Vous êtes sur la page 1sur 47

UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

ROBERTO YUKIYOSHI MIYAZAWA OKU

ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE INFRA-


ESTRUTURA UTILIZANDO METODOLOGIA BIM
(BUILDING INFORMATION MODELING)

SÃO PAULO
2009
2

ROBERTO YUKIYOSHI MIYAZAWA OKU

ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE INFRA-


ESTRUTURA UTILIZANDO METODOLOGIA BIM
(BUILDING INFORMATION MODELING)

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi

Orientador: Prof. Dr. Marcos Roberto Bonfadini

SÃO PAULO
2009
3

ROBERTO YUKIYOSHI MIYAZAWA OKU

ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE INFRA-


ESTRUTURA UTILIZANDO METODOLOGIA BIM
(BUILDING INFORMATION MODELING)

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia da
Universidade Anhembi Morumbi

Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2009.

______________________________________________
Prof. Dr. Marcos Roberto Bonfadini

______________________________________________
Prof. Mse. Carlos Magno B. Lopes
Comentários:_________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
4

Dedico este trabalho aos meus pais, que sempre buscaram me oferecer todas as
condições para que fosse possível o cumprimento de minhas atividades escolares e
acadêmicas e aos meus irmãos, cuja amizade e companheirismo me ajudaram em
várias fases do decorrer da minha vida
5

AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Prof. Dr. Marcos Roberto Bonfadini, que, em todos os meses de
desenvolvimento deste trabalho, mostrou grande dedicação, empenho e
competência para que o mesmo pudesse ser concluído.
6

RESUMO

A busca por prazos cada vez menores e exigências qualitativas cada vez mais altas
é constante em todas as empresas que buscam a excelência nos projetos que
oferecem. Devido às exigências do mercado quanto a prazos e eficiência, surgiu a
necessidade de novas metodologias de trabalho que possibilitem a garantia de
qualidade de um dado projeto, dentro do prazo reduzido exigido pelo mercado. Uma
saída atualmente aceita é a automatização através de banco de dados e
vizualizadores 3D que integram dados provenientes das disciplinas envolvidas no
projeto geral. Estes vizualizadores contribuem também para a interação destas
disciplinas resultando em soluções que respeitem os prazos impostos e que sejam
confiáveis e consistentes.

Este trabalho foi realizado utilizando-se como estudo de caso o projeto de infra-
estrutura do “Terminal Especializado de São José do Norte – RS”, que utilizou a
metodologia de modelos digitais 3D com resultados satisfatórios, tanto qualitativos,
quanto com relação ao cumprimento dos prazos solicitados pelo cliente para o setor
de Infra-Estrutura Civil.

Palavras Chave: Modelo Digital 3D, Gerenciamento de Projeto, Integração de


Dados, CAD.
7

ABSTRACT

The search for short time and higher quality is constant in all the companies that seek
excellence in their projects. Due to market requirements related to time and
efficiency, came the need for new working methods that enable quality assurance of
a particular project within the reduced time requested by the market. One current
solution accepted is the automation using database and 3D review softwares, that
integrates data from envolved disciplines in the general project. These review
softwares also contributes for the interation of these disciplines resulting in solutions
that respect the stipulated times and be reliable and consistent.

This work was realizated using as case study the infrasctructure project of “Terminal
Especializado de São José do Norte – RS”, that uses the Building Information
Modeling methodology with satisfactory results, both qualitative and the compliance
with the deadlines requested by the client to the Civil Infrastrucutre sector.

Key words: 3D digital model, Project Management, Data Integration, CAD


8

LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1 - Modelo tri-dimensional de uma plataforma de petróleo ........................... 5 


Figura 5.2– Dinâmica da Interoperabilidade ................................................................ 7 
Figura 5.3– Fluxograma de trabalho da metodologia BIM ......................................... 10 
Figura 5.4– Modelo 3D de Terraplenagem de Rodovia ............................................. 13 
Figura 5.5 – Modelo 3D de Arruamento e Pavimentação .......................................... 14 
Figura 5.6 – Modelo 3D de rede de Drenagem Pluvial.............................................. 15 
Figura 5.7– Interferência entre caixas de elétrica e sistemas de hidráulica verificada
em 3 dimensões (Esquerda) e em planta (Direita) ............................................. 16 
Figura 6.1– Vista de satélite da área do Terminal de São José do Norte ................. 18 
Figura 6.2– Localização da área do Terminal de São José do Norte ........................ 19 
Figura 6.3 – Modelo 3D da topografia da área .......................................................... 22 
Figura 6.4 – Modelo 3D do terreno terraplenado....................................................... 23 
Figura 6.5 – Fluxograma de atividades para elaboração dos projetos de
terraplenagem .................................................................................................... 24 
Figura 6.6 – Modelo 3D do arruamento e pavimentação .......................................... 25 
Figura 6.7 – Fluxograma de atividades para elaboração dos projetos de
terraplenagem .................................................................................................... 26 
Figura 6.8 – Modelo 3D de sistemas subterrâneos utilizado para o cheque de
interferências...................................................................................................... 27 
9

LISTA DE TABELAS

Tabela 6.1 – Relação das atividades envolvidas no projeto do Terminal Portuário de


São José do Norte ............................................................................................. 20
Tabela 7.1 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades
para os empreendimentos da Portocel e Terminal de São José do Norte ......... 29
Tabela 7.2 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades
de arruamento e pavimentação para os empreendimentos da Portocel e
Terminal de São José do Norte.......................................................................... 30
Tabela 7.3 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades
de sistemas subterrâneos para os empreendimentos da Portocel e Terminal de
São José do Norte ............................................................................................. 31
Tabela 7.4 – Comparativo entre quantidade de revisões necessárias para os projetos
de sistemas subterrâneos .................................................................................. 31
10

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BIM Building Information Modeling

AEC Arquitetura, Engenharia e Construção

CAD Computer Aided Design

IFC (Industrial Foundation Classes

IAI International Alliance for Interopelability

SJN São José do Norte

VR Virtual

WWW World Wide Web


11

SUMÁRIO
p.

