Vous êtes sur la page 1sur 517

Capa

1ª Edição – 1997.

Novo Machado

Conta sua História

Cleci Maria Scheid


Gretel Priebe

Digitação e Diagramação
Mauri Kessler
Moacir Magnus Frank
2ª Edição – 2005.

Novo Machado

Conta sua História

Gretel Priebe
Nedi Schroeder

Digitação
Gretel Priebe
Nedi Schroeder

Diagramação e Impressão:
Valdir Franco
Clodoaldo Machado
1ª Edição

“Não é o crítico que conta, nem o homem que mostra como o forte
tropeçou, ou onde o autor de feitos poderia ter agido melhor.

O crédito pertence ao que está na arena; cujo rosto está


desfigurado pela poeira, pelo suor e pelo sangue: que se esforça
corajosamente; que erra e falha uma vez ou outra, porque não há
esforço sem erros e falhas; que se empenha em realizar; que conhece o
grande entusiasmo, as grandes dedicações: que se entrega todo a uma
causa justa; que na melhor das hipóteses conhece o triunfo das altas
realizações e na pior, eventualmente, pode fracassar, enquanto ousa
grandemente.

Seu lugar nunca está com as almas pequenas e tímidas, que não
conhecem nem vitórias nem derrotas”.

(Theodore Roosevelt)
2ª Edição:

“ O mundo todo é Palco.


E todos,
homens e mulheres,
apenas atores.

Eles entram e saem de cena.

E, cada qual,
a seu tempo,
representa diversos papéis”.
( William Schakespeare)

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO – 1º Edição...........................................................................17
APRESENTAÇÃO – 2º Edição...........................................................................18
PREFÁCIO.........................................................................................................19
AGRADECIMENTOS 1º Edição.......................................................................21
AGRADECIMENTOS 2º Edição.......................................................................22

1. CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA.........................................................23
1.1. Limites:...................................................................................................23
1.2. Relevo e Solo:.........................................................................................24
1.3. Hidrografia:.............................................................................................25
1.4. Vegetação:...............................................................................................26
1.5. Fauna:......................................................................................................27
1.6. Clima e Pluviosidade:..............................................................................28

2. NOVO MACHADO - UM ESPAÇO A SER OCUPADO..............................31


2.1. Origem do Nome:....................................................................................31
2.2. Medição das Terras..................................................................................33

3. POVOAMENTO E COLONIZAÇÃO...........................................................37
3.1. Primeiros Habitantes (Índios)..................................................................37
3.2. Os Nacionais...........................................................................................37
3.2.1. A Religiosidade..............................................................................39
3.2.2. .....................................................................................Alimentação:
............................................................................................................40
3.2.3. As Diversões:.................................................................................42
3.2.4. ..........................................................................................Costumes:
............................................................................................................43
3.2.5. Biografia de Olívia Corrêa............................................................43
3.3. Os Europeus em busca de Novas Fronteiras............................................45
3.3.1. Antecedentes Históricos:...............................................................45
3.3.2. A Colonização do Rio Grande do Sul............................................46
3.4. Novo Machado a Caminho da Colonização.............................................48
3.4.1. Os Alemães....................................................................................50
3.4.1.1. Influências (Legados):......................................................54
a) Religiosidade................................................................54
b) Educação Familiar........................................................55
c) Educação Escolar..........................................................56
d) Alimentação..................................................................56
e) Língua...........................................................................59
3.4.1.2. Biografias:........................................................................59
a) Um Imigrante Centenário integra a comunidade
novomachadense.........................................................59
b) Auto-Biografia de Emma Buss....................................61
3.4.1.3. Dia do “Imigrante Alemão” ou “Dia do Colono”?............65
3.4.2. Os Italianos....................................................................................67
3.4.2.1. Influência (Legados).........................................................68
a) Religiosidade:...............................................................68
b) Educação Familiar:.......................................................69
c) Educação Escolar:.........................................................70
d) Alimentação:.................................................................72
e) A Língua:......................................................................75
3.4.2.2. Biografia de José de Conti................................................75
3.4.3. Os Russos......................................................................................78
a) Religiosidade:...........................................................................80
- Igreja Ortodoxa......................................................................81
b) Alimentação:.............................................................................83
c) O Cultivo da Linhaça.................................................................83
3.4.3.1. Biografia de Ana Klocko (Baba).......................................84
3.4.4. Os Poloneses.................................................................................87
a) Religiosidade:............................................................................88
b) Educação Familiar:....................................................................88
c) Educação Escolar:.....................................................................88
d) Alimentação:.............................................................................89
e) A Língua:...................................................................................89
3.4.4.1. Biografia de Eustachy Dorosz..........................................89
3.4.5. Os Açorianos.................................................................................94
3.4.5.1. Influências (Legados).......................................................96
a) Religiosidade:...............................................................96
b) Educação:.....................................................................96
c) Alimentação:.................................................................97
d) Diversões:.....................................................................97
3.4.6. Dificuldades dos Colonizadores....................................................99
3.6. Origem das Localidades........................................................................104
3.7. Aspectos Populacionais.........................................................................104

4. ASPECTOS ECONÔMICOS.......................................................................107
4.1. Agricultura e Pecuária...........................................................................107
4.1.1. Diferentes Fases que Caracterizam o Processo Agropecuário.....108
4.1.1.1. Primeira Fase:.................................................................108
4.1.1.2. .......................................................................Segunda Fase:
................................................................................................108
4.1.1.3. .......................................................................Terceira Fase:
................................................................................................110
4.1.1.4. .........................................................................Quarta Fase:
................................................................................................111
4.1.1.5. ......Quinta Fase: agricultura dos anos 80 até os nossos dias.
................................................................................................113
a) Plantio Direto.............................................................114
b) Apicultura..................................................................115
c) Gado Leiteiro.............................................................116
d) Principais produtos agrícolas cultivados em Novo
Machado...................................................................122
- Milho.......................................................................122
- Soja..........................................................................123
- Trigo........................................................................126
- Fumo.......................................................................129
- Fruticultura e Horticultura.......................................133
e) A Pesca......................................................................136
 A Piscicultura........................................................137
 Produção de Alevinos...........................................138
4.1.2. Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário.............142
4.2. Comércio e Indústria.............................................................................143
4.2.1. Os Bolichos e as Casas Comerciais.............................................144
a) Os Carroceiros:.......................................................................149
b) Os Viajantes:...........................................................................150
4.2.2. A Decadência dos Bolichos e das Casas Comerciais...................152
4.2.3. As Cooperativas Coloniais...........................................................153
4.2.4. O Cooperativismo........................................................................154
4.2.4.1. Cooperativa Mista São Luiz Ltda. - Coopermil..............154
4.2.4.2. Cooperativa Mista Tucunduva Ltda. - Comtul................156
4.2.4.3. Cooperativa Tritícola Santa Rosa Ltda. - Cotrirosa........157
4.2.5. Comércio atual em Novo Machado ............................................158
4.2.6. Moinhos.......................................................................................158
4.2.6.1. Associação J.H.L..............................................................161
4.2.7. Serrarias.......................................................................................162
4.2.8. ................................................................Marcenarias e Carpintarias
..........................................................................................................165
a) Marcenarias.............................................................................165
b) Carpintarias..............................................................................165
4.2.9. .............................................................................................Ferrarias
..........................................................................................................166
4.2.10. ............................................................................Curtume e Selaria
..........................................................................................................167
4.2.11. .....................................................Da Sapataria à Loja de Calçados
..........................................................................................................167
4.2.12. .........................................................................................Açougues
..........................................................................................................168
4.2.13. .....................................................................Alfaiates e Costureiras
..........................................................................................................169
a) Alfaiates:................................................................................169
b) Costureiras:............................................................................169
4.2.14. Outros Empreendimentos Comerciais e Industriais...................171
a) Olarias:.................................................................................171
b) Soques de Erva-Mate:...........................................................171
c) Alambiques:..........................................................................171
d) Engenhos de Cana:...............................................................173
e) Funilarias:.............................................................................174
f) Padaria:.................................................................................175
g) Estúdio Fotográfico:.............................................................176
h) Oficinas .................................................................................176
i) Outros Serviços......................................................................176
4.2.15. Para onde vai nossa Economia?.................................................176
4.2.15.1. Mercosul.....................................................................179
4.2.15.2. Modernização do Setor Agrário....................................181

5. VIDA SOCIAL E CULTURAL....................................................................189


5.1. O Cultivo de Terra - a Pequena Propriedade.........................................184
5.2. O Trabalho............................................................................................185
5.3. .....................................................................................................A Língua
................................................................................................................. 186
5.4. .....................................................................................A Música e o Canto
................................................................................................................. 191
5.4.1. O Canto e a Música Sacra............................................................199
a) O Canto Coral.........................................................................199
b) A Música Sacra e os Conjuntos Musicais...............................200
5.5. ....................................................................................................As Visitas
................................................................................................................. 202
5.6. ..........................................................................................................Festas
................................................................................................................. 205
5.6.1. ..............................................................Aniversários e Casamentos:
..........................................................................................................205
5.6.2. ..........................................................Festas Religiosas e Populares:
..........................................................................................................207
5.6.2.1. Festa do Kerb (Kerbfest).................................................208
a) A Brincadeira da Garrafa..............................................209
b) A Dança da Fita............................................................210
5.6.2.2. .....................................Festa de Integração da Etnia Italiana
.................................................................................................212
5.6.2.3. ..................................................................................O Natal
.................................................................................................215
5.6.2.4. .............................................................Encontros de Jovens:
.................................................................................................217
5.6.2.5. Café Colonial ....................................................................219
5.6.2.6. Frühlingsfest ( Festa da Primavera).................................. 220
5.7. ....................................................................................................Os Bailes:
................................................................................................................. 220
5.8. ....................................................................................Corrida de Cavalos:
................................................................................................................. 222
5.9. ........................................................................................................Esporte
................................................................................................................. 224
5.9.1. .................................................Sociedades Esportivas e Recreativas
..........................................................................................................224
a) Sociedade Esportiva e Recreativa Pratos.................................224
b) Sociedade de Damas................................................................228
c) Sociedade dos Atiradores.........................................................228
5.9.2. ...........................................................................................O Futebol
..........................................................................................................230
5.9.3. .............................................................................................O Futsal
..........................................................................................................231
5.9.4. .............................................................................O Jogo de Bochas:
..........................................................................................................232
5.9.5. ..................................................................................Jogo de Cartas:
..........................................................................................................233
5.9.6. ............................................................................................O Bolão:
..........................................................................................................233
5.9.7. ....................................................................................Jogo da Mora:
..........................................................................................................233
5.10. ........................................................................................A Caça e a Pesca:
................................................................................................................... 234
5.11. ..................................................................................................Artesanato:
................................................................................................................... 234
5.11.1. O Artesanato como Tradição Cultural ........................................237
5.11.2. Grupo de Artesãos ......................................................................237
5.12. ..................................................Centros Tradicionalistas Gaúchos - CTGs
................................................................................................................... 238
5.12.1. ..................................................CTG João Tucunduva - Vila Pratos
........................................................................................................... 239
5.12.2. .............................Piquete de Cavalarianos - “Marca da Ferradura”
........................................................................................................... 243
5.12.3. CTG Chama Costeira ................................................................. 244
5.13. O Rio Uruguai e os Novomachadenses.................................................245
5.14. Pontos Turísticos...................................................................................248
a) Balneário Corredeira:.......................................................................248
b) Trilha Ecológica ................................................................................249
c) Balneário Griger...............................................................................250
5.15. Principais Eventos do Município:.........................................................253

6. O ESPÍRITO DE FÉ E DE RELIGIOSIDADE............................................255
6.1. Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB........................................255
6.2. Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB................259
6.3. ....Convenção das Igrejas Batistas Independentes - (CIBI) - Igreja Batista
Zoar.......................................................................................................262
6.4. ..................Movimento Pentecostal Clássico - Igreja Evangélica de Cristo
................................................................................................................. 264
6.5. ...........................................................................Igreja Católica Apostólica
................................................................................................................. 267
6.6. . Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil - Igreja Batista Pioneira de
Lajeado Terrêncio................................................................................273
6.7. ...................................Igreja Evangélica Congregacional do Brasil - IECB
................................................................................................................. 276
6.8. ...................................................Igreja Evangélica da Assembléia de Deus
................................................................................................................. 277

7. COMUNICAÇÃO EM NOVO MACHADO...............................................279


7.1. .............................Comunicação no Início da Colonização e sua Evolução
................................................................................................................. 279
7.1.1. .............................................................................................Correio:
..........................................................................................................279
7.1.2. ................................................................................................Rádio:
..........................................................................................................282
7.1.3. ..........................................................................................Televisão:
..........................................................................................................283
7.1.4. ...........................................................................................Telefone:
..........................................................................................................284
7.1.5. .............................................................................Jornais e Revistas:
..........................................................................................................287
7.2. Meios de Transporte e Estradas:...........................................................287
7.2.1. ...........................................................................................Estradas:
.........................................................................................................287
7.2.2. ........................................................................Meios de Transporte:
.........................................................................................................291
7.2.2.1. ................................................................Transporte Fluvial
................................................................................................293
7.2.2.2. ..............................................................Transporte Coletivo
................................................................................................294

8. OS CAMINHOS DA SAÚDE EM NOVO MACHADO.............................299


8.1. .............................................................................Antecedentes Históricos
................................................................................................................. 299
8.2. ...........................................................................Saúde em Novo Machado
................................................................................................................. 300
8.2.1. ......................................................................................As Parteiras
.........................................................................................................300
8.2.2. ...................................................Curandeiros(as) e Benzedeiros(as)
.........................................................................................................302
8.3. Serviços Médicos e Hospitalares..........................................................304
8.3.1. ................................................Experiências Hospitalares na Região
.........................................................................................................304
8.3.2. ...............................Sociedade Hospitalar Linha Machado Limitada
.........................................................................................................305
8.3.2.1. ...............................................................Sócios Fundadores:
................................................................................................305
8.3.2.2. ...........................................Alguns aspectos de sua História
................................................................................................307
8.3.2.3. .............................Profissionais que atuaram neste Hospital
................................................................................................311
a) Dr. Ailton Lovato da Rocha.........................................312
b) Dr. Luiz Humberto de Matos Meireles........................315
c) Drª Rejane Pase Bottega..............................................316
8.3.3. Hospital São Lucas - Vila Pratos.................................................316
8.4. Serviços de Odontologia.......................................................................319
8.4.1. Dentistas em Novo Machado......................................................320
a) Dr. Theodoro Baucken...........................................................320
b) Dr. Romeu Cláudio Ferreira Cardoso.....................................321
c) Outros Profissionais:..............................................................323
8.5. Saúde Pública em Novo Machado .......................................................323
8.5.1. ...............................................Conselho Municipal da Saúde - CMS
.........................................................................................................326
8.5.2. Fundo Municipal de Saúde.........................................................328
8.6. Conselho Municipal da Criança e do Adolescente- COMDICA ...........329
8.6.1. Conselho Tutelar ..........................................................................329
8.7. Conselho Municipal da Assistência Social ............................................329

9. ENSINO E EDUCAÇÃO.............................................................................331
9.1. Educação - Na Época da Colonização..................................................331
9.2. Ensino Particular...................................................................................331
9.2.1. .......................................................................Escolas Comunitárias
.........................................................................................................331
9.2.2. .................................................Escolas Particulares - Confessionais
.........................................................................................................333
a) 1932 - Escola Evangélica Luterana Trindade..........................334
b) 1933 - Escola Evangélica Cristóvão Colombo........................334
c) 1945 - Escola Evangélica Luterana São Paulo........................334
d) 1947 - Escola Evangélica Santos Dumont..............................336
9.3. O Ensino Público em Novo Machado...................................................337
9.3.1. ...........................................................................Escolas Municipais
.........................................................................................................339
9.3.2. ..............................................................................Escolas Estaduais
.........................................................................................................340
9.4. ....................................................................................Escolas Desativadas
................................................................................................................. 342
9.5. ..........................................O Processo Pedagógico e suas Transformações
................................................................................................................. 344
9.6. ....................................................................Sistema de Transporte Escolar
................................................................................................................. 348
9.6.1. .........................................Antes da Emancipação de Novo Machado
..........................................................................................................348
9.6.2. ..........................................O Transporte Escolar em Novo Machado
..........................................................................................................348
9.6.2.1. ..................Dados Demonstrativos referentes ao Transporte
Escolar:.................................................................................351
9.6.2.1.1. Dados de 1996 ...................................................351
9.6.2.1.2. Dados de 2005 ...................................................352
9.7. ................................................................................Educação Pré-Escolar:
................................................................................................................. 352
9.8. .....................................................................................Educação Especial:
................................................................................................................. 354
9.9. ...................................................................................Alimentação Escolar
................................................................................................................. 358
9.10. .....................................................................Calendário Único (Rotativo)
................................................................................................................. 362
9.11. ...................................Biblioteca Pública Municipal “Machado de Assis”
................................................................................................................. 364
9.12. .............................................................Conselho Municipal de Educação
................................................................................................................. 370
9.13. ...........Conselho Mun. de Acomp. e Controle Social de Manutenção e
Desenvolvimento do Ens. Fund. e de Valorização do Magistério ......377
9.14. Museu Municipal Dácio Thobias Busanello ........................................380

10. EVOLUÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA......................................385


10.1. ................................................Novo Machado - Raízes Administrativas
..............................................................................................................385
10.2. ...................................................................Distritos de Novo Machado
..............................................................................................................391
10.3. ........................................................................O Papel da Subprefeitura
..............................................................................................................392
10.4. .......................De Vila Machado Distrito - A Novo Machado Município
..............................................................................................................394
10.4.1. .....................................................Movimento Emancipacionista
......................................................................................................394
10.4.2. .........................Lei de Criação do Município de Novo Machado
......................................................................................................402
10.4.3. ........As Comissões Emancipacionistas após a Criação do Novo
Município...................................................................................403
10.4.4. .....................................................................Campanha Eleitoral
......................................................................................................403
10.4.5. Novo Machado – Escolha 2ª Administração ......................... 406
10.4.6. Escolha da 3ª Administração ................................................. 407
10.4.7. Escolha da 4ª Administração ................................................. 407
10.5. O Poder Executivo e suas Secretarias:..............................................408
10.5.1. ......................................Secretaria Municipal da Administração
.....................................................................................................416
10.5.2. Secretaria Municipal da Fazenda ..........................................418
10.5.3. Secretaria Municipal de Educação e Cultura........................418
10.5.3.1. Organização e Serviços em 1996 ................................ 418
a) Pedagógicos:.....................................................................418
b) Administrativo:.................................................................418
c) Artístico-Cultural:.............................................................419
d) Esportivo:.........................................................................419
e) Assistênciais:....................................................................419
f) Melhoria da Rede Física:..................................................419
10.5.3.2. Organização e Serviços em 2005 ........................... 420
a) Atividades e Projetos Didático-Pedagógicos.....................420
b) Atividades e Projetos Histórico-
Culturais .........................420
c) Atividades e Projetos Recreativos e Esportivos ................421
d) Transporte
Escolar .............................................................421
e) Merenda
Escolar ................................................................421
f) Melhoria e Reforma dos Prédios Escolares da Rede
Municipal
e Materiais para
Alunos .....................................................421
g) Oficinas Municipais de Complementação
Pedagógica ......421
10.5.4. Secretaria Municipal da Saúde e Assistência Social............. 422
10.5.5. Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento ... .....424
10.5.6. Secretaria Municipal de Obras, Saneamento e Trânsito.......426
10.5.7. Secretaria Municipal de Indústria e Comércio ..................... 427
10.6. ...................................................................................Poder Legislativo:
..............................................................................................................428
10.6.1. Representantes de Novo Machado no Legislativo de
Tucunduva.............................................................................428
10.6.2. Câmara de Vereadores - Novo Machado................................428
10.6.2.1. Primeira Legislatura ....................................................428
10.6.2.2. Segunda Legislatura ...................................................430
10.6.2.3. Terceira Legislatura ....................................................430
10.6.2.4. Quarta Legislatura ......................................................431
10.7. Os Símbolos de Novo Machado........................................................432
10.7.1. Brasão e Bandeira do Município ............................................432
10.7.2. Hino do Município .................................................................433
10.7.2.1. Regulamento do Concurso ..........................................433
10.7.2.2. Portaria que nomeia Comissão Julgadora ...................435
10.7.2.3. Decreto que Estabelece Letra e Música ......................436
10.7.2.4. Hino do Município ......................................................437

11. PODER JUDICIÁRIO:...............................................................................439

12. CARTÓRIO E TABELIONATO:...............................................................441

13. BRIGADA MILITAR:................................................................................443

14. ÁGUA - UM RECURSO INDISPENSÁVEL............................................447


14.1. .....................A Busca de alternativas para resolver o problema da água
..............................................................................................................447
14.2. ..............................................................................Sociedade Hidráulica
..............................................................................................................448
14.3. ..........................................Água Potável para as localidades do interior
..............................................................................................................449

15. DA LAMPARINA À LUZ ELÉTRICA......................................................451

16. OS BANCOS..............................................................................................453
16.1. . Antecedentes.....................................................................................453
16.2. .Novomachadenses x Serviços Bancários..........................................454
16.2.1. Banrisul ....................................................................................454
16.2.2. Bradesco ............................................ ......................................454
16.2.3. Caixa Econômica Federal ................. . .....................................454
16.2.4. Banco do Brasil.........................................................................455
16.2.5. Sicredi .......................................................................................455

PALAVRAS FINAIS 1996................................................................................457

PALAVRAS FINAIS 2005 ...............................................................................458

UM CAMINHO A CONSTRUIR ....................................................................459

BIBLIOGRAFIA..............................................................................................461
1ª Edição

Apresentação

Somos parte e resultado do processo permanente da construção histórica.


Perpassamos um momento, onde as coisas correm rapidamente, mudam,
transformam-se com uma agilidade antes ainda não vista. Frente a isto, esquecemos
o processo de construção da história, tudo fica ultrapassado, obsoleto e acabamos
perdendo as raízes, tornando-nos um povo com instituições frágeis, com valores
esvaecidos, facilmente conduzidos.

Com o intuito de não perder, de reconquistar, resgatando coletivamente a


nossa história, a nossa cultura, fomos desafiados a chamar a comunidade
novomachadense a falar, a fornecer documentos... Numa mobilização ampla, em
muitos momentos as pessoas foram revivendo a própria história, ajudando a registrar
os fatos que marcaram a existência de nosso município.
As Professoras Cleci e Gretel, foram desafiadas a coordenar, buscar e
registrar ordenadamente a história de Novo Machado. Num trabalho amplo e
extenso, conseguiram mostrar a vida da gente desta terra, em todos os seus aspectos,
no seu processo evolutivo, caracterizando com detalhes as causas de expulsão e
atração de nossos antepassados até hoje, da Europa para o Brasil, das Colônias
Velhas para o noroeste do Rio Grande do Sul e de nosso município para outras
frentes de colonização no país e estrangeiro. Esta realidade é mostrada com
documentos, fotos, relatos e biografias.

Hoje, muitas coisas ganhamos, muitas perdemos.

Temos fatos curiosos e interessantes que estavam enterrados na memória de


algumas pessoas e que ressuscitam a vida de nosso povo, através do livro “Novo
Machado conta a sua História.” Trata-se, sem dúvida, de um trabalho sério, fruto de
muita dedicação e pesquisa por parte das autoras, buscando com simplicidade,
persistência, veracidade, respeito e abnegação, mostrar Novo Machado.

É uma excelente contribuição ao nosso professor, ao nosso aluno, ao nosso


município e às novas gerações.

É importante lembrar que “povo sem história, é um povo sem memória e está
fadado a morrer.”

Leocir José Faccio


Secretário Municipal de Educação e Cultura

2ª Edição

Apresentação

Vivemos a era da informação.


As mudanças são contínuas e em todas as áreas. A cada dia nos deparamos
com novas informações e novas tecnologias. A busca constante do aperfeiçoamento
de todas as pessoas, para que se tornem profissionais qualificados em suas
organizações, é uma exigência contínua. É preciso acompanhar a evolução. Estar
atento.
Mas, há um momento em que é preciso parar! Parar para pensar. Buscar o
silêncio, procurar as raízes da vida! E agora, mais do que nunca, é preciso recolher-
se, crescer além dos limites, melhorar e perseguir um ideal!
A Prefeitura Municipal de Novo Machado, através da Secretaria Municipal de
Educação e Cultura, juntamente com a comunidade Novomachadense , preocupada
com o resgate e a preservação da história e dos fatos do nosso Município, dispôs-se a
atualizar e registrar os acontecimentos, principalmente aqueles ocorridos a partir de
1996, quando da publicação da 1º edição do Livro “Novo Machado conta sua
História”, onde foram mostrados documentos, fotos, relatos, biografias, etc...
Para que esta segunda edição pudesse se tornar realidade, contamos com a
colaboração e mobilização de muitas entidades, comércio, todas as escolas e várias
pessoas interessadas, desafiadas a deixar sua contribuição para este trabalho, que
com certeza, tem a marca do povo deste Município. Todos com certeza merecem
louvores e a gratidão da Comunidade Cultural.
Apesar de estarmos na era da navegação eletrônica, sabemos que é a leitura
que contribui para o aprefeiçoamento e a qualificação intelectual e humana. Por
isso, queremos tornar este livro, um bem cultural, acessível, ao maior número de
pessoas possível.
Todos nós que temos consciência do seu valor, sairemos ganhando com mais
esta conquista.

Novo Machado , Novembro de 2005

Teresinha Servat Gazola


Secretária Municipal de Educação e Cultura

1ª Edição

Prefácio
A História do Município de Novo Machado, partindo do particular para o geral,
é uma nova luz que se acende na Micro-História da Região do Grande Santa Rosa e do
Estado do Rio Grande do Sul.

A busca minuciosa do processo colonizador, desenvolvido a partir do início do


século XX tendo como epicentro o Povoado 14 de Julho, com imigrantes e descendentes
italianos, poloneses e alemães, formou um quadro histórico fidedigno pintado em letras
e números.

A participação coletiva neste processo de busca e registros, abre um novo


modelo de fazer o “histórico” do ontem e do hoje.

O reviver de um passado das comunidades emergentes em plena selva do vale do


Rio Uruguai, a evolução e o grande processo modificatório, espelham o atual e
permitem a direção do amanhã na penumbra do futuro.

O coletivo, tanto na organização das inúmeras pequenas comunidades nesta área


geográfica bem como o seu atual estágio de estruturação, demonstram e confirmam
“unidos sempre”.

O presente trabalho, de muito fôlego, sepultou o passado de alguns heróis dando


lugar a presença participativa de todos os cidadãos e segmentos das comunidades, para a
construção da real história.

A luz das presentes letras será eterna e o seu acender serve de modelo a outrem
no porvir.

Hugo Antônio Veit


Historiador

2ª Edição

Prefácio
“O homem na terra, no tempo e no espaço, faz a História....
As criaturas na natureza, simplesmente existem numa interdependência
Harmoniosa...”

Simples e misteriosamente, tudo faz parte de um todo e vê-se co clareza, que há


um planejamento admirável, detectado pelas ciências físicas, químicas, botânicas,
zoológicas, e comprovado pela matemática, pela grografia e tantas outras, que hoje,
valendo-se dos mais sofisticados recursos tecnologicos da modernidade, trazem
inovações e controles de toda ordem.

Porém, só o HOMEM faz História. Só o HOMEM compreende os fatos, os


acontecimentos e seus próprios atos. Pela sua inteligência, tem liberdade para optar e
realizar.

E foi com esta capacidade de optar, munido de força de vontade e muita


persistência, que alemães, italianos, russos, poloneses e outros, chegaram a estas terras
há 87 anos, em busca de um novo chão para si e seus descendentes, prevendo e
almejando um amanhã próspero e digno de ser vivido.

Com reverência a este fluxo migratório multiforme, que hoje permeia nosso
município, agradecemos a cada um e a todos, a contribuição para construção e o
desenvolvimento desta terra, e buscamos perpetuar esta caminhada através desta
segunda edição, atualizada do livro “NOVO MACHADO CONTA SUA HISTÓRIA”

Adilson Mello
Prefeito Municipal

1ª Edição

Agradecimentos
Agradecemos

• a Deus em primeiro lugar, por todas as bênçãos recebidas, dando-nos a


força e as possibilidades para realizar esta caminhada;
• aos pioneiros que com sua dedicação, espírito de luta, perseverança e
amor ao trabalho, desbravaram estas terras corajosamente, construíndo
o município que hoje temos;
• a todas as pessoas que contribuíram com fatos, experiências,
documentos e fotos, enriquecendo o trabalho que ora apresentamos;
• aos idosos que, emocionados, rememoravam os fatos vividos, contando-
os com entusiasmo e disponibilidade, trazendo à tona a nossa
verdadeira história, possibilitando o registro da mesma;
• aos professores e alunos das Escolas Estaduais e Municipais deste
município, que empreenderam com seriedade a busca da História de
suas localidades, registrando-as;
• à Comissão Municipal de Estudos Sociais pelo apoio e colaboração,
dispondo-se a conosco, pensar a caminhada de resgate histórico e
cultural;
• às lideranças religiosas, que ao lado de suas inúmeras atividades,
encontraram tempo para fornecer informações e dados;
• às pessoas que enriqueceram nossa história com sua vida e seu trabalho,
dispondo-se a escrever algo sobre sua experiência;
• aos nossos familiares, pelo apoio e incentivo na realização deste
trabalho, compreendendo as inúmeras horas em que foram privados da
nossa companhia;
• ao professor Hugo, grande incentivador e orientador desta caminhada;
• ao amigo e colega Leocir José Faccio, Secretário Municipal de
Educação e Cultura, pelo incentivo, apoio e colaboração;
• ao Prefeito Municipal, Sr. Jaime Reichel Porto e à Prefeita Municipal,
Srª Beatriz Cristina Busanello, que entenderam a importância deste
trabalho e permitiram a sua realização, não medindo esforços para que
o mesmo se concretizasse;
• aos colegas de trabalho da Secretaria Municipal de Educação e Cultura,
pela compreensão e apoio recebidos;
• à equipe de Processamento de Dados, pela disponibilidade com que
digitaram este trabalho, empenhando-se na sua diagramação.

A todos nossa sincera gratidão e profundo reconhecimento.

As autoras
2ª Edição

Agradecimentos

Agradecemos:

. a Deus pela oportunidade e possibilidade de prosseguir na busca e


registro da nossa história;
. aos pioneiros que construíram a nossa história com amor e perseverança e
que contribuiram com informações, documentos, fotos e muito carinho,
tornando possivel o enriquecimento desta obra;
. a Comissão Municipal de Estudos Sociais, pelo apoio e colaboração na
tarefa de atualizar nossos registros históricos;
. às lideranças religiosas que mais uma vez, dispuseram-se a nos fornecer
dados atualizados sobre suas entidades;
. aos familiares que nos apoiaram e incentivaram, compreendendo a
importância deste trabalho;
. à amiga e colega Professora Teresinha Servat Gazola, pelo incentivo,
apoio e colaboração;
. ao Prefeito Municipal, Sr. Adilson Mello, que entendendo a importância
do trabalho de resgate, preservação e registro da história do nosso povo,
permitiu e possibilitou esta 2ª Edição, atualizada;
. aos colegas da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, pela
compreensão e apoio recebidos;
. aos colegas da equipe de Informática, pela disponibilidade e colaboração,
realizando a Diagramação e Impressão deste trabalho;
. a todos que, de uma ou outra forma, colaboraram para que esta 2ª Edição
se tornasse possível,

Nosso reconhecimento e gratidão

As Autoras.
1. CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA:

Novo Machado, município criado pela Lei nº 9.555 de 20 de março de 1992,


com uma área de 218,325 Km², localiza-se ao noroeste do Estado do Rio Grande do Sul,
na Região do Alto Uruguai e pertence à Região da Grande Santa Rosa.

Esta região compreende a área dos municípios que se desmembraram do


município de Santa Rosa.

Região da Grande Santa Rosa

1.1. Limites:

Em relação aos municípios vizinhos, Novo Machado limita-se ao Norte com a


República Argentina; ao leste com o município de Dr. Maurício Cardoso; ao sul com o
município de Tucunduva e a oeste, com o município de Tuparendi e Porto Mauá.
Mapa do Município de Novo Machado
com os respectivos limites

1.2. Relevo e Solo:

O relevo de Novo Machado, apresenta uma altitude de 230 m acima do nível do


mar.
O solo é argiloso, poroso, de cor avermelhada do tipo Santo Ângelo,
especialmente nas áreas planas e onduladas.
Analisando as condições topográficas do município, podemos perceber que
existem três áreas distintas:

a) Planas: São as terras que ficam mais próximas a sede, onde predominam as
lavouras mecanizadas e pratica-se a monocultura.
Este relevo ocupa um espaço de aproximadamente 15% da área do município.

b) Onduladas: São as terras intermediárias, localizadas entre as terras planas e as


montanhosas e estas, ocupam cerca de 75% das terras do município. Nestas, as lavouras
também são mecanizadas.
Em virtude das ondulações, esta área necessita de freqüentes práticas de correção
do solo e da aplicação de diferentes formas de controle da erosão.

c) Montanhosa: São as terras localizadas nas proximidades do Rio Uruguai e


Santa Rosa, constituindo cerca de 10% da área do município. Nesta área, o solo é do
tipo Charrua ou Ciríaco Charrua, apresentando cor escura e pedregosidade intensa. Há,
em alguns pontos, concentrações de rochas do tipo Basáltico, estas, exploradas para fins
de construção de calçamento das ruas da cidade.
Nesta área a prática agrícola é manual, com auxílio de animais e maquinários
rudimentares, com excessão de pequenas áreas, onde as pedras foram amontoadas pelos
proprietários, permitindo assim, a mecanização.
Apesar de apresentar características (relevo, morfologia) diferentes, o solo de
Novo Machado é propício para o desenvolvimento de lavouras produtoras de alimentos,
bem como de culturas comerciais, como soja, milho, aveia, trigo, linhaça, colza, etc...

1.3. Hidrografia

O Município de Novo Machado está bem servido de água. O principal rio é o


Uruguai, através do qual faz divisa com a República Argentina. Seus dois principais
afluentes, que banham as terras de Novo Machado são:
a) o Rio Santa Rosa que faz divisa com os municípios de Tuparendi e
Porto Mauá;
b) o Lajeado Pratos que separa este município de Dr. Maurício Cardoso.
c) o Lajeado Machado que nasce em terras do Município de Tucnduva,
na localidade de CampininhaTucunduva, cortando o município de
Novo Machado, na direção Sul – Norte. Recebe, em seu percurso,
diversos afluentes, lançando suas águas no Rio Uruguai, na localidade
de Barra do Machado.

Hidrografia de Novo Machado.

Além dos rios acima mencionados, podemos contar com diversos lajeados:
Lajeado Gateados, Lajeado Limoeiro, Lajeado Machadinho, Lajeado Corredeira,
Lajeado Saltinho, Lajeado Perdido, Lajeado Comprido, Lajeado Três Pedras, Lajeado
Água Fria, Lajeado Touros e outros.
Estes lajeados, sempre tiveram grande influência no povoamento e colonização
de Novo Machado. Muitos deles, na época da divisão das terras, serviam como divisor
das colônias. Além da água, para uso doméstico e para os animais, muitos deles
serviram para mover moinhos e serrarias.
Outrora, estes lajeados possuíam águas cristalinas, porque eram margeados por
densa vegetação.
Atualmente, grande número destes lajeados, estão parcialmente entulhados pelas
terras provenientes das lavouras, por ocasião das fortes chuvas, devido a ausência de
vegetação nas margens. Estes lajeados estão poluídos, devido aos insumos colocados
nas lavouras, ocasionando-lhes a morte.
A grande maioria destes lajeados são perenes, isto é, não secam por ocasião das
estiagens.

1.4. Vegetação:

Fazendo parte da Zona da Mata do Rio Grande do Sul, toda área do atual
município de Novo Machado, constituía-se naturalmente, por uma exuberante e densa
mata. Encontrava-se uma variedade imensa e diversificada de madeira de lei, como:
cedro, louro, guajuvira, grápia, angico, cabriúva, ipê, canafistola, etc.

Alemães na mata de Lajeado Terrêncio - 1925.


Foto: Sr. Helmuth Kaffka

Com o passar dos anos e a chegada cada vez maior de moradores, estas matas
foram sendo substituídas pelas lavouras. Os pioneiros derrubavam as matas, onde a
madeira de lei era utilizada para construção das casas e dos galpões e no restante,
colocava-se fogo.
Além disso, durante um longo tempo, esta riqueza natural, a madeira, serviu aos
colonizadores, como fonte de renda, em muitos casos, possibilitando o pagamento das
terras.
Até o início da década de 1970, todo o colono, preservava uma parte de mato,
em sua propriedade, pois quanto mais mato possuía, maior era o valor da terra.

Árvore nativa (Cedro), da mata de Linha Machado.


Foto: Srª Elmine Schulz

Com o início da mecanização, os colonos foram motivados em ampliar suas


áreas de lavouras e, com isto, passaram a derrubar o mato ainda existente. Em 1996, o
município de Novo Machado, contava com uma área de mata nativa de,
aproximadamente 2.000 ha, nos quais, as madeiras já foram exploradas.
Em 2004, contávamos ainda com cerca de 1800 ha de mata nativa.
A partir do ano 2000, sob a determinação da Lei Federal nº 4771/65, Publicada
no Diário Oficial da União, em 16 de setembro de 1965, que no Artigo 2º, define as
áreas consideradas de preservação permanente, especialmente ao longo dos recursos
Hídricos, foram implantadas, em nosso município e região, ações de isolamento e
reflorestamento de uma área (faixa) de 50 metros ao longo do Rio Uruguai.
Sem dúvida, esta ação é extremamente importante para a preservação da
natureza, especialmente ao que se refere ao Rio Uruguai, à recuperação das espécies
nativas da nossa flora e, conseqüentemente, favorecendo muitas espécies da nossa
fauna, salvando-as de sua extinção. Porém, por outro lado, algumas pessoas vêem-se
privadas de áreas produtivas, onde desenvolviam suas culturas, na maioria das vezes,
necessárias para sua sobrevivência.

1.5. Fauna:

No início do povoamento de nosso município, enquanto a mata era exuberante e


virgem, habitavam nela uma grande variedade de animais, entre eles: tamanduá, tigre,
serelepe, tatu, veado, leão-baio, mão-pelada, guaraxaim, gambá, lagarto, gato-do-mato,
cobras, além de diversas espécies de pássaros, como: tucano, arara, jacu e outros.

“Uma caçada nas proximidades do Lajeado Gateados.


Filhos do Sr. Andréas Krapp da Direita para a Esquerda
(Adolfo, Bertoldo e João) - 1923.

Os rios, que cortavam estas matas, possuíam água límpida e despoluída e eram
habitados por uma grande variedade de peixes.
No início da colonização, animais, pássaros e peixes, constituíam importante
fonte de alimento para os pioneiros.
Atualmente, a fauna está em fase de extinção, e os animais e pássaros que ainda
vivem, encontram grandes dificuldades para sobreviver, uma vez que as matas foram
destruídas e, estes, perderam o seu habitat. Além disso enfrentam também o problema
de envenenamento das lavouras.
O mesmo acontece com os peixes, cuja extinção nos pequenos rios e lajeados,
deve-se a pesca na época da desova e a poluição das águas, devido aos fertilizantes e
venenos que são colocados nas lavouras e levados para os rios, através da erosão.
Nos últimos anos, as autoridades estão conscientizando-se e fazendo um trabalho
junto a população, no sentido de evitar e/ou reduzir os riscos da poluição e da pesca
predatória.
Com a obrigatoriedade de preservação das margens do Rio Uruguai e a
conscientização da população quanto ao reflorestamento das vertentes e pequenos
lajeados, constata-se o retorno de diversas espécies nativas de nossa fauna.
1.6. Clima e Pluviosidade

O clima em Novo Machado é bastante variado. As temperaturas no verão


oscilam, entre 20C a 40C. As máximas registradas, acontecem nos meses de dezembro
e janeiro.
No inverno a temperatura oscila entre 0C e 20C, sendo que as mínimas são
registradas nos meses de junho e julho. A média anual, fica em torno dos 20C.
O clima de Novo Machado é considerado temperado mesotérmico úmido.
Podemos registrar geadas, nos meses de maio a agosto e esporadicamente, abril
e setembro. Quanto à intensidade das mesmas, não possuímos registros para afirmar o
número anual, mas varia muito de ano para ano. As geadas ocorrem nas áreas mais
distantes do Rio Uruguai, onde não há cerração.
Nos meses de inverno, ocorrem freqüentes neblinas, popularmente chamadas de
“cerração”, devido a proximidade do Rio Uruguai.
Segundo depoimento de pessoas idosas, que residem próximo a costa, afirmam
que anos atrás, no início da colonização, a cerração no período de inverno durava até às
13h ou 14h.
Atualmente, devido a ausência de matas, permanece até em torno das 11h ou no
máximo meio-dia, uma vez que a evaporação acontece mais rapidamente.
Novo Machado, nos últimos dezenove anos, recebeu uma pluviosidade
(precipitação de chuvas) em média de 2043,89mm/ano.
O mês de menor precipitação, foi o mês de agosto, com 2274mm, e o de maior, o
mês de outubro, com 4829mm.
Analisando a tabela abaixo, podemos verificar que o ano de menor precipitação,
foi o ano de 1991, com 1319mm e o de maior precipitação foi o ano de 2002, com
3130mm.
Porém, nos últimos anos, as chuvas têm sido muito irregulares. Longos períodos
de estiagem, causaram grandes prejuízos à agricultura, atingindo principalmente as
culturas de verão, de milho e soja. Por outro lado, as plantações de trigo foram
prejudicadas devido as chuvas fortes e prolongadas, por ocasião da colheita.

Precipitações Pluviométricas no Município de Novo Machado, por Mês e Ano , de


1986 a 2004:

Ano Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Agos. Set. Out. Nov. Dez. Total Média

1986 87 53 190 397 183 175 76 97 142 85 267 87 1.839 153,25


1987 97 179 155 272 164 126 315 38 97 214 110 115 1.882 156,83
1988 251 80 26 222 99 115 10 38 193 227 88 138 1.487 123,91
1989 313 114 105 156 45 207 150 219 248 152 93 159 1.961 163,41
1990 236 41 120 38 280 255 79 70 359 309 182 179 2.148 179,00
1991 98 86 55 161 47 291 60 12 52 59 63 335 1.319 109,91
1992 36 407 227 199 269 181 131 103 199 197 178 20 2.147 178,91
1993 414 45 238 129 122 61 234 25 153 296 175 110 2.002 166,83
1994 215 390 106 242 166 128 252 60 212 442 205 255 2.673 222,75
1995 145 209 280 66 80 61 133 37 221 240 49 38 1.559 129,91
1996 220 314 122 105 85 125 132 223 93 320 70 333 2.142 178,5
1997 118 279 14 118 112 70 102 244 146 473 323 426 2.425 202,08
1998 321 374 254 348 191 108 176 281 300 135 20 193 2.701 225,08
1999 76 103 188 240 174 88 286 188 200 255 104 132 2.034 169,50
2000 115 75 199 97 181 242 20 160 140 338 112 208 1.887 157,25
2001 358 170 200 125 61 141 00 92 321 161 160 87 1.876 156,33
2002 301 53 299 241 199 226 108 234 289 419 265 496 3.130 260,83
2003 183 297 170 200 31 119 72 76 52 250 211 360 2.021 168,41
2004 129 73 56 187 145 103 52 77 210 257 269 43 1.601 133,41

Total 3.713 3.342 3.004 3.543 2.634 2.822 2.388 2.274 3.627 4.829 2.944 3.714 38.834 170,32

Fonte: Até 1995 –COOPERMIL – Novo Machado – RS;


1996/1997 – Registro Particular do Sr. Ângelo Golin – Novo Machado – RS;
1998 a 2004 - Sexcretaria Municipal da Agricultura do Município de Novo Machado – RS.

Em 1996, tínhamos:
Média Mensal – 120 meses: 158 mm/mês.
Média Anual – 10 anos: 1.901 mm/ano

Em 2004, tínhamos
Média Mensal dos 228 meses = 170,32 mm/mês.
Média Anual dos 19 anos: 2.043,89 mm/ano
2. NOVO MACHADO - UM ESPAÇO A SER OCUPADO

2.1. Origem do Nome:

Linha Machado - Povoado Machado - Vila Machado - NOVO MACHADO.


Estas, foram as diferentes denominações que recebeu, ao longo de sua história, a
atual sede do município: Novo Machado.
Mesmo através de buscas realizadas em documentos, que remontam à época da
colonização, não foi possível definir-se com clareza, as origens, ou melhor, as causas
desta denominação. Os próprios imigrantes afirmam que, em princípio da década de
1920, ao adquirirem suas terras, já sabiam que estas se localizavam no município de
Santo Ângelo, distrito de Santa Rosa, localidade de Linha Machado.
Para chegar até aí, um caminho longo e árduo, a pé, com o auxílio de um cavalo,
unicamente com um mapa, procurando encontrar a colônia que haviam comprado, às
vezes, ainda na Europa, outras vezes, na Comissão de Terras, em Santa Rosa, os
colonizadores vinham abrindo picadas e atravessando a mata.
Todos sabiam a região onde deveriam procurar suas terras, mas desconheciam a
origem do nome desta localidade.
Da autobiografia do Sr. Helmuth Kaffka, que veio da Alemanha em 1924 com a
família, destacamos uma parte que retrata as dificuldades que os imigrantes tiveram
para encontrar suas terras e chegar até elas, embora soubessem a denominação dos
locais.

“Von Santo Ângelo, mit einem grossen Wagen, 5 meter lang, 8 mulas
vorgespant. Es waren 4 familien drauf: Wier (Kaffka), Feger, Wetzel und 2 familien
Buchholz. Die Männer gingen zu fuss bis Santa Rosa. Da mietete Vater ein Haus, wo
wier ein par Wochen wonten. Dan Kaufte mein Vater, in Machado, Terrêncio, 3
Kolonien: 75 hectar Urwald.

Zum Urwald.

Dan gings weiter, von Santa Rosa, bis an die Barke, vom Santa Rosa fluss.
Vater Kaufte ein Pferd.
Von dort aus, wurde die ganze Wanderschaft aufs Pferd geladen, und wier alle
gingen zufus (25 Kilometer), ein jeder auch beladen.
Es ging über so viele klötze, das man bald nicht weiter kam von müdichkeit.
Aber, die Lust am Abendteuer, half immer weiter. Abens, waren wier angekomen bei
Familie Krapp, wo wier Übernachteten, in einer Baracke.
Am kommenden Tag, kam der Nachbar Ivan Siniak. Both uns eine Wohnung an.
Er hate ein Häuschen, von ungefär 4m x 7m. Da wahren wier ein paar tage, und
suchten unser Land, das 4 Kilometer entferndt lag.
Dort, in Terrêncio, wonte schon Julius Fitz. Unsere Kolonien lagen gans Nahe.
Wier musten sie aber erst aufsuchen. Eine gute kwelle war dah. Haben uns ein wenich
verirrt, so das wier einen Tag suchten.
Am kommenden Tag, sind wir hingekommen.” (1)

(De Santo Ângelo, com uma carroça grande, 5m de comprimento, puxada por 8 mulas.
Eram 4 famílias naquela carroça: Nós (Kaffka), Feger, Wetzel e 2 famílias Buchholz. Os
homens foram a pé até Santa Rosa. Lá o pai alugou uma casa, onde ficamos algumas semanas.
Daí o meu pai comprou, em Machado, Terrêncio, 3 Colônias de terras: 75 hectares.

_____________________________________________________________________
(1) In História da Cidade de Novo Machado - Novo Machado – 1995
Daí seguimos, de Santa Rosa, até a Barca do Rio Santa Rosa.
O pai comprou um cavalo.

Para a Mata.

De lá, toda a mudança foi colocada sobre o cavalo e nós caminhamos a pé (25
Quilômetros), cada um carregando pacotes.
Passamos sobre muitas árvores e estávamos tão cansados que quase não podíamos
seguir adiante. Mas a aventura e a esperança, a alegria de encontrar algo melhor, dava forças
para seguir em frente. À noite, chegamos na família Krapp onde pernoitamos numa barraca.
No dia seguinte, o vizinho Ivan Siniack ofereceu-nos uma moradia. Ele tinha uma casa
de 4m x 7m. Lá ficamos alguns dias e procuramos nossa terra, distante a 4 km.
Lá em Terrêncio, já morava o Sr. Julius Fitz. A nossa colônia ficava próxima, mas
tínhamos que encontrá-la. Uma boa vertente havia ali. Mas, nós nos perdemos um tanto e
procuramos (caminhamos na mata) um dia todo.
No outro dia encontramos nossa terra.)

Desta forma se constata que, nesta época, rios, lajeados e as próprias regiões já
estavam denominadas. Quem as denominou e porque as denominou assim, é uma
questão ainda não esclarecida.
Há porém quem atribui a denominação “Machado”, à existência do Lajeado
Machado que teria cedido o seu nome também à localidade.
Há um outro fato curioso, narrado pelo Pastor Wolff, em seu livro, no capítulo
que fala sobre os índios (bugres), quando diz que, em virtude da redução do espaço
natural, os índios garantem sua sobrevivência com o cultivo da mandioca e, para poder
cultivá-la precisam derrubar a mata com auxílio de machadinhas de pedra.

“Auch habe ich keine Ahnung, wo dieser Stamm gewohnt hat. Aber durch das
Gebiet dieses Indianerstammes fließ ein Fluss, den die Indianer “Axt-Fluss” nennen. In
oder na diesem Fluss haben die Indianer die richtigen Steine für ihre Beile
gefunden.”... (2)
(Também não tenho idéia de onde habitava esta tribo. Mas pela reserva (ou região
habitada) desta tribo, corre um rio, que os índios chamam de “Rio - Machado.” Neste rio os
índios encontram as verdadeiras pedras para fazer suas machadinhas.)

A citação do autor, porém, não esclarece a localização deste rio. Em virtude


disto, deixamos à imaginação do leitor o seguinte questionamento:
- O “rio Machado” dos índios e o “nosso Lajeado Machado” seriam o mesmo?
- É este o motivo pelo qual o “nosso lajeado” recebeu tal denominação?
- Foi este lajeado que cedeu seu nome à localidade?

_____________________________________________________________________________________
__________
(2) Wolff. Herbert. Pionire im Laude der Gaúchos. pág. 1
2.2. Medição das Terras

“Segundo depoimento de alguns imigrantes, a medição das terras era da


responsabilidade da Comissão de Terras e Colonização, de Santa Rosa.
O trabalho de medição das terras foi executado por um agrimensor contratado
pela Comissão de Terras. Chamava-se Ludwig von Eye, normalmente conhecido como
“Luiz von Eye”. Este, segundo os pioneiros, era alemão e possuía uma destreza
incomparável de andar pelas matas. Usava botas de canos longos que ultrapassavam
os joelhos, o que lhe permitia uma maior segurança. Foi ele o responsável pela
medição das terras de toda a região, onde se localizavam as terras do Estado do Rio
Grande do Sul, que hoje constituem o atual município de Novo Machado.
As terras, eram medidas e demarcadas em colônias ou lotes e, em suas
cabeceiras (lajeado ou estrada principal), eram colocados os marcos que as
identificavam.
Uma vez demarcados os lotes, vinham outros para abrir as picadas, marcando as
divisas dos mesmos.” (3)
“Primeiramente, era feito o levantamento dos rios e lajeados e, exploravam os
locais para serem feitas as estradas. Estas deviam ser feitas em lugares mais cômodos,
mais planos, desviando os cerros (fazendo voltas). Depois, faziam cálculos com auxílio
de aparelhos especiais. Esses cálculos, eram levados à Comissão de Terras em Santa
Rosa, e lá, era desenhado o mapa.
Tendo o mapa em mãos, era iniciado o trabalho de medição das terras. Uma
pessoa localizava a linha e duas ou três pessoas cortavam, com facão, o local onde
devia ser feita a divisa, entre um lote e outro. As árvores pequenas eram cortadas e as
maiores eram desviadas. Materiais utilizados eram: baliza, uma trena (fita de aço com
20 m), facão, machado e um instrumento para fazer apontamento com bússola.
Os lotes eram feitos de diversos tamanhos, dependendo de sua localização, com
acesso às estradas e água dos rios e lajeados. Para a medição de terras da Colônia 14
de Julho, um dos critérios que deveria ser seguido a risca, era a localização dos lotes
com acesso a rios ou lajeados, uma vez que em outras Colônias, não foi seguido este
critério, dificultando a colonização de muitos lotes, pois faltava água nos mesmos.
Esse trabalho de medição, era muito difícil e cansativo. Para medir um lote ao
outro, levava-se dias. Encontravam muitas dificuldades na realização deste trabalho,
entre eles: animais ferozes (cobras, vespas, antas, onças...), passavam fome e sede,
pois saíam de manhã cedo e voltavam à noite. Passavam sem almoço e sentiam muita
sede. Só tomavam água, quando encontravam algum riacho ou rio, ou então, algum
urtigão que era cortado o caule, para beber a água.” (4)
Quanto ao loteamento das terras do atual município de Novo Machado,
deparamo-nos com duas realidades distintas:
a) Num primeiro momento, os loteamentos e medições de terras, foram
realizadas pela própria Comissão de Terras de Santa Rosa, envolvendo principalmente a
região que hoje constitui o Distrito Sede.
“O responsável por esta medição era o agrimensor Luiz Fornalha e mais três
ou quatro empregados. O Sr. José Madalozzo, também trabalhou nesta medição de
terras. Os demais empregados, eram de Santa Rosa. Um deles chamava-se Laudato, os
demais o Sr. José não se recorda”. (5)

_____________________________________________________________________________________
__________
(3) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS – 1995.
(4) In História da Localidade de Nova Esperança - NOVO MACHADO – RS – 1995.
(5) In História da Localidade de Nova Esperança - NOVO MACHADO – RS – 1995.
Há um fato curioso no que se refere ao nome do agrimensor responsável pela
medição destas terras. Novo Machado, fala em Ludwig Von Ei; Lajeado Touros, fala em
Luduwig Von Ei; Nova Esperança e outras, falam em Luiz Fornalha e algumas pessoas
mencionam o nome Luiz Fornari. A primeira vista, parece tratar-se de pessoas
diferentes. Porém, conversando com alguns pioneiros, estes afirmam ser a mesma
pessoa. “Era um alemão alto e forte, que passava pelo mato com muita agilidade,
usando botas de canos muito longos. Chamava-se Luiz Fornalha.”
(Palavras do Sr. Ângelo De Conti).

A partir daí, conclui-se que na verdade, o agrimensor era o mesmo. Sendo


alemão, Ludwig von Eye, encontrou, nas áreas e junto às pessoas que não conseguiam
pronunciar o seu nome com facilidade, diferentes versões: Luiz Von Ei, Luiz Fornalha,
Luiz Fornari...
Porém, à medida em que a pesquisa foi sendo aprofundada, encontramos,
na localidade de Três Pedras, um sobrinho deste famoso agrimensor: o Sr. Lucídio
Koehler que nos informou que, em Santa Rosa, reside uma filha do mesmo, chamada
Dóris. De posse do endereço, localizamos a mesma, com a qual obtivemos a veracidade
sobre a origem, nome e atuação do referido agrimensor.
Frederico Luiz von Eye, filho de imigrantes alemães (Ludwig von Eye e Ottílie
Koeptcke von Eye), nasceu no Rio de Janeiro em 1893.
Veio para Santa Rosa em 1927, onde junto a Comissão de Terras, iniciou a
medição das terras nesta região. Trabalhou também como particular.
Faleceu em Cuiabá - Mato Grosso, em 1979.

Frederico Luiz von Eye - Agrimensor da Comissão de Terras


de Santa Rosa. 1930 - com 36 anos de idade.

“Sempre gostou de viver livremente e em harmonia com a natureza. Gostava de


caçar e pescar. A sua destreza e simpatia pelo trabalho que realizava, tornou-o um
grande conhecedor das matas da região, razão pela qual lhe foi atribuído o cognome
de “Waldschlupper”.

(Palavras da filha Dóris von Eye).

Frederico Luiz von Eye conhecido sob diversos nomes, passando por vezes
como alemão, outras, por italiano, deixou na lembrança das pessoas que o conheceram,
uma lição de vida: “era um profissional honesto, íntegro e acima de tudo competente”.

b) Num segundo momento, a partir da década de 1930, com o empreendimento


colonizador da Companhia Dahne Conceição, abrangendo a costa do Rio Uruguai. (Este
assunto, será abordado com mais detalhes, no próximo capítulo).
3. POVOAMENTO E COLONIZAÇÃO

Para uma melhor compreensão, do processo de ocupação e povoamento, do


território que compreende atualmente o município de Novo Machado, abordaremos esta
questão em três dimensões:
1º) a presença indiscutível do elemento indígena, cujos vestígios ficaram
encravados na natureza durante séculos, mas que, aos poucos, vêm aflorando como que,
para lembrar, que “um dia estas terras também já tiveram donos”.
2º) pela presença dos ocupantes que, enfrentando as densas matas, vieram
buscar, na exploração e no convívio com a natureza, a sua sobrevivência.
3º) pela ação propriamente dita da Colonização, ou seja, pelo estabelecimento de
grupos de pessoas, de diferentes nacionalidades e procedências, nestas terras
promissoras, cuja mata exuberante revelava a riqueza do seu solo, buscando no árduo
trabalho braçal, melhores condições de vida e, sobretudo, uma nova pátria.

3.1. Primeiros Habitantes (Índios)


Como sabemos, o Brasil, antes de sua efetiva colonização, era habitado por
diferentes tribos indígenas.
O município de Novo Machado, favorecido pela sua hidrografia, especialmente
pela presença do rio Uruguai, apresentava aspectos naturais favoráveis à presença de
grupos indígenas.
Ao longo dos rios Santa Rosa e Uruguai, foram encontrados, em diferentes
épocas, vestígios inconfundíveis da presença indígena nesta região.
“É importante ressaltar que em nossas terras já existiram índios, quando estas
eram recobertas de matas verdes e irrigadas por águas cristalinas. Como a prova da
existência de índios em nosso território, foram encontrados pelos desbravadores, nas
margens do rio Santa Rosa, restos de cerâmicas e objetos de caça, utilizados por eles”.
(6)
... “no ano de 1985, na propriedade do senhor Eldo Zuehl, após uma enxurrada
que desmoronou parte do barranco do rio Uruguai, foram encontrados restos de
utensílios domésticos (panelas de barro), feitas por índios Guaranis”. ... “Igualmente,
na várzea do Senhor Mário Vargas, também foram encontrados pedaços de objetos
indígenas (panelas e panelões)”. (7)
Fatos semelhantes, foram registrados, na década de 1970 e no início da década
de 1980, nas localidades de Três Bocas e Itajubá Leste, áreas hoje pertencentes ao
município de Porto Mauá, onde agricultores, lavrando suas terras com arado de bois,
encontraram urnas funerárias. A que foi encontrada em Itajubá Leste, foi levada por um
missionário a um museu de São Paulo, em 1977, e a localizada em Três Bocas, para o
Museu de Cerro Largo.

3.2. Os Nacionais

Analisando a formação étnica do povo brasileiro, constatamos que a história


social do Brasil, começa com o contato do homem branco, com o primitivo habitante - o
índio.
Nos primeiros séculos, ocorreram os cruzamentos: entre portugueses e índios
(mamelucos), portugueses e negros (mulatos), e, índios e negros (cafusos).
A partir do século XIX, com a proibição do tráfico de escravos e a vinda de
novos elementos europeus, os cruzamentos tornam-se mais complexos.
Com o passar dos anos e a expansão do povoamento, elementos de todos estes
cruzamentos, atingiram também esta região.
_____________________________________________________________________________________
__________
(6) In História da Localidade de Nova Esperança - Novo Machado - 1995
(7) In História da Localidade de Lajeado Marrocas - Novo Machado - 1995
Temos informações de que boa parte da atual área do município de Novo
Machado, antes de sua efetiva colonização, já era ocupada por posseiros, conhecidos
por caboclos ou nacionais. Estes eram atraídos pelos recursos naturais, principalmente a
madeira e a erva-mate.
Muitos destes ocupantes, dedicavam-se à exploração da madeira de lei, a qual
era comercializada com os municípios da fronteira oeste do estado (São Borja, Itaqui,
Uruguaiana) e com a Argentina.
Este comércio de madeira, realizado através das balsas, muitas vezes era
clandestino, contribuindo para o desbravamento das terras, mesmo antes de serem
oficialmente colonizadas. Havia também as Companhias Madeireiras que, nos primeiros
anos da colonização, realizavam a comercialização da madeira, aproveitando-se muitas
vezes, das necessidades financeiras dos pioneiros.
Segundo depoimento de moradores de Vila Pratos, foi lembrado o nome de duas
famílias Teófilo e Pires, que ali estavam acampados com a finalidade de explorar a erva-
mate nativa. Esta era industrializada de forma rudimentar e, posteriormente,
comercializada com a Argentina.
“Quanto a procedência destes nacionais que localizaram-se nesta área, não há
dados precisos. Há quem afirma que os mesmos teriam fugido de Palmeira das Missões
na época da Revolução Federalista (1893). Outros dizem, que seriam fugitivos da
justiça, das autoridades da região de Santo Ângelo, porque na costa, em caso de
perseguição, seria fácil fugir para a Argentina ou refugiar-se nas matas.”(8)
Na localidade de Esquina Água Fria, na década de 1920/30 registra-se também a
presença de um bom número de nacionais, procedentes de Santa Rosa, etnia que
predominou na localidade por diversos anos. Levavam uma vida simples e cultivavam
produtos para a subsistência, de forma bastante rudimentar. Entre os nacionais de
Esquina Água Fria foram lembrados: Santos, Corrêa, Silva, Rodrigues, Tavares, Rolin.
Independentemente da procedência dessas famílias, sabe-se que as mesmas,
ocupavam terras dos locais já mencionados.
“O trabalho agrícola era realizado com instrumentos rudimentares, tais como:
o saraquá (estaca pontuda de madeira, para plantar feijão, milho...), o manguá, o
pilão, enxada e outros.
Praticavam a agricultura de subsistência. Cultivavam o feijão, milho,
mandioca, abóbora e batata-doce, arroz, cana-de-açúcar, amendoim e fumo. O fumo
era bastante cultivado. Faziam o fumo de corda para vender. Colhiam as folhas do
fumo, tiravam o talo, colocavam estendido em arames, embaixo das casas ou galpões,
por dois dias. Tiravam dali e faziam as cordas no cambito. (1)
Criavam também alguns animais. O cavalo para meio de transporte, galinha,
porco e gado bovino para a alimentação da família e um pouco para vender. Faziam a
carne de sol (2) e o charque.
Dedicavam-se também ao extrativismo vegetal. Derrubavam árvores, com as
quais faziam toras, palanques, dormentes e trama, para vender. Nesta atividade
trabalhavam os homens e as mulheres.
As casas dos primeiros moradores, eram muito simples. Eram as içaras (3). O
material empregado nas construções era o coqueiro, taquaruçu e eram cobertas com
folhas de coqueiro.
Os móveis, eram também rústicos e muito simples. Dormiam em tarimbas (4).
Naquela época em Esquina Água Fria não havia Escola e Igreja.
Com a chegada dos colonizadores, porém, os ocupantes viram-se ameaçados.
Muitas famílias, ao aproximar-se o colono, cederam o seu espaço, abandonando a área
que ocupavam, penetrando mata a dentro para ocupar outro lugar. Outras procuravam
a Comissão de Terras de Santa Rosa, requerendo o Título de Usucapião. Enquando
outros, requereram suas terras na Comissão de Terras, adquirindo-as mediante
pagamento, assim como os colonizadores de outras nacionalidades. (Nota: explicações sobre os
termos em grifo, encontram-se na próxima página).
______________________________________________________________________
__________
(8) CLAUS, Romualdo Justmann - Evolução Histórica e Geográfica de Tucunduva, CORAG, 1981,
pág.16.
(1) CAMBITO: É um instrumento feito de madeira,usado para preparar a corda do
fumo.
(2) CARNE-DE-SOL: Carne salgada e seca ao Sol. Corta-se a carne em mantas,
coloca-se sal e depois estende-se em um varal para secar ao sol. É preciso mudar
constantemente a posição da carne, para secar de madeira uniforme. Após algumas
horas de sol, a carne está pronta para ser usada no preparo de carreteiros, guizados
ou churrascos. Este processo dá um sabor diferente e especial à carne.
(3) IÇARA: Casa construída com lascas de coqueiro e coberta com folhas de
coqueiro ou capim rabo-de-burro.
(4) TARIMBA: Feita em madeira. Quatro estacas cravadas no chão, sobre as quais
colocavam duas travessas, de madeira roliça. Sobre as travessas, tramavam outras
madeiras, também roliças, formando o lastro da cama. O colchão, geralmente era
feito com palha de milho. Alguns dormiam sobre pelegos. Faziam a tarimba alta do
chão, para proteger-se dos animais selvagens.”(9)

3.2.1. A Religiosidade

Os nacionais praticavam a religião católica, porém desenvolviam certos rituais


para manifestar a sua fé.
Registra-se na localidade de Esquina Água Fria a Festa do Divino, conforme
mencionamos abaixo.
“Em 1942, a família de Severo Rolin que morava na cabeceira do Lajeado Água
Fria, trouxe para esta comunidade, o Ritual de adoração ao Divino Espírito Santo: a
Festa do Divino.
Quando fazia seca por alguns dias, o Sr. Clarismundo Corrêa dos Santos, dizia:
- “O parente Severo, vai aparecer com o Divino.”
Não tardava e eles já ouviam as batidas do tambor, anunciando a chegada do
Divino. Daí todos preparavam a casa. Colocavam toalhas na parede, onde repousaria

o mastro do Divino.
Bandeira do Divino Espírito Santo
Fonte: História da Localidade de Esquina Água Fria
A família que iria receber o Divino em sua casa, ao sinal do tambor, dirigia-se
ao seu encontro. Severo Rolin, entregava o Santo ao dono da casa. A noite, muita gente
se reunia para adorar o Divino. Rezavam o terço, cantavam e conversavam. Severo
Rolin e a sua família pernoitavam naquela casa e no outro dia, após o café da manhã,
levavam o Santo para outra família. Assim prosseguia o ritual, até que passavam por
todas as casas da comunidade. Vale lembrar que este costume era das famílias dos
nacionais, que naquela época, em Esquina Água Fria, predominavam.
____________________________________________________________________________________
________
(9) In História da Localidade de Esquina Água Fria - Novo Machado - 1995

De vez em quando faziam um baile. No baile, animado por gaiteiros, em casa de


família, dançavam ao redor da Bandeira do Divino. Depois, encostavam o Santo num
canto e, os pares, saiam requebrando chote.
Às vezes, o dono da casa fazia uma promessa. Oferecia uma mesada aos
participantes: churrasco, pão, vinho, cuca, bolacha...
Nas Comunidades maiores costumavam fazer a Festa do Divino no dia 25 de
maio, dia do Divino Espírito Santo. Mas aqui em Esquina Água Fria, a festa realizava-
se no dia de São João. Faziam uma fogueira, levantavam um mastro de madeira e na
ponta amarravam uma bandeira branca. Na bandeira, costuravam dois bonequinhos
de pano. Traziam o Divino: um mastro com uma pombinha na ponta e no alto uma
bandeira vermelha. Junto a pomba, símbolo do Espírito Santo, amarravam muitas fitas
coloridas, medindo mais ou menos, 2,50m de comprimento. As pessoas devotas,
presenteavam o Divino com estas fitas.
Os participantes beijavam a pombinha, colocavam a Bandeira do Divino sobre
a cabeça, rezavam e cantavam. Depois faziam um baile muito animado, embaixo de
ramadas ou dentro de casa. O gaiteiro era quase sempre o Amaro Felipe dos Santos. E
esta Festa do Divino, quase todos os anos, realizava-se na casa de Ana Ferreira, avó
de Maria Ferreira dos Santos e Olívia Corrêa. Este costume de festejar o Dia de São
João e a Festa do Divino, no dia 24 de junho, ficou por muitos anos nesta comunidade.
Ás vezes, vinham algumas famílias da Argentina e levavam o Divino para lá. As
pessoas de Esquina Água Fria acompanhavam o Divino a pé, até o Porto de Vila
Pratos. Quando atravessavam o Lajeado Pratos, o Lajeado Água Fria e outras sangas,
molhavam a Bandeira e rezavam para chover.” (10)
Segundo D. Olívia Corrêa: “Nos tempos do Divino, tudo era mais favorável,
porque quando dava seca a gente rezava para chover, e chovia. A Festa do Divino
acabou porque as pessoas que carregavam o Divino morreram e o costume não foi
assumido pelos descendentes e nem pelas outras etnias.”

3.2.2. Alimentação:

Os nacionais possuiam hábitos alimentares muito simples. Os alimentos eram


produzidos pela própria família, aproveitando os produtos cultivados e os recursos que a
natureza oferecia.
“Quando as casas eram de chão batido, sem assoalho, o fogo também era feito
no chão e, neste borralho, preparavam os alimentos. Com o passar do tempo, os fogões
foram se aperfeiçoando. Construíram o fogão de tijolos e tábuas, (fogoler ou larim),
mais tarde, surgiu o fogão a lenha com forninho.
Fogoler ou larim, era feito de tábuas de mais ou menos 1m². Por dentro, era
revestido com tijolos e barro. Ali acendiam o fogo. Algumas famílias, colocavam uma
chapa de ferro sobre a armação de madeira, outras penduravam as panelas de ferro
com correntes, no forro da casa.
O milho, era o alimento básico dos antigos moradores de Esquina Água Fria.
Com ele preparavam deliciosos pratos, tais como: Pamonha, Cuscuz, Cascão, Polenta,
Pão, Canjica, etc.
a) Pamonha: Ralar milho novo, colocar água e sal. Fazer a massa no ponto de pão de
milho. Colocar a massa na palha verde do próprio milho. Atar as pontas e sobre o
meio, com tiras de palha.
Colocar na panela com água fervente, tampada. Cozinhar por meia hora. Servir com
feijão e carne. (Receita fornecida por Olívia Corrêa).

_____________________________________________________________________________________
__________
(10) In História de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO - 1995.
b) Cuscuz: Preparar a farinha do milho verde, ralado. Peneirar ficando só a
farinha. Molhar um pouco a farinha com água para ficar soltinha. Colocar uma
colher de sal. Despejar essa massa num prato, cobrir com uma toalha para não
entrar água. Fazer um nó nas pontas da toalha e colocar sobre a boca de uma panela,
cujo diâmetro seja menor do que o prato. O cozimento é feito com o vapor que sai da
panela. Após meia hora de cozimento, pode ser servido com leite ou com feijão e
carne. (Receita fornecida por Olívia Corrêa e João Rodrigues da Silva).

c) Pão: Nos primeiros tempos, colocavam a massa dentro de uma panela e faziam
um braseiro no chão. Colocavam brasa em cima de uma lata ou tampa de panela. A
panela com a massa de pão era colocada em cima do braseiro no chão e sobre a
panela colocavam a lata com brasa. Para cozinhar por igual e tostar ao redor, gira-
vam constantemente a panela. Mais tarde, a panela com a massa era colocada em
cima da chapa de fogão construído com tijolos. Sobre a panela, continuavam usando
uma vasilha com brasas. Com o passar do tempo, os fogões foram se aperfeiçoando
e a maneira de assar o pão foi se modificando. Passaram a utilizar o forninho do
fogão a lenha ou o forno construído com tijolos.
Ainda hoje, muitas famílias de Esquina Água Fria e região, utilizam o forno de
tijolos para assar pão e bolacha. Mas a maioria, utiliza o fogão a gás ou forninho
do fogão a lenha.
(Receita fornecida por Olívia Corrêa e Pierina Turra).

d) Fufa: Molhar a farinha de milho na bacia. Um pouco de água para umedecer e


esfarelar nas mãos. Colocar um pouco de banha numa panela, mais ou menos uma
colher. Misturar a farinha esfarelada com um pouco de sal. Abafar com uma tampa
e de vez em quando mexer com uma colher. Aos poucos acrescentar um pouco de
água para não ressecar. Deixar no fogo por uns 30 minutos. Servir com leite ou
colocar no feijão. (Receita fornecida por Naura Santa da Luz).

e) Cascão: Ingredientes: farinha, água, banha, ovos e sal. Pegar uma certa quantia de
farinha de trigo e milho, misturando os outros ingredientes. Fazer uma massa mais
firme do que massa para bolo. Socar esta massa na parede interna da panela de
ferro, numa espessura de uma polegada. Virar a panela de boca para baixo em cima
do braseiro. Deixar tostar. Este alimento era servido com melado e substituía o pão
e o bolo. (Receita fornecida por João Rodrigues da Silva).

f) Revirado de Feijão: Cozinhavam o feijão, colocavam os temperos e por último


misturavam farinha de milho, mexendo sempre até ficar seco.
(Receita fornecida por João Rodrigues da Silva).

g) Revirado de Farinha: Fazer uma massa com mais ou menos 1/2 kg de farinha de
trigo. 1 colher de banha, sal, água. Fazer uma massa e colocar numa panela. Levar
ao fogo e tostar de ambos os lados. Esmagar com a pá de madeira até ficar em
pequenos pedaços. Servir com café.
(Receita fornecida por Pierina Turra).

h) Biju: Feito com farinha de milho e sal. Coloca-se a farinha de milho e sal numa
panela de ferro e leva-se ao fogo mexendo sempre até ficar bem seco. Come-se com
feijão ou leite.
(Receita fornecida por D. Olívia Corrêa).” (11)

_____________________________________________________________________________________
__________
(11) In História da Localidade de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO - 1995.

Além dos alimentos acima mencionados, os nacionais consumiam também:


abóbora frita e cozida, moranga, mandioca, batata, carne de sol e charque.
Hoje, o hábito alimentar dos nacionais, sofreu influência das outras
nacionalidades. Não há uma predominância dos alimentos preparados inicialmente e
muitos deles, desapareceram.

3.2.3. As Diversões:

Os nacionais de Esquina Água Fria, inicialmente, promoviam bailes nas casas de


famílias para se divertir.
... “Na residência de Clarismundo Corrêa dos Santos e Fermiliano Machado
dos Santos, costumavam promover bailes com freqüência. Nas casas dos italianos e
alemães, não saía baile, mas eles participavam dos bailes dos nacionais.
Durante o baile, vendiam café e bebidas, que buscavam na cidade, de carroça.
As moças enfeitavam-se com laços de fita no cabelo, usavam água de cheiro,
manjericão e algumas coloriam as faces e lábios com papel crepon vermelho. Não
eram todas as moças que participavam destes bailes, pois os pais não deixavam.
Os gaiteiros que animavam os festejos eram: Geraldino Parreira, João de Deus,
Bernardino dos Santos, Irineu Siqueira, Vicente Tavares, Pedro de Alencar e outros.”
(12)
Bernardino dos Santos e seus filhos, animando uma festa de casamento.
Fonte: História da Localidade de Esquina Água Fria

“Nos bailes, havia uma peça musical chamada “Vanerão das Damas”. Neste
momento, as mulheres casadas convidavam seus esposos para dançar. As moças que
tinham namorado, convidavam os namorados. As moças que não tinham namorado,
escolhiam entre os rapazes, o seu pretendente.”
(Depoimento de D. Olívia Corrêa).
Os pais acompanhavam as filhas nos bailes e eram muito severos.

“Não tivemos muito prazer nos bailes, porque no bom do baile, o meu pai dizia:
- Valeriana! vamos embora, não gosto de cochicho no ouvido. Referia-se quando a
gente estava conversando com um rapaz”.
(Depoimento de D. Olívia
Corrêa).
_____________________________________________________________________________________
__________
12 (12)In História de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO – RS – 1995
13 3.2.4. Costumes:

Entre os nacionais um dos costumes que permanece até hoje, é pedir “a bênção”.
Os filhos, de mãos postas, pela manhã e a noite, pedem a bênção aos pais. Os netos
pedem a bênção aos avós. Os afilhados aos padrinhos. Os pais, os padrinhos e os avós
respondem: - “Deus te abençoe”.
Outro costume entre os nacionais, é de chamarem de “compadres” os padrinhos
dos filhos, mesmo entre os próprios irmãos. E as pessoas que se gostam, chamam-se de
parentes.
Os nacionais, quando tinham muito trabalho na lavoura, costumavam realizar os
“puxirões” ou “ajutórios”, sempre acompanhados de uma pinga. Chegavam reunir 20 a
25 homens.
“Era costume, antigamente, fazer os “puxirões” ou “ajutórios”. As pessoas
reuniam-se para fazer um serviço (uma roçada, derrubada da madeira, etc.). Quando
era um “ajutório”, não faziam baile e quando faziam um “puxirão”, ao terminar a
empreitada, comemoravam com um grande baile embaixo de uma ramada. O dono da
casa carneava um porco, assava a carne e servia com quirera (mais miúdo do que
canjica). Todos jantavam e então, iniciava o Grande baile. Durante a noite, serviam o
pão de milho e o café”. (13)
“Uns iam roçando com foice, outros derrubando as árvores com machado.
Quando a árvore caía davam um grito i, hu, hu!...” (Depoimento de D. Olívia Corrêa).
“Outro costume muito usado, naquela época, era o baile surpresa na casa dos
amigos. Quando descobriam que um amigo estava de aniversário, o pessoal se
combinava e fazia uma surpresa para o aniversariante. Dirigiam-se até a sua
residência e comemoravam com muita música, cantos, dança e alegria.” (14)

3.2.5. Biografia de Olívia Corrêa

Dona Olívia Corrêa nasceu no dia 07 de março de 1925, na localidade de


Manchinha, município de Tuparendi. É filha de Clarismundo Corrêa dos Santos e de
Valeriana Ferreira Miranda dos Santos.
Os pais de Clarismundo residiam na Argentina. Clarismundo ainda jovem,
deixou seus pais e veio ao Brasil, em busca de melhores condições de vida.
Chegando ao Brasil, conheceu Valeriana, com quem casou-se e teve 14 filhos:
Olbano, Olívia, Maria, José, Artur, Lourenço, João, Santa, Otilda, Ramão, Olmiro,
Natália, Idalina e Adelaide. Por alguns anos, o casal ficou morando em Tuparendi.
Clarismundo Corrêa dos Santos passou a trabalhar na construção de estradas, no
interior do município de Tucunduva. Em troca de seu trabalho, recebeu uma colônia de
terra em Esquina Água Fria, neste município.
Em sua propriedade construiu uma casa de coqueiro e depois de pronta buscou
sua família em Belo Centro (Tuparendi). Portanto, seu Clarismundo veio morar nesta
localidade em 1927, quando D. Olívia tinha 2 anos de idade.
Aos nove anos de idade, Olívia começou a ajudar a família no trabalho. “Era de
foice, enxada e machado na mão”, diz ela. Além disso, cozinhava, fazia pão, limpava a
casa, lavava roupa, socava erva-mate no pilão, para o consumo da família e para vender.
Olívia e Maria levantavam de madrugada para tirar leite e socar erva-mate. Levava um
dia, para socar uma arroba de erva. A erva, seu pai vendia em Linha Machado, para o
comerciante Henrique Schlag.
Com a venda da erva o pai de D. Olívia comprava: açúcar, sal, café, tecido,
linha, botões, fitas para o cabelo das moças, pó de arroz, pregos, remédios, ferramentas,
etc.
______________________________________________________________________
__________
(13) In História da Localidade de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO – RS - 1995
(14) Id. Ibid.
Aos doze anos, Olívia ingressou na escola. Tinha facilidade para aprender as
letras. Em apenas três meses de aula já sabia ler. A professora mandou um bilhete,
convidando os pais de Olívia para ir a uma festa em Esquina Cavalheiro. Olívia leu o
bilhete para seu pai. O pai ficou feliz e disse:
- “Esta vai aprender, tem idéia boa”!
Olívia tinha vontade de estudar. Mas depois de três meses, a escola fechou,
porque a professora dedicou-se a fazer outras atividades (palanques e dormentes).
Quando Olívia tinha uns 8 ou 9 anos de idade, desencadeou-se no Brasil a
Revolução de 1930. O Sr. Roberto Bernardi, comerciante de Bela Harmonia, informava
os moradores desta região, quanto a situação política do país. As famílias viviam em
estado de pânico. Os homens, escondiam-se na mata com medo dos policiais que
vinham recolher homens, para reforçar os batalhões. A família de Olívia, à noite,
deixava a sua casa e dirigia-se a residência de Pedro de Alencar, porque as pessoas em
grupos, tinham mais segurança e coragem. Os homens desta localidade, construiam
trincheiras de taquara e colocavam nas picadas. Assim, se viessem os temidos
cavaleiros, ouviriam os estalidos das taquaras e, a este sinal, os homens teriam tempo
para refugiarem-se nas matas.
Nesta época as pessoas viviam um estado de angustia e tensão. Temiam tudo e a
todos, conforme podemos constatar no seguinte episódio.
“Um dia, na casa do Sr. Jeca Rolin, estavam fervendo leite. Quando o leite
ferveu, estava fervendo por cima da panela, alguém gritou:
- Olha o leite!
O dono da casa saiu correndo em direção do mato. É que o comandante dos
cavaleiros da Escolta, chamava-se Leite”.
A partir de 1943, Olívia e seu pai pegavam empreitadas para fazer toras de
canela, ipê, cedro, cabriúva, guatambú, etc. Estas toras eram lascadas e faziam tabuinhas
para cobrir casas. Faziam também dormentes, palanques e toras para as balsas.
Os móveis que possuiam, foram construidos pela família: mesa, banquinhos,
tarimbas...
O pai de D. Olívia, junto com Vicente Tavares, seu cunhado, gostava de animar
bailes e festas. Vicente tocava e Clarismundo cantava.
Quando Olívia era jovem, os bailes não eram muito freqüentes.Mas quando
ficavam sabendo de algum baile, se preparavam com alegria.
Olívia comprava uma chita e costurava à mão um vestido novo. Pintava os
lábios e as bochechas com papel crepon vermelho. Perfumava-se com raminhos de
manjericão, atrás da orelha. No cabelo fazia duas tranças e amarrava com fitas.
Colocava os sapatos de salto e ia com seus pais, irmãos e amigos até o local do baile.
Gostava de dançar e dançava muito bem o chote laranjeira, valsa e a mazurka (dança
russa).
Naquele tempo, no meio do baile, saía a “Polka das Damas”. No momento em
que o gaiteiro anunciava, as moças escolhiam um par para dançar. Quando a música
parava, as moças tinham que dizer um versinho para o rapaz. O rapaz, em resposta,
dizia outro verso.
Olívia Corrêa casou-se com Alcides Cândido Venutti, em 1952, viúvo que tinha
um filho, e foi morar com os sogros.
Olívia e Alcides tiveram seis filhos: Juvenal, Vilma, Nelson, José, Antônio e
Lúcia.
No dia 26 de outubro de 1966, D. Olívia ficou viúva e no ano seguinte, com seus
filhos, foi morar com seus pais.
Em 1978 aposentou-se, por motivo de doença.
Em 1996, D. Olívia já morava em Esquina Água Fria, com a filha Lúcia, o
Genro Darci e os netos Darlei e Natali.
Com 80 anos de idade, D. Olívia acalenta um grande sonho: viajar de avião!
Atualmente, em 2005, ela continua morando em Esquina Água Fria, com a filha
Lúcia e família, Mas gosta de visitar os filhos, amigos e conversar com estas pessoas.
Viaja Seguindamente à Porto Alegre e Brasilia, para visitar os filhos.
D. Olívia Correia comemorando seus 70 anos .

3.3. Os Europeus em busca de Novas Fronteiras

3.3.1. Antecedentes Históricos:

A migração que ocorreu na Europa no século XIX, não pode ser compreendida
sem levarmos em consideração alguns fatores que, direta ou indiretamente, forçaram
esta situação.
O impacto causado pela Revolução Intelecutal, chamada de iluminismo,
desencadeada na França em meados do século XVIII, com o desenvolvimento de novas
idéias, até então desconhecidas, que criticavam o mercantilismo, o absolutismo e as
explicações religiosas da concepção do mundo, correspondeu ao início da Revolução
Industrial, que ocorreu na Inglaterra, em 1779, com a invenção da máquina a vapor.
Neste período, vários países europeus passavam por grandes dificuldades
políticas, sociais e econômicas.
O aumento da densidade demográfica, a pouca disponibilidade de emprego e de
terras, gerou o esgotamento dos recursos naturais e a pobreza, uma vez que os modos de
produção não atendiam às necessidades da população.
A demanda da mão-de-obra para as fábricas, incentivou a migração de
camponeses para os centros urbanos industrializados. Em grande parte, estes
camponeses, haviam sido substituídos na lavoura, por máquinas, que provocaram uma
superabundância de braços nas áreas agrícolas. Ao lado dessa migração interna,
estabeleceu-se uma corrente migratória, principalmente em direção as Américas, onde o
excesso populacional europeu, procurou novas possibilidades de trabalho e subsistência.
Ao mesmo tempo em que na Europa, crescia o bem estar e a riqueza da
burguesia, aumentavam também as tensões e as rivalidades políticas e econômicas entre
os vários países. Percebia-se, que mais cedo ou mais tarde, a Guerra seria inevitável.
Nos momentos de crise, as populações mais atingidas, são geralmente as mais
pobres. E estas, adaptam-se mais facilmente às mudanças de comportamento, de
ocupação e, inclusive, de habitat, devido as suas grandes necessidades.
Desta forma, várias foram as razões pelas quais, na Europa, ocorreu um grande
êxodo de massas humanas, que sob o ponto de vista político, teve forte ligação com o
temor da Guerra. Por outro lado, sob o enfoque econômico e social, o desejo de possuir
um pedaço de terra e sair da marginalização, fez com que muitos colonos, sem ou com
pouca terra, bem como operários desempregados, aventurassem uma nova vida na
América.
Por outro lado, no início do século XIX, o espaço brasileiro praticamente não
havia sido explorado, com exceção do litoral onde havia-se instalado o latifúndio,
implantado por Portugal, através de casais portugueses vindos das ilhas dos Açores
(açorianos), com o objetivo de proteger a costa e garantir o domínio sobre a colônia.
No Brasil, havia pois, uma vasta extensão de terra disponível e uma população
pouco expressiva. Era preciso povoar as terras para garantir a soberania nacional,
principalmente das áreas que estavam sob ameaça de ocupação de outras nações.
“O período inscrito entre os anos de 1812 e 1822, marca o primeiro ciclo da
formação de núcleos coloniais, ocorridos na região montanhosa do litoral médio
brasileiro. Um novo ciclo inaugura-se com a colonização do sul do Brasil, tendo como
marco de origem, a fixação de colonos alemães nas terras da colônia São Leopoldo.”
(15)

3.3.2. A Colonização do Rio Grande do Sul

A experiência de colonização, através da mão-de-obra escrava no Rio Grande do


Sul, não deu bons resultados. Por isso, procurou-se introduzir o trabalho livre, como
alternativa viável para colonizar o nosso estado.
Neste contexto, o Governo Central, sentindo a necessidade de expandir o
povoamento, começou a desenvolver na Europa, uma intensa propaganda pró-
imigração, inicialmente na Alemanha, estendendo-se mais tarde, à Itália e outros países.
“Entre as vantagens propagadas eram garantidos, segundo informa Aurélio
Porto:
1. passagem gratuita, paga pelo Governo;
2. subsídio diário de 160 réis a cada colono, no primeiro ano e metade do
segundo;
3. quantidade de bois e cavalos proporcionais ao número de membros de cada
família;
4. isenção de pagamento dos direitos por dez anos;
5. qualidade imediata de cidadão brasileiro;
6. liberdade de culto.” (16)
Motivados por estas propagandas, desencadearam-se, no Rio Grande do Sul,
dois momentos migratórios marcantes: o primeiro diz respeito à Imigração Alemã
iniciada em 1824 e o segundo à Imigração Italiana, iniciada em 1875.
Porém, a desilusão destes pobres colonos imigrantes, não tardou a acontecer,
pois bem logo, estas vantagens foram limitadas e os colonos ficaram abandonados a
própria sorte. Vale dizer que no início (1824), as propriedades eram de 77ha e, em 1848,
passaram a ter apenas 48 ha e, gradativamente, as áreas foram reduzindo.
O fluxo imigratório, processou-se através do estabelecimento de núcleos
coloniais, constituindo-se, inicialmente, as Colônias Oficiais “Regierunskolonien”,
relacionadas, principalmente, aos interesses de povoamento e colonização de áreas
ainda virgens e com possibilidade de produção de alimentos, abastecendo o mercado
interno, amenizando as despesas de importação.
Porém, desde a sua chegada, até mais ou menos 1840, os imigrantes puderam
apenas sobreviver, às custas de uma agricultura de subsistência.

______________________________________________________________________
__________
(15) SCHALLENBERGER, Erneldo e Hartmann, Hélio Roque. Nova Terra Novos Rumos - Barcellos
Livreiro Editor - Santa Rosa. 1981, pág. 35
(16) SCHALLENBERGER, Erneldo e HARTMANN, Hélio Roque, Nova Terra, Novos Rumos,
Barcellos Livreiro Editor, Santa Rosa, 1981 - pág. 57.
“Após a independência, D. Pedro I necessitava reforçar o Exército Nacional,
formando a Legião Estrangeira, com 3.800 soldados alemães, muitos dos quais
acabaram fixando-se no Rio Grande do Sul. Entre 1824 e 1830, mais de 5.000
imigrantes iniciaram a colonização em São Leopoldo, espalhando-se por Novo
Hamburgo, Dois Irmãos, Sapiranga, Ivoti, Herval Grande, Nova Petrópolis; a partir de
1850 ocuparam o vale do Taquari (Santa Cruz do Sul, Lajeado, Estrela, Venâncio
Aires ...), atingindo a serra desde 1875 e mais tarde o Alto Uruguai”... (17)
Em 1874 surge no Rio Grande do Sul, uma nova fase de colonização, com a
inauguração da linha férrea de Porto Alegre. A partir dos núcleos coloniais já formados,
possibilitou-se a expansão da colonização para o interior do estado.
A partir de 1875, começaram a chegar ao Rio Grande do Sul, os primeiros
imigrantes italianos. Provindos do norte da Itália, foram assentados na região serrana,
inseridos no mesmo programa que os alemães, isto é, povoar o estado e produzir
alimentos, para abastecer o mercado interno.
Com a Proclamação da República em 1889, o governo estadual fica encarregado
de promover a colonização, enquanto o governo central, fica apenas com a
responsabilidade de fornecer imigrantes. Em virtude dos altos custos, o Governo
Estadual permitiu o surgimento de empresas particulares, fazendo surgir, ao lado das
colônias oficiais “Regierunskolonien”, as privadas ou “Privatkolonien” e as das
sociedades Coloniais ou “Gesellschaftskolonien”.
Já no final do século passado e no início do atual, as colônias “velhas”,
retalhadas e divididas entre os filhos das famílias dos imigrantes, sempre numerosos,
tornaram-se insuficientes.
Desta forma, desencadeou-se, progressivamente, a ocupação do noroeste do
Estado, resultante das migrações internas, conhecidas pela denominação de
“enxamagem”, em cujo processo, as famílias, geralmente, enviavam os filhos para as
novas frentes de colonização.
“Pelos mesmos motivos e ao mesmo tempo que se processava a imigração
interna, das colônias velhas às colônias novas, de parte dos descendentes dos
imigrantes alemães, movimentavam-se também os de origem italiana, difundindo-se
por todo Estado do Rio Grande do Sul”. (18)
Além dos alemães e italianos, outros grupos étnicos, deram valiosa contribuição
ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul, destacando-se os poloneses, letos, franceses,
espanhóis, russos, sírios, japoneses e outros.
A fundação da colônia oficial de Ijuí, caracterizou a colonização do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul, formada por migrantes, frutos da “enxamagem” ocorrida
nas Colônias Velhas, bem como, recebendo ainda muitos imigrantes estrangeiros de
diversas etnias, sendo assim, um ponto intermediário entre as antigas e novas áreas de
colonização.
O Rio Grande do Sul já retalhado em diversos municípios, parte para a ocupação
das áreas ainda devolutas. Os próprios municípios, vão em busca de colonizadores,
procurando atrair migrantes e imigrantes que viessem desencadear o processo de
colonização.
Assim, em terras de Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga, ocupando a região do
Médio Uruguai e do Comandaí, surge a Colônia Guarani, fundada em 1880, sendo
povoada por colonos de várias nacionalidades, destacando-se os alemães, russos,
poloneses e holandeses, que mais tarde formaram grupos, redutos específicos, de acordo
com a sua etnia.
Estas novas colônias, sem dúvida foram os embriões, a partir dos quais, novos
núcleos coloniais, e posteriormente, novos municípios tiveram sua origem, entre eles, o
atual município de Novo Machado.

_____________________________________________________________________________________
___
(17) Mundo Jovem, abril de 1989 - pág. 15.
(18) LAZAROTTO, Danilo - História do Rio Grande do Sul - Sulina - 3ª Edição - pág. 72

Família de Friedrich Jancke - 1926. Foto da Imigração da Letônia para São Paulo
depois Colônia Guarani - e em 1929 - Linha Machado – Santo Ângelo - RS
Foto: Srª Elmine Schulz (a menina de tope).

3.4. Novo Machado a Caminho da Colonização

O desbravamento e a colonização da área que atualmente compreende o


município de Novo Machado, caracterizou-se por momentos distintos, sob diferentes
aspectos.
A obra colonizadora de Novo Machado, teve seu marco inicial em 1918, a partir
da expansão da Colônia Santa Rosa, área caracterizada pelo Sistema de Colonização
mista. Foi a partir desta data, que famílias provindas das antigas zonas de colonização
do Estado (Colônias Velhas) e mesmo da Europa, dirigiram-se para cá com o objetivo
de desbravar estas terras.
Os colonos que aqui se radicaram, eram de diferentes etnias e instalaram-se,
inicialmente, nas proximidades da sede.
Posteriormente a partir da década de 1930, “o Governo do Estado do Rio
Grande do Sul, por contrato celebrado com a firma Dahne Conceição & Cia, autorizou
a medir, demarcar e colonizar por venda, as terras devolutas de sua propriedade,
situadas entre os Rios Uruguai e seus afluentes Santa Rosa e Turvo, municípios de
Santa Rosa e Palmeira, num total aproximado de 7.000 lotes com área média de
250.000 m² cada um”. (19) Desta forma através da ocupação da costa do Rio Uruguai,
culmina o povoamento deste município.

