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8 SÉRIE 9 ANO
ENSINO FUNDAMENTAL II
Caderno do Professor
Volume 4

GEOGRAFIA
Ciências Humanas

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

MATERIAL DE APOIO AO
CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CADERNO DO PROFESSOR

GEOGRAFIA
ENSINO ENSINO MÉDIO –– 81aa SÉRIE/9
FUNDAMENTAL SÉRIE o ANO
VOLUME 4
a
1 edição revista

São Paulo, 2013

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Governo do Estado de São Paulo
Governador
Geraldo Alckmin
Vice-Governador
Guilherme Afif Domingos
Secretário da Educação
Herman Voorwald
Secretário-Adjunto
João Cardoso Palma Filho
Chefe de Gabinete
Fernando Padula Novaes
Subsecretária de Articulação Regional
Rosania Morales Morroni
Coordenadora da Escola de Formação e
Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP
Silvia Andrade da Cunha Galletta
Coordenadora de Gestão da
Educação Básica
Maria Elizabete da Costa
Coordenador de Gestão de
Recursos Humanos
Jorge Sagae
Coordenadora de Informação,
Monitoramento e Avaliação
Educacional
Maria Lucia Guardia
Coordenadora de Infraestrutura e
Serviços Escolares
Ana Leonor Sala Alonso
Coordenadora de Orçamento e
Finanças
Claudia Chiaroni Afuso
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Barjas Negri

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CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL PROFESSORES COORDENADORES DO NÚCLEO Química: Armenak Bolean, Cirila Tacconi, Daniel
PEDAGÓGICO B. Nascimento, Elizandra C. S. Lopes, Gerson
COORDENADORIA DE GESTÃO DA N. Silva, Idma A. C. Ferreira, Laura C. A. Xavier,
EDUCAÇÃO BÁSICA – CGEB Área de Linguagens Marcos Antônio Gimenes, Massuko S. Warigoda,
Educação Física: Ana Lucia Steidle, Eliana Cristine Roza K. Morikawa, Sílvia H. M. Fernandes, Valdir P.
Coordenadora Budisk de Lima, Fabiana Oliveira da Silva, Isabel Berti e Willian G. Jesus.
Maria Elizabete da Costa Cristina Albergoni, Karina Xavier, Katia Mendes,
Diretor do Departamento de Desenvolvimento Liliane Renata Tank Gullo, Marcia Magali Rodrigues Área de Ciências Humanas
Curricular de Gestão da Educação Básica dos Santos, Mônica Antonia Cucatto da Silva, Filosofia: Álex Roberto Genelhu Soares, Anderson
João Freitas da Silva Patrícia Pinto Santiago, Regina Maria Lopes, Gomes de Paiva, Anderson Luiz Pereira, Claudio
Sandra Pereira Mendes, Sebastiana Gonçalves Nitsch Medeiros e José Aparecido Vidal.
Diretora do Centro de Ensino Fundamental Ferreira Viscardi, Silvana Alves Muniz, Thiago
dos Anos Finais, Ensino Médio e Educação Candido Biselli Farias e Welker José Mahler. Geografia: Ana Helena Veneziani Vitor, Célio
Profissional – CEFAF Batista da Silva, Edison Luiz Barbosa de Souza,
Valéria Tarantello de Georgel Língua Estrangeira Moderna (Inglês): Célia Edivaldo Bezerra Viana, Elizete Buranello Perez,
Regina Teixeira da Costa, Cleide Antunes Silva, Márcio Luiz Verni, Milton Paulo dos Santos,
Coordenação Técnica
Ednéa Boso, Edney Couto de Souza, Elana Mônica Estevan, Regina Célia Batista, Rita de
Roberto Canossa
Simone Schiavo Caramano, Eliane Graciela Cássia Araujo, Rosinei Aparecida Ribeiro Libório,
Roberto Liberato
dos Santos Santana, Elisabeth Pacheco Lomba
Sandra Raquel Scassola Dias, Selma Marli Trivellato
EQUIPES CURRICULARES Kozokoski, Fabiola Maciel Saldão, Isabel Cristina
e Sonia Maria M. Romano.
dos Santos Dias, Juliana Munhoz dos Santos,
Área de Linguagens Kátia Vitorian Gellers, Lídia Maria Batista Bomfim, História: Aparecida de Fátima dos Santos Pereira,
Arte: Carlos Eduardo Povinha, Kátia Lucila Bueno, Lindomar Alves de Oliveira, Lúcia Aparecida
Pio de Sousa Santana e Roseli Ventrela. Carla Flaitt Valentini, Claudia Elisabete Silva,
Arantes, Mauro Celso de Souza, Neusa A.
Cristiane Gonçalves de Campos, Cristina de Lima
Abrunhosa Tápias, Patrícia Helena Passos,
Educação Física: Marcelo Ortega Amorim, Maria Cardoso Leme, Ellen Claudia Cardoso Doretto,
Renata Motta Chicoli Belchior, Renato José de
Elisa Kobs Zacarias, Mirna Leia Violin Brandt, Ester Galesi Gryga, Karin Sant’Ana Kossling,
Rosangela Aparecida de Paiva e Sergio Roberto Souza, Sandra Regina Teixeira Batista de
Marcia Aparecida Ferrari Salgado de Barros, Mercia
Silveira. Campos e Silmara Santade Masiero.
Albertina de Lima Camargo, Priscila Lourenço,
Rogerio Sicchieri, Sandra Maria Fodra e Walter
Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Língua Portuguesa: Andrea Righeto, Edilene
Espanhol): Ana Paula de Oliveira Lopes, Jucimeire Garcia de Carvalho Vilas Boas.
Bachega R. Viveiros, Eliane Cristina Gonçalves
de Souza Bispo, Marina Tsunokawa Shimabukuro, Ramos, Graciana B. Ignacio Cunha, Letícia M.
Sociologia: Aparecido Antônio de Almeida, Jean
Neide Ferreira Gaspar e Sílvia Cristina Gomes de Barros L. Viviani, Luciana de Paula Diniz,
Nogueira. Paulo de Araújo Miranda, Neide de Lima Moura e
Márcia Regina Xavier Gardenal, Maria Cristina
Tânia Fetchir.
Cunha Riondet Costa, Maria José de Miranda
Língua Portuguesa e Literatura: Angela Maria
Nascimento, Maria Márcia Zamprônio Pedroso,
Baltieri Souza, Claricia Akemi Eguti, Idê Moraes dos GESTÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO
Patrícia Fernanda Morande Roveri, Ronaldo Cesar
Santos, João Mário Santana, Kátia Regina Pessoa, EDITORIAL
Alexandre Formici, Selma Rodrigues e
Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira,
Sílvia Regina Peres.
Roseli Cordeiro Cardoso e Rozeli Frasca Bueno Alves.
FUNDAÇÃO CARLOS ALBERTO VANZOLINI
Área de Matemática Área de Matemática
Matemática: Carlos Tadeu da Graça Barros, Matemática: Carlos Alexandre Emídio, Clóvis Presidente da Diretoria Executiva
Ivan Castilho, João dos Santos, Otavio Yoshio Antonio de Lima, Delizabeth Evanir Malavazzi, Antonio Rafael Namur Muscat
Yamanaka, Rodrigo Soares de Sá, Sandra Maira Edinei Pereira de Sousa, Eduardo Granado Garcia,
Zen Zacarias e Vanderley Aparecido Cornatione. Evaristo Glória, Everaldo José Machado de Lima, Vice-presidente da Diretoria Executiva
Fabio Augusto Trevisan, Inês Chiarelli Dias, Ivan Alberto Wunderler Ramos
Área de Ciências da Natureza Castilho, José Maria Sales Júnior, Luciana Moraes
Biologia: Aparecida Kida Sanches, Elizabeth Reymi Funada, Luciana Vanessa de Almeida Buranello, GESTÃO DE TECNOLOGIAS APLICADAS
Rodrigues, Juliana Pavani de Paula Bueno e Mário José Pagotto, Paula Pereira Guanais, Regina À EDUCAÇÃO
Rodrigo Ponce. Helena de Oliveira Rodrigues, Robson Rossi,
Ciências: Eleuza Vania Maria Lagos Guazzelli, Rodrigo Soares de Sá, Rosana Jorge Monteiro, Direção da Área
Gisele Nanini Mathias, Herbert Gomes da Silva e Rosângela Teodoro Gonçalves, Roseli Soares Guilherme Ary Plonski
Maria da Graça de Jesus Mendes. Jacomini, Silvia Ignês Peruquetti Bortolatto e Zilda
Meira de Aguiar Gomes. Coordenação Executiva do Projeto
Física: Carolina dos Santos Batista, Fábio Angela Sprenger e Beatriz Scavazza
Bresighello Beig, Renata Cristina de Andrade Área de Ciências da Natureza
Oliveira e Tatiana Souza da Luz Stroeymeyte. Biologia: Aureli Martins Sartori de Toledo, Claudia Gestão Editorial
Segantini Leme, Evandro Rodrigues Vargas Silvério, Denise Blanes
Química: Ana Joaquina Simões S. de Matos
Fernanda Rezende Pedroza, Regiani Braguim
Carvalho, Jeronimo da Silva Barbosa Filho, João
Chioderoli e Sofia Valeriano Silva Ratz. Equipe de Produção
Batista Santos Junior e Natalina de Fátima Mateus.

Área de Ciências Humanas Ciências: Davi Andrade Pacheco, Franklin Julio Editorial: Ana C. S. Pelegrini, Cíntia Leitão,
Filosofia: Tânia Gonçalves e Teônia de Abreu de Melo, Liamara P. Rocha da Silva, Marceline Karinna Alessandra Carvalho Taddeo, Mariana
Ferreira. de Lima, Paulo Garcez Fernandes, Paulo Roberto Góis, Marina Murphy, Michelangelo Russo, Natália
Orlandi Valdastri, Rosimeire da Cunha e Wilson S. Moreira, Olivia Frade Zambone, Priscila Risso,
Geografia: Andréia Cristina Barroso Cardoso, Luís Prati. Regiane Monteiro Pimentel Barboza, Rodolfo
Débora Regina Aversan e Sérgio Luiz Damiati. Marinho, Stella Assumpção Mendes Mesquita e
Física: Ana Claudia Cossini Martins, Ana Paula Tatiana F. Souza.
História: Cynthia Moreira Marcucci e Maria
Margarete dos Santos. Vieira Costa, André Henrique Ghelfi Rufino,
Cristiane Gislene Bezerra, Fabiana Hernandes Direitos autorais e iconografia: Beatriz Fonseca
Sociologia: Alan Vitor Corrêa, Carlos Fernando de M. Garcia, Leandro dos Reis Marques, Marcio Micsik, Érica Marques, José Carlos Augusto, Maria
Almeida, Sérgio Roberto Cardoso e Tony Shigueki Bortoletto Fessel, Marta Ferreira Mafra, Rafael Aparecida Acunzo Forli e Maria Magalhães
Nakatani. Plana Simões e Rui Buosi. de Alencastro.

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COORDENAÇÃO TÉCNICA Matemática Física: Luis Carlos de Menezes, Estevam
Coordenadoria de Gestão da Educação Básica Coordenador de área: Nílson José Machado. Rouxinol, Guilherme Brockington, Ivã Gurgel,
– CGEB Matemática: Nílson José Machado, Carlos Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de
Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto de
COORDENAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO Pastore Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira,
DOS CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS DOS Ferreira da Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Sonia Salem e Yassuko Hosoume.
CADERNOS DOS PROFESSORES E DOS Walter Spinelli.
CADERNOS DOS ALUNOS Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes,
Ghisleine Trigo Silveira Ciências Humanas Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza,
Coordenador de área: Paulo Miceli. Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de
CONCEPÇÃO Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton Sousa Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria
Guiomar Namo de Mello Luís Martins e Renê José Trentin Silveira. Fernanda Penteado Lamas e Yvone Mussa
Lino de Macedo Esperidião.
Luis Carlos de Menezes Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu
Maria Inês Fini (coordenadora) Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo e Caderno do Gestor
Ruy Berger (em memória) Sérgio Adas. Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de
Felice Murrie.
AUTORES História: Paulo Miceli, Diego López Silva,
Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli EQUIPE DE PRODUÇÃO
Linguagens e Raquel dos Santos Funari. Coordenação executiva: Beatriz Scavazza.
Coordenador de área: Alice Vieira. Assessores: Alex Barros, Antonio Carlos de
Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins, Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Carvalho, Beatriz Blay, Carla de Meira Leite,
Geraldo de Oliveira Suzigan, Jéssica Mami Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Eliane Yambanis, Heloisa Amaral Dias de
Makino e Sayonara Pereira. Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina Oliveira, José Carlos Augusto, Luiza Christov,
Schrijnemaekers. Maria Eloisa Pires Tavares, Paulo Eduardo
Educação Física: Adalberto dos Santos Souza, Mendes, Paulo Roberto da Cunha, Pepita Prata,
Carla de Meira Leite, Jocimar Daolio, Luciana Ciências da Natureza Renata Elsa Stark, Solange Wagner Locatelli e
Venâncio, Luiz Sanches Neto, Mauro Betti, Coordenador de área: Luis Carlos de Menezes. Vanessa Dias Moretti.
Renata Elsa Stark e Sérgio Roberto Silveira. Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo
Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene EQUIPE EDITORIAL
LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Coordenação executiva: Angela Sprenger.
Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa.
Donnini Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Projeto editorial: Zuleika de Felice Murrie.
Sueli Salles Fidalgo. Venturoso Mendes da Silveira e Solange Soares
de Camargo. Edição e Produção editorial: R2 Editorial,
LEM – Espanhol: Ana Maria López Ramírez, Jairo Souza Design Gráfico e Occy Design
Isabel Gretel María Eres Fernández, Ivan Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite, (projeto gráfico).
Rodrigues Martin, Margareth dos Santos e Neide João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto,
T. Maia González. Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida APOIO
Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria Fundação para o Desenvolvimento da Educação
Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo – FDE
Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar, Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro,
José Luís Marques López Landeira e João Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão, CTP, Impressão e Acabamento
Henrique Nogueira Mateos. Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume. Esdeva Indústria Gráfica S.A.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra
e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos*deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei nº- 9.610/98.
* Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos
Autorais.

Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas

S239c São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.

Caderno do professor: geografia, ensino fundamental - 8a série, volume 4 / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini;
equipe, Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo, Sérgio Adas. São Paulo: SEE, 2013.

ISBN 978-85-7849-411-7

1. Geografia 2. Ensino Fundamental 3. Estudo e ensino I. Fini, Maria Inês. II. Silva, Angela Corrêa da. III. Oliva, Jaime Tadeu. IV. Guimarães,
Raul Borges. V. Araujo, Regina. VI. Adas, Sérgio. VII. Título.

CDU: 373.3:91

* Nos Cadernos do Programa São Paulo faz escola são indicados sites para o aprofundamento de conhecimentos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados e como referências bibliográficas.
Todos esses endereços eletrônicos foram checados. No entanto, como a internet é um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não garante que os sites
indicados permaneçam acessíveis ou inalterados.
* As fotografias da agência Abblestock/Jupiter publicadas no material são de propriedade da Getty Images.
* Os mapas reproduzidos no material são de autoria de terceiros e mantêm as características dos originais, no que diz respeito à grafia adotada e à inclusão e composição dos elementos cartográficos
(escala, legenda e rosa dos ventos).

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Senhoras e senhores docentes,

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo-
radores na reedição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que per-
mitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula de
todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com os
professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor-
dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação
— Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste
programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização
dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações
de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca
por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso
do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb.

Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien-
tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São
Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades
ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias,
dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade
da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas
aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam
a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia-
ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a
diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico.

Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu


trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar
e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história.

Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo.

Bom trabalho!

Herman Voorwald
Secretário da Educação do Estado de São Paulo

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SUMÁRIO
Ficha do Caderno 7

Orientação sobre os conteúdos do volume 8

Situações de Aprendizagem 12

Situação de Aprendizagem 1 – Cidades: espaços relacionais, espaços de conexão 12

Situação de Aprendizagem 2 – As cidades: criação e irradiação do consumo 27

Situação de Aprendizagem 3 – As redes turísticas: o consumo dos espaços urbanos 36

Situação de Aprendizagem 4 – Um mundo mais fluido: os caminhos geográficos


das redes ilegais 49

Propostas de questões para aplicação em avaliação 55

Propostas de Situações de Recuperação 58

Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão


do tema 60

Considerações finais 63

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FICHA DO CADERNO
Brasil: população e economia

Nome da disciplina: Geografia

Área: Ciências Humanas

Etapa da educação básica: Ensino Fundamental

Série/Ano: 8a/9o

Volume: 4

Temas e conteúdos: Consumo e cidades globais

Turismo e consumo do lugar

As redes de ilegalidade

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ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME
Caro(a) Professor(a), essa escala local, representada pelas gran-
des cidades (metrópoles), com o objetivo
Os conteúdos previstos para a 8a série/9o ano de demonstrar que elas permitem que as
apresentam uma inovação importante com re- relações dos indivíduos, seja fazendo tu-
lação à Geografia escolar anterior: reconhece- rismo, negócios legais e ilegais, praticando
-se que as realidades espaciais que vivemos cultura ou nas redes de consumo, transitem
combinam relações e fenômenos de escalas para escalas mais amplas, chegando até a
geográficas distintas (local, regional e glo- escala global. Dito de outro modo: viver
bal). Isso permite perceber que o local (uma em grandes cidades implica ter acesso di-
cidade, por exemplo) é espaço de manifes- reto às relações globais. Daí nasce a ideia
tação do global e que, no âmbito global, de cidade global (escala local ↔ escala glo-
podem existir relações fortemente influen- bal). Conhecer a rede das cidades globais
ciadas por cidades muito poderosas, quer seria identificar a base geográfica da glo-
dizer, pela escala local. balização.

