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Sociólogo

Natureza do trabalho

Os sociólogos estudam os fenómenos resultantes das relações sociais que se


estabelecem entre indivíduos e/ou grupos. Procuram perceber a realidade social,
analisando os mecanismos de relacionamento humano (por exemplo, a amizade) e
as formas de organização social (por exemplo, a família). Dado que a realidade
social constitui um vasto campo de acção para os sociólogos, estes profissionais
optam, em geral, por se especializarem num ramo particular da sociologia,
nomeadamente, político e administrativo, do território, do ambiente, da educação,
da família, do trabalho, das organizações, da comunicação, da cultura, do
desenvolvimento, da saúde, das religiões, entre outros. Em cada domínio de
especialização, os sociólogos podem desenvolver trabalho sobre temas tão
diversos como o insucesso escolar, a integração social das minorias étnicas e
culturais, os movimentos migratórios, o aparecimento de novos movimentos
religiosos, os fenómenos ligados à pobreza e à exclusão social, o surgimento de
novos modelos familiares, a imagem das instituições políticas junto da opinião
pública e muitos outros.

Para analisar a realidade social, os sociólogos distanciam-se, em primeiro lugar,


das explicações aparentemente óbvias e dos preconceitos que possam existir
acerca do fenómeno social em estudo para, de seguida, caracterizá-lo. Por
exemplo, ao analisar o insucesso escolar, os sociólogos podem deparar com
opiniões do tipo: "Existe insucesso escolar porque os professores de hoje não
sabem ensinar". Assim, o primeiro procedimento deve ser pôr em causa a
validade desse argumento e não considerá-lo à partida como verdadeiro. Este
procedimento designa-se por ruptura com o senso-comum.

Procuram, de seguida, enquadrar o fenómeno no seu contexto social, ou seja,


compreender todos os factores que possam explicar esse fenómeno. Por outro
lado, tentam também compreender e interpretar as explicações e opiniões que as
pessoas têm sobre determinado fenómeno, isto é, procuram perceber o sentido que
lhe atribuem.

Deste modo, um dos procedimentos básicos dos sociólogos no desenvolvimento


do seu trabalho é a recolha e análise de informação, com base em métodos e
técnicas de âmbito qualitativo e quantitativo. Um dos processos utilizados é a
observação, feita de forma sistemática e controlada. Quando contactam
pessoalmente com os indivíduos ou grupos que pretendem estudar, fazem o que
habitualmente se designa por observação directa. Se optam por se integrarem
durante algum tempo na vida da comunidade ou grupo em estudo, fazem
observação participante. Outro procedimento comum consiste em elaborar
conjuntos de perguntas sistematizadas, designados por inquéritos por
questionário, e que serão aplicados a grupos de pessoas de maior ou menor
dimensão, segundo uma amostra da população que se pretende estudar. Em
alternativa, ou como complemento dos inquéritos por questionário, podem
realizar entrevistas mais aprofundadas a determinados indivíduos. Finalmente, os
sociólogos recorrem frequentemente à consulta de documentos variados (dados
estatísticos, revistas, jornais, livros, etc.), utilizando para isso técnicas de análise
documental.

Antes do processo de recolha de informação, os sociólogos necessitam de


pesquisar e reunir os conjuntos de teorias que lhes permitem determinar o tipo de
informação devem recolher e a forma como devem analisar e interpretar essa
informação. Este procedimento de elaboração dos quadros teóricos permite fazer
o enquadramento de todo o processo de pesquisa.

O desenvolvimento de novas tecnologias tem facilitado o trabalho destes


profissionais, proporcionando o acesso a novas ferramentas de trabalho no campo
dos meios audiovisuais, tais como os microgravadores ou os vídeos, e
possibilitando igualmente um tratamento da informação mais eficaz através da
utilização da informática, nomeadamente pelo uso de novos programas de análise
estatística.

O reconhecimento dos saberes e dos métodos sociológicos leva a que estes


profissionais sejam muitas vezes chamados a trabalhar em equipa, com
profissionais da sua área ou oriundos de outras. Nas autarquias, por exemplo,
podem desenvolver trabalho conjunto com arquitectos, engenheiros, juristas ou
historiadores. Nas empresas, podem colaborar sobretudo com gestores,
economistas e psicólogos. Noutros domínios, como o combate à pobreza, podem
trabalhar com psicólogos e técnicos de serviço social.

Emprego

Uma vez que as relações sociais que se estabelecem entre indivíduos ou grupos
assumem dimensões muito diversas, os sociólogos obtêm formação para actuar
em áreas de actividade bastante diferentes:

- nas empresas e organizações podem actuar ao nível da formação profissional, na


preparação de novas formas de organização do trabalho, no planeamento
estratégico da empresa, nas estratégias de marketing e relações públicas, nos
estudos de mercado, nos estudos de impacto das novas tecnologias sobre a
estrutura da organização, no recrutamento e selecção de pessoal ou na avaliação
de desempenho e análise de funções;

- nas autarquias e gabinetes técnicos de desenvolvimento regional e local, os


sociólogos podem trabalhar ao nível do planeamento e desenvolvimento,
participar em projectos de intervenção urbanística e ambiental, em projectos de
animação local, em planos de reabilitação urbana, em planos de protecção civil,
entre outros;

- os sociólogos que se dediquem à área da cultura e comunicação estão habilitados


para trabalhar em políticas culturais, na gestão do património, na animação
cultural, em marketing e publicidade, na comunicação empresarial, entre outras
áreas, podendo exercer a sua actividade em empresas de âmbito diverso, tais
como jornais, revistas, empresas de publicidade, museus ou gabinetes de
animação cultural;

- na área da administração pública central e regional, estes profissionais podem


trabalhar em políticas sociais, em projectos de luta contra a pobreza e exclusão
social, na reinserção social, em projectos de intervenção em diversas áreas
culturais, nas políticas de ensino e administração escolar, nas políticas de saúde e
administração hospitalar, nas políticas de emprego ou na avaliação de projectos e
políticas de âmbito social, entre outros;

- os sociólogos podem ainda trabalhar no contexto do ensino (sobretudo no ensino


superior) e da investigação (em centros de investigação associados às
universidades ou em gabinetes de estudos e planeamento, por exemplo),
nomeadamente em sondagens e estudos de mercado, na produção de estatísticas e
análise de dados, na área de consultadoria ou em projectos de investigação-acção.

A formação universitária em Sociologia é relativamente recente no nosso país,


tendo o primeiro curso surgido apenas em 1974. Mas o reconhecimento da
importância da Sociologia levou a que a maioria das universidades começassem
gradualmente a leccionar cursos em Sociologia, ao mesmo tempo que muitos
outros cursos superiores incluíram disciplinas de Sociologia na formação de base
dos alunos. Por esta razão, a grande maioria dos primeiros sociólogos estava
fundamentalmente ligada ao ensino superior e à investigação.

O aumento do número de sociólogos, por um lado, e a modernização do país, por


outro lado, foram contribuindo para diversificar as inserções profissionais dos
sociólogos, que hoje se distribuem por um leque de actividades muito alargado.
Assim, segundo dados da Associação Portuguesa de Sociologia (APS)
actualizados em 2004, as principais instituições empregadoras de sociólogos são
ainda as do ensino superior e de investigação, mas observa-se um peso crescente
do emprego destes profissionais na administração central e regional, nas
autarquias, e nos serviços públicos em geral. E, finalmente, também as empresas
têm vindo gradualmente a admitir um maior número de sociólogos. Nas várias
instituições em que trabalham, os sociólogos desempenham diversos papéis
profissionais, assumindo responsabilidades a vários níveis, com destaque para os
que exercem funções de especialistas na sua área de formação.

Atendendo às características do país, compreende-se que a distribuição geográfica


dos sociólogos não seja uniforme. A maioria destes profissionais concentra-se na
região de Lisboa e Vale do Tejo e no Norte. Convém, contudo, realçar que o peso
relativo da centralidade de Lisboa tem vindo a perder importância, o que traduz o
efeito da expansão dos cursos de licenciatura a outras regiões do país que, por sua
vez, tem contribuído para divulgar as competências profissionais dos sociólogos
nessas mesmas regiões. De qualquer modo, a concentração de sociólogos que
ainda se verifica em Lisboa e no Norte (especialmente no Porto) reflecte a
presença mais acentuada das entidades empregadoras nestas zonas, enquanto que
as regiões do interior apresentam cenários menos animadores para os sociólogos,
que têm nas autarquias as melhores possibilidades de emprego, mas que não
constituem ainda uma oferta significativa.

Formação e Evolução na Carreira

Para aqueles que estiverem interessados em enveredar pela área da sociologia, são
várias as opções que podem fazer, quer no ensino público, quer no ensino
particular e cooperativo (v. [Somente os Membros podem ver links. ]). Nas
escolhas dos cursos é importante verificar se estes possuem um núcleo forte de
disciplinas no âmbito das teorias e metodologias sociológicas (núcleo
fundamental da sua formação), bem como um leque razoável de opções dentro
das disciplinas especializadas. Por outro lado, é importante que ao longo do curso
o aluno vá adquirindo alguma experiência, nomeadamente através da realização
de trabalhos práticos (e de equipa) em que possa empregar os conhecimentos que
vai adquirindo.

Sendo a sociologia uma ciência social, ela faz naturalmente fronteira com outras
ciências desta área, designadamente com a antropologia, a psicologia social, a
economia, a geografia humana ou a história, existindo zonas de conhecimento que
naturalmente se sobrepõem e complementam. Como tal, para além de uma
formação base em sociologia, os sociólogos necessitam de possuir conhecimentos
suficientes no domínio de outras ciências para o desenvolvimento do seu trabalho.

Concluída a formação de nível superior, existe ainda a possibilidade de


aprofundar conhecimentos através da frequência de cursos de mestrados e pós-
graduações (v. os cursos disponíveis nos estabelecimentos de ensino superior que
ministram formação nesta área em [Somente os Membros podem ver links. ]).

Relativamente aos percursos profissionais, é possível optar entre várias escolhas:


o estudante pode procurar, no decurso da sua formação, seguir os passos da
investigação e docência dentro da própria universidade; pode, também, optar por
direccionar o seu percurso profissional para o exterior da universidade,
terminando o seu curso e procurando emprego pelas vias tradicionais (por
exemplo, através dos jornais e envio de currículos); pode ainda adoptar uma
atitude mais activa e, no decurso da sua formação, envolver-se em actividades
ligadas à sociologia (por exemplo, enquanto entrevistador num projecto de
caracterização de um bairro), tendo assim a vantagem de adquirir um melhor
conhecimento da realidade profissional e, simultaneamente, de ganhar alguma
experiência.

Em relação à evolução na carreira de sociólogo nas suas várias vertentes, não


existe ainda um quadro definido, dado tratar-se de uma área profissional
relativamente recente. De qualquer modo, os sociólogos que trabalham na
administração central e regional ou nas autarquias seguem a progressão na
carreira prevista no regime geral para os técnicos superiores, começando por
ingressar na categoria de técnico superior estagiário e podendo atingir, em topo de
carreira, a categoria de assessor principal. Do mesmo modo, os profissionais que
seguirem as carreiras do ensino ou da investigação no âmbito da função pública
seguem a evolução prevista na lei. Nestas carreiras, a evolução processa-se de
acordo com o mérito, o tempo de serviço do profissional e a existência de vagas
(v. [Somente os Membros podem ver links. ]).

No sector privado, a progressão na carreira está dependente das políticas internas


da organização ou, ainda, pelo que é determinado nas convenções colectivas de
trabalho para um dado sector de actividade.

Condições de Trabalho

Actualmente, a maioria dos sociólogos trabalha por conta de outrem. Esta


situação deve-se, sobretudo, ao facto de estes profissionais trabalharem em
instituições públicas, no âmbito do ensino, da administração central e regional ou
em autarquias. No entanto, começam a surgir situações em que os sociólogos
desenvolvem trabalho por conta própria, normalmente enquanto consultores
integrados em pequenas equipas. Nalguns casos, estes profissionais acumulam a
situação de trabalhador por conta de outrem com a de trabalhador por conta
própria.

No que diz respeito às condições físicas em que os sociólogos desenvolvem o seu


trabalho, verifica-se que existem duas situações complementares: nas fases de
pesquisa documental e análise da informação, estes profissionais trabalham
sobretudo nos seus gabinetes ou em bibliotecas; na fase de recolha de informação
através da realização de inquéritos ou entrevistas à população em estudo, é
comum terem de se deslocar com alguma frequência a outros locais, por exemplo,
visitando instituições ou empresas. Esta fase costuma designar-se por trabalho de
campo.

Os sociólogos podem ter alguma flexibilidade de horário, consoante o tipo de


entidade para a qual trabalham ou o tipo de trabalho que estão a desenvolver. Por
exemplo, é natural que um docente tenha menos flexibilidade de horário do que
um investigador que se encontre a realizar trabalho de campo.

Perspectivas

A inserção destes profissionais no mercado de trabalho não tem sido muito fácil.
Por um lado, o retraimento do mercado de trabalho verificado nos últimos anos
afectou, de uma maneira geral, muitas áreas profissionais, incluindo esta. Por
outro lado, estes profissionais enfrentam uma dificuldade acrescida, decorrente do
facto de a área profissional da sociologia ser recente: o desconhecimento dos
empregadores quanto às funções desempenhadas pelo sociólogo.

Para ultrapassar esta limitação concreta, os recém-licenciados nesta área podem,


por iniciativa própria, dar a conhecer as suas competências junto das entidades
empregadoras, isto é, demonstrar a utilidade do seu saber para as instituições.
Assim, os sociólogos devem contornar os esquemas tradicionais da procura de
emprego, elaborando estratégias mais activas (por exemplo, auto-propostas) e
apostando cada vez mais na polivalência das suas capacidades, em paralelo com
uma formação especializada.
Apesar destes obstáculos, o mercado de trabalho para estes profissionais não se
encontra saturado. O seu objecto de estudo – a vida em sociedade, a existência de
relações sociais – continuará a suscitar a necessidade de planeamento de
estratégias de acção adequadas aos contextos de mudança das sociedades
contemporâneas, logo, a precisar da intervenção e do trabalho dos sociólogos.

A entrada gradual da sociologia em campos profissionais cada vez mais diversos e


a utilidade comprovada das capacidades e competências destes profissionais têm
contribuído para diminuir o desconhecimento dos empregadores relativamente a
esta área de formação, sendo de prever uma melhoria de perspectivas de emprego,
ainda que este processo seja lento e dependente da evolução do mercado de
trabalho em termos gerais. No entanto, estes dados evidenciam a versatilidade da
actividade profissional dos sociólogos, tal como demonstram a relevância actual
da formação em sociologia no tecido económico e social do país.