______________________________________________________________________
__________
(19) Colonização de Santa Rosa - Dahne Conceição & Cia - Documento de Divulgação.

Mapa da colonização - Município de Novo Machado


Terras demarcadas na zona do Rio Uruguai pela Dahne Conceição e & Cia
Sempre com a esperança de construir uma nova vida, nestas terras promissoras,
chegaram os colonos de diferentes procedências, tanto das colônias já existentes no Rio
Grande do Sul, como diretamente da Europa. Os alemães e os italianos foram os
primeiros a colonizar estas terras. Mais tarde chegaram os russos, poloneses e outros.

3.4.1. Os Alemães

Com o objetivo de promover a ocupação permanente do extremo sul do Brasil,


bem como garantir a produção de alimentos necessários ao consumo interno, chegaram
ao Rio Grande do Sul, os primeiros imigrantes alemães, em julho de 1824, na atual
região de São Leopoldo.
Dentre as muitas localidades fundadas pelos alemães no RS, destacam-se: “São
Leopoldo (1824), Feliz (1846), Santa Cruz do Sul (1849), Estrela (1853), Santa Maria
da Soledade (1857), Teutônia (1858), Nova Petrópolis (1858), Candelária (1863),
Jaguari (1889), São Vicente (1889), as quais constituem as chamadas Colônias
Velhas”. (20)
Vindos em busca de terra e de novas e melhores condições de vida, o imigrante
alemão, trouxe como característica, o trabalho em família, onde todos, o esposo, a
esposa e os filhos, trabalhavam conjuntamente na atividade agrícola, valorizando-a e
diversificando-a, através da suinocultura e de diferentes atividades na indústria familiar.
O médico alemão Robert Avé - Lallemant, que visitou o Rio Grande do Sul em
1858, escreveu: “Os colonos mais velhos, ainda vivos, saíram pobres da Alemanha e,
naturalmente, depois de muitas lutas e fadigas imagináveis, tornaram-se gente
abastada, senhores de seu próprio pedaço de terra”. (21)
O crescimento familiar, o retalhamento e o esgotamento das terras, forçou as
famílias a buscarem novos espaços para a agricultura. Assim, surgiram as chamadas
“Colônias Novas” (1890) - a Colônia Ijuhi (atual Ijuí); (1908) Erexim; (1914) 14 de
Julho (atual Santa Rosa) dentre outras. Foi a partir de Ijuí que se desencadeou, no
noroeste do Estado do RS, a colonização alemã e italiana.
Paralelamente a estas frentes de colonização, surgiram na região, outras
Colônias, dentre as quais pode-se mencionar a Colônia Guarani.
É necessário destacar que nem todas as pessoas que chegaram a esta região, em
especial as que procediam de outras frentes de colonização e, que falavam a língua
alemã, eram realmente “alemães” de nacionalidade. Entre eles, havia um bom número
de “alemães russos”, “alemães-poloneses” e outros que conservaram, através de suas
jornadas migratórias, as raízes germânicas.
Por outro lado, continua na Alemanha, a propaganda para trazer mais e novos
imigrantes.
Nesta época, muitas famílias imigraram para a América, tendo suas passagens
pagas pelo governo brasileiro. Enquanto outros, gastavam suas economias para pagar a
sua viagem. As próprias empresas de navegação, encarregavam-se de fazer as suas
propagandas, como pode ser constatado no texto a seguir, extraíndo de um prospecto
distribuído aos passageiros, em 1925, em cuja viagem também veio ao Brasil a família
do Sr. Emílio Sturmhöbel (pai da Srª Gretel Busse).

Companhia Hamburgo - Sulamericana de Navegação Monte


Sarmiento e Monte Olivia

“Dois montes “blindados de gelo” que se destacaram na “Terra do Fogo” sul-


americana: Monte Sarmiento e Monte Olívia, deram o seu nome aos Navios
motorizados que transportam passageiros, de Hamburgo a América do Sul. Haveria
outra forma melhor, para simbolizar esta tarefa de interligação desta incumbência de
navegação?

______________________________________________________________________
__________
(20) Revista Saga - nº 1 - pág. 5 - dezembro - 1990
(21) BARBOSA, Fidélis Dalcin. História do Rio Grande do Sul - pág. 43 e 44.

E, se caso também vale a afirmação: “nomen est omen”, então, também para
estes navios, únicos em sua maneira de ser, é preciso encontrar denominações
bem particulares, indicativas a um País, com relação ao primeiro, a entrada de sua
economia e ao seu prestígio.
Números, dizem pouco, a não ser que seus indicativos sejam
compreendidos.
A viva contemplação de um Navio destes, contribui para um significado
sentimental duradouro.
É preciso ter estado na ponte de desembarque de São Paulo, quando um
“colosso marinho destes” de 14.000 “Registertons” atracar. Quando esta
imensidão vai encostando e, finalmente, auxiliada pelos velozes rebocadores,
conseguir parar sobre a ponte de desembarque, gera-se um suspense de admiração.
É preciso ter observado a parede de aço, da altura de uma casa, ter observado
as diferentes coberturas e o convés, a ponte de comando, coroada com gigantescos
chaminés e, igualmente, após ancorado, estende majestosamente suas antenas,
causando uma Gigantesca impressão, como só pode ser vivida ainda, nas altas
montanhas. Escalando o “Monte Sarmiento” ou o “Monte Olivia”, contrastando
com a impressão externa dominante e agradável, com o bom gosto e o conforto das
instalações de alojamento, das salas festivamente acolhedoras, até o menor
compartimento.
Um hotel flutuante, preparado com imenso bom gosto, que deseja dar a cada
um dos inúmeros passageiros, não só uma viagem rápida e segura, mas, sobretudo,
contribuir para uma recuperação do corpo e da mente, nesta travessia para ou da
América do Sul. Não foram poupados esforços para oferecer aos viajantes, a
realização dos desejos mais ousados.
As nossas fotos, podem transmitir somente uma leve impressão a respeito. Elas
mostram um dos dois Restaurantes (salas de refeição) amplos, com enormes janelas,
nos quais, ao mesmo tempo, 900 pessoas podem realizar suas refeições, em mesas
higiênicas e bem servidas.
O atendimento (pessoal) é, como em todos os Navios da Companhia
Hamburgo-Sul..., escolhido e instruído criteriosamente, em todos os sentidos.
Não é por acaso que mencionamos em primeiro lugar o Restaurante, pois o
efeito do Ar Marítimo, coloca para todas as pessoas, mesmo para aquelas com menos
recursos financeiros, as Refeições a Bordo, em lugar preferencial (Centro de interesse).
E estas refeições, são dignas de louvor e reconhecimento.
Para “sentir o Gosto”, mencionamos uma relação alimentar qualquer, em
hipótese alguma, preparada especialmente, para exemplificar a abundância da
alimentação.
Relação:
Café da Manhã: Café com leite com açúcar, ovos cozidos, hamburguer, pão
integral, manteiga, doce de moranguinho.
Almoço: Sopa de rabo de boi, vitela com batatinhas assadas, beterraba, arroz
tipo conde.
A tarde: Chocolate e bolinhos.
Jantar: Escalope com batata frita, morcilha, pão novo (branco e integral),
manteiga. Chá com açúcar. Para crianças, com a Irmã Maria, na sala de
convalecimento, pela manhã das 7 horas às 7:30 horas; à tarde das 15:30 horas as 16
horas: leite quente e sopa de leite com massa.
Após as refeições, os homens reunem-se no salão de fumantes, que possui mais
de 100 lugares, enquanto as senhoras, se não quiserem passear nos dois amplos
espaços no convés central do Navio, poderão buscar o Salão Social ou a Biblioteca,
onde encontrarão sossego e restabelecimento.
Exemplar, é também, a hospedagem dos passageiros. Cerca de metade dos
passageiros, mora em compartimentos agradáveis e acolhedores e mesmo o
espaço coletivo, é muito superior ao de outros navios. A maioria dos
compartimentos, tem água encanada. As roupas de cama são impecavelmente limpas e,
as instalações sanitárias, condizem com as orientações técnicas mais modernas.
Banhos de ducha (chuveiro) ou Banheira, estão abundantemente
disponíveis. Para isso, não falta, para o embelezamento exterior das pessoas, um
salão de beleza para homens e senhoras, sem falar da lavanderia a bordo e outros
confortos e comodismos.
Para não esquecer também, o volumoso serviço de economia, deste
empreendimento hoteleiro: cozinhas, Padaria, Sala de Refrigeração, equipados com
aparelhos elétricos modernos, despertando a inveja das donas de casa.
Para dar uma idéia do que contém as salas de provisão (despensas), gasta-se
numa única viagem, só para citar alguma coisa: 60.000 (pfund=meio kg) ou seja,
30.000 kg de carne fresca e Salame, Lingüiça, etc, 40.000 Ovos, 26.000 Heringe
(peixe em salmoura), 32.500 kg de farinha, 60.000 kg de batatinha; 2.250 kg de grãos
de café, 200 kg de chá preto e 1.500 kg de açúcar.
No estaleiro, (lugar da construção do navio) teve-se o máximo de cuidado
no sentido de garantir a segurança do navio e de seus passageiros.
Não há duvidas de que os Navios “Monte Sarmiento” e ‘Monte Olivia’
destinados ao transporte da 3ª Classe, de e para a América do Sul, são do maior
agrado ao público viajante. Principalmente, destina-se àqueles menos favorecidos,
que após longos anos de espera e isolamento, poderão ver novamente algo deste
vasto mundo.
Por que, deve o turista alemão limitar-se as desgastadas atrações
turísticas da Europa, se estes fantásticos navios, por um valor alcançável, oferecem
não só uma viagem de três semanas para seu restabelecimento pessoal, com as
maravilhosas belezas litorâneas e quadros do Atlantico, ao par do excelente
atendimento a bordo, e sim, também o levam para o Rio de Janeiro, uma das
Cidades mais belas do mundo, com suas maravilhosas cores tropicais.
Todas estas vivências, são fontes de recuperação e rejuvenescimento corporal e
mental.
Abrem-se aqui, todas as possibilidades de viajar, sobre as quais, mesmo
Goethe ou Humboldt teriam ciúmes e, sem dúvida, servirão para uma libertação das
muitas preocupações, tanto para o bem individual como coletivamente, contribuindo
para melhorar a imagem da Alemanha, nos países amigos do Continente Latino-
Americano.”
Através destes caminhos, chegaram, a partir de 1918, os primeiros colonizadores
alemães a Novo Machado, procedentes de vários países Europeus, quer seja, entre
outros, da Letônia, Lituânia, Romênia, Estônia, Rússia, Polônia e da própria Alemanha,
ocupando inicialmente a região da atual sede e arredores, especialmente a localidade de
Lajeado Gateados.

Passaporte da Família Krapp:


(Frente)
(Verso)

Documento de Imigração da Família Mayer

Adolfo Mayer e esposa D. Guilhermina Liebert Mayer


e os filhos Alberto e Fernando.
Certidão de nascimento da Sr. Erna Janke (Gund), realizado na Paróquia Evangélica Luterana de Taruntino, na
Romênia.

A partir desta época, nos primeiros anos da década de 1920, a colonização alemã
alcança as localidades de Lajeado Terrêncio (1924), Esquina Machadinho (1924), Barra
do Terrêncio (1931), Esquina Boa Vista (1938) e Esquina Barra Funda (1940).

3.4.1.1. Influências (Legados):

Com os imigrantes europeus ou com os descendentes destes, procedentes das


Colônias Velhas, os costumes e tradições germânicas chegaram também a esta nova
frente de colonização, ao atual município de Novo Machado.
Dentre os diferentes aspectos que, através dos tempos, chegaram até os dias
atuais, destaca-se entre outros: a religiosidade, a educação, a alimentação, a língua e a
forma de convivência social.

a) Religiosidade

Segundo depoimento de alguns pioneiros, bem como de descendentes destes,


sabe-se que, nos primeiros anos, as famílias reuniam-se, para fortalecer-se mutuamente
e para louvar e agradecer a Deus, pela força e pela proteção que gozavam, em meio às
dificuldades de um mundo novo e desconhecido.
A saudade da terra natal, dos parentes e amigos que ficaram muito além do
Oceano Atlântico, era amenizada, com a fé num Deus bondoso e misericordioso, que era
cultivada com muita simplicidade e modéstia, no próprio lar ou em grupos de famílias
(vizinhos), através de canções, músicas, leitura da Bíblia e orações.
Os primeiros colonizadores que aqui chegaram, professavam nos seus locais de
origem, as chamadas religiões protestantes em suas diversas ramificações, que aqui se
organizaram sob as seguintes denominações: Evangélicos de Confissão Luterana,
inicialmente Riograndense; os Luteranos, conhecidos inicialmente como Missourianos e
os Batistas.
Nos primeiros anos, não havia pastores que dessem assistência a estas pessoas,
em sua maioria agricultores. Somente em meados da década de 1920, chegaram a Linha
Machado e arredores, Pastores Missionários que, de acordo com as diferentes
denominações, procuraram reunir os grupos e formaram as primeiras comunidades.

b) Educação Familiar

A família sempre numerosa, organizava-se sob o regime patriarcal. Os filhos,


respeitavam os pais, os mais velhos, as visitas. Nunca se misturavam com os grupos de
visitas e, em hipótese alguma, arriscavam-se a opinar. Só falavam ou até mesmo,
compareciam frente às visitas, se fossem solicitados. Os filhos obedeciam aos pais, em
qualquer idade, enquanto estivessem sujeitos à casa paterna.

Família de Baldoino Olsen - filhos, noras, genros e netos. (Foto: Sra. Isolda Gund)

Aprendiam os hábitos, as lidas, no convívio diário com os pais. Todos


trabalhavam juntos, unidos e solidários.
A educação era rígida em todos os aspectos.
Apesar da rigidez da educação, havia solidariedade e amor entre os membros da
família, e também, entre as famílias.
Merece destaque o cultivo de valores, tais como:
- o respeito (aos mais velhos, aos pais, às visitas...), demonstrado por palavras e
atitudes;
- a honestidade - no trato familiar, demonstrada nas pequenas coisas, inclusive
admitindo falhas ou erros, ou repartindo as poucas e pequenas coisas boas que havia,
bem como na divisão e organização do trabalho. Nos negócios, não havia necessidade
de documentos, valia a palavra dada;
- a moral - valorizada e cultivada em todas as atitudes, na família ou fora dela,
pesando sobre a família toda, os erros que viessem a ser cometidos por um de seus
membros;
- a solidariedade - manifestada através da ajuda mútua, da presença, partilhando
as dificuldades e anseios, principalmente quando alguém estivesse passando por
momentos difíceis e de tristeza;
- o espírito de luta e dedicação ao trabalho - o princípio fundamental era: “lutar
sempre; desistir nunca”;
- fé num Deus bondoso e misericordioso que acompanhou os pais e avós na
travessia do Oceano, estava sempre presente.
Esta devoção e gratidão a Deus, cultivava-se na família, através da leitura diária
da Bíblia, as orações e devoções domésticas. Antes das refeições, orava-se pedindo a
Bênção e após, agradecia-se os alimentos recebidos. Ao deitar-se, orava-se agradecendo
a proteção e a bênção recebida durante o dia e pedia-se com devoção, a proteção para a
noite, almejando-se um descanso tranqüilo após um dia de trabalho árduo. Pela manhã,
agradecia a Deus a noite que passara, e implorava-se as Bênçãos para o dia que iniciava.
Esta prática, constituía-se numa forma de unidade da família e garantia a ela uma
certeza de que, “No Senhor, o trabalho não é em vão”, o que lhes proporcionava
tranqüilidade e satisfação, apesar de todas as dificuldades.

c) Educação Escolar:

Desde o início da colonização, os imigrantes alemães preocuparam-se em


organizar suas escolas, uma vez que a escola, na Alemanha, era uma instituição que
fazia parte da sua experiência de vida. Na Alemanha, o Estado assumia a
responsabilidade da educação.
Acostumados a receber do poder público, a escola para a educação de seus
filhos, ao chegarem no Brasil, solicitaram ao governo brasileiro, para que nas colônias
fossem abertas escolas públicas.
Ao solicitar a escola pública, os alemães tinham duplo objetivo: 1º instruir seus
filhos, uma vez que na Alemanha o domínio da leitura e da escrita eram importantes; 2º
aprender a nova língua, o português.
Diante da reivindicação não atendida, pelo governo brasileiro, e devido a
importância que davam a educação dos filhos, os imigrantes por iniciativa própria,
organizaram as escolas comunitárias, onde o ensino era ministrado em alemão. Estas
escolas possuíam a autonomia em relação ao poder público e sua organização estava
ligada às próprias comunidades, uma vez que se preocupavam com a preservação da
cultura e da língua alemã.
Inicialmente, as atividades escolares foram modestas. A escolarização era curta,
geralmente de um ano, muitas vezes interrompida pelos trabalhos agrícolas.
Para os evangélicos, a vinculação da escola com a religião, começou ainda com
Lutero na Reforma Protestente, uma vez que a reforma defendia a leitura das Sagradas
Escrituras, dever e competência de toda pessoa e não somente das autoridades
eclesiásticas. Era necessário que todos soubessem ler, para que pudessem ler e
compreender a Bíblia. “Contudo para interpretação com base no livre exame era
preciso que as pessoas soubessem ler. Estava defendida a importância da escola para
os protestantes, pois sem a escola não seria possível a prática religiosa”. (22)
Para os católicos, a manutenção das Escolas Paroquiais, tinha o mesmo objetivo
de, ao lado do ensino secular, aprimorar a vivência religiosa.
Diante desta afirmativa, constata-se que a escola na região de colonização alemã,
construiu sua identidade a partir da igreja, que lhe emprestou uma filosofia e impregnou
de espírito religioso, todo o seu fazer pedagógico, através das escolas Confessionais ou
Paroquiais.
Porém, nas comunidades onde não foram implantadas as escolas paroquiais ou
confessionais, os alemães organizaram as chamadas escolas comunitárias.

d) Alimentação:

Os diferentes grupos de alemães, imigrantes ou descendentes, que chegaram ao


atual município de Novo Machado, trouxeram consigo alguns hábitos alimentares.
Em virtude das dificuldades econômicas, muitos aspectos das tradições
alimentares trazidas pelos povos germânicos, sofreram grandes alterações no Brasil.
Por outro lado, muitos foram alterados em função do clima.

______________________________________________________________________
__________(22) Revista Educação - UFSM - nº 01 - Vol. 19, 1994 - Pág. 60.
Alguns pioneiros lembram e conservam em suas famílias, diferentes formas de
preparar os alimentos.
- Pel Kartofel - Batatinhas cozidas na água com cascas. Cada um, descasca-as
na hora de comê-las.
- Dampf Kartofel - Batatinhas cozidas no vapor.
- Kartofel Kliesel - Crua ou cozida, ralava-se a batatinha e juntava-se à massa
um ovo e um pouco de farinha e tempero (sal, pimenta e tempero verde). Depois, às
colhedoras, era cozida na água.
- Kartofel Fann Kuchen - Batatinha crua, ralada, junta-se tempero a gosto (sal,
pimenta e tempero verde...), ovo e um pouco de farinha de trigo. Frita-se em gordura
quente.
Nota: amassar os bolinhos para achatá-los, com a colher, a fim de ficarem bem
passados.
- Salada de Batatinha - Pica-se a batatinha descascada, anteriormente cozida,
com casca, e coloca-se tempero, ovo cozido fatiado, sal, tempero verde e vinagre. Foi o
que deu origem à maionese.
- Sauer Krautt (chucrute) - Repolho picado com sal, guardado em barris de
madeira.
Nota: na Europa, guardavam carroçadas de repolho, para o ano todo. No Brasil,
passaram a guardar em pote de barro. Atualmente, quem o faz, guarda-o em vidros de
compota.
- Hering - Na Alemanha, havia pouca carne e por isso, consumia-se peixes em
conserva-salmoura. Aqui, nos primeiros anos, pescavam e também guardavam o peixe
em salmoura. Era fácil pescar, os peixes vinham em cardumes.
- Pão - Na Alemanha, os mais pobres consumiam o pão de centeio como hábito,
em virtude do alto custo da farinha de trigo e também por ser mais nutritivo. Só para os
feriados (dias santos) é que faziam pão branco e cucas. Não conheciam o milho, pois em
virtude do clima, na Alemanha não havia esta planta em todas as regiões.
Como no Brasil, logo conheceram o milho e, o seu sabor era agradável,
substituíram a farinha de centeio pela farinha de milho e conseqüentemente, passaram a
fazer “Pão de Milho” ou “Pão Misturado”. Este hábito ainda permanece em muitas
famílias.
- Pão de Centeio (Schwartz Broth) - Ainda é utilizado por diversas famílias,
que além deste, ainda fazem o Pão de Farinha de Trigo Integral, o chamado “Pão Preto”.
- Batata Doce: Não havia na Alemanha, mas no Brasil foi muito apreciada,
substituindo, inicialmente a batatinha. Passou a fazer parte do cardápio dos Alemães,
preparada sob diversas formas:
 cozida na água.
 assada no forno.
 caramelada.
 pastel (recheio de batata-doce).
 doce da batata-doce.
- Borsth - Sopa com batata-doce com leite coalhado, nata, farelos feitos de
farinha de trigo e água. (Esta sopa é de origem Russa e era feita com Batatinha). É uma
sopa azeda. Alguns ainda colocavam toucinho defumado e frito.
- Dampf Kliesel - Bolinhos salgados amassados com farinha de trigo e fermento
de pão. Deixa-se crescer numa panela que possa ser bem fechada. No fundo coloca-se
um pouco de gordura. Depois de bem crescido, coloca-se um pouquinho de água (só o
suficiente para dar vapor), tampa-se bem a panela e leva-se ao fogo. Cozinhar até ficar
bem passado. Come-se com carne ou molho.
- Eissbein - Joelho de porco cozido no tempero até amolecer. Inicialmente, era
picado e deixava-se dentro da água do cozimento. Deixa-se esfriar. Fica tipo uma
gelatina, salgada e a carne fica dentro do caldo.
Como variante, cozinhar o joelho de porco num molho bem temperado e depois
de cozido, retira-se do molho e põe-se a assar, em formas, no forninho (ou forno).
- Sopas - Os alemães e seus descendentes faziam e fazem até hoje, diferentes
tipos de sopas:
a) Sopa de Galinha: Ferve-se a carne de galinha e no caldo coloca-se apenas
uma massa caseira bem fininha. Às vezes, coloca-se ainda um ovo bem batido ou um
pouco de arroz.
b) Sopa de Verduras (ou de batatinha): Coloca-se cenoura, couve, nabo,
batatinha e um pouco de farinha de trigo bem tostada em um pouco de gordura.
Algumas famílias ainda colocam um osso de porco bem frito e, como variante,
ovo com farinha - uma espécie de nhoque.
c) Sopa de diferente Cereais: Cevada, aveia, painço... em geral preparadas com
leite.
d) Sopa de Leite: Com um esfarelado de farinha de trigo ou um esfarelado de
ovo com farinha de trigo.
- Press Magen (Queijo de Porco) - Carne de cabeça de porco, couro, língua,
coração, tempero a gosto. Cozinha-se tudo muito bem e depois de bem picado ou
moído, coloca-se no bucho de porco bem limpo. Costura-se o bucho e põe-se a ferver.
Depois de bem cozido, tira-se da fervura e põe-se na prensa. A medida em que esfria, o
peso colocado para prensar, pode ser aumentado, para ficar bem prensado. Depois corta-
se em fatias.
- Morcilha: Com ou sem arroz.
- Carne de Galinha: Frita à milanesa, frita na panela de ferro, para fazer molho
ou preferentemente, assada no forno.
- Pernil Assado: As carnes assadas no forno, sempre foram as preferidas,
especialmente porco e galinhas.
- Defumados: Carnes, principalmente de porco (na Alemanha, defumavam o
porco inteiro, sem picá-lo. Ele se conservava bem em virtude do clima).
* toucinho.
* costelas de porco.
- Sirup (melado-fino) - Na Alemanha (Europa) era feita de beterraba branca.
Conheceram a cana-de-açúcar só no Brasil e ficaram muito felizes e admirados e, com
ela, começaram a cozinhar o melado, que no início era líquido e escuro. Mais tarde,
foram aperfeiçoando-o, inclusive experimentando as misturas, o que deu origem ao
“chmier-de-cana”.
- Cucas: De vários tipos, mas principalmente as de massa mole, fininhas, com
ou sem recheio.
- Fermento para fazer pão:
1. Leite coalhado, amassado com farinha de trigo e esfarelado com farinha de
milho e põe-se para secar.
2. Ovo com açúcar - deixa-se 3 dias - esfarela com farinha de milho e põe-se a
secar.
- Frutas Secas - Na Alemanha, tinham o hábito de secar frutas, para guardá-las
para o período, que não tinha frutas. Aqui, em Novo Machado, os alemães, continuaram
desenvolvendo estas atividades.
- Keespasteten (Pastéis de Requeijão):
Massa: Faz-se uma massa adocicada, tipo “calça virada e corta-se em quadros
ou rodelas, para fazer os pastéis.
Recheio: Requeijão esfarelado, coloca-se açúcar e canela a gosto, uma pitadinha
de sal e gema de ovo.
Faz-se os pastéis. Podem ser fritos em gordura ou cozidos na água.
- Bolos Diversos: Nos primeiros anos, não se conheciam as tortas. Mas bolos
secos, preparados com diversas receitas, estes sim, voltaram a ser feitos tão logo as
condições econômicas o permitiram.
Em geral, faz-se coberturas diversas: com frutas, amendoim, côco, chocolate...

Muitos dos hábitos alimentares, bem como as receitas tradicionais, perderam-se


entre os descendentes da etnia alemã, quer por razões de aproximação com outras
etnias, o que resultou numa espécie de aculturação, quer pelo próprio fator de
modernização sócio-econômica e cultural, imposta pelo século XX e suas ideologias.
Há porém, algumas espécies de alimentos (receitas) que permanecem muito
vivas e presentes em algumas famílias, sendo esta, uma característica cultural e pessoal.

d) Língua:

Muitos foram os imigrantes de descendência Germânica, procedentes de


diversos países europeus (Letônia, Polônia, Rússia, Romênia, Estônia...) que chegaram
a esta região, falando a língua alemã.
Os imigrantes alemães, talvez mais do que as outras etnias, mantiveram muito
fortes as suas tradições e a sua cultura, especialmente, através do cultivo da língua, na
própria família, nas práticas religiosas e, da mesma forma, na educação escolar, pois os
próprios alemães organizaram suas escolas, administrando-as. A este fato, deve-se a
questão da preservação cultural, que até poucos anos atrás, permaneceu muito viva em
todas as comunidades de colonização alemã.
Ainda hoje, o cultivo da língua é uma característica muito forte entre os
descendentes de alemães, embora, ela já não seja tão necessária, pois com exceção de
um reduzido número de pessoas, todos se comunicam na língua oficial, ou seja,
português.
Percebe-se porém que a geração jovem de 1960/70 com a evolução econômica e
tecnológica, principalmente com a penetração da TV nas famílias, enfatizando-se a idéia
“A América para os Americanos”, passou a ridicularizar a língua alemã ou italiana,
envergonhando-se da mesma. O moderno, o “Chique” era saber falar inglês. Este fato,
evidencia-se por ser considerável o número de pessoas, que hoje não falam o alemão, o
italiano, ou qualquer outra língua ou dialeto de origem.

3.4.1.2. Biografias:

Para ilustrar esta nacionalidade, tomamos a liberdade de incluir neste espaço, o


registro da vida de dois imigrantes.

a) Um Imigrante Centenário integra a comunidade novomachadense

“Reinhard Fiepke - 100 anos.

Em 13 de outubro de 1996, o Sr. Reinhard Fipke de Novo Machado, teve o


privilégio de festejar o seu 100º aniversário, no círculo de sua família, parentes, amigos
e de sua comunidade.
Em agradecimento pelos 100 anos de vida, realizou-se um culto de gratidão com
uma programação rica e variada. Um coral misto e um conjunto de sopro formados por
familiares, embelezaram a festa. Ao meio-dia houve um almoço do qual participaram
mais de 400 pessoas.
O Sr. Reinhard também teve a satisfação de cumprimentar no seu aniversário o
seu parente Charles Fipke, do Canadá.
Alcançar 100 anos de vida é uma graça especial concedida a poucas pessoas.
Seguem algumas considerações sobre a história de sua vida.
O Sr. Reinhard nasceu a 13 de outubro de 1896 em Beresnick, Wolínia - Rússia.
Em 1912 veio com seus pais e quatro irmãos para o Brasil, fixando residência em
Timbaúva.
Os motivos de sua imigração, foram os seguintes: seus pais não possuiam terra
própria em Wolínia. Arrendavam terra e anualmente pagavam juros de arrendamento
(aluguéis) e não havia possibilidade de adquirir terra própria. Inicialmente seu pai
pretendia imigrar para o Canadá, onde já residia um de seus irmãos. Porém, este plano
não pode ser efetivado.
Através de propagandistas que incentivavam a imigração para o Brasil,
divulgou-se em Wolínia a notícia de que no Brasil poderia-se adquirir terras próprias.
Assim a família, juntamente com seus vizinhos, decidiu-se a imigrar para o Brasil.
De Wolínia, viajaram de trem até o Porto de Bremem, na Alemanha. Lá
embarcaram no navio, com destino ao Brasil.
Após dois meses de viagem, chegaram ao Rio de Janeiro. De lá, para a Ilha das
Flores, onde permaneceram por alguns dias, aguardando um navio brasileiro, no qual
embarcaram, chegando em Porto Alegre. Lá tiveram que aguardar por alguns dias.
Daí seguiram de trem até Ijuí. De Ijuí, com carroça puxada por cavalos, viajaram
até Guarani. Lá permaneceu a mãe com as crianças, até que o pai encontrou terra. Então
seguiram viagem até Silva Jardim. A partir daí não havia mais estradas. Assim tiveram
que pegar seus pertences e seguir a pé, pela mata virgem, por picadas estreitas, até Dois
Louros. Lá encontraram abrigo num “Barracão” do Governo. Seu pai, então, seguiu até
Timbaúva onde comprou terra. Derrubou a mata e construiu um abrigo. Assim
chegaram até Timbaúva, onde encontraram uma nova Pátria.
O início na mata virgem não foi fácil, principalmente para uma família com
crianças pequenas. As primeiras casas foram construídas com coqueiros lascados,
cobertas pelas folhas de coqueiro.
O comércio mais próximo, localizava-se a 13 Km, em Ubiritama, onde podiam
comprar mantimentos e o que não havia ali, só em Guarani. Este longo caminho
precisava ser percorrido a pé.
Mesmo que no início as circunstâncias não tivessem sido tão boas, todos
estavam satisfeitos.
No mato, sob uma grossa árvore o Sr. Reinhard encontrou-se como Sr. Jesus e
obteve a certeza do perdão de seus pecados. No dia 27 de dezembro de 1915, foi
batizado pelo Pastor Feuerhamel, em Timbaúva.
O Sr. Reinhard sempre foi um membro ativo da comunidade. Serviu por mais de
40 anos no Conjunto de Sopro e no Coral. Por muitos anos, foi professor de Escola
Dominical e dirigente juvenil. Na diretoria da Comunidade desempenhou a função de
Diácono e vice-presidente.
Em 9 de fevereiro de 1918, casou-se com Emília Bangel, com a qual vive por 62
anos. O casal teve 10 filhos, 6 filhos e 4 filhas. Dois filhos faleceram ainda pequenos.
Um filho, uma filha e três genros também já faleceram. A esposa, D. Emílie, faleceu em
4 de novembro de 1980.
Seus descendentes contavam em 1996, 44 netos, 71 bisnetos e 18 trisnetos.
Assim, a sua descendência, além dos filhos, genros, noras e netos recebidos por
casamentos, contava com 133 almas.
No dia 12 de agosto de 1942, veio com sua família de Timbaúva para Novo
Machado, onde continuou residindo após o falecimento de sua esposa, ficando então,
sob os cuidados do filho Ewald e da nora Erica.
O Sr. Reinhard era muito saudável e vivia satisfeito na sua idade avançada.
Faleceu aos 104 anos e três meses, no dia 20 de janeiro de 2001.
(Texto extraído do Boletim Informativo da Convenção das Igrejas Batistas Independentes de Língua Alemã - CIBILA nº 15 de Julho
a
Dezembro de 1996 - Ano 8, de autoria do Pastor Vilson Wutzke, traduzido para fins desta publicação.
Em 2005, foi atualizado na SMEC de Novo Machado – RS, com a colaboração do filho Ewald e da nora Erica Fipke - para fins
deste registro).
Foto do 104º Aniversário (o último), juntamente com o filho Ewald e a nora Erica.

b) Auto-Biografia de Emma Buss

“Geborene Ulzäfer. Geboren am 10.12.1912, Getauft am 19.12. v Pf. Schwarz in


Estland.
In Palomoisa Kreis Werro Estland, dort war nach dem Krig 1919, Rewoluzion.
Dann war alles sehr knapp. Mein Papa war Polizist. Der hat sehr fiel mit gemacht, weil
die Reuberei, sehr gross war. Wier wahren drei Wochen ohne Broot, den das Getreide
im Felde war noch nicht reif. Kartofel und Sonst andress hatten wir noch im Keller,
aber das Broot.
Ich war 8 Jahre aldt. Dan sind wir 1921, nach Deutchland gewandert, über die
Nordsee. Drei Tage von Dorpath nach Deutchland. Dort haben wir 5. Jahre gewohnt.
Meine Schulzeit war in Deutchland.
Dann sind wir 1926, nach Brasielien gewandert. In Hamburg wurde ich
Konfermiert. Am .29.03.1926, sind wir aufs Schiff: Damfer Holm Ozean.
Navio Holm que em 1926, trouxe a família Ulzäfer (D. Emma Buss)
da Alemanha para o Brasil.

Von die Blumeninsel sind wier nach S. Paulo, auf die Fazenda Jataí. Dort haben
wir im Kaffe gearbeitet.
Im November, 1926, sind wir nach Rio Grande Mit der Bahn bis Santo Ângelo,
von Santo Ângelo nach Santa Rosa mit Camingon. Und dann nach Santo Cristo. Dort
sind meine Eltern in den Wald gewandert: Erval Novo, Dona Belinha. Dort hab ich
mich verheiratet, am 4 Oktober 1930, mit Ludwig Buss. Dann sind wir wider in den
Wald. Mein Leben war nur Arbeiten.
Dann Sind wir nach Povoado Pratos, 1928, gewandert, mit 5 kleine Kinder.

Ludwig e Emma Buss e família


Quando vieram residir em Povoado Pratos - 1938.

Wir haben 1 Jahr gearbeitet. Haben gut geerntet: Milgo, Reis, Bohnen. Wie wirs
im Schuppen hatten, ist uns der Schuppen Verbrannt. Dann musten wir von neuem
Sorgen. Aber wer arbeit hat zu Essen.
Meine Freude die ich hatte war Singen. Ich habe über 30 Jahr im Cohr
gesungen. Und Abens, haben wir viel Volkslieder gesungen, mitt unsre Nachbars und
mit unsere Kinder.
Das Leben war froh und auch traurig.
Wir haben 8 Kinder gezogen. Dann haben wir gearbeitet, die Kinder wurden
gross. Alle haben sehr geholfen. Dann hatten wir wieder Haus und Hof und dann, 1956,
ist uns wieder das Hauss verbrannt und alles was drinnen war.
Dann haben wir neu gebaut und haben gelebt bis 1982, dann Starb mein Mann.
Wir haben 52 Jahre zusamen gelebt. Es waren frohe und traurige tage. Aber mann mus
leben so wie es kommt.
Dann habe ich 2 Jahre mit meine Kinder zusamen gewohnt dann sind Sie nach
Paraná, und ich habe dann 10 Jahre, aleine gewohnt in Pratos.
Nun bin ich bei meine Kinder Erika und Lindolf.
Vor 6 Jahre starb mein Sohn Reimund, wonhaft in Toledo, Paraná.
Nun bin Ich schon alt und viel krank. Habe nuhr das gröbste und den Inhaldt
geschrieben, denn um alles zu schreiben, mus mann fiel fiel schreiben.
Nun bin Ich 84. Jahre alt, und schreib nicht mehr. “Herr Meine Zeit steht in
deinen Händen.”
(Emma Buss - dezembro/1996.)

(Emma Buss

Nascida Ulzäfer, em 10.12.1912. Batizada em 19.12.1912 pelo Pastor Schwartz na


Estônia.
Em Palomoisa Kreis houve depois da guerra de 1919, uma Revolução. Daí tudo era
muito escasso. Meu pai era Policial e ele passou por muitas dificuldades, porque o banditismo
era muito grande. Nós ficamos três semanas sem pão, porque os cereais, nas lavouras, ainda não
estavam maduros. Batatinhas e outros produtos tinhamos guardado no porão. Mas faltava o pão.
Eu tinha 8 anos de idade e, em 1921, mudamos para a Alemanha, pelo Mar do Norte.
Três dias de Dorpath até a Alemanha. Lá moramos 5 anos. Meu tempo de escola foi na
Alemanha.
Daí em 1926 viemos para o Brasil. Em Hamburgo eu fui confirmada (1ª Comunhão).
Em 29.03.1926 embarcamos no navio a vapor “Holm-Ozean”.
Da Ilha das Flores, fomos a São Paulo, trabalhar na Fazenda Jataí. Lá trabalhamos na
colheita do café.
Em novembro 1926, viemos ao Rio Grande do Sul. De trem viemos a Santo Angelo. De
Santo Angelo para Santa Rosa, de caminhão. Em Santo Cristo, meus pais entraram e moraram
no mato: Herval Novo, Dona Belinha.
Lá eu casei em 04 de outubro de 1930, com Ludwig Buss. Daí fomos novamente para o
mato. Em 1938, viemos para Vila Pratos, com 5 crianças pequenas.
Nós trabalhamos um ano e colhemos bem: milho, arroz, feijão. Quando tínhamos tudo
no galpão, o galpão queimou. Daí tivemos que recomeçar tudo outra vez, mas, quem trabalha
tem o que comer.
Minha alegria era cantar. Cantei no Coral, por mais de 30 anos e à noite, cantávamos
muitas canções folclóricas, populares, com nossos vizinhos e com nossos filhos. A vida era
alegre, mas também triste.
Nós criamos 8 filhos e trabalhamos muito. Os filhos cresceram e todos ajudavam muito.
Daí nós tínhamos novamente, casa e benfeitorias. Em 1956, queimou nossa casa com
tudo o que havia dentro.
Construímos novamente e vivemos até 1982, quando faleceu meu esposo. Daí morei 2
anos com os filhos, depois eles mudaram-se para o Paraná. Morei sozinha, 10 anos, na Vila
Pratos.
Agora estou com os filhos Erica e Lindolfo.
Nós convivemos 52 anos. Foram dias felizes e também tristes, mas a gente tem que
viver como vêm os dias. Há seis anos, faleceu meu filho Reimundo, residente em Toledo,
Paraná.
Agora já estou velha e doente. Só escrevi o essencial, porque para escrever tudo, eu
teria que escrever muito.
Hoje tenho 84 anos e não escreverei mais. Senhor, meus dias estão em tuas mãos.”)
(Emma Buss - dezembro/1.996.)

Foto da Família Buss – Vila Pratos


– Município de Novo Machado – RS - 1976 -

Foto da Srª Emma Busse com a filha mais velha Elli Krombauer,
sua neta Evani e sua bisneta Letícia Koslowski.
Vila Pratos – Município de Novo Machado – RS – 1995.
D. Emma vivia tranqüilamente com a filha Erica e o genro Lindolfo, quando em
18 de setembro de 1996, não sentindo-se bem, estava a caminho do hospital de Novo
Machado. Quis o destino que nesta viagem, sofressem um acidente, no qual o seu genro
Reinoldo Krombauer veio a falecer. Para D. Emma, foram momentros muito tristes e ela
dizia que Deus deveria levar a ela e não ao genro. A este fato, seguiu-se um longo
período de recuperação, tanto física quanto emocional.
D. Emma gostava muito de fazer meias e bonecas de tricô. Gostava também de
ler e lia muito, apesar de sua fraca visão. Gostava de contar a sua vida e apreciava
muito as visitas do Dr. Rogério e do Pastor Marcos.
No dia 30 de Julho de 2002, D. Emma machucou uma perna, fato que a deixou
acamada por um período, pois não podia ser operada em virtude de seus problemas
cardíacos.
No dia 10 de dezembro de 2002, D. Emma festejou seus 90 anos, com uma
bonita festa realizada no Pavilhão da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana no
Brasil, de Vila Pratos, em companhia de seus filhos, noras, genros, netos, bisnetos e
tataranetos.
Infelizmente, três dias após o seu 90º aniversário, D. Emma adoeceu, sendo
inernada no Hospital Dr. Osvaldo Teixeira de Tucunduva.
Na sua tranqüilidade, no dia 13 de dezembro de 2002, depois de dizer que
queria dormir, adormeceu e não mais acordou para esta vida. Pela última vez foi levada
a sua querida Igreja, onde por mais de 30 anos, serviu a Deus, cantando no Coral,
deixando um vazio e muita saudade, para um grande círculo de familiares e amigos.
( Texto atualizado com a neta, Profª Salete Krombauer – agosto de 2005).

3.4.1.3. Dia do “Imigrante Alemão” ou “Dia do Colono”?

Para quem procura reportar-se ao passado da nossa colonização, depara-se com o


marco decisivo da chegada dos primeiros imigrantes alemães, cuja data permaneceu na
memória de seus descendentes e, por longo tempo, mereceu as honras de comemorações
festivas, tanto das comunidades como também, por parte dos governantes. 25 de Julho,
Dia do Imigrante Alemão.
Segundo a história do Rio Grande do Sul, deve-se ao então Governador do
Estado, General Flores da Cunha, que por conselho do então Prefeito de Porto Alegre,
Alberto Bins, introduziu e oficializou o 25 de Julho como Feriado Estadual - Cívico e
Religioso, em homenagem à chegada dos primeiros colonos alemães em 1824,
responsáveis pela colonização da região do Rio dos Sinos.
“General Flores da Cunha war immer, trotz seines Ungestüms, ein guter
Gouverneur. Und zwar deshalb, weil era den Rat seiner Helfer suchte und auch
befolgte. Ein Mitarbeiter mit besonders glücklicher Hand war ohne Zweifel der Oberst
Alberto Bins, Präfekt von Porto Alegre. Die Einführung des 25. Juli war eine jener
grossen Taten, durch die Rio Grande do Sul die Kolinisation der Deutschen an den
Rändern des Rio dos Sinos, in São Leopoldo im Jahre 1824, in Erinnerung brachte. Es
dauerte nicht lange, bis Santa Catarina seinem Nachbarn nacheiferte und auch Paraná
sich anschloss. So wurde der 25. Juli “der” Feiertag oder der religiös-staatliche Tag
für den Süden Brasiliens.” (23)
Festa dos Imigrantes “25 de Julho” - 1937 - Linha Machado Santa Rosa - RS
______________________________________________________________________
______
(23) KONDER, Marcos. Deutsche Kolonisation in Santa Catarina Blumenau und der Tag des Kolonisten,
Tipografia e Livraria Blumenauense, 1955, pág. 42.

Porém, com a 2ª Grande Guerra e a implantação do Nacionalismo no Brasil, esta


data foi afastada, como se a colonização alemã, não tivesse significado algum, para o
desenvolvimento do sul do Brasil.
Como se isso não bastasse, desencadeou-se uma perseguição desenfreada aos
imigrantes e seus descendentes, como se estes fossem “Hitleristas” ou “Fascistas”.
Proibidos de falar sua língua materna,tendo suas literaturas apreendidas, muitas pessoas
sofreram imensamente com estas perseguições, chegando a ser aprisionadas com se
fossem malfeitores. Ignorou-se assim, a contribuição, que estes trabalhadores traziam
para o desenvolvimento do País que adotaram como sua nova Pátria, conforme relata
Marcos Konder:
“Aber es kam der Krieg. Die nationalistischen Jakobiner schafftenn diesen Tag
ab, als ob die deutsche Kolonisation keinen so bedeutenden wirtschaftlichen
Aufschwung für den Fortschritt und die soziale Zukunft des brasilianischen Südens
gebracht hätte. Und als Höhepunkt verfolgten sie die Nachkommen der deutschen
Einwanderer, sei es in Rio Grande do Sul, sei es in den anderen Staaten des Südens, so,
als wären sie Hitleristen und Faschisten gewesen und nicht gute Brasilianer und
Arbeiter für das Wohl unseres Landes”. (24)
Paralelamente às sanções repressivas, desencadeadas sobre a população, foram
organizadas ações diversas que, sutilmente, visavam atingir as famílias, usando-se a
parte mais facilmente influenciável: os jovens.
“Tipo de ação educativa mais restrita, mas de grande efeito propagandístico era
a vinda anual de quinhentos “coloninhos” do interior do Estado para Porto Alegre
para passarem a Semana da Pátria num ambiente autenticamente brasileiro, assistirem
ao fervor patriótico dos festejos e serem contaminados por eles. Olga Acauan Gayer,
diretora geral da instrução pública, apresentava os objetivos dessa vinda: “Na
intimidade de lares genuinamente brasileiros, ao calor da afetividade característica de
nossa gente, há de surgir espontânea uma compreensão recíproca, propiciando a
adesão consentida ao passado e aos destinos da nacionalidade”.
Algumas crianças eram hospedadas no próprio palácio, onde tomavam as
refeições com Cordeiro de Farias, as casas dos secretários e de outros funcionários de
alto escalão hospedavam outras e as demais eram abrigadas em casas de famílias de
“velha cepa lusitana-açoriana-paulista” onde se esperava tomassem ciência e
consciência do que é a verdadeira brasilidade, característica de “nossa gente”, como
dizia a inspetora. Coelho de Souza falava em “nacionalização eminentemente prática:
estes rapazes virão conhecer e viver dias de exaltação patriótica entre nós; dela
conservarão recordação indelével, dela se farão eco, quando regressarem aos seus
longínquos pagos”.
O secretário de educação se emocionava diante do quadro representando esses
meninos tão bonitos, mas tão pouco brasileiros: “Assisti, entre comovido e pensativo, a
passagem daquela mocidade loira... A minha comoção vinha motivada pelo
reintegramento à comunidade de um pedaço de estrutura humana da Pátria... Aquela
geração de cabelos loiros como palhetas de ouro ao sol, entre a juventude morena
como a própria terra brasileira, desfilando frente à mesma bandeira e cantando o
mesmo hino, demonstrava o espírito imortal do Brasil... Eles, os “coloninhos”
aprenderam nos lares onde se haviam abrigado, nas festas que assistiram, que não
abrigamos o ódio ao estrangeiro [sic], quando o seu coração é puro e o seu braço
forte, para ajudar-nos na obra sugestiva de construir grande e forte uma nação.”” (25)
Ações desta natureza, desencadeadas sobre os imigrantes e descendentes, podem
ser consideradas uma verdadeira tragédia.
O Rio Grande do Sul, após guerra, refaz-se aos poucos dos efeitos de uma falsa
campanha de Patriotismo, conhecida como “Nacionalização”.
______________________________________________________________________
(24) KONDER, Marcos. Deutsche Kolonisation in Santa Catarina Blumenau und der Tag des Kolonisten,
Tipografia e Livraria Blumenauense, 1955, pág. 42.
(25) GERTZ, René. O Perigo Alemão. Editora Universidade / UFRGS. Porto Alegre 1991 - Pág. 65 e
66.
Aos poucos, o “25 de Julho passou novamente a ser comemorado nos município
de Colonização Alemã ou descendentes. Foi também no Rio Grande do Sul que foram
criados os primeiros “Centros Culturais 25 de Julho” e, gradativamente, esta data passa
a ser comemorada festivamente em todos os Estados do Sul do Brasil.
Porém, um novo enfoque passa a ser dado a esta data tão significativa.
Sutilmente, sob a alegação de que, todas as nacionalidades e raças de imigrantes
são merecedoras de demonstração de gratidão e honra, cria-se o “Dia do Colono”.
Assim, ao invés do “Dia do Imigrante Alemão”, o 25 de Julho, passa a
homenagear todos aqueles que fazem do trabalho com a terra, sua fonte de
sobrevivência, descaracterizando-se, porém, a sua origem.

3.4.2. Os Italianos

Para dar continuidade a ocupação do Rio Grande do Sul, o Governo Imperial,


procurou atrair novos imigrantes, talvez motivado pelo êxito da Colonização Alemã,
iniciada em 1824.
“À grande necessidade de mão-de-obra no Brasil, correspondeu o auge da crise
sócio-econômica da Itália. Daí proveio a espantosa imigração dos italianos. Em 1885,
entraram no Brasil 21.765 italianos; em 1887, 40.157; em 1888, 104.353; em 1891,
132.326, não baixando dos 30.000 por ano, até o fim do século. Mais de 4/5 dos
imigrantes vindos para o Brasil, dirigiram-se à São Paulo. Entre 1875 e 1935,
entraram no Brasil cerca de 1,5 milhões de Italianos”. (26)
Foi a partir de 1875, que chegaram ao Rio Grande do Sul, os primeiros
imigrantes italianos.
Inicialmente estes imigrantes “foram assentados nas Colônias Imperiais:
Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul), Conde D’ Eu (atual Garibaldi) e D. Isabel
(atual Bento Gonçalves). Dois anos após, em 1877, com a finalidade estratégica de não
aumentar demasiadamente a população italiana, numa mesma área, o Governo
Imperial, criava a 4ª Colônia, Silveira Martins. Passado uma década, a imigração
Italiana do Nordeste do Rio Grande do Sul, estendeu-se para além do Rio das Antas
com a fundação das Colônias: Alfredo Chaves atual Veranópolis, Antônio Prado e,
mais tarde, Guaporé.” (27)
Se olharmos um pouco para trás, revendo o início da imigração italiana, parece-
nos, a primeira vista, que os problemas de espaço, trabalho e sobrevivência, grandes
causas da imigração, teriam-se resolvido para este povo.
Porém com o passar dos anos, devido ao elevado número de filhos e o
retalhamento das terras, o espaço riograndense ocupado inicialmente pelos italianos,
havia-se esgotado novamente, surgindo um novo desafio.
“Em 1884, estando ocupadas as terras de Conde d’Eu e Dona Isabel, os
colonos começaram a atravessar o rio das Antas, e o Governo criou a Colônia Alfredo
Chaves. Em 1885, retomando a colonização devido à campanha abolicionista, surgiu
São Marcos, como prolongamento natural da colônia de Caxias, da qual surgiria
também, Antônio Prado, em 1885. Foram ainda fundados pelo Governo Imperial ou
pelo Republicano, logo após a queda da monarquia: Mariano Pimentel (1888); Barrão
do Triunfo (1888); Vila Nova (de Santo Antônio, 1888); Jaguari (1887); Ernesto Alves
(1890); Marquês do Herval (1891).” (28)
Nesta época, caracterizava-se o expansionismo espontâneo das migrações
internas a partir das Regiões de Colonização Italiana (1880 a 1920). Posteriormente,
iniciaram-se as migrações internas para as matas da Bacia do Rio Uruguai, fundando-se
novas colônias, a maioria delas de caráter misto, iniciando-se por Ijuí em 1890, Erexim
(1908) e Santa Rosa (1915), atingindo-se os limites da fronteira agrícola no noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul.
______________________________________________________________________
__________
(26) BATTISTEL, Arlindo Itacir. Colônia Italiana Religião e Costumes. Escola Superior de Teologia São
Lourenço de Brindes, 1981 - pág. 16.
(27) Mundo Jovem - Abril 1989 - Pág. 15.
(28) BATTISTEL, Arlindo S. e COSTA, Rovílio. Assim vivem os Italianos, vol. 1. Escola Superior
deTeologia São Lourenço de Brindes. Porto Alegre, 1982, pág. 14.
A contar de 1920, as migrações de descendentes italianos, alcançam também as
terras do atual município de Novo Machado, através das famílias: Bortoli, Solimam,
Ferrari, Freddi, Turra e Ceretta, procedentes de Jaguari, Cachoeira do Sul, Veranópolis
e Sobradinho, que adquiriram suas terras e fixaram-se na localidade de Lajeado
Limoeiro e arredores. Esta mesma localidade, em 1923, recebeu ainda as famílias De
Conti, procedentes de Turino, Piemonte da Itália, que vieram residir aqui, tão logo
chegaram ao Brasil.
No decorrer dos anos, mais famílias foram chegando, iniciando-se assim a
colonização das localidades próximas, como: Nova Esperança (1927), Lajeado Touros
(1928) e Boa União (1932), constituindo-se, as comunidades, onde atualmente,
predomina a etnia italiana, neste município.

3.4.2.1. Influências (Legados)


Junto com os imigrantes, chegou a esta região a cultura, que de geração em
geração, os italianos legaram aos seus descendentes.
Dentre os diferentes aspectos, podemos destacar:

a) Religiosidade:

A boa formação cristã dos imigrantes italianos, estava expressa pelas práticas
religiosas e pela fé viva. Em cada comunidade, o padre gozava de particular estima. Era
tratado como “representante de Deus”. A hierarquia era sagrada. “O povo era
profundamente devoto”. (29)
Apesar das dificuldades e do árduo trabalho diário, à noite, toda a família reunia-
se para rezar o terço. “Muitas vezes surpreendiam-se dormindo inclinados sobre a
banca, tal era o cansaço. Acordando, continuavam até rezá-lo todo”. (30)
As crianças também, tomadas pelo cansaço, adormeciam muitas vezes, deitadas
no assoalho ou debruçadas sobre as cadeiras. Porém as mães, acordavam-nas para fazer
a oração ajoelhadas, de mãos postas, ao pé da cama.
Ao chegarem nesta região, uma nova frente de colonização, este espírito
religioso veio com os colonizadores. Isto se expressa pelo fato de, tão logo aqui se
estabeleceram, procuraram reunir-se, não só para rezar e conversar, mas pensaram
imediatamente na construção de suas Igrejas.
As igrejas, constituíram-se numa espécie de “centros comunitários”, pois em
torno destas, a comunidade passou a congregar-se, não somente para fins religiosos,
mas também, recreativos e educacionais, isto é, ali organizaram suas escolas e ali iam
distrair-se, geralmente jogando bocha, baralho e mais tarde, futebol.
“A funcionalidade da capela extrapolava o culto religioso, atendendo a outras
instâncias da vida dos colonos, constituindo-se um núcleo de solidariedade e amizade
comunitária, criando espaços para troca de experiências de vida”. (31)
Tal era a importância da capela para os imigrantes, no início da colonização.
A inexistência de sacerdotes nas novas áreas de colonização, fez surgir a figura
do “capelão”, ou seja, aquele que dirigia a reza do terço na comunidade, dava
catecismo, fazia enterros, enfim, conduzia a vida religiosa da comunidade. Este era
escolhido entre os moradores e gozava de certo prestígio e respeito.

______________________________________________________________________
__________
(29) BATTISTEL, Arlindo Itacir. Colônia Italiana, Religião e Costumes, Porto Alegre, 1981 - pág. 18.
(30) Id. Ibid.
(31) Revista Educação - UFSM - nº 1 - V19 - 1994, pág. 23.

O baixo desenvolvimento tecnológico, tornava os italianos altamente


dependentes das forças naturais: secas, enchentes, ataque de pragas, esgotamento do
solo, chuva de granizo .... Como não tinham formas de resolvê-los, recorriam as forças
sobrenaturais, pra resolver problemas naturais. Assim, era freqüente a prática de rezas e
benzeduras para resolver problemas de saúde das pessoas e animais. As procissões,
romarias e promessas, para obter ou agradecer a saúde e colheitas fartas, também eram
comuns.
A prática dessas crenças e superstições populares, ainda hoje permanecem muito
vivas.
Além da reza do terço à noite, rezava-se também, antes das refeições: um Pai
Nosso, uma Ave Maria e um Glória, como forma de agradecimento a Deus, pelo
alimento concedido, fruto do trabalho da família.
Pela manhã, ao levantar, rezava-se: três Ave-Marias a Nossa Senhora e a oração
ao Anjo da Guarda.
Outras orações, como Ato de Fé, de Esperança e de Caridade e as ladainhas de
Nossa Senhora, eram decoradas e rezadas após o terço, à noite. Rezava-se também o
Creio e Salve Rainha.
Lembra-se que estas orações e o catecismo para a preparação à Primeira
Eucaristia, eram ensinadas às crianças, pelas mães, à noite, através da repetição e
conseqüente memorização. Enquanto mexiam a polenta, as mães rezavam e as crianças
repetiam, até aprender, ou melhor, memorizar.
Percebe-se pois, que a oração estava diretamente ligada ao trabalho e, através
dela, manifestavam a fé, profundamente impregnada na vida dos nossos antepassados.
A oração, seria para conseguir a vida eterna, e o trabalho, para obter uma vida
melhor na terra.

b) Educação Familiar:

A educação familiar entre os imigrantes italianos, sempre foi muito rígida.


Qualquer desentendimento ou brigas entre as crianças, ou desobediência destas, era
motivo para severos castigos e surras.
A criança não podia participar da conversa dos adultos. Quando chegava visita
na família, as crianças tinham que ausentar-se do ambiente, porque não lhes era
permitido ouvir a conversa dos adultos.
A formação moral entre os imigrantes italianos, foi muito rígida, principalmente
no que se refere a sexo, namoro e casamento, especialmente em relação a filha mulher.
“O namoro era simples e puro. Os pais vigiavam para que os filhos e, sobretudo
as filhas, se comportassem de maneira impecável. O bem querer não se devia a beleza
física das moças ou rapazes. As moças eram valorizadas, se fossem trabalhadoras e
simples. Fossem boas administradoras domésticas, não fossem vaidosas, soubessem as
lides da casa, bem como o catecismo e as orações a serem ensinadas aos filhos. Os
rapazes preferidos eram os honestos, sérios, sem vícios de bebida, jogo, fumo... que não
fossem grosseiros e tivessem terra para trabalhar e casa para morar.” (32)
Geralmente os pais da moça só permitiam namoro, com rapazes de famílias
conhecidas e de preferência da mesma origem.
Os jovens não tinham muita liberdade na escolha de seu (sua) companheiro(a).
Os pais tinham influência decisiva sobre os filhos. Pois o casamento era para sempre e,
se alguma desavença ou incompatibilidade surgisse era desconsiderado, pois diziam:
“- Nós casamos diante do Padre, diante de Deus e o fizemos para sempre”.
A solução então era suportar-se, procurar compreender-se e construir uma boa
família.

______________________________________________________________________
__________
(32) BATTISTEL, Arlindo Itacir. Colônia Italiana: Religião e Costumes. Escola Superior de Teologia
São Lourenço de Brindes, Porto Alegre, 1981, pág. 27.
Os valores morais, como a “honra” era muito valorizado. Se por azar uma filha
caísse no “erro”, a família toda ficaria desonrada. O beijo entre os namorados era
considerado pecado. Seria escandaloso os namorados se beijarem. A moça é que deveria
precaver-se destas intimidades, para não perder a honra.
Falar em sexo, era pecado e proibido. As moças muitas vezes casavam-se, sem a
mínima orientação sobre gravidez e nascimento dos filhos.
O namoro era uma coisa séria e, tinha como objetivo imediato, o casamento.
Não se namorava por esporte ou passatempo.
Os namorados só se encontravam nos fins de semana, geralmente no domingo à
tarde, até antes do escurecer, porque não era permitido o namoro à noite.
A separação social entre os sexos, era rigorosa. Nos bailes, as moças ficavam
num lado e os rapazes no outro lado do salão. Nas igrejas também ocorria esta
separação. Os homens e rapazes de um lado e as mulheres e moças do outro. Este
costume ainda se observa em algumas igrejas, atualmente.
Como podemos perceber, a formação moral entre os imigrantes italianos era
muito rígida, permanecendo até hoje entre muitos avós e pais de filhos jovens. Diante
desta realidade, constata-se que há um conflito entre as gerações, entre a moral
tradicional, super rígida e a cultura permissiva da sociedade de consumo, impregnada
nas novas gerações.
Diz, Arlindo Battistel, já mencionado:
“O choque foi violento e a juventude entrou em confusão. Há uma
desorientação geral, tanto da parte dos pais como da parte dos filhos. Como pode uma
senhora de 60 ou 70 anos, educada, segundo a moral rígida de outrora, conviver com a
neta que julga o amor livre, algo muito normal.” (33)
Os valores tradicionais, chocam-se com novos critérios de valores, novos
costumes, novas concepções de vida, propostas pela sociedade de consumo, veiculados
pelos Meios de Comunicação Social.
Atualmente, os jovens vão estudar ou trabalhar na cidade e incorporam os
valores urbanos. Quando voltam para as suas localidades, levam consigo e repassam aos
irmãos e amigos, estes valores. Os pais ficam apavorados, porque isto não faz parte de
sua cultura, da sua tradição. Valores que eles cultivaram com muito custo e com amor,
agora, de uma hora para outra, desaparecem em troca de banalidades.

c) Educação Escolar:

Analisando a história da imigração italiana no RS, constatou-se que a escola,


inicialmente, não foi uma preocupação fundamental, por isso, a organização da mesma,
deu-se de forma lenta.
Para suprir a necessidade inicial da escola, os próprios colonos se organizaram.
Quem veio da Itália com um pouco de instrução, aqui se encarregou de ensinar às novas
gerações. O programa geral da escola constituía-se em ensinar a ler, escrever e contar
(as 4 operações).
Logo que os imigrantes italianos chegaram ao Rio Grande do Sul,
encaminharam às autoridades, solicitação para abertura de escolas públicas nas colônias.
A educação entre os italianos foi deficiente e funcionava alguns meses por ano. Em
outras ocasiões,
só tinham alunos quando não havia trabalho na lavoura. Qualquer motivo era suficiente
para faltar aula, pois, para os imigrantes italianos, a “instrução não era ganha pão”.
Ainda permanecem na lembrança de alguns idosos de nossa região, alguns
ditados populares, que revelam uma visão de mundo, muito tradicional. Na época,
parecia que o mundo iria permanecer sempre naquele estágio, sem mudança e
transformação. Lembramos alguns ditados:
______________________________________________________________________
__________
(33) BATTISTEL, Arlindo Itacir. Colônia Italiana: Religião e Costumes. Escola Superior de Teologia
São Lourenço de Brindes, Porto Alegre, 1981, pág. 30.
Porém, no final do século XIX, com a expansão da colonização, a vida tornou-se
mais dinâmica e as relações sociais, tornaram-se mais amplas e complexas. Neste
período os italianos, perceberam que a escola era uma instituição indispensável e
contaram com a atuação decisiva da Igreja Católica, pois foi em torno da religião e da
igreja, que os imigrantes italianos, reconstruíram a sua identidade cultural.
- “Vale piu la pratica che la grammatica” (- Vale mais a prática do que a
gramática.) Na nossa interpretação, a escola não prepara para a vida, isto é, para o
trabalho da roça. Que na roça os ensinamentos eram repassados através da prática, onde
os filhos trabalhavam lado a lado com seus pais e aos poucos, desde pequenos, iam
incorporando os ensinamentos.
- “Eh, beni mi son vegenest vécio e grando istess, seanca non son mai andato a
scóla”.
(- Eh, bem ! eu fiquei velho e grande, sem nunca ter ido à escola.)
Com esta expressão, afirmava-se que era possível, vencer na vida, trabalhar,
comprar terra, sem precisar ir à escola. E os filhos deveriam fazer o mesmo.
Para os italianos, colocar os filhos na escola, era questão de problema e
dificuldades para a família, uma vez que precisavam adquirir material escolar e roupas.
Além disso, viria afetar a falta de mão-de-obra na roça, pois para os italianos, visava-se
somente o crescimento econômico.
O vínculo dos italianos com a igreja, era tão forte que consideravam-se mais
católicos do que italianos. Era uma característica tão marcante que consideravam a
religião a identidade étnica.
Para ser católico não precisava saber ler e escrever, porque as práticas religiosas,
as orações, eram ensinadas na família em forma de memorização e complementadas no
Catecismo, utilizando a mesma metodologia. Diante deste fato, justifica-se a pouca
importância dada à escola, entre os italianos.
Para manifestar concretamente a religiosidade, iniciou-se a construção de
capelas. Em cada esquina, linha ou colônia havia uma capela. A escola neste contexto,
não teve importância decisiva, mas quando se desenvolveu, foi ao lado da capela.
A escola que surgiu era simples com uma única sala de aula, com poucos móveis
e regida por um único professor.
A escola só passou a ter significado e importância, no início deste século no
momento em que a Igreja Católica, através dos padres Capuchinhos e mais tarde com
outras ordens religiosas, começou a marcar presença efetiva entre os colonos. Nesta
fase, a igreja estimula a criação de escolas e os colonos respondem positivamente. A
Igreja, aproveitou a boa aceitação dos colonos e fez da escola, um instrumento de
preservação e divulgação da religiosidade. A partir deste pressuposto, na compreensão
dos colonos, a escola passou a ter significado e importância. Era questão de status quem
conseguia ter um filho padre ou freira.
A educação, tanto em casa como na escola, era rígida e na base da palmatória e
da vara. Quanto mais severos eram os pais e quanto mais obedientes os filhos, mais
eram valorizados pela sociedade. Da mesma forma o professor, quanto mais severo,
mais era valorizado.
Diversos eram os castigos impostos pelos professores: ficar sem recreio,
permanecer mais tempo na escola, ficar de joelhos em cima de pedrinhas ou grãos de
milho, ficar de pé durante a aula ou levar varadas nas mãos ou nas pernas.
“A severidade dos pais e professores, bem como o trabalho puxado, formavam
uma personalidade forte, uma moral rígida de princípios inflexíveis e claros”. (34)
Os reflexos desta educação severa, refletiam-se na convivência entre as pessoas,
onde os próprios negócios eram baseados no testemunho da palavra dada. Não
precisava-se de documentos. Diziam: “a minha palavra vale ouro e a sua é documento”.

______________________________________________________________________
__________
(34) BATTISTEL, Arlindo, Colônia Italiana: Religião e Costumes - Escola Superior de Teologia - São
Lourenço do Brinde - POA - pág. 37.
d) Alimentação:
Com a chegada dos colonizadores descendentes ou imigrantes italianos, nas
áreas hoje pertencentes ao município de Novo Machado, chegaram também os hábitos
alimentares característicos deste povo.

Nos primórdios da colonização italiana no Rio Grande do Sul, estes imigrantes


sobreviveram intimamente relacionados com a natureza, da qual souberam usufruir os
frutos silvestres, a caça e tudo o que a terra podia produzir.
“Uma boa alimentação foi sempre característica dos italianos. Nos primórdios,
a alimentação era pouco variada, mas nunca insuficiente. Com a presença dos
produtos da terra, da caça abundante, era uma alimentação forte e sadia, razão porque
o Cônsul Corte (1884) atribui à alimentação italiana nas colônias, a responsabilidade
do vigor físico e do crescimento da fertilidade humana, expressa no número de filhos”.
(35)
... “A comida não era adquirida pelo salário e sim pelo trabalho diário.” (36)
Preservou-se, ao longo dos anos, a característica de uma alimentação natural
baseada nos frutos da terra, preparada com carinho especial.
Segundo depoimento de pioneiros, a alimentação era simples, com poucas
variedades, mas ricas e naturais.
Dentre os principais alimentos, destacam-se algumas receitas que registramos a
seguir:
- Polenta - Prato básico dos italianos. Geralmente feita à noite, para saciar a
fome de um árduo dia de trabalho. Sempre acompanhada com radiche (temperado com
toucinho e vinagre caseiro), ovos fritos, ou fortalha, salame seco ou frito, queijo e
requeijão (poina). Comia-se também a polenta com leite (num prato tipo sopa); com
carne de galinha frita ou de porco e no início da colonização, com a carne de pássaros
ou outros animais.
Faz-se a polenta com farinha de milho, preferentemente de moinho colonial,
água fervida e sal. Deve ser cozida em panela de ferro, em contato direto sobre o fogo.
Coloca-se a farinha aos poucos, mexendo sempre com a “mescula” (uma pá de
madeira), cozinhando-a por aproximadamente uma hora. Depois de bem cozida, vira-se
a polenteira, deixando-se a polenta sobre o “panaro” (tábua de madeira arredondada).
Geralmente no café da manhã, come-se polenta “brostolada” (assada sobre a chapa do
fogão), com queijo e salame.
- Fortaia - Frita-se salame fresco numa frigideira, com um pouco de gordura
(azeite ou banha). Acrescenta-se ovos batidos, com queijo ralado ou picado. Mexe-se
até pegar consistência. Nota: Pode ser feita só com ovos e queijo.
- Queijo (Formággio) - Para fazer um bom queijo, necessita-se de leite fresco.
Coloca-se o leite numa panela, acrescenta-se um pouco de sal e coalho, mexendo por
alguns instantes até dissolver o sal. Coloca-se sobre a caldeira do fogão para ficar
morno. Quando coagula, coloca-se sobre o fogão, mexendo sempre, com as mãos até
dar liga (para que grude). Depois tira-se do soro. Coloca-se a massa numa forma,
apertando bem, passando água quente, apertando novamente. Deixa-se meio-dia na
forma, colocando sal nas extremidades. Tira-se da forma e coloca-se sobre uma tábua.
Depois, de tempo em tempo, é virado para que não mofe embaixo.
- Poína - Coloca-se o soro para aquecer, até ponto de fervura. Retira-se do fogo,
deixa-se esfriar um pouco. Retira-se a poina com uma espumadeira colocando-se numa
travessa ou prato. Deixa-se esfriar. Come-se com polenta ou passa-se no pão, com
melado, mel, etc...
Nota: diz-se que antigamente, as pessoas mais pobres tomavam o soro,
substituindo o café da manhã. Hoje, o soro é dado para os porcos.

______________________________________________________________________
__________
(35) BATTISTEL, Arlindo I. e COSTA, Rovílio. Assim vivem os Italianos, Vida, história, cantos,
comidas e estórias. Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes e Ed. da Universidade de
Caxias, 1982 - pág. 63.
(36) Id Ibid
- Macarrão - Coloca-se numa bacia farinha de trigo. Com a mão, abre-se um
buraco no meio da farinha e se coloca dentro ovos. Depois amassa-se, sovando bem.
Deixa-se descansar um pouco, espicha-se com rolo. Fica uma folha redonda. Coloca-se
um pouco de farinha de milho, por cima para que não grude, e, depois, enrola-se. Com
uma faca, corta-se em fatias (todas iguais) em cima de um tabuleiro. Deixa-se enxugar
um pouco em cima da mesa. Coloca-se ferver em uma panela com água e sal. Tempera-
se com molho de galinha ou carne de gado, moída e queijo ralado. Utiliza-se também, a
massa, para fazer sopa.
Nota: hoje utiliza-se a máquina para fazer massa.

Não há receita (quantidade exata) para fazer massa, faz-se de acordo com o
número de pessoas.
- Capeléti - Faz-se uma massa normal, como a mencionada anteriormente. Após,
corta-se a massa em quadradinhos de mais ou menos de 3cm x 3cm. Prepara-se o
recheio com carne de galinha frita desfiada com temperinho verde. Pode-se utilizar
também carne de gado moída. Após, coloca-se o recheio de carne nos cubinhos de
massa e modela-se, como chapeuzinho de duas pontas. Prepara-se um caldo com
galinha caipira. Quando o caldo estiver pronto, retira-se a carne e cozinha-se os
“capeléti” no caldo. Come-se a carne separada (carne lessa).
- Salame e Carne de Porco - O salame é feito com carne de porco moída e
temperada com sal e pimenta. Após ensacado é defumado, durante um ou dois dias.
Deixa-se secar, de preferência num lugar fresco (porão). Após retirada a carne para o
salame, os ossos são cortados em tamanho médio, salgados e fritos no panelão de ferro.
Esta carne era guardada em latas coberta de banha. Quando queriam comer a carne,
apenas colocavam numa panela ou frigideira para esquentar. Hoje, os ossos, são
guardados em congeladores.
- Lasanha - Faz-se uma massa como a mencionada anteriormente. Espicha-se a
massa. Corta-se em tiras retangulares. Cozinha-se numa panela com água, sal e um
pouco de azeite (não pode ficar muito mole). Escorre-se com coador de massa e coloca-
se numa bacia com água fria. Prepara-se um molho (tempero a gosto - cebola e tomate
picado, pimentão, tempero verde, etc...) com carne de galinha frita e desfiada, colocada
ao molho, que pode ser engrossado com um pouquinho de maizena ou farinha de trigo.
Monta-se numa forma de alumínio ou pirex uma camada de molho (no fundo para a
massa não grudar) uma camada de massa, seguida com uma camada de molho e queijo
fatiado. Sucessivamente seguir assim, completando três ou quatro camadas, usando
alternadamente: massa, molho e queijo fatiado. Sendo que a última camada dever ser de
molho e queijo. Após montada, coloca-se no forninho para derreter o queijo. Servir com
arroz branco e saladas.
- Marmelada - No início os italianos faziam somente marmelada de marmelo e
maçãs. Cozinha-se as frutas na água, depois de fria, passa-se numa peneira. Coloca-se
meio quilo de açúcar para cada quilo de massa (polpa) coloca-se num tacho, cozinha-se
até ficar dura. Quando ferve, salpica muito, por isso mexe-se com uma pá de madeira de
cabo comprido. Antigamente colocava-se numa caixa de madeira e deixava-se ao sol
para secar, alguns dias. Atualmente coloca-se papel celofane na caixa e joga-se a
marmelada dentro, vedando bem. Mais tarde começaram a fazer marmelada de: uva,
figos, pêssegos, pêra bem com fazer geléias.
- “Radici” Cozido - Radici - Cóti - Cozinha-se o “radíci” na água, sem sal.
Retira-se da água quente e coloca-se na água fria. Depois de frio expreme-se bem a
água, com as mãos. Depois corta-se bem fininho. Frita-se numa panela toucinho,
lingüiça. Depois coloca-se o “radici” cozido com alho, um pouco de pimenta, sal. Fritar
até ficar enxuto. Pode-se colocar também alguns ovos batidos e fazer espécie de
omelete.
- Codeguim - Cozinha-se na água com sal num pedaço de carne de porco (de
segunda), a língua, o coração e tiras de couro de porco. Deixa-se esfriar e moe-se bem
fininho. Mistura-se com um pouco de carne de salame - coloca-se mais um pouco de
sal, e pimenta, se necessário. Depois enche-se como salame e cozinha na água.
Nota: não pode encher muito a tripa, porque se for muito cheia, quando cozinha,
estoura.
- Morcilha - Mursilia de Sangüe - Pega-se o sangue do porco com uma bacia e
coloca-se sal logo, enquanto estiver quente. Depois prepara-se o tempero verde que é o
segredo do sabor da morcilha. Coloca-se noz-moscada ralada, pimenta, alho, cebola
verde, salsa, sálvia, alecrim, manjerona e picar tudo fininho. Toma-se o véu que envolve
o estômago do porco, corta-se bem fino e se mistura com o sangue. Após tudo bem
misturado, ensacar nas tripas, só a metade da tripa, porque quando o sangue é cozido,
ele cresce; e se não for folgado, estoura tudo. Depois de ensacado, coloca-se numa
panela com água fria, deixar ferver, devagar, até ficar cozido. Serve-se frio.
- Frango à Milanesa - Toma-se um galeto novo, corta-se em pedaços e tempera-
se bem (sal, pimenta, alho, tempero verde). Passa-se no ovo batido e depois na farinha
de rosca com queijo ralado. Apertar bem para a farinha e o queijo grudar. Depois frita-se
na banha, em fogo lento.
- Rodela de Moranga (Fetele de suche) - Toma-se uma moranga e coloca-se a
vapor, refogar com pimenta, sal, salsa banha. Em seguida faz-se uma folha de massa.
Espalhar a moranga sobre a folha de massa e enrolar ficando a massa por fora. Enrola-se
numa toalha limpa. Colocar o rolo dentro de uma panela com água deixando ferver
durante duas horas. Prepara-se um molho com carne moída ou galinha desfiada. Retira-
se o rolo da panela, desata-se a toalha. Corta-se em fatias, rodelas e coloca-se numa
travessa. Despeja-se o molho por cima e polvilha-se com queijo ralado.
- Presunto de Porco (Ossacol) - Pega-se a carne de filé e abre-se ao meio,
fazendo grandes e grossos bifes. Coloca-se num prato com sal. Quando estiverem
salgados, coloca-se sobre uma tábua ou mesa e sobre eles coloca-se pedaços de canela
em casca, cravo, pimenta, noz-moscada ralada. Toma-se em seguida, a membrana
interna, que está junto ao toucinho da barriga, raspa-se a banha com colher. Coloca-se a
membrana por baixo da carne, enrola-se tudo e ata-se bem apertado com um barbante.
Defuma-se e guarda-se como se guarda o salame.
- Pão (El Pan) - O primeiro pão que apareceu era de farinha de cevada. Depois
misturavam farinha de trigo e também com farinha de milho. Só mais tarde iniciou-se
fazer pão de pura farinha de trigo (cornete) e assava-se no forno, na palha de milho. Os
ingredientes essenciais para fazer o pão são: farinha, fermento, um pouco de banha, sal
e água. O italiano gosta de comer pão de trigo fresco, com salame e vinho.
- Fermento - O fermento era feito com pão cru. Deixavam levedar e depois
azedava. Guardavam-no num prato para secar. Quando faziam pão outra vez,
molhavam-no, desmanchavam-no e o colocavam dentro da farinha para fazer o pão.
Guardavam outro pão e assim sucessivamente.
Segundo depoimento de pioneiros, no início da colonização, não cultivavam
hortaliças, mas aproveitavam recursos da própria natureza, como podemos ver na
citação seguinte: “A inexistência de horta, em alguns casos, e a falta de tempo para o
cultivo de hortaliças, fez com que se utilizassem hortaliças silvestres como o dente-de-
leão (taraxacum officinalis), a língua de vaca, a beldroega (portulaca olerácea), o
agrião de água, e outras que passaram a constituir-se pratos adicionais às refeições...”
(37)
Os italianos, mais do que qualquer outro grupo étnico, conseguiram, a partir da
pequena propriedade agrícola, os primeiros e mais decisivos passos para um ensaio de
industrialização, transformando os produtos coloniais, na propriedade, para depois
serem vendidos.
A exemplo disso, temos a fabricação de vinho, que iniciou em pequenas cantinas
familiares e com o passar dos anos transformaram-se em grandes indústrias vinícolas,
na região de Caxias do Sul e Bento Gonçalves.
Com a ocupação das Novas Colônias, os imigrantes italianos trouxeram consigo
a tradição de cultivar a parreira e fabricar o seu vinho que até hoje é degustado pelos
italianos, em suas refeições diárias e nas festividades.
Percebe-se, que ainda hoje, nas famílias descendentes de italianos, conserva-se,
nas refeições diárias, os alimentos acima mencionados, enriquecido com alimentos de
outras etnias.
______________________________________________________________________
__________
(37) BATTISTEL, Arlindo I, e COSTA, Rovílio - Assim, Vivem os Italianos Vol 1 - Porto Alegre - Escola
Superior de Teologia São Lourenço de Brindes e Editora e Universidade de Caxias, 1992.
e) A Língua:

Uma das riquezas, que os imigrantes italianos trouxeram consigo da Itália, foi a
língua, o idioma, em diferentes dialetos.
Desde a chegada dos primeiros imigrantes Italianos em 1875, até o início da
Segunda Guerra Mundial 1939, num período de 64 anos, cultivaram livremente sua
língua materna, tanto na família como na sociedade.
Durante a Segunda Grande Guerra, com a instalação do Estado Novo, na década
de 40, proibiu-se aos estrangeiros, imigrantes ou descendentes, o uso de sua língua
materna. As severas perseguições e castigos, impostos aos colonizadores estrangeiros,
que vieram em busca de uma nova Pátria e de terra para trabalhar, tornaram-se para eles,
motivo de medo, tristeza e insegurança, uma vez que não podiam expressar-se na sua
própria língua.
“Neste período, os imigrantes italianos agricultores e descendentes,
restringiam-se mais ainda às suas glebas, por medo da prisão ou do castigo policial”...
... “a proibição de falar o italiano (no caso do dialeto italiano), fez com que a
gente ficasse em casa. Mesmo nas reuniões domingueiras, nas capelas, procurava-se
falar pouco (só se falava italiano, porque não se conhecia o português, não teve
escola), com grande cuidado que não tivesse presente alguém da cidade. Toda pessoa
que falasse português causava preocupações, porque podia ser um espião”. (38)
Desta forma, com a proibição de falar a língua materna, de forma autoritária,
para pessoas que não tinham freqüentado a escola brasileira, cresceu nestas, o sentido de
inferioridade.
Num primeiro momento, a proibição da língua materna, pode ser vista como um
fator de integração dos imigrantes e seus descendentes, à nova Pátria. Porém, por outro
lado, desconhecia-se a ideologia de trabalho e a honestidade deste povo, que vinha
somente em busca de espaço que lhes permitisse uma vida mais digna. Aliás, com a
Pátria - mãe, os imigrantes conservavam apenas laços afetivos e as recordações dos
parentes, que, com o passar do tempo, foram-se tornando sempre mais longínquos e
acabaram ficando esquecidos, com o passar das gerações. Não havia qualquer
vinculação política dos imigrantes com a Itália, uma vez que até a comunicação escrita
era escassa, em virtude das dificuldades culturais e econômicas deste povo, que resumia
sua vida na afirmação: “Evviva il Brasile! evviva il lavoro!” (Viva o Brasil! Viva o
trabalho).
Os efeitos desta represália contra os imigrantes e seus descendentes, faz-se notar
com evidência entre as gerações atuais, na quase total ausência do cultivo da língua
materna.
Hoje, com muito esforço, busca-se um resgate da cultura e da língua italiana,
promovendo-se, com este intuito, seminários, festas típicas, grupos de canto e de dança,
integrando-se as comunidades e as famílias que, com muita propriedade, contribuem
com aquilo que guardam dos seus antepassados.
Para enriquecer a história dos italianos deste município registramos aqui, a
biografia de José De Conti, que viveu 70 anos na localidade de Lajeado Limoeiro.
3.4.2.2. Biografia de José De Conti
José De Conti, nasceu em 24 de outubro de 1915, na cidade de Turino, na Itália,
como filho de Miguel De Conti e Maria Pieri De Conti.
Imigrou para o Brasil, aos 8 anos de idade, juntamente com seus pais e irmãos,
em 1923. Foi uma viagem que durou 28 dias.
Inicialmente, fixaram residência em São Paulo, onde também faleceu a sua mãe.
Ali, permaneceram por seis meses, trabalhando nas lavouras de café.
Entre as principais causas que levou a família De Conti a imigrar para o Brasil,
assim como os demais imigrantes, estava o anseio por um pedaço de terra, garantindo
uma vida melhor para todos os filhos da família.
______________________________________________________________________
__________
(38) BATTISTEL, Arlindo I, e COSTA, Rovílio - Assim, Vivem os Italianos Vol 1 - Porto Alegre - Escola
Superior de Teologia São Lourenço de Brindes e Editora e Universidade de Caxias, 1992.
Passaporte de José De Conti com a mãe e os irmãos.

Após seis meses de permanência em São Paulo, decidiram vir para o Rio Grande
do Sul. Vieram de trem, até Santo Ângelo. Depois, dirigiram-se a Cinqüentenário,
atravessando o Rio Santa Rosa, chegando em Lajeado Limoeiro em 1924.
Aqui era tudo mato e a família De Conti veio abrindo picada até encontrar suas
terras. Escolheram um local onde fizeram o acampamento. Daí começaram a derrubar
um pouco de mato, fazendo uma pequena lavoura para plantar alimentos, como: milho,
feijão, amendoim, mandioca, arroz.
Havia muitos animais selvagens: tigres, onças, porco-do-mato, leão-baio...
Durante os primeiros dez anos, só plantaram para garantir a sobrevivência.
Eram poucas famílias que residiam nesta localidade, quando a família De Conti
aqui chegou. Em Lajeado Limoeiro só residia a família Ferrari e, no outro lado, em
Lajeado Touros, havia uma família de alemães.
Por volta de 1933, a comunidade de Lajeado Limoeiro organizou sua primeira
capela, construindo a primeira igreja e primeira escola.
Sr. José De Conti, juntamente com dois irmãos, para conseguir dinheiro para
adquirir suas terras, foi trabalhar no serviço de estradas. Ajudou a construir a estrada de
ferro de Santo Ângelo, Girua, até Santa Rosa. Além das estradas da localidade, ajudou a
abrir a estrada que liga Santo Ângelo a Crissiumal.
Assim, para pagar as terras (1 colônia de 38 ha), que o Sr. José De Conti
adquiriu em 1936, ele trabalhou cinco anos no serviço de construir e abrir estradas.
As estradas vicinais, eram feitas de 4 m de largura e o estradão, era de 5 m de
largura.
Na época, os solteiros tinham direito de adquirir uma colônia de terra e os
casados, podiam adquirir duas.
Pelo serviço realizado nas estradas, os trabalhadores só recebiam a metade do
salário (do pagamento). A outra metade, ficava para pagar a terra.
Aos vinte e três anos de idade, o Sr. José De Conti casou-se com Brígida Marin,
nascida em 24 de outubro de 1920, filha de Ino Marin e Genoveva Goin Marin. O casal
teve onze fillhos.
“As dificuldades eram muitas.
O comércio ficava longe. Só em Santa Rosa ou Santo Ângelo. Depois, ele ía a
cavalo a Santo Cristo, buscar farinha de milho ou de trigo.
O trabalho era pesado. Era tudo manual: derrubar o mato, preparar a terra,
plantar...
Não havia fogão. Cozinhava-se com fogo de chão, numa panela pendurada na
corrente. Só mais tarde conseguiu uma chapa pequena, sobre a qual só dava para
colocar duas panelas. Para acender o fogo, usava-se as pedras que havia no mato. (era
uma pedra dura que através do atrito, produzia faíscas e estas, em contato com um
pedaço de roupa velha ou palha seca, produzia o fogo).
A primeira lamparina era feita de tubo de taquara e um pedaço de roupa velha.
Mais tarde, surgiu a lamparina a banha e a querosene.
O nosso copo de tomar água, eram os tubos de taquara. Para sentar, usávamos
cepos de madeira, eram nossas cadeiras.
Quando casamos, ganhei de minha mãe, uns dois ou três pedaços de sabão. A
roupa, lavava com cinza e, no lugar de escova, esfregava as calças de Brim
Diamantino, com palha de milho ou sabugo.
Para construir nossa casa, serramos toda a madeira (tábuas e a madeira
quadrada), tudo com a serra manual.
A água nós buscávamos longe, de uma vertente. Colocávamos sobre o ombro, o
“Bigol” (uma madeira na qual se penduravam duas latas de água - uma na frente e
outra atrás) e na outra mão levávamos outra lata. Assim, numa caminhada, a gente
trazia três latas de água.
Uma vez, carreguei o macaco de carregar tora, no ombro, de Lajeado Touros
até aqui (Limoeiro), oito dias antes de nascer um dos meus filhos.
Eu sempre trabalhei pesado. Sempre na roça. Lavrava com bois, derrubava
árvores, batia com manguá para trilhar os cereais... Cheguei a ganhar um dos filhos na
roça.
Eu tinha tantos calos nas mãos que, para agüentar, cortava-os com facão.”
(Palavras da Sr. Brígida De Conti).

Segundo D. Brígida, apesar de tudo, a vida era mais saúdavel. Também havia os
bons momentos, quando as pessoas eram solidárias e se ajudavam muito. Aos
domingos, as pessoas (os homens) reuniam-se para jogar bocha. As bochas era feitas de
cerno de Ipê.
Enquanto não havia cancha, jogavam bocha até na estrada, tal era o valor e o
gosto que tinham por este esporte.
As mulheres nunca saíam de casa aos domingos. “Eu ficava em casa, fazendo os
serviços da casa, para na 2ª feira, recomeçar o trabalho na roça.”
(Palavras de D. Brígida De Conti).
Com o passar dos anos, muitas situações agrícolas foram-se modificando.
Criavam muitos porcos (porco preto), que engordavam com lavagem feita de
mandioca, batata, abóbora. Com a venda de porcos, conseguiram comprar terra para os
filhos.
Aos 78 anos, o Sr. José faleceu e, em 1996, D. Brígida residia na sua casa,
juntamente com o filho Olímpio, a nora Ivete e os netos Marisa, Adriana e André
Felipe.
Ela dizia com satisfação que, para ela, é uma alegria ver todos os seus filhos
casados e bem colocados.
“Eu não tive oportunidade de ir na escola porque não havia, mas todos os meus filhos
puderam
freqüentar as aulas e estudar.” (Palavras de D.
Brígida De Conti).

Dois anos depois deste relato, sendo homenageada por ocasião da III Feira
Municipal de Estudos Sociais, Desenvolvimento e Integração, em 1997, no ato de
lançamento da 1ª Edição deste Livro “Novo Machado conta sua História”, D. Brígida
veio a falecer em 26 de janeiro de 1998.
Até o final de sua vida, gostava de ajudar as pessoas necessitadas, visitando
principalmente os doentes. Viveu seus 77 anos, com muita lucidez e tranqüilidade.
(Texto atualizado com a filha Ines
Bortoli – 2005).

3.4.3. Os Russos

Os russos que vieram para o nosso município, dirigiram-se para a região de Vila
Pratos, por volta dos anos 1936 a 1938.
O motivo que fez com que imigrassem para o Brasil, foi o medo da Guerra. O
pavor da Guerra manifestava-se em todos os povos. Por isso, deixavam o seu país de
origem e lançavam-se ao Oceano, sem saber o que tinha e o que vinha pela frente. Estes
povos, acima de tudo, queriam a paz e preservar a vida.
Além de fugir da Guerra, estes povos estavam ansiosos, para conseguir um
pedaço de terra com mato, que na Rússia só os poderosos ainda possuíam.
Os imigrantes russos foram chefiados por um ex-militar Spiridion Bileski, que
na época exerceu grande liderança na região.
Segundo depoimento de imigrantes, esses vieram motivados pela propaganda
que a Cia Dahne Conceição, fazia na Europa. Esta Companhia, era encarregada, de
promover a colonização de uma grande faixa de terras, situadas ao longo do rio
Uruguai, entre os afluentes Santa Rosa e Turvo, num total aproximado de 7.000 lotes
rurais, de aproximadamente 25 ha cada um.
“As terras foram adquiridas na Rússia onde também pagamos a 1ª prestação.
Porém, para muitos, esta prestação não foi considerada e tiveram que pagá-la
novamente, ao chegar no Brasil.” (Palavras da Srª Ana Klocko).
A chegada dos Russos à Vila Pratos deu-se via Horizontina, na época Belo
Horizonte, onde ficaram alguns dias, num barracão, o tempo suficiente para localizar
suas terras. Muitos deles vieram a pé, procurando o número do lote.
As expectativas de uma vida melhor, sendo proprietário de um pedaço de terra,
era muito grande.
Muitas famílias, encontraram suas terras e estabeleceram-se nesta região, que vai
de Vila Pratos até Sessão Dezenove - Horizontina. Era um grupo humano numeroso.
À medida em que vinham chegando, as famílias eram abrigadas por aqueles que
chegaram antes, até costruirem o seu barraco. Isto revela que o povo era solidário e
hospitaleiro.
Segundo depoimento de pessoas entrevistadas, os russos queriam organizar a
sede da vila, na Cascata do Rio Pratos, para aproveitar a queda d’água para instalação
de uma usina, possibilitando a posterior instalação de indústrias. Isto demonstra o
adiantado estágio de desenvolvimento tecnológico, que estes povos de origem eslava
possuíam embora muitos deles, em sua pátria de origem, foram simplesmente operários.
Porém, o Bileski e o Logemann não se acertaram, porque o traçado do então Povoado
Pratos, já estava pronto e constava no plano de colonização, da Cia Dahne Conceição.
Além dos imigrantes Russos, esta região recebeu também, no início da década
de 1940, russos procedentes de Campina das Missões, cujo destino, inicialmente, era a
Argentina. Mas chegando em Pratos e encontrando ali uma colonização russa,
decidiram fixar-se ali mesmo, reforçando a colonização ali existente.
Para confirmar a pujança, do que foi a colonização russa, nesta região (Vila
Pratos - Novo Machado, Mandorin - Dr. Maurício Cardoso, até Sessão 19 - Horizontina)
pode-se mencionar a fundação de uma Cooperativa própria, Sul-Bras-Pol e da Igreja
Ortodoxa, da qual, segundo informações, faziam parte cerca de 400 famílias.
Embora não fossem proprietários na Rússia, onde alguns trabalhavam para os
grandes senhores, outros para os Czares, ou eram empregados da indústria, todos eram
conhecedores da Tecnologia da época.
Ao chegarem aqui e, tendo que enfrentar o trabalho rude, sem perspectiva de um
desenvolvimento tecnológico, muitos imigrantes russos, desiludidos, foram embora para
São Paulo, Porto Alegre, Argentina e alguns para os Estados Unidos, principalmente os
que possuíam melhores condições financeiras.
Ao imigrar para o Brasil, as famílias russas, como as de outras etnias, traziam
consigo tudo o que podiam: utensílios domésticos, ferramentas diversas, sementes.
Porém, segundo o depoimento de imigrantes, era-lhes proibido trazer altas somas de
dinheiro.
“Conta-se que um senhor que foi morar em Mandorim, trouxe escondido dentro
de seu violino, uma certa quantia em dinheiro”. (39)
A família Makaruk, quando veio da Rússia, trouxe consigo uma máquina manual
para plantar e um arado virador. Quando aqui chegou, encontrou muitos colonos
preparando a roça com enxada e plantando com saraquá.
Moeda Russa, trazida por imigrantes alemães-russos.
Pertenceu a D. Natália Hess - Hoje pertence a familia de D. Olga Hess.

______________________________________________________________________
__________
(39) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO - 1995.

Moeda Russa, trazida por imigrantes alemães-russos.


Pertenceu a D. Natália Hess - Hoje pertence a D. Olga Hess.

