de face;
Dificuldade de engolir devido à
Envenenamentos e intoxicações. inflamação causada por gonor-
reia na garganta (amídalas) ou
reflexo de engasgo hiperativo e
vômitos (por sexo oral);

Dor, inchaço, lesão ou sangra-


mento nas áreas da vagina ou
ânus a ponto de causar, inclusi-
ve, dificuldade de caminhar e de
sentar;

15
Canal da vagina alargado, hímen VIOLÊNCIA
rompido e pênis ou reto edema-
ciados ou hiperemiados; PSICOLÓGICA
Baixo controle dos esfíncteres, Problemas de saúde sem causa or-
constipação ou incontinência fe- gânica;
cal;
Distúrbios do sono, afecções cutâ-
Sêmen na boca, nos genitais ou na neas;
roupa;
Disfunções físicas em geral;
Gravidez precoce ou aborto;
Sequelas emocionais;
Traumatismo físico ou lesões cor-
porais por uso de violência física. Isolamento social;

Sinais comportamentais como Carência afetiva;


isolamento, comportamento au-
todestrutivo, distúrbios do sono, Baixo conceito de si;
medos inexplicáveis de pessoas e
lugares em particular; Regressão a comportamentos in-
fantis;
Mudanças nos hábitos alimenta-
res. Submissão e apatia;

Dificuldades e problemas escola-


res;

Tendência suicida.

16
NEGLIGÊNCIA atividades, adolescentes com
muito tempo livre sem supervi-
Aspecto de má higiene (corporal, são, expostos ao provável conta-
roupas sujas, dermatite de fral- to com ambientes de risco.
das, lesões de pele de repetição);

Roupas não adequadas ao clima


local;

Desnutrição por falta de alimen-


tação, por erros alimentares per-
sistentes, por restrições devido a
ideologias dos pais (vegetarianos
estritos, por exemplo);

Tratamentos médicos inadequa-


dos (não cumprimento do calen-
dário vacinal, não atendimento
de recomendações médicas, com-
parecimento irregular ao acom-
panhamento de patologias crôni-
cas, internações frequentes);

Distúrbios de crescimento e de-


senvolvimento sem causa orgâ-
nica;

Falta de supervisão da criança,


propiciando lesões e acidentes de
repetição;

Frequência irregular à escola, es-


colaridade inadequada à idade;

Grandes períodos de tempo sem


17
O QUE ao desenvolvimento saudável de
crianças e adolescentes.
FAZER?
Quando a família está viven-
do uma situação de violência,
Não se deve
ela está sinalizando que precisa criminalizar
de ajuda, demonstrando através
dos atos violentos empregados as famílias.
contra seus membros que há “Vale lembrar
conflitos e sofrimentos. Logo, ela
precisa de apoio para encontrar que a parceria
alternativas de convivência que
não se fundamentem apenas na
nesses casos
resolução dos conflitos através é fundamental
da violência, tampouco a sua dis-
solução seja o único caminho.
para uma
A atuação nesta família com intervenção que
dificuldades deve ser orientada
a partir de estratégias e formas proteja as
para desenvolver ou redescobrir crianças e
o afeto e o cuidado dentro dela,
por meio de uma atitude não jul- adolescentes.”
gadora, mas acolhedora e com-
preensiva, sem deixar de lado a
responsabilização de possíveis
agressores. Por isso, ao notificar
ou denunciar algum tipo de vio-
lência doméstica, é preciso que
esses procedimentos sejam reali-
zados em parceria com as pesso-
as da família, sensibilizando tais
grupos para a importância do
cuidado em saúde como forma
de inclusão social e de respeito

18
01 O papel do profissional de saúde

3
02 O processo de notificação
03 Fluxo de Atendimento e rede de atenção in-
tra e intersetoriais
04 Rede Intrassetorial
05 Rede Intersetorial
06 Serviços Úteis no combate à violência contra
crianças e adolescentes

