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Na imaginação existe uma capacidade de brotar lugares além do espaço físico.

Partindo de ações e lembranças, os reflexos da memória criam um terreno aberto onde é


possível, ver outros espaços assemelhados ao devaneio e utilizar metáforas para explicar
a criação. A invenção é alicerce e paredes da imaginação, território arquitetado onde a
poesia reside. A criação artística necessita de guias que bebem do próprio fazer e se
aperfeiçoam a partir das experiências vivenciadas no processo. Essa maneira de formar é,
na prática, responsável por transformar os elementos capturados pelo aparelho em criação
fotográfica. A fotografia, abandona qualquer noção de que seja máquina de duplicação
para se tornar adição, distorção e desatino. - Vai ver seja essa a função da fotografia!
Pensou o menino. Desatinar o mundo.
Um arrepio toma conta de seu corpo, inebriado pelas pungentes formas
horizontais enquadradas no espelho à sua frente. Decide então fotografar a composição
retilínea apresentada, e sempre que desperta pelas manhãs, ergue-se um horizonte diante
de si, horizonte de mar (bem apropriada comparação à maresia é a sensação de
sonolência ao acordar) com ondas de tecido, pedras de espuma e madeira, que ocultam
criaturas de formas geométricas e águas de profundezas verdes. Abre-se, assim, um mar
de possibilidades onde o processo criador e o fazer tomam direcionamento

O tentar artístico não é destituído de guia. Embora


endossada por doutrinas filosóficas e até por testemunhos de
artistas, a teoria afirmando que produzir é apenas dar forma a
uma imagem interior não consegue explicar o processo
artístico. Dizer que o artista primeiro acha a forma e depois a
executa, de sorte que a produção de uma obra artística se torna
a execução em sinais físicos de uma imagem interior já
completa e formada, significa deixar escapar a natureza do
processo artístico. Pois separa-se arbitrariamente a invenção da
realização. O fazer é posterior à invenção do modo de fazer, a
regra individual da obra precede a execução desta, e a
produção artística perde seu caráter formativo e tentativo. ...A
execução é, portanto, o incerto caminho de uma procura, em
que o único guia é a expectativa da descoberta. (PAREYSON,
1993, p.69/70).

Inspirado nas relações com o que lhe motiva a criar, o criador se coloca nesse
estado de imersão na feitura da obra, sendo o objetivo de fazer a força impulsionadora do
próprio labor, a sequência de tentativas é o método ao qual vai sendo descoberto e
aperfeiçoado o caminho da existência da obra, sendo assim, a força movente do artista é a
mesma fonte de onde vêm o desejo de criar. A vontade de fazer e o motivo pela busca são
as responsáveis pela existência da obra e ocorrem conjuntamente. Nos encontros com os
elementos, ferramentas e técnicas, o artista vai cavando a estrada, como uma trilha, aberta
em sua própria vida. Enquanto descobre a maneira de executar a obra ele a faz sem
certeza exata do resultado (ela não está pronta), a existência da invenção se dará no
mesmo e árduo trabalho de criar. O guia do trajeto de construção da obra é seu próprio
caminhar. Assim faz o Menino, o que lhe move é a execução das fotografias.