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Encontro HOMOSSEXUALIDADE: A CONCEPÇÃO DE

Revista de Psicologia MICHEL FOUCAULT EM CONTRAPONTO AO


Vol. XI, Nº. 16, Ano 2007
CONHECIMENTO NEUROFISIOLÓGICO DO
SÉCULO XXI

HOMOSEXUALITY: MICHEL FOUCAULT´S


CONCEPTION OPPOSED TO THE
Sandra Magrini Ferreira Mendes NEUROPHISIOLOGICAL APPROACH OF THE 21ST
Faculdade de Medicina do ABC CENTURY
san.magri@folha.com.br

RESUMO

O presente trabalho aborda o tema da homossexualidade sob a


perspectiva filosófica de Michel Foucault. Para tanto, é apresenta-
da uma atualização do fenômeno da homossexualidade sob os
pontos de vista psicológico, médico/psiquiátrico e cultural pro-
pondo uma compreensão do mesmo a partir da teoria dos disposi-
tivos de Foucault e Deleuze. As referências principais para a pre-
sente discussão foram o primeiro e o segundo volumes da obra
“História da sexualidade”, de Michel Foucault. Apresenta-se uma
contribuição às reflexões emergentes acerca do prazer na sexuali-
dade contemporânea e, mais especificamente, aos dispositivos que
regem a homossexualidade.

Palavras-Chave: Homossexualidade, dispositivos, prazer, contempora-


neidade.

ABSTRACT

This work is an approach of homosexuality through the perspec-


tive and philosophy of Michel Foucault. Homosexuality: an ap-
proach that Michel Foucault intend to go deeper and to broaden
the ideas of that it to be sexuality in our civilization to come from
of devices theories and understanding of occidental “scientia sex-
ualis” in opposition to oriental “ars erotica” This way, we have
tried extending a quite more the Academics and Scientifics reflec-
tions, not about sexuality question but it is more about homosexu-
ality and their devices.
Anhanguera Educacional S.A.
Correspondência/Contato Keywords: Homosexuality, devices, pleasure, contemporaneousness.
Alameda Maria Tereza, 2000
Valinhos, São Paulo
CEP. 13.278-181
rc.ipade@unianhanguera.edu.br
Coordenação
Instituto de Pesquisas Aplicadas e
Desenvolvimento Educacional - IPADE
Artigo Original
Recebido em: 13/06/2007
Avaliado em: 20/06/2007
Publicação: 27 de outubro de 2008
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1. INTRODUÇÃO

Sobre a discussão científica e social acerca da normalidade ou anormalidade da sexua-


lidade humana, o filósofo Francês Michael Foucault afirma que a sexualidade humana,
a partir da história moderna e contemporânea, esteve sob a suposta ameaça de ser do-
minada por processos patológicos, o que teria levado não só as ciências, mas também a
religião a intervirem, atuando tanto na esfera da prevenção como da “cura” e “norma-
lização”.

Neste aspecto, o cristianismo, as ciências médicas e a sexologia inicialmente


definiram a homossexualidade como uma patologia, um desvio da conduta sexual
normal, buscando deste modo mudá-la para o “padrão” dominante vigente da hete-
rossexualidade. Mais recentemente, a 10ª edição da classificação internacional de do-
enças – CID-10 (OMS, 1993) e a quarta edição do manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais – DSM-IV (APA, 1995) excluíram a homossexualidade da classifi-
cação de “doença”.

O estudo da homossexualidade no sentido lato (sexualidade e afetividade)


torna-se relevante e interessante, na medida em que busca compreender o ser humano
de forma global em suas diversas maneiras de agir, pensar, se expressar e se comportar
no que tange à questão da sexualidade.

Nosso objetivo principal é o de estudar a questão da homossexualidade sob a


égide e a hermenêutica dos escritos do filósofo e psicólogo Michel Foucault, princi-
palmente de suas obras acerca da sexualidade humana, precisamente em seus volumes
I e II da História da sexualidade (Foucault, 1990, 1999).

A sexualidade humana e, especificamente a homossexualidade, será analisada


como criação de um dispositivo e, logo, como algo estabelecido pelo poder como forma
de controle e coerção que pretende vislumbrar o comportamento do ser humano e sua
relação com o prazer. Aborda como se vêem as pessoas que não possuem a forma de
obter prazer dentro dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade como forma de do-
mínio dos dispositivos propostos por Foucault.