0 papel
do
profis-
sional 19
20
O PAPEL DO e, por conseguinte, assegurado-
res de direitos.
PROFISSIONAL Portanto, segundo o Protoco-
DE SAÚDE lo de Atenção Integral a Crianças
e Adolescentes Vítimas de Vio-
Diante de uma situação de lência (GUZZO et al. 2010), é de-
suspeita ou confirmação de vio- ver do profissional de saúde:
lência contra a criança e o ado- 1. Saber trabalhar em equipe
lescente, o profissional de saúde interdisciplinar;
DEVE adotar algumas posturas 2. Saber ouvir, observar e
similares, independente de sua aceitar o que a criança e o ado-
especialidade, seja psicólogo, lescente falam.
médico, nutricionista, enfermei- 3. Não fazer perguntas em
ro, assistente social, odontólogo demasia, sem questionar o que
ou outro. Por isso, é importante está sendo relatado, evitando de-
que, além de uma sensibilização talhes desnecessários;
individual por parte do profis- 4. Deixar claro que a vítima
sional frente ao problema, haja não deve se sentir culpada ou en-
uma política institucional dentro vergonhada pelas situações sofri-
das unidades de saúde em dife- das;
rentes níveis de atendimento, 5. Revitimização: Evitar que
com a função de nortear proto- a criança tenha que repetir sua
colos mais claros de ação para o narrativa várias vezes a outros
enfrentamento de situações de profissionais, para que não se
violência no setor saúde em uma amplie seu sofrimento;
articulação interdisciplinar com 6. Orientação: Orientar a
todas as áreas deste. criança ou adolescente sobre to-
No entanto, a falta destas po- dos os procedimentos que serão
líticas dentro do ambiente de tra- adotados;
balho dos profissionais não deve 7. Sigilo: Não prometer à ví-
impulsioná-los a uma atitude tima ou à família o que não pu-
conformista, mas sim movimen- der cumprir, como, por exemplo,
tá-los àcobrança e à mobilização guardar segredo de todas as in-
no cumprimento de papéis possí- formações obtidas;
veis enquanto agentes de saúde, 8. Singularidade: Levar em

21
conta a singularidade de cada si- histórico, as palavras da criança
tuação e o processo de resiliência ou adolescente, sem interpreta-
próprio de cada sujeito. ções pessoais ou pré-julgamen-
9. Trabalhar juntamente tos;
com a equipe interdisciplinar 14. Notificar: toda suspeita
com o propósito de tirar o usuá- de violência deve ser notificada.
rio do lugar de vítima e de trans- Lembrando que notificar não é o
formá-lo em sujeito autônomo, mesmo que denunciar.
sem esquecer que, por outro lado,
no eixo da responsabilização e da
defesa de direitos, a criança ou
O PROCESSO DE
adolescente é vítima sim e pre- NOTIFICAÇÃO
cisa ter seus direitos garantidos,
e o agressor(a), por conseguinte, O ato de notificar é uma ação
precisa ser punido para que o ci- de saúde essencial e obrigatória
clo de violência seja rompido; para a vigilância e para o moni-
10. Linguagem: Ter bom toramento da violência, assim
senso quanto ao uso da lingua- como para o registro de dados
gem, da posição corporal e da epidemiológicos que auxiliam na
disposição do espaço físico em construção de políticas públicas
que o atendimento ocorre; é pre- de prevenção. Trata-se, assim,
ciso conversar com o usuário do início de um processo que
em uma posição em que ele, es- visa garantir assistência e cuida-
pecialmente quando se trata de dos sociossanitários por meio do
criança, possa olhar e ser olhado; apoio das instituições e de pro-
11. Acolhimento: É preciso fissionais da rede de proteção à
procurar compreender o que o criança e adolescente.
usuário espera da intervenção e Veloso et al. (2013) consta-
se há clareza disso no contrato taram que no período de 2009 a
que se estabelece com ele. 2011, 85,1% dos casos notificados
12. Documentar: Registrar na cidade de Belém são referen-
de forma detalhada todo o pro- tes a crianças e adolescentes. A
cesso de avaliação, diagnóstico e maioria das vítimas de violência
tratamento; é do sexo feminino e o tipo mais
13. Transcrever: descrever o notificado de violência cometida

22
em mulheres é a violência sexual posteriormente, da Portaria nº
(41,8%), seguida da violência psi- 1.271 de 06 de junho de 2014, a
cológica/moral (26,3%) e da vio- notificação de violências passou
lência física (24%). A maioria dos a integrar a lista de notificação
casos notificados de violência se- compulsória, universalizando a
xual acontece na casa da própria notificação para todos os servi-
vítima, os homens ainda come- ços de saúde.
tem a maioria dos casos de vio- Para um registro de maior
lência, e as crianças muito novas qualidade da ficha de notifica-
são as maiores vítimas de casos ção, é essencial que o profissio-
fatais de violência física. nal de saúde a preencha com o
Por meio desses dados, po- maior número de informações
de-se entender a importância possíveis, ainda que na parte de
da notificação não apenas como observações adicionais no verso
meio emergencial de interromper da ficha. Essa conduta permite
a violência no âmbito familiar, que, ao chegar ao Departamento
mas também como instrumen- de Vigilância da Saúde (DEVS),
to para que se possa traçar um a ficha de notificação possa ser
perfil acerca da violência, suas compreendida adequadamente,
tipificações e seus agentes inter- criticada e inserida no sistema de
nos e externos, possibilitando um informação.
arcabouço de informações neces-
sárias para o planejamento de es-
tratégias de enfrentamento e de
proteção integral concernentes
com a população atingida.
Para o Ministério da Saúde, a
violência contra crianças e ado-
lescentes está inserida no gru-
po de Doenças e Agravos Não
Transmissíveis (DANT), na clas-
sificação “Violência interpessoal
e autoprovocada”. Desde 2011,
com a publicação da Portaria nº
104 de 25 de janeiro de 2011, e,

