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MODERNIZAGAO SEM DESENVOLVIMENTO NA PARAIBA: 1890-1930 Diana Soares de Galliza Universidade Federal da Paraiba RESUMO Este trabalho trata de varios aspectos da modernizacéo da econo- mia paraibana durante a Primeira Republica. O modelo de modernizagao que melhor se aplica a Paraiba neste periodo é a “modernizagdo fragmenta- tia” de Jan Hinderink. Palavras Chaves: Economia, modernizacao, desenvolvimento MODERNIZATION WITHOUT DEVELOPMENT IN PARAIBA, 1890-1930. ABSTRACT This study deals with various aspects of modernization in Paraiba during the Old Republic. It contends that the model of modernization that best applies to Paraiba during this period is that of “fragmentary moderniza- tion” developed by Jan Hinderink. Key Words: economy, modernization, development. Modernizacéo é um tema deveras polémico. Quando a estudamos, deparamo-nos com teorias variadas que tentam analisar 0 processo, bem como com conceitos diversos ao defini-la. Série Hisi6ria do Nordeste Recife vol. 1 n?13 81-93 - 1990 81 Alguns estudiosos consideram 0 componente econdémico o elemen- to propulsor e determinante da modernizagao, ja outros defendem a idéia de um processo linear de modernizagac apoiada em indicadores convencionais de mudancas sociais, politicas, econdmicas e culturais. Eisenstadt, por exemplo, chama de modernizacao “o processo de mudanga para os diversos sistemas socials, econémicos e politicos que se desenvolveram na Europa Ocidental e na América do Norte, entre os séculos XVIII e XIX, espalhando- se, entao, por outros paises e, nos séculos XIX e XX, pelos continentes sul- americano, asidtico e african.) Para ele, a modemizagao apresenta carac- teristicas muito distintas. No dominio da produgao manifesta-se pelo aumen- to de produtividade, pela utilizagao eficiente de recursos disponiveis, pelo nivel de tecnologia no emprego de novas formas de energia, de equipamen- tos modernos e de conhecimentos cientificos. No campo politico, ela é acompanhada pelo fortalecimento do poder dos érgaos centrais, legais, administrativos e politicos da sociedade, pela maior possibilidade de exercer 0 poder oferecido a grupos mais amplos, pela adogao de um regime democratico ou, pelo menos, populista. Na esfera so- cio-econémico, a modernizacdo se identifica com uma especificacdo cres- cente das atividades e das estruturas institucionais, decorrente, em grande parte, da educagao escolar e da formacao profissional. No dominio cultural, ela oferece a todos maiores chances para desenvolver suas capacidades in- dividuais.) Todavia, Eisenstadt apresentou caracterisitcas diferentes das socie- dades, no segundo estddio de modernizacao, no qual se incluem paises la- tino-americanos.®) Nessas sociedades 0 processo de modernizacao se de- senvolveu sob 0 impacto de forgas externas - e somente em pequeno grau - devido a iniciativa interna e a transformagao de seus grupos e camadas mais amplas. “) Economicamente, tais sociedade tinham vinculos assimétri- cos com a Europa e, posteriormente, com os Estados Unidos, fornecendo matérias primas para os mercados internacionais e consumindo os bens manufaturados dos centros metropolitanos.) Em fins do século XIX e no século XX, alguns problemas peculiares ao segundo estadio comegaram a consolidar-se em diversos paises latino- americanos, tornando-se mais acentuados a partir da década de 1930. Tal- vez a mais relevante dessas caracterisitcas tenham sido a coexisténcia, sob condigdes de mudanga social, de diferentes setores sociais, um, especifica- mente, desordenado e tradicional e outro, relativamente, moderno, mas de- sequilibrado e nao integrado. Essa dualidade estrutural foi fortalecida com o desenvolvimento de uma colonizagao interna, na qual o centro manteve a periferia em situagao de dependéncia continua, tanto econdmica como poli- 82 Série Histéria do Nordeste Recife vol. 1 n° 13 81-93 - 1990 tica.) A problematica do dualismo estrutural ganhou mais vigor com os intérpretes dualistas da CEPAL. Tedricos da moderizagao, tanto socidlogos como ecnomistas de orientagao classicamente denominada de funcionalista, tiveram como pres- Supostos metodoldgicos a dicotomia sociedade tradicional versus sociedade moderna.” O traco caracteristico comum a sociedade tradicional 6 a estabi- lidade ao longo do tempo e a pequena variabilidade de situagGes diferentes entre os agentes sociais. Nela a mobilidade social é pequena, a estrutura Social € os costumes sao repetitivos. Ja as evidéncias comuns da sociedade Moderna sao a mudanga continua e a diversidade de situagdes entre os agentes sociais que realizam atividades econémicas de alta produtividade e exercem fung6es diferenciadas, numa complexa divisao de trabalho,®) Para os tedricos funcionalistas, 0 subdesenvolvimento é identificado com as sociedades de tipo tradicionalista e sua superagdo se efetuard na medida em que suas caracteristicas forem substituidas por aquelas que tipi- ficam os paises desenvolvidos ou sociedades modernas. A relevancia que eles atribuem ao elemento tecnoldgico leva a aceitar que a implantagao da moderna tecnologia, de forma gradativa e adequada, permite romper os quadros limitados das economias de tipo tradicionalista. O setor industrial Constituiria, portanto, o principal agente de transformagao e as sociedades desenvolvidas ou modemas se identificariam com as industrias. Essa concepgao de modernizagao como processo de mudanga so- cial, no qual o desenvolvimento 6 0 componente econémico, foi contestada Por estudos de gedgrafos sobre o desenvolvimento, que enfocam, também, a modernizacéo. Eles a veem como um processo social no qual o cresci- mento econémico constitui, apenas, uma parte.°) Por outro lado, pesquisas, como a de N. Jacob, rejeita a equagao modemizagao = desenvolvimento.) Modernizagaéo com desenvolvimento seria caracteristica das sociedades ™odernas, conforme o modelo ocidental, nas quais, além de se ter registra- do aumento da produgao e da produtividade, ocorreram mudangas nas re- lagdes sociais de produgdo e nos dominios politico e cultural. Incluimos entre aqueles que nao aceitam modernizagao como siné- nimo de desenvolvimento o professor da Universidade de Utrecht, Jan Hin- derink. Ele recusou, também, a idéia de um processo unilinear de moderni- Zacao apoiada em dimensées e indicadores convencionais de mudanga so- cial, politica e econémica.") Opos-se, ainda, as teses que consideram o componente econémico o elemento motor e determinante principal da mo- demizacao, por considerar tal andlise muito limitada e achar que a moderni- Zagao pode ser estudada como um processo multidimensional e sob outros Angulos."2) Abordou, entao, a modernizagao sob um outro prisma - 0 do Série Histéria do Nordeste Recife vol. 1 n? 13 81-93 — 1990 83