O objetivo final é o de tentar deslocar a atenção do tema da sexualidade para o


foco do prazer como “linhas de fuga” proposta pelo filósofo (Foucault, 1979).

A questão da sexualidade humana ganhou destaque ao pensamento de Fou-


cault, pois, no final de sua existência, o mesmo procurou entender o que nos move, nos

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orienta e nos direciona para esta proposição tão importante e ao mesmo tempo tão
complexa e que está intimamente relacionada a como obtemos ou não o prazer (Fou-
cault, 1977a).

Cabe ressaltar que Foucault seguiu o pensamento de Nietzsche (1844-1900)


que, por sua vez, admitia a natureza íntima do homem na “vontade”. Isto é, na con-
cepção de Nietzsche o ser humano deve procurar a máxima afirmação de si mesmo
contra qualquer obstáculo, repressão ou coação e sua plena realização. A base do pen-
samento nietzschiano é o conceito da realidade como uma explosão de forças (Molina,
1999).

No que se refere à sociedade, ocorre algo de maneira totalmente inversa: o se-


xo é obrigado a “se confessar”, a falar. Toda pessoa quer saber qual a maneira para se
encontrar o prazer e, isto, segundo Foucault (1979), também faz parte dos dispositivos
impostos pelo poder. Porém, de alguma forma se nega a hipótese repressiva, onde to-
dos são vítimas de um calar intenso acerca de seus desejos e fantasias inconscientes,
mas se reconhece a existência de uma vontade de saber sobre a sexualidade e que esta
vontade é peça essencial de uma estratégia de controle não apenas sobre o indivíduo,
mas também e principalmente sobre toda a sociedade humana.

Para Foucault, o advento do capitalismo não obrigou o sexo a calar-se ou es-


conder-se. Pelo contrário, desde o século XVI até o XIX (o nascimento das ciências hu-
manas), o sexo foi incitado a se confessar e a se manifestar por meio das instituições:
família, Igreja, Estado e dos saberes como a Medicina, o Direito, a Sociologia, a Psico-
logia e a Psiquiatria.

Isto posto, o estudo da homossexualidade tendo como ponto de partida os es-


critos e o pensamento do filósofo Michel Foucault é uma forma de discutir uma visão
alternativa sobre a sexualidade e a afetividade homossexual para, também, de certa
forma, fomentar uma tentativa de luta contra o preconceito e a discriminação social.

2. HOMOSSEXUALIDADE HOJE

Apresentaremos, aqui, algumas considerações sobre a homossexualidade do ponto de


vista da Medicina, Psiquiatria e Psicologia atual.

O termo homossexualidade foi criado no Século XIX, em 1869, pela médica


húngara Karoly Maria Benkert. Inicialmente, apresentava-se como uma conotação es-
tritamente clínica para descrever a realidade humana das pessoas que tinham o impul-

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so sexual voltado para alguém do mesmo sexo, pois “(...) Por homossexual, entende-
mos a condição humana de um ser pessoal que, ao nível da sexualidade, caracteriza-se
desta peculiaridade de sentir-se constitutivamente instalado na forma de expressão ex-
clusiva com um parceiro do mesmo sexo”. (Vidal, 1985, p. 58).

Há algumas considerações importantes que devem ser feitas na discussão a-


cerca do fenômeno da homossexualidade. Primeiramente, a questão da homossexuali-
dade deve ser entendida como uma questão a ser considerada em um contexto global.
Isto é, o ser humano deve ser visto como um ser total e não apenas voltado para o sen-
tido sexual, afinal o ser humano não se define apenas e somente a partir de sua forma
de expressar sua sexualidade: é alguém completo, total, um ser portador de desejos,
vontades, vida e sonhos e não apenas sua forma de ser e de se comportar sexualmente
(Vidal, 1985).

Sob esta concepção, a sexualidade não deve ser vista de maneira reducionista
e, assim, descarta-se como definidoras da homossexualidade condutas como a “pede-
rastia”, a “prostituição” ou violação, pois estas se são consideradas “formas desvian-
tes”, as são tanto em condições hetero como homossexuais.

