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Sumário

Sumário ......................................................................................................................... 1
1 - Estatuto e Código de Ética ........................................................................................... 1
2 - Direito Constitucional .................................................................................................. 6
3 - Direito Civil ............................................................................................................... 9
4 - Direito Processual Civil .............................................................................................. 11
5 - Direito Penal ............................................................................................................ 19
6 - Direito Administrativo ............................................................................................... 21
7 - Direito do Trabalho ................................................................................................... 25
8 - Direito Empresarial ................................................................................................... 31
9 - Direito Processual Penal ............................................................................................ 35
10 - Direito Processual do Trabalho ................................................................................. 41
11 - Direito Tributário .................................................................................................... 46
12 - Direitos Humanos ................................................................................................... 48
13 - Direito Ambiental ................................................................................................... 57
14 - Direito da Criança e do Adolescente .......................................................................... 62
15 - Direito do Consumidor ............................................................................................ 68
16 - Direito Internacional ............................................................................................... 72
17 - Filosofia do Direito .................................................................................................. 73

1 - Estatuto e Código de Ética

Advogada. Consultora Jurídica do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio


Teixeira - Inep. Mestranda em Políticas Públicas. Formação e Capacitação de Juíza
Arbitral do Brasil, Europa e Mercosul. Professora de Direito Administrativo, Direito
Internacional e Ética Profissional.
@profdanielamenezes
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Direitos do advogado (Art. 7)


 Exercício da advocacia território nacional
 Procuração Especial
 Uso da palavra
Fique atento:
- art. 7º, I, EAOAB
- art. 7º, X, EAOAB
- art. 7º, VI, letra “d”, EAOAB
 Vista dos processos sem procuração.
 Recusar-se a depor como testemunha.
Fique atento:
- art. 7º, XV, EAOAB
- art. 7º, XIX, EAOAB

1
- art. 7º, XX, EAOAB
 Imunidade profissional
Desagravo público
 Advogada gestante
Fique atento:
- art. 7º, §2º, EAOAB
- art. 7º, §5º, EAOAB
- art. 7º-A, EAOAB combinado com o art. 392, CLT, e com o art. 313, §6º, do CPC

Sociedade de Advogados (art. 15-17)


 Registro da filial e inscrição suplementar
 Representar clientes interesses opostos
Registro da licença do sócio em caráter temporário
- art. 15, §5º, EAOAB
- art. 15, §6º, EAOAB
- art. 16, EAOAB
- art. 16, §2º, EAOAB
- art. 16, §2º, EAOAB
 Registro nos cartórios e juntas comerciais
 Denominação da sociedade unipessoal
 Responsabilidade do advogado e processo disciplinar OAB
- art. 16, §3º, EAOAB
- art. 16, §4º, EAOAB
- art. 17, EAOAB

Advogado Empregado (art. 18 a 21)


 Isenção técnica e independência profissional
 Jornada de trabalho
 Horas extra
 Adicional noturno
- art. 18, EAOAB
- art. 20, EAOAB
- art. 20, §2º, EAOAB
- art. 20, §3º, EAOAB
TEMA INÉDITO: HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA (Art. 21, EAOAB)

Honorários Advocatícios (art. 22 a 26)


 Tipos de honorários
 Defensoria Pública
 Fixação dos honorários
 Precatório
- art. 22, EAOAB
- art. 22, §1º, EAOAB

2
- art. 22, §3º, EAOAB
- art. 22, §4º, EAOAB
 Execução dos honorários
 Crédito privilegiado
 Acordo feito pelo cliente
 Prescrição da ação de cobrança dos honorários
 Honorários do advogado substabelecido
- art. 23, EAOAB
- art. 24, §1º, EAOAB
- art. 24, EAOAB
- art. 24, §4º, EAOAB
- art. 25, EAOAB
- art. 26, EAOAB

Infrações e Sanções Disciplinares (art. 34 a 43)


 Circunstâncias atenuantes da pena
 Falta cometida na defesa de prerrogativa profissional
 Ausência de punição disciplinar anterior
 Exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB
 Prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública
 Prazo da Reabilitação
 Prescrição das infrações disciplinares
 Prescrição intercorrente
 Interrompe a prescrição intercorrente: Instauração de processo disciplinar ou notificação válida e
decisão condenatória recorrível de qualquer órgão julgador da OAB.
- art. 40, EAOAB
- art. 41, EAOAB
- art. 43, EAOAB
- art. 43, §1º, EOAB

Ordem dos Advogados do Brasil (art. 44 a 62)


 Composição do Conselho Federal
 Participação do Presidente do Conselho Seccional
 Voto no Conselho Federal
 Voto na eleição para a escolha da Diretoria do Conselho Federal
- art. 51, EAOAB
- art. 52, EAOAB
- art. 53, EAOAB
- art. 53, §3º, EAOAB
 Competência do Conselho Federal
 Intervir nos Conselhos Seccionais
 Ajuizar ADI e atos normativos, ação civil pública, MS coletivo, Mandado de Injunção e demais ações
 Autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus bens imóveis

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- art. 54, EAOAB
- art. 54, VII, combinado com o art. 54, § único, do EAOAB
- art. 54, XIV, EAOAB
- art. 54, XVI, EAOAB
 Criação da Subseção (Art. 60, EAOAB)
 Mínimo de 15 advogados (Art. 60, §1º, EAOAB)
 Acima de 100 advogados cria-se o Conselho da Subseção (Art. 60, §3º, EAOAB)
 Intervenção do Conselho Seccional (Art. 60, §6º, EAOAB)
 Competência da Subseção (Art. 61, EAOAB)
 Editar seu Regimento Interno, a ser referendado pelo Conselho Seccional
 Editar resoluções
 Instaurar e instruir processos disciplinares, para julgamento pelo TED
 Receber pedido de inscrição nos quadros de advogado e estagiário, instruindo e emitindo parecer
prévio para decisão do Conselho Seccional

Eleições e dos Mandatos (art. 63 a 67)


Requisitos do candidato para eleição
- Comprovar situação regular junto à OAB
Não ocupar cargo exonerável ad nutum
Não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação
Exercer a profissão há mais de cinco anos
Mandato na OAB
Término do mandato
- Cancelamento ou licenciamento da inscrição
Titular sofrer condenação disciplinar
Fique atento:
- art. 63, §2º, EAOAB
- art. 65, EAOAB
- art. 66, EAOAB
 Prazos processuais
 Infração disciplinar cometida em outro Conselho
 Suspensão da inscrição pelo TED
 Instauração do processo disciplinar
 Tramitação do processo em sigilo
Fique atento:
- art. 69, EAOAB
- art. 70, EAOAB
- art. 70, §3º, EAOAB
- art. 72, EAOAB
- art. 72, §2, EAOAB

Relações com o Cliente (art. 9 a 26)


 Prestação de contas pelo advogado

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 Advogado não deve aceitar procuração de patrono constituído
Fique atento:
- art. 12, CE
- art. 10, CE
- art. 14, CE

Advocacia Pro-Bono (art. 30)


 Características da Advocacia pro bono
 Destinatários da Advocacia pro bono
 Vedação legal
Fique atento:
- art. 30, CE

Sigilo Profissional (art. 35 a 38)


 Características do sigilo profissional
 Funções de mediador, conciliador e árbitro;
 cargos e funções na OAB
 exceções
Fique atento:
- art. 35 a 38, CE

Publicidade Profissional (art. 39 a 47)


 Regra geral
 Vedações
 Permitido
Fique atento:
- art. 39 a 47, CE

Honorários Profissionais (art. 48 a 54)


 Forma do contrato de honorários
 Compensação de créditos
 Redução dos honorários mediante desistência voluntária ou mecanismos de solução extrajudicial
 Cláusula quota litis
 Participação do advogado em bens particulares
 Emissão de fatura e títulos de crédito empresarial
Fique atento:
- art. 48, CE
- art. 50, CE
- art. 51, CE
- art. 52, CE

Tribunal de Ética e Disciplina (art. 70 e 71)


 Competência do Tribunal de Ética
 Julgar processos ético-disciplinares
 Responder consultas formuladas

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 Suspender acusado infração disciplinar
 Atuar como mediador e conciliador
Fique atento:
- art. 71, CE

Desagravo Público (art. 18 e 19)


 Características do desagravo público
 Arquivamento do desagravo
 Desagravo Público contra Presidente do Conselho Seccional
Fique atento:
- art. 18, CE

2 - Direito Constitucional

Professor em Direito Constitucional para o Exame de Ordem - OAB.


Coaching para concursos públicos e Exame de Ordem.
Formado em Direito (Unifacs) e em Ciências Contábeis pela Universidade Federal da
Bahia. Pós Graduado em Direito Tributário pelo IBET. Atualmente exerce o cargo de
Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Atuou como Auditor de Controle Externo
pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia; também aprovado nos concursos de
Auditor Fiscal do Estado do Pará - ICMS/PA/2013 e Analista Cálculo/Contábil
PGE/BA/2013.
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#dica 01 Hierarquia entre normas
Não existe hierarquia entre normas constitucionais originárias. Não importa qual é o conteúdo da norma.
Todas as normas constitucionais originárias têm o mesmo status hierárquico.
#dica 02 Aplicação das normas Constitucionais no tempo
Com advento de uma nova Constituição, continuam válidas todas as normas infraconstitucionais com ela
materialmente compatíveis, sendo recepcionadas pela nova ordem jurídica. A recepção depende somente
da compatibilidade material (conteúdo).
 Com a entrada em vigor de uma nova Constituição: a anterior é integralmente revogada, deixando de
ter vigência e validade.
 Tese da desconstitucionalização: a nova Constituição recepcionaria as normas da Constituição
pretérita, conferindo-lhes “status” legal, infraconstitucional. O Brasil não adota esse fenômeno.
#dica 03 Emendas Constitucionais
Proposta de Emenda é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos respectivos membros. (art. 60, §
2º, CRFB/88)
Art. 60, CRFB/88:
A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-
se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de
defesa ou de estado de sítio.
Art. 60, CRFB/88:
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

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 Cláusulas Pétreas
 Forma federativa de Estado
 Voto direto, secreto, universal e periódico
 Separação dos Poderes
 Direitos e garantias individuais
#dica 04 Comissões Parlamentares de Inquérito – CPI’s
 Controle político-administrativo: papel de investigação parlamentar (inquérito legislativo);
 Suas conclusões, quando for o caso, serão encaminhadas ao MP para que esse promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
 Criação de CPI´S – requisitos:
 Requerimento de um terço dos membros da Casa Legislativa
 Indicação de fato determinado a ser investigado
 Fixação de prazo certo para os trabalhos da CPI
 CPI pode
- Convocar particulares e autoridades públicas para depor;
- Realização de perícias e exames necessários à dilação probatória;
- Determinar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do investigado;
 CPI não pode
- Aplicação de medidas cautelares;
- Decretar prisões, exceto em flagrante delito;
- Interceptação telefônica;
- Busca e apreensão domiciliar de documentos;
- Apreciar atos de natureza jurisdicional.
#dica 05 Cláusula da Irresponsabilidade Penal Relativa
Na vigência do mandato, o Presidente da República só pode ser responsabilizado por atos praticados no
exercício da função (in officio) ou em razão dela (propter officium). Trata-se de uma imunidade
temporária à persecução penal.
 Crimes Comuns: PR é processado e julgado perante o STF, após autorização da Câmara dos Deputados
(2/3 dos seus membros, em votação nominal e aberta - art. 51, I, CRFB/88).
 Crimes de Responsabilidade: PR é processado e julgado pelo Senado Federal, após juízo de
admissibilidade político da Câmara dos Deputados (2/3 dos seus membros, em votação nominal e aberta
- art. 51, I, CRFB/88).
 Crimes de Responsabilidade: o Senado Federal possui discricionariedade para decidir pela instauração
do processo contra o PR. Não está vinculado ao juízo político de admissibilidade da Câmara. (ADPF
378/2015)
#dica 06 Princípio da Irrepetibilidade
Matéria constante de projeto de lei rejeitado não poderá ser objeto de novo projeto na mesma sessão
legislativa, salvo por proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas Legislativas.
 Vedação PL: relativa
 Vedação EC + MP’s: absoluta
#dica 07 Conselho Nacional de Justiça – CNJ
 O CNJ trata-se de órgão de controle interno. Ele não exerce jurisdição, embora integre a estrutura do
PJ.
 Suas atribuições são exclusivamente administrativas, sendo o órgão responsável pelo controle da
atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário.

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 Ao apreciar a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do PJ, o CNJ
poderá desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem providências necessárias.
 O papel é de apenas examinar a legalidade de atos administrativos, sendo-lhe vedado examinar a
constitucionalidade.
#dica 08 Repartição de Competências
 Exclusiva
 Manter relações com Estados estrangeiros
 Declarar a guerra e celebrar a paz;
 Decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal
 Emitir moeda
 Privativa
 Direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do
trabalho;
 Desapropriação;
 Trânsito e transporte;
 Seguridade Social
 Diretrizes e bases da educação nacional;
 Serviço postal;
 Concorrente
 Tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
 Educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação;
 Previdência social, proteção e defesa da saúde
Art. 24 CRFB/88 (...)
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais.
§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades.
§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no
que lhe for contrário.
#dica 09 Cláusula de Reserva de Plenário
 Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão
especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
(Art. 97, CRFB/88)
Art. 949:
Art. 949. Se a arguição for:
I - rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde
houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão
especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do
plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.
 Viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não
declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte. (Sv. 10 STF)

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#dica 10 REVISÃO CONTROLE ABSTRATO...
 ADI: Lei ou ato normativo federal/Estadual
 ADO: Omissões inconstitucionais / Falta de norma regulamentadora eficácia limitada
 ADPF:
 Leis e atos normativos municipais
 Direito ordinário pré-constitucional, etc
 ADC: Lei ou ato normativo federal / divergência jurisprudencial
 legitimados universais X legitimados especiais
 Legitimados universais
➢ Presidente da República
➢ Procurador-Geral da República
➢ Mesa do Senado Federal e da Câmara dos Deputados
➢ Conselho Federal da OAB
➢ Partido político com representação no Congresso Nacional
 Legitimados especiais
➢ Governador de Estado e do DF
➢ Mesa de Assembleia Legislativa e da Câmara Legislativa do DF
➢ Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional
#dica 10 EFEITOS DA DECISÃO DE MÉRITO ADI
 A decisão tem eficácia erga omnes, efeitos ex tunc e vincula todos os demais órgãos do Poder
Judiciário e toda a Administração Pública.
 Cuidado!!! Não vincula o STF e o Poder Legislativo.
#dica 10 Decisão de mérito...
 Quórum de presença: É necessário que estejam presentes na sessão pelo menos 8 (oito) Ministros do
STF. Sem esse “quórum” especial, não pode haver decisão deliberativa.
 Quórum de votação: Em razão da cláusula de “reserva de plenário”, a proclamação da
inconstitucionalidade da norma ou do dispositivo impugnado dependerá da manifestação de pelo menos
6 (seis) Ministros (maioria absoluta).
 Cabe Recurso? Só embargos de declaração.
 Cabe modulação temporal dos efeitos? Sim (art. 27 Lei. 9.868/99 e art. 11 Lei. 9 11 Lei. 9.882/99)
 E desistência? Não. A ação é indisponível. Estamos diante processo objetivo / defesa do ordenamento.
 E intervenção de terceiros? Não.
 E o “amicus curiae”? Sim.

3 - Direito Civil

Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2010, Mestre


em Direito do Estado pela UFPR em 2012 e Doutor em Direito das Relações Sociais,
também UFPR, em 2017. A partir de 2011 passou a lecionar na graduação e na pós-
graduação em Direito em diversas Instituições de Ensino Superior, e a partir de
2015, passou a lecionar também para Concursos Públicos. Em 2011 foi aprovado
em concurso para Procurador Municipal (PGM-Colombo/PR) e, em 2012, foi
aprovado em Concurso Público de Provas e Títulos para Professor Assistente na
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE, Foz do Iguaçu/PR).
Atualmente, é Professor de Direito Civil, Legislação Civil Especial, Direito Processual
Civil, Direito do Consumidor e Bioética, e Advogado nas cidades de Curitiba/PR e Brasília/DF. Além disso,
é parecerista ah hoc de numerosas revistas jurídicas.
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Como se preparar nessa reta final?

