Vous êtes sur la page 1sur 18

ARTIGO

DESENVOLVENDO PRÁTICAS COLABORATIVAS NO


CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS, COM A
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA DE ATENDIMENTO
SISTÊMICO*

DEVELOPING COLLABORATIVE PRACTICES IN THE CONTEXT OF PUBLIC


POLICIES, WITH APPLICATION OF SYSTEMS ATTENDANCE METODOLOGY

RESUMO: Este artigo descreve a “metodologia ABSTRACT: This paper describes the “systemic MARIA JOSÉ ESTEVES
de atendimento sistêmico de famílias e redes so- attendance methodology for families and social DE VASCONCELLOS
ciais” ou “metodologia de atendimento sistêmico”, networks” or “systemic attendance methodolo-
Mestre em Psicologia.
destacando suas características fundamentais, as gy”, emphasizing its fundamental characteristics,
Terapeuta Sistêmica de
quais justificam distingui-la como uma metodologia which justify that it can be distinguished as a Família e Casal. Autora da
consistente com os pressupostos da epistemologia methodology consistent with the assumptions of concepção do pensamento
sistêmica novo-paradigmática. Trata-se de uma me- the newparadigmatic systems epistemology. This sistêmico como o novo
todologia para a prática em que se busca, por meio methodology aims the co-construction of solution paradigma da ciência.
da criação de contexto de autonomia, colaborativo, to a problem-situation , by the very involved in Coautora da Metodologia
desencadear a coconstrução de solução para uma this problem-situation, through the creation of a de Atendimento Sistêmico.
situação-problema, pelos próprios envolvidos nesta. collaborative context of autonomy. Having repor- Professora convidada em
Tendo relatado a forma como se desenvolveu essa ted how this methodology has been developed, cursos de pós-graduação
metodologia, a autora explicita seus fundamentos the author describes its epistemological and the- lato-sensu na PUC-Minas,
epistemológicos e teóricos e distingue dois aspec- oretical foundations and distinguishes two funda- Belo Horizonte, MG e no
tos fundamentais dessa prática: a forma de cons- mental aspects of this practice: the form of cons- Instituto Crescent,
tituição do “sistema determinado pelo problema titution of the “problem-determined system - SDP Vitória, ES.
estevasc@hotmail.com
– SDP” e a forma de coordenação dos encontros “ and the form of coordination of conversational
www.redessociaissistemicas.
conversacionais do SDP. Depois de apontar a apli- meetings of the SDP . After pointing the applica-
com.br
cabilidade dessa metodologia no contexto atual das bility of this methodology in the current context
políticas públicas brasileiras, a autora propõe ao(a) of Brazilian public policies, the author proposes
leitor(ra) algumas questões para reflexão sobre tipos the reader some questions on types of systemic
de práticas sistêmicas que vêm sendo constituídas. practices that have been developed so far.

PALAVRAS-CHAVE: metodologia de atendimento KEYWORDS: systemic attendance methodology


sistêmico de famílias e redes sociais; metodolo- for families and social networks; systemic atten-
gia de atendimento sistêmico; sistema determina- dance methodology; problem-determined sys- Recebido em: 03/12/2014
do pelo problema; solução de situação-problema, tem; problem-situation solution, public policies. Aprovado em: 19/01/2015
políticas públicas.

A SITUAÇÃO (PARADOXAL) VIVIDA POR PROFISSIONAIS QUE LIDAM COM


RELAÇÕES HUMANAS

“Profissionais que lidam com as relações humanas” em diferentes áreas – médi-


cos, psicólogos, assistentes sociais, professores, orientadores educacionais, con- *
Artigo elaborado a partir da
sultores empresariais (em gestão, economia, finanças), economistas domésticos, apresentação feita pela autora
terapeutas ocupacionais e tantos outros – têm sido tradicionalmente procurados no International Congress of
Collaborative Practices, em São
por pessoas, instituições, empresas que estão vivenciando uma situação-proble- Paulo, 06 nov 2013.

NPS 51.indd 7 29/04/2015 17:17:00


ma, uma situação que elas acham que situação sem saída – derivado de seus
8 NPS 51 | Abril 2015
não está como deveria estar ou como próprios pressupostos.
gostariam que estivesse. Como todo paradoxo, esse também
De acordo com nossa organização captura tanto o emissor quanto o re-
social, esses profissionais têm sido ceptor das mensagens contraditórias
considerados, cada um em sua área contidas na injunção “seja autônomo”.
de atuação, “experts em soluções”. A Para o cliente/usuário, a situação se
visão de mundo tradicional nos levou configura assim: como agir por minha
a acreditar que cada um deles tem um própria iniciativa (ser autônomo), se
acesso privilegiado a uma fatia da rea- estou recebendo instrução sobre como
lidade, ou que detém um conhecimen- agir, não podendo, portanto, ter ini-
to especial, conforme a área ou disci- ciativa própria? Para o profissional, a
plina científica em que concentrou sua situação sem saída é: como atuar, sen-
formação. Por isso, costumamos ouvir do competente e responsável por pro-
comentários do tipo: “Vamos esperar duzir a mudança do outro e de modo
pela orientação do Dr. Fulano, porque a conseguir que meu cliente/usuário
isso é da área dele.” As pessoas procu- assuma com autonomia a responsabi-
ram diferentes “autoridades” ou “es- lidade por sua própria mudança?
pecialistas” para diferentes situações- Além disso, nas políticas públicas,
-problema. o profissional geralmente trabalha em
Segundo Aun (2010), espera-se que contexto de pobreza, violência, histó-
esses profissionais sejam capazes de rias de miséria e degradação humana
produzir mudanças nessas situações- e costuma ser identificado pelas fa-
-problema. Essa expectativa está fun- mílias como “parte do sistema”, sendo
damentada em um pressuposto da visto como promotor de mais infeli-
ciência tradicional, na crença de que cidade ou como mero distribuidor de
o profissional especialista detém um bens materiais ou benefícios. Nessas
poder de mudança do “sistema” com condições, o profissional costuma vi-
que ele trabalha, sendo essa capacida- venciar angústia, sentimento de im-
de o que o caracteriza como um bom potência, desesperança, passividade,
profissional. convencendo-se de que sua formação
Esse especialista intervém ou usa não é aplicável nesse contexto (Pak-
esse seu poder para que, agindo so- man, 1993a).
bre o sistema – informando, conven- Essa parece ser, ainda hoje, a si-
cendo, conscientizando, prescreven- tuação em que se encontram muitos
do, ensinando, treinando, orientando, dos profissionais institucionalmente
dirigindo –, aconteçam as mudanças (socialmente) encarregados de pro-
necessárias ou desejadas pelos clientes mover mudanças – ou de solucionar
(pessoas, instituições, empresas). situações-problema – conforme suas
Porém, tendo como meta que seu respectivas especialidades. Mas, feliz-
cliente/usuário desenvolva autonomia, mente, hoje já se configuram perspec-
faça suas próprias escolhas, mas man- tivas para esses profissionais poderem
tenha-se acreditando que tem em suas atuar de forma diferente e inovadora.
mãos o poder de “conseguir” determi- A partir de 1960/70, cientistas/pes-
nado tipo de mudança e que é respon- quisadores, trabalhando em seus la-
sabilidade sua fazer escolhas adequa- boratórios, em microfísica (Niels
das para consegui-lo, esse profissional Bohr – questão da contradição), em
vê-se colhido por um paradoxo – uma termodinâmica (Boltzman – ques-