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1

2 OBJETIVOS ......................................................................................................... 2

2.1 Objetivo Geral ................................................................................................. 2

2.2 Objetivo Específico ........................................................................................ 2

3 MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................... 3

4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 4

5 BIM (BUILDING INFORMATION MODELING) .................................................... 5

5.3 Conceituação e Histórico............................................................................... 5

5.4 Fluxograma Geral de Integração de um Projeto .......................................... 9

5.5 Verificação e Controle .................................................................................. 10

5.6 Aplicação no Setor de Infra-Estrutura Civil ................................................ 11


5.6.1 Terraplenagem ............................................................................................ 12
5.6.2 Arruamento e Pavimentação ....................................................................... 13
5.6.3 Sistemas Subterrâneos ............................................................................... 15
5.6.4 Análise de Interferências............................................................................. 16

6 UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA BIM NO SETOR DE INFRA-ESTRUTURA


CIVIL DO PROJETO DO TERMINAL ESPECIALIZADO DE CELULOSE DA
ARACRUZ EM SÃO JOSÉ DO NORTE - RS ..................................................... 18

6.7 Características do Empreendimento .......................................................... 18

6.8 Avanços do Projeto ...................................................................................... 21

6.9 Projeto Básico .............................................................................................. 21


12

6.9.1 Projeto Executivo ........................................................................................ 28

7 ANÁLISE DOS RESULTADOS .......................................................................... 29

7.1 Terraplenagem .............................................................................................. 29

7.2 Arruamento e Pavimentação ....................................................................... 30

7.3 Sistemas Subterrâneos ................................................................................ 30

8 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................. 32

REFERÊNCIAS......................................................................................................... 34
1. INTRODUÇÃO

Para que as metas de prazos e qualidade, cada vez mais exigentes, possam ser
cumpridas, as empresas começaram a adotar a utilização a metodologia BIM
(Building Information Modeling) como ferramenta de trabalho. Porém, sem um
treinamento ideal dos participantes do projeto, muitas vezes ao invés de auxiliar, o
modelo passa a ser um problema a mais para que o projeto possa ser concluído
dentro do prazo.

Com a orientação correta de utilização do sistema, os prazos efetivos podem ser


reduzidos razoavelmente, atingindo, segundo a equipe de implantação civil da
projetista PÖYRY Tecnologia, ganho de cerca de 30% em relação ao cronograma
original para atividades relacionadas a terraplenagem e sistemas subterrâneos.

Esta metodologia apresenta também outros pontos fortes, a saber, a sua


confiabilidade, escalabilidade e rápida checagem de inconsistências, estas tanto
relacionadas à interferências físicas, quanto, em algumas situações, a verificação de
dimensionamentos.

No projeto do Terminal Portuário de São José do Norte, da empresa Aracruz


Celulose S.A., foi utilizada a metodologia BIM para as atividades referentes ao setor
de infra-estrutura civil ( terraplenagem, arruamento, pavimentação e sistemas
subterrâneos), obtendo resultados satisfatórios com relação à prazos e consistência
das informações. Em função da crise financeira iniciada no final do ano de 2008 e
problemas enfrentados pela empresa papeleira com relação a negociação
debêntures, apesar dos projetos terem sido concluídos, não se deu início à
execução da obra, de forma que não foi possível analisar o avanço da metodologia
BIM no acompanhamento da obra.
2

2. OBJETIVOS

O presente trabalho tem por objetivo apresentar a utilização da metodologia BIM na


produção de projetos de infra-estrutura civil para obras de grande porte, como por
exemplo, indústrias automobilísticas, de papel e celulose, siderurgia, mineração e
portos.

2.1 Objetivo Geral

Foram pesquisados os aspectos referentes à aplicação da metodologia BIM na


elaboração de projetos de infra-estrutura civil e seu papel na integração entre as
diversas disciplinas envolvidas, analisando as suas influências no gerenciamento e
desenvolvimento do projeto.

2.2 Objetivo Específico

Foi estudado dentro do projeto do empreendimento “Terminal Especializado de São


José do Norte”, localizado em São José do Norte-RS, o desenvolvimento das
atividades referentes à área de infra-estrutura Civil com a utilização da metodologia
BIM, onde foram levantadas e analisadas suas fases de desenvolvimento, desde
estudos preliminares até a conclusão do projeto executivo e suas relações/conexões
com a metodologia BIM.
3

3. MÉTODO DE TRABALHO

Este trabalho foi fundamentado em entrevistas com profissionais que se utilizam da


metodologia BIM para elaborar as suas tarefas, além de relatórios técnicos, normas
internas e manuais de softwares relevantes. Foi realizada, também, uma extensa
revisão bibliográfica em artigos apresentados em congressos e workshops
relacionados aos seguimentos de Tecnologia da Informação e Engenharia Geral.
4

4. JUSTIFICATIVA

Justifica-se essa pesquisa pelo fato de seu tema, mesmo que utilizado em grande
escala pelas grandes empresas de engenharia, não ser muito conhecido no meio
acadêmico. Observa-se nas grades curriculares dos diversos cursos de Engenharia
Civil a ausência de disciplinas que apresentem a utilização de novos recursos ou
novas metodologias para auxiliar na elaboração dos projetos de engenharia.

Essa pesquisa também pode ser justificada em função de que os assuntos tratados
possam auxiliar profissionais e estudantes da área, de forma que esta sirva de
referência inicial para o entendimento da metodologia BIM, uma vez que há
escassez de referências bibliográficas nacionais sobre o tema.
5

5. BIM (BUILDING INFORMATION MODELING)

5.3 Conceituação e Histórico

A metodologia BIM é bastante recente, visto que os primeiros softwares que auxiliam
no cumprimento do sistema foram produzidos em meados do ano 2000.

Inicialmente, esta metodologia era utilizada somente para a elaboração de projetos


de arquitetura, onde o processo se concentrava, sobretudo, dentro de projetos de
edifícios comerciais e residenciais. Por volta do ano de 2005, começou-se a utilizar a
metodologia BIM em projetos de grande porte, principalmente em plantas industriais.
Nesta fase, iniciou-se a integração entre as diversas disciplinas que estão envolvidas
em um projeto de grande porte, desde a Engenharia Civil até a Engenharia
Mecânica e de Tubulação, passando pelos departamentos de Arquitetura,
Suprimentos, entre outros. A Figura 5.1 apresenta um modelo tri-dimensional de
uma plataforma de petróleo, elaborado no ano de 2005 e apresentado em 2006.
Nota-se que neste modelo, estão envolvidas informações referentes à diversos
departamentos, onde os mais evidenciados são a Engenharia de Tubulação e
Engenharia de Estruturas Metálicas

