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semântica da Língua Portuguesa AULA 6

Joseli maria da silva


magdiel medeiros aragão neto
maria do socorro Burity dialectaquiz

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

implícitos: pressuposição
e subentendidos

1 oBJetivos da aPrendiZaGem

„ Conhecer um pouco mais sobre a Semântica Argumentativa; 


„ Compreender os mecanismos existentes na
gramática de uma língua que nos permitem fazer
enunciados com certa força argumentativa; 
„ Aprender sobre pressuposição e subentendidos
na Semântica Argumentativa.
Implícitos: pressuposição e subentendidos

2 Começando a história

2.1 A Semântica Argumentativa ou Semântica Linguística  

Antes de prosseguirmos, é preciso entender que a Semântica Argumentativa


difere da Semântica Linguística, haja vista que esta busca explicar o significado
sem considerar a dimensão extralinguística, ou seja, o contexto em que signos
linguísticos são utilizados não serviriam de apoio para a significação.

Na Semântica Argumentativa, há outra escolha: seu objeto de estudo é o sentido


linguístico que se produz não na língua, mas no discurso, ou seja, no emprego
da língua (FERRAREZI JÚNIOR; BASSO, 2013). 

Ducrot (1972), o estudioso dessa semântica, encontrou dois tipos de argumentação


considerados básicos nos discursos: 

„„ O normativo, cujos conectores que articulam o discurso são: portanto, por


isso, consequentemente, etc.;

„„ O transgressivo: no entanto, apesar de, mesmo assim, entre outros. 

A razão da escolha está no fato de que esses dois tipos de argumentação resistem


à descrição extralinguística, tornando-se incompreensíveis fora da relação entre
os enunciados. Em síntese, é do modo de explicar o sentido – essencialmente
pela noção de relação – que decorrem o objeto de estudo e as características da
teoria: a) a de ser uma semântica, porque vai em busca da explicação do sentido,
construído pela relação entre palavras, enunciado e discurso; b) a de ser uma
semântica linguística do discurso, isto é, do emprego da língua, não da palavra
ou da frase isoladas; c) a de ser uma teoria explicativa do sentido do discurso,
sempre olhando a linguagem a partir das bases epistemológicas que a sustentam.

Para estudos da língua à luz da Semântica Argumentativa, vamos partir de dois


conceitos básicos:

„„ Frase: entidade teórica, formal e estruturalmente construída para realizar


concretamente, no sentido de materialização linguística, os enunciados;

„„ Enunciado, por sua vez, é a realização da frase, é o material sedimentado,


preenchido de sentido, ou de intenções para que se chegue ao que pretende
seu produtor, seu locutor.
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Para melhor compreensão, examinemos o exemplo a seguir:

„„ Estou cansado (segmento 1), então (conector) vou descansar (segmento 2). 

„„ Estou cansado (segmento 1), mas (conector) não vou descansar (segmento 2). 

Vejamos então o que diz Ducrot (1972) sobre o exemplo: “Do ponto de vista
semântico a frase como entidade teórica tem significação, e o enunciado, entidade
empírica, realização da frase, tem sentido. Se enunciado é a realização da frase,
então a frase e o enunciado são inseparáveis.”

São inseparáveis também a significação da frase e o sentido do enunciado. Logo,


o sentido é produzido pelo linguístico, o que reitera a afirmação de que ele não
decorre de fatores externos à linguagem. A significação de uma entidade lexical
(palavra) é a orientação que ela dá ao discurso, tornando possível ou impossível
determinada continuação. Entendemos então que, na língua, a palavra contém
uma significação, mas que essa significação oferece possibilidades de restrição
de combinação, no eixo sintagmático, com outras, que a continuam para produzir
o sentido do discurso. É a entidade lexical que, embora tenha significação,
combina-se com outras, mas não com qualquer outra, para construir sentido no
discurso, entendendo-se este como uma sequência de enunciados.

Da orientação determinada pela significação resultam instruções, ou seja, regras


que expressam as possibilidades ou impossibilidades de interpretação dos
enunciados do discurso. Assim, em um enunciado como:

„„ Pedro estuda, por isso é bom aluno. (ou tem boas notas, ou é bom
professor, etc.),

“estuda” orienta para mais de uma continuação positiva (“bom”). Por outro lado
impede continuações negativas (“mau”, ”ruim”), como em:

„„ *Pedro estuda, por isso é mau aluno. (ou tem notas ruins, ou é mau professor).

