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ÉTICA E CIDADANIA

Instrutoras: Flávia Antunes e Laura Mariano


Ajustada por: Alexandra Wanderley e Núbia Muniz
(Instrutoras)

Abril - 2016
SUMÁRIO

Capítulo 1 –Ética e Moral


1.1 Conceitos de Ética e Moral..........................................................................03 a 06
1.2 Diferença entre Ética e Moral ......................................................................07 a 09
1.3 Tipos de Ética ...............................................................................................09 e10
Capitulo 2 – Conduta Ética
2.1 Conduta Ética no Serviço Público..........................................................................11
2.2 O que esperar do Serviço Público .................................................................11 a 13
2.3 Moral da Integridade e Moral do Oportunismo...............................................13 e 14
2.4 Pequenas Corrupções.................................................................................. 15 a 17
Capitulo 3 – Assédio Moral
3.3 Conceito e Legislação.............................................................................................18
3.4 Tipos de Assédio.............................................................................................19 e 20
Capítulo 4 – Cidadania
4.1 Conceito e Valores Básicos de Cidadania.....................................................21 a 26
4.2 Cidadania no Século XXI.................................................................................27 a 29
4.3 Mundo do Trabalho e Cidadania Organizacional ............................................30 a 33
4.4 Cidadania e Combate a Corrupção......................................................................... 34

REFERÊNCIAS....................................................................................................35 e 36

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Capítulo 1 – Ética e Moral

Caro (a) servidor (a),


Neste primeiro capítulo vamos apresentar os conceitos de ética e
moral; esclarecer que, apesar de haver certa confusão, ética e
moral possuem significados diferentes; vamos distinguir o que é
antiético, amoral e imoral; além de falarmos sobre os tipos de ética:
individual, de grupo e profissional.

O intuito deste capítulo é fazer com que você perceba as diferenças entre o que é
ético e moral, para que seja capaz de observar e analisar os fatos da vida cotidiana, tanto
na esfera privada quanto no ambiente de trabalho.
Mas, antes disso, achamos importante reforçar os motivos que temos para estudar
Ética, vejamos:

1.1 POR QUE ESTUDAR ÉTICA?


Por que incluíram esse tema na grade de formação e capacitação dos servidores da
Administração Pública?
Podemos citar diversos motivos, tais como:
 É um assunto recorrente e que sempre foi de interesse do homem. As questões
éticas perpassam por todos os aspectos da vida (familiar, profissional, acadêmico,
social), ao passo que desde a antiguidade o homem
nutre interesse pelo assunto;

 Por conta do aumento da competitividade e


individualismo. O modelo econômico vigente, o
sistema capitalista, estimula os imperativos “cada um
por si” e “os fins justificam os meios”, o que gera
várias distorções no convívio social;

Figura 1.1: Individualismo


Fonte: http://www.ip.usp.br/portal/index.php?
option=com_content&view=article&id=2033%3Adialogos-sobre-etica-moral-e-
educacao&catid=47%3Avideos&Itemid=94&lang=pt Acessado em: 24/10/2015.

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 Por conta da crise de valores. A
corrupção está impregnada no cenário político,
econômico e social do nosso país que acaba
por possibilitar perdas de referências éticas. As
Figura 1.2: No Conselho de Ética
Fonte: http://jornalcontato.com.br/home/index.php/2013 pequenas corrupções e o “jeitinho brasileiro”
/02/07/comissao-de-etica-na-camara-municipal/. Acessado em:
24/10/2015.
estão entranhadas na cultura brasileira, ao
passo que pessoas que se comportam eticamente às vezes são tachadas de
“bobas”, enquanto que os que burlam as leis, por exemplo, são tidas como
“espertas”, gerando uma confusão entre o que é o certo e o errado, ocasionando
assim a crise de valores.

 Para fortalecer ações éticas no setor público. Exatamente por conta da crise de
valores, que se faz mister fomentar as discussões sobre a ética a fim de fortalecer
as ações éticas no setor público, além de possibilitar que as reflexões sejam
conduzidas pelo(a) servidor(a) para os mais diversos âmbitos de sua vida.

1.2. ÉTICA

Figura 1.3: Dilema Ético


Fonte: https://acropolejardimamerica.files.wordpress.com/2014/07/etica-e-moral-calvin-e-hobbes.jpeg. Acessado em: 24/10/2015.

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O dilema ético retratado na tirinha é apenas um exemplo dentre muitos, tais como: É
ou não ético desligar os aparelhos de uma pessoa que está com uma doença terminal e
que só está viva porque as máquinas a conservam? Uma garota descobre que está
grávida, mas não tem condições psicológicas, nem materiais de criar o bebê, deve ela
abortar? Um desempregado, pai de três filhos, recebe uma proposta de emprego, mas que
exige que seja desonesto e cometa irregularidades que beneficiem seu patrão, deve ele
aceitar essa oferta?
Como podemos ver, nos deparamos diariamente com vários dilemas que envolvem
a ética. Umas questões são mais simples e outras nem tanto assim. Mas de um modo
geral, elas permeiam nossas vidas. Através da ética decidimos acerca de várias questões
como a escolha dos nossos governantes, dos nossos cônjuges, das nossas
amizades...Enfim, através da ética decidiremos qual o caminho iremos trilhar.
Mas, o que é Ética afinal?
Para Sá (2003, p. 15), a ética “estuda os fenômenos morais, as morais históricas, os
códigos de normas que regulam as relações e as condutas dos agentes sociais, os
discursos normativos que identificam, em cada coletividade, o que é certo ou errado fazer”.
A palavra Ética deriva do termo grego, “ethos” e significa modo ser, caráter,
comportamento. É um ramo da filosofia que lida com a compreensão das noções e dos
princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual. Trata-se de
uma reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como
no individual.
Em outras palavras, Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da
investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma
racional, fundamentada, científica e teórica. A Ética teoriza sobre as concepções que dão
suporte à moral. “É uma espécie de teoria sobre a prática moral, uma reflexão teórica
que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem um determinado
sistema moral” (MORAIS, s.d, p.1). Em suma, é uma reflexão sobre a moral.
O exercício de um pensamento crítico e reflexivo quanto aos valores e costumes
vigentes tem início ainda, na cultura ocidental, na Antiguidade Clássica com os primeiros
grandes filósofos, a exemplo de Sócrates, Platão e Aristóteles. Questionadores que eram,
propunham uma espécie de “estudo” sobre o que de fato poderia ser compreendido como
valores universais a todos os homens, buscando dessa forma ser correto, virtuoso, ético. O
pano de fundo ou o contexto histórico nos qual estavam inseridos tais filósofos era o de
uma Grécia voltada para a preocupação com a pólis, com a política.

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Nesse contexto, a ética seria uma reflexão acerca da influência que o código moral
estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade, e acerca de como lidamos com essas
prescrições de conduta, se aceitamos de forma integral ou não esses valores normativos e
até que ponto nós damos o efetivo valor a tais valores.
Segundo alguns filósofos, nossas vontades e nossos desejos poderiam ser vistos
como um barco à deriva, o qual flutuaria perdido no mar, o que sugere um caráter de
inconstância. Essa mesma inconstância tornaria a vida social impossível se nós não
tivéssemos alguns valores que permitissem nossa vida em comum, pois teríamos um
verdadeiro caos. Logo, é necessário educar nossa vontade, recebendo uma educação
(formação) racional, para que dessa forma possamos escolher de forma acertada entre o
justo e o injusto, entre o certo e o errado.
Assim, a priori, podemos dizer que a ética se dá pela educação da vontade.
Segundo Marilena Chauí em seu livro Convite à Filosofia (2008), a disciplina denominada
ética nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vêm e o que valem os
costumes. Nasce quando também se busca compreender o caráter de cada pessoa. Isto é,
quando se busca compreender, refletir sobre o senso moral e a consciência moral
individual.