23
Lembre-se:
Notificar é comunicar
para proteger e ga-
rantir serviços. Já a
denúncia é o registro
da ocorrência na de-
legacia. A notificação
não necessariamente
gera denúncia.

ATENÇÃO: É necessário que a ficha seja preenchida em três vias - a


ficha original deve ser encaminhada ao serviço de Vigilância em Saú-
de/Epidemiológica, da Secretaria de Saúde do Município em menos
de 24h após a suspeita/identificação; a segunda via pode ser enca-
minhada ao Conselho Tutelar e/ou autoridades competentes (Varas
da Infância e da Juventude ou Ministério Público), no entanto também
é recomendado que se faça essa comunicação ou por telefone ou por
escrito através de um relatório; e a terceira via fica na Unidade de
Saúde que notificou o caso de violência.
24
FLUXO DE
ATENDIMENTO E REDES
DE ATENÇÃO INTRA E
INTERSETORIAIS
A Figura 1 apresenta a Linha de Cuidado para a Atenção In-
tegral à Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias em Situação
de Violência, mostra o funcionamento desses fluxos de atendimento.

Acolhimento Atendimento

Realizar consulta clínica: anamnese, exame física


Receber crianças, adoles-
e planejamento da conduta para cada caso.
centes e famílias de forma
empática e respeitosa,
por qualquer membro da
equipe;.

Acompanhar o caso e pro-


ceder os encaminhamentos
necessários, desde a sua Violência Física, sexual
entrada no setor saúde até ou negligência/abandono Violência Psicológica
o seguimento para a rede
de cuidados e proteção Tratamento e profilaxia; Avaliação Psicológica;
social;
Avaliação Psicológica; Acompanhamento terapêu-
Adotar atitudes positivas e tico, de acordo com cada
de proteção à criança ou Acompanhamento terapêu- caso;
ao adolescente; tico, de acordo com cada
caso; Acompanhamento pela
Atuar de forma conjunta atenção primária/Equipes
com toda a equipe. Acompanhamento pela Saúde da Família;
atenção primária/Equipes
Saúde da Família; CAPS ou rede de proteção
CRAS; CREAS/Escolas, CTA
CAPS* ou CAPSI*; ou pela e etc.
rede de proteção CRAS*;
CREAS*/Escolas, CTA* ou
outros complementares.

25
Para que se concretize uma proteção integral efetiva a crian-
ças e adolescentes em situação de violência, os fluxos de atendimento
devem funcionar de forma articulada com todos os serviços de pro-
teção disponíveis, sejam eles intra ou intersetoriais, regulando corre-
tamente os encaminhamentos necessários e promovendo ações que
permitam um acompanhamento continuado dessas famílias.

Notificação Seguimento na rede de


cuidado e de proteção social

Preencher ficha de notificação;


Acompanhar a criança ou adoles-
Encaminhar a ficha ao Sistema de
cente e sua família até a alta, com
Vigilância de Violência e Acidentes
planejamento individualizado para
(Viva), da Secretaria Municipal de
cada caso;
Saúde (SMS);
Acionar a rede de cuidado e de
Comunicar o caso ao Conselho
proteção social, existente no ter-
Tutelar, da forma mais ágil possível
ritório, de acordo com a necessi-
(telefone ou pessoalmente ou com
dade de cuidado e proteção, tanto
uma ficha de notificação);
na própria rede de saúde (atenção
primária/Equipes Saúde da Família,
Anexar cópia da ficha ao pron-
Hospitais, Unidade de Urgências,
tuário/boletim do paciente;
CAPS, ou CAPSI, CTA, SAE), quanto
na rede de proteção e defesa
Acionar o Ministério Público quando
(CRAS, CREAS, Escolas, Ministério Pú-
necessário, especialmente no caso
blico, Conselhos Tutelar e Varas da
de interrupção de gravidez em
Infância, Juventude, entre outros.)
decorrência de violência Sexual.

