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Kadafi abasteceu campanha de Lula com US$ 1 milhão,

diz Palocci
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O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 10h10

Capturado e morto em 20 de outubro de 2011, o ex-ditador líbio Muamar Kadafi enviou ao


Brasil, "secretamente", US$ 1 milhão para financiar a campanha do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, em 2002. É o que o ex-ministro do petista, Antonio Palocci, teria
afirmado nas tratativas de um acordo de delação premiada com o Ministério Público
Federal, segundo reportagem da revista Veja, nesta sexta-feira, 8. Palocci está preso em
Curitiba desde setembro de 2016, quando foi alvo da 35ª fase da Lava Jato, a Operação
Omertà. Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, o petista foi condenado na Lava Jato por
corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 12 anos, 2 meses e 20 dias de prisão pelo juiz
Sérgio Moro em junho deste ano.

Lula com Kadafi durante encontro em Abuja, Nigéria, em novembro de 2006 Foto: Ricardo
Stuckert

+++ Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

Palocci investe contra Lula desde o início das tratativas das negociações do acordo. Em
setembro, ele fez divulgar uma carta, escrita de próprio punho da cadeia e entregue aos
advogados para ser digitada e impressa, de três páginas e meia. Explosivas, as palavras
do ex-ministro foram endereçadas à presidente nacional do partido, a senadora Gleisi
Hoffmann.

+++ Palocci diz que tramou com Lula contra a Lava Jato
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Cirurgicamente montada e retocada, a carta coloca o PT e Lula contra a parede , ao afirmar
que seus dois governos e de sua sucessora foram corrompidos pelo “tudo pode”, pelos
“petrodolares”. Antes, no dia 6 de setembro, Palocci confessara negociar propinas com a
Odebrecht e incriminara Lula ao revelar um suposto “pacto de sangue” entre o ex-
presidente e o empresário Emílio Odebrecht, em 2010, em que foi acertado R$ 300
milhões em corrupção ao PT.

+++ As sete razões de Palocci para detonar Lula

Já Kadafi sempre manteve relação cordial com o ex-presidente, sendo referido pelo petista
como "amigo" ou "irmão" . Durante seu mandato, Lula se reuniu pessoalmente quatro vezes
com o ditador, que governou o país com mãos de ferro durante 41 anos. Em 2009 foram
duas vezes. Uma delas foi na Cúpula América do Sul- África, realizada na Isla Margarita,
Venezuela, no dia 26 de setembro.

Na época, houve muitas críticas à aproximação de Lula com Kadafi. Aconselhado por seus
assessores mais próximos (o ex-ministro Celso Amorim e o assessor especial da
Presidência Marco Aurélio Garcia), Lula dizia que o Brasil não tinha preconceitos e que se
tratava de uma diplomacia pragmática.

+++ Kadafi: o “amigo” de Lula

+++ Retrospectiva 2011: Captura e morte de Muamar Kadafi

+++ Os mil e um nomes de Kadafi

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