1.3 MORAL
Como você pode perceber, a ética e a moral estão relacionadas, apesar de serem
distintas. A ética estuda/reflete a moral. Mas, então, o que é moral?
A palavra “moral”tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos
costumes”.
A moral é o conjunto de regras que regulam as relações entre as pessoas de
uma sociedade, na busca pelo bem comum, felicidade e justiça. Estas regras são
adquiridas pela educação, tradição e cotidiano, e orientam cada indivíduo nas suas
ações e julgamentos sobre o que é certo ou errado, bom ou mau, moral ou imoral.
De acordo com Vásquez (1998), moral é um conjunto de normas, regras e valores
que uma sociedade define para si mesma. Desse modo, podemos entender que a moral
não é inata, inerente ao homem, na verdade ela é fruto da consciência coletiva, das
experiências individuais e culturais que foram se construindo durante a história da
humanidade. A partir do que foi adquirido, distingue-se o bom do mau, o permitido e o
proibido. A moral surgiu da necessidade de respostas às necessidades da vida em grupo,

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sendo possível somente quando o homem se tornou um ser social e este ser social só
existe se tiver regras.
Para ficar ainda mais claro para você o que é Ética e Moral, vamos apresentar as
principais diferenças entre ambos.

1.4 DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL


A Moral surgiu nas sociedades primitivas, quando o homem passou a viver em
agrupamentos. A partir dessa fase, passou a ter consciência Moral sobre o que era o bem
e o mal naquele ambiente em que vivia. A Ética surgiu com Sócrates, na antiguidade,
quando existia maior capacidade intelectual para investigar, explicar criticar e refletir sobre
as normas morais. A Ética faz com que as atitudes dos homens não se dêem apenas por
tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Ou seja,
enquanto a Ética é teórica e reflexiva, a Moral é eminentemente prática. Uma completa
a outra, ao passo que o conhecimento e a ação são indissociáveis. Eis uma das diferenças
que Vásquez (1998) elencou.
Outra distinção ocorre de o fato da Ética tender a ser universalizar, enquanto que
a Moral é relativa, pois pode variar com o tempo, e/ou de sociedade para sociedade.
Vejamos um exemplo que engloba as diferenças vistas até agora:
Suponhamos que Juca pediu emprestado o livro de um colega. Como o colega não
cobrou a devolução do livro, Juca decidiu ficar para si, vendê-lo ou doá-lo a outra pessoa.
Em qualquer uma dessas ações, se o colega for religioso, ele entenderá que Juca agiu de
forma contrária à moral, pois feriu o mandamento divino de não roubar. Se o colega for
uma pessoa que afirma o direito da propriedade privada, entenderá que a ação de Juca
também foi moralmente reprovável, pois violou a lei e praticou um crime.
Note que, pessoas diferentes condenariam Juca por motivos diferentes. Cada
pessoa ou grupo tem noção de certo e errado. Umas se fundamentam na religião, outras
nas leis, etc. Temos, então, várias “morais”, em que cada uma se fundamenta em noções
diferentes para dizer o que é certo e o errado. Temos então o caráter relativo da moral.
As normas morais se cumprem por meio da convicção íntima e adesão interna de
cada um dos indivíduos, já as normas jurídicas não exigem essa convicção. A pessoa que
pertence aquele contexto social deve cumprir a norma jurídica, ainda que não a ache justa,
há o dispositivo externo que o obriga a cumpri-la.
Ou seja, a Moral é internalizada e nos constitui como sujeito. A Ética, com suas leis,
nos possibilita compreender se a nossa moral encontra-se adequada com a sociedade,

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porém isso não significa que vou concordar ou agir como a lei determina, pois a ação moral
independe de ter ou não regras. Sendo assim, podemos extrair outras diferenças, tais
como: os princípios éticos possuem obrigatoriedade em seu cumprimento, podendo
acarretar, inclusive, em sanções penais; já ao que se refere à Moral, há livre arbítrio, no
máximo o que acontecerá é a desaprovação social.

Nesse ponto da discussão, vale abrir um parêntese para explicar as diferenças entre
amoral, imoral, antiético e aético.

a) Amoral – é aquela pessoa que não tem conhecimento das normas morais, não tem
as condições subjetivas necessárias agir segundo os preceitos morais. Por exemplo:
uma criança que foi criada na selva por dez anos pelos chimpanzés, e ao ser
resgatada, não tinha noção de que andar nua, roubar para comer e fazer suas
necessidades fisiológicas na rua era errado.
b) Imoral – é aquele que age contra a moral, mesmo sabendo quais as regras morais
da sociedade em que faz parte. Por exemplo: um trabalhador que aceita suborno
para infringir uma regra.
c) Antiético – é alguém que age contrariando a ética que um grupo compartilha e
aceita.
d) Aético – pessoa incapaz de escolher, decidir e julgar, tais como: crianças ou pessoa
com deficiência mental, idoso com esclerose senil, tanto que a lei considera
inimputável.

Como podemos perceber, são conceitos muito próximos e que para compreendê-los
precisamos ter bem definido que a Moral está relacionada com a prática, com a ação em si,
com os costumes, valores, tradições e hábitos. Já a Ética é a reflexão que se faz acerca da
Moral e que tende a formular conceitos universais, que valham em qualquer lugar,
independente da Moral específica do grupo, o exemplo mais próximo disso é a Declaração
dos Direitos Humanos, de 1948. Então, a prática de valores éticos pelo indivíduo é o que
chamamos de Moral.

Depois de tudo que foi dito, tornou-se fácil para você perceber que em uma mesma
sociedade o que era Moral pode deixar de ser com o passar do tempo, isso demonstra o
caráter temporal da Moral. Por exemplo, há décadas atrás era inaceitável que as
mulheres trabalhassem fora de casa e se realizassem profissionalmente. Hoje, você

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aceitaria que uma mulher fosse proibida de trabalhar? Enquanto que a Ética, pelo fato de
buscar princípios universais, o caráter é mais permanente.

Vejamos agora um quadro-resumo com as diferenças entre Ética e Moral:

Figura 1.4: Diferenças entre Ética e Moral


Fonte: http://www.codigodeconduta.org/eticaemoral.php
Acessado em: 24/10/2015.

Acreditando que você já conseguiu entender que a Ética e a Moral possuem


conceitos distintos, apesar de fazerem parte de uma mesma realidade, vamos falar agora
sobre os tipos de Ética.

1.5 . TIPOS DE ÉTICA: PESSOAL, DE GRUPO E PROFISSIONAL


A Ética Pessoal são os princípios que
norteiam a vida de um indivíduo. Por exemplo,
quando você se pergunta: Como buscarei a minha
felicidade? Em quais princípios irei respaldar
minhas ações? As respostas queobtiver a esses
questionamentos podem apontar para a sua Ética
Pessoal. Em outras palavras, aÉtica Pessoal
Figura 1.5: Qual caminho a seguir?

Fonte: http://futurodahospedagem.blogspot.com.br/2013/10/etica-na-vida-profissional.html. funciona como uma bússola que orienta


Acessado em: 24/10/2015.

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indivíduo a proceder segundo alguns princípios pré-estabelecidos por ele mesmo.

O indivíduo cria na mente uma espécie de “central de análise”, onde as situações


passam por avaliações internas que buscam moldar a concepção sobre determinado
aspecto. A Ética Pessoal pode ser influenciada/moldada positiva ou negativamente pelas
experiências, educação, treinamento e pressão de grupo.

O ideal é que a Ética Pessoal perpasse sempre pelo respeito à dignidade da pessoa
humana, às diferenças culturais, aos pontos de vistas do outro.

AÉtica de Grupo consiste nos princípios que orientam o comportamento dos


membros de um grupo, são os padrões subculturais como a linguagem, os rituais, que são
adotados pelos integrantes. Normalmente, o novato quando chega em um setor sofre
pressão do grupo para se ajustar aos padrões. Em determinadas circunstâncias, pode
haver um conflito entre a Ética Pessoal e a Ética do Grupo, nesses casos o indivíduo
precisa decidir sobre qual irá seguir. Vale frisar que a Ética de Grupo não é
necessariamente melhor do que a Pessoal, e vice-versa.