Apresentamos para seu exame e trabalho Em um mundo com essa complexidade


maneiras de apreender essa trama complexa de ordenação, em que as interações entre as
do mundo. Neste Caderno, parte-se, na Si- pessoas e os lugares foram muito intensifi-
tuação de Aprendizagem 1, para o exame de cadas, formam-se redes sociais novas, que
uma realidade geográfica de escala local: as se organizam para além dos territórios na-
grandes cidades. Destaca-se que as cidades cionais. Assim, temos sociedades territoriais
são realidades de escala local que concen- e redes sociais que se espraiam de diversos
tram a maior parte da população mundial e modos em várias escalas, como, por exemplo,
um número impressionante de recursos e in- as redes turísticas.
formações científicas e culturais, além do fato
de serem os espaços humanos por excelência, Esperamos que os resultados sejam produ-
com uma grande concentração de constru- tivos para a apreensão desses conceitos, fun-
ções. Mesmo assim, nem sempre a Geografia damentais para qualquer cidadão, em especial
deu-lhes atenção, preocupando-se pouco com para aqueles que estão concluindo o Ensino
seu mapeamento, com sua Cartografia. Fundamental.

Em seguida, as proposições da primeira Jaime Tadeu Oliva


Situação e das subsequentes dedicam-se a Angela Corrêa da Silva

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Conhecimentos priorizados tamanha é a força das cidades em influenciar


os modos de vida em outras localidades. Esse
A principal intenção deste Caderno é mostrar é o tema da Situação de Aprendizagem 2.
a complexidade das relações sociais contemporâ-
neas no novo quadro geográfico que se desenha e As redes sociais que as novas possibilida-
se estrutura na escala mundial, dando novos pa- des geográficas propiciam são notavelmente
péis e possibilidades às realidades de escala local, expressas pelas redes espaciais do turismo,
em especial às das grandes metrópoles. Insistimos uma atividade símbolo do novo mundo de in-
em conhecer o interior das cidades, buscando en- terações que se constrói. O turista é o cidadão
contrar todos os seus recursos e poderes, assim desenraizado, que deve ter seus direitos pre-
como destacar todos os elementos que vinculam servados e deve ser protegido, mas ele, nessa
as metrópoles a outras regiões. Com base nessa condição, vive em rede, vive em trânsito, e
proposição, buscou-se analisar fenômenos que consome lugares diferentes do seu local de
se organizam em redes para se espraiar mundial- origem. Esse entendimento é priorizado na
mente e que se fortalecem porque têm a possibi- Situação de Aprendizagem 3, com algumas
lidade de atuar globalmente. Isso é exemplificado problematizações conceituais para analisar
pelo fenômeno da expansão das redes e dos hábi- situações complexas.
tos de consumo, pelo fenômeno turístico e pelas
redes de ilegalidade. Outro aspecto já mencionado, destacado
como discussão necessária à compreensão do
Na Situação de Aprendizagem 1, os esfor- mundo contemporâneo, refere-se à capacidade
ços concentram-se em destacar a importância das organizações que operam em escala mundial
do estudo dos espaços internos das cidades de influenciar e agir com mais eficácia e poder.
para a compreensão da Geografia contempo- A Situação de Aprendizagem 4 propõe reflexões
rânea. Ressaltam-se várias proposições de tra- sobre as redes de ilegalidade, exemplo de suma
balho sugeridas para essa dupla condição das importância para ilustrar esse caso. Essas redes
cidades: de promover muitas relações internas também estão em expansão e são mais acessí-
entre seus habitantes e, ao mesmo tempo, fun- veis e desembaraçadas num mundo que ainda
cionar como configuração polarizadora de não construiu controles para o funcionamento
relações em outras escalas. Os conceitos que seguro e democrático da escala global.
serão enfocados na Situação de Aprendiza-
gem 1 vão servir como base para discutir os
hábitos de consumo modernos, praticados nos Competências e habilidades
espaços das grandes metrópoles, e que acabam
reestruturando os espaços internos dessas ci- Espera-se que as atividades aqui propos-
dades. Ao mesmo tempo, esses hábitos de con- tas contribuam para o desenvolvimento das
sumo são irradiados para outras realidades, seguintes competências:

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ff Construir e aplicar habilidades relativas ao ff Construir e aplicar conceitos da Geografia
domínio da linguagem cartográfica (leitura Urbana e do Turismo, como: cidade rela-
e confecção), como meio de visualização cional, cidades mundiais, metrópole, turis-
sintética da relação entre realidades geo- mo, espaços turísticos e consumo local.
gráficas distintas.
ff Relacionar o processo de integração mundial
ff Selecionar, organizar, relacionar e interpre- à formação de redes de cidades, às redes de
tar dados e informações, representados de consumo e às redes de negócios ilegais.
diferentes formas (visualmente, tabelas ou
em texto) para construir e confrontar vi- Metodologia e estratégias
sões de mundo.
Pretende-se que este Caderno seja uma in-
ff Agrupar diferentes realidades em classes trodução à nova complexidade do mundo, e
com critérios comuns, como meio de orga- também mostre que essa realidade se mani-
nizar informações e buscar alguma coerên- festa com a formação de novas redes sociais
cia nos dados. que operam para além dos seus territórios,
percorrendo e influenciando o mundo. Os
ff Construir conceituação e aplicá-la em di- casos das cidades globais, das redes de con-
versas situações. sumo, do turismo e das redes da ilegalidade
servem para dar concretude ao conceito que
ff Identificar e distinguir realidades na escala é trabalhado.
mundial e as mudanças de percepção com
as mudanças de escala. Para atingir os objetivos das Situações de
Aprendizagem, são utilizadas ao longo do Ca-
ff Comparar realidades geográficas variadas derno duas estratégias principais combinadas:
que se expressam em diversas escalas, como
meio de perceber que certas configurações 1. Sempre problematizar de forma dialogada
permitem maior conexão com outras esca- com os estudantes a realidade por eles per-
las e com a escala mundial do que outras. cebida. Ao se pedir que eles revelem como
percebem as grandes cidades, as cidades
ff Identificar e distinguir configurações espaciais onde moram e o processo do consumo nas
diferentes, como redes geográficas de cidades concentrações urbanas, espera-se que o
globais e de “paraísos fiscais”, por exemplo. estímulo à percepção funcione como ma-
téria-prima para a construção de quadros
ff
Identificar e relacionar ligações entre as analíticos para que, em seguida, os alunos
práticas da vida cotidiana e as configura- possam retornar às suas próprias realidades,
ções espaciais em que elas se desenvolvem. analisando-as mais instrumentalizados.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

2. Aproveitar o trabalho anterior para que os Os relatórios das atividades coletivas,


estudantes analisem textos e observem e inter- a observação e a interpretação das repre-
pretem representações cartográficas comple- sentações cartográficas, dos textos e das ta-
xas. O objetivo é que, a partir dessa observa- belas também são produtos para avaliar o
ção, eles consigam perceber a complexidade aproveitamento dos alunos e a natureza da
da realidade geográfica em que vivemos. aprendizagem. Todas essas formas de ava-
liação estão contempladas nas atividades
Avaliação sugeridas.

A participação dos alunos nas aulas dialó- A realização de exercícios, tanto com ques-
gicas e nos trabalhos em grupo deve se cons- tões abertas quanto de múltipla escolha, deve
tituir, como sempre, item-chave de avaliação. ser considerada peça importante do processo
Para garantir uma participação produtiva, é ensino-aprendizagem. Nesse momento, o pro-
indispensável uma boa orientação, que deve fessor conseguirá perceber em que medida os
integrar a aprendizagem de diversas habilida- conteúdos desenvolvidos fizeram diferença
des, tais como a capacidade de expressão oral para cada um dos alunos e o que deverá ser
e escrita, o trabalho coletivo, a capacidade de retomado ou redirecionado para se atingir os
organização e o espírito de cooperação. objetivos propostos.

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
CIDADES: ESPAÇOS RELACIONAIS, ESPAÇOS DE CONEXÃO
Nesta Situação de Aprendizagem, procu- outra escala geográfica, com outras cidades,
ra-se trabalhar conceitualmente, e também na com outras culturas, com o mundo.
prática, os significados e os efeitos sociais da
configuração espacial que é a cidade. As cida- Nas cidades, os seres humanos aglome-
des são espaços relacionais por excelência, nas ram-se e diminuem as distâncias entre si, mas,
quais se produziu e se produz o fundamental ao mesmo tempo, conectam-se e associam-se
dos elementos estruturadores do mundo mo- a espaços distantes. Elas são, portanto, a an-
derno, incluindo o campo da cultura, em seu títese do isolamento geográfico. As caracte-
sentido mais amplo. Não são apenas espaços rísticas essenciais, em especial as das grandes
que promovem relações no seu interior, mas que cidades, serão buscadas e trabalhadas durante
conectam seus habitantes a redes sociais de esta Situação de Aprendizagem.

Tempo previsto: 6 aulas.

Conteúdos: cidade; urbano; espaço relacional; isolamento geográfico; conexão; trocas e vínculos entre
escalas geográficas diferentes; cidades globais; redes geográficas.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem cartográ-


fica, como meio de visualização da geografia do urbano; selecionar, organizar e relacionar informações
extraídas de uma metrópole, como meio de interpretação de outras realidades; identificar e distinguir
realidades na escala mundial e as mudanças de percepção com as mudanças de escala; identificar e
distinguir configurações espaciais diferentes como redes geográficas de cidades globais; comparar reali-
dades geográficas diversas para perceber que certas configurações permitem maior conexão com outras
escalas e com a escala mundial do que outras.

Estratégias: uso e problematização da cartografia como forma de apresentação das cidades; construção
de quadro de características das cidades voltadas para as relações com outras escalas; aplicação do qua-
dro em situações concretas; proposição de exercício cartográfico para a localização das cidades globais;
exposição da relação consumo-cidade; exposição e interpretação cartográfica sobre a expansão de uma
rede mundial símbolo do consumo urbano; aulas dialógicas.

Recursos: mapas; textos.

Avaliação: observação e interpretação dos mapas; processo de construção participativa de quadros ana-
líticos; aplicação em grupo de quadro analítico em situações concretas.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Etapa prévia – Sondagem inicial e tem a responsabilidade de trazer à luz do dia


sensibilização o que essas lógicas escondem.

Embora pareça muito óbvio e banal, lan- Após questionar os estudantes sobre o que
çar para uma classe de estudantes a questão é cidade, você deve registrar as respostas na
sobre o que é uma cidade pode ser muito in- lousa por intermédio de palavras-chave que
teressante. Algumas surpresas podem surgir. certamente vão aparecer (talvez seja preciso
A despeito da familiaridade com essa con- algum exemplo inicial). É provável que apare-
figuração espacial, é comum encontrarmos çam palavras e expressões como: concentração,
dificuldade para discursar a respeito. Sobre aglomeração, muita gente junta, lugar que tem
a cidade, vive-se o mesmo impasse que o fi- muitas coisas, lugar que tem confusão etc.
lósofo católico Santo Agostinho (354-430)
mencionava quando o tema era o tempo. Di- O que propomos na sequência é que você
zia ele algo assim: “O tempo... se não me comente as palavras e as expressões, chamando
perguntam sei o que é, mas se me pergun- a atenção para o fato de que, na maioria delas,
tam... já não sei mais”. há um componente espacial: concentração,
muita gente e objetos em direção a um cen-
Normalmente, esse tipo de situação ocorre tro, a um único ponto do espaço; aglomeração
quando estamos diante de fenômenos que, de tem o mesmo sentido; muita gente junta, lugar
tão presentes em nossas vidas, não são mais que tem muitas coisas são formas comuns de se
alvo de nossa atenção, porque evidentemente referir a aglomeração e a concentração; lugar
já o conhecemos. Isso ocorre com o tempo, que tem confusão já é uma afirmação que ava-
com o espaço, com o rural, com o urbano lia o ajuntamento no espaço como algo difícil
e com a cidade, por exemplo. Mas o que sa- de ordenar, logo, a bagunça.
bemos? Como sondagem inicial, sugerimos
que você faça esse teste com seus alunos e Vale chamar a atenção dos estudantes
cheque o que eles sabem e como discursam para o fato de que concentração, aglomera-
sobre esse fenômeno geográfico complexo ção e ajuntamento são formas espaciais, ma-
que é a cidade. neiras de se construir espaços, que diminuem
a distância entre as pessoas e os objetos, e
E por que isso é importante? Porque, ape- que são conceitos opostos à expansão, à dis-
sar de imersos nessa configuração espacial persão e ao espalhamento, que são ocorrên-
que é a cidade, muito dos seus sentidos e de cias espaciais que aumentam as distâncias
sua força em nossa vida escapam de nossas entre as pessoas e os objetos. Uma questão
consciências. Como a Geografia é uma dis- pode ficar para reflexão dos estudantes: Não
ciplina que volta sua atenção às lógicas es- será essa forma espacial, a concentração, a
paciais que percorrem nossas sociedades, ela essência da cidade?

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Etapa 1 – Abrindo a caixa-preta das os alunos estão vendo, o que podem destacar
cidades no mapa.

Após a sondagem inicial, esta Situação de Seguramente, eles mencionarão as várias bo-
Aprendizagem prossegue com algo bem sim- linhas pretas que representam o conjunto das ci-
ples: a observação atenta do mapa do Estado dades. A única diferença é a cidade de São Paulo,
de São Paulo, com suas principais cidades que recebe destaque ao ser representada por uma
assinaladas (Figura 1). bolinha preta com um círculo em volta. Talvez os
alunos percebam que a maior concentração des-
Para iniciar esta etapa, você pode pergun- sas bolinhas acontece nas proximidades da capi-
tar se todos reconhecem o mapa. Espera-se tal e elas se dispersam em direção ao interior.
que a resposta seja afirmativa. Aliás, essa
familiaridade é importante para a argumen- A seguir, apresente alguns dados sobre o
tação que virá depois. Na sequência, enfati- Estado de São Paulo, referentes ao que está
zando que o principal aspecto a ser observado representado no mapa (Figura 1), conforme o
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são as cidades, você pode perguntar o que texto a seguir.

Votuporanga
Franca
São José Barretos
MATO GROSSO
do Rio Preto
DO SUL
MINAS GERAIS
Araçatuba Catanduva Ribeirão
Preto

Presidente
Venceslau Tupã Pirassununga
São Carlos
Marília
Presidente
Prudente Bauru Rio Claro Araras RIO DE
Piracicaba Americana JANEIRO
Assis
Botucatu Aparecida Guaratinguetá
Ourinhos Campinas Pindamonhangaba
Avaré
Jundiaí São José Taubaté
Itu dos Campos
São Ubatuba
Sorocaba Santo André
Itapetininga Paulo
PARANÁ Mogi das Cruzes
São Bernardo do Campo
Santos
Capão Bonito

OCEANO
ATLÂNTICO N

0 240 km

Figura 1 – Estado de São Paulo: cidades mais importantes. Fonte: Organizado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o
São Paulo faz escola.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

A população urbana do Estado de São Paulo


Jaime Oliva

Desde 1997, o Estado de São Paulo possui 645 municípios. O município é uma unidade política e
administrativa, interna aos territórios dos Estados brasileiros. No interior de cada município, define-se o
que é a área urbana. Em geral, é a área sede do município, ou seja, a cidade propriamente dita. Somados
todos os habitantes das áreas urbanas dos 645 municípios, chegamos ao volume da população urbana
do Estado de São Paulo: em 2005, foram contabilizados 37 milhões de habitantes residindo em áreas
urbanas (93,7% do total). Logo, a população rural correspondia a apenas 6,3% da população.

Há regiões do Estado cuja concentração urbana é tão elevada que a população urbana de municípios
vizinhos compõe um único espaço urbano de escala local. É o caso da capital e dos municípios vizinhos
que, somados, formam uma das maiores metrópoles do mundo. No Estado de São Paulo, visando a
ações administrativas, foram oficializadas três regiões metropolitanas: São Paulo, Baixada Santista e
Campinas. Ainda em 2005, a região metropolitana de São Paulo concentrava, sozinha, 47,9% da popula-
ção paulista – a melhor expressão da concentração populacional dessa região é o número de habitantes
por quilômetro quadrado: 2 376,2 hab./km2. Por sua vez, a região metropolitana de Campinas respondia por
14,6% da população paulista, e a maioria absoluta da população dessa região era urbana. Logo, 62,5% da
população do Estado se concentrava em apenas dois núcleos espaciais, quase inteiramente urbanos.

Evidentemente, essas duas áreas possuem um enorme dinamismo econômico. Há outros núcleos
menores, também dinâmicos, que vêm se tornando importantes polos de concentração, como São José
dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Seguindo essa lógica de concentração
demográfica em poucos núcleos, na maior parte do território do Estado serão encontradas baixas den-
sidades demográficas. Por exemplo: na região administrativa de Registro, no sul do Estado, a densidade
demográfica, em 2005, era de 23,6 hab./km2.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola com base nos dados do Atlas Seade da Economia Paulista. Disponível
em: <http://www.seade.gov.br/produtos/atlasecon/intro/cap2_intro.pdf>. Acesso em: 17 maio 2013.

Após a leitura desse texto, você pode vin- mostrando um processo impressionante de
cular o que foi trabalhado na sondagem inicial aglomeração da população em algumas pou-
com os dados demográficos do Estado de São cas cidades, como os exemplos das metrópoles
Paulo. Aproveite ainda para conceituar popu- de São Paulo e de Campinas demonstram?
lação absoluta e densidade demográfica.
Diante da evidência dos dados e informa-
Se cidade é concentração, aglomeração, ções, talvez seja adequado aferir seus efeitos
ajuntamento de gente e de objetos, o que as in- junto à turma toda. Na verdade, o que se es-
formações expostas no texto evidenciam? Es- pera aqui não é simplesmente que eles tenham
tão mostrando um processo de concentração acesso à visão da estrutura espacial e social
das pessoas nas cidades? Mais que isso: estão do Estado de São Paulo. O que se pretende

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é ir além e enfrentar uma questão bem in- é construído por uma cartografia que se vin-
teressante nos estudos de Geografia, e na cula a uma visão tradicional da Geografia.
própria visão de senso comum que se tem da O texto a seguir sintetiza, em várias dimen-
geografia dos lugares, algo que em boa medida sões, a questão a ser ressaltada:

A cartografia geográfica e as cidades


Jaime Oliva

A Geografia não mapeava os espaços internos das cidades, reduzia-os a bolinhas pretas em mapas de
outra escala, como o do Estado de São Paulo.
Os mapas da Geografia são dominantemente de escala geográfica regional, nacional ou mundial,
quer dizer, são mapas em que a maior parte da representação diz respeito aos vazios demográficos, já
que nessas escalas as cidades viram bolinhas.
Raramente se vê numa aula de Geografia, em atlas geográficos escolares e nos livros didáticos mapas
dos espaços internos das cidades.
A questão não é referente apenas aos mapas, pois, na Geografia, as cidades não despertaram a aten-
ção que mereciam.
Os espaços humanos mais complexos – centros geradores e comandantes da economia e da cultura moder-
nas e espaços de moradia da maioria da população – são negligenciados pela Geografia e pela Cartografia.
Assim, nega-se aos estudantes o acesso direto às realidades geográficas que lhes são mais imediatas.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Mas, antes de chegar a essas reflexões crí- de São Paulo ou Campinas: tamanho da
ticas, seria interessante que você propiciasse população; recursos econômicos (indús-
aos alunos um percurso que lhes sensibilize. tria, comércio, serviços); recursos culturais
Temos algumas sugestões. (universidades, artes); instituições políticas
e estatais etc. Você deve ajustar o que eles
ff Pergunte se o mapa do Estado de São Paulo concluírem. A ideia aqui é que os estudan-
dá a eles alguma ideia ou visão da realidade tes vislumbrem o mundo que as bolinhas
revelada pelos dados do texto A população do mapa não conseguem representar (até
urbana do Estado de São Paulo. Isso per- porque não é esse o objetivo do mapa).
mitirá que os alunos sintam a inadequação
do mapa do Estado para a expressão dessa Depois desse exercício, pode-se apresen-
realidade espacial em que se quer ressaltar tar os mapas das duas áreas metropolitanas
os espaços humanos. mais importantes do Estado: a de São Paulo
(Figura 2), que está entre as maiores aglo-
ff Peça que, em grupo, listem as caracterís- merações do mundo de escala local, e a de
ticas de uma área metropolitana como a Campinas (Figura 3).