Figura 5.1 - Modelo tri-dimensional de uma plataforma de petróleo


Fonte: Rio Oil & Gas Expo and Conference (2006)
6

Tobin (2008) apresenta as três gerações de adoção do BIM, nomeando-as de BIM


1.0, 2.0 e 3.0. Para o autor, o BIM 1.0 é caracterizado pela substituição do
desenvolvimento de projetos em CAD (Computer Aided Design) bidimensionais por
modelos 3D parametrizados, ou seja, modelos tri-dimensionais, cujos objetos
pertencentes aos mesmos, possuam parâmetros que se tornem interessantes a
determinada disciplina, por exemplo, uma caixa de drenagem pluvial, que está
inserida no modelo 3D de Sistemas Subterrâneos, necessita que alguns parâmetros
como dimensões da caixa, coordenadas de locação, entre outros, sejam inseridos no
objeto, desta forma, com auxílio de softwares específicos, se torna possível a
extração das informações contidas nos parâmetros de cada objeto para fins de
geração de lista de quantidades ou orçamentos. Nesta fase, entretanto, o
desenvolvimento do modelo é um processo individualizado, restrito aos projetistas,
sem o envolvimento e colaboração de profissionais de outras áreas.

O BIM 2.0 expande o modelo a outros profissionais além dos já envolvidos no


desenvolvimento dos projetos de arquitetura, estrutura e instalações prediais. Esta
geração cria modelos associando informações, tais como. o tempo (4D), dados
financeiros (5D) e análise de eficiência energética, dentre outros (nD). Para tal, é
necessária a cooperação entre os projetistas, consultores, empreendedores e
construtores, com as devidas preocupações quanto à interoperabilidade dos dados,
com o sistema permitindo o intercâmbio das informações entre os diversos
participantes. A figura 5.2 apresenta um modelo de dinâmica de interoperabilidade,
onde pode-se notar que cada disciplina elabora suas atividades independentemente
das outras e, na conclusão de suas atividades, os arquivos gerados por cada
disciplina são convertidos para o formato IFC e em seguida importados para dentro
do Modelo 3D, este por sua vez, é responsável pelos produtos finais que são
entregues ao cliente. Todos os modelos de interoperabilidade utilizados atualmente
são semelhantes ao apresentado na Figura 5.2, de forma que todos têm como foco,
a alimentação do modelo 3D com informações e a partir deste geram-se as listas de
materiais, desenhos construtivos, etc.
7

Figura 5.2– Dinâmica da Interoperabilidade


Fonte: Integração de Sistemas em AEC (2007)

A adoção efetiva do BIM 2.0 já é realidade em empreendimentos na América do


Norte, Ásia e Europa, e em estágio inicial no Brasil. O sistema Revit, desenvolvido
pela Autodesk®, oferece suporte à colaboração multiusuário e utiliza o recurso
Worksharing, que permite acesso simultâneo a um mesmo modelo compartilhado
entre vários usuários. A solução exige a adoção do software Revit por todos os
profissionais envolvidos no desenvolvimento do projeto, que é elaborado localmente
no sistema do usuário e disponibilizado no modelo compartilhado. Crespo e Ruschel
(2007) afirmam que o modelo BIM da Autodesk® possui recursos de coordenação
da informação entre colaboradores em ambiente de rede extranet, ou seja, os
participantes do projeto não necessitam estarem no mesmo local físico para que seja
possível a troca de informações, esta pode ser armazenada em servidores que
podem ser acessados no mundo inteiro através da Internet, o que exige
planejamento nas regras de acesso a dados e busca de padronização para evitar
conflitos de comunicação. Porém, as comunicações interativas textuais entre
colaboradores não são suportadas pelo Revit. Para este fim, pode-se usar o
Buzzsaw da mesma empresa, que é um software de ambiente de colaboração
virtual. Empresas provedoras de sistemas colaborativos para gestão de projetos na
8

construção civil estão incorporando recursos que permitem a distribuição de modelos


BIM através de plataforma WEB. Serviços, tais como o Asite® (www.asite.com),
Buzzsaw® (http://usa.autodesk.com) e Newforma® (www.newforma.com), dentre
outros, oferecem recurso para armazenagem de projetos desenvolvidos em sistemas
BIM. A era pós-interoperabilidade (BIM 3.0) é considerada por Tobin (2008) a
terceira geração da adoção do BIM. No BIM 3.0, o intercâmbio das informações
entre os profissionais envolvidos no desenvolvimento de um projeto é realizado
através de protocolos abertos. Tais como o protocolo IFC (Industrial Foundation
Classes) e os protocolos elaborados pela BuildingSmart e pela IAI ( International
Alliance for Interopelability), que permitem aos profissionais o desenvolvimento
colaborativo de um modelo de dados que pode ser considerado um protótipo
completo da construção do edifício. Tobin (2008) especula que o modelo do BIM 3.0
estará disponível através de um banco de dados acessível através da internet, onde
os modelos BIM serão construídos colaborativamente em um ambiente 3D.

Segundo Adam Strafaci (2008) a metodologia BIM é definida como um processo de


trabalho integrado entre diversas disciplinas, onde estas são responsáveis por
alimentar um modelo tridimensional com informações gráficas e/ou provenientes de
banco de dados. Em função do modelo tri-dimensional, obtêm-se como resultados
desenhos (plantas, cortes, detalhes), lista de quantitativo de materiais, checagem de
interferências físicas entre as diversas disciplinas, possibilidade de
acompanhamento do avanço do projeto em todos os seus ciclos, e, ainda em
estudo, a possibilidade de acompanhar o cronograma executivo da obra (4D – Três
Dimensões mais a variável tempo).

Diferentemente do sistema CAD, que é baseado em coordenadas para o


desenvolvimento de entidades gráficas (portas, janelas, etc.), o sistema BIM trabalha
com a situação onde os objetos são parametrizados e alimentados por
especificações padronizadas e comuns a todos os participantes de uma determinada
disciplina, onde de acordo com a evolução dos projetos, estes são incluídos no
modelo 3D, de forma que este integre todas as informações geradas pelas
disciplinas. A base de um sistema BIM é o banco de dados que, além de exibir a
geometria dos elementos construtivos em três dimensões, armazena seus atributos
e, portanto, transmite mais informação do que modelos CAD tradicionais. Além
9

disso, como os elementos são paramétricos, é possível alterá-los e obter


atualizações instantâneas em todo o projeto. “Esse processo estimula a
experimentação, diminui conflitos entre elementos construtivos, facilita revisões e
aumenta a produtividade” (FLORIO, 2005).

Em função desta sistemática, o modelo 3D torna-se útil durante todo o ciclo de vida
da planta, desde a fase de projetos conceituais, básicos e detalhados até, quando
necessário, da fase de desativação da planta.