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CC/2002: 2.046 artigos
7 questões
0,00342131% de chance de acerto
E agora?
Apostas
Parte Geral
Contratos
Responsabilidade Civil
Parte Geral
Pessoa com deficiência NUNCA é incapaz
Presunção de morte com e sem ausência
Personalidade: pré e post mortem
Domicílio legal/necessário X voluntário X profissional X contratual
Desconsideração da personalidade jurídica
Bens: veja o contexto
Condição X Termo X Encargo
Lesão X Estado de perigo X Coação X Estado de necessidade
Defeitos do negócio: atenção aos detalhes! A resposta geralmente está no próprio enunciado
Contratos
Res perit domino
Boa-fé
Só contrata quem contrata e o que contrata
Preferência/preempção
Comodato X locação X mútuo
Comodato: seja agradecido
Doação X compra e venda: ascendente a descendente
Fiador sempre se lasca
Seguro só garante o valor garantido
Responsabilidade Civil
Não é Direito Penal
Quem se importa com a vítima?
Culpa X Dolo
Os heróis indenizam
Crianças indenizam
Dúvida sobre quem causou? Todo mundo responde
Direito Civil é solidário!
Responde pelo outro? Prove a culpa do um
Exercício regular, estrito cumprimento e legítima defesa é: Exercício regular, estrito cumprimento e
legítima defesa

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4 - Direito Processual Civil

Ricardo Torques é natural de Colombo/PR, formado em Direito pela Universidade


Federal do Paraná (UFPR) em 2009, pós-graduado em processo civil pela Faculdade
Assis Gurgacz (FAG), em 2012. Em 2009 foi aprovado no concurso de Assistente
Técnico Administrativo do Ministério da Fazendo, onde exercer o cargo de chefe
substituto da Agência da Receita de Paranaguá/PR. Foi assessor jurídico de
magistrado no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Foi aprovado em concursos
de técnico e analista judiciário de Tribunais Regionais do Trabalho. Foi coordenador
de materiais do Focus Concursos. Foi professor de Legislação no Focus Concursos e
de Direitos Humanos no C24H.
--
Normas Processuais Civis Fundamentais
 devido processo legal: postulado geral do NCPC
• substancial: razoabilidade e proporcionalidade;
• formal: ditames legais
 sistema processual misto: começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial.
 princípio da inafastabilidade do controle do Poder Judiciário.
 princípio da solução integral de mérito (atividade jurisdicional satisfativa)
 princípio da boa-fé processual objetiva
 princípio da cooperação
 princípio da ampla defesa e contraditório
• ampla defesa (dimensão material): possibilidade efetiva de influenciar na decisão judicial
• contraditório (dimensão formal): direito de participar do processo.
Teoria da Ação no NCPC
 não se fala mais em...
▪ condições da ação; ou
▪ carência da ação.
 art. 17, do NCPC:
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade.
 art. 485, IV, do NCPC:
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do
processo;
 teoria da asserção
▪ contrapartida à teoria da exposição (ou da comprovação) – as condições da ação devem
ser demonstradas pela parte.
▪ legitimidade e interesse processual são verificados apenas pelas afirmações ou assertivas
deduzidas pelo autor na inicial (análise preliminar)  ausência implica extinção do
processo sem resolução do mérito.
▪ o direito de demandar em juízo independe de qualquer comprovação.
▪ a análise das condições da ação não preclui.
▪ a análise das condições da ação na sentença é mérito (extinção do processo com
resolução do mérito).
Competência: noções gerais

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 competência da JF: art. 108/109 da CF (“as causas em que a União, entidade autárquica ou
empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à
Justiça do Trabalho”)
 competência da JE: subsidiária
 competência territorial:
 direito pessoal ou direito real sobre bens móveis  domicílio do réu;
 direito real sobre bens imóveis  foro de situação da coisa (admite-se foro de eleição ou
do domicílio do réu exceto se se tratar de direito de propriedade, de vizinhança, de
servidão, de divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova e ação
possessória imobiliária)
 ação relativa à sucessão “causa mortis”: último domicílio do falecido > local de situação
dos bens imóveis > local de situação dos bens móveis.
Método para identificar o juízo competente
A) verificar se a justiça brasileira é competente para julgar as causas  arts. 21 a 23 do NCPC.
B) se for, investigar se é caso de competência originária de Tribunal ou de órgão jurisdicional atípico
Senado Federal – art. 52, I e II, da CF
Câmara dos Deputados – art. 51, da CF
Assembleia Legislativa estadual para julgar governador de Estado
C) não sendo o caso, verificar se é afeto à justiça especial (eleitoral, trabalhista ou militar) ou justiça
comum.
D) sendo competência da justiça comum, verificar se é da justiça federal  arts. 108 e 109, da CF.
E) sendo da justiça estadual, deve-se buscar o foro competente, segundo os critérios do CPC
(competência absoluta e relativa, material, funcional, valor da causa e territorial)
F) determinado o foro competente, verifica-se o juízo competente, de acordo com o sistema do CPC
(prevenção) das normas de organização judiciária.

Gratuidade
 CONCEITO: insuficiência de recursos para pagar custas, despesas processuais e honorários (PN
+ PJ)

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 E SE PERDER A AÇÃO? Exigibilidade suspensa pelo período de 5 anos, período em que poderá
ser cobrada, caso readquira capacidade financeira.
 MOMENTO PARA O REQUERIMENTO DE GRATUIDADE
Autor: Preliminar da petição inicial
Réu: preliminar de contestação
Terceiro: na primeira oportunidade em que se manifestar nos autos
É necessário provar?
Gratuidade – Pessoa Natural
 pressupõe-se a insuficiência;
 parte contrária tem que impugnar (15 dias);
 juiz decidirá a respeito de acordo com elementos constantes dos autos;
 trata-se de benefício de caráter pessoal (não extensível ao litisconsorte ou sucessor);
 recurso formulado por beneficiário dispensa preparo, exceto se esse recurso tratar
exclusivamente de honorários advocatícios, a não se que o advogado também seja beneficiário
da Justiça gratuita;
 a assistência do beneficiário por advogado não impede a concessão do benefício.
Intervenção de Terceiros
 assistência: interesse jurídico (capacidade de afetar a esfera jurídica de terceiro)
• será litisconsorcial se mantiver relação jurídica contra autor e réu (se admitido, recebe
tratamento de parte).
 denunciação da lide: evicção e regresso
• é ação a) incidente; b) regressiva; c) eventual; e d) antecipada.
 chamamento ao processo: corresponsabilidade
Inc. Des. da Pers. Jurídica

Intervenção de Terceiros
 amicus curiae
• fornecer subsídio que possam aprimorar a qualidade da decisão.
• autoriza-se o amicus curie quando envolver:

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a) matéria relevante;
b) tema específico; e
c) repercussão social da controvérsia
• órgão meramente opinativo
• poderes fixados pelo juiz (pode, por lei opor embargos de declaração + IRDR)
Atos Processuais
 negócio jurídico processual
• conceito: fato jurídico voluntário em que as partes regulam, dentro dos limites fixados no
próprio ordenamento jurídico, certas situações jurídicas processuais ou alterar o
procedimento.
• direitos que admitem a autocomposição.
• podem estipular regras procedimentais ou dispor sobre posições processuais (ônus,
poderes, faculdades e deveres).
• antes ou durante o processo.
• não há participação do Juiz (homologação judicial X controlar a legalidade).
 calendário procedimental
• conceito: técnica processual voltada para a gestão eficiente do tempo no processo, no qual
o juiz e as partes, em regime de diálogo, podem acertar datas para a realização dos atos
processuais.
• possibilidade de as partes e o juiz fixarem calendário para a prática dos atos processuais.
• dispensa a obrigatoriedade de intimação para os atos previstos no calendário.
• alterar a data do calendário previamente fixado: situações excepcionais e mediante
justificativa.
 regra: 6:00 às 20:00 (possibilidade de prorrogação caso possa prejudicar a diligência ou resultar
em grave dano)
 citações, intimações e penhoras podem ser praticadas em período de férias forenses, feriados,
fora do horário (observada a inviolabilidade do domicílio.
 prazo subsidiário: 5 dias
 prazo a obrigar o comparecimento: 48 horas
 ato processual prematuro: válido
 regra de contagem: IDENTIFICAR:
• intimação (começo do prazo)  marca a efetiva publicação nos autos do processo; e
• início da contagem  dia útil seguinte ao começo do prazo.
 prazo em caso de litisconsórcio
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos,
terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento.
§ 1º Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por
apenas um deles.
§ 2º Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.
Tutela Provisória

14
Procedimento Comum
 FASE POSTULATÓRIA
A) peticionamento
 FASE ORGANIZATÓRIA
B) Admissibilidade
i) indeferimento da petição inicial;
ii) improcedência liminar; ou
iii) seguimento.
C) Conciliação/Mediação
D) Contestação/Reconvenção
E) Providências Preliminares
F) Julgamento Antecipado (total ou parcial)
G) Decisão Saneadora
 FASE INSTRUTÓRIA
 FASE JULGADORA
 FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
Prova Emprestada
Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor
que considerar adequado, observado o contraditório.
Distribuição do ônus da Prova

Produção Antecipada de Prova


 quando?

15
Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos
na pendência da ação;
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de
solução de conflito;
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
Cumprimento de Sentença
 15 dias para pagamento;
 não pago, incide:
 multa de 10%; e
 10% a título de honorários
 15 dias seguinte para impugnação
TEJ
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos
neste Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia,
de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos
sucessores a título singular ou universal;
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados
por decisão judicial;
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
VII - a sentença arbitral;
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior
Tribunal de Justiça;
X - (VETADO).
Pressupostos Recursais
 requisitos intrínsecos
• cabimento/adequação: ato impugnado suscetível de ataque
• legitimidade: parte vencida, terceiro prejudicado e MP na qualidade de fiscal da ordem
jurídica (o amicus curiae pode ingressar apenas com embargos de declaração e IRDR)
• interesse: demonstração da necessidade de ajuizamento do recurso e a adequação do
expediente recursal escolhidos.
• inexistência de:
▪ fato impeditivo: parte proibida de falar nos autos (ex. abuso processual e litigância
de má-fé) e desistência; e
▪ extintivo: renúncia e aquiescência à decisão.
 requisitos extrínsecos
• tempestividade recursal: prazo (em regra, 15 dias)
• regularidade formal: exigências formais para que possa ser admitido
• preparo: pagamento das custas processuais incidentes sobre aquela espécie recursal, e a
respectiva comprovação no ato de interposição recursal.

16
Recurso Adesivo
 cabimento em face do:
• recurso de apelação;
• RE;
• REsp.
 O recurso adesivo deve ser dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora
interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder.
 O recurso adesivo não será conhecido se houver desistência do recurso principal ou se ele for
considerado inadmissível.
Preparo
 conceito: custas do recurso + valor de porte e de remessa (esse último não tem se o recurso
for eletrônico)
 dispensados do preparo:
• MP
• Administração Direta (União, DF, Estados e Municípios)
• Autarquias
 não pagamento do preparo no prazo: a parte será intimada para pagar o preparo em dobro,
sob pena de deserção;
 pagamento a menor: a parte será intimada para complementar o preparo no prazo de 5 dias,
sob pena de deserção.
 Não admissão do recurso por falta de preparo poderá ser relevada quando a parte demonstrar a
impossibilidade de efetuar o preparo (reconhecido esse justo motivo, a parte será intimada para,
no prazo de 5 cinco dias, efetuar o preparo);
 O equívoco no preenchimento da guia também não gerará deserção (sanar o vício, no prazo de
5 dias, em caso de dúvida).
Apelação
 cabimento (duplo grau de jurisdição).
1. “Art. 1.009. Da sentença cabe apelação”.
2. Indeferimento da inicial (art. 312, do NCPC)
3. Improcedência liminar do pedido (art. 332, do NCPC)
4. Sentenças terminativas (art. 485, do NCPC)
5. Decisões interlocutórias não agraváveis (não entram no art. 1.015)
 sentença parcial de mérito (cabe agravo de instrumento, não Apelação).
 síntese do procedimento
1. petição (art. 1.010, do NCPC)
2. contrarrazões (§1º do art. 1.010, do NCPC)
3. apelação adesiva (§2º do art. 1.010, do NCPC)
4. remessa ao tribunal
 Não há juízo de admissibilidade “a quo” (na origem).
 procedimento do tribunal
decidir monocraticamente
• não admitir o recurso por ausência dos pressupostos de admissibilidade do recurso ou
quando prejudicado ou não tiver impugnado especificamente os fundamentos da decisão
recorrida.
• negar provimento a recurso que for contrário:

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a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator;
b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos;
c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção
de competência;
 procedimento do tribunal
• depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a
decisão recorrida for contrária:
a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator;
b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos;
c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção
de competência;
• elaborar seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado do tribunal.
• efeito
• regra: o recurso de apelação possui como regra efeito devolutivo e suspensivo
• exceções (efeito tão somente devolutivo)
1) homologação de divisão ou demarcação de terras
2) condenação em alimentos
3) extinção do processo sem resolução de m érito
4) improcedência dos embargos
5) procedência de pedido de instituição de arbitragem
6) confirmação, concessão ou revogação de tutela provisória
7) decreto de interdição
* efeito devolutivo em profundidade (art. 1.013)
Agravo de Instrumento
 conceito: recurso contra decisões interlocutórias
 hipóteses de cabimento:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou coisa;
 hipóteses de cabimento:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o;
XII - (VETADO);
XIII - outros casos expressamente referidos em lei.

18
 hipóteses de cabimento:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na
fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo
de inventário.
Embargos de Declaração
 cabimento:
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a
requerimento;
III - corrigir erro material.
 prazo
 ausência de preparo
 interrupção dos demais recursos

5 - Direito Penal

Professor Universitário e Advogado Criminalista. Doutorando em Direito e Mestre em


Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista pela
Escola Paulista de Direito em Direito Público. Especialista pela Faculdade Anchieta
em Docência no Ensino Superior. Bacharel em Direito pela Universidade Paulista.

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Teoria Geral do Crime


 Crime
 Fato típico
 Antijuridicidade
 Culpabilidade
 Conduta
 Dolo eventual
 Culpa Consciente
 Crimes Omissivos
 Resultado
 Material
 Formal
 Mera conduta
 Nexo causal
 Teoria
 Superveniência de causa relativamente independente
 Tipicidade
 Formal
 Conglobante
 Erro de Tipo

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 Essencial
 Acidental
 Iter Criminis
 Cogitação
 Preparação
 Execução
 Consumação
 Antijuridicidade
 Excludentes legais
 Excludentes supra Legais
 Culpabilidade
 Inimputabilidade
 Potencial consciência da ilicitude
 Exigibilidade de conduta diversa
 Penas Permitidas
 Privativas de Liberdade
 Restritivas de direitos
 Multa
 Temas ligados às Penas
 Progressão de regime
 Remição
 Concurso de crimes
 Prescrição

Crimes em espécie
 Crimes
 Contra a vida
 Contra a honra
 Contra o patrimônio
 Contra a dignidade sexual
 Administração pública

Leis Penais Especiais


 Lei do Crime Organizado
 Lei de Drogas
 Crimes hediondos

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6 - Direito Administrativo

Graduado em Direito na Universidade Federal de Pernambuco, com extensão na


Universidade de Coimbra/Portugal. Especialista LLM em Direito Corporativo pelo
IBMEC/RJ. Mestre em Direito pelo UNICEUB/DF. Advogado com atuação profissional
centrada no Direito Tributário e no Direito Administrativo, especialmente na defesa
de servidores públicos.

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Responsabilidade Civil do Estado


 Responsabilidade Civil Objetiva x Responsabilidade Civil Subjetiva (diferenças);
 Teoria do Risco Administrativo X Teoria do Risco Integral
 Brasil - Responsabilidade Civil Objetiva (Teoria do Risco Administrativo);
 Estado poderá alegar causas de redução ou exclusão de sua responsabilidade;
 art. 37, §6º, CF:
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
 art. 43, CC:
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus
agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os
causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.
(CESPE – PGE/AM – 2016) Acerca de direitos da personalidade, responsabilidade civil objetiva e prova
de fato jurídico, julgue o item seguinte.
A teoria da responsabilidade civil objetiva aplica-se a atos ilícitos praticados por agentes de autarquias
estaduais.
VERDADEIRO
(CESPE – PGE/BA – 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com veículo particular que tenha
ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato ocasione sérios danos à saúde do condutor do veículo
particular. Considerando essa situação hipotética e a responsabilidade civil da administração pública,
julgue o item subsequente:
Sendo a culpa exclusiva da vítima, não se configura a responsabilidade civil do Estado, que é objetiva e
embasada na teoria do risco administrativo.
VERDADEIRO
(CESPE – PGM/FOR – 2017) A respeito de bens públicos e responsabilidade civil do Estado, julgue o item.
Situação hipotética: Um veículo particular, ao transpassar indevidamente um sinal vermelho, colidiu com
veículo oficial da Procuradoria-Geral do Município de Fortaleza, que trafegava na contramão.
Assertiva: Nessa situação, não existe a responsabilização integral do Estado, pois a culpa concorrente
atenua o quantum indenizatório.
VERDADEIRO
 Responsabilidade Civil por Ato Ilícito
 Possível;
 Dano precisa ser anormal e específico;
 Exceder o limite do razoável;
 atos comissivos X omissivos
Responsabilidade Civil Subjetiva;
Exceções?

21
- Dever de guarda;
- Presídio, Hospitais Psiquiátricos, Creches;
- Suicídio, assassinato, lesões;
 Estado X Presídio
 Deve o Estado indenizar o presidiário sujeito a condições degradantes?
- Tradicionalmente, não;
- Contraditório;
- Opinião do STJ;
“Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os
padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos
termos do artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais,
comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais
de encarceramento” (RE 580252/MS)
 Prestadores de Serviço Público
 Responsabilidade objetiva
 E se o particular não for usuário do serviço?
 Exemplo: choque, atropelado por motorista de ônibus.
 A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se orienta no sentido de que as pessoas jurídicas de
direito privado, prestadoras de serviço público, respondem objetivamente pelos prejuízos que causarem
a terceiros usuários e não usuários do serviço.
 Vítima e Ação contra o Agente:
 art. 37, §6º, da CF.
 responsabilidade civil do agente: subjetiva
 STF e a dupla garantia.
 Denunciação da lide
 Espécie de terceiros
 art. 125, CPC:
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o
prejuízo de quem for vencido no processo.
 “A denunciação da lide é uma forma de intervenção de terceiros que, uma vez instaurada, gera a
formação de um cúmulo de demandas no mesmo processo? De um lado, a demanda havida entre autor
e réu/ de outro lado, a demanda existente entre denunciante e denunciado” (Leonardo Cunha).
 Hipótese mais comum à Fazenda Pública
 Responsabilidade Civil do Estado
 É permitida a denunciação da lide ao agente público causador do dano?
 Responsabilidade Objetiva X Subjetiva;
 Ação de Regresso em face do Agente Público exige demonstração do dolo ou culpa;
 O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento que a denunciação da lide ao agente público
causador não é obrigatória.
PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
ACIDENTE. RODOVIA EM OBRAS. TETRAPLEGIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ESTADO E
DA CONCESSIONÁRIA. ACÓRDÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. JULGADO CITRA E ULTRA PETITA.
INOCORRÊNCIA. NEXO CAUSAL E CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS E
PROBATÓRIAS. VALOR DO DANO MORAL. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. JUROS
MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. SÚMULAS 54/STJ E 362/STJ.