A Ética Profissional consiste em um conjunto de normas codificadas do


comportamento dos praticantes de uma determinada profissão. Advogados, médicos,
militares, por exemplo, possuem seus códigos de ética que dizem de forma expressa quais
os princípios que devem ser respeitados pelos profissionais da área. A Ética Profissional
busca regulamentar o relacionamento entre os profissionais, cultivar e preservar a
imagemda instituição, visando o respeito à dignidade da pessoa humana e a construção do
bem-estar no contexto sociocultural em que o profissional está inserido. No próximo
capítulo, iremos abordar de forma detalhada a conduta ética profissional no serviço público.

RESUMO

Nesta aula, vimos a importância de estudar Ética. Aprendemos que Ética e Moral não são a
mesma coisa, apesar de estarem interligadas. Que a Ética é teórica e reflete a Moral; tende
a ser universal e atemporal; além de estabelecer quais os princípios que irão nortear a vida
de um indivíduo. A Moral, por sua vez, consiste nos costumes, valores, hábitos, tradições.
Ela se caracteriza prática, relatividade e temporalidade. Por fim, compreendemos o que é
Ética Pessoal, de Grupo e Profissional.

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Capítulo 2– Conduta Ética no Serviço
Público
Caro(a) servidor(a),
Neste segundo capítulo vamos apresentar os princípios éticos que devem
nortear a conduta do servidor; discutir sobre a moral da integridade e a
moral do oportunismo; além de falar sobre as pequenas corrupções.

O intuito deste capítulo é fazer com que você fortaleça ainda mais a sua conduta
ética no ambiente de trabalho, por meio de ações respaldadas na moral da integridade,
vigiando-se em relação ao “jeitinho brasileiro” e às pequenas corrupções que permeiam o
nosso dia a dia.

2.1O QUE ESPERAR DO SERVIDOR PÚBLICO?


No capítulo anterior, falamos sobre a Ética Profissional enquanto conjunto de
normas codificadas que devem ser seguidas pelos profissionais no exercício de seu
trabalho. Ter ética profissional nada mais é do que o indivíduo cumprir com todas as
atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela lei, pela sociedade e
pelo seu grupo de trabalho. A Ética Profissional busca regulamentar o relacionamento entre
os profissionais, cultivar e preservar a imagem da instituição, visando o respeito à
dignidade da pessoa humana e a construção do bem-estar no contexto sociocultural em
que estão inseridos.
Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente,
graças a diferentes áreas de atuação. No entanto, há elementos da ética profissional que
são universais e por são isso aplicáveis a qualquer atividade profissional, tais como:
honestidade, integridade, imparcialidade, coragem etc..
O princípio básico de atuação do servidor público consiste em servir o cidadão e a
coletividade. Todo aquele que é aprovado em concurso público deve possuir esse
pressuposto básico: agir de forma ética e transparente. Afinal de contas, ao servidor
público é reservada a importante missão de gerir a coisa pública, tanto em nível
estratégico, por meio de políticas públicas, quanto no tático e operacional, na condução e
execução das atividades públicas. Cabe ao servidor dedicar-se, ter zelo e agir na busca
pelo bem comum.
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O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal
traz orientações que servem como base para os servidores das mais diversas esferas,
inclusive a estadual, vejamos algumas:
a) O servidor deve desempenhar seu trabalho norteado pela dignidade, decoro,
zelo, eficácia e consciência dos princípios morais;
b) Sua conduta deve ser ética, baseia-se na verdade, dispor do sigilo, zelo,
disciplina, moralidade, cortesia, boa vontade, o cuidado e o tempo necessário
para o cumprimento de seus deveres;
c) A razão da atuação do servidor é a busca pelo bem comum;
d) O servidor deve sempre se lembrar que o seu salário é pago por meio dos
tributos dos cidadãos, inclusive ele mesmo, e que a contrapartida esperada pela
sociedade é que os serviços prestados e todo tipo de atuação seja respaldado na
ética;
e) Como integrante da sociedade, o bom serviço prestado pelo servidor reflete nele
mesmo;
f) Os atos e fatos da vida privada do servidor interferem na sua vida profissional,
em decorrência disso, a conduta fora do órgão público deve ser tão ética quanto
durante a execução do seu trabalho;
g) Os danos ao patrimônio público pelo servidor, tanto pela deterioração quanto
pelo descuido, constituem em ofensa a todos àqueles que se dedicaram no
processo de construção;
h) São considerados danos morais: deixar o cidadão esperando longas filas,
maltratar o cidadão ou atrasar na prestação do serviço público.

Como pode ser visto, o servidor público deve respeitar os valores éticos e morais,
deve respeitar as leis (as principais serão apresentadas no Capítulo 3), pois estes
contribuem sobremaneira com a qualidade do atendimento no âmbito do poder público,
além de conjugar o respeito ao usuário.
Para finalizar este tópico, podemos elencar algumas dicas para a conduta ética do
servidor público:
 Lembre-se da Missão, Visão e Valores do seu órgão;
 Saibam quais são as suas atribuições e responsabilidades;
 Respeite o próximo, a privacidade do outro e a hierarquia;
 Esteja comprometido e envolvido com seu trabalho;

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 Seja assíduo e pontual;
 Trate todos com respeito, até alguém que não gosta;
 Assuma uma atitude imparcial;
 Exerça suas funções com zelo, competência e eficiência;
 Seja transparente com suas ações;
 Seja humilde para assumir seus erros, tolerante e flexível em relação ao outro e com
mudanças;
 Atribua os créditos a quem merece;
 Devolva o que pedir emprestado;
 Se precisar corrigir alguém, faça-o em particular;
 Cumpra com sua palavra;
 Afaste-se de fofocas;
 Aja de acordo com seus princípios, mesmo que contrarie a maioria;
 Demonstre confiança e energia (conheça suas forças e fraquezas);
 Conheça os aspectos legais dos seus direitos e deveres

2.2MORAL DA INTEGRIDADE E MORAL DO OPORTUNISMO


No nosso país, percebemos a coexistência simultânea de duas morais opostas:
Moral da Integridade e Moral do Oportunismo, segundo Srour (2002). O que vem a ser
cada uma?
A moral da integridade é um sistema de normas morais oficiais que permeiam o
imaginário brasileiro, e acaba se personificando em uma gama de virtudes. Ela tem base
em valores como a honestidade, lealdade, idoneidade, decoro, decência, lisura,
confiabilidade, respeito, entre outras, enquanto que a desonestidade, enganação, fraude,
blefe e da manipulação do inocente é veemente criticada. Dispõe de um discurso oficial
(verdadeiro ou fingido) de integridade, que se manifesta contrário a corrupção, a falta de
vergonha na cara, e todas as demais práticas antiéticas e imorais. Costuma enaltecer as
pessoas de “caráter”, “´sérias” e ditas de confiança, em detrimento as que “não prestam”. A
moral da integridade costuma ser compartilhada nas escolas, igrejas, tribunais, imprensa.
O bem comum é tido como prioritário, para tanto, deve-se cumprir com as obrigações
sociais, como se fossem mandamentos.
A moral do oportunismo é eminentemente egoísta, consiste naquela ideia de levar
“vantagem em tudo”, “é bom quando é bom para mim”, de “dar jeitinho”, “cada um por si”,
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“salve-se quem puder”, de valer-se da ingenuidade alheia. Inclusive, o ideal é que isso não
se torne público, afinal, este é um discurso oficioso.

Enfim, a moral do oportunismo é aquela moral que alimenta e sacramenta a


hipocrisia, pois, em público, todos simulam ser adeptos da moral da integridade, e o
indivíduo que faz uso dela é tido como esperto. Inclusive, essa malandragem é encarada
como se fosse uma travessura, como se fizesse parte do cotidiano, ser esperto é uma
forma de vencer na vida.