Segundo Ferreira (2008), o sistema BIM é mais do que a modelagem de uma


edificação ou equipamento, já que procura englobar todos os aspectos relativos ao
projeto: processo, documentos, orçamentos etc.

5.4 Fluxograma Geral de Integração de um Projeto

A adoção de sistemas BIM aponta para a necessidade de revisão no fluxograma do


processo de projeto e sua gestão na construção de um determinado
empreendimento. A colaboração entre os membros das equipes de projeto passa a
girar em torno de um modelo tri-dimensional baseado nas informações necessárias
para o planejamento e construção de um determinado empreendimento. Nesse
contexto, o envolvimento simultâneo dos profissionais durante as fases de
orçamento e concepção de projetos, de planejamento e de construção mostra-se
adequado à formação de um modelo consistente do empreendimento. Florio (2005)
destaca que a aplicação do BIM no projeto colaborativo pode contribuir tanto para
aprimorar o processo de obtenção das quantificações dos elementos desenhados a
partir do modelo digital 3D, como para o levantamento de custos e prazos para a
execução.
10

Figura 5.3– Fluxograma de trabalho da metodologia BIM


Fonte: www.poyry.com.br (2009)

Nota-se na Figura 5.3 que todas as informações geradas pelos diversos


departamentos envolvidos, em acréscimo às especificações de materiais contidas no
banco de dados do projeto, alimentam sub-modelos, que por sua vez, alimentam o
modelo tri-dimensional principal, na figura nomeado de MODELO 3D.

O MODELO 3D tem como função agrupar todas as informações recebidas pelas


disciplinas, gerar os documentos que serão entregues ao cliente (plantas, cortes,
detalhes construtivos, lista de materiais etc.), servir como ferramenta para a análise
crítica do projeto e verificar as interferências físicas entre as disciplinas.

5.5 Verificação e Controle

Na sistemática convencional de desenvolvimento de projetos, os documentos são


verificados após a sua elaboração, onde o verificador anota todos os seus
comentários na cópia em papel. O sistema BIM apóia-se em softwares
vizualizadores do modelo 3D, onde o verificador pode fazer todos os seus
11

comentários durante a fase de elaboração do documento, visto que o modelo é


dinâmico, ou seja, atualizado constantemente. Pode-se executar também, uma
checagem de interferências físicas interdisciplinares, de forma que os softwares,
também são capazes de localizar estas interferências no modelo tri-dimensional.

Tendo em vista a dinamicidade do modelo, é possível também controlar o status de


avanço do projeto.

Dentro do processo de verificação e controle do projeto, são realizadas reuniões


periódicas, nos quais é informado, a todos os responsáveis pelas suas respectivas
disciplinas, o status de andamento do projeto e as interferências físicas encontradas.

5.6 Aplicação no Setor de Infra-Estrutura Civil

Dentre as fases de execução de um projeto, principalmente se tratando da fase de


projeto executivo, o setor de infra-estrutura é um dos mais solicitados. Mesmo sendo
um dos primeiros setores a enviar informações ao executante da obra, depende da
maioria das informações dos outros departamentos. Em função desta integração
direta com outros departamentos e curtos prazos para o envio de informações, o uso
da metodologia BIM torna-se interessante.

Apesar das informações contidas nas diversas disciplinas dos projetos de infra-
estrutura civil interagirem entre si, na metodologia convencional o desenvolvimento
das atividades seguem os seguintes passos:
1°- Recebimento das informações da topografia;
2°- Definição dos platôs e taludes que delimitam o site de terraplenagem;
3°- Elaboração do projeto geométrico de pavimentação com base em um lay-out do
empreendimento;
4°- Elaboração dos traçados e dimensionamento das redes de infra-estrutura do
empreendimento (água potável, drenagem pluvial, esgoto externo etc.)

Na metodologia convencional esta ordem é seguida de forma que é necessário o


término de uma atividade, para se dar início à seguinte.
12

Na metodologia BIM, pode-se executar todas as atividades simultaneamente, onde,


por exemplo, o executor do projeto de drenagem pluvial, não necessariamente, terá
que aguardar o projeto de pavimentação estar finalizado.

Outro recurso da metodologia BIM que auxilia no ganho de produtividade e


confiabilidade entre os projetos, é a dinamicidade do modelo, onde as informações
de todas as disciplinas são automaticamente atualizadas conforme os participantes
do projeto modifiquem suas atividades. Na metodologia convencional, uma
modificação na elevação de um platô de terraplenagem, acarretaria em modificar
todas as cotas dos projetos de pavimentação e sistemas-subterrâneos
manualmente, dando margem à erros de integração entre os projetos.

5.6.1 Terraplenagem

Após o recebimento das informações da topografia e da definição do lay-out do


empreendimento, têm início os estudos da geometria da terraplenagem. Nesta fase,
são definidos os níveis dos platôs e seus limites.

Na metodologia convencional, um erro no levantamento planialtimétrico ou


modificações no lay-out do empreendimento, implica na demanda de uma grande
quantidade de tempo para se atualizar os projetos. A metodologia BIM reduz esse
tempo significativamente, pois como está baseada em modelos 3D dinâmicos e
interativos, a partir do momento em que foi feita uma modificação no modelo da
topografia, o modelo da terraplenagem é alterado simultaneamente, reduzindo assim
o tempo gasto para a execução das modificações e dando mais confiabilidade ao
projeto.

A Figura 5.4 apresenta um modelo de terraplenagem, indicado na cor cinza,


interagindo com o modelo de topografia, indicado em diversas cores. É interessante
notar que, se no decorrer do projeto houver modificações de traçado de
terraplenagem, todos os taludes deverão ser recalculados e suas geometrias
deverão ser alteradas, de forma que, sem o auxílio da metodologia BIM, todas estas
13

modificações deverão ser atualizadas manualmente. Na metodologia BIM, como os


objetos são interativos e parametrizados, a partir do momento em que se faz
alterações de traçado ou de elevação de greide, os taludes são redimensionados
automaticamente, bem como as suas respectivas geometrias.

Figura 5.4– Modelo 3D de Terraplenagem de Rodovia


Fonte: Building Information Modeling for Design Professionals (2008)

5.6.2 Arruamento e Pavimentação

Seguindo as etapas de execução dos projetos de infra-estrutura, a fase do projeto


de arruamento e pavimentação tem início após a fase da terraplenagem.