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 8 29/04/2015 17:17:00


tão da desordem), em física quântica Esses profissionais perceberam cla- Desenvolvendo práticas
(Heisenberg – princípio da incerteza), ramente e passaram a acreditar que, colaborativas no contexto 9
das políticas públicas...
em físico-química (Prigogine – saltos devido à forma como somos biologica- Maria José Esteves de Vasconcellos

qualitativos do sistema), em biologia mente constituídos, “não é possível ter


experimental (Maturana e Varela – ob- acesso a uma realidade independente
jetividade entre parênteses), em física do observador” e que só faz sentido fa-
cibernética (von Foerster – sistemas lar de realidade quando esta emerge de
observantes), em biofísica (Atlan – conversações, em espaços consensuais
complexidade, auto-organização), se de intersubjetividade.
defrontaram com evidências que os Entretanto, faltava-lhes algo funda-
levaram a questionar, entre outras, as mental e eles continuaram se pergun-
noções da compartimentação do sa- tando: como atuar, na prática, de modo
ber, da possibilidade do acesso a rea- consistente com as novas crenças/pres-
lidades objetivas, da possibilidade de supostos que assumiram? Continu-
instruções serem seguidas por siste- aram em busca de uma metodologia
mas humanos e por sistemas vivos, os para a ação.
quais foram reconhecidos como siste-
mas autônomos.
Tudo isso desencadeou mudanças de UMA EXPERIÊNCIA SEMINAL
premissas dos cientistas, mudanças que
estão constituindo um novo paradig- Motivada por essa questão, Aun ini-
ma da ciência emergente, um paradi- ciou seu projeto de pesquisa para o
gma sistêmico de 2ª Ordem (Esteves mestrado em Psicologia Social na
de Vasconcellos, 1992; 2002). Alguns UFMG (Aun, 1996), estudando as
cientistas estão questionando e reven- políticas públicas, desenvolvidas no
do suas crenças tradicionais e assu- Estado de Minas Gerais, na área da
mindo os novos pressupostos: com- educação, nas três décadas anteriores à
plexidade dos fenômenos, em todos sua pesquisa. Constatou que essas po-
os níveis da natureza; instabilidade do líticas se estruturavam em hierarquia,
mundo, imprevisibilidade e incontro- podendo ser representadas por uma
labilidade dos fenômenos; impossi- pirâmide, como se vê na Figura 1.
bilidade da objetividade e inevitável
coconstrução da “realidade” e de todo Figura 1
A estrutura hierarquizada das políticas públicas
conhecimento sobre o mundo. (Fonte: Aun, 1998)
Alguns daqueles profissionais tra-
dicionais que já se sentiam desconfor- Estrutura hierarquizada
táveis por estarem tomando decisões
POSIÇÃO DE:
por seus clientes/usuários, ao toma-
rem conhecimento dessas evidências decidir e planejar
vindas dos laboratórios de pesquisa e
refletirem sobre elas, assumiram uma executar
postura sistêmica de 2ª Ordem (que
tenho chamado de epistemologia sis-
receber
têmica novo-paradigmática – Esteves
de Vasconcellos, 2004a) e se sentiram
aliviados com as perspectivas abertas
por essa nova visão de mundo.

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 9 29/04/2015 17:17:00


No topo da pirâmide encontram-se há substituição (política) dos perso-
10 NPS 51 | Abril 2015
as pessoas que detêm não só o poder nagens que se encontram no topo da
de decisão sobre o que fazer, como pirâmide.
os recursos necessários para o desen- Diante desse quadro e tendo pre-
volvimento da política. Em um nível sente aquela sua preocupação com o
intermediário, encontram-se aquelas como realizar uma prática em que os
pessoas institucionalmente encarrega- usuários das políticas públicas pudes-
das da implementação da política, tais sem de fato desenvolver sua autonomia
como gestores, pedagogos, professo- e assumir responsabilidade por sua
res, as quais constituem, em conjunto, mudança, Aun teve aceita pela Secre-
o chamado corpo técnico da política. taria Municipal de Desenvolvimento
Finalmente, no nível inferior, na base Social – SMDS, da Prefeitura Muni-
da pirâmide, encontram-se os usuá- cipal de Belo Horizonte – PBH, sua
rios da política, no caso das políticas proposta de realização de uma pesqui-
educacionais, os alunos e seus pais. sa-ação, abordando, de forma radical-
Verificou-se, ainda, que muitas mente inovadora, a situação-problema
vezes o estrato superior da pirâmide relacionada à inclusão da pessoa com
tem se preocupado em promover uma deficiência na família e na sociedade.
participação dos estratos inferiores. Ali encontrou, de novo, a estrutura-
Porém, em geral, isso tem se dado por ção da política em pirâmide, havendo
meio de uma “consulta” aos dois es- os que se encontravam na posição de
tratos inferiores, cujas manifestações decidir e planejar, os que se encontra-
são levadas de baixo para cima, até vam na posição de executar – as clíni-
o ápice da pirâmide, onde as pessoas cas de tratamento das pessoas com de-
ali localizadas recebem essas mani- ficiência conveniadas com a Prefeitura
festações dos técnicos e dos usuários, – e finalmente as famílias e as próprias
usando-as para embasar suas decisões pessoas com deficiência, na posição
e elaborar o “programa a ser implan- passiva de apenas receber o que foi
tado”. planejado e a elas oferecido.
Acontece, entretanto, que os re- Para atuar de modo coerente com
cursos disponíveis costumam ser li- os novos pressupostos que constituem
mitados e, em geral, não é possível o quadro de referência para a mudan-
contemplar nesse “programa a ser ça de paradigma da ciência (Esteves de
implantado” a diversidade de preten- Vasconcellos, 1992; 1995; 1997; 2002),
sões identificadas na ampla “consul- Aun criou um contexto de autonomia
ta” realizada. Acontece mais: quando que envolveu todos os participantes do
as decisões da cúpula voltam para sistema amplo, e um sistema linguísti-
os estratos inferiores na forma de co que se constituiu em torno da situ-
“programa a ser implantado”, muitas ação-problema da inclusão da pessoa
pessoas nesses estratos não se sen- com deficiência.
tem atendidas, não se reconhecem Para criá-lo, fez cortes verticais na
nas propostas apresentadas, não se pirâmide (Figura 2) e convidou pes-
sentem coautoras, não se “engajam” soas dos três estratos da pirâmide –
em sua implementação. Então, ape- gestores do programa, profissionais
sar dos altos investimentos em boas das clínicas, famílias e as próprias
intenções e em recursos mobiliza- pessoas com deficiência – para parti-
dos, esses programas tendem a não ciparem conjuntamente de encontros
se sustentar, especialmente quando conversacionais.

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 10 29/04/2015 17:17:00


Figura 2 Desenvolvendo práticas
Fazendo cortes verticais na pirâmide (Fonte: Aun: 1998) colaborativas no contexto 11
das políticas públicas...
Maria José Esteves de Vasconcellos

Costumamos dizer que ela “deitou das clínicas conveniadas com seus es-
a pirâmide” e viabilizou uma “estrutu- pecialistas em tratamento das pessoas
ração em rede” do sistema (Figura 3). com deficiência; das pessoas com de-
Com essa estruturação em rede, qual- ficiência e suas famílias, que se consti-
quer de seus membros pode ocupar, tuem como os usuários da política; de
alternadamente, as posições de decidir entidades da sociedade civil relacio-
e planejar, de executar e receber. nadas à questão da inclusão familiar e
Figura 3
Esquema para uma possível estruturação em rede (Fonte: Aun, 1998)