22
DENUNCIAÇÃO DA LIDE. PODER PÚBLICO. DESNECESSIDADE. CELERIDADE PROCESSUAL.
RECURSO DESPROVIDO.
6. A obrigatoriedade da denunciação da lide deve ser mitigada em ações indenizatórias propostas
em face do poder público pela matriz da responsabilidade objetiva (art. 37, § 6º - CF). O incidente
quase sempre milita na contramão da celeridade processual, em detrimento do agente vitimado.
Isso, todavia, não inibe eventuais ações posteriores fundadas em direito de regresso, a tempo e
modo. (REsp 1501216/SC)
 Lista de Questões
(FGV/OAB/VIII/2012) Sílvio, servidor público, durante uma diligência com carro oficial do Estado X para
o qual trabalha, se envolve em acidente de trânsito, por sua culpa, atingindo o carro de João.
Considerando a situação acima e a evolução do entendimento sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
a) João deverá demandar Sílvio ou o Estado X, à sua escolha, porém, caso opte por demandar Sílvio,
terá que comprovar a sua culpa, ao passo que o Estado responde independentemente dela.
b) João poderá demandar Sílvio ou o Estado X, à sua escolha, porém, caso opte por demandar Sílvio,
presumir-se-á sua culpa, ao passo que o Estado responde independentemente dela.
c) João poderá demandar apenas o Estado X, já que Sílvio estava em serviço quando da colisão e, por
isso, a responsabilidade objetiva é do Estado, que terá direito de regresso contra Sílvio, em caso de
culpa.
d) João terá que demandar Sílvio e o Estado X, já que este último só responde caso comprovada a culpa
de Sílvio, que, no entanto, será presumida por ser ele servidor do Estado (responsabilidade objetiva).
LETRA C
(FGV/OAB/IV/2011) Antônio, vítima em acidente automobilístico, foi atendido em hospital da rede
pública do Município de Mar Azul e, por imperícia do médico que o assistiu, teve amputado um terço de
sua perna direita.
Nessa situação hipotética, respondem pelo dano causado a Antônio
a) o Município de Mar Azul e o médico, solidária e objetivamente.
b) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, regressivamente, em caso de dolo ou culpa.
c) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, subsidiariamente.
d) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, solidária e subjetivamente.
LETRA B
(FGV/OAB/III/2010) Um policial militar, de nome Norberto, no dia de folga, quando estava na frente da
sua casa, de bermuda e sem camisa, discute com um transeunte e acaba desferindo tiros de uma arma
antiga, que seu avô lhe dera.
Com base no relatado acima, é correto afirmar que o Estado
a) será responsabilizado, pois Norberto é agente público pertencente a seus quadros.
b) será responsabilizado, com base na teoria do risco integral.
c) somente será responsabilizado de forma subsidiária, ou seja, caso Norberto não tenha condições
financeiras.
d) não será responsabilizado, pois Norberto, apesar de ser agente público, não atuou nessa qualidade;
sua conduta não pode, pois, ser imputada ao Ente Público.
LETRA D
(FGV/OAB/III/2010) A fim de pegar um atalho em seu caminho para o trabalho, Maria atravessa uma
área em obras, que está interditada pela empresa contratada pelo Município para a reforma de um
viaduto. Entretanto, por desatenção de um dos funcionários que trabalhava no local naquele momento,
um bloco de concreto se desprendeu da estrutura principal e atingiu o pé de Maria. Nesse caso,
a) a empresa contratada e o Município respondem solidariamente, com base na teoria do risco integral.
b) a ação de Maria, ao burlar a interdição da área, exclui o nexo de causalidade entre a obra e o dano,
afastando a responsabilidade da empresa e do Município.

23
c) a empresa contratada e o Município respondem de forma atenuada pelos danos causados, tendo em
vista a culpa concorrente da vítima.
d) a empresa contratada responde de forma objetiva, mas a responsabilidade do Município demanda
comprovação de culpa na ausência de fiscalização da obra.
LETRA C
(FGV/OAB/XX/2016) Caio, policial militar do Estado X, abalroou, com sua viatura, um veículo particular
estacionado em local permitido, durante uma perseguição. Júlio, proprietário do veículo atingido,
ingressou com demanda indenizatória em face do Estado. A sentença de procedência reconheceu a
responsabilidade civil objetiva do Estado, independentemente de se perquirir a culpa do agente. Nesse
caso,
a) não pode o Estado ingressar com ação de regresso em face do policial militar, eis que atuava, no
momento do acidente, na condição de agente público.
b) pode o Estado ingressar com ação de regresso em face do policial militar, devendo o ente público
demonstrar a existência de dolo do agente.
c) pode o Estado ingressar com ação de regresso em face do policial militar, devendo o ente público
demonstrar a existência de culpa ou dolo do agente.
d) não pode o Estado ingressar com ação de regresso em face do agente público, uma vez que o Estado
não foi condenado com base na culpa ou dolo do agente.
LETRA C
(FGV/OAB/XIX/2016) Um paciente de um hospital psiquiátrico estadual conseguiu fugir da instituição em
que estava internado, ao aproveitar um momento em que os servidores de plantão largaram seus postos
para acompanhar um jogo de futebol na televisão. Na fuga, ao pular de um viaduto próximo ao hospital,
sofreu uma queda e, em razão dos ferimentos, veio a falecer. Nesse caso,
a) o Estado não responde pela morte do paciente, uma vez que não configurado o nexo de causalidade
entre a ação ou omissão estatal e o dano.
b) o Estado responde de forma subjetiva, uma vez que não configurado o nexo de causalidade entre a
ação ou omissão estatal e o dano.
c) o Estado não responde pela morte do paciente, mas, caso comprovada a negligência dos servidores,
estes respondem de forma subjetiva.
d) o Estado responde pela morte do paciente, garantido o direito de regresso contra os servidores no
caso de dolo ou culpa.
LETRA D
(FGV/OAB/XXI/2016) José, acusado por estupro de menores, foi condenado e preso em decorrência da
execução de sentença penal transitada em julgado. Logo após seu recolhimento ao estabelecimento
prisional, porém, foi assassinado por um colega de cela. Acerca da responsabilidade civil do Estado pelo
fato ocorrido no estabelecimento prisional, assinale a afirmativa correta.
a) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado, porque está
presente o fato exclusivo de terceiro, que rompe o nexo de causalidade, independentemente da
possibilidade de o Estado atuar para evitar o dano.
b) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado, porque não
existe a causalidade necessária entre a conduta de agentes do Estado e o dano ocorrido no
estabelecimento estatal.
c) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado, porque o
ordenamento jurídico brasileiro adota, na matéria, a teoria do risco integral.
d) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado, porque o poder
público tem o dever jurídico de proteger as pessoas submetidas à custódia de seus agentes e
estabelecimentos.
LETRA D
(FGV/OAB/I/2010) Manoel estava no interior de um ônibus da concessionária de serviço público
municipal, empresa não integrante da administração pública, quando o veículo derrapou em uma curva

24
e capotou. Em razão desse acidente, Manoel sofreu dano material e moral. Nessa situação hipotética, a
responsabilidade será
a) objetiva e da concessionária, com prazo de prescrição de cinco anos, conforme previsto em lei
especial.
b) subjetiva e da concessionária, com prazo de prescrição de cinco anos, conforme previsto no Código
Civil.
c) objetiva e do município, com prazo prescricional de três anos, conforme previsto em lei especial.
d) subjetiva e do município, com prazo prescricional de três anos, conforme previsto no Código Civil.
LETRA B
(FGV/OAB/VI/2011) Ambulância do Corpo de Bombeiros envolveu-se em acidente de trânsito com
automóvel dirigido por particular, que trafegava na mão contrária de direção. No acidente, o motorista
do automóvel sofreu grave lesão, comprometendo a mobilidade de um dos membros superiores. Nesse
caso, é correto afirmar que
a) existe responsabilidade objetiva do Estado em decorrência da prática de ato ilícito, pois há nexo causal
entre o dano sofrido pelo particular e a conduta do agente público.
b) não haverá o dever de indenizar se ficar configurada a culpa exclusiva da vítima, que dirigia na
contramão, excluindo a responsabilidade do Estado.
c) não se cogita de responsabilidade objetiva do Estado porque não houve a chamada culpa ou falha do
serviço. E, de todo modo, a indenização do particular, se cabível, ficaria restrita aos danos materiais,
pois o Estado não responde por danos morais.
d) está plenamente caracterizada a responsabilidade civil do Estado, que se fundamenta na teoria do
risco integral.
LETRA B

7 - Direito do Trabalho

Priscila Ferreira atua como Advogada Trabalhista e Consultora Jurídica Trabalhista na


Advocacia Ubirajara Silveira, Professora, Autora e Palestrante. Especialista em
Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)
e Direito e Processo do Trabalho pela Faculdade INESP. Mestranda em Direito do
Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Sua
experiência profissional inclui a Docência em graduação, pós-graduação, cursos
preparatórios para concursos públicos e exames de ordem.
Atualmente, é Professora de Graduação na Faculdade FADISP, bem como em cursos
preparatórios em Direito e Processo do Trabalho e Legislação Extravagante.
--

Relação de trabalho e de emprego


 relação de trabalho: gênero
 relação de emprego: espécie
 TRABALHADOR AUTÔNOMO – Artigo 442-B e seguintes da CLT.
Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais,
de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta
Consolidação.
§ 1º É vedada a celebração de cláusula de exclusividade no contrato previsto
no caput.
§ 2º Não caracteriza a qualidade de empregado prevista no art. 3º o fato de o autônomo
prestar serviços a apenas um tomador de serviços.
§ 3º O autônomo poderá prestar serviços de qualquer natureza a outros tomadores de
serviços que exerçam ou não a mesma atividade econômica, sob qualquer modalidade de
contrato de trabalho, inclusive como autônomo.

25
§ 4º Fica garantida ao autônomo a possibilidade de recusa de realizar atividade demandada
pelo contratante, garantida a aplicação de cláusula de penalidade prevista em
contrato.
§ 5º Motoristas, representantes comerciais, corretores de imóveis, parceiros, e
trabalhadores de outras categorias profissionais reguladas por leis específicas relacionadas
a atividades compatíveis com o contrato autônomo, desde que cumpridos os requisitos do caput,
não possuirão a qualidade de empregado prevista o art. 3º.
§ 6º Presente a subordinação jurídica, será reconhecido o vínculo
empregatício.
§ 7º O disposto no caput se aplica ao autônomo, ainda que exerça atividade relacionada ao
negócio da empresa contratante.
 TRABALHO “HIPERSUFICIENTE”
Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes
interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos
contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes.
Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às
hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e
preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de
diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o
limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
 TELETRABALHO (artigos 75-A a 75-E da CLT)
*Art. 75-B da CLT:
“Considera-se teletrabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das
dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de
comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo.”.
A responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos
tecnológicos e de infraestrutura necessários para a adequada prestação do trabalho remoto, assim
como o reembolso de despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito;
O empregado deve ser instruído de maneira expressa e ostensiva, acerca das precauções que
deverá realizar para fins de evitar doenças e acidentes de trabalho.
 PODER DE ORGANIZAÇÃO DO EMPREGADOR
*USO DO UNIFORME
Art. 456-A. Cabe ao empregador definir o padrão de vestimenta no meio ambiente
laboral, sendo lícita a inclusão no uniforme de logomarcas da própria empresa ou de
empresas parceiras e de outros itens de identificação relacionados à atividade desempenhada.
Parágrafo único. A higienização do uniforme é de responsabilidade do trabalhador, salvo
nas hipóteses em que forem necessários procedimentos ou produtos diferentes dos
utilizados para a higienização das vestimentas de uso comum.

Grupo Econômico
Grupo econômico por subordinação.

Grupo econômico por coordenação;

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*Artigo 2º, § 3o da CLT:
“Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a
configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de
interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes.”
 Sucessão de Empresas (Artigo 10, 10-A, 448 e 448-A da CLT)

Art. 10, CLT- Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos
adquiridos por seus empregados.
Art. 448, CLT - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os
contratos de trabalho dos respectivos empregados.
 responsabilidade na sucessão
*Artigo 448-A da CLT:
“Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista nos arts. 10 e 448 desta
Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os
empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do
sucessor.”
 SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA.
 O Sócio retirante irá responder de forma subsidiária pelas obrigações decorrentes do contrato de
trabalho, quanto ao período que figurou como sócio.
 Nesse sentido, a sua responsabilidade subsidiária deverá observar a seguinte ordem de
preferência:
1. Empresa devedora;
2. Sócios Atuais;
3. Sócios Retirantes.

Contrato de trabalho
*Artigos 442 a 456-A da CLT.
“Art. 442 - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à
relação de emprego.
(...)
Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente,
verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação
de trabalho intermitente.”
 CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE
Artigo 443, § 3o da CLT:
“Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços,
com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação
de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do
tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por
legislação própria.”
 ALTERAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
*Artigo 468 da CLT:

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“Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por
mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente,
prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”.
 ALTERAÇÃO – LÍCITA - REVERSÃO:
Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições
por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente,
prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.
(...)
§ 2o A alteração de que trata o § 1o deste artigo, com ou sem justo motivo, não assegura
ao empregado o direito à manutenção do pagamento da gratificação correspondente,
que não será incorporada, independentemente do tempo de exercício da respectiva função.

Férias

 férias X faltas injustificadas

Dano extrapatrimonial

Jornada
 TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADO
DESLOCAMENTO ENTRE A PORTARIA E A EFETIVA OCUPAÇÃO DO POSTO DE TRABALHO.
*Artigo 58, § 2º da CLT:
“O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do
posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte,
inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não
ser tempo à disposição do empregador.”
 HORAS IN ITINERE.
*Artigo 58, § 2º da CLT:
“O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do
posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte,
inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não
ser tempo à disposição do empregador.”
 CARTÃO DE PONTO (Variação acima de 10 minutos diários).
Art. 4º, § 2º da CLT:
“(...)

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Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período
extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco
minutos previsto no § 1o do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha
própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más
condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para
exercer atividades particulares.
(...)”
 Atividades Particulares:
“I - práticas religiosas;
II - descanso;
III - lazer;
IV - estudo;
V - alimentação;
VI - atividades de relacionamento social;
VII - higiene pessoal;
VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na
empresa.”
 JORNADA 12X36.
Art. 59-A. “Em exceção ao disposto no art. 59 e em leis específicas, é facultado às partes, por
meio de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer horário de trabalho
de doze horas seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de descanso, observados ou
indenizados os intervalos para repouso e alimentação.”
 Artigo 59-A §1º da CLT:
“A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput abrange os pagamentos
devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados e serão
considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando
houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73.”.
 intervalo intrajornada

 jornada X intervalo

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Remuneração

 EQUIPARAÇÃO SALARIAL
 PARADIGMA X PARAGONADO
Art. 461. Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo
empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem
distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.
(...)
§ 2o Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado
em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de
negociação coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação
ou registro em órgão público.
§ 3o No caso do § 2o deste artigo, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por
antiguidade, ou por apenas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional.
§ 4º - O trabalhador readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou
mental atestada pelo órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma
para fins de equiparação salarial.

§ 5o A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no


cargo ou na função, ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, ainda que o
paradigma contemporâneo tenha obtido a vantagem em ação judicial própria.
§ 6o No caso de comprovada discriminação por motivo de sexo ou etnia, o juízo
determinará, além do pagamento das diferenças salariais devidas, multa, em favor do
empregado discriminado, no valor de 50% (cinquenta por cento) do limite máximo dos
benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
 A equiparação salarial na Administração Pública, em regra, revela-se totalmente vedada, conforme
artigo 37, XIII, CF.
 GESTANTE
Labor em ambiente Insalubre - Artigo 394-A da CLT:

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Distrato – resilição bilateral
 Verbas:
✓ Metade do aviso prévio, se indenizado;
✓ Metade da multa sobre os depósitos do FGTS;
✓ Saldo de Salário;
✓ Décimo Terceiro Salário proporcional;
✓ Férias + 1/3 vencidas, se houver;
✓ Férias + 1/3 proporcional;
✓ Movimentação de 80% da conta do FGTS;
✓ Não terá direito ao seguro desemprego.
 QUITAÇÃO ANUAL DAS VERBAS TRABALHISTAS – Artigo 507-B da CLT:
Art. 507-B. É facultado a empregados e empregadores, na vigência ou não do contrato de emprego,
firmar o termo de quitação anual de obrigações trabalhistas, perante o sindicato dos
empregados da categoria.
Parágrafo único. O termo discriminará as obrigações de dar e fazer cumpridas mensalmente e
dele constará a quitação anual dada pelo empregado, com eficácia liberatória das parcelas nele
especificadas.
 NEGOCIAÇÃO COLETIVA
Art. 620 da CLT - As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão
sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho.
Art. 614, §3º da CLT - Não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo
coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade.

8 - Direito Empresarial

Atualmente é Juiz Federal Substituto (TRF 1). Foi Juiz Federal Substituto do TRF 5.
Foi advogado privado e advogado público. Foi assessor de Desembargador Federal
e de Ministro (STJ). Atuou no CARF/Ministério da Fazenda como Conselheiro (antigo
Conselho de Contribuintes). Formação em Direito e Economia, com especialização
em Direito Público e Direito Tributário.