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Na Figura 2, as manchas assinaladas em impressionante aglomeração humana a abertura


rosa, que incluem o município de São Paulo, e o relacionamento com os mundos externos?
compõem a área urbana, cuja população, em
2007, era de cerca de 18,8 milhões de habitantes Essa questão pode desdobrar uma opor-
(cf. Institut National de la Statistique et des tunidade interessante para revelar o potencial
Études Économiques, 2009). relacional de uma grande cidade, e como esse
gênero de configuração espacial é decisivo para
Atenção! a compreensão da geografia do mundo em que
Professor, esteja atento às cores do vivemos. Pois, para além do seu espaço interno,
mapa nos Cadernos, pois elas podem so- uma grande cidade estende seus tentáculos – a
frer alterações na impressão. metrópole de São Paulo, que soma vários mu-
nicípios –, cria imensas redes sociais, que, por
O número de edificações, de infraestruturas vezes, alcançam a escala global.
urbanas, de negócios diversos e de recursos cul-
turais é imenso nessa grande metrópole que é, Provavelmente, ninguém entende uma
em si, um mundo. Ser um mundo em si significa grande cidade como um espaço isolado geo-
que, em sua relativa pequena extensão espacial, graficamente, mas certamente é necessário
há um máximo de concentração de população examinar com detalhes todos os elementos
e de objetos geográficos construídos pelos se- de uma grande cidade, que comprovam sua
res humanos. Mas, para apreender de uma ma- articulação com regiões bem mais amplas.
neira mais profunda e completa a verdadeira Nessa direção, sugerimos que você promova
natureza dessa configuração espacial, deve ser na classe uma espécie de inventário qualificado
respondida uma indagação fundamental, que dos elementos que integram a grande cidade e
pode ser enunciada nos seguintes termos: que indicam como sua geografia se estende
para espaços bem mais amplos e distantes. A
Trata-se de um mundo isolado geografica- seguir, vamos citar um exemplo que indica a
mente, ou ao contrário: seria vocação dessa continuidade do inventário:

Alguém, em sã consciência, poderia entender que uma grande cidade teria uma população composta
apenas por pessoas nascidas em seu território? Como se poderia reunir num espaço concentrado, de distân-
cias reduzidas, cerca de 18,8 milhões de pessoas, como no caso da RM de São Paulo (dados de 2007)? Ainda
mais considerando que, há 50 anos, essa população não ultrapassava 4 milhões de habitantes. O que explica
essa multiplicação acelerada da população? A migração de pessoas de outras partes do Estado de São Paulo,
do Brasil e do mundo é a principal fonte do povoamento de uma grande cidade. Antes de tudo, toda grande
cidade é uma concentração de migrantes e imigrantes que, em geral, não perdem o vínculo com suas loca-
lidades de origem (no mínimo se correspondem). Isso, por si só, já significa ligações da cidade com outras
sociedades e outros espaços. Já significa a formação de redes sociais, inerentes a qualquer grande cidade.

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Figura 2 – São Paulo: região metropolitana. Fonte: Instituto Geográfico e Cartográfico – IGC. São Paulo, 2007.
Mapa ampliado em relação ao seu tamanho original.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

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Geo_8a_4bi_m003
Campinas: região metropolitana
Rio Araras Conchal
Claro
Mogi Mirim Águas
Santa Cordeirópolis
Gertrudes
Engenheiro Itapira de Lindoia
Coelho
Lindoia

Iracemápolis Artur Nogueira


Serra MINAS GERAIS
Limeira Negra
Holambra Socorro
Santo Antônio
de Posse
Cosmópolis
Jaguariúna Amparo
Monte Alegre
Piracicaba Pedreira do Sul
Americana
Paulínia
Santa Nova
Bárbara Nova Barão de Pinhalzinho Pedra Bela
Veneza Geraldo
d´Oeste Odessa
Sumaré Tuiuti
Rio das Nova Souzas
Pedras Hortolândia Aparecida
Morungaba Vargem
Campinas Joaquim
Mombuca Egidio
Bragança Paulista Joanópolis N
Capivari Monte Mor Valinhos Itatiba
0 10 km
Piracaia
Vinhedo
Rafard Elias Fausto Região Metropolitana de Campinas
Louveira Divisão Político-Administrativa, 2002
Atibaia
Indaiatuba
Jarinu Limite de Município
Itupeva
Limite de Distrito
Nazaré
Porto Feliz Jundiaí
Bom Jesus Sede de Município Igaratá
Paulista
Itu Campo Limpo dos Perdões
Salto Várzea Paulista Sede de Distrito
Paulista

Figura 3 – Campinas: região metropolitana. Fonte: Instituto Geográfico e Cartográfico – IGC e Emplasa/DIF/CIE – Coordenadoria
de Informações Estatísticas. Elaboração: Emplasa, 2002.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Trabalhado esse exemplo, você pode orga- populacional baseada em migração e imigra-
nizar os estudantes em pequenos grupos e en- ção. Além de identificar os elementos, os alunos
carregar cada um deles para encontrar três devem explicitar como cada um deles se articula
elementos de uma grande cidade (talvez seja com espaços que ultrapassam o espaço local. O
conveniente manter-se no exemplo de São quadro a seguir exemplifica algumas possibili-
Paulo) que comprovem sua abertura para o dades que podem compor o inventário dessas
mundo, como no caso citado da composição características que constituem a grande cidade.

Até onde vão as redes sociais e geográficas das grandes cidades?


Características
Redes de influência
(elementos integrantes)

Por ter base imigratória, estimula a manutenção de vínculos geográficos com as


1. População
áreas de origem dos habitantes.

2. Tamanho da Os grandes volumes populacionais de uma grande cidade atraem negócios


população (I) que têm origens em outros lugares, inclusive no exterior.

3. Tamanho da Os grandes volumes populacionais das grandes cidades sustentam negócios lo-
população (II) cais, que se tornam poderosos e se estendem para outras cidades, até ao exterior.

Com esses volumes populacionais e de negócios que se estendem para além


4. Infraestrutura de
dos seus espaços, as grandes cidades estimulam e constroem redes internas e
transportes
externas de ligação (estradas de rodagem, rotas aéreas, rotas marítimas etc.).

Em virtude do volume de pessoas, de negócios e das relações internas e exter-


5. Infraestrutura de nas que se estabelecem numa grande cidade, todas terminam se equipando,
comunicação necessariamente, com sistemas telefônicos, sistema de correios e internet. Em
geral, com o que há de mais avançado em termos tecnológicos.

O público interno das grandes cidades estimula e sustenta a imprensa escrita,


6. Infraestrutura de
o rádio e a televisão e, assim, surgem grupos poderosos, cujas informações
informação
influenciam outras localidades.

Redes de diversos negócios (corporações transnacionais, por exemplo) optam


por sediar seus escritórios de comando de suas atividades no mundo nas gran-
7. Atividades
des cidades, tidas como lugares geográficos estratégicos para essas funções, en-
econômicas (I)
tre outras razões, pelas infraestruturas de longo alcance (transportes, comuni-
cações e informações). Isso em todos os ramos (indústria, comércio, finanças).

As grandes cidades centralizam certos fluxos que articulam a economia mun-


8. Atividades
dial, como bolsas de valores, bolsas de mercadorias (commodities) e sedes dos
econômicas (II)
grandes grupos financeiros.

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Com grande população, as grandes cidades contam com muitas instituições
9. Atividades escolares em todos os níveis de ensino. Possuem universidades e atraem estu-
educacionais (I) dantes e professores de outras localidades que não oferecem toda essa gama
de níveis de ensino.

Por serem polos de atração, as universidades em grandes cidades ganham em


10. Atividades qualidade e em recursos. Isso implica a ampliação das ligações com outras
educacionais (II) universidades do mundo, e envolve a realização de congressos que atraem
pessoas de diversas localidades.

As grandes cidades têm boa estrutura universitária, número significativo de pessoas


com formação científica, o que atrai os institutos de pesquisa científica públicos
11. Atividades
e privados e estimula também as próprias empresas a instalarem seus centros de
científicas
pesquisa nesses espaços. Cidades que têm esse potencial realizado atraem cientistas
e estudantes de outras partes do mundo.

As grandes cidades fomentam muitas atividades culturais para seu público


12. Atividades interno, mas também atraem espetáculos culturais de várias localidades do
artísticas mundo, em todos os ramos artísticos. Festivais de música e de cinema são
comuns nas grandes aglomerações urbanas.

Numa cidade que sedia grandes negócios, com atividades culturais e cien-
tíficas de importância, com infraestrutura de circulação de bens materiais e
13. Sistema de
imateriais, é natural a circulação de muitos visitantes de fora, ou seja, turistas.
hospedagem
A estrutura de hotéis, por exemplo, torna-se um equipamento presente nas
grandes cidades.

As grandes cidades, com suas poderosas infraestruturas de transportes, co-


municação, informação, seus negócios, suas ciências, suas artes, terminam
14. Hábitos culturais
sendo irradiadoras de seus modos de vida, de seus hábitos comportamentais,
de consumo etc.

Algumas grandes cidades devem parte do seu crescimento à decisão de serem


capitais de um país. Isso porque a sede do poder político demanda infraestru-
tura para levar suas decisões a territórios mais amplos. Mas cidades grandes
15. Poder político
que não são sede do poder político terminam, mesmo assim, por todos os
outros fatores mencionados no quadro, tendo muita força e influência política
em territórios mais amplos.

Listados 15 pontos que ajudam a abrir um pouco a caixa-preta das cidades, em especial das gran-
des cidades. Podem-se acrescentar vários outros ou organizá-los de diversas formas. Eles servem de
exemplo dos elementos geográficos de uma grande cidade que exercem seu papel muito além do
espaço local, da escala local.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Voltando à atividade sugerida aos estu- paulista, assim como algumas das principais
dantes, quais foram os resultados que cada lideranças saíram dessa cidade (que vai além
grupo obteve? De posse dos resultados, você do município de São Paulo). Os interesses
pode montar o quadro. Eliminando as repe- formados nessa cidade costumam ter força
tições e tendo como referência o quadro de política no quadro nacional. A proposta é
exemplos apresentado anteriormente, deba- que os alunos apliquem as ideias desenvol-
tendo e ajustando o que os alunos levantaram, vidas num quadro real. Não importa tanto o
a ideia é que se feche o quadro do inventário resultado a que vão chegar, pois o precioso,
dos elementos geográficos das cidades. No nesta atividade, é esse exercício de reflexão,
momento seguinte, esse quadro pode ser observação e construção de um produto. Você,
enriquecido com fatos concretos. Você pode mais do que ninguém, sabe das deficiências de
devolver aos grupos três itens do inventário informações que os alunos podem ter e sa-
(no quadro referência são 15) e pedir que berá ajudar os estudantes a buscar elementos
eles pensem diretamente numa cidade real para realizar o exercício.
– no caso, São Paulo será a mais adequada.
Desse modo: Como conclusão dessa etapa, um tema
pode ser apresentado para uma breve redação
o item ↔ São Paulo = ? dos estudantes, depois de eles terem termi-
nado o trabalho em grupo:
Vejamos dois exemplos:
Faz sentido afirmar que as cidades, em es-
Exemplo 1: Item 12 (Atividades artísticas) ↔ pecial as maiores, são espaços relacionais por
São Paulo = a cidade sedia uma mostra in- excelência? Por quê?
ternacional de cinema anual de muito pres-
tígio e festivais de música de vários gêneros; Em resumo, esta etapa da Situação de
tem uma estrutura razoável de salas de ci- Aprendizagem estruturou-se em seis mo-
nema e de espetáculos e recebe espetáculos mentos:
e artistas do Brasil e do mundo rotineira-
mente; tem museus e exposições bem visita- 1. Exercício cartográfico de observação de
dos, inclusive recebe público que viaja com três mapas de escalas distintas: um de es-
esse objetivo etc. cala regional (do Estado) e dois de escala
urbana (não municipal, pois, no caso das
Exemplo 2: Item 15 (Poder político) ↔ São grandes cidades, costumam ser de escala
Paulo = a cidade não é a capital do Brasil, mas inferior ao fenômeno urbano).
é a maior e a mais influente cidade do país.
Alguns dos principais partidos que atuam na 2. Questionamentos e sugestões de reflexões
política nacional têm origem na metrópole com o intuito de mostrar a inadequação

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presente nas aulas e materiais de Geogra- segundo os itens do inventário, que funciona-
fia, que estudam e representam pouco a rão como critérios de análise. A linha de análise
escala urbana. é a mesma da etapa anterior: item X ↔ cidade
Y = ?. Se a cidade for média ou pequena, pode
3. Proposição de reflexão sobre a condição ocorrer algo semelhante aos dois exemplos
das cidades em relação às suas conexões: que vamos dar:
são isoladas ou intensamente conectadas?
Exemplo 1: Item 9 (Atividades educacio-
4. Proposição de um quadro complexo (com nais I) ↔ Cidade média (+ 70 mil habitantes)
exemplos e encaminhamento de produção = por escassez de demanda, é bem provável
coletiva) da cidade: um inventário sobre que alguns níveis de ensino não existam, por
elementos geográficos que implicam cons- não haver público suficiente, nem interesses
truir e agir sobre redes sociais para fora da estabelecidos para que existam esses cursos,
cidade. por exemplo. Os interessados dessa cidade em
frequentar cursos superiores deverão procurar
5. Aplicação dos resultados obtidos com o in- vagas em outras cidades maiores.
ventário no caso concreto de São Paulo.
Exemplo 2: Item 4 (Infraestrutura de trans-
6. Redação final sobre a condição relacional portes) ↔ Cidade média (+ 100 mil habitan-
das grandes cidades. tes) = boa malha rodoviária em sua direção;
bom número de linhas de ônibus para cidades
Etapa 2 – Cidades: plataformas para da região e para a capital, mas, para outras
a transição das escalas geográficas localidades do país, é preciso ir para outra ci-
dade maior onde se pega outro ônibus; para
Esta etapa da Situação de Aprendizagem uma viagem aérea, deve-se ir para a capital ou
pode começar com a recuperação do que foi para outra cidade maior do Estado que possui
discutido na etapa anterior e a aplicação de aeroporto.
novas situações. O inventário dos elementos
que integram as cidades e que se vinculam a re- Qual o objetivo da atividade? A resposta
des sociais de outra escala, construído em sala é simples. O que está sendo medido é a força
de aula, pode agora ser utilizado para avaliar da cidade de extrapolar seus próprios limi-
outras cidades, como, por exemplo, na qual tes; alimentar redes sociais de outras escalas;
se situa a escola. Para as escolas da cidade de atrair mais moradores, negócios e eventos. É
São Paulo, sugerimos que se avalie uma nova evidente que uma cidade média perderá, por
cidade, escolhida por você. Não importa o comparação, para uma cidade grande, que tem
tamanho e as condições da cidade que vai ser mais recursos para saltar para outras escalas
avaliada. O que conta é que ela seja avaliada geográficas de relações. Porém, nem sempre o

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

tamanho é inteiramente decisivo. Uma cidade catalogá-la como uma metrópole, embora me-
como Londres, em 2007, contava com uma nor e menos influente que São Paulo. Outros
população de cerca de 8,6 milhões de habi- centros urbanos do Estado não chegam a essa
tantes (cf. Institut National de la Statistique et condição, mas poderá se notar a presença de
des Études Économiques, 2009), ou seja, bem alguns elementos metropolitanos em algumas
menor que São Paulo, mas ela levaria vanta- delas: São José dos Campos, Ribeirão Preto e
gem em vários itens do inventário construído, São José do Rio Preto, por exemplo.
se comparada à capital paulista.
E olhando para o mundo? Vamos lembrar
Com o objetivo de caracterizar a condi- uma expressão que está sendo muito utilizada
ção das cidades quanto à sua capacidade de desde os anos 1990: cidades globais (ou mun-
influenciar e se articular com outros espaços e diais). Como o próprio nome diz, são aquelas
outras sociedades, os estudiosos do fenômeno cujas influências têm escala mundial de fato.
urbano têm procurado classificá-las. Nesse Mais até: seriam os lugares mais estratégicos
esforço, vários termos vêm sendo emprega- da globalização, os principais lugares da rede
dos: metrópoles; megalópoles (megapólis e de relações econômicas que forjam a globali-
gigapólis); cidades mundiais ou globais; arqui- zação. Nos anos 1990, admitia-se que apenas
pélago megalopolitano mundial; entre outros. três metrópoles chegavam a tanto: Tóquio,
Nova Iorque e Londres. Hoje, já se admite que
Todos esses termos referem-se a cidades há outras que podem ser consideradas cida-
ou reunião de cidades (espaços urbanos) que des mundiais. E São Paulo? Ainda, segundo
têm a capacidade de se inserir em escalas mais esse modo de classificar as cidades, não teria
elevadas e, no limite, na escala mundial. A de- alcance global, mas teria forte alcance regional
finição de metrópole mais comum diz respeito ou zonal.
à sua capacidade de comandar territórios, so-
ciedades e negócios para além de seu próprio Mas essa forma de classificar isoladamente
território. cidades é bem discutível. Talvez o ideal fosse
apenas verificar se a cidade propicia o acesso
São Paulo corresponderia a essa situação? cotidiano de sua população e de suas rela-
Eis uma ótima questão para você lançar para ções à escala mundial. E isso São Paulo pro-
a turma. Os estudantes já exercitaram bem as porciona de forma evidente. Nesse caso, seria
características dessa cidade, mas agora elas uma cidade global. Não somente porque in-
serão confrontadas com o conceito de metró- fluencia, mas porque recebe a influência e
pole. São Paulo é, sem dúvida nenhuma, uma pertence à rede geográfica da globalização.
grande metrópole. E as outras cidades avaliadas
pelos estudantes? Se fosse Campinas, certa- Você pode destacar nesse caso algo muito
mente seriam encontradas características para importante: São Paulo é uma cidade global e

