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Ficha para Identificação da Produção Didático-Pedagógica – Turma 2016

Título:
Leitura e análise de contos: Uma proposta de ensino de Literatura através do Método
Recepcional.
Autor: Edna dos Santos Pepineli de Araújo

Disciplina/Área: (ingresso no Língua Portuguesa


PDE).

Escola de Implementação do Colégio Estadual “Adaucto da Silva Rocha. ”


Projeto e sua localização: Ensino Fundamental e Médio.

Município da escola: Luiziana

Núcleo Regional de Educação: Campo Mourão

Professor-Orientador: SANDRO ADRIANO DA SILVA

Instituição de Ensino Superior: UNESPAR – Campus de Campo Mourão

Resumo: Esta unidade didática tem como objetivo propiciar


ao aluno o desenvolvimento de práticas prazerosas
de leitura de textos literários, articulando teoria e
prática para melhoria do processo ensino e
aprendizagem. Diante disso, propõe-se um trabalho
com leitura e análise de contos, bem como a
reflexão de como se configura neles a temática
amor, ciúmes e traição, em diferentes períodos
históricos e literários. De acordo com orientação das
DCEs de Língua Portuguesa, a metodologia que
embasará teoricamente esse trabalho será a
Estética da Recepção”, de Hans Robert Jauss
(1994), e sua aplicação seguirá as orientações do
Método Recepcional, de Bordini e Aguiar (1993). O
público objeto desta intervenção será constituído
por alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma
escola pública. Como suporte pedagógico, a
presente unidade contará com leitura e análise de
contos, poemas, notícias, e proposição de
atividades que privilegiem o diálogo com canções e
vídeos, para reflexões e apropriação do conteúdo
suscitado nos contos.
Palavras-chave: Leitura; Gênero Conto; Método Recepcional;

Formato do Material Didático: Unidade Didática

Público: Alunos do 3º ano do Ensino Médio.


1. Apresentação
Após percorrer toda a trajetória da primeira etapa, ou seja, formação nos
cursos e eventos do Programa PDE, aprofundamentos em leituras para fundamentação
teórico-práticas com a orientação do professor da IES, o presente trabalho culminou na
produção de uma Unidade Didática para a implementação desta ao retorno na escola.
Nesse sentido sabemos que há uma necessidade do professor em repensar a
sua práxis para se ter uma certa autonomia em relação à produção do material
didático.

O objetivo do trabalho é dar subsídios aos alunos para melhorarem


as habilidades de ler e interpretar textos literários, a fim de levá-los a refletir sobre
a sua posição social e as relações surgidas em sua vida.

O grande embate hoje nas escolas é desenvolver nos alunos o


prazer da leitura, sabendo que o ato de ler é complexo, pois requer do leitor bem
mais do que somente decodificar sinais. Desse modo as DCE de Língua
Portuguesa, na concepção de linguagem privilegia a interação, que busca o
diálogo entre os conhecimentos presentes no ambiente escolar e também
aqueles trazidos pelos alunos.

As Diretrizes preconizam a leitura “como um ato dialógico,


interlocutivo, que envolve demandas sociais, históricas, políticas, econômicas,
pedagógicas e ideológicas de determinado momento” (PARANÁ, 2008, p. 56).

A proposta desta unidade será incentivar a leitura dos alunos do


terceiro ano do Ensino Médio, através de temas relevantes e próximos à sua
realidade, desafiando-os a realizarem “grandes” leituras. As atividades propostas
partem do gênero Conto e seguem as etapas do Método Recepcional.

Nessa perspectiva, a importância dada ao papel do leitor (e não


mais ao autor ou à obra) confere um outro enfoque ao ensino de literatura. Assim
sugere as DCE de Língua Portuguesa.

Sob esse enfoque sugere-se, nestas Diretrizes, que o ensino da


literatura seja pensado a partir dos pressupostos teóricos da Estética
da Recepção e da Teoria do Efeito, visto que essas teorias buscam
formar um leitor capaz de sentir e de expressar o que sentiu, com
condições de reconhecer, nas aulas de literatura, um envolvimento de
subjetividades que se expressam pela tríade obra/autor/leitor, por meio
de uma interação que está presente na prática de leitura. A escola,
portanto, deve trabalhar a literatura em sua dimensão estética.
(PARANÁ, 2008, p. 58)

2. MÉTODO RECEPCIONAL

Dentro desse ponto de vista, um dos métodos de ensino que


atende aos anseios de propiciar o encontro do indivíduo com o texto literário é o
método recepcional. Nele, a obra literária é entendida como um espaço escrito,
cheio de indeterminações que são atualizadas pelo leitor. Essa atitude de
interpretação tem como pré-requisito o fato de que o leitor e o texto possuem
horizontes históricos, às vezes, distintos e defasados no tempo e espaço e que
precisam fundir-se para que a comunicação ocorra (BORDINI & AGUIAR, 1993, p.
83).

A partir dos pressupostos da Estética da Recepção voltados para


atividades de leitura, o método recepcional, proposto por Bordini & Aguiar,
centraliza suas premissas na participação ativa dos alunos no momento de
interação com os textos, abordando o texto literário como um objeto que reflete
tanto o contexto de produção quanto o momento histórico em que é lida e
estudada.

O conceito de historicidade da teoria recepcional é o de relação de


sistema de eventos comparados num aqui-e-agora específico: a obra
é um cruzamento de apreensões que se fizeram e se fazem dela nos
vários contextos históricos em que ela ocorreu e no que agora é
estudada (BORDINI & AGUIAR, 1993, p. 81).

Desse modo, a obra só é valorizada pelo método recepcional se


ampliar o horizonte de expectativa do leitor, pois será mais valiosa a obra
literária, aquela que causar maior estranhamento em quem a ler (Zilberman,
1989, p. 19). Esses horizontes de expectativas são frutos dos valores sociais,
ideológicos, intelectuais, literários e linguísticos que influenciam a formação do
leitor durante a sua vida.
Esse método será desenvolvido em cinco etapas. A primeira
consistirá em determinar o horizonte de expectativas, baseando-se nas
aspirações, valores, familiaridades dos alunos com respeito à literatura.

A segunda etapa que consistirá no atendimento das


expectativas, isto é, propiciar o ato de leitura à classe com textos literários que
correspondam ao esperado.

Na próxima etapa, ocorrerá a ruptura do horizonte de


expectativas pela apresentação de material literário diferente daquele que os
alunos já conhecem, mas que deverá manter a relação com o anterior em algum
aspecto, seja na forma, no tema ou na linguagem.

Na sequência, teremos o questionamento do horizonte de


expectativas. Nessa parte, o aluno será instigado a contrastar etapas
anteriores, levando-o a refletir sobre o tema, sobre as dificuldades encontradas,
sobre o quanto seus conhecimentos de mundo facilitaram o entendimento do (s)
texto (s) ou deram pistas para preencher as lacunas do texto. Essa etapa poderá
ser desenvolvida por meio de debates em grupos, registros das constatações
individuais ou coletivas, implicando sempre na retomada dos textos utilizados até
a execução desses passos do método.

Ao propiciar a reflexão sobre as relações entre leitura e a vida, será


necessário proporcionar a ampliação do horizonte de expectativas. Nesse
momento o papel do professor será o de provocar seus alunos e dar condições
para que eles comparem, avaliem o que foi aprendido e o que, ainda, têm de
alcançar.

Como já vimos o papel da escola e do professor na formação


literária do aluno é de suma importância. Para Zilberman (1991, p. 16), a
formação escolar do leitor passa pelo crivo da cultura em que se enquadra, e
também menciona que antes de formalizar o estudo dos textos, tornando as
leituras impositivas, informando aos alunos técnicas ou períodos literários é
preciso que esses alunos vivenciem muitas obras para que essas venham a
preencher as estruturas conceituais.
A literatura não trata de temas distantes de nós, são temas
humanos como Amor, Morte, Solidão, traição e muitos outros. Esses tipos de
relações já foram temas de vários textos literários ao longo da História. Para
observar esse fato, esta unidade promoverá a leitura de contos clássicos e
contemporâneos que enfocam as relações surgidas entre os homens no decorrer
de suas histórias, em um determinado momento histórico que influenciou, de
algum modo, o contato entre os seres.

3. O Conto

O homem sempre se reuniu para contar qualquer tipo de estórias,


seja em volta da mesa, e durante as refeições ou perto do fogão, lareira e etc.,
essa era uma forma de transmitir sua história, cultura e criatividade, ou seja, seus
mitos, ritos, tradições e ao mesmo tempo criando uma atmosfera de
entretenimento.

Assim, a história do conto literário evoluiu do oral para o registro de


estórias de forma escrita, onde não há obrigação com a verdade dos fatos
narrados, o narrador assume a função de contador-criador-escritor o que torna
essa narrativa em um conto literário diferente de limitar apenas a um relato, ou
seja, recontar um fato.

