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PSICOLOGIA POSITIVA E RESILIÊNCIA

 Martin Seligman - Segundo esse importante pesquisador, a ciência psicológica tem


“esquecido” ou negligenciado a sua mais importante missão: a de construir uma visão de ser
humano com ênfase em aspectos “virtuosos”

 Psicologia positiva é “tentativa de levar os psicólogos contemporâneos a adotarem uma visão


mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas”. uma
psicologia que almeja antes de tudo romper com o viés “negativo” e reducionista de algumas
tradições epistemológicas

 Resiliência é frequentemente referida por processos que explicam a “superação” de crises e


adversidades em indivíduos, grupos e organizações

 Os precursores do termo resiliência na Psicologia são os termos invencibilidade ou


invulnerabilidade

 Invulnerabilidade passa uma idéia de resistência absoluta ao estresse, de uma característica


imutável

 “Um termo menos olímpico como resiliência ou resistência ao estresse, se fazia necessário”

 A resiliência ou resistência ao estresse é relativa, que suas bases são tanto constitucionais
como ambientais, e que o grau de resistência não tem uma quantidade fixa, e sim, varia de
acordo com as circunstâncias

 Resiliência refere-se a uma “habilidade de superar adversidades, o que não significa que o
indivíduo saia da crise ileso, como implica o termo invulnerabilidade”

 Martineau sumariza que os principais traços vistos como características fixas da resiliência,
que formam um consenso na opinião de diversos autores são: sociabilidade, criatividade na
resolução de problemas e um senso de autonomia e de proposta.

 Muitos pesquisadores do desenvolvimento humano estudam os padrões de adaptação


individual da criança associados ao ajustamento apresentado na idade adulta, ou seja,
“procuram compreender como adaptações prévias deixam a criança protegida ou sem defesa
quando exposta a eventos estressores”

 Os fatores que discriminaram o grupo “resiliente”, tanto nas pesquisas de 1982 como na de
1986, incluíam: temperamento das crianças/jovens (percebidos como afetivos e receptivos);
melhor desenvolvimento intelectual; maior nível de autoestima; maior grau de autocontrole;
famílias menos numerosas; menor incidência de conflitos nas famílias

 Werner (1993) notou que o componente-chave do efetivo coping dessas pessoas é o


sentimento de confiança que o indivíduo apresenta de que os obstáculos podem ser
superados, o que confirma a ênfase colocada nos componentes psicológicos individuais, de
um “algo interno”

 Rutter (1987) define resiliência como uma “variação individual em resposta ao risco”, e afirma
“que os mesmos estressores podem ser experienciados de maneira diferente por diferentes
pessoas”. De acordo com esse autor, a resiliência “não pode ser vista como um atributo fixo
do indivíduo”, e “se as circunstâncias mudam, a resiliência se altera”
 “O termo refere-se ao fenômeno de superação de estresse e adversidades” (p. 119), e
categoricamente afirma que “resiliência não constitui uma característica ou traço individual”

 Segundo os autores mencionados, há uma “confusão” entre Processo e Traço nos estudos,
em decorrência do ocasional uso do termo “criança resiliente” por pesquisadores que, na
verdade, são adeptos de uma visão dinâmica da resiliência, ou seja, processual. Luthar e cols.
(2000) reiteram que o termo “criança resiliente”, empregado por muitos autores, não se refere
a atributos pessoais, mas sim à pressuposição de condições de resiliência, a saber: a) a
presença de fatores de risco ao bem-estar da criança, e b) a adaptação positiva da criança,
apesar das adversidades

 No geral, os estudos sobre família enfatizam os aspectos deficitários e negativos da


convivência familiar. O interesse pela resiliência em famílias vem contribuir para redirecionar
esse ciclo de raciocínio, trazendo para o mundo familiar uma ênfase “salutogênica”
(Antonovsky & Sourani, 1988), ou seja, significa focar e pesquisar os aspectos sadios e de
sucesso do grupo familiar ao invés de destacar seus desajustes e falhas

PROCESSOS-CHAVE DA RESILIÊNCIA NA FAMÍLIA

SISTEMA DE CRENÇAS (o coração e a alma da resiliência)


1. Atribuir sentido à adversidade:
• Valorização das relações interpessoais (senso de pertencimento)
• Contextualização dos estressores como parte do ciclo de vida da família
• Sentido de coerência das crises: como desafios administráveis
• Percepção da situação de crise: crenças facilitadoras ou constrangedoras
2. Olhar positivo
• Iniciativa (ação) e perseverança
• Coragem e encorajamento (foco no potencial)
• Esperança e otimismo: confiança na superação das adversidades
• Confrontar o que é possível: aceitar o que não pode ser mudado
3. Transcendência e espiritualidade
• Valores, propostas e objetivos de vida
• Espiritualidade: fé, comunhão e rituais
• Inspiração: criatividade e visualização de novas possibilidades
• Transformação: aprender e crescer através das adversidades