Esta é a única fase dos projetos de infra-estrutura, onde o uso da metodologia BIM
resulta em um aumento da quantidade de horas gastas para a elaboração dos
projetos. Este aumento de tempo é função das informações contidas nos projetos
geométricos de arruamento serem em sua grande maioria típicas, facilitando, em
metodologia convencional, à sua inserção. Já na metodologia BIM, se faz necessária
a alimentação de informação a todos os objetos, independente destes serem iguais,
por exemplo: uma das funções do projeto geométrico de arruamento é locar todos os
pontos altos e baixos, indicando em cada um destes pontos as elevações de topo de
guia e fundo de sarjeta. Na metodologia convencional, são inseridos textos nas
posições de locação dos pontos, de forma que se faz possível “copiar” a informação
e “colá-la” no local de interesse. Já na metodologia BIM, este processo não é
possível, pois independentemente das informações serem as mesmas, elas estão
atribuídas a objetos diferentes perante o banco de dados do projeto.
14

A utilização da metodologia BIM para projetos geométricos de arruamento se torna


viável a partir do momento em que se dá início aos projetos de drenagem pluvial,
pois estes necessitam das informações geradas pelo projeto geométrico de
arruamento, e com o uso da metodologia BIM, o modelo de arruamento interage com
o de drenagem pluvial, facilitando a execução do projeto e de suas eventuais
modificações.

A Figura 5.5 apresenta um modelo tri-dimensional referente a um sistema viário


inserido em um modelo de estudo de urbanização. Nota-se que o modelo do sistema
viário é relativamente complexo, de forma que, como citado anteriormente, a
viabilidade de utilização deste, será definida em função da elaboração ou não de
outros modelos que interajam com o sistema viário.

Figura 5.5 – Modelo 3D de Arruamento e Pavimentação


Fonte: ViaNova Plano g Traffic, LEAN seminar (2009)
15

5.6.3 Sistemas Subterrâneos

Dentre todas as fases de execução dos projetos de infra-estrutura civil, o projeto de


Sistemas Subterrâneos é àquele que contém a maior quantidade de informações.
Nele, estão contidas informações executivas de todos os sistemas enterrados de um
determinado empreendimento, como por exemplo: redes de drenagem pluvial,
esgoto sanitário, distribuição e abastecimento de água potável, prevenção e
combate à incêndio, distribuição de força e iluminação entre outros.

Como a quantidade de informações contidas no projeto é muito extensa, a


probabilidade de que ocorram erros é muito grande em um projeto convencional.
Como o uso da metodologia BIM, torna-se possível gerar modelos distintos de cada
sistema, inserindo as informações pertinentes a cada um deles e depois agrupá-los
em um modelo único, para se executar a checagem de interferências físicas entre os
mesmos. Como as informações inseridas no projeto final estão atreladas ao modelo
3D, se o modelo estiver correto, as informações que serão apresentadas no projeto
executivo também estarão.

A Figura 5.6 apresenta um exemplo de modelo tri-dimensional de uma rede de


coleta de drenagem pluvial inserido em um modelo de um sistema viário, onde,
como a rede de coleta é enterrada, para ser possível a sua visualização, ocultou-se
o pavimento que está sobre o sistema de drenagem.

Figura 5.6 – Modelo 3D de rede de Drenagem Pluvial


Fonte: ViaNova Plano g Traffic, LEAN seminar (2009)
16

5.6.4 Análise de Interferências

A fase de análise de interferências é considerada uma das mais importantes da


metodologia BIM, pois nela são confrontados todos os modelos tridimensionais
fazendo-se uma análise crítica de todas as interferências físicas encontradas.
Para que seja possível a execução desta fase, se faz necessária a utilização de
softwares denominados “REVIEW”. Estes softwares agrupam todas as informações
gráficas e de banco de dados dos modelos tridimensionais em um modelo geral,
denominado MODELO 3D, conforme a Figura 5.3, página 10.

Os softwares de “REVIEW” têm como objetivo buscar e listar todas as interferências


físicas encontradas entre os modelos e, com estas informações, os responsáveis por
cada departamento irão tomar as decisões necessárias para solucionar os
problemas encontrados.

A Figura 5.7 apresenta um exemplo de verificação de interferências utilizando


softwares visualizadores. No exemplo citado na imagem, está indicada a
interferências entre caixas de elétrica com tubulações da rede hidráulica do edifício
em questão, tanto em planta, como em três dimensões. Interessante notar que a
interferência é mais fácil de ser identificada, quando visualizada em três dimensões
ao invés da vista em planta.

Figura 5.7– Identificação de Interferências Físicas em três dimensões (esq.) e planta (dir.)
Fonte: A percepção de interferências espaciais através de desenhos 2D e modelos 3D por
profissionais de projeto de Edifícios (2007)

Depois da execução das devidas modificações nos modelos de cada departamento,


é feita uma nova análise nos softwares de “REVIEW”. Desta vez, se não forem mais
17

encontradas interferências físicas significativas, os projetos encontram-se liberados


para execução.
18

6. UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA BIM NO SETOR DE INFRA-


ESTRUTURA CIVIL DO PROJETO DO TERMINAL
ESPECIALIZADO DE CELULOSE DA ARACRUZ EM SÃO JOSÉ
DO NORTE - RS

6.7 Características do Empreendimento

Para escoar a produção de celulose de sua fábrica em Guaíba – RS, a Aracruz


Celulose teve que dar início ao projeto de um novo empreendimento: um terminal
portuário localizado no município de São José do Norte (SJN) no estado do Rio
Grande do Sul. Este terminal portuário, além de atender a produção da linha
existente da fábrica em Guaíba, irá atender também à produção gerada por uma
nova linha de produção da fábrica, cujo projeto foi feito simultaneamente ao projeto
do terminal portuário.

Figura 6.1– Vista de satélite da área do Terminal de São José do Norte


Fonte: Google Earth
19

A escolha da localização do empreendimento no município de SJN, conforme


apresentado na Figura 6.1, se deu em função deste estar situado às margens da
Lagoa dos Patos, que por sua vez se interliga ao oceano Atlântico, viabilizando
assim a exportação da produção.

Outro fator fundamental para a escolha da localidade do terminal é o fato da fábrica


de celulose estar localizada no município de Guaíba – RS, que, conforme
apresentado na Figura 6.2, também está situado às margens da Lagoa dos Patos,
de forma que todo o percurso da produção está situado dentro do modal hidroviário,
que é sabido ser o modal de transportes mais barato no Brasil.