Tendo distinguido, juntamente com social da pessoa com deficiência. Uma


a Prefeitura, a necessidade de uma re- descrição minuciosa dessa experiência
forma no convênio entre a Prefeitura e encontra-se em Aun (1996).
as clínicas conveniadas, esta foi toma- Considero que, com essa experiên-
da como a situação-problema (Figura cia, Aun propôs um modo de respon-
4) em torno da qual se constituiu o der à pergunta sobre como atuar de
SDP (Sistema Determinado pelo Pro- maneira consistente com o novo pa-
blema), cujos Encontros Conversacio- radigma da ciência, experiência que
nais – ou Assembleias de Rede – con- se encontra na raiz das práticas sistê-
taram com a participação dos órgãos micas desenvolvidas pela EquipSIS,
governamentais; Programa de Apoio a como explicitei em “Uma narrativa
Pessoas com Deficiência da Prefeitura, sobre o desenvolvimento da nossa Me-

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 11 29/04/2015 17:17:00


Figura 4
12 NPS 51 | Abril 2015
Sistema em torno da situação-problema de reformulação do convênio (Fonte: Aun, 1998)

todologia de Atendimento Sistêmico” explicitar a epistemologia e a teoria


(Esteves de Vasconcellos, 2010a). em que se fundamenta essa prática.
Envolvendo-nos nessa proposta de Lembrando que a epistemologia
desenvolvimento de uma metodologia da ciência se refere às crenças ou aos
sistêmica para solução de situação-pro- pressupostos do cientista/profissional
blema durante todos os anos subse- e que uma teoria científica se refere
quentes, dedicamo-nos, na EquipSIS, a um conjunto de princípios elabora-
a experimentar sucessivas vezes nossa dos para a compreensão/explicação de
Metodologia de Atendimento Sistêmi- um dado fenômeno de interesse, tere-
co (Aun; Esteves de Vasconcellos; Coe- mos um conjunto articulado e coerente
lho, 2005; 2007; 2010), aperfeiçoando-a constituído de crenças/pressupostos
gradativamente. epistemológicos, de princípios/concei-
tos teóricos e de orientações/diretrizes
para a prática.
OS FUNDAMENTOS
(EPISTEMOLÓGICOS E TEÓRICOS) DA
PRÁTICA Pressupostos epistemológicos novo-
paradigmáticos
No domínio linguístico da ciência,
costuma-se distinguir que o afazer Como vimos, foram evidências, den-
dos cientistas se desenvolve em três tro do próprio domínio linguístico
dimensões, chamadas de epistemo- da ciência, que levaram os cientistas a
logia, teoria e prática. Acredito que a questionarem seus pressupostos tradi-
proposta de uma nova metodologia, cionais e assumirem novos pressupos-
ou seja, uma proposta para a realização tos que, em conjunto, constituem o que
de uma prática inovadora, deve não tenho chamado de novo paradigma da
só conter as diretrizes ou orientações ciência ou de pensamento (epistemo-
básicas para a ação do profissional logia) sistêmico novo-paradigmático
que queira aplicá-la, como ainda deve (Esteves de Vasconcellos, 2004a).

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 12 29/04/2015 17:17:00


Esses cientistas/profissionais novo- Geral dos Sistemas de Bertalanffy e a Desenvolvendo práticas
-paradigmáticos reconhecem a com- Teoria Cibernética de Wiener, apresen- colaborativas no contexto 13
das políticas públicas...
plexidade em todos níveis da nature- taram-se como teorias para sistemas Maria José Esteves de Vasconcellos

za e se dispõem a atuar com sistemas em geral, pretendendo-se que fossem


complexos sem fragmentá-los. Reco- transdisciplinares, mas seus autores não
nhecem também a instabilidade do chegaram a questionar radicalmente
mundo, constituído de sistemas autô- a possibilidade de acesso a uma reali-
nomos em todos os níveis da nature- dade objetiva, nem chegaram a pensar
za, e se dispõem a lidar com esses sis- – como Maturana – que “a realidade e
temas, imprevisíveis e incontroláveis, os sistemas emergem das distinções do
admitindo que não podem ter com eles observador”. Trata-se, portanto, de teo-
interação instrutiva. Além disso, assu- rias sistêmicas de 1ª Ordem, que não
mem também uma crença fundamen- podemos distinguir como transdisci-
tal na impossibilidade – devida à forma plinares. A meu ver, uma teoria trans-
como somos biologicamente constituí- disciplinar só se torna possível sendo
dos – de termos acesso a realidades ob- uma teoria sistêmica de 2ª Ordem, a
jetivas. Acreditando genuinamente que partir do reconhecimento da inevitável
a objetividade é impossível, se dispõem participação do observador – o sujeito
a participar sempre da coconstrução do conhecimento – em toda e qualquer
do conhecimento sobre o mundo (so- afirmação sobre seu objeto de interesse
bre os fenômenos de seu interesse), em (Esteves de Vasconcellos, 2013).
conversações, ou seja, em espaços con- Já as teorias sistêmicas de 2ª Ordem,
sensuais de intersubjetividade. a Teoria da Autopoiese dos biólogos
Maturana e Varela e a Cibernética da
Cibernética do físico e ciberneticista
Conceitos teóricos novo- Von Foerster, não se apresentam como
-paradigmáticos teorias para os sistemas em geral, nem
especificamente para os sistemas so-
Ao elaborar meu quadro de referência ciais humanos. A Teoria da Autopoiese
para a mudança de paradigma da ciên- apresenta-se como uma teoria para os
cia, percebi que nós, os cientistas/pro- seres vivos, enquanto seres biológicos,
fissionais, estávamos assumindo uma uma teoria para o nível orgânico da
nova epistemologia científica (o pen- natureza. De fato, Maturana elaborou
samento sistêmico novo-paradigmá- também extensões de sua Teoria da
tico), mas que nos faltava uma teoria Autopoiese para a compreensão dos se-
sistêmica consistente com essa nova res humanos, enquanto seres vivos que
epistemologia da ciência. vivem na linguagem, mas não chegou
Posteriormente, ao falar ou escrever a elaborar uma teoria que abarcasse os
sobre as práticas sistêmicas que estáva- sistemas sociais humanos. Tanto Matu-
mos desenvolvendo na EquipSIS – con- rana como Von Foerster apontaram as
sistentes com a nova epistemologia da consequências da inclusão do observa-
ciência –, vivenciamos a falta de uma dor nas descrições científicas. Entre-
teoria sistêmica que pudéssemos uti- tanto, nesse aspecto, tanto a Biologia do
lizar para descrever e compreender o Conhecer de Maturana como a Ciber-
funcionamento e os resultados da Me- nética da Cibernética de Von Foerster
todologia de Atendimento Sistêmico. constituem-se antes como teorias do
As teorias sistêmicas então disponí- conhecimento, ou epistemologias, que
veis (para sistemas em geral), a Teoria respondem cientificamente à pergunta