Figura 1. Ministério da Saúde, 2010.

*CAPS: Centros de Atenção Psicossocial; CAPSI: Centro de Atenção


Psicossocial Infantil; CRAS: Centro de Referência de Assistência So-
cial; CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social;
CTA: Centro de Testagem e Aconselhamento; SAE: Serviço de Atenção
Especializado.

26
Ainda que o setor saúde ve- cas para a implementação de pro-
nha a ser o receptor do primeiro jetos comuns nas comunidades.
contato com as pessoas que so-
frem violência, a complexidade
do fenômeno exige um fluxo de “É importante que
atendimento ampliado o sufi-
ciente para alcançar a flexibili-
conheçamos o papel
dade necessária para a execução de cada componen-
plena de todas as dimensões do te da rede de cui-
cuidado descritas na imagem: dados intra e inter-
acolhimento, atendimento, noti- setoriais para dar
ficação e seguimento para a rede maior credibilidade
de cuidados e proteção social.
É importante que conheça-
aos serviços pres-
mos o papel de cada componente tados e para que o
da rede de cuidados intra e in- acompanhamento
tersetoriais para dar maior cre- e a fiscalização dos
dibilidade aos serviços prestados casos possam ser
e para que o acompanhamento e feitos de maneira
a fiscalização dos casos possam
ser feitos de maneira correta. A
correta.”
partir do conhecimento e da ar-
ticulação institucional entre as Dessa forma, devemos pro-
redes de forma cooperativa e em curar os serviços intrassetoriais
direção ao compartilhamento de (serviços em nível de saúde) e in-
recursos, o profissional de saúde tersetoriais (sistemas territoriais
estará mais bem capacitado para de proteção social, justiça e direi-
verificar a frequência de retornos, tos humanos) que atuam na rede
agendar interconsultas, realizar de proteção a crianças e adoles-
e avaliar exames complementa- centes em situação de violência:
res posteriores, reunir-se com a
equipe intra e intersetorial para a
avaliação do prognóstico clínico
e social de cada caso e participar
da formulação de políticas públi-

27
REDE cada caso dentro das unidades de
saúde básicas, especializadas ou
INTRASSETORIAL mesmo do domicílio da pessoa
atendida.
Equipes de atenção Pri-
mária/Saúde da Família Serviços de atenção es-
(ESF) pecializada, urgência e
emergência
Os profissionais que traba-
lham com o nível primário de Vinculados a um estabeleci-
saúde, como porta de entrada do mento de saúde, público ou con-
SUS (Sistema Único de Saúde), veniado com a rede SUS (hospi-
estão geograficamente mais pró- tal, maternidade, Unidades de
ximos da comunidade que aten- Urgência e Emergência, Centros
dem, estando, por isso, teorica- de Aconselhamento e Testagem
mente mais aptos a identificar a – CTA), ou ONG (Organizações
violência que ocorre dentro dela. não governamentais). Os profis-
Estes profissionais devem agir sionais atuantes nesses serviços
sobre cuidados de promoção e devem possuir equipes multipro-
prevenção aos problemas de saú- fissionais e agir sob um protoco-
de mais comuns na população, lo institucional prévio, podendo
exercendo ações como: acolhi- também exercer o primeiro con-
mento inicial; ações educativas tato com a criança e adolescente
sobre o uso abusivo de álcool e vitimado pela violência, tendo
drogas; garantia de exames com- por obrigação, nesses casos, ini-
plementares; fornecimento de ciar o atendimento desde o aco-
medicamentos básicos; orienta- lhimento até a sua devida notifi-
ção para os cuidados a respeito cação.
da saúde sexual/reprodutiva de
crianças e adolescentes; articu-
lação com os serviços de saúde
mental; ações preventivas sobre
a violência; promoção de uma
cultura de paz na comunidade; e
acompanhamento da evolução de