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Empresa ou Comércio?
A noção de empresa, entendida como atividade econômica organizada para produção ou
circulação de bens ou serviços é termo muito mais adequado para identificar, na atualidade, o objeto do
nosso Direito Empresarial.
Formas de exercício de empresa no nosso Código Civil:
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL: pessoa natural que exerce empresa profissionalmente, respondendo direta e
ilimitadamente pelas obrigações empresariais.
SOCIEDADE EMPRESÁRIA: pessoa jurídica, constituída sob a forma de sociedade, cujo objeto social é o
exercício de empresa.
EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada): nova pessoa jurídica criada pela Lei nº
12.441/2011, cujo único titular é uma pessoa natural.
Observação: quanto à responsabilidade do empresário individual, ver o Enunciado nº 5 da I Jornada de
Direito Comercial do CJF:
“Quanto às obrigações decorrentes de sua atividade, o empresário individual tipificado no art. 966 do
Código Civil responderá primeiramente com os bens vinculados à exploração de sua atividade econômica,
nos termos do art. 1.024 do Código Civil”. (crítica)

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Cuidado: art. 966, parágrafo único, do CC. – Profissionais intelectuais
“Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária
ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão
constituir elemento de empresa”.
É preciso lembrar que empresa é uma atividade econômica organizada, isto é, atividade em que há
articulação dos fatores de produção, e no exercício de profissão intelectual essa organização dos fatores
de produção assume importância secundária, às vezes irrelevante. No exercício de profissão intelectual,
o essencial é a atividade pessoal do agente econômico, o que não acontece com o empresário.
Direito Falimentar
Jurisprudência em tese – Superior Tribunal de Justiça
1) A recuperação judicial é norteada pelos princípios da preservação da empresa, da função
social e do estímulo à atividade econômica, a teor do art. 47 da Lei n. 11.101/2005.
2) Para fins do art. 3º da Lei n. 11.101/2005, -principal estabelecimento- é o local do centro
das atividades da empresa, não se confundindo com o endereço da sede constante do estatuto
social.
3) O juízo da recuperação judicial não é competente para decidir sobre a constrição de bens
não abrangidos pelo plano de recuperação da empresa. (Súmula 480/STJ)
4) Os bens dos sócios das sociedades recuperandas não estão sob a tutela do juízo da
recuperação judicial, salvo se houver decisão expressa em sentido contrário.
5) A assistência judiciária gratuita pode ser deferida à pessoa jurídica em regime de
recuperação judicial ou de falência, se comprovada, de forma inequívoca, a situação de
precariedade financeira que impossibilite o pagamento dos encargos processuais.
6) É inexigível certidão de regularidade fiscal para o deferimento da recuperação judicial,
enquanto não editada legislação específica que discipline o parcelamento tributário no âmbito
do referido regime.
7) Estão sujeitos à recuperação judicial os créditos existentes na data do pedido, não se
submetendo aos seus efeitos os créditos posteriores ao pleito recuperacional.
8) Os créditos resultantes de honorários advocatícios têm natureza alimentar e equiparam-se
aos trabalhistas para efeito de habilitação em falência e recuperação judicial.
Efeitos da falência
Efeitos da falência quanto à pessoa do devedor
1º) Dissolução da sociedade. Haverá o encerramento da atividade empresarial e a consequente
liquidação do patrimônio social para o posterior pagamento dos credores.
2º) Os membros que compõem a sociedade empresária falida também serão atingidos. No caso de
sociedade em que a responsabilidade dos sócios é ilimitada, os efeitos são os mesmos daqueles em
relação à sociedade falida (art. 81). Em se tratado de sociedade em que os sócios respondem de forma
limitada, eles em princípio não se submetem aos efeitos da falência. No entanto, caberá ao juízo da
falência apurar eventual responsabilidade.
Efeitos da falência quanto aos bens do devedor
Os bens atingidos pela instauração da execução concursal, em princípio, são os bens da sociedade, e
não os dos sócios que a integram. Mas ainda que se trate de sociedade limitada, os sócios podem
excepcionalmente ter seu patrimônio pessoal atingido (art. 82 da Lei).
É efeito específico da falência a arrecadação de todos os bens do devedor, com exceção dos
absolutamente impenhoráveis (art. 108, § 4º).
A arrecadação dos bens será formalizada através da lavratura do auto de arrecadação (art. 110), o qual
será composto do inventário e do laudo de avaliação dos bens.
Efeitos da falência quanto às obrigações do falido
Art. 116. A decretação da falência suspende:
I – o exercício do direito de retenção sobre os bens sujeitos à arrecadação, os quais deverão ser
entregues ao administrador judicial;

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II – o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte
dos sócios da sociedade falida.
Art. 77. A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos
sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos juros, e converte
todos os créditos em moeda estrangeira para a moeda do País, pelo câmbio do dia da decisão judicial,
para todos os efeitos desta Lei.
Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência,
previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores
subordinados.
Parágrafo único. Excetuam-se desta disposição os juros das debêntures e dos créditos com garantia real,
mas por eles responde, exclusivamente, o produto dos bens que constituem a garantia.
Efeitos da falência sobre os contratos do falido
Ao contrário do que se possa imaginar, os contratos do devedor falido não se extinguem de pleno
direito em razão da decretação da falência.
Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo
administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for
necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê.
Atenção: Se o administrador judicial resolver não cumprir, resolver-se-á em perdas e danos.
Art. 118. O administrador judicial, mediante autorização do Comitê, poderá dar cumprimento a contrato
unilateral se esse fato reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à
manutenção e preservação de seus ativos, realizando o pagamento da prestação pela qual está obrigada.
Observação: as regras dos arts. 117 e 118 são excepcionadas quando o contrato possuir a chamada
cláusula de resolução por falência.
Efeitos da falência quanto aos credores do falido

A reunião dos credores forma a denominada massa falida subjetiva (corpus creditorum).
EXECUÇÃO UNIVERSAL
Efeitos da falência quanto aos atos do falido
Uma das principais medidas adotadas pelo juízo falimentar, na decretação da falência, é definir o termo
legal da falência, a partir do qual se analisarão os atos tomados pelo devedor durante o período
suspeito. A sentença “fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais de 90 (noventa)
dias contados do pedido de falência, do pedido de recuperação judicial ou do 1º (primeiro) protesto por
falta de pagamento, excluindo-se, para esta finalidade, os protestos que tenham sido cancelados” (art.
99, II).
- Ineficácia
Os atos referidos pela Lei de Falências como ineficazes diante da massa falida produzem, amplamente,
todos os efeitos em relação aos demais sujeitos de direito.
A consequência que a Lei atribui, tanto para os atos do art. 129 (atos objetivamente ineficazes)
como para os atos do art. 130 (atos subjetivamente ineficazes) é a ineficácia perante a massa,
ou seja, trata-se de atos válidos, mas que não produzem efeitos jurídicos perante a massa.
Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado
de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores:
I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do termo legal, por
qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título;
II – o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por qualquer
forma que não seja a prevista pelo contrato;
III – a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal,
tratando-se de dívida contraída anteriormente; se os bens dados em hipoteca forem objeto de
outras posteriores, a massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da hipoteca revogada;
IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação da falência;

33
V – a renúncia à herança ou a legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência;
VI – a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o
pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens
suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias, não houver oposição dos
credores, após serem devidamente notificados, judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e
documentos;
VII – os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos, por título
oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência,
salvo se tiver havido prenotação anterior.
Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou
pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo.
Art. 130. São revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se
o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo
sofrido pela massa falida.
Procedimento de verificação e habilitação dos créditos
A Lei nº 11.101/2005, ao contrário do diploma anterior, previu a “desjudicialização” da habilitação (não
precisa de petição nos autos nem de advogado), nos seguintes termos:
Art. 7o. A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros
contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados
pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas.
Art. 8o. No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no art. 7o, § 2o,
desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem
apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores, apontando a ausência de qualquer
crédito ou manifestando-se contra a legitimidade, importância ou classificação de crédito relacionado.
Atenção: enquanto a habilitação se faz perante o administrador judicial, a impugnação se faz perante
o juiz, por meio de petição autuada em separado.
Observação:
A perda do prazo para a habilitação do crédito não significa que o credor perdeu o direito de
receber seu crédito no processo falimentar. O art. 10 determina que as habilitações nesse caso sejam
recebidas como retardatárias, sofrendo os credores algumas restrições de direitos (parágrafos do art.
10).
Após todos os incidentes acima descritos, caberá ao administrador judicial consolidar, definitivamente,
o quadro-geral de credores, que será então homologado pelo juiz (art. 18).
O referido quadro poderá ser alterado até o encerramento do processo falimentar.
A realização do ativo do devedor
Art. 139. Logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do respectivo auto ao processo de falência,
será iniciada a realização do ativo.
Art. 140. (...)
§ 2o A realização do ativo terá início independentemente da formação do quadro-geral de credores.
Os procedimentos de venda dos bens
O legislador estabeleceu uma interessante ordem de preferência, sempre em atenção ao princípio
da preservação da empresa.
Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas, observada a seguinte
ordem de preferência:
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco;
II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.
Pagamento dos credores

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A ordem de preferência de cada crédito vem prevista no art. 83 da Lei nº 11.101/2005.
Atenção: o pagamento desses credores somente ocorrerá após procedidas as devidas restituições
e de pagos os créditos extraconcursais.
Ademais, antes mesmo das restituições e do pagamento dos créditos extraconcursais deverão
ser pagas as importâncias descritas nos arts. 150 e 151 da Lei.
Art. 150. As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à administração da
falência, inclusive na hipótese de continuação provisória das atividades previstas no inciso XI do caput
do art. 99 desta Lei, serão pagas pelo administrador judicial com os recursos disponíveis em caixa.
Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses
anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador,
serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa.

9 - Direito Processual Penal

Professora Universitária e Advogada atuante na área penal empresarial. Mestre em


Direito Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica - PUC/SP. Pós-
Graduada lato sensu pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em Direito Penal e
Processual Penal e graduação em Direito pela Universidade Paulista.

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Competência
 Súmula 546 STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada
em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a
qualificação do órgão expedidor.
 Súmula 522 STF: Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência será da
Justiça Federal, compete à justiça dos estados o processo e julgamento dos crimes relativos a
entorpecentes.
 Súmula 38 STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, o processo por CONTRAVENÇÃO PENAL,
ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades.
 Súmula 6 - STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar delito decorrente de
acidente de trânsito envolvendo viatura de Polícia Militar, salvo se autor e vítima forem policiais militares
em situação de atividade.
 Súmula 172 STJ: Compete à justiça comum processar e julgar militar por crime de abuso de
autoridade, ainda que praticado em serviço.
Obs: O crime de abuso de autoridade não possui correspondente no Código Penal Militar. Assim, não
compete à Justiça Militar julgá-lo.
 Súmula 90 do STJ: Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial militar e à Comum
pela prática do crime comum simultâneo àquele.
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO
Finalizado o mandato:
REGRA: Cessará também o foro privilegiado
EXCEÇÃO: Se o julgamento já está em andamento, o Tribunal continua competente.
SUPER EXCEÇÃO: Se, finalizada a instrução processual, mesmo sem iniciado o julgamento, o acusado
RENUNCIAR ao cargo para escapar do julgamento pelo Tribunal Superior, este Tribunal continuará
competente.
ATENÇÃO!!!
Súmula vinculante 45 STF  A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o
foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.

35
LIMITAÇÕES AO USO DA PROVA
O direito à prova no processo penal, NÃO é irrestrito.
Dentre os limites na produção da prova temos:
a) Referentes ao Sigilo profissional, e às relações conjugais;
b) Provas Ilícitas
Teoria dos frutos da árvore envenenada  não somente a prova ilícita, mas também a derivada da
ilícita, NÃO poderão ser aceitas pelo julgador na formação de seu convencimento (art. 157 do CPP).
Salvo quando for demonstrado que as provas derivadas das ilícitas poderiam ter sido obtidas por uma
fonte independente (§1º).
Prisão, medidas cautelares e liberdade provisória
PRISÃO

Prisão em
Flagrante
Art. 5º, LXI da
CF

Prisão com
Ordem Judicial

Flagrante

Prisão
Preventiva
Processual

Temporária

USO DE ALGEMAS
(Súmula vinculante 11)
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à
integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade
por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade
e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil
do Estado.
É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os atos médico-hospitalares
preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como em mulheres
durante o período de puerpério imediato. (Art. 292, parágrafo único do CPP, acrescentado pela Lei
13.434/2017)

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Flagrantes Ilegais

Preparado Forjado

FLAGRANTE NOS CRIMES


a) Juizado Especial Criminal (Lei 9.099/95, art. 69): Nos crimes de menor potencial ofensivo, se o
autor do fato, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o
compromisso de comparecer, não haverá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança.
b) Crime de Usuário (art. 28 Lei 11.343/2006): Não cabe a decretação de sua prisão em flagrante
(art. 48, § 2° da Lei 11.343/06), comprometendo-se o infrator, OU NÃO, a comparecer ao Juizado.
c) Crime de Trânsito (art. 301 da Lei 9.503/97): nos casos de acidente de trânsito, não haverá
prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se o condutor do veículo prestar pronto e integral atendimento
à vítima.
Formalidades do auto de prisão em flagrante
(Arts. 304 a 310 CPP)

PRISÃO PREVENTIVA
(Arts. 311 a 318 do CPP)
Não pode ser decretada de ofício pelo juiz durante o inquérito policial. (art. 311 do CPP)
Requisitos da Prisão Preventiva
(Arts. 312 e 313 CPP)

 A Prisão Preventiva somente poderá ser decretada (Art. 313):


❖ nos crimes dolosos com pena privativa máxima superior a 4 anos.
❖ quando o acusado tiver sido condenado por outro crime doloso, ou seja, quando houver reincidência
em crime doloso.
❖ nos crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente,
idoso, enfermo ou pessoa com deficiência.
PRISÃO DOMICILIAR (art. 317 e 318 CPP)
Poderá ser decretada nos seguintes casos:

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I) preso maior de 80 anos.
II) Extremamente debilitado por motivo de doença grave.
III) quando o preso é imprescindível para menor de 6 anos ou com deficiência
IV) Gestante
V) Mulher com filho de até 12 anos incompletos
VI) homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 anos incompletos.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste
artigo.
PRISÃO TEMPORÁRIA
(Lei nº 7.960/89)
PRAZO
O prazo máximo será de 05 (cinco) dias, prorrogáveis por igual período.
Nos termos do art. 2º, § 4º da Lei nº 8.072/90, o prazo máximo da prisão temporária será de 30
(trinta) dias, prorrogáveis por igual período.
MEDIDAS CAUTELARES
Se houver o descumprimento da medida cautelar imposta, poderá o juiz, de ofício ou mediante
requerimento, substituir a medida, impor outra cumulativamente, ou, em último caso, decretar a prisão
preventiva.
LIBERDADE PROVISÓRIA

Procedimento Ordinário
(Pena máxima ≥ 4 anos)

Procedimento Sumário
Pena máxima > 2 anos e < 4 anos

38
Procedimento Tribunal do Júri –
1ª fase
(Crimes dolosos contra a vida)

Procedimento Sumaríssimo
(Pena máxima ≤ 2 anos e Contravenções penais)

39
SENTENÇA
EMENDATIO LIBELLI (Art. 383 do CPP)
É a faculdade concedida ao juiz de dar aos fatos descritos na denúncia ou queixa a classificação que
melhor entender sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa.
Ocorrerá uma emenda na acusação, que consiste em alterar a classificação legal do fato.
MUTATIO LIBELLI (ART. 384 CPP)
Trata-se de uma mudança na descrição fática. Isto porque novas circunstâncias ou elementares do
fato são descobertas após o recebimento da denúncia, durante a instrução probatória, exigindo uma
mudança na definição jurídica do fato criminoso.
RECURSOS

40
10 - Direito Processual do Trabalho

Priscila Ferreira atua como Advogada Trabalhista e Consultora Jurídica Trabalhista


na Advocacia Ubirajara Silveira, Professora, Autora e Palestrante. Especialista em
Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)
e Direito e Processo do Trabalho pela Faculdade INESP. Mestranda em Direito do
Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Sua
experiência profissional inclui a Docência em graduação, pós-graduação, cursos
preparatórios para concursos públicos e exames de ordem.
Atualmente, é Professora de Graduação na Faculdade FADISP, bem como em cursos
preparatórios em Direito e Processo do Trabalho e Legislação Extravagante.
--

Organização da Justiça do Trabalho

Síntese do Rito

Reclamação Trabalhista
 verbal ou escrita (art. 840, CLT)
 PEREMPÇÃO – Art. 731 e 732 da CLT
 ritos:

 testemunhas por rito

 AUDIÊNCIA - Artigo 844 da CLT:

41
“O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o
não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de
fato.
§ 1o Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova
audiência.

§ 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas


calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se
comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente
justificável.
§ 3o O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova
demanda.”
 comparecimento à audiência

 BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA.


Art. 790. Nas Varas do Trabalho, nos Juízos de Direito, nos Tribunais e no Tribunal Superior do Trabalho,
a forma de pagamento das custas e emolumentos obedecerá às instruções que serão expedidas pelo
Tribunal Superior do Trabalho.
(...)
§ 3o É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer
instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a
traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por
cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
§ 4o O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de
recursos para o pagamento das custas do processo.
 HONORÁRIOS PERICIAIS E ADVOCATÍCIOS.
 Honorários Periciais - Artigo 790-B da CLT:
Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente
na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita.
(...)
§ 4o Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo
créditos capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União
responderá pelo encargo.
 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - Art. 791-A da CLT
 Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados
entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor
que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa.
 Ademais, o magistrado, ainda, para fins de fixação do percentual dos honorários
advocatícios sucumbenciais, observará as regras de avaliação profissional contidas no artigo
791-A, § 2o da CLT, quais sejam:
I - o grau de zelo do profissional;

42
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
*Artigo 791-A § 3o da CLT:
“Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência
recíproca, vedada a compensação entre os honorários.”
*Artigo 791-A § 4o da CLT:
“Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em
outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua
sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas
se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão
de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.”
 Representação na Audiência
*Artigo 843, § 2º da CLT:
“Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for
possível ao EMPREGADO comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por
outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato.”
*Artigo 843, § 1º da CLT:
“É facultado ao EMPREGADOR fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro
preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o
proponente.”
 JUS POSTULANDI - Súmula n. 425 do TST:
“O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do
Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a
ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal
Superior do Trabalho.”
 ACORDO JUDICIAL X ACORDO EXTRAJUDICIAL
Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição
conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado.
§ 1o As partes não poderão ser representadas por advogado comum.
§ 2o Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua
categoria.
Art. 855-C. O disposto neste Capítulo não prejudica o prazo estabelecido no § 6 o do art.
477 desta Consolidação e não afasta a aplicação da multa prevista no § 8 o art. 477 desta
Consolidação.