A orientação dá conta também dos efeitos subjetivos e intersubjetivos do


enunciado, resultado da união desses aspectos, quer dizer, da relação entre
locutor e alocutário, o que torna a Semântica Argumentativa uma teoria da
enunciação. Isso é facilmente compreensível quando lemos em Ducrot (1972, p.
14) que “falar é construir e tratar de impor aos outros uma espécie de apreensão
argumentativa da realidade”. Entendemos com essa afirmação que o exercício
da linguagem se dá entre dois seres de fala: o locutor e o alocutário.
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Implícitos: pressuposição e subentendidos

Ao se enunciar, falando ou escrevendo, o locutor produz combinações próprias,


dentre aquelas que a frase permite. Ou seja, o locutor argumenta sobre a realidade
ao estabelecer comunicações, o que indica, mais uma vez, que o sentido assim
produzido não é representativo da realidade. É o locutor, ao escolher combinações
linguísticas, que atribui sentido à realidade.

Como teoria enunciativa, a Semântica Argumentativa distingue-se do axioma


da unicidade de sujeito falante criando a noção de polifonia, segundo a qual
em um enunciado não há apenas um sujeito falante, mas mais de um.

Segundo Ducrot (1972), há varias funções no enunciado: a de sujeito empírico,


a de locutor e a de enunciador.

O sujeito empírico – quer dizer, ser de carne e osso, ser no mundo – não é objeto
de estudo da Semântica Argumentativa. Não interessam à teoria as condições
externas de produção da linguagem. Seu objetivo é o de descrever o sentido
criado por um locutor “ser de fala”, responsável pelo enunciado. Mas há ainda o
enunciador, que está na origem de pontos de vista no enunciado. Os enunciadores
não são pessoas, mas pontos de perspectiva abstratos (Ducrot, 1990).

O locutor relaciona-se com os enunciadores. Na negação, por exemplo, há dois


negociadores, um que expressa um ponto de vista e outro que recusa esse
ponto de vista, por exemplo:

Pedro não veio à aula hoje.

Em “Pedro não veio” há dois enunciadores, um positivo, que é “Pedro


veio”, ao qual o locutor se opõe, e um negativo, “Pedro não veio”, que o
locutor assume.

O princípio filosófico que fundamenta a Semântica Argumentativa continua a ser


desenvolvido na atualidade por Oswald Ducrot e Marion Carel, sob o nome de
Teoria dos Blocos Semânticos. Novos conceitos da teoria, buscando aprofundar
a explicação do valor da linguagem, são apresentados: dois discursos evocados
por uma entidade linguística e articulados por um conector “portanto” ou “no
entanto” são denominados agora encadeamentos argumentativos. Estes são
constituídos por dois segmentos que recebem sentido na relação de um com
o outro, produzindo um único sentido por interdependência semântica. Se
tomarmos, por exemplo, a entidade lexical “rico” e a combinarmos com “feliz”,
chegaremos aos seguintes encadeamentos, construídos pelos conectores
“portanto” e “no entanto”, e a afirmação e a negação.
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São possibilidades de combinação:

1) Pedro é rico, portanto é feliz.


2) Pedro é rico, portanto não é feliz.
3) Pedro não é rico, portanto não é feliz.
4) Pedro é rico, no entanto não é feliz.

Nesses encadeamentos, o sentido de 1 e de 3 é diferente do sentido


de 2 e de 4. Em 1 e 3, trata-se da riqueza que traz felicidade; em 2 e 4, a
riqueza não traz felicidade. Observamos, assim, que o primeiro segmento é
compreendido por sua relação com o segundo, e também que o segundo
segmento se compreende em relação com o primeiro. Isso ocorre tanto
com “portanto” quanto com “no entanto”.

O sentido das entidades lexicais decorre, por interdependência semântica,


da relação dos segmentos que constituem o encadeamento argumentativo.
Percebe-se, além disso, que a relação entre os segmentos não é um raciocínio,
segundo o qual uma informação obriga a admitir a outra, o que pressupõe que
uma informação já tem sentido completo, do qual a outra é inferida.

A Semântica Argumentativa, olhando para a linguagem, entende o contrário,


ou seja, que a relação entre dois segmentos é puramente linguística: o sentido
se constrói pelas relações semânticas entre os segmentos do enunciado.