28
Unidades de Pronto Aten- e agressores. Os Caps podem
dimento (UPA 24h) ser denominados como serviços
extra-hospitalares, de atenção
Estruturas intermediárias en- diária, de base comunitária e
tre Unidades Básicas e portas de possuidores de uma equipe mul-
urgências hospitalares. Integran- tiprofissional, que visa, por meio
tes do componente pré-hospita- da rede básica de saúde, cuidar e
lar, devem ser implantadas em inserir socialmente pessoas que
unidades territoriais estratégicas, sofrem com transtornos mentais.
pois o atendimento nestas está
relacionado ao trabalho do Ser- Centro de Atenção Psi-
viço Móvel de Urgência – Samu cossocial Infanto-Juvenil
192 - que deve organizar o fluxo (CAPSI)
de atendimento e encaminhar a
vítima ao serviço adequado. Este Serviço de atenção diária
serviço também integra a rede de destinado à crianças e adoles-
atenção especializada, em casos centes portadores de transtornos
de violências com aparência mais mentais graves, como autismo,
grave, como agressões físicas, psicoses, neuroses graves e usu-
violência sexual ou tentativa de ários abusivos de álcool e drogas.
suicídio. Tem o papel de acompanhar a si-
tuação de violência quando esta
Centro de Atenção Psi- é adjacente ao transtorno e à difi-
cossocial (CAPS): culdade de manutenção de laços,
e não quando é a sua causa.
Como porta de entrada da
rede assistencial em saúde men- Centro de Atenção Psi-
tal, os Caps devem ser referência cossocial para Usuários
em ações que promovam o for- de Álcool e Outras Dro-
talecimento dos indivíduos para gas (CAPS AD)
a quebra do ciclo de violência e
o acompanhamento de marcas Oferece atendimento diário
emocionais e psíquicas das situ- a pessoas que fazem uso prejudi-
ações a que estas famílias estão cial de álcool e drogas, por meio
expostas, englobando vítimas de um planejamento terapêutico

29
e intervenções precoces. nições de estratégias de interven-
ção intersetoriais, da capacitação
Núcleo de Apoio à Saúde de profissionais de saúde e outros
da Família (NASF): atores da rede em uma educação
permanente, e da implementação
Serviço estratégico de apoio do Sistema de Vigilância de Vio-
e assessoria à gestão do Estra- lências e Acidentes (Viva), pro-
tégia Saúde da Família, que visa movendo a qualidade dos regis-
ampliar o alcance das ações da tros de informações que auxiliam
atenção primária, por meio de no planejamento de ações de en-
capacitações de profissionais de frentamento.
saúde, de assistência social e to-
das as outras especialidades en-
volvidas, e também das famílias
REDE
em relação aos cuidados especí- INTERSETORIAL
ficos para crianças e adolescentes
em situação de violência, além de Centros de Referência
dar apoio técnico e suporte para de Assistência Social
os profissionais. (CRAS)

Núcleos de Prevenção das Serviço público de assistên-


Violências e Promoção da cia social, de base municipal, de
Saúde territorialidade fixada em áreas
de maior vulnerabilidade, inte-
Instituídos pelo Ministério grante do Sistema Único da As-
da Saúde em 2004, funcionam sistência Social (Suas), o qual visa
dentro dos serviços de Vigilância organizar uma política de assis-
em Saúde/ Vigilância Epidemio- tência social compactuada nacio-
lógica das Secretarias de Saúde nalmente de forma participativa
Estaduais, Municipais e do Dis- e descentralizada em prol do for-
trito Federal, e ainda em Uni- talecimento da família. Especifi-
versidades Federais e Estaduais. camente, o Cras pretende promo-
Têm por objetivo articular ações ver ações de proteção social, tais
de prevenção de violências e pro- como o Programa de Atenção In-
moção de saúde, através de defi- tegral as Famílias (Paif) e articu-

30
lar programas socioassistenciais Sistema de Justiça e Di-
dentro do seu território. reitos Humanos

Centro de Referência Es- Contém em si Delegacias Es-


pecializado de Assistên- pecializadas para apurar crimes
cia Social (Creas) contra crianças e adolescentes,
que recebem denúncia, fazem di-
Unidade pública estatal, tam- ligências e instauram inquéritos
bém incluída no Suas, onde são Policiais que são enviados à Pro-
ofertados serviços especializados motoria da Infância e Juventude
e continuados a famílias e indi- do Ministério Público, e ainda
víduos que estão sob violação Varas da Infância e Juventude,
dos seus direitos, criando recur- que atuam na proteção dos di-
sos para enfrentar a dispersão reitos de crianças, adolescentes
dos serviços em rede e articular e suas famílias em situação de
serviços de média complexidade risco, ameaça, ou violação de di-
dentro do Sistema de Garantia de reitos.
Direitos, como meio de potencia-
lizar o usuário. Conselho Tutelar