O conto é um gênero que tenta atingir o máximo de efeito em uma


leitura. Segundo Edgar Allan Poe (apud GOTLIB, 1990), o contista defende a
ideia de que é preciso dosar a obra, a fim de que, “a uma só assentada”, o leitor
faça a leitura do conto, por isso, nem breve demais e nem extenso demais – a
extensão, para Poe é imperdoável.

Para Gotlib (1990, p. 82), cada conto traz um compromisso selado


com sua origem: o da estória. Os elementos que caracterizam esse gênero
discursivo na sua forma composicional e que são mais recorrentes são a
brevidade, a compactação, o efeito único ou impressão total, a intensidade e a
tensão.

Como suporte pedagógico, a presente unidade contará com leitura


e análise de contos, poemas, notícias, e proposição de atividades que privilegiem
o diálogo com canções e vídeos, para reflexões e apropriação do conteúdo
suscitado nos contos.

UNIDADE DIDÁTICA

1ª PARTE
Nesse primeiro momento serão expostos aos alunos o conteúdo do
projeto, sua importância, os objetivos, esclarecendo o porquê da escolha do
gênero textual “Conto”.

CONVERSA COM O PROFESSOR:

1- Determinação do horizonte de expectativas

Nessa primeira etapa os alunos serão questionados sobre


suas aspirações, valores, familiaridades e preferências quanto
aos temas e gêneros de textos literários. Para isso,
apresentaremos aos alunos, os seguintes questionamentos, que
deverão ser respondidos por escrito:

A- Leia atentamente as questões abaixo e responda:


1- A leitura tem um papel relevante em sua vida?
2- Seus pais costumam ler jornais, revistas, obras literárias?
3- Qual o último livro que você leu ou está lendo?
4- Que tipo de histórias você mais gosta de ler? (Romance, drama, policial,
outros.)
5- Na sua opinião, as aulas de Literatura são importantes e prazerosas?
6- Aponte alguns pontos positivos e negativos nas aulas de Literatura.
7- Qual é o gênero textual que você mais se identifica? Dê exemplos:
8- Já ouviu falar sobre o gênero conto?
9- Você se lembra de ter lido algum conto? Você gosta desse tipo de leitura?
10- O que levou você a escolher esse gênero textual?
11- Quais foram os contos mais marcantes para você?
12- Quais outros tipos de textos que você mais aprecia?
13- Quais os temas que mais lhes chamam a atenção na leitura de romances?

Conversa com o professor

Continuando essa primeira etapa “Determinação do horizonte


de expectativas”, os alunos serão questionados sobre suas
aspirações, valores, familiaridades e preferências quanto ao
tema: “amor, ciúmes e traição”.
Essa etapa se faz necessário, pois a temática discutida será
abordada nos contos que serão analisados na sequência.

Exibição de slides:

Por que cultivas/ Se todo animal inspira


ternura, o que houve,
As sem perfume/e
então, com os
Agressivas/flores do homens?
Ciúme
Guimarães Rosa
Carlos Drummond de
Andrade

“Nos ciúmes existe


Quem ama não mata,
mais amor-próprio do
quem mata não ama”
que verdadeiro amor”.
Daminhão experiença

François La Rochefoucauld
B- Agora responda:

1- Você concorda com as afirmações acima?


2- Como você lida com esses sentimentos: O amor e o ciúme?
3- Quem ama sente ciúmes?
4- Até que ponto esses sentimentos, o amor e o ciúme presentes em um
relacionamento podem ser saudáveis?
5- Relembre filmes, obras, canções que trata desse tema e em seguida faça
um breve comentário se você concorda com a maioria deles quanto ao
desfecho.
6- Esse tema é universal, ou seja, vários autores já escreveram romances,
contos, novelas, poemas e outros gêneros textuais, que tratam dessa
temática, e hoje, você acha que esses temas ainda são interessantes?
Explique:

Cenas peculiares de situações que representam as emoções e


comportamentos das pessoas em relação ao ciúme.
Apresentação de slides.

Disponível em: http://dorquemata.blogspot.com.br/2010/09/ciume-sentimento-


inutil.html. Acesso em: 15/08/2016.

Disponível em: http://dorquemata.blogspot.com.br/2010/09/ciume-sentimento-


inutil.html. Acesso em: 15/08/2016.

C- Faça uma leitura das imagens e responda:

1- Nas imagens apresentadas que tipos de sentimentos são retratados?


2- Esses sentimentos e atitudes estão próximos da nossa realidade?
3- Quais os problemas que estão relacionados a esse tipo de
comportamento?
4- Existem soluções para amenizar os danos causados pelo ciúme?
2ª Parte

CONVERSA COM O PROFESSOR

Pedir para os alunos trazerem para a próxima aula:


- Contos e letras de canções que falam de amor, ciúmes e traição.
- Notícias de jornal que retratam a temática debatida anteriormente.

Conversa com o professor

2- Atendimento do horizonte das expectativas


Propiciar o ato de leitura à classe com textos literários que
correspondam ao esperado e através de tarefas com
procedimentos conhecidos dos alunos e de seu agrado.
Nesse momento será apresentada uma canção de Robson Biolo,
intitulada “Só minha”. Essa atividade atenderá ao horizonte de
expectativas da turma, já que o estilo, linguagem, tema, melodia
e outras características desse gênero fazem parte da sua
realidade.

A- Após assistir ao vídeo e fazer a leitura da letra da canção


“Só minha” de Robson Biollo, Responda:

Vídeo: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZwtGC2h6DEU.


Acessado em 15/08/2016.

“Se eu sinto ciúmes é porque me importo


Se brigo às vezes é que não suporto
Que alguém olhe pra ti”
Para visualizar a letra da canção na íntegra acesse: Disponível em:
https://www.letras.mus.br/robson-biollo/so-minha/. Acessado em 15/08/2016.

Agora é a sua vez:


1- Vocês já ouviram essa música?
2- Conhecem o cantor?
3- A letra desta canção aborda que temática?
4- É o tema atual? É interessante?
5- No quarto verso da primeira estrofe da letra desta canção, temos: “Além
de mim você é minha, só minha, só minha”. Responda:

A- Pronomes Possessivos, são palavras que, ao indicarem a pessoa


gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa
possuída). No verso acima o pronome “minha” remete a essa mesma
ideia? Hipoteticamente falando quem seria o possuidor e quem seria a
coisa possuída?
B- No início de um relacionamento tudo é maravilhoso, e os envolvidos veem
o “ciúme” como um sentimento positivo. Nessa canção, como você
caracteriza as personagens? Quem você acha que é mais ciumento (a),
“quem mais sente ciúmes, é também quem ama mais? ” Explique com
passagens do texto:
6- Leia para o seu colega as notícias de jornal que você selecionou,
contendo como tema “crime passional”, depois de uma breve discussão
em relação à notícia, responda:
a- Você encontrou dificuldades para encontrar a notícia sobre crime
passional?
b- Ao ligar a televisão ou ler um jornal nos deparamos com notícias de um
marido ciumento, ou um ex inconformado, mas o que mais assusta é a
banalidade ao se tratar desse assunto, é como se fosse um
acontecimento comum, ou seja, não causa estranheza. É correto tratar
desse assunto com tanta naturalidade? Comente:
Poema: “Tragédia Brasileira” de Manuel Bandeira.

Sobre o autor:

Manuel Bandeira é um poeta reconhecido na literatura nacional, fez


parte do modernismo brasileiro. Uma de suas poesias, inclusive, foi
declamada por Ronald de Carvalho na abertura da Semana de Arte
Moderna de 1922, em São Paulo. [...]. Com extensa obra literária, é
possível perceber o tradicionalismo e a liberdade em diferentes
poemas. A morte, o amor e a solidão estão presentes na sua
poesia, da mesma forma que o erotismo e a infância.

Disponível em: http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/manuel-


bandeira.html. Acesso em 23/08/2016.

B- Leia o poema “Tragédia Brasileira” de Manuel Bandeira.


“Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade,
conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, dermite
nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de
miséria. ”

Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/manuel-


bandeira/poemas-manuel-bandeira.php#64. Acesso em: 15/08/2016.

Atividades: Como você já sabe, um texto narrativo deve responder a


algumas perguntas básicas:

O QUÊ? - O (s) fato (s) que determina (m) a história;


QUEM? - A personagem ou personagens;
COMO? - O enredo, o modo como se tecem os fatos;
ONDE? - O lugar ou lugares da ocorrência;
QUANDO? - O momento ou momentos em que se passam os fatos;
POR QUÊ? - A causa do acontecimento.

1.O texto que você acabou de ler é do tipo narrativo. Assim sendo, destaque os
elementos pontuados acima:
- O quê?
- Quem?
- Como?
- Onde?
- Quando?
- Por quê?