E o pior, quem não faz parte deste esquema é taxado de “babaca”, “ingênuo”,
“mané”. Na moral do oportunismo os interesses particulares estão acima de todos os
demais, e o que importa é o triunfo da conveniência sobre a responsabilidade social. Ou
seja, é o extremo da moral da integridade. Quem costuma assumir a moral do oportunismo
são aquelas pessoas que valorizam o enriquecimento fácil e rápido.

Podemos citar algumas das várias práticas que caracterizam a moral do


oportunismo: caixa dois, subornos de fiscais, sonegação fiscal, compra ou venda de
produtos sem nota fiscal, fraudes contábeis, formação de cartéis, superfaturamentos,
exploração do trabalho infantil, contratação de funcionários sem carteira assinada entre
outros.
Na moral da integridade prima-se pelo jogo limpo, pois acredita-se que todos irão respeitar
as regras, o que gera confiança em pessoas de fora do grupo. Já na moral do oportunismo,
não há confiança nas pessoas de fora das “panelinhas”, pois não se tem certeza se o
esquema e os jeitinhos para obtenção de vantagens e lucros continuarão em segredo.
Infelizmente, existem muitas pessoas que
oscilam entre a moral da integridade e moral do
oportunismo. Em certos momentos ficam
horrorizados com as falcatruas dos políticos, mas
quando tem oportunidade, utilizam-se logo do
“jeitinho” para receber vantagens. Só é necessário
Figura 2.1 Integridade x Oportunismo
Fonte: http://blogdoparamazonas.blogspot.com.br/ que os interesses próprios sejam ameaçados, que
Acessado em: 24/10/2015.
já se tem motivos para quebrar as regras, burlar as
normas.
Enquanto servidores públicos, nossas ações devem estar respaldadas
necessariamente na moral da integridade, pois, como se já não bastasse o caráter hipócrita
da moral do oportunismo, ainda garante ao servidor público que ele sofra sanções
decorrência do seu uso.
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O ideal é que na nossa vida prática possamos reavaliar nossas ações em busca de
uma sociedade mais justa. Precisamos ir além do discurso e demostrar com atos a nossa
vontade de melhorar enquanto coletividade.

2.3 PEQUENAS CORRUPÇÕES


Esse tópico complementa o anterior na medida em que aponta as pequenas
corrupções que lidamos diariamente. Para tanto, partimos de um pronunciamento feito no
mês de março de 2015 pela Presidente Dilma, que diante de tantos escândalos, se referiu
à corrupção como uma “senhora idosa”, que já vive há muitos anos entre nós. Infelizmente,
desde quando os primeiros indivíduos vagavam pelos continentes já existiam os espertos,
que tiravam vantagens em detrimento do prejuízo alheio. Basta recordamos o que ocorreu
com a chegada dos portugueses no Brasil, em 1500.
A cultura do “jeitinho”, em muitos casos, nos faz realizar ações prejudiciais ao
próximo. Quando furamos fila, sonegamos impostos, estacionamos em vaga de idoso
indevidamente, entre outras coisas, estamos sendo corruptos. Aí você deve está se
perguntado: corrupto? Sim. Porque quando um indivíduo prejudica alguém, pouco ou muito,
está na verdade fortalecendo um dos maiores males do nosso país. Agir de forma leviana é
uma prática corriqueira em todo o território brasileiro, mesmo que algumas pessoas achem
que corrupção só existe em Brasília. A corrupção está na verdade, infelizmente,
impregnada em boa parte da população.
No terreno da ética o apodrecimento dos valores éticos positivos se inicia por meio
de pequenos delitos, infrações e aceitações. Quando, por exemplo, é noticiado que os
marginais soltaram rojões para sinalizar a entrada da polícia na favela, o cidadão comum
costuma reprovar tal ação. Entretanto, esse mesmo cidadão não ver nada de mal em piscar
o farol na estrada para alertar que a viatura policial rodoviária está na outra direção. Isso se
caracteriza como um relativismo ético, que acaba por corroer toda a nossa estrutura de
dignidade.

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Figura 2.2: Corrupção nossa de cada dia
Fonte: http://www.jornalodiario.com.br/primavera-do-leste/editorial/corrupcao-nossa-de-cada-dia/52519. Acessado em: 24/10/2015

Importante ter em mente que os políticos não vêem de Marte. Eles partem dessa
mesma sociedade que busca se favorecer de algum modo, “desenrolando”, mesmo
correndo o risco de prejudicar alguém. Então, até que ponto estamos contribuindo com a
corrupção em nosso país? Eis uma questão que vale a pena refletir.

Uma campanha criada pela Controladoria-Geral da União, nos anos de 2013 e 2014,
intitulada de “Pequenas Corrupções – Diga não”, visou chamar a atenção do cidadão para
as pequenas corrupções que praticamos diariamente, muitas vezes sem nos darmos conta
de que estamos alimentando toda uma rede de corrupção. Essas pequenas atitudes são
antiéticas, ou até mesmo ilegais, e costumam ser culturalmente aceitas e terem sua
gravidade ignoradoa e/ou minimizada. A campanha deixa claro que “a mudança por um
país mais ético começa em cada um de nós”.

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Vejamos dois dos encartes divulgados na campanha:

Figuras 2.3: Pequenas Corrupções – Diga Não!


Fonte: http://www.cgu.gov.br/redes/diga-nao/campanha-pequenas-corrupcoes-diga-nao. Acessado em: 24/10/2015

Então você deve está se perguntando: quando morrerá a “senhora idosa”? Talvez
nunca, mas podemos controlá-la e fazer com que ela perca suas forças. É bem verdade
que isso leva tempo e requer trabalho duro, porém é possível.
Acreditamos que a ação mais importante consiste nos adultos darem exemplo as crianças.
Elas aprendem por meio do exemplo, e se queremos que no futuro os políticos e os
cidadãos sejam honestos, precisamos ser hoje aquilo que queremos ser no amanhã.
Na esfera pública, quem não tem notícia das pequenas corrupções, tais como levar
material de expediente para casa, merenda escolar, material cirúrgico entre outros? Além
de serem atitudes que contrariam a ética, também incorrem em crime como verão no
próximo capítulo.
O ideal é que possamos repensar nossas ações no ambiente de trabalho e na vida,
buscando minimizar as pequenas corrupções nossas de cada dia.

RESUMO

Nesta aula, vimos qual a conduta que deve ter um servidor público no exercício das suas
funções. Fortalecemos o conceito de que o foco do servidor deve ser sempre em garantir o
bem comum, para tanto, deve respaldar sua conduta na moral da integridade. O ideal é
que, não apenas como servidor, para também como cidadão, possamos reavaliar nossa
conduta, possibilitando maior afastamento da moral do oportunismo, do “jeitinho brasileiro”,
e das pequenas corrupções, contribuindo assim com uma nação mais digna de se viver.

17
ATIVIDADE DE APRENDIZAGEM

O filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821) cunhou a seguinte expressão: “Cada


povo tem o governo que merece”!
Baseado nisso, o que temos feito para contribuir com a manutenção da corrupção? Como
podemos refletir nossas ações e agir com vista a adotarmos condutas mais éticas no nosso
dia a dia enquanto exercemos nossas funções públicas?

Capítulo 3– Assédio Moral


3.1 ASSÉDIO MORAL (Lei nº 13.314, de 15 OUT 2007)

Dispõe sobre o assédio moral no âmbito da Administração Pública Estadual direta,


indireta e Fundações Públicas.
Para fins do disposto na presente lei, considera-se
assédio moral toda ação repetitiva ou sistematizada
praticada por agente e servidor de qualquer nível que,
abusando da autoridade inerente às suas funções, venha
causar danos à integridade psíquica ou física e à auto-estima
do servidor, prejudicando também o serviço público prestado
Figura 3.7:
Fonte: e a própria carreira do servidor público. (Art. 2º da Lei
http://www.sintchospir.com.br/sintc
hospir/ass%C3%A9dio.htm.
Acessado em: 24.10.2015. 13.314/2007).
Fica vedada a prática de assédio moral no âmbito da Administração Pública Estadual
direta e indiretamente de qualquer de seus Poderes e Fundações Públicas.
Assédio moral é a exposição dos trabalhadores em situações humilhantes e
constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho no exercício de
suas funções.