PADRÕES DE ORGANIZAÇÃO
4.Flexibilidade
• Capacidade para mudanças: reformulação, reorganização e adaptação
• Estabilidade: sentido de continuidade e rotinas
5.Coesão
• Apoio mútuo, colaboração e compromisso
• Respeito às diferenças, necessidades e limites individuais
• Forte liderança: prover, proteger e guiar crianças e membros vulneráveis
• Busca de reconciliação e reunião em casos de relacionamentos problemáticos
6.Recursos sociais e econômicos
• Mobilização da família extensa e da rede de apoio social
• Construção de uma rede de trabalho comunitário: família trabalhando junto
• Construção de segurança financeira: equilíbrio entre trabalho e exigências familiares

PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO
7.Clareza
• Mensagens claras e consistentes (palavras e ações)
• Esclarecimentos de informações ambíguas
8.Expressões emocionais “abertas”
• Sentimentos variados são compartilhados (felicidade e dor; esperança e medo)
• Empatia nas relações: tolerância das diferenças
• Responsabilidade pelos próprios sentimentos e comportamentos, sem busca do “culpado”
• Interações prazerosas e bem-humoradas
9.Colaboração na solução de problemas
• Identificação de problemas, estressores, opções
• “Explosão de ideias” com criatividade
• Tomada de decisões compartilhada: negociação, reciprocidade e justiça
• Foco nos objetivos: dar passos concretos; aprender através dos erros
• Postura proativa: prevenção de problemas, resolução de crises, preparação para futuros desafios
RESILIÊNCIA NO HOSPITAL

 Rutter (1993), fazem uma crítica à tendência limitante do estudo baseado no sofrimento,
afirmando que apesar da Psicologia procurar entender como os indivíduos sobrevivem em
situações de adversidade, muito pouco se sabe sobre como pessoas normais se desenvolvem
em condições mais saudáveis

 Eles defendem a idéia de que o trabalho de prevenção deve criar uma nova ciência da força
humana, na qual a missão será entender e aprender como promover virtudes, como coragem,
otimismo, habilidades interpessoais, entre outras

 Intervenções que enfatizam características positivas e fortalecedoras do ser humano deveriam


estar inseridas nos tratamentos profissionais

 O significado da resiliência está relacionado com processos psicossociais, que favorecem o


desenvolvimento sadio do indivíduo, mesmo quando este se encontra frente a adversidades e
problemas

 A resiliência, neste sentido, refere-se a processos que operam na presença do risco para
produzir características saudáveis, e não para evitar ou eliminar fatores de risco

 A resiliência é entendida como uma reafirmação da capacidade humana em superar


adversidades, mas que isto não significa dizer que o indivíduo saia da crise ileso, como implica
o termo invulnerabilidade

 Não existe, por conseguinte, uma quantidade fixa de processos de resiliência em um indivíduo,
e sim, que o modo saudável de enfrentar crises pode variar de acordo com as circunstâncias

 O conceito de risco está diretamente relacionado com eventos negativos de vida, que, quando
presentes, aumentam a probabilidade de o indivíduo apresentar problemas (Yunes &
Szymanski, 2001). Ao se encontrar diante de adversidades, muitas vezes causadoras de
estresse ou trauma, o indivíduo se torna suscetível à vulnerabilidade e ao desequilíbrio. No
entanto, esses eventos negativos podem também, em certos momentos, permitir uma
reorganização da vida e vontade de seguir em frente.

 Estudar características protetoras que se desenvolvem e que podem modificar o percurso


pessoal do indivíduo também é essencial

 Aspectos individuais, como autoestima positiva, autocontrole, autonomia, orientação social


positiva; familiares, como famílias coesas, estabilidade, respeito; e fatores do meio ambiente
em que o indivíduo se insere, como relacionamentos saudáveis com colegas, professores, e
outras redes de apoio disponíveis

 A pessoa é vista a partir das suas características biopsicológicas e das construídas na


interação com o ambiente. As autoras as dividem em três núcleos diferentes: características
de disposição; recursos biopsicológicos e demandas.