A condição homossexual não sustenta per se nenhum traço de patologia somá-


tica ou psíquica, embora possa deixar a questão de sua maior carga traumática (por
uma série de situações de preconceitos e “inaceitação” social), quer seja em sua origem,
quer seja em sua dificuldade para ser vivida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1992, propôs que a homosse-


xualidade não devia ser mais considerada uma doença. Assim, foi retirada do CID-10
(Classificação de transtornos mentais e do comportamento) e, portanto, deixou de ser
considerada uma patologia, assim como não está incluída como comportamento pato-
lógico na quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-IV).

No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia redigiu a resolução 001/1999, es-


tabelecendo normas de atuação dos psicólogos com relação à orientação sexual das
pessoas. O texto considera a homossexualidade como algo não patológico e proíbe que
os psicólogos considerem seus pacientes como portadores de doenças (CFP, 1999).

De acordo com o ponto de vista médico e biológico,

A sexualidade, desejo fundamental do ser, ocupa um lugar central em nossa con-


dição existencial. Ela compreende três dimensões básicas: uma biológica, uma
psicológica e outra cultural. A dimensão biológica corresponde ao impulso sexu-
al, determinado por processos fisiológicos, cerebrais (sistema límbico, principal-

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mente) e hormonais; a psicológica corresponde aos desejos eróticos subjetivos e à


vida afetiva intimamente implicada na vida sexual; finalmente, a dimensão cultu-
ral corresponde aos padrões de desejos, comportamentos e fantasias sexuais cria-
dos e sancionados historicamente pelas diversas sociedades e grupos social. Estas
três dimensões manifestam-se de modo geral, de forma conjunta na vida sexu-
al.(Dalgalarrondo, 2000, p.216).

A sexualidade humana, portanto, é algo bastante complexo e por essa razão


requer cuidados em sua análise, dadas a vastidão e extensão de sua expressão.

Ocorre que antes da palavra sexualidade, deve-se esquadrinhar a questão do


desejo do ser humano. A partir disto, entende-se que é fundamental tentar discernir o
tanto quanto possível o processo mental que ocorre no indivíduo que se diz homosse-
xual ou heterossexual.

A partir do conhecimento nas neurociências, admite-se o sistema límbico,


grupo de estruturas no qual se inclui o hipotálamo, como o responsável pelos aconte-
cimentos referentes à sexualidade, à agressividade e aos padrões primitivos de sobre-
vivência, como a fome, a sede e o sono. Por outro lado, a região que comanda os mo-
vimentos da racionalidade, do pensamento é a do córtex cerebral, que está imediata-
mente acima do sistema límbico (Dalgalarrondo, 2000).

Sob esta perspectiva, desejar ou não o outro, sendo ele homem ou mulher, in-
depende da “vontade” ou da deliberação da pessoa. Isso significa que esse fato, por si
só, já caberia para espantar todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação que
possa existir contra os homossexuais.

Fisiologicamente, a região do cérebro responsável pela sexualidade do ser


humano é o hipotálamo (como já dito anteriormente), região esta responsável também
pela freqüência cardíaca e pressão arterial e pela liberação dos feromônios, substâncias
químicas que, quando captadas por indivíduos de uma mesma espécie, permitem o re-
conhecimento mútuo e sexual entre esses indivíduos.

De acordo com Houzel (2006, pp. 47-51):

O hipotálamo dos homens heterossexuais, responde fortemente ao feromônio


feminio EST (estra-1,3,5(10),16-tetraz-3-nol), um derivado do hormônio estrogê-
nio, produzido durante o ciclo menstrual. A mesma região do cérebro das mulhe-
res heterossexuais reage ao feromônio masculino AND (4,16-androiestadie-3-
nona), que deriva de hormônios sexuais masculinos e é encontrada no suor, na
pele e nos pêlos axilares dos varões. Como era de esperar, o AND aumenta a ex-
citação das mulheres e diminui a dos homens quando ambos são heterossexuais.

Em síntese: homens e mulheres que “gostam” de mulheres respondem ao fe-


ronômio EST e as mulheres e os homens que se sentem atraídos pelos homens respon-
dem ao feronômio masculino AND. Foram feitos exames de ressonância magnética
funcional para se chegar a estas conclusões.