Núcleo de Atendimento Integrante do Sistema de Jus-


Especializado da Criança tiça e Direitos Humanos, consti-
e do Adolescente (NAE- tui-se como um órgão autônomo,
CA) não jurisdicional, de adminis-
tração vinculada às prefeituras
Oferece atendimento inte- municipais, encarregado pela
grado às crianças e adolescentes comunidade de zelar pelo cum-
que se encontram em situação de primento dos direitos da crian-
vulnerabilidade social, bem como ça e do adolescente, podendo
aos adolescentes em conflito com fazê-lo por meio de ações como
a Lei. A equipe é formada por requisitar serviços públicos na
defensores públicos e técnicos área da saúde, educação, serviço
da área social, prestando atendi- social, trabalho, além de facilitar
mento jurídico-social. a interlocução com a autoridade
judiciária e o Ministério Público

31
para o cumprimento efetivo des- Sistema Único de Segu-
ses direitos. Cabe ainda ao Con- rança Pública (SUSP)
selheiro Tutelar atender crianças
e adolescentes e aplicar medidas Órgãos articuladores de
de proteção, aconselhar pais e ações federais, estaduais e muni-
responsáveis, verificar a proce- cipais na área de segurança pú-
dência de cada caso de notifica- blica e justiça criminal. São eles:
ção advindo dos órgãos de saúde Delegacia Especial de Proteção à
e educação e fazer os encaminha- Criança e ao Adolescente, Dele-
mentos necessários para cada gacia de Atendimento Especia-
caso. lizado à Mulher, Delegacias de
Polícia Civil e Militares, Postos
Sistema de Ensino da Polícia Rodoviária Federal,
Guardas Municipais e Instituto
Formado pela rede de edu- Médico Legal (IML).
cação federal, estadual, distrital,
municipal e particular, composto Sociedade Civil
por Centros de educação infantil, Organizada
Escolas de ensino fundamental
e médio e Instituições de nível Possibilidade de organização
superior, a comunidade escolar da sociedade civil através Conse-
funciona como um espaço de lhos de Direitos da Criança e do
prevenção da violência, de pro- Adolescente, órgãos que podem
moção da cultura de paz, e do atuar na formulação, deliberação,
reconhecimento de direitos de acompanhamento e avaliação de
crianças e adolescentes, podendo políticas públicas, sendo repre-
também contribuir na identifi- sentados por: ONG, Comissão
cação e notificação nos casos de de Direitos Humanos, centros de
violência ou violação de direitos. ensino e pesquisa, instituições
religiosas, lideranças comunitá-
rias, associação de moradores,
pastoral da criança, entre outras.

32
SERVIÇOS ÚTEIS NO COMBATE À
VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS
E ADOLESCENTES
Endereço/
Órgão/
Objetivo Horário de Contato
Instituição
funcionamento
Santa Casa de Mi-
sericórdia do Pará –
Atender crianças e Avenida Generalíssimo
PROPAZ – Integrado adolescentes vítimas de Deodoro. (91) 4009-2200
violência sexual Horário: Segunda a
sexta-feira das 8h às
18h
Rua Padre Eutíquio,
2230 –
Atender crianças e Batista Campos. (91) 3236-3813
Casa de Passagem/ adolescentes em si- Horário: Acolhimento Email: casapasbe-
FUNPAPA tuação de direitos 24 h. Atendimento lem1@hotmail.com
violados social: 2ª a 6ª de 8h às
18h e finais de semana
8h às 16h
Trav. Mariz e Barros,
2880 – Marco (91) 3236-3815
Acompanhamento psi-
Horário: 2ª a 5ª de 8h Email: creasmarco@
CREAS – FUNPAPA cossocial às situações
às 17h/ 6ª feira (ex- yahoo.com.br
de direitos violados
pediente interno)

NAECA – Núcleo de Prestar assistência


atendimento especia- jurídica gratuita às Rua Gama Abreu,
lizado da criança e do famílias em situação de 1141 entre Padre Eutí- (91) 3222-8818
adolescente – violência doméstica e quio e Campos Sales
Defensoria Pública familiar
Rua Tomázia Perdigão,
Serviço Judiciário (Va-
310 - Cidade Velha. (91) 3205-2129
ras Especializadas de Solução judicial dos
Horário: Segunda a (91) 3205-2126
violência doméstica e conflitos
sexta-feira de 8h às (91) 3205-2196
familiar)
14h
Rua Caripunas, 2000
Atendimento ao Proteção integral à
– Jurunas. Horário:
adolescente – DATA/ criança e ao adoles- (91) 3271-4399
Delegados são planto-
Polícia Civil cente
nistas 24h

Cedeca - Emaús – Atua na efetivação do


Trav. Dom Romualdo
Centro de defesa da Sistema de Garantia
de Seixas, 918 – Uma- (91) 3222-0718
criança e do adoles- de direitos da criança
rizal.
cente e do adolescente