Figura 6.2– Localização da área do Terminal de São José do Norte


Fonte: DNIT

Com relação ao empreendimento, fazem parte as seguintes edificações:


- Portaria e Balança;
- Galpão de Peação;
- Oficina;
20

- Edifício Administrativo;
- Restaurante;
- Armazém;
- Casa de Bombas.

Pode-se notar que até em função dos edifícios a serem construídos, o escopo do
projeto é mais de 50% composto por atividades referentes à engenharia Civil, sendo
que as atividades restantes são referentes à engenharia Elétrica e Estudos
Ambientais. Em função desta característica o projeto evoluiu em um ritmo razoável,
pois não haviam tantas interfaces com outros departamentos. A maioria das
atividades foi concentrada nos setores pertencentes à Engenharia Civil (Implantação
Civil, Arquitetura, Estruturas de Concreto e Estruturas Metálicas). A Tabela 6.1, a
seguir, identifica de maneira resumida as atividades e seus respectivos setores
responsáveis.

Tabela 6.1 – Relação das atividades envolvidas no projeto do Terminal Portuário de São José
do Norte
Atividade Setor Responsável
Definição do plano diretor do Implantação Civil
empreendimento
Projetos de Terraplenagem Implantação Civil
Projetos de Arruamento e Pavimentação Implantação Civil
Projetos de Sistemas Subterrâneos Implantação Civil
Projetos arquitetônicos de todos os Arquitetura
edifícios
Projeto de estruturas de todos os Estruturas de concreto e estruturas
edifícios metálicas
Estudos Ambientais Meio-Ambiente
Projetos de distribuição de energia Eng. Elétrica
Projetos de iluminação Eng. Elétrica
Fonte: PÖYRY(2009)

Analisando a tabela acima, nota-se que ao contrário de plantas industriais, o plano


diretor de um projeto portuário, foi desenvolvido pelo setor de Implantação Civil
(também conhecido como Infra-estrutura Civil), pois dentre todos os setores da
21

Engenharia Civil, é aquele que em todas as suas atividades, abrange o


empreendimento como um todo, ou seja, de maneira mais macro, ao contrário de
outros setores, cuja necessidade é analisar os edifícios de maneira isolada.

6.8 Avanços do Projeto

Como todo projeto de um grande empreendimento, o do Terminal Portuário de SJN


foi dividido em etapas conforme o avanço do projeto e dos tipos de informações a
serem solicitadas: Projeto Preliminar (PP), Projeto Conceitual (PC), Projeto Básico
(PB) e Projeto Executivo (PE). A metodologia BIM começou a atuar na fase de
Projeto Básico, pois como as fases anteriores são focadas em estudos ambientais e
de logística, não se fez necessária a criação de modelos tri-dimensionais para a
elaboração destes projetos.

Em contra partida, a partir da fase de PB, se iniciaram as criações dos modelos tri-
dimensionais, que por sua vez alimentariam o modelo 3D geral do empreendimento.
Assim como indicado na Tabela 6.1, cada disciplina é responsável por uma série de
modelos. Ou seja, ficava a cargo de cada disciplina a responsabilidade de
atualização dos modelos, para que a consistência e coerência de informações
inscritas no modelo 3D geral do empreendimento fossem mantidas.

6.9 Projeto Básico

O escopo do PB compreendia a emissão de uma série de desenhos e documentos


com os quais fosse possível a elaboração de um ou mais editais para a concorrência
da execução do empreendimento. De maneira geral, as informações necessárias
para a elaboração dos editais são: desenhos técnicos com informações sobre as
áreas a serem executadas, incluindo especificação de materiais e métodos
construtivos (se necessário) e lista de quantidades de materiais e serviços. Com
essas informações os proponentes geram suas propostas técnicas e comerciais,
onde em seguida, o cliente, no caso a Aracruz Celulose, em conjunto com a
22

projetista e gerenciadora contratada, Pöyry Tecnologia, avaliam e fazem a decisão


pela empresa ganhadora do contrato.

Com base nos dados acima, a metodologia BIM, na fase de PB foi executada, dentro
do setor de Implantação Civil, segundo os passos a seguir:

- Elaboração dos Modelos do Terreno Natural: Com base nas informações


fornecidas pela equipe de topografia, a equipe de projeto elaborou um modelo 3D
referente ao terreno natural Figura 6.3, este por sua vez, serviria de base para a
elaboração das outras tarefas. O setor de Implantação Civil foi o responsável pelo
recebimento de dados, criação e atualização do modelo.

Figura 6.3 – Modelo 3D da topografia da área


Fonte: PÖYRY(2009)
23

- Elaboração do Modelo de Terraplenagem: Com o modelo do terreno natural


disponível, se deu início ao desenvolvimento do modelo de terraplenagem Figura
6.4. Nesta fase foram feitos diversos estudos de elevação e geometria dos platôs, de
forma que se otimizassem os volumes de cortes e aterros, a fim de se reduzir o
custo. A Figura 6.5 apresenta o fluxograma que representa como foram
desenvolvidas as atividades para se chegar aos produtos finais.

Figura 6.4 – Modelo 3D do terreno terraplenado


Fonte: PÖYRY(2009)
FLUXOGRAMA ELABORAÇÃO DE PROJETO DE TERRAPLENAGEM
24

INÍCIO

Levantamento
Layout
Topográfico

AMBIENTE 3D
Definição dos Platôs
(locação planimétrica e
altimétrica)

Dimensionamento das taxas de


inclinação dos taludes

Geometria final de
Terraplenagem SIM

Extração dos
desenhos e dos
quantitativos

Verificação dos
desenhos

Possui erros

NÃO

Documento
Emitido

FIM
Figura 6.5 – Fluxograma de atividades para elaboração dos projetos de terraplenagem
Fonte:Procedimento
Fonte:Procedimento para Elaboração
para Elaboração de projetos
de projetos de Terraplenagem
de Sistemas dada
Subterrâneos Pöyry Tecnologia(2009)
Pöyry Tecnologia(2009)
25

- Elaboração dos Modelos de Arruamento e Sistemas Subterrâneos: Tendo o


modelo de terraplenagem finalizado, iniciaram-se os estudos em conjunto dos
projetos de arruamento e pavimentação e sistemas subterrâneos. Estas duas
atividades foram elaboradas em conjunto devido ao fato das mesmas estarem
intimamente relacionadas, ou seja, a alteração de uma das atividades influencia em
quase 100% dos casos, na necessidade da modificação da outra. É nesta fase que
surge a maior ocorrência de modificações e/ou alterações, na maioria das vezes em
função de interferências entre as redes enterradas. De forma que, nesta fase, a
utilização da metodologia BIM se fez mais útil, pois, como os objetos estão inter
relacionados, a sua atualização e obtenção de dados é mais rápida, diminuindo
consideravelmente o cronograma.