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As neurociências apontam, também, que a atração que se sente pelo outro, se-
ja ele de que sexo for, é o resultado da formação do feto no útero influenciado por car-
gas genéticas e questões hormonais.

De outra maneira, estudos demonstram que podem existir diferenças no hipo-


tálamo de indivíduos hetero e homossexuais. Os homens heterossexuais têm mais neu-
rônio em um determinado núcleo hipotalâmico (INAH-3) que as mulheres e os ho-
mens homossexuais.

A descoberta de que o cérebro e não os hormônios sexuais, nem a genitália, que


se define a identidade ou a preferência sexual é uma das lições das neurociências
de maior impacto em nossa vida cotidiana (...) mas o cérebro é capaz de fazer me-
lhor; pode até mudar crenças, teorias e preconceitos, felizmente se 100% da popu-
lação têm preferência sexual inata e biologicamente determinada, somos todos
iguais nesse quesito mesmo que o cérebro da maioria responde a feromônios do
sexo oposto. Tentar mudá-la é como insistir que uma pessoa troque a cor da pele,
torne-se menos alta ou mude a cor dos olhos. É inútil, inviável e injusto. (Houzel,
2006, p. 51)

Porque o presente estudo trata especificamente da homossexualidade a partir


da teoria dos dispositivos de Michel Foucault, torna-se relevante destacar que Foucault
questiona a tradicional divisão entre hetero e homo (sexualidade), as identidades e as ca-
tegorias sexuais, as relações entre sexo e poder, os gêneros como criações culturais. A
sua proposta é colocar em discussão antigas “verdades” já estabelecidas.

Para ele, não devemos catalogar, convencionar, enumerar e discriminar formas de ser e
de agir. As pessoas que possuem a afetividade e a sexualidade voltadas para alguém
do mesmo sexo, simplesmente possuem esta determinada forma de ser, estar e se rela-
cionar com o outro. Não necessariamente estão enquadradas em determinados “rótu-
los” e isto significa que, ao dizer que esta ou aquela forma de obtenção do prazer é cer-
ta ou errada, não permite que o ser humano se desenvolva plenamente em sua vida
“devir”, isto é não chega a “ser o que se é”, mas sim vive de forma a adequar-se aos
padrões e critérios sociais estabelecidos pelos dispositivos.

3. A HISTÓRIA DA SEXUALIDADE – VOL. I – A (HOMO) SEXUALIDADE COMO


PRODUTO DE UM DISPOSITIVO

A vontade de saber

Michel Foucault é considerado um dos maiores pensadores de nossa época. Ao lado de


Freud e Sartre, alguns historiadores o consideram como o grande pensador do final do
século XX (Molina, 1999).

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Foucault (1990) inicia seu texto em História da sexualidade – a vontade de sa-


ber – destacando que, desde o século XVIII, houve uma multiplicação das falas sobre o
sexo como campo do exercício do poder. A partir desta concepção, suas idéias são es-
tabelecidas e explicitadas por meio do que nomeia de os dispositivos da sexualidade; isto
é, de que as pessoas foram, de certa maneira, obrigadas a falar sobre sexo, a fim de que
houvesse o controle do mesmo.

Segundo Michel Foucault (1999, p. 26), a partir do século XVIII “houve uma
fermentação discursiva sobre a sexualidade, com uma proliferação de discursos sobre o
sexo, tendo como função verificar e conhecer tanto as formas como os objetos de ativi-
dade e desejo sexual”.

Ele afirma que nasceu uma incitação política, econômica e técnica ao se falar
do sexo, e isto não de uma forma a se fazer uma teoria geral da sexualidade, algo quali-
tativo, mas sim uma análise quantitativa de classificação e especificação da sexualida-
de com fins de domínio e poder.

Foi incitado que as instituições falassem cada vez mais dele, com detalhes e
explicações de como funcionava. Como exemplo, Foucault cita a confissão pastoral ca-
tólica depois do Concílio de Trento que procurava saber intensa e minuciosamente so-
bre a prática sexual: posições, gestos, toques, sensações etc.

A partir disto, concebia-se um “casal legítimo” que, por sua vez, poderia ditar
as leis do sexo e servia como modelo das estruturas de como deveria ser a sexualidade
– marido e mulher, dentro do casamento, numa estrutura monogâmica e que deveria
desempenhar seu papel sexual entre “quatro paredes” com o principal objetivo da pro-
criação. “O quarto dos pais era, portanto, a única forma legítima de se fazer sexo”
(Foucault, 1999, p.9).