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 13 29/04/2015 17:17:00


epistemológica: “Como os seres vivos / expert em relações (Aun, 1996); rede so-
14 NPS 51 | Abril 2015
humanos conhecem o mundo?” (Este- cial, mapa da rede, rede em torno da si-
ves de Vasconcellos, 2013). tuação-problema, fases do “processo da
Portanto, as teorias sistêmicas dis- rede” (Klefbeck, 1996, Speck & Attnea-
poníveis não se mostravam satisfató- ve, 1974; Speck & Rueveni, 1976; Speck,
rias para fundamentar nossas práticas 1989; Sluzki, 1997; Esteves de Vascon-
sistêmicas, consistentes com a nova cellos, 1998); “situação-problema nossa”
epistemologia que adotávamos. En- (Esteves de Vasconcellos, 2010a).
tendo que ao publicar o livro A nova Distinguindo os sistemas sociais
teoria geral dos sistemas dos sistemas humanos como sistemas linguísticos,
autopoiéticos aos sistemas sociais, Es- ou seja, sistemas de relações entre pes-
teves de Vasconcellos (2013) permite- soas que conjuntamente constroem
-nos preencher esta lacuna. significados para a situação que estão
De fato, essa autora distinguiu, na vivenciando, ou para algum “objeto”
obra de Maturana, um conjunto de de seu interesse, distinguimos toda e
noções teóricas e conceitos aplicáveis qualquer conversação como um siste-
a todo e qualquer sistema, mostrando ma linguístico, cujos componentes são
que esse conjunto articulado constitui sempre pessoas em interação, conver-
uma teoria sistêmica novo-paradigmá- sando, interagindo, fazendo parte de
tica, de 2ª Ordem – e, portanto, trans- uma conversa: quem não entra espon-
disciplinar – que o próprio Maturana taneamente nessa conversa não integra
nunca explicitou como tal. Além de ter o sistema distinguido pelo observador.
explicitado, de forma sistemática e ar- Quando as pessoas em interação
ticulada, essa “Nova Teoria Geral dos conversam sobre algo que elas próprias
Sistemas” e de tê-la intitulado, Esteves definem que não está como deveria
de Vasconcellos (2013) avançou ainda estar, distinguimos um sistema lin-
mais, elaborou uma Teoria Geral dos guístico que se constitui em torno de
Sistemas Autônomos e, a partir daí, uma situação-problema e usamos para
abordou os sistemas sociais humanos. designá-lo o nome que lhe foi dado
Entretanto, essa publicação foi pos- por Goolishian & Winderman (1989),
terior à elaboração e fundamentação de “Sistema Determinado pelo Proble-
da nossa Metodologia de Atendimen- ma” ou SDP.
to Sistêmico. Até então apenas havía- Portanto, situação-problema não se
mos identificado na literatura disponí- refere a uma situação pré-existente, ob-
vel alguns conceitos teóricos esparsos, jetiva, concreta, exterior às pessoas que
consistentes com nossos pressupostos conversam ou definida como tal por
epistemológicos novo-paradigmáticos, autoridades ou especialistas. Trata-se
em que pudéssemos ancorar uma fun- de uma definição que emerge de con-
damentação teórica da prática que es- senso, surgido nas conversações entre
távamos propondo. os próprios interessados na situação: é
Assim, adotávamos alguns conjuntos o significado que o sistema está dando
de conceitos teóricos e chegamos a ela- à situação, é uma construção na con-
borar alguns outros: sistema linguístico, versação, uma “construção social da
problema, sistema determinado pelo realidade”.
problema (Goolishian & Winderman, Em geral, as pessoas se referem à si-
1989); posição de não saber (Ander- tuação-problema simplesmente como
son & Goolishian, 1993); processo de problema, dizendo, por exemplo, te-
coconstrução, contexto de autonomia, mos um problema para resolver. En-

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 14 29/04/2015 17:17:01


tretanto, aqui temos o cuidado de usar conversações entre os envolvidos na Desenvolvendo práticas
a expressão situação-problema porque, situação. colaborativas no contexto 15
das políticas públicas...
como veremos adiante, vamos usar em Sua aplicação constitui-se como um Maria José Esteves de Vasconcellos

outro sentido a palavra problema. trabalho desenvolvido com um sistema


Esse sistema que se constitui em (uma rede de conversações) constitu-
torno da situação-problema tem sido ído por pessoas que estão definindo
chamado também de “rede em torno uma situação, em que elas próprias se
da situação-problema”. Trata-se, de veem envolvidas como “situação-pro-
fato, de uma rede de conversações em blema”, ou simplesmente, como costu-
torno da situação-problema, mas, para mam dizer, como um “problema”. Dis-
ser concebida como SDP, essa rede tinguindo aí a presença de um “sistema
deverá também emergir nas conversa- determinado pelo problema” – SDP e
ções, uma rede dinâmica, não reifica- estando preparada para aplicar a Me-
da, o que será diferente do sentido em todologia de Atendimento Sistêmico,
que tem sido concebida, nas políticas a Equipe Sistêmica poderá, criando
públicas, a rede institucional ou rede um contexto de autonomia, viabilizar
de serviços. que, com a participação de todos os
Considerando que a situação-pro- envolvidos na situação, se coconstrua
blema é definida pelos próprios inte- o encaminhamento de alternativas de
ressados nela e também a impossibili- solução para a mesma.
dade de acesso a realidades objetivas, A aplicação da Metodologia de Aten-
o profissional sistêmico novo-para- dimento Sistêmico começa, pois, com
digmático assumirá a “posição de não a identificação de uma situação-pro-
saber” sobre as experiências do outro blema e tem dois aspectos fundamen-
(Anderson & Goolishian, 1993) e se tais, que são: a forma de Constituição
mostrará genuinamente curioso sobre do Sistema Determinado pelo Proble-
a experiência de cada um dos partici- ma – SDP e a forma de Coordenação
pantes da rede de conversações. dos Encontros Conversacionais do
A seguir, será apresentada uma SDP.
descrição da prática, na qual serão
indicados outros conceitos teóricos
utilizados para fundamentá-la e para A forma de Constituição do Sistema
compreender a aplicação e os resul- Determinado pelo Problema – SDP
tados da Metodologia.
A Constituição do Sistema Determi-
nado pelo Problema se dá exclusiva-
A PRÁTICA: DOIS ASPECTOS mente em conversações entre as pes-
FUNDAMENTAIS NA APLICAÇÃO DA soas que integram esse sistema, sem
METODOLOGIA DE ATENDIMENTO nenhum critério de inclusão que seja
SISTÊMICO externo às próprias conversações.
Nas primeiras conversas com esse
A Metodologia de Atendimento Sis- sistema linguístico inicial, a equipe tra-
têmico está concebida como uma me- tará de identificar a situação-problema
todologia para solução de situação- para logo redefini-la na forma de uma
-problema, em contexto colaborativo, situação-problema solucionável. Por
de autonomia, cujo processo básico é exemplo, em vez de falar: “vamos con-
a coconstrução, presente em todos os versar sobre o alcoolismo”, pode-se re-
passos da sua aplicação: tudo se dá em definir para: “vamos conversar sobre

