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Neoliberalismo

Neoliberalismo é um termo que, especialmente a partir do final dos anos 1980, tem sido
empregado em economia política e economia do desenvolvimento, em substituição a outros
termos anteriormente utilizados, tais como monetarismo, neoconservadorismo, Consenso de
Washington ou "reforma do mercado", por exemplo,[1] sobretudo numa perspectiva crítica,[2] para
descrever o ressurgimento de ideias derivadas do capitalismo laissez-faire (apresentadas
pelo liberalismo clássico) e que foram implementadas a partir do início dos anos
1970 e 1980.[3] Seus defensores advogam em favor de políticas de liberalização
econômica extensas, como as privatizações, austeridade fiscal, desregulamentação, livre
comércio, e o corte de despesas governamentais a fim de reforçar o papel do setor privado na
economia.[4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][excesso de citações]
Neoliberalismo é um conceito cujo uso e definição têm sofrido algumas alterações ao longo do
tempo.[7] Na década de 1930, neoliberalismo tratava-se de uma doutrina econômica que
emergiu entre académicos liberais europeus e que tentava definir uma denominada "terceira via"
capaz de resolver o conflito entre o liberalismo clássico e a economia
planificada coletivista.[14] Este desenvolvimento remontou ao desejo de evitar a repetição das
falhas econômicas que deram origem à crise de 1929, cuja causa era atribuída principalmente
à política económica do liberalismo clássico. Nas décadas posteriores, a teoria neoliberal tendeu
a divergir da doutrina mais laissez-faire do liberalismo clássico, promovendo, em vez disso,
uma economia de mercado sob a orientação e regras de um estado forte - modelo que viria a
ser denominado economia social de mercado. O neoliberalismo é assemelhado
ao neoconservadorismo quanto ao expansionismo para espalhar os valores que os seus
mentores consideram ocidentais no mundo, principalmente nos anos 70.[15]
Na década de 1960, o uso do termo "neoliberal" entrou em acentuado declínio, mas, quando foi
reintroduzido, na década de 1980, o seu significado tinha se alterado e passou a ser associado
às reformas económicas implementadas no Chile, nos anos 1970, durante a ditadura de
Augusto Pinochet, que contou com a colaboração de Hayek, dos Chicago Boys [16] e
da CIA.[17] :40 [18] Neste período, a palavra não apenas adquiriu uma conotação negativa diante
dos críticos da reforma do mercado, como também havia mudado de significação - deixando de
ser considerado como uma forma moderada de liberalismo, para ser entendido como um
conjunto de ideias mais radicalmente favoráveis ao capitalismo laissez-faire. Os académicos
passaram, então, a associar o neoliberalismo às teorias dos economistas Friedrich Hayek,
da Escola Austríaca, e Milton Friedman, da Escola de Chicago.[7] Nos anos 1980, o termo passa
a ser usado por acadêmicos ligados a diferentes ciências sociais, sobretudo na crítica a esse
ressurgimento das ideias derivadas do liberalismo econômico laissez faire do século
XIX[19][20][9][21] O emprego do termo expandiu-se rapidamente ao longo dos anos 1990,
consolidando-se nos anos 2000.[22]
Assim, uma vez estabelecido o novo significado da palavra entre os académicos de língua
espanhola, este difundiu-se para a literatura de economia política, em língua
inglesa,[7] associando-se ao conjunto de políticas económicas introduzidas por Augusto
Pinochet, no Chile, Margaret Thatcher, no Reino Unido, e Ronald Reagan, nos Estados
Unidos.[8] A mudança no consenso que ocorreu durante as décadas de 1970 e 1980 em prol das
teorias econômicas e políticas neoliberais, é considerada por alguns estudiosos como sendo a
raiz da financeirização da economia[23] que culminaria com a crise de 2008.[24][25][26][27][28]
A produção acadêmica acerca do fenômeno do neoliberalismo tem crescido,[29] e o impacto
da crise global de 2008 na economia global tem suscitado novas críticas ao modelo neoliberal,
que buscam novas alternativas capazes de promover o desenvolvimento econômico.[30] Em
junho de 2016, o Fundo Monetário Internacional, que prescreve o neoliberalismo como forma de
nortear o crescimento econômico sustentável em países em desenvolvimento, publicou um
artigo indicando que algumas políticas neoliberais poderiam ter efeitos nocivos de longo prazo,
dado que, em vez de gerar crescimento, aumentariam a desigualdade, colocando em risco uma
expansão econômica duradoura, isto é, prejudicando o nível e a sustentabilidade do
crescimento.[31][32]
Índice