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não é uma cidade global. Mas qual é a reali- discutir se São Paulo é ou não uma cidade
dade? É ou não é? A realidade existe, mas ela global.
somente chega até nós conforme a olhamos.
E, no caso, mencionamos duas formas de in- Algo mais pode ser acrescentado à questão
terpretar essa realidade: das cidades e às suas relações que se estendem
a outras escalas: certas regiões do mundo reú-
1. Conforme o critério de capacidade isolada nem em espaços de pequenas extensões mais
de influência, São Paulo tem força para in- de uma metrópole, que articulam de tal modo
fluenciar muito pouco na escala mundial, as relações entre si que é justo se falar num
logo não é uma cidade global (uma metró- espaço urbano de outra escala, a escala regio-
pole global). nal. Esse espaço urbano que articula intensa-
mente mais de uma metrópole é comumente
2. Segundo o critério de pertencimento a redes designado como megalópole. Numa megaló-
sociais e econômicas de relações que carac- pole, encontram-se mais claramente os ele-
terizam a globalização, São Paulo é plena- mentos de integração na escala global.
mente uma metrópole global.
Neste momento, para concluir esta etapa
Qual dos dois critérios mencionados revela da Situação de Aprendizagem e encaminhar
melhor a realidade que vivemos? Essa discus- uma atividade final, pode-se trabalhar com o
são é mais importante do que simplesmente quadro seguinte (Figura 4):

Arquipélago Megalopolitano Mundial (ou Global)


Megalópoles Localização
Nova Iorque – Filadélfia EUA (costa leste)
Principais Dorsal Europeia – Londres – Paris Europa
Tóquio – Osaka Japão
Chicago – Pittsburgh EUA (Grandes Lagos)
Los Angeles EUA (costa do Pacífico)
Secundárias Seul – Shangai – Pequim – Hong Kong – Cingapura Ásia (costa do Pacífico)
Rio de Janeiro – São Paulo (incluindo Campinas e Polígono do Mercosul
Santos) – Buenos Aires (América do Sul)
Figura 4 – Arquipélago megalopolitano mundial (ou global). Fonte: Organizado especialmente para o São Paulo faz escola, com base
nos dados de: DAGORN, René. Archipel Mégalopolitain Mondial. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, Michel (Org.). Dictionnaire de
la Géographie et de l’espace des sociétes. Paris: Belin, 2003. p. 81-83; LÉVY, Jacques. Le tournant géographique. Paris: Belin, 2000. p. 398;
LÉVY, Jacques. Europe: une géographie. Paris: Hachette, 1997. p. 288.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Neste quadro estão mencionados e localiza- politano Mundial. Também os representa-


dos os principais centros urbanos, que, como rão, circundando cada um dos conjuntos.
grandes ilhas em conjunto, formam uma espé- Como esses núcleos são bem articulados, os
cie de arquipélago: Arquipélago Megalopoli- estudantes terão uma ideia de até onde vão
tano Mundial. Essa seria, como alguns autores e de onde vêm os bens materiais (mercado-
dizem, a estrutura espacial básica da globaliza- rias) e imateriais (informações, influências)
ção. E São Paulo faz parte dessa estrutura. que cercam nossas vidas no Estado de São
Paulo. E vão sentir o peso e o papel das ci-
A sugestão é que os estudantes, agora reu- dades. É importante que você oriente os es-
nidos em grupos, finalizem suas observações e tudantes para a organização de uma legen-
reflexões sobre as cidades metropolitanas e sua da que indique a representação dos núcleos.
condição de plataformas para transição de es-
cala geográfica. 2. Outra sugestão é que neste momento se
recupere a discussão sobre os critérios que
1. Utilizando atlas geográficos e também definem o que é uma cidade global. Afinal,
mapa-múndi político, os estudantes locali- é justo incluir São Paulo como uma metró-
zarão os núcleos do Arquipélago Megalo- pole integrada na realidade da escala global?

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
AS CIDADES: CRIAÇÃO E IRRADIAÇÃO DO CONSUMO

As configurações urbanas reúnem, na dis- comando, das ciências, das diversas faces da
tância mínima, um número máximo de pes- cultura, da política. Entre as práticas moder-
soas e recursos. Além da imensa massa de nas, uma que tem um peso importante em
relações que se estabelecem entre os habitan- nossas vidas e uma complexidade de múlti-
tes e os recursos de um espaço urbano, a vida plos significados é o consumo. O local funda-
na cidade permite relações em outras escalas mental do consumo é a cidade. Não somente
geográficas, com outros espaços e sociedades. o ato em si, mas também no que diz respeito
Esta última situação ocorre de forma muito à sua invenção e à invenção das necessidades.
eficiente nas metrópoles. Aliás, é por isso que
uma cidade chega à condição de metrópole. Nesta Situação de Aprendizagem, o tra-
balho principal será com dois aspectos do
Não é por acaso que o fundamental da fenômeno consumo: a criação do consumo e
vida humana no mundo moderno se orienta das novas necessidades nas cidades; a sua irri-
por criações que têm origem nas cidades. Es- gação para o mundo a partir das cidades que
ses são os casos da criação econômica e seu participam das redes sociais de escala global.

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Tempo previsto: 4 aulas.

Conteúdos: relação consumo ↔ cidade; expansão de hábitos urbanos de consumo.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem carto-


gráfica, como meio de visualização da Geografia do consumo urbano; identificar e estabelecer relações
entre as práticas da vida cotidiana e as configurações espaciais onde elas se desenvolvem; relacionar o
processo de integração mundial à formação de redes de cidades e à formação das redes de consumo.

Estratégias: destacar o espaço urbano, por meio de aulas dialógicas, como ingrediente de um modo de
vida que necessariamente promove o consumo; construir, para posterior análise, um mapa que permita
visualizar a expansão de redes mundiais de consumo; propor reflexões e organização de resultados por
meio de trabalho coletivo.

Recursos: textos; roteiro orientador para construção cartográfica; atlas; mapa mudo.

Avaliação: participação nas discussões e reflexões de classe; participação no trabalho em grupo de cons-
trução de representação cartográfica.

Etapa prévia – Sondagem inicial e pretende é dimensionar a percepção atual dos


sensibilização estudantes sobre o consumo em suas vidas.
Antes disso, você pode apresentar algumas in-
A Situação de Aprendizagem pode come- formações aos alunos ou apenas considerá-las
çar com uma indagação aos estudantes sobre para conduzir e estimular a participação dos
as relações entre consumo e cidade. O que se estudantes.

A Revolução Industrial e o consumo


Jaime Oliva

A Revolução Industrial na Europa foi marcante no desenvolvimento da prática do consumo na vida


das sociedades modernas. Antes da fase industrial, as unidades familiares camponesas, que tinham se
libertado da ordem feudal, produziam o essencial para seu sustento material e para a manutenção de seu
modo de vida. Elas realizavam praticamente uma economia de subsistência.

Frutas, legumes, verduras e alguns cereais vinham das hortas que as famílias cultivavam. Carnes, ovos e
leite eram obtidos com a criação doméstica de porcos, vacas, cabras e aves. As mulheres preparavam pães,
compotas, queijos, linguiças e alimentos em conserva. A elas cabia a tarefa de costurar e tecer. Os homens
dedicavam-se à lavoura, aos trabalhos de marcenaria e à construção das casas, por exemplo. A vida em famí-
lia e o trabalho não se distinguiam. Trabalhar não era uma atividade separada, que se realizava fora de casa.
As famílias dirigiam-se às feiras e aos mercados urbanos para vender seus excedentes e comprar certos bens.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

O que a transferência desses contingentes O objetivo dessa provocação é estimular


populacionais para as cidades, que a nova uma reflexão que relacione:
industrialização estimulou ou mesmo obri-
gou, impôs a essas pessoas? Um novo estilo
Espaços (geográficos) sociais ↔ modos
de vida. Elas não puderam mais produzir os
de vida ↔ uma prática específica, no caso, o
bens para sua sobrevivência e passaram a ter
consumo
que comprá-los. A vida urbana, nesse sentido,
criou o consumo como meio necessário de
sustentação material dos novos habitantes. A Essa reflexão é um passo importante para
vida urbana estava criando um mercado que, o enriquecimento do olhar dos estudantes
antes, não existia. Logo, o consumo, para co- sobre as realidades: a desnaturalização de
meço de conversa, é resultado de um modo ocorrências que na verdade são construções
de vida num espaço no qual os alimentos são sociais e históricas. Mesmo que as reflexões
produzidos em outras áreas. O consumo de não cheguem a bom termo nesse momento,
nossos meios de vida não é, portanto, algo essa sondagem provocativa pode abrir cami-
natural. É uma construção social fortemente nhos para isso.
vinculada às cidades.

Sugerimos, nessa sondagem inicial, que os Etapa 1 – Os novos modelos de


estudantes sejam estimulados sobre essa rela- consumo e as metrópoles
ção entre consumo e cidade, com a seguinte
questão: Sugerimos que esta etapa seja iniciada com
a discussão da relação entre o elemento es-
O que os habitantes do meio urbano preci- pacial e as necessidades do consumo. A ideia
sam comprar em razão de viverem nesse tipo de agora é verificar alguns aspectos desta relação
espaço, de praticarem um modo de vida especí- (cidade ↔ consumo) numa situação contem-
fico? Vivendo em áreas rurais, e assim tendo ou- porânea e real: na metrópole global que é São
tro modo de vida, as necessidades de consumo Paulo. O primeiro passo proposto é a leitura
seriam as mesmas? (que pode ser em grupo) do texto a seguir.

O consumo e o espaço interno das metrópoles: o caso de São Paulo


Jaime Oliva

O importante geógrafo brasileiro Milton Santos dizia que a difusão das novas formas de con-
sumo é um dos principais fatores para explicar a geografia atual dos lugares. Isso parece ter toda
pertinência ao examinar-se o caso da cidade de São Paulo. A irradiação de um modelo de consumo

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mundializado deixou marcas evidentes no espaço interno dessa metrópole. As transformações lembram,
em alguma medida, o modelo de urbanização de boa parte do território dos Estados Unidos, onde
proliferam estabelecimentos comerciais de grande porte, como shoppings centers e hipermercados.
No caso de São Paulo, são notáveis as modificações espaciais que reestruturaram a cidade a partir
dos anos 1980. E uma parte significativa dessas modificações vincula-se aos novos meios e aos novos
hábitos de consumo.

ff Alterações no sistema de abastecimento, com a presença maciça de supermercados, shoppings centers,


empresas transnacionais de fast-food (hambúrguer, pizza etc.), que parecem fazer parte da paisagem
da cidade há muito tempo, mas são presenças recentes.

ff O consumo como lazer emana da força cultural (de marketing) desses novos estabelecimentos (em
especial, dos shoppings). A bem-humorada frase “Shopping center é a praia do paulista” tem, de fato,
uma força interpretativa sobre os novos espaços e os novos modos de vida dessa cidade. Pesquisas
diversas mostram que muitos dos frequentadores de shoppings vão a essas localidades, antes de tudo,
em busca de lazer. Trata-se de um lugar de consumo e de um consumo do lugar.

ff O modelo de consumo implantado, que fez parte da reestruturação de São Paulo, contribui para o
estabelecimento de outra ordem na circulação geográfica das pessoas e das mercadorias na cidade.
Os grandes estabelecimentos comerciais procuram se localizar às margens das grandes avenidas, vias
expressas e rodovias – quando isso não é possível, localizam-se no interior do núcleo denso.

ff O acesso fundamental a esses locais é por meio do automóvel particular; logo, as instalações desses
negócios são cercadas por imensos estacionamentos. Eles polarizam boa parte do abastecimento dos
segmentos sociais que possuem renda regular. Essas características combinadas resultam no aumen-
to da circulação interna da cidade, o que vai ocasionar uma elevação de gastos com o sistema viário
e uma ampliação dos congestionamentos. Pode-se afirmar que uma parte expressiva da circulação
diária nessa metrópole é uma circulação de consumo.

ff A descentralização, provocada pela circulação de consumo em direção às novas localidades de abas-


tecimento, coincide com o declínio das antigas áreas centrais e bairros densos, que eram centros de
comércio e serviços. Atualmente, nessas áreas, circula a maioria pobre da população, que não possui
automóvel, e concentra-se um comércio popular, para segmentos de baixa renda. Assim, esse novo
modelo de consumo foi um dos elementos que promoveram a separação social que hoje é uma marca
dramática da cidade.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Depois da leitura, sugerimos algumas re- Os grandes supermercados são os princi-


flexões que vão ajudar na interpretação do pais centros de abastecimento nas grandes
texto. Certamente, você poderá detectar ou- cidades. No entanto, não existe um a cada
tras reflexões que se mostrem necessárias, a esquina e, na maioria dos casos, as pessoas
partir do conhecimento que tem dos alunos e têm de realizar deslocamentos longos para
do contexto em que vivem. chegar até eles. Assim, é difícil fazer com-
pras usando transporte coletivo. O automóvel
A reflexão se inicia com a grande cidade praticamente se impõe nessa forma de abas-
que é São Paulo. Mesmo que o estudante tecimento, o que o torna mais dispendioso,
não a conheça pessoalmente, a reflexão con- aumenta o gasto de tempo e sobrecarrega o
tinuará sendo válida. É importante saber sistema viário da cidade.
raciocinar a partir de informações indiretas,
porque esta é, aliás, uma prática comum no ff Em sua cidade ou em seu bairro, o abasteci-
mundo do conhecimento. mento das famílias é feito pelo comércio de
rua, de produtos alimentares e domésticos,
ff Considerando a ampliação das redes de su- ou o fenômeno do supermercado também já
permercado e hipermercado nas grandes se impôs?
cidades, como São Paulo, o que terá acon-
tecido com o pequeno comércio de rua que Esta questão faz sentido porque as práticas
abastecia as famílias? em São Paulo terminam sendo transpostas
para outras cidades menores, tal é a influên-
Os grandes supermercados são concorrentes cia do seu modo de vida e de suas práticas
poderosos demais para os pequenos negó- cotidianas. Vamos tratar de outro exemplo:
cios distribuídos nas ruas dos bairros, mais em São Paulo, a moradia em condomínio
próximos das residências. Os pequenos co- fechado é um bem econômico muitíssimo
merciantes não podem competir em preços valorizado. O setor imobiliário é o mais
e na diversidade de produtos e perdem para poderoso e lucrativo segmento da economia
a força cultural associada ao consumo das urbana. A onda de condomínios fechados é
grandes redes de supermercado. Com isso, justificada pelo problema de segurança, e
esse tipo de comércio entra em decadência, isso justificaria as famílias se enclausura-
juntamente com a vida econômica das ruas. rem em ambientes protegidos. Pois bem,
em cidades menores do Estado, nas quais
ff A localização desses estabelecimentos co- não existem problemas sérios de segurança,
merciais em uma grande cidade, como São esse modelo de moradia também está sendo
Paulo, em geral, muito centralizada em adotado. É moderno, é da capital, com toda
poucos pontos, cria algum problema para a sua capacidade de influenciar os hábitos de
distribuição dos bens à população? consumo.