Ainda de acordo com Foucault (1999), a partir desse modelo, foi criada uma
“scientia sexualis” no Ocidente, isto é, uma ciência do sexo que tinha o papel da confis-
são, do falar, a fim de produzir um saber sobre o sexo. Ao contrário de ser ocultado,
reprimido e negado, existe nesta “ciência” um aspecto central de revelação e esquadri-
nhamento do sexo. Os ocidentais são levados a confessar tudo, expor seus prazeres
como uma obrigação já internalizada.

A confissão estabelece uma relação de poder na qual aquele que confessa se


expõe, produz um discurso sobre si, enquanto aquele que o ouve, interpreta o discurso,
redime, condena, domina.

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Os povos orientais, em contraposição, não possuem uma ciência acerca da se-


xualidade, mas uma arte erótica que se refere a possuir o conhecimento não do sexo,
da sexualidade, mas sim sobre o prazer, as formas de ampliá-lo, um saber “de dentro”,
momento em que a verdade sobre o prazer é extraída do próprio saber.

Todo aquele que não se enquadra na proposta “família monogâmica” que visa
apenas à procriação e não ao prazer acaba sendo excluído de alguma forma, como des-
taca Foucault: “ (...) e se o estéril insiste, e se mostra demasiadamente, vira anormal: re-
ceberá este status e deverá pagar as sanções” (Foucault, 1999, p. 24). E mais: “coloca-se
um imperativo: não somente confessar os atos contrários à lei, mas procurar fazer de
seu desejo, de todo o seu objeto de desejo um discurso. Se possível nada deve escapar a
tal formulação, mesmo que as palavras empregadas devam ser neutralizadas” (Fou-
cault, 1999, p. 24).

Segundo ele, a sociedade moderna não teve como objetivo o fazer calar e con-
denar o sexo, mas sim a majoração extrema do assunto e a colocação do mesmo como
segredo, conforme consta: “(...) o que é próprio das sociedades modernas não é terem
condenado o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar
dele sempre, valorizando-o como segredo” (Foucault, 1999, p. 36).

Como já explicitado anteriormente, a fim de se corroborar o pensamento, vi-


mos que do ponto de vista do poder e do saber existente nas instituições, as questões
sexuais eram consideradas aceitas somente se fossem da forma da família conjugal,
dentro de casa, com o objetivo único da procriação. O sexo, portanto, no que diz res-
peito ao prazer se cala.

Para Foucault, a sexualidade é um campo de elaboração, compreensão e estili-


zação de condutas pode ser explorado com seriedade e rigor. E, assim, critica a hipóte-
se repressiva, na medida em que questiona, em primeiro lugar se a repressão ao sexo
seria mesmo uma evidência histórica. Em segundo lugar, correlaciona a mecânica do
poder e da sociedade e interroga se esta forma de agir se direciona mesmo à uma or-
dem repressiva e, por último, indaga se o discurso crítico que se volta à repressão enra-
izado num mecanismo de poder, até hoje sem contestação, ou faria parte de uma rede
histórica disfarçada que se chama repressão. Isto é, existe mesmo uma repressão ao se-
xo, à sexualidade e ao falar de sexo ou não? (Foucault, 1999).

Na concepção de Foucault, a história da sexualidade, nestes últimos séculos,


não trata de uma crescente repressão, ou seja, não é uma história que se volta para a

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repressão na fala e na atitude. Muito pelo contrário, fez-se uma vontade, uma intenção
acerca de se falar de sexo, a fim de justificar um domínio “daquilo que se sabe”.

Ele assevera que, exponencialmente, “o discurso sobre a repressão se mantém,


porque é fácil de ser sustentado e corrobora com o poder” (Foucault, 1999, pp. 11-12).

Nesse sentido, Foucault ironiza ao determinar: “para amanhã, o bom sexo” e


segue afirmando que, é por conta da tal chamada repressão, que se faz existir e coexis-
tir, discretamente o medo do ridículo ou do “peso histórico” de se buscar a felicidade,
o prazer e uma sexualidade considerada límpida e saudável.