2. Convencionalmente, o enredo da narração pode ser assim estruturado:


•exposição (apresentação das personagens e/ou do cenário e/ou da época),
•desenvolvimento (desenrolar dos fatos apresentando complicação e clímax) e
•desfecho (arremate da trama).
Entretanto, há diferentes possibilidades de se compor uma trama, seja iniciá-la
pelo desfecho, construí-la apenas através de diálogos, ou mesmo fugir ao nexo
lógico de episódios. Escritores (romancistas, contistas, novelistas) não compõem
um texto estritamente narrativo. O que eles produzem é um tecido literário em
que aparecem, além da narração, segmentos descritivos e dissertativos. As
narrativas mais longas podem explorar mais detalhadamente as noções de
tempo – cronológico (marcado pelas horas, por datas) ou psicológico (marcado
pelo fluxo do inconsciente) – e de espaço (cenário, paisagem, ambiente). O
envolvimento de várias personagens e os múltiplos núcleos de conflito em torno
de uma situação também são comuns nas narrativas extensas.
Quanto à estrutura da narrativa convencional, destaque do texto Tragédia
Brasileira os seguintes trechos:
•a exposição
•o desenvolvimento
•o desfecho

Disponível em:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22430. Acesso
em 19/11/2016.
3- Volte na questão de número 1 e destaque os mesmos elementos na notícia
de jornal que você pesquisou.
As Sem Razões do Amor- Carlos Drummond de Andrade

Sobre o autor

Este consagrado poeta brasileiro nasceu em Itabira, Minas


Gerais no ano de 1902. Tornou-se, pelo conjunto de sua obra,
um dos principais representantes da literatura brasileira do
século XX. [...]os principais temas retratados nas poesias de
Drummond são: conflito social, a família e os amigos, a
existência humana, a visão sarcástica do mundo e das pessoas
e as lembranças da terra natal.

Para saber mais sobre o autor:


Disponível em: http://www.suapesquisa.com/biografias/drummond.htm.
Acessado em 03/09/2016.

1- Procure no dicionário a definição da palavra “Amor” e “Paixão”: Você


consegue diferenciá-las facilmente?

2- Agora você vai ler um poema de Carlos Drummond de Andrade e depois


vamos conversar sobre como o poeta retrata no seu texto esse sentimento
“Amor”.

Eu te amo porque não amo


bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.

Para ver o poema na íntegra acesse: Disponível em:


http://www.citador.pt/poemas/as-sem-razoes-do-amor-carlos-drummond-de-
andrade. Acesso em 03/09/2016.
Exibição do vídeo
Título: “Amor, traição, ciúme patológico” – No Divã com Taty Ades.
Descrição: Entrevistas sobre amor patológico, ciúme doentio,
traição (Record, Rede TV, gazeta, CNT).
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VyNVpS9epnc. Acesso em
21/11/2016.

c- Agora em círculo vamos realizar um debate sobre a


entrevista:

Vou lançar duas perguntas para começar, e na sequência cada aluno irá
elaborar uma questão para um (a) colega:

1- Nesse vídeo ouvimos várias entrevistas sobre os temas amor patológico,


ciúme doentio e traição. Comente para seus colegas qual parte da
entrevista chamou mais a sua atenção e por quê?

2- Você se identificou com alguns exemplos citados durante a entrevista?

Conhecendo o gênero discursivo Conto

CONTO
Conversa com o professor:
Capítulo 18 – Conto – retirado do livro PORTUGUÊS – CONTEXTO,
INTERLOCUÇÃO E SENTIDO – Volume 3 -
O trabalho realizado ao longo deste capítulo favorece o desenvolvimento das
competências de área 1 e 5 e das habilidades H1, H3, H15, H16 E H17. (MATRIZ
DO ENEM 2009).

OBJETIVOS
Ao final do estudo deste capítulo, o aluno deverá ser capaz de:
1- Reconhecer as características estruturais do conto.
2- Compreender de que modo o contexto de circulação e o perfil de
interlocutor afetam a estrutura desse gênero.
3- Reconhecer as características dos elementos da narrativa que participam
da estrutura do conto: foco narrativo, personagens, espaço, tempo e
enredo.
4- Compreender as relações entre esses elementos.
5- Perceber a importância do conceito de verossimilhança para a construção
dos elementos da narrativa.
6- Saber escolher os recursos linguísticos adequados ao conto.

As narrativas ficcionais sempre seduziram leitores de todas as épocas


e lugares. No mundo contemporâneo, muitos leitores apreciam as narrativas
curtas, que focalizam um único conflito e apresentam a sua solução em um breve
espaço de tempo. Essas narrativas são conhecidas como CONTOS.

CONTO: DEFINIÇÃO E USOS


O conto é uma narrativa curta que apresenta os mesmos elementos do
romance: narrador, personagens, enredo, espaço e tempo. Diferencia-se do
romance pela sua concisão, linearidade e unidade: o conto deve construir uma
história focada em um conflito básico e apresentar o desenvolvimento e a
resolução desse conflito.

Vários temas, vários contos


O gênero conto, por suas próprias características, admite uma grande
diversidade temática. Alguns autores acabam por se especializar na criação de
contos voltados para temas determinados. É o caso, por exemplo, do argentino
Julio Cortázar e do brasileiro Murilo Rubião, que escreveram contos
fantásticos, ou seja, narrativas em que a realidade é bruscamente invadida por
algum elemento extraordinário sem que haja qualquer preparação ou explicação
para isso.
Além dos contos fantásticos, podemos identificar ainda os seguintes tipos,
definidos pela temática abordada: contos policiais (ou de suspense), contos
eróticos, contos românticos e contos de ficção científica.
CONTEXTO DE CIRCULAÇÃO

Contos costumam ser escritos para publicação em livros. Além disso,


circulam em revistas especializadas e também em sites.

Há diferentes tipos de livro em que os contos aparecem: aqueles


idealizados pelo autor, que reúne vários textos organizados a partir de um critério
pessoal; edições planejadas para divulgar os melhores textos de um mesmo
autor; ou; ainda, antologias com contos de diferentes autores, organizados
tematicamente (contos de humor, contos de mistério, etc.) ou por sua qualidade.

OS LEITORES DE CONTOS

Leitores de contos são, em primeiro lugar, leitores de narrativas.


Pessoas que encontram, nas narrativas ficcionais, um espaço para reflexão
sobre a realidade, que buscam os cenários criados pela imaginação alheia como
modo de escapar da realidade estressante em que vivem ou que leem pelo
prazer propiciado pelos textos ficcionais.

Além dessas características, comuns a todos os amantes dos textos


literários em prosa, os leitores de conto apresentam uma outra, constitutiva do
mundo contemporâneo: a falta de tempo, que faz com que busquem
narrativas mais curtas.

O século XIX viu as narrativas longas reinarem absolutas na


preferência dos leitores. Os romances, que se estendiam por muitos capítulos e
eram publicados em periódicos, tinham um público fiel. No século XXI, em plena
era de informação e em um mundo no qual a imagem representa o apelo mais
sedutor, as narrativas longas foram, aos poucos, perdendo espaço e o conto
conquistou a preferência dos leitores. Sua estrutura mais enxuta e sua
capacidade de apresentar, desenvolver e solucionar um conflito em tempo
relativamente curto parecem ser as principais razões do sucesso dos contos
entre os leitores contemporâneos.

ESTRUTURA

O conto é uma narrativa curta, o que torna essencial o planejamento


cuidadoso da articulação dos elementos narrativos. Como se trata de uma
narrativa ficcional, deve apresentar uma história na qual atuam personagens em
um espaço e tempo definidos. Um narrador em 1ª ou 3ª pessoa será encarregado
de contar o que acontece com tais personagens, revelando, para o leitor, de que
modo espaço e tempo afetam os fatos narrados.

Cabe ao autor decidir exatamente que função foco narrativo,


personagens, espaço e tempo deverão desempenhar na história a ser criada,
determinando o entrelaçamento dos elementos narrativos. O enredo, resultado
da articulação precisa desses elementos, deve ser linear, porque o conto não
prevê um longo desenvolvimento da história. Em outras palavras, ao começar, o
conto já está prestes a terminar.

Em termos do plano geral, o conto deve apresentar uma determinada


ordem (criada pelos elementos das narrativas), que será desequilibrada pelo
surgimento de um conflito. A resolução desse conflito promoverá a restauração
da ordem. O objetivo do contista, portanto, é apresentar ao leitor uma situação
ficcional em que a estabilidade é desestruturada por um conflito cujo
desenvolvimento e solução serão o foco da história contada.