Figura 3.9:
Figura 3.8:
http://www.newsrondonia.com.br/noticias/alguns+dos+casos+mais+bizar
Acessada em: 24.10.2015.
.
Fonte: http://www.sintchospir.com.br/sintchospir/ass%C3%A9dio.htm
ros+de+assedio+moral+por+frederico+e+fernandes+filho/42210
Acessada em: 24.10.2015.
18
São mais comuns em relações hierárquicas e autoritárias, em que predominam
condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais
chefes dirigida a um ou mais subordinado (s), desestabilizando a relação da vítima com o
ambiente de trabalho. Pode ser classificado em:

3.2ASSÉDIO VERTICAL–DESCENDENTE:de cima (chefia) para baixo (subordinados):

Proveniente do empregador, bem como qualquer outro superior hierárquico (diretor,


gerente, chefe, supervisor), que receba uma delegação do poder de “comando”; Utiliza-se
poder de chefia para fins deabuso. Ocorre quando os subordinados são agredidos pelos
empregadores ou superiores hierárquicos, e levados a aceitar tudo o que é imposto pelo
empregador, para garantir o emprego.
Principais causas: Desestabiliza o trabalhador de forma que produza mais por
menos. Causa impressão que não está atingindo os objetivos da empresa e/ou
organização, a vítima fica praticamente desamparada e desprotegida, sofrendo as piores
consequências psicológicas ou físicas.

Figura 3.10:
Fonte: http://noticias.ne10.uol.com.br/brasil/noticia/2015/09/11/vitima-de-assedio-moral-nao-goza-direitos-sociais-no-
trabalho-diz-procurador-567832.php
Acessado em 24.10.2015.

3.3ASSÉDIO VERTICAL – ASCENDENTE: debaixo (subordinados) para cima (chefia):


É praticado por um grupo contra a chefia, já que dificilmente um subordinado isoladamente
conseguiria desestabilizar um superior. Parte de um ou vários subordinados contra o
superior hierárquico. Ex: quando o superior excede nos poderes de mando ou adota
posturas autoritárias, com intuito de aumentar a competitividade e a rivalidade entre os
colegas de trabalho.
Principais causas: Subordinados com ambição excessiva. Existe um ou dois que
influenciam os demais. O objetivo é alcançar o lugar do superior já tendo os subordinados
como aliados, uma vez que estes o ajudaram a "derrubar" a antiga chefia. Sentem-se parte
do grupo de tomada de decisões.

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Figura 3.11: Assédio Moral
https://blogdamercia.wordpress.com/tag/assedio-moral/
Acessado em 24.10.2015.

3.4ASSÉDIO HORIZONTAL PARITÁRIO: É o mais percebido: Ocorre entre colegas de


trabalho de mesmo grau hierárquico, ou seja, sem ascendência funcional entre si.
Quando um grupo isola e assedia um membro – parceiro. Manifesta-se através de
brincadeiras maldosas, gracejo, piadas, grosserias, gestos obscenos, isolamento. Resultam
em conflitos interpessoais, que acarretam em dificuldades de convivência, ou por
competitividade/rivalidade para alcançar destaque dentro da organização;

Geralmente é praticado de forma individual ou coletiva e pode partir de um ou de


vários trabalhadores em face de um grupo. É percebido entre os próprios colegas de
trabalho, em razão da competitividade, discrepância salarial,ou inveja do trabalho realizado
pelo colega, ou pela discriminação por fatores raciais, políticos, religiosos. Submetem o
sujeito a situações de humilhação com comentários ofensivos, boatos sobre sua vida
pessoal, e acusações que podem denegrir sua imagem perante a organização.

Principal causa:Eliminar concorrentes, principalmente quando este indivíduo vem


se destacando com frequência perante os superiores.

3.5MISTO:É um caso mais raro de acontecer: quando a vítima sofre o assédio tanto dos
colegas que se encontram no mesmo nível hierárquico como também por aquele que
está em um nível superior aos demais. É mais frequente em ambientes de trabalho com
grande competitividade interna e mau gerenciamento. Torna-se um ambiente de trabalho
estressante, no qual o patrão impõe um nível elevadíssimo de exigências.

Principal causa: É combinado mediante colegas com a omissão e a conivência de


superiores hierárquicos, pode ser transformado em uma forma mista, que alia o assédio
descendente com o horizontal, conjuntamente.

Capítulo 4 – Cidadania
20
4.1CONCEITO E VALORES BÁSICOS DA CIDADANIA

A origem da palavra cidadania vem do latim “civitas”, que quer dizer cidade. A
palavra cidadania foi usada na Roma Antiga para indicar a situação política de uma pessoa
e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer.
Segundo Dalmo Dallari (2008), “a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá
à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo”.
A plenitude da Cidadania implica numa situação na qual cada pessoa possa viver
com decência e dignidade, através de direitos e deveres estabelecidos pelas necessidades
e responsabilidades do Estado e das pessoas.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ser considerada como a maior
prova existente de consenso entre os seres humanos, pelo menos é o que defendia o
nobre filósofo e jurista italiano Norberto Bobbio (1992).
Para Bobbio (1992), a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi uma
inspiração e orientação para o crescimento da sociedade internacional, com o principal
objetivo de torná-la num Estado e fazer também com que os seres humanos fossem iguais
e livres. E pela primeira vez, princípios fundamentais sistemáticos da conduta humana
foram livremente aceitos pela maioria dos habitantes do planeta.
Em todas as épocas da história, e em todas as culturas houve sinais de dignidade e
fraternidade, que são esboços dos Direitos Humanos. Mesmo que todos os tratados e
acordos da história antiga priorizassem os deveres, cumprimentos de leis podemos verificar
um mínimo de respeito e tentativas de se evitar o caos na sociedade, um dos princípios dos
Direitos Humanos.
Todos os seres humanos nascem com direitos inalienáveis. Estes direitos buscam
proporcionar uma vida digna, e cabe ao Estado proteger tais direitos. A liberdade,
igualdade, tolerância, dignidade e respeito – independente de raça, cor, etnia, credo
religioso, inclinação política partidária ou classe social – permite ao ser humano buscar tais
direitos fundamentais.
Os Direitos Humanos são indivisíveis: e são neles englobados questões sociais,
políticas e econômicas. Tais como:

 Todas as pessoas devem ter o direito de formar a sua própria opinião e de exprimi-la
individualmente ou em assembleias pacificas;

21
 Todas as pessoas devem ter o direito de participar no governo;
 Estar livre de prisão arbitrária, detenção e tortura – quer a pessoa seja um opositor
ao partido no poder, pertença a uma minoria étnica ou seja um criminoso comum;
 Livre expressão religiosa e uso de sua língua para manter suas tradições;
 Todo ser humano deve ter a oportunidade de trabalhar, ganhar a vida e sustentar a
sua família;
 As crianças merecem proteção especial.

Vamos agora refletir um pouco sobre estas questões???

Será que os Direitos Humanos estão sendo cumpridos como deveria?


Será que estamos participando ativamente da nossa sociedade?
Será que estamos sendo vigilantes de nós e dos nossos governantes?

A resposta parece ser NEGATIVA! Pois a violência banalizada, como


os assassinatos, as chacinas, os extermínios, o tráfico de drogas, o crime
organizado, as mortes no trânsito e a corrupção desenfreada, não pode ser aceita como
algo normal, ou seja, devemos dizer NÃO a estas violações dos Direitos Humanos.
O mais importante instrumento da sociedade moderna no que tange aos Direitos
Humanos é a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Este documento,
marco da nossa era, tornou-se um autêntico paradigma defensor da ética, da moral e dos
bons costumes. Mas o que constatamos é um aumento constante da violência e total
desrespeito aos Direitos Humanos.

