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Profs.

Raphael Miziara l Breno Lenza GRUPO DE WHATSAPP PÍLULAS JUSLABORAIS

Conhecendo expressões jurídicas inusitadas

Ano 1, nº 1

Contrabando Legislativo ou “Caudas legislativas”

Trata-se da prática consistente na inclusão, durante o processo legislativo, de matéria


estranha ao objeto originário do Projeto de Lei, ou seja, acrescenta-se ao Projeto de Lei um
assunto que nada tem a ver com o projeto, na maioria das vezes com o objetivo de não
chamar a atenção para o assunto incluído.

O Supremo Tribunal Federal já decidiu (ADI nº 5127), por exemplo, que o Congresso não
pode incluir, em medidas provisórias editadas pelo Poder Executivo, emendas parlamentares
que não tenham pertinência temática com a norma, evitando-se assim o chamado
“contrabando legislativo”, pois isso fere o direito fundamentol ao devido processo
legislativo. Nesse sentido:

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. CONTROLE DE


CONSTITUCIONALIDADE. EMENDA PARLAMENTAR EM PROJETO DE
CONVERSÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI. CONTEÚDO TEMÁTICO
DISTINTO DAQUELE ORIGINÁRIO DA MEDIDA PROVISÓRIA. PRÁTICA
EM DESACORDO COM O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO E COM O DEVIDO
PROCESSO LEGAL (DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO). 1. Viola a
Constituição da República, notadamente o princípio democrático e o
devido processo legislativo (arts. 1º, caput, parágrafo único, 2º,
caput, 5º, caput, e LIV, CRFB), a prática da inserção, mediante
emenda parlamentar no processo legislativo de conversão de medida
provisória em lei, de matérias de conteúdo temático estranho ao
objeto originário da medida provisória. 2. Em atenção ao princípio
da segurança jurídica (art. 1º e 5º, XXXVI, CRFB), mantém-se hígidas
todas as leis de conversão fruto dessa prática promulgadas até a data
do presente julgamento, inclusive aquela impugnada nesta ação. 3.
Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente por
maioria de votos. (ADI 5127, Relator(a): Min. Rosa Weber, Relator(a)
p/ Acórdão: Min. Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado em
15/10/2015, Processo Eletrônico, DJe-094 DIVULG 10-05-2016
PUBLIC 11-05-2016)

Do acórdão oriundo da ADI nº 5127, já citada, extrai-se interessante passagem sobre


o tema da inclusão de regulação de temas inexistentes no texto original da Medida
Provisória:

“O que tem sido chamado de contrabando legislativo, caracterizado


pela introdução de matéria estranha a medida provisória submetida
à conversão, não denota, a meu juízo, mera inobservância de
formalidade, e sim procedimento marcadamente antidemocrático,
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na medida em que, intencionalmente ou não, subtrai do debate


público e do ambiente deliberativo próprios ao rito ordinário dos
trabalhos legislativos a discussão sobre as normas que irão regular
a vida em sociedade” (gn)

Ainda:

[...] a prática sistemática da edição de emendas em processo


legislativo de conversão em lei com conteúdo temático distinto
daquele da Medida Provisória sob o escrutínio do Congresso Nacional
demonstra desobediência sistemática à moldura institucional
construída pela Constituição.

Ainda, vale registrar que a primeira vez que o STF enfrentou o tema foi justamente
por ocasião do julgamento da ADI nº 5127. Diante de tal fato, o STF entendeu por bem, em
homonegem ao princípio da segurança jurídica, fixar a tese com efeitos prospectivos,
ficando preservadas, no que diz respeito a esta inconstitucionalidade formal, as leis fruto de
emendas em projetos de conversão de Medida Provisória em lei, inclusive a que era objeto
da ADI em comento.

Por fim, a prática é também conhecida como “caudas legislativas”, pois, de certo
modo e figurativamente, as matérias estranhas incluídas estão, por assim dizer, penduradas
na lei de conversão. Ainda, é conhecida como “riders”, como lembra Michel Temer (in:
Elementos de direito constitucional. 11. ed. São Paulo: Malheiros, 1995. p. 134.

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