Figura 6.6 – Modelo 3D do arruamento e pavimentação


Fonte: PÖYRY(2009)

A Figura 6.7 apresenta o fluxograma utilizado como base para o desenvolvimento


das atividades para se chegar aos produtos finais.
26

FLUXOGRAMA ELABORAÇÃO DE PROJETO DE SISTEMAS SUBTERRÂNEOS

Definição das
INÍCIO áreas a serem
PA’s e PB’s de
atendidas e Geometria final de
pavimentação
suas terraplenagem
respectivas
Layout populações.

Locação dos Locação dos Locação dos


pontos de pontos de pontos de
coleta de coleta de coleta de
água esgoto drenagem

AMBIENTE 3D Definição do Definição do Definição do


traçado da traçado da traçado da
rede de água rede de rede de
esgoto drenagem
Índice
pluviométrico

Dimensiona- Dimensiona- Dimensiona-


mento da mento da mento da
rede de água rede de rede de
esgoto drenagem

Verificação de interferências entre as


redes e com elementos enterrados
(Fundações)

Existem S
interferência

N
Documento
Definição da geometria final e
Emitido
elaboração do projeto

FIM

Figura 6.7 – Fluxograma de atividades para elaboração dos projetos de terraplenagem


Fonte:Procedimento para Elaboração de projetos de Sistemas Subterrâneos da Pöyry Tecnologia(2009)
27

No decorrer de toda elaboração do projeto, foram feitas reuniões periódicas a fim de


se discutir as interferências inter disciplinares, por exemplo, interferências físicas
entre tubulações e fundações. Desta forma, manteve-se uma qualidade maior do
projeto. Todas as interferências eram identificadas através de um software de
visualização do modelo. No caso deste projeto, o software utilizado foi o Navis
Works da fabricante Autodesk®.

A Figura 6.8 representa um trecho dos Sistemas Subterrâneos presentes no


Terminal Portuário de SJN, no caso, estão identificadas na cor amarela as redes de
distribuição de energia elétrica e iluminação, na cor verde, os canais de coleta de
drenagem pluvial provindos dos arruamentos, na cor marrom, a rede de coleta de
esgoto sanitário, além de apresentar alguns dos edifícios que fazem parte do
empreendimento. Para que a visualização dos sistemas subterrâneos fosse possível,
note que o modelo referente ao terreno, está desabilitado.

Figura 6.8 – Modelo 3D de sistemas subterrâneos utilizado para o cheque de interferências


Fonte: PÖYRY(2009)
28

6.9.1 Projeto Executivo

Com a fase de PB encerrada, deu-se início ao PE. Nesta fase, não foi necessária a
criação de mais modelos, entretanto foram realizadas atualizações dos modelos já
existentes com informações de caráter executivo (locação dos platôs, declividades
das ruas, locação das redes enterradas etc).

Em função do que foi descrito acima, a fase de Projeto Executivo, que normalmente
leva um tempo considerável para ser concluída, com o auxilio da metodologia BIM, o
ganho de tempo no cronograma foi de cerca de 30% do tempo que se levaria para
elaborar o projeto em metodologia convencional.

Nota-se que dada a necessidade de alterações ou correções dos projetos, a


alteração é realizada no modelo 3D e não no desenho final. Dessa forma, mantém-
se o vínculo entre as atividades, ou seja, atualizando o modelo 3D, todas as
atividades que o precedem serão atualizadas automaticamente.
29

7. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Para a elaboração da análise de resultados será utilizado como comparativo o


projeto do Porto de Barra do Riacho denominado Portocel, localizado no município
de Barra do Riacho – ES, que também pertence à Aracruz Celulose S.A.. O projeto
deste empreendimento foi elaborado com a metodologia convencional e possui
características semelhantes às do empreendimento que é objeto do estudo de caso
desta pesquisa. Ambos tem por finalidade o recebimento e envio de fardos de
celulose, tanto para consumo interno como para exportação. Além disso, o fato de
ambos pertecerem à mesma empresa torna-os muito semelhantes com relação à
logística envolvida no funcionamento de ambos. Por exemplo, os edifícios de apoio
existentes, tipo de carga e modais de transporte para as mesmas.

7.1 Terraplenagem

Dentre todas as atividades envolvidas no segmento de Infra-estrutura Civil àquelas


onde se tem maior ganho de tempo com a utilização da metodologia BIM, são as
atividades referentes à Terraplenagem.

Dividindo as tarefas de terraplenagem em: Elaboração de Traçado, Elaboração de


Plantas, Elaboração de Seções e Lista de Quantidades, obtêm-se o seguinte
comparativo, apresentado na Tabela 7.1:

Tabela 7.1 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades para os
empreendimentos da Portocel e Terminal de São José do Norte
Atividade Tempo Demandado (dias)
Portocel Terminal de SJN
Elaboração do Traçado 5 5
Elaboração das Plantas 20 22
Elaboração de Seções 10 2
Lista de quantidades 5 1
Fonte: PÖYRY (2008)
30

7.2 Arruamento e Pavimentação

Ao contrário das atividades referentes à terraplenagem, àquelas referentes à


Arruamento e Pavimentação são as que menos se obtêm resultados positivos com
relação à prazos. De fato, conforme apresentado na Tabela 7.2, nota-se que ao
invés de ter-se aumento de produtividade, o uso da metodologia BIM, reduz a
produtividade em cerca de 30%.

Tabela 7.2 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades de
arruamento e pavimentação para os empreendimentos da Portocel e Terminal de São José do
Norte
Atividade Tempo Demandado (dias)
Portocel Terminal de SJN
Elaboração do Traçado 14 14
Elaboração das Plantas 7 15
Elaboração de Seções 3 4
Lista de quantidades 2 1
Fonte: PÖYRY (2009)

7.3 Sistemas Subterrâneos

Assim como as atividades referentes à terraplenagem, àquelas referentes aos


Sistemas Subterrâneos, também têm ganho considerável no que diz respeito ao
tempo despendido. Conforme apresentado na Tabela 7.3, o maior ganho de tempo
foi com relação à elaboração dos traçados. Este fato ocorreu em função da
possibilidade, na metodologia BIM, da execução de checagem de interferências, o
que facilitou na elaboração de traçados “ótimos” para as redes dos diversos
sistemas enterrados.