Assim como os alemães e os italianos, os russos também sofreram severas


repressões durante a 2ª Guerra Mundial. Segundo o depoimento de Pedro Chomeniouk,
o seu pai, João Chomeniouk e o senhor Demian Makaruk, foram presos diversas vezes,
no período da Guerra.
Obtivemos informações através de entrevista realizada com várias pessoas, que a
esposa do Sr. Bileski, era médica na Rússia. Aqui dava remédios para os doentes, media
a pressão, pois na época, na região, era a única pessoa que possuía um
Esfignomanômetro e um Estetoscópio (aparelho de medir pressão arterial). O casal
Bileski eram as pessoas mais esclarecidas, pois qualquer coisa a ser resolvida, era com
eles. Quando alguém queria escrever cartas para os familiares que ficaram na Europa,
dirigiam-se a eles.

a) Religiosidade:

No que se refere à questão religiosa, a grande maioria das famílias russas,


professavam a Religião Ortodoxa.
Prova disso, foi a construção de uma Igreja, no início da década de 1940, cujo
estilo e beleza revelava a convicção religiosa dos russos e a pujança desta Colonização,
nos arredores de Vila Pratos.
“No início era uma comunidade forte. Muita gente freqüentava esta Igreja, pois
vinham de toda região”.
(Palavras de D. Helena Kucyk)

O Padre Ortodoxo vinha de Porto Alegre uma vez por mês e ficava um tempo na
região. Atendia toda a região, inclusive Campina das Missões.
Quando o Padre vinha, fazia casamentos, batizados... Junto com o batismo,
realizavam o crisma, após a Missa.
Quando o Padre não vinha, os atos religiosos eram dirigidos por um senhor
chamado Joaquim, que mais tarde, transferiu residência para Santa Rosa.
Com a saída dos russos da região de Vila Pratos, a Igreja Ortodoxa perdeu seus
adeptos e, no final da década de 1960, acabou sendo desativada.
As famílias que permaneceram nesta região, filiaram-se a outras denominações
religiosas: Batista, Católica... Porém, muitas pessoas mantém vivas dentro de si, os
sentimentos e as tradições Ortodoxas. “Ainda me sinto muito Ortodoxa. Vou na Igreja
Católica, porque aqui não tem a outra”. (Palavras da Sr. Helena Kucyk).
Certidão Batismo de André Mackaruk

- Igreja Ortodoxa

A existência da Igreja Ortodoxa neste município, teve um certo período de


duração, de aproximadamente 30 anos.
A Religião Ortodoxa, chegou a esta região, através da Imigração Russa. O seu
desaparecimento deve-se ao fato da saída de muitas famílias, que desiludidas com o
lento desenvolvimento desta região, foram em busca de novas perspectivas de vida em
outras localidades.
O templo construído em Vila Pratos, retratava uma verdadeira obra de arte, com
seus detalhes em estilo ortodoxo, que ficou exposto aos efeitos do tempo, após a saída
dos seus membros. O mesmo foi demolido e vendido em meados de 1970.
Igreja Ortodoxa - Vila Pratos

Dentre os descendentes de famílias russas, há alguns que tiveram em sua


infância e juventude, a vivência da religião ortodoxa. Embora hoje pertençam a outras
religiões guardam na memória, com muito carinho e respeito, às práticas religiosas
ortodoxas.
Os padres que atendiam esta igreja, sempre vinham de longe, principalmente de
Porto Alegre.
Apesar dos russos terem enfrentado todas as dificuldades do início de uma
colonização, gostavam de festas e danças.
Na igreja, realizavam a festa anual aberta a todas as pessoas que quisessem
participar. Nestas festas, tocavam gaita e outros instrumentos e cantavam. Nas festas da
igreja, inicialmente, serviam comida de panela. As carnes eram assadas no forno, ou
fritas em panelões de ferro. Nos últimos anos, já era churrasco com bebidas.
Diversas pessoas entrevistadas, nos deram informações sobre as práticas da
Igreja Ortodoxa:
- Batismo: a cerimônia do Batismo realizava-se após a missa. O Batismo era
ministrado às crianças ainda bem pequenas. Colocavam água na cabeça e faziam o sinal
da cruz com óleo, na testa e nas mãos e, nas crianças de colo também nos pezinhos.
Além disso, cortavam o cabelinho em forma de cruz, no alto da cabeça. Para a
cerimônia do Batismo, as meninas tinham que usar vestido.
Todas as pessoas Batizadas podiam comungar, pois junto com o Batismo já
recebiam o Crisma.
Os Ortodoxos, aceitavam como válido, o Batismo de outras religiões.
- Comunhão - a comunhão era ministrada sob duas espécies: pão e vinho. O pão
era especial para comunhão, sem sal e sem fermento, só com água e farinha. As
crianças, recebiam do padre, um pouco de vinho doce, com uma colher, enquanto que os
adultos tomavam um gole de vinho.
- Casamento - a cerimônia de casamento era semelhante a realizada na igreja
católica. A noiva vestia-se de branco. A cerimônia durava duas horas.
As festas de casamento, realizavam-se de acordo com as possibilidades da
família.
Em geral, a festa de casamento iniciava com o café da manhã, na casa da noiva.
No almoço, servia-se carne de porco e gado, assada no forno, batatinhas,
chucrute, pepino em conserva.
Como bebida, usava-se aperitivos: biter, cachaça e conhaque. Na refeição não
serviam bebidas.
No domingo, após o casamento, geralmente, os parentes iam almoçar na casa da
noiva.
Como as pessoas pertencentes às demais confissões religiosas, os ortodoxos,
inicialmente, iam a Santa Rosa, de carroça, para realizar o Casamento Civil. As
carroças, em geral, eram bem enfeitadas.
- Páscoa - a cerimônia da Páscoa era baseada no Antigo Testamento. Na noite de
sábado, para amanhecer domingo, a comunidade ficava reunida durante toda a noite. À
meia noite, davam três voltas ao redor da igreja, em Procissão. Depois de cada volta,
soltavam foguetes.
Depois, voltavam para o interior da Igreja, rezavam, cantavam e repartiam entre
si a comida que cada um havia trazido.
Ao amanhecer, rezavam a Missa e, após a Missa, cada um ia para a sua casa.
- Natal - Na véspera do Natal, a comunidade ficava reunida em vigília, rezando,
até a meia-noite.
Assim como a Igreja Católica, havia, na Igreja Ortodoxa, os santos no altar.
Porém estes, não ficavam sempre no altar. Ficavam guardados numa caixa grande. Os
santos, em forma de quadros, só eram colocados em situações especiais, em
determinadas cerimônias.
O altar era uma mesa e havia uma cortina. Em certos momentos da cerimônia,
fechava-se a cortina e o Padre ficava atrás, separado do povo.
As cerimônias sempre eram realizadas em russo e, para auxiliar, havia os
coroinhas e o ministro.
Em Vila Pratos, havia no centro da Igreja, uma espécie de “Lustre” que
funcionava como “castiçal”, pois ali colocavam-se muitas velas. Era utilizado à noite,
quando havia alguma cerimônia.
A Cruz dupla que é utilizada na Igreja Ortodoxa, tem um significado. A parte
superior da Cruz significa que esta Igreja não está vinculada ao Papa, ao Vaticano. Não
contribuem com a Igreja Romana e não aceitam o Papa como chefe.

b) Alimentação:

Com relação à alimentação, os russos trouxeram consigo suas tradições:


Chucrute: Era repolho picado, amassado somente com sal e colocado em barris
de madeira, que trouxeram da Rússia. Este repolho, bem socado dentro dos barris,
azedava naturalmente. As famílias guardavam “carroçadas de repolho”, em vários
barrís, para o ano todo.
Pepino em Conserva: Como gostavam muito de conservas azedas, os Russos
plantavam muito pepino e guardavam em barrís, somente com água e sal.
Carnes: Assada no forno ou frita em panelas de ferro, apreciavam
principalmente a carne de porco e gado. Para conservá-la, guardavam a carne com
bastante sal, em barrís de madeira.
Defumados: Apreciavam muito a lingüiça e o toucinho.
Os russos apreciavam também: cuca, arroz, pão, sopa de repolho...
c) O Cultivo da Linhaça

Os russos que povoaram a região de Vila Pratos e arredores, dedicaram-se


especialmente às atividades agrícolas, com pequenas iniciativas de industrialização.
Dentre as diferentes etnias que colonizaram esta região, os Russos foram os
únicos que desenvolveram o cultivo da linhaça.
Inicialmente plantaram as sementes que haviam trazido da Rússia. Esta era de
talo curto e fixava-se bem à terra. Era difícil de ser arrancada.
No final da década de 1940, surgiu na Cascata Pratos, uma fábrica de
beneficiamento da linhaça, pertencente ao Sr. Miguel Pfitscher (hoje esta área pertence
ao Município de Dr. Maurício Cardoso). Ali foram construídos vários tanques, onde
deixavam a palha de linhaça de molho na água, por uns catorze dias. Depois, com
instrumentos especiais, quebrava-se os talos, para obter-se os fios com os quais podiam
ser confeccionados: bolsas, cordas, tecidos ou, simplesmente, fios de diversas
espessuras.
Na indústria do Sr. Pfitscher, só se obtinha a matéria prima, que era vendida em
outros locais, onde era industrializada.
Neste período, o Sr. Miguel Pfitscher também forneceu ao agricultores, um tipo
de linhaça de palha comprida. Esta era frouxa no chão e arrancava-se com facilidade.
Batia-se a linhaça com manguá, separando as sementes. Vendia-se a palha. A
semente também podia ser vendida, reservando-se o necessário para o plantio do
próximo ano.
Segundo informações de moradores da região, esta fábrica durou pouco tempo
(4 a 5 anos) sendo destruída por um incêndio.
Alguns russos faziam o beneficiamento do fio da linhaça em suas propriedades.
Na época, valia a pena, transformar os filamentos em fios de diversas espessuras,
vendendo-os em rolos ou meadas.
Ressalta-se que, nesta região, somente os russos desenvolviam esta atividade.
Com o objetivo de apresentar algo concreto referente a colonização russa, nesta
região, incluímos neste capítulo, a Biografia da Srª Anna Klocko, uma das poucas
imigrantes desta nacionalidade, ainda residentes neste município, em 1996.

3.4.3.1. Biografia de Ana Klocko (Baba)


D. Ana Klocko, a filha Nádia, a neta Adriana e as bisnetas Jéssica e Dielise

D. Ana Klocko, nasceu no dia 09 de outubro de 1905, em Teremschina na


Rússia. Filha de Nicolau Lurdska e Irene Luzena Lurdska.
Casou-se com Nicolau Klocko nascido na Rússia, em 19.02.1922 e teve 4 filhos,
três na Rússia e um aqui no Brasil.
Em 1996, com 90 anos de idade, D. Ana, conhecida por todos como “Baba”
(avó, em Russo), lembrava os fatos que marcaram sua vida.
Veio para o Brasil em 1936, com o esposo e dois filhos menores: José com 4
anos e Olga com 3 meses. Sendo que o mais velho com 9 anos, ficou na Rússia com os
avós, para vender o que tinha restado, mas principalmente, porque não tinham dinheiro
para pagar a viagem para mais uma pessoa. Porém este filho, permaneceu na Rússia,
pois os avós também nunca vieram ao Brasil.
A viagem foi paga por seus pais, que venderam um pedaço de terra, para
conseguir o dinheiro. Assim mesmo, viajaram na 3ª classe do navio, porque era mais
barato. Nos andares superiores, vinham os judeus que ficaram em São Paulo.
D. Ana contou, que ainda no navio, ela fazia o serviço para uma senhora rica e
em troca recebia dinheiro, comida e sabão. Algumas famílias, com mais recursos,
vinham prevenidas, para enfrentar esta nova vida, trazendo mantimentos.
A viagem foi longa e cheia de dificuldades. Um dia, enfrentaram uma tormenta
no mar e, com o embalo do navio, caiu e quebrou tudo o que estava sobre a mesa.
Viajaram um mês de navio até o Porto de Rio Grande. Do Porto de Rio Grande
até Santa Rosa, vieram de trem e, de Santa Rosa a Horizontina, a viagem era por conta
da Cia. Dahne Conceição, que foi buscá-los de caminhão. De lá, até Mandorin, onde se
localizava a Colônia que compraram na Rússia, pelo mapa, foram a pé. Depois de uma
semana de buscas, finalmente, o seu Nicolau localizou a colônia. Enquanto isto, D. Ana
e seus filhos, permanceram nos barracos em Belo Horizonte (hoje Horizontina)
“dormindo como cachorro”, e só depois, vieram para Mandorim. Inicialmente, foram
abrigados por um colono, que já estava bem estabelecido, chamado Senhorin, até
construírem seu próprio barraco.
Na Rússia, D. Ana teve várias experiências de trabalho, entre elas, a de pastorear
os gansos, para não irem no açude comer os peixes. Mais tarde, desempenhava a função
de costureira.
Na Rússia, para conservar os alimentos, faziam um buraco na terra, para guardar
os produtos alimentícios, como: batatinha, cenoura e beterraba. Em certa ocasião,
desmoronou um barranco e D. Ana ficou soterrada.
D. Ana, relembra com saudade, os objetos pessoais que deixou na Rússia, como
a aliança e os colares. Trouxeram consigo roupas e ferramentas de carpinteiro.
Como podemos perceber, a vida de D. Ana e dos demais imigrantes, foi muito
difícil e cheia de sofrimentos. Entre as causas, pelas quais se decidiram pela imigração,
foi fugir da Guerra e o anseio por um pedaço de terra.
Em determinada ocasião, seu Nicolau, vendo que muitos dos seus conterrâneos
estavam vendendo suas terras e indo embora para cidade, também pensou em fazer o
mesmo. Foi aí que D. Ana falou:
- Você queria tanto um pedaço de terra e, agora, quer vender e ir para cidade?
Continuaram trabalhando muito e, com a venda de milho, conseguiram pagar a
terra. Inclusive tiveram que pagar novamente a prestação de 1.000$000 (um mil réis),
que havia sido pago na Rússia, como prestação de entrada, mas que não valeu.
D. Ana, lembra que a sua primeira casinha, era de costaneira e só tinha uma
cama. Um dia, o vento derrubou a casa.
Tudo era muito difícil. Até a comunicação, em virtude da língua. Era preciso
explicar com gestos, o que queriam comprar. Como por exemplo: fermento - tinha que
explicar “que crescia.”
Para conseguir algum dinheiro vinham de Mandorim a pé, para trabalhar no
Porto Pratos.
Para moer o milho, D. Ana vinha a pé com uma lata de milho, até o moinho do
Sr. Fritz Ickert.
Quando conseguiam comprar um litro de leite, para o domingo, era uma festa.
Diante de tanta dificuldade, em certa ocasião o seu Nicolau Klocko, queria
voltar para Rússia, porém dona Ana falou, demonstrando muito otimismo:
“- Calma Klocko, isto um dia vai melhorar”.
Aqui no Brasil, seu Nicolau era muito doente e em 05.09.50, com 48 anos,
faleceu, deixando D. Ana viúva com 44 anos, três filhos no Brasil e um na Rússia.
D. Ana lembra com clareza e gratidão as pessoas generosas, solidárias e
hospitaleiras que encontraram, porque o pouco que possuíam servia para repartir e
auxiliar os outros. Lembra a família de Paulo Gresler que lhes deu guarida e os ajudou
muito. Pedro Martins, era outro que lhes trazia comida. Lembra também Pedro
Brykalski, que tinha um bolicho na esquina, onde compravam comida nos primeiros
anos.
“Mais tarde, na casa comercial de seu Miguel e D. Wilma Pfitscher, as pessoas
compravam na caderneta e pagavam quando podiam. D. Wilma era uma ótima pessoa,
muito amiga e caridosa. Quando fazia festa, convidava todos os conhecidos. Esta casa
comercial na época, funcionava como um banco. Ali, as pessoas podiam deixar
depositado o dinheiro que possuíam, bem como, emprestar, nos casos de emergência.”
Em 1970, transferiu residência a Vila Pratos.
D. Ana, na chácara que possui próximo a Vila Pratos, tinha algumas vacas.
Vendia leite, nata, porco e galinha. Nesta época sempre tinha dinheiro. Segundo a sua
expressão: “tinha dinheiro que nem água”. Isto, demonstra o valor que dava, ao pouco
que possuía.
Referindo-se a questão religiosa, D. Ana nos relatou que o seu esposo, seu
Nicolau, foi o construtor da Igreja Ortodoxa de Vila Pratos, uma vez que ele era
carpinteiro.
Com a saída dos Russos da região de Vila Pratos, houve o enfraquecimento da
Religião Ortodoxa. A família Klocko tornou-se Batista, buscando um grupo maior e,
onde também obtinham, maior ajuda financeira.
Após viver tantos anos aqui no Brasil, um fato triste, marcou profundamente sua
vida.
O filho Basílio que deixaram na Rússia em 1936 com 9 anos de idade, só
conseguiu vir ao Brasil em 1976 com 51 anos de idade, para rever a mãe, os irmãos José
e Olga e conhecer a irmã Nádia, que nascera no Brasil. Porém, quis o destino que, ao
chegar aqui, encontrando seus familiares, foi acometido de um mal súbito, vindo a
falecer, algumas horas após a sua chegada, chocando profundamente toda a família
Klocko, que no mesmo dia, teve momentos de muita alegria e tristeza. Este fato,
permanece muito vivo em sua mente e, com certeza, dela não se apagará.
Em 1996, fazia pouco tempo, que D. Ana recebera visita de uma amiga que veio
junto da Rússia, mas foi morar na Argentina. Ela ainda a reconheceu, o que demonstra
uma memória saudável e lúcida.
Em 1996, D. Ana, ainda residia em Vila Pratos, com a filha Olga, porém, não
abria mão da sua caminhada até a chácara, onde diariamente ia trabalhar um pouco na
terra, que tanto desejou possuir, quando veio para o Brasil.

A Bisneta Jéssica, filha da neta Adriana, vibrava de felicidade, quando a Baba a


convidava para ir à Chácara.

A neta Jéssica ajudando a Baba D. Ana a colher Batatinhas , Mamão , Etc...

A Baba d. Ana e a Neta Jéssica à caminho da Chácara

Seu espírito de luta e de trabalho, a manteve firme até aos 90 anos de idade.
Mas, a medida em que foi enfraquecendo, teve que abrir mão daquilo que mais gostava
de fazer: trabalhar na terra.
D. Ana, veio a falecer no dia 30 de janeiro de 2003, alcançando a idade de 97
anos.
A vida de D. Ana foi e é um testemunho de fé, de luta, de ânimo e de vontade de
viver, servindo de exemplo para as novas gerações.
(Entrevista realizada com D. Ana e os filhos Olga e José - em 17 de
maio de 1996
Texto atualizado com as filhas: Nádia, Olga e a neta Adriana - em 2005).

3.4.4. Os Poloneses

Embora, as localidades que hoje integram o município de Novo Machado, não


tenham recebido um contingente elevado de colonizadores poloneses, sabe-se que,
historicamente a Polônia foi o terceiro país, que mais contribuiu com imigrantes, para a
colonização do Rio Grande do Sul.
Não sendo, na época, uma nação independente, mas estando dividida entre a
Prussia, a Rússia e Áustria, muitos imigrantes de nacionalidade polonesa, tinham na
verdade, raízes germânicas e cultivavam como língua materna, o alemão. Este era o
caso de muitas famílias que chegaram a esta região, como por exemplo: Mayer, Krapp,
Krause e outros.
Pelas mesmas causas como as demais etnias, os poloneses buscavam no Brasil e,
por razões de clima, principalmente no Rio Grande do Sul, melhores condições de vida.
Alguns vinham em busca de terras, outros fugiam da guerra, do comunismo, dos judeus.
Algumas famílias chegadas ao Brasil ainda no século XIX (1867), localizaram-
se no Estado do Paraná e no Espírito Santo. Mais tarde, em virtude da não adaptação
destes povos ao clima tropical, foram encaminhados ao Rio Grande do Sul, fixando-se
nas proximidades de Porto Alegre.
Posteriormente, ou seja, especialmente na década de 1930, a mesma época em
que a imigração russa alcançou esta região, diversas famílias polonesas imigraram para
o Brasil, através da Companhia Dahne Conceição, encarregada de promover a
colonização da costa do Rio Uruguai. Nesta época, chegaram a esta região, entre outras,
as famílias Jasiulzvicz, Piszxzalka, Dorosz...
Sabe-se que também nesta época, migraram para esta nova área de colonização,
algumas famílias, descendentes de poloneses, procedentes das chamadas Colônias
Velhas, ou seja, dos arredores de Porto Alegre, como foi o caso da família Krentkowski,
que veio residir em Esquina Machadinho em 1937.
Pelo fato da Polônia não ser um país independente, o Brasil também recebeu
muitos poloneses com documentação fornecida pelos países que, na época, dominavam
a região de onde procediam, podendo ser, oficialmente, alemães, austríacos ou mesmo
russos.

a) Religiosidade:

No seu arraigado sentimento religioso, o polonês deixou marcado seus padrões e


costumes cristãos, manifestados através do catolicismo ou então, através da religião
ortodoxa, num primeiro momento.
No ambiente familiar, os pais eram os principais reponsáveis pelo ensino
religioso, as orações fundamentais, o fervor cristão.
Aqui, no Brasil, rezavam muito, sempre em polonês (Pai Nosso e outras
orações), antes do trabalho, antes do café, procurando sempre reunir a família, assim
como eram acostumados.

b) Educação Familiar:
Havia muito respeito, principalmente para com os pais e os mais velhos.
Em geral, eram as mães, as encarregadas de ensinar aos filhos, inclusive as
partes fundamentais da religião. Quando os pais estavam por perto, auxiliavam as mães
na tarefa educativa. No Brasil, em virtude das dificuldades da língua, a tarefa educativa
do ensino, nos primeiros anos, ficou totalmente a cargo da família.
Em algumas localidades onde a Colonização Polonesa foi mais concentrada,
chegaram a formar-se Escolas Comunitárias, onde o ensino era ministrado em polonês.
Aqui, nas localidades que compõe o município de Novo Machado, não houve
uma colonização concentrada de poloneses. Em virtude disto, não houve escolas que
ministrassem o ensino em Polonês. Por esta razão, os pais que primassem pela formação
de seus filhos, também procurando preservar a língua materna, tinham que fazê-lo em
casa, ou então buscar ajuda de outras pessoas ou famílias que o fizessem.
“A minha irmã, ( a Helena ), foi parar na casa dos Bileski, em Vila Pratos, para
aprender a ler e escrever em Polonês”.
(Palavras do Sr. Eustachy Dorosz).
Herdeiro de outras tradições, filho de outro meio, o polonês inovou as técnicas
agrícolas, tirando da mata seu alimento, suas roupas, utensílios de trabalho e mesmo sua
habitação.
As mulheres teciam o linho, as avós embalavam netos nascidos brasileiros,
meninas repetiam a simplicidade doméstica e meninos aprendiam o ofício do pai.
Tudo saía das mãos do homem: o tosco mobiliário, as gamelas, o berço do bebê
e a urna funerária.

c) Educação Escolar:

Havia entre os poloneses, da mesma maneira como os demais imigrantes


europeus, um cuidado grande com a escolarização dos filhos, embora, muitas vezes, esta
também fosse prejudicada pelas dificuldades econômicas e sociais das famílias.
A escola era obrigatória. A escolaridade era coisa séria.
“Na Polônia, se era muito frio, as famílias se uniam e, cada dia, um levava as
crianças à escola, mesmo que fosse de trenó.
Aqui no Brasil, cada nacionalidade tinha sua escola, (professor), porém, não
tinha professor que ensinasse Português. Isto foi muito ruim, porque depois quando foi
proibida a língua estrangeira, a gente não sabia.” (Depoimento do Sr. Eustachy Dorosz).
“Eu fui na escola em Guarani das Missões onde a aula era dada em polonês.
Hoje eu ainda sei falar, ler e escrever em polonês, mesmo tendo nascido no Brasil.”
(Palavras da Sra. Ana Janina Dorosz).

Na família Dorosz, a filha mais nova, (a professora Tereza Dorosz), com seis
anos, foi junto com a irmã de treze anos (a Romualda), estudar no Colégio das Irmãs em
Guarani das Missões, tal era a importância dada à escolaridade.

d) Alimentação:

A culinária polonesa era simples e rica, valorizando sobretudo os cereais. Na


Polônia não conheciam o arroz, mas alimentavam-se com o centeio, da cevada, do trigo
e especialmente da batatinha.
Ao chegar no Brasil, depararam-se com diferentes hábitos alimentares. Quando
viram e comeram pela primeira vez o pão de milho, acharam que ele era tão amarelo
porque tinha bastante ovos.
O arroz, para eles, era uma alimentação muito fraca, comparada à cevada, que na
Europa era descascada e preparada como o arroz.
Atualmente, os hábitos alimentares já estão aculturados e percebe-se pouca
diferença com as demais nacionalidades (origens).

e) A Língua:

Entre os poloneses, inicialmente, procurava-se manter viva a língua materna,


porém, não com a mesma intensidade como o foi no caso dos alemães. Nas
colonizações, onde houve uma maior concentração como no caso de Guarani das
Missões, região que pertencia inicialmente à Colônia Guarani, o cultivo da língua foi
mais intenso, inclusive sendo ministrado nas escolas comunitárias.
Nas regiões onde a colonização polonesa foi mais esparsa, a língua materna era
cultivada somente na família e com pequenos grupos (outras famílias polonesas).
Para adaptar-se a nova pátria, os poloneses receberam um livro (uma espécie de
dicionário), através do qual aprendiam a língua da nova pátria, na qual todos vinham
buscar uma vida melhor, mais tranqüila, mais próspera.
Porém, tal como as demais nacionalidades, os Poloneses tiveram sua língua
proibida no período da segunda grande guerra mundial, especialmente, no momento em
que no Brasil se desenrolava a Campanha Nacionalista.
As dificuldades eram grandes, e muitos, não conseguiam comunicar-se nos
aspectos essenciais.

3.4.4.1. Biografia de Eustachy e Anna Janina Dorosz

Eustachy Dorosz nasceu em Bielica, município Lida, na Polônia, no dia 19 de


dezembro de 1920, filho de Constantina Woytüszko e Constante Dorosz, (militar na
Rússia - Tenente do Exército – Engenheiro de Pontes Ferroviárias e Maquinista de
Trem).
A insegurança política em virtude das freqüentes guerras e invasões, fez a
família decidir-se pela imigração, fugindo assim do comunismo implantado pela Rússia
e da invasão dos judeus, expulsos da Alemanha por Hitler.
“- Queríamos trabalhar livre, plantar livre, colher livre”.
Além disso, havia na Europa muita propaganda para a imigração e na Polônia
tinha 85 habitantes por Kmª, enquanto que aqui no Brasil só havia 4 habitantes por Kmª.
“As pessoas iam para onde tinha folga”.
Vendendo 1 ha de terra na Polônia, dava para comprar uma colônia no Brasil,
mas a gente só recebia a metade do valor. A outra metade ficou para fazer a escritura da
terra vendida.
Assim, passando pelo Consulado Brasileiro em Varsóvia, em 15 de janeiro de
1938, a família embarcou para o Brasil, chegando aqui, em 13 de fevereiro de 1938, aos
17 anos com o pai, a mãe e cinco filhos: Eustachy, Catarina, Romualda, Helena Maria e

Constante.

Passaporte de Eustachy Dorosz

Com o navio polonês Koscuszko, chegaram no Rio de Janeiro, após uma viagem
de 23 dias.
O navio Koscuszko, movido a vapor, possuía duas máquinas, sendo uma de
reserva, para ser acionada em caso de necessidade. Com 84 metros de comprimento e 12
metros de largura, o navio balançava fortemente, o que causava muitos problemas nos
passageiros, provocando náuseas e mal estar.
A viagem era paga. Cada pessoa com mais de 14 anos, pagou US$ 650 de
passagem.
Neste navio vieram imigrantes para quatro países: Palestina, Brasil, Argentina e
Paraguai.
Do Rio de Janeiro, até o Porto de Rio Grande vieram de navio e de Rio Grande
até Giruá, vieram de trem. De Giruá foram de caminhão até Belo Horizonte, (hoje
Horizontina), onde ficaram no Barracão dos Imigrantes. Depois vieram de carroça até
Pratos.
Ainda na Polônia, através de um mapa, adquiriram da Companhia Dahne
Conceição, duas colônias de terra, próximas ao Lajeado Leãozinho no Lajeado Biriva.
Procuravam sempre a proximidade de um rio. Porém, houve um problema. Havia um
documento (requerimento) assinado e selado mas este foi rasgado e posto no lixo. Meu
pai viu e pediu o selo.
“- Nunca vi selo tão bonito, queria mostrar prá família”. Foi a sorte. Com este
selo provou que havia comprado a terra.
“Uma colônia, o pai tinha pago e dado entrada para outra”. Na época havia
uma lei, cada um só podia ter uma colônia no nome. “Daí o pai ficou com uma, outra
ficou para mim, que era o mais velho”.
Enquanto a família permanecia em Pratos, o Sr. Eustachy ia trabalhar na serraria
do Schulc em Esquina Barra Funda. Por este trabalho, recebia um salário de 750 mil
réis. Este valor significava a metade do salário normal, pois ele não falava a língua
portuguesa. No início, não entendia nada na serraria, mas em seis meses já tomava conta
da mesma. Porém, assim mesmo, o salário continuava sendo a metade do que recebia
um trabalhador brasileiro, pelo fato de ele ser imigrante.
Na Polônia, os invernos longos, de seis meses, período em que as famílias
permaneciam dentro das casas, destinavam-se à confecção do artesanato, principalmente
à tecelagem e fiação. As roupas eram confeccionadas, com fios de lã para o inverno, e
de linho. A família Dorosz ainda guarda consigo fios de linho que trouxeram da Polônia
e algumas peças utilizadas para a tecelagem. Lá na Polônia, possuíam uma oficina
(warsztad), com todos os preparos para fazer a linha e o tecido.
Aqui, esta atividade não foi desenvolvida, por duas razões: era muito quente e,
as pessoas trabalhavam muito na lavoura, o ano todo, o que não lhes dava tempo para
desenvolver o artesanato.
Como a família dedicava-se à agricultura, já na Polônia, precisou adaptar-se a
um novo sistema, aqui no Brasil.
Na Polônia um dos produtos mais cultivados era a cevada. Além desta o centeio
e o trigo eram produtos importantes. Estes eram semeados antes do inverno, porém, as
plantinhas, só podiam ter, no máximo 3 a 4 folhinhas. Se tivessem mais folhas, quer
dizer, se a planta já era maior, não resistia a nevasca.
Estas plantinhas, cobertas pela neve, passavam o inverno. Se a neve derretesse
lentamente, o que era o processo normal, as plantas continuavam o seu crescimento com
a volta do sol, do calor. Porém, se o derretimento da neve viesse a acontecer brusca-
mente, as plantas eram queimadas pelo efeito do frio e o contraste do sol (calor).
Assim como os demais imigrantes, procuraram trazer ao Brasil algumas
sementes, como foi o caso do nabo doce, utilizado na Polônia para fazer o açúcar e o
melado. Aqui, esta planta não vingou, por causa do clima que era muito quente.
Para maior compreensão destas diferenças climáticas a Polônia situa-se entre 50º
e 60º (aproximadamente 55º) de latitude norte, enquanto que o Rio Grande do Sul
encontra-se entre 25º e 35º Graus de latitude sul, o que caracteriza um contraste climá-
tico bastante acentuado. Na Polônia chegava-se de 18ºC a 22ºC negativos, no inverno,
os rios chegavam a congelar. Por isso, os imigrantes dirigiam-se sempre ao sul do
Brasil, no caso Rio Grande do Sul.
“Num inverno forte, quando aqui no Brasil tivemos 5ºC, enquanto os outros
vestiam casacos e tremiam de frio, eu trabalhava de manga curta e achava bem
agradável”.
“Como criança, aos sete anos, trabalhava muito. Pastoreava cavalos e gado
bovino. Criávamos também muitos gansos (dois tipos), um dos quais destinava-se à
produção de penas, enquanto outro, destinava-se a produção de carne”.
“Eu nunca abandonei a terra. Outros foram trabalhar nas fábricas, porque se
assustaram do mato, pois na europa não tinha tanto mato, mas eu escolhi a
agricultura”.
Em 31 de maio de 1947, Eustachy, casou-se com Anna Janina Czikalski, nascida
em 17 de junho de 1925, filha de Sophia Jarjewsky e Félix Czikalski, em Guarani das
Missões - RS.
Conheceram-se nos Ensontros de Juventude , em Pitanga. Na época, Anna
Janina morava em Pitanga – Horizontina, hoje pertencente ao município de Dr.
Maurício Cardoso – RS.
Anna também é de origem Polonesa. É neta de imigrantes.

Casamento de Ana Janina Czikalski e Eustachy Dorosz em 31 de maio de 1947.

Como os demais imigrantes e colonizadores, enfrentaram muitas dificuldades.


Havia muitos animais selvagens. “Eu mesmo encontrei um leão-baio, no mato. Ele
caminhando num trilho de carroça e eu no outro, mas este animal não fazia nada.”
Não era permitido aos imigrantes trazer muito dinheiro. Só podiam trazer tanto
para comprar uma colônia e para viver seis meses. “O pai trouxe dinheiro escondido,
atrás de um espelho, que estava parafusado sobre uma madeira oca. Todo mundo
ocupava o espelho para fazer a barba e ninguém desconfiou que atrás tivesse
dinheiro”.
Realizando todo trabalho agrícola manualmente diz D. Anna:
“-Naquele tempo era muito melhor. O que se produzia tinha bons preços. Nós ,
entre dois trabalhando, conseguimos dinheiro para pagar a terra principalmente com a
venda de milho”.
Porém uma das maiores dificuldades enfrentadas aqui, foram os rigores de
tratamento a que foram submetidos os imigrantes, no período da guerra. Os
colonizadores desta região eram obrigados a ir a Pratos, participar do hasteamento da
bandeira. Se não fossem, podiam até ser presos.
Um dia, por motivo de denúncias falsas, o Sr. Eustachy também foi preso
injustamente.
Na época, acontecia na região, muito roubo de madeira. Muitas vezes, os
homens eram denunciados injustamente e presos, para que as famílias (mulheres e
crianças) ficassem sozinhas, amedrontadas e não interferissem ou atrapalhassem o
roubo da madeira.
O casal Eustachy e Anna Janina tiveram cinco filhos: Vanda Lúcia, Antônio, Ines
Maria, Miguel e Vicente. Em 1996, contavam com 11 netos e hoje, em 2005, já são
também mais dois bisnetos.
Enquanto D. Anna se dedica aos afazeres domésticos, o Sr. Eustachy dedica-se a
fabricação de vassouras, arruma lenha para o fogão e outras atividades..

No dia 31 de maio de 1997, completaram 50 anos de casados.

Bodas de Ouro do Casal Eustachy e Anna Janina Dorosz – 31.05.1997


Esquina Barra Funda – Novo Machado – RS.

Por ocasião da III Feira Municipal de Estudos Sociais e III Mostra de


Artesanato, Hortifrutigranjeiros, Comércio e Pequenas Indústrias, realizada nos dias 6 e
7 de setembro de 1997, o Sr Eustachy Dorosz, juntamente com outros imigrantes, cada
um representando sua nacionalidade de origem, foi homenageado, recebendo um
exemplar da primeira edição deste Livro “Novo Machado conta sua História”.
Desde sua vinda para o Brasil, após o seu Casamento com D. Anna Janina, até
maio de 2002, viveu com sua família e dedicou-se ao trabalho para os mesmos. Nunca
fez troca de propriedade, porque optou por este lugar e amava a agricultura. Ali também
veio a falecer no dia 10 de maio de 2002, deixando para seus descendentes um exemplo
de luta, dedicação e amor pela terra e pela família.
D. Anna Janina, além dos afazeres da casa, o cuidado pela família, a atenção
para os filhos, acompanhava o trabalho na lavoura, lutando lado a lado com o esposo.
Um exemplo de carinho e dedicação à família, D. Anna deixou para todos que a
conheceram, muita saudade e belas recordações, quando, em 24 de dezembro de 2003,
partiu para junto de Deus.
(Entrevista realizada ao Sr. Eustachy Dorosz e sua esposa D. Anna Janina Dorosz
Texto atualizado com a filha Ines Maria Dorosz
Hirsch – 2005).

3.4.5. Os Açorianos
Os primeiros colonizadores do sul do Brasil, especialmente da Capitania de São
Pedro do Rio Grande, eram procedentes do Arquipélago dos Açores, autorizados por D.
João V, Rei de Portugal que, “por recomendação do Conselho Ultramarino, assinou,
em 31 de agosto de 1746, a CARTA RÉGIA autorizando casais Açorianos a virem povoar
o sul do Brasil”. (40)
Esta vinda, justamente de famílias portuguesas, residentes no Arquipélago dos
Açores, uma colônia portuguesa, justifica-se por duas razões:
1ª) O número de habitantes ilhéus;
2ª) A necessidade de ocupar locais em litígio com os espanhóis.
Assim, há 250 anos (1996) chegaram ao Rio Grande do Sul os primeiros Casais
Açorianos que se estabeleceram, preferentemente, no litoral: “Rio Grande, Mostardas,
São José do Norte, Pelotas, Tramandaí, Triunfo, Rio Pardo, Taquari, Viamão... de onde
à procura do transporte aquático nasceu o Porto dos Casais”. (41)
Anos mais tarde, alemães e italianos vinham ao Brasil (ao Rio Grande do Sul,
especialmente), sentindo-se estrangeiros e lutando pela conservação de seus costumes.
Esta preocupação não se fez presente entre os açorianos, pois estes, sentiram-se “em
casa”, quer dizer, assumiram o Brasil como seu próprio país, uma vez que, tanto Açores
quanto o Brasil, eram Colônias de Portugal.
Para melhor compreensão dos costumes e modos de vida açoriana, é interessante
que procuremos conhecer melhor algo sobre o Arquipélago, localizado entre a Europa, a
África e as Américas, no Oceano Atlântico, mais ou menos a 1.500 Km a oeste de
Lisboa (capital de Portugal).
Estas ilhas “têm origem vulcânica e foram descobertas e assumidas pelos
navegadores portugueses a partir de 1427. Seus primeiros habitantes eram portugueses
da Estremadura, Alentejo e Algarve. Mais tarde, mouros, holandeses e franceses
cristãos novos / judeus e espanhóis”. (42)
“- Os açorianos trouxeram para cá suas misturas étnicas: holandesa, francesa,
judaica, moura, um pouco espanhola, e portuguesa continental. Exemplo: Dutra (Van
Hurterer), Bulcão (Roose), Terra (Van Aard), Silveira (Van de Haegen), Borges
(Bugres), Dornelles (de Ornelas) e... Branco, Martins, Maia, Cardoso, Oliveira,
Menezes, Barros, Vargas, Pereira, Gulart, Bitencourt ou Bittencourt, Melo, Ávila...!”
(43)
Favorecida pela fertilidade dos solos argilosos do Arquipélago dos Açores, a
atividade econômica que alcançou maior significação histórica, foi a agricultura. “Os
cereais, especialmente o milho, são os principais produtos. Na ilha de São Miguel, têm
importância as lavuras de tabaco, chá e abacaxi ... enquanto o feijão, a cana-se-
açúcar, a batata e as hortaliças surgem um pouco em todas as ilhas.” (44)
Ao chegarem no Brasil, desembarcando no Rio Grande do Sul, traziam consigo
as tradições agrárias.
“De acordo com os planos do governo de Portugal, cada casal receberia algum
dinheiro, instrumentos agrícolas, sementes e sesmarias de terras para cultivar”. (45)
O início da Colonização Açoriana não foi fácil. O ambiente era difícil e o
governo português, não estava preocupado com a devida proteção. Para garantir a
sobrevivência, desenvolveram as culturas necessárias, reunidos em pequenos núcleos
urbanos, geralmente ao redor de pequenas igrejas.
______________________________________________________________________
__________(40) Revista Rio Grande Cultura nº 20 - setembro e outubro de 1996.
(41) Id Ibid.
(42) Id Ibid.
(43) Id Ibid.
(44) BARSA - vol 2 - pág. 54.
(45) PAULETTI, Evanice e OTTO, Edna. Estudos sociais - Rio Grande do Sul, IBEP, São Paulo, 1975,
pág. 33
Cansados da longa espera, muitos casais desistiram da agricultrua e dedicaram-
se à criação de gado, atividade já bastante desenvolvida no Rio Grande do Sul, por
influência dos Jesuítas e dos próprios indígenas.
Assim surgiram as estâncias e desenvolveu-se a pecuária gaúcha.
Com o passar dos anos e o desbravamento do interior do Rio Grande do Sul, os
açorianos espalharam-se por todas as regiões, em muitos casos, levando a denominação
do seu local de procedência.
Assim, também a região que hoje compõe o município de Novo Machado,
recebeu, entre os diferentes colonizadores, famílias, descendentes de portugueses,
conhecidas como “Taquarianos”, uma vez que procediam de Taquari.
Por volta de 1941 / 1942, chegou em Três Pedras a família de Joaquim José da
Silva e Carolina Clara de Jesus. Em 1996, dois de seus filhos Luís e Pedro da Silva,
residiam ainda em Três Pedras e foram eles que contaram a história dos “Taquarianos”
em Três Pedras.
“Saímos de Taquari no dia 2 de maio e chegamos em Cruzeiro - Santa Rosa no
dia 26 de maio. Levamos ao todo 24 dias de carroça, mas de viagem mesmo, foram 16
dias.
Viemos com uma carroça, três cavalos e algumas coisas da casa: camas,
panelas... Na carroça veio o pai Joaquim e o filho mais velho, Luís. O Pedro e a mãe
Carolina vieram de trem até Giruá e de lá, de carroça, até Cruzeiro onde residia uma
irmã de D. Carolina.
De Taquari até Soledade, viemos com outras famílias: Antônio Silveira dos
Santos, Antônio Brito e mais dois irmãos, os da Silva... Estes vieram com carroça de
boi e fixaram residência em Esquina Batista - (Tucunduva).
Até Soledade, viajamos todos juntos, em comitiva, mas a partir daí fomos na
frente, porque as carroças de bois, não conseguiam acompanhar a nossa, puxada a
cavalo. Nós chegamos em Cruzeiro por Giruá, enquanto os outros chegaram por
Palmeiras e Três de Maio. Estes levaram um mês e 9 dias.
Mais tarde chegaram outras famílias, como por exemplo João e Leopoldo de
Oliveira, Carvalho, Dutra e outros procedentes de Venâncio Aires, Lajeado e outros.
Em Taquari, trabalhávamos na agricultura. Plantávamos milho, fumo, arroz e
frutas... E para aumentar a renda familiar, fazíamos lenha em metro para vender na
cidade. Nossa terra possuia muita pedra de arenito. Quando havia necessidade,
vendíamos laje (pedra lascada), rebolo e frutas. O fumo era vendido em Venâncio
Aires.
Como a fama e a propaganda do “Sertão de Santa Rosa” em nossa região era
grande, vendemos os 33 ha de terra que possuíamos e compramos 17 ½ ha, aqui em
Três Pedras. Compramos a terra de Eugênio e Ângelo Bin, de Cinqüentenário
(Tuparendi). Em cima da terra já havia um galpão, o que facilitou a nossa instalação.

Aqui também, depois de derrubada a mata e feito as primeiras roças,


plantávamos milho, fumo, feijão, arroz e trigo para o consumo familiar. Mais tarde,
iniciamos cultivar a soja.
O trabalho agrícola era realizado manualmente. Os produtos eram trilhados a
manguá. A 1ª trilhadeira que conhecemos pertencia a um dos nossos irmãos. Era
estacionária e só trilhava o produto. Com o rastel, tirávamos a palha mais grossa e
depois passávamos a semente no ventilador para tirar as impurezas.”
(Palavras de Luís e Pedro da Silva).
Para trilhar o arroz, batia-se pequenos feixes em cima de um banco até o grão
despencar do cacho.” (Palavras da
Sr. Teresinha Kessler).

Mais tarde, colhíamos o soja e colocávamos no galpão. Meses depois, vinha uma
trilhadeira de Lajeado Terrêncio, também movida a motor. Esta já separava os grãos da
palha. Quando chegava na localidade, esta trilhadeira passava de casa em casa. Não
tinha hora para chegar, era dia e noite trilhando.
O comércio, realizávamos nos pequenos “bolichos” do interior. O fumo
vendíamos no Otto Jerke em Esquina Boa Vista. Os porcos, levávamos de carroça até no
bolicho do Freitag, na Esquina Fitz.
Apesar de todas as dificuldades, a vida era bem melhor. Não havia inflação. O
comerciante comprava os produtos e, se a gente precisasse, ele pegava, sem descontar o
que se devia no bolicho. Ainda continuava financiando os produtos que precisávamos.
Estes, a gente pagava quando podia, com outros produtos”.
“Fazia-se muita economia. Para acender o cigarro ou o fogo, utilizávamos o
“Getúlio” - uma espécie de isqueiro onde colocávamos pano velho ou algodão. Com
uma pedra especial, produzíamos faíscas que caíam sobre o algodão, produzindo o
fogo.” (Palavras do Sr. Valdemar Gomes de Carvalho).

3.4.5.1. Influências (Legados)

a) Religiosidade:

Quanto a religiosidade, os taquarianos, praticam a religião católica.


“Em Taquari, não tinha igreja na localidade onde morávamos. Lá realizávamos
a Festa do Divino, anualmente.
Em Taquari, na Sexta-feira Santa, tínhamos o costume de visitar os padrinhos e
pedir a bênção, porque não tínhamos condições de ir à Igreja, porque era muito longe.
Logo que chegamos aqui, fomos incentivados por Abdenago Varaschim, para
construir uma capela. A primeira capela construída era coberta de tabuinha lascada.
Esta serviu à comunidade por muitos anos e foi reformada três vezes. Aqui começamos
a praticar a religião”. (Palavras de Luiz e Pedro da Silva).
“Quando vim de Lajeado no final da década de 1950, conheci as igrejas de
madeira ao subir a serra. Na nossa região, todas as igrejas eram de pedra”. (Palavras de
Valdemar Gomes de Carvalho).
Na localidade, os católicos, faziam procissão à noite, até Lajeado Marrocas,
principalmente para pagar promessas ou quando fazia seca. Além disso, a imagem de
Nossa Senhora de Fátima, ia de casa em casa. Para recebê-la, as pessoas preparavam as
casas da melhor maneira possível. “Certa ocasião fiz uma cerquinha de taquaras com
velas acesas, no caminho, próximo a minha casa, para receber a visita da imagem de
Nossa Senhora”. (Depoimento de Pedro da Silva).

b) Educação:

Na educação, os taquarianos, enfrentaram as mesmas dificuldades que as outras


etnias.
Na família a obediência, o respeito e a responsabilidade eram alguns dos valores
desenvolvidos. Os filhos não podiam dizer “não” aos pais. Os mais jovens, tinham que
respeitar os mais velhos. Nas festas e bailes, “ninguém boleava osso”, diz o Sr. Luís da
Silva. Se ocorria algum “desrespeito” em diversões, festas, bailes, podia ocorrer briga
feia. Os pais acompanhavam os filhos nas diversões.
“Graças a Deus! Consegui manter a educação dos meus filhos até casarem”.
(Pedro da Silva.)
A responsabilidade manifestava-se através do trabalho. Cada um tinha que
cuidar do seu serviço.
Respeitava-se o domingo.
No domingo só se fazia pasto para os animais.
Os filhos, jovens, quando queriam sair de casa, pediam permissão aos pais.

c) Alimentação:

Quanto a alimentação os taquarianos, dizem que anos atrás, comprava-se pouca


coisa para comer.
Em Taquari, como faziam polvilho utilizavam este para fazer: broa e rosca.
Fazia-se também muita goiabada e marmelada. “A gente entrava no potreiro e enchia
uma carroça de goiaba e marmelo”.
(Depoimento de Pedro da Silva).
Entre os descendentes Portugueses, havia o costume de tomar só chimarrão de
manhã em substituição ao café, antes de irem para a roça. Por volta das 9h 30min ou
10h alguém da família, geralmente as crianças, levavam o café na roça, para os que
estavam trabalhando. Este constituía-se de café preto e bolinho frito.
Quando tinha peões trabalhando com a família, era o chefe da casa, o pai, que
levava o café na roça.
Comiam feijão com toucinho e farinha de mandioca. Aproveitavam também a
carne de caça, de animais e pássaros.
As pessoas entrevistadas lembraram algumas receitas, que já foram esquecidas e
hoje, raramente se prepara estes alimentos.
Biju - Rala-se mandioca. Espreme-se para sair a água e o polvilho. Aproveita-se
a massa e coloca-se em camada fina numa frigideira, com um pouco de gordura. Pode
ser doce ou salgado e recheado com carne moída ou salame, ou comido com leite.
(Receita fornecida por Pedro e Luís da Silva).
Cuscuz - Faz-se a massa do biju. Tempera a gosto. Cozinha no vapor d’água.
(Receita fornecida por Pedro e Luís da Silva).
Curuja - Faz-se uma massa mole de polvilho doce ou salgada. Gruda num
pauzinho e assa-se na brasa, como churrasco. (Receita fornecida por Pedro e Luís da Silva).
Polenta - Rala-se o milho verde, quando o grão estiver firme, mas não seco.
Amassar na água fria e cozinha-se como polenta. (Receita fornecida por Luís e Pedro da Silva).
Bolinho Frito - Bastante ovos bem batidos, sal e farinha de milho (amassar
meio mole). Fritar em gordura quente. (Receita fornecida por Irene Wilot de
Oliveira e Teresinha de Oliveira Kessler).
Fufa - Farinha de milho e sal, umedecida com água, esfarela-se e coloca-se na
gordura quente em panela de ferro, e abafa. Mexe de vez em quando para não queimar.
Come-se com feijão. (Receita fornecida por Teresinha de Oliveira Kessler).
Cuscuz - Faz a massa da fufa. Pica mostarda ou couve, põe na gordura e dá uma
fritada. Depois, refoga tudo junto. (Receita fornecida por Irene Wilot de Oliveira).
Rosca de Polvilho - ½ xícara de polvilho; ½ xícara de farinha de trigo; 1 pitada
de sal; 4 xícaras de leite coalhdo; 2 ovos; ½ xícara de banha. Polvilho até dar ponto.
Fazer as roscas e assar em forno quente.
(Receita fornecida por Irene Wilot de Oliveira).

d) Diversões:
Eram muito poucas as opções para que, no início da colonização, as pessoas ou
famílias se divertissem. As maiores preocupações, em todas as etnias, direcionavam-se
ao trabalho. Porém davam muito valor a amizade.
Entre os Taquarianos, mantinha-se acesa a chama da amizade, através de
diferentes atividades.
Aniversários: Por ocasião dos aniversários, os vizinhos reuniam-se na casa do
aniversariante, comemorando o acontecimento com baile. Dançavam até mesmo de pé-
no-chão. Geralmente carneavam porco e galinha, para assar e festejar à noite, na casa do
aniversariante.

O Terno de Reis: Representando a visita dos Reis Magos, levando a Boa


Nova do nascimento de Jesus, o Terno de Reis saúda os donos das casas visitadas.
Na região de Três Pedras, os Taquarianos também realizavam “a cantiga dos
reis, nas casas, no início de janeiro de cada ano”. (46)
Reizado
O de casa, o de fora,
Maria vai ver quem é.
São os cantores de reis
quem mandou foi São José.
São José, Santa Maria
diz que foi para Belém.
Diz que foi cantar os reis
cantaremos nós também.
Cantá Reis não é pecado
São José também cantou.
Neste dia de alegria
São José também cantou.
Mas depois de muito tempo
São José também chorou
Quando viu seu filho morto
pregado na cruz por nosso amor
(Contribuição de Adão e Noeli dos Santos - Belo Centro).
Um grupo de seis homens, íam de casa em casa, à noite, tocavam gaita e
cantavam toadas diversas, inclusive com versos repentistas, além de outras músicas
ensaiadas. Os mais devotos, íam todas as noites de 1º a 6 de janeiro.
O Sr. Luís da Silva lembra alguns versos, servindo para exemplificar o que era o
“Terno de Reis”.
“Agora mesmo chegamos
Na beira do seu terreiro
Para tocar e cantar
Licença eu peço primeiro
Senhora Dona da casa
Coração de uma pombinha
Venha dar ao nosso Reis
Nem que seja uma galinha.
Eu por mim, não quero nada
É meus companheiros que querem
Pão, queijo e marmelada

Quanto mais o dono da casa demorasse para abrir a porta, mais interessante
ficava a serenata. Mas, se alguém não abrisse a porta, era uma ofensa.
... “As doações recebidas, usavam para um jantar com baile, entre os doadores
e participantes, na noite dos Reis Magos”. (47)

As Serenatas - Realizavam, além do Terno de Reis, outras serenatas, nos


aniversários, datas festivas ou simplesmente quando tinham vontade.

____________________________________________________________________
(46) In história da localidade de Três Pedras. - NOVO MACHADO – 1995
(47) In história da Localidade de Três Pedras. - NOVO MACHADO - 1995
O Pixirum - Para realizar um determinado trabalho como capinar mandioca,
derrubar mato..., as pessoas reuniam-se para ajudar-se. Enquanto trabalhavam, em
grupos, cantavam toadas relacionadas ao trabalho que realizavam. Assim surgiram
diferentes toadas: de carpir, de derrubar mato...

3.5. Dificuldades dos Colonizadores

Muitos imigrantes ou descendentes destes, de qualquer nacionalidade, que


chegaram nesta região, vieram em busca de terra para si e para seus filhos. Vieram
também, em busca de “mato”, onde houvesse madeira para suas construções e lenha,
para cozinhar seus alimentos e aquecer-se no inverno. Vale lembrar, que nesta época, na
Europa, já não havia nem terra nem lenha para todos e, nas Colônias Velhas do Rio
Grande do Sul, as fronteiras agrárias já haviam se esgotado, em função do grande
número de filhos que as famílias possuíam.
Os descendentes de imigrantes que já haviam passado pela experiência agrícola
nas Colônias Velhas, já traziam consigo conhecimentos suficientes para lidar com a
mata-virgem do noroeste gaúcho e também desta região. Os imigrantes estrangeiros
porém, em especial os que vinham das zonas urbanas da Europa, tinham pouco ou
nenhum conhecimento do trabalho na mata.
Abrir as primeiras picadas, localizar as terras que compraram pelo mapa lá na
distante Pátria, muito além do Oceano Atlântico, não foi nenhuma tarefa fácil. Só
alguém com muito espírito de luta, com muita fé e ávido por um pedaço de chão, onde
em paz pudesse construir o seu futuro, é que tinha forças suficientes para vencer todas
as barreiras.
“Tínhamos muitas dificuldades para derrubar as árvores. Nunca sabíamos para
que lado a árvore iria cair, pois, ao invés de entalhá-las somente num lado, cortávamos
a mesma ao redor. Por isso, chegávamos a mudar o acampamento duas, três vezes de
lugar, até derrubarmos uma árvore”.
(Palavras do Sr. Helmuth Kaffka).
Fazer as primeiras roças, e serrar a madeira, manualmente, para construir suas
casas, também não era tarefa fácil, considerando as poucas ferramentas que possuíam.
A inexistência de estradas e a precariedade das poucas que havia, bem como as
distâncias que os separavam dos locais onde pudessem suprir suas necessidades, quer
seja de alimentação, quer de saúde ou outras, foram dificuldades enormes. Sem
transporte e sem dinheiro, tudo era ainda mais difícil.
A inexistência de escolas, foi aqui, outra dificuldade, que os colonizadores
tiveram que solucionar da maneira como lhes era possível. Muitas crianças que saíram
dos bancos escolares da Europa, trouxeram consigo seus livros e materiais, que liam e
reliam com saudade, pois aqui, não tiveram mais acesso a uma escola.
Referente a isto, Danilo Lazzarotto em seu livro “História do Rio Grande do
Sul”, trás uma passagem de Balduino Rambo, onde este registra as palavras de um
colono em 1832 (Franzen): “escolas regulares como na Alemanha, aqui não existem e
as que existem estão tão distantes que não podemos mandar nossas crianças para lá,
por esta razão, instruímos do melhor modo que podemos, nós próprios as crianças”.
(48)

Esta, foi também a realidade dos nossos colonizadores, pois no projeto de


colonização, não estavam incluídas escolas, fato que se comprova, pelo grande número
de escolas comunitárias que surgiram nas localidades deste município. Noventa e três
anos depois, em 1925, os imigrantes e colonizadores encontram, na então Linha
Machado, a mesma situação. Só para exemplificar, anexamos, na próxima página, o
Atestado de Transferência da Srª Gretel Busse, nascida Sturmhöebel que, saindo de uma
das melhores escolas de Berlim (Alemanha), aos 15 anos, veio com a família enfrentar a
mata virgem desta região.

______________________________________________________________________
__________
(48) LAZZAROTO, Danilo. História do Rio Grande do Sul - Sulina - 1978 - pág. 69.
“Nunca havia visto uma foice. A primeira que vi, foi quando meu pai a colocou
em nossas mãos, minhas e de minha irmã, para ajudarmos a abrir a estrada de
Machado a Machadinho e fazer nossas roças. Aqui não havia escola nem para as
crianças menores... Guardo com saudade, o que pude trazer da minha escola”.
(Palavras da Srª Gretel Busse).

Além disso, as dificuldades, que surgiram para os colonizadores, nos períodos da


2ª Grande Guerra foram, sem dúvida, constrangedoras.
Este país, que motivou a vinda de inúmeros imigrantes, que lhes assegurou uma
série de vantagens, que bem logo lhes foram negadas, estremece no período em que o
velho mundo se encontra em Guerra, temendo que aqui no Brasil, surgissem novas
alemanhas, novas itálias, novas rússias, novas polônias e sabe lá o que mais. Com a
instalação de um movimento nacionalista, ditatorial e radical, gera-se um clima
constrangedor e, os imigrantes e seus descendentes, acolhidos como desbravadores,
colonizando estas terras e assegurando as fronteiras para o Brasil, passam a ser
hostilizados e, porque não dizer, até perseguidos, pelo fato de trazerem em suas veias
um sangue europeu, por falarem sua língua materna, por cultivarem suas tradições.
“O pai tinha bastante discos e um gramofone. Os soldados vieram e mandaram
tocar os discos. O que era em alemão, jogavam fora e quebraram tudo em pedaço”. (49)
(Palavras da Srª Norma Radke).
Muitas pessoas, feridas no que tinham de mais precioso, os laços e lembranças
da terra natal, procuram defender o que é seu, enterrando estas preciosidades com muita
cautela, para não serem descobertos, salvando-se assim, do fogo das perseguições,
muitos livros e documentos que hoje constituem objetos da nossa história.
Com a proibição da língua estrangeira, as pessoas que até então a falavam
livremente, foram ameaçadas no que é fundamental e básico para todo o ser humano: a
Comunicação. Além de não poderem comunicar-se na sociedade, no comércio, pelo fato
de não dominarem a língua nacional, corriam sérios riscos dentro da própria casa, pois
sempre havia o perigo de serem denunciados às autoridades. Em toda parte havia
espiões e nem sempre se sabia quem eram. Muitas vezes, eram pessoas da própria
vizinhança que, em troca de dinheiro ou favores, chegavam a denunciar até seus
conterrâneos.
“... O sangue luso, alemão, italiano, judeu... não se retira impunemente das
veias de quem quer que seja. Negando-se o direito ao idioma, nega-se o direito à etnia.
Que absurdo, negar às crianças falarem o idioma de seus pais, que o receberam como
parte de seu cabedal genético-cultural e obrigá-las, depois, na fase escolar, a aprender
línguas que nem seus próprios professores vivenciaram” ... “porque foram forçados a
lecioná-las” ... (50)

Registra-se ainda, as dificuldades que especialmente os alemães encontraram


com referência à religião. “... A Religião Católica era oficial. Os protestantes
encontraram dificuldades em registrar seus filhos (era feito pelo batismo) e no
reconhecimento de seus contratos matrimoniais. Seus pastores não recebiam subsídios,
seu culto só podia realizar-se em casas que não tivessem forma de igreja. Não podiam
ser eleitos ou exercer cargos públicos, etc” ... (51)
No entanto, é preciso dizer que aqui, nesta nova área de colonização, não chegou a
haver uma intolerância religiosa como a que se registrou nos primórdios da colonização
e também em outras regiões, posteriormente. Porém, tem-se registros de que, no auge
do Nacionalismo, quando os colonizadores já haviam construído suas escolas e as
mesmas foram utilizadas como igrejas, esta prática lhes foi proibida, a partir da
determinação de que o uso deveria ser exclusivo: ou igreja, ou escola, como se a prática
de ambos fosse antagônica.
__________________________________________________________________________________________________________
____________
(49) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO - 1995.
(50) BATTISTEL, Arlindo I. e COSTA, Rovílio. Assim vivem os Italianos. Escola Superior de Teologia
São Lourenço de Brindes e Editora da Universidade de Caxias do Sul, 1982, pág. 5, Vol I.
(51) LAZZAROTTO, Danilo - História do Rio Grande do Sul - Ed. Sulina, Porto Alegre, 3ª Edição -
Pág. 68
Atestado de Transferência de Gretel Sturmhöebel

Na prática agrícola, ainda havia, nos primeiros anos, o desconhecimento


das sementes e das diferentes culturas, em virtude de um clima totalmente estranho.
Desconheciam também a época em que deviam ser plantadas e, até mesmo, tiveram que
descobrir o quê e como utilizar as diferentes plantas na alimentação das pessoas e dos
animais.

“Na Rússia só conhecíamos as batatinhas. Ao chegar em Tucunduva, recebemos


algumas raízes de mandioca. Mamãe as descascou e ficou feliz pois achou que eram
mais fáceis de descascar do que as batatinhas. Mas ela não sabia que não bastava tirar
só a casquinha externa (marrom), mas que a casca verdadeira (branca) precisava ser
retirada. Quando estavam cozidas, não conseguimos comê-las, pois estavam azuladas e
amargas. Só depois a mamãe foi informada de como precisavam preparar estas raízes
para comê-las”. (Palavras da Srª Leocádia Friske).

“Quando viemos de Ijuí, trouxemos uma lata de banha, mas aqui não tínhamos
o que fritar, derrubávamos coqueiros, tirávamos o coração, fritávamos e comíamos
com farinha de milho. Também comíamos a folha do urtigão. A gente tirava bem os
espinhos e cozinhava, depois picava bem e abafava como repolho”. (52)
(Palavras da Srª Catarina Joana Ciotti Lagunde).
Desta maneira, até os hábitos alimentares tiveram que ser reestruturados pelos
colonizadores, modificando, muitas vezes suas receitas habituais, em função dos
recursos precários e da disponibilidade de produtos nativos ou cultivados.
Algumas vezes, geadas tardias, causavam a perda geral das pequenas plantações
que, em muitos casos eram a base da alimentação: milho, arroz, trigo...
Além disso, os colonos viam-se cercados pelos animais selvagens que, vendo-se
ameaçados pela destruição da natureza ao serem derrubadas as matas, procuravam
garantir sua sobrevivência, alimentando-se das plantações ou animais domésticos como
galinhas, porcos que criavam.
“Tínhamos uma roça de milho e, sempre notávamos que as espigas iam
sumindo. Um dia ficamos observando. Era um bando de macacos (micos) que,
tranqüilamente quebravam as espigas, amarravam-nas com as palhas, de duas
a duas e, penduravam-nas sobre os ombros. Depois, quando cada um já tinha
uma porção, subiam nas árvores próximas e ali as amarravam nos galhos, bem
no alto. Isto só terminou, depois que as colônias vizinhas, também foram
desmatadas. Os macaquinhos nunca mais apareceram”.
(Palavras da Srª Irma Matilde
Priebe).

O perigo que assolava os colonizadores, ameaçados por leopardos, tigres,


jaguatiricas e cobras de muitas espécies, era motivo de temor e refletia-se, na construção
de algumas moradas (casas), altas do chão, uma espécie de “andares”, onde em baixo,
procuravam abrigar os cães e algumas galinhas, para protegê-los. Em cima, morava a
família, o que lhe dava uma certa segurança.

“Um vizinho, tinha uma choca com pintos embaixo da casa. Certa noite, os
bichos comeram os pintos. Os filhos, ouvindo isto, alarmaram.
O pai falou:
- Fiquem quietos, porque um dia, eles comem nós também.”
(Depoimento de D. Ana Klocko de Vila Pratos).

Além disto, grande número de insetos gerava a intranqüilidade e molestava a


vida destes abnegados trabalhadores. Enxames de mosquitos impediam a realização dos
trabalhos na roça.
“Havia tantos mosquitos que o nosso vizinho Loog, para poder lavrar com os
cavalos, adaptou um fumegador sobre o arado, porque era impossível trabalhar”.
(Palavras do Sr. Helmuth Kaffka).

“Para ir na roça, além dos vestidos longos de gola fechada e manga longa, as
mulheres ainda usavam uma espécie de perna de calça, com elástico no tornozelo e no
joelho, para proteger-se contra os mosquitos.”
(Palavras da Srª Vergínia Golin).

A infestação de bicho-de-pé era outra dificuldade que, nos primeiros anos de


colonização, atingia os pobres colonos sem recursos. Este pequeno mas incômodo
animalzinho, instalava-se nas mãos e nos pés das pessoas, nas patas dos cachorros e dos
porcos, nas tetas das porcas, provocando dores e infecções. “Os porcos não podiam
caminhar de tão infestados. Antes da porca dar cria, passava-se querosene para tirar
os bichos das tetas.
Algumas pessoas, tinham tanto bicho-de-pé, que onde sentavam, o assoalho
ficava branco, dos ovos que caiam.
Algumas não conseguiam caminhar”. (53)

_____________________________________________________________________________________
__________(52) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO - 1995.
(53) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Moscas de todas as espécies: algumas que ferroavam, outras, que punham as
larvas do berne, sobre a pele das pessoas ou animais, ou mesmo, sobre a roupa estendida
no varal. Estas larvas penetravam na pele, desenvolviam-se em bichos de vários
milímetros de comprimento, provocando dores terríveis e muitas vezes, infecções e
sangramentos. Imagine-se uma criança com vários bernes na cabeça. Quanta dor, quanto
sofrimento!

Na lavoura, a formiga mineira encarregava-se de colher boa parte das


plantações, deixando para os colonos, um grande quebra-cabeça: como eliminá-las.
Como se isso não bastasse, surtos de gafanhotos, devastaram várias vezes as
plantações. “Vinham em nuvens que chegavam a escurecer o sol. Os vizinhos se
reuniam e os tocavam para os matos. Quando pousavam nas árvores, chegavam
quebrar os galhos”. (54)

Até a mandioca, que além do milho, foi uma cultura essencial e básica para os
primeiros anos da colonização, não foi poupada pelo ataque de pragas... “havia tantas
lagartas que invadiram os mandiocais, restando somente os talos dos pés de
mandioca”. (55)

Mais tarde, quando as lavouras já estavam melhor estruturas e muitos colonos já


contavam com uma boa produção e uma boa criação de animais, uma inflação galopante
do Cruzeiro, moeda que veio substituir o “Réis” sempre forte, encarregou-se de criar
sérias dificuldades, tanto para a agricultura como para o comércio. Os produtos da roça
não tinham preço e, o que precisavam comprar, disparou assombrosamente, gerando
desigualdades assustadoras.

“Certa ocasião, o Sr. Emílio Neumann, vendeu 21 latas de banha e conseguiu comprar
um saco de sal e um pacote de balas”. (56).

“Meu marido não queria remarcar o preço dos tecidos. Ele queria
vender o último metro de tecido da peça, pelo mesmo preço que vendera o primeiro.
Quando íamos comprar novamente, os preços já haviam dobrado. Por isso, tivemos que
fechar”. (57)
(Palavras da Srª
Gretel Busse).

Para comprovar algumas das dificuldades anteriormente mencionadas,


transcrevemos a carta a seguir:

“Baixa Grande, 29 de abril de 1943.


...
... agora tenho que vos escrever um pouco da nossa vida, é ruim, a seca nos
castigou muito, milho muito pouco vamos colher, não da para gasto, e comprar é caro,
custa 45$00 cruseiros, feijão colhemos tanto que da para gasto, o que nos valeu foi a
flor piretro, que dava para a dispesa o que se persisava comprar na venda, agora
plantação do tarde, o feijão e batata vinha muito bonita, o feijão se criou no pé como
nunca, mas quando estava em flor veio vento tom forte e frio que scangaiou tudo, não
da nem pela metade, o feijão inchofre deu a cinza a folha caiu e a bage é verde, quem
plantou prinçípio da janeiro colhe feijão bom, houtra crise é a querosene, não a sal
quem tem come com sal, quem não tem fica faseiro se aruma ¼ kg, isso não sempre”...

(José e Luisa Pospichil e


família.
Transcrita do original)

______________________________________________________________________
__________
(54) In História da Localidade de Lajeado Gateadinhas – NOVO MACHADO – RS – 1995
(55) In História da Localidade de Esquina Machadinho – NOVO MACHADO – RS – 1995
(56) In História da localidade de Lajeado Gateados – NOVO MACHADO – RS – 1995.
(57) In História da localidade de Esquina Boa Vista – NOVO MACHADO – RS – 1995.
Se compararmos, a vida de nossos antepassados, que desbravaram as diferentes
localidades deste município, independentemente de sua procedência, de sua
nacionalidade, é fácil percebermos que, todos eles, indistintamente, tiveram inúmeras
dificuldades. Porém, com coragem, souberam superar todas elas, construindo este
município promissor que hoje temos, onde, apesar das dificuldades que temos também
hoje, precisamos enfrentar, a exemplo de nossos antepassados, superando-as com
trabalho e inteligência.

3.6. Origem das Localidades

O povoamento de Novo Machado (atual sede), registra a chegada das primeiras


famílias em 1918. Segue-se, posteriormente, a ocupação das localidades vizinhas,
próximas. Porém, a efetiva colonização das localidades próximas ao Rio Uruguai,
aconteceu na década de 1930 e no início da década de 1940, conforme pode-se constatar
na linha de tempo abaixo.

Linha de Tempo do surgimento das localidades de Novo Machado.


Neste período de mais ou menos 20 anos, sempre mais pessoas de diferentes
origens e procedências, foram chegando em nosso município, atingindo o maior índice
populacional na década de 1960.
Na década de 1970, com a implantação da mecanização da lavoura, muitas
famílias ficando ociosas na zona rural, foram para cidade em busca de emprego. Outras
foram em busca de novas fronteiras agrícolas, em outros estados ou países vizinhos. As
famílias que permaneceram no município, devido a fatores econômicos e sociais
possuem um reduzido número de filhos. Julgamos, que os fatores acima mencionados,
são os principais que contribuíram para a redução da população em nosso município.

3.7. Aspectos Populacionais

A atual população de Novo Machado é formada por diferentes etnias: alemã,


italiana, russa, polonesa e nacional, sendo que a etnia alemã é a predominante.
Inicialmente, houve interesse por parte dos colonizadores, em agruparam-se de
acordo com sua origem.
Temos hoje, localidades como Lajeado Limoeiro, Nova Esperança e Boa União,
onde predomina a etnia italiana.
Outras localidades como a sede do município de Novo Machado e arredores,
bem como a região de Esquina Barra Funda, há um evidente predomínio da etnia alemã.
Cada grupo trouxe consigo seus valores, sua língua, religião, usos e costumes.
Mas com o passar dos anos e com a constituição de novas famílias, houve bastante
miscigenação. Através da convivência, contamos com uma grande riqueza cultural,
devido a integração entre as famílias e as comunidades.
O município de Novo Machado, segundo o Censo de 1991 do IBGE, contava
com uma população de 5.811 habitantes e uma Densidade Demográfica de 26 hab/Km².
Conforme dados do CENSO de 2000, nosso município contava com 4.717
habitantes, o que corresponde a uma Densidade Demográfica de 21,6 hab/Kmª.
Analisando-se os dados demográficos levantados pelo CENSO/1991 do IBGE,
constatamos o predomínio de pessoas do sexo masculino, pois há 53 homens a mais. É
interessante observar que este predomínio evidencia-se na faixa dos 0 (zero) aos 49
anos, tendo-se, nesta faixa um total de 144 pessoas a mais, do sexo masculino. A partir
dos 50 anos, porém, ocorre a inversão destes dados, pois nesta faixa temos 91 mulheres
a mais.
O CENSO/2000, nos indica que a faixa etária de maior concentração
populacional, situa-se entre os 10 e 19 anos, perfazendo um total de 800 habitantes,
seguindo-se a faixa etária dos 25 aos 49 anos, num total de 1.469 habitantes. Também
neste Censo/2000, há a preponderância de 33 habitantes a mais, do sexo masculino.
Para possibilitar ao leitor outros aspectos que queira verificar e, para
que possa analisar e/ou julgar a questão demográfica deste município,
achamos importante anexar os quadros a seguir:
Idade Homens Mulheres
Menos de 1 ano 45 50
1 ano 54 43
2 anos 52 57
3 anos 62 56
4 anos 51 47
5 a 9 anos 286 246
10 a 14 anos 310 319
15 a 19 anos 301 251
20 a 24 anos 219 220
25 a 29 anos 242 217
30 a 34 anos 229 235
35 a 39 anos 211 220
40 a 44 anos 204 166
45 a 49 anos 162 157
50 a 54 anos 120 140
55 a 59 anos 118 123
60 a 64 anos 95 107
65 a 69 anos 68 86
70 a 74 anos 48 57
75 a 79 anos 35 50
80 anos a mais 20 32
Total 2.932 2.879

FONTE: Censo Demográfico / 1991 - IBGE - RS - Nº 21.

FAIXA ETÁRIA – Conforme Nº de Habitantes


CENSO/2000
De 1 a 4 anos 290 habitantes
De 5 a 9 anos 360 habitantes
De 10 a 19 anos 800 habitantes
De 20 a 29 anos 600 habitantes
De 30 a 39 anos 730 habitantes
De 40 a 44 anos 739 habitantes
De 50 a 59 anos 518 habitantes
De 60 a mais de 80 anos 680 habitantes
T O TAL 4.717 habitantes
FONTE:Censo Demográfico / 2000 – IBGE – RS
4. ASPECTOS ECONÔMICOS:
4.1. Agricultura e Pecuária
Como se sabe, o Rio Grande do Sul foi um dos últimos estados litorâneos a ser
povoado.
Inicialmente, o litoral Norte e a região da Campanha gaúcha, foi ocupada com a
pecuária. As grandes propriedades denominadas sesmarias, organizaram-se em torno da
criação de gado e da mão-de-obra escrava.
No contexto político brasileiro, sentia-se o anseio de proclamar a independência,
tornando-se um estado autônomo. Neste momento histórico, sentiu-se a grande
necessidade, de dinamizar a economia brasileira, preocupando-se principalmente, com a
produção de alimentos, para o consumo interno da população.
Diante do problema, a introdução de uma classe média agrícola no país, baseado
na pequena propriedade, onde novas relações de trabalho fossem adotadas, sem o
emprego da mão-de-obra escrava, foi a alternativa encontrada para a solução do
problema.
Os campos gaúchos estavam ocupados com as fazendas, que se dedicavam às
charqueadas. Restava povoar a região da mata.
Foi assim, que em 1824, iniciou-se no Rio Grande do Sul um novo processo de
ocupação das terras, com a chegada dos primeiros colonos de origem alemã. Estes,
localizaram-se na encosta da serra, precisamente na região denominada Encosta Inferior
do Nordeste: São Leopoldo e arredores.
Apostando na iniciativa da pequena propriedade e na produção de alimentos, em
1875 chegaram os primeiros italianos, localizando-se na Encosta Superior do Nordeste,
na região da Serra Gaúcha, onde hoje localizam-se os municípios de Caxias do Sul,
Bento Gonçalves, Veranópolis, Farroupilha, Flores da Cunha e outros.
“A experiência colonizadora, inicialmente, estruturou a sua economia, numa
agricultura de subsistência, baseada no trabalho familiar.
A experiência da iniciativa privada em pequenas propriedades agrícolas,
encontrou no Rio Grande do Sul, progressiva difusão. Era uma forma de integrar
produtivamente as áreas devolutas e de disciplinar a população para o processo de
produção econômica.” (58)

As famílias eram numerosas. Com o passar dos anos, os filhos cresciam e se


casavam constituindo novas famílias. Muitos colonos retalharam suas terras, dividindo-
as com os filhos, de modo que, com o passar dos anos, não havia mais condições de
serem divididas. Muitos colonos queriam comprar terras na região, mas os lotes haviam
se esgotado. Com o uso do solo, as terras tornaram-se enfraquecidas, desgastadas, não
produzindo mais como no início da colonização.
Devido aos problemas acima mencionados, os colonos das Colônias Velhas,
sentiram a necessidade de buscar novas fronteiras agrícolas, expandindo a colonização
para a região do planalto, atingindo a nossa região, a partir das primeiras décadas de
1900. Além destes, muitos estrangeiros, de diferentes nacionalidades, vinham em busca
de terras para trabalhar.
Desta maneira, a região que constitui a área do atual município de Novo
Machado, tem-se caracterizado, inicialmente, pelas mesmas condições econômicas
vividas anteriormente, nas antigas zonas de colonização do Rio Grande do Sul.

“Os Colonos, provindos, na sua grande maioria, das denominadas “Colônias


Velhas”, transplantaram costumes e elementos culturais que fundamentaram um
modelo econômico similar na nova área colonizada.” (59)
______________________________________________________________________
__________
(58) SCHALLENBERGER, Erneldo e Hélio Roque Hartmann - Nova Terra, Novos Rumos, Barcellos
Livreiro Editor, Santa Rosa, 1981 - pág. 59 e 60.
(59) SCHALLENBERGER, Erneldo e HARTMANN, Hélio Roque - Nova Terra, Novos Rumos,
Barcellos Livreiro Editor, Santa Rosa, 1981, pág. 121.
4.1.1. Diferentes Fases que Caracterizaram o Processo Agropecuário

Assim sendo, o processo ocupacional e agrário, que marcou a história econômica


da região do atual Grande Santa Rosa e, conseqüentemente, também de Novo Machado,
constitui-se de diferentes fases, caracterizadas por processos, recursos, práticas e
objetivos próprios, refletindo-se, em cada uma delas, o sistema econômico vigente.
4.1.1.1. Primeira Fase:

A primeira fase, corresponde sem dúvida, ao início da colonização, até meados


da década de 1930, caracterizada pelo desbravamento e pela fixação dos colonizadores.
De posse das terras, a primeira preocupação dos colonos fora a de criar infra-
estrutura para a sua propriedade. Derrubar a mata com auxílio da foice, machado e
serrote, foi uma árdua tarefa. Depois de secar a vegetação, colocavam fogo. Em meio a
queimada, sobravam raízes, galhos... Estes obstáculos dificultavam o trabalho e tinham
que ser removidos, através de um processo denominado “coivara.”
Nas primeiras roças, de forma muito rudimentar, os pioneiros procuravam
produzir alimentos de consumo direto, uma vez que, esta região, estava ainda
desprovida de qualquer iniciativa comercial, que pudesse absorver os execedentes da
produção.
Nesta época, o trabalho era todo manual. Para fazer as primeiras plantações,
utilizavam a enxada e o saraquá. Só mais tarde passaram a usar a máquina manual.
Plantavam mandioca, milho, feijão, arroz, abóbora, batata-doce...
Assim como as plantações destinavam-se ao consumo da família e dos animais,
os animais domésticos, principalmente o suíno, o gado bovino e as aves (galinhas),
também eram criados para, num primeiro momento, servir como complemento
alimentar às pessoas, fornecendo-lhes proteínas. Em segundo plano, os bovinos e
eqüinos, foram criados para auxiliar o homem nos trabalhos da terra.
A exuberante mata com uma imensa diversidade de madeira de lei, concedeu a
esta região, uma grande fonte de renda, que ao lado da economia doméstica, embasada
na agricultura de subsistência, constituiu-se, talvez, numa das primeiras experiências
comerciais desta região, alcançando mercado do próprio estado e do país vizinho.

4.1.1.2. Segunda Fase:

Durante os últimos anos da década de 1930 e os primeiros da década de 1940,


ocorreu a efetiva colonização deste município, caracterizando a 2ª fase econômica, que
se estende, aproximadamente, até 1955.
As lavouras, embora ainda cultivadas por processo rudimentares, aumentaram
sensivelmente a sua produção.
Nesta fase, as lavouras deixaram de produzir exclusivamente, para a subsistência
da família, e passam a produzir excedentes que, com a melhoria das estradas e
instalação de pólos comerciais mais próximos, passam a ser comercializados.
Surge nesta época a importante figura do carroceiro, que faz o elo de ligação
entre as pequenas casas comerciais, que iniciam o seu tímido funcionamento, neste
município, com os polos comerciais da região. Inicia-se assim o intercâmbio comercial -
vende-se o excedente e compra-se o indispensável e o insubstituível, como: sal, açúcar,
querosene, tecidos, pregos, utensílios domésticos e agrícolas.
Aos poucos esta forma de comércio intensificou-se , aumentando o número de
casas comerciais, bem como o número de carroceiros, cujas carroças puxadas por várias
juntas de animais, buscavam os centros maiores como: Santa Rosa, Giruá, Santo
Ângelo, Colônia Guarani, Ijuí e outros. O sistema de trocas praticado inicialmente, foi
sendo substituido pelo Sistema Monetário (dinheiro).
Em geral, os carroceiros, verdadeiros comerciantes ambulantes, transportavam
diferentes produtos coloniais destacando-se: banha, feijão, madeira em forma de
palanques, tramas e dormentes.
Estes carroceiros enfrentavam muitas dificuldades principalmente relacionadas
às estradas, que apresentavam grandes atoleiros. A inexistência de pontes, os fatores
climáticos, a poeira vermelha, que deixava muitas vezes o açúcar e o sal muito sujos,
uma vez que a forma de embalagem não oferecia boa proteção. O baixo preço dos
produtos, eram alguns dos problemas que atingiam os carroceiros e os colonos.
A literatura da época, comprova todas estas dificuldades. “Profundo e
misterioso é o mundo da banha sulina, onde há um amontoado de sujeiras. As
oscilações de seus preços são constantes”. (60)
... “No Lajeado Tucunduva, não tinha ponte. Para atravessá-lo, os carroceiros,
descarregavam os palanques da corroça e passavam pelo rio, com os palanques nas
costas, para recarregá-los na carroça, no outro lado do rio e seguir viagem. Chegavam
a carregar 40 a 50 palanques, de 2,20m de comprimento por 10cm de diâmetro. No Rio
Santa Rosa as pessoas e as carroças passavam na barca e os cavalos, a nado”. (61)
Nesta fase, a madeira passa a ser explorada legalmente e na região, que hoje
constitui o município de Novo Machado, muitos agricultores, conseguiram pagar suas
terras com a venda da madeira, existente em seus lotes rurais. Muitas madeiras eram
falquejadas, formando dormentes, palanques, tramas...
“Foram também vendidas toras, amarradas juntas, formando assim, as balsas.
As toras, eram arrastadas, até o barranco do rio Uruguai. Quando tinham toras
suficientes e, arrancado cipó do mato, começavam a lida, em formar uma balsa.
Para montar uma balsa derrubava-se as toras na água, onde eram amarradas
umas nas outras e atadas com os cipós próprios. As dimensões das balsas eram
diferentes, pois dependiam da quantidade de toras. Toda balsa, só podia ter, setenta por
cento de toras levianas, como: louro, cedro, canela, etc... e trinta por cento, de toras
pesadas, como: grápia, canafistula, etc...
Em cima da balsa, faziam uma choupana, em geral de folhas de coqueiro e um
fogão que era uma caixa quadrada, mais ou menos um metro de cada lado, enchida
com terra, onde eram adaptadas varas. Para comida, levavam ranchos, galinhas,
porcos que carneavam lá mesmo.
Na ponta traseira, colocavam remos fortes, para dirigir a balsa no fio da água,
o qual puxava no canal do rio. Ali, cuidavam muito para não enroscar nas pedras.
Quem tinha lancha, empurrava a balsa também, no fio da água.
Para iniciar a viagem, se esperava subir o rio, num ponto suficiente de água.
Chamava-se “no ponto de balsa”.
Assim, seguiam a vida, com alegria, com cantos e músicas (gaita). Se a água ou
o rio era alto suficiente, era dia e noite, até que chegavam no destino, em geral até São
Borja.
Cada empresa de balsas, tinha pessoas práticas para dirigir, que conheciam
bem o rio, principalmente os canais.” (62)
Neste período, ocorreu a emancipação de Santa Rosa (1931), a qual
transformou-se num pólo regional, onde as condições de infra-estrutura do mercado
foram se criando, contribuindo para a expanção agrícola e comercial da região.
Registra-se nesta fase, o surgimento de estabelecimentos comerciais e industrias,
voltados principalmente, ao abate de suínos, a fabricação de manteiga, de amido, de
óleos vegetais, de farinha de trigo e trilhadeiras. Estas indústrias motivam a produção
agrícola, uma vez que a matéria-prima passa a ser absorvida na região.
______________________________________________________________________
_________
(60) A Cigarra, Revista de publicação mensal - Rio - junho de 1948 - pág. 6._
(61) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(62) In História da Localidade de Lajeado Marrocas - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Com o aumento das plantações e principalmente, com a introdução da cultura da
soja, nesta região, registrou-se também a introdução das primeiras trilhadeiras, no final
da década de 1940.
A melhoria das estradas e a expansão da linha férrea até Santa Rosa,
contribuiram para o escoamento da produção e a comercialização com centros maiores.

4.1.1.3. Terceira Fase:

A 3ª fase econômica desta região, pode ser caracterizada, pelo destaque da


pecuária sobre a agricultura. Os produtos de origem animal, tinham maior procura no
mercado e a agricultura passa a ser uma atividade que subsidia a pecuária.
Nesta fase, a preocupação dos agricultores, voltava-se principalmente à
produção de alimentos, aproveitados de forma natural para o rebanho de suínos. Entre
os produtos cultivados para este fim, destacava-se: o milho, a mandioca, a abóbora,
batata-doce, pasto verde e soja. Muitos destes produtos eram usados para fazer
“lavagem” excelente para a engorda dos suínos.
A suinocultura teve seu auge, a partir de meados da década de 1950, até meados
da década de 1960, conseguindo nesta fase, impulsionar os frigoríficos da região. Para
os agricultores, iniciou-se neste período, uma nova experiência comercial, com a venda
do porco vivo.
Esta atividade tornou-se tão lucrativa, que muitas pessoas, adquiriram novas
áreas de terra, com a venda de suínos.
Em algumas propriedades, estes porcos eram criados soltos em piquetes,
também chamados de currais ou mangueiras. Quando estavam prontos para a engorda,
eram colocados em chiqueiros. Em outras propriedades, eram criados somente em
chiqueiros.
Neste período, os comerciantes compravam os suínos dos agricultores,
transportando-os de caminhão até os frigoríficos da região. Para ter-se uma idéia, do
significado que alcançou esta atividade econômica, registramos aqui o depoimento de
D. Norma Radke (67 anos)... “quando casei, criávamos bastante suínos. Uma
chiqueirada, não coube no caminhão e o Sauder de Vila Pratos, teve que fazer duas
viagens”. (63)
A suinocultura tornou-se uma atividade rentável, porque o único produto
comprado para o trato, era o sal.
Neste município, nas décadas de 1950/60, outra atividade econômica que merece
destaque, é a criação de gado, principalmente, na região de Àgua Fria e Lajeado
Machado. Este gado, era criado solto nas “invernadas”.
“O Sr. Edmundo Fitz, nos contou que na década de 1960, possuia mais de 200
cabeças de gado, um dos maiores rebanhos do município.
Vendia gado vivo para o frigorífico de Santa Rosa e para os açougues de
Tucunduva.
A maioria do gado que criava, era Zebu”. (64)
Além de ser comercializado na região, alguns tropeavam o gado para ser
vendido em lugares mais distantes, como podemos ver no depoimento a seguir:
“Conta o senhor Ari Dalbem: Comecei a ajudar meu pai nas tropeadas, desde
os 7 anos de idade (1955), quando ainda morávamos em Vila Pratos. Começamos com
o gado pertencente as famílias que saíam de mudança de Vila Pratos e iam morar no
Paraná. Inicialmente tropeamos o gado do Sr. Arcindo Dutra, até Toledo - Paraná.
Mais tarde, meu pai, Olindo Dalbem, comprava gado e cavalo, aqui e em
Tucunduva, Esquina Cavalheiro e arredores. Daí a gente saía com a tropa. No caminho
vendia-se, trocava-se e comprava-se novas cabeças. Naquela época, existiam pessoas
mais honestas do que hoje. Lembro que meu pai vendia muito gado fiado e depois de
certo tempo, numa nova tropeada, recebia o pagamento. Os negócios eram feitos só na
palavra. Não fazia-se documento nenhum”. (65)

______________________________________________________________________
(63) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO- RS - 1995.
(64) In História da Localidade de Lajeado Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(65) In História da Localidade de Água Fria - NOVO MACHADO – RS - 1995
4.1.1.4. Quarta Fase:

A partir de 1965, através de diferentes incentivos governamentais, desencadeou-


se uma transição estrutural na agricultura, determinando as variáveis para um novo ciclo
econômico, marcado por novas formas de produção.
Com o passar dos anos, os agricultores da região, começaram a enfrentar novos
problemas, tais como:
- esgotamento do solo, que reduziu sensivelmente a produtividade;
- o retalhamento das terras, fechando-se as fronteiras para novas propriedades.
Diante destes problemas, faz-se necessário, melhorar as condições do solo, para
aumentar a produtividade. Neste sentido, na segunda metade da década de 1960,
iniciou-se uma intensa campanha de recuperação do solo, introduzindo o uso de adubos
e corretivos, como calcáreo e fertilizantes químicos. Surge neste período, grande
preocupação com a preservação do solo e o aproveitamento máximo das áreas
cultivadas, objetivando o aumento da produtividade.
Para responder aos desafios dos grandes investimentos, o colono foi forçado a
aumentar as áreas de plantio. Para fazer frente a situação proposta, o governo lança a
“Operação Tatu”, que consistia no destocamento e mecanização da lavoura.
Para realizar o destocamento e derrubada das matas, que ainda existiam na
grande maioria das propriedades, as Prefeituras equiparam-se com grandes máquinas
denominadas, “Destocadeiras”. Surgem também, algumas empresas particulares para
atender a população que buscava intensivamente, o destocamento de suas terras.
O governo cria alguns slogans, que despertam no colono, uma grande motivação
para o trabalho, entre os quais, se destacam:
“Plante, que o governo garante”.
“Quem trabalha vence”.
Nesta época, passa-se a plantar trigo e soja em grandes extensões, o que exige
muita terra. Para isto, tinha-se que arrancar, tudo o que estava pela frente e pudesse
estorvar a expansão deste produtos. Arrancava-se mato, ervais, pomares, canaviais, etc.
Até as plantações de tungue há pouco iniciadas, foram destruídas de imediato. Os
potreiros, antes destinados à criação de gado, viraram lavouras.
Os alimentos que eram produzidos para o consumo familiar e o excedente
vendido, passam a ser adquiridos pelos próprios colonos nos supermercados (feijão,
arroz, batatas, verduras, ovos, carnes, etc.)
Com o aumento da procura de alimentos e a redução de fornecedores na região,
ocorre o aumento dos produtos alimentícios, gerando a inflação, impossibilitando, a
população citadina, de baixa renda, a adquirí-los.
O trabalho da lavoura, antes desenvolvido por todos os membros da família,
agora passa a ser executado por uma ou duas pessoas. As que sobram vão para as
cidades onde não encontram emprego, e se encontram, ganham pouco. As cidades
“incham”. As pequenas indústrias desaparecem. Conseguem manter-se as grandes
empresas de lojas, os mercados, as cooperativas, as empresas que vendem maquinários
agrícolas, adubos, venenos...
As pequenas propriedades, fruto do retalhamento por herança, agora são
absorvidas, por pessoas de mais posses. Estes pequenos agricultores, buscam novas
fronteiras em outros estados, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso ou em países
vizinhos, especialmente no Paraguai.
Num primeiro momento, o agricultor, absorveu com alegria e otimismo a
tecnologia empregada. Pois a circulação dos maquinários (automotrizes, tratores,
caminhões, plantadeiras e outros implementos) deu uma nova dinâmica ao trabalho
agrícola. Estas tecnologias, possibilitaram um aumento da produção e produtividade,
redução do tempo e do esforço físico, necessário para a execução das tarefas agrícolas.
Antes da modernização da agricultura, o colono tinha conhecimento e domínio
do seu fazer agrícola. Ele sabia a época, o tipo de semente e como plantar os diferentes
produtos que cultivava. Com a mecanização ocorrida bruscamente, o colono viu-se
forçado a utilizar novas técnicas, sementes e insumos, que desconhecia.
Este processo impôs um novo tipo de conhecimento, vinculado ao
desenvolvimento capitalista e aos seus interesses.
Diante deste contexto, algumas cidades da região, que acompanharam o
desenvolvimento agrícola e, em função deste, receberam cognomes que refletiam o
espírito emprendedor da época. Destacamos algumas:
- Santa Rosa - “Berço Nacional da Soja”.
- Tucunduva - “Capital da Lavoura Mecanizada”.
- Horizontina -”Berço Nacional das Colheitadeiras”.
Novo Machado, não ficou alheio a todo este processo. A região mecanizável,
mais plana e próxima a sede, também foi modernizada. Algumas pequenas
propriedades, acabaram sendo absorvidas, por alguns agricultores com melhores
condições financeiras.
A região da costa do Rio Uruguai, por apresentar terreno difícil para a
mecanização, num primeiro momento, permaneceu desenvolvendo atividades agrícolas
de subsistência, vendendo os excedentes. Mas num curto espaço de tempo, também esta
área foi absorvida pela mentalidade capitalista. As pequenas lavouras, foram submetidas
a um processo de “limpeza”: tocos, pedras, árvores, etc., foram removidos,
possibilitando a penetração do maquinário agrícola. Hoje, a agricultura de forma
tradicional, só é desenvolvida nas áreas mais dobradas.
Novo Machado, embora sendo uma cidade interiorana, também sentiu os
reflexos do êxodo rural, na época em que ainda era distrito de Tucunduva. Muitas
famílias excedentes na zona rural, não conseguindo competir com a modernização e,
sentindo-se desencorajadas a continuar produzindo de forma tradicional, para sua
própria sobrevivência, não encontraram outra solução, do que buscar novas alternativas,
nas cidades com subempregos, ou em novas frentes de colonização. Além disso nosso
município, também tornou-se palco de formação de alguns focos de pobreza (miséria),
com a formação da Vila Nova (arredores de Vila Pratos) e Rincão dos Claros, nas
proximidades de Barra Funda, nas barrancas do Rio Uruguai.
O financiamento bancário, a 7% ao ano pelo Banco do Brasil, para aquisição de
maquinários e insumos agrícolas, foi o fator básico, na modernização da agricultura.
O sistema de crédito rural, tornou o agricultor dependente do mercado
econômico, tanto nacional, como internacional, baseado na monocultura trigo-soja, que
agravou-se nos últimos anos, diante das freqüentes frustrações de safras (provocadas por
secas, geadas, chuvas), do elevado preço dos maquinários, insumos e combustíveis e a
queda do preço da soja e de outros produtos de exportação, gerando conseqüentemente,
novos ricos e novos pobres.
Além dos financiamentos para maquinários e insumos, criou-se o PROAGRO,
financiamento dos bancos para o seguro das produções agrícolas. Esta foi uma forma
dos órgãos oficiais, forçarem os agricultores a adquirir sementes selecionadas e a
plantar, conforme determinações econômicas.
“Segundo a percepção e a experiência dos agricultores, depois que alguém
entra no Banco do Brasil e consegue financiamento, dele não sai mais. Se consegue
empréstimo para a compra de trator, em seguida vai precisar adquirir grades e outros
implementos. Depois é a vez da ceifadeira. Em decorrência da presença de máquina no
campo, vem a exigência de corretivos e fertilizantes, e isso todos os anos”. (Massarolo -
1973). (66)
Assim, o colono vai ficando cada vez mais comprometido e dependente. O
problema se agrava, quando o colono não consegue saldar as prestações estabelecidas,
principalmente devido as frustrações de safra e baixo preço dos seus produtos.