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 15 29/04/2015 17:17:01


as condições para manutenção da abs- “criando condições para a viabilização
16 NPS 51 | Abril 2015
tinência”. Em seguida, nessas mesmas do benefício”, convidando-se prova-
conversas, procurará identificar, com velmente outros possíveis envolvi-
o SDP inicial, quem mais (pessoas, fa- dos com essa situação-problema, tais
mílias, instituições) poderia estar en- como, a escola e o posto de saúde.
volvido com essa questão e interessa- Acreditamos que a implicação pessoal,
do em participar de um encontro para o envolvimento com uma “situação-
conversar a respeito. -problema nossa” se constitui como
Na seguinte rodada de conversas, condição fundamental para que acon-
todos os identificados serão visita- teça o envolvimento no processo de
dos a fim de serem convidados para o coconstrução de solução para a mes-
Encontro Conversacional. As pessoas ma.
serão convidadas a participar, jamais Então, um aspecto muito impor-
convocadas, designadas ou intimadas. tante na forma de se constituir o SDP
A equipe procurará identificar se essas refere-se à presença das instituições,
pessoas estão de fato implicadas com a cuja participação não só interliga as
situação-problema. motivações idiossincráticas dos diver-
Claro que serão variadas as motiva- sos membros do SDP, em uma única
ções para se envolver com a situação- “situação-problema nossa”, como tam-
-problema, mas, apesar das idiossin- bém traz para o sistema importantes
crasias, se alguém aceita o convite para recursos que poderão ser colaborati-
conversar, provavelmente terá pensa- vamente mobilizados. Essa presença
do: “Isso tem a ver comigo.” Ou seja, permite distribuir as responsabilida-
todas as pessoas que aceitam o convite des, sem sobrecarregar os clientes/
para conversar estão compartilhando usuários, já desfavorecidos, que não
uma situação-problema e têm então detêm naquele momento todos os re-
uma “situação-problema nossa”. Por cursos necessários para solucionar a
exemplo, suponhamos que técnicos do situação-problema que estão viven-
Programa Bolsa Família estejam pre- ciando.
ocupados com a perspectiva de terem Note-se que esses dois aspectos – a
de cortar o benefício de famílias que “situação-problema nossa” e a presen-
não estão cumprindo as condiciona- ça das instituições – são características
lidades do Programa. Se procurarem dessa metodologia que a distinguem
a ajuda de uma Equipe Sistêmica e de outras práticas, como a de “multi-
juntos decidirem convidar as famílias -famílias”, (Esteves de Vasconcellos,
para um Encontro Conversacional, 2010c), as quais não situo no contexto
estará se formando um SDP, a partir de atendimento, mas sim em um con-
de uma “situação-problema nossa”, texto de terapia. Adiante veremos essa
comum às famílias e à instituição (os distinção entre contexto de terapia e
técnicos): todos estarão vivenciando contexto de atendimento (Aun, 2005).
o risco de passarem por uma situação Identificados e convidados os
indesejada, para os técnicos, o risco possíveis participantes do Encontro
de se reduzir a abrangência da política Conversacional do SDP, constrói-se o
no seu âmbito de aplicação e, para as chamado “mapa da rede”, que temos
famílias, a perda do benefício. Como preferido chamar de “mapa do SDP
vimos, essa situação será certamente convidado”, o qual será apresentado a
redefinida na forma de uma situação- todos os presentes no início do Encon-
-problema solucionável, por exemplo, tro Conversacional.

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 16 29/04/2015 17:17:01


A aplicação da Metodologia de têm opiniões divergentes, colocam-se Desenvolvendo práticas
Atendimento Sistêmico no contexto em posições antagônicas, acusam-se e colaborativas no contexto 17
das políticas públicas...
das políticas públicas permite abordar recriminam-se mutuamente. Estão di- Maria José Esteves de Vasconcellos

conjuntamente uma situação-problema zendo, por exemplo: o judiciário não


que é comum a várias famílias. Supo- deveria... o LA deveria... as famílias
nhamos que técnicos do Programa de não podem... os jovens podem... as
Liberdade Assistida (LA) de um mu- instituições da comunidade não pre-
nicípio comecem a conversar dizendo: cisam... os Conselhos, sim, precisam...
“Está difícil viabilizar o cumprimento Distinguimos ali uma forma de relação
da determinação judicial de Liberda- entre pessoas que, ao discordarem, fa-
de Assistida por cinco dos nossos jo- zem emergir uma situação-problema.
vens em conflito com a lei.” Começam São essas relações de antagonismo, ex-
a emergir aí uma situação-problema e pectativas, acusações e recriminações
um SDP. Pensando em aplicar a Meto- recíprocas que impedem ações cola-
dologia, os profissionais sistêmicos dis- borativas. Tem-se então um problema,
tinguem que, além dos técnicos do Pro- que é relacional e que está impedindo
grama LA, também estão conversando o encaminhamento de uma solução
sobre essa situação o juiz, os psicólogos para a situação-problema identificada.
e assistentes sociais judiciários, os téc- Tratando-se, pois, de um problema
nicos do CREAS, algumas instituições relacional, a Equipe Sistêmica aborda-
da comunidade e as famílias com os rá esse sistema linguístico na expec-
próprios jovens. Feitas as visitas e os tativa de viabilizar uma mudança nas
convites, tem-se um mapa do SDP con- relações que constituem sua organi-
vidado, como se vê na Figura 5. zação: de antagônicas e competitivas
Por que será que, com tanta gente para colaborativas e cooperativas, o
envolvida, não se está conseguindo que permitirá que o sistema encami-
encaminhar o cumprimento da medi- nhe colaborativamente a solução para
da judicial? Acontece que todos estão a situação-problema, com a conse-
ativamente comprometidos numa in- quente dissolução do SDP.
teração linguística, porém assumin- Portanto, apenas uma forma cui-
do posições antagônicas sobre como dadosa de Constituição do SDP, que
lidar com a situação. Essas pessoas viabiliza uma rede de conversações

Figura 5
SDP/rede em torno de uma situação-problema no Programa Liberdade Assistida – LA

SDP/REDE em torno da situação-problema Liberdade AssisƟda


Famílias 1,2,3,4,5 Escola
Ass. Comunitária Aproveitamento Centro ProĮssionalizante
Mão Obra e Aprendizagem
Conselho Direitos Criança e
Equipe Técnica LA Adolescente
Coconstruindo projetos de
Delegacia Infância vida e cidadania com
adolescentes em LA, Conselho Tutelar
Juventude
possibilitando sua inserção
Igreja social
Associação Moradores

Coordenadora LA Centro
MP Promotoria TJ Vara Convivência
Infância Juventude Infância e Adolescente
Juventude

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 17 29/04/2015 17:17:01


em torno da “situação-problema nos- gras de relação permitem que alguns
18 NPS 51 | Abril 2015
sa”, não garante que se atinja o objetivo definam o que vai ser considerado
de dissolução do problema relacional e como válido para todos. Parafraseando
criação de um contexto colaborativo, Pakman, Aun (1996) definiu autono-
de autonomia, indispensável para que mia como um contexto, cujas regras de
aconteça a coconstrução de alternativas relação permitem que cada um defina
de solução para a situação. Daí a im- o que quer para si e assuma as conse-
portância também do segundo aspecto quências dessa definição. Ou seja, au-
fundamental na aplicação da Metodo- tonomia nos remete às noções de “ser
logia de Atendimento Sistêmico. autor”, “assumir autoria” de suas pró-
prias escolhas e ações.
Logo ao se iniciar o Encontro
A forma de Coordenação dos Conversacional, a Equipe Sistêmica
Encontros Conversacionais do SDP procura explicitar alguns parâme-
tros que deverão balizar as relações
Depois de constituído o SDP, os En- naquele sistema, de modo que se
contros Conversacionais acontecerão crie um contexto seguro, partici-
com aqueles que aceitaram o convi- pativo, colaborativo. Assim, estará
te para conversar, em busca de alter- atenta para garantir a todos igual
nativas de solução para a situação- direito a voz e validar todas as par-
-problema identificada. A coordenação ticipações. Procurando distinguir
dos Encontros Conversacionais será possíveis posições polarizadas em
conduzida por uma Equipe Sistêmica, relação à situação-problema, com
constituída por profissionais sistêmi- o objetivo de desencadear flexibi-
cos novo-paradigmáticos. lização de tais posições, faz amplo
O profissional sistêmico novo- uso de perguntas reflexivas, uma
-paradigmático assume a “posição de forma privilegiada de desencadear
não-saber” (Anderson & Goolishian, reflexão, instabilizar as premissas e
1993) e, portanto, assume que não é viabilizar mudança do sistema – ou
“expert em soluções”, mas sim “expert seja, mudança da organização (no
em contexto”, ou seja, “expert em re- sentido de Maturana) do sistema
lações” (Aun, 1996). Assim, a Equipe distinguido – com a emergência de
Sistêmica atua sobre um contexto em uma nova organização, onde as rela-
que distingue relações de antagonis- ções constitutivas do sistema sejam
mo, competição – relações que estão relações colaborativas.
impedindo o encaminhamento de so- Considerando a concepção do
lução para a situação-problema – com SDP como uma “rede em torno da
o objetivo de viabilizar a emergência situação-problema”, a Equipe Sistê-
de relações colaborativas, cooperati- mica atua acompanhando as fases do
vas, de um contexto de autonomia. “processo da rede”, tal como descrito
Quando Aun estudava a estrutura- por Speck e Attneave (1974), recurso
ção tradicional das políticas na forma teórico e instrumental utilizado por
de pirâmide, procurou também uma Klefbeck (1996) e resumidamente
definição de poder que fosse con- apresentado por Esteves de Vascon-
gruente com sua própria visão e en- cellos (2010b).
controu a fórmula utilizada por Pak- Quando se pergunta pela meta dos
man (1993b), definindo poder como Encontros Conversacionais do SDP,
um contexto de interações, cujas re- verifica-se que são diferentes as me-