VIOLÊNCIA

Figura 4.1: Violência


Fonte: http://f1team.leiaja.com/ong-afirma-que-violacao-aos-direitos-humanos-ainda-e-problema-
no-bahrein/. Acessado em: 24/10/2015.

22
GENOCÍDIO

Figura 4.2. Genocídio


Fonte:http://blog.portalexamedeordem.com.br/blog/2014/12/ser-
advogado-pode-ser-muito-mais-do-que-voces-imaginam/ Acessado
em: 24/10/2015.

FOME

Figura 4.3: Fome


Fonte:http://www.ultimosacontecimentos.com.br/fome
s/fao-menos-de-800-milhoes-de-pessoas-passam-
fome-no-mundo.html. Acessado em: 24/10/2015.

FALTA DE MORADIA
23
Figura 4.4: Falta de Moradia
Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/impressao.asp?artigo=173.
Acessado em: 24/10/2015.

E aí, diante destas imagens que fazem parte de uma dura realidade social: cruel,
triste e perversa, o que para você significa cidadania? Quais são os seus valores básicos?

É difícil encontrar um conceito de cidadania suficientemente abrangente que seja


aplicável a qualquer lugar, situação ou momento. Primeiro porque, como acontece com
outros conceitos ligados à evolução das sociedades humanas cidadania é uma construção
histórica, ou seja, modifica-se por influência das transformações da história humana. Além
disso, ela reflete o ponto de vista e a condição social de quem a utiliza.
Isso porque o conceito de cidadania depende ainda do jogo de interesses de
segmentos sociais diferentes e dos conflitos entre os que estão no poder e os que estão
fora dele.
Sendo assim, vamos partir de um ponto comum de referência para chegarmos à
definição adotada hoje pela maioria dos países:
Todos nós temos direitos humanos universais, que devem ser respeitados em
qualquer lugar do mundo, independentemente da nossa nacionalidade. Os que estão
relacionados à nacionalidade são os direitos de cidadania. Ou seja, a cidadania é uma
ligação jurídico-política que o indivíduo tem com o Estado, a que pertence e que lhe
garante direitos e lhe impõe obrigações.
Seus direitos são os de decidir e influir sobre os destinos do Estado e o de ter a sua
condição humana garantida e protegida por ele. Suas obrigações são permitir e cuidar para
que todos obedeçam às regras estabelecidas, de forma que a vida em comum transcorra

24
em harmonia e respeito e que os interesses coletivos sempre predominem sobre os
particulares.
Por isso, ser cidadão supõe desenvolver atitudes, assumir padrões de
comportamento e adquirir hábitos que favoreçam o bom convívio com os demais e também
que suas ações sejam pautadas pela ética do cuidado, do zelo, pelo bem comum e pelo
respeito a coisa pública. Ou seja, aquele contínuo estado de alerta, de observação
cuidadosa em relação à segurança, à dignidade e ao bem-estar do outro, que nos leva a
sempre respeitá-lo e a nos colocar de seu lado e defendê-lo quando alguém não o
respeitar.
Por essas razões, é nosso dever apoiar e estimular a extensão dos direitos de
cidadania a todos, assumir responsabilidades coletivas e pressionar organizações e
instituições que podem promover a melhoria das nossas condições de vida.
O conceito de cidadania teve origem na Grécia Antiga e foi utilizado para designar
os direitos relativos ao cidadão, ou seja, o indivíduo que vivia na cidade e ali participava
ativamente dos negócios e das decisões políticas. Cidadania pressupunha, portanto, todas
as implicações decorrentes de uma vida em sociedade. Ao longo da história, o conceito de
cidadania foi ampliado, passando a englobar um conjunto de valores sociais que
determinam o conjunto de deveres e direitos de um cidadão.
Portanto, Cidadania são os direitos e deveres do cidadão e ela pode ou não ser
exercida.

Para a ética, não basta que exista um elenco de princípios fundamentais e direitos
definidos nas Constituições. O desafio ético para uma nação é o de universalizar os direitos
reais, permitido a todos cidadania plena, cotidiana e ativa. Desse modo, será possível a
síntese entre ética e cidadania, na qual possa prevalecer muito mais uma ética de
princípios do que uma ética do dever.

E QUAIS SERIAM OS VALORES BÁSICOS PARA


EXERCERMOS A CIDADANIA?

Valor é a palavra que dá legitimidade a uma pessoa.É a nossa


conduta dentro dessa sociedade, em todas as áreas: na família,
na no meio social e no trabalho. Por exemplo: as atividades

25
profissionais dos diversos órgãos do governo, por estarem relacionadas com os direitos
das pessoas, dependem da observação de certos valores indispensáveis ao respeito à
cidadania. Como esta atividade é voltada para o bem comum, deve conter e até estar
alicerçada em valores comuns, tais como:

 Legalidade: Um conjunto de normas e regras impostas ou convencionadas, com a


finalidade de disciplinar a convivência das pessoas na sociedade pressupõe que as
condutas estejam dentro dos parâmetros estabelecidos na lei, ou por ela não
proibidas;
 Respeito: O respeito é o reconhecimento, a manutenção e a reverência aos direitos
das pessoas. Toda pessoa deve ser valorizada e respeitada, sem qualquer
discriminação por sexo, raça, idade, função, etc;
 Honra: É o valor interno de cada pessoa e como se trata de um valor individual,a
honra pode ser tratada como a dignidade da pessoa humana;
 Reciprocidade: A reciprocidade impõe que devemos tratar as pessoas da forma
como gostaríamos de ser tratados;
 Eqüidade: A equidade é um valor indispensável para o exercício da atividade
profissional, pois é esse valor que exige o tratamento equitativo entre as pessoas,
onde se deve buscar sempre a igualdade, devem ser tratadas igualmente sem
privilégios e/ou sem discriminações.
 Moderação: É importante para a busca do equilíbrio. Assim, deve-se agir de forma
moderada, evitando a precipitação e a intolerância. Por exemplo, o servidor público
deve ser um profissional equilibrado, que tenha convicção da importância de sua
atividade, é importante reconhecer suas próprias limitações.
 Senso de Responsabilidade: O cidadão deve viver uma vida com
responsabilidade, por exemplo, o servidor Público tem de ter um vínculo com a
causa pública. A sociedade não pode confiar os direitos e serviços prestados ao
funcionário que não seja responsável e que não esteja executando o seu serviço
com assertividade e competência.
 Bondade: Trata-se de um valor simples, onde uma pessoa sente prazer em ajudar
outra. O agente público deve ser uma pessoa provida de bondade. É importante
que demostre satisfação com as relações internas e externas, bem como ser útil à
sociedade.

26
4.2A CIDADANIA NO SÉCULO XXI: DIREITOS CIVIS SÓ NA LEI!?

O esforço de reconstrução, melhor dito, de construção da democracia no Brasil


ganhou ímpeto após o fim da ditadura militar, em 1985. Uma das marcas desse esforço é a
dimensão que assumiu a palavra cidadania. Políticos, jornalistas, intelectuais, líderes
sindicais, dirigentes de associações, simples cidadãos, todos a adotaram. A cidadania,
literalmente, caiu na boca do povo! Mais ainda, ela substituiu o próprio povo na retórica
política. Não se diz mais "o povo quer isto ou aquilo", diz-se "a cidadania quer". Cidadania
virou gente. No auge do entusiasmo cívico, chamamos a Constituição de 1988 de
Constituição Cidadã.

Mas havia ingenuidade no entusiasmo, havia a crença de que a democratização das


instituições traria rapidamente a felicidade nacional. Pensava-se que o fato de termos
reconquistado o direito de eleger nossos prefeitos, governadores e presidente da República
seria garantia de liberdade, de participação, de segurança, de desenvolvimento, de
emprego e de justiça social.