______________________________________________________________________
__________
(66) Estudos Sociais na 4ª série (Ijuí) Unijuí Coordenador Jaime Callai - 5ª edição 1989 - pág. 63.
4.1.1.5. Quinta Fase: agricultura dos anos 80 até os nossos dias

A agropecuária, sempre foi uma das principais prioridades dos governantes,


porque é um dos poucos setores que possui retorno a curto prazo (imediato).
No sentido de sistematizar esta prioridade, o governo brasileiro em 1979, lança o
“pacote econômico”, que consiste num conjunto de medidas, criando incentivos
especiais com o objetivo de motivar os produtores rurais.
Na década de 1980, o nosso agricultor, herda as conseqüências da fase anterior,
sentindo os reflexos no seu principal meio de ganhar a vida: a terra. As condições
climáticas: secas, geadas, vendavais, excesso de chuvas, atingem em cheio os
agricultores, provocando grandes frustrações de safras.
Além dos fatores naturais, o agricultor herda, como fruto da modernização
agrícola, entre outros fatores, os seguintes:
- falta de uma política agrícola, condizente com a nossa realidade, atendendo as
necessidades do pequeno e médio produtor. O governo perde a credibilidade e o povo
não confia nos tecnocratas;
- esgotamento do solo, sem conservação contra a erosão e pelo uso abusivo de
produtos químicos;
- compactação do solo, pelo uso das máquinas, cada vez maiores e mais pesadas;
- sucateamento das máquinas, que foram ficando velhas e o agricultor não tinha
mais condições de repô-las ou consertá-las;
- descapitalização e dívida bancária;
- baixo preço dos produtos agrícolas;
- descumprimento das normas estabelecidas, pelos pacotes econômicos.
Nesta fase, o colono, motivado pela modernização agrícola, percebe que, mais
uma vez foi iludido, e que a monocultura - trigo e soja, produtos de exportação, não
atendem às necessidades da população, como diz o Prof. Argemiro Brum:
... “Caminhamos de frente para os interesses externos e de costas para a maioria da
população. A agricultura brasileira concentra-se nos produtos de exportação, aliás,
numa tradição histórica colonial que ainda se mantém”. (67)

Essa, é uma contradição profunda e violenta. Neste extenso país, com


abundância de terras produtivas, próprias para a produção de alimentos e com a
existência de farta mão-de-obra, possui milhões de famílias sem-terras e onde a fome, é
a “doença” que mais mata.
Novo Machado, também sentiu os reflexos desta política agrícola, voltada
unicamente aos interesses capitalistas, desestruturando o pequeno agricultor, que além
de ficar descapitalizado, vê suas relações familiares ameaçadas.
A produção de alimentos, que sempre foi uma necessidade e a preocupação
básica das famílias, foi substituida pela agricultura de exportação e pela conseqüente
compra de alimentos, para manutenção das famílias.
Diante desta situação embaraçosa em que se encontravam os agricultores e a
agricultura, esta atividade econômica, a maior fonte de produção e de renda,
encaminhou-se para um profundo desgaste e empobrecimento.
“A instabilidade dos preços dos produtos agrícolas e os altos custos dos
financiamentos para a agricultura, passaram a determinar para o setor, sensíveis
mudanças. A diversificação de culturas e a produção com um menor custo colocaram-
se como imperativos necessários para salvar a agricultura de um completo caos.” (68)

______________________________________________________________________
__________
(67) BRUM, Argemiro - Desenvolvimento Econômico Brasileiro - 3ª Edição - Editora Vozes - 1983 -
pág. 161.
(68) SCHALLENBERGER, Ernuldo e HARTMANN, Hélio Roque - Nova Terra, Novos Rumos –
pág 130.
Dentre as alternativas buscadas podemos destacar:
- rotação de culturas;
- recuperação do solo, através de práticas mais acessíveis, com uso do
adubo orgânico, terraceamento (curvas de nível, base larga, murunduns, etc...), plantio
direto, o qual exige novos maquinários, novas práticas e novos conhecimentos;
- desenvolvimento da policultura: cultivo de milho em maior escala,
girassol, feijão, fumo, aveia, painço, pipoca, amendoim, etc;
- desenvolvimento da pecuária leiteira e de corte;
- piscicultura;
- fruticultura;
- horticultura;
- apicultura, entre outras ...

a) Plantio Direto

Dentre as técnicas mais recentes, indicadas para sanar as dificuldades agrárias do


momento, entre elas, os altos custos do processo de plantação (sementes, insumos,
combustível e a manutenção do próprio maquinário), bem como, os problemas causados
pelo uso inadequado do solo e a compactação deste, destaca-se o sistema de “Plantio
Direto”, também conhecido como “Plantio na Palha”.
O sistema de arar a terra, revolvendo-a intensa e integralmente, chegou a esta
região, ao Rio Grande do Sul e ao Brasil, através do imigrante europeu. Lá, na
longínqua Europa, revolver a terra, era a maneira utilizada para aquecê-la, para que a
semente lançada nela, muitas vezes antes das nevascas ou logo após o derretimento das
neves, pudessem germinar mais rapidamente. Uma vez derretida a neve, o sol aquece a
superfície da terra. Revolvendo e afofando a terra fria, os raios solares conseguem
estender os seus efeitos, aquecendo uma camada mais profunda. Este processo, facilita e
agiliza a germinação das sementes, pois estas requerem calor.
Chegados ao Brasil, um país tropical, nossos colonizadores desenvolveram as
atividades agrícolas da melhor forma possível, aperfeiçoando-as no decorrer dos
tempos, como vimos nas diferentes fases pelas quais tem passado nosso sistema
agrícola.
Porém, na última década, a preocupação com a crescente desagregação do solo,
tem levado à conclusão de que, quanto mais desnudo for o solo, quanto mais se afofar a
superfície e compactar o solo mais profundo, tanto maiores são os efeitos negativos do
sol que resseca e queima a superfície.
Desta forma, a terra arada logo após a colheita, fica exposta aos raios solares,
sem cobertura, totalmente desprotegida. Da mesma maneira, a chuva encontra a terra
desprotegida e pulverizada, pelo efeito da passagem das grades, resultando na erosão.
Enquanto a água da chuva leva consigo a superfície da terra, solta e desagregada,
contribui para compactar ainda mais a terra que fica, pois os próprios pingos de chuva
que caem, compactam o solo desprotegido.
Diante de toda esta problemática, surge o sistema de “Plantio Direto na Palha”.
Este sistema, que reduz os gastos de combustível e mão-de-obra, pela redução de
operações para o preparo do solo, contribui para a sua proteção, protegendo a terra com
uma cobertura formada pelos restos da cultura anterior.
Nesta região e também nos estados do sul, o “inverno mais frio e úmido,
permite o plantio de culturas de inverno que proporcionam uma boa palhada para
resguardar a terra até o verão.” (69)

______________________________________________________________________
__________
(69) Revista Globo Rural nº 103 - maio / 1994 - pág. 46.
Vantagens:
- solo mais protegido;
- solo menos compactado, pois reduz o uso de maquinários e de mão-de-obra;
- redução de custos com combustível, etc...
- aos poucos o solo volta a afofar-se devido à camada de palha que o protege do
efeito da chuva, do sol e amortece o próprio peso das máquinas;
- evita-se a erosão;
- protege-se os cursos d’ água e as vertentes;
- percebe-se, a partir do 4º, 5º ano, estabilidade da produção, não sofrendo tanto
com as intempéries.
Desvantagens ou dificuldades:
- exige aquisição ou adaptação de novas plantadeiras, que cortam as palhas e o
solo para, no corte, lançar as sementes;
- uso de herbicidas para dissecar a vegetação protetora, se esta não for colhida,
(como no caso a aveia) ou as ervas daninhas que, antes eram minimizadas pela pateação
ou gradeação das terras.
Desta forma, constata-se que, além dos ganhos imediatos, o plantio direto pode
representar para o agricultor, um investimento para o futuro, uma vez que um solo
protegido está menos exposto aos riscos da degradação e, conseqüentemente, da queda
de produção.
Conversando com agricultores que, já há mais tempo vêm desenvolvendo a
prática do Plantio Direto, houve-se afirmações como:
- depois que o solo tem uma boa camada protetora, o inço desaparece, pois é
abafado pela palha, reduzindo-se o uso de herbicidas;
- as terras protegidas, sofrem menos nos períodos de seca, pois a palha conserva
a umidade, evitando a rápida evaporação;
- a terra fofa, protegida pela palha, absorve mais a água da chuva, mantendo suas
reservas;
- quando chove pesado, a erosão faz poucos estragos em solo bem coberto;
- observe-se a água da chuva que corre pelas valetas - no plantio convencional é
abundante e vermelha (cor da terra); no plantio direto, é pouca e a cor altera muito
pouco, pois não leva a terra consigo;
- a fertilidade do solo, adubos, calcáreo e outros insumos, permanecem no solo
quando não ocorrem erosões.

b) Apicultura:
Segundo a literatura, a existência de abelhas semelhantes às atuais, remota a 42
milhões de anos.
No Brasil, a introdução das abelhas, está ligada a imigração européia,
destacando-se diferentes apicultores, dos quais pode-se destacar o alemão Hanemann,
Emílio Schenk, D. Amaro Van Emelen. Estes apicultores introduziram além das abelhas,
as primeiras literaturas sobre apicultura, e os primeiros instrumentos, como máquina
centrífuga, idealizadores de diferentes tipos de colméias e outros apetrechos apícolas.
Portanto, estes apicultores impulsionaram a apicultura no Brasil.
“Desde a chegada de Hanemann em 1839 até 1956, a apicultura nacional
crescia e progredia a passos largos, com muitos produtores de mel que praticavam a
apicultura por prazer, poesia, facilidade e sem incomodar ninguém. Isto porque até
então, as raças introduzidas eram todas mansas, permitindo o manuseio, usando-se
apenas máscara protetora e camisa de manga curta.” (70)
______________________________________________________________________
__________
(70) -Manual Brasil Agrícola - Criações Rurais - Vol 7.

No ano de 1956, o Professor Dr. Warwick Estevam Kerr, introduziu a abelha


africana com a intenção de realizar pesquisas, através do cruzamento de raças.
A abelha africana, é muito ativa e agressiva, com forte tendência a enxamação.
Foi esta tendência, que teve influência decisiva no desenvolvimento da apicultura
brasileira. “O primeiro foi a disseminação da abelha-africana em todo território
nacional, depois que elas escaparam dos laboratórios do professor Warwick Estevan
Kerr, em Rio Claro, SP, em 1957.” (71)
Segundo informações de técnicos da área, a abelha africana é a mais agressiva
mas é a que mais produz mel.
As abelhas nos dão uma grande lição de organização. Na colméia, cada uma tem
sua função específica, executando um trabalho de vital importância, onde a coletividade
é o fator principal em prol do bem comum.
Em cada família de abelhas, encontramos três castas: a rainha, as operárias e o
zangão.
A produtividade das abelhas, na produção de mel, pode ser aumentada
consideravelmente, através da aplicação de técnicas especiais, desenvolvidas para
facilitar o seu trabalho, como por exemplo, a produção de “lâminas alveoladas”, a partir
da própria cera da abelha.
Em Novo Machado, em 1996, havia 10 (dez) produtores (apicultores), num total
de 80 (oitenta) colméias, produzindo, em média, cerca de 2.000Kg de mel por ano.
Um dos apicultores, era o Sr. Affonso Krapp, que se dedicava a esta atividade
desde 1931. Este utiliza a cera das abelhas para produzir lâminas alveoladas que,
colocadas na sobrecaixa, possibilitavam duas a três colheitas anuais.
A Prefeitura Municipal de Novo Machado, através da Secretaria Municipal da
Agricultura, juntamente com a EMATER, procuraram incentivar os apicultores do
município, através das seguintes atividades:
- oferecendo cursos e palestras;
- adquirindo equipamentos como: máscara, fumegador, rastel (garfo) para raspar
os favos e retirar o mel, macacão, etc... com o objetivo de emprestá-los aos produtores;
- venda de lâminas alveoladas, proporcionando maior produtividade;
- oportunizando a comercialização do mel, por ocasião das Feiras realizadas no
município e/ou região.
Em 2004, havia no município, cerca de 171 produtores (apicultores), mantendo
um total de 973 colméias, produzindo aproximadamente 9.000 Kg de mel/ano.
Atualmente, em 2005, encontra-se, em fase de implantação, um Projeto sobre
Bio-Diversidade, financiado pelo RS Rural do Governo do Estado do Rio Grande do
Sul e que, sob a coordenação do Escritório Municipal da EMATER, beneficiará novos
interessados.

c) Gado Leiteiro

A pecuária, juntamente com a agricultura, é uma das mais antigas atividades do


homem. “Seu surgimento coincide com a 3ª fase da Idade da Pedra, (cerca de oito mil
anos antes de Cristo) quando os homens começaram a domesticar os animais, no
intuito de ter sempre a mão alimento e pele para o vestuário, além de utilizá-los para
tração” ... (72) Esta prática, iniciou na Europa e no Oriente, passando posteriormente,
para a Mesopotânia e China.
“Com o desenvolvimento da agropecuária as pessoas vão deixando de lado a
vida nômade e extrativista, dando origem aos primeiros núcleos populacionais
(aldeias).” (73)
A criação de gado pode ser desenvolvida para diversas finalidades: produção de
leite, abate ou para tração.

______________________________________________________________________
__________
(71) Revista Globo Rural, abril de 1994.
(72) Criações Rurais - Vol. 7 - pág. 328.
(73) Id Ibid.
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro que possui tradição agropastorial.
Apresenta condições naturais favoráveis, para criação do gado leiteiro, completada com
pastagem artificial, uma vez que o leite, principal alimento do homem, sempre encontra
mercado consumidor. A criação de gado leiteiro, encontra-se em todo o Estado, porém
apresentando maior concentração, próximo às grandes cidades, onde é maior o consumo
de leite.
O agricultor que pretende produzir leite para o comércio, em 1º lugar, deve-se
preocupar com a qualidade genética do rebanho e com as instalações adequadas, para
que o produto obtido, seja de boa qualidade.

“Falta pouco para o Brasil atingir a auto-suficiência na produção de leite, e


isso tem pouco a ver com o crescimento do rebanho. Nas últimas três décadas, a
produção aumentou de 8 bilhões para 22 bilhões de litros, sobretudo porque as vacas
passaram a ser mais bem tratadas. No período, a média de produção saltou de 700
para 1.500 litros por animal ao ano. Sexto maior produtor do mundo, com 20 milhões
de vacas nas ordenhadeiras, o país produz o equivalente a um real em leite para cada
nove reais tirados do campo. A tecnologia nos currais, com ordenhadeiras, tanques de
resfriamento, e inseminação artificial, seleção genética e outros quejandos, permitiu
reduzir o o déficit resultante da importação de leite de 500 milhjões para 60 milhões
de dólares, em cinco anos.
Ao mesmo tempo, aumenta a exportação de leite em pó, que rende mais. Os
ganhos na exportação, devem se multiplicar por cinco, a curto prazo, prevêem
especialistas.
Não é pouco para quem tinha, até a entrada do milênio, uma regulação
sanitária datada de 1952, pela qual as fazendas produtoras não estavam nem mesmo
obrigadas a resfriar o produto logo depois da ordenha.(74)

Leite: da subsistência à comercialização

Nos primeiros anos da colonização, nesta região, a exemplo de outras


colonizadas anteriormente, o leite era, na medida do possível, um dos alimentos
essenciais buscados para a família, especialmente para as crianças.
Inicialmente, os imigrantes tinham dificuldades em adquirir uma vaca, pois não
havia na região, quem as vendesse. Aliás, ainda não havia criações de gado bovino.
Para ilustrar as dificuldades iniciais, neste sentido, registramos aqui alguns
depoimentos:
“A família Welke conseguiu comprar uma vaca. Mas, já era velha de leite e na
redondeza, nenhuma família possuia um touro. Só sabia-se de um, próximo a
Tuparendi, na propriedade de um italiano. Um dia, lá se foi o D. Adeline levar a vaca.
Como era escuro, o esposo a acompanhou até Tucunduva. D. Adeline não falava
português, só falava alemão e um dialeto da Letônia. Com os proprietários do touro,
conseguiu comunicar-se. Estes até a convidaram para almoçar. Lá, pela primeira vez,
comeu polenta, sem saber o que era, “aquele bolo amarelo que era salgado”. Depois,
pôs-se a caminho de volta. Nas proximidades do Lajeado Batista, anoiteceu. O caminho
era só um pique no meio da mata. Vinha com muito medo, quando, de repente, ouviu
vozes e passos que se aproximavam: era seu esposo e seu cunhado, que foram
encontrá-la.”(75)
Os colonizadores procedentes de outras áreas de colonização, como no caso da
Colônia Guarani e outras mais próximas, traziam consigo o gado que possuíam.
“Outros, trouxeram várias cabeças de gado na mudança, tropeando-as desde a
Colônia Guarani até aqui, na região da então Linha Machado.” (76)
Assim, aos poucos, as famílias foram adquirindo e criando vacas para a
produção de leite, destinado exclusivamente ao consumo familiar.
______________________________________________________________________
__________
(74) Revista Veja, Edição Especial – Agronegócio – Abril, 2004 – Página 17.
(75) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO -1995.
(76) In História da cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – 1995.
Mais tarde, com o surgimento das casas comerciais, os chamados “Bolichos”, e
o surgimento do comércio de laticínios em Santa Rosa (Mayer e Dockhorn), inicia-se na
região, a comercialização da nata ou do queijo.
“Criavam gado leiteiro 7 a 8 vacas, com a finalidade de fazer queijo ou
desnatar o leite. A nata, era vendida no Huck em Linha Machado e o queijo, em
Cinqüentenário (Tuparendi) ou em Tucunduva”. (77)
“A nata, era vendida na Esquina Fitz, Esquina Rutke ou no Huck em Linha
Machado.” (78)
“Primeiramente, criavam-se bois e vacas. Das vacas era tirado o leite para o
consumo e retirar a nata, da qual era feita a manteiga, para ser vendida nos bolichos
de Adolfo Erbach e de Ilvo Pradebom em Campininha Pratos, na década de 1950 a
1960.
Mais tarde passaram a vender a nata no bolicho de Edmundo Rensch, e esta era
comprada pela Laticínios Mayer, de Santa Rosa.” (79)
“Na década de 1950, surgiu a venda de nata. O comerciante recebia o produto e
o guardava. Duas vezes por semana, nas 2ªs e 6ªs feiras, passava um empregado da
Laticínios Mayer, de Santa Rosa, e recolhia o produto.(80)
Após este período, surge uma nova fase, estimulando-se a comercialização do
leite.

“Houve uma linha de leite em 1967, que durou pouco tempo. O trajeto era
Esquina Boa Vista, Três Pedras, duas vezes por dia, feito pelo Sr. Leomar Barbetto.” ....
(81)
“No ano de 1973, começou a passar um leiteiro na nossa localidade. Isto foi
muito bom. O pessoal vendia leite e com o dinheiro, faziam as compras necessáias. mas
isto durou somente oito anos. A gasolina estava se tornando muito cara, não estava
dando mais lucro e o dono do caminhão desistiu”. (82)
“O primeiro leiteiro que transportava o leite, era o Sr. Siqueira, que levava a
Santa Rosa, fazendo a entrega na Laticínios Mayer. Naquele tempo, o pagamento em
dinheiro era recebido em casa, sendo que este, o mesmo leiteiro trazia. As pessoas
muitas vezes, pediam para o leiteiro trazer remédios de Santa Rosa e este trazia. Era
uma pessoa de muita confiança.” (83)
Com a implantação da mecanização da lavoura, esta iniciativa de produzir leite
para venda, foi praticamente abandonada.
A produção de leite, retornou como expressão econômica, a partir de 1985/87,
quando as cooperativas filiaram-se à CCGL, e passam a estimular a produção de leite.
A veterinária da COMTUL, Drª Beatriz Cristina Busanello, responsável pelo
atendimento dos municípios de Novo Machado e Tucunduva, nos relata a situação atual
da atividade leiteira deste município, cujo texto incluimos neste trabalho.
“No início desta nova fase (1985) produzia-se uma média de 40.000 litros/mês.
Em (1996), produzia-se cerca de 500.000 litros/mês, no município de Novo Machado.
A pecuária leiteira, surgiu da necessidade do produtor rural diversificar a sua
produção, aumentando a sua renda, uma vez que o município de Novo Machado,
formado por pequenas propriedades rurais (módulos de 15ha em média), não
conseguem mais sobreviver, num sistema de monocultura (soja), que inviabiliza a
pequena propriedade.

______________________________________________________________________
__________
(77) In História da Localidade de Lajeado Gateadinhas - NOVO MACHADO - 1995.
(78) Id Ibid...
(79) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO - 1995.
(80) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO - 1995.
(81) In História da Localidade de Três Pedras - NOVO MACHADO - 1995.
(82) In História da Localidade de Belo Centro - NOVO MACHADO - 1995.
(83) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO - 1995.

Dificuldades Encontradas:
- a falta de tradição em produzir leite, em escala comercial, visto que os
produtores estavam acostumados à culturas mecanizadas;
- a falta de matrizes de boa linhagem genética, que aumentariam a
produtividade média (litro/vaca/dia) devido à descapitalização dos produtores que não
conseguem adquirir estas matrizes
- a falta de uma política agrícola definida, por parte do governo federal, que
está inviabilizando o setor primário no país, (preço do produto, financiamentos, etc...);
- o pouco uso da inseminação artificial, que é uma das formas de melhorarmos
o plantel a médio e longo prazo.
Para incentivar a produção leiteira, as Cooperativas oferecem a Assistência ao
Produtor:
- assistência veterinaria, técnica e agronômica;
- programas de troca-troca: sementes, ordenhadeiras, resfriadores,
etc;
- aquisição de matrizes;
- incentivo ao uso da inseminação artificial;
- programa de criação de terneiras;
- programa de controle de mamite;
- cursos de capacitação do produtor rural;
- programa de alimentação: silagem, feno, pastagens, etc;
- coleta de leite à granel: com tanques isotérmicos”.
(Drª. Veterinária Beatriz Cristina
Busanello)

Além da Assistência Técnica dada aos produtores pelas Cooperativas, a


Prefeitura paga 50% do sêmen e possui uma enciladeira, que na safra de 1996 atendeu
a 57 produtores.
A produção de leite brasileiro, enfrenta nos dias atuais, uma grande concorrência
com o leite argentino e uruguaio, conforme pode ser constatado na citação abaixo:
... “Mais próximos os gaúchos perdem ainda mais contra os vizinhos do
Mercosul que ingressam facilmente, beneficiados pelos baixos custos deles, com leite e
derivados.
As diferenças de custos de produção de leite são muito significativas, a favor
dos “hermanos”. No Brasil o custo de um litro está em 23 centavos. Na Argentina é de
16 centavos e no Uruguai de 14 centavos.
A produtividade média de vaca, aqui, é de escassos 4 litros/dia. Na Argentina
sobe a 9 litros e no Uruguai salta para 15 litros diários.
Há também problemas de alimentação e de sanidade no rebalnho leiteiro do
Brasil.
No Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, o leite é produzido em pequenas
propriedades, com menor escala produtiva do que argentinos e uruguaios. “Na
Argentina a grande maioria dos produtores de leite produzem mais de 100 litros/dia e
muitos têm até 600 litros/dia. Aqui talvez 2% dos produtores tenham essa média”, diz
ele. Os produtores brasileiros ainda têm mais concorrentes, com a importação de leite
subsidiado da Europa. “E o Mercosul ainda não possui um mecanismo de poteção
adequado contra isso”, afirma Cogo, que vislumbra um cenário mais preocupante
ainda com o domínio dos grupos multinacionais no setor, levando a uma expressiva
concentração agroindustrial do segmento.” (84)
Vantagens do Produtor de Leite
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, pelo produtor de leite, ainda pode-
se registrar algumas vantagens, principalmente para os pequenos e médios produtores.
“A produção de leite apresenta-se para a propriedade como a melhor e mais
adequada alternativa de diversificação, sempre recomendada aos pequenos e médios
produtores. Este tipo de produção tem as seguintes vantagens:
______________________________________________________________________
__________
(84) Suplemento da Zero Hora, Campo e Lavoura de 29/11/96.
- permitir um bom aproveitamento da terra imprópria para outros usos
agrícolas;
- evitar o êxodo rural;
- utilizar a mão-de-obra familiar;
- fornecer produtos alimentares da mais alta qualidade;
- fornecer insumos (adubo orgânico) para culturas agrícolas e mesmo para
recuperação de solos;
- possui capacidade de produzir alimentos nobres de alto valor nutritivo,
consumindo pastos e alimentos grosseiros vindos da lavoura da propriedade;
- fornecer ganhos diários, apresentando-se como a alternativa que,
corretamente manejada, não deixa prejuizos.”(85)

Em 1990, foi fundado um Condomínio Rural em Lajeado Limoeiro, onde uma


das atividades era a produção de leite.
Inicialmente, apesar das dificuldades financeiras, o projeto desenvolveu-se
satisfatoriamente, chegando a produzir de 12.000 a 15.000 litros/mês.
“Em 1994, desmotivados com a política de pagamento dos financiamentos, onde
pagaram as duas primeiras prestações do financiamento que haviam feito, e faltando
recursos financeiros e terra para o plantio de pastagens, resolveram dividir o gado
leiteiro, para superar as dificuldades da alimentação do gado, dissolvendo-se assim, a
associação”. (86)
Em 1993/94, com a instalação do atual município de Novo Machado, iniciou-se
uma nova experiência, com a organização e instalação do “Condomínio Leiteiro de
Barra Funda”, conforme relato a seguir:
“Se ouvia muito falar de Condomínios, pelo Sindicato, Igrejas (Católica,
Evangélica...), Cooperativas e eram considerados prioridades do Governo do Estado.
Participei de um Encontro em Santo Cristo sobre a problemática e os destinos
da pequena propriedade, apresentando-se como alternativas: os Condomínios ou as
Associações Rurais.
Estive também em Constantina, um município onde os Condomínios tem 20%
das produções de leite, soja, milho, uva, suínos e máquinas agrícolas.
A partir desse conhecimento e vendo suas vantagens, me entusiasmou a idéia de
formar um Condomínio Leiteiro. Como primeiro passo, convidei algumas pessoas
interessadas, para participar. Fizemos cinco reuniões e falou-se sobre o “porquê”
trabalhar em grupo.
No início éramos: Nilso Mackulio, Adécio Jeske, Gerson Jeske, Noli Ferrari,
Orlando Ferrari, Arnoni Radetski, Egídio Stum, Laudelino Faleiro, Antônio Dorosz,
Ervino Schulz, Ari Ferrari, Luiz Costa e eu Adão Aristides da Costa.
Levei o nosso interesse, ao conhecimento da Secretaria Municipal da
Agricultura e da EMATER de Tucunduva, e também à Coordenadora dos Condomínios
em Tuparendi, Srª Beate Petry.
Como primeiro passo, fomos visitar o Condomínio de Lajeado Limoeiro,
acompanhados do Secretário da Agricultura.
Vendo as vantagens e as dificuldades, Noli, Arnoni, Orlando, Nilso e Antônio,
desistiram do grupo.
Daí convidamos a Veterinária: “Kika”; o Secretário da Agricultura: “Beto”; os
Técnicos da EMATER: Osvaldo e Eduardo, Presidente da COMTUL: Darci Tubiana;
Gerente da COTRIROSA: Jair Mallmann; Coordenadora dos Condomínios: Beate
Petry; Pastor da IECLB; Marino Black; Veterinário da COTRIROSA: Moroni; Chefe
da EMATER de Santa Rosa: Dario; representante da COTRIMAIO: Elaine;
representante da Prefeitura Municipal: o Beto e representante político: Valnor.
Sentamos juntos e discutimos as situações sérias, para formar o Condomínio, com o
objetivo de “produção de leite”.
______________________________________________________________________
_________
(85) Informativo CCGL - Novembro / 96.
(86) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Ouvindo todos os representantes, decidimos trabalhar. Formamos uma diretoria
que ficou assim constituída: Presidente: Adão; Secretário: Ari; Tesoureiro: Gerson.
Montamos o projeto na EMATER, elaboramos o estatuto e montamos toda a estrutura
de trabalho. Realizamos muitas visitas a outros condomínios e foram realizadas muitas
reuniões com a EMATER e também entre o grupo.
Após o grupo formado, é que conseguimos a verba do FEAPER. Construímos as
instalações, conforme orientações técnicas, adequadas para a produção de Leite Tipo
B. Compramos 14 vacas, todas Holandesas. Os trabalhos de construção, plantio de
pasto, milho para silagem, realizados no Condomínio, eram feitos em conjunto, entre os
sócios. Caso algum associado não comparecesse, segundo o acordo feito, este deveria
pagar à associação, o valor correspondente a meio saco de soja por dia faltado.
O serviço de ordenha das vacas, durante a semana, era realizado por um
associado que, para isto, recebia da Associação 15% da produção de leite. Nos fins de
semana, os demais associados, realizavam o serviço de ordenha, revesando-se.
Das 14 vacas do Condomínio, em média eram ordenhadas 10, com uma
produção de leite, na casa de 4.000 litros/mês.
Um ano após a sua fundação, começaram a surgir problemas entre os
associados. Apesar dos esforços para contornar as dificuldades, a Associação acabou
se desfazendo em dezembro de 1995. As instalações (construções) permanecem como
foram construídas, até que haja uma definição do seu destino, por parte da FEAPER.”
(Texto elaborado pelos Senhores Adão Aristides da Costa e Ari Ferrari - 1996.)

Sendo assim, no município de Novo Machado, a produção leiteira, atualmente,


concentra-se exclusivamente na mão de produtores individuais.
Altos e baixos tem acontecido na produção de leite, tal qual acontece em todos
os setores da produção agropecuária. Além da influência direta do clima, as políticas
governamentais têm atingido diretamente o setor leiteiro, que sofre com os efeitos de
insegurança, da falta de valorização e de estabilidade. Porém, constata-se que o
processo de modernização também tem atingido este setor, de forma que, em muitas
propriedades encontramos hoje, resfriadores a granel e inclusive o sistema de
canalização, totalmente automatizado, acarretando altos investimentos, que, na verdade,
não são compensados financeiramente, pois mesmo que se paga um pouco mais ao
produtor que apresenta esta estrutura, não se pagam os investimentos. Por outro lado,
muitos pequenos produtores deixaram de investir e mesmo de produzir, fazendo com
que, no decorrer dos anos, o número de produtores no município tem diminuído.
Constata-se que atualmente, em 2004/2005, o município não apresenta índices
de crescimento no setor leiteiro, considerando-se que muitos pequenos produtores
desistiram da atividade, frente às normativas que regulamentam o setor e que
representam as exigências do mercado consumidor. Descapitalizado, grande parte
destes produtores não conseguem aplicar as exigências tecnológicas em suas
propriedades e, desestimulados pelos baixos preços, acabam desanimando e abrindo
mão da atividade. Esta situação ainda foi agravada pelas freqüentes estiagens que
contribuiram para o enfraquecimento do setor, onde, sem pasto, as vacas não produzem
e onde os baixos preços do leite, não possibilitam, devido aos altos custos, a compra de
alimentos.
Em 2004, segundo informações obtidas junto às Cooperativas, o município de
Novo Machado, contava ainda, com cerca de 300 produtores de leite, produzindo uma
média aproximada de 1.500 litros/mês.

d) Principais produtos agrícolas cultivados em Novo Machado

- Milho:

O milho é uma planta originária do continente americano. Atualmente é


cultivado em quase todos os países do mundo.
Foi durante muito tempo, uma cultura de subsistência, tradicional, que faz parte
da história e do conhecimento do agricultor. Ainda hoje, é a base alimentar das
populações mais pobres.
Os colonizadores europeus, em sua maioria, conheceram o milho ao chegar no
Brasil, com excessão dos italianos. Aqui, os alemães, substituiram o pão de centeio pelo
pão de milho.
Atualmente no Brasil, do ponto de vista econômico, ocupa a maior área plantada
no país, cerca de 13,9 milhões de hectares” ... “Envolve mais de 3 milhões de
produtores rurais. Apesar de não ser cultura de alta rentabilidade, geralmente é um
bom negócio.” (87)
“Da produção brasileira, 80% estão concentrados na região Centro-Sul. O
maior produtor é o Paraná, seguido pelo Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais
e Santa Catarina”. (88)
“O Livro Terra de Alimento – Panorama dos 500 Anos de Agricultura no Brasil,
conta que os donos de fazendas utilizavam o milho para fazer canjica e pudim, os
índios o comiam assado e extraíam dele uma bebida alcoólica chamada cauím e os
escravos o usavam em papas, angus e munguizás. Mas só no século passado os
milharais do país viabilizaram-se comercialmente, com o trabalho de pesquisadores da
EMBRAPA e da Agroceres, empresa Nacional pioneira no setor, vendida a sete anos
para a multinacional M onsanto. Eles desenvolveram sementes híbridas,
adaptáveis a várias regiões, com maior teor protéico e alta produtividade. O Brasil
hoje é o terceiro produtor de milho e consome 80% do que colhe, na forma de óleo
vegetal e ração para animais.
Técnicas de cultivo e maquinário sofisticado, já permitem colher duas safras
por ano. A produtividade varia de região para região. Enquanto no Nordeste ela é de
1,2 toneladas por hectare, no Centro-Oeste é de 5,2 toneladas. Mas vários produtores
brasileiros, cujas lavouras são mais tecnificadas, conseguem chegar ao dobro desse
índice e concorrer de igual para igual, com os americanos. Como os Estados Unidos,
os maiores produtores tendem a utilizar grande parte de suas safras para produzir
álcool combustível, essa competitividade ainda pode render muito para o Brasil. A
China, tradicionalmente abastecida pelos agricultores americanos, está na mira dos
exportadores. O Brasil pode aumentar de 5% para 20% sua participação nas
exportações de milho, e para isso precisa elevar sua produção em 60%. (89)
Na área do atual, município de Novo Machado, com a introdução da
mecanização das lavouras, ainda no início da década de 1970, a cultura do milho, até aí
utilizada para a subsistência familiar (pessoas e animais), cedeu boa parte de sua área ao
binômio trigo-soja, especialmente nas áreas planas,
mecanizáveis. Manteve-se pequenas lavouras de milho na região da costa, onde os
terrenos são dobrados e onde o trabalho continua sendo manual. Uma das razões, pelas
quais a cultura do milho perdeu seu espaço, foi a considerável redução que houve na
criação de suínos.
No final da década de 1980, com a agricultura regional encontrando-se em crise,
juntamente com o desgaste e compactação do solo, buscou-se novas alternativas para
substituir o binômio trigo/soja.
O milho, foi indicado pelos técnicos da área, como um dos produtos favoráveis
para a descompactação do solo, por apresentar um sistema radicular desenvolvido, com
raízes principais e um grande número de raízes secundárias.

______________________________________________________________________
__________
(87) Revista Globo Rural, dezembro 1994.
(88) Revista Globo Rural, dezembro de 1994.
(89) Revista Veja – edição especial – Agronegócio - Abril 2004 – Pág. 19.
Outro motivo que levou os agricultores a cultivar o milho, foi a sua garantia de
mercado, principalmente devido ao desenvolvimento da avicultura e suinocultura,
através de grandes empresas, como: Perdigão, Sadia, Prenda... Desta forma, toda
produção brasileira de milho, é absorvida, pelo mercado interno.
O período normal de plantio de milho, aqui no Brasil, ocorre de agosto a
novembro e a colheita de janeiro a maio. Porém há muitos agricultores, que após a
colheita, plantam novamente para colher a “safrinha”. Esta, posterior a grande colheita,
dependendo do clima, pode ser maior que a primeira colheita.
A seleção de sementes, para obter melhor produtividade, também é uma
preocupação do nosso agricultor. Após muitos estudos por parte de técnicos da
agricultura, objetivando a melhoria genética das sementes, foram realizados diversos
cruzamentos, obtendo-se a semente “híbrida”, considerada a de melhor qualidade.
Conforme dados obtidos junto à Secretaria Municipal da Agricultura, o
município de Novo Machado apresentou em 1995, uma área de 5.000 ha cultivada com
milho, obtendo uma produtividade média de 3.600 Kg/ha, o que representa um volume
total de 18.000 toneladas. Em 2003 foram cultivados 2.700 hectares, considerando-se
“safra e safrinha”, com uma produtividade de 3.300 Kg/ha, num volume total de 8.910
toneladas, tendo sofrido forte influência climática – estiagem.
Em 2004, considerando-se o período de “safra e safrinha”, foram cultivados
cerca de 1.600 hectares, os quais, em virtude da estiagem ocorrida, principalmente no
período da safrinha, permitiu ao município, uma safra de somente 5.408 toneladas,
correspondendo a 3.380 Kg/ha.

- Soja:

Originária do Extremo Oriente, “não se sabe ao certo em que país foi cultivada
primeiro: na China, Japão, Indonésia ou Mandchúria” (90), de onde ela é nativa.
Ao chegar no Brasil em 1800, trazida pelos chineses que, há muitos séculos,
extraíam dela vários alimentos, sendo o leite o principal, foi recebida com a seguinte
expressão: “Chegou a vaca chinesa.”
“Foi somente após a Grande Guerra Mundial, todavia, que a soja ingressou em
quase todos os países da Europa e nas Américas do Norte e do Sul, e depois na África”.
(91)
No Brasil, a soja foi introduzida como produto de cultura, em São Paulo através
de imigrantes japoneses, somente no início deste século (1908). No Rio Grande do Sul,
chegou seis anos mais tarde (1915).
No Rio Grande do Sul as primeiras regiões cultivadas com esta leguminosa,
foram: Missões, Alto Uruguai e Alto Taquari, aclimatando-se melhor nas duas
primeiras.
“Ao que consta, sua arrancada inicial no Rio Grande do Sul, aconteceu no 3º
Distrito do município de Santa Rosa.” ...
... “Em 1931, o Pastor Alberto Lehenbauer, introduziu na região a variedade
Amarelo-Rio Grande, de alto teor de proteínas”. ... (92)
Na região de Novo Machado, já no início da colonização, aconteceram as
primeiras tentativas de cultivo da soja, de uma forma muito restrita.
“Gretel Busse, contou que seu pai, Emílio Sturmhöbel e família, pioneiros,
residiam em terras da região de Esquina Machadinho. Certa vez, receberam do Pastor
Alberto Lehenbauer, uma caixinha de fósforo, contendo sementes de soja e este, lhes
disse:
- Plantem estas sementes, elas vão levantar o Brasil”. (93)
_____________________________________________________________________________________
__________
(90) Manual Brasil Agrícola - Principais Produtos - Vol. 4.
(91) Revista - Caminhos do Turismo - Secretaria do Turismo do Rio Grande do Sul - Nº 28.
(92) Id. Ibid.
(93) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Na região do atual município de Novo Machado, “o cultivo da soja teve início
no final da década de 1920 e início da década de 1930. Esta, foi introduzida na região
pelo Rev. Pastor Alberto Lehenbauer que a trouxera dos Estados Unidos e em pequenas
porções distribuiu as sementes aos colonizadores, inicialmente na Colônia Guarani e
posteriormente nas novas colonizações.” (94)
As poucas sementes distribuídas a alguns poucos colonizadores, foram plantadas
e, as novas sementes colhidas, eram redistribuídas a vizinhos e amigos.
Assim, mais e mais pessoas foram cultivando estas sementes, com esperança de
um dia poder utilizá-las, motivados pelo rendimento de produção, embora, no momento,
não soubessem o que fazer com elas, conforme se vê no depoimento a seguir:
“Os poucos pés de soja, produziam muito. Rendiam mais que outra planta.
Colhíamos as sementes e as colocávamos no galpão, pois não sabíamos o que fazer
com elas. Comer ou tratar os animais, tínhamos medo. Vender, ninguém comprava.
Assim, íamos juntando as bolsas de soja no galpão, esperando que algum dia alguém
comprasse ou dissesse prá gente o que fazer com elas, como aproveitar a soja.
Plantávamos todos os anos, para não perder a semente” (Palavras da Srª Elmine Schulz).
“Começamos a plantar soja em Lajeado Terrêncio, ainda na década de 1930.
Inicialmente, utilizávamos as sementes para fazer café.
A gente plantava com alegria, porque as plantas produziam muito”. (Palavras da
Srª Hildegard Kaffka).
Inicialmente, todo o trabalho de plantio e colheita era realizado manualmente,
contando-se com o auxílio de animais.
Foi durante a década de 1940, que surgem nesta região, as primeiras trilhadeiras
que vêm amenizar as dificuldades do trabalho agrícola, substituindo o manguá e o
pisoteio dos animais, possibilitando uma maior produção.
Ressalta-se, que a partir desta época, a soja passa a ser produzida com dupla
finalidade: alimentação dos animais e comercialização.
Inicialmente as trilhadeiras eram poucas. Os colonos cortavam a soja e
aguardavam a sua vez para trilhar o seu produto. Quem possuia galpões, guardava a soja
em palha dentro deles, esperando a trilhadeira chegar. Os colonos que possuíam
trilhadeiras, trilhavam os produtos para os demais, mas para não perder tempo, pois as
mesmas eram transportadas com auxílio de bois, iam de casa em casa, respeitando a
proximidade.
A partir da 2ª metade da década de 1950, o cultivo da soja no Rio Grande do Sul,
passa a ter uma maior exploração em bases técnicas, através de análise das terras e
aplicação de sementes selecionadas.
Até o início da mecanização, a soja era plantada consorciada com o milho. Esta
prática, continua sendo desenvolvida até o final da década de 1990, nas lavouras
tradicionais, nas áreas não mecanizadas. Porém, atualmente, em 2004/2005, são muito
raros os casos onde este consórcio ainda é praticado
“A partir dos anos de 1960, o quadro agrícola transformou-se radicalmente,
pois através de uma política equivocada, a produção agrícola deveria ser em escala
industrial e ter uma alta rentalbilidade e, para isso, foram eleitos dois produtos: soja e
trigo. A soja, por ter excelente cotação no mercado internacional, cuja exportação para
outros países geraria a entrada de divisas e o trigo, por ser um cereal nobre, não era
produzido o suficiente para atender a demanda interna. Com a cultura da soja e do
trigo, os outros produtos agrícolas praticamente desapareceram. Florestas foram
cedendo espaço, indiscriminadamente, para as lavouras, e a terra ficando sem a
proteção natural, foi se desgastando.” (95).
_____________________________________________________________________________________
__________
(94) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(95) Revista Saga - Nº 5, 1991.
A falta de rotação de culturas e a exploração intensiva do binômio trigo-soja,
contribuiram, ao lado da desproteção do solo que, para o desgaste e o empobrecimento
do mesmo que, com pesados investimentos, teve que ser recuperado.

No início, tudo ocorreu bem, com boas safras, que capitalizaram o agricultor.
Com o aumento considerável das áreas cultivadas, o agricultor sentiu a
necessidade de equipar-se para atender a demanda da sua produção.
Na época, o crédito agrícola era abundante e com juros baixos. O agricultor
procurou modernizar seus equipamentos, adquirindo: tratores, implementos, ceifadeiras,
e insumos, mediante impréstimos bancários.
Porém, nos anos 1980, os créditos agrícolas foram reduzindo, o agricultor
começou a ficar descapitalizado e gradativamente, as safras foram perdendo sua
rentabilidade. Tudo isto, levou o agricultor a um dilema e ao questionamento: vale a
pena continuar plantando soja e trigo?
Uma das saídas que o agricultor encontrou, foi diversificar e fazer rotação de
cultura.

Em 1995, no município de Novo Machado, a área cultivada com soja era de


12.000 ha, alcançando uma produtividade média de 2.400 Kg/ha e um volume total de
28.800 toneladas, segundo dados da Secretaria Municipal da Agricultura.
Em 2004, foram cultivados 11.400 hectares, com uma produtividade média de
1.269Kg/ha, produzindo-se um volume total de 14.468 toneladas, devido a estiagem que
ocorreu nesta região, no período da floração da soja, justamente no período mais crítico,
ou seja, da formação de bagens e grãos.
Sendo um produto de exportação, a comercialização da soja, está sujeita à
oscilação de preços do mercado internacional, principalmente da Bolsa de Chicago.
Diante das dificuldades econômicas, pelas quais passa a agricultura brasileira e
com ela, também a do Rio Grande do Sul e do nosso município, os grandes desafios
continuam sendo: o aumento de produtividade e a busca de uma considerável redução
de custos, obtidas a partir do emprego de diferentes técnicas.
Em 1996, “os produtores gaúchos que venderam a soja a US$ 15 a
saca, contabilizaram um faturamento de US$ 600 a US$ 700 por hectare. Esse ganho é
considerado muito bom por Sartori (diretor da corretora Brasoja), para um custo de
produção de US$ 270 por hectare em lavouras convencionais e de US$ 170 no plantio
direto.” (96)
Neste contexto histórico econômico, insere-se também a agricultura de Novo
Machado, sujeita aos altos custos e às ameaças do mercado mundial.
Ressalta-se, no entanto, que esta oleaginosa, se no início do seu cultivo estava
destinada à alimentação do rebanho suíno, hoje não pode-se dizer o mesmo, pois
destina-se exclusivamente ao comércio.
Apesar de ter-se falado muito sobre o valor nutritivo da soja na alimentação
humana, até hoje não tem sido explorada para esta finalidade. “A resistência, contudo,
ao consumo da soja como alimento humano, tem sua base estritamente na falta de
hábito do povo.” (97)
Quanto ao valor nutritivo da soja, o Professor Francisco Sales Guimarães,
transcreve no seu livro “Páginas Instrutivas”, um trabalho de autoria do Dr. Steffen de
Santa Rosa, do qual, tomamos a liberdade de destacar o 10º item:
“Em calorias a soja é muito superior a: um quilo de bife que produz 1.200
calorias; um quilo de farinha de trigo que produz 3.950; uma dúzia de ovos que produz
1.480; um litro de leite de vaca que produz 670, e um quilo de soja que produz 4.660
calorias! A soja, portanto, é um alimento insuperável pelos demais existentes na face
da terra.
_____________________________________________________________________________________
__________
(96) Zero Hora, 13 de novembro de 1996.
(97) Revista: A Granja.

A soja é um alimento que fornece proteína vegetal barata, saborosa e nutritiva.”


(98)
A partir das considerações do Dr. Steffen, a exemplo de muitas outras registradas
pela literatura, confirma-se a idéia de que realmente, não aproveitamos a soja na nossa
alimentação somente por uma questão de hábito. Porém, analisando a nossa prática
agrária, fica-nos um grande questionamento: qual a qualidade do produto obtido na
nossa lavoura comercial, em face ao uso dos agrotóxicos?
Considerando que o produto básico da economia agrícola de Novo Machado é a
Soja, precisamos considerar também que, “se o agronegócio é o motor da economia
nacional, seu combustível é a soja introduzida no Rio Grande do Sul, especialmente na
Região do Grande Santa Rosa, incluindo-se Novo Machado, a soja já avançou até o
Norte do País. O País faturou 8,1 bilhões de dólares com a exportação de soja em
2003. Cerca de 70% dos mais de 50 milhões de toneladas de soja que se produzem no
Brasil, são transformados em farelo – o principal componente de rações para suínos e
aves.
O frango é a Proteína de Soja com asas, reza o ditado dos especialistas do
setor.
O grão dá origem também aos subprodutos utilizados pela indústria química na
fabricação de adubos, fibras e adesivos.

Nas gôndolas dos supermercados, é possível encontrar leite, sopa, molho, carne
e até macarrão feitos com soja. Nos Estados Unidos uma em cada três pessoas,
consome algum alimento do gênero.
A soja tem mais propriedades nutritivas que seu primo mais próximo, o feijão.
Além de ser rica em proteína vegetal, trem ferro, cálcio e vitaminas, principalmente às
do Complexo B. Pesquisas Científicas recentes, revelaram que o consumo diário de 25
gramas de proteína de soja, equilibra os níveis do colesterol no sangue e que as
isoflavonas – um fitormônio presente no grão – tem efeito benéfico sobre o climatério e
a tensão pré-menstrual. (99)

- Trigo:

De acordo com a literatura, o trigo é um produto originário do sudeste asiático,


cultivado numa região árida e montanhosa, com grande variação térmica.
Segundo pesquisas realizadas, os primeiros grãos de trigo utilizados na
alimentação humana remonta há 10 mil anos. O trigo iniciou a ser cultivado, quando o
homem deixou de ser nômade (isto é, colhia os vegetais à medida que os encontrava na
natureza) e passa a ser sedentário (lugar fixo para morar) e conseqüentemente inicia o
cultivo de cereais.
“No Brasil, o trigo foi introduzido em 1534, por Martin Afonso de Souza, na
Capitania de São Vicente. Em 1737 chegaram ao Rio Grande do Sul os primeiros
povoadores provenientes dos Açores, os quais se dedicaram à cultura do trigo,
chegando a produzir de 80 a 100 sacos por saco semeado”. (100) No final do século
XVIII, o Rio Grande do Sul exportava trigo para Portugal.
Além dos estados sulinos, os trigais expandiram-se e alcançaram o Noroeste e os
estados de Goiás e Minas Gerais.
No início do século XIX (1813 a 1819) o Rio Grande do Sul, alcançou seu auge
na produção de trigo, permitindo ao estado, exportá-lo para a Argentina e o Uruguai.
O declínio da cultura do trigo teve seu início, a partir de 1820 e, em 1930, estava
praticamente extinta como cultura de expressão econômica.
______________________________________________________________________
_________
(98) GUIMARÃES, Prof. Francisco Sales. Páginas Instrutivas - Edições Paulinas - Caxias do Sul - Rio
Grande do Sul - 1970 - Pág. 195, 196.
(99) Revista Veja – Edição especial – Agronegócio – Abril 2004, página 16.

Segundo alguns estudiosos, apontam os seguintes fatores como causa da extinção da


lavoura tritícola:
“- A Guerra da Cisplatina;
- Revolução Farroupilha;
- Guerra do Paraguai, que provocaram a falta de braços para a lavoura. Para
outros, foi uma questão econômica, e, finalmente, segundo Saint-Hilaire, foi a
“ferrugem do colmo” a causa principal do fracasso”. (101)
Somente em meados do século XIX, o Brasil voltou lentamente, a plantar esse
cereal. Os imigrantes alemães e italianos, contribuiram para a retomada do cultivo do
trigo no Sul do Brasil, tendo o seu maior impulso com a criação da primeira Estação
Experimental (1919), com estudos fitoterápicos, em Alfredo Chaves, hoje Veranópolis.
A partir desta fase, o Governo Brasileiro, passou a demonstrar maior interesse
para o assunto, oferecendo prêmios aos produtores e estimulando a pesquisa
experimental. Com este estímulo, os agricultores retomaram a cultura do trigo,
introduzindo novas espécies mais resistentes à ferrugem.
Em nosso município, tão logo iniciou o povoamento, iniciou-se o cultivo do
trigo. Inicialmente era produzido para o consumo da família. Só mais tarde, foi
produzido para a comercialização.

Os triticultores brasileiros sempre enfrentaram a competição do trigo


estrangeiro, principalmente dos Estados Unidos e Argentina por ser considerado de
melhor qualidade. “Importamos 2,2 milhões de toneladas, em média, no período de
1962 a 1966, o que corresponde aproximadamente a 80% do consumo aparente do
trigo no Brasil, acarretando um dispêndio em divisas na ordem de 840 milhões de
dólares, no período considerado.” (102)
Este quadro, preocupa o governo brasileiro e este toma consciência, que só é
possível reverter esta situação, no momento em que a taxa de produção, supere a da
população e da importação.
Como o Rio Grande do Sul, é o estado brasileiro que produz as melhores
condições naturais (clima, solo...) para o cultivo de trigo, foi um dos fatores, que
encorajou os agricultores gaúchos, na década de 1970, com a implantação da
mecanização da lavoura, a investir na plantação de trigo, diante dos incentivos
governamentais.
Foi nesta época que as lavouras tradicionais, os potreiros e as áreas de mata
existente, cederam seus espaços para a plantação de trigo e soja. Os agricultores
motivados pelos incentivos financeiros do governo, no sentido de financiar
maquinários, insumos, implementos, atraídos pelo slogan “plante que o governo
garante” e fazer com que o Rio Grande se tornasse novamento o “celeiro do Brasil”,
foram as batalhas decisivas da produção de trigo no Rio Grande do Sul.
Mas, com o passar dos anos, percebe-se que todo este esforço foi em vão, uma
vez que o trigo estrangeiro continuou sendo forte concorrente, além do agricultor ter que
enfrentar as geadas e as fortes chuvas que lhe causaram grandes prejuízos.
“A falta de uma política de estímulo à produção e as dificuldades de
comercialização dos últimos anos, desestimularam o produtor de trigo que diminuiu em
mais de 40% a área plantada”. (103)
Para comprovar a redução da área de trigo plantada no Rio Grande do Sul,
transcrevemos aqui, um quadro estatístico, fornecido pelo IBGE/Fecotrigo.

______________________________________________________________________
__________
(100) Jornal Correio Riograndense, 20 de dezembro de 1995.
(101) Cartilha do Agricultor - Vol. 3.
(102) Cartilha do Agricultor - Vol. 3.
(103) Jornal Correio Riograndense, 20.12.95.

“Safra Gaúcha de Trigo

Ano Área colhida (ha) Rendimento (kg/ha) Produção (ton)


1985 970.804 1.032 1.001.958
1986 1.197.724 1.510 1.808.002
1987 998.324 1.786 1.783.449
1988 1.051.188 1.527 1.605.043
1989 808.649 1.808 1.465.720
1990 988.158 1.182 1.168.628
1991 617.413 1.106 682.684
1992 489.317 1.850 902.861
1993 598.312 1.533 917.325
1994 554.129 1.456 806.983
1995 270.247 1.238 334.525
1996 565.589 1.701,943 962.600
1997 496.543 1.820,231 903.823
1998 379.900 1.416,457 538.112
1999 397.133 1.827,952 725.940
2000 560.550 1.577,927 884.507
2001 615.152 1.748,994 1.075.897
2002 800.307 1.407,645 1.126.524
2003 1.063.894 2.251,688 2.395.557
2004*
Fonte: IBGE / Fecotrigo até 1995. (104)
A/c de 1996 IBGE - Produção Agrícola Municipal – INTERNET.(105)
Muitos agricultores, substituiram seus trigais, por outros tipos de cultura como
criação de gado leiteiro e/ou de corte, plantio de aveia para: pastagem, comércio ou para
ser incorporada ao solo. Os agricultores que incorporam a palha ao solo, afirmam que há
um aumento de produção na cultura de verão.
A política governamental, e a exigência do mercado consumidor, levou o
agricultor a se preocupar com o aumento da qualidade e da produtividade. Mas o nosso
agricultor, não tem condições de acompanhar as exigências do mercado, devido os altos
custos da produção.
“Quem na safra passada, seguiu as recomendações técnicas - como o uso de
300 quilos de fertilizantes por hectare e uma aplicação de fungicida por exemplo - teve
que investir 181,84 dólares por tonelada produzida. Ele tem que colher no mínimo
2.310 quilos por hectare para cobrir os custos diretos e indiretos da formação da
lavoura, afirma Tarcísio Minetto, técnico da Fecotrigo.” (106)
No corrente ano (1996), os agricultores motivados pelo preço, quando a saca de
60 quilos chegou a valer R$ 17,00, no ano anterior, estimularam-se para a retomada da
cultura. Dos 298,934 ha colhidos em 1995, a expectativa inicial era de 567,7 mil para
1996.
O entusiasmo dos tritritultores durou até a hora da colheita. Tudo prometia uma
safra promissora. Porém os agricultores da região encerraram a colheita com uma
constatação desagradável. “Uma nova safra com prejuízos terá de ser contabilizada,
com pelo menos 60% da produção de 90 mil toneladas, classificadas como triguilho -
produto de baixa qualidade e que só é usado como ração animal.” (107)
Muitos agricultores utilizaram recursos obtidos da venda da soja, para investir na
lavoura de trigo, estimulados pela alta cotação e pela tendência de bons preços.
_____________________________________________________________________________________
__________
(104) Jornal Correio Riograndense de 20/12/95.
(105) IBGE – Internet. (106) Revista Globo Rural, março / 95.
(107) Zero Hora – 17.11.96.

A baixa qualidade do cereal, foi provocada pelo excesso de chuvas, pouco antes
da colheita, que causou a germinação dos grãos.
Comenta o agrônomo da Cotrirosa Jaír Dezordi: “As lavouras chegaram ao
ponto de colheita com potencial ótimo de produtividade, mas as chuvas verificadas em
outubro - 380 milímetros, o dobro do volume normal para o período - danificaram a
qualidade de grande parte de grãos.” (108)
Constata-se que a cultura de trigo no Brasil, está em processo rápido e contínuo
de declínio, cujos efeitos mais visíveis apresentam-se na redução de área cultivada e na
produção, determinando o sucateamento da infraestrutura de apoio ao processo
produtivo e, em conseqüência, dificuldades de comercialização, como um dos
exemplos, levando à deteriorização das atividades, gerando fome, desemprego e miséria
nas áreas rurais.
Neste contexto econômico e político, encontra-se o agricultor de Novo
Machado, sofrendo as conseqüências ditadas pelo mercado nacional e internacional e
pelos fatores climáticos.
Segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal da Agricultura, de Novo
Machado, o município possuía uma área cultivada com trigo de 4.000 hectares, com
uma produtividade média de 1.800 Kg/ha, atingindo um volume de 7.200 toneladas
(dados de 1995).
Conforme registros de 1998 a 2002, a média de produção de trigo em nosso
município, baixou para 1.440 Kg/ha. Em 2003, com 6.000 ha cultivados, alcançou-se
igualmente uma produtividade média de 1.440 Kg/ha.
Em 2004, com uma área cultivada de 4.500 ha, obtivemos um volume total
colhido de 5.400 toneladas, equivalente a uma produção média de 1.200 Kg/ha.
A partir das considerações acima mencionadas, e analisando a nossa prática
agrária, podemos nos questionar: - qual é a perspectiva do nosso pequeno produtor, se
esta é a terceira safra consecutiva, sem a chance de lucrar? - como vai saldar suas
dívidas e fazer novos investimentos? - será que estas freqüentes crises não vão gerar,
novos pequenos agricultores sem pão e sem terra? - qual é a qualidade da farinha que
consumimos, frente a utilização dos agrotóxicos? Estes e outros questionamentos
poderão ser levantados, a partir da nossa realidade.

- Fumo:

O fumo, uma cultura comercial, possui lugar de destaque nos aspectos


econômicos do Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul. Além do Rio Grande do
Sul, há outros estados do Brasil que cultivam o fumo: Bahia, Santa Catarina e Minas
Gerais.
Em nosso estado a produção de fumo concentra-se na região de Santa Cruz do
Sul e municípios próximos, pois é neste município que estão concentradas as grandes
companhias de fumo, em sua maioria.
Da região de Santa Cruz espandiu-se a fumucultura para outras áreas do estado,
atingindo: Alto Uruguai, Planalto Médio e Missões.
O fumo é uma planta de origem tropical que exige um clima quente e úmido e
um solo fértil.
O preparo do solo, influi muito na produção e qualidade das folhas.
A espécie de maior importância econômica, mais cultivado em nosso Estado, é a
“tabacum” que destina-se ao fabrico de cigarros, charrutos e fumo em corda ou rolo.
O fumo, para o município de Novo Machado, veio com os colonizadores,
procedentes de Santa Cruz do Sul que localizaram-se na região de Esquina Barra Funda,
na década de 1940.
“Depois de alguns anos, que conseguiram ampliar suas roças, iniciaram o
plantio de fumo, este, destinava-se ao comércio. A tradição da cultura do fumo, veio
com os colonizadores, procedentes de Santa Cruz do Sul, visto que lá, era o produto
mais cultivado.” (109)
______________________________________________________________________
__________
(108) Zero Hora - 17.11.96.
(109) In. História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO - 1995.
Segundo o depoimento de alguns pioneiros, plantar fumo era um trabalho
“nogento” porque o trabalho era todo manual e além de exalar forte cheiro, ficava tudo
grudento.
Colheita do Fumo - Família de Bernardo Schley – Lajeado Corredeira

“Plantávamos muito fumo. Cheguei vender 250 arrobas para Vilmuth Rusch de
Esquina Barra Funda. Rusch trocava os produtos por tábua”.
(Palavras de D. Catarina Joana Ciotte Lagunde).

Até 1970, cultivavam-se diferentes variedades de fumo caseiras. Somente a


partir de 1970, a Companhia Souza Cruz passa a oferecer assistência técnica aos
produtores, através de um Instrutor, introduzindo também a variedade cultivada ainda
atualmente, conhecida como “Burley”.

1º Canteiro construído com Orientações Técnicas na propriedade de Alberto Drost,


na localidade de Esquina Barra Funda – Tucunduva – RS .
Variedade: Pelageiro – Instrutor: Lindolfo Hoesel.
O fumo, foi uma cultura que adaptou-se à região da costa do Rio Uruguai,
devido as condições do solo e do clima, sempre foi cultivado nesta região, mesmo
resistindo à mecanização da lavoura.
No década de 1970, a Companhia de Cigarros Souza Cruz, entrou em nossa
região, incentivando a plantação de fumo, oferecendo Assistência Técnica e
financiamentos para toda plantação (galpão, adubo, uréia, venenos e máquinas) e as
sementes, gratuitamente, introduzindo uma nova variedade, conhecida como “Burley”.
Esta variedade continua sendo cultivada ainda hoje, em 2005.

1ª Lavoura de Fumo Burley em fase de implantação – Esquina Barra Funda – Tucunduva – RS - 1970.
Instrutor: Adenir Boelter

1ª Lavoura de Fumo Burley em fase de colheita – Esquina Barra Funda – Tucunduva – RS - 1970.
Instrutor: Adenir Boelter
Carga de fumo com destino a Santo Angelo – diretamente para a Souza Cruz.
Freteiro: Armindo Ernest – Esquina Barra Funda – Tucunduva – RS.

1ª Carga de Fumo Burley misto entregue em Santo Angelo – diretamente para a Souza Cruz.
Freteiro: Otvino Justmann – Esquina Barra Funda – Tucunduva – RS.

Os pequenos proprietários da região da costa, em busca de uma nova alternativa


econômica, optaram pelo cultivo do fumo, uma vez que este oferecia maior
rentabilidade do que a cultura da soja.
“Primeiramente foram motivados a plantar bastante, atingindo uma média de
30.000 pés de fumo por família. Depois, a própria Souza Cruz, foi reduzindo a área
plantada. Antes a média era de dois hectares, agora passou a ser um hectare (15.000
pés). Também o financiamento da construção do galpão, cujo contrato foi feito por 8
anos, foi reduzido para um prazo de 3 anos.
Nos primeiros dois anos, a plantação do fumo rendeu bem e valeu a pena. Já
nos últimos, a colheita foi frustrante, bem como o preço pago ao produto, pois foi
decaindo.
A cultura do fumo, depende muito das condições climáticas e do regime de
chuva, especialmente na época do plantio. O viveiro das mudas é feito na própria
propriedade.
O produto deve ser classificado em 6 classes. A Companhia leva o produto e faz
a classificação final, na ausência dos proprietários. O pagamento demora de 8 a 20
dias para ser efetuado.
A intenção desses agricultores é se desligar da Companhia por vários motivos,
mas principalmente, por causa da saúde: “precisamos de saúde e não de veneno”. A
cultura do fumo, exige muitos tratos culturais, especialmente a aplicação de venenos,
mais ou menos a cada 30 dias, sendo este muito perigoso à saúde. Também, porque
exige mão-de-obra. Plantando fumo, deixa-se de plantar muitas culturas (batata,
milho...) e o preço também é pouco.” (110).

Entre as culturas comerciais, do nosso município, o fumo ocupa o 4º lugar na


produção.
Segundo dados da Secretaria Municipal da Agricultura, o município de Novo
Machado, em 1995, cultivou uma área de 236 hectares de fumo, com uma produtividade
média de 1.800 kg/ha e um volume de 424,8 toneladas. No decorrer dos anos novas
empresas fumicultoras foram surgindo e , salienta-se que, desde abril de 2001, os
plantadores de fumo no município de Novo Machado, vinculados à Empresa DIMON,
recebem instruções de Paulo César Zamin, enquanto que os produtores vinculados à
Souza Cruz, recebem as instruções de Henrique Menin.
Em 2004, conforme dados obtidos na Internet, o município de Novo Machado,
com uma produção média de aproximadamente 1.500 Kg/ha, obteve uma safra total de
354 toneladas.

Produção de mudas de fumo em estufa – 2005


orientada pelo instrutor Paulo Cesar Zamin
- Fruticultura e Horticultura
A horta e o pomar não exigem muito espaço, por isso com pouca mão-de-obra
podemos transformar solos incultos em celeiros de comida e de renda. É nas frutas e
verduras que encontramos a maior fonte de vitaminas, algo que ainda deve ser
incorporado na alimentação diária de muitos brasileiros.
No Brasil o consumo de hortaliças é um dos mais baixos do mundo, segundo
pesquisas realizadas. “Apesar do clima favorável e da abundância de espaço a
demanda média, entre nós é inferior a 60 quilos per capita/ano.” (111)
_____________________________________________________________________________________
__________
(110) In História da Localidade de Boa União - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(111) Revista Globo Rural - dezembro de 1994.
Os pioneiros que colonizaram o nosso município, tão logo instalaram-se nas suas
propriedades, organizaram suas hortas e pomares para auxiliar na alimentação da
família.
Com a mecanização da lavoura, muitos agricultores, substituíram seus pomares e
suas hortas pelo cultivo da soja.
Atualmente, diante das freqüentes frustrações de safras, alguns agricultores de
Novo Machado, tentaram uma nova alternativa econômica, estendendo sua horta e
pomares, às lavouras.
Contávamos em 1996, em Novo Machado, com dois produtores de hortaliças
para comercialização: Teobaldo Schröeder em Esquina Barra Funda e Edemar Giese em
Lajeado Touros.
O Senhor Teobaldo Schröeder, iniciou suas atividades de horticultor, em meados
da década de 1980, na época, em que o Município de Novo Machado era distrito de
Tucunduva, com o auxílio dos técnicos agrícolas da Emater. Cultiva uma área inferior a
meio hectar, com repolho, couve-flor, alface, cenoura, beterraba, pepino, tomate... Não
possui estufa e nem irrigação, o que dificulta a produção na entre-safra. Comercializa
seus produtos na localidade, em Vila Pratos e Tucunduva.
O Senhor Edemar Giese, de Lajeado Touros, cultivava: pepino, alface, rabanete,
cenoura, beterraba, feijão de vaje, repolho e moranguinho. A área de plantio com
moranguinho em 1995, era de aproximadamente de 250m² com uma produção
equivalente a mais ou menos 100 sacas de soja. A área cultivada com hortaliças é
inferior a meio hectare.

O Senhor Edemar, recebia assistência técnica da Secretaria Municipal da


Agricultura. Já participou de Curso de Plasticultura (estufa) e olericultura (plantação de
hortaliças).
Cultivava suas hortaliças em estufa e possuía irrigação.
Para adubar sua horta, instalou em sua propriedade um “minhocário”, para
produção de humos. Iniciou em 1995, com 30 minhocas (Califórnias), alcançando
resultados satisfatórios.
A comercialização de sua produção era realizada em Novo Machado e
Tucunduva.

Horta Comunitária:

Com incentivo da Secretaria Municipal da Saúde e Assistência Social e da


Secretaria Municipal da Agricultura, foi instalada na localidade de Rincão dos Claros,
em 1995, uma Horta Comunitária, no terreno da Escola.
O objetivo da horta comunitária, surgiu como forma de integrar a Escola e a
Comunidade, congregando as famílias em torno de um objetivo comum.
Inicialmente, foram proferidas palestras educativas envolvendo: saúde, higiene,
alimentação, instruções sobre o cultivo de hortaliças (semeadura, replantiu e combate às
pragas).
Uma das primeiras atividades realizadas pela comunidade, foi ampliar a horta da
escola local, destinada para viveiro de mudas.
A seguir, cada família organizou e preparou a sua horta familiar, para na hora do
replante, cada família possuir o local adequado.
As famílias organizaram-se em grupos, e revesavam-se na prestação de serviços
na horta. Além de trabalhar na horta comunitária, principalmente as mulheres, auxiliam
a professora nas atividades de limpeza, conservação do terreno, preparo da merenda,
etc.
Segundo informações dos Coordenadores, as famílias participaram com muito
entusiasmo, desde crianças até pessoas idosas. Ampliando este projeto, foram
distribuidas mudas de árvores frutíferas, para serem plantadas nas residências.
Em 1996, além do trabalho com a horta comunitária no Rincão dos Claros, foi
realizada uma oficina de artesanato de balaio - e outra de confecção de cobertores com
roupas velhas, procurando espandir o espírito comunitário das famílias desta
comunidade e suprir suas necessidades.
Este trabalho continuou até o final da década de 1990.

Horta Comunitária
Comunidade de Rincão dos Claros
Horta Comunitária
Comunidade de Rincão dos Claros

Cítricos:

Outra alternativa econômica, que alguns agricultores buscaram, para diversificar


e suprir as frustrações agrícolas dos últimos anos, foi o cultivo de cítricos (laranja).
Cultivar laranjas para o consumo famíliar, é uma característica da grande
maioria das famílias do município de Novo Machado, desde os primeiros colonizadores.

“Há alguns anos, precisamente sete ou oito, que, motivados pela EMATER de
Tucunduva, alguns agricultores acataram a idéia de estender o plantio de laranjas para
a lavoura, e não cultivar apenas o pomar”. (112)
Em 1996 o município contava com diversos produtores localizados em Lajeado
Limoeiro, Nova Esperança, Boa União, Três Pedras, Esquina Água Fria, Esquina Barra
Funda, Lajeado Corredeira, Barra Funda e Esquina Machadinho.
As variedades de laranjas plantadas é a valência e a natal, ambas produzem na
entre-safra. Porém no corrente ano, devido as alterações climáticas, o amadurecimento
dos frutos, foi mais precoce.
A plantação de cítricos, requer muitos cuidados, por isso os agricultores recebem
orientação técnica da Secretaria Municipal da Agricultura e das Cooperativas. “Sendo o
maior trabalho, o cuidado com os galhos doentes. As doenças mais comuns são: ácaro
e leprose. A utilização do enxofre tem recuperado um pouco. Requer também, muito
cuidado contra o ataque das formigas”. (113)
Quanto mais cuidados forem dispensados às laranjeiras, melhor será a produção
de seus frutos, conforme podemos constatar na citação abaixo:
“Não tem como deixar de ver, pela fartura e doçura dos frutos colhidos, que o
trabalho no cuidado com o pomar tem valido a pena. Principalmente o da adubação
das fruteiras. Primeiro foi a indispensável adubação feita na época da implantação do
pomar. Depois a cada ano, aquelas dosagens apropriadas à fase de crescimento e à
idade adulta da planta. Os resultados se vêem na boa carga de frutos”. (114)
As laranjas produzidas em nosso município, são comercializadas, aqui na região.
São vendidas para COTRIROSA, para fruteiras de Tucunduva, Horizontina, Santa Rosa
e também particulares de Novo Machado e Tucunduva.
Em busca de novos investimentos, e de novas alternativas econômicas, algumas
pessoas, iniciaram pequenas plantações de abacaxi.
O abacaxi é uma planta tropical que adaptou-se muito bem no Rio Grande do
Sul (na região do litoral nos municípios de Osório e Torres) e também em pequenas
áreas do Rio Caí, Taquari e Uruguai.
Em nosso município de Novo Machado, os moradores da região da Costa do Rio
Uruguai, sempre cultivaram abacaxizeiros, no fundo do quintal. Porém nos últimos
anos, alguns agricultores estenderam suas plantações para as lavouras, nas localidades
de Lajeado Saltinho, Lajeado Marrocas e Barra Funda. Estes produtores possuem
aproximadamente 13 mil pés.
Na última safra, 2004/2005, com uma área de cerca de 3 ha cultivados, obteve-
se uma colheita de aproximadamente 35.000 frutos colhidos.
O sucesso desta cultura está na dependência do clima, exigindo, para sua
produtividade, invernos brandos, com ausência de geadas, com boa ditribuição de
chuvas na primavera e verões quentes.

e) A Pesca
Os primeiros colonizadores encontraram os rios e lajeados desta região, assim
como em outras, povoados de uma variedade grande de peixes. Nesta reserva natural,
encontraram uma alimentação farta e saudável. Em qualquer lajeado próximo as suas
terras, os agricultores buscavam nos peixes as proteínas necessárias a sua alimentação,
razão pela qual, esta atividade era muito valorizada.
______________________________________________________________________
_________
(112) In História da Localidade de Boa União -NOVO MACHADO –RS - 1995.
(113) Revista Globo Rural, março de 1995.
(114) Id Ibid.
Nesta época, as pessoas pescavam somente para a sobrevivência da família. Os
pequenos excedentes eram conservados, até 6 meses, na salmoura.
Quando alguém recebia visita para almoçar e quisesse oferecer carne fresca no
almoço, pegava o anzol e dirigia-se ao rio, principalmente os que residiam perto deste.
Para ilustrar esta questão, veja a citação que segue, que relata a situação de uma visita
realizada a colonizadores:

... “Sie hätten uns zum Mittagessen noch gern mit frischen Fischen bewirtet,
aber wir haben einen weiten Weg stromaufwärts vor uns und ziehen es daher vor
abzufahren. ...
... Schweißgebadet erreichen wir unser Ziel und wollen zuerst ein Bad nehmen.
Berthold Matschinski geht gerade angeln. ...
... Berthold Matschinski kommt mit einigen Fischen zurück und liefert sie in der
Küche ab. ...
Die Frau ruft uns zum Mittagessen. Erfrischt steigen wir aus dem Fluß. ...
... Nun haben wir doch noch frische Fische zum Mittagessen.” ... (115)
(... “Eles queriam nos servir com satisfação, um Almoço com peixes frescos, mas nós
temos um longo caminho a remar rio acima e preferimos sair...
... Suados alcançamos nosso destino e queremos primeiro tomar um banho. Berthold
Matschinski vai pescar...
... Berthold Matschinski retorna com vários peixes e os entrega na cozinha...
... A esposa nos chama para almoçar. Refrescados saímos do rio...
... Assim mesmo, ainda temos peixes frescos para o almoço” ... )

Atualmente, os rios e lajeados estão despovoados de peixes, destruídos pela


erosão e pela poluição agrícola.

Hoje, somente no rio Uruguai a pesca continua sendo, além de uma atividade de
lazer, uma fonte de subsistência e para alguns, uma atividade econômica.
Segundo informações da Secretaria Municipal da Agricultura, na região de
Lajeado Corredeira e Lajeado Saltinho, há quatro profissionais habilitados (possuem
Carteira de Pescador) para pesca no Rio Uruguai. Sabe-se porém, que além desses, há
inúmeros pescadores clandestinos, que fazem desta atividade, uma fonte de renda.
Para habilitar-se como pescador profissional e obter a sua carteira, o interessado
não pode ter outra fonte de renda, nem terra em seu nome.
Embora não se perceba, o Rio Uruguai, fornece aos novomachadenses, uma
grande quantidade de peixes. O excedente, é comercializado em outros municípios.
Isto ainda é possível, em virtude da legislação que preserva os peixes, proibindo
a pesca na época da desova.
As principais variedades de peixes existentes no rio Uruguai são: dourado, piava,
pati, tamanco, cascudo, jundiá, surubi...
Hoje, para suprir a necessidade do consumo de peixes, desenvolve-se a
piscicultura.

- A Piscicultura:

“A piscicultura que é a criação racional de peixes visando fins comerciais,


subsistência, ou esporte, é uma atividade muito antiga.” (116)
“Em plena era moderna, o Brasil talvez seja uma das raras nações do mundo,
que tem nas águas uma fronteira ainda por explorar, uma outra economia a construir”.
(117)
_____________________________________________________________________________________
__________
(115) WOLFF, Herbert. Pionire im Laude der Gaúchos. Pág. 104.
(116) Manual Brasileiro Agrícola - Criações Rurais - Vol. 8
(117) Revista Globo Rural, outubro de 1994.

As primeiras experiências de diversificação com a piscicultura, da qual se tem


notícias, chegou ao Brasil há pouco mais de 20 anos, inclusive no Rio Grande do Sul,
como uma alternativa econômica.
“No Rio Grande do Sul, o início foi ainda na década de 1970, com o impulso
decisivo da COTRIJUÍ - Cooperativa Tritícola Serrana de Ijuí, ao norte do Estado, que
começou a incentivar seus associados a abrir tanques para criar peixes. Era uma
forma de proteção, contra os riscos da derrocada da dobradinha soja/trigo, que
dominava de forma absoluta a região.” (118)
Desta forma, busca-se nas águas o espaço para produzir mais proteínas uma vez
que nosso país conta com condições naturais privilegiadas: água, sol e muito espaço.
Altamir Antonini, supervisor dos trabalhos de piscicultura da Cotrijuí afirma: “A
piscicultura é a única atividade que não rouba espaço à agricultura nem à pecuária.
Ela utiliza e valoriza áreas não aproveitadas e respeita o sistema de proteção das
microbacias”. (119)
Na região do Município de Novo Machado, até o final da década de 1980, eram
poucos os agricultores que dedicavam-se à criação de peixes. Os poucos açudes
existentes, eram pequenos e a produção destinava-se ao consumo familiar. Nesta época,
os agricultores, pouco ou nada sabiam sobre a criação de peixes.
A partir daí, iniciou-se, a exemplo de outras regiões, o incentivo à criação de
peixes, tendo-se como principal objetivo o enriquecimento do cardápio.
Com a emancipação de Novo Machado, a Prefeitura Municipal através da
Secretaria Municipal da Agricultura, passou a incentivar o aproveitamento do potencial
hídrico e a produção de peixes, como uma das atividades, que pudesse gerar uma nova
alternativa econômica, para os agricultores.

“Segundo informações da Secretaria Municipal da Agricultura de Novo


Machado,obtida em 1996, a Prefeitura ajuda os agricultores que desenvolvem a
piscicultura, com:
- 50% do custo do açude.
- assistência técnica.
- comercialização.
- compra de alevinos para baratear o custo.” (120)
O município contava em 1996, com 33 (trinta e três) proprietários de açudes
atingindo mais ou menos 50 (cinqüenta) ha, sendo que, 14 (quatorze) destes, produzem
peixe para comercialização, compreendendo uma área de aproximadamente 30 (trinta)
ha de açudes.
Somente um produtor, de Novo Machado, o Sr. Guinter Kaffka, produzia filé de
tilápia, o qual era comercializado no próprio município e na região.
Comercializava também, peixes vivos com o Estado de São Paulo.
A Secretaria Municipal da Agricultura, objetivando a produção de peixes,
promoveu palestras aos agricultores e oportunizou-lhes a participação num curso de
Piscicultura e Culinária, que houve em Tucunduva.
Em 2005, Novo Machado conta com 53 proprietários de açudes, perfazendo
aproximadamente 54 ha de açude. Destes, cerca de 15 proprietários, produzem peixes
para comercialização, utilizando para isso, uma área aproximada de 35 ha de açudes.

- Produção de Alevinos:

O município de Novo Machado, conta com um produtor de alevinos: “A


piscicultura Schröder”, pertencente ao Senhor Ademar Schröder e família.

_____________________________________________________________________________________
__________ (118) Revista Globo Rural, outubro de 1994.
(119) Id Ibid.
(120) In História de Novo Machado (cidade) - NOVO MACHADO – RS - 1995.
A sua vocação de criar peixes, vem de longa data. A atividade, já é um gosto da
família, pois desde pequeno, o Sr. Ademar viveu esta experiência, junto com seu pai e
seu avô, em Tuparendi. A família produzia peixes para o abate.
Em certa oportunidade, quando ainda morava em Tuparendi, ao passar próximo
a terra, onde hoje é sua propriedade, não foi levado a sério, quando demonstrou
interesse pela mesma, uma vez que esta era uma terra fraca e apresentava boa área de
banhado.
Na época, a criação de peixes, não era vista como uma atividade econômica
rentável e, conseqüentemente, a construção de açudes era considerada inviável.
Porém, 2 anos depois, conseguiu vender suas terras em Tuparendi e adquiriu a
propriedade que possui atualmente, que pertencia ao Senhor Henrique Krüger.
Chegando em Novo Machado e interessado em desenvolver a atividade, começou a
divulgar e discutir suas idéias em rodas de amigos. Porém, a idéia de criar peixes na
época, era considerada inviável. Mas aproximadamente nos anos de 1969/70, iniciou a
construção de açudes e a criação de peixes, com recursos próprios.
Mais tarde, a Secretaria Municipal da Agricultura de Tucunduva, incentivou-o a
desenvolver a desova artificial. Para tanto, foi elaborado e encaminhado um projeto pela
LBA, através do qual seriam financiadas as instalações necessárias. Infelizmente, o
Projeto não foi atendido.
Como já haviam encomendado as incubadoras, mesmo sem saber como
funcionavam, tiveram que adquirí-las, iniciando o processo com recursos próprios.
A partir daí, iniciou uma nova etapa em sua caminhada: ir em busca do domínio
do conhecimento. “Participamos de muitos cursos e realizamos muitas visitas à
pisciculturas, inclusive de outros estados. Em cada experiência, aprendemos um pouco.
Quem mais nos ensinou foi um japonês, doutor em Piscicultura, que trabalhava no
Paraná, que, percebendo o interesse do Ademar, chamou-o para o lado e explicou os
detalhes. Íamos sempre toda família, o que um não assimilava, tinha o outro para
aprender.”
(Palavras de D. Tabea Schröder).

Piscicultura Schröder - Novo Machado

“Fizemos muitos cursos, mas o que mais nos ajudou foi a prática. Nos cursos
geralmente, só se aprende a teoria. No início tivemos muitas dificuldades, pois
chegávamos a perder toda uma desova, por não dominarmos a técnica necessária”.
(Palavras de Ademar Schröeder).
Desova Artificial - Piscicultura Schröder

Entre muitos cursos, a família Schröder participou de um curso na Universidade


de Santa Maria, para o qual chegou a levar alguns peixes, com o objetivo, de que, lhe
fossem ensinados, maiores detalhes, tais como: a localização e obtenção da Hipófise,
glândula necessária para possibilitar o processo da desova artificial. Porém, os
professores do curso, não aceitaram o desafio, ficando somente com a teoria.
Mais tarde, um professor da Universidade Federal de Santa Maria, um Doutor
Húngaro, permaneceu uma semana na propriedade. Era um grande conhecedor da
teoria, mas não dominava a prática, que para a família, era a maior dificuldade.
Um dos maiores problemas, era conhecer o comportamento dos peixes. “Por
isso, bem cedinho, ao clarear do dia, íamos tomar o nosso chimarrão na beira dos
tanques, para observar os peixes”.
(Palavras de D. Tabea Schröder).
Tudo era segredo:
- conhecer as características de cada uma das espécies;
- descobrir a hora, em que a matriz estava pronta para a reprodução;
- localizar e extrair a Hipófise dos peixes abatidos, para preparar o soro a ser
injetado na matriz na hora oportuna;
- conhecer o tempo e as condições ambientais adequadas, para a desova e
incubação de cada uma das espécies.
Tudo isso, pela dedicação e amor a causa, foi sendo superado no decorrer da
caminhada.
Em 1996, os mais de 6 hectares de açude de sua propriedade, destinam-se
exclusivamente, para produção de alevinos de diferentes espécies, das quais destacam-
se:
- Carpa: Húngara, Japonesa, Cabeça-Grande, Capim e Prateada;
- Gramatão;
- Jundiá;
- Bagre Americano, conhecido como Katfisch;
- Bagre Africano;
- Dourado e Surubi: na época, estes ainda não haviam formado ovos e por isso,
ainda não produziam alevinos destas espécies;
- Piau;
- Truta: que possui uma das melhores carnes;
- Tilápias: nas quais inclusive, fazem reversão de sexo, transformando as fêmeas
em machos, através da aplicação de hormônios;
- Pacu;
- Tambaqui e outros.
O Sr. Ademar, orgulha-se quando afirma, que foi um dos poucos piscicultores
que conseguiu adquirir as primeiras Carpas Húngaras, importadas para o Brasil.
Com a expansão da atividade, a Piscicultura Schröder conquistou um amplo
espaço, estendendo-se aos estados do sul do Brasil e ao vizinho País da Argentina,
vendendo alevinos e recebendo visitantes.
Ainda neste ano de 1996, permaneceu na Piscicultura, por uma semana, um
grupo de estagiários de Santa Rita - Argentina.
A grande preocupação, que havia na Argentina, com referência a busca de novas
orientações e alternativas, principalmente para a pequena propriedade, que assim como
no Brasil, encontrava-se em crise, refletia-se pela visita de autoridades e pelas
freqüentes excursões de colonos e engenheiros, que vinham em busca de conhecimentos
e informações.
Na região, a pedido da URI (Universidade Regional Integrada de Santo Ângelo),
a Piscicultura Schröder, realizou uma desova para a produção de alevinos, em fevereiro
deste ano (1996).
No corrente ano (1996), também firmou convênio com a Escola Agrícola de São
Luís Gonzaga, para onde deslocava-se, uma vez cada uma ou duas semanas, de acordo
com a necessidade, para dar assistência técnica aos alunos. É um acordo somente com a
direção da escola, mas os alunos, controlam os tanques e açudes.
Uma das preocupações do Sr. Ademar, é com a poluição e o desaparecimento
dos peixes dos rios. Para fazer frente a esta problemática, propõe o engajamento de
todos, para realizar o repovoamento dos mesmos.
Para tanto, forneceu alevinos de jundiá, para repovoar o Rio Uruguai, para a
Prefeitura Municipal de Porto Mauá, que fez desta atividade, uma das programações da
Semana do Município. Juntamente com o Rotary Clube de Tucunduva, realizou, o
repovoamento do rio Tucunduva, fornecendo os alevinos. Além disso, em 1994, a
Piscicultura Schröder realizou um repovoamento do rio Santa Rosa, por iniciativa
própria, particular.
Com o objetivo de viabilizar o repovoamento de nossos rios, de forma mais
eficiente, encaminhou um ofício às autoridades competentes (Brasil e Argentina),
solicitando permissão, para capturar matrizes dos rios na época da desova, com o
compromisso de devolver os alevinos aos rios. Porém, recebeu resposta positiva,
somente da Argentina.
Como qualquer outra atividade, esta também exige um aperfeiçoamento
constante, muita dedicação e persistência. “É preciso lutar sempre, desenvolvendo
novas técnicas e realizando o melhoramento das matrizes”. (Ademar Schröder).
A experiência avançou no decorrer dos anos e, em 2004/2005, a atividade ainda
prossegue, fazendo frente aos altos e baixos da economia nacional e regional,
avançando em experiência e em qualidade.
Destaca-se, a produção de alevinos de Dourado e Surubi. O Dourado é o peixe
mais difícil de reproduzir artificialmente, porém, uma fêmea pode produzir até 10
milhões de ovos. Para cada fêmea, precisa-se de até vinte (20) glândulas Hipófise e o
valor deste hormônio é de até 400 Dólares por grama.
Há muitos pontos positivos no desenvolvimento desta atividade, entre eles
destaca-se a sanidade, pois nunca foi verificado algum tipo de doença entre os peixes
e/ou os alevinos produzidos.
Na propriedade também são produzidos atualmente, em 2005, alevinos de Piava
e outros peixes de rio. Entre as variedades de peixe reproduzidas, encontram-se também
as Carpas Japonesas (Vermelhas).
Atualmente, em 2005, a Piscicultura Schröder produz mais de 100.000 alevinos
por temporada.

4.1.2. Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário

Com o objetivo de fomentar o desenvolvimento agropecuário do município,


criou-se o Conselho Municipal da Agricultura e o Fundo Municipal de
Desenvolvimento Agropecuário.

PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVO MACHADO - RS

LEI MUNICIPAL Nº 017/93 DE 07 DE JUNHO DE 1993.

“CRIA O CONSELHO
MUNICIPAL DE
DESENVOLVIMENTO
AGROPECUÁRIO E DÁ
OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
JAIME REICHEL PORTO, Prefeito Municipal de Novo Machado, Estado do Rio
Grande do Sul;
Faço saber que a Câmara de Vereadores aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte
Lei:
Art. 1º - É criado o CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO
AGROPECUÁRIO - CMDA - de Novo Machado, com a finalidade de integrar os esforços do setor
público e da iniciativa privada, colaborar com todas as atividades dirigidas ao desenvolvimento
agropecuário, consubstanciadas nos planos nacional, estadual e municipal, com o objetivo primordial de
fortalecer o setor primário da produção, desenvolver gradualmente a implantação do setor primário da
produção e comercialização, a implantação do setor da agroindústria e estabelecer diretrizes políticas para
o desenvolvimento deste setor, promover a articulação entre as associações; entre os grupos de
produtores e demais instituições; emitir parecer sobre convênios e induzir novas tecnologias.
Art. 2º - O CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO
- CMDA -, será integrado pelas seguintes Entidades:

1. Cooperativa Mista São Luiz Ltda;


2. Cooperativa Tritícola Santa Rosa Ltda;
3. Cooperativa Mista Tucunduva Ltda;
4. Associação de Lajeado Limoeiro;
5. Secretaria Municipal da Agricultura;
6. Câmara de Vereadores;
7. Associação de Três Pedras;
8. Associação de Esquina Barra Funda;
9. EMATER;
10. Sindicato dos Trabalhadores Rurais;
11. Banco do Brasil S/A;
12. Banco do Estado do Rio Grande do Sul;
13. VETADO;
14. Secretaria Municipal de Educação e Cultura;
15. Cooperativa de Crédito Rural Tucunduva - CREDITUVA;
16. Agropecuária Terra Verde.

Art. 3º - As despesas decorrentes com a instalação do CMDA, bem como de seus


serviços correrão por conta de dotações orçamentárias da Secretaria da Agricultura.
Art. 4º - O CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO
- CMDA -, adotará um Estatuto, onde ficará disciplinado a sua organização e reguladas suas atividades.
Art. 5º - Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data de
sua publicação.

Novo Machado, 07 de junho de 1993.

Jaime R. Porto
Prefeito Municial
Registre-se e Publique-se
Claudio S. Kopp
Secretário de Administração
Conforme Ata de Reunião Extraordinária nº 05/1995, realizada em 20 de agosto
de 1995, altera-se o Estatuto do CMDA, definindo-se que as entidades representadas
neste Conselho, deverão indicar um titular e um suplente e mais dois produtores, quais
sejam: Cooperativa Mista São Luiz Ltda., Cooperativa Tritícola Santa Rosa Ltda.,
Cooperativa Mista Tucunduva Ltda., Cooperativa de Crédito Rural, Sindicato dos
Trabalhadores Rurais, Secretaria Municipal da Agricultura e Secretaria Municipal de
Educação e Cultura, ao mesmo tempo em que são excluídas as seguintes entidades:
Banco do Brasil S/A, Banco do estado do Rio Grande do Sul (BANRISUL), Associação
de Esquina Barr Funda, Associação de Lajeado Limoeiro e Associação de Três Pedras.
Conforme Ata nº 03 de 1998, de reunião realizada em 1º de julho de 1998,
define-se que as Entidades representantes do CMDA, inducarão os seus representantes
produtores, de acordo com a sua Microregião que representam, ou seja: Secretaria
Municipal da Agricultura (SMA): Esquina Boa Vista e Lajeado Comprido; COMTUL:
Lajeado Limoeiro, Nova Esperança e Lajeado Touros; COPERMIL: Sede do Município,
Esquina Machadinho e Lajeado Gateados; SMEC: Lajeado Terrêncio e Barra do
Terrêncio; Sindicato dos Trabalhadores Rurais: Esquina Barra Funda, Esquina Carvalho
e Barra Funda; SICREDI: Três Pedras, Belo Centro e Boa União; COTRIROSA: Vila
Pratos e Esquina Água Fria; EMATER: Lajeado Corredeira e Lajeado Saltinho.
Nova alteração nos Estatutos efetivou-se em 23 de abril de 2003, conforme Ata
nº 01/2003, onde registra-se: “após análise e discussão – do Capítulo II – DA
CONSTITUIÇÃO – Artigo 3, Parágrafo 1º, foi substituído: produtores nomeados pelas
Entidades por Representantes das Localidades; foi criado o parágrafo 3º - Cada
Localidade deverá ter um participante efetivo e um suplente, com atuação de um
ano, podendo ser reeleito”. Para tanto, deverá ser feita uma reunião e o representante
deverá ser escolhido pela população da localidade, devendo o mesmo, apresentar a ata
com a assinatura dos votantes. Se este conselheiro não participar das reuniões do
CMDA, poderá ser substituído.
Este conselho, reúne-se mensalmente.
Em 1996, era presidente do Conselho, o Sr. Ademir Dallago e atualmente, em
2005, é o Sr. Nerci Ristow.
O Conselho é que estabelece as prioridades para a agricultura do Município,
gerindo também os Recursos do Fundo Agropecuário. Em 1996, foram estabelecidas as
seguintes prioridades:
- produção de leite, com aquisição de matrizes e implantação de pastagens
perenes;
- recuperação de solo com adubo e calcáreo, priorizando a região da Costa do
Rio Uruguai;
- levantamento de alternativas para o controle da erosão, ex.: plantio de cana-de-
açúcar;
- incentivo a piscicultura, apicultura, fruticultura.