 DEFESA.

43
Há quadro modalidades de defesa em que a reclamada (empresa) poderá apresentar frente à existência
de uma ação proposta pelo empregado, quais sejam:
✓ Contestação;
✓ Exceção de Incompetência Territorial;
✓ Exceção de Impedimento ou Suspeição;
✓ Reconvenção.
 DEFESA – EXCEÇÕES RITUAIS
 INCOMPETÊNCIA RELATIVA – ART. 799 e 800 da CLT.

Recursos

 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS.


Art. 775 da CLT. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com
exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento.
§ 1o Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas seguintes
hipóteses:
I. quando o juízo entender necessário;
II. em virtude de força maior, devidamente comprovada.
§ 2o Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de
prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela
do direito.

44
 PRESSUPOSTOS RECURSAIS:
 PREPARO = CUSTAS + DEPÓSITO RECURSAL.
 O valor mínimo a ser recolhido a título de custas processuais é de R$10,64, já o valor máximo é de
até quatro vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (artigo 789 da
CLT).
 RECOLHIMENTO INSUFICIENTE – CUSTAS.
*OJ nº 140 da SDI-I/TST:
“Em caso de recolhimento insuficiente das custas processuais ou do depósito recursal, somente
haverá deserção do recurso se, concedido o prazo de 5 (cinco) dias previsto no § 2º do art.
1.007 do CPC de 2015, o recorrente não complementar e comprovar o valor devido.”
 DEPÓSITO RECURSAL - Artigo 899, parágrafo quarto da CLT:
“Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito meramente devolutivo, salvo as
exceções previstas neste Título, permitida a execução provisória até a penhora.
(...)
§ 4o O depósito recursal será feito em conta vinculada ao juízo e corrigido com os
mesmos índices da poupança.”
 O depósito recursal poderá ser substituído por fiança bancária ou seguro garantia judicial.
 Ficam dispensados da realização do depósito recursal:
✓ Entes de direito público externo;
✓ Administração Pública direta, autárquica e fundacional que não explorem atividade econômica;
✓ Ministério Público do Trabalho;
✓ Entidades filantrópicas; e
✓ Empresas em recuperação judicial - artigo 899, § 10 da CLT.
 O valor do depósito recursal será reduzido pela metade para entidades sem fins lucrativos,
empregadores domésticos, microempreendedores individuais, microempresas e empresas de
pequeno porte.

45
 PROTESTO
Art. 883-A da CLT - A decisão judicial transitada em julgado somente poderá ser levada
a protesto, gerar inscrição do nome do executado em órgãos de proteção ao crédito ou no Banco
Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo
de quarenta e cinco dias a contar da citação do executado, se não houver garantia do
juízo.
 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
Art. 11-A, CLT. Ocorre a prescrição intercorrente no processo do trabalho no prazo de dois
anos.
§ 1o A fluência do prazo prescricional intercorrente inicia-se quando o exequente deixa de
cumprir determinação judicial no curso da execução
§ 2o A declaração da prescrição intercorrente pode ser requerida ou declarada de ofício em
qualquer grau de jurisdição.

11 - Direito Tributário

Mestre em Direito Tributário pela PUC/SP - Pontifícia Universidade de São Paulo.


Especialista em Direito Tributário e Processual Tributário pela EPD - Escola Paulista
de Direito. MBA em Administração Pública pela Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis, Atuariais e Financeiras - FIPECAFI, órgão de apoio institucional da
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São
Paulo - FEA/USP. Ex-fiscal de tributos municipais do Município de São Bernardo do
Campo/SP no período compreendido entre os anos de 2006 e 2014. Ex-
coordenador da 1ª Câmara de Julgamento do Conselho de Tributos e Multas (órgão
de julgamento, em 2ª instância administrativa, de recursos interpostos por
contribuintes e que versam sobre questões tributárias) do Município de São Bernardo do Campo/SP. Ex-
juiz do Conselho de Tributos e Multas do Município de São Bernardo do Campo/SP. Advogado e consultor
jurídico na área de Direito Tributário. Assessor na Secretaria de Finanças do Município de São Bernardo
do Campo/SP. Professor de Direito Material Tributário, Direito Processual Tributário e de Prática Jurídica
Tributária em alguns cursos de graduação, pós-graduação ("lato sensu") e preparatório para concursos
públicos. Avaliador em bancas de concurso público para a disciplina de Direito Tributário.
--

Princípios de Direito Tributário


1) Princípio da legalidade
Exceção quanto à majoração do II, IE, IPI e IOF (§ 1º do art. 153 da CF) e à atualização da base de
cálculo dos tributos (§ 2º do art. 97 do CTN).
CF/88: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
I - importação de produtos estrangeiros;
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;
IV - produtos industrializados;
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;
§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as
alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V.
2) Princípio da anterioridade de exercício e nonagesimal (REGRA)
➢ Exceções ao princípio da anterioridade de exercício:
✓ Empréstimo compulsório para atender a despesas extraordinárias decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, II, IE, IPI, IOF e imposto
extraordinário de guerra.
➢ Exceções ao princípio da anterioridade nonagesimal:

46
✓ Empréstimo compulsório para atender a despesas extraordinárias decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, II, IE, IR, IOF , imposto
extraordinário de guerra e fixação da base de cálculo do IPVA e do IPTU.
➢ SÚMULA VINCULANTE Nº 50: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade”
3) Princípio da irretroatividade
➢ Exceção: Princípio da retroatividade da lei mais benéfica
CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à
infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.

Imunidade Tributária
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais
dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os
requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas (...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos
serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a
empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo
usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem
imóvel.
§ 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda
e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
Atenção: Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido a
pessoa jurídica de direito privado, devedora do tributo. Esse é o entendimento do Plenário, que,
em conclusão de julgamento e por maioria, deu provimento a recurso extraordinário em que se discutia
a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade de ente público, no caso, a Empresa Brasileira de
Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), concedido a empresa privada exploradora de atividade
econômica com fins lucrativos (...). (RE 601.720, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, j. 19-4-2017,
P, Informativo 861, Tema 437).
SÚMULA VINCULANTE Nº 52: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que
o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas”

47
Imposto sobre Serviços
CF/88: Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
(...)
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei
complementar.
Fato gerador: “prestar serviços de qualquer natureza” definidos em LC, excetuando-se os serviços
de transporte interestadual e intermunicipal e os de comunicação, cuja competência foi dada aos Estados
e ao Distrito Federal.
Atenção: seja serviço com ou sem fornecimento de mercadoria, salvo exceções prevista na lei!
Locações e outras atividades que não são serviços:
3.05 – Cessão de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas de uso temporário.
(...)
Súmula Vinculante 31: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer
Natureza - ISS sobre operações de locação de bens móveis.”
Alíquotas:
LC 116/2003: Art. 8o As alíquotas máximas do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza são as
seguintes:
I– (VETADO)
II – demais serviços, 5% (cinco por cento).
Art. 8o-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é de 2% (dois por
cento). (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

12 - Direitos Humanos

Ricardo Torques é natural de Colombo/PR, formado em Direito pela Universidade


Federal do Paraná (UFPR) em 2009, pós-graduado em processo civil pela Faculdade
Assis Gurgacz (FAG), em 2012. Em 2009 foi aprovado no concurso de Assistente
Técnico Administrativo do Ministério da Fazendo, onde exercer o cargo de chefe
substituto da Agência da Receita de Paranaguá/PR. Foi assessor jurídico de
magistrado no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Foi aprovado em concursos
de técnico e analista judiciário de Tribunais Regionais do Trabalho. Foi coordenador
de materiais do Focus Concursos. Foi professor de Legislação no Focus Concursos
e de Direitos Humanos no C24H.
--
--
Características dos Direitos Humanos
Superioridade normativa
 Normas de direitos humanos que são hierarquicamente superiores no ordenamento internacional
(conceito).
- material (de conteúdo); e
- formal.
 Existência de normas jus cogens supremacia hierárquica (conteúdo).
 Obrigações erga omnes (forma, aplica-se a todos).
Universalismo
 Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem todos os territórios.
 Objeções:
1) Argumento filosófico;

48
2) Falta de adesão estatal;
3) Geopolítica (direitos humanos como instrumento político retórico)
4) Cultura
5) Desenvolvimentista (desigualdades econômicas)
Relativismo Histórico
 As concepções morais variam de acordo com as diversas sociedades.
 Diferenças não residem na pessoa em si (condição humana), mas no contexto social perante o
qual estão inseridos.
 Relatividade
 Universalismo de chegada X Universalismo de partida (Boaventura de Sousa Santos e Joaquim
Flores)
 Mínimo ético irredutível (Flávia Piovesan)
Afirmação histórica dos direitos humanos

Baixa Idade Média


 Marca a reação de setores da sociedade contra a retomada do poder, exigindo o respeito a direitos
de liberdade.
 Documentos Importantes:
• Declaração das Cortes de Leão de 1188; e
• Magna Carta de 1215.
Primeira fase de institucionalização dos direitos humanos
 Marca o surgimento:
▪ do Direito Humanitário (Cruz Vermelha) – vertente dos Direitos Humanos
▪ da luta contra a escravidão (Ato Geral da Conferência de Bruxelas)
▪ da regulação dos direitos trabalhistas (criação da OIT)
 1ª Guerra Mundial
 Liga das Nações
 deflagração da 2ª Guerra Mundial
Evolução a partir de 1945
 Marca a efetiva internacionalização dos Direitos Humanos, com o reconhecimento da dignidade
da pessoa como valor supremo.

49
Dimensões dos Direitos Humanos

Proteção Internacional dos Direitos Humanos


Precedentes
 Direito Humanitário: conjunto de normas e de medidas que objetivam proteger direitos
humanos dos envolvidos em períodos de guerra. (Movimento da Cruz Vermelha)
 Liga das Nações: organismo internacional criado com o intuito de promover a cooperação, a
paz e a segurança internacional ("embrião da ONU")
 OIT: organismo internacional que teve por objetivo instituir e promover normas internacionais
de condições mínimas e digna de trabalho.
Internacionalização
 Os precedentes juntamente com a deflagração da 2ª Guerra Mundial, implicaram mudança de
consciência da sociedade, que se mobilizou para a internacionalização dos direitos humanos.
 A internacionalização dos direitos humanos nada mais é do que a expansão, para além das
fronteiras nacionais, dos direitos fundamentais da pessoa humana, bem como a consagração das
normas “jus cogens”.
Sistemas de Proteção Internacional

50
Proteção dos Direitos Humanos no Brasil

Sistema Global de Direitos Humanos


Princípios e propósitos da ONU
 PROPÓSITOS: indicam aquilo que se pretende realizar com a criação da ONU
 PRINCÍPIOS: diretrizes a serem seguidas pelos Estados-membros e órgãos que integram a ONU
Corte Internacional de Justiça
 Órgão judicial da ONU, composto por 15 membros, que exerce função contenciosa e consultiva.
 contenciosa: atua quando há uma violação de Direitos Humanos;
 consultiva: profere-se um parecer oficial a respeito de determinada matéria;
 competência facultativa: somente poderá atuar quando o Estado reconhecer a competência da
Corte; e
 restringe-se às causas cíveis.
Declaração universal dos direitos humanos
Introdução
 principal documento do Sistema Global de direitos humanos;
 contribui para a universalização dos direitos humanos;
 natureza dos direitos albergados:

51
Direitos Albergados
 direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal;
 proibição à escravidão e à servidão;
 proibição à tortura e ao tratamento cruel, desumano ou degradante;
 reconhecimento da personalidade jurídica (sujeito de direitos);
 direito à igualdade;
 proibição da prisão arbitrária;
 direito a justa e pública audiência perante um tribunal independente e imparcial;
 presunção de inocência;
 proteção à vida privada;
 liberdade de locomoção;
 direito de asilo (não invocável em caso de perseguição legitimamente motivada por crime de direito
comum)
 direito a nacionalidade;
 direito de contrair matrimônio e fundar uma família;
 direito de propriedade;
 direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;
 direito à liberdade de reunião e associação pacífica;
 direito de participação política (fazer parte do governo do país);
 garantia de acesso ao serviço público do país;
 direito segurança social;
 direito ao trabalho;
 direito ao repouso e lazer;
 direito a padrão de vida capaz de assegurar saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário,
habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis;
 direito instrução (educação); e
 direito participar livremente da vida cultural.
Pactos de 1966
PIDCP
 direito à vida (e a vedação à pena de morte)
– Não foi abolida no PIDCP
– Dever de implementar progressivamente
– Admite-se: crimes mais graves e de acordo com a legislação
– NÃO podem: menos de 18, grávidas e mulheres
 2º Protocolo Facultativo, Artigo 2º, 1:
1. NÃO é admitida qualquer reserva ao presente Protocolo, EXCETO a reserva formulada no momento
da ratificação ou adesão prevendo a aplicação da pena de morte em tempo de guerra em virtude de
condenação por infracção penal de natureza militar de gravidade extrema cometida em tempo de guerra.

52
 DERROGAÇÃO TEMPORÁRIA
1ª hipótese: decretação de Estado de emergência; e
2ª hipótese: quando necessário à segurança nacional ou à ordem pública.
 DERROGAÇÃO TEMPORÁRIA  não podem ser suspensos
▪ direito à vida;
▪ vedação à tortura;
▪ vedação à escravidão, servidão ou trabalhos forçados;
▪ vedação à prisão do depositário infiel;
▪ princípio da anterioridade penal, da vedação à aplicação da lex gravior e aplicação da lei
considerada mais benéfica ao condenado;
▪ reconhecimento da personalidade jurídica; e
▪ liberdade de pensamento, de consciência e de religião.
PIDSEC
 direitos de segunda dimensão: direitos sociais, econômicos e culturais
 protocolo facultativo
 Implementado de forma progressiva devido ao seu caráter programático.
 Proibição ao retrocesso.
 Vedação à inação ou omissão estatal.
 direitos trabalhistas
 trabalho digno e livre
 salários equitativos
 segurança e higiene adequados ao trabalho
 períodos de descanso para lazer
 limite à jornada de trabalho
 férias
 liberdade sindical
 greve
Convenções Específicas
Convenção sobre o Direito das Pessoas Com Deficiência
 Internalização
Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Garibaldi Alves Filho, Presidente do Senado Federal,
conforme o disposto no art. 5º, § 3º, da Constituição Federal e nos termos do art. 48, inciso
XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte
DECRETO LEGISLATIVO Nº 186, de 2008
Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo
Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007.

53
 PESSOA COM DEFICIÊNCIA: impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou
sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem obstruir a participação plena e efetiva na
sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
 “status de emenda constitucional”
 A Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência é cláusula pétrea em nosso ordenamento
jurídico.
 Terminologia
 A expressão “portador de deficiência” não é a adequada.
 A expressão correta é “pessoa com deficiência”.
 Fundamentos da declaração
 igualdade material
 não-discriminação
 Princípios Gerais:
• respeito pela dignidade
• não discriminação
• participação e inclusão na sociedade
• respeito pela diferença e aceitação das pessoas com deficiência
• igualdade de oportunidades
• acessibilidade
• igualdade entre o homem e a mulher
• desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência
Sistema Interamericano de direitos humanos
OEA
 Criada pela “Carta da OEA”, assinada em Bogotá em 1948.
 Direitos humanos assegurados
 Direitos humanos de 1ª dimensão: direitos civis e políticos
 Direito humanos de 2ª dimensão: direitos sociais, econômicos e culturais.
a) os direitos fundamentais da pessoa humana, sem fazer distinção de raça, nacionalidade, credo ou
sexo;
b) os direitos da pessoa humana e os princípios da moral universal;
c) os direitos sociais, tais como o direito ao bem-estar material, o direito ao trabalho, o direito à livre
associação, o direito à greve e à negociação coletiva, o direito à previdência social e à assistência jurídica
para fazer valer seus direitos;
d) o direito à educação, considerado fundamento da democracia, da justiça social e do progresso.
 Membros
• A Carta da OAB foi assinada em 1948, por 21 países (entre eles o Brasil)
• Outros 14 membros aderiram ao Sistema Regional conforme art. 6º da Carta.
• Suspensão em caso de deposição de regime democrático por governo ditatorial (ocorreu
com Cuba, de 1962 a 1992).
Convenção Americana de direitos humanos
Internalização e nomenclatura
 reserva às “visitas ‘in loco’”:
Art. 2° Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional, em 25 de setembro de 1992, o Governo
brasileiro fez a seguinte declaração interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os arts. 43 e 48,

54
alínea d, não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco da Comissão Interamericana de
Direitos Humanos, as quais dependerão da anuência expressa do Estado".
Direitos Albergados

 Personalidade Jurídica
 Vida
 Integridade pessoal
 Proibição da escravidão e da servidão
 Liberdade pessoal
 Garantias Judiciais
 Legalidade e retroatividade da lei penal
 Indenização por erro judiciário
 Proteção da honra e da dignidade
 Liberdade de consciência e de religião
 Liberdade de pensamento e de expressão
 Direito de resposta
 Direito de reunião
 Liberdade de associação
 Proteção da família
 Direito ao nome
 Direitos da criança
 Nacionalidade
 Propriedade privada
 Direito de circulação e residência
 Igualdade perante a lei e proteção judicial
Comissão X Corte
Comissão
 órgão executivo
 papéis fundamentais:
• zelar pelos Direitos Humanos, em especial pelo processamento das petições individuais.
• responsável por analisar as petições individuais, interpondo ação de responsabilidade
internacional.
 7 membros.
 Atribuições da Comissão
• Estimular a observância do Pacto de San José da Costa Rica
• Efetuar recomendações

55
• Preparar estudos e relatórios
• Solicitar informação dos Estados-partes
• Responder às consultas formuladas pelos Estados-partes
• Atuar no recebimento e no processamento das petições individuais e das comunicações.
Corte
 órgão jurisdicional (7 juízes de nacionalidade distinta).
 legitimados:
• Estados-partes
• Comissão Interamericana de Direitos Humanos
 medidas provisórias: casos graves e urgentes para evitar danos irreparáveis para que sejam
tomadas medidas acautelatórias, nos procedimentos já em andamento na Corte, podem ser
formulados pela vítima (necessária a litispendência) ou a pedido da Comissão.
 funções:
• consultiva
• jurisdicional
 para atuação da Corte, faz-se necessário reconhecimento
Direitos Humanos na CF

 incidente de deslocamento de competência - art. 109, §5º, da CF (EC nº 45/2004)


§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a
finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em
qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal.
 tratados internacionais de direitos humanos

56
13 - Direito Ambiental

Graduado pela Universidade Federal de Viçosa - UFV. Pós-graduado em Direito


Ambiental. Graduado também em Gestão Ambiental, com três especializações na
área ambiental. Mestrando em Engenharia Ambiental. Servidor público do Ministério
da Justiça e professor de Direito Ambiental, Meio Ambiente, Direito Agrário e Direito
Urbanístico para concursos públicos. Professor de Direito Ambiental para o Exame de
Ordem.