 1Etimologia
 2História
o 2.1Origem e a Escola Austríaca
o 2.2Escola de Chicago
o 2.3Declínio do liberalismo clássico
 3Teorias econômicas
 4Governos neoliberais
o 4.1Ronald Reagan
o 4.2Alemanha Ocidental
o 4.3Chile
o 4.4O governo Thatcher
 5Os neoliberais e a crise de 2008
o 5.1O neoliberalismo como herdeiro do liberalismo neoclássico
 6Críticas
 7Ver também
 8Referências
 9Bibliografia

Etimologia
É possível que o termo "neoliberalismo" tenha várias origens. Primeiramente, aparece em
alguns escritos de Mises, de maneira assistemática, quando o autor se refere a älteren
Liberalismus ('velho liberalismo') e neuen Liberalismus (novo liberalismo, que foi traduzido para
o inglês como neoliberalism).[33] Há também a possibilidade de que a palavra tenha sido uma
criação coletiva, durante oColóquio Walter Lippman, realizado em Paris ([[1938].[34]) e do qual
participaram Rueff, Hayek, Mises, Rustow, Röpke, Condliffe, Polanyi, Lippman e Louis Baudin,
entre outros. Como não foram feitas atas nem publicações do colóquio, o único testemunho de
primeira fonte é o livro de Baudin, L'Aube d'un Nouveau Liberalisme, publicado em 1953.[35]
A palavra foi usada em épocas diferentes, com significados semelhantes, porém distintos:

 na primeira metade do século XX, significou a doutrina proposta


por economistas franceses, alemães e norte-americanos voltada para a adaptação dos
princípios do liberalismo clássico às exigências de um Estado regulador e assistencialista;
 a partir da década de 1980, passou a significar a doutrina econômica que defende
a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal na economia, só
devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e, ainda assim, num grau mínimo
(minarquia). É nesse segundo sentido que a palavra é mais usada atualmente.[36] No
entanto, autores da filosofia econômica[37] e comentaristas de economia[38] que se alinham
com as postulações liberais rejeitam a classificação de "neoliberal", preferindo se
declarar liberais. Nesse sentido, pode-se afirmar que neoliberalismo é mais um termo
elaborado pelos críticos dos pressupostos do liberalismo do que uma reivindicação
terminológica por parte dos precursores de sua doutrina.
 a partir da década de 1930 o ordoliberalismo tornou-se a variante alemã do neoliberalismo.
A publicação de O Caminho da Servidão, de Hayek,[39] em 1946, marca, segundo Perry
Anderson, o nascimento do neoliberalismo na Europa e na América do Norte. No livro, Hayek
afirma sua posição contrária ao planejamento econômico e ao coletivismo predominantes,
segundo ele, na Alemanha, na Itália e na "Rússia Soviética", a partir dos anos que antecederam
a Segunda Guerra Mundial.[40] A palavra neoliberalismo recobre análises de diferentes escolas
do pensamento econômico. Sua utilização para designar este conjunto de análises não faz
assim consenso. A palavra é geralmente empregada pelas correntes críticas ao liberalismo
contemporâneo, mas alguns daqueles designados por este termo podem não se reconhecer
como tal, geralmente considerando que a palavra tenha uma carga depreciativa.

História
Origem e a Escola Austríaca

A denominação "neoliberal" assemelha-se ao termo 'neoclássico' na História da Arte. Quando se