4.2. Comércio e Indústria

Esta atividade econômica é tão velha quanto o ser humano.


Inicialmente, os povos antigos, realizavam o comércio mediante uma simples
troca de produtos, a chamada Barganha.
Esta prática, foi trazida à região de Novo Machado, pelos colonizadores, sendo
praticada intensamente. Nesta fase, as “trocas” representavam uma questão de
sobrevivência. Assim, as pessoas conseguiam obter, sem dinheiro, os produtos de que
necessitavam: sementes, os primeiros animais, instrumentos de trabalho, alimentos,
etc...
“O colono começou a produzir para o seu sustento e os excedentes a barganhar.
O colono começou a troca direta de produtos na lavoura, por outros do comércio. Os
colonos levavam para trocar: feijão, milho, arroz, fumo, porco e, em troca, traziam:
querosene, ferramentas, sal, tecidos, remédios, etc...” (121)
Na verdade, nesta fase, as necessidades básicas da população, em termos de
alimentação, vestuário, etc. não eram tão exigentes como nos dias atuais.
______________________________________________________________________
__________
(121) In História da Localidade de Lajeado Touros - NOVO MACHADO - RS -1995.
“As famílias compravam só dois tipos de tecido, quer dizer, duas peças
em metro: um tipo para fazer vestidos e camisas, e outra, para fazer calças para os
homens. O tecido para calças, era o Brim Diamantino.” (122)
Com o desenvolvimento da colonização e o conseqüente aumento populacional,
as distâncias que separavam os colonizadores dos centros comerciais e a precariedade
das estradas, verdadeiras picadas no meio da mata, foram as causas que fizeram surgir
as casas comerciais coloniais, os chamados “bolichos”, por toda a parte.
Paralelamente, ao surgimento destes “bolichos”, surgiram os carroceiros e os
viajantes ambulantes.

4.2.1. Os Bolichos e as Casas Comerciais

Na região que hoje compreende o município de Novo Machado, desenvolveu-se


graditavamente o sistema comercial, sempre com vistas a resolver as dificuldades
existentes.
“Inicialmente, os colonizadores buscavam mantimentos e produtos de primeira
necessidade em Giruá, Santo Ângelo ou Ijuí.
Para ir a Pederneiras ou Linha República, para buscar mantimentos, levavam
de 7 a 8 dias para ir e voltar.
Nestes locais, vendiam os seus produtos, como: banha, tramas, palanques e
dormentes, que eram transportados pelos carroceiros.” (123)

Contam alguns pioneiros que, quando comercializavam em Ijuí... “apenas o


dinheiro da banha era recebido e os demais produtos eram trocados por tecidos, sal,
querosene, açúcar, remédios, etc.” (124).

Mais tarde, locais mais próximos foram suprindo estas necessidades, fazendo
com que os colonizadores buscassem seus mantimentos e produtos de primeira
necessidade, em Tuparendi, Tucunduva e, posteriormente, na própria localidade.

Para uma melhor compreensão da evolução comercial e da distribuição dos


“bolichos” e/ou casas comerciais, nas diferentes localidades, registramos a seguir,
conforme informações obtidas através dos trabalhos das localidades, algumas
entrevistas realizadas pela Comissão Pró-história e de pesquisa em documentos, os
estabelecimentos que conseguimos apurar, não descartando a possibilidade de que
outros tenham existido, no mesmo período.

______________________________________________________________________
_________
(122) In História da Localidade de Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(123) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO – RS - 1995
(124) In História da Localidade de Lajeado Terrêncio - NOVO
MACHADO – RS - 1995.
Ano Localidade Proprietário
1930 Esquina Rensch - Arthur Teske foi a Machado, em 1933.
- Christiano Timm que vendeu para Ervino Rensch.
- Desativada em 1968.
1930 Vila Pratos - Theodor Rudolf que vendeu para Miguel Pfitscher.
1935 Vila Pratos - Miguel Pfitscher.
- Desativada em 1974.
Início Vila Pratos - Henrique Altmann que em 1942 vendeu para Arlindo Alegrete,
1930 até 1943.
Início Vila Pratos (no - Emílio Sturmhöebel.
1930 Porto)
Final Vila Pratos - Brykalski.
1930
1940 Vila Pratos - Romaldo Schweig e Dorzobacher.
1950 Vila Pratos - Fritoldo Sauter que vendeu para Comercial Wojahn.
1933 Linha Machado - Arthur Teske, vendeu para Adão Huck a/c da década de 1940
1933 Linha Machado - Henrique Schlag, até o início de 1950.
1957 Linha Machado - Ricardo Guse e Alfredo Wipprich
------ Linha Machado - Arno Naujorcks.
---- Linha Machado - Erhard Mertens e outros.
1935 Lajeado Limoeiro - André Freddi e mais tarde Sigesmundo Sapiachinski.
1949 Lajeado Limoeiro - Dall Áqua.
------ Lajeado Limoeiro - Geraldo Boer.
1965 Lajeado Limoeiro - Genuino Tombini e Albino Turra.
1935 Belo Centro - José Gambim que em 1950 vendeu para Vicente Grzeca que
em 1962 vendeu para o irmão Benedito Grzeca. Existe até hoje.
1955 Belo Centro - ........ Bernardi que vendeu para Joaquin Binotti, este depois
para Fritoldo Costa e este para Hilário Winter
------ Belo Centro - Delmar Corrêa vendeu para Mindo Brum.
1960 Belo Centro - Arcênio Herber, até 1966.
1937 Esquina Matter - Gottlieb Priebe que vendeu para Adão Huck e este para Willy
Waldow e este, em 1954 para Edmundo Fitz. Desativada em
1966.
1962 Esquina Matter - Bernardo Matter, até 1971.
1938 Três Pedras - Guilherme Naujorks, Gambim, Arnaldo Naujorks, Reneu
a Petrowski,
1996 - Almiro Schröeder, Ermelindo Merlugo, Fritoldo Costa,
- Silvestre Damasco Fiut, Elmer Shlender.
Final Nova Esperança - Luiz Grisa, José Rigon, Capra, Aurélio Cavalheiro, Artibano
década Brum, Reinaldo Wentz, Isolam (ficavam em média um ano.)
1940

Final Esquina Barra - Estanislau Schluc vendeu para Vilmuth Rusch e Alberto Drost
década Funda e estes para Armindo Ernest e Teodoro Pritrowski.
1940
1989 Esquina Barra - FIBASAN Comércio e Representações
Funda
1943 Lajeado Saltinho - ?
1945 Esquina Boa Vista - Roberto Kickhöffel vendeu para Adolfo Busse em 1947.
- Otto Gerke, que vendeu para Ricardo Saulit em 1955 e este
para o filho Elemar Saulit em 1972. Funciona até hoje.
1945 Esquina - Adolfo Erbach e Augusto Bubans que venderam para Angelo
Machadinho Turra, este para Albino Winter, depois para Ervino Brincker e
Valdemar Wentz, depois para Edmundo Rensch e por último
para Albino Avrella. Fechando em 1967.
1948 Barra Funda - Arcido Rusch.
1950 Barra Funda - Reginaldo Hegele que vendeu para Antônio Ferreira.
1948 Boa União - João Menuzzi que vendeu a José Cichorski em 1960 e este
para Izidoro Menuzzi e este para Osório Brum, vendendo a
Arcido Rusch em 1970 e, de 1980 a 1982 com Gomercindo
Molinari e Edemar Bertê, fechando em 1990.
1951 Lajeado Marrocas - Pracídio Dias fechou depois de um ou dois anos.
1952 Lajeado Marrocas - Gerônimo Ribeiro que vendeu para Pedro Kraus que, em
1968 vendeu para Gomercindo Carvalho, que vendeu para
Waldemar Kicköffel.
1969/ Lajeado Marrocas - Eliseu Linck, Baldoino Glänzel até 1980 quando foi vendido
70 para o Sr. Darci Adão Glänzel que vendeu, em 1988 para
Jaime Edemar Weber, e este 1993, vendeu ao Sr. Lídio Glänzel.
1962 Lajeado Marrocas - Miro Ribeiro que vendeu para Eugênio de Vargas e fechou em
1965
- Ernani Müller (1968) funcionando 6 ou 7 meses.
- Alírio de Lima Martins - 1972 e vendeu para Danilo da
Rocha de Oliveira e este, para Lauri da Rocha de Oliveira. Em
1974 retorna Alírio de Lima Martins e abre outro bollicho, que
depois de 2 anos vendeu para o Sr. Ieribert Theobald Glänzel,
que continua até hoje.
- Edemar Glänzel – 1991.
1953 Esquina Água Fria - Guilherme Gehler que vendeu para Dorvalino Behrens, este
vendeu para Augusto Genro, este para Nehring e, por último,
Ervin Zinnau.
- Fechou em 1975.
? Esquina Fitz - Fridolino Freitag e a contar de 1957 Vili Fitz; encerrando as
atividades na década de 1960.

Analisando os dados mencionados, constatamos o grande número de iniciativas


comerciais, algumas de grande porte e que persistiram por um longo período. Outros,
porém, com menor estrutura e condições tiveram curta duração, passando,
freqüentemente de um proprietário a outro.
No Guia Geral de Santa Rosa, contendo um indicador comercial e profissional,
editado em 1940, encontramos, nos registros referentes ao 7º Distrito, algumas casas
comerciais, que mencionamos a seguir:
A importância que estas casas comerciais maiores, como também os pequenos
“bolichos”, representaram para os colonos, colonizadores ou não, reflete-se naquilo que
ficou gravado na memória das pessoas ao longo dos anos. O comerciante, em geral, era
uma das pessoas que gozava de muito prestígio na comunidade. Era uma pessoa de
confiança, onde as demais emprestavam (compravam a prazo - fiado) e onde também
depositavam suas reservas, em produto ou em dinheiro.
“O comerciante, entrando em contato com pessoas de lugares distantes, mais
cultas, de um estágio de desenvolvimento superior, ouvindo novas idéias, tornou-se a
pessoa melhor informada de sua localidade. Tornou-se líder comunitário e político. Ele
também auxiliava os colonos nos seus momentos difíceis (doença-morte) e assim,
granjeou estima e consideração”. (125)
Os primeiros comerciantes, compravam os produtos excedentes dos agricultores,
como: feijão, porco, fumo, milho, soja, ovos, galinha, nata, arroz, banha, sabão,
rapadura, etc... de acordo com o que se produzia, variando de localidade para
localidade, e vendiam produtos diversos, conforme se registra a seguir:

“Levavam até as casas comerciais: feijão, banha, sabão, rapadura e em troca,


traziam querosene, sal, tecido em metro, ferramentas (machado, foice, serrote, enxada,
enxadão, prego, facão...)”. (126)
“Trocavam produtos brutos por mercadorias industrializadas”... “A sobra, era
deixada como depósito no bolicho, para eventuais despesas. As famílias, geralmente,
compravam mantimentos e vestimentas, para pagar na colheita, pois hão havia
inflação.” (127)
... “o comerciante da localidade, era o responsável pelo transporte dos doentes,
empréstimos de dinheiro ao colono (financiava da colheita a colheita).” (128)
“Compravam dos agricultores, todo tipo de produtos coloniais, variando de
acordo com as diferentes fases econômicas: palanques, porcos, soja”... “Os produtos
vinham em sacos e tinham que ser pesados e embalados de acordo com a solicitação do
freguês. Fazia-se pacotinhos bonitos de açúcar, erva, etc... usando-se cartuchos de
papel ou papel em metro ou pedaços. A erva era mais difícil de embalar, porque é leve e
dava pacote maior.”. “Também vendiam material escolar: cadernos, borrachas, lápis,
além de chapéus de feltro, sapatos, chapéus de palha.” (129)
Em algumas localidades, o surgimento das casas comerciais foi praticamente
paralelo à colonização, enquanto que em outras, esta atividade demorou a chegar.
Nestas últimas, para suprir suas necessidades, as pessoas valiam-se dos comércios mais
próximos, de outras localidades. Para isso, andavam quilômetros, a pé, a cavalo ou de
carroça.
As pessoas residentes nas localidades próximas ao Rio Uruguai, valiam-se do
mesmo como via de transporte, para satisfazer suas necessidades. Da localidade de
Barra Funda, por exemplo, “via Uruguai, de caíco, as pessoas iam comercializar em
Povoado Pratos”. (130)
Assim também, de Belo Centro, “os primeiros moradores, da costa do Rio
Uruguai, faziam suas compras em Porto Mauá. Iam até lá de canoa”. (131)
“Em 1943, instalou-se aqui a primeira casa de comércio: comprava produtos e
vendia mercadorias. Esse comerciante, transportava os produtos por água.” (132)

Um detalhe que chama atenção nesta fase comercial, é a confiança que as


pessoas depositavam nos comerciantes e a ausência de inflação, o que garantia os preços
dos produtos.

“O dinheiro ficava com o comerciante. O agricultor ia retirando, conforme precisava,


em gastos por manutenção ou por doença. Não existia inflação, que desvalorizava o
dinheiro e, conseqüentemente, não havia muita variação de preços durante o ano.”
(133)
_____________________________________________________________________________________
__________
(125) CLAUSS, Romualdo Justmann. Evolução Histórica Geográfica de Tucunduva, 1982.
(126) In História da Localidade de Três Pedras - NOVO MACHADO - RS -1995.
(127) In História da Localidade de Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(128) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(129) In História da Localidade de Lajeado Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(130) In História da Localidade de Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(131) In História da Localidade de Belo Centro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(132) In História da Localidade de Lajeado Saltinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(133) In História da Localidade de Três Pedras - NOVO MACHADO – RS – 1995.
A mesma dificuldade, que tinham os agricultores para chegar até a casa
comercial, tinham também os comerciantes, para suprir os seus estabelecimentos, com
as mercadorias necessárias. Em função disto, surgem duas figuras importantes: os
carroceiros e os viajantes.

a) Os Carroceiros:

Tão logo foram abertas as primeiras estradas que permitiram a passagem de


carroças e, tão logo estas puderam ser adquiridas pelos colonizadores, a função de
“carroceiro” surgiu como uma atividade auxiliar e colaboradora à agricultura que se
instalava. Em geral, eram os próprios colonizadores que, para fazer frente e suprir suas
próprias necessidades, organizavam e equipavam uma carroça, forte, grande e rude.
Adquiriram bons cavalos, de preferência mais do que uma parelha, para que, se
necessário, pudessem ser utilizados num conjunto, para puxar as pesadas cargas
empilhadas nas carroças.
Em todas as localidades foram surgindo os carroceiros que, inicialmente,
levavam os seus próprios produtos: banha, madeira (em forma de palanques, tramas ou
dormentes), feijão... Levavam também os produtos da vizinhança.
Mais tarde, os carroceiros passaram a fazer o frete para os comerciantes.
“O bolicheiro, também carroceiro, transportava produtos como: trama,
dormentes, palanques, banha, milho, feijão a Santa Rosa e Giruá, bem como trazia
mercadorias para abastecer o bolicho. Havia mais carroceiros: Guilherme
Sommerfeldt, Wadislau Hess, Paulo Busse, Otto Nehring. Transportavam: palanques,
banha, linhaça, feijão preto...” (134)
“Com o passar do tempo, surgiram os carroceiros, que faziam o transporte dos
produtos, até Ijuí. Na época, intensificou-se a criação de suínos na localidade. Porém,
apenas a banha era comercializada, pois a carne, estragava com facilidade. O trajeto
até Ijuí, era longo e demoravam dias até chegar lá, pois iam de carroça puxada por
bois ou cavalos. Além da banha, levavam: feijão, arroz, milho, etc...”. (135)
“Para transportar os produtos havia carroceiros que iam até: Ijuí, Santa Rosa,
Santo Ângelo, São Borja e Uruguaiana.
Os carroceiros de nossa localidade eram: Pedro Ferrari: ia até a fronteira -
levava palanque, dormentes e trama. Trazia pelegos e cadeiras para empalhar. A
viagem demorava de 30 a 60 dias.” (136)
Na região de Lajeado Limoeiro foram mencionados outros carroceiros: José
Possebom, Izidoro Menuzzi e João Pedro Dillmann.
Era um trabalho difícil. Enquanto os homens “carreteavam”, as mulheres e os
filhos, muitas vezes com dificuldades, tomavam conta dos trabalhos da lavoura,
domésticos e familiares.
Por outro lado, os próprios carroceiros, enfrentavam inúmeras dificuldades:
- as grandes distâncias, as péssimas estradas e nestas, os grandes atoleiros, pois
as baixadas em meio a mata, não secavam nunca e, a medida em que as pesadas
carroças passavam, os atoleiros se alastravam em todas as direções;
- as intempéries: chuvas, que muitas vezes lhes estragavam as mercadorias,
como açúcar, sal, etc...
- o sol forte, a poeira das estradas...
- o baixo preço dos produtos que vendiam;
- a ausência de pontes em muitos rios, obrigando os carroceiros a descarregar e
recarregar suas mercadorias, passando as carroças vazias pelo rio.
______________________________________________________________________
__________
(134) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(135) In História da Localidade de Lajeado Terrêncio - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(136) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS -1995.
Analisando-se todas estas situações, pode-se entender as dificuldades pelas quais
também passavam os comerciantes, mesmo que não carreteassem pessoalmente, nem
sempre recebiam as mercadorias em bom estado de conservação. Segundo o depoimento
de pioneiros, às vezes, o sal e o açúcar vinham tão sujos que, quando os utilizavam, os
alimentos e as panelas ficavam com as marcas da terra: avermelhadas.

b) Os Viajantes:

Após o surgimento das casas comerciais e a intensificação do comércio na


região, surgiu a figura do “viajante”, ou seja, o representante ou vendedor de casas
comerciais e fábricas, que viajava para oferecer seus produtos.
“No início da década de 1930, os viajantes passavam a cavalo e traziam
amostras, daquilo que queriam vender. Daí surgiu o nome “Musterreiter”, onde
“Muster”, palavra de origem alemã, significava amostra e Reiter montado a cavalo,
burro ou mula.” - (cavaleiro). Isto ocorreu nos primeiros anos da década de 1930. O
principal objetivo, era a venda de tecidos.” (137)
Estes “cavaleiros-viajantes”, sem dúvida, desempenharam um papel fundamental
no desenvolvimento do comércio no Rio Grande do Sul e trouxeram também sua
contribuição para esta região, embora com menos expressão do que o foram nas
Colônias Velhas.
No decorrer das andanças de cavalgada em cavalgada, enfrentando as mesmas
dificuldades e peripécies, constituiram profundas amizades.
O “Musterreiter” desejando “Boa-viagem” ao Companheiro”

A título de ilustração, colocamos neste espaço, uma poesia que um destes


“cavaleiros-viajantes, fez em homenagem ao seu burro, companheiro indispensável e
fiel de muitas jornadas.

______________________________________________________________________
__________
(137) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO – RS - 1995.

(138)
(“O Velho Cavaleiro-viajante ao seu Burro
Tens cerca de trinta anos de idade,
E vivenciaste alguma tempestade.
Sempre me carregaste com segurança
Em dias bons e maus
E nunca tremeste ou estremeceste.
Ficamos muitas noites
Na mata, só nós dois
Também fora, no campo aberto
Onde entre cobras, sapos e corujas
Ficamos completamente sozinhos.
Falar, tu nunca falaste
Porém eu te entendia
Eu reconheci, mesmo de longe,
O teu relinchar, e o distinguia.
O que era bom para mim.
Muitas vezes, a noite
Fugiste do potreiro.
Porém, tua voz maravilhosa
Te denunciava a minha ira
E logo se dizia: “Ele já o pegou”.
E, quando muitas vezes
Fiquei atolado com você no barro
Daí não adiantava esporrear ou bater
Eu tinha de descer do celim
E só então, saías do lugar.
Teu apetite era sempre
Sadio e nunca mau
Se era milho, raízes,
Brotos ou resteva seca
Com tudo estavas satisfeito.
Deixa que eles debochem de mim
Tu ficas com minha simpatia
Mesmo que muitas vezes,
por pouco descíamos a ponte
Tu nunca me abandonaste
Como uma mula fiel.
_____________________________________________________________________________
__________
(138) Die Riograndenser Musterreiter - Porto Alegre - 1913.
Se um dia eu mesmo for idoso
Tu nunca sofrerás miséria
Daí tu podes comigo em casa ficar
Eu só te cavalgarei a passeios
Até a morte te levar.
Artur Spindler.”)

A atividade de viajante “continua até os dias de hoje, porém os meios de


transporte por eles utilizados, modificaram-se no decorrer dos tempos, à medida em que
estes, foram surgindo e se adequando às condições e à realidade de cada um. Os
produtos oferecidos, também foram sendo alterados, e porque não dizer, ampliados em
número e qualidade, na proporção em que evoluíam os centros comerciais e industriais.
Dentre os viajantes, destacavam-se duas formas de trabalho:
a) aqueles que somente traziam as amostras, permitindo ao comerciante escolher
o seu produto e fazer as encomendas, “os pedidos”, recebendo posteriormente a
mercadoria.
b) aqueles que, além das amostras, traziam consigo, produtos para pronta
entrega.
“Estes produtos eram adquiridos dos viajantes, alguns por pedidos, outros de
pronta entrega.” (139)

4.2.2. A decadência dos Bolichos e das Casas Comerciais

Analisando-se os dados referentes ao surgimento e à duração das casas


comerciais em nosso município, no decorrer dos anos, percebe-se que, no espaço de
aproximadamente uma década, houve grandes modificações e em muitos casos, um total
desaparecimento das mesmas.
Sem dúvida, foram muitas as causas que levaram à decadência e, por vezes, até à
falência, estas atividades tão importantes, valorizadas e necessárias para o
desenvolvimento colonial. Mesmo as melhor localizadas, as bem administradas e, por
conseguinte, as maiores, não conseguiram resistir às mudanças sócio-econômicas,
políticas e culturais que se desencadearam, dentro do processo de desenvolvimento e
modernização do país.
Desta forma, o desaparecimento das casas comerciais - “coloniais”, que vendiam
e compravam tudo, relaciona-se a diversos fatores, tais como:
- a desvalorização da moeda - “inflação”, com a qual as pessoas não estavam
acostumadas;
“No início da década de 1960, com o surgimento da inflação, os comerciantes,
de modo geral, já remarcavam os preços das mercadorias, cada vez que os viajantes
chegavam com as novas Listas de Preços.” (140)
“Quem não fazia, não tinha condição para manter-se.”
(Palavras da Srª Gretel Busse).
- a especialização e modernização do sistema comercial, que fez surgir os
grandes mercados e as lojas específicas de tecidos, calçados, ferragens, etc...;
“O comércio atual assume cada vez mais um caráter de especialização
(calçados é na loja de calçados, remédios é na farmácia...)”. (141)
- a concorrência, destes comércios especializados, que ofereciam produtos
diversificados e em grande quantidade, a preços mais baixos;
- o surgimento das Cooperativas que, juntamente com outros produtos,
ofereciam insumos e sementes para o novo processo agrícola que se instalava, além de
comprometer os agricultores, como sócios destes empreendimentos;
- o despreparo técnico-profissional da maioria dos comerciantes, bem como a
descapitalização, a falta de capital de giro, levando muitos à falência;
______________________________________________________________________
__________
(139) In História da Localidade de Esquina Boa Vista - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(140) In História da Localidade de Esquina Boa Vista - NOVO MACHADO – RS - 1995.

- a proliferação dos meios de transporte e a melhoria das estradas, facilitando o


deslocamento das pessoas e das mercadorias.
Além de outras de menor peso, foram estas as principais causas responsáveis
pelo desaparecimento do comércio “colonial”, deixando esta iniciativa, como tantas
outras, somente na lembrança das pessoas. Para os comerciantes, para os que vinham
com uma tradição e experiência de longos anos, esta foi, sem dúvida, uma experiência
muito dura.
... “No final, fomos vendendo os produtos enquanto havia. O tempo mais chato
para nós foi no final, quando havia poucos produtos e as pessoas quase não vinham
comprar”. (142)
4.2.3. As Cooperativas Coloniais

Para fazer frente às necessidades cada vez maiores dos agricultores, surgem as
primeiras iniciativas cooperativistas.
Num primeiro momento, surgem as chamadas Cooperativas Rurais, organizadas
e gerenciadas pelos próprios agricultores, com o objetivo de comercializar seus produtos
por melhores preços, barateando o custo das mercadorias que precisavam adquirir.
Analisando-se a História das diferentes Localidades que constituem o atual
município de Novo Machado, constatamos que a primeira experiência cooperativista,
nesta região, ocorreu em Vila Pratos, em 1938, sendo esta “interligada à Imigração
Russa, constituída de russos, ucranianos, búlgaros e poloneses”... (143) sob a
denominação de Cooperativa Sul-Bras-Pol, sob a administração do Coronel, dicidente
das Forças Armadas Polonesas, Spiridion Bileski.
“Na matriz, haviam instalado uma enorme trilhadeira, fixa, estacionária,
movida a diesel e era utilizada pelos sócios, para trilhar: linhaça, cevada, trigo e
milho.” (144)
Como a colonização russa, estendia-se também as áreas que hoje compõe os
municípios vizinhos de Dr. Maurício Cardoso e Horizontina, esta Cooperativa mantinha
uma filial em Secção 19, Horizontina. Esta Cooperativa, além de comprar os produtos
coloniais, mantinha um comércio geral, encerrando suas atividades, no início da década
de 1950.
Posteriormente, iniciativas desta natureza foram surgindo em diferentes
localidades.
“Em 1955, surgiu uma Cooperativa Rural, que durou 10 anos, desaparecendo,
por motivo de concorrência de outros comércios maiores e, por dificuldades
financeiras.” (145)
Outra cooperativa, de que se tem notícia em Vila Pratos é a Cooperativa Mista
Pratos Ltda., que funcionou de 1957 a 1964, sendo seu primeiro presidente o Sr. Paulo
Barassuol e seu gerente administrativo o Sr. Osvaldo Barasuol. Esta contava,
inicialmente, com 22 sócios.

“Mantinha comércio em geral, compra de produtos coloniais, inclusive suínos e


mantinha um açougue aos associados.” (146)
Além destas, houve outras localidades que, por um curto período, passaram por
esta experiência, o que revela uma constante busca de alternativas, para os agricultores
solucionarem os seus problemas de aquisição e venda de produtos.
Lamentavelmente, todas estas pequenas iniciativas locais, desapareceram até
meados da década de 1960, dando espaço para as organizações cooperativistas mais
amplas.

______________________________________________________________________
__________
(142) In História da Localidade de Lajeado Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(143) I n História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(144) Id. Ibid.
(145) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(146) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Cooperativa Mista Pratos Ltda - Vila Pratos

4.2.4. O Cooperativismo

A cooperativa é uma “sociedade que objetiva desenvolver a economia da seus


membros, através do apoio mútuo sem finalidade lucrativa... As cooperativas de
produtos acumulam os esforços de pequenos empresários, geralmente nas atividades
agrícolas, para a aquisição de equipamentos, sementes e outros meios de produção,
quase sempre também, concedendo crédito a seus associados.
... Como forma de barateamento dos preços e de aumento da produção de
gêneros alimentícios, o governo vem estimulando a criação de cooperativas de
agricultores que vendem seus produtos diretamente aos consumidores.” (147)
Diante das dificuldades, pelas quais os agricultores vem passando através dos
tempos, tem-se enfatizado, cada vez mais, a tendência associativista, cooperativista e
busca de formação de condomínios, como formas de reduzir custos, somar
conhecimentos e recursos, para fazer frente aos desafios e à concorrência dos países que
compõe o Mercosul e, porque não dizer, assegurar a sobrevivência e a produtividade da
agricultura e do comércio.

4.2.4.1. Cooperativa Mista São Luiz Ltda. - Coopermil

A Cooperativa Mista São Luiz Ltda., chegou em nosso município, como filial da
matriz estabelecida em Cinqüentenário, em novembro de 1955.
______________________________________________________________________
__________
(147) Barsa - Vol. 6 - pág. 12.

Filial da Coopermil, estabelecida em Nova Esperança (1955 a 1984)

Esta filial, permaneceu nesta localidade até o ano de 1984, sempre sob a
gerência do casal Ângelo e Vergínia Golin, em cuja propriedade estava estabelecida.
A pedido dos associados e de outros produtores agrícolas, esta filial, transferiu-
se para um lugar maior e mais centralizado, ou seja, para Vila Machado (hoje, 1996,
sede do município), em 1º de janeiro de 1984, onde inicialmente contava com 80 sócios.
A Filial de Novo Machado, situa-se na Avenida Pratos.
A COOPERMIL contava em 07 de abril de 2005, com um total de 4.221
associados, dos quais 239 pertencem à filial de Novo Machado – RS, a Unidade era
atendida por 15 funcionários.

Coopermil – Novo Machado – RS


Em Fase de Construção

Através dos seus departamentos, a Coopermil oferece a seus associados


os seguintes serviços: assistência veterinária, agronômica e jurídica. Coloca ainda a
disposição dos sócios a sua estrutura administrativa e a comercialização dos produtos
agropecuários.
Esta cooperativa ofereceu assistência odontológica a seus associados de 1963 a
1990.
A Coopermil compra dos seus associados os seguintes produtos agrícolas: soja,
trigo, milho, girassol, suínos, leite, ovos, pipoca, amendoim, feijão, cebola, sorgo, etc.
Esta filial oferece a seus associados, através do supermercado, além de outros, os
Produtos Semeador, que são industrializados pela própria cooperativa. Vende também:
ferragens, insumos, produtos veterinários, etc.
A filial de Novo Machado, contava em 1996, com 209 sócios e está vinculada a
Matriz, estabelecida em Santa Rosa. O atual Presidente Geral (em 2005), é o Sr. Joel
Capeletti.

4.2.4.2. Cooperativa Mista Tucunduva Ltda - Comtul

Fundada em 13 de março de 1957, estabelecendo-se na cidade de Tucunduva, a


Comtul, visava atender os interesses dos 30 produtores rurais que se associaram,
formando a Cooperativa.
Eem 1983, começou a receber a produção de leite, sendo desenvolvida a cada ano, com
novas tecnologias e melhoramento genético do rebanhio leiteiro, sendo que, atualmente,
em 2005, é uma das principais fontes de renda dos associados.
Em 1984, a Comtul fundou uma filial na atual cidade de Novo Machado, com
recebimento de produção e Supermercado. Em 1986 foi adquirida uma área em Vila
Pratos, instalando-se uma moega. Também foi adquirido um prédio para instalação do
escritório e supermercado,prestando aos seus associados, os seguintes serviços: compra
e venda de cereais e insumos, supermercado com compra e venda de produtos e gêneros
alimentícios, departamento veterinário, com serviços de inseminação artificial em
convênio com a Prefeitura Municipal de Novo Machado e orientações agro-técnicas
através do seu departamento técnico.
Em 1992, adquiriu uma fração de lote rural, para instalça de uma nova Moega,
visando o recebimento de Produção em Novo Machado.
No ano de 1993, efetuou a construção de um depósito de alvenaria para calcáreo,
com 455 m², e em 1994, construção de um depósito de insumos, com 375 m², e uma
casa de moradia, com 100 m². esta estrutura foi ampliada em 2003, com a construção de
uma balança, secador e dois silos com capacidade para 4.980 toneladas.
Em 2001, a Comtul alugou um auto-posto de combustíveis (Auto-Posto Comtul
– Ipiranga), localizado na Avenida Dr. Osvaldo Teixeira, nº 609, no município de
Tucunduva – RS. No mesmo ano, em parceria com a Prefeitura Municipal de
Tucunduva e demais parceiros (acionistas), construiu um abatedouro Municipal, o qual
está em pleno funcionamento. Ainda no mesmo ano, em parceria com a Cotrimaio e
Coopermil, iniciou a construção de um moinho, no município de Horizontina – RS,
concluído e em funcionamento desde 2003.
Em 2002, adquiriu fração de lote urbano no município de Novo Machado - RS,
para futuras instalações de escritório, supermercado, depósito de insumos e
departamento técnico.
Em 2003, adquiriu também nesta cidade de Novo Machado – RS, um Posto de
Combustíveis, sendo este o único da cidade.
Em 1996, contava com 876 associados e 67 funcionários.
Em 31 de Dezembro de 2003, o quadro social da Comtul contava com 647
associados, sendo sua área de atuação, nos municípios de: Dr. Maurício Cardoso,
Horizontina, Tuparendi, Guarani das Muissões, Novo Machado e Senador Salgado
Filho.

Graneleiro da COMTUL de Novo Machado - RS

4.2.4.3. Cooperativa Tritícola Santa Rosa, Ltda. - Cotrirosa

Na década de 1980, esta Cooperativa instalou duas filiais em nosso município:


uma em Vila Pratos e outra em Esquina Barra Funda.
Ambas, destinavam-se à compra de cereais, venda de sementes e insumos
(adubos, calcáreo), defensivos agrícolas e produtos de pecuária.
A filial de Esquina Barra Funda instalada em 1984 foi transferida para Esquina
Carvalho em 1989, sendo desativada em 1994. Esta, também mantinha um mercado.
No ano de 1996 foi instalado na Unidade de Vila Pratos, um Supermercado, para
melhor atender seu quadro de associados e clientes. Também foi instalado um escritório
para realizar o faturamento de produtos.
A Cooperativa Tritícola Santa Rosa Ltda. (Cotrirosa) é um,a das maiores
Cooperativas da região noroeste, atuando atualmente em 11 municípios da região, com
postos de recebimento de produtos e supermercados nas seguintes localidades: Santa
Rosa (Centro Administrativo, Mercado I, Mercado II, Posto de recebimento,
Agroindústria, Moinho (Trigo e Milho), Depósito de Adubos, Fábrica de Rações); A
Cotrirosa possui também duas Unidades instaladas no município de Campina das
Missões, sendo uma na cidade e outra na Localidade de Linha 1º de Março. Possui duas
Unidades no Município de Ubiretama, respectivamente na Linha Pederneiras e 23 de
Julho; no município de Cândido Godói, na localidade de Linha Natal e outra no
município de Tuparendi, na Localidade de São Marcos; no município de Porto Mauá,
na Localidade de São José do Mauá; no município de Santo Cristo, na sede e nas
localidades de Linha Guaraipo e Bom Princípio Baixo; no município de Novo Machado,
na sede do Distrito de Vila Pratos e ainda nas cidades de Porto Lucena, Alecrim,
Tucunduva e Giruá.
Em 2004, a Cotrirosa contava com um quadro de 2.942 associados atuantes e um
quadro de 380 funcionários.
Em Novo Machado, em 2004/2005, permanece em atividade, somente a filial de
Vila Pratos, com um Posto de Recebimento de Produtos Agrícolas e Supermercado.

Mercado da Cotrirosa – Vila Pratos – Novo Machado - RS

4.2.5. Comércio atual em Novo Machado

Além das Cooperativas, o município de Novo Machado conta atualmente com


algumas casas comerciais que dividem e organizam suas atividades, de acordo com as
possibilidades financeiras e as manifestações do mercado consumidor, cada qual,
porém, respeitando sua especialidade.
Dentre as 75 empresas atualmente existentes e cadastradas junto à Prefeitura
Municipal, como entidades comerciais, temos:
- 03 Cooperativas com 05 estabelecimentos;
- 02 Postos de Combustíveis;
- 68 Estabelecimentos comerciais, incluindo: comércio de tecidos, secos e molhados,
armazéns, bares, malharia, farmácia, mercados, açougues, padarias, restaurantes,
material de construção, móveis, eletrodomésticos e outros.

4.2.6. Moinhos

Na Europa, especialmente na Dinamarca e na Holanda, desenvolveram-se os


famosos “moinhos de vento”, uma vez que, uma das formas mais antigas e baratas de
produzir energia, é o aproveitamento do vento.
Ainda hoje, na Holanda, os “moinhos de vento” fazem parte da paisagem e
contribuem grandemente para o processo de drenagem e irrigação das terras.
... “Os moinhos de vento, têm pás ou velas que giram com o vento. A rotação do
eixo, faz girar a mó superior sobre a inferior, que é fixa. E assim, se transformam em
farinha, os grãos que vão caindo da moega”. (148)
Assim, a forma mais antiga de transformação dos grãos em farinha, relaciona-se
desde a antiguidade, com os chamados “moinhos de vento”.
No Brasil, surgiram os pilões, utilizados principalmente, para descascar arroz e
triturar o milho, o café... Era um processo rudimentar e atendia somente as
necessidades da própria família.
Os imigrantes, tão logo chegaram ao Brasil, procuraram desenvolver, de forma
muito rudimentar, formas de moagem ou descascamento de grãos, uma vez que as
farinhas e os cereais eram parte integrante e importante na alimentação das pessoas.

_____________________________________________________________________________________
__________
(148) Enciclopédia do Estudante, vol. 4, pág. 926.
Também os imigrantes, inicialmente, utilizaram o pilão como instrumento
auxiliar para descascar ou triturar os cereais, além de outros inventos que lhes facilitava
o trabalho.
“O Sr. Daniel Hess, fez um descascador manual, de madeira, que funcionava da
seguinte maneira: em baixo, era colocada uma madeira mais grossa (cepo), no qual
tinham queimado uma espécie de cavidade (buraco). Em cima, uma madeira mais fina,
recortada como uma engrenagem, pendurada por um pino e que encaixava na cavidade
do cepo.
Para descascar o arroz, ou triturar o milho (fazer canjica), girava-se,
manualmente, com auxílio de um cabo, a madeira superior, cuja extremidade girava
sobre os grãos, colocados na cavidade do cepo.
Para retirar o cisco e limpar os grãos, usavam-se peneiras.” (149)
Aproveitando os conhecimentos, trazidos ao Brasil pelos europeus, aos poucos, à
medida em que foram sendo produzidos os grãos, surgiram os primeiros moinhos, em
sua maioria, movidos com a força natural da água. Inclusive, dada a sua importância,
uma vez que o “pão” constituía-se como parte essencial da alimentação das pessoas, os
moinhos surgiram por toda parte.
Também nas localidades que hoje constituem o atual município de Novo
Machado, à medida em que foram colonizadas, surgiram diversos moinhos.

Ano de
Fundação Localidade Proprietários
1931 Lajeado Gateados Adolfo Krüger
1934 Barra do Terrêncio Rodolfo Ickert
----- Lajeado Limoeiro Sr. Ribeiro
----- Esquina Água Fria Luís Spilari
----- Água Fria José Vieira
----- Lajeado Limoeiro Fioravante Dallago
1950 Linha Machado Carlos Stein e filhos
1950 Entre Esquina Barra Funda e Lajeado Corredeira Osvaldo Hecher
1954 Três Pedras Salvador Abbe
1960 Lajeado Marrocas Baldoino Glänzel
1965 Esquina Boa Vista Edmundo Schlender
1994 Novo Machado Willi Steinke
“Os engenhos, após longos anos de serviço aos produtores vizinhos, começaram
a sucumbir a partir de 1967 quando o governo assumiu o monopólio da
comercialização do trigo e a maior parte dessas pequenas unidades, foi obrigada a
parar a golpes de Decretos e Portarias. A instalação de novos moinhos foi proibida e
todos os já existentes foram obrigados a produzir a totalidade das respectivas quotas
registradas. Nem todos conseguiram cumprir a determinação. A política de subsídio ao
trigo, instituída em 1972, ajudou a enfraquecer os poucos engenhos sobreviventes:
para o produtor, era mais barato vender trigo ao governo e comprar farinha subsidiada
no supermercado, do que mandar moê-la. Em 1974, a SUNAB, com uma Portaria,
fechou todos os moinhos coloniais”... “Com o monopólio da comercialização nas
mãos do governo, os moleiros não tinham acesso ao trigo barato entregue aos grandes
moinhos” ...
“ “A indústria do trigo era o melhor negócio do mundo para os donos dos
grandes moinhos”... “O governo bancava a compra do trigo, estocava o produto e
ainda o entregava na porta da fábrica””... (150)
Esta foi a realidade, ou quem sabe, a fatalidade que atingiu os pequenos moinhos
coloniais, também em Novo Machado.

______________________________________________________________________
__________
(149) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(150) Revista Globo Rural, nº 110, dezembro 1994 - pág. 31 e 32.
Dos onze (11) moinhos instalados nesta região de Novo Machado, até a década
de 1960, os quais, em sua maioria passaram por diversos proprietários, dez (10) foram
desativados no momento em que a política agrícola do país passou a favorecer e
estimular a comercialização do trigo, subsídiando a farinha. Na época, somente o
moinho Krüger conseguiu sobreviver, graças à persistência de seus proprietários e à
qualidade de seus produtos.

Moinho Krüger - fundado em 1931 ampliado em 1951/52.

Este estabelecimento, o primeiro fundado aqui e que se tornou uma tradição


familiar, pois nunca havia sido vendido a terceiros, tem mostrado, por setenta anos (70)
anos de existência que: “Quem luta, vence.”
“Foi construído senhor Gustavo Krüger que o construído para o seu filho.
Adolfo Krüger que, durante muitos anos, administrou o moinho, passando-o
posteriormente, ao seu filho Ervino Krüger.” (151) que o administrou até 2001,
contando eventualmente, com a colaboração dos filhos.
“A Família Krüger manteve este moinho em atividade até 15 de agosto de
2001, quando foi vendido ao Sr. Jaime Stumm” (152)
Produzia farinha de milho e trigo para Cooperativas e particulares. Produzia
ainda farinha integral de trigo e centeio, descascava arroz e também, eventualmente,
socava erva. O moinho Krüger produzia farinha de milho desde 1931 e de trigo desde
1951.
Inicialmente este moinho era movido por uma grande roda d’água. “Hoje, a
grande roda d’água, foi desativada, mas o moinho continua sendo movido pela força
da água do Lajeado Limoeiro, através de turbinas”. (153)
O prédio, todo em madeira, foi construído em 1931 sendo reformado e ampliado
em 1951/1952.
É uma verdadeira obra de arte, pelo estilo, estrutura, arquitetura e equipamentos
de suas instalações.
“A montagem das engrenagens foi feita pela Firma Grimm de Ijuí e pelo Sr.
Gustavo Krüger (avô de Ervino).” (154)

(151) In História da Cidade de Novo Machado (Sede) - NOVO MACHADO – RS - 1995


(152) Id Ibid.
(153) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(154) I Ibid.
Neste contexto, é interessante observar que, a paralização não afetou somente os
moinhos, mas inclusive outras indústrias e comércios como foi o caso da empresa de
Roberto Grimm de Ijuí que, com 45 anos de experiência (1976) viu sua atividade
paralisada. “Após amargar o mesmo período de estagnação, vivido pelos engenhos, a
indústria agora instala uma nova unidade por mês, em geral por encomenda de alguma
das Cooperativas da região. Grimm orgulha-se de ser o único fabricante do sul e de
possuir o maior estoque de cilindros importados - poloneses, checos e ingleses - do
país.” (155)
“A moagem constitui um laborioso processo industrial que requer o emprego de
grande número de máquinas complicadas...
O trigo chega ao moinho com toda a espécie de impurezas: sementes diversas,
palha, pedras, torrões, poeira, partículas metálicas, etc. Esses corpos estranhos são
eliminados por meio de uma série de operações de limpeza. A moagem é feita em
moinho de cilindros, entre os quais os grãos são dilacerados e separada a farinha do
farelo. Essa separação e a classificação da farinha resultam de sucessivas
peneirações” ... (156)
Somente a partir de 1988, novos moinhos, pequenos, voltaram a se mover, com
a extinção da política de subsídios. “A liberdade total só veio em 1990, com a lei 8.096,
assinada pelos Ministros Zélia Cardoso de Mello e Antônio Cabrera. Essa lei instituiu a
liberdade de comercialização e industrialização do trigo em todo o território
nacional”. (157)
A partir deste período é que, em Novo Machado surge um novo empreendimento
em 1994, com a instalação do Moinho Steinke. dedicou-se à produçaõ de farinha de
milho e beneficiamento do arroz, até 2001, quando “dadas às dificuldades de conseguir
matéria prima de qualidade, o moinho viu-se na contingência de suspender
temporariamente suas atividades). (158)

4.2.6.1. Associação J.H.L.

A partir de um Projeto do Programa Rio Grande Ecológico e, com recursos do


FEAPER, do qual participou um Grupo de Sete Produtores, dentre os quais, o Sr. Jaime
Stumm, constituindo-se a Associação J.H.L.
Os agricultores inscritos e participantes deste Projeto foram: Jaime e Hilgo
Stumm, Nildo e Nilmar Berft, Lauri Horning, Luiz Cavalli e Jair A. de Oliveira.
A partir de 15 de agosto de 2001, faltando dez (10) dias para completar 70 anos
de funcionamento, o Moinho Krüger foi adqurido pela Associação J.H.L. passando o Sr.
Jaime Stumm a ser o novo proprietário.
O empreendimento tem como meta principal, a produção e industrialização de
produtos livres de agrotóxicos e produtos químicos de modo geral, buscando mercado
para produtos ecológicos, com perspectivas de uma amplo mercado para seus produtos,
embalados na propriedade. Em junho de 2003, a Associação passou a empacotar farinha
de trigo comum e especial, farinha de milho fina e média, bem como, farinha de soja,
sob a Marca “Roda d’Água”.
A capacidade máxima do empreendimento consiste na produção de 1.500 Kg de
farinha de trigo e 1.200 Kg de farinha de milho , por dia.
O mercado consumidor já se estende à diversos municípios, destacando-se
Chapecó, no Estado de Santa Catarina; Veranópolis, Carlos Barbosa e Bento
Gonçalves, bem como em praticamente todos os municípios do Grande Santa Rosa.

(155) Revista Globo Rural, nº 110 - dezembro de 1994. pág. 32.


(156) Barsa - vol. 7, pág. 295.
(157) In História da Localidade de Novo Machado – NOVO MACHADO – RS - 1995.
(158) Revista Globo Rural, nº 110, pág. 32.
Recentemente, neste ano de 2005, foi adquirida uma máquina especial para
produção de farinha de milho, cuja matéria prima, em sua maioria, procede do Estado
de Santa Catarina. De modo geral, o moinho encontra-se em pleno funcionamento,
oferecendo, além da moagem dos produtos agrícolas, coloniais, um riquíssimo espaço
para o turismo rural no município de Novo Machado e/ou roteiros a serem definidos em
projetos regionais.
Alunos da Rede Municipal em visita ao moínho Krüger
Projeto Conhecendo nosso Chão - 2000
4.2.7. Serrarias

A existência de uma mata exuberante com uma abundante variedade de árvores


de madeira de lei, bem como a chegada de cada vez mais colonizadores, foram algumas
das causas que estimularam e propiciaram a instalação das primeiras serrarias nesta
região.
Inicialmente, os colonizadores, construiram suas casas com madeiras roliças e
coqueiros lascados, pois era preciso arranjar, o mais rapidamente possível, um abrigo
para a família. Em pouco espaço de tempo, as madeiras para as construções, passaram a
ser serradas manualmente.
... “Então os colonos faziam um estaleiro e começaram a serrar à mão, as
tábuas e a madeira quadrada para fazer suas casas. Cobriam as casas, com tabuinhas
de madeira, lascadas com um ferro próprio e falquejadas com machadinha especial.”
(159)
Num segundo momento, começaram a surgir, gradativamente, em diversas
localidades, as “serrarias”, fazendo frente ao processo colonizador e marcando época no
que chamamos de “Ciclo da Madeira”.
Analisando-se a História das Localidades, que constituem o atual município de
Novo Machado, constatamos que, no período de 1926 a 1963 aproximadamente,
instalaram-se aqui 26 serrarias.

______________________________________________________________________
__________
(159) In História da Localidade de Lajeado Saltinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Aproveitando a matéria-prima, existente em grande quantidade, as serrarias
produziam tábuas, pranchas, ripados de diversos tipos, madeira quadrada... Num
primeiro momento, facilitando a construção de casas e galpões, dos colonizadores que
vinham chegando, ou já estavam estabelecidos em choupanas rudimentares, em suas
propriedades. Além disso, as serrarias existentes, contribuiram para a comercialização
da madeira, primeiro através dos carroceiros, depois transportada pelos caminhões que
surgiam, ou de balsas que, aproveitando o curso d’água, chegavam ao seu destino,
abastecendo regiões do estado ou de países vizinhos desprovidos desta riqueza natural,
que era a madeira.
A partir das pesquisas realizadas, conseguimos apurar algumas serrarias e seus
respectivos proprietários. Porém, como nenhum trabalho de pesquisa é completo e
acabado, também nesta área, cremos que, além das registradas, tenha havido outras que
não foram lembradas.

Ano Localidade Força Proprietário


Motriz
1926 Lajeado Machado Água Manoel Isbrecht mais tarde, Siniack
1930 Povoado Pratos Vapor Sr. Griger
------ Lajeado Gateados Água Jerônimo Krapp
1930 Lajeado Gateados Água Sr. Schwartz (vendeu para Gustavo Gund)
1933 Linha Machado Vapor Gustavo Gund
1938 Lajeado Terrêncio Vapor Richard Kaffka
------ Esquina Água Fria Água Domingos Brum
1939 Lajeado Água Fria Água Emílio Priebe
1939 Esquina Boa Vista Vapor Adolfo Busse
------ Lajeado Machado Água Julius Buchholz
1940 Lajeado Terrêncio Água Reinhold Fritz
1940 Lajeado Limoeiro Água Calixto Ceretta
1941 Vila Pratos José e Reinoldo Lubschinski
1944 Vila Pratos Herberto Hauschield e Albino Orbach
1945 Esquina Machadinho Vapor Leonardo Steffan
1946 Boa União Vapor Vitório Turra
1950 Esquina Boa Vista Vapor Ricardo Saulit
1950 Vila Pratos Vapor Eduardo Schmitz e Valter Engel
------ Linha Machado Vapor Willi Sipert
1953 Três Pedras Arno Wetzel
1954 Lajeado Saltinho ---------------------
1955 Barra do Lajeado Água Fria Francisco Bastiani
------- Vila Pratos Sr. Herbich, depois Ernest
1960 Lajeado Touros Vapor Miguel Jancke
1962 Lajeado Gateados Vapor Adolfo Krüger
1963 Vila Pratos Energia Albino José Reffatti (hoje Osmar Kittlaus
Elétrica a contar de 1978.
Serraria de Gustavo Gund
Linha Machado – Santa Rosa – RS – 1933.]

O desmatamento das terras e a pouca ênfase dada ao reflorestamento, até pouco


tempo atrás, em virtude do estímulo dado à agricultura mecanizada, associada ao êxodo
rural que se desencadeou na região, contribuiram, até forçaram, a desativação das
serrarias existentes.
Nos últimos anos, “com a inexistência de matéria prima, a intensa fiscalização
do IBAMA, quanto `a derrubada de áreas verdes (mata, árvores) ainda existentes,
despareceu para sempre esta atividade econômica da nossa realidade.” (160)
Em 1978, o Sr. Ricardo Kittlaus adquiriu a serraria do Sr. Albino José Reffatti,
em Vila Pratos e, por falta de energia elétrica (força) em Esquina Machadinho,
transferiu a sua serraria também a Vila Pratos.
Serraria de Osmar Kittlaus
Vila Pratos – Município de Novo Machado – RS – Década de 1970/1980.
______________________________________________________________________
__________
(160) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Das duas, serrarias, portanto, fez uma, a qual hoje pertence ao Sr. Osmar
Kittlaus, sendo a única das 26 serrarias instaladas, que ainda se encontra em
funcionamento atualmente.
Inicialmente a madeira utilizada (serrada) era: Angico, Loro, Cabriuva, Ipê,
Cedro, Guajuvira, Grápia, Canafístula e outras madeiras nobres.
Atualmente, a madeira é escassa, e a serraria reduziu significativamente sua
atividade, serrando somente as madeiras que lhe são trazidas, inclusive Eucalipto,
Cinamomo, etc...
4.2.8. Marcenarias e Carpintarias:
Num primeiro momento, os colonizadores começaram a fabricar seus próprios
móveis e utensílios domésticos (armários, camas, mesas, bancos, baús, gamelas), bem
como instrumentos de trabalho, (ventiladores para limpar os produtos, engenhos de
cana...), cabos de foices, machados, enxadas, rodas de carroça, cangas,...
Posteriormente, com a chegada de mais moradores, algumas pessoas habilidosas
passaram a dedicar-se a este ofício, fazendo trabalhos para seus vizinhos. À medida em
que os trabalhos foram aperfeiçoados, o círculo comercial foi sendo ampliado.
Analisando-se a História das Localidades de Novo Machado, encontramos o
registro dos seguintes estabelecimentos:
a) Marcenarias
Ano Localidade Proprietário
------ Lajeado Limoeiro Lorencindo Hiejo e Roberto Boss
1940 Belo Centro Guilherme Máxim Uhlmann
------ Três Pedras Willi Kuhn
1940 Linha Machado Bernardo Scholze
1941 Vila Pratos Lindolfo Janson
1983 Esquina Barra Funda Arnaldo Dassow
1988 Boa União Vilmar e Valdocir Menusi
Vila Machado Otto Neumann que vendeu para
Herbert Krapp e este para Jorge
Hennig e este vendeu para os
Irmãos Hartwig.

Em 1996, o Município de Novo Machado contava com três marcenarias: a de


Bruno Freddi de Lajeado Limoeiro; Arnaldo Dassow de Esquina Barra Funda e Eldor
Hartwig na sede do município, sendo que este último, possuía fábrica de móveis e
aberturas para casas. Realizava também, trabalhos de carpintaria.
Em 2004, a Marcenaria Hartwig foi vendida à família Tonn.
b) Carpintarias:

Ano Localidade Proprietário


Até 1940 Vila Machado - Maske, Zimmermann
Alexandre Pudell, Adolfo Eitel e Ervin
Lenz
Depois 1940 Vila Machado - Edvino Wutzke, Henrique Jerke e
Walter Janke
1944 Vila Pratos - Reinaldo Mund
1950 Vila Pratos - Frederico Sonntag
1950 Vila Pratos - Constantino e Wicht
------ Lajeado Touros - Dorval Scheffer

O Sr. Dorval Scheffer... “construia casas, galpões, pipas, raios para carroça.
Construiu a igreja de Nova Esperança. Também ajudou a construir a igreja de Lajeado
Limoeiro”. (161)
Com a extinção das reservas naturais de madeira, da nossa região e
consequentemente a desativação das serrarias, as carpintarias e marcenarias também
foram perdendo o seu espaço.
Tem-se informação que os Irmãos Hartwig, para fabricar os móveis, aberturas,
etc., compravam madeira no Paraná.

4.2.9. Ferrarias

As ferrarias, também surgiram em nosso município, como uma necessidade dos


colonizadores, para aos poucos, irem fabricando os próprios instrumentos de trabalho.
Muitas ferrarias surgiram, em diversas localidades do município,
conforme podemos constatar abaixo:
Ano Localidade Proprietário
1935 Linha Machado Alberto Blooch
1936 Linha Machado Sr. .....................Tucholke
1944 Belo Centro Francisco Bernardo Perke
1947 Esquina Boa Vista Edmundo Schlender
------ Lajeado Limoeiro Bertoldo Schosque e João Ceconi
1948 Três Pedras Arno Wetzel
1948 Esquina Fitz Fritoldo João Françoes
1949 Povoado Pratos Clemente Timofeu
1950 Esquina Machadinho Reinoldo Hildebrand
1950 Lajeado Touros Rubin Sell
1950 Linha Machado Edvino e Vili Wutzke e Adolfo Eitel
1956 Lajeado Marrocas Emílio Trintin
1959 Lajeado Corredeira Bernardo Schley
1960 Boa União João Müller
*1982 Lajeado Comprido Elmer Schlender
1983 Esquina Barra Funda Nelson Petermann
* Transfere-se para Três Pedras em 1988, onde continua até hoje.

Nestas ferrarias, fabricavam-se diferentes tipos de instrumentos agrícolas


destacando-se: enxadas, foices, machados, pás, pás de arados, etc... bem como, afiavam
ferramentas e fabricavam ainda, as partes de ferro das carroças.
“A produção de carroças era muito intensa, pois eram procuradas por toda a
comunidade, pela sua importância e utilidade no trabalho e no lazer.” (162)
Muitas ferrarias de Novo Machado, no auge de sua existência, fabricavam
carroças para pessoas de outros municípios e até para o vizinho país da Argentina.
Além das carroças, algumas ferrarias passaram a fabricar a partir da década de
1950, as famosas “Carrocinhas de Mola”. Estas carrocinhas, foram durante algumas
décadas, o principal veículo de passeio, das pessoas. Possuir uma “carrocinha de mola”,
era uma questão de “status”.
“Inicialmente, os bancos das carrocinhas eram feitos em Santa Rosa, na
estofaria Treter. Mais tarde, o Sr. Edmundo Schlender, fazia os estofados.
A forração das carrocinhas, era feita por eles mesmos.
______________________________________________________________________
__________
(161) In História da Localidade de Lajeado Touros - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(162) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Os fregueses eram da região, nos três primeiros anos. Depois, quando a fama se
espalhou, os fregueses vinham de Tuparendi, Guarani das Missões, Giruá, Alecrim,
Três de Maio, Tuparendi e até de Nova Santa Rosa, Paraná.” (163).

O desaparecimento da maioria das ferrarias, deu-se com o surgimento da mecanização


das lavouras e a substituição das Carrocinhas de Mola pelos automóveis.
Em 1995/1996 havia poucas ferrarias em funcionamento e estas, apenas cinco
(5), das dezesseis(16) que possuíamos, com capacidade de produção limitada, em
virtude da falta de mercado consumidor, uma vez que a concorrência dos grandes
comércios é muito forte, oferecendo por menor preço, os produtos antes fabricados nas
ferrarias.
- Três Pedras - Elmer Schlender
- Novo Machado - Walter Jancke e filhos
- Vila Pratos - Sr. Rabbe
- Esquina Boa Vista - Edmundo Schlender (só para a família)
- Esquina Barra Funda - Nelson e Ilsa Pettermann

Atualmente, em 2004/2005, temos somente duas ferrarias em funcionamento, no


município de Novo Machado: Em Vila Pratos a do Sr. Rabbe e em Três Pedras, do Sr.
Elmer Schlender.

4.2.10. Curtume e Selaria:

O cavalo, nos primeiros anos de colonização, era o principal meio de transporte,


tanto utilizado na montaria, quando na tração: arado ou carroça, o que exigia a
utilização de alguns acessórios capazes de prender e dirigir o animal.
Desta necessidade, surgiram os Curtumes e as Selarias, que beneficiavam o
couro, possibilitando-se sua utilização. Assim, surge em 1932, um curtume em Lajeado
Limoeiro, pertencente a Fioravante Suliman. Em Linha Machado, atual sede do
município de Novo Machado, em 1940, Alberto Kühn e Alberto Gunsch empenharam-
se neste trabalho. Somente na década de 1950, Emílio Borowski instala em Vila Pratos,
um curtume.
Com referência às selarias, a história das Localidades de Novo Machado,
registra o seguinte: 1935 - Linha Machado - Zigmundo Hitz e Alberto Müller; 1954 - na
Esquina Rutke, Alfredo Rutke; em 1960 - Povoado Machado, os Irmãos Ernst e em
1969, Reinoldo Michalski, em Vila Machado.
A partir de então, estas atividades econômicas desapareceram definitivamente
desta região, pois com a mecanização e a evolução dos meios de transporte, a tração
animal deixou de existir como principal meio de transporte e trabalho.

4.2.11. Da Sapataria à Loja de Calçados:

Nossos pioneiros, quando chegaram, principalmente os imigrantes, traziam


consigo algumas espécies de calçados.
Porém, como diz uma imigrante “foi nas matas de Linha Machado (hoje Novo
Machado), que eu, em pouco tempo, estraguei minhas botinhas, com as quais ia na
aula, na Alemanha”.
(Palavras da Srª
Gretel Busse).
Depois que estragavam os calçados que traziam, o que acontecia rapidamente,
em função do rigor das vivências, era muito difícil adquirir outro calçado, pois o
comércio era distante e não havia dinheiro.
______________________________________________________________________
__________
(163) In História da Localidade de Esquina Boa Vista - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Assim, foram surgindo as sapatarias:
Novo Machado - 1934 - Paulo Margis.
“As únicas sandálias que possuíamos eram aquelas que o sapateiro fazia.”
(Palavras da Srª Hilda Gund).
Posteriormente, surgiram outros, como Alcindo Motta, Guilherme Bär e Alfredo
Krüger - 1962. Depois, somente em 1969 Euclides Dalla Lana, que em 1985 transferiu-
se para Tucunduva. Além de concertos, fabricavam botas, chinelos, sandálias e cintos.
Vila Pratos - 1950 a 1954, Emílio Borowski instala e mantém uma Sapataria,
inclusive com fábrica de sapatos e botas, mantendo, para isso, um curtume próprio.
Em Lajeado Marrocas - em 1961, Evaldo Baldus abre uma Sapataria,
principalmente de concertos.
Estas sapatarias foram perdendo seu espaço, a medida que o comércio
especializado, surgiu nas cidades, apresentando melhores opções de compra.

4.2.12. Açougues:

Os colonizadores inicialmente, obtinham, quase que exclusivamente, a carne


para sua alimentação da própria natureza, através da caça e da pesca.
Porém, tão logo começaram a criar animais, passaram também a carneá-los para
o consumo da família.
Anos mais tarde, surgiram também os açougues, fornecendo carne para o
consumo nas famílias da comunidade e, em alguns casos, abastecendo comunidades
vizinhas. Os açougueiros compravam o gado dos colonos e vendiam a carne após
carnear a rês. Da carne que sobrava, faziam salame e do sebo, faziam sabão.
Analisando-se as Histórias das Localidades de Novo Machado, encontramos o
registro de diversos açougues:

Ano de Fundação Localidade Proprietário

1931 Linha Machado João Fischer


1932 Lajeado Limoeiro João Müller
1940 Belo Centro Afonso Ferreira
1957 Vila Pratos Cooperativa Mista Pratos Ltda.
1960 Esquina Boa Vista Horst Busse
1960 Esquina Água Fria Albino Avrela
1962 Esquina Matter Bernardo Matter
------ Lajeado Comprido Ervino Winck e Mário dos Santos
1986 Lajeado Marrocas Bernardete Zorzo Glänzel

Enquanto duraram, os açougues desempenharam um papel importantíssimo nas


diferentes localidades. As pessoas vinham de longe, a pé, a cavalo, de bicicleta,
carroça...
“O Sr. Matter comprava o gado dos agricultores.
Carneavam duas vezes por semana. Chegavam a carnear até quatro reses por
semana.
Faziam 250 a 300 Kg de salame por semana e vendiam em Tucunduva,
Tuparendi e Santa Rosa.
Dª Herta Matter lembra:
O dia em que carneavamos, parecia uma festa, de tanta gente que vinha
comprar carne.”” (164)
______________________________________________________________________
__________
(164) In História da Localidade de Lajeado Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Com a chegada da energia elétrica, a partir da segunda metade da década de
1960, começaram a chegar os primeiros congeladores. Com estes, os colonos passaram
a carnear o gado para o consumo próprio, dispensando os serviços dos açougueiros.
Atualmente, são poucos os açougues existentes no município. Inclusive na sede
do município, esta atividade econômica só reaparece em 1991, porém, sem muita
expressão, desaparecendo na mesma década.
Os Mercados, de modo geral, comercializam carne fresca ou mesmo congelada,
de animais abatidos nos frigoríficos ou abatedouros da região.

4.2.13. Alfaiates e Costureiras:

Nos primórdios da colonização, em virtude da inexistência comercial, das


dificuldades financeiras e, aproveitando os conhecimentos das diferentes atividades que
traziam os pioneiros, foram surgindo, em muitas localidades, os alfaiates e as
costureiras.
Algumas famílias, com melhor recursos, traziam consigo ou adquiriam máquinas
de costura manuais. Mas, a grande maioria, costurava suas roupas a mão.
Quando as pessoas necessitavam de roupas melhores, procuravam o serviço dos
profissionais. As fatiotas e os vestidos ou conjuntos, eram roupas confeccionadas com
estilo e bom gosto. Esta roupa, em geral de festa, merecia maiores cuidados e era usada
somente em ocasiões especiais: festas, casamentos, cultos, missas...
As famílias, procuravam encaminhar as filhas moças para aprender a função de
corte e costura, aliviando assim, as despesas com a confecção de roupas para todas as
pessoas da família.
“Não havia loja de roupas feitas. Cada família costurava suas roupas. Todas as
famílias preocupavam-se, para que as filhas mulheres, aprendessem a costurar.” (165)
a) Alfaiates:

O primeiro alfaiate que chegou a Novo Machado de que se tem notícias, em


1926, era o Sr. Martim Grajewski. Alfaiate de profissão, que aqui veio ser agricultor,
dedicava-se a esta atividade somente quando procurado pelas pessoas, com certa
insistência.
Outro alemão que se dedicou à profissão de alfaiate, foi o Sr. conhecido como
“Berliner Schulz”.
Mais tarde chegaram outros: Matais Kroll, Augusto Metke, Erhard Waldow e por
último Henrique Weber.
Na Esquina Matter, esta atividade terminou com o último alfaiate ali instalado,
Evaldo Pootz, em 1962.
No interior, Domingos Calza, dedicou-se a atividade de alfaiate, em Lajeado
Limoeiro. Este, desenvolveu esta atividade durante 60 anos.
Em Lajeado Marrocas, Claudino Weiler, no ano de 1947, iniciou uma alfaiataria
que durou uns quatro anos.

b) Costureiras:
Assim como os homens dedicavam-se à costura na alfaiataria, confeccionando
principalmente roupas masculinas e casacos, também algumas mulheres dedicavam-se a
arte da costura, aperfeiçoando-se nesta atividade.
Verificando-se as Histórias das Localidades, encontramos diversos registros
referentes as costureiras que em épocas e situações diversas, marcaram sua presença,
contribuindo para a organização das famílias e a preparação das donas de casa,
conforme registra-se a seguir:

______________________________________________________________________
__________
(165) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO – RS -1995
“A primeira costureira que se destacou nesta atividade, foi a Srª Olga Bender,
nos últimos anos da década de 1930 e no decorrer da década de 1940. Esta porém,
residia nas proximidades de Lajeado Gateados, mas atendia toda esta região.
Inicialmente, na atual cidade, destacou-se a jovem Carolina Luckrafka.
Outras costureiras que também se destacaram foram: Aldina Maske, Helena
Michalski, Elzira Scholze, Selma Gund, que além de realizar as costuras, ensinavam o
ofício à moças ou senhoras interessadas em aprender.” (166)
Um grupo de moças de Lajeado Gateados ocasião da
realização de um Curso de Corte e Costura - final da década de 1940
a Costureira era a esposa do Prof. Fischdick

Muitas outras se seguiram posteriormente, dentre elas: Olga Hess, Elsira Fenner.

Com a interiorização do comércio e a ampliação, deste inclusive com a venda de


roupas prontas, bem como a mudança de modas e hábitos de vestuários, com a
introdução de roupas mais populares, que subsitituiram os trajes e os vestidos longos e
com muitos detalhes, os alfaiates e as costureiras profissionais perderam grande parte do
seu espaço.

Nos últimos anos, porém, as costureiras reconquistaram seu espaço, voltando às


atividades de costurar e de ensinar a quem interessar esta aprendizagem, como forma de
amenizar os gastos da família. Dentre elas podemos mencionar: Olga Hess, Elzira
Fenner, Alice Sommerfeldt, Lili Hein, Iris König, Dagma Bortoli e muitas outras,
algumas até os dias atuais (2005).
É interessante observar, as mudanças ocorridas no vestuário das pessoas, tanto
no que se refere ao tipo de tecido, como ao modelo de sua confecção. Do Brim
Diamantino, ao Tergal, à Viscose, à Malha e ao Jeans, Tactel, Seletel, Helanca, Oxford e
muitos outros.
O caminho da moda percoreu uma série de interessantes modificações,
estimulando o consumismo, cada vez mais crescente.

______________________________________________________________________
__________
(166) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
4.2.14. Outros Empreendimentos Comerciais e Industriais:

Além das atividades já mencionadas, estiveram presentes, na região do atual


município de Novo Machado, outras de menor ou quase nenhuma expressão econômica,
como foi o caso das olarias, soque-de-erva, alambiques, padarias, funilarias, engenhos
de cana...

a) Olarias:

Analisando-se as Histórias das Localidades de Novo Machado, surpreendeu-nos


a questão de que, em toda a nossa história de colonização e atividades, somente duas
olarias estiveram presentes.
A primeira, data de 1943 e esteve situada à margem do Lajeado Gateados, entre
as localidades de Linha Machado (atual sede do município) e Lajeado Gateados. Esta
olaria, de propriedade do Sr. Adolfo Krapp, chegou a produzir tijolos, telhas e, num
certo período, até potes de barro.
A segunda, data de 1955, e localizava-se em Esquina Água Fria e pertenceu ao
Sr. Olindo Marques que mais tarde (1960) a vendeu aos irmãos Albino e Anacleto
Reffatti. Esta produzia somente tijolos maciços.
Já em 1996, e ainda atualmente, em 2005, o município de Novo Machado não
conta com nenhuma olaria. Tijolos e telhas de qualquer espécie, para as construções que
se realizam em Novo Machado, são adquiridos em outros municípios, através das casas
comerciais que vendem material de construção, ou então, com venda direta ao
consumidor.

b) Soques de Erva-Mate

Na História da Localidade de Vila Pratos, encontramos o seguinte registro:


“Havia acampados exploradores de Erva-Mate nativa, a qual, industrializada
rudimentarmente, era vendida aos Castelhanos” ... (167)
Na verdade, a Erva-Mate não chegou a ser, nesta região, uma planta nativa muito
expressiva. Também nunca houve um cultivo desta planta, que merecesse destaque.
Em geral, as pessoas produziam erva-mate, somente para o consumo familiar e,
os poucos soques de erva que havia, Gustavo e Edvino Stein em Esquina Machadinho;
Ricardo Kleinert em Lajeado Terrêncio; Sr. Scarantti e outro de Adelino Carvalho,
ambos em Lajeado Gateadinhas, socavam o produto também para outras pessoas, na
maior parte das vezes, obtendo o pagamento em produto e não em dinheiro.
Esta atividade, nunca chegou a constituir um comércio ou uma indústria com
repercussão econômica, nesta região. Porém, no Moinho Colonial do Sr. Ervino Krüger,
atualmente pertencente à Associação J.H.L, de Jaime Stumm, também há um Soque de
Erva-Mate e este, em atividade até a presente data.

c) Alambiques:

Valendo-se de um processo de destilação do caldo de cana-de-açúcar, surgiram,


em diferentes localidades e épocas, do atual município de Novo Machado, os
alambiques para fabricação de aguardente (cachaça).

______________________________________________________________________
__________
(167) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Data de Proprietário Localidade
Fundação
1930 Erich Wojahn Vila Pratos
----- João Fischer Lajeado Limoeiro
1940 Gottlieb Frank Vila Pratos
1940 Alfonso Ferreira Belo Centro
1940 Otávio dos Santos Lajeado Comprido
----- Francisco Bastiani Esquina Água Fria
----- Arthur Matschinski Vila Pratos
1987 Ermínio Menuzzi Boa União
1987 José de Oliveira dos Santos, Antoninho Boa União
Zamim e Alírio Carpenedo
1999 Dircei Vilson Schmidt Esquina Barra Funda

Há poucos dados que permitem realizar uma avaliação da importância


econômica dos alambiques, com excessão dos de Esquina Água Fria e Boa União.
“Era importante porque comprava cana-de-açúcar e empregava pessoas do
lugar. A cachaça era vendida para o povo do lugar e de outros municípios. O
proprietário era Francisco Bastiani. Produzia em média, 5000 litros de cachaça por
ano.” (168)
... “Neste ano (1993), produziu-se 2.500 litros. Uma parte da cachaça
produzida, é consumida na localidade. O restante é vendido para Três Pedras, Novo
Machado, Tucunduva, Santa Rosa e Tuparendi. A mesma tem boa saída.” (169)
Em 1996, em Novo Machado, só existiam os três últimos que foram criados, ou
seja Vila Pratos e Boa União. Os seus proprietários, estavam otimistas, uma vez que aos
poucos íam se tornando conhecidos, aumentando as expectativas de venda.
A partir de 1999, assistindo a uma reportagem na TV sobre industrialização da
Cana-de-açúcar, transformando-a em Cachaça, a família Schmidt decidiu buscar
informações e cursos junto à EMATER, através do SENAR e SEBRAE. Com a
colaboração da Prefeitura Municipal que realizou a Terraplanagem e valendo-se de
recursos próprios, a família instalou um alambique. Inicialmente contava com apenas
3ha de Cana-de-açúcar, expandindo esta área, hoje, em 2005, para 11 ha, inclusive com
a introdução de variedades específicas.
Esta atividade caracteriza-se como uma alternativa para a pequena propriedade,
contribuindo para a preservação do solo, evitando a erosão. Os canaviais contam com
uma vida útil de 5 anos.
Instalações do Alambique - família Schmidt – Esquina Barra Funda – Novo Machado – RS..
______________________________________________________________________
__________
(168) In História da Localidade de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(169) In História da Localidade de Boa União - NOVO MACHADO – RS - 1995.

Canavial na propriedade da família Schmidt – Esquina Barra Funda – Novo Machado – RS.

d) Engenhos de Cana:

Já nos primeiros anos da colonização, à medida em que os colonizadores foram


se organizando, começaram a surgir os “engenhos de cana”, cujas moendas eram de
madeira e que eram movimentadas por tração animal (bois e cavalos).
Não eram todos os colonos que possuíam um engenho. Os que possuíam,
colocavam-no à disposição de quem quizesse utilizá-lo, em geral, mediante o
pagamento de uma quantia simbólica que, necessariamente, não precisava ser em
dinheiro, podia ser em produtos ou prestação de serviços.
Preparavam a cana e a lenha com antecedência. No dia marcado, “moia-se a
cana, extraindo a garapa que, colocada em tachos, sobre o fogo, era transformada em
melado, schmier, rapadura ou açúcar. O trabalho começava muito cedo e levava todo o
dia, para ficar pronto.
Aos poucos as moendas dos engenhos, de madeira, foram substituídos por
moendas de ferro, da mesma maneira, como os engenhos movidos a tração animal
foram sendo substituídos por engenhos mecânicos.
Esta atividade permanece ainda hoje, como tradição, nas diversas localidades,
sendo praticada por pessoas das mais diversas origens.
A partir do ano 2000, a família de Ari Hess, de Esquina Machadinho, assumiu o
pequeno empreendimento de fabricação de melado, reestruturando as instalações e
adquirindo os equipamentos necessários. Com melhores instalações e com o cultivo de
Cana-de-açúcar na propriedade, já produziu, em 2003, cerca de 8.500 Kg de melado.
Em 2004, já possuía 2 ha de Cana-de-açúcar, com projeção para implantar mais uma
área de pelo menos 1 ha, em 2005. Ao mesmo tempo, implantou uma área de 1.400 pés
de eucalipto, com o objetivo de garantir a lenha necessária.
Em 2003, surge na localidade de Lajeado Saltinho, uma Agroindústria de Cana-
de-açúcar, parcialmente beneficiada pelo Programa RS Rural e localiza-se na
propriedade da família Scarantti. Com o objetivo de dar suporte a esta Agroindústria,
desenvolve-se, nesta localidade, já há diversos anos, o plantio de Cana-de-açúcar, sendo
que este cultivo tem-se adaptado muito bem ao tipo de solo da região.
O empreendimento conta com a instação de 3 fornos, para 3 tachos, sendo que,
cada tacho tem capacidade para 180 litros de garapa. Também possui um batedor
elétrico e uma mesa de inox para esfriar a rapadura e o açúcar mascavo. Esta
Agroindústria produz melado, açúcar mascavo e rapadura.
Em 2004, esta Agroindústria produziu aproximadamente 7.000 Kg de melado.
Destaca uma das proprietárias que o grupo continua descobrindo variedades de cana-de-
açúcar e os diferentes sabores de melado que estas produzem – “é uma constante
descoberta”.

Agroindústria de Lajeado Saltinho – Batedor Elétrico


e) Funilaria:

A inexistência de um comércio que fornecesse ao agricultores os utensílios


necessários ao bom desempenho de suas atividades domésticas, dificultava seu trabalho.
Para suprir estas necessidades, surgiram as funilarias, as oficinas que, a partir do
latão, fabricavam baldes, bacias, coadores de leite, canecas, etc...
Também em Novo Machado, ainda antes de 1940, Ari Schmidt instalou-se, na
atual sede municipal, com uma funilaria.
Posteriormente, também na sede do atual município de Novo Machado, Ludwig
Mertens, presta serviços de funilaria à comunidade, fabricando utensílios domésticos.
“Por volta da segunda metade da década de 1950, para amenizar os rigores do
inverno, a funilaria, pertencente ao Sr. Ludwig Mertens, passa a fabricar “lareiras de
latão.” Era uma espécie de fogão, redondo, todo ele com um latão forte e resistente,”
(170) utilizado principalmente pelas escolas, para aquecer as salas de aula.
Hoje, no município de Novo Machado, há ainda, na sede, uma pequena Funilaria
pertencente ao Sr. Valdomiro Born, que realiza concertos diversos, em latão e também
fabrica alguns utensílios: baldes, chaminés, bacias...
Também na sede do município, o Sr. Erich Lenz possui uma pequena oficina de
consertos em geral, realizando também pequenos serviços de funilaria.

______________________________________________________________________
__________(170) In História da Localidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.

Lareira de Latão - pertenceu à E.M. São Francisco de Assis de Lajeado Gateados


– Município de Santa Rosa – RS – Década de 1950.
Atualmente, em 2005, faz parte do acervo do “Museu Municipal Dácio Thobias Busanello”,
deste município de Novo Machado – RS.

f) Padaria:

Nos primeiros anos da colonização, os colonizadores, especialmente os alemães,


tiveram que aprender com os nacionais ou com imigrantes que anteriormente haviam
chegado, a amassar, assar e comer o pão de farinha de milho.
Ainda hoje, alguns imigrantes, colonizadores, lembram “como era gostoso o
pão de milho, assado nas brasas”! (Palavras do Sr. Helmuth
Kaffka).
Somente anos mais tarde, quando o cultivo do trigo se estendeu pela “nova
colônia” e quando surgiram os moinhos aqui ou em regiões próximas, os agricultores
puderam obter a farinha de trigo. Era um produto raro e caro, razão pela qual, as
famílias só faziam pão branco para os fins de semana, e cuca, somente no Natal ou na
Páscoa.
A nível de comércio, somente no final da década de 1940 e durante a década de
1950, surgiram as “Padarias”, em Vila Pratos com Erich Wojahn (1947) e, em Novo
Machado, (atual sede), com Egon Benke, por volta de 1953 a 1956. Fabricavam pão
d’água, pão-doce, tortas, pés-de-moleque, pão-de-milho..., porém nunca tiveram uma
grande expressão econômica, uma vez que, numa região essencialmente colonial, a
tendência maior é a produção caseira, mais barata.
Destaca-se que o Sr. Egon Benke aprendeu o ofício de padeiro em Três de Maio,
com o Sr. Willhelm Batscke. Assavam todas as massas em forno comum, com fogo na
boca.
Com o decorrer dos anos, novas experiências foram surgindo, porém todas elas,
de curta duração.
Em 1996, Novo Machado contava com duas padarias: uma do Sr. Edemar
Siedleski, em Vila Pratos e outra na sede do município, de Neli Berwig. Posteriormente,
na sede, a Srª Rita Krapp fundou a Padaria “Casa do Pão”.
Atualmente, 2005, contamos também com duas padarias: uma do Sr. Edemar
Siedleski em Vila Pratos que continua e, na sede do município, a “Casa do Pão” que
pertence à Srª Veridiana Glänzel Schendel. O Supermercado da Coopermil possui um
forno industrial, assando diferentes tipos de pão, cujas massas já vem prontas e
congeladas da Sede da Cooperativa de Santa Rosa.

g) Estúdio Fotográfico :

Para registrar alguns fatos de sua vida, nos primeiros anos de colonização, vinha
para esta região, de carroça, uma fotógrafa da Colônia Guarani. As fotos tiradas por esta
senhora, possuem a seguinte impressão: “Foto Laranjeiras - José Sulek.”
Posteriormente, aqui, foram surgindo algumas iniciativas: Atanásio Demschuk e Bacilio
Prezief (Vila Pratos); Metke (Vila Machado).
Com o passar dos anos, as pessoas só procuram os serviços fotográficos em
ocasiões especiais, pois um bom número possui suas próprias máquinas fotográficas.
Além disso, atualmente, o vídeo, vem substituindo cada vez mais os registros
fotográficos.
A partir de 2003, surge em Novo Machado, um Estúdio Fotográfico, pertencente
à Srª Lurdeti Fitz Sipert, a qual, além de fotografar, realiza serviços de ornamentação,
decoração e filmagens de momentos importantes das pessoas.

h) Oficinas

A atividade que ainda permanece e que perdurou através dos tempos, foram as
oficinas.
Estas surgiram com a chegada dos maquinários agrícolas e dos carros. À medida
que estes foram aumentando, surgiram mais oficinas e, as existentes, foram se
atualizando.
Paralelamente à Oficina de Armando Ickert surge em Novo Machado, no ano de
2000, uma Fábrica de Torcidos, oferecendo à localidade e região, uma ampla variedade
de modelos para decoração, grades e portões. Esta máquina, porém, já foi vendida em
2004/2005.
A Oficina de Armando Ickert, além dos serviços de mecânica, implantou erm
2004, um serviço de torno, altamente tecnificado, produzindo peças para as duas
maiores fábricas de colheitadeiras da região: John Deer e Maxion.
Atualmente, no município de Novo Machado, há 16 mecânicos cadastrados, que,
dentro de suas possibilidades, fazem frente ao atendimento de consertos em geral,
oferecendo serviços de: mecânica, eletrecidade, chapeamento, pintura, etc...

i) Outros Serviços:

Numa região essencialmente agrícola como a nossa, onde a vida urbana é de


pouca expressão econômica, serviços diversos, como hotéis, barbearias, cabeleireiros,
fotógrafos, oficinas, etc... foram no passado e continuam no presente, prejudicados pela
falta de procura, de mercado.
Em Vila Pratos, houve em 1936, um hotel, pertencente ao Sr. Carlos Ernest.
Depois seguiram-se outros: João Ritter - 1944, Olindo Dalbém - 1953, Alberto Júlio da
Silva - 1948 até 1960, Elzira Luckemeier - na década de 1960, até início da década de
1970.
Em Linha Machado, hoje sede do município, o Sr. Egon Benke foi propretário
de um pequeno hotel de 8 quartos, no período de 1953 a 1956, juntamente com o Centro
Telefônico, cuja manutenção era de sua responsabilidade. No mesmo local funcionava
uma parada de ônibus, uma espécie de Estação Rodoviária, onde porém, não eram
vendidas passagens. Além desses, há ainda hoje, 2005, algumas “pousadas” que,
eventualmente hospedam pessoas que o solicitam, inclusive na sede do município.

4.2.15. Para onde vai nossa Economia?

Analisando a evolução econômica do município de Novo Machado, percebe-se


que a nossa economia passou por diversos estágios de desenvolvimento, sofrendo as
interferências e os reflexos de uma economia mais ampla, globalizada, principalmente
nos últimos anos.
As propriedades rurais do município de Novo Machado, caracterizam-se,
principalmente, pela pequena área que as constitui, conforme pode ser percebido no
quadro que segue, configurando a predominância da Pequena Propriedade.

Hectares Quantidade
00 a 10 901 Propriedades - 62,00 %
11 a 20 395 Propriedades – 27,19 %
20 a 50 145 Propriedades - 9,98 %
50 a 100 008 Propriedades - 0,55 %
100 a 200 002 Propriedades - 0,14 %
200 a 500 -0-
mais de 500 002 Propriedades - 0,14 %
Da mesma forma, é interessante observar a distribuição das terras no
que se refere às diferentes culturas anuais cultivadas.
Produtos Área (há) Produtividade Volume
Cultivada (kg/há) Produzido (ton.)
Soja 12.000 2.400 28.800
Milho 5.000 3.600 18.000
Trigo 4.000 1.800 7.200
Feijão 1º safra 40 1.200 62.250
2º safra 15 950
Triticale 500 2.400 1.200
Outros (Fumo) 236 1.800 425,8

Por sermos um município essencialmente agrícola, com pequenos


empreendimentos comerciais ligados a este setor, estas foram as áreas mais atingidas.
Há pouco, tínhamos uma agricultura mecanizada, que foi o orgulho de muitos
agricultores. Porém, alguns problemas que podemos destacar, fizeram com que este
setor entrasse em crise, afetando também o pequeno comércio: descapitalização do
agricultor; empobrecimento do solo; sucateamento do maquinário e dos equipamentos
agrícolas; defasagem tecnológica; envelhecimento da população rural; exôdo rural,
atingindo principalmente, as pessoas mais jovens; a instabilidade dos fatores naturais,
geradas pelas chuvas fortes, secas e geadas; a implantação do Mercosul, nos últimos
anos, onde os nossos produtos, têm que competir com os produtos dos países vizinhos,
os baixos preços pagos aos produtores de matéria prima (produtos agropecuários), são
alguns dos fatores que afetaram a nossa economia.
Diante destes problemas, algumas medidas governamentais foram tomadas,
conforme podemos constatar a seguir.

Associação dos Municípios da


Grande Santa Rosa
Alecrim - Alegria - Boa Vista do Buricá - Candido Godói
Doutor Mauríco Cardoso - Horizontina - Independência
Novo Machado - Porto Lucena - Porto Mauá - Santa Rosa
Santo Cristo - São José do Inhacorá - Três de Maio
Tucunduva - Tuparendi
DECLARAÇÃO 001/95, DE 06/05/95.

Declara Estado de Emergência


nos municípios Associados da
Entidade.
Osmar Gasparini Terra, Prefeito Municipal de Santa Rosa e Presidente da
Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa, constituída pelos seguintes Municípios:
Alecrim, Alegria, Boa Vista do Buricá, Campina das Missões, Candido Godói, Doutor Mauríco
Cardoso, Horizontina, Independência, Novo Machado, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera
Cruz, Santa Rosa, Santo Cristo, São José do Inhacorá, Três de Maio, Tucunduva e Tuparendi, no
uso de suas atribuições estatutárias e,
Considerando, que os Municípios que integram a região são eminentemente
agropecuários e constituidos de minifundios;
Considerando o déficit no setor primário e os conseqüentes reflexos nos
diversos segmentos da sociedade ligada ao setor primário, tais como agrícola, comercial e
industrial;
Considerando que a agroindústria está entre os maiores incrementadores da
economia regional, respondendo por uma considerável parcela de empregos e participando com
estimável geração de tributos;
Considerando que as taxas de juros praticadas são exorbitantes, inviabilizando
qualquer investimento no setor primário;
Considerando os riscos sociais oriundos do provável desemprego;
Considerando o nível de endividamento dos produtores rurais;
Considerando que a produção agrícola não encontra garantia de preços
mínimos;
Considerando a necessidade de financiamento com juros compatíveis aos
custos de produção para o plantio e a comercialização da safra;
Considerando a necessidade de uma renegociação justa das dívidas dos
produtores rurais;
Considerando a necessidade de haver uma política verdadeira, que prime pela
coerência, levando em consideração as peculiaridades regionais e setoriais;
Considerando a necessidade de garantia de preços justos para os agricultores,
capaz de equilibar os preços de mercado, com os estabelecidos pelo governo federal;
Considerando que a única forma justa de financiamento no segmento agro-
pecuário, está na equivalência produto, só com esta política, será possível manter a produção
crescente e o setor primário capitalizado;
Considerando a inviabilidade econômica dos Municípios para gerar benefícios
de toda ordem para a comunidade em decorrência da crise que paira no setor agropecuário, com
reflexos na indústria e comércio;
Considerando o decréscimo das finanças dos municípios, oriundos da baixa
arrecadação do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços);
Considerando a gravidade da situação, esta entidade que em todos os
momentos está sintonizada com as questões de abrangência regional, e alicerçado nas
resoluções da Assembléia de 06 de maio de 1995,

D E C L A R A:
Artigo 1º - Estado de Emergência em todos os municípios que
compreende a região da Grande Santa Rosa.
Artigo 2º - Fica cada Executivo Municipal a seu critério, a prerrogativa de
Decretar Estado de Emergência, conforme lhe confere a lei Orgânica Municipal.

Santa Rosa-RS., 06 de maio de 1995.