--
Competências ambientais na CF/88
Art. 23. É competência COMUM da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre U, E, DF e M, tendo
em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar CONCORRENTEMENTE sobre:
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
FGV – Exame de Ordem - OAB
Legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição é de competência concorrente da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com fundamento no artigo 24 da Constituição Federal.
FGV – EXAME DE ORDEM – OAB
Deverá ser editada lei ordinária com as normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios para o exercício da competência comum de defesa do meio ambiente.
Artigo 225, da CF/88.
Art. 225. TODOS têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, BEM DE USO COMUM do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Artigo 225, §1º, III, da CF/88
Espaços Protegidos
...incumbe ao Poder Público: III - definir, em TODAS as unidades da Federação, espaços territoriais e
seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas

57
SOMENTE através de LEI, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que
justifiquem sua proteção.
Unidades de conservação

A
Criação ou ampliação Ato do Poder Público
(Decreto ou Lei)

Alteração (redução dos limites) ou


supressão ou extinção e
Somente por LEI
desafetação
CRIAÇÃO é precedida de ESTUDOS TÉCNICOS e de CONSULTA PÚBLICA que permitam
identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade.
ATENÇÃO! Na criação de Estação Ecológica ou Reserva Biológica não é obrigatória a consulta
FGV - XVII EXAME DE ORDEM – OAB
Determinado município, por intermédio de lei reduziu os limites de uma determinada unidade de
conservação.
Considerando o caso hipotético em tela, a lei municipal em questão será considerada válida e eficaz, pois
a redução dos limites de uma unidade de conservação pode ser feita até mesmo por decreto.
Novo Código Florestal – APP x ARL

APP (Área de Preservação Permanente) ARL (Área de Reserva Legal)

Área urbana e rural. Apenas em área rural.

Intervenção ou supressão de vegetação Pode uso econômico de modo


somente nas hipóteses de utilidade sustentável dos recursos naturais ->
pública, de interesse social ou de baixo Manejo Florestal Sustentável.
impacto ambiental.

Exemplos: Matas ciliares, entorno de É um percentual da propriedade rural (80%,


nascentes, manguezais, veredas, encostas > 35% ou 20%).
45º, topo de morros, entre outros.

FGV – XIV - EXAME DE ORDEM - OAB


A definição dos espaços territoriais especialmente protegidos é fundamental para a manutenção dos
processos ecológicos.
Sobre o instituto da reserva legal, de acordo com o novo Código Florestal (lei n. 12.651/2012), assinale
a afirmativa correta.
a) pode ser instituído em área rural ou urbana, desde que necessário à reabilitação dos processos
ecológicos.
b) incide apenas sobre imóveis rurais, e sua área deve ser mantida sem prejuízo da aplicação das normas
sobre as áreas de preservação permanente.
c) foi restringida, de acordo com a lei n. 12.651/2012, às propriedades abrangidas por unidades de
conservação.

58
d) incide apenas sobre imóveis públicos, consistindo em área protegida para a preservação da
estabilidade geológica e da biodiversidade.
FGV – XVIII EXAME DE ORDEM - OAB
João acaba de adquirir dois imóveis, sendo um localizado em área urbana e outro, em área rural. Por
ocasião da aquisição de ambos os imóveis, João foi alertado pelos alienantes de que os imóveis
contemplavam áreas de preservação permanente (APP) e de que, por tal razão, ele deveria buscar uma
orientação mais especializada, caso desejasse nelas intervir.
Considerando a disciplina legal das áreas de preservação permanente (APP), bem como as possíveis
preocupações gerais de João, assinale a afirmativa correta.
a) as APPs não são passíveis de intervenção e utilização, salvo decisão administrativa em sentido
contrário de órgão estadual integrante do sistema nacional de meio ambiente – SISNAMA, uma vez que
não há preceitos legais abstratamente prevendo exceções à sua preservação absoluta e integral.
b) as hipóteses legais de APP, com o advento do denominado “novo código florestal” – lei nº 12.651/2012
–, foram abolidas em âmbito federal, subsistindo apenas nos casos em que os estados e municípios
assim as exijam legalmente.
c) as APPs são espaços territoriais especialmente protegidos, comportando exceções legais para fins de
intervenção, sendo certo que os estados e os municípios podem prever outras hipóteses de APP além
daquelas dispostas em normas gerais, inclusive em suas constituições estaduais e leis orgânicas, sendo
que a supressão irregular da vegetação nela situada gera a obrigação do proprietário, possuidor ou
ocupante a qualquer título de promover a sua recomposição, obrigação esta de natureza propter rem.
d) as APPs, assim como as reservas legais, não se aplicam às áreas urbanas, sendo certo que a lei federal
nº 12.651/2012 (“novo código florestal”), apesar de ter trazido significativas mudanças no seu regime,
garantiu as APPs para os imóveis rurais com mais de 100 hectares.
Artigo 225, §1º, IV, da CF/88
Licenciamento Ambiental e EIA/RIMA
...incumbe ao Poder Público: IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de SIGNIFICATIVA degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará publicidade.
Todos os entes (U, E, DF, M) possuem competência para licenciar atividades. No entanto, o licenciamento
ambiental é realizado em um único nível de competência (por um único ente da federação),
conforme distribuição de competências da LC 140/11.
Compete ao órgão responsável pelo licenciamento lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo
administrativo para a apuração de infrações à legislação ambiental cometidas pelo empreendimento ou
atividade licenciada ou autorizada.
No entanto, isso não impede o exercício pelos entes federativos da atribuição comum de fiscalização,
prevalecendo o auto de infração ambiental lavrado por órgão que detenha a atribuição de licenciamento.
Tipos de Licenças Ambientais
Art. 8º, da Resolução Conama 237/97
I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento. Aprova localização e
concepção. Atesta a viabilidade ambiental. Estabelece os requisitos básicos e condicionantes
a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação.
II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade + medidas
de controle ambiental e demais condicionantes.
III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a
verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle
ambiental e condicionantes determinados para a operação.

Prazos de validade

59
LP 5 anos

LI 6 anos

LO 4 – 10 anos

RENOVAÇÃO: requerida com antecedência mínima de 120 dias da expiração de seu prazo de
validade, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental
competente.
Modificação, Suspensão ou Cancelamento de Licença
(Art. 19, da Resolução 237/97)
O órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá modificar os condicionantes e as
medidas de controle e adequação, suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer:
I - violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais;
II - omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da
licença;
III - superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.
EIA / RIMA
EIA = Estudo de Impacto Ambiental -> É estudo prévio extremamente complexo, elaborado por
uma equipe multidisciplinar, às custas do empreendedor, e será apresentado no licenciamento de
atividades que possam causa significativo impacto ambiental. O empreendedor e os profissionais que
subscrevem os estudos são responsáveis pelas informações apresentadas, sujeitando-se às sanções
administrativas, civis e penais.
RIMA = Relatório de impacto ambiental -> refletirá as conclusões do estudo de impacto
ambiental (EIA) e deve ser apresentado de forma objetiva e adequada a sua compreensão. As
informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, de modo que se possam entender as
vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua
implementação.
FGV - XXII Exame de Ordem – OAB - 2017
Qualquer atividade ou obra, para ser instalada, dependerá da realização de Estudo prévio de Impacto
Ambiental (EIA), ainda que não seja potencialmente causadora de significativa degradação ambiental.
FGV - XVIII EXAME DE ORDEM - OAB
O EIA/RIMA é um estudo simplificado, integrante do licenciamento ambiental, destinado a avaliar os
impactos ao meio ambiente natural, não abordando impactos aos meios artificial e cultural, pois esses
componentes, segundo pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial, não integram o conceito de
“meio ambiente”.
FGV- XIV EXAME DE ORDEM - OAB
Kellen, empreendedora individual, obtém, junto ao órgão municipal, licença de instalação de uma fábrica
de calçados.
A respeito da hipótese formulada, assinale a afirmativa correta.
a) a licença não é válida, uma vez que os municípios têm competência para a análise de estudos de
impacto ambiental, mas não para a concessão de licença ambiental.

60
b) com a licença de instalação obtida, a fábrica de calçados poderá iniciar suas atividades de produção,
gerando direito adquirido pelo prazo mencionado na licença expedida pelo município.
c) a licença é válida, porém não há impedimento que um estado e a união expeçam licenças relativas ao
mesmo empreendimento, caso entendam que haja impacto de âmbito regional e nacional,
respectivamente.
d) para o início da produção de calçados, é imprescindível a obtenção de licença de operação, sendo
concedida após a verificação do cumprimento dos requisitos previstos nas licenças anteriores.
Artigo 225, §3º, da CF/88
Responsabilidade Ambiental (PENAL, ADM, e CIVIL)
As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, PESSOAS
FÍSICAS ou JURÍDICAS, a sanções PENAIS e ADMINISTRATIVAS, independentemente da OBRIGAÇÃO
DE REPARAR os danos causados
RESPONSABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA -> O STJ e o STF admitem a responsabilização penal da
pessoa jurídica em crimes ambientais.
"O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica
por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito
da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação."
(RE 548181, Relatora Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 6/8/2013, acórdão eletrônico DJe-
213, divulg. 29/10/2014, public. 30/10/2014).
Dessa forma, é possível a responsabilização penal da PJ por delitos ambientais independentemente da
responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome, ou seja, não há necessidade de
dupla imputação das pessoas natural e jurídica nos crimes ambientais.
❖ Esse é o entendimento atual do STF e do STJ.
❖ Responsabilidade Civil
❖ É o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade.
❖ (Art. 14, § 1º da Lei 6.938/81)
❖ A responsabilidade de reparação do dano ambiental além de OBJETIVA, é solidária e
imprescritível.
❖ “As obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são transmitidas ao sucessor, de qualquer
natureza, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural.” -> Natureza propter
rem. (Art. 2º, § 2º, da Lei 12.651/12)
FGV - XXII Exame de Ordem – OAB – 2017
Tendo em vista a infestação de percevejo-castanho-da-raiz, praga que causa imensos danos à sua
lavoura de soja, Nelson, produtor rural, desenvolveu e produziu de forma artesanal, em sua fazenda,
agrotóxico que combate a aludida praga. Mesmo sem registro formal, Nelson continuou a usar o produto
por meses, o que ocasionou grave intoxicação em Beto, lavrador da fazenda, que trabalhava sem
qualquer equipamento de proteção.
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
a) Não há qualquer responsabilidade de Nelson, que não produziu o agrotóxico de forma comercial, mas
para uso próprio.
b) Nelson somente responde civilmente pelos danos causados, pelo não fornecimento de equipamentos
de proteção a Beto.
c) Nelson responde civil e criminalmente pelos danos causados, ainda que não tenha produzido o
agrotóxico com finalidade comercial.
d) Nelson somente responde administrativamente perante o Poder Público pela utilização de agrotóxico
sem registro formal.
FGV - V Exame de Ordem - OAB

61
João adquiriu em maio de 2000 um imóvel em área rural, banhado pelo Rio Formoso. Em 2010, foi citado
para responder a uma ação civil pública proposta pelo Município de Belas Veredas, que o responsabiliza
civilmente por ter cometido corte raso na mata ciliar da propriedade. João alega que o desmatamento
foi cometido pelo antigo proprietário da fazenda, que já praticava o plantio de milho no local. Em razão
do exposto, é correto afirmar que
(A) a responsabilidade por dano ambiental é objetiva, mas, como não há nexo de causalidade entre a
ação do novo proprietário e o corte raso na área, verifica-se a excludente de responsabilidade, e João
não será obrigado a reparar o dano.
(B) a responsabilidade civil por dano ambiental difuso prescreve em cinco anos por força da Lei 9.873/99.
Logo, João não será obrigado a reparar o dano.
(C) João será obrigado a recuperar a área, mas, como não poderá mais utilizá-la para o plantio do milho,
terá direito a indenização, a ser paga pelo Poder Público, por força do princípio do protetor-recebedor.
(D) a manutenção de área de mata ciliar é obrigação propter rem; sendo obrigação de conservação, é
automaticamente transferida do alienante ao adquirente. Logo, João terá que reparar a área.
Artigo 225, § 4º, da CF/88
Patrimônio Nacional
A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona
Costeira são PATRIMÔNIO NACIONAL, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que
assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
FGV - XII EXAME DE ORDEM – OAB
Os ecossistemas Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal Matogrossense e Zona
Costeira são considerados bens públicos, pertencentes à união, devendo a lei infraconstitucional
disciplinar suas condições de utilização, o uso dos recursos naturais e as formas de preservação.
Art. 225, §1º, VII, da CF88
Incumbe ao Poder Público:
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função
ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a CRUELDADE.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as
práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do
art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do
patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar
dos animais envolvidos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)
FGV – XX Exame de Ordem – OAB - Reaplicação Salvador/BA
Luiz Periquito, famoso colecionador de pássaros, é surpreendido pela autoridade ambiental municipal em
sua propriedade, a qual lavra auto de infração tendo em vista a posse de animais silvestres sem
autorização legal, objeto de caça, bem como indícios de maus tratos aos animais.
Sobre o caso e tendo em vista a proteção à fauna no ordenamento jurídico brasileiro, a conduta de Luiz
Periquito está em desconformidade com a Constituição de 1988, já que há expressa vedação
constitucional às práticas que submetam os animais à crueldade, na forma da lei.

14 - Direito da Criança e do Adolescente

Ricardo Torques é natural de Colombo/PR, formado em Direito pela Universidade


Federal do Paraná (UFPR) em 2009, pós-graduado em processo civil pela Faculdade
Assis Gurgacz (FAG), em 2012. Em 2009 foi aprovado no concurso de Assistente
Técnico Administrativo do Ministério da Fazendo, onde exercer o cargo de chefe
substituto da Agência da Receita de Paranaguá/PR. Foi assessor jurídico de
magistrado no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Foi aprovado em concursos
de técnico e analista judiciário de Tribunais Regionais do Trabalho. Foi coordenador
de materiais do Focus Concursos. Foi professor de Legislação no Focus Concursos
e de Direitos Humanos no C24H.
--

62
A doutrina da situação irregular e a doutrina da proteção integral
 MUDANÇA NA BASE PRINCIPIOLÓGICA: da doutrina da situação irregular para a doutrina da
proteção integral.
 CÓDIGO DE MENORES
 limitação de aplicação, destinando-se:
• ao menor privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução
obrigatória, em razão da falta, ação ou omissão dos pais ou responsável;
• às vítimas de maus-tratos;
• aos sujeitos a perigo moral por se encontrarem em ambientes ou atividades contrárias aos
bons costumes;
• ao autor de infração penal; e
• aos menores que apresentassem “desvio de conduta, em virtude de grave inadaptação
familiar ou comunitária”.
 “binômio carência-delinquência”, agindo na consequência e não nas causas que levam
à carência ou à delinquência.
 concentração das atividades centralizadas na figura do “Juiz de Menores”.
 prática segregatória.
 não havia também preocupação com a manutenção de vínculos familiares.
 CF + ECA
 rompimento de paradigma.
 a CF trata de enunciar um rol de direitos e garantias fundamentais, posteriormente explicitados
no ECA.
Esses direitos devem ser assegurados: a) com absoluta prioridade; e b) em consideração do
fato de que as crianças são pessoas em desenvolvimento.
 o ECA fixa uma série de políticas públicas a serem desenvolvidas por todos os entes
federativos, mas principalmente pelo município, que está mais próximo da realidade de cada
comunidade, em respeito ao princípio da municipalização que impera no ECA.
 COMPARAÇÃO ENTRE CÓDIGO DE MENORES E O ECA
ASPECTO CÓDIGO DE MENORES ECA
Doutrinário Situação Irregular Proteção Integral
Caráter Filantrópico Política Pública
Fundamento Assistencialista Direito Subjetivo
Centralidade Local Judiciário Município
Competência Executória União/Estados Município
Decisório Centralizador Participativo
Institucional Estatal Cogestão Sociedade Civil
Organização Piramidal Hierárquica Rede
Gestão Monocrática Democrática