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ff Numa cidade grande, como São Paulo, onde na medida em que as conexões entre as cida-
se movimentam milhões de trabalhadores dia- des intensificam-se formando redes geográficas
riamente, de suas residências para seus postos urbanas de caráter cada vez mais mundial. As
de trabalho, fazendo percursos longos e demo- corporações transnacionais do consumo en-
rados, é possível que todos retornem para suas contram, nessa estrutura geográfica que elas
casas no horário de almoço? Ou, então, para ajudaram a criar, um terreno propício para
aqueles que estudam à noite, é possível sair do expandir seus negócios.
trabalho e voltar para casa, antes de se dirigir
à escola, para descansar e se alimentar? Di- Para explorar essa nova situação geográ-
ficuldades de locomoção, distância das casas fica, que se sedimenta na estrutura urbana
em relação aos postos de trabalho não obri- mundial, sugerimos uma atividade, em pe-
gam as pessoas a se alimentar fora de suas quenos grupos, que envolverá pesquisa e cons-
casas? Esse não seria um tipo de consumo trução cartográfica. Ela poderá propiciar, de
provocado pela estrutura das cidades? forma bastante produtiva e relevante, a per-
cepção concreta das formas de consumo surgi-
Não necessariamente o hábito de comer fora das no interior das cidades e que terminaram
de casa é algo ruim. Mas há a questão do se expandindo em escala mundial.
custo, que não é fácil equacionar. Porém,
não custa lembrar que uma cidade como São Primeira fase – a pesquisa
Paulo tem uma infinidade de restaurantes
de refeição rápida distribuída nas zonas que Na experiência cotidiana da vida urbana
concentram postos de trabalho e que é um moderna, não somente nas grandes cidades,
segmento de consumo extremamente lucra- mas também nas cidades médias, o consumo
tivo, em que atuam, inclusive, corporações apresenta-se muitas vezes organizado em re-
transnacionais. Essa necessidade gerada pela des. Aliás, essa é a forma popular de os consu-
estrutura urbana termina se configurando midores se referirem a certos tipos de negócios.
numa atração, numa prática de lazer. Esses Essas redes estão nos ramos de alimentos
hábitos que se estruturam em São Paulo (lanchonetes de fast-food, pizzarias, restauran-
também são imitados em cidades menores. tes); de roupas e calçados; de equipamentos
esportivos; de cosméticos; e de vários outros.
O consumo e seus novos modelos de espacia- Muitas dessas redes não se restringem à escala
lização são suficientemente fortes para interferir do Brasil, pois são, na verdade, redes que se
na estruturação de uma cidade mundial, como estruturam na escala mundial, instalando-se,
São Paulo, por exemplo. Além disso, outras ci- no mínimo, em capitais de diversos países.
dades terminam sendo influenciadas pelas for-
mas e pelos hábitos de consumo das grandes O primeiro passo da pesquisa é identificar,
cidades. Essa lógica é cada vez mais acentuada com base no conhecimento dos estudantes e

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

da paisagem urbana que lhes é familiar (in- primeiras a querer informar sobre sua força
cluindo os shoppings centers), a presença de mundial e, por esta razão, mantêm sites que
algumas dessas redes que atuam na escala oferecem boa parte das informações necessá-
mundial. rias para compor a pesquisa. E não somente
na internet, mas também por meio de outros
Identificadas as redes, o segundo passo é materiais.
realizar uma pesquisa sobre sua história e sua
estrutura geográfica. No que diz respeito à his- Isso quer dizer também que, além das pró-
tória, o importante é verificar a origem – em prias empresas, muitos estudiosos e muitas
que país surgiu, em qual cidade e como e para publicações (inclusive livros didáticos) organi-
onde iniciou sua expansão geográfica. Quanto zam dados sobre essas empresas. Informações
à sua estrutura geográfica, interessa o pre- como as sugeridas estão disponíveis para essa
sente da distribuição: em que localidades se atividade e para realizá-la basta colocar nos
encontram seus negócios, em que quantidade buscadores da internet os nomes das marcas
e desde quando. dessas redes e as informações vão surgir. Ou,
nas próprias lojas, haverá quem forneça mate-
Tudo isso pode parecer muito difícil de rial ou informe os caminhos para se obter as in-
obter, mas esse pensamento é equivocado. Faz formações. Se houver dificuldades você deverá
parte da lógica desses negócios procurar forta- intervir e, quem sabe, conforme a situação, for-
lecer sua imagem, realçando o tempo todo seu necer um “pacote de dados”. O ideal é que os
caráter mundial, o que pode ser expresso com alunos tenham os meios, encontrem as fontes e
slogans publicitários tal como: “...finalmente, levantem os dados.
chegou ao Brasil o produto X, que já era objeto
de consumo das principais cidades do mundo (ou Segunda fase – a representação
das sociedades mais modernas.)”. O fato de ser cartográfica
mundial, de ser objeto de consumo de outras
cidades, acrescenta desejo de consumir nas po- Nesta fase, sugerimos que cada grupo pro-
pulações de cidades que ainda não têm acesso duza uma representação cartográfica a partir
ao bem de consumo, e as redes mundiais desses dos dados e informações coletados. Propomos,
negócios sabem como se promover e despertar num primeiro momento, que cada grupo esco-
grande interesse. Não é incomum aglomera- lha apenas uma rede de bens de consumo ur-
ções e filas para experimentar, por exemplo, um banos para fazer a atividade; não há problema
alimento fast-food “mundialmente conhecido”, se houver repetição, o que importa é garantir
recém-introduzido numa cidade. que haja trabalho autônomo e sem cópias.

Tudo isso quer dizer o quê? Que essas É insuperável o valor da visualização
redes de negócios em escala global são as cartográfica para que se possa vislumbrar

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a dimensão global de um bem de consumo numérico maior (100 mil lanchonetes nos
urbano ou detectar a irradiação dos hábitos Estados Unidos), define-se que o círculo que
de consumo por intermédio de redes. Eviden- será desenhado sobre os Estados Unidos no
temente que os alunos não precisarão produ- mapa terá um diâmetro de 4 cm. Logo, se,
zir mapas com grande precisão; o importante na China, houver 50 mil lanchonetes, o cír-
é, nesse caso, exercitar a linguagem carto- culo deverá ter um diâmetro de 2 cm. E se, no
gráfica conforme seus princípios fundamen- Brasil, houver 20 mil lanchonetes? Uma regra
tais. Num segundo momento, os grupos de três resolve a questão: se para 100 mil são
devem fazer uma seleção de informações, necessários 4 cm, para 20 mil precisaremos
dando preferência àquelas relacionadas à de 0,8 cm.
localização geográfica das unidades da rede
e também em relação ao volume de unida- Aí vale a sua experiência: se os números
des. Com isso organizado, é possível partir forem muito desiguais, não é adequado re-
para a representação cartográfica. Os ma- presentar a maior quantidade com um cír-
teriais necessários serão: uma cópia de um culo com diâmetro pequeno, porque será
mapa-múndi mudo que conste apenas a di- difícil representar as demais quantidades em
visão política dos países, um compasso, uma círculos menores. A representação cartográ-
régua e lápis de cor. fica pode ser ainda mais sofisticada; se, por
acaso, houver dados sobre o período de ex-
O mapa será uma representação quanti- pansão das unidades de uma rede, pode ser
tativa, um elemento iconográfico que repre- relevante representá-los. Outro exemplo: di-
sente a quantidade – no caso, propomos que gamos que uma rede de alimentação tenha
sejam círculos proporcionais. Por exemplo: mantido sua expansão restrita ao mundo
se uma dada rede de fast-food tiver o maior ocidental e a alguns países da Ásia até os
número de unidades nos Estados Unidos da anos 1980, e que, após essa data, tenha se es-
América, o círculo que ali será colocado será tendido a outros países asiáticos e à África.
o maior (um bom exemplo que pode servir Seria o caso de colorir os círculos de forma
de guia de uma representação quantitativa graduada, por exemplo: amarelo-claro para
encontra-se no Caderno do volume 3, no os mais antigos; amarelo-escuro para os mais
mapa da Figura 1; neste, o círculo maior recentes. É importante que se use a mesma
encontra-se na China). cor com tonalidades diferentes para que,
visualmente, o observador do mapa não se
E como podem ser definidos os tamanhos confunda. Outro aspecto que pode permitir
dos círculos? É bem simples, pois, utilizando sofisticação e informação mais apurada é a
o conceito de diâmetro, os alunos trabalha- representação das quantidades por cidade.
rão com régua e compasso. Cabe um exem- Talvez possam existir dados sobre o número
plo hipotético: tendo como referência o dado de unidades nas grandes cidades. E aí, talvez,

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

seja o caso de colocar um círculo na posição as quantidades que eles representam; as tonali-
de algumas cidades com volume expressivo dades de cores e os tempos que elas representam;
de unidades. Nesse caso, use uma cor dife- as cores diferentes e os fenômenos diferentes que
rente da dos círculos colocados nos países. eles representam (unidades no país e unidades
Tudo isso precisa, posteriormente, ser orga- em cidade). A seguir, no quadro, sintetizamos
nizado na legenda: os tamanhos de círculos e a proposta de organização dos dados:

Redes urbanas de consumo (escala mundial): pesquisa e representação cartográfica


Origem da rede (país, cidade); início da ex-
Pesquisa (Fontes: Dimensão histórica
pansão.
internet, publicações
diversas, unidades
Estrutura espacial atual; número de unidades
das redes) Dimensão geográfica
e distribuição geográfica (países e cidades).

Organizar dados quantitativos em ordem de-


crescente para se chegar aos diâmetros dos
Seleção de dados círculos e também em ordem de localização
geográfica. Se for o caso, organizar os dados
também segundo uma ordem de tempos.

Definir tamanhos dos diâmetros dos círcu-


los proporcionais segundo os dados numé-
Símbolos proporcionais ricos e aplicá-los na localização geográfica
Representação
(no centro do país ou na posição da cidade)
cartográfica
do mapa-múndi com divisão política.

Colorir os círculos com uma única cor va-


riando sua tonalidade se for o caso de assi-
Gradação de cor
nalar períodos diferentes de existência das
unidades da rede.

Colocar os círculos proporcionais e as classes


Organização da legenda
de idades diferentes das unidades.

O mapa feito pelos alunos permitirá uma poderão ser feitas sobre a força de irradiação
visualização do fenômeno sob vários pon- do consumo que certas cidades (e certas redes)
tos de vista. Além da configuração da rede possuem. Logicamente, você é quem avaliará
(articulação, pontos mais densos, áreas mais o grau de auxílio necessário para que os alu-
antigas, áreas mais novas, velocidade de ex- nos realizem a leitura do mapa.
pansão da rede), algumas outras observações

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A mesma organização dos alunos em penetrar em áreas cujos vestuários masculino
grupo pode permanecer para a interpretação e feminino são bastante diferentes desse tipo
do mapa produzido. de vestimenta? Nesses casos, não é possível
falar em transformação cultural produzida
Um aspecto interessante será analisar a ex- pela irradiação do consumo?
pansão da rede segundo o seu tipo de produto
com uma abordagem cultural. Essa é uma di- A relação trabalhada nesta atividade e as
mensão da força das redes que vale a pena des- interpretações derivadas podem ser sintetiza-
tacar. Por exemplo: como uma rede de fast-food das esquematicamente da seguinte maneira:
que vende hambúrguer consegue se instalar
em países que restringem culturalmente o cidade ↔ consumo ↔ cidades mundiais
hábito do consumo de carnes? Ou, então: (rede de cidades) ↔ expansão de modelo de
como uma rede de roupas jeans consegue consumo ↔ transformações culturais

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
AS REDES TURÍSTICAS: O CONSUMO DOS ESPAÇOS URBANOS

Em um mundo em que aumenta a mobi- Em torno dessa atividade, formam-se redes


lidade humana, em que as conexões entre os geográficas e econômicas. Desse modo, cresce
lugares se intensificam (fato que se nota espe- o pertencimento dos viajantes-turistas aos lu-
cialmente nas cidades), potencializa-se uma gares do mundo, e eles podem agora consumir
atividade humana que está em crescimento: o os diversos lugares atrativos com mais frequên-
turismo. cia e regularidade.

Para a atividade turística, os lugares do Nesta Situação de Aprendizagem, além de


mundo são mais acessíveis em razão das novas trabalharmos um panorama dessa atividade
tecnologias de transporte, da queda no custo no mundo contemporâneo, com os cuidados
das viagens, da ampliação do tempo livre das conceituais necessários, serão propostas refle-
pessoas e da melhoria da capacidade de recep- xões sobre a condição urbana predominante
ção ao turista nos lugares de destino. Num nas atividades turísticas, algo que, entre outras
mundo assim, o ser humano seria inevitavel- razões, decorre da condição global de boa
mente um turista. parte das cidades mais visitadas.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Tempo previsto: 4 aulas.

Conteúdos: o que é turismo; o que é lazer; cotidiano e lugar; espaços turísticos; fluxos turísticos globais
e regionais.

Competências e habilidades: observar e interpretar representação cartográfica complexa; agrupar dife-


rentes realidades em classes com critérios comuns, como meio de organizar informações e buscar alguma
coerência nos dados; construir e aplicar conceitos da Geografia do turismo.

Estratégias: confrontar, numa situação real, personagens semelhantes, mas de essência distinta: o turista
e um praticante de lazer; construir um quadro teórico que faça distinção entre turismo e lazer; aplicar
esse quadro teórico num caso desafiante; problematizar a questão dos efeitos do turismo; observar e
interpretar uma representação cartográfica de fluxos turísticos no mundo.

Recursos: mapa contemporâneo; texto e tabelas; aulas dialógicas.

Avaliação: participação nas reflexões sugeridas em sala de aula; participação na proposição de um


desafio; observação e interpretação de mapas.

Etapa prévia – Sondagem inicial e possibilidade, mas certamente você terá como
sensibilização narrar situações mais vivas e concretas para
seus estudantes. Eis a sugestão:
O fenômeno turístico é muito conhecido
no mundo contemporâneo, em especial em Imagine, numa grande cidade, uma loca-
certas áreas do Brasil. Seguramente, os estu- lidade muito conhecida, onde se encontra um
dantes percebem o turismo, se não de forma monumento (uma igreja muito antiga, uma
direta, ao menos de forma indireta, pois a grande torre, uma estátua importante, um mu-
prática turística é bem presente nos meios de seu etc.) ou então uma localidade que é muito
comunicação, por exemplo. É sempre muito conhecida por ter sido palco de um grande
produtivo iniciar uma Situação de Aprendi- acontecimento (um ponto onde se declarou
zagem verificando o modo como os alunos a independência de um país, por exemplo).
percebem os fenômenos que serão estudados. Áreas assim são atrações e, por isso, recebem
Mas nem sempre se consegue bons resultados muitos visitantes que nelas exploram todos os
se a verificação não for estimulante. detalhes, tiram fotografias etc.

Por isso, sugerimos que narre uma situa- Nesse ponto, deve-se perguntar: Esses vi-
ção possível na vida real e, a partir dela, rea- sitantes podem ser todos caracterizados como
lize a verificação. Apresentamos a seguir uma turistas? Todos estão praticando o turismo?

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Tal como foi descrita a situação, certamente atividades (de lazer, de negócios etc.) que as
as respostas serão positivas: são turistas esses pessoas realizam quando viajam por mais de
que estão visitando o lugar. Essa é uma boa opor- um dia consecutivo para lugares diferentes
tunidade para você introduzir alguns questiona- do seu entorno habitual.
mentos sobre as conclusões a que chegaram.
E se alguns dos visitantes forem moradores O visitante que viajou está fora do seu coti-
da cidade ou de suas cercanias e estiverem visi- diano, está em outro lugar, não mora ali, está
tando aquele ponto porque também o apreciam? hospedado. Ele está viajando. Já o visitante da
Como a cidade é muito grande, não é sempre que própria cidade não está fora do seu cotidiano,
seus moradores conseguem ir até ali, a não ser mora ali, não está hospedado, logo, não está
em momentos especiais, no seu tempo livre, nas viajando. São dois personagens diferentes e
festas. Ali, como visitantes, vão se comportar do em situações distintas.
mesmo modo que qualquer outro visitante. São
turistas também? Se não são, o que os distingue Pode ser que nessa sondagem inicial, o qua-
dos turistas verdadeiros? dro de manifestações dos estudantes exponha
algo semelhante ao parágrafo anterior. Por
Com essa breve problematização, a preocu- isso, a sondagem é uma referência para equa-
pação do estudante não será mais apenas dizer, cionar os melhores caminhos para o desenvol-
por meio do senso comum, o que é turismo. vimento da Situação de Aprendizagem.
Terá que distinguir os turistas em meio a uma
realidade mais ampla, a de todos os visitantes
de locais turísticos. Esse é o princípio do tra- Etapa 1 – O turismo: um fenômeno
balho conceitual, cujo exercício é crucial para que constrói espaços
o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Por
tudo isso, esse é um momento importante, que Aproveitando o esforço conceitual que
você deve acompanhar com bastante cuidado, os alunos já realizaram na sondagem inicial,
ajudando os alunos na construção de conceitos sugerimos que retome a reflexão sobre o que
precisos. É provável que apareça nesse esforço é turismo, utilizando uma nova palavra para
de distinguir os visitantes do lugar atrativo auxiliar a discussão: lazer. Pode-se também
uma palavra-chave: viagem. E, de fato, essa pa- perguntar aos estudantes sobre o ponto atra-
lavra é um divisor de águas entre o visitante tivo no exemplo trabalhado na sondagem ini-
comum de um lugar e o visitante-turista. O cial. Aqueles visitantes que não eram turistas,
conceito de turismo pode ser construído ba- que moravam no lugar, estavam praticando o
seado nesta condição. quê? Seguramente, a palavra lazer será lem-
brada. Conclusão: todos visitavam a atração
Segundo a Organização Mundial do Tu- da cidade, mas alguns praticavam o turismo e
rismo (2001), compreende-se por turismo as outros praticavam o lazer. Você pode perguntar:

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Se a diferença não estava no que faziam, então e reconstruir essa possibilidade, mesmo ad-
estava nas condições em que faziam? mitindo que, inicialmente, os resultados não
serão ideais. Para não desperdiçar a participa-
O importante é que esse diálogo com o ção que houver sobre a definição do turismo
estudante o coloque numa posição de aten- e sobre sua distinção em relação à prática do
ção, concentração e reflexão. Todos sabemos lazer, sugerimos que você trabalhe com um
o quanto isso é precioso no desenvolvimento quadro similar ao da Figura 5 e estimule os
intelectual dos alunos, mas é preciso reinvestir alunos para que o ajudem a preenchê-lo:

Características Lazer Turismo

1. Uso de tempo livre sob o domínio do praticante ● ●

2. Recreação, diversão e passeios diversos ● ●

3. Tempo livre no interior do cotidiano ●

4. Tempo livre fora do cotidiano ●

5. Prática realizada no seu lugar ●

6. Prática realizada fora de seu lugar ●

7. Quando apenas alguns lugares são atração ●

8. Quando qualquer lugar já é atração ●


Figura 5 – Características de lazer e turismo. Fonte: Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

Para que a definição seja bem precisa, Assim, pode-se utilizar a contextualização
é necessário fixar dois conceitos-chave: co- da Organização Mundial do Turismo (2001)
tidiano ↔ lugar. Um elemento que compõe o para complementar a caracterização:
cotidiano de qualquer pessoa é o lugar, o lugar
geográfico. Lugar é o quadro geográfico de vida, ff Turismo: viagem de mais de 24 horas para
no qual a distância não impede que as relações fora do lugar;
do dia a dia (moradia, trabalho, escola, lazer, re-
lações pessoais) se realizem. O que não podemos ff Excursão: viagem de menos de 24 horas
realizar no dia a dia, porque é muito longe para para fora do lugar;
nós, está fora de nosso lugar. Uma frase resume
essa conceituação: o lugar é o tamanho geográfico ff Lazer: visita a um ponto turístico ou de
de nosso cotidiano. Ele representa a escala local. lazer feita por um morador do lugar.