4. O DISPOSITIVO DA SEXUALIDADE

O conceito de dispositivo, segundo Foucault e Deleuze

Como a teoria dos dispositivos é bastante complexa e intricada de se compreender,


torna-se necessário mencionar os conceitos de dispositivos com as palavras do próprio
Foucault, conforme se segue:

O dispositivo é a rede que se pode estabelecer entre estes elementos e (...) está
sempre inscrito em um jogo de poder, estando sempre, no entanto, ligado a uma
ou a configurações de saber que dele nascem mas que igualmente o condicionam
(...) estratégias de relações de força sustentando tipos de saber e sendo sustenta-
dos por eles. (Foucault, 1979, pp. 244 -247).

Foucault relata que a realidade é uma correlação de forças. Dependendo dos


acontecimentos que ocorrem na sociedade, existem as urgências históricas, que, por
sua vez, abalam estas correlações de forças, criando novas correntes, novas teias ou
novos dispositivos (Machado, 1982).

Ele disserta muito acerca dos saberes, dos poderes e das subjetividades que
ocorrem no mundo (Foucault, 2003).

Podemos citar como exemplo de saberes: o Direito, a Psicologia, a Psicopato-


logia e a Medicina. Como poderes, podemos citar as Instituições e o poder de Polícia.
Como subjetividades, citamos as identidades e os modos de vida individual e coletivo.
E, de acordo com Deleuze, (1990, p.2), “as três grandes instâncias que Foucault distin-
gue sucessivamente (Saber, Poder e Subjetividade) não possuem, de modo definitivo,
contornos definitivos; são antes cadeias de variáveis relacionadas entre si”.

Diante disso, especificamente no que diz respeito ao dispositivo de sexualida-


de, instituído a partir do Século XVIII, Foucault comenta que, no intercurso de forças

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contrárias, atendendo a uma demanda social, surge esta rede de dispositivos que se-
grega e determina o “normal” e o “patológico”, a sexualidade “sadia” e a “doente”.

Deleuze (1990) complementa afirmando que os dispositivos consistem num


conjunto multilinear, constituído de linhas de forças que possuem uma correlação de
energias contrárias e que podem também apresentar rupturas, fissuras, subjetividades.
Segundo ele, vivemos em um dispositivo, nele agimos e, a partir disto, entra em nossa
vida outro dispositivo que é o atual. Nossas vidas se resumem entre o que fomos (por
um dispositivo anterior) e o que vamos nos tornando (por um dispositivo atual).

5. EXPERIÊNCIAS COM O PRAZER E “LINHAS DE FUGA”

Para Foucault, a “batalha” pelos direitos dos gays é considerado um episódio que não
representa a etapa final. Um direito está mais ligado a seus efeitos reais, atitudes, com-
portamentos do que a formulações legais.

Por isso, não adianta ficar lutando e requerendo direitos, levantando bandei-
ras e praticando manifestações, crendo que a sociedade se modificará por conta disso.

Em contraposição a este pensamento, podemos mencionar Ferrari (2004, p.


26):

O entendimento do cotidiano, das identidades e das diferenças como construção


social, histórica e cultural parece contribuir para a elaboração de projetos de e-
mancipação, que serão construídos no presente a partir dos inconformismos do
passado e com a perspectiva do pensamento das opções, do futuro. Seguindo es-
se raciocínio, pode-se concluir que os movimentos gays, entendidos como local de
questionamento, de construção de conhecimento, deveriam, a partir do pensa-
mento do passado, das raízes, propiciar a elaboração de perspectivas para um
pensamento do futuro, das opções.

É certo, e faz-se importante destacar, que existe discriminação em relação aos


homossexuais, a despeito das proibições previstas pelas leis.