afirma a existência de governos "neoliberais", a utilização do prefixo 'neo' não se refere a uma
nova corrente do liberalismo, mas à aplicação de alguns dos preceitos liberais consagrados mas
num contexto histórico (qual seja, o contemporâneo) diverso daquele no qual foram formulados
(no início do século XVII, na Inglaterra, através de John Locke).
As origens do que hoje se chama neoliberalismo nos remetem à Escola Austríaca, nos finais
do século XIX, com o Prêmio de Ciências Econômicas Friedrich von Hayek,[41] considerado o
propositor da sua base filosófica e econômica, e Ludwig von Mises.[42]
A Escola Austríaca[43] adotava a Lei de Say e a teoria marginalista, que veio a ser contestada,
mais tarde, por Keynes, quando formulou suas ideias e defendeu as políticas econômicas com
vistas à construção, na década de 1930, de um Estado de bem-estar social ou welfare state ,
também chamado, por alguns, Estado Escandinavo, por ter sido o modelo adotado pelos países
escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia). [44][45]
Mais recentemente, em 1947, o liberalismo ressurge a partir do célebre encontro entre um grupo
de intelectuais liberais e conservadores realizado em Mont Pèlerin, vilarejo suiço onde foi
fundada uma sociedade de ativistas em oposição às políticas do estado de bem-estar social, por
eles consideradas "coletivistas" e, em última análise, "cerceadoras das liberdades
individuais"[42] A Sociedade Mont Pèlerin dedica-se a difundir e propagar as
ideias conservadoras e liberais da Escola Austríaca e a combater ideologicamente todos os que
delas divergem. Com esse objetivo promove conferências, publica livros, mantém sites na
Internet e conta para isso, em seus quadros, com vários economistas com treinamento
acadêmico, como Jesús Huerta de Soto,[43] seu vice-presidente e professor da Universidade de
Madrid.
Essas ideias atraíram mais adeptos depois da publicação, em 1942 na Inglaterra, do Relatório
Beveridge,[46] um plano de governo britânico segundo o qual — depois de obtida a vitória
na Segunda Guerra Mundial — a política econômica britânica deveria se orientar no sentido de
promover uma ampla distribuição de renda, baseando-se no tripé da Lei da Educação, a Lei do
Seguro Nacional e a Lei do Serviço Nacional de Saúde (associadas aos nomes de Butler,
Beveridge e Bevan).[46] A defesa desse programa tornou-se a bandeira com a qual o Partido
Trabalhista britânico venceu as eleições de 1945, colocando em prática os princípios do estado
de bem-estar social.[46] Para Friedrich August von Hayek, esse programa levaria "a civilização ao
colapso".
Em O Caminho da Servidão (1944),[39] Hayek expôs os princípios básicos de sua teoria,
segundo a qual o crescente controle do Estado é o caminho que leva à completa perda
da liberdade, e indicava que os trabalhistas, se continuassem no poder, levariam a Grã-
Bretanha ao mesmo caminho dirigista que os nazistas haviam imposto à Alemanha.[46] Essas
posições de Hayek não são baseadas exclusivamente em leis econômicas ou na ciência pura da
economia, mas evidenciam um significativo componente político-ideológico. Isso explica por que
o economista socialista Gunnar Myrdal, o teórico sueco inspirador do Estado do bem-estar
social, ironicamente, dividiu o Prêmio de Ciências Econômicas (Prêmio Nobel), em 1974, com
seu maior rival ideológico, von Hayek, cujo livro O Caminho da Servidão tornou-se referência
para os defensores do capitalismo laissez-faire.[45][47]
Essa discussão, que se iniciou no campo da teoria econômica, transbordou, na Inglaterra, para
o campo da discussão político-partidária e serviu de mote à campanha que elegeu, pelo Partido
Conservador, Winston Churchill, que chegou a dizer que "os trabalhistas eram iguais
aos nazistas".[46]
Escola de Chicago
Uma outra vertente do liberalismo surgiu nos Estados Unidos e concentrou-se na
chamada Escola de Chicago, defendida por outro laureado com o chamado "Prêmio Nobel" de
Ciências Econômicas, o professor Milton Friedman. Friedman criticou as políticas
econômicas inauguradas por Roosevelt com o New Deal, que respaldaram, na década de 1930,
a intervenção do Estado na economia com o objetivo de reverter a depressão econômica e