Osmar Gasparini Terra
Presidente

Antonio Vilson Pereira


Secretário Executivo

A exemplo destas, outras manifestações municipais seguiram-se, nos anos


posteriores.
4.2.15.1. Mercosul
Outra tentativa governamental implantada para fomentar a economia regional,
foi o Mercosul, visto atualmente como o mais promissor bloco econômico do sul das
Américas.
“A formação de blocos econômicos, faz parte da reação à crise do capitalismo.
A integração econômica de diversos países, procura ampliar o mercado
produtor e consumidor, criar economia de escala e favorecer a criação de novas
potências econômicas.
A integração por si só não garante o desenvolvimento, apenas cria condições
que podem favorecê-la.
Os países integrantes do Mercosul são: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Integra-se também a este bloco a contar de 1º de outubro de 1996, o Chile. O processo
de integração começou em 1985 com o Brasil e Argentina; mais tarde incorporaram-se
o Uruguai e o Paraguai.
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi constituído formalmente através do
Tratado de Assunção, assinado em 26/03/1991, pelos quatro países que dele participam
(Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). Os países membros comprometeram-se a
reduzir progressivamente, a cada semestre, suas tarifas aduaneiras até a sua completa
eliminação no final do ano de 1994. A partir de 1º/01/95 deveria estar plenamente
estabelecido o livre comércio entre os países do Mercosul. Por outro lado, os quatro
países adotarão as mesmas alíquotas de importação com relação a terceiros países.
A integração implica em transformações econômicas acentuadas, pois cada país
na região deve especializar-se na produção daquilo que puder fazer melhor, em
qualidade e preços competitivos. Na agricultura a questão torna-se mais visível, uma
vez que as variáveis de solo e clima têm grande importância.
“O objetivo de qualquer integração econômica entre países é o desenvolvimento
industrial, tecnológico, comercial e agrícola. Por outro lado, a integração significa
sempre perdas e ganhos, conforme os níveis de produtividade de cada economia. Por
isso, para cada país, a questão central é sempre maximizar as vantagens e minimizar
as desvantagens comparativas.” (171). Portanto, é de suma importância identificar
corretamente os problemas, agilizar e adequar as soluções.
Considerando a situação econômica dos países do Mercosul, observa-se que o
Brasil, possui um parque industrial mais expressivo e se encontra num estágio mais
avançado de industrialização. Possui um maior número de grandes empresas, em
diversos ramos de atividades.
A Argentina, encontra-se em estágio bem mais avançado na agropecuária e em
vários ramos da agroindústria.
O Uruguai, tem uma economia semelhante a da Argentina, baseada sobretudo
na pecuária e industrialização de seus produtos.
Quanto ao Paraguai, tem um sistema produtivo precário, tanto agrícola como
industrial. Cerca de 50% do seu comércio se dá via contrabando de produtos, vindos de
todas as partes do mundo, adquiridos por turistas brasileiros e argentinos.
Num processo de integração desta natureza a agricultura é o setor mais
sensível, pois envolve diretamente um elevado número de pequenos, médios e grandes
produtores, e também, pelo destino da produção rural e pelo risco, de desarticular as
produções habituais dos países envolvidos no processo de integração.
Por ser vulnerável a agropecuária num processo de integração econômica,
exige redobrada atenção a este setor. Para atenuar efeitos negativos, decorrentes de
situações desiguais entre os países, é importante se estabelecer mecanismos, de
“coordenação de políticas de desenvolvimento agrícola e comercialização de produtos
agropecuários”. (172)
______________________________________________________________________
__________
(171) BRUM, Argemiro. Integração do Cone Sul, UNIJUÍ, Ijuí – RS -1991.
(172) BRUM, Argemiro ... Integração do Cone Sul - UNIJUÍ – Ijuí – RS -1991.
O Brasil tem prioridade apenas em relação a cana-de-açúcar, fumo e algodão.
Nos demais produtos da lavoura, pecuária e agroindústria, verifica-se acentuada
defasagem em nosso favor, tais como: trigo, milho, soja, maçã, uva e vinho, pêssego e
conservas, farinhas, pecuária de corte e de leite, laticínios, etc.
Historicamente, a agropecuária, tanto a brasileira quanto a gaúcha em
particular, ficou em segundo plano. Agora, sem uma tradição, com deficiente
qualificação técnica dos produtores e poucos recursos financeiros, estamos diante de
um desafio: o de recuperar um longo atraso, em apenas alguns anos. Isso, pode custar
a sobrevivência, de uma parcela significativa de produtores rurais.
Os maiores impactos, segundo os meios de comunicação, serão sentidos pelo
Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Para amenizar os impactos, deve-se melhorar o planejamento e o
aproveitamento dos empreendimentos agrícolas, buscando a recuperação do solo,
redução dos custos de produção e aumento da produtividade.
O Rio Grande do Sul, por sua vez, passa do isolamento no extremo sul do País,
para o centro da integração.
Um problema adicional para ao Rio Grande do Sul é o fato de que a economia
gaúcha é similar, e não complementar às economias argentinas e uruguaias, sobretudo
no setor primário. Em alguns ramos industriais, há bastante complementariedade.
O fato de ser a agricultura o setor mais sensível e mais vulnerável num processo
de integração e a desvantagem/atraso da agropecuária gaúcha na incorporação de
novas teconologias, fazem com que o Rio Grande do Sul se torne o estado mais
atingido pela integração econômica dos países do Cone Sul. A tomada de consciência,
dessa posição relativamente desvantajosa, deve motivar ações firmes e corajosas, por
parte dos produtores/agentes econômicos e das autoridades (estaduais e municipais).
Já no setor da indústria, o Rio Grande do Sul leva em geral, nítida vantagem, tendo,
portanto, condições de ampliar o mercado, exportando para os países vizinhos.
O Rio Grande do Sul deve atuar com visão de longo alcance e com agilidade e
lucidez, potencializando as vantagens e minimizando as desvantagens.
Além de produtos, a integração deve ser também de pessoas, de idéias, de
experiências, de estudos, de pesquisas e de culturas. Além dos governos, dos agentes
econômicos e das organizações empresariais, devem participar também do processo as
universidades e centros de pesquisa, os trabalhadores e suas organizações sindicais, os
movimentos populares, os estudantes e suas organizações estudantis, bem como outras
entidades e instituições da sociedade.
“Em nos conhecendo melhor e buscando as semelhanças, descobriremos
também a identidade de nossos processos históricos e tornaremos efetiva e eficaz a
construção da consciência e cultura da integração.” (173)

Dentro deste contexto, encontra-se também o município de Novo Machado,


sentindo os reflexos de todas as transações econômicas, sociais e culturais,
constituindo-se num desafio para que a comunidade novomachadense, encontre
alternativas para o seu desenvolvimento e crescimento.
(Texto elaborado por Rogério Cembranel - Diretor de Indústria e Comércio)
______________________________________________________________________
__________
(173) BRUM, Argemiro ... Integração do Cone Sul - UNIJUÍ – Ijuí – RS -1991.
4.2.15.2. Modernização do Setor Agrário

A exemplo de todas as áreas, também o setor agrícola foi e está sendo palco de
profundas transformações tecnológicas, que visam, acima de tudo, o aumento da
produtividade e a redução de custos. O elemento primordial que preconiza esta
modernização é o amplo emprego de maquinários, o uso de insumos químicos e
biotecnológicos fornecidos pela atividade industrial, introduzindo um processo intenso
de mecanização e de divisão de trabalho.
Segundo Antônio Márcio Berainaim, especialista em Economia Agrícola, “Hoje
o Agronegócio é o setor que segura a Economia Nacional”, ao mesmo tempo em que se
questiona: “Quem tem acesso à Tecnologia?”. Sabe-se que, a nível de Brasil, de 4,6
milhões de agricultores do país, 4,1 são agricultores familiares, com pouca terra e
acessos limitados a créditos, conhecimentos e tecnologia. Isto explica que os avanços
tecnológicos, tanto no que se refere à produção agrícola, quanto à pecuária de leite, de
corte e também outras áreas do agronegíocio, em sua maioria, são realidades distantes
da maioria dos produtores.
Segundo Denise Elias, o estreitamento das relações entre a produção agrícola e
o restante da economia é um fator importante quando se quer distinguir a agricultura
contemporânea daquela existente antes da revolução tecnológica, sendo que esta
processou-se de forma extremamente seletiva.
José Augusto Padua, resume esta situação da seguinte forma:
a) Estímulo à transformação da grande propriedade em grande empresa, com o
crescimento da mecanização em detrimento da permanência de famílias pobres no
campo.
b) O desinteresse pela Agricultura Familiar, que ficou praticamente excluída, até
recentemente do crédito e da assistência técnica, provocando o abandono de milhares de
pequenos proprietários, pela incapacidade de competir nesse novo ambiente sócio-
econômico.
A Nível de Novo Machado, a realidade não é outra. Temos que considerar que
hoje, em 2005, ainda convivemos com duas faces da economia rural:
a) Há quem trabalha sob a luz da orientação tecnológica, empregando maquinários
cada vez mais sofisticados, modernos e potentes;
b) Há quem luta para melhorar o que tem e faz, buscando informações, recursos,
aplicando-os à medida de suas possibilidades, muitas vezes endividando-se de forma
preocupante;
c) E, há os que se vêem envolvidos por este tumulto tecnológico e já não encontram
forças e motivação para continuar trabalhando a terra, como vinham fazendo, e
acabam migrando, vendendo suas pequenas propriedades, indo em busca de trabalho
nos centros urbanos. Estes são os que caracterizam o êxodo rural, ainda muito
presente em nossas localidades do interior, especialmente onde as terras são mais
difíceis de serem trabalhadas e onde as propriedades são menores.
Por outro lado, merece destaque a atividade agropecuária do nosso município,
apesar de todas as dificuldades, caracterizam-no como um município essencialmente
agrícola, onde se produz soja, milho, fumo, trigo e forrageiras das mais diversas,
possibilitando a produção de leite, como fonte de renda alternativa.
5. VIDA SOCIAL E CULTURAL

Segundo a definição Sociológica apresentada pelo Dicionário, CULTURA é


“um sistema de atitudes e modo de agir, costumes e instruções de um povo.” (174)
Porém, constatamos, que numerosos são os seus conceitos.
O homem, como um ser social, criativo e racional, é o único SER portador de
CULTURA, pois só ele a cria, a possui e a transmite, a seus descendentes e a outros
grupos, com os quais mantém contato.
O conceito mais antigo de que se tem conhecimento, data de 1871 e é atribuido a
Taylor e diz: que Cultura é o “complexo total de conhecimentos, crenças, artes, moral,
leis, costumes e quaisquer outras aptidões e hábitos, adquiridos pelo homem como
membro da sociedade.” (175)
“A organização da sociedade, como um elemento desse complexo, está
relacionada, por exemplo, com a organização econômica; os dois entre si relacionam-
se igualmente com as idéias religiosas. O conjunto dessa inter-relação, faz com que a
sociedade funcione, em perfeita harmonia dos membros que a integram.” (176)
Se por um lado, este enfoque Cultural, está ligado à vida do homem, do ser
humano como tal, por outro lado, está ligado também ao seu ambiente.
Conseqüentemente, adquire uma configuração extremamente dinâmica, pois ela se
aperfeiçoa, se desenvolve e se modifica continuamente. Em síntese, caracteriza-se como
“a resposta do homem às suas necessidades básicas”, respeitando o seu ambiente, seu
grupo social, seus recursos e a herança que recebeu ao nascer.
Analisando-se os elementos culturais, sob o enfoque de abrangência, podemos
visualizar quatro sentidos distintos:
1) Cultura Comum: todos tem necessidade de: falar,comer, dormir, ter uma
atividade econômica...
2) Elementos Comuns a um grupo de sociedades. Por exemplo: o uso do Inglês
em vários países.
3) Valores Culturais Comuns a todos os integrantes de um grupo: Por exemplo, o
churrasco e o chimarrão entre os habitantes do Rio Grande do Sul.
4) Modos especiais de comportamento de um segmento da sociedade mais
complexo, também chamados de sub-culturas. Por exemplo os habitantes do litoral, da
Campanha ou da área colonial do Rio Grande do Sul, onde cada região se caracteriza
por comportamentos distintos.
A partir destes enfoques, poderemos, mais facilmente, visualizar a diferenciação
cultural dos diferentes grupos, e entender, que esta diferenciação, resulta:
1º) De processos internos: invenções, descobertas realizadas dentro do grupo e
que, posteriormente poderão ser modificadas, ao serem transmitidas a outros grupos, por
exemplo: o churrasco gaúcho;
2º) De processos externos: caracterizados pela difusão, pela transmigração dos
elementos culturais de uma sociedade a outra, integral ou parcialmente, como foi o caso
dos imigrantes europeus que vieram ao Brasil e ao Rio Grande do Sul.
De modo geral, a cultura, apesar de ser variável de acordo com as experiências
vividas e as influências recebidas, ela é também cumulativa, uma vez que não é raro,
que elementos velhos persistem ao lado de outros que vão surgindo.
Sob o ponto de vista educacional, a preservação e o conhecimento das “Raízes
Culturais”, tem sido, nos últimos anos, um fator importante na “construção da própria
identidade”. Entende-se que, se não conhecermos nossas próprias raízes, nossas origens,
além de perder toda herança de uma cultura e tradição riquíssima, dificilmente
entenderemos nosso próprio SER e AGIR.
______________________________________________________________________
__________
(174) BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa - FENAME 1981.
(175) BARSA, volume 6, pág. 131.
(176) Id Ibid.
De posse do conceito anteriormente referido, queremos, de forma muito simples
e realista, contemplar alguns enfoques culturais do nosso município.
Apesar da riquíssima herança cultural trazida pelos nossos colonizadores,
alguns, diretamente da distante Europa para as matas de Novo Machado, outros, já
intermediados pela passagem por outras frentes de colonização, temos hoje, muito a
conhecer e a resgatar.
De modo geral, a vida social dos nossos colonizadores, era muito simples, como
simples era todo o seu modo de viver.
Alemães, italianos, russos e outros, cultivavam em família e em grupos da
mesma origem, seus costumes, suas tradições trazidas da longínqua pátria. Desta forma,
procuravam amenizar a dor da saudade e compensar, muitas vezes, a ausência de entes
queridos que ficaram do outro lado do Oceano.
Entre os diferentes grupos étnicos, as relações, inicialmente, foram prejudicadas
pelas dificuldades de comunicação, pois preferentemente, cada uma das nacionalidades,
comunicava-se na sua língua materna. Neste contexto, as comunicações entre os
diferentes grupos, restringiam-se ao estritamente necessário, em geral, para tratar apenas
de alguma necessidade mais urgente.
No entanto, parece não ter havido, nesta região, dificuldades de entendimento,
exceto os iniciais motivados pela falta de domínio da língua. Termos do tipo “gringo”,
utilizado pelos alemães, para designar os italianos, e o “alemão batata”, dos italianos
para designar os alemães, parece não terem sido usados num sentimento depreciativo, e
portanto, não parecem denotar rivalidades, tensões ou conflitos.
Não temos dúvidas de que, em todos os grupos humanos, também nesta região,
havia alguns aspectos que, embora os distinguisse na sua prática, tornava-os
semelhantes em suas necessidades.
O fato, porém, do ser humano, ser um SER SOCIAL, justifica as razões e as
formas pelas quais procurasse viver em sociedade.
Dentre os aspectos, que possam caracterizar a vida social e cultural, dos nossos
antepassados, queremos destacar alguns, em cuja observação e análise, tomamos a
liberdade de deter-nos com alguns enfoques.
Na verdade, tem-se poucas informações escritas, sobre a evolução dos
relacionamentos entre os grupos e/ou famílias de diferentes etnias, bem como, quanto às
correntes culturais, que se instalaram e se misturaram, ao longo do tempo, em solo
novomachadense.
Alguns aspectos, porém, evidenciaram-se e deixaram marcas, no decorrer dos
nossos quase 80 anos de colonização, sofrendo, ao longo do tempo, diferentes
transformações, muitas destas, intimamente inter-relacionadas com a evolução sócio-
política e econômica, pela qual temos passado, e também, muitas vezes, provocadas
pelas condições ambientais, e ainda, pelas preferências religiosas.

5.1. O Cultivo da Terra - a Pequena Propriedade

Tanto quanto conseguimos apurar no levantamento histórico dos nossos


antepassados, as pessoas procedentes de qualquer um dos países Europeus, ou seja,
alemães, italianos, russos, poloneses e outros, traziam na bagagem cultural, a
experiência da “pequena propriedade”.
Destacamos este enfoque, como um “aspecto cultural”, uma vez que, a prática da
agricultura, principalmente a da “pequena propriedade”, caracterizou-se como um dos
principais meios de preservação cultural, pois ali, a família trabalhava unida. Todos os
membros da família, passavam as 24 horas do dia, participando dos mesmos anseios,
das mesmas necessidades, das mesmas esperanças, cultivando os mesmos valores, a
mesma língua, o mesmo modo de pensar e agir.
Embora, entre os colonizadores, tenham vindo ao Brasil e também à região,
profissionais de diferentes áreas, no fundo, todos vieram com o mesmo objetivo: tornar-
se proprietários de um pedaço de terra. Este anseio, que para a grande maioria dos
imigrantes, foi a principal causa que os moveu a atravessar o Oceano, reflete-se nas
inúmeras canções e poesias que tratam da natureza, do trabalho, da “vida na colônia”, e
tantos outros, embora este não seja o único tema abordado na música e na poesia.
A quadrinha que segue, reflete a característica do Ser Humano, da sua
necessidade e anseio, por ter algo “seu”.
“Der Mensch brauch ein plätzchen
Und wer’s noch so klein
Von dem Er kann sagen:
- Sie hier, das ist mein!
Hier leb ich, hier lieb Ich
Hier ruh ich mich auss.
Hier ist meine Heimat
Hier bin ich zu hauss.”

(O ser humano precisa de um lugarzinho


Por mais pequeno que seja
Do qual Ele possa dizer:
- Veja aqui, isto é meu!
Aqui eu vivo, aqui eu amo
Aqui eu repouso
Aqui é minha Pátria
Aqui me sinto em casa).
Gerhard Kleinert e Adolfo Müller - uma viagem a pé para trabalhar
na Argentina, em busca de recursos para adquirir uma área de terra.

5.2. O Trabalho

Antes de ser uma obrigação, o trabalho é uma necessidade do ser humano, quer
seja, econômica, social, mas sobretudo, cultural. A vontade de trabalhar, a organização e
a disciplina do trabalho, está, como se diz, no “sangue dos nossos antepassados - do
europeu”.
Para gozar de respeito e prestígio, entre os colonizadores, de qualquer
nacionalidade, a pessoa precisava ser “trabalhadora”, esforçada, dedicada, “caprichosa”,
no sentido de trabalhar bem sua terra, sua lavoura, administrar bem o que é seu.
Não quer dizer que, entre os colonizadores não houvesse aqueles que, como
dizem os mais velhos, “estão à procura de quem inventou o trabalho”. Mas estes, com
certeza, não são os amigos preferidos, valorizados.
A idéia “do suor do teu rosto, comerás o pão de cada dia”, foi e continua sendo,
o lema para muitas, talvez para a maioria das pessoas.
Algumas canções e/ou poesias, refletem esta valorização do trabalho, como por
exemplo esta:
“Trabalho é glória, e quem trabalha,
Vive feliz, sereno e são”...
Neste enfoque, há também uma notável inclinação no sentido de que, na prática,
somente conta o trabalho braçal, que exige esforço físico. Razão pela qual, o trabalho
intelectual, muitas vezes, não é considerado, fazendo surgir coisas do tipo: “suor de
Funcionário Público, cura até câncer”; ou “este sim, ganha fácil o seu dinheiro”...

5.3. A Língua
Sem dúvida, o maior fator de desenvolvimento e de preservação cultural, foi e é,
a Língua. Através da comunicação, cujo principal veículo é a “Língua”, é que se
desenvolvem os mais diferentes aspectos culturais.
Tradicionalmente, todos os grupos que constituiram e efetivaram, a colonização
de Novo Machado, cultivaram com ênfase e fervor a sua Língua de origem: alemães,
italianos, russos e outros, falavam, cantavam, liam e escreviam, quando o faziam, em
sua língua materna.
Revendo-se a história das diferentes etnias, constata-se que, na verdade, foram
os Alemães que cultivaram sua Língua de origem com maior ênfase, conforme se
percebe também em Novo Machado, nas diferentes comunidades onde predomina a
colonização alemã.
Com referência a esta questão achamos oportuno registrar aqui a seguinte
poesia, que retrata bem o carinho e importância dada ao assunto.

“Vergest die deutsche Sprache nicht!

Euch, die der deutschen Heimaterde


Für immer Lebewohl gesagt
Und hier am neuerbauten Herde
Im Herzen stille Sehnsucht tragt
Euch ruf’ ich zu im vollen Glauben
Und bitte euch voll Zuversicht:
“Lasst Euch nicht Euer Deutschtum rauben!
Vergesst die deutsche Sprache nicht!”

Wie Deutschlands Helden einst gefochten,


Was deutscher kühner Geist vollbracht,
Was Freiheit, Einigkeit vermochten,
Sink’ nie in des Vergessens Macht;
Das mag der Enkel staunend lesen
In deutscher Sprache treu und schlicht,
Und wieder wird, was einst gewesen
Vergesst Ihr Deutschlands Sprache nicht!

D’rum, Vater, der nach Tages Mühen


Des wack’ren Knaben Hand umschlingt,
Vergiss nicht, deutsch ihn aufzuzien,
Wach’, dass er deutsche Lieder singt,
Lehr’ ihn in Deutsch die zehn Gebote,
Und sag ihm, dass ein elftes spricht:
“Bleib’ Deutschland treu, treu bis zum Tode,
Vergiss der Eltern Sprache nicht!”
Gedenk’ der letzten Segensworte,
Der Mahnung, die im Herzen klingt,
Womit Ihr durch die Scheidepforte
Einst weinend aus der Heimat gingt;
Da riefen nach Euch deutsche Herzen:
“Auf Wiederseh’n! Vergesst uns nicht!
O, denkt daran in Lust und Schmerzen,
Vergesst der Heimat Sprache nicht!”

Doch wer der eig’nen Sprache müde


Sich stolzer fühlt bei fremdem Wort,
Verleugnen will an dem Geblüte;
Den weist mit Schimpf und Schande fort.
Das Deutschtum hegt nicht eitle Gocken
Es fordert Herzen von Gewicht.
Und wer sich opfert feilen Zwecken,
Den grüsst die deutsche Sprache nicht.

Die deutsche Sprache soll erklingen,


Wo deutsche Hand den Herd erbaut.
Frei aus dem Herzen soll sich ringen
Das Lied in heimatlichem Laut.
Das Schöne, Edle, Ernste, Grosse
Und Treue, Wahrheit, Tugend, Licht
Bleib eigen uns’res Herzens Sprache -
Vergiss die deutsche Sprache nicht!

“Obiges Gedicht hat mir meine Mutter, Johanna Uhlig, auf meine Reise
mitgegeben, als ich nach Brasilien auswanderte.

Carlos Werner Uhlig, Porto Alegre - RS.” (177)

______________________________________________________________________
__________
(177) Brasil Post - Ijuí - RS / 22/07/1989.
Tradução:
(Não esqueça a Língua Alemã!
Vocês, que ao solo natal alemão
Desejaram para sempre um “Viva bem”.
E aqui, na nova colonização
No coração carregam silenciosamente a saudade
A vocês eu conclamo com fé, convicto
E peço cheio de confiança
“Não vos deixem roubar a cultura!
Não esqueçam a língua alemã”!
Como os heróis alemães um dia lutaram
Por aquilo que o espírito altivo construiu
O que Liberdade e União almejavam,
Não caiam no domínio do esquecimento;
Deixem os netos ler surpresos
Em língua alemã, fiéis e serenos.
E assim ficará o que havia
Não esqueçam a língua Alemã!
Por isso pai, que após um dia de trabalho,
Conduz a mão insegura do filho
Não esqueça de criá-lo no sistema alemão.
Cuide para que ele cante músicas alemãs
Ensine-lhe, em alemão, os dez mandamentos
E diga-lhe que um décimo primeiro diz:
“Permaneça fiel à Alemanha até a morte
Não esqueça a língua paterna!”
Lembrem-se das últimas palavras de bênção
De advertência, que no coração ressoam,
Com as quais, na despedida
Chorando saiste da Pátria;
Por vocês chamavam corações alemães
“Até a vista! Não esqueçam de nós!
Pensem nisto, na alegria e na dor,
Não esqueçam a língua Pátria!”
Quem cansar da própria língua,
Sentindo-se melhor com linguagem estrangeira,
Quer negar, no compromisso.
Estes, afastem com rancor e vergonha.
A cultura alemã não quer descompromissados.
Mas exige corações de peso
E quem se oferta a mediocridades
Este, a língua alemã não saúda!
A língua alemã deve ecoar,
Onde a mão alemã construiu o teto
Livre dos corações deve ecoar
O hino pátrio com vigor.
O bonito, o perene, o sério e grande
O fiel, verdadeiro, os valores, a luz,
Fique nos corações a língua -
“Não esqueçam a Língua Alemã!”)

(Poesia que minha mãe, Johanna Ulig, me deu para me acompanhar na viagem, quando imigrei para o Brasil.
Carlos Werner Uhlig - Porto Alegre - RS.
Publicada no Jornal Brasil Post de Ijuí em 22/07/89.)

Com o cultivo da língua, efetivou-se também o cultivo das tradições, da religião,


do canto, dos costumes... Na própria família, na vizinhança, na igreja, no comércio, tudo
se resolvia na própria língua.
Pode-se imaginar a situação em que se viram envolvidas estas pessoas, na época
do movimento Nacionalista, quando, sem lhes oferecer as mínimas possibilidades de
aprendizagem, estes “heróis desbravadores” foram obrigados a comunicar-se na língua
nacional - Português. Esta, talvez tenha sido uma das causas, pela qual, em muitos
casos, criou-se uma certa “aversão” se é que assim pode ser chamada, dos estrangeiros
ou descendentes, contra os nacionais. Não se tem notícias de que nesta região tenha
havido grandes conflitos em relação aos nacionais, mas, houve muitos depoimentos no
sentido de que, por não saberem falar Português e não conseguirem comunicar-se, a não
ser usando a língua materna, muitas pessoas foram denunciadas e até presas.
Sem dúvida, no momento em que, as pessoas foram obrigadas a abrir mão de sua
Língua Materna, fez-se o início da sua decadência cultural. É muito diferente, quer
dizer, tem outro sentido: ler a Bíblia, trazida com tanto cuidado por muitas pessoas, na
sua língua de origem, onde cada palavra tem um sentido especial, profundo e
significativo, ou fazer, mecanicamente ou soletrando a mesma leitura, com palavras
cujo significado não é absorvido.
A partir daí as dificuldades de comunicação, para qualquer uma das
nacionalidades, foram se manifestando, virando até piada, em alguns casos, como por
exemplo, do Sr. que foi comprar Salamoníaco. Em alemão, este fermento é conhecido
como “Hirschenzalz”. “Salz”, ele sabia que era “sal”. Como ignorava a denominação do
produto em português, simplesmente pediu “Sal Hirsch.”
Estas situações, muitas vezes, geravam grandes equívocos, como aquela do
italiano que foi levar o filho ao médico, porque havia desmaiado. O médico disse:
“- Seu filho teve um ataque epiléptico.
Ao voltar para casa, a vizinha perguntou a esse Senhor:
- Cossa zeo stá col tozeto”? (O que deu no menino (guri)?
- El dorore el gá dito, che’l ga bio un ataque “soviético”. (O doutor disse que ele
teve um ataque “soviético”.)
O doutor receitou-lhe um efervescente. O cliente foi para casa e pôs o remédio a
ferver na chaleira e, conseqüentemente, não deu efeito, voltou a se queixar ao médico
que o remédio não prestava.
Zea stá operada de chê la to fiola? (Foi operada do que a sua filha?)
- Ah! a ghea um cristo in tea pansa (um quisto). (Ah! ela tinha um cristo em sua
barriga (um quisto)).
Zia, como, zeo stata che ghí fato sú qüêl capitel via tea strada? (Tia, qual motivo
que levou a fazer aquela gruta próxima à estrada?)
- A zê stá na inpromessa, parchê, te vídi, che mí, caro, quando resto “malada”,
resto co la bobina alta (albumina). (Foi uma promessa, porque, tu vês, que eu, caro, quando
fico doente, fico com a bobina alta (albumina).
O Luíz Balzan, natural de Protásio Alves em (Nova Prata), entrou para a Ordem
dos Capuchinhos. Enquanto ele estava fazendo o noviciado, certa manhã foi recitar os
salmos e, num deles, encontra-se a seguinte frase: “O Senhor é minha fortaleza e minha
rocha”. E ele leu solenemente, diante dos demais confrades: “O Senhor é minha
bordalesa e minha roça”. (Bordalesa é um recepiente onde se guarda vinho.)” (178).
O medo das represálias, atingia grandes e pequenos, pois até na família,
procurava-se silenciar ao máximo as crianças, para que estas não criassem problemas
para as famílias, para os pais.
Hoje, em virtude de uma série de fatores, as gerações atuais encontram inúmeras
dificuldades de manter autêntias as línguas de origem, fazendo surgir uma mistura de
línguas em muitas famílias, como pode ser exemplificado, de maneira pitoresca, pela
canção que segue:

______________________________________________________________________
(178) COSTA, Rovílio e BATTISTEL, Arlindo. Assim vivem os Italianos - Vol. 2, Pág. 902.
Salada Mista

Eu nasci lá bem no mato


Wo die strasse ist no fim
Da hats Keine Macadone
Nur pastane und capim.
Não precisa schue puzen
tra lá lá Wie in die stat
Ninguém suja o sapato
Weil er Keine schue hat.

De manhã eu me levanto
Wens zum frischtik apitirn tut
Den forher ist muito frio
und dan schleft sich noch so gut
Morgens frie o galo canta
ki ki ri ki das stert mich nicht
vai tu lá plantar batata
unt ich rier noch lang mich nicht.

Wen ich mich gevestet habe


trink ich einen chimarrão
und dan nehm ich meine angel
und pesquier an ribeirão
tra lá lá que vida boa
nada de serviço há
setz mich wol auf die varanda
e o resto já se dá.

Wen es zwelf vol hat gebatet


den ligeiro den nach haus
in die eke die tamanken
un dan getz zum mitagschmaus
tra lá lá ich ess gern peixe
tra lá lá mit fiel pirão
tra lá lá da lacht mir imer.
tra lá lá mein Coração.

Doch nacher getz an die Arbeit


Ai ai ai und das ist schwer
Und dan nehm ich mein foice
Und rocier die Capover
Ai ai ai como isso é duro
Ai ai ai, não gosto não
Mas eu também não sou burro
Trouxe junto o violão

Als ich noilich mal Capint hat


lies ich offen den portão
und da kam ne dume vaca
und stragiert mir den feijão
ai ai ai ich nam ein susto
ai ai ai posso dizer
und da nahm ich ein sarafo
und corierte hinter her.

Doch die mutter hats gesen


den desastre fon die Kuh
sie schamirte mich pra casa
Und surit mich gleich dazu
Ai ai ai mitt den chinelo
Ai ai ai como eu gritei.
Ai ai ai corirt ich schnelle
nada nada não gostei

Dume vaca tu me paga


espera nur ein andres mal
dan nehm ich eine grosse pedra
E tu vai passando mal
Vinte e quatro longas horas
Bind ich dir die schnauze zu
Und dan stest du for dem futter
Und machst mu mu mu mu mu

Vou me despedir agora


Von dem ganzen pessoal
den es batet schon seis horas
Und die vaca muss im Stall
Dan geh ich in meinem rancho
Und pegier den violão
Und toquir eine modinha
Como ist das leben bom.

Hoje, com um amplo processo de resgate cultural, procuramos trazer à tona, a


língua e suas influências radicais nos costumes e nas tradições, em muitos casos já
prejudicados pelo desuso e até, porque não dizer, pela rejeição que, de certa forma, se
instalou nas gerações mais jovens.

5.4. A Música e o Canto

É interessante observar-se, o grau de importância que os europeus atribuíam a


esta prática. Muitos e variados foram os instrumentos musicais trazidos pelos
imigrantes, o que confirma e comprova o seu uso na vida familiar, e especialmente, na
igreja: instrumentos de sopro, de cordas e até Harmônios e Pianos.
Muitos porém, pelas dificuldades que encontraram ao chegar no Brasil e mais
precisamente na região a ser colonizada, (no caso Linha Machado) e arredores, viram-se
obrigados a desfazer-se dos seus preciosos instrumentos musicais. “Meu pai trouxe da
Alemanha um Harmônio, que vendeu em Santa Rosa para um Pastor Evangélico,
porque dali em diante seguimos caminho a pé, auxliado apenas por um cavalo. Não
tinha como levar o Harmônio”. (Palavras dos Sr. Helmuth Kaffka).
Helmuth, Fridolino, Herbert e João Krapp - Lajeado Gateados

Se fossemos fazer um levantamento profundo, certamente encontraríamos


inúmeros casos de instrumentos diversos, que em meio a todas as dificuldades
encontradas, alegravam a vida dos pioneiros.
Ao partir de sua terra natal, a despedida de parentes e amigos que ficaram no
“Além Mar”, os imigrantes cantavam seu “adeus”.
O Sr. Helmuth Kaffka, imigrante que veio ao Brasil em 1924, retrata esta
dispedida na sua autobiografia, onde diz:
“Die Serene heulte. Das ging einem durch und durch. Dass winken der
Taschentücher, so weit mann sie sehen konte. Die Blass musick spielte. “Nun ade du
mein Lieb Heimatland”. Ess hörte sich so an, als ob de Instrumente weinten. Bei vielen
Menschen standen die Trännen in den Augen, um Ich? ...” (179)
(As sirenes uivavam. Isto transpassava a gente. O abanar dos lenços, até onde podiam
ser vistos. O conjunto de sopro tocava “Adeus minha terra Natal”. Parecia que os instrumentos
choravam. Muitas pessoas estavam com lágrimas nos olhos, e eu? ..)
Nun ade du mein lieb Heimantland
Nun ade du mein lieb Heimantland
Lieb Heimantland ade
Es geht jetz fort zum fremden Strant
Lieb Heimantland ade
/: Und so sing ich dann mitt frohen mutt
Wie man singet wenn man wandern tut
Lieb Heimantland ade:/
Wie du lachst mit deinen himmels blau
Lieb Heimantland ade
Wie du grussest mich mit felt und au
Lieb Heimantland ade
/: Gott weiss zu dir steht stehts mein sinn
Doch jetz zur ferne ziehtz mich hin
Lieb Heimantland ade.:/
____________________________________________________________________
(179) In História Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS – 1995.
Begeisterst mich du lieber fluss
Lieb Heimantland ade
Bist traurig dass ich wandern muss
Lieb Heimantland ade
Von mossgenstein am wandgen tahl
Grüss ich dich noch zum letzten mal,
/: Lieb Heimantland ade.:/

Tradução: (Adeus minha querida terra natal.

Adeus minha querida terra natal


Querida terra natal, adeus
Agora seguimos para uma terra estranha
Querida terra natal, adeus
/.: Assim eu vou cantando animado
Como se canta quando a gente muda
Querida terra natal, adeus.:/

Como sorris com o teu céu azul


Querida terra natal, adeus.
Como me cumprimentas com tuas lavouras e paisagens
Querida terra natal, adeus.
/.: Deus sabe que para ti está voltado, meu pensamento.
Só agora para a distância sou atraído
Querida terra natal, adeus.:/

Me entusiasmas meu querido rio


Querida terra natal, adeus.
Estás triste porque tenho que partir
Querida terra natal, adeus.
/.: Das pedras cobertas de musgo, da planície
Te saúdo pela última vez
Querida terra natal, adeus.:/ )

Eles também cantavam muito, em família, em roda de amigos, nas comunidades


que foram se formando.
Por muitos anos, os alemães, os italianos e outros, cantavam as velhas canções
trazidas de sua pátria.
As canções eram variadas e em geral, o rítmo e a melodia revelavam o conteúdo
de sua letra. Cantavam suas histórias, fatos acontecidos, a natureza, a fé. As canções
revelavam diferentes situações humanas, geralmente relacionadas ao trabalho, à terra,
aos animais, à vida, e ao comportamento das pessoas.
Também a esperança de uma vida melhor na nova pátria, como revela a música
“América”.

Da L’Italia Noi Siamo Partiti

Da l’Italia noi siamo partiti


siámo partiti col nostro onore
trenta sei giôrni di macchina e vapore
Ed in América siámo arrivá.
est. Mérica, Mérica Mérica,
cossa sarala sta Mérica?
Mérica, Mérica Mérica
Un bel massolino di fior?

A l’América noi siamo arriváti


Non abbiam trovato né páglia né fieno
Abbiam dormito sul nudo terreno
como le béstie abbiam riposá.

Ma lá Mérica l’ è lunga e l’ è larga


l’ è formata di monti e di piani
e con l’ industria de noaltri italiáni
abbiam fondato paesi e cittá.

Tradução: (Da Itália, nós partimos

Da Itália, nós partimos


Nós partimos com a nossa honra
Trinta e seis dias de máquina a vapor
E na América nós chegamos

América, América, América


O que será esta América?
América (3x)
Um belo ramalhete de flores?

Na América nós chegamos


Não encontramos palha nem feno
Dormimos sobre o nu terreno
Como repousavam os animais.

A América é comprida e larga


É formada de montes e de planícies
E com o trabalho nós italianos
Construímos vilas e cidades.)

A Srª Emma Buss, uma imigrante que veio ao Brasil em 1926, escreve em sua
Autobiografia:
... “Meine freude die ich hatte war Singen. Ich habe über 30 Jahr im Choor
gesungen, und Abens haben wir viel Volkslieder gesungen, mitt unsre Nachbars und mitt
unsre Kinder”...

(Minha alegria era cantar. Eu cantei no Coral por mais de 30 anos, e de noite,
cantavamos muitas canções folclóricas com nossos vizinhos e com nossos filhos)...
Nota: Coral na Igreja, música sacra.

Dentre as muitas canções folclóricas, D. Emma assim como outros


colonizadores, lembra a seguinte:
Das Koloni Leben

Wie schön is dass, Koloni leben


Mein haus ist ganz einfach nur
/: Im schaten der beume umgebenn
Mir lechelt die schöne natur:/
Im schaten der grünenden beume
Sitz ich so gerne allein
/:Da wegen mir goldene treume
Die schöne veregangenheit ein:/
Ein föglein wekt mich aus den schlafe
Und sing mir ein morgen lied vor
/:Denn höre ich, wen ich erwache
Dem fögelein munter im chor:/
Der papagai gnatz im getreude
Der sabiá schreitt hinten drein
/:Der kibitz stolziert auf der weide
Und stimet ganz frölich mit ein:/
Wass nützet denn keiser die Krone
Denn Seehmann sein land und sein gelt
/:Sie tragen die sorgen fül grösser
Als ich ganz allein in mein zelt:/
Zufrieden leb Ich auf den lande
Ob gleich Ich edelman bin
/:Wie flügen in unsren studen
Die tage so frölich dahin:/
Ich bin mitt wenig zufrieden
Ferachte die wohlust der welt
/:Als kolonist leb ich zufrieden
Gott seegne mein haus und mein Felt:/

Tradução:

(A vida na Colônia

Como é bonita a vida na colônia


A minha casa é muito simples
Envolvida na sombra das árvores
A natureza me sorri.
Na sombra das árvores verdejantes
Eu gosto de sentar sozinho
Aí, sonhos dourados me trazem
A bonita lembrança do passado.
O passarinho me desperta do sono
E canta pra mim uma canção da manhã
Daí eu ouço quando eu acordo
O alegre coral dos passarinhos.
O papagaio nos cereais
O sabiá canta a seguir
O quero-quero passeia nas pastagens
E participa alegre do trinar.
O que adianta para o rei a coroa
Ao marinheiro sua terra, seu dinheiro
Eles carregam preocupações muito maiores
Da que eu, bem sozinho no meu burraco.
Contente eu vivo na terra (colonia)
Mesmo sendo solitário
Como passam voando as horas
Dos dias alegres que vão.
Eu me contento com pouco
Desprezo os prazeres do mundo
Como colono eu vivo contente
Deus abençoe minha casa e minha lavoura.)

Mein Vaterhauss (Gedicht)

Woo’s dörflein da zu ende geht


Woo’s mühlen rad am Bach sich dreht
Da stheht in duftigen blüten strauss
Ein Hüttlein klein, mein Vaterhauss
Da schlagen mir zwei Herzen drinn
Voll Liebe und voll Treu im Sinn
Der Vater und Die Mutter mein
Das sind die Herzen from und rein
Darin noch meine Wiege Steht.
Darin lern’t ich mein erst’s gebet
Darin fand Spiel und lust stehts raum
Darin treum’t ich den ersten traum
Drumm tausch ich für das schönste Sloss
Wers felsen fest und riesen gross
Mein Liebes Hüttlein doch nicht aus
Den es gibt ja nur ein Vaterhauss.

Tradução:

(A minha casa paterna (poesia)

Onde termina o povoadinho


Onde a roda d’água se move
Lá, entre arbustos floridos e perfumados
Há uma choupana, minha casa paterna.
Lá batem dois corações
Cheios de amor e fidelidade
Meu pai e minha mãe
São os corações puros e crentes
Ali ainda está meu berço
Ali eu aprendi minha primeira oração.
Ali brinquei alegremente
Ali sonhei meu primeiro sonho.
Por isso não troco pela mais linda mansão
Mesmo que ela seja firme como rocha e enorme
A minha querida choupana.
Porque só existe uma casa paterna.)

Cara Mamma Dammi Un Bacio Ancora

O cara mamma dammi un bacio ancora


O cara mamma dammi un bacio ancora
voglio un bacio ancor poi ti lasciero
ma tu non pianger più che presto tornerò.
O mamma mia, son soldato alpino,
son soldato alpin su pei monti andrò
ti porterò un bel fior con un bacin d'amor.
E la morosa mia l'è là che piange ancora,
piange sconsolà nel vedermi andar
per trenta mesi an cor a far il militar.

Tradução:

(Oh! Cara mãe dá-me um beijo ainda

Oh! cara mãe dá-me um beijo ainda


Oh! cara mãe dá-me um beijo ainda
Quero um beijo ainda porque tu vai me deixar.
Tu não vais chorar mais, que eu logo volto.

Minha mãe, sou um soldado bom


Sou um soldado bom, que pelos monte eu vou.
Quando eu volto trago uma flor bonita com abraços de amor.

Minha namorada, que chora ainda


Chora e se consola por ver-me andar.
Fica fora 30 meses, para serviço militar.)

Quel Mazzolin Di Fiori

Quel mazzolin di fiori


chevien da la montagna
Quel mazzolin di fiori
che vien da la montagna e
bada ben che nol si bagna
che lo voglio regalar
e bada ben che nol si bagna
che lo voglio regalar.
Lo voglio regalare
perchê l'è un bel mazzetto
lo voglio dare al mio moretto
questa sera quando il vien.
Stasera quando il viene
gli fò la brutta cera
e perchê sabato di sera
non é venú da me.
Non é venú da me
l'è 'ndà da la Rosina
perchê mi son poverina
mi fa pianger e suspirar.
Mi fá piángere e suspirare
sul letto dei lamenti
cosa mai diran le genti
cosa mai diran di me.
Diran che son tradita
tradita nell'amore
e mi me piange il cuore
e per sempre piangerò.

Tradução:

(Aquele Macinho de Flor

Aquele macinho de flor


que vem lá da montanha
aquele macinho de flor
que vem lá da montanha e
cuide que ele não se molhe
que eu quero entregar
cuide que ele não se molhe
que eu quero entregar.
sempre sempre chorarei.
Eu quero entregar
porque é um bonito buquê
Eu quero dar para o meu namorado
Esta noite quando ele chegar.
Hoje de noite quando ele chegar
É uma noite ruim
Porque sábado de noite
ele não veio me ver.
Ele não veio me ver
e foi visitar Rosina.
Porque eu sou muito pobre
ele me faz chorar e suspirar
Ele me faz chorar e suspirar
na cama do sofrimento
o que vai dizer o povo
o que o povo vai dizer de mim.
O povo vai dizer que me traiu
Traiu o namoro
e eu choro de coração.
e sempre chorarei.)

Para retratar a importância dada ao canto e à música, transcrevemos uma


pequena quadrinha, que diz:
“Woh man singt und spielt
Da lass Dich nieder.
Den böse menschen
Haben keine Lieder”
Tradução: (Onde cantam e tocam
Lá podes chegar
Pois pessoas más
Não possuem canções).

5.4.1. O Canto e a Música Sacra


a) O Canto Coral
É impressionante observar os registros das diferentes igrejas que aqui, na região
de Novo Machado, se organizaram nos primeiros anos da colonização.
Temos depoimento de que, mesmo antes da fundação das congregações
religiosas, as pessoas reuniam-se em grupos de família, nas casas, para cultivar, também
a música e o canto religioso, sacro.

Moradia de Ivan Siniak - 1922


Algumas pessoas reunidas para a
realização do Culto, aos domingos

Segundo pesquisas realizadas, constatamos que, ao lado da música folclórica, a


música sacra, especialmente o canto coral, sempre gozou de valorização extrema,
principalmente entre os colonizadores de origem germânica. Muitas vezes, estes corais
eram dirigidos por membros que, ao lado da árdua atividade rural, encontravam tempo e
disposição para copiar a mão, as longas canções, com letra (texto) e notas musicais,
inclusive para os cantores. De forma muito simples, com redobrado esforço e dedicação,
os cantores dos corais aprendiam, não somente pelo ouvido, mas seguindo as notas
musicais e guiando-se por elas.
“Esta comunidade, também possui um Coral de 4 vozes. Este foi fundado em
1926 tendo como Dirigente fundador, o Sr. Gustavo Labes. Exerceu a função de
maestro durante 30 anos, ou seja, de 1926 a 1956. Após este período, outros Maestros
se destacaram: Samuel Blenick, Helena Guse, Ernesto Welke, Alexander Eresmann e
atualmente, Valdi Hübscher.” (180).
______________________________________________________________________________
(180) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS -1995.
O Pastor Alemão Rev. Herbert Wolff, da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil (IECLB), na época conhecida como “Riograndense”, que atuou em
Belo Centro (hoje Tuparendi) no período de 1933 a 1942/43, escreveu em seu livro:
“Pionire im Lande der Gaúchos”, algo referente à colonização Russa, na época
existente em Vila Pratos. O relato de existência desta colonização e do seu magnífico
coral de 4 vozes, lhe fora trazido por pessoas que o procuraram com o objetivo de
fundar, na mesma região, uma Congregação Evangélica. Diz o relato:
... “Vor etwa einem Jahr kommen da am Pratos so ungefähr fünfzig russiche
Familien an. Ihren Pfarrer bringen sie gleich mit. Sie haben auch schnell ihre Kirche
gebaut mit einem doppelten Kreuz. Jeden Sonntag haben sie Gottesdienst. Und signen
können sie! Das hört man im ganzen Statplatz. Alle Lieder singen sie vierstimmig. Das
hört sich wundeschön an”. ... (181)
(Há mais ou menos um ano atrás, chegaram em Pratos cerca de cinqüenta famílias
russas. O seu Guia Espiritual (Pastor, Padre), eles já trouxeram junto. Eles também construíram
rapidamente sua Igreja, com uma Cruz dupla. Todos os domingos eles tem Culto (Missa). E eles
sabem cantar! Isto se ouve por toda a povoação. Todos os hinos eles cantam em quatro vozes.
Isso é maravilhoso)...
Lamentavelmente, não temos aqui a possibilidade de trazer ao leitor, algo de
concreto, ou seja, alguma canção, cantada pelos russos, pois, com a decadência da
colonização russa, perdeu-se, nesta região, sua cultura, sua fé, seu modo de viver e
cantar. As poucas famílias russas que ainda residem na região, em sua maioria
descendentes dos imigrantes, já não cultivam mais sua língua, suas tradições e, se o
fazem, não é de uma forma pública ou expressiva.
“Aqui em Pratos, eu cantei no Coral da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil - IECLB, por mais de 30 anos. Primeiro o regente foi o Sr. Eduardo
Müller e depois, por 25 anos, o regente foi o Sr. Roberto Schröder. Eu tinha um caderno
com mais de 140 hinos que cantávamos no coral.”
(Palavras da Srª Emma Buss)
Em todas as denominações religiosas fundadas aqui, no início da colonização,
encontramos registros referentes aos seus corais. Em geral, além do Coral Oficial da
Congregação, havia ainda os corais dos jovens, igualmente em quatro vozes.
Assim confirma-se a dedicação, o carinho e, conseqüentemente, a qualidade do
Canto Coral entre os colonizadores, que ao lado de todo o sacrifício e de todas as
dificuldades com as quais tiveram que aprender a conviver, encontravam ânimo e
tempo, para dedicar-se carinhosamente ao cultivo desta tão importante arte - o canto
coral.
Às vezes, nos perguntamos: como era possível que as pessoas se deslocassem a
pé, a cavalo ou de carroça, muitas vezes percorrendo grandes distâncias, e estas em sua
maior parte, por entre a mata, para marcar presença, nos tão importantes ensaios?
Atualmente, o município de Novo Machado, conta com cerca de vinte corais
religiosos, ligados às diferentes denominações religiosas, distinguindo-se, neste grupo,
corais mistos (4 vozes); corais femininos (2 vozes); corais de jovens, cujo objetivo
primeiro é louvar a Deus com esta bonita arte.

b) A Música Sacra e os Conjuntos Musicais

Tão logo foram sendo organizadas as congregações religiosas, esta prática


recebeu uma especial atenção. Grupos de instrumentos de Cordas, Sopro ou mistos, ao
lado de extraordinários corais, tornavam os cultos ainda mais bonitos e significativos.

No canto e na música, as pessoas podiam demonstrar o seu fervor religioso.


Chama atenção que, em praticamente todas as Congregações (Igrejas) que foram sendo
fundadas e organizadas, havia um coral e/ou um Conjunto de Sopro ou de Cordas.

_____________________________________________________________________________________

__________(181) WOLFF, Herbert. Pionire im Land der Gaúchos. Alemanha, 1984 - pág. 83.
Conjunto de Sopro da Comunidade Conjunto de Cordas da
Evangélica Luterana Trindade (IELB) Igreja Batista Zoar
Regente: Gustavo Gund Regente: Berthold Rosennau

O conjunto de Sopro com integrantes locais e alguns visitantes,


em frente o 1º Templo da Igreja Batista Zoar de Linha Machado

Em 1954, a Congregação Evangélica Luterana Trindade, conforme registro em


Ata de 24/01/54, adquire um Harmônio do Rev. Pastor Elmer Reimnitz, com o objetivo
de embelezar os cultos e auxiliar nos ensaios de canto das crianças, jovens e do Coral.
Este foi utilizado até 1974, quando foi substituído por um Órgão Eletrônico.
“A Igreja, desde a sua fundação, se dedicava muito à música religiosa. No ano
de 1932, fundou-se um coral de quatro vozes. No mesmo ano fundou-se uma orquestra
(Conjunto de Violões). No ano de 1933, foi fundada uma Banda de Sopro.
Atualmente, todos estes conjuntos estão em pleno funcionamento.” (182)

Além disso, muitas pessoas mantinham em suas casas, gramofones, vitrolas e


toca-discos (mais recentes), ouvindo e aprendendo músicas e canções, principalmente
religiosas.
Conjuntos de sopro, de cordas, harmônios, e posteriormente órgãos eletrônicos,
foram gradativamente sendo introduzidos pelas diferentes denominações religiosas,
embelezando suas celebrações.
Atualmente, a Igreja Batista Zoar, a Igreja Evangélica de Cristo e a Igreja Batista
de Lajeado Terrêncio, mantém em atividade seus conjuntos de Sopro, que, em situações
especiais, reunem-se com o objetivo de, em conjunto, trazer sua arte e com ela louvar a
Deus.

_____________________________________________________________________________________
__________
(182) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.

Conjunto de Sopro integrando as três Bandas (Igreja Batista Zoar,


Igreja Evangélica de Cristo e Igreja Batista de Lajeado Terrêncio)
participando do Desfile Cívico-Cultural realizado em Novo Machado em 07/09/94.

5.5. As Visitas
Talvez, a maneira mais comum e mais marcante que os colonizadores,
respeitando-se principalmente os grupos étnicos, encontraram para manter vivas suas
raízes culturais, foram as visitas.
Para realizar as visitas, os colonizadores não conheciam distâncias, nem
dificuldades, nem falta de tempo. As pessoas sentiam necessidade de aproximação, de
calor humano, para encontrar forças para lutar e vencer as agruras do seu
empreendimento.

Área de lazer (Sommer Laube), construída no jardim,


especialmente para receber as visitas - década de 1930.
Propriedade do Sr. Gustav Krüger - Lajeado Gateados
Foto: Sr. Helmuth Kaffka
A importância dada às relações de vizinhança, confirmam-se pelo seguinte
relato:
“A família de pioneiros Gosenheimer, construía um galpão. A família Nöreberg,
que ouvira o som de batidas de martelo, fez uma picada no meio do mato em direção de
onde vinha o som, até chegar na propriedade dos Gosenheimer. Os Nörenberg
contaram à família Gosenheimer, que Gustavo Priebe também residia aqui com a
família, não muito distante. Logo estes, abriram outro pique, para encontrar os
vizinhos. A ansiedade das pessoas se conhecerem era muito grande.” (183)
As dificuldades eram muitas, por isso, apesar do cansaço do trabalho diário, as
distâncias eram vencidas a pé ou de carroça, muitas vezes à noite.
Um fato curioso, que se refere às visitas é que, mesmo não participando, nem
ficando presentes no círculo de conversas dos adultos, as crianças, mesmo que
numerosas, acompanhavam os pais nas visitas realizadas às famílias amigas. Junto com
as crianças da família visitada, formavam outro grupo, onde brincavam, conversavam,
cantavam, mas em hipótese alguma, interferiam na conversa dos adultos.
Como as distâncias eram longas e, de carroça, a viagem era demorada,
geralmente a família já saia de casa previnida: colocavam palhas no fundo da carroça e,
sobre esta, o “pano de bater cereais” (Dreschtuch) e, com mais alguns acolchoados
velhos, os pais resolviam o problema do cansaço das crianças, que assim vinham
dormindo na carroça.
Conta-se que: Em certa ocasião, uma família preparava-se para uma destas
visistas. As crianças, já saíram de casa, acomodadas na “cama” ou “ninho” preparado na
carroça. Como haviam adormecido antes de chegar na família a ser visitada, os pais as
deixaram dormindo. Quando retornaram para casa, como já era muito tarde, os pais
decidiram não mecher com as crianças que estavam bem acomodadas e dormindo. Na
manhã seguinte, ao acordar, as crianças reclamaram:
- “Mas nós não íamos passear na casa dos .....” ?
Num outro caso, relata-se que no caminho de volta para casa, abriu a tampa da
caixa da carroça, e uma das crianças caiu. Os pais só se deram conta em casa, quando
tiraram as crianças da carroça e faltava uma. Não teve dúvida. O pai pegou os cavalos,
atrelou-os novamente na carroça e voltou. A certa altura, encontrou a criança deitada
sobre o monte de palha, assim como caíra da carroça. A criança nem havia acordado.
O “spatzieren gehn” do alemão, o “maie gehn” do hunsrück ou o “móie gehn”
do pomerano, ou o simples “vort gehn” ou “vech gehn”, variam somente no uso do
vocábulo, porém mantém o mesmo significado - sair, passear...
Nestes encontros, além de conversar sobre o seu dia-a-dia, as pessoas divertiam-
se jogando algum jogo, cantando, contando histórias ou piadas.
As famílias reuniam-se também para orar, ler a bíblia, cantar... Enfim, para
cultivar sua fé cristã, sua religião.
Entre os italianos, esta prática era conhecida como “filò”, cuja origem, reporta-
se aos costumes impostos aos italianos, na Itália, em virtude dos rigores do clima e as
dificuldades naturais do ambiente: O frio, obrigava as pessoas a manterem o fogo aceso
durante o dia todo, e a lenha era escassa. Por isso, “para economizar lenha, costumavam
reunir-se anciãos de duas ou três famílias (eram as pessoas que ficavam em casa), um
dia nesta, outro dia naquela casa, até o anoitecer para, assim queimar lenha numa só
casa. À noite, retornando, acendiam o fogo para preparar os alimentos e aquecer o
ambiente”.
... “Em nossas colônias não tivemos o problema do frio. Mas o “filò” passou a
ser uma tradição ou atividade da noite, ou do anoitecer”. (184)
O filó podia realizar-se na própria família, com os seus membros, ou então na
casa de outras famílias reunindo-se para conversar, visitar enfermos, rezar, cantar,
realizar trabalhos manuais. O termo filó, significava, na Itália, o conjunto de trabalhos
manuais que podiam ser executados em casa, no período de inverno, o que em geral,
passou a acontecer entre os vizinhos, além do que se realizava em casa.
______________________________________________________________________
__________
(183) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS -1995.
(184) Correio Riograndense, 20.12.95 (Texto de Rovílio Costa. pág. 36.
“Na colônia, quando se determinava fazer filó em alguma família, jantava-se
em casa, procurando chegar umas duas horas antes do horário dessa família ir dormir.
Tinha-se o cuidado de chegar na família depois que já tivesse jantado. Aí se ajudava
lavar a louça, se o tivessem fazendo, senão se rezava juntos, o terço. E seguia-se o
filó.” (185)
Também os doentes eram visitados no horário do filó, fazendo-se uma visita
mais breve. Neste caso, o filó com os familiares era mais curto e realizava-se
discretamente, para não perturbar o doente.
“O filó era também oportunidade de convidar os vizinhos, por ocasião da safra
de pinhão, batata, amendoim, laranjas, nêsperas, peras, oportunidade em que se bebia
o bom vinho caseiro. A sensibilidade sugeria que se convidassem os vizinhos que não
haviam produzido tal e qual produto para compartilhar com eles.
As épocas de safras, eram oportunidades para convidar os amigos ao filó. Ao
tempo de uva, convidava-se alguém que ainda não tinha parreiral, para comer uva e
beber vinho doce. O amendoim, o pinhão, a batata, o vinho, a graspa, o café, as
bolachas caseiras eram comes e bebes corriqueiros nos filòs.
Poder-se-ia citar muitos elementos do filò. Mas, o mais importante é aquele filó
não esporádico, mas que acontecia todas as noites na casa de cada colono. O encontro
da família, preparando-se para a janta, jantando, lavando a louça, fazendo trança,
dobrando palha de milho para cigarros, limpando a casa em meio a uma conversa
panorâmica do dia vivido. A família transformava-se em ante-câmara do paraíso
quando, no final de tudo, jovens, velhos e crianças se ajoelhavam e rezavam conforme
o costume de cada família. Crianças adormeciam sobre os bancos e tinham que ser
levadas à cama no colo, jovens também pegavam no sono e vinha o sacudão dos pais
para acordá-los e reagir ao sono, porque era necessário rezar. Ia-se dormir
abençoados por Deus, com esperança de levantar dispostos e felizes para um novo dia
de trabalho, que terminaria com um novo dia de paraíso, com a mesma oração
noturna, mas cada dia com motivações e intenções diferentes.
O trabalho era o sinal do progresso, os frutos do trabalho eram sinal da bênção
de Deus. Mas a refeição, todos juntos, com alegria e saúde, era sinal da vida, da saúde
e do amor entre pais e filhos, e a oração juntos era o grande sinal do paraíso. O filò
era, pois, a grande síntese da vida do homem em família, em vizinhança e em relação
com Deus.” (186).
Era comum entre os descendentes italianos, as “visitas surpresas” por ocasião
dos aniversários.
“Matava-se uma galinha e fazia-se o “brodo” (caldo de galinha com tempero
verde e queijo ralado.) Não tinha cerimônia, cada um pegava a xícara com o brodo e
um pedaço de pão. Depois contava-se historinhas, piadas e alguns dançavam (sem
música). Era muito simples mas muito divertido.
Hoje, as visitas acabaram porque a televisão ocupa este espaço.”
(Palavras de D. Vergínia Golin).
Da mesma forma reuniam-se os nacionais, realizando os famosos “serões”, cujas
horas alegres de passatempo podiam também, realizar-se em casa, entre as pessoas da
família ou entre gente amiga, na vizinhança. Estes encontros também aconteciam nas
primeiras horas da noite.
Além de conversar, tocavam e cantavam e, algumas vezes, acontecia até um
“arrasta pé”, como chamavam estas danças espontâneas e alegres.
As famílias também reuniam-se para rezar, receber o “Divino” ou a “Santa”,
fazendo desses encontros, momentos de conforto e enlevo espiritual.
Não conseguimos apurar esta prática entre as demais nacionalidades que
constituíram o povo novomachadense. Mas, a exemplo de outras manifestações de
solidariedade, cremos que o desejo de manter a sua unidade, a amizade com os seus,
certamente fê-los reunir-se também.
______________________________________________________________________
__________
(185) Correio Riograndense, 20.12.95 (Texto de Rovílio Costa. pág. 36.
(186) Id Ibid
O que chama atenção e é digno de registro é que a dureza de um dia de trabalho,
não terminava na subjugação pelo cansaço, mas na harmonia do encontro, na própria
família e com os vizinhos e amigos. Certamente, era assim que as pessoas encontravam
forças para, no dia seguinte, acordar cedo e enfrentar novamente, todas as dificuldades
que o novo dia lhes reservava.
Esta prática perdurou durante muitos anos, perdendo seu espaço somente pela
televisão que, após ter-se instalado definitivamente, acabou “prendendo” as pessoas em
casa, pois no convívio com outras pessoas, a tendência natural de conversar, perturba a
continuidade dos programas de TV.

5.6. Festas
5.6.1. Aniversários e Casamentos:

As festas entre os novomachadenses sempre foram um momento de encontro,


descontração e alegria.
Sempre havia um motivo para festa: aniversários, inauguração de casas,
casamentos...
“Eram comuns, as famosas “Surpresas”. Quando alguém estivesse de
aniversário. Arrumavam um gaiteiro, um arroz com galinha para a janta e um
fandango durante a noite, sob a luz de um candeeiro. Ali, entre olhares e lances,
nasciam os romances, que não tardavam, viravam em casamento”. (187).
Nem sempre, o aniversariante convidava as pessoas. Geralmente os vizinhos,
amigos, parentes iam se organizando e levavam alguma coisa para comer.
“Os familiares do aniversariante, se preparavam um pouco, fazendo pão, cuca,
bolacha. Alguns faziam bolinhos de batatinha. O restante dos alimentos, as pessoas
traziam no dia. Carneava-se um porco e galinhas, da propriedade do aniversariante.
Os homens tomavam vinho e as mulheres tomavam refresco, feito com vinho,
água e açúcar, chamado “sangari”. As pessoas que não tomavam vinho ou refresco,
tomavam mate. Depois da janta, as pessoas conversavam e dançavam até o clarear do
dia”. (188).
Estas festas de aniversário eram simples, mas cheias de vida e ânimo, pois era
uma forma de aprofundar os laços de amizade e solidariedade, entre as pessoas.

Os casamentos também eram comemorados com grandes festividades, de acordo


com os costumes de cada etnia.
Na semana que antecedia o casamento, na casa da noiva ou do noivo, conforme
costume de cada um, onde seria realizada a festa, grandes eram os preparativos do
ambiente. Faziam mesas e bancos debaixo dos galpões, ou armava-se barracas, ou fazia-
se ramadas com folhas de coqueiro. O local, era ornamentado com folhas de coqueiro e
flores de papel.
Na véspera do casamento, geralmente os amigos do noivo, faziam serenata com
músicas, brincadeiras, batiam latas, tampas de panela e outras brincadeiras, como
despedida de solteiro.

No sábado do casamento, a festa durava todo o dia. De manhã, os convidados


dirigiam-se à casa da noiva onde tomavam café. Era servido: cuca, bolacha, torta e em
alguns casos morcilha.
Após o café, os convidados acompanhavam, os noivos até a igreja, na sede da
paróquia, onde tinha padre ou pastor, de carroça enfeitada. Mais tarde iam de caminhão
ou ônibus. As vezes, no mesmo dia, realizavam o casamento civil.
No almoço era servido cuca, pão, comida de panela, carne assada no forno (mais
tarde
churrasco).
A tarde, era servido café, com doces (bolachas, cuca, torta).

______________________________________________________________________
__________
(187) In História da Localidade de Três Pedras - NOVO MACHADO - - RS - 1995.
(188) In História da Localidade de Lajeado Marrocas - NOVO MACHADO – RS - 1995.
“Casamento de Teobaldo Herbert e Helga Uhlmann - 1951 - Três Pedras.”

Festa de Casamento - 1958 - Lajeado Corredeira

À noite, muitos jantavam na casa da noiva, onde era servido o que sobrou, com
galinha assada, salame e cuca.
A festa de casamento, era muito animada com música e foguetes. Em algumas
localidades “durante o casamento, haviam pessoas que declamavam poesias.
No passar da meia-noite, isto ainda nas festividades, era retirada a grinalda da
noiva, sendo bem cerimoniosa. Era sorteada uma pessoa, esta devia cantar uma
canção, ao retirar a grinalda.
Os noivos retiravam-se do local da festa, só após, todos os convidados saírem.”
(189)
Em algumas localidades, onde a dança fazia parte dos costumes e tradições, após
a janta, realizava-se o baile, que muitas vezes estendia-se até a madrugada do dia
seguinte.
_____________________________________________________________________________________
__________
(189) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.

Anos atrás, “as festas de casamento eram o dia todo e convidava-se toda a
família. Hoje, só convidam 2 pessoas por família”. (190) Hoje, geralmente, os
casamentos realizam-se à tardinha, e à noite, é servida a janta.
“As pessoas se divertiam muito mais do que hoje.
Atualmente a Festa de Casamento é só umas horas da noite, nem dá para
conhecer a noiva direito”. (191)

5.6.2. Festas Religiosas e Populares:

Tão logo as comunidades religiosas se estruturaram, iniciaram a fazer suas


festas.
Entre os católicos, ocorre anualmente a festa do Padroeiro da Capela, onde a
comunidade com muita dedicação e esforço, prepara não só a parte social, mas também
a parte espiritual através de encontros de oração.
Para a Festa do Padroeiro, as pessoas preparavam-se com roupas novas, pois na
época, para comprar roupas novas, era só em ocasiões especiais.
A missa era o ponto alto da festa. A igreja era ornamentada com folhas de
coqueiro e muitas flores.
Após a missa, fazia-se a procissão com o Santo Padroeiro, conduzido num andor
ornamentado e preparado especialmente, para conduzir o Santo.
Na frente, ia um grupo de crianças vestidas de anjinho (veste branca, com asas e
uma grinaldinha na cabeça) com uma cestinha cheia de pétalas de flores ou papel
colorido picado, espalhando-os pelo chão onde passava o Santo. No final da procissão,
em frente a igreja, o padre dava a bênção e concluia o ato religioso. Largava-se
foguetes, dando início aos festejos populares.
Ao meio-dia, era servido churrasco. Pão, cuca e salada, as pessoas levavam de
casa, para a família. Para beber, comprava-se gasosa. Cada família,acomodava-se como
podia, uma vez que não tinha mesa para todo o público.
Mais tarde, as comunidades começaram a fazer pão, cuca e salada para vender,
acompanhando o churrasco na festa, que se realizava sobre a proteção de barracas ou
ramadas de folhas de coqueiro.
Para assar a carne, não havia churrasqueira. Fazia-se um buraco (vala) na terra,
onde era feito fogo. Utilizava-se espeto de madeira, uma vez que esta era abundante na
região. A madeira tinha que ser especial, para não dar gosto ruim na carne.
Em geral, os trabalhos eram distribuídos entre as famílias e algumas eram
encarregadas de fazer os espetos, determinando-se o número para cada uma.
Geralmente, as festas eram animadas com música de violão e gaita.
À tarde desenvolviam-se algumas atividades esportivas, principalmente futebol e
bocha.
As demais denominações religiosas, realizavam também suas festas, respeitando
suas convicções e suas tradições étnicas, conforme se vê na citação a seguir, onde o Rev.
Wolff relata uma festa realizada na mata, próximo a Vila Pratos, como ponto de partida
para o organização da comunidade da IECLB.

“Das Fest beginnt mit einer kurzen Andacht. Dann bläst die Musikkapelle, die
von Buricá gekommen ist. Sie spielt muntere Weisen und deutsche Lieder. Es gibt
Verlosung, Versteigerung, Spießbraten, Kaffeetrinken und viele Spiele. Sogar eine
Kegelbahn haben sie aufgebaut. Der lange Freiherr von Specht verkauft Lose.
Edmundo beschäftigt sich auf der Kegelbahn. Ich versuche mein Glück am
Schießstand.” (192)

_____________________________________________________________________________________
__________
(190) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(191) Id. Ibid.
(192) WOLFF, Herbert. Pionere im Lande der Gaúchos. 1981.
(A festa inicia com um breve culto. Daí toca o conjunto de Sopro que veio de Buricá.
Eles tocam músicas alegres e hinos alemães. Há sorteios, leilões, churrasco, café e muitos jogos.
Até um bolão foi construído. O velho “Freiherr von Specht” vende números de rifa. Edmundo
ocupa-se com o jogo de bolão. Eu tento minha sorte no Tiro ao Alvo).
Às vezes, havia ainda as tortas de segredo, onde as pessoas pagavam uma certa
importância pelo direito de procurar adivinhar o “segredo”. Quem acertasse, levava a
torta como prêmio.
“Durante os anos da década de 1930, os “Conjuntos de Sopro” existentes nesta
região, realizavam, no Rio Uruguai, a “Festa dos Conjuntos”. Era uma festa muito
bonita e, quando havia Balsas no rio, os conjuntos colocavam-se sobre ela tocavam
suas canções.”
(Palavras do Sr. Léo
Lúcio Fenner).
Atualmente, além das festas do Padroeiro da Capela, os católicos de Novo
Machado, participam da Festa de São Roque, padroeiro da Paróquia, que é realizada em
Tucunduva, no mês de agosto. A Festa de São Roque é uma das mais tradicionais da
Diocese e reúne um grande número de fiéis.
As demais denominações religiosas a IELB, IECLB, as Igrejas Batistas,
Congregacionais e outras, também realizam anualmente suas festas comunitárias, de
confraternização, cada uma respeitando os seus princípios.
Parece-nos que hoje, as festas religiosas têm decaído no sentido religioso. Há
uma preocupação maior com a parte social, conforme podemos perceber no depoimento
a seguir:
“As festas, inicialmente, eram encontros fraternos onde o importante era a
pessoa, a conversa, o canto, a gratuidade e a coparticipação. Seus esportes não eram
competitivos, violentos, individualistas como o é o futebol, mas eram comunitários,
artísticos como o são a mora, o jogo de cartas, jogo de bochas... Hoje, as festas
perderam a graça justamente por se tornar um comércio, uma feira. Perdeu-se a
espontaneidade, a gratuidade e o canto. No campo religioso, esvaziaram-se pela
introdução do comércio consumista e dos objetivos de lucros. Não são um momento
alto da vida espiritual das comunidades. No campo cultural, propiciam o esvaziamento
dos valores rurais, com a introdução das coisas da cidade, por exemplo, o Whisky em
vez da graspa, a cerveja em vez do vinho... A liturgia foi empobrecida: Não se fazem
mais procissões...” (193)

5.6.2.1. Festa do Kerb (Kerbfest)

“Embora tenha perdido progressivamente seu caráter essencialmente religioso,


para tornar-se a festa da povoação, reúne sempre, na mesma data, protestantes e
católicos, o “Kerb” é a festa que menos mudou desde o começo da colonização”. (194)
No município de Novo Machado, a Festa do Kerb, é desenvolvida pela
Comunidade da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) de Esquina
Barra Funda, desde 1953.
“A Festa do Kerb é prestigiada por um grande número de pessoas da região,
inclusive parentes e amigos que moram em outros Estados e Países, se esforçam para
marcar presença todos os anos”. (195)
A preparação do local para realização da festa sempre foi uma preocupação, uma
vez que inicialmente a comunidade não possuia um local adequado e disponível, para a
realização da mesma, mas a comunidade sempre achou uma alternativa para que a festa
acontecesse.

______________________________________________________________________
_________
(193) BATTISTEL, Arlindo S. Colônia Italiana, Religião e Costumes, 1981 - pág. 91.
(194) Revista Saga. Ano I, nº 1, dezembro de 1990.
(195) In História da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
“A primeira festa realizou-se em 1953, no salão do Jacó Salvador. Em 1956, foi
mudada para o armazém do Alberto Drost. Armazém este, que servia para armazenar
os produtos comprados na região e para realizar a Festa de Kerb.
Alguns anos depois, mais ou menos, em 1960, Teodoro Pitrowski construiu um
salão, passando a realizar-se a festa neste salão. Mais tarde ainda, construíram um
pavilhão aberto, onde as pessoas festejavam ao ar livre de dia. À noite, para o baile,
passavam para o salão. Comentam os mais antigos, que nesta época, era bem mais
bonito e com mais respeito e não visava tanto lucro como hoje. Era mais um encontro
de amigos e parentes, que se reuniam para se divertir.
Em 1988 foi construído, com grande sacrifício, o pavilhão, onde hoje se realiza
a festa de Kerb. Este pavilhão ainda não está pronto, mas a comunidade está se
esforçando, para que fique pronto o mais rápido possível.” (196)
Esta festa, é uma tradição trazida pelos colonos alemães, procedentes de Santa
Cruz do Sul. A comunidade definiu realizá-la todos os anos, no quarto domingo e na
quarta terça-feira do mês de maio.
Na parte da manhã, realiza-se o culto, ao meio-dia almoço, com churrasco,
galinha assada, salada, pão e cuca. O chopp é bastante consumido, durante a tarde e à
noite. Mas o essencial da Festa do Kerb é o baile. Há muita dança, que acontece no
domingo à tarde e à noite e na terça-feira à noite.
Segundo pessoas mais idosas da localidade, esta festa tornou-se tradicional,
porque era a maior e mais bonita festa do ano.
De acordo com os participantes da Festa de Kerb, a realizada na terça-feira, é
maior e mais divertida do que a de domingo, porque tem brincadeiras tradicionais e
típicas dos alemães. A seguir mencionamos algumas dessas brincadeiras.
Hoje, em 2005, a Festa de Kerb da Comunidade Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil, realizou-se em sua 52ª Edição.

a) A Brincadeira da Garrafa
“A brincadeira da garrafa, consiste em 1º lugar, em esconder uma garrafa
enfeitada com papel colorido, uma noite antes do Kerb, em lugar próximo a estrada e
numa distância em torno de uns 100 metros do salão ou pavilhão.
O conjunto musical sai tocando juntamente com o público, que vai a procura da
garrafa. Quem encontrar, deverá entrar no salão com a garrafa escondida, pois existe
um grupo de jovens, formado por casais, que se chamam “Kerb Jungs” que cuidam a
porta do pavilhão, para que a pessoa, que tem a garrafa, não consiga entrar com ela.
Caso a pessoa de posse da garrafa, consiga entrar com ela no salão, os casais
chamados “Kerb Jungs”, terão que pagar uma dúzia de cerveja para ela; caso
contrário, a pessoa de posse da garrafa, terá que pagar também uma dúzia de cervejas.
(197)

______________________________________________________________________
(196) In História da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(197) In História da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.

Brincadeira da Garrafa
Kerbfest - Esquina barra Funda
b) A Dança da Fita
“A Dança da Fita foi trazida pelas senhoras Ana Junker e Hedvirges Pöersche
de Santa Cruz e elas, foram as coordenadoras desta dança, aqui na comunidade. Esta
dança era apresentada nas festas de Kerb e de escola. Atualmente não é mais dançada,
por falta de coordenador e ninguém quer mais responsabilidade.” (198).
Dança da Fita. Entre as participantes estão as Srªs
Cecília Drost, Alicia Rusch, Verena Drost e Ingrid Junke.
Coordenadoras: Hedvirges Pöersche e Ana Junke.

Porém, no ano de 1996, a comunidade da IECLB, percebendo que a Festa do


Kerb estava perdendo a sua originalidade, iniciou um processo de discussão no sentido
de reativar muitas coisas boas, que com o passar dos anos, foram sendo esquecidas.

______________________________________________________________________
__________
(198) In História da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Já na festa de 1996, conseguiu-se resgatar algumas comidas, ornamentação,
trajes típicos, etc.
O grupo de jovens da IECLB, tentou resgatar a Dança da Fita e empenhou-se no
sentido de organizar um grupo de Dança Folclórica Alemã, o qual manteve-se ativo por
diversos anos.
Realizou-se também, em 1999, o “I Seminário da Etnia Alemã” na sede no
município, sendo palestrante, um filho desta terra, Professor da UFRGS, e da PUC de
Porto Alegre, Prof. René Ernani Gertz.
Grupo de Danças da Etnia Alemã, aprensentando a Dança da Fita no
Desfile Cívico-Cultural em Novo Machado - Setembro / 96

Grupo de Danças “Frölich Kerb Tanz” – Esquina Barra Funda – Município de Novo Machado – RS
– participando da 2ª Noite da Cultura Popular de Novo Machado, em 1999.

5.6.2.2. Festa de Integração da Etnia Italiana

Uma das propostas governamentais, da primeira administração, foi a de apoiar e


incentivar qualquer iniciativa, que visa resgatar e valorizar aspectos culturais do
município.
A administração municipal considerando a importância sócio-econômica,
política e cultural que a etnia italiana desempenhou na construção deste município,
achou por bem, apoiar a organização desta etnia.
Através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Novo Machado,
iniciou-se um processo de discussão e estudo, junto às comunidades onde predomina a
etnia italiana: Lajeado Limoeiro, Nova Esperança e Boa União, no sentido de perceber a
realidade existente.
Após diversos encontros, constatou-se que muitos valores já foram perdidos e
que algo deveria ser feito, para que as gerações futuras, mantenham suas raízes.
Numa decisão coletiva, achou-se necessário, fazer algo como prova de
reconhecimento e gratidão àqueles que, com coragem e persistência, ajudaram a
construir o nosso município, fazendo desta terra o que hoje temos e somos.
Após diversas reuniões, junto às comunidades mencionadas, tomou-se a
iniciativa de organizar um grande evento, denominado “Festa de Integração da Etnia
Italiana”, em forma de rodízio, isto é, cada ano uma comunidade estaria sediando este
evento. Assim, em 12 de setembro de 1993, a localidade de Lajeado Limoeiro, assumiu
e realizou a I Festa de Integração da Etnia Italiana, em homenagem aos 60 anos de
fundação da Comunidade Religiosa Nossa Senhora da Saúde, conforme programação
abaixo:

Cartão do almoço

Esta festa foi organizada tendo em vista dois grandes objetivos:


1º Resgatar a história e a cultura da etnia italiana;
2º Buscar a integração das três comunidades, envolvidas neste evento.
Dentro desta proposta, já foram realizadas doze Festas de Integração da Etnia
Italiana: 2ª em Nova Esperança, 3ª em Boa União e a 4ª em Lajeado Limoeiro, sempre
no mês de setembro, seguindo-se, em forma de rodízio, a realização da mesma, nas três
localidades.
Segundo os organizadores e participantes, houve um grande crescimento, em
todos os sentidos, entre a primeira e a última festa. Afirmam: “Aos poucos vamos
aprendendo”.
Paralelo a organização da Festa, procurou-se discutir e organizar outras
atividades para enriquecer o resgate cultural e histórico, dos quais podemos destacar:
- Estudo de alguns aspectos históricos da Imigração Italiana no Rio Grande do
Sul.
- Realizaram-se dois Seminários da Etnia Italiana, em Lajeado Limoeiro, sendo
o primeiro em 14 de março de 1996, e o segundo, em 05 de maio de 1999, ambos tendo
como palestrante, o Frei Arlindo Itacir Battistel.
- Celebração da missa em dialeto, a partir da 3ª festa.
- Fundação de um grupo de Dança Folclórica Italiana “Ballo del Capello”, em 6
de julho de 1996, com a participação de jovens de diversas localidades do município.

Grupo de Dança “Ballo del Capello” na apresentação


de estréia na 4ª Festa de Integração Italiana.
Lajeado Limoeiro / 1996.

Grupo de Danças “Ballo del Capello”


representando a etnia Italiana, por ocasião da X Festa de Integração da Etnia Italiana,
realizada em Lajeado Limoeiro, em 15 de setembro de 2002.

- Realização de um curso de técnica vocal, com cantos italianos, de junho a agosto de


1996, atingindo as três comunidades envolvidas.
Toda esta mobilização comunitária em torno das festas típicas, tem como
principal finalidade a preservação dos valores cultivados por estas etnias.
“Entende-se aqui por valor, o sistema de preferência existencial, em que se
fundamentou uma forma de vida individual, familiar e/ou comunitária”. (199)
Entre os principais valores desenvolvidos pelos alemães, italianos, podemos
destacar: amizade, solidariedade, espírito associativista e comunitário e uma grande
dedicação ao trabalho e o cultivo da terra,...

Acreditamos que estes valores, no mundo moderno, podem ser subjugados e


cairem no esquecimento. Queremos resgatar estes valores não no sentido “saudosista”
mas que sejam fortalecidos para o bem estar das pessoas, das famílias e das
comunidades, para que possam ser felizes.

Dada a importância cultural da Festa do Kerb e da Festa de Integração da Etnia


Italiana, o prefeito Municipal Sr. Jaime Reichel Porto decretou-as como festividades
oficiais do município, através do Decreto nº 273/96 de 09 de setembro de 1996,
conforme segue:

DECRETO Nº 273/96 DE 09 DE SETEMBRO DE 1996.


DECLARA FESTIVIDADES OFI-
CIAIS DO MUNICÍPIO OS
EVENTOS QUE MENCIONA.

JAIME REICHEL PORTO, Prefeito Municipal de Novo Machado, Estado do Rio


Grande do Sul, no uso de suas atribuições legais e
CONSIDERANDO a importância que representam para o município as etnias Alemã e
Italiana, principais colonizadoras de Novo Machado;
CONSIDERANDO, a necessidade de se resgatar a história e a cultura dessas etnias que
marcaram através de seus usos, costumes e trabalho o desenvolvimento de Novo Machado;
D E C R E TA
ART. 1º - São declaradas como festividades oficiais do município de Novo
Machado os seguintes eventos:
a) KERBFEST: realizado anualmente na comunidade de Esquina
Barra Funda, em data móvel, no decorrer do mês de maio;
b) FESTA DA INTEGRAÇÃO DA ETNIA ITALIANA: realizada
anualmente, em forma de rodízio entre as comunidades de Lajeado Limoeiro, Boa União e Nova
Esperança, em data móvel, no decorrer do mês de setembro.
ART. 2º - Revogadas as disposições em contrário, este Decreto entrará em vigor
na data de sua publicação.

Novo Machado-RS., 09 de setembro de 1996.


Jaime Reichel Porto
Prefeito Municipal
Registre-se e publique-se
Cláudio Selmar Kopp
Sec. da Administração
______________________________________________________________________
__________
(199) COSTA, Rovílio e BATISTEL, Arlindo J. - Assim vivem os Italianos, pág. 46 - Vol. 1.
5.6.2.3. O Natal

Dentre as festas cristãs de maior importância, destaca-se, sem dúvida, a data


magna da cristandade: o Natal.
Entre os europeus, com a prática da vivência do cristianismo, as comemorações
natalinas eram de extrema importância.
O Aniversário do Nascimento do Menino Jesus, merecia o melhor, o mais
festivo, a maior alegria. Porém, cada um dos povos organizou e desenvolveu algumas
particularidades, que passaram a caracterizar o “seu Natal”.
Ao lado das cerimônias religiosas, a convivência fraterna com os familiares,
caracterizaram, embora muitas vezes, na maior simplicidade e modéstia, alegria
natalina.
Com os europeus, chegou também a Novo Machado e região, a tradição das
festa de Natal.
Para os imigrantes, porém, as diferenças climáticas exigiam criatividade.
Em primeiro lugar, aqui não havia pinheiro. Além disso, o forte calor de
dezembro, destoava integralmente com o frio e a neve a que estavam acostumados.
“Wir sind nun mitten drin in der heißen Zeit. Hoschsommer. Und dabei üben wir
mit der Jugend Weihnachtslieder. Die Lieder muß man sorgfältig auswählen. Wir
können im Hochsommer nicht singen: Leise rieselt der Schnee... Uns Europäern fehlt zu
Weihnachten einfach Eis und Schnee, sonst ist es eben kein richtiges Weihnachtsfest.”
(200)
(Nós estamos no meio do calor. É verão. E ensaiamos com os jovens, os Hinos de Natal.
É preciso escolher os Hinos cuidadosamente, pois no verão não podemos cantar: “Lentamente
cai a neve...” Para nós europeus, no Natal, simplesmente falta gelo e neve, sem os quais, não
temos exatamente uma festa natalina).
Disto falam também outros imigrantes “Mechtild e Michel Peuser são alemães e
se casaram no Brasil. Todos os anos eles comemoram o Natal segundo a tradição
Católica da Alemanha. “A diferença de clima, exige um esforço de imaginação”, diz
ela. Em dezembro, lá é inverno e os dias são curtos e escuros e a preparação da festa
tem a ver com esse ambiente.
Quatro domingos antes do dia 25 monta-se a Coroa de Advento, guirlanda de
galhos verdes com quatro velas. A cada domingo, uma vela é acesa durante uma festa
em família. A única iluminação é a da vela, lembrando que Jesus, a luz da Terra está
chegando.” (201)
Porém, nesta região, em meio a mata e a todas as dificuldades decorrentes desta,
da extrema pobreza e pouca disponibilidades de recursos, os colonizadores encontravam
formas muito simples e modestas para vivenciar com alegria e gratidão, o seu Natal. As
músicas, as poesias, o enlevo espiritual dado ao acontecimento, substituiram, muitas
vezes, as belíssimas “árvores de Natal”. que, em muitos casos, só eram montadas nas
igrejas.
As crianças, ainda muito pequenas, aprendiam a recitar quadrinhas e, na noite de
Natal (véspera), sentadas junto ao pinheiro, aguardavam com o rosto iluminado e os
olhos brilhando de alegria, a hora de cantar e recitar o que aprenderam. Mesmo sabendo
que seus presentes eram apenas alguns doces, na maioria das vezes caseiros (bolachas
pintadas, cartuchos enfeitados com papel colorido e recheados de amendoins doces...),
ou algumas balas, a alegria era a mesma.
“Senhor Edmundo bemerkt, das es in Brasilien bei den Cristlichen Festen
immer nur einen Feiertag gibt. Bei den Deutschtämmigen würde man jedoch immer
zwei Tage Feiern”. (202)
(O Sr. Edmundo observa que no Brasil, nas Festividades Cristãs, só há sempre um dia
santificado. Mas que, entre os alemães ou descendentes, sempre são comemorados dois dias).
Esta é uma particularidade que ainda hoje está muito viva e presente entre
muitos descendentes de alemães, em algumas comunidades. Temos assim, ainda hoje,
em algumas localidades de Novo Machado: o 2º dia de Natal, Páscoa, Pentecostes... Em
geral, o 1º dia Santo é dedicado à igreja e à família. O 2º é para visitar os amigos ou
receber a visita destes.
_____________________________________________________________________________________
__________
(200) WOLFF, Herbert. Pionere im Lande der Gaúchos.
(201) Revista Cláudia, dezembro de 1996.
(202) WOLFF. Herbert. Pionire im Lande der Gaúchos, pág. 29.
Entre os italianos, havia também algumas particularidades específicas, que
davam às celebrações natalinas um toque diferente, com práticas e costumes bem
característicos.
“O Natal era uma das festas mais importantes. Todos os agricultores
procuravam ir para a matriz a fim de se confessarem, para poderem comungar no dia
do Natal. Muitos iam para a missa do galo, ou missa da meia-noite. Faziam 12 a 18
quilômetros, a pé ou a cavalo, para ir à missa. Andavam de pés no chão, por duas
razões: para não gastar calçado e por falta de hábito em usá-lo, por isso o levavam nas
mãos. Nos primórdios, não era costume fazer presépio em casa, nem dar presentes.
Mais tarde, começaram os presépios nas capelas e nas famílias, influenciados
sobretudo pelos presépios feitos na Matriz. Introduziu-se o costume de oferecer
presentes às crianças na noite que precedia o natal, alegando que era o Menino Jesus
com o burrinho que levava os presentes. Mais tarde, substituiu-se o Menino Jesus pelo
Papai Noel.” (203)
Como em todos os demais aspectos da vida das pessoas e das famílias, também o
Natal recebeu cada vez mais, através dos tempos, as influências da propaganda e das
ações comerciais, enfatizando o consumismo.
A idéia cristã do “Menino Jesus”, é um aspecto que é trabalhado com ênfase
pelas entidades religiosas, que, de certa forma, vêem-se competindo com a figura do
Papai Noel cada vez mais propagada e enfatizada pelos meios de Comunicação de
Massa, povoando as mentes infantis.
Porém, para os cristãos, a alegria do Natal continua e continuará sendo a
mensagem, a convicção e a fé no Salvador Jesus, que veio ao mundo em humildade e
pobreza, assim como a Bíblia o registra e como chegou até nós, através dos
antepassados.
Com o objetivo, de promover a integração da Comunidade novomachadense, a
Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, incentivou
e passou a promover juntamente com as diferentes denominações religiosas, escolas e a
comunidade, o “Natal Esperança”. Esta programação, realiza-se em Praça Pública,
anualmente, desde 1993, no dia 20 de dezembro.
Grupo de Crianças da Congregação Evangélica Luterana Trindade.
Participando do IV Natal Esperança - 20.12.1996.

_____________________________________________________________________________________
_______
(203) BATTISTEL, Arlindo Itacir - Colonia Italiana - Religião e Costumes. 1981 - pág. 46.

Flagrante do Palanque Oficial – Natal Esperança – 21/12/2002


Local: Parque de Máquinas da Prefeitura Municipal – Novo Machado – RS

5.6.2.4. Encontros de Jovens:


Os trabalhos pesados a que estavam sujeitos todos os membros da família, do
mais velho ao mais novo, eram os responsáveis pela vida social pouco expressiva.
Muitos jovens, aos domingos, procuravam encontrar-se somente para conversar,
cantar ou desenvolver algum jogo ou brincadeira que não exigisse esforço físico. “Wier
waren froh wen wir mal sitzen konten, denn die Arbeit auf dem Land war schwer”. (Nós
estávamos contentes quando podíamos ficar sentados, pois o trabalho na terra era pesado,
difícil). (Palavras de um pioneiro - Sr. Helmuth Kaffka).
Por esta razão, as próprias igrejas, a medida em que foram se organizando,
preocuparam-se com os seus jovens e procuraram oferecer-lhes alguns momentos de
lazer, contribuindo assim para amenizar as dificuldades do dia-a-dia e cultivar a
amizade e a solidariedade.
Na História da Congregação Evangélica Luterana Trindade de Novo Machado,
faz-se referência aos jovens, em ata de 10 de outubro de 1937. Nesta oportunidade
registra-se:
“Ess wurde der Jugend erlaubt einen Aussflug mit dem caminhão nach Buriká
zu machen”. (204) (Foi permitido a Juventude fazer uma excursão de caminhão até Buricá).
O Rev. Herbert Wolff, Pastor da IECLB, atuante na região de Tuparendi (na
época Belo Centro) a partir de 1933, registra em seu livro “Pioneri im Lande der
Gaúchos”, entre outros, um evento realizado com os Jovens: uma “Festa Jovem.”
“Senhor Edmundo läß mir keine Ruhe. Mit dem Kirchenchor will er unbedingt
dabeisein. Wenigstens drei Lieder will er singen. Ich plane ein Jugendfest, zu dem der
Lehrer von Tucunduva - Machado und der Lehrer von Pecegueiro mit ihrer Jugend
eingeladen sind. Unsere Jugend übt ein Singspiel ein: Hans im Glück. Die Mitwirkung
des Chores bedeutet für uns eine Bereicherung. Edmundo übt drei Volkslieder ein, die
genau zu unserem Singspiel passen. Er hat nach seinem Kalender wieder einen
regenfreien Sonntag ausgesucht. Unser Fest beginnnt mit einem Jugendgottesdienst in
der Kirche. Auf Lastwagen rollen die Jugendlichen heran. Einen Spießbraten gibt es
leider nicht, da wir das Geld dafür nicht auftreiben Können. Die Jugendlichen aus dem
Wald haben einfach kein Geld. Es ist schon ein Wunder, daß sie das Geld für die Fahrt
zusammengekratzt haben. Natürlich helfen wir auch mit durch eine Kollekte. Aber zum
Mittagessen haben wir sie alle bei unseren Leuten untergebracht. Das ist
gemeinschaftsbildend und fördert die Zusammengehörigkeit in der Gemeinde.
______________________________________________________________________
__________
(204) In Livro de Atas da Congregação Evangélica Luterana Trindade.
Grupo de Jovens da IELB, por ocasião de uma apresentação artística.

Von 15.00 bis 17.00 Uhr läuft dann pausenlos unser Singspiel, d. h. in den
Pausen singen wir alle zusammen immer ein Volkslied, das in das Singspiel hineinpaßt.
Es sind immerhin zweihundert Jugendliche zusammen, die auch beschäftigt werden
wollen. Um 18.00 Uhr müssen die Busse schon wieder abfahren, damit die
Jugendlichen vor Sonnenuntergang zu Hause sind”. (205)
(Senhor Edmundo não me dá sossego. Com o Coral da Comunidade ele quer participar.
Estou planejando uma Festa da Juventude, para a qual o professor de Tucunduva - Machado e o
professor de Pessegueiro com seus jovens, estão convidados. A nossa juventude está ensaiando
uma Peça Teatral: Hans na Felicidade. A participação do coral significa um enriquecimento.
Edmundo, está ensaiando três músicas folclóricas que se encaixam na peça. Pelo seu calendário,
ele escolheu um domingo sem chuvas. Nossa festa inicia com um Culto Jovem, na Igreja. Sobre
carros de carga chegam os jovens. Churrasco não vai haver, porque não conseguimos dinheiro
para isso. Os jovens que vem da mata simplesmente não têm dinheiro. Já é um milagre eles
terem conseguido juntar o dinheiro para a passagem (viagem). Logicamente ajudaremos com
um oferta voluntária (coleta). Mas para o almoço, abrigamos os jovens nas famílias. Isto força a
solidariedade e forma amizades e a união da comunidade.
Das 15:00 até às 17:00 horas, sem intervalo, decorre nossa apresentação, isto é, nos
intervalos cantamos em conjunto, uma música folclórica que combina com a apresentação. São
aproximadamente 200 jovens que se reuniram que também querem ser entretidos. Às 18:00
horas, os carros já precisavam sair, para que os jovens possam estar em casa, antes do sol
entrar).
Enquanto em algumas regiões os jovens se envolviam com danças e bailes,
desenvolvidos sempre com muito respeito, em outras, preferia-se as reuniões juvenis,
onde além do cultivo da língua e da cultura, enfatizava-se a vivência religiosa e cristã.
Ali cantavam, apresentavam e assistiam a peças teatrais e brincadeiras (brincadeiras de
roda e jogos).
Esta prática das reuniões juvenís tomaram forma em praticamente todas as
denominações religiosas, perpetuando-se ao longo dos anos.
Porém, em muitos casos, com o passar do tempo, o espaço destinado ao lazer e à
vivência folclórica e cultural foi sendo absorvido, quase que exclusivamente, pela
música sacra e outras atividades essencialmente religiosas.
Hoje, em algumas denominações religiosas, busca-se resgatar os aspectos
culturais e folclóricos, envolvendo os jovens em músicas, canto, teatro e dança
folclórica, levando a efeito apresentações artístico-culturais, enquanto que em outras, as
atividades restringem-se essencialmente ao fortalecimento da fé cristã: palestras,
estudos, teatro com temas religiosos, músicas e canto, retiros espirituais, congressos...
______________________________________________________________________
__________
(205) WOLFF, Herbert. Pionere im Lande der Gaúchos, 1981, Alemanha.

Congresso de Jovens realizado de 18 a 23/07/95


na Igreja Batista Zoar de Novo Machado.

5.6.2.5. Café Colonial


Um sonho acalentado há muito, no sentido de oportunizar um momento de
resgate e divulgação de comidas típicas da Etnia Alemã, reforçando através de outro
Evento, o que já tínhamos no município em termos de Kerb Fest, realizado pela
Comunidade da IECLB de Esquina Barra Funda,. Assim, em 1997, a Congregação
Evangélica Luterana Trindade, da IELB, foi desafiada a abraçar este Evento, realizando-
se então, o 1º Café Colonial de Novo Machado, por ocasião da III Feira Municipal de
Estudos Sociais e III Mostra de Artesanato, Hortigranjeiros, Comércio e Pequenas
Indústrias, .
A partir daí, este Evento realiza-se anualmente e disponibiliza à comunidade
novomachadense e região, mais de trinta e cinco (35) variedades, em sua maioria, do
cardápio da Etnia Alemã, realizando em 2005, a sua 9ª edição.
Flagrante do 8º Café Colonial realizado nas dependências do salão
Congregação Evangélica Luterana Trindade -Novo Machado – RS.

5.6.2.6. Frühlingfest (Festa da Primavera)


É um Evento realizado pela Comunidade Evangélica de Confissão Luterana no
Brasil – (IECLB), de Vila Pratos, sede da Paróquia, que consiste em, além de
oportunizar momentos de lazer e integração, visa também realizar o resgate de comidas
típicas.
Este Evento realiza-se sob forma de “Jantar Dançante”, todos os anos, no mês de
setembro, desde 1993.

11º Frühlingfest – 2004.