As coisas não caminharam tão bem, muito pelo contrário,já quase 30 anos passados
desde o fim da ditadura, problemas centrais de nossa sociedade, como a violência urbana,
o desemprego, o analfabetismo, a má qualidade da educação, a oferta inadequada dos
serviços de saúde e saneamento, e as grandes desigualdades sociais e
econômicascontinuam sem solução, ou se agravam, ou, quando melhoram, é em ritmo
muito lento.

Em consequência, os próprios mecanismos e agentes do sistema democrático,


como as eleições, os partidos, o Congresso, os políticos, se desgastam e perdem a
confiança dos cidadãos.

Não há indícios de que a descrença dos cidadãos tenha gerado saudosismo em


relação ao governo militar, do qual a nova geração nem mesmo se recorda. Nem há
indicação de perigo imediato para o sistema democrático.

No entanto, a falta de perspectiva de melhoras importantes a curto prazo, inclusive


por motivos que têm a ver com a crescente dependência do país em relação à ordem
econômica internacional é fator inquietante, principalmente pela possibilidade de retrocesso
em relação a conquistas já feitas. É importante, então, refletirmos sobre o problema da
cidadania, sobre o seu significado, sua evolução histórica e suas perspectivas.

27
A cidadania inclui várias dimensões e algumas podem estar presentes sem as
outras. Uma cidadania plena, que combine liberdade, participação e igualdade para todos é
um ideal talvez inatingível nos dias de hoje.
Tornou-se costume desdobrar a cidadania em direitos civis, políticos e sociais. O
cidadão pleno seria aquele que fosse titular dos três direitos. Cidadãos incompletos seriam
os que possuíssem apenas alguns dos direitos. Os que não se beneficiassem de nenhum
dos direitos seriam não-cidadãos.
E, portanto, o que seriam os direitos civis???
São os direitos fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante
a lei. Eles se desdobram na garantia de ir e vir, de escolher o trabalho, de manifestar o
pensamento, de organizar-se, de ter respeitada a inviolabilidade do lar e da
correspondência, de não ser preso a não ser pela autoridade competente e de acordo com
as leis, de não ser condenado sem processo legal regular. São direitos cuja garantia se
baseiam na existência de uma justiça independente, eficiente e acessível a todos.
São eles que garantem as relações civilizadas entre as pessoas e a própria
existência da sociedade civil surgida com o desenvolvimento do capitalismo. Sua pedra de
toque é a liberdade individual.
Vamos refletir:
 Será que estamos exercendo soberanamente a nossa
liberdade, nos dias atuais ou muitas vezes temos nosso direito de
ir e vir cerceado?
 Será que todos os cidadãos são tratados de forma igual
como preconiza a nossa Constituição Federal, sem distinção de
raça, cor e credo?
 Será que a nossa justiça é realmente “cega” ou ela faz
distinção entre pessoas de classes sociais distintas?

Enfim, será que em pleno século XXI nós temos assegurados os nossos direitos
fundamentais ou eles nada mais são do que uma folha de papel escrita na nossa
Constituição?
É possível haver direitos civis sem direitos políticos???
Sim, pois estes últimos se referem à participação do cidadão no governo. Seu
exercício é limitado a parcela da população e consiste na capacidade de fazer
demonstrações políticas, de organizar partidos, de votar e ser votado. Em geral, quando se

28
fala de direitos políticos, é do direito do voto que se está falando. Logo, você pode exercer
todos os seus direitos civis, mas não pode exercer o direito do voto, por conta da idade, por
exemplo.
E aqui ficam algumas reflexões:
 Como estamos exercendo esse direito para a
escolha dos nossos governantes?
 Quais os critérios que adotamos para exercer esse
direito pleno à cidadania?
 Será que os nossos governantes tem sido
merecedores do nosso voto?
 Será que eles tem cumprido seus papeis com
ética,responsabilidade e seriedade?

Também integram os Direitos Políticos o voto em plebiscitos e referendos,


movimentação popular, organização e participação em partidos políticos.
Entretanto, cada país pode apresentar disposições específicas sobre a formulação
do conjunto dos Direitos Políticos dos cidadãos. O que, lamentavelmente, ainda acontece,
é que em regimes autoritários persistentes no mundo, a população não goza dos Diretos
Políticos, não possui o poder de participar do processo seletivo e, tampouco, de alterar os
destinos da representatividade política.
O Brasil passou por momentos graves nos quais a população teve seus Direitos
Políticos violados. Na Primeira República, apenas uma pequena parte da população tinha
direito ao voto, porém as eleições eram fraudadas e os eleitores eram repetidamente
ameaçados e forçados na escolha de seus votos.
A década de 1930 permitiu uma ampliação do número de eleitores no Brasil,
expandindo o direito ao voto à grande parte da população. Só que em 1937 Getúlio Vargas
iniciou uma ditadura e suspendeu as eleições até 1945. Desta data até 1964, o Brasil viveu
um período democrático, no qual a população pode votar, participar politicamente, se
organizar em partidos e movimentos sociais, mas com o Golpe Militar, mais uma vez os
brasileiros tiveram seus Direitos Políticos afetados.
Por mais de 20 anos, a população brasileira ficou alheia ao processo de decisão do
Presidente do país, o que só voltou a ser assegurado com a Constituição de 1988.

29
4.3 MUNDO DO TRABALHO E CIDADANIA ORGANIZACIONAL

O ser humano não nasceu preparado para seguir normas de convivência e


sobreviver em uma sociedade tão complexa quanto a nossa. Para estabelecer relações
sociais e subsistir em nosso meio, precisamos de quem cuide de nós e nos eduque,
transmitindo-nos as características e valores culturais da sociedade a que pertencemos.
Desta forma, podemos dizer que o processo de socialização começa logo depois do
nascimento e segue um longo caminho. Nessa jornada, cada um de nós precisa absorver
conhecimentos e desenvolver habilidades, além de conhecer e utilizar linguagens.
Precisamos também aprender a desempenhar papéis sociais e a reconhecer a
importância de contribuir com a coletividade. Essa contribuição pode ser feita de várias
maneiras: quando, por exemplo, produzimos alguma coisa ou prestamos algum serviço,
quando reproduzimos ou inovamos técnicas, defendemos a estrutura da dinâmica social ou
atuamos para alterá-la. O trabalho é uma dessas contribuições. Ele é necessário para
garantir nossa sobrevivência e, para executá-lo, mobilizamos nosso físico, nosso intelecto,
nossa razão e nossa vontade.
Sem os produtos do trabalho não há sobrevivência humana, cultura, organização
social, civilização e história.
Durante toda a nossa vida, precisamos do nosso trabalho e do trabalho dos outros
para a produção de bens e serviços que são demandados pelo viver e pelo conviver em
sociedade.
Em muitas situações, a ética e a cidadania são comprometidas pela atitude de um
indivíduo, mas nem sempre o cidadão é o único responsável por isso. Nesses casos, por
incompetência, irresponsabilidade, ignorância, displicência, desonestidade ou omissão, são
os comportamentos e ações de organizações dos mais variados tipos e dos próprios
governantes que colaboraram para isso, ou foram os principais responsáveis para que isso
ocorresse.
Vamos exemplificar essa questão com um caso:
Cinco bebês morreram vítimas de um erro da auxiliar de enfermagem de um posto
de saúde municipal, que, em vez da vacina tríplice (contra coqueluche, tétano e difteria),
aplicou neles insulina. A auxiliar de enfermagem foi descuidada, desatenciosa,
irresponsável e, por isso, deve ser julgada como a única causadora dessa desgraça?
A pergunta implica muitos questionamentos:
 Será que ela recebeu formação profissional eficiente?