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Ressalte, inicialmente, que essa caracteri- vaga e genérica; outros ainda (e isso seria
zação estabelece um vínculo entre o lazer e a o ideal) conseguem fazer uma aplicação do
atividade turística, mas que o conceito de quadro de forma rigorosa, item a item. Se
lazer possui uma amplitude maior: consi- ninguém usar essa estratégia, recomenda-
dera todo o tempo disponível, excluindo-se mos que mostre como a usar e enfatize a im-
as horas de trabalho, que pode ser dedicado portância de pensar com método, de usar os
às atividades que dão prazer às pessoas. conceitos como ferramentas para construir
Esse tempo poderá servir para visitar algum os pensamentos.
ponto atrativo local.
A importância de insistir nas estraté-
Após esse esclarecimento, com o quadro gias cognitivas muito mais do que em res-
preenchido e com verificações informais postas definitivas deve-se, principalmente,
se o entendimento está mais ou menos sob ao fato de o turismo de negócios também
controle, sugerimos que eleve o patamar ser um tema polêmico na própria área,
da discussão e que diga isso aos estudantes. com defesas favoráveis e contrárias a essa
Apresente a eles como um desafio. categoria turística. Alguns pesquisadores,
como Cunha (2001), conciliam a questão
O problema a ser levantado é o seguinte: dos negócios com a atividade turística, ao
Todas as viagens podem ser caracterizadas afirmar que o turismo de negócios com-
como turismo? Se, por exemplo, alguém vai porta as atividades de visitação que decor-
a uma festa de casamento de um parente, rem de viagens com a finalidade de realizar
não foi fazer turismo. Mas há práticas que negócios ou outras atividades profissionais.
envolvem viagens que estão sendo chama- Reforçando essa posição, o Ministério do
das de turismo, e o melhor exemplo é o Turismo (2008) afirma que as atividades tu-
chamado turismo de negócios. E aqui está rísticas decorrentes de viagens de negócios
o desafio: Faz sentido dizer que pessoas que (participação em feiras e convenções, reu-
viajam a negócios praticam algo que possa ser niões comerciais etc.) caracterizam-se como
chamado de turismo? turismo de negócios e eventos.

Mais do que acompanhar as respostas, O próximo passo desta etapa da Situação


você deve ficar atento às estratégias cogni- de Aprendizagem é levar a uma reflexão sobre
tivas que os estudantes estão empregando os espaços turísticos. Ela será facilitada com
para responder à questão. Alguns podem o trabalho conceitual feito anteriormente.
ser meramente intuitivos, não vinculando a Propomos que você pergunte aos estudantes
discussão anterior com a solução do desafio; se eles sabem onde as pessoas gostam de pra-
outros podem fazer isso, mas de maneira ticar turismo.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

É provável que as respostas sejam diver- “turismo verde” – ecoturismo e “turismo


sificadas: as motivações para o turismo são rural” – são termos referentes a certas rea-
variadas e os lugares procurados também, es- lidades espaciais e sociais (grupos sociais
pecialmente onde há mais tempo e as pessoas tidos como exóticos, praias, montanhas,
se organizam para a prática do turismo. No santuários ecológicos, área rural).
passado, as atrações turísticas eram outras e
novas motivações foram acrescentadas a elas. ff O descanso, o divertimento, a procura de
A seguir, apresentamos alguns exemplos: outras experiências e a realização de uma
necessidade existencial são referências às
ff Hidroterapia, climatismo, alpinismo, es- finalidades buscadas pelos turistas.
portes de inverno e esportes de verão
referem-se às diferentes práticas do passa- Como se dá a organização espacial do tu-
do. Algumas ainda são muito procuradas, rismo e de suas redes?
como os esportes de inverno nos países
temperados. Sugerimos que, para dar prosseguimento à
Situação de Aprendizagem, você trabalhe com
ff “Turismo cultural”, “turismo balneário o quadro da Figura 6:
ou litorâneo”, “turismo de montanha”,

Distinção entre os espaços turísticos


Capacidade de Funções urbanas
Espaços turísticos População local
recepção diversificadas

Sítio turístico Não Não Não

Infraestrutura turística Sim Não Não

Estações turísticas Sim Sim Não

Cidade turística Sim Sim Sim

Figura 6 – Distinção de diferentes tipos de lugares turísticos. Fonte: Elaborado por Jaime Tadeu Oliva com base nos dados de
KNAFOU, Rémy; STOCK, Mathis. Tourisme. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, Michel. Dictionnaire de la Géographie et de
l’espace des sociétes. Paris: Belin, 2003. p. 933.

Pelo quadro, pode-se classificar os lu- para os estudantes e pedir que eles deem
gares turísticos que funcionam articulada- exemplos à medida que forem compreen-
mente. Vale a pena defini-los rapidamente dendo os termos.

41

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ff Sítio turístico: É a atração turística propriamente. Uma área destacada no interior de outros espaços
e que possui a função turística pura. Esse é o caso das pirâmides do Egito (e de outras ruínas daquela
civilização antiga); das pirâmides maias na América Central; de formações naturais (quedas d’água,
picos de montanhas, por exemplo). Nos sítios turísticos não se hospeda e não mora ninguém. Os tu-
ristas dirigem-se até eles, visitam-nos e retiram-se. Que outros exemplos, inclusive ligados à realidade
dos alunos, podem ser apontados como sítios turísticos?

ff Infraestrutura turística: Lugar pouco conhecido em nosso território, mas muito comum em paí-
ses turísticos. Por exemplo, nas escaladas e trilhas em regiões montanhosas existem lugares que
apoiam o turismo, até com serviços de hospedagem. Não mora ninguém nesses lugares, não são
eles a atração, mas foram construídos como parte necessária das redes espaciais do turismo.
Aeroportos em lugares afastados por vezes cumprem esse papel. São portas de entrada para áreas
exploradas por certas práticas turísticas. Vale também, nesse caso, procurar outros exemplos de
situações desse gênero.

ff Estação turística: Esse gênero de lugar turístico já é mais familiar. Estrutura-se em áreas po-
voadas, pequenas cidades em geral, com grande capacidade de hospedagem para o período da
estação turística. Suas atrações vinculam-se às estações do ano. Esse é o exemplo dos pequenos
povoados em regiões montanhosas que lotam de turistas na estação do inverno, ou, então, das
pequenas cidades litorâneas que se transformam no verão. Sem o turismo, são áreas urbanas
sem a diversidade de atividades e recursos de uma grande cidade. Certamente, muitos exemplos
de estações turísticas poderão ser lembrados por você, e os próprios alunos também saberão
exemplificar esse tipo de espaço. Um exemplo bem conhecido de São Paulo: Campos do Jordão,
estação turística de inverno.

ff Cidade turística: São as cidades que recebem muitos turistas, mas têm uma vida ampla e diversi-
ficada para além dessa atividade. São centros urbanos plenos, que exercem todas as funções das
áreas metropolitanas e são visitadas inclusive por isso. Entre eles, estão os principais destinos dos
turistas do mundo e exemplos não faltam: Paris, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Salvador,
Sydney, Barcelona e muitas outras cidades.

Qualquer lugar turístico se encaixa em uma discussão sobre as reações e as consequências


dessas quatro categorias. Elas compõem a rede do turismo no mundo. Afinal, trata-se de um
espacial do turismo e sua escala de abrangên- fenômeno novo (na proporção atual) na his-
cia pode ir do local até o global. tória da humanidade, e seus efeitos não estão
ainda absorvidos.
Para o fechamento desta etapa, sugerimos
que você utilize o texto a seguir para iniciar uma

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Turismo: um modo de consumo dos espaços


Jaime Oliva

O bem que se compra com a prática turística é o direito de visitação a um espaço. Por isso, tornou-se
comum dizer que o turismo é uma forma de consumo do espaço. Apesar de o turista estar em perfeita
consonância com nosso mundo e com tudo que nele se criou (em especial, a mobilidade), são fortes as
contestações ao turismo e às suas práticas. Como diz Rémy Knafou (1996), um importante estudioso do
assunto, o turista é um nômade, seus espaços são temporários, mas ele precisa agir como cidadão de
pleno direito, apropriar-se daquele espaço, o que pode fazer com que o morador local não o veja com
boa vontade. Além disso, o turismo é condenado porque destruiria o meio ambiente e sobrecarregaria os
locais com excesso de pessoas. Tudo isso inviabilizaria o turismo sustentável. Seria o turismo um devorador
do próprio recurso que lhe deu origem, por exemplo, uma bela paisagem? Qual o papel das administrações
político-administrativas e das sociedades dos lugares turísticos para evitar que isso aconteça?

Muitos críticos do turismo estranham um mundo que aumenta de modo impressionante as rela-
ções entre pessoas de lugares distantes. Entendem o turismo como um destruidor das peculiaridades
locais. A despeito das condenações, a atividade continuará e se multiplicará. Isso é evidente em razão
das condições de vida que o mundo moderno promove. Com relação a conter a degradação promovi-
da pelo turismo, é evidente que, quanto menos depender do turismo, menos risco corre o lugar. Uma
grande cidade suporta mais a multiplicação dos negócios turísticos que um lugar muito dependente
do turismo, que acaba não tendo força para controlar a degradação. E, certamente, há o que contro-
lar, há o que combater. Muitas situações são condenáveis, mas elas não são suficientes para justificar
a crítica intolerante ao turismo e ao turista.

Referência
KNAFOU, Rémy. Turismo e território: por uma abordagem científica do turismo. In: RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo
e Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 62-74.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Depois da leitura, que se deu após um tra- O resultado obtido com as redações deve
balho de domínio conceitual do fenômeno servir para definir os ajustes necessários a
turístico (o que aumenta a capacidade leitora serem feitos, mas também serve para medir
e crítica do aluno), solicite aos estudantes a participação e os efeitos das estratégias.
que escrevam um texto a respeito, de prefe- Em Geografia, é comum que as tarefas pe-
rência sem consulta e individualmente. Peça didas aos alunos sejam muito fragmentadas,
a eles que caracterizem e pensem o fenômeno muito vinculadas a informações isoladas, daí
turístico no mundo contemporâneo e também a virtude dessa proposta, que estimula re-
que incluam comentários sobre a presença ou flexões mais completas, mais organizadas e
não de práticas turísticas nas realidades geo- do conjunto. Por intermédio de fragmentos
gráficas em que vivem. dispersos e aleató­rios, não se desenvolvem as

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competências fundamentais que um aluno em sua obra Semiologia gráfica. Para esse
precisa adquirir. autor, que elaborou teorias de tratamento
da informação, a imagem gráfica (no caso,
o mapa) bem trabalhada favorece o apren-
Etapa 2 – A escala do fenômeno dizado, ajuda a criança e o adolescente a
turístico: o apoio na rede de cidades construir um pensamento lógico com base
em uma forma visual que eles interpretam e
O turismo tem uma dimensão econômica podem elaborar.
importante que contribui para a criação de
riqueza em diferentes escalas. Na escala mun- Com a intenção de exercitar essa capaci-
dial, com mais de 700 milhões de deslocamen- dade leitora espacial também ligada às ope-
tos, o turismo contribui com cerca de 10% da rações lógicas, propomos que você comente
riqueza mundial. Em países em desenvolvi- sobre os recursos da linguagem gráfica utiliza-
mento, uma porcentagem ainda maior de sua dos nessa coleção de mapas:
riqueza provém do turismo; porém, países
ricos, como a França ou a Espanha, arreca- ff Por que uma coleção de mapas? Na repre-
dam perto de 10% de suas riquezas dessa ati- sentação dos fluxos turísticos, os autores
vidade (KNAFOU, Rémy; STOCK, Mathis. criaram mapas separados para cada con-
Tourisme. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, tinente. Em cada um deles, encontra-se a
Michel (Org.). Dictionnaire de la Géographie origem dos fluxos que partem em direção
et de l’espace des sociétes. Paris: Belin, 2003. aos outros continentes. Com isso, criaram
p. 931-933). uma coleção de mapas para representar
um único fenômeno. A decisão foi toma-
Nesta etapa da Situação de Aprendizagem, da porque, se os fluxos todos fossem repre-
o objetivo é fornecer um panorama geográ- sentados num único mapa-múndi, haveria
fico do que significam as práticas turísticas no sobreposição, e isso dificultaria a inter-
mundo contemporâneo. Para tanto, propomos pretação do mapa. Olhando a coleção de
que trabalhe com a representação cartográfica mapas, pode-se responder de imediato à
apresentada na Figura 7 (p. 46-47). pergunta: onde estão os maiores fluxos de
turistas no mundo? E esse olhar de conjun-
Propomos utilizar esse mapa também to somente é possível porque os mapas são
para trabalhar sua linguagem visual. Ele comparáveis. São mapas do mesmo tema
foi elaborado pelo Ateliê de Cartografia de e feitos com a mesma linguagem (mesma
Sciences Po (instituição de pesquisa francesa legenda, mesmos símbolos, e, no caso, a
na área de Ciências Políticas), de acordo com largura das setas têm a mesma proporcio-
os preceitos definidos por Jacques Bertin, nalidade em todos os mapas).

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

f f O que mostra a coleção de mapas? Re- representado no mapa que centraliza a


presenta quantidades em forma de setas Europa pela seta proporcionalmente mais
que indicam direções (de um continente larga dos quatro mapas.
a outro), formando fluxos quantitativos.
Representa também quantidades inter- 2. Qual é o maior volume de turismo intrar-
nas a um único continente, por meio de regional e como ele está representado no
círculos sobre os continentes ou regiões. mapa?
A largura das setas mostra a quantidade
de turistas viajando de um continente a O maior volume ocorre no continente
outro; o tamanho dos círculos mostra o europeu com 372 894 000 turistas. Está
volume de turismo no interior do conti- representado pelo maior dos círculos dos
nente. quatro mapas. Esse número indica tam-
bém o domínio do turismo de distâncias
Depois de perceber que os alunos com- menores.
preenderam a linguagem gráfica dos mapas,
talvez seja o caso de deixar os estudantes ob- 3. Qual dos continentes tem a maior movimen-
servarem por um tempo a Figura 7. Após um tação turística: intercontinental (como ori-
tempo de observação individual, o próximo gem e destino), e intrarregional? Explique
passo que vamos sugerir implica em um tra- por que isso ocorre?
balho coletivo para permitir a troca de infor-
mações entre os estudantes. Trata-se da Europa, em especial em sua
porção ocidental. É a área do mundo que
Para orientar a observação, algumas ques- mais recebe turistas intercontinentais
tões podem ajudar a construir uma visão pa- vindos principalmente das Américas e da
norâmica sobre os principais fluxos turísticos Ásia. É também o continente que mais
internacionais, percorrendo maiores distâncias, envia turistas para os outros continentes,
e sobre o movimento turístico em espaços mais inclusive a África. Além de tudo isso, tem
curtos, no interior de uma região do continente. o maior turismo intracontinental. Isto é,
ao mesmo tempo, sintoma de riqueza eco-
1. Qual é o fluxo quantitativamente mais sig- nômica; boa qualidade de vida de seus
nificativo de turismo intercontinental que habitantes que conquistaram parcelas de
está representado no mapa. De que forma tempo livre; presença de localidades atra-
ele está representado? tivas e de estruturas para atrair o turista
e facilitar o turismo para o exterior. Em
Trata-se do fluxo Europa → América do menor escala, essa situação se repete na
Norte, que é de 12 747 000 turistas. Está América do Norte e no Japão.

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Destinos do turismo internacional, 2005 (em milhares de turistas por ano)

12 7 372 894
América 47
do Norte

Nordeste Asiático
602

1 88
Caribe 4 915 3
e América 603
Central EUROPA Oceania
E CEI* 34 Sudeste Asiático
48
06
60

9 731
18

África Sul da Ásia


40

do Norte Oriente Médio


18
12

América
do Sul * Comunidade dos Estados Independentes:
83

África do Oeste
25

Armênia, Azerbaijão, Bielorússia, Geórgia,


África do Leste Casaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia,
Tadjiquistão, Ucrânia e Uzbequistão

7 775
América
do Norte
62

114 7
32

65
2

Europa do Norte
6 73

5
3 46

Europa Central ÁSIA


Europa do Oeste e do Leste E PACÍFICO
Europa do Sul
2 82
3 6 149
Oriente Médio

Figura 7 – Mundo: destinações do turismo internacional, 2005. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008.
Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 27.

46 48
39

Nordeste
AMÉRICAS 6 44 Asiático
7
1 10
2 90

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1

9 559
3
7 775
América
do Norte

62
114 7

32

65
2
Europa do Norte Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

6 73

5
3 46
Europa Central ÁSIA
Europa do Oeste e do Leste E PACÍFICO
Europa do Sul
2 82
3 6 149
Oriente Médio

48
39

Nordeste
AMÉRICAS 6 44 Asiático
7

1 10
2 90

1
9 559
Europa do Norte 3 Oceania
Europa Europa Central Sudeste Asiático
30 do Oeste e do Leste
9

27

2 624
Ásia do Sul
Europa do Sul
906
6 919 Oriente Médio

76
10

O recorte regional é o da Organização


Mundial do Turismo. 710 Europa do Norte
Europa 5
do Oeste 29
28

Deslocamento de turistas internacionais: Europa do Sul ORIENTE


13

784
África MÉDIO
no interior da região do Norte
65
Benoît MARTIN, dezembro de 2006

1 57 15 8
9

entre as regiões
ÁFRICA
13
291
Estão representados apenas os fluxos superiores
a 500 000 turistas internacionais.

Fonte: Organização Mundial do Turismo, <http://www.unwto.org>

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4. A Europa é uma região bastante urbanizada. A riqueza de seus monumentos históricos ou
Os turistas que vão à Europa buscam que arquitetônicos, paisagens populares ou ro-
tipo de atração? mânticas e seus grandiosos recursos culturais.
A esses fatores tradicionais, acrescentam-se
Antes de tudo, os turistas de outros continen- novos: exposições, congressos, eventos cultu-
tes buscam na Europa as atrações urbanas, rais e desportivos que alcançam uma grande
em suas grandes e muito conhecidas cidades. difusão internacional. As cidades têm várias
Paris é a cidade mais visitada do mundo; situações estratégicas para atrair os turistas:
em 2008, recebeu cerca de 28 milhões de tu- infraestruturas de comunicação e de trans-
ristas, sendo 9 milhões de estrangeiros (cf. porte partem e se dirigem para as cidades;
Office du Tourisme et des Congrès de Pa- concentração de recursos de hospedagem, de
ris, 2009). A única concorrência que as ci- comércio, mercados populares e “étnicos”,
dades europeias sofrem vem das praias, no parques de lazer etc.
verão. As praias da Espanha e da Grécia, por
exemplo, são muito procuradas, em especial 7. A sensação de um mundo vasto, de relações
pelos europeus dos países mais frios. Em dificultadas pelas grandes distâncias, man-
busca de sol e praia, muitos europeus vão tém-se diante da representação cartográfica
também para a África. dos fluxos turísticos atuais? Por quê?