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 18 29/04/2015 17:17:01


tas do SDP e da Equipe Sistêmica. A ONDE/QUANDO PODE SER APLICADA Desenvolvendo práticas
colaborativas no contexto 19
meta do SDP é a solução da “situação- A METODOLOGIA DE ATENDIMENTO das políticas públicas...
-problema nossa”, ou seja, conseguir SISTÊMICO Maria José Esteves de Vasconcellos

formas de encaminhar alternativas de


solução viáveis naquele momento. Já a Desde a experiência seminal de Aun
meta da Equipe Sistêmica é viabilizar (1996), a qual distingo como o ponto
formas de relação que tornem possível de partida para diversas outras expe-
para o sistema resolver a “situação- riências por meio das quais construí-
-problema nossa”, com a consequente mos gradualmente nossa Metodologia
dissolução do SDP. de Atendimento Sistêmico, têm sido
Assim, a Equipe Sistêmica, atuando variadas as situações-problema abor-
como “expert em relações”, atua colo- dadas, sejam referentes a relações fa-
cando o foco exclusivamente nas rela- miliares, institucionais, judiciais, pe-
ções entre os elementos constituintes dagógicas, empresariais etc.
do sistema e, portanto, se abstém de O amplo leque de possibilidades de
sugerir, indicar ou propor soluções aplicação da Metodologia está ilustra-
para a situação-problema que está do por Coelho (2010), que resumiu
motivando as conversações. Procura algumas experiências realizadas por
manter sua atenção dirigida para as re- nossos alunos, não só em contextos es-
lações entre todos os envolvidos com pecíficos (hospitais, escolas, tribunais,
a situação, não se comprometendo instituições governamentais, ONGs,
empresas privadas), como também em
com o encaminhamento de tal ou qual
situações localizadas na interseção de
solução para a “situação-problema
duas ou mais áreas, tais como: saúde/
nossa”. Mas mantém-se comprometida
assistência social, judiciário/assistên-
com a qualidade das conversas, com a
cia social, educação/saúde, educação/
manutenção de um contexto em que
assistência social, garantia de direitos
cada um venha a “legitimar o outro na
em vários contextos.
convivência”.
Especificamente no que se refere às
Esse modo de coordenar – de um
políticas públicas, Mendonça (2014)
profissional que assumiu a identidade
realizou pesquisa sobre a aplicabili-
de “expert em contextos” (Aun, 1996) dade da Metodologia de Atendimento
– é fundamental para que emerja Sistêmico nos Centros de Referência
um sistema linguístico que conversa de Assistência Social. Tendo distingui-
sobre as próprias relações, na emo- do as dificuldades vividas pelos técni-
ção do respeito mútuo e legitimação cos do CRAS – e por ele próprio – na
do outro, para que aconteçam o que implementação das atividades a serem
tenho chamado de “conversações desenvolvidas por esse equipamento
transformadoras” (Esteves de Vas- das políticas de assistência social, vis-
concellos, 2004b). Hoje, dispondo já lumbrou a aplicabilidade da Metodo-
da Teoria Geral dos Sistemas Autôno- logia de Atendimento Sistêmico nesse
mos (Esteves de Vasconcellos, 2013), contexto de prática profissional. Estu-
chamaremos esse sistema linguístico dando a organização e a estrutura, os
que emerge na aplicação bem-suce- princípios, os objetivos e as diretrizes
dida da Metodologia de Atendimento do Sistema Único de Assistência Social
Sistêmico de “sistema de interconsti- – SUAS, assim como as características
tuição de 2ª Ordem” (Esteves de Vas- da Metodologia de Atendimento Sistê-
concellos, 2014). mico, evidenciou como essa Metodo-

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 19 29/04/2015 17:17:01


logia se mostra adequada para atender taria Municipal de Assistência Social;
20 NPS 51 | Abril 2015
aos princípios, diretrizes e objetivos a elaboração de propostas de medidas
da assistência social brasileira, cons- de preservação ambiental para um
tituindo-se como alternativa meto- Plano Diretor Municipal; a construção
dológica para se trabalhar – de modo conjunta de textos a serem apresenta-
bem fundamentado – com famílias em dos em congresso. Como ela enfatiza,
situação de vulnerabilidade social. em todas essas situações, o contexto
de autonomia e o processo de cocons-
Como disse Aun (2010), trução foram possíveis, se mostraram
eficientes e a experiência foi avaliada
... mesmo em situações aparente- como gratificante.
mente pouco favoráveis ao processo Finalmente, numa situação em que
de coconstrução e ao contexto de estava difícil decidir com os alunos a
autonomia [situações de violência, sequência em que apresentariam seus
violação de direitos ou de processos trabalhos de conclusão de curso, sem
judiciais], assim que as famílias per- recorrer ao sorteio ou à autoridade dos
cebem que o convite é genuinamente professores, bastou gastarmos algum
para se encontrar uma alternativa tempo e coordenarmos adequada-
de solução para a situação-problema mente as conversações entre os grupos
e que elas serão realmente ouvidas, para, ao final, ouvirmos deles: “Como
assumem uma posição colaborativa e foi bom termos mais essa aula prática
participam ativamente (p. 116). sobre a aplicabilidade da Metodologia
de Atendimento Sistêmico.”
Vale lembrar que, no âmbito das
políticas públicas, a aplicação da Me-
todologia não se limitará ao trabalho QUE TIPO DE PRÁTICA
direto com os usuários, mas poderá CONSTITUÍMOS?
ser aplicada também, por exemplo,
para viabilizar a articulação entre as Tendo já apresentado a Metodologia
diversas instituições/serviços/progra- de Atendimento Sistêmico, seus fun-
mas atuando no território. damentos epistemológicos e teóricos
Além disso, podemos ter presente que e sua aplicabilidade no contexto das
em qualquer contexto em que as con- políticas públicas, quero finalizar
versações fizerem emergir uma situação compartilhando algumas reflexões so-
distinguida pelos próprios participantes bre possíveis relações entre práticas
como uma situação-problema, uma si- em desenvolvimento no nosso meio.
tuação difícil, que está requerendo uma Desde que começamos a ministrar
solução, a Metodologia de Atendimento o curso de Atendimento Sistêmico de
Sistêmico pode ser aplicada. Famílias e Redes Sociais, elaboramos
Nesse sentido, Aun (2010) lembra uma importante distinção entre dois
algumas outras situações já abordadas contextos de práticas sistêmicas: o con-
com a Metodologia, tais como: a ela- texto clínico, de terapia sistêmica e o
boração de um modelo de gestão com- contexto social, que chamamos de
partilhada de um município de porte atendimento sistêmico. Essa distinção
médio; a implementação de CRAS em foi objeto de apresentações em encon-
cidades de porte médio; a implemen- tros científicos (Amitef e Abratef),
tação do Programa de Prestação de desde 2001 e foi posteriormente publi-
Serviços à Comunidade, numa Secre- cada por Aun (2005).