A seguir, veremos mais dois conceitos que são fundamentais para o estudo
argumentativo de um discurso. São eles: os de argumentação interna e os de
argumentação externa.

A Teoria dos Blocos Semânticos denomina de argumentação interna o


encadeamento que parafraseia o sentido contido numa entidade lexical. É o
caso de “prudente”, que pode ser parafraseada por:

„„ Havia perigo, portanto Pedro tomou cuidado.

A argumentação externa expressa discursos a partir de uma entidade lexical,


por exemplo:

„„ Pedro foi prudente, por isso, não sofreu nenhum acidente.

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Implícitos: pressuposição e subentendidos

Essa é a argumentação externa construída à direita de “prudente”, mas também


é possível a argumentação externa à esquerda de “prudente”:

„„ Pedro não sofreu nenhum acidente, portanto, foi prudente.

Apresentados de forma sucinta, são esses alguns conceitos construídos por


Ducrot e atualmente continuados por Marion Carel que fundamentam o
entrelaçamento argumentativo. Os fenômenos linguísticos no discurso são
analisados essencialmente por meio de conceitos que forneçam o modo de
olhar da teoria sobre o discurso.

2.2 Pressupostos e subentendidos –O dizer


e o dito, de Oswlado Ducrot (1972)

A partir de agora, vamos nos fundamentar na linguista Ingedore Villaça Koch,


precisamente no capítulo “Linguagem e argumentação”, no qual encontraremos
suporte necessário para compreender o que acontece no uso do discurso, que os
elementos sugerem durante uma conversação. O nosso foco será pressuposição
e subentendido no discurso. Koch, citando Ducrot, nos chama a compreender
que “toda língua possui em sua gramática mecanismos que permitem indicar
a orientação argumentativa do enunciado”.

Oswald Ducrot (1987) propõe dois tipos de implícitos: primeiramente, o


pressuposto, marcado e recuperado a partir de elemento linguístico presente
na estrutura linguístico-discursiva, ou seja, em outras estruturas, mesmo com um
elemento linguístico que ative uma informação implícita, requerem o contexto.
O subentendido, por sua vez, parece ser uma referência do nível pragmático.
Este é um tipo de ato indireto.

Referimo-nos a elementos linguísticos – no caso, os operadores argumentativos,


que quando presentes no enunciado introduzem nele conteúdos semânticos
adicionais, os quais não existiriam sem a presença deles.

Aos conteúdos que ficam à margem da discussão, costuma-se chamar de


pressupostos e às marcas que os introduzem, marcadores de pressuposição.
Além dos operadores argumentativos já mencionados, existem outros elementos
introdutores de pressupostos, entre o quais podemos citar:

1) Verbos que indicam mudança ou permanência de estado: ficar, começar


a, passar a, deixar de, continuar, permanecer, tornar-se, etc.

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AULA 6

Figura 1

A figura demostra uma pequena comunicação em que se fundamenta o


pressuposto “Pedro bebia”.

2) Verbos factivos, isto é, que são complementados pela enunciação de um


fato (fato que no caso é pressuposto); de modo geral são verbos de estado
psicológico, como: lamentar, lastimar, sentir, saber, entre outros.

a) Lamento

b) Lastimo Que Maria tenha sido demitida.

c) Sinto

Ou

Não sabia que Maria tinha sido demitida.

Essa é outra forma de se dizer que lamenta-se, lastima-se ou sente-se o fato de


Maria ter sido demitida (que é portanto pressuposto).

Cabe observar, contudo, que existe uma retórica na pressuposição, recurso


argumentativo bastante comum em nosso cotidiano, que consiste em apresentar
como se fosse pressuposto exatamente aquilo que se está querendo veicular
como informação nova: trata-se de uma “manobra” argumentativa. É comum
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Implícitos: pressuposição e subentendidos

encontrarmos em estabelecimentos comerciais e postos de gasolina avisos


como os que seguem:

„„ Lamentamos não aceitar cheques.

„„ Lamentamos não poder atender a sua solicitação.

Nesses casos, o fato de não aceitar cheques ou não poder atender a sua solicitação,
que é linguisticamente dado como pressuposto, está justamente sendo anunciado.
Constitui a informação principal. Geralmente essa é uma forma de atenuação, um
recurso para veicular de uma maneira cortês uma informação que não atende
os interesses do interlocutor.