a crise social daqueles anos . Essas políticas, adotadas quase simultaneamente por Roosevelt,
nos Estados Unidos, e por Hjalmar Horace Greeley Schacht,[48][49] na Alemanha nazista, foram,
três anos mais tarde, defendidas por Keynes, que lhes deu arcabouço teórico em sua obra
clássica The General Theory of Employment, Interest and Money(1936),[50] cuja publicação
marcou o início do keynesianismo. Ao fenômeno de ressurgência dos princípios liberais do início
do século XX, muitos chamam de neoliberalismo.
Friedman, assim como Hayek, Mises e outros economistas defensores do capitalismo laissez-
faire, argumentou que a política do New Deal, do Presidente Roosevelt, ao invés de recuperar a
economia e o bem-estar social, teria prolongado a depressão econômica e a crise social.
Segundo Friedman, isto teria ocorrido principalmente, porque o Estado redirecionara os
escassos recursos disponíveis na época para investimentos não viáveis economicamente, ou
seja, o Estado havia desperdiçado recursos, o que, afinal, teria diminuído a eficiência,
a produtividade e a riqueza da sociedade. Em resumo, os investimentos não estariam sendo
realizados tomando como parâmetro principal a eficiência econômica, e sim a eficiência política.
Os recursos destinavam-se aos setores mais influentes politicamente, aqueles que traziam
maior popularidade ao governante, independentemente de seu valor produtivo para a sociedade.
Friedman era contra qualquer regulamentação que inibisse a ação das empresas. Era contra,
por exemplo, o salário mínimo que, segundo acreditava, além de não conseguir aumentar o
valor real da renda, excluiria a mão de obra pouco qualificada do mercado de trabalho. Opunha-
se, consequentemente, ao salário mínimo e à fixação de qualquer tipo de piso salarial
pelos sindicatos ou outros órgãos de interesse social, pois acreditava que esses pisos
distorceriam os custos de produção, resultando em aumento do desemprego, queda na
produção e redução da riqueza da sociedade - aumentando, consequentemente, a pobreza.
Friedman defendeu a teoria econômica que ficou conhecida como "monetarista" ou da "escola
de Chicago"[46]
Declínio do liberalismo clássico
O declínio do liberalismo clássico remonta ao final do século XIX, de início lento. Já no século
XX, após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, e a Grande Depressão que se
seguiu, a queda foi vertiginosa. Enquanto o liberalismo era objeto de descrédito, ganhavam
força as teorias que preconizavam a necessidade de intervenção do Estado na economia,
notadamente as ideias de Keynes, aplicadas, quase simultaneamente, pelo New
Deal de Franklin Roosevelt e pelo governo Nacional Socialista da Alemanha, onde o ministro da
economia Horace Greely Hjalmar Schacht,[51] em três anos (1934–37), conseguiu acabar com
o desemprego na Alemanha, sem provocar inflação, adotando um déficit orçamentário de 5%
do PIB - enquanto o resto do mundo se afundava cada vez mais na recessão. Essas políticas já
tinham sido incorporadas à legislação alemã no final de 1932 pelo governo de Kurt von
Schleicher[52] e tiveram influência nas políticas do New Deal de Roosevelt.
Em 1936, Keynes publicou sua obra magna The General Theory of Employment, Interest and
Money[53] que deu o suporte teórico a esse tipo de intervenção governamental na economia que
já vinha sendo adotado, intuitivamente, alguns anos antes da publicação do livro de Keynes.
Em 1944, os países ricos criaram os acordos de Bretton Woods e estabeleceram
regras intervencionistas para a economia mundial. Entre outras medidas, foi criado o FMI. Com
a adoção das metas dos acordos de Bretton Woods e a adoção de políticas keynesianas, os 30
anos seguintes foram de rápido crescimento nos países europeus e no Japão, que viveram sua
"Era de Ouro". A Europa renascia, com os financiamentos concedidos por meio do Plano
Marshall, e o Japão teve o período de maior progresso de sua história. O período de pós-guerra,
até o início da década de 1960 foram os "anos dourados" das economias capitalistas.
Teorias econômicas
Ver artigo principal: Economia neoclássica
As teorias econômicas tidas como neoliberais geralmente são agregadas no termo economia
neoclássica. As teorias neoclássicas foram influenciadas ou interagem com as seguintes
escolas de pensamento:

 Liberalismo econômico
 Economia clássica
 Escola keynesiana
 Monetarismo

Governos neoliberais
O primeiro governo democrático a se inspirar nos princípios neoliberais foi o de Margaret
Thatcher, na Inglaterra, a partir de 1980. Depois de persuadir o Parlamento Britânico da eficácia
do programa neoliberal, Thatcher fez aprovar leis que revogavam direitos dos
trabalhadores, privatizou empresas estatais e estabilizou a moeda. Tal era o seu entusiasmo
pelo discurso neoliberal, então em voga, que seu governo acabou por recriar a capitação, um
tributo altamente regressivo, aplicado pela última vez no século XVII. Oficialmente
denominado Community Charge e mais conhecido como "Poll tax" ouhead tax tratava-se de um
imposto de valor fixo a ser pago por todo e qualquer cidadão, independentemente da renda ou
capacidade de pagamento.[carece de fontes]
Ronald Reagan

Ronald Reagan implantou políticas que ficaram conhecidas como Reaganomics.

O presidente americano Ronald Reagan, que governou entre 1981 e 1989, implementou
políticas baseadas na economia pelo lado da oferta, defendeu a filosofia laissez-faire e a política
fiscal de livre mercado,[54] e procurou estimular a economia com grandes cortes de
impostos.[55][56] Citando as teorias econômicas de Arthur Laffer, promoveu os cortes de impostos
propostos para potencialmente estimular a economia a expandir sua base tributária,
compensando a perda de receitas causadas pela redução dos impostos pelo fato de que mais
pessoas pagariam impostos. O efeito final de todas as contas fiscais da era Reagan foi o de
uma redução de 1% na receita do governo em relação as primeiras estimativas de receita
do Departamento do Tesouro, feitas em janeiro de cada ano.[57] O Reaganomics foi objeto de
intenso debate entre os seus apoiadores, que apontavam para melhorias em alguns indicadores
econômicos chaves como uma prova de sucesso, e os seus críticos, que apontavam os grandes
aumentos nos déficits orçamentários federais e da dívida nacional. Sua política de "paz Armada"
resultou em um aumento significativo nos gastos militares, que tiveram um aumento real de 40%
entre 1981 e 1985.[58]
Os impostos federais sobre a renda foram significativamente reduzidos com a sanção
da Economic Recovery Tax Act of 1981.[59] No entanto, outros aumentos de impostos aprovados
pelo Congresso e sancionados pelo presidente garantiram que as receitas federais provenientes
do imposto de renda aumentassem de US$308,7 bilhões para US$549 bilhões e fossem
superiores a média do período de 1970-2010.[60][61][62] Com a sanção da lei bipartidária Tax
Reform Act of 1986, a legislação tributária também foi revisada.[63] Apesar do fato de que a Tax
Equity and Fiscal Responsibility Act of 1982 (TEFRA) foi o maior aumento de impostos em
tempos de paz da história norte-americana,[64][65] o produto interno bruto apresentou uma forte
recuperação após a recessão do início da década de 1980, e cresceu a uma taxa média anual
de 7,93% durante o seu governo.[66] Foram criados dezesseis milhões de novos empregos e os
índices de desemprego caíram de 7,5%, registrado no último ano do governo Jimmy Carter,
para 5,4%,[67][68] embora o desemprego atingiu no final de 1982 a maior taxa desde a Grande
Depressão, antes de cair durante o restante do mandato.[69][70][71] Comparado com o governo
Carter, a inflação média também diminuiu significativamente, indo de 12,5% (1980) para 4,4%
(1988).[70]
Alemanha Ocidental
As ideias neoliberais foram inicialmente implementadas na Alemanha Ocidental. Os
economistas neoliberais que cercavam Ludwig Erhard inspiravam-se em teorias que eles tinham
desenvolvido na década de 1930 e 1940, contribuindo para a reconstrução da Alemanha
Ocidental após a Segunda Guerra Mundial.[72] Erhard era um membro da Sociedade Mont
Pèlerin e estava em contato constante com outros liberais de sua época. O próprio Erhard
admitia que comumente era classificado como um "neoliberal" entre seus pares, uma
classificação que ele mesmo aceitava.[73]
O ordoliberalismo da Escola de Friburgo era mais pragmático. Os neoliberais alemães
aceitavam o conceito do liberal clássico de que a concorrência tem o condão de impulsionar a
prosperidade econômica, mas eles argumentavam que uma política de estado laissez-
faire sufocaria a competição quando os fortes (mais competitivos) devorassem os fracos (menos
competitivos), uma vez que a instituição de monopólios e cartéis poderia representar uma
ameaça à livre concorrência. Eles apoiaram a criação de um sistema jurídico bem desenvolvido
e de um aparato regulatório capaz e, embora ainda se opusessem às políticas
trabalhistas keynesianas em grande escala ou mesmo uma extensa rede de segurança social
(welfare state), a teoria dos neoliberais alemães era marcada pela iniciativa de colocar valores
humanísticos e sociais em igualdade com a eficiência econômica. Alfred Müller-Armack cunhou
a expressão "economia social de mercado" para enfatizar a tendência igualitária e humanista
desta corrente. Walter Eucken, considerado o pai do ordoliberalismo, frequentemente defendia
que "a segurança social e justiça social são o maiores preocupações do nosso tempo".[7] Tal
posicionamento não ficou imune às críticas dentre os próprios economistas liberais, entretanto.
Na opinião de alguns liberais como Hayek, a economia social de mercado apresentava metas
inconsistentes, enquanto outros como Ludwig von Mises acreditavam que os neoliberais
alemães não eram diferentes dos socialistas.[74]
Na Alemanha, o neoliberalismo era inicialmente sinônimo de ambos, ordoliberalismo e economia
social de mercado. Mas com o tempo o termo original 'neoliberalismo' desapareceu, uma vez
que o termo economia social de mercado era considerado mais positivo e melhor equipado para
adequar-se à mentalidade resultante do Wirtschaftswunder (milagre econômico) ocorrido nos
anos 1950 e 1960.[72]
Chile
Ver artigo principal: Neoliberalismo chileno