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 20 29/04/2015 17:17:01


Partindo-se da definição de contex- tica construcionista social. Também no Desenvolvendo práticas
tos como “regras de relação estabele- sentido desse pressuposto, poderíamos colaborativas no contexto 21
das políticas públicas...
cidas pelo(s) profissional(is) e pelo(s) considerá-la uma prática narrativa, pois, Maria José Esteves de Vasconcellos

cliente(s), de formas implícitas e explí- ao aplicar a Metodologia de Atendi-


citas” (Aun, 2005, p. 63), essa distin- mento Sistêmico, a Equipe focalizará as
ção foi feita levando-se em conta os narrativas que trazem os diversos par-
diferentes contextos que se constituem ticipantes do SDP sobre suas próprias
entre cliente/usuário e profissional/ experiências com a situação-problema.
equipe, os quais geram expectativas e Ainda nesse mesmo sentido, poderí-
condicionam características do pro- amos adjetivá-la como uma prática
cesso que se desenvolve e dos resulta- dialógica, uma vez que a forma de co-
dos que se esperam num e noutro tipo ordenação das conversações viabiliza o
de prática. Não se trata, pois, de dis- entrecruzamento das diversas perspec-
tinção baseada na graduação do pro- tivas trazidas pelos participantes.
fissional. Desde o início da construção da
Então, ao aplicar a Metodologia de Metodologia, temos enfatizado que
Atendimento Sistêmico, constituímos “em função da modalidade de coorde-
não uma prática clínica, terapêutica, nação, instala-se no SDP, uma ‘relação
mas uma prática de atendimento sis- colaborativa’ (...) uma rede de solida-
têmico, a qual temos adjetivado como riedade” (Aun, 2010, p. 107) e, assim, a
novo-paradigmática (Esteves de Vas- temos considerado também uma prá-
concellos, 2008). Novo-paradigmática tica colaborativa.
porque, como já foi dito, a distingui- Como vimos, também tenho consi-
mos como consistente com os três derado que o modo de coordenar, de
novos pressupostos da ciência novo- “expert em contextos”, é fundamental
-paradigmática, conforme o quadro para que emerja um sistema linguís-
de referência para a mudança de para- tico que conversa sobre suas próprias
digma (Esteves de Vasconcellos, 1992; relações, na emoção do respeito mú-
2002). tuo e legitimação do outro, para que
Como prática sistêmica novo-pa- aconteçam conversações transforma-
radigmática, ela pode ser considerada doras das relações (Esteves de Vas-
uma prática consistente com a episte- concellos, 2004b). E então poderíamos
mologia sistêmica de 2ª Ordem (Este- adjetivá-la como uma prática transfor-
ves de Vasconcellos, 1999). Por isso, madora. E, nesse mesmo sentido, se-
pode compartilhar características com ria uma prática generativa, a qual tem
outras práticas que também se desen- sido definida como um modelo que
volvem a partir dessa epistemologia, favorece a criação de novas versões de
com o pressuposto de que não é pos- si, dos recursos postos em ação e das
sível o acesso a uma realidade inde- relações, ou seja, a transformação de
pendente de um observador e de que argumentos de vida.
construímos na linguagem – em inte- Talvez outros adjetivos que vêm sen-
rações sociais – o que tomamos como do usados para distinguir outras práticas,
real. metodologias, modelos, ferramentas
Nesse sentido – epistemológico –, para a ação... contemporâneas também
nossa Metodologia, tendo o processo pudessem se aplicar à nossa Metodolo-
de coconstrução como processo bási- gia de Atendimento Sistêmico.
co em todas as fases de sua aplicação, Mas a esta altura, compartilho mi-
poderia caracterizar-se como uma prá- nha preocupação com o que às vezes

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 21 29/04/2015 17:17:01


distingo como tentativa delimitação lista: uma abordagem para a tera-
22 NPS 51 | Abril 2015
de territórios. Será que o “cenário das pia a partir de uma posição de não
práticas contemporâneas” corre o risco saber. Nova Perspectiva Sistêmica, 3,
de ficar tão compartimentado como o 8-24. Rio de Janeiro, RJ, ITF.
“cenário das práticas tradicionais”? O Aun, J. G. (1996). O processo de co-
que estaria de fato diferenciando essas construção como um contexto de
práticas contemporâneas? Que critério autonomia. Uma abordagem às
justificaria dar-lhes diferentes rótulos, políticas de assistência às pessoas
mantê-las em diferentes compartimen- portadoras de deficiência. Disserta-
tos, com territórios delimitados, asso- ção de Mestrado, Departamento de
ciações separadas, congressos separa- Psicologia, Universidade Federal de
dos (um para “práticas colaborativas”, Minas Gerais, Belo Horizonte, MG,
outro para “práticas construcionistas Brasil.
sociais”, outro para “terapia narrativa Aun, J. G. (1998, original 1997). The
e trabalho comunitário”)? Estaria se co-construction process as a context
reproduzindo a compartimentação, ao for autonomy: an alternative for the
que parece já estabelecida, entre cons- policies of assistance to the han-
trutivismo e construcionismo social? dicapped. Human Systems: The
Com a ciência tradicional, aprende- Journal of Systemic Consultation
mos a analisar, separar em partes, com- & Management, 9 (3-4), 289-305.
partimentar para então procedermos à Leeds, Inglaterra. Apresentação an-
classificação e rotulação de objetos ou terior in International Symposium
fenômenos, já então concebidos como on Autopoiesis: Biology, Language,
entidades delimitadas, separadas uma Cognition and Society (1997, 18-
das outras. Esse exercício exige que o 21 nov). Universidade Federal de
cientista esteja sempre decidindo entre Minas Gerais, Belo Horizonte, MG,
ou uma coisa ou outra, o que desen- Brasil.
volve uma atitude “ou-ou”. Aun, J. G. (2005/2003). Psicoterapia,
Penso que, se quisermos escapar terapia familiar, atendimento sistê-
dessa armadilha, precisaremos nos mico à família. Propondo uma dife-
exercitar em olhar mais para as con- renciação. In J. G. Aun; M. J. Esteves
vergências, sem reduzir nem eliminar de Vasconcellos; S. V. Coelho. Aten-
as diferenças, e usar nossas competên- dimento sistêmico de famílias e redes
cias para criar contextos de fato cola- sociais. Vol I. Fundamentos teóricos
borativos, articulando epistemologia, e epistemológicos. Belo Horizonte,
teorias e práticas contemporâneas (de MG: Ophicina de Arte e Prosa.
2ª Ordem), em benefício daqueles com Aun, J. G. (2010, original 1998). O
quem tivermos oportunidade de tra- processo de coconstrução em um
balhar, visando o desenvolvimento de contexto de autonomia. In J. G. Aun;
seu bem-estar, de sua autonomia e de sua M. J. Esteves de Vasconcellos; S.
cidadania e propiciando uma mudança V. Coelho. Atendimento sistêmico
das relações sociais que estamos fazen-
de famílias e redes sociais. Vol III.
do emergir com nossas práticas.
Desenvolvendo práticas com a Me-
todologia de Atendimento Sistêmico.
REFERÊNCIAS Belo Horizonte, MG: Ophicina de
Arte e Prosa. Forma resumida publi-
Anderson, H. & Goolishian, H. A. (1993, cada anteriormente in O indivíduo, a
original n.d.). O cliente é o especia- família e as redes sociais na virada do