5.7. Os Bailes:
Uma das formas de lazer, desenvolvidas em algumas localidades, foram os
bailes.
Os bailes das gerações passadas, eram diferentes dos de hoje em todos os
sentidos, como demostra a seguinte citação:
“De quando em vez havia um baile. Mas não bailes como hoje, nos bailes de
então, podia dançar até Nosso Senhor, pois eram bailes decentes e quem não se
comportava direito, não podia entrar. Eram bailes de sociedade seleta e, por isto, o
baile era um bom divertimento. Começava-se às 20 horas e, à meia-noite, estava tudo
acabado. Sucedia sempre algo desagradável, como acontece hoje também, porque não
quero dizer que nós éramos todos anjos. Mas, nada de vergonhoso como hoje.” (206)
Os bailes reuniam muita gente e eram animados.
A divulgação era feita pessoalmente de pessoa para pessoa. À tardinha largava-
se foguetes, como forma de convidar o público.
O início do baile acontecia no escurecer ou em torno das 20 horas prolongando-
se até meia-noite. Mas, tem-se informação de que, quando o baile estava animado, ia até
o clarear do dia.
Quando os músicos começavam a tocar, largava-se foguetes para anunciar o
início do baile.
As pessoas deslocavam-se para ir ao baile de carroça, cavalo ou a pé. As moças
quando iam a pé, tiravam os calçados e iam pé descalço, para evitar calos ou mesmo
para não estragar. Quando chegavam no salão, lavavam os pés e colocavam os sapatos
ou sandálias.
______________________________________________________________________
__________
(206) BATTISTEL, Arlindo J. e COSTA, Rovílio. Assim vivem os Italianos - Vol 1. Escola Superior
São Lourenço de Brindes e Ed. da Universidade de Caxias do Sul, 1982.
A animação do baile, geralmente estava a cargo de um conjunto muito simples
formado por gaita, acordeão, violão e alguns possuiam jaz, pandeiro, pistão, saxofone.
As músicas eram largadas, não havia música lenta.
Nem todas as localidades possuiam salão de baile, porém não abriam mão dos
bailes, usando para isso, casas particulares.
“Os bailes eram feitos em casas particulares, que serviam como salão. Eram
freqüentes. Fazia-se baile até para inaugurar casas novas. Iniciavam cedo. O convite
era feito verbalmente.” (207)
Não havia venda de mesas. Ao redor do salão, colocavam-se bancos para as
pessoas sentarem. Geralmente, as moças ficavam num lado do salão e os rapazes no
outro.
Os pais acompanhavam as filhas e muitos levavam os filhos menores junto.
Quando estes adormeciam eram colocados num quarto, sobre cobertores.
Com relação aos ingressos, estes variavam de localidade para localidade. Em
alguns salões os adultos pagavam ingresso e tinham direito a janta, na qual era servido:
café, cuca, salame fervido, carne de porco assada e galinha assada.
Em outros salões ou localidades, tinha-se outros procedimentos, como podemos
ver na citação a seguir:
“Não eram cobradas entradas. Todos entravam no salão e só após algum
tempo, depois do início do baile, é que se cobrava alguma taxa, mas somente de quem
dançava. Quem pagava era identificado com uma fita, que era anexada na camisa do
homem e lhe dava o direito de dançar no baile. Em cada baile, era trocada a cor da
fita, para evitar que alguém usasse a fita do baile anterior. Mas como sempre tem
algum esperto, a turma começou a repassar a fita para os colegas, em troca de uma
cerveja. Para evitar essas atitudes, começou-se a anotar o nome de quem pagava. As
mulheres e moças não pagavam nada. O dinheiro arrecadado era dado como
pagamento, para os músicos.” (208)
Nos Bailes de Dama ocorria o inverso, só as moças pagavam ingresso.
Nem sempre os bailes eram a noite, em algumas localidades, realizavam os
matinés, nos domingos à tarde. A exemplo disso, temos hoje as reuniões dançantes.
Como não havia luz elétrica, a iluminação era feita com lampiões, que eram
pendurados no salão. Os lampiões também foram mudando de acordo com a evolução e
o progresso. Assim tivemos lampiões simples, Petermax, Aladim, Liquinho a Gás, até
chegar à luz elétrica.
Para conservar a bebida fresca, empregava-se diferentes estratégias, tais como:
colocar no porão, largar no poço dentro de um balde ou colocar sacos de estopas,
molhados sobre as garrafas. Na época vendia-se gasosa, vinho e cerveja.
Os russos também, apesar dos rigores com que viviam, gostavam de festas,
músicas e danças.
Uma dança típica, trazida pelos russos e que chegou a ser cultivada também na
colônia russa desta região, foi a “Dança dos Kosakos”.
Outra característica marcante dos bailes da época, eram os bailes de Rei e de
Dama, cultivados principalmente entre alemães.
“No ano de 1960, surge outro salão, este de sociedade, com bolão e bolãozinho.
Fazia-se bailes de Rei (o melhor do Bolão) e os Bailes de Damas. Para estes bailes,
outras Sociedades Esportivas e Recreativas eram convidadas, entre elas: Esquina
Barra Funda, São Roque (Tuparendi) e Tuparendi. Posteriormente, devolvia-se a visita.
Nestes bailes, dançava-se a “Polonesi” ou “Polonesa” e, depois da meia-noite, os
casais e namorados que quisessem, degustavam um café, com lingüiça cozida e cuca,
mediante o pagamento de uma importância em dinheiro, podiam comer a vontade”.
(209)

______________________________________________________________________
__________
(207) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS -1995.
(208) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(209) In História da Localidade de Três Pedras - NOVO MACHADO - 1995.

Dança dos Kosakos, 2 casais com trajes típicos, numa apresentação


em Escola Grande, hoje município de Horizontina.

Na época, as pessoas se vestiam decentemente. As moças e mulheres usavam


vestidos ou saias abaixo do joelho. Os homens e rapazes usavam camisa de manga
longa e normalmente casaco.
Os bailes de hoje são bem diferentes. Entre as principais características,
podemos destacar:
- geralmente o conjunto faz contrato para tocar cinco horas, início às 23 horas e
término às 4 horas;
- o conjunto é eletrônico com instrumentos modernos: guitarra, contra-baixo,
órgão, bateria, etc... com grandes caixas de som e o volume é muito alto;
- o tipo de música é agitada: rock, samba, jazz, pop, dance, etc;
- a vestimenta é variada, as moças usam: calça Jean, mini-saia, bermuda. Há as
que usam saias ou vestidos longos;
- todos pagam ingresso;
- há venda de mesas;
- há poucos salões particulares, a maioria dos bailes ocorrem nos salões das
comunidades religiosas;
- os filhos, vão sozinhos para o baile, de carros particulares ou lotações;
- entre muitos jovens, não há o mesmo respeito como antigamente.

5.8. Corrida de Cavalos:

Na região de Esquina Água Fria, uma atividade de lazer desenvolvida, era a


corrida de cavalos.
O Senhor Orlandino Costa, em 1957, construiu uma Cancha de Carreira em sua
propriedade.
Os proprietários dos animais, anteriormente, “atavam” (faziam contrato) a
carreira, delimitando o percurso em metros e o peso com que cada animal deveria
correr.
O período que antecedia a carreira, os proprietários dos animais dispensavam o
maior cuidado possível, em termos de: alimentação, higiene, preparo físico, etc, para no
dia da carreira o animal apresentar um bom desempenho.
No dia da carreira, o jokei apresentava o seu cavalo ao público, para que os
mesmos conhecessem o animal e fizessem suas apostas.
Existiam dois juízes. Um para determinar o início da corrida e outro, junto a
balisa para determinar o final e o vencedor da mesma. Geralmente no final, era batido
uma foto, para, caso a corrida fosse parelha, facilitar a decisão do juíz.
A cancha de Orlandino Costa, durou apenas 3 anos. Em 1960, ocorreu uma briga
violenta por causa de uma aposta de cavalos, descontentando o proprietário, o qual
desativou a mesma.
O fato inspirou o Senhor Reinoldo Bastiani, que compôs a seguinte canção:

“BRIGA NA CARREIRADA
Autor: Reinoldo Bastiani

Eu fui numa carreira, nas terras de Água Fria


A farra estava animada, estava grande a parceria
Eu com mais os meus irmãos, por ter grande serventia
Mandamos buscar três violas, na hora do meio-dia.
Mais ou menos às duas horas, o povo estava faceiro
Cerveja velha rolava, meus dedos estavam ligeiros
Pra cantar Cateretê, nós sempre fomos os primeiros
Só via moça bonita em roda dos violeiros.
Mais ou menos à meia tarde, a farra estava animada
Cantamos modas bonitas, prá toda aquela moçada
Nisso estorou uma briga, que impediu a carreirada
Rolou facão e cassete, só se ouvia uma trovoada.
A briga estava bonita, prá todos os que assistiam
Brigou velho, brigou velha, brigou rapaz e guria
Parecia um cinema, cassete velho corria,
Quem era triste de velho, no cassete se entertia.
Natálio muito furioso, tomou um trago na copa
Saiu de espeto na mão, faca no cano da bota
Entrou no meio da briga, pensando em fazer derrota
Com duas pauladas que deram, virou cinqüenta cambotas.
Assisti este cinema, ciscando que nem tatete
As velhas também brigavam, pulavam igual foguete
Era uma revolução, comandada no cassete
Quando eu quis entrar na luta, não encontrei mais porrete
O povo estava fogoso, cada qual mais violento
Revolta do pé no chão, me veio no pensamento
Mulher quebrava sombrinha, mas brigava no relento
Cassete que lá existia, estava todo em movimento.
Testa de nego partida, só se via uma sangüeira
Já tinha uns trinta feridos, no meio da porvadeira
Velhos de 80 anos, se intertiam na madeira
No lugar daquela briga, nunca mais nasceu capoeira.”
(Direitos reservados ao Autor)”. (210)

Mais tarde o senhor Ângelo Turra construiu outra cancha de carreira, em sua
propriedade. Esta cancha foi desativada em 1965, por ocasião do início da mecanização
da lavoura.
Nas carreiras de Esquina Água Fria, vinha muita gente dos municípios vizinhos,
principalmente de Horizontina e Tuparendi.

______________________________________________________________________
__________
(210) In História da Localidade de Esquina Água Fria - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Corrida de cavalos Cancha de Carreira
Esquina Água Fria

5.9. Esporte

5.9.1. Sociedades Esportivas e Recreativas

Os diferentes grupos étnicos que vieram ao Brasil e posteriormente ao Rio


Grande do Sul e, finalmente à região do atual município de Novo Machado, trouxeram,
sem dúvida, suas contribuições culturais, deixando marcas que os caracterizaram de
forma peculiar e duradoura.
Atribui-se aos italianos, o gosto pelo jogo da Bocha, de Cartas e outros,
enquanto que os alemães, externavam, inicialmente, sua preferência pelo Bolão,
Bolãozinho, Tiro-ao-Alvo, para cujas práticas, organizavam-se em associações. De
maneira pitoresca, diz-se que: “onde há 2 alemães reunidos, já fundam 3 associações.”
Porém, se isto foi verdade em outras regiões, em Novo Machado não houve tanta
ênfase, embora tenha havido algumas experiências neste sentido.
Buscando-se resgatar a história do nosso passado, registramos que, neste sentido
houve algumas iniciativas, deixando marcas dignas de registro, também para as atuais
gerações.

a) Sociedade Esportiva e Recreativa Pratos

“Esta Sociedade foi fundada em 1º de setembro de 1954, com sede no lugar


denominado Povoado Pratos, Distrito de Tucunduva, Município de Santa Rosa. Foi
fundada com a finalidade de incrementar o desenvolvimento esportivo e recreativo
entre os associados, sem distinção de nacionalidade, credos políticos e religiosos e
funcionaria por tempo indetermindado”... (211)
Durante a sua existência, esta entidade participou e promoveu inúmeras
atividades esportivas e recreativas, destacando-se: Bailes, Jogos e Torneios de Futebol,
Bolão e Volei.
As atividades da associação sempre foram conduzidas com seriedade, o que
comprovam os documentos, arquivos e registros ainda existentes, guardados na
Subprefeitura de Vila Pratos.
Dentre os documentos existentes, destacamos um que chamou especial atenção,
no sentido de oportunizar a melhor organização, inclusive com o objetivo de construir-
se uma sede própria.

____________________________________________________________
________(211) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO - 1995.
Ata de Fundação
Sociedade Esportiva e Recreativa Pratos conquistou o 1º lugar (taça maior) no torneio de
Inauguração do Bolão do Clube Concórdia de Santa Rosa em 12.05.57.
Titulo Patrimonial

(Frente)

(verso)
Lamentavalmente, por razões diversas, a Sociedade encerrou suas atividades no
final da Década de 1960, deixando inacabado o projeto de Construção de uma sede
própria.

b) Sociedade de Damas

Foi na localidade de Esquina Barra Funda, que em 20 de setembro de 1957,


fundou-se uma Sociedade feminina de caráter recreativo, tendo como objetivo a
recreação e a prática esportiva, ou seja, o Jogo de Bolão de Mesa (Bolãozinho).
“Foram 11, as sócias fundadoras da sociedade. Hoje, conta com mais de cem
sócias. Seus encontros, realizam-se no terceiro domingo de cada bimestre.
No mês de outubro de cada ano, é realizado o Jogo de Rainha. A sócia que fizer
mais pontos naquele dia, recebe o prêmio de 1º lugar e mais o troféu de rainha. Este
título é valido por um ano.
As duas sócias, que tirarem 2º e 3º lugares, também recebem prêmios e troféus
de 1ª e 2ª princesas, títulos estes, válidos por um ano.
A atual presidenta desta Sociedade é a Senhora Wilma Stumm, há 24 anos
intercalados neste cargo.” (212)
Atualmente, em 2004, a Sociedade conta ainda com sessenta (60) sócios e é
presidida pela Srª Nelci Catarina Faleiro.
Mais detalhes, o leitor poderá encontrar no Livro “História da Localidade de
Esquina Barra Funda – Edição de 2005.
Sociedade de Damas – Esquina Barra Funda – Tucunduva –RS –1966
Rainha: Elvira Pache ; 1º Princesa: à D da Rainha: Cecília Schroeder; 2º Princesa: Nelsi Jaeger
Acompanhadas pelas damas de honra – as Meninas da E para D : Claci Schmidt, Maide Poersche e Lourdes Iria Ernest

c) Sociedade dos Atiradores

Com o objetivo de oferecer lazer e esporte, fundaram-se as Sociedades de


Atiradores, integrando homens e rapazes em torno de atividades como: Bolão, Tiro-ao-
Alvo e Bailes.
“Por volta de 1955, foi fundado em Esquina Barra Funda, a Sociedade dos
Atiradores que, em seu período áureo, chegou a ter 150 sócios.

___________________________________________________________________________________
(212) In Historia da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Nesta Sociedade, os sócios eram admitidos através da votação dos membros,
isto é, não bastava a pessoa querer, era preciso que fosse uma pessoa idônea, aceita
pela sociedade. Os seus associados, reuniam-se a cada dois meses, sendo que num
encontro praticavam Tiro-ao-Alvo e noutro, Jogo de Bolão. No final do ano, realizava-
se um baile para a Coroação do Rei - num ano, do Bolão; noutro do Tiro-ao-Alvo. O
Rei, era sempre aquele sócio que fazia mais pontos num ou noutro esporte.
Esta sociedade foi muito ativa, chegando a participar de competições com
outras sociedades, inclusive em outros municípios.
Encerrou suas atividades durante a década de 1970, porque muitos dos seus
idealizadores e sócios mudaram-se e os mais novos não tiveram interesse em manter a
entidade.” (Depoimento do Sr. Valdir Bubans).

Esta Sociedade foi registrada sob a denominação de Sociedade Esportiva e


Recreativa “Progresso” de Barra Funda, conforme certidão que segue:
Uma sociedade idêntica, chegou a funcionar, por diversos anos, na localidade de
Três Pedras.
5.9.2. O Futebol
O futebol é uma das atividades esportivas que certamente envolve maior número
de pessoas. Além dos jogadores, o futebol atrai um grande número de curiosos e
torcedores.
Através das pesquisas realizadas, não conseguimos apurar com precisão onde e
qual foi o primeiro time de futebol que surgiu em nosso município. Segundo dados
levantados, o time mais antigo é o “Palmeiras” de Lajeaodo Limoeiro, fundado em 12
de fevereiro de 1941.
“No ano de 1942, a turma de Pratos, tinha um grupo de gurizada e volta e meia
combinavam um jogo de futebol, em localidades mais distantes. Quando não era muito
longe, iam a pé. Para isso, almoçavam antes do meio-dia e por volta de uma da tarde,
saíam em caminhada em turma de mais ou menos quinze rapazes.” (213)
______________________________________________________________________
__________
(213) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO - - RS - 1995.
Os times de futebol, eram organizados, de acordo com a situação da época, de
forma muito simples, mas que servia como lazer e recreação... “O tempo era controlado
por relógio de pulso (ponteiro). Não tinham camisetas e uma equipe tirava as camisas.
Assim, era os pelados contra os peludos. Os resultados eram de vitórias e também
derrotas”. (214)
Com o passar dos anos muitos times surgiram em diversas localidades do
interior e foram bem sucedidos em suas competições. Porém muitos destes times foram
desativados, principalmente devido ao reduzido número de jovens. Uma saída
encontrada em algumas localidades, foi a de organizar times de futsal ou futebel sete.
Atualmente o município de Novo Machado, conta com as seguintes equipes de
futebol:

Nome do Time Localidade

São José Três Pedras


Veterano Vila Pratos
Baygon Novo Machado (Sede)
Los Coroas Novo Machado (Sede)
Associação Barra Funda Esquina Barra Funda
(Esq. Barra Funda, Laj. Saltinho e Laj.Corredeira.)
Planalto Esquina Barra Funda
Beira Rio Lajeado Marrocas
Manchester Novo Machado
Flor da Serra Esquina Água Fria
Palmeiras Lajeado Limoeiro

Em 1993, em Esquina Água Fria, organizou-se um time de futebol feminino que


já tem participado de diversas competições.
O Município conta com dezesseis campos de futebol, sendo que cinco destes são
cercados.
Os times acima, participam de campeonatos, torneios e jogos amistosos dentro e
fora do município.
O time que consagrar-se campeão no município, participa dos JIRGS. (Jogos
Intermunicipais do Rio Grande do Sul).

5.9.3. O Futsal

O futebol de salão ou futsal, em nosso município, iniciou mais ou menos na


década de 1980, quando o município de Tucunduva, construiu as primeiras quadras
pavimentadas, todas ao ar livre.
De alguns anos para cá, o futebol de salão, passou a chamar-se “Futsal”.
Atualmente, o município conta com 10 quadras de esporte, nas seguintes
localidades: Vila Pratos, Lajeado Saltinho, Lajeado Corredeira, Nova Esperança,
Lajeado Limoeiro, Boa União, Esquina Barra Funda, Três Pedras, Lajeado Marrocas,
Esquina Boa Vista. A maioria destas quadras, estão localizadas no terreno da Escola,
para serem utilizadas, também pelos alunos. Algumas são cercadas com tela.

______________________________________________________________________
__________
(214) In História da Localidade de Vila Pratos.- NOVO MACHADO – RS – 1995

Reinauguração da Quadra de Esporte de Vila Pratos - 20.03.94.

5.9.4. O Jogo de Bochas:

O jogo de bochas, esteve sempre presente desde o início da colonização, entre


descendentes de italianos.
No início, os jogos de bochas, eram realizados em canchas improvisadas, até no
meio da estrada.
“Mesmo antes da fundação da comunidade, os homens reuniam-se e jogavam
bochas na estrada.
Logo que construiram a primeira escola, também fizeram duas canchas ao lado
desta. A pista das mesmas era pura terra, as laterais eram de madeira”. (215)
As primeiras bochas eram de madeira, mais tarde foram substituídas por outras.
Com o passar dos anos, as canchas foram sendo melhoradas e aperfeiçoadas.
Atualmente o município de Novo Machado conta com cancha de bocha, nas
seguintes localidades:

Lajeado Limoeiro - uma sintética (comunidade religiosa católica e uma lisa particular)
Esquina Água Fria - uma sintética (comunidade religiosa católica)
Lajeado Marrocas - uma de areia (comunidade religiosa católica)
Nova Esperança - uma sintética (comunidade religiosa católica)
Esquina Barra Funda - duas lisas (uma comunidade religiosa católica e outra particular)
Lajeado Corredeira - uma lisa (particular)
Boa União - uma de areia (comunidade religiosa católica)
Vila Pratos - três de areia (uma no CTG e duas particulares)
Lajeado Saltinho - uma lisa (comunidade religiosa católica)

O jogo de bochas, inicialmente praticado pelos italianos, hoje é um jogo


praticado por todas as etnias do município.
Os bochófilos de Novo Machado, têm participado em diversos campeonatos
municipais e regionais, em torneios e outras competições.

______________________________________________________________________
__________
(215) In História da Localidade de Nova Esperança - NOVO MACHADO - RS - 1995.
Até poucos anos atrás, o jogo de bochas era visto como jogo dos “velhos”,
porque geralmente os que mais jogavam eram pessoas de meia idade e idosos. Mas hoje,
com a decadência do futebol e com o aperfeiçoamento das canchas, muitos jovens estão
jogando e se interessando pelo esporte.
Nos últimos anos, algumas entidades organizaram torneio de casais, onde as
mulheres, nestas ocasiões, também participam deste jogo.

5.9.5. Jogo de Cartas:

O jogo de carta foi praticado desde o início da colonização. Jogava-se Maujer e


Schaffskopp entre os alemães e entre os italianos: Bisca, Três Sete, Nove, Quatrilho,
Canastra...
Atualmente o jogo de carta é um passatempo muito apreciado por pessoas de
todas as faixas etárias. Entre os jogos mais praticados, destacam-se: Canastra, Pife,
Quatrilho, Nove, Bisca, Três Sete, etc...
A Diretoria de Desporto Turismo e Recreação, ligada a SMEC da Prefeitura
Municipal de Novo Machado, já realizou diversos torneios de Canastra, tendo boa
aceitação entre a população.

5.9.6. O Bolão:

O jogo do bolão é um dos mais tradicionais esportes entre os alemães. Em nosso


município, este jogo foi desenvolvido em Vila Pratos, através da Sociedade Esportiva e
Recreativa Pratos, fundado em 1954.
Esta sociedade, participou, no decorrer de sua existência de diversos torneios,
recebendo um grande número de troféus, que guarda até hoje, junto a subprefeitura de
Vila Pratos.
Segundo depoimento de pessoas, em 1957, por ocasião da Inauguração do Clube
Concórdia de Santa Rosa, este grupo obteve o primeiro lugar, recebendo um belíssimo
troféu como prêmio.

5.9.7. Jogo da Mora:


Due, sette, tre, cinque, otto, dieci, due...
A mora é um jogo que exige dos participantes movimentação rápida dos dedos,
raciocínio treinado e reflexos apuradíssimos.
Duas pessoas jogando a mora abrem a mão ao mesmo tempo e cantam, cada
uma, um número de um a dez. A soma dos dedos dará um ponto ao que fizer a chamada
certa.
O jogo da mora é uma das tradições trazidas da Itália pelos colonizadores
vênetos, cremoneses, toscanos e outros, que foi incorporada aos hábitos e costumes dos
descendentes, nas primeiras gerações, pois hoje tem decaido muito e não exerce o
mesmo fascínio, entre as novas gerações.
As competições geralmente são feitas em duplas, em partidas de dezoito pontos.
Quem marcar ponto contra um adversário, passa a jogar com outro, alternadamente, até
perder.
Raciocínio treinado, destreza de movimentos da mão e dedos, reflexo
apuradíssimo, e sobretudo, longos anos de prática são algumas das credenciais para se
tornar um bom jogar de mora.
Este jogo, veio para a região de Novo Machado, com os colonizadores de
descendentes italianos, que o jogavam nos primeiros anos de colonização.
Atualmente, nas comunidades de Novo Machado, este jogo é praticado somente
em algumas ocasiões especiais e por pessoas mais idosas.

5.10. A Caça e a Pesca:

No início da colonização, a abundância de cursos naturais de água, levou os


pioneiros a praticarem a pesca, devido a variedade de peixes neles existentes, para
reforçar o cardápio familiar.
Esta prática artesanal da pesca, com dupla finalidade: alimentação e lazer, foi
passando de geração em geração, sendo atualmente praticada , por muitos habitantes das
regiões próximas aos rios.
(Ver maior desenvolvimento deste assunto, no capítulo da economia).
A caça, também foi um passatempo preferido por parte dos colonizadores.
A existência de grande variedade de pássaros e animais, foi uma atração para
muitos, que apreciavam este esporte. Mas acima do lazer, para muitos, a caça era uma
fonte de alimentação.
Porém hoje, com a destruição das matas e a matança indiscriminada de pássaros
e animais, sem uma análise e avaliação das conseqüências que podem ocorrer, a grande
maioria das aves e animais foram extintos.

5.11. Artesanato:

O artesanato, uma atividade produtiva exercida em época anterior à Revolução


Industrial, chegou ao Brasil através dos imigrantes europeus.
Na europa, especialmente nas épocas do inverno, cujos rigores do clima
obrigavam a família à permanência em suas casas, o artesanato constituía-se não
somente numa atividade econômica, mas também, de certa forma, recreativa.
Tanto os italianos quanto os alemães, russos, poloneses e outros, embora com
enfoques e atividades diferentes, dedicavam-se às atividades artesanais. Enquanto as
mulheres fiavam a teciam os panos, os homens confeccionavam calçados. Além disso,
os italianos dedicavam-se ainda ao artesanato com palha.
Família Ulzäfer - 1926. (Pais e Irmãos de Emma Buss)
As roupas das crianças foram tecidas e confeccionadas pela filha (irmã) mais velha.

Entre os alemães, encontravam-se muitas famílias de imigrantes, que trouxeram


consigo as suas “rocas”, que foram de grande utilidade, facilitando-lhes a obtenção do
vestuário. Muitos produziam fios a partir da lã de ovelha, da linhaça e do algodão e com
estes, confeccionavam suas roupas.
“Dona Natália Hess, imigrante que chegou à localidade de Esquina
Machadinho em 1931, era procedente da Rússia, tendo residido, por algum tempo, na
Polônia. Chegando ao Brasil, residiu com a família em Porto Alegre, por algum
tempo.Nesta localidade de Esquina Machadinho, onde chegou com a família em 1931,
exerceu muitas atividades. Uma delas, era a fabricação de fios extraídos do caule da
linhaça. Para isso, arrancavam a linhaça e deixava a palha submersa na água, por 14
dias. Aí era retirada e, com auxilio de uma armação de madeira, sobre a quina, era
batida com outra madeira, afim de quebar e retirar a casca, obtendo-se somente os
fios. Estes fios com o auxílio de uma roca, eram transformados em linha, que servia
para costurar e remendar suas roupas. Na Rússia, chegava a tecer tecidos com este
fios, porém, aqui no Brasil, como não pode trazer a máquina de tricô, ficou limitada a
confecção de fios.
Com a mesma roca, fazia fios de lã de ovelha, com os quais confeccionavam
(ela e a filha Leocádia), sapatinhos para bebês, casacos e principalmente meias, de
tricô, manualmente.
Com o mesmo fio da linhaça, com auxílio de uma espécie de dedos de madeira,
trançavam cordas de diversas espessuras, usadas para tirar água do poço, amarrar o
gado e até para arrastar madeira do mato. Estas últimas, eram da espessura de um
dedo polegar, aproximadamente. Eram cordas muito fortes e eram enroladas, como as
cordas de sisal, que conhecemos hoje.” (216)
Entre outras atividades artesanais, desenvolvidas pelos italianos, destaca-se o
trabalho com palha.
Para obter a palha do trigo, cortavam-no e amarravam em feixes, colocando-os
com a espiga para cima. Depois cortavam as espigas, amarrando a palha, já selecionada,
em feixinhos. Quanto mais selecionada a palha, melhor é a qualidade da trança, porque
se as palhas são da mesma bitola, mais parelha sai a trança. Antes de fazer a trança, a
palha precisa ser molhada, para ficar mais flexível e não quebrar. Antigamente, tem-se
notícia de que homens e mulheres faziam trança. Hoje, apenas as senhoras fazem trança.
Na região das Colônias Velhas, as pessoas compravam produtos do comércio
(industrializados) e pagavam com a trança de palha de trigo, conforme relata o exemplo
a seguir:
“Em 1925, a Ângela, o Ricieri, o Carlos e a Luíza Dall’ Agnol trabalharam seis
meses, quase todas as noites para fazer 150 maços de trança. Tinham comprado um
tacho de cobre que custava trinta cruzeiros. Cada maço valia 10 centavos. Tinham que
fazer 5 maços para ganhar um “cruzeiro”. Fizeram 2.400 metros de trança para pagar
o tacho. Ela disse que trabalhou para fazê-la toda. Quando tivessem um tempinho,
aproveitavam para fazê-la. Iam para a roça com um maço de palhas debaixo do braço
e, enquanto caminhavam, faziam trança, depois do meio-dia, até que o seu pai dormia ,
eles faziam trança, como também à noite, quando voltavam da roça e depois da janta e
do terço. Todas as senhoras e moças costumavam ir na roça fazendo trança. Quando
iam ao moinho, tinham que ir devagar, porque o animal estava carregado, enquanto
iam e voltavam e enquanto esperavam ali no moinho, faziam tranqüilamente trança
pelo caminho e em cima do cavalo. Muitos iam para o filó quase de propósito para
fazer trança, enquanto conversavam e brincavam, eles faziam trança. Se ficassem em
casa, batia o sono”. (217)
Depois da trança pronta, faz-se bonitos trabalhos principalmente chapéus e
bolsas.
As tranças para os chapéus, quanto mais fina, mais bonito. Para costurá-lo
necessita-se de uma agulha grossa e fio de linha grossa. Inicia-se a costura a partir do
capuz. Para fazer um chapéu médio necessita-se 24 braçadas de trança. (mede-se a
braçada a partir da mão contornando o cotovelo.) O chapéu serve tanto para o sol quanto
para a chuva. A durabilidade do chapéu, depende muito do seu uso e dos cuidados .
Sendo muito usado, dura até dois anos.
As bolsas (sporta) de trança são feitas com um molde e dependendo do molde
sai o tamanho da “sporta”. As “sportas” são utilizadas para as mais diversas utilidades:
para passeios, levar produtos coloniais para o mercado, fazer compra, etc. Para fazer
uma “sporta” são necessárias mais ou menos 30 braçadas de trança.
______________________________________________________________________
__________
(216) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(217) BATTISTEL, Arlindo S. e Costa, Rovílio - Assim vivem os Italianos - Vol. 2 pág. 824.
A trança para as “sportas” pode ser colorida, de acordo com a preferência da
pessoa. Geralmente utiliza-se o verde e vermelho.
Em nosso município, o artesanato com palhas, é desenvolvido por diversas
pessoas, mas principalmente, nas localidades onde predomina a etnia italiana: Lajeado
Limoeiro, Nova Esperança e Boa União.
Outra atividade artesanal desenvolvida nesta região de italianos, é a confecão de
cestas de vime. Esta atividade é praticada em algumas famílias como: Bortoli, De Conti,
Faccio, Carpenedo, Minuzzi e outras.
Estes cestos de vime, são feitos em diversos tamanhos, servindo para inúmeras
utilidades.
Em 1993, José Minuzzi, Raul Carpenedo e Leonel Carpenedo de Boa União,
participaram com artesanato em vime do 10º Encontro de Hortigranjeiros e Artesanato e
5ª Mostra da Pequena Indústria, realizada nos dias 7 e 8 de agosto, no Parque de
Exposições em Santa Rosa e nos dias 12 e 13 de setembro, na Feira Municipal em
Tucunduva. Nestas feiras, as cestas tiveram boa aceitação, estimulando os produtores a
continuarem fazendo cestas.
O grupo acima mencionado, consegue fazer três cestas por dia, incluindo o corte
e seleção dos vimes até a confecção dos mesmos.
Para enriquecer o artesanato de Novo Machado, a Sr. Ermínio Minuzzi, de Boa
União, confecciona “gamelas” de madeira. Aprendeu este ofício quando tinha 15 anos,
em 1937.
Inicialmente confeccionava gamelas para a família, que serviam para atividades
domésticas.
Desde 1945, o seu Ermínio não fazia mais gamelas. Em 1993, estimulado pela
EMATER e Secretaria Municipal da Agricultura de Novo Machado, para participar das
feiras já mencionadas, retornou a fazer gamelas. As gamelas tiveram boa saída e além
disso, recebeu muitas encomendas.
A melhor madeira para a gamela é o cedro, que pode ser verde ou seco. Para
fazer gamela, utiliza o inchó e leva um dia de trabalho.
Além das atividades artesanais mencionadas, há muitas jovens e senhoras, que
individualmente ou através de grupos organizados, realizam belíssimos trabalhos
manuais de: pintura, crochê, bordado, tricô, confecção de flores de palha de milho e
outras.
Com o objetivo de incentivar a produção de artesanato no município de Novo
Machado, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, juntamente com a Secretaria
Municipal da Agricultura , Indústria e Comércio, vêm realizando de dois em dois anos,
a Feira Municipal de Estudos Sociais e Mostras de Artesanato e Pequenas Indústrias.

Exposição de artesanato em palha, crochê, pinturas, etc...


I Feira Municipal de Estudos Sociais e
I Mostra de Artesanato e Pequenas Indústrias - Novo Machado - 03/12/93.

5.11.1. O Artesanato como Tradição Cultural

A Arte é uma das características universais da Cultura. Está presente em toda e


qualquer sociedade, desde a mais simples até a mais complexa. Independente de época,
de espaço e de tempo, o homem buscou através de sua imaginação criadora, satisfazer
as suas necesidades de expressão estética.
O Artesanato é a obra feita à mão, baseada em motivos tradicionais e que se
transmite de geração a geração, com a utilização da matéria prima regional.
É fundamental o papel do artesão e do artista, dentro de uma sociedade,
enquanto propagador da sua cultura e do seu conhecimento.
Conforme Félix M. Keesing (1958), “a Cultura é o comportamento cultivado,
ou seja, a totalidade da experiência adquirida ou acumulada pelo homem e transmitida
socialmente, ou ainda, o comportamento adquirido por aprendizado social”.
Assim, Cultura é elemento fundamental, não só na formação do homem, mas
também na influência na produção da Cultura Material de seu povo. É no processo de
interrelação homem x meio x necessidade x sociedade que acontece a identificação de
um povo, de uma época e de uma cultura.
Sabemos, porém, que os aspectos culturais modificam-se continuamente,
assimilando-se novos traços e abandonando traços antigos, influenciados pelo contato
com outros povos, pela inovação científica e tecnológica, interferindo nas artes, no
artesanato e na sua cultura como um todo.
Divulgar o Artesanato enquanto manifestação cultural de interesse e importância
inquestionáveis, revela a organização e desempenha papel comercial familiar – bordado,
pintura, renda, madeira, fibra, cerâmica, vime, tecidos, fitas e linhas.
O Artesanato sempre possui características domésticas e, no geral, é valorizado
pelo cunho pessoal de que se revestem seus produtos, elaborados à mão ou com auxílio
de rudimentares instrumentos de trabalho, estes, muitas vezes, confecionados pelo
próprio artesão.
É preciso fazer do Artesanato um meio de vida adequado, procurando promover
o alto nível das obras, bem como, de quem as produz, uma vez que a História do
Artesanato tem início no mundo, com a própria História do Homem, pois a
necessidadee de se produzir bens de utilidade e uso rotineiro e até mesmo de adornos,
expressou a capacidade criativa e produtiva do Homem, como forma de trabalho.
Justifica-se esta posição com a explicação de Jean Roche, quando faz referência ao
Artesanto dos colonos alemães no Rio Grande do Sul: “O Artesanato Rural se dividiu
em dois grandes ramos: o fornecimento dos artigos necessários à vida local e a
transformação dos produtos agrícolas, para vender”.
Se ainda há muito por fazer, se há equívocos e lacunas no que se fez e faz, não
devemos subestimar o que foi realizado, pois é significativo. Sobretudo, destaque-se a
necessidade de dar continuidade e consistência ao que se buscou realizar, num
procedimento de busca e resgate de algo raro, como conseqüência de atividades de
pesquisa e de prática.

5.11.2. Grupo de Artesãos

Com o objetivo de valorizar as produções artesanais, em suas diferentes formas


( palha, vime, papel jornal, papel vegetal, tecidos, fios, pinturas, bordados, crochê,
tricô, biscuit, meia de seda e buclê, sabão, sabonete, madeira, bijouteria, etc...),
realizou-se a primeira reunião em 17 de junho de 2003, destacando-se, de imediato, a
necessidade de uma maior organização, confeccionando-se também, Carteiras de
Artesão.
Em seguida, partiu-se para o estudo de documentos voltados à criação de uma
associação.
A partir deste trabalho inicial, este Grupo de 15 pessoas, envolvidas desde as
primeiras reuniões, participou de diversos eventos, entre eles: VI Feira Municipal de
Educação, Cultura, Desenvolvimento e Integração, em cuja oportunidade foram
entregues as “Carteiras de Artesão” à diversas pessoas.
Grupo de Artesãos participando da VI Feira Municipal de Educação,
Cultura, Desenvolvimento e Integração – Novo Machado – RS – 20 e 21 de Setembro de 2003

Momento da entrega da Carteira de Artesã à Srª Vergínia Golin


VI Feira Municipal de Educação, Cultura , Desenvolvimento e Integração - Novo Machado –RS – 21/09/2003

5.12. Centros Tradicionalistas Gaúchos - CTGs

Ao longo de toda a História do Rio Grande do Sul, ocorreram inúmeras


mudanças de toda a ordem. Em meados do século XX, ocorreram novas mudanças, não
só a nível econômico e social, mas também, no que se refere aos costumes e ao folclore.
“A miscigenação já está feita. Os portugueses, espanhóis, africanos, poloneses,
franceses, ingleses, alemães e italianos que se integraram ao nosso indigena
resultaram numa raça - a gaúcha”. (218)
_____________________________________________________________________________________
__________
(218) ZATTERA, Véra Stedile. Gaúcho. Vestuário Tradicional e Costumes, Pallotti, Porto Alegre
1995, pág. 153 e 154.
Com o intuito de cultivar e divulgar a cultura e os costumes desta raça tão
mesclada e tão diferente do mundo lá fora, que começam a surgir, a exemplo do
movimento tradicionalista uruguaio (iniciado ainda no século XIX), os Centros de
Tradições Gaúchas - CTGs, no Rio Grande do Sul.
“Estudam-se então, as danças, os cantos, as poesias, as falas do gaúcho de
antigamente. Estudam-se os hábitos do chimarrão da lida do campo, dos rodeios, das
carreiras, dos gaúchos rio-grandenses. E estudam-se os trajes de outrora”. (219)
O homem gaúcho, veste desde o século XIX, a bombacha de favos ou pregas,
alparagatas ou botas fortes, camisa listada ou xadrez, lenço no pescoço, chapéu com
barbicacho...
É assim que se apresenta nos Movimentos Tradicionalistas Gaúchos, cujas regras
são aceitas e seguidas pelos CTGs.
O traje da prenda, que através da história do vestuário da mulher no Rio Grande
do Sul, tem recebido alterações e adaptações, define-se hoje, pela “Proposição Aprovada
no 34º Congresso Tradicionalista, realizado em Caçapava do Sul em 07.01.89:
1. O vestido deve ser de uma peça, com a barra da saia à altura do peito do pé.
2. A quantidade de passa-fitas, apliques, babados e rendas, é de livre criação.
3. O vestido deve ser de chita estampado ou liso, sendo facultado o uso de
tecidos sintéticos com estamparia miúda, ou peti-pois.
4. Vedado ou degote.
5. Saia de armar, quantidade livre.
6. Obrigatório o uso de bombachinhas rendadas ou não, cujo comprimento
deverá atingir a altura do joelho.
7. Mangas até os cotovelos, ¾, ou até os pulsos.
8. Lenço com pontas cruzadas sobre o peito, ou fichu (de seda com franjas ou
crochê) uma ou outra peça, presa por broche ou camafeu. Facultativo o uso
do xale.
9. Meias longas, brancas ou coloridas, não transparentes.
10. Sapato de salto grosso, tipo escolar, que abotoa do lado de fora por uma tira
que passa sobre o peito do pé.
11. Cabelo solto ou em trança (única ou dupla), enfeitado com flores ou fitas.
Vedado o uso de coque, para solteiras.
12. Facultado o uso de brincos de argola inteira, de metal. Vedados os de fantasia
ou plásticos.
13. Permitido o uso de pulseiras de aro de qualquer metal. Não aceita as
pulseiras de plástico.
14. Vedado o uso de colares.
15. Permitido o uso de um anel de metal em cada mão. Vedados os de fantasia.
16. É permitido o discreto uso de maquiagem facial, sendo vedadas as sombras e
batons brilhantes, lilazes ou roxos.
17. Vedado o uso de relógio de pulso.
18. Livre criação, quanto à cores, padrões e silhueta, dentro dos parâmetros
acima enumerados”. (220)

5.12.1. CTG João Tucunduva - Vila Pratos

Ainda antes da emancipação do Município de Novo Machado, surgiram também


aqui, alguns pequenos movimentos, no intuito de vivenciar as tradições do folclores
gaúcho.
_____________________________________________________________________________________
__________
(219) ZATTERA, Véra Stedile. Gaúcho. Vestuário Tradicional e Costumes, Pallotti, Porto Alegre
1995, pág. 153 e 154.
(220) Id Ibid
“Sempre gostei de usar bombacha e, como mais algumas pessoas da localidade,
apreciava as tradições gauchescas.
A escola local, possuia um salão, e ali, no dia 12 de junho de 1985, realizamos
um baile para o qual pedimos o apoio do CTG de Guarani das Missões e contratamos o
Conjunto “Maragatos Missioneiros” de Santo Ângelo. Tivemos também o apoio do Dr.
Potiguara Meireles e do Radialista Ubirajara Kruel. Para este evento, construímos em
Vila Pratos o primeiro Rancho Crioulo e, na hora da janta dos músicos, o Dr.
Potiguara nos desafiou: “Venho tocar de graça o baile no dia da Inauguração, se aqui
organizarem e fundarem um CTG”. (Palavras do Sr. Edemar Siedleski)

1º Rancho Crioulo - Fundos da Escola Estadual de 1º Grau Ernesto Dornelles - 12.06.85

Após a realização do baile, que deixou um bom lucro para a Escola, o grupo
continuou reunindo-se, discutindo a forma de organização. Conseguiu estruturar-se,
efetivando a Fundação do CTG João Tucunduva.
Inauguração do CTG João Tucunduva - 12.06.86

Ata de Fundação nº 01/86


Fundado em 12 de junho de 1986, o CTG João Tucunduva de Vila Pratos,
realizou as festividades de inauguração de sua sede em dezembro de 1986, conforme
programação que segue:

Nos seus dez anos de existência, o CTG João Tucunduva tem participado e
promovido diversas atividades, marcando presença em Desfiles, Bailes e outros eventos
de natureza tradicionalista.
Recebimento da Lança Farroupilha (que percorreu o Rio Grande do Sul
por ocasião dos 150 anos da Revolução Farroupilha - 1985). Salão Paroquial - Tucunduva.

5.12.2. Piquete de Cavalarianos - “Marca da Ferradura”

Além do CTG João Tucunduva, há no município outra iniciativa tradicionalista:


o Piquete de Cavalarianos “Marca da Ferradura”, fundado em 1991, integrando
participantes das seguintes comunidades: Lajeado Limoeiro e Lajeado Gateadinhas (do
município de Novo Machado); Esquina Gaúcha (município de Tucunduva); Nova
Alemanhã (município de Tuparendi).
Este grupo participa de Desfiles, Festas Campeiras e Rodeios Crioulos.

Participação no Desfile Cívico-Cultural / Novo Machado - 07.09.93


(CTG - “João Tucunduva” e Piquete de Cavalarianos “Marca da Ferradura”)
5.12.3. CTG Chama Costeira
Aproveitando e valorizando o interesse de muitas famílias e pessoas da
localidade de Três Pedras, realizou-se no dia 19 de fevereiro de 1999, no Salão da
Comunidade Católica São José, de Três Pedras – Novo Machado – RS, uma reunião,
com o objetivo de criar um local de diversões para as famílias. Assim surgiu o CTG
Chama Costeira, onde todos os associados encontram uma diversão sadia e disciplinada,
de abrangência da localidade de Três Pedras e região.

Inauguração da Sede Própria do Galpão Crioulo


Propriedade de José Loredo de Oliveira – Três Pedras - Novo Machado – RS - 07.11.1999.

Dentre as atividades realizadas pelo CTG Chama Costeira, destacam-se:


Rodeios, Cavalgadas, Bailes e Missas Crioulas.
Cavalgada - ano 2000
CTG Chama Costeira
Três Pedras – Novo Machado – RS.

5.13. O Rio Uruguai e os Novomachadenses

O Rio Uruguai, forma-se com a junção do Rio Pelotas e Canoas, na divisa do


Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Possui uma extensão de 1.500 Km, fazendo
divisa do nosso município com a República da Argentina, num percurso de 27 Km,
apresentando uma largura média de 1.000m.
O Rio Uruguai banha uma área brasileira de aproximadamente 178,255 Km²,
desaguando no Oceano Atlântico, através do Estuário do Prata, entre a República do
Uruguai e a República Argentina.

Festa Nossa Senhora dos Navegantes. Procissão no Rio Uruguai. Início da década de 1950.
Festa Nossa Senhora dos Navegantes. Procissão no Rio Uruguai. Início da década de 1960.

Este rio, sempre foi um ponto de atração da população do nosso município e da


região, tanto no aspecto econômico, como no aspecto social.
No início da colonização, no período da exploração da madeira, o Rio Uruguai
servia para o transporte das balsas.
Devido as diversas quedas d’ água, há dificuldade de navegação no Rio Uruguai,
sendo que, em alguns trechos, existem embarcações que transportam passageiros e
mercadorias.
Foi através do Rio Uruguai, que ocorreu por longos anos, o comércio
clandestino (chibo), com a República da Argentina. Principalmente nas ocasiões em que
o peso argentino estava em baixa, os brasileiros, sentiam-se motivados em buscar, no
país vizinho, produtos de primeira necessidade, que apresentavam bons preços.
A comunidade Nossa Senhora dos Navegantes, de Lajeado Saltinho, também
manifestava sua religiosidade através da procissão de Nossa Senhora dos Navegantes,
pelas águas do Rio Uruguai.
A natureza também foi prodigiosa com o nosso município. No leito do Rio
Uruguai localiza-se uma das mais belas paisagens regionais, que são as “corredeiras” na
localidade de Lajeado Corredeira, entremeadas por diversas ilhas, apresentando locais
próprios para banho e pescaria.
Este mesmo local, sediou de 12 a 14 de outubro de 1995, o 2º Encontro Costeiro,
do qual participaram cerca de 80 pessoas, entre assistentes e artistas (músicos,
compositores e cantores). Nesta oportunidade, os participantes compuseram músicas e
poesias sobre o Rio Uruguai e ecologia. Para ter-se uma idéia do evento, registramos
neste espaço, uma destas músicas.

Amigos do Rio Uruguai

Letra: João Carlos Loureiro


Música: Odemar Gerhardt e Carlos Loseckan

Se lá no povo entre os blocos de cimento


Sentir no peito uma espécie de vazio
Junte a piazada, tranque seu apartamento
Venha pra costa ouvir o canto do rio
Depois de noite quando a lua vem saindo
E a prosa mansa na varanda tem início
Entre os amigos do Uruguai por parceria
A correnteza chora e canta por capricho.
Quem cuida o mato como cuida um passarinho
Quem cuida o rio sem pretensão de pescar mais
Tem a certeza que o sol nasce mais bonito
Brotam mais flores ao redor do mananciais.
Cada pesqueiro tem histórias e lembranças
Cada linhada busca um sonho pescador
Aos amigos do Uruguai fica estes versos
Como lembrança de um costeiro sonhador.

Segundo depoimento de participantes, as músicas foram submetidas a juri


popular secreto e as melhores foram gravadas.
Por opção dos participantes, decidiu-se, aproveitar este local tão inspirador e
atrativo, determinando-se que em 1996, realizar-se-á o 3º Encontro Costeiro.
O Rio Uruguai, além de servir como ponto de lazer, turismo e recreação, serve
também como fonte de renda para o município, através da atividade pesqueira, praticada
por muitos moradores da costa. Em suas águas encontram-se: dourados, piavas,
cascudos, pintados, patis e outros. Os produtos da pesca são consumidos na alimentação
das famílias e o excedente é comercializado.
Próximo a Vila Pratos, localiza-se no Rio Uruguai o Porto Pratos, ligando esta
localidade a Colônia Aurora, na Argentina. Como a população deste município, possui
muitos amigos e parentes no vizinho país da República Argentina, é o anseio de muitos,
que este porto seja oficializado.
Outra questão relacionada ao Rio Uruguai, são as enchentes.
Segundo depoimento de moradores, que residem proximo ao Rio Uruguai, uma
das maiores enchentes, de que se tem lembrança é a de agosto de 1965. Neste ano, em
20 de agosto, registrou-se também a precipitação de neve em toda a região.
Neve em Novo Machado - 20.08.65

Nos últimos anos, podemos registrar enchentes em outubro de 1979, maio e


julho de 1983, agosto de 1984, abril de 1987, setembro de 1989, junho de 1990 e junho
de 1992 , julho e agosto de 1993, setembro de 2000, junho e outubro de 2005.
Por ocasião das enchentes, ocorrem inundações, nas lavouras próximas ao Rio
Uruguai e seus afluentes. Muitas famílias da região ribeirinha, perdem suas plantações e
benfeitorias, causando grandes prejuízos.

Enchente no Rio Uruguai - Lajeado Corredeira


Enchente no Rio Uruguai – Residência de Jordão e Rosa Ceconi Lajeado Saltinho - 1983.

Devido as fortes chuvas, que caem em determinadas épocas do ano, a parte


superior do solo é transportada para as baixadas e rios, deixando este empobrecido,
necessitando de freqüente recuperação com adubo e calcáreo.
Por ser um rio de Planalto, apresentando diversas quedas d’ água, o Rio Uruguai
possui um grande potencial hidrelétrico. Há muitos anos existe um projeto de
construção de diversas barragens ao longo do Rio Uruguai, atingindo também o nosso
município, cuja projeção irá inundar uma grande área de terras produtivas.
Conseqüentemente, a concretização deste projeto, implicaria na destruição do meio de
subsistência de muitos pequenos agricultores os quais teriam que ser transferidos, tendo
que procurar novas áreas para se fixarem. Por outro lado, se o pontencial energético
fosse explorado de forma racional, mediante barragens construídas com tecnologia,
menos ambiciosas, sem inundar grandes porções de terra, poderia trazer inúmeros
benefícios para o município e região.

5.14. Pontos Turísticos


a) Balneário Corredeira:

Este balneário está localizado a 20 Km da sede do Município, numa região


privilegiada pela presença das corredeiras do rio Uruguai, entremeadas por ilhas, numa
extensão de 1.200 m. Além disso, a exuberância vegetal e seu relevo, dá a esta região,
uma belíssima paisagem, atraindo turistas, que buscam descanso no período de férias e
finais de semana.
O local é apropriado para o lazer, cultura, prática de esportes náuticos, pesca
esportiva e turismo.
O Balneário apresenta infra-estrutura para camping, como:energia elétrica e água
potável.
Balneário Corredeira

b) Trilha Ecológica:

Em Lajeado Corredeira, na propriedade do Sr Lotário Kühn, encontra-se


uma bonita “Trilha Ecológica”, com muito verde e natureza. São cerca de 2000 metros
cerro acima. Lá do alto, tem-se uma bonita e extensa visão do Rio Uruguai.
A trilha é recente e ao longo dela, encontramos diferentes tipos de plantas,
animais, passarinhos e bancos de concreto para descansar.
O local está aberto para visitação, desde que as visitas sejam agendadas
anteriormente.

Trilha Ecológica – Propriedade do Sr. Lotário Kühn


Lajeado Corredeira – município de Novo Machado – RS – 2004.
Vista do Rio Uruguai a partir da Trilha Ecológica
– Propriedade do Sr. Lotário Kühn
Lajeado Corredeira – município de Novo
Machado – RS – 2004.

c) Balneário Griger:

A 2 Km de distância da sede municipal, de propriedade da família de Getúlio


Griger, numa área de 13,5 ha, localiza-se o Balneário Griger.
A iniciativa deste empreendimento, no início da década de 1980, surgiu com o
objetivo de garantir à família, um local agradável para moradia e, principalmente, para o
lazer. Assim, a atividade inicial restringiu-se a arborização do local, até então, cultivado
com soja até a beira do açúde ali existente, conforme pode ser visto na foto que segue:

Local onde hoje está instalado o Balneário - 1977


Como passo seguinte, empreenderam a construção de uma piscina, alimentada
pelas águas de uma vertente natural, onde a água é renovada constantemente, pois a
mesma flui naturalmente, dia e noite.
Após a construção da piscina, muitas pessoas passaram a freqüentá-la,
conduzindo, gradativamente, à implantação de um sistema de Balneário, inicialmente
não projetado.
No decorrer do tempo, passaram a realizar diferentes empreendimentos como:
- Rodeio Crioulo (realizado em conjunto com o CTG Querência Xucra de
Tucunduva);
- Garota Verão (realizado com apoio da RBS e da Prefeitura Municipal de Novo
Machado);
- ENDURO (corrida de motos com obstáculos).
Atualmente, o Balneário conta com diversos açúdes, destinados ao lazer e a
criação de peixes, inclusive com uma atividade recreativa de pesca, através do sistema
“Pesque-Pague”. Mantém, além da piscina, uma área para Camping e algumas peças
para alugar, campo de volei e futebol.
Nesta temporada (1996/97), em virtude de algumas dificuldades que ocorreram
em temporadas anteriores, a família descidiu não abrir o Balneário para o público.
Porém, tendo sido procurados e solicitados a abrir o espaço com um enfoque diferente,
decidiram acatar a idéia de oferecer algo para os jovens e para as famílias. Desta forma,
procuraram implantar um Regulamento mais rígido, suspendendo a venda e o consumo
de bebidas alcoólicas, transformando este espaço num “Retiro Familiar”.
Como esta experiência não revelou muito êxito, no ano seguinte, voltou-se ao
sistema inicial.

O mesmo local visto na foto anterior, após a instalação do Balneário.


A Piscina que faz parte do Balneário Griger.

Nesta propriedade, em 2003, foi construída uma pista de Motocross, onde foram
realizadas duas competições.

Por ocasião do desenvolvimento do Projeto: “Conhecendo nosso Chão”, em 01


de março de 2003, realizou-se um almoço de Integração com os alunos e professores
participantes.

Flagrante do momento do almoço – Projeto “Conhecendo nosso Chão”


no espaço do Balneário Griger – Novo Machado – RS.
01 de março de 2003
5.15. Principais Eventos do Município:

No sentido de oportunizar a população novomachadense, momentos de lazer e


cultura, diversas entidades promovem eventos, entre os quais, alguns já se tornaram
tradicionais:
- Aniversário do Município - 20 de março.
- Festa do Kerb - realizada no quarto domingo e na quarta terça-feira do mês de
maio, em Esquina Barra Funda.
- Festa do Colono e Motorista - mês de julho em Vila Pratos.
- Festicase (Festival da Canção Sertaneja) - Esquina Barra Funda - mês de
agosto.
- Desfile Cívico Cultural - Semana da Pátria - mês de setembro.
- Festa da Integração da Etnia Italiana - setembro em Lajeado Limoeiro ou em
Nova Esperança ou em Boa União.
- Jantar de Capelletti – Jantar Dançante – Comunidades da Etnia Italiana.
- Frühlingfest - IECLB - mês de setembro - Vila Pratos.
- Natal Esperança - 20 de dezembro na Sede do Município.
- Café Colonial – Congregação Evangélica Luterana Trindade – IELB
- Feira Municipal de Estudos Sociais e Mostra de Hortifrutigranjeiros,
Artesanato , Comércio e Pequenas Indústrias, posteriormente denominada Feira
Municipal de Educação, Cultura, Desenvolvimento e Integração – realizada de
dois em dois anos.
6. O ESPÍRITO DE FÉ E DE RELIGIOSIDADE:

A palavra “religião” vem do latim religio, da mesma origem de “religare”, que


quer dizer “atar”, “ligar”, que pode ser interpretado como laços que ligam o homem à
divindade. “Comumente, pode-se definí-la como o conjunto de relações teóricas e
práticas entre o homem e uma potência superior, de quem aquele ente depende e a
quem tributa ato de culto, quer seja individual, quer seja coletivo.” (221)
A religião é uma das mais antigas manifestações humanas, cuja grandeza do
poder divino, resulta da fragilidade do poder do homem ante o poder da natureza.
Todas as religiões politeístas, tiveram origem a partir deste princípio.
Os diversos deuses surgiram a partir das características de cada povo e de cada
religião, tendo como traço comum, as forças da natureza.
Mais tarde, surge o monoteísmo, onde o sentimento religioso, ocupa sua maior
expressão, como fenômeno da fé, e da comunhão direta com Deus.
Com o nascimento de Jesus Cristo, registra-se o surgimento do Cristianismo,
entre os judeus, espalhando-se por outros países da Ásia e também da Europa, tomando
características de universalismo. Isto explica, a importância da qual se reveste o
Cristianismo, exercendo influências na cultura, na vida social, política e moral.
Para os cristãos, Jesus foi desde início, muito mais que um intermediário divino,
encarregado de uma mensagem. Mas, reconhecem-No como o próprio Deus.
Os colonizadores, quando vieram para o Brasil e mais tarde para Novo
Machado, trouxeram consigo, a religião praticada no seu país de origem.
Assim os pioneiros de Novo Machado praticavam as seguintes religiões:
Católica, Evangélica e Luterana. Alguns, traziam também, alguma experiência e/ou
conhecimento das Igrejas Batistas, conforme depoimento de pioneiros.
Inicialmente, os colonizadores não possuíam locais apropriados para se reunir,
fazer seus cultos e orações. Porém isto não foi obstáculo. Reuniam-se, em baixo das
árvores ou nas casas de família, para ler a Bíblia, que trouxeram consigo, fazer suas
orações, cantar...
Assim que um grupo maior de pessoas ia chegando, os colonizadores iam se
agrupando em torno de uma comunidade, construindo suas primeiras igrejas.
“Os imigrantes, ao chegarem nos seus devidos lugares, construíram o seu
ranchinho. A primeira coisa que faziam era a igreja, muito mais bonita e maior do que
suas casas.” (222)
Mais tarde, com a vinda de mais moradores, outras religiões, foram se somando
às existentes.
Atualmente, o povo novomachadense professa sua fé, através das seguintes
denominações religiosas: Igreja Evangélica Luterana do Brasil, Igreja Evangélica de
Confissão Luterana no Brasil, Igreja Católica Apostólica, Igreja Evangélica de Cristo,
Igreja Batista de Lajeado Terrêncio, Igreja Batista Zoar, Igreja Evangélica
Congregacional do Brasil, Igreja Batista Conservadora Salém, Igreja Pentecostal, Igreja
Assembléia de Deus.

6.1. Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB


Esta denominação religiosa chegou ao Brasil por volta de 1890, sob a
denominação de Igreja Evangélica Luterana Sínodo Missouri, uma vez que, nesta
cidade dos Estados Unidos da América, localizava-se sua sede administrativa. Ainda
ligada à Igreja-mãe, criou-se a Sínodo Evangélico Luterano do Brasil em 24 de junho de
1904.
Em 27 de janeiro de 1945, mudou-se oficialmente o nome para “Igreja
Evangélica Luterana do Brasil - IELB”, passando a ter uma administração própria e
autônoma.
______________________________________________________________________
__________
(221) Enciclopédia Barsa, vol. 13 - pág. 255.
(222) COSTA, Rovílio e BATTISTEL, Arlindo I. Assim vivem os Italianos - Vol. 2.
Com a expansão da Colonização para o interior do Estado do Rio Grande do Sul,
esta denominação religiosa chegou a região de Novo Machado a partir de 1918, com a
chegada dos colonizadores, recebendo, inicialmente, seu atendimento através da
Paróquia Evangélica Luterana de Santa Rosa.
A primeira Congregação da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, neste
município, foi fundada em 20 de fevereiro de 1931, na então “Linha Machado”, hoje,
sede do município de Novo Machado, sob a denominação de “Comunidade Evangélica
Luterana Trindade”. Esta, tornou-se também a sede da Paróquia.

Culto de Confirmação - Com. Ev. Luterana Trindade


Linha Machado – Santa Rosa – RS - Janeiro / 1938

A partir de diversos pontos de Pregação, quase sempre em casas de famílias,


foram surgindo novas Congregações organizadas. Assim, em 1936 fundou-se a
Congregação Evangélica Luterana São Paulo, de Vila Pratos; em 15 de novembro de
1948, a Congregação Evangélica Luterana São João, de Três Pedras e, em 1956, a
Congregação Evangélica Luterana Cristo, de Esquina Barra Funda.
Além destas Congregações, que possuem autonomia e diretoria administrativa
própria, a Paróquia Evangélica Luterana Trindade de Novo Machado, possui ainda um
ponto de pregação em Tucunduva.
Hierarquicamente, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB, organiza-se da
seguinte forma: há uma Diretoria Nacional, formada pelo Presidente, 1º e 2º Vice-
Presidente, Tesoureiro e Secretário, responsáveis pela Administração da Igreja a nível
nacional. As ações são descentralizadas e chegam às diferentes Paróquias, através dos
Conselhos Distritais, cujas sedes permanecem sempre na Paróquia onde atua o “Pastor
Conselheiro”, eleito entre seus colegas e Diretorias Paroquiais da região que compõe o
Distrito. Ao todo, o Brasil está organizado em 49 distritos.
A Paróquia da IELB de Novo Machado integra, junto com as Paróquias de
Horizontina, Dr. Maurício Cardoso, Três de Maio e Alegria, o Distrito “Noroeste
Gaúcho”.

Sede da Paróquia Evangélica Luterana Trindade - IELB - Novo Machado – RS

A nível local, a Paróquia é dirigida administrativamente por uma Diretoria


Paroquial, constituída por Presidente, Secretário, Tesoureiro e seus respectivos Vices,
mais o Pastor, membro ex-ofício. Cada Congregação, possui da mesma forma, sua
diretoria administrativa.
Todas as questões administrativas, são resolvidas desta maneira, a nível local,
distrital ou nacional, conforme o caso.
As questões Teológicas, porém, são resolvidas pela Comissão de Teologia e
Relações Eclesiásticas, convocada pela Diretoria Nacional, que busca as soluções para
as dificuldades surgidas a nível local, distrital ou nacional, inclusive consultando os
Seminários.
Para formação dos seus Pastores, a IELB mantém dois Seminários (um em São
Paulo e outro em São Leopoldo), mais uma Universidade (ULBRA), onde mantém um
Curso de Teologia.
A IELB, fundamenta-se nos Ensinamentos Bíblicos, em especial, na Fé no
Senhor Jesus como único e suficiente Salvador. A Igreja é um instrumento, através do
qual o Evangelho de Cristo chega às pessoas. A Bíblia é a Palavra de Deus e esta é
aceita “como está Escrita”, quer dizer, não se buscam interpretações especiais. “A Biblia
se interpreta a si própria”.
Desde a Reforma Luterana, que se concretizou através da tradução da Bíblia, a
mesma está ao alcance de todas as pessoas.
Deus demonstrou o seu amor e sua misericórdia para com os homens, através de
Jesus. E promove, através dos meios da graça, a fé nas pessoas. Os meios que Deus usa,
são:
a) o Batismo, através do qual Deus, todo-poderoso, age e opera a fé, no coração da
criança. A fé é obra Divina e não humana.
b) a Palavra (o Evangelho) através do ensinar da palavra de Deus. Alimenta-se a fé,
também, lendo e ouvindo a palavra de Deus e participando da Santa Ceia.
Duas doutrinas básicas, resumem os aspectos fundamentais que caracterizam a
Fé Luterana:
a) Justificação: O que Cristo fez, está completo, quer dizer, a “Obra Redentora de
Cristo” está completa, concluída. Fez tudo por nós.
b) Santificação: Apoiados no Evangelho de Jesus Cristo, nos cabe viver como cristão. É
uma conseqüência. Diante disto, cabe ao Cristão:
- Crer no Senhor Jesus como único e suficiente Salvador.
- Reconhecer-se pecador e pedir a Deus o perdão.
- Ter o firme propósito de corrigir a sua vida.
Com o objetivo de permitir o crescimento espirtitual e a convivência fraterna
entre os membros, independente de sua faixa etária, as Congregações organizam e
mantêm os seguintes departamentos:
- Departamento dos Jovens (União Juvenil).
- Escola Dominical.
- Departamento Feminino (Sociedade de Senhoras).
- Liga de Leigos (homens).
- Grupos de Casais.
- Coral.
Esta Paróquia, como as demais da IELB, tem autonomia para escolher um
pastor. Esta escolha deve ser unânime. Cabe-lhe chamar (convidar) e manter o seu
pastor.
Para manutenção dos trabalhos da Paróquia, cada membro contribui,
voluntariamente, de acordo com suas posses, com suas condições.
Para a remuneração dos Pastores, a Igreja propõe um Plano de Carreira, cujo
salário básico é de 5 e meio salários mínimos e o máximo (final de carreira), de 10
salários mínimos. Porém, nem todas as Paróquias adotam este Plano, pois elas são livres
para fazê-lo.
Nestes casos, as Paróquias acertam com o seu Pastor, os valores e formas de
remuneração, considerando o trabalho realizado e as possibilidades da Paróquia.
A Paróquia da IELB de Novo Machado, contava, em 1996, com 498 almas e 158
famílias.
Em 2005, soma um total de 153 famílias, assim distribuídas: Congregação
Trindade – Sede da Paróquia: 71; Comunidade São Paulo – Vila Pratos: 47;
Comunidade São João – Esquina Rutke: 17; Comunidade Cristo – Esquina Barra Funda:
18. Além destas, há ainda dois pontos de Pregação: Tucunduva, com 07 famílias e
Itajubá Leste, com 05 famílias.
Na sua caminhada histórica, a Paróquia Evangélica Luterana de Novo Machado,
contou com o trabalho dos seguintes Pastores:
- 1925 a 1931 - Rev. Emílio Krieser (casas de família)
- 1931 a 1936 - Rev. Emílio Krieser (Santa Rosa)
- 1937 a 01/38 - Rev. Gustavo Priebe (residente)
- 1938 a 1941 - Rev. Emílio Krieser (Santa Rosa)
- 1938 a 1941 - Rev. Guilherme Figur (Santa Rosa)
- 1942 a 1950 - Rev. Elmer Reimnitz (residente)
- 1951 - Rev ------------- Hoppe (Argentina)
- 1951 - Rev. ------------ Schneider
- 1952 a 1953 - Rev. Elmer Reimnitz (no regresso dos EUA)
- 1954 a 1956 - Rev. Amandio Gehm (residente)
- 1956 a 1966 - Rev. Guilherme Lüdke (residente)
- 1966 - Rev. Evaldo Wilke (Horizontina)
- 1967 a 1968 - Rev. Emílio Schmidt (residente)
- 1968 - Rev. Irmo Rieger (Santa Rosa)
- 1969 a 1973 - Rev. Nelson Linhaus (residente)
- 1973 a 1982 - Rev. George Richard Wentzel (residente)
- 1983 - Rev. Jorge Raschke (Horizontina)
- 1983 a Jul/95 - Rev. Oldemar Guilland (residente)
- a/c de set/95 - Rev. Herberto Much (residente)
(Entrevista realizada com o Pastor Rev. Herberto Much em 14/05/1996, atualizada em 2005)

Aspecto atual do templo da Congregação Evangélica Luterana Trindade - IELB


Novo Machado- RS – 2004.

6.2. Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB

Desde o início da colonização, havia entre os colonizadores, famílias que


professavam esta Confissão Religiosa.
A primeira comunidade evangélica fundada neste município, foi a de Esquina
Matter, próxima a atual cidade de Novo Machado. Segundo registros, esta comunidade,
em setembro de 1931, adquiriu uma área de 2 hectares de terras do Sr. Germano
Rosteck, da colônia nº 155, pelo preço de quinhentos mil réis (500$000), para a
construção de uma escola.
Porém, segundo depoimentos verbais de algumas pessoas, a comunidade
religiosa foi fundada em 1932.
Logo a seguir, fundou-se a 2ª comunidade Evangélica, a de Vila Pratos.
Assim com o passar dos anos, mais e mais pessoas pertencentes a IECLB, iam
chegando em nosso município e organizando novas comunidades. Em 1945, surge a
comunidade de Três Pedras; em 08 de janeiro de 1949, a de Esquina Boa Vista; em 06
de janeiro de 1950 a de Esquina Barra Funda e, em 1964 a de Lajeado Marrocas. A
IECLB ainda tem um ponto de pregação em Lajeado Saltinho. Além de atender as
comunidades deste município, a Paróquia IECLB de Vila Pratos, atende a comunidade
de Tucunduva e tem um ponto de pregação em Itajubá Leste (Porto Mauá).
Em 3 de fevereiro de 1953, as duas comunidades mais fortes eram as de Linha
Machado (Esquina Matter) e a de Vila Pratos. Nesta ocasião, houve uma eleição para
escolha do local para ser a sede da Paróquia. Por opção dos membros, a escolha recaiu
para a Comunidade de Vila Pratos, uma vez que esta possuia mais condições, ou seja,
melhor infra-estrutura e ficava mais centralizada.

Sede da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Brasil


IECLB - Vila Pratos - Novo Machado - RS

A partir da instalação da Paróquia, o pastor passou a ser residente. Antes, o


pastor vinha de Tuparendi.
A IECLB, possui uma estrutura organizacional bem planejada, para melhor
atender os seus membros.
Em todo o Brasil, a IECLB está organizada em oito regiões, sendo que Novo
Machado pertence à Região 3, com sede em Panambi. Esta, compreende parte do Oeste
do Estado de Santa Catarina e parte do RS.
A Região 3, compreende sete (7) distritos. A Paróquia de Vila Pratos, pertence ao
distrito Buricá, o qual é formado por sete (7) paróquias: Pratos, Dr. Maurício Cardoso,
Horizontina (2 pastores), Três de Maio Norte, Três de Maio, Independência, Chiapeta.
De 2 em 2 anos, é eleito o pastor distrital. Sendo que a sede do distrito, fica sempre
onde está o pastor distrital. Uma das funções do Pastor Distrital, é manter o elo de
ligação entre as Paróquias do distrito e, deste com a região. Anualmente ocorre o
Concílio Distrital.
Observando a hierarquia da IECLB, a mesma está vinculada ao Conselho
Diretor, e ao Curatório, onde encontra-se o Pastor Presidente. Estes estão situados em
Porto Alegre.
Até 1968, anterior a reorganização, a IECLB era conhecida como Igreja
Evangélica do Sínodo Rio-grandense, por localizar-se no Sul. Existiam outros Sínodos
nos outros estados do sul do Brasil. A partir do Concílio, realizado de 23 a 27 de
outubro de 1968, ocorreu a fusão dos quatro Sínodos do Brasil e surge a nova
denominação: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB.
O que caracteriza a IECLB é a sua fundamentação sobre a Doutrina de Lutero, a
partir da Reforma Luterana. Baseia-se no Evangelho de Jesus Cristo e desenvolve uma
visão Libertadora.
“A Reforma nos concedeu a Bíblia, de maneira que todos tivessem acesso a ela
e, a chave da Salvação, está alicerçada sobre a Fé em Jesus Cristo, ou seja, a
Justificação pela Fé.” Desta forma, todos são chamados a estudar e refletir a Bíblia, ao
mesmo tempo em que dá-se ênfase à música, ao canto e ao canto coral.
Diz-se que: “O Imigrante descia do navio com a Bíblia e o Hinário.”
Atualmente, todos os membros fazem parte e têm acesso a tarefas que realizam.
Há funções específicas, dentro, da Igreja, porém sem uma nomenclatura específica.
Esta participação de todos, inclui-se no que a Igreja denomina de “Sacerdócio
Geral de todos os Crentes”.
A Paróquia da IECLB, procura dar atendimento cristão digno, a todas as
comunidades, mediante as seguintes atividades: culto mensal em cada comunidade,
ensino confirmatório, culto nas casas de pessoas doentes, assistência à Ordem
Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE), aos jovens e aos casais. Procura acima
de tudo, atender as necessidades básicas dos membros, através de Estudos Bíblicos e
Canto Coral. Já é uma realidade da IECLB de Vila Pratos, também a formação de
Liturgos, para auxiliar na Liturgia.
Em 2004, a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, com sede em
Vila Pratos, contava com um total de 382 famílias, assim distribuídas: Comunidade de
Vila Pratos: 86 famílias; Comunidade de Novo Machado: 29 famílias; Esquina Barra
Funda: 127 famílias; Esquina Boa Vista: 33 famílias; Lajeado Marrocas: 19 famílias;
Três Pedras: 38 famílias; Tucunduva: 50 famílias.
Nos seus 50 anos de existência, a Paróquia Evangélica de Pratos, teve os
seguintes Pastores:
- De agosto a novembro de 1955 - Rev.Heins Dressel
- .................................... - Rev. Jägnig - Tuparendi
- De abril de 1957 - Rev. Karl Gerhard Braun
- De julho de 57 a agosto - Rev. W. Kräutlein - Tuparendi
- De 23.09.57 a agosto de 1959 - Rev. Ehberhard Panke
- De novembro de 1959 a março 1960 - Rev. W. Kräutlein - Tuparendi
- De maio de 1960 a fevereiro de 1969 - Rev. Walter Höfle
- Junho de 1969 - Estudante de Teologia Schmidt
- De julho a agosto de 1969 - Rev. Hugo Kühn
- De setembro de 1969 a dezembro de 1972 - Rev. Nelson Wahlbrinck
- De janeiro a fevereiro de 1973 - Rev. Adair Schwambach
- De fevereiro de 1974 a março de 1977 - Rev. Egon A. Weimer
- De abril de 1977 a abril de 1983 - Rev. Nelson Wahlbrinck
- De novembro de 1983 a outubro de 1994 - Rev. Marino Black
- Dezembro de 1994 - Estudante de Teologia Jair Dragon
- Janeiro de 1995 a Fevereiro de 1998 - Rev. Carlos Dege.
- Março de 1998 a Fevereiro de 2001 - Rev. Celson Hertmann
- A contar de Março de 2001. - Rev. Marcos Rogério Radecke
(Entrevista realizada com o Pastor Rev. Carlos Dege e Sr. Rudi Taffe, em 16/07/1996,
atualizada com a colaboração do Pastor Rev. Marcos Rogério Radecke, em 2004.)

Casa Pastoral e Sede da Paróquia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil


Vila Pratos – NOVO MACHADO – RS – 2004.
6.3. Convenção das Igrejas Batistas Independentes - (CIBI) -
Igreja
Batista Zoar

A Igreja Batista Zoar, é filiada a Convenção das Igrejas Batistas Independentes.


De procedência Sueca, esta denominação Batista iniciou seu trabalho no Brasil em
1912, instalando-se na região das Missões, no Rio Grande do Sul.
Inicialmente, o trabalho foi desenvolvido entre colonos suecos, mas logo se
estende a colonos alemães e russos, que viviam na mesma região.
No ano de 1915, foi organizada a primeira igreja na cidade de Ijuí. A partir dali,
o trabalho desta denominação religiosa (na época, Sociedade Missionária Sul-Rio-
grandense), desenvolveu-se por toda a região, chegando à então Linha Machado, atual
Município de Novo Machado. Fundaram inicialmente, uma pequena congregação, em
junho de 1931, filiada a Igreja Batista Betel de Linha Dr. Pederneiras, naquela época,
pertencente ao Município de Santa Rosa, hoje Município de Cândido Godói.
Em 27 de dezembro de 1931, organizou-se então, oficialmente, a Igreja Batista
Zoar, tornando-se autônoma em sua administração, porém integrando, com as demais
igrejas Batistas, a Sociedade Missionária Sul-Rio-grandense, ligada
administrativamente a Igreja mãe - Missão de “Crebro da Suécia”.
Templo da Igreja Batista Zoar
NOVO MACHADO - RS

Em 1952, o trabalho tornou-se independente da Missão sueca, com a


organização da Convenção das Igrejas Evangélicas Batistas Independentes do Brasil,
nome mudado em 1966, para CIBI (Convenção das Igrejas Batistas Independentes).
A CIBI, tem sua sede em Campinas, São Paulo, e realiza seu trabalho da
seguinte forma:
- A diretoria é responsável pela administração da convenção, bem como, pela
manutenção de um elo de ligação entre as diferentes igrejas desta denominação. E, para
garantir esta unidade, a CIBI realiza, a cada dois anos, uma convenção nacional,
reunindo todas as congregações filiadas, quando é eleita a diretoria.
- A Junta Educacional, é responsável pela Unidade Doutrinária, bem como pelos
Seminários que são mantidos para formação de seus obreiros.
- O Departamento da Mocidade, organiza congressos, acampamentos e cursos de
liderança para unir e expandir o trabalho entre os jovens.
- A FEPAS (Federação de Entidades e Projetos de Assistência Social), é
responável pelos projetos de obras sociais, que são desenvolvidos com recursos, em sua
maioria, oriúndos da Suécia. Neste Município, está em disenvolvimento, o Projeto de
Gado Leiteiro, na localidade de Lajeado Marrocas.
- À Secretaria de Missões, cabe a coordenação dos projetos de missões,
especialmente no exterior e nas regiões do Brasil, onde não há uma convenção regional.
Dentro da organização administrativa, atualmente a CIBI está dividida em onze
(11) convenções regionais, sendo uma destas a CIBILA (Convenção das Igrejas Batistas
Independentes de Língua Alemã) a qual pertence a congregação local (Igreja Batista
Zoar). O trabalho que as convenções regionais realizam é semelhante ao da CIBI,
porém, a nível regional.
A CIBI caracteriza-se pela fé no Deus Triuno (Pai, Filho e Espírito Santo), tendo
Jesus Cristo, como único e suficiente salvador. A Bíblia, é a Palavra de Deus e a
Salvação é pela graça Divina, sem mérito do ser humano, que se tornou pecador pela
desobediência, mutilando a imagem de Deus, sob a qual foi criado. A Igreja, composta
por pessoas convertidas e batizadas, quando elas próprias assim o decidirem, tem a
tarefa de proclamar as boas novas da Salvação, anunciando a prática da justiça entre os
homens, traduzindo a sua fé, em obras.
A CIBI, é uma Convenção carismática e portando, crê que o verdadeiro
convertido, recebe a unção do Espírito Santo, que o santifica e capacita com dons, para
exercer serviços entre os seres humanos.
Crê, que o Batismo do Espírito Santo, é uma experiência definida, distinta da
obra de regeneração.
O que a distingue de outras denominações carismáticas, é que crê na prática da
manifestação de Deus, pessoalmente para com alguém, orientando-o. Embora não
considere absolutamente necessária, a existência da manifestação de profecias, não
descarta esta possibilidade.
A Congregação local organiza o seu trabalho através de diversos departamentos:
- Escola Dominical - organizada em cinco classes diferentes de acordo com a
idade dos seus participantes, que funcionam simultaneamente aos domingos de manhã,
antes do culto. Cada classe é atendida por dois professores, os quais são preparados por
cursos intensivos.
- União Feminina - organizada em três grupos distintos: ação social,
sociabilidade e missões. Cada Senhora participante, pode escolher livremente, de que
forma quer dedicar-se ao trabalho da Igreja, optando por um destes grupos. As reuniões
são mensais e, num primeiro momento, todas juntas, reúnem-se para Estudo Bíblico.

Festa do 40º Aniversário do Departamento Feminino


Igreja Batista Zoar – NOVO MACHADO – RS - 21.03.2004.
- Departamento da Mocidade - coordenado por um grupo de cinco líderes, que
organizam o trabalho de acordo com as necessidades e interesses dos jovens.
Além dos cultos e reuniões, há o trabalho de acompanhamento pastoral aos
membros, sendo o mesmo realizado através de visitas anuais. Os enfermos e pessoas
com problemas, recebem uma atenção especial.
Esta Igreja mantêm-se, através de contribuições voluntárias dos seus membros,
havendo uma taxa mínima referencial. Quanto a remuneração dos pastores, a
Convenção sugere um salário referencial, porém a Congregação é que determina e
decide este assunto com o seu pastor.
Esta comunidade deu origem à Igreja Batista Independente de Vila Pratos, que se
tornou autônoma a partir de 1996.
Em 1996, a Igreja Batista Zoar de Novo Machado, contava com
aproximadamente 300 membros. Contava ainda, com uma Congregação (filial) em
Tuparendi, com aproximadamente 60 membros, a qual foi organizada como Igreja,
tornando-se autônoma, a partir de 1997.
Atualmente, em 2005, esta Igreja conta com 267 membros.
Nos seus 74 anos de história, esta Igreja, foi pastoreada pelos seguintes pastores:
1931 a 1961 - Ernesto Gerstberger
1961 a 1966 - José Lima
1966 a 1971 - Gerhard Rosenbaum (Alemanha)
1971 a 1973 - Ernesto Gerstberger
1973 a 1979 - Doriano Schulz
1979 a 1981 - Gregor Allerth (interino)
1981 a 1985 - Doriano Schulz
1985 a 1987 - Ari Fipke
1987 a 1993 - Vilson Wutzke
1993 a 1998 - Armindo Edegar Hein.
1998 até a presente data – Vilson Weiss
(Entrevista realizada com o Pastor Armindo Edegar Hein em 28/08/96,
Dados atualizados com o Pastor Vilson Weiss, em 2005).

6.4. Movimento Pentecostal Clássico - Igreja Evangélica de Cristo

Historicamente, esta denominação religiosa, está ligada a origem dos


Movimentos Pentecostais.
Consta que em 1906 em Los Ângeles, na Califórnia (Estados Unidos), numa
Igreja Batista, houve um fato, caracterizado como “derramamento do Espírito Santo,
sob a manifestação de novas línguas.”
Este movimento alastrou-se, atingindo várias igrejas e, em 1911, através de dois
Missionários Suecos que, convertidos nos Estados Unidos, sentiram-se impulsionados
para vir ao Brasil, iniciaram este trabalho no Estado do Pará.
Nos primórdios da década de 1930, crentes Batistas, sem saber deste movimento
desencadeado no Pará, começaram a interessar-se, ler, estudar a Bíblia e orar, em casas
de famílias, ocorrendo também aqui, na então Linha Machado, hoje Novo Machado,
bem como na localidade de Pederneiras, hoje pertencente ao município de Cândido
Godói, bem como na região de São Martinho, um derramamento do Espírito Santo,
desencadeando nestas localidades, um movimento Pentecostal.
Em 1926, a filial da Igreja Batista Pioneira de Candeia, na Linha Machado,
emancipou-se. Nesta comunidade mais tarde, aconteceu o avivamento pentecostal.
Somente em 08 de agosto de 1932, foi fundada oficialmente a Igreja Evangélica
de Cristo, na Linha Machado, oficialmente registrada em 1934.
Templo da Igreja Evangélica de Cristo - NOVO MACHADO - RS

Durante muitos anos, a comunidade religiosa de Machado, foi servida por


pastores procedentes do Canadá.
A missão alemã, teve início no Brasil em 1965, na Comunidade de Pederneiras,
com a chegada do primeiro Missionário Alemão Horst Krüger, que trabalhou 20 anos no
Brasil, sendo atualmente coordenador da Missão na Alemanha.
Segundo informações, em 1977, chegou a esta comunidade, o primeiro pastor de
nacionalidade alemã, Rev. Reinoldo Merz.
A Igreja local é independente desde sua fundação, havendo intercâmbio, não
obrigatório, com outras igrejas da mesma fé e doutrina semelhante, não só no Brasil,
mas também com outros países como: Argentina, Paraguai, Alemanha e Canadá.
Para formação de seus pastores, a Igreja não possui um Seminário próprio, mas
oferece cursos intensivos, básicos, que visam preparar seus obreiros. Neste sentido,
houve recentemente, uma experiência em Santa Rosa, com um curso noturno, que deu
bons resultados. Além disto, os pastores se formam em Seminários de outras
denominações pentecostais.
Como as demais denominações Pentecostais e Batistas, a Igreja Evangélica de
Cristo, pratica o Batismo das Águas - Batismo da Fé, concedido à pessoas adultas e
jovens, que, por decisão própria, decidem aceitar a fé em Jesus Cristo, isto é, quando a
pessoa tem capacidade para crer e entender o Evangelho. Uma vez evangelizada, a
pessoa é chamada ao arrependimento, à conversão e deve testemunhar sobre sua fé, sua
vida e sua decisão, perante a congregação. Desta forma, o Batismo é também o ato de
recebimento da pessoa como membro da Igreja (Comunidade), exceto quando se trata
de casos de transferência de outra comunidade co-irmã.
O que caracteriza e distingue a Igreja Evangélica de Cristo das demais
denominações Batistas, é a sua visão e prática Carismática, ou seja, o Batismo do
Espírito Santo.
Como todas as Igrejas Pentecostais, crê que o derramamento do Espírito Santo
continua até hoje, no mundo todo.
É necessário destacar que, a prática Carismática desta denominação religiosa,
conhecida também como “Pentecostal Clássico”, distingue-se dos movimentos Neo-
Pentecostais dos últimos anos, pelo compromisso de seguir em tudo, as normas e
doutrinas, assumidas publicamente pela pessoa que, uma vez evangelizada, decidiu
arrepender-se e tornar-se membro efetivo da Igreja.
A Igreja Evangélica de Cristo foi a primeira Igreja Pentecostal da região e
efetivou-se com imigrantes alemães ou, cuja língua materna, era alemã. Muito cedo, a
obra se estendeu até Paraná e Argentina. A partir de 1950, a comunidade de Machado
trabalha em união com todas as Igrejas de Cristo com conferências conjuntas anuais.
Atualmente possui membros de diferentes nacionalidades e mantém, além da
Igreja Matriz na sede do Município, três pontos de pregação, nas localidades de:
Lajeado Comprido, Esquina Barra Funda e Barra do Terrêncio.
Há pouco tempo, a Igreja Evangélica de Cristo, deu origem à Igreja Brasileira de
Cristo, que originada no trabalho do Departamento Português, tornou-se independente.
Esta nova Igreja, está estabelecida na Esquina Carvalho, neste município.
Os cultos regulares ainda hoje, na Igreja Matriz, são realizados em língua alemã.
Somente em situações especiais, as cerimônias religiosas são realizadas em português.
Todos os trabalhos da União Juvenil são realizados em português.
Diversos Departamentos constituem o trabalho da Comunidade, ou seja:
Departamento Feminino, Escola Dominical e União Juvenil. A Congregação ainda
mantém em atividade, o Coral de 4 vozes, o Conjunto de Sopro e o Conjunto de
Violões.
Em sua organização administrativa, destaca-se que a Igreja Evangélica de Cristo,
que hoje é a “Igreja Matriz”, com seus pontos de pregação, é autônoma e independente,
como as demais Igrejas Matrizes desta confissão. Rege-se através de Estatuto próprio, e
possui registro como sociedade. A Assembléia Geral, é soberana em suas decisões,
sendo órgão supremo, que congrega todos os membros. Constitui-se por uma diretoria,
como qualquer outra entidade social. Esta mesma Assembléia, tem o poder de chamar
(convidar) o seu pastor.
No dia 22 de maio de 2003, esta Igreja fundou a Escola Teológica Ebenézer, em Novo
Machado – RS, a qual está aberta às denominações evangélicas que o desejarem. Esta
escola realiza suas aulas às quintas-feiras à noite.

Momento de Abertura das Aulas da Escola Teológica Ebenézer


Igreja de Cristo – NOVO MACHADO – RS, 22.05.2003.
Visando realizar um trabalho missionário, a Igreja estendeu o seu campo de
atuação até ao município vizinho deTrês de Maio, fundando ali uma Congregação, no
dia 28 de junho de 2003, a qual, com a Graça de Deus, tem prosperado.
Com o propósito de desenvolver atividades que envolvam e atraiam as crianças,
os adolescentes e os jovens, a Igreja implantou, a partir de junho de 2003, o trabalho de
Escoteiros “Exploradores do Rei”, com o intuito de educá-los nos valores e princípios
Cristãos, com criatividade, determinação e coragem, para auxiliar na Obra de Deus.
Nos seus 72 anos de existência, a Igreja Evangélica de Cristo, deste município,
foi atendida por diferentes pastores:
- Missionário Adolfo Kaktin (origem Leta) no ano de 1932, por vários anos.
- 1º Pastor Rudolfo Fischer (Alemão-Russo) de 1946 até 1955 (foi, ao mesmo
tempo, Pastor em Pederneiras).
- 2º Missionário Samuel Blenick (Argentino) de 1957 até 1964.
- 3º Pastor Evaldo Guse (Canadense) de 1965 até 1971.
- 4º Pastor Kurt Redman (Canadense) de 1972 até 1973.
- 5º Alexandre Eresmann (Canadense) de 1974 a 1975.
- 6º Pastor Aldino Krüger (Brasileiro) de 1975 a 1976.
- 7º Pastor Reinoldo Merz (Alemão) de 1977 a 1979.
- 8º Pastor Martin Kleffeld (Alemão) de 1980 a 1984.
- 9º Pastor Egard Tetzlaff (Alemão) de 1985 a 1989.
Por algum tempo, a comunidade não teve pastor local, mas o Pastor Kurt
Redmann atendia a comunidade, um domingo ao mês, bem como o Pastor Bernardo
Neusser que também atendeu esta comunidade, um vez por mês, enquanto residia em
Tuparendi.
- 10º Pastor Bernardo Neusser, a contar 15 de maio de 1994 até 2000.
Esta Igreja, contava em 1996, com cerca de 130 membros, sendo que seus
cultos, principalmente nos pontos de pregação, são assistidos por muitos visitantes.
A partir de fevereiro de 2001, até novembro de 2001, a Igreja esteve sem pastor.
Neste período as atividades da igreja foram realizadas pelos obreiros da Igreja local e,
esporadicamente, por Pastores convidados.
- 11º Pastor Almiro Roberto Lucht, vindo de Timbó, do estado de Santa Catarina.
Este permanece até a presente data.
Ainda, em 23 de março de 2003, foi recebido pela Igreja, o Presbítero Mateus de
Quadros, procedente de Biguaçú, Santa Catarina, para auxiliar no trabalho com os
jovens e atuar com o Maestro da Banda, o qual perm,aneceu neste trabalho até final de
2004.
Atualmente, em 2005, a Igreja possui um total de 157 membros.
(Entrevista realizada ao Pastor Bernardo Neusser,
em 22/08/96
Dados atualizados com o Pastor Almiro Roberto Lucht – 2005.)

6.5. Igreja Católica Apostólica

A Igreja Católica Apostólica Romana veio ao Brasil, com os Padres Jesuítas, em


1500 juntamente com os portugueses, e ao Rio Grande do Sul, tão logo iniciou o seu
povoamento.
A religião católica, chegou a este município, no início da década de 1920,
através dos imigrantes e migrantes italianos, que estabeleceram-se na localidade de
Lajeado Limoeiro. A primeira comunidade foi fundada em 1924, com o nome de Nossa
Senhora da Saúde.
Antes de serem fundadas as Comunidades Religiosas, para manter viva a sua fé,
os colonizadores, reuniam-se em baixo das árvores, nos galpões, casas de famílias ou
nas escolas, para rezarem o terço e outras devoções.
Com a chegada de mais colonizadores e com o aumento da população,
pertencente a esta denominação, outras comunidades religiosas foram surgindo,
conforme consta no quadro a seguir:
Inicialmente, as comunidades religiosas deste município, pertenciam à Paróquia
de Três de Maio e à Diocese de Uruguaiana.
Em 15 de abril de 1936, cria-se a Paróquia São Roque de Tucunduva, pelo Bispo
D. Hermeto José Pinheiro, da Diocese de Uruguaiana. A instalação oficial desta
Paróquia, aconteceu em 24 de maio de 1936, com a nomeação do Padre Pedro Stoelben,
como Pároco. Até hoje, as comunidades católicas de Novo Machado, fazem parte da
Paróquia São Roque de Tucunduva.

Localidade Ano Comunidade Religiosa Nº de Nº de


de -Padroeiro famílias Dizimistas
Fundação em em (2005)
(1996)
1. Lajeado Limoeiro 1924 Nossa Senhora da Saúde 69 226
2. Vila Pratos 1938 São Sebastião 72 293
3. Três Pedras 1944 São José 38 57
4. Nova Esperança 1946 Santo Isidoro 39 94
5. Esquina Água Fria 1946 Nossa Senhora do Carmo 24 63
6. Boa União 1948 São Roque 35 96
7. Lajeado Saltinho 1951 Nossa Senhora dos Navegantes 34 19
8. Esquina Barra Funda 1953 Nossa Senhora do Rosário 30 137
9. Lajeado Marrocas 1978 Nossa Senhora Aparecida 15 38
10. Novo Machado 1988 Bom Pastor 15 149
T o t a l 371 1172

1ª Casa Canônica e Igreja Matriz de Tucunduva


A imagem do Padroeiro São Roque, veio a Tucunduva com os primeiros
colonizadores (Família Cembranel), procedentes da localidade São Roque, de Bento
Gonçalves.
A primeira festa do Padroeiro, foi realizada em 16 de agosto de 1930 e, desde
aquele ano, realiza-se anualmente. A Festa de São Roque, é uma das mais tradicionais
da Diocese. É festejada anualmente, com grande devoção, afeto e participação de um
grande número de fiéis.
A Paróquia São Roque pertence a Diocese de Santo Ângelo fundada em (1962),
pelo Papa João XXII, sendo nomeado D. Aloísio Lorscheiter, seu primeiro Bispo. Com
a transferência de D. Aloísio, em 1972, foi nomeado nosso Bispo, D. Estanislau
Amadeu Kreutz.
A partir do ano de 2003, D. Estanislau, completou 76 anos de idade e obteve o
direito de renunciar ao cargo de bispo titular, tornando-se Bispo Emérito. Em seu lugar,
assumiu D. José Clemente Weber, nosso Bispo atual.
A Igreja Católica tem na figura do Papa o ponto de coesão de todas as Igrejas
particulares, chamadas Dioceses.
Dentro de cada país existem as Conferências Episcopais. Aqui no Brasil, é a
CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que traça as principais Diretrizes,
que são repassadas, estudadas e adaptadas às Dioceses e estas, por sua vez, às
Paróquias. A Diocese de Santo Ângelo, era composta por 38 Paróquias (sendo uma
delas a de São Roque - Tucunduva) elaborou, à luz das orientações da Igreja Universal e
da CNBB o seu 13º Plano Diocesano de Pastoral, em 1995. Em 2005, esta mesma
Diocese conta com 39 Paróquias e já elaborou o seu 14º Plano Diocesano de Pastoral,
em 2004. Estes Planos são para quatro anos. Cada Paróquia adapta o Plano Diocesano, a
sua realidade.
Um dos acontecimentos, mais marcantes da Igreja Católica neste século, foi a
realização do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Este Concílio iniciou
durante o Papado de João XXIII e foi concluído com o Papa Paulo VI.
Com o falecimento do Papa João Paulo II em 02 de abril de 2005, assumiu o
Papa Bento XVI.
Procuramos estabelecer aqui, um paralelo entre a Igreja Católica antes e depois
do Concílio Vaticano II.

Antes Depois
- Missa - rezada em Latim; - missa na língua do povo (no nosso caso:
- Padre de costas para o povo; Português);
- o povo rezava o terço durante a - Padre voltado para o povo;
missa; - Povo participa da liturgia e dos cantos;

- Na Igreja - O Santo Padroeiro ocupava - A cruz de “Nosso Senhor Jesus Cristo” passa a
o centro do altar. ser o centro.
- Altares altos. - Altares rebaixados.
- As Igrejas possuíam torres - Igrejas sem torre.
altas.
- Igreja com poder totalmente - Igreja participativa: Abriu-se para os
centralizado na mão do clero ministérios. Há maior participação de leigos.
(Papa, Bispos e Padres). - A Catequese, baseada em textos bíblicos,
- A Catequese, era exclusiva- envolvendo a participação dos catequizandos,
mente na base de perguntas e com atividades práticas.
respostas (memorização). - A Bíblia foi colocada na mão do povo. Todo o
- A Bíblia estava exclusivamente cristão tem acesso.
na mão dos religiosos. Só eles - Houve muitos cursos para orientar os leigos na
podiam lê-la. interpretação da Bíblia.