Disposições Preliminares do ECA


● CONCEITO DE CRIANÇA E DE ADOLESCENTE
 CRIANÇA: de 0 a 12 anos incompletos

63
 ADOLESCENTE: de 12 a 18 anos incompletos
 aplicação do ECA a maiores de 18 anos: o art. 2º, parágrafo único, do ECA, não aplica às
relações civis, em face do regramento posterior pelo Código Civil de 2002, que reduziu a
maioridade civil para os 18 anos. DE ACORDO COM O STJ. Deve ser adotada por nós provas
objetivas de concurso.
Direito à convivência familiar e comunitária
 propicia o desenvolvimento integral da criança (a família é a base da sociedade)
 lugar da criança é na família:
 acolhimento institucional é excepcional;
 colocação em família substituta é também excepcional;
 mãe privada de liberdade tem direito a visitas periódicas para exercício da convivência.
 entrega para adoção (art. 19-A, do ECA, pela Lei 13.509/2017)
 encaminhamento à Justiça da Infância e Juventude;
 oitiva por equipe multiprofissional;
 atendimento especializado à genitora (estado gestacional/puerperal);
 busca pela família extensa (máximo de 90 dias);
 após o nascimento, confirma-se em audiência a pretensão de entregar a criança para a adoção;
 detentores da guarda têm 15 dias para propor ação de adoção a contar do término do estágio de
convivência;
 acompanhamento por 180 dias.
 apadrinhamento (art. 19-B, do ECA, pela Lei 13.509/2017)
 vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária de crianças/adolescentes
acolhidos institucionalmente;
 colaboração com desenvolvimento: social, moral, físico, cognitivo e financeiro;
 por pessoas naturais e jurídicas;
 organização do programa: órgão público ou sociedade civil organizada;
 deveres dos país na convivência familiar e comunitária
 não distinção entre filhos (havidos fora do casamento em razão de adoção);
 exercício do poder familiar em igualdade de condições (educação, sustento e guarda);
 falta de recursos, por si só, não é motivo para perda/suspensão do poder familiar;
 condenação criminal não representa destituição do poder familiar, exceto condenação por crime
doloso, sujeito à pena de reclusão, contra o próprio filho/filha.
 TIPOS DE FAMÍLIA
 família natural: pais e filhos.
 família extensa (ou ampliada): se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal,
formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de
afinidade e afetividade.
 família substituta (em razão de guarda, tutela e adoção) pode se dar perante a família extensa ou
qualquer outra família legalmente habilitada.
 Acolhimento:
 provisório e breve
 Medida protetiva
- avaliado a cada seis meses
- por intermédio de relatórios interdisciplinares
 decide-se pela reintegração, manutenção do acolhimento (institucional ou em família acolhedora) ou
colocação em família substituta
 Não superior a 18 meses (Lei 13.509/2017)
 Ordem de excepcionalidade
1º. Família natural
2º. Família extensa
3º. Família substituta composta por parentes
4º. Família substituta composta por não parentes
• Adoção nacional;
• Adoção internacional por brasileiros;
• Adoção internacional por estrangeiros.
 GUARDA
 prestação material, moral e educacional, de modo que a criança/adolescente passa ser considerado
dependente para todos os fins (inclusive previdenciários)
 não depende de destituição dos pais biológicos
 provisória

64
 direito de se opor a terceiros, inclusive em relação aos pais biológicos
 tem por finalidade regularizar uma situação de fato
 é concedida como regra no contexto de uma tutela ou adoção, mas excepcionalmente poderá ser
concedida a pessoas que não tutores e pretendentes à adoção (por exemplo, responsáveis pelas casas
de acolhimento institucional ou responsável pela criança em programa de acolhimento familiar)
 TUTELA
 medida protetiva para auxiliar nos cuidados da criança/adolescente, bem como do seu patrimônio;
 visa suprir carência de representação legal em razão da ausência dos pais;
 pressupõe a extinção ou perda do poder familiar.
 ADOÇÃO
 A adoção se dá em benefício do adotado, sendo imprescindível a demonstração das reais vantagens
de tal modalidade de colocação em família substituta.
 Características:
1ª: A adoção é ato personalíssimo, desta forma, é vedada a adoção por procuração.
2ª: A adoção é ato irrevogável.
3ª: A adoção é ato incaducável.
4ª: A adoção é um ato excepcional.
5ª: A adoção é ato pleno.
6ª: A adoção deve ser constituída por sentença judicial e somente produz efeitos a partir do
trânsito em julgado.
 Requisitos objetivos da adoção
➢ Idade: o adotante deve ter, no mínimo, 18 anos, e uma diferença do adotado de pelo menos 16
anos.
➢ Consentimento (após o nascimento, precedido de orientação, prestado judicialmente,
permite retratação até a publicação da sentença) ou destituição.
➢ Oitiva da criança ou consentimento do adolescente.
➢ Precedência de estágio de convivência.
o Nacional: obrigatório pelo prazo que o juiz fixar.
Pode ser dispensado se o adotado já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante e já
existir um vínculo constituído entre eles.
o Internacional: obrigatório pelo prazo fixado pelo juiz, de no mínimo 30 dias.
Não pode ser dispensado, devendo ser cumprido em território nacional.
➢ Prévio cadastramento: ordem cronológica a contar da habilitação para a adoção
o EXCEÇÕES: a) adoção unilateral; b) adoção por parentes com vínculo de afinidade; e c)
adoção por não parentes que tenham tutela/guarda legal e desde que a criança tenha mais
de 3 anos.
 Requisitos subjetivos da adoção
➢ Idoneidade do adotante.
➢ Motivos legítimos e desejo de filiação.
➢ Reais vantagens para o adotando.
 não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando;
 a adoção conjunta pressupõe casamento ou união estável;
 prazo máximo para conclusão da ação de adoção: 120 dias, prorrogável uma única vez por igual
período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária;
 ADOÇÃO INTERNACIONAL: aquela na qual a pessoa ou casal postulante é residente ou domiciliado
fora do Brasil
 deve ser dado preferência à colocação em família substituta no Brasil;
 o adolescente será informado e consultado se está preparado para a medida;
 brasileiros residentes no exterior têm preferência aos estrangeiros na adoção internacional;
 todo o processo deve ser intermediado pelas autoridades centrais estaduais e federais;
 adotado não perde a nacionalidade brasileira.
 Procedimento da adoção internacional:
1) Pedido formulado perante a autoridade central do país de acolhida (onde residem os pretensos
adotantes internacionais)
2) Relatório da autoridade central do país de acolhida explicitando que possuem capacidade jurídica e
adequação para a adoção.
3) Envio da informação à autoridade central brasileira.
4) Se compatíveis as legislações e preenchidos os requisitos será expedido laudo de habilitação para
adoção com validade de, no máximo, 1 ano.
5) Pedido judicial de adoção perante o Juízo da Vara de Infância em que estiver a criança a ser adotada
conforme definição da autoridade central.

65
Prevenção especial
 hospedagem em hotel/motel/pensões de crianças e adolescentes
 regra: proibida
 exceção: quando autorizadas pelos pais/responsáveis
 Autorização para viajar
➢ No território nacional (criança)
o poderá ocorrer
▪ acompanhada dos pais ou responsáveis legais
▪ por autorização judicial (válida por dois anos)
o excepcionalmente, independe de acompanhamento pelos pais/responsáveis ou
autorização judicial quando
▪ quando o translado ocorrer entre comarca contígua ou na mesma região
metropolitana (sempre dentro do mesmo Estado).
▪ estiver acompanhada de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau,
comprovado documentalmente o parentesco.
▪ estiver acompanhada de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe
ou responsável.
➢ Para o exterior (criança e adolescente)
o acompanhado dos país.
o autorização judicial.
o acompanhado de um dos pais, com autorização expressa do outro e assinatura
reconhecida em cartório.
Prática de ato infracional
 CRIANÇA E ADOLESCENTE NÃO PRATICAM CRIME: entre os elementos da culpabilidade temos a
imputabilidade.
 CONCEITO DE ATO INFRACIONAL: conduta prevista como crime ou contravenção penal quando
praticada por criança ou adolescente.
 TEMPO DO ATO INFRACIONAL – Teoria da Atividade
 LIBERAÇÃO COMPULSÓRIA – art. 121, §5º, do ECA:
 CRIANÇAS
 Praticam atos infracionais.
 São aplicadas apenas medidas de proteção.
 ADOLESCENTES
 Praticam atos infracionais
 São aplicadas medidas socioeducativas e medidas de proteção.
 MEDIDAS DE MEIO ABERTO
 Advertência
 Obrigação de reparar o dano
 Prestação de serviços à comunidade
 Liberdade assistida
 MEDIDAS RESTRITIVAS DE LIBERDADE
 SEMILIBERDADE
 acompanhamento mais próximo
• DIA: executará atividades normais na comunidade, como o estudo e trabalho
• NOITE: deve se recolher à unidade de internação.
 ATIVIDADES EXTERNAS:
• Pressuposto da medida.
• Independe de autorização judicial.
 PRAZO: máximo 3 anos
 REAVALIAÇÃO: a cada seis meses
 INTERNAÇÃO
 Consonância com normas internacionais (regras de Beijing e Regras Mínimas da ONU para Jovens
Privados de Liberdade) – em razão:
• Última instância
• Caráter excepcional
• Mínima duração possível
 Restrição total de liberdade
 ATIVIDADES EXTERNAS:
• É possível, a critério dos educadores
• Admite-se restrição (juiz)

66
 PRAZO:
• prazo in/determinado
• máximo 3 anos
 REAVALIAÇÃO: a cada seis meses (pautado no livre consentimento motivado, embora esteja na posse)
 HIPÓTESES
• pelo máximo de 3 anos
o ato infracional praticado com grave ameaça ou violência à pessoa (roubo, latrocínio,
homicídio)
o reiteração no cometimento de infrações graves
• pelo máximo de 3 meses (internação-sanção): descumprimento reiterado e injustificável de
medida anteriormente aplicada.
 Súmula STJ 492: “O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente”.
Acesso à Justiça
 competência territorial
 do domicílio dos pais ou responsável;
 do lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável.
 competência material (em qualquer hipótese)
 representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a
adolescente;
 concessão de remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo;
 pedidos de adoção e seus incidentes;
 ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente
 ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento, aplicando as medidas cabíveis;
 penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à criança ou
adolescente;
 conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas cabíveis.
 pedidos de guarda e tutela.
 ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda;
 suprimento da capacidade ou o consentimento para o casamento;
 pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao exercício do poder familiar;
 emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
 designação de curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou de outros
procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou adolescente;
 ações de alimentos;
 cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito.
 regras gerais
 prioridade absoluta de tramitação
 contagem dos prazos processuais: dias corridos (≠ NCPC)
 isenção de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.
 ação de destituição do poder familiar = ADPF
 requisitos da petição inicial de perda ou suspensão do poder familiar:
• a autoridade judiciária a que for dirigida;
• o nome, o estado civil, a profissão e a residência do requerente e do requerido, dispensada a
qualificação em se tratando de pedido formulado por representante do Ministério Público;
• a exposição sumária do fato e o pedido;
• as provas que serão produzidas, oferecendo, desde logo, o rol de testemunhas e documentos.
Recursos
 Observa o NCPC subsidiariamente;
 não há preparo;
 prazos recursais: 10 dias (* exceto embargos de declaração, cujo prazo é de 5 dias)
 preferência de julgamento
 dispensa revisor
 em caso de recurso, admite-se análise fundamentada de retratação;
 em caso de não retratação, remessa dos autos no prazo de 24 horas
 da sentença de adoção cabe recurso com efeito meramente devolutivo, exceto:
 adoção internacional
 perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando.
 da sentença de destituição do poder familiar cabe recurso com efeito meramente devolutivo

67
 da sentença infracional cabe recurso pode ser concedido efeito meramente devolutivo (caráter
pedagógico da medida)
 o relator deve colocar o processo em mesa para julgamento no prazo de 60 dias a contar da conclusão.

15 - Direito do Consumidor

Graduado em Direito na Universidade Federal de Pernambuco, com extensão na


Universidade de Coimbra/Portugal. Especialista LLM em Direito Corporativo pelo
IBMEC/RJ. Mestre em Direito pelo UNICEUB/DF. Advogado com atuação profissional
centrada no Direito Tributário e no Direito Administrativo, especialmente na defesa
de servidores públicos.

--
Olá meus amigos. Lançado o desafio: como revisar o material de direito do consumidor em apenas 5
(cinco) páginas? Meu nome é Igor Maciel e optei por focar no assunto que julgo mais importante e que
mais tem caído nos Exames de Ordem (Responsabilidade Civil dos Fornecedores). Abaixo, meu contato
para dúvidas:

@Prof Igor Maciel

Responsabilidade dos Fornecedores por seus Produtos e Serviços

Considerações Iniciais

O Código de Defesa do Consumidor ao prever a responsabilidade civil dos fornecedores por seus produtos
e serviços estabeleceu uma diferença prática entre a responsabilidade pelo fato e a responsabilidade
pelo vício. O Código, então, prevê a responsabilidade:

Pelo fato do produto

Pelo fato do serviço

Pelo vício do produto

Pelo vício do serviço

A responsabilidade pelo fato é decorrência de um acidente de consumo gerado por um defeito no


produto ou serviço.

Já o vício no produto ou serviço não gera um acidente e está ligado à quantidade ou qualidade que torna
o produto impróprio ou inadequado ao consumo a que se destina e lhe diminui o valor.

A título de exemplo podemos trazer a hipótese em que um consumidor adquire um automóvel com
defeito nos freios. Ao conduzir por uma via, acaso ocorra um acidente em razão da ausência de freios
no veículo, haverá um acidente de consumo e serão aplicadas as regras da responsabilidade pelo fato
do produto ou serviço.

Contudo, acaso o condutor consiga parar o veículo utilizando uma redução de marchas, por exemplo, e,
exatamente por isso, nenhum acidente seja causado, haverá um vício impróprio no produto que lhe
diminui o valor.

68
Responsabilidade pelo fato do produto
A responsabilidade pelo fato do produto está regulada no CDC pelo artigo 12. Percebam, meus amigos,
que o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador irão responder pela
reparação do acidente de consumo ocorrido com seus produtos independente da existência de culpa.

Mas professor, o que isso quer dizer?

Esta é a diferença entre a Responsabilidade Civil Objetiva e a Responsabilidade Civil Subjetiva.

Na responsabilidade civil objetiva, o Autor quando propõe uma demanda em juízo deve demonstrar nos
autos a conduta praticada pelo Réu (comissiva ou omissiva), o dano que sofrera e que merece ser
reparado e o nexo causal entre a conduta e o dano sofrido.

O elemento subjetivo dolo ou culpa do agente que praticou o dano não precisa ser demonstrado pelo
Autor. Esta a regra do Código de Defesa do Consumidor.

E como o fornecedor pode não ser responsabilizado?

O próprio código prevê hipóteses de excludente de responsabilidade onde o fabricante, o construtor ou


importador não irão ser responsabilizados quando conseguirem provar nos autos (parágrafo 3º):

i. Que não colocaram o produto no mercado;


ii. Que, embora tenham colocado o produto no mercado, o defeito não existe;
iii. Que a culpa pelo defeito fora exclusiva do consumidor ou de terceiro;

Percebam, portanto, que o ônus de provar as excludentes de responsabilidade é todo do fabricante,


construtor ou importador, jamais do consumidor.

Responsabilidade pelo fato do serviço

Já quanto à Responsabilidade pelo fato dos serviços, o CDC aplicou a regra geral da solidariedade para
todos os fornecedores, não excluindo o comerciante. No artigo 14, o CDC utiliza a palavra fornecedor,
diferentemente do artigo 12.

E quais seriam as excludentes de responsabilidade?

O parágrafo 3º estabelece que quando o fornecedor de serviços provar que o defeito inexiste ou a culpa
exclusiva do consumidor ou de terceiro, não terá cabimento sua responsabilização.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:


I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
E quanto aos profissionais liberais? Como funciona a responsabilidade por fato dos
serviços?

Profissionais liberais são aqueles prestadores de serviço que em geral não possuem uma organização
empresarial. São os médicos, advogados, dentistas, arquitetos e outros profissionais que prestam serviço
de natureza técnica e pessoal.

Segundo o CDC, a responsabilidade destes profissionais deve ocorrer de forma diferenciada,


excepcionando a regra da responsabilidade objetiva e imputando-lhe a regra da responsabilidade
subjetiva.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de


culpa.

69
Assim, quando demandar um profissional liberal em juízo, deverá o Autor (consumidor) demonstrar o
ato cometido, o dano causado, o nexo causal entre ambos e, ainda, que o agente praticou o dano com
dolo ou culpa.

Mas professor, não há exceções?

Atenção!

No STJ encontramos decisões excepcionando a regra da responsabilidade subjetiva dos profissionais


liberais. São hipóteses onde o Tribunal entendeu que os profissionais devem sim entregar o resultado
esperado e, exatamente por isto, a responsabilidade civil deste profissionais deve ser objetiva. O melhor
e mais comum exemplo é a cirurgia plástica meramente embelezadora.

E a responsabilidade dos Hospitais? Como funciona?

O STJ diferencia o erro médico cometido por empregado do hospital daquele erro médico cometido por
profissional que apenas está utilizando dos serviços de hotelaria fornecidos pela instituição.

Basicamente, o hospital responde por erro cometido por profissional médico que seja seu empregado e
que tenha ocorrido em suas dependências.

Por outro lado, acaso o paciente tenha contratado de forma independente um médico que não seja
empregado do hospital para realizar um procedimento utilizando-se apenas de sua estrutura, não cabe
a responsabilização do Hospital por eventual erro cometido pelo profissional.

E a responsabilidade do Plano de Saúde?

Já os planos de saúde devem responder por erros médicos de profissionais a ele conveniados ou que
sejam seus empregados, conforme vem decidindo o STJ.