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 22 29/04/2015 17:17:01


século (24-28). Anais do III Congres- do de Minas (1996, 23 abril), Belo Desenvolvendo práticas
so Brasileiro de Terapia Familiar. As- Horizonte, MG, Brasil, 1º Caderno, colaborativas no contexto 23
das políticas públicas...
sociação Brasileira de Terapia Fami- Seção Opinião, 7. Maria José Esteves de Vasconcellos

liar e Associação de Terapia Familiar Esteves de Vasconcellos, M. J. (1999,


do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. original 1997). Setting Constructi-
Aun, J. G., Esteves de Vasconcellos, M. J., vism/Social Constructionist Propo-
Coelho, S. V. (2005; 2007; 2010). Aten- sals in the context of the new-para-
dimento sistêmico de famílias e redes digmatic science. Human Systems:
sociais. Vol. I. Fundamentos teóricos The Journal of Systemic Consulta-
e epistemológicos, 2005. Vol. II. O tion & Management, 10(1), 25-34.
processo de atendimento sistêmico, Leeds, Inglaterra. Apresentação an-
2007. Vol. III. Desenvolvendo práticas terior in International Symposium
com a metodologia de atendimento on Autopoiesis: Biology, Language,
sistêmico, 2010. Belo Horizonte, MG: Cognition and Society (1997, 18-21
Ophicina de Arte & Prosa. nov). Universidade Federal de Minas
Coelho, S. V. (2010). Uso da Metodo- Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.
logia de Atendimento Sistêmico em Esteves de Vasconcellos, M. J. (2002,
diferentes contextos de prática pro- 10ª ed. rev e atualizada, 2013).
fissional. In J. G. Aun; M. J. Esteves Pensamento sistêmico. O novo para-
de Vasconcellos; S. V. Coelho. Aten- digma da ciência. Campinas, SP/Belo
dimento sistêmico de famílias e redes Horizonte, MG: Papirus/Editora
sociais. Vol III. Desenvolvendo prá- PUCMinas.
ticas com a Metodologia de Aten- Esteves de Vasconcellos, M. J. (2004
dimento Sistêmico. Belo Horizonte, a) Pensamento sistêmico novo-pa-
MG: Ophicina de Arte e Prosa. radigmático: novo-paradigmático,
Esteves de Vasconcellos, M. J. por quê? Família e comunidade, São
(1992). As bases cibernéticas da Paulo, NUFAC – Núcleo de Família
terapia familiar sistêmica. Contri- e Comunidade da PUC-SP, vol 1,
buições à precisão do quadro n.1, maio, 91-104.
conceitual. Dissertação de Mes- Esteves de Vasconcellos, M. J. (2004 b).
trado, Departamento de Psicolo- Conversações sobre conversações
gia, Universidade Federal de Minas transformadoras. Colóquio Inicial.
Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. VI Congresso Brasileiro de Terapia
Esteves de Vasconcellos, M. J. Familiar, Abratef. Florianópolis, SC:
(1995). Terapia familiar sistêmica. 21-24 jul.
Bases cibernéticas. Campinas, SP: Esteves de Vasconcellos, M. J. (2008).
Editorial Psy. Distinguindo a Metodologia de
Esteves de Vasconcellos, M. J. (1998, Atendimento Sistêmico como uma
julho/agosto. Original 1996). De sis- prática novo-paradigmática, desen-
temas, redes e paradigma. In O indi- volvida com um “sistema determi-
víduo, a família e as redes sociais na nado pelo problema”. Revista Bra-
virada do século (32-35). Anais do sileira de Terapia Familiar, janeiro/
III Congresso Brasileiro de Terapia junho, 1(1), 37-43.
Familiar. Associação Brasileira de Esteves de Vasconcellos, M. J. (2010a).
Terapia Familiar e Associação de Uma narrativa sobre o desenvol-
Terapia Familiar do Rio de Janeiro, vimento da nossa Metodologia de
RJ, Brasil. Forma resumida publi- Atendimento Sistêmico In J. G.
cada anteriormente in Jornal Esta- Aun; M. J. Esteves de Vasconcellos;

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 23 29/04/2015 17:17:01


S. V. Coelho. Atendimento sistê- Goolishian, H. A. & Winderman, L. (1989,
24 NPS 51 | Abril 2015
mico de famílias e redes sociais. Vol original 1988). Constructivismo,
III. Desenvolvendo práticas com a autopoiesis y sistemas determinados
Metodologia de Atendimento Sis- por problemas. Sistemas Familiares, 5
têmico. Belo Horizonte, MG: Ophi- (3), 19-29. Buenos Aires, Argentina.
cina de Arte e Prosa. Klefbeck, J. (1996). Psicoterapia dos
Esteves de Vasconcellos, M. J. (2010b). vínculos e das redes sociais. Works-
Coordenando os Encontros Conver- hop. Belo Horizonte, MG: Worksho-
sacionais do “Sistema Determinado psy e EquipSIS, 16-18 abril.
pelo Problema”, a partir da concep- Mendonça, R. T. (2014). A Metodo-
ção teórica do “processo da rede”. In logia de Atendimento Sistêmico de
J. G. Aun; M. J. Esteves de Vascon- Famílias e Redes Sociais no Centro
cellos; S. V. Coelho. Atendimento sis- de Referência de Assistência Social:
têmico de famílias e redes sociais. Vol uma proposta teórica e prática. Nova
III. Desenvolvendo práticas com a Perspectiva Sistêmica, Ano XXIII,
Metodologia de Atendimento Sis- n.50, dezembro, p.74-88. Rio de
têmico. Belo Horizonte, MG: Ophi- Janeiro/São Paulo: NOOS/Familiae.
cina de Arte e Prosa. Pakman, M. (1993a). Terapia familiar
Esteves de Vasconcellos, M. J. (2010c). em contextos de pobreza, violência,
Distinguindo a Metodologia de Aten- dissonância étnica. Nova Perspecti-
dimento Sistêmico de outras meto- va Sistêmica, Ano II, n. 4, 8-19. Rio
dologias. In J. G. Aun; M. J. Esteves de Janeiro, ITF.
de Vasconcellos; S. V. Coelho. Aten- Pakman, M. (1993b). Entrevista
dimento sistêmico de famílias e redes concedida a Adela García. Sistemas
sociais. Vol III. Desenvolvendo prá- Familiares, 9 (3), 77-86. Buenos
ticas com a Metodologia de Aten- Aires, Argentina.
dimento Sistêmico. Belo Horizonte, Sluzki, C. E. (1997). A rede social na prá-
MG: Ophicina de Arte e Prosa. tica sistêmica. Alternativas terapêuti-
Esteves de Vasconcellos, M. J. (2013). cas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Apresentação. In M. Esteves de Speck, R. V. (1989, original 1987). La
Vasconcellos. (2013). A nova teo- intervención de red social: las tera-
ria geral dos sistemas: dos sistemas pias de red, teoria y desarrollo. In M.
autopoiéticos aos sistemas sociais. Elkaim y otros. Las prácticas de la te-
São Paulo: e-book, Livraria Cultura rapia de red. Salud mental y contexto
/ Kobo Books. social. Barcelona, Espanha: Gedisa.
Esteves de Vasconcellos, M. (2013). A Speck, R. V. & Attneave, C. L. (1974, ori-
nova teoria geral dos sistemas: dos ginal 1973). Redes familiares. Bue-
sistemas autopoiéticos aos sistemas nos Aires, Argentina: Amorrortu.
sociais. São Paulo: e-book, Livraria Speck, R. V. & Rueveni, U. (1976, ori-
Cultura / Kobo Books. ginal n.d.). Terapia de redes. Un
Esteves de Vasconcellos, M. (2014). Não concepto en formación. In N. W.
ensine a pescar! Sobre a fundamen- Ackerman y otros. Grupoterapia de
tação teórica das práticas sistêmi- la família. Buenos Aires, Argentina:
cas. Nova Perspectiva Sistêmica, Ano Ediciones Hormes, S.A.E.
XXIII, n.50, dezembro, p.51-73.
Rio de Janeiro/São Paulo: NOOS/
Familiae.

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 51, p. 7-24, abril 2015.

NPS 51.indd 24 29/04/2015 17:17:01