Porém, mais importante que o ganho no tempo, é o ganho de qualidade nos


desenhos e lista de materiais gerados. Em conseqüência da redução na quantidade
de erros atribuídos às informações inconsistentes apresentadas no projeto, houve
grande redução nas revisões necessárias, conforme apresentado na Tabela 7.4.
31

Tabela 7.3 – Comparativo entre tempo demandado para a execução das atividades de sistemas
subterrâneos para os empreendimentos da Portocel e Terminal de São José do Norte
Atividade Tempo Demandado (dias)
Portocel Terminal de SJN
Elaboração do Traçado 40 34
Elaboração das Plantas 14 10
Elaboração de Seções 7 7
Lista de quantidades 14 8
Fonte: PÖYRY

Tabela 7.4 – Comparativo entre quantidade de revisões necessárias para os projetos de


sistemas subterrâneos
Produto Quantidade de revisões
Portocel Terminal de SJN
Plantas 9 3
Detalhes 7 3
Listas de Materiais 2 1
Fonte: PÖYRY
32

8. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Atualmente, observa-se que a tecnologia da informação está de uma via crescente


vinculada à Engenharia Civil e especula-se que a metodologia BIM ganhará espaço
no Brasil, da mesma maneira como vem ocorrendo em outros países.

Ao analisar-se o seguimento de Infra-estrutura Civil, percebe-se que este setor


segue a mesma tendência de aumento da utilização da metodologia BIM. Pode-se
encontrar softwares específicos relacionados ao tema, como o AutoCad Civil 3D, da
Autodesk® e o Inroads, da Bentley®. Em ambos os softwares, as empresas
fabricantes, os apresentam como ferramentas que estão baseados na metodologia
BIM.

Apesar da tendência da utilização da metodologia BIM no Brasil, ainda existem


algumas adversidades a serem vencidas. Onde a principal é, segundo SANTOS
(2007), a maturidade das ferramentas BIM, de forma que as mesmas ainda não
trabalham com base em um mesmo formato. Por exemplo, arquivos gerados no
software AutoCad Civil 3D, não podem ser lidos no software Inroads com perfeição,
ou, objetos gerados em um software não são compreendidos pelo outro,
ocasionando uma falta de interoperabilidade de dados. Ainda segundo SANTOS
(2007), somente o uso mais intenso da metodologia e as conseqüentes reclamações
dos usuários, farão com que os softwares evoluam em uma velocidade ideal.

No projeto do Terminal Portuário de SJN, apesar de no setor de Infra-estrutura Civil,


os resultados terem sido satisfatórios, se o projeto for analisado pelo ponto de vista
macro, a metodologia BIM não foi aplicada corretamente. Devido à falta de
interoperabilidade entre os softwares e principalmente, a falta de intimidade de
outros setores envolvidos no projeto com a metodologia BIM, não foi possível
executar uma integração total do projeto, de forma que muitos modelos criados, não
estavam vinculados aos produtos finais emitidos. Dessa forma, a necessidade de
criação de modelos 3D para atender às checagens de interferências, acabou criando
uma atividade a mais para os setores que não aplicavam a metodologia e, por
33

conseguinte, um ponto de prováveis erros e/ou inconsistências entre as informações


utilizadas para a análise de interferências físicas e as informações que contavam
nos desenhos construtivos, além das listas de quantidades.

Dessa forma, conclui-se que a utilização da metodologia BIM, para todo o projeto,
torna-se confiável, a partir do momento em que todos os departamentos e setores
envolvidos no projeto estiverem, de fato, utilizando corretamente o fluxo de
atividades ditado pela metodologia. Para que este processo seja, de fato, utilizado
de forma correta, recomenda-se que sejam criadas normas e procedimentos para a
utilização da metodologia e para garantir o bom uso das mesmas, o departamento
de Qualidade precisa acompanhar o desenvolvimento do projeto. Dessa forma,
provavelmente, haverão ganhos de produtividade e qualidade no ciclo de vida do
projeto.
34

REFERÊNCIAS

AUTODESK. Collaborative project management and BIM. Autodesk


Collaborative Project Management. White Paper, 2007. Disponível em:
<http://images.autodesk.com/latin_am_main/files/autodesk_cpm_-
_cpm_and_bim_whitepaper_final.pdf>.
Acesso em: 13 de abril de 2009.

BOLLMANN, C.; SCHEER, S.; STUMM, S. B. Engenharia colaborativa: uma visão


para a engenharia simultânea e o uso de ambientes colaborativos para
arquitetura e engenharia civil. In: SEMINÁRIO DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO. São Paulo. Anais... São Paulo, 2005.

COELHO, S, Modelagem de Informações para Construção (BIM) e ambientes


colaborativos para gestão de projetos na construção civil. Artigo, .

CRESPO, C.; RUSCHEL, R., Ferramentas BIM: um desafio para a melhoria no


ciclo de vida do projeto. Artigo – III Encontro de Tecnologia de Informação na
Construção Civil TIC. Porto Alegre, 2007

FERREIRA, S, Da engenharia simultânea ao modelo de informações de


construção (BIM): Contribuição das ferramentas ao processo de projeto e
produção e vice-versa. 2008. Artigo.

FLÓRIO, Wilson. O uso de ferramentas de modelagem vetorial na concepção de


arquitetura de formas complexas. 2005. 477p. Tese (Doutorado) – Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo – FAU/USP.

PÖYRY TECNOLOGIA, Procedimento para elaboração de projetos de


Terraplenagem. manual de orientação. São Paulo, 2009

PÖYRY TECNOLOGIA, Procedimento para elaboração de projetos de Sistemas


Subterrâneos. manual de orientação. São Paulo, 2009
35

SANTOS, E, Building Information Modeling – você realmente sabe o que é? –


Workshop brasileiro de gestão do processo de projetos na construção de edifícios.
Curitiba, 2007

TOBIN, J. Proto Building: To BIM is to build. Disponível em:


<http://www.aecbytes.com/buildingthefuture/2008/ProtoBuilding.html>.
Acesso em: 13 de abril de 2009.

WONG, K. The summer of BIM (tech trends column). Disponível em:


<http://aec.cadalyst.com/aec/article/articleDetail.jsp?id=507889&pageID=1&sk=&dat
e=>.
Acesso em: 13 de abril de 2009.