De acordo com essa temática, o referido filósofo comenta:

É necessário lutar para dar espaço aos estilos de vida homossexual, às escolhas
de vida em que as relações sexuais com pessoas do mesmo sexo sejam importan-
tes. Não basta tolerar dentro de um modo de vida mais geral a possibilidade de
fazer amor com alguém do mesmo sexo, a título de componente ou de suplemen-
to.(...) O fato de fazer amor com alguém do mesmo sexo pode muito naturalmen-
te acarretar toda uma série de escolhas, toda uma série de outros valores e de op-
ções para os quais ainda não há possibilidades reais. (Foucault, 2004a, p. 119)

É interessante mencionar que a idéia das “linhas de fuga” de Foucault, na


qual se enfatiza o prazer, não valorizando tanto a questão do sexo em si e por si mes-
mo, serve para demonstrar que não adianta confrontar diretamente os dispositivos, es-
pecificamente os da sexualidade, visto que isto não produzirá resoluções concretas. Por

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outro lado, existe, a seu ver, uma maneira do homossexual viver sem grandes conflitos
internos e externos pela busca exclusiva de uma vida prazerosa, não só na esfera amo-
rosa e afetiva, mas também de outras formas de prazer no dia-a-dia, como a dietética –
prazer pela alimentação – a sublimação (grifo nosso) – a obtenção do prazer pela satisfa-
ção de sentir-se útil e produtivo -, a arte, a beleza, a religiosidade, além de um enrique-
cimento das relações sociais.

Isto não significa, para ele, deixar de lado o desejo, a vontade e a própria ma-
nifestação de sua forma de ser. Significa, pelo contrário, uma maior gama de possibili-
dades de se buscar a felicidade, não se fixando exclusivamente na sexualidade, como
se esta fosse o único caminho de se obter prazer na vida. Vive-se modernamente num
empobrecimento das relações causado pelas instituições.

Pela questão das “linhas de fuga” de Foucault, que tenta escapar da fixação da
sexualidade, rumando para o prazer do ser humano, pode-se compreender que existe
um modo de vida, de ser, de amar, de viver inerente ao homossexual, diverso do pro-
pagado pela cultura sexual moderna, à qual Foucault atribui ser escrava dos dispositi-
vos. Neste sentido, “linha de fuga” passa a existir para as questões da sexualidade hu-
mana, homo ou heterossexual, e se referem ao prazer de ser e viver não só nesta forma
de expressar e sentir prazer, mas se abrir para o maior número de possibilidades agra-
dáveis que a vida dispõe, tais como o prazer intelectual, espiritual, estético, dietético,
profissional, artístico, entre outros.

Ainda, em a História da sexualidade – Vol. I – a vontade de saber, Foucault


(1999) aborda a “scientia sexualis” (ciência sexual) em contraponto a “ars erótica” (arte
erótica). Para ele, em nossa sociedade ocidental nos debruçamos e nos dedicamos a
uma ciência essencialmente subordinada ao imperativo da moral e das normas médi-
cas. A pretexto de dizer a verdade, esta ciência provocava medo na população, ruman-
do à “morte”.

A “scientia sexualis” (cultuada na sociedade ocidental) pretendia assegurar o


vigor físico, a pureza moral e social e pretendia eliminar quem não estava de acordo
com isto, na busca pelo discurso e pela verdade.

Por outro lado, a “ars erótica”, cultuada em sociedades orientais como a China,
Japão e Índia, mostra que o importante é a busca do prazer encarnado como prática e
recolhido como experiência. O prazer deve ser visto em todas as suas facetas: intensi-
dade, qualidade específica, duração, reverberações no corpo e na alma, mantendo-se
“discreto” e “quieto” sob pena de perder sua eficácia, se for divulgado. Suas caracterís-

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ticas principais são: domínio absoluto do corpo, gozo excepcional, esquecimento do


tempo e dos limites, elixir de longa vida, exílio da morte e de suas ameaças (Foucault,
1977b).

Para Foucault, um caminho de saída, uma linha de fuga é dizer não ao sexo rei!
Dizer não à sexualidade como primazia e questão mais importante existente e elaborar
formas de se voltar para o conhecimento do prazer, sua qualificação, intensidade, ma-
neira, de tal modo a encontrar satisfação em todas as etapas e possibilidades da vida:
alimentação, amizade, estética, ascese, amor e outras formas de obter e dar prazer.

Finalmente, Foucault elabora a economia política da vontade de saber como


segue: mecanismos positivos, produtores de saber, multiplicadores de discursos, indu-
tores de prazer e geradores de poder.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na proposta do presente estudo, ao abordar o tema homossexualidade sob o ponto de


vista de Michel Foucault, consideramos a homossexualidade como produto de um dis-
positivo social que a rege. Desta forma, ela se torna um discurso, um conceito criado e
categorizado para denominar e conceitualizar determinados modos de ser e estar no
mundo.