O Chile foi um dos primeiros países do mundo a adotar o neoliberalismo. As privatizações no


Chile durante o governo de Augusto Pinochet antecederam as da Grã-Bretanha de Margaret
Thatcher. Em 1973, quando um golpe militar derrubou o presidente socialista Salvador Allende,
o novo governo já assumiu com um plano econômico debaixo do braço.[75] Esse documento era
conhecido como "El ladrillo" e fora elaborado, secretamente, pelos economistas opositores do
governo da Unidade Popular poucos meses antes do golpe militar de 11 de setembro e estava
nos gabinetes dos generais golpistas vitoriosos, já no dia 12 de setembro.[76]
O general Augusto Pinochet se baseou em "El ladrillo" e na estreita colaboração de economistas
chilenos, principalmente os graduados na Universidade de Chicago, os chamados Chicago
Boys, para levar adiante sua reforma da economia.[75][77][78]
Os outros principais governos que adotaram as políticas neoliberais foram os de Margaret
Thatcher (Grã-Bretanha) e Ronald Reagan (Estados Unidos), políticas essas que ficaram
conhecidas como thatcherismo e reaganomics . A política de Reagan, nos Estados Unidos,
também ficou conhecida como Supply-side economics ou Economia do lado da oferta.[79]
O governo Thatcher

Margaret Thatcher, primera ministra do Reino Unido (1979-1990)

Thatcher obteve grande sucesso na estabilização da libra esterlina, na dinamização da


economia britânica e na redução drástica da carga tributária, levando, por conseguinte, o Partido
Conservador a obter larga margem de vantagem nas eleições parlamentares de 1983 e 1987 —
tornando-se assim ícone mundial dos defensores das políticas econômicas neoliberais.
Entretanto, a pobreza infantil no Reino Unido quase duplicou entre 1979 e 1990 — um dos
maiores aumentos jamais visto no mundo industrializado. O custo social das políticas adotadas
por seu governo foi considerado demasiadamente grande pelos críticos ao neoliberalismo.[80]
Durante o governo Thatcher a renda dos que estavam no decil superior cresceu pelo menos
cinco vezes mais do que a renda dos que estavam no decil inferior; a desigualdade cresceu em
um terço[81] Refletindo isso, o Coeficiente de Gini da Grã-Bretanha deteriorou-se substancial e
continuamente durante todo o governo Thatcher, passando de 0,25 em 1979 para 0,34 em
1990. Esta significativa piora no Coeficiente de Gini não pôde ainda ser corrigida pelos governos
que a sucederam.[82] Por outro lado, durante seu governo, milhares de britânicos conseguiram
comprar casas populares e ações de empresas recém-privatizadas nas áreas de energia e
telecomunicação.[83]
Quando Thatcher renunciou, em 1990, 18% das crianças inglesas eram consideradas pobres —
o pior desempenho dentre os países desenvolvidos — índice que continuou subindo (até atingir
um pico de 24%, em 1995-96, quando iniciou sua trajetória descendente).[84][85]
"Ao mesmo tempo em que é considerada a responsável por reavivar a economia
britânica, Margaret Thatcher é acusada de ter dobrado seus índices de pobreza. O
índice de pobreza das crianças britânicas, em 1997, era o pior da Europa."[85]
O governo Tony Blair (trabalhista) adotou, para corrigir essa distorção, a partir de 1997,
medidas de inspiração keynesiana, tais como o restabelecimento de um salário mínimo, a
criação de um programa pré-escolar e aumento dos créditos fiscais (isenções) para a classe
trabalhadora (uma medida de "transferência indireta de renda"). A proporção de crianças
britânicas que vivem na pobreza caiu do pico de cerca de 24% em 1996-97, atingindo 11%
no ano fiscal de 2005.[84][85]
"Nosso objetivo histórico será tornar nossa geração a primeira a erradicar a pobreza
infantil para sempre, e isso vai levar uma geração. É uma missão para 20 anos, mas
acredito que possa ser cumprida. Tony Blair.[86]
Os partidos de oposição a Blair, e seus críticos, o acusam de estar
sendo "assistencialista", de estar desequilibrando o orçamento, e de estar aumentando
a dependência da população no Estado. Os adversários políticos dos trabalhistas fazem
vistas grossas aos estudos que demonstram, por exemplo, que o custo — em prejuízos
indiretos causados ao agregado da economia britânica — provocado pela existência de
crianças abaixo da linha de pobreza onera a sociedade britânica em cerca de 600 libras
por habitante; ou cerca de 40 bilhões de libras por ano no total (2005).[87] Todavia, o
próprio Partido Trabalhista do Reino Unido aceitou, em termos macroeconômicos,
certos princípios enfatizados por Thatcher. Peter Mandelson, político trabalhista próximo
a Blair declarou, em 2002:
"A globalização pune com força qualquer país que tente administrar sua economia
ignorando as realidades do mercado ou a prudência nas finanças públicas. Nesse estrito
sentido específico, e devido à necessidade urgente de remover rigidezas e incorporar
flexibilidade ao mercados de capitais, bens e trabalho, somos hoje todos tatcheristas."[88]