5. A mesma situação de primazia das cidades Principalmente apoiado nas redes de cida-
europeias repete-se nos outros destinos tu- des, o turismo intercontinental movimenta
rísticos? mais de 100 milhões de pessoas anualmente
(pode-se chegar aos números exatos soman-
A América do Norte, que é um destino de do-se o que as setas representam). Isso, adi-
muitos turistas europeus, asiáticos e sul-ame- cionado ao turismo dentro dos continentes
ricanos, tem várias atrações turísticas, mas (cerca de 600 milhões), demonstra quanto
as principais também são suas cidades e suas no mundo contemporâneo as relações huma-
instalações urbanas, com destaque para Nova nas estão se estreitando e quanto os espaços
Iorque e os parques temáticos localizados em estão se transformando em espaços de todos.
Orlando e em Los Angeles, por exemplo. Por enquanto, os números da movimentação
turística representam 10% da população
6. Por que as cidades atraem mais turistas que mundial, mas todas as tendências indicam
as outras localidades que também têm atra- que esse processo de “consumo dos espaços”
ções turísticas? mal se iniciou.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
UM MUNDO MAIS FLUIDO: OS CAMINHOS GEOGRÁFICOS
DAS REDES ILEGAIS

Num mundo mais interconectado, que es- financeiras); a “lavagem” e o “esquentamento”


trutura seus principais núcleos urbanos em re- de dinheiro sujo; e o comércio de produtos e
des e por onde circula um volume imenso de de bens culturais com marcas famosas falsifi-
turistas, de novos bens e hábitos de consumo, cadas: a pirataria.
circulam também pessoas, bens e informações
fora do controle das leis vigentes. A rigor, as redes de ilegalidade se fortale-
cem porque é possível fazer circular bens em
Ao contrabando de mercadorias, à circula- escala global, há demanda para eles, e os con-
ção de imigrantes clandestinos, ao tráfico de troles que são feitos pelos Estados nacionais
drogas e de armas, e às redes de ilegalidade (países) não estão bem preparados para re-
tradicionais (embora atualmente mais profis- primir as organizações ilegais mundiais, bem
sionais e mais sofisticadas) juntam-se: as no- mais poderosas e engenhosas do que eram
vas formas de organização dos agrupamentos antes. Nesta Situação de Aprendizagem, se-
terroristas; os novos meios de fuga de recursos rão propostas algumas reflexões a respeito
financeiros em “paraísos fiscais” (que não co- dessas novas redes de ilegalidade, a partir de
bram impostos sobre determinadas operações um exemplo significativo desse fenômeno.

Tempo previsto: 2 aulas.

Conteúdos: globalização; redes de ilegalidade; fronteiras; controles; empresa global; crime global; vanta-
gens comparativas; Estado nacional; paraísos fiscais.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem carto-


gráfica como meio de visualização sintética da relação entre realidades geográficas distintas; relacionar
o processo de integração mundial às redes de negócios ilegais; identificar e distinguir configurações
espaciais diferentes como “paraísos fiscais”; identificar e distinguir realidades na escala mundial e as
mudanças de percepção com as mudanças de escala.

Estratégias: ativar conhecimentos prévios relativos às redes de ilegalidade; apresentar um panorama das
vantagens dos negócios que atuam em escala global, em comparação com os que atuam em escala local
(empresa global e crime global); apresentar texto que define “paraíso fiscal”; expor e propor interpretação
de representação cartográfica dos paraísos fiscais; aulas dialógicas.

Recursos: texto; mapa.

Avaliação: participação nas reflexões sugeridas em sala de aula; observação e interpretação de um mapa.

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Etapa prévia – Sondagem inicial e colonizadas pelos europeus, por exemplo (a pi-
sensibilização rataria clássica de rapto e saque de navios parece
ter retornado, a partir da Somália, país que vive
Você pode abrir esta etapa de sondagem uma guerra civil desde 1990. Desde 1997, há re-
com uma afirmação: Algumas atividades ile- latos de roubos de navios nas proximidades desse
gais em nosso país estão muito presentes em país). Quando, atualmente, se fala em produ-
nosso cotidiano. Diretamente ou indiretamente, tos piratas e pirataria, estamos nos referindo a
pelos meios de comunicação, por exemplo. algum tipo de roubo?
Depois disso, peça aos estudantes que men-
cionem termos relacionados a essas ativida- Para responder a esta pergunta, precisamos
des. Para estimular as respostas, você pode ter clareza de que produtos piratas são produtos
citar um como exemplo: contrabando. falsificados, copiados de outros produtos famo-
sos. A pirataria é um negócio ilegal, apoiado
Liste na lousa as respostas para constatar por redes e organizações poderosas, que vivem
se o conjunto dos estudantes tem conheci- de copiar, de falsificar, de usar a identidade
mento da existência das atividades ilegais. Eis alheia. Produtos piratas são mais baratos: não
algumas possibilidades: pirataria, falsificação, pagam impostos e geralmente usam materiais
“laranjas”, tráfico (de drogas e de armas), de baixa qualidade.
muambas, muambeiros, sacoleiros, lavagem
de dinheiro, dinheiro sujo etc. Não se pode O mesmo pode ser feito nesta etapa de son-
prever quantas e quais palavras serão mencio- dagem com outros termos que se relacionam
nadas. Se houver inibição, um recurso que se às redes de ilegalidades.
pode usar é o de citar algumas dessas palavras
e sondar se eles sabem o que significam. Etapa 1 – Um mundo interligado: as
redes da ilegalidade se fortalecendo
Pode-se ir mais longe ainda nesta etapa
de sondagem: listar os termos e buscar seus Você poderia iniciar esta etapa com um pro-
significados, na verdade criar um glossário. blema complexo para os estudantes refletirem
Ele será útil para começar a revelar as redes de e assumirem uma posição. Ele será apresen-
ilegalidades, que podem não ser óbvias. Veja tado por meio de algumas questões interliga-
o exemplo do que pode ser feito a partir da das e terá o seguinte título: As vantagens de
palavra “pirata”: ser global no mundo contemporâneo.

Certamente, todos conhecem a palavra Uma sugestão é que os alunos estejam


“pirata”. Os piratas são personagens históri- organizados em grupos, porque seria bom
cos, navegadores que viviam de saquear navios compartilharem as reflexões para depois assu-
que transportavam mercadorias das regiões mirem uma posição conjunta.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

As vantagens de ser global no mundo contemporâneo


Jaime Oliva

As empresas globais: algumas empresas, as chamadas corporações transnacionais, operam em escala


global. E o que é operar em escala global? É ter o mundo inteiro como mercado consumidor? Uma cor-
poração reduz sua ação mundial ao ato de vender? Ou será que vender nos Estados Unidos e na União
Europeia (os maiores mercados mundiais) pode ser ainda um melhor negócio se a produção se der em
outras partes do mundo? Quem não nota, nos nossos dias, que as grandes corporações transnacionais
(com origem principalmente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão) vendem seus produtos no mun-
do inteiro, e que seus sistemas de produção estão sediados em diversas localidades do mundo (como a
China, a Coreia do Sul, o Vietnã, a Tailândia, a Índia, o Brasil etc.)? Por que localizar a produção nesses
países? Seguramente porque isso lhes dá vantagens na competição internacional, porque a produção
fabril nesses países tem custos de produção mais baixos. E por que os custos são menores? Parte da
resposta estaria no nível dos salários que são pagos? Haveria outras vantagens competitivas em poder
produzir em qualquer parte do mundo e realizar as vendas em âmbito global? Muitos países procuram
atrair empresas para seus territórios porque isso é bom para suas economias. Esses países oferecem van-
tagens, além da mão de obra barata: impostos mais baixos ou mesmo inexistentes, empréstimos, doação
de terrenos, infraestrutura à disposição e a baixo custo, energia mais barata etc. É possível concluir que
uma empresa global pode compensar as dificuldades de uma ação num país com a facilidade em agir em
outro? Uma empresa nacional não terá dificuldades de concorrer com outra que tem a diversidade do
mundo à sua disposição?

As redes de ilegalidade globais: haveria também para as atividades ilegais vantagens em ter uma atuação
global? Por exemplo: uma organização criminosa que trafica drogas obtém lucros vendendo seus pro-
dutos na Europa e nos Estados Unidos. Digamos que as drogas são produzidas na América do Sul ou
na Ásia, e que o dinheiro obtido com os lucros seja depositado em países que possuem uma “fiscaliza-
ção frouxa” no seu sistema bancário. Muitos países estão interessados em atrair capitais e, com isso,
podem relaxar o controle da origem do dinheiro. Os que controlam as redes da ilegalidade em escala
global sabem explorar essas situações. “Purificar” esse dinheiro “sujo” (que tem origem, por exemplo,
na venda de drogas) não é tão difícil. Essa é uma operação que, do ponto de vista geográfico, pode
ser chamada de global? Obter lucros com o crime num país e usar o dinheiro advindo dessa atividade
na mesma localidade sempre foi um problema para os grupos criminosos. Porém, no mundo globali-
zado a diminuição dos controles para circulação financeira, o afrouxamento das fronteiras e a busca
incessante de muitos países pobres por mais capital não acabam fazendo com que o dinheiro sujo tenha
maiores chances de circular com cara de limpo?

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

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O propósito desta etapa é trabalhar na cons- mobiliza-se um volume muito grande de mão
trução de um raciocínio central que percorre o de obra e de compradores, que de outro modo
problema apresentado: os negócios legais ou as não teriam emprego ou condição de comprar
redes de ilegalidade que operam em escala glo- certos produtos. E até mesmo quem poderia
bal aproveitando diferentes oportunidades no comprar produtos mais caros termina se be-
mundo desigual e de controles e necessidades neficiando desse comércio. Aí, a ilegalidade se
variadas. mistura com problemas sociais e econômicos
do país. Esse é um aspecto da complexidade
Vários aspectos ou temas relacionados ao do problema. Outro aspecto são os malefícios
enfraquecimento dos controles dos Estados que esse comércio ilegal produz sobre várias
nacionais – que favorecem a circulação de bens atividades legais que vão sofrer com perda de
ilegais, e, depois, “purificam” seus resultados, mercado, o que vai ocasionar desemprego,
dando condição legal ao dinheiro obtido – po- por exemplo. Além disso, muitos outros riscos
dem ser lembrados para enriquecer a discus- – de saúde, de segurança etc. – estão implica-
são que os alunos estão fazendo em grupo. dos no comércio ilegal.
Um exemplo interessante pode ser enunciado
da seguinte maneira: o processo de globaliza- Para encerrar esta etapa sugerimos o traba-
ção e a fragilização dos controles internos. lho com um mapa que localize alguns pontos
estratégicos de operação das redes de ilegali-
Nesse caso, fica evidente como em mui- dade: “os paraísos fiscais”. Antes do trabalho
tas situações inexistem controles às redes de com o mapa, talvez seja adequado esclarecer
ilegalidade. Um exemplo é o próprio Brasil e o que são esses paraísos e a ironia da designa-
sua maior cidade (São Paulo), cuja paisagem ção. O pequeno texto a seguir pode contribuir
urbana atual está marcada por locais que nessa direção, porém você não precisa ficar
concentram abertamente a comercialização preso a ele, se achar que precisa abordar o
de “produtos pirateados”. Nesse comércio, tema para além da definição.

O que é um paraíso fiscal?


Jaime Oliva

Paraísos fiscais são regiões que, muitas vezes, têm o status de Estado nacional e que aceitam o
ingresso de recursos financeiros de origem desconhecida, quer dizer, sem que o dono desse dinheiro
precise declarar como o dinheiro foi obtido. Além disso, protege-se a identidade do dono dos recursos
e garante-se o sigilo bancário absoluto. Nesse sentido, um lucro obtido com tráfico de armas ou de
drogas pode ser depositado no banco e aplicado, e ninguém vai incomodar o dono do dinheiro
de origem criminosa.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Outra característica de um paraíso fiscal é que eles são lugares que facilitam a abertura de empresas.
Uma empresa pode se instalar num paraíso fiscal e todos os recursos que por ali circularem não serão
tributados. Como muitos usam os paraísos fiscais para lavar dinheiro “sujo”, por exemplo, usando lucros
de aplicação de dinheiro advindo da droga para abrir uma empresa, que depois vai atuar legalmente, esses
paraísos terminam sendo lugares onde não “há pecados”. Tudo vale. Nos paraísos fiscais, há uma grande
rejeição em se aceitar controles ditados pelas regras do direito internacional, que, por exemplo, tentam
coibir a lavagem de dinheiro – como as medidas contra o crime mundial propostas no encontro do G-20
em 2009, que incluíram a necessidade de regulação das transações realizadas nos paraísos fiscais.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

O próximo passo é trabalhar o mapa da Fi- importância deles por meio de uma relação
gura 8 com os estudantes e pedir a eles que o visual de ordenação ou de quantidade. Não
observem atentamente. Qual é a função deste há representação das movimentações finan-
mapa? Ele mostra a localização dos paraísos ceiras de cada um deles, que certamente são
fiscais. Ele não mostra, por exemplo, qual é a diferenciadas.

Os paraísos fiscais Londres


Ilha de Man
Bélgica
Holanda Ilhas do Pacífico:
Dublin Luxemburgo Ilhas Cook
Delaware Guernsey, Jersey e Serq Liechtenstein
Hungria Ilhas Marshall
Bahamas Nauru
Bermudas Ilhas Turks e Caicos Andorra Suíça
Mônaco Hong Kong Niue
Belize Ilhas Virgens dos EUA Samoa
Ilhas Virgens Britânicas Malta Macau
Cayman Gibraltar Barein Filipinas Tonga
Anguilla Chipre Tuvalu
Costa Rica Antígua e Barbuda Madeira Dubai
Dominica Israel Vanuatu
Panamá São Vicente e Granadinas Líbano
Barbados
Granada
Benoît MARTIN, janeiro de 2007

Somália Ilhas Maldivas Cingapura


Santa Lucia Libéria
Montserrat
Antilhas Holandesas
Seicheles
Aruba
São Cristóvão e Nevis Territórios citados ao menos
uma vez pelo FEF,
Ilhas pela OCDE ou pelo GAFI em 2000
Maurício Estado ou praça financeira
Uruguai África do Sul
Território dependente
Nota : de um Estado
Os paraísos fiscais representados são a soma de 3 listas de países ou territórios:
1. da OCDE (47 identificados em 1999 e, finalmente, 35 publicados em 2000);
2. do Fórum de estabilidade financeira (42 classificados em 3 grupos segundo a hierarquia de riscos);
3. do GAFI (29 identificados e finalmente 15 publicados). Fontes :
Christian CHAVAGNEUX e Ronen PALAN,
Estas 3 listas foram publicadas em 2000 e, depois, atualizadas todos os anos com redução de
Os paraísos fiscais, Paris, La Découverte,
objetivo, até serem esvaziadas de seu conteúdo em 2005-2006
2006; compilação de Antoine DULIN

Figura 8 – Mundo: paraísos fiscais. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris: Presses de
Sciences Po, 2008. p. 67.

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Sendo assim, algumas questões surgem, e dos paraísos fiscais na região da América Cen-
elas podem ser apresentadas aos alunos que tral, no mar do Caribe? Algo chama a aten-
estão organizados em grupo. Suas respostas ção no caso do Caribe: os Estados nacionais
serão de valia para se compreender mais o identificados como paraísos fiscais são quase
fenômeno dos paraísos fiscais e das redes de todos ilhas, quase todos de pequena extensão
ilegalidade que eles apoiam. territorial e, seguramente, com poucos recur-
sos econômicos próprios. Sua vida econômica
1. Por que não há diferenciação entre os pa- depende das relações com o exterior: pode ser
raísos fiscais no mapa, mostrando quais turismo (que neles é bem forte), mas pode
os que movimentam mais recursos, por ser também como espaço livre de controles
exemplo? aos capitais.

Porque no paraíso fiscal as operações são 3. Observando-se o mapa, seria justo atribuir a
secretas. Se não houvesse sigilo, se todos condição de paraíso fiscal apenas às localida-
soubessem para onde vai o dinheiro dos des pequenas e sem muitos recursos econômi-
traficantes, quais os negócios legais que são cos, em áreas mais pobres do mundo, como o
abertos com esse dinheiro, isso enfraque- Caribe, na América Central? Por quê?
ceria os paraísos fiscais e as organizações
criminosas em suas operações no mundo. A segunda maior concentração de paraísos
As transações ilícitas (os “pecados”) se- fiscais que o mapa nos mostra é na Europa.
riam reveladas, e a expulsão do “paraíso”, São áreas de pequena extensão, espécies
mais eminente. de recortes que ficaram fora da divisão
territorial dos principais países europeus.
2. Se o mapa apenas assinala os paraísos fiscais Encontram-se num continente rico e ser-
sem diferenciá-los segundo sua importância, vem de algum modo para que muitos milio-
não seria melhor listá-los em uma tabela? nários europeus, por exemplo, mudem para
esses paraísos para fugir de impostos nos
Numa tabela, se faria uma relação dos luga- seus países de origem. São paraísos fiscais
res considerados paraísos fiscais. No mapa, tanto quanto os outros e também mais ou
pode-se ver a distribuição geográfica desses menos fora do controle das leis interna-
lugares. E aí, algumas coisas podem intrigar. cionais. Logo, servem de apoio às redes de
Por exemplo: por que ocorre a concentração ilegalidade.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

PROPOSTAS DE QUESTÕES PARA APLICAÇÃO EM AVALIAÇÃO

1. Uma cidade, em especial uma grande cida- suas regiões. Assim, uma cidade já influente
de, representa o contrário do isolamento fica ainda mais influente. São Paulo enquadra-
geográfico. Ela estabelece muitas articula- -se nessas condições, não apenas por ser grande,
ções com outros espaços e termina esten- mas por conta de uma série de outras virtudes
dendo sua influência por vastos territórios. que a articula à escala mundial. Há outras cida-
Dê exemplos de como isso acontece. des grandes no mundo que não têm tanta articu-
lação com a rede mundial de cidades.
Isso acontece de diversas maneiras e em
vários campos da vida social. As cidades 3. O modo de vida urbano estimula o consu-
reúnem muitas atividades e poder econô- mo de muitos bens. O que é correto afirmar
mico, muito poder político e muito poder a esse respeito?
cultural. Termina, em razão disso, sendo
sede de meios de comunicação e de meios a) A forma de organização do espaço da
de informação. Seus negócios vão longe, cidade favorece a realização de ativida-
suas informações também. Seus hábitos e des agrícolas e a criação de animais.
práticas culturais são diversos e eles são ir-
radiados pelas televisões, pelo cinema, pela b) O tempo das pessoas na vida urbana
imprensa ou pelos turistas para outras cida- permite a confecção de roupas em casa,
des e áreas do mundo. no entanto, ninguém mais se interessa
por essa atividade.
2. A cidade de São Paulo é uma das maiores
metrópoles do mundo. Segundo o Censo de c) O modo de vida urbano permite que o
2010, sua população é de cerca de 11,3 mi- lugar de trabalho e o lugar de moradia
lhões de habitantes. Isso faz dela uma cidade sejam o mesmo, havendo mais espaço
global? Justifique. e tempo para a produção dos bens
domésticos.
O que faz uma cidade ser global é sua articu-
lação com outras escalas, chegando à escala d) As atividades urbanas estão ligadas
mundial. Seus negócios, suas influências per- aos serviços, ao comércio e à indústria;
correm a escala global. Os negócios de escala logo, a produção de alimentos está no
global procuram se situar também em cidades campo, e os habitantes têm de adquirir
estratégicas, capazes de muita influência em esses bens.

