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TRABALHO DE LINGUAGEM: FICHAMENTO DAS INVESTIGAÇÕES

FILOSÓFICAS DE LUDWIG WITTGENSTEIN

Jonas Gabriel Vilela Santos1

O presente trabalho é uma breve reunião de citações diretas dos 149 primeiros
parágrafos das Investigações Filosóficas do filósofo analítico Ludwig Wittgenstein.

“Nomeavam os adultos algum objeto e se voltavam para ele,


então percebi e entendi que o objeto, pelos sons que eles
proferiam, vinha a ser designado quando queriam apontar para
ele. Isso, entretanto, inferia dos seus gestos, a língua natural de
todos os povos, a língua que, pelo jogo das caras e dos olhos,
pelos movimentos dos membros e o soar da voz, mostra os
sentimentos da alma quando esta ambiciona algo, ou apreende, ou
recusa, ou foge. Assim, aprendi a compreender passo a passo que
coisas as palavras designavam, e que eu, sempre e repetidamente,
nos seus lugares determinados e em frases diferentes, ouvia
proferir. E trouxe por elas, na medida em que minha boca se
acostumou a esses sinais, meus desejos à expressão”.
(WITTGENSTEI, p. 6)

“Imagine agora este emprego da linguagem: mando alguém às


compras. Dou-lhe um pedaço de papel sobre o qual estão os
sinais: “cinco maçãs vermelhas”. Ele leva o pedaço de papel ao
vendedor; este abre a gaveta sobre a qual está o sinal “maçã”;
então procura numa tabela a palavra “vermelho” e a encontra
diante de uma amostra de cores; agora ele diz a sequência dos
cardinais – eu assumo que ele a sabe de cor – até a palavra
“cinco”, e, para cada numeral, ele pega uma maçã da gaveta que
tem a cor da amostra. — Assim, e de modo semelhante, opera-se
com as palavras. — “Como ele sabe onde e como deve consultar
a palavra ‘vermelho’ e o que tem de fazer com a palavra ‘cinco’?”
— Bem, assumo que ele age conforme descrevi. As explicações
chegam a um fim em algum lugar. – Mas, então, qual é o
significado da palavra “cinco”? – Nada se falou sobre isso; só de
como a palavra “cinco” é usada” (WITTGENSTEIN, p. 7)

1
Acadêmico do 6º semestre do curso de filosofia da Faculdade Palotina - FAPAS. E-mail:
gabrielvilela.s@outlook.com.
“A criança emprega essas formas primitivas da linguagem
quando aprende a falar. O ensino da língua não é aqui nenhuma
explicação, mas um treinamento” (WITTGENSTEIN, p. 9)

“Podemos também imaginar que todo o processo de uso de


palavras em (2) seja um desses jogos por meio dos quais as
crianças aprendem a língua materna. Quero chamar esses jogos
de “jogos de linguagem”, e falar às vezes de uma língua primitiva
como um jogo de linguagem. E poder-se-ia chamar os processos
de denominação das pedras, e de repetição das palavras ditadas
também, de jogos de linguagem. Pense nos vários usos de
palavras que se faz nas brincadeiras de roda. Chamarei também a
totalidade: da linguagem e das atividades com ela entrelaçadas,
de “jogo de linguagem”” (WITTGENSTEIN, p. 11)

“Imagine ferramentas dentro de uma caixa: ali tem um martelo,


um alicate, uma serra, uma chave de fenda, um metro, um pote de
cola, cola, pregos e parafusos. – Tão diferentes como são as
funções desses objetos, são também diferentes as funções das
palavras. (E há semelhanças aqui e ali.) Certamente o que nos
confunde é a uniformidade da sua manifestação, quando as
palavras nos são ditas, ou nos defrontamos com elas na escrita ou
impressas. Pois o seu emprego não está ali tão claro para nós. E
especialmente não o está quando filosofamos!”
(WITTGENSTEIN, p. 14)

“A palavra “designar” talvez seja aplicada mais diretamente ali


onde o nome está sobre o próprio objeto que designa. Suponha
que as ferramentas que A utiliza na construção carreguem certas
marcas. A mostra a seu ajudante uma dessas marcas, e este traz,
assim, a ferramenta que está munida com esta marca. Assim, e de
maneira mais ou menos semelhante, um nome designa uma coisa
e é dado a uma coisa. – É sempre útil se, ao fazer filosofia,
dizemos para nós mesmos: denominar algo é similar a fixar uma
etiqueta sobre alguma coisa” (WITTGENSTEIN, p 15)