33
Receber denúncia
anônima de abusos
e exploração sexual
Disque 100 Todos os dias, das 8h às 22h. 100
de crianças e realizar
encaminhamento ao
Conselho Tutelar.
Central de Atendi- Orientação à mulher
24h, de segunda a domingo. 180
mento à mulher. vítima de agressão.
Ministério da Saúde
Ouvidoria geral do 136
Disque Saúde Esplanada dos Ministérios Bloco G
SUS.
Brasília-DF / CEP: 70058-900
Coleta e análise
DEVS- Departamen- de dados, fluxos e
Trav. Angustura nº 2939, entre Duque de
to de Vigilância da variáveis necessárias (91) 33442460
Caxias e 25 de setembro.
Saúde ao sistema no âmbito
municipal.
91) 3246-6803 /
3246-4862 (fax)
Divisão Especializa-
Endereço: Travessa Mauriti, 2394, Bairro deam@policiacivil.
da no Atendimento Proteção à mulher
do Marco. Telefone: (91) 3205-3000 pa.gov.br; cartorio-
à Mulher (DEAM)
deam@policiacivil.
pa.gov.br
Conselho Tutelar I (DAGUA e DABEL)
fone: 32191203 – Av Alcindo Cacela (en-
tre Rua dos Pariquis e Caripunas);

Conselho Tutelar II (DAICO) – Rua Ma-


noel Barata, 129, Icoaraci – Fone: 3297
7001;

Conselho Tutelar III (DAENT) - Tavares


Bastos, Fone: 3279560;

Conselho Tutelar IV (DASAC+DABEL)


Serviço de proteção – Tv. da Vileta 1627 (Entre Duque de
Conselhos Tutelares à criança e ao ado- Caxias e Visconde de Inhaúma) – Fone:
lescente 32195700;

Conselho Tutelar V (DAOUT) - Av. Con-


ceição 1593, Outeiro (em frente à Escola
Bosque) - fone 32673267.

Conselho Tutelar VI (DAMOS) - Av. 16


de Novembro, 1000 Mosqueiro – fone:
37711107

Conselho Tutelar VII (DABEN) - Rua Ajax


D’Oliveira, 500 (entre Sta. Maria e S. Pe-
dro) - Fone: 32796135, Bengui.
O aplicativo mostrará
Faça o download do app compatível com
a localização e os
o seu celular (na Apple Store ou Google
telefones da institui-
Aplicativo Proteja Play), permita que o aplicativo acesse a
ção especializada
Brasil sua localização, selecione a delegacia
mais próxima, como
mais próxima e faça sua denúncia, que
delegacia ou Conse-
pode ser anônima.
lho Tutelar

34
Prestadora de ser-
viços à comunidade
por meio do atendi-
mento psicossocial a
crianças, adolescentes
Clínica de e adultos. Av. Augusto Correa,s/n – Guamá (UFPA).
Horário de funcionamento: 08:00 às (91) 3201-7669
Psicologia da UFPA Serviço Social, 12:00 e das 14:00 às 17:00 horas.
Psicologia e Médico
(psiquiatria) e Co-
munidade em geral,
com baixo poder
aquisitivo

Atende à demanda
de usuários em aces-
so ao atual sistema
Clínica de
público ou privado Campus Alcindo Cacela (91) 4009-3130
Psicologia da
de saúde. Psicologia Bloco F – 1º andar psico@unama.br
UNAMA
Crianças, adolescen-
tes, adultos e terceira
idade.

ONDE
SABER MAIS
Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde de Crianças, Adoles-
centes e suas famílias em Situação de Violência (Ministério da Saúde,
2010).

Protocolo de Atenção Integral a Crianças e Adolescentes Vítimas de


Violência (Guzzo et al. 2010).

Instrutivo para Preenchimento da Ficha de Notificação de Violência


Interpessoal/autoprovocada (Ministério da Saúde, 2014).

35
E lembre-se: você também é respon-
sável pelas crianças e adolescentes.
Vamos dar um basta na violência!

36
Referências
AZEVEDO, M. A. & GUERRA, V. N. A. Infância e Violência Doméstica: módulo 1A/B do
Telecurso de especialização em Violência Doméstica contra Criança e Adolescentes. LA-
CRI/IPUSP/USP, São Paulo, 2005.