Responsabilidade pelo vício do produto


Já os vícios do produto são regulados pelo artigo 18, do CDC.
Percebam que o dispositivo legal fala que todos os fornecedores (inclusive os comerciantes) devem
responder solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que tornem os produtos impróprios
para consumo ou lhe diminuam o valor. Assim, se o consumidor adquire um produto com um vício de
qualidade (uma televisão que o controle remoto não funciona, por exemplo) deverá ele dirigir-se até o
fornecedor e solicitar que o vício seja sanado, inclusive com a substituição das partes viciadas.
E se o fornecedor não resolver o problema?
Em primeiro lugar, devemos destacar que o consumidor terá o prazo de 30 (trinta) dias para solucionar
o problema.
Contudo, acaso o vício não seja sanado, após o prazo de trinta dias poderá o consumidor escolher entre
as alternativas previstas no parágrafo 1º, do artigo 18.

Identificado o vício de qualidade:

70
Restituição
do Valor

Após 30 dias
o
consumidor
escolhe

Abatimento Substituição
do Preço do Produto

E se o vício do produto não for na qualidade, mas na quantidade?

O CDC regula o vício de quantidade do produto especificamente no artigo 19 e estabelece que todos os
fornecedores respondem solidariamente por tais vícios.

E, diferentemente do vício quanto à qualidade, o consumidor não precisa esperar prazo algum para
escolher entre o abatimento proporcional do preço, a complementação do peso ou medida, a substituição
do produto ou a restituição do seu dinheiro.

Identificado o vício de quantidade:

Complemento
do Produto

Consumidor Abatimento
Substituição
escolhe do Valor

Restituição
do Valor
Pago

Responsabilidade pelo vício do serviço

Quanto o vício na qualidade dos serviços, o CDC estabelece que poderá o consumidor exigir de imediato:

71
I - a reexecução dos serviços sem qualquer custo para o consumidor e quando esta for cabível.
Poderá ser feita, inclusive por terceiros, desde que devidamente pagos pelo fornecedor;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.

Trata-se do disposto no artigo 20 do CDC que ainda dispõe quanto à definição do serviço impróprio:

§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles
se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.

16 - Direito Internacional

Advogada. Consultora Jurídica do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio


Teixeira - Inep. Mestranda em Políticas Públicas. Formação e Capacitação de Juíza
Arbitral do Brasil, Europa e Mercosul. Professora de Direito Administrativo, Direito
Internacional e Ética Profissional.
@profdanielamenezes
--
1. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pode instaurar de
ofício um procedimento para que o Estado brasileiro adote medidas cautelares de natureza coletiva para
evitar danos irreparáveis aos presos.
2. O divórcio consensual pode ser reconhecido no Brasil sem que seja necessário proceder à
homologação.
3. A extradição de brasileiro naturalizado pode ocorrer, de acordo com os casos previstos lei. Se o
brasileiro nato, renunciar a nacionalidade, também poderá ocorrer a sua extradição.
4. São brasileiros natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; b) os nascidos no estrangeiro, de pai
brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira (Art. 12, I, CF).
5. São naturalizados: a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral,
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de
quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. Aos
portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição (Art. 12, II, CF).
6. A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família (Art. 7º, LINDB)
7. O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes
domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal (Art. 7º, §4º, LINDB)
8. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens (Art. 10, LINDB)
9. A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício
do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável
a lei pessoal do de cujus (Art. 10, §1º, LINDB)
10. Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no
Brasil (Art. 12, §1º, LINDB)
11. A concessão de exequatur caberá ao STJ e seu posterior cumprimento à justiça federal.
12. Os bons ofícios caracterizam-se pela oferta espontânea de um terceiro que colabora com a
solução de controvérsias podendo ser um Estado, um organismo internacional ou uma autoridade.

72
13. O deportado só poderá reingressar no território nacional se ressarcir o Tesouro Nacional, com
correção monetária, das despesas com a sua deportação e efetuar, se for o caso, o pagamento da multa
devida à época, também corrigida.
14. Na hipótese de inadimplência do Estado brasileiro, condenado ao pagamento de quantia certa
pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, deverá o interessado executá-la perante a Justiça
Federal pelo processo interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado.
15. Quando mais de um Estado requerer a extradição da mesma pessoa pelo mesmo fato, terá
preferência o pedido daquele em cujo território a infração foi cometida.
16. Sobre o sistema de regulação de investimentos e fluxo de capital estrangeiro no atual
ordenamento jurídico da República Federativa do Brasil é vedada a participação de capital estrangeiro
nas empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, uma vez que sua propriedade
é privativa de brasileiros natos.
17. Caberá exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a conveniência e a oportunidade
de expulsão do estrangeiro ou de sua revogação.
18. O Poder Judiciário Brasileiro não é competente para julgar eventual ação por inadimplemento
contratual, se o contrato não foi constituído no Brasil.
19. Se um agente diplomático comete um crime de homicídio no Estado acreditado, poderá ser
julgado pelo Estado acreditado, desde que o Estado acreditante renuncie expressamente à imunidade de
jurisdição.
20. A sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e é definitiva e inapelável.
21. O Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL tem como base jurídica o Protocolo de Olivos e
tem como competência resolver litígios dentro do sistema regional de integração, proferir pareceres
consultivos e editar medidas excepcionais e de urgência.
22. A Lex loci executionis é aplicável aos contratos de trabalho, os quais, ainda que tenham sido
celebrados no exterior, são regidos pela norma do local da execução das atividades laborais.
23. A Assembleia Geral pode expulsar um Estado membro que tenha persistentemente violado os
princípios da Carta das Nações Unidas, ouvido o Conselho de Segurança.
24. Nos contratos internacionais, a lei que rege a capacidade das partes pode ser diversa da que rege
o contrato.
25. A norma jus cogens é reconhecida pela comunidade internacional como aplicável a todos os
Estados, da qual nenhuma derrogação é permitida.

17 - Filosofia do Direito

Doutoranda em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná. Mestra em


Direito Econômico e Socioambiental e Graduada em Direito pela Pontifícia
Universidade Católica do Paraná. Professora Universitária de Direito Constitucional e
de Direitos Humanos no Instituto Superior do Litoral do Paraná. Conciliadora no 2º
Juizado Especial Cível e Criminal de Curitiba.
--

Considerações iniciais
Olá pessoal! Estamos em nossa reta final para o Exame da Ordem! Nosso o objetivo é rever alguns temas
recorrentes e importantes para a nossa prova.
Um aviso: A FGV não possui uma ementa para Filosofia do Direito, logo a banca pode cobras outros
autores ou correntes. O nosso critério de seleção são os temas que já apareceram.
Os temas mais pedidos são: Interpretação Jurídica e Teoria do Ordenamento de Norberto Bobbio, o
pensamento de Immanuel Kant, autores do Iluminismo, o Utilitarismo, as teorias da Justiça de
Aristóteles.

Revisão de Filosofia do Direito


ASPECTOS INICIAIS:

73
 O que é Filosofia? é um profundo questionamento sobre temas complexos. Podemos chamar
estes temas de problemas fundamentais: a existência, o conhecimento, a verdade, os valores morais
e estéticos, a mente e a linguagem.
 Objetivo da Filosofia do Direito: explicar o fenômeno jurídico à luz da Filosofia.
 Contribuição da disciplina: a fundamentação dos conceitos (justiça, dignidade, liberdade, bem-
comum, igualdade, moralidade); a avaliação crítica das regras e preceitos legais em comparação com
os critérios de justiça.

TEORIA DA JUSTIÇA EM ARISTÓTELES


 Vários filósofos pensaram a respeito do conceito de Justiça, e isso significa que não temos um
único conceito, e sim várias definições.
 A Justiça em Aristóteles está na virtude do meio, sua teoria se aproxima de um cálculo aritmético
de média ponderada. Aristóteles considera a Justiça como virtude, contudo fundada na felicidade.
Segundo o filósofo, a virtude se identifica com a felicidade e com o equilíbrio.
 Aristóteles considera um caráter proporcional ao conceito de Justiça, relacionando-o com a
igualdade. Justo é quem age com igualdade nas relações humanas.
 A teoria de Aristóteles se desdobra em outras duas compreensões: a Justiça universal e
Justiça particular. Enquanto a Justiça universal está relacionada aos aspectos de virtude e de
moral em seu descumprimento; a Justiça particular decorre da busca de soluções para os casos
de injustiça.
 Podemos dividir a justiça particular em Justiça Distributiva e Justiça Comutativa (ou
reparadora).
 A Justiça Distributiva envolve a distribuição de bens e direitos entre os cidadãos de uma
comunidade política, sendo o critério de distribuição dar partes iguais para pessoas
iguais e dar partes desiguais para pessoas desiguais. Exemplo: como se distribui os cargos
públicos em uma sociedade e a utilização do sistema de cotas.
 A Justiça Comutativa trata de conflitos considerando os envolvidos como iguais, ou seja, da
justiça nas relações privadas. No caso de um roubo ou de um dano o objetivo da justiça
comutativa é reparar as relações jurídicas por meio de uma penalidade.

PERÍODO CLÁSSICO E MEDIEVAL: “DAR A CADA UM O QUE É SEU”

 Dar a cada um o que é seu. Está é a definição clássica de justiça utilizada por Platão, passando
por Aristóteles e também é incorporada pelos juristas romanos, e depois por São Tomás de
Aquino.
 São Tomás de Aquino retoma o pensamento de Aristóteles para alcançar um conceito de justiça
com caráter universal. Recupera o conceito de justiça distributiva e comutativa.
 Santo Agostinho pensa de modo distinto retomando o pensamento de Platão. A filosofia de
Agostinho está envolta na religião cristã, deste modo a Justiça e o Direito partem de Deus.

A MODERNIDADE
 A chamada Idade Moderna representa um período que se estende por três séculos e é marcada
por três grandes movimentos filosóficos e políticos: o Renascimento, o Absolutismo e o
Iluminismo.
o O Renascimento se inicia no fim da Idade Média e representa o resgate o pensamento
dos filósofos gregos em contraposição ao pensamento teleológico que dominou todo o
período. Maquiavel é seu representante.
o O Absolutismo traz de volta a ideia de que o poder humano advém do poder divino, o
que servirá para dar poder aos reis. Thomas Hobbes é seu representante.
o Em contraponto a essa etapa surge o Iluminismo, capitaneado por Locke, Rousseau,
Montesquieu e Kant. O iluminismo busca fundamentos na razão e não mais na fé.

ESCOLA DO DIREITO NATURAL


 O que é o Direito Natural? O direito natural invoca uma norma superior para questionar a
validade de uma norma positiva. No século XVI procurou-se retirar o enfoque divino da teoria
filosófica sobre a Justiça com um caráter laico, substituindo-a pela razão. Entre os seus principais
autores estão John Locke, Thomas Hobbes, Rousseau e Montesquieu.

IMMANUEL KANT

74
 É importante ressaltar que Kant é um dos autores que mais apareceram nas questões de nosso
Exame!
 As teorias de Kant são fundamentais para o estudo da Filosofia do Direito, especialmente em
relação aos conceitos de direito, moral e liberdade.

 Kant trabalha com dois imperativos: hipotético e categórico.
o O hipotético é um comando que está condicionado a algo. Por exemplo: se alguém matar
uma pessoa será preso. Aqui temos uma ação e uma consequência.
o O categórico: é o cumprimento do dever sem esperar nada em troca, para isso a pessoa
deve pensar com o seguinte raciocínio: Agir apenas segundo uma máxima tal que
possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.
Em outras palavras: Quando uma pessoa está em dúvida sobre um aspecto de seu agir
deverá orientar sua decisão de tal modo que a máxima de sua vontade possa valer para
todas as pessoas como uma legislação universal.
 Kant distingue o direito da moral. A moral é uma espécie de prática da lei por si mesma. O
sentido está na vontade do sujeito. O Direito se impõe como uma ação exterior, que obriga o
seu cumprimento, ainda que as razões não sejam morais.

UTILITARISMO
 O utilitarismo pode ser classificado como uma doutrina ética, política e econômica.
 Parte-se do pressuposto de que as pessoas possuem dois mestres soberanos: O prazer e a
dor.
 Princípio da utilidade: verificar quais ações permitiriam maior prazer, com menor dor para
o maior número de pessoas.
 Características do estilo:
o O antifundacionismo se configura pois o utilitarismo se afasta de teorias abstratas sobre
a justiça.
o O convencionalismo significa uma preocupação maior com as convenções sociais do que
com a lei.
o o consequencialismo remete aos critérios de dor e de prazer para prever quais seriam
as melhores consequências de uma decisão.
o O agregativismo significa que a corrente se preocupa com a maximização do bem estar
agregado, ou seja, considerando o conjunto de seus membros.

POSITIVISMO
 Enquanto o foco no jusnaturalismo era o de buscar a validade da lei positiva por meio de princípios
e de valores absolutos, o positivismo busca analisar quais eram os pressupostos lógicos e formais
e de como deveria vigorar a norma.
 Alguns movimentos foram importantes para o desenvolvimento do positivismo jurídico dentre
eles a Escola da Exegese que surgiu após o Código Civil de Napoleão (1804). Para essa escola
o código era a única fonte do Direito e as regras contidas no código seriam perfeitas e
sem lacunas. Temos vários autores que podem ser estudados nessa perspectiva: Hart,
Kelsen, Ihering.
 Para Kelsen as influências metafísicas, psicológicas, sociológicas, históricas e antropológicas
precisam ser afastadas do estudo do Direito, pois não seria correto misturar estes métodos
científicos.
 A pureza consiste em garantir que será analisado apenas o conhecimento dirigido ao
Direito, excluindo o que não pertença ao objeto e o que não pode ser considerado
rigorosamente como Direito.
 Kelsen não analisa o conteúdo das normas, mas sim suas estruturas formais. O que há de comum
entre os diferentes ordenamentos jurídicos não é o conteúdo das normas, mas sim o seu formato:
a estrutura normativa.

PÓS POSTIVISTAS
 Após o advento do positivismo percebeu-se que algumas situações jurídicas ficavam a margem
de uma análise puramente legal. (Dworkin, Alexy, Rawls...)
 Críticas ao positivismo:

75
A separação entre o Direito e a moral; o direito como ciência avalorativa; as regras
o
prevalecendo sobre os princípios; a hierarquia do ordenamento jurídico que exclui valores
externos do direito; a aplicação injusta do Direito apenas pela via legalista.
 Sugestões do pós-positivismo:
o incluir como fonte do direito as normas morais e a ideia de justiça; articular o Direito, a
Moral e a Política; conferir aos problemas jurídicos dimensão de valores; dar ao direito
finalidades morais e de justiça; reabilitar aos princípios a eficácia normativa e considerá-
los como as normas mais importantes do ordenamento jurídico especialmente para
utilizá-los como parâmetros para os hard cases.

INTERPRETAÇÃO JURÍDICA
 O que é? É uma atividade complexa baseada na relação entre um signo e o seu significado. No
universo jurídico podemos compreender essa relação entre a letra da lei e a interpretação
segundo o espírito da lei, ou seja, a sua finalidade.

 Teorias críticas a classificação tradicional:


 A Lógica do Razoável (Luis Recaséns Siches). Para os defensores da lógica do razoável,
deve-se procurar entre soluções possíveis a mais razoável ao caso concreto. Ao invés de
seguir os métodos tradicionais deverá se perguntar sobre a realidade e o sentido dos fatos,
os valores que a inspira o ordenamento jurídico, as normas jurídicas proferindo um juízo
harmônico e satisfatório.
 Teoria tridimensional do Direito (Miguel Reale). A teoria tridimensional do Direito que
compreende que o fenômeno jurídico é composto por três elementos: fato, valor e norma.
o A interpretação, de acordo com a teoria tridimensional, é um processo de integração
dialética que implica ir do fato à norma e da norma ao fato, sem desconsiderar
os valores subjacentes ao caso concreto.
o Deste modo, o fenômeno jurídico decorre de fatos sociais, que são influenciados pela
cultura e sociedade.
o O fenômeno jurídico precisa ser compreendido de uma maneira plural.
o Fato, valor e norma não podem ser dissociados um do outro, estão tão integrados que
estão em uma condução dinâmica e dialética da aplicação da lei.

TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO (NORBERTO BOBBIO)


 O que é o ordenamento jurídico? O ordenamento é o contexto de existência das normas
jurídicas, podemos considerá-lo como uma organização complexa a qual possui a mesma fonte:
o poder soberano.
 O ordenamento jurídico possui três características: unidade (que advém de da hierarquia
normativa), coerência (não pode haver contradições entre as normas no ordenamento jurídico),
completude (é preciso resolver os espaços sem regulação do ordenamento jurídico).
 Critérios para resolver as contradições entre normas (antinomia solúveis)

76
Critério cronológico: Qual norma jurídica foi editada por último?
As normas mais recentes prevalecem sobre as normas mais antigas, a norma posterior derroga a
anterior.
Critério hierárquico: Qual norma jurídica possui grau hierárquico superior?
Diante de um conflito entre normas de diferentes estratos prevalece a norma que possui critério
superior.
Critério da especialidade: Qual das normas em conflito trata do tema de modo específico?
Em caso de conflito entre normas que tratam de uma mesma relação jurídica, prevalece aquela com
regras mais específicas para a situação.

 As antinomias reais/insolúveis não são resolvidas por esses critérios de cronologia, hierarquia e
especialidade.

 Norberto Bobbio apresenta dois modos de resolução das lacunas: a heterointegração e a auto-
integração.
 Na heterointegração o preenchimento da lacuna ocorre com ordenamentos jurídicos
anteriores, ou com o uso de fontes diversas daquela que é dominante a exemplo dos costumes.
 Na auto-integração temos a utilização do próprio sistema jurídico para resolver as lacunas: a
analogia e os princípios gerais do direito.

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