“Nós podemos dizer: temos diferentes tipos de palavras na língua


(8). Pois as funções da palavra “placa” e da palavra “bloco” são
mais similares entre si do que entre as palavras “placa” e “d”. O
modo, entretanto, como nós classificamos as palavras segundo
tipos vai depender da finalidade da divisão, – e da nossa
inclinação. Pense nos diferentes pontos de vista pelos quais se
pode dividir as ferramentas segundo tipos. Ou as peças de xadrez
em tipos de peças” (WITTGENSTEIN, p. 16)

“O que se quer dizer é que o aprendizado de uma língua consiste


em nomear objetos. Com efeito: pessoas, formas, cores, dores,
humores, números etc. Como foi dito – nomear é semelhante a
afixar uma etiqueta em alguma coisa. Pode-se chamar isso de
preparação para o uso de uma palavra. Mas isso é uma preparação
para quê?” (WITTGENSTEIN, p. 24)

“Quem vai para uma terra estrangeira, aprenderá às vezes a língua


dos autóctones pela explicação ostensiva que eles lhe derem; e a
interpretação dessas explicações tem que ser frequentemente
adivinhada, e às vezes corretamente, às vezes erroneamente. E
agora creio que podemos dizer: Agostinho descreve a
aprendizagem da linguagem humana como se a criança tivesse
ido para uma terra estrangeira e não compreendesse a língua do
país; isso significa: como se já tivesse uma linguagem, só que não
aquela. Ou também: como se a criança já pudesse pensar, só que
ainda não falar. E “pensar” aqui significa algo como: falar para si
mesmo” (WITTGENSTEIN, p. 29)

“Para uma grande classe de casos de utilização da palavra


“significado” – se bem que não para todos os casos da sua
utilização – pode-se explicar assim essa palavra: o significado de
uma palavra é o seu uso na língua. E o significado de um nome
explica-se muitas vezes apontando-se para o seu portador”
(WITTGENSTEIN, p. 37-38).

“O demonstrativo “isto” nunca subsiste sem um portador. Pode-


se dizer: “Na medida em que há um isto, a palavra “isto” tem um
significado, seja o isto simples ou composto. ” — O que, porém,
não transforma a palavra em um nome. Ao contrário; pois um
nome não é empregado com um gesto de indicação, mas somente
explicado por ele” (WITTGENSTEIN, p. 38)

“Para a pergunta filosófica: “A imagem visual desta árvore é


composta, e quais são suas partes constituintes?”, a resposta
correta é: “Isso depende do que você compreende por
‘composto’.” (E isso, naturalmente, não é nenhuma resposta, mas
uma destituição da pergunta” (WITTGENSTEIN, p. 41)

“Há, pois, diferentes possibilidades para o nosso jogo de


linguagem (48), diferentes casos nos quais diríamos que um sinal
denomina no jogo um quadrado de tal e tal cor. Nós diríamos isso,
por exemplo, se soubéssemos que as pessoas que usam essa
língua foram instruídas no uso de sinais de tal e tal modo. Ou
quando se coloca por escrito, talvez na forma de uma tabela, que
este sinal corresponde a este elemento, e quando essa tabela é
aplicada no ensino da língua e aproveitada para decisão em certos
casos de disputa. Nós podemos, entretanto, imaginar também que
uma tabela como essa é um instrumento no uso da linguagem.
Então, a descrição de um complexo ocorre assim: quem descreve
o complexo, traz consigo uma tabela e busca nela cada elemento
do complexo, e vai, dentro da tabela, até o sinal (e aquele a quem
for dada uma descrição, pode também traduzir as mesmas
palavras, pela tabela, na visão de quadrados coloridos). Pode-se
dizer que essa tabela admite aqui o papel que em outros casos é
jogado pela memória e pela associação. (Normalmente não
cumprimos a ordem “Traga-me uma flor avermelhada!”,
buscando a cor avermelhada numa tabela de cores e trazendo uma
flor da cor que encontramos na tabela; mas quando se trata de
escolher um determinado tom de vermelho, ou de misturá-lo,
então ocorre de nos servirmos de uma amostra ou de uma tabela.)
Chamemos uma tabela como essa de expressão de uma regra do
jogo de linguagem, então pode-se dizer que o que chamamos de
regra de um jogo de linguagem pode chegar a ter papéis muito
diferentes no jogo” (WITTGENSTEIN, p. 46-47)