BANNWART, T. H.; BRINO, R. F. Dificuldades enfrentadas para identificar e notificar


casos de maus-tratos contra crianças e/ou adolescentes sob a óptica de médicos pediatras.
Rev. Paul. Pediatr. vol.29 no.2. São Paulo, 2011

BRASIL, Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde de Crian-
ças, Adolescentes e suas famílias em Situação de Violência, 2010.

BRASIL, Ministério da Justiça. Guia de Atuação Frente aos Maus-Tratos na Infância e na


Adolescência, 2ª edição. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Centro Latino – Ameri-
cano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves), Escola Nacional de Saúde
Pública (ENSP), FIOCRUZ. Secretária de Estado dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro,
2001.

FERREIRA, L. F. Manual para Atendimento às Vítimas de Violência na Rede de Saúde Pú-


blica do Distrito Federal. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, 2008.

GUZZO, A. C. V. et al. Protocolo de Atenção Integral a Crianças e Adolescentes Vítimas


de Violência, 2010.

KRUG, E. G., DALHBERG, L. L., MERCY, J. A., Zwi, A. B., & Lozano, R. (Eds.). Informe
mundial sobre la violencia y la salud. Genebra, Suíça: Organização Mundial de Saúde,
2002.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE BELÉM, Manual para Atendimento às Vítimas de


Violência na Rede de Saúde de Belém, 2ª edição, Secretaria Municipal de Saúde, Departa-
mento de Vigilância da Saúde, Belém, 2013.

SANDERSON, C. Abuso Sexual em crianças: Fortalecendo pais e professores para proteger


crianças de abuso sexual. M.Books do Brasil, São Paulo, 2005.

VELOSO, M. M. X.; GOMES, M. M.; MAGALHÃES, C. M. C.; DELL'AGLIO, D. D. Noti-


ficação da violência como estratégia de vigilância em saúde: perfil de uma metrópole do
Brasil. Ciênc. saúde coletiva vol.18 no.5. Rio de Janeiro, 2013.

VELOSO, M. M. X. Maus tratos contra crianças e adolescentes: limites e possibilidades de


atuação de profissionais de saúde. Tese de doutorado em Teoria e Pesquisa do Comporta-
mento. Universidade Federal do Pará, 205 pp, Belém 2015.

37
Sobre as autoras
Celina Maria Colino Magalhães
celinaufpa@gmail.com
Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo em 1995. Atualmente é
Professora Associada IV da Universidade Federal do Pará, vice-coordenadora do Grupo
de Trabalho Brinquedo, aprendizagem e saúde na ANPEPP. Ministra disciplinas na Fa-
culdade de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Com-
portamento. Atua na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento
Humano. Bolsista de Produtividade do CNPq.

Isabel Rosa Cabral


icabral@ufpa.br
Biomédica, Doutora em Genética e Biologia Molecular, Professora da Faculdade
de Biomedicina (ICB/UFPA), desenvolve estudos e pesquisa em Saúde Pública desde 2009,
quando coordenou o Programa de Educação e Trabalho para a Saúde (Ministério da Saú-
de/Ministério da Educação). Nestes últimos anos, dedica-se ao estudo da violência contra
crianças e adolescentes em parceria com as demais autoras desta publicação.

Milene Maria Xavier Veloso


mveloso@ufpa.br
Psicóloga, Doutora em Teoria e Pesquisa do Comportamento, Professora da Fa-
culdade de Psicologia (IFCH/FAPSI/UFPA). Ao longo de sua carreira acadêmica desen-
volveu projetos de pesquisa e extensão na área da Saúde Pública e Psicologia da Saúde.
Recentemente defendeu sua tese de doutorado sobre maus-tratos contra crianças e ado-
lescentes e atualmente coordena o projeto de Pesquisa intitulado "Violência contra crian-
ças e adolescentes: indicadores e estratégias de enfrentamento.”

Maira de Maria Pires Ferraz


mairapferraz@hotmail.com
É graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA),
participou como coterapeuta do projeto de pesquisa e extensão “Em busca de um outro
lugar: aspectos psicopatológicos e psicoterapêuticos de estudantes da UFPA provenientes
do interior amazônico, atendidos na clínica da UFPA”. Atualmente é bolsista PIBIC do
projeto de pesquisa “Violência contra crianças e adolescentes: indicadores e estratégias de
enfrentamento” com o subprojeto “Perfil e caracterização da violência contra crianças e
adolescentes em Belém-PA: análise das notificações”, coordenado pela professora Milene
Veloso na Universidade Federal do Pará (UFPA).

38
ORIENTAÇÕES para
PROFISSIONAIS

Programa de Pós-Graduação em
Teoria e Pesquisa do Comportamento UFPA

9788592099701

39