 A resiliência, neste contexto, seria a capacidade de um indivíduo lidar com a doença, aceitando
suas limitações, colaborando com aderência ao tratamento, readaptando-se e sobrevivendo
de forma positiva

 Mais importante do que buscar na patologia que determinou a hospitalização a decorrência do


sofrimento vivido pelo paciente é a análise dos fatores subjetivos que marcam a própria
conceituação de enfermidade, e por assim dizer, o nível deste sofrimento. Ou seja, quanto
menos autoconfiança, esperança e vontade de vencer o paciente apresentar, maior será o
grau de prejuízo para o mesmo.

 Este novo olhar humanizado permite perceber que o paciente, ao chegar ao hospital, traz
consigo, além da doença, sua história de vida. Portanto, segundo Camon (2003), é pertinente
reafirmar que o agravamento de determinados processos da hospitalização pode acabar se
dando mais no imaginário do paciente

 Pacientes que se encontram expostos à adversidade crônica podem apresentar efeitos


negativos no desenvolvimento, como sequelas emocionais posteriores, que em geral não
aparecem em pacientes que passam por rápida internação

 Para preservar o ego de situações que ameacem sua integridade, o paciente pode recorrer a
mecanismos de defesa, como a negação, regressão e isolamento, não raro comprometendo
sua relação com o tratamento e até mesmo agravando seu estado clínico

 Também se mostram importantes algumas estratégias utilizadas dentro do hospital para


facilitar o desencadeamento de tais processos. O estabelecimento de boas relações médico-
paciente, a humanização no atendimento, o fornecimento de informações claras e
compreensíveis aos pacientes, dentro de um programa multiprofissional

 Uma doença nunca é a mesma para diferentes pessoas; ela não é única em suas
manifestações e igualmente provoca reações singulares em cada paciente, que também é
diferente e único

 A boa interação com a equipe, que se mostrou bastante interessada no caso, também pode
ter auxiliado positivamente na esperança para sair deste momento de crise

 O atendimento psicológico contínuo durante toda a internação também pode ser percebido
como importante suporte para a paciente reagir à doença. A prática da psicologia no hospital
tem mostrado que os pacientes reagem de modo favorável a esta proposta de intervenção,
reconhecendo-a como necessária para sua reestruturação emocional. Assim, pode-se
observar que, durante o processo de internação, o olhar orgânico por si só não é suficiente
MORTE

 Para o ser humano, o ato de morrer, além de um fenômeno biológico natural, contém
intrinsecamente uma dimensão simbólica

 A morte apresenta-se como um fenômeno impregnado de valores e significados dependentes


do contexto sociocultural e histórico

 William Osler, na sua publicação de 1904, A study of death, são abordados os aspectos físicos
e psicológicos da morte com o objetivo de minimizar o sofrimento das pessoas no processo de
morte

 Em 1960, encontram-se os trabalhos da psiquiatra Kübler-Ross, realizados a partir de suas


experiências profissionais com pacientes terminais. A obra Sobre a morte e o morrer, publicada
em 1969, analisa os estágios pelos quais passam as pessoas no processo de terminalidade:
negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação. Segundo a autora, a
externalização dos sentimentos pelo paciente e a compreensão desses afetos pelos que o
acompanham são fundamentais para a sua aceitação. Apesar do processo de terminalidade,
a autora ressalta que persiste em todos os estágios a esperança

 Para o homem ocidental moderno, a morte passou a ser sinônimo de fracasso, impotência e
vergonha. Tenta-se vencê-la a qualquer custo e, quando tal êxito não é atingido, ela é
escondida e negada

 Nem sempre foi assim. Durante muitos séculos, por toda a Idade Média europeia, a morte era
entendida com naturalidade, fazendo parte do ambiente doméstico. Os mortos não eram
considerados, como hoje, presenças inoportunas, em completa oposição à vida

 Festas macabras que ocorriam nessas praças-cemitérios, sempre acompanhadas de


banquetes e bebedeiras, associadas à cultura pagã anteriormente hegemônica

 No mundo medieval, a relação com o corpo era aberta, expansiva, indisciplinada,


transbordante preguiçosa, muito diferente da relação fechada, contida e individualizada do
mundo burguês, que transformou o corpo humano em instrumento de produção e de trabalho

 Com o desenvolvimento do capitalismo, a partir do século XVIII, uma preocupação constante


foi isolar, separar e impor um conhecimento especializado e uma disciplina institucional a tipos
diferenciados de fenômenos. Excluir os mortos dos vivos, neste contexto, passou a ser um
empreendimento fundamental. Uma forte preocupação, em toda a época de transição para a
modernidade, foi colocar os mortos, juntamente com o lixo, cada vez mais longe do meio
urbano e do convívio social

 Com o desenvolvimento das sociedades industriais e o desenvolvimento técnico e científico da


medicina; A revolução higienista radicalizou a separação entre vivos e mortos de tal modo que
o convívio entre estas duas condições passou a ser visto como uma fonte extremamente
importante de perigo, contaminação e doença.