Os neoliberais e a crise de 2008


Os neoliberais apontam o modelo keynesiano como sendo o responsável pela crise.
Liderados por economistas adeptos do laissez-faire, como Milton Friedman,
denunciaram a inflação como sendo o resultado do aumento da oferta de
moeda pelos bancos centrais. Responsabilizaram os tributos elevados, juntamente
com a regulação das atividades econômicas, pela queda da produção e pelo
aumento da inflação.[46]
A solução que propunham para a crise seria a redução gradativa do poder do
Estado, com a diminuição generalizada de tributos, a privatização[89] das empresas
estatais e redução do poder do Estado de fixar ou autorizar preços.
O período Reagan foi de redução de impostos e de um mais elevado crescimento
econômico, mas também de significativa elevação da dívida pública, o que os
"neoliberais" apontam como sendo um de seus principais problemas.
O neoliberalismo como herdeiro do liberalismo neoclássico
Ver artigo principal: escola neoclássica
Pierre Bourdieu, num artigo publicado em Le Monde diplomatique, datado de março
de 1998, vê "a essência do neoliberalismo" naquilo que ele chama de "o
mito walrasiano da "teoria pura". Segundo Bourdieu, o programa neoliberal "tende
globalmente a favorecer a ruptura entre a economia e as realidades sociais". Seria
"um programa de destruição metódica do coletivo", isto é, de "todas as estruturas
coletivas capazes de interpor obstáculo à lógica do mercado puro", tais como
as nações, cuja margem de manobra não para de diminuir; os grupos de trabalho
(mediante, por exemplo, a individualização de salários e carreiras em função de
competências individuais, com a consequente atomização dos trabalhadores); os
coletivos de defesa dos direitos dos trabalhadores, sindicatos,
associações, cooperativas; a própria família, que, através da constituição de
mercados por classes de idade, perde uma parte do seu controle sobre o
consumo..[90]