De modo geral, a estrutura do conto pode ser vista como o espaço


narrativo entre dois momentos de equilíbrio: um que precede o conflito
tematizado e outro que segue esse conflito. Por esse motivo, essas narrativas
curtas costumam começar pela apresentação de uma situação estável que será
perturbada por alguma força. Essa força desencadeia um processo de
desequilíbrio do universo narrativo apresentado.

Para atender às exigências estruturais do conto, é necessário dominar


os elementos constitutivos da narrativa, porque o modo como serão
apresentados e articulados garantirá a qualidade da história criada.

FOCO NARRATIVO

O primeiro dos elementos narrativos a ser considerado no momento


de definir a estrutura de um texto ficcional é o narrador, ou seja, quem irá contar
a história. O narrador estabelece o ponto de vista a partir do qual a história será
contada: trata-se do foco narrativo.
FOCO NARRATIVO é a perspectiva a partir da qual uma história será
contada. O foco narrativo pode ser de 1ª pessoa ou de 3ª pessoa.

O ponto de vista (ou perspectiva) explicita, nos textos narrativos, o “olhar”


adotado pelo narrador para apresentar a seus leitores um acontecimento,
personagem ou espaço sobre o qual vai falar. A adoção de uma determinada
perspectiva afeta o modo como a história contada é interpretada por seus
leitores.

Analisar as palavras escolhidas por um narrador para caracterizar


uma personagem ou situação permite identificar a perspectiva a partir da qual
ele conta a história.

O NARRADOR TESTEMUNHA

Sempre que uma história é contada por um narrador em 1ª pessoa, o


leitor encontra-se diante de uma perspectiva claramente subjetiva. A
subjetividade do foco em 1ª pessoa decorre de sua associação imediata a uma
personagem. Se o narrador é uma das personagens, todos os acontecimentos,
motivações e demais personagens são apresentados a partir do seu ponto de
vista particular. Observe este trecho de um conto policial.

.............................................................................................................................

[...] A convivência com Holmes não era difícil. Ele tinha hábitos tranquilos e
regulares. Era raro vê-lo em pé depois das dez horas da noite, e invariavelmente já havia
feito o seu desjejum e saído quando eu me levantava de manhã. [...]

À medida que passavam as semanas, meu interesse nele e minha


curiosidade quanto a seus objetivos na vida iam gradualmente aumentando e se
aprofundando. Até seu físico era tal que despertava a atenção do mais descuidado
observador. Quanto à estatura, passava de um metro e oitenta, mas era tão magro que
parecia mais alto ainda. Os olhos eram agudos e penetrantes, salvo durante aqueles
intervalos aos quais fiz alusão, e o nariz delgado, aquilino, dava a sua expressão um ar
de vigilância e decisão. Também o queixo, quadrado e forte, indicava nele o homem
resoluto. [...]

DOYLE, Artur Conan. Um estudo em vermelho. Tradução de Louisa Ibañez e Arnaldo Viriato
Medeiros. São Paulo: Abril, 1984. P. 17-18. (Fragmento.)

Nesse texto, somos apresentados a um dos mais conhecidos e


admirados detetives dos romances policiais: Sherlock Holmes. Quem descreve
o famoso investigador inglês é seu amigo e assistente, Dr. Watson. Dizemos que
esse tipo de foco narrativo em 1ª pessoa é construído a partir de um narrador
testemunha. Ou seja, os acontecimentos são contados por uma personagem
que, embora participe da história, não é o protagonista.

Tudo o que é contado passa pelo “filtro” do seu olhar. Suas


impressões sobre os fatos, o espaço e as demais personagens são reveladas
não apenas a partir da seleção do que é contado, mas também das
caracterizações que faz.

O NARRADOR ONISCIENTE

Quando um escritor pretende que seus leitores acompanhem o que


pensam e sentem as personagens de uma história, constrói um foco narrativo
em 3ª pessoa e escolhe trabalhar com um narrador onisciente.

Esse narrador tem conhecimento total dos fatos. Ele acompanha


todos os acontecimentos e penetra no íntimo das personagens, revelando suas
motivações, desejos e sentimentos pessoais. Observe.

...............................................................................................................................

[...]

Sara respirava ruidosamente, em parte por causa do esforço físico, mas também por
causa da irritação que estava sentindo. Não era porque o telefone estivesse
interrompendo aquele primeiro momento de quietude, quando todo movimento cessa.
Era mais porque ela queria muito que não fosse Robin, seu agente, pois não só ainda
não estava preparada para perdoá-lo, como ficava irritada por antecipação só de pensar
que poderia ser ele do outro lado da linha. Quando ela alcançou o telefone, suas pernas
tremiam e seu corpo ainda suava. Ao pegar o aparelho, o plástico morno e liso
escorregou de sua mão molhada, caiu no chão e quicou contra a ponta do fio espiralado,
girando no ar e batendo na cômoda. Quem quer que estivesse do outro lado da linha
provavelmente imaginaria que ela tinha atirado o telefone contra a parede, de modo
que não havia a menor possibilidade de parecer equilibrada e razoável agora.

[...]

JOSS, Morag. Música fúnebre. Tradução de Sonia Moreira. São Paulo: Companhia das
Letras, 2003. P. 17. (Fragmento).

Nesse trecho do romance, apesar de o narrador aparentemente não


estar associado a nenhuma personagem, podemos constatar que o olhar de uma
personagem sobressai em relação ao que é contado. Isso acontece porque, em
qualquer narrativa, sempre será estabelecido um ponto de vista predominante.

Nesse caso, o narrador onisciente constrói o ponto de vista de Sara,


a personagem principal. Sabemos, por exemplo, que sua irritação se deve
principalmente à possibilidade de o seu agente, com quem ela não deseja falar,
estar do outro lado da linha. Os trechos destacados são um exemplo de como o
narrador explicita os sentimentos e as motivações da personagem.

A imparcialidade do narrador em 3ª pessoa é relativa, porque o texto sempre


irá revelar diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos narrados.
Como um narrador em 3ª pessoa não é uma personagem, não representa, na
verdade, uma perspectiva única, particular, associada a uma só visão de
mundo. Ele funciona como uma lente mais ampla, que capta e transmite, para
o leitor, os sentimentos, emoções e pensamentos mais privados de diferentes
personagens. Ao fazer isso, explicita pontos de vista variados sobre os
acontecimentos narrados.
O NARRADOR OBSERVADOR

Outra possibilidade, associada a um foco narrativo em 3ª pessoa, é a


do narrador que, como um observador distante, narra os acontecimentos.

.......................................................................................................................

Aquele foi um verão diferente, único. Um verão que começou antes da hora
e que desde o princípio deixou estabelecido que se estenderia pelo tempo, atropelando
calendários, previsões e memórias.

A casa erguia-se branca no meio da encosta, rodeada de grandes


amendoeiras. A encosta descia no rumo do mar, suave no princípio, abrupta no final. Na
casa, a rotina estabeleceu-se com os primeiros dias de sol, quando a força do verão
mostrou-se com toda a sua pertinência.

Todos os dias, pouco depois das oito da manhã, o motorista saía no carro
branco e ia até a aldeia, seguindo veloz pelos quatro quilômetros da estrada que corria
sobre as rochas, beirando o mar. Voltava sempre às nove trazendo pão, a
correspondência que recolhia no correio e, algumas vezes, um pacote de laranjas.
Quarta-feira era o dia em que a cozinheira gorda, negra e tranquila ia com ele. Sentava-
se no banco da frente, ao seu lado, e viajava em silêncio, suspirando e olhando o mar.
Na volta, trazia duas grandes sacolas de verduras e frutas e um peixe embrulhado em
papel claro. Nesse dia, o automóvel branco demorava um pouco mais para voltar.

A casa era silenciosa e tinha grandes janelões e duas varandas enormes que
se abriam para o mar. [...]

NEPOMUCENO, Eric. As três estações. Coisas do mundo. São Paulo: Companhia das
Letras, 1994, p. 109. (Fragmento).

Por meio da narração em 3ª pessoa, a cena vai sendo apresentada


ao leitor de modo detalhado, com informações sobre tempo (era verão), espaço
(a ação se passa em uma casa de praia) e personagens (o motorista, a
cozinheira). O leitor acompanha os acontecimentos rotineiros na vida dessas
personagens como se estivesse assistindo a uma cena que se desenrola diante
de seus olhos.

Por mais minuciosa que seja a apresentação feita pelo narrador


observador, ela não nos informa sobre alguns elementos essenciais para que
possamos compreender o que se passa. Poderíamos perguntar, por exemplo, o
que sentem aquelas pessoas que circulam pela casa de praia ou em que pensa
a cozinheira quando olha o mar e suspira. Essas respostas não são dadas no
texto e isso é uma característica de um narrador que apresenta o que observa
e nada além disso.

PERSONAGENS: OS SERES DE FICÇÃO

Toda narrativa apresenta uma série de acontecimentos, contados por


um narrador. Os seres que vivenciam esses acontecimentos são as
personagens. Por esse motivo, dizemos que a personagem é um “ser de ficção”,
ou seja, um ser criado para participar de um contexto ficcional, interagindo com
os demais elementos narrativos e produzindo, como resultado final, o enredo.

Se as personagens, como o narrador, são seres de ficção, isso


significa que devem ser criadas pelo autor do texto. No caso dos contos, sua
extensão mais curta faz com que as personagens sejam apresentadas aos
leitores como seres já inteiramente criados, de cuja vida se pode acompanhar
somente um recorte: aquele que é apresentado naquela narrativa.

É importante que o comportamento das personagens seja compatível


com as informações que o narrador oferece ao leitor sobre elas. Os leitores do
conto só acreditarão na situação narrativa criada caso o comportamento do
protagonista seja verossímil.

A CRIAÇÃO DE PERSONAGENS VEROSSÍMEIS


Lembre-se

Verossímil é aquilo que parece verdadeiro. No caso das narrativas


ficcionais, a verossimilhança é muito importante, porque é ela que
garante a coerência da história contada. Ainda que todos os
elementos de uma narrativa sejam fruto da imaginação de um autor
e não tenham qualquer relação com a realidade, o texto será
verossímil se o leitor aceitar que a história contada poderia ser real,
porque parece verdadeira.

No momento de planejar um texto narrativo, alguns aspectos devem


ser considerados para garantir que as personagens criadas sejam verossímeis.

A primeira providência a ser tomada pelo autor é garantir que ele


conheça as personagens criadas tão bem quanto as pessoas com as quais
convive há muito tempo (seus pais, irmãos, amigos, etc.).

Além das características mais objetivas de uma personagem, o autor


deve também conhecê-la com relação a seus traços psicológicos, porque deles
virá a motivação para suas ações e reações.

A melhor maneira de compreender os motivos (ou desejos) por trás


das ações das pessoas é observá-las nos seus comportamentos rotineiros.
Podemos imaginar, por exemplo, uma pessoa que adora promover festas. Não
apenas festas de aniversário, mas festas semanais, reuniões de pessoas
conhecidas e não tão conhecidas assim. Que sentido tem o comportamento
dessa pessoa? O que será que ela pretende com tantas festas? Será que
procura reconhecimento dos outros? Será que procura carinho? Será que teme
a solidão?

As respostas a perguntas como essas permitirão “conhecer” mais


profundamente essa pessoa meramente imaginada. Aos poucos nos sentiremos
mais íntimos dela, saberemos quais as razões que tem para promover tantas
festas, o que deseja alcançar com isso. Quando esse conhecimento ocorrer,
podemos transformá-la em personagem de um texto, porque saberemos como
ela irá se comportar em diferentes circunstâncias narrativas.

O ESPAÇO

Quando fazemos referência ao espaço, em um texto narrativo,


podemos identificar dois tipos diferentes.

O espaço físico: conjunto de elementos da paisagem exterior; trata-


se do cenário criado pelo autor no qual será ambientada a ação.

O espaço interior (psicológico): as vivências da personagem, seus


sentimentos, seus sonhos, seus pensamentos, aquilo que permite ao leitor
conhecer a motivação para seus comportamentos.

As principais funções do espaço físico são identificar o “lugar” em que


transcorre a ação, auxiliar na caracterização das personagens (com elas
interagindo, ou sendo por elas transformado) e contribuir para a construção do
tempo da narrativa.

Definir o espaço somente como lugar em que se passa a ação,


portanto, é insuficiente: ele também define uma ambientação para a narrativa.
Para identificar como se dá a ambientação, precisamos perceber de que maneira
o espaço estabelece uma atmosfera, um clima para os acontecimentos a serem
narrados. Além da caracterização específica do espaço, participam também da
criação desse ambiente aspectos morais, psicológicos, culturais e
socioeconômicos das personagens. Todos esses aspectos compõem o que se
chama espaço psicológico da narrativa.

Observe como a narradora deste romance estabelece, desde o início


da história, um tom narrativo mais leve ao criar uma associação entre o local
onde está e a tomada de uma decisão muito importante em sua vida.

...............................................................................................................................

Estou num estacionamento em Leeds quando digo a meu marido que não
quero continuar casada com ele. David nem sequer está no estacionamento comigo;
está em casa cuidando das crianças, e eu só liguei para lembra-lo de que precisa escrever
um bilhete para a professora da Molly. O resto meio que...escapole. É um erro,
obviamente. Embora aparentemente eu seja – para minha imensa surpresa – uma
pessoa capaz de dizer ao marido que não quer continuar casada com ele, nunca pensei
que fosse uma pessoa capaz de dizer isso pelo telefone celular, num estacionamento. É
claro que este item específico da minha auto avaliação deve ser revisto. Por exemplo,
eu posso me descrever como uma pessoa que não esquece nomes, pois já lembrei de
nomes milhares de vezes e me esqueci de apenas um ou dois. Mas a maioria das pessoas
diz apenas uma vez – se é que chega a isso – que quer acabar um casamento. Quem
escolhe dizer isso pelo telefone celular num estacionamento em Leeds não pode depois
afirmar que uma ocasião como essa não tenha sido representativa, assim como Lee
Harvey Oswald não podia afirmar que matar presidentes não era uma característica sua.
Às vezes nós temos que ser julgados pelas coisas que só fazemos uma vez.

[...]

HORNBY, Nick, Como ser legal. Tradução de Paulo Reis.


Rio de janeiro: Rocco, 2002. P. 9 (Fragmento).

Essa é a abertura do romance, o primeiro contato que o leitor tem com


a personagem. É muito significativo, portanto, que o autor decida apresentá-la
em um estacionamento quando comunica ao marido que quer se separar dele.

Há uma clara incompatibilidade entre o local em que ela se encontra


(e também o fato de estar ligando de um celular) e a gravidade da decisão
tomada. É justamente o absurdo da situação que é explorado nessa passagem.
O que poderia ser uma decisão dramática, carregada de emoção, é apresentado
pela narradora como algo que “escapole” no meio da sua conversa com o
marido. A situação é tão inesperada, que ela mesma observa: “nunca pensei que
fosse uma pessoa capaz de dizer isso pelo telefone celular, num
estacionamento”. O clima narrativo criado pela cena inicial dará o tom do
romance, que trata de questões bastante sérias de modo leve.

O exemplo apresentado ilustra, portanto, a importância do


planejamento prévio do espaço da narrativa.
O TEMPO

O tempo de uma narrativa é caracterizado pela duração da ação nela


apresentada. Há diferentes “tempos” quando se considera uma narrativa.

 O tempo cronológico: quando os fatos são narrados de acordo com a


ordem em que acontecem.
 O tempo psicológico: quando a rememoração do passado desencadeia
a narrativa. Nesses casos, é frequente a utilização de analepse.
 O tempo histórico: referente ao momento histórico em que se situam os
fatos narrados.

Para saber mais: O tempo da diegese:

[...] A diegese é a realidade própria da narrativa ("mundo ficcional", "vida


fictícia"), à parte da realidade externa de quem lê (o chamado "mundo real"
ou "vida real"). O tempo diegético e o espaço diegético são, assim, o tempo
e o espaço que decorrem ou existem dentro da trama, com suas
particularidades, limites e coerências determinadas pelo autor.
Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/2299123. Acessado
em 08/12/21016.

A marcação de tempo é estabelecida, em uma narrativa, com a ajuda


de elementos linguísticos (flexão de tempo dos verbos, advérbios e
expressões temporais). São esses os elementos que permitem ao leitor
reconstituir, em termos cronológicos, o desenvolvimento de uma determinada
ação.
Lembre-se

Como no filme “Flashback” é o nome que se dá ao recurso de


fazer com que a narrativa volte no tempo por meio das
recordações do narrador.

Algumas narrativas, em função do tempo histórico em que se passam,


chegam a tematizar a marcação do tempo. Veja.

.........................................................................................................................

“Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando” –


costumava dizer Ana Terra. Mas entre todos os dias ventosos de sua vida, um havia
que lhe ficara para sempre na memória, pois o que sucedera nele tivera a força de
mudar-lhe a sorte por completo. Mas em que dia da semana tinha aquilo
acontecido? Em que mês? Em que ano? Bom, devia ter sido em 1777: ela se
lembrava bem porque esse fora o ano da expulsão dos castelhanos do território do
Continente. Mas na estância onde Ana vivia com os pais e os dois irmãos, ninguém
sabia ler, e mesmo naquele fim de mundo não existia calendário nem relógio. Eles
guardavam de memória os dias da semana; viam as horas pela posição do sol;
calculavam a passagem dos meses pelas fases da lua; e era o cheiro do ar, o aspecto
das árvores e a temperatura que lhes diziam das estações do ano. Ana Terra era
capaz de jurar que aquilo acontecera na primavera, porque o vento andava bem
doido, empurrando grandes nuvens brancas no céu, os pessegueiros estavam
floridos e as árvores que o inverno despira, se enchiam outra vez de brotos verdes.

[...]

VERISSIMO, Erico. O tempo e o vento. Porto Alegre:


Globo, 1978. V. 1. P. 73. (O Continente). (Fragmento).

O romance de onde o trecho foi retirado reconstitui um momento do


passado histórico da ocupação da região sul do Brasil, no século XVIII.
Naquele tempo, era comum as pessoas serem analfabetas e não terem
instrumentos para marcar o tempo (não tinham acesso a calendário nem
relógio).

Nesse caso, é o espaço que fornece os indícios a partir dos quais Ana
Terra e seus familiares procuram “marcar” a passagem do tempo: o vento, o
cheiro do ar, o aspecto das árvores, a temperatura, a posição do Sol, as fases
da Lua são as referências mais concretas da mudança das estações do ano.

Se for necessária uma maior precisão, as personagens terão de


recorrer a acontecimentos muito importantes (a expulsão dos castelhanos em
1777, por exemplo), para localizarem, no tempo histórico, algum
acontecimento.

A RELAÇÃO ENTRE ESPAÇO E TEMPO

Em narrativas históricas e de ficção científica, a caracterização do


espaço auxilia na construção do tempo, porque torna mais “visível” para o
leitor o mundo criado, definindo, assim, um determinado momento no
passado ou no futuro. Nesses textos, tempo e espaço se definem e
completam, de modo a criarem a ambientação perfeita para a ação que irá
se apresentar.

Da integração harmoniosa de todos os elementos narrativos


(narrador, personagem, espaço e tempo) surge o enredo, a história contada.
O enredo só se forma quando o leitor é capaz de visualizar o conjunto
resultante da análise de cada um desses elementos, percebendo como
interagem e atuam uns sobre os outros, de modo a garantir que o quadro final
esclareça as relações de causalidade entre os diversos fatos narrados.

LINGUAGEM

A linguagem dos contos tem como característica essencial algo


comum à linguagem dos textos literários: ela deve ser trabalhada pelo autor
do texto de modo a alcançar o maior nível e significação.
Como a palavra é o elemento essencial da arte literária, os textos
ficcionais são um espaço privilegiado para o trabalho com a criação de
imagens significativas, que permitirão ao leitor criar ricas representações
mentais do que está sendo contado. As narrativas são também o espaço para
o uso conotativo da linguagem, porque o poder simbólico das construções
metafóricas favorece a construção de diferentes possibilidades de
interpretação.

Outro aspecto a ser considerado é o nível de liberdade na utilização


da linguagem. Embora se espere que narrativas ficcionais sejam escritas de
acordo com as regras de uso da variedade culta da língua portuguesa,
admite-se um uso mais livre quando a linguagem se torna uma das
características definidoras das personagens. Observe.

.........................................................................................................................

“[...] Cinco minutos é tempo de sobra pra uma pessoa pegar no sono, quer
ver? Vou pegar no sono em cinco minutos. Boa noite. Estou quase dormindo. Quase.
Dormi. Não dormi? Acho que não. Mas vou dormir agora. Senão os pensamentos
começam a entrar na minha cabeça e aí, minha filha, nunca mais. Um pensamento
puxa outro, que puxa outro, parece até que pensamento tem corda. O negócio é não
deixar entrar o primeiro, tá vendo? Foi só começar a pensar em não pensar e quando
eu vi já estava pensando em pensamento com corda. [...]”

FALCÃO, Adriana. O doido da garrafa.


São Paulo: Planeta, 2003. P. 113-114. (Fragmento).

..................................................................................................................

Nessa passagem, observamos diversas ocorrências de expressões


características da linguagem coloquial. É muito importante que elas estejam
presentes nesse texto, porque a situação narrativa criada é de total
descontração da personagem: à noite, na cama, tentando dormir, ela vai
encadeando pensamentos.

Trata-se de um fluxo de consciência. Pois bem, se esse conto


tivesse sido escrito de modo a se conformar inteiramente às características
de variedade culta do português, o fluxo de consciência da personagem
deixaria de ser verossímil, porque ninguém se preocupa em submeter o
pensamento a uma linguagem formal. Nesse sentido, a linguagem pode ser
um elemento a mais na caracterização das personagens e,
consequentemente, na construção da verossimilhança da narrativa.

ABAURRE, Maria Luiza M. Português: contexto, interlocução e sentido/ Maria


Luiza M. Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre, Marcela Pontara. – 2. ed. – São Paulo:
Moderna, 2013. p. 334 – 345.

3ª Parte

CONVERSA COM O PROFESSOR

A ruptura do horizonte de expectativas: Apresentação de


material literário diferente daquele que os alunos já conhecem,
mas que mantém a relação com o anterior em algum aspecto,
seja na forma, no tema ou na linguagem.

Objetivos específicos:

- Ler e analisar o gênero conto refletindo como se configura a temática -


amor, ciúmes e traição – em diferentes períodos históricos e literários.

- Discutir os possíveis desfechos para problemáticas que enfocam as


relações estabelecidas entre os homens ao longo da história e verificar as
influências dessa na produção literária.

A- Antes de ler o texto na íntegra, relacione o título do conto “VENHA VER


O PÔR DO SOL” com a imagem a seguir e responda:
Disponível em: https://pixabay.com/pt/cemit%C3%A9rio-assustador-lua-lobo-
395953/. Acesso em 27/11/2016.

1- Há coerência entre a imagem de um cemitério com o título do conto?


2- O que estaria implícito nesse encontro amoroso, faça as suas deduções
e depois comprove ao ler o conto de Lygia Fagundes Telles.

Vamos ler o Conto: “ Venha ver o pôr do Sol” de Lygia Fagundes


Telles.

Sobre a autora:

Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923 e é membro da Academia


Brasileira de Letras desde 1982, onde ocupa a cadeira de número 28.
Seu primeiro romance, Ciranda de Pedra foi publicado em 1952, o
qual já fez parte da dramaturgia brasileira. Mas é em As meninas que
a autora se consagra popularmente. Em 2003, esta obra completou
30 anos e recebeu homenagens. A escritora, em 2003, recebeu o
prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua
portuguesa. Segundo Ernani Terra e José de Nicola, em Gramática &
Literatura, Lygia é considerada uma das mais significativas contistas
da contemporaneidade. O conto a ser analisado, “Venha ver o pôr-do-
sol”, é considerado um dos mais famosos. Contos da autora, o qual faz
parte do livro Antes do Baile verde.

Disponível em: http://keylapinheiro.blogspot.com.br/2009/09/venha-ver-o-por-


do-sol-de-lygia.html. Acesso em 22/08/2016.
Texto I
Venha ver o pôr do Sol – Lygia Fagundes Telles
“ELA SUBIU sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que
avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas
sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua
sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro,
algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil
era a única nota viva na quietude da tarde. ”
Disponível em: http://www.beatrix.pro.br/index.php/venha-ver-o-por-do-sol-
lygia-fagundes-telles/. Acesso em:15/08/21016.

B- Agora responda:

1- Qual a importância do cenário nesta narrativa, levando em


consideração o fato do narrador descrever minuciosamente
todos os detalhes do ambiente, onde as personagens vão se
encontrar?
2- Qual a temática abordada no conto?
3- A temática abordada nos trabalhos de Lygia Fagundes Telles
evidencia o desequilíbrio, a tensão e a insatisfação do
homem em suas relações, principalmente as afetivas. Os
textos da autora que abordam esses temas foram escritos há
meio século, para você esses temas ainda chamam a atenção
do leitor? Explique:
4- As personagens que aparecem nas obras de Lygia Fagundes
Telles na maioria das vezes são: pessoas solitárias,
rejeitadas ou loucas, com base nessa afirmação, descreva
“Ricardo”:
5- Ricardo ao longo do texto tenta explicar e tranquilizar Raquel
quanto à escolha do lugar para o encontro amoroso, para isso
ele utiliza alguns argumentos. Quais seriam esses
argumentos? Na sua opinião esses argumentos são
convincentes?
6- É possível afirmar que Ricardo planejou, pensou com
antecedência, ou seja, premeditou o crime? Comprove com
passagens do texto sua resposta.
7- Comparando o passado e o presente de Raquel e Ricardo,
fica evidente como era a condição social e econômica de
ambos antes e agora. Retire do texto exemplos destas
mudanças. Até que ponto essas diferenças podem afetar um
relacionamento?
8- Agora em dupla releia o conto e preencha o quadro abaixo:
(Se necessário volte no texto “Conhecendo o gênero
discursivo Conto”). Em seguida compare o resultado com
outros alunos.

Contexto de circulação

Público alvo (os leitores de


contos)

Foco narrativo

Personagens

Enredo

Espaço

Tempo

Linguagem
Texto 2
Desenredo – Conto de Guimarães Rosa
Sobre o autor:

Guimarães Rosa foi um dos principais representantes do


regionalismo brasileiro, característica da terceira fase do
modernismo. Com uma linguagem fiel à popular, o escritor
conseguiu inovar a literatura. Como atuou como médico e diplomata,
Rosa começou a publicar seus textos mais tarde, apenas com 38
anos.
Ocupou a cadeira nº 2 na Academia Brasileira de Letras por apenas
três dias, já que atrasou a cerimônia de posse por quatro anos, tinha
medo de se emocionar demais. Pela importante obra literária, chegou
a ser indicado para o prêmio Nobel de Literatura, mas morreu no
mesmo ano e a sua indicação foi impedida.

Disponível em:
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/guimaraes-rosa.html.
Acesso em:15/08/2016.

Vamos ler o conto “Desenredo“, que está no último livro publicado em vida por
João Guimarães Rosa, “Tutaméia: Terceiras Estórias. Antes da leitura, é preciso
observar que o texto de Rosa é muito influenciado pela linguagem popular, ele
chegava a inventar palavras (neologismos).

Desenredo
“Do narrador seus ouvintes:
– Jó Joaquim, cliente, era quieto, respeitado, bom como o
cheiro de cerveja. Tinha o para não ser célebre. Como elas
quem pode, porém? Foi Adão dormir e Eva nascer. Chamando-
se Livíria, Rivília ou Irlívia, a que, nesta observação, a Jó
Joaquim apareceu. ”
Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/desenredo-conto-de-guimaraes-
rosa/ Acesso em: 15/08/2016.

Atividades:

A- Para se ter uma compreensão global do texto de João


Guimarães Rosa, é necessário que o leitor fique atento aos
mínimos detalhes. Nesse conto a escolha dos nomes dos
personagens foram minuciosamente pensados. Com base
nessa afirmação e depois de assistir ao vídeo, responda:

Áudio Resumo - O Livro de Jó: Professor, perguntar aos alunos


se eles conhecem a história de Jó.
Disponível em: (História bíblica). Fazer uma
https://www.youtube.com/watch?v=cphTj44K0Ug. breve discussão e logo depois,
Acessado em: 08/12/2016. assistir ao vídeo – Áudio Resumo
– O Livro de Jó.

1- Sendo Jó uma personagem bíblica que se caracteriza pela


paciência. Jó Joaquim do conto se assemelha em que aspecto
ao Jó bíblico?
2- O autor utiliza quatro nomes diferentes para se referir à mulher
amada de Jó, Livíria, Rivilia, Irlívia e, finalmente, Vilíria. Que
relação existe entre o comportamento e o caráter da
personagem e as variações de seu nome?
Verifique no texto como esses personagens se caracterizam:

Livíria Rivilia Irlívia Vilíria


Significado de
3- O narrador acumula duas funções: Neologismo
contador de estórias e a de comentarista s.m.[Linguística] Utilização
que analisa as situações, filosofa sobre o de novas palavras,
assunto. compostas a partir de
outras que já existem (num
mesmo idioma ou não).
a- Releia o texto e destaque cada um, Ação de atribuir novos
conforme a legenda: significados (ou sentidos) a
palavras que já existem na
língua. A palavra (ou
- Contador de estórias: (vermelho); expressão) formada a partir
- Comentarista: (azul); dos processos acima
citados.
4- Leia com atenção a caixa de texto ao lado Significado de Provérbio
e na dúvida sobre os significados das
palavras listadas, peça ajuda ao professor. s.m.Frase, ou ditado curto
de origem popular, que
E depois, juntamente com seu colega resume um conceito moral,
monte um quadro explicativo, levando em uma norma social: "só
consideração a afirmação abaixo: percebemos o valor da
água depois que a fonte
seca”. [Cristianismo]
Nos textos de Guimarães Rosa, é segundo os textos bíblicos,
possível encontrar: Neologismos, frase que possui o intuito
regionalismo e uso de provérbios. de educar ou aconselhar;
pensamento
Aponte no texto “Desenredo” essas
marcas. Significado de
Regionalismo
s.m.Característica daquilo
que é particular e próprio
Disponível em: http://www.dicio.com.br/. Acesso em de determinada região;
22/08/2016 qualidade do que expressa
costumes e tradições
regionais.

[Linguística] Palavra,
expressão, locução ou
significado específico que
traz particularidades
5- Considerando que os provérbios são
linguísticas próprias de
enunciados curtos que expressam uma uma região, geralmente
verdade extraída da experiência popular: provenientes de uma
que relação há entre os provérbios cultura particular.
alterados e as ações de Jó Joaquim? [Literatura] Caráter da
obra, ou texto literário, que
se fundamenta nos hábitos
tradicionais e costumes
6- Por duas vezes uma única palavra forma regionais, caracterizada
um parágrafo no texto: Mas e Mais pela linguagem local.
(conjunção adversativa e advérbio de Doutrina política que
defende os interesses
intensidade respectivamente). Localize-as regionais.
no texto e observe em que ponto a
narrativa está, em cada situação em que elas são empregadas.
Em seguida, explique sua importância para a continuidade da
narrativa.

7- O conto "Desenredo" provoca muitas inquietações no leitor e


convida a pensar as relações humanas, em que se inclui o
sentimento amoroso, por ângulos inusitados, ao mesmo tempo
consegue levar o possível leitor a uma reflexão crítica sobre os
comportamentos humanos na sociedade atual? Explique:

4ª Parte

CONVERSA COM O PROFESSOR


Essa etapa pode ser
desenvolvida por
meio de debates em
Questionamento e ampliação do horizonte de grupos, registros das
expectativas. Nessa etapa, o aluno será constatações
instigado a contrastar etapas anteriores, individuais ou
levando-o a refletir sobre o tema, sobre as coletivas, implicando
dificuldades encontradas, sobre o quanto seus sempre na retomada
dos textos utilizados
conhecimentos de mundo facilitaram o até a execução
entendimento do (s) texto (s) ou deram pistas desses passos do
para preencher as lacunas do texto. método.

Objetivos específicos:
- Levar o aluno a transformar os próprios horizontes de expectativas.

- Incentivar os alunos a construírem sua identidade social e individual, a


partir de comparações com problemáticas atuais e de outros tempos.
Atividades:

A- Formem grupos de 4 alunos (as) e discutam as seguintes


questões:
1- Comparando as leituras anteriores, mencione qual delas exigiu
maior grau de dificuldade e qual lhes proporcionou maior
satisfação?
2- Que tipo de linguagem foi utilizada nos contos lidos?
3- Cite algumas características do gênero Conto?
4- Após fazer uma reflexão e relacionar os contos, a poesia, a
música e o vídeo, é possível que a temática e situações
existentes neles façam parte de nossas vidas? Escreva as suas
conclusões no diário e depois leia-as para os colegas da
classe.
5- A leitura dos Contos proporcionou a você apenas uma leitura
rápida e prazerosa ou também permitiu uma reflexão sobre a
complexidade do tema (amor, ciúmes e traição).
6- Quais foram os desafios enfrentados e como você superou os
obstáculos textuais (leitura e interpretação dos textos)?
7- Quais aspectos ainda oferecem dificuldades durante a leitura
de contos?
8- Quais conhecimentos escolares ou situações vivenciadas no
seu cotidiano facilitaram o entendimento dos textos?
9- Releia os contos “Tragédia Brasileira”, “Venha ver o Pôr do Sol”
e “Desenredo”, e preencha o quadro abaixo:
“Tragédia “Venha ver o “Desenredo”
Contos Brasileira” pôr do Sol”
Papel desempenhado
pelo personagem
masculino
Papel desempenhado
pelo personagem
feminino
Semelhanças

Diferenças

Desfecho
5ª Parte

CONVERSA COM O PROFESSOR

O final dessa etapa é o início


Ao propiciar a reflexão sobre as relações de uma nova aplicação do
entre leitura e a vida, será necessário método, que evolui em
proporcionar a ampliação do horizonte espiral, sempre permitindo

de expectativas. Nesse momento o papel aos alunos uma relação mais


consciente com a literatura e
do professor será o de provocar seus
com a vida. [...] o aluno torna-
alunos e dar condições para que eles
se agente de aprendizagem,
comparem, avaliem o que foi aprendido e determinando ele mesmo a
o que, ainda, têm de alcançar. continuidade do processo,
num constante
enriquecimento cultural e
social. (BORDINI & AGUIAR,
1993, p. 91).

JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS


Galerias de Imagens: Literatura - Imagem de Machado de Assis, um dos maiores
escritores brasileiros. De estilo Realista, retratou as contradições da sociedade
carioca do final do século XIX.

Disponível em:
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?
Foto=486&evento=9. Acesso em 22/11/2016.

Para saber mais assista ao vídeo sobre Machado de Assis

“Neste vídeo, o professor Marlus apresenta a aula de Literatura, tendo como foco
os períodos Realismo, Naturalismo e Parnasianismo. Nesta parte o professor
fala sobre Machado de Assis, sua história, características e produções artísticas
das fases Romancista e Realista, esta última onde mais se destacou com as
obras "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Quincas Borba", "Dom Casmurro",
"Esaú e Jacó" e "Memorial de Aires". O professor cita também seus contos de
maior importância: "A cartomante" e "Missa do Galo". “

Disponível em:
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=
14125. Acesso em 23/11/2016.

Você é curioso? Então acesse “Machado de Assis em 25


curiosidades”.
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1 839,
na cidade do Rio de Janeiro. O futuro escritor foi batizado na mesma
igreja onde seus pais casaram.
O pai de Machado de Assis era um descendente de escravos que
trabalhava como pintor de paredes. A mãe, portuguesa de Açores,
faleceu quando Machado tinha 10 anos. Sua única irmã morreu
vítima de sarampo com sete anos de idade.
Disponível em: http://www.maiscuriosidade.com.br/machado-de-assis-em-25-
curiosidades/.Acesso. Acesso em 22/11/2016.

Estante de Gustavo Bernardo


“Contos de amor e ciúme de Machado de Assis foi publicado pela editora Rocco
em 2008, na esteira das comemorações do centenário de morte de Machado de
Assis. ”

“Os romancistas sempre falaram do amor, apontando-o como aquele sentimento


que num momento leva as pessoas ao céu (quando estão apaixonadas e são
correspondidas) mas que no outro instante as joga no inferno (quando elas se
sentem abandonadas ou traídas). Na descida para o inferno, como sabem os
que sofrem, o amor se transforma em ciúme. O ciúme é um daqueles assuntos
que frequenta tanto a conversa na mesa do bar quanto o romance do escritor
consagrado. Isso acontece porque o sentimento do ciúme talvez revele alguns
dos segredos que se encontram na sombra do amor. ”

Gustavo Bernardo

Disponível em: http://www.gustavobernardo.com/ciumemachado.html.


Acessado em 04/10/2016.

Atividades:
A- Pesquisar sobre o escritor Gustavo Bernardo Krause, e listar algumas de
suas obras. (Ficções, Ensaios, Coletâneas e Contos).
“Nasci no meio do século passado, na cidade do Rio de Janeiro, como o
mais velho de quatro irmãos – e a nossa mãe queria só uma menina.
Quando aprendi a ler, queria entrar dentro dos livros e me tornar personagem.
Como isso não é possível, resolvi que ia ser escritor.

Disponível em: https://www.google.com.br/?gfe_rd=cr&ei=7nc0WO2YKurM8Afi-


7noBQ#q=a+estante+de+gustavo. Acesso em: 22/11/2106.

B- Antes de iniciar a leitura do livro “Contos de amor e ciúme – Machado de


Assis, que reúne seis contos escolhidos pelo escritor, professor e crítico
literário Gustavo Bernardo, leia o que o professor fala sobre o tema e o
porquê das escolhas dos contos.

Disponível em: http://www.gustavobernardo.com/ciumemachado.html. Acesso


em 22/11/2016.

Contos de amor e
ciúme reúne seis
contos publicados
Disponível em: http://www.rocco.com.br/livro/?cod=2268. originalmente entre
Acesso em: 22/11/2016. 1864 e 1884, em
periódicos como
o Jornal das famílias, A
estação e a Gazeta de
Notícias. Histórias
famosas do escritor,
como “A cartomante” e
“To be or not to be”,
convivem com outras
menos conhecidas do
C- Agora é a sua vez, pesquise e escolha seis contos público atual como
(autor e tema livres) para formar a sua coletânea e “Frei Simão”, “O
depois apresentar aos colegas de classe. Explique segredo de Augusta”,
o porquê da escolha por determinado autor (a) e “O machete” e
também o porquê da escolha do tema. “Curiosidade”, além do
delicado poema “A
Carolina”, publicado
em 1906.
“DOM CASMURRO” (OBRA LITERÁRIA) X “DOM”
(FILME)

D- Exibição do filme “Dom” –

[...] Moacyr Goes faz uma adaptação moderna de Dom Casmurro, obra
clássica de Machado de Assis. O ponto de partida é o nascimento de
Bento, um menino cujos pais idolatravam Machado de Assis. [...]

Ficha técnica do filme


Gênero: Drama
Direção: Moacyr Góes
Roteiro: Moacyr Góes
Elenco: Ana Abott, Bruno Garcia, Cláudia Ventura, Gustavo Ottoni, Isa
Shering, Ivan Gradin, Leon Góes, Luciana Braga, MaluGalli, Marcos Palmeira,
Maria Fernanda Cândido, Nilvan Santos, Thiago Farias, Walter Rosa
Produção: Telmo Maia
Fotografia: Toca Seabra
Trilha Sonora: Ary Sperling
Duração: 91 min.

Disponível em: https://www.cineclick.com.br/dom. Acessado em 10/12/2016.

E- Apresentação da obra “Dom Casmurro” – Machado de Assis

Informações sobre o livro

Título: Dom Casmurro


Autor: Machado de Assis
Gênero (s): Romance, Novela
Ano de Lançamento: 1900
Formato: .pdf

//

Disponível em: http://livrosonlinegratis.net/dom-casmurro-de-machado-de-


assis/. Acessado em 10/12/2016.
Roteiro para a atividade final: DEBATE

1- Formar dois grandes grupos para o debate, (os que defendem que
Capitu traiu, e os que acreditam na sua inocência).

2- Selecionem trechos do livro que sirvam de argumentos para defender os


pontos de vista de cada grupo.

Leitura para reflexão:

- Durante muito tempo, no Brasil, os leitores concordaram com Dom Casmurro e


acreditaram que Capitu havia realmente traído o marido. No entanto, na década
de 50, uma escritora americana, Hellen Caldwell, fez uma leitura bastante
convincente sobre o romance. Na obra, a autora argumenta que Capitu é
inocente do adultério e tenta provar que a visão que os leitores formaram de
Capitu era, se não de todo, em parte, inadequada. A partir daí os leitores
começaram a enxergar um lado do narrador que não haviam visto até então:
Dom Casmurro é um advogado que tenta provar a culpa de Capitu. Para tanto,
utiliza-se de argumentos bastante convincentes.
- A ambiguidade sobre a traição ou não de Capitu, no entanto, nunca vai se
desfazer, e um dos recursos que o narrador utilizou habilmente foi contar a
história do ponto de vista dele. Ele é um narrador parcial e conta apenas o que
vê e sente.

Sugestão de plano de aula – NET Educação. Para ver na íntegra:

Disponível em: http://neteducacao.com.br/experiencias-educativas/ensino-


medio/literatura/dom-casmurro---machado-de-assis. Acessado em 10/12/2016.
REFERÊNCIAS

ABAURRE, Maria Luiza M. Português: contexto, interlocução e sentido/


Maria Luiza M. Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre, Marcela Pontara. –
2ª. Ed. – São Paulo: Moderna, 2013. p. 334 – 345.

BORDINI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira. Literatura: a formação


do leitor: alternativas metodológicas. 2ª. Ed. Porto Alegre: Mercado Aberto,
1993.

GOTLIB, Nádia Battella. Teoria do Conto. 5ª. ed. São Paulo: Ática,1990.

PARANÁ, Secretaria de Estado de Educação. Diretrizes Curriculares da


Educação Básica – Língua Portuguesa. Paraná, 2008.

ZILBERMAN, Regina. Estética da Recepção e História da Literatura. São


Paulo: Ática, 1989.

_________. A Leitura e o ensino da Literatura. São Paulo: Contexto, 1991.

Sites consultados

Imagens

Disponível em:< http://dorquemata.blogspot.com.br/2010/09/ciume-


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Disponível em: <https://pixabay.com/pt/cemit%C3%A9rio-assustador-lua-


lobo-395953/>. Acesso em 27/11/2016.

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Foto=486&evento=9>. Acesso em 22/11/2016.

Disponível em: http://livrosonlinegratis.net/dom-casmurro-de-machado-de-


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Textos

PARANÁ. Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE. Disponível


em:<http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteud
o.php?conteudo=20/>. Acesso em 26/03/2106.

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Vídeos:

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZwtGC2h6DEU>.


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Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=VyNVpS9epnc>. Acesso


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Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cphTj44K0Ug. Acessado


em: 08/12/2016.