- Não havia preparação - Há cursos específicos para: Batizados (pais e


para os Sacramentos do padrinhos); Noivos; Ministros da Palavra e da
(Batismo, Matrimônio e Crisma). Eucaristia, Catequistas, Equipe de Liturgia...

- A Confissão era somente - A Confissão passa a ser admitida de duas


individual e obrigatória. maneiras: comunitária e individual.

- Grande parte do povo centralizava a - Centralizou a figura de Jesus Cristo.


sua fé nos santos e na figura do - Abriu a Igreja para a realidade social
Papa, como infalível representante - olhar para os pobres. O Papa, os Bispos e os
de Deus na terra. Padres passam a fazer parte do povo.

Para adaptar à realidade da América Latina, as determinações emanadas do


Concílio Vaticano II, realizaram-se diversas Conferências Latino-americanas dos Bispos
em: Medelim - na Colômbia (1968), Puebla - no México (1979) e San Domingo em San
Domingo (1992).
A Igreja Católica, atualmente, centraliza a sua doutrina, sua fé, na Figura de
Jesus Cristo, que continua no meio do povo através do seu Espírito. Caracteriza-se pelo
seguimento a Jesus Cristo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é o Revelador do
Pai. Veio, para clarear o Projeto de Deus Pai, a respeito dos homens.
Faz parte da devoção popular, a devoção à Maria e a intercessão dos Santos. Os
cristãos são chamados a participar dos serviços, tendo-se como objetivo a formação de
comunidades fraternas e participativas, baseadas no Tripé - Cultivo da Fé, Culto e
Caridade-Fraternidade.
Desde 1964, a Igreja Católica, no Brasil, desenvolve a Campanha da
Fraternidade, baseada em temas sociais, durante o período da Quaresma. Dos recursos
arrecadados através desta Campanha, 50% ficam na Paróquia e são destinados às
Comunidades mais carentes e, os outros 50%, são enviados à Diocese e CNBB,
destinados à realização de Obras Sociais e pagamento de material de divulgação da
Campanha da Fraternidade.
Com esta Campanha, a Igreja Católica pretende que os cristãos façam sua
caminhada de conversão, de penitência e oração, sob a luz do tema proposto
anualmente.
Há uma grande preocupação da Igreja atual, com a formação de lideranças, nas
diferentes áreas: espiritual, social e política.
A fé, revelada através de obras, pode ser resumida pela expressão: “Fé -
compromisso social”. O cristão deve ligar a sua fé com a vida do dia-a-dia.
Uma das suas grandes ações, refere-se aos serviços e ao Trabalho da Pastoral.
A Paróquia São Roque de Tucunduva, da qual as Comunidades localizadas em
Novo Machado fazem parte, conta com os seguintes setores:
- Conselho Administrativa - matriz e capelas.
- Catequese - constituída por 4 etapas: (Pré-eucaristia, Eucaristia, Pré-crisma e
Crisma).
- Ministros da Palavra e da Eucaristia.
- Pastoral da Saúde.
- Pastoral da Juventude.
- Pastoral Vocacional.
- Pastoral da Criança.
- Pastoral da Terra.
- Pastoral Familiar.
- Pastoral Litúrgica (Setor de Liturgia)
- Coroinhas.
- Grupos de Famílias (orações). Reúnem-se nos períodos fortes do ano:
Quaresma, Advento e Festa do Padroeiro.
- Movimentos da Igreja:
. Cursilho
. Apostolado da oração
. Movimento de Schoenstatt
. Mutirão contra a miséria e a fome
Um representante de cada um destes setores, compõe o “Conselho Pastoral”, o
qual, reúne-se periodicamente com o objetivo de analisar, discutir e tomar decisões
sobre os diversos setores e o caminho da Pastoral na Paróquia.
Estes setores, estão presentes total ou parcialmente, em cada uma das 26
comunidades (16 em Tucunduva e 10 em Novo Machado).
Consultando os Livros-Tombo da Paróquia São Roque de Tucunduva, além dos
fatos já mencionados, há outros que merecem destaque:
- Dezembro de 1935 ...... - inauguração da 1ª Casa Canônica (Paroquial).
- 15/12/1935 .................. - Bênção solene do Sino de Bronze de 220 Kg.
- 21/03/1956 ..................- Bênção da Pedra Fundamental do Colégio N. Srª de Fátima. (Irmãs da
Imaculada Conceição, pelo Bispo D. Luís Felipe de Nadal, de
Uruguaiana).
- 05 a 10/09/1958........... - Visita da Imagem de N. Sra. Conquistadora, da Diocese de Uruguaiana, a
todas as capelas e sede da Paróquia de Tucunduva.
- 22/05/1961 ..................- Bula “Apostulorum Exemplo”: foi criada a Diocese de Santo Ângelo,
pelo Papa João XXIII.
- 23/10/1961................... - Aprovação da planta do Salão Paroquial: 17,50m x 42,50m.
- 11/02/1962 .................. - Leilão e bênção da Pedra Fundamental do Salão Paroquial.
- 1972 ............................ - Desativação definitiva da Escola Normal N. Sra. de Fátima (Irmãs da
Imaculada Conceição).
- 26/10/1974 .................. - Inauguração da 2ª e atual Casa Paroquial.
- 1975 ............................ - Construção da Sala de Catequese.
- 1976 ............................ - Construção da Casa das Irmãs – hoje, em 2005, Centro de Catequese.
- 27/02/1977 .................. - Posse das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado - Trabalho de Pastoral.
- 1977 ............................ - Introdução da Catequese da Pré-Eucaristia e Perseverança.
- 04/08 a 04/09/1977 ..... - Missões com os Padres Redentoristas.
- 13/03/1978 .................. - As Irmãs Maria Molenda Kuche e Zélia Maria
Walmorbida da Costa, passam a residir em Vila Pratos.
- Início do trabalho de Pastoral.
- Presença permanente do Santíssimo na Capela de Vila
Pratos.
- 10 e 11/06/1978 .......... - Instituição dos primeiros Ministros da Palavra e da
Eucaristia, nesta Paróquia.
- 10/04/1979 .................. - Falecimento do 1º Pároco: Pe. Pedro Stoelben.
- 04 e 05/07/1980 .......... - Visita do Papa João Paulo II a Porto Alegre.
- 03/1981 ....................... - Reúne-se, pela primeira vez, o Conselho Comunitário de
Pastoral em Tucunduva.
- 27/12/1987 .................. - Despedida das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado,
de Tucunduva.
- 20/04/1992 .................. - Falecimento do Vigário Paroquial Pe. Sérgio Lago
Ourique.
- 1999 ............................ - Conclusão do novo Salão Paroquial
- 10/11/2001 ................. - Celebrada na Igreja Matriz a 1ª Missa do Dízimo
- 16.08.2003 ................ - Inauguração da Gruta Nossa Senhora de Fátima, em frente à casa
Paroquial (Doação de Olívia Camera).
- 08.09.2004 .................. - Inauguração da Capela Mortuária ao lado do Cemitério Municipal,
denominada: Capela
da Natividade.

A prática do Dízimo não é nenhuma novidade na Tradição da Igreja Católica.


Tanto assim que um dos cinco (5) mandamentos da igreja diz assim: “Pagar o dízimo
segundo o costume”.
Mas ao longo da história, foram sendo usados outros meios para arrecadar
fundos tais como: festas, doações, almoços, jantares e sobretudo taxas. A partir do
Concílio Vaticano II (1962 – 1965), foi retomada a questão do Dízimo. Aos poucos a
idéia foi tomando corpo em muitos lugares. No Brasil a Igreja foi fazendo experiências
em diversos lugares. Aos poucos a CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil)
anunciou o Dízimo como a forma mais adequada para manter o trabalho da
Evangelização e a estrutura da Igreja no Brasil afora. Formaram-se equipes de
missionários do Dízimo em diversos lugares. Estes missionários foram semeando a
idéia em todas as regiões do Brasil a partir de Convites de Dioceses e paróquias.
A nossa paróquia aderiu ao Dízimo em 2001 após dois anos de Evangelização e
conscientização das comunidades.
A primeira missa com dízimo foi celebrada na Igreja Matriz no dia 10 de
novembro de 2001, com surpreendente participação de fiéis. Não tomamos a palavra
Dizimo ao pé da letra, mas seguimos a orientação do Apostolo Paulo: “cada um dê
conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento”-
(2 Cor. 9,6-13).

Atual Sede da Paróquia São Roque de TUCUNDUVA – RS


A qual pertencem as comunidades católicas de NOVO MACHADO - RS
“O primeiro Padre que vinha até nossa Comunidade celebrar missas, era o
Padre Vicente Testani de Três de Maio. Vinha a cavalo ou de jipe, uma ou duas vezes
por ano”. (223)
Desde o início da colonização os católicos recebiam o seu atendimento através
dos abnegados trabalhos e dedicação de Padres da região, que uma ou duas vezes por
ano, vinham à cavalo, administrar os sacramentos, rezar missas e atender o povo,
fortalecendo-lhes a fé.
Portanto neste período, podemos registrar o trabalho dos seguintes Padres:
“- Pe. Vicente Testani (Três de Maio).
- Pe. Hermenegildo Gambetti (Santa Rosa).
- Pe. Joaquim Bin (Santa Rosa).
- Pe. Boleslau, (Guarani das Missões).” (224)
Desde a sua fundação, a Paróquia Católica São Roque, em seus 60 anos de
existência, contou com os trabalhos dos seguintes Padres:
* 24/05/1936 ........ - Pe. Pedro Stoelben. (1º Pároco)
- Aposentou-se em 16/08/1968.
- Faleceu em 10/04/1979.
* 14/01/1955 ........ - Pe. Estanislau Amadeu Kreutz (cooperador).
* 01 a 05/1957 ..... - Pe. Aloísio Jacó Maldaner (cooperador).
- Pe. Lauro Jacob Buettenbender (cooperador).
* 16/08/1968 ....... - Pe. João Konzen. (2º Pároco)
* 1º/01/1969 ........ - Pe. Egon Michels. (3º Pároco)
* 15/02/1970 ....... - Pe. Leoclides Basso. (4º Pároco)
* 16/08/1971 ....... - Pe. Leonardo Zacharias Wastowski. (5º Pároco)
* 06/01/1974 ....... - Pe. Alcido Kaiser. (6º Pároco)
* 08/01/1978 ....... - Pe. Roque Thume. (7º Pároco)
* 02/02/1980 ....... - Pe. Mário Hoss. (8º Pároco)
______________________________________________________________________
(223) In História de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1 995.
(224) CLAUSS, Romualdo Justmann. Evolução Histórica - Geográfica de Tucunduva, pág. 80 - 1982 -
CORAG - Porto Alegre - RS.
* 06/03/1982 ....... - Pe. Aloísio Weber. (Cooperador)
* 02/1983 ............ - Pe. Carlos Afonso Schmidt. (9º Pároco)
* 1º/08/1984 ........ - Pe. Severino Bordignon (cooperador em substituição a Licença
Prêmio do Pe. Carlos Afonso Schmidt).
* 10 a 12/1985 ..... - Pe. Ângelo Arnhold (cooperador)
* 02/02/1986 ........ - Pe. Evaldo Konzen. (10º Pároco)
- Pe. Guido Walter (cooperador).
* 15/01/1989 ........ - Pe. Sérgio Lago Ourique (cooperador). até seu falecimento em
20/04/1992.
* 05/02/1994 ........ - Pe. Afonso Seger (vigário paroquial).
* 29/01/1995 ........ - Pe. João Nelson Loro. (11º Pároco)
* 24/02/1996 ........ - Pe. Ramão Hilgert (vigário Paroquial).
* 06.02.1999 ........ - Pe. Alcido Kaiser (12º Pároco)
- Pe. Ramão Hilgert (Vigário Paroquial)
* 01.02.2003 ........ - Diácono Osório Lacerda (Cooperador)
* 01.02.2004 ........ - Pe Tarcísio Dewes (Vigário Paroquial)
(Entrevista com Revdº Pe. João Nelson Loro em 30/08/96
Atualização com Revdº Pe. Alcido Kaiser
em 2005).
6.6 Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil - Igreja Batista
de Lajeado Terrêncio

Dentre as diferentes denominações religiosas, a Igreja Batista está presente neste


município sob diversas ramificações. Uma denominação histórica remota da Inglaterra,
do Séc. XVII,. hoje, com 124 anos de história (3ª mais antiga), somos 1 milhão de
membros em 5 mil igrejas e 4 mil congregações, com 6 mil pastores. Formamos a nível
nacional a CBB, com sede no Rio, que está dividida em 30 convenções Estaduais e/ou
Regionais, a qual faz parte a Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil, com sede em
Curitiba - PR. Temos 34 seminários com 9.000 alunos, 21 colégios com 100.000 alunos,
30 lares com 6.000 crianças.
Neste município, esta denominação religiosa iniciou suas atividades ainda no
princípio da década de 1930, organizando-se sua primeira comunidade religiosa em
1939, na localidade de Lajeado Terrêncio.
A pequena congregação organizou-se e, em 1947, construiu e inaugurou sua
primeira capela (templo) de madeira, o qual, ainda é conservado e permanece em uso
até os dias atuais.
Após vinte e sete anos de existência, a congregação que até então esteve ligada a
Igreja-Mãe com sede em Candeia - Santa Rosa, torna-se independente e é fundada
oficialmente, como Congregação Batista Pioneira de Lajeado Terrêncio. As festividades
de fundação “Gemeinde gründungsfeier”, realizou-se em 05 de novembro de 1967 e
esta tão importante data, contou com a presença da Igreja-Mãe de Candeia e as
comunidade vizinhas da Igreja Batista Zoar, Igreja Evangélica de Cristo e a comunidade
Batista de Aurora (Argentina).
Esta denominação Batista distingue-se das demais, no que se refere a Doutrina
do Espírito Santo, através da qual, crê no Espírito Santo como um todo, um Pentecoste
para todos e a Bíblia como única e suficiente revelação de Deus aos homens, ou seja, a
Bíblia é a Palavra de Deus já revelada.
Caracteriza-se pela ênfase dada aos ensinamentos bíblicos e pela prática de obras
sociais, especialmente no que se refere à organização e manutenção de asilos e
orfanatos. Considera o ser humano como “Templo do Espírito Santo” e assim sendo,
orienta seus fiéis a não fumar e evitar o consumo de álcool, pois “se destruímos o nosso
corpo estamos prejudicando o Espírito Santo”.
Igreja Batista Pioneira - Lajeado Terrêncio – NOVO MACHADO - RS

Desde a sua fundação, esta comunidade foi atendida pelos seguintes


pastores:
- De 1939 a 1949 - Rev. Otto Grelbert
- De 1949 a 1951 - Rev. Fillip Scherer
- De 1951 a 1959 - Rev. Helmuth Fürstenau
- De 1959 a 1961 - Rev. Hans Pfeifer
- De 1961 a 1963 - Rev. Roberto Busch
- De 1963 a 1966 - Rev. Georg Ziegler
- De 1966 a 1968 - Rev. Roberto Schmidt
- De 1968 a 1976 - Rev. Roberto Busch
- De 1976 a 1978 - Pr. Erich Tausendfreund e Alfredo Reinke (Atendiam
como visitantes)
- De 1978 a 1984 - Pr. Valter Ehrhardt
- De 1984 a 1986 - Pr. Osvino Kistenmacher
- De 1986 a 1992 - Pr. Valter Ehrhardt
- De 1992 e 1993 - Não tinha Pastor
- De 1994 a 1998 - Pr. Elemar Schulz
- De 1999 a julho de 2005 - Pr. Osvino Kistenmacher
Em 1996, o pastor Elemar Schulz atendia a comunidade de Lajeado Terrêncio e
de Lajeado Gabiroba, em Dr. Maurício Cardoso. Possuía também dois pontos de
pregação: Lajeado Saltinho e Tucunduva. Até 2005, o Pastor Osvino Kistenmacher deu
continuidade a este trabalho.
A Igreja Batista Pioneira, além de preservar a sua identidade religiosa,
preocupou-se também com a preservação da língua alemã. Verificando a documentação
da Igreja, constatou-se a existência de um livro de Atas, de 1939 a 1969, todas redigidas
em língua alemã.
Na Ata de 14 de janeiro de 1967, menciona-se a disponibilidade da professora
Ida Schulz em traduzir as Atas para o português.
Segundo depoimento do Pastor Elemar Schulz, os cultos são em língua alemã,
apenas um culto por mês é em língua portuguesa.
Sabe-se que, no decorrer dos anos, as atividades da igreja passaram a adotar cada
vez mais, a língua nacional (português), uma vez que as pessoas mais jovens, a
preferem e por terem mais facilidade em comunicar-se com ela.
A Igreja Batista Pioneira de Lajeado Terrêncio, está ligada a Convenção Batista
Pioneira do Sul do Brasil, formada pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul. Hoje já atingindo outros estado como por exemplo Mato Grosso,
Espírito Santo e Sergipe.
A igreja local está ligada a Convenção Nacional, porém é autônoma nas suas
decisões, pois ela escolhe, chama e sustenta o seu pastor. No que se refere ao
relacionamento administrativo, com relação às comunidades e ponto de pregação, não
se caracteriza como paróquia, as Congregações estão ligadas a sede, e os membros
fazem parte do rol de membros da sede.
Internamente, a congregação organiza-se, através de diversos departamentos, tais
como:
a) Escola Dominical - esta organiza-se em diferentes níveis e os próprios
membros, especialmente treinados, (professores leigos) ministram o ensino
religioso confessional.
b) Trabalho com crianças, jovens e adolescentes.
c) União de Jovens
d) Canto e Música - orquestra; banda de sopro; coral misto - 4 vozes.
e) União Feminina Missionária e, dentro deste, o departamento de obras
sociais, encarregado de contribuir com os asilos e orfanatos.

Além dos departamentos, a Congregação conta com o trabalho de uma diretoria,


encarregada da Administração Geral. Para desenvolver a parte espiritual, o Pastor conta
com o apoio dos Diáconos e Presbíteros, que realizam visitas às pessoas doentes,
distribuem a Ceia do Senhor, e realizam outras atividades, relacionadas com a área
espiritual.
Como nas demais denominações Batistas, o Batismo é realizado por imersão, às
pessoas adultas, quando estas assim o decidirem.
Em 1996, esta Congregação contava com aproximadamente 120 membros
(pessoas), mas consta que houve época, em que a mesma possuía cerca de 350 fiéis.
Uma vez por ano, acontece um Encontro Regional de Música das Igrejas
Batistas Pioneiras que fazem parte desta Regional: Novo Machado, Tucunduva,
Tuparendi, Santa Rosa, Senador Salgado Filho, Vila Oito de Agosto, Crissiumal e Santo
Ângelo.
Em 2005, a Congregação conta com 96 membros (pessoas), pertencentes à 49
famílias. Estes dados refletem claramente a situação populacional do município, quando
as famílias se constituem em menor número de membros e quando muitas famílias estão
indo em busca de novas perspectivas de vida, em outros lugares, o que caracterizamos
pelo Êxodo Rural.
(Entrevista com o Pastor Elemar Schulz em 09 de agosto de 1996
Atualização feita com o Pastor Osvino Kistenmacher em 2005).
Interior da Igreja Batista Pioneira
Lajeado Terrêncio – NOVO MACHADO – RS – 2004.

6.7. Igreja Evangélica Congregacional do Brasil - IECB


Originária da Inglaterra, a partir das idéias de Johann Wyclyf, estas chegaram a
vários países europeus. Posteriormente, alcançaram à América do Norte, chegando
também a Argentina, na América do Sul, a partir de 1924.
No Brasil, especificamente no município de Panambi, havia várias comunidades
evangélicas, independentes de quaisquer igrejas, reunidas em forma de Paróquia, sob a
presidência do Reverendo Pastor Spittler. Esta Paróquia, totalmente independente,
filiou-se a Igreja Congregacional da Argentina em 1938.
Em 1942, surgiram as Paróquias de Três Passos, Guarani, Sarandi, Linha 28 -
Ijuí, Paraíso do Sul e Linha Boêmia com a de Panambi, consideradas as comunidades
fundadoras da Igreja Congregacional do Brasil, ainda ligadas à Argentina.
Continuando-se os trabalhos no Brasil, decidiu a Igreja Matriz da América do
Norte, nomear um Superintendente para o Brasil em 1949, na pessoa do Rev. Pastor R.
Knerr.
A partir de 1970 porém, a direção desta Confissão religiosa, ficou totalmente sob
a administração de Pastores brasileiros, eleitos pela conferência, em Assembléia Geral,
passando a denominar-se Igreja Evangélica Congregacional do Brasil - IECB.
A IECB, organiza-se através de comunidades federadas, que compõem as
paróquias e é administrada por uma diretoria, eleita anualmente, na Assembléia Geral
Ordinária, por representantes das diversas comunidades. Esta diretoria, é formada por:
presidente e vice; secretário e vice; tesoureiro e vice e o Conselho Fiscal, composto por
duas ou três pessoas. Da mesma forma, cada Comunidade tem a sua diretoria, a qual se
submete à diretoria paroquial.
O que caracteriza a IECB é a fé num Deus triúno, tendo a Bíblia como infalível e
eterna Palavra de Deus, sendo esta, a base e autoridade máxima para o seu trabalho. O
Credo Apostólico, é a confissão de sua fé.
O sistema de membros, é organizado por famílias. No município de Novo
Machado, esta denominação Religiosa, conta atualmente com 82 famílias.
Atualmente as Comunidades da IECB de Novo Machado, integram ainda, a
Paróquia de Horizontina. Porém, com a obtenção de um terreno, ao lado da igreja em
Vila Pratos, em 2004, iniciou-se, em 2005, a construção de uma Casa Pastoral, com o
objetivo de criar, futuramente, uma nova Paróquia, com sede em Vila Pratos.
Novo Machado, conta atualmente com quatro comunidades: Lajeado Corredeira
fundada em 1954; Três Pedras (1958), Vila Pratos (1954) e Novo Machado - Sede do
Município (1992) e um ponto de pregação em Esquina Carvalho.

Templo da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil - Vila Pratos - NOVO MACHADO - RS


- O primeiro pastor da IECB que trabalhou neste município, foi Kurt Rode, que
em 1954, vinha de Três de Maio, à cavalo, uma vez por mês, para atender as
comunidades existentes na época.
Em 1996, as comunidades desta denominação religiosa, estavam sob os serviços
pastorais do Reverendo Adimar Pufal.
Atualmente, em 2005, esta paróquia está sendo conduzida pelo trabalho do
pastor Édson Datsch.
(Informações do Rev. Adimar Pufal -
Agosto de 1996
Atualizados com o Pastor Edson Datsch e
Sra Janete Spielmann em 2005)

6.8. Igreja Evangélica Assembléia de Deus

A Igreja Assembléia de Deus, teve seu início no Brasil, em Belém do Pará em


1910. Posteriormente expandiu-se para todo o Brasil.
Chegou em nosso estado, começando por Porto Alegre, em 1917. Esta
denominação religiosa, chegou em nosso município, mais precisamente em Vila Pratos,
no ano de 1950.
A comunidade de Vila Pratos comprou um terreno do Sr. Genesko onde
atualmente, construiu uma igreja de alvenaria.
Atualmente a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, possui cinco pontos de
pregação em nosso município, nos seguintes locais: Vila Pratos, Rincão dos Claros,
Lajeado Saltinho, Esquina Barra Funda e Boa União, congregando um total de 60
membros. Nem todos os locais de pregação possuem igreja, por isso os cultos são
realizados em escolas ou em casas de famílias.
Templo da Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Vila Pratos - NOVO MACHADO - RS

O atendimento religioso, atualmente, é dado pelo pastor Paulo Kaipper Paz, de


Horizontina.
Os princípios que norteiam a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, estão
baseados na Bíblia Sagrada. Seus ensinamentos abrangem corpo e espírito, através dos
quais manifestam a sua fé.
O Batismo é por imersão dada às pessoas adultas, as quais decidem a ser
membros da Igreja Assembléia de Deus.
Entre os pastores que trabalharam em nosso município, foram lembrados os
seguintes:
- Apólos Batista Paz, (vinha de Santa Rosa.)
- Natanael Batista Paz,
- Gentil Cavalheiro,
- Silvestre Neves Cavalheiro,
- Alcibino,
- José Kehl,
- Florentino Vianna,
- Algemiro dos Santos,
- Paulo Kaipper Paz (atual).
- João Francisco Elegeda
7. COMUNICAÇÕES EM NOVO MACHADO

O processo de comunicação ocorre com a troca de mensagens entre alguém que


a emite (emissor) e alguém que a recebe (receptor).
A transferência de mensagens, exige a existência de meios (canais), através dos
quais a mensagem possa ser transferida ao destinatário. Estes canais, podem ser naturais
(aparelho fonador), ou mecânicos (imprensa, radiodifusão, televisão...)
Para que a mensagem seja realmente comunicada ao destinatário, faz-se
necessário o uso de códigos comuns, como por exemplo : a língua.
“O desenvolvimento dos meios de comunicação é um dos fatores fundamentais
para o progresso da civilização. Como tantas outras conquistas do homem, as
comunicações são a causa e efeito do progresso social. Assim, a História da
Humanidade é, até certo ponto, a História dos Meios de Comunicação.” (225)
Este processo histórico estava muito presente também entre os imigrantes e
colonizadores que chegaram a nossa região.

7.1. Comunicação no Início da Colonização e sua Evolução


Fazendo uso do processo de comunicação mais comum, a linguagem oral, os
colonizadores, também desta região, passavam suas informações e buscavam outras,
valendo-se da sua língua materna.
Esta necessidade de comunicar-se com pessoas que dominavam os mesmos
códigos, ou seja, a língua, fazia com que os grupos étnicos se organizassem
naturalmente. Com o passar dos anos e o domínio de um novo código de comunicação:
a Língua Portuguesa, passa a existir o intercâmbio cultural, econômico, social... , mais
amplo e abrangente.

7.1.1. Correio:

Por outro lado, a comunicação escrita, cujo principal veículo é a carta, já chegou
a esta região, com os colonizadores, principalmente para satisfazer necessidades
afetivas. Os que vinham, deixavam laços de amizade e parentesco e, faziam o possível,
para manter viva esta aproximação, mesmo que fisicamente estivessem separados pelo
Oceano.
“Ainda no navio Monte Sarmiento - Monte Oliva, com o qual viemos ao Brasil
(1925), eu escrevi a primeira carta depois que saímos de Berlim. Esta carta era para a
minha prima e colega de aula que ficou na Alemanha”. (Depoimento da Sr. Gretel Busse).
Embora os Serviços Postais em sua origem, tenham se constituído em forma de
livre comunicação entre as pessoas de quaisquer partes do mundo, desde que houvesse
meios de transporte, estes estiveram sujeitos a severas restrições e fiscalizações no
período da 2ª Grande Guerra, quando, no Brasil, se desencadeou o movimento
Nacionalista.
Prova disto são as cartas, cujo envelope era aberto e novamente fechado, com o
Selo da Censura e só depois disto, encaminhadas aos destinatários, como se vê no
envelope a seguir.

_____________________________________________________________________________________
__________225) Enciclopédia BARSA - Vol. 5. Pág. 439.
No início da colonização desta região, o Serviço de Correio mais próximo,
localizava-se em Santa Rosa. Para enviar ou receber correspondências, as pessoas
tinham que comunicar-se com o “Correio”. Para vencer as distâncias, valiam-se do
auxílio do cavalo, das carroças que eventualmente dirigiam-se para esta localidade, ou
desta, para locais onde havia estes serviços.
Posteriormente, passaram a utilizar-se dos “carroceiros” e dos “viajantes” que, a
partir das casas comerciais, encarregavam-se de levar as correspondências das
localidades e também, trazer as que se destinavam aos moradores da mesma.

“A título de curiosidade, incluimos neste texto algumas informações referentes ao


Serviço Postal, sua organização e custos, em Santa Rosa, no ano de 1940.

Taxa Postal
Cartas: As cartas simples, até 20 gramas devem levar o selo de 400 réis, se são
destinadas para o Brasil ou qualquer república americana e da Espanha; para o resto do
mundo a taxa é de 1$200.
As cartas que pesam mais de 20 gramas, exigem o aumento de 200 réis para outras 20
gramas ou sua fração, se são dirigidas a qualquer parte pan-americana, e 700 réis se são
destinadas para qualquer outro país.
Para a correspondência dentro do município o selo para cada 20 gramas é de 200 réis.
Bilhetes postais simples: endereçados para o Brasil, ou outras repúblicas americanas
e Espanha, têm a taxa de 200 réis, e 500 réis para qualquer outra parte do mundo.
Impressos em geral: até 50 gramas, na América e Espanha, 100 réis; até 100 gramas,
200 réis, até 200 gramas, 300 réis, e para cada 100 gramas, mais 150 réis, sendo aceitáveis até
o peso de 2 kilos.
Para os outros países os impressos pagam 250 réis para cada 50 gramas de peso.
As taxas dentro do município são 100 réis para cada 100 gramas.
Amostras: na América e Espanha 200 réis para cada 100 gramas; para outras partes
do mundo, 250 réis para cada 50 gramas, taxa mínima de 500 réis. No município para cada
100 gramas, 100 réis.
Pequenas encomendas: No Brasil, América e Espanha, 600 réis até 100 gramas e mais
200 réis para outras 100 gramas ou fração. Para o resto do mundo, 500 réis para cada 50
gramas, sendo a taxa mínima de 2$500.
Registro: de uma carta 800 réis, para outros paizes 1$300.
Cartas de valor declarado: pagam além da franquia e o registro, 200 réis para cada
20$000.
Para o aviso de recebimento mais 600 réis.
Fechamento da Mala para Porto Alegre 16 horas 2ª, 3ª e 5ª feira.

Dias de distribuição da correspondência portoalegrense 3ª, 4ª e 6ª feira.” (226)


Mais tarde, com a estruturação melhor do comércio, os próprios comerciantes
recebiam as cartas dos moradores (dos fregueses) e, aproveitando as viagens que
realizavam de caminhão, para levar e trazer mercadorias para a casa comercial, levavam
as cartas ao Correio em Santa Rosa ou Tucunduva, trazendo e distribuindo as
correspondências que eram destinadas a sua localidade.
Só mais tarde, com a instalação de um Posto de Agência Postal em Vila Pratos
(1953) e na década de 1960 em Vila Machado, é que a maioria das pessoas deste
município, começou a encaminhar e retirar pessoalmente as suas correspondências.
Porém, nas localidades do interior, onde tem casa comercial, há pessoas que até
hoje, utilizam-se do serviço dos comerciantes.
Tão logo a primeira Administração Municipal, conseguiu estruturar-se, procurou
dotar o novo município, dos principais órgãos necessários ao desenvolvimento do
mesmo.
Assim, em 19 de novembro de 1993, foi inaugurada, a Agência de Correios e
Telégrafos neste município, sob o CEP (Código de Endereçamento Postal) nº 98955-
000.
Inicialmente a Agência de Correios funcionou junto ao prédio da Prefeitura
Municipal. Em 1994, transferiu-se para a Rua Independência s/nº, em prédio de
propriedade de Valderino Kopp, junto a Biblioteca Pública Municipal e no final de
1995, para um prédio ao lado da Prefeitura Municipal, onde funcionava o Posto do
Banco do Brasil. No dia 30, de Outubro de 2000, a Agência de Correios mudou-se para
outro prédio, à Rua Santa Rosa, nº 97. Este prédio, como os anteriores, é alugado pela
Prefeitura Municipal e cedido à Agência de Correios e Telégrafos até a presente data.
Entre os serviços prestados pela Agência de Correios de Novo Machado,
destacam-se: Encomendas; Sedex Nacional e Internacional; Vale Postal; Telegramas;
Inscrições de CPF, Postagens Gerais, Venda de Tele Senas e de Carnês do Baú da
Felicidade, bem como, recebimento das prestações das mesmas.
Agência de Correios e Banco Postal
NOVO MACHADO – RS – 2002.

Em 1996, as tarifas (taxa postal) cobrada para emissão de correspondências,


constava do seguinte:
Pesos Carta Simples Carta
Registrada
até 10g R$ 0,23 R$ 1,23
10,01 a 20g. R$ 0,27 R$ 1,27
20,01 a 50g. R$ 0,40 R$ 1,40
______________________________________________________________________
__________
(226) Fonte: Guia Geral de Santa Rosa. Indicador Comercial e Profissional - 1940.
Atualmente, em 2005, as tarifas cobradas pela Agência, são as seguintes:
- Carta Simples: R$ 0,50
- Carta Registrada: R$ 2,70
- Sedex : R$ 8,00

Assim como em 1996, ainda hoje, em 2005, a Agência local, possuí três postos
no interior, conforme mencionamos abaixo:
- Vila Pratos - efetua as seguintes atividades: entrega e recebimento de
correspondências simples; entrega de correspondências registradas, encomendas e
sedex.
- Esquina Barra Funda - entrega de correspondências simples.
- Três Pedras - entrega de correspondências simples.
A Agência do Correio local, possuía em 1996, um movimento diário, em média
de:
- correspondências entregues nas residências: 58.
- correspondências restantes, que permanecem no correio: 49.
- emissão diária: 28.
- registros expedidos: 3.
- registros recebidos: 3.
Como a Empresa de Correios é um Órgão Federal, os funcionários ingressam na função
de Agentes, mediante Concurso Público. A agência de Novo Machado contou desde a
sua fundação, com as seguintes Agentes: Magali Luiza Envall e Ingrid Cristina
Scheunemann (atual).
Em 15 de abril de 2002, foi inaugurado o Banco Postal, uma parceria dos
Correios com o Banco BRADESCO, funcionando como correspondente bancário e não
como Agência.
Este BANCO POSTAL, oferece os principais serviços Bancários, desde
abertura de contas, pedido de talões de cheques, recebimentos de títulos, extratos e
depósitos, facilitando o acesso da população aos serviços do BANCO BRADESCO.
Atualmente, em 2005, a Agência mantém seu funcionamento através dos
serviços da Agente Ingrid Cristina Scheunemann Sell e Rodrigo Cassarotti, que realizam
uma entrega diária de cerca de 100 objetos e correspondências simples e registradas,
expedindo igualmente, cerca de 40 objetos.

7.1.2. Rádio:

Segundo pesquisas realizadas, em nosso município, não se tem informação de


que no início da colonização existisse algum rádio.
De acordo com o levantamento feito, foi em 1939 e, na década de 1940, que
entraram os primeiros rádios neste município.
O rádio, desempenhou um papel importante, nesta região, por ocasião da II
Guerra Mundial, quando as pessoas, ainda muitos pioneiros ou descendentes, queriam
saber notícias sobre os acontecimentos que estavam ocorrendo no seu país de origem.
Porém, os que possuiam rádio, e queriam escutar notícias da Guerra, tinham que se
cuidar da censura.
O rádio, foi uma grande novidade, aqui no município de Novo Machado, como
podemos constatar nos depoimentos a seguir:
“Um certo dia, descobriram que em Lajeado Gateados o Sr. Adolfo Krüger,
havia comprado uma caixa de madeira grande e dentro dela, um homem falava,
relatando notícias do mundo. Todos ficavam muito ansiosos, para conhecer a tal caixa
grande que o homem tinha. O homem tinha um rádio.
Algumas pessoas, então arrearam seus cavalos e foram até lá, para conhecer o
tal rádio. Voltando, contaram com muito entusiasmo, tudo o que haviam visto e ouvido.
A partir daquele dia, muitas pessoas se reuniam para ir até Lajeado Gateados, escutar
rádio. Alguns iam a cavalo e outros de carroça.
Mais tarde, no ano de 1947, o Sr. Albino Linke, vendeu uma chiqueirada de 10
porcos e, com o dinheiro, conseguiu comprar um rádio usado. Foi o primeiro rádio na
localidade de Belo Centro. Ele era bem grande, com um grande caixa de madeira e
tocado a bateria”. (227)
“As pessoas daqui, ficaram sabendo da existência de um rádio na localidade
conhecida como Barra do Macaco, na Argentina. Os irmãos de Norma Radke,
atravessavam o Rio Uruguai, e iam até lá, para escutá-lo.” (228)
“O rádio era uma grande novidade. À noite, aos sábados e domingos,
aglomerava-se toda a vizinhança, para ouvir notícias e músicas”. (229)
Entre os programas mais ouvidos destacam-se. Programas Caipiras, nas Rádios
de São Paulo, e na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, o Rodeio Coringa, Meri
Teresinha e Teixeirinha, Gildo de Freitas.
Na região da atual sede do município, as pessoas procuravam sintonizar e ouvir
programas na sua língua de origem, no caso, alemã.
Os primeiros rádios eram grandes e funcionavam a bateria. E, estas geralmente,
eram carregadas nos moinhos. Alguns proprietários de rádio, cobravam pequena taxa
dos ouvintes, para recarregar a bateria.
Anos mais tarde, surgiram os rádios à pilha, de tamanho menor, inclusive os
portáteis que não dependiam de antena. Com a chegada da luz elétrica, chegaram
também os rádios tocados com energia elétrica.
Atualmente, pode-se afirmar que a grande maioria, para não dizer a totalidade da
população, possui o seu rádio.
Além dos programas das Rádios regionais, as pessoas sintonizam as rádios de
Porto Alegre, São Paulo, e até do exterior, como Buenos Aires, Montivideu (música
clássica), Quito - Equador (programas religiosos em alemão) e outros.

7.1.3. Televisão:
A exemplo da surpresa que causaram os primeiros rádios, a chegada da Televisão
causou um impacto ainda maior. O grande rádio, onde podia-se ver o homem que
falava, era uma novidade enorme e todos queriam ver como era este aparelho,
aguardando com expectativa a oportunidade de vê-lo.
Tem-se notícia que as primeiras televisões que entraram em nosso município,
foram adquiridas com a finalidade para assistir a Copa do Mundo em 1970.
Os primeiros televisores eram preto e branco, mas assim mesmo chamavam
muita atenção:
“Muitas vezes, a imagem não permitia identificar bem o que se passava na tela.
Mesmo, não sendo boa a imagem, a mesma chamava muita atenção e freqüentemente,
aglomeravam-se pessoas nas casas, para assistir algum programa”. (230)
“Muitas pessoas dessa comunidade, assistiram a primeira copa do mundo pela
TV no ano de 1970. A vizinhança toda ia assistir. O proprietário não cobrava dos
telespectadores, e sim, oferecia chimarrão, pé-de-moleque”. (231) elétrica, no decorrer
dos anos da década de 1970 e início de 1980, praticamente em todas as localidades,
chegou a televisão, inicialmente em preto e branco, sintonizando somente a TV Globo.
Mais tarde, chegaram as primeiras TVs coloridas e logo em seguida, os Buster’s
UHF, as antenas Parabólicas, possibilitando à população novomachadense o acesso a
outros canais e emissoras. Há inclusive, pessoas que hoje sintonizam, além dos canais
nacionais (cerca de 22), canais internacionais (Argentina, Alemanha...)
______________________________________________________________________
(227) In História da Localidade de Belo Centro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(228) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(229) In História da Localidade de Lajeado Limoeiro - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(230) In História da Localidade de Vila Pratos - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(231) In História da Localidade da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Com a interiorização da televisão, que trouxe muitas informações, as famílias
passaram a ter mudanças radicais em sua estrutura familiar. O diálogo entre as pessoas
da família, (casal, pais e filhos) foi substituido pelos programas de TV: novelas,
notícias, filmes, jogos, etc. passando a transformar os hábitos da família, principalmente
dos jovens, que passaram a incorporar no seu comportamento outros valores, regeitando
muitas vezes, as orientações dadas pelos pais e sociedade local.
As visitas de parentes, amigos e vizinhos, também reduziram, porque as pessoas
ficam presas à “telinha” e alegam “não ter tempo”.
As leituras também foram substituídas pelos programas de TV.
Com a TV, o mundo tornou-se pequeno. Fatos e acontecimentos ocorridos em
qualquer parte do mundo, imediatemente, são transmitidos a todos os povos. Os casos
mais trágicos, transmitidos com maior ênfase, afetam o sentimento das pessoas,
principalmente as mais sensíveis.
Através da propaganda, a TV passa a criar “necessidades” nas pessoas. Objetos,
produtos, moda... até então desconhecidos, passam a ser adquiridos, muitas vezes, sem
necessidade.
Por outro lado a TV transmite cultura e conhecimento. Porém, devemos ser
críticos diante das informações dadas, selecionar os programas e saber aproveitar aquilo
que é bom e útil.

7.1.4. Telefone:

Com a descoberta da Energia Elétrica no século XVIII, buscou-se com


intensidade a sua aplicação aos meios de comunicação. Vários cientistas empenharam-
se em aprofundar as pesquisas vindo a concretizar-se em 1876, com Alexandre Grahm
Bell, nos Estados Unidos.
Inicialmente o telefone era considerado mera curiosidade. “Em sua visita à
Exposição Internacional de Filadélfia, em 1876, D. Pedro II teve a ocasião de
experimentar o invento de Grahm Bell, que falava na outra ponta da linha”. (232)
Ficou tão entusiasmado, que encomendou um para instalar no ano seguinte, no Palácio
de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
“À medida que se aperfeiçoava o invento, sua importância crescia
consideravelmente nas comunicações. Contudo só em 1927 foi feita a primeira
chamada transatlântica. Daí por diante, o uso dos telefones locais e de longa distância,
dos sistemas manuais e automáticos, generalizou-se no mundo inteiro, e não tardou a
estender-se aos serviços de comunicações dos navios, aviões, trens e outros veículos”.
(233)
O município de Novo Machado, também foi beneficiado gradativamente, com a
expansão de linhas telefônicas na sede e para o interior, embora inicialmente de forma
um tanto precária.
Inicialmente, o aparelho funcionava a pilha e era tocado a manivela.
“Na época, tudo era mais difícil. Quando tinha relâmpagos, precisava desligar
os aparelhos, porque queimava a bobina da central e daí, não se ouvia o chamado de
fora. Qualquer descarga elétrica, também queimava os aparelhos.” (234)
Ainda no final da década de 1960 e início de 1970, diversas localidades do
interior do município, foram beneficiadas pelos serviços de telefonia: Vila Pratos (sede
distrital), Nova Esperança, Boa União, Três Pedras, Lajeado Limoeiro, Lajeado
Corredeira e Esquina Barra Funda.
Com a implantação do Sistema DDD em Tucunduva, também Vila Machado
recebeu duas Linhas Telefônicas (2 números), instalados em prédio próprio, junto à
Subprefeitura. Neste período, também foram implantadas algumas Linhas Telefônicas
no interior, constituindo-se os chamados Telefones Comunitários, nas localidades de:
Lajeado Corredeira, Belo Centro, Lajeado Limoeiro, Nova Esperança e Esquina Boa
Vista.

_____________________________________________________________________
(232) Enciclopédia Barsa, vol. 5 - pág. 441.
(233) Id Ibid.
(234) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Após a emancipação de Novo Machado, uma das grandes metas da
Administração Municipal, foi a de viabilizar uma melhor comunicação do município
com o mundo, através da Implantação do Sistema DDD.
“Neste sentido, a Administração Municipal de Novo Machado, empenhou-se em
dotar, a Sede do Município e o Distrito de Vila Pratos, com os benefícios de Telefonia
Automática. A administração intensificou os contatos com a CRT e a empresa que
desenvolve estudos de viabilidade, sendo que o número mínimo de terminais exigidos
foi ultrapassado, cujo fato, contribuiu para a efetiva implantação do Sistema DDD em
Novo Machado.
No dia 08 de fevereiro de 1994, realizou-se uma Assembléia Geral para a
formação da Associação de Desenvolvimento Urbano de Novo Machado, entidade esta,
que administrou a instalação do Sistema de Telefonia Automática no município. Após
instalado o sistema, esta entidade repassou a CRT, a Central.
A entidade elegeu como presidente, Guilherme Alfredo Arndt; Vice-presidente,
Walter Janke, Secretário, Valdi Gerstberger e para Tesoureiro, Mário Reimann.
A participação da Prefeitura Municipal neste empreendimento, foi a doação do
terreno e a construção do prédio. Localiza-se na Rua Independência, ao lado do Posto
Atlantic, bem próximo a Prefeitura, numa área central da cidade.
No dia 08 de março de 1994, foi efetuado o pagamento do terreno. O referido
imóvel, foi declarado de utilidade pública, para fins de desapropriação por convenção
amigável, o que agilizou a transação.
No dia 25 de maio de 1994, aconteceu a abertura das Cartas Convites, com
vistas a construção do prédio da CRT. Na oportunidade, habilitaram-se para a
construção da obra, várias construtoras. Abertas as propostas, foi vencedora a
Empresa Matiazzi Engenharia. Ficou determinado, que as obras deveriam ser iniciadas
no dia 01 de junho/94.
No início do mês de setembro/94, chegaram os primeiros equipamentos, para a
instalação da Central de Telefonia Automática de Novo Machado. Esses equipamentos,
foram entregues pela Empresa TECMA. Esta empresa foi a encarregada de instalar o
sistema.
Concluída a construção do prédio, a Administração Municipal aguardou a
liberação oficial do mesmo, pelo Departamento de Engenharia da CRT, bem como a
conclusão do levantamento que a CEEE realizava com vistas a utilização dos postes
para a distribuição da rede telefônica, tanto da cidade como de Vila Pratos.
Com um sistema totalmente informatizado, foi inaugurado dia 14 de julho de
1995, a nova Central Automática da CRT do município com o código (055) 544. Esta
central DDD, é uma das mais modernas do Estado, por possuir um sistema totalmente
informatizado, segundo informações do Supervisor Regional da CRT. A nova central,
conta com 150 assinantes, mas tem capacidade para 2.000.” (235)
Para viabilizar a instalação e o funcionamento da CRT em Novo Machado, o
município construiu e doou, através da Associação de Desenvolvimento Urbano de
Novo Machado, o terreno e o prédio, cedendo também os funcionários para o
atendimento dos serviços ao público.
Com a Implantação do Sistema DDD em Novo Machado, possibilitou-se a mais
algumas localidades, embora seja a particulares, o acesso aos serviços telefônicos:
Esquina Machadinho, Lajeado Touros e Nova Esperança.
No decorrer do ano de 1996, houve inscrições para novos assinantes, cuja
relação chegou a aproximadamente 100 (cem) interessados.
A História da telefonia em Novo Machado, está ligada a D. Etelvina Fronza
Busanello, pela prestação deste serviço como telefonista, a esta comunidade, por mais
de 20 anos, razão pela qual, registramos neste espaço, alguns dados sobre sua vida e seu
trabalho.

______________________________________________________________________
(235) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.

Prédio CRT inaugurado - 14/07/95 - NOVO MACHADO - RS -

“Etelvina Fronza Busanello

Foi em 1968 que chegou a Vila Machado, o Sistema de Telefonia. Inicialmente,


ligado ao Centro Telefônico de Tucunduva, a mesa de Vila Machado possuía 20
números.
O Centro Telefônico de Tucunduva fazia as ligações até Vila Machado e esta
ligava para o interior: (Lajeado Limoeiro, Nova Esperança, Boa União, Três Pedras,
Itajubá e Vila Pratos.
Para que a instalação da mesa telefônica pudesse ser efetivada, era preciso que
alguém se responsabilizasse pelo seu atendimento. Fui indicada e aceitei o desafio.
A mesa telefônica (Centro), foi instalada na nossa casa e a este serviço me
dediquei durante 20 anos, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Era difícil sair até
para visitar minha mãe, que morava em Bela Harmonia - Tucunduva.
Vinte anos depois (1988), com a construção do novo prédio para a
Subprefeitura de Vila Machado, foi instalado ali, o Centro Telefônico, pelo Sistema
DDD com apenas dois números (2 linhas).
Este sistema que substituiu o anterior, a pilha, com aparelho a manivela,
funcionou durante sete anos.
Com a emancipação de Novo Machado, tornou-se necessário melhorar os
serviços de atendimento telefônico, culminando com a inauguração da nova Central
Automática da CRT, uma das mais modernas do Sistema DDD do Estado, em 14.07.95,
com 150 assinantes.
Durante 20 anos, fui a única telefonista de Vila Machado. A partir de 1988,
passei a dividir o trabalho com mais 4 colegas.
Em 1996, após 28 anos de serviço, aposentei-me (pelo INSS) como funcionária,
com serenidade, pois tenho a consciência do dever cumprido com lealdade, nunca
medindo esforços para bem atender a população desta localidade.”
(Etelvina Fronza Busanello).

Atualmente, com a privatização da CRT, o controle do Sistema Telefônico Fixo,


passou à responsabilidade da Brasil Telecon.
Com a ampliação do Sistema de Telefonia Celular, este serviço de comunicação
atinge atualmente, com raras exceções, todas as localidades de nosso município. Para
facilitar à população novomachadense, a aquisição própria de seu Telefone Celular, a
Prefeitura Municipal de Novo Machado firmou em 11 de junho de 2003, Termo de
Comodato com a Empresa Vivo, através do qual, o cliente recebe um aparelho em forma
de Comodato, responsabilizando-se pelo pagamento dos serviços (ligações) efetuados e
uma taxa mensal pela manutenção da linha.

7.1.5. Jornais e Revistas:

O hábito de leitura, chegou a Novo Machado, com os seus colonizadores,


especialmente com os que vinham de regiões onde a escolarização e a cultura intelectual
eram valorizados.
Nos primeiros anos da Colonização, a única forma das pessoas receberem algum
tipo de informação era verbal ou então, pela correspondência ou pela literatura.
Os primeiros jornais de que se tem notícias e que circularam neste município,
datam da década de 1940, destacando-se principalmente: Brasil Post, Serra Post,
Correio Serrano, Correio Riograndense, A Nação, além do outros de cunho religioso.
Muitas vezes, os comerciantes que se interessassem, recebiam jornais ou parte destes,
através dos “viajantes” que passavam periodicamente e deixavam algum exemplar.
De modo geral, as pessoas tinham preferência pela leitura na língua materna,
embora que, no período da Guerra e da Campanha Nacionalista, foram obrigados a
comunicar-se em português, tendo sua literatura proibida e muitas vezes apreendida.
Ainda na década de 1940, havia algumas pessoas que assinavam o Correio do
Povo e o Diário de Notícias.
Em geral, as poucas pessoas que tinham assinatura de algum jornal ou revista,
partilhavam as notícias emprestando o material aos vizinhos e amigos, bem como,
contando o que leram nas rodas de amigos que se formavam, principalmente nas Igrejas
onde, antes e depois dos atos religiosos, as pessoas se reuniam para ouvir e conversar
sobre assuntos diversos, notícias trazidas pelos jornais.

“Na nossa Igreja (IECLB) em Linha Machado, o Sr. Metke, um homem que lia
muito e ouvia as notícias pelo rádio, quando chegava, estava sempre rodeado por
pessoas que queriam ouvir o seu relato”.
(Depoimento do Prof. René Gertz).

Posteriormente foram surgindo outros jornais na região, como por exemplo “A


Serra”, editado em Santa Rosa. Mais tarde, surgiram: Noroeste em Santa Rosa;
Integração em Três de Maio entre outros.
Atualmente, entre os jornais que circulam no município de Novo Machado,
destacam-se: Correio do Povo, Zero Hora, Correio Riograndense e a nível regional:
Semanal, Espaço Livre, Sem Fronteiras, Cooperjornal.
Dentre as revistas, constata-se que eram, no passado, poucas pessoas que
assinavam alguma que não fosse religiosa e estas, em geral, eram estrangeiras. Nas
poucas famílias que as assinavam, encontram-se exemplares antigos das revistas: Hauss
Frau, Stern, Time, Boa Nova, Seleções do Reader’s Digest, The Saturday the Evernning
Post, Countrigentelmann, A Cigarra, O Eco, Deusche Welle...
Atualmente, as revistas que circulam no município, são: Veja, Globo Ciência,
Superinteressante, Globo Rural, Caminhos da Terra, Amiguinho, Cláudia, Vida e Saúde,
Criativa, Pais e Filhos, Faça-Fácil, Play-Boy e outras.
Além dos citados, todas as denominações religiosas, oferecem desde a sua
fundação, jornais ou revistas de cunho religioso, servindo para o ensino e atualização
religiosa dos seus congregados.

7.2. Meios de Transporte e Estradas:


7.2.1. Estradas:
Com o aparecimento dos primeiros grupos étnicos, os homens sentiram a
necessidade de se comunicarem entre si e realizarem trocas comerciais, mas acima de
tudo, para se encontrarem e formar o seu grupo social. Assim “Criou-se a primeira via
chamada picada, isto é, a marca deixada pelos pés dos que passavam sempre pelo
mesmo lugar, atravessando rochas, bosques, rios e rampas.” (236)
Portanto, as estradas evoluiram a partir da picada. Mais tarde, com a invenção da
roda é que as picadas, foram transformando-se em estradas, conforme a visão que temos
hoje, ampliando a sua importância para a comunicação e para o comércio. Entre os
povos antigos, as estradas tiveram funções específicas, como: econômica, política,
religiosa...
Com a evolução dos meios de transporte, as estradas também tiveram que ser
reestruturadas e adaptadas, para que pudessem dar vasão aos meios de comunicação e
transporte.
“Mas no século XX, automóveis, caminhões, ônibus e outros tipos de veículos
vêm fomentar o turismo, facilitar as trocas e desenvolver o comércio, criando
problemas relativos ao revestimento das pistas, larguras, sinalizações, dando lugar às
modernas rodovias”. (237)

Assim, as picadas de outrora, foram evoluindo, passando para estradas


municipais, intermunicipais estendendo-se cada vez mais e incentivando a produção
pela facilidade e rapidez de transporte.
No município de Novo Machado, quando em 1918, chegaram os primeiros
colonizadores, tiveram que abrir um pique ao meio a mata exuberante, para chegar até
suas terras. Os pioneiros afirmam que este foi um trabalho árduo, todo manual, na base
da foice, facão, machado...
“O serviço de abrir estradas era calejante. Não havia máquinas como hoje.
Exigia muita força. Era braçal.” (238)
À medida em que as estradas foram sendo ampliadas, a sua conservação e
melhoria, passou a exigir um trabalho mais cuidadoso e, conseqüentemente, uma maior
união das pessoas. Os tocos precisaram ser arrancados, as pedras precisaram ser
retiradas, sarjetas abertas, a estrada alargada. Todo este trabalho, realizado
manualmente, contava com o auxílio das poucas ferramentas disponíveis. Em alguns
casos, os grossos tocos de árvores, eram arrancados com o auxílio do “macaco”, uma
espécie da alavanca, manual, que auxiliava os colonizadores a remover pesos (toras,
tocos, pedras).
“Até Esquina Michalski, na entrada para Esquina Batista (atual município de
Tucunduva), havia uma estradinha carroçável. Isto ainda em 1924. Dali em diante,
havia picada que dava passagem a cavalo.
Algumas famílias que chegaram um pouco antes, abriram também as estradas
para Lajeado Gateados e Lajeado Uru. A medida em que novos moradores foram
chegando, o caminho (picada), estendeu-se até Lajeado Limoeiro (propriedade
Krüger).
Estes moradores, haviam recebido a autorização da Comissão de Terras para
abrir este caminho, respeitando, na medida do possível, as divisas das terras, mas
tinham o consentimento, para desviar topes (morros) e árvores grossas, o que explica a
existência de estradas tortuosas e cheias de curvas”. (239)
“Meu avô e meu pai ajudaram a abrir a estrada de Lajeado Gateados, quando
chegaram em 1924.” (Palavra
do Sr. Ervino Krüger).
No momento em que os colonizadores adquiriram suas terras, junto à Comissão
de Terras, já assumiam o compromisso de ajudar a abrir e conservar as estradas. Assim,
à medida em que mais estradas foram abertas, o serviço de “Faxina” foi tornando-se
uma necessidade.
“A estrada que liga Esquina Machadinho a Novo Machado, surgiu antes de
1930, sendo capataz da mesma, o Sr. Emílio Sturmhöbel , pai da Srª Gretel Busse. Ela
era jovem nesta época. Nunca havia pego uma foice nas mãos. Seu pai lhe dissera:
______________________________________________________________________
_______
(236) Biblioteca de Auxílio ao Sistema Educacional. BASE, vol. 5 - pág. 1402.
(237) Biblioteca de Auxílio ao Sistema Educacional - BASE, Vol. 5, pág. 1404.
(238) CLAUSS, Romualdo J. - Evolução Histórica-Geográfica de Tucunduva, RS - Corag, 1982.
(239) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO - RS - 1995.

“- Pegue a foice e vai ajudar a abrir a estrada.”


Mais tarde, surge o serviço de faxina nas estradas, que era feito uma vez por
ano, tendo um capataz para comandar e controlar o serviço. Os que possuíam uma
colônia, deviam dar 6 dias de serviço. Iam com juntas de bois, de cavalos, com
ferramentas, enxadas, enxadões, picaretas, arados. Quem tinha junta de bois ou
cavalos com arados, valia mais, contando o dia em dobro.” (240)
Além disso, cada proprietário era responsável pela roçada da sua terra, à beira da
estrada. Em virtude dos atoleiros que se formavam em meio a mata, onde as estradas
não secavam, em função da sombra das árvores que as margeavam, era preciso roçar as
beiradas para possibilitar a entrada dos raios solares.
“Para isso, todos os proprietários, tinham a obrigação de fazer anualmente, a
“matação”, isto é, roçar de 5 a 8 m de mato à beira da estrada, derrubando inclusive
as árvores”. ... (241)
No final da década de 1950, ainda antes da emancipação de Tucunduva (1959),
chegaram nesta região as primeira patrolas, procedentes da Prefeitura Municipal de
Santa Rosa. Com a chegada das patrolas, chega ao final o serviço de “faxina” e, os
proprietários de terras, passam a pagar “Imposto para Conservação das Estradas”.
“No início da emancipação de Tucunduva, este novo município não possuia
patrolas. A primeira máquina adquirida para realizar o serviço de conservação de
estradas, neste novo município, foi um trator agrícola com uma lâmina.
Posteriormente, ainda na Administração do Sr. Florentino Rossato, primeiro Prefeito
Municipal de Tucunduva, o município foi adquirindo outros equipamentos. Primeiro
compraram uma Esteira, depois uma Patrola e, depois de alguns meses, um caminhão.
Para carregar o cascalho no caminhão, adaptava-se uma espécie de andaime
na esteira e empurrava-se o cascalho.
Nesta época, havia no município de Tucunduva, pouquíssimos caminhões. Estes,
em geral, pertenciam aos comerciantes, com melhores condições econômicas.
Com vistas à melhor conservação das estradas, instituiu-se um sistema de
Fiscalização nos dias de chuva. As carroças ou carrocinhas que trafegassem nos dias
de chuva, eram multadas. Mais tarde, para poderem rodar também em dias de chuva,
os proprietários começaram a colocar pneus nas carrocinhas. O primeiro foi o Sr.
Benke.
Houve época em que, no município de Tucunduva, havia cerca de 290
carrocinhas de Mola emplacadas.
A estrada que liga Tucunduva a Novo Machado, nem sempre teve o mesmo
traçado que hoje possui.
Próximo ao Lajeado Batista, um Senhor chamado Francisco de Brito
(Taquariano), possuia uma invernada. Para não cortar sua propriedade, e deixar a
invernada sem água, a estrada principal contornava a colônia do tal senhor.
O caminho vicinal que liga a estrada de Campininha a estrada Tucunduva-Novo
Machado, passando no meio das colônias, saía na Esquina Rensch (denominação
atual), descia até a linha onde reside atualmente o Sr. Paulo Friske, voltava até o
matinho da família Rosenau (Ula), de lá passava próximo à Igreja de Cristo e saía na
Loja do Sr. Cláudio Fritz.
O novo e atual traçado desta estrada foi feito em 1962.
A estrada oficial a Três Pedras, foi, inicialmente, o prolongamento da estrada
projetada pela Companhia Dahne Conceição, passando por Lajeado Limoeiro, Boa
União, até a Grutinha. A estrada atual de Três Pedras, próxima ao Rio Uruguai, foi
traçada e aberta pelos próprios moradores. Mais tarde, a Prefeitura oficializou este
caminho, legalizando o serviço de manutenção.

______________________________________________________________________
__________
(240) In História da Localidade de Esquina Machadinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(241) In História da Localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Caso idêntico, registra-se em Esquina Barra Funda, pois a estrada que ligava
esta localidade a Lajeado Saltinho, oficialmente é a que passa por cima, entrando na
esquina do “moinho velho”, como é chamada. A estrada a Lajeado Corredeira e dali a
Saltinho, costeando o rio, é bem posterior.
Dentre as maiores dificuldades encontradas nos primeiros anos da emancipação
de Tucunduva, destacam-se:
- os maquinários rudimentares, com poucos recursos;
- os atoleiros que se formavam a partir da água que se acumulava nas baixadas
e nos divisores de água.”
(Sadi Pacheco).
No projeto de Colonização da região costeira do Rio Uruguai, empreendido e
desenvolvido pela Companhia Dahne Conceição, a estrada oficial projetada, ligando, no
nosso caso, Belo Horizonte (atual Horizontina) ao atual município de Novo Machado,
estendia-se de Vila Pratos, Barra do Machado, por Esquina Carvalho, Esquina Boa
Vista, até Esquina Fitz, conforme pode ser visto no mapa de colonização da Companhia
Dahne Conceição, no item 3.4 (Terras demarcadas na Zona do Rio Uruguai).
Com a emancipação, Novo Machado, herdou do município mãe, uma malha
rodoviária de aproximadamente 300 Km de estradas municipais e cerca de 100 Km de
estradas particulares.

Como é de se esperar, um município novo como o nosso, com um reduzido e


precário parque de máquinas, que devido ao seu mau estado de conservação, apresenta
uma baixa produção e um alto custo, mal consegue atender as necessidades mais
prementes e as exigências da população.
Dentre as dificuldades para manutenção das estradas, além dos maquinários,
destaca-se o relevo acidentado, a topografia, pois temos muitas estradas ao longo do Rio
Uruguai e do Rio Santa Rosa, onde predomina a pequena propriedade. O solo, com
inúmeras formações rochosas, propenso aos efeitos da erosão, dificulta a conservação
das estradas. Em muitos lugares, após cada chuva forte, afloram nas estradas as
chamadas “cabeças de pedra”, além de muitas pedras soltas, valetas e buracos.
A estrada que liga a sede do município ao distrito de Vila Pratos e ao vizinho
município de Tucunduva, foi recuperada pelos serviços da Companhia Estadual
CINTIA, em 1995.
Na área urbana, Novo Machado possui 10.500 m² de calçamento na sede e
37.000 m² no Distrito de Vila Pratos. Além disso, na sede municipal, especificamente na
Rua Independência, possui 21.500 m² de pavimentação asfáltica, cuja obra, realizada
pela “PAVITER” de Frederico Westphalen, foi concluida em setembro de 1996. Esta
envolveu um custo aproximado de R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais), sendo que, 75%
deste valor, foi financiado, por cinco anos, pelo Fundo PIMES (Fundo de Investimentos
do Programa Integrado de Melhoria Social), do BANRISUL. Os restantes 25%, foram
pagos com recursos do próprio município.
Em 1996/1997, encontrava-se em fase inicial, a pavimentação asfáltica da
Avenida Pratos, a qual foi executada pela Construtora PLANTERRA de Santa Rosa,
vencedora da concorrência pública, pelo custo de R$ 240.000,00 (Duzentos e quarenta
mil reais), também financiados pelo Fundo PIMES. Esta avenida tem uma área
pavimentada de aproximadamente 19.000 m².
Em 6 de maio de 2005, foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio Grande
do Sul, um Termo Aditivo, dando prosseguimento aos Trâmites Legais dos trabalhos
para construção asfáltica da estrada ensaibrada que liga Novo Machado a Tucunduva, de
cuja Licitação, realizada em 1998, foi vencedora a Empresa Carpenedo Cia. Ltda. de
Santa Rosa- RS – CCL.

7.2.2. Meios de Transporte:

Analisando a história do transporte, defrontamo-nos com duas etapas distintas.


“A primeira compreende o período que precedeu a revolução industrial; até
então, somente era aproveitada a força humana, a dos animais de tração e de carga,
das correntes de água e dos ventos. A segunda etapa começa quando o vapor, a
eletricidade e as máquinas de combustão se generalizaram como fontes de força
motriz.” (242)
As diferentes formas e os mais diversos meios de transporte que evoluiram a
partir das primeiras experiências motoras, estiveram ligados, em maior ou menor escala,
ao poder público ou à iniciativas privadas, respeitando-se as circunstâncias especiais e
as peculiaridades de cada país ou região.
É interessante observar os diferentes passos pelos quais passaram, por exemplo,
as carroças. Deslizando inicialmente sobre troncos (cilindros), até a descoberta da roda e
o aperfeiçoamento desta, a humanidade percorreu um longo caminho. Com a evolução
dos diferentes meis de transporte, (terrestre, marítimo, fluvial, aéreo, férreo),
possibilitou-se a circulação de pessoas, mercadorias e dinheiro, fatores extremamente
importantes para o progresso e o desenvolvimento.
“Por uma imposição ecológica, os primitivos indígenas do Brasil,
movimentavam-se através dos rios” ... “Mais tarde, na colônia, quando as atenções se
voltaram para a indústria açucareira” ... “sofreram a influência dos cursos d’ água” ...
“Também não se restringiu ao açúcar a colaboração preciosa dos rios: o couro, o
toucinho, o sal, o fumo, a borracha e outros produtos da lavoura e da criação e as
manufaturas” ... (243) valiam-se do rio como uma via de locomoção.
Da simples canoa, muitas vezes improvisada num tronco de madeira, surgiram
as jangadas, as balsas, as barcas, sem entrar no mérito dos navios de diferentes
tamanhos e utilidades.
Ainda no século XIX com o início da colonização do Rio Grande do Sul, a
forma mais eficiente, segura e rápida para se chegar ao Estado, era o transporte
marítimo. Os navios estrangeiros, no entanto, chegavam em geral, somente até o Porto
de Santos, ou no Rio de Janeiro, mais tarde, atracavam em Santa Catarina. De lá até o
Rio Grande do Sul, um navio brasileiro, menor, trazia os imigrantes.
Foi por iniciativa e interesse do governo brasileiro, de colonizar o interior deste
Estado do extremo sul, que se construiu, na época, a única linha férrea, que pouco a
pouco, foi alcançando o interior, chegando a Santa Rosa, em meados da década de 1930.
Nesta época, as estradas de rodagem eram poucas e, as que havia, eram
péssimas.
Assim chegaram os colonizadores, também na região do atual município de
Novo Machado.

______________________________________________________________________
__________
(242) BARSA, vol. 15, pág. 170.
(243) Id Ibid
“Viemos com o navio alemão até o Rio de Janeiro, em 1924. De lá até Porto
Alegre, com um navio brasileiro, pequeno. Depois, de trem até Santo Ângelo. Até Santa
Rosa, de carroça alugada, esta de 5 m de comprimento, puxada por 8 mulas, na qual,
vieram 4 famílias.
De Santa Rosa até na barca do Rio Santa Rosa e de lá, até Linha Machado,
(Lajeado Terrêncio) 25 Km, a pé, com auxílio de um cavalo, que nosso pai adquiriu, o
qual transportou os pacotes.”
(Palavras do Sr. Helmuth Kaffka).
Não se tratava mais da falta de conhecimento, dos diferentes meios de
transporte. Tratava-se sim, da total ausência de condições: estradas e recursos.
Porém, tão logo os colonizadores começaram a instalar-se em suas propriedades,
produzindo os elementos básicos para a sobrevivência, com a possibilidade de vender os
excedentes, começaram a construir seus meios de transporte e transformar suas picadas
em estradas.
“Em nossa localidade, a primeira pessoa a ter uma carroça, foi o Sr. Rudolfo
Nickel, que já a trouxe com a sua mudança.
Em 1924, foram compradas as primeiras carroças na região” ... (244)
Já em 1935 começaram a surgir as primeiras ferrarias, com o principal objetivo
de construir carroças, com múltiplas finalidades.
Mais tarde, algumas ferrarias passaram a fabricar “Carrocinhas de Mola”, as
quais serviram, durante muitos anos, ou melhor, até meados de 1970, como confortáveis
“carros de passeio”, quando foram substituídos pelos automóveis.

Ferraria de edmundo Schlender - Fábrica de Carrocinhas


Esquina Boa Vista – Município Santa Rosa - RS

Nesta mesma década, surgem na região os primeiros veículos automotores,


sendo que: “Em 1932, surge o primeiro carro modelo 27 do Sr. Júlio Buchholz, com
embreagem e mudança feita com a mão”. (245)
_____________________________________________________________________________________
__________
(244) In História da Localidade da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(245) Id Ibid.

Sr. Júlio Buchholz - Linha Machado – Município Santa Rosa – RS - com o seu carro 27.

“Em 1935, apareceu o primeiro caminhão de propriedade do Sr. Artur Teske e,


no ano de 1938, o 2º caminhão de propriedade do Sr. Emílio Priebe”...
“Neste período, também Ervino Jaster adquiriu um carro 27, com mudança no
pedal” ... (246)
A partir da mecanização da lavoura, os automóveis foram gradativamente
substituindo as “carrocinhas de mola” assim como os caminhões e os tratores com
carretões, foram substituindo as carroças.
Para ter-se uma idéia da situação mais recente da situação do
município de Novo Machado, no que se refere aos veículos automotores,
acrescentamos dados do DETRAN, correspondentes a junho de 2004.
TIPO DE VEÍCULO QUANTIDADE

Õnibus 06
Reboques 05
Caminhões 130
Motonetas 06
Automóveis 749
Camionetas e Caminhonetes 123
Microônibus 02
Motocicleta 213
Semi-Reboque 19
Caminhão trator 13
T O TAL 1.266
(247)
7.2.2.1. Transporte Fluvial
É interessante observar-se que, a ocupação da região mais costeira do atual
município de Novo Machado, no caso: Barra Funda, Lajeado Corredeira, Belo Centro...
aconteceu via Rio Uruguai, que assim, para estas localidades, tornou-se o primeiro
caminho, através do qual, comunicavam-se com outras localidades.
_____________________________________________________________________________________
__________
(246) In História da Localidade da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(247) DETRAN// INTERNET/ 2004.
“A localidade, era totalmente coberta de mata. O rio, era a principal estrada. O
transporte dos produtos, das mudanças e dos animais, era feito por água.” (248)
Além disso, o Rio Uruguai serviu também como importante via de escoamento
de uma das primeiras e maiores riquezas da região: a madeira. Retirada da mata com
muito sacrifício, as toras eram amarradas com cipós, formando as famosas “balsas”, que
transportadas através das águas do Rio Uruguai, passavam a ser comercializadas em
Uruguaiana, abastecendo principalmente a fronteira gaúcha e a Argentina.

Balsa no Rio Uruguai


Para transportar estas balsas, os balseiros aguardavam a cheia do rio, isto é, “que
o rio estivesse em ponto de balsa”.
“Meu marido também levava madeira para Uruguaiana. Uma vez, a balsa já
estava no rio e, como a água baixou, a balsa ficou presa numa ilha. Somente um ano
mais tarde, quando o rio subiu novamente, a balsa pode seguir viagem. Mas, quando
ele chegou, a balsa já tinha desencalhado e desceu o rio. Perto de Porto Mauá, um
senhor, vendo que era uma balsa perdida, amarrou-a e esperou até que o dono
aparecesse.
Havia pessoas muito honestas, naquelo tempo. Além de recuperar a balsa, ele
ainda encontrou sobre a mesma, uma lanterna (foque), que havia esquecido no
ano anterior”.
(Palavras do Srª Gretel Busse).
Destaca-se que as localidades mais próximas ao Rio Uruguai, como: Lajeado
Saltinho, Barra Funda, Lajeado Corredeira, Três Pedras, Belo centro, Lajeado Comprido
e Lajeado Marrocas, receberam seus primeiros colonizadores através do Rio Uruguai,
utilizando “Canoas”, embarcações rudimentares feitas de troncos de árvores escavadas.
Mais tarde surgiram os “Caícos”.
Ainda hoje, em 2005, a travessia do Rio Uruguai, para chegar a Argentina –
utilizam-se as embarcações fluviais como o caico a remo ou o barco com motor de
popa. Não há barca em nosso município, uma vez que não temos Porto Oficial.

7.2.2.2. Transporte Coletivo


Nos primeiros anos da colonização, as pessoas deslocavam-se da maneira como
lhes era possível: a pé, a cavalo, de carroça. Às vezes, as pessoas da vizinhança
juntavam-se e iam com a mesma carroça, até os locais onde buscavam solucionar seus
problemas de comércio, saúde... Da mesma forma, realizavam passeios e iam à igreja.
_____________________________________________________________________________________
__________
(248) In História da Localidade de Barra Funda - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Por volta de 1941, surgiu a primeira experiência de Transporte Coletivo nesta
região, ... “a primeira linha regular de ônibus, surgiu em Vila Pratos em 1941, dirigido
pelo Sr. Vili Gertz. No mesmo ano, Gertz vende para Francisco Dei Ricardi”
... “partia do então Povoado Pratos, ia em direção à Esquina Machadinho,
passando pelo travessão, até Esquina Matter, depois, Linha Machado (hoje cidade de
Novo Machado), Tucunduva, Tuparendi, até a cidade de Santa Rosa” ...
... “saía de Povoado Pratos, às 6 horas da manhã, chegava a Santa Rosa, por
volta das 12 horas. E, de lá, retornava às 13 horas, chegando no Povoado Pratos às 19
horas,” ... “realizando este trajeto duas vezes por semana”. (249)

Rodoviária de Vila Pratos – 1951


Proprietário: Camilo Weiler
Rodoviária de Vila Pratos – 1955
Proprietário: Camilo Weiler – Ônibus de Élio Weiler

__________________________________________________________________________________________________________
____________
(249) In História da Localidade de Vila Pratos – NOVO MACHADO – RS – 1995.
Para ter-se uma idéia, do surgimento e evolução do Transporte Coletivo, na
região que hoje compõe o município de Novo Machado, reportamos o leitor ao quadro
seguinte:

Proprietário Trajeto Época Carro


- Vili Gertz, depois Dei - Vila Pratos passando por Esquina ± 1941 Camionet
Ricardi vende para Car- Machadinho, Novo Machado, Tucunduva, e FORD
Los Kern Santa Rosa. 1936
- Francisco Bastiani - Esquina Água Fria, Mandorim, ± 1945 “Melan-
Horizontina. cia
- Francisco e Bruno Bastiani - Pratos a Santa Rosa. ± 1945 Virada”
- Nelson Wentz - Esquina Barra Funda ± 1947 ------
- Bruno Bastiani vendeu para - Esquina Barra Funda, Esquina Boa 1948 ------
o Sr. Eichel e este para o Sr. Vista, Esquina Rutke.
Germano Rocha.
- Itajubá, Belo Centro, Três Pedras, 1952 Pitoka
- Germano Rocha Boa União e Nova Esperança, Lajeado
Limoeiro
- Lajeado Corredeira, Esquina Barra
- Vitório Brum Funda, Esquina Boa Vista, Lajeado 1952 ------
Limoeiro, Lajeado Gateadinhas.
- Hélio Weiler - Lajeado Corredeira, Lajeado Saltinho, 1955
Barra Funda com destino a Três de Maio a ------
1963
- Florian Pras Krauspenhar 1 - Vila Pratos, Vila Machado, Início da
Tucunduva, Tuparendi, Santa Rosa. Década de
1950
2 - Lajeado Corredeira, Esquina Barra
Funda, Vila Pratos, Esquina
Machadinho, Campi-
ninha Pratos, Tucunduva, Rocinha,
Consolata, Três de Maio.
Empresa
3 - Vila Pratos, Mandorim, Dr. Pratos
Maurício Cardoso até Horizontina.

4 - Nova Santa Rosa e Marechal Década de


Cândido Rondom no Paraná. 1960

5 - Vende o Trajeto ao Paraná à Final da


Empresa Rainha. década de
1960
- Sílvio Callegaro e filhos - Compra o trajeto a Santa Rosa, Meados da Empresa
Horizontina e Três de Maio. Década de Flor da
(da Empresa Pratos) 1970 Serra
- Trajeto de Porto Mauá a Tucunduva
- Vicente Heming - Itajubá Leste, Boa União, Nova
Esperança, 1980 Heming
Lajeado Limoeiro, Vila Machado,
Tucunduva.
- Artêmio Aosani - Esquina Barra Funda, Esquina Boa Meados
Vista, Lajeado Marrocas, Lajeado Da ------
Corredeira, Lajeado Saltinho, Barra Década
Funda de 1980
- Empresa Pioneira - Compra todos os trejetos e itinerários Década Empre-
da Empresa Flor da Serra, dos quais De sas
mantém 1980 Pioneira
“Sulser-
Em 1996: até ra”.

1 – Barra Funda, Lajeado Saltinho, 1996.


Lajeado Corredeira, Esquina Barra Funda,
Vila Pratos, Novo Machado, com destino a
Tucunduva, Santa Rosa.

2 - Porto Mauá, Belo Centro, Três Pedras,


Novo Machado, Lajeado Limoeiro,
Lajeado Gateadinhas, Tucunduva.

Em 2005:
A contar
1 – Lajeado Corredeira, Lajeado Saltinho, de 1997
Barra Funda, Esquina Barra Funda, Vila
Pratos, Novo Machado, com destino a
Tucunduva, Santa Rosa.

2 - Porto Mauá, Belo Centro, Três Pedras,


Novo Machado, Lajeado Limoeiro,
Lajeado Gateadinhas, Tucunduva.
Analisando-se os dados acima, constatamos que, assim como a agricultura, o
Sistema de Transporte Coletivo também alcançou seu auge, na década de 1970, até
meados de 1980.
Com a redução populacional e o gradativo aumento de veículos auto-motores
particulares, muitas linhas tornaram-se deficitárias, sendo gradativamente desativadas.
Atualmente, o Município de Novo Machado conta somente com dois trajetos regulares
de Transporte Coletivo.
8. OS CAMINHOS DA SAÚDE EM NOVO MACHADO
8.1. Antecedentes Históricos
Nos primeiros tempos do Brasil - Colônia, não eram muitas as doenças
existentes.
“Os nativos apresentavam aspecto saudável e viviam muito. Mas, à medida que
o colonizador foi ocupando a terra e que aumentou o intercâmbio do país com as
nações estrangeiras, as doenças aumentaram, promovendo graves desfalques em vidas
e em material”. (250)
A vinda inesperada da corte portuguesa para o Brasil em 1808, provocou
profundas mudanças, em todos os setores de quaisquer atividades públicas ou privadas,
produzindo também, profundas modificações em todas as áreas, inclusive na saúde e na
educação.
Desta forma, os dois primeiros estabelecimentos de ensino médico instituídos no
Brasil, foram: a Escola de Cirurgia de Salvador, fundada por Carta Régia de 18.11.1808
e a Escola de Cirurgia de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada por Carta Régia de
02/04/1808.
A partir daí, inúmeras casas de saúde, Hospitais, Laboratórios e Institutos foram
surgindo no Brasil no decorrer da história, em sua maioria, com o intuito de combater
diferentes epidemias que, em muitos casos, deixaram marcas dolorosas, como foi o caso
da “Febre Amarela no Rio de Janeiro”... onde, “apesar de todo o esforço, a epidemia
matou 4.160 pessoas em 1850, somente na zona urbana”. (251’)
O avanço, porém é marcante, sempre em busca de novas possibilidades para
combater as doenças e epidemias, que vinham surgindo por todo território nacional,
tendo-se constituída a questão saúde, numa das mais preocupantes áreas de atuação dos
diferentes governos, ao longo dos anos.
“Pela lei 1920 de 25 de julho de 1953, desmembrou-se o Ministério da
Educação e Saúde, criando-se o Ministério da Saúde”. (252) A partir daí, é que se
constata historicamente, um aumento considerável de escolas médicas, e um
conseqüente aumento de profissionais.
“Em 1950, a relação formandos em medicina e população, era de 1:48.000,
com 14 escolas médicas e 1.070 formandos por ano. Em 1960, o número de escolas
médicas dobrou para 28, com 1.528 formandos por ano e uma relação
formando/habitante de 1:45.000.
Em 1970, tínhamos já 69 escolas médicas com 6.186 formandos anuais e uma
relação formando/habitante de 1:15.000 e, em 1980, 75 faculdades com mais ou menos
8.755 formandos anuais e uma relação formando habitante de 1:14.000.” (253)
Segundo Landmann, as escolas médicas de 1950 e principalmente da década de
1960, preocupavam-se com a formação geral dos novos médicos, quando diz que “eram
altamente treinados em Ciências Básicas e Ciências Clínicas”, ao mesmo tempo em que
critica a ausência de uma formação social.
Afirma ainda que “os Concursos para a cátedra (professores médicos),
visavam, como ainda visam, selecionar os mais aptos em tecnologia médica. É a mesma
seleção verificada em relação aos alunos”. (254)
Analisando-se diferentes situações e experiências de médicos que atuaram em
hospitais da região, constata-se que, na prática, estes profissionais, com uma formação
forte em Ciências Básicas e Clínicas, de maneira geral, desempenharam, um trabalho de
extrema eficiência e dedicação. Isto comprova, que a sua formação não era voltada
apenas para as áreas urbanas, mas que possuíam um amplo cabedal de experiências e
conhecimentos, que lhes possibilitava uma prática elogiável, mesmo nos pequenos
hospitais do interior.
_____________________________________________________________________________________
__________
(250) Enciclopédia Barsa - volume 10, pág. 469.
(251) Barsa, volume 10, pág. 472.
(252) Id ibid pág. 478.
(253) LANDMANN, Jayme. Evitando a Saúde e Promovendo a Doença, ACHIAMÉ, 3ª edição, RJ,
1982, pág. 139.
(254) LANDMANN, Jayme ....... pág. 140.

O amplo conhecimento de Clínica e Cirurgia Geral, conferia-lhes a segurança


nos procedimentos a serem tomados, muitas vezes, em situações hospitalares
extremamente precárias. E, muitos deles, conquistaram o respeito e a confiança da
população, pelos excelentes serviços prestados e pelos bons resultados obtidos.

8.2. Saúde em Novo Machado

No início da colonização, não havia médicos nem hospitais na região.


O então município de Santo Ângelo, depois Santa Rosa, aos quais pertenciam as
diferentes localidades que hoje integram o município de Novo Machado, só possuíam
um precário serviço hospitalar na sede. Todas as localidades que, vencendo a mata do
seu habitat natural, ao serem povoadas, defrontavam-se com as grandes distâncias, as
difíceis e péssimas estradas e os precários meios de transporte, para alcançar estes
serviços médicos. Além disso, dadas às dificuldades sócio-econômicas e até culturais,
procurava-se o médico somente em “último caso” e por isso, muitas vezes, “tarde
demais”, segundo depoimento que segue: “Quando a parteira viu que a criança não
nasceria em casa e nos mandou procurar o médico, fomos de carroça de Linha
Machado a Tuparendi. Chegamos muito tarde”.
(Depoimento de uma Imigrante).
As pessoas, dadas às circunstâncias em que viviam e às condições culturais e
econômicas, cuidavam de sua saúde, de acordo com os conhecimentos populares que
possuíam.
“Para curar as doenças, eram feitos chás e medicamentos caseiros. Também
eram procurados curandeiros, benzedeiras e parteiras”... (255)
“D. Luiza Anderle, diz que as pessoas aqui, não ficavam doentes e, se ficassem,
usavam chás caseiros, ou procuravam curandeiros ou benzedeiras”. (256)
“Quando medicavam-se em casa, usavam chás e “xaropadas”. Para feridas,
cortes, arranhões, estrepes e pregos, usavam emplastros, feitos de farinha, sal, cachaça
e algumas espécies de vegetais, como a babosa e a couve. Colocavam também, pano
ensaboado para desinfetar.” (257)
Na verdade, verificando as histórias das diferentes localidades deste município e
conversando com as pessoas mais idosas, pioneiras ou filhos destes, surpreende-nos o
fato de que, o tema “doença” é poucas vezes lembrado. Porém, para todos, a saúde é um
dos grandes pontos chaves das chamadas “condições de sobrevivência”.
Por ser uma das necessidades básicas, colocadas no mesmo grau de importância
da alimentação, é que as pessoas buscavam satisfazê-la da melhor forma possível e
dentro das condições disponíveis.
Com o decorrer do tempo, e o avanço da colonização, surgem os “bolichos”, que
entre outros artigos de primeira necessidade, passam a vender alguns medicamentos,
ditos populares, em geral, vermífugos, fortificantes e xaropes diversos.

8.2.1. As parteiras

Nos primórdios da colonização, esta abnegada, esforçada, nem sempre


tecnicamente preparada senhora, mas cheia de muito amor, carinho e solidariedade,
desempenhou um importantíssimo papel na vida das famílias.
Hoje, por muitas famílias ela é lembrada com carinho e gratidão, como a “vovó”
de seus filhos, muitas vezes numerosos.

______________________________________________________________________
__________(255) In História da Localidade de Esquina Barra Funda - NOVO MACHADO – RS -
1995.
(256) In História da Localidade de Lajeado Saltinho - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(257) In História da Localidade de Lajeado Marrocas - NOVO MACHADO – RS - 1995.
Este carinhoso “vovó”, deve-se merecidamente, ao fato de que, na verdade, ela
não desempenhava apenas uma função técnica, mas era sobretudo, uma presença
positiva nas famílias, onde, muitas vezes, permanecia por vários dias, antes e depois do
nascimento dos bebês. Assim, ela conhecia as situações familiares e convivia com a
família, auxiliando e aconselhando-a, a partir de suas experiências e convicções. ...
“Quando meu marido foi encomendar a parteira para o parto, ela quis vir junto,
porque faltava apenas 4 a 5 dias para o parto, permanecendo na nossa casa, alguns
dias após o nascimento do nenê.” (258)
Ela tornava-se muitas vezes, a mãe, a irmã mais velha, a enfermeira, a psicóloga,
e a médica da parturiente. Mas sobretudo, era uma “grande amiga”, em quem a mãe que
estava por dar a luz, confiava, aceitando seus conselhos.
Em geral, tinha grande conhecimento de medicina caseira: receitava chás, fazia
massagens e consultava as parturientes. Muitas vezes, posicionava o bebê corretamente,
através de massagens pré-natais, facilitando-lhe o nascimento.
Mais tarde, às vezes, dadas as dificuldades existentes, os poucos médicos e
hospitais que haviam, encarregavam-se de treinar pessoas interessadas e habilidosas,
para que pudessem auxiliar as parturientes que as procurassem, uma vez que poucas
destas, procuravam os hospitais para dar a luz a seus filhos. Exemplo disto, registramos
a seguir:
“No início de 1964, por um período de três meses, (D. Luisa Rehfeld), obteve
treinamento no hospital de Tucunduva, junto ao médico Dr. Osvaldo Teixeira e
enfermeiras”... (259)
Porém, a maioria destas senhoras corajosas e dedicadas, não possuíam preparo
técnico algum, mas contavam unicamente com coragem e a graça de Deus, como relata
o Sr. Helmuth Kaffka, em sua autobiografia: “Auch war keine Diplomirte Hebame hier.
Aber, es gab koraghirte Frauen, Die die arbeit taten”, (260) o que traduzindo que dizer:
(Também não havia Parteiras diplomadas aqui. Mas, havia senhoras corajosas que realizavam
este trabalho).
Quando, por ventura, um parto “ia mal”, a parteira sofria com a família e com
ela se solidarizava. Às vezes tinha que encaminhar as parturientes a médicos e hospitais
distantes, o que em geral, já muito tarde, resultava na morte da criança ou da mãe,
quando não das duas. Estas situações eram para as famílias e para ela, muito dolorosas,
porém faziam parte das condições de vida de uma nova colonização.
Com a interiorização da medicina e o surgimento de hospitais, as “parteiras”
foram cedendo seu espaço, ao atendimento hospitalar mais eficiente e seguro.
Também nas localidades do atual município de Novo Machado, havia diversas
parteiras, hoje lembradas com carinho por pessoas que, ou tiveram a assistência destas
no nascimento de seus filhos, ou então, nasceram com a ajuda da “vovó”.
Dentre as muitas parteiras que, com ou sem treinamento especial, serviram às
famílias, foram lembradas as seguintes: Luisa Rehfeld, Elena Bortoli Mistura, Stefânia
Rigon, Maria Freddi, Mina Klats, Alélia dos Santos, Margarida Vineis, Rosalina
Schimitz, Leopoldina Padilha, Lúcia Ferrari, Anastácia Golevski, Armanda Morais,
Maria Hartfeil, Natália Hess, Srª Matais. Além destas, muitas pessoas lembram da “D.
Josefa” que morava em Tucunduva e atendia também esta região. Esta, diziam, era
“Diplomada na Polônia”. Certamente havia outras, que no transcorrer dos anos,
prestaram seus serviços com dedicação e lealdade, porém hoje, permanecem no
anonimato.
Alguns fatos relacionados a este importante trabalho, lembram a precariedade
das situações em que viviam as pessoas e a maneira como elas procuravam resolver suas
dificuldades.
“D. Maria preparava uma mistura de cachaça, açúcar, canela, manteiga ou
banha e dava para as mulheres tomar. Isto funcionava como anestésico.” (261)

_____________________________________________________________________________________
__________
(258) In História da localidade de Barra do Machado - NOVO MACHADO – RS - 1995.
(259) In História da Cidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(260) In História da Localidade de Novo Machado - NOVO MACHADO - RS - 1995.
(261) In História da Localidade de Lajeado Gateados - NOVO MACHADO - RS - 1995.
8.2.2. Curandeiros(as) e Benzedeiros(as)

Diferentemente das parteiras, cujo trabalho e assistência fundamentava-se sobre


uma prática assistencial, solidária, muitas pessoas buscavam nas práticas de
curandeirismo e benzeduras, em geral inconscientemente, uma foram mística de
resolver os problemas de saúde das pessoas da família.

Benzedeiros(as), havia em muitas localidades e estes(as) benziam tudo (pessoas,


animais, plantas) e para muitas coisas. Os resultados, em geral, dependiam da “fé das
pessoas.”
Curandeiros(as) eram, em geral, pessoas que, além das fórmulas místicas,
recomendavam e ensinavam remédios caseiros e chás de diferentes espécies, para tratar
dos males ou doenças que afligiam as pessoas.
A importância dada a estes curandeiros, pode-se perceber no depoimento de
algumas pessoas.
“Aqui em Barra do Machado, no início da colonização, fazia-se lotação de
carroça para levar as pessoas num “curandor” que havia em Três de Maio”.
(Palavras da Srª Lucinda Black).

Pessoas que se tratavam com um


curandor em Três de Maio.

Em 1944, chegou em Esquina Barra Funda, Carlos e Mathilde Ramm Reinke. O


casal, natural de Santa Cruz do Sul, residiu em Ijuí por diversos anos e, mais tarde,
transferiu sua residência para Horizontina, na localidade de Lajeado Guilherme. Em
Horizontina, em 1939, o Sr. Carlos, recebeu de uma Parteira de sobrenome Scherer, um
Livrinho de Orações e esta, lhe ensinou também a prática de curandor. Chegando em
Esquina Barra Funda, o Sr. Carlos Reinke era procurado por muitas pessoas para
resolverem seus problemas de saúde. Atendia uma média de cinco consultas por dia e
segundo depoimento do neto mais velho, Sr. Ruben Schulz, ele ajudou muitas pessoas.
Embora nem todas as pessoas recorressem a estas práticas, muitas o faziam por
extrema necessidade, por desespero, de ver um familiar enfermo, sem que houvesse um
mínimo de assistência médica/hospitalar ao seu alcance.
Ao contrário das parteiras, cuja ajuda era buscada por todas as famílias,
indistintamente de sua origem, cor, religião ou procedência, a procura por
curandeiros(as) e benzedeiros(as), era muitas vezes limitada e até evitada, por razões
religiosas e/ou culturais.
Desta forma, analisando-se a história das diferentes localidades do município,
constata-se que, enquanto em algumas, houvesse várias pessoas que se dedicavam à
prática de curas, benzedeiros(as) ou curandeiros(as), em outras localidades, estas
simplesmente inexistiam, além de serem severamente condenadas e rejeitadas.
E esta realidade, ainda permanece nos dias de hoje, caracterizando uma forma de
vida, de crenças e de marcas culturais distintas. Constata-se, porém, que à medida em
que as populações entram em crises, quer econômicas, quer culturais ou sociais,
aumenta a tendência de buscar-se soluções milagreiras e místicas, fazendo surgir
práticas diversas de curandeirismo ou similares, cada vez mais, impregnadas de
tendências filosóficas modernas.

Salvo-Conduto
Documento exigido para que as pessoas pudessem deslocar-se de uma localidade a outra.
Acompanhou a família Reinke na sua mudança de residência de Santa Cruz do Sul para Ijuí - RS.
Carroça que o Sr. Carlos mandou fazer em Horizontina (Lajeado Guilherme) .
Na foto, a carroça com a junta de bois que trouxe a mudança da família para
Esquina Barra Funda – Santa Rosa - 1944.

Residência de Carlos e Mathilde Ramm Reinke e família.


Esquina Barra Funda – Santa Rosa – RS - 1957.

8.3. Serviços Médicos e Hospitalares

8.3.1. Experiências Hospitalares na Região

À medida em que o povoamento e a colonização foram avançando, aumentava-


se consideravelmente o contingente populacional e com ele, cresciam todas as
dificuldades, inclusive as de saúde.
Esta situação, fez surgir as diferentes experiências hospitalares, nas vilas e
cidades que foram se formando.
Nossos colonizadores, mencionam, entre outros, Santa Rosa, Belo Centro (hoje
Tuparendi), Três de Maio. Mais tarde, Horizontina e Tucunduva. Porém, considere-se:
1º - as dificuldades financeiras da nossa população;
2º - a precariedade dos meios de transporte (carroças grandes, abertas, rudes) e
as péssimas estradas, cheias de buracos e atoleiros;
3º - a tendência das pessoas só procurarem os serviços médicos, após terem
esgotado todos os recursos caseiros, contribuíam para um grande número de óbitos que,
se houvesse recursos médicos mais próximos, fazendo com que os atendimentos fossem
mais rápidos, poderiam ter sido evitados, preservando-se as vidas. Estas situações,
segundo os colonizadores, aconteciam especialmente em c