“Nomes só designam o que é elemento da realidade. O que não se


deixa destruir; o que em toda mudança permanece o mesmo.” –
Mas o que é isso? – Enquanto dizíamos a proposição, já tínhamos
isso em mente! Nós já proferíamos uma representação muito
específica. Uma determinada imagem que queremos empregar.
Pois a experiência não nos mostra esses elementos. Nós vemos
partes constituintes de algo composto (de uma cadeira, por
exemplo). Nós dizemos que o encosto é uma parte da cadeira, mas
ele mesmo composto de diferentes madeiras; enquanto que o pé é
uma parte constituinte simples. Nós vemos também uma
totalidade que se modifica (é destruída), enquanto suas partes
constituintes permanecem imutáveis. Estes são os materiais com
que confeccionamos aquela imagem da realidade”
(WITTGNSTEIN, p. 51).

“Uma regra fica ali, como uma placa de indicação. – Não deixa
ela aberta nenhuma dúvida sobre o caminho que tenho que tomar?
Mostra ela em que direção devo seguir, se estou perto dela; se
pela rua, ou pelo caminho de terra, ou pela picada? Mas onde está
sugerido em que sentido devo segui-la; se na direção da mão ou
(por exemplo) na direção contrária? – E se em vez de uma placa
de indicação, estivesse ali uma cadeia fechada de placas de
indicação, ou corressem riscos de giz sobre o chão, – só há para
eles uma interpretação? Posso dizer, portanto, que a placa de
indicação deixa então aberta uma dúvida. Ou antes: ela às vezes
deixa aberta uma dúvida, às vezes não. E isso não é mais uma
proposição filosófica, mas uma proposição empírica”
(WITTGENSTEIN, p. 69).

“Mas agora pode parecer que haveria algo como uma análise
última das nossas formas de linguagem, portanto uma forma
decomposta completa da expressão. Isto é: como se nossas formas
usuais de expressão estivessem ainda essencialmente não
analisadas; como se nelas estivesse algo escondido a ser
transportado à luz. Se isso sucede, então a expressão estaria
completamente esclarecida e nossa tarefa solucionada. Isso pode
ser dito também assim: afastamos mal entendidos ao tornar nossa
expressão mais exata: mas pode agora parecer como se
aspirássemos a uma determinada condição de completa exatidão;
e como se isso fosse a própria finalidade da nossa investigação”
(WITTGENSTEIN, p. 74).

“O pensar é envolto com um nimbo. – Sua essência, a lógica, apresenta


uma ordem, e, na realidade, a ordem a priori do mundo, isto é, a
ordem das possibilidades que o mundo e o pensar em conjunto
têm que ter. Essa ordem, no entanto, tem que ser, ao que parece,
altamente simples. Ela está antes de toda a experiência; ela tem
que perpassar toda a experiência; não se pode aderir a ela
nenhuma opacidade empírica ou inseguridade. — Ela tem que ser
muito mais como o puro cristal. Esse cristal no entanto, não se
parece com uma abstração; mas com algo concreto, na realidade,
o mais concreto, o mais duro, por assim dizer. (Trac. Log.-Filos.
No. 5.5563.)
Estamos na ilusão de que o especial, profundo, essencial para nós
na nossa investigação, se situa em que ela tenta apreender a
incomparável essência da linguagem. Isto é, a ordem que existe
entre os conceitos de proposição, palavra, inferência, verdade,
experiência, e assim por diante. Essa ordem é uma super-ordem
entre – digamos – super-conceitos. Enquanto que, na verdade, as
palavras “linguagem”, “experiência”, “mundo”, quando têm uma
aplicação, têm que ter uma tão modesta quanto as palavras
“mesa”, “abajur”, “porta”” (WITTGENSTEIN, p. 76-77).