A sexualidade deve ser admitida como um campo de elaboração, compreen-


são e estilização de condutas, devendo ser explorado com seriedade e rigor. A possível
“desconstrução” de idéia de sexo idealizada por Michel Foucault implica o fato de que
o sexo foi algo construído teoricamente. Para ele, o discurso sobre a repressão se man-
tém porque é fácil de ser sustentado e corrobora o poder vigente. O dispositivo da se-
xualidade impôs, de alguma maneira, a vontade de falar, de saber e do poder sobre a
sexualidade humana e, evidentemente, sobre a homossexualidade.

Na síntese das idéias de Foucault, vimos a contraposição ao “sexo rei” que i-


dealiza a sexualidade humana como única e exclusiva forma de obter o prazer em de-
trimento a todos os demais prazeres existentes no mundo como a ascese, a dietética, o
prazer dos relacionamentos sociais e afetivos, o trabalho, as produções que o indivíduo
pode fazer e todas as possibilidades de vida.

Na medida em que se fala, discursa e incita os saberes sobre a sexualida-


de/homossexualidade, o indivíduo contribui com as mais diversas facetas da produ-

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ção do conhecimento sobre o sexo e não necessariamente sobre o prazer e suas verten-
tes.

Ferraz (2005, p. 80) destaca que:

O sentido de “homossexualidade” está intimamente ligado à produção histórica


da subjetividade moderna, ao homem psicológico, dotado de uma interioridade
que passará, cada vez mais ao longo do século XX, a ter no desejo seu segredo e
sua chave interpretativa. Tal processo apoiou-se em uma intensa sexualização e
medicalização dos corpos, no contexto de um biopoder, de uma biopolítica que
Foucault soube tão bem caracterizar e circunscrever.

Finalmente, entrelaçando a questão da homossexualidade com o pensamento


de Michel Foucault, vimos que as prováveis novidades por ele apresentadas são as ex-
periências com o prazer e as chamadas linhas de fuga. Foucault destaca que, embora a
lei possa proibir a discriminação com relação aos homossexuais, ela (a homossexuali-
dade) continuará a existir como manifestação da produção dos dispositivos da sexuali-
dade. Neste sentido, cabe verificar qual o dispositivo “dominante” da sociedade con-
temporânea.

Foucault mostra-se contrário aos movimentos públicos em favor da homosse-


xualidade, pois, para ele, este ato de cunho político não representa mudanças quanto à
“padronização” na qual a sociedade “embala” a homossexualidade.

Torna-se isto um olhar demasiadamente negativista com relação à vida das


pessoas homossexuais? Absolutamente! Foucault propõe como linhas de fuga o “ser o
que se é”, sem levantar bandeiras ou manifestações políticas e sociais sobre o tema. E,
assim, deve-se buscar os mais diversos prazeres que a vida pode oferecer. No caso de
uma relação homossexual, acredita o filósofo que não basta tolerar dentro de um modo
de vida mais geral a possibilidade de fazer amor com alguém do mesmo sexo a título
de componente ou de suplemento. Isto é, necessariamente, deve-se avaliar as escolhas
dos indivíduos como um todo, seus valores, opções, sonhos e possibilidades reais
(Foucault, 2004b).

Neste sentido, a proposta aqui explicitada, apresenta-se como uma contribui-


ção às reflexões emergentes acerca do prazer na sexualidade contemporânea e, mais
especificamente, aos dispositivos que regem a homossexualidade, como uma forma de
discutir uma visão alternativa sobre a sexualidade e a afetividade homossexual para,
também, de certa forma, fomentar uma tentativa de luta contra o preconceito e a dis-
criminação social.

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262 Homossexualidade: A concepção de Michel Foucault em contraponto ao conhecimento neurofisiológico do século XXI

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Sandra Magrini Ferreira Mendes


Especialista em Saúde Mental (Fiocruz/RJ),
Estagiária de Psicologia Médica, Teóloga, Cola-
boradora das áreas de Psiquiatria e Psicologia
Médica da Faculdade de Medicina do ABC.
Ambulatório de Psiquiatria. Orientadores: Profa
Dra Tânia Alves de Toledo Ferraz e Prof. Ms.
Márcio Silva.

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