30
 A instituição educacional que a habilitou ofereceu a ela um bom curso e fez
corretamente a avaliação de suas competências?
 E o posto de saúde? Que critérios o posto de saúde utilizou para contratá-la?
 Ela ocupava a função que realmente lhe competia?
 Os medicamentos estavam nos lugares certos e organizados e catalogados para
que não houvesse possibilidade de serem confundidos?
 E em que condições ela praticava seu trabalho?
 Tinha os recursos e as informações necessárias para exercer aquela função?
Outras perguntas também devem ser feitas quanto às implicações do governo,
responsável pelo funcionamento do posto de saúde e do qual ela era funcionária.
Ele não teve nenhuma influência no caso? Não estaria a funcionária com acúmulo
de trabalho?
 Será que ela, devido a um salário baixo, estaria estressada por ter que fazer horas
extras e dar conta de mais de um emprego?
Essas perguntas revelam que nossa qualidade de vida e nosso desempenho como
cidadãos, pessoas e profissionais também dependem de como as diferentes organizações
atuam ao nos atender ou deixar de fazê-lo. No caso relatado, todos os motivos supostos
para explicar o erro da auxiliar de enfermagem estão direta ou indiretamente relacionados
com o Estado, com a política e com a cidadania organizacional, como:
 A qualidade do ensino oferecido pelas escolas;
 A responsabilidade dos órgãos certificadores de competência profissional;
 A gestão administrativa das instituições públicas ou privadas;
 A política de saúde e a política salarial do governo;
 A política de administração, controle e acompanhamento de recursos humanos no
posto de saúde.
Isso também nos leva a concluir que toda a nossa vida social está impregnada de
políticas diversas (governamentais, institucionais e empresariais) e que, por isso, não
apenas somos atingidos por situações e ações políticas como também atuamos
politicamente o tempo todo.
Atuamos deliberada e ativamente, participando de manifestações, militando em
algum partido, votando, nos candidatando a cargos políticos e denunciando descasos
quanto ao atendimento das necessidades da população. Também atuamos involuntária e
passivamente, quando nos omitimos, quando ignoramos o que se passa em nossa volta,
afirmando que política é só para quem gosta.

31
No entanto, é importante percebermos que não são apenas os indivíduos
isoladamente que precisam atuar na sociedade guiando-se pelos princípios da cidadania.
As organizações também precisam ser cidadãs.
Em resumo, a cidadania organizacional é também essencial para o bem-estar e a
dignidade de todos.
Pessoas e organizações que não primam pela ética e não se consideram
comprometidas com o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos, conscientemente ou
não, voluntariamente ou não, acabam, de uma ou outra forma, sendo responsáveis por
perdas e danos sofridos pela sociedade.
A cidadania implica o reconhecimento de que dificilmente é possível, nem sempre é
justo e, raramente, vale a pena a gente “melhorar de vida” sem melhorar a vida. Por isso,
cabe aqui uma citação do grande cidadão brasileiro que foi Herbert de Souza, o Betinho:
Tudo o que acontece no mundo, seja no meu país, na minha cidade ou
no meu bairro, acontece comigo. Então eu preciso participar das
decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento
ético forte e consciência de cidadania não deixa passar nada, não abre
mão desse poder de participação. (SOUZA,1994).

Depois de todas essas indagações proponho meus caros alunos a fazerem uma
auto avaliação, pois é preciso que nos perguntemos:

 Como lidamos com os instrumentos e com os recursos


físicos que usamos em nosso trabalho, seja produzindo algo
concreto ou prestando serviços?Somos cuidadosos,
parcimoniosos, sensatos e prudentes ao usá-los?
 Qual a atenção que damos à qualidade do que
oferecemos aos consumidores, clientes ou usuários?
Sabemos que devemos tratá-los da mesma forma que
gostaríamos de ser tratados?
 Como nos comportamos, considerando a importância de nosso trabalho e sua
repercussão tanto no ambiente em que ele se desenvolve quanto na vida em
sociedade?
 Qual a nossa disposição para trabalhar em equipe de forma cooperativa, oferecendo
e recebendo ajuda, dividindo responsabilidades, respeitando direitos e
compartilhando poder e sucesso?
 Reconhecemos o valor da contribuição de cada um em nosso grupo?

32
Até muito recentemente era raro as empresas incluírem o tema da responsabilidade
social em suas divulgações institucionais (hoje, é quase uma obrigação). O conceito se
difunde reiteradamente em sites e aqui apresentamos seus princípios básicos.
A responsabilidade social das empresas pode ser vista como parte de uma nova
cultura organizacional, de forma a produzir riquezas e desenvolvimento que beneficiem a
todos os envolvidos em suas atividades – trabalhadores, consumidores, ambiente e
comunidade.
Essa visão inclui a promoção, pela empresa, dos seus valores éticos e responsáveis
na sua cadeia de fornecedores e nos mercados onde atua. Ética e responsabilidade
social são palavras-chave para as organizações contemporâneas. Pesquisa do
Instituto Ethos de Responsabilidade Social indica que os consumidores estão mais
propensos a comprar de uma organização que apresente postura ética e com
responsabilidade social,entendendo-se como uma empresa responsável socialmente
aquela que:
 Zela pela qualidade dos produtos e serviços que oferecem aos clientes, tendo o
cuidado de não danificar a saúde e o bem-estar das pessoas;
 Mantém o respeito pelos empregados e fornecedores, estabelecendo relações
baseadas em confiança e parceria, e não em exploração;
 Preocupa-se com a segurança e a saúde no ambiente de trabalho, garantindo que
os empregados gozem de boas condições;
 É transparente com a sociedade, provendo todas as informações de interesse
público com relação às operações e atividades da empresa ou qualidade dos
produtos;
 Respeita o ambiente, estabelecendo práticas que não afetem o equilíbrio ecológico e
a qualidade de vida das comunidades;
 Atua com ética no que diz respeito ao trato com outras empresas ou com as
pessoas físicas, assim como no recolhimento de tributos, cumprindo todas as suas
obrigações como empresa cidadã;
 Envolve-se com o crescimento econômico e social sustentado, participando de
atividades que beneficiem a sociedade;
 Incentiva projetos culturais, sociais e educacionais que possam trazer
desenvolvimento para o entorno social;
 Estimula em seus funcionários o compromisso social e a atividade comunitária.

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4.4CIDADANIA E COMBATE Á CORRUPÇÃO

A palavra corrupção veio do latim corruptione, que dá a ideia de corromper, que


pode significar decomposição, putrefação, desmoralização, suborno. De acordo com o
Escritório das Nações Unidas para Combate ao Crime Organizado e às Drogas, a
“corrupção é um complexo fenômeno social, político e econômico que afeta todos os
países do mundo”.
No Brasil, um dos principais atores no combate à corrupção é o Ministério Público
Federal (MPF), que detém legitimidade para propor ações criminais e ações por ato de
improbidade administrativa contra aqueles que desviam e aplicam indevidamente recursos
públicos federais.
O Brasil, infelizmente, virou o paraíso da corrupção, da improbidade administrativa,
dos desvios envolvendo recursos públicos, do nepotismo, do superfaturamento, dos
mensalões, da impunidade e tantas outras mazelas. Mais uma vez, a corrupção abala a
credibilidade da esfera política brasileira.
Modernas tecnologias da informação, como o computador, as redes sociais na
internet, e-mails, Twitter, Blogs, Facebook e por aí vai. Através de tais mecanismos,
sabemos de tudo o que se passa no Brasil e no mundo, podendo daí tirar nossas próprias
conclusões sobre a conduta desse ou daquele político a quem confiamos (ou vamos
confiar) o nosso voto.
Além desses meios, existem os dois canais de televisão da Câmara e do Senado,
duas valiosas ferramentas de que podemos nos valer para conhecer as atividades do
político que elegemos para o Congresso Nacional. Os dois canais focam tanto os bons
quanto os maus políticos, fato que facilita o nosso questionamento na hora de votar.

Figura 4.5: Rui Barbosa


Fonte:http://www.club33.com.br/v3/ar.asp?id=5019.
Acessado em 30.10.2015.

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REFERÊNCIAS

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