“Se acreditamos que temos que encontrar aquela ordem, o ideal,


na linguagem real, chegaremos à insatisfação com o que, na vida
cotidiana, chamamos de “proposição”, “palavra”, “sinal”.
A proposição, a palavra, de que a lógica trata, deve ser algo de
puro e precisamente detalhado. E quebramos a cabeça agora sobre
a essência do sinal verdadeiro. – Seria ela, talvez, a representação
do sinal? ou a representação no momento presente?”
(WITTGENSTEIN, p. 79-80)

“A filosofia da lógica não fala de proposições e palavras em


sentido diferente do que fazemos na vida quotidiana, quando
dizemos, talvez, “Aqui está uma frase escrita em chinês”, ou
“Não, isto apenas se parece com caracteres escritos, mas é um
ornamento” etc” (WITTGENSTEIN, p. 81)

“O certo é que nossas observações não poderiam ser observações


científicas. A experiência ‘que se deixa pensar assim ou assim,
contra o nosso preconceito’ – independente de como isso pode ser
chamado – não poderia ser do nosso interesse. (A concepção
pneumática do pensar.) E não poderíamos propor nenhuma teoria.
Não pode haver nada hipotético em nossas observações. Toda
explicação tem que sair, e colocar só a descrição no seu lugar.
Essa descrição recebe sua luz, isto é, sua finalidade, dos
problemas filosóficos. Esses, certamente, não são empíricos, mas
são resolvidos por uma inspeção no modo de trabalho da nossa
linguagem, e, na realidade, de tal modo que este se reconhece:
contra um impulso a não compreendê-lo. Esses problemas são
resolvidos não pela apresentação de novas experiências, mas pela
composição do que é há muito conhecido. A filosofia é uma luta
contra o feitiço da nossa compreensão pelos meios da nossa
linguagem” (WITTGENSTEIN, p. 82).

“O que temos que dizer para explicar o significado, quero dizer,


a importância, de um conceito, frequentemente são fatos naturais
gerais extraordinários. Estes, por causa da sua grande
generalidade, quase nunca são mencionados” (WITTGENSTEIN,
p. 99).

Resumo

Nestes trechos das Investigações filosóficas, Wittgenstein se ocupar


de esclarecer a natureza dos problemas filosóficos segundo uma perspectiva
analítica dos termos e seu uso. Para ele a celebre expressão “sobre o que não
se pode falar deve-se calar” laconiza o sentido profundo dos paradoxos
filosóficos. Em verdade, um problema metafísico ou de conceito é uma
incoerência ou equivoco no uso dos termos compositores das sentenças do
problema. Segundo Wittgenstein, um erro de linguagem.
Nos primeiros axiomas, o filósofo vienense deixa claro que o
aprendizado da língua, como conjunto de códigos terminológicos se dá pelo
uso e não pela efetiva ostentação dos referenciais dos termos. Para ele o
pensar é um pensar discursivo e se desenvolve enquanto há uma espécie de
disputa por lograr êxito na expressão do intencionado. Há, por assim dizer,
um ‘jogo linguístico’.
Este jogo é o desenrolar das relações possíveis e aplicadas de
elementos gramaticais fundamentais no uso. A analogia ao jogo que
Wittgenstein propõe, parece sugerir que o uso envolve o sujeito pensante,
instruindo-o nas regras do próprio jogo. É no fazer do jogo que se aprende
suas regras, pela via do exercício, do treinamento. Isso é para Wittgenstein a
linguagem, um conjunto de regras próprias que exigem uma instrução usual
para a comunicação.
Deste modo o problema real da filosofia é a pura análise dos termos e
dos indeterminados fenômenos em vista de nominá-los, como em seu
exemplo da caixa de ferramentas, dar etiqueta a algo que se explica no uso,
e não no termo. Pensar, filosoficamente, é para Wittgenstein, a realização do
discurso a si mesmo, um falar consigo sobre os nomes dos objetos e a
tentativa de provar a si o sentido do discurso. Assim falar, é falar o pensado
e pensar se dá na ordem do falar.
Por fim, este analítico deixa claro que o sentido de palavras como
‘essência’, ‘linguagem’, ‘experiência’, ‘mundo’, não são objetos específicos,
ou mais ulteriores, ou transcendentais que os nomes simples, ‘casa’, ‘mesa’,
‘cadeira’, pois, na verdade, remetem-se a uma objetividade factual e concreta
que se aprende, primitivamente por uma linguagem usual, que em nada
demonstra uma razão essencial do pensamento, uma ordem transcendental,
mas sim um significativo uso dos termos.

Referências bibliográficas

WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. (Trad) João José R. L. de


Almeida. Campinas: Unicamp.