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e) A construção das moradias, em sua melhor entendê-lo e administrá-lo. Dentro
maior parte, pode ser feita pelos pró- desse espírito, vale perguntar se qualquer
prios moradores, mesmo que se dedi- viagem pode ser considerada turismo?
quem a outras atividades.
Não, pois, como define a própria Organiza-
As alternativas urbanas diferem das atividades ção Mundial do Turismo (2001), compreen-
rurais, principalmente com a industrialização de-se por turismo as atividades (de lazer,
e a urbanização. de negócios etc.) que as pessoas realizam
quando viajam por mais de um dia consecu-
4. Numa grande cidade, há estímulos para se tivo para lugares diferentes do seu entorno
consumir além das necessidades mais ele- habitual.
mentares e imediatas, como a alimentação
e o vestuário? 7. Observando-se os fluxos turísticos entre os
continentes, pode-se afirmar que:
Certamente, as cidades são verdadeiros dína-
mos econômicos e culturais; logo, criadoras
a) A América do Sul é o continente que re-
de modas, de novos produtos de todos os tipos.
cebe os maiores volumes de turistas no
Nos espaços públicos das cidades, projeta-se
conjunto das três Américas, o que pode
nas vitrines das lojas, por exemplo, toda uma
gama de bens que funcionam como informa- ser explicado pelo seu tamanho.
ções novas para seus habitantes. E muitos
vão consumir essas novas informações (novos b) A América do Norte recebe mais turis-
bens de consumo). tas que a América do Sul, que, por sua
vez, supera a região da América Central
5. As cidades têm força para expandir a outras e do Caribe, que é muito pequena.
escalas geográficas seus hábitos de consu-
mo? Em caso afirmativo, dê exemplos. c) O continente que mais envia turistas
para a América do Sul é o asiático, em
Sim. Há hábitos de consumo que tiveram ori-
especial os turistas que vêm do Japão
gem em certos núcleos urbanos e que se expan-
em grande quantidade.
diram para o mundo todo, como o hábito de
ir aos cinemas das grandes cidades, assistindo
d) A América do Sul não está entre os desti-
aos mesmos filmes; a televisão, que chegou às
zonas rurais, também foi irradiada da cidade. nos mais procurados no turismo de gran-
É possível ampliar bastante essa lista. de distância, algo que é notoriamente di-
ferente em relação à América do Norte.
6. O turismo é uma atividade que vem ganhan-
do importância e, por isso, é fundamental e) A América do Sul não recebe um flu-
enxergá-lo com o máximo de precisão, para xo importante de turismo internacional

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

apesar de sua posição geográfica privi- controles, necessários para uma nova situa-
legiada em termos de distância. ção mundial. É só verificar a facilidade e a
quantidade de produtos ilegais que circulam
Embora com enorme potencial turístico, a em nosso cotidiano.
América do Sul não tem, nesta atividade, um
10. Sobre os “paraísos fiscais”, é correto afir-
recurso econômico importante. Já na América
mar que:
do Norte o quadro é o oposto, visto que, nessa
área, o turismo é uma importante atividade
econômica, em especial nos Estados Unidos. a) eles protegem o dinheiro sujo, mas nem
todas as organizações criminosas con-
8. A Europa é o continente que tem a maior seguem acessá-los, porque eles estão
movimentação turística do mundo. Será isolados dos grandes mercados.
que essa movimentação tem provocado de-
gradação de seus espaços? b) sua localização dominante na América
Central e no Caribe indica que as or-
O turismo em direção à Europa acontece prin-
ganizações criminosas que usam esses
cipalmente para as grandes cidades, que, por
sua vez, têm a capacidade de absorver um “paraísos” têm suas operações apenas
grande número de turistas sem que isso abale nos EUA.
necessariamente seu funcionamento e suas
condições geográficas. Ao contrário, o turismo c) a localização dos “paraísos” europeus
é uma atividade econômica que revitaliza essas mostra que apenas pequenas ilhas e
cidades, que melhora suas estruturas. Assim, fragmentos de território sem importân-
não necessariamente deve-se aceitar a ideia de
cia exercem essa função.
que o turismo é destruidor de espaços.

9. Num mundo marcado pelo aumento sig- d) em um mundo globalizado, todo inter-
nificativo da circulação de bens de várias conectado, cujas operações podem ser
localidades (países) para outras, muitas realizadas a distância, os “paraísos fis-
das regras de controle, que restringem a cais” fortaleceram-se, pois não importa
presença de produtos estrangeiros, foram tanto sua localização.
afrouxadas. Será que as organizações que
negociam bens ilegais conseguiram, nesse e) existem menos deles na Ásia, porque
contexto, tornar mais eficientes seus negó- nessa região praticamente não existem
cios e suas redes? redes de ilegalidade.

A facilidade de circulação de todos os bens Os paraísos fiscais têm sua função potencia-
favoreceu a circulação de bens ilegais. lizada à medida que as conexões a distância
As organizações criminosas aperfeiçoa- estão bem mais fáceis. Inclusive prisioneiros,
ram seus procedimentos, fortaleceram-se em certas condições, podem operar recursos
e ainda se aproveitam da falta de novos nesses paraísos.

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PROPOSTAS DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO

Definir quais conteúdos essenciais foram Aprendizagem, você reapresenta os textos


apreendidos pelos alunos é o primeiro passo e os mapas, propõe a leitura e a observação
do trabalho de recuperação. E aqui vale um atenta, depois lança as questões e deixa o
comentário sobre este Caderno. Com um fio aluno trabalhando. Você deve ficar atento
condutor, que são as redes sociais que se orga- às dúvidas, mas a ideia é deixá-los se en-
nizam no mundo contemporâneo em razão volver e se interessar. E, depois, examinar o
da maior conexão que o espaço geográfico modo como responderam, o que vai permi-
moderno propicia, costuram-se três diferen- tir definir os ajustes necessários.
tes temas: cidades globais, turismo e redes
de ilegalidade. Por isso, será preciso definir ff Aplicação dos quadros analíticos: em duas
o que é essencial em cada um dos temas, mas Situações de Aprendizagem (1 e 3) foram
também o que os articula. construídos quadros analíticos (sobre cida-
des e suas influências e sobre a definição de
O segundo passo é distinguir em que con- turismo). Além disso, foi apresentado um
dições chegaram os alunos para o trabalho de quadro pronto sobre espaços turísticos.
recuperação. Ao menos dois grupos podem Os alunos em trabalho de recuperação vão
ser distinguidos de início: aqueles cujas difi- receber esses quadros prontos e sugestões
culdades estão ligadas à participação inade- para aplicação, tal como foi colocado no
quada nas aulas e nas propostas de trabalho Caderno. O que se está diminuindo aqui
que você orientou, e aqueles cujas dificulda- é toda a fase de reflexão e de construção
des estão ligadas a outras causas. Certamente dos quadros. Mais uma vez, você deve ficar
sua prática e sua sensibilidade identificarão atento às dúvidas, pedir que os resultados
outras situações. No processo de recupera- das aplicações venham por escrito, para
ção, os procedimentos podem se ajustar às depois definir os ajustes necessários.
diferentes condições dos estudantes.
Segundo encaminhamento: para os alunos
Primeiro encaminhamento: não há dúvida que apresentaram dificuldades de aprendi-
de que o primeiro grupo será o maior. Para zado, mesmo participando normalmente das
esse grupo, sugerimos algumas estratégias: proposições das Situações de Aprendizagem,
sugerimos que o trabalho se centre especifi-
ff Aproveitamento das questões que foram camente no que é extremamente essencial em
utilizadas como meios para as reflexões cada uma das Situações de Aprendizagem. A
sobre os textos e os mapas trabalha- seguir, apresentamos o quadro desses elemen-
dos. Seguindo a ordem das Situações de tos essenciais:

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

Situação de
Conteúdos essenciais
Aprendizagem
A. A essência relacional da cidade; a cidade é uma concentração de gente e de recursos,
e viver nela é estar num local muito conectado, que se relaciona com o mundo.
1
B. Cidades (metrópoles, principalmente) permitem se relacionar com o mundo (com a
escala mundial).
A. O modo de vida urbano (o espaço das cidades) obriga uma nova forma de abaste-
cimento das famílias: o consumo; relação cidade ↔ consumo.
2
B. As cidades são espaços de consumo e propagadoras de hábitos de consumo, inclusive
em escala mundial.
A. O turismo é uma prática que envolve viagem, uma saída do lugar e do cotidiano;
turismo é diferente de lazer.
3 B. As práticas turísticas estão mais disseminadas na Europa e na América do Norte, nos
países que têm melhores condições de vida. São eles os que recebem mais turistas e
também os que enviam mais para outras partes do mundo.

A. Redes de ilegalidade tornam-se mais fortes quando atuam em escala global, o que
4 hoje é mais fácil.

B. Paraísos fiscais são uma configuração geográfica das redes de ilegalidade.

Os procedimentos adequados para gerar cristalizando em sua vida escolar, o que faz
novas Situações de Aprendizagem podem ser com que, no presente, a comunicação sobre
buscados e isolados no interior das quatro Si- elementos novos fique interrompida. Nesse
tuações. Eles devem ser despidos dos detalhes, caso, você pode indicar aos alunos várias
para extrair apenas o essencial. O ideal é acom- associações, sempre perguntando o que se
panhar bem de perto os estudantes que têm di- quer ver. Com isso, imediatamente você no-
ficuldades e estão no trabalho de recuperação. tará se o aluno conhece os pontos cardeais, se
Com relação à observação e à interpretação tem noção das coordenadas geográficas, dos
de representações cartográficas, vale repetir o hemisférios (do norte, do sul, do ocidente, do
que já havia sido destacado no Caderno do oriente) e, mais que tudo isso, se ele entende
volume 3 desta série/ano: “No que se refere que num mapa estão representados aspectos
aos exercícios cartográficos, por exemplo, é do mundo. A cada dificuldade que for sur-
comum que o baixo aproveitamento esteja gindo, é necessário explicar com naturalidade,
associado às lacunas anteriores, que tornam superando cada barreira. Não é recomendável
as representações um mistério, um mundo dizer: isso você já deveria saber, pois esse é o
estranho para o estudante. Em razão disso, alarme para acionar todos os bloqueios e en-
muitos bloqueios inconscientes foram se cerrar a comunicação”.

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RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA

Sugestão de livros Coletânea de textos sobre turismo e Geografia


organizada por pesquisadora brasileira que se
Bibliografia consultada
dedica há tempos a essa relação. O texto de

BRASIL. MINISTÉRIO DO TURISMO. Rémy Knafou é altamente recomendado pela


Secretaria Nacional de Políticas de Turismo. fineza de sua análise.
Turismo de negócios & eventos: orientações
_____; STOCK, Mathis. Tourisme. In: LÉVY,
básicas. Brasília: MT, 2008.
Jacques; LUSSAULT, Michel (Org.). Dictionnaire
CUNHA, Licínio. Introdução ao turismo. de la Géographie et de l’espace des sociétes.
Lisboa: Verbo, 2001. Paris: Belin, 2003. p. 931-933.

DAGORN, René. Archipel Mégalopolitain Verbete de importante dicionário francês de


Mondial. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, Geografia. Novamente, vale ressaltar a auto-
Michel (Org.). Dictionnaire de la Géogra-
ria de Rémy Knafou, que vem se dedicando ao
phie et de l’espace des sociétes. Paris: Belin,
tema do turismo.
2003. p. 81-83.
LÉVY, Jacques. Europe: une géographie. Paris:
Importante discussão sobre o papel das redes
Hachette, 1997.
de aglomerações urbanas no mundo contem-
porâneo como base geográfica do denomi- Obra que é marco de uma nova geografia
nado processo de mundialização. Atualiza a francesa e de seu principal representante, que
discussão sobre as aglomerações urbanas que relê a geografia da Europa, considerando sua
tem em Jean Gottmann o grande precursor.
estrutura urbana como um ambiente relacio-
DURAND, Marie-Françoise; MARTIN, B.; nal que serve de plataforma de superação das
PLACIDI, D.; TORNQUIST-CHESNIER, realidades nacionais.
M. Atlas de la mondialisation: compreendre
_____. Le tournant géographique. Paris: Belin,
l’espace mondial contemporain. Paris: Scien-
ces Po - Les presses, 2006. 126 p. 2000.

KNAFOU, Rémy. Turismo e território: Obra teórica de Jacques Lévy sobre a necessá-
por uma abordagem científica do turismo. ria inclusão do espaço como dimensão social
In: RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo e e sobre a necessidade de teorização dessa di-
Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 62-74. mensão espacial.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

OFFICE du Tourisme et des Congrès de A autora é geógrafa e há vários anos dedica-se


Paris. Paris Île-de-France, capitale du a refletir sobre a relação Turismo e Geografia.
tourisme d’affaires, 2009. Disponível Também é responsável pela organização de
em: <http://www.parisinfo.com/informa- obras coletivas que nos deram acesso ao pen-
tions-presse-operateurs/8505-paris-ile-de- samento de especialistas.
-france>. Acesso em: 17 maio 2013. URRY, John. O olhar do turista. São Paulo:
Sesc/Studio Nobel, 1996.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TU-
RISMO. Introdução ao turismo. São Paulo: Obra de grande qualidade do sociólogo inglês,
Roca, 2001. que vai além do exame econômico do fenô-
meno turístico e entra na discussão das novas
relações que se estabelecem entre o local e o
Sobre cidades globais turista (o outro).

LIMA, Ricardo; REZENDE, Fernando (Org.).


Sugestão de sites
Rio–São Paulo: cidades mundiais: desafios e
oportunidades. Brasília: Ipea, 1999. 280 p. Sobre cidades globais e metrópoles

Coletânea multidisciplinar sobre o potencial Observatório das Metrópoles. Disponível


como cidade mundial do Rio de Janeiro e em: <http://observatoriodasmetropoles.net>.
de São Paulo. Bem interessante é o destaque Acesso em: 17 maio 2013.
dado à articulação dessas cidades para au-
O Observatório das Metrópoles é um grupo de
mentar o poderio econômico.
pesquisa que trabalha em rede e reúne pesqui-
SASSEN, Saskia. As cidades na economia sadores de várias instituições governamentais
mundial. São Paulo: Studio Nobel, 1998. e ONGs e universidades. As equipes reunidas
vêm trabalhando sobre 15 metrópoles (Rio
A autora ficou muito conhecida com a criação de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Hori-
de critérios para definir o que são as cidades zonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal,
mundiais, ou globais, cidades cuja força finan- Fortaleza, Belém, Florianópolis, Santos, Vitória
ceira tem alcance mundial. Propõe uma discus- e Brasília) e a aglomeração urbana de Maringá.
são interessante. Sobre turismo
Sobre turismo no mundo contemporâneo
Ministério do Turismo. Disponível em: <http://
www.turismo.gov.br>. Acesso em: 17 maio 2013.
RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e
espaço: rumo a um conhecimento transdisci- Traz informações sobre toda a rede de servi-
plinar. São Paulo: Hucitec, 2001. ços e de atrações turísticas no Brasil.

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Office du Tourisme et des Congrès de Paris. Revista Turismo. Disponível em: <http://
Disponível em: <http://www.parisinfo.com> www.revistaturismo.com.br>. Acesso em:
(em francês). Acesso em: 17 maio 2013. 17 maio 2013.

Nesse site, há muitos dados sobre a cidade de Revista eletrônica sobre o turismo no Brasil e
Paris, o principal destino turístico do mundo. no mundo.

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Geografia - 8a série/9o ano - Volume 4

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As Situações de Aprendizagem procura- cotidiano com organizações que operam em
ram contemplar de maneira produtiva e re- escala mundial.
flexiva o tema das novas redes sociais que se
estruturam tendo como base a nova Geogra- Os conteúdos aqui tratados podem ser abor-
fia do mundo. Com esse intuito, trabalhou-se dados de outras formas e necessariamente de-
a natureza relacional das cidades, espaço verão ser ampliados, aprofundados e revistos,
fundamental por sua condição de nos inse- pois eles envolvem realidades muito dinâmicas
rir em várias escalas de relações, como um e ainda pouco conhecidas.
elemento-chave que explica a Geografia con-
temporânea, o que pode ser bem expresso As atividades propostas certamente ganharão
pelo fenômeno da cidade global. em qualidade, consistência e pertinência se conta-
rem com a sua contribuição. Antes de tudo, pela
Tendo essa referência, refletiu-se sobre temas razão óbvia que a produtividade delas (ou não)
pouco presentes na programação tradicional será sentida por você, mas também porque suas
da Geografia escolar: a lógica de expansão próprias elaborações, seus entendimentos, suas
das redes mundiais do consumo urbano; as práticas, em suma, toda a sua experiência deve ser
redes espaciais do turismo e as consequências incorporada ao trabalho. Nenhuma atividade do-
dessa atividade que consome e transforma cente será verdadeira e interessante se ela se basear
espaços; a lógica que aumenta o poder das num material externo que ignore, não dialogue e
redes de ilegalidade, que se inserem em nosso não permita a incorporação da sua experiência.

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