3) Certos conectores circunstanciais, especialmente quando a oração por


eles iniciada vem anteposta: desde que, antes que, visto que. Exemplos:
„„ Desde que Luiz ficou noivo, não cumprimenta mais (p.p.: Luiz ficou noivo)
as amigas.

„„ Antes que Napoleão mandasse invadir Portugal, a corte (p.p.: Napoleão


mandou invadir Portugal) de Dom. João transferiu-se para o Brasil.

„„ Visto que você já conhece este assunto, falemos de coisas (p.p.: Você já
conhece este assunto) mais interessantes.

Estamos aqui considerando apenas os casos de pressuposição linguisticamente


marcados. Aqueles que não se apresentam com algum tipo de marca linguística
são, por vezes, classificados como subentendidos, outras vezes como pressuposição
em sentido amplo, ou ainda simplesmente como inferências.

Observemos o seguinte exemplo:

„„ Jorge comprou um Rolls Royce 0 km.

Há neste enunciado vários conteúdos implícitos ou subentendidos.

a) Jorge tem um carro.


b) Jorge possuía uma quantia em dinheiro suficiente para pagar o carro.
c) Jorge é rico.
d) Jorge é o melhor partido.

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Em a) e b), pode-se falar em pressuposição linguística. O verbo comprar tem


aproximadamente a seguinte descrição semântica: fazer passar um objeto de
a para a posse de b mediante a entrega por b a a de certa quantia em dinheiro.
Portanto, b passar a ter um carro e b ter tido a quantia suficiente são conteúdos
pressupostos para o verbo comprar. Em c), exige-se do interlocutor determinado
conhecimento de mundo, isto é, que o Rolls Royce é um dos carros de preço
mais alto, ainda mais em se tratando de um modelo 0 km.

Quando a d), é o contexto que vai possibilitar essa inferência, ou seja, favorecer
ou não essa leitura: se duas garotas estão conversando a respeito de suas últimas
conquistas, exaltando-lhes as qualidades, e uma delas se pronuncia, é bem
possível que a outra atribua ao enunciado o sentido d). Tanto no caso c) como no
d), parece preferível falar em subentendidos, reservando o termo pressupostos
apenas para os casos de pressuposição linguística. (Ingedore Villaça Koch, A inter-
ação pela linguagem, 2003).

Exercitando

Tendo em vista a leitura da aula, responda:

1) O que estuda a Semântica Argumentativa?


2) Para Ducrot (1987), os tipos de relação, nessa semântica, considerados
básicos para o discurso são: a) o normativo, cujos conectores que o articulam
são: portanto, por isso e consequentemente; b) o transgressivo: no entanto,
apesar de, mesmo assim, etc. A partir dessa questão, tente construir dois
enunciados, em que seja possível usar corretamente “portanto” e “apesar de”.
3) O que diz o texto sobre pressupostos e subentendidos?

3 Aprofundando seu conhecimento

Procure em livrarias ou bibliotecas alguns livros que acrescentarão outras


informações sobre a Semântica Argumentativa.

„„ Semântica, semânticas, de Celso Ferrarezi Júnior e Renato Basso –


Editora Contexto;

„„ Inter-ação pela linguagem, de Ingedore Villaça Koch – Editora Contexto, 2003.

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4 Trocando em miúdos

Caro aluno, com esta aula, você aprendeu um pouco sobre os conceitos mais
importantes da Semântica Argumentativa, cujo objeto de estudo é o sentido
linguístico que se produz não na língua, mas no discurso em nossas atividades
diárias. Alguns mecanismos importantes foram apresentados, como os pressupostos
e os subentendidos, que dão orientação aos enunciados, de modo a chegarmos
a certas conclusões. Entender esses processos é de suma importância, já que a
língua não se realiza de modo isolado, mas se ancora em aspectos contextuais.

5 Autoavaliando

Após esta aula:

a) Sou capaz de entender a relação entre os elementos linguísticos e


não linguísticos na produção de sentido?
b) Consigo diferenciar frase de discurso?
c) De que forma os pressupostos e subentendidos podem ser utilizados
em minhas aulas de Língua Portuguesa?

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AULA 6

Referências

DUCROT, Oswald. Dire et ne pas dire: principes de sémantique linguistique.


Paris: Hermann, 1972. (Collection Savoir).

FERRAREZI JÚNIOR, Celso; BASSO, Renato (Org.). Semântica, semânticas: uma


introdução. São Paulo: Contexto, 2013.

KOCH, Ingedore G. Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 2003.

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