 Emerge o ser humano individualizado que permitiu ao indivíduo pensar e sentir em si mesmo
como um ser autônomo

 O desenvolvimento do capitalismo transformou o corpo humano em um instrumento de


produção. Adoecer nesse contexto significa deixar de produzir

 Tal condição é especialmente verdadeira entre as classes trabalhadoras, para quem a saúde
identifica-se com a produtividade do corpo, e a doença como uma interrupção nesta
produtividade, com a consequente ameaça à subsistência. Para as classes mais altas, a saúde
pode ser percebida como capacidade de consumir e usufruir do prazer proporcionado pelo
corpo

 A morte, que estava presente na sala de visita, desloca-se para o hospital

 Isso porque os profissionais – que lidam cotidianamente com a morte – não estão preparados
para lidar com o indivíduo em sua plenitude enquanto ser humano dotado de emoções e
valores. Baseada no paradigma positivista, a formação e atuação de profissionais na área da
saúde tendem a lidar com a doença e a morte do ponto de vista estritamente técnico

 O saber da equipe de saúde, voltado exclusivamente para soluções técnicas, exige uma atitude
de negação da morte, na medida em que fornece poder ao profissional da saúde e ameniza o
sentimento de impotência. Nesse sentido, o investimento nos recursos tecnológicos torna-se
uma alternativa de prolongamento da vida do paciente para evitar não só o contato com a
morte, mas a comunicação com a família e os sentimentos mais profundos do paciente

 Por muitos séculos, a morte obedecia a um ritual que envolvia tanto a pessoa que ia morrer
(que pressentia o seu fim), como parentes e amigos

 Atualmente, em nossa sociedade, a presença dos familiares, amigos e vizinhos junto ao


moribundo deu lugar ao ambiente frio e isolado do hospital; os rituais de morte (extrema-unção,
velório na casa da família procissão fúnebre e manifestações de luto) foram substituídos pelas
organizações funerárias, em que o ambiente é neutro e higiênico; pelos cortejos fúnebres
rápidos e discretos; pelo autocontrole do indivíduo enlutado, que não pode expressar
verdadeiramente suas emoções, a fim de não perturbar outras pessoas com algo tão mórbido

 O que era vivenciado como um evento familiar passou a ser objeto de vergonha, proibição e
repugnância

A desigualdade na morte: a duração da vida e a maneira de morrer são diferentes: dependem


da classe socioeconômica em que a pessoa está inserida

 Atualmente, percebemos a diferença de classes entre os mortos na configuração geográfica


do cemitério: de um lado, bairros pobres com sepulturas planas e mal-acabadas; de outro,
bairros ricos com verdadeiros monumentos escritos com letras de bronze.

Morte em vida: algumas experiências vivenciadas ao longo do desenvolvimento humano


apresentam analogia com a idéia de morte: separação, desemprego, doença e, até mesmo,
acontecimentos que trazem alegria, mas que provocam algum tipo de ruptura

 “O risco da separação depende da possibilidade de se perder, junto com o perdido, o


significado da vida”. É preciso, nesse momento, construir uma nova vida – agora, sem o outro;
o que significa elaborar a perda, retomar as atividades cotidianas, investir em novas relações.

 A doença também é um tipo de morte. Atualmente, ela é vista como fraqueza e punição, tendo
em vista a interrupção à produção. De qualquer forma, a doença coloca o indivíduo em contato
com sua fragilidade e finitude;

 Ao longo do processo de desenvolvimento, convive-se com os polos vida e morte. A passagem


de cada fase de vida (infância, adolescência, vida adulta e velhice) caracteriza-se, segundo
Kovács (1996), por um processo de morte simbólica ou morte em vida
 Uma outra possibilidade de morte em vida está relacionada à ausência de poder e controle
sobre si e sobre a realidade

 Possibilitam a reorganização e a ressignificação da vida. O processo de luto é um outro


exemplo de morte em vida que se caracteriza por um conjunto de reações diante de uma perda.
Falar de perda significa falar de vínculo que se rompe, ou seja, uma parte de si é perdida; por
isso, fala-se da morte em vida.

 A expressão de sentimentos, nessas ocasiões, é fundamental para o desenvolvimento do


processo de luto. De acordo com os estudos de Bowlby (1970/1997), existem quatro fases do
luto que, embora diferenciem na intensidade e duração em cada indivíduo, no geral, seguem
um padrão básico: (1) fase de torpor ou aturdimento, com duração de algumas horas ou
semanas, que pode vir acompanhada de manifestações de desespero ou raiva; (2) fase de
saudade e busca da figura perdida, que pode durar meses ou anos, quando ocorre o impulso
de buscar e recuperar o ente querido, podendo a raiva estar presente quando se percebe de
fato a perda; (3) fase de desorganização e desespero, em que as manifestações mais
frequentes são o choro, a raiva, as acusações envolvendo pessoas próximas – uma profunda
tristeza é sentida quando ocorre a constatação da perda como definitiva, podendo ocorrer a
sensação de que nada mais tem valor; e (4) fase de organização, em que existe a aceitação
da perda e a constatação de que uma nova vida precisa ser iniciada

 O processo de luto é gradual e nunca totalmente concluído

 Os determinantes do resultado do processo de luto estão relacionados aos seguintes fatores:


identidade e papel da pessoa que foi perdida; tipo de vínculo existente; causas e
circunstâncias da perda (por exemplo: morte prematura, morte violenta, mortes múltiplas,
mortes que geram culpa); idade, gênero, religião e personalidade do enlutado; contexto
sóciocultural e psicológico que afeta o enlutado, na época e após a perda

A ciência e morte: para entender o foco que a sociedade ocidental moderna projeta sobre a morte
é interessante trazer à tona o princípio histórico e cultural a ele subjacente, através do
desenvolvimento da ciência moderna e, em seu interior, do paradigma científico hegemônico, o
positivismo mecanicista.

 O modelo de ciência hegemônico em nossos dias teve origem no século XVII com Descartes,
um filósofo que visualizou um método de ciência com princípios fundamentais baseado na
estrutura matemática.

 “A excessiva ênfase dada ao método cartesiano levou à fragmentação da realidade,


característica do nosso pensamento em geral e das disciplinas acadêmicas modernas, e levou
à atitude generalizada de reducionismo da ciência”

 Antes de Descartes, a medicina preocupava-se com a interação corpo e alma, tratando as


pessoas no contexto social e espiritual. Com a divisão entre corpo e mente, além da
comparação do corpo humano a uma máquina, os médicos passaram a se concentrar no
corpo, descuidando dos aspectos psicológicos, sociais e culturais da pessoa

 Se a medicina contemporânea negligencia os aspectos psicossociais do processo saúde-


doença, o que dizer sobre a sua concepção de morte?

 A explicação da ciência sobre a morte (ou sobre o não ser) está situada na perspectiva
biologicista do modelo biomédico, ou seja, “a morte consiste, simplesmente, na paralisação
total da máquina-corpo” (Capra, 1982, p. 138). Assim, profissionais de saúde são formados
para lidar tecnicamente com os fenômenos da doença e da morte. Ou seja, o profissional é
formado para curar a doença, combater a morte; e não para lidar com a pessoa doente

Cuidado paliativo: Uma perspectiva que surge como uma alternativa a esse modelo é a
abordagem dos cuidados paliativos. Diferentemente do paradigma de cura da ciência médica, os
cuidados paliativos valorizam a qualidade de vida do paciente e, por isso, têm como princípio
fundamental o cuidado integral e o respeito à autonomia do paciente em relação ao processo de
morrer.

 O cuidado paliativo é uma abordagem que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida de
pacientes e familiares no enfrentamento de problemas relacionados a doenças terminais. Isso
é feito através da prevenção e do alívio do sofrimento pelo diagnóstico precoce, avaliação e
tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais

 Atender à solicitação do paciente, através de uma maior humanização no tratamento e no


cuidado, poderá tornar o processo de morte menos angustiante e mais digno para o paciente
e, ao mesmo tempo, trazer maior conforto ao profissional que frequentemente sente-se
frustrado com a percepção de “derrota” diante da morte

 Os cuidados paliativos têm como objetivo, de acordo com a OMS: (1) promover o alívio da dor
e outros sintomas de angústia; (2) afirmar a vida e considerar a morte como um processo
natural; (3) não apressar nem postergar a morte; (4) integrar os aspectos espirituais e
psicológicos no cuidado do paciente; (5) oferecer um sistema de suporte que ajude o paciente
a viver ativamente tanto quanto possível até sua morte; (6) oferecer um sistema de suporte
para ajudar no enfrentamento da família durante a doença do paciente e (7) utilizar uma equipe
profissional para identificar as necessidades dos pacientes e de suas famílias, incluindo a
elaboração do luto

 “O bem-estar global e a dignidade do doente crônico e terminal e sua possibilidade de não ser
expropriado do momento final de sua vida, mas de viver a própria morte”
BIOÉTICA