Críticas
Ver artigo principal: Críticas ao neoliberalismo
Segundo James Crotty a mais recente onda liberalizante, que ficou conhecida como
neoliberalismo, teve seu início com a queda do muro de Berlim. Foi promovida
pelo FMI, por economistas liberais como Milton Friedman, por seguidores da Escola
de Chicago, entre outros, sendo por eles apregoada como a solução que resolveria
parte dos problemas econômicos mundiais, reduzindo a pobreza e acelerando o
desenvolvimento global.[91]
Em 2007, após 28 anos da aplicação, em diferentes graus, de medidas tidas como
neoliberais, Jomo Sundaram, secretário-geral adjunto da ONU para o
Desenvolvimento Econômico, e Jacques Baudot, economista especializado em
temas de globalização, escreveram o livro "Flat World, Big Gaps"[92] ("Um Mundo
Plano, Grandes Disparidades" em tradução livre) que analisa os resultados obtidos
por essas tendências liberalizantes e mede seus efeitos nas populações dos países
em que as práticas foram adotadas.
Nesse livro, os autores concluem que: "A 'globalização' e 'liberalização', como
motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram
as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas".[93]
A segunda parte do livro analisa as tendências das desigualdades
econômicas ocorridas em várias partes do mundo, inclusive na OECD, nos Estados
Unidos, na América Latina, no Oriente Médio e norte da África, na África sub-
saariana, Índia e China.
As políticas liberais adotadas não trouxeram ganhos significativos para a melhoria
da distribuição de renda, pelo contrário: "A desigualdade na renda per
capita aumentou em vários países da OCDE (Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico) durante essas duas décadas, o que sugere que a
desregulação dos mercados teve como resultado uma maior concentração do poder
econômico."[93]
A liberalização do fluxo de capitais financeiros internacionais, que era apontada
como uma maneira segura de fazer os capitais jorrarem dos países ricos para irem
irrigar as economias dos países pobres, deles sedentos, funcionou exatamente ao
contrário.
O fluxo de dinheiro se inverteu, e os capitais fugiram dos países mais pobres, indo
para os mais ricos: "Houve uma tremenda liberalização financeira e se pensava que
o fluxo de capital iria dos países ricos aos pobres, mas ocorreu o contrário", anotou
Sundaram. Como exemplo, citou que os EUA recebem investimentos dos países
em desenvolvimento, concretamente nos bônus e obrigações do Tesouro, e em
outros setores.[93]
Essa "liberalização" de fluxos financeiros é assimétrica. Os países que mais
defendem a liberalização total dos fluxos de capitais não a praticam dentro de suas
fronteiras. Os Estados Unidos, com seu forte discurso liberalizante criou, por
exemplo, a "Community Reinvestment Act" (Lei do Reinvestimento Comunitário)
que obriga seus bancos a reaplicar localmente parte do dinheiro que captam na
comunidade. A Alemanha resistiu a todas as pressões para "internacionalizar" seus
capitais; em 2015, 60% da poupança da população alemã estão em caixas
municipais, que financiam pequenas empresas, escolas e hospitais. A França criou
um movimento chamado de "Operações Financeiras Éticas". A apregoada liberdade
irrestrita para os fluxos de capitais parece ter sido adotada só pelos países
subdesenvolvidos, que se veem frequentemente pressionados pelo FMI e em
decorrência submetidos a graves crises causadas por sua vulnerabilidade às
violentas movimentações especulativas mundiais.[94]
Essa diferença entre o discurso liberalizante dos países desenvolvidos e suas
práticas, foi reconhecida até por Johan Norberg,[95] o jornalista sueco autor do "best-
seller" In Defense of Global Capitalismque "atira coqueteis Molotov retóricos nas
potências ocidentais, cujo discurso em prol dos livre-mercados é enormemente
prejudicado por suas tarifas draconianas sobre a importação de produtos têxteis e
agrícolas, as duas áreas nas quais os países subdesenvolvidos teriam condições de
competir".[96]
De maneira geral, "a repartição da riqueza mundial piorou e os índices de pobreza
se mantiveram sem mudanças entre 1980 e 2000",[93] como já previra Tobin em
1981.
Por outro lado, os liberais afirmam que as reformas chamadas de "neoliberais"
foram insuficientes e os governos fracassaram em áreas fundamentais para terem
êxito, e chegam a afirmar que não houve nenhum governo liberal de fato. Estes
liberais geralmente estão ligados à Escola Austríaca, e são adeptos normalmente
do minarquismo ou do anarcocapitalismo.
O Fundo Monetário Internacional - instituição que, por décadas, foi um dos alvos
preferenciais dessas críticas, por defender a aplicação de diretrizes de política
econômica ditas neoliberais - publicou, em seu site, o artigo
intitulado "Neoliberalism: Oversold?". Assinado por economistas da instituição,[31] o
artigo não apenas admite a palavra "neoliberalismo" no próprio título como também
incorpora a crítica ao receituário por décadas prescrito pelo próprio FMI aos países
em desenvolvimento, como a rota mais segura para o crescimento
econômico sustentável. Os autores do texto admitem que, de fato, tais prescrições
poderiam, a longo prazo, ter efeito contrário sobre essas economias, aumentando
a desigualdade e, afinal, compromentendo o